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OBJECTIVOS DO ESTUDO

Objectivos Gerais
 Adquirir conhecimentos sobre a origem embrionária do sistema
nervoso;
 Conhecer as divisões do sistema nervoso;
 Compreender as funções do sistema nervoso central e do sistema
nervoso periférico.

Objectivos Específicos
 Descrever a divisão funcional do sistema nervoso periférico;
 Descrever a divisão dos nervos espinais;
 Citar os componentes do sistema nervoso periférico.
INTRODUÇÃO
O nosso trabalho tem como tema: Os 31 pares de Nervos Espinais.
Neste trabalho abordaremos o que é o Sistema Nervoso Periférico, a
sua divisão, bem como os seus componentes. Falaremos da divisão
funcional do Sistema Nervoso Periférico, e falaremos também dos Plexo
formados pelos nervos espinais.
O sistema nervoso,é dividido em duas partes: sistema nervoso central
e o sistema nervoso periférico. Este trabalho tem um tema que faz parte do
Sistema Nervoso Periférico.
O Sistema Nervoso origina-se da ectoderma. Na espécie humana isso
ocorre por volta da 3ªsemana de vida embrionária, quando há um
espessamento desse folheto, situado acima da notocorda,formando uma
região mais espessa chamada de placa neural.
A placa neural adquire um sulco longitudinal denominada de sulco
neural que se aprofunda e forma a goteira neural. Os lábios da goteira se
fecham para formar o tubo neural, que dará origem ao SNC.
No ponto de encontro dos lábios do sulco neural algumas células se
destacam e formam, de cada lado, uma lâmina longitudinal chamada de
crista neural, a qual dará origem ao SNP.
O embrião agora, com um mês de vida intra-uterina, a esta altura
com o tubo neural fechado, apresenta na sua extremidade cranial três
dilatações, conhecidas como vesículas encefálicas primitivas
(arquencéfalo).
A vesícula anterior é chamada de prosencéfalo, a intermediária é
conhecida como mesencéfalo e a que está na parte posterior é chamada de
rombencéfalo. O espaço interno das vesículas é ocupado por um fluido
orgânico que originará os ventrículos (cavidades) e os canais de
comunicação existentes entre eles.
Estas vesículas dilatadas darão origem ao encéfalo enquanto a parte
caudal dará origem à medula espinhal.
O prosencéfalo formará o telencéfalo e o diencéfalo. O mesencéfalo
não se modifica muito e por isso continua a receber o mesmo nome. O
rombencéfalo se subdivide em metencéfalo e mielencéfalo.O metencéfalo
formará o cerebelo e a ponte. O mielencéfalo dará origem ao bulbo.
Essas transformações morfogenéticas do SN ocorrerão durante os
quatros meses de gestação humana.
Entre o quarto e o quinto mês de gestação as principais estruturas
anatómicas já estão constituídas.
Nessa fase, tanto o córtex cerebral quanto o córtex cerebelar ainda
estão lisos. Posteriormente, como os ossos cranianos se desenvolverão mais
lentamente do que as estruturas encefálicas, o córtex adquire muitas
fissuras e sulcos, já que se desenvolve mais rapidamente. O oposto ocorre
com a medula espinhal e a coluna vertebral. Após o 4º mês de vida
embrionária, a medula se desenvolve mais lentamente do que a coluna
vertebral, formando uma estrutura anatómica conhecida como cauda equina
As cristas neurais, além de formarem as estruturas do SNP, como já
foi citado anteriormente, participam também da formação de outros tecidos
que não fazem parte do SN, como os melanócitos - células pigmentadas da
pele, entre outros. Além disso, ao se proliferarem, muitas migram e se
fixam formando os gânglios espinhais, situados na raiz dorsal dos nervos
espinhais e os gânglios autonómicos.
Após abordarmos das estruturas embrionárias que dão origem ao
Sistema Nervoso, abordaremos sobre as divisões do Sistema Nervoso.
O Sistema Nervoso é dividido em dois Sistemas. Um é denominado
de Sistema NervososCentral (SNC) e o outro de Sistema Nervoso
Periférico (SNP). No SNC essa cadeia de neurónios recebe o nome de
feixes, fascículo ou tratos e no SNP, essa mesma cadeia recebe o nome de
nervos.
O Sistema Nervoso é formado por um tecido composto por duas
células: os neurónios (elementos activos de condução nervosa) e as
neuróglias (elementos de suporte estrutural, entre outras funções).
Assim, para realizar qualquer tarefa precisamos dessas células. As
mensagens são enviadas através de impulsos nervosos que trafegam através
do axônio (a fibra do neurónio) e são passadas a outros neurónios em
junções especializadas conhecidas como sinapse (ponto de encontro entre
dois neurónios).
O SNC recebe, analisa e integra as informações. É o local onde
ocorre, ao mesmo tempo, as tomadas de decisões e o envio de ordens para
executá-las.
O SNP leva as informações dos órgãos sensoriais para o SNC e deste
para os efectores (músculos e glândulas).
A separação do SN é somente uma questão didáctica, pois o SNC
depende do SNP e vice-versa.
Anatomicamente podemos dividir o SN em SNC e SNP.
O SNC divide-se em encéfalo, que está localizado dentro da
cavidade craniana, e em medula espinhal, que está localizada dentro da
coluna vertebral.
O encéfalo corresponde ao cérebro (telencéfalo e diencéfalo),
cerebelo e tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo).
O SNP é formado por nervos (31 pares de nervos espinhais e 12
pares de nervos cranianos), gânglios e terminações nervosas.
Os nervos são cordões esbranquiçados (formados por fibras
nervosas) especializados em conduzir impulsos nervosos (tanto levam a
informação ao SNC quanto trazem a resposta para a periferia). Se a união
se faz no encéfalo são chamados de cranianos e se ocorre na medula são
chamados de espinhais.
Os gânglios são aglomerados de corpos de neurónios, que do ponto
de vista funcional podem ser de dois tipos: gânglios sensitivos (encontrados
na medula espinhal) e gânglios viscerais pertencentes ao Sistema Nervoso
Autónomo.
Nas extremidades das fibras nervosas que constituem os nervos,
encontram-se as terminações nervosas que do ponto de vista funcional,
podem ser de dois tipos: as que captam informações do ambiente levando-
as ao SNC, chamadas de sensitivas ou aferentes, e as que levam as
informações do SNC ao efectores, chamadas de eferentes ou motoras.

Componentes do Sistema Nervoso Periféricos

Receptores de sensibilidade
 Especiais
Visão, Audição, Equilíbrio, Gustação, Olfacção
 Gerais
Livres
De Temperatura; de dor; de tacto
 Encapsulados
Corpúsculos de Meissner (tacto e pressão);
Corpúsculos de Ruffini (tacto e pressão);
Corpúsculos de Vater-Paccini (sensibilidade vibratória);
Fusos Neuromusculares (reflexo miotático- manutenção do tônus
muscular);
Órgãos Neurotendinosos (de Golgi)
Receptores de sensibilidade
 Classificação fisiológica
Quimiorreceptores, osmorreceptores,
fotorreceptores,termorreceptores, nociceptores, mecanoceptores.
 Classificação topográfica
Exteroceptores (superfície)
Proprioceptores – músculos, tendões, ligamentos, cápsulas
articulares
Interoceptores (visceroceptores) – vísceras e vasos.
O Sistema Nervoso Periférico pode ser funcionalmente dividido em
um componente aferente (sensitivo) e um componente eferente (motor).
Componente Aferente
O componente Aferenteinclui células nervosas sensitivas somáticas,
que levam impulsos ao sistema nervoso central a partir de receptores
localizados na pele, fáscia, e ao redor das articulações, e células nervosas
sensitivas viscerais, que levam impulsos das vísceras do corpo para o
sistema nervoso central.

Componente Eferente
O componente Eferente está dividido em sistema nervoso somático
e sistema nervoso autónomo.
1) O Sistema Nervoso Somático também denominado Sistema
Nervoso Voluntário porque a sua função motora pode ser
controlado conscientemente. Ele inclui células nervosas motoras
somáticas, que levam impulsos do sistema nervoso central para
os músculos estriados esqueléticos. Os impulsos que transitam
por essas células, determinam contracções dos músculos
esqueléticos. As contracções musculares que são comandadas
pelo sistema nervoso somático podem se realizar sob controlo
consciente do indivíduo, ou, nos casos de respostas reflexas,
podem ser controladas em nível inconsciente.

2) O sistema nervoso autónomo – ou sistema nervoso


involuntário – ao contrário do sistema nervoso somático, está
composto por células nervosas motoras viscerais, que transmitem
impulsos para músculos cardíacos, liso, e glândulas. Os impulsos
motores viscerais normalmente não podem ser controlados
conscientemente.

O sistema nervoso autónomo pode ser funcionalmente subdividido


em parte Simpática e Parassimpática.

Sendo assim, os 31 pares de nervos espinais estão divididos em: Oito


nervos cervicais, doze torácicos, cinco lombares, cinco sagrados e um
coccígeo. O primeiro nervo cervical surge entre o osso occipital e o atlas;
os oito nervos cervicais surgem entre as sete vértebras cervicais e a
primeira torácica; e, abaixo destas, cada um dos nervos espinais sai do
buraco de conjugação situado entre as suas próprias vértebras e as que se
seguem mais abaixo. Cada nervo espinal possui uma raiz posterior e uma
anterior (dorsal) aferente e ventrais (eferentes). Ao nível do buraco de
conjugação, a raiz posterior forma o gânglio espinal, o qual contém a
origem central das fibras aferentes. A raiz ventral não possui um gânglio,
mas junta-se à posterior e saem as duas do buraco de conjugação sob a
forma de um nervo espinal misto. Este tronco nervoso comum contém
fibras quer aferentes, quer eferentes. As raízes ventrais, à excepção das
cervicais, contêm fibras eferentes do sistema nervoso simpático.
Logo por fora do gânglio espinhal, os dois tipos de raiz unem-se para
constituir o tronco do nervo espinhal. Este tronco divide-se depois em
quatro ramos:
 Ramo anterior, muito volumoso, misto, que enerva os músculos e a
pelo dos membros das regiões ventrais do tronco e das regiões
anterior e lateral do pescoço;
 Ramo posterior, mais delgado, também misto, distribui-se pela pele
e pelos músculos da nuca e da parte posterior do tronco;
 Ramos comunicantes, que se distinguem em dois tipos, ramo
comunicante branco e ramo comunicante cinzento, que podem estar
fundidos num tronco único. Trata-se de pequenos nervos situados
entre o nervo espinhal e o gânglio correspondente da cadeia latero-
vertebral do ortossimpatico;
 Ramo meníngeo, representado por um feixe nervoso de natureza
visceral que, saindo do tronco do nervo espinhal, ou do ramo
comunicante correspondente, ou do gânglio da cadeia latero-
vertebral, ou de ambos, percorre o canal de conjugação, distribuindo-
se pela dura mater, pelas paredes do canal vertebral e pelos vasos.

Logo depois de os nervos espinais se terem formado pela união das


duas raízes, constituem-se em duas divisões primitivas: a ventral e a dorsal.
A divisão dorsal primitiva divide-se em ramos, que já foram abordados
acima, os quais abastecem a musculatura dorsal-axial e a pele adjacente. A
divisão ventral primitiva forma quatro plexos principais, à excepção dos da
região torácica: plexos cervicais, braquiais, lombar e sagrado. Os da região
torácica, exceptuando o primeiro, permanecem separados e dividem-se
individualmente em ramos que abastecem os músculos e a pele das paredes
torácica e abdominal. Na formação dos quatro plexos principais, as fibras
nervosas reordenam-se em nervos periféricos. Além dos impulsos motores
e sensitivos transmitidos pelas raízes posteriores e anteriores, há também a
participação do sistema nervoso simpático, consistindo a mesma em fibras
viscerais eferentes e aferentes, as quais controlam as funções vasomotoras,
visceral e das glândulas sudoríparas em todas as regiões somáticas.
A partir da descrição anatómica, torna-se claro que quase todos os
nervos periféricos são nervos mistos que contêm: (1) fibras eferentes ou
motoras, (2) fibras aferentes ou sensitivas e (3) fibras pós-ganglionares do
sistema nervoso simpático.
Plexo: Conjunto de nervos que emergem da medula formando uma
rede de entrecruzamento complexos. Os principais são o plexo cervical, o
braquial e lombossagrado.
O plexo cervical (C1-C4) enerva os músculos cervicais profundos,
assegurando as funções de flexão, extensão, rotação do pescoço. Os nervos
cervicais também enervam os músculos escalenos e o nervo frénico do
diafragma, os quais asseguram a inspiração.
Os ramos sensitivos abastecem a pele da porção occipital externa do
escalpe, a parte mediana superior do pavilhão auricular e a zona por cima
da apófise mastoideia enervada pelo pequeno nervo occipital (C2-C3); a
pele da parte posterior da orelha e por cima da parte anterior do pescoço é
enervada pelos nervos cutâneos (C2-C3). Estes ramos supra-claviculares
(C3-C4) irrigam a pele sobre a clavícula, do deltóide superior e regiões
peitorais tão inferiores como a terceira costela.
O plexo braquial (C5-T1) é formado pelas divisões primitivas
anteriores dos últimos quatro nervos cervicais e dos primeiros torácicos. A
relação do plexo braquial com a coluna vertebral cérvico-torácica, com a
primeira costela,com a fáscia de Sibson e com os três músculos escalenos
desempenha um papel importante na anatomia funcional desta estrutura. O
plexo braquial é composto por três componentes diferentes:
As raízes do plexo: C5-C6 fundem-se para formarem o tronco
superior; a C7 torna-se o tronco médio e a C8 e a T1 fundem-se para
formar o tronco inferior.
A porção média do plexo é formada por três troncos; cada um deles
forma divisões anteriores e posteriores. O cordão externo é formado pelas
divisões anteriores dos troncos superiores e médio; o cordão interno é
formado pela divisão anterior do tronco inferior e o cordão posterior pelas
três divisões posteriores dos troncos superiores, médio e inferior.
Finalmente, os três cordões externos, posterior e interno dividem-se para
formarem os ramos principais do plexo. A posição dos cordões encontra-se
em relação à artéria axilar. Os ramos dos cordões internos e externos
transformam-se no nervo músculo cutâneo. Outra parte do cordão interno
forma o nervo cubital; e o cordão posterior divide-se para se transformar no
nervo radial e axilar.
Das raízes do plexo partem inúmeros nervos mais pequenos; os
torácicos posteriores (nervo escapular dorsal) (C5), o longo torácico (de
Bell) (C5-6-7) e ramificações para os músculos escalenos e longo do
pescoço. Dos troncos saem vários ramos: para o músculo subclavicular e
para os músculos supra e infra-espinhosos através do nervo supra-
escapular. O músculo grande dorsal é enervado pelos nervos subescapular.
Os ramos principais do plexo braquial são o nervo músculo cutâneo (C4-5-
6), o mediano (C5-6-7-8 e T1) e o cubital (C8, T1). Os nervos dos troncos
do plexo e de uma parte da medula enervam os músculos que asseguram os
movimentos de omoplata e a elevação, rotação, abdução e depressão do
braço.
O plexo lombar situa-se profundamente ao lado dos corpos das
vértebras lombares, ao lado das suas apófises transversas, entre os ventres
externos e internos dos músculos psoas, e e formado por quatro arcadas
anastomóticas constituídas pelosramos anteriores dos primeiros quatro
nervos lombares e chamadas I, II, III e IV arcadas lombares.
O ramo anterior do I nervo lombar recebe uma anastomose do XII
nervo intercostal, envia uma ao II nervo lombar e termina fornecendo os
nervos grandesabdominogenital e pequeno abdominogenital. O ramo
anterior do II nervo lombar recebe a anastomose do I, envia uma ao III e
divide-se nos nervos femorocutâneo e genitocrural.

O plexo sagrado tem uma forma triangular com a base na coluna


vertebral e o vértice na direcção da grande chanfradura ciática. E
constituído pelo ramo anterior do V nervo lombar e por uma parte do ramo
anterior do IV nervo lombar, queconstituem o tronco lombossagrado, pelo
ramo anterior do I nervo sagrado, por uma parte do ramo anterior do II
nervo sagrado e por uma parte do anterior do III nervo sagrado; todos os
ramos mencionados convergem entre si em direcção agrande chanfradura
ciática.
O plexo sagrado anastomosa-se com o simpático pélvico, com o
plexo lombar e com o plexo pudendo. Os ramos colaterais são: o nervo do
músculo obturador interno, os nervos dos músculos gémeos superior e
inferior, o nervo do músculopiramidal, o nervo glúteo superior que enerva
os músculos médio glúteo, pequeno glúteo e tensor da fáscia lata, o nervo
glúteo inferior, que se distribui pelo músculo grande glúteo e pela
articulação da anca, o nervo ciático, que sai da bacia através da grande
chanfradura ciática e desce pela região glútea e posterior da coxa ate atingir
o cavado Poplíteo.
O ramo terminal do plexo sagrado e representado pelo nervo grande
ciático. Este e o nervo mais comprido e mais volumoso do corpo humano,
estendendo-se da bacia ao cavado Poplíteo. Nele participam todas as raízes
do plexo sagrado e o tronco lombossagrado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ZUIDEMA D. G. e SHLOSSBERG L. Atlas de Anatomia Funcional
Humana. Editora: Instituto Piaget. Portugal.
SALGADO N. M. Descomplicando as Práticas de Laboratório de
Neuroanatomia. Rio de Janeiro, Brasil. 2005.
Www.oportalsaude.com.O nosso corpo – Sistema Nervoso
Periférico.Volume IX. Lisboa, Portugal. 2009.
ANEXOS
Meninges espinhais e raízes nervosas – vista anterior (membranas
removidas).
Origem do nervo espinhal – secção através da vértebra lombar.