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A:. G:. D:. G:. A:. D:. U:.

Augusta e Respeitável Loja Simbólica Vigilantes da Lei nº 30


MM:. AA:. LL:. AA:.

CENTRO DE ESTUDOS MAÇÔNICOS

INICIAÇÃO AO SIMBOLISMO

Ao ingressar na Maçonaria o neófito depara-se com um sistema de


ensino distinto, porém, o mais tradicional de todos os métodos iniciáticos de
aprendizagem. Este sistema é o SIMBOLISMO, verdadeira alma maçônica e
principal método de transmissão de sua moral.
A medida que começa a conviver na Maçonaria, descobre ser impossível
investigar seus mistérios sem compreender bem o que vem a ser a atmosfera
que o rodeia, ou seja, a SIMBOLOGIA MAÇONICA.

ORIGEM

Pode-se dizer que o símbolo é tão antigo quanto o próprio homem, ou


melhor, acompanha a humanidade a partir do aparecimento do primeiro ser, se
o compreendermos como símbolo do universo.
O símbolo parece ter sido a melhor maneira encontrada, pelos sábios de
todos os tempos, para expressarem seus pensamentos filosóficos, políticos,
científicos e religiosos. As religiões, que se formaram nas primeiras idades,
foram fundamentalmente simbólicas, talvez porque o simbolismo permita ao
homem despertar idéias abstratas, estimulando o pensamento pela sugestão,
assim como possibilitando extravasar suas crenças mais profundas.
Considera-se, geralmente, como origem etmológica da palavra
SIMBOLO o grego SYN-BALLEIN, que significa “colocar junto”, o que nos
transmite a idéia de concluir, inferir, conjecturar e interpretar.
SYNBOLOM para os gregos eram sinais de reconhecimento entre grandes
amigos e parentes, assim como as insígnias dos Deuses, os presságios e os
emblemas.

DEFINIÇÕES

SIMBOLISMO é o sistema de representar-se, por meio de símbolos,


uma situação, pensamento ou realidade, utilizando para tal um princípio de
analogia como elemento de expressão, ou interpretação, entre o símbolo , e a
idéia a ser transmitida.
SÍMBOLO é o objeto ou dispositivo utilizado no simbolismo para
expressar, sinteticamente, o pensamento ou princípio.
PRINCÍPIO DE ANALOGIA são os pontos semelhantes entre o
símbolo e a idéia a ser transmitida, ou seja, as identidades de relação entre o
símbolo e o simbolizado.
O simbolismo pode ser EMBLEMÁTICO e ESQUEMÁTICO.
Os símbolos podem ser NATURAIS e ARTIFICIÁIS.

SIMBOLISMO EMBLEMÁTICO

Utiliza analogia direta, enfocando, normalmente, um sentido mais moral,


servindo-se de elementos com alguma analogia com o que representa.
Ex: 1) A régua – símbolo da retidão, a lei, etc...
2) A cruz - o ideal de auto-sacrifício (como o despojamento do
egocentrismo natural do homem)

SIMBOLISMO ESQUEMÁTICO

Enfoca mais um sentido intelectual, filosófico ou cientifico. É o


simbolismo iniciático, contendo em seus significados os conhecimentos da
antiguidade.
Ex: 1) A régua – instrumento de trabalho e medida do tempo ( a régua de 24
polegadas), mostrando-nos que não se deve malgastar as horas na ociosidade
e egoísmo, mas sim bem distribuir-las em estudo, trabalho e repouso, porém,
sempre a serviço da humanidade.
2) A cruz – a lei cósmica do sacrifício (atuando independentemente da
consciência de que ela existe)
SIMBOLOS NATURAIS

São símbolos produzidos pela sugestão, levando-nos à associação


espontânea e fácil, pela lembrança das experiências comuns a todos os seres
humanos. Utiliza-se, normalmente, das coisas já existentes na natureza.
A interpretação dos símbolos naturais pode variar, mas estará
relacionada com o conceito original formado pelo homem.
Ex: 1) O teto do Templo Maçônico, simbolizando parte das infinitas
dimensões da LOJA.
2) O Sol, simbolizando de onde vem a luz, ou a luz do conhecimento.

SIMBOLOS ARTIFICIAIS

São símbolos criados pelo homem para representar suas idéias. São
símbolos relacionados com experiências particulares, e destinam-se,
geralmente, as pessoas ligadas entre si por determinados conceitos ou
conhecimentos.
Os símbolos artificiais podem existir por um tempo indeterminado,
passando ao esquecimento uma vez extintas as idéias que os originaram. Ex:
1) Símbolos alquímicos, como a espada simbolizando fogo. 2) O esquadro
com seu ângulo reto, simbolizando a irrepreensível conduta que o maçom
deve ter. 3) o compasso, simbolizando a relação que os maçons devem manter,
não só com seus irmãos, mas com toda a humanidade.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO SÍMBOLOS

Um símbolo pode representar vários simbolizados


(POLISSIGNIFICABILIDADE), assim como um simbolizado pode ser
representado por vários símbolos (POLISSIMBOLIZABILIDADE), o que
permite suas mutuas substituições (SUBSTITUIBILIDADE), além disso, um
símbolo pode significar melhor que outro um simbolizado
(GRADATIVIDADE). Ex: 1) A Escada de Jacó, simbolizando as principais
virtudes morais do maçom em seu caminho para a perfeição, e o ciclo
involutivo e evolutivo da vida. 2) A harmonia entre os maçons, simbolizada
pela romã e pelo pavimento de mosaico.
Alguns símbolos possuem características raras, como de significarem um
único simbolizado (SINGULARIDADE), ou fundirem-se com o simbolizado
(FUNSIONABILIDADE).
Ex: 1) O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, o Cósmico, ou o Ser
Supremo, como símbolo de Deus. 2) A Cadeia de União na hora que é
executada.
Os símbolos permitem expressar o que não poderíamos fazer de outra
maneira, sem perder parte do seu significado e possibilitando transmitir o
intransmissível, ou, resumindo, o que teríamos de explicar de várias formas.
O simples fato de um conceito, ou esquema abstrato, universaliza o símbolo.
Ex: O Delta Luminoso

INTERPRETAÇÃO DOS SÍMBOLOS

Sendo o símbolo uma apresentação visível de uma idéia oculta, todo


símbolo admite três interpretações distintas:
-LIBERAL
-FIGURADA
-ESOTÉRICA
Transmitindo, sob cada aspecto estudado, ensinamentos carregados de
sentido moral, espiritual, esotérico, filosófico, social e histórico.
Como exemplo podemos citar o simples uso do chapéu pelo Venerável
Mestre na Loja de Aprendiz . Este símbolo se origina das cortes, onde o Rei
era o único que mantinha a cabeça coberta, enquanto que os cortesãos as
mantinham descobertas em sinal de respeito. O chapéu simboliza o princípio
da hierarquia natural, onde o poder ou, comando, é concedido ao Venerável
Mestre pelos demais obreiros da Oficina, que o aceitam, compreendendo sua
capacidade, para que a ordem e disciplina dos trabalhos sejam garantidos.
Esotéricamente falando, os fios dos cabelos que cobrem a cabeça
funcionam como órgãos receptores, assim o uso do chapéu pelo Venerável
Mestre indica que nada mais tem a receber, e que nenhuma influência externa
pode interferir no seu modo de agir e julgar. O simples ato de retirar o chapéu
ao invocar o G:.A:.D:.U:. simboliza a compreensão, aceitação e respeito ao
princípio criador

.
A SIMBÓLICA MAÇÔNICA

O simbolismo da Maçonaria especulativa, tal qual a conhecemos, é


composto de símbolos das mais variadas origens e procedências, derivado dos
SÍMBOLOS PRIMITIVOS, dos símbolos da arte de construir e dos que foram
encontrados em muitas associações esotéricas e sociais, adaptados a uma
doutrina espiritual e moral.
Quanto a procedência os símbolos maçônicos podem ser classificados
em cinco categorias principais, a saber:

a) SÍMBOLOS MISTICOS E RELIGIOSOS TRADICIONAIS –


característicos por evocarem a idéia de Deus.
Ex: O círculo com um ponto central (o sol, a unidade)

b) SÍMBOLOS TIRADOS DA ARTE DE CONSTRUÇÃO – símbolos


da profissão dos maçons operativos. Ex: A trolha – símbolo da tolerância do
Mestre para com os companheiros e aprendizes e, símbolo do amor fraternal
que reúne e iguala

c) SÍMBOLOS HERMÉTICOS E ALQUÍMICOS – símbolos de


caráter científico ou esotérico. Ex: O enxofre e o sal – O enxofre é o
símbolo do espírito ou do ardor, e o sal , da sabedoria ou moderação.

d) SÍMBOLOS POSSUINDO UM SIGNIFICADO PARTICULAR


Ex: A romã simbolizando os maçons unidos entre si por um ideal
comum.

e) OUTROS SÍMBOLOS TRADICIONAIS – Pitagóricos,


cabalísticos, etc.. Ex: O símbolismo dos números

Como já vimos, o conjunto de símbolos que forma a SIMBÓLICA


MAÇONICA é imenso, cabe, portanto, ao iniciado aprofundar-se em seus
significados e descobrir as verdades guardadas nos templos de seu espírito.
O ESTUDO DE ALGUNS SÍMBOLOS MAÇONICOS

Passemos a estudar, a título de exemplo de tudo que foi visto, alguns


símbolos Maçônicos:

O CÍRCULO COM UM PONTO CENTRAL

A primeira instrução do grau de Aprendiz esclarece que: “Em toda Loja


Maçônica Regular, Justa e Perfeita, existe um ponto dentro de um círculo que
um maçom não deve transpor . Esse círculo é limitado entre o norte e o sul,
por duas linhas paralelas, representando Moisés e a outra Salomão. Na parte
superior deste círculo fica o Livro da Lei que suporta a Escada de Jacó, cujo
cimo toca os céus.”
Essa representação é, sem dúvidas, um símbolo místico, e remonta a
mais alta antiguidade, onde o encontramos sempre relacionado com o Criador
e sua Criação. Na maioria das vezes este símbolo aparece ligado ao culto
solar, símbolo do Criador, centro do Universo, de onde emanam todas as
coisas. Por isso sua posição gráfica no painel do Aprendiz.
As linhas paralelas pretendem indicar os extremos das declinações
setentrional e meridional do Sol, quando alcança os pontos solisticiais de
Câncer e Capricórnio.
O círculo com um ponto no meio representa, também, a fecundidade,
pois o Sol era considerado pelos antigos como um símbolo fálico, fecundando
a terra com emergia divina. Por analogia, podemos considerar o círculo com o
ponto, como símbolo do momento da vida na terra, ou seja, a célula óvulo
fecundada pelo espermatozóide.
Cabalísticamente, o ponto representa o Uno, Deus, e o círculo o
Universo. O centro está em todas as partes e a circunferência em nenhuma,
pois, não tem início e nem fim, é o universo infinito, a infinita criação que
depende do centro para existir. As linhas paralelas indicam ao maçom o
caminho a percorrer em sua busca da perfeição. Transferindo estes conceitos
para uma Loja Maçônica, podemos dizer:
- O ponto simboliza as luzes da Loja, ou seja, o Venerável e os
Vigilantes, e o círculo simboliza a Loja, ou seja, o universo Maçônico
da Loja. As linhas paralelas, os limites entre tudo que é maçônico e o
que é profano, convidando o iniciado a seguir em linha reta na trilha
maçônica.
- Podemos dizer, também, que o ponto significa o altar sagrado, o círculo,
o iniciado, em sua circunvolução, enquanto que os irmãos estão situados
em linhas paralelas.
- Diríamos, ainda, que símbolo representa o ato da cadeia de união.

O BODE

Para o autor desta Peça de Arquitetura, o bode representa um dos


últimos símbolos adotados pelos maçons a fazer parte da Simbólica Maçônica,
mas de maneira não oficial, encoberta com brincadeiras e piadas, e de bastante
informalidade.
Para este autor, o bode vem simbolizando, na atual Maçonaria
especulativa, o espírito elevado, a compreensão e a tolerância dos maçons, que
não se deixam abalar pelos inimigos da Maçonaria e da Liberdade, no passado
representado pela ignorância eclesiástica medieval.
O bode pode ter sido introduzido na Maçonaria pela superstição dos
ignorantes que associaram a Maçonaria com a Feitiçaria, visto ser símbolo da
impureza e ignorância animal no homem, normalmente representada pelo
pentagrama invertido com a cabeça do bode no interior. Este símbolo é
contrário a estrela de cinco pontas, que representa o homem evoluído, de
espírito elevado.
Sabe-se, porém, que o bode representava para os gregos o Deus PAN,
filho de Júpiter e Calisto, que presidia aos rebanhos e as pastagens, sendo
considerado como símbolo da fecundidade, princípio fecundante da natureza,
isto é, princípio de vida e geração.
O bode pode ter sido trazido pela figura de Baphomet, imagem de um
homem com corpo de inseto, cabeças com caracteres de um cão, touro e burro,
e, cujo conjunto, era carregado de símbolos herméticos. Esta figura foi
considerada pelos inquisidores, como bode, ídolo dos Templários, e ajudou ao
ignorante clero a justificar e realizar sua condenação da OrdemTemplária.

A CORDA

A corda é um símbolo utilizado muitas vezes na Maçonaria, e seu


significado depende dos diversos ritos, ocasiões e situações em que se
encontre. A Corda pode significar:
- A ESCRAVIDÃO (em que é reduzido o homem pelas paixões, erros,
vícios, e prejuízos), quando amarrada ao pescoço.
- O CORDÃO UMBILICAL, sendo a Câmara de Reflexões o útero
materno do qual o candidato sairá por uma morte à vida fetal para
renascer a vida iniciática.
- LAÇO INVISÍVEL que vinculará o candidato a Maçonaria.
- O “CORDÃO DE PRATA” OU “MAGNÉTICO” que durante a vida
ata o espírito ao corpo.

CORDA COM NÓS

A corda com nós tem seu simbolismo interpretado de acordo com o


número de nós:
- SETE NOS, representa as artes ou ciências liberais.
- DOZE NÓS, representa os signos do zodíaco
- OITENTA E UM NÓS, esta corda percorre o friso do Templo da loja,
tendo uma borla em cada uma das suas extremidades, que terminam diante das
duas colunas de entrada.
Os nós desta corda são chamados de “laços do amor”, e primitivamente
ela era desenhada no chão, com giz ou carvão, que constituía o painel da Loja,
possuindo numero de nós correspondentes ao grau de Aprendiz ou
Companheiro, conforme a loja constituída.
A origem desta corda pode estar na cerca que os maçons operativos
faziam nos canteiros de obras, normalmente com cordas ou correntes fixas por
estacas. Estas cercas tinham apenas uma entrada e eram permanentemente,
guardadas por um vigilante.
Também as Assembléias político-jurídicas dos germanos, realizadas a
céu aberto, utilizavam cordas presas as lanças dos soldados, para delimitar o
local da Assembléia. A entrada era feita por um espaço sem corda, onde
estavam fincados os mastros das bandeiras dos Comandos e da Assembléia.
A corda de oitenta e um nós tem seu simbolismo semelhante a orla
dentada, as romãs, e , até certo ponto, a cadeia de união, pois é o emblema
símbólico da união e da fraternidade maçônica. Seus nós representam a união
de todos os maçons do mundo e dos obreiros de uma Loja.
Esotéricamente, os nós podem significar os seres tal qual são ligados,
sem distinção, entre si, e ao princípio Criador, mas que mantém suas
personalidades e individualidades.
Alguns autores consideram os fios que formam a corda, como os
maçons, e os nós, as dificuldades da vida, que o maçom com o desfazimento
delas e auxiliados por seus irmãos, saberá superar.
BIBLIOGRAFIA

Boanerges Barbosa Castro – “ O Templo Maçonico e seu Simbolismo”


Editora Aurora – 2ª edição

Joaquim Gervásio de Figueiredo – “Dicionário de Maçonaria”


Editora Pensamento – 4ª edição

Mário Ferreira dos Santos – “Tratado de Simbólica”


Editora Logos – 2ª edição

Nicola Aslan – “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e


Simbologia”
Editora Artenova – 1ª edição

e “ Estudos Maçônicos Sobre Simbolismo”


Editora Aurora – 3ª edição

Rizzardo de camino – “A Cadeia de União “


Editora Aurora – 2ª edição

Oriente do Rio de Janeiro, 22º dia do oitavo mês do ano de 5982 da V:. L:.

José Alexandre Seba


C∴ M∴

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