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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

INSTITUTO DE ARTES
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MÚSICA

O CANTO ESPONTÂNEO E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO


MUSICAL: ENSAIO
SITUAÇÃO PROBLEMA

Como o canto espontâneo auxilia no processo de desenvolvimento cognitivo


musical das crianças até chegarem à cinco e seis anos?

DESENVOLVIMENTO

O canto espontâneo é uma das mais importantes formas de expressão infantil,


assim como o desenho e a gestualidade. O pedagogo musical Maurice Martenot acredita
que “o canto espontâneo nasce da vontade de se expressar e cantar” (FIALHO;
ARIALDI, 2011, p. 171). Martenot crê também que o canto espontâneo pode ocorrer
junto ao desenvolvimento do aparelho vocal, e nesse desenvolvimento, se torna um
passo fundamental para o canto consciente.
“A música produzida espontaneamente pela criança provavelmente reflete a
forma como a criança se relaciona com o mundo, como ela é capaz de pensar sobre o
mundo” (FONSECA, 2015) Nessa capacidade de relação com o mundo, as crianças se
tornam agentes ativos na construção de sua própria cognição.
Conceituarei a origem do canto espontâneo segundo FONSECA (ANO).
Segundo a autora, no seu primeiro ano de vida, a criança produz balbucios musicais,
semelhantes à sua comunicação pré-verbal. O que se tem observado é que a criança ao
nascer já dispõe de um trato vocal que lhe permite, a partir de uma motivação intrínseca,
explorar e brincar com os sons, bem antes de ser capaz de falar (PAPOUSEK M., 1996,
p.88 apud FONSECA, ano, p. 73). O bebê brinca com a voz, segundo a autora,
provavelmente, tentando explorar possibilidades de comunicação. Os balbucios
musicais, segundo Sloboda (2008), são glissandos microtonais, percorrendo uma
extensão melódica. A criança ao que me parece, pelas leituras, se sente fascinada pelo
som e pelo controle que ela exerce sobre ele.
Segundo Sloboda (2008), o meio natural para a fala e a música é o “auditivo-
vocal”. Tanto a fala como a música, posso entender como uma sequência de sons, e
esses sons são produzidos através de movimentos vocais que a criança realiza. Esses
movimentos vocais podem se associar aos movimentos corporais. A criança pode, de
forma confiante, desenvolver, através desses estímulos, o ouvido interno e a memória
musical. Sloboda demonstra em sua pesquisas que os bebês podem escolher entre
sequências musicais bem ou mal formadas, presentes em sua cultura.
No segundo ano de vida, a fala da criança começa a se desenvolver, utilizada
como instrumento de comunicação e a vocalização e passa a ser percebida, segundo
Fonseca (ano) com claramente como canto espontâneo.
Durante o terceiro ano de vida, a criança sofre mais modificações. O canto se
torna mais longo e a criança vai entendendo que a música é construída com intervalos
pré-estabelecidos, elas utilizam intervalos de segunda, terça, quarta e quinta, com uma
afinação aproximada.
A partir dos três anos de vida, já para os quatro anos, a criança tem habilidade de
imitar e reproduzir canções que são de sua cultura. Ritmo e contorno melódico são
aprendidos facilmente, porém, a afinação precisa dos intervalos e a permanência numa
mesma tonalidade somente devem ocorrer mais tarde (SLOBODA).
Aos cinco anos de idade, o canto espontâneo não é tão frequente na criança, a
não ser se ela for estimulada a fazê-lo. Sloboda afirma que “a criança tem uma maior
consciência de si e está preocupada em evitar erros e em ser precisa nas suas imitações”
(SLOBODA, 1985). Na fase anterior, tida como imprecisa, as crianças não estão muito
ligadas à quantificação nem à qualificação, portanto, ela começa aos cinco anos de
idade à classificar os elementos que tem contato, não sendo diferente com a música.
Bem, elas começam então a solidificar os conhecimentos adquiridos com os
processos que experimentou antes dos cinco anos de idade.

REFERÊNCIAS