Você está na página 1de 18

SISTEMA NERVOSO HUMANO

O sistema nervoso, junto com o sistema endócrino, coordena a atividade de todos os demais sistemas do
corpo. Sua atividade se faz através da transmissão de impulsos nervosos, que se processam rapidamente através
das cadeias de neurônios. Pode ser dividido em dois setores fundamentais: o sistema nervoso central e o sistema
nervoso periférico.
O primeiro e um conjunto de órgãos representados pelo encéfalo (ponte, bulbo, mesencéfalo, cerebelo e
cérebro – hemisférios, tálamo e hipotalamo) e pela medula raquiana (espinhal), enquanto o segundo e uma
vastíssima rede de nervos que faz ligação entre o SNC e todas as partes do corpo. Convencionou-se classificar o
presente tipo de sistema nervoso de cérebro-espinhal.

SNC

Cerebro:
Hemisférios – partes homologas do cérebro que comandam o lado oposto do corpo. Sua parte mais
externa é constituída pela massa cinzenta, córtex, onde se encontra a maior parte dos neurônio e seus centros
nervosos. Mais profundamente o tecido nervoso é constituído pela massa branca, onde estão as conexões de
dendritos e axônios.
Quanto maior a área do cortez, maior o numero de centros nervosos, sendo assim mais evoluída é a
espécie. Para que toda essa extensão coubesse na caixa craniana, houve o aparecimento de fissuras e
circunvoluções na superfície cerebral. Os animais que as apresentam são classificados como girencefalos,
enquanto os demais são lissencefalos.
Os hemisférios estão ligados pelo corpo caloso e são divididos, cada um, em quatro partes:
1-) lobo frontal: controla os músculos esqueléticos, a linguagem, a resolução de problemas e a
concentração.
2-) lobo temporal: controla audição, paladar e certos tipos de memoria (como a musical e a de padrões
visuais).
3-) lobo occipital: responsável pelo controle, entre outras coisas dos processos que envolvem a visão.
4-) lobo parietal: percepção de tato, dor, pressão, calor e fala.
Tálamo – conexão entre os hemisférios e o restante do sistema nervoso. É centro de transmissão e
processamento de informações sensoriais.
Hipotálamo – intimamente ligado a hipófise, controlando a produção de hormônios. É o centro de controle
de emoções e atividades fisiológicas básicas, como sede, fome, impulso sexual, sono, controle de temperatura.
Cerebelo:
É o centro de equilíbrio, postura e harmonia dos movimentos.
Mesencéfalo:
Situado entre a ponte e o cérebro, contem formação reticular, reponsável principalmente pelo
processamento de dados visuais e auditivos.
Ponte: Estrutura de conexão.
Bulbo:
Caminho de feixes nervosos cérebro-medular, contem centros de controle de funções vitais como
respiração, deglutição e circulação.
Medula raquiana:
Se localiza no canal medular, que corre ao longo e por dentro da coluna vertebral. Cada vertebra
circunscreve um buraco vertebral, e a partir da superposição de vertebras o canal vertebral. Os nervos raquianos
emergem do canal medular passando por espaços entre as vertebras, sendo mistos (conduzem informações do
cérebro aos músculos e estímulos da pele ao cérebro).
Todo sistema central e protegido por um envoltório ósseo e por membranas chamadas meninges, sendo elas
três: 
a- dura mater: a meninge mais externa, fica logo abaixo do tecido ósseo
b- aracnoide: e a camada intermediaria, ricamente vascularizada. abaixo dela acumula-se um liquido
(formado ao nível ventricular) chamado de liquor ou liquido cefalorraquiano, que contribui como proteção ao SNC
ante choques mecânicos.
c- pia mater: meninge mais delicada e interna.
A inflamação de uma ou de todas as meninges constitui a meningite. Ela pode ter origem traumática ou
infecciosa (vírus ou bactéria), e se não for tratada eficaz e imediatamente a pode se complicar com encefalite e
provocar a morte.

SNP

O SNP compreende toda a vasta rede de nervos que percorre o organismo sendo classificados em dois
grupos: nervos de vida de relação (tem atividade voluntaria) e nervos de vida vegetativa (coordenam atividade
orgânica ou visceral, involuntariamente).
O SN de vida de relação e composto pelos nervos cranianos (12 pares que nascem diretamente dos órgãos
que formam o encéfalo) e pelos 31 pares de nervos raquianos.
O SN autônomo procede distribuindo seus nervos em dois subgrupos: os nervos do sistema simpático
(noradrenalina) e os do parassimpático (acetilcolina). Eles atuam de forma antagônica estimulando e
desestimulando funções, determinando assim o equilíbrio funcional dos órgãos. Os distúrbios neurovegetativos
surgem quando ocorre falência de um desses sistemas.

Simpático Parassimpático

Pupilas Dilata Contrai

Coração Acelera (taquicardia) Retarda (bicardia)

Vasos sanguíneos Contrai Dilata

Estomago Paralisa Excita

Intestino Paralisa Excita

Bexiga Relaxa Contrai

Útero Relaxa Contrai

Arco Reflexivo

Chamamos de arco-reflexivo a toda resposta rápida, imediata, do sistema nervoso a um estimulo externo.
Pode haver transmissão de informação do SNP ou central por intermédio da medula; uma reação pronta da
medula pelo recebimento de informação pelo nervo raquiano sensível, passada a um nevo da maca cinzenta
(nesse caso interior) e reação por um motor; ou ate a simples transmissão entre o nervo sensível para o motor (que
tem como exemplo o teste feito por médicos com o martelinho, testando o reflexo rotuliano ou patelar).
Reflexos unicamente medulares são chamados de simples, enquanto os que envolvem a atividade cerebral
são os superiores, podendo excluir atividade medular, como os ligados a sensação de fome gerados por visão e
olfato.

Anatomia comparada

Mamíferos são animais girencefalos, enquanto as classes de aves para baixo são lissencefalas. Os
vertebrados possuem sistema nervoso cérebro-espinhal, que tem situação no corpo privilegiadamente dorsal,
enquanto nos invertebrados encontra-se o sistema nervoso ganglionar, situado ventralmente. O gânglio e tão
somente um conglomerado de neurônios e de cada par deles saem os nervos que comandam atividades de áreas
vizinhas.
ATIVIDADE HORMONAL

Hormônios se constituem em secreções de glândulas ou de células isoladas que, uma vez lançadas na
circulação sanguínea, vão atuar a distancia, em estruturas ou órgãos especiais, desencadeando uma atividade
qualquer ou, ao contrario, inibindo-a. A especificidade de atuação e devida a presença de quimiorreceptores
moleculares exclusivos, situados na membrana plasmática das células alvo.
A composição química dos hormônios e variável. Alguns são de natureza proteica como a insulina,
glucagon, secretina, o hormônio de crescimento e o ACTH; outros de natureza lipídica, como esteroides (hormônios
sexuais e do córtex das glândulas supra renais); e ainda ha outros de composição diversiva.

Glândulas endócrinas do corpo humano

O que caracteriza uma glândula endócrina é a ausência de canal excretor. Nesse caso os próprios vasos
sanguíneos que irrigam a glândula absorvem as suas secreções e as transportam ate o órgão alvo.
No corpo humano distinguem-se as seguintes glândulas endócrinas:
Hipófise, Tireoide, Paratireoides, Supra renais e Epífise ou timo.
Há ainda as glândulas mistas, ou seja, que segregam hormônios e, ao mesmo tempo, outros produtos, que
são eliminados por via canalicular:
Pâncreas e gônadas (testículos e ovários)
O sistema endócrino e o nervoso são chamados de integradores, trabalhando juntos para o controle do organismo.

Hipófise ou pituitária

Hipófise é uma pequena glândula situada abaixo do hipotálamo (porção basal do cérebro) e ligada a ele
por um pedículo de estrutura nervosa. A porção posterior da hipófise também possui estrutura de tecido nervoso,
sendo conhecida como neuro hipófise, e a anterior formada por tecido glandular chama-se adeno-hipofise.
A neuro armazena hormônios que na realidade são produzidos pelo hipotálamo, enquanto a adeno
efetivamente produz e secreta hormônios, os quais só são liberados na corrente sanguínea sob o controle e estimulo
de hormônios hipotalâmicos conhecidos como liberadores (releasing factors).

A - Hormônios da Adendo Hipófise

Hormônio de crescimento (somatotrófico): produzido durante a infância e a adolescência, atua sobre as


células dos tecidos cartilaginoso, ósseo e muscular, contribuindo para o crescimento do individuo. A sua produção
deficiente na infância gera o nanismo, e seu excesso o gigantismo. Na idade adulta, a presença desse hormônio
na circulação determina a acromegalia, que leva ao desenvolvimento anormal das extremidades.

Hormônio Tiro estimulante (TSH): e o ativador da glândula da tireoide.

Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH): atua sobre córtex das glândulas supra renais, estimulando-o na
produção dos corticosteroides.

Hormônios gonadotróficos: são hormônios que atuam sobre as gônadas. Compreendem o FSH (ou
hormônio folículo estimulante) e o LH (hormônio luteinizante). o FSH, na mulher, estimula a maturação dos óvulos no
interior dos folículos de Graaf, nos ovários, e indiretamente, participa dos ciclos menstruais, pois incentiva os ovários
na produção de hormônios. No homem, o FSH ativa a formação de espermatozoides no testículo. Já o LH,  nas
mulheres, induz a ovulação e a formação do corpo amarelo no ovário. Ele então produz progesterona, que
também atua no ciclo menstrual. No homem o LH funciona estimulando as células intersticiais de Leydig, nos
testículos, a uma maior produção de hormônios masculinos, responsáveis palie virilidade do individuo.

Prolactina: Ao final de uma gravidez, a mulher possui na circulação sanguínea determinados hormônios
que "preparam" as células das glândulas mamarias para receberem a prolactina, com sua ação estimulante de
lactação.

B- Hormônios Hipotalâmicos Liberados pela Neuro Hipófise

Ocitocina - É um hormônio que provoca contrações fortes da musculatura uterina durante e ao longo do
parto. Além disso, atua sobre as fibras musculares lisas que circundam as glândulas mamarias, promovendo a
contração das mesmas, do que resulta a compressão dessas glândulas e a ejeção de leite. Atua por feedback
positivo.

Hormônio antidiurético (ADH): tem atuação sobre os rins, incentivando o mecanismo de reabsorção da
agua nos túbulos contornados distais. A deficiência desse hormônio acarreta uma exagerada diurese. A grande
perda de agua leva a desidratação e sede, o sangue fica mais concentrado e ha elevação da taxa de glicose.
Pode ocorrer eliminação de glicose na urina uma vez que a reabsorção esta prejudicada. Esses sintomas
mesmo que semelhantes a de diabete melito constituem na verdade um falso caso de diabete ao qual se da o
nome diabete insipida. O consumo de bebidas alcoolicas inibe a ação do ADH podendo gerar o quadro.
Tireoide

É uma glândula situada na base do pescoço a frente da traqueia, constituída de um grande numero de
vesículas contendo uma substancia gelatinosa chamada coloide. As células epiteliais que forram internamente
essas vesículas produzem os hormônios tireoidianos, sendo os dois principais: T3 e o T4 (triiodotironina e
tetraiodotironina).
Esses, quando lançados na corrente sanguínea, estimulam as reações do metabolismo celular em todo o
corpo, pois incrementam a produção de enzimas de oxirredução que agem no piruvato, no ciclo de Krebs e na
cadeia respiratória.
Para a produção dos hormônios, a tireoide necessita de iodo, e, na tentativa de evitar o bócio endêmico,
por falta do íon na alimentação, na população brasileira, o iodo é acrescentado ao sal de cozinha.
O excesso da produção de hormônios tireoidianos gera o hipertireoidismo ou doença de Basedow,
podendo gerar o bócio hipertireoideo (doença de hipertrofia das glândulas tiroidianas) e exoftalmia (olhos
arregalados).
A deficiência funcional da glândula ocasiona hipotireoidismo, com aumento de peso e vagarosidade. Se a
doença ocorre na infância pode causar retardo mental, que caracteriza o cretinismo tireoidiano. O diagnostico
precoce pode ser feito pelo teste do pesinho. Também neste caso pode aparecer o bócio uma vez que há o
aumento de folículos na tentativa de suprir a deficiência glandular.
A tireoide produz também a calcitonina, que estimula a reserva de cálcio nos ossos e aumenta a absorção
do ion no intestino.

Paratireoides

São quatro glândulas situadas nos ângulos posteriores da tireoide. Produzem a paratirina ou paratormônio,
que estimula a absorção dos sais de cálcio ao nível do intestino, incentiva a reabsorção dos íons cálcio nos túbulos
renais e retira parte dos sais de cálcio dos ossos para lança-la no sangue. O aumento de Ca2+ na corrente
sanguínea é importante pois o ion é indispensável em mecanismos como o de coagulação, contração muscular
etc.
A deficiência do hormônio gera hipocalcemia, levando a contrações espasmódicas dos músculos e
convulsões, que caracterizam a tetania; e sua abundancia a desmineralização dos ossos, que ficam porosos e
quebradiços (osteoporose).

Supra renais

São duas glândulas situadas sobre os rins, com estrutura composta por duas porções distintas: o córtex (que
produzem hormônios corticais) e a medula (hormônios ad-renal).
Os hormônios corticais se classificam em 3 tipos:
Mineralocorticóides (p: aldosterona): atuam nos rins, regulando a reabsorção de íons, principalmente Na e
Cl, e consequentemente a reabsorção de água.
Glicocoticóides (p: cortisol): desenvolvem ação no metabolismo geral dos açúcares controlando a
glicogênese (formação de glicose, no fígado, a partir de gorduras e proteínas) e a glicogenolise
(desmembramento do glicogênio em glicose).
Hormônios sexuais (p: androgênios): produzidos no córtex ad-renal são lançados na circulação indo ao
fígado, onde são metabolizados e originam outros produtos.
O hormônio mais importante da medula supra-renal é a adrenalina ou epinefrina. Ela atua como mediador
químico de sinapses nervosas, facilitando a transmissão do impulso nervoso de um neurônio a outro. Porém é a
noradrenalina, produzida diretamente nas sinapses, o hormônio de maior destaque do sistema simpático.  
A adrenalina também contribui para aumentar o fluxo de glicose na corrente sanguínea, uma vez que
estimula a atividade enzimática de quebra do glicogênio, oferecendo as células condições para o maior consumo
de energia em situações de necessidade.

Epífise ou pineal

Situa-se entre os dois hemisférios cerebrais, posteriormente à hipófise. Parece ter influência no
desenvolvimento físico, psíquico e sexual (maturação) do indivíduo, não sendo suas funções bem claras. Ela atua
na produção de melatonina, que estimula a liberação dos hormônios gonadotroficos pela hipófise e regula o sono.

Timo

Situa-se na região mediana do tórax, à frente do coração e entre os dois pulmões. É o órgão de produção
primária dos linfócitos T e da tunisina, que estimula a maturação de linfócitos em todos os órgãos linfóides.

Pâncreas
O pâncreas é uma glândula mista. A função endócrina  do órgão é exercida por agrupamentos de células
(formando as ilhotas de Langerhans) que distinguem-se em alfa (produtoras de glucagon) e beta (produtoras de
insulina). O glucagon promove, no fígado, a glicogenólise, desdobramento do glicogênio em várias moléculas de
glicose, aumentando sua taxa no sangue. A insulina é antiglicemiatiante, baixando a taxa no sangue a partir de
alterações na membrana plasmática das células que recebem a glicose para consumo imediato. A deficiência
das células beta causa o diabete melito ou diabete sacarina.
Com isso, a glicose obtida nas refeições acumula-se no sangue e nao é empregada nas células, o
organismo passa então a utilizar outras formas de energia, como degradação de proteínas e de gorduras,
acarretando perda de peso e formação de resíduos cetonicos.

Gônadas

São também glândulas mistas uma vez que na função exócrina, produzem os gametas, e na função
endócrina, os hormônios sexuais.
As femininas são os ovários, situados nas fossas ilíacas direita e esquerda . As masculinas são os testículos,
situados na bolsa escrotal.
Os hormônios femininos são de dois grupos: estrogênios (estradiol) e progestigênios (progesterona).
Os hormônios masculinos compreendem a testosterona e a androsterona. Eles respondem pelo estímulo do
desenvolvimento das características físicas e psíquicas masculinas do indivíduo.

Os mecanismos de feedback

O feedback é todo mecanismo de atividade orgânica em que interagem dois órgãos, um como
estimulante e outro como estimulado, notando-se que o último acaba incentivando ou bloqueando a ação do
primeiro.
Feedback positivo não é interessante ao indivíduo, uma vez que pode gerar um ciclo vicioso. Exemplo
picada de inseto: a penetração de material estranho na pele gera liberação de histamina, que causa alerta, como
uma coceira, para reação de linfócitos na área. Porém quando o indivíduo coca a região há maior liberação de
histamina e consequentemente da coceira.
Os mecanismos de feedback no organismo são quase sempre negativos. Exemplo: as glândulas
paratireoides produzem o paratormonio, que age sobre o tecido ósseo, dele retirando uma certa quantidade de
cálcio, que é lançada no sangue. A elevação da taxa de cálcio no sangue acima do certo limite age sobre as
paratireoides inibindo-lhes a ação.
NUTRIÇÃO E DIGESTÃO

Como já estudado há dois tipos fundamentais de obtenção de energia: autotrófica (produção de matéria
nutritiva, a partir de matéria inorgânica, por meio de fotossíntese ou quimiossíntese) e heterotrófica (ingestão de
matéria orgânica por meio de parasitismo, predatismo, comensalismo, mutualismo ou consumo de matéria em
decomposição).
Nos heterotróficos, a retenção do alimento pelo organismo pode ser feita por: Ingestão (seres
desenvolvidos que apresentam boca), englobamento (seres que não apresentam boca, mas podem capturar o
alimento por outros meios, como as amebas, que usam seus pseudopes para englobar a matéria, criando
fagossomos, que posteriormente recebem enzimas lisossomicas), e difusão/absorção (caso de tênias).
A digestão dos nutrientes absorvidos pode ser feita de forma extra ou intra celular. Alguns poucos
organismos como as aranhas e os cogumelos fazem a digestão extracorpórea.

O sistema digestivo humano

Componentes do sistema digestório:


tubo digestivo – boca, faringe, esôfago, intestino (delgado e grosso), reto e anus.
Glândulas anexas – glândulas salivares, fígado e pâncreas.

O alimento começa a ser digerido mecanicamente na boca, pela mastigação, e levemente


quimicamente, uma vez que a saliva apresenta enzima (ptialina) que quebra carboidratos (amido) em partículas
menores (maltose). Como a maior parte do amido ingerido não chega a ser hidrolisada pela ptialina, essa
atividade será continuada no intestino, pela ação da amilase pancreática. A presença do alimento na boca incita
o nervo vago que por sua vez estimula a produção de suco gástrico.
Deglutindo o alimento, ele desce a faringe e esôfago (através de peristaltismo dos músculos lisos dos
órgãos) até o estômago. Esse órgão tem formato de bolsa, com paredes musculosas, cuja mucosa é dotada de
várias células secretoras. Ao bater na parede estomacal é produzida a gastrina, que continua a produção de suco
gástrico.
O ácido clorídrico e a pepsina (enzima proteolítica) são integrantes do suco gástrico, sendo produzidos por
ação glandular de células especializadas (parietais e fossetas gástricas respectivamente). A enzima surge a partir
de pepsinogênio exposto a meio ácido. Outras células produzem a mucina gástrica, glicoproteina gelatinosa que
reveste a mucosa estomacal contra seu próprio ácido, e um terceiro tipo, a gastrina (hormônio que, lançado no
sangue estimula a produção do suco gástrico). Nas crianças o suco gástrico apresenta renina, que transforma
proteína solúvel do leite – caseimogenio- num precipitado, o que facilita a ação da pepsina.
À entrada do estômago se chama cardia, e sua conexão com o intestino, provido de esfíncter, chama-se
piloro.
O bolo alimentar (quimo) se dirige então ao duodeno, primeira porção do intestino, e seu caráter ácido,
estimula células da parede do órgão a produzirem três hormônios: esterogastrona (lançado no sangue, atua sobre
as células secretoras de ácido gástrico, inibindo a produção), secretina (age sobre pâncreas para que ele produza
suco pancreático e lance-o sobre o quimo) e a colecistocina (incita contrações da vesícula biliar, levando-a a
despejar bile no quimo). [obs: a bile é produzida no fígado e apenas é acumulada na vesicula]
A bile (sais biliares e bicarbonato de sódio) e o suco pancreático são altamente alcalinos, neutralizando o
quimo, o que possibilita a ação de enzimas intestinais (que só trabalham em PH alcalino). Além disso a bile tem alto
poder de emulsão de gorduras, uma vez que quebra lipídeos facilitando a ação de lipases pancreáticas e
intestinais, que hidrolisarão a gordura.
O suco pancreático contém: tripsina e quimotripsina (enzimas proteolíticas), polipeptidases e
carboxipeptidases (desmembram os polipeptideos em aminoácidos), lipases pancreáticas (hidrolisam lipídeos
decompondo-os em ácidos graxos e glicerol) e as nucleases (desdobram ácidos nucleicos em nucleotídeos).
O bolo passa então ao jejuno-íleo (intestino delgado), onde recebem o suco entérico composto por:
erepsina (hidrólise de proteínas), aminopeptidases e dipeptidases (que decompõem os peptídeos em aminoácidos
isolados), lipases entéricas (que agem sobre os lipídios) e diversas carboidrases, como a sucarase ou invertase
(desdobra açúcar comum ou sacarose em glicose e frutose), a lactase (hidrolisa açúcar do leite ou lactose em
glicose e galactose) e a maltase (decompõem maltose em glicose).
Os produtos finais são facilmente absorvidos pela mucosa intestinal. Aminoácidos, nucleotídeos e
monossacarídeos são recolhidos pela circulação sanguínea. Ácidos graxos e monoglicerídeos são transportados
pela circulação linfática.
Como no intestino delgado junto às enzimas o quimo recebe grande quantidade de água, ele passa a ser
chamado de quilo. No intestino grosso, praticamente não haverá absorção de alimentos.

Anatomia comparada do sistema digestivos

Nos mamíferos ruminantes, o estômago mostra-se constituído em 4 câmaras. O alimento rico em celulose
permanece bastante tempo no primeiro segmento - pança ou rúmen, sofrendo ação de enzimas produzidas por
imenso número de baterias e protozoários, redundando em moléculas de glicose. Também no rúmen as bactérias
promovem a digestão de lipídios, liberando ácidos graxos, metano e dioxido de carbono.
O bolo vai então ao barrete/retículo que, por uma contração forte, o devolve à boca do animal que
remastiga-o. Quando volta a degluti-lo, uma reprega cutânea do esôfago direciona o bolo ao folhoso (psaltério ou
omaso), sendo rapidamente transferido ao coagulador/abomaso, o único segmento que realmente possui células
secretoras de enzimas digestivas.
Nas aves o estômago é composto por dois segmentos: ventrículo sucenturiado (age como estômago
químico, amolecendo o alimento por ação enzimática) e a moela (espécie de estômago mecânico, de paredes
musculosas, cheio de grãos de areia e pedrinhas, onde o alimento sofre a trituração). As aves granivoras possuem o
"papo" (dilatação do esôfago onde os grãos ingeridos amolecem).

Observações

Dentes: Os dentes dos seres humanos sao diferenciados em incisivos, caninos, pre-molares e molares. Cada
dente possui três regiões: coroa, colo e raiz. É revestido por esmalte, abaixo do qual encontra-se a dentina; no
centro há a polpa dentaria, que possui vasos sanguíneos e nervos. A carie relaciona-se com a atividade da
bactéria Strptococcus mutans, cuja presença é favorecida pelo acumulo de alimento, principalmente açúcar, na
superfície dos dentes.
Lesões no estomago: Um individuo pode apresentar irritações na parede estomacal e duodenal por conta
do consumo de alimentos inadequados ou permanência de situações estressantes. As lesões do estomago são
conhecidas como gastrites, e podem se agravar em ulceras, levando ou nao há hemorragia da área. O
desenvolvimento das ulceras esta associado a atividade da bactéria Helicobacter pilori, cujas manifestações sao
facilitadas pela redução da resistência do individuo.
RESPIRAÇÃO

É um fenômeno que transcorre a um só tempo em dois níveis diversos: a nível celular e a nível de
organismo. A formação de íons H+ pelas reações de oxidação do metabolismo celular na produção de energia
expõe a célula a risco de acidificação, consequentemente as proteínas em risco de desnaturação. O recurso para
evitar tal dano é a combinação de oxigênio recebido pela respiração mecânica com os íons livres, formando água
e neutralizando o pH.

O sistema respiratório humano

Anatomia geral

O sistema respiratório humano compõe-se dos seguintes segmentos: fossas nasais, faringe, laringe, traqueia,
brônquios, bronquíolos e pulmão com pleura.
As fossas nasais são dois condutores estreitos que correm paralelamente no interior do nariz, abrindo-se em
amplas cavidades (coanas) que vão convergir na nasofaringe.
A faringe (nasofaringe + orofaringe) é o único órgão que faz parte do sistema digestório e respiratório ao
mesmo tempo. É revestida por mucosa na qual estão presentes acumulações de células do sistema imunitário, as
tonsilas. Em cada lateral da porção nasal da faringe ha uma abertura que se comunica com as tubas auditivas,
ligadas a orelha media (remanescente de fendas faringeanas embrionárias). Na parte inferior da faringe, há um
orifício, glote, com um pequeno opérculo, a epiglote. Durante a ingestão, a epiglote fecha a glote impedindo que
o material que está sendo ingerido passe para as vias respiratórias. A úvula fecha a cavidade nasal impedindo que
também a ingestão de gases. A coordenação dos movimentos de ambas é feita pelo sistema nervoso autônomo.
A laringe é um canal musculoso-membranoso curto, entre a glote e a traqueia, no qual se encontram as
cordas vocais. Essas são estruturas musculosas, dispostas transversalmente nas paredes do órgão, recobertas por
mucosa fina, e que vibram a passagem enérgica do ar proveniente dos pulmões, emitindo sons.
A traqueia é um canal delimitado em toda sua extensão por anéis cartilaginosos, que impedem sua
obstrução. Na sua parte de baixo ela se bifurca originando os brônquios. Os brônquios, dereito e esquerdo,
penetram nos seus respectivos pulmões e vão se ramificando originando os bronquíolos. Os bronquíolos terminais se
abrem em cachos de alvéolos. Cada alvéolo é uma minúscula cavidade delimitada por uma fina camada de
tecido epitelial, ao redor da qual correm numerosos capilares.
Os pulmões, apoiados no diafragma são separados pelo coração e protegidos pela caixa toraxica. Cada
um possui um parenquima, tecido de estrutura conjuntiva, que preenche todo seu espaço e no qual mergulha uma
vasta rede de bronquíolos.

Respiração

O ar, cheio de oxigênio, penetra pelas fossas nasais e percorre todo trajeto até os bronquíolos. Ao nível dos
alvéolos pulmonares, em função da diferença de tensão parcial dos gases (O2 e CO2), ocorrem trocas gasosas
entre o sangue e o ar inspirado, o que recebe o nome de hematose.
O monóxido de carbono (resultante de combustões), quando inalado, combina-se com a hemoglobina
(carboxiemoglobina) de forma muito mais estável que o O2 impedindo assim a absorção do gas pelo organismo,
podendo levar a morte por falta de oxigenação dos tecidos.
O N2 presente no sangue, quando o organismo experimenta brusca queda de pressão, forma bolhas que
bloqueiam os capilares sanguíneos (embolia) causando o “mau da descompressão).
Os pulmões não possuem movimentos ativos próprios.  À entrada e saída de ar depende da variação de
volume uma vez que a pressão varia pelo movimento, sendo menor no interior da caixa quando ela aumenta. As
variações de diâmetro de caixa torácica são promovidas por dois mecanismos: as contrações e distensões do
diafragma e as contrações e relaxamentos dos músculos intercostais. Com a contração do diafragma há aumento
da caixa torácica, levando a inspiração. Seu relaxamento diminui o volume dela, constituindo a inspiração. A
contração dos músculos intercostais provoca maior afastamento das costelas e levantamento de todo o gradual
costal, aumentando o volume da caixa. O relaxamento promove então a perda de volume.O cento nervoso, que
controla os músculos do tórax e diafragma é o bulbo, que depende primariamente do acumulo de Co2 e acidose
do sangue.
Ambos os pulmões são protegidos por uma membrana de natureza epitelial dupla, chamada pleura.
Doenças que afligem a pleura são: pleurite (inflamação de uma ou ambas) e a pleurisia (derrame de líquido ou
sanguíneo dentro de uma ou ambas).
A pneumonia é um processo inflamatório de origem infecciosa do parênquima pulmonar. Ela pode ocorrer
associada a inflamação dos brônquios, resultando na broncopneumonia. O enfisema pulmonar é um processo
destrutivo das trabéculas do tecido conjuntivo do parenquima pulmonar, acarretando a dilatação exagerada e
deformação dos alvéolos, de tal forma que o processo de trocas gasosas fique prejudicado.
Os pulmões ainda estão sujeitos a doenças infecciosas bacterianas, como a tuberculose, ou micoticas
(fungos) como aspergilose pulmonar e blastomicose de lutz.
Doenças que afligem o sistema respiratório

O enfisema pulmonar corresponde a uma destruição de alvéolos pulmonares e, assim, provoca diminuição
de superfície de trocas gasosas, incapacitando o individuo ou mesmo levando-o a morte. Pode ser causado pelo
habito de fumar.
Decorrente deste também pode haver alteração do revestimento de estruturas respiratórias de brônquios e
bronquíolos, causando a perda dos cílios ou a proliferação anormal das células, podendo evoluir para um câncer.
A asma corresponde a uma resposta interna do organismo, que causa contração dos brônquios,
diminuindo seu diâmetro e dificultando a respiração do individuo.
CIRCULAÇÃO E TRANSPORTE

Circulação é um fenômeno que consiste num fluxo contínuo de líquidos e células através de uma rede de
vasos, tornando possível a realização de diversas funções praticamente simultâneas.
O transporte é um fenômeno mais modesto visando exclusivamente a função de nutrição das células.

O sistema circulatório humano

O sistema circulatório compreende a circulação sanguínea (coração e vasos sanguíneos) e a circulação


linfática (vasos que conduzem linfa). No corpo humano a circulação é do tipo fechada, dupla e completa.

Circulação sanguínea

O coração é um órgão de paredes musculosas grossas, miocárdio, sendo suas células abastecidas de
oxigênio e nutrientes pelas artérias coronárias. O endocárdio o reveste internamente e o pericárdio o envolve como
bolsa membranosa, sendo resquício do celoma. A obstrução de uma impede a irrigação sanguínea em uma área
do miocárdio, com a consequente necrose das fibras musculares na região (infarto do miocárdio).
As contrações do coração constituem as sístoles e as dilatações ou relaxamentos são as diástoles.
O coração humano (como de demais mamíferos e aves) possui 4 cavidades: 2 átrios (aurículas) e 2
ventrículos. Quando os átrios entram em sístole, os ventrículos entram em diástole.
O ritmo cardíaco é controlado não só pelo sistema nervoso autônomo como, principalmente, por nódulos
específicos situados no coração. O nódulo sinoatrial (localizado na parte mais alta do átrio direito) manda estímulos
elétricos que passam pelo atrioventricular, para o feixe de His e para a rede de Purkinje, coordenando as
contrações auriculares e ventriculares.
Diferenciação de artérias e veias:
A. Artérias são pulsantes; as veias não.
B. As artérias tem, na sua estrutura de parede uma camada de tecido muscular liso bem mais especa que
a das veias.
C. As veias são dotadas de válvulas, que impedem o refluxo de sangue.
D. As artérias são eferentes em relação ao coração: levam sangue do coração para outras partes do
corpo. As veias são aderentes em relação ao coração: trazem sangue de outros pontos ao órgão.
Artérias -> Arteriolas -> capilares (extremamente finos com uma parede formada apenas por uma camada
de células, endotélio) -> venulas -> veias
No corpo humano distinguimos dois tipos de circulação: uma grande e outra pequena.
Grande: começa no ventrículo esquerdo. O sangue é ejetado para a artéria aorta e posteriormente as
demais partes do corpo (todos os órgãos, cabeça e membros). Após a distribuição de oxigênio, o sangue venoso
retorna ao coração, chegando a aurícula ou átrio direito, através das veias cavas superior e inferior.
Pequena: sangue venoso sai do ventrículo direito e é projetado para a artéria pulmonar. Ela o conduz aos
pulmões, e, após feita a hematose, ao nível dos alvéolos, o sangue retorna ao coração pelas veias pulmonares.
OBS: Batimentos cardíacos lentos caracterizam a bicardia, e os rápidos a taquicardia.
Carotidas são artérias que levam sangue a cabeça, e as jugulares sao as veias que trazem o sangue
venoso ao coração.

Circulação linfática

A pressão do sangue força passagem do plasma para outros tecidos e leucócitos insinuam-se no mesmo
caminho (diapadese), sem que haja meio de volta para a corrente sanguínea. Eles são recolhidos então pelos
vasos linfáticos que se formam na estrutura de tecidos, e (junto com novos leucócitos produzidos pelos glânglios
linfáticos) constituem a linfa.
Toda rede linfática converge para dois grandes vasos linfáticos - o canal torácico e a grande veia linfática -
que se abrem, respectivamente na veia subclávios esquerda e direita.

Anatomia comparada do sistema circulatório

Sistema circulatório aberto (lacunar): não possui órgão principal, o sangue circula ora dentro de alguns
vasos, ora em contato direto com os tecidos em meio às células.
Sistema circulatório fechado: o sangue circula exclusivamente dentro de vasos.
Só nos vertebrados o coração é unificado como um órgão.
Circulação simples: coração bombeia somente sangue venoso.
Peixes apresentam somente um átrio (antecedido por seio venoso) e um ventrículo (sucedido por bulbo),
através dos quais só passa sangue venoso. Propulsionado pelo coração, o sangue vai às brânquias onde se
oxigena, seguindo então para o restante do corpo, retornando posteriormente ao coração.
Circulação dupla: coração bombeia sangue venoso e arterial.
Circulação imcopleta: coração bombeia sangue venoso e arterial porém ha mistura total ou parcial dele
no ventrículo.
Nos anfíbios o coração revela duas aurículas e um ventrículo (apresentando também sinus e bulbo). A
aurícula direita recebe sangue venoso e à esquerda arterial. Porém o sangue se mistura no ventrículo.
Nos répteis há átrio direito (recebendo sangue venoso), átrio esquerdo (sangue arterial), e um ventrículo
septado (ventrículo com divisão imcompleta por septo com abertura, septo de Sabatier). Sendo assim ainda há
mistura de sangue.
Circulação completa: coração apresenta 4 cavidades distintas e consequentemente não há mistura de
sangue arterial com venoso.
Aves e mamíferos apresentam circulação dupla e completa. A aorta, nas aves, direciona-se para a direita,
enquanto nos mamíferos, inclina-se a esquerda.

Endotermia é a capacidade que animais tetracavitarios apresentam de produzir seu próprio calor, uma vez que a
oxigenação mais efetiva permite a maior produção de energia.
Homeotermia, então, é a capacidade de manter o próprio calor.

Animais ectotermicos tem baixa capitação de oxigênio, pela mistura de sangue arterial e venoso, não podendo
desperdiçar energia, nao sendo capazes de produzir seu calor, ou mante-lo (peciltermia).
EXCREÇÃO

Os produtos finais do metabolismo celular que não tem utilidade ao organismo precisam ser expelidos pelo
seu caráter disfuncional e por vezes tóxico, o que pode ocorrer através de transpiração, urina e fezes. Tem-se como
parte do sistema excretor: glândulas sudoríparas, fígado (através da bile), numerosas células do intestino e dos
túbulos contornados distais (rins).

Excretas

As proteínas são compostos macro moleculares formados a partir da polimerização de aminoácidos, os


quais, portando pelo menos um grupo amina, após passar pelo metabolismo celular, geram amônia em
abundância. Por ser um catabolito altamente tóxico a amônia deve ser imediatamente transformada em outro
produto. Assim, em todas as células do organismo, embora muito mais intensamente nas do fígado, a amônia entra
num ciclo de reações conhecido como ciclo da ornitina, resultando em ureia. Ela é então carregada pelo sangue
e eliminada pelos rins, pela pele e por outras secreções orgânicas.
Nos insetos e nos animais ovíparos (aves e répteis), o produto de excreção é o ácido úrico, que é pouco
solúvel em água e o menos tóxico de todos.
Nos mamíferos, a excreção principal é de ureia, que tem toxicidade e solubilidade em água menor que a
da amônia mas maior que a do ácido úrico.

Sistema urinário humano

O sistema urinário humano é composto dos seguintes órgãos: rins, bacinetes, ureteres, bexiga urinária e
uretra.
A artéria renal ao entrar no rim ramifica-se em arteriolas que penetrarão néfrons (unidade filtradora do rim)
e, já com espessura de capilar, uma formação vesiculosa de paredes duplas, chamada de cápsula de Bowman,
onde formará um novelo (glomérulo de malpighi).
Nele, o sangue, sob grande pressão, promove a intensa filtragem de sua água, arrastando com ela a ureia,
os uratos, o ácido úrico etc. Porém esse filtrado glomerular apresenta também substâncias úteis como glicose,
vitaminas, aminoácidos, e grande quantidade de íons (Na+ e K+). Esse fluxo extraordinário de água com
substâncias que passa através das paredes finas dos vasos é reconhecido como a ultrafiltração renal.
O filtrado passa, então, para os tubos contornados:
A. Túbulo contornado proximal: onde ocorre a reabsorção de Na e K, estimulada pelo hormônio
aldosterona, produzido pelo córtex das glândulas supra renais.
B. Alça de Henle: reabsorção de glicose, vitaminas, e aminoácidos. É onde ocorre reabsorção de água,
estimulada pelo ADH, produzido pelo hipotálamo e liberado pelo lobo posterior da hipófise.
C. Túbulo contornado distal: secreção de H+, amônia e acido úrico.
Ao fim dos túbulos contornados distais, o líquido ali contido já pode ser considerado urina, que é vertida aos
canais coletores. Estes, por sua vez, convergem em diversos agrupamentos que se apresentam na estrutura do rim,
como feixes cônicos denominados pirâmides renais. As pirâmides deságuam no cálice, que passa seu conteúdo ao
bacinete. A seguir à urina desce pelo ureter e vai ser acumulada na bexiga urinária, para posterior eliminação,
através da uretra.
Obs - Uma quantidade excessiva de acido úrico provoca distúrbios, acumulando-se na pele, formando
manchas típicas ou depositando-se em articulações, gota.

Anatomia comparada do sistema excretor

Os vertebrados possuem órgãos excretores denominados rins. Os rins pronefros são os mais rudimentares.
Encontrados nos ciclóstomos, os pronefros são como rins segmentados, nos quais se observam nefrostomas
semelhantes das necroses de anelídeos, que sugam os produtos de excreção nitrogenada diretamente da
cavidade celomatica. Depois, seguem-se tubos finos que vertem os excretas através de uma cloaca.
Os rins mesonefros possuem tanto nefrostomas quando glomérulos de malpighi. Retiram assim produtos de
excreção tanto do celoma quanto do sangue. Podem ser vistos em peixes e anfíbios. E são, também, segmentados.
Os rins metanefros não são segmentados. O animal apresenta um órgão único de cada lado do corpo.
Esses rins se situam na parte posterior do organismo e, dotados unicamente de néfrons, retiram catabolitos
exclusivamente do sangue. Ocorrem em todos os répteis, aves e mamíferos.

Homeostase

Mamíferos de áreas de seca continua ou aquáticos obtém das células e tecidos dos seus alimentos
quantidades satisfatórias de água. Tartarugas marinhas e aves do litoral, não encontrando água potável, bebem a
água do mar e eliminam o excesso de sais por secreções de algumas glândulas situadas junto aos olhos ou as
narinas.
No organismo humano há doenças que dificultam o funcionamento renal. Quando a filtração glomerular
se torna insuficiente, os excretas nitrogenados começam a se acumular no sangue. Se a taxa de ureia e outros
catabolitos excede certo limite, o paciente corre o risco de entrar em coma urêmico, sendo necessária então a
hemodiálise, que é um processo no qual uma máquina filtra o sangue do paciente, como seu rim deveria.
TECIDOS

Tecidos são agrupamentos de células diferenciadas, harmonizadas e, as vezes, intimamente integradas


com substancias intercelulares, atuando na realização de uma determinada função.
São divididos em 3 grupos: 1-) epiteliais: sem substancias intercelulares; 2-) conjuntivos: abundantes em
substancias intercelulares; 3-) muscular e nervoso – células transformadas em fibras.

1-) Tecidos epiteliais

Distinguem-se em epitélios de revestimento (pele, mucosa) e epitélios glandulares (mamarias, salivares,


lacrimais, sudoríparas, sebáceas).
Os de revestimento podem ser classificados em: simples (única camada de células), estratificado (várias
camadas) e pseudo-estratificado (única camada de células mau arrumadas). Não possuem vasos sanguíneos,
recebem do tecido conjuntivo matérias por difusão.
Os glandulares podem ser compostos de glândulas unicelulares (células caliciformes) como a da mucosa
nasal, traqueal, gastrica e intestinal, ou pluricelulares, classificadas em tubulosas, alveolares ou tubo alveolares.
Como todo epitélio glandular se origina da invaginação do de revestimento a diferença entre as glândula
pluricelulares esta na configuração de células, sendo que as tubulosas apresentam as células secretoras formando
o tubo da estrutura, nas acinosas o tubo desemboca nas células diferenciadas em questão e as tubo alveolares
apresentam estrutura mista.
Por suas funções as glândulas se dividem em: exócrinas – eliminam secreção através de duto diretamente
no alvo; endócrinas – secreção (hormônios) são liberados na corrente sanguínea; mistas – tem função endócrina e
exócrina.
Epiderme: se apoia na derme (tecido conjuntivo). Possui epitélio pluriestratificado com célula superficiais
mortas e queratinizadas; junto as células basais, ha melanocitas, que produzem melanina. Apresentam também
glândulas sudoríparas, sebáceas, folículos pilosos e músculos eretores de pelo.

2-) Tecidos conjuntivos

Tecido conectivo

Composto por diversas células, entre as mais comuns:


a-) fibroblastos - responsáveis pela produção de fibras proteicas.
b-) macrófagos – fagocitam micróbios e células degeneradas do organismo.
c-) plasmocitos – produzem anticorpos.
d-) mastócitos – são responsáveis pela produção de heparina e histamina.
A substancia intersticial é rica em glicoproteínas, fibras colágenas, reticulares e elásticas. A quantidade e a
disposição desses 3 tipos de fibra é que define o tecido em frouxo (poucas fibras, preenche espaço entre tecidos
de órgãos), denso modelado (varias fibras com orientação fixa, o que confere maior resistência a pressão) e denso
não modelado ( muitas fibras com disposição com disposição desorientada).

Tecido Adiposo

É o tecido gorduroso que se localiza abaixo da derme, na tela subcutânea (hipoderme), sendo reservatório
de lipídeos. Atua como protetor de choques mecânicos e reserva energética. Predomina nele as células adiposas.

Tecido cartilaginoso

Está relacionado com a sustentação, reveste as articulações e é fundamental no crescimento dos ossos
longos. É avascular, sendo nutrido por tecidos vizinhos; apresenta baixa taxa de oxigenacão e realiza fermentação
láctea.
As células do tecido são:
Condroblastos – produzem fibras de colágeno e substancias fundamentais. Originam os condrócitos que formam
regiões de maior rigidez.
Condroclastos – promovem degradação de componentes do tecido e permitem sua remodelação.
A cartilagem é dividida em três grupos: hialina (moderada qtd de colágeno), fibrosa (grd qtd de colágeno
para suportar altas pressões) e elástica.

Tecido ósseo

Apresenta abundante substancia intersticial (matriz óssea), na qual estão presentes: fibras de colágeno
(conferem resistência) e sais minerais de fosfato de cálcio (rigidez).
Suas células são:
Osteocitos – células típica, oriundas da diferenciação de teoblastos.
Osteoclastos – células ativas, podem realizar a regeneração do tecido no caso de fraturas.
O osso apresenta as seguintes estruturas:
Epífises: regiões localizadas nas extremidades de um longo osso, que possuem tecido cartilaginoso que se diferencia
em ósseo e provoca a elongação na fase de crescimento.
Diafase: porcão larga do osso.
Canais de havers – canais com disposição longitudinal cujo cento contem vasos sanguíneos.
Canais dee Volkman – ligam canais de havers.

"

Tecido sanguíneo

O sangue é um tecido conjuntivo constituído por parte liquida


(plasma) e elementos figurados (glóbulos vermelhos – hemácias; glóbulos
brancos – leucócitos; e plaquetas – trombócitos).
Plasma: linfa e materiais dissolvidos. Albumina é a proteína
plasmática mais abundante, sendo importante para processos osmóticos
(responsável pela pressão coloidosmotica, que promove a reabsorção
de parte do liquido plasmático do tecido intersticial). Há também
globulinas, proteínas de defesa, que incluem anticorpos.
Hemáceas: produzidas na medula óssea (adulto) e no fígado
(embrião). Células-mãe mieloides diferenciam-se em eritroblastos que,
por sua vez, perdem mitocôndrias e núcleo ao se diferenciarem em
hemaceas (ocorre grande síntese de hemoglobina no processo).
Lançadas na circulação sanguínea tem como principal função auxiliar
respiração celular a partir do transporte de gases. A hemoglobina é uma
proteína formada por 4 cadeias proteicas (onde se ligara o CO2) que
possuem um grupo heme (que tem afinidade com O2), com átomo
central de ferro.
As hemaceas por serem anucleadas precisam ser constantemente trocadas, o que ocorre com o auxilio do baço,
que realiza além da estocagem e liberação de novas células, a “reciclagem” de compostos da velhas (hemeocrase).
Anemia é uma doença causada pela redução do numero de hemaceas ou hemoglobinas no sangue, causada
por deficiência de ferro. Eritropenia é a redução do numero de hemaceas no sangue por deficiência de ferro ou de
fatores estimulantes da hematopoese, como acido fólico e vitamina B.
Glóbulos brancos: mecanismo de defesa do organismo, são produzidos a partir de células medula óssea
vermelha e estocados em órgãos linfoides, podendo ser divididos em: agranulos e grânulos.
Leucocitose é o aumento de leucócitos na circulação sanguínea, quadro clinico típico de infecção, que pode
ser geral ou localizada. Leucopenia é a redução dessas células de defesa na circulação, por consequência de
intoxicações graves ou pelo uso de certos medicamentos. A leucemia no entanto é um estado patológico de
degeneração neoplásica (câncer) dos tecidos homopoéticos.
Granulos

Neutrófilo Fagocita microrganismos e outras substâncias (bactérias).

Basófilo Libera histamina, que promove a inflamação, e heparina, que previne a formação de coágulos
no sangue.

Eosenófilo Libera mediadores químicos que reduzem a inflamação, ataca alguns vermes parasitas.

Agranulos

linfócito Produz anticorpos e outros agentes químicos responsáveis pela destruição de microrganismos;
contribui para as reações alergias, rejeição de enxertos, controle de tumores e regulação do
sistema imunitário.

Monócito Célula fagocítica do sangue, ao sair do capilar (diapse), torna-se macrófago, fagocitando
bactérias, células mortas, fragmentos de células e outros corpos estranhos aos tecidos.

Plaquetas: fragmentos de células que se originam na medula óssea a partir de megacariócitos, tem grande
quantidade de trombina.

Coagulação

Ruptura de um vaso

Plaquetas liberam tromboplastina (enzima)

Tromboplastina inibe a heparina

Sem heparina livre, a protormbina em presença de


ions cálcio se transforma em trombina

Trombina atua sobre fibrogenio

O fibrogenio se transforma em fibrina

Aparece rede de fibrina

Elementos figurados do sangue encalham na rede


formando coagulo

Sangue coagulado cessa a hemorragia

Obs: protrombina e fibrogenio são sintetizados no fígado, sendo que a síntese da primeira depende de vitamina K.
SISTEMA IMUNITÁRIO

Defesas naturais do organismo


A saliva e a lagrima tem enzima lisozema que ataca a parede bacteriana, as células de bactérias
absorvem agua por osmose e acabam se rompendo. Na cavidade nasal, na traqueia e nos brônquios, células de
revestimento liberam muco capaz de reter partículas de poeira e microrganismos; o batimento de cílios do
revestimento dessas estruturas o muco é varrido ate a faringe, sendo deglutido ou expelido.

Como por esses meios nao ha total defesa do organismo, o sistema imunitário age produzindo células
especializadas: leucócitos e macrófagos. Ele é constituído por órgãos primários e secundários.
Primários: São a medula óssea e o timo, nos quais há produção e a maturação de células de defesa.
Secundários: Recebem células geradas nos órgãos primários e terá como função o transporte e
proliferação destas; incluem os linfonodos, os vasos linfáticos, o baço e as tonsilas (amidalas e adenoides). Os
linfonodos (gânglios) encontram-se ligados aos vasos linfáticos, dilatando-se quando estão em processo de
combate a um agente invasor, formando as chamadas ínguas, frequentes na região vaginal, nas axilas e no
pescoço. O baço é um órgão essencial no sistema imune, pois participa do processo de produção de anticorpos.
Já as tonsilas são aglomerados de tecido linfoide, mas não entram em contato com os vasos.

Reposta inflamatória
Para prevenir que micro organismos se alastrem a partir de uma ferida, ou que novos entrem em contato
com o organismo, ha a reposta inflamatória. O tecido atingido apresenta quatro sinais pelo aumento de fluxo de
sangue e permeabilidade dos capilares: calor, rubor, tumor (aumento de volume) e dor. O local é envolvido por
uma rede de fibrina. Leucocitos do tipo neutrófilos e monócitos fagocitam microrganismo e e células mortas,
constituindo assim o pus.

Resposta imune
Consta de duas modalidades: humoral – envolve a produção de anticorpos – e celular – atuação das
células de defesa sobre antígenos.
Antigenos – macromoléculas estranhas ao organismo (vírus e bactéria não são antígenos mais podem
conte-los ou produzi-los).
Anticorpos ou imunoglobinas: proteínas complexas e de ação especifica produzidas pelos vertebrado para
combater os antígenos.

Células envolvidas Atuação

Macrófagos Fagocitam microrganismos e expõem alguns de seus antígenos na superfície de sua


própria membrana.
Apresentam esses antígenos a linfócitos T4

Linfocitos T4 Estimulados por interleucinas, multiplicam-se e diferenciam-se em células de memoria


(auxiliadores) imunitária.
Estimulam, também através de interleucinas, os linfócitos B e T8.

Linfocitos T8 Destroem determinadas células (como as provenientes de transplantes, as cancerosas e


(citotóxicos) as que possuem vírus) por meio de perforinas (substancias que lesam a membrana
plasmática das células).

Linfocitos B Estimulados por interleucinas, multiplicam-se e completam o reconhecimento do


antígeno.
Alguns se convertem em células de memoria imunitária e outros em plasmocitos.

Plasmocitos Resultam da diferenciação de linfócitos B.


São responsáveis pela síntese de anticorpos .

Tipos de Imunização

Vacina Soro

Contém Antígenos atenuados Anticorpos prontos

Provoca Produção de anticorpos contra Combate imediato a antígeno,


determinado antígeno. inativando-o.

Cura ou previne preventivo Curativo

Processo Lento Rápido

Forma memoria sim Nao


Exemplos Vacinas contra gripe, poliomielite, hepatite. Soros antiofídico, antiescorpiônico,
antitetânico, antirrábico.

Tecido Nervoso

Neurônios – células nervosas.


Células neuroglias – função de proteção, sustentação e ate facilitação de difusão de metabólitos entre o sangue e
os neurônios.
Sinapses – necessitam de neurotransmissores como mediadores químicos para que haja a passagem de impulsos
entre os neurônios (como noradrenalina e acetilcolina).

Impulso nervoso
A membrana plasmática apresenta grande concentração de ions Na+ na sua face externa, enquanto o interior da
célula apresenta alta concentração de K+ e Cl-, sendo assim o exterior fica carregado positivamente enquanto o
interior esta negativo. Mantida essa configuração a célula esta em repouso.
A inversão de polaridade da membrana a coloca em potencial de ação. Tornando-se mais permeável ao sódio,
este penetra na célula, o interior fica temporariamente com predomínio de carga positiva e o meio externo de
carga negativa.
A repolarização se da com a saída de ions K+ por difusão, reestabelecendo a distribuição de cargas. Em seguida
opera a bomba de K+ e Na+, realizando por transporte ativo a absorção do primeiro ion e a expulsão do segundo.
Durante a despolarização e a repolarização a membrana se encontra em período refratário, sendo incapaz de
desencadear novo impulso.
A intensidade do estimulo se verifica por quantidade de impulsos.