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O Nosso Dever Para Com Israel


Robert Murray M'Cheyne
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O Nosso Dever Para Com Israel


Por Robert Murray M'Cheyne

[Este texto foi transcrito a partir de “Memórias e Lembranças”, edição de 1858]

“Primeiro do judeu” (Romanos 1:16)

A maioria das pessoas se envergonham do Evangelho de Cristo. O sábio tem vergonha


dele, porque ele convoca os homens para crer e não para argumentar; o grande se enver-
gonha dele, porque ele traz todos para um só corpo; os ricos têm vergonha dele, porque
ele deve ser obtido sem dinheiro e sem preço; as pessoas alegres se envergonham,
porque temem que ele destruirá toda a sua alegria; e assim a boa notícia do glorioso Filho
de Deus ter vindo ao mundo como um Fiador para os pecadores perdidos, é desprezada
e negligenciada – os homens têm vergonha dele. Quem não tem vergonha dele? Uma pe-
quena companhia, aqueles cujos corações o Espírito de Deus tocou. Eles já foram como o
mundo e do mundo, mas Ele lhes despertou para verem o seu pecado e miséria, e que
Cristo era um refúgio, e agora eles clamam: ninguém senão Cristo, ninguém senão Cristo!
Deus não permita que eu me glorie senão na cruz de Cristo. Ele é precioso para o
coração deles, Ele mora ali, Ele está muitas vezes em seus lábios, Ele é louvado em sua
família, eles de bom grado O proclamam a todo o mundo. Eles têm sentido em sua
própria experiência que o evangelho é o poder de Deus para salvação, primeiro do judeu
e também do Grego. Queridos amigos, esta é a vossa experiência? Você já recebeu o
Evangelho não apenas em palavras, mas em poder? O poder de Deus tem alcançado a
sua alma junto com a palavra? Então, esta palavra é sua: Porque não me envergonho do
evangelho de Cristo.

Desejo chamar sua atenção para uma particularidade disto. Ele se gloria no Evangelho
como sendo o poder de Deus para salvação primeiro do Judeu, do que eu extraio essa
doutrina, a saber, que o Evangelho deve ser pregado primeiro aos Judeus.

(1) Porque julgamento começará por eles: “Indignação e ira... primeiramente ao judeu”
(Romanos 2:6-10). É um pensamento terrível que o Judeu será o primeiro a comparecer
perante o tribunal de Deus para ser julgado. Quando o grande trono branco for
estabelecido, e assentar-se Aquele de cuja presença os céus e a terra fugirão; quando os
mortos, grandes e pequenos, estarão diante de Deus, e os livros serão abertos, e os
mortos serão julgados pelas coisas que estão escritas nos livros, não é impressionante
pensar que Israel – o pobre cego Israel – será o primeiro a ser julgado por Deus?

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Quando o Filho do Homem vier em Sua glória, e todos os anjos com Ele, quando Ele se
assentará no trono da Sua glória, e diante dEle serão reunidas todas as nações, e Ele
separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, quando a terrível
sentença sair de Seus lábios: apartai-vos malditos, e quando o culpado for lançado de
Sua presença para o castigo eterno; não é suficiente para fazer o mais descuidado entre
vocês pararem por um momento e considerarem que a indignação e a ira virão primeiro
sobre o Judeu, que seus rostos serão marcados por uma palidez mais profunda, que seus
joelhos baterão com mais intensidade um contra o outro e que seu coração desfalecerá
dentro de si mais do que outros?

Por que isso? Porque eles tiveram mais luz do que qualquer outro povo. Deus os esco-
lheu do mundo, para serem Suas testemunhas. Cada profeta foi enviado primeiro para
eles; cada evangelista e apóstolo teve uma mensagem para eles. O Messias veio para
eles. Ele disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” [Mateus
15:24]. A Palavra de Deus ainda é dirigida a eles. Eles têm a pura e inalterada Palavra de
Deus a seu alcance; ainda assim pecaram contra toda essa luz, contra todo esse amor.
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quan-
tas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das
asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23:37]. Seu cálice da ira será mais pleno do que o de
outros homens, seu mar de ira é mais profundo. Em suas próprias faces, vocês podem ler
em cada semblante, que a maldição de Deus está sobre eles.

Não é esta uma razão, então, pela qual o Evangelho deve ser pregado primeiro ao Ju-
deu? Eles estão prestes a perecer, a perecer mais terrivelmente do que os outros ho-
mens. A nuvem de indignação e ira que está mesmo agora represada acima do perdido,
romperá primeiro sobre a cabeça do culpado, infeliz e incrédulo Israel. E você terá nenhu-
ma das compaixões de Cristo em você, a ponto de correr primeiro para os que estão em
tão triste um caso? Em um hospital, o médico corre primeiro para a cama onde se encon-
tra o doente que está mais próximo da morte. Quando um navio está afundando, e os
marinheiros corajosos deixam a terra para salvar a tripulação que está naufragando, eles
não esticam o braço de ajuda primeiro àqueles que estão prestes a perecer entre as
ondas? E não devemos fazer o mesmo por Israel? As ondas de ira de Deus estão prestes
a rebentar pela primeira vez mais intensamente sobre eles, não devemos primeiramente
buscar trazê-los para a Rocha que é mais alta do que eles? O seu caso é mais desespe-
rador do que o de outros homens, não devemos trazer o bom médico para eles, o único
que pode trazer a saúde e curar? Pois o Evangelho é o poder de Deus para a salvação,
primeiro do Judeu e também do Grego.

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Eu não posso deixar este assunto sem falar uma palavra para aqueles de vocês que
estão em uma situação muito semelhante à de Israel, pois vocês têm a Palavra de Deus
em suas mãos, e ainda são incrédulos e não-salvos. Em muitos aspectos, a Escócia pode
ser chamada o segundo Israel de Deus. Não existe nenhuma outra terra que tenha o seu
Sabath como a Escócia tem, nenhuma outra terra tem mais da Bíblia do que a Escócia,
nenhuma outra terra tem o Evangelho tão livremente pregado como o ar que respiramos,
fresco como o fluxo das colinas eternas. Oh! então, pensem por um momento, vocês que
assentam-se sob a sombra de ministros fiéis, e ainda permanecem indiferentes e não-
convertidos, e não são levados a se sentarem sob a sombra de Cristo, pensem em como
como sua ira será como a do Judeu incrédulo. E considerem, mais uma vez, que a
maravilhosa graça de Cristo é pregada primeiramente a você. Por mais que os vossos
pecados sejam como a escarlata e como o carmesim, maior e gratuito é o sangue para te
lavar e te deixar branco como a neve; pois esta permanece a Sua palavra para todos os
Seus ministros: comecem em Jerusalém.

(2) É como se fosse Deus se preocupasse primeiro com os Judeus. A principal glória e
alegria de uma alma é ser como Deus. Você se lembra qual era gloriosa condição em que
Adão foi criado. “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”
[Gênesis 1:26]. Seu entendimento era claro. Ele viu, em alguma medida, como Deus vê.
Sua vontade fluiu no mesmo canal com a vontade de Deus. Suas afeições estavam pos-
tas nos mesmos objetos que Deus também amou. Quando o homem caiu, perdemos tudo
isso, e nos tornamos filhos do diabo, e deixamos de ser filhos de Deus. Mas quando uma
alma perdida é trazida a Cristo, e recebe o Espírito Santo, Ele mortifica velho homem, e
forma nele o novo homem, que é criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.
A nossa verdadeira alegria neste mundo é ser semelhante a Deus. Muitos descansam na
alegria de ser perdoado, mas a nossa verdadeira alegria é ser como Ele é. Oh! não des-
canse, amado, até que seja renovado segundo a Sua imagem, até que você participe da
natureza Divina. Anseie pelo dia em que Cristo se manifestará, e seremos como Ele, por-
que O veremos como Ele é.

Agora, o que eu gostaria de insistir neste momento é que devemos ser como Deus, mes-
mo nas coisas que são peculiares. Devemos ser como Ele na compreensão, na vontade,
na santidade e também nas suas afeições peculiares. “Qualquer que ama é nascido de
Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”
[1 João 4:7-8]. Mas toda a Bíblia mostra que Deus tem um uma afeição peculiar por Israel.
Você se lembra quando os Judeus estavam no Egito, gravemente oprimidos pelos seus
exatores, Deus ouviu o seu clamor, e apareceu a Moisés - “Tenho visto atentamente a
aflição do meu povo... e tenho ouvido o seu clamor... porque conheci as suas dores”
[Êxodo 3:7].

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E, novamente, quando Deus os conduziu através do deserto, Moisés lhes diz por que Ele
o fez: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão
era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que
todos os povos” (Deuteronômio 7:7). Estranho, soberano e mui particular amor. Ele os
amava, porque Ele os amava. Será que não devemos ser como Deus nesta característica
peculiar?

Mas você diz que Deus os enviou ao cativeiro. Ora, é verdade Deus os espalhou por
todas as terras: “Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora repu-
tados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!” (Lamentações 4:2). Mas o que Deus
diz sobre isso? “Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a ama-
da da minha alma na mão de seus inimigos” (Jeremias 12:7). É verdade que Israel está
entregue, por um momento, na mão de seus inimigos, mas é tão verdadeiro que eles
ainda são os amados da Sua alma. Não deveríamos dar-lhes em nosso coração o mesmo
que Deus lhes dá em Seu próprio coração? Devemos nos envergonhar de cultivarmos o
mesmo sentimento que o nosso Pai celestial acalenta? Devemos nos envergonhar de
sermos diferentes do mundo, e semelhantes a Deus neste amor peculiar para com Israel
que está cativo?

Mas você diz que Deus os rejeitou. Será que Deus rejeitou o Seu povo, que antes conhe-
ceu? De maneira nenhuma! Toda a Bíblia contradiz essa ideia. “Não é Efraim para mim
um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda
me lembro dele solicitamente; por isso se comovem por ele as minhas entranhas; deveras
me compadecerei dele, diz o Senhor” (Jeremias 31:20); “e plantá-los-ei nesta terra firme-
mente, com todo o meu coração e com toda a minha alma” [Jeremias 32:41]. “Porém Sião
diz: Já me desamparou o Senhor, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode
uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho
do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei
de ti” (Isaías 49:14-15); “E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá
o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades” [Romanos 11:26]. Agora, a pergunta
simples para cada um de vocês e para a nossa amada Igreja é: não deveríamos comparti-
lhar com Deus a Sua afeição peculiar por Israel? Se estamos cheios do Espírito de Deus,
não devemos amar como Ele ama? Não deveria Israel estar gravado sobre as palmas das
nossas mãos? Não deveríamos resolver que através da nossa misericórdia eles também
alcançarão misericórdia.

(3) Porque o seu acesso é peculiar aos Judeus. Em quase todos os países que nós temos
visitado este fato é bastante notável; na verdade, parece, em muitos lugares, como se a
única porta deixada aberta ao missionário Cristão é a porta da pregação aos Judeus.

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Passamos algum tempo na Toscana, o estado mais livre em toda a Itália. Ali vocês não
ousam pregar o Evangelho à população Católica Romana. No momento em que você dá
um folheto ou uma Bíblia, ele é levado ao sacerdote, e pelo sacerdote ao Governo, e o
banimento é o resultado certo e imediato. Mas a porta está aberta para os Judeus.
Ninguém se preocupa com as suas almas; e, portanto, você pode levar o Evangelho a
eles livremente.

O mesmo acontece no Egito e na Palestina. Você não ousa pregar o Evangelho aos
iludidos seguidores de Maomé; mas você pode ficar de pé no mercado livre e pregar o
Evangelho aos Judeus, sem impedimento. Nós visitamos todas as cidades na Terra
Santa, onde os Judeus são encontrados. Em Jerusalém e Hebrom falamos com eles
todas as palavras desta vida. Em Sicar discutimos com eles na sinagoga e na feira livre.
Em Chaifa, no sopé do Carmelo, nos reunimos com eles na sinagoga. Em Sidom também
discorremos livremente sobre Jesus. Em Tiro nós fizemos a primeira visita à sinagoga e à
casa do rabino, e, em seguida, eles nos visitaram também; pois, quando havíamos repou-
sado em caravana por causa do calor do meio-dia, chegaram a nós em multidões. A
Bíblia Hebraica foi apresentada, e passagem após passagem explicada, ninguém nos fez
temer. Em Sarepta, e Tiberíades, e Acre nós gozamos de liberdade. Há plena liberdade
na Terra Santa para levar o Evangelho para os Judeus.

Em Constantinopla, se você fosse pregar para os turcos, como alguns têm tentado, o
banimento é a consequência; mas para os Judeus você pode levar a mensagem. Em
Valáquia e Moldávia a menor tentativa de converter um Grego atrairia a vingança imediata
do santo Sínodo e do Governo. Mas, em cada cidade, fomos livremente aos Judeus, em
Bucareste, em Foxany, em Jassy e em muitas outras aldeias remotas da Valáquia, comu-
nicamos a mensagem a Israel sem impedimentos. A porta está aberta.

Na Áustria, onde nenhum missionário de qualquer tipo é permitido, ainda encontramos os


Judeus dispostos a ouvir. Em suas sinagogas sempre encontramos um santuário aberto
para nós; e muitas vezes, quando eles sabiam que poderiam ter nos exposto, eles escon-
deram que nós tínhamos estado ali.

Na Prússia da Polônia, a porta está aberta a quase 100.000 Judeus. Você não ousa pre-
gar aos pobres Protestantes Racionalistas. Mesmo na Prússia Protestante isso não seria
permitido; mas você pode pregar o Evangelho aos Judeus. Pela lei da terra, cada igreja é
aberta para um ministro ordenado; e um dos missionários me garantiu que ele sempre
pregou para 400 ou 500 Judeus e Judias de cada vez. Escolas para crianças Judias
também são permitidas. Visitamos três delas, e ouvimos as crianças ensinadas do cami-

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nho da salvação por um Redentor. Há doze anos atrás, os Judeus não teriam chegado
perto de uma igreja.

Se estas coisas são verdade, eu apelo a todos vocês que conhecem esses países a
dizerem se é assim ou não – a porta em uma direção está fechada, e a porta para Israel
está mui amplamente aberta – Oh! você não acha que Deus está dizendo por Sua
Providência, bem como através da Sua Palavra: ide antes às ovelhas perdidas da casa de
Israel? Você acha que a nossa Igreja, conhecendo essas coisas, será inocente se não
obedecer ao chamado? Pois o Evangelho é o poder de Deus para a salvação, primeiro do
Judeu e também do Grego.

(4) Porque eles vão dar vida a um mundo morto. Muitas vezes pensei que um viajante
reflexivo, passando pelos países deste mundo e observando a raça de Israel, em todas as
terras, pode ser levado a imaginar, apenas a partir da luz de sua razão natural, que um
povo singular é preservado para um grande propósito no mundo. Há uma aptidão singular
no Judeu para ser um missionário do mundo. Eles não têm esse apego peculiar à casa e
país que nós temos. Eles sentem que são rejeitados em todas as terras. Eles também
estão acostumados a cada clima; eles encontram-se em meio a neve da Rússia e sob o
sol escaldante de Hindoostan. Eles também são, em alguma medida familiarizado com
todas as línguas do mundo, e ainda têm uma língua comum – a língua sagrada – para se
comunicar uns com os outros. Todas estas coisas devem, penso eu, sugerir a cada via-
jante inteligente enquanto ele passa por outras terras. Mas o que diz a Palavra de Deus?

“E há de suceder, ó casa de Judá, e casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição
entre os gentios, assim vos salvarei, e sereis uma bênção” (Zacarias 8:13). Até hoje eles
são uma maldição entre as nações, por sua incredulidade, por sua avareza; mas o tempo
está chegando quando eles serão uma bênção tão grande quanto foram uma maldição.

“E o remanescente de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do


Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda a filhos
de homens” (Miquéias 5:7). Assim como nós temos encontrado, entre as colinas áridas de
Judá, que o orvalho da noite caindo silenciosamente deu vida para cada planta, criando a
grama para a primavera e as flores para exalar a sua doce fragrância, assim será o Israel
convertido quando então eles serão como orvalho sobre um mundo seco e morto.

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de
todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo:
Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zacarias 8:23). Isso
nunca foi cumprido; mas como a Palavra de Deus é verdade, isso é verdade. Talvez

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alguém pode dizer: Se os Judeus devem ser os grandes missionários do mundo, vamos
enviar missões somente para eles. Temos uma nova luz, vamos chamar de volta os nos-
sos missionários da Índia. Eles estão desperdiçando suas vidas preciosas ali em fazer o
que caberia aos Judeus. Sofro ao pensar que qualquer amante de Israel deveria até
agora perverter a verdade, a ponto de argumentar dessa forma. A Bíblia não diz que
devemos pregar somente aos Judeus, mas primeiro ao Judeu. “Ide e pregai o Evangelho
a todas as nações”, disse o Salvador. Vamos obedecer a Sua Palavra como criancinhas.
Oh! Senhor apresse nossos amados missionários neste fervor. Oh, Senhor, dê-lhes um
bom êxito, e nunca deixe uma dúvida fulminante cruzar suas mentes puras quanto ao seu
campo glorioso de trabalho. Tudo pelo que nós suplicamos é que, ao enviar missionários
para as nações não nos esqueçamos de começar em Jerusalém. Se Paulo for enviado
aos Gentios, deixe Pedro ser enviado para as doze tribos que estão dispersas; e não haja
um adeus em um canto de vossos corações a ser dado a esta causa, não deixem que
seja um apêndice em relação às outras obras da nossa Igreja, mas sim que seja escrito
na dianteira de seus corações, e sobre a bandeira da nossa amada Igreja, “primeiro do
judeu”, e “começando por Jerusalém” [Lucas 24:47].

Por último, porque há uma grande recompensa. Bem-aventurado aqueles que te abenço-
arem; malditos os que te amaldiçoarem. Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles
que te amam. Sentimos isso em nossas próprias almas. Ao passar de um país para outro,
sentimos que havia Alguém diante de nós preparando nosso caminho. Embora tenhamos
tido perigos nas águas e perigos no deserto, perigos de doença e perigos entre as na-
ções, de tudo isso o Senhor nos livrou; e se agradar a Deus a restaurar os nossos reve-
renciados companheiros e trazê-los desta missão em paz e segurança para suas famílias
ansiosas1, teremos então uma boa razão para dizer que na observância de Seus manda-
mentos há grande recompensa.

Mas as vossas almas serão enriquecidas e a nossa Igreja também, se esta causa en-
contrar o seu lugar certo em suas afeições. Foi bem dito por alguém que tem um lugar
especial em suas afeições, e que está agora na Índia, que nossa Igreja não deve apenas
ser evangélica, mas também evangelística, se deseja esperar a bênção de Deus. Ela não
deve apenas ter a luz, mas dispensá-la também, caso ela deva continuar como um
mordomo de Deus. Eu não posso tomar a liberdade de acrescentar a esta declaração
notável, contudo digo que não só devemos ser evangelísticos, mas que Deus quer que
sejamos evangelísticos. Que não somente dispensemos a luz para todos os lados, mas a
dispensemos primeiro para o Judeu.

__________
[1] Os doutores Black e Keith estavam nesta época ainda detidos no exterior por conta de uma doença.

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Então Deus reavivará Sua obra no meio dos anos. Toda a nossa terra será refrescada
como Kilsyth tem sido. As teias de aranha da controvérsia serão varridas para fora de
nossos santuários, as desarmonias e ciúmes de nossa Igreja serão transformadas em
harmonia de louvor, e as nossas próprias almas tornar-se-ão como um jardim bem
regado.

Pregado em 17 de novembro de 1839,


após voltar da Missão para os Judeus.

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Fonte: MCheyne.Info | Título Original: Our Duty To Israel

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)

Tradução e capa por William Teixeira │ Revisão por Camila Almeida

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Corpo do texto
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Uma Biografia de Robert Murray M’Cheyne

A Vida de M’Cheyne (1813 - 1843), por Rev. Innes MacRae

Pode certamente haver poucos volumes fora da Sagrada Escritura que tiveram tão poderosa
influência para o bem do povo de Deus, como o tem feito a obra clássica de Andrew Bonar:
“The Memoir and Remains of Robert Murray M’Cheyne” [A Memória e Relíquias de Robert
Murray M’Cheyne]. Muitos milhares de cópias deste singular clássico devocional foram
vendidos e eles têm encontrado o seu curso em inúmeros países. É um livro ainda estimado
por crentes de discernimento em todos os ramos da verdadeira igreja. Eu devo a esta obra,
eu mesmo, uma dívida incalculável. Uma cópia antiga que pertenceu à minha avó tornou-se a
minha leitura regular de Sabbath assim que eu me tornei vitalmente interessado no evan-
gelho, enquanto eu ainda estava na escola. E eu creio que não há nenhum livro, além da
Bíblia, que tem sido uma bênção maior em minha própria experiência Cristã. Esse livro conti-
nua sendo a nossa principal fonte de informação em qualquer estudo sobre a vida e ministério
de M’Cheyne. Há outras obras, como a biografia do Dr. Alexander Smellie, publicado em 1913
no centenário do nascimento de M’Cheyne. Mesmo úteis como são essas obras, elas nunca
podem substituir “Memória e Relíquias”.

Proponho-me dar um resumo da vida de M’Cheyne, e em seguida, tentar destacar as princi-


pais características de sua vida piedosa e ministério.

Robert M’Cheyne nasceu em 21 maio de 1813, em Dublin, Rua 14, na zona sul de Edim-
burgo. Seus pais vieram para a capital de Dumfries-shire. Seu pai, Adam M’Cheyne, era um
advogado – um escritor para o Signet – e ele era claramente um homem de recursos
consideráveis. Quando Robert, que era o caçula de cinco, tinha seis anos de idade, a família
se mudou para Rua Queen, 56. Aqueles de vocês que conhecem esta famosa rua de
Edimburgo perceberão imediatamente que seu pai deve ter sido um homem de considerável
riqueza, pois os pobres não adquirem casas na Rua Quee. Embora os próprios M’Cheyne´s
parecem ter sido pessoas piedosas, eles eram ligados a mais de uma igreja de Edimburgo,

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em que a terrível praga do moderatismo [1] estava negando ao povo o verdadeiro Evangelho.
Depois que saiu de casa, Robert M’Cheyne pediu frequentemente aos pais que procurassem
um ministério completamente Evangélico. Eventual-mente, eles se estabeleceram em São
Lucas, onde se beneficiaram do ministério fiel de Alexander Moody Stewart. Nessa congre-
gação Adam M’Cheyne tornou-se um Presbítero.

A infância de Robert Murray M’Cheyne foi feliz. Em 1821 ele entrou para o famoso High
School of Edinburgh, onde ele realizou bem os seus estudos. Ele mudou-se para a Universi-
dade de Edimburgo, em 1827, onde, mais uma vez, ele mostrou-se um aluno capaz e dili-
gente. Ele tinha muitos dons, escrevia poesia, ele era um artista talentoso, ele cantava bem e
foi um bom ginasta. Ele sempre levou uma vida exteriormente correta, mas ele passou a
considerar esses dias como dias de mundanismo e impiedade. Ele tornou-se como um fariseu
moderno, confiando em sua própria moralidade exterior. Ele tinha um irmão mais velho
chamado David, que seguiu os passos de seu pais e ingressou na profissão de advogado.
David era um cristão devoto e profundamente exercitado, que muitas vezes falou com seu
irmão mais novo sobre a sua necessidade espiritual. Ele iria recomendar Cristo a ele.

E oh! Lembrar da expressão de fé sincera,


Com que este olho investigará a página
Que nos fala sobre o ofendido Deus apaziguado
Por meio do terrível sacrifício na cruz
Do Calvário – que nos convida a deixar um mundo
Imerso nas trevas e morte, e buscar
Um país melhor. Ah! quantas vezes este olho
Poderia voltar para mim, com o mais terno olhar de piedade,
E, em apenas meia-repreensão, ordena-me a fugir
Dos ídolos vãos do meu coração de menino!

Havia uma relação muito estreita entre David e Robert M’Cheyne; mas David morreu em julho
de 1831. Robert tinha 18 anos na época e ficou profundamente angustiado. No propósito
soberano de Deus, a morte de seu irmão foi usada para trazê-lo à preocupação de sua
própria alma. Ele não havia experimentado de uma vez a terrível e angustiante convicção de
pecado, mas a partir do dia da morte de seu irmão seus amigos notaram uma nova seriedade
nele. Em 8 de julho de 1842, ele escreveu em uma carta: “Neste dia, há onze anos, eu perdi
meu amado e amoroso irmão, e começei a buscar um Irmão que não pode morrer”.

Ele mesmo acreditava que isso foi “A Suma do Conhecimento Salvífico”, que está muitas
vezes vinculado com a Confissão de Fé, que deu-lhe uma compreensão clara do caminho da

___________
[1] Do original: Moderatism, uma moderação nas doutrinas ou opinões, especialmente na polícia e religião [Fonte:
TheFreeDictionary.com]

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salvação: “a obra que eu acho que primeiramente operou uma mudança salvadora em mim” é
a forma como ele se referiu a esta a algum tempo depois.

No final de 1831 ele ingressou em Divinity Hall, em Edimburgo, onde o Dr. Thomas Chalmers
era um de seus professores. Ocasionalmente, no entanto, ele ainda retornou aos caminhos
mundanos. Sua consciência o perturbava sobre isso. Em 10 de março de 1832, ele escreveu:
“Eu espero nunca jogar cartas novamente”. Um mês depois, ele escreveu: “abstive-me da
dança; censuras difíceis de suportar. Mas devo tentar carregar a cruz”. Ele estava aprenden-
do a repudiar os prazeres do mundo em favor dos deleites superiores que ele estava
encontrando no Senhor Jesus Cristo.

Com seu amigo, Alexander Somerville, ele participava regularmente da Igreja do Norte, onde
havia um ministério verdadeiramente Evangélico. Ele foi se tornando mais e mais consciente
da corrupção do seu coração, ainda em 7 de maio de 1832, ele poderia escrever: “Muita paz.
Olhe para trás, minh´alma, e veja o ânimo que pertencia a ti, apenas há doze meses,
minh´alma, o teu lugar é no pó!”. M’Cheyne passou quatro anos em Divinity Hall. Foram anos
de crescimento espiritual; anos de estudo diligente e anos de trabalho evangelístico ativo. Em
seu diário, ele escreveu no Sabath, 23 de fevereiro: “Levantei cedo para buscar a Deus, e
encontrei Aquele a quem ama a minha alma. Quem não gostaria de levantar cedo para
encontrar tal companhia?”. Ele estava cultivando esses hábitos disciplinados de estudo
devocional da Palavra de Deus, da oração secreta fervorosa, de buscar o auto-exame e do
esforço incessante por santidade pessoal, que seriam tão marcante característica dos sete
anos e meio de seu ministério.

Ele iniciou seus labores ministeriais em novembro de 1835, quando se tornou assistente do
Rev. John Bonar, em Larbert e Dunipace. Ele passou 10 meses ali. Frequentemente ele
pregou três vezes no Sabath. Ele era meticuloso em sua visita sistemática na industrializada
Larbert e na rural Dunipace. Havia 710 famílias, cerca de 6.000 almas a serem alcançadas, e
o piedoso Sr. Bonar e seu jovem e sério assistente trabalharam mui diligentemente. M’Chey-
ne era escrupulosamente cuidadoso com o cultivo de sua própria alma antes de pregar ou
visitar. Ele levantava-se cedo para cantar um salmo, estudar a Palavra e orar. Ele tinha um
intenso desejo de conhecer melhor as Escrituras. Seu biógrafo diz: “Desde o começo, ele
alimentou os outros com aquilo que ele próprio estava alimentando-se. Seu ensinamento foi
de uma forma o desenvolvimento da experiência da sua alma. Este brotava de sua vida
interior. Ele amava subir dos pastos em que o Supremo Pastor o encontrava, para liderar o
rebanho confiado aos seus cuidados aos lugares aonde ele encontrou alimento”.

M’Cheyne foi ordenado e empossado à responsabilidade de São Pedro, Dundee, em 24


novembro 1836. São Pedro era uma nova igreja construída como parte do Sistema de
Extensão da Igreja. Ela deveria atender a uma paróquia de cerca de 4.000 pessoas trabalha-
doras, muitas das quais nunca cruzaram o limiar de qualquer igreja. Em seu primeiro Sabath,

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ele pregou a partir de Isaías 61:1-3. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim para pregar
boas novas”, etc. Esse primeiro sermão foi abençoado para a salvação de muitos. Esse
sempre foi o seu texto no aniversário de sua ordenação. Ele considerava a sua vocação, com
uma seriedade terrível. As pessoas eram afetadas pela sua própria aparência antes mesmo
que ele abrisse os lábios. Nunca houve qualquer leveza na sacristia, antes que ele entrasse
no púlpito. Ele era extremamente gentil e gracioso, mas, ninguém pôde deixar de observar
sua reverência solene em seu trabalho público.

Seus primeiros anos em Dundee foram anos de crescimento notável em sua própria alma.
Embora fosse extremamente ocupado, ele deu atenção exigente ao alimento de sua própria
alma. Ele acordava cedo, e fez de sua regra invariável buscar a face de Deus antes mesmo
de ele visse o rosto do homem. Ele lia pelo menos três capítulos da Palavra de Deus, antes
do café. Às vezes ia para as ruinas da igreja em Invergowrie para meditação silenciosa. Ele
estava sempre preocupado com seu estado espiritual e desejava estar desfrutando de Deus
todo o dia.

Desde o início de seu ministério, ele teve 1.100 ouvintes em seus serviços. Muitos vinham de
outras partes da cidade. Sua pregação era extremamente lúcida e direta. Ele declarava
fielmente as doutrinas da depravação pela Queda, da redenção pelo sangue, e da regenera-
ção pelo Espírito. Sua pregação sempre dirigia os pecadores ao próprio Cristo. “É estranho”,
escreveu ele, “quão doce e precioso é pregar diretamente sobre Cristo em comparação com
todos os outros assuntos da pregação”. Havia uma unção peculiar em sua pregação. Sua
preocupação com a salvação do seu povo era evidente aos olhos de todos, e muitos eram
seus apelos afetuosos com eles para apegarem-se a Cristo. Ele sempre encorajou aqueles
que estavam preocupados com suas almas a visitá-lo, e ele lidava muito clara e diretamente
com eles. Para uma mulher, ele disse antes que ela o deixasse: “Você é um verme miserável
e vil; é uma maravilha que a terra não abra sua boca e engula você”. Suas palavras foram
usadas para trazê-la à profunda convicção de pecado, o que continuou por três meses, até
que ela encontrou a paz quando Deus abençoou a ela um dos próprios sermões de M’Cheyne.

Muitos foram convertidos naqueles primeiros anos, e o povo de Deus foi revigorado e
conduzido no caminho da santidade. Ele iniciou uma reunião de oração nas noites de quinta-
feira, que algumas vezes atraia cerca de 800 pessoas. Ele tinha classes para os jovens, e
para aqueles que tencionavam a admissão à Mesa do Senhor. Ele procurou visitar todas as
casas da paróquia. Muitas vezes, depois de visitar doze ou mais casas, ele voltaria à noite e
falava com as pessoas em algum lugar em que elas se reuniam, ou alguma porção de
propriedade coletiva, na parte externa. Ele pregou em muitas outras paróquias, quase nunca
recusando um convite para pregar em uma noite de semana. Ele também teve de suportar
muita afronta de ministros não-Evangélicos, e notoriamente ímpios. Até o final de 1838, ele
esteve mui gravemente doente, e, eventual e relutantemente, teve que voltar a Edimburgo
para um período de descanso.

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Foi o Dr. Candlish que primeiro concebeu a ideia de mandá-lo para a Palestina com alguns
outros ministros em uma missão de reconhecimento para uma missão entre os Judeus.
Esperava-se que uma expedição seria benéfica para sua saúde, e que uma grande quanti-
dade de informações úteis seria acumulada. Ele estava, de qualquer forma, profundamente
interessado no trabalho missionário e particularmente preocupado com a evangelização dos
Judeus. Assim, M’Cheyne e seu amigo Andrew Bonar, acompanhados por dois ministros mais
velhos, o Dr. Keith e o Dr. Black, deixaram Londres ruma à Palestina, em março 1839, e
voltaram para casa em novembro. O relato da expedição é fascinante. Foi uma investigação
extremamente útil e levou a um trabalho entre o povo Judeu, que continua até hoje.

M’Cheyne estava, claro, preocupado que o evangelho puro fosse pregado ao seu povo,
enquanto ele estivesse no exterior e convidou William C. Burns, o filho do ministro de Kilsyth,
para ocupar o púlpito em sua ausência. O jovem William Burns era um pregador profunda-
mente devoto e mui sério. Por temperamento, ele e M’Cheyne eram muito diferentes, mas
eles eram semelhantes em sua incessante busca por santidade pessoal e em seu ardente
desejo pela salvação das almas.

Em julho, Burns estava ajudando seu pai na Temporada de Comunhão, em Kilsyth. Nada
muito incomum ocorreu nos serviços do fim de semana. Tal era o desejo do jovem, no entan-
to, pela salvação dessas pessoas entre as quais ele havia crescido, que ele anunciou que
pregaria para eles novamente na manhã de terça-feira. Isso foi em 23 de julho, uma manhã,
estabelecida desde toda a eternidade nos conselhos de Jeová como uma época na história
da redenção. Deus abençoou a pregação do jovem ministro de uma forma maravilhosa
naquele dia. O reavivamento veio a Kilsyth.

Não poderia haver nenhuma questão sobre Burns voltar naquela noite para Dundee. Nos dias
que se seguiram muitos foram levados à grande preocupação espiritual, irrompendo em lágri-
mas e lamentos, enquanto procuravam a paz com Deus. Muitos entraram em paz e liberdade
evangélicas. Era o início de um período de bênção maravilhosa em muitas partes da Escócia.
Burns voltou para Dundee, no dia 8 de agosto. Na reunião de oração da noite quinta-feira, ele
falou sobre as obras maravilhosas do Senhor em Kilsyth e convidou que permanecessem
aqueles que estavam preocupados com suas almas. Cerca de 100 pessoas permaneceram.
Eu cito: “Na conclusão de um discurso solene às suas almas ansiosas, de repente, o poder de
Deus pareceu descer, e todos foram banhados em lágrimas”. Houve uma grande bênção em
um serviço na noite seguinte, e assim o avivamento continuou dia após dia.

A igreja tornou-se pequena demais para as congregações que se reuniam e os serviços


tiveram que ser realizados ao ar livre. Às vezes, trinta ou quarenta vinham a Burns, no mesmo
dia, perguntando sobre o caminho da salvação. O Reavivamento tinha vindo à congregação
em que M’Cheyne havia trabalhado tão diligentemente e para a qual ele pleiteou tão constan-
temente, e quando ele chegou, ainda não sabia de nada. Ele estava repousando, gravemente

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doente, com febre, no sopé do Monte Líbano, e de fato, em sua posterior viagem a Esmirna,
estave às portas da morte. Isso não demonstra o trabalho soberano do Altíssimo? Ele mesmo
escolhe os instrumentos através dos quais Ele concederá a bênção. Sua glória Ele não dará a
outrem. Quando M’Cheyne e Bonar chegaram a Hamburgo, na viagem de volta, é que
ouviram as primeiras notícias sobre o avivamento na Escócia.

Em novembro M’Cheyne retornou a Dundee. Seu coração estava cheio de gratidão a Deus
pela bênção dada em sua ausência. Ele estava totalmente livre de qualquer sentimento de
inveja ou ciúme. “Eu não tenho nenhum desejo, senão a salvação de meu povo, por qualquer
instrumento”, disse ele. Na noite do mesmo dia em que ele chegou a Dundee, um serviço mui
memorável foi realizado em São Pedro. Ele pregou ao seu povo a partir de 1 Coríntios 2:1-4.

“A Questão, a Forma e o que Acompanhava a Pregação de Paulo”. Todos os assentos


estavam ocupados. As pessoas ocuparam as passagens e os degraus do púlpito. Muitos
ainda estavam sob convicção. Era um serviço mui memorável. Ele escreveu para o seu pai,
“eu nunca preguei a tal audiência, tantos chorando, tantos à espera das palavras de vida
eternal. Eu nunca ouvi tal canto doce em qualquer lugar, tão terno e comovente, como se as
pessoas sentissem estar louvando a um Deus presente. Quando sai, pela primeira vez, todo o
caminho para igreja estava cheio de velhos e jovens, e eu tive que apertar as mãos de vinte
de cada vez. Uma multidão seguiu à minha porta, de modo que eu tinha que falar com eles
novamente antes de despedi-los. Há, evidentemente, uma grande mudança sobre as pessoas
aqui, e embora seja de se esperar que muitos estão despertados e entusiasmados apenas de
forma natural, ainda assim, eu vejo muitos em que eu me sinto confiante que estejam salvifi-
camente transaformados”.

O fluxo da bênção continuou a fluir enquanto M’Cheyne pregava ao seu povo. O transbor-
damento do rio diminuiu, porém muitos ainda estavam ansiosos para aprender e experimentar
a salvação de Deus. Em um de seus cadernos, ele registra que pelo menos 400 pessoas o
visitaram entre 1839 e 1843 preocupados com suas almas. Ele tornou-se muito atento e
exigente ao lidar com os inquiridores. Enquanto ele era sempre muito compassivo, ele era
muito consciente de que as pessoas poderiam ser enganadas por seus próprios corações. Ele
não queria que ninguém tivesse uma falsa paz. E assim, Robert Murray M’Cheyne continuou
com seus trabalhos incessantes em Dundee e em muitos outros lugares, até que ele
sucumbiu ao Tifo. No sábado, 25 de marco de 1843, ele partiu para estar com o seu Amado
naquela terra que é mais clara do que o dia.

Gostaria agora de destacar algumas das principais características da vida e do ministério


deste homem notável:

Em primeiro lugar, há o anseio por santidade. Isso, eu diria, é a característica mais proemi-
nente de sua vida Cristã. Ele sempre foi desejoso de ser mais santo. Em cartas a amigos

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íntimos, ele contava quão frequentemente ele orou: “Para ser feito tão santo quanto um
pecador perdoado pode ser”. Muitas de suas cartas revelam suas aspirações por santidade.
Andrew Bonar nos diz que ele, Bonar, foi muitas vezes repreendido naquela expedição à Ter-
ra Santa pela inabalável atenção de seu amigo pela santidade pessoal. Considere estas
palavras tiradas de seu próprio coração e vida, escritas não muito tempo antes de morrer, e
intituladas Reformação: “Eu devo examinar os meus sonhos, meus pensamentos flutuantes,
minhas predileções, minhas ações muitas vezes recorrentes, os meus hábitos de pensa-
mento, sentimentos, fala e ação; as calúnias de meus inimigos e as reprovações e até mesmo
gracejos de meus amigos, para descobrir traços de meu pecado prevalecente, e isto como
uma questão de confissão. Eu devo estabelecer um dia de confissão, com jejum, digamos,
uma vez por mês. Eu devo ter um número de registros destacados, para trazer o pecado à
lembrança. Eu devo fazer uso de toda a aflição física, tribulações domésticas, carrancas da
Providência sobre mim mesmo, casa, paróquia, igreja ou país, como apelos de Deus para
confessar o pecado”. Quando você lê essas palavras, pode se maravilhar que seus compa-
nheiros preferidos eram Samuel Rutherford, Jonathan Edwards e David Brainerd? Ele era de
mesma natureza. Oh, que tivéssemos tais aspirações intensas por conformidade com a
semelhança do Senhor Jesus!

M’Cheyne teve um intenso amor pela Palavra de Deus. Ele tinha um desejo insaciável por
uma maior familiaridade com a Palavra escrita. No entanto, era para o bem da sua alma que
ele tão diligentemente estudava. Ele jamais a estudava tendo em vista a preparação de
sermões, até que ele tivesse alimentado a sua alma em suas ricas pastagens. Para Mrs.
Thaine que, se ele tivesse vivido, poderia muito bem ter sido a sua sogra, ele enviou uma
nota agradecendo-lhe por uma Bíblia que ela lhe enviou antes de partir para a Palestina.
Nessa carta, ele escreveu: “Todas as minhas ideias sobre paz e alegria estão ligadas com a
minha Bíblia, e eu não daria as horas de conversa secreta com ela por todas as outras horas
que eu gasto neste mundo”. Qualquer coisa que o ajudasse a compreender melhor a Escri-
tura, ele valorizava muito. Ele levava consigo, na viagem ao Mediterrâneo, algumas anota-
ções que Andrew Bonar fizera em Levítico. Notas estas que, sem dúvida, serviram de base
para os comentários de Bonar sobre esse livro. Você, eu, temos tanto apetite pelas Escrituras?

Grande era a devoção de M’Cheyne. Todas as suas manhãs começavam com oração secre-
ta. Após o café da manhã, havia a oração em família. Lemos sobre o seu tempo tomado após
o chá para a oração. Ele orava em segredo e ele orava com seus amigos. Ele e vários de
seus colegas ministros concordavam com uma combinação de oração. Eles passariam tempo
em oração uns pelos outros, todos os Sábados à noite. Quando uma vez lhe foi perguntado
se a pressão do trabalho alguma vez fez com que ele negligenciasse o período de oração, ele
respondeu que não estava ciente de isto já houvesse acontecido.

Quanto mais santificado um crente se torna, mais ele se torna consciente de sua própria
pecaminosidade. Quanto mais ele se aproxima da Luz, mais esta Luz mostra a sua própria

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escuridão. Em uma carta a uma alma em busca de Jesus, M’Cheyne cita outro alguém que
diz: “Eu não sei como expressar melhor o que os meus pecados me parecem senão amonto-
ando infinito sobre infinito, e multiplicando infinito sobre infinito”. Ele confessou que seu
próprio coração era como um abismo de corrupção. Seu senso de indignidade apenas fazia
de Jeová Tsidkenu, o Senhor sua Justiça, mais precioso para ele.

Uma das características mais tristes do atual evangelicalismo é a sua prontidão para se
comprometer com o mundo. Muito cedo em sua vida Cristã, M’Cheyne percebeu que deveria
haver separação do mundo. Muitos de vocês se lembrarão das linhas que ele escreveu em
1832, quando ele ouviu falar sobre um relato de alguém havia determinado manter-se no
mundo:

Ela escolheu o mundo,


E sua multidão insignificante,
Ela escolheu o mundo,
E uma mortalha sem fim!
Ela escolheu o mundo,
Com seus prazeres ilusórios,
Ela escolheu o mundo,
Em vez dos tesouros próprios do céu.

Ela, porém, lançou seu barco


No mar vertiginoso da vida,
E ela está completamente à deriva,
Pela eternidade.
Mas a estrela de Belém
Não está à sua vista,
E seu objetivo está distante
Do porto verdadeiro.

Ao escrever para uma alma despertada, insistindo que ela se apartasse d o mundo, ele disse:
“Você não viveu tempo suficiente no prazer? Venha experimentar os prazeres de Cristo: o
perdão e um novo coração. Eu não estive em um baile ou quaisquer diversões mundanas por
muitos anos, e ainda assim eu creio que eu tive mais prazer em um único dia, do que você
teve em toda a sua vida”.

A paixão que consumia a vida de Robert Murray M’Cheyne era Cristo Jesus. Cristo era tudo
para ele. Cristo era a sua justiça; Cristo era a fonte de sua santidade. “Não há nenhuma
santidade verdadeira neste mundo, senão a que brota dEle”, diz ele em um sermão em
Cantares de Salomão. “Um Cristo vivo é a fonte da santidade para todos os Seus membros.
Enquanto nós O abraçamos, e não O deixamos partir, a nossa santidade está segura”, disse

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ele. Ele estava sempre em busca de um conhecimento mais profundo com Cristo, e incitando
os outros a um conhecimento maior dEle. Todo sermão seu levava a Ele. “Para cada olhar
para si mesmo”, escreveu a um amigo em Belfast, “olhe dez vezes para Cristo. Ele é total-
mente desejável”. Foi seu amor por Cristo que o levou tantas vezes para o Cântico dos Cânti-
cos. Ele pregou em quase todos os versos desse amável livro. Foi por causa de seu amor por
Cristo que ele quase diariamente virava-se para as Cartas de Samuel Rutherford. Vivia
sempre apoiado em seu Amado. Esse, certamente, é o segredo de uma vida santa.

Quão grandemente M’Cheyne amou o dia de Sabath. Ele não acreditava que alguém pudesse
ser um verdadeiro cristão e não amar o Dia do Senhor. Ele guardava o dia exclusivamente
para o gozo da comunhão com o Senhor. Levantava-se cedo e ficava até tarde, para desfrutar
de um longo dia com o Senhor. Bonar fala da indignação que ardia em seu semblante quando
seus assistentes Árabes insistiam em sua passagem da aldeia Egípcia onde estavam, ao
invés de permanecerem ali sob algumas palmeiras. Nada prevaleceria sobre ele para
continuar a viagem. O descanso de Sabath é tão necessário no deserto Egípcio quanto na
ocupada Dundee. Oh, que os Cristãos atuais tão rigorosamente e tão alegremente santificas-
sem o Santo Dia de Deus!

Ao longo de sua vida Cristã M’Cheyne teve um profundo interesse pelo trabalho missionário.
Manteve-se bem informado e orou pela obra missionária em outras terras. De particular
interesse para ele era a evangelização de antigo povo de Deus, os Judeus. Essa era uma das
grandes paixões de sua vida. Ele viajou mais de uma vez para a Irlanda para promover o
interesse desta obra. Ele acreditava que uma Igreja que estivesse levando o evangelho para
os Judeus, ela mesma, em grande medida, desfrutaria a bênção do Senhor: “Prosperarão
aqueles que te amam” [Salmos 122:6].

Outra preocupação constante de M’Cheyne era sua determinação em se aperfeiçoar em meio


às aflições. Ele conheceu muitas aflições de vários tipos em sua própria experiência. Ele era
de uma constituição muito delicada e estava frequentemente doente. Ele via todas as suas
aflições como vindas da mão de um Pai amoroso, e estava sempre procurando aprender com
as lições que o seu Deus estava lhe ensinando nelas. Suas cartas instam outros santos aflitos
à humilde submissão, para que pudessem obter o máximo benefício a partir de um lidar do
Pai Celestial com eles em Sua providência. Ele amava a Resolução de Edwards, “Resolvi pro-
gredir em aflição ao máximo” [Provavelmente este é um resumo da resolução de número 67]
Poucos homens podem alguma vez ter tido uma grande paixão pelas almas, como teve
Robert Murray M’Cheyne. Ele era mui escrupuloso sobre o uso de todas as oportunidades
para recomendar o Salvador aos seus companheiros pecadores. Ele nunca excluiria de um
sermão algum um ensinamento projetado para mostrar o caminho da salvação. Para W. C.
Burns, ele escreveu: “Eu sinto que há duas coisas que seja impossível desejar com ardor sufi-
ciente: a santidade pessoal, e a honra de Cristo na salvação das almas”. Esse anseio pela
salvação dos perdidos significava que ele servia a Cristo com um zelo ardente e santo. Ele

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estava convencido de que não viveria por muito tempo, e ele, portanto, fez o máximo em cada
oportunidade.

Ele pregou poderosamente sobre a soberania de Deus. Para os Cristãos crentes, ele diz em
um sermão: “Amem a Deus para todo o sempre, porque Ele vos escolheu de volutariamente.
Adorem a Jesus, que passou por milhões e morreu por vocês. Adorem o Espírito Santo, pois
Ele veio por livre e soberana misericórdia, e despertou-lhes. Isso será um tema de louvores
por toda a eternidade”.

Entretanto, ninguém enfatizou mais apaixonadamente a gratuidade do Evangelho. Leia o


sermão Nº 5, de “Memória e Relíquias”: “A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos
filhos dos homens” (Provérbios 8:4). “Se não houvesse outros textos em toda a Bíblia”, diz
ele, “para incentivar os pecadores a virem livremente a Cristo, este único poderia persuadi-
los. Não há assunto mais mal compreendido por almas não-convertidas do que a gratuidade
de Cristo. Tão pequena ideia temos naturalmente da livre graça, que não podemos acreditar
que Deus oferece um Salvador para nós enquanto estamos em uma condição ímpia, mere-
cedora do inferno”.

“Oh”, diz ele, “é triste pensar como os homens argumentam contra a sua própria felicidade, e
não crerão na própria Palavra de Deus”.

Sua compaixão e ternura foram muito marcantes. No entanto, ele alertou para o inferno nos
termos muitíssimo claros. Em um sermão sobre a corrupção do coração humano, ele diz para
os não-convertidos: “Todos os dias tenho visto vocês irem para cada vez mais longe da santi-
dade; para longe de Deus e para mais perto do inferno. Vocês estão entesourando ira para o
Dia da Ira. Oh, que tesouro! Amontoando combustível para queimá-los por toda eternidade”.
Sua preocupação amorosa pelos pecadores fez com que ele falasse claramente.

E ele tinha um interesse amoroso pelos pecadores. Ele foi terno e carinhoso em seus apelos
a eles. Quando Andrew Bonar lhe disse em uma ocasião que ele esteve pregando sobre o
texto: “Os ímpios serão lançados no inferno”, ele imediatamente perguntou-lhe: “Você foi
capaz de pregá-lo com ternura?”. Em outra ocasião, ele disse: “O homem que fala do inferno
deve fazê-lo com lágrimas nos olhos”. Um de seus Presbíteros, William Lamb, escreveu:
“Quão belamente afetuosas eram as pregações de M’Cheyne, ele atria você a Cristo”. Outro
escritor disse: “Sua solicitude pela salvação dos seus ouvintes o fez afetuoso, até mesmo
além da sua ternura natural”. Não é esta ternura uma qualidade que precisamos readquirir em
nossa pregação hoje? As grandes doutrinas da Redenção devem ser proclamadas sem
concessões. Elas também devem ser proclamadas de forma cativante.

Sua visão sobre o Santo Ministério é bem expressa em sua observação no momento do
licenciamento em 1835. Quando já estava licenciado, ele disse: “um pregador do evangelho:

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uma honra que eu não posso nomear outra igual”. Ele tinha um enorme senso da neces-
sidade de santidade de vida nos ministros do Evangelho. Para um colega ministro, ele
escreveu: “Não são os grandes talentos que Deus abençoa tanto quanto grande semelhança
com Jesus. Um ministro santo é uma temível arma nas mãos de Deus”. Ele amava pregar. Ele
tinha o mesmo constrangimento sobre ele, como tinha Philip Henry, o pai do grande
comentarista, Matthew Henry. Philip Henry disse que ele suplicaria a semana toda, se isso
significava que ele poderia pregar no dia de Sabath. M’Cheyne escreveu: “A grande obra do
ministro, na qual ele deve empenhar toda a força do corpo e da mente é a pregação. Fraca e
tola quanto possa parecer, este é o grande instrumento que Deus colocou em nossas mãos
pelo qual os pecadores são salvos...”.

Muitos foram levados a uma compreensão clara da verdade como ela é em Jesus. M’Cheyne
diz em algum lugar: “que uma marca da realidade da graça em um filho de Deus é o seu
senso de pecado”. Em uma carta que escreveu a um pecador despertado, ele conta como, ao
escrever essa carta, ele foi interrompido por uma menina pequenininha, que estava chorando
abundantemente. Ela chegara a perguntar: “O que eu devo fazer para ser salva?”. Desde que
uma colega lhe contara sobre seu ser despertada, ela havia procurado Cristo com todo seu
coração. Ele escreveu um tratado para os jovens em sua congregação, intitulado “Para os
Cordeiros do Rebanho”. Nele, ele falou mui claramente: “Eu poderia chorar quando penso que
muitos de vocês viverão uma vida de pecado, e morrerão uma morte de horror, e passarão a
eternidade no inferno”. E, novamente: “A juventude é um tempo para ser salvo. Vocês não
são jovens demais para morrer, nem muito jovens para serem julgados, e, portanto, também
não são jovens demais para serem levados a Cristo. Não se contentem em ouvir sobre Cristo
de seus professores. Ore para que Ele seja revelado a vocês”. Crianças foram convertidas no
avivamento. No final de 1839, alguns solicitavam admissão à Mesa do Senhor, quatro que
tinham apenas quatorze anos, e três que tinham quinze ou dezesseis anos.

Profundamente comovente é o seu relato da experiência espiritual de James Laing, intitulado


“Another Lily Gathered” [Outro Lírio Reunido]. De vez em quando o menino mostrava alguma
preocupação, mas depois passou como a nuvem da manhã e o orvalho que cedo passa.
Enquanto em Glams, em 1841 (ele tinha treze anos na época), ele ficou profundamente
comovido sob um sermão que ouviu em uma reunião. Ele gostaria de ter ido ouvir seu próprio
ministro, M’Cheyne, pregar; ele estava no bairro na época, mas ele estava muito fraco para
fazer a viagem para lá. Ele era muito sensível e estava em Glams para o bem da sua saúde.
Em outubro, ele estava muito doente e ansioso com a sua alma. “Oh, Jesus, salve-me! Salva-
me!”, ele clamava. Depois de uma visita de M’Cheyne, que lhe falou muito claramente sobre
Jesus ter vindo ao mundo para salvar os pecadores, ele passou o resto de seus dias de
joelhos, clamando por misericórdia. Naquela noite, ele encontrou misericórdia. As palavras:
“quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”, tornaram-se particularmente preci-
osas para ele naquela noite. Muitas vezes M’Cheyne visitou o menino moribundo, expondo-
lhe alguma passagem da Escritura. Ele adquiriu uma compreensão bastante notável da Ver-

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dade em um tempo muito curto. Ele estava com muita dor, mas quando pensou que o Senhor
Jesus sofreu por ele, isso trouxe alívio para sua dor. “A minha dor não é nada em relação a
que Ele sofreu”, disse ele. Ele tinha uma grande preocupação pela salvação dos outros. Ele
falou com as crianças da Escola Dominical que foram à sua casa para vê-lo pouco antes de
morrer. Ele exortou-os a irem para o Cristo que o salvou e ele os advertiu sobre o inferno:
“Considerem, Ele está disposto, e Oh, sejam sinceros. Vocês não O obterão, a menos que
vós sejais sinceros!”. Ele lamentou a seu ministro que, embora permancesse convidando-os a
Cristo, “eles não querem vir!”. Ele estava constantemente pedindo àqueles que vinham vê-lo
para buscarem a Cristo. No dia 11 de Junho de 1842, há poucas semanas do seu décimo
quarto aniversário, ele adormeceu em Jesus. Devemos buscar a salvação das crianças, e não
tenham medo de colocar as verdades bíblicas claramente diante delas. Ninguém nunca
entenderá a menos que o Espírito Santo lhes conceda o entendimento. Ele é capaz de fazer
isso para uma criança, como para um adulto.

M’Cheyne era um homem de espírito universal – católico, no verdadeiro sentido do termo. Ele
realmente amava o povo de Deus, qualquer que fosse o seu rótulo denominacional. Ele era
claro em sua mente em relação aos seus próprios princípios. Ele cria que os encontrou na
Bíblia, e se agarrou a eles tenazmente. Mas, tinha prazer de desfrutar da comunhão com
outras pessoas que ele acreditava serem vitalmente unidas a Cristo. Ele não teve nenhuma
dificuldade em participar da Ceia do Senhor em um cenáculo em Jerusalém, apesar de ter
sido dispensado, de acordo com a prática dos Episcopais. Ele cita com aprovação, o comen-
tário de Calvino ao Arcebispo Cramner, que atravessaria dez mares para sentar-se com ele à
mesa do Senhor. Este catolicidade de espírito mostrou-se, em seu ter ministros dissidentes
ocupando o púlpito na ocasião, quando ele estava doente. Quanto a isso, ele foi perguntado
por um correspon-dente de um jornal de Dundee. Em resposta, ele de forma calma, mas
vigorosa afirmou que ele cria ser a base bíblica de livre comunhão ministerial entre os
ministros de Cristo. Seu princípio era de que, se um ministro era um verdadeiro servo de
Cristo, chamado para o ministério, são na doutrina, sóbrio em sua vida, e submisso a Deus
em sua pregação, ele poderia recebê-lo em seu púlpito, embora suas crenças e as deles
diferissem sobre questões não-fundamentais. Ele ressalta que Calvino reconhecia Lutero
como um servo de Cristo, mesmo quando ele estava enfadando-o com abuso; e que Samuel
Rutherford teve o Bispo Usher ocupando o púlpito de Anworth. Ele detestou o Ato de
Assembleia de 1799, que impediu piedosos ministros ingleses, como Charles Simeon de
Cambridge, de pregarem nos púlpitos da Igreja da Escócia. Essa lei, aprovada num momento
em que os Moderados estavam em ascensão foi revogada quando os Evangélicos se
tornaram mais influente. M’Cheyne se alegrou com a sua revogação. Ele jamais permitiria a
pregação infiel em São Pedro, ele apenas amava ouvir a mensagem do Evangelho sendo
proclamada por homens fiéis de Deus de vários ramos da Igreja de Cristo.

Como um clérigo, Murray M’Cheyne foi um membro fiel da Igreja da Escócia. Ele foi mais
fortemente contrário à intrusão, por patronos leigos, de ministros indesejados em igrejas

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paroquiais. Ele acreditava apaixonadamente na independência espiritual da Igreja. Quando,


em 7 de março de 1843, a causa da Igreja foi debatida na Câmara dos Comuns, ele escreveu:
“Foi uma noite agitada no Parlamento Britânico! Uma vez mais o Rei Jesus está em um
tribunal terreno, e eles não O conhecem!”. Se tivesse vivido mais algumas semanas, ele teria
deixado São Pedro para se juntar a outros 474 ministros da Igreja na separação a partir do
Estabelecimento.

Em conclusão, deixe-me referir novamente a paixão de Robert Murray M’Cheyne pela santi-
dade. Ele nunca esteve satisfeito com a seu próprio porgresso na vida santa, e esteve sempre
buscando uma maior semelhança com o seu Mestre. Por isso, ele deixou uma impressão no
crente e no descrente. Uma senhora em um hotel em Alexandria, no Egito, estava recla-
mando altamente que Cristãos professos nada mais são do que hipócritas: “Você nunca, em
toda sua vida, viu um seguidor do Senhor Jesus em quem você acreditou?”, perguntou
alguém que ouviu o seu discurso. Houve uma pausa. Mais calma, ela então disse: “Sim, eu vi
um,.. um homem, um ministro neste hotel. Um homem alto e magro da Escócia, ele era um
homem de Deus, eu o vi e senti que ele era um Cristão genuíno. Seu próprio olhar fez-me
bem”. Sua vida santa deixou uma impressão em alguém que lhe era totalmente desconhe-
cido. Oh, que hoje nós obtivéssemos uma paixão pela santidade como a dele.

“A tal santidade eu nunca poderei alcançar”. É isso o que você disse? Certamente é impor-
tante ser humilde. No entanto, devemos lembrar que não era Robert Murray M’Cheyne que
fez a si mesmo o homem santo que ele se tornou. A graça de Deus fez dele o homem que ele
era. Em uma carta, depois de lamentar a sua própria corrupção, ele declarou: “Eu muito anelo
ser livre do eu, do orgulho e da impiedade. E eu sei para onde ir, pois todas as promessas de
Deus são Sim e Amém em Cristo Jesus”. Esta graça, se você e eu somos filhos de Deus, está
operando em nós. Que possamos anelar por santidade; a desejemos, como o fez M´Cheyne.

M’Cheyne reconheceu sua dívida para com o ilustre Jonathan Edwards. Você fará de sua
resolução aquela de Edwards? “Sobre a suposição de que nunca haverá apenas um indivíduo
no mundo, a qualquer tempo, que foi propriamente um Cristão completo em todos os aspec-
tos de um correto posicionamento, tendo o Cristianismo sempre brilhado a sua luz verdadeira,
e evidenciando excelência e amabilidade de onde quer que surja, ou sob quaisquer
características contempladas; resolvi, agir exatamente como eu faria se eu empenhasse com
toda a minha força, para ser este único que viveria em meu tempo”.

__________
♦ Fonte: Reformation-Scotland.org.uk

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Quem Somos
O Estandarte de Cristo é um projeto cujo objetivo é proclamar a Palavra de Deus e o Santo
Evangelho de Cristo Jesus, para a glória do Deus da Escritura Sagrada, através de traduções
inéditas de textos de autores bíblicos fiéis, para o português. A nossa proposta é publicar e
divulgar traduções de escritos de autores como os Puritanos e também de autores posteriores
àqueles como John Gill, Robert Murray M’Cheyne, Charles Haddon Spurgeon e Arthur
Walkington Pink. Nossas traduções estão concentradas nos escritos dos Puritanos e destes
últimos quatro autores.

O Estandarte é formado por pecadores salvos unicamente pela Graça do Santo e Soberano,
Único e Verdadeiro Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o testemunho das
Escrituras. Buscamos estudar e viver as Escrituras Sagradas em todas as áreas de suas vidas,
holisticamente; para que assim, e só assim, possamos glorificar nosso Deus e nos deleitar-
mos nEle desde agora e para sempre.

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2 Coríntios 4
1
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não
2
desfalecemos; Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando
com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à
3
consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.
4
Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto.
Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não
5
resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque
não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos
6
vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas
resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do
7
conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro
8
em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo
9
somos atribulados, mas não angustiados; perplexos,Viste asmas não
páginas quedesanimados.
administramos no Persegui-
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10
dos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda
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a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se
11  Facebook.com/ESJesusCristo
manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre
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entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
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12 13
nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.
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temos portanto o mesmo espírito de fé, como está  escrito: Cri, por isso falei; nós cremos
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14
também, por isso também falamos. Sabendo que  oFacebook.com/JonathanEdwards.org
que ressuscitou o Senhor Jesus nos
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15
ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco. Porque tudo isto é por
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amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de
16  Facebook.com/RobertMurrayMCheyne
graças para glória de Deus. Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem
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17
exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e
18
momentânea tribulação produz para nós um pesoPágina eternoParceira:
de glória mui excelente; Não
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se veem, mas nas que se não veem; porque as que se 25
atentando nós nas coisas queIssuu.com/oEstandarteDeCristo
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veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

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