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Colégio Pedro II do Estado do Rio de Janeiro

COLÉGIO PEDRO II
Assistente em Administração
MR033-A-2017

A apostila preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial com


base no Edital anterior, para que o aluno antecipe seus estudos.
DADOS DA OBRA

Título da obra: Colégio Pedro II do Estado do Rio de Janeiro

Cargos: Assistente em Administração

Atualizada até 03/2017

(Baseado no Edital nº 30/2015 de 03 de Agosto de 2015)

Volume I
• Língua Portuguesa • Legislação • Informática

Volume II
• Raciocínio Lógico e Quantitativo • Conhecimentos Específicos

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Suelen Domenica Pereira

Capa
Rosa Thaina dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

Textualidade: interpretação;................................................................................................................................................................................. 01
Recursos estilísticos (ou figuras de linguagem);.......................................................................................................................................... 07
Coesão e coerência;................................................................................................................................................................................................. 10
Norma padrão e variantes linguísticas;............................................................................................................................................................ 21
Ortografia: uso dos acentos gráficos................................................................................................................................................................ 30
Uso do sinal indicativo de crase......................................................................................................................................................................... 39
Morfologia: classes gramaticais e processos de flexão das palavras;.................................................................................................. 44
Sintaxe: de regência verbal e nominal; de concordância verbal e nominal; de colocação.......................................................... 80
Uso dos sinais de pontuação;.............................................................................................................................................................................. 92
Semântica: sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia; polissemia (denotação e conotação);................................. 95
Normas técnicas de redação oficial................................................................................................................................................................... 97

Legislação

Constituição Federal de 1988: Capítulo VII, Seções I e II - Da Administração Pública (arts. 37 e 38) e Dos Servidores Pú-
blicos (arts. 39 a 41)................................................................................................................................................................................................. 01
Lei Federal nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990 que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civil da
União, das autarquias e das fundações públicas federais........................................................................................................................ 14
Decreto Federal nº 1.171 de 22 de junho de 1994 que aprovou o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal: Seção II – Dos Principais Deveres do Servidor Público;................................................................. 41
Lei Federal nº 11.091 de 12 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Car-
gos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da
Educação, e dá outras providências.................................................................................................................................................................. 42
Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamentou o artigo 37, XXI, da Constituição Federal, institui normas para
licitações e contratos da Administração Pública.......................................................................................................................................... 77
Lei nº 10.520/2002, de 17 de julho de 2002, que instituiu, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição
de bens e serviços comuns, e dá outras providências.............................................................................................................................104
Decreto Federal nº 5.450, de 31 de maio de 2005, que regulamentou o pregão, na forma eletrônica, para aquisição de
bens e serviços comuns, e dá outras providências...................................................................................................................................107
Decreto Federal nº 3.555, de 08 de agosto de 2000, que aprovou o Regulamento para a modalidade de licitação deno-
minada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns.................................................................................................................112
Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito Federal.....................................116
Lei Federal nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que Instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências...............................121
Lei 13.146/2015 Estatuto da Pessoa com Deficiência..............................................................................................................................128

Noções de Informática
Noções de hardware: componentes de um computador; dispositivos de entrada e saída; mídias para armazenamento
de dados; instalação e utilização de periféricos; ......................................................................................................................................... 01
Noções do Sistema Operacional Windows 7: operações sobre arquivos e pastas; atalhos; janelas; instalação de progra-
mas; ............................................................................................................................................................................................................................... 23
Editor de texto: conceitos básicos; menus; barras de ferramentas; comandos; configurações; formatação; proteção
de documentos (MS Office 2010);................................................................................................................................................................. 31
Editor de planilhas eletrônicas: conceitos básicos; menus; barras de ferramentas; comandos; funções; configurações;
Criação de fórmulas; Referências entre planilhas; gráficos (MS Office 2010);.................................................................................. 56
Softwares de apresentações (MS Office 2010): Aplicativo para apresentações: Criação e formatação de slides; Criação e
formatação de slide mestre; criação de apresentações;........................................................................................................................... 80
Internet: conceitos; navegadores; hyperlinks; ferramentas de busca; transferências de arquivos (download e upload);
Correio eletrônico; Noções de mapeamento e pesquisa de rede;.................................................................................................... 95
Noções de segurança: Conceitos de vírus, spyware, spam; certificados de segurança; acesso a sites seguros; ética
na utilização da Internet em ambiente corporativo; cuidados e prevenções; noções de backup..........................................132
LÍNGUA PORTUGUESA

Textualidade: interpretação;................................................................................................................................................................................. 01
Recursos estilísticos (ou figuras de linguagem);.......................................................................................................................................... 07
Coesão e coerência;................................................................................................................................................................................................. 10
Norma padrão e variantes linguísticas;............................................................................................................................................................ 21
Ortografia: uso dos acentos gráficos................................................................................................................................................................ 30
Uso do sinal indicativo de crase......................................................................................................................................................................... 39
Morfologia: classes gramaticais e processos de flexão das palavras;.................................................................................................. 44
Sintaxe: de regência verbal e nominal; de concordância verbal e nominal; de colocação.......................................................... 80
Uso dos sinais de pontuação;.............................................................................................................................................................................. 92
Semântica: sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia; polissemia (denotação e conotação);................................. 95
Normas técnicas de redação oficial................................................................................................................................................................... 97
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação – na semântica (significado das palavras)


incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
TEXTUALIDADE: INTERPRETAÇÃO;
tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
gem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese e
- Capacidade de raciocínio.
É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi-
co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, Interpretar X compreender
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento
de responder às questões relacionadas a textos. Interpretar significa
- Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- - Através do texto, infere-se que...
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - É possível deduzir que...
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar - O autor permite concluir que...
e decodificar ). - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Compreender significa


Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- está escrito.
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. - o texto diz que...
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que - é sugerido pelo autor que...
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
frase for retirada de seu contexto original e analisada se- - o narrador afirma...
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele
inicial. Erros de interpretação

É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência


Intertexto - comumente, os textos apresentam referên-
de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita-
- Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia
- Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias,
apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas entendimento do tema desenvolvido.
na prova.
- Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias contrá-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: rias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivoca-
das e, consequentemente, errando a questão.
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen-
tais de uma argumentação, de um processo, de uma épo- Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor
ca (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova
quais definem o tempo). de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou que o autor diz e nada mais.
de diferenças entre as situações do texto.
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
com uma realidade, opinando a respeito. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun- Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
dárias em um só parágrafo. pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai
vras. dizer e o que já foi dito.

Condições básicas para interpretar OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia-
-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e
Fazem-se necessários: do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer
literários, estrutura do texto), leitura e prática; também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante-
texto) e semântico; cedente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes relativos são muito importantes na inter- Texto para a questão 2:


pretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coe-
são. Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe DA DISCRIÇÃO
um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber: Mário Quintana
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, Não te abras com teu amigo
mas depende das condições da frase. Que ele um outro amigo tem.
- qual (neutro) idem ao anterior. E o amigo do teu amigo
- quem (pessoa) Possui amigos também...
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois o (http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade)
objeto possuído.
- como (modo) 2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMUNI-
- onde (lugar) TÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o poema,
quando (tempo) é correto afirmar que
quanto (montante) (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade
é algo ruim.
Exemplo: (B) amigo que não guarda segredos não merece respeito.
Falou tudo QUANTO queria (correto) (C) o melhor amigo é aquele que não possui outros ami-
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria gos.
aparecer o demonstrativo O ). (D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
(E) entre amigos, não devem existir segredos.
Dicas para melhorar a interpretação de textos
3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – SE-
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do CRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENITEN-
assunto; CIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa questão.
a leitura;
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo Casamento
menos duas vezes;
- Inferir; Há mulheres que dizem:
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; Meu marido, se quiser pescar, pesque,
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do mas que limpe os peixes.
autor; Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
compreensão; É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada de vez em quando os cotovelos se esbarram,
questão; ele fala coisas como “este foi difícil”
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. “prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
Fonte: O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- atravessa a cozinha como um rio profundo.
gues/como-interpretar-textos Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
QUESTÕES Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Adélia Prado, Poesia Reunida)
- ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) O con-
texto em que se encontra a passagem – Se deixou de bajular A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que
os príncipes e princesas do século 19, passou a servir reis e (A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não
rainhas do 20 (2.º parágrafo) – leva a concluir, corretamente, gostam que os maridos frequentem pescarias, pois acham
que a menção a difícil limpar os peixes.
(A) príncipes e princesas constitui uma referência em sen- (B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres
tido não literal. que não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os
(B) reis e rainhas constitui uma referência em sentido não esbarrões de cotovelos na cozinha.
literal. (C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozi-
(C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma refe- nhas com seus maridos na cozinha, enquanto limpam os
rência em sentido não literal. peixes.
(D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma refe- (D) as mulheres que amam valorizam os momentos mais
rência em sentido literal. simples do cotidiano vividos com a pessoa amada.
(E) reis e rainhas constitui uma referência em sentido (E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite,
literal. para limpar, abrir e salgar o peixe.

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LÍNGUA PORTUGUESA

4-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas


FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques- do texto acima apresentado, julgue os próximos itens.
tão, considere o texto abaixo. A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18
estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
A marca da solidão (...) CERTO ( ) ERRADO
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a 7-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMINISTRA-
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de ÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a viatura, com os
penumbra na tarde quente. vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.”
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den- Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que,
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com em sua estrutura sintática, houve supressão da expressão
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque- a) vigilantes.
nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é b) carga.
capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a c) viatura.
marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. d) foi.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja- e) desviada.
neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo 8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
reduzido no qual o menino detém sua atenção é Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
(A) fresta. — Carta para o 9.326!!!
(B) marca. Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está
(C) alma. em branco, e um outro pergunta:
(D) solidão. — Quem te mandou essa carta?
(E) penumbra. — Minha irmã.
— Mas por que não está escrito nada?
5-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- — Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adap-
PE/2012)
tações).
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a
O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto aci-
totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a con-
ma decorre
cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo,
A) da identificação numérica atribuída ao louco.
que se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É,
B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a carta
de alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
no hospício.
todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a
mundo. carta.
D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco.
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações). 9-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente tex- — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
tual “O riso”. — O senhor tem hora?
(...) CERTO ( ) ERRADO O sujeito olha para o relógio e diz:
— Sim. São duas e meia.
6-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010) — Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atin- — O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me
giu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge paga o aluguel do consultório...
uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adap-
generalizado de energia no final de 2009. tações).
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elé-
trica (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa es- No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao
tatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de homem para saber se ele
900 km que separam Itaipu de São Paulo. A) verificou o horário de chegada e está sob os cuidados
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in- do dr. Pedro.
vestimentos e também erros operacionais conspiraram para B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o paga-
produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri- mento do aluguel.
buição de energia do país desde o traumático racionamento C) tem relógio e sabe esperar.
de 2001. D) marcou consulta e está calmo.
Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta- E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cui-
ções). dados do dr. Pedro.

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LÍNGUA PORTUGUESA

(GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO DA 11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Atenção: As NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa
questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo. claro que
Liderança é uma palavra frequentemente associada a (A) a importância do líder baseia-se na valorização de
feitos e realizações de grandes personagens da história e da todo o grupo em torno da realização de um objetivo co-
vida social ou, então, a uma dimensão mágica, em que al- mum.
gumas poucas pessoas teriam habilidades inatas ou o dom (B) o líder é o elemento essencial dentro de uma orga-
de transformar-se em grandes líderes, capazes de influenciar nização, pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta
outras e, assim, obter e manter o poder. ou objetivo.
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a (C) pode não haver condições de liderança em algumas
maioria das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos equipes, caso não se estabeleçam atividades específicas
desenvolver consideravelmente as suas capacidades de lide- para cada um de seus membros.
rança. (D) a liderança é um dom que independe da participa-
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns ção dos componentes de uma equipe em um ambiente de
que aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjun- trabalho.
to, formam uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias
algumas habilidades, mas elas podem ser aprendidas tanto 12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
através das experiências da vida, quanto da formação volta- CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da
da para essa finalidade. liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en- No contexto, inter-relação significa
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades (A) o respeito que os membros de uma equipe devem
para serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, demonstrar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por
que requerem a interação cooperativa dos membros envol- resultarem em benefício de todo o grupo.
vidos. Não pressupõe proximidade física ou temporal: pode- (B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um
se ter a mente e/ou o comportamento influenciado por um grupo devidamente orientado pelo líder e aqueles propos-
escritor ou por um líder religioso que nunca se viu ou que tos pela organização a que prestam serviço.
viveu noutra época. [...]
(C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação
equipe, de modo que os mais capacitados colaborem com
do poder de influência do líder, implica dizer que parte desse
os de menor capacidade.
poder encontra-se no próprio grupo. É nessa premissa que
(D) a criação de interesses mútuos entre membros de
se fundamenta a maioria das teorias contemporâneas sobre
uma equipe e de respeito às metas que devem ser alcan-
liderança.
çadas por todos.
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder
13-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
que existe nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
fazerem o que se requer delas, da maneira mais efetiva e
humana possível. [...] proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
Pinto. Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na (A) a presença física de um líder natural é fundamen-
Administração pública do Estado de São Paulo, org. Lais tal para que seus ensinamentos possam ser divulgados e
Macedo de Oliveira e Maria Cristina Pinto Galvão, Secre- aceitos.
taria de Gestão pública, São Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. (B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sem-
290 e 292, com adaptações) pre se atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de
autores diversos.
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI- (C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo,
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o mesmo se houver distância no tempo e no espaço entre
texto, liderança aquele que influencia e aquele que é influenciado.
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas
pode ser desenvolvida por aqueles que somente executam e postas em prática em seu devido tempo e na ocasião
tarefas em seu ambiente de trabalho. mais propícia.
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de
heróis da história da humanidade, que realizaram grandes 14-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
feitos e se tornaram poderosos através deles. FGV PROJETOS/2010)
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até
mesmo adquirida, de conseguir resultados desejáveis da- Painel do leitor (Carta do leitor)
queles que constituem a equipe de trabalho. Resgate no Chile
(D) torna-se legítima se houver consenso em todos os
grupos quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de
mobilizar esses grupos em torno de seus objetivos pes- salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo
soais. de uma mina de cobre e ouro no Chile.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Um a um os mineiros soterrados foram içados com 16-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum- – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode que, assim como seus amigos, a autora viaja para
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos, (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen- (B) escapar do lugar em que está.
to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E, (C) reencontrar familiares queridos.
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons- (D) praticar esportes radicais.
trando coragem e desprendimento, desceram na mina para (E) dedicar-se ao trabalho.
ajudar no salvamento.
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- 17-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde,
nel do leitor – 17/10/2010) “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como
um bosque” (último parágrafo), a autora sugere que viajará
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- para um lugar
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor (A) repulsivo e populoso.
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem (B) sombrio e desabitado.
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: (C) comercial e movimentado.
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” (D) bucólico e sossegado.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma (E) opressivo e agitado.
mina de cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” 18-) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL-
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.” PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des-
ceram na mina...”

(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO –


VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
questões de números 15 a 17.
Férias na Ilha do Nanja
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as
malas nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo
faz, pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
fissuras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre
as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1.
tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra- Porto Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver
numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunis-
própria vida. ta mineiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar
E eu vou para a Ilha do Nanja. que o tema apresentado é
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as (A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio (B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já es- (C) a comunicação e sua importância na vida das pes-
tou vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a soas.
moça à janela a namorar um moço na outra janela de outra (D) a massificação do pensamento na sociedade mo-
ilha. derna.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende.
Adaptado) Resolução

*fissuras: fendas, rachaduras 1-)


Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas”
15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA- do século 20 são as personalidades da mídia, os “famosos”
LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descre- e “famosas”. Quanto a príncipes e princesas do século 19,
ver a maneira como se preparam para suas férias, a autora esses eram da corte, literalmente.
mostra que seus amigos estão
(A) serenos. RESPOSTA: “B”.
(B) descuidados.
(C) apreensivos.
(D) indiferentes.
(E) relaxados.

5
LÍNGUA PORTUGUESA

2-) 9-)
Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informa- “O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se
ção contida na alternativa: revelar segredos para o amigo o senhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele
pode ser arriscado. marcou horário e se é paciente do Dr. Pedro.
RESPOSTA: “E”.
RESPOSTA: “D”.
10-)
3-) Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar
Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a au- à conclusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-
tora narra um momento simples, mas que é prazeroso ao -relação; envolve duas ou mais pessoas e a existência de
casal. necessidades para serem atendidas ou objetivos para se-
rem alcançados, que requerem a interação cooperativa dos
RESPOSTA: “D”. membros envolvidos = equipe
4-)
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun- RESPOSTA: “C”.
do cabe numa fresta.
11-)
RESPOSTA: “A”. O texto deixa claro que a importância do líder baseia-
se na valorização de todo o grupo em torno da realização
5-) de um objetivo comum.
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie-
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos RESPOSTA: “A”.
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
12-)
RESPOSTA: “CERTO”. Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresenta-
das, a que está coerente com o sentido dado à palavra “in-
6-) ter-relação” é: “a criação de interesses mútuos entre mem-
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo bros de uma equipe e de respeito às metas que devem ser
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por alcançadas por todos”.
“o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora-
ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula, RESPOSTA: “D”.
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação
da oração principal. A construção seria: “do apagão, que 13-)
atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”); Não pressupõe proximidade física ou temporal = o
quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
delimita a informação – como no caso do exercício). houver distância no tempo e no espaço entre aquele que
influencia e aquele que é influenciado.
RESPOSTA: “CERTO’.
RESPOSTA: “C”.
7-)
“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes, 14-)
abandonada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Tra- Em todas as alternativas há expressões que represen-
ta-se da figura de linguagem (de construção ou sintaxe) tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da
“zeugma”, que consiste na omissão de um termo já citado Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só
anteriormente (diferente da elipse, que o termo não é ci- enobrece / demonstrando coragem e desprendimento.
tado, mas facilmente identificado). No enunciado temos a
narração de que a carga foi desviada e de que a viatura foi RESPOSTA: “B”.
abandonada.
15-)
RESPOSTA: “D”. “pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
8-) fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah, nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.
porque nós brigamos e não estamos nos falando”.
RESPOSTA: “C”.
RESPOSTA: “D”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

16-) Catacrese
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta É o emprego de uma palavra no sentido figurado por
da própria autora! falta de um termo próprio.
O menino quebrou o braço da cadeira.
RESPOSTA: “B”. A manga da camisa rasgou.

17-) Metonímia
Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim. É a substituição de uma palavra por outra, quando
existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos
RESPOSTA: “D”. que permite essa troca. Ocorre metonímia quando
empregamos:
18-) - O autor pela obra.
Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)
observar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
- o continente pelo conteúdo.
RESPOSTA: “A”. O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo
os torcedores)

- a parte pelo todo.


RECURSOS ESTILÍSTICOS (OU FIGURAS DE Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto
LINGUAGEM); substitui casa)

- o efeito pela causa.


Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui
figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, o trabalho)
além de auxiliar a compreender melhor os textos literários,
deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao Perífrase
significado simbólico das palavras e dos textos. É a designação de um ser através de alguma de suas
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
não--convencionais que o falante ou escritor cria para dar A Veneza Brasileira também é palco de grandes
espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)
maior expressividade à sua mensagem.
A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência.
(Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)
Metáfora
É o emprego de uma palavra com o significado de outra
Antítese
em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É
Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
uma comparação subentendida.
Nada com Deus é tudo.
Minha boca é um túmulo.
Tudo sem Deus é nada.
Essa rua é um verdadeiro deserto.
Eufemismo
Comparação Consiste em suavizar palavras ou expressões que são
Consiste em atribuir características de um ser a outro, desagradáveis.
em virtude de uma determinada semelhança. Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu
O meu coração está igual a um céu cinzento. = morrer)
O carro dele é rápido como um avião. Os homens públicos envergonham o povo. (homens
públicos = políticos)
Prosopopeia
É uma figura de linguagem que atribui características Hipérbole
humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la É um exagero intencional com a finalidade de tornar
de PERSONIFICAÇÃO. mais expressiva a ideia.
O céu está mostrando sua face mais bela. Ela chorou rios de lágrimas.
O cão mostrou grande sisudez. Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.

Sinestesia Ironia
Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o
(mistura dos cinco sentidos). contrário do que pensamos.
Raquel tem um olhar frio, desesperador. Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Aquela criança tem um olhar tão doce. Se você gritar mais alto, eu agradeço.

7
LÍNGUA PORTUGUESA

Onomatopeia Silepse
Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia
natural dos seres. e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse:
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram. gênero, número e pessoa.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite - De gênero: Vossa excelência está preocupado com as
toda. notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à
forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a
Aliteração pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não
Consiste na repetição de um determinado som com o sujeito).
consonantal no início ou interior das palavras. - De número: A boiada ficou furiosa com o peão e
O rato roeu a roupa do rei de Roma. derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com
a ideia de plural da palavra boiada).
Elipse - De pessoa: As mulheres decidimos não votar em
determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse
Consiste na omissão de um termo que fica subentendido
tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os
no contexto, identificado facilmente.
participantes de um sujeito em 3ª pessoa).
Após a queda, nenhuma fratura.
Fonte:http://juliobattisti.com.br/tutoriais/josebferraz/
Zeugma figuraslinguagem001.asp
Consiste na omissão de um termo já empregado São conhecidas pelo nome de figuras de pensamento
anteriormente. os recursos estilísticos utilizados para incrementar o
Ele come carne, eu verduras. significado das palavras no seu aspecto semântico.
São oito as figuras de pensamento:
Pleonasmo
Consiste na intensificação de um termo através da sua 1) Antítese
repetição, reforçando seu significado. É a aproximação de palavras ou expressões de sentidos
Nós cantamos um canto glorioso. opostos. O contraste que se estabelece serve para dar uma
ênfase aos conceitos envolvidos, o que não ocorreria com
Polissíndeto a exposição isolada dos mesmos. Exemplos:
É a repetição da conjunção entre as orações de um Viverei para sempre ou morrerei tentando.
período ou entre os termos da oração. Do riso se fez o pranto.
Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para Hoje fez sol, ontem, porém, choveu muito.
dançar.
2) Apóstrofe
Assíndeto É assim denominado o chamamento do receptor
Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas da mensagem, seja ele de natureza imaginária ou não. É
orações. utilizada para dar ênfase à expressão e realiza-se por meio
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos do vocativo. Exemplos:
para dançar. Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Pai Nosso, que estais no céu;
Anacoluto Ó meu querido Santo António;
Consiste numa mudança repentina da construção
3) Paradoxo
sintática da frase.
É uma proposição aparentemente absurda, resultante
Ele, nada podia assustá-lo.
da união de ideias que se contradizem referindo-se ao
- Nota: o anacoluto ocorre com frequência na linguagem
mesmo termo. Os paradoxos viciosos são denominados
falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando
Oxímoros (ou oximoron). Exemplos:
o que havia dito para reconstruí-la novamente. “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio...”
“Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e
Anáfora não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão desatina sem doer;” (Camões)
para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior
expressividade. 4) Eufemismo
Cada alma é uma escada para Deus, Consiste em empregar uma expressão mais suave,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus, mais nobre ou menos agressiva, para atenuar uma verdade
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo tida como penosa, desagradável ou chocante. Exemplos:
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Deus
(Fernando Pessoa) lhe pague”. (Chico Buarque).
paz derradeira = morte

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LÍNGUA PORTUGUESA

5) Gradação questão se manifestam. Desse modo, elas se encontram


Na gradação temos uma sequência de palavras que muito presentes na linguagem literária, na publicitária e
intensificam a mesma ideia. Exemplo: na linguagem cotidiana de forma geral. Vejamos cada uma
“Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo.” delas de modo particular:
(Castro Alves).
Elipse
6) Hipérbole Tal figura se caracteriza pela omissão de um termo na
É a expressão intencionalmente exagerada com o oração não expresso anteriormente, contudo, facilmente
intuito de realçar uma ideia, proporcionando uma imagem identificado pelo contexto. Vejamos um exemplo:
emocionante e de impacto. Exemplos:
“Faz umas dez horas que essa menina penteia esse Rondó dos cavalinhos
cabelo”. [...]
Ele morreu de tanto rir.
Os cavalinhos correndo,
7) Ironia E nós, cavalões, comendo...
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, O Brasil politicando,
pela contradição de termos, pretende-se questionar Nossa! A poesia morrendo...
certo tipo de pensamento. A intenção é depreciativa ou O sol tão claro lá fora,
sarcástica. Exemplos: O sol tão claro, Esmeralda,
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que E em minhalma — anoitecendo!
estão por perto. Manuel Bandeira
“Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, /
burra como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade). Notamos que em todos os versos há a omissão do verbo
estar, sendo este facilmente identificado pelo contexto.
Zeugma
8) Prosopopeia ou Personificação
Ao contrário da elipse, na zeugma ocorre a omissão
Consiste na atribuição de ações, qualidades ou
de um termo já expresso no discurso. Constatemos: Maria
características humanas a seres não humanos. Exemplos:
gosta de Matemática, eu de Português.
Chora, viola.
Observamos que houve a omissão do verbo gostar.
A morte mostrou sua face mais sinistra.
O morro dos ventos uivantes.
Anáfora
Essa figura de linguagem se caracteriza pela repetição
Figuras de construção ou sintaxe integram as
intencional de um termo no início de um período, frase ou
chamadas figuras de linguagem, representando um verso. Observemos um caso representativo:
subgrupo destas. Dessa forma, tendo em vista o padrão não A Estrela
convencional que prevalece nas figuras de linguagem (ou
seja, a subjetividade, a sensibilidade por parte do emissor, Vi uma estrela tão alta,
deixando às claras seus aspectos estilísticos), devemos Vi uma estrela tão fria!
compreender sua denominação. Em outras palavras, por Vi uma estrela luzindo
que “figuras de construção ou sintaxe”? Na minha vida vazia.
Podemos afirmar que assim se denominam em virtude
de apresentarem algum tipo de modificação na estrutura Era uma estrela tão alta!
da oração, tendo em vista os reais e já ressaltados objetivos Era uma estrela tão fria!
da enunciação (do discurso) – sendo o principal conferir Era uma estrela sozinha
ênfase a ela. Luzindo no fim do dia.
Assim sendo, comecemos entendendo que, em termos [...]
convencionais, a estrutura sintática da nossa língua se Manuel Bandeira
perfaz de uma sequência, demarcada pelos seguintes
elementos: Notamos a utilização de termos que se repetem
sucessivamente em cada verso da criação de Manuel
SUJEITO + PREDICADO + COMPLEMENTO Bandeira.
(Nós) CHEGAMOS ATRASADOS À REUNIÃO.
Polissíndeto
Temos, assim, um sujeito oculto – nós; um predicado Figura cuja principal característica se define pela
verbal – chegamos atrasados; e um complemento, repetição enfática do conectivo, geralmente representado
representado por um adjunto adverbial de lugar – à reunião. pela conjunção coordenada “e”. Observemos um verso
Quando há uma ruptura dessa sequência lógica, extraído de uma criação de Olavo Bilac, intitulada “A um
materializada pela inversão de termos, repetição ou até poeta”: “Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!”
mesmo omissão destes, é justamente aí que as figuras em

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LÍNGUA PORTUGUESA

Assíndeto
Diferentemente do que ocorre no polissíndeto, COESÃO E COERÊNCIA;
manifestado pela repetição da conjunção, no assíndeto
ocorre a omissão deste. Vejamos: Vim, vi, venci (Júlio César)
Depreendemos que se trata de orações assindéticas,
justamente pela omissão do conectivo “e”. COESÃO

Anacoluto Uma das propriedades que distinguem um texto de


Trata-se de uma figura que se caracteriza pela um amontoado de frases é a relação existente entre os ele-
interrupção da sequência lógica do pensamento, ou seja, mentos que os constituem. A coesão textual é a ligação,
em termos sintáticos, afirma-se que há uma mudança na a relação, a conexão entre palavras, expressões ou frases
construção do período, deixando algum termo desligado do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que
do restante dos elementos. Vejamos: servem para estabelecer vínculos entre os componentes do
Essas crianças de hoje, elas estão muito evoluídas. texto. Observe:
Notamos que o termo em destaque, que era para “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum
representar o sujeito da oração, encontra-se desligado dos de anotações, que segurava na mão.”
demais termos, não cumprindo, portanto, nenhuma função
sintática. Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece
conexão entre as duas orações. O iraquiano leu sua decla-
Inversão (ou Hipérbato) ração num bloquinho comum de anotações e segurava na
Trata-se da inversão da ordem direta dos termos da mão, retomando na segunda um dos termos da primeira:
oração. Constatemos: Eufórico chegou o menino. bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a
Deduzimos que o predicativo do sujeito (pois se trata conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão.
de um predicado verbo-nominal) encontra-se no início da Leia o texto que segue:
oração, quando este deveria estar expresso no final, ou
seja: O menino chegou eufórico. Arroz-doce da infância
Pleonasmo
Figura que consiste na repetição enfática de uma ideia Ingredientes
antes expressa, tanto do ponto de vista sintático quanto 1 litro de leite desnatado
semântico, no intuito de reforçar a mensagem. Exemplo: 150g de arroz cru lavado
Vivemos uma vida tranquila. 1 pitada de sal
O termo em destaque reforça uma ideia antes 4 colheres (sopa) de açúcar
ressaltada, uma vez que viver já diz respeito à vida. Temos 1 colher (sobremesa) de canela em pó
uma repetição de ordem semântica.
A ele nada lhe devo. Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada
Percebemos que o pronome oblíquo (lhe) faz referência de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o
à terceira pessoa do singular, já expressa. Trata-se, portanto, açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em
de uma repetição de ordem sintática demarcada pelo que um recipiente, polvilhe a canela. Sirva.
chamamos de objeto direto pleonástico.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
Observação importante: O pleonasmo utilizado sem São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
a intenção de conferir ênfase ao discurso, torna-se o que
denominamos de vício de linguagem – ocorrência que deve Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingre-
ser evitada. Como, por exemplo: subir para cima, descer dientes e modo de preparar. As informações apresentadas
para baixo, entrar para dentro, entre outras circunstâncias na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes
linguísticas. mencionados pela primeira vez na lista de ingredientes vêm
precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras
funções, a de indicar que o termo determinado por ele se
refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera
menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adi-
ciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse
apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria
de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingre-
dientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: re-
tomada ou antecipação de palavras, expressões ou frases e
encadeamento de segmentos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Retomada ou Antecipação por meio de uma pala- A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um
vra gramatical anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras
(pronome, verbos ou advérbios) citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica
totalmente prejudicado: não há possibilidade de se de-
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há preender o sentido desse pronome.
total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ga- Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refi-
nham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” ra a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do
texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” reto- típicos da cultura em que se inscreve o texto. É o caso de
ma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a pa- um exemplo como este:
lavra homens.
Os termos que servem para retomar outros são deno- “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava
minados anafóricos; os que servem para anunciar, para an- desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia compa-
tecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a se- recido.”
guir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano:
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o prono-
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no me “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à
último ano?” palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo,
São anafóricos ou catafóricos os pronomes demons- o desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representa-
trativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou locu- da por “ela” no exemplo citado).
ções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, - O artigo indefinido serve geralmente para introduzir
o artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele, informações novas ao texto. Quando elas forem retoma-
o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos: das, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este
é que tem a função de indicar que o termo por ele deter-
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera minado é idêntico, em termos de valor referencial, a um
na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.” termo já mencionado.

O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mes- “O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na
tre. sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito
dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem
como um pensador cín iço e descrente do amor e da ami- - Quando, em dado contexto, o anafórico pode refe-
zade.” rir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de coesão,
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pes- porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o
soas; o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de texto seja escrito de tal forma que o leitor possa determinar
Assis. exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.

“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos tra- “Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor
jando roupa escura.” por causa da sua arrogância.”

O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à pala-
vra ator quanto a diretor.
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desani-
mado com a fila.” “André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que
trabalha na mesma firma.”
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos termo amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico
funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria des-
aos servidores.” feita.

A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai Retomada por palavra lexical
inaugurar e seu complemento. (substantivo, adjetivo ou verbo)

- Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve Uma palavra pode ser retomada, que por uma repeti-
estar presente no texto, senão a coesão fica comprometida, ção, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo,
como neste exemplo: hipônimo ou antonomásia.
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que pos-
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há sui o mesmo sentido que outra, ou sentido bastante apro-
vários meses.” ximado: injúria e afronta, alegre e contente.

11
LÍNGUA PORTUGUESA

Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro
relação do tipo contém/está contido; períodos se faz pela repetição da palavra humores; entre
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo
relação do tipo está contido/contém. O significado do ter- fluidos.
mo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de É preciso manejar com muito cuidado a repetição de
rosa, pois toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de
rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hi- sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
pônimo daquela. No trecho transcrito a seguir, por exemplo, fica claro o uso
Antonomásia é a substituição de um nome próprio da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes,
por um nome comum ou de um comum por um próprio. vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a
Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre condição secundária que um provável flamenguista atribui
é designada por uma característica notória ou quando o ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
nome próprio de uma personagem famosa é usada para
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de pia-
designar outras pessoas que possuam a mesma caracterís-
das sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me
tica que a distingue:
provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um fla-
menguista.”
“O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-
-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi vice-cam-
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado peão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal,
numa recente minissérie de tevê.” no Carioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na
Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver não viciem.
lutado pela liberdade na Europa e na América. José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo,
“Ele é um hércules (=um homem muito forte). 08/03/2000, p. 4-7.

Referência à força física que caracteriza o herói grego A elipse é o apagamento de um segmento de frase
Hércules. que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Tam-
bém constitui um expediente de coesão, pois é o apaga-
“Um presidente da República tem uma agenda de tra- mento de um termo que seria repetido, e o preenchimento
balho extremamente carregada. Deve receber ministros, em- do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, ne-
baixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a cessariamente, que se faça correlação com outros termos
todo momento tomar graves decisões que afetam a vida de presentes no contexto, ou referidos na situação em que se
muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece desenrola a fala.
no Brasil e no mundo. Um presidente deve começar a traba- Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de
lhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da Machado de Assis:
noite.”
(...)
A repetição do termo presidente estabelece a coesão Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
entre o último período e o que vem antes dele.
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os as- Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979,
tros sempre o atraíram.
v.III, p. 151.
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes
astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, saté-
daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica suben-
lites. tendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidi-
homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que per- do (ou apagado) antes de sentiu e parou:
corriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensi-
dade em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a “Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada
fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. no peito e parou.”
E eram também estes quatro fluidos ligados aos quatro ele-
mentos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo Pode ocorrer também elipse por antecipação. No
(quente) e à Terra (frio), respectivamente.” exemplo que segue, aquela promoção é complemento tan-
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. to de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas
depois do segundo verbo:

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido prefe- Toda a série de qualidades está orientada no sentido de
rido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa série,
promoção.” ser sedutor é considerado o argumento mais forte.

Quando se faz essa elipse por antecipação com ver- “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho.
bos que têm regência diferente, a coesão é rompida. Por Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.”
exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”,
pois o verbo conhecer rege complemento não introduzido Pelo menos introduz um argumento orientado no mes-
por preposição, e a elipse retoma o complemento intei- mo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de tra-
ro, portanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço balho; por outro lado, subentende que há argumentos mais
(deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem fortes para comprovar que ele tem as qualidades requeridas
dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no comple- dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa)
mento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo e que se está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e
verbo implicar. no mínimo ligam argumentos de valor positivo.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomen-
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segun-
dável é colocar o complemento junto ao primeiro verbo,
do grau.”
respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por
um anafórico, acrescentando a preposição devida (Conhe- No máximo introduz um argumento orientado no mes-
ço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Impli- mo sentido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que
co com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó). há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma facul-
dade) e que se está usando o argumento menos forte da
Coesão por Conexão escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo
e quando muito estabelecem ligação entre argumentos de
Há na língua uma série de palavras ou locuções que valor depreciativo.
são responsáveis pela concatenação ou relação entre seg-
mentos do texto. Esses elementos denominam-se conec- - Conjunção Argumentativa: há operadores que assi-
tores ou operadores discursivos. Por exemplo: visto que, nalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um con-
até, ora, no entanto, contudo, ou seja. junto de argumentos orientados em favor de uma dada con-
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do clusão: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto...
texto: estabelecem entre elas relações semânticas de di- como, além de, a par de.
versos tipos, como contrariedade, causa, consequência,
condição, conclusão, etc. Essas relações exercem função “Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o dire-
argumentativa no texto, por isso os operadores discursi- tor da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também
vos não podem ser usados indiscriminadamente. é muito querido pelos alunos.”
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não
alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o
adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O último
orientação argumentativa contrária. deles é introduzido por “e também”, que indica um argumen-
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o to final na mesma direção argumentativa dos precedentes.
resultado seria um paradoxo semântico, pois esse opera-
dor discursivo liga dois segmentos com a mesma orienta- Esses operadores introduzem novos argumentos; não
significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi
ção argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele
dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de con-
a conclusão do anterior.
junção segmentos que representam uma progressão discur-
siva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
- Gradação: há operadores que marcam uma grada- continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica
ção numa série de argumentos orientados para uma mes- um desenvolvimento da exposição. Não teria cabimento usar
ma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Dis-
indicam o argumento mais forte de uma série: até, mesmo, farçou as lágrimas que o assaltaram e escondeu o choro que
até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala tomou conta dele”.
com argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no
mínimo, no máximo, quando muito. - Disjunção Argumentativa: há também operadores
que indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é uma conexão entre segmentos que levam a conclusões
bem articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até opostas, que têm orientação argumentativa diferente: ou, ou
sedutor.” então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário.

“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar


a briga, para que ele não apanhasse.”

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LÍNGUA PORTUGUESA

O argumento introduzido por ao contrário é diame- - Explicação ou Justificativa: há operadores que in-
tralmente oposto àquele de que o falante teria agredido troduzem uma explicação ou uma justificativa em relação
alguém. ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.

- Conclusão: existem operadores que marcam uma “Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem au-
conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais enun- torização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da
ciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que guerra.”
decorre a conclusão fica implícita, por manifestar uma voz
geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, Já que inicia um argumento que dá uma justificativa
por conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando não en- para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos
cabeça a oração). com o custo da guerra contra o Iraque.
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao con-
- Contrajunção: os operadores discursivos que as-
trole dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é
sinalam uma relação de contrajunção, isto é, que ligam
moralmente defensável.”
enunciados com orientação argumentativa contrária, são
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à as conjunções adversativas (mas, contudo, todavia, no en-
afirmação exposta no primeiro período. tanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar
de, apesar de que, conquanto, ainda que, posto que, se bem
- Comparação: outros importantes operadores discur- que).
sivos são os que estabelecem uma comparação de igual- Qual é a diferença entre as adversativas e as conces-
dade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, sivas, se tanto umas como outras ligam enunciados com
com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa orientação argumentativa contrária?
ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento
introduzido pela conjunção.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levan-
ta mais decidido a vencer.”
O comparativo de igualdade tem no texto uma função
argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclu-
cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agen- são negativa sobre um processo ocorrido com o atleta,
tes penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma
permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do conclusão positiva. Essa segunda orientação é a mais forte.
ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade argu- Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é
mentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primei-
agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da ro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplanta-
fuga de presos”. da pela falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a con- perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as
clusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diá- conjunções adversativas, introduz-se um argumento com
logo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de vistas a determinada conclusão, para, em seguida, apresen-
futebol: tar um argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argu-
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para
mentativa que predomina é a do segmento não introduzi-
reforçar nosso time.
do pela conjunção.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto
os do time principal.”
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da pro- “Embora haja conexão entre saber escrever e saber gra-
moção, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de mática, trata-se de capacidades diferentes.”
base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, A oração iniciada por “embora” apresenta uma orien-
o que significa que estes não primam exatamente pela exce- tação argumentativa no sentido de que saber escrever e
lência em relação aos outros. saber gramática são duas coisas interligadas; a oração prin-
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os cipal conduz à direção argumentativa contrária.
segmentos na sua fala: Quando se utilizam conjunções concessivas, a estraté-
gia argumentativa é a de introduzir no texto um argumen-
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os to que, embora tido como verdadeiro, será anulado por
das divisões de base.” outro mais forte com orientação contrária.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, por-
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade tanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguin-
da promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do tes períodos:
time principal são tão bons quanto os das divisões de base.

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam
(argumento mais fraco), a realidade mostrou-se mais com- uma retificação, uma correção do que foi afirmado antes:
plexa (argumento mais forte).” ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer
“O exército planejou minuciosamente a operação (argu- dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo:
mento mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais com-
plexa (argumento mais forte).” “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou
passar a viver junto com minha namorada.”
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que
introduzem um argumento decisivo para derrubar a argu- O conector inicia um segmento que retifica o que foi
mentação contrária, mas apresentando-o como se fosse dito antes.
um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa sé- Esses operadores servem também para marcar um es-
rie argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, clarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do
ademais. conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:

“Ele está num período muito bom da vida: começou a “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas
namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empre- corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos
sa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
e, além disso, ganhou uma bolada na loteria.”
O conector introduz um esclarecimento sobre o que
O operador discursivo introduz o que se considera a foi dito antes.
prova mais forte de que “Ele está num período muito bom Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um re-
da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se forço do conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
fosse apenas mais uma.
“Quando a atual oposição estava no comando do país,
- Generalização ou Amplificação: existem operado- não fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário,
res que assinalam uma generalização ou uma amplificação suas políticas iam na direção contrária do que prega atual-
do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, tam- mente.
bém, é verdade que.
O conector introduz um argumento que reforça o que
“O problema da erradicação da pobreza passa pela ge- foi dito antes.
ração de empregos. De fato, só o crescimento econômico
leva ao aumento de renda da população.” - Explicação: há operadores que desencadeiam uma
explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi
O conector introduz uma amplificação do que foi dito afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
antes.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto
se processavam as negociações, atacou de surpresa.”
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os
que atualmente militam no nosso futebol.
O operador introduz uma confirmação do que foi afir-
mado antes.
O conector introduz uma generalização ao que foi afir-
mado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol
Coesão por Justaposição
são retranqueiros.
É a coesão que se estabelece com base na sequência
- Especificação ou Exemplificação: também há ope- dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores.
radores que marcam uma especificação ou uma exempli- Examinemos os principais sequenciadores.
ficação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo,
como. - Sequenciadores Temporais: são os indicadores de
anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses
“A violência não é um fenômeno que está dissemina- depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são
do apenas entre as camadas mais pobres da população. Por utilizados predominantemente nas narrações).
exemplo, é crescente o número de jovens da classe média
que estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos “Uma semana antes de ser internado gravemente
aos mais graves.” doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, para o futuro.”
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenô-
meno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da - Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de po-
população”. sição relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc.
(são usados principalmente nas descrições).

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LÍNGUA PORTUGUESA

“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, re- “As empresas que anunciaram que apoiariam a cam-
presentando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula panha de combate à fome que foi lançada pelo governo
oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimen- federal.”
to bambolins de cassa finíssima. (...) Do outro lado, há O período compõe-se de:
uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno cli- - As empresas
ma fluminense, ainda na maior força do inverno.” - que anunciaram (oração subordinada adjetiva restri-
José de Alencar. Senhora. tiva da primeira oração)
São Paulo, FTD, 1992, p. 77. - que apoiariam a campanha de combate à fome (ora-
ção subordinada substantiva objetiva direta da segunda
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a oração)
ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em - que foi lançada pelo governo federal (oração subordi-
segunda, a seguir, finalmente, etc. nada adjetiva restritiva da terceira oração).

“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicial- Observe-se que falta o predicado da primeira oração.
mente, das agruras por que passam as populações civis; Quem escreveu o período começou a encadear orações
em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
de batalha; finalmente, exporei suas consequências para Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em
a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de períodos longos. No entanto, mesmo quando se elaboram
todos os habitantes do planeta.” períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintati-
camente completos e para que suas partes estejam bem
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conectadas entre si.
conversação principalmente, servem para introduzir um Para que um conjunto de frases constitua um texto,
tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade
mas voltando ao assunto, fazendo um parêntese, etc. de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas
não passarão de um amontoado injustificado. Exemplo:
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas
pessoas. A propósito, era um homem que sabia agradar às “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem exce-
mulheres.” lentes restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também
o Rio de Janeiro tem favelas.”
- Operadores discursivos não explicitados: se o
texto for construído sem marcadores de sequenciação, Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade reto-
o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, ma o substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação
os operadores discursivos não explicitados na superfície entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela”
textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conecto- recupera a palavra cidade, vinculando o terceiro ao segun-
res estarão indicados, na escrita, pelos sinais de pontua- do período. O operador também realiza uma conjunção
ção: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. argumentativa, relacionando o quarto período ao terceiro.
No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apre-
“A reforma política é indispensável. Sem a existência senta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coe-
da fidelidade partidária, cada parlamentar vota segundo são, portanto, é condição necessária, mas não suficiente,
seus interesses e não de acordo com um programa parti- para produzir um texto.
dário. Assim, não há bases governamentais sólidas.”
COERÊNCIA
Esse texto contém três períodos. O segundo indica
a causa de a reforma política ser indispensável. Portanto Infância
o ponto-final do primeiro período está no lugar de um
porque. O camisolão
O jarro
A língua tem um grande número de conectores e se- O passarinho
quenciadores. Apresentamos os principais e explicamos O oceano
sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coe- A vista na casa que a gente sentava no sofá
são. Mostramos que o uso inadequado dos conectores e
a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos Adolescência
geram rupturas na coesão, o que leva o texto a não ter
sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Aquele amor
Outra falha comum no que tange a coesão é a falta de Nem me fale
partes indispensáveis da oração ou do período. Analise-
mos este exemplo:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Maturidade entre as diferentes unidades linguísticas. Em outros termos,


a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar
O Sr. e a Sra. Amadeu na produção da unidade de sentido, pois esta depende,
Participam a V. Exa. na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não-
O feliz nascimento contradição entre as partes, da continuidade semântica,
De sua filha em síntese, da coerência.
Gilberta A coerência é um fator de interpretabilidade do texto,
pois possibilita que todas as suas partes sejam engloba-
Velhice das num único significado que explique cada uma delas.
Quando esse sentido não pode ser alcançado por faltar
O netinho jogou os óculos
relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoe-
rente, como este:
Na latrina
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
mediocridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de
4ª Ed. Rio de Janeiro uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfren-
tam. De repente vejo que não sou mais uma “criancinha”
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho
menos à primeira vista, seja a ausência de elementos de que escolher uma profissão para me realizar e ser indepen-
coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer enca- dente financeiramente.
deando segmentos textuais. No entanto, percebemos nele No país em que vivemos, que predomina o capitalismo,
um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu o mais rico sempre é quem vence!
título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro estações. Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira
Com essa informação, podemos imaginar que se trata (orgs).
de flashes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987,
infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A primei- p. 53.
ra é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações
(o jarro, que certamente a criança quebrara; o passarinho Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de op-
que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que ção; adolescência e escolha profissional; relações sociais
se percebia na sala apropriada e o camisolão que se usava sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues en-
para dormir); a segunda é caracterizada por amores perdi- tre si. Esse fato, prejudicando a continuidade semântica
dos, de que não se quer mais falar; a terceira, pela forma- entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto,
lidade e pela responsabilidade indicadas pela participação configura um texto incoerente.
formal do nascimento da filha; a última, pela condescen- Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que
dência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a o compõem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis
vez de assumir a ação). A primeira parte é uma sucessão de de coerência.
palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintá-
tico; a terceira, a participação do nascimento de uma filha;
Coerência Narrativa
e a quarta, uma oração completa, porém aparentemente
desgarrada das demais.
A coerência narrativa consiste no respeito às implica-
Como se explica que sejamos capazes de entender
ções lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para
esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de
marcadores de coesão entre as partes? que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha
A explicação está no fato de que ele tem uma qualida- competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efe-
de indispensável para a existência de um texto: a coerência. tuá-la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte
Que é a unidade de sentido resultante da relação que exemplo: o narrador conta que foi a uma festa onde todos
se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia que se vis-
compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz se qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma
do qual cada uma das partes ganha sentido. No poema aci- mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma
ma, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” coluna e passou a observar as pessoas, que eram ruivas,
e “Velhice” garantem essa unidade. Colocar a participação loiras, morenas. Se o narrador diz que não podia enxergar
formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título nada, é incoerente dizer que via as pessoas com tanta niti-
“Maturidade” dá a conotação da responsabilidade habi- dez. Em outros termos, se nega a competência para a rea-
tualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido lização de um desempenho qualquer, esse desempenho
unitário. não pode ocorrer. Isso por respeito às leis da coerência
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que narrativa. Observe outro exemplo:
um conjunto de enunciados pode formar um todo coeren-
te mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é,
mesmo sem a presença explícita de marcadores de relação

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Coerência Temporal


Clube, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Pa-
raná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Cam- Por coerência temporal entende-se aquela que con-
pinas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que ti- cerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos
nha acontecido. Edinho não teve dúvida sobre os motivos: enunciados do ponto de vista de sua localização no tem-
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo po. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi
ataque do Guarani.” executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.
Coerência Espacial
A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser sur-
preendido com o que já se esperava que acontecesse. A coerência espacial diz respeito à compatibilidade
dos enunciados do ponto de vista da localização no es-
Coerência Argumentativa paço. Seria incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O
filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um
A coerência argumentativa diz respeito às relações de homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação
implicação ou de adequação entre premissas e conclusões e a diversidade da vida na capital, pois aqui já não supor-
ou entre afirmações e consequências. Não é possível al- tava mais a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no interior, o
guém dizer que é a favor da pena de morte porque é con- enunciador dá a entender que seu pronunciamento está
tra tirar a vida de alguém. Da mesma forma, é incoerente sendo feito de algum lugar distante do interior; portanto
defender o respeito à lei e à Constituição Brasileira e ser ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a
favorável à execução de assaltantes no interior de prisões. mesmice” e “o tédio” que caracterizavam a vida interiora-
Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às na da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e
premissas. Não há coerência, por exemplo, num raciocínio “aqui” para indicar o mesmo lugar.
como este:
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verda-
deiros marajás. A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela
O candidato a governador é funcionário público. que concerne à compatibilidade do léxico e das estrutu-
Portanto o candidato é um marajá. ras morfossintáticas com a variante escolhida numa dada
situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode con- ao nível de linguagem quando, por exemplo, o enuncia-
cluir nada com certeza baseado em duas premissas parti-
dor utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem
culares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás
informal num texto caracterizado pela norma culta formal.
não permite concluir que qualquer um seja.
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito
fazemos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da pa-
anteriormente também constitui incoerência. É o que se vê
lavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de in-
neste diálogo:
coerência nesse nível:
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento
“Tendo recebido a notificação para pagamento da cha-
de pedágio para circular no centro da cidade?
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes mada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita,
cidades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por con- para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida,
seguinte, é necessário reabilitar as áreas que contam com porque o IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6%
abundante oferta de serviços públicos.” para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir
as despesas da municipalidade com os gastos de coleta e
Coerência Figurativa destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores
de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta
A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das armação da Prefeitura: jogar mais um gasto nas costas da
figuras que manifestam determinado tema. Para que o lei- gente.”
tor possa perceber o tema que está sendo veiculado por
uma série de figuras encadeadas, estas precisam ser com- Como se vê, o léxico usado no último período do texto
patíveis umas com as outras. Seria estranho (para dizer o destoa completamente do utilizado no período anterior.
mínimo) que alguém, ao descrever um jantar oferecido no
palácio do Itamarati a um governador estrangeiro, depois Ninguém há de negar a incoerência de um texto como
de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flores, can- este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e dei-
delabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo xou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu sui-
guardanapos de papel. cídio, em que há evidente violação da lei sucessivamente
dos eventos. Entretanto talvez nem todo mundo concorde
que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar

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do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, À primeira vista, parece não haver nenhuma coerên-
alguém poderia objetivar que é preconceito considerá-los cia na enumeração desses elementos. Quando ficamos
inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto
determina se um texto é ou não coerente? intitulado “100 motivos para gostar de São Paulo”, o que
A natureza da coerência está relacionada a dois con- aparentemente era caótico torna-se coerente:
ceitos básicos de verdade: adequação à realidade e con-
formidade lógica entre os enunciados. 100 motivos para gostar de São Paulo
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: nar-
rativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos 1. Um chopps
duas espécies diversas de coerência: 2. E dois pastel
- extratextual: aquela que diz respeito à adequação (...)
entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. 5. O polpettone do Jardim de Napoli
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibili- (...)
dade, à adequação, à não-contradição entre os enuncia- 30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
dos do texto. (...)
43. O “Parmera”
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajus- (...)
tar-se pode ser: 45. O “Curíntia”
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados (..)
referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao con- 59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
teúdo das ciências, etc. que constitui o repertório com que (...)
se produzem e se entendem textos. O período “O homem
olhou através das paredes e viu onde os bandidos escon- O texto apresenta os traços culturais da cidade, e to-
diam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, dos convergem para um único significado: a celebração da
pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois
vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência primeiros itens de nosso exemplo referem-se a marcas lin-
figurativa extratextual. guísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tor-
- os mecanismos semânticos e gramaticais da nou conhecido o restaurante chamado Jardim de Napoli; o
língua: o conjunto dos conhecimentos sobre o código quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
linguístico necessário à codificação de mensagens deco- o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais
dificáveis por outros usuários da mesma língua. O texto populares da cidade são denominados na variante linguís-
seguinte, por exemplo, está absolutamente sem sentido tica popular; o último à obediência a uma lei que na época
por inobservância de mecanismos desse tipo: ainda não vigorava no resto do país.
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma
carreira universitária informações críticas a respeito da - A situação de comunicação:
realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos
métodos criativos nos ensinos de primeiro e segundo grau: __A telefônica.
estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as __Era hoje?
quais, serão a praticidade cotidiana. Aptidões pessoais se-
rão associadas a testes vocacionais sérios de maneira dis- Esse diálogo não seria compreendido fora da situação
cursiva a analisar conceituações fundamentais.” de interlocução, porque deixa implícitos certos enunciados
que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
__ O empregado da companhia telefônica que vinha
Fatores de Coerência consertar o telefone está aí.
__ Era hoje que ele viria?
- O contexto: para uma dada unidade linguística, fun-
ciona como contexto a unidade linguística maior que ela: - O conhecimento de mundo:
a sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba;
a oração, para a palavra; o período, para a oração; o texto, 31 de março / 1º de abril
para o período, e assim por diante. Dúvida Revolucionária

“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Ontem foi hoje?


Napoli, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Par- Ou hoje é que foi ontem?
mera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de se-
gurança.” Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema:
o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”.
No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e

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o título remetem a um episódio da História do Brasil, o gol- distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é
pe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões
deve fazer parte de nosso conhecimento de mundo, assim subjetivas; que sua posição é antimetafísica; que não deve-
como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas mos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa in-
sua comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar terpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese,
relações entre o evento e o “dia da mentira”. é preciso ter lido textos de Caeiro. Por outro lado, é preciso
saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) expri-
- As regras do gênero: me suas emoções, falando da solidão interior, do tédio, etc.

“O homem olhou através das paredes e viu onde os ban- Incoerência Proposital
didos escondiam a vítima que havia sido sequestrada.”
Existem textos em que há uma quebra proposital da
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é coerência, com vistas a produzir determinado efeito de
completamente coerente no mundo criado pelas histórias sentido, assim como existem outros que fazem da não-
de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, coerência o próprio princípio constitutivo da produção de
tem força praticamente ilimitada; pode voar no espaço a sentido. Poderia alguém perguntar, então, se realmente
uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa ve- existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele em que
locidade, vence a barreira do tempo e pode transferir-se a incoerência é produzida involuntariamente, por inabili-
para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver dade, descuido ou ignorância do enunciador, e não usada
através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc. funcionalmente para construir certo sentido.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que Quando se trata de incoerência proposital, o enuncia-
efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele in- dor dissemina pistas no texto, para que o leitor perceba
clui também os mundos criados pela linguagem nos dife- que ela faz parte de um programa intencionalmente dire-
rentes gêneros de texto, ficção científica, contos maravi- cionado para veicular determinado tema. Se, por exemplo,
lhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras ló- num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem
gicas. Assim, o que é incoerente num determinado gênero figuras como pessoas comendo de boca aberta, falando em
não o é, necessariamente, em outro. voz muito alta e em linguagem chula, ostentando sua últi-
mas aquisições, o enunciador certamente não está queren-
- O sentido não literal: do manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o da vul-
garidade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa:
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão ex- em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny
plodir a qualquer momento.” Marshall em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem
trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter Sel-
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, lers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem
pois, nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualifica- comportamento incompatível com a ocasião, mas não há
do por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o
ser, ao mesmo tempo, as qualidades verde e incolor; o ver- espectador se solidarize com eles, por sua ingenuidade e
bo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado. falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto uma fi-
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido gura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certe-
não literal, como concepções ambientalistas, o período za de que se trata de uma quebra de coerência proposital,
pode ser lido da seguinte maneira: “As idéias ambientalis- com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai pensar
tas sem atrativo estão latentes, mas poderão manifestar-se a que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido
qualquer momento.” ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da
- O intertexto: inversão da realidade seu princípio constitutivo; da incoe-
rência, um fator de coerência. São exemplos as obras de
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro Lewis Carrol “Alice no país das maravilhas” e “Através do es-
pelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido,
__ a chuva me deixa triste... subverter o princípio da realidade, mostrar as aporias da
__ a mim me deixa molhado. lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que
Muitos textos retomam outros, constroem-se com contém mais de um exemplo do que foi abordado:
base em outros e, por isso, só ganham coerência nessa re-
lação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, Teresa
na relação de intertextualidade. É o caso desse poema. Para
compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um A primeira vez que vi Teresa
dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa; que heterô- Achei que ela tinha pernas estúpidas
nimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica Achei também que a cara parecia uma perna

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Quando vi Teresa de novo falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou


Achei que seus olhos eram muito mais velhos seja, a língua, os lábios, os dentes, os maxilares, as cordas
[que o resto do corpo vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde,
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando em palavras, frases e textos.
[que o resto do corpo nascesse) Quando um falante entra em contato com outra pes-
soa, na rua, na escola ou em qualquer outro local, percebe
Da terceira vez não vi mais nada que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que
Os céus se misturaram com a terra falam de forma diferente por pertencerem a outras cidades
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face ou regiões do país, ou por terem idade diferente da nossa,
[das águas. ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Es-
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro, sas diferenças no uso da língua constituem as variedades
Aguilar, 1986, p. 214. linguísticas.

Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no Variedades Linguísticas


mínimo, que nosso conhecimento de mundo inclua o poema:
Variedades linguísticas são as variações que uma lín-
O Adeus de Teresa gua apresenta, de acordo com as condições sociais, cultu-
rais, regionais e históricas em que é utilizada.
A primeira vez que fitei Teresa, Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde
Como as plantas que arrasta a correnteza, que cumpram com eficiência o papel fundamental de uma
A valsa nos levou nos giros seus... língua, o de permitir a interação verbal entre as pessoas,
isto é, a comunicação.
Castro Alves Apesar disso, uma dessas variedades, a norma culta ou
norma padrão, tem maior prestígio social. É a variedade
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre
linguística ensinada na escola, contida na maior parte dos
eles; que tenhamos noção da crítica do Modernismo às esco-
livros e revistas e também em textos científicos e didáticos,
las literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que
em alguns programas de televisão, etc. As demais varieda-
nenhuma musa seria tratada com tanta cerimônia e muito
des, como a regional, a gíria ou calão, o jargão de grupos
menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que
ou profissões (a linguagem dos policiais, dos jogadores de
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação
futebol, dos metaleiros, dos surfistas), são chamadas gene-
proposital de elementos que pareceriam absurdos em outro
ricamente de dialeto popular ou linguagem popular.
contexto.
Propósito da Língua
NORMA PADRÃO E VARIANTES A língua que utilizamos não transmite apenas nossas
LINGUÍSTICAS; ideias, transmite também um conjunto de informações so-
bre nós mesmos. Certas palavras e construções que em-
pregamos acabam denunciando quem somos socialmente,
NORMA CULTA ou seja, em que região do país nascemos, qual nosso ní-
vel social e escolar, nossa formação e, às vezes, até nossos
Norma culta ou linguagem culta é uma expressão em- valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock,
pregada pelos linguistas brasileiros para designar o conjunto surfe, etc. O uso da língua também pode informar nossa
de variedades linguísticas efetivamente faladas, na vida co- timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos e si-
tidiana, pelos falantes cultos, sendo assim classificados os tuações novas, nossa insegurança, etc.
cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com grau de A língua é um poderoso instrumento de ação social.
instrução superior completo. Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relaciona-
O Instituto Camões entende que a “noção de correção está mento com as pessoas e com a sociedade em geral.
[...] baseada no valor social atribuído às [...] formas [linguísti-
cas]. Ainda assim, informa que a norma-padrão do português Língua Culta na Escola
europeu é o dialeto da região que abrange Lisboa e Coimbra;
refere também que se aceita no Brasil como norma-padrão a O ensino da língua culta, na escola, não tem a finalida-
fala do Rio e de São Paulo. de de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa
família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o domínio
Aquisição da linguagem da língua culta, somado ao domínio de outras variedades
linguísticas, torna-nos mais preparados para nos comuni-
Iniciamos o aprendizado da língua em casa, no conta- carmos. Saber usar bem uma língua equivale a saber em-
to com a família, que é o primeiro círculo social para uma pregá-la de modo adequado às mais diferentes situações
criança, imitando o que se ouve e aprendendo, aos poucos, sociais de que participamos.
o vocabulário e as leis combinatórias da língua. Um jovem

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Graus de Formalismo Expressões que demandam atenção

São muitos os tipos de registro quanto ao formalismo, - acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se
tais como: o registro formal, que é uma linguagem mais - aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser
cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio, e estar, aceito
caracterizando-se por construções gramaticais mais livres, - acendido, aceso (formas similares) – idem
repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o - à custa de – e não às custas de
informal, que se caracteriza pelo uso de ortografia simplifi- - à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo
cada, construções simples e usado entre membros de uma que, conforme
mesma família ou entre amigos. - na medida em que – tendo em vista que, uma vez que
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau - a meu ver – e não ao meu ver
de formalismo existente na situação de comunicação; com - a ponto de – e não ao ponto de
o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal - a posteriori, a priori – não tem valor temporal
ou escrito; com a sintonia entre interlocutores, que envolve - de modo (maneira, sorte) que – e não a
aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade - em termos de – modismo; evitar
- em vez de – em lugar de
(domínio de um vocabulário específico de algum campo
- ao invés de – ao contrário de
científico, por exemplo).
- enquanto que – o que é redundância
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a
Atitudes não recomendadas
- implicar em – a regência é direta (sem em)
- ir de encontro a – chocar-se com
Expressões Condenáveis - ir ao encontro de – concordar com
- junto a – usar apenas quando equivale a adido ou
- a nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível. similar
- face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em - o (a, s) mesmo (a, s) – uso condenável para substituir
vista de, perante. pronomes
- onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, na - se não, senão – quando se pode substituir por caso
qual, nas quais, no qual, nos quais. não, separado; quando se pode, junto
- (medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a. - todo mundo – todos
- sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista. - todo o mundo – o mundo inteiro
- sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma. - não-pagamento = hífen somente quando o segundo
- como sendo. Opção: suprimir a expressão. termo for substantivo
- em função de. Opção: em virtude de, por causa de, - este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a
em consequência de, por, em razão de. tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se
está tratando)
Expressões não recomendadas - esse e isso – referência longe do falante e perto do
ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo passado
- a partir de (a não ser com valor temporal). Opção: próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a
com base em, tomando-se por base, valendo-se de... ênfase).
- através de (para exprimir “meio” ou instrumento).
Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, se- Erros Comuns
gundo...
- devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças - “Hoje ao receber alguns presentes no qual completo
vinte anos tenho muitas novidades para contar”. Temos aí
a, por causa de.
um exemplo de uso inadequado do pronome relativo. Ele
- dito. Opção: citado, mensionado.
provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que
- enquanto. Opção: ao passo que.
antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz
- fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer
relação absurda.
que, forçar, levar a. - “Tenho uma prima que trabalha num circo como má-
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). gica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também. com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de
- no sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, lima”. Você percebe aí a incapacidade do concursando ou
com o fito (ou objetivo, ou intuito) de, com a finalidade de, vestibulando organizar sintaticamente o período. Selecio-
tendo em vista. nar as frases e organizar as ideias é necessário. Escrever
- pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma com clareza é muito importante.
vez que, visto que. - “Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto
- principalmente. Opção: especialmente, mormente, de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel. “Tudo come-
notadamente, sobretudo, em especial, em particular. çou naquele baile de quinze anos”, “...é aos dezoito anos que
- sendo que. Opção: e. se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as
perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada

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da vida”. Você pode ter conhecimento do vocabulário e das - “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar
regras gramaticais e, assim, construir um texto sem erros. e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas
Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou refle- esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças.
xão expressões gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A / Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias.
boa qualidade do texto fica comprometida. - Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser
- Tema: Para você, as experiências genéticas de clona- sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
gem põem em xeque todos os conceitos humanos sobre - Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim
Deus e a vida? “Bem a clonagem não é tudo, mas na vida ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.
tudo tem o seu valor e os homens a todo momento neces- - “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na
sitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.
a todo instante”. É importante você escrever atendendo ao - “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redun-
que foi proposto no tema. Antes de começar o seu texto dâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio
leia atentamente todos os elementos que o examinador exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.
apresentou para você utilizar. Esquematize suas ideias, veja - “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra
se não há falta de correspondência entre o tema proposto masculina, a menos que esteja subentendida a palavra
e o texto criado. moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A sal-
- “Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu pri- vo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.
mo (...) mostrou que ele não era maligno”. Esta frase está - “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implí-
ambígua, pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao cita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão)
fígado ou ao primo. Para se evitar a ambiguidade, você você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por
deve observar se a relação entre cada palavra do seu texto que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas:
está correta. Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.
- “Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas - Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exi-
uma criança”. O conectivo mas indica uma circunstância de ge a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos
oposição, de ideia contrária a. Portanto, a relação adver- com a: A medida não agradou (desagradou) à população.
sativa introduzida pelo “mas” no fragmento acima produz / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava
uma ideia absurda. ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta.
- “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tem- / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.
pestade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu - Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa
coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma nor-
que só estaríamos separadas carnalmente”. Não utilize pro- ma: É preferível lutar a morrer sem glória.
vérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação, - O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa
pois fazer parecer que seu autor não tem criatividade ao com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do
lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente. jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas
- “Estou sem inspiração para fazer uma redação. Es- denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o com-
crever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o professor plemento: O prefeito prometeu novas denúncias.
poderia propor outro tema”. Você não deve falar de sua re- - Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja
dação dentro do próprio texto. outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta:
- “Todos os deputados são corruptos”. Evite pensamen- “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu”
tos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso),
posições extremistas. “cincoenta” (cinquenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustra-
- “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas do), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo”
coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com a decisão (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impe-
que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas cilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).
você sabe - todos sabem - ele pensa diferente. É bom a gente - Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os ócu-
pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a deci- los, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus
são”. Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
ato de falar. O texto escrito deve se apresentar desprovido - Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles
de marcas de oralidade. não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você.
- “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, man-
mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humora- dou-me.
do (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-inten- - Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a
cionado, mau jeito, mal-estar. vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto:
- “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o
é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 ama.
dias. - “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito:
- “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se
também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia mui- evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se
tas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais. empregados.

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- “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não - Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio
varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / louca, meio esperta, meio amiga.
Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta- - “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome
se com os amigos. tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. /
- Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exi- Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
gem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao - A questão não tem nada “haver” com você. A ques-
cinema. / Levou os filhos ao circo. tão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da
- Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no mesma forma: Tem tudo a ver com você.
sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / - A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular:
Promoção implica responsabilidade. A corrida custa 5 reais.
- Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. - Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar
Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou
de extinção. / Trabalho em via de conclusão. emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta con-
- Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cida- cordância: Pediu emprestadas duas malas.
dãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, - Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar
escrivães, tabeliães, gângsteres. de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
- O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gra- - Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a
túito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes
existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que
condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo. sempre vibravam com a vitória.
- A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, - “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica ar-
repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, redondamento e não pode aparecer com números exatos:
função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brin- Cerca de 20 pessoas o saudaram.
quedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do - Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz
Congresso. subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que
- Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido
a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente
masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.
negar, vai deixar a empresa.
Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a
- Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo:
alface, a cal, etc.
Tinha chegado atrasado.
- “Por isso”. Duas palavras, por isso, como de repente
- Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando ex-
e a partir de.
presso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa,
- Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”,
gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural
que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum ris- é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
co. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu - Queria namorar “com” o colega. O com não existe:
nenhuma confusão. Queria namorar o colega.
- A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se - O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá
inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã. entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do
- Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pro- (e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do
nome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. / Era grande a
realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjun- sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. / A reclamação
ções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / foi apresentada ao (e não “junto ao”) Procon.
Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava - As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina
no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma
faz, aqui se paga. / Depois o procuro. no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos,
- O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja convidam-na, põe-nos, impõem-nos.
outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / - Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome
Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “ca- átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do
beçário” (cabeçalho). presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou parti-
- Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam cípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? /
onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”).
apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos? / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. /
- “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).
pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. - Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco
/ Muito obrigados por tudo. minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a
- O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substi-
Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, tuído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a
intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos deriva- (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distân-
dos: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predis- cia) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco
se, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc. menos de dez dias.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o - Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode
material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo:
alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira. Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos re-
- A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, uniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos
apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado servidores (e não “dos mesmos”).
dizer: Deu “a luz a” gêmeos. - Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo no
- Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Es- qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a
távamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que
sala. estou lendo), este século (o século 20).
- Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) - A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singu-
em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa lar sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador. - Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica
- Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de
Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
contente porque ninguém se feriu. - Se eu “ver” você por aí... O certo é: Se eu vir, revir,
- O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu
time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se
por. Da mesma forma: empate por. ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer),
- À medida «em» que a epidemia se espalhava... O cer- predissermos.
to é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda - Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar
na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a
as leis, na medida em que elas existem. negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem
- Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.
não existe: Não queria que receassem a sua companhia. - Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “ade-
Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só qua”, “adeque”, etc., mas apenas aquelas em que o acento
cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.
existe i quando o acento cai no e que precede a terminação
- Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pes-
ear: receiem, passeias, enfeiam).
soas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode, explodi-
- Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento.
ram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “ex-
Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e
pluda”, substituindo essas formas por rebente, por exem-
vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele
plo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pes-
põe, eles põem.
soas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”,
- A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda
“precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.
com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito
- Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo re-
tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos me- cupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos ca-
ses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia sos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá,
se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais- reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc.
que-perfeito do indicativo.) - Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas
- Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quisés-
o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz semos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
(não se diz isso), vê-se-a, etc. - O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem
- Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos com- possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação
postos, só o último elemento varia: acordos político-par- ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue:
tidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, me- Continue, recue, atue, atenue.
didas econômico-financeiras, partidos social-democratas. - A tese “onde”... Onde só pode ser usado para lugar: A
- Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brin-
inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a cam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele
tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele
quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é canta... / Na entrevista em que...
mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. - Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é co-
- “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige municada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa.
os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão.
as contradições do texto. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os emprega-
- Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse senti- dos da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a
do, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favore- decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos
ceu os jogadores. empregados.
- Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale - “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa
a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflin-
As vítimas mesmas recorreram à polícia. gir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda tam-
bém iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). “Há uma grande diferença se fala um deus ou um he-
Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito). rói; se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na
- Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substan- flor da idade; se uma matrona autoritária ou uma dedica-
tivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espe- da; se um mercador errante ou um lavrador de pequeno
ro que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: campo fértil (...)”
de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar.
Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e
Todas as pessoas que falam uma determinada língua
cumprido (concretizado).
conhecem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento
- O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com
negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o podem sofrer variações devido à influência de inúmeros
que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar. fatores. Tais variações, que às vezes são pouco perceptí-
- Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou veis e outras vezes bastantes evidentes, recebem o nome
uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mes- genérico de variedades ou variações linguísticas.
ma forma: Transmissão em cores, desenho em cores. Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por
- “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Cau- todos os seus falantes em todos os lugares e em qual-
saram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o quer situação. Sabe-se que, numa mesma língua, há for-
erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. mas distintas para traduzir o mesmo significado dentro de
Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e um mesmo contexto. Suponham-se, por exemplo, os dois
não “foi iniciado” esta noite as obras). enunciados a seguir:
- A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: pa-
lavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele
isso: A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agres- faz tempo.
sões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”). Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há
- O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato pas- anos.
sou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa Qualquer falante do português reconhecerá que os
desprevenido.
dois enunciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo
- “Haja visto” seu empenho... A expressão é haja vista e
sentido, mas também que há diferenças. Pode dizer, por
não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços.
exemplo, que o segundo é de gente mais “estudada”.
/ Haja vista suas críticas.
- A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem
é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que saber dar grandes explicações, as pessoas têm noção de
dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que existem muitas maneiras de falar a mesma língua. É o
que participou, o amigo a que se referiu, etc. que os teóricos chamam de variações linguísticas.
- É hora «dele» chegar. Não se deve fazer a contração As variações que distinguem uma variante de outra se
da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos manifestam em quatro planos distintos, a saber: fônico,
de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo morfológico, sintático e lexical.
convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...
- Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou Variações Fônicas
consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o se-
nhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmen- São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons
te: Isto é para o senhor (e não “para si”). constituintes da palavra. Os exemplos de variação fônica
- Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem são abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os
tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é domínios em que se percebe com mais nitidez a diferença
meio-dia, já é meia-noite. entre uma variante e outra. Entre esses casos, podemos
- A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema
citar:
métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km
- a queda do “r” final dos verbos, muito comum na
(e não “kms.”), 5 m, 10 kg.
linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em vez
- “Dado” os índices das pesquisas... A concordância é
normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resulta- de curtir), compô.
do... / Dadas as suas ideias... - o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu
- Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa me alembro, o pássaro avoa, formas comuns na lingua-
debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se gem clássica, hoje frequentes na fala caipira.
sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: - a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta,
Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso), característi-
O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma cas na linguagem oral coloquial.
forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás. - a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis
- “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas for-
meu ver, a seu ver, a nosso ver. mam típicas de pessoas de baixa extração social.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maio- - a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo
ria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do quando se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu
Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a
linguagem caipira): quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, sua (em vez de tua) voz me irrita.
pastel; faróu, farór, farol. - ausência de concordância do verbo com o sujeito:
- deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração social);
preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os
extração social. episódios.

Variações Morfológicas Variações Léxicas

São as que ocorrem nas formas constituintes da pala- É o conjunto de palavras de uma língua. As varian-
vra. Nesse domínio, as diferenças entre as variantes não são tes do plano do léxico, como as do plano fônico, são
tão numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são muito numerosas e caracterizam com nitidez uma va-
desprezíveis. Como exemplos, podemos citar: riante em confronto com outra. Eis alguns, entre múl-
- o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para tiplos exemplos possíveis de citar:
criar o superlativo de adjetivos, recurso muito característi- - a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio mui-
co da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em to para formar o grau superlativo dos adjetivos, caracte-
vez de humaníssimo), uma prova hiper difícil (em vez de di- rísticas da linguagem jovem de alguns centros urbanos:
ficílima), um carro hiper possante (em vez de possantíssimo). maior legal; maior difícil; Esse amigo é um carinha maior
- a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos esforçado.
regulares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), - as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tan-
se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser). tas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto
- a conjugação de verbos regulares pelo modelo de ir- de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam
regulares: vareia (varia), negoceia (negocia). de cueca aquilo que no Brasil chamamos de calcinha; o
- uso de substantivos masculinos como femininos ou que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de
vice-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a bicha; café da manhã em Portugal se diz pequeno almoço;
champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó),
camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de
mistura do cal (da cal).
suéter, malha, camiseta.
- a omissão do “s” como marca de plural de substan-
tivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as
Designações das Variantes Lexicais:
amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Es-
- Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso
pero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas
e, por isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e
últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava
acontecer; Não é possível que ele esforçou (tenha se esfor- envelhecida. É o caso de reclame, em vez de anúncio publi-
çado) mais que eu. citário; na década de 60, o rapaz chamava a namorada de
broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante), e um ho-
Variações Sintáticas mem bonito era um pão; na linguagem antiga, médico era
designado pelo nome físico; um bobalhão era chamado de
Dizem respeito às correlações entre as palavras da fra- coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa; algo
se. No domínio da sintaxe, como no da morfologia, não muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
são tantas as diferenças entre uma variante e outra. Como
exemplo, podemos citar: - Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de
- o uso de pronomes do caso reto com outra função palavras recém-criadas, muitas das quais mal ou nem es-
que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) traram para os dicionários. A moderna linguagem da com-
na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve putação tem vários exemplos, como escanear, deletar, prin-
entre tu (em vez de ti) e ele. tar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe mixar (fazer a combinação de sons), robotizar, robotização.
(em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem.
- a ausência da preposição adequada antes do prono- - Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras
me relativo em função de complemento verbal: são pessoas emprestadas de outra língua, que ainda não foram apor-
que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor tuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso,
filme que (em vez de a que) eu assisti; você é a pessoa que há muitas expressões latinas, sobretudo da linguagem ju-
(em vez de em que) eu mais confio. rídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o
- a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pro- corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso
nome “que” no início da frase mais a combinação da pre- facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis lit-
posição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que teris (textualmente, “com as mesmas letras”), grosso modo
eu já conhecia a família dele (em vez de ...cuja família eu já (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está
conhecia). escrito”), data venia (“com sua permissão”).

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LÍNGUA PORTUGUESA

As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight Tipos de Variação


(compreensão repentina de algo, uma percepção súbita),
feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para
(conjunto de informações básicas), jingle (mensagem pu- as variantes linguísticas um sistema de classificação que
blicitária em forma de música). seja simples e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que todas as diferenças que caracterizam os múltiplos modos
ainda não se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors- de falar dentro de uma comunidade linguística. O principal
concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), problema é que os critérios adotados, muitas vezes, se su-
tête-à-tête (palestra particular entre duas pessoas), esprit perpõem, em vez de atuarem isoladamente.
As variações mais importantes, para o interesse do
de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (car-
concurso público, são os seguintes:
dápio), à la carte (cardápio “à escolha do freguês”), physi-
que du rôle (aparência adequada à caracterização de um - Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser per-
personagem). cebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a se-
guinte frase:
- Jargão: é o lexo típico de um campo profissional
como a medicina, a engenharia, a publicidade, o jor- “Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.”
nalismo. No jargão médico temos uso tópico (para re- (frase 1)
médios que não devem ser ingeridos), apneia (interrupção
da respiração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira?
cerebral). No jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um
ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um
uma letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão?
de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta sucin- E quem usaria a frase abaixo?
tamente o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando
o lide é muito prolixo, é chamado de nariz-de-cera. Furo “Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os la-
é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela drões.” (frase 2)
falso, foi uma barriga. Entre os jornalistas é comum o uso
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes perten-
do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá reper-
centes a grupos sociais economicamente mais pobres.
cutir a notícia de renúncia! (esse uso é considerado errado
Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola
pela gramática normativa). primária, ou, quando muito, fizeram-no em condições não
adequadas.
- Gíria: é o lexo especial de um grupo (originariamen- Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes
te de marginais) que não deseja ser entendido por outros que tiveram possibilidades socioeconômicas melhores e
grupos ou que pretende marcar sua identidade por meio puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com
da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural
de grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo
sobretudo quando falam de atividades proibidas. A lista de utilização da língua.
de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação fei-
sentido de afetado por algum prejuízo ou má sorte), ir pro ta acima está bastante simplificada, uma vez que há diver-
brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremedia- sos outros fatores que interferem na maneira como o fa-
velmente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa), bicha (ho- lante escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo,
mossexual masculino), levar um lero (conversar). a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal
de júri, jamais usaria a expressão “tá na cara”, mas isso não
- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico ex- significa que ele não possa usá-la numa situação informal
cessivamente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em (conversando com alguns amigos, por exemplo).
Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir
vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar
que as condições sociais influem no modo de falar dos in-
(em vez de discordar); cinesíforo (em vez de motorista); ob-
divíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de
nubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em usar uma mesma língua. A elas damos o nome de variações
vez de casamento); chufa (em vez de caçoada, troça). socioculturais.
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, - Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser
o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É facilmente notada. Ela se caracteriza pelo acento linguís-
o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez tico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som
de aborrecido), se ferrou (em vez de se deu mal, arruinou- (altura, timbre, intensidade), por isso é uma variante cujas
se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjun-
secreção do nariz). to das características da pronúncia de uma determinada
região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sota-

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LÍNGUA PORTUGUESA

que nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográfica, Texto II


além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida
no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sen- Entre Palavras
tidos diferentes que algumas palavras podem assumir em
diferentes regiões do país. Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho – circulamos. A maioria delas não figura nos dicionários de
abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, re- há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo mo-
cria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas: mento impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e
combinações de.
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar ne-
Mangolô!]. nhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem re-
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. gistrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao con-
Não faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu versar com seu avô; talvez ele não entenda o que você diz.
era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Ve-
de noite, foras d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é maguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone,
novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em
não, estou percurando é sossego...” 1940?
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutá- Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mís-
veis. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso. seis, a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o
Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o antibiótico, o enfarte, a acumputura, a biônica, o acrílico, o
sentido delas. Essas alterações recebem o nome de varia- ta legal, a apartheid, o som pop, as estruturas e a infraes-
ções históricas. trutura.
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro
Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira, Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex,
mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto
o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita,
I, ele fala das palavras de antigamente e, no texto II, fala das
a mixagem.
palavras de hoje.
Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o ser-
vomecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futuro-
Texto I
logia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene,
o Incra, a Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU.
Antigamente
Estão reclamando, porque não citei a conotação, o con-
glomerado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM,
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e
eram todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; comple- a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a gui-
tavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não tarra elétrica.
sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra
mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tensora, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster,
tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo,
outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta, faziam o carnet da girafa, poluição.
quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela Fundos de investimento, e daí? Também os de incen-
de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao ani- tivos fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa mi-
matógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas crorranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos
de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de super congelados. Viagens pelo crediário, Circuito fechado
pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até em de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click!
calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua. Não havia nada disso no Jornal do tempo de Vences-
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presun- lau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas
çosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na
punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se esquina, para consumo geral. A enumeração caótica não é
perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de to-
sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, dos os dias. Entre palavras circulamos, vivemos, morremos,
insinuavam que seu filho era artioso. Verdade seja que às e palavras somos, finalmente, mas com que significado?
vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pi- (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
tar escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
cromos, umas teteias.
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os - De Situação: aquelas que são provocadas pelas al-
meninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam terações das circunstâncias em que se desenrola o ato de
ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, comunicação. Um modo de falar compatível com determi-
mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam. nada situação é incompatível com outra:
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ô mano, ta difícil de te entendê. isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja...
né? há uma série... de conceitos teóricos... que têm nomes
Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem em-
situação informal, não tem cabimento se o interlocutor é o pregados... deixam muito a desejar...
professor em situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira unifor- Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o
me em todas as circunstâncias, excetuados alguns falantes grau de formalidade e planejamento típico do texto escrito,
da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o
linguagem formal, sendo, por isso mesmo, considerados da menina ao telefone.
excessivamente formais ou afetados.
São muitos os fatores de situação que interferem na
fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o qual ele
discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas ORTOGRAFIA: USO DOS
crenças religiosas como falaria de um jogo de futebol ou ACENTOS GRÁFICOS
de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico em
que se dá um diálogo (num templo não se usa a mesma
linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre
os falantes (com um superior, a linguagem é uma, com um ORTOGRAFIA
colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometi-
mento que a fala implica para o falante (num depoimento A ortografia é a parte da língua responsável pela grafia
para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num rela- correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão culto
to de uma conquista amorosa para um colega fala-se com da língua.
menos preocupação). As palavras podem apresentar igualdade total ou par-
As variações de acordo com a situação costumam ser cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten-
chamadas de níveis de fala ou, simplesmente, variações de do significados diferentes. Essas palavras são chamadas
estilo e são classificadas em duas grandes divisões: de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto,
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de refle- do latim, significa música vocal). As palavras homônimas
xão sobre o que se diz, bem como o estado de atenção e dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia
vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
formalidade é mais tenso. gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala
lácio ou passo, movimento durante o andar).
com despreocupação e espontaneidade, em que o grau de
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-
reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral
se observar as seguintes regras:
íntima e familiar que esse estilo melhor se manifesta.

Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pe- O fonema s:


queno trecho da gravação de uma conversa telefônica en-
tre duas universitárias paulistanas de classe média, trans- Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan-
crito do livro Tempos Linguísticos, de Fernando Tarallo. AS tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel,
reticências indicam as pausas. corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espíri- / submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im-
to, tem dia que minha voz... mais ta assim, sabe? taquara pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê - recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir
um artigo, lê?! Um menino lá que faiz pós-graduação na, - consensual
na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me
explicando toda a matéria de economia, das nove da noite. Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-
vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
Como se pode notar, não há preocupação com a pro- prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
núncia nem com a continuidade das ideias, nem com a es- - agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /
colha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um
ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
trecho da gravação de uma aula de português de uma pro-
regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
fessora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro
de Dinah Callou. A linguagem falada culta na cidade do Rio compromisso / submeter - submissão
de Janeiro. As pausas são marcadas com reticências. *quando o prefixo termina com vogal que se junta com
a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé-
...o que está ocorrendo com nossos alunos é uma frag- trico / re + surgir - ressurgir
mentação do ensino... ou seja... ele perde a noção do todo... *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que plos: ficasse, falasse
ele não sabe vincular a realidade nenhuma de seu idioma...

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LÍNGUA PORTUGUESA

Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos Escreve-se com J e não com G:


de origem árabe: cetim, açucena, açúcar *as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, *as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
Juçara, caçula, cachaça, cacique manjerona.
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, *as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
esperança, carapuça, dentuço O fonema ch:
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / de-
ter - detenção / ater - atenção / reter - retenção Escreve-se com X e não com CH:
*após ditongos: foice, coice, traição *as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): caxi, muxoxo, xucro.
marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção *as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J):
xampu, lagartixa.
O fonema z: *depois de ditongo: frouxo, feixe.
*depois de “en”: enxurrada, enxoval.
Escreve-se com S e não com Z:
*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs- Observação: Exceção: quando a palavra de origem não
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, meta- Escreve-se com CH e não com X:
morfose. *as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
quiseste.
*nomes derivados de verbos com radicais terminados As letras e e i:
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - *os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
empresa / difundir - difusão Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - *os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os
*após ditongos: coisa, pausa, pouso verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina - atenção para as palavras que mudam de sentido
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (su-
perfície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expan-
Escreve-se com Z e não com S: dir) / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje- estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
tivo: macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu-
gem não termine com s): final - finalizar / concreto - con- gues/ortografia
cretizar
*como consoante de ligação se o radical não terminar Questões sobre Ortografia
com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis +
inho - lapisinho 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
as frases que seguem, a única correta é:
O fonema j: a) Ele se esqueceu de que?
b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distri-
Escreve-se com G e não com J: bui-lo entre os presentes.
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas crí-
gesso. ticas.
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com dos funcionários.
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge. e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.

Observação: Exceção: pajem 02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alter-


*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, nativa cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo
litígio, relógio, refúgio. com a norma- -padrão.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
surgir. (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical termina- (D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
do com j: ágil, agente. (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!

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LÍNGUA PORTUGUESA

03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). 07. (IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – VU-
Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para infor- NESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o
mar os usuários sobre o festival Sounderground. trecho – O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão an-
Prezado Usuário sioso e sofredor...– está escrito corretamente no plural.
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do (A) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos
metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30, ansioso e sofredores...
começa o Sounderground, festival internacional que presti- (B) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães
gia os músicos que tocam em estações do metrô. ansioso e sofredores...
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- (C) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos
tarão e divirta-se! ansiosos e sofredores...
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se (D) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões
preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as ansioso e sofredores...
expressões (E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães
A) A fim ...a partir ... as ansiosos e sofredores...
B) A fim ...à partir ... às
C) A fim ...a partir ... às 08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011)
D) Afim ...a partir ... às Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a nor-
E) Afim ...à partir ... as ma culta:
A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios,
04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - por isso posso me queixar com razão.
FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na se- B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultra-
guinte frase: passarmos os infortúnios da vida.
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- que vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa
geiros nos aeroportos. vida.
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontanei- D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento,
dade, mas nada que ponha em cheque sua reputação de principalmente daqueles que procuram viver com dignida-
pessoa cortês. de e simplicidade.
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do só- E) As dificuldades por que passamos certamente nos
cio de descançar após o almoço sob a frondoza árvore do fazem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
pátio.
(D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa má- 09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta:
goa pode estar sendo o grande impecilho na superação A) Porque essa cara?
dessa sua crise. B) Não vou porque não quero.
(E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta C) Mas por quê?
quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na conces- D) Você saiu por quê?
são de privilégios ilegítimos.
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igual-
escrita? mente correta do termo “autópsia” é autopsia.
A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou- ( ) Certo
pansa. ( ) Errado
B) O mendigo não depositou na caderneta de pou-
pança. GABARITO
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de pou-
panssa. 01.E 02. D 03. C 04. A 05. B
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- 06. E 07. C 08. E 09. A 10. C
pansa.
RESOLUÇÃO
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU-
NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas 1-)
ela cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o (A) Ele se esqueceu de que? = quê?
verbo no tempo futuro. (B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para
(A) Mas elas cresceram... distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
(B) Mas elas cresciam... (C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex-
(C) Mas elas cresçam... cessivos nas críticas.
(D) Mas elas crescem... (D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi-
(E) Mas elas crescerão... cações dos funcionários.
(E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.

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LÍNGUA PORTUGUESA

2-) D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so-


(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = ta- frimento, principalmente daqueles que procuram viver com
beliães dignidade e simplicidade.
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) pas-
= cidadãos samos certamente nos fazem mais fortes e preparados
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local. para os infortúnios da vida.
= certidões
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = de- 9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome
graus está longe do ponto de interrogação.

3-) Prezado Usuário 10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me- (fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/
trô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa sys/start.htm?sid=23)
o Sounderground, festival internacional que prestigia os mú- RESPOSTA: “CERTO”.
sicos que tocam em estações do metrô.
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- HÍFEN
tarão e divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; an- O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para
tes de horas: há crase ligar os elementos de palavras compostas (couve-flor, ex-
-presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofere-
4-) Fiz a correção entre parênteses: ceram-me; vê-lo-ei).
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é Serve igualmente para fazer a translineação de palavras,
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas
geiros nos aeroportos. partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
(B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua Uso do hífen que continua depois da Reforma Orto-
espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) gráfica:
sua reputação de pessoa cortês.
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio 1. Em palavras compostas por justaposição que formam
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza
uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem
(frondosa) árvore do pátio.
para formar um novo significado: tio-avô, porto-alegrense,
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência des-
luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas,
sa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empeci-
guarda-chuva, arco- -íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
lho) na superação dessa sua crise.
(E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção des-
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoo-
sa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de conivente
lógicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-meni-
na concessão de privilégios ilegítimos.
na, erva-doce, feijão-verde.
5-)
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupan- 3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém
sa. = mendigo/caderneta/poupança e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casa-
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans- do, aquém- -fiar, etc.
sa. = mendigo/caderneta/poupança
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- 4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo
uso: cor- -de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas de-meia, água-de- -colônia, queima-roupa, deus-dará.
elas crescerão...
7-) Como os itens apresentam o mesmo texto, a alter- 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
nativa correta já indica onde estão as inadequações nos Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações
demais itens. históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Al-
sácia-Lorena, etc.
8-) Fiz as correções entre parênteses:
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor- 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-
túnios, por isso posso me queixar com razão. quando associados com outro termo que é iniciado por r:
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc.
para ultrapassarmos os infortúnios da vida.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte ex- -presidente, vice-governador, vice-prefeito.
de nossa vida.

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LÍNGUA PORTUGUESA

8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré- 02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do
natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc. hífen:
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abraça- faria uma superalimentação.
-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada.
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido.
10. Nas formações em que o prefixo tem como segundo D) Nossos antepassados realizaram vários anteprojetos.
termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, eletro-higró- E) O autodidata fez uma autoanálise.
metro, geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospi-
talar, super- -homem. 03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego
do hífen, respeitando-se o novo Acordo.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo.
termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-ondas, B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal
eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc. do campeonato.
Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros ter- C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu.
mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. D) O recém-chegado veio de além-mar.
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório.
- Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mu-
dança de linha), caso a última palavra a ser escrita seja forma- 04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro
da por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escreverei (avarento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o
anti-inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Na linha hífen é obrigatório:
debaixo escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas as linhas). A) em nenhuma delas.
B) na segunda palavra.
Não se emprega o hífen: C) na terceira palavra.
D) em todas as palavras.
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termi- E) na primeira e na segunda palavra.
na em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”. Nesse
caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, con- 05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __. Qual
trarregra, infrassom, microssistema, minissaia, microrradiogra- alternativa completa corretamente as lacunas?
fia, etc. A) sobreumano/interregional
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo B) sobrehumano-interregional
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal di- C) sobre-humano / inter-regional
ferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, au- D) sobrehumano/ inter-regional
toaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraes- E) sobre-humano /interegional
trutura, etc.
06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub-
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos “dês” às palavras que aparecem nas alternativas a seguir. Assina-
e “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, le aquela que tem de ser escrita com hífen:
inábil, desabilitar, etc. A) (sub) chefe
B) (sub) entender
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o C) (sub) solo
segundo elemento começar com “o”: cooperação, coobriga- D) (sub) reptício
ção, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc. E) (sub) liminar

5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção de 07.Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista, etc. grafadas corretamente:
A) autocrítica, contramestre, extra-oficial
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, B) infra-assinado, infra-vermelho, infra-som
benquerer, benquerido, etc. C) semi-círculo, semi-humano, semi-internato
D) supervida, superelegante, supermoda
Questões sobre Hífen E) sobre-saia, mini-saia, superssaia

01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o novo 08.Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.
Acordo, está sendo usado corretamente: A) infraestrutura / super-homem / autoeducação
A) Ele fez sua auto-crítica ontem. B) bem-vindo / antessala /contra-regra
B) Ela é muito mal-educada. C) contramestre / infravermelho / autoescola
C) Ele tomou um belo ponta-pé. D) neoescolástico / ultrassom / pseudo-herói
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei. E) extraoficial / infra-hepático /semirreta
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões.

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LÍNGUA PORTUGUESA

09.Uma das alternativas abaixo apresenta incorreção 7-)


quanto ao emprego do hífen. A) autocrítica, contramestre, extraoficial
A) O pseudo-hermafrodita não tinha infraestrutura para B) infra-assinado, infravermelho, infrassom
relacionamento extraconjugal. C) semicírculo, semi-humano, semi-internato
B) Era extraoficial a notícia da vinda de um extraterreno. D) supervida, superelegante, supermoda = corretas
C) Ele estudou línguas neolatinas nas colônias ultrama- E) sobressaia, minissaia, supersaia
rinas.
D) O anti-semita tomou um anti-biótico e vacina antir- 8-) B) bem-vindo / antessala / contrarregra
rábica.
E) Era um suboficial de uma superpotência. 9-) D) O antissemita tomou um antibiótico e vacina an-
tirrábica.
10.Assinale a alternativa em que ocorre erro quanto ao
emprego do hífen. 10-) C) O contrarregra comeu um contrafilé.
A) Foi iniciada a campanha pró-leite.
B) O ex-aluno fez a sua autodefesa. ACENTUAÇÃO
C) O contrarregra comeu um contra-filé.
D) Sua vida é um verdadeiro contrassenso. A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re-
E) O meia-direita deu início ao contra-ataque. gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
põe de algumas particularidades, às quais devemos estar
GABARITO atentos, procurando estabelecer uma relação de familia-
ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na
01. B 02. B 03. A 04. E 05. C linguagem escrita.
06. D 07. D 08. B 09. D 10. C À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a
prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas
RESOLUÇÃO competências, e logo nos adequamos à forma padrão.

1-) Regras básicas – Acentuação tônica


A) autocrítica
C) pontapé A acentuação tônica implica na intensidade com que
D) supermercado são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá
E) infravermelhos de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tôni-
ca. As demais, como são pronunciadas com menos inten-
2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assom- sidade, são denominadas de átonas.
brada. De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica-
das como:
3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo. Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
4-) a última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju –
a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de mo- papel
leque (doce) Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai
a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apre- na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato
sentam elementos de ligação. – passível
b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espé- Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tôni-
cies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, ca está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara
raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. – tímpano – médico – ônibus
c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam Como podemos observar, os vocábulos possuem mais
elementos de ligação. de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com
uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que,
5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o cam- quando pronunciados, apresentam certa diferenciação
peonato inter-regional. quanto à intensidade.
- Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
- Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como
letra com que se inicia a outra palavra podemos observar no exemplo a seguir:
“Sei que não vai dar em nada,
6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também Seus segredos sei de cor”.
diante de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender,
subsolo, sub- -reptício (sem o hífen até a leitura da pala- Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de-
vra será alterada; /subre/, ao invés de /sub re/), subliminar mais, como átonos (que, em, de).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os acentos Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom-


acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», «u» e panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras represen- – baú – país – Luís
tam as vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público,
parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, Observação importante:
timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (ditongos abertos) Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.:
e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.: tâmara Antes Agora
– Atlântico – pêssego – supôs bocaiúva bocaiuva
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com feiúra feiura
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles Sauípe Sauipe
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmente
abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de abolido. Ex.:
Müller) Antes Agora
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais crêem creem
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã lêem leem
vôo voo
Regras fundamentais: enjôo enjoo

Palavras oxítonas: - Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos


Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais
“o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
– armazém(s)
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos: Repare:
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, segui- 1-) O menino crê em você
dos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há Os meninos creem em você.
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se- 2-) Elza lê bem!
guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – compô-lo Todas leem bem!
3-) Espero que ele dê o recado à sala.
Paroxítonas: Esperamos que os garotos deem o recado!
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em: 4-) Rubens vê tudo!
- i, is : táxi – lápis – júri Eles veem tudo!
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum * Cuidado! Há o verbo vir:
- l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps Ele vem à tarde!
- ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos Eles vêm à tarde!
-- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê?
Repare que essa palavra apresenta as terminações das paroxí- Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
tonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = fórum), do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru-
R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização! -im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
-ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não
de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
Regras especiais: verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.

Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos aber- Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
tos), que antes eram acentuados, perderam o acento de acor- precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
do com a nova regra, mas desde que estejam em palavras pa-
roxítonas. As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz,
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma pa- com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou
lavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são acentua- “i” não serão mais acentuadas. Ex.:
dos. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu.
Antes Depois
Antes Agora apazigúe (apaziguar) apazigue
assembléia assembleia averigúe (averiguar) averigue
idéia ideia argúi (arguir) argui
geléia geleia
jibóia jiboia Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pes-
apóia (verbo apoiar) apoia soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
paranóico paranoico (verbo vir)

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LÍNGUA PORTUGUESA

A regra prevalece também para os verbos conter, ob- 04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GE-
ter, reter, deter, abster. RAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a afir-
ele contém – eles contêm mativa em que se aplica a mesma regra de acentuação.
ele obtém – eles obtêm A) tevê – pôde – vê
ele retém – eles retêm B) únicas – histórias – saudáveis
ele convém – eles convêm C) indivíduo – séria – noticiários
D) diário – máximo – satélite
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que an-
tes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme- 05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2012)
lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento
exceções, como: gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do (...) CERTO ( ) ERRADO
pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen-
do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa 06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2012)
do singular do presente do indicativo). Ex: Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem
Ela pode fazer isso agora. acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou... gráfica.
(...) CERTO ( ) ERRADO
O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
preposição por. 07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES-
- Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co- GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mesmas
locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto: regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”, respec-
“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex: tivamente, são
Faço isso por você. a) trajetória, inútil, café e baú.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui? b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
c) necessário, túnel, infindáveis e só.
d) médio, nível, raízes e você.
Questões sobre Acentuação Gráfica
e) éter, hífen, propôs e saída.
01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA –
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acentua-
VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras
dos graficamente de acordo com a mesma regra de acen-
são acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que
tuação gráfica os vocábulos
justificam, respectivamente, as acentuações de: década,
A) também e coincidência.
relógios, suíços.
B) quilômetros e tivéssemos.
(A) flexíveis, cartório, tênis.
C) jogá-la e incrível.
(B) inferência, provável, saída.
D) Escócia e nós.
(C) óbvio, após, países. E) correspondência e três.
(D) islâmico, cenário, propôs.
(E) república, empresária, graúda. 09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2012)
As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com
02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- a mesma regra de acentuação gráfica.
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) (...) CERTO ( ) ERRADO
Assinale a alternativa com as palavras acentuadas segundo
as regras de acentuação, respectivamente, de intercâm- GABARITO
bio e antropológico.
(A) Distúrbio e acórdão. 01. E 02. D 03. E 04. C 05. E
(B) Máquina e jiló. 06. C 07. D 08. B 09. E
(C) Alvará e Vândalo.
(D) Consciência e características. RESOLUÇÃO
(E) Órgão e órfãs.
1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona ter-
03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – minada em ditongo / suíços = regra do hiato
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa- (A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em di-
lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de tongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida de “s”)
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica. (B) inferência = paroxítona terminada em ditongo / pro-
( ) CERTO ( ) ERRADO vável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do hiato
(C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após =
oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato

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LÍNGUA PORTUGUESA

(D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona 7-) Vamos classificar as palavras do enunciado:
terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em 1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
“o” + “s” 2-) razoável = paroxítona terminada em “l’
(E) república = proparoxítona / empresária = paroxíto- 3-) países = regra do hiato
na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato 4-) será = oxítona terminada em “a”

2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, pri- a) trajetória, inútil, café e baú.
meiro temos que classificar as palavras do enunciado Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil =
quanto à posição de sua sílaba tônica: paroxítona terminada em “l’; café = oxítona terminada em
Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; “e”
Antropológico = proparoxítona (todas são acentuadas). b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
Agora, vamos à análise dos itens apresentados: Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaústre
(A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo; = regra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + s”;
acórdão = paroxítona terminada em “ão” sofá = oxítona terminada em “a”.
(B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada c) necessário, túnel, infindáveis e só.
em “o” Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel
(C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = pro- = paroxítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona
paroxítona terminada em “i + s”; só = monossílaba terminada em “o”.
(D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo; d) médio, nível, raízes e você.
características = proparoxítona Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = pa-
(E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em roxítona terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será =
“ão” e “ã”, respectivamente. oxítona terminada em “a”.
e) éter, hífen, propôs e saída.
3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hia- Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona
to; calúnia = paroxítona terminada em ditongo; injúria = terminada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”;
paroxítona terminada em ditongo. saída = regra do hiato.
RESPOSTA: “ERRADO”.
8-)
4-) A) também e coincidência.
A) tevê – pôde – vê Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência
Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito per- = paroxítona terminada em ditongo
feito do Indicativo) = acento diferencial (que ainda preva- B) quilômetros e tivéssemos.
lece após o Novo Acordo Ortográfico) para diferenciar de Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparoxí-
“pode” – presente do Indicativo; vê = monossílaba termi- tona
C) jogá-la e incrível.
nada em “e”
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona termi-
B) únicas – histórias – saudáveis
nada em “l’
Únicas = proparoxítona; história = paroxítona termi-
D) Escócia e nós.
nada em ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = mo-
ditongo.
nossílaba terminada em “o + s”
C) indivíduo – séria – noticiários
E) correspondência e três.
Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria =
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo;
paroxítona terminada em ditongo; noticiários = paroxíto- três = monossílaba terminada em “e + s”
na terminada em ditongo.
D) diário – máximo – satélite 9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monos-
Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo = sílaba terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em
proparoxítona; satélite = proparoxítona. ditongo aberto “éu”.
RESPOSTA: “ERRADO”.
5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxíto-
na. Ambas são acentuadas pela mesma regra (antepenúl-
tima sílaba é tônica, “mais forte”).
RESPOSTA: “ERRADO”.

6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diá-


ria = paroxítona terminada em ditongo; paciência = paro-
xítona terminada em ditongo. Os três vocábulos são acen-
tuados devido à mesma regra.
RESPOSTA: “CERTO”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- diante da maioria dos pronomes e das expressões


USO DO SINAL INDICATIVO de tratamento, com exceção das formas senhora, se-
nhorita e dona:
DE CRASE
Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de on-
A palavra crase é de origem grega e significa “fusão”, tem.
“mistura”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
“junção” de duas vogais idênticas. É de grande importân-
cia a crase da preposição “a” com o artigo feminino “a” Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pro-
(s), com o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela (s), nomes podem ser identificados pelo método: troque a pa-
aquilo e com o “a” do relativo a qual (as quais). Na escri- lavra feminina por uma masculina, caso na nova construção
ta, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O surgir a forma ao, ocorrerá crase. Por exemplo:
uso apropriado do acento grave depende da compreensão Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indi-
da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o víduo.)
entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao
nomes que exigem a preposição “a”. Aprender a usar a cra- senhor.)
se, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao
simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. próprio Cláudio para sair mais cedo.)
Observe:
Vou a + a igreja. - diante de numerais cardinais:
Vou à igreja. Chegou a duzentos o número de feridos.
Daqui a uma semana começa o campeonato.
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição
“a”, exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência
do artigo “a” que está determinando o substantivo femini- Casos em que a crase SEMPRE ocorre:
no igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e
elas se unem, a união delas é indicada pelo acento grave. - diante de palavras femininas:
Observe os outros exemplos: Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Conheço a aluna. Sempre vamos à praia no verão.
Refiro-me à aluna. Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (co- Sou grata à população.
nhecer algo ou alguém), logo não exige preposição e a Fumar é prejudicial à saúde.
crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
transitivo indireto (referir--se a algo ou a alguém) e exige
a preposição “a”. Portanto, a crase é possível, desde que o - diante da palavra “moda”, com o sentido de “à
termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino moda de” (mesmo que a expressão moda de fique suben-
“a” ou um dos pronomes já especificados. tendida):
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
Casos em que a crase NÃO ocorre: Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
Estava com vontade de comer frango à (moda de) pas-
- diante de substantivos masculinos: sarinho.
Andamos a cavalo. O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
Fomos a pé.
Passou a camisa a ferro. - na indicação de horas:
Fazer o exercício a lápis. Acordei às sete horas da manhã.
Compramos os móveis a prazo. Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
- diante de verbos no infinitivo:
A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.

Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos


exemplos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá
crase.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. Por exemplo:
à tarde às ocultas às pressas à medida que
à noite às claras às escondidas à força
à vontade à beça à larga à escuta
às avessas à revelia à exceção de à imitação de
à esquerda às turras às vezes à chave
à direita à procura à deriva à toa
à luz à sombra de à frente de à proporção que
à semelhança de às ordens à beira de

Crase diante de Nomes de Lugar

Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que
diante deles haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição “a”. Para saber se um nome de lugar admite ou não
a anteposição do artigo feminino “a”, deve-se substituir o termo regente por um verbo que peça a preposição “de” ou “em”.
A ocorrência da contração “da” ou “na” prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por isso, haverá crase. Por exemplo:

Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a] França.)


Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)

*- Dica da Zê!: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou A volto DE, crase PRA QUÊ?”
Ex: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
Vou à praia. = Volto da praia.

- ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase. Veja:


Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado.

Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo

Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo regente exigir a preposição “a”. Por exemplo:

Refiro-me a + aquele atentado.


Preposição Pronome
Refiro-me àquele atentado.

O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indireto referir (referir-se a algo ou alguém) e exige preposição,
portanto, ocorre a crase. Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não exige preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja
outros exemplos:
Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.

Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais

A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pro-
nomes exigir a preposição “a”, haverá crase. É possível detectar a ocorrência da crase nesses casos utilizando a substituição
do termo regido feminino por um termo regido masculino. Por exemplo:

A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade.


O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a - diante de pronome possessivo feminino:
crase. Veja outros exemplos: Observação: é facultativo o uso da crase diante de pro-
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. nomes possessivos femininos porque é facultativo o uso do
Esta foi a conclusão à qual ele chegou. artigo. Observe:
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperando
responder nenhuma das questões. por você.
A sessão à qual assisti estava vazia. A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está espe-
rando por você.
Crase com o Pronome Demonstrativo “a” Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de
pronomes possessivos femininos, então podemos escrever
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo as frases abaixo das seguintes formas:
“a” também pode ser detectada através da substituição do Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
termo regente feminino por um termo regido masculino. Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
Veja:
Minha revolta é ligada à do meu país. - depois da preposição até:
Meu luto é ligado ao do meu país. Fui até a praia. ou Fui até à praia.
As orações são semelhantes às de antes. Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à
Os exemplos são semelhantes aos de antes. porta.
Suas perguntas são superiores às dele. A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A palestra
Seus argumentos são superiores aos dele. vai até às cinco horas da tarde.
Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega. Questões sobre Crase

A Palavra Distância 01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as discus-


sões sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos jurídicos
Se a palavra distância estiver especificada, determinada, ou policiais. É como se suas únicas consequências estivessem
a crase deve ocorrer. Por exemplo: Sua casa fica à distância em legalismos, tecnicalidades e estatísticas criminais. Raro
de 100km daqui. (A palavra está determinada) ler ____respeito envolvendo questões de saúde pública como
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A programas de esclarecimento e prevenção, de tratamento
palavra está especificada.) para dependentes e de reintegração desses____ vida. Quantos
de nós sabemos o nome de um médico ou clínica ____quem
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase
tentar encaminhar um drogado da nossa própria família?
não pode ocorrer. Por exemplo:
(Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo,
Os militares ficaram a distância.
17.09.2012. Adaptado)
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e
Dizem que aquele médico cura a distância.
respectivamente, com:
Reconheci o menino a distância.
(A) aos … à … a … a
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambigui- (B) aos … a … à … a
dade, pode-se usar a crase. Veja: (C) a … a … à … à
Gostava de fotografar à distância. (D) à … à … à … à
Ensinou à distância. (E) a … a … a … a
Dizem que aquele médico cura à distância.
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia
Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA o texto a seguir.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, cor-
- diante de nomes próprios femininos: reu ______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira
Observação: é facultativo o uso da crase diante de no- causa do procedimento de Camilo. Vimos que ______ carto-
mes próprios femininos porque é facultativo o uso do ar- mante restituiu--lhe ______ confiança, e que o rapaz repreen-
tigo. Observe: deu-a por ter feito o que fez.
Paula é muito bonita. Laura é minha amiga. (Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias.
A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga. Rio de Janeiro: Globo, 1997, p. 6)

Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
feminino diante de nomes próprios femininos, então pode- ordem dada:
mos escrever as frases abaixo das seguintes formas: A) à – a – a
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto. B) a – a – à
Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Ro- C) à – a – à
berto. D) à – à – a
E) a – à – à

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LÍNGUA PORTUGUESA

03 (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU- 07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP/2013) De acordo com a norma-padrão da língua NESP – 2013-adap) O acento indicativo de crase está cor-
portuguesa, o acento indicativo de crase está corretamente retamente empregado em:
empregado em: A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
(A) A população, de um modo geral, está à espera de com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
que, com o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes. desejos.
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repen- B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
sarem a sua postura. nos mecanismos biológicos de controle emocional.
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à pu- C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
nições muito mais severas. D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade
(D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a alimentam a violência crescente nas cidades.
vida dos demais motoristas e de pedestres. E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento dade atinge os mais vulneráveis.
da nova lei para que ela possa funcionar.
08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.) Claro que não O sinal indicativo de crase está correto em:
me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
efervescente. área de biotecnologia.
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar
se o segmento grifado for substituído por: à educação dos filhos.
A) leitura apressada e sem profundidade. C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as
B) cada um de nós neste formigueiro. instalações do prédio.
C) exemplo de obras publicadas recentemente. D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
D) uma comunicação festiva e virtual. detalhe que envolva a segurança das pessoas.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público. E) É função da política é dedicar-se à todo problema
que comprometa o bem-estar do cidadão.
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP – 2013).
09. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP)
O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é um ho-
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______ resso-
mem de face corada, muito afeito ...... frases inteligentes e
cialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--lo
citações dos clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e
para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em li-
berdade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e uma sossegada, fica sentada tricotando tranquilamente, impassí-
vida digna. vel ...... propensão de seu marido ...... investigar assassinatos.
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/ (Adaptado de P.D.James, op.cit.)
qual_e_a_importancia_da_ressocializacao_de_presos. Aces-
so em: 18.08.2012. Adaptado) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respecti- (A) à - à - a
vamente, as lacunas do texto, de acordo com a norma-pa- (B) a - à - a
drão da língua portuguesa. (C) à - a - à
A) à … à … à (D) a - à - à
B) a … a … à (E) à - a – a
C) a … à … à
D) à … à ... a 10. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO
E) a … à … a SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) Em qual das op-
ções abaixo o acento indicativo de crase foi corretamente
06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- indicado?
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) A) O dia fora quente, mas à noite estava fria e escura.
Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho a B) Ninguém se referira à essa ideia antes.
seguir, empregando o sinal indicativo de crase de acordo C) Esta era à medida certa do quarto.
com a norma-padrão. D) Ela fechou a porta e saiu às pressas.
Não nos sujeitamos ____ corrupção; tampouco cederemos E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo.
espaço ____ nenhuma ação que se proponha ____ prejudicar
nossas instituições. GABARITO
(A) à … à … à
(B) a … à … à 01. B 02. A 03. A 04. A 05. D
(C) à … a … a 06.C 07. E 08. B 09.B 10. D
(D) à … à … a
(E) a … a … à

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LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO * Sujeitar A + A corrupção;


* ceder espaço (objeto direto) A nenhuma ação (objeto
1-) limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais. indireto. Não há acento indicativo de crase, pois “nenhu-
Raro ler __a__respeito (antes de palavra masculina ma” é pronome indefinido);
não há crase) * que se proponha A prejudicar (objeto indireto, no
de reintegração desses_à_ vida. (reintegrar a + a caso, oração subordinada com função de objeto indireto.
vida = à) Não há acento indicativo de crase porque temos um verbo
o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar en- no infinitivo – “prejudicar”).
caminhar um drogado da nossa própria família? (antes de
pronome indefinido/relativo) 7-)
A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la so- com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
bre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos desejos. (antes de verbo no infinitivo não há crase)
que _a__cartomante (objeto direto)restituiu-lhe ___a___ B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
confiança (objeto direto), e que o rapaz repreendeu-a por nos mecanismos biológicos de controle emocional. (se
ter feito o que fez. o “a” está no singular e antecede palavra no plural, não há
crase)
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
3-)
(artigo indefinido)
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunida-
para substituir por “esperando”) de que
de alimentam a violência crescente nas cidades. (palavra
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repen- masculina)
sarem (antes de verbo) E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à dade atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nomi-
punições (generalizando, palavra no plural) nal: desfavorável a?)
(D) À ninguém (pronome indefinido)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido) 8-)
A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressa- área de biotecnologia. (artigo indefinido)
da e sem profundidade. B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à
a cada um de nós neste formigueiro. (antes de prono- educação dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
me indefinido) C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra instalações do prédio. (verbo no infinitivo)
masculina) D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
a uma comunicação festiva e virtual. (artigo indefinido) detalhe que envolva a segurança das pessoas. (pronome
a respeito de autores reconhecidos pelo público. (pa- indefinido)
lavra masculina) E) É função da política é dedicar-se à todo problema
que comprometa o bem-estar do cidadão. (pronome in-
5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional definido)
(INAP) também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepa- 9-) Afeito a frases (generalizando, já que o “a” está no
rá--lo para o retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando singular e “frases”, no plural)
em liberdade, ele estará capacitado__a___ ter uma profissão Impassível à propensão (regência nominal: pede pre-
e uma vida digna. posição)
- Apoio a ? Regência nominal pede preposição; A investigar (antes de verbo no infinitivo não há acen-
to indicativo de crase)
- retorno a? regência nominal pede preposição;
Sequência: a / à / a.
- antes de verbo no infinitivo não há crase.
10-)
6-) Vamos por partes! A) O dia fora quente, mas à noite = mas a noite (artigo e
- Quem se sujeita, sujeita-se A algo ou A alguém, por- substantivo. Diferente de: Estudo à noite = período do dia)
tanto: pede preposição; B) Ninguém se referira à essa ideia antes.= a essa (antes
- quem cede, cede algo A alguém, então teremos obje- de pronome demonstrativo)
to direto e indireto; C) Esta era à medida certa do quarto. = a medida (artigo
- quem se propõe, propõe-se A alguma coisa. e substantivo, no caso. Diferente da conjunção proporcio-
nal: À medida que lia, mais aprendia)
Vejamos: D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. = correta (advér-
Não nos sujeitamos À corrupção; tampouco cederemos bio de modo = apressadamente)
espaço A nenhuma ação que se proponha A prejudicar E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. =
nossas instituições. palavra masculina

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LÍNGUA PORTUGUESA

Flexão dos adjetivos


MORFOLOGIA: CLASSES GRAMATICAIS E
O adjetivo varia em gênero, número e grau.
PROCESSOS DE FLEXÃO DAS PALAVRAS;
Gênero dos Adjetivos

Adjetivo Os adjetivos concordam com o substantivo a que se


referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou ca- substantivos, classificam-se em:
racterística do ser e se relaciona com o substantivo. Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas-
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per- culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode mau e má, judeu e judia.
ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso, Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no fe-
moça bondosa, pessoa bondosa. minino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
Já com a palavra bondade, embora expresse uma quali- norte-americano, a moça norte-americana.
dade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portan-
to, não é adjetivo, mas substantivo. Uniformes - têm uma só forma tanto para o mascu-
lino como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e
Morfossintaxe do Adjetivo: mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando político-social.
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito
ou do objeto). Número dos Adjetivos

Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Plural dos adjetivos simples

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Ob- Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo
serve alguns deles: com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Estados e cidades brasileiros: substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli-
Alagoas alagoano zes, ruim e ruins boa e boas
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
Amazonas amazonense ou baré função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
Belo Horizonte belo-horizontino que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
Brasília brasiliense um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo:
Cabo Frio cabo-friense a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se
Campinas campineiro ou campinense estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos
Adjetivo Pátrio Composto cinza.
Veja outros exemplos:
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro Motos vinho (mas: motos verdes)
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru- Paredes musgo (mas: paredes brancas).
dita. Observe alguns exemplos: Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

África afro- / Cultura afro-americana Adjetivo Composto


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-
-inglesas É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor-
América américo- / Companhia américo-africana malmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses o último elemento concorda com o substantivo a que se
China sino- / Acordos sino-japoneses refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso
Espanha hispano- / Mercado hispano-português um dos elementos que formam o adjetivo composto seja
Europa euro- / Negociações euro-americanas um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto fica-
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas rá invariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente
Grécia greco- / Filmes greco-romanos um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemen-
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas to, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra pala-
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa vra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros invariável. Por exemplo:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Camisas rosa-claro. Superlativo


Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros. O superlativo expressa qualidades num grau muito ele-
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. vado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser ab-
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. soluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:

Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual- Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de
quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre-
invariáveis. senta-se nas formas:
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha
têm os dois elementos flexionados. Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala-
vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo:
Grau do Adjetivo O secretário é muito inteligente.
Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten- de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
comparativo e o superlativo. Observe alguns superlativos sintéticos:
benéfico beneficentíssimo
Comparativo bom boníssimo ou ótimo
comum comuníssimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri- cruel crudelíssimo
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi- difícil dificílimo
cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de doce dulcíssimo
igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe os fácil facílimo
exemplos abaixo: fiel fidelíssimo
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade

No comparativo de igualdade, o segundo termo da com-
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de
paração é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão.
um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres.
Essa relação pode ser:
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superio-
ridade Analítico
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois
substantivos comparados, um tem qualidade superior. A for-
ma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
“mais...que”.
Note bem:
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe- 1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
rioridade Sintético dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
etc., antepostos ao adjetivo.
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su- 2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob
perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular,
bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, gran- de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
de/maior, baixo/inferior. radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
Observe que: ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A
a) As formas menor e pior são comparativos de superio- forma popular é constituída do radical do adjetivo portu-
ridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respec- guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
tivamente. 3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariís-
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas simo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei- formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desa-
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se gradável hiato i-í.
usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais grande e
mais pequeno. Por exemplo: Advérbio
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
mentos. O advérbio, assim como muitas outras palavras exis-
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas tentes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas.
qualidades de um mesmo elemento. Assim sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a
ideia de proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Infe- referência ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo,
rioridade ou seja, indicando as circunstâncias em que esse processo
Sou menos passivo (do) que tolerante. se desenvolve.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no senti- de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe-
do de caracterizar os processos expressos por ele. Contu- tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
do, ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos), tavelmente (=sem dúvida).
pois também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Se-
guem alguns exemplos: de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto, mente, simplesmente, só, unicamente
você está até bem informado.
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o ad- de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
jetivo alheio, representando uma qualidade, característica. bém

O artista canta muito mal. de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente


Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica
outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos de designação: Eis
pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra
funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan-
demarcado por mais de uma palavra, que mesmo assim do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade),
não deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chama- para quê? (finalidade)
mos de locução adverbial, representada por algumas ex-
pressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de Locução adverbial
modo algum, entre outras.
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér- É reunião de duas ou mais palavras com valor de advér-
bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez bio. Exemplo:
expressas por: Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pres-
sas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres-
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior apressadamente.
parte dos que terminam em -”mente”: calmamente, triste-
mente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de
docemente, escandalosamente, bondosamente, generosa- modo são flexionados, sendo que os demais são todos in-
mente variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau:
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe
quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, - longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
de todo, de muito, por completo. inconstitucionalissimamente, etc.;
Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto -
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes,
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en- Artigo
fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata-
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo,
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o
tempos em tempos, em breve, hoje em dia gênero e o número dos substantivos.

de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, Classificação dos Artigos
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí,
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, Artigos Definidos: determinam os substantivos de ma-
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter- neira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de
maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, um animal.
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum

de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel-


mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe

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LÍNGUA PORTUGUESA

Combinação dos Artigos - O artigo também é usado para substantivar palavras


oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de
É muito presente a combinação dos artigos definidos tudo isso.
e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por
essas combinações: - Nunca deve ser usado artigo depois do pronome rela-
tivo cujo (e flexões).
Preposições Artigos Este é o homem cujo amigo desapareceu.
o, os Este é o autor cuja obra conheço.
a ao, aos
de do, dos - Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no
em no, nos sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme),
por (per) pelo, pelos a menos que venham especificadas.
a, as um, uns uma, umas Eles estavam em casa.
à, às - - Eles estavam na casa dos amigos.
da, das dum, duns duma, dumas Os marinheiros permaneceram em terra.
na, nas num, nuns numa, numas Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
pela, pelas - -
- Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata-
- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa
o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhe- excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.
cida por crase.
- Não se une com preposição o artigo que faz parte do
Constatemos as circunstância nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O
os em que os artigos se manifestam: Estado de S. Paulo.

- Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do Morfossintaxe


numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar
das olimpíadas. Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas re-
lações com o substantivo. Assim, nas orações da língua por-
tuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal do
- Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso
substantivo a que se refere. Tal função independe da função
do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza,
exercida pelo substantivo:
A Bahia...
A existência é uma poesia.
Uma existência é a poesia.
- Quando indicado no singular, o artigo definido pode
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Conjunção
- No caso de nomes próprios personativos, denotando Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por exemplo:
do artigo: O Pedro é o xodó da família. A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as
amiguinhas.
- No caso de os nomes próprios personativos estarem
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
os Incas, Os Astecas... 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as
amiguinhas
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o Cada informação está estruturada em torno de um ver-
artigo), o pronome assume a noção de qualquer. bo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações:
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados. 1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e mos-
(qualquer classe) trou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.

- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a
cultativo: terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo. palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações.

- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma Observe: Gosto de natação e de futebol.
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter Nessa frase as expressões de natação, de futebol são
é uns vinte anos. partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra
“e” está ligando termos de uma mesma oração.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Morfossintaxe da Conjunção - CONFORMATIVAS


Principais conjunções conformativas: como, segundo,
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- conforme, consoante
cem propriamente uma função sintática: são conectivos. Cada um colhe conforme semeia.
Classificação Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor-
- Conjunções Coordenativas midade.
- Conjunções Subordinativas
- CONSECUTIVAS
Conjunções coordenativas Expressam uma ideia de consequência.
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”,
Dividem-se em: “tanto”, “tão”, “tamanho”).
- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gos- Falou tanto que ficou rouco.
to de cantar e de dançar.
- FINAIS
Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas tam-
Expressam ideia de finalidade, objetivo.
bém, não só...como também.
Todos trabalham para que possam sobreviver.
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, por-
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo- que (=para que),
sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contu- - PROPORCIONAIS
do, todavia, no entanto, entretanto. Principais conjunções proporcionais: à medida que,
quanto mais, ao passo que, à proporção que.
- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.
Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, - TEMPORAIS
quer...quer, já...já. Principais conjunções temporais: quando, enquanto,
logo que.
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora- Quando eu sair, vou passar na locadora.
ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois Diferença entre orações causais e explicativas
(depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. (OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de-
É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá paramos com a dúvida de como distinguir uma oração
fora. causal de uma explicativa. Veja os exemplos:
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (an- 1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser
tes do verbo), porquanto. atropelado”:
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati-
Conjunções subordinativas va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior.
b) As orações são coordenadas e, por isso, independen-
tes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as ora-
- CAUSAIS
ções que vêm marcadas por vírgula.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que,
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
uma vez que, como (= porque).
Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Ora-
Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
ção Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela
será explicativa.
- COMPARATIVAS Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo im-
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão... perativo)
como, mais...do que, menos...do que.
Ela fala mais que um papagaio. 2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra
cidade porque não havia cemitério no local.”
- CONCESSIVAS a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo
mesmo que, apesar de, se bem que. verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção
fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. como - o que não ocorre com a CS Explicativa.
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar
estar cansada) os mortos em outra cidade.
Apesar de ter chovido fui ao cinema. b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente
dependentes uma da outra.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Interjeição 2) Sintetizar uma frase apelativa


Cuidado! Saia da minha frente.
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções,
sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre As interjeições podem ser formadas por:
o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento - simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô.
sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas - palavras: Oba!, Olá!, Claro!
linguísticas mais elaboradas. Observe o exemplo: - grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!,
Droga! Preste atenção quando eu estou falando! Ora bolas!

No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo. A ideia expressa pela interjeição depende muitas ve-
Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia zes da entonação com que é pronunciada; por isso, pode
ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou sim- ocorrer que uma interjeição tenha mais de um sentido. Por
plesmente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga! exemplo:
As sentenças da língua costumam se organizar de for- Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contra-
ma lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e riedade)
os distribui em posições adequadas a cada um deles. As in- Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria)
terjeições, por outro lado, são uma espécie de “palavra-fra-
se”, ou seja, há uma ideia expressa por uma palavra (ou um Classificação das Interjeições
conjunto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser
colocada em termos de uma sentença. Veja os exemplos: Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Bravo! Bis! - Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!,
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi mui- Atenção!, Olha!, Alerta!
to bom! Repitam!” - Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô!
Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = senten- - Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva!
ça (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!” - Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah!
- Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Eia!,
A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como - Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!,
são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um Boa!
suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação - Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã!
particular, um momento ou um contexto específico. Exem- - Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!,
plos: Safa!, Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! - Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição - Desculpa: Perdão!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! - Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!,
hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição Oh!, Eh!
- Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!,
O significado das interjeições está vinculado à maneira Epa!, Ora!
como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que - Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!,
dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contex- Quê!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?,
to de enunciação. Exemplos: Cruz!, Putz!
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expres- - Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!,
são na rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te Raios!, Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora!
chamando! Ei, espere!” - Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade!
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão - Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!,
em um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por Adeus!, Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha-
favor, faça silêncio!” me, Deus!
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! - Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia - Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
puxa: interjeição; tom da fala: decepção Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto
é, não sofrem variação em gênero, número e grau como
As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto
1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, e voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
tristeza, dor, etc. gumas interjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter
Você faz o que no Brasil? claro, neste caso, que não se trata de um processo natural
Eu? Eu negocio com madeiras. dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a
Ah, deve ser muito interessante. linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo,
até loguinho.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Locução Interjetiva Numeral

Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma ex- Numeral é a palavra que indica os seres em termos nu-
pressão com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora bo- méricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa
las! Quem me dera! Virgem Maria! Meu Deus! Ó em determinada sequência.
de casa! Ai de mim! Valha-me Deus! Graças a Deus!
Alto lá! Muito bem! Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
[quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Observações: Eu quero café duplo, e você?
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. ...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
Por exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! = A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
Peço-lhe que me desculpe. ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência
de “fila”]
- Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o
seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que
gramaticais podem aparecer como interjeições. os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
Viva! Basta! (Verbos) a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se
Fora! Francamente! (Advérbios) trata de numerais, mas sim de algarismos.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
- A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra- ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala-
se” porque sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.: vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
Socorro!, Ajudem-me!, Silêncio!, Fique quieto! proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década,
dúzia, par, ambos(as), novena.
- Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imitati-
vas, que exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba! Classificação dos Numerais
Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
Cardinais: indicam contagem, medida. É o número bá-
sico: um, dois, cem mil, etc.
- Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série
a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria,
dada: primeiro, segundo, centésimo, etc.
tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a
e não a fazemos depois do “ó” vocativo.
divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
“Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos
Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumenta-
da: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
- Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas
de palavras de outras classes, podem aparecer flexionadas Leitura dos Numerais
no diminutivo ou no superlativo: Calminha! Adeusinho!
Obrigadinho! Separando os números em centenas, de trás para fren-
te, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas
Interjeições, leitura e produção de textos e, no início, também de dezenas ou unidades. Entre esses
conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela con-
Usadas com muita frequência na língua falada informal, junção “e”.
quando empregadas na língua escrita, as interjeições cos- 1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos
tumam conferir-lhe certo tom inconfundível de coloquiali- e vinte e seis.
dade. Além disso, elas podem muitas vezes indicar traços 45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.
pessoais do falante - como a escassez de vocabulário, o
temperamento agressivo ou dócil, até mesmo a origem Flexão dos numerais
geográfica. É nos textos narrativos - particularmente nos
diálogos - que comumente se faz uso das interjeições com Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du-
sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e zentas em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatro-
conteúdo mais emocional do que racional fazem das inter- centas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam
jeições presença constante nos textos publicitários. em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais
são invariáveis.
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Os numerais ordinais variam em gênero e número:
morf89.php primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e con-
seguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do
medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças
partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de senti-
do. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais

*Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e a partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

*Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são lar-
gamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades
comunitárias de seu bairro.
Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos

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LÍNGUA PORTUGUESA

sessenta sexagésimo - sessenta avos


setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição

1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra,
de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante,
exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas:
abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de,
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância
em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela.
Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos:
1. Combinação: A preposição não sofre alteração.
preposição a + artigos definidos o, os
a + o = ao
preposição a + advérbio onde
a + onde = aonde
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.

Preposição + Artigos
De + o(s) = do(s)
De + a(s) = da(s)
De + um = dum
De + uns = duns
De + uma = duma
De + umas = dumas
Em + o(s) = no(s)
Em + a(s) = na(s)
Em + um = num
Em + uma = numa
Em + uns = nuns
Em + umas = numas
A + à(s) = à(s)
Por + o = pelo(s)
Por + a = pela(s)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Preposição + Pronomes Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-


De + ele(s) = dele(s) tamento.
De + ela(s) = dela(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + este(s) = deste(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + esta(s) = desta(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + esse(s) = desse(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + essa(s) = dessa(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + aquele(s) = daquele(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + aquela(s) = daquela(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + isto = disto Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isso = disso Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + aquilo = daquilo Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aqui = daqui Fonte:
De + aí = daí http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + ali = dali
De + outro = doutro(s) Pronome
De + outra = doutra(s)
Em + este(s) = neste(s) Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou
Em + esta(s) = nesta(s) a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o
Em + esse(s) = nesse(s) de alguma forma.
Em + aquele(s) = naquele(s)
Em + aquela(s) = naquela(s) A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + isto = nisto [substituição do nome]
Em + isso = nisso
Em + aquilo = naquilo A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
A + aquele(s) = àquele(s) [referência ao nome]
A + aquela(s) = àquela(s)
A + aquilo = àquilo Essa moça morava nos meus sonhos!
Dicas sobre preposição [qualificação do nome]
Grande parte dos pronomes não possuem significados
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên-
seja um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos
para determiná-lo como um substantivo singular e femi- pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro-
nino. nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes
A dona da casa não quis nos atender. têm por função principal apontar para as pessoas do dis-
Como posso fazer a Joana concordar comigo? curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica,
- Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois os pronomes apresentam uma forma específica para cada
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. pessoa do discurso.
Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para pro- Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
curar um tratamento adequado. [minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala]

- Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
lugar e/ou a função de um substantivo. [tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se
Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como fala]
parte da família
Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. / A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
Creio que a conhecemos melhor que ninguém. [dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem
se fala]
2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
das preposições: Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Destino = Irei para casa. variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
Modo = Chegou em casa aos gritos. ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência
Lugar = Vou ficar em casa; através do pronome seja coerente em termos de gênero
Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência. e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto,
Tempo = A prova vai começar em dois minutos. mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos- Pronome Oblíquo


sa escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
adequada] tença, exerce a função de complemento verbal (objeto direto
[neste: pronome que determina “ano” = concordância ou indireto) ou complemento nominal.
adequada] Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor-
dância inadequada] Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma va-
riante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, a função diversa que eles desempenham na oração: prono-
me reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
o complemento da oração.
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
Pronomes Pessoais
a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
tônicos.
São aqueles que substituem os substantivos, indicando
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve Pronome Oblíquo Átono
assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”,
“vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
“ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
ou às pessoas de quem fala. fraca: Ele me deu um presente.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim confi-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto gurado:
ou do caso oblíquo. - 1ª pessoa do singular (eu): me
- 2ª pessoa do singular (tu): te
Pronome Reto - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
- 1ª pessoa do plural (nós): nos
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen- - 2ª pessoa do plural (vós): vos
tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Nós lhe ofertamos flores.
Observações:
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê-
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apre-
nero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a
senta na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pro-
principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. nome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por acompanhar
Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi- diretamente uma preposição, o pronome “lhe” exerce sem-
gurado: pre a função de objeto indireto na oração.
- 1ª pessoa do singular: eu Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos
- 2ª pessoa do singular: tu diretos como objetos indiretos.
- 3ª pessoa do singular: ele, ela Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como
- 1ª pessoa do plural: nós objetos diretos.
- 2ª pessoa do plural: vós Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi-
- 3ª pessoa do plural: eles, elas nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas
como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas;
no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados o uso dessas formas nos exemplos que seguem:
como complementos verbais na língua-padrão. Frases - Trouxeste o pacote?
como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram - Sim, entreguei-to ainda há pouco.
eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser - Não contaram a novidade a vocês?
- Não, no-la contaram.
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
No português do Brasil, essas combinações não são usadas;
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
até mesmo na língua literária atual, seu emprego é muito raro.
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
me até aqui”. Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas espe-
ciais depois de certas terminações verbais. Quando o verbo
Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro- termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la
nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal é suprimi-
próprias formas verbais marcam, através de suas desinên- da. Por exemplo:
cias, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fi- fiz + o = fi-lo
zemos boa viagem. (Nós) fazeis + o = fazei-lo
dizer + a = dizê-la

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as- Pronome Reflexivo


sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
viram + o: viram-no São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
repõe + os = repõe-nos nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
retém + a: retém-na da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
tem + as = tem-nas expressa pelo verbo.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
Pronome Oblíquo Tônico - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Eu não me vanglorio disso.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica Assim tu te prejudicas.
forte. Conhece a ti mesmo.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con-
figurado: - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Guilherme já se preparou.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Ela deu a si um presente.
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela Antônio conversou consigo mesmo.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco - 1ª pessoa do plural (nós): nos.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas Lavamo-nos no rio.

Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- - 2ª pessoa do plural (vós): vos.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
Eles se conheceram.
- As preposições essenciais introduzem sempre prono- Elas deram a si um dia de folga.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da A Segunda Pessoa Indireta
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
forma: A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se
Não há mais nada entre mim e ti. quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. nosso interlocutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam
Não há nenhuma acusação contra mim. o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados prono-
Não vá sem mim. mes de tratamento, que podem ser observados no quadro
seguinte:
Atenção: Há construções em que a preposição, apesar
de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
nome, deverá ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

- A combinação da preposição “com” e alguns prono-


mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
companhia.
Ele carregava o documento consigo.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
todos, ambos ou algum numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
Estávamos com vós outros quando chegaram as más no-
tícias.
Ele disse que iria com nós três.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª
pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na
3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa pos-
suída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)
Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com
o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Observações: No tempo:
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, refere ao ano presente.
seu José. Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
refere a um passado próximo.
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
posse. Podem ter outros empregos, como: está se referindo a um passado distante.
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
- Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 invariáveis, observe:
anos. Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
la(s).
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem Invariáveis: isto, isso, aquilo.
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
- Também aparecem como pronomes demonstrativos:
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
trouxe sua mensagem? Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- que te indiquei.)
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e
anotações. - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que
o procuraram ontem.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir- - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.) o problema.

Pronomes Demonstrativos - semelhante(s): Não compre semelhante livro.

Os pronomes demonstrativos são utilizados para expli- - tal, tais: Tal era a solução para o problema.
citar a posição de uma certa palavra em relação a outras
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de Note que:
espaço, no tempo ou discurso.
- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
No espaço: construções redundantes, com finalidade expressiva, para
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela,
carro está perto da pessoa que fala. essa é que dera em cheio casando com o José Afonso. Des-
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o frutar das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da
pessoa que fala. - O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso
o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi-
quem falo. cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o
pressentiam.
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo
quanto por meio de correspondência, que é uma moda- - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente
lidade escrita de fala), são particularmente importantes o expresso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo
este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los faz as vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que
pode causar ambiguidade. ela o fizesse.
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da uni- - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa
versidade destinatária). mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
Reafirmamos a disposição desta universidade em parti- primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram
cipar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universi- amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este
dade que envia a mensagem). solteiro, aquele casado]

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LÍNGUA PORTUGUESA

- O pronome demonstrativo tal pode ter conotação São locuções pronominais indefinidas:
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que),
- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro,
disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no uma ou outra, etc.
= naquilo) Cada um escolheu o vinho desejado.

Pronomes Indefinidos Indefinidos Sistemáticos

São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, per-
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando cebemos que existem alguns grupos que criam oposição
quantidade indeterminada. de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sen-
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém- tido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido
-plantadas. negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmati-
va, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade negativa;
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e algo/nada,
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma que se referem à coisa; certo, que particulariza, e qualquer,
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- que generaliza.
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Essas oposições de sentido são muito importantes na
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- de que fazem parte:
guém, outrem, quem, tudo. Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
Algo o incomoda? prático.
Quem avisa amigo é. Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
pessoas quaisquer.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade Pronomes Relativos
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
Cada povo tem seus costumes. São aqueles que representam nomes já mencionados
Certas pessoas exercem várias profissões. anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
as orações subordinadas adjetivas.
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
ora pronomes indefinidos adjetivos: um grupo racial sobre outros.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, = oração subordinada adjetiva).
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. “sistema” é antecedente do pronome relativo que.
Menos palavras e mais ações. O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
Alguns se contentam pouco. me demonstrativo o, a, os, as.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- Não sei o que você está querendo dizer.
riáveis e invariáveis. Observe: Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso.
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, Quem casa, quer casa.
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca,
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne- Observe:
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
outras, quantas. quantas.
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
algo, cada. Note que:
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
antecedente for um substantivo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) - Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a numa só frase.
qual) O futebol é um esporte.
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os O povo gosta muito deste esporte.
quais) O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
quais) - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. Pronomes Interrogativos
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa
por motivo de clareza ou depois de determinadas preposi- São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
ções: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
o qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
geraria ambiguidade.) impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
(e variações), quanto (e variações).
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dú- Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
vidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.) Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
preferes.
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan-
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou tos passageiros desembarcaram.
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
Sobre os pronomes:
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antece-
dente, mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
dos quais, das quais. de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas. quando desempenha função de complemento. Vamos en-
tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na
(antecedente) (consequente)
frase e que função exerce. Observe as orações:
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antece-
lhe ajudar.
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Emprestei tantos quantos foram necessários.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
(antecedente)
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
Ele fez tudo quanto havia falado. reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
(antecedente) exercendo função de complemento, e, consequentemente,
é do caso oblíquo.
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso,
precedido de preposição. o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
É um professor a quem muito devemos. a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se
(preposição) devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an- Importante: Em observação à segunda oração, o em-
tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do ver-
casa onde morava foi assaltada. bo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode
estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio.
em que. Eu desejo lhe perguntar algo.
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos Eu estou perguntando-lhe algo.
no exterior.
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
lavras: tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo diferentemente dos segundos que são sempre precedidos
como você agiu semana passada. de preposição.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando po- - Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu
díamos jogar videogame. estava fazendo.
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o
que eu estava fazendo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Colocação Pronominal - O verbo estiver no gerúndio:


Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo-
A colocação pronominal é a posição que os pronomes cupada.
pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao Despediu-se, beijando-me a face.
verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos:
me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos. - Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no
na oração em relação ao verbo: mesmo instante.
1. próclise: pronome antes do verbo Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
2. ênclise: pronome depois do verbo
3. mesóclise: pronome no meio do verbo Mesóclise

Próclise A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado


no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela
- Palavras com sentido negativo: se realizará)
Nada me faz querer sair dessa cama. Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
Não se trata de nenhuma novidade. proposta a você)

- Advérbios: Questões sobre Pronome


Nesta casa se fala alemão.
Naquele dia me falaram que a professora não veio. 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012).
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
- Pronomes relativos: está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra.
É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono
- Pronomes indefinidos: e da água faça em si diferença, as companhias não podem
Quem me disse isso? suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto,
elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém
- Pronomes demonstrativos: encontrou até agora uma maneira de quantificar adequada-
Isso me deixa muito feliz! mente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! de crescimento verde sempre será a segunda opção.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
- Preposição seguida de gerúndio:
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-
indicado à pesquisa escolar. ferem- -se, respectivamente, a
(A) dúvidas e preços.
- Conjunção subordinativa: (B) dúvidas e insumos básicos.
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram. (C) companhias e insumos básicos.
(D) companhias e preços do carbono e da água.
Ênclise (E) políticas de crescimento e preços adequados.

A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-
não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto- adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho gri-
nos. A ênclise vai acontecer quando: fado está corretamente substituído por um pronome em:
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
Amem-se uns aos outros. B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-
Sigam-me e não terão derrotas. lhes desalentado
- O verbo iniciar a oração: C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
Diga-lhe que está tudo bem. conhecê-lo?
Chamaram-me para ser sócio. D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
parecia ser-lhe
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre- E) incomodaram o general... − incomodaram-no
posição “a”:
Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). 08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013-
A substituição do elemento grifado pelo pronome cor- adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e res-
respondente, com os necessários ajustes, foi realizada de pectivamente, as lacunas do trecho.
modo INCORRETO em: ______alguns anos, num programa de televisão, uma jo-
A) mostrando o rio= mostrando-o. vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava
B) como escolher sítio= como escolhê-lo. sujeito de forma cômica.
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes. A) Fazem... a ... de que
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada B) Faz ...a ... que
lhes acrescentariam. C) Fazem ...à ... com que
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. D) Faz ...à ... que
E) Faz ...à ... a que
04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a
alternativa em que o pronome destacado está posicionado 09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014)
de acordo com a norma-padrão da língua. As sereias então devoravam impiedosamente os tripu-
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. lantes.
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. ... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabe-
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. ça...
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
grifados acima foram corretamente substituídos por um
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alterna- pronome, na ordem dada, em:
tiva cujo emprego do pronome está em conformidade com (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
a norma padrão da língua. (B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos. (C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- (D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
lada. (E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
(D) Conformado, se rendeu às punições. 10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013-
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos
estabelecimentos felizmente comprovam os acontecimen-
06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale tos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investigação.
a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que subs-
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. tituem, corretamente, os termos em destaque são:
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que A) os comprovam … ajudá-la.
eles sejam sempre trazidos junto ao corpo. B) os comprovam …ajudar-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa- C) os comprovam … ajudar-lhe.
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
(C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos E) lhes comprovam … ajudá-la.
restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que GABARITO
abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma ten- 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A

07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). RESOLUÇÃO


Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______ 1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primei-
prazo. ro, não está claro até onde pode realmente chegar uma
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta política baseada em melhorar a eficiência sem preços ade-
e respectivamente, considerando a norma culta da língua. quados para o carbono, a água e (na maioria dos países
A) a que … acaba … à pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos
B) com que … acabam … à preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
C) de que … acabam … a panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di-
D) em que … acaba … a gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
E) dos quais … acaba … à preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som-
bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.
E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
sempre será a segunda opção.

61
LÍNGUA PORTUGUESA

2-) Substantivo
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs-
desalentado tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenôme-
conhecê-las ? nos, os substantivos também nomeiam:
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
parecia sê-lo -sentimentos: raiva, amor...
-estados: alegria, tristeza...
3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las -qualidades: honestidade, sinceridade...
-ações: corrida, pescaria...
4-)
(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. Morfossintaxe do substantivo
(B) A menina tinha se distanciado muito da família.
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em ge-
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança ral exerce funções diretamente relacionadas com o verbo:
atua como núcleo do sujeito, dos complementos verbais
5-) (objeto direto ou indireto) e do agente da passiva. Pode
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. ainda funcionar como núcleo do complemento nominal ou
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba- do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do ob-
lada. jeto ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
(D) Conformado, rendeu-se às punições. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
(E) Todos querem que se combata a corrupção. adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempe-
nhadas por grupos de palavras.
6-)
(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação Classificação dos Substantivos
de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos 1- Substantivos Comuns e Próprios
restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com
abrisse a bolsa que encontrara. muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten- Brasil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. uma cidade (em oposição aos bairros).

7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
produtos de que não necessitam e acabam tendo e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
de pagar tudo a prazo. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
comum.
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
jovem fazia referência à violência a que o brasileiro uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
estava sujeito de forma cômica. homem, mulher, país, cachorro.
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular Estamos voando para Barcelona.

9-) O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-


devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblí- pécie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Pró-
quo no/na (fizeram-na, colocaram-no) prio: é aquele que designa os seres de uma mesma espécie
impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto; de forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
“lhe” é para objeto indireto
convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire- 2 - Substantivos Concretos e Abstratos
to; “lhe” é para objeto indireto
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los LÂMPADA MALA

10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabeleci- Os substantivos lâmpada e mala designam seres com
mentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste- existência própria, que são independentes de outros seres.
munhas vão ajudar a polícia na investigação. São substantivos concretos.
felizmente os comprovam ... ajudá-la
(advérbio)

62
LÍNGUA PORTUGUESA

Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que cancioneiro canções, poesias líricas
existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
Obs.: os substantivos concretos designam seres do chusma gente, pessoas
mundo real e do mundo imaginário. concílio bispos
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, congresso parlamentares, cientistas.
Brasília, etc. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- esquadra navios de guerra
ma, etc. enxoval roupas
falange soldados, anjos
Observe agora: fauna animais de uma região
Beleza exposta feixe lenha, capim
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual. flora vegetais de uma região
frota navios mercantes, ônibus
O substantivo beleza designa uma qualidade. girândola fogos de artifício
horda bandidos, invasores
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que junta médicos, bois, credores, examinadores
dependem de outros para se manifestar ou existir. júri jurados
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser legião soldados, anjos, demônios
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa leva presos, recrutas
ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para malta malfeitores ou desordeiros
se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo manada búfalos, bois, elefantes,
abstrato. matilha cães de raça
Os substantivos abstratos designam estados, qualida- molho chaves, verduras
des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser multidão pessoas em geral
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), ninhada pintos
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento). nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
penca bananas, chaves
3 - Substantivos Coletivos pinacoteca pinturas, quadros
quadrilha ladrões, bandidos
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra ramalhete flores
abelha, mais outra abelha. rebanho ovelhas
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. récua bestas de carga, cavalgadura
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. repertório peças teatrais, obras musicais
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- réstia alhos ou cebolas
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, romanceiro poesias narrativas
mais outra abelha... revoada pássaros
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural. sínodo párocos
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no sin- talha lenha
gular (enxame) para designar um conjunto de seres da tropa muares, soldados
mesma espécie (abelhas). turma estudantes, trabalhadores
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. vara porcos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes-
mo estando no singular, designa um conjunto de seres da Formação dos Substantivos
mesma espécie.
Substantivos Simples e Compostos
Substantivo coletivo Conjunto de:
assembleia pessoas reunidas Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
alcateia lobos terra.
acervo livros O substantivo chuva é formado por um único elemento
antologia trechos literários selecionados ou radical. É um substantivo simples.
arquipélago ilhas
banda músicos Substantivo Simples: é aquele formado por um único
bando desordeiros ou malfeitores elemento.
banca examinadores Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja
batalhão soldados agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois
cardume peixes elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
caravana viajantes peregrinos Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou
cacho frutas mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo.
cáfila camelos

63
LÍNGUA PORTUGUESA

Substantivos Primitivos e Derivados Saiba que: Substantivos de origem grega terminados


em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o
Meu limão meu limoeiro, sistema, o sintoma, o teorema.
meu pé de jacarandá... - Existem certos substantivos que, variando de gênero,
variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de a rádio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital
nenhum outro dentro de língua portuguesa. (cidade)
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de
nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir
da palavra limão. - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno -
Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou- aluna.
tra palavra. - Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
Flexão dos substantivos masculino: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- três formas:
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por - troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
exemplo, pode sofrer variações para indicar: - troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Plural: meninos Feminino: menina -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão -
Flexão de Gênero sultana

Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar - Substantivos terminados em -or:


sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há - acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
dois gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero - troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz
masculino os substantivos que podem vir precedidos dos
artigos o, os, um, uns. Veja estes títulos de filmes: - Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul
O velho e o mar - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque -
Um Natal inesquecível duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa
Os reis da praia - Substantivos que formam o feminino trocando o -e
final por -a: elefante - elefanta
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po-
dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: - Substantivos que têm radicais diferentes no masculino
A história sem fim e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
Uma cidade sem passado
As tartarugas ninjas - Substantivos que formam o feminino de maneira es-
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores:
czar – czarina réu - ré
Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar no-
mes de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
relacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas for-
mas, uma para o masculino e outra para o feminino. Obser- Epicenos:
ve: gato – gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
- prefeita
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma
uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto para indicar o masculino e o feminino.
para o feminino. Classificam-se em: Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
- Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha-
cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver
fêmea. a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pes- macho e fêmea.
soas: a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, A cobra macho picou o marinheiro.
o ídolo, o indivíduo. A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
- Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pes-
soas por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a
doente, o artista e a artista.

64
LÍNGUA PORTUGUESA

Sobrecomuns: Gênero dos Nomes de Cidades:


Entregue as crianças à natureza.
Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas- A histórica Ouro Preto.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem A dinâmica São Paulo.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o A acolhedora Porto Alegre.
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: Uma Londres imensa e triste.
A criança chorona chamava-se João. Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
A criança chorona chamava-se Maria.
Gênero e Significação:
Outros substantivos sobrecomuns:
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa Muitos substantivos têm uma significação no masculino
criatura. e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que à
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
Marcela faleceu em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco,
Comuns de Dois Gêneros: manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe),
a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa, dissi-
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? dência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinhei-
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. ro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
A distinção de gênero pode ser feita através da análise (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti- a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma
- uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran- (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de
cês - repórter francesa curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície
de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (docu-
- A palavra personagem é usada indistintamente nos mento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de
dois gêneros. peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa
(recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada pre- (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade,
ferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
personagens dos contos de carochinha. nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
O problema está nas mulheres de mais idade, que não acei- (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
tam a personagem. ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação emissora), o
voga (remador), a voga (moda, popularidade).
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. Flexão de Número do Substantivo
Observe o gênero dos substantivos seguintes:
Em português, há dois números gramaticais: o singular,
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o do plural é o “s” final.
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis.
Plural dos Substantivos Simples
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, - Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa). “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon
- São geralmente masculinos os substantivos de ori- - cânones.
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o - Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o “ns”: homem - homens.
eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
ma, o hematoma. - Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.

65
LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: O plural de caráter é caracteres. - Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando


formados de:
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se substantivo + preposição clara + substantivo = água-
no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol de-colônia e águas-de-colônia
– caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e côn- substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
sules. lo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determi-
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo
duas maneiras: do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-
-relógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba,
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada.

- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.


- Permanecem invariáveis, quando formados de:
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa-
ca-rolhas
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
duas maneiras: - Casos Especiais
o louva-a-deus e os louva-a-deus
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acrés- o bem-te-vi e os bem-te-vis
cimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses o bem-me-quer e os bem-me-queres
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariá-
veis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. Plural das Palavras Substantivadas

- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
três maneiras. classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações no plural, as flexões próprias dos substantivos.
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães Pese bem os prós e os contras.
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou
látex - os látex. “z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
tos seis e alguns dez.
Plural dos Substantivos Compostos
Plural dos Diminutivos
-A formação do plural dos substantivos compostos de-
pende da forma como são grafados, do tipo de palavras que Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final
formam o composto e da relação que estabelecem entre si. e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os pãe(s) + zinhos = pãezinhos
substantivos simples: aguardente/aguardentes, girassol/gi- animai(s) + zinhos = animaizinhos
rassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malmequeres. botõe(s) + zinhos = botõezinhos
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discus- farói(s) + zinhos = faroizinhos
sões. Algumas orientações são dadas a seguir: tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados de: flore(s) + zinhas = florezinhas
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores mão(s) + zinhas = mãozinhas
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos papéi(s) + zinhos = papeizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras funi(s) + zinhos = funizinhos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
- Flexiona-se somente o segundo elemento, quando pai(s) + zinhos = paizinhos
formados de: pé(s) + zinhos = pezinhos
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas pé(s) + zitos = pezitos
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
-falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos

66
LÍNGUA PORTUGUESA

Plural dos Nomes Próprios Personativos Flexão de Grau do Substantivo

Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sem- Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as
pre que a terminação preste-se à flexão. variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
Os Napoleões também são derrotados. - Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado
As Raquéis e Esteres. normal. Por exemplo: casa

Plural dos Substantivos Estrangeiros - Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho


do ser. Classifica-se em:
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es- Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjeti-
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto vo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indica-
dor de aumento. Por exemplo: casarão.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo
com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os jipes, - Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os ré- do ser. Pode ser:
quiens. Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
Observe o exemplo: que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Este jogador faz gols toda vez que joga. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indica-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dor de diminuição. Por exemplo: casinha.

Plural com Mudança de Timbre Verbo

Certos substantivos formam o plural com mudança de Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pes-
timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fo- soa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros
nético chamado metafonia (plural metafônico). processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover);
Singular Plural ocorrência (nascer); desejo (querer).
corpo (ô) corpos (ó) O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os
esforço esforços seus possíveis significados. Observe que palavras como
fogo fogos corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo
forno fornos ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
fosso fossos porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
imposto impostos possuem.
olho olhos Estrutura das Formas Verbais
osso (ô) ossos (ó)
ovo ovos Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode
poço poços apresentar os seguintes elementos:
porto portos - Radical: é a parte invariável, que expressa o significa-
posto postos do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am.
tijolo tijolos (radical fal-)
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos, a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r
esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar),
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de 2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I -
molho (ó) = feixe (molho de lenha). (partir).
- Desinência modo-temporal: é o elemento que desig-
Particularidades sobre o Número dos Substantivos na o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
norte, o leste, o oeste, a fé, etc. - Desinência número-pessoal: é o elemento que desig-
- Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, na a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. ou plural):
- Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do sin- falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
gular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
nome) e honras (homenagem, títulos).
- Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
sentido de plural: (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois
Aqui morreu muito negro. a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas
improvisadas. formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

67
LÍNGUA PORTUGUESA

Formas Rizotônicas e Arrizotônicas 3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está
bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem re-
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura ferência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda,
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento se, tais verbos, então, pessoais.
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por 4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai “ser possível”. Por exemplo:
no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende- Não deu para chegar mais cedo.
rão, nutriríamos. Dá para me arrumar uns trocados?
Classificação dos Verbos
* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conju-
Classificam-se em: gam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências plural.
normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca al- A fruta amadureceu.
terações no radical: canto cantei cantarei cantava As frutas amadureceram.
cantasse.
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera- Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como
verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadu-
ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei fi-
receu bastante.
zesse.
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conju-
Entre os unipessoais estão os verbos que significam vo-
gação completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais zes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo,
e pessoais: cacarejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor-
malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os Os principais verbos unipessoais são:
principais verbos impessoais são: 1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser
(preciso, necessário, etc.):
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali- bastante.)
zar-se ou fazer (em orações temporais). Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, segui-
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) dos da conjunção que.
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo) fumar.)
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil. Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo
Era primavera quando a conheci. Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Estava frio naquele dia. Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.

** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza * Pessoais: não apresentam algumas flexões por moti-
são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, ama- vos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
nhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Ama- - verbo falir. Este verbo teria como formas do presente
nheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “amanhecer” do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o
em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal, emprega- que provavelmente causaria problemas de interpretação
em certos contextos.
do em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser
- verbo computar. Este verbo teria como formas do pre-
pessoal.
sente do indicativo computo, computas, computa - formas
de sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu) gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos) efetivo de formas verbais repudiadas por alguns gramáti-
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) cos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com
o desenvolvimento e a popularização da informática, tem
** São impessoais, ainda: sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando - Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma
tempo: Já passa das seis. forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição costuma ocorrer no particípio, em que, além das formas re-
de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blas- gulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas
fêmias. formas curtas (particípio irregular). Observe:

68
LÍNGUA PORTUGUESA

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

69
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

70
LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:

- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater- -se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

71
LÍNGUA PORTUGUESA

Observações: Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em


- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exemplo:
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
função sintática. Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
- Há verbos que também são acompanhados de pro-
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente - Particípio: quando não é empregado na formação dos
pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos refle- tempos compostos, o particípio indica geralmente o resul-
xivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa tado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, nú-
idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exem- mero e grau. Por exemplo:
plo: Terminados os exames, os candidatos saíram.
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular Quando o particípio exprime somente estado, sem ne-
nhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
Modos Verbais de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna es-
colhida para representar a escola.
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis- Tempos Verbais
tem três modos:
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sem- Tomando-se como referência o momento em que se fala,
pre estudo. a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tem-
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Tal- pos. Veja:
vez eu estude amanhã.
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda 1. Tempos do Indicativo
agora, menino.
- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste co-
Formas Nominais
légio.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for-
momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo,
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas
- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
nominais. Observe:
momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo
de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de Ele estudou as lições ontem à noite.
substantivo. Por exemplo: - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocor-
Viver é lutar. (= vida é luta) rido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) as lições quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele
já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma sim-
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- ples).
te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocor-
exemplo: rer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
É preciso ler este livro. estudará as lições amanhã.
Era preciso ter lido este livro. - Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocor-
rer posteriormente a um determinado fato passado: Se eu
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três tivesse dinheiro, viajaria nas férias.
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im- 2. Tempos do Subjuntivo
pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu) - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no mo-
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) mento atual: É conveniente que estudes para o exame.
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós) - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas constru-
boa colocação. ções em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por
exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo - Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocor-
ou advérbio. Por exemplo: rer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad- vier à loja, levará as encomendas.
vérbio) Obs.: o futuro do presente é também usado em frases
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de ad- que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier
jetivo) à loja, levará as encomendas.

72
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

73
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-
se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa
correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

74
LÍNGUA PORTUGUESA

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - ASSISTENTE SOCIAL JUDICIÁRIO - VUNESP/2012) Assinale a
alternativa em que todos os verbos estão conjugados segundo a norma-padrão.
(A) Absteu-se do álcool durante anos; agora, voltou ao vício.
(B) Perderam seus documentos durante a viagem, mas já os reaveram.
(C) Avisem-me, se vocês verem que estão ocorrendo conflitos.
(D) Só haverá acordo se nós propormos uma boa indenização.
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos eletrônicos.

02. (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)


... e então percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) ... e de lá por navios que contornam a Índia...
(B) ... era a capital da China.
(C) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
(D) ... dispararam na última década.
(E) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas...

75
LÍNGUA PORTUGUESA

03. (TRF - 2ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - 07. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) É importante que
FCC/2012) O emprego, a grafia e a flexão dos verbos estão a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultura em-
corretos em: presarial, por meio das ações e projetos de Educação Ambien-
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty tal, esteja alinhada a esses conceitos.
não prescindiram e não requiseram mais do que o esqueci- O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
mento e a passagem do tempo. verbo grifado na frase acima está em:
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para (A) ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, políti-
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge cas...
do esquecimento, em 1974. (B) ... as definições de Educação Ambiental são abrangen-
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor- tes...
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so- (C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentável...
breviram longos anos de esquecimento. (D) ... e incorporou [...] também aspectos de desenvolvi-
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando mento humano.
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos (E)... e reforce a identidade das comunidades.
atropelos do turismo selvagem.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para 08. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JA-
que obtesse, agora em definitivo, o prestígio de um polo NEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIOTE-
turístico de inegável valor histórico. CONOMIA – FGV PROJETOS /2014) Na frase “se você quiser
ir mais longe”, a forma verbal empregada tem sua forma cor-
04. (TRF - 3ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - retamente conjugada. A frase abaixo em que a forma verbal
FCC/2014) Tinham seus prediletos ... está ERRADA é
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o (A) se você se opuser a esse desejo.
grifado acima está em: (B) se você requerer este documento.
(A) Dumas consentiu. (C) se você ver esse quadro.
(D) se você provier da China.
(B) ... levaram com eles a instituição do “lector”.
(E) se você se entretiver com o jogo.
(C) ... enquanto uma fileira de trabalhadores enrolam
charutos...
09. (PREFEITURA DE SÃO CARLOS/SP – ENGENHEIRO –
(D) Despontava a nova capital mundial do Havana.
ÁREA CIVIL – VUNESP/2011) Considere as frases:
(E) ... que cedesse o nome de seu herói...
I. Há diversos projetos de lei em tramitação na Câmara.
II. Caso a bondade seja aprovada, haverá custo adicional
05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está ade-
de 5,4 bilhões de reais por ano.
quada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: Assinale a alternativa que, respectivamente, substitui o
A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores verbo haver pelo verbo existir, conservando o tempo e o
absolutos talvez façam melhor se pensassem no encanto modo.
dos pequenos bons momentos. (A) Existe – existe
B) Há até quem queira saber quem fosse o maior ban- (B) Existem – existirão
dido entre os que recebessem destaque nos popularescos (C) Existirão – existirá
programas da TV. (D) Existem – existirá
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- (E) Existiriam – existiria
tam tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha
aspirações a ser metafísica. 10. (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em ... pois assim se via transportado de volta “à glória que foi a
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu- Grécia e à grandeza que foi Roma”.
par-se com os degraus da notoriedade. O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de grifado acima está em:
grande nos momentos felizes, menos precisaríamos nos a) Poe certamente acreditava nisso...
preocupar com conquistas superlativas. b) Se Grécia e Roma foram, para Poe, uma espécie de
casa...
06. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – c) ... ainda seja por nós obscuramente sentido como ver-
FCC/2012) ...Ou pretendia. dadeiro, embora não de modo consciente.
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o d) ... como um legado que provê o fundamento de nossas
grifado acima está em: sensibilidades.
a) ... ao que der ... e) Seria ela efetivamente, para o poeta, uma encarnação
b) ... virava a palavra pelo avesso ... da princesa homérica?
c) Não teria graça ...
d) ... um conto que sai de um palíndromo ... GABARITO
e) ... como decidiu o seu destino de escritor.
01.E 02. B 03. D 04. D 05. E
06.B 07. E 08. C 09. D 10.B

76
LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO 6-) Pretendia = pretérito imperfeito do Indicativo


a) ... ao que der ... = futuro do Subjuntivo
1-) Correção à frente: b) ... virava = pretérito imperfeito do Indicativo
(A) Absteu-se = absteve-se c) Não teria = futuro do pretérito do Indicativo
(B) mas já os reaveram = reouveram d) ... um conto que sai = presente do Indicativo
(C) se vocês verem = virem e) ... como decidiu = pretérito perfeito do Indicativo
(D) Só haverá acordo se nós propormos = propusermos
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos 7-) O verbo “esteja” está no presente do Subjuntivo.
eletrônicos. (A) ... a Empresa desenvolve = presente do Indicativo
(B) ... as definições de Educação Ambiental são = pre-
2-) Percorriam = Pretérito Imperfeito do Indicativo sente do Indicativo
A = contornam – presente do Indicativo (C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá-
B = era = pretérito imperfeito do Indicativo vel... = presente do Indicativo
C = foi = pretérito perfeito do Indicativo (D) ... e incorporou [...] = pretérito perfeito do Indicativo
D = dispararam = pretérito mais-que-perfeito do Indi- (E)... e reforce a identidade das comunidades. = pre-
cativo sente do Subjuntivo.
E = acompanham = presente do Indicativo
8-)
3-) Acrescentei as formas verbais adequadas nas ora- (A) se você se opuser a esse desejo.
ções analisadas: (B) se você requerer este documento.
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty (C) se você ver esse quadro.= se você vir
não prescindiram e não requiseram (requereram) mais do (D) se você provier da China.
que o esquecimento e a passagem do tempo. (E) se você se entretiver com o jogo.
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para
9-) Há = presente do Indicativo / haverá = futuro do
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge
presente do indicativo.
(emerge) do esquecimento, em 1974.
Ao substituirmos pelo verbo “existir”, lembremo-nos
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor-
de que esse sofrerá flexão de número (irá para o plural,
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so-
caso seja necessário):
breviram (sobrevieram) longos anos de esquecimento.
I. Existem diversos projetos de lei em tramitação na Câ-
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando
mara.
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos
II. Caso a bondade seja aprovada, existirá custo adicio-
atropelos do turismo selvagem. nal de 5,4 bilhões de reais por ano.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para Existem / existirá.
que obtesse, (obtivesse) agora em definitivo, o prestígio de
um polo turístico de inegável valor histórico. 10-) Foi = pretérito perfeito do Indicativo
a) Poe certamente acreditava = pretérito imperfeito do
4-)Tinham = pretérito imperfeito do Indicativo. Vamos Indicativo
às alternativas: b) Se Grécia e Roma foram = pretérito perfeito do In-
Consentiu = pretérito perfeito / levaram = pretérito dicativo
perfeito (e mais-que-perfeito) do Indicativo c) ... ainda seja = presente do Subjuntivo
Despontava = pretérito imperfeito do Indicativo d) ... como um legado que provê = presente do Indi-
Cedesse = pretérito do Subjuntivo cativo
e) Seria = futuro do pretérito do Indicativo
5-)
A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores Vozes do Verbo
absolutos talvez fariam melhor se pensassem no encanto
dos pequenos bons momentos. Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo
B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido para indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente
entre os que recebem destaque nos popularescos progra- da ação. São três as vozes verbais:
mas da TV.
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- - Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
tem tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
aspirações a ser metafísica. Ele fez o trabalho.
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em sujeito agente ação objeto (paciente)
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu-
par-se com os degraus da notoriedade. - Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a
ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

77
LÍNGUA PORTUGUESA

- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen- Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la-
te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo: tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio-
O menino feriu-se. nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem o
significado de voz passiva como sendo a voz que expressa
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois ele-
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao mentos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE e
outro) AGENTE DA PASSIVA.

Formação da Voz Passiva Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
analítico e sintético. tancialmente o sentido da frase.
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
1- Voz Passiva Analítica Sujeito da Ativa objeto Direto

Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
do verbo principal. Por exemplo: Sujeito da Passiva Agente da Passiva
A escola será pintada.
O trabalho é feito por ele. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ati-
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado vo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a Observe mais exemplos:
preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de solda-
dos. - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã. mestres.

- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar - Eu o acompanharei.


(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma- Ele será acompanhado por mim.
ção das frases seguintes:
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo) Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado,
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi- não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
cativo) Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.

b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) Saiba que:


O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) - Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle-
xivos, são chamados neutros.
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) O vinho é bom.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) Aqui chove muito.

- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume - Há formas passivas com sentido ativo:
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Observe a transformação da frase seguinte: Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
- Inversamente, usamos formas ativas com sentido pas-
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva sivo:
analítica com outros verbos que podem eventualmente Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar- Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
cada pela doença.
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
2- Voz Passiva Sintética cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o su-
jeito é paciente.
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com Chamo-me Luís.
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. Batizei-me na Igreja do Carmo.
Por exemplo: Operou-se de hérnia.
Abriram-se as inscrições para o concurso. Vacinaram-se contra a gripe.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
sintética. morf54.php

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Vozes dos Verbos 06.(SEE/SP – PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II E PRO-
FESSOR II – LÍNGUA PORTUGUESA - FCC/2011) ...permite
01. (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) A fra- que os criadores tomem atitudes quando a proliferação de
se que admite transposição para a voz passiva é: algas tóxicas ameaça os peixes.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. A transposição para a voz passiva da oração grifada aci-
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma ma teria, de acordo com a norma culta, como forma verbal
grande diversidade de fenômenos. resultante:
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- (A) ameaçavam.
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. (B) foram ameaçadas.
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da (C) ameaçarem.
vida (...). (D) estiver sendo ameaçada.
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido (E) forem ameaçados.
e da falsa consciência.
07. (INFRAERO – ENGENHEIRO SANITARISTA –
02. (TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) ... a FCC/2011) Transpondo-se para a voz passiva a frase Um
Coreia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho ... figurante pode obscurecer a atuação de um protagonista, a
Transpondo a frase acima para a voz passiva, a forma forma verbal obtida será:
verbal corretamente obtida é: (A) pode ser obscurecido.
a) tinha interrompido. (B) obscurecerá.
b) foram interrompidas. (C) pode ter obscurecido.
c) fora interrompido. (D) pode ser obscurecida.
d) haviam sido interrompidas. (E) será obscurecida.
e) haveriam de ser interrompidas.
08.(GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PRO-
03. (FCC-TRE-Analista Judiciário – 2011) Transpondo-se CON – ADVOGADO – CEPERJ/2012) “todos que são impac-
tados pelas mídias de massa”
para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional en-
O fragmento transcrito acima apresenta uma constru-
frenta séria concorrência dos autores anônimos, obter-se-á
ção na voz passiva do verbo. Outro exemplo de voz passiva
a seguinte forma verbal:
encontra-se em:
(A) são enfrentados.
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões
(B) tem enfrentado.
de compra de uma família”
(C) tem sido enfrentada.
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do
(D) têm sido enfrentados.
mercado para a persuasão do público infantil”
(E) é enfrentada. C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as
crianças brasileiras nas práticas de consumo.”
04. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – D) “Elas são assediadas pelo mercado”
FCC/2012) Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a E) “valores distorcidos são de fato um problema de or-
responsabilidade de proteger pela via militar, a comunida- dem ética”
de internacional [...] observe outro preceito ...
Transpondo-se o segmento grifado acima para a voz 09. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – CASA CI-
passiva, a forma verbal resultante será: VIL – EXECUTIVO PÚBLICO – FCC/2010) Transpondo a frase
a) é observado. o diretor estava promovendo seu filme para a voz passiva,
b) seja observado. obtém-se corretamente o seguinte segmento:
c) ser observado. (A) tinha recebido promoção.
d) é observada. (B) estaria sendo promovido.
e) for observado. (C) fizera a promoção.
(D) estava sendo promovido.
05. (Analista de Procuradoria – FCC – 2013-adap) Trans- (E) havia sido promovido.
pondo- -se para a voz passiva a frase O poeta teria
aberto um diálogo entre as duas partes, a forma verbal re- 10. -) (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
sultante será: Da sede do poder no Brasil holandês, Marcgrave acompa-
A) fora aberto. nhou e anotou, sempre sozinho, alguns fenômenos celestes,
B) abriria. sobretudo eclipses lunares e solares.
C) teria sido aberto. Ao transpor-se a frase acima para a voz passiva, as for-
D) teriam sido abertas. mas verbais resultantes serão:
E) foi aberto. a) eram anotados e acompanhados.
b) fora anotado e acompanhado.
c) foram anotados e acompanhados.
d) anota-se e acompanha-se.
e) foi anotado e acompanhado.

79
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 9-) o diretor estava promovendo seu filme = dois ver-


bos na voz ativa, três na passiva: seu filme estava sendo
01. B 02.B 03. E 04.B 05. C produzido.
06. E 07. D 08. D 09.D 10.C
10-)Marcgrave acompanhou e anotou alguns fenô-
RESOLUÇÃO menos celestes = voz ativa com um verbo (sem auxiliar!),
então na passiva teremos dois: alguns fenômenos foram
1-) acompanhados e anotados por Marcgrave.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma
grande diversidade de fenômenos. SINTAXE: DE REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL;
- Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e DE CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL;
explicada pelo conceito...
DE COLOCAÇÃO
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda-
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação.
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da
vida (...). REGÊNCIA
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido
e da falsa consciência. Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus comple-
2-) ... a Coreia do Norte interrompeu comunicações mentos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as pala-
com o vizinho = voz ativa com um verbo, então a passiva vras, criando frases não ambíguas, que expressem efetiva-
terá dois: comunicações com o vizinho foram interrompi- mente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.
das pela Coreia...
Regência Verbal
3-) Hoje a autoria institucional enfrenta séria concor-
rência dos autores anônimos = Séria concorrência é en- Termo Regente: VERBO
frentada pela autoria...
A regência verbal estuda a relação que se estabelece
4-) a comunidade internacional [...] observe outro pre- entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
ceito = se na voz ativa temos um verbo, na passiva tere- tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
mos dois: outro preceito seja observado. adverbiais).
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa
5-) O poeta teria aberto um diálogo entre as duas par- capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de co-
tes = Um diálogo teria sido aberto... nhecermos as diversas significações que um verbo pode
assumir com a simples mudança ou retirada de uma pre-
6-) Quando a proliferação ameaça os peixes = voz ativa posição. Observe:
Quando os peixes forem ameaçados pela proliferação... A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, con-
= voz passiva tentar.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar
7-) Um figurante pode obscurecer a atuação de um agrado ou prazer”, satisfazer.
protagonista. Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
Se na voz ativa temos um verbo, na passiva teremos “agradar a alguém”.
dois; se na ativa temos dois, na passiva teremos três. Então:
A atuação de um protagonista pode ser obscurecida por Saiba que:
um figurante. O conhecimento do uso adequado das preposições é
um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver-
8-) bal (e também nominal). As preposições são capazes de
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das deci- modificar completamente o sentido do que se está sendo
sões de compra de uma família” = voz ativa dito. Veja os exemplos:
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do Cheguei ao metrô.
mercado para a persuasão do público infantil” = ativa (ver- Cheguei no metrô.
bo de ligação); não dá para passar para a passiva No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A
crianças brasileiras nas práticas de consumo.” = ativa oração “Cheguei no metrô”, popularmente usada a fim de
D) “Elas são assediadas pelo mercado” = voz passiva indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da lín-
E) “valores distorcidos são de fato um problema de or- gua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem di-
dem ética” = ativa (verbo de ligação); não dá para passar vergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns
para a passiva verbos, e a regência culta.

80
LÍNGUA PORTUGUESA

Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos Verbos Transitivos Indiretos


de acordo com sua transitividade. A transitividade, porém,
não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de Os verbos transitivos indiretos são complementados
diferentes formas em frases distintas. por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
gem uma preposição para o estabelecimento da relação de
Verbos Intransitivos regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira
pessoa que podem atuar como objetos indiretos são o “lhe”,
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam os prono-
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos mes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. indiretos. Com os objetos indiretos que não representam
pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira
- Chegar, Ir pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver-
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
indicar destino ou direção são: a, para. - Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
Fui ao teatro. sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
Adjunto Adverbial de Lugar iguais para todos.

Ricardo foi para a Espanha. - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-


Adjunto Adverbial de Lugar mentos introduzidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
- Comparecer Eles desobedeceram às leis do trânsito.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por - Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
em ou a. posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
quem” ou “ao que” se responde.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o úl-
Respondi ao meu patrão.
timo jogo.
Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
Verbos Transitivos Diretos
Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
Os verbos transitivos diretos são complementados por
quando exprime aquilo a que se responde, admite voz pas-
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
siva analítica. Veja:
para o estabelecimento da relação de regência. Ao em- O questionário foi respondido corretamente.
pregar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pro-
nomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas - Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após tos introduzidos pela preposição “com”.
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e Antipatizo com aquela apresentadora.
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abando- nam para uma minoria privilegiada.
nar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, ad-
mirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta-
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. que, nesse grupo: Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente que apresentam objeto direto relacionado a coisas e obje-
como o verbo amar: to indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
Amo aquele rapaz. / Amo-o. Agradeço aos ouvintes a audiência.
Amo aquela moça. / Amo-a. Objeto Indireto Objeto Direto
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses ver- - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
bos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos com particular cuidado. Observe:
adnominais). Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira) Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor) Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.

81
LÍNGUA PORTUGUESA

Informar Mudança de Transitividade X Mudança de Significado


- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivi-
Informe os novos preços aos clientes. dade, apresentam mudança de significado. O conhecimen-
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no- to das diferentes regências desses verbos é um recurso lin-
vos preços) guístico muito importante, pois além de permitir a correta
interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades
- Na utilização de pronomes como complementos, expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais,
veja as construções: estão:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos pre-
ços. AGRADAR
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
sobre eles) nhos, acariciar.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada quando o revê.
para os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
prevenir. Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as - Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
indireto. introduzido pela preposição “a”.
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma O cantor não agradou aos presentes.
criança. O cantor não lhes agradou.
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente ASPIRAR
- Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspi-
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
rar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
de pessoa.
- Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
Pedi-lhe favores.
como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
Objeto Indireto Objeto Direto
(Aspirávamos a elas)
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
pessoa, mas coisa, não se usam as formas pronominais áto-
Objetiva Direta
nas “lhe” e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela
(s)”. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Saiba que: Aspiravam a ela)
- A construção “pedir para”, muito comum na lingua-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- ASSISTIR
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
palavra licença estiver subentendida. tar assistência a, auxiliar. Por exemplo:
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infi-
nitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). - Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
ciar, estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
- A construção “dizer para”, também muito usada po- Assistimos ao documentário.
pularmente, é igualmente considerada incorreta. Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.
Preferir Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto in- intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
direto introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo: lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. conturbada cidade.
Prefiro trem a ônibus.
Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado CHAMAR
sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo licitar a atenção ou a presença de.
prefixo existente no próprio verbo (pre). Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá cha-
má-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

82
LÍNGUA PORTUGUESA

- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apre- QUERER


sentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo - Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
preposicionado ou não. vontade de, cobiçar.
A torcida chamou o jogador mercenário. Querem melhor atendimento.
A torcida chamou ao jogador mercenário. Queremos um país melhor.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário. - Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
estimar, amar.
CUSTAR Quero muito aos meus amigos.
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado va- Ele quer bem à linda menina.
lor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Fru- Despede-se o filho que muito lhe quer.
tas e verduras não deveriam custar muito. VISAR
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
ou transitivo indireto. rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
Muito custa viver tão longe da família. O gerente não quis visar o cheque.
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela O ensino deve sempre visar ao progresso social.
atitude. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
Objeto Oração Subordinada Substantiva Subjetiva público.
Indireto Reduzida de Infinitivo
ESQUECER – LEMBRAR
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que
- Lembrar algo – esquecer algo
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por pes-
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronomi-
soa. Observe:
nal)
Custei para entender o problema.
Forma correta: Custou-me entender o problema.
No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
IMPLICAR
No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes exigem complemento com a preposição “de”. São, portan-
implicavam um firme propósito. to, transitivos indiretos:
b) Ter como consequência, trazer como consequência, - Ele se esqueceu do caderno.
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadureci- - Eu me esqueci da chave.
mento político de um povo. - Eles se esqueceram da prova.
- Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
- Como transitivo direto e indireto, significa comprome-
ter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões eco- Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
nômicas. brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transi- gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
tivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de
quem não trabalhasse arduamente. Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
- Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
PROCEDER - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e
Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado de ad- indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de al-
junto adverbial de modo. guma coisa).
As afirmações da testemunha procediam, não havia como SIMPATIZAR
refutá-las. Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não sim-
Você procede muito mal. patizei com os jurados.
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposi-
ção” de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido NAMORAR
pela preposição “a”) é transitivo indireto. É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Ma-
O avião procede de Maceió. ria namora João.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito. Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.

Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.

VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atenta-
mente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de
Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Regência Nominal e Verbal 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alter-
nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa
01. (Administrador – FCC – 2013-adap.). Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência
... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras nominal e à pontuação.
ciências ... (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida-
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço
o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo,
A) ...astros que ficam tão distantes ... do que em outros.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... (B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapida-
C) ...que nos proporcionou um espírito ... mente seu espaço na carreira científica; ainda que o avanço
D) ...cuja importância ninguém ignora ... seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!,
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ... do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra-
02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
adap.). avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos exemplo, do que em outros.
filhos do sueco. (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de com- mente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço
plementos que o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo
A) ...que existe uma coisa chamada exército... – do que em outros.
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamen-
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... te, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exemplo)
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atre- do que em outros.
vimento.
06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina-
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). le a alternativa correta quanto à regência dos termos em
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em destaque.
partes desiguais... (A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que responsabilidade pelo problema.
o grifado acima está empregado em: (B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a se perdido.
extremos de sutileza. (C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado de um índio na porta do prédio.
nos troncos mais robustos. (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso- perdido de sua família.
rientam, não raro, quem... (E) A família toda se organizou para realizar a procura
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho à garotinha.
na serra de Tunuí...
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale
gentio, mestre e colaborador... a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
lacunas do texto, de acordo com as regras de regência.
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
o da frase acima se encontra em: A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a
A) A palavra direito, em português, vem de directum, do mídia pode exercer sobre os jovens.
verbo latino dirigere... A) dos … na
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das B) nos … entre a
sociedades... C) aos … para a
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado D) sobre os … pela
pela justiça. E) pelos … sob a
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspira-
ções da justiça...
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sen-
timento de justiça.

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LÍNGUA PORTUGUESA

08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças 3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada
Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão em partes desiguais... Constar = verbo intransitivo
da língua, assinale a alternativa em que os trechos desta- B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado
cados estão corretos quanto à regência, verbal ou nominal. nos troncos mais robustos. =ligação
A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso-
dez mil tomadas. rientam, não raro, quem... =transitivo direto
B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho
um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé. na serra de Tunuí... = transitivo direto
C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
criar logotipos e negociar. gentio, mestre e colaborador...=transitivo direto
D) O taxista levou o autor a indagar no número de to-
madas do edifício. 4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor repa- Lidar = transitivo indireto
rasse a um prédio na marginal. B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
sociedades... =transitivo direto
09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). As- C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
sinale a alternativa que substitui a expressão destacada na pela justiça. =ligação
frase, conforme as regras de regência da norma-padrão da D) Essa problematicidade não afasta a força das aspira-
língua e sem alteração de sentido. ções da justiça... =transitivo direto e indireto
Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sen-
direitos dos trabalhadores domésticos. timento de justiça. =transitivo direto
A) da
B) na 5-) A correção do item deve respeitar as regras de pon-
C) pela tuação também. Assinalei apenas os desvios quanto à re-
gência (pontuação encontra-se em tópico específico)
D) sob a
(A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam,
E) sobre a
(B) Não há dúvida de que (erros quanto à pontuação)
(C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto
GABARITO
à pontuação)
(E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapi-
01. D 02. D 03. A 04. A 05. D
damente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o
06. A 07. C 08. A 09. C
avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
exemplo) do que em outros.
RESOLUÇÃO
6-) (B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das ou- ter se perdido.
tras ciências ... (C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de
Facilitar – verbo transitivo direto um índio na porta do prédio.
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de liga- (D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se perdi-
ção do de sua família.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo (E) A família toda se organizou para realizar a procura
de ligação pela garotinha.
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo tran-
sitivo direto e indireto 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se reportou
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = já assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
verbo transitivo indireto corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
A pesquisa faz um alerta para a influência negativa
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito que a mídia pode exercer sobre os jovens.
nos filhos do sueco.
Pedir = verbo transitivo direto e indireto 8-) B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = tran- haver um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
sitivo direto C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de criar logotipos e negociar.
ligação D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... tomadas do edifício.
=verbo intransitivo E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor repa-
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevi- rasse em um prédio na marginal.
mento. =transitivo direto
9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de
direitos dos trabalhadores domésticos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

CONCORDÂNCIA 7) Em casos relativos à concordância com locuções


pronominais, representadas por “algum de nós, qual de
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos vós, quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se ne-
nos referindo à relação de dependência estabelecida en- cessário nos atermos a duas questões básicas:
tre um termo e outro mediante um contexto oracional. - No caso de o primeiro pronome estar expresso no
Desta feita, os agentes principais desse processo são re- plural, o verbo poderá com ele concordar, como poderá
presentados pelo sujeito, que no caso funciona como su- também concordar com o pronome pessoal: Alguns de nós
bordinante; e o verbo, o qual desempenha a função de o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
subordinado. - Quando o primeiro pronome da locução estiver ex-
Dessa forma, temos que a concordância verbal ca- presso no singular, o verbo permanecerá, também, no sin-
racteriza-se pela adaptação do verbo, tendo em vista os gular: Algum de nós o receberá.
quesitos “número e pessoa” em relação ao sujeito. Exem-
plificando, temos: O aluno chegou atrasado. Temos que o 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pro-
verbo apresenta-se na terceira pessoa do singular, pois nome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do
faz referência a um sujeito, assim também expresso (ele). singular ou poderá concordar com o antecedente desse
Como poderíamos também dizer: os alunos chegaram pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para
atrasados. ela. / Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.

Casos referentes a sujeito simples 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
o núcleo em número e pessoa: O aluno chegou atrasado. antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós que toma-
mos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
2) Nos casos referentes a sujeito representado por
substantivo coletivo, o verbo permanece na terceira pes- 10) No caso de o sujeito aparecer representado por ex-
soa do singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos. pressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
Observação: com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão
adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular ou da diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
poderá ir para o plural:
Uma multidão de pessoas saiu aos gritos. Observações:
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos. - Caso o verbo apareça anteposto à expressão de por-
3) Quando o sujeito é representado por expressões centagem, esse deverá concordar com o numeral: Aprova-
partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte ram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.
de, a metade de, uma porção de” entre outras, o verbo - Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no sin-
tanto pode concordar com o núcleo dessas expressões gular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da dire-
quanto com o substantivo que a segue: A maioria dos alu- toria.
nos resolveu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar. - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural:
4) No caso de o sujeito ser representado por expres- Os 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.
sões aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”,
o verbo concorda com o substantivo determinado por 11) Nos casos em que o sujeito estiver representado
elas: Cerca de mil candidatos se inscreveram no concurso. por pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empre-
gado na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossas
5) Em casos em que o sujeito é representado pela ex- Majestades gostaram das homenagens. Vossa Majestade
pressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: agradeceu o convite.
Mais de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.
Observação: 12) Casos relativos a sujeito representado por substan-
- No caso da referida expressão aparecer repetida ou tivo próprio no plural se encontram relacionados a alguns
associada a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, aspectos que os determinam:
necessariamente, deverá permanecer no plural: - Diante de nomes de obras no plural, seguidos do ver-
Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram bo ser, este permanece no singular, contanto que o predi-
na campanha de doação de alimentos. cativo também esteja no singular: Memórias póstumas de
Mais de um formando se abraçaram durante as soleni- Brás Cubas é uma criação de Machado de Assis.
dades de formatura. - Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo tam-
bém permanece no plural: Os Estados Unidos são uma po-
6) Quando o sujeito for composto da expressão “um tência mundial.
dos que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi - Casos em que o artigo figura no singular ou em que
um dos que atuaram na Copa América. ele nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados
Unidos é uma potência mundial.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Casos referentes a sujeito composto b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos


- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas mais próximo.
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, es- Comi delicioso almoço e sobremesa.
tando relacionado a dois pressupostos básicos: Provei deliciosa fruta e suco.
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
na 2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são Estavam feridos o pai e os filhos.
primos. Estava ferido o pai e os filhos.

2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer an- c) Um substantivo e mais de um adjetivo
teposto ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus - antecede todos os adjetivos com um artigo.
dois filhos compareceram ao evento. Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.

3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao ver- - coloca o substantivo no plural.


bo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. d) Pronomes de tratamento
- sempre concordam com a 3ª pessoa.
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com Vossa Santidade esteve no Brasil.
mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singu-
lar: Meu esposo e grande companheiro merece toda a felici- e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
dade do mundo. - Concordam com o substantivo a que se referem.
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinô- As cartas estão anexas.
nimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo A bebida está inclusa.
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha Precisamos de nomes próprios.
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de Obrigado, disse o rapaz.
meu esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha pre-
miação é fruto de meu esforço. f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
- Após essas expressões o substantivo fica sempre no
Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos de- singular e o adjetivo no plural.
mais termos da oração para que concordem em gênero e Renato advogou um e outro caso fáceis.
número com o substantivo. Teremos que alterar, portanto, Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso,
temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira. g) É bom, é necessário, é proibido
Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono- - Essas expressões não variam se o sujeito não vier pre-
me concordam em gênero e número com o substantivo. cedido de artigo ou outro determinante.
- A pequena criança é uma gracinha. Canja é bom. / A canja é boa.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático. É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A en-
Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à trada é proibida.
regra geral mostrada acima.
a) Um adjetivo após vários substantivos h) Muito, pouco, caro
- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o - Como adjetivos: seguem a regra geral.
plural ou concorda com o substantivo mais próximo. Comi muitas frutas durante a viagem.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. Pouco arroz é suficiente para mim.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui. Os sapatos estavam caros.

- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural - Como advérbios: são invariáveis.
masculino ou concorda com o substantivo mais próximo. Comi muito durante a viagem.
- Ela tem pai e mãe louros. Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
- Ela tem pai e mãe loura. Comprei caro os sapatos.
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoria-
mente para o plural. i) Mesmo, bastante
- O homem e o menino estavam perdidos. - Como advérbios: invariáveis
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui. Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Como pronomes: seguem a regra geral. 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de con-
Seus argumentos foram bastantes para me convencer. cordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. em:
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei-
j) Menos, alerta tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora-
- Em todas as ocasiões são invariáveis. mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor,
Preciso de menos comida para perder peso. mediante palavras, sua matéria-prima.
Estamos alerta para com suas chamadas. B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre
delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor
k) Tal Qual ao ultrapassar os limites da época em que vivem seus au-
- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda tores, gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
com o consequente. C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
As garotas são vaidosas tais qual a tia. lhe permitem criar todo um mundo de ficção, em que per-
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
l) Possível D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me- tor somente se realiza plenamente caso haja afinidade de
lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as ex- ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
pressões. crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
A mais possível das alternativas é a que você expôs. E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da em- constitui leitura obrigatória e se tornam referências por seu
presa. conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas
da cidade. 03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para
m) Meio responder à questão.
- Como advérbio: invariável. _________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
Estou meio (um pouco) insegura.
seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
- Como numeral: segue a regra geral.
o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É
Comi meia (metade) laranja pela manhã.
verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono e
da água em si ___________diferença, as companhias não po-
n) Só
dem suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares
- apenas, somente (advérbio): invariável.
por tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portan-
Só consegui comprar uma passagem. to, elas começam a usar preços- -sombra. Ainda assim,
- sozinho (adjetivo): variável. ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
Estiveram sós durante horas. adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria
das políticas de crescimento verde sempre ___________ a se-
Fonte: http://www.brasilescola.com/gramatica/concor- gunda opção.
dancia-verbal.htm (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
Questões sobre Concordância Nominal e Verbal as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res-
pectivamente, com:
01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con- (A) Restam… faça… será
cordância verbal e nominal está inteiramente correta na (B) Resta… faz… será
frase: (C) Restam… faz... serão
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores (D) Restam… façam… serão
que determinam as escolhas dos governantes, para confe- (E) Resta… fazem… será
rir legitimidade a suas decisões.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem 04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alterna-
ser embasados na percepção dos valores e princípios que tiva em que o trecho
regem a prática política. – Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
(C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.–
regime democrático, em que se respeita tanto as liberda- está corretamente reescrito, de acordo com a norma-pa-
des individuais quanto as coletivas. drão da língua portuguesa.
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- (A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou
crático não pode estar subordinado às ordens indiscrimi- até agora uma maneira adequada de se quantificar os in-
nadas de um único poder central. sumos básicos.
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
para o momento eleitoral, que expõem as diferentes opi- trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
niões existentes na sociedade. cos ser quantificados.

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LÍNGUA PORTUGUESA

(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou 08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
até agora uma maneira adequada para que os insumos bá- Observam-se corretamente as regras de concordância ver-
sicos sejam quantificado. bal e nominal em:
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
trou até agora uma maneira adequada para que os insu- entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica-
mos básicos seja quantificado. das às mais humildes, são cada vez mais comuns nos dias
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- de hoje.
trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem b) A importância de intelectuais como Edward Said e
os insumos básicos. Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos livros que
05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO escreveram.
- VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto: c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota nega- árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto so-
tiva... frimento, estejam próximos de serem resolvidos ou pelo
II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classi- menos de terem alguma trégua.
ficação do continente americano (2,0)... d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a ver-
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e dade, ainda que conscientes de que esta é até certo ponto
II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem dos relativa, costumam encontrar muito mais detratores que
exemplos, em: admiradores.
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o pró- e) No final do século XX já não se via muitos intelectuais
ximo ano. Será que alguém tem opinião diferente da maio- e escritores como Edward Said, que não apenas era notícia
ria? pelos livros que publicavam como pelas posições que co-
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. rajosamente assumiam.
Vêm pessoas de muito longe para brincar de quadrilha. 09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propos-
todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia. tas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural,
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas está em:
também existem umas que não merecem nossa atenção. (A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas)
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. (B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do pla-
neta)
06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O
Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de consumo mundial de barris de petróleo)
peregrinação. (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos)
caso o segmento grifado seja substituído por: (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
(A) Há folheteiros que forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
(B) A maior parte dos folheteiros climáticas)
(C) O folheteiro e sua família
(D) O grosso dos folheteiros 10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi-
(E) Cada um dos folheteiros nale a alternativa em que a concordância das formas ver-
bais destacadas está de acordo com a norma-padrão da
07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) língua.
Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas (A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higieni-
em: zação subterrânea.
(A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel (B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os tra-
sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir balhadores da área de limpeza.
dessas criações poéticas tão originais. (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status riscos de se contrair alguma doença.
atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
nas melhores universidades do país. sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço.
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que (E) As companhias de limpeza, apenas recentemente,
a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles começou a adotar medidas mais rigorosas para a proteção
mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer. de seus funcionários.
(D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e
a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser GABARITO
resultado do puro e simples desconhecimento.
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os proble- 01. A 02. A 03. A 04. E 05. A
mas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de 06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C
representatividade.

90
LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-


trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
1-) Fiz os acertos entre parênteses: mos básicos sejam quantificados.
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
que determinam as escolhas dos governantes, para conferir trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
legitimidade a suas decisões. mos básicos sejam quantificados.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
(deve) ser embasados (embasada) na percepção dos valores trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
e princípios que regem a prática política. os insumos básicos. = correta
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um verda-
deiro regime democrático, em que se respeita (respeitam) 5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos
tanto as liberdades individuais quanto as coletivas. aos itens:
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- (A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
crático não pode (podem) estar subordinado (subordina- tem (singular)
das) às ordens indiscriminadas de um único poder central. (B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) volta- (C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quiseram
dos (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- (plural)
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade. (D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem
umas (plural)
2-) (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei- as formas estão no plural)
tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora-
mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor, 6-)
mediante palavras, sua matéria-prima. = correta A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto
B) Obras que se consideram clássicas na literatura sem- “folheterios”)
pre delineiam novos caminhos, pois são capazes de encan- B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional)
tar o leitor ao ultrapassarem os limites da época em que C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto)
vivem seus autores, gênios no domínio das palavras, sua D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional)
matéria-prima.
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
lhes permite criar todo um mundo de ficção, em que per-
7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta:
sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
(A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a conside-
leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
rar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capa-
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
zes de fruir dessas criações poéticas tão originais.
tor somente se realizam plenamente caso haja afinidade
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
de ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que nas melhores universidades do país.
constituem leitura obrigatória e se tornam referências (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
por seu conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
de época. mesmos requizessem (requeressem) o respeito que faziam
por merecer.
3-) _Restam___dúvidas (D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desva-
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água lorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica
em si __faça __diferença só pode (podem) ser resultado do puro e simples desco-
a maioria das políticas de crescimento verde sempre nhecimento.
____será_____ a segunda opção. (E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que
Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados
no plural quanto no singular. Nas alternativas não há “res- à falta de representatividade.
tam/faça/serão”, portanto a A é que apresenta as opções
adequadas. 8-) Fiz as correções entre parênteses:
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
4-) entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofis-
(A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- ticadas às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns
trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os (comum) nos dias de hoje.
insumos básicos. b) A importância de intelectuais como Edward Said e
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási- polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros
cos serem quantificados. que escreveram.

91
LÍNGUA PORTUGUESA

c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre Ponto e Vírgula ( ; )


árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto 1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem importância.
(ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter) - “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo
alguma trégua. pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida;
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a ver- os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
dade, ainda que conscientes de que esta é até certo ponto
relativa, costumam encontrar muito mais detratores que 2- Separa partes de frases que já estão separadas por
admiradores. vírgulas.
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos in- - Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, monta-
telectuais e escritores como Edward Said, que não apenas nhas, frio e cobertor.
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas
posições que corajosamente assumiam. 3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
tivos, decreto de lei, etc.
9-) - Ir ao supermercado;
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = - Pegar as crianças na escola;
“há” permaneceria no singular - Caminhada na praia;
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla- - Reunião com amigos.
neta) = “sabe” permaneceria no singular
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O Dois pontos
consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” permane- 1- Antes de uma citação
ceria no singular - Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no
custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “reflete” 2- Antes de um aposto
passaria para “refletem-se” - Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esfor- tarde e calor à noite.
ços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças cli-
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
máticas) = “pressiona” permaneceria no singular
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, viven-
do a rotina de sempre.
10-) Fiz as correções:
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular)
4- Em frases de estilo direto
(B) Ainda existe muitas pessoas = existem
Maria perguntou:
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos ris-
- Por que você não toma uma decisão?
cos
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
Ponto de Exclamação
sete da manhã = eram 1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, susto, súplica, etc.
começou = começaram - Sim! Claro que eu quero me casar com você!
2- Depois de interjeições ou vocativos
- Ai! Que susto!
USO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO; - João! Há quanto tempo!
Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que vedo)
servem para compor a coesão e a coerência textual, além
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Ve- Reticências
jamos as principais funções dos sinais de pontuação co- 1- Indica que palavras foram suprimidas.
nhecidos pelo uso da língua portuguesa. - Comprei lápis, canetas, cadernos...

Ponto 2- Indica interrupção violenta da frase.


1- Indica o término do discurso ou de parte dele. “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
que se encontra. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. - Este mal... pega doutor?
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Deixa, depois, o coração falar...

92
LÍNGUA PORTUGUESA

Vírgula (C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,


embora experimentasse a sensação de violar uma intimida-
Não se usa vírgula de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar
*separando termos que, do ponto de vista sintático, li- algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
gam-se diretamente entre si: (D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
- entre sujeito e predicado. embora experimentasse a sensação de violar uma intimi-
Todos os alunos da sala foram advertidos. dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, en-
Sujeito predicado contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
dona.
- entre o verbo e seus objetos. (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em-
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. bora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
V.T.D.I. O.D. O.I. procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Usa-se a vírgula:
- Para marcar intercalação: 02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP-
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun- TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em
dância, vem caindo de preço. campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa 4 re-
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. duzir o número de pessoas que não possuem o nome do pai
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias em sua certidão de nascimento. (...)
não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem A oração subordinada “que não possuem o nome do pai
abrir mão dos lucros altos. em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgu-
la porque tem natureza restritiva.
- Para marcar inversão: ( ) Certo ( ) Errado
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fecha- 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BNDES/2012)
das. Em que período a vírgula pode ser retirada, mantendo-se o
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos sentido e a obediência à norma-padrão?
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o trei-
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de no.
maio de 1982. (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es-
- Para separar entre si elementos coordenados (dispos- portes?
tos em enumeração): (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre-
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. para para o evento.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimo-
ramento do desportista.
- Para marcar elipse (omissão) do verbo: (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. judô, natação e canoagem.
- Para isolar:
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, 04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
possui um trânsito caótico. Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
Fontes: http://www.infoescola.com/portugues/pontua- b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da tran-
cao/ sação.
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula. c) Maria, você trouxe os documentos?
htm d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
Questões sobre Pontuação e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimen-
tação estranha.
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alterna-
tiva em que a pontuação está corretamente empregada, de nale a alternativa em que a frase mantém-se correta
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. após o acréscimo das vírgulas.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
bora, experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrô-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar nica ao grupo ou acione o código na internet.
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. (B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, em- o código foi acionado.
bora experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar dos, recebem automaticamente, uma mensagem dizendo
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. que a criança foi encontrada.

93
LÍNGUA PORTUGUESA

(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega pri- 09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
meiro às, areias do Guarujá. PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O período
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o te- corretamente pontuado é:
lefone de quem a encontrou e informar um ponto de re- (A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência em
ferência condições hostis nem sempre conseguem agradar, aos es-
pectadores.
06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013) (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en-
Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramatical- tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma his-
mente correto, é necessário inserir sinais de pontuação. tória ficcional.
Assinale a posição em que não deve ser usado o sinal de (C) A história de heroísmo e de determinação que nem sem-
ponto, e sim a vírgula, para que sejam respeitadas as re- pre, é convincente, se passa em um cenário marcado, pelo frio.
gras gramaticais. Desconsidere os ajustes nas letras iniciais (D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr
minúsculas. riscos iminentes que comprometem, a sobrevivência.
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas (E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a li-
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau- berdade, nada poderia parecer, realmente intransponível.
lo(A) o programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as
crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B) GABARITO
os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de ati-
vidades sobre cidadania e reciclagem(C) as escolas partici- 01. C 02. C 03. D 04. C 05. E
pantes se tornam também centros de descarte de garrafas 06. D 07. A 08. B 09.B
PET(D) destinadas depois para reciclagem(E) o programa
possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian- RESOLUÇÃO
ças e transformação das comunidades em lugares melhores
para se viver. 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117)
embora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma
a) A
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
b) B
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
c) C
dona.
d) D
(B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa
e) E
e, embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – VU- encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da dona.
pontuação. (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas e, embora experimentasse a sensação de violar uma inti-
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- midade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X)
viada. encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, por- dona.
que você está junto; com os outros motoristas cujos com- (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em-
portamentos, são desconhecidos. bora , (X) experimentasse a sensação de violar uma intimi-
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X)
ser uma extensão de nossa personalidade. encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; au- dona.
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 2-) A oração restringe o grupo que participará da cam-
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na panha (apenas os que não têm o nome do pai na certidão
rua, são as principais causas da ira de trânsito. de nascimento). Se colocarmos uma vírgula, a oração tor-
nar-se-á “explicativa”, generalizando a informação, o que
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS dará a entender que TODAS as pessoa não têm o nome do
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- pai na certidão.
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo RESPOSTA: “CERTO”.
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame,
você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada 3-)
para te dizer, agora afasta que abriu o sinal.” (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o trei-
No período acima, as vírgulas foram empregadas em no. = mantê-la (termo deslocado)
“Paciência, minha filha, este é [...]”, para separar (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos espor-
(A) aposto. tes? = mantê-la (vocativo)
(B) vocativo. (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre-
(C) adjunto adverbial. para para o evento.
(D) expressão explicativa. = mantê-la (explicação)

94
LÍNGUA PORTUGUESA

(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimo- 8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado
ramento do desportista. para se dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo.
= pode retirá-la (advérbio de tempo)
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: 9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão ina-
judô, natação e canoagem. dequadas ou faltantes:
= mantê-la (enumeração) (A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X)
4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou fal- aos espectadores.
tante: (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en-
a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem! tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma
b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da história ficcional.
transação. (C) A história de heroísmo e de determinação (X) que
c) Maria, você trouxe os documentos? nem sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário
d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema. marcado, (X) pelo frio.
e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma (D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é
movimentação estranha. correr riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobre-
vivência.
5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações ina- (E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar
dequadas a liberdade, nada poderia parecer, (X) realmente intrans-
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá ponível.
na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensa-
gem eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os SEMÂNTICA: SINONÍMIA, ANTONÍMIA,
pais de onde o código foi acionado. HOMONÍMIA, PARONÍMIA; POLISSEMIA
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra- (DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO);
dos , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem
dizendo que a criança foi encontrada.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) che-
Quanto à significação, as palavras são divididas nas se-
ga primeiro às , (X) areias do Guarujá.
guintes categorias:
6-)
Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproxima-
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas
do. Exemplo:
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau-
- Alfabeto, abecedário.
lo(A). O programa desenvolve ainda oficinas e cursos para
- Brado, grito, clamor.
as crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e corre- - Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
ta(B). Os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam - Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
de atividades sobre cidadania e reciclagem(C). As escolas
participantes se tornam também centros de descarte de Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinô-
garrafas PET(D), destinadas depois para reciclagem(E). O nimo pelo outro. Embora irmanados pelo sentido comum,
programa possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros,
das crianças e transformação das comunidades em lugares por matizes de significação e certas propriedades que o
melhores para se viver. escritor não pode desconhecer. Com efeito, estes têm sen-
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posi- tido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpe-
ção (D), pois antecipa um termo explicativo. de); uns são próprios da fala corrente, desataviada, vulgar,
outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta,
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas oftalmologista, cinzento e cinéreo).
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- A contribuição Greco-latina é responsável pela existên-
viada. cia, em nossa língua, de numerosos pares de sinônimos.
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estres- Exemplos:
se, porque você está junto; (X) com os outros motoristas - Adversário e antagonista.
cujos comportamentos, (X) são desconhecidos. - Translúcido e diáfano.
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros - Semicírculo e hemiciclo.
podem ser uma extensão de nossa personalidade. - Contraveneno e antídoto.
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; - Moral e ética.
(X) aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. - Colóquio e diálogo.
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas - Transformação e metamorfose.
na rua, (X) são as principais causas da ira de trânsito. - Oposição e antítese.

95
LÍNGUA PORTUGUESA

O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se si- Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pro-
nonímia, palavra que também designa o emprego de sinô- núncia.
nimos. - Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
Antônimos: são palavras de significação oposta. Exem- - Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
plos: - Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
- Ordem e anarquia. - Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
- Soberba e humildade. - Alude (avalancha), alude (verbo aludir).
- Louvar e censurar.
- Mal e bem. Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pro-
núncia: Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente,
A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido tetânico e titânico, atoar e atuar, degradar e degredar, cé-
oposto ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, simpáti- tico e séptico, prescrever e proscrever, descrição e discri-
co/antipático, progredir/regredir, concórdia/discórdia, explí- ção, infligir (aplicar) e infringir (transgredir), osso e ouço,
cito/implícito, ativo/inativo, esperar/desesperar, comunista/ sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder), comprimento
anticomunista, simétrico/assimétrico, pré-nupcial/pós-nup- e cumprimento, deferir (conceder, dar deferimento) e diferir
cial. (ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confirmar) e retifi-
car (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito grande:
Homônimos: são palavras que têm a mesma pronún- soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
cia, e às vezes a mesma grafia, mas significação diferente.
Exemplos: Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma signi-
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). ficação. A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia.
- Aço (substantivo) e asso (verbo). Exemplos:
Só o contexto é que determina a significação dos homô- - Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar
nimos. A homonímia pode ser causa de ambiguidade, por as plantas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande
isso é considerada uma deficiência dos idiomas. curral de gado.
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto - Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição;
fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em: dó.
- Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferen- ao véu do palato.
tes no timbre ou na intensidade das vogais. Podemos citar ainda, como exemplos de palavras po-
- Rego (substantivo) e rego (verbo). lissêmicas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que
- Colher (verbo) e colher (substantivo). têm dezenas de acepções.
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo). Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras po-
- Para (verbo parar) e para (preposição). dem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido fi-
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). gurado. Exemplos:
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo). - Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de - Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
per+o). - As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figura-
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e di- do).
ferentes na escrita.
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). Denotação e Conotação: Observe as palavras em des-
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). taque nos seguintes exemplos:
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato - Comprei uma correntinha de ouro.
de consertar). - Fulano nadava em ouro.
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (ace- No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou desig-
lerar). na simplesmente o conhecido metal precioso, tem sentido
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar). próprio, real, denotativo.
- Censo (recenseamento) e senso (juízo). No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas,
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar). poder, glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo,
- Paço (palácio) e passo (andar). possui várias conotações (ideias associadas, sentimentos,
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo). evocações que irradiam da palavra).
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar
= anular).
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e
sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo).

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LÍNGUA PORTUGUESA

EXERCÍCIOS 08. Marque a alternativa cujas palavras preenchem cor-


retamente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Ne-
01. Estava ....... a ....... da guerra, pois os homens ....... nos cessitando ...... o número do cartão do PIS, ...... a data de
erros do passado. meu nascimento.”
a) eminente, deflagração, incidiram a) ratificar, proscrevi
b) iminente, deflagração, reincidiram b) prescrever, discriminei
c) eminente, conflagração, reincidiram c) descriminar, retifiquei
d) preste, conflaglação, incidiram d) proscrever, prescrevi
e) prestes, flagração, recindiram e) retificar, ratifiquei

02. “Durante a ........ solene era ........ o desinteresse do 09. “A ......... científica do povo levou-o a .... de feiticeiros
mestre diante da ....... demonstrada pelo político”. os ..... em astronomia.”
a) seção - fragrante - incipiência a) insipiência tachar expertos
b) sessão - flagrante - insipiência b) insipiência taxar expertos
c) sessão - fragrante - incipiência c) incipiência taxar espertos
d) cessão - flagrante - incipiência d) incipiência tachar espertos
e) seção - flagrante - insipiência e) insipiência taxar espertos

03. Na ..... plenária estudou-se a ..... de direitos territo- 10. Na oração: Em sua vida, nunca teve muito ......, apre-
riais a ..... . sentava-se sempre ...... no ..... de tarefas ...... . As palavras
a) sessão - cessão - estrangeiros adequadas para preenchimento das lacunas são:
b) seção - cessão - estrangeiros a) censo - lasso - cumprimento - eminentes
c) secção - sessão - extrangeiros b) senso - lasso - cumprimento - iminentes
d) sessão - seção - estrangeiros c) senso - laço - comprimento - iminentes
e) seção - sessão - estrangeiros d) senso - laço - cumprimento - eminentes
e) censo - lasso - comprimento - iminentes
04. Há uma alternativa errada. Assinale-a:
a) A eminente autoridade acaba de concluir uma via- Respostas: (01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B)
gem política. (08.E)(09.A)(10.B)
b) A catástrofe torna-se iminente.
c) Sua ascensão foi rápida.
d) Ascenderam o fogo rapidamente.
e) Reacendeu o fogo do entusiasmo. NORMAS TÉCNICAS DE REDAÇÃO OFICIAL

05. Há uma alternativa errada. Assinale-a:


a) cozer = cozinhar; coser = costurar
Conceito
b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país
c) comprimento = medida; cumprimento = saudação
Entendese por Redação Oficial o conjunto de normas
d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar
e) chácara = sítio; xácara = verso e práticas que devem reger a emissão dos atos normati-
vos e comunicações do poder público, entre seus diversos
06. Assinale o item em que a palavra destacada está organismos ou nas relações dos órgãos públicos com as
incorretamente aplicada: entidades e os cidadãos.
a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes. A Redação Oficial inscrevese na confluência de dois
b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros. universos distintos: a forma regese pelas ciências da lin-
c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche. guagem (morfologia, sintaxe, semântica, estilística etc.); o
d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever. conteúdo submetese aos princípios jurídicoadministrati-
e) A cessão de terras compete ao Estado. vos impostos à União, aos Estados e aos Municípios, nas
esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Pertencente ao campo da linguagem escrita, a Redação
07. O ...... do prefeito foi ..... ontem. Oficial deve ter as qualidades e características exigidas do
a) mandado - caçado texto escrito destinado à comunicação impessoal, objetiva,
b) mandato - cassado clara, correta e eficaz.
c) mandato - caçado Por ser “oficial”, expressão verbal dos atos do poder
d) mandado - casçado público, essa modalidade de redação ou de texto subordi-
e) mandado - cassado nase aos princípios constitucionais e administrativos apli-
cáveis a todos os atos da administração pública, conforme
estabelece o artigo 37 da Constituição Federal:

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LÍNGUA PORTUGUESA

“A administração pública direta e indireta de qualquer - Arcaísmos: Utilização de palavras ou expressões ana-
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos crônicas, fora de uso. Ex.: “asinha” em vez de ligeira, de-
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoa- pressa.
lidade, moralidade, publicidade e eficiência ( ... )”.
- Neologismos: Palavras novas que, apesar de forma-
A forma e o conteúdo da Redação Oficial devem conver- das de acordo com o sistema morfológico da língua, ainda
gir na produção dos textos dessa natureza, razão pela qual, não foram incorporadas pelo idioma. Ex.: “imexível” em vez
muitas vezes, não há como separar uma do outro. Indicam- de imóvel, que não se pode mexer; “talqualmente” em vez
se, a seguir, alguns pressupostos de como devem ser redigi- de igualmente.
dos os textos oficiais.
- Solecismos: São os erros de sintaxe e podem ser:
Padrão culto do idioma - de concordância: “sobrou” muitas vagas em vez de
sobraram.
A redação oficial deve observar o padrão culto do idio- - de regência: os comerciantes visam apenas “o
ma quanto ao léxico (seleção vocabular), à sintaxe (estrutura lucro” em vez de ao lucro.
gramatical das orações) e à morfologia (ortografia, acentua- - de colocação: “não tratavase” de um problema sério
ção gráfica etc.). em vez de não se tratava.
Por padrão culto do idioma devese entender a língua
referendada pelos bons gramáticos e pelo uso nas situações - Ambiguidade: Duplo sentido não intencional. Ex.: O
formais de comunicação. Devemse excluir da Redagão Ofi- desconhecido faloume de sua mãe. (Mãe de quem? Do des-
cial a erudição minuciosa e os preciosismos vocabulares que conhecido? Do interlocutor?)
criam entraves inúteis à compreensão do significado. Não
faz sentido usar “perfunctório” em lugar de “superficial” ou - Cacófato: Som desagradável, resultante da junção
“doesto” em vez de “acusação” ou “calúnia”. São descabidos de duas ou mais palavras da cadeia da frase. Ex.: Darei um
também as citações em língua estrangeira e os latinismos, prêmio por cada eleitor que votar em mim (por cada e por-
tão ao gosto da linguagem forense. Os manuais de Redação cada).
Oficial, que vários órgãos têm feito publicar, são unânimes
em desaconselhar a utilização de certas formas sacramen- - Pleonasmo: Informação desnecessariamente redun-
tais, protocolares e de anacronismos que ainda se leem em dante. Exemplos: As pessoas pobres, que não têm dinheiro,
documentos oficiais, como: “No dia 20 de maio, do ano de vivem na miséria; Os moralistas, que se preocupam com a
2011 do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que moral, vivem vigiando as outras pessoas.
permanecem nos registros cartorários antigos.
Não cabem também, nos textos oficiais, coloquialismos, A Redação Oficial supõe, como receptor, um operador
neologismos, regionalismos, bordões da fala e da linguagem linguístico dotado de um repertório vocabular e de uma
oral, bem como as abreviações e imagens sígnicas comuns articulação verbal minimamente compatíveis com o regis-
na comunicação eletrônica. tro médio da linguagem. Nesse sentido, deve ser um texto
Diferentemente dos textos escolares, epistolares, jor- neutro, sem facilitações que intentem suprir as deficiências
nalísticos ou artísticos, a Redação Oficial não visa ao efeito cognitivas de leitores precariamente alfabetizados.
estético nem à originalidade. Ao contrário, impõe unifor- Como exceção, citamse as campanhas e comunicados
midade, sobriedade, clareza, objetividade, no sentido de se destinados a públicos específicos, que fazem uma aproxi-
obter a maior compreensão possível com o mínimo de re- mação com o registro linguístico do públicoalvo. Mas esse
cursos expressivos necessários. Portarias lavradas sob forma é um campo que refoge aos objetivos deste material, para
poética, sentenças e despachos escritos em versos rimados se inserir nos domínios e técnicas da propaganda e da per-
pertencem ao “folclore” jurídicoadministrativo e são práticas suasão.
inaceitáveis nos textos oficiais. São também inaceitáveis nos Se o texto oficial não pode e não deve baixar ao nível de
textos oficiais os vícios de linguagem, provocados por des- compreensão de leitores precariamente equipados quanto
cuido ou ignorância, que constituem desvios das normas da à linguagem, fica evidente o falo de que a alfabetização e a
línguapadrão. Enumeramse, a seguir, alguns desses vícios: capacidade de apreensão de enunciados são condições ine-
rentes à cidadania. Ninguém é verdadeiramente cidadão se
- Barbarismos: São desvios: não consegue ler e compreender o que leu. O domínio do
- da ortografia: “ advinhar” em vez de adivinhar; “exces- idioma é equipamento indispensável à vida em sociedade.
são” em vez de exceção.
- da pronúncia: “rúbrica” em vez de rubrica. Impessoalidade e Objetividade
- da morfologia: “interviu” em vez de interveio.
- da semântica: desapercebido (sem recursos) em vez de Ainda que possam ser subscritos por um ente público
despercebido (não percebido, sem ser notado). (funcionário, servidor etc.), os textos oficiais são expressão
- pela utilização de estrangeirismos: galicismo (do fran- do poder público e é em nome dele que o emissor se co-
cês): “miseenscène” em vez de encenação; anglicismo (do munica, sempre nos termos da lei e sobre atos nela funda-
inglês): “delivery” em vez de entrega em domicílio. mentados.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Não cabe na Redação Oficial, portanto, a presença do Outro aspecto das formalidades requeridas na Reda-
“eu” enunciador, de suas impressões subjetivas, sentimen- ção Oficial é a necessidade prática de padronização dos
tos ou opiniões. Mesmo quando o agente público mani- expedientes. Assim, as prescrições quanto à diagramação,
festase em primeira pessoa, em formas verbais comuns espaçamento, caracteres tipográficos etc., os modelos ine-
como: declaro, resolvo, determino, nomeio, exonero etc., vitáveis de ofício, requerimento, memorando, aviso e ou-
é nos termos da lei que ele o faz e é em função do cargo tros, além de facilitar a legibilidade, servem para agilizar o
que exerce que se identifica e se manifesta. andamento burocrático, os despachos e o arquivamento.
O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteú- É também por essa razão que quase todos os órgãos
do, o objeto da informação. A impessoalidade contribui públicos editam manuais com os modelos dos expedientes
para a necessária padronização, reduzindo a variabilidade que integram sua rotina burocrática. A Presidência da Re-
da linguagem a certos padrões, sem o que cada texto seria pública, a Câmara dos Deputados, o Senado, os Tribunais
suscetível de inúmeras interpretações. Superiores, enfim, os poderes Executivo, Legislativo e Ju-
Por isso, a Redação Oficial não admite adjetivação. O diciário têm os próprios ritos na elaboração dos textos e
adjetivo, ao qualificar, exprime opinião e evidencia um juí- documentos que lhes são pertinentes.
zo de valor pessoal do emissor. São inaceitáveis também a
pontuação expressiva, que amplia a significação (! ... ), ou Concisão e Clareza
o emprego de interjeições (Oh! Ah!), que funcionam como
índices do envolvimento emocional do redator com aquilo Houve um tempo em que escrever bem era escrever
que está escrevendo. “difícil”. Períodos longos, subordinações sucessivas, vocá-
Se nos trabalhos artísticos, jornalísticos e escolares bulos raros, inversões sintáticas, adjetivação intensiva, enu-
o estilo individual é estimulado e serve como diferencial merações, gradações, repetições enfáticas já foram consi-
das qualidades autorais, a função pública impõe a des- derados virtudes estilísticas. Atualmente, a velocidade que
personalização do sujeito, do agente público que emite a se impõe a tudo o que se faz, inclusive ao escrever e ao
comunicação. São inadmissíveis, portanto, as marcas indi- ler, tornou esses recursos quase sempre obsoletos. Hoje, a
vidualizadoras, as ousadias estilísticas, a linguagem meta- concisão, a economia vocabular, a precisão lexical, ou seja,
a eficácia do discurso, são pressupostos não só da Redação
fórica ou a elíptica e alusiva. A Redação Oficial prima pela
Oficial, mas da própria literatura. Basta observar o estilo
denotação, pela sintaxe clara e pela economia vocabular,
“enxuto” de Graciliano Ramos, de Carios Drummond de
ainda que essa regularidade imponha certa “monotonia
Andrade, de João Cabral de Melo Neto, de Dalton Trevisan,
burocrática” ao discurso.
mestres da linguagem altamente concentrada.
Reafirmase que a intermediação entre o emissor e o
Não têm mais sentido os imensos “prolegômenos” e
receptor nas Redações Oficiais é o código linguístico, den-
“exórdios” que se repetiam como ladainhas nos textos ofi-
tro do padrão culto do idioma; uma linguagem “neutra”,
ciais, como o exemplo risível e caricato que segue:
referendada pelas gramáticas, dicionários e pelo uso em
situações formais, acima das diferenças individuais, regio- “Preliminarmente, antes de mais nada, indispensável se
nais, de classes sociais e de níveis de escolaridade. faz que nos valhamos do ensejo para congratularmonos com
Vossa Excelência pela oportunidade da medida proposta à
Formalidade e Padronização apreciação de seus nobres pares. Mas, quem sou eu, humilde
servidor público, para abordar questões de tamanha com-
As comunicações oficiais impõem um tratamento plexidade, a respeito das quais divergem os hermeneutas e
polido e respeitoso. Na tradição iberoamericana, afeita a exegetas.
títulos e a tratamentos reverentes, a autoridade pública Entrementes, numa análise ainda que perfunctória das
revela sua posição hierárquica por meio de formas e de causas primeiras, que fundamentaram a proposição tempes-
pronomes de tratamento sacramentais. “Excelentíssimo”, tivamente encaminhada por Vossa Excelência, indispensável
“Ilustríssimo”, “Meritíssimo”, “Reverendíssimo” são voca- se faz uma abordagem preliminar dos antecedentes imedia-
tivos que, em algumas instâncias do poder, tornaramse tos, posto que estes antecedentes necessariamente antece-
inevitáveis. Entenda-se que essa solenidade tem por con- dem os consequentes”.
sideração o cargo, a função pública, e não a pessoa de seu
exercente. Observe que absolutamente nada foi dito ou informado.
Vale lembrar que os pronomes de tratamento são
obrigatoriamente regidos pela terceira pessoa. São erros As Comunicações Oficiais
muito comuns construções como “Vossa Excelência sois
bondoso(a)”; o correto é “Vossa Excelência é bondoso(a)”. A redação das comunicações oficiais obedece a pre-
A utilização da segunda pessoa do plural (vós), com ceitos de objetividade, concisão, clareza, impessoalidade,
que os textos oficiais procuravam revestirse de um tom so- formalidade, padronização e correção gramatical.
lene e cerimonioso no passado, é hoje incomum, anacrô- Além dessas, há outras características comuns à comu-
nica e pedante, salvo em algumas peças oratórias envol- nicação oficial, como o emprego de pronomes de trata-
vendo tribunais ou juizes, herdeiras, no Brasil, da tradição mento, o tipo de fecho (encerramento) de uma correspon-
retórica de Rui Barbosa e seus seguidores. dência e a forma de identificação do signatário, conforme

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LÍNGUA PORTUGUESA

define o Manual de Redação da Presidência da República. Vocativos


Outros órgãos e instituições do poder público também
possuem manual de redação próprio, como a Câmara dos O vocativo a ser empregado em comunicações dirigi-
Deputados, o Senado Federal, o Ministério das Relações Exte- das aos chefes de poder é Excelentíssimo Senhor, seguido
riores, diversos governos estaduais, órgãos do Judiciário etc. do cargo respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da
República; Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso
Pronomes de Tratamento Nacional; Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo
Tribunal Federal.
A regra diz que toda comunicação oficial deve ser formal As demais autoridades devem ser tratadas com o vo-
e polida, isto é, ajustada não apenas às normas gramaticais, cativo Senhor ou Senhora, seguido do respectivo cargo:
como também às normas de educação e cortesia. Para isso, Senhor Senador / Senhora Senadora; Senhor Juiz/ Senhora
é fundamental o emprego de pronomes de tratamento, que Juiza; Senhor Ministro / Senhora Ministra; Senhor Governa-
devem ser utilizados de forma correta, de acordo com o des- dor / Senhora Governadora.
tinatário e as regras gramaticais.
Embora os pronomes de tratamento se refiram à segun- Endereçamento
da pessoa (Vossa Excelência, Vossa Senhoria), a concordância
é feita em terceira pessoa. De acordo com o Manual de Redação da Presidência,
no envelope, o endereçamento das comunicações dirigi-
Concordância verbal: das às autoridades tratadas por Vossa Excelência, deve ter
Vossa Senhoria falou muito bem. a seguinte forma:
Vossa Excelência vai esclarecer o tema.
Vossa Majestade sabe que respeitamos sua opinião. A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Concordância pronominal: Ministro de Estado da Justiça
Pronomes de tratamento concordam com pronomes 70064900 Brasília. DF
possessivos na terceira pessoa.
Vossa Excelência escolheu seu candidato. (e não “vos-
A Sua Excelência o Senhor
so...”).
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
Concordância nominal:
70165900 Brasília. DF
Os adjetivos devem concordar com o sexo da pessoa a
que se refere o pronome de tratamento.
A Sua Excelência o Senhor
Vossa Excelência ficou confuso. (para homem)
Vossa Excelência ficou confusa. (para mulher) Fulano de Tal
Vossa Senhoria está ocupado. (para homem) Juiz de Direito da l0ª Vara Cível
Vossa Senhoria está ocupada. (para mulher) Rua ABC, nº 123
01010000 São Paulo. SP
Sua Excelência - de quem se fala (ele/ela).
Vossa Excelência - com quem se fala (você) Conforme o Manual de Redação da Presidência, “em
comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento
Emprego dos Pronomes de Tratamento digníssimo (DD) às autoridades na lista anterior. A dignida-
de é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo públi-
As normas a seguir fazem parte do Manual de Redação da co, sendo desnecessária sua repetida evocação”.
Presidência da República.
Vossa Senhoria: É o pronome de tratamento emprega-
Vossa Excelência: É o tratamento empregado para as se- do para as demais autoridades e para particulares. O vo-
guintes autoridades: cativo adequado é: Senhor Fulano de Tal / Senhora Fulana
- Do Poder Executivo - Presidente da República; Vice- de Tal.
-presidenIe da República; Ministros de Estado; Governadores
e vicegovernadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais No envelope, deve constar do endereçamento:
generais das Forças Armadas; Embaixadores; Secretáriosexe- Ao Senhor
cutivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natu- Fulano de Tal
reza especial; Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Rua ABC, nº 123
Prefeitos Municipais. 70123-000 – Curitiba.PR
- Do Poder Legislativo - Deputados Federais e Sena- Conforme o Manual de Redação da Presidência, em
dores; Ministro do Tribunal de Contas da União; Deputados comunicações oficiais “fica dispensado o emprego do su-
Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas perlativo Ilustríssimo para as autoridades que recebem o
Estaduais; Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É sufi-
- Do Poder Judiciário - Ministros dos Tribunais Superiores; ciente o uso do pronome de tratamento Senhor. O Manual
Membros de Tribunais; Juizes; Auditores da Justiça Militar. também esclarece que “doutor não é forma de tratamento,

100
LÍNGUA PORTUGUESA

e sim título acadêmico”. Por isso, recomenda-se empregá- Identificação do Signatário


-lo apenas em comunicações dirigidas a pessoas que te-
nham concluído curso de doutorado. No entanto, ressal- Conforme o Manual de Redação da Presidência do Re-
va-se que “é costume designar por doutor os bacharéis, pública, com exceção das comunicações assinadas pelo
especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina”. presidente da República, em todas as comunicações ofi-
ciais devem constar o nome e o cargo da autoridade que as
Vossa Magnificência: É o pronome de tratamento diri- expede, abaixo de sua assinatura. A forma da identificação
gido a reitores de universidade. Correspondelhe o vocati- deve ser a seguinte:
vo: Magnífico Reitor.
(espaço para assinatura)
Vossa Santidade: É o pronome de tratamento empre- Nome
gado em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo cor- Chefe da SecretariaGeral da Presidência da República
respondente é: Santíssimo Padre.
(espaço para assinatura)
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima: Nome
São os pronomes empregados em comunicações dirigidas Ministro de Estado da Justiça
a cardeais. Os vocativos correspondentes são: Eminentís-
simo Senhor Cardeal, ou Eminentíssimo e Reverendíssimo “Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as-
Senhor Cardeal. sinatura em página isolada do expediente. Transfira para
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho”,
Nas comunicações oficiais para as demais autoridades alerta o Manual.
eclesiásticas são usados: Vossa Excelência Reverendíssima
(para arcebispos e bispos); Vossa Reverendíssima ou Vossa Padrões e Modelos
Senhoria Reverendíssima (para monsenhores, cônegos e
O Padrão Ofício
superiores religiosos); Vossa Reverência (para sacerdotes,
clérigos e demais religiosos).
O Manual de Redação da Presidência da República lista
três tipos de expediente que, embora tenham finalidades
Fechos para Comunicações
diferentes, possuem formas semelhantes: Ofício, Aviso e
Memorando. A diagramação proposta para esses expe-
De acordo com o Manual da Presidência, o fecho das
dientes é denominada padrão ofício.
comunicações oficiais “possui, além da finalidade óbvia de
O Ofício, o Aviso e o Memorando devem conter as se-
arrematar o texto, a de saudar o destinatário”, ou seja, o
guintes partes:
fecho é a maneira de quem expede a comunicação despe-
dirse de seu destinatário. - Tipo e número do expediente, seguido da sigla do
Até 1991, quando foi publicada a primeira edição do órgão que o expede. Exemplos:
atual Manual de Redação da Presidência da República, ha-
via 15 padrões de fechos para comunicações oficiais. O Of. 123/2002-MME
Manual simplificou a lista e reduziu-os a apenas dois para Aviso 123/2002-SG
todas as modalidades de comunicação oficial. São eles: Mem. 123/2002-MF

Respeitosamente: para autoridades superiores, inclu- - Local e data. Devem vir por extenso com alinhamen-
sive o presidente da República. to à direita. Exemplo:
Atenciosamente: para autoridades de mesma hierar-
quia ou de hierarquia inferior. Brasília, 20 de maio de 2011

“Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações diri- - Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:
gidas a autoridades estrangeiras, que atenderem a rito e
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual Assunto: Produtividade do órgão em 2010.
de Redação do Ministério das Relações Exteriores”, diz o Assunto: Necessidade de aquisição de novos computa-
Manual de Redação da Presidência da República. dores.
A utilização dos fechos “Respeitosamente” e “Atencio-
samente” é recomendada para os mesmos casos pelo Ma- - Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é
nual de Redação da Câmara dos Deputados e por outros dirigida a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluí-
manuais oficiais. Já os fechos para as cartas particulares ou do também o endereço.
informais ficam a critério do remetente, com preferência
para a expressão “Cordialmente”, para encerrar a corres- - Texto. Nos casos em que não for de mero encami-
pondência de forma polida e sucinta. nhamento de documentos, o expediente deve conter a se-
guinte estrutura:

101
LÍNGUA PORTUGUESA

Introdução: que se confunde com o parágrafo de aber- - os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
tura, na qual é apresentado o assunto que motiva a comunica- impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as mar-
ção. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o pra- gens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas
zer de”, “Cumpreme informar que”,empregue a forma direta; páginas pares (“margem espelho”);
Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se - o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de
o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas distância da margem esquerda;
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere - o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no
maior clareza à exposição; mínimo 3,0 cm de largura;
Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente rea- - o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
presentada a posição recomendada sobre o assunto. - deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas
e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
nos casos em que estes estejam organizados em itens ou - não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, subli-
títulos e subtítulos. nhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas
Quando se tratar de mero encaminhamento de docu- ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegân-
mentos, a estrutura deve ser a seguinte: cia e a sobriedade do documento;
Introdução: deve iniciar com referência ao expediente - a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em
que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do docu- papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas
mento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informa- para gráficos e ilustrações;
ção do motivo da comunicação, que é encaminhar, indican- - todos os tipos de documento do padrão ofício devem
do a seguir os dados completos do documento encaminha- ser impressos em papel de tamanho A4, ou seja, 29,7 x 21,0
do (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), cm;
e a razão pela qual está sendo encaminhado, segundo a - deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de ar-
seguinte fórmula: quivo Rich Text nos documentos de texto;
- dentro do possível, todos os documentos elaborados
“Em resposta ao Aviso nº 112, de 10 de fevereiro de 2011,
devem ter o arquivo de texto preservado para consulta pos-
encaminho, anexa, cópia do Ofício nº 34, de 3 de abril de
terior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
2010, do Departamento Geral de Administração, que trata da
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos de-
requisição do servidor Fulano de Tal.”
vem ser formados da seguinte maneira: tipo do documen-
to + número do documento + palavraschave do conteúdo.
ou
Exemplo:
“Encaminho, para exame e pronunciamento, a anexa có-
pia do telegrama nº 112, de 11 de fevereiro de 2011, do Pre- “Of. 123 relatório produtividade ano 2010”
sidente da Confederação Nacional de Agricultura, a respeito
de projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Aviso e Ofício (Comunicação Externa)
Nordeste.”
São modalidades de comunicação oficial praticamente
Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é expedi-
fazer algum comentário a respeito do documento que en- do exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades
caminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimen- de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para
to; em caso contrário, não há parágrafos de desenvolvimen- e pelas demais autoridades. Ambos têm como finalidade o
to em aviso ou ofício de mero encaminhamento. tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administra-
ção Pública entre si e, no caso do ofício, também com par-
- Fecho. ticulares.
- Assinatura. Quanto a sua forma, Aviso e Ofício seguem o modelo
- Identificação do Signatário do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o
destinatário, seguido de vírgula. Exemplos:
Forma de Diagramação
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Os documentos do padrão ofício devem obedecer à se- Senhora Ministra,
guinte forma de apresentação: Senhor Chefe de Gabinete,

- deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as
corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas seguintes informações do remetente:
de rodapé; - nome do órgão ou setor;
- para símbolos não existentes na fonte Times New Ro- - endereço postal;
man, poderseão utilizar as fontes symbol e Wíngdings; - telefone e endereço de correio eletrônico.
- é obrigatório constar a partir da segunda página o
número da página; Obs: Modelo no final da matéria.

102
LÍNGUA PORTUGUESA

Memorando ou Comunicação Interna - na introdução: o problema que está a reclamar a


adoção da medida ou do ato normativo proposto;
O Memorando é a modalidade de comunicação entre - no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida
unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar o pro-
estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferen- blema, e eventuais alternativas existentes para equacionálo;
te. Tratase, portanto, de uma forma de comunicação eminen- - na conclusão, novamente, qual medida deve ser to-
temente interna. mada, ou qual ato normativo deve ser editado para solucio-
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser em- nar o problema.
pregado para a exposição de projetos, ideias, diretrizes etc.
a serem adotados por determinado setor do serviço público. Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à ex-
Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do posição de motivos, devidamente preenchido, de acordo
memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapi- com o seguinte modelo previsto no Anexo II do Decreto nº
dez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos. Para 4.1760, de 28 de março de 2010.
evitar desnecessário aumento do número de comunicações, Anexo à exposição de motivos do (indicar nome do
os despachos ao memorando devem ser dados no próprio Ministério ou órgão equivalente) nº ______, de ____ de
documento e, no caso de falta de espaço, em folha de con- ______________ de 201_.
tinuação. Esse procedimento permite formar uma espécie
de processo simplificado, assegurando maior transparência - Síntese do problema ou da situação que reclama pro-
a tomada de decisões, e permitindo que se historie o anda- vidências;
mento da matéria tratada no memorando. - Soluções e providências contidas no ato normativo ou
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do na medida proposta;
padrão ofício, com a diferença de que seu destinatário deve - Alternativas existentes às medidas propostas. Mencio-
ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos: nar:
- se há outro projeto do Executivo sobre a matéria;
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração - se há projetos sobre a matéria no Legislativo;
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos. - outras possibilidades de resolução do problema.
- Custos. Mencionar:
Obs: Modelo no final da matéria. - se a despesa decorrente da medida está prevista na
lei orçamentária anual; se não, quais as alternativas para
Exposição de Motivos custeála;
- se a despesa decorrente da medida está prevista na
É o expediente dirigido ao presidente da República ou ao lei orçamentária anual; se não, quais as alternativas para
vice-presidente para: custeála;
- informá-lo de determinado assunto; - valor a ser despendido em moeda corrente;
- propor alguma medida; ou - Razões que justificam a urgência (a ser preenchido so-
- submeter a sua consideração projeto de ato normativo. mente se o ato proposto for medida provisória ou projeto
de lei que deva tramitar em regime de urgência). Mencio-
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente nar:
da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o - se o problema configura calamidade pública;
assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição - por que é indispensável a vigência imediata;
de motivos deverá ser assinada por todos os Ministros en- - se se trata de problema cuja causa ou agravamento
volvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial. não tenham sido previstos;
Formalmente a exposição de motivos tem a apresenta- - se se trata de desenvolvimento extraordinário de si-
ção do padrão ofício. De acordo com sua finalidade, apre- tuação já prevista.
senta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela que - Impacto sobre o meio ambiente (somente que o ato
tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que ou medida proposta possa vir a tê-lo)
proponha alguma medida ou submeta projeto de ato nor- - Alterações propostas. Texto atual, Texto proposto;
mativo. - Síntese do parecer do órgão jurídico.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que sim-
plesmente leva algum assunto ao conhecimento do Pre- Com base em avaliação do ato normativo ou da medida
sidente da República, sua estrutura segue o modelo antes proposa à luz das questões levantadas no ítem 10.4.3.
referido para o padrão ofício. A falta ou insuficiência das informações prestadas pode
Já a exposição de motivos que submeta à consideração acarretar, a critério da Subchefia para Assuntos Jurídicos da
do Presidente da República a sugestão de alguma medida a Casa Civil, a devolução do projeto de ato normativo para
ser adotada ou a que lhe apresente projeto de ato normativo, que se complete o exame ou se reformule a proposta.
embora sigam também a estrutura do padrão ofício, além O preenchimento obrigatório do anexo para as exposi-
de outros comentários julgados pertinentes por seu autor, ções de motivos que proponham a adoção de alguma me-
devem, obrigatoriamente, apontar: dida ou a edição de ato normativo tem como finalidade:

103
LÍNGUA PORTUGUESA

- permitir a adequada reflexão sobre o problema que Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos
se busca resolver; Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias
- ensejar mais profunda avaliação das diversas causas caberá a redação final.
do problema e dos defeitos que pode ter a adoção da As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Con-
medida ou a edição do ato, em consonância com as ques- gresso Nacional têm as seguintes finalidades:
tões que devem ser analisadas na elaboração de proposi-
ções normativas no âmbito do Poder Executivo (v. 10.4.3.) - Encaminhamento de projeto de lei ordinária, com-
- conferir perfeita transparência aos atos propostos. plementar ou financeira: Os projetos de lei ordinária ou
complementar são enviados em regime normal (Constitui-
Dessa forma, ao atender às questões que devem ser ção, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1º a
analisadas na elaboração de atos normativos no âmbito 4º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminhado sob
do Poder Executivo, o texto da exposição de motivos e o regime normal e mais tarde ser objeto de nova mensa-
seu anexo complementam-se e formam um todo coeso: gem, com solicitação de urgência.
no anexo, encontramos uma avaliação profunda e direta Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com avi-
de toda a situação que está a reclamar a adoção de certa
so do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ao
providência ou a edição de um ato normativo; o problema
Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para que
a ser enfrentado e suas causas; a solução que se propõe,
tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, caput).
seus efeitos e seus custos; e as alternativas existentes. O
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen-
texto da exposição de motivos fica, assim, reservado à de- dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen-
monstração da necessidade da providência proposta: por tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de encami-
que deve ser adotada e como resolverá o problema. nhamento dirigemse aos membros do Congresso Nacional,
Nos casos em que o ato proposto for questão de e os respectivos avisos são endereçados ao Primeiro Secre-
pessoal (nomeação, promoção, ascenção, transferência, tário do Senado Federal. A razão é que o art. 166 da Consti-
readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, tuição impõe a deliberação congressual sobre as leis finan-
recondução, remoção, exoneração, demissão, dispensa, ceiras em sessão conjunta, mais precisamente, “na forma
disponibilidade, aposentadoria), não é necessário o en- do regimento comum”. E à frente da Mesa do Congresso
caminhamento do formulário de anexo à exposição de Nacional está o Presidente do Senado Federal (Constitui-
motivos. Ressalte-se que: ção, art. 57, § 5º), que comanda as sessões conjuntas.
- a síntese do parecer do órgão de assessoramen- As mensagens aqui tratadas coroam o processo desen-
to jurídico não dispensa o encaminhamento do parecer volvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange mi-
completo; nucioso exame técnico, jurídico e econômicofinanceiro das
- o tamanho dos campos do anexo à exposição de matérias objeto das proposições por elas encaminhadas.
motivos pode ser alterado de acordo com a maior ou me- Tais exames materializamse em pareceres dos diversos
nor extensão dos comentários a serem alí incluídos. órgãos interessados no assunto das proposições, entre eles
o da Advocacia Geral da União. Mas, na origem das pro-
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha pre- postas, as análises necessárias constam da exposição de
sente que a atenção aos requisitos básicos da Redação motivos do órgão onde se geraram, exposição que acom-
Oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, panhará, por cópia, a mensagem de encaminhamento ao
padronização e uso do padrão culto de linguagem) deve Congresso.
ser redobrada. A exposição de motivos é a principal mo-
dalidade de comunicação dirigida ao Presidente da Repú- - Encaminhamento de medida provisória: Para dar
blica pelos Ministros. Além disso, pode, em certos casos, cumprimento ao disposto no art. 62 da Constituição, o Pre-
sidente da República encaminha mensagem ao Congresso,
ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Po-
dirigida a seus membros, com aviso para o Primeiro Secre-
der Judiciário ou, ainda, ser publicada no Diário Oficial da
tário do Senado Federal, juntando cópia da medida provi-
União, no todo ou em parte.
sória, autenticada pela Coordenação de Documentação da
Presidência da República.
Mensagem
- Indicação de autoridades: As mensagens que sub-
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che- metem ao Senado Federal a indicação de pessoas para
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens en- ocuparem determinados cargos (magistrados dos Tribu-
viadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo nais Superiores, Ministros do TCU, Presidentes e diretores
para informar sobre fato da Administração Pública; expor do Banco Central, ProcuradorGeral da República, Chefes
o plano de governo por ocasião da abertura de sessão de Missão Diplomática etc.) têm em vista que a Constitui-
legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que ção, no seu art. 52, incisos III e IV, atribui àquela Casa do
dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; Congresso Nacional competência privativa para aprovar a
enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto indicação. O currículum vitae do indicado, devidamente as-
seja de interesse dos poderes públicos e da Nação. sinado, acompanha a mensagem.

104
LÍNGUA PORTUGUESA

- Pedido de autorização para o presidente ou o vice- - pedido de estabelecimento de alíquolas aplicáveis às


presidente da República se ausentarem do País por mais operações e prestações interestaduais e de exportação (Cons-
de 15 dias: Tratase de exigência constitucional (Constituição, tituição, art. 155, § 2º, IV);
art. 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa - proposta de fixação de limites globais para o montante
do Congresso Nacional. O presidente da República, tradi- da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI);
cionalmente, por cortesia, quando a ausência é por prazo - pedido de autorização para operações financeiras exter-
inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada Casa do Con- nas (Constituição, art. 52, V); e outros.
gresso, enviandolhes mensagens idênticas.
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
- Encaminhamento de atos de concessão e renova- - convocação extraordinária do Congresso Nacional
ção de concessão de emissoras de rádio e TV: A obrigação (Constituição, art. 57, § 6º);
de submeter tais atos à apreciagão do Congresso Nacional - pedido de autorização para exonerar o ProcuradorGeral
consta no inciso XII do artigo 49 da Constituição. Somente da República (art. 52, XI, e 128, § 2º);
produzirão efeitos legais a outorga ou renovação da conces- - pedido de autorização para declarar guerra e decretar
são após deliberação do Congresso Nacional (Constituição, mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
art. 223, § 3º). Descabe pedir na mensagem a urgência pre- - pedido de autorização ou referendo para celebrara paz
vista no art. 64 da Constituição, porquanto o § 1º do art. 223 (Constituição, art. 84, XX);
já define o prazo da tramitação. - justificativa para decretação do estado de defesa ou de
Além do ato de outorga ou renovação, acompanha a sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4º);
mensagem o correspondente processo administrativo. - pedido de autorização para decretar o estado de sítio
(Constituição, art. 137);
- Encaminhamento das contas referentes ao exercício - relato das medidas praticadas na vigência do estado de
anterior: O Presidente da República tem o prazo de sessen- sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo único);
ta dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao - proposta de modificação de projetas de leis financeiras
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício ante- (Constituição, art. 166, § 5º);
rior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer da Co- - pedido de autorização para utilizar recursos que fica-
missão Mista permanente (Constituição, art. 166, § 1º), sob rem sem despesas correspondentes, em decorrência de veto,
pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de con- emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual
tas (Constituição, art. 51, II), em procedimento disciplinado (Constituição, art. 166, § 8º);
no art. 215 do seu Regimento Interno. - pedido de autorização para alienar ou conceder terras
públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição, art. 188,
- Mensagem de abertura da sessão legislativa: Ela § 1º); etc.
deve conter o plano de governo, exposição sobre a situação
do País e solicitação de providências que julgar necessárias As mensagens contêm:
(Constituição, art. 84, XI). - a indicação do tipo de expediente e de seu número, ho-
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da rizontalmente, no início da margem esquerda:
Presidência da República. Esta mensagem difere das demais
porque vai encadernada e é distribuída a todos os congres- Mensagem nº
sistas em forma de livro.
- vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o
- Comunicação de sanção (com restituição de autó- cargo do destinatário, horizontalmente, no início da margem
grafos): Esta mensagem é dirigida aos membros do Con- esquerda:
gresso Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Se-
cretário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
informa o número que tomou a lei e se restituem dois exem-
plares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente - o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
da República terá aposto o despacho de sanção. - o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e
horizontalmente fazendo coincidir seu final com a margem di-
- Comunicação de veto: Dirigida ao Presidente do Sena- reita. A mensagem, como os demais atos assinados pelo Pre-
do Federal (Constituição, art. 66, § 1º), a mensagem informa sidente da República, não traz identificação de seu signatário.
sobre a decisão de vetar, se o veto é parcial, quais as dispo-
sições vetadas, e as razões do veto. Seu texto vai publicado Obs: Modelo no final da matéria.
na íntegra no Diário Oficial da União, ao contrário das demais
mensagens, cuja publicação se restringe à notícia do seu en- Telegrama
vio ao Poder Legislativo.
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
- Outras mensagens: Também são remetidas ao Legisla- os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de
tivo com regular frequência mensagens com: telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de
- encaminhamento de atos internacionais que acarretam telegrafia, telex etc. Por se tratar de forma de comunicação
encargos ou compromissos gravosos (Constituição, art. 49, I); dispendiosa aos cofres públicos e tecnologicamente supe-

105
LÍNGUA PORTUGUESA

rada, deve restringirse o uso do telegrama apenas àquelas - Título: APOSTILA, centralizado.
situações que não seja possível o uso de correio eletrônico - Texto: exposição sucinta da retificação, esclarecimento,
ou fax e que a urgência justifique sua utilização e, também em atualização ou fixação da vantagem, com a menção, se for o
razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação deve caso, onde o documento foi publicado.
pautarse pela concisão. - Local e data.
Não há padrão rígido, devendose seguir a forma e a estru- - Assinatura: nome e função ou cargo da autoridade que
tura dos formulários disponíveis nas agências dos Correios e constatou a necessidade de efetuar a apostila.
em seu sítio na Internet.
Não deve receber numeração, sendo que, em caso de do-
Obs: Modelo no final da matéria. cumento arquivado, a apostila deve ser feita abaixo dos textos
ou no verso do documento.
Fax Em caso de publicação do ato administrativo originário,
a apostila deve ser publicada com a menção expressa do ato,
O fax (forma abreviada já consagrada de facsímile) é uma número, dia, página e no mesmo meio de comunicaçao oficial
forma de comunicação que está sendo menos usada devido no qual o ato administrativo foi originalmente publicado, a fim
ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de que se preserve a data de validade.
de mensagens urgentes e para o envio antecipado de docu-
mentos, de cujo conhecimento há premência, quando não há Obs: Modelo no final da matéria.
condições de envio do documento por meio eletrônico. Quan-
do necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na ATA
forma de praxe. Se necessário o arquivamento, devese fazêlo
com cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em É o instrumento utilizado para o registro expositivo dos
certos modelos, se deteriora rapidamente. fatos e deliberações ocorridos em uma reunião, sessão ou as-
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a sembleia. Estrutura:
estrutura que lhes são inerentes. É conveniente o envio, jun- - Título ATA. Em se tratando de atas elaboradas sequen-
tamente com o documento principal, de folha de rosto, isto cialmente, indicar o respectivo número da reunião ou sessão,
é, de pequeno formulário com os dados de identificação da em caixaalta.
mensagem a ser enviada. - Texto, incluindo: Preâmbulo registro da situação espacial
e temporal e participantes; Registro dos assuntos abordados e
Correio Eletrônico de suas decisões, com indicação das personalidades envolvi-
das, se for o caso; Fecho termo de encerramento com indica-
O correio eletrônico (“email”), por seu baixo custo e celeri- ção, se necessário, do redator, do horário de encerramento, de
dade, transformouse na principal forma de comunicação para convocação de nova reunião etc.
transmissão de documentos.
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é A ATA será assinada e/ou rubricada portodos os presentes
sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para à reunião ou apenas pelo presidente e relator, dependendo
sua estrutura. Entretanto, devese evitar o uso de linguagem in- das exigências regimentais do órgão.
compatível com uma comunicação oficial. A fim de se evitarem rasuras nas atas manuscritas, deve-
O campo assunto do formulário de correio eletrônico men- se, em caso de erro, utilizar o termo “digo”, seguido da in-
sagem deve ser preenchido de modo a facilitar a organização formação correta a ser registrada. No caso de omissão de
documental tanto do destinatário quanto do remetente. informações ou de erros constatados após a redação, usase
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, a expressão “Em tempo” ao final da ATA, com o registro das
preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que enca- informações corretas.
minha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre
seu conteúdo. Obs: Modelo no final da matéria.
Sempre que disponível, devese utilizar recurso de confir-
mação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar da Carta
mensagem pedido de confirmação de recebimento.
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem É a forma de correspondência emitida por particular, ou au-
de correio eletrônico tenha valor documental, isto é, para que toridade com objetivo particular, não se confundindo com o me-
possa ser aceita como documento original, é necessário existir morando (correspondência interna) ou o ofício (correspondência
certificação digital que ateste a identidade do remetente, na externa), nos quais a autoridade que assina expressa uma opinião
forma estabelecida em lei. ou dá uma informação não sua, mas, sim, do órgão pelo qual res-
ponde. Em grande parte dos casos da correspondência enviada
Apostila por deputados, devese usar a carta, não o memorando ou ofício,
por estar o parlamentar emitindo parecer, opinião ou informação
É o aditamento que se faz a um documento com o obje- de sua responsabilidade, e não especificamente da Câmara dos
tivo de retificação, atualização, esclarecimento ou fixar van- Deputados. O parlamentar deverá assinar memorando ou ofício
tagens, evitandose assim a expedição de um novo título ou apenas como titular de função oficial específica (presidente de
documento. Estrutura: comissão ou membro da Mesa, por exemplo). Estrutura:

106
LÍNGUA PORTUGUESA

- Local e data. Ordem de Serviço


- Endereçamento, com forma de tratamento, destinatá-
rio, cargo e endereço. É o instrumento que encerra orientações detalhadas e/
- Vocativo. ou pontuais para a execução de serviços por órgãos subordi-
- Texto. nados da Administração. Estrutura:
- Fecho. - Título: ORDEM DE SERVIÇO, numeração e data.
- Assinatura: nome e, quando necessário, função ou car- - Preâmbulo e fundamentação: denominação da auto-
go. ridade que expede o ato (em maiúsculas) e citação da le-
gislação pertinente ou por força das prerrogativas do cargo,
Se o gabinete usar cartas com frequência, poderá nume- seguida da palavra “resolve”.
rálas. Nesse caso, a numeração poderá apoiar-se no padrão - Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser divi-
básico de diagramação. dido em itens, incisos, alíneas etc.
O fecho da carta segue, em geral, o padrão da corres- - Assinatura: nome da autoridade competente e indica-
pondência oficial, mas outros fechos podem ser usados, a ção da função.
exemplo de “Cordialmente”, quando se deseja indicar relação
de proximidade ou igualdade de posição entre os correspon- A Ordem de Serviço se assemelha à Portaria, porém pos-
dentes. sui caráter mais específico e detalhista. Objetiva, essencial-
mente, a otimização e a racionalização de serviços.
Obs: Modelo no final da matéria.
Obs: Modelo no final da matéria.
Declaração
Parecer
É o documento em que se informa, sob responsabilida-
de, algo sobre pessoa ou acontecimento. Estrutura: É a opinião fundamentada, emitida em nome pessoal ou
- Título: DECLARAÇÃO, centralizado. de órgão administrativo, sobre tema que lhe haja sido sub-
metido para análise e competente pronunciamento. Visa for-
- Texto: exposição do fato ou situação declarada, com fi-
necer subsídios para tomada de decisão. Estrutura:
nalidade, nome do interessado em destaque (em maiúsculas)
- Número de ordem (quando necessário).
e sua relação com a Câmara nos casos mais formais.
- Número do processo de origem.
- Local e data.
- Ementa (resumo do assunto).
- Assinatura: nome da pessoa que declara e, no caso de
- Texto, compreendendo: Histórico ou relatório (introdu-
autoridade, função ou cargo.
ção); Parecer (desenvolvimento com razões e justificativas);
Fecho opinativo (conclusão).
A declaração documenta uma informação prestada por - Local e data.
autoridade ou particular. No caso de autoridade, a compro- - Assinatura, nome e função ou cargo do parecerista.
vação do fato ou o conhecimento da situação declarada deve
serem razão do cargo que ocupa ou da função que exerce. Além do Parecer Administrativo, acima conceituado,
Declarações que possuam características específicas po- existe o Parecer Legislativo, que é uma proposição, e, como
dem receber uma qualificação, a exemplo da “declaração tal, definido no art. 126 do Regimento Interno da Câmara dos
funcional”. Deputados.
O desenvolvimento do parecer pode ser dividido em
Obs: Modelo no final da matéria. tantos itens (e estes intitulados) quantos bastem ao parece-
rista para o fim de melhor organizar o assunto, imprimindo-
Despacho lhe clareza e didatismo.

É o pronunciamento de autoridade administrativa em Obs: Modelo no final da matéria.


petição que lhe é dirigida, ou ato relativo ao andamento do
processo. Pode ter caráter decisório ou apenas de expedien- Portaria
te. Estrutura:
- Nome do órgão principal e secundário. É o ato administrativo pelo qual a autoridade estabele-
- Número do processo. ce regras, baixa instruções para aplicação de leis ou trata da
- Data. organização e do funcionamento de serviços dentro de sua
- Texto. esfera de competência. Estrutura:
- Assinatura e função ou cargo da autoridade. - Título: PORTARIA, numeração e data.
- Ementa: síntese do assunto.
O despacho pode constituirse de uma palavra, de uma - Preâmbulo e fundamentação: denominação da auto-
expressão ou de um texto mais longo. ridade que expede o ato e citação da legislação pertinente,
seguida da palavra “resolve”.
Obs: Modelo no final da matéria. - Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser divi-
dido em artigos, parágrafos, incisos, alíneas e itens.

107
LÍNGUA PORTUGUESA

- Assinatura: nome da autoridade competente e indica- - Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou
ção do cargo. seja, da autoridade competente.
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do re-
Certas portarias contêm considerandos, com as razões querente (grafado em letras maiúsculas) e respectiva quali-
que justificam o ato. Neste caso, a palavra “resolve” vem de- ficação: nacionalidade, estado civil, profissão, documento de
pois deles. identidade, idade (se maior de 60 anos, para fins de prefe-
A ementa justificase em portarias de natureza normativa. rência na tramitação do processo, segundo a Lei 10.741/03),
Em portarias de matéria rotineira, como nos casos de no- e domicílio (caso o requerente seja servidor da Câmara dos
meação e exoneração, por exemplo, suprime-se a ementa. Deputados, precedendo à qualificação civil deve ser coloca-
do o número do registro funcional e a lotação); Exposição do
Obs: Modelo no final da matéria. pedido, de preferência indicando os fundamentos legais do
requerimento e os elementos probatórios de natureza fática.
Relatório - Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.
- Local e data.
É o relato exposilivo, detalhado ou não, do funcionamen- - Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.
to de uma instituição, do exercício de atividades ou acerca do
desenvolvimento de serviços específicos num determinado Quando mais de uma pessoa fizer uma solicitação, rei-
período. Estrutura: vindicação ou manifestação, o documento utilizado será um
- Título RELATÓRIO ou RELATÓRIO DE... abaixoassinado, com estrutura semelhante à do requerimen-
- Texto registro em tópicos das principais atividades de- to, devendo haver identificação das assinaturas.
senvolvidas, podendo ser indicados os resultados parciais e A Constituição Federal assegura a todos, independen-
totais, com destaque, se for o caso, para os aspectos positivos temente do pagamento de taxas, o direito de petição aos
e negativos do período abrangido. O cronograma de traba- Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade
lho a ser desenvolvido, os quadros, os dados estatísticos e as ou abuso de poder (art. 51, XXXIV, “a”), sendo que o exercício
tabelas poderão ser apresentados como anexos. desse direito se instrumentaliza por meio de requerimento.
- Local e data. No que concerne especificamente aos servidores públicos, a
- Assinatura e função ou cargo do(s) funcionário(s) rela- lei que institui o Regime único estabelece que o requerimen-
tor(es). to deve ser dirigido à autoridade competente para decidilo e
encaminhado por intermédio daquela a que estiver imedia-
No caso de Relatório de Viagem, aconselhase registrar tamente subordinado o requerente (Lei nº 8.112/90, art. 105).
uma descrição sucinta da participação do servidor no evento
(seminário, curso, missão oficial e outras), indicando o perío- Obs: Modelo no final da matéria.
do e o trecho compreendido. Sempre que possível, o Relató-
rio de Viagem deverá ser elaborado com vistas ao aprovei- Protocolo
tamento efetivo das informações tratadas no evento para os
trabalhos legislativos e administrativos da Casa. O registro de protocolo (ou simplesmente “o protoco-
Quanto à elaboração de Relatório de Atividades, devese lo“) é o livro (ou, mais atualmente, o suporte informático)
atentar para os seguintes procedimentos: em que são transcritos progressivamente os documentos e
- absterse de transcrever a competência formal das uni- os atos em entrada e em saída de um sujeito ou entidade
dades administrativas já descritas nas normas internas; (público ou privado). Este registro, se obedecerem a normas
- relatar apenas as principais atividades do órgão; legais, têm fé pública, ou seja, tem valor probatório em casos
- evitar o detalhamento excessivo das tarefas executadas de controvérsia jurídica.
pelas unidades administrativas que lhe são subordinadas; O termo protocolo tem um significado bastante amplo,
- priorizar a apresentação de dados agregados, grandes identificando-se diretamente com o próprio procedimen-
metas realizadas e problemas abrangentes que foram solu- to. Por extensão de sentido, “protocolo” significa também
cionados; um trâmite a ser seguido para alcançar determinado objetivo
- destacar propostas que não puderam ser concretizadas, (“seguir o protocolo”).
identificando as causas e indicando as prioridades para os A gestão do protocolo é normalmente confiada a uma
próximos anos; repartição determinada, que recebe o material documentário
- gerar um relatório final consolidado, limitado, se possí- do sujeito que o produz em saída e em entrada e os anota
vel, ao máximo de dez páginas para o conjunto da Diretoria, num registro (atualmente em programas informáticos), atrui-
Departamento ou unidade equivalente. buindo-lhes um número e também uma posição de arquivo
de acordo com suas características.
Obs: Modelo no final da matéria. O registro tem quatro elementos necessários e obriga-
tórios:
Requerimento (Petição) - Número progressivo.
- Data de recebimento ou de saída.
É o instrumento por meio do qual o interessado requer - Remetente ou destinatário.
a uma autoridade administrativa um direito do qual se julga - Regesto, ou seja, breve resumo do conteúdo da corres-
detentor. Estrutura: pondência.

108
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Ofício

(Ministério)
(Secretaria/Departamento/Setor/Entidade)
(Endereço para correspondência)
(Endereço – continuação)
(Telefone e Endereço de Correio Eletrônico)

Ofício nº 524/1991/SG-PR

Brasília, 20 de maio de 2011

A Sua Excelência o Senhor


Deputado (Nome)
Câmara dos Deputados
70160-900 – Brasília – DF
3 cm 297 mm
1,5 cm
Assunto: Demarcação de terras indígenas

Senhor Deputado,

1. Em complemento às observações transmitidas pelo telegrama nº 154, de


24 de abril último, informo Vossa Excelência de que as medidas mencionadas em
sua carta nº 6708, dirigida ao Senhor Presidente da República, estão amparadas
pelo procedimento administrativo de demarcação de terras indígenas instituído
pelo Decreto nº 22, de 4 de fevereiro de 1991 (cópia anexa).
2. Em sua comunicação, Vossa Excelência ressalva a necessidade de que –
na definição e demarcação das terras indígenas – fossem levadas em consideração
as características sócio-econômicas regionais.
3. Nos termos do Decreto nº 22, a demarcação de terras indígenas
deverá ser precedida de estudos e levantamentos técnicos que atendam ao disposto
no art. 231, § 1º, da Constituição Federal. Os estudos deverão incluir os aspectos
etno-históricos, sociológicos, cartográficos e fundiários. O exame deste último
aspecto deverá ser feito conjuntamente com o órgão federal ou estadual
competente.
4. Os órgãos públicos federais, estaduais e municipais deverão
encaminhas as informações que julgarem pertinentes sobre a área em estudo. É
igualmente assegurada a manifestação de entidades representativas da sociedade
civil.
5. Os estudos técnicos elaborados pelo órgão federal de proteção ao índio
serão publicados juntamente com as informações recebidas dos órgãos públicos e
das entidades civis acima mencionadas.
6. Como Vossa Excelência pode verificar, o procedimento estabelecido
assegura que a decisão a ser baixada pelo Ministro de Estado da Justiça sobre os
limites e a demarcação de terras indígenas seja informada de todos os elementos
necessários, inclusive daqueles assinalados em sua carta, com a necessária
transparência e agilidade.

Atenciosamente,

(Nome)
(cargo)

210 mm

109
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Aviso

Aviso nº 45/SCT-PR

Brasília, 27 de fevereiro de 2011

A Sua Excelência o Senhor


(Nome e cargo)
297 mm

3 cm
1,5 cm
Assunto: Seminário sobre o uso de energia no setor público

Senhor Ministro,

Convido Vossa Excelência a participar da sessão de abertura do Primeiro


Seminário Regional sobre o Uso Eficiente de Energia no Setor Público, a ser
realizado em 5 de março próximo, às 9 horas, no auditório da Escola Nacional de
Administração Pública – ENAP, localizada no Setor de Áreas Isoladas, nesta
capital.
O Seminário mencionado inclui-se nas atividades do Programa Nacional das
Comissões Internas de Conservação de Energia em Órgãos Públicos, instituído
pelo Decreto nº 99.656, de 26 de outubro de 1990.

Atenciosamente,

(Nome do signatário)
(cargo do signatário)

210 mm

110
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Memorando

Mem. 118/DJ

Em 12 de abril de 2011

Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração

297 mm
Assunto: Administração, Instalação de microcomputadores
1,5 cm

1. Nos termos do Plano Geral de Informatização, solicito a Vossa


Senhoria verificar a possibilidade de que sejam instalados três microcomputadores
neste Departamento.
2. Sem descer a maiores detalhes técnicos, acrescento, apenas, que o ideal
seria que o equipamento fosse dotado de disco rígido e de monitor padrão EGA.
Quanto a programas, haveria necessidade de dois tipos: um processador de textos
e outro gerenciador de banco de dados.
3. O treinamento de pessoal para operação dos micros poderia ficar a cargo
da Seção de Treinamento do Departamento de Modernização, cuja chefia já
manifestou seu acordo a respeito.
4. Devo mencionar, por fim, que a informatização dos trabalhos deste
Departa-mento ensejará racional distribuição de tarefas entre os servidores e,
sobretudo, uma melhoria na qualidade dos serviços prestados.

Atenciosamente,

(Nome do signatário)

210 mm

111
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Exposição de Motivos de Caráter Informativo

5 cm

EM nº 00146/1991-MRE

5 cm Brasília, 24 de maio de 2011

3 cm 1,5 cm

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

2,5 cm
O Presidente George Bush anunciou, no último dia 13, significativa
mudança da posição norte-americana nas negociações que se realizam – na
Conferência do Desarmamento, em Genebra – de uma convenção multilateral de
proscrição total das armas químicas. Ao renunciar à manutenção de cerca de dois
por cento de seu arsenal químico até a adesão à convenção de todos os países em
condições de produzir armas químicas, os Estados Unidos reaproximaram sua
postura da maioria dos quarenta países participantes do processo negociador,
inclusive o Brasil, abrindo possibilidades concretas de que o tratado a ser
concluído e assinado em prazo de cerca de um ano. (...)
1 cm
2,5 cm
Atenciosamente,
2,5 cm

(Nome)
(cargo)

112
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Mensagem

5 cm

Mensagem nº 118

4 cm

297 mm

Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,

2 cm 1,5 cm

3 cm
Comunico a Vossa Excelência o recebimento das mensagens SM nºs
106 a 110, de 1991, nas quais informo a promulgação dos Decretos Legislativos
nºs 93 a 97, de 1991, relativos à exploração de serviços de radiodifusão.

Brasília, 28 de março de 2011

210 mm

113
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Telegrama
[órgão Expedidorl
[setor do órgão expedidor]
[endereço do órgão expedidor]

Destinatário: _________________________________________________________
Nº do fax de destino: _________________________________ Data: ___/___/_____
Remetente: __________________________________________________________
Tel. p/ contato: ____________________Fax/correio eletrônico: ________________
Nº de páginas: esta + ______Nº do documento: _____________________________
Observações: _________________________________________________________
____________________________________________________________________


Exemplo de Apostila
APOSTILA

A Diretora da Coordenação de Secretariado Parlamentar do Departamento de Pessoal


declara que o servidor José da Silva, nomeado pela Portaria CDCC-RQ001/2004, publicada no
Suplemento ao Boletim Administrativo de 30 de março de 2004, teve sua situação funcional
alterada, de Secretário Parlamentar Requisitado, ponto n. 123, para Secretário Parlamentar sem
vínculo efetivo com o serviço público, ponto n. 105.123, a partir de 11 de abril de 2004, em face de
decisão contida no Processo n. 25.001/2004.

Brasília, em 26/5/2011

Maria da Silva
Diretora

Exemplo de ATA
CAMARA DOS DEPUTADOS
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO
Coordenação de Publicações

ATA

As 10h15min, do dia 24 de maio de 2011, na Sala de Reunião do Cedi, a Sra. Maria da


Silva, Diretora da Coordenação, deu início aos trabalhos com a leitura da ala da reunião anterior, que
foi aprovada, sem alterações. Em prosseguimento, apresentou a pauta da reunião, com a inclusão
do item “Projetos Concluídos”, sendo aprovada sem o acréscimo de novos itens. Tomou a palavra
o Sr. José da Silva, Chefe da Seção de Marketing, que apresentou um breve relato das atividades
desenvolvidas no trimestre, incluindo o lançamento dos novos produtos. Em seguida, o Sr. Mário dos
Santos, Chefe da Tipografia, ressaltou que nos últimos meses os trabalhos enviados para publicação
estavam de acordo com as normas estabelecidas, parabenizando a todos pelos resultados alcançados.
Com relação aos projeXos concluídos, a Diretora esclareceu que todos mantiveram-se dentro do
cronograma de trabalho preestabelecido e que serao encaminhados à gráfica na próxima semana.
Às 11h45min a Diretora encerrou os trabalhos, antes convocando reunião para o dia 2 de junho,
quarta-feira, às 10 horas, no mesmo local. Nada mais havendo a tratar, a reunião foi encerrada, e eu,
Ana de Souza, lavrei a presente ata que vai assinada por mim e pela Diretora.

Diretora

Secretária

114
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Despacho

CÂMARA DOS DEPUTADOS


PRIMEIRASECRETARIA

Processo n . .........
Em .... / .... /200 ...

Ao Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, por força do disposto no inciso I do art. 70
do Regimento do Cefor, c/c o art. 95, da Lei n. 8.112/90, com parecer favorável desta Secretaria, nos termos
das informações e manifestações dos órgãos técnicos da Casa.

Deputado José da Silva


PrimeiroSecretário

Exemplo de Ordem de Serviço

CÂMARA DOS DEPUTADOS


CONSULTORIA TÉCNICA

ORDEM DE SERVIÇO N. 3, DE 6/6/2010

O DIRETOR DA CONSULTORIA TÉCNICA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, no uso de suas


atribuições, resolve:
1. As salas 3 e 4 da Consultoria Técnica ficam destinadas a reuniões de trabalho com deputados,
consultores e servidores dos setores de apoio da Consultoria Técnica.
2. As reuniões de trabalho serão agendadas previamente pela Diretoria da Coordenação de
Serviços Gerais.
................................................................................................................................
6. Havendo mais de uma solicitação de uso para o mesmo horário, será adotada a seguinte
ordem de preferência:
1 reuniões de trabalho com a participação de deputados;
11 reuniões de trabalho da diretoria;
111 reuniões de trabalho dos consultores;
IV . ..................................................................................................................................
V . ....................................................................................................................................
7. O cancelamento de reunião deverá ser imediatamente comunicado à Diretoría da
Coordenação de Serviços Gerais.

José da Silva
Diretor

115
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Parecer

PARECER JURÍDICO

De: Departamento Jurídico


Para: Gerente Administrativo

Senhor Gerente,

Com relação à questão sobre a estabilidade provisória por gestação, ou não, da empregada Fulana de Tal, passamos
a analisar o assunto.
O artigo 10, letra “b”, do ADCT, assegura estabilidade à empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até
cinco meses após o parto.
Nesta hipótese, existe responsabilidade objetiva do empregador pela manutenção do emprego, ou seja, basta
comprovar a gravidez no curso do contrato para que haja incidência da regra que assegura a estabilidade provisória no
emprego. O fundamento jurídico desta estabilidade é a proteção à maternidade e à infância, ou seja, proteger a gestante e o
nascituro, assegurando a dignidade da pessoa humana.
A confirmação da gravidez, expressão utilizada na Constituição, refere-se à afirmativa médica do estado gestacional
da empregada e não exige que o empregador tenha ciência prévia da situação da gravidez. Neste sentido tem sido as
reiteradas decisões do C. TST, culminando com a edição da Súmula n. 244, que assim disciplina a questão:
I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização
decorrente da estabilidade. (art. 10, II, “b” do ADCT). (ex-OJ nº 88 – DJ 16.04.2004).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do
contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade. (ex-Súmula nº
244 – Res 121/2003, DJ 19.11.2003).
III - Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de
experiência, visto que a extinção da relação de emprego, em face do término do prazo, não constitui dispensa arbitrária ou
sem justa causa. (ex-OJ nº 196 - Inserida em 08.11.2000).
No caso colocado em análise, percebe-se que não havia confirmação da gestação antes da dispensa. Ao contrário,
diante da suspeita de gravidez, a empresa teve o cuidado de pedir a realização de exame laboratorial, o que foi feito, não
tendo sido confirmada a gravidez. A empresa só dispensou a empregada depois que lhe foi apresentado o resultado negativo
do teste de gravidez. A confirmação do estado gestacional só veio após a dispensa.
Assim, para solução da questão, importante indagar se gravidez confirmada no curso aviso prévio indenizado
garante ou não a estabilidade.
O TST tem decidido (Súmula 371), que a projeção do contrato de trabalho para o futuro, pela concessão de aviso
prévio indenizado, tem efeitos limitados às vantagens econômicas obtidas no período de pré-aviso. Este entendimento
exclui a estabilidade provisória da gestante, quando a gravidez ocorre após a rescisão contratual.
A gravidez superveniente à dispensa, durante o aviso prévio indenizado, não assegura a estabilidade. Contudo, na
hipótese dos autos, embora a gravidez tenha sido confirmada no curso do aviso prévio indenizado, certo é que a empregada
já estava grávida antes da dispensa, como atestam os exames trazidos aos autos. A conclusão da ultrossonografia obstétrica
afirma que em 30 de julho de 2009 a idade gestacional ecografica era de pouco mais de 13 semanais, portanto, na data do
afastamento a reclamante já contava com mais de 01 mês de gravidez.
Em face do exposto, considerando os fundamentos jurídicos do instituto da estabilidade da gestante, considerando
que a responsabilidade do empregador pela manutenção do emprego é objetiva e considerando que o desconhecimento do
estado gravídico não impede o reconhecimento da gravidez, conclui-se que:
a) não existe estabilidade quando a gravidez ocorre na vigência do aviso prévio indenizado;
b) fica assegurada a estabilidade quando, embora confirmada no período do aviso prévio indenizado, a gravidez
ocorre antes da dispensa.
De acordo com tais conclusões, entendemos que a empresa deve proceder a reintegração da empregada diante da
estabilidade provisória decorrente da gestação.
É o parecer.

(localidade), (dia) de (mês) de (ano).


(assinatura)
(nome)
(cargo)

116
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo de Portaría

CÂMARA DOS DEPUTADOS


DIRETORIAGERAL

PORTARIA N. 1, de 13/1/2010

Disciplina a utilização da chancela eletrônica nas requisições


de passagens aéreas e diárias de viagens, autorizadasem
processos administrativos no âmbito da Câmara dos
Deputados e assinadas pelo DiretorGeral.

O DIRETORGERAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, no uso das atribuições que lhe confere o
artigo 147, item XV, da Resolução n. 20, de 30 de novembro de 1971, resolve:
Art. 11 Fica instituído o uso da chancela eletrônica nas requisições de passagens aéreas e diárias de
viagens, autorizadas em processos administrativos pela autoridade competente e assinadas pelo DiretorGeral,
para parlamentar, servidor ou convidado, no âmbito da Câmara dos Deputados.
Art. 21 A chancela eletrônica, de acesso restrito, será válida se autenticada mediante código de
segurança e acompanhada do atesto do Chefe de Gabinete da DiretoriaGeral ou do seu primeiro substituto.
Art. 31 Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida


DiretorGeral

Modelo de Relatório
CÂMARA DOS DEPUTADOS
ÓRGÃO PRINCIPAL
órgão Secundário

RELATÓRIO

Introdução
Apresentar um breve resumo das temáticas a serem abordadas. Em se tratando de relatório de viagem,
indicar a denominação do evento, local e período compreendido.

Tópico 1
Atribuir uma temática para o relato a ser apresentado.
........................................................................................................................

Tópico 1.1
Havendo subdivisões, os assuntos subseqüentes serão apresentados hierarquizados à temática geral.
.................................................................................. ....

Tópico 2
Atribuir uma temática para o relato a ser apresentado.
.........................................................................................................................

3. Considerações finais
.........................................................................................................................

Brasília, ............................ de de 201...

Nome
Função ou Cargo

117
LÍNGUA PORTUGUESA

Modelo de Requerimento

CÂMARA DOS DEPUTADOS


ÓRGÃO PRINCIPAL
Órgão Secundário

(Vocativo)
(Cargo ou função e nome do destinatário)

.................................... (nome do requerente, em maiúsculas) ..........................


.......................................................... (demais dados de qualificação), requer .................
............................................................................................................................................

Nestes termos,
Pede deferimento.

Brasília, ....... de .................. ���������������������������������������������������������� de 201.....

Nome
Cargo ou Função

Questões

01. Analise:
1. Atendendo à solicitação contida no expediente acima referido, vimos encaminhar a V. Sª. as informações referentes ao
andamento dos serviços sob responsabilidade deste setor.
2. Esclarecemos que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para o cumprimento dos prazos estipulados e o
atingimento das metas estabelecidas.
A redação do documento acima indica tratar-se
(A) do encaminhamento de uma ata.
(B) do início de um requerimento.
(C) de trecho do corpo de um ofício.
(D) da introdução de um relatório.
(E) do fecho de um memorando.

02. A redação inteiramente apropriada e correta de um documento oficial é:


(A) Estamos encaminhando à Vossa Senhoria algumas reivindicações, e esperamos poder estar sendo recebidos em
vosso gabinete para discutir nossos problemas salariais.
(B) O texto ora aprovado em sessão extraordinária prevê a redistribuição de pessoal especializado em serviços gerais
para os departamentos que foram recentemente criados.
(C) Estou encaminhando a presença de V. Sª. este jovem, muito inteligente e esperto, que lhe vai resolver os problemas
do sistema de informatização de seu gabinete.
(D) Quando se procurou resolver os problemas de pessoal aqui neste departamento, faltaram um número grande de
servidores para os andamentos do serviço.
(E) Do nosso ponto de vista pessoal, fica difícil vos informar de quais providências vão ser tomadas para resolver essa
confusão que foi criado pelos manifestantes.

Resposta 01-C / 02-B /

118
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal de 1988: Capítulo VII, Seções I e II - Da Administração Pública (arts. 37 e 38) e Dos Servidores Pú-
blicos (arts. 39 a 41)................................................................................................................................................................................................. 01
Lei Federal nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990 que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civil da
União, das autarquias e das fundações públicas federais........................................................................................................................ 14
Decreto Federal nº 1.171 de 22 de junho de 1994 que aprovou o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal: Seção II – Dos Principais Deveres do Servidor Público;................................................................. 41
Lei Federal nº 11.091 de 12 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Car-
gos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da
Educação, e dá outras providências.................................................................................................................................................................. 42
Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamentou o artigo 37, XXI, da Constituição Federal, institui normas para
licitações e contratos da Administração Pública.......................................................................................................................................... 77
Lei nº 10.520/2002, de 17 de julho de 2002, que instituiu, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição
de bens e serviços comuns, e dá outras providências.............................................................................................................................104
Decreto Federal nº 5.450, de 31 de maio de 2005, que regulamentou o pregão, na forma eletrônica, para aquisição de
bens e serviços comuns, e dá outras providências...................................................................................................................................107
Decreto Federal nº 3.555, de 08 de agosto de 2000, que aprovou o Regulamento para a modalidade de licitação deno-
minada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns.................................................................................................................112
Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito Federal.....................................116
Lei Federal nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que Instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências...............................121
Lei 13.146/2015 Estatuto da Pessoa com Deficiência..............................................................................................................................128
LEGISLAÇÃO

b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interes-


ses que representa, a administração pública está proibida
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988:
de promover discriminações gratuitas. Discriminar é tratar
CAPÍTULO VII, SEÇÕES I E II - DA alguém de forma diferente dos demais, privilegiando ou
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ARTS. 37 E 38) E prejudicando. Segundo este princípio, a administração pú-
DOS SERVIDORES PÚBLICOS (ARTS. 39 A 41). blica deve tratar igualmente todos aqueles que se encon-
trem na mesma situação jurídica (princípio da isonomia ou
igualdade). Por exemplo, a licitação reflete a impessoalida-
1) Princípios da Administração Pública de no que tange à contratação de serviços. O princípio da
Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permi- impessoalidade correlaciona-se ao princípio da finalidade,
tem que ele consolide o bem comum e garanta a preser- pelo qual o alvo a ser alcançado pela administração públi-
vação dos interesses da coletividade, se encontram exte- ca é somente o interesse público. Com efeito, o interesse
riorizados em princípios e regras. Estes, por sua vez, são particular não pode influenciar no tratamento das pessoas,
estabelecidos na Constituição Federal e em legislações in- já que deve-se buscar somente a preservação do interesse
fraconstitucionais, a exemplo das que serão estudadas nes- coletivo.
te tópico, quais sejam: Decreto n° 1.171/94, Lei n° 8.112/90 c) Princípio da moralidade: A posição deste princí-
e Lei n° 8.429/92. pio no artigo 37 da CF representa o reconhecimento de
Todas as diretivas de leis específicas sobre a ética no uma espécie de moralidade administrativa, intimamente
setor público partem da Constituição Federal, que estabe- relacionada ao poder público. A administração pública não
lece alguns princípios fundamentais para a ética no setor atua como um particular, de modo que enquanto o des-
público. Em outras palavras, é o texto constitucional do ar- cumprimento dos preceitos morais por parte deste parti-
tigo 37, especialmente o caput, que permite a compreen- cular não é punido pelo Direito (a priori), o ordenamento
são de boa parte do conteúdo das leis específicas, porque jurídico adota tratamento rigoroso do comportamento
possui um caráter amplo ao preconizar os princípios fun- imoral por parte dos representantes do Estado. O princípio
damentais da administração pública. Estabelece a Consti- da moralidade deve se fazer presente não só para com os
tuição Federal: administrados, mas também no âmbito interno. Está indis-
sociavelmente ligado à noção de bom administrador, que
Artigo 37, CF. A administração pública direta e indireta não somente deve ser conhecedor da lei, mas também dos
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito princípios éticos regentes da função administrativa. TODO
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de lega- ATO IMORAL SERÁ DIRETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS
lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
IMPESSOAL, daí a intrínseca ligação com os dois princípios
e, também, ao seguinte: [...]
anteriores.
São princípios da administração pública, nesta ordem:
d) Princípio da publicidade: A administração pública
Legalidade
é obrigada a manter transparência em relação a todos seus
Impessoalidade
atos e a todas informações armazenadas nos seus ban-
Moralidade
cos de dados. Daí a publicação em órgãos da imprensa e
Publicidade
a afixação de portarias. Por exemplo, a própria expressão
Eficiência
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras for- concurso público (art. 37, II, CF) remonta ao ideário de que
mam o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada da todos devem tomar conhecimento do processo seletivo de
Administração Pública. É de fundamental importância um servidores do Estado. Diante disso, como será visto, se ne-
olhar atento ao significado de cada um destes princípios, gar indevidamente a fornecer informações ao administrado
posto que eles estruturam todas as regras éticas prescritas caracteriza ato de improbidade administrativa.
no Código de Ética e na Lei de Improbidade Administrativa, No mais, prevê o §1º do artigo 37, CF, evitando que o
tomando como base os ensinamentos de Carvalho Filho1 e princípio da publicidade seja deturpado em propaganda
Spitzcovsky2: político-eleitoral:
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legali-
dade significa a permissão de fazer tudo o que a lei não Artigo 37, §1º, CF. A publicidade dos atos, programas,
proíbe. Contudo, como a administração pública representa obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter
os interesses da coletividade, ela se sujeita a uma relação caráter educativo, informativo ou de orientação social,
de subordinação, pela qual só poderá fazer o que a lei ex- dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
pressamente determina (assim, na esfera estatal, é preciso caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servido-
lei anterior editando a matéria para que seja preservado o res públicos.
princípio da legalidade). A origem deste princípio está na
criação do Estado de Direito, no sentido de que o próprio Somente pela publicidade os indivíduos controlarão
Estado deve respeitar as leis que dita. a legalidade e a eficiência dos atos administrativos. Os
1 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de instrumentos para proteção são o direito de petição e as
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. certidões (art. 5°, XXXIV, CF), além do habeas data e - resi-
2 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. dualmente - do mandado de segurança. Neste viés, ainda,
ed. São Paulo: Método, 2011. prevê o artigo 37, CF em seu §3º: 

1
LEGISLAÇÃO

Artigo 37, §3º, CF. A lei disciplinará as formas de par- Em relação à necessidade de motivação dos atos admi-
ticipação do usuário na administração pública direta e nistrativos vinculados (aqueles em que a lei aponta um único
indireta, regulando especialmente: comportamento possível) e dos atos discricionários (aqueles
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços pú- que a lei, dentro dos limites nela previstos, aponta um ou
blicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de mais comportamentos possíveis, de acordo com um juízo de
atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e conveniência e oportunidade), a doutrina é uníssona na de-
interna, da qualidade dos serviços; terminação da obrigatoriedade de motivação com relação
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e aos atos administrativos vinculados; todavia, diverge quanto
a informações sobre atos de governo, observado o disposto à referida necessidade quanto aos atos discricionários.
no art. 5º, X e XXXIII; Meirelles4 entende que o ato discricionário, editado sob
III - a disciplina da representação contra o exercício ne- os limites da Lei, confere ao administrador uma margem de
gligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na admi- liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportunida-
nistração pública. de, não sendo necessária a motivação. No entanto, se houver
tal fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em
e) Princípio da eficiência: A administração pública razão da necessidade de observância da Teoria dos Moti-
deve manter o ampliar a qualidade de seus serviços com vos Determinantes. O entendimento majoritário da doutrina,
controle de gastos. Isso envolve eficiência ao contratar porém, é de que, mesmo no ato discricionário, é necessária
pessoas (o concurso público seleciona os mais qualifi- a motivação para que se saiba qual o caminho adotado pelo
cados ao exercício do cargo), ao manter tais pessoas em administrador. Gasparini5, com respaldo no art. 50 da Lei n.
seus cargos (pois é possível exonerar um servidor público 9.784/98, aponta inclusive a superação de tais discussões
por ineficiência) e ao controlar gastos (limitando o teto de doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para
remuneração), por exemplo. O núcleo deste princípio é a todos os atos nele elencados, compreendendo entre estes,
procura por produtividade e economicidade. Alcança os tanto os atos discricionários quanto os vinculados.
serviços públicos e os serviços administrativos internos, se
referindo diretamente à conduta dos agentes. 2) Regras mínimas sobre direitos e deveres dos ser-
Além destes cinco princípios administrativo-constitu- vidores
cionais diretamente selecionados pelo constituinte, podem O artigo 37 da Constituição Federal estabelece os princí-
ser apontados como princípios de natureza ética relaciona- pios da administração pública estudados no tópico anterior,
dos à função pública a probidade e a motivação: aos quais estão sujeitos servidores de quaisquer dos Pode-
a) Princípio da probidade: um princípio constitucio- res em qualquer das esferas federativas, e, em seus incisos,
nal incluído dentro dos princípios específicos da licitação, regras mínimas sobre o serviço público:
é o dever de todo o administrador público, o dever de ho-
nestidade e fidelidade com o Estado, com a população, no Artigo 37, I, CF. Os cargos, empregos e funções públicas
desempenho de suas funções. Possui contornos mais defi- são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos
nidos do que a moralidade. Diógenes Gasparini3 alerta que estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma
alguns autores tratam veem como distintos os princípios da lei.
da moralidade e da probidade administrativa, mas não há
características que permitam tratar os mesmos como pro- Aprofundando a questão, tem-se o artigo 5º da Lei nº
cedimentos distintos, sendo no máximo possível afirmar 8.112/1990, que prevê:
que a probidade administrativa é um aspecto particular da
moralidade administrativa. Artigo 5º, Lei nº 8.112/1990. São requisitos básicos para
b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao investidura em cargo público:
administrador de motivar todos os atos que edita, gerais I - a nacionalidade brasileira;
ou de efeitos concretos. É considerado, entre os demais II - o gozo dos direitos políticos;
princípios, um dos mais importantes, uma vez que sem a III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
motivação não há o devido processo legal, uma vez que a IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do
fundamentação surge como meio interpretativo da decisão cargo;
que levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro V - a idade mínima de dezoito anos;
meio de viabilização do controle da legalidade dos atos da VI - aptidão física e mental.
Administração. § 1º As atribuições do cargo podem justificar a exigência
Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicá- de outros requisitos estabelecidos em lei. [...]
vel ao caso concreto e relacionar os fatos que concreta- § 3º As universidades e instituições de pesquisa cientí-
mente levaram à aplicação daquele dispositivo legal. Todos fica e tecnológica federais poderão prover seus cargos com
os atos administrativos devem ser motivados para que o professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo
Judiciário possa controlar o mérito do ato administrativo com as normas e os procedimentos desta Lei.
quanto à sua legalidade. Para efetuar esse controle, devem 4 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo
ser observados os motivos dos atos administrativos. brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993.
3 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª 5 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª
ed. São Paulo: Saraiva, 2004. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

2
LEGISLAÇÃO

Destaca-se a exceção ao inciso I do artigo 5° da Lei nº 8.112/1990 e do inciso I do artigo 37, CF, prevista no artigo 207
da Constituição, permitindo que estrangeiros assumam cargos no ramo da pesquisa, ciência e tecnologia.

Artigo 37, II, CF. A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de
provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.

Preconiza o artigo 10 da Lei nº 8.112/1990:

Artigo 10, Lei nº 8.112/90. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia
habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua vali-
dade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção,
serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamen-
tos.

No concurso de provas o candidato é avaliado apenas pelo seu desempenho nas provas, ao passo que nos concursos
de provas e títulos o seu currículo em toda sua atividade profissional também é considerado. Cargo em comissão é o cargo
de confiança, que não exige concurso público, sendo exceção à regra geral.

Artigo 37, III, CF. O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual pe-
ríodo.

Artigo 37, IV, CF. Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público
de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego,
na carreira.

Prevê o artigo 12 da Lei nº 8.112/1990:

Artigo 12, Lei nº 8.112/1990. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma única
vez, por igual período.
§1º O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em edital, que será publicado no
Diário Oficial da União e em jornal diário de grande circulação.
§ 2º Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade
não expirado.
O edital delimita questões como valor da taxa de inscrição, casos de isenção, número de vagas e prazo de validade.
Havendo candidatos aprovados na vigência do prazo do concurso, ele deve ser chamado para assumir eventual vaga e não
ser realizado novo concurso.
Destaca-se que o §2º do artigo 37, CF, prevê:

Artigo 37, §2º, CF. A não-observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autori-
dade responsável, nos termos da lei.

Com efeito, há tratamento rigoroso da responsabilização daquele que viola as diretrizes mínimas sobre o ingresso no
serviço público, que em regra se dá por concurso de provas ou de provas e títulos.

Artigo 37, V, CF. As funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os car-
gos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos
em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

3
LEGISLAÇÃO

Observa-se o seguinte quadro comparativo6:

Função de Confiança Cargo em Comissão


Exercidas exclusivamente por servidores Qualquer pessoa, observado o percentual mínimo
ocupantes de cargo efetivo. reservado ao servidor de carreira.
Com concurso público, já que somente pode
Sem concurso público, ressalvado o percentual
exercê-la o servidor de cargo efetivo, mas a função
mínimo reservado ao servidor de carreira.
em si não prescindível de concurso público.
É atribuído posto (lugar) num dos quadros da
Somente são conferidas atribuições e
Administração Pública, conferida atribuições e
responsabilidade
responsabilidade àquele que irá ocupá-lo
Destinam-se apenas às atribuições de direção, Destinam-se apenas às atribuições de direção,
chefia e assessoramento chefia e assessoramento
De livre nomeação e exoneração no que se refere
De livre nomeação e exoneração
à função e não em relação ao cargo efetivo.

Artigo 37, VI, CF. É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical.

A liberdade de associação é garantida aos servidores públicos tal como é garantida a todos na condição de direito
individual e de direito social.

Artigo 37, VII, CF. O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.

O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públicos possuem o direito de greve, devendo se atentar pela
preservação da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada uma legislação específica para os funcionários
públicos, deverá ser obedecida a lei geral de greve para os funcionários privados, qual seja a Lei n° 7.783/89 (Mandado de
Injunção nº 20).

Artigo 37, VIII, CF. A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiên-
cia e definirá os critérios de sua admissão.

Neste sentido, o §2º do artigo 5º da Lei nº 8.112/1990:

Artigo 5º, Lei nº 8.112/90. Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público
para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas
serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.

Prossegue o artigo 37, CF:

Artigo 37, IX, CF. A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade tempo-
rária de excepcional interesse público.

A Lei nº 8.745/1993 regulamenta este inciso da Constituição, definindo a natureza da relação estabelecida entre o
servidor contratado e a Administração Pública, para atender à “necessidade temporária de excepcional interesse público”.
“Em se tratando de relação subordinada, isto é, de relação que comporta dependência jurídica do servidor perante o
Estado, duas opções se ofereciam: ou a relação seria trabalhista, agindo o Estado iure gestionis, sem usar das prerrogativas
de Poder Público, ou institucional, estatutária, preponderando o ius imperii do Estado. Melhor dizendo: o sistema preconi-
zado pela Carta Política de 1988 é o do contrato, que tanto pode ser trabalhista (inserindo-se na esfera do Direito Privado)
quanto administrativo (situando-se no campo do Direito Público). [...] Uma solução intermediária não deixa, entretanto,
de ser legítima. Pode-se, com certeza, abonar um sistema híbrido, eclético, no qual coexistam normas trabalhistas e esta-
tutárias, pondo-se em contiguidade os vínculos privado e administrativo, no sentido de atender às exigências do Estado
moderno, que procura alcançar os seus objetivos com a mesma eficácia dos empreendimentos não-governamentais”7.

6 http://direitoemquadrinhos.blogspot.com.br/2011/03/quadro-comparativo-funcao-de-confianca.html
7 VOGEL NETO, Gustavo Adolpho. Contratação de servidores para atender a necessidade temporária de excepcional interesse
público. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_39/Artigos/Art_Gustavo.htm>. Acesso em: 23 dez. 2014.

4
LEGISLAÇÃO

Artigo 37, X, CF. A remuneração dos servidores pú- Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos
blicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somen- Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a no-
te poderão ser fixados ou alterados por lei específica, venta inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do
observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável
de índices. este limite aos membros do Ministério Público, aos Pro-
curadores e aos Defensores Públicos.
Artigo 37, XV, CF. O subsídio e os vencimentos dos ocu-
pantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, Artigo 37, XII, CF. Os vencimentos dos cargos do Poder
ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superio-
nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. res aos pagos pelo Poder Executivo.

Artigo 37, §10, CF. É vedada a percepção simultânea Prevê a Lei nº 8.112/1990 em seu artigo 42:
de proventos de aposentadoria decorrentes do art.
40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, Artigo 42, Lei nº 8.112/90. Nenhum servidor poderá per-
emprego ou função pública, ressalvados os cargos acu- ceber, mensalmente, a título de remuneração, importância
muláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e superior à soma dos valores percebidos como remuneração,
os cargos em comissão declarados em lei de livre nomea- em espécie, a qualquer título, no âmbito dos respectivos Po-
ção e exoneração. deres, pelos Ministros de Estado, por membros do Congresso
Nacional e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Parágra-
Sobre a questão, disciplina a Lei nº 8.112/1990 nos ar- fo único. Excluem-se do teto de remuneração as vantagens
tigos 40 e 41: previstas nos incisos II a VII do art. 61.

Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exer- Com efeito, os §§ 11 e 12 do artigo 37, CF tecem apro-
cício de cargo público, com valor fixado em lei. fundamentos sobre o mencionado inciso XI:

Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, Artigo 37, § 11, CF. Não serão computadas, para efei-
acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabele- to dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do
cidas em lei. caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório
§ 1º A remuneração do servidor investido em função ou previstas em lei.
cargo em comissão será paga na forma prevista no art. 62.
§ 2º O servidor investido em cargo em comissão de ór- Artigo 37, § 12, CF. Para os fins do disposto no inciso
gão ou entidade diversa da de sua lotação receberá a remu- XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao
neração de acordo com o estabelecido no § 1º do art. 93. Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às
§ 3º O vencimento do cargo efetivo, acrescido das van- respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite úni-
tagens de caráter permanente, é irredutível. co, o subsídio mensal dos Desembargadores do respec-
§ 4º É assegurada a isonomia de vencimentos para tivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e
cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos
Poder, ou entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o
vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Esta-
ao local de trabalho. duais e Distritais e dos Vereadores.
§ 5º Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao
salário mínimo. Por seu turno, o artigo 37 quanto à vinculação ou equi-
Ainda, o artigo 37 da Constituição: paração salarial:

Artigo 37, XI, CF. A remuneração e o subsídio dos ocu- Artigo 37, XIII, CF. É vedada a vinculação ou equipara-
pantes de cargos, funções e empregos públicos da ad- ção de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de
ministração direta, autárquica e fundacional, dos mem- remuneração de pessoal do serviço público.
bros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Os padrões de vencimentos são fixados por conselho
Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de man- de política de administração e remuneração de pessoal,
dato eletivo e dos demais agentes políticos e os proven- integrado por servidores designados pelos respectivos
tos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos Poderes (artigo 39, caput e § 1º), sem qualquer garantia
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais constitucional de tratamento igualitário aos cargos que se
ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o mostrem similares.
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municí- Artigo 37, XIV, CF. Os acréscimos pecuniários percebi-
pios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito dos por servidor público não serão computados nem acu-
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do mulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores.
Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e

5
LEGISLAÇÃO

A preocupação do constituinte, ao implantar tal pre- Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica
ceito, foi de que não eclodisse no sistema remuneratório à remuneração devida pela participação em conselhos de
dos servidores, ou seja, evitar que se utilize uma vantagem administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de
como base de cálculo de um outro benefício. Dessa forma, economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como
qualquer gratificação que venha a ser concedida ao servi- quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou
dor só pode ter como base de cálculo o próprio vencimen- indiretamente, detenha participação no capital social, obser-
to básico. É inaceitável que se leve em consideração outra vado o que, a respeito, dispuser legislação específica.
vantagem até então percebida.
Art. 120, Lei nº 8.112/1990. O servidor vinculado ao re-
Artigo 37, XVI, CF. É vedada a acumulação remunera- gime desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efeti-
da de cargos públicos, exceto, quando houver compati- vos, quando investido em cargo de provimento em comissão,
bilidade de horários, observado em qualquer caso o dis- ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipóte-
posto no inciso XI: a) a de dois cargos de professor; b) a de se em que houver compatibilidade de horário e local com o
um cargo de professor com outro, técnico ou científico; exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissio- dos órgãos ou entidades envolvidos.
nais de saúde, com profissões regulamentadas.
“Os artigos 118 a 120 da Lei nº 8.112/90 ao tratarem da
Artigo 37, XVII, CF. A proibição de acumular estende-se acumulação de cargos e funções públicas, regulamentam,
a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, no âmbito do serviço público federal a vedação genérica
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas constante do art. 37, incisos VXI e XVII, da Constituição da
subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indire- República. De fato, a acumulação ilícita de cargos públicos
tamente, pelo poder público. constitui uma das infrações mais comuns praticadas por
servidores públicos, o que se constata observando o eleva-
Segundo Carvalho Filho8, “o fundamento da proibição do número de processos administrativos instaurados com
é impedir que o cúmulo de funções públicas faça com que esse objeto. O sistema adotado pela Lei nº 8.112/90 é rela-
o servidor não execute qualquer delas com a necessária efi- tivamente brando, quando cotejado com outros estatutos
ciência. Além disso, porém, pode-se observar que o Cons- de alguns Estados, visto que propicia ao servidor incurso
tituinte quis também impedir a cumulação de ganhos em nessa ilicitude diversas oportunidades para regularizar sua
detrimento da boa execução de tarefas públicas. [...] Nota- situação e escapar da pena de demissão. Também prevê a
se que a vedação se refere à acumulação remunerada. Em lei em comentário, um processo administrativo simplifica-
consequência, se a acumulação só encerra a percepção de do (processo disciplinar de rito sumário) para a apuração
vencimentos por uma das fontes, não incide a regra cons- dessa infração – art. 133” 9.
titucional proibitiva”.
A Lei nº 8.112/1990 regulamenta intensamente a Artigo 37, XVIII, CF. A administração fazendária e
questão: seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de com-
petência e jurisdição, precedência sobre os demais setores
Artigo 118, Lei nº 8.112/1990. Ressalvados os casos pre- administrativos, na forma da lei.
vistos na Constituição, é vedada a acumulação remunera-
da de cargos públicos. Artigo 37, XXII, CF. As administrações tributárias da
§ 1o A proibição de acumular estende-se a cargos, em- União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
pregos e funções em autarquias, fundações públicas, em- atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas
presas públicas, sociedades de economia mista da União, por servidores de carreiras específicas, terão recursos prio-
do Distrito Federal, dos Estados, dos Territórios e dos Mu- ritários para a realização de suas atividades e atuarão
nicípios. de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de
§ 2o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica con- cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou con-
dicionada à comprovação da compatibilidade de horá- vênio.
rios.
§ 3o Considera-se acumulação proibida a percepção “O Estado tem como finalidade essencial a garantia
de vencimento de cargo ou emprego público efetivo com do bem-estar de seus cidadãos, seja através dos serviços
proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que públicos que disponibiliza, seja através de investimentos
decorram essas remunerações forem acumuláveis na ati- na área social (educação, saúde, segurança pública). Para
vidade. atingir esses objetivos primários, deve desenvolver uma
atividade financeira, com o intuito de obter recursos indis-
Art. 119, Lei nº 8.112/1990. O servidor não poderá pensáveis às necessidades cuja satisfação se comprometeu
exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso quando estabeleceu o “pacto” constitucional de 1988. [...]
previsto no parágrafo único do art. 9o, nem ser remunerado A importância da Administração Tributária foi reconhecida
pela participação em órgão de deliberação coletiva.  9 MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Ser-
8 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de vidores Públicos da União. Disponível em: <http://www.canaldosconcur-
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. sos.com.br/artigos/almirmorgado_artigo1.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2013.

6
LEGISLAÇÃO

expressamente pelo constituinte que acrescentou, no arti- Continua o artigo 37, CF:
go 37 da Carta Magna, o inciso XVIII, estabelecendo a sua
precedência e de seus servidores sobre os demais setores Artigo 37, XXI, CF. Ressalvados os casos especificados
da Administração Pública, dentro de suas áreas de compe- na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
tência”10. contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes,
Artigo 37, XIX, CF. Somente por lei específica poderá ser com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
criada autarquia e autorizada a instituição de empresa mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumpri-
áreas de sua atuação. mento das obrigações.

Artigo 37, XX, CF. Depende de autorização legislati- A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, regulamenta
va, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui nor-
mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de mas para licitações e contratos da Administração Pública
qualquer delas em empresa privada. e dá outras providências. Licitação nada mais é que o con-
junto de procedimentos administrativos (administrativos
Órgãos da administração indireta somente podem ser porque parte da administração pública) para as compras
criados por lei específica e a criação de subsidiárias destes ou serviços contratados pelos governos Federal, Estadual
dependem de autorização legislativa (o Estado cria e contro- ou Municipal, ou seja todos os entes federativos. De forma
la diretamente determinada empresa pública ou sociedade mais simples, podemos dizer que o governo deve comprar
de economia mista, e estas, por sua vez, passam a gerir uma e contratar serviços seguindo regras de lei, assim a licita-
nova empresa, denominada subsidiária. Ex.: Transpetro, sub- ção é um processo formal onde há a competição entre os
sidiária da Petrobrás). “Abrimos um parêntese para observar interessados.
que quase todos os autores que abordam o assunto afir-
mam categoricamente que, a despeito da referência no tex- Artigo 37, §5º, CF. A lei estabelecerá os prazos de pres-
to constitucional a ‘subsidiárias das entidades mencionadas crição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor
no inciso anterior’, somente empresas públicas e sociedades ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as res-
de economia mista podem ter subsidiárias, pois a relação de pectivas ações de ressarcimento.
controle que existe entre a pessoa jurídica matriz e a subsi-
diária seria própria de pessoas com estrutura empresarial, e A prescrição dos ilícitos praticados por servidor encon-
inadequada a autarquias e fundações públicas. OUSAMOS tra disciplina específica no artigo 142 da Lei nº 8.112/1990:
DISCORDAR. Parece-nos que, se o legislador de um ente
federado pretendesse, por exemplo, autorizar a criação de Art. 142, Lei nº 8.112/1990. A ação disciplinar pres-
uma subsidiária de uma fundação pública, NÃO haveria base creverá:
constitucional para considerar inválida sua autorização”11. I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com
Ainda sobre a questão do funcionamento da adminis- demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e
tração indireta e de suas subsidiárias, destaca-se o previsto destituição de cargo em comissão;
nos §§ 8º e 9º do artigo 37, CF: II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência.
Artigo 37, §8º, CF. A autonomia gerencial, orçamentária § 1o O prazo de prescrição começa a correr da data em
e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e que o fato se tornou conhecido.
indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser fir- § 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal
mado entre seus administradores e o poder público, que tenha aplicam-se às infrações disciplinares capituladas também
por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou como crime.
entidade, cabendo à lei dispor sobre: § 3o A abertura de sindicância ou a instauração de pro-
I - o prazo de duração do contrato; cesso disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão fi-
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, nal proferida por autoridade competente.
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; § 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo come-
III - a remuneração do pessoal. çará a correr a partir do dia em que cessar a interrupção.

Artigo 37, § 9º, CF. O disposto no inciso XI aplica-se às Prescrição é um instituto que visa regular a perda do
empresas públicas e às sociedades de economia mista e direito de acionar judicialmente. No caso, o prazo é de 5
suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Es- anos para as infrações mais graves, 2 para as de gravidade
tados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento intermediária (pena de suspensão) e 180 dias para as me-
de despesas de pessoal ou de custeio em geral. nos graves (pena de advertência), contados da data em que
10 http://www.sindsefaz.org.br/parecer_administracao_ o fato se tornou conhecido pela administração pública. Se
tributaria_sao_paulo.htm a infração disciplinar for crime, valerão os prazos prescri-
11 ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Administrativo cionais do direito penal, mais longos, logo, menos favorá-
Descomplicado. São Paulo: GEN, 2014. veis ao servidor. Interrupção da prescrição significa parar

7
LEGISLAÇÃO

a contagem do prazo para que, retornando, comece do Trata-se de responsabilidade extracontratual porque
zero. Da abertura da sindicância ou processo administrativo não depende de ajuste prévio, basta a caracterização de
disciplinar até a decisão final proferida por autoridade com- elementos genéricos pré-determinados, que perpassam
petente não corre a prescrição. Proferida a decisão, o prazo pela leitura concomitante do Código Civil (artigos 186, 187
começa a contar do zero. Passado o prazo, não caberá mais e 927) com a Constituição Federal (artigo 37, §6°).
propor ação disciplinar. Genericamente, os elementos da responsabilidade civil
Artigo 37, §7º, CF. A lei disporá sobre os requisitos e as se encontram no art. 186 do Código Civil:
restrições ao ocupante de cargo ou emprego da adminis-
tração direta e indireta que possibilite o acesso a informa- Artigo 186, CC. Aquele que, por ação ou omissão vo-
ções privilegiadas. luntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
A Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013 dispõe sobre ilícito.
o conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego Este é o artigo central do instituto da responsabilidade
do Poder Executivo federal e impedimentos posteriores ao civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária
exercício do cargo ou emprego; e revoga dispositivos da Lei (agir como não se deve ou deixar de agir como se deve),
nº 9.986, de 18 de julho de 2000, e das Medidas Provisórias culpa ou dolo do agente (dolo é a vontade de cometer uma
nºs 2.216-37, de 31 de agosto de 2001, e 2.225-45, de 4 de violação de direito e culpa é a falta de diligência), nexo
setembro de 2001. causal (relação de causa e efeito entre a ação/omissão e
Neste sentido, conforme seu artigo 1º: o dano causado) e dano (dano é o prejuízo sofrido pelo
agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou ma-
Artigo 1º, Lei nº 12.813/2013. As situações que configu- terial, econômico e não econômico).
ram conflito de interesses envolvendo ocupantes de cargo ou 1) Dano - somente é indenizável o dano certo, espe-
emprego no âmbito do Poder Executivo federal, os requisitos cial e anormal. Certo é o dano real, existente. Especial é
e restrições a ocupantes de cargo ou emprego que tenham o dano específico, individualizado, que atinge determina-
acesso a informações privilegiadas, os impedimentos poste- da ou determinadas pessoas. Anormal é o dano que ul-
riores ao exercício do cargo ou emprego e as competências
trapassa os problemas comuns da vida em sociedade (por
para fiscalização, avaliação e prevenção de conflitos de inte-
exemplo, infelizmente os assaltos são comuns e o Estado
resses regulam-se pelo disposto nesta Lei.
não responde por todo assalto que ocorra, a não ser que
na circunstância específica possuía o dever de impedir o
3) Responsabilidade civil do Estado e de seus servi-
assalto, como no caso de uma viatura presente no local -
dores
muito embora o direito à segurança pessoal seja um direito
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante
humano reconhecido).
do direito obrigacional, uma vez que a principal consequên-
cia da prática de um ato ilícito é a obrigação que gera para 2) Agentes públicos - é toda pessoa que trabalhe den-
o seu auto de reparar o dano, mediante o pagamento de tro da administração pública, tenha ingressado ou não por
indenização que se refere às perdas e danos. Afinal, quem concurso, possua cargo, emprego ou função. Envolve os
pratica um ato ou incorre em omissão que gere dano deve agentes políticos, os servidores públicos em geral (funcio-
suportar as consequências jurídicas decorrentes, restauran- nários, empregados ou temporários) e os particulares em
do-se o equilíbrio social.12 colaboração (por exemplo, jurado ou mesário).
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, po- 3) Dano causado quando o agente estava agindo nesta
dendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os qualidade - é preciso que o agente esteja lançando mão
limites da herança, embora existam reflexos na ação que das prerrogativas do cargo, não agindo como um parti-
apure a responsabilidade civil conforme o resultado na es- cular.
fera penal (por exemplo, uma absolvição por negativa de Sem estes três requisitos, não será possível acionar o
autoria impede a condenação na esfera cível, ao passo que Estado para responsabilizá-lo civilmente pelo dano, por
uma absolvição por falta de provas não o faz). mais relevante que tenha sido a esfera de direitos atingida.
A responsabilidade civil do Estado acompanha o racio- Assim, não é qualquer dano que permite a responsabili-
cínio de que a principal consequência da prática de um ato zação civil do Estado, mas somente aquele que é causado
ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar por um agente público no exercício de suas funções e que
o dano, mediante o pagamento de indenização que se re- exceda as expectativas do lesado quanto à atuação do Es-
fere às perdas e danos. Todos os cidadãos se sujeitam às tado.
regras da responsabilidade civil, tanto podendo buscar o É preciso lembrar que não é o Estado em si que viola os
ressarcimento do dano que sofreu quanto respondendo por direitos humanos, porque o Estado é uma ficção formada
aqueles danos que causar. Da mesma forma, o Estado tem por um grupo de pessoas que desempenham as atividades
o dever de indenizar os membros da sociedade pelos danos estatais diversas. Assim, viola direitos humanos não o Esta-
que seus agentes causem durante a prestação do serviço, do em si, mas o agente que o representa, fazendo com que
inclusive se tais danos caracterizarem uma violação aos di- o próprio Estado seja responsabilizado por isso civilmente,
reitos humanos reconhecidos. pagando pela indenização (reparação dos danos materiais
12 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade e morais). Sem prejuízo, com relação a eles, caberá ação de
Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. regresso se agiram com dolo ou culpa.

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LEGISLAÇÃO

Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: constrangimento e medo que viola diretamente sua dignidade;
tortura, a mais cruel forma de tratamento humano, cuja pena é
Artigo 37, §6º, CF. As pessoas jurídicas de direito público agravada quando praticada por funcionário público (art. 1º, §4º,
e as de direito privado prestadoras de serviços públicos res- I, Lei nº 9.455/97); etc.
ponderão pelos danos que seus agentes, nessa quali- Quanto à responsabilidade administrativa, menciona-se, a
dade, causarem a terceiros, assegurado o direito de re- título de exemplo, as penalidades cabíveis descritas no art. 127
gresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. da Lei nº 8.112/90, que serão aplicadas pelo funcionário que
violar a ética do serviço público, como advertência, suspensão
Este artigo deixa clara a formação de uma relação ju- e demissão.
rídica autônoma entre o Estado e o agente público que Evidencia-se a independência entre as esferas civil, penal
causou o dano no desempenho de suas funções. Nesta e administrativa no que tange à responsabilização do agente
relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja, ca- público que cometa ato ilícito.
Tomadas as exigências de características dos danos acima
berá ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causa-
colacionadas, notadamente a anormalidade, considera-se que
do, ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito
para o Estado ser responsabilizado por um dano, ele deve ex-
de regresso é justamente o direito de acionar o causador
ceder expectativas cotidianas, isto é, não cabe exigir do Estado
direto do dano para obter de volta aquilo que pagou à víti-
uma excepcional vigilância da sociedade e a plena cobertura
ma, considerada a existência de uma relação obrigacional de todas as fatalidades que possam acontecer em território na-
que se forma entre a vítima e a instituição que o agente cional.
compõe. Diante de tal premissa, entende-se que a responsabilidade
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agen- civil do Estado será objetiva apenas no caso de ações, mas
te causar aos membros da sociedade, mas se este agen- subjetiva no caso de omissões. Em outras palavras, verifica-
te agiu com dolo ou culpa deverá ressarcir o Estado do se se o Estado se omitiu tendo plenas condições de não ter se
que foi pago à vítima. O agente causará danos ao praticar omitido, isto é, ter deixado de agir quando tinha plenas condi-
condutas incompatíveis com o comportamento ético dele ções de fazê-lo, acarretando em prejuízo dentro de sua previ-
esperado.13 sibilidade.
A responsabilidade civil do servidor exige prévio pro- São casos nos quais se reconheceu a responsabilidade
cesso administrativo disciplinar no qual seja assegurado omissiva do Estado: morte de filho menor em creche municipal,
contraditório e ampla defesa. Trata-se de responsabilida- buracos não sinalizados na via pública, tentativa de assalto a
de civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omis- usuário do metrô resultando em morte, danos provocados por
são com culpa do servidor que gere dano ao erário (Ad- enchentes e escoamento de águas pluviais quando o Estado
ministração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o sabia da problemática e não tomou providência para evitá-las,
dever de indenizar. morte de detento em prisão, incêndio em casa de shows fisca-
Não obstante, agentes públicos que pratiquem atos lizada com negligência, etc.
violadores de direitos humanos se sujeitam à responsabi- Logo, não é sempre que o Estado será responsabilizado.
lidade penal e à responsabilidade administrativa, todas Há excludentes da responsabilidade estatal, notadamente:
autônomas uma com relação à outra e à já mencionada a) caso fortuito (fato de terceiro) ou força maior (fato da na-
responsabilidade civil. Neste sentido, o artigo 125 da Lei tureza) fora dos alcances da previsibilidade do dano; b) culpa
nº 8.112/90: exclusiva da vítima.

Artigo 125, Lei nº 8.112/1990. As sanções civis, penais 4) Exercício de mandato eletivo por servidores públicos
A questão do exercício de mandato eletivo pelo servidor
e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes
público encontra previsão constitucional em seu artigo 38, que
entre si.
notadamente estabelece quais tipos de mandatos geram in-
compatibilidade ao serviço público e regulamenta a questão
No caso da responsabilidade civil, o Estado é direta- remuneratória:
mente acionado e responde pelos atos de seus servido-
res que violem direitos humanos, cabendo eventualmente Artigo 38, CF. Ao servidor público da administração direta,
ação de regresso contra ele. Contudo, nos casos da res- autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo,
ponsabilidade penal e da responsabilidade administrativa aplicam-se as seguintes disposições:
aciona-se o agente público que praticou o ato. I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou dis-
São inúmeros os exemplos de crimes que podem ser trital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
praticados pelo agente público no exercício de sua função II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do car-
que violam direitos humanos. A título de exemplo, pecula- go, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua
to, consistente em apropriação ou desvio de dinheiro pú- remuneração;
blico (art. 312, CP), que viola o bem comum e o interesse III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibi-
da coletividade; concussão, que é a exigência de vantagem lidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, empre-
indevida (art. 316, CP), expondo a vítima a uma situação de go ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e,
13 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
ed. São Paulo: Método, 2011. anterior;

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LEGISLAÇÃO

IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o senvolvimento de programas de qualidade e produtividade,
exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelha-
contado para todos os efeitos legais, exceto para promo- mento e racionalização do serviço público, inclusive sob a
ção por merecimento; forma de adicional ou prêmio de produtividade.
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso § 8º A remuneração dos servidores públicos organiza-
de afastamento, os valores serão determinados como se no dos em carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º.
exercício estivesse.
Artigo 40, CF. Aos servidores titulares de cargos efetivos
5) Regime de remuneração e previdência dos servi- da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
dores públicos incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime
Regulamenta-se o regime de remuneração e previdên- de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante
cia dos servidores públicos nos artigo 39 e 40 da Constitui- contribuição do respectivo ente público, dos servidores ati-
ção Federal: vos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto nes-
Artigo 39, CF. A União, os Estados, o Distrito Federal e os te artigo.
Municípios instituirão conselho de política de administra- § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdên-
ção e remuneração de pessoal, integrado por servidores cia de que trata este artigo serão aposentados, calculados os
designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§
Emenda Constitucional nº 19, de 1998 e aplicação suspensa 3º e 17:
pela ADIN nº 2.135-4, destacando-se a redação anterior: “A I - por invalidez permanente, sendo os proventos pro-
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios institui- porcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente
rão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença
planos de carreira para os servidores da administração pú- grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;
blica direta, das autarquias e das fundações públicas”). II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao
tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos de-
aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei
mais componentes do sistema remuneratório observará:
complementar;
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexi-
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo míni-
dade dos cargos componentes de cada carreira;
mo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e
II - os requisitos para a investidura;
cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentado-
III - as peculiaridades dos cargos.
ria, observadas as seguintes condições:
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribui-
escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento ção, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos contribuição, se mulher;
cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, fa- b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e ses-
cultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos senta anos de idade, se mulher, com proventos proporcio-
entre os entes federados. nais ao tempo de contribuição.
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo § 2º Os proventos de aposentadoria e as pensões, por
público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remune-
XV,XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei ração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quan- deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a con-
do a natureza do cargo o exigir. cessão da pensão.
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eleti- § 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por
vo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Mu- ocasião da sua concessão, serão consideradas as remunera-
nicipais serão remunerados exclusivamente por subsídio ções utilizadas como base para as contribuições do servidor
fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer aos regimes de previdência de que tratam este artigo e o art.
gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de represen- 201, na forma da lei.
tação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qual- § 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios dife-
quer caso, o disposto no art. 37, X e XI. renciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos
Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e definidos em leis complementares, os casos de servidores:
a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, I - portadores de deficiência;
em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI. II - que exerçam atividades de risco;
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário pu- III - cujas atividades sejam exercidas sob condições es-
blicarão anualmente os valores do subsídio e da remunera- peciais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
ção dos cargos e empregos públicos. § 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribui-
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos ção serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto
Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentá- no § 1º, III, a, para o professor que comprove exclusivamente
rios provenientes da economia com despesas correntes em tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no de- educação infantil e no ensino fundamental e médio.

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LEGISLAÇÃO

§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos car- § 16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o
gos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que
a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do tiver ingressado no serviço público até a data da publicação
regime de previdência previsto neste artigo. do ato de instituição do correspondente regime de previdên-
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de cia complementar.
pensão por morte, que será igual: § 17. Todos os valores de remuneração considerados para
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor fa- o cálculo do benefício previsto no § 3° serão devidamente
lecido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios atualizados, na forma da lei.
do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, § 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposen-
acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este tadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este
limite, caso aposentado à data do óbito; ou artigo que superem o limite máximo estabelecido para os
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor benefícios do regime geral de previdência social de que trata o
no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servido-
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de res titulares de cargos efetivos.
previdência social de que trata o art. 201, acrescido de se- § 19. O servidor de que trata este artigo que tenha com-
tenta por cento da parcela excedente a este limite, caso em pletado as exigências para aposentadoria voluntária estabe-
atividade na data do óbito. lecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, confor- sua contribuição previdenciária até completar as exigências
me critérios estabelecidos em lei. para aposentadoria compulsória contidas no § 1º, II.
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou mu- § 20. Fica vedada a existência de mais de um regime
nicipal será contado para efeito de aposentadoria e o próprio de previdência social para os servidores titulares
tempo de serviço correspondente para efeito de dispo- de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do
nibilidade. respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto
§ 10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de no art. 142, § 3º, X.
contagem de tempo de contribuição fictício. § 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá
§ 11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e
total dos proventos de inatividade, inclusive quando de- de pensão que superem o dobro do limite máximo estabeleci-
do para os benefícios do regime geral de previdência social de
correntes da acumulação de cargos ou empregos públicos,
que trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário,
bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para
na forma da lei, for portador de doença incapacitante.
o regime geral de previdência social, e ao montante resul-
tante da adição de proventos de inatividade com remunera-
6) Estágio probatório e perda do cargo
ção de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo
Estabelece a Constituição Federal em seu artigo 41, a ser
em comissão declarado em lei de livre nomeação e exonera-
lido em conjunto com o artigo 20 da Lei nº 8.112/1990:
ção, e de cargo eletivo.
§ 12. Além do disposto neste artigo, o regime de pre-
Artigo 41, CF. São estáveis após três anos de efetivo
vidência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provi-
observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados mento efetivo em virtude de concurso público.
para o regime geral de previdência social. § 1º O servidor público estável só perderá o cargo: