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Enéias PB ou Eneias PE (do latim Æneas, do grego Αινείας) é um personagem da mitologia greco-romana, cuja história é contada na "Ilíada", de Homero, mas sobretudo na "Eneida", de Virgílio.Segundo a lenda, Enéias foi um chefe troiano, filho de Anquises e da deusa Afrodite (a romana Vénus). Era casado com Creúsa, filha do rei Príamo. Tinha um filho, Iulo (na literatura romana Ascânio).

Enéias na tradição gregaNa Guerra de Tróia, Enéias se converteu no mais valoroso guerreiro troiano, depois de Heitor. Favorecido pelos deuses, em várias ocasiões foi por eles salvo, durante os combates. Quando foi ferido por Diomedes, foi sua mãe, Afrodite, quem o salvou. E quando enfrentou Aquiles no campo de batalha, foi Poseidon quem o livrou de ser morto pelo herói grego.Com a queda de Tróia, sua mãe o aconselhou a deixar a cidade, levando sua família, pois lhe estaria reservado o destino de fazer reviver a glória troiana em outras terras.

Enéías na tradição latinaSob a proteção de Afrodite, Enéias deixa Tróia (incendiada pelos gregos), levando sua esposa Creusa, o filho Ascânio, seu velho pai Anquises (que ele carrega às costas) e um punhado de soldados troianos. Leva ainda os Penates troianos, divindades que protegiam o Estado, os governos e as instituições que regem um e o outro para assim fundar uma nova cidade. Na estrada, sua esposa desaparece sem deixar vestígios e ele embarca em um navio, no qual vagueia pelo Mar Mediterrâneo, em busca de uma nova pátria.O troiano pede então conselho a Apolo, que o manda ir para a terra de onde era originário o seu primeiro antepassado. Anquises, douto nessa matéria, afirmava que em dias muito remotos, antes do Rei Tros fundar a cidade de Tróia, vivia na Frígia um rei chamado Teucro, cuja filha, Bátia, se casara com Dardáno, pai de Trós. Acreditavam que Teucro viera da ilha de Creta.Puseram-se então a caminho. Ao terceiro dia aportaram em Creta, onde começaram imediatamente a construir uma cidade a que Eneias chamou Pérgamo. Lavraram a terra e semearam-na, e parecia que tudo ia correr bem, mas, inesperadamente, todo o seu trabalho foi destruído. Uma terrível seca arruinou as colheitas e desencadeou uma epidemia que se alastrou entre os troianos. Anquises interpretou isto como um sinal evidente da desaprovação divina, e aconselhou Eneias a voltar ao templo de Apolo, na Ilha de Delos, para receber novas instruções do oráculo. Na véspera da partida, os numes tutelares apareceram a Eneias e disseram-lhe que ele deveria ir para o local de origem de Dárdano, antes chamado Hespéria, agora Itália. Contando isto ao pai, Anquises lembrou-se que Cassandra profetizara que uma nova Tróia erguer-se-ía na Hespéria. Mas, claro, todos acharam que ela estava louca. Puseram-se de novo a caminho.Os Troianos encontraram-se com a Harpias, mas, ao contrário dos Argonautas, fugiram delas. Chegaram a Épiro, terras onde se tinham estabelecido Heleno e Andrómaca. Heleno disse-lhe o que ia acontecer e o que ele deveria fazer.A seguir estiveram na ilha do ciclope Polifemo, e salvaram um homem, Aqueménides, que fora deixado para trás pelos Argonautas. Anquises, já velho, morreu antes de deixarem a Sicília.Depois de muito tempo aporta em Cartago e, por artimanhas de Vénus e Cupido, torna-se amante de Dido, rainha e fundadora da cidade africana. Primeiro tinha sido Hera quem queria isto, para Eneias ficar com Dido e não chegar a Itália, mas Afrodite viu que o amor da rainha podia ser proveitoso para Eneias.Porém não era ainda esse o seu destino final. Hermes, enviado por Zeus, pergunta-lhe por que estava ele construindo uma cidade que não seria do seu filho, para a sua descendência. Eneias fugira de Tróia para não se submeter aos gregos e estava agora a submeter-se a Dido e seus conterrâneos!Adverte-o, então, para que deixe Cartago e funde uma cidade e um reino para os seus. Ao deixar a cidade, mesmo a contragosto, vê Dido, extremamente apaixonada, suicidar-se numa pira funerária que tinha mandado fazer na sua fortaleza.

Origens de RomaApós esse episódio, Eneias aportou na Itália. Em Cumas, foi ao Submundo, onde encontrou com o pai, que lhe falou das gerações futuras. Também viu Dido, mas esta recusou-se a falar com ele.Depois foi para o Lácio. Latino, o rei do Lácio e neto de Saturno, ofereceu-lhe terras e a mão da sua bela filha Lavínia, há muito prometida a Turno, rei dos rútulos, em casamento. Tal facto deveu-se a uma profecia que dizia que Lavínia se devia casar com um estrangeiro para assim dar origem a uma poderosíssima raça que governaria o mundo. Lavínia e Eneias apaixonaram-se, mas a rainha Amada, mãe de Lavínia, queria que a filha casasse com Turno. Turno, vendo que perderia o reino do Lácio e Lavínia, declarou guerra a Eneias e seus troianos recém chegados ao Lácio. Outras nações juntaram-se, de um e outro lado. A guerra foi tão acesa que Latino, com medo que o seu país fosse arruinado e destruído, sugeriu um combate singular entre Eneias e Turno, sendo Lavínia o prémio. Ambos aceitaram, e Eneias venceu a Turno. Podendo escolher entre matar ou poupar o adversário, mais jovem, Eneias decidiu, após longa hesitação, matá-lo. Pois, na hesitação, viu no ombro do adversário, despojos do seu tão dileto Palante. Imola a Turno em nome do amigo.Amada, mãe de Lavínia, preferiu suicidar-se a ver Eneias no trono. Diz-se que Eneias abdicou do trono a favor do filho, e voltou para a pátria, para reconstruir Tróia. Após a morte de Eneias, seu filho Iulo, ou Ascânio (conforme a versão), funda Alba Longa, da qual seus descendentes serão sucessivos reis. Em 753 a. C. é fundada Roma, a segunda Tróia, pelos gêmeos Rómulo e Remo, descendentes maternos de Eneias, mas filhos diretos do deus Marte.Essa versão da fundação da Cidade Eterna, ou melhor, da ascendência de Rómulo remontar a Eneias, é tida por pesquisadores modernos como mera recordação de contactos entre o mundo egeio e a Itália. Tal versão foi tomando forma a partir do século III a.C ..

Apareceu em Q. Fábio Pictor (200 a.C.) a primeira versão, sendo a definitiva dada por Virgílio na sua obra Eneida, Ovídio e Tito Lívio.

A Eneida (ÆNEIS em latim) é um poema épico latino escrito por Virgílio no século I a.C

Conta a saga de

.. Enéias, um troiano que é salvo dos gregos em Tróia, viaja errante pela região que atualmente é a Itália. Seu

destino era ser o ancestral de todos os romanos.

Uma Epopéia por encomenda

Virgílio já era ilustre pelas suas Bucólicas, um poema pastoril, e Geórgicas, um poema agrícola. Então, o imperador César Otaviano Augusto encomendou a Virgílio a composição de um poema épico que cantasse a glória e o poder de Roma. Um poema que rivalizasse e quiçá superasse Homero, e também que cantasse, indiretamente, a grandeza de César Augusto. Assim Virgílio vai elaborar um trabalho que, além de labor lingüístico e estro poético, é também propaganda política.

Muitos dos episódios na Eneida, que narra um tempo mítico, têm uma correspondência sincrônica com a atualidade de Augusto. Por exemplo o escudo de Enéias, simbolizando a batalha do Ácio, quando Otávio Augusto derrota Marco Antônio em 36 a.C. e a previsão de Anquises, no Hades, sobre as glórias de Marcelo, filho de Otávia, irmã do imperador.

Virgílio conclui a Eneida em 19. a.C

A obra está completa mas não está ainda pronta segundo o seu criador.

.. Virgílio gostaria ainda de visitar os lugares que aparecem no poema e revisar os versos dos cantos finais. Mas adoece e, às portas da morte, pede a dois amigos que queimem a obra por não estar ainda perfeita. O grande poema, já era conhecido de alguns amigos coevos, não é destruído - para nossa felicidade e fortuna literária. Sem a epopéia virgiliana, não haveria Orlando Furioso, O Paraíso Perdido, Os Lusíadas, dentre outros grandes clássicos da literatura mundial.

Ambição de Virgílio

Virgílio ao escrever esta epopéia inspirou-se em Homero, tentando superá-lo: Virgílio empenhou-se em fazer da Eneida o poema mais perfeito de todos os tempos. De certa forma, a primeira metade (seis primeiros cantos) da Eneida tenta superar a Odisseia, enquanto a segunda tenta superar a Ilíada. A primeira metade é um poema de viagem e a segunda um poema bélico.

Dramatis personæ

Há dois tipos de personagens na Eneida: os Humanos e os Deuses. Há uma espécie de terceira entidade que é a do Fatum (Fado, destino) que nem os deuses podem obliterar.

Humanos

Anquises, pai de Eneias

Ascânio, filho de Eneias e de Creusa.

Creusa, esposa de Eneias.

Evandro, ancião

Eneias, troiano, sobrevivente à guerra de Tróia

Turno, rei latino, inimigo de Eneias em Ítália

Deuses

Apolo, deus do Sol

Éolo, deus dos ventos

Juno, mulher de Júpiter, opositor de Eneias

Júpiter, o rei dos deuses

Mercúrio, o deus mensageiro

Neptuno , deus dos mares

Vénus, deusa do amor e da beleza, coadjuvante de Eneias

Nota: É de bom grado utilizar a terminologia latina (romana) para falar da Eneida, já que se trata de um poema romano.

Tempo da diegese

O tempo da diegese, ou seja dos acontecimentos narrados, ocorre imediatamente após a queda da cidade de Tróia, portanto a Eneida dá continuidade à Ilíada de Homero. Se a Odisséia narra as aventuras de um grego, de Ulisses (ou Odisseus), que tenta voltar para a sua casa e para a sua família, a Eneida narra as aventuras de um troiano que, depois da destruição de Tróia, foge com a sua família. A sua fuga dá-se por mar. Eneias procura um sítio para fundar uma nova cidade.

Tempo do discurso

Quando o texto começa, a aventura de Enéias já se iniciou (a narrativa começa in media res, isto é, a meio da acção). O herói naufraga ao largo de Cartago (a actual Tunes) e vai ter com a rainha Dido. Conta-lhe as suas viagens até ao momento em que se encontra. Esse é um processo de analepse (em inglês, flashback). A partir do quarto capítulo, o tempo da diegese é contemporâneo ao da narração do poema, ou seja os acontecimentos são narrados como se estivessem acontecendo no presente.

Capítulos ou Cantos

A Eneida tem doze capítulos, exactamente metade que a Odisseia.

I - Eneias naufraga ao largo de Cartago

Depois de partir da Sicília, Enéias é arrastado por uma tempestade que o faz naufragar. Enéias observa a cidade. Ele que vem de Tróia que fora totalmente arrasada e que tem por missão fundar uma nova cidade. É recebido por Dido, rainha de Cartago. Comove-se ao ver os frescos nas paredes que narram a guerra de Tróia. Dido começa a apaixonar-se por Enéias.

II- Enéias narra a Dido o último dia de Tróia

Dido solicita a Enéias que lhe relate a queda da lendária cidade de Tróia. Ele conta o célebre episódio do Cavalo de Tróia. E conta como se deu a batalha durante a noite. Como o incêndio começou a devorar a cidade. No desespero Enéias decide lutar até morrer. Vênus, sua mãe, aparece e lhe diz: vai procurar o teu pai, a tua mulher e teu filho e abandona a cidade.

A cidade é tomada pelos gregos. Enéias procura sua mulher, Creusa, gritando pelas ruas À sua procura. Encontra o espectro dela. Com muita ternura o fantasma de Creusa diz-lhe uma profecia: que ele irá ter muitos infortúnios mas acabará por conseguir fundar uma nova cidade. Enéias consegue fugir com o seu pai às cavalitas e com o seu filho pela mão.

III- Enéias narra a Dido as suas viagens rumo à Itália

Eneias continua a contar a Dido as suas peripécias para chegar à Itália, até aportar em Cartago temporaria e acidentalmente. Conta a sua escala na Trácia e em Creta. A chegada a Épiro e à Sicília. Conta também seu encontro com Andrômaca (viúva de Heitor) e como faleceu o seu pai Anquises.

IV- Os amores de Dido e seu fim trágico

A rainha Dido, segundo a Eneida de Virgílio, após ouvir a narração do fim de Tróia e das viagens e peripécias de Enéias, influenciada por Vênus, deusa do amor e mãe de Enéias, vê-se completamente apaixonada pelo herói. Ela convida os troianos (Enéias e os seus companheiros) para uma caçada. No meio de uma tempestade, abrigados em

uma caverna, Dido e Enéias se amam. Entretanto Júpiter envia Mercúrio a Enéias para lhe lembrar que seu destino é encontrar o Lácio e fundar uma nova cidade que substitua a cidade de Tróia destruída e que governe as demais cidades do mundo. Enéias tenta sair de Cartago sem que Dido se aperceba disso. Sentido-se abandonada, enganada e vilipendiada, furiosa e ensandecidada pelo amor não retribuído, ela se suicida enquanto partem os navios troianos e Enéias ainda pôde ver a fumaça da pira funérea saindo de seu palácio.

[editar] V- Os jogos fúnebres

Eneias aporta à Sicília e decide realizar jogos fúnebres em honra de seu pai Anquises. Já se passou um ano desde que este morreu.

(Este capítulo é importante para quem estuda a antropologia dos romanos porque dá indicações de como eles se relacionavam com a morte.)

VI- Descida de Eneias ao Mundo dos Mortos/Submundo

uma caverna, Dido e Enéias se amam. Entretanto Júpiter envia <a href=Mercúrio a Enéias para lhe lembrar que seu destino é encontrar o Lácio e fundar uma nova cidade que substitua a cidade de Tróia destruída e que governe as demais cidades do mundo. Enéias tenta sair de Cartago sem que Dido se aperceba disso. Sentido-se abandonada, enganada e vilipendiada, furiosa e ensandecidada pelo amor não retribuído, ela se suicida enquanto partem os navios troianos e Enéias ainda pôde ver a fumaça da pira funérea saindo de seu palácio. [ editar ] V- Os jogos fúnebres Eneias aporta à Sicília e decide realizar jogos fúnebres em honra de seu pai Anquises. Já se passou um ano desde que este morreu. (Este capítulo é importante para quem estuda a antropologia dos romanos porque dá indicações de como eles se relacionavam com a morte.) VI- Descida de Eneias ao Mundo dos Mortos/Submundo Enéas e a sibila de Cumas por Turner Este é um dos episódios mais famosos da Eneida. Depois de Eneias ter partido da Sicília fez escala em Cumas . Nesse local consulta uma sacerdotisa (uma sibila ) de Apolo . Ele tem um desejo intenso (em sonhos seu pai o havia conclamado a fazê-lo) de falar uma última vez com seu pai para lhe pedir conselho sobre a viagem. Obtém permissão de descer ao mundo dos mortos (este episódio faz lembrar outras descidas famosas ao mundo dos mortos: o episódio de Orfeu e Eurídice , a nekya de Odisseu, no canto XI da Odisséia. No mundo dos mortos vê vários espectros. Um deles o de Dido que, ladeada por seu primeiro esposo, não lhe responde. O seu pai Anquises dá-lhe importantes informações sobre a sua viagem e faz uma longa profecia sobre o futuro glorioso de Roma. (infernos, o hades dos gregos) VII- chegada ao Lacio (Latium, província romana onde se situará Roma) VIII- Evandro. Descrição do Escudo de Eneias IX- Ataque ao acampamento troiano X- Façanhas e morte de Palante XI- Funerais dos guerreiros. Façanhas de Camila XII- Combate de Eneias e de Turno. Vitória de Eneias. Simbologias da Eneida A Eneida simboliza o poder imperial de Roma, sob o comando de César Octaviano Augusto. Dido simboliza o poder de Cartago, rival de Roma, que seria por esta destruída na terceira das guerras púnicas . Dido também simboliza Cleópatra, rainha do egipto, que se tinha aliado a um general romano, Marco António , para resistirem a Roma. Marco António e Cleópatra foram derrotados na batalha marítima do Áccio , ao largo do delta do Nilo . " id="pdf-obj-3-21" src="pdf-obj-3-21.jpg">

Enéas e a sibila de Cumas por Turner

Este é um dos episódios mais famosos da Eneida. Depois de Eneias ter partido da Sicília fez escala em Cumas. Nesse local consulta uma sacerdotisa (uma sibila) de Apolo. Ele tem um desejo intenso (em sonhos seu pai o havia conclamado a fazê-lo) de falar uma última vez com seu pai para lhe pedir conselho sobre a viagem. Obtém permissão de descer ao mundo dos mortos (este episódio faz lembrar outras descidas famosas ao mundo dos mortos: o episódio de Orfeu e Eurídice, a nekya de Odisseu, no canto XI da Odisséia. No mundo dos mortos vê vários espectros. Um deles o de Dido que, ladeada por seu primeiro esposo, não lhe responde.

O seu pai Anquises dá-lhe importantes informações sobre a sua viagem e faz uma longa profecia sobre o futuro glorioso de Roma. (infernos, o hades dos gregos)

VII- chegada ao Lacio

(Latium, província romana onde se situará Roma)

VIII- Evandro. Descrição do Escudo de Eneias IX- Ataque ao acampamento troiano X- Façanhas e morte de Palante XI- Funerais dos guerreiros. Façanhas de Camila XII- Combate de Eneias e de Turno. Vitória de Eneias. Simbologias da Eneida

A Eneida simboliza o poder imperial de Roma, sob o comando de César Octaviano Augusto. Dido simboliza o poder de Cartago, rival de Roma, que seria por esta destruída na terceira das guerras púnicas. Dido também simboliza Cleópatra, rainha do egipto, que se tinha aliado a um general romano, Marco António, para resistirem a Roma. Marco António e Cleópatra foram derrotados na batalha marítima do Áccio, ao largo do delta do Nilo.

Dido simboliza assim a mulher misteriosa e sedutora do oriente, que resiste ao poder romano mas que por ele é submetido. Por metonímia simboliza todo o Médio Oriente e Norte de África que foram das últimas terras a serem

conquistadas

pelo

Turno simboliza os antecedentes latinos da "raça" romana, enquanto Eneias simboliza os antecedentes troianos (que são ficcionais). Eneias é uma personagem que permite dar a Roma uma ascendência mítica, juntando-se assim ao mito da fundação de Roma por Rómulo e Remo.

Repercussões literárias da Eneida

Dante Alighieri, no seu famoso episódio da descida aos infernos, é levado pela mão de Virgílio para ver os mesmos. Luís de Camões inspira-se directamente neste grande Épico romano para escrever os seus Os Lusíadas.

A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΔΟΣ - ILIADOS, na transliteração) é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia e cuja génese radica na cólera (μνις, mênis), de Aquiles. O título da obra deriva de um outro nome grego para Tróia, Ílion.

A Ilíada e a Odisséia são atribuídas a Homero, que se julga ter vivido por volta do século VIII a.C, na Jônia (lugar que hoje é uma região da Turquia), e constituem os mais antigos documentos literários gregos (e ocidentais) que chegaram nos nossos dias. Ainda hoje, contudo, se discute a sua autoria, a existência real de Homero, e se estas duas obras teriam sido compostas pela mesma pessoa.

A Ilíada é constituída por 15.693 versos em hexâmetro dactílico, que é a forma tradicional da poesia épica grega, e foi elaborada num dialeto literário artificial do grego antigo que nunca foi de fato falado, composto de elementos de outros dialetos. Continha elementos do grego jônico, eólico e outros [1]. Considera-se que tenha a sua origem na tradição oral, ou seja, teria originalmente sido cantada pelos aedos, e só muito mais tarde os versos foram compilados numa versão escrita, no século VI a.C. em Atenas. O poema foi então posteriormente dividido em 24 Cantos, divisão que persiste até hoje. A divisão é atribuída aos estudiosos da biblioteca de Alexandria, mas pode ser anterior. A Ilíada influenciou fortemente a cultura clássica, sendo estudada e discutida na Grécia (onde era parte da educação básica) e, posteriormente, no Império Romano. Sua influência pode ser sentida nos autores clássicos, como na Eneida, de Virgílio. É considerada como a "obra fundadora" da literartura ocidental e uma das mais importantes da literatura mundial.

A Ilíada passa-se durante o décimo e último ano da guerra de Tróia e trata da ira de Aquiles. A ira é causada por uma disputa entre Aquiles e Agamenon, comandante dos exércitos gregos em Tróia, e consumada com a morte do herói troiano Heitor (ou Héctor), terminando com seu funeral. Embora Homero se refira a uma grande diversidade de mitos e acontecimentos prévios, que eram de amplo conhecimento dos gregos e portanto da sua platéia, a história da guerra de Tróia não é contada na íntegra. Dessa forma, o conhecimento prévio da mitologia grega acerca da guerra é relevante para a compreensão da obra.

A guerra de Tróia

Helena de Tróia segundo Evelyn de Morgan, 1898

Os gregos antigos acreditavam que a guerra de Tróia era um fato histórico, ocorrido por volta de 1200 a.C. no período micênico, mas alguns estudiosos atuais têm dúvidas sobre se ela de fato ocorreu. Até a descoberta do sítio arqueológico na Turquia, na Anatólia, acreditava-se que Tróia era uma cidade mitológica. A Guerra de Tróia deu- se quando os aqueus atacaram a cidade de Tróia, buscando vingar o rapto de Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, irmão de Agamémnom. Os aqueus eram os povos que hoje conhecemos como gregos, que compartilhavam uma cultura e língua comuns, mas na época se definiam como vários reinos, e não como um povo uno. A lenda conta que a deusa (ninfa) do mar Tétis era desejada como esposa por Zeus e seu irmão Poseidon. Porém Prometeu profetizou que o filho da deusa seria maior que seu pai; então os deuses resolveram dá-la como esposa a Peleu, um mortal já idoso, intencionando enfraquecer o filho, que seria apenas um humano. O filho de ambos é o guerreiro Aquiles. Sua mãe, visando fortalecer sua natureza mortal, mergulhou-o, ainda bebê, nas águas do mitológico rio Estige. As águas tornaram o herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para o mergulhar no rio (daí a famosa expressão “calcanhar de Aquiles”, significando ponto vulnerável). Aquiles tornou-se o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda era mortal. Mais tarde, sua mãe

profetiza que ele poderá escolher entre dois destinos: lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, mas sendo logo esquecido. Para o casamento de Peleu e Tétis todos os deuses foram convidados, menos Éris, ou Discórdia. Ofendida, a deusa compareceu invisível e deixou à mesa um pomo de ouro com a inscrição “à mais bela”. As deusas Hera, Atena e Afrodite disputaram o pomo e o título de mais bela. Zeus então ordenou que o príncipe troiano Páris, à época sendo criado como um pastor ali perto, resolvesse a disputa. Para ganhar o título de “mais bela”, Atena ofereceu a Páris poder na batalha, Hera o poder e Afrodite o amor da mulher mais bela do mundo. Páris deu o pomo a Afrodite, ganhando assim sua proteção, porém atraindo o ódio das outras duas deusas contra si e contra Tróia. A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e Leda. Leda era casada com Tíndaro, rei de Esparta. Helena possuía diversos pretendentes, que incluiam muitos dos maiores heróis da Grécia, e o seu pai adotivo, Tíndaro, hesitava tomar uma decisão em favor de um deles temendo enfurecer os outros. Finalmente um dos pretendentes, Odisseu (cujo nome latino era Ulisses), rei de Ítaca, resolveu o impasse propondo que todos os pretendentes jurassem proteger Helena e sua escolha, qualquer que fosse. Helena então se casou com Menelau, que se tornou o rei de Esparta. Quando Páris foi a Esparta em missão diplomática, se enamorou de Helena e ambos fugiram para Tróia, enfurecendo Menelau. Este apelou aos antigos pretendentes de Helena, lembrando o juramento que haviam feito. Agamémnom então assumiu o comando de um exército de mil barcos e atravessou o Mar Egeu para atacar Tróia. As naus gregas desembarcaram na praia próxima a Tróia e iniciaram um cerco que duraria 10 anos, custando a vida muitos heróis de ambos os lados. Finalmente, seguindo um estratagema proposto por Odisseu, o famoso Cavalo de Tróia, os gregos conseguiram invadir a cidade governada por Príamo e terminar a guerra. A Ilíada não conta o final da guerra, nem narra a morte de Aquiles.

Personagens principais

A Ilíada é um poema extenso e possui uma grande quantidade de personagens da mitologia grega e Homero assumia que seus ouvintes estavam familiarizados com esses mitos, o que pode causar confusão ao leitor moderno. Segue um resumo dos personagens que tomam parte na Ilíada:

Os Aqueus

Os gregos antigos não se definiam como “gregos” ou “Helênicos”, denominação posterior, mas como “aqueus”, compostos por diversos povos de diversos reinos que tinham uma língua e cultura razoavelmente compartilhada. Os aqueus também são chamados de Dânaospor Homero.

Aquiles: príncipe de ftia, líder dos mirmidões (mirmídones), herói e melhor de todos os guerreiros, filho da deusa marinha Tétis e do mortal rei Peleu. Sua ira é o tema central da Ilíada.

Agamenon: Rei de Micenas e comandante supremo dos aqueus, sua atitude de tomar a escrava Briseis de Aquiles é o estopim do desentendimento entre eles.

Pátroclo: Amigo de Aquiles. Alguns argumentam que há envolvimento íntimo entre Aquiles e Pátroclo, o que foi, no entanto, refutado por Sócrates, no Diálogo Fedro, citando passagens da Ilíada que dizem que Aquiles e Pátroclo dormiam em leitos separados, cada um com sua respectiva concubina.

Odisseu (Ulisses): Rei de Ítaca, considerado “astuto”, ou “ardiloso”. Freqüentemente faz o papel de embaixador entre Aquiles e Agamémnom.

Calcas Testorídes: Poderoso vidente que guia os aqueus. Foi ele que predisse que a guerra duraria 10 anos, que era preciso devolver Criseida ao pai e muitas outras coisas.

Ájax, Nestor, Idomeneu: Reis e heróis gregos, que comandavam exércitos de seus reinos sob a supervisão geral de Agamenon.

Diomedes: Príncipe de Argos, comandava a frota de navios de seu reino. Herói valente que participou ativamente do cerco, da pilhagem e do saque de Tróia

Menelau: Rei de Esparta, marido de Helena e irmão mais novo de Agamémnom.

Os Troianos e seus aliados

Heitor, ou Héctor: Príncipe de Tróia, filho de Príamo e irmão de Páris. É o melhor guerreiro Troiano, herói valoroso que combate para defender sua cidade e sua família. Líder dos exércitos troianos.

Príamo: rei de Tróia, já é idoso, portanto quem comanda de fato a luta é seu filho, Heitor.

Páris: Príncipe de Tróia, sua fuga com Helena é a causa da guerra. É sua a flecha que finalmente mata Aquiles, embora isso não seja descrito na Ilíada.

Enéias: Primo de Heitor e seu principal tenente. É o personagem principal da Eneida, obra máxima do poeta latino Virgílio.

Helena: Esposa de Páris, antes casada com Menelau, e pivô da guerra. Com a queda de Tróia volta para Esparta e para Menelau.

Andrómaca: Esposa de Heitor, de quem tinha um filho bebê, Astíanax.

Os Deuses

Os deuses gregos tomam parte ativa na trama, envolvendo-se na batalha e ajudando ambos os lados. Notadamente temos Tétis (mãe de Aquiles) Apolo, Zeus, Hera, Atena, Poséidon, Afrodite e Ares.

Resumo da narração

No décimo ano do cerco a Tróia , há um desentendimento entre as forças dos aqueus, comandadas por Agamémnom. Ao dividirem os espólios de uma conquista, o comandante aqueu fica, entre outros prêmios, com uma moça chamada Criseida, enquanto que a Aquiles cabe outra bela jovem, Briseida. Criseida era filha de Crises, sacerdote do deus Apolo, e este pede a Agamémnom lhe restitua a filha em troca de um resgate. O chefe aqueu recusa a troca, e o pai ofendido pede ajuda a seu deus. Apolo passa então a castigar os aqueus com a peste. Quando forçado a devolver Criseida ao pai para aplacar o castigo divino, Agamémnom toma a Aquiles sua Briseida, como forma de compensação e afronta a Aquiles. Este, ofendido, se retira da guerra junto com seus valentes Mirmidões. Aquiles pede então a sua divina mãe que interceda junto a Zeus, rogando-lhe para que favoreça aos troianos, como castigo pela ofensa de Agamémnom. Tétis consegue a promessa de Zeus de que ajudará aos troianos, a despeito da preferência de sua esposa, Hera, pelo lado aqueu.

Então Zeus manda a Agamémnom, através de Oneiros, um sonho incitando-o a atacar Tróia sem as forças de Aquiles. Agamémnom resolve testar a disposição de seu exército. A tentativa por pouco não termina em revolta generalizada, incitada pelo insolente Tersites. A rebelião só é evitada graças à decisiva intervenção de Odisseu, que fustiga Tersites e lembra a profecia de Calcas de que Ílion cairia no décimo ano do cerco.

Os dois exércitos perfilam-se no campo de batalha, diante de Tróia. Páris, príncipe de Tróia, se adianta, mas logo recua ao ver Menelau, de quem roubara a esposa causando a guerra. Menelau o insulta e Páris responde propondo um duelo entre ambos. Os aqueus respondem com agressões, porém seu irmão Heitor, o maior herói troiano, reitera o desafio, propondo que o destino da guerra seja decidido numa luta entre Menelau e Páris. Menelau aceita, exigindo juramento de sangue sobre o pacto de respeitar o resultado do duelo. Enquanto os preparativos são feitos, Helena se junta a Príamo, rei de Tróia, no alto de uma torre para observar a contenda. Ela apresenta os maiores comandantes gregos, apontando-os para Príamo.

O duelo tem início e Menelau leva vantagem. Quando está para derrotar Páris, Afrodite intervém e o retira da batalha envolto em névoa, levando-o ao encontro de Helena. Agamémnom declara então que Menelau venceu a disputa e exige a entrega de Helena e pagamento do resgate. Porém Hera e Atena protestam junto a Zeus, pedindo a continuidade da guerra até a destruição de Tróia. Zeus cede em troca da não intervenção de Hera caso deseje destruir uma cidade protegida por ela. Atena então desce entre as tropas troianas e convence Pândaro, arqueiro troiano, a disparar contra Menelau, ferindo-o e rompendo o pacto com os gregos. O exército troiano avança, e

Agamémnom incita os aqueus ao combate. Tem lugar então uma luta violenta, na qual os gregos começam a levar vantagem. Porém Apolo incita aos troianos, lembrando-os que Aquiles não participa da peleja.

Os troianos então avançam, retomando a vantagem sobre os gregos, a despeito dos grandiosos esforços de Diomedes, que, insuflado pela deusa Palas Atena, chega a ferir os deuses Afrodite e Ares, que defendem os troianos. Os gregos por sua vez parecem retomar a vantagem, o que faz com que Heitor então retorne à cidade para pedir a sua mãe que tente acalmar Palas com oferendas. Após falar com a mãe, encontra-se com sua esposa e seu filho em uma torre. O encontro, em que Heitor fala com a esposa e o filho sobre o seus futuros, é bastante triste, pois Heitor pressente que Tróia cairá. A seguir, convoca Páris e com ele volta à batalha.

Apolo combina com Atena uma trégua na batalha e para conseguí-la incitam Heitor a desafiar um herói grego ao duelo. Ajax é o escolhido num sorteio e avança para o combate. O duelo é renhido e prossegue até a noite, quando é interrompido. Os aqueus então aproveitam para recolher seus mortos e preparar um baluarte.

Com a manhã, o combate recomeça, porém Zeus proíbe os outros deuses de interferir, enquanto que ele dispara raios dos céus, prejudicando aos aqueus. O combate prossegue desastroso para os gregos, que acabam por se recolher ao baluarte ao final do dia. Os troianos acampam por perto, ameaçadores.

Durante a noite Agamémnom se desespera, percebendo que havia sido enganado por Zeus. Porém Diomedes garante que os aqueus têm fibra e ficarão para lutar. Agamémnom acaba por ouvir os conselhos de Nestor, e envia a Aquiles uma embaixada composta por Odisseu, Ajax, dois arautos e o veterano Fenix presidindo, para oferecer presentes e pedir ao herói que retorne à batalha. Aquiles, porém, ainda irado, não cede.

Agamémnom então envia Odisseu e Diomedes ao acampamento troiano numa missão de espionagem. Heitor, por sua vez, envia Dolon espionar acampamento aqueu. Dólon é capturado por Odisseu e Diomedes, que extraem informações e o matam. A seguir invadem o acampamento troiano e massacram o rei Reso e doze guerreiros que dormiam, retirando-se de volta para o lado aqueu, onde são recebidos com festa.

Durante o dia o combate é retomado, e os troianos novamente são superiores, empurrados por Zeus. Heitor manda uma grande pedra de encontro a um dos portões e invade o baluarte grego, expulsando-os e os empurrando até as naus, de onde não haveria mais para onde recuar a não ser para o oceano. Há amargo combate, com os aqueus recebendo apoio agora de Poséidon enquanto Zeus favorece os troianos, com heróis realizando grandes feitos de ambos os lados.

Hera, então, consegue convencer Hipnos a adormecer Zeus. Os gregos, acuados terrivelmente, se aproveitam desse momento para recuperar alguma vantagem, e Ajax fere a Heitor. Porém Zeus acorda e, vendo os troianos dispersos e a momentânea vitória grega, reconhece a obra de Hera e a repreende. Hera diz que Poséidon é o único culpado, e Zeus a manda falar com Apolo e Íris para que estes instiguem os troianos novamente à luta. Então Zeus impede Poséidon de continuar interferindo, e os troianos retomam a vantagem. Os maiores heróis aqueus estão feridos.

Pátroclo, vendo o desastre dos aqueus, vai implorar a Aquiles que o deixe comandar os Mirmidões e se juntar à batalha. Aquiles lhe empresta as armas e consente que lidere os Mirmidões, mas recomenda que apenas expulse os troianos da frente das naus, e não os persiga. Pátroclo então sai com as armas de Aquiles (incluindo a armadura, o que faz com que aqueus e troianos achassem que Aquiles havia voltado à batalha) e combate os troianos junto às naus. Ao ver fugindo os troianos, Pátroclo desobedece a recomendação de Aquiles e os persegue até junto da cidade. Lá, Heitor, percebendo que é Pátroclo e não Aquiles, o confronta em duelo e acaba por matá- lo.

Há uma disputa pelas armas de Aquiles, e Heitor as ganha, porém Ajax fica com o corpo de Pátroclo. Os troianos então repelem os gregos, que fogem, acossados. Aquiles, ao saber da morte do companheiro, fica terrivelmente abalado, e relata o acontecido a Tétis. Sua mãe promete novas armas para o dia seguinte e vai ao Olimpo encomendá-las a Hefestos. Enquanto isso Aquiles vai ao encontro dos troianos que perseguem os aqueus e os detém com seus gritos, permitindo que os gregos cheguem a salvo com o cadáver. A noite interrompe o combate.

Na manhã seguinte Aquiles, de posse das novas armas e reconciliado com Agamémnom, que lhe restituíra Briseida, acossa ferozmente os troianos numa batalha em que Zeus permite que tomem parte todos os deuses. Trucidando diversos heróis, Aquiles termina por empurrar o combate até os portões de Tróia. Lá Heitor, aterrorizado, tenta fugir de Aquiles, que o persegue ao redor da cidade. Por fim Heitor é enganado por Atena, que o convence a se deter e enfrentar o maior herói aqueu. Ele pede a Aquiles que seja feito um trato, com o vencedor respeitando o cadáver do vencido, permitindo seu enterro digno e funerais adequados. Aquiles, enlouquecido de raiva, grita que não há pacto possível entre presa e predador. O terrível duelo acontece e Aquiles fere mortalmente Heitor na garganta, única parte desprotegida pela armadura. Morrendo diante de seus entes queridos, que assistiam de dentro das muralhas, Heitor volta a implorar a Aquiles que permita que seu corpo seja devolvido a Tróia para ser devidamente velado. Aquiles, implacável, nega e diz que o corpo de Heitor será pasto de abutres enquanto o de Pátroclo será honrado.

Aquiles amarra o corpo de Heitor pelos pés à sua biga e o arrasta diante da família e depois o traz até o acampamento grego. São feitos os jogos funerais de Pátroclo. Durante a noite, o idoso Príamo vem escondido ao acampamento grego pedir a Aquiles pelo corpo do filho. O seu apelo é tão comovente que Aquiles cede, chorando, com a ira arrefecida. Aquiles promete trégua pelo tempo necessário para o adequado funeral de Heitor. Príamo leva o cadáver de seu filho de volta para a cidade, onde são prestadas as honras fúnebres ao príncipe e maior herói de Tróia.Corpo de Heitor sendo levado de volta à Tróia – Alto relevo romano em mármore, detalhe de um sarcófago

Resumo dos Cantos

Canto I: É o décimo ano da guerra de Tróia. Aquiles e Agamémnom se desentendem devido a disputa sobre uma jovem cativa

Canto II: Odisseu impede uma revolta e os gregos se preparam para um ataque a Tróia.

Canto III: Páris desafia Menelau para um duelo, propondo decidir o destino da guerra. Menelau vence, mas Páris sobrevive, salvo por Afrodite.

Canto IV: O pacto é quebrado pelos troianos e a guerra recomeça.

Canto V: Diomedes, ajudado por Palas Atena, realiza grandes prodígios, ferindo Afrodite e Ares.

Canto VI: Heitor retorna a Tróia para pedir que se tente apaziguar Palas Atena. Encontra-se com esposa e filho e retorna à batalha junto de seu irmão Páris.

Canto VII: Heitor duela com Ajax. A luta empata, interrompida pela noite.

Canto VIII: Os deuses se retiram da batalha.

Canto IX: Agamémnom tenta se reconciliar com Aquiles, mas este recusa.

Canto X: Diomedes e Odisseu saem em missão de espionagem e atacam o acampamento troiano.

Canto XI: Páris fere Diomedes, e Pátroclo fica sabendo da desastrosa situação grega.

Canto XII: Retirada grega até as naus.

Canto XIII: Poséidon se apieda dos gregos e os motiva.

Canto XIV: Hera adormece a Zeus, permitindo a reação grega.

Canto XV: Zeus acorda e impede que Poséidon continue interferindo. Os troianos retomam a vantagem no combate.

Canto XVI: Pátroclo pede a armadura a Aquiles e permissão para entrar na luta. Aquiles concede, porém Pátroclo é morto por Heitor.

Canto XVII: Há uma disputa pelo corpo e armadura de Pátroclo. Heitor fica com a armadura e Ajax com o corpo.

Canto XVIII: Aquiles fica sabendo da morte de Pátroclo, e sua mãe lhe providencia uma nova armadura.

Canto XIX: Aquiles, de armadura nova e reconciliado com Agamémnom, se junta à guerra.

 

Canto XX: Batalha furiosa, da qual participam livremente os deuses.

Canto XXI: Aquiles chega aos portões de Tróia

 

Canto XXII: Aquiles duela com Heitor acampamento grego.

e

o

mata. A seguir, desonra seu cadáver,

arrastando-o ao

Canto XXIII: Pátroclo é velado adequadamente.

 

Canto XXIV: Príamo pede o cadáver do filho a Aquiles que, comovido, cede. Heitor é devidamente velado em Tróia.

Traduções

Existem muitas traduções para a Ilíada em Português, tanto em verso como adaptações em prosa. A qualidade e fidelidade das traduções variam bastante, mas destacam-se algumas, todas em verso.

Das brasileiras, a mais antiga é a de Odorico Mendes, feita no século XIX (1874), que possui a peculiaridade de trocar os nomes dos deuses gregos pelos seus arquétipos equivalentes latinos. Ou seja, em vez de Zeus, Júpiter, de Poséidon, Netuno etc. A tradução de Odorico Mendes, toda em decassílabos, se notabiliza pela escolha lexical preciosa e a estrutura sintática amiúde incomum, de feição muitas vezes arcaizante e com farto recurso ao neologismo. Outra tradução é a de Carlos Alberto da Costa Nunes, feita em 1962, na qual o tradutor objetiva manter o metro e o andamento originais do poema. Há ainda a tradução de Haroldo de Campos, em versos que buscam resgatar a sonoridade do original grego, inclusive com diversos neologismos.

Em 2005 foi publicada uma nova tradução portuguesa de autoria de Frederico Lourenço, autor de várias obras e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

HOMERO. Ilíada. Trad. Odorico Mendes; pref. Augusto Magne. Rio de Janiero / São Paulo / Porto Alegre: W. M. Jackson Inc., 1950 (in: Clássicos Jackson, vol. XXI)

HOMERO. Ilíada. Trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro

HOMERO. Ilíada. Trad. Haroldo de Campos; intro. e org. Trajano Viera; 2 v. (bilíngüe). São Paulo: Arx,

2003

HOMERO. Ilíada. Trad. Frederico Loureço. Lisboa: Livros Cotovia, 2005.

Adaptações

A história da Guerra de Tróia em geral e da Ilíada em particular foi amplamente adaptada ao longo dos séculos, tanto na literatura quanto em outras artes. Uma das adaptações mais recentes que ganharam notoriedade é a do filme norte-americano Troy (veja IMDB) de 2004, que narra basicamente os eventos da Ilíada acrescidos de uma introdução e do desfecho da guerra. Embora tenha sido baseado na Ilíada, o filme toma uma série de liberdades em relação à história de Homero. A mais notável delas é a exclusão dos deuses gregos como personagens ativos da trama, sendo referidos apenas pela das personagens neles. Além disso diversos eventos foram alterados no filme, como o destino de Agamémnom, de Menelau, de Ajax. Pátroclo foi transformado em primo de Aquiles, Briseida em sua amante e a duração da guerra foi reduzida de 10 anos para algumas semanas, entre outras mudanças.

Em

2003

o

autor

Dan

lançou

um

livro

épico

de

ficção

adaptando/homenageando o poema homérico.

científica

chamado

Ilium,

Na antiguidade clássica diversas peças de teatro trataram dos eventos subsequentes à guerra, incluindo o destino de outros personagens. A Eneida de Virgílio deve grande tributo à Ilíada (e também à Odisséia), e narra a história do tenente de Heitor, Enéias.

Temas na Ilíada

Embora a Ilíada narre uma série de acontecimentos da guerra de Tróia e se refira a uma série de outros, seu tema principal é o ciclo da ira de Aquiles, da sua causa ao seu arrefecimento. Isto fica claro logo na primeira linha do poema. A palavra grega mēnin, ira, é a primeira do poema, cuja famosa primeira linha é "Menin aeide, Thea, Peleiadeo Aquileos". Em português seria “A ira canta, Deusa, de Peléio Aquiles” ou, adaptando, “Canta, Deusa, a ira do filho de Peleu, Aquiles”. Através da consumação dessa ira, é tratada a humanização do herói e semideus Aquiles, sempre conflitado por sua dupla natureza, filho de deusa e homem, portanto mortal.

A questão da escolha entre valores materiais, como a segurança e a vida longa, e valores morais, mais elevados, como a glória e o reconhecimento eterno, é tratada na escolha com que Aquiles se defronta: lutar, morrer jovem e ser lembrado para sempre, ou permanecer seguro e ser esquecido.

A soberba de Aquiles contrasta grandemente com a sobriedade de Heitor, também grande herói, que não busca a glória como Aquiles, mas luta pela segurança de sua família e de sua cidade, e a preservação de suas raízes troianas.

A guerra e suas conseqüências também é tema central na Ilíada, sendo ricamente retratada.

A condição humana é magistralmente trabalhada por Homero, mostrando os dilemas mortais, as interferências de instâncias superiores e suas conseqüências, personificadas nos deuses que tomam partido.

Amizade, honra e muitos outros temas abstratos também fazem parte da obra, compondo um belo painel da alma humana, o que é, sem dúvida, uma das qualidades que têm determinado a longieviedade da narrativa homérica na cultura universal.

A guerra de Tróia pode ter sido um grande conflito bélico entre gregos e troianos, possivelmente ocorrido entre 1300 a.C. e 1200 a.C. (fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo). Segundo o poeta-épico, Homero, a guerra foi motivada pelo rapto de Helena, rainha de Esparta, por Páris, príncipe de Tróia.

A maioria de gregos clássicos admitia que a Guerra de Tróia era um evento histórico, embora muitos entendessem que os poemas homéricos continham vários exageros. Por exemplo, o historiador Tucídides, conhecido por seu espírito crítico, considerava-a um evento real, mas duvidava que os gregos houvessem mobilizado a quantidade de navios (mais de mil) mencionada por Homero, para atacar os troianos.

Por volta de 1870, na Europa, os estudiosos da Antiguidade eram concordes em considerar as narrativas homéricas absolutamente lendárias. Segundo eles, a guerra jamais ocorrera e Tróia nunca existira. Mas quando o alemão Heinrich Schliemann (um apaixonado pelas obras de Homero) descobriu as ruínas de Tróia e de Micenas, foi preciso reformular esses conceitos.

Ao longo do século XX, tentou-se tirar conclusões baseadas em textos hititas e egípcios, que datam da provável época da guerra. Arquivos hititas, como as Cartas de Tawagalawa, mencionam o reino de Ahhiyawa (Acaia ou Grécia), que se localizava “além do mar” (Egeu) e controlava a cidade de Milliwanda, identificada como Mileto. Igualmente é mencionado, nesses e em outros documentos, a Confederação de Assuwa, uma liga composta por 22 cidades, uma das quais, Wilusa (Ilios ou Ilium), pode ter sido Tróia. Em um tratado datado de 1280 a.C., o rei de Wilusa é chamado de Alaksandu, ou seja, Alexandre, que é o outro nome pelo qual Páris é referido na Ilíada.

Após a famosa Batalha de Kadesh (contra o Egito de Ramsés II), essa confederação rompeu sua aliança com os hititas, o que provocou, em 1230 a.C., uma campanha punitiva do rei Tudhalia IV (1240 a.C. - 1210 a.C.). Mas

sob o reinado de Arnuwanda III (1210 a. C. - 1205 a. C.) os Hititas foram forçados a abandonar as terras que controlaram na costa do Egeu, abrindo espaço para possíveis invasores de além-mar. Nesse caso, a Guerra de Tróia teria sido o ataque de Ahhiyawa (Acaia) contra a cidade de Wilusa (Ílios) e seus aliados da Confederação de Assuwa.

Os trabalhos dos historiadores Moses Finley e Milman Parry procuraram associar a Guerra de Tróia com um amplo fluxo migratório de micenianos, decorrente da invasão dos Dórios no Peloponeso. Poderia também haver uma correlação com o ataque ao Egito pelos “povos do mar”, nos tempos do faraó Ramsés III.

Mas os céticos quanto à veracidade da guerra glorificada por Homero apóiam-se na ausência de qualquer registro hitita de uma invasão da Anatólia (onde se localizava Tróia) por povos vindos do mar.

Em resumo, embora Schliemann tenha encontrado as ruínas da cidade de Tróia (aliás, várias cidades, uma sobre a outra) no sítio mencionado por Homero, a questão da historicidade da guerra continua dividindo a opinião dos estudiosos.

Mitologia

A versão mitológica da guerra está contida nos poemas épicos de Homero: a Ilíada e a Odisséia. Segundo essa versão, a guerra se deu quando os aqueus (os gregos da época micênica) atacaram Tróia, para recuperar Helena, raptada por Páris.

A lenda conta que a deusa (ninfa) do mar Tétis era desejada como esposa por Zeus e por Posídon. Porém Prometeu fez uma profecia que o filho da deusa seria maior que seu pai, então os deuses resolveram dá-la como esposa a Peleu, um mortal já idoso, intencionando enfraquecer o filho, que seria apenas um humano. O filho de ambos foi Aquiles, e sua mãe, visando fortalecer sua natureza mortal, o mergulhou quando ainda bebê nas águas do mitológico rio Estige. As águas tornaram o herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para mergulhá-lo no rio (daí a expressão calcanhar de Aquiles, significando ponto vulnerável). Aquiles se torna o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda é mortal. Mais tarde, sua mãe profetisa que ele poderá escolher entre dois destinos: lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, porém ser logo esquecido. Aquiles escolhe a glória.

Para o casamento de Peleu e Tétis todos os deuses foram convidados, menos Éris (ou Discórdia). Ofendida, a deusa compareceu invisível e deixou à mesa um pomo de ouro com a inscrição “À mais bela”. As deusas Hera, Atena e Afrodite disputaram o título de mais bela e o pomo. Zeus não quis ser o juiz, para não descontentar duas das deusas, então ordenou que o príncipe troiano Páris, à época sendo criado como um pastor ali perto, resolvesse a disputa. Para ganhar o título de “mais bela”, Atena ofereceu a Páris poder na batalha e sabedoria, Hera ofereceu riqueza e poder e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. Páris deu o pomo à Afrodite, ganhando sua proteção e o ódio das outras duas deusas contra si e contra Tróia.

A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda, esposa de Menelau, rei de Esparta, que a conquistara disputando contra vários outros reis pretendentes, tendo todos jurado protegê-la, qualquer que fosse o vencedor da disputa.

Quando Páris foi a Esparta em missão diplomática, apaixonou-se por Helena e ambos fugiram para Tróia, enfurecendo Menelau. Este apelou aos antigos pretendentes de Helena, lembrando o juramento que haviam feito. Agamenon então assumiu o comando de um exército de mil naus e atravessou o mar Egeu para atacar Tróia. As naus gregas desembarcaram na praia próxima a Tróia e iniciaram um cerco que iria durar dez anos e custaria a vida a muitos heróis de ambos os lados. Dois dos mais notáveis heróis a perderem a vida na guerra de Tróia foram Heitor e Aquiles.

Finalmente, a cidade foi tomada graças ao artifício concebido por Odisseu (Ulisses): fingindo terem desistido da guerra, os gregos embarcaram em seus navios, deixando na praia um enorme cavalo de madeira, que os troianos decidiram levar para o interior de sua cidade, como símbolo de sua vitória, apesar das advertências de Cassandra. À noite, quando todos dormiam, os soldados gregos, que se escondiam dentro da estrutura ôca de madeira do

cavalo, saíram e abriram os portões para que todo o exército (cujos navios haviam retornado, secretamente, à praia), invadisse a cidade.

Apanhados de surpresa, os troianos foram vencidos e a cidade incendiada. As mulheres (inclusive a raínha Hécuba, a princesa Cassandra e Andrômaca, viúva de Heitor) foram escravizadas. O rei Príamo e a maioria dos homens foram mortos (um dos poucos sobreviventes foi Enéas).

E assim, Menelau recuperou sua esposa, Helena (tendo matado Dêifobo, com quem ela se casara, após a morte de Páris), e levou-a de volta a Esparta.

Trecho inicial da Ilíada

Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida

(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus

e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,

ficando seus corpos como presa para cães

e

aves

de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus), desde o momento em que primeiro se desentenderam o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.

Homero

A ODISSÈIA

Odisséia (português brasileiro) ou Odisseia (português europeu) (em grego, Οδύσσεια, Transliteração Odýsseia) é um dos principais poemas épicos dos antigos gregos. Foi composta em 24 cantos e é atribuído, tal como a Ilíada, a Homero. Teria sido escrito provavelmente no fim do século VIII a.C., em algum ponto da Jônia, região situada na costa da atual Turquia, habitada então por gregos. [1]

O poema é parte fundamental do cânone ocidental, e continua a ser lido hoje em dia, tanto no grego homérico em que foi escrito quanto em traduções para os mais diversos idiomas ao redor do mundo. A obra foi composta e transmitida oralmente, na tradição local, cantada por um aedo (talvez um rapsodo. [2] Os detalhes da antiga execução oral do poema e a sua conversão para o formato escrito têm despertado um debate contínuo entre os estudiosos. A Odisséia foi escrita num dialeto "poético" do grego antigo, que não pertence a qualquer região geográfica, e compreende 12.110 linhas de versos em hexâmetro dactílico. Entre os elementos mais notáveis do texto está a sua trama não-linear e o fato de que os acontecimentos são mostrados como sendo igualmente influenciados tanto pelas escolhas feitas por mulheres e servos quanto pelas ações dos heróis. O termo "odisséia" veio a servir, na maioria dos idiomas ocidentais, para definir qualquer tipo de viagem ou jornada épica.

Argumento

O poema é, de certa maneira, uma continuação da Ilíada, e se centra principalmente no herói grego Odisseu (ou

Ulisses), e em sua longa viagem de dez anos de volta à Ítaca, seu lar, após participar pelo exército grego da

Guerra de Tróia [3] (guerra que é, em parte, narrada na

Ilíada). Muitos dos heróis da guerra de Tróia, como

Menelau, cuja esposa – a princesa Helena de Esparta – havia sido raptada (originando-se assim a guerra), já regressaram à Grécia. (Tróia ficava na costa jônica, atual Turquia). Mas Odisseu não chegou, pois após sair de Ísmaros (primeira cidade no caminho para a sua pátria), envolveu-se em uma tempestade, afastando-o do seu destino. Entretanto, os pretendentes de Penélope (esposa de Odisseu) acumulam-se e esperam que ela se decida a casar de novo. Ao esperarem, vão dilapidando a fortuna de Odisseu em banquetes. Penélope, esperançosa de que seu marido retorne, vai protelando a escolha de um dos pretendentes (por vezes ardilosamente, como na célebre fiação do bordado mortalha, na qual lhes diz que quando acabar escolherá um dos pretendentes, mas de noite desfaz o que fez de dia).

Odisseu, tentando retornar, erra pelo mar por mais dez anos . É recebido no país dos Feácios, (conhecidos por serem exímios marinheiros) a quem conta as suas aventuras. Acaba por conseguir regressar a Ítaca. Prepara tudo para massacrar os pretendentes, o que faz com a ajuda do seu filho Telêmaco.

Macro-Estrutura da obra

A obra pode ser dividida nas seguintes grandes secções:

Introdução (Canto I)

Telemaquia (aventuras de telémaco) (Canto II-IV)

Odisseu na ilha e gruta de Calipso (Canto V)

Odisseu chega à ilha dos Feácios, conta as suas aventuras, e parte da ilha dos Feácios. Conta como partiu

de Tróia e chegou à ilha de Calipso. (Canto VI- Canto XII) Odisseu chega e permanece na ilha de Ítaca, até que mata os pretendentes. (Canto XII-Canto XXIV).

Casa de Odisseu

Odisseu, herói da guerra de Tróia e que quer voltar para junto dos seus.

Penélope, esposa de Odisseu

Telémaco, filho de Odisseu e de Penélope

Laertes, pai idoso de Odisseu

Eumeu, porqueiro

Euricleia, ama de confiança

Antinoo, um dos pretendentes o mais malvado de todos

Eurimaco, um dos pretendentes que copia tudo o que Antinoo diz

Casa dos Feácios

           Alcínoo, rei dos feácios Areta,
Alcínoo, rei dos feácios
Areta, esposa de Alcínoo
Nausícaa, filha de ambos
Laodamante, irmão de Nausícaa, desafiador de Odisseu nos jogos.
Hálio, idem
Clitóneo, idem
Equeneu, velho herói
Demódoco, aedo, contador lírico de histórias
Pontónoo
Anfíloo, atleta
Euríalo, atleta, desafiador de Odisseu nos jogos

Companheiros de Odisseu nas viagens marítimas

Deuses intervenientes

directamente:

Atena (a favor de Ulisses)

Poseidon (contra Ulisses)

Éolo, rei e deus dos ventos

Hades - Deus do mundo subterrâneo

Hermes - Mensageiro dos deuses

Monstros e Criaturas Maravilhosas

Ciclopes, em particular Polifemo

Cenário

Reconstituição do mundo descrito pela Odisséia As aventuras de Odisseu são aventuras eminentemente marítimas. Odisseu regressa de Tróia, que é no mar Jónico, na actual Turquia. Tenta regressar à ilha de Ítaca onde é rei. A ilha de Ítaca fica na costa ocidental da Grécia. Assim Odisseu vai ter que contornar a península grega. As aventuras têm por cenário o mar Mediterrâneo, entre ilhas verdadeiras e outras míticas. Entre homens e deuses. O mar para os gregos era um elemento não natural. Andar no mar era uma manifestação da hybris (desregramento). Morrer no mar era o pior que podia acontecer a um grego da época antiga.

Traduções

Das traduções em verso, há três brasileiras: a feita por Manuel Odorico Mendes, no século XIX, em decassílabos, na qual é marcante a síntese e a cunhagem de palavras compostas; a de Carlos Alberto da Costa Nunes, de meados do século XX, cujo intento foi de manter o ritmo original, assim como o número e extensão dos versos; e a feita por Donaldo Schüler, publicada recentemente em três partes (bilíngües). A mais recente tradução portuguesa foi levada a cabo por Frederico Lourenço, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.