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PROPRIEDADES FÍSICO –

QUÍMICAS DO SOLO
Objetivo
Ao final da aula, o aluno deverá estar apto a:
• Conceituar e relacionar as propriedades físico-químicas dos
solos;
• Calcular valores de propriedades físico-químicas mensuráveis,
como: soma de bases, CTC, saturação por bases;
• Avaliar o potencial produtivo dos solos a partir dessas
propriedades;
• Conceituar os fatores quantidade, capacidade e intensidade e
relacioná-los com a disponibilidade de nutrientes no solo;
• Descrever os principais mecanismos de transporte dos
nutrientes no solo e relacioná-los com práticas de adubação.
1 - COMPOSIÇÃO DO SOLO: Um solo em boas
condições deve apresentar a seguinte
composição:
a) Fase gasosa:
Importância: Fornece O2 para respiração das raízes
Fornece N2 para a fixação biológica

Alto CO2 e baixo O2


- Respiração das raízes e microorganismos
- Mineralização da matéria orgânica
b) Fase líquida – solução do solo:

- Elementos: quase todos estão na forma iônica


Macronutrientes: exigidos em grandes quantidades
Cátions: Ca2+, Mg2+, K+, NH4+
Ânions: NO3-, H2PO4-, HPO42-, SO42-
Micronutrientes: exigidos em pequenas quantidades
Cátions: Zn2+, Cu2+ Fe2+, Mn2+, Ni2+
Ânions: MoO42-, Cl-
H3BO3 (Boro)
- compartimento para a absorção radicular
- principal meio para o movimento de minerais no solo
- meio onde ocorre a maioria dos processos químicos e biológicos
C) FASE SÓLIDA DO SOLO
Constituída de agregados : formados por
partículas unitárias cimentadas entre si.
agentes cimentantes: argila e matéria orgânica.

Partículas unitárias: diferentes tamanhos.


fração argila: até 0,002 mm
fração silte: 0,002 – 0,05 mm
fração areia: 0,05 – 2 mm
Porque o tamanho da partícula é
importante?
Quanto menor a partícula, maior é a sua
reatividade. (capacidade de participar de
reações químicas).

A fração argila, na qual se encontra os


minerais de argila, juntamente com a matéria
orgânica, é a fração reativa do solo.
Ponto de vista de nutrientes de plantas

1) parte inativa: partículas > 0,002 mm


pedras, cascalhos, areia, silte

2) parte ativa: partículas < 0,002 mm


argila e MO (húmus)
PORTANTO:

FRAÇÃO ARGILA + FRAÇÃO ORGÂNICA =

FRAÇÃO ATIVA OU COLOIDAL DO SOLO.


PROPRIEDADES DOS COLÓIDES:

a) grande superfície específica:


área(m2) / peso do material(g)

b) Cargas elétricas: predominam as cargas


negativas, embora possam possuir também
cargas positivas.
FRAÇÃO COLOIDAL DO SOLO: Propriedades
básicas para a fertilidade:

1- fonte de nutrientes

2- sede de reatividade do solo

2.1 – reação do solo

2.2 – troca iônica


Materiais trocadores (fração coloidal)

argilas silicatadas (+ Si )
argilas 2:1
a) Fração argila argilas 1:1

óxidos de Fe e Al ( - Si)
argilas 0:1

b) Fração orgânica  Humus


Argilas 2:1 – Apresentam 2 camadas de Si para
uma camada de Al. Ex: MONTMORILONITA.
• Apresentam grande capacidade de expansão e
contração.
• Grande superfície específica
• Todas as cargas elétricas são negativas 
grande capacidade de adsorver cátions.
• Comum em regiões de clima temperado, onde
os solos são menos intemperizados.
Argilas 1:1 – Apresentam 1 camada de Si para
1 camada de Al. Ex: CAULINITA
- Apresentam tamanho grande.
- Baixa superfície específica.
- Possuem cargas elétricas negativas em menor
número que as argilas 2:1.
- Comum em regiões de clima tropical, onde os
solos se encontram em avançado estágio de
intemperismo.
Óxidos de Fe e Al: Predominam em solos
tropicais juntamente com a caulinita.
Óxidos de Fe  Goetita: Fe2O3.H2O
Hematita: Fe2O3

Óxidos de Al  Gibsita: Al2O3.3H2O


Boemita: Al2O3.H2O

- Presentes nos solos altamente intemperizados.


- Podem ter cargas elétricas positivas,
adsorvendo ânions.
AMBIENTE QUENTE E ÚMIDO
+
BOA DRENAGEM

TEMPO

SOLOS ALTAMENTE INTEMPERIDOS


CONCLUSÃO:
Solos de regiões de clima tropical apresentam
menor capacidade de adsorção e troca de
cátions do que solos de regiões de clima
temperado, devido à:
Maior intemperismo dos solos  predomínio
de argilas 1:1 (caulinita) e 0:1 (óxidos de Fe e
Al).
CARGAS ELÉTRICAS

DOS SOLOS
Cargas elétricas do solo
- Normalmente os solos apresentam carga
elétrica negativa.

- Em regiões tropicais, com solos altamente


intemperizados, com presença de óxidos de Fe
e Al em valores de pH mais baixo (abaixo do
ponto de carga zero), podem apresentar carga
elétrica positiva.
Cargas negativas
- Argilas 2:1 Sempre geram cargas negativas,
permanentes (nascem com a argila).
Mecanismo: substituição isomórfica: Si4+Al3+
Al3+Mg2+
- Argilas 1:1 cargas negativas em menor
número que as argilas 2:1.
- Argilas 0:1 (óxidos de Fe e Al) cargas
negativas dependem do pH (acima do ponto de
carga zero)
- M.O  Maior gerador de cargas elétricas
negativas em solos tropicais.
Ponto de carga zero
Definição: Valor de pH em que a superfície de
determinado colóide (orgânico ou inorgânico)
tem carga nula.
PCZ de alguns constituintes do solo
Capacidade de troca catiônica
determinada a pH 7,0
Material coloidal CTC (mmolc/100g)
Mat. Org. 250-400
Caulinita (1:1) 5-15
Óxidos de Fe e Al 2-25
Montmorilonita (2:1) 80-120

Conclusão: Mat. Org. é o grande gerador de


cargas elétricas negativas em solos tropicais.
Cargas positivas
- Aparecem principalmente em solos com argila 0:1
(Óxidos de Fe e Al) e são dependentes do pH, ou seja
ocorrem abaixo do PCZ.

- Ocorrem principalmente no Horizonte B, mais pobre


em M.O.
PCZ de alguns solos do Brasil. Dados extraídos
dos trabalhos de Raij e Peech (1972) e de Morais
et al. (1976)
ADSORÇÃO E TROCA IÔNICA

MINERAIS DE ARGILA E MAT. ORGÂNCA:

- Elevada superfície específica


- Cargas elétricas negativas e positivas (às
vezes)

Capacidade de reter e trocar íons da mesma


carga  Troca iônica.
Capacidade de troca catiônica(CTC):

Poder do solo em reter cátions na fase sólida, numa


forma trocável com outros cátions da solução, ou
seja, a quantidade de cátions que neutraliza as cargas
elétricas negativas do solo.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DO
FENÔMENO DA CTC:

- RÁPIDO
- REVERSÍVEL
- ESTEQUIOMÉTRICO
CÁTIONS QUE NEUTRALIZAM AS CARGAS

NEGATIVAS DO SOLO

Ca2+, Mg2+, K+, Na+*, NH4+* (bases)

H+ , Al3+ (acidez)
- SB(soma de bases): K+ + Ca2+ + Mg2+

- ACIDEZ POTENCIAL: H0 + Al3+

- T : SB + H + Al

- V % (saturação por bases): SB/T x 100


CTC do solo depende de:
. Teor de argila: Quanto maior, maior CTC.

. Tipo de argila: 2:1> 1:1> Óxidos de Fe e Al.

. Teor de M.O. : Quanto maior, maior CTC.


Capacidade de troca aniônica (CTA)

É a capacidade do solo em reter ânions na fase


sólida, numa forma trocável com outros ânions
da solução.
ÂNIONS TROCÁVEIS

H2PO42- > MoO42- > SO42- > NO3- > H3BO3 > Cl-

fixação troca

mobilidade aumenta
Não atende as condições de rapidez,

reversibilidade e estequiometria, sendo por

esta razão denominada ADSORÇÃO

ANIÔNICA.
SISTEMA SOLO – PLANTA:

É um sistema aberto, em que os íons são

constantemente removidos da fase sólida do

solo e acumulados na planta.


FATOR QUANTIDADE, INTENSIDADE E CAPACIDADE TAMPÃO

• FATOR INTENSIDADE (I): É a concentração do íon

na solução.

• FATOR QUANTIDADE (Q): É a reserva de íon

disponível na fase sólida (íon lábil).

• FATOR CAPACIDADE TAMPÃO: É a capacidade de

reposição do solo.
ABSORÇÃO IÔNICA
Absorção iônica: a entrada de um elemento na
forma iônica no espaço intercelular ou qualquer
região ou organela da célula.

Para ser absorvido, o elemento precisa entrar em


contato com a raíz. Isso pode ser feito de 3
maneiras: Interceptação radicular, fluxo de
massa e difusão.
INTERCEPTAÇÃO RADICULAR: a raiz ao se
desenvolver encontra em sua trajetória nutrientes que
ela irá absorver.

FLUXO DE MASSA : o íon caminha a longas distância,


indo de uma região mais úmida, distante da raíz, até
uma mais seca, próximo à raíz. É o mecanismo de
transporte dos íons que são retidos com pouca força
no solo.

DIFUSÃO: o íon caminha, em curtas distâncias, de uma


região de maior concentração para outra de menor
concentração, na superfície da raíz. É o mecanismo
de transporte para os íons fortemente retidos no solo.
ÁGUA: Principal veículo para o transporte
de nutrientes no solo.
- Período da seca: diminui a absorção de
nutrientes.
- Período de chuvas: aumenta a absorção.
Ex: Internódios da cana.
Dinâmica dos nutrientes no solo
a) Fluxo de massa (lixiviação):
ânions: Cl- > H3BO3 > NO3- > SO42- > MoO42-
cátions: Na+ > K+ > NH4+ > Mg2+ > Ca2+

b) Difusão(fixação no solo):
H2PO4- > Cu2+ > Mn2+ > Zn2+ > Fe2+
Relação entre o processo de contato e
localização dos fertilizantes
Fatores que afetam a absorção iônica

FATORES EXTERNOS
• Temperatura: Muito alta ou muito baixa diminui a absorção.
• Umidade: H2O é o veículo dos íons.
• Aeração: necessário para a respiração e fornecimento de
energia.
• Próprio íon: velocidade de absorção diferente
ânions: NO3- > Cl- > SO42- > H2PO4-
cátions: NH4+ > K+ > Mg2+ > Ca2+

. Disponibilidade do elemento: Maior disponibilidade, maior


absorção.
Fatores que afetam a absorção iônica

Fatores internos

a) Potencialidade genética da planta


b) Intensidade de crescimento
c) Nível metabólico
Outras definições
• Transporte ou Translocação: transferência do
elemento em qualquer forma (igual ou diferente
da absorvida) de um órgão ou região de
absorção para outro qualquer.
• Redistribuição: É a transferência do elemento
de um órgão ou região de acúmulo para
outro,em forma igual ou diferente da absorvida
(de uma folha para um fruto ou de uma folha
para outra).
Calcular SB, T e V% das seguintes análises de solo

pH M.O. P K Ca Mg Al H+Al SB T V
CaCl2 H2O g dm3- mg dm3- -------------------mmolc dm3---------------------------- %
4,0 4,8 9 5 0,7 3 2 5 28
4,6 5,4 10 9 1,2 7 5 4 22
5,2 5,8 10 7 1,6 11 6 0 16
6,0 6,6 9 10 1.1 17 7 0 10
4,0 4,8 20 6 1,2 5 2 10 54
4,6 5,4 19 8 1,1 11 5 7 43
5,2 5,8 21 7 0,9 22 8 0 30
6,0 6,6 20 9 1,6 32 10 0 18
4,0 4,8 36 6 0,8 8 3 25 96
4,6 5,4 35 8 1,0 15 6 10 80
5,2 5,8 37 10 1,7 38 14 0 52
6,0 6,6 36 9 1,3 60 20 0 20

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