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Apresentação

Apresentação

"Estamos iniciando o curso “Introdução a tutoria em educação a distância”.


Seja bem-vindo(a)!

Se esta for sua primeira experiência como aluno on-line, não se preocupe, nossa equipe está
preparada para fornecer todo o suporte necessário à sua ambientação no curso. Se já participou de
outros cursos pela internet, poderá compartilhar suas experiências com os colegas, enriquecendo
nossa convivência.
Esperamos construir neste ambiente virtual de aprendizagem, um espaço de interação, colaboração
e reflexão, que possa tornar sua aprendizagem significativa, com aquisição de conhecimentos que
auxiliem uma atuação com excelência na tutoria de cursos a distância.
O curso foi planejado com uma carga de 40 horas, divididas em quatro módulos. Os módulos foram
desdobrados em oito unidades e temas geradores. Você terá oportunidade de aprofundar os
conhecimentos sobre alguns temas abordados nas unidades, por meio de discussão em fóruns virtuais,
lembrando que sua participação é fundamental para a dinâmica do curso, além de somar pontos na sua
avaliação. Ao final de cada unidade, você deverá realizar exercícios de autoavaliação; elaborados para
a fixação do conteúdo estudado. Após a leitura de todos os módulos você deve responder as questões
da avaliação final do curso. Esta avaliação é pontuada e não pode ser refeita, como as autoavaliações
das unidades.

Durante a leitura do conteúdo você será levado à reflexão dos assuntos abordados e encontrará
dicas para aprofundamento em determinados temas. Encontrará materiais para leituras
complementares, links de interesse e glossário de termos técnicos. A leitura deste material
complementar é facultativa e não está computada na carga horária do curso.
No primeiro módulo, estudaremos temas relacionados à inserção da tecnologia como mediadora no
contexto educacional. A seguir, caminharemos pela História, pelas diferentes concepções de Educação
a Distância e pela ancoragem que legitima a sua prática.
No módulo II são caracterizadas as funções dos principais agentes do processo educacional: tutores
e alunos. Os estilos de aprendizagem, que diferem os alunos, serão destacados, facilitando, assim, a
percepção do tutor no processo de acompanhamento pedagógico. Ainda neste módulo, serão indicados
os estilos de tutoria mais adequados a cada modalidade de curso ou de disciplina.
No módulo III estão apresentadas as principais estratégias facilitadoras da interação entre os atores
da prática pedagógica. O embasamento teórico envolve o construtivismo como prática interacionista,
com ênfase na relação entre o sujeito que aprende e o objeto de estudo. Você, que está em formação,
aprenderá, neste módulo, a desempenhar um papel fundamental para favorecer ao aluno a aquisição
de conhecimento.

Finalizando, no módulo IV, a abordagem se destina aos conteúdos da avaliação como técnica
pedagógica de validação da prática educativa. Prática esta que poderá apresentar diferentes versões,
seja como geradora de revisão e de complementação por meio das recomendações, seja como
geradora de reforço aos resultados positivos.
Para aprovação no curso, você deverá obter nota final igual ou superior a 70 (setenta).
Acreditamos que o estudo destes módulos oportunizará uma experiência realizadora para todos os
alunos, além da aquisição de conhecimentos técnicos indispensáveis para atuação em tutoria.
Guia do Estudante

GUIA DO ESTUDANTE

As orientações abaixo ajudarão você, estudante a distância, a utilizar melhor os recursos didáticos do
nosso curso

Navegação:

No cabeçalho do ambiente “Trilhas”, os botões Próximo/Anterior darão opção de avançar ou voltar nas
páginas do curso. Para navegar pelos módulos/unidades escolhidos, clique na seta de fundo azul,
abra o índice e clique na opção desejada. Observe que acima do campo de navegação o sistema
informa seu posicionamento no texto-base, até mesmo o número da página. Na lateral esquerda da
página temos o "Apoio", navegue nas opções para explorar mais os recursos do curso.

O curso está organizado em módulos e unidades. Ao final de cada unidade você deverá executar:

Autoavaliação. É importante avaliar sua capacidade de apropriação do


conhecimento. São exercícios elaborados para a fixação do conteúdo estudado e
podem ser refeitos. No campo "Avaliação", clique em "avaliações" e na
autoavaliação da respectiva unidade.

Ao final do curso:

Avaliação final. Quando concluir a leitura do último módulo, você deve responder as questões
da avaliação final do curso. Esta avaliação só pode ser respondida uma única vez e todas as
questões somam 80 pontos.

Aprovação:
Os fóruns (20) e a avaliação final (80), somam um total de 100 pontos. Serão considerados aprovados
e com direito a certificação os alunos que efetuarem as atividades propostas e obtiverem nota a partir
de 70 (setenta).

Impressão:
Para imprimir todo o conteúdo do curso, clique em "Versão para imprimir" no menu de "Apoio" que
fica na lateral esquerda da tela.
Certificação Eletrônica: Transcorridos 10 dias, após a data de encerramento do curso, entre com seu nome
de usuário e senha e clique no ícone Emitir certificado. Você terá a opção de imprimir o CERTIFICADO e uma
DECLARAÇÃO com o conteúdo programático. Poderá também salvar o arquivo, para posterior
impressão.
O ILB não fornece autenticação digital ou quaisquer outras comprovações além do
certificado e da declaração emitidos eletronicamente e impressos pelo próprio aluno.

Suporte técnico
O Núcleo Web do ILB oferece apoio a problemas de acesso ao ambiente virtual
de aprendizagem e orientações para a utilização dos recursos e ferramentas de EaD.

E-mail: ilbead@senado.gov.br
(Identifique a mensagem em "assunto", informando seu nome completo e o curso
em que está inscrito.)

Telefone: (00+55) (61) 3303-1475

Horários de atendimento ao aluno virtual: 09h às 12h e 15h às 18h (dias úteis)

Confira os ícones utilizados neste curso:

Autoavaliação
Resumo

Acesse texto

Assista vídeo Leia Mais

Avaliação final
Continuação
Objetivos

Sugestões para um bom estudo:

As atitudes do estudante a distância, traduzidas em hábitos de estudo, são fatores que ajudam o aluno
a persistir e permanecer no curso, determinando o sucesso final. Nossas sugestões para que você
tenha um bom aproveitamento, são as seguintes:

você é responsável pelos seus estudos; manter a autodisciplina e automotivação é fundamental para iniciar e
concluir o curso com êxito;
administre bem seu tempo; assegure-se de que terá, pelo menos, 50 minutos diários de
disponibilidade para se dedicar aos estudos;participe dos fóruns para exercitar seu aprendizado e
interagir com os colegas nas discussões, sem receio de expor suas apiniões;
execute as atividades propostas em sequência de módulos/unidades. Sempre que concluir a
leitura da unidade, acesse "Avaliações" (lateral esquerda da página) e responda as questões da
autoavaliação que corresponde à unidade;
ao concluir o estudo do último módulo e antes de responder as questões da Avaliação Final, que
vai determinar sua aprovação ou não, se você se sentir inseguro, refaça as autoavaliações das
unidades para se preparar melhor.

Objetivos

OBJETIVOS

Objetivo Geral

O objetivo geral deste curso é oferecer aos alunos conhecimentos básicos necessários
para uma tutoria eficiente em cursos ou disciplinas ofertadas na modalidade a distância, especialmente
em cursos on-line, por meio da fundamentação teórica de conceitos pedagógicos que norteiam a
prática de tutoria – acompanhamento, aprendizagem e desenvolvimento de alunos.

Objetivos específicos

Ao final do curso, os alunos estarão aptos para:

1- Argumentar sobre as novas concepções pedagógicas da Educação na Sociedade do


Conhecimento.

2- Explicar a importância da EAD como elemento favorecedor da aprendizagem.

3- Conhecer os diferentes perfis de tutoria.

4- Analisar as características dos diferentes discentes de cursos on-line.

5- Identificar e diferenciar as principais estratégias favorecedoras da tutoria para motivação,


participação e interação de alunos.

6- Discutir as melhores práticas da tutoria.

7- Analisar a adequação entre os diferentes instrumentos e finalidades da avaliação: diagnóstica,


formativa e somativa.

8- Justificar a escolha dos critérios de avaliação de desempenho de alunos e tutores.

Módulo I - A Educação

Módulo I - A Educação
Apresentação e Objetivos

No Módulo I, abordaremos as unidades temáticas “A Educação na


Sociedade do Conhecimento” e “Educação a Distância”. Vamos
mostrar que a Educação é um pilar fundamental na construção de
uma sociedade justa e cidadã e você, ao final, será capaz de
argumentar sobre as novas concepções pedagógicas da Educação,
na Sociedade do Conhecimento e explicar a importância da EAD como elemento favorecedor da
aprendizagem.

Durante a navegação pelo conteúdo, você será levado à reflexão sobre os temas em estudo. Pare,
reflita, anote suas observações e continue navegando. Esse é um passo importante para sua
aprendizagem.

Para cada unidade, foram desenvolvidos exercícios autoavaliativos, com o objetivo de lhe dar
autonomia na verificação de seu aprendizado no módulo. Não tenha receio em responder as questões,
elas foram elaboradas para você fixar melhor o conteúdo do módulo. O feedback recebido auxiliará sua
escolha em retornar ao conteúdo para sanar as dúvidas encontradas ou seguir em frente para novos
aprendizados.

Também são sugeridas leituras adicionais, por meio de textos complementares aos temas
estudados.

Durante o período de estudo do módulo, será criado um fórun de discussão. O fórum é a nossa
sala de aula, por meio dele trocamos experiências e conhecimentos. Aproveite o momento para
observar as opiniões e posicionamentos dos demais colegas de turma. Você poderá argumentar sobre
as postagens dos componentes de sua turma. O fórum é seu, é da turma. Vamos contribuir para
manter a interação e a construção coletiva. A participação de todos os alunos é de fundamental
importância para a dinamização dos fóruns.

Unidade I - A Educação na Sociedade do Conhecimento

Unidade 1 - A Educação na Sociedade do Conhecimento

Introdução

O modelo tradicional de ensino, no qual o professor é o centro do processo educativo, detentor e


transmissor de conhecimentos, e o aluno, um sujeito passivo, mero receptor de informações, não tem
mais espaço na chamada Sociedade do Conhecimento.

O crescimento acelerado das tecnologias da informação e comunicação (TIC), adicionado às novas


demandas sociais exigidas na formação e capacitação das pessoas, têm levado educadores e outros
estudiosos da área a repensar as concepções e práticas pedagógicas adotadas no nosso sistema
educacional.

Como neste estudo vamos tratar da necessidade de mudanças de paradigmas na Educação, íncluídos
os papéis do professor e do aluno, será importante você analisar a letra da música “Estudo Errado”,
composição de Gabriel, O Pensador.

Clique em "Para ouvir" para ter acesso à composição “Estudo Errado”.

Para ouvir
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Eu tô aqui Pra quê?


Será que é pra aprender?
Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando, espiando, colando toda prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu "vá pra aula!" e "estude!"
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
- Ué não te ensinaram?
- Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:
Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula!
"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh... Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada

Refrão

Encarem as crianças com mais seriedade


Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a exploração, e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim vocês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...

Juquinha você tá falando demais assim eu vou ter que lhe deixar sem recreio!
Mas é só a verdade professora!
Eu sei, mas colabora se não eu perco o meu emprego.
Você prestou atenção à letra?
Qual a mensagem do compositor?
Você concorda com o posicionamento dele?

Mais adiante vamos relacionar alguns pontos do conteúdo com aspectos abordados na canção.

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Transformações na concepção educacional

Acompanhamos na sociedade industrial o destaque dado ao capital


físico, considerado variável-chave do crescimento econômico. Hoje,
percebemos a ênfase no capital humano ou intelectual. A
abordagem do capital humano procura transmitir a idéia de
que investir nos indivíduos, por meio da Educação e do
treino, gera retorno às organizações, na forma de uma
melhor produtividade, desenvolvimento de habilidades e
maior criatividade. Essa nova sociedade em constante
formação, que tem por base o capital humano, é chamada
de Sociedade do Conhecimento. Nela, a tecnologia tem
gerado muitos impactos, tendo como conseqüências modificações no mundo do trabalho, maior
conscientização da cidadania e economia baseada no conhecimento, que é a tônica do século XXI, o
século da era digital.

Informações adicionais

Capital físico pode ser entendido como um estoque de equipamentos e estruturas utilizados na produção de bens e
serviços.

A teoria do Capital Humano foi desenvolvida, na década de 60, pelos economistas Theodore Schultz e Gary Becker,
que, em 1992, receberam o Prêmio Nobel. Segundo a teoria, o progresso de um país é alavancado pelo
investimento em pessoas.

Percebe-se, nessa sociedade, a valorização do conhecimento e, conseqüentemente, a ênfase


na Educação como um dos maiores recursos de que as pessoas, organizações e nações dispõem para
enfrentar as transformações do mundo contemporâneo.

Mas, como a Educação pode interferir no mundo do trabalho?


Há mudanças no perfil do profissional da era digital?

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Claro que há! Hoje, a condição para o sucesso profissional é manter os conhecimentos sempre
atualizados, ter capacidade de utilizar os recursos tecnológicos disponíveis, desenvolver habilidades de
pensamento de ordem superior (análise, síntese e avaliação), ser capaz de buscar, organizar,
selecionar e aplicar informações, saber tomar decisões e resolver problemas. Também é importante ter
flexibilidade para mudanças, disposição para aprender de forma continuada ao longo da vida e
disposição para trabalhar em grupo de forma colaborativa, na busca de objetivos comuns.

Voltando à música “Estudo Errado”, você acha que o modelo educacional ali apresentado
desenvolve capacidades e habilidades exigidas
na atualidade? Por que?

A utilização de recursos tecnológicos no cenário educacional tem ocasionado uma reavaliação nos
modos de pensar e praticar a Educação.

Vimos até agora, que a Educação é o elemento-chave na construção de uma sociedade baseada na
informação, no conhecimento e no aprendizado. Nessa sociedade, em crescente transformação, fica
clara a necessidade de mudanças nos paradigmas educacionais. Precisa ser repensado o papel do
aluno, do professor, da avaliação, dos currículos e da sala de aula, de forma a adequar a Educação às
demandas contemporâneas: formar sujeitos ativos, aptos a solucionar problemas, com autonomia para
buscar novos conhecimentos de forma continuada.

A Educação não é apenas o processo de construção da capacidade cognitiva de um indivíduo,


mas um processo que deve visar a sua formação plena, construindo e recuperando valores morais,
sociais, científicos e éticos, como respeito pela diversidade, igualdade, tolerância, respeito pela
liberdade, criatividade, emoção e preocupação com os problemas do planeta, por exemplo. Como
educadores, precisamos estar presentes na vida dos educandos de forma construtiva, emancipadora e
solidária, formando sujeitos com iniciativa e compromissados.

Mas, como formar sujeitos assim?

De acordo com a abordagem de Jacques Delors no Relatório da Comissão Internacional sobre


Educação para o século XXI, os educadores precisam adquirir novas competências e habilidades para
ajudar os alunos a aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser –
aprendizagens fundamentais na sociedade contemporânea.

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Vamos conhecer o significado dessas aprendizagens?

v Aprender a conhecer: exercitar a atenção, a memória e o pensamento. Adquirir os


instrumentos da compreensão e da capacidade de discernimento. Despertar a curiosidade
intelectual e o senso crítico. Construir as bases que permitirão ao indivíduo continuar
aprendendo ao longo de toda a vida. Aprender a aprender.

v Aprender a fazer: aprender a colocar em prática os conhecimentos adquiridos. Solucionar


problemas. Habilitar-se a ingressar no mundo do trabalho moderno e competitivo, tendo
como foco a formação técnica e profissional, o comportamento social, a aptidão para o
trabalho em equipe e a capacidade de tomar iniciativa.

v Aprender a conviver:aprender a viver juntos, desenvolvendo o conhecimento do outro, de


modo a permitir a realização de projetos comuns e gestão de conflitos. Compreender a si
mesmo e ao outro. Valorizar o saber social. Interagir. Cuidar de si, do outro e do lugar em
que se vive. Valorizar as diferenças e manter a paz.

v Aprender a ser: aprender a agir com autonomia, solidariedade e responsabilidade.


Desenvolver-se integralmente – espírito, corpo inteligência e sensibilidade. Elaborar
pensamentos autônomos e críticos. Formular os seus próprios juízos de valor. Exercitar a
liberdade de pensamento, discernimento, sentimento e imaginação, para desenvolver os
seus talentos e permanecer, tanto quanto possível, dono do seu próprio destino.
Leitura complementar...
O relatório da referida Comissão é o
resultado de um processo mundial de
consulta e análise durante um período
de três anos. Faz uma abordagem
prospectiva e analisa a situação atual da
Educação. Apresenta os novos
paradigmas e metas da Educação para o
próximo milênio. Caso queira se
aprofundar no tema, leia a íntegra do
relatório “Educação um tesouro a
descobrir" (clique no título).
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Sabemos que a prática educativa focada no acúmulo de conhecimentos, na memorização de fatos e


procedimentos, como mostrados na música “Estudo Errado”, não é mais valorizada na Sociedade do
Conhecimento ou da Informação. Precisamos sim, estar aptos para construir e reconstruir
conhecimentos significativos, nesse mundo em permanente e acelerada mudança.

Essa construção e reconstrução de conhecimentos são para Moraes o aprender a aprender, que “se
manifesta pela capacidade de refletir, analisar e tomar consciência do que sabe, dispor-se a mudar os
próprios conceitos, buscar novas informações, substituir velhas verdades por teorias transitórias,
adquirir os novos conhecimentos que vêm sendo requeridos pelas alterações existentes no mundo,
resultantes da rápida evolução das tecnologias da informação e não apenas o acumular
conhecimentos” (2003:64).

Concluímos, na certeza de que estamos na transição de uma educação centrada no professor e


baseada na transmissão de conteúdos para uma educação centrada no sujeito, que estimula os
processos coletivos de construção do conhecimento e proporciona ambientes favoráveis a
aprendizagem significativa (MORAES, 2003).

Assista ao vídeo: O tutor na docência online


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Distinção entre informação e conhecimento

Dissemos que os indivíduos precisam ser criativos, críticos, independentes e autônomos, para poderem
solucionar problemas e adquirir competências que ajudem a acessar as informações disponíveis por
meio das novas tecnologias e transformá-las em conhecimento.

Mas o que é informação? E conhecimento?


Como distinguir um do outro?

A informação é uma associação de dados. Já o conhecimento é fruto do esforço intelectual de


processamento de uma informação. Quando informo o índice de analfabetismo da sociedade brasileira
passo uma informação. Quando um cidadão conclui que precisamos aperfeiçoar a educação brasileira,
com vistas à elevação do padrão de trabalho no país, está demonstrando conhecimento de uma área.

Dado –► informação – ► conhecimento

O processo cognitivo opera a transformação desses elementos.

Interpretando o esquema acima, percebemos que o conhecimento deriva da informação, que é obtida por
meio dos dados. O conhecimento é difícil de ser entendido em termos lógicos. Ele está dentro das
pessoas e por isso é complexo e imprevisível. De acordo com Davenport e Prusak “o conhecimento
pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e se modifica à medida que interage com o meio
ambiente”(1998:6).

Que outros exemplos ilustram a diferença entre informação e conhecimento?

De que forma a instituição em que você trabalha se relaciona com o conhecimento?

Diversos autores afirmam que há dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito:

Conhecimento tácito: é aquele que está confinado no indivíduo; é intangível, já que envolve
crenças pessoais, sistema de valores, insights, intuições, emoções, habilidades. É o conhecimento
pessoal incorporado à experiência individual. Na atualidade, é considerado muito importante porque se
apresenta em forma de ação.

Conhecimento explícito: é aquele que é exteriorizado e compartilhado. Pode ser transmitido


formal e facilmente entre os indivíduos.

Estudos sistematizados no Livro Verde do Programa Sociedade da Informação mostram que o


conhecimento tornou-se um dos principais fatores, no mundo, de superação de desigualdades, de
agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar. A soberania e a
autonomia dos países dependem nitidamente do conhecimento, da educação e do desenvolvimento
científico-tecnológico (
TAKAHASHI, 2000).

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Com tantos recursos tecnológicos disponíveis, percebemos suas influências no comportamento e
pensamento dos jovens, já que os meios informáticos permitem acesso a múltiplas possibilidades de
interação, mediação e expressão de sentidos. Verificamos que a utilização de vídeo-games, celulares e
computadores com acesso à internet, entre outros equipamentos digitais, têm gerado o
desenvolvimento de novas competências, habilidades e atitudes.

Xavier (2005) nos alerta para o fato de que os aprendizes desta nova geração estão raciocinando e
agindo de modo surpreendente, pois eles têm ampliado a capacidade de:

v apreender, gerenciar e compartilhar os novos conhecimentos aprendidos com os parceiros de


suas comunidades virtuais;
v checar on-line a veracidade das afirmações apresentadas e refutar com base em dados
disponíveis na rede, a fim de exercitar a crítica a posicionamentos e não simplesmente acolher
de tudo o que se diz na internet como verdades incontestáveis;
v explorar e contemplar as formas de arquitetura escolhida para apresentar as idéias
materializadas em discursos hipertextuais, verbais, visuais e sonoros.

Dentre as tecnologias apresentadas, quais podem auxiliar o processo ensino-


aprendizagem? Você já vivenciou alguma
delas? Que outras novas tecnologias podem ser utilizadas na educação?

E os educadores? Quais os novos comportamentos demandados diante de


tantas tecnologias?

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Ainda atentos aos dizeres de Xavier (2005), o professor consciente dessa realidade virtual já entendeu
que precisa ser:

v pesquisador, não mais repetidor de informação;


v articulador do saber, não mais fornecedor único do conhecimento;
v gestor de aprendizagens, não mais instrutor de regras;
v consultor que sugere, não mais chefe autoritário que manda;
v motivador da “aprendizagem pela descoberta”, não mais avaliador de informações empacotadas a
serem assimiladas e reproduzidas pelo aluno.

Diz Comassetto (2004) que as novas TICs quando utilizadas no contexto educacional promovem um
ensino mais dinâmico e socializador. Integram os alunos num ambiente global e enriquecedor, sem
deixar de respeitar a individualidade de cada um.

A interseção da Educação com a Tecnologia tem despertado o interesse pelo desenvolvimento de


novas concepções educacionais e crescente demanda pela Educação a Distância (EAD), como uma
modalidade de ensino mais democrática e capaz de promover aprendizagem significativa.

Apesar dessa modalidade educacional estar em processo de expansão, sendo implementada por
inúmeras Instituições de Ensino Superior (IES), públicas e privadas, ainda há um pouco de preconceito
e falta de informação quanto aos seus resultados. Na próxima unidade, aprofundaremos os
conhecimentos acerca do tema.

Para concluir, vamos reiterar as palavras de Belluzzo (2005) que resume afirmando que o sistema
aducacional está em constante provocação em relação aos novos requisitos exigidos pela sociedade:
criatividade, aplicação e disseminação da informação. Além disso, há necessidade de transferir e
adaptar os conhecimentos adquiridos às novas situações, ao longo da vida. Portanto, a preparação
para responder a tais exigências cria para a Educação um desafio importante: o desenvolvimento de
um intelecto habituado ao pensdamento crético, à aprendizagem autônoma, em síntese, ao
processamento, elaboração e estruturação da informação para a geração do conhecimento.

Leitura complementar...
Com o avanço do universo virtual, surge a
questão: será que a tecnologia vai tomar
o lugar da Humanidade?

Aprofunde seus conhecimentos lendo o artigo


Tecnologia com alma
(clique no título), da professora Andrea
Ramal.

AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE I DO MÓDULO I. Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da


página) e em "Autoavaliação da Unidade I do Módulo I". Boa sorte!

Unidade II - A Educação a Distância

Unidade 2 - A Educação a Distância

Já sabemos que a Educação é um processo de humanização e


capacitação. Essa capacitação se concretiza pela aprendizagem de
novos valores, habilidades e competências, que pode se dar por
meio da experiência do aluno com o ambiente, com os colegas ou
pode ser originada por meio de leituras ou de simulações.

A aprendizagem se caracteriza, ainda, pela incorporação de novos comportamentos a


diferentes situações, evidenciados a partir da integração entre a parte informativa (conteúdos) e a
formativa (valores).

Vimos que a educação a distância (EAD) tem sido definida como modalidade de ensino
utilizada para promover oportunidades educacionais a grandes contingentes de alunos em diferentes
espaços geográficos a partir de noções de flexibilidade, ritmo individual, inclusão, autonomia e
qualidade pedagógica. Essa prática educativa é viabilizada pelas TICs, que promovem a mediação entre
alunos e tutores, disponibiliza materiais instrucionais e propicia o uso de uma linguagem dialógica,
onde ambos demonstram interesse pela comunicação inter e transpessoal.

A expressão "educação a distância" passou a ser utilizada a partir da mudança em 1982 que o
Conselho Internacional para a Educação por Correspondência (ICCE) sofreu para se tornar Conselho
Internacional para a Educação a Distância (ICDE).

Informações adicionais...
O Conselho Internacional para a Educação a
Distância (ICDE) foi fundado em 1938 e tem sua
sede em Oslo, na Noruega. É reconhecido pela
UNESCO e tem como principal objetivo promover
cooperação e entendimentos interculturais para a
aprendizagem on-line e flexível. Este Conselho
edita um boletim e oferece uma conferência
internacional a cada três anos.

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Como definir Educação a Distância?

A seguir, você poderá conferir os diferentes conceitos de Educação a Distância de cinco autores.
Observe as diversificadas abordagens. Essa análise é relevante para que você esteja apto a criar a sua
própria conceituação.

“A EAD tende doravante a se tornar cada vez mais um elemento regular dos sistemas educativos,
necessários não apenas para atender a demandas e/ou grupos específicos, mas assumindo funções
de crescente importância, especialmente no ensino pós-secundário, ou seja, na educação da
população adulta, o que inclui o ensino superior regular e toda a grande e variada demanda de
formação contínua gerada pela obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.” Belloni,
1999.

“Educação/Ensino a Distância é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e


atitudes, através da aplicaçãoda divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto
pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir
materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de
estudantes, ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de
ensinar e aprender”. Peters, 2001.

“Educação a Distância é o aprendizado planejado que normalmente ocorre em lugar diverso do


professor e como conseqüência requer técnicas especiais de planejamento de curso, técnicas
instrucionais especiais, métodos especiais de comunicação, eletrônicos ou outros, bem
como estrutura organizacional e administrativa específica”. Moore e Kearsley, 1996.

“Educação a Distância é essencialmente auto-estudo. Esclarece, porém, que o estudante não está
só; ao contrário, ele se beneficia da interação com os seus tutores e pares. Dessa forma, um certo
tipo de conversação com trânsito em dois sentidos — mensagem escrita e uso do telefone, por
exemplo — ocorre entre o estudante, os tutores e os outros membros do curso. Realiza-se, portanto,
uma conversação indireta a respeito da materia de estudo, estimulando os estudantes a discutirem
os conteúdos entre eles mesmos, caracterizando, assim, a denominada "conversação didática
guiada". Holmberg, 1995.

“O ensino a distância é o tipo de método de instrução em que as condutas docentes acontecem à


parte das discentes, de tal maneira que a comunicação entre o professor e o aluno possa se realizar
mediante textos impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outras técnicas”. Keegan

Na sua opinião, o que é a Educação a Distância?


Que tal construir sua própria definição?
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Vemos, então, que o que caracteriza a EAD é a possibilidade de oferecer ao aluno uma experiência de
auto-estudo de forma que, progressivamente, ele possa exercitar a sua autonomia. O foco da EAD é na
aprendizagem do aluno. O material didático deve ser claro, interessante, dinâmico para que o aluno se
sinta motivado na leitura. A linguagem dos textos deverá seguir a linha dialógica. O aluno se exercita
e vivencia experiências que permitem o desenvolvimento da competência de solucionar problemas e
situações novas. Assim ele estará cada vez mais apto a se engajar em um ambiente no mercado de
trabalho contemporâneo.

Quais os dispositivos legais que ancoram a prática da EAD?

1- As determinações sobre a EAD estão previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB nº
9394, de 20 de dezembro de 1996,
Art. 80, no Título VIII: Das Disposições Gerais que são as seguintes:

v o Poder Público deve incentivar o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a


distância;
v o ensino a distância desenvolve-se em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação
continuada;
v a educação a distância será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União;
v caberá à União regulamentar requisitos para realização de exames; para registro de diplomas
relativos a cursos de educação a distância.

2- PORTARIA Nº 1.047, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2007 (DOU Nº 215, 8/11/2007, SEÇÃO 1, P. 12).


Aprova, em extrato, as diretrizes para a elaboração, pelo INEP, dos instrumentos de avaliação para o
credenciamento de instituições de educação superior e seus pólos de apoio presencial, para a
modalidade de educação a distância, nos termos do art. 6 inciso IV, do Decreto 5.773/2006.

3- DECRETO Nº 5.622, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2005.


Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Esse decreto, em seu artigo 30, indica que as instituições credenciadas
para a oferta de EAD poderão solicitar autorização para oferecer os ensinos fundamental e médio a
distância. O capítulo V desse decreto se dirige a cursos de pós- graduação stricto sensu (mestrado e
doutorado).

4- PORTARIA 4059, de 10/12/2004.


Autoriza as instituições de Ensino Superior a introduzir nos cursos reconhecidos a oferta de 20% das
disciplinas na modalidade semipresencial. Essa portaria indica a necessidade de contratação de
profissionais de EAD com formação para tal e obriga as instituições a oferecer curso de capacitação.

5- LEI 9610, de 19/02/1998,.


Consolida a legislação dos direitos autorais para os desenvolvedores de disciplinas on-line.
Garantindo, assim, aos conteudistas e especialistas de áreas temáticas o direito à regularização de
suas produções textuais.

Conhecemos algumas concepções de EAD e a legislação que lhe dá suporte. Vamos, agora, fazer
uma breve viagem através da sua história.

Página 5
Breve histórico da Educação a Distância

Você sabe quando surgiu a EAD?

Embora pareça recente no ambiente educativo no Brasil, no mundo há registros de iniciativas de


Educação a Distância, com recurso da mídia impressa, desde o século XVIII.

O primeiro registro da EAD que se tem notícia foi através de um anúncio no jornal Gazeta de
Boston, em 1728, nos Estados Unidos, que publicou uma propaganda de curso de Taquigrafia por
correspondência, sob a responsabilidade do prof. Caleb Philips.

Já no Brasil, o primeiro registro de EAD se deu em 1923, por iniciativa da Rádio Roquete Pinto no
ensino de cidadania aos ouvintes.

Na década de 40, o Instituto Universal Brasileiro capacitou profissionais de diferentes áreas, nos
níveis elementar e médio, por meio da mídia impressa.

Em 1965, foram criadas as TVs Educativas pelo Poder Público, indicando que a televisão teria uma
penetração grande na formação da sociedade brasileira.

Em 1970, houve oferta de programas emergenciais para formação de exercício do magistério de


primeiro e segundo graus. O projeto Minerva, em parceria com o MEC, ofereceu o curso Madureza
Ginasial, com aulas de várias disciplinas escolares, e também o curso de Moral e Civismo, com
programas de 15 minutos.

Na década de 80, cursos supletivos foram oferecidos, via telecursos, por fundações sem fins
lucrativos. A Fundação Roquete Pinto promoveu, naquela década, uma série de programas de TV para
professores em serviço. Em 1980 foi criada a Associação Brasileira de Tecnologia Educacional, através
do oferecimento do Programa de Aperfeiçoamento do Magistério a distância.

página 6

Dez anos depois, em 1990, houve uso intensivo de teleconferência (cursos via satélite) em programas
de capacitação a distância. Nessa década, foram criados os consórcios de instituições que ofereciam
cursos a distância: Unirede, Cederj, Ricesu e Univir.

Em 1995, houve utilização da Internet nas Instituições de Ensino Superior, oferecendo aos alunos
desse grau de formação o acesso ao conhecimento em diferentes instituições e organizações. Foi
criada a Associação Brasileira de Educação a Distância, que consolida informações sobre eventos, está
presente em todas as unidades federativas, apresenta um código de ética para as instituições que
oferecem a modalidade e publica artigos de seus consultores sobre temas relacionados à EAD.

Em 1995, as universidades Anhembi Morumbi, de SP, e Federal de Pernambuco favoreceram o acesso


a conteúdos virtuais para alunos dos cursos regulares de graduação. Isso serviu para complementar a
modalidade presencial. Fato que também ocorreu na UFSC, no UNIVIR do RJ e na Univ. Federal de SP
que apresentou cursos nas áreas de Biologia Molecular e Genética nos cursos regulares de Graduação
na área de saúde. Nesse mesmo ano, a Universidade Católica de Brasília criou o Centro de Educação a
Distância.

Em 1999, foi formalizado o credenciamento oficial de instituições universitárias para atuar em EAD.
Essa legitimação abriu definitivamente o espaço para a modalidade no Ensino Superior brasileiro.

Alguns dados podem confirmar o envolvimento das instituições na EAD. Em 2003, havia 29 cursos
autorizados pelo MEC; em 2004, houve 56 novos cursos e, um ano depois, 321 outros cursos foram
autorizados. Registrou-se um aumento de 473%.

Em 2005, segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância da ABED, um


milhão e trezentas mil pessoas estudaram a distância no Brasil.

Assista ao vídeo: "Tutoria de EAD - Educação a Distância Online - elearning

página 7

Gráfico apresentado pelo prof. Vianney, sobre a evolução da EAD no Ensino Superior do Brasil
em relação a cursos e matrículas.

Ano Cursos Matrículas

2000 10 1.682
2001 16 5.359
2002 46 40.714
2003 52 49.911
2004 107 59.611
2005 189 114.642
2006 349 207.206
Fonte: Censo 2006 – INEP Prof. Dilvo Ristoff
No caso das universidades abertas, a pioneira foi a Open University, inglesa, sendo hoje
considerada uma referência na área de EAD. Surgiu em 1969, em decorrência da necessidade de
oferecer oportunidades a setores da população adulta que não teve acesso à educação formal em idade
escolar. Atualmente, atende um universo de 180 mil alunos.

Em 1988, em Portugal surge a Universidade Aberta, localizada em Lisboa, que ofereceu cursos
de graduação e pós-graduação em diferentes áreas. Em 2006, enfim, a nossa experiência nacional: foi
criada a Universidade Aberta do Brasil em parceria com MEC, oferecendo o curso de Administração.
Vinte e cinco universidades estiveram envolvidas, das quais 18 federais e 7 estaduais, com 87 pólos
em 17 estados. Inicialmente, foram atendidos 10 mil alunos.

A revolução no ensino alcançou um patamar imprevisível de adesão. Hoje 1% dos estudantes


universitários, em todo o globo, utiliza a EaD. A Educação Corporativa também tem se beneficiado
exponencialmente dessa modalidade na capacitação de seus funcionários em serviço.

Até aqui você pôde apreciar o significado da EAD, a partir desse momento iremos caracterizar essa
modalidade de ensino-aprendizagem de maneira que você possa compreender como ela se
operacionaliza.

página 8

Educação on-line

Dentre os diversos meios utilizados na Educação a Distância, como o material impresso, o rádio e a
TV, cresce a demanda pela EAD on-line, modalidade educacional que utiliza as tecnologias digitais,
especialmente a Internet.

De acordo com Silva (2003:11), a EAD on-line é:

v exigência da cibercultura, isto é, “do conjunto imbricado de técnicas, práticas, atitudes,


modos de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço
(...).”
v demanda da Sociedade da Informação, isto é, “do novo contexto socioeconômico-tecnológico
engendrado a partir do início da década de 1980, cuja característica geral não está mais na
centralidade da produção fabril ou da mídia de massa, mas na informação digitalizada como nova
infra-estrutura básica, como novo modo de produção.”

Leitura complementar...

Ciberespaço é a denominação dada a esse


novo espaço virtual de comunicação, de
sociabilidade, de organização, de
informação, de conhecimento e de
Educação. Para aprofundamento, leia a
entrevista do professor Moran, “As
Múltiplas Formas de Aprender”.

Importante observar que a educação on-line obrigou professores e alunos a mudanças em seus
desempenhos dentro do processo ensino-aprendizagem. O foco está na aprendizagem, não mais no
ensino. Os conteúdos passaram a ficar expostos, cabendo aos alunos a organização e arquivo desses
materiais. Os calendários apresentam o cronograma para entrega de atividades, sendo do aluno a
responsabilidade para o estudo, para a pesquisa e para a exercitação. O tempo de dedicação ao estudo
passa a ser administrado pelo próprio aluno, de acordo com a sua disponibilidade e maturidade
acadêmica.

Ainda percebemos uma resistência a esse novo perfil de aluno, até então, acostumado a produzir a
partir de cobranças do professor. Isso tem sido enfatizado como uma das causas de alto grau de
evasão em cursos a distância. Segundo pesquisas, cerca de 40% dos alunos abandonam seus cursos
nessa modalidade.

Qual a sua opinião sobre a causa da evasão estar


associada a pouca autonomia do aluno?

página 9

Por meio da tecnologia foi possível aproximar o professor e o aluno. Foram criados mecanismos para
facilitar a comunicação bidirecional, como, por exemplo: os fóruns, os chats, os seminários e
conferências virtuais.

O professor on-line também foi induzido a rever suas práticas docentes. Adquirindo um papel muito
mais de facilitador do processo de aquisição de conhecimento do que de provedor de informações. Ele
passou a indicar caminhos, a produzir em co-autoria com seus alunos, a ser entrevistado e a
entrevistar, facilitando o intercâmbio de experiências.

A necessidade de constante atualização profissional e a facilidade de não-deslocamento para assistir


aulas têm favorecido o oferecimento de cursos nessa modalidade de ensino.

Indiscutivelmente a modalidade on-line proporciona aproximação entre os alunos de um curso,


favorece a atividade colaborativa, em que, juntos, os alunos constroem conhecimentos, ensinam-se
mutuamente e trocam experiências profissionais e pessoais em profundidade.

Vejamos alguns princípios da EAD on-line:

ü Disponibilidade de diferentes materiais instrucionais;


ü Aprendizagem compartilhada;
ü Assistência constante da tutoria;
ü interatividade entre agentes de ensino e aprendizagem;
ü Respeito à disponibilidade e ritmo de cada aluno;
ü Facilidade de acesso aos conteúdos;
ü Desenvolvimento da maturidade acadêmica;
ü Desenvolvimento da autonomia do aluno;
ü Materiais que apresentam conteúdos devem ser auto-instrutivos;
ü Comunicação bidirecional;
ü Promoção da democratização do saber.

Agora, vamos elencar uma série de vantagens dessa modalidade de ensino:

Ø Oportunidade de formação e capacitação para portadores de dificuldades de locomoção.


Ø Favorece a educação continuada.
Ø Os conteúdos, uma vez armazenados no interior das plataformas de ensino, possibilitam
o acesso do aluno a qualquer momento,
independente da presença do professor ou de um material impresso específico.
Ø Economia em relação ao deslocamento do aluno até a sala de aula tradicional.
Ø O aluno percebe o respeito ao seu ritmo individual de aprendizagem e cria sua própria
autonomia nos estudos, já que a aprendizagem
é centrada no aluno.
Ø Uso da comunicação bidirecional, por meio da qual aluno e professores trocam
experiências, utilizando as diferentes estratégias de
interação.

página 10

Alguns opositores da modalidade a distância alegam que poucos encontros presenciais não permitem
a exacerbação da afetividade entre os componentes dos cursos. Outros afirmam que há necessidade de
um rigoroso planejamento a longo prazo acerca das atividades pedagógicas nessa modalidade de
ensino.

Palloff e Pratt (2004) afirmam que já é uma realidade a realização de cursos virtuais interativos de
alta qualidade. Os elementos essenciais desses cursos envolvem aspectos relacionados à eficácia do
aluno, desenho do curso, atuação do facilitador e suporte ao aluno. A qualidade está intrinsecamente
ligada à colaboração, à presença constante do facilitador e à formação de uma comunidade de
aprendizagem

Concluímos com a certeza de que não há como negar a imensa contribuição da EAD à inclusão
acadêmica, cultural e social daqueles que podem contar com essa modalidade de ensino-
aprendizagem. Afirmamos, também, que a cada dia mais e mais estudos e pesquisas têm sido
desenvolvidos nessa área, com o objetivo de melhoria constante dessa prática educativa.
Quais as outras vantagens da educação on-line?
Você consegue encontrar algumas desvantagens para o uso dessa
modalidade de ensino?

AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE II DO MÓDULO I - Clique em "Avaliações"


(lateral esquerda da página) e em "Autoavaliação da Unidade II do Módulo I". Boa
sorte!

Módulo II - Agentes do Processo Educacional

Módulo II

Agentes do Processo Educacional

Neste módulo você vai analisar o significado da interface humana e da construção compartilhada na Educação a
Distância, onde dois personagens são protagonistas – mestre e aprendiz. A partir de agora, que já estamos
familiarizados com a modalidade a distância, aprofundaremos nas unidades I e II os conteúdos relacionados ao
trabalho colaborativo que permeia a relação entre ensino e aprendizagem. Será destacada a caracterização dos
papéis desses dois personagens. Ao final do módulo, você será capaz de conhecer os diferentes perfis de tutoria e
analisar as características dos diferentes discentes de cursos on-line.

Assista ao vídeo: "Tecnologia na Educação a Distância"


Unidade I - Tutor: Concepções e atribuições

Unidade I – Tutor

Concepções e atribuições

Etimológica e originalmente a palavra tutor significava guia, aquele que protegia, o que tutelava. Hoje é
sinônimo de orientador acadêmico, facilitador, mediador e assume o papel daqueles que se dedicam a acompanhar
o processo de aprendizagem humana.

O tutor faz parte de uma ampla equipe educativa composta por profissionais de informática,
programadores visuais, web instrucionais, web designers, especialistas de conteúdos e pedagogos. Essa equipe
tem um trabalho mais de suporte enquanto que o tutor deve assumir o papel de “representante legal” dos alunos,
defendendo-os, auxiliando-os e encaminhando-os à certificação.

O tutor na EAD representa a figura do mestre, orientador de trilhas. Ao pesquisar diferentes percepções de
tutoria pode-se perceber certa unidade na definição de objetivos da atividade. Por exemplo, na Open University
Inglesa são estes os objetivos da tutoria:

Ø Assegurar que o estudante compreenda as idéias e argumentos apresentados nas unidades e


programas de curso.

Ø Remediar as dificuldades acadêmicas dos alunos.


Na Universidade Aberta da Venezuela o tutor tem como objetivo:
Ø Ajudar o estudante a fazer uso apropriado dos meios e estratégias instrucionais disponíveis no seu
contexto particular de aprendizagem.
Ø Retroalimentar o sistema de avaliação que controla o processo ensino-aprendizagem

Você teria outros significados para o papel do tutor?


Que outros objetivos poderiam ser acrescentados?

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Em todas essas instituições, com ampla experiência em Educação a Distância - EAD, como se pôde
perceber, o tutor assume mais ou menos as mesmas funções.
Para Neder (2000) a tutoria exerce função de orientação acadêmica, pois durante o processo de
acompanhamento, o tutor estimula os alunos além de contribuir para o desenvolvimento da capacidade de
organização das atividades acadêmicas e de auto-aprendizagem.

Segundo Litwin (2001) o bom tutor deve promover a realização de atividades e apoiar sua resolução e, não
apenas, indicar a resposta correta, deve oferecer fontes de informação e levar o aluno a compreendê-las. Uma
compreensão profunda do aluno só se concretiza quando o tutor segue as ações de GUIAR, ACOMPANHAR,
ORIENTAR E APOIAR.

A comunicação entre tutoria e corpo discente se faz em duas modalidades: síncronas e assíncronas. A
primeira delas é aquela em que o aluno e tutor dialogam em tempo real, via-telefone, chat/sala virtual ou
videoconferência. A tutoria assíncrona é a que prevê um espaço de tempo entre os interlocutores, por exemplo, o
uso do correio eletrônico, fórum ou correspondência.

Para Peters (2001) a conversação é o caminho para a elaboração do conhecimento e o compromisso com
esse deve ser a tônica de todo o tipo de diálogo. O diálogo prevê o uso de uma argumentação objetiva, em tom de
defesa de um posicionamento, na espreita de uma réplica que precisará ser acolhida pelo interlocutor com todo o
esmero com que foi expressa.

No diálogo estão previstas as críticas, os acréscimos, a aceitação do repúdio, o questionamento,


a reflexão e o esclarecimento da dúvida. Enganam-se os que pretendem dialogar apenas falando e
ouvindo. O diálogo é uma troca de idéias respeitosa e permissiva à inclusão delas.
A conversação no ensino se concretiza pelo conteúdo expresso em um material didático baseado no
diálogo, na interação com a tutoria, com os colegas e consigo próprio. O aluno aprende a se auto-avaliar e
compreender seus pontos fracos e fortes na aquisição de novos conhecimentos.

Unidade I página 3

O tutor deve estar atento a duas dimensões no seu desempenho profissional, a saber:

Em relação ao tempo – ele deverá ter a habilidade de aproveitar a disponibilidade do aluno, uma vez
que os alunos têm a liberdade de fazer os cursos dentro do seu tempo livre. Isto poderá incluir atividades em
feriados, domingos, fora do horário comercial, etc.

Em relação ao aluno virtual – quando tem uma dúvida ele precisa sentir segurança no tutor, mesmo
estando distante fisicamente. Caso o tutor não se sinta seguro para orientar o aluno ele precisa pesquisar a
informação de modo a não criar um espaço de tempo muito grande entre a dúvida e a resposta, pois caso
contrário ele poderá contribuir para a desmotivação do aluno e conseqüente evasão do curso.

Uma das melhores observações acerca da importância do papel do tutor em um ambiente de ensino virtual
foi a de Perrenoud (2000) quando diz: “Mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender, concentrando-se na
criação, na gestão e na regulação das situações de aprendizagem.”
O construtivismo pedagógico parte do pressuposto que só ensina quem se permite aprender. O bom tutor precisa
dominar do planejamento à avaliação perpassando o acompanhamento de alunos diversos, alunos com diferentes
aptidões, estilos de aprendizagem, interesses e necessidades.

Leitura complementar...

O tutor tem muitas


responsabilidades no desempenho
de suas atividades. Caso tenha
interesse, leia o texto
complementar "Mudanças
profundas e contraditórias", do
professor Moran.
Conhecemos algumas concepções e atribuições que devem ser desenvolvidas pela tutoria em cursos a
distância. Vamos verificar, adiante, qual o perfil desejável para o exercício dessa atividade educativa.

Unidade I página 4

Perfil do Tutor

O tutor na modalidade a distância precisa ser multitalentoso, já que pode


assumir diferentes perfis:

1- Estimulador da participação
2- Avaliador da aprendizagem
3- Controlador da entrega de tarefas
4- Orientador acadêmico
5- Mediador do conhecimento
6- Facilitador das relações interpessoais
7- Reforçador de talento

Como estimulador de participação

, por vezes o tutor se depara com alunos que não se adaptam com facilidade à nova modalidade de ensino. Eles
resistem à exposição de posicionamentos nos fóruns e se essa resistência não for contornada pode levar o aluno à
evasão. Alguns alunos não desenvolveram, até então, o hábito do estudo independente. Para esse tipo de
problema que a tutoria enfrenta, podemos indicar alguns procedimentos: estímulo à tomada de decisões,
provocação de criação de alternativas para problemas, indução à criatividade, estímulo à pesquisa individual e
organização de agenda de estudo. O aluno precisa se perceber como co-autor do processo de aquisição de
conhecimento, deixando para o tutor apenas a função de seu coadjuvante.

Como avaliador da aprendizagem, o tutor tem como função apresentar os critérios de validação do
desempenho do aluno, as competências que serão observadas e os pesos de cada tarefa, desde o início de um
curso ou de uma disciplina na EAD. O aluno, assim, se torna mais seguro e preparado para as atividades que serão
mensuradas. Embora haja um certo padrão nas atividades avaliativas como: fóruns, testes eletrônicos, estudos de
caso e provas presenciais, há outras estratégias que vamos estudar mais adiante, que estão sendo pouco utilizadas
na modalidade virtual. O tutor pode sugerir avaliações diversificadas.

Como controlador das tarefas de um curso virtual, o tutor precisa demonstrar que está acompanhando a
entrega dos trabalhos avaliativos, mas também será importante apresentar desafios nessas tarefas de forma que
o aluno cumpra, não somente por obrigação, mas pelo prazer de aceitar esses desafios. Importante observar que
o que mais representa significado para um aluno é perceber que a sua argumentação é sólida, está ancorada por
teorias e que ele é capaz de propor e aplicar um conhecimento na solução de situações vivenciais.

Como orientador acadêmico, cabe ao tutor a tarefa de sugerir recomendações, indicar fontes de pesquisa,
fazer observações acerca do uso adequado da linguagem padrão e da produção textual seja nos fóruns públicos ou
nos trabalhos individualizados. A sensibilidade para propor ou impor limites, para sugerir recomendações ou
solicitar que uma tarefa seja refeita o tutor vai adquirindo ao longo de sua experiência como orientador da
aprendizagem. Alguns alunos se tornam autônomos com mais rapidez que outros. Partimos da premissa que o
orientador acadêmico é aquele que problematiza um tema e induz à busca do pronunciamento pessoal do aluno.
Unidad I página 5

Como mediador do conhecimento

, a atuação do tutor não se restringe a indicar fontes de consulta e aprofundamento de estudo em


determinada área temática, no caso dele perceber o não-domínio do aluno em áreas básicas e
substantivas à construção do conhecimento. Ele deverá apresentar a relevância do estudo dos
conteúdos do curso. Agindo assim, o aluno ficará convencido de que o esforço vai gerar benefícios e o
diferencial para ele no mercado de trabalho. Costumamos sugerir que o material instrumental e
complementar esteja acessível ao aluno desde a apresentação do curso.

Como facilitador das relações interpessoais, o tutor precisa administrar os conflitos que possam surgir
por ocasião dos debates e confrontos de posicionamentos. Será ele que indicará os itens necessários ao
estabelecimento de um clima propício para o intercâmbio ético e a troca de vivências harmônicas. O saber
conviver é valorizado no mercado de trabalho hoje, a partir da necessidade do trabalho em equipe, do
planejamento cooperativo, dos projetos interativos e das tarefas colaborativas. O tutor pode criar salas de
bate-papo informal como estratégia de interação. A informalidade gera aproximações e estas podem se tornar
fundamentais para o desenvolvimento do processo colaborativo na EAD. O tutor precisa sempre contribuir para o
fortalecimento das comunidades de aprendizagem. Palloff (2002) indica o uso de ambientes informais para o
estreitamento das relações.

Como reforçador de talentos, o tutor precisa conhecer o perfil psico-pedagógico de seus alunos, apreciando
o que poderá esperar de cada aluno e exigir o máximo de expressão potencial de deles. É necessário criar
mecanismos onde os alunos possam expor os seus interesses, necessidades e potencialidades. A partir do
conhecimento desses domínios o tutor terá mais clareza ao elogiar o desempenho de um aluno e,
conseqüentemente, reforçar sua auto-estima. Sobre este tema, indicamos a leitura do artigo da prof. Carolina Paz,
“Monitoria online em EAD – o caso LED/UFSC”, que está contido no livro de Marco Silva, que se encontra nas
referências deste módulo. O progresso dos alunos também merece destaque e elogio, pois o ser humano se move
por meio dos estímulos positivos que desencadeiam a segurança pessoal e elevam o seu autoconceito positivo.
Para desempenhar tantas atividades é necessária a aquisição de determinadas competências.

Quais competências são imprescindíveis para um tutor?

Unidade I página 6

Competências

De maneira a desenvolver a competência na tutoria algumas instituições educativas propõem


treinamento a seus tutores antes do desempenho das funções, apresentando a plataforma virtual, os
objetivos da instituição, os recursos disponíveis, o ambiente de trabalho, o perfil do público-alvo e a
necessária dedicação horária.
Vamos listar algumas competências imprescindíveis a um tutor que acabam favorecendo um
perfil ideal de tutoria.

Competências técnicas:

· Domínio do idioma nacional falado e escrito.


· Domínio de uma base conceitual sobre a sua prática, isto é, os princípios da organização
dos conteúdos.
· Domínio do processo de desenvolvimento de pessoas, de forma a possibilitar a
exacerbação de talentos, de habilidades e destrezas.
· Conhecimento e prática da informática, produção de textos, arquivos, gráficos, gravação
e transporte de documentos, pesquisa e planilhas de Excel.
· Domínio de diferentes mídias e das Tecnologias de Informação e Comunicação.
· Concepção da aprendizagem humana como troca de experiências entre pessoas com
diferentes pré-requisitos de conteúdo.
· Análise de experiências significativas para os alunos.
· Orientação sobre a análise de uma realidade a partir de múltiplas perspectivas de
reflexão.
· Concepção de comunicação como a circulação de saber entre os agentes educativos
(professores e alunos).
· Domínio das finalidades, premissas, valores educativos e suas raízes histórico-filosóficas.
Competências pessoais:

· Comunicabilidade.
· Organização, planejamento e avaliação pedagógica.
· Empatia (transportar-se para o universo do outro).
· Informalidade na construção de relações amistosas.
· Clareza na expressão verbal (oral ou escrita).
· Crença na dinâmica humana em seus aspectos educacional e interpessoal.
· Iniciativa para oferecer respostas rápidas.
· Facilidade para elogiar e reforçar interpretações inovadoras e alcances dos alunos.
· Facilidade para sugerir revisões, interpretações alternativas, indicar aprofundamentos e
para fazer comentários que levem ao aprimoramento de competências profissionais.

Unidade I página 7

Para finalizar, enfatizamos as palavras de Pierre Levy (2002) “(...) o professor hoje é aquele
que imprime a direção que leva à apropriação do conhecimento, que se dá na interação, valorizando o
trabalho da parceria cognitiva (...)”. A distinção fundamental entre o professor tradicional e o tutor
contemporâneo é que o primeiro ensinava conteúdos novos e o segundo ensina o aluno a adquirir
conhecimento.

Leitura complementar...
"Leia a entrevista" do professor Wilson
Azevedo sobre a capacitação de
educadores para atuarem como animadores
da inteligência coletiva em
comunidades virtuais."

Ao final dessa unidade, como você pode perceber, o tutor desempenha importante função no
desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, em diferentes culturas. Seus diversos perfis
demonstram a complexidade de sua atuação pedagógica, sendo necessário o aperfeiçoamento de
competências técnicas e pessoais para a efetivação de um trabalho educacional de qualidade.
AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE I DO MÓDULO II - Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da
página) e em "Autoavaliação da unidade I
do Módulo II". Boa sorte!

Unidade II - Aluno: Caracterização

Unidade 2 - Aluno

Caracterização

Um projeto de educação a distância de qualidade deve ser inteiramente


centrado no aluno. Como educadores precisamos fazer as seguintes indagações: Quem são os nossos
alunos? De que eles precisam? Portanto, torna-se indispensável conhecer seu perfil, suas motivações,
seus interesses e seus estilos de aprendizagem.

O prof. Vianney apresentou no Seminário Internacional Educação no Século XXI gráfico que
mostra o perfil sócio-econômico dos alunos de EAD no Ensino Superior do Brasil.

PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO DE ALUNOS

Critérios EAD Presencial

Percentual de alunos casados 52 19

Alunos com 2 ou mais filhos 44 11

Cor da pele branca 49 68

Renda familiar até 3 salários mínimos 43 26

Renda familiar acima de 10 salários 13 25


mínimos

Trabalha e ajuda a sustentar a família 39 19

É a principal renda da família 23 7

Pai com Ensino Médio ou Superior 18 51

Mãe com Ensino Médio ou Superior 24 54

Fonte: Censo 2006 – INEP. Prof. Dilvo Ristoff


Unidade II página 2

Outros estudos revelam que o perfil do aluno da EAD está relacionado à categoria de curso que realiza.
Geralmente, em cursos abertos nos quais o aluno tem como objetivo atualizar e aprimorar seus conhecimentos em
busca de melhores oportunidades no mercado de trabalho, o aluno tem mais idade e maturidade.

Palloff e Pratt (2004) reproduziram uma lista de qualidades, publicadas pelo Illinois Online NetworK, que criam o
perfil do aluno virtual de sucesso:

· Ter acesso e saber usar a tecnologia empregada no curso;


· Possuir mente aberta para compartilhar experiências pessoais, profissionais e educacionais e
aplicá-las em suas vidas;
· Saber se expressar por meio da escrita;
· Ser automotivado e autodisciplinado;
· Estar disposto a dedicar uma quantidade significativa de tempo aos estudos;
· Saber gerenciar o seu tempo;
· Ter capacidade de solucionar problemas quando aparecerem (ausências, frustrações);
· Saber trabalhar com os outros;
· Acatar os padrões mínimos exigidos pelo curso;
· Ser ou passar a ser pessoa que pensa criticamente
· Desenvolver capacidade de reflexo e acreditar que a aprendizagem de alta qualidade
pode ser alcançada com o ensino a distância.

Como aluno de um curso na modalidade a distância, você se encaixa nesse perfil?

Que outras competências, habilidades e atitudes você considera necessário desenvolver?

Unidade II página 3

Publicação de Birch (2002) no e-Learning Brasil News, enumera as competências necessárias para um aluno
bem-sucedido no ambiente de e-Learning:

v Autoconhecimento;
v Auto-suficiência;
v Autoconfiança;
v Competências metacognitivas;
v Processo de aprendizado;
v Auto-avaliação;
v Competências de colaboração;
v Comunicação virtual;
v Reações assíncronas;
v Feedback virtual.

Não basta apenas desenvolver determinadas competências para se ter sucesso no ambiente virtual, os alunos de
cursos on-line precisam assumir algumas responsabilidades:

ü Abertura para se mostrar;


ü Flexibilidade para seguir com o grupo;
ü Prontidão para dar e receber feedback ;
ü Desejo de trabalhar colaborativamente;
ü Integração nas discussões e em outras atividades de aprendizagem;
ü Manutenção das atividades em dia;
ü Dedicação de um determinado número de horas ao estudo.

Unidade II página 4

Fundamentos da Andragogia

O público-alvo adulto que compõe a EAD traz consigo uma bagagem de conhecimentos e experiências relevantes
para o seu processo de aprendizagem.

Princípios da Andragogia, de autoria de Malcolm Knowles (1980), estão trazendo maiores contribuições no
trabalho com alunos adultos, principalmente na educação a distância. Os adultos:

v necessitam de saber o motivo pelo qual devem realizar certas aprendizagens;


v aprendem melhor experimentalmente;
v concebem a aprendizagem como resolução de problemas;
v aprendem melhor quando o tópico possui valor imediato.
É importante que se crie um ambiente de ensino onde o aluno tenha autonomia para caminhar na
construção de seus conhecimentos, aplique suas experiências apreendidas e assim sinta-se motivado para a
aprendizagem.

Informações adicionais...
Em seu livro “The Adult Learner:Neglected
Species”, Malcolm Knowles conta que desde 1950
tentou formular a Teoria de Aprendizagem de
Adultos, no entanto só em 1960, quando
participava de um Workshop de Verão na
Universidade de Boston teve contato com a
palavra Andragogia. Foi então, que ele entendeu
seu significado e a adotou como a mais adequada
para expressar a "arte e ciência de ajudar
adultos a aprenderem".

Oliveira (1999) sistematiza 14 princípios norteadores da Andragogia:

v O adulto é dotado de consciência crítica e consciência ingênua. Sua postura pró-ativa ou reativa tem
direta relação com seu tipo de consciência predominante.

v Compartilhar experiências é fundamental para o adulto, tanto para reforçar suas crenças, como para
influenciar as atitudes dos outros.

v A relação educacional de adulto é baseada na interação entre facilitador e aprendiz, onde ambos
aprendem entre si, num clima de liberdade e pró-ação.

Unidade II página 5
v A negociação com o adulto sobre seu interesse em participar de uma atividade de aprendizagem é
chave para sua
motivação.

v O foco das atividades educacionais de adulto é na aprendizagem e jamais no ensino.


v O adulto é o agente de sua aprendizagem e por isso é ele quem deve decidir sobre o que aprender.
v Aprender significa adquirir: Conhecimento – Habilidade – Atitude (CHA). O processo de
aprendizagem implica a aquisição
incondicional e total desses três elementos.

v
O processo de aprendizagem do adulto se desenvolve na seguinte ordem: Sensibilização (motivação) –
Pesquisa (estudo) –
Discussão (esclarecimento) – Experimentação (prática) – Conclusão (convergência) –
Compartilhamento (sedimentação).
v A motivação do adulto para a aprendizagem está diretamente relacionada às chances que ele tem de
partilhar com sua história de vida. Portanto, o ambiente de aprendizagem com pessoas adultas é
permeado de liberdade e incentivo para cada indivíduo falar de suas experiências, idéias, opiniões,
compreensão e conclusões.

v O diálogo é a essência do relacionamento educacional entre adultos. Portanto, os aprendizes adultos


devem ser estimulados a desenvolver sua habilidade tanto de falar, quanto de ouvir, que, em
outras palavras, significa comunicar-se.

v O adulto é responsável pelo processo de comunicação, quer seja ele o emissor ou o receptor da
mensagem. Por isso numa conversa, quando alguém não entende algum aspecto exposto, ele deve
tomar a iniciativa para o esclarecimento.

v A práxis educacional do adulto é baseada na reflexão e ação, conseqüentemente, os assuntos devem


ser discutidos e vivenciados,
para que não se caia no erro do aprendiz tornar-se verbalista – que sabe refletir, mas não é
capaz de colocar em prática; ou ativista
– que se apressa a executar, sem antes refletir nos prós e contras.

v A experiência é o livro do aprendiz adulto.


vO professor tradicional prejudica o desenvolvimento do adulto, ao colocá-lo num plano inferior de
dependência, reforçando,
com isso, seu indesejável comportamento reativo próprio da fase infantil.

Leitura complementar...

Leia o texto “Gestão de Pessoas na Educação”, escrito pelas


professoras Maria José Carvas Pedro e Maria de Fátima Abud
Olivieri .

Unidade II página 6
Goecks (2003) apresenta um quadro comparativo entre a Pedagogia e a Andragogia.

PREMISSAS MODELO PEDAGÓGICO MODELO ANDRAGÓGICO


Os adultos são portadores de
A experiência daquele que uma experiência que os
aprende é considerada de pouca distingue das crianças e dos
utilidade. O que é importante, jovens. Em numerosas
Papel da Experiência pelo contrário, é a experiência situações de formação, são os
do professor próprios adultos com a sua
experiência que constituem o
. recurso mais rico para as suas
próprias aprendizagens.

A disposição para aprender Os adultos estão dispostos a


aquilo que o professor ensina iniciar um processo de
aprendizagem desde que
tem como fundamento critérios e
compreendam a sua utilidade
Vontade de aprender objetivos internos à lógica
para melhor afrontar
escolar, ou seja, a finalidade de problemas reais da sua vida
obter êxito e progredir em pessoal e profissional.
termos escolares
A aprendizagem é encarada Nos adultos a aprendizagem é
como um processo de orientada para a resolução de
problemas e tarefas com que
conhecimento sobre um
Orientação da se confrontam na sua vida
determinado tema. Isto significa
Aprendizagem quotidiana (o que desaconselha
que é dominante a lógica uma lógica centrada nos
centrada nos conteúdos, e não conteúdos)
nos problemas
A motivação para a Os adultos são sensíveis a
aprendizagem é estímulos da natureza externa
(notas, etc.), mas são os
fundamentalmente resultado de
fatores de ordem interna que
Motivação estímulos externos ao sujeito,
motivam o adulto para a
como é o caso das classificações aprendizagem (satisfação,
escolares e das apreciações do auto-estima, qualidade de
professor vida, etc.)

Além de conhecer os princípios que norteiam a aprendizagem do aluno adulto, é importante compreender os
modos pelos quais os educandos pensam e aprendem.

Unidade II página 7

Estilos de Aprendizagem

Muitas teorias têm sido desenvolvidas nos campos da Educação e da Psicologia para explicar como
as pessoas pensam e aprendem.
Gardner (1983), com a teoria das inteligências múltiplias, categoriza os estilos de aprendizagem em oito
diferentes tipos:

Ø Verbal/Lingüística: habilidade no uso da linguagem oral ou escrita.


Ø Lógica-Matemática: capacidade de raciocínio e de uso de números.
Ø Musical: sensiblidade ao ritmo, ao tom e à melodia.
Ø Espacial/Visual: sensiblidade à forma, espaço, cor.
Ø Corporal/cinestética: habilidade para expressar idéias e sentimentos com o corpo.
Ø Interpessoal: habilidade para entender o outro
Ø Intrapessoal: habilidade para entender a si mesmo.
Ø Naturalística: capacidade de reconhecer, categorizar e descrever certas características da
natureza.

Palloff e Pratt (2004) apresentam quatro categorizações ou modelos desenvolvidos por Claxton e Murrell sobre
os estilos de aprendizagem:

§ Modelos de personalidade – características da personalidade dando forma à nossa orientação no


mundo;

§ Modelos de processamento de informação – como a informação é recebida e processada;

§ Modelos de interação social – questões de gênero e contexto social;

§ Modelos de preferência instrucional e ambiental – como o som, a luz, a estrutura e as relações


de aprendizagem afetam a percepção.

Apresentam, ainda, técnicas instrucionais relativas a cada estilo de aprendizagem, que podem ser
utilizadas na EAD.

Unidade II página 8

ESTILOS TÉCNICAS
PowerPoint ou Whiteboard;
Visual-verbal
Sumário;
Materiais escritos: livros-textos e recursos
da internet.
PowerPoint, vídeos, mapas, diagramas e
Visual não-verbal ou visual-espacial
gráficos;
Recursos gráficos da Internet;
Videoconferência.
Atividades colaborativas e em grupo;
Auditivo-verbal ou verbal-lingüístico
Arquivos de áudio em streaming;
Audioconferência.
Simulações;
Tátil-cinestésico ou corporal-cinestésico
Laboratórios virtuais;
Pesquisa de campo;
Apresentação e discussão de projetos.
Estudos de caso;
Lógico-matemático
Aprendizagem baseada em problemas;
Conceitos abstratos;
Laboratórios virtuais.
Atividades colaborativas e de grupo;
Interpessoal-relacional
Fórum de discussões;
Estudos de caso;
Simulações.
Atividades colaborativas;
Intrapessoal-relacional
Fórum de discussões;
Estudos de caso.

No intuito de promover aquisição de conhecimentos, os cursos ou disciplinas on-line devem atender os diversos
estilos de aprendizagem dos alunos, utilizando as mais diversas ferramentas e técnicas instrucionais. Além disso,
torna-se imprescindível, na atualidade, trabalhar de forma colaborativa.

Como estimular a aprendizagem colaborativa entre alunos no ambiente virtual?

Unidade II página 9

Aprendizagem colaborativa

Vimos no Módulo I, que na Sociedade do Conhecimento é papel do professor educar o aluno para a
autonomia, para que encontre o seu próprio ritmo de aprendizagem, e também, educar para a cooperação, para
que aprenda em grupo a compartilhar idéias, participar de projetos em parceria, realizar pesquisas em conjunto
(MORAN, 2006). As novas tecnologias fornecem ferramentas que ajudam o ensinar e o aprender compartilhados.

Cooperação e autonomia devem caminhar juntas. Na companhia do outro aprendo a compartilhar, aprendo e
ensino ao mesmo tempo. A partir daí sou capaz de agir de forma autônoma e emancipada, afirma Vygotsky
(1991).

Smyser (1993) apresenta o conceito de aprendizagem colaborativa como a aquisição de conhecimento


que se dá no momento em que os alunos participam ativamente no processo de aprendizagem, como parceiros
entre si e com o professor.

Meirinhos e Osório (2006) complementam o conceito ao afirmarem que a colaboração estabelece


relações humanas e apresenta-se como um processo facilitador para a criação de comunidades e como um meio
de partilha e construção de conhecimento dentro dessa comunidade.

Levando-se em consideração essas abordagens, verificamos que o espaço virtual proporciona um


ambiente propício à interação e colaboração entre alunos e professores e, conseqüentemente, facilita o processo
de aprendizagem promovendo a construção e produção de conhecimentos, resultado da ação coletiva e da sinergia
de competências.

De que forma os alunos podem desenvolver atividades colaborativas em ambientes


on-line?

Para Palloff e Pratt (2005), nas comunidades on-line, há um relacionamento cíclico entre colaboração e
construção e evolução da comunidade. A atividade colaborativa pode desenvolver o sentimento de comunidade
que, por sua vez, pode criar condições favoráveis à colaboração.

Assista ao vídeo: "Tutor on-line "


Unidade II página 10

As atividades colaborativas podem ser:

ü Convergentes – quando buscam o consenso no grupo.


ü Divergentes – quando permitem diferentes posicionamentos e concepções.

Cientes da importância de se estimular a aprendizagem colaborativa, os tutores devem procurar utilizar


instrumentos de construção coletiva de conhecimento e promover atividades que envolvam a cooperação e
participação efetiva dos alunos.

Os alunos podem aprender de forma colaborativa desde que sejam:

v Criadas condições para que os alunos se familiarizem a trabalhar de forma cooperativa.


v Propostas de ativades que apresentem desafios para o enfrentamento de situações reais.

v Formados grupos não demasiadamente heterogêneos para evitar o distanciamento entre os alunos.
v Divididas as responsabilidades no grupo.
v Oferecidas fontes de pesquisa diferenciadas.
v Devolvidos para o grupo o processo de avaliação das tarefas e desempenho coletivo.
v Definido cronograma com o grupo.
v Promovidas avaliações periódicas para sondar a percepção dos alunos no desdobramento das tarefas.
v Solicitados relatórios periódicos.
v Criadas normas de procedimentos para tarefas colaborativas.
v Criadas normas de procedimentos para tarefas colaborativas.

Você já utilizou ferramentas em ambientes on-line para trabalhos colaborativos? Qual


foi a sua percepção? Houve uma maior aprendizagem com a troca de conhecimentos
entre os colegas?

Nesta unidade, você aprendeu sobre o que é esperado de um aluno participativo e como ele deve atuar num
curso virtual. Vimos ainda que os alunos apresentam diferentes formas de aquisição de conhecimentos e o
tutor, atento a isso, pode construir estratégias para facilitar o desenvolvimento e aprendizagem desses.
Juntos, os alunos de um curso podem formar uma comunidade para troca de conhecimentos e vivências, sob a
supervisão de um tutor, de forma que a colaboração se faça presente.

AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE II DO MÓDULO II - Clique em "Avaliações" (lateral


esquerda da página) e em "Autoavaliação da
unidade II do Módulo II". Boa sorte!

Módulo III - Modelos de tutoria

Módulo III

Modelos de tutoria

Nos módulos anteriores, abordamos o contexto da Educação a Distância, sua concepção contemporânea, a
caracterização do papel do tutor, o perfil do aluno de sucesso e o significado da aprendizagem cooperativa.

Neste módulo, apresentaremos uma vertente mais prática. Vamos tratar do atendimento tutorial: os modelos de
tutoria e as estratégias de motivação e interação que auxiliarão os tutores em sua prática. Mostraremos, também,
alguns procedimentos que devem fazer parte do dia a dia do tutor.

Durante o período de estudo desse módulo, será criado um fórun de discussão. O fórum é a nossa
sala de aula, por meio dele trocamos experiências e conhecimentos. Aproveite o momento para
observar as opiniões e posicionamentos dos demais colegas de turma. Você poderá argumentar sobre
as postagens dos componentes de sua turma. O fórum é seu, é da turma. Vamos contribuir para
manter a interação e a construção coletiva. A participação de todos os alunos é de fundamental
importância para a dinamização dos fóruns e de novas aquisições de conhecimentos sobre tutoria.

Ao final do módulo, você estará apto para identificar e diferenciar as principais estratégias favorecedoras da
tutoria nos aspéctos de motivação, participação e interação de alunos e discutir as melhores práticas desta.

Assista ao vídeo: "O Papel do Tutor na EaD "


Unidade I - Estratégias de ensino e aprendizagem on-line

Unidade 1 - Estratégias de ensino e aprendizagem on-line

Modelos de tutoria

A literatura nos apresenta três modalidades de tutoria:


a presencial, a virtual e semipresencial ou bimodal.

“E ainda, independentemente dos ambientes de aprendizagem – presencial, a


distância ou bimodal – toda a aprendizagem é mediada por instrumentos e signos e o
papel do mediador é fundamental para o desenvolvimento de novas funções
cognitivas, sociais e afetivas”. (VIGOTSKY, apud NOVA; ALVES, 2002:63)

Considera-se tutoria presencial o momento de contato do aluno diretamente com o seu tutor
para dirimir dúvidas e demais orientações acerca de um determinado projeto educacional.

A tutoria virtual tem sido utilizada em cursos a distância para capacitação e alinhamento
profissional nas organizações que estão distribuídas em diferentes localidades.

A tutoria semipresencial, também chamada de bimodal, se caracteriza pelo atendimento virtual


e presencial, alternadamente. Conforme vimos na Unidade 2, a Portaria Ministerial nº 4.059, de
dezembro de 2004, autorizou as instituições de ensino superior a ofertarem, na modalidade a
distância, 20% das disciplinas de cursos de graduação reconhecidos. Isto significa que um quinto das
grades curriculares poderá ser oferecida na modalidade on-line.

Art. 1º

§ 1º Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semipresencial


como quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-
aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de
recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que
utilizem tecnologias de comunicação remota.

Os encontros presenciais são utilizados para a dinamização do conteúdo e das relações


interpessoais, além de sanar as dúvidas dos alunos. Geralmente, no início, há um encontro de
apresentação da metodologia, da ferramenta virtual a ser utilizada, dos locais onde se encontram os
conteúdos temáticos, dos critérios de avaliação e das tarefas que serão mensuradas. No final da
disciplina os alunos novamente comparecem para a prova presencial, uma exigência do MEC, a partir
do Decreto nº 2494, de 1998, que regulamenta o artigo 80 da LDB 9394/96

Caso tenha interesse em conhecer a íntegra do Decreto nº 2494, de 1998, Clique aqui.

Unidade I página 2

Dependendo do projeto de curso adotado pela instituição que promove a EAD, poderá haver diferentes
tipos de tutores:

Tutores locais ou regionais – atendem nos pólos espalhados por diferentes estados, cidades ou
municípios. Dinamizam as relações entre os alunos, participam dos encontros presenciais e mantêm
contacto direto com outros tutores do sistema central dos cursos.

Tutores virtuais – são os professores que orientam os alunos, tiram as dúvidas e fazem o
acompanhamento totalmente a distância. Esta tutoria deverá ser esmerada, já que não será possível
conquistar a confiança e familiaridade com os alunos pessoalmente.

Tutores especialistas em determinados temas – atualizam o material didático, indicam definição


de termos, elaboram e corrigem as atividades avaliativas, respondem dúvidas de conteúdos e
participam de chats com os alunos. Eles tanto podem estar disponíveis totalmente a distância como
podem aparecer em determinados pólos nos encontros presenciais agendados.

Tutores centrais – são aqueles que trabalham alinhados com os valores institucionais, participam das
capacitações dos demais tutores locais e mantêm com toda a rede tutorial um contato estreito de
forma a manter o padrão da prática pedagógica estabelecida nos projetos de curso.

Se você vivenciou alguma experiência em EAD, qual desses tipos de tutoria foi
adotado no curso? Você se sentiu plenamente atendido? A atuação da tutoria foi
importante para a sua aprendizagem?

Unidade I página 3

Construtivismo e linguagem dialógica


O construtivismo se constitui numa tendência pedagógica contemporânea que se preocupa com
o interacionismo entre o sujeito que aprende e o objeto de estudo. Ele parte da premissa que a
inteligência é uma habilidade adquirida, exercitada e visa transformar o sujeito até o ponto da
auto-superação. Essa teoria tem servido de ancoragem para a estruturação de cursos on-line, daí a
necessidade de uma imersão em seus pressupostos e rituais.
A educação tradicional centrava a sua ação no professor, diferente disto, o construtivismo
centra a sua ação no aluno. É para ele que convergem as ações pedagógicas de toda uma
comunidade educativa (professores, especialistas, coordenadores, monitores).
O construtivismo se preocupa com a maneira como nasce e se desenvolve o conhecimento no
ser humano. A aprendizagem, para essa teoria, só se realiza quando o aluno constrói um
conhecimento, isto é, compreende um fato, relaciona suas causas e conseqüências, acompanha uma
experiência e aplica uma informação em seu universo relacional. O aluno estará, então, apto a criticar,
a propor, a selecionar, a criar, a fazer.

Informações adicionais...
O construtivismo é a integração do pensar
(racionalismo) mais o fazer (empirismo). Ele
parte da dialogicidade em que se baseiam os
comportamentos portadores de autonomia,
cooperação, liberdade e respeito pelo outro.

Quais são os pressupostos do construtivismo?

Ø A teoria deve ser apresentada simultaneamente com a prática.


Ø O conhecimento deve gerar transformação na pessoa e no ambiente.
Ø A Educação deve promover a interação e a mutualidade entre as pessoas.
Ø O ambiente pedagógico deve ser rico em instrumentos didáticos levando em conta os diversos
estilos de aprendizagem.

O professor construtivista precisa se apresentar como um estimulador da


participação do aluno e do envolvimento do aluno com o ato de aprender. Aprender
aqui com o sentido de conhecer e compreender o mundo em que vivemos, navegar pela
historicidade até a compreensão dos novos rituais da contemporaneidade. O aluno
vivenciado neste paradigma se torna consciente de seu papel construtor da História de
sua comunidade e de seu país.

“O trabalho do professor consiste em averiguar o que é que o aluno já sabe e como


raciocina, com a finalidade de formular a pergunta precisa, no momento exato, de modo
que o aluno possa construir seu próprio conhecimento.”
Kamii e Devries, 1991.

Unidade I página 4

Estratégias motivacionais e facilitadoras da interação

Importante iniciarmos abordando que há fatores psicológicos importantes que favorecem o


desenvolvimento do indivíduo: a emoção, o afeto, a cognição, a linguagem, o pensamento, a
imaginação e a motivação. Vamos nos deter um pouco nesse último fator.

A motivação é o impulso que move as nossas ações, o nosso comportamento social. O que está
por detrás da motivação humana? Você já observou que quando estamos interessados por algum
tema, focamos a nossa atenção neste objeto de aprendizagem?

As teorias da motivação prevêem três vertentes no direcionamento do comportamento humano no


trabalho: teoria das necessidades, teoria das intenções e expectativas e teoria dos estímulos externos
ou aprendizado social.

A teoria das necessidades enfatiza as condições internas e externas do indivíduo como forma
de direcionar o comportamento humano no trabalho. Aqui, o homem precisa traçar metas para
viabilizar um projeto que se coloque como significativo para ele. As bases desta teoria estão em
Maslow (1954), que analisa o homem como ser inacabado em busca de necessidades constantes:
necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e reputação e auto-realização.

A teoria das intenções e expectativas explora a visão prospectiva do indivíduo sobre o


resultado de determinada tarefa organizacional. Essa teoria parte da premissa de que, quando o
indivíduo tem uma intenção, esta é capaz de mobilizar seu comportamento para a ação. A intenção
depende diretamente da percepção que o homem tem das coisas. Um objetivo a ser concretizado é o
primeiro passo para esta teoria. Daí a necessidade de o profissional docente ater-se ao projeto
institucional, acreditar nele e levá-lo ao término. As expectativas que os indivíduos carregam e a
chance de serem alcançadas são proporcionais ao grau de satisfação destes no estudo e no trabalho.

A teoria dos estímulos externos ou aprendizado social procura definir fatores ambientais
que influenciam o comportamento do trabalhador. Estímulos e reforços são elementos populares ao
trabalho porque mobilizam as energias do trabalhador que passa a apresentar comportamentos na
esperança de continuar a receber estes incentivos, por meio de comissões, gratificações, prêmios,
destaques e reconhecimento social. Motta (1998) confirma quando diz que a melhor maneira de se
manter um comportamento é pelo uso do reforço contínuo.

Agora vamos tratar da interação. Interação indica aproximação de pessoas, seja pelo espaço físico,
seja pela sintonia em termos de interesse temático, de formação acadêmica ou troca de experiências.

Sem interação não é possível a comunicação entre os indivíduos, somente o diálogo é capaz de
aproximar e integrar em profundidade duas pessoas. No diálogo, o homem interage com seu
semelhante e a responsabilidade de um com o outro eclode.

Unidade I página 5

Ao longo das últimas décadas, as teorias sobre Educação a Distância têm evoluido. Dentre elas temos a Teoria da
Distância Transaccional, de Michael G. Moore

"Clique aqui para ler"

Segundo o autor, "a distância transacional é uma função de duas variáveis: diálogo e
estrutura. O diálogo está relacionado com a capacidade de comunicação entre o
professor e o aluno, enquanto que a estrutura é uma medida de resposta de um programa às
necessidades individuais do aluno."
Alguns procedimentos são facilitadores da interação dos alunos em comunidades de aprendizagem:

ü Criação de um ambiente confiável, onde as pessoas tenham informações sobre as demais


e que estejam claros os objetivos destas pessoas ao participarem de uma comunidade.

ü Manutenção de um clima de respeito entre os componentes da comunidade, no uso do


vocabulário e imagens. Os grupos devem manter um código de condutas e postagens
virtuais, como, por exemplo, o respeito à diversidade.

ü Definição de um responsável por agregar as pessoas e conduzir o rumo das discussões.

ü Estabelecimento de uma plataforma de interatividade que viabilize a comunicação


bidirecional entre emissor e receptor.

Unidade I página 6

Vamos abordar agora alguns exemplos de estratégias pedagógicas de motivação e interação.

1 - Estudo de Caso

O estudo de caso é uma estratégia pedagógica importante para o aluno exercitar a aplicação do
conhecimento e aprender a resolver problemas. Por meio dele o aluno pode compreender com maior
facilidade um fenômeno de sua própria realidade.

Algumas estratégias de pesquisa podem estar envolvidas num estudo de caso: entrevistas,
análise documental e/ou pesquisa bibliográfica. Pode ter caráter exploratório – levantamento de
hipóteses para outros estudos ou caráter descritivo – por meio da associação de variáveis ou
explanatório – explicação dos fatos.

Informações adicionais...
O estudo de caso não deve
ser confundido com o Método de caso que surgiu
em 1908 na Universidade de Harward dentro do
curso de Direito. Os professores levavam
processos verdadeiros para serem debatidos em
sala. Esse método baseia-se numa experiência
real vivida em determinada empresa e que
envolve fatos, valores e opiniões associados às
decisões de executivos. Seu uso é freqüente em
cursos de Administração,
Ciência Política, Economia, Psicologia, Sociologia, Educação e Medicina,
Marketing e Política de Negócios. Os casos reais visam ensinar os alunos a
lidar com situações comuns a determinadas áreas profissionais. A
aprendizagem se dá por meio da discussão coletiva e da descoberta de
alternativas de solução, portanto não há somente uma resposta certa. Os
casos são apresentados com informações incompletas. Os alunos fazem
uma análise lógica de alternativas.

Unidade I página 7

O estudo de caso tem como meta contribuir para aumentar o entendimento de fenômenos
sociais complexos e seu resultado é a geração de aprendizagem significativa, isto é, que está
relacionada ao ambiente do aluno, vinculada à prática ou ação profissional e depende de
pré-requisitos. Portanto, os alunos precisarão ter um conhecimento básico anterior para poderem
utilizar essa estratégia.
Mas o que é um caso a ser estudado?
Um caso é uma manifestação de que algo não vai bem, não foi bem conduzido ou gerou
resultados negativos, daí a necessidade de ser investigado. Um caso parte do mau funcionamento de
um organismo, um sistema, um poder, uma instituição, uma pessoa. Poderá estar relacionado a fato
real ou não. Isto significa que o professor poderá criar uma situação de simulação para ser
solucionada.
Como adotar o estudo de caso em cursos on-line?
Essa atividade deverá ser realizada em grupo. A formação de uma comunidade virtual e a
contribuição para uma atividade colaborativa são premissas do uso do estudo de caso em cursos
virtuais.
Existe também a possibilidade de se aceitar que os alunos descrevam situações reais que estão
ocorrendo e que este tema se transforme em Estudo de Caso. O especialista do curso poderá abrir essa
alternativa para aqueles alunos que queiram sugerir temas para casos.
A condução do estudo de caso no interior dos cursos estará a cargo do coordenador do grupo
que poderá solicitar o apoio da tutoria, do especialista ou da Coordenação Pedagógica. Desta forma
toda a equipe educativa estará envolvida na atividade.

Unidade I página 8

Vamos contextualizar a aplicação de um estudo de caso?


Por exemplo, em um determinado curso virtual o tutor observou que a maior parte dos alunos
não estava participando ativamente das atividades colaborativas, restringia-se às tarefas
individualizadas. Como envolver os alunos na formação de uma comunidade virtual?
1. O foco principal de investigação era levantar os motivos dos alunos estarem
se esquivando da formação de grupo, da participação em fóruns e da construção
coletiva.
2. O tutor interessado nesta investigação passou a levantar as prioridades e
estabeleceu a iniciativa n. 1. Ele iria sondar diretamente com os alunos, através de um
questionário virtual, o porquê do desinteresse por uma contribuição compartilhada.
3. Após conseguir tabular as respostas, tornou pública a pesquisa, divulgou
esses dados e perguntou durante um fórum o que os alunos achavam que ele, tutor,
deveria fazer para envolver todos os alunos na construção coletiva do conhecimento
oferecido pelo curso? Essa estratégia pedagógica se chama role-playing, significa que o
professor devolve o problema para o aluno resolver uma dificuldade gerada pelo próprio
aluno.
4. Foram muitas as recomendações dos alunos e a primeira e mais importante
que o tutor adotou foi dirigir-se para a formação de grupos, auxiliando os alunos na
tarefa de familiarização com os colegas: levantando aniversários, signos dos alunos,
áreas de formação, faixa etária, divisão dos alunos por zonas geográficas de moradia,
utilizou a divulgação de fotos, com a permissão e adesão de todos. A partir desta
iniciativa os alunos começaram a se procurar e a parte pedagógica ficou afetada
positivamente a partir da interação entre estes alunos. Daí para a confecção das tarefas
do curso tudo ficou mais fácil.
Conclusão: a solução do problema surgiu do próprio grupo e o tutor agiu apenas como
facilitador e dinamizador das relações interpessoais, informais e educativas nas turmas.

O estudo de caso é uma atividade coletiva. Como é possível distribuir notas para
alunos componentes de um Estudo de Caso?
Unidade I página 9

2 - Situação-problema
Ela vem sendo utilizada como elemento favorecedor da inteligência coletiva. Ela permite a
aproximação do sujeito com seu meio, gerando certa interdependência entre ambos. “Conhecer é
modificar, transformar o objeto e compreender o processo dessa transformação e, conseqüentemente,
compreender o modo como o objeto é construído“ (PIAGET, 1972:4). Para o autor a interação não
parte nem do sujeito nem do objeto, mas da interação indissociável que eles estabelecem.
A aprendizagem baseada em problemas foi concebida a partir da teoria interacionista que concebe a
aprendizagem a partir da construção coletiva.
Existem algumas características próprias a esta concepção de aprendizagem:
1- A escolha do tema é feita pelos dois personagens principais do lócus escolar – professor e alunos.
2- A realidade do aluno serve como ponto de partida e de chegada do currículo.
3- As regras e decisões são compartilhadas entre professores e alunos.
4- O ponto de partida na determinação do tema da situação-problema é o interesse do aluno e sua
prontidão.
5- O aluno é o agente do processo e o professor seu orientador da aprendizagem.

Um exemplo da implementação dessa estratégia no Ensino Superior está acontecendo no curso de


Pedagogia da UNISINOS, conforme relato de Eliane Schlemmer, 2001, publicado pela Revista Colabora, volume 1.

Neste contexto, o professor levanta as dúvidas e inquietações dos alunos


como ponto de partida. Define, a seguir, o problema a ser investigado, os
grupos que desenvolverão os trabalhos, cria-se o planejamento do trabalho na
busca de hipóteses, metodologia, etc, como acontece semelhantemente ao
Estudo de Caso. Somente ao final é comunicado o resultado aos demais
grupos, já que a socialização é imperiosa para esta estratégia que privilegia a
ação coletiva.
O professor animador-orientador da atividade, deve propor situações-
problema, sensibilizando os alunos a uma imersão na pesquisa, na
investigação das causas e conseqüências deste problema para, a partir daí,
levantar as alternativas de solução, intervindo em sua realidade/contexto em
busca do aprimoramento. O professor poderá fazer uso de jogos e materiais
pedagógicos que promovam o desafio e a descoberta. Poderá também utilizar a
dramatização como elemento de simulação de uma realidade, induzindo o
aluno a viver uma situação nova, porém flagrantemente possível e real.

O professor construtivista faz sempre muitas perguntas, mais do que afirmações definitivas, promovendo no
aluno o ato de também questionar, levantar dúvidas, instigar-se pela curiosidade de novos fatos
esclarecedores.

Unidade I página 10

3 - Pedagogia de Projetos
Essa estratégia trouxe grande contribuição ao processo ensino-aprendizagem, fornecendo
subsídios aos professores na condução da gestão educativa. Kilpatrick, seguidor de Dewey, em 1918
criou essa estratégia pedagógica na Universidade de Colúmbia. Para esse autor a necessidade conduz a
um comportamento educativo. No planejamento, na implantação e na validação de um projeto
pedagógico o aluno tem a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma ação estratégica
eficaz. Mais do que técnica de ensino a Pedagogia de Projetos é uma estratégia integradora de alunos,
pois como um trabalho coletivo, ela obriga os alunos a uma ação compartilhada. Assim os alunos
aplicam o conhecimento adquirido pelas leituras e exercícios de determinadas áreas temáticas.
Conseqüentemente, a escola cumpre sua missão final, ultrapassar os limites da sala de aula para
adentrar, atingir e beneficiar a comunidade em suas amplas vertentes. Há uma aproximação entre
conhecimento e sociedade.
Quais são as etapas da Pedagogia de Projetos?
1ª) Planejamento – o professor levanta as necessidades dos seus alunos e os objetivos educacionais.

2ª) Tema do projeto – o professor indica um tema a partir de uma situação concreta a resolver.
Partindo sempre dos conhecimentos prévios dos alunos.
3ª) Fontes de pesquisa – o professor sugere os materiais e os procedimentos de pesquisa sempre em
colaboração com os alunos.
4ª) Definição dos grupos – o professor explica que a atividade deverá ser coletiva e que os alunos
precisarão se organizar em equipes.
5ª) Desenvolvimento dos projetos – Levantamento de hipóteses de trabalho e busca de
estratégias. O professor aqui é somente interventor, ele acompanha o desenvolvimento das
ações de seu o controle do cumprimento de prazos nas diferentes etapas do projeto. Os alunos
apresentam relatórios parciais de suas ações.
6ª) Divulgação dos projetos – o professor define quando haverá apresentação entre os grupos de
forma que sejam compartilhados todos os projetos dos diferentes grupos.
7ª) Avaliação – neste momento os alunos explicitam como se sentiram, como se avaliam e como
avaliam os demais, deixando para o professor a tarefa de consolidar estas informações.
Nesta unidade, observamos que o tutor que consegue utilizar as várias estratégias de motivação,
participação e interação, além de oferecer diferentes modelos de acompanhamento, faz com que sua
prática se destaque positivamente, a partir da concretização do processo ensino-aprendizagem.

AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE I DO MÓDULO III - Clique em "Avaliações" (lateral


esquerda da página) e em "Autoavaliação da Unidade I do Módulo III". Boa sorte!

Unidade II - Rotina da Tutoria

Unidade 2 – Rotina da tutoria

Recursos do ambiente virtual

Edméa Santos (apud SILVA, 2003:223) define um


ambiente virtual como um “espaço fecundo de significação
onde seres humanos e objetos técnicos interagem,
potencializando assim a construção de conhecimentos, logo a
aprendizagem”.

Esses ambientes têm recebido algumas nomenclaturas


como LMS, Learning Management System – Sistema de
Gerenciamento da Aprendizagem; ou AVA – Ambiente
Virtual de Aprendizagem.

Muitos são os ambientes de ensino-aprendizagem disponíveis no mercado. Variam nos formatos e


custos. Geralmente, permitem a produção de conteúdos, canais de comunicação síncronos e
assíncronos, gerenciamento de banco de dados e controle de todas as informações disponibilizadas,
tanto dos alunos como dos tutores.

Apesar desses ambientes apresentarem recursos comuns, o que os diferencia não é a tecnologia
propriamente dita, e sim as concepções pedagógicas adotadas: currículo, comunicação e
aprendizagem.

Santos (apud SILVA, 2003:225) ainda enfatiza algumas funcionalidades essenciais nos ambientes de
ensino-aprendizagem virtuais:

a) Intertextualidade, conexões com outros sites ou documentos; intratextualidade, conexões


com o mesmo documento; multivocalidade, agregar multiplicidade de pontos de vista;
navegabilidade, ambiente simples de fácil acesso e transparência nas informações;
mixagem, integração de várias linguagens: sons, texto, imagens dinâmicas e estáticas,
gráficos, mapas; multimídia, integração de vários suportes midiáticos.
b) Potencializar comunicação interativa síncrona (em tempo real) e assíncrona (a qualquer
tempo);
c) Criar atividades de pesquisa que estimulem a construção do conhecimento a partir de
situações-problema;
d) Criar ambiências para avaliação formativa, onde os saberes sejam construídos num
processo comunicativo de negociações, onde a tomada de decisões seja uma prática
constante para a (re)significação processual das autorias e co-autorias;
e) Disponibilizar e incentivar conexões lúdicas, artísticas e navegações fluidas.

Dentre as ferramentas de interatividade, tanto entre alunos, quanto com o material de ensino,
podemos citar:

· Chat – permite comunicação em tempo real todos-todos ou reservada, um-um.

· Fórum – permite o registro e a comunicação assíncrona entre todos os atores do


processo ensino-aprendizagem. Proporciona a criação de temas para discussão e troca
de conhecimentos.

· Lista de discussão – tem quase as mesmas características do fórum, no entanto as


mensagens são socializadas no formato de correio eletrônico.

Unidade II página 2

· Blogs – são interfaces digitais fáceis de ser criadas onde é possível disponibilizar textos,
imagens, sons a qualquer tempo e interagir com os outros, formando comunidades. É
uma espécie de diário on-line.

· Bibliotecas – são espaços que disponibilizam informação cujos conteúdos estão


originalmente em forma eletrônica.

· Glossário – Vocabulário de uso específico utilizado para elucidar o significado de termos


pouco usados, técnicos ou restritos.

· Enquetes – Pesquisa na qual as pessoas respondem uma pergunta escolhendo uma


dentre algumas alternativas pré-definidas.

· FAQ – lista com respostas de perguntas freqüentes.

Dentre os recursos da plataforma que você está utilizando, quais têm promovido
uma maior aprendizagem?
Unidade II página 3

Procedimentos para a atividade de tutoria

Sabemos que não há receitas estruturadas para a tutoria. É necessário que haja certa
flexibilidade para atender às diferenças individuais dos alunos de diferentes públicos. No entanto,
levando em consideração que todo ato educativo deve ter caráter intencional, será relevante
determinar alguns procedimentos tutoriais indispensáveis a qualquer tipo de curso, de público-alvo, de
mídia e de ambiente de ensino.

1 – O tutor como criador de ambiente permissivo à aprendizagem.


No início da disciplina ou curso, o tutor deve apresentar-se ao grupo como alguém
receptivo à função tutorial, preparado para acolher, a respeitar a diversidade e disponível
para atender e sanar dúvidas gerando segurança e confiança na relação bidirecional nova
que está estabelecendo.
Precisa, ainda, ambientar os alunos nesse novo meio. Estimular a apresentação individual e
coletar informações sobre as expectativas de cada um.

2 – Exploração dos recursos.


Os ambientes de ensino oferecem diferentes recursos pedagógicos.
No início dos cursos os alunos deverão ser familiarizados sobre existência desses
instrumentos facilitadores da aprendizagem. Cabe ao tutor a indicação e estimulação aos
alunos da exploração dos recursos que se encontram disponíveis.

3 - Estimulação da participação.
O tutor presente responde diariamente aos alunos, seja pelo correio eletrônico ou diretamente
nos fóruns, demonstrando o interesse por seus trabalhos e fazendo apreciações sobre os
mesmos, indicando também outras fontes de pesquisa para enriquecimento do processo de
aprendizagem e estímulo à permanência no curso.

4 - Reforço ao desempenho positivo.


O tutor que sabe reconhecer os talentos de seus alunos costuma destacar positivamente
aqueles que apresentam pontualidade na entrega dos trabalhos, demonstram atitudes de
interação com os demais colegas e constroem produções textuais relevantes. O tutor
também pode utilizar determinadas competências dos alunos para o desempenho de
determinados papéis no curso: líder, facilitador da comunicação interpessoal, questionador,
etc.

5 - Animação da comunidade.
O tutor animador apresenta comportamento pró-ativo, gosta do contato com o aluno e
demonstra satisfação na troca de experiências. Semanalmente envia reportagens
interessantes relativas ao tema gerador das disciplinas. Mantém o bom humor do grupo,
fazendo da alegria um componente do ambiente de aprendizagem.

6- Fechamento das discussões.


O tutor deve apresentar seus posicionamentos no final de cada debate de modo a
consolidar as informações postadas.

7- Avaliação.
O tutor sinalizador do desempenho dos alunos informa com freqüência como o aluno está
sendo avaliado, tanto em relação à qualidade de sua performance discente quanto em
termos quantitativos.

Unidade II página 4
8- Avaliação formativa.
O tutor deve revisar os conteúdos que os alunos apresentem dificuldades, utilizando novas
estratégias de aprendizagem.

9 – Feedback aos alunos.


O tutor que no ato da avaliação da aprendizagem consegue alertar os alunos para a
incorreção e para uma retomada em busca do acerto com ética, com responsabilidade e
com compromisso. Para se chamar a atenção de alguém com sentido construtivo é preciso
muita habilidade e, mais do que tudo,é necessário estar cônscio do temperamento do aluno
para que seja bem recebida a recomendação.

10- Atenção com a realização das atividades.


Há alunos que não participam das atividades e precisam ser estimulados individualmente.
São os que requerem atenção especial e diferenciada. O melhor meio de comunicação é o
endereço eletrônico pessoal. O tutor deve estar atento ao momento de chegar até esse
aluno, para evitar o abandono. O discurso dialógico, intimista e preocupado acaba gerando
o envolvimento do receptor. Nunca esperar a terceira tarefa por fazer.

Leitura complementar...

Indicamos para aprofundamento no tema


o relato da experiência de um Programa
de acompanhamento de tutoria on-line.
(Verifique).

Esses dez itens devem fazer parte do arsenal de atividades diárias. Assim, o aluno acaba dominando a
forma de tutoria, prevendo o que pode esperar daquele profissional.

Unidade III página 5

Registro de atividades

Uma atividade tutorial só se configura se houver registro das ocorrências. Esse registro poderá ser
feito por meio de diferentes recursos:

· Diário, onde são arquivadas informações dos contatos e produções dos alunos todos os dias.
· Relatório de registros das dúvidas dos alunos, dos exercícios que apresentaram maior ou menor
dificuldade, termos que geraram dubiedade de interpretações, questionamentos acerca da
ferramenta, observações que os alunos fazem ao curso, etc.
· Planilha para registros de dados sobre as atividades avaliativas.

Verifique um exemplo de planilha para acompanhamento das atividades avaliativas dos alunos.

ALUNOS ACESSOS Qualidade Participação nos Fóruns Atividades Avaliativas


Mais de
2x Fórum
Nomes Diário semana Menos de 2x semana 1 2 3 1 2 3
E B I E B I

Legenda:
E=excelente
B=bom
I=insuficiente

Que tipo de planilha você usaria neste curso, caso fosse tutor?

Unidade II página 6

Exemplos de práticas eficazes

Como exemplo de orientações tutorial, destacamos o Programa Progestão do Fundescola do MEC que
bem conduziu seus tutores na posição de avaliadores de alunos.

ü Estes tutores deveriam chamar a atenção dos alunos sobre fatos não incluídos no texto-base,
mas que se referiam aos conteúdos da disciplina.
ü Deveriam sugerir novas interpretações a determinados fatos. Promovendo a problematização
dos temas.
ü Deveriam indicar novas fontes de informação além dos livros e materiais contidos nas
referências bibliográficas. Filmes, documentários, relatórios de pesquisa e entrevistas
faziam parte deste arsenal alternativo de informações.
ü Os tutores deveriam sempre chamar a atenção dos alunos para conclusões não justificadas ou
com argumentações incompletas.
ü Os tutores deveriam sugerir comparação entre as produções anteriores e atuais dos alunos,
facilitando assim a percepção da auto-criticidade.
ü E, por fim, os tutores deveriam promover as habilidades dos alunos pessoais e profissionais.
Solicitando que os alunos refaçam uma tarefa utilizando novas abordagens ou outros
vieses.

Reproduzimos, ainda, aspectos da entrevista do prof. Francisco Botelho diretor da Diretoria de


Tecnologia Educacional da Universidade Católica de Brasília, concedida em 2005 sobre as melhores
práticas de um tutor no ambiente virtual:

· Ser um grande animador do processo de aprendizagem, animador no sentido de estar sempre


motivando o aluno a participar dos processos interativos, a realizar tarefas, a pesquisar,
busca autônoma do conhecimento, a aprender a aprender;
· Ser um mediador da aprendizagem no sentido dele ser um problematizador dos conteúdos,
dele saber criar situações que façam com que o aluno pesquise, que façam com que o seu
aluno precise buscar a produção do conhecimento a partir das informações que ele já tem.
· Acompanhar as tarefas dos alunos.
· Dar feedbacks que sejam consistentes, pois isso é também uma forma de mostrar cuidado, é
uma forma de mostrar carinho, uma forma de mostrar respeito à opinião do aluno.
· Avaliar a produção do aluno e estimular o aluno a continuar a produzir.

Para finalizar, apresentamos na página seguinte as melhores práticas no ensino on-line,


segundo Palloff&Pratt (2004:157-158).

Unidade II página 7

Foco no aluno virtual Melhores práticas da instituição e do professor


Entender quem são nossos alunos -Solicitar no início do curso que os alunos se apresentem
para conhecê-los como pessoas;
-Criar um espaço social no curso;
-Humanizar o site do curso, tornando-o caloroso e
convidativo;
-Usar o humor como forma de incentivo.
Entender como os alunos aprendem -Saber lidar com as questões referentes ao trabalho com
estilos de aprendizagem on-line;
-Respeitar diferentes estilos de aprendizagem;
-Oferecer atividades variadas para atender aos diferentes
estilos de aprendizagem;
-Disponibilizar várias opções de trabalhos para escolha dos
alunos.
Ter consciência das questões que -incentivar os alunos a contatar o professor e o grupo
afetam as vidas dos alunos e sua quando for necessário;
aprendizagem e de como eles as -incentivar os alunos a contextualizar os conteúdos de
trazem para a sala de aula acordo com suas experiências;
-ter ciência do impacto do isolamento do aluno em sua
aprendizagem e procurar flexibilizar.
Entender o que os alunos virtuais -desenvolver e oferecer programa amplo de serviços ao
precisam para dar apoio a sua aluno;
aprendizagem -designar pessoal de apoio aos alunos;
-oferecer suporte técnico 24h;
-proporcionar treinamento técnico para o acesso fácil ao
curso;
-avaliar as habilidades técnicas dos alunos antes de iniciar
o curso on-line.
Entender como ajudar os alunos -desenvolver atividades colaborativas que incentivem a
virtuais em seu desenvolvimento como reflexão;
participantes reflexivos. -disponibilizar diretrizes para o desenvolvimento do
pensamento crítico e para os alunos darem e receberem
feedback;
-realizar auto-avaliações durante o andamento do curso;

Encontrar um meio de envolver os -solicitar no início do curso que os alunos enviem seus
alunos virtuais na elaboração do curso objetivos de aprendizagem e a forma que pretendem
e na avaliação. alcançá-los.
-solicitar feedback constante;
-responder às sugestões e se puder, incorporá-las ao
curso;
-incorporar resultados das avaliações dos alunos no curso,
tais como cartas aos próximos alunos, etc.
Respeitar os direitos dos alunos como -respeitar a privacidade do aluno;
aprendizes e seu papel no processo de -disponibilizar feedback imediato;
aprendizagem. -considerar as contribuições como propriedade intelectual
dos alunos;
-capacitar os alunos a se responsabilizarem por seu
processo de aprendizagem.
Entender como desenvolver cursos ou -desenvolver o curso com metodologia para o ensino-
programas sem deixar de dar atenção à aprendizagem on-line.
melhora contínua da qualidade, de -ser criativo no desenvolvimento de tarefas que
forma que os alunos se envolvam com desenvolvam a colaboração e reflexão;
o processo de aprendizagem e -estar atento ao afastamento dos alunos e procurar
progridam suavemente na direção de trazê-los de volta ao curso;
suas metas, seus objetivos e seus -desenvolver cursos que tenham conteúdo relevante
sonhos. sejam interativos;
-lembrar que há pessoas do outro lado da linha que
precisam que seus professores sejam abertos, honestos,
flexíveis e respeitosos, que respondam aos pedidos e às
questões dos alunos, que os capacitem para o futuro e,
mais do que qualquer outra coisa, estejam presentes na
experiência de aprendizagem.
AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE II DO MÓDULO III - Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da
página) e em "Autoavaliação da Unidade II do Módulo III". Boa sorte!

Módulo IV - Avaliação

Módulo IV - Avaliação

Apresentação e Objetivos

Neste módulo trataremos das bases conceituais da avaliação da aprendizagem, suas diferentes
finalidades, características e os diversos procedimentos estratégicos e instrumentos, por meio dos
quais é possível validar uma prática pedagógica.
Ao final, você será capaz de analisar a adequação entre diferentes instrumentos e finalidades
da avaliação: diagnóstica, formativa e somativa e justificar a escolha dos critérios de avaliação de
desempenho de alunos e tutores.

Unidade I - Fundamentação

Unidade 1 – Fundamentação

Significado

O termo avaliação é oriundo do latim a-valere que significa dar valor a algo. Segundo Carvalho
(2000), avaliação educacional é o processo pelo qual se emite um julgamento de valor sobre
determinadas características dos alunos, grupo, ambiente educativo, objetivos, materiais instrucionais,
programas educacionais, com o objetivo de intervir sobre uma dada realidade e modificá-la.

Na prática pedagógica avaliar é sinônimo de atribuir um valor positivo ou negativo aos diversos
comportamentos de um aluno. Bloom (1971) e seus colaboradores definem avaliação da
aprendizagem como

“... um processo sistemático de coleta de evidência com o fim de determinar


se, de fato, ocorreram modificações nos alunos, bem como para determinar o
grau dessas modificações em cada um deles” (p.8).

Isso significa que são aspectos centrais da avaliação:

· processo sistemático, continuado, cumulativo e sistêmico, não um episódio isolado.


· reunião de várias informações.
· verificação na ocorrência de modificações no aluno de acordo com os objetivos do ensino
definidos.
· checagem em que medida as modificações ocorreram, ou seja, avaliação deve ter como
processo inerente o “controle da qualidade” do ensino.

Unidade I página 2

No entanto temos observado que a realidade se apresenta de forma diferente. Segundo


Hoffmann (2004:25), “avaliação na escola vem sendo um ato penoso de julgamento de resultados”,
uma prática de “registro de resultados acerca do desempenho do aluno em um determinado período”
ou “uma prática de provas finais e atribuição de graus classificatórios”.

A avaliação envolve necessariamente uma ação que promova a melhoria do processo ensino-
aprendizagem. Por meio dela podemos perceber o impacto do processo de aprendizagem no
comportamento do aluno.

Para Gimeno (1995), quando avalia, o professor o faz a partir de suas concepções, seus valores,
expectativas e também a partir das determinações do contexto (institucional), sendo que muitas vezes
nem ele próprio tem muita clareza ou mesmo sabe explicitar esses dados considerados na avaliação
dos alunos. Para que a avaliação faça sentido ao seu propósito, o professor necessita estar atento a
alguns critérios.

Vamos verificar quais são os critérios de avaliação?

Assista ao vídeo: "Avaliação em EaD"

Unidade I página 3

Critérios

A literatura e a prática educativa consideram cinco critérios ou condições para que a avaliação
alcance êxito, ou seja, produza resultados positivos:

ü Validade
ü Confiabilidade
ü Objetividade
ü Praticidade
ü Variedade

Validade é a condição que confere a uma avaliação a capacidade de aferir o que ela pretende
aferir. É muito comum haver discrepância entre o que se avalia e o que se pretende avaliar.

Por exemplo, imagine que alguém vá pintar uma casa. Essa pessoa pode querer utilizar um pequeno
pincel ou uma espátula para esse fim; no entanto, esses não são os instrumentos válidos para o
propósito de pintar toda uma casa. O melhor instrumento para esse fim seria o rolo de pintura.

Confiabilidade é a propriedade que um procedimento ou instrumento de avaliação tem de:

Produzir resultados estáveis ao longo do tempo, isto é, se um teste for aplicado em momentos
diferenciados (cronológico), em amostras iguais, os resultados apresentados não deverão ser
discrepantes, caso seja confiável;
evidenciar unidade interna, ou seja, os resultados dos alunos em relação a escores deve ter um
grau de proximidade, mostrando que o teste aferiu os mesmos conteúdos e objetivos.
separar alunos possuidores de uma dada qualidade (conhecimentos e habilidades) de outros que
não as possuem;

Dizemos que um instrumento de avaliação tem objetividade se ao ser submetido a diferentes


avaliadores, produzir o mesmo resultado. Geralmente, esse atributo está associado a itens de
teste ou prova objetiva, como a de múltipla escolha, por exemplo.

A praticidade pretende responder a questão: a avaliação é exeqüível? Isto é, é razoável o que a


avaliação requer que os alunos realizem? O tempo para realização da atividade é adequado?

A última condição, a variedade, significa empregar diversos meios e instrumentos de avaliação


de modo a atender à multiplicidade de estilos preferenciais de respostas dos alunos.

Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, pode-se dizer que
ela se converte em uma ferramenta pedagógica, em um elemento que melhora a aprendizagem
do aluno e a qualidade do ensino

Qual deveria ser, então, o sentido e a finalidade da avaliação?

Vamos avançar ao próximo tópico para responder essa questão.

Unidade I página 4

Finalidades

Para definir as finalidades da avaliação, de acordo com Zacharias, é preciso, primeiro, perguntar:
Para que avaliar?

Para conhecer melhor o aluno Para julgar a aprendizagem Para julgar globalmente o resultado de um
durante o processo de ensino processo didático

Avaliação Inicial Avaliação Contínua Avaliação Final

Avaliação Formativa

Podemos dizer que as finalidades da avaliação podem ser:


v Diagnóstica
v Somativa
v Formatiiva

Como demonstração, veja um modelo de avaliação disgnóstica que poderia ser utilizada neste curso:

1- Você já teve alguma vivência em curso virtual?


( ) sim ( ) não

2-Caso afirmativo, de que forma participou?


( ) aluno ( ) conteudista ( ) tutor

Descreva essa experiência........................................................................

3- Quais as suas expectativas em relação ao curso (objetivos e conteúdos)?

4- Você tem formação na área educacional ou alguma vivência como educador?

5- Qual o seu julgamento em relação a educação a distância como estratégia de ensino e de


formação?

6- O que significa ser tutor de um curso virtual?

7- Toda atividade pedagógica é intencional. Você planeja ser um tutor com qual perfil?
( ) mais formal ( ) mais informal

8- Você já utilizou alguma plataforma de ensino, seja como aluno ou como tutor? Quais foram?

9- Para Paulo Freire, o diálogo amoroso no ambiente educacional transforma o aluno e desenvolve a
sua autonomia. Explique esta afirmação.

10- A construção do conhecimento na EAD se faz por meio da troca, do intercâmbio de


experiências e da aprendizagem compartilhada. Qual a sua opinião?

Unidade I página 5

Antes de estudarmos esses conceitos, vamos verificar o seguinte relato:


Professora Sonia, docente há vários semestres da disciplina Psicologia da
Aprendizagem, percebeu que os alunos vinham apresentando deficiências em alguns
conceitos, pré-requisitos de sua disciplina. Preocupada, decidiu, antes de apresentar
o conteúdo, disponibilizar aos alunos um teste, sem valer nota, orientado para
avaliar os conceitos de Psicologia, Educação e aprendizagem. Ao analisar os
resultados a professora verificou que mais da metade da turma conceituava
“aprendizagem”, equivocadamente. Ela aproveitou, então, o fórum de discussão
para revisar os conteúdos, nos quais a turma demonstrou deficiência.
Na oitava semana de aulas, depois de ter trabalhado três unidades do programa,
a professora aplicou outro teste, focado nas unidades trabalhadas. O teste mostrou
que a maior parte da turma interpretava erroneamente os conceitos de criatividade
e motivação intrínseca. A professora resolveu suplementar a instrução desses
tópicos com alguns textos e explicações adicionais.
Na semana seguinte, de acordo com o planejamento, a professora aplicou um
exercício que cobria as três primeiras unidades e representava 20% da menção dos
alunos.

Baseado no relato da professora Sonia, você saberia


identificar as finalidades da avaliação?

O primeiro teste aplicado exemplifica uma avaliação diagnóstica. Não teve efeito de nota e serviu
para verificar se os alunos tinham os conhecimentos prévios sobre o que iria ser ensinado. O teste
administrado na oitava semana de aula permitiu ao professor verificar o andamento da instrução e,
como o resultado mostrou algumas incompreensões em determinados conceitos, tomar medidas
corretivas. Essa avaliação é denominada avaliação formativa. Já o exercício aplicado na nona
semana, com objetivo de avaliar o resultado e lançar uma nota, exemplifica a avaliação somativa.

Dentre os três tipos de avaliação, a formativa traz um maior benefício à aprendizagem, já


que sua finalidade é avaliar continuamente o aluno ao longo de seu processo de ensino-
aprendizagem. De acordo com Perrenoud, uma avaliação formativa “dá informações, identifica e
exemplifica erros, sugere interpretações quanto às estratégias e atitudes dos alunos e alimenta
diretamente a ação pedagógica” (1999:68).

A avaliação, em cursos a distância, tem ocorrido por meio de duas modalidades: presencial ou
a distância, com apoio de recursos tecnológicos. Vimos que o Decreto 2.494, de 1998, em seu artigo 7
regulamenta esse tema “A avaliação do rendimento do aprendiz para fins de promoção, certificação ou
diplomação, realizar-se-á no processo por meio de exames presenciais, de responsabilidade da
instituição credenciada para ministrar o curso, segundo procedimentos e critérios definidos no projeto
autorizado”.

Unidade I página 6

Vamos nos ater à avaliação realizada a distância, tema que tem sido objeto de muito estudo.

Segundo Santos (2006:264), a avaliação de alunos on-line parece seguir duas correntes:

1. baseada em medir desempenho acadêmico através de testes objetivos com gabarito ou


mecanismo de autocorreção pelo sistema computacional.
2. baseada em avaliar através do monitoramento das ações dos alunos, usando a análise das
interações dos alunos nas ferramentas de comunicação e dos acessos ao ambiente
(histórico da navegação nas páginas e recursos do curso).

O professor para verificar como o aluno chegou aos resultados esperados, no ambiente on-line,
precisa coletar e analisar:

ü Caminhos percorridos pelo aluno no material didático;


ü Fontes consultadas e a freqüência das consultas;
ü Fontes ou recursos complementares fornecidos pelo tutor, pesquisados e utilizados pelo
aluno;
ü Contribuição do aluno nas atividades que envolvam cooperação;
ü Estilo de trabalho: uso de fontes complementares de informação versus uso do material
dado pelo professor;
ü Participação nas reuniões de grupo;
ü Regularidade dos contatos do aluno com o professor: somente em datas próximas à
entrega dos trabalhos ou contatos regulares;
ü Nível de utilização dos recursos disponíveis no curso e sua adequada utilização, através
dos trabalhos e provas realizados.

Leitura complementar...

Caso queira aprofundar seus


conhecimento
s no tema, leia o texto da professora Gilda
Campos “Avaliação em cursos online”.

Vamos conhecer que instrumentos de avaliação estão sendo utilizados em cursos on-line?

Unidade I página 7

Instrumentos

Verificamos, a cada dia, que muitos professores têm se esforçado para utilizar novas práticas
pedagógicas em seu cotidiano educativo, no entanto continuam mantendo as tradicionais abordagens
avaliativas. Avaliar o aluno na educação on-line tem sido um desafio. Freqüentemente são utilizadas
avaliações por meio de exercícios de múltipla escolha ou, no máximo, exercícios dissertativos. Cabe a
nós, educadores, explorar o grande potencial que a modalidade virtual tem a nos oferecer.

Dentre os diversos instrumentos ou procedimentos de avaliação on-line estudaremos:

Portfólio
Blog
Fórum

Não podemos nos esquecer que quaisquer que sejam os instrumentos a serem utilizados, eles devem
ser pertinentes às condutas ou comportamentos esperados dos alunos, definidos, inicialmente, nos
objetivos educacionais do curso.

Unidade I página 8

1 - Portfólio

Edméa Santos afirma que “o Portfólio não é o acúmulo de uma produção aleatória; é, na maioria das
vezes, uma das coleções mais pertinentes de um autor” (apud SILVA, 2006:318).
Na Educação, seu uso inicial como instrumento alternativo de avaliação da aprendizagem foi
nos Estados Unidos, nos anos 90. No Brasil, o portfólio eletrônico tem sido, progressivamente,
utilizado na educação on-line.

O portfólio é organizado pelo próprio aluno, que vai registrando sistematicamente evidências de
sua aprendizagem. Isso garante tanto ao aluno como ao professor o acompanhamento conjunto do
progresso da aprendizagem (VILLAS BOAS, 2004). Promove o desenvolvimento do pensamento
reflexivo, estimula o processo de enriquecimento conceitual e construção de conhecimento continuado,
originalidade e criatividade individual, capacidades fundamentais da Sociedade Contemporânea,
conforme vimos na Unidade 1. Além disso, facilita os processos de auto-avaliação.

Avaliar com o uso do portfólio significa quebrar alguns paradigmas, já que permite que os alunos
participem da formulação dos objetivos de suas aprendizagens, bem como avaliem seus próprios
progressos.

Unidade I página 10

2 - Blog

O termo blog começou a ser utilizado em 1997 pelo americano Jorn Barger. É uma abreviação
de weblog ou registro eletrônico. Pode ser definido como uma página na internet que registra as
entradas de usuários e permite a utilização de links e comentários, além de apresentar um caráter
dinâmico e de interação possibilitados pela facilidade de acesso e de atualização.

A utilização de blog como meio facilitador do processo ensino-aprendizagem tem crescido na área
educacional. São utilizados como instrumentos de expressão pessoal e de escrita colaborativa. De
acordo com Oliveira (apud Silva, 2006:336) “... ser o vetor de um modelo de ensino-aprendizagem no
qual a construção coletiva de significados representa um novo fazer educativo”.

Se o blog for incorporado ao modelo pedagógico proposto no curso, transforma-se num


instrumento válido de avaliação formativa, pois nele é possível o diálogo entre todos os participantes
do processo de ensino e aprendizagem, o que também possibilita ao aluno a reavaliação de sua
aprendizagem nas diferentes etapas do seu desenvolvimento a partir da interação com tutores,
professores e seus pares (CARVALHO e PORTO, 2005).

Unidade I página 12

3 - Fórum de discussão
Atualmente, o fórum é considerado como o principal instrumento de ensino e de avaliação da
aprendizagem na educação on-line. É a ferramenta de comunicação mais importante num curso
virtual, já que reproduz o ambiente típico de sala de aula, onde alunos e tutores formam uma
comunidade destinada a viabilizar o processo ensino-aprendizagem.

Por meio do fórum, alunos e professores interagem através de registros escritos, que estimulam
a prática da redação e a fixação dos conteúdos. Além disso, os alunos são levados à discussão e
reflexão crítica dos assuntos estudados, que podem ser revistos a qualquer tempo. No entanto, para
um melhor uso desse recurso, é necessário que todos os atores do processo educativo conheçam,
aceitem e pratiquem determinadas regras de comportamento e comunicação.

Uma das grandes vantagens do fórum é que, por utilizar-se de um sistema de comunicação
assíncrono, não exige a participação simultânea de todos os alunos. Uma mensagem enviada ao fórum
pode ser lida e relida por seus interlocutores e respondida depois de vários dias.

O registro da participação dos alunos no fórum permite ao professor identificar o


desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos, bem como suas dificuldades. Dessa forma é
possível utilizá-lo como instrumento específico de avaliação de aprendizagem.

AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE I DO MÓDULO IV - Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da página)


e em "Autoavaliação da unidade I do
Módulo IV". Boa sorte!

Unidade II - Operacionalização

Unidade 2 – Operacionalização

Avaliação da aprendizagem

Como vimos na unidade anterior, a avaliação é uma coleta sistemática de informações sobre o
processo educativo de uma instituição e tem como objetivo central indicar procedimentos que
aumentem a eficiência da prática pedagógica.

A avaliação exige um esforço humano para julgar, criticar e propor alternativas. Este conceito
mais complexo de avaliação pode ser observado nas palavras de Vasconcellos (1992: 43):

“processo abrangente da existência humana, que implica uma reflexão crítica


sobre a prática, no sentido de captar seus avanços, suas resistências, suas
dificuldades e possibilitar a tomada de decisão sobre o que fazer para superar os
obstáculos”.

A avaliação envolve necessariamente uma ação que promova a melhoria do processo ensino-
aprendizagem.

Segundo Guba e Lincoln (1989) ela perpassou quatro gerações:

a primeira que se limitava apenas à mensuração;

a segunda que descrevia resultados;

a terceira que incluía o julgamento de valor a partir de um padrão de referência;

a quarta que era organizada a partir de uma negociação envolvendo aspectos sociais, políticos e
culturais. Essa última foi uma constante na década de 90 no Brasil.

A avaliação de aprendizagem é um momento privilegiado do processo educativo, no


qual a equipe pedagógica coleta informações continuadas sobre a performance dos
alunos no decorrer de um curso.

Unidade II página 2

O processo avaliativo deve se caracterizar pela diversidade de procedimentos, pelo caráter


estimulador da adesão do aluno, pelo caráter sistemático e não episódico, pelo caráter orientador
que permite a promoção do aluno. Deve, portanto, ser harmonioso e coerente com os princípios
filosóficos da instituição, deve ser funcional a partir da definição de propósitos e estratégias e,
principalmente, deve ser claro desde a inserção do aluno no curso.

A avaliação precisa ocorrer em diferentes momentos com o objetivo de orientar o aluno ao


longo das etapas e ajudá-lo a superar as dificuldades que possam ocorrer durante o curso. O aluno
deve ser informado continuamente sobre os pontos onde obteve êxito, onde precisa rever conteúdos,
onde necessita aprofundar o conhecimento e quais atividades deverá refazer.

Leia o texto “Avaliação formativa em ambientes de EaD”, para aprofundar seus conhecimentos no
tema.

O processo de avaliação na educação on-line deve utilizar procedimentos diferenciados como:

ü exercícios de auto-avaliação
ü tarefas colaborativas
ü entrevistas
ü pesquisas
ü provas eletrônicas
ü debates sobre temas específicos
ü resolução de problemas

A avaliação do desempenho de alunos, nessa modalidade, deve levar em consideração:

§ o acesso aos conteúdos e leituras


§ a qualidade nas postagens
§ a participação qualitativa nos fóruns de discussão
§ as atitudes de comprometimento com a disciplina e com a instituição
§ a colaboração com os colegas
§ o domínio de conteúdo
§ o cumprimento de prazos

Unidade II página 3

O conhecimento do aluno, ao final da disciplina, é fruto de seu estudo individual e da


aprendizagem cooperativa, isto é, quando alunos com diferentes experiências intercambiam
informações e vivências, como vimos na Unidade 4.

Uma forma de controlar a participação dos alunos pode ser feita por meio de planilhas que
devem ficar disponíveis para os alunos ao longo do curso ou da disciplina. Desta forma o aluno poderá
ter noção de seu desempenho, calcular sua média e fazer previsões acerca da aprovação.

Um processo de avaliação, visto como uma intervenção construtivista e transformadora, prevê a


análise dos resultados e a compreensão do processo de aquisição individual de
conhecimento, isto é, como foi a performance do aluno no desenvolvimento do curso: suas dúvidas,
experiências vividas, coalizões feitas com os colegas, aprofundamento requerido através de busca de
informações, questões levantadas, pesquisas feitas, interesse pelo tema, cumprimento de prazos,
interatividade com colegas e especialistas, sugestões apresentadas para o aprimoramento do curso e
trabalhos apresentados dentro de um padrão de qualidade.

E mais do que isto a avaliação deve ter caráter prescritivo,


isto é, indicar caminhos alternativos mais eficazes do que os usuais. O
aluno precisa perceber onde errou e onde buscar meios para aprimorar o
seu conhecimento. A avaliação deve sempre servir para indicar como a
aprendizagem e a aquisição de conhecimento estão se processando,
quais os avanços e dificuldades encontradas.

Por meio da avaliação podemos perceber o impacto do processo de aprendizagem no


comportamento do aluno. Ao receber uma avaliação o aluno responderá com uma tomada de posição,
seja elogiosa ou crítica. A avaliação é um processo dinâmico já que gera novos comportamentos tanto
de professores quanto de alunos.

A avaliação de um aluno e seu desempenho não são suficientes para a abordagem


construtivista, além disso, o processo de avaliação deverá servir de subsídio para uma análise mais
profunda da adequação dos conteúdos, ferramenta, suporte tutorial, fontes de referência e
uma avaliação do impacto da disciplina na realidade de cada aluno, isto é, se foi capaz de gerar
mudanças comportamentais significativas em relação à forma de se dedicar aos estudos e ao
amadurecimento vital.

Não basta avaliarmos conteúdos e conhecimentos, precisamos avaliar competências humanas


para ajustá-las a comportamentos mais oportunos e adequados a cada situação.

A avaliação só se torna significativa quando indica trajetórias e alternativas para um


aperfeiçoamento da prática pedagógica.

Unidade II página 4

Desempenho da Tutoria

Para atingir este número de indicadores de excelência é importante a utilização de algumas


estratégias de avaliação:

Ø No interior dos textos colocar questões que possibilitem ao aluno refletir sobre
determinados temas sem a obrigação de exporem os seus posicionamentos.
Ø Utilizar um instrumento de auto-avaliação de maneira a checar se o aluno emite com
criticidade uma apreciação de sua própria performance no curso.
Ø Criar uma planilha de acompanhamento da participação do aluno em relação a: número
de acessos a conteúdos da disciplina, número de postagens, número de participação em
debates, número de respostas a exercícios e testes, tempo de realização das atividades,
número de vezes em que voltou aos conteúdos para correção e revisão dos exercícios, data,
hora e frequência de participação na disciplina.
Ø Fazer análise das postagens dos alunos a seus colegas e professores em relação ao nexo
frasal, domínio de conteúdo, troca de experiências, interesse pela fala do outro, clareza nas
postagens e correção na escrita.
Ø De maneira gradual, em relação à complexidade, apresentar exercícios no final de cada
unidade com gabaritos de acesso imediato.
Ø Estimular a participação dos alunos por meio de competições, desafios e resolução de
problemas práticos que requeiram a integração em pequenos grupos.
Ø Oferecer espaço para o aluno constantemente informar se teve dúvidas e necessidades
não-sanadas, preferencialmente ao final de cada aula e não deixar para o final da disciplina
o encaminhamento de sugestões. Ele poderá indicar para a tutoria como está se sentindo no
curso, o que espera do suporte tutorial, o que tem sido positivo, o que deveria ser evitado.
Esta questão é colocada com o objetivo de propiciar um caráter preventivo de
atendimento ao aluno, não deixando para o final o apontamento de necessidades
específicas.
Ø Oferecer periodicamente diferentes estratégias de avaliação da aprendizagem tornando
sistemático o estudo do aluno e de forma que ele possa perceber a avaliação como elemento
integrante do processo ensino-aprendizagem.
Unidade II página 5

O processo de avaliação num programa de EaD deve ser contínuo e dinâmico e de caráter
predominantemente formativo, de maneira a auxiliar o aluno a alcançar progresivamente os seus objetivos de
aprendizagem. O tutor tem como responsabilidade observar alguns pontos importantes de maneira a promover a
avaliação de desempenho durante e ao final do curso. tais como:
· Identificar e avaliar as dificuldades e necessidades dos alunos. O tutor necessita fazer um
levantamento das dúvidas que apareceram no interior dos cursos e das disciplinas. O registro e a
análise dessas dúvidas deverá gerar uma tomada de decisão acerca de ajustes na prática pedagógica,
até então utilizada, como por exemplo: o grau de complexidade dos conteúdos, o grau de dificuldade
das tarefas e a dificuldade de navegação na plataforma.

· Analisar o estilo de aprendizagem dos alunos, seus horários mais freqüentes de estudo, se
preferem o estudo coletivo ou individualiza

do, se necessitam de aprofundamento nas questões relativas ao tema, se buscam apoio para
dirimir dúvidas com os colegas, tutores ou professores externos ao programa.

· Manter uma visão processual do crescimento dos alunos durante o curso.

· Incentivar a participação e propor atividades de reflexão e auto-avaliação.

· Avaliar as atividades desenvolvidas pelos alunos buscando o apoio de uma equipe de


profissionais: coordenadores pedagógicos, conteudistas, designers instrucionais e demais profissionais
envolvidos no programa.

· Avaliar se as competências de auto-aprendizagem (autonomia) estão sendo exercitadas.

· Realizar avaliações de sínteses (que incluam a contribuição individual ou coletiva dos alunos).

· Submeter-se à avaliação dos alunos de forma a perceber os indicadores positivos e negativos de


seu desempenho.

Incluir a autoavaliação como estratégia de avaliação final.

Vamos conhecer um pouco mais sobre auto-avaliação na página seguinte?

Antes de prosseguir faça a AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE II DO


MÓDULO IV - Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da página) e em
"Autoavaliação da unidade II do Módulo IV". Boa sorte!

Unidade II página 6

Autoavaliação
Partindo da premissa de que a aprendizagem é um processo pessoal de construção ativa de
significados, utiliza-se a autoavaliação como recurso para exercitar o pensamento crítico do aluno em
relação ao seu desempenho acadêmico e social.

A autoavaliação induz o aluno a se posicionar frente a uma abordagem teórica ou prática, assumindo
a função de avaliador de si próprio. Esse exercício leva o aluno a confrontar o seu desempenho em
relação aos demais colegas e em relação a seus próprios comportamentos iniciais.

Autoavaliar significa ressaltar os pontos positivos demonstrados e os pontos que necessitarão de um


aprimoramento. Como nem todas as pessoas se encontram com prontidão para promoverem um
julgamento de valor em relação aos próprios comportamentos, sugere-se que os alunos sejam
preparados com antecedência para a aplicação desse instrumento. Eles precisam ser informados dos
pontos a observar, dos objetivos do curso, dos recursos que foram colocados à sua disposição e dos
critérios de validação. Não devem, em nenhuma hipótese, conceberem o recurso como punitivo ou
disciplinador.

Uma das vantagens de utilizarmos a autoavaliação, como recurso de desenvolvimento de habilidades,


está no fato de que ela favorece a autonomia do aluno e devolve a ele a responsabilidade sobre a sua
aquisição de conhecimento. Devolve-se para ele o controle sobre a própria aprendizagem. Baird
(1990) reforça esta noção em:

“Para ser efetiva, a aprendizagem deve ser um processo pessoal de construção ativa
de significados em que o aluno se torne responsável pela escolha do percurso a
seguir, assim como das estratégias, procedimentos, decisão”.

Outra vantagem da autoavaliação é que ela se constitui numa estratégia pedagógica importante, já
que desvela para o aluno a sua consciência dos avanços, limites e necessidades, com vistas ao
aperfeiçoamento acadêmico.

Verificamos que alguns itens são fundamentais na avaliação de desempenho de alunos na Educação
on-line, como: qualidade da participaçãonas atividades síncronas e assíncronas; estudo do material
didático; habilidade de cooperação e cumprimento de prazo na entrega das tarefas. Podemos concluir
que a autoavaliação é uma estratégia favorecedora da avaliação de desempenho de tutores e alunos e
deve utilizada como parte integrante de um processo de validação de performance educativa.

Chegou o momento de você fazer a AVALIAÇÃO FINAL - Clique em "Avaliações" (lateral esquerda da
página) e em "Avaliação Final". Boa sorte!

Conclusão

Chegamos ao final do curso! Esperamos que este aprendizado tenha contribuido para o seu
aperfeiçoamento, se já é tutor. e para você que almeja ser, que este curso tenha oferecido bases para
o exercicio de uma tutoria satisfatória.

Assista ao vídeo: "Qual o verdadeiro papel do tutor on-line? "