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UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ

Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Aline Madrigal

Bianca O. Almeida

Claudia Fahyme

Fernanda Correa

Lucas Ricci

Análise econômica dos municípios de

Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba

Relatório elaborado para fim de avaliação

continuada na disciplina de Planejamento Regional

no Curso de Arquitetura e Urbanismo,

na Universidade de Taubaté.

Prof. Flávio Malta

Prof.

Taubaté,2016
SUMARIO

INTRODUÇÃO 4

OBJETIVO E METODOLOGIA 5

1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA 6

2 CONTEXTO HISTÓRICO 7

3 CONTEXTO REGIONAL E NACIONAL 9

4. ASPECTOS ECONOMICOS TAUBATÉ, TREMEMBÉ E 11

PINDAMONHANGABA

4.1 Tremembé 14
4.2 Taubaté 15

4.3 Pindamonhangaba 17
5 A QUESTÃO DOS IMPOSTOS E DOS INCENTIVOS FISCAIS
NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL 18
6 A REFORMA AGRÁRIA 20
7 QUESTÕES DE ORDEM TERRITORIAL E DE ESPECTRO JURÍDICO 20

8 ASPECTOS AMBIENTAIS 22
9 MINERAÇÃO NA BACIA DO PARAÍBA DO SUL 25
9.1 ASPECTOS GERAIS LIGADOS A CAVA DE AREIA E À
PLANTAÇÕES DE ARROZ 27

10 POTENCIALIDADES DA REGIÃO 31
10.1 TURISMO 34

11 PROPOSTA PARA A REGIÃO 36

11.1 REGULARIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE ESTRADA 37

11.1.1 ROTA TURÍSTICA 42

11.2 PROJETO PARA O RIO PARAÍBA DO SUL 42

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11.2.1 ATIVIDADES NO RÍO PARAÍBA DO SUL 44

11.3 CAVAS DE AREIA INATIVAS 45

11.4 NÚCLEOS 47

11.4.1 ITENS ALVOS DO PROJETO.

a. Conforto térmico/acústico 49

b. Informação/segurança 53

c. Acessibilidade/mobilidade 55

d. Identidade 57

CONSIDERAÇÕES FINAIS 59
BIBLIOGRAFIA 60
LISTA DE FIGURAS 61

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INTRODUÇÃO

Este trabalho estuda os aspectos econômicos das cidades de Taubaté, Tremembé


e Pindamonhangaba localizadas do médio Vale do Paraíba do Sul no Estado de
São Paulo. O trecho pesquisado é composto por essas cidades é transpassado
pelo Rio Paraíba do Sul que é de importância nacional sócio, ambiental e
economicamente. Para uma análise coesa e coerente, os dados históricos foram
levantados e, posteriormente, foi avaliada como é a ligação do contextos regional
e nacional da área e da bacia desse rio. Assim, pretende-se obter uma leitura sobre
a forma como a economia afetou e continua lesando até hoje a bacia hidrográfica
do Rio Paraíba do Sul.A região do VPP- Vale do Paraíba Paulista representa uma
área de crescimento econômico e alta tecnologia, se comparada com as demais
regiões do interior do Brasil. Esse crescimento econômico deve-se a diversos
fatores que levaram os investimentos na região, entre os quais: facilidade no
acesso; facilidade na logística da região, o que permite um maior escoamento da
produção e a grande atuação de políticas públicas que possibilitaram grandes obras
de investimento.

O principal desafio de política econômica com que se defronta a


maioria dos países em desenvolvimento é a construção de uma
base industrial diversificada e sólida como elemento-chave para o
desenvolvimento, assim como a canalização das forças básicas do
comércio internacional e do investimento estrangeiro direto para
esse objetivo. Em geral, a mudança do padrão de dependência da
produção e exportação de produtos primários para bens industriais
tem sido considerada uma forma de participação mais efetiva na
divisão internacional do trabalho (AKYÜZ, 2005, p. 41).

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OBJETIVO E METODOLOGIA

O objetivo geral é de elaborar uma clara leitura sobre os aspectos econômicos,


principalmente os dados que se relacionam com o Rio Paraíba do Sul, encontrados
nesse trecho que abrange as cidades de Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba
no Estado de São Paulo.

Como método foram utilizadas várias frentes de análise, desde o levantamento


histórico, a importância da bacia hidrográfica e da região a nível regional e nacional,
além de gráficos e mesmo cartografias que construam a leitura econômica da área.

Diagrama do encaminhamento da Pesquisa:

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1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA

A população que atualmente ocupa o Vale do Paraíba do Sul está estimada em


5.588.000 (cinco milhões e quinhentos e oitenta e oito mil) habitantes cujo
abastecimento é feito pelos rios da Bacia do rio Paraíba do Sul. Enquanto que
através da transposição das águas do Paraíba e do seu afluente rio Piraí, desviadas
para o rio Guandu, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é abastecida, através
do sistema Light, em Barra do Piraí, portanto, a soma final fica com cerca de
16.000.000 (dezesseis milhões) de pessoas abastecidas pelas águas desta Bacia
hidrográfica.

A confluência dos rios Paraitinga e Paraibuna formam o rio Paraíba do Sul o qual
percorre 1180 quilômetros. Hoje, através de barragens é formada uma represa com
176 quilômetros quadrados no município de Paraibuna, e tem –se esse local como
o início do Rio Paraíba do Sul.

Figura 1: Localização da Bacia Hidrográfica


Fonte: comitê para integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul, 2002

O Vale do Paraíba Paulista, com sua diversidade cultural, conhecido pela sua
cultura e costumes seculares, também apresenta diferenças marcantes na
economia dos municípios. Grande parte destes municípios é carente de políticas
sérias de crescimento e desenvolvimento regional, políticas estas que possam
alavancar o processo de desenvolvimento econômico da região. A região teve seu
desenvolvimento no período de industrialização, que compreende o período que
vai do final do século XIX até meados do século XX. Segundo Reschilian (2005),
historicamente o processo de urbanização da região do VPP esta associado ao
sistema de transporte na região, como: a ferrovia do século XIX, as rodovias
Presidente Dutra, Ayrton Senna, Dom Pedro I e Carvalho Pinto. O incentivo federal
e estadual na construção de estradas e rodovias possibilitaram a facilidade de
escoamento da produção e favoreceram investimentos indústrias na região.

Entretanto o processo de industrialização do interior do estado aconteceu


sobretudo devido à saturação industrial na capital, fator que levou ao crescimento
do interior através da industrialização. Esse movimento, conhecido como
“interiorização da indústria no Estado de São Paulo”, criou vários centros dinâmicos
em vários locais do Estado, como: Santos, Campinas, Sorocaba, São José dos
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Campos. Esses centros dinâmicos atraíram empregos e geraram uma migração
para esses locais onde essas novas indústrias se instalaram. Na Região do Vale
do Paraíba Paulista isso não foi diferente. Ouve então uma aumento demográfico,
esse aumento populacional deve-se, sobretudo a atratividade industrial na região
gerando com isso um crescimento nos níveis de empregos e um relativo
desenvolvimento regional.

A atividade industrial, embora a mais significativa nos municípios, não são as únicas
que contribuem para a economia local. Também aparece de maneira bastante
significativa no PIB e na geração de empregos o de serviços, atividade que
acompanha o setor industrial, o de comércio, o de construção civil, e o setor
agropecuário entre outros.

Para atrair empresas de interesse ao município, utilizaram e têm utilizado políticas


públicas “desenvolvimentistas”, como subsídios e isenções de impostos. Nesse
aspecto, a Constituição Federal de 1988, ao dar autonomia aos municípios para
que estes legislassem sobre sua área de atuação, deu a eles uma importante
ferramenta de fomento ao crescimento econômico. Entretanto a concentração de
empresas, independente da atividade, não significa desenvolvimento humano. A
região, embora concentre grandes indústrias nacionais e multinacionais,
universidades e institutos de pesquisa, também apresenta grandes problemas de
desenvolvimento como, por exemplo: alta concentração de renda, altos níveis de
desemprego, falta de saneamento básico, escassez de moradia e a questão da
segurança pública.

Figura 2: A Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul


Fonte: Secretaria de recursos hídricos saneamento e obras; departamento de aguas e
energia elétrica, 1995, p15

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2. CONTEXTO HISTÓRICO

A região do Vale teve, em seu processo histórico, o desenvolvimento da produção


de subsistência para monocultura cafeeira, depois para agropecuária e, em
seguida, por indústrias incluindo a agroindústria eucalipto/celulose e a mineração
(extração de areia no rio, formação de cavas). A economia desse território sempre
teve influência de fatores exógenos e a população trabalhadora, por sua vez, seguiu
os ciclos predominantes. Conforme exposta na figura abaixo, a 1ª sub-região do
Vale do Paraíba paulista, durante o ciclo de industrialização recebeu migração de
população adulta jovem em busca de trabalho, fato que ocorre até os dias atuais.

Com essa intensa migração de pessoas do campo para as cidades, ou seja, de


local mais disperso à aglomerações e, assim, houve profundas transformações nas
relações de trabalho e espaciais.

Agrupamento de cidades que sofreram processo de desenvolvimento industrial


diferenciado, conforme apresentado na Figura 3, quando a 1ª região sofre
constante imigração, a 2ª região se comporta como zona de transição e a 3ª região
sofre esvaziamento demográfico, econômico e político persistentes.

Os já citados processos de intervenção econômica produziram a grande


mobilização de trabalhadores com suas famílias para os centros urbanos em
formação. O capital perdeu reprodutividade na cafeicultura, migrou para o interesse
industrial, esvaziando o campo e as pequenas cidades afastadas da Calha do Vale.
Na Calha é que estavam as infra-estruturas que beneficiaram a industrialização.

Figura 3: Crescimento Populacional e os fluxos


Fonte: MAVALE, 1992

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“O crescimento populacional e suas conseqüências devem ser analisados de
acordo com o crescimento vegetativo mais o saldo migratório. Tais fatores estão
diretamente ligados às variáveis sócio-econômicas, como por exemplo, a
industrialização, que atraiu mão-de-obra das cidades onde a economia se mostrava
menos dinâmica e criou forte hierarquia na evolução das cidades da região.
Os impactos causados pela industrialização foram os mais variados, pois as
cidades não possuíam infra-estrutura suficiente para acolher o enorme fluxo de
novos habitantes e que traziam variada procedência, hábitos, situação
socioeconômica e cultural. Esses impactos foram percebidos na estruturação
urbana, que hoje pode ser entendida como resultante de processos dinâmicos que
estruturaram o espaço (nem sempre da maneira mais adequada) e, portanto, torna-
se passível de transformações que decorrem dos conflitos gerados na dinâmica da
sociedade.” (CARVALHO, Edmundo C. Andrade, 2008, p.45)

3 CONTEXTO REGIONAL E NACIONAL

Figura 4: Principais bacias hidrográficas do Brasil.


Fonte: Ministérios dos transportes, Governo Federal, 2010

A Bacia do rio Paraíba do Sul está entre as mais importantes do país, conforme
exposto no mapa a cima, por abranger a Região Sudeste, umas das regiões
brasileiras de maior desenvolvimento e densidade demográfica, estendendo-se por
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O Vale, hoje, atua com cerca de 7% do PIB nacional, ou seja, a influencia dessa
área não é apenas interestadual mas mundial, considerando a globalização
econômica, formando oque Edmundo Carvalho chama de “rede internacional de
reprodução do capitalismo.

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E Ainda, conta com potencias ambientais e energéticos como mil e quinhentos
megawatts (1.500 MW) de potência hidrelétrica instalada, estando prevista
expansão para dois mil e trezentos megawatts (2300 MW). Há cerca de sessenta
mil (60.000) propriedades rurais nesta Bacia, com o total de cento e vinte mil
(123.000) hectares irrigáveis pelos rios da Bacia do Paraíba do Sul.

tabela 1: Dados gerais da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul


Fonte: adaptado de Comitê para integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul, 2002.

O Vale do Paraíba Paulista engloba os municípios da Serra da Mantiqueira, do


Litoral Norte e da Calha do Vale, num total atual de 39 municípios, em área de
16.268 km² e 2 milhões de habitantes. Essa área detém espaços degradados pelo
processo de ocupação conquanto destacando-se a deterioração dos recursos
hídricos. Nesse trecho paulista, destacam-se, em importância econômica, política
e populacional, São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Pindamonhangaba e
Guaratinguetá.

“Antes, quando a única via de acesso era o rio, as cidades se formaram em


torno dele. Depois veio a rede ferroviária e a urbanização se deslocou para o
seu redor. As primeiras indústrias seguiram esta tendência e as indústrias
que vieram em seguida foram atraídas para um novo vetor do desenvolvimento, a
Via Dutra. E as cidades seguiram seu rastro, na acepção da palavra. Como as
novas indústrias foram agraciadas com as melhores parcelas dos espaços criados
pelo investimento estrutural, os trabalhadores que vieram, arrastados pela
esperança de melhores dias, para eles ficou reservado o acaso na distribuição do
espaço urbano.”(CARVALHO, Edmundo C. Andrade, 2008, p.46)

No Vale do Paraíba Paulista, a industrialização foi acelerada em algumas poucas


cidades que apresentaram elevado crescimento econômico na terceira fase da
industrialização. Como não ocorreu o crescimento integrado regional, houve
intenso fluxo migratório das cidades pobres em direção às ricas. Com isso, o
desenvolvimento econômico não cresceu, na região, na mesma proporção que a
industrialização (FRANCESCONI, 1978).

O crescimento econômico regional desigual transformou problemas específicos de


cada uma das sub-regiões em problemas gerais. Por um lado, o flagrante contraste
entre os municípios pobres e ricos fez com que os pequenos municípios, mal
aparelhados, gravitassem em torno dos grandes, transformando seus problemas
em problemas regionais. Por outro lado, as grandes cidades, motores do
crescimento econômico, cresceram descontroladamente, sem planejamento e sem
que os serviços públicos acompanhassem o ritmo do aumento populacional e
passaram a enfrentar todos os tipos de problemas das grandes metrópoles
(MÜLLER, 1969).

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Nas pequenas cidades, foram poucos os efeitos positivos da industrialização. As
cidades vizinhas, além de perderem a parte mais importante da sua força de
trabalho, continuaram com uma economia de subsistência. Na realidade, a
industrialização estava presente em apenas algumas cidades da região,
classificadas como grandes centros industriais em consideração ao número de
operários, como Taubaté e São José dos Campos, as quais, juntas, representavam
49,1% da mão de obra industrial da região. Foram considerados, assim, Jacareí,
Cruzeiro e Guaratinguetá como centros industriais médios; e como pequenos
centros industriais, Caçapava, Lorena, Aparecida, Santa Isabel e
Pindamonhangaba. Já os demais, como Bananal, Tremembé e Areias, centros com
presença de indústrias, mas pouco expressivos. Taubaté é a cidade onde há, em
1959, o maior número de estabelecimentos industriais (20%), como também de
operários (29%), conforme tabela 2. Entretanto, observase grande pulverização da
atividade industrial entre os municípios. Com exceção de Cruzeiro, todas as demais
cidades com importância industrial estão localizadas às margens da rodovia
Presidente Dutra (Taubaté, São José dos Campos, Jacareí e Guaratinguetá são as
principais).

Cabe destacar que as grandes cidades concentram as empresas de maior porte e


que a relação entre número de estabelecimentos e número de operários, em São
José dos Campos, é, em média, de 59,08% de operários por fábricas, maior que
em Taubaté (38,52%). As cidades de menor porte são aquelas que registram menor
número de estabelecimentos e de empresas com menor porte, em média com
menos de 10 operários por estabelecimento.

4. ASPECTOS ECONOMICOS TAUBATÉ, TREMEMBÉ E


PINDAMONHANGABA

O Vale foi ocupado estrategicamente, ao longo da Dutra, por várias grandes


indústrias, com administração verticalizada – organograma com gradação bastante
hierarquizada e com vários setores de apoio à atividade principal. A Dutra ganhou
progressiva importância, vindo a se tornar uma “avenida”. Como cogumelos, os
arranha-céus, os bairros operários e as favelas surgiram da noite para o dia.

É notória a predominância da industrialização na 1ª sub-região, hoje representando


cerca de 70% do total de indústrias do Vale do Paraíba Paulista. Antes, ela era
distribuída pelas sub-regiões 1 e 2.
A 1ª sub-região foi favorecida pela proximidade com a Grande São Paulo.
A 2ª sub-região também se industrializou no período, mas menos intensamente,
enquanto que a 3ª sub-região ficou à margem da industrialização e sofreu um
processo de profunda decadência. Um claro processo de estratificação do
investimento capitalista.

O Vale é atravessado, longitudinalmente, por grandes eixos estruturadores: o viário,


representado pela Rede Ferroviária Federal e pela Via Dutra, e o energético,
representado pela linha de Alta Tensão e que foram vetores que fortaleceram e

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propiciaram a industrialização em todos os níveis. Ação decisiva do Estado, ver
Figura 2.4.

O sistema rodoviário, desde sua implantação, passou a predominar sobre o


ferroviário em virtude do modelo econômico dependente, adotado pelo país e
fortalecido em decorrência da implantação de políticas externas voltadas para o
desenvolvimento do mercado automobilístico. Tal malha foi complementada com
uma série de transversais ligando o Vale à Campinas, ao Sul de Minas e ao Litoral
Norte, principalmente.

Figura 5: Mapa Vale do Paraíba Paulista Viário


Fonte: MAVALE,1992

Como consequência da industrialização surgiu, progressivamente, forte


componente de prestadores de serviços nos diversos setores. Tal tendência foi
amplificada com o início da influência da globalização na região, no despertar da
última década do século XX, com o processo de desverticalização (redução de
cargos na estrutura interna e contratação de terceiros em atividades não fim)
desemprego em massa e a prática da terceirização. Essa tendência trouxe, como
consequência, a formação de um inumerável contingente de empresas prestadoras
de serviços e uma forte queda geral dos salários (entre 30 e 40%; e em outros
casos ainda maior) e da renda social.

As indústrias da região, tardiamente, se comparado ao processo mundial, entraram


em um novo ciclo de modernização, compressão de seus organogramas e
certificação. A intencionalidade lucrativa do capital impõe crises e desempregos.

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4.1 INFLUÊNCIA DO PROCESSO DE OCUPAÇÃO SOBRE A POPULAÇÃO
ECONOMICAMENTE ATIVA

Agregada às mudanças sócio-econômicas da região, a questão da força de


trabalho, sua migração interna, sua mudança dentro da divisão regional do trabalho,
Apresenta-se como complemento importante em nossa análise.

O Vale evoluiu da produção de subsistência para a monocultura do café, depois


para a agro-pastoril-leiteira e, por último, para a industrial, quando se inclui a
agroindústria do eucalipto/celulose.
Como, de fato, a economia da região se valeu quase sempre de determinantes
exógenos, a população trabalhadora acompanhou os ciclos predominantes. Tanto
que, a 1ª sub-região (Figura 2.1), no ciclo de industrialização, foi, e continua sendo,
receptora da migração da população adulta jovem em busca de trabalho mais
qualificado.

Houve grande migração de trabalhadores do campo para as cidades. Os


trabalhadores saíram de uma condição dispersa para outra mais aglomerada,
alterando profundamente as relações de trabalho e as relações espaciais.
Enquanto antes mantinham contato direto com o patrão, passaram a se organizar
via sindicatos, promovendo fortes mobilizações, alterando as regras das relações
capital trabalho.

“...as mudanças nas forças de produção como sendo a fonte principal de todas as
outras transformações da sociedade. Isso explica as leis correntes de movimento
de um capitalismo impelido por mudanças profundas na inovação tecnológica e no
progresso científico. Em compensação, uma Segunda abordagem encara as
mudanças como se ocorressem principalmente por causa da interface mutável
entre capital e trabalho, facilitada mas não causada por avanços tecnológicos.
Finalmente, alguns marxistas consideram a acumulação de capital o principal fator
determinante em suas leis de movimento”. (GOTTDIENER, 1997, p 207).

De modo complementar, as mudanças ocorridas favoreceram a urbanização em


decorrência das variáveis econômicas que declinaram da agropecuária de
subsistência para a monocultura e crescimento comercial e, finalmente, para a
industrialização urbana e o crescimento do setor de serviços urbanos de apoio.

Efeito comprobatório é o crescimento demográfico positivo na 1ª sub-região,


mediano na 2ª sub-região e o que passou de vegetativo a negativo na 3ª sub-região.
O mesmo se deu com as principais cidades da Calha do Vale, que tiveram
crescimento demográfico positivo, enquanto que as pequenas cidades das
encostas das Serras da Mantiqueira e do Mar tiveram, invariavelmente, crescimento
negativo.

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4.1 Tremembé

De acordo com textos e relatos históricos, a ocupação de Tremembé deu-se por


volta de 1660, motivada pelo recebimento da imagem do Senhor Bom Jesus a atual
Basílica da cidade, na qual a população começou a se estabelecer ao redor da
antiga capela. Não ocasionalmente, essa ocupação se da muito próxima ao Rio

Paraíba, pois este era utilizado como acesso principal a capital, passando por ali
cargas de produção agrícola.

Basílica
Senhor Bom Jesus
(ponto inicial de ocupação)

Figura 6: Início da ocupação de Tremembé


Fonte: Imagem do google adaptada pelos autores

Tremembé caracteriza-se como Estância Turística, desde 27 de Dezembro de


1993, de acordo com a Lei Estadual 8.506/93, o que coloca para o município a
tarefa de prever um cenário de desenvolvimento que permita um patamar de
sustentabilidade socioambiental fundado no turismo. O grau de urbanização, a
população urbana e os valores adicionados relacionados à atividade econômica
caracterizam o município com perfil predominante da economia no setor serviços
e na atividade industrial.

Algumas variáveis tornam o município objeto de um desafio, quer seja do ponto de


vista socioambiental e político, quer seja do ponto de vista metodológico e
conceitual para a prática do planejamento municipal e intra-urbano. Isto porque,
embora seja um município de pequeno porte e, atualmente, dependente
economicamente da cidade de Taubaté, configura um conjunto de situações
complexas tais como: presença de cavas de areia nas margens do rio Paraíba,
causadora de problemas ambientais, existência de assentamentos de
trabalhadores rurais em área do perímetro urbano prevista como área de expansão
do município, potencialidade turística (natural e cultural), condições
socioambientais caracterizadas por ocupação em áreas impróprias para construção
na bacia do rio Paraíba e do Rio Una. Nesse sentido faz necessário criar um
sistema de planejamento participativo como meio de promover o planejamento do
município e desenvolver metodologia participativa na elaboração do Plano Diretor
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do Município de Tremembé, SP, bem como capacitar agentes sociais
representantes dos diferentes segmentos da sociedade possibilitando a gestão
democrática na elaboração e acompanhamento do Plano Diretor.

Figura 7: Conflitos no Rio Paraíba do Sul


Fonte: Imagem do google adaptada pelos autores

4.2 Taubaté

Taubaté com 276.256 habitantes em 2009, segundo dados do SEADE, Taubaté é


considerada uma cidade de grande importância para a região do Vale do Paraíba,
situa-se numa localização estratégica, onde concentram em seu território grandes
empresas, indústrias e serviços. Além disso, representa o segundo maior possuidor
de estabelecimentos de serviços totalizando em 2007, 2.026 estabelecimentos.
Assim como no município de São José dos Campos, a primeira atividade
econômica com maior número de estabelecimentos é o comércio e a segunda é o
setor de serviços. A alíquota de Imposto sobre Serviços no município variam de 2%
á 5% dependendo da atividade. A prefeitura de Taubaté, através do Departamento
de Desenvolvimento Econômico do Município, possui os seguintes programas: o
GEIN- Grupo Executivo Industrial, o GECOMPGrupo Executivo do Comércio e de
Atividades de Prestação de Serviços, e o GEAP – Grupo Executivo Agro-Pecuário.
Estes têm por objetivo promover o desenvolvimento econômico do município.
Através da Lei Complementar Nº 184, DE 05 de março de 2008, o município oferece
diversos benefícios fiscais para que empresas se instalem na região,
principalmente visando a expansão industrial e outras atividades de interesse do
município. Entre esses benefícios estão: a doação de terras para empresas se
instalarem, o que dependerá de requerimento e aprovação judicial; acesso
pavimentado ás instalações; infraestrutura, sendo que alguns distritos industriais já
possuem até mesmo gás natural; a lei ainda prevê a isenção parcial de ISSQN
dependendo do caso; isenção de IPTU de 5 á 10 anos, o que pode variar
dependendo do faturamento e geração de empregos que essas empresas trarão
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para o município (PMT, 2009). Essas são algumas das políticas tributárias,
implantada pelo município a fim de promover o crescimento econômico e
consequentemente o desenvolvimento a longo prazo, uma vez que atraindo
empresas para a região e gerando empregos, fator esse que aumentará a renda
das pessoas, melhorará o padrão de vida.

Em princípio, a questão Rio Paraíba x ocupação das cidades do Vale, caracteriza-


se pelo potencial de mobilidade e transporte de produtos que o rio possuía no inicio
destas ocupações, visto que o tecido urbano e as rodovias ainda não se faziam
presentes. Porém, é possível perceber que a cidade de Taubaté, é uma exceção a
essa tendência ocupacional do espaço nas cidades em que o rio se faz presente,
pois pode-se observar que nessa região as margens do Rio Paraíba possuem uma
cota mais baixa em relação a este, caracterizando uma área de várzea alagável,
não propicia a ocupação urbana, mas por outro lado esse fenômeno faz com que o
solo seja ideal para alguns segmentos da agricultura. Com base nessas
características topográficas, se dá o princípio da produção de arroz em Taubaté por
meio das colônias agrícolas, como a de Quiririm, que desde os primórdios de sua
ocupação.

“A ocupação e utilização das várzeas do Rio Paraíba teve início na segunda metade
do século passado, com a implantação de colônias agrícolas pelo governo
provincial, a partir de 1850, em Lorena, Pindamonhangaba, Taubaté e
Paraibuna.

No final do Império, foram criadas mais cinco colônias agrícolas no Vale do


Paraíba: Canas, em Lorena (1885); Boa Vista, em Jacareí (1888); Quiririm, em
Taubaté (1890);”

Figura 8: A ocupação de Taubaté de 1820 à 1970


Fonte: desenho Arquiteto urbanista Monteclaro

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Porém, por mais que a ocupação tenha se dado distante das margens do Rio, esta
não foge do contexto da época, onde está, iniciou seu núcleo urbano as margens
do Córrego do Convento Velho, o qual atualmente encontra-se canalizado sob a
Avenida Desembargador Paulo de Oliveira Costa.

Figura 9: Área do conflito do Rio Paraíba do Sul


Fonte: Imagem do google adaptada pelos autores

4.3 Pindamonhangaba

Semelhante à Tremembé, a ocupação inicial de Pindamonhangaba se deu às


margens do Rio Paraíba do Sul pelo mesmo motivo: este era utilizado como acesso
principal a capital , passando por ali cargas de produção agrícola. Além do fato de
que a população desenvolveu-se ainda mais em função das capelas, outra
característica de povoamento bem típica do Vale do Paraíba.

Igreja Matriz
Nossa Srª Bom Sucesso
(ponto inicial de ocupação)

Figura 10: A ocupação de Pindamonhangaba


Fonte: Imagem do google adaptada pelos autores

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“A maior e mais antiga parte da cidade, a velha Pindamonhangaba, localiza-se
sobre uma elevação situada a cavaleiro de uma curva mais acentuada do Rio
Paraíba. No ponto mais alto dessa elevação, encontram-se a igreja matriz e
algumas das construções mais antigas e maiores que foram as casas -verdadeiros
palacetes -dos fazendeiros de café. Uma dessas construções é hoje utilizada pela
Prefeitura Municipal, e outra abriga um museu municipal na esquina da Rua Mal.
Deodoro com a Ladeira Barão de Pindamonhangaba. A parte mais antiga da
cidade, situada entre a linha da ferrovia e o Rio Paraíba, tem como limites o ribeirão
do Cortume, a leste, e o Rio Tapanhon, a oeste.
Ao longo da margem direita do Rio Paraíba, estendem-se ricas várzeas com
aproveitamento rural. Próximo à divisa municipal com Roseira, cresce o distrito de
Moreira Cezar, em cuja região se instalou recentemente nova etapa de
desenvolvimento industrial dos municípios, no setor metalúrgico. Próximo a Moreira
Cesar, foram há pouco construídos grandes conjuntos de habitações para
trabalhadores.”

Figura 11: Conflito Rio X avanço da urbanização


Fonte: Imagem do google adaptada pelos autores

5 A QUESTÃO DOS IMPOSTOS E DOS INCENTIVOS FISCAIS NO


DESENVOLVIMENTO REGIONAL

A questão do IPTU no crescimento econômico, diz respeito principalmente aos


incentivos fiscais oferecidos para a instalação de novas empresas ou a manutenção
das que já existem sob determinadas situações ou condições favoráveis ao
município. Nesse aspecto, é importante salientar que em muitos casos os projetos
de empresas tendo como finalidade conseguir recursos e subsídios municipais, não
saem do papel e quando saem em muitos casos operam num nível de renda,
geração e manutenção de empregos muito inferior ao necessário ao que foi
comprometido ao agente público para conseguir tal benefício (RICCI, 2005).

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Entretanto, um fator que precisa ser mensurado é o quanto essas medidas
beneficiaram os municípios, e se essas políticas não ficaram apenas nos papéis.
Com relação aos Impostos municipais, a Constituição Federal do Brasil (1988) deu
autonomia para que os municípios legislassem sobre impostos municipais. Se
aplicarmos os benefícios e as diferentes alíquotas de ISS sobre determinada
atividade, chegaremos a um valor significativo e que merece maior atenção por
parte dos empresários. A determinação de uma entre duas ou mais escolhas é o
planejamento tributário, artifício cada vez mais usado para diminuir a carga
tributária sobre a atividade econômica. As diferenças de impostos podem ser um
fator bastante relevante, se considerarmos a economia tributária que o empresário
terá por optar por uma ou outra cidade para instalar sua empresa considerando os
efeitos da diferença do imposto a pagar. Torna-se necessário um estudo sobre as
melhores alternativas tendo em vista a economia de impostos e o planejamento
tributário. Segundo Andrade Filho (2006, p.710): Planejamento Tributário ou “elisão
fiscal” envolve a escolha, entre alternativas igualmente válidas, de situações fáticas
ou jurídicas que visem reduzir ou eliminar ônus tributário, sempre que isso for
possível nos limites da ordem jurídica. Há um abismo de significação entre elisão
fiscal e evasão fiscal. A elisão fiscal, segundo a concepção que adotamos, é a
atividade lícita de busca e identificação de alternativas que, observados os marcos
da ordem jurídica, levem a uma menor carga tributária [...]. Dessa forma, o
planejamento tributário ou elisão fiscal é algo lícito e que pode ser usado como
ferramenta na elaboração de estudos e estratégias com a finalidade de encontrar
na lei, meios menos onerosos para recolhimento de impostos. Difere, portanto de
evasão fiscal, que é algo ilícito e constitui crime de sonegação fiscal. Por outro lado,
o uso do sistema tributário por parte dos municípios como ferramenta de
desenvolvimento regional é algo válido e que se bem usado pode contribuir para o
crescimento dos municípios. Os municípios, usando da autonomia tributária, criam
impostos e mudam a sistemática de arrecadação. Criam políticas que favorecem o
crescimento econômico e a atratividade de empresas de interesse do município.

No entanto, no processo de desenvolvimento regional, os municípios devem


considerar não apenas a maneira como irão atrair recursos de capital para a
formação e o crescimento econômico local, mas também fatores que venham
contribuir de maneira significativa para a melhoria das condições de vida local. As
cidades, em seu plano diretor ou na maneira de planejamento municipal devem
considerar os fatores de: acessibilidade, transportes, moradia, segurança pública,
educação, meio ambiente entre outros. Entretanto a pergunta que sempre fica é o
quanto isso efetivamente contribui para a melhoria no padrão de vida das pessoas?

As políticas são criadas a todo instante, e parte delas são consideradas válidas em
seu aspecto de desenvolvimento econômico. No entanto muito mais ainda precisa
ser feito se quisermos ter resultados visíveis de melhoria.

Taubaté,2016
6 A REFORMA AGRÁRIA

Os assentamentos de reforma agrária no Vale do Paraíba paulista somam cerca de


6.000 hectares e estão instalados em terraços e várzeas do rio Paraíba e afluentes.
Foram preponderantes na contenção da expansão da mineração nos municípios
de São José dos Campos, Taubaté e Tremembé. Porém, não receberam a devida
atenção dos órgãos públicos, constituindo-se de solos de baixíssima fertilidade
natural e muito degradados por explorações pretéritas. Os acampamentos
existentes desde o ano de 1995 abrangeram fazendas improdutivas em Taubaté
(Fz. Santa Terezinha - Votorantin Celulose e Papel) e no município de Tremembé
(Horto Tremembé - Petrobrás) (RIECHELMANN, 2006). Há cinco assentamentos:
Nova Esperança, com 63 famílias ocupando 420 hectares em São José dos
Campos; Assentamento Manoel Neto e Luiz Carlos Prestes, respectivamente com
40 famílias em 600 hectares e 15 famílias em 800 hectares de área em Taubaté;
em Tremembé o Assentamento Conquista e Olga Benário possuem 97 famílias em
1600 hectares e 35 famílias em 1700 hectares de área, respectivamente. Dentre
os problemas acusados pelos agricultores familiares, se destaca a violência e a
dificuldade para comercializar a produção, forçando à subsistência e obrigando o
trabalhador rural a exercer o trabalho urbano, baseado em habilidades
desenvolvidas ao longo de sua vida, tais como pedreiro, faxineiro (MOTTA, 2011).
Como efeito negativo, os trabalhadores têm pouca ou nenhuma perspectiva de
trabalho exclusivo nas cidades. Desde o surgimento do MST – Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra, em meados dos anos de 1980, o fenômeno se
desenvolveu rapidamente até os finais dos anos 1990 (OLIVEIRA, 2001), mas as
terras dos assentamentos continuam sendo foco de degradação ambiental.

7 QUESTÕES DE ORDEM TERRITORIAL E DE ESPECTRO JURÍDICO

Nos municípios do Vale do Paraíba Paulista, observamos, a crescente política de


incentivo à instalação de indústrias na década de 1990, na perspectiva de geração
de empregos e atração de investimentos de capital, criando-se inclusive, distritos
industriais em cidades como Taubaté e Pindamonhangaba, além do já consagrado
pólo industrial e tecnológico de São José dos Campos. A década de 1990, marcada
pelas transformações da estrutura produtiva motivada pela inserção definitiva do
país na lógica da mundialização e a consagração da “guerra fiscal” como
mecanismo de atração de investimentos para os municípios, consagram a
tendência de concentração de investimentos em centros urbanos já desenvolvidos
e asseveram a tendência de urbanização periférica em municípios como São José
dos Campos e Jacareí. Nesse sentido, cabe analisar o papel de algumas cidades
do Vale do Paraíba que compõem o quadro dos municípios pólo, na medida em
que constituem o que se pode denominar semi-periferia da macro-metrópole
paulista, tal como afirma os o relatório do NIPPC (2000:50-51); Situadas em zonas
intermediárias, as semiperiferias produzem uma condição específica com

Taubaté,2016
vantagem de custos, quando comparadas aos núcleos orgânicos centrais, e
“vantagem” de receitas, quando comparadas às zonas periféricas. [...] Nesse último
contexto é que se enquadra a região do Vale do Paraíba, com cidades médias,
dotadas de infra-estrutura de comunicação e acesso às capitais de São Paulo e Rio
de Janeiro, sem congestionamentos ou grandes dificuldades no transporte coletivo,
sem legislações ambientais rigorosas e movimento sindical organizado e politizado,
além de possuir um contingente de desempregados qualificados e políticas de
incentivos fiscais nos principais municípios tornando-se um locus adequado à
acumulação capitalista.

Quando se procura contextualizar nesse quadro o município de Tremembé verifica-


se que apesar de ser considerado um município de pequeno porte
(aproximadamente 40.000 habitantes), verifica-se um conjunto de problemas de
natureza socioespacial que são identificáveis em cidades grandes e até regiões
metropolitanas tais como: assentamentos precários na proximidade de leito de rios,
loteamentos irregulares, problemas de destinação de resíduos, problemas
ambientais derivados da extração de areia e argila, tendência de expansão
periférica configurando loteamentos e bairros com deficiência de infra-estrutura,
problemas de segurança e oferta de trabalho entre outros. Pode-se explicar tal
situação devido às semelhanças com o processo de urbanização de muitos
municípios brasileiros, mas, também pela forma de gestão do território realizada
por sucessivos governos municipais e das interfaces com a dinâmica do capital
imobiliário e financeiro consagrada nesse processo. O diagnóstico realizado por
ocasião do processo de elaboração do Plano Diretor Participativo traz alguns
elementos importantes que apontam na direção de futuras ou prováveis demandas
jurídicas, tendo em vista a perspectiva de ocorrer conflitos de competências entre
as diferentes esferas de poder, o município, o estado e a união. O que também
significa destacar o papel que os órgãos públicos e as instâncias de decisão e
deliberação constituídas deverão ter, na medida que, levando-se em conta a
Constituição Brasileira de 1988, as Leis Orgânicas dos municípios e a Lei 10257, o
Estatuto da Cidade, a prerrogativa ou a responsabilidade de estabelecer a
normatização ou os parâmetros de ocupação e uso do solo é do município. O Plano
Diretor previsto como instrumento de Política Urbana no estatuto da Cidade indica
que a deliberação sobre o uso e ocupação do solo, incluindo a zona rural, é tarefa
do município. Há ao menos três situações que envolvem o município de Tremembé
e que poderão ser passíveis de discussão do ponto de vista jurídico quando da
futura implementação e deliberação do Plano diretor, atualmente em fase de
elaboração. A primeira delas se refere à existência de dois assentamentos do
INCRA no município, sendo que o primeiro data de 1994 e o segundo deste ano de
2006 numa área do município contígua à parte urbanizada da cidade e de tendência
à expansão de condomínios de alto padrão. O problema reside no fato de que
algumas especulações durante a fase de levantamento de dados e reuniões de
leitura comunitária apontaram para o entendimento de que a área do assentamento

Taubaté,2016
Nova Conquista (1994) seria propícia para expansão urbana, ainda que nenhuma
diretriz resultante do Plano tenha sido traçada ou discutida em termos concretos.
Porém, o assentamento constitui uma situação complexa para o município, pois,
em função da ausência de insumos e de uma política eficaz, de fato, de fixação de
famílias em área rural, além das condições geomorfológicas do local (área de
exploração de xisto pela Petrobrás, e de plantação de eucaliptos) a grande maioria
das 103 famílias residentes não trabalham na terra e são trabalhadores urbanos,
seja do setor de serviços, construção civil ou do mercado informal. Tal contexto faz
com que alguns setores sociais do município entendam que os moradores do
assentamento são privilegiados, pois além de terem recebido terra e não a tornarem
produtivas, ficam protegidos pela condição de assentados. Sem contar um
perceptível estigma que ainda reside sobre essa população, pois na maioria das
vezes que se referem a ela denominam-na de “os sem-terra”. É evidente que a área
do assentamento será objeto de interesse dos agentes imobiliários e nesse sentido
poderão emergir questões quanto à natureza das deliberações efetivadas por
diretrizes de planejamento participativas e que podem gerar controvérsias para a
permanência do assentamento na área onde está. Essa é uma questão que pode
demandar conflito de competências. Uma segunda questão diz respeito a
existência de unidades prisionais no município de Tremembé, que somadas às
unidade existentes em Taubaté e Pindamonhangaba, constituem um cenário de
preocupações para a população do município tendo em vista as ocorrências
derivadas da dimensão que atingiu o crime organizado em suas formas de ação e
manifestação. Isso se refletiu no diagnóstico realizado em virtude da elaboração do
Plano Diretor, apontado a segurança, um dos principais problemas do município
em razão da existência dos presídios. Há uma decisão ainda não operacionalizada
na esfera do governo do estado de São Paulo em implantar duas unidades de
recuperação de jovens infratores no município o que tem gerado demandas dos
setores mais organizados da população e de vereadores às instâncias do poder
público estadual. As informações da Secretaria de Assistência Jurídica revelam que
o critério para implantar unidades prisionais é a existência de propriedade do estado
num determinado lugar, inclusive visando evitar desapropriações e outros ônus aos
cofres públicos. Uma terceira questão se coloca para a existência de atividade
minerária cuja expressão do município no cenário regional é significativa,
contribuindo em 2005, com 36% do consumo de areia destinada à construção civil
na cidade de São Paulo. O Vale do Paraíba Paulista contribui com 25% da areia
para construção civil consumida no estado de São Paulo.

8 ASPECTOS AMBIENTAIS

Problemas ambientais de saneamento básico e saúde pública, que até então não
estavam na pauta da exploração capitalista, surgem por toda parte, em todas as
cidades, de um lado pela ganância do lucro, por outro lado a falta de consciência

Taubaté,2016
da sociedade. O convencimento da sociedade de que deveria aceitar a piora na
qualidade de vida, era argumentado pela máxima de que “indústria é progresso”.

O Vale do Paraíba vem contribuindo com a redução da biodiversidade global, pois


eliminou grande parte da vida na região; contribui com as mudanças climáticas,
pois foi fortemente desflorestado e participa abundantemente do mercado de
consumo de combustíveis fósseis; houve uma forte redução na retenção de água
ambiente em função da redução da Mata Atlântica e do controle da vazão do Rio
Paraíba; e contribui para afetar a camada de ozônio, pois é produtora dos mesmos
elementos – óxidos nítricos e nitrosos, expelidos pelos sistemas de exaustão dos
veículos a motor, o próprio CO2, o gás metano e os CFCs ou clorofluorcarbonos –
que a afetam.

A defesa da natureza pareceu algo novo, romântico, inocente. Mas de fato estava
mal conceituada. “Não via a floresta em apego à árvore”.

A sociedade brasileira não estava preparada para assimilar este novo paradigma,
até porque estava “de bem” com a ideia do desenvolvimento – no sentido de
crescimento econômico – a qualquer custo.
Na Conferência da ONU sobre meio ambiente realizada em Estocolmo em junho
de 1972, o chefe da delegação brasileira, então Ministro do Interior, General
José Costa Cavalcanti disse: “Se progresso significa poluição, que venha a poluição
para o Brasil”.

Os defensores do desenvolvimento econômico asseveravam que as limitações


ambientas eram relativas frente à capacidade inventiva do ser humano e dos
benefícios promissores que a economia de mercado, por si só, traria para o social
e elevaria a condição de domínio sobre a natureza de tal ordem que as questões
ambientais passariam a irrelevantes diante de tamanha sorte. Já os defensores das
questões ambientais impunham que o meio ambiente representava limites
absolutos ao crescimento econômico, de tal ordem a levar a humanidade e o
planeta ao estresse irreversível, com o aumento da poluição em todos os níveis e
o esgotamento dos recursos naturais.

O novo paradigma do ecodesenvolvimento busca uma convergência entre


economia, ecologia, antropologia cultural e ciência política, conceitos que hoje
ficam bem mais nítidos diante do cenário mundial de mudanças climáticas e das
crises social e política contemporâneas.

Com o alargamento da conceituação ambiental, novas ideias e estratégias surgem.


Abordagens semânticas a parte, o enfoque passa a ligar a economia à ecologia,
pelo entendimento mais correto de que os recursos naturais começam a ser vistos

Taubaté,2016
como finitos. A ideia da sustentabilidade e da biodiversidade agregaram
conceituação e consistência à causa.

A rigor, o conceito de desenvolvimento sustentável não pode prescindir de


necessária amplitude que passe pela inclusão social e sustentação econômica,
para que não fique alienado ao movimento ambientalista, ou restrito a uma elite
pensante, distante do mundo real, o que promoveria seu insucesso, ou pior ainda,
que seja manipulado pelos ideólogos do mercado e da dominação econômica que
não descansam de suas intenções e se alimentam de desigualdades cada vez mais
crescentes entre povos.

Os enormes vazios abertos entre diferentes classes sociais, a segregação urbana,


as sub-habitações, a falta de saneamento, só para citar alguns problemas urbanos,
são passivos que demandarão enormes somas de recursos públicos para sua
solução.

Os longos e frequentes períodos anuais de seca por que vem passando o Vale do
Paraíba, decorrentes do desflorestamento e das mudanças climáticas e os enormes
prejuízos causados aos recursos hídricos em geral (nascentes, córregos,
drenagens, lençol freático) e ao Rio Paraíba em particular (poluição industrial e
doméstica, o controle da vazão com suas consequências e as transformações
decorrentes da mineração de areia), podemos afirmar que são, do ponto de vista
tanto econômico como ambiental, incalculáveis e provavelmente irrecuperáveis.

Sabemos que 2/3 das águas do Rio Paraíba já estão comprometidas com o
abastecimento da metrópole do Rio de Janeiro. Acrescentando-se o abastecimento
das indústrias da região, das cidades, da irrigação e considerando a reserva
necessária ao resguardo mínimo da vida do rio, ao que se chama de vazão crítica,
pouco resta para ampliações futuras. Considerando que os mananciais continuam
sendo degradados, as perspectivas se retraem ainda mais.

A água é considerada como recurso natural renovável, mas acontece que a ação
humana predatória afetou de forma dramática o ciclo natural de renovação dos
recursos hídricos. A redução de água retida no ambiente vale Paraibano em
decorrência do desflorestamento, do controle de vazão e do rebaixamento do lençol
freático; a enorme quantidade de poluentes que afetam o meio hídrico em diversos
planos; e o comprometimento com o setor produtivo exportador, poderão nos
conduzir ao estresse de abastecimento.

Por origem da legislação nacional sobre recursos hídricos, foi criado o Comitê de
Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul (entidade tripartite entre poder público,
iniciativa privada e sociedade civil), constituído para definir, participativamente, a
cobrança pelo uso e poluição das águas e orientar a aplicação de parte dos

Taubaté,2016
recursos, a serem aplicados para a recuperação da qualidade da água, do controle,
do uso e da divulgação de estratégias de comunicação e educação sobre a
utilização dos recursos hídricos.

Tal Comitê é uma iniciativa importante que nasceu a partir da pressão da sociedade
civil e da real premência que representa a questão hídrica, e deve ser apoiada e
preservada.

Iniciativas semelhantes deveriam ser ampliadas no formato de um grande debate


sobre recursos naturais, com o objetivo de garantir a participação de toda a
sociedade civil, pois os recursos naturais são de interesse público.

Se algumas formas de poluição têm efeito regional, como a poluição do Rio


Paraíba, a poluição do ar que se espalha no Vale, e o desmatamento, dentre outros,
a ação saneadora precisa ser regionalizada e, por isso, merece a atenção das
autoridades estaduais e federais. Até porque a ação desenvolvimentista, com base
na economia capitalista, foi engendrada principalmente pelo Governo Federal em
diferentes épocas, quando se criou um eixo de desenvolvimento entre Rio de
Janeiro e São Paulo, com os efeitos colaterais aos quais já aludimos anteriormente.
Tal ação, marcada pela fragilidade institucional brasileira e pela dependência
sistemática da economia externa, criou as bases de uma urbanização fragmentada
e inconclusa (DEÁK, 1991) e uma hierarquização intra-regional perversa para a
sociedade e a natureza.

Sendo assim, é dever do Estado, ainda que tardiamente, promover um plano de


ação envolvendo Federação, Estado, municípios e sociedade civil, no intuito de
promover diretrizes, programas e projetos integradores, que garantam restaurar
condições naturais e sociais e promover um desenvolvimento endógeno e
verdadeiramente sustentável.

“No entanto, prevalece no Brasil a idéia de que o campo, o rural ou o ‘natural’ seriam
apenas espaços residuais do arcaico, do não-desenvolvido. A construção
ideológica e hegemônica da nação brasileira, portanto, ainda é marcada pela
separação entre o ‘ambiente construído’ e o ‘ambiente natural’”.
(MACHADO, 2000, p. 90).

9 MINERAÇÃO NA BACIA DO PARAÍBA DO SUL

A mineralogia da Bacia do Paraíba do Sul é bastante variável em função dos


sedimentos depositados pelos rios nas diferentes eras geológicas. Nas várzeas, os
sedimentos Quaternários estão presentes em maior quantidade, separados dos
sedimentos Terciários por uma camada de seixos, superfície de erosão e depósitos
aluvionares. Inúmeros meandros depositaram lentamente os sedimentos

Taubaté,2016
inconsolidados devido ao reduzido gradiente do rio. Normalmente, os sedimentos
das várzeas apresentam cor cinza e granulometria variando de argila fina ao
cascalho. Inclui areias, argilas e cascalhos no topo e folhelhos papiráceos e piro
betuminosos com areias intercaladas, na parte basal. Estes folhelhos estão mais
presentes na área de Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba. O solo da Bacia
de Taubaté foi intensamente estudado pelo Instituto Agronômico de Campinas
(IAC), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, desde
o ano de 1936 (HACKETT, 1962). Dentre explorações minerais, destacam-se:
pedras, linhito, bentonita, xisto, turfa, areia e águas subterrâneas. A exploração dos
recursos subterrâneos tem importância no desenvolvimento econômico das
cidades do Vale do Paraíba, incluindo depósitos sedimentares contendo argilas
bentonita e areias utilizadas na construção civil (DIAS et al., 2004).

Até o ano de 2003, o Vale do Paraíba (Tremembé, Taubaté e Pindamonhangaba)


respondeu por 23,4% da reserva de bentonita brasileira, extraindo 20,8 mil
toneladas de argila moída seca (OLIVEIRA, 2004). A bentonita abrange argilas do
tipo montmorilonita, com propriedade de expansão muito superior às caulinitas,
com elevada capacidade de troca catiônica, resistência às altas temperaturas e aos
solventes, com amplo uso industrial pela versatilidade do material.
Os municípios de Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Tremembé
e Pindamonhangaba, conforme resolução SMA 28/99, receberam novas empresas
de extração, teoricamente, nos limites da zona de mineração e respeitando as
zonas de protecção, vegetação remanescente, conservando a planície de
inundação, garantindo, assim, a permeabilidade do solo e a proteção das águas
subterrâneas (MECHI & SANCHEZ, 2010). Mas REIS et al. (2006), registraram
graves problemas no balanço hídrico e climatologia do Vale do Paraíba devido à
escala de extração e rápida expansão da área de lagos artificiais provenientes da
mineração de areia. Do ano de 1993 a 2003, houve uma evolução de 591 ha para
1.727 ha, significando a perda de água para a atmosfera por evaporação estimada
em 19 mi m³ ano-¹, suficiente para abastecer uma cidade com 326 mil habitantes.
Conforme Relatório de Situação dos Reservatórios (2009), a extração mineral de
areia produz no 750.000 m³ mensais (9.000.000 m³ ano-1) no Vale do Paraíba
paulista.

A Resolução SMA 42/96 regulou o licenciamento da extração de areia no Paraíba


do Sul e a recuperação da área deveria estar vinculada à estabilização do ambiente
físico, à regeneração da vegetação das margens, podendo ser realizada com
espécies exóticas ao invés de nativas. Entretanto, há grupos organizados que estão
articulando a regulamentação da disposição de resíduos de obras (entulho) nas
cavas desativadas, visando regenerar a área para uso comercial.

Para a recuperação ambiental da vegetação no entorno das cavas de areia


desativadas nas terras baixas do Paraíba do Sul, entre os municípios de Jacareí e

Taubaté,2016
Pindamonhangaba, os técnicos qualificaram a maioria das explorações. Porém,
não se avaliou questões de qualidade da água e dos sedimentos presentes nos
furos, para prevenir a eutrofização sem comprometer as possibilidades de uso
futuro.

A extração de areia do leito do Rio, de areia ou argila em áreas de várzea ou nas


margens de cursos de água ou lagos, de rochas utilizadas na construção civil em
topos de morros e encostas íngremes, atingem fontes, cursos de água e vegetação
nativa e a grande maioria obtém licenças de funcionamento sem apresentar os
Estudos de Impacto Ambiental ou Relatório de Impacto ao Meio Ambiente
(EIA/RIMA), necessários para o monitoramento e garantia de recuperação
ambiental. Como exemplo, REIS (2009) relatou escavações além da zona de
mineração no município de Tremembé e a extração por jatos de água no solo
(mineração hidráulica) na maioria das explorações, sem EIA/RIMA. Apesar de
obrigatório desde o ano de 1989, os planos de recuperação aprovados pelo
Ministério do Meio Ambiente na bacia do Paraíba do Sul isentam as empresas
mineradoras do EIA/RIMA (Resolução SMA 03/99).

9.1 ASPECTOS GERAIS LIGADOS A CAVA DE AREIA E À PLANTAÇÕES DE


ARROZ

Considerando como objetivo desse trabalho a relação econômica com o recurso


hídrico da região do Vale do Paraíba paulista composta pelas cidades de Taubaté,
Tremembé e Pindamonhangaba, tem-se como maior influência no leito do Rio
Paraíba do Sul as seguintes atividades: extração de areia e plantação de arroz.

Então com intuito de facilitar essa específica leitura foram desenvolvidos ou mesmo
selecionados as seguintes imagens de mapas cartográficos.

O crescimento observado na atividade de mineração de areia em cava foi de 192%


no período de 1993 a 2003 a qual continua aumentando, visto que não existe
substituto viável para esse minério na construção civil e o Brasil possui um consumo
per capita de cerca de 1,8 m³/habitante/ano.

A área das cavas de areia variam em dimensão e em quantidade de funcionários


porém pode se listar as seguintes ocupações: motorista de caminhão, operador de
máquina, operador de dragas, operados de carregadeira, encarregados. Precisa de
autorização de vários órgãos estaduais e governamentais para a regularização
dessa retirada .Além disso, a pessoa que está explorando a área não é,
necessariamente, a proprietária pois a área pode ser alugada. Após esgotar a
quantidade de exploração permitida deve-se ter todo um processo de
reflorestamento na área, fato que não ocorre adequadamente.

Taubaté,2016
Figura 12: Cavas de areia
Fonte: Imagem do Inpe adaptada pelos autores

Figura 13: Cavas de areia - 2016


Fonte: Google Earth modificado em 23 de agosto de 2016.

Taubaté,2016
Quantidade de areia utilizada na construção de uma casa comum:

A areia é comprada em volume, medido em Metros Cúbicos em pequenas obras,


ou em número de caminhões de entrega para obras maiores. A questão é que no
porto de areia o caminhão é cheio e, durante o transporte, devido ao movimento e
trepidação, a areia se adensa e perde água diminuindo o volume físico. Esta
situação costuma ser disfarçada pelo entregador que, para impressionar o freguês,
pouco antes da entrega revolve a areia com a pá “aumentando” o seu volume. O
transporte pode corresponder a um terço do seu valor, pois as áreas de extração
estão cada vez mais distantes. A areia usada na Região Metropolitana de São
Paulo, por exemplo, vem de jazidas a até 150 km de distância.

Abaixo se tem alguns exemplos de casas populares (em média 5 cômodos), e a


quantidade de areia usada em cada uma, conforme pede cada objetivo.

1- Em uma casa com área total de 39m² é usado em média:


 Fundação: 1,5m³
 Alvenaria: 1,0m³
 Laje: 1,0m³
 Revestimentos das Paredes(chapisco+emboço+reboco): 3,5m³
 Piso (contrapiso+cimentado): 3,0m³

2- Em uma casa pré-fabricada com área total de 42m² é usado em média:


 Areia: 3,29m³

3- Em uma casa de 36,35m² em média é usado:


 Fundação: 2,00m³
 Areia regular: 0,50m³
 Contrapiso: 2,00m³
 Revestimento das Paredes: 1,00m³
 Material Hidraulico(sumidouro): 0,20m³

Quantidade de água/m² utilizada numa plantação de arroz:

A quantidade de água exigida para o cultivo de arroz é o somatório da água


necessária para saturar o solo, formar uma lâmina, compensar a evapotranspiração
e repor as perdas por percolação vertical, as perdas laterais e dos canais de
irrigação. Esta quantidade depende, principalmente, das condições climáticas, do
manejo da cultura, das características físicas do solo, das dimensões e
revestimento dos canais, da duração do ciclo da cultivar, da localização da fonte e
da profundidade do lençol freático.

Normalmente são necessários de 1.000 a 2.000 m 3 ha-1 para essa fase. Outra fase
crítica de demanda de água nesse sistema ocorre por ocasião da reposição de

Taubaté,2016
água após a aplicação do herbicida pós-plantio do arroz. Nesta fase, a reposição
deverá ser feita em 1 ou 2 dias, sendo recomendável uma vazão mínima de 2 a 3
litros por segundo por hectare, o que sugere um escalonamento na aplicação do
herbicida, para evitar falta de água na reposição da lâmina. Para a manutenção da
lâmina, vazões em torno de 1 L s-1 ha-2 são suficientes, tendo em vista a baixa
percolação da água no solo, devido à formação da lama.

Atrelado à grande quantidade de água, a qualidade da água utilizada na irrigação


é de grande importância, a qualidade está relacionada à salinidade e toxicidade da
água. O cultivo do arroz necessita aproximadamente de 2.000 litros de água a cada
2 m³ de terra para produzir 1 kg de arroz em casca. O manejo da água possui um
conjunto de procedimentos tanto no modo econômico quanto no desenvolvimento
fisiológico das plantas.

Figura 14: Plantação de arroz - 2016


Fonte: Google Earth modificado pelo autores em 23 de agosto de 2016.

Pindamonhangaba (IBGE Cidades – 2014)

Safra de Arroz

 Quantidade produzida: 4.200 Toneladas


 Valor de produção: 3.003 MIL Reais
 Área plantada: 1.000 Hectares
 Área colhida: 1.000 Hectares
 Rendimento médio: 4.200 Quilogramas por hectares

Taubaté,2016
Tremembé (IBGE Cidades – 2014)

Safra de Arroz
 Quantidade produzida: 4.100 Toneladas
 Valor de produção: 2.870 MIL Reais
 Área plantada: 1.500 Hectares
 Área colhida: 1.500 Hectares
 Rendimento médio: 2.733 Quilogramas por hectares

Taubaté (IBGE Cidades – 2014)

Safra de Arroz

 Quantidade produzida: 3.600 Toneladas


 Valor de produção: 1.26 MIL Reais
 Área plantada: 1.200 Hectares
 Área colhida: 1.200 Hectares
 Rendimento médio: 3.000 Quilogramas por hectares

Alem da produção de arroz as margens do Rio Paraiba, outra atividade econômica


expressiva nesta região vem preocupando economistas, ambientalistas e
urbanista: a extração mineral de areia.

Visto que a questão imobiliária no país que vem sendo cada vez mais crescente, o
trecho em questão, possuindo um solo rico em areia, vem sendo explorado
desenfreadamente há muitos anos em função da construção civil, sendo que é de
extrema importância ressaltar que o impacto desse segmento no ambiente fisico é
evidente. Leva-se anos para que a área se recupere, mesmo assim as cavas
acabam tomadas por água sem vida, inutilizada e poluída.

Nunca se construiu tanto imóveis como atualmente, entretanto, para que o sonho
de cada brasileiro seja realizado com alicerce, parede e laje muita areia precisa sair
das cavas, grandes buracos no solo que inutilizam o terreno para sempre e se
parecem com crateras imensas, sem vida.

Na região Metropolitana do Vale do Paraíba a extração de areia através das cavas


é comum. Há cidades que proibiram as escavações, como São José dos Campos,
onde a atividade se tornou ilegal há 17 anos. Por isso, a construção civil compra de
cidades vizinhas como Jacareí e Caçapava, onde a extração é extremamente
agressiva ao meio ambiente.

Com a ideia de retomar o projeto a extração de areia, um grupo de vereadores


resolveu sobrevoar de helicóptero e verificar do alto o estrago causado pelas cavas,
pressionados pelas construtoras que acreditam em uma queda do preço do insumo
se a areia for retirada em São José dos Campos.
Taubaté,2016
Em São José dos Campos, verificou-se que existem inúmeras cavas desativadas.
Só na região são 311 cavas de areia. O solo se parece mais com uma colcha de
retalhos de variadas cores nos tons de marrom claro, verde e azul. A aérea das
cavas é muito impactante, sendo que maioria destas já estão saturadas e prestes
a ser abandonada.

10 POTENCIALIDADES DA REGIÃO

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte é composta por 39


municípios e se destaca por desenvolver atividades econômicas diversificadas,
possui um parque industrial extremamente desenvolvido, destacando-se para a
produção industrial automobilística, aeroespacial/aeronáutico, bélico, metal-
mecânico e siderúrgico, nos municípios do eixo da Rodovia Presidente Dutra. Na
região, existem ainda as atividades portuárias e petroleiras no Litoral Norte, e
turísticas na Serra da Mantiqueira, Litoral Norte e Vale Histórico. Há ainda a forte
presença de importantes instituições de ensino na região, como ITA, Unesp, Unitau
- entre tantas outras -, que contribuem para impulsionar o desenvolvimento dos
cidadãos e dos municípios.
Por possuir situação geográfica privilegiada, localizada entre dois grandes centros
econômicos, e estar em constante desenvolvimento, a região do Vale do Paraíba,
marcada desde sua história por posição de destaque no Estado de São Paulo,
adquire forte potencial de crescimento, que se eleva a cada ano, pela instalação de
empresas de todos os portes e pela presença de importantes multinacionais. Toda
essa conjuntura do Vale do Paraíba, além de contribuir para a prosperidade da
economia em âmbito nacional, traz novas oportunidades no mercado de trabalho.
Desse modo, sua representatividade se consolida e aponta para um futuro
promissor, favorecendo as cidades que compõem a região e impactando
positivamente nas cidades vizinhas, elevando a qualidade de vida da população.

O setor da Indústria foi o responsável pelos melhores salários nesse período, sendo
que, para rendimentos de 2 salários mínimos ou mais, o valor percentual pago
nesse setor se encontrava em 72,09% do total. Já o que apresentou menor
remuneração foi o Comércio, com 58,54% dos totais pagos por esse setor se
encontrando nos valores até 2 salários mínimos, seguido do setor de Serviços, com
51,18% nessa mesma faixa salarial.

É indiscutível que o Vale do Paraíba, possui potencial e infraestrutura para ampliar


e fortalecer seu pólo industrial e de serviços no Estado de São Paulo. Porém, é
indispensável que haja um planejamento dos gestores municipais e estadual para
que não se percam as oportunidades que estão surgindo. Os estudos sugerem
estratégias de desenvolvimento em cinco eixos: micrologística de transporte,
desenvolvimento industrial, matriz energética, telecomunicações e tecnologia da
informação e capacitação do capital humano.

Taubaté,2016
As perspectivas para a região do Vale do Paraíba, em que se inclui a cidade em
estudo – Taubaté, mostram-se favoráveis. O fortalecimento da economia ao longo
dos anos e a expansão de setores importantes como os de metalurgia, de indústrias
automobilísticas, de empresas aeroespaciais e de construção civil fazem da região
forte candidata ao aumento de sua representatividade na economia do país. O
resultado dessa ampliação da abrangência econômica é o fortalecimento do
mercado de trabalho local, decorrendo maior renda e qualidade de vida aos
habitantes dessas cidades. Localidades vizinhas também podem se beneficiar ou
pela melhora no quadro de empregos, ou ao despertar o interesse de empresas de
ramos de atividades diferentes de se instalarem em seus territórios. Atentos a isso,
tem-se a expectativa de que as autoridades locais promovam políticas públicas que
favoreçam aos incentivos de qualificação, capacitação e treinamento da população
local no sentido de conjugar com o fortalecimento econômico da região em atrair
novos investimentos, abrindo novas oportunidades de emprego e de carreira aos
habitantes da região do Vale do Paraíba.

10.1 TURISMO

O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e


temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente, por
motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem de seu local de residência
habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem
remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e
cultural. (La Torre, apud Barretto, 1999). Com a globalização o conceito de turismo
evolui, devido à percepção da importância econômica do turismo de negócios e
também pelos turistas utilizarem os mesmos serviços e infra-estrutura de todo o
trade - Compreende as áreas envolvidas para a realização do turismo: meios de
hospedagem, transportadores, organizadores de eventos, agências de viagens e
agências de viagens e turismo - De acordo com a OMT (Organização Mundial de
Turismo, 1994) “o turismo compreende atividades realizadas durante suas viagens
e estadias em lugares diferentes de seu entorno habitual, por um período
consecutivo inferior a um ano, por lazer, negócios ou outros”. Andrade (1998)
completa a definição como “o conjunto de serviços que tem por objetivo o
planejamento, a promoção e a execução de viagens, e os serviços de recepção,
hospedagem e atendimento aos indivíduos e grupos, fora de suas residências
habituais”. O objetivo da realização do turismo pode ser definido como uma
tipologia, como turismo de lazer, desportivo, gastronômico, religioso, aventura,
cultural, negócios, cura ou saúde e tantos outros conforme novas necessidades do
homem são descobertas.

O turismo pode ser considerado, além de social, um fenômeno econômico, pois é


gerador de riqueza. Os agentes que compõem a economia do turismo são: turistas,
empresas turísticas, governo e comunidade anfitriã. A compatibilidade de objetivos

Taubaté,2016
e de esforços combinados dos 4 grupos de agentes é o principal requisito para o
desenvolvimento de produtos turísticos - Conjunto de bens e serviços relacionados
a toda e qualquer atividade de turismo. (LAGE, 2001).

Considerando o fluxo que o setor do turismo cria na economia local, desde que o
mesmo valorize as especificidades e cultura da sua população, ele deve ser
estimulado uma vez que proporciona grande impacto de desenvolvimento
econômico para o Circuito e toda a Região do Vale do Paraíba.

Na realidade brasileira e da maioria dos países da América Latina, o


turismo integrado deve ser descentralizado e (des) segmentado, de maneira a
atingir maior número de usuários, sobretudo os segmentos sociais excluídos. Para
o desenvolvimento do turismo com benefício social, sugerimos a estruturação do
setor no modelo sistêmico (Bertalanffy, 1972; Beni, 1998), proporcionando a
integração dos diversos segmentos sociais e setores econômicos envolvidos, em
todos os níveis e sob todos os seus aspectos (Seabra, 2007a). Neste modelo de
turismo alternativo priorizamos o óciocriativo (Masi, 2000), permitindo ao viajante
ascender a níveis superiores de bem estar espiritual, através do contato com
a natureza e a cultura local.

No tocante ao turismo rural de base local, aqui diferenciamos o turismo rural de b


asecomunitária e o turismo no espaço rural propriamente dito. No turismo rural
comunitário os turistas são recepcionados pelas famílias campesinas e usufruem
da vida cotidiana, conhecendo a cultura local e se utilizando dos equipamentos
rurais simples, para acomodação e lazer. Já no turismo desenvolvido no espaço
rural implantado pelas empresas rurais, os turistas são recebidos e acompanhados
pelos funcionários do empreendimento hoteleiro (Seabra, 2012).

É preciso, entretanto, que um projeto de turismo de base social siga um


planejamento consciente, no qual os municípios envolvidos integrem circuitos e não
polos de desenvolvimento, e que tenha como principais parceiros e incentivadores
a comunidade local, o estado, prefeituras municipais e o Governo Federal.

O turismo é parte da cultura e está um produto turístico, cuja sustentabilidade de


ambos é proporcional ao nível de participação dos membros comunitários. A
inclusão social e econômica da população residente nos projetos turísticos
deve ser meta prioritária das políticas públicas para o planejamento do turismo
regional e local, a fim de preservar os bens culturais materiais e imateriais para as
gerações futuras.

Pindamonhangaba

Cercada de muitas belezas naturais, Pindamonhangaba oferece até um passeio de


trem pela Serra da Mantiqueira, que vai até Campos do Jordão. As igrejas e outras
construções seculares também chamam a atenção dos visitantes.

Taubaté,2016
Ademais, bosques, reservas ecológicas e caminhadas pela serra completam a
programação.

Para a diretora de Turismo da Prefeitura, Rebeca Guaragna Guedes, o turismo rural


é uma das potencialidades de Pindamonhangaba. “O turismo rural possibilita a
preservação das tradições, atrai turistas e ainda dá condições para que o homem
permaneça no campo. Sem dúvida, esta é uma área em que devemos voltar nossas
atenções”

Taubaté

Conhecida nacionalmente como Capital da Literatura Infantil, Taubaté tem diversos


pontos turísticos e culturais, no entanto a maioria encontram-se degradados e em
situação precária de preservação.

Além de museus, capelas e igrejas, Taubaté também possui extensa área verde,
bem como três parques municipais, mas sem um cronograma de atividade para
estas áreas elas tornam-se improdutivas e perdem seu potencial turístico.

O parque do Itaim é na maioria das vezes tranquilos, perfeito para famílias fazerem
piqueniques e passarem a tarde relaxando porém o parque não foge dos padrões
Taubateanos e se encontra um pouco abandonado, o famoso trem que fazia
passeios pelo parque não funciona mais.

Figura 15: mapa do parque do Itaim


Fonte: https://turismotaubate.wordpress.com

Taubaté,2016
Tremembé
Inserido na dinâmica regional do cone leste paulista o município de Tremembé
caracteriza-se como município dormitório e de predominância de atividades
econômicas do setor se serviços. No entanto, a perspectiva de desenvolvimento
sustentável fundamentada no turismo, encontra alguns obstáculos a serem
superados, especialmente diante da possibilidade da configuração de um novo
cenário socioespacial que permita formas de inclusão mais eficazes e criação de
alternativas de geração de emprego e renda que permitam superar o atual estágio
de desenvolvimento em que se encontra o município.

Com tudo temos em Tremembé algumas inciativas que demostram o potencial


das cavas de areias abandonadas e sua reutilização.

Um dos empreendimentos mais antigos que aproveitam a água de cavas de areia


em Tremembé é o Criadouro Gimbo, iniciado em 1999 no bairro do Padre Eterno,
a 3,5 quilômetros do centro da cidade. O produtor Francisco Matsuhiko, que durante
muito anos arrendou sua propriedade, de 960 mil metros quadrados, para areeiros,
hoje usa a água dos dois lagos deixados por eles – com área total de 400 mil metros
quadrados, a 100 metros do rio – para criar jacarés-de-papo-amarelo em tanques
de concreto.

Outra iniciativa é o Pesqueiro Tata Vargas, que ocupa duas cavas resultantes da
mineração (cada uma com cerca de 1,8 mil metros quadrados) e está em vias de
obter licenciamento. Renato Vargas, que extraiu areia por quatro anos da
propriedade, de 145,2 mil metros quadrados, às margens da Rodovia Pedro Celete,
no Bairro do Aterrado.

11 PROPOSTA PARA A REGIÃO

O projeto proposto para a região que serão detalhadas e explicados a seguir, inclui
os seguintes itens:

Regularização do traçado viário na área rural

Implantação de rota turística na área rural

Estruturação do rio Paraíba do Sul para receber embarcações de turismo

Projeto para cavas de areias inativas

Implementação e ligação de caminhos na área das cavas

Criação de núcleos na área urbana

Taubaté,2016
Figura: 16: Projeto para a Região de Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba. Fonte:
Elaborado pelos autores no Qgiz com ajuda do google, novembro 2016.

11.1 REGULARIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE ESTRADA

De forma geral, estradas aqui são entendidas como elementos geográficos (de
forma linear) presentes nas paisagens rurais. As estradas permitem o acesso de
pessoas e mercadorias aos pontos mais remotos de uma nação. De utilidade
indiscutível para indivíduos, sociedades e economias de qualquer período da
história, o deslocamento por via terrestre transformou-se no principal meio de
transporte de curtas, médias e longas distâncias do mundo contemporâneo
(CUNHA, 2011).
As estradas não pavimentadas também são chamadas de estradas de terra,
ouestradas de chão(ODAet al. 2007),são muitas vezes a única forma de acesso
que a população tem aos serviços básicos disponibilizados nas áreas urbanas,
como saúde, educação, lazer, trabalho.Asifet al. (2012) destacam que o sistema de
transporte que fornece acesso seguro confiável para empregos, educação,
cuidados de saúde e de bens e serviços é tão importante para as comunidades
rurais, quanto é para áreas urbanas.

Uma estrada, já ensinavam os engenheiros de Roma antiga, serve basicamente


para duas coisas. É uma estrutura militar, no sentido de permitir a rápida
movimentação de tropas, e também liga áreas de comércio e garante a integração
do território.

Taubaté,2016
As estradas vicinais possuem extrema importância econômica, além de social e
ambiental. Do ponto de vista econômico, são responsáveis pelo escoamento da
produção agrícola e o conseqüente abastecimento das zonas urbanas. Também,
são através delas que os insumos agrícolas necessários a produção chegam às
propriedades rurais. O estado de conservação das estradas influi diretamente no
custo do transporte e na qualidade do produto transportado. Trechos de estradas
ruins acabam por causar danos aos veículos, e às vezes até impossibilitam o
tráfego, ocasionando a utilização de rotas mais longas e maiores consumos de
combustível. O maior tempo gasto no transporte diminui o tempo de prateleira, e a
vibração ocasionada pelas irregularidades das pistas geram perdas na qualidade
dos produtos, impactando no seu preço final.
O acesso da população rural a serviços básicos como educação, saúde e lazer
muitas vezes se dá através das estradas vicinais. Jovens das zonas rurais
enfrentam quilômetros de estradas para ter acesso a uma educação de qualidade,
fato agravado pelas péssimas condições das estradas. A necessidade de bens de
consumo e produtos manufaturados também contribui para que essa população se
desloque para centros urbanos. O deslocamento dessas populações até os locais
onde se encontram estes serviços é dificultado pelas condições das vias. A
conservação do bom estado das estradas contribui para a fixação das famílias no
campo e a melhoria das condições de vida.

No aspecto ambiental, a manutenção das estradas de terra está ligada diretamente


ao controle de erosão e perda de solo, a conservação e recuperação das áreas
marginais as estradas, a diminuição do assoreamento de córregos e rios. Fatores
estes que afetam a composição da paisagem local e a preservação do meio
ambiente.

Sendo assim as estradas rurais não pavimentadas apresentam grande importância


como elementos presentes na paisagem uma vez que são imprescindíveis para o
deslocamento das pessoas e veículos, e necessitam de investigação atenciosa em
relação a sua implantação e manutenção que vise não só a melhoria local (on-site),
mas, sobretudo para além do local (off-site), levando em consideração a topografia,
clima, aptidão do terreno, a geologia, o sistema de drenagem e demais informações
que se fizerem necessárias.

Foi feito seleção dos trechos e levantamento da malha rodoviária rural existente,
para a criação de uma estrada que ligue os três municípios, unindo os trechos já
existente de modo a facilitar o transporte.

A proposta é a de manter o caráter rural da região e por isso foi escolhida para a
pavimentação das estradas o bloquete. Os pisos com bloquete ou brinquete, sem
o rejuntamento de argamassa são considerados pavimentos ecologicamente
corretos, pois permitem que a água da chuva infiltre no solo o que beneficia a
recarga do lençol freático e diminui os riscos de enchentes. Estes tipo de
pavimentação absorve menos calor devido a característica da rocha e a espessura
Taubaté,2016
do calçamento em contato com o solo, faz dispersar o calor absorbido, deixando a
temperatura agradável e mais amena. Outra vantagem é que om o tempo aparecem
os fungos ou gramíneas inseridas entre as juntas, que geralmente são preenchidas
com areia e são muitas vezes imperceptíveis e desempenham papel importante
para o meio ambiente como absorção da àgua, nutrientes, borracha dos desgastes
dos pneus e resíduos de lona de freios dos veículos, que são altamente tóxicos.

Figura 17: Estrada com bloquete.

Ciclovia

Ao longo da estrada que margeia o río Paraíba do Sul será implantada uma ciclovia
para incentivar a pratica do cicloturismo. A ciclovia terá 2,50m de largura e seguirá
a regularização já descrita para as estradas rurais. Esta área servirá não só para a
pratica do cicloturismo mas também para realização de caminhadas.

Figura 18: Ciclovia em estrada rural. Fonte: http://www.sjp.pr.gov.br/obras-de-


ampliacao-da-estrada-do-mergulhao-chegam-a-75/
Taubaté,2016
Não existem dados concretos sobre o surgimento do cicloturismo enquanto
atividade sistematizada, mas desde a invenção da bicicleta o ser humano se
relaciona com seu invento das mais diversas formas, inclusive como meio de
transporte que, no caso das viagens, o leva para novas descobertas. Dentro do
complexo contexto cultural o andar de bicicleta, uma antiga manifestação, tem seus
sentidos e significados transformados pelos sujeitos que os vivenciam. A bicicleta
é utilizada como meio de transporte, instrumento de trabalho, em competições
esportivas e em vivências de lazer. Seja em passeios, apresentações, brincadeiras
ou viagens de cicloturismo, o homem se relaciona ludicamente com este objeto,
num jogo de sensações fruídas através dessas práticas.

O cicloturismo é um fenômeno relativamente novo no Brasil, sendo assim poucas


informações e bibliografias são encontradas sobre o assunto. Contudo, é
perceptível a expansão dessa atividade, que pode ser observada através do
crescimento no número de participantes, de reportagens em jornais, revistas e
televisão, de relatos de viagens em livros, páginas na internet e do surgimento de
trabalhos e pesquisas acadêmicas sobre o tema. Na atualidade várias definições
são utilizadas para caracterizar o cicloturismo. Segundo Roldan (2000): (...)
entendemos o cicloturismo como todo tipo de viagem com um dia ou mais, de
duração, que tenha como objetivo conhecer lugares e praticar turismo, utilizando a
bicicleta como meio de locomoção, diferenciando-se de outras atividades não
competitivas por suas maiores dimensões espaciais, cronológicas e seu
planejamento prévio (p.14).

Figura 19: Circuito de Cicloturismo em Medianeira.


Fonte:http://www.clickmedianeira.com.br/medianeira-entra-oficialmente-
no-calendario-de-cicloturismo/

Taubaté,2016
Na Europa o cicloturismo é uma realidade em diversos países, em virtude de
algumas características locais que contribuem para um maior desenvolvimento
dessa atividade. Uma delas é a cultura do ciclismo, que é visualizado como um dos
principais esportes de países como França, Inglaterra e Holanda. Outro fator que
contribui são políticas públicas de utilização da bicicleta como meio de transporte.
Cidades como Amsterdã possuem um sistema gratuito de disponibilização de
bicicletas em diversos pontos da cidade possibilitando o deslocamento de seus
cidadãos de casa para o trabalho, escola etc. Tal medida, além de uma solução
para o trânsito caótico de muitas cidades européias, se transforma em uma
alternativa saudável, barata e não poluente de transporte público. Soma-se a isso
também as ótimas condições das estradas e rígidas leis de trânsito que incluem o
respeito aos ciclistas, além do fator segurança, primordial na escolha da bicicleta
como meio de transporte para uma viagem.

Autores como Roldan (2000) e Rodrigues (2004) apresentam um panorama que


auxilia na compreensão sobre a realidade mundial do cicloturismo. A França possui
uma federação exclusiva para os participantes dessa atividade: a Federação
Francesa de Cicloturismo (FFCT), uma federação não competitiva reconhecida
pela maior entidade do ciclismo mundial, a União Ciclística Internacional (UCI).
Além disso, países como o Canadá possuem organizações de cicloturistas que
disponibilizam suas casas como possibilidade de hospedagem para os adeptos
dessa atividade (ROLDAN, 2000). Junto ao grande desenvolvimento do
cicloturismo na Europa cresce também a oferta de bens e serviços pelo mercado,
com o grande número de agências de turismo em vários países especializadas em
roteiros feitos de bicicleta, com mapas, hospedagem, carros de apoio, aparatos de
segurança e destinos específicos para os amantes do cicloturismo (RODRIGUES,
2004).

Apesar do contexto bem diferente do europeu, o cicloturismo cresce em nosso país.


E acredita-se que tal crescimento poderia ser ainda maior, não fossem uma série
de fatores, muitos antagônicos a realidade européia, que desencorajam a prática
dessa atividade no Brasil. As estradas em condições precárias de conservação e
segurança são alguns dos fatores desmotivantes para a prática do cicloturismo.
Além disso, o código de trânsito brasileiro coloca os veículos automotores como
“donos” das vias públicas, negando a realidade diária de milhões de brasileiros que
utilizam a bicicleta como meio de transporte, de trabalho e de lazer. A partir do
momento em que a bicicleta não tem um espaço ideal ou satisfatório de direitos e
deveres assegurados pela lei, temos também mais um fator que desmotiva a sua
utilização em estradas nas viagens de cicloturismo. Quanto a condição das
estradas brasileiras e suas condições de segurança, algumas medidas podem ser
tomadas por parte dos cicloturistas para minimizar tais problemas, como a escolha
de uma bicicleta mais adequada a terrenos acidentados, além da opção por pedalar
em estradas secundárias e no período diurno.

Taubaté,2016
11.1.1 ROTA TURÍSTICA

Seguindo o modelo da linha de turismo de Curitiba, será implantada na estrada que


margeia o rio Paraíba do Sul a Linha Turismo que será uma linha de ônibus
especial, que circulara pela estrada parando nos principais pontos turísticos da
Região. Com ela, será possível conhecer o parque, os balneários, os pesqueiros,
as praças, capelas e demais atrações da região.

Figura 18: Linha Turismo. Fonte: http://besttemas.com.br/turismo-em-curitiba/

11.2 PROJETO PARA O RIO PARAÍBA DO SUL

Os rios são fontes de um dos recursos naturais indispensáveis aos seres vivos:
a água. Além disso, têm grande importância cultural, social, econômica, histórica…
A vazão do rio, em termos de representatividade na renovação dos recursos
hídricos, “é o componente mais importante do ciclo hidrológico. Exerce um efeito
pronunciado sobre a ecologia da superfície da terra e sobre o desenvolvimento
econômico humano. É a vazão do rio que é mais amplamente distribuída sobre a
superfície da terra e fornece o maior volume de água para consumo no
mundo.” (SHIKLOMANOV, 1998, p. 6. Trazem referências culturais muito
importantes sobre a sociedade humana, expressando modos de vida e implicações
no cuidado e/ou falta de cuidado com o meio ambiente do qual fazem parte, os
recursos tecnológicos e tipos de usos de suas águas, significados, dentre outras.
Eles fazem parte da biografia de muitas pessoas, compondo memórias e
perspectivas do presente e futuro, que se alinhavam na tessitura de sua cultura e
identidade. Compõem paisagens rurais e urbanas, com seus leitos de larguras,
extensões, volumes, movimentos e águas de cores diversas, refletindo e refratando
a luz, que varia ao longo dos dias e das noites, e conforme as condições climáticas
e outros fatores como tipos de solo, vegetação, dentre outras, as quais influenciam
também o movimento de suas águas, sendo umas mais ligeiras e turbulentas,
enquanto que outras mais lentas, calmas.

Taubaté,2016
As configurações e movimentos dos rios, fauna e flora que compõem o
ecossistema, auxiliam a suavizar a composição geométrica e predominantemente
estática das construções humanas, principalmente de contextos urbanos.
Os rios foram e têm sido bastante utilizados para a o transporte hidroviário, tanto
de mercadoria quanto de pessoas.
Em termos de custo e de capacidade de carga, o transporte hidroviário é cerca de
oito vezes mais barato que o rodoviário e três vezes menor que o ferroviário.
(GODOY; VIEIRA, 1999).

Figura 19: turismo fluvial. Fonte: http://blog-francia.com/ofertas-en-francia/cruceros-


fluviales-y-por-canales-en-francia

O rio Paraíba do Sul tem um papel relevante, não só pelo fato de sua bacia ocupar
metade da extensão do Estado do Rio de Janeiro e localizar-se a jusante de Minas
Gerais e São Paulo, o que o torna herdeiro de suas cargas, mas,
fundamentalmente, por ser utilizado para o abastecimento de água e de energia
para cerca de 80% da população fluminense, ou seja, aproximadamente 10 milhões
de habitantes. Suas águas também são utilizadas para abastecimento industrial,
preservação da flora e fauna e disposição final de esgotos.
Entre os problemas ambientais que afetam a qualidade de suas águas, destacam-
se, predominantemente, os problemas relativos à poluição industrial, ao
esgotamento sanitário e à erosão. Em função de tudo isto, garantir a qualidade das
águas do rio Paraíba do Sul é prioridade dos órgãos de controle ambiental, cuja
atuação na bacia se faz por meio de programas de monitoramento, licenciamento
de atividades poluidoras, fiscalização e outras medidas de controle corretivas e
preventivas.

Taubaté,2016
Figura 20: turismo fluvial. Fonte: http://www.turismofluvial.com/

Os atrativos naturais são indispensáveis ao desenvolvimento do produto, contudo


é necessária a existência de infraestrutura com capacidade e qualidade para
receber as embarcações dos turistas. Desse modo, é preciso que seja feito um
levantamento e adequação da estrutura e empreendimentos náuticos disponíveis
na região, de acordo com as atividades a serem desenvolvidas:
Marinas em lugares estratégicos com local para receber os turistas.
Fundeadouros ou píer onde os passageiros poderão embarcar ou desembarcar.
Clubes náuticos
Deck para contemplação da paisagem sempre vinculados a outra estrutura
(restaurante, centro de apoio, balneário, pesqueiro)

11.2.1 ATIVIDADES NO RÍO PARAÍBA DO SUL

Barco restaurante: a melhor maneira para que as pessoas conheçam as bacias


hidrográficas é vivenciando-as. O Barco restaurante funcionara não só com
objetivo turístico onde as pessoas poderão passear pelo rio durante um almoço e
contemplar a paisagem mas também como transporte já que passara pelas 3
cidades com pontos específicos de paradas.

Figura 21: turismo fluvial. Fonte: http://www.riveryacht.com/photo-gallery.php?gallery

Taubaté,2016
Competição de Remo: - um esporte olímpico – no Rio Paraíba do Sul. A disputa
tem como objetivo difundir esse tipo de atividade olímpica e a viabilidade da
implantação do esporte no município, assim como despertar na população a
importância da preservação do rio Paraíba.

Figura 22: Competição de Remo.

11.3 CAVAS DE AREIA INATIVAS

A dependência do homem com relação às substâncias minerais adquire uma


relevante importância, na medida em que estes fornecem os principais elementos
para a sustentação básica e comodidades da vida humana, a tal ponto que o
consumo de minério por habitante é considerado como um dos índices de avaliação
do nível de desenvolvimento dos países. (SINTONI et al, 2003).

A mineração acarreta em alterações no meio ambiente (interação dos meios físico,


biótico e antrópico) constituindo impactos positivos e negativos. Dentre os impactos
positivos pode-se citar os benefícios socioeconômicos, como geração de renda e
outros. Já como impacto negativo, dentre vários, pode-se citar a grande alteração
na paisagem (meio físico) que também acarreta em outro impacto ambiental relativo
ao meio antrópico, o que se refere à “percepção ambiental”.

A região do Vale do Paraíba é muito propícia à exploração de areia, o que fez com
que o número de cavas se tornasse muito grande na região, atingindo diversos
núcleos urbanos e muitas vezes causando problemas à sociedade. Por isso se
fazem necessárias medidas que usem o espaço para alguma utilização em função
da sociedade, transformando o ônus para o meio ambiente em bônus para a
população. Estes locais podem ganhar funcionalidade social, econômica, cultural,
dentre outras, de acordo com a visão da sociedade por estas atingida. Portanto o
Planejamento Urbano destas áreas é determinante na produção de seus sentidos
positivos.

Taubaté,2016
Alternativas de exploração

Um dos empreendimentos mais antigos que aproveitam a água de cavas de areia


em Tremembé é o Criadouro Gimbo, iniciado em 1999 no bairro do Padre Eterno,
a 3,5 quilômetros do centro da cidade. O produtor Francisco Matsuhiko, que durante
muitos anos arrendou sua propriedade, de 960 mil metros quadrados, para
areeiros, hoje usa a água dos dois lagos deixados por eles – com área total de 400
mil metros quadrados, a 100 metros do rio – para criar jacarés-de-papo-amarelo
em tanques de concreto.

Circulam diariamente, pelos 20 tanques de reprodução e pelos dez usados para o


crescimento dos animais, 80 mil litros de água. O plantel contabiliza atualmente 530
matrizes, de três a quatro anos, que em fase de reprodução valem R$ 1.000 cada
uma. Matsuhiko ainda não vende para abate, mas prevê que a produção será
insuficiente para atender à demanda a partir de 2010, quando acredita que passará
a comercializar de mil a 1,5 mil cabeças por ano e faturar pelo menos R$ 1 milhão.

Do jacaré – que pode ser abatido por volta de dois anos de vida – aproveita-se
pouco no Brasil: apenas a carne, geralmente destinada a casas especializadas em
pratos exóticos da capital paulista, e a pele, enviada a fabricantes de calçados e
acessórios de couro do Rio Grande do Sul, segundo o produtor. "Nos Estados
Unidos e na Austrália nada se perde, da cabeça aos dentes", diz ele.

Também fica em Tremembé o Pesqueiro Tata Vargas, que ocupa duas cavas
resultantes da mineração (cada uma com cerca de 1,8 mil metros quadrados) e
está em vias de obter licenciamento. Renato Vargas, que extraiu areia por quatro
anos da propriedade, de 145,2 mil metros quadrados, às margens da Rodovia
Pedro Celete, no Bairro do Aterrado, inicialmente povoou os lagos com tilápias.

Outras duas cavas desativadas do Porto Tubarão foram vendidas: às margens de


uma delas está surgindo um hotel e ao lado da segunda um resort para o público
da terceira idade, aproveitando, segundo Aoki, o cenário criado com a
recomposição da natureza no lugar. "Os peixes, como lambaris e traíras, logo
aparecem nas lagoas após o fim da mineração. Depois, com o reflorestamento,
surgem marrecos, garças, capivaras e até jacarés", explica ele.

A criação de peixes também está dando vida a cavas deixadas por areeiros na
Fazenda do Poço, em São José dos Campos (SP), o maior município paulista do
vale do Paraíba, com cerca de 610 mil habitantes. A propriedade, da Universidade
do Vale do Paraíba (Univap), fica dentro de uma região conhecida como Banhado.

Os levantamentos demostram que a utilização das cavas de areias para a


Piscicultura e balneários trairá maior desenvolvimento econômico, além de não
agredirem o meio ambiente de forma agressiva como acontece com a extração de
areia. Mas não podemos ficar sem areia. A extração de areia é extrativista por
natureza, mas não podemos parar o crescimento da cidade, por tanto o projeto
proposto separa a região das cavas, mantendo algumas para a extração e as outras
foram separadas para a piscicultura, balneários e áreas de preservação e
contemplação.

Taubaté,2016
Implantação de caminhos

Para que a proposta de utilização das cavas de areias inativas possa ser
implementada foi criado um caminho que percorrer as mesmas, servindo como
ligação entre elas e também como local de caminhadas e passeios de
contemplação. Estes caminhos seguem a regularização já descrita antes para as
estradas da área rural.

Figura 23: Caminhos entre as cavas de areias. Fonte: Elaborado pelos autores no Qgiz
com ajuda do google, novembro 2016.

11.4 NÚCLEOS

Contexto geral

Como parte do levantamento feito nesse trabalho, identificou-se nessa microrregião


que contem Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba, edificações cujas funções
são coletivas sendo equipamentos e serviços públicos e privados. E com resultado
desse levantamento desenvolveu-se um mapeamento de situação dos seguintes
pontos: instituições de ensino, patrimônio histórico, instituições religiosas; os quais
foram considerados cruciais para um planejamento regional adequado a realidade
local. Assim, esses pontos foram agrupados em conjuntos os quais denominou-se
núcleos que eram seguidos por adjetivos que qualificam as atividades de destaque

Taubaté,2016
exercidas naquele pequeno pedaço do território, ou seja, onde encontrou-se 3 ou
mais pontos marcados delimitou-se um núcleo e o classificou como sendo uma área
de influência desses marcos. Portanto, obteve-se diversos núcleos com
diversificada classificação cuja área receberá alguma intervenção para aumento do
conforto térmico/acústico, da informação/ segurança, da acessibilidade/mobilidade
e da identidade do espaço urbano, com consequente aumento na qualidade de vida
da população.

Os núcleos também servirão como ferramenta de participação popular, pois ,em


cada núcleo, as instituições de uso coletivo teriam o dever de fiscalizar como está
o uso, ocupação e manutenção do espaço urbano. Porquanto, em período
trimestral, as lideranças dessas instituições juntamente às associações de
moradores fomentariam o debate para com a população residente no núcleo e por
fim, ficam responsáveis por entregar o documento de análise do espaço urbano
órgão responsável dentro da gestão municipal. Assim, essa delimitação em núcleos
fomentam o aprofundamento da cidadania.

Para que essas políticas e programas consigam ser implantadas será necessário
boa vontade política por parte dos gestores municipais a fim de implantar efetiva
fiscalização de obras e de participação popular além do comprometimento com a
execução das propostas elaboradas em projeto. Porque nessas reuniões para
debater e analisar o espaço do núcleo, a população também pode utilizar esse
documento para fiscalizar ou mesmo se inteirar das politicas e obras a serem
executadas pelas prefeituras. Assim incentivando a gestão municipal a permanecer
com olhar a coletividade, ajudando mas não colocando em destaque iniciativas
privadas com intuitos particulares.

Com um planejamento direcionado ao conceito de “cidades para pessoas” tão


defendido por diversos urbanistas, como Jan Gehl, colocou-se essas diversas
propostas em contato com a população através da associação de moradores ou
através dessas reuniões nas instituições dos núcleos, como um arquiteto contacta
seu cliente, a fim de consultar a população antes da execução do projeto para que
os residentes da região possam rejeitar ou mesmo sugerir outras propostas para o
ambiente, sempre com algum arquiteto urbanista orientando as pessoas nas
questões técnicas. Assim, dentro dessa consulta popular do projeto, algumas
modificações vão ser colocadas à disposição dos moradores para a “intervenção
cidadã”, ou seja, a execução do projeto feita pelos próprios cidadãos para valorizar/
incentivar o convívio em coletivo e ainda fornecer resultados lúdicos e materiais,
por exemplo o contato com a terra para tratamento de doenças psicológicas e o
produto de hortas urbanas como alimento aos residentes da própria região.

Para que a leitura do mapa de projeto fosse a mais facilitada possível, a equipe
desenvolveu legenda para as diferentes formatações e classificação dos núcleos.
Enquanto para melhor compreensão do que seria a melhoria dos núcleos por
intervenção através dos itens citados a cima, nesse relatório foi inclusa uma lista
Taubaté,2016
de possíveis intervenções com exemplos ilustrativos, para ter ideia mais concreta
do que foi pensado em projeto. Abaixo, evidencia-se os ícones escolhidos para
caracterização dos núcleos.

11.4.1 ITENS ALVOS DO PROJETO:

a. Conforto térmico/acústico

Encontra-se nos aglomerados urbanos, sejam centrais ou não, formação de zonas


de calor as quais são fomentadas pela intensa impermeabilização do solo e
também, aprofunda-se esse fenômeno com a falta de planejamento que não sugere
o gabarito e materiais mais adequados a construção das edificações além de não
direcionar os usos do solo e o crescimento das cidades com vista ao conforto
térmico e a preservação ambiental.

Assim, considerando a realidade encontrada na microrregião cuja característica


mais acentuada é a intensa sensação de calor, propõe-se a implantação de
paisagismo nesses núcleos. Porém, cada núcleo vai pedir uma tipologia de
implantação relacionada ao tamanho da área no solo e nas paredes das edificações
que compõem esse núcleo.

Além do paisagismo convencional ou mesmo o vertical, é necessário fomentar nas


cidades o maior uso do espaço urbano através de programas municipais que
tenham como objetivo esse fim, aumentar a sensação de pertencimento da
população para com o local. Para tanto, programas que incentivam hortas urbanas
coletivas são de extrema eficácia para esse fim de sociabilização, e ainda pode ser
usado para melhorar o conforto térmico/ acústico do local e conscientização
ecológica com viés a preservação natural.

Portanto, como proposta de solução para esse item, o projeto propôs as seguintes
intervenções: implantação de hortas urbanas com programas de intervenção
cidadã; incentivo por lei fiscal e conscientização popular à adaptação das fachadas
e laterais dos prédios para uso de jardim vertical; implantação de canteiros,
mobiliário urbano com vegetação e parkelet nos espaços urbanos que contenham
área vazia propícia a isso; uso dos pilares e fachada frontal/ lateral de viadutos para
implantação de jardim vertical e uso de paisagismo para intervenções artísticas.

Taubaté,2016
Figura 23: Exemplo de aplicação de jardim vertical em muro.
Fonte: site acessado em novembro de 2016,
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.133/3941

Figura 23: Exemplo de tipologia de canteiro. Fonte: site acessado em novembro de 2016,
http://www.biovert.com.br/adote-um-jardim-uma-arvore/

Taubaté,2016
Figura 24: Exemplo de tipologia de canteiro. Fonte: site acessado em novembro de 2016,
http://worldingreen.blogspot.com.br/2013/03/good-and-creative-flower-beds.html

Figura 25: Exemplo de tipologia de horta urbana. Fonte: site acessado em novembro de
2016, https://www.tuacasa.com.br/horta-em-casa/

Taubaté,2016
Figura 26: Exemplo de tipologia de horta urbana. Fonte: site acessado em novembro de
2016, http://polis.org.br/wp-content/uploads/Hortas-Urbanas-FINAL-bx-site.pdf

Figura 27: Exemplo de jardim vertical em viaduto/ túnel . Fonte: site acessado em novembro
de 2016, http://www.home-designing.com/2013/04/vertical-gardens

Taubaté,2016
Figura 28: Exemplo de parkelet em calçada. Fonte: site acessado em novembro de 2016,
http://superfluonecessario.com.br/parklet-e-moda-conviver/

b. Informação/segurança

No espaço urbano encontrado nas cidades de Taubaté, Tremembé e


Pindamonhangaba uma constante é a falta ou precariedade da sinalização e
informação cuja deficiência promove o conflito entre os modais de transporte ou
mesmo do uso do solo. Enquanto que essa melhoria deve ser feita de maneira mais
didática e menos conflitante, considerando a altura média das pessoas e
automóveis que passam pelo local, o custo dos materiais e equipamentos de
revitalização do ambiente considerando os orçamentos municipais.

Sendo assim, com a finalidade de atingir o maior número de pessoas, listou-se


possibilidades e posteriormente escolheu-se dos tipologias de objetos informativos
tanto em formato de leitura, quanto objeto produtor de voz para deficientes visuais.
Pensando ainda, na segurança do espaço, propôs-se que todo ambiente comercial
tenha fachada ativa ou que se adeque entre 5 a 10 anos, exceto patrimônio histórico
e instituição religiosa.

Outra proposta com ímpeto maior ao aumento da segurança, o incentivo e fomento


através de leis fiscais para implantação de fachadas ativas, com foco nas
edificações inteira ou parcialmente de uso comercial, como ferramenta para maior
iluminação e sensação de proteção transmitida pelas construções. E também,
fiscalização para evitar o uso da “arquitetura hostil” aquela com objetos os quais

Taubaté,2016
repelem a aproximação ou mesmo recuo/ proteção das pessoas as quais circulam
pelo ambiente urbano.

Portanto, as propostas para melhoria da informação/ segurança dos núcleos são


as seguintes: incentivo ao uso de fachada ativa; fiscalização para evitar a
implantação de ”arquitetura hostil”; implantação de totens informativos e culturais,
com adaptação a deficientes visuais como som e superfície tátil, ao longo dos
canteiros e em pontos de estadia temporária como pontos de ônibus e parkelets e
promoção de eventos culturais nas praças.

Figura 29: Exemplo de totem informativo em ponto de ônibus. Fonte: site acessado em
novembro de 2016, http://www.blumenau.sc.gov.br/secretarias/secretaria-de-
turismo/sectur/tres-regioes-turisticas-de-blumenau-tem-totens-informativos-
revitalizados68

Figura 30: Exemplo de totem informativo em calçada. Fonte: site acessado em novembro
de 2016, http://urban.amop.eu/idx/boxlargeprodutos,607,1,0

Taubaté,2016
Figura 31: Exemplo de fachada ativa. Fonte: site acessado em novembro de 2016,
http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/novo-pde-fachada-ativa/

a. Acessibilidade/ mobilidade

Um problema comum na realidade urbana brasileira é a falta de acessibilidade e


mobilidade que espalha-se por todo território. Conquanto, isso também ocorre nas
cidades envolvidas por esse trabalho, assim desenvolveu-se certos requisitos
básicos e alguns extras para aprimorar o acesso e a fluidez dos núcleos
desenvolvidos em projeto.

Identificou-se que tanto na região central, quanto em outras localidades, os


municípios apresentam deficiências básicas como : ausência/ inadequação de
rampas nas calçadas ou mesmo edifícios, falta de guia para deficientes visuais,
falta de sinais sonoros nos semáforos e sinalizações existentes. Distingue-se
também algumas dificuldades de acesso e mobilidade como: algumas linhas ônibus
não são suficiente para atender a demanda ou existem poucos pontos de ônibus.

Figura 32: Exemplo de sinal sonoro em semáforo. Fonte: site acessado em novembro de
2016, http://pessoascomdeficiencia.com.br/site/2014/01/31/semaforos-sonoros-para-
deficientes-visuais-sao-implantados-em-franca/
Taubaté,2016
Portanto, as propostas para solucionar parte dos problemas de acessibilidade/
mobilidade são as seguintes: revitalização das calçadas e vias a fim de uso de
pavimentação mais permeável; guia para cegos; rampas com inclinação adequada
para acesso nas calçadas; troca de parte da frota de ônibus a qual não contem
plataforma elevatória; implantação de ciclovias interligadas entre os municípios;
implantação de sinais sonoros nos semáforos e em alguns pontos informativos.

Figura 33: Exemplo de construção de calçado com acessibilidade. Fonte: site acessado em
novembro de 2016, http://www.fernandazago.com.br/2012/04/capitais-brasileiras-nao-tem-
calcadas.html

Figura 34: Exemplo de rampa de acesso e guia para deficiente visual em calçada.
Fonte: site acessado em novembro de 2016, http://hoteliernews.com.br/noticias/secretaria-
promete-mobilidade-nos-setores-hoteleiros-do-df-59869

Taubaté,2016
b. Identidade

Um outro problema a ser tratado nas cidades do Médio Vale do Paraíba Paulista é
a falta de identidade a qual muitos espaços vem crescendo e consolidando-se como
ambiente construído. Esses espaços se estabelecem sem identificação com o local
o qual estão inseridos e também sem nenhuma referencia a arquitetura ou cultura
local/ regional. Portanto, essas áreas causam sensações desagradáveis aos
transeuntes como monotonia, insegurança e exclusão.

Assim, o projeto fez questão de abranger essa particularidade, pois trata de uma
sensação que não atinge somente o residente da região de influencia do núcleo
mas também as pessoas que transitam, trabalham ou usam em pequenos períodos
de tempo a região. Pois, se cada região for sendo tratada com finalidade de
aprofundar a caracterização do território, após um certo período de aplicação do
projeto, toda a cidade estará tanto com coesão do traçado urbano quanto com uma
caracterização propícia ao desenvolvimento humano, turístico e ambiental.

Portanto, para implantação desse projeto serão utilizadas as seguintes soluções:


uso do totem não somente informativo mas cultural e histórico; valorização de
alguma linguagem evidente da cidade através da implantação na pavimentação ou
mesmo nas fachadas das edificações, valorização da vegetação regional na
implantação dos canteiros e jardins verticais com pequenos totens informativos nos
canteiros, nos eventos culturais fomentar e promover a cultura e memoria local.

Figura 35: Exemplo de totem informativo com ênfase a história local. Fonte: site acessado
em novembro de 2016, https://www.behance.net/gallery/18983053/Centro-Historico-del-
Distrito-Central

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Figura 35: Exemplo de intervenção artística vegetal. Fonte: site acessado em novembro de
2016, http://imagens-e-gifs.ucoz.com/index/jardins/0-27

Figura 36: Exemplo de canteiro feito pela população, intervenção cidadã. Fonte: site
acessado em novembro de 2016, http://flores.culturamix.com/jardim/jardim-feito-com-
produtos-reciclados

Essas intervenções propostas para o espaço urbano contido nos núcleos os quais
foram destacados em projeto, propiciam qualidade de vida a população que hoje
carece de ambientes mais adequados a sociabilização e identidade do ambiente
construído. Portanto, mesmo as pequenas intervenções causam grande impacto
na rotina urbana das pessoas que hoje ocorre mais em transito do que dentro das
residências, melhorando parte da hostilidade hoje encontrada nesse território
microrregional.
Taubaté,2016
CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Vale do Paraíba Paulista é uma das regiões mais ricas do país. Esse processo
de crescimento deu-se por diversas razões, entre os quais favorecimentos e
incentivos públicos aos municípios, em especial a instalação de centros técnicos e
institutos de pesquisa pelo governo federal. Outro fator de extrema importância foi
a criação de rodovias que possibilitaram o escoamento da produção e a facilitação
da logística da região. Isso combinado com políticas de incentivos e subsídios
públicos para a instalação de empresas de interesse aos municípios possibilitou a
criação de um “centro industrial” na região. O crescimento não significa
desenvolvimento econômico. Crescimento é o aumento do PIB em relação a
população e desenvolvimento econômico significa crescimento acompanhado de
melhoria efetiva na vida das pessoas. Aspectos como saúde pública, moradia,
segurança e melhor distribuição de renda são fatores que ainda tem muito a
melhorar na região.

De modo geral, a combinação da ocupação urbana, e as atividades econômicas


atuais de produção agrícola e extração de areia as margens do Rio Paraíba ao
longo das três cidades em questão, sem um planejamento e atuação de leis
ambientais, que são consideravelmente novas em relação as datas de início das
cidades, culminam em sérios problemas hídricos e ambientais.

Essas intervenções propostas para o espaço urbano contido nos núcleos os quais
foram destacados em projeto, propiciam qualidade de vida a população que hoje
carece de ambientes mais adequados a sociabilização e identidade do ambiente
construído. Portanto, mesmo as pequenas intervenções causam grande impacto
na rotina urbana das pessoas que hoje ocorre mais em transito do que dentro das
residências, melhorando parte da hostilidade hoje encontrada nesse território
microrregional.

O crescimento econômico de uma região pode ser fomentado com incentivos fiscais
oferecidos pelos municípios para que empresas se instalem naquela região. É a
vantagem competitiva que leva o agente econômico a tomar essa decisão. No
entanto o crescimento, se não for planejado terá como conseqüência um aumento
populacional sem que haja infra-estrutura e condições dignas de moradia. Outro
fator a ser mensurado no crescimento econômico de uma região é a questão
ambiental. O município precisa fiscalizar as atividades produtivas, em especial
aquelas ligadas a indústria, pois o crescimento é algo desejável por todo município,
mas o preço da degradação não é aceitável em qualquer hipótese.

Taubaté,2016
BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, Edmundo C. Andrade, o impacto econômico na bacia hidrográfica


do rio paraíba do sul, na região do estado de São Paulo -sustentabilidade ou
crise, 2008, São José dos Campos.INPE;

 Site IBGE Cidades, acessado em 30 de agosto de 2016;


 Site Irrigação.net, acessado em 23 de agosto de 2016;
 Site Forum da construção, acessado em 23 de agosto de 2016.

CASTRO, H. S. M., Desenvolvimento urbano sustentável: uma contradição de


termos. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. n. 2, 2000.

COMITÊ PARA INTEGRAÇÃO DA BACIA DO RIO PARAÍBA DO SUL –


CEIVAP. Caderno de dados do Vale do Paraíba. Resende, RJ: Secretaria
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CODIVAP. Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba e Litoral


Norte. Caracterização e avaliação dos conhecimentos existentes sobre a região
do Vale do Paraíba e diagnósticos resultantes. Pindamonhangaba, SP, 1971 .

BENEVOLO, Leonardo. A Cidade e o Arquiteto. São Paulo: Perspectiva, 1984.

http://www.turismo.gov.br/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/download
s_publicacoes/Turismo_Nxutico_Versxo_Final_IMPRESSxO_.pdf

SINTONI, A. et al. Importância dos Recursos Minerais. In: MINERAÇÃO &


MUNICÍPIO - BASES PARA PLANEJAMENTO E GESTÃO DE RECURSOS,
2003, São Paulo: IPT. 160p.

GEHL, Jan. CIDADES PARA PESSOAS. 2013 (edição traduzida em português)


Editora Perspectiva.

RODRIGUES, Rodrigo Arnoud. O potencial do cicloturismo como negócio no Rio


Grande do Norte. Natal: Centro de Ciências Sociais Aplicadas – UFRN, 2004.
56p. (Monografia, Graduação em Turismo).

ROLDAN, Thierry Roland Roldan. Cicloturismo: planejamento e treinamento.


Campinas: Faculdade de Educação Física – UNICAMP, 2000. 43p. (Monografia,
Bacharelado em Educação Física, modalidade Treinamento em Esportes).

Taubaté,2016
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Localização da Bacia Hidrográfica 5


Figura 2: A Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul 6
Figura 3: Crescimento Populacional e os fluxos 7
Figura 4: Principais bacias hidrográficas do Brasil. 8
Figura 5: Mapa Vale do Paraíba Paulista Viário 11
Figura 6: Início da ocupação de Tremembé 13
Figura 7: Conflitos no Rio Paraíba do Sul 14
Figura 8: A ocupação de Taubaté de 1820 à 1970 15
Figura 9: Área do conflito do Rio Paraíba do Sul 16
Figura 10: A ocupação de Pindamonhangaba 16
Figura 11: Conflito Rio X avanço da urbanização 17
Figura 12: Cavas de areia 28
Figura 13: Cavas de areia – 2016 28
Figura 14: Plantação de arroz – 2016 30
Figura 15: mapa do parque do Itaim 35
Figura: 16: Projeto para a Região de Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba 37
Figura 17: Estrada com bloquete. 39
Figura 18: Ciclovia em estrada rural. 39
Figura 19: Circuito de Cicloturismo em Medianeira. 40
Figura 20: Linha Turismo. 42
Figura 21: turismo fluvial. 43
Figura 22: turismo fluvial. 44
Figura 23: turismo fluvial. 44
Figura 24: Competição de Remo. 45
Figura 25: Caminhos entre as cavas de areias. 47
Figura 24: Exemplo de aplicação de jardim vertical em muro. 50
Figura 23: Exemplo de aplicação de jardim vertical em muro. 50
Figura 24: Exemplo de tipologia de canteiro. 51
Figura 25: Exemplo de tipologia de horta urbana. 51
Figura 26: Exemplo de tipologia de horta urbana. 52
Figura 26: Exemplo de tipologia de horta urbana. 52

Taubaté,2016
Figura 28: Exemplo de parkelet em calçada. 53
Figura 29: Exemplo de totem informativo em ponto de ônibus. 54
Figura 30: Exemplo de totem informativo em calçada. 54
Figura 31: Exemplo de fachada ativa. 55
Figura 32: Exemplo de sinal sonoro em semáforo. 55
Figura 33: Exemplo de construção de calçado com acessibilidade. 56
Figura 34: Exemplo de rampa de acesso e guia para deficiente visual em
calçada. 56
Figura 35: Exemplo de totem informativo com ênfase a história local. 57
Figura 35: Exemplo de intervenção artística vegetal. 58
Figura 36: Exemplo de canteiro feito pela população, intervenção cidadã. 58

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