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INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS URUTAÍ

MATEMÁTICA – PEDAGOGIA

PROF.ª Elisabete Alerico Gonçalves

Samuel de Lima Rocha

COMÊNIO, O PAI DA DIDÁTICA MODERNA

Foi um dos primeiros a pensar na educação das crianças e a reconhecer o valor da educação
para elas. A primeira educação da criança era introduzida pelo "colo da mãe" sendo
desenvolvido dentro dos lares, defendendo então a importância da tarefa dos pais quanto a
educação de seus filhos.

Foi em 1657 que Comênio usou a imagem de "jardim-de-infância", onde faz analogia entre a
educação de crianças e o cultivo de plantas. Ele organizou a didática em quatro períodos: a
infância, a puerícia, a adolescência e a juventude.

Ele concebeu uma teoria humanista e espiritualista da formação do homem que resultou em
propostas pedagógicas hoje consagradas ou tidas como muito avançadas. Entre essas idéias
estavam:
a) o respeito ao estágio de desenvolvimento da criança no processo de aprendizagem,
b) a construção do conhecimento através da experiência, da observação e da ação e
c) uma educação sem punição mas com diálogo, exemplo e ambiente adequado.

Comênio pregava ainda a necessidade da


a) interdisciplinaridade,
b) afetividade do educador e
c) ambiente escolar arejado, bonito, com espaço livre e ecológico.
d) coerência de propósitos educacionais entre família e escola, desenvolvimento do raciocínio
lógico e do espírito científico
1.1 FORMAÇÃO DO HOMEM RELIGIOSO, SOCIAL, POLÍTICO, RACIONAL,
AFETIVO E MORAL.

O objetivo central da educação comeniana era formar o bom cristão, o que deveria ser sábio
nos pensamentos, dotado de verdadeira fé em Deus e capaz de praticar ações virtuosas,
estendendo-se a todos: os pobres, os portadores de deficiências, os ricos, às mulheres.

Suas concepções teóricas apresentavam consistência na articulação entre suas diversas


facetas: do filosófico ao religioso, passando pela organização e divulgação do saber, pelo
processo educativo de todos, e pela reforma da sociedade; mas, nem por isso pode garantir
que fossem postas em prática de uma maneira mais ampla ou que obtivessem à sua época um
maior reconhecimento de seus pressupostos inovadores; logicamente no contexto histórico da
época e também da trajetória de vida do autor.

Não podemos desvincular o que uma pessoa faz, da sua filosofia de vida, seus ideais, sonhos,
frustrações e experiências. Sua obra deve ser analisada no contexto em que surgiu: o
Renascimento e a Reforma religiosa.

No que diz respeito à Educação, o ideal pansófico evidencia-se no desejo e possibilidades de


ensinar tudo e todos. Esta necessidade se forjava e se sustentava na crença de que Deus, em
sua infinita bondade, colocara a redenção ao alcance da maioria dos seres humanos, mas para
tanto era necessário educá-los convenientemente. Dizendo em outras palavras, para o autor,
negar oportunidades educacionais era antes ofender a Deus do que aos homens.

A Pansophia constitui uma forma de organização do saber, um projeto educativo e um ideal de


vida. Para que se obtenha esse ideal o processo a ser desenvolvido é a Pampaedia, ou
educação universal através da qual se conseguirá a reforma global das "coisas humanas" e um
mundo perfeito ou Panorthosia.

Comênio aponta como necessária a constante busca do desenvolvimento do indivíduo e do


grupo, pois um melhor conhecimento de si mesmo e uma melhor capacidade de autocrítica
levam a uma melhor vida social, assim como deve haver a solidez moral que pode ser
conseguida por meio da educação. Para ele, didática é ao mesmo tempo processo e tratado. É
tanto o ato de ensinar como a arte de ensinar.
A arte de ensinar é sublime pois destina-se a formar o homem, é uma ação do professor no
aluno, tornando-o diferente do que era antes. Ensinar pressupõe conteúdo a ser transmitido, e
eles são postos pela própria natureza: são a instrução, a moral e a religião. O conhecimento
que temos da natureza serve de modelo para a exploração e conhecimento de nós próprios.

Mas não é a natureza "natural" o exemplo a ser imitado, mas a natureza "social". Sua proposta
pedagógica dirige-se sobretudo à razão humana, convocando-a a assumir uma atitude de
pesquisa diante do universo e de visão integrada das coisas. Pretendia que o homem deve ser
educado com vistas à eternidade, pois, sendo Espírito imortal, sua educação deveria
transcender a mera realização terrena.

Salientava a importância da educação formal de crianças pequenas e preconizou a criação de


escolas maternais por toda parte, pois deste modo as crianças teriam oportunidades de adquirir
desde cedo as noções elementares das ciências que estudariam mais tarde.

Comênio defendia a ideia de que a aprendizagem se iniciava pelos sentidos pois as impressões
sensoriais obtidas através da experiência com objetos seriam internalizadas e, mais tarde,
interpretadas pela razão. Seu método didático constituiu-se basicamente de três
elementos:compreensão, retenção e práticas. Através delas se pode chegar a três qualidades
fundamentais: erudição, virtude e religião, a quais correspondem três faculdades que é preciso
adquirir: intelecto, vontade e memória.

O método deve seguir os seguintes momentos:


a) tudo o que se deve saber deve ser ensinado;
b) qualquer coisa que se ensine deverá ser ensinada em sua aplicação prática, no seu uso
definido;
c) deve ensinar-se de maneira direta e clara;
d) ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas;
e) explicar primeiro os princípios gerais;
f) ensinar as coisas em seu devido tempo;
g) não abandonar nenhum assunto até sua perfeita compreensão;
h) dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas.
A obra de Comênio constitui-se num paradigma do saber sobre a educação da infância e da
juventude, através de uma "nova tecnologia social": a escola.

A Didática Magna apresenta as características fundamentais da instituição escolar moderna.


Entre elas podemos apontar:
a) a construção da infância moderna já como forma da uma pedagogização dessa infância por
meio da escolaridade formal;
b) uma aliança entre a família e a escola por meio da qual a criança vai se soltando a
influência da órbita familiar para a órbita escolar;
c) uma forma de organização da transmissão dos saberes baseada no método de instrução
simultânea, agrupando-se os alunos;
d) a construção de um lugar de educador, de mestre, reservado para o adulto portador de um
saber legítimo.

Ele defendia um método único e seus fundamentos naturais pois "não se consegue de uma só
semente produzir a mesma árvore? De um só método farei alunos capazes!"

As razões pelas quais, para o autor, um só método se justifica:


a) o fim é o mesmo: sabedoria, moral e perfeição;
b) todos são dotados da mesma natureza humana, apesar de terem inteligências diversas;
c) a diversidade das inteligências é tão somente um excesso ou deficiência da harmonia
natural;
d) o melhor momento para remediar excessos e deficiências acontece quando as inteligências
são novas.

Portanto, as principais ideias defendidas em pleno século 17 por Comênio (1592-1670) eram:
a) Uma escola em que as crianças são respeitadas como seres humanos dotados de
inteligência, aptidões, sentimentos e limites, logo pensamos em concepções modernas de
ensino.
b) Direito de todas as pessoas - absolutamente todas - à educação

Didactica Magna, marca o início da sistematização da pedagogia e da didática no


Ocidente. (‘magna’ - não queria uma obra restrita, localizada)
1.2 RACIONALIZAÇÃO DE TODAS AS AÇÕES EDUCATIVAS

A prática escolar deveria imitar os processos da natureza.

Nas relações entre professor e aluno, seriam consideradas as possibilidades e os interesses


da criança. (professor: um profissional, não um missionário, e seria bem remunerado por
isso).

Comênio era cristão protestante e pertencia ao grupo religioso Irmãos Boêmios, ao qual se
manteve vinculado por toda a vida, tornando-se, em 1648, bispo dos morávios.

Propôs uma ruptura radical com o modelo de escola até então praticado pela Igreja
Católica, aquele voltado apenas para a elite e dedicado primordialmente aos estudos
abstratos.

Principal teórico de um modelo de escola que deveria ensinar "tudo a todos", aí incluídos os
portadores de deficiência mental e as meninas, na época alijados da educação.

Defendia o acesso irrestrito à escrita, à leitura e ao cálculo: o aparecimento da burguesia


mercantil nas cidades européias e o direito, reivindicado pelos protestantes, à livre
interpretação dos textos religiosos, proibida pela Igreja Católica.

Nova concepção de criança: a trata com muita delicadeza, num tempo em que a escola existia
sob a égide da palmatória. A educação era vista e praticada como um castigo.
Comênio reagiu a esse quadro com uma pergunta: por que não se aprende brincando?

1.3 SALVAÇÃO DA ALMA


Comênio acreditava que, por ser dotado de razão, o homem pode entender a si e a todas as
coisas. Portanto, deve se dedicar a aprender e a ensinar. Seguindo esse pensamento, Comênio
conclui que o mais importante na vida não é a contemplação e sim a ação, o "fazer". Comênio
queria mudar a escola com a didática e a sociedade com a educação.
1.4 EM BUSCA DA HARMONIA UNIVERSAL
Ele perseguiu desde a juventude a unificação da totalidade do conhecimento humano, porque
imaginava que ele era finito e imutável. A construção de uma enciclopédia do saber e sua
adaptação às capacidades infantis são o grande tema da pedagogia de Comênio, e para
sustentá-la ele criou uma base filosófica que denominou "pansofia", a procura de um princípio
básico que harmonizasse todo o saber. Ao contrário de seu pensamento educacional, que
suscitou interesse pela Europa afora, a pansofia não teve seguidores.

A maior contribuição de Comênio para a educação dos dias de hoje é a idéia de trazer a
realidade social para a sala de aula, fazendo uso dos meios tecnológicos mais avançados à
disposição.

A doutrina pedagógica de Comênio convida a mente racional a adotar diante do Cosmos


uma postura inquiridora e inclusiva de todas as esferas do conhecimento. Sua obra, fruto de
intensos diálogos com filósofos como Bacon e Descartes, visa contribuir para que o Homem,
desde a infância, passando pela juventude, complete sua evolução rumo à perfeição espiritual
e intelectual.