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Sumário

INTRODUÇÃO .................................................................................................... 3

MATERIAL E MÉTODO .................................................................................... 3

GCDKit............................................................................................................. 3

SÉRIE MAGMÁTICA ÁCIDA ........................................................................... 4

SÉRIE MAGMÁTICA BÁSICA ......................................................................... 9

CONCLUSÃO .................................................................................................... 12

BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 13
A classificação das associações de rochas segundo sua composição química constitui
importante etapa na construção de hipóteses geológicas no campo da petrogênese, estratigrafia,
metalogenia e geotectônica. Exatamente porque não existe uma correspondência direta e simples
entre composição química dos magmas e ambientes geotectônicos, ou processos genéticos, esta
etapa de identificação da série magmática a que pertence uma rocha, é imprescindível, devendo
preceder, jamais substituir, as classificações genéticas, geotectônicas e outras que possuem
elevado conteúdo interpretativo (NARDI, 2016).
O presente trabalho tem o objetivo de analisar duas séries magmáticas, uma ácida e outra
básica, através de gráficos produzidos em software livre, identificando os elementos químicos
que as compõe, apontar possível ambiente de formação e o possível tipo de rocha que podem
formar.

O banco de dados possui duas séries magmáticas, uma ácida e outra básica,
divididas em quatro associações (Figura 1). A série ácida possui quatro associações e a
série básica três associações.

Figura 1 (a) Associações ácidas e básica; (b)Associações de série magmática ácidos e (c)
Associações de série magmática básicos.

Os dados foram analisados separados nas duas séries, utilizando o software


GCDkit, um pacote freeware, projetado em linguagem R para o Windows.

GCDKit
O Geochemical Data Toolkit (GCDKit)
freeware de interpretação e apresentação gráfica de dados geoquímicos de rochas ígneas.
Fornece uma interface gráfica e funções relevantes incorporadas ao R, incluindo índices
geoquímicos, dados isotópicos de Sr-N, gráficos, modelos para classificação e diagramas
geotectônicos. O programa é projetado para que não sejam necessárias habilidades de
programação para uso comum, mas, a possibilidade de digitar os comandos do R / GCDkit
é preservada .

Série magmática ácida A análise inicial da série magmática ácida, utilizou gráficos
binários de sílica (Si ) em relação aos elementos maiores ( , MgO, etc...) os
elementos maiores encontram-se em porcentagem peso (% peso) e sílica em teor (%). A
análise de sílica em relação aos elementos maiores (figura 2) demonstra que, o conteúdo
de sílica possuí teores que variam aproximadamente entre 63% a 74% nas quatro
associações, assinalando o caráter ácido desta série e provavelmente material de alta
viscosidade, já, os elementos , MgO, CaO, Ti e FeOt apresentam decrescimento
conforme aumenta o teor sílica, em destaque, as associações 2, 3 e 4 apresenta aumento
em O com aumento de sílica.
Figura 2 - Série magmática ácida, sílica em relação aos elementos maiores.

A análise de sílica em relação a elementos traços (As, Ba, Cd, etc..) na figura 3,
apresentam valores dispersos nestes elementos, entretanto a razão O/ O, tem padrão
semelhante ao gráfico vs O, onde as associações 2, 3 e 4 tem visível crescimento
conforme aumenta os teores de sílica, sugerindo que existe uma relação com a
concentração de O.
Figura 3 - Série magmática ácida, sílica em relação aos elementos traços.

Então, gerados diagramas AFM, - O e A/CNK - A/NK, para análises em


relação as concentrações de O (figura 4).

Figura 4 (a) Diagrama AFM, discrimina séries em subalcalinas, cálcio-alcalina e toleítica


(Irvine & Baragar, 1971); (b) Diagrama proposto por Peccerillo & Taylor (1976) para distinguir várias
séries de rochas toleíticas, calcio-alcalinas e shoshoníticas; (c) Diagrama de Shand (1943) discriminando
composições metaluminosas, peraluminosas e peralcalinas.

A partir dos diagramas é possível identificar que a série ácida, trata-se de uma
série cálcio-alcalina saturada em sílica, com enriquecimento em potássio e peraluminoso,
realçam a distinção entre a associação 1, em uma série cálcio alcalina saturada em sílica
e associações 2, 3 e 4 ascendendo de uma série cálcio-alcalina saturada em sílica até
shoshonítica. Nardi (2016) As associações cálcio-alcalinas caracterizam o magmatismo
de arco durante a subducção da placa oceânica, e a evolução do mesmo, refletida no
magmática dos arcos nas orogêneses acrescionárias é caracteristicamente cálcio-alcalina
em composição, embora inclua termos toleíticos baixo-K e shoshoníticos, dependendo do
Portanto, foram produzidos os spider
plots de NMORB e EMORB, para identificar o possível ambiente e interação para esta
série (figura 5).

Figura 5 Spider plots de NMORB e EMORB, série ácida.

Os spider plots da Figura 4, mostram valores superiores no NMORB em relação


ao EMORB, também anomalias negativas em Nb, P, Ti e depleção nos ETRs mais
pesados Dy, Y, Yb e Lu. Este aspecto é semelhante aos padrões de rochas básicas de
margens continentais ativas ou de arcos magmáticos maduros, onde a fonte mantélica
sofre modificações por processos relacionados à subducção (Gregory, Bitencourt, Nardi,
& Florisbal, 2016).
Os diagramas de discriminação tectônica da figura 6, exibe as maiores
concentrações das associações, com granitos de arco vulcânico e pós-colisionais, em
ambiente continental de margem ativa.
Figura 6 Diagramas tectônicos, classificação geotectônica baseada em elementos traço de
granitóides por Pearce et al. (1984) granitos sin-colisionais (syn-COLG), granitos de arco vulcânico (VAG),
dentro de granitos de placa (WPG) e granitos da crista oceânica (ORG). A linha tracejada representa o
limite de composição superior para ORG de segmentos de crista anômalos. Observe que os granitos pós-
colisão podem plotar em todos os campos, exceto os ORG, e que os granitos da crista oceânica da zona de
subducção são plotados no VAG. A discriminação do ambiente geotectônico de rochas vulcânicas félsicas
(riolitos), proposto por Schandl & Gorton (2002). Baseia-se na combinação de quatro presumivelmente
pequenos oligoelementos imóveis (Ta, Yb, Th, Hf).

As possíveis rochas ígneas foram obtidas utilizando o diagrama TAS para rochas
ígneas plutônicas (figura 7).

Figura 7 Série ácida, variação do diagrama TAS proposto por Cox et al. (1979) e adotado por Wilson (1989)
para rochas plutônicas.
O produto deste magma ácido, são granodioritos a granitos nas quatro associações,
possivelmente rico em micas e granada devido à alta concentração de K.

A associação 1 se mostrou com uma concentração baixa em potássio, fósforo e


magnésio, porém rica em alumínio, sódio, titânio e ferro. Quanto à sílica a concentração
se mostrou de baixa a média em todos os gráficos (Figura 8).

Figura 8 - Série magmática básica, sílica em relação aos elementos maiores.

A associação 2 mostrou uma concentração alta em alumínio, e potássio, e baixa


em magnésio, cálcio e ferro. Quanto à sílica, a associação 2 mostrou uma concentração
de média a alta em todos os gráficos. A associação 3 mostrou uma concentração baixa em
alumínio, sódio, potássio e fósforo, e alta em ferro. Quanto à sílica, o teor de sílica se
mostrou de baixo a médio em todos os gráficos.

Figura 9 Série básica, variação do diagrama TAS proposto por Cox et al. (1979) e adotado por Wilson
(1989) para rochas plutônicas e diagrama AFM, discrimina séries em subalcalinas, cálcio-alcalina e toleítica
(Irvine & Baragar, 1971).

A Figura 9, mostra que na associação 1 pode se observar uma composição


formando gabrodioritos a gabros com menos sílica e toleíticos. A associação 2 formou
dioritos e monzonitos compostos de mais sílica e muito mais sódio, também demonstrado
por estar em uma série cálcio-alcalina. A associação 3 formou desde gabro a gabrodioritos
e dioritos com menos sódio e menos sílica e muito mais toleítica que a associação 1.

Figura 10 Série magmática básica, sílica em relação aos elementos traços.


A figura 10, na associação 1 obervamos uma concentração baixa de elementos
traços como o bário, o estrôncio, zircônio, rubídio, lantânio, cério e anidrido potássico, e
uma alta concentração de Ítrio, cromo, níquel e A/CNK. Na associação 2 há uma
concentração mais baixa de Y, Cr e O/ O, e uma concentração mais alta de Ba, Sr,
Zr, Rb, La, Ce e A/CNK. Na associação 3, temos uma concentração mais baixa de Ba,
Sr,Y, Zr, La e Ce, e alta concentração de A/CNK e O/ O.

Figura 11 - Discriminação do ambiente geotectônico de rochas vulcânicas félsicas (riolitos), proposto por
Schandl & Gorton (2002). Baseia-se na combinação de quatro presumivelmente pequenos oligoelementos imóveis (Ta,
Yb, Th, Hf).

A figura11, mostra na associação 1 foi observado que esta se caracteriza como zonas
vulcânicas dentro de placas no gráfico de Th/Yb por Ta/Yb e como de dentro da zona da placa
nos gráficos de Th pot Ta, Th/Hf e Th/ta.
A associação 2 é classificada como margens continentais ativas no diagramaTh/Yb por
Ta/Yb e como de dentro da zona da placa nos gráficos Th/Hf por Ta/Hf e Th/Ta por Yb.
A associação 3 é classificada como margens continentais ativas e zonas vulcânicas
dentro de placas no gráfico Th/Yb por Ta/Yb e de dentro da zona da plca nos demais gráficos.
Figura 12 Diagrama de discriminação de granitos por Frost et al (2001).

Observando a figura 12, a associação 1 é classificado como um granito cálcico,


metaluminoso e magnesiano. A associação 2 é classificada como um granito magnesiano
e cálcio alcalino. A associação 3 é classificada como um granito ferroso e cálcico.

Figura 13 - Spider plots de NMORB e EMORB, série básica.

Comparando o MORBs (figura 13) constata-se que o NMORB Têm depleção


maior nos elementos terras raras pesados e anomalias positivas de U, K, Pb e Dy,
destacando a associação 3 que possui valores positivos Eu, no EMORB.

A série de magma ácido, possui quatro associações enriquecidas em K, que podem


conceder aspecto leucocrático peraluminoso aos granitos e granitóides, gerados um
ambiente de arco magmático maduro ou pós-colisional.
A série magma básico, possui maior correlação com EMORB do que a série
ácida, porém, ainda é possível que possa estar relacionado a mesma fonte geradora,
devido à semelhança do ambiente tectônico. Entretanto, apresenta menor conteúdo de
sílica e rochas mais cálcio-alcalinas à toleítica.
Gregory, T. R., Bitencourt, M. d., Nardi, L. V., & Florisbal, L. M. (2016). Petrogenesis
of metamorphosed Paleoproterozoic, arc-related tonalites, granodiorites and
coeval basic to intermediate rocks from southernmost Brazil, based on elemental
and isotope geochemistry. LITHOS, 1-53.
-F., Erban, H. M., & Farrow, C. (2006). Geochemical modelling
of igneous processes principles and recipes in R Language. Berlim - Alemanha:
Springer.
NARDI, L. V. (2016). Granitoides e séries magmáticas: o estudo contextualizado dos
granitoides. Pesquisas em Geociências, 85-99.