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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS


PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA
MESTRADO EM GEOGRAFIA

RONALDO DOS SANTOS BARBOSA

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO


AÇAIZAL NO MUNICÍPIO DE SENADOR LA ROCQUE/MA

GOIÂNIA
2010
RONALDO DOS SANTOS BARBOSA

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO


AÇAIZAL NO MUNICÍPIO DE SENADOR LA ROCQUE/MA

Dissertação apresentada ao Programa de Pesquisa e


Pós-Graduação em Geografia, do Instituto de
Estudos Sócio-Ambientais da Universidade Federal
de Goiás, para fins de obtenção do título de Mestre
em Geografia.

Orientador: Dr. Manoel Rodrigues Chaves

Área de Concentração: Natureza e Produção do


Espaço.

Linha de Pesquisa: Dinâmica Sócio Espacial:


Ambiental

GOIÂNIA
2010
Barbosa, Ronaldo dos Santos
Diagnóstico Ambiental da Bacia Hidrográfica do Riacho Açaizal
no Município de Senador La Rocque/Ma / Ronaldo dos Santos
Barbosa. – Goiânia, 2010.

122 f.
Orientador: Manoel Rodrigues Chaves.
Dissertação (Mestrado em Geografia) – Curso de Mestrado em
Geografia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2010.

1. Bacia Hidrográfica. 2. Processo de Ocupação. 3. Uso da Terra. I.


Título.

CDU 556.51:911.37
RONALDO DOS SANTOS BARBOSA

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO


AÇAIZAL NO MUNICÍPIO DE SENADOR LA ROCQUE/MA

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa


de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia, do
Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da
Universidade Federal de Goiás, para fins de
obtenção do grau de mestre em geografia.

Dissertação defendida e aprovada em: 30 de junho de 2010

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________
Profº Dr. Manoel Rodrigues Chaves
CAC/UFG
(Orientador)

_________________________________________________
Profº Dr. Paulo Henrique Kingma Orlando
CAC/UFG
(Membro Titular)

_________________________________________________
Prof.º Dr. Idelvone Mendes Ferreira
IESA/UFG
(Membro Titular)

_________________________________________________
Profº Dr. Ivanilton José Oliveira
IESA/UFG
(Membro Suplente)
Ao Deus criador do céu e da terra, Senhor dos
senhores, meu guia e minha fortaleza. Aos meus pais
Juarez e Creusa que mesmo sem entender a
importância deste trabalho, sempre me incentivaram.
Aos moradores dos povoados Açaizal Grande,
Cumaru, Jenipapo e Olho D’água.
O mais importante na vida, não é o conhecimento,
mais o bom uso que dele se faz.
Thalmund.
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar não podeia deixar de agradecer ao meu Deus pelo privilégio,
orientação, força e graça na realização deste trabalho.

De forma especial gostaria de agradecer ao meu ex-professor, orientador, grande


amigo e atualmente colega de departamento, Msc. Luiz Carlos Araújo dos Santos, por ter
despertado em mim inquietações geográficas desde a iniciação científica, que de certa forma
contribuiram grandemente para meu crescimento profissional e intelectual.

Ao meu orientador Dr. Manoel Rodrigues Chaves que com propriedade, respeito,
responsabilidade e carisma tem orientado e me dado liberdade de expressar minha forma de
pensar a Geografia do meu lugar e para o meu lugar.

Ao colega Valney Dias Rigonato pelo apoio no início do curso, em ter me aceito
em sua casa e ter proporcionado momentos de discussões geográficas interessantes para o
meu amadurecimento geográfico.

Aos professores Dra. Cláudia Valéria de Lima, Dra. Selma Simões de Castro e Dr.
Carlos Eduardo Maia, que através das críticas lançadas durante o exame de qualificação em
2006, onde os mesmo tentaram me fazer desistir do meu grande sonho e que de certa forma
me fizeram ver a Geografia e os que fazem a Geografia com outros olhos e em especial os que
fazem e ajudam a fazer uma Geografia com compromisso, respeito e humildade.

Ao profosseor Dr. Eguimar Felício Chaveiro, que nos momentos de dificuldade


sempre tinha uma palavra amiga e sábia para nos orientar e claro, as ricas contribuições na
disciplina Teoria e Método com as memórias e introduções de aulas hoje fazem parte de
minha prática docente.

Não poderia deixar de agradecer também aos professores Dr. José Ivanilton
Oliveira e Dr. Paulo Henrique Kingma Orlando pelas ricas contribuições no exame de
qualificação, que foram muito proveitosas e ajudaram a enriquecer este trabalho.
A minha querida professora e amiga Msc. Elza Miranda Marques, que sempre tem
uma palavra de incentivo e me fez ver a educação com outros olhos, criando uma paixão pela
docência e vendo em cada discente um potencial.

Aos alunos do curso de Licenciatura Plena do CESI/UEMA pela ajuda nos


trabalhos de campo na bacia em estudo, mesmo que para alguns era apenas um passeio, para
outros foi uma rica experiência, que resultou em Trabalho de Conclusão de Curso, como é o
caso da aluna Maria Cefises Vieira a quem tenho grande apreço.

Ao colega Elizon Nunes pelo apoio na elaboração da base geoambiental da bacia


com muita compromisso, além da indicação de algumas leituras.

Aos colegas professores do Departamento de História e Geográfia, em especial, os


do Curso de Geografia pela colaboração, durante o período em que escrevia este trabalho.
RESUMO

A bacia hidrográfica do riacho Açaizal situada na Mesorregião Oeste do Maranhão e


Microrregião de Imperatriz é um bom exemplo da dinâmica de ocupação das terras da região
conhecida por Pré-Amazônia maranhense. O presente trabalho tem como objetivo apresentar
o diagnóstico geoambiental da bacia do Açaizal, tomando como base o histórico de ocupação,
as características genéticas do meio físico e o uso da terra. Para tal utilizou-se de um vasto
referencial bibliográfico, documentos cartográficos, imagens de satélite, além de entrevistas
padronizadas para desvendar o processo de ocupação da bacia. Com a aplicação da
abordagem sistêmica, com uso de geotecnologias, visando à aquisição, análise e integração de
dados sob o enfoque do uso da terra de uma bacia hidrográfica com 181,5 Km2 de área,
situada em área de bacia sedimentar com litologias recentes e solos de baixa fertilidade
natural. Para o seu desenvolvimento, foram levantados dados de uso da terra e cobertura
vegetal em dois cenários distintos (1984 e 2009) e, direcionados a sua aplicação para a bacia
hidrográfica do riacho Açaizal, no estado do Maranhão, localizada entre os paralelos 9402000
S e 9387000 S, de latitude sul, e os meridianos 265000 W e 247000 W, de longitude oeste.
Foi possível identificar através dos mapas de susceptibilidade e potencialidade a erosão
laminar áreas com diferentes graus de predisposição a riscos à degradação dos solos e realizar
análises sob o ponto de vista da cobertura vegetal e suas transformações impostas pela
intensificação e ampliação da ocupação agrícola e pastoril, bem como indicações de cenários
ambientais ocorridos nas vertentes e nos canais fluviais ao longo da bacia.

Palavras-Chave: Bacia Hidrográfica. Processo de Ocupação. Uso da Terra. Açaizal.


ABSTRACT
The hydrographic basin of the stream Açaizal, located in Mesorregion western Maranhão and
Microrregion of Imperatriz is a good example of the dynamics of land occupation in the
region known as Pré-Amazônia of Maranhão. This paper aims to present the diagnosis
geoenvironmental the Açaizal basin, based on the history of occupation, the genetic
characteristics of the physical environment and land use. To this end we used a broad
bibliographical references, cartographic documents, satellite images, and structured interviews
to unravel the process of occupation of the basin. With the application of systemic approach,
use a geotechnology, aiming at the acquisition, analysis and integration of data from the focus
of land use a basin with 181,5 Km2 in area, situated in a basin dedimentary lithologies recent
low soil fertility. For its development, data were collected for land use and vegetation cover in
to different scenarios (1984 and 2009) and directed is implementation for the river basin of
the stream Açaizal in the state of Maranhão, located between the parallel S 9402000 and S
9387000 south latitude and the meridian W 265000 and W 247000 west longitude. Could be
identified through maps the susceptibility and potencial to laminar erosion, areas with
different degrees of predisposition to risks of land degradation and perform under the terms of
vegetation cover and its changes imposed by the intensification and expansion of the
agricultural and pastoral, well as indications of environmental scenarios occurred in the slopes
and river channels throughout the basin.

Key-words: Hydrographic Basin. Occupancy Process. Land Use. Açaizal


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 Mapa de localização da bacia do Açaizal 20


Figura 2 Rota de expansão da Corrente Pastoril Baiana 35
Figura 3 Dinâmica de ocupação da bacia 53
Figura 4 Mapa de vegetação natural e uso da terra em 1984 58
Figura 5 Composição fitogeográfica do Maranhão 65
Figura 6 Foto mostrando a vegetação de transição na alta bacia. 67
Figura 7 Carta de geologia da bacia 70
Figura 8 Erosão em área de Coberturas Tércio-Quaternárias. 71
Figura 9 Carta de geomorfologia do Maranhão 75
Figura 10 Carta de hipsometria da bacia 81
Figura 11 Carta de declividade da bacia 84
Figura 12 Carta de curvatura das vertentes 86
Figura 13 Carta de solos da bacia 88
Figura 14 Carta de vegetação natural e uso da terra em 2009 96
Figura 15 Carta de susceptibilidade a erosão laminar 102
Figura 16 Carta de potencialidade a erosão laminar 106
Figura 17 Foto de plantação de mandioca em Açaizal Grande 108
Figura 18 Foto de plantação de Tomate no povoado Cumaru 108
Figura 19 Foto da fábrica de fécula no povoado Açaizal Grande 109
Figura 20 Extração de cascalho próximo ao povoado Jenipapo 110
Figura 21 Mosaico representando as fábricas de fécula e seus impactos 111
Figura 22 Mosaico com a situação dos cursos d’água na bacia do Açaizal 112
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Classes de uso da terra em 1984 e suas concentrações 60


Tabela 2 Formações geológicas, suas concentrações e abreviações 68
Tabela 3 Classes hipsométricas e suas concentrações 79
Tabela 4 Classes de declive, formas de relevo e concentrações 82
Tabela 5 Formas de curvaturas das vertentes e suas concentrações 85
Tabela 6 Classes de solo, abreviações e concentrações 87
Tabela 7 Classes de uso da terra em 1984 e 2009 e suas concentrações 94
Tabela 8 Classes de erodibilidade relativa 99
Tabela 9 Classes de susceptibilidade à erosão laminar 100
Tabela 10 Classes de uso da terra frente à erosão laminar 103
Tabela 11 Classes de potencialidade à erosão laminar 105

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Lavoura temporária na Microrregião de Imperatriz 40


Gráfico 2 Produção de arroz na Microrregião de Imperatriz 41
Gráfico 3 População da Microrregião de Imperatriz 43
Gráfico 4 Pastagem plantada na Microrregião de Imperatriz 44
Gráfico 5 Efetivo bovino na Microrregião de Imperatriz 45
Gráfico 6 Precipitações para o ano de 2000 e a normal climatológica 63
Gráfico 7 Precipitações para o ano de 2009 e a normal climatológica 64
LISTA DE SIGLAS E CONVENÇÕES

APRUPAG – Associação dos Produtores Rurais do Povoado Açaizal Grande


CAF – Casa da Agricultura Familiar
GETAT – Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins
PRODIAT – Programa de Desenvolvimento Integrado Araguaia-Tocantins

FT – Plintossolo Argilúvico
Ki – Formação Itapecuru
Kc – Formação Codó
LA – Latossolo Amarelo
PVA – Argissolo Vermelho-Amarelo
TQc – Coberturas Técio-Quaternárias
SUMÁRIO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................ 15


1. OS PRESUPOSTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA PESQUISA. ..................... 18
1.1. A Área de Estudo. .......................................................................................................... 18
1.2. Os Pressupostos Teóricos da Pesquisa. ......................................................................... 21
1.2.1. Os Estudos Ambientais no Brasil: breve abordagem. ............................................ 21
1.2.2. Bacia Hidrográfica.................................................................................................. 23
1.2.3. O Uso da Terra: algumas considerações................................................................. 27
1.3. Os Pressupostos Metodológicos da Pesquisa. ............................................................... 29
1.3.1. A Visão Sistêmica nos Estudos Ambientais. .......................................................... 29
1.3.2. Materiais e Produtos Cartográficos. ....................................................................... 30
1.3.3. O Trabalho de Campo ............................................................................................ 32
2. A DINÂMICA DE OCUPAÇÃO DA BACIA DO RIACHO AÇAIZAL........................... 34
2.1. As Frentes de Ocupação do Espaço Maranhense. ......................................................... 34
2.2. Os Eixos Rodoviários e o Ciclo do Arroz. .................................................................... 38
2.3. Os Conflitos pela posse da Terra e o avanço da pecuária. ............................................ 42
2.4. A Emancipação de João Lisboa e a Ocupação da bacia do riacho Açaizal. .................. 47
2.5. O Uso da Terra na Década de 1980. .............................................................................. 56
3. CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DA BACIA DO RIACHO AÇAIZAL ........... 61
3.1. O Clima: as marcas da tropicalidade. ............................................................................ 62
3.2. Vegetação: Florestas de Transição. ............................................................................... 64
3.3. Geologia: Borda Oeste da bacia Sedimentar do Maranhão/Parnaíba e o domínio da
Formação Itapecuru. ............................................................................................................. 67
3.3.1. Formação Itapecuru (Ki) ........................................................................................ 68
3.3.2. Coberturas Tércio-Quaternárias (TQc). .................................................................. 71
3.3.3. Formação Codó (Kc) .............................................................................................. 72
3.4. A Geomorfologia Regional: A Depressão Ortoclinal de Imperatriz. ............................ 73
3.4.1. Atributos geomorfológicos da bacia: A Hipsometria ............................................. 78
3.4.2. Atributos geomorfológicos da bacia: Declividade ................................................. 82
3.4.3. Atributos geomorfológicos da bacia: Curvatura..................................................... 85
3.5. O Solo: o domínio dos Argissolos Vermelho Amarelo. ................................................ 87
3.5.1. Argissolos Vermelho-Amarelo (PVA). .................................................................. 89
3.5.2. Latossolo Amarelo (LA). ........................................................................................ 90
3.5.3. Plintossolos Argilúvicos (FT). ................................................................................ 92
4. DIAGNÓSTIGO GEOAMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIACHO
AÇAIZAL. ................................................................................................................................ 94
4.1. O Uso da Terra e suas Implicações Ambientais ............................................................ 94
4.2. A Susceptibildade e o Potencial à Erosão Laminar ....................................................... 97
4.3. Caracterização dos Cenários Ambientais da Bacia do Açaizal ................................... 107
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 113
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 115
APÊNDICES .......................................................................................................................... 122
Apêndice A. Roteiro da Entrevista realizada com os moradores dos povoados. ............... 123
15

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Atualmente as discussões acerca da questão ambiental tem ganhado destaque no


cenário acadêmico tanto em nível mundial quanto nacional e local. Seja através de
publicações em periódicos, anais de congressos, relatórios de pesquisas bem como na mídia
em geral.

Falar de questão ambiental hoje requer, antes de mais nada, uma reflexão sobre o
que venha a ser de fato natureza e não podemos esquecer que os atributos do ambiente serão
inseridos em tal abordagem. É importante considerar que a natureza é condição concreta da
existência humana e que as relações da sociedade com a natureza devem ser vistas como parte
integrante de um sistema que evolue infinitamente de maneira conjunta.

Por outro lado, ao se pretender realizar um trabalho que objetive subsidiar a


promoção do desenvolvimento de uma sociedade, garantindo uma melhor qualidade de vida
para a mesma, deve-se ter em mente, não a impregnação do sistema natural pelo homem,
direta ou indiretamente, e sim, que as modificações pela transformação do ambiente são de
ordem econômica. Portanto, deve-se corrigir as distorções de pensamento e conciliar as
posições econômicas e ecologistas.

É indispensável o abandono da visão tradicional do espaço geográfico descritivo,


substituindo-a por uma abordagem integradora. Em outras palavras, o objetivo maior dos
diagnósticos e prognósticos, do espaço geográfico, só será atingido se optarmos por uma
filosofia de trabalho que não se esgota apenas na análise temática em si, seja dos recursos
bióticos, abióticos ou dos espaços socioeconômicos, mais sim na percepção da dinâmica
gerada a partir da interdependência desses componentes, concretizada na produção de um
novo espaço geográfico.

Portanto, a ecolha de uma metodologia apropriada se torna indispensável. Não


devemos, com isso proceder tal abordagem sem considerar o conjunto de atividades
desenvolvidas na área de estudo, o nível de organização da sociedade e os recortes espacial e
temporal de análise, tudo são atributos necessários para a realização de um bom diagnóstico
ambiental.
16

No atual momento de inter, multi e transdisciplinaridade vale ressaltar a


importância da conexão com outras áreas do conhecimento ou para buscar subsídios a análise
dos elementos naturais ou para a análise dos elementos humanos.

O desejo de conhecer melhor a dinâmica geoambiental da bacia hidrográfica do


riacho Açaizal, aliado a inexistência de estudos e/ou materias com informações sobre o
processo de ocupação ou caracterização físicada mesma nos levaram a pensar na elaboração
do diagnóstico geoamebiental da bacia, com a intensão de abrir novos horizontes de pesquisa,
dentro da geografia, para que possamos entender melhor a relação entre o processo de
ocupação das terras, as caracerísticas genéticas da bacia e os cenários ambientes que hora se
manifestam no interior da mesma.

Diante do exposto acima, destacaremos os objetivos do presente trabalho em duas


categorias a saber o objetivo geral e os objetivos específicos.

Objetivo Geral:

Elaborar o diagnóstico geambiental da bacia hidrográfica do riacho Açaizal,


tomando como base a relação entre o processo de uso e ocupação da terra e o potencial
geoambiental da mesma, no intuito de compreender os cenários ambientais presentes em seu
interior.

Objetivos Específicos

• Caracterizar a dinâmica do processo de ocupação da bacia do Açaizal a partir da


abertura da rodovia BR 010;
• Caracterizar os elementos geoambientais da bacia a saber geologia, hipsometria,
declividade, curvatura das vertentes, solos, vegetação natural e uso da terra,
susceptibilidade à erosão laminar e potencialidade à erosão laminar;
• Identificar os cenários ambientais a partir do uso atual da terra, da susceptibilidade e
da potencialidade à erosão laminar para a bacia.

A estrutura do trabalho organiza-se em quatro capítulos. No primeiro aborda-se,


inicialmente, a caracterização da área de estudo, os procediemntos teóricos e metodológicos
que nortearam a pesquisa.
17

No segundo trataremos do processo de ocupação do espaço Maranhense, desde a


primeira corrente de ocupação iniciada pelo litoral no século XVII até a segunda fase da
corrente agrícola composta por nordestinos fugitivos da seca e dos maranhenses vindo do
leste do estado a partir da década de 1960. Em seguida, retrata-se a ocupação da bacia
hidrográfica do riacho Açaizal, com o auxílio de relatos de moradores e de literatura existente
e, por fim, apresenta-se a caracterização da vegetação natural e uso da terra no ano de 1984.

No terceiro capítulo, trata-se da caracterização geoambiental da bacia, merecendo


destaque os elementos geologia, relevo, solos, com o auxílio de cartas temáticas, representado
seus compartimentos seguidos de uma breve caracterização com o intuíto de retratar o
potencial geoambiental da área.

Por fim, o quarto capítulo que trata inicialmente do uso atual da bacia a partir da
carta de vegetação natural e uso da terra em 2009, seguido da avaliação de susceptibilidade e
potencialidade à erosão laminar e finalizamos com o diagnóstico geoambiental da bacia,
relatando os cenários ambientais atuais. Acrescentar as considerações iniciais, finais e
referências e apêndice.
18

1. OS PRESUPOSTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA


PESQUISA

1.1. A Área de Estudo

A bacia hidrográfica do riacho Açaizal, localizada na Mesorregião Oeste do


Maranhão e Microrregião de Imperatriz, ocupa uma área de 181,5 km2, localizada entre as
coordenadas S 9402000 e S 9387000 de latitude Sul e W 265000 e W 247000 de longitede
Oeste (Figura 1), onde estão inseridos os povoados: Açaizal Grande, situado ao norte, no alto
curso da bacia; Cumaru na parte oeste, no baixo curso; e os povoados Olho D’água e Jenipapo
ocupando a parte leste, no médio e baixo curso.

A área de pesquisa, denominada bacia hidrográfica do riacho Açaizal, encontra-se


inserida na região da Pré-Amazônia maranhense. É possivel encontrar na área também a Mata
de Cocais, vegetação predominante dentro da bacia, podendo ser classificada como vegetação
secundária1, por se apresentar em meio às capoeiras. O Cerrado ocorre nas áreas altas nos
divisores de água da bacia, já a floresta latifoliada equatorial é encontrada nas bordas dos
divisores de água da bacia (BARBOSA e SANTOS, 2002).

A partir da segunda metade do século XX, a microrregião de Imperatriz toma uma


nova dinâmica na ocupação de espaços vazios existentes até então. A maneira como o homem
tem se apropriado dos recursos naturais, na microrregião, e também na bacia tem mudado
consideravelmente a dinâmica do sistema. Observa-se, na área em estudo, um ligeiro
abandono da agricultura de subsistência, responsável pela produção de alimentos básicos
como feijão, arroz e milho, para um tímido modelo de monocultura, merecendo destaque para
o cultivo da mandioca, destinado exclusivamente para a extração de fécula.

Nas últimas duas décadas tem crescido a procura por este subproduto da mandioca
na região. Por este motivo é comum hoje, agricultores se dirigirem à sede do município, de
Senador La Rocque ou até mesmo para a cidade de Imperatriz, para comprarem produtos de
subsistência, antes produzidos na roça.
1
Para IBGE (1992) no sistema de vegetação secundária estão incluídas áreas onde houve intervenção humana
para uso da terra seja para fins de agricultura, pecuária descaracterizando a vegetação natural. Assim sendo estas
áreas, quando abandonadas, logo depois de seu uso antrópico, reagem diferentemente de acordo com o tempo e o
uso a qual foi submetida. (p. 32).
19

Observam-se atualmente, no interior da bacia, sinais de uma ocupação rápida e


sem planejamento. Como reflexo desse processo podemos mencionar a diminuição da
vegetação natural, ausência de matas ciliares, focos de erosão em estágio bastante avançado,
chegando inclusive, em alguns pontos, no alto curso da bacia, a voçorocamento. Há ainda o
aumento considerável das áreas de pastagens plantadas, represamento do riacho em alguns
trechos para dessedentação de animais e irrigação de hortaliças, além de despejos de resíduos
in natura de mandioca, no leito do riacho que, tem alterado a qualidade ambiental da bacia.

Dentro da busca pelo conhecimento geográfico, a bacia hidrográfica do Riacho


Açaizal vem sendo estudada há algum tempo. Ainda enquanto discente do curso de
Licenciatura Plena em Geografia e bolsista do PIBIC/FACT/UEMA, foi desenvolvido
trabalho intitulado: “Impactos ambientais no riacho Açaizal (Senador La Rocque/MA) versus
a produção de fécula de mandioca”, no período de setembro de 2002 a agosto de 2003.

Através da referida pesquisa foi possível conhecer um pouco da bacia, em especial


do povoado Açaizal Grande. Com tal pesquisa, pudemos identificar algumas fragilidades no
processo de produção da fécula de mandioca tais como: falta de higiene no processo de
produção, degradação dos recursos hídricos com o lançamento de dejetos oriundos da
produção de fécula além da falta de organização dos produtores.

Com a admissão no Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia, do


Instituto de Estudos Sócio-Ambientais, da Universidade Federal de Goiás, em nível de
mestrado, reacendeu a possibilidade de continuação da pesquisa anteriormente desenvolvida,
possibilitando um estudo mais detalhado de toda a bacia, na tentativa de compreender se os
impactos ambientais dos recursos hídricos da bacia seriam em virtude da fragilidade das
condições do meio físico e/ou resultantes dos tipos de uso e ocupação da terra na bacia.
20

Figura 1. Mapa de localização da bacia do Açaizal


21

1.2. Os Pressupostos Teóricos da Pesquisa

1.2.1. Os Estudos Ambientais no Brasil: breve abordagem

Ross (1995) destaca que o referencial inicial dos estudos ambientais na geografia
é a sociedade que vive em um determinado espaço, onde exerce ali um conjunto de atividades
que variam com maior ou menor grau de complexidade, relacionadas a fatores internos e
externos, dependendo do nível cultural, social e econômico da mesma. Assim sendo, as
pesquisas ambientais que usam como referencial teórico-metodológico o enfoque sistêmico
tornam-se excelentes suportes técnico-científicos para a elaboração de zoneamentos
ambientais e socioeconômicos, oferecendo condições para a elaboração de políticas voltadas
para o uso adequado da terra, em áreas urbanas ou rurais.

A pesquisa ambiental no Brasil tem assumido, atualmente, diferentes abordagens


e dimensões em função dos objetivos aos quais se propõem. Na Geografia, tais pesquisas
apresentam como objetivo entender as relações das sociedades humanas com a natureza
dentro de uma perspectiva absolutamente dinâmica, envolvendo aspectos socioeconômicos,
políticos, culturais, históricos e naturais. No presente trabalho abordaremos a questão
ambiental relacionada ao processo histórico de uso da terra, bem como, as questões
socioeconômicas, a fim de compreender a dinâmica da bacia em estudo;

Neste sentido, cumpre verificar os ensinamentos de Ross (1995, p. 66), onde o


mesmo ressalta que:

A abordagem ambiental nas pesquisas geográficas, é necessariamente representada


através de mapas, cartogramas, gráficos, tabelas que produzidas a partir da utilização
e interpretação de dados numéricos que fornecem informações econômicas, bem
como dados obtidos a partir de sensores e levantamentos de campo de onde se
extraem informações da natureza e também da sociedade.

No Brasil, os estudos e relatos de ocorrências de impactos ambientais têm


apresentado caráter mais objetivo nas últimas décadas do século passado, o que vem
preocupando realmente é a degradação dos principais biomas brasileiros a saber: o Cerrado e
a Amazônia, com o avanços das fronteiras agrícolas.

Pensar a questão ambiental hoje merece, antes de tudo, uma reflexão do que se
entende por natureza e do jeito como o homem vem historicamente se apropriando desta nos
22

últimos anos. Cabe, por oportuno, destacar a lição de Guerra e Cunha (2003), ao abordarem a
questão ambiental no Brasil afirmam que a degradação ambiental é também um problema
social e que, ao analisarem seu potencial, deve-se levar em conta critérios sociais relacionados
a terra com seus diversos tipos de uso.

No entanto, esta questão perpassa pela compreensão de como vem ocorrendo a


apropriação da natureza pelo homem, principalmente a partir da segunda metade do século
passado, momento em que o Brasil se insere no modelo capitalista de produção, não que antes
esses problemas fossem ausentes de nossa realidade, mas a afirmação se dá pela inserção cada
vez maior de meios tescnológicos no sistema produtivo.

Cumpre verificar os os esclarecimentos de Cunha e Mendes (2005, p. 111), onde


os mesmos afirmam que “[...] atualmente a degradação ambiental provocada pelo uso
desordenado dos espaços costituem-se num problema relevante para a ciência geográfica”.
Convém, ressaltar a necessidade do desenvolvimento de novas metodologias a fim de
viabilizarem uma análise mais conjunta dos elementos físicos da paisagem com as atividades
humanas, com o intuito de facilitar o trabalho de planejamento do uso da terra.

Mister se faz ressaltar que, apesar da existência de uma gama de técnicas


disponíveis para serem empregadas nas pesquisas de cunho ambiental, as mesmas ainda não
estão disponíveis para toda sociedade, pois o elemento capital é seletivo quanto ao público
que tem acesso a tais técnicas. Vale lembrar que analisando o espaço em uma escala espacial
mais restrita é possivel perceber essa diferença de acesso e aplicação de técnicas na
apropriação dos recursos da natureza.

Outrossim, o processo histórico de ocupação dos espaços, bem como suas


transformações, em uma determinada época e sociedade, faz com esse meio tenha um caráter
dinâmico, apresentando alguns sinais de fragilidade pelas atividades humanas desenvolvidas
aliadas ao seu grau de alteração. Portanto, a relação do homem com o meio é mediada pelo
trabalho, este por sinal se difere de um espaço para outro pelo conjuntos de técnicas
empregadas em sua materialização, é claro que o conjunto de técnicas empregadas só é
possível graças ao famoso capital disponível (GUERRA e CUNHA, 2003).

Para Sposito et al. (2004), a interação dos elementos físicos e humanos, unida aos
valores culturais das sociedades, bem como aos interesses políticos e econômicos
23

predominantes no curso da história da ocupação do território, constituem-se em variáveis que


apresentam íntima relação com as práticas agrícolas desenvolvidas, a estrutura fundiária e o
uso da terra de um modo geral.

Conforme sustenta Drew (1994, p. 177), “[...] todos os aspectos do ambiente são
alterados pela urbanização e a industrialização, inclusive o relevo, o uso da terra, a vegetação,
a hidrografia e o clima”. Toda ação provocada pelo homem, seja em um ambiente natural ou
já modificado, causa algum tipo de impacto em diferentes níveis, gerando alterações na
estrutura do sistema e levando, às vezes, as condições ambientais a processos até mesmo
inrreversíveis. Diante do exposto, cabe ao homem adotar uma postura voltada mais para o
preventivo do que para o corretivo, até porque é bem menor o custo da prevenção de acidentes
ecológicos e da degradação generalizada do ambeinte do que a recuperação de um quadro
ambiental deteriorado (ROSS, 1991).

Em razão disso, recorreremos aos apontamentos de Christofoletti (1995, p. 104),


onde o mesmo tece comentários a cerca do desequilíbrio de um sistema ambiental em virtude
das atividades humanas, “[...] ao romper o equilíbrio de um sistema ambiental, os outros
elementos componentes do meio físico tendem a se modoficarem também”, daí o surgimento
não muito raro de sintomas tais como: movimentos de massa, voçorocas, carregamento de
detritos das vertentes, assoreamentos dos cursos d’água, poluição e/ou contaminação de rios,
riachos e lençol freático.

Tendo em vista a excassez de recursos hídricos no planeta e, porque não dizer em


nosso país, também uma vez que a distribuição dos mesmos não é feita de forma igualitário,
urge a necessidade de estudos mais apropiados acerca dos recusos hídricos, e a unidade
espacial de análise mais adequada para tais estudos é a bacia hidrográfica, que será discutida
com mais atenção na fase seguinte do presente capítulo.

1.2.2. Bacia Hidrográfica

O estudo integrado do ambiente tem procurado orientar a ocupação do espaço


geográfico, considerando o uso dos recursos naturais, renováveis e não renováveis, em busca
de seu equilíbrio dinâmico. O sistema ambiental físico, face às intervenções antrópicas,
apresentam maior ou menor fragilidade em função de suas características genéticas (geologia,
formas de relevo, solos e condições climáticas).
24

A ênfase que vem sendo dada aos estudos ambientais, na elaboração dos
planejamentos, vem reforçar a tese da bacia hidrográfica como unidade básica para estes
estudos, justificando tal fato a bacia se constituir em uma unidade física bem caracterizada,
tanto do ponto de vista da integração quanto da funcionalidade de seus componentes.

A bacia hidrográfica é reconhecida como unidade espacial de análise na Geografia


Física desde o final da década de 1960. No entanto, foi nas duas últimas décadas que a mesma
foi incorporada pelos profissionais das ciências ambientais (BOTELHO e SILVA, 2004). A
bacia hidrográfica, nesse contexto, é entendida como unidade básica de análise ambiental,
pois permite conhecer e avaliar seus diversos componentes, processos e interações que
ocorram em seu interior.

Botelho e Silva (2004) ressaltam a carência de uma distinção mais objetiva entre
os termos bacia, sub-bacia e microbacia, uma vez que a microbacia, segundo os autores,
apresenta um uso mais indicado para o planejamento ambiental, sendo os agrônomos os que
mais utilizam esta como unidade de planejamento. Para eles tanto a bacia quanto a microbacia
podem ser entendidas como uma área suficientemente grande, para que se possam identificar
as inter-relações existentes entre os diversos elementos do quadro socioambiental que a
caracteriza, e pequena o suficiente para estar compatível com os recursos disponíveis,
respondendo positivamente à relação existente em qualquer projeto de planejamento.

No tocante a terminologia referente à bacia hidrográfica, podemos referenciar


termos que vão de “área de captação”, “conjunto de superfícies” (TUCCI, 1997, p.40),
“região drenada”, “área drenada”, e geomorfologicamente falando “sistema aberto”
(CHRISTOFOLETTI, 1980, p.102), “conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus
afluentes” (GUERRA e GUERRA, 2001). Pensar a bacia desta forma é pensá-la em um
âmbito maior não apenas em alguns aspectos isolados como sua hidrografia, formas de relevo,
classes solos e sim em todo o contexto socioambiental.

Christofoletti (1980, p. 102) se refere à bacia hidrográfica como “[...] área drenada
por um determinado rio ou por um sistema fluvial”. Do ponto de vista geomorfológico o
mesmo considera a bacia como “[...] um sistema aberto que recebe suprimento contínuo de
energia através do clima reinante, e que sistematicamente, perde através da água e dos
sedimentos que a deixam” (op. cit. p. 104).
25

Do ponto de vista geomorfológico a bacia hidrográfica é um sistema que integra


as conformações de relevo e drenagem. A parcela da chuva que se abate sobre a área da bacia
e que irá transformar-se em escoamento superficial, chamada precipitação efetiva, escoa a
partir das maiores elevações do terreno, formando enxurradas em direção aos fundos de vales.
Esses, por sua vez, concentram esse escoamento em córregos, riachos e ribeirões, os quais
confluem e formam o rio principal da bacia. O volume de água que passa pelo exutório na
unidade de tempo é a vazão ou descarga da bacia. Na sequência de um evento chuvoso
significativo, a vazão Q varia com o tempo de uma forma característica de cada bacia.

As vazões de uma bacia dependem grandemente de fatores climáticos, fatores


geomorfológicos e fatores antrópicos. A intensidade, a duração, a distribuição espaço-
temporal da precipitação sobre uma bacia, bem como a evapotranspiração, estão entre os
principais atributos climáticos. Podem ser sintetizados pela: extensão da bacia, forma,
distribuição de relevo, declividade, comprimento do rio principal, densidade de drenagem,
cobertura vegetal, tipos de uso da terra e etc.

As características físicas de uma bacia hidrográfica são definidas a partir das


características morfológicas, representadas pelos tipos de relevo, forma, orientação e declive
da bacia de drenagem e pelos aspectos geológicos representados pelas estruturas, tipos
litológicos, manto de intemperismo e classes de solos. Além desses aspectos, a cobertura
vegetal, o tipo de ocupação e uso atual da bacia exercem também uma influência importante
nas relações entre infiltração e escoamento superficial de uma bacia de drenagem.

Na visão de Lamonica (2004) “[...] a bacia hidrográfica passa a constituir uma


unidade territorial, no momento em que se configura numa apropriação de uma parcela do
espaço para um determinado fim”. Desse modo o que vai caracterizar a bacia hidrográfica
como unidade territorial é a facilidade que essa apresenta ao ser destacável na superfície
terrestre através de seus divisores topográficos, o que a transforma num recorte espacial
concreto, tanto em seu aspecto espacial quanto temporal.

Já Botelho (1999) considera que a bacia pode ser reconhecida como unidade
natural, correspondendo a uma determinada área da superfície terrestre, cujos limites são
criados em função da drenagem e do relevo, nestes termos, a bacia resulta da interação da
ação das águas com vários outros elementos da paisagem, dentro de seu limite concreto.
26

O limite topográfico é aquele que permite uma maior facilidade e praticidade ao


destacá-lo como unidade no espaço. Assim, seus divisores de água constituem uma linha
rígida em torno de uma determinada área da superfície terrestre, concretizando o limite da
separação que divide as precipitações que alimentam ou outro sistema fluvial. Determinando,
portanto, onde começam e onde terminam as unidades conhecidas por bacias hidrográficas.

Desta forma, a bacia hidrográfica, como unidade territorial, permite um estudo


mais apropriado da relação dos elementos que a caracteriza, possibilitando se constatar a
influência direta que o fator antrópico proporciona às condições ambientais do meio. A
relação das características físicas e atividades antrópicas, da bacia hidrográfica, condicionam
de forma local as suas consequências; na prática o desequilíbrio dessa relação é responsável
por muitas das adversidades observadas hoje.

Na maioria dos casos onde a bacia hidrográfica se constitui em uma unidade


espacial de estudo, são abordados apenas seus elementos físicos, o que na verdade forma um
verdadeiro diagnóstico. Somente a partir de uma visão mais integradora é possível se fazer um
estudo que mostre a verdadeira interação entre os elementos físicos, antrópicos,
socioeconômicos, políticos e ambientais, ou seja, os estudos integrados.

Portanto, considerada unidade espacial ideal para análise de seus elementos físicos
e humanos Christofoletti (1979), Prochnow (1990), Bertoni e Lombardi Neto (1990), e Cunha
(1999) afirmam que a bacia hidrográfica possui relação dinâmica entre seus elementos
componentes, facilitando a análise e o desenvolvimento de ações conjuntas de planejamento e
ordenamento territorial.

É justamente, esse sistema que nos últimos anos vem sofrendo agressões tais
como: manejo inadequado do solo, tanto em áreas rurais quanto em áreas urbanas;
crescimento populacional; encostas desprotegidas de vegetação; ocupação humana
desordenada e grande concentração de chuvas em escala local, é o que indicam Guerra e
Cunha (1996).

O crescimento demográfico e o desenvolvimento tecnológico trouxeram


benefícios significativos para a humanidade, no entanto, geraram impactos ambientais, sociais
e culturais em níveis locais, regionais e globais. Para Ross (2006), a fragilidade dos ambientes
naturais diante dos crescentes índices de pressão antrópica também dependem das
27

características genéticas do ambiente. Pode-se dizer que uma área que apresenta
características geológicas, geomorfológicas e pedológicas frágies tem maior probabilidade de
apresentar problemas de degradação ambiental do que uma área que apresenta características
contrárias.

Nessa perspectiva, pretendemos analisar a intervenção humana na área da bacia


do riacho Açaizal, partindo das características da ocupação, seguida dos aspectos físico-
ambientais, atividades econômicas, para entender a relação sociedade-natureza, no interior da
mesma, para daí então concluirmos a diagnóstico geoambiental da bacia a fim de fornecer
dados úteis ao ordenamento do uso da mesma.

1.2.3. O Uso da Terra: algumas considerações

Não tem sido fácil encontrar na literatura disponível, até o presente momento,
uma definição mais aceitável em relação aos termos uso do solo e/ou uso da terra, até mesmo
o manual técnico de uso da terra, da série manuais técnicos em geociências, elaborado pelo
IBGE não traz uma definição concreta do que venha a ser conceitualmente uso da terra.
Diante do quadro apresentado, entende-se uso da terra como sendo a forma pela qual o espaço
geográfico está sendo ocupado e usado pelo homem. Desta forma, as práticas de
planejamento, gestão e de uso da terra têm um grande impacto sobre os sistemas naturais
incluindo a água e o solo.

Informações sobre o uso da terra podem ser usadas para desenvolver soluções
com vista a gestão de problemas relacionados a recursos naturais, como por exemplo:
qualidade e aproveitmento da água. O levantamento do uso da terra é de grande importância,
na medida em que o uso desordenado do solo causa a deterioração da qualidade ambiental do
ambiente. Os processos de erosão intensos, as inundações, os assoreamentos dos cursos
d’água são consequências do mau uso do solo.

Os termos uso da terra e uso do solo têm sido utilizados de maneira generalizada
para indicar as diferentes formas de ocupação agrícola e não agrícola das terras. Marques
(1971) e Lepsch et al (1983) esclarecem que o conceito de “solo” é bem mais restrito, sendo
considerado como um conjunto de corpos tridimensionais na superfície terrestre, contendo
matéria viva com capacidade de suportar plantas, apresentando atributos internos próprios e
características externas que é possível descrevê-los e classificá-los.
28

Já a palavra “terra”, é mais abrangente, pois inclui em seu significado o solo e os


vários atributos de uma área, como a localização, o relevo, o substrato geológico, a hidrologia,
tipos e grau de erosão, clima e vegetação, impedimentos à motomecanização, e cuja utilização
agrícola depende também de condições de infraestrutura (meios de transporte, instalações,
máquinas, equipamentos) e, também as condições socioeconômicas (salubridade da região,
disponibilidade de mão de obra, mercado, preços de insumos e de produtos agropecuários).

Nesta linha Anderson et al. (1979) afirma que devemos levar em consideração
dois conceitos intimamente relacionados, que são o de uso da terra e o de revestimento do
solo, respectivamente. O primeiro é concernente à atividade do homem na terra, que se acha
diretamente relacionada com a terra. O segundo se refere à vegetação e construções artificiais,
que recobrem a superfície da terra.

O uso da terra, admite uma variedade tão grande quanto o conjunto de atividades
da própria sociedade. Se categorias de uso da terra são criadas a cada dia, é principalmente
com a finalidade de classificação das atividades e tipos de assentamento para efeito de sua
regulação e controle através de leis de zoneamento, ou leis de uso do solo.

Geralmente onde não há um adequado planejamento do uso da terra ou sua


execução não segue o planejado, ocorre degradação exacerbada da terra e de seus recursos
naturais. Como consequência desta prática muitas vezes há miséria em regiões onde houve
esgotamento dos recursos naturais. O levantamento do uso da terra é importante para a
compreensão dos padrões de organização do espaço pela sociedade. As medidas para o
planejamento do uso da terra têm sido, até recentemente, baseadas em informações
fragmentadas sobre os efeitos do uso da terra no meio ambiente.

Os primeiros trabalhos de levantamento do uso da terra foram feitos em trabalhos


de campo. A partir da década de 1960, iniciou-se o uso de mapeamento detalhado, utilizando
fotografias aéreas, em geral, as do projeto USAF. Recentemente, técnicas de sensoreamento
remoto tem sido usadas no levantamento do uso da terra, o que tem apresentado resultados
satisfatórios, mais vale ressaltar que temos muitos desafios pela frente ainda.
29

1.3. Os Pressupostos Metodológicos da Pesquisa

1.3.1. A Visão Sistêmica nos Estudos Ambientais

Fazer uma análise da relação entre as formas de uso da terra e o comportamento


ambiental de uma bacia hidrográfica não é tarefa fácil principalmente, se tratando de uma área
sedimentar, com solos de baixa fertilidade e com cobertura vegetal diminuta. É importante,
antes de tudo, conhecer o processo histórico de ocupação territorial e, para isso, temos que
compreender o cenário que influenciou tal processo de ocupação.

Entender a relação do homem com o meio é antes de tudo entender a forma e/ou
as formas de como ele se relaciona com o mesmo, de acordo com sua cultura e momento
histórico vivido. A interação dos elementos físicos e humanos, unida aos valores culturais das
sociedades, bem como aos interesses socioeconômicos e políticos, predominantes no curso da
história da ocupação do território, constituem-se em variáveis que apresentam íntima relação
com as práticas agrícolas desenvolvidas, a estrutura fundiária e o uso da terra em geral
(SPOSITO et al. 2004).

A forma de inter-relação entre homem e natureza, tem sido mais uma vez tema de
várias discussões dentro da ciência geográfica e de outras áreas do conhecimento que lidam
com o meio ambiente. Na geografia brasileira, em especial, a partir da segunda metade do
século XX – período pós-guerra - tivemos a significativa contribuição de autores como
Casseti (1991), Gonçalves (1996), Mendonça (1998), Monteiro (2001), Suertegaray (2002),
dentre vários outros. Os referidos autores têm nos proporcionado momentos significativos de
reflexões sobre a relação Homem/Meio ou Sociedade/Natureza.

A análise ambiental já faz parte dos procedimentos teórico-metodológicos


aplicados em Geografia Física, na elaboração de diagnósticos e/ou prognósticos ambientais
que servem como base para a aplicação de medidas que visem o planejamento ambiental e
ordenamento territorial. Essa análise é pautada nas condições físicas de maneira integrada
com as ações da sociedade, ou seja, de forma sistêmica.

Neste contexto, percebe-se que, a partir do final do século XX, e início do XXI, o
desenvolvimento de trabalhos de estudos ambientais, que se utilizam dos pricípios de análise
sistêmica, têm crescido significativamente, primeiro nas ciências naturais e mais recentemente
na geografia. A Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida a partir de 1932, por R. Defay e
30

Ludwig von Bertalanfly (1975), tem proporcionado um avanço crescente às ciências da


natureza. Tal teoria proporcionou estudos que passaram a ter uma perspectiva organicista dos
processos, resultando numa visão integradora dos diversos elementos e fatores por meio dos
quais se processa a transferência de matéria e energia no interior de um sistema.

Para Christofoletti (1979, p.7), um sistema é definido como sendo “[...] um


conjunto de objetos ou atributos e das suas relações, que se encontram organizadas para
executar uma função particular”. Os sistemas possuem um funcionamento dinâmico,
modificando seus estados por meio de transformações contínuas, executando processos,
visando obter determinadas respostas, que no espaço e tempo operam com entradas (input) e
saídas (output) de matéria e energia, possuindo uma organização e funcionalidade entre os
elementos componentes.

1.3.2. Materiais e Produtos Cartográficos

Para o alcance dos objetivos enunciados neste trabalho, norteamos


metodologicamente a pesquisa através da abordagem sistêmica em momentos específicos,
partindo de uma análise histórica do processo de ocupação do oeste maranhense e da bacia,
para em seguida iniciarmos uma discussão sobre bacia hidrográfica enquanto unidade espacial
de análise integrada, logo prossegue a caracterização física dos elementos da paisagem e por
último a caracterização da susceptibilidade à erosão laminar e da potencialidade à erosão
laminar que juntas compõem o diagnóstico geoambiental da bacia hidrográfica, relacionadas
ao uso atual da área.

Um dos recursos metodológicos indispensáveis para a realização de estudos


científicos diz respeito ao levantamento de fontes bibliográficas, por considerar tal
procedimento como ferramenta importante para o enriquecimento teórico do trabalho, além de
procurar discutir melhor a unidade de estudo da bacia hidrográfica e situá-la quanto à
evolução e estágio atual de sua utilização enquanto unidade de estudos ambientais, diz
respeito também a todas as fontes de informações secundárias relacionadas com o trabalho, e
que foram adotadas como forma de melhor direcionar a pesquisa.

As fontes bibliográficas foram utilizadas tanto para a construção da base


conceitual quanto em termos de fundamentos teórico-metodológicos. Tais como: livros,
artigos de jornais e periódicos, dissertações, teses e etc.
31

Além dos dados bibliográficos, os dados cartográficos são de fundamental


importância, sejam os já existentes como as cartas topográficas, ou imagens de satélite, e que
estejam relacionados com os trabalhos propostos. O procedimento se inicia com a coleta e
organização de todo o material básico cartográfico na forma de fontes bibliográficas, mapas,
imagens de satélite com resolução compatível. Essa busca tem por objetivo o conhecimento
antecipado da realidade da área em estudo e outros aspectos que possam ser tomados como
referências preliminares e apoio aos estudos a serem desenvolvidos.

Para o conhecimento preliminar da área objeto de estudo e dos fatores


socioeconômicos e ambientais foi indispensável a utilização de algumas bases cartográficas,
tais como:

• Cartas topográficas em escala 1:100.000 dos municípios de Imperatriz e João Lisboa


folhas SB. 23-V-C-V, MI-954 e SB.23-V-C-II, MI-877, respectivamente de 1984,
disponíveis em www.zee.ma.gov.br.
• Imagens de satélite LANDSAT-TM-5 bandas 3, 4 e 5 (RGB), órbita/ponto 222_046
de 1984 e 2009 fornecida pelo INPE;
• Carta geológica produzida pelo DNPM/CPRM folha SB 23-V-C - Imperatriz em
escala de 1:250.000 de 1990 fornecida pela CPRM de Goiênia;
• Mapas de solos dos municípios de Senador La Rocque e Buritirana em escala de
1:100.000 produzidos pelo CNPS/EMPRAPA em 1996, disponiveis em
www.cnps.embrapa.br.

Em se tratando de um estudo integrado do ambiente, a análise e interpretação dos


produtos cartográficos resultantes da base acima exposta foram feitos de forma sistêmica, com
a intenção de oferecer subsídios a elaboração do diagnóstico ambiental da bacia.

• Carta de Geologia: A carta de geologia foi digitalizada no software Arcgis a partir da


carta de Geologia da CPRM/DNPM, de 1990, em escala de 1:250.000 original.
Visualizado na escala de 1:100.000. Foram identificadas as classes: Ki (Formação
Itapecuru) Kc (Formação Codo) e TQc (Coberturas Tércio-Quaternárias).
• Cartas de Hipsometria, Declividade e Curvatura: As Cartas de hipsometria,
declividade e curvatura foram elaboradas a partir do Modelo Digital de Elevação
(MDE), originário do projeto TOPODATA/INPE. Resolução espacial de 30m.
32

Elaborou-se o modelo de hipsometria onde foram identificadas nove classes (159-201,


201-243, 243-285, 285-327, 327-369, 369-411, 411-453). Já a carta de declividade
foram identificadas sete classes. A metodologia adotada para a determinação das
classes de declive foi a de RAMALHO FILHO e BEECK (1999). Os autores
definiram os seguintes intervalos: 0%-3% com relevo plano a praticamente plano,
3.1% -8% relevo suave ondulado, 8.1%-13% relevo moderadamente ondulado, 13.1%-
20% ondulado, 20.1%-45% forte ondulado, e < 45% escarpado. A carta de curvatura
teve as classes definidas a partir das quebras naturais com mínima variância intra-
classe. Sendo identificadas curvaturas nas formas retilíneas, côncavas e convexas.
• Carta de Solos: A carta de solo foi digitalizada a partir do mapa de solos da
EMBRAPA/CNPS em escala de 1:100.000 de 1996. Foram identificadas as classes
Latossolo Amarelo, Plintossolo Argilúvico e Argissolo Vermelho-Amarelo.
• Cartas de Vegetação e Uso da Terra de 1984 e 2009: Imagem Landsat TM 5
(resolução espacial de 30m e espectral de 7 bandas) composição colorida RGB/543.
Órbita/Ponto 222_064 de 18/06/1984 e 10/08/2009. Segmentação do SPRING 5.1
DGI/INPE, índice de similaridade foi 12, data e a área foi 16 pixel. Definição de
classes solo exposto, pastagem, agricultura, vegetação natural, vegetação secundária e
área urbana, reflectância de cada classe. Foi exporto no formato SHP (Shapefile) e a
elaboração do mapa.
• Carta de Susceptibilidade à Erosão Laminar: foi elaborada a partir da metodologia
apresentada por Salomão (1992), as classes de susceptibilidade foram alcançadas a
partir do cruzamento dos dados de erodibilidade relativa dos solos da bacia a saber:
Argissolo Vermelho-Amarelo, Latossolo Amarelo e Plintossolo Argilúvico, e da
declividade. Foram encontrados cinco classes de susceptibilidade S1, S2, S3, S4 e S5.
• Carta de Potencialidade à Erosão Laminar: para alaboração do mapa de
potencialidade a erosão laminar usamos a metodologia apresentada por Salomão
(1992), onde foram cruzados os mapas de susceptibilidade e de uso da terra. Foram
identificadas quatro classes de potencialidade sendo: PI, PII, PIII, PIV e PV.

1.3.3. O Trabalho de Campo

No que se refere a caracterização do processo de ocupação da bacia, não dispomos


de muitas informações. Para o enriquecimento do presente capítulo, uma vez que as bases
teóricas existentes ou são insuficientes ou não retratam a abordagem a qual nos propomos,
33

optamos pelo uso de fontes primárias, onde foram realizadas entrevistas estruturadas
(MARACONI e LAKATOS, 1990), com os moradores dos povoados Açaizal Grande,
Cumaru, Olho D’água e Jenipapo.

A metodologia utilizada para as entrevistas é uma adaptação de Vieira (1999),


onde o autor sugere a entrevista individual e direta, depois uma entrevista coletiva caso haja
alguma incompatibilidade entre os depoimentos dos entrevistados acerca do objeto de estudo.
Os critérios de seleção dos moradores a serem entrevistados foram os seguintes: morar
atualmente em um dos quatro povoados que compõem a bacia; ter sido um dos primeiros
moradores do povoado; se disponibilizar a prestar entrevista e autorizar a gravação ou
anotação da mesma; aceitar fazer a entrevista coletiva depois da entrevista individual se
necessário.

Diante dos critérios acima expostos, foram selecionados vinte moradores, sendo
cinco do povoado Jenipapo, sete do povoado Açaizal Grande, três do povoado Olha D’água e
cinco do povoado Cumaru. Antes da seleção dos moradores a serem entrevistados fizemos
uma visita para identificar os moradores que chegaram aos povoados no período de sua
origem; em seguida foram escolhidas as pessoas em cada povoado, dentre os que foram
identificados anteriormente para prestar entrevista, a escolha dos entrevistados foi feita pela
disponibilidade de cada um, uma vez que alguns não se disponibilizaram a prestar
informações gravadas, nem anotadas.

Foi elaborado um roteiro prévio da entrevista contendo 10 questões (Apêndice A),


sendo igual para todos os entrevistados dos quatro povoados. A entrevista foi realizada de
forma direta, com questões abertas e gravada em local fechado, para que o entrevistado
tivesse maior liberdade para prestar as informações. Depois da entrevista gravada o
entrevistado ouvia-a e se possível fazia algumas correções. Em alguns casos a entrevista foi
realizada duas vezes ou mais até que o entrevistado concordasse com tudo que tinha falado.
34

2. A DINÂMICA DE OCUPAÇÃO DA BACIA DO RIACHO


AÇAIZAL

2.1. As Frentes de Ocupação do Espaço Maranhense

O estado do Maranhão teve seu processo de ocupação iniciado pelo litoral, na


primeira metade do século XVII, no começo pelos franceses, com a fundação de São Luís, em
1612. Em seguida os portugueses comandaram o processo de ocupação, sendo que a primeira
frente de ocupação portuguesa foi denominada por Cabral (1992) de “frente litorânea”. Tal
frente teve a participação do Estado português e da Igreja. Essa frente se inicia pelo litoral e
segue em direção ao interior do estado pelo vale dos rios Itapecuru, Mearim e Grajaú,
chegando até o município de Caxias, no leste do estado.

Outra frente não menos importante no processo de ocupação do estado foi a


denominada por Cabral (1992) de “frente pastoril” (Fig. 2), ou frente dos criadores de gado,
responsável pela ocupação do sul do Maranhão. Iniciada na Bahia percorre todo o sertão
nordestino e chega ao leste do estado pelos sertões de Pastos Bons, no século XVIII. Em sua
trajetória recorta os campos de cerrado do centro sul do estado, chegando até a região de
floresta equatorial, na microrregião de Imperatriz. Trovão (2008) afirma que a frente dos
criadores de gado estacionou exatamente ao sul da floresta equatorial e a norte do cerrado,
enquanto a frente vinda do litoral só conseguiu alcançar o baixo curso dos rios que formam o
golfo maranhense, deixando, portanto, um vazio demográfico entre uma corrente e outra.

O vazio existente entre as duas frentes, a litorânea e a pastoril baiana,


compreendia a região oeste do estado com a presença da floresta equatorial que constituía um
obstáculo natural que dificultava a penetração de populações, aliado a isso a inexistência de
estradas trafegáveis manteve a área isolada até meados da década de 1950.
35

Figura 2. Rota de expansão da frente pastoril. Fonte: Rocha (2009)


36

Outros autores, dentre eles Feitosa e Trovão (2006), Trovão (2008), e Lima (2008)
fazem referência a uma terceira frente denominada de “frente de expansão agrícola” por uns
e/ou “corrente de fugitivos da seca” por outros. Originária do sertão nordestino no início do
século XX, por volta de 1930, embora de forma tímida em sua fase inicial, passando pelo leste
e chegando com grande expressão no oeste maranhense, a partir dos anos de 1960, já em sua
segunda fase. Trovão (2008) explica que os motivos que trouxeram os migrantes do leste para
o oeste do estado, podem ser classificados em dois: os de repulsão e os de atração. O primeiro
fugindo da seca que castigava o sertão nordestino no momento das dificuldades de absorção
de mão de obra, enquanto as causas do segundo seriam terras abundantes e devolutas, índice
pluviométrico satisfatório e solos férteis, além do verde da floresta. A frente nordestina
movida pela necessidade de terras para a prática da agricultura itinerante possibilitou o avanço
pela pré-amazônia maranhense estabelecendo novas rotas principalmente para o vale do rio
Pindaré.

Ao que nos parece, a terceira frente constitue a de maior importância para a


abordagem proposta no presente trabalho, em especial sua segunda fase, uma vez que nos
propomos a abrir uma breve discussão acerca do processo de ocupação do oeste maranhense,
a partir da segunda metade do século XX, momento em que o Maranhão é inserido na
economia nacional com a cultura do arroz. Inicialmente se faz necessário entender o que
levou a região a entrar na conjuntura econômica nacional, em seguida as etapas de ocupação e
por fim como isso se processa até chegar à área objeto de estudos.

Importante é fazer algumas distinções entre as várias concepções apresentadas


sobre frentes. É comum na literatura geográfica se falar em frente de expansão e frente
pioneira. No entanto, a distinção entre uma e outra nem sempre é consenso entre os
estudiosos. Para Martins (1996), os geógrafos falam da frente pioneira como fronteira
econômica, enquanto a frente de expansão seria entendida como fronteira demográfica. Isso
reflete talvez o contexto em que cada autor está inserido no momento em que relata tal
processo ou até mesmo o período histórico em que os mesmos analisam tal termo.

Para Sousa (2005. p. 36) “[...] os geógrafos consideram a movimentação


econômica como uma das condições básicas para entender o processo atual de ocupação das
fronteiras”. Martins (1996) faz uma análise didática de fronteira, partindo da ocupação inicial
chamada por ele de frente de expansão, tomando como base às concepções da Geografia,
37

onde para ele frente de expansão é concepção de ocupação do espaço de quem tem como
referência às populações autóctones, enquanto a concepção de frente pioneira não leva em
conta essas populações, tem como referência o empresário, o fazendeiro, o comerciante e o
pequeno agricultor.

Waibel (1955) apud Lima (2008, p. 49). Afirma que “uma das características de
todas as zonas pioneiras seriam o crescimento rápido da população e paralelamente a isso a
expansão rápida de uma área cultivada”. Portanto, nesta concepção não se pode considerar o
criador de gado, nem tampouco o empresário como agentes na zona pioneira o que difere da
visão de Martins (1996).

Neste sentido Sousa (2005), coloca que a frente de ocupação da região de


Imperatriz abrigava agentes com interesses distintos, de um lado as populações pobres
oriundas do nordeste e do leste maranhense, fugitivos da seca, que encontraram na região
condições favoráveis para o desenvolvimento de uma agricultura itinerante de subsistência e
do outro, fazendeiros oriundos do centro-sul do país, atraídos pela facilidade de aquisição de
terras na região através de incentivos fiscais do estado.

Portanto, a segunda fase da frente agrícola dos nordestinos fugidos da seca é


alimentada por programas federais, e por incentivos do governo do Maranhão, como veremos
a seguir. Ao analisar a dinâmica da frente agrícola, que tinha como agentes nordestinos
fugidos da seca que se dirigiram ao oeste maranhense no século XX, Lima (2008) afirma que
esse fluxo migratório se deu em duas etapas, uma bem mais tímida por volta da década de
1930, e uma segunda bem mais intensa a partir de 1960, após diversos investimentos dos
governos federal e estadual, com o intuído de incorporar a região oeste no modelo econômico
nacional. Para Lima (2008), o sentido do deslocamento desta frente em sua segunda etapa se
dar no sentido leste-oeste, partindo do vale do Pindaré até o vale do Tocantins, nessa saga dos
ocupantes da frente surgiram diversos povoados e vilas, umas deram lugar a cidades e outras
já nem existem mais.

Vale ressaltar que a ocupação efetiva da microrregião de Imperatriz deu-se na


segunda metade do século XIX, com a fundação da vila de Santa Tereza, sendo que de sua
fundação em 1852 até a década de 1950 permaneceu à frente de expansão, marcada pela
relação entre índios e posseiros. O início das obras de construção da rodovia BR-010 (Belém-
Brasília) muda completamente a dinâmica de ocupação da área e ai se instala a frente
38

pioneira, com fazendeiros e latifundiários. Juntamente com essa frente começa, a partir da
década de 1960, o processo de grilagem das terras dos vales do Tocantins e Pindaré
(ASSELIN, 1989).

Nesse contexto, a ocupação da Pré-Amazônia maranhense, ou mais


especificamente da microrregião de Imperatriz, teve seu processo de ocupação acelerado a
partir da abertura da Rodovia BR 010 (Belém-Brasília) no final doa década de 1950 e início
dos anos 60, com a chegada de um grande número de migrantes vindos em grande maioria do
leste do estado e de outros estados da região nordeste e posteriormente com a implantação do
Projeto Grande Carajás na década de 1980, este além de atrair mão de obra desabrigou muitas
famílias também que se dirigiram para a área de estudo.

2.2. Os Eixos Rodoviários e o Ciclo do Arroz

Com a inserção do Maranhão na divisão nacional do trabalho, o mesmo passou


por uma rápida evolução econômica e social, a partir da década de 1950. Neste momento a
região oeste incorporou numa contínua expansão de sua dinâmica de ocupação territorial.
Pode-se afirmar que os espaços vazios ora existentes entre as duas correntes de ocupação do
Maranhão já não existiam mais, esse processo de ocupação sempre esteve ligado à concepção
de frente, responsável pelos avanços demográficos, econômicos e sociais.

Incorporar as terras livres do Maranhão no modelo econômico vigente, baseado


no capitalista de produção, tornou-se uma tarefa urgente e prioritária por parte dos governos
estadual e municipal, a partir da década de 1950. A região oeste do estado e, em especial, a
microrregião de Imperatriz tinha urgência em incorporar áreas vazias ao modelo vigente, dar-
se então a abertura das frentes de ocupação na área em referência.

Arcangeli (1987, p. 100), destaca quatro momentos importantes na formação do


espaço econômico e social do Maranhão:
1. A conquista e povoamento inicial seja pela corrente litorânea ou pela pastoril;
2. A inserção na divisão internacional do trabalho com a cultura do algodão;
3. A involução econômica, com a queda da cultura do algodão e diminuição da
extração do babaçu e seus derivados;
4. A inserção na divisão nacional do trabalho com a cultura do arroz.

Vale ressaltar então, que o quarto momento destacado pelo autor citado acima nos
interessa, pois foi deste momento em diante que se deu a ocupação tanto da região oeste
maranhense, quanto da bacia em estudo. Pois bem, a inserção do Maranhão no contexto
39

econômico nacional, acontece mediante quatro grandes fatores, o primeiro a abertura de eixos
rodoviários nacionais (BR 010 e BR 226) e estaduais (MA 122 e MA 280), o segundo a
ocupação do oeste do estado, antes chamado de vazio demográfico, partindo de intensos
fluxos migratórios provenientes tanto do leste maranhense quanto de estados vizinhos em
especial Ceará e Piauí, e o terceiro vale destacar o avança das áreas de lavoura temporária,
produtoras de alimentos barato para o mercado nacional e finalmente o avanço da pecuária,
antes na retaguarda das áreas de lavoura e agora seguindo o plantio de pastagens ou
aproveitando as áreas já desbravadas pela a agricultura itinerante.

Já Arcangeli (1987), ao analisar a ocupação do oeste maranhense, iniciada com a


frente agrícola chega a afirmar que tal processo se deu em uma quarta fase de formação
econômico-social, que para ele, grande parte dos migrantes que chegaram a Imperatriz, nos
anos de 1960, tiveram que se deslocar para o interior, no sentido leste, em função de terras
devolutas ora existentes no vale do rio Pindaré, passando por João Lisboa e Mucuiba, atual
sede do município de Senador La Rocque, ambos na microrregião de Imperatriz.

A quarta fase econômica a qual o autor fez referência foi caracterizada pela
inserção do Maranhão na divisão nacional do trabalho. O referido autor destaca alguns
momentos que caracterizam a tal fase como:

Avanço das áreas de lavoura temporária, produtoras de alimentos para o mercado


nacional; Ocupação efetiva do oeste maranhense, antes espaço vazio, a partir da
intensificação dos fluxos migratórios provenientes do leste maranhense e de estados
nordestinos; Avanço da pecuária e áreas de pastagem, antes na retaguarda das áreas
de lavoura e atualmente sobre as mesmas. Arcangeli (1987, p. 101).

Logo após a chegada definitiva da frente agrícola foi possível perceber algumas
mudanças econômicas e sociais na microrregião de Imperatriz, dentre elas podemos destacar
um avanço crescente das áreas de lavoura temporária (gráfico 1), produtora basicamente de
arroz, milho, feijão e mandioca. Neste sentido Villar et. al. (2001) faz referência a quatro
sistemas de cultivos existentes no Maranhão até meados da década de 1970, sendo os
seguintes: roça em toco, roça pouco mecanizada, roça irrigada e roça mecanizada. Na região
oeste do Maranhão havia o predomínio de dois sistemas de cultivo sendo eles: a roça em toco
praticada nas pequenas unidades familiares nas proximidades da cidade de Imperatriz e a
pouco mecanizada praticada por médios proprietários ao longo da rodovia BR-010.
40

Gráfico 1. Lavoura Temporária na microrregião de Imperatriz no período de 1960 a 2007. Fonte: IBGE.
Organização: Ronaldo dos Santos Barbosa.

O avanço das áreas de lavoura temporária até a decada de 1980, foi um fenômeno
que identificava a inserção ou (re) inserção do Maranhão na economia nacional. Nesse
período o Maranhão era considerado “celeiro agrícola do nordeste”, e assume papel
importante na produção de alimentos baratos que permitem a baixa remuneração de sua força
de trabalho. Como consequência de tal papel assumido pelo Maranhão em especial a região
oeste, torna-se área de absorção dos nordestinos fugidos da seca e em busca de terras para
trabalharem. Este avança teve início na década de 1970 e durou até o final da década de 1980.

A partir da década de 1970, a microrregião de Imperatriz se tornou uma grande


produtora de arroz (gráfico 2), sendo a maior exportadora para Minas Gerais. Instala-se na
região, neste momento, o ciclo do arroz que dura pouco mais de uma década, logo é
substituído pelo ciclo da madeira e pela expansão da pecuária. Com a diminuição de terras
devolutas nas proximidades de Imperatriz e ao longo da BR-010 se inicia uma corrida
desenfreada para ocupaçãi das terras do vale do Pindaré em direção ao recém criado
município de João Lisboa, chegando até os municípios de Montes Altos e Amarante do
Maranhão.
41

Gráfico 2. Produção de arroz na microregião de Imperatriz de 1960 a 2007. Fonte: IBGE. Organização: Ronaldo
dos Santos Barbosa.

É notório que a abertura da rodovia BR-010 impulsionou este processo de


migração para o oeste do estado. A partir das décadas de 1960 e 1970, com a abertura de
outros eixos rodoviários possibilitando o fluxo migratório de leste para oeste, observa-se
nesse período até meados dos anos 1990 um rápido crescimento populacional nessa área. As
frentes de migrantes avançaram rapidamente causando transformações de ordem ambiental e
quebrando as estruturas sociais e econômicas pré-existentes.

Segundo Léna (1998), para se compreender esse movimento de migração em toda


sua dimensão, não se pode analisar somente os aspectos socioeconômicos e espaciais, é
importante incluir também os atores participantes desse movimento e levar em conta suas
motivações. Pois, cada migrante que se dirige para essas áreas, independente de sua posição
social, alimenta a esperança de acumulação de bens, assegurando assim, sua promoção social
e um futuro melhor para suas famílias.

Asselin (1982, p. 26), relata as condições dos migrantes que viviam às margens da
BR- 010 na década de 1970; “O povo bebia água de cipó e comia só carne de caça com sal ou
arroz de pilão cozido na água e sal. Enfrentaram malária, que fez muitas vítimas. Morria tanta
gente que nem se fazia mais vista por luto”.
42

Analisando o processo de ocupação dos espaços vazios do território nacional


Martins (1994. p. 15) disserta sobre os reais motivos dos movimentos migratórios regionais.

A causa dos movimentos migratórios espontâneos internos, basicamente, resultam


de disposição individual ou de grupos de indivíduos em busca de melhores
condições de vida, senão e própria sobrevivência. [...] Se não há oportunidade onde
se encontra, o homem, sobretudo o trabalhador da terra, vai a procura de onde se
instalar e garantir melhores condições de vida.

Ressalta-se que a pavimentação da Belém-Brasília foi outro fator de essencial


importância para se compreender os fluxos migratórios para o vale do Pindaré, pois de 1967
até mais ou menos 1970, o tráfego nestas rodovias só eram possíveis na estação da seca. “O
asfalto facilitou as comunicações e o surto de valorização das terras foi muito grande,
provocando ainda mais a cabeça dos grileiros que formavam verdadeiras quadrilhas para
açambarcar as terras dos índios e dos posseiros dessas regiões”.(ASSELIN, 1982. p. 21).

2.3. Os Conflitos pela posse da Terra e o avanço da pecuária

Para compreender o contexto em que a região se inseria a partir deste período se


faz necessário analisar o cenário nacional. Sousa et. al (1990) afirmam que a ocupação efetiva
do oeste maranhense se inicia no governo de Juscelino Kubitschek, quando no final de 1956
cria o GTDN (Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste), coordenado por
Celso Furtado, onde uma de suas preocupações era a ocupação do oeste do Maranhão, como
alternativa para diminuir as pressões das regiões nordestinas castigadas com a seca.

Diante das afirmações expostas acima notamos também a intenção do Governo em


diminuir os fluxos migratórios da região nordeste para a região sudeste, criando assim uma
alternativa para os nordestinos que sonhavam com um pedaço de terra para cultivar.
Percebemos deste momento em diante o aumento considerável da população da região de
Imperatriz e entorno (gráfico 3).
43

Grafico 3. Crescimento da população na microrregião de imperatriz no período de 1950 a 2000. Fonte: IBGE.
Organização: Ronaldo dos Santos Barbosa.

O marco definitivo do processo de ocupação capitalista das terras da região de


Imperatriz e do vale do Pindaré – oeste maranhense - foi a aprovação da lei estadual nº
2.979/69, que instituía o Estatuto da Terra do Maranhão, ou vulgarmente chamada da “lei de
terras do Sarney”. A referida lei tinha como intenção maior incentivar a apropriação, à
medida que abre o campo para as ocupações de terras, via sociedade anônima, provocando o
esmagamento da pequena propriedade e a institucionalização da grilagem.

Algumas grandes fazendas foram implantadas à custa de incentivos fiscais. Desta


forma despontam na região, latifúndios, grandes proprietários individuais e pequenos
proprietários. A luta pela propriedade é exercida normalmente pelo confronto com antigos
ocupantes, incluindo fazendeiros tradicionais e posseiros. Com o crescimento das áreas de
lavoura temporária e o aumento da população as áreas antes usadas pela lavoura davam lugar
a uma nova paisagem. As pastagens plantadas desde a década de 1970 tiveram crescimento
expressivo (gráfico 4).
44

Grafico 4. Pastagem plantada na microrregião de Imperatriz no período de 1960 a 2007. Fonte: IBGE.
Organização: Ronaldo dos Santos Barbosa.

PRODIAT (1995), afirma que as terras livres ou devolutas ora existentes no oeste
maranhense que tinham cobertura florestal foram transformadas em pastagens por fazendeiros
e/ou grupos empresariais, favorecidos pelos incentivos fiscais oriundos da SUDENE. As áreas
de pastagens plantadas acompanhavam o mesmo ritmo de crescimento dos rebanhos bovinos
(gráficos 4 e 5). Segundo Asselin (1982), antes do início das obras de construção da rodovia
Belém-Brasília os principais produtos agrícolas cultivados em Imperatriz eram: cana-de-
açúcar, milho, feijão, fava, arroz e mandioca, todos destinados apenas ao consumo local.
45

Grafico 5. Efetivo bovino na microrregião de Imperatriz de 1960 a 2007. Fonte: IBGE. Organização: Ronaldo
dos Santos Barbosa.

Com a construção da rodovia Belém-Brasília, a região toma outra dinâmica.


Arcangeli (1987) relata que, através de incentivos fiscais, proporcionados pela SUDENE, nas
décadas de 1960 e 1970, e pela criação do Estatuto da Terra do Maranhão “Lei de Terras do
Sarney”, foram responsáveis pela dinamização das atividades da pecuária, antes presentes
apenas nas áreas de ocupação mais antigas tomam novo rumo em buscas de áreas já
exploradas pela agricultura. Essa ocupação rápida no oeste causou uma série de violentos
embates entre pequenos proprietários e fazendeiros.

Asselin (1982), ao se referir sobre as etapas de ocupação e desenvolvimento da


região de Imperatriz, divide didaticamente o período que compreende as décadas de 1960 e
1970 em três períodos distintos sendo: o primeiro de 1956 a 1964, marcado pela construção
da Belém-Brasília e junto com a rodovia os processos de grilagem de terras, dentre os mais
significativos os grilos do Gurupi, Torre Segunda, Campo Alegre e Frades; o segundo de
1965 a 1968 com a interiorização da ocupação em direção ao vale do Pindaré e o terceiro de
1969 a 1977, marcado pela criação da Delegacia de Terras logo substituída pela SAGRIMA
(Secretaria de Agricultura do Maranhão), com o objetivo de “disciplinar” a ocupação e titular
as terras.

Já no final da década de 1970 e início de 1980, em função dos grandes conflitos


existentes na Pré-Amazônia, foi criado pelo Governo Federal o Programa de
46

Desenvolvimento Integrado do Araguaia-Tocantins – PRODIAT, criado durante o governo de


João Figueiredo pelo Decreto-lei nº 1.767, de 1º de fevereiro de 1980 e extinto pelo Decreto-
Lei Nº 2.328, de 5 de maio de 1987, durante o governo de José Sarney. Segundo PRODIAT
(1985), a construção das Rodovias BR-010 (Belém-Brasília), no final da década de 1950 e
Transamazônica, constituíram um fator importante para a aceleração do processo de ocupação
da Pré-Amazônia maranhense. A partir da década de 1970, com a pavimentação da Rodovia
Belém-Brasília e a criação do programa Grande Carajás, cria-se um novo fator de atração de
migrantes para a área.

Já na segunda metade do século XX, com a chegada da frente pioneira na região


de Imperatriz, se iniciam os conflitos pela posse das terras. Neste contexto Martins (1996)
disserta sobre tal fato afirmando que, com a capitalização do campo, é comum a ocorrência de
conflitos envolvendo pecuaristas e posseiros. Esse processo foi mais marcante na área
denominada Bico do Papagaio compreendendo o Norte do Tocantins, Sul do Pará e Oeste do
Maranhão. Segundo Andrade (1995) esta área foi ocupada rapidamente por pecuaristas
estimulados pela abertura da BR-010. Os criadores de gado utilizavam jagunços e expulsavam
os posseiros para estender suas áreas de pastagem, esse fato resultou na morte de alguns
posseiros, padres, advogados.

De acordo com as colocações de Asselin (1982), ao longo da Belém-Brasília,


viam-se migrantes nordestinos que ocuparam inicialmente as margens da rodovia e, logo em
seguida, com a chegada de fazendeiros mineiros, baianos e capixabas, formadores de uma
classe média rural. Com essa nova fase, iniciou-se um novo processo de expulsão de posseiros
que ocupavam pequenas glebas e foram obrigados a procurar outras áreas no interior ou se
transferirem para os núcleos urbanos.

Andrade (1995) relembra o caso do garimpo de Serra Pelada no Pará, que recebeu
grande parte dos posseiros expulsos da “região de Imperatriz”. A partir daí surgem os
conflitos fundiários entre posseiros, fazendeiros e empresas madeireiras que pretendiam se
apropriar de áreas maiores. Os conflitos pela posse de terras no Sul do Pará, Norte do Goiás e
oeste do Maranhão levam o governo federal a criar, em 1980, o GETAT (Grupo Executivo de
Terras do Araguaia/Tocantins).
47

2.4. A Emancipação de João Lisboa e a Ocupação da bacia do riacho Açaizal

A bacia foi ocupada a partir de 1960 por famílias vindas em particular do leste
maranhense e de outros estados nordestinos. Em geral, essas famílias vinham para Imperatriz
atraídas pelo progresso que ora se instalava com a abertura da rodovia BR-010 (Belém-
Brasília). Os grileiros da região impediam os posseiros e migrantes recém-chegados de ter
acesso às terras próximas à Imperatriz. Com a emancipação de João Lisboa, em dezembro de
1961, e a necessidade da ocupação de seu território, abrem-se correntes de ocupação das áreas
devolutas do novo município e é, nesse contexto, que a ocupação da bacia do riacho Açaizal
se concretiza.

Inicialmente tivemos a ocupação dos povoados Cumaru e Jenipapo, no final da


década de 1950. Logo em seguida, a ocupação de Olho D’água, em 1960, e de Açaizal
Grande, em 1961. O povoado Cumaru, ocupado no final da década de 1950, é hoje o que
apresenta maior dinâmica de crescimento. É o maior povoado do município, sendo menor
apenas que a sede Senador La Rocque, o mesmo conta com uma população de cerca de 1.746
habitantes (FUNASA, 2008), apresentando uma economia mais diversificada que vai da
agricultura com predomínio da horticultura, comércios (supermercados, lojas e farmácias) e
uma fábrica de queijo recebedora de todo o leite produzido nos arredores.

O povoado Cumaru foi ocupado inicialmente por posseiros vindos em sua grande
maioria do leste maranhense, e se mantiveram isolados de Imperatriz até meados da década de
1960, sendo que, a partir da pavimentação da BR-010, essa área se tornou alvo de grilagem
porque o intinerário agora eram as terras devolutas que ainda restavam na região do alto
Pindaré. Os destinos dos posseiros eram diversos, desde Paraibano no leste maranhense,
Imperatriz, Floriano no Piauí e Presidente Dutra, no Maranhão. As primeiras famílias
chegaram em 1958, mas somente a partir de 1966 houve um fluxo de migração mais intenso.

Nessa época as terras eram devolutas como afirma o Sr. E. F. dos S. (60, 2008).

Naquela época a terra era voluntária, não tinha dono, nóis trabaiava todo mundo no
mermo lugar, botava um pedaçim de roça aqui outro ali e assim foi, ai quando foi em
68 começou a divisão das terra aqui, foi feita pelos próprios posseiros, até que veio a
discriminatória dessa área em 84 pelo GETAT, ai nóis fiquemo só com um pedaçim
véi e o Aldo e o Abel ficaram com essas terras aqui de baixo, nesse pé de serra e
encheram de capim.
48

A divisão das terras começa no momento da chegada de novos posseiros e a


escassez de terras para roça ficava cada vez mais longe do núcleo do povoado, daí os
posseiros começaram a fazer a divisão dos lotes. Hoje, uma reclamação unânime das famílias
que ainda cultivam a terra é a de que a mesma está fraca, sendo inevitável a utilização de
veneno para controlar as plantas invasoras. Através dos depoimentos a seguir, dá para se ter
uma noção de como era a produção antes e como está hoje, apesar de ter ocorrido uma
pequena mudança da base técnica.

Quando nóis cheguemo aqui a produção era muita avançado e agora diminuiu muito,
através das terras ser só capoeirão e ai alguma da pra gente prantar, as terra tão
ficando fraca e ai o povo pranta muito capim e ai naquele lugar onde agente pranta
capim não da mais arroz como antigamente [...] antigamente o inverno era mais bom,
hoje ixi o inverno ta mais fraco e é muito e doido, tem ano que chove pouco outro que
chove demais, ninguém sabe mais quando começa e nem quando termina o inverno.
(E. da S. S, 58, 2008).

Uma linha de arroz naquela época dava 10 saco, todo lugar que agente botava roça
dava de 10 pa12 saco de arroz mais hoje a produção não é muito grande porque a
maioria das pessoas não tem é onde plantar, as terra aqui ta na mão de rico, pra
trabaia tem que pagar renda, a pessoa paga uma base de 10% ou 15% de
arrendamento pra puder produzir as pessoa pobre que num tem terra, a num ser que
seja os assentamentos, eu num vejo a hora de me aposentar. (E. F. S, 60, 2008).

Naquele tempo você plantava uma roça de 16 linhas (10.000 m2) panhava arroz que
abusava, 200 a 300 sacos. Hoje você bota um alquero de roça nem colhe direito que o
mato toma de conta de tudo, uma linha de terra quando dá muito dá 6 saco. Agora
naquele tempo era uns 20 a 25 saco por linha. Naquele tempo quando era logo no mês
de outubro, novembro tava plantando tudo, hoje você espera o inverno e só chove um
poquim de dezembro pra frente e é fraco ainda. (A. F do N. 80, 2008).

Um dos fatores atribuídos por eles para explicar a baixa produtividade agrícola
seria a falta de chuvas (inverno para eles) e a ausência de matas. As florestas existentes foram
retiradas e atualmente o que existe são capoeirões em descanso, com a presença de babaçuais,
o que dificulta a derrubada e a produção agrícola.

Já o povoado Jenipapo foi ocupado também no final da década de 1950, tendo o


senhor Raimundo Vicente Ferreira como um dos primeiros moradores. Ele veio do município
de Buriti Bravo, no Maranhão, de onde chegou em 1958. O povoado Jenipapo é cortado pela
rodovia estadual MA-122 é banhado pelo riacho Prainha. Possui uma população de 548
habitantes (FUNASA, 2008), que vivem basicamente da agricultura, com o cultivo de
hortaliças e plantio de arroz, milho, feijão e mandioca. As áreas de cultivo ficam localizadas
nos assentamento Tabuleirão II e Novo Horizonte.
49

O povoado de Açaizal Grande, também integrante da bacia em alusão, teve sua


ocupação iniciada em junho de 1961, logo após a emancipação de João Lisboa, ocorrida no
mesmo ano, em 15 de dezembro. Nesse período um grande número de famílias vindas do leste
maranhense e de outros estados nordestinos se deslocaram para essa área à procura de terras
para trabalhar, intensificando a ocupação. Segundo Barbosa e Santos (2002), o povoado
Açaizal Grande apresenta quatro setores: o primeiro a ser habitado foi o setor da mangueira,
logo depois o centro e, em seguida, áreas próximas as margens do riacho Açaizal. As
primeiras famílias que chegaram em Açaizal Grande eram de origens diversas como: Pastos
Bons, Paraibano, Caxias e Amarante. Construíram suas casas as margens do riacho e, o nome
do povoado foi dado pelo grupo da família do senhor Félix, devido a grande quantidade de
pés de açaí, daí o nome Açaizal Grande.

Açaizal conta com uma população de 641 habitantes, distribuídos em 275 famílias
que vivem basicamente da agricultura de subsistência e da plantação de mandioca para
fabricação de farinha e fécula de mandioca, sendo que este último constitui a base da
economia do povoado (FUNASA, 2008).

As primeiras casas foram construídas à margem direita do riacho, são feitas de


taipa e cobertas com folhas de babaçu. Uma característica importante no povoado é que, à
proporção que as terras propícias para agricultura foram ficando escassas, as famílias foram se
deslocando em busca de novas áreas, caracterizando a agricultura itinerante. É o que afirma o
sr. (F. P. B., 63, 2008):

Nóis acabemo primeiro essa terra aqui perto do brejo e aqui embaixo nesse pé de
serra. Porque quando nóis acituemo em 62 que fizemo a primeira abertura ai começou
a entrar gente. Aqui era assim nois escolhia os lugar melhor pra botar roça e depois
nóis subimo ali pra riba da serra até que consiguimo ficar pra la mesmo. Ai o Aldo
chego e aproveito aquelas copoeira que nóis já tinha amanssado e lascou capim. Eu
num tirei terra aqui embaixo porque nesse tempo ninguém grelava terra ai quando o
GETAT vei pra cortar as terra nóis já tava trabalhando em cima da serra.

Uma característica interessante é que grande parte dos primeiros moradores tem
residência no povoado, mas o local de trabalho fica em média sete a doze quilômetros do
núcleo do povoado. Velho (1979, p. 202) relata que: “Essa separação entre local de residência
e local de trabalho tornou-se mais frequente à medida em que chegavam novos migrantes e a
terra disponível já estava mais longe”. Um dilema surgia nesse momento entre os ocupantes
mais antigos, permanecer nas áreas já utilizadas por eles para roça ou migrar à procura de
terras virgens e deixar suas famílias no povoado. Na grande maioria, os posseiros mais
50

antigos deixavam membros da família cuidando de suas terras e seguiam ao encontro de


novas terras. Isso perdurou até 1984, quando o GETAT (Grupo Executivo das Terras do
Araguaia Tocantins) chega na região, e faz a demarcação e emite o título definitivo para essas
famílias.

Com isso, aumentam as dificuldades dos trabalhadores, sendo que grande parte
vende suas terras para os grandes fazendeiros. Dificuldades como falta de estradas e água são
comuns nas propriedades como se lê nos depoimentos abaixo:

É por que nóis num tem estrada pra transportar nossa mandioca, porque se quer
transportar mandioca, tem que ser através de burro e a estrada nossa é muito ruim,
tem uma ladera que no inverno não desce carga, desce pela manhã se não chover, se
chover só a tarde quando inxugar. (N. L. dos S. 30, 2008).
Num tem estrada e nem água, nóis trabaia no seco levando água na costa do jumentim
véi subindo ladera e a estrada é muito ruim e quando chove agente não sobe só sobe
quando ta tudo inxuto. (L. S. S. 58, 2008).
O pior é que não tem estrada pra nóis ir, a estrada é muito péssima e além de ser ruim
tomaro a miorzinha que tinha aquele mizerave ali de cima cercou tudo e agora nóis
tem que arrudiar. (J. L. A. 62, 2008).
Primeiro nóis não tem estrada, lá só anda animal ou gente a pé. Segundo nóis trabaia
num lugar seco, não tem água, só tem água no inverno que nóis junta água nos tanque
e no verão agente leva água nas costa do jumento. (R. R. S. 41, 2008).

No que se refere ao povoado Olho D’água o mesmo recebeu as primeiras famílias


em 1960, tendo como fundador a família do Sr. Felipe, mais conhecido como “Felipão”, daí o
nome de Olho D’água do Felipão. Esse grupo familiar veio do município de Tuntum, no leste
maranhense, e atravessou todo o sertão maranhense à procura de terra boa para trabalhar. O
filho do Sr. Felipão, A. P da S. (58, 2008), afirma que o povoado de Olho D’água foi ocupado
por sua família e quando eles chegaram não existia nem estrada que ligasse o local à vila de
Campestre. O nome Olho D’água foi dado em função da facilidade de adquirir água, com uma
profundidade de menos de um metro era possível alcançar o nível hidrológico. Logo, as
primeiras casas foram construídas bem próximas ao riacho.

Até 1960 o povoado não era conhecido por parte dos migrantes. Apenas os
caçadores já sabiam da existência dessa área boa para se morar como afirma o Sr. A. P da S.
(58, 2008): “Nóis fiquemo sabendo porque nóis viemo ali pro jenipapo, aí o véi Zuza falou
pra nóis que tinha esse lugar aqui e não tinha ninguém morando, aí nóis entremo ali pelo
Campestre ... aí achemo esse lugar aqui com água bem rasinha e tinha muita água ali
embaixo”.
51

O povoado de Olho D’água apresenta a menor população dentre os quatro


povoados que formam a bacia. Tem apenas 418 habitantes, distribuídos em 179 famílias
(FUNASA, 2008). Até meados dos anos de 1980 o povoado tinha ainda muitas áreas para
agricultura. Hoje não se encontram mais áreas para agricultura, salvo com o emprego de
tratores para arar a terra. O que se vê bastante no povoado e arredores são grandes fazendas
como a Monte Sinai, ocupante de terras dentro do povoado indo até as próxidades do povoado
Açaizal Grande. A economia do povoado é sustentada pelo cultivo de hortaliças, com
predomínio do cultivo do tomate em pequenas hortas. A produção é vendida no próprio local
ou em feiras, como a feira do Bom Sucesso, na cidade de Imperatriz.

A bacia do riacho Açaizal tem atualmente cerca de 3.353 habitantes (FUNASA,


2
2008) . Segundo a FUNASA a população dos povoados Açaizal Grande e Olho D`água tem
diminuindo bastante nos últimos anos. O que aponta o início de fluxo emigratório na área,
sendo o inverso do que ocorrera nas décadas de 1960 e 1970, momento de intensa ocupação
da área. Através das entrevistas realizadas nos quatro povoados foi possível identificar que a
grande maioria dos ocupantes da área atual da bacia veio da região do Sertão de Pastos Bons
(CABRAL, 1992), sendo os povoados de origem dos ocupantes: Buriti Bravo, Dom Pedro,
Jenipapo dos Vieiras, Gonçalves Dias, Mirador, Paraibano, Presidente Dutra, Caxias e Pastos
Bons (Fig. 8).

Velho (1979) coloca que comumente os posseiros, após os trabalhos iniciais na


nova terra, voltavam para buscar as suas famílias, que estariam a sua espera ou nos locais
originais de partida ou num dos povoados a caminho na casa de algum parente. O autor retrata
bem a saga dos retirantes em busca de novas áreas para exploração. Logo depois, quando
esses ocupantes encontravam uma área propícia para trabalhar e estabelecer moradia,
avisavam aos familiares e logo corria a propaganda, assim mais pessoas seguiam para a nova
área, em busca de melhores condições de vida e trabalho, atualmente não é muito diferente.
Uma das causas da grande mobilidade da população, tanto na área de estudo quanto em
qualquer parte do nordeste, é a busca por melhores condições socioeconômicas de vida.

2
Optamos por trabalhar com dados da FUNASA pelo fato de o IBGE não disponibilizar gratuitamente dados
individualizados referentes aos povoados que compõem a bacia, além do que existem em todos os povoados,
cerca de dois a quatro agentes comunitários de saúde que tem cadastradas todas as famílias residentes. Por este
motivo usamos os dados da FUNASA como fonte.
52

A maioria dos moradores dos povoados que compõem a bacia veio para esta região
por intermédio de familiares, como foi o caso do Sr. R. V. F, 76 (2008): “Meu irmão que
ficou no Cento do Romão ali perto da Buritirana, aí ele avisou pra nóis que tinha encontrado
uma terra boa pra trabaiá, aí nóis viemo pra cá todo mundo”. Já o Sr. J. L. A. 69 (2008)
coloca: “Meu primo chegou aqui primeiro e voltou pra buscar a muié dele e disse lá é terra
boa é toda de mata, muita água e muita caça”. O Sr. L. J. A., 69 (2008) indica que ficou
sabendo da existência das terras do oeste maranhense: “Através de meus irmão que me
convidaro”. É comum a influência de membros da família na migração e de uma região para
outra.
53

Figura 3. Trajetória da frente de ocupação da bacia do Açaizal/MA. Fonte: Laboratório de geoprocessamento da


UEMA. Organização: Ronaldo dos Santos Barbosa.
54

É comum hoje, nos quatro povoados, a presença de vários membros da mesma


família. Chegam a existir até três gerações de parentescos e o mais importante é que
permanecem no mesmo local onde seus antepassados estabeleceram moradia. O casamento
entre membros de uma mesma família é muito comum nesses povoados. O que muda com
relação às gerações anteriores é que logo após a criação do GETAT, conseguiram o título de
proprietário das terras de seus antepassados.

Isso se reflete nas relações de trabalho existente na área. A exploração da terra, a


produção coletiva em uma mesma área, o trabalho em mutirão, no caso é possível perceber
mais nitidamente em dois dos quatros povoados: Jenipapo e Açaizal Grande, eram práticas
que já faziam parte do cotidiano desses agricultores, o que não acontece mais na área. Grande
parte dos desbravadores da bacia já não trabalham mais na agricultura. Formam agora um
exército de aposentados que fazem apenas algumas atividades para ajudar no sustento da
família. E foram exatamente eles que prestaram grande parte das informações contidas neste
trabalho, para eles contar histórias sobre o passado é uma alegria, foi possível perceber isso
nos seus rostos, o brilho carregado de felicidade e empolgação durante as entrevistas.

Atualmente verifica-se uma migração dos moradores que vivem nos povoados da
bacia. O destino é bastante variado, alguns se dirigem para a região sul do estado do Pará, em
geral os atores são pequenos agricultores em busca de novas áreas para agricultura de
subsistência, enquanto outros se deslocam para Goiânia e São Paulo, em sua maioria jovens
em busca de estudos e/ou melhores oportunidades de trabalho.

Martins (1996, p. 190), afirma que “[...] em algumas regiões do país é possível
observar [...] migrações espontâneas em decorrência da saturação do solo”. É o que vem
ocorrendo na área da bacia do riacho Açaizal, onde grande parte dos moradores, em especial,
trabalhadores rurais e jovens se deslocarem constantemente da área em busca de novas
alternativas de vida, pois as atividades antes desenvolvidas não são suficientes para o sustento
da família, isso para os trabalhadores e, no caso dos jovens as condições locais não lhes
proporcionam expectativas de uma vida futura, daí o destino são os grande centros urbanos.

Os que ficam não tem grandes alternativas, em sua grande maioria, são
aposentados ou famílias que preferem ficar para não deixarem seus parentes. A falta de áreas
propícias para o cultivo, aliada ao baixa nível tecnológico empregado nos sistemas de cultivos
existentes, obrigam os agricultores a se endividarem para conseguirem produzir o alimento
55

básico para o sustento de suas famílias, foi assim no passado da ocupação por falta de estradas
e acontece atualmente por falta de assistência técnica.

Martins (1996, p. 190) se refere às condições de sobrevivência dos pequenos


agricultores afirmando que. “Não raro tendo que se endividar no armazém para assegurar a
sobrevivência de sua família durante o ano, vendendo antecipadamente a colheita que ainda
não fez, do produto que ainda não está maduro.”

Como podemos constatar no depoimento do Sr. M. R. S. (2008).


Nóis vendia aqui mermo pu finado Zé Ferreira, nóis comprava as coisa lá na
quitanda dele e vindia pra ele mermo. Ele comprava os arroz da gente tudo, mas era
barato. Ele comprava em nossa mão barato quando nóis ia comprar lá no inverno
era caro era um saco por dois.

O retrato da situação socioeconômica da bacia do Riacho Açaizal foi e está sendo


desenhado pelos atores participantes do processo de ocupação do território. A diminuição da
população, a queda na produção agrícola, a substituição da vegetação pelas pastagens, o
abandono do cultivo de produtos tradicionais por novas culturas, a má utilização dos recursos
hídricos são reflexos do jogo de interesses dos grupos existentes atualmente no interior da
bacia.

Os pioneiros no processo de ocupação da área hoje assistem os novos atores


ordenarem e reordenarem os espaços de acordo com os interesses predominantes, com o
intuíto de atenderem os anseios capitalistas em vigor. Nesse jogo de interesse o que menos
interessa é a preservação do patrimônio ambiental e cultural construído pelos pioneiros. O que
interessa a eles é a ampliação de suas propriedades e o aumento dos rebanhos bovinos, em
particular, os da raça nelore, por serem de cor branca e causarem um sentimento de satisfação
ao contemplarem tal visão, isso é o que nos afirma um fazendeiro da região que não quis
gravar entrevista, dono de mais de dois mil hectares de terra e um rebanho bovino de cerca de
três mil cabeças, todos da referida raça.

Diante do exposto, constata-se que os pioneiros também contribuíram, mesmo que


inconsciente, para a degradação dos recursos naturais da bacia, com a retirada da vegetação
nativa no entorno dos povoados e, logicamente, com o plantio de pastagens em suas
propriedades. No entanto, se formos analisar o espaço de tempo entre a ocupação inicial da
bacia na década de 1960 até a chegada dos fazendeiros e empresários, por volta da década de
1980, com a implantação das transformações impostas pelos novos atores, chega-se a
56

conclusão que em um pequeno espaço de tempo ocorreram transformações significativas, que


não aconteceram em duas décadas de ocupação.

2.5. O Uso da Terra na Década de 1980

Para Mendonça (1998), a identificação precisa de áreas de uso e ocupação da terra


no interior de uma bacia hidrográfica, constitui um importante elemento em um estudo ligado
a temática ambiental, pois quanto mais detalhado for o material, mais auxiliará na
identificação e localização de agentes responsáveis pelas condições ambientais da área.

O mapa de Uso da Terra, de 1984, foi produzido a partir da Imagem Landsat TM


5, com resolução espacial de 30m a mesma foi segmentada no SPRING, o índice de
similaridade foi 12, a área foi 16 pixel. Definição de classes solo exposto, pastagem,
agricultura, vegetação natural, vegetação secundária e área urbana, além da reflectância de
cada classe. Foi exportado no formato SHP (Shapefile) e a elaboração do mapa foi feita no
ArcGis 9.3.

Após a elaboração do mapa foi feita a verificação em campo para checar as


unidades mapeadas. O controle de campo é de fundamental importância para que o
mapeamento represente de fato a realidade o mais fielmente possível, por considerar que os
SIG’s ao interpretarem uma imagem de satélite podem identificar alguns elementos que de
fato não são sejam o que aparentam, isso depende do período e das condições climáticas em
que a imagem foi capturada.

Como discutido nos itens anteriores, acerca do processo de ocupação da bacia do


riacho Açaizal, iniciado na década de 1960, mesmo que sem grandes alterações ambientais de
início, vale destacar que é com a abertura da rodovia MA 122 e sua pavimentação logo em
seguida, que a bacia passa por um rápido processo de ocupação e uso acelerado.

Do final da década de 1980 a meados da decáda de 1990 é que o “progresso”


chega a bacia, inicialmente com a ampliação e pavimentação da MA 122, ligando os
municípios de Imperatriz e Amarante, passando por João Lisboa, Senador La Rocque e
Buritirana. Paralelo a ampliação e pavimentação da rodovia supra citada, surgem também
várias estradas vicinais, ligando povoados em geral produtores de alimentos à rodovia MA
122.
57

Foram identificadas seis classes de uso que serão descritas a seguir:

Agricultura: A agricultura é a atividade econômica pioneira na bacia, pois foi a


busca por terras agricultáveis que levou as primeiras famílias a desbravarem as terras em seu
interior. As atividades agrícolas desenvolvidas na bacia em geral se caracterizam como de
subsistência, salvo em algumas áreas restritas que há o uso de técnicas mais avançadas com o
uso de máquinas, mas a grande maioria se caracteriza como o sistema de roça no toco, muito
presente no Maranhão.

Até meados dos anos 80, havia a predominância do cultivo de arroz na bacia, os
agricultores utilizavam a agricultura itinerante, por isso o grande avanço no desmatamento,
para a retirada da madeira ou para o uso agrícola, sendo que da segunda metade da década de
1980 em diante o avanço da pecuária foi signicativo, seja em áreas já utilizadas para o cultivo
de alimentos seja em áreas desmatadas para retirada da madeira.

Em 1983, as áreas de cultivo estavam localizadas bem próximo aos núcleos de


povoamento como podemos observar no mapa de uso da terra de 1984, sendo que as áreas ao
longo da rodovia MA 122 apresentavam maior densidade de áreas cultivadas, até mesmo pela
facilidade de transporte da produção, o que não acontece com o povoado Açaizal Grande, já
mais distante da rodovia.
58

Figura 4. Mapa de vegetação natural e uso da terra de 1984.


59

Pastagem: A pecuária surge no interior da bacia, pouco tempo depois da


agricultura, com o avanço no processo de ocupação da bacia as áreas antes utilizadas pela
agricultura e que estavam em pousio tornavam-se alvo dos criadores de gado que chegavam
nos povoados da bacia. Como visto anteriormente o avanço da pecuária se deu do final da
década de 1970 e para atender a demanda do rebanho se fazia necessário o aumento cada vez
maior e mais rápido das áreas de pastagens.

Até 1984 as plantações de pastagem na bacia eram pouco expressivas, sendo bem
menos que as áreas de cultivo, as áreas de pastagens se restringiam aos povoados, pois grande
parte das propiedades eram de pequenos criadores e o gado era criado no sistema extensivo,
com o objetivo de fornecer o leite e a carne para o sustento da família.

Solo Exposto: Em 1984 as áreas que apresentam solo exposto já eram bastante
expressivas, em relação ao baixo índice de povoamento, além da densa cobertura vegetal, mas
se tratando de uma área de solos de baixa fertilidadde, aliados a técnicas de cultivo
“inadequadas”, tudo isso aumenta o grau de fragilidade do ambiente.

Em geral, as áreas de solo exposto coincidem com as áreas de pastagens ou


algumas áreas de cultivo, como as hortaliças, por exemplo, muito presentes às margens dos
riachos Prainha e Açaizal, pois dependo da estação sazonal as áreas de pastagem seca e
degradada, o solo fica totalmente exposto, chegando em alguns casos a utilização do fogo
como técnica de renovação da pastagem, ou até mesmo o replantio de uma outra espécie de
capim, isso em propriedades médias, pois as pequenas, em geral, nem existem mais pastagens,
só sinais de degradação como ravinas e voçorocas.

Vegetação Natural: Como foi retratado a área está inserida no bioma da pré-
amazônia maranhense e apresenta uma complexidade em sua formação florestal, na
identificação da vegetação natural foi possível identificar a área de floresta latifoliada, e
algumas áreas de babaçu denso. No entanto, não é fácil identificar com precisão o tipo de
formação vegetal predominante, como também as espécies predominantes. Até 1984 observa-
se uma densa cobertura vegetal, tanto na alta bacia (ocupação menos densa) quanto na baixa
bacia (ocupação mais densa).
60

Tabela 1. Classes de Uso da Terra e vegetação em 1984 e suas áreas.

Classes de Uso da Terra 1984


Área em Km2 Área em %
Agricultura 4,0 2,3
Pastagem 2,5 1,3
Solo Exposto 9,0 5,0
Vegetação Natural 117,0 64,5
Vegetação Secundária 48,6 26,7
Área Urbana 0,4 0,2
Total 181,5 100

Vegetação Secundária: Já as áreas que apresentam características de vegetação


secundária, em geral já sofreram algum tipo de uso, seja pela agricultura ou pecuária, estas
áreas estão espalhadas no interior da bacia, podendo até ser chamada de “ilhas” ou “clarões”,
em geral apresentam vegetação com característica de cerrado, sendo uma mistura de capoeira
com a presença de babaçu.

Área Urbana: No que diz respeito às áreas urbanas desde o início do processo de
ocupação, como já foi mensionado, até os anos 80, houve um aumento da população residente
nos povoados que formam a bacia. Alguns núcleos surgiram e logo depois foram esvaziados,
pois as áreas foram incorporadas as fazendas e os proprietários cercavam tudo, isolando os
caminhos por onde os pequenos agricultores passavam, diante disso só restava aos pequenos
proprietários vender suas propriedades e migrarem para a cidade, em geral, se dirigiam para a
cidade de Imperatriz.
61

3. CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DA BACIA DO


RIACHO AÇAIZAL

Para a elaboração da caracterização do meio físico da área, tomamos por base os


seguintes materiais: Relatório do Projeto RADAM folha SB. 23 e SB. 24 de 1973;
Zoneamento Geoambiental do Maranhão, elaborado pelo IBGE, em 1997; Relatório da
CPRM/DNPM do Programa Grande Carajás referente à Folha SB. 23. V-C em escala de
1:250.000 de 1990. De posse dos referidos materiais procedemos a caracterização do meio
físico.

No processo de análise das condições ambientais de uma bacia hidrográfica ou de


outras unidades de análise se fazem necessários à produção de mapas temáticos para todos ou
alguns dos elementos em análise. Tais mapas se tornam apropriados para a utilização por
especialistas e não especialistas, daí a importância da integração dos dados contidos nos
mapas em um único mapa, ou seja, um mapa de síntese ambiental, no caso específico será
apresentado no terceiro capítulo.

O presente capítulo aborda inicialmente a caracterização geoambiental da área de


estudo dando ênfase aos seguintes elementos: geologia, hipsometria, declividade, curvatura
das vertentes e solos.

Souza (2000) afirma que a análise integrada do ambiente deve ser realizada em
etapas, dentre elas seguem-se algumas que o autor considera fundamentais: executar
mapeamentos temáticos que tratam dos recursos naturais; conhecer e avaliar os componentes
geoambientais e os processos desenvolvidos no meio natural; identificar as condições de uso e
ocupação da terra e implicações ambientais derivadas; elaborar cenários com perspectivas da
evolução ambiental em função dos impactos ambientais que têm sido produzidos.

O presente trabalho tenciona abordar a relação homem/meio na bacia. A partir do


contexto histórico da ocupação da área tratado em momento anterior, das características
geoambientais da bacia.
62

3.1. O Clima: as marcas da tropicalidade

Com relação às características climáticas a área apresenta temperaturas com


média anual variando entre 26ºC e 29ºC, umidade relativa com médias anuais variantes entre
73% a 76% e um índice pluviométrico médio variando de 1.200mm a 1.600mm anuais. Há
predominância do clima tropical úmido, com chuvas concentradas no período de verão e
outono, sendo que o período chuvoso inicia-se em novembro e vai até abril e o período de
estiagem se estende de maio até outubro (BARBOSA e SANTOS, 2002).

De acordo com ZEE-MA (1995), o regime pluviométrico da região define


claramente duas estações bem características: uma quente e úmida e outra quente e seca. Os
totais pluviométricos variam de 1.100 a 1.400 mm, dos quais 80% se concentram nos meses
de novembro a abril. A temperatura média está entre 26ºC e 27,5ºC, ficando os valores
extremos entre 14ºC e 38ºC. As maiores amplitudes térmicas ocorrem nos meses de pouca
precipitação pluviométrica. Essas amplitudes térmicas mais acentuadas, nesse período, são
devidas, principalmente, a um maior resfriamento da superfície em decorrência da pouca
nebulosidade nesse espaço de tempo.

A umidade do ar, medida através da umidade relativa (%), se apresenta com


valores acentuados, em toda a região, principalmente, durante o período chuvoso, quando são
registrados os maiores valores médios, superiores a 75%, o que mostra a relação direta deste
parâmetro com o regime de chuvas da região. No período da estação seca os valores médios
são sempre superiores a 45% (ZEE-MA, 1995).

A bacia situa-se entre o clima tropical úmido da Amazônia, do tipo Am (Köpen),


ao norte, e o clima de savana, tipo Aw, ao sul. De acordo com o relatório do PRODIAT
(1995), as precipitações vêm diminuindo muito na área, com o período chuvoso diminuindo
de oito meses (outubro a maio) para seis (novembro a abril) e o aumento do período de
estiagem de quatro meses (junho a setembro) para seis (maio a outubro). As temperaturas
também tiveram um aumento e a umidade relativa caiu nos últimos anos.

Segundo dados do INMET (2010), a área em estudo tem apresentado, na última


década, uma grande irregularidade no comportamento dos elementos climáticos,
especialmente a precipitação. Observando os gráficos 1 e 2 que representam o comportamento
das precipitações em 2000 e 2009, respectivamente, observamos que não há como definir com
63

precisão os meses que mais chovem ou os meses de estiagem, pois a cada ano o período
apresenta regime diferente. Fazendo um paralelo entre o comportamento pluviométrico atual e
a normal climatológica (1961-1990) notamos uma grande mudança.

Gráfico 6. Gráfico com o comportamento das precipitações no ano de 2000 e a normal climatológica. Fonte:
INMET (2010). Disponível em: http://www.inmet.gov.br/html/observacoes.php?lnk=Gráficos. Acesso em
02.fev.2010.

No ano de 2000, por exemplo, a região apresentou o menor índice pluviométrico


já registrado, devido a isso tivemos serias consequências. Grande parte dos produtores rurais
que já estavam adaptados às condições temporaes iniciaram o plantio de suas roças nos meses
de dezembro e janeiro, como já prevíamos, perderam suas plantações, não foi diferente
também com as áreas de pastagens, com o regime de alimentação dos cursos d’água, dentre
outras problemáticas.

Já em 2009, tivemos uma situação bem mais favorável para os agricultores, pois o
período chuvoso foi concentrado entre os meses de janeiro a maio, coincidindo com o período
de plantio, no entanto, vale ressaltar que nem sempre isso ocorre, daí reside o fato de muitos
agricultores estarem deixando de cultivar alimentos básicos de subsistência para cultivarem
mandioca ou outros produtos.
64

Gráfico 7. Gráfico com o comportamento das precipitações no ano de 2009 e a normal climatológica. Fonte:
INMET (2010). Disponível em: http://www.inmet.gov.br/html/observacoes.php?lnk=Gráficos. Acesso em
02.fev.2010.

3.2. Vegetação: Florestas de Transição

A vegetação do estado do Maranhão reflete em muito o caráter de transição entre


as condições climáticas e dáficas das regiões norte (a oeste) e nordeste (a leste), das quais
resultam várias fitofisionomias dentro do estado. Variam desde ambientes salinos no norte,
campos alagados na baixada, florestas de babaçu na região central, floresta latifoliada na
região oeste e cerrado no sul.

No Maranhão pouco se conhece sobre a composição fitogeográfica e estrutura das


formações vegetais e do seu espaço em nível de detalhamento mais específico, seja para fins
científicos seja para exploração. O mosaico fitogeográfico, desenhado no espaço maranhense,
tem íntima relação com o relevo, cursos d’água, tipos de solos, além dos tipos de uso
preexistentes em cada unidade regional do estado.

É possivel identificar alguns sinais de degradação na composição florística do


estado, em função das atividades econômicas desenvolvidas. A forte pressão antrópica na
messoregião oeste a partir dos anos 60 retrata os focos de desmatamento para fins agrícolas,
pastoris e madereito e mais recente para fins de silvicultura. A cobertura vegetal original
sofreu e sofre exploração direta que alteraram a fisionomia, a estrutura e a diversidade das
65

formações florestais, com isso torna-se difícil identificar e classificar com precisão as
formações vegetais no estado.

Figura 5. Composição fitogeográfica do estado do Maranhão. Fonte: Muniz (2006, p. 56).


66

Com relação a formação vegetal, presente no interior da bacia a mesma se


enquadra dentro da classe de Floresta Estacional Decidual e Floresta Secundária. A floresta
estacional decidual é uma formação vegetal existente em áreas de contato dos climas tropicais
superúmido amazônico, semiárido nordestino e monçônico do planalto central (BRASIL,
1973). É possível encontrar nesta área florestas latifoliada mista em áreas com altitude
superior a 250 m e declividade acima de 13 %, algumas espécies são possíveis de serem
identificadas tais como: Imbaúba (Cecropia spp.), pau-d’arco (Tabebuia spp.), copaíba
(Copaifera sp.) é comum em áreas de ocorrência dessa formação.

Antes de falar especificamente das florestas secundárias vale a pena apontar a


noção do termo. A floresta secundária é aquela que resulta de um processo de regeneração
natural em áreas de floresta primária que foram totalmente desmatadas (IBGE, 1992). A
grande maioria dos remanescentes de florestas existentes em toda a bacia são de florestas
secundárias, que se regeneraram, pelo simples abandono ou pousio.

Na área em estudo, a floresta secundária é uma formação proveniente da


devastação de florestas para retirada da madeira. Quando a floresta é arrasada e o terreno
abandonado, ocorre a regeneração natural. Não havendo novas derrubadas, a capoeira acaba
dando lugar a arbustos grandes e palmeiras, dando origem ao capoeirão após alguns anos vai
se assemelhando a floresta primária (fig. 6).
67

Figura 6. Floresta natural nos divisores de água da bacia e babaçu nas áreas de topografia plana a suave
ondulada.

Na área da bacia do riacho Açaizal há duas formações de florestas secundárias,


que são: o capoeirão misto e o babaçual. O capoeirão misto restringe-se às áreas de topografia
elevadas. O babaçual é encontrado em áreas de baixos platôs, ocorre com poucas palmeiras
adultas envolvidas por uma grande quantidade de palmeiras jovens. O babaçu (Orbignya spp.)
tem uma grande capacidade de sobreviver ao fogo, técnica bastante utilizada por agricultores
nessa área, para preparo da terra para o plantio das roças ou capim.

3.3. Geologia: Borda Oeste da bacia Sedimentar do Maranhão/Parnaíba e o domínio da


Formação Itapecuru

O estado do Maranhão apresenta 90% de seu território em bacias sedimentares e


apenas 10% de terrenos cristalinos (MARANHÃO, 2000). O Maranhão está inserido na bacia
sedimentar (farenozóica) do Maranhão/Parnaíba, de acordo com Ross (1995), a mesma data
de mais 600 milhões de anos. A referida bacia abrange terrenos dos estados do Piauí,
Maranhão, Ceará, Bahia, Tocantins e Pará, ocupando uma área de 600.000 km2. Formada nas
eras: Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica, tendo seu processo de preenchimento iniciado no
período Siluriano. Apresenta uma composição de arenito na parte norte oriental do estado;
68

siltito na região noroeste do estado, argilito na porção oeste, conglomerados na porção centro
e calcário na região centro sul.

A bacia sedimentar do Maranhão corresponde à área maranhense do ambiente


deposicional associado ao rio Parnaíba, também denominado de bacia do Parnaíba e
bacia do Meio-Norte. Possui cerca de 600km2 e ocupa a maior parte dos estados do
Maranhão, Pará e Tocantins (FEITOSA e TROVÃO, 2006. p. 65).

Para Ross (1995), as bacias sedimentares constituem uma estrutura de grande


representatividade territorial ao longo dos continentes. O referido autor considera que essas
bacias são formadas por espessos pacotes de rochas que chegam a ultrapassar 500m. A bacia
do Maranhão/Parnaíba apresenta uma espessura média do pacote sedimentar na ordem de
3.000 metros. Na área de estudo foram identificadas três formações geológicas, duas delas
datam da era Mesozoica, mais precisamente do período Cretáceo inferior e superior, que são
as Formações Codó e Itapecuru, respectivamente, e uma que data da era Cenozoica, formada
na transição dos períodos Terciário e Quaternário, que são as Coberturas Tércio-Quaternárias
(Fig. 10).

Tabela 2. Formações geológicas da bacia do Açaizal e suas respectivas concentrações.

Formações Geológicas Siglas Área em Km2 Área em %


Formação Itapecuru Ki 141,3 77,8
Coberturas Tércio-Quaternárias TQc 28,5 15,7
Formação Codó Kc 11,7 6,5
Total - 181,5 100,0
Fonte: Carta de geologia adaptada de CPRM/DNPM (1990).

A tabela 2 apresenta as concentrações de cada formação, podendo identificar a Ki


como predominante com cerca de 77,8%, logo em seguida a TQc com 15,7% e por fim a Kc
que apresenta a menor concentração com 6,5%.

Seguem as principais características das formações geológicas encontradas na


bacia do Açaizal, de acordo com Sousa (1990).

3.3.1. Formação Itapecuru (Ki)

Para Feitosa (1983), os primeiros estudos sobre a Formação Itapecuru são de


Lisboa (1914), onde ele chama esta formação de “Camadas Itapecuru”. A Formação Itapecuru
apresenta uma litologia constituída basicamente de: arenitos de cores diversas, predominando
69

o cinza, róseo e vermelho, com estratificações cruzadas e silificações. Pertence ao Cretáceo


inferior, estende-se praticamente por toda a parte centro sul do estado, ocupando uma área de
quase 50% da área do estado. É constituída de arenitos finos e médios, localmente grossos;
níveis argilosos. Apresenta estratificação cruzada acanalada, às vezes, festonadas. Tendo
como potencial mineral argila e areia. Os melhores afloramentos desta formação podem ser
encontrados ao longo de cortes das rodovias: BR-010 próximo de Imperatriz e MA-122 nas
imediações dos povoados Pé de Galinha ao povoado Varjão dos Crentes.

Analisando os textos do relatório do Projeto RADAM, constatamos que as


afirmações de Feitosa (1982), são de fato verídicas, pois Lisboa (1914), trabalhando em
sedimentos aflorantes nos vales dos rios Itapecuru e Alpercatas, a norte da cidade de Pastos
Bons (MA), denominou-os de Camadas Itapecuru. Já Campbell, Almeida e Silva (1949)
posicionaram as Camadas Itapecuru, delineadas por Lisboa (1914), na categoria de Formação,
denominando de Formação Itapecuru os sedimentos ocorrentes na parte oriental do Estado do
Pará e ocidental do Estado do Maranhão.

Neste estudo, trabalharemos com a denominação de Campbell, Almeida e Silva


(1949), para designar uma sequência de arenitos variegados, com intercalações de siltitos e
argilitos avermelhados, pouco fossilíferos, aflorantes na maior parte da Folha SB. 23. V-C
(Imperatriz).

Na bacia a Formação Itapecuru ocorre nas partes norte-nordeste e central da bacia,


ocupando aproximadamente 78% da área. Distribui-se em extensas e contínuas áreas,
formando altos platôs isolados com acentuado destaque topográfico em forma de mesetas com
superfícies tabulares. Ocupa grande parte da bacia em seu alto e baixo curso, sendo áreas que
apresentam maiores elevações no alto curso com altitudes que superam os 400 metros e no
baixo curso com altitudes inferiores a 200 metros.

O contato inferior da Formação Itapecuru com a Formação Codó, nas


proximidades da foz com o Rio Cacau, é localmente marcado por pequena discordância,
representada por superfície erosiva e delgado pavimento de seixos. Nas demais áreas, este
contato é caracteristicamente concordante. Já o contato superior, nas partes mais elevadas, se
faz de modo discordante com sedimentos da cobertura detrítica e/ou laterítica das Coberturas
Tércio-Quaternárias. Nas áreas de menores cotas, esta Formação é recoberta por sedimentos
atuais localizados, principalmente, ao longo dos riachos Açaizal, Prainha e Tabuleirão.
70

Figura 7. Mapa de Formações Geológicas da bacia do riacho Açaizal. MA.


71

3.3.2. Coberturas Tércio-Quaternárias (TQc)

São consideradas Coberturas Tércio-Quaternárias os agrupamentos litológicos


formados por sedimentos imaturos de natureza arenosa, argilosa e laterítica, que capeiam
discordantemente os depósitos da Formação Itapecuru. Em âmbito regional, essas coberturas
recobrem indistintamente todas as unidades estratigráficas da bacia do Parnaíba. Já em nível
local, recobre toda a parte norte-nordeste e leste da bacia, ocupando o topo da serra do Araparí.
As quais constituem as partes mais elevadas da área com cotas superiores a 300m.

As áreas de ocorrências das Coberturas Tércio-Quaternárias apresentam sinais de


degradação em função da importância econômica dada aos elementos que compõem sua litologia,
como é o caso dos seixos, que são extraídos para a construção civil, causando processos erosivos
irreversíveis (Fig. 8). Observa-se na figura o afloramento de seixo capeado por arenito amarelo,
nota-se também a presença de uma canaleta utilizada para transportar o seixo da parte alta até as
caçambas que transportam o seixo até as lojas de materias de construção.

Figura 8. Face erosiva próximo a nascente do riacho Açaizal às margens de uma estrada vicinal. Fonte: Barbosa
(2009).
72

3.3.3. Formação Codó (Kc)

Campbell, Almeida e Silva (1949) foram os primeiros a denominar de Formação


Codó o conjunto de sedimentos compostos litologicamente por folhelhos calcíferos e
betuminosos com lentes de calcário, concreções de gipsita e peixes fósseis, que ocorrem nas
proximidades da cidade de Codó do Maranhão.

A Formação Codó foi identificada na margem direita do rio Tocantins, numa faixa de
direção NE-SE, e abrange aproximadamente cerca de 17% da folha SB.23.V.C (Imperatriz). Na
bacia, a Formação Codó ocorre no baixo curso do riacho Açaizal, no contato com o rio Cacau. As
áreas de ocorrência são caracteristicamente planas, com interflúvios amplos e leito das drenagens
em forma de U largo, ocupando aproximadamente 7% da área da bacia. No trabalho de campo foi
possível identificar as más condições de preservação de seus afloramentos próxima à foz do
riacho Açaizal.

Observamos que esta unidade mantém contato superior concordante com a Formação
Itapecuru. O contato inferior não foi observado, entretanto, em trabalhos já desenvolvidos
anteriormente na bacia do Rio Cacau por Cunha e Carneiro (1972) comentaram que o contato
inferior é também concordante, excetuando-se pequenas discordâncias locais. Os contatos, tanto
com a Formação Corda (inferior) quanto com a Formação Itapecuru (superior), são caracterizados
pela gradação concordante. A litologia da Formação Codó é constituída por folhelhos negros,
betuminosos e associados a calcários e gipsita, além de arenitos e siltitos (BRASIL, 1973). Data
do cretáceo inferior abrange a baixa bacia, sob a formação Itapecuru.

A oeste do povoado Cumaru e a leste do povoado Olho D’água a maioria dos


afloramentos são mal preservados devido a própria natureza tênue das litologias que compõem a
formação. Sendo assim, estas ocorrências restringem-se aos talvegues dos pequenos vales dos
tributários dos riachos Açaizal e Prainha. A formação Codó recobre superfícies da baixa bacia,
estando parte do povoado Cumaru, sobre essa formação. Apresenta pequena variação de altitudes
no geral inferiores a 300 metros, com relevo fraco a suave ondulado, áreas de pastagens, cultivos
temporários e babaçu, sendo a área mais antropisada que as áreas das outras formações.
73

3.4. A Geomorfologia Regional: A Depressão Ortoclinal de Imperatriz

A Geomorfologia é uma ciência que tem como objeto de estudo as formas do relevo,
tentando compreender a relação passado/presente. De fato estuda a superfície da crosta terrestre.
Para Casseti (1994), a análise geomorfológica de uma área deve obrigatoriamente, levar em conta
o conhecimento da evolução sofrida através de evidências de materiais deposicionais resultantes
dos diversos processos a qual a área foi submetida.

Para compreender melhor os estudos em geomorfologia, Ab’Saber (1969) apud


Casseti (1994, p. 12), propõe um modelo de estudo dividido em três níveis de abordagem, sendo
o primeiro nível a compartimentação geomorfológica, o segundo nível o levantamento da
estrutura superficial e por último o estudo da fisiologia da paisagem. Dos três níveis descritos, o
mais comum nos trabalhos produzidos na Geografia tem sido a compartimentação do relevo, com
a utilização dos SIG’s, na maioria utilizando como base as cartas topográficas e mais recente os
MDE.

Para Suertegaray (2002), existem várias tendências nos estudos geomorfológicos na


tentativa de compreender sua dinâmica partindo das práticas humanas, uma das mais utilizadas
segundo a referida autora diz respeito aos estudos que tratam de diagnósticos ambientais em geral
usando a bacia hidrográfica como célula de análise, para ela este tipo de estudos não revelam a
verdadeira geomorfologia brasileira, pelo fato das análises se restringirem as características
específicas da área em estudo.

No tocante às características do relevo maranhense Feitosa (1983), classifica o


mesmo em duas grandes unidades, que são: planícies classificadas em unidades menores
(costeira, flúvio-marinha e sublitorânea) e planaltos. Ocupando as planícies cerca de 60% da
superfície maranhense e os planaltos 40%. Sendo consideradas planícies as superfícies com cotas
inferiores a 200 metros e planaltos as superfícies com cotas acima de 200 metros. Estando os
planaltos restritos as áreas do centro-sul do estado. O estado do Maranhão, por ser uma grande
bacia sedimentar, seu relevo é formado por quatro unidades geomorfológicas, (Fig. 9) que são:
74

O Litoral: o litaral maranhense se divide em litoral ocidental, também conhecido como litoral em
rias ou reentrâncias e o litoral oriental mais conhecido como Lençóis Maranhenses, formado de
dunas.
O Golfão Maranhense: já o golfão é formado pelas baias de São Marcos e São José, local de
encontro dos rios: Munim, Pindaré, Itapecuru e Mearim.
As Superfície com Testemunhos: esta unidade representa regiões de contato entre os campos da
baixada e as serras do centro-sul do estado.
Os Chapadões, chapadas e cuestas: são formas de relevo predominantes na região sul do
estado, que serve de limite dos biomas: Mata de Cocais, Pré-Amazônia e Cerrado. (Maranhão,
2000. grifo nosso).
75

Figura 9. Mapa de Geomorfologia do Estado do Maranhão. Fonte: Atlas do Maranhão (2000).


76

Em nível de escala espacial mais restrito abordaremos as características


geomorfológicas da região de Imperatriz. De acordo com Brasil (1973), a unidade escultural
denominada Depressão Ortoclinal do Médio Tocantins, recobre grande parte da Mesorregião
Oeste do estado, seu caráter de grande Depressão Ortoclinal foi desfigurado pela descontinuidade
da linha de cuestas e pelo prolongamento do Pediplano Central do Maranhão. A altitude média
desta unidade varia de 400m a 150m, até no eixo dado pelo Rio Tocantins. Apresenta relevo
dissecado predominantemente em forma de patamares, a depressão se individualiza por um
grande conjunto de mesas que se elevam do fundo do pedimento. A denominação dessa unidade
decorre em função de seu posicionamento topográfico mais baixo em relação as demais unidades
geomorfológicas do estado.

Trata-se de uma superfície de aplainamento degradada em consequência de mudança


do sistema morfogenético, onde se observam diferentes graus de dissecação. Aparece
frequentemente inumada por cobertura detrítica e/ou de alteração constituída por couraças e/ou
latossolos e, às vezes, desnudada em consequência de exumação de camada sedimentar ou de
limpeza de cobertura preexistente (BRASIL, 1973).

Vale lembrar que o IBGE realizou no ano de 1997 o Zoneamento Geoambiental do


Maranhão e ao se referir a mesma unidade citada por Brasil (1973) caracteriza-a como:

Posicionada entre um planalto e um patamar, na parte oeste da área, na margem direita


do Tocantins, esta unidade contém dez geofácies e apresenta níveis altimétricos de 95
metros, chegando a alguns trechos a 300 metros. Carcteriza-se por relevos planos
rampeados em direção à drenagem. IBGE (1997)

A área de estudo pertence à unidade geomorfológica Depressão Ortoclinal do Médio


Tocantins, localizada à margem direita do Rio Tocantins. Trata-se de uma superfície de
aplainamento degradada em consequência de mudança do sistema morfogenético, onde se
observam diferentes graus de dissecação. Corresponde, portanto, a uma superfície dissecada
predominantemente em formas convexas e em formas tabulares, com altitudes que variam de 100
a 400m.

Já Mamede, Ross e Santos (1981), denominaram a mesma unidade de “Depressão do


Médio Tocantins”. Trata-se de uma vasta superfície pediplanada, situada entre as Chapadas do
77

Meio Norte (Pediplano Central do Maranhão) e o rio Tocantins, descrevendo forma semicircular
em torno das Chapadas. Corresponde, portanto, a uma superfície dissecada predominantemente
em formas convexas e em formas tabulares com altitudes que variam de 150 a 450m. Este relevo
foi elaborado sobre rochas areníticas da Formação Itapecuru e da Formação Codó, que não
parecem apresentar correlações nas formas de relevo, já que não há distinções entre o relevo
elaborado sobre uma e outra formação. No extremo nordeste da área em estudo, entre os riachos
Tabuleirão e Prainha, afloram rochas areno-carbonáticas da Formação Itapecuru, onde se observa
a presença de vegetação nativa e secundária mista.

O contato entre a Depressão Médio do Tocantins e os remanescentes das Chapadas do


Meio Norte pode ser observado no limite NE-SE da bacia, onde se nota o domínio de formas
convexas com topos pediplanados. Em direção a nascente do riacho Prainha, observamos ainda o
domínio de formas convexas, constatando-se maior grau de dissecação da paisagem em arenitos
da Formação Itapecuru. Os fundos dos mesmos encontram-se caracterizados por depósitos
aluvionares, com evidências de hidromorfismo e predomínio de babaçuais.

Entre os povoados Cumaru e Olho D’água os interflúvios encontram se pediplanados


aos 150m, observando-se na seção norte o domínio de formas convexas representadas pelos
arenitos da Formação Codó. Os fundos vales apresentam-se abertos, embora entalhados
revestidos por seixos rolados, parcialmente coluvionados, abrigando babaçuais. Constatamos nas
observações feitas em campo, a presença de silexitos resultantes da dissolução dos arenitos
carbonáticos. No topo das formas convexas registra-se o aparecimento de sedimentos
concrecionados (200m). Ainda neste trecho verificamos ao longo da Rodovia MA 122 a
ocorrência de deslizamentos de terra nos taludes.

De Olho D’água a Jenipapo (rodovia MA-122), constatamos o domínio de formas


convexas em arenitos da Formação Itapecuru. Notamos, com frequência, a existência de riachos
intermitentes em vales abertos, registrando-se níveis de aluvionamento e processo de
hidromorfismo. Continua, portanto, o domínio dos babaçuais, além de ocorrência de formas
tabulares com presença de cristas, orientadas na direção NW. Próximo ao assentamento Novo
Horizonte as vertentes tornam-se suavemente convexas, registrando-se o aparecimento de
interflúvios pediplanados, bem como ocorrências de pedimentos dentríticos coluvionados,
78

retratados através de perfil. Conforme pode se perceber, trata-se de uma sequência de material
detritolaterítico constituído por seixos e grânulos de quartzo, de silexito e arenito ferruginoso,
recobertos por sedimentos aluviais.

Objetivando um maior detalhamento para a caracterização do relevo da bacia do


riacho Açaizal, utilizamos o modelo digital de elevação (MDE), com resolução espacial de 30
(trinta) metros, elaborado no âmbito do prjeto TOPODATA e disponibilizado pelo INPE
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Com base nessas informações foram elaborados 3
(três) planos de informação a saber: hipsometria, declividade e curvatura das vertentes.

3.4.1. Atributos geomorfológicos da bacia: A Hipsometria

A hipsometria representa e estuda as interrelações existentes em determinada unidade


horizontal de um espaço no tocante a sua distribuição em relação as cotas altimétricas, indicando
a proporção ocupada por determinada área da superficie em relação as variações altimétricas a
partir de uma cota base. Os estudos hipsométricos possibilitam conhecer melhor o relevo, que por
sua vez interfere nos processos erosivos. A configuração topográfica de uma determinada área de
drenagem está relacionada com os processos erosivos atuantes. A hipsometria também pode
auxiliar na elaboração do índice de dissecação do relevo, que é um atributo importante também
nos estudos ambientais.

A área de estudo encontra-se em níveis altimétricos de 150 m próximo a foz do riacho


Açaizal com o rio Cacau, chegando a alguns trechos a altitudes superiores a 450 m, nas nascentes
dos riachos Açaizal e Prainha (fig. 12). Caracteriza-se por relevo plano a forte ondulado
rampeado em direção a rede de drenagem, com predomínio de Argissolos Vermelo-Amarelo na
alta e baixa bacia e Plintossolos na média bacia. O subsolo dessa área é composto por arenitos
argilosos, siltitos, folhelhos e calcário das Formações Itapecuru e Codó. Apresenta clima
semiúmido com pluviosidade anual que varia entre 1.300 e 1.800 mm. Há uma dominância da
vegetação secundária (babaçu e capoeira), em contato com cerrado e florestas.

A Depressão Ortoclinal de Imperatriz apresenta na área da bacia hidrográfica do


riacho Açaizal superfícies tabulares (escarpas), nas bordas da bacia onde estão localizadas as
nascentes dos riachos Açaizal e Prainha, superfícies de aplainamento e planícies aluviais.
79

Apresenta nas áreas de superfícies tabulares relevo dissecado em ravinas, resultante do


entalhamento por drenagem.

Em relação à hipsometria da bacia da bacia do riacho Açaizal, as altitudes variam de


159 a 452 metros. Com base na similaridade e forma das mesmas as nove classes de altitudes
identificadas foram agrupadas em três grupos.

Tabela 3. Classes hipsométricas e suas áreas na bacia do Açaizal


Classes de Altitude (m) Área (km2) Área (%)
159 - 201 52,3 29,0
201 - 243 76,6 41,0
243 - 285 23,7 13,5
285 - 327 10,6 6,0
327 - 369 16,3 9,0
369 - 411 1,4 1,0
411 - 453 0,5 0,5
Área total 181,5 100,0
F o nt e : M a p a d e hip so me tr i a da b a c i a.

O primeiro – agrupa as maiores altitudes – comporta as altitudes entre 369 a 453


metros e está localizado na alta bacia, ocupando uma área de aproximadamente 1,5% da área total
da bacia. Nessas cotas altimétricas o relevo apresenta-se de forma tabular e com baixa densidade
de drenagem. Destaca-se também que essa porção mais plana e elevada do terreno é responsável
pela recarga do lençol freático que alimenta os cursos d’água que possuem suas nascentes logo
nas cotas altimétricas mais baixas como o Riacho Prainha e Riacho Tabuleirão.

O segundo – comporta médias altitudes que variam de 285 a 369 metros e estão
distribuídas na porção central da bacia, ocupando uma área de aproximadamente 15% da ára total
da bacia. Nessa faixa de altitude a densidade de drenagem é mais elevada e a forma de relevo
com aparência de zona de erosão recuante comportaa quase a totalidade das nascentes presentes
na área.
80

O terceiro - compreende as menores altitudes variam de 159 a 285 metros e estão


distribuídas na baixa bacia, ocupando uma área de mais de 80% da área total bacia. Esta faixa de
altitude encontra-se restrita aos cursos d’água de maior ordem que ocorrem associados aos fundos
de vale.
81

Figura 10. Carta de Hipsometria da bacia do Riacho Açaizal.


82

3.4.2. Atributos geomorfológicos da bacia: Declividade

Outro elemento que facilita a compreensão dos estudos do relevo em pequenas


bacias como é o caso da bacia em estudo diz respeito a declividade. Para Beltrame (1994) a
declividade do terreno exerce grande influência na maior ou menor infiltração da água da
chuva e na velocidade do escoamento superficial, contribuindo assim para o processo erosivo.

O mapa de declividade constitui-se em um importante instrumento de apoio ao


estudos ambientais de potencialidade de uso agrícola, ou de restrições de uso de uma
determinada área, sempre correlacionados com outros atributos inerentes à topografia. A
velocidade do escoamento superficial e sub-superficial de uma bacia é determinada pela
declividade do terreno, claro que a cobertura vegetal e o tipo de uso também influencia, mas a
declividade é bem relevante.

Tabela 4. Declividade e formas de relevo da bacia do Açaizal e suas concentrações.

Classes em % Área em Km2 Área em % Formas de Relevo


0-3 68,0 37,5 Plano
3.1-8 66,6 36,6 Suave Ondulado
8.1-13 25,3 14,0 Ondulado
13.1-20 11,1 6,1 Moderadamente Ondulado
20.1-45 6,0 3,3 Forte Ondulado
<45 1,0 0,5 Escarpado
Total 181,5 100,0
Fonte: Carta de declividade.

Para a definição das classes de declividade adotamos a classificação atualmente


proposta por RAMALHO FILHO e BEEK (1995). Pela metodologia adotada a declividade é
classificada em 6 (seis) classes que possuem entre si distintos intervalos. As seis classes
definidas possibilitam qualificar o relevo de acordo com a aparência que o mesmo exibe em
termos inclinação em relação ao plano horizontal.

Em relação à declividade do relevo da bacia em estudo, a mesma varia de 0 a


45%. As menores declividades - que variam de 0 a 8% - ocorrem na porção centro - leste e
mais elevada da área, a qual é caracterizada por possuir o relevo em forma tabular.
Declividades menores também ocorrem nas porções mais baixas da área, onde se localizam os
83

fundos de vale. Já entre as menores e as maiores altitudes estão localizadas as maiores


declividades do terreno com classes que podem chegar até os 45% de inclinação. Nestas o
relevo apresenta-se como zona de erosão recuante, a qual se apresenta vulnerável a processos
erosivos em ritmo acelerado.
84

Figura 11. Carta de Declividade da bacia do Riacho Açaizal.


85

3.4.3. Atributos geomorfológicos da bacia: Curvatura

As características da vertente estão entre uma série de fatores geomorfológicos


controladores da distribuição dos processos erosivos. Sua importância advem do fato de que a
topografia condiciona a intensidade e a direção dos fluxos hídricos pluviais, que por sua vez,
são os principais agentes erosivos nas regiões tropicais. A seguir trataremos de um dos
atributos do relevo que é a curvatura das vertentes, falaremos da curvatura no perfil, que é a
taxa de variação da declividade na direção da orientação da vertente.

A curvatura no perfil é decisiva na aceleração ou desaceleração do fluxo da água


sobre o terreno e, portanto, influencia grandemente a erosão do solo. Sob o ponto de vista da
curvatura no perfil um terreno pode ser côncavo, convexo ou reto. Terrenos côncavos são
aqueles em que a declividade diminui na direção do aspecto. Terrenos convexos aparecem
quando a declividade aumenta na direção do aspecto. Por último, são denominados terrenos
retilíneos aqueles em que a declividade não sofre alterações no perfil.

Tabela 5. Formas de curvatura das vertentes na bacia do Açaizal e suas respectivas


áreas.

Formas Área em Km2 Área em %


Côncava 92,5 50,9
Convexa 81,0 44,6
Retilínea 8,0 4,5
Total 181,5 100
Fonte: Mapa de curvatura das vertentes.
86

Figura 12. Carta de curvatura das vertentes da bacia do Riacho Açaizal.


87

3.5. O Solo: o domínio dos Argissolos Vermelho Amarelo

Para EMBRAPA (1999), os solos podem ser compreendidos como uma coleção de
corpos naturais, constituídos por partes sólidas, líquidas e gasosas, tridimensionais,
dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos, que ocupam a maior parte do manto
superficial das extensões continentais do nosso planeta, contém matéria viva e podem ser
vegetados na natureza, onde ocorrem ocasionalmente modificações por atividades humanas.

A bacia hidrográfica do riacho Açaizal apresenta três classes de solo, que são:
Latossolos Amarelos, Plintossolos Argilúvicos, Argissolos Vermelho-Amarelos, (Fig. 13).

Observem na tabela abaixo as concentrações de cada uma das quatro classes de


solo da bacia (Tabela 6).

Tabela 6. Classes de solos com suas respectivas áreas em Km2 e %.


Classes de Solo Sigla Área em Km2 Área em %
Argissolo Vermelho Amarelo PVA 128,6 70,8

Latossolo Amarelo LA 11,1 6,2


Plintossolo Argilúvico FT 41,8 23,0
181,5 100,0
Fonte: Carta de Solos adaptada de CNPS/EMBRAPA (1996).
88

Figura 13. Carta de Solos da bacia do Riacho Açaizal.


89

3.5.1. Argissolos Vermelho-Amarelo (PVA)

Os Argissolos (P) em geral são constituídos por material mineral, apresentando


horizonte B textural de cores avermelhadas e amareladas, com argila de atividade baixa
imediatamente abaixo do horizonte A. No que se refere ao grupo dos Argissolos Vermelho-
Amerelos (PVA), são solos com matriz 5YR ou mais vermelho ou mais amarelo que 2,5YR na
maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B.

Estendendo a discussão até o terceiro nível categórico, temos os Argissolos


Vermelho-Amarelos Distróficos (PVA), em geral são solos com saturação por base baixa
(V<50%), na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Apresentam perfil profundo cuja
principal característica é o incremento diferencial de argila em subsuperfície. Na área de estudos
ocupam áreas com declividade acentuada formando topossequência com os Latossolos

Solos constituídos de material mineral com argila de atividade baixa e horizonte B


textural imediatamente abaixo do horizonte A. Apresenta matriz 5YR ou mais vermelha ou mais
amarela que 2,5YR. São solos com saturação por base baixa (V<50%), textura arenosa desde a
superfície até o início do horizonte B textural. Inclui solos profundos e moderadamente
profundos, raramente rasos, geralmente bem drenados e porosos. Tem perfis bem diferenciados,
com presenças de horizontes subsuperficial de acumulação de argilas. Distribuem-se em áreas de
relevo suave ondulado, com predomínio da litologia da formação Codó, na porção central da
bacia.

Compreende solos minerais, profundos, não hidromórficos, com horizonte A


seguidos de horizonte B textural não plíntico. No entanto, é comum na área a presença de plintita,
ocupando volumes inferiores a 15% e distribuída por todo o perfil, bem como cascalhos e
calhaus, ora presentes nos horizontes superficiais (primeiros 20cm), ora nos horizontes
subsuperficiais ou ainda distribuídos por todo o perfil. Portanto, podem ocorrer na área: Argissolo
Vermelho-Amarelo plíntico, Argissolo Vermelho-Amarelo com cascalho ou cascalhento e
Podzólico Vermelho-Amarelo pedregoso.
90

São solos, em sua maioria, de fertilidade baixa, muitas vezes com elevada saturação
por alumínio, predominando os de textura arenosa/média, mas havendo também média/argilosa e
geralmente com elevado gradiente textural, tal como relatado para essa unidade taxonômica na
área estudada por Brasil (1974a, 1974b). Relativamente e em menores proporções são
encontrados solos eutróficos, com argila de atividade baixa e associados a texturas que variam de
arenosa/ média a média/argilosa.

Os Argissolos Vermelho-Amarelos da área contêm argila de atividade baixa,


geralmente apresentam-se com cores vermelha a amarela e baixos teores de Fe2O3,
caracterizando-se por distinta individualização entre os horizontes dos perfis, tal como relatado
por Oliveira, Jacomine e Camargo (1992) para essa unidade taxonômica. O horizonte A é
moderado, de espessura variável entre 15 e 25cm, com cores geralmente variando de bruno muito
escuro (10YR 2/3) a preto (5YR 2/1), textura arenosa a franco-argilo-arenosa, estrutura variando
de grão simples a fraca, pequena, granular, fraca, pequena e média subangular.

O horizonte B possui coloração variando entre bruno-amarelo-escuro (10YR 4/4) a


verelho-amarelado (5YR 5/8), passando por bruno-forte (7,5YR 5/6), textura variando de franco-
argilo-arenosa a argilosa, estrutura geralmente moderada, pequena a média em blocos
subangulares. Nesse horizonte é comum a presença de cerosidade.

3.5.2. Latossolo Amarelo (LA)

Para Santos [et. al] (2001), os Latossolos (L), são constituídos por material mineral,
não hidromórficos, apresentando horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer
horizonte A, dentro de 200 cm de superfície do solo ou dentro de 300 cm, se o horizonte A
apresenta mais que 150 cm de espessura. São solos que apresentam adiantado processo de
evolução, em geral sendo constituído de material bastante intemperizado, de baixa relação
silte/argila e reduzida proporção de minerais alternáveis. As subordens são diferenciadas,
basicamente pela cor e teores de ferro.

Já os Latossolos Amarelos (LA): são solos que apresentam matriz mais amarelo que
5YR na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Já no terceiro nível categórico os
Latossolos Amarelos distróficos (LAd), apresentam baixa saturação de base (V<50%) na maior
91

parte dos primeiros 100 cm do horizonte B (SANTOS [et. al], 2001). De modo geral apresentam
baixa fertilidade natural. Quando presentes em áreas de relevo movimentado as grandes
declividades e a susceptibilidade à erosão, em geral, em áreas que apresentam textura mais
arenosa, devendo ser considerado como fatores limitantes. Quando associados à topografia plana
a suave ondulada, as propriedades físicas favoráveis, permeabilidade, resistência a erosão e
profundidade efetiva, garantem boa potencialidade para o aproveitamento agrícola.

São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico,


imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200 cm de superfície do solo ou
dentro de 300 cm, se o horizonte A apresenta mais de 150 cm de espessura. São solos com matriz
mais amarelo que 5YR na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Apresentam
saturação por base alta (V>50%).

Segundo Guerra e Botelho (1998), os latossolos são encontrados em áreas de florestas


densas, abertas e mistas com palmeiras, em campos de cerrados, em relevo variável de plano a
forte ondulado. O material de origem dos solos desta classe está relacionado a sedimentos dos
períodos quaternário, terciário ou de rochas mais antigas (MARANHÃO, 2000). Em geral são
solos profundos ou muito profundo, bem drenados e acentuadamente drenado, de textura
variando de média a muito argilosa, são ácidos ou muito ácidos, porosos, friáveis, cores variando
de vermelho até amarelo ou bromo forte (EMBRAPA, 1999).

Os solos desta área estão distribuídos em topo de serras próximos às nascentes dos
riachos Açaizal no extremo norte e Prainha no SE, apresentando relevo tabular com litologias das
formações Itapecuru e Coberturas Tércio-Quaternárias.

Compreendem solos minerais, não hidromórficos, profundos, com sequência de


horizontes A-Bw-C e baixos teores de Fe2O3, normalmente não ultrapassando 7%, e por isso
mostram-se virtualmente sem atração magnética (OLIVEIRA, JACOMINE &
CAMARGO,1992). São normalmente álicos e, portanto, muito pobres quimicamente. O alumínio
trocável pode atingir valores relativamente elevados, podendo alcançar até 4,0cmolc kg de TFSA.
92

Tratam-se de solos muito ácidos, permeáveis, embora por vezes apresentam-se


moderados a imperfeitamente drenados em função da presença, por todo o perfil e ocupando
menos que 15% do volume do horizonte B latossólico, de plintita.

Em relação as cores, o horizonte A frequentemente é bruno-amarelado-escuro (10YR


3/3), enquanto no B latossólico predominam os matizes 10YR, com valores 5 e cromas iguais ou
superiores a 4, como é o caso dos solos citados por Radam (1974a, 1974b) e Oliveira, Jacomine e
Camargo (1992).

Os Latossolos Amarelos da área em questão apresentam perfis friáveis a muito


friáveis, muito porosos, com estrutura muito pouco desenvolvida, semelhante ao descrito no
projeto Radam (1974a; 1974b). Sua friabilidade difere dos Latossolos Amarelos típicos derivados
da formação Barreira, os quais apresentamse coesos, duros ou muito duros quando secos,
principalmente nos horizontes AB ou BA, ou mesmo no topo de Bw (OLIVEIRA, JACOMINE
& CAMARGO, 1992).

3.5.3. Plintossolos Argilúvicos (FT)

Plintossolos (F): Solos constituídos por material mineral, nesta classe de solo o
horizonte plíntico inicia-se nos 40 cm desde a superfície, ou mesmo dentro dos 200 cm quando
está subjacente ao horizonte A ou E que apresenta restrição de drenagem. Os Plintossolos
Argilúvicos (FT) possuem horizonte B textural coincidindo com o horizonte plíntico. No terceiro
nível categórico os Plintossolos Argilúvicos distróficos (FT) possuem V<50% na maior parte dos
100 cm do horizonte B ou C.

Os Plintossolos compreendem solos formados sob condições de restrição à percolação


da água, sujeitos AP efeito temporário de excesso de umidade, de maneira geral
impefeitamente drenados, que se caracterizam fundamentalmente por apresentar
expressiva plintização com ou sem petroplinitita na condição de que não satisfaçam os
requisitos estipulados para as clases dos Neossolos, Cambissolos, Luvissolos,
Argissolos, Latossolos, Planossolos ou Gleissolos (SANTOS [et.al] 2001, p. 89).

São constituídos por material mineral com horizonte B plíntico, começando dentro de
40 cm, ou dentro de 200 cm quando imediatamente abaixo do horizonte A, ou subjacentes a
horizontes que apresentam coloração pálida. Solos com horizonte B textural, coincidindo com
horizonte plíntico. São solos com baixa saturação por base, apresentam textura arenosa desde a
93

superfície do solo até o início do horizonte B textural, que ocorre entre 50 e 100 cm de
profundidade.
São solos sob condições de restrição e percolação d’água, imperfeitamente drenados,
tendo coloração escurecida pela matéria orgânica. Ocupam áreas de relevo predominantemente
plano ou suave ondulado e poucas vezes ondulado, na região norte e sul da bacia, é a classe de
solo mais predominante com 23,0%.
94

4. DIAGNÓSTIGO GEOAMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO


RIACHO AÇAIZAL

4.1. O Uso da Terra e suas Implicações Ambientais

A partir das imagens de satélite, se produziu os mapas de cobertura vegetal e uso da


terra com base em dois cenários analisados a saber: 1984 abordado no capítulo 2 e 2009 que será
tratado no presente capítulo, além de realizar uma comparação entre os dados obtidos e as
informações coletadas diretamente em contato com o local junto aos moradores da bacia, ou
então através de reconhecimento técnico da área de estudo, mediante ao acesso aos dados
disponíveis na reduzida literatura e em órgãos que lidam diretamente com a bacia como foi o
caso dos relatórios da Casa da Agricultura Familiar que presta assistência técnica e extensão rural
no povoado Açaizal Grande.

Todavia a comparação do mapeamento realizado em 1984 com o atual, permite


observar que a pastagem avançou muito, principalmente sobre as antigas áreas de vegetação
natural e secundárias, em especial no entorno da rodovia MA 122. Através do mapa atual de
vegetação e uso da terra é possível identificar a distribuição espacial das atividades econômicas
das populações que vivem na bacia.

Tabela 7. Comparação das classes de uso da terra em 1984 e 2009.


1984 2009
2
Área em Km Área em % Área em Km2 Área em %
Classes de Uso
Agricultura 4,0 2,3 8,8 4,8
Pastagem 2,5 1,3 46,3 25,5
Solo Exposto 9,0 5,0 35,8 19,7
Vegetação Natural 117,0 64,5 60,3 33,2
Vegetação Secundária 48,6 26,7 29,8 16,5
Área Urbana 0,4 0,2 0,5 0,3
Total 181,5 100 181,5 100

Fonte: Mapas de Vegetação e Uso da Terra de 1984 e 2009.


95

Fazendo uma análise comparativa entre os dois cenários (1984 e 2009), percebemos
que a ocupação efetiva da bacia só ocorre a partir de 1984, dentre as classes de uso identificadas
merecem destaques as de vegetação natural e vegetação secundária com 33,2% e 16,5%
respectivamente, conforme mostra a tabela 7. Outra classe de uso que se destaca até mesmo pelos
objetivos da ocupação é a agricultura com 4,8%. Pode parecer pequena a área de agricultura, mas
as áreas identificadas são de culturas temporárias. É importante observar que não foi possível
identificar em ambos os cenários analisados a presença de vegetação ciliar. O mapeamento das
classes de uso da terra, referente ao cenário 2009 (fig. 24), nos mostrou que as áreas de pastagens,
agricultura e solo exposto tiveram um crescimento acentuado em relação ao cenário de 1984.

Fazendo uma relação das classes de uso da terra com as classes de solos, quanto ao
uso e ocupação da terra da bacia do riacho Açaizal, as áreas em que apresentam ocorrência da
classe dos Argissolos Vermelho-Amarelo são utilizadas para agricultura, merecendo destaque as
culturas da mandioca e hortaliças, onde a forma de ocupação está representada por pequenas
propriedades. Nas áreas do Plintossolos Argilúvicos encontram-se as pastagens plantadas das
médias e grandes fazendas da bacia e nas áreas de Latossolos Amarelo encontram-se o uso com
pastagens e culturas de subsistência como o arroz, feijão e mandioca, nas áreas das pequenas e
médias propriedades rurais.
96

Figura 14. Carta de uso da terra em 2009.


97

4.2. A Susceptibildade e o Potencial à Erosão Laminar

A erosão do solo compreende um conjunto de fenômenos naturais envolvendo a


remoção e o transporte de sedimentos provenientes da decompisição e desagregação das rochas e
dos solos. Condicionada pela ação da gravidade e tendo como agentes a ação dos ventos e da
chuva, além disso influenciada pelas características do terreno tais como tipo de solo, declividade
do terreno e não menos importante, pela ação antrópica, age continuamente na superfície do
terreno em diversas escalas e representa um dos principais agentes naturais de transformação
fisiográfica da paisagem.

O escoamento superficial provoca a chamada erosão laminar, ocorre em geral quando


a remoção de partículas do solo se dá uniformemente na superficie do terreno, esse processo
ganha maior magnitude quando a ausência de cobertura do terreno, podendo chegar a estágios
bem mais acelerados como a erosão em sulcos, ravinas ou voçorocas, essas ocorrem quando o
processo erosivo é gerado pelo fluxo de água concentrado.

A bacia hidrográfica do riacho Açaizal, não diferente de outras bacias hidrográficas


brasileiras e maranhenses, está sujeita a ocorrência de processos erosivos, em geral, acelerados
pela ação conjunta da chuva, do vento da ação antrópica e da fragilidade do meio físico. No
entanto, vale ressaltar que os principais agentes causadores desse processo, no interior da bacia,
tem sido a chuva, e a ação antrópica, em decorrência disso, tem-se a geração de sedimentos
responsáveis pelo assoreamento dos cursos d’água da bacia.

A estrutura da bacia em alusão apresenta um substrato rochoso diversificado, com


sedimentos imaturos das Coberturas Tércio-Quaternárias que apresentam natureza arenosa,
argilosa e laterítica, que capeiam discordantemente os depósitos de arenitos da Formação
Itapecuru, esta predomina na bacia e por fim o conjunto de sedimentos compostos litologicamnte
por folhelos clacíferos e betuminoso próximo a foz do riacho Açaizal.

Aliados a isso temos os atributos do relevo onde predominam áreas rebaixadas com
altitudes inferiores a 300 (trezentos) metros, declividade abaixo dos 20% e o predomínio de
98

vertentes em forma côncava, apenas nas bordas dos divisores de água que encontramos as
maiores altitudes e declividades acentuadas.

A predominância dos Argissolos Vermelho-Amarelo, capeados por uma pequena


mancha de Plintossolo, na região da média bacia, apresentam baixo potencial agrícola e são
utilizados atualmente por pastagens e cultivo de pequenas roças e demonstram sinais de
degradação do solo com vários focos de erosão, principalmente ao longo da rodovia MA 122
entre os povoados Cumaru e Olho D’água.

Para a avaliação da susceptibilidade e do potencial à erosão laminar optamos pela


metodologia apresentada por Salomão (1992). Esta metodologia leva em conta a erodibilidade
relativa dos solos ocorrentes na bacia e a declividade do terreno. Também, a partir da
metodologia citada acima – com algumas moficações - é apresentada uma variação do potencial à
erosão laminar dos solos, da bacia agregando a susceptibilade à erosão ao uso atual das terras e
cobertura vegetal.

Segundo orientação da proposta metodológica citada acima, a susceptibilidade à


erosão em uma dada área pode ser avaliada com base no cruzamento dos dados qualitativos
acerca do índice de erodibilidade relativa dos solos com os dados quantitativos acerca da
inclinação do terreno por faixa de declividade.

A diferença existente junto às propriedades inerentes ao solo é entendida então como


erodibilidade do solo, correspondendo à susceptibilidade do solo a erosão laminar, dependendo
das características do solo, isto é, a permeabilidade, estrutura, porosidade e profundidade. No
entanto, a intensidade do processo erosivo de uma dada área pode ser influenciada mais pela
declividade, características das chuvas, cobertura vegetal e manejo do solo do que pelas
propriedades do solo.

A seguir são indicados as classes de erodibilidade relativa para os solos da bacia


hidrográfica do riacho Açaizal, com seus respectivos índices de erodibilidade. É possivel uma
mesma classe de solo apresentar índicies de erodibilidade diferente em função da declividade do
terreno.
99

Tabela 8. Classes de erodibilidade relativa segundo Salomão (1992).

Classes Índice de Erodibilidade Classes de Solo


E1 0,54 a 0,43 Argissolo Vermelho-Amarelo
E2 0,43 a 0,32 Argissolo Vermelho-Amarelo
E3 0,32 a 0,21 Argissolo Vermelho-Amarelo + Plintossolo
Argilúvico
E4 0,21 a 0,10 Plintossolo Argilúvico + Latossolo Amarelo
E5 0,10 a 0,00 Latossolo Amarelo

A erodibilidade relativa dos solos é estimada com base na avaliação pedológica dos
mesmos. Nesta estimativa são consideradas as principais caractrísticas físicas, químicas e
morfológicas que influenciam na resistência dos solos a erosão tais como:

Textura: influi na capacidade de infiltração e absorção da água da chuva e na coesão do


solo, interferindo na erosividade das enxuradas, e na resistência a remoção das
partículas;
Gradiência Textural: Influi na capacidade de infiltração e no fluxo das águas
superficiais e subsuperficiais;
Estrutura: influi na capacidade de infiltração e absorção das águas das chuvas e na
capacidade de remoção das partículas, podendo, em certas situações, favorecer a
concentração do escoamento superficial;
Espessura do Solo: Influi na capacidade de infiltração e no fluxo das águas superficiais e
subsuperficiais;
Permeabilidade, densidade e porosidade: Determinama maior ou menor capacidade de
infiltração das águas da chuva;
Propriedades químicas, biológicas e minerológicas: Influem no estado de agrefação e
coesão entre as partículas do solo, interferindo na estruturação do solo e na resistência a
remoção das partículas por ação da chuva. Miranda et al. (2006, p. 4).

As classes de susceptibilidade à erosão laminar dos solos da bacia hidrográfica do


riacho Açaizal foram as seguintes:
100

Tabela 9. Determinação das classes de susceptibilidade à erosão laminar Salomão (1992).

Classes de Classes de Declividade


Erodibilidade Relativa > 45% 45 a 20% 20 a 13% 13 a 8% 8 a 3% <3%
E1 S1 S1 S2 S3 S3 S3
E2 S1 S1 S2 S3 S3 S3
E3 - - S3 S3 S4 S4
E4 - - - S4 S4 S4
E5 - - - - S5 S5

S1 – Alta Susceptibilidade: esta classe, compreende as áreas de contato dos


Argissolos Vermelho-Amarelo com os Latossolos Amarelos, associados a declividades
superiores a 45% e apresenta em alguns pontos uso agrícola, pastagens e solo exposto.

S2 – Média a Alta Susceptibilidade: nesta classe estão áreas com predominio de


Argissolo Vermelho-Amarelo porém com declividades menosres que S1 apresenta declividades
que variam de 13% a 45%, apresentam um variado tipo de uso da terra, que vai desde pastagens,
agricultura e solos exposto.

S3 – Média Susceptibilidade: esta classe, compreende maior parte da bacia abarnge


duas classes de solos que são Argissolos Vermelho-Amarelo e Plintossolos Argilúvicos,
apresentam declividades menores que 20%. As áreas de Plintossolos apresentam um uso intenso,
já as áreas de Argissolos apresentam maior cobertura vegetal, onde predomina relevo plano a
suave ondulado.

S4 – Baixa a Média Susceptibilidade: compreendem as áreas com ocorrência de


Latossolo Amarelo na alta bacia com declividades que variam de 3% a 8% e de Plintossolos na
média bacia com declividades moderadas, no entanto, apresenta uso bastante intenso.

S5 – Baixa Susceptibilidade: nesta classe estão os Latossolos Amarelos que são


encontrados no alto curso da bacia com as menores declividades que variam entre 0% a 3%,
apresenta uma cobertura vegetal densa e pouco uso agricola.
101

Analisando a distribuição espacial das classes de erodibilidade, prodominam na bacia


os solos da classe E1 e E2 em função da ocorrência destacada dos Argissolos Vermelho-Amarelo
de textura média/argilosa. O enriquecimento em argila no horizonte B determina menor
capacidade de infiltração e, em consequência, maior intensidade de fluxo superficial e
subsuperficial, o que torna mais fácil o início de processos erosivos.

No tocante a susceptibilidade à erosão laminar, a classe predominante foi a S3


considerada de média susceptibilidade, também com presença dos Argissolos Vermelho-
Amarelo. No entanto, a classe que apresenta a maior susceptibilidade é a S1 que margeia os
divisores de água da bacia, com declividades bem acentuadas em geral acima de 20%.

Cabe frisar que, alguns solos são mais facilmente erodidos que outros, isto é, se
levarmos em conta as similaridades de chuva, topografia, uso da terra e manejo. A
susceptibilidade à erosão é uma característica intrínseca dos solos, que depende de propriedades
físicas, principalmente estrutura, textura, permeabilidade e densidade, bem como as
características químicas e biológicas de cada tipo de solo.

A erosão de uma forma geral, segundo Bertoni e Lombardi Neto (1990), é um dos
maiores inimigos da terra, pois ao arrastar as camadas superiores do solo agricultável, retira
importantes quantidades de nutrientes até então concentrados, empobrecendo o solo e
provocando assim depreciação ao mesmo.

Portanto, a erosão acelerada como processo de desgaste, transporte e deposição das


partículas do solo causado por diferentes tipos de agentes, destacando-se no contexto tropical a
ação da água de escoamento superficial e dos ventos, resulta em impactos ambientais, em
especial, o comprometimento dos cursos d’água e, o já citado, empobrecimento dos solos.

A análise do mapa de susceptibilidade à erosão laminar nos permite apontar em


função do predomínio espacial da classe S3 que a área apresenta considerada susceptibilidade. Os
principais condicionantes são: ocorrência de solos Argissolos Vermelho-Amarelo (pertecentes as
classes E1 e E2) em áreas de arenitos da Formação Itapecuru com declividades de 6 a 20% e a
ocorrência de solos com horizonte superficial essencialmente arenosos.
102

Figura 15. Carta de susceptibilidade à erosão laminar.


103

De posse do mapa de susceptibilidade à erosão laminar o passo seguinte foi a


elaboração do mapa de potencial à erosão laminar da bacia, segue a confecção do mapa de
potencialidade a erosão, elaborado com base na metodologia de Salomão (1992). Foi elaborado a
partir do cruzamento dos mapas de susceptibilidade a erosão laminar e do mapa atual de
vegetação e uso da terra frente a erosão laminar.

Tabela 10. Classes de uso da terra frente à erosão laminar para a bacia hidrográfica do
riacho Açaizal.

Classes de uso frente à erosão laminar Vegetação e Uso da Terra


Atividade Antrópica Intensa Solo exposto
Atividade Antrópica Moderada a Intensa Agricultura, pastagem e área urbana
Atividade Antrópica Moderada Vegetação Secundária
Atividade Antrópica Reduzida Vegetação Natural

A bacia hidrográfica do riacho Açaizal apresenta um uso atual variado, onde se


destacam atividades agropecuárias, atividades extrativistas e urbanização. Vale aqui destacar
algumas particularidades do uso da terra na bacia que consideramos importante para entender o
seu grau de fragilidade.

A atividade agrícola tem como exponente o cultivo de mandioca nas encostas e da


horticultura às margens dos riachos em espacial o riacho Açaizal. O plantio de mandioca nas
áreas de encostas sem uma prática conservacionista adequada resulta na perda de solo. A retirada
da vegetação ciliar para o cultivo da horticultura tem contribuido em grande parte para o
transporte e acumulo de sedimentos no leito dos riachos. Com base na metodologia utilizada,
estas atividades foram consideradas de moderadas a intensa.

Quanto a atividade pecuária, destacamos a criação de bovinos. Sob a ótica da erosão


do solo, é importante enfatizar a degradação do solo provocada tanto pelo desmatamento visando
a formação de pastagens, quanto o pisoteio dos animais. Esta atividade foi enquadrada como
moderada a intensa.
104

Já a atividade de extração de argilas e cascalhos, originam áreas de intensa


degradação, no mapa de vegetação natural e uso da terra atual estas atividades se encontram na
classe de solo exposto. São consideradas como atividade intensa.

O processo de urbanização é considerado uma atividade antópica moderada a


intensa, pois os quatro povoados banhados pela bacia apresentam um cresciento urbano lento. No
entanto, o fato de não apresentar ruas pavimentadas no período chuvoso há uma grande liberação
de sedimentos trasportado pelas enchuradas e depositados no leito dos riachos.

Com base na metodologia utilizada, segue a apresentação dos resultados obtidos para
a bacia do riacho Açaizal. Foram identificadas quatro classes de potencialidade à erosão laminar,
as quais serão caracterizadas a seguir.

PI – Alta Potencialidade: composta pela classe de susceptibilidade S1 que ocorrem


em áreas de acentuada declividade geralmente acima de 45%, com a presença de Argissolos
Vermelho-Amarelo, algumas manchas de vegetação secundária e a predominância de pastagens e
agricultura. No entanto, a área homogênea, que apresenta maior potencial, compreende a área de
erosão recuante nas bordas da serra do Arapari, divisor de água da bacia.

PII – Média a Alta Potencialidade: formada pelas classes de susceptibilidade S2 e


S3, ocorrendo em locais com variados tipos de uso da terra, que vai desde solo exposto, pastagens
e agricultura, apresenta a predominância dos Argissolos Vermelho-Amarelo;

PIII – Média Potencialidade: formada pela classe de susceptibilidade S3 ocorrendo


em locais de atividade antrópica reduzida e pela classe de solo Argissolo Vermelho Amarelo, em
locais de declividades viadas que vai desde 8% até 20% em algumas pequenas manchas
espalhadas no interior da bacia;

PIV – Baixa a Média Potencialid ade: formada pelas classes de


susceptibilidade que variam de S2 e S4 ocorrendo em locais de atividade antrópica de moderada a
intensa e pelas classes de solos Argissolo Vermelho-Amarelo, Latossolo Amarelo e uma pequena
quantidade em áreas de Plintossolos Argilúvicos.
105

PV – Baixa Potencialidade: formada pelas classes de susceptibilidade S4 e S5, com


baixa susceptibilidade á erosão laminar, abrange as áreas de Latossolo Amarelo e as áreas de
vegetação natural, são encontradas na bacia em forma de ilhas desde a alta bacia até a baixa
bacia.

Tabela 11. Definição das classes de potencial à erosão laminar para a bacia hidrográfica do
riacho Açaizal. Incompleto

Classes de uso da terra frente à erosão laminar


Atividade Atividade Atividade Atividade
Classes de
Antrópica Antrópica Antrópica Antrópica
Susceptibilidade
Intensa Moderada a Moderada Reduzida
à erosão laminar
Intensa
S1 PI PI PII PII
S2 PI PI PIII PIV
S3 PI PII PIII PIV
S4
S5
106

Figura 16. Carta de potencialidade a erosão laminar.


107

4.3. Caracterização dos Cenários Ambientais da Bacia do Açaizal

Os estudos sobre a fragilidade dos ambientes naturais em relação às intervenções


humanas mostram que é maior ou menor em função de características genéticas destes. Os
ambientes naturais mostram-se ou mostravam-se em estado de equilíbrio dinâmico até o
momento em que as sociedades humanas passaram progressivamente a intervir cada vez mais
intensamente na exploração dos recursos naturais. A partir daí as ocorrências de impactos
ambientais em ambientes naturais ficou bem mais frequente.

Atualmente no Brasil existe uma gama de estudos que diagnosticam problemas de


degradação ambiental. Quando estas informações são expostas através de mapas e textos, são de
extrema importância ao planejamento ambiental e ordenamento do uso, que tenha como centro de
preocupação central o desenvolvimento sustentado, onde conservação e recuperação ambiental
estão lado a lado com desenvolvimento tecnológico, econômico e social (ROSS, 1994).

Fazendo um recorte espacial mais específico e chegando a análise dos cenários


ambientais existentes na bacia do riacho Açaizal, podemos agrupá-los em duas categorias a saber
uma do ponto de vista econômico e outra do ponto de vista ambiental. As mudanças ocorridas na
base econômica da bacia são identificadas inicialmente pela diminuição progressiva da
agricultura de subsistência e o rápido aumento das áreas de pastagens, que tem ocorrido de forma
inversamente proporcional nos últimos 20 anos.

Entretanto, as poucas áreas de cultivo existentes atualmente na bacia em sua grande


maioria são de plantações de mandioca ou de hortaliças (Fig. 20). As plantações de mandioca em
geral são destinadas exclusivamente a extração de fécula, produto que tem grande importância
comercial na região, já as hortas encontradas na área não apresentam grande diversidade de
produtos, os pequenos produtores cultivam apenas o tomate.

As mudanças no sistema de cultivo da bacia, começaram a partir de 2001, momento


em que os produtores rurais começaram a contar com o apoio da CAF (Casa da Agricultura
Familar), que passou a oferecer assitência técnica e extensão rural, além de organizar os
agricultores em associações, conseguiu inserir um grande número de pequenos produtores no
PRONAF C, criou duas unidades experimentais para mandioca, uma em Açaizal Grande e outra
108

em Jenipapo, as unidades experimentais tinham como objetivo testar duas espécies de mandioca
já cultivadas por eles, para saber qual seria a melhor espécie destinada para extração de fécula.

Figura 17. Plantação de mandioca no povoado Açaizal Grande.

Figura 18. Plantação de tomate no povoado Curamu.


109

Outro avanço que pode ser destacado com a participação da CAF junto aos pequenos
produtores rurais foi a implantação de uma fábrica de fécula no povoado Açaizal Grande que
atende os produtores tanto de Açaizal Grande como de outros povoados vizinhos. A fábrica foi
implantada com recursos do Governo Federal e com ajuda da Prefeitura Municipal de Senador La
Rocque, no caso a doação do terreno, a mesma conta com um motor elétrico, duas
centrifugadoras, uma balança, 12 recipientes para decantação da fécula e duas secadeiras
suspensas.

Houve ainda uma melhoria significativa no setor de habitação que foi a substituição
das casas de taipa por casas de tijolos, vale ressaltar que esta subistituição foi feita com recursos
dos próprios moradores. No tocante ao acesso a transportes também pode ser considerado como
melhoria econômica, todos os povoados são servidos com transporte coletivo inter-urbano.

Figura 19. Fábrica de fécula em Açaizal Grande.

Apesar dos grandes avanços relatados acima algumas questões ainda precisam
melhorar muito na área da bacia, principalmente no setor ambiental, grande parte dos pequenos
produtores rurais ainda utilizam o fogo como técnica de limpeza das roças para o plantio ou para
a renovação de pastagens, em geral nos meses de setembro a novembro acontecem incêndios em
propriedades sem que o dono tenha ateado fogo no capim ou na roça, na verdade é o fogo da
110

propriedade vizinha que invade as demais propriedades, isso tem causado grandes prejuízos, além
de conflitos entre os proprietários.

Outra questão que tem se tornado comum na bacia é a reclamação do produtores


sobre o empobrecimento do solo como foi visto em depoimentos no capítulo 2. A utilização do
fogo como técnica aliada ao uso intensivo do solo sem uma recomposição de nutrientes,
constituem implicações para tal. É comum encontrarmos focos de erosão no interior da bacia seja
ao longo da rodovia MA 122 ou estradas vicinais, seja no interior das propriedades.

Na verdade os focos de erosão na bacia são comuns, tanto no alto curso dos riachos
que formam a bacia quanto no baixo curso dos mesmo. No entanto, uma prática bastante comum
nas proximidades do povoado Açaizal Grande tem gerado problemas de erosão que tem atingido
estágios bem avançados. A proximidade das camadas de seixo da superficie tem levado uma
grande quantidade de pessoas e retirarem a camada de solo até exporem os depósitos de seixo
(Fig.22), causando verdadeiras voçorocas, o que tem se agravado últimamente com o período
chuvoso.

Figura 20. Extração de cascalho na região da alta bacia próximo ao povoado Jenipapo.
111

Além dos inúmeros focos de erosão presentes no interior da bacia, a poluição dos
cursos d’água também tem nos preocupado, com o aumento da produção de fécula no povoado
Açaizal Grande localizado na alta bacia, os dejetos resultante do processo de fabricação são
lançados in natura no leito do riacho Açaizal, isso ocorre tanto nas fábricas tradicionais, quanto
na fábrica de fécula implantada pela CAF. Dente os dejetos vale a pena destacar um que é a
manipueira, líquido de cor amarelada rica em HCN (Ácido Cianídrico), que em contato com a
água, consome todo o oxigênio (O), tornando a existência de vida neste ambiente quase
impossível (Fig. 24).

Figura 21. Representação das fábricas de fécula acima e os efeitos do lançamento dos dejetos no riacho Açaizal
abaixo.
Se não bastasse os problemas de poluição dos cursos d’água, temos ainda um bem
mais grave, que é o represamento dos riachos com a finalidade de dessedentação de animais, com
isso, a vazão diminui significativamente, impossibilitanto o transporte de sedimentos, causando o
assoreamento, uma vez que não existe mata ciliar em grande parte dos cursos d’água e também os
112

mesmos banham inúmeras fazendas, dependendo da estação sazonal alguns cursos se tornam
intermintentes como mostra a figura abaixo.

Figura 22. Situação dos cursos d’água na baicia do riacho Açaizal.

A foto à direita e a outra à esquerda acima representam um trecho do riacho Prainha


nas proximidades da ponte do povoado Olho D’água em dois períodos diferentes, já a foto à
esquerda abaixo mostra a situação de um tributário do riacho Açaizal, no povoado Açaizal
Grande próximo às fábricas de fécula.
113

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Compreender a condução do processo de uso e ocupação das terras da bacia


hidrográfica do riacho Açaizal e analisar suas consequências ambientais, na atualidade, nos leva a
pensar em novas formas que conduzam ao desenvolvimento local e regional, adequado às suas
especificidades, no sentido de evitar danos ambientais irreversíveis. Notamos que o processo de
ocupação tanto da Microrregião de Imperatriz, quanto da bacia em estudo, ocorreram em função
de interesses divergentes, de um lado o Estado, procurando uma válvula de escape para as
populações nordestinas que fugiam da seca e que no momento se dirigiam em massa para o
sudeste, do outro lado os trabalhadores sem terra, que tinham a esperança de adquirir um pedaço
de terra para trabalharem e criarem seus filhos.

Foi nesse contexto que se deu a ocupação da bacia do riacho Açaizal, que
permaneceu isolado dos interesses econômicos até meados dos anos 80. No entanto, com a
abertura da rodovia MA 122, criada para escoar a produção agrícola do vale do Pindaré, logo em
seguida as atividades agrícolas entram em decadência dando lugar a atividade da pecuária. A
decadência da agricultura se deu por dois motivos, primeiro pelo esgotamento do solo, uma vez
que os mesmos são de baixa fertilidade natural e segundo pela falta de novas áreas para o
desenvolvimento de uma agricultura itinerante, daí surge um campo fértil para o desenvolvimento
da pecuária.

De um modo geral o uso e a ocupação da terra são entendidos como as diversas


formas de intervenção do homem junto ao meio ambiente com a finalidade de atender às suas
necessidades. Vale frisar, no entanto, que o uso inadequado da terra intensifica os processos
erosivos que inclui a remoção do material de superfície das vertentes e sua deposição no canal
fluvial, o qual ocasiona, na maioria das vezes, a presença de assoreamento.

Em termos específicos do uso da terra na bacia do riacho Açaizal, destacam-se,


especialmente, os problemas que afetam a qualidade dos recursos hídricos, a agricultura e o solo.
Nesses problemas podem-se indicar a ocupação inadequada das terras em áreas de declividade
acentuada, aliado a isso a erosão acelerada do solo, pela ação antrópica, que resulta na rápida
degradação dos solos agricultáveis, face às características geoambientais das áreas, além do
114

assoreamento do leito dos riachos que formam a bacia. Observamos sempre um forte sinergismo
entre a dinâmica do processo de ocupação das terras e a ocorrência de processos erosivos, tanto
na baixa bacia, quanto na alta bacia como foi mostrado no mapa de vegetação natural e uso da
terra de 2009.

A substituição progressiva das áreas de cultivo por pastagens, tem sido uma prática
constante na bacia, sendo que a grande maioria das pequenas propriedades que realizam tal
prática apresentam pastagem com sinais de degradação, a grande quantidade de animais
pisoteiando as pastagens contribuem para a degradação, além da compactação do solo pelo
pisotei do gado em alguns pontos e pela formação de pequenas ravinas nos caminhos feitos pelo
gado em seu trajeto diário do curral nas áreas de alimentação e descedentação.

Se não bastassem os problemas decorrentes das atividades agrícolas e pastoril,


surgem atualmente atividades de extração de argila e seixo na alta bacia, prática que tem
comtribuido grandemente para a degradação dos solos da bacia. O aumento da ocorrência de
processos erosivos no interior da bacia seja por causa natural ou induzidos pela ação humana
denunciam o conflito existente entre as formas de uso da terra e as condições genéticas do
ambiente.

Diante desse quadro urge a necessidade da adoção de práticas conservacionistas que


minimizem os impactos causados ao ambiente, uma vez que as atividades desenvolvidas
atualmente tornam-se insustentáveis, causando danos inreparáveis ao ambiente. Com isso
pretendemos, ao final deste trabalho, apresentar o diagnóstico geoambiental às prefeituras de
Buritirana e Senador La Rocque, para que as mesmas tomem providências no sentido de recuperá
algumas áreas que já se encontram em estágio de degradação acelerada.

Não queremos aqui dar por concluido o presente trabalho, mas criar a partir desta
fonte de informações novas oportunidades para o desenvolvimento de pesquisas, com o intuito
de melhorar as condições de vida e trabalho das populações envolvidas. Esperamos poder
contribuir grandemente com tal pesquisa para o entendimento da dinâmica geoambiental e
socioeconômica da bacia hidrográfica do riacho Açaizal.
115

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APÊNDICES
123

Apêndice A. Roteiro da Entrevista realizada com os moradores dos povoados.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS


INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS
PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA

Roteiro para Entrevista.

Público Alvo: Moradores dos povoados: Açaizal Grande, Olho D’água, Cumarú e Jenipapo. As informações
fornecidas nesta entrevista serão utilizadas para a construção do histórico de ocupação da área da bacia hidrográfica
do riacho Açaizal, que constitui um dos objetivos do trabalho intitulado “Uso e Ocupação do Solo na Bacia
hidrográfica do riacho Açaizal” desenvolvido pelo mestrando RONALDO DOS SANTOS BARBOSA.

Povoado:______________________________________________
Nome:_________________________________________________
Idade:___________________ Sexo: ________________________

Data da Entrevista: _____/____________________/2008.


N° da Entrevista: _________

1. Em que ano você chegou nesta localidade?


2. De que cidade ou região você veio?
3. Por que você escolheu este povoado?
4. Como você ficou sabendo da existência deste lugar?
5. Como adquiriu terras ao chegar neste local?
6. O que costumava plantar quando chegou aqui?
7. O que você costuma plantar hoje?
8. Como era a produção antes e como estar hoje?
9. Onde costuma vender o que produz na propriedade?
10. Onde você compra os produtos para suprir as necessidades da família?

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