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MANIFESTO DO SINDICATO DOS MÉDICOS NO ESTADO DO PARANÁ

CONTRA O FIM DA JUSTIÇA DO TRABALHO

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR), percebendo a


necessidade de externar posicionamento sobre o tema, manifesta
publicamente sua REPÚDIA à declaração do Presidente Jair Bolsonaro que,
em sua primeira entrevista depois da posse, afirmou pensar em acabar
com a Justiça do Trabalho.

A História brasileira mostra que em tempos de crise econômica, discursos


de redução de direitos trabalhistas nunca foram benéficos nem aos
trabalhadores e nem à nação.

Embalado pela já aprovada reforma legislativa trabalhista, o movimento


de precarização das relações do trabalho, que passou recentemente pela
liberação de terceirizações indistintas e pela prevalência do negociado
sobre o legislado, chegaria ao seu ápice com o fim da Justiça do Trabalho.

Tradicionalmente conhecida como o segmento do Judiciário mais


respeitado do país, em razão do elevado nível de especialidade de seus
magistrados, da resposta célere aos conflitos que lhes são submetidos e
pela segurança jurídica decorrente da prática de edição de orientações
sumulares por parte do Tribunal Superior do Trabalho, a Justiça do
Trabalho, sem perder a imparcialidade inerente à função jurisdicional,
mostrou-se como essencial no processo de equilíbrio das relações entre
capital e trabalho, dignificando trabalhadores, sem que se possa, de forma
responsável, defender que sua atuação representou qualquer prejuízo à
economia nacional.

A defesa de sua extinção, pautada no argumento de que há número


excessivo de demandas trabalhistas (argumento do presidente Bolsonaro),
soa extremamente pueril e inconsistente. A Administração Pública,
recorda-se, é a parte com maior número de recursos no Superior Tribunal
de Justiça (da justiça comum) e nem por isso se vê a defesa de qualquer
medida restritiva do direito de ação do Poder Público. Qual a razão, então,
de se defender a restrição do direito de acesso rápido, eficaz e efetivo à
Justiça por parte dos trabalhadores?

Ignoram, os defensores do discurso extintivo, que a Justiça do Trabalho é


a verdadeira pacificadora dos conflitos envolvendo empregado e patrão,
conflitos estes que se não solucionados pela Justiça do Trabalho,
implicariam em sobrecarga de outro ramo do Judiciário, com reflexos
sociais indesejados. O fim da Justiça do Trabalho não gerará empregos,
mas, pelo contrário, apenas contribuiria para a precarização do trabalho,
na medida em que serviria de incentivo à sonegação de direitos, mediante
exclusão de uma garantia de proteção (jurisdicional) ao trabalhador.

Assim, o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná consigna seus


protestos contra o discurso presidencial, lançando o presente manifesto
público de defesa da Justiça do Trabalho.

Marlus Volney de Morais


Diretor Vice Presidente do SIMEPAR