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Bolsonaro e a Sociedade justa

Depois das eleições e até a posse do novo presidente do Brasil, a grande parte
dos opositores ao governo, dizem que a nova administração não corroborará com uma
sociedade justa para com os pobres e as minorias, construindo apenas mais diferenças
diante do capitalismo opressor.
O que essa classe de ineptos cognitivos não percebe é que a realidade é uma
coisa e seus sonhos, suas utopias e mesmo seus perversos enrustidos desejos são
outra. Sociedade justa não existe e não vai existir. Aqui vai uma explicaçãozinha do
Professor Olavo:
“Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas ‘a
sociedade’, como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a
determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique
apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada.

‘Sociedade justa’ não é, portanto, um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma
metonímia. Quando você adota como meta das suas ações uma figura de linguagem
imaginando que é um conceito, isto é, quando você se propõe realizar uma coisa que não
consegue nem mesmo definir, é fatal que acabe realizando algo de totalmente diverso do que
imaginava.”

Ou seja, somente indivíduos podem ser. Uma sociedade não é um agente


único, existe aí então, um imenso leque de indivíduos que podem ou não, serem
justos.
Gosto de dar o exemplo de um livro interessantíssimo quando este assunto
vem à pauta, “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley. Huxley idealiza em seu livro
uma Sociedade distópica, cujo a tal está numa espécie de Estado Utilitarista, e que por
sua vez, acabou com o sofrimento, a fome e a guerra. Legal né? Mas por mais inocente
essa ideia possa parecer, ela vem com uma perversidade oculta jamais vista. O
problema essencial dessa sociedade é que, todas as pessoas são condicionadas desde
o nascimento a obedecer a regras gerais que a “sociedade” as impõe – por meio de
gravações sugestivas durante o sono, desde que são bebês. Criando assim, pessoas
totalmente alienadas. Além disso, os ideais das artes, da família, da música e do sexo
foram todos desconstruídos, facilitando assim, o controle social.
Mas o que quero mostrar aqui, é somente uma análise mais superficial do livro.
Quero atê-los aqui, para a ideia de que essa sociedade “justa” só foi possível existir
porque toda liberdade foi tomada, e a contraponto fora imposto um sistema onde não
há qualquer liberdade de pensamento, de conduta, de escolha. Tudo que existe é
intrinsecamente ligado ao social, e aos condicionamentos psicológicos impostos. Ainda
há uma droga para acalmar os indivíduos mais instáveis, chamado Soma, distribuído
para todos da sociedade, para acalmá-los.
O que quero dizer com tudo isso é que não existe sociedade justa, e não vai
existir enquanto houver individualidade. Simples assim. Enquanto nós presarmos a
liberdade, enquanto a tivermos, isso nunca existirá. É um fato atemporal.
O livro em si é muito mais do que eu falei aqui, muito mais. Só queria mostrar
mais superficialmente e genericamente, para a minha análise.