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https://ucr.fbi.gov/crime-in-the-u.s/2015/crime-in-the-u.s.

-2015/persons-
arrested/arrestmain_final.pdf

https://fas.org/sgp/crs/row/R41576.pdf

https://www.drugwarfacts.org/.

http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=186A0029&nid=186&t
abela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=

https://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/understanding-drug-use-addiction

https://www.altoastral.com.br/motivos-prisao-al-capone/

O Porquê de Liberar Todas as Drogas

Introdução

A proibição e guerra contra as drogas têm como intuito diminuir ou extinguir o uso de
drogas de uma determinada sociedade em um território de forma a compensar os seus
custos. Não nego o fato de drogas serem em sua maioria ruins à saúde. Se tivesse
uma varinha mágica que, agora, balançasse e acabasse instantaneamente com todas
as drogas demasiadamente nocivas à saúde, com certeza, o faria. Mas não a tenho,
muito menos o estado, ele tem armas e essas são usadas para perseguir aqueles que
detêm posse, produzem ou as vendem. Ou será que ele tem ? As drogas ilícitas já se
mostraram incontroláveis mesmo em nossos domínios mais intensamente controlados:
as prisões. Ou seja: se nos transformássemos em um sistema totalitário, em que os
poderes do estado fossem absolutamente ilimitados, o mercado negro das drogas
ainda assim vicejaria.

Esse artigo tem como intuito mostrar os inúmeros dados, estatísticas, argumentos e
infográficos que explicitam como a proibição e a guerra contra as drogas não cumprem
os fins que se propõem a cumprir.

Monopólio, Proibição e Violência


Note que os únicos lugares onde o crime organizado atua são os setores proibidos ou
altamente regulados pelo estado, como drogas e prostituição. O período de 1919-1933,
no qual estava em vigor nos EUA a Lei Seca, que proibiu a produção, o transporte e a
venda de bebidas alcoólicas, é o perfeito exemplo histórico de tal constatação.
Gangsteres como Al Capone entraram no ramo e causaram muitas mortes e o crime
aumentou, também reduzindo a qualidade das bebidas e, consequentemente,
causando danos à saúde dos clientes. Após a sua revogação, o crime organizado
abandonou a indústria do álcool e voltou para outros setores que continuavam
proibidos. Ele se beneficiava da ação governamental porque ela perseguia aqueles que
produziam e vendiam drogas, o que possibilitou a formação de cartéis, dada a
possibilidade do suborno de policiais, o que aconteceu e ainda acontece. Al Capone só
foi preso por sonegação de impostos, o que mostra a intenção do estado (seus
integrantes, policiais). O estado não é uma superestrura independente e autônoma e é
composta por pessoas passíveis de corrupção e, como Lord Acton salientou, o poder
tende a ser abusado. Ao retirar os empresários legítimos do ramo, se atrai apenas
aqueles com menos escrúpulos que são capazes de fazer coisas horríveis, como o
assassinato, pois este é incentivado por ser lucrativo (ao retirar a concorrência) e tem
poucos riscos dada a possibilidade do suborno transformando a ação em uma medida
não passível de punição.

Guerra Contra as Drogas (http://www.stuartmcmillen.com/pt/comic/guerra-as-


drogas/#page-1) é uma interessante história em quadrinhos escrita por Stuart McMillen
que mostra alguns dados sobre a guerra contra as drogas e a previsão do economista
Milton Friedman sobre seu fracasso, estabelecendo comparações com o período da lei
seca. Para uma melhor explicação do assunto: https://mises.org.br/Article.aspx?id=836
e https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=181

Outra das inúmeras consequências do proibicionismo é a diminuição da qualidade das


drogas. ''Nos EUA, durante o apogeu da cocaína, a metanfetamina estava
praticamente extinta no mercado ilegal. Porém, tudo isso mudou com a 'Guerra às
Drogas' intensificada por Ronald Reagan, a qual foi bastante eficaz em elevar os
preços das drogas ilegais ao impor maiores riscos — logo, maiores custos — à
produção, à distribuição e ao consumo. O choque inicial dessa guerra às drogas fez
com que os agentes do mercado negro refizessem suas planilhas de cálculo: eles
agora tinham de reduzir seus riscos e seus custos. Dentre os novos produtos que eles
criaram em reação a essa nova realidade do mercado, podemos citar, além da
metanfetamina cristal, o crack e um tipo de maconha altamente potente.'' Mark
Thornton escreve em seu artigo O Que Explica A Metanfetamina Cristal?
(https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1013).
As drogas ficaram cada vez piores com o passar do tempo (ver efeitos da
metanfetamina
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metanfetamina#Metanfetamina_como_droga_de_abuso) e
a economia pode explicar o porquê de as pessoas a usarem: o preço. Os
consumidores não podendo bancar seus vícios vão para drogas mais baratas e de pior
qualidade. O monopólio também interfere nesse fator, dado que o monopolista pode
ao bel-prazer aumentar o preço e diminuir a qualidade dos produtos, ainda mais com
clientes viciados (como mostra Ludwig Von Mises no capítulo 16 de Ação Humana).

Da Natureza do Vício

Outra coisa importante de se entender é a natureza do vício, o que demonstra como é


difícil para o estado mudar esse comportamento apenas com proibições.

A maioria das drogas afetam o "sistema de recompensa" do cérebro, causando euforia


assim que inundam-no com o mensageiro químico, a dopamina. Um sistema de
recompensas funcionando bem motiva uma pessoa a repetir comportamentos
necessários para prosperar, como comer e passar o tempo com pessoas amadas.
Surtos de dopamina no circuito de recompensas causam um reforço de
comportamentos prazerosos, mas nocivos à saúde, como usar drogas, levando
pessoas a repetir esse comportamento de novo e de novo.

À medida que uma pessoa continua a usar drogas, o cérebro se adapta ao reduzir a
habilidade das células no circuito de recompensas para responder a isso . Isso
diminue o high que ele sentiu ao usar a droga pela primeira vez - um efeito conhecio
por tolerância. Ele pode usar mais drogas para tentar atingir o mesmo high. Os
receptores de dopamina são desativados e isso é dificilmente reversível, sendo assim
o estado não pode com apenas coerção mudar a estrutura do cérebro de dezenas de
milhares de pessoas.

Outro experimento, também divulgado em uma HQ de Stuart McMillen


(http://www.stuartmcmillen.com/pt/comic/ratolandia/#page-1), demonstra que a
acessibilidade em relação às drogas pouco importa em relação ao consumo dela. A
concepção do senso comum sobre as drogas é de que elas são substâncias
sedutoramente viciantes das quais não podemos nos prevenir, experimentos dos anos
1950 e 1960 corroboraram tal visão. Um deles consistia em implantar mecanismos de
drogas auto-injetáveis em ratos isolados em gaiolas, de forma que eles pudessem, se
quisessem, usá-las, e alguns ratos escolheram injeções de drogas em preferência a
alimentos e água e suicidaram-se. Os pesquisadores se perguntavam quanto
poderíamos aprender estudando ratos (esses semelhantes a seres humanos em
vários aspectos). Já Bruce Alexander questionava o quanto aprenderíamos estudando
ratos em isolamento. Os ratos albinos de trabalho são descendentes de ratazanas
selvagens que são criaturas sociáveis. Em 1977, ele montou uma equipe de
pesquisadores na Universidade Simon Fraser, composto por ele, Barry Beyerstein,
Robert Coambs e Patricia Hadaway. Eles repetiriam o experimento dos ratos, porém
com uma grande diferença: separaram os ratos (32 ao total) em dois grupos de 16
ratos cada, o primeiro grupo ficaria separado em gaiolas tradicionais isolados um dos
outros. E o outro grupo ficaria junto em um ambiente adaptado para ratos, o chão foi
coberto com uma serragem aromática, deram aos ratos caixas e latas para se
esconderem ou brincarem e pintaram as paredes com cenários de florestas e
ambientes naturais, seu nome era ratolândia. Seus paladares foram testados e pôde-
se perceber que eles não gostavam de amargo e gostavam de doce. Morfina é
amarga, portanto, para persuadir os ratos a beberem-na, os pesquisadores
adicionaram à solução água adoçada, aumentando gradualmente o nível de água. Os
ratos isolados começaram mais cedo a tomar morfina e em maiores quantidades.
Depois de retirada a droga do corpo de todos os ratos, foi feito outro experimento.
Deliberadamente os ratos foram viciados e depois de um tempo foi dada a escolha
para eles tomarem água ou continuassem o vício. Os ratos isolados continuaram a
tomar morfina, porém os ratos da ratolândia, apesar de sofrer abstinência, tomaram
água. Dada a opção de viver uma saudável convivência social, os ratos escolheram
isso. Lembrando que a morfina estava plenamente acessível em todos os momentos.
Sendo os seres humanos semelhantes aos ratos, podemos perceber que pouca
relevância têm a acessibilidade da droga.

Novamente, o exemplo histórico da Lei Seca se mostra útil. ''Mas, no entanto, a Lei
Seca foi revogada sem que a embriaguez se tornasse um direito inalienável:
motoristas bêbados vão pra cadeia e o abuso de álcool pode ser motivo para
demissões e divórcios. Escondida dentro de cada um de nós está, como sempre
esteve, a fantasia irracional de que o país vai se tornar uma nação de viciados
idiotizados. Mas poucos são velhos o bastante para se lembrar da época em que as
substâncias hoje controladas eram livres, e ninguém à época falava de problema
nacional com as drogas. Ópio, cocaína e outras drogas estavam sempre prontamente
disponíveis. Havia abusos de vez em quando, mas o público nunca os associava à
violência. (Foi preciso a lei estatal para que tal associação fosse criada.)'' Lew
Rockwell diz em seu artigo Drogas, Adultério e Guerra Sem Fim, novamente refutando
a ideia de que as drogas são demoniacamente viciantes, a ponto de fazer um país
colapsar.

Um dos argumentos usados para a proibição das drogas é o de que alguém que usa
drogas é propenso a cometer crimes, logo elas devem ser proibidas, além de ser uma
clara pretensão jurídica, muitas das drogas proibidas inibem a violência, são elas os
opióides (e.g., heroína), os derivados do ópio e o próprio ópio que são substâncias
entorpecentes, amortecem os músculos e diminuem a sensibilidade.

Custos e Prisões

Nessa parte, faço uma crítica à incoerência dos defensores da guerra contra as
drogas. Grande parte deles são defensores da democracia, mas como mostram os
gráficos a seguir a população já está vendo os males dela e é contra a proibição total
delas. Acreditando até que álcool é mais danoso que maconha.
a.
Os custos da guerra contra as drogas são muito grandes. E muitas pessoas presas
são.
O gráfico dos custos não compreende o gasto do encarceramento, mas ele chega a
mais de 10 bilhões por ano.

Dos 3,789,800 adultos em ''probation''* nos EUA no fim de 2015, 25%


(aproximadamente 947,450 pessoas) tinham algum crime relacionado a drogas como
sua maior ofensa.
O Dept. of Justice's Bureau of Justice Statistics dos EUA reportaram que em dia 30 de
setembro de 2012 havia, no total, 187,773 pessoas sentenciadas e cumprindo tempo
na prisão federal dos EUA por qualquer ofensa. Dessas, 97,214 pessoas (51,8% do
total) tinham como seu maior crime uma ofensa relacionada a drogas: 96,906 delas
por tráfico de drogas ou manufatura (51,6% do total), 296 por posse de drogas (0,16%
do total), e 11 por outras ofensas relacionadas a drogas.

O mesmo orgão reportou que até o fim do ano de 2015, 1,298,159 pessoas estavam
cumprindo sentença em prisões dos estados nos EUA, delas 197,200 (15,2 % do total)
tiveram como seu maior crime uma ofensa relacionada a drogas: 44,700 por
possessão (3,4% do total) e 152,500 por outras ofensas relacionadas a drogas,
incluindo manufatura e venda (11,7% do total).

Das 870,500 pessoas em liberdade condicional nos EUA no fim de 2015, 31%
(aproximadamente 269,855 pessoas) tinham como maior crime uma ofensa
relacionada a drogas
Levantamento divulgado pelo G1 em 2015 revelou que o aumento do número de presos
por esse tipo de crime foi de 339% de 2005 a 2013, fruto de uma alteração na Lei de
Drogas, em vigor desde 2006.

O Brasil é o pais que tem menor gasto de custeio com seu sistema prisional da
América Latina, o equivalente a 0,06% do PIB (1,23 bilhão), segundo estudo do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) que trata do custo financeiro da violência
em 17 países da região e no Caribe.
Já por um conceito mais amplo de gastos, envolvendo as atividades policiais e de
justiça criminal, o BID apurou desembolsos maiores do Brasil em relação aos países
vizinhos. O conjunto destes gastos consumiram o equivalente a 3,14% PIB do Brasil
em 2014 — US$ 75,894 bilhões —. Considerando a porcentagem de presos por
ofensas relacionadas a drogas, o governo gasta quase 30 bilhões por ano.

Outro exemplo de desastre e insanidade em relação a essa ação estatal é o México,


onde cada vez mais os cidadãos são aterrorizados. De acordo com o relatório de 2018
do Congressional Research Service, ''muitas fontes indicam'' que aproximadamente
150,000 homicídios intencionais desde 2006 foram relacionados ao crime organizado
que ocorre por causa da proibição estatal, como demonstrado anteriormente.

*:Probation é um período de tempo quando um criminoso precisa estar em seu


melhor comportamento: ele não está preso (ainda ou não mais) mas ele precisa fazer
certas coisas demandadas pela corte.

O Exemplo de Portugal

Desde 2001, quem é pego consumindo ou levando consigo até 10 doses de qualquer
droga para consumo próprio em Portugal não é mais preso nem condenado a pagar multa.
A Lei nº30/2000, aprovada em 29 de novembro de 2001, foi a responsável por essas
mudanças. Mas isso não significa que o uso e a posse de drogas tenham sido legalizados
no país. O que a lei determina é que essa contravenção passe a ter caráter social, e não
criminal.
A política não é ideal, por não liberá-las completamente, mas já é um início, que
mostrou grandes resultados, o consumo não aumentou, tendo permanecido estável,
aumentando e diminuindo em pequena escala. E houve muitas pessoas que
procuraram o tratamento. Algumas estatísticas a seguir. Drug-induced death: Mortes
que acontecem pouco tempo depois do consumo de uma ou mais drogas psicoativas
ilícitas e diretamente relacionadas a esse consumo, apesar de que elas podem
frequentemente acontecer em combinação com outras substâncias como o álcool ou
drogas medicinais psicoativas.
O número de pessoas infectadas com HIV tem relação direta com o uso de drogas no
país, por causa da existência de seringas contaminadas que em um livre-mercado são
melhores por terem preço menor.

''Em primeiro lugar, cidadãos cumpridores das leis não serão criminalizados por
portarem drogas ilícitas.

Em segundo lugar, viciados são mais propensos a procurar ajuda profissional quando
o governo passa a tratar o vício e a dependência como um problema médico em vez
de criminal.

Em terceiro lugar, a polícia, agora desincumbida de perseguir usuários, poderá


concentrar-se na solução e na repreensão de crimes genuínos (com efeito, gastando
agora menos recursos, pode até sobrar dinheiro para subsidiar programas de
tratamento ao vício).

Em quarto lugar, viciados irão se afastar das perigosas drogas sintéticas que foram
criadas justamente para substituir as drogas ilegais mais tradicionais, como maconha
e cocaína.

Em quinto lugar, se as agulhas também se tornam legais, então a tendência é que


haja menos casos de doenças como HIV/AIDS e hepatite.

Em sexto lugar, guetos repletos de viciados encolherão tanto em tamanho quanto em


visibilidade.'' A experiência de Portugal com a descriminalização das drogas, Mark
Thornton
Conclusão

Depois da demonstração da validade dos meus argumentos, concluo esse artigo com
a constatação de que a interferência governamental, no que tange ao proibicionismo, é
nociva para a sociedade e não cumpre com os fins desejados.

Como diria Ludwig Von Mises: ''Aquele que quer reformar seus conterrâneos deve
recorrer à persuasão. Esta é a única maneira democrática de se fazer mudanças. Se
um indivíduo não é capaz de convencer outras pessoas a respeito de suas ideias,
então ele deve culpar apenas a sua própria incapacidade. Ele não deveria exigir a
criação de uma lei — ou seja, ele não deveria pedir para o estado utilizar suas forças
policiais com o intuito impor a compulsão e a coerção.''