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Direito Processual Penal

Professor Joerberth Nunes

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Direito Processual Penal

DO PROCESSO EM GERAL E DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

LIVRO I Art. 3º A lei processual penal admitirá inter-


pretação extensiva e aplicação analógica, bem
DO PROCESSO EM GERAL como o suplemento dos princípios gerais de di-
reito.

TÍTULO I
Disposições Preliminares
Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o
território brasileiro, por este Código, ressalva-
dos:
I – os tratados, as convenções e regras de
direito internacional;
II – as prerrogativas constitucionais do Pre-
sidente da República, dos ministros de Es-
tado, nos crimes conexos com os do Pre-
sidente da República, e dos ministros do
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de
responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89,
§ 2º, e 100);
III – os processos da competência da Justiça
Militar;
IV – os processos da competência do tribu-
nal especial (Constituição, art. 122, nº 17);
V – os processos por crimes de imprensa.
Vide ADPF nº 130
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto,
este Código aos processos referidos nos
nos. IV e V, quando as leis especiais que os
regulam não dispuserem de modo diverso.
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde
logo, sem prejuízo da validade dos atos realiza-
dos sob a vigência da lei anterior.

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Material Complementar
1. Introdução ao Processo Penal:

2. Fontes de Processso Penal:


Fonte: é a origem de alguma coisa. No caso do direito processo penal, temos as fontes ma-
teriais e as fontes formais.
2.1. Fontes Materiais: é a base de criação do direito e processo penal. Art. 22, I, e P.U., CF.
2.2. Fontes Formais: em regra, tem-se a lei ordinária.
3. Interpretação da Lei Processual Penal
4. Aplicação da Lei Processual Penal no Espaço: Art. 1º, CPP.
4.1. Princípio da territorialidade e exceções.
5. Aplicação da Lei Processual Penal no tempo: Art. 2º, CPP.

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LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO E FONTES

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL IV e V, quando as leis especiais que os regu-


lam não dispuserem de modo diverso.
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde
LIVRO I logo, sem prejuízo da validade dos atos realiza-
dos sob a vigência da lei anterior.
DO PROCESSO EM GERAL
Art. 3º A lei processual penal admitirá inter-
pretação extensiva e aplicação analógica, bem
como o suplemento dos princípios gerais de di-
TÍTULO I reito.
Disposições Preliminares
Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o
território brasileiro, por este Código, ressalva-
dos:
I – os tratados, as convenções e regras de
direito internacional;
II – as prerrogativas constitucionais do Pre-
sidente da República, dos ministros de Es-
tado, nos crimes conexos com os do Pre-
sidente da República, e dos ministros do
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de
responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89,
§ 2º, e 100);
III – os processos da competência da Justiça
Militar;
IV – os processos da competência do tribu-
nal especial (Constituição, art. 122, no 17);
V – os processos por crimes de imprensa.
Vide ADPF nº 130.
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto,
este Código aos processos referidos nos nºs

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MATERIAL DE APOIO

1. Fontes do Direito Processual Penal: as fontes materiais são aquelas onde derivam as regras
processuais, no caso, art. 22, I, CF. Já as fontes formais, tratam-se do fato de que o direito
processual penal deve estar previsto em lei ordinária, podendo, haver, lei complementar e
emendas à Constituição.

2. Interpretação da lei processual penal : o art. 3º, CPP rege esta interpretação. São formas
de interpretação : literal (procura-se o significado das palavras no texto legal); restritiva
(restringe o significado das palavras no texto legal); extensiva (amplia-se o significado das
expressões para dar maior alcance ao texto legal); analógica (utiliza-se de outros termos na
lei para melhor interpretar uma expressão legal); teleológica-sistemática (verifica-se o real
significado da norma no contexto jurídico, dentro do seu fim legal). Não se confunde com
analogia que é um meio de integração da norma, ante o silêncio da legislação sobre deter-
minado assunto. No caso, utiliza-se a analogia para integrar uma situação não prevista na
lei aos termos da legislação.

3. Aplicação da lei processual penal no espaço: art. 1º, CPP. Princípio da territorialidade (ver
exceções no artigo citado).

4. Aplicação da lei processual penal no tempo: art. 2º, CPP. Princípio do efeito imediato. Já em
sendo uma norma processual penal de caráter material, aplica-se a regra da retroatividade
se for mais benéfica ao réu, art. 5º, XL, CF. (diferenciar norma processual penal de norma
processual penal de natureza material para tanto).

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FONTES DO PROCESSO PENAL

TÍTULO I IV – os processos da competência do tribu-


nal especial (Constituição, art. 122, no 17);
Disposições Preliminares V – os processos por crimes de imprensa.
Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o (Vide ADPF nº 130)
território brasileiro, por este Código, ressalvados: Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto,
I – os tratados, as convenções e regras de este Código aos processos referidos nos
direito internacional; nos. IV e V, quando as leis especiais que os
regulam não dispuserem de modo diverso.
II – as prerrogativas constitucionais do Presi-
dente da República, dos ministros de Estado, Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde
nos crimes conexos com os do Presidente da logo, sem prejuízo da validade dos atos realiza-
República, e dos ministros do Supremo Tribu- dos sob a vigência da lei anterior.
nal Federal, nos crimes de responsabilidade Art. 3º A lei processual penal admitirá interpreta-
(Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); ção extensiva e aplicação analógica, bem como o
III – os processos da competência da Justiça suplemento dos princípios gerais de direito.
Militar;

ROTEIRO DE ESTUDO
1. Fontes do Direito Processual Penal: as fontes materiais são aquelas onde derivam as regras
processuais, no caso, art. 22, I, CF. Já as fontes formais tratam-se do fato de que o Direito
Processual Penal deve estar previsto em lei ordinária, podendo haver lei complementar e
emendas à Constituição.
2. Interpretação da lei processual penal: o art. 3º, CPP rege esta interpretação. São formas de
interpretação: literal (procura-se o significado das palavras no texto legal); restritiva (res-
tringe o significado das palavras no texto legal); extensiva (amplia-se o significado das ex-
pressões para dar maior alcance ao texto legal); analógica (utiliza-se de outros termos na
lei para melhor interpretar uma expressão legal); teleológica-sistemática (verifica-se o real
significado da norma no contexto jurídico, dentro do seu fim legal). Não se confunde com
analogia, que é um meio de integração da norma ante o silêncio da legislação sobre deter-
minado assunto. No caso, utiliza-se a analogia para integrar uma situação não prevista na
lei aos termos da legislação.
3. Aplicação da lei processual penal no espaço: art. 1º, CPP. Princípio da territorialidade (ver
exceções no artigo citado).
4. Aplicação da lei processual penal no tempo: art. 2º, CPP. Princípio do efeito imediato. Já em
sendo uma norma processual penal de caráter material, aplica-se a regra da retroatividade
se for mais benéfica ao réu, art. 5º, XL, CF. (diferenciar norma processual penal de norma
processual penal de natureza material para tanto).

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Direito Processual Penal

EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS

•• Imunidades Processuais: algumas pessoas, por exercerem determinadas funções, durante


este período, não estão sujeitas à autoridade do Poder Judiciário.
•• São os seguintes (dentre outros):
•• Presidente da República: art. 86, par. 3º, CF;
•• Deputados Federais e Senadores: art. 53, CF (imunidade material e processual); ver os
parágrafos 2º, 3º, 6º
•• Deputados Estaduais: art. 27, CF

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Direito Processual Penal

INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL

As formas de interpretação são divididas do seguinte modo :

1. Quanto á origem :
a) AUTÊNTICA : é aquela dada ou fornecida pela própria lei, ou seja, pelo legislador ao elabo-
rar a norma.
b) DOUTRINÁRIA : é a efetuada pelos doutrinadores.
c) JURISPRUDENCIAL : é aquela derivada dos juízes ao buscar interpretar a lei e aplica-lan o
caso concreto.

2. Quanto ao modo :
a) GRAMATICAL : leva em consideração o sentido gramatical das palavras ne lei, surgindo, en-
tão, a interpretação.
b) TELEOLÓGICA : interpreta-se a norma buscando o fim a que se destina a norma, ou seja, os
dispositivos legais.
c) HISTÓRICA : busca-se verificar os debates e motivos na história que levou o legsilaldor a
elaborar a lei. Geralmente, está na exposição de motivos da lei.
d) SISTEMÁTICA : dá-se por meio de uma integração da norma dentro do comunto normativo,
buscando daí sua interpretação.

3. QUANTO AO RESULTADO :
a) DECLARATIVA : é quando a lei diz exatamente aquilo que o legislador queria quando a ela-
borou.
b) RESTRITIVA : é quando a lei diz mais daquilo que realmente queria o legislador ao elaborar
a norma.
c) EXTENSIVA : é quando a lei diz menos daquilo que realmente queria o legislador ao elabo-
rar a norma. Assim, a norma deve ser aplicada a outros casos semelhantes aos que estão
por ela regulados.

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INQUÉRITO POLICIAL

TÍTULO II § 3º Qualquer pessoa do povo que tiver co-


nhecimento da existência de infração penal
Do Inquérito Policial em que caiba ação pública poderá, verbal-
mente ou por escrito, comunicá-la à auto-
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas ridade policial, e esta, verificada a proce-
autoridades policiais no território de suas res- dência das informações, mandará instaurar
pectivas circunscrições e terá por fim a apura- inquérito.
ção das infrações penais e da sua autoria. 
§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação
Parágrafo único. A competência definida pública depender de representação, não
neste artigo não excluirá a de autoridades poderá sem ela ser iniciado.
administrativas, a quem por lei seja cometi-
§ 5º Nos crimes de ação privada, a autori-
da a mesma função.
dade policial somente poderá proceder a
Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito inquérito a requerimento de quem tenha
policial será iniciado: qualidade para intentá-la.
I – de ofício; Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática
da infração penal, a autoridade policial deverá:
II – mediante requisição da autoridade judi-
ciária ou do Ministério Público, ou a reque- I – dirigir-se ao local, providenciando para
rimento do ofendido ou de quem tiver qua- que não se alterem o estado e conservação
lidade para representá-lo. das coisas, até a chegada dos peritos crimi-
nais;
§ 1º O requerimento a que se refere o no II
conterá sempre que possível: II – apreender os objetos que tiverem rela-
ção com o fato, após liberados pelos peritos
a) a narração do fato, com todas as circuns- criminais;
tâncias;
III – colher todas as provas que servirem
b) a individualização do indiciado ou seus para o esclarecimento do fato e suas cir-
sinais característicos e as razões de convic- cunstâncias;
ção ou de presunção de ser ele o autor da
infração, ou os motivos de impossibilidade IV – ouvir o ofendido;
de o fazer;
V – ouvir o indiciado, com observância, no
c) a nomeação das testemunhas, com indi- que for aplicável, do disposto no Capítulo III
cação de sua profissão e residência. do Título Vll, deste Livro, devendo o respec-
tivo termo ser assinado por duas testemu-
§ 2º Do despacho que indeferir o requeri- nhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
mento de abertura de inquérito caberá re-
curso para o chefe de Polícia.

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VI – proceder a reconhecimento de pessoas § 3º Quando o fato for de difícil elucidação,
e coisas e a acareações; e o indiciado estiver solto, a autoridade po-
derá requerer ao juiz a devolução dos au-
VII – determinar, se for caso, que se proce- tos, para ulteriores diligências, que serão
da a exame de corpo de delito e a quaisquer realizadas no prazo marcado pelo juiz.
outras perícias;
Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como
VIII – ordenar a identificação do indiciado os objetos que interessarem à prova, acompa-
pelo processo datiloscópico, se possível, e nharão os autos do inquérito.
fazer juntar aos autos sua folha de antece-
dentes; Art. 12. O inquérito policial acompanhará a de-
núncia ou queixa, sempre que servir de base a
IX – averiguar a vida pregressa do indiciado, uma ou outra.
sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:
e estado de ânimo antes e depois do crime
e durante ele, e quaisquer outros elemen- I – fornecer às autoridades judiciárias as in-
tos que contribuírem para a apreciação do formações necessárias à instrução e julga-
seu temperamento e caráter. mento dos processos;

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a II – realizar as diligências requisitadas pelo


infração sido praticada de determinado modo, juiz ou pelo Ministério Público;
a autoridade policial poderá proceder à repro- III – cumprir os mandados de prisão expedi-
dução simulada dos fatos, desde que esta não dos pelas autoridades judiciárias;
contrarie a moralidade ou a ordem pública.
IV – representar acerca da prisão preventi-
Art. 8º Havendo prisão em flagrante, será ob- va.
servado o disposto no Capítulo II do Título IX
deste Livro. Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal,
e o indiciado poderão requerer qualquer di-
Art. 9º Todas as peças do inquérito policial se- ligência, que será realizada, ou não, a juízo da
rão, num só processado, reduzidas a escrito ou autoridade.
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela au-
toridade. Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á no-
meado curador pela autoridade policial.
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo
de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em fla- Art. 16. O Ministério Público não poderá reque-
grante, ou estiver preso preventivamente, con- rer a devolução do inquérito à autoridade poli-
tado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em cial, senão para novas diligências, imprescindí-
que se executar a ordem de prisão, ou no prazo veis ao oferecimento da denúncia.
de 30 dias, quando estiver solto, mediante fian-
Art. 17. A autoridade policial não poderá man-
ça ou sem ela.
dar arquivar autos de inquérito.
§ 1º A autoridade fará minucioso relatório
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do
do que tiver sido apurado e enviará autos
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de
ao juiz competente.
base para a denúncia, a autoridade policial po-
§ 2º No relatório poderá a autoridade in- derá proceder a novas pesquisas, se de outras
dicar testemunhas que não tiverem sido provas tiver notícia.
inquiridas, mencionando o lugar onde pos-
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pú-
sam ser encontradas.
blica, os autos do inquérito serão remetidos ao

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juízo competente, onde aguardarão a iniciativa


do ofendido ou de seu representante legal, ou
serão entregues ao requerente, se o pedir, me-
diante traslado.
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o
sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido
pelo interesse da sociedade.
Parágrafo único. Nos atestados de antece-
dentes que lhe forem solicitados, a autori-
dade policial não poderá mencionar quais-
quer anotações referentes a instauração de
inquérito contra os requerentes. 
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado de-
penderá sempre de despacho nos autos e so-
mente será permitida quando o interesse da
sociedade ou a conveniência da investigação o
exigir.
Parágrafo único. A incomunicabilidade, que
não excederá de três dias, será decretada
por despacho fundamentado do Juiz, a re-
querimento da autoridade policial, ou do
órgão do Ministério Público, respeitado, em
qualquer hipótese, o disposto no artigo 89,
inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advo-
gados do Brasil (Lei nº 4.215, de 27 de abril
de 1963) 
Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em
que houver mais de uma circunscrição policial, a
autoridade com exercício em uma delas poderá,
nos inquéritos a que esteja procedendo, orde-
nar diligências em circunscrição de outra, inde-
pendentemente de precatórias ou requisições,
e bem assim providenciará, até que compareça
a autoridade competente, sobre qualquer fato
que ocorra em sua presença, noutra circunscri-
ção.
Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inqué-
rito ao juiz competente, a autoridade policial
oficiará ao Instituto de Identificação e Estatís-
tica, ou repartição congênere, mencionando o
juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados
relativos à infração penal e à pessoa do indicia-
do.

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Arts. 4º a 23 do CPP e art. 5º, CF
1. Inquérito policial NÃO é processo. É procedimento administrativo
2. Atribuições da PF e PC: art. 144, CF
3. Caráter inquisitorial: não aplica-se o contraditório em ampla defesa: art. 5º, LV, CF. Nada
obsta que a defesa formule requerimentos à Autoridade Policial. art. 14 do CPP.
4. Vícios ou irregularidades: não afetam a ação penal
5. Valor probatório: caráter informativo
6. Sigilo: art 20, CPP e art 7º, XIV, lei nº 8.906/94: não se estende aos advogados; Súmula Vin-
culante nº 14 do STF
7. Incomunicabilidade: art. 21 do CPP e art 136, parágrafo 3º, IV, CF
8. Arquivamento: art. 17 do CPP e Súmula 524 do STF
9. Identificação criminal: art. 5º, LVIII, CF; art. 6º, VIII, CPP;
10. Prazos: art. 10 do CPP (regra geral), lei 5010/66 (art. 66): Justiça Federal, art. 51, lei nº
1.1343/06.
11. Exclusividade: art. 4º, parágrafo único do CPP
12. Escrito: art. 9º do CPP
13. Formas de instauração: art. 5º do CPP e parágrafos 4º e 5º
14. Recurso administrativo: art. 5º, parágrafo 2º do CPP
15. art. 5º, CF: ler os principais incisos em matéria penal (XLV, XLVI, XLVII, XLIX, L, LIII, LIV, LV,
LVI, LVII, LIX, LXI, LXII, LXIII, LXIV, LXV, LXVII, LXVIII)

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Direito Processual Penal

AÇÃO PENAL

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS

1. CONCEITO : é o direito de o Ministério Púbico, me crimes de ação pública, ou a vítima,


em casos de ação penal privada, requerer a instauração de processo criminal contra o réu
perante o Poder Judiciário.

2. FUNDAMENTO LEGAL : art. 24 a 62, Código de Processo Penal; art. 100 a 107, v, Código
Penal; art. 5º, LIX e 129, I, CF.

3. CONDIÇÕES DA AÇÃO :

3.1 CONDIÇÕES GENÉRICAS :


•• possibilidade jurídica do pedido :
•• “legitimatio da causam” :
•• interesse de agir :
•• justa causa;

3.2 CONDIÇÕES ESPECÍFICAS :


•• representação do ofendido;
•• Requisição do Ministro da Justiça;
•• preenchimento do requisitos do art, 7º, parágrafo 2º, CP.

4. ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL

4.1 AÇÃO PENAL PÚBLICA : INCONDICONADA E CONDICIONADA

4.2 AÇÃO PENAL PRIVADA

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TÍTULO III Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes
de ação pública, se esta não for intentada no
Da Ação Penal prazo legal, cabendo ao Ministério Público adi-
tar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será substitutiva, intervir em todos os termos do
promovida por denúncia do Ministério Público, processo, fornecer elementos de prova, inter-
mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisi- por recurso e, a todo tempo, no caso de negli-
ção do Ministro da Justiça, ou de representação gência do querelante, retomar a ação como par-
do ofendido ou de quem tiver qualidade para te principal.
representá-lo.
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualida-
§ 1º No caso de morte do ofendido ou quan- de para representá-lo caberá intentar a ação
do declarado ausente por decisão judicial, o privada.
direito de representação passará ao cônju-
ge, ascendente, descendente ou irmão. (Pa- Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quan-
rágrafo único renumerado pela Lei nº 8.699, do declarado ausente por decisão judicial, o di-
de 27.8.1993) reito de oferecer queixa ou prosseguir na ação
passará ao cônjuge, ascendente, descendente
§ 2º Seja qual for o crime, quando praticado ou irmão.
em detrimento do patrimônio ou interesse
da União, Estado e Município, a ação penal Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a
será pública. (Incluído pela Lei nº 8.699, de requerimento da parte que comprovar a sua
27.8.1993) pobreza, nomeará advogado para promover a
ação penal.
Art. 25. A representação será irretratável, de-
pois de oferecida a denúncia. § 1º Considerar-se-á pobre a pessoa que
não puder prover às despesas do processo,
Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será sem privar-se dos recursos indispensáveis
iniciada com o auto de prisão em flagrante ou ao próprio sustento ou da família.
por meio de portaria expedida pela autoridade
judiciária ou policial. § 2º Será prova suficiente de pobreza o
atestado da autoridade policial em cuja cir-
Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provo- cunscrição residir o ofendido.
car a iniciativa do Ministério Público, nos casos
em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 (dezoito)
por escrito, informações sobre o fato e a autoria anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado
e indicando o tempo, o lugar e os elementos de mental, e não tiver representante legal, ou coli-
convicção. direm os interesses deste com os daquele, o di-
reito de queixa poderá ser exercido por curador
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao in- especial, nomeado, de ofício ou a requerimen-
vés de apresentar a denúncia, requerer o arqui- to do Ministério Público, pelo juiz competente
vamento do inquérito policial ou de quaisquer para o processo penal.
peças de informação, o juiz, no caso de consi-
derar improcedentes as razões invocadas, fará Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e
remessa do inquérito ou peças de informação um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de
ao procurador-geral, e este oferecerá a denún- queixa poderá ser exercido por ele ou por seu
cia, designará outro órgão do Ministério Público representante legal.
para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arqui- Art. 35. (Revogado pela Lei nº 9.520, de
vamento, ao qual só então estará o juiz obriga- 27.11.1997)
do a atender.

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa § 4º A representação, quando feita ao juiz
com direito de queixa, terá preferência o cônju- ou perante este reduzida a termo, será re-
ge, e, em seguida, o parente mais próximo na metida à autoridade policial para que esta
ordem de enumeração constante do art. 31, po- proceda a inquérito.
dendo, entretanto, qualquer delas prosseguir
na ação, caso o querelante desista da instância § 5º O órgão do Ministério Público dispen-
ou a abandone. sará o inquérito, se com a representação fo-
rem oferecidos elementos que o habilitem
Art. 37. As fundações, associações ou socieda- a promover a ação penal, e, neste caso, ofe-
des legalmente constituídas poderão exercer recerá a denúncia no prazo de quinze dias.
a ação penal, devendo ser representadas por
quem os respectivos contratos ou estatutos de- Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que co-
signarem ou, no silêncio destes, pelos seus dire- nhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a
tores ou sócios-gerentes. existência de crime de ação pública, remeterão
ao Ministério Público as cópias e os documen-
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofen- tos necessários ao oferecimento da denúncia.
dido, ou seu representante legal, decairá no di-
reito de queixa ou de representação, se não o Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a expo-
exercer dentro do prazo de seis meses, contado sição do fato criminoso, com todas as suas cir-
do dia em que vier a saber quem é o autor do cunstâncias, a qualificação do acusado ou escla-
crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se recimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
esgotar o prazo para o oferecimento da denún- classificação do crime e, quando necessário, o
cia. rol das testemunhas.

Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir
do direito de queixa ou representação, den- da ação penal.
tro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008).
parágrafo único, e 31.
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procura-
Art. 39. O direito de representação poderá ser dor com poderes especiais, devendo constar do
exercido, pessoalmente ou por procurador com instrumento do mandato o nome do querelante
poderes especiais, mediante declaração, escrita e a menção do fato criminoso, salvo quando tais
ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Pú- esclarecimentos dependerem de diligências que
blico, ou à autoridade policial. devem ser previamente requeridas no juízo cri-
§ 1º A representação feita oralmente ou por minal.
escrito, sem assinatura devidamente auten- Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for
ticada do ofendido, de seu representante privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo
legal ou procurador, será reduzida a termo, Ministério Público, a quem caberá intervir em
perante o juiz ou autoridade policial, pre- todos os termos subseqüentes do processo.
sente o órgão do Ministério Público, quan-
do a este houver sido dirigida. Art. 46. O prazo para oferecimento da denún-
cia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado
§ 2º A representação conterá todas as infor- da data em que o órgão do Ministério Público
mações que possam servir à apuração do receber os autos do inquérito policial, e de 15
fato e da autoria. dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No úl-
§ 3º Oferecida ou reduzida a termo a repre- timo caso, se houver devolução do inquérito à
sentação, a autoridade policial procederá a autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo
inquérito, ou, não sendo competente, re- da data em que o órgão do Ministério Público
metê-lo-á à autoridade que o for. receber novamente os autos.

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§ 1º Quando o Ministério Público dispensar sentante legal, ou colidirem os interesses deste
o inquérito policial, o prazo para o ofereci- com os do querelado, a aceitação do perdão ca-
mento da denúncia contar-se-á da data em berá ao curador que o juiz Ihe nomear.
que tiver recebido as peças de informações
ou a representação Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos,
observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o
§ 2º O prazo para o aditamento da queixa disposto no art. 52.
será de 3 dias, contado da data em que o
órgão do Ministério Público receber os au- Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procu-
tos, e, se este não se pronunciar dentro do rador com poderes especiais.
tríduo, entender-se-á que não tem o que Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual
aditar, prosseguindo-se nos demais termos expresso o disposto no art. 50.
do processo.
Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito ad-
Art. 47. Se o Ministério Público julgar neces- mitirão todos os meios de prova.
sários maiores esclarecimentos e documentos
complementares ou novos elementos de con- Art. 58. Concedido o perdão, mediante decla-
vicção, deverá requisitá-los, diretamente, de ração expressa nos autos, o querelado será in-
quaisquer autoridades ou funcionários que de- timado a dizer, dentro de três dias, se o aceita,
vam ou possam fornecê-los. devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de
que o seu silêncio importará aceitação.
Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores
do crime obrigará ao processo de todos, e o Mi- Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz jul-
nistério Público velará pela sua indivisibilidade. gará extinta a punibilidade.

Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo
queixa, em relação a um dos autores do crime, a constará de declaração assinada pelo querela-
todos se estenderá. do, por seu representante legal ou procurador
com poderes especiais.
Art. 50. A renúncia expressa constará de decla-
ração assinada pelo ofendido, por seu represen- Art. 60. Nos casos em que somente se procede
tante legal ou procurador com poderes espe- mediante queixa, considerar-se-á perempta a
ciais. ação penal:

Parágrafo único. A renúncia do represen- I – quando, iniciada esta, o querelante dei-


tante legal do menor que houver comple- xar de promover o andamento do processo
tado 18 (dezoito) anos não privará este do durante 30 dias seguidos;
direito de queixa, nem a renúncia do último
II – quando, falecendo o querelante, ou so-
excluirá o direito do primeiro.
brevindo sua incapacidade, não compare-
Art. 51. O perdão concedido a um dos querela- cer em juízo, para prosseguir no processo,
dos aproveitará a todos, sem que produza, to- dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qual-
davia, efeito em relação ao que o recusar. quer das pessoas a quem couber fazê-lo,
ressalvado o disposto no art. 36;
Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior
de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exer- III – quando o querelante deixar de compa-
cido por ele ou por seu representante legal, mas recer, sem motivo justificado, a qualquer
o perdão concedido por um, havendo oposição ato do processo a que deva estar presente,
do outro, não produzirá efeito. ou deixar de formular o pedido de condena-
ção nas alegações finais;
Art. 53. Se o querelado for mentalmente en-
fermo ou retardado mental e não tiver repre-

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

IV – quando, sendo o querelante pessoa ju- Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença pe-
rídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. nal que reconhecer ter sido o ato praticado em
estado de necessidade, em legítima defesa, em
Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se estrito cumprimento de dever legal ou no exer-
reconhecer extinta a punibilidade, deverá decla- cício regular de direito.
rá-lo de ofício.
Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no
Parágrafo único. No caso de requerimento juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta
do Ministério Público, do querelante ou do quando não tiver sido, categoricamente, reco-
réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, nhecida a inexistência material do fato.
ouvirá a parte contrária e, se o julgar con-
veniente, concederá o prazo de cinco dias Art. 67. Não impedirão igualmente a propositu-
para a prova, proferindo a decisão dentro ra da ação civil:
de cinco dias ou reservando-se para apre-
ciar a matéria na sentença final. I – o despacho de arquivamento do inquéri-
to ou das peças de informação;
Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz so-
mente à vista da certidão de óbito, e depois de II – a decisão que julgar extinta a punibili-
ouvido o Ministério Público, declarará extinta a dade;
punibilidade. III – a sentença absolutória que decidir que
o fato imputado não constitui crime.

TÍTULO IV Art. 68. Quando o titular do direito à reparação


do dano for pobre (art. 32, §§ 1º e 2º), a exe-
cução da sentença condenatória (art. 63) ou a
Da Ação Civil
ação civil (art. 64) será promovida, a seu reque-
Art. 63. Transitada em julgado a sentença con- rimento, pelo Ministério Público.
denatória, poderão promover-lhe a execução,
no juízo cível, para o efeito da reparação do
dano, o ofendido, seu representante legal ou CÓDIGO PENAL
seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a
sentença condenatória, a execução poderá TÍTULO VII
ser efetuada pelo valor fixado nos termos
do inciso IV do caput do art. 387 deste Códi- Da Ação Penal
go sem prejuízo da liquidação para a apura-
ção do dano efetivamente sofrido. (Incluído Ação Pública e de Iniciativa Privada
pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 100. A ação penal é pública, salvo quan-
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo an- do a lei expressamente a declara privativa do
terior, a ação para ressarcimento do dano pode- ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
rá ser proposta no juízo cível, contra o autor do 11.7.1984)
crime e, se for caso, contra o responsável civil. § 1º A ação pública é promovida pelo Minis-
(Vide Lei nº 5.970, de 1973) tério Público, dependendo, quando a lei o
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o exige, de representação do ofendido ou de
juiz da ação civil poderá suspender o curso requisição do Ministro da Justiça. (Redação
desta, até o julgamento definitivo daquela. dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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§ 2º A ação de iniciativa privada é promo- tamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
vida mediante queixa do ofendido ou de 11.7.1984)
quem tenha qualidade para representá-
-lo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de Parágrafo único. Importa renúncia tácita
11.7.1984) ao direito de queixa a prática de ato incom-
patível com a vontade de exercê-lo; não a
§ 3º A ação de iniciativa privada pode in- implica, todavia, o fato de receber o ofen-
tentar-se nos crimes de ação pública, se o dido a indenização do dano causado pelo
Ministério Público não oferece denúncia crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
no prazo legal. (Redação dada pela Lei nº 11.7.1984)
7.209, de 11.7.1984)
Perdão do Ofendido
§ 4º No caso de morte do ofendido ou de
ter sido declarado ausente por decisão judi- Art. 105. O perdão do ofendido, nos crimes em
cial, o direito de oferecer queixa ou de pros- que somente se procede mediante queixa, obs-
seguir na ação passa ao cônjuge, ascenden- ta ao prosseguimento da ação. (Redação dada
te, descendente ou irmão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 106. O perdão, no processo ou fora dele,
A Ação Penal no Crime Complexo expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Art. 101. Quando a lei considera como elemen-
to ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por I – se concedido a qualquer dos querelados,
si mesmos, constituem crimes, cabe ação públi- a todos aproveita; (Redação dada pela Lei
ca em relação àquele, desde que, em relação a nº 7.209, de 11.7.1984)
qualquer destes, se deva proceder por iniciativa II – se concedido por um dos ofendidos, não
do Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº prejudica o direito dos outros; (Redação
7.209, de 11.7.1984) dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Irretratabilidade da Representação III – se o querelado o recusa, não produz
Art. 102. A representação será irretratável de- efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
pois de oferecida a denúncia.  (Redação dada 11.7.1984)
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1º Perdão tácito é o que resulta da prá-
Decadência do Direito de Queixa ou de Repre- tica de ato incompatível com a vontade de
sentação prosseguir na ação. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 103. Salvo disposição expressa em contrá-
rio, o ofendido decai do direito de queixa ou de § 2º Não é admissível o perdão depois que
representação se não o exerce dentro do prazo passa em julgado a sentença condenató-
de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a ria. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
saber quem é o autor do crime, ou, no caso do 11.7.1984)
§ 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se
esgota o prazo para oferecimento da denúncia.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Renúncia Expressa ou Tácita do Direito de
Queixa
Art. 104. O direito de queixa não pode ser
exercido quando renunciado expressa ou taci-

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TÍTULO VIII
Da Extinção da Punibilidade
Extinção da Punibilidade
Art. 107. Extingue-se a punibilidade: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I – pela morte do agente;
II – pela anistia, graça ou indulto;
III – pela retroatividade de lei que não mais
considera o fato como criminoso;
IV – pela prescrição, decadência ou pe-
rempção;
V – pela renúncia do direito de queixa ou
pelo perdão aceito, nos crimes de ação pri-
vada;
VI – pela retratação do agente, nos casos
em que a lei a admite;
VII – (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
VIII – (Revogado pela Lei nº 11.106, de
2005)
IX – pelo perdão judicial, nos casos previs-
tos em lei.

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MATERIAL COMPLEMENTAR
AÇÃO PENAL E AÇÃO CIVIL EX DELICTO: art. 24 a 68 do CPP e art. 100 a 107, CP

1. Espécies e condições da ação penal:


•• Incondicionada: titular: MP (denúncia); independe da vontade da vítima; Ex.: art. 155,
CP
•• Condicionada: titular: MP(denúncia); depende de vontade da vítima; Ex.: art. 130, Pa-
rágrafo 2º, CP; ou depende de requisição do Ministro da Justiça: Ex.: art. 145, parágrafo
único do CP.
•• Privada: titular: ofendido(queixa-crime); MP: fiscal da lei;
•• Exclusiva: art. 100, parágrafo 2º, CP; Ex.: art. 163 c/c art. 167, CP; aplica-se o art.
36, CPP
•• Personalíssima: Ex.: art. 236, parágrafo único; não se aplica o art. 36, CPP
•• Subsidiária da Pública: inércia do MP; art. 5º, LIX,CF e art. 29, CPP

•• condições genéricas da ação penal: possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir


e legitimidade de parte;
•• condições específicas da açãoa penal: representação do ofendido ou requisição do Mi-
nistro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada.

2. Princípios da Ação Penal Pública:


•• obrigatoriedade

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•• indisponibilidade: art. 42, CPP


•• oficialidade: art. 129, I, CF
•• divisibilidade: para alguns autores, vigora a indivisibilidade.

3. Princípios da Ação Penal Privada:


•• oportunidade ou conveniência
•• disponibilidade: perdão (arts. 105 e 106, CP e arts. 51 e 52, CPP e art. 107, V, CP)
perempção: art. 60, CPP
•• indivisibilidade: arts. 48 e 49, CPP

4. Arquivamento do inquérito policial ou peças de informação: art. 28, CPP

5. Denúncia e queixa-crime: requisitos: art. 43, CPP

6. Representação (ação penal condicionada) e Requerimento (ação penal privada): arts. 25,
30, 31, 34,36,38,39, 44, CPP; prazo decadencial: não se suspende e não se interrompe;

7. Aditamento da queixa-crime: art. 45, CPP e renúncia ao direito de representação ou de


queixa-crime: independe do autor do fato; art. 107, V, CP

8. Ação Civil “ex delicto”: art. 63 a 68, CPP.

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Direito Processual Penal

SUJEITOS PROCESSUAIS

TÍTULO VIII Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão


servir no mesmo processo os juízes que forem
Do Juiz, Do Ministério Público, Do entre si parentes, consangüíneos ou afins, em
linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclu-
Acusado E Defensor, Dos Assistentes
sive.
E Auxiliares Da Justiça
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não
o fizer, poderá ser recusado por qualquer das
partes:
CAPÍTULO I I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de
DO JUIZ qualquer deles;
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularida- II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou des-
de do processo e manter a ordem no curso dos cendente, estiver respondendo a processo
respectivos atos, podendo, para tal fim, requisi- por fato análogo, sobre cujo caráter crimi-
tar a força pública. noso haja controvérsia;
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no III – se ele, seu cônjuge, ou parente, con-
processo em que: sangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, in-
clusive, sustentar demanda ou responder a
I – tiver funcionado seu cônjuge ou paren-
processo que tenha de ser julgado por qual-
te, consangüíneo ou afim, em linha reta ou
quer das partes;
colateral até o terceiro grau, inclusive, como
defensor ou advogado, órgão do Ministério IV – se tiver aconselhado qualquer das par-
Público, autoridade policial, auxiliar da jus- tes;
tiça ou perito;
V – se for credor ou devedor, tutor ou cura-
II – ele próprio houver desempenhado qual- dor, de qualquer das partes;
quer dessas funções ou servido como teste-
munha; Vl – se for sócio, acionista ou administrador
de sociedade interessada no processo.
III – tiver funcionado como juiz de outra ins-
tância, pronunciando-se, de fato ou de di- Art. 255. O impedimento ou suspeição decor-
reito, sobre a questão; rente de parentesco por afinidade cessará pela
dissolução do casamento que Ihe tiver dado
IV – ele próprio ou seu cônjuge ou paren- causa, salvo sobrevindo descendentes; mas,
te, consangüíneo ou afim em linha reta ou ainda que dissolvido o casamento sem descen-
colateral até o terceiro grau, inclusive, for dentes, não funcionará como juiz o sogro, o pa-
parte ou diretamente interessado no feito. drasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem
for parte no processo.

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Art. 256. A suspeição não poderá ser decla- Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente
rada nem reconhecida, quando a parte inju- ou foragido, será processado ou julgado sem de-
riar o juiz ou de propósito der motivo para fensor.
criá-la.
Parágrafo único. A defesa técnica, quando
realizada por defensor público ou dativo,
CAPÍTULO II será sempre exercida através de manifesta-
ção fundamentada. 
DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Art. 262. Ao acusado menor dar-se-á curador.
Art. 257. Ao Ministério Público cabe: 
Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á no-
I - promover, privativamente, a ação penal meado defensor pelo juiz, ressalvado o seu di-
pública, na forma estabelecida neste Códi- reito de, a todo tempo, nomear outro de sua
go; e confiança, ou a si mesmo defender-se, caso te-
II - fiscalizar a execução da lei.  nha habilitação.

Art. 258. Os órgãos do Ministério Público não Parágrafo único. O acusado, que não for po-
funcionarão nos processos em que o juiz ou bre, será obrigado a pagar os honorários do
qualquer das partes for seu cônjuge, ou paren- defensor dativo, arbitrados pelo juiz.
te, consangüíneo ou afim, em linha reta ou co- Art. 264. Salvo motivo relevante, os advogados
lateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles se e solicitadores serão obrigados, sob pena de
estendem, no que Ihes for aplicável, as prescri- multa de cem a quinhentos mil-réis, a prestar
ções relativas à suspeição e aos impedimentos seu patrocínio aos acusados, quando nomeados
dos juízes. pelo Juiz.
Art. 265. O defensor não poderá abandonar o
processo senão por motivo imperioso, comuni-
CAPÍTULO III cado previamente o juiz, sob pena de multa de
DO ACUSADO E SEU DEFENSOR 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos, sem pre-
juízo das demais sanções cabíveis. 
Art. 259. A impossibilidade de identificação do
acusado com o seu verdadeiro nome ou outros § 1º A audiência poderá ser adiada se, por
qualificativos não retardará a ação penal, quan- motivo justificado, o defensor não puder
do certa a identidade física. A qualquer tempo, comparecer. 
no curso do processo, do julgamento ou da exe- § 2º Incumbe ao defensor provar o impedi-
cução da sentença, se for descoberta a sua qua- mento até a abertura da audiência. Não o
lificação, far-se-á a retificação, por termo, nos fazendo, o juiz não determinará o adiamen-
autos, sem prejuízo da validade dos atos prece- to de ato algum do processo, devendo no-
dentes. mear defensor substituto, ainda que provi-
Art. 260. Se o acusado não atender à intimação soriamente ou só para o efeito do ato.
para o interrogatório, reconhecimento ou qual- Art. 266. A constituição de defensor independe-
quer outro ato que, sem ele, não possa ser reali- rá de instrumento de mandato, se o acusado o
zado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à indicar por ocasião do interrogatório.
sua presença.
Art. 267. Nos termos do art. 252, não funciona-
Parágrafo único. O mandado conterá, além rão como defensores os parentes do juiz.
da ordem de condução, os requisitos men-
cionados no art. 352, no que Ihe for aplicá-
vel.

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Direito Processual Penal – Sujeitos Processuais – Prof. Joerberth Nunes

CAPÍTULO IV CAPÍTULO VI
DOS ASSISTENTES DOS PERITOS E INTÉRPRETES
Art. 268. Em todos os termos da ação pública, Art. 275. O perito, ainda quando não oficial, es-
poderá intervir, como assistente do Ministério tará sujeito à disciplina judiciária.
Público, o ofendido ou seu representante legal,
ou, na falta, qualquer das pessoas mencionadas Art. 276. As partes não intervirão na nomeação
no Art. 31. do perito.

Art. 269. O assistente será admitido enquanto Art. 277. O perito nomeado pela autoridade
não passar em julgado a sentença e receberá a será obrigado a aceitar o encargo, sob pena de
causa no estado em que se achar. multa de cem a quinhentos mil-réis, salvo escu-
sa atendível.
Art. 270. O co-réu no mesmo processo não po-
derá intervir como assistente do Ministério Pú- Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa
blico. o perito que, sem justa causa, provada ime-
diatamente:
Art. 271. Ao assistente será permitido propor
meios de prova, requerer perguntas às testemu- a) deixar de acudir à intimação ou ao cha-
nhas, aditar o libelo e os articulados, participar mado da autoridade;
do debate oral e arrazoar os recursos interpos- b) não comparecer no dia e local designa-
tos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, dos para o exame;
nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598.
c) não der o laudo, ou concorrer para que a
§ 1º O juiz, ouvido o Ministério Público, de- perícia não seja feita, nos prazos estabele-
cidirá acerca da realização das provas pro- cidos.
postas pelo assistente.
Art. 278. No caso de não-comparecimento do
§ 2º O processo prosseguirá independen- perito, sem justa causa, a autoridade poderá de-
temente de nova intimação do assistente, terminar a sua condução.
quando este, intimado, deixar de compare-
cer a qualquer dos atos da instrução ou do Art. 279. Não poderão ser peritos:
julgamento, sem motivo de força maior de- I – os que estiverem sujeitos à interdição de
vidamente comprovado. direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69
Art. 272. O Ministério Público será ouvido pre- do Código Penal;
viamente sobre a admissão do assistente. II – os que tiverem prestado depoimento no
Art. 273. Do despacho que admitir, ou não, o processo ou opinado anteriormente sobre o
assistente, não caberá recurso, devendo, entre- objeto da perícia;
tanto, constar dos autos o pedido e a decisão. III – os analfabetos e os menores de 21
anos.
Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for
CAPÍTULO V aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes.
DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA
Art. 281. Os intérpretes são, para todos os efei-
Art. 274. As prescrições sobre suspeição dos ju- tos, equiparados aos peritos.
ízes estendem-se aos serventuários e funcioná-
rios da justiça, no que Ihes for aplicável.

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Material Complementar
1. PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL: ART. 251, CPP;
2. DAS CAUSAS DE IMPEDIMENTO DOS JUÍZES: ART. 252, CPP
2.1. relação entre o juiz e o objeto da causa
3. DAS CAUSAS DE SUSPEIÇÃO: ART. 254, CPP
3.1. relação entre o juiz e a matéria em debate
3.2. parentesco consanguíneo e por afinidade: arts. 1591, 1592, 1595, CPC
4.. JUÍZOS COLETIVOS. ART. 253, CPP
5. CAUSAS DE MANUTENÇÃO OU CESSAÇÃO DO IMPEDIMENTO OU SUSPEIÇÃO: ART. 255,
CPP
6. ANIMOSIDADE POR MÁ-FÉ DA PARTE: ART. 256, CPP
7. FUNÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO: ART. 257, CPP E ART. 129, CF
8. CAUSAS DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO: ART. 257, CPP
9. ACUSADO E SEU DEFENSOR: ART. 259 A 267, CPP
10. INDISPONIBILIDADE DO DIREITO DE DEFESA: ART. 261, CPP
11. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO: ART. 260, CPP
12. ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO: ART. 268 A 273, CPP
13. ASSISTÊNCIA DO CORRÉU: ART. 270,CPP
14. ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE: ART. 271, CPP
15. DA OITIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO E A ADMISSÃO DO ASSISTENTE: ART. 272, CPP
16. DA DECISÃO DO JUIZ NA HABILITAÇÃO DO ASSISTENTE
17. DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA: ART. 274, CPP: DA DESNECESSIDADE DO ARTIGO, EIS QUE,
SEGUNDO A DOUTRINA, ESTES FUNCIONÁRIOS ATOS DECISÓRIOS.
18. PERITOS E INTÉRPRETES: ART. 275 A 281, CPP
19. PERITO: É A PESSOA QUE POSSUI ESPECIALIDADE EM DETERMINADO ASSUNTO, O QUAL
SERVE COMO AUXILIAR DA JUSTIÇA.
20. INTÉRPRETE: É A PESSOA QUE SERVE COMO AUXILIAR DA JUSTIÇA DE IDIOMAS E OUTRA
DFORMAS DE COMUNICAÇÃO, NA BUSCA DE RELAÇÃO ENTRE O OUVIDO, O JUIZ E ÁS PAR-
TES.
21. SUSPEIÇÃO DOS PERITOS E INTÉRPRETES: ART. 280, CPP E ART. 281, CPP

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Direito Processual Penal

LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS (LEI 9099/95)

CONSTITUIÇÃO FEDERAL titutos da transação penal e da composição


dos danos civis.
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Terri-
tórios, e os Estados criarão: Art. 61. Consideram-se infrações penais de me-
nor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei,
I – juizados especiais, providos por juízes as contravenções penais e os crimes a que a lei
togados, ou togados e leigos, competentes comine pena máxima não superior a 2 (dois)
para a conciliação, o julgamento e a execu- anos, cumulada ou não com multa.
ção de causas cíveis de menor complexida-
de e infrações penais de menor potencial Art. 62. O processo perante o Juizado Especial
ofensivo, mediante os procedimentos oral orientar-se-á pelos critérios da oralidade, infor-
e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses malidade, economia processual e celeridade,
previstas em lei, a transação e o julgamento objetivando, sempre que possível, a reparação
de recursos por turmas de juízes de primei- dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de
ro grau. pena não privativa de liberdade.

SEÇÃO I
LEI 90999/95 DA COMPETÊNCIA E DOS
ATOS PROCESSUAIS
Art. 63. A competência do Juizado será determi-
CAPÍTULO III nada pelo lugar em que foi praticada a infração
DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS penal.
Art. 64. Os atos processuais serão públicos e po-
Disposições Gerais derão realizar-se em horário noturno e em qual-
quer dia da semana, conforme dispuserem as
Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por
normas de organização judiciária.
juízes togados ou togados e leigos, tem compe-
tência para a conciliação, o julgamento e a exe- Art. 65. Os atos processuais serão válidos sem-
cução das infrações penais de menor potencial pre que preencherem as finalidades para as
ofensivo, respeitadas as regras de conexão e quais foram realizados, atendidos os critérios
continência. indicados no art. 62 desta Lei.
Parágrafo único. Na reunião de processos, § 1º Não se pronunciará qualquer nulidade
perante o juízo comum ou o tribunal do júri, sem que tenha havido prejuízo.
decorrentes da aplicação das regras de co-
nexão e continência, observar-se-ão os ins-

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§ 2º A prática de atos processuais em outras compromisso de a ele comparecer, não se im-
comarcas poderá ser solicitada por qual- porá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança.
quer meio hábil de comunicação. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá
determinar, como medida de cautela, seu afas-
§ 3º Serão objeto de registro escrito exclusi- tamento do lar, domicílio ou local de convivên-
vamente os atos havidos por essenciais. Os cia com a vítima.
atos realizados em audiência de instrução
e julgamento poderão ser gravados em fita Art. 70. Comparecendo o autor do fato e a ví-
magnética ou equivalente. tima, e não sendo possível a realização imedia-
ta da audiência preliminar, será designada data
Art. 66. A citação será pessoal e far-se-á no pró- próxima, da qual ambos sairão cientes.
prio Juizado, sempre que possível, ou por man-
dado. Art. 71. Na falta do comparecimento de qual-
quer dos envolvidos, a Secretaria providenciará
Parágrafo único. Não encontrado o acusado sua intimação e, se for o caso, a do responsável
para ser citado, o Juiz encaminhará as peças civil, na forma dos arts. 67 e 68 desta Lei.
existentes ao Juízo comum para adoção do
procedimento previsto em lei. Art. 72. Na audiência preliminar, presente o re-
presentante do Ministério Público, o autor do
Art. 67. A intimação far-se-á por correspondên- fato e a vítima e, se possível, o responsável civil,
cia, com aviso de recebimento pessoal ou, tra- acompanhados por seus advogados, o Juiz es-
tando-se de pessoa jurídica ou firma individual, clarecerá sobre a possibilidade da composição
mediante entrega ao encarregado da recepção, dos danos e da aceitação da proposta de apli-
que será obrigatoriamente identificado, ou, sen- cação imediata de pena não privativa de liber-
do necessário, por oficial de justiça, indepen- dade.
dentemente de mandado ou carta precatória,
ou ainda por qualquer meio idôneo de comuni- Art. 73. A conciliação será conduzida pelo Juiz
cação. ou por conciliador sob sua orientação.
Parágrafo único. Dos atos praticados em Parágrafo único. Os conciliadores são auxi-
audiência considerar-se-ão desde logo cien- liares da Justiça, recrutados, na forma da lei
tes as partes, os interessados e defensores. local, preferentemente entre bacharéis em
Direito, excluídos os que exerçam funções
Art. 68. Do ato de intimação do autor do fato na administração da Justiça Criminal.
e do mandado de citação do acusado, constará
a necessidade de seu comparecimento acompa- Art. 74. A composição dos danos civis será redu-
nhado de advogado, com a advertência de que, zida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
na sua falta, ser-lhe-á designado defensor públi- sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser
co. executado no juízo civil competente.

Seção II Parágrafo único. Tratando-se de ação penal


DA FASE PRELIMINAR de iniciativa privada ou de ação penal públi-
ca condicionada à representação, o acordo
Art. 69. A autoridade policial que tomar conhe- homologado acarreta a renúncia ao direito
cimento da ocorrência lavrará termo circuns- de queixa ou representação.
tanciado e o encaminhará imediatamente ao Art. 75. Não obtida a composição dos danos
Juizado, com o autor do fato e a vítima, provi- civis, será dada imediatamente ao ofendido a
denciando-se as requisições dos exames peri- oportunidade de exercer o direito de represen-
ciais necessários. Parágrafo único. Ao autor do tação verbal, que será reduzida a termo.
fato que, após a lavratura do termo, for imedia-
tamente encaminhado ao juizado ou assumir o

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Direito Processual Penal – Lei Dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9099/95) – Prof. Joerberth Nunes

Parágrafo único. O não oferecimento da antecedentes criminais, salvo para os fins


representação na audiência preliminar não previstos no mesmo dispositivo, e não terá
implica decadência do direito, que poderá efeitos civis, cabendo aos interessados pro-
ser exercido no prazo previsto em lei. por ação cabível no juízo cível.
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se Seção III
de crime de ação penal pública incondicionada, DO PROCEDIMENTO SUMARIÍSSIMO
não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública,
pena restritiva de direitos ou multas, a ser espe- quando não houver aplicação de pena, pela au-
cificada na proposta. sência do autor do fato, ou pela não ocorrência
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Mi-
única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a nistério Público oferecerá ao Juiz, de imediato,
metade. denúncia oral, se não houver necessidade de di-
ligências imprescindíveis.
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar
comprovado: § 1º Para o oferecimento da denúncia, que
será elaborada com base no termo de ocor-
I – ter sido o autor da infração condenado, rência referido no art. 69 desta Lei, com dis-
pela prática de crime, à pena privativa de li- pensa do inquérito policial, prescindir-se-á
berdade, por sentença definitiva; do exame do corpo de delito quando a ma-
terialidade do crime estiver aferida por bo-
II – ter sido o agente beneficiado anterior- letim médico ou prova equivalente.
mente, no prazo de cinco anos, pela aplica-
ção de pena restritiva ou multa, nos termos § 2º Se a complexidade ou circunstâncias do
deste artigo; caso não permitirem a formulação da de-
núncia, o Ministério Público poderá reque-
III – não indicarem os antecedentes, a con- rer ao Juiz o encaminhamento das peças
duta social e a personalidade do agente, existentes, na forma do parágrafo único do
bem como os motivos e as circunstâncias, art. 66 desta Lei.
ser necessária e suficiente a adoção da me-
dida. § 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido
poderá ser oferecida queixa oral, cabendo
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infra- ao Juiz verificar se a complexidade e as cir-
ção e seu defensor, será submetida à apre- cunstâncias do caso determinam a adoção
ciação do Juiz. das providências previstas no parágrafo úni-
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministé- co do art. 66 desta Lei.
rio Público aceita pelo autor da infração, o Art. 78. Oferecida a denúncia ou queixa, será
Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou reduzida a termo, entregando-se cópia ao acu-
multa, que não importará em reincidência, sado, que com ela ficará citado e imediatamen-
sendo registrada apenas para impedir nova- te cientificado da designação de dia e hora para
mente o mesmo benefício no prazo de cinco a audiência de instrução e julgamento, da qual
anos. também tomarão ciência o Ministério Público, o
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo an- ofendido, o responsável civil e seus advogados.
terior caberá a apelação referida no art. 82 § 1º Se o acusado não estiver presente, será
desta Lei. citado na forma dos arts. 66 e 68 desta Lei e
§ 6º A imposição da sanção de que trata o § cientificado da data da audiência de instru-
4º deste artigo não constará de certidão de ção e julgamento, devendo a ela trazer suas

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testemunhas ou apresentar requerimento ízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,
para intimação, no mínimo cinco dias antes reunidos na sede do Juizado.
de sua realização.
§ 1º A apelação será interposta no prazo de
§ 2º Não estando presentes o ofendido e o dez dias, contados da ciência da sentença
responsável civil, serão intimados nos ter- pelo Ministério Público, pelo réu e seu de-
mos do art. 67 desta Lei para comparece- fensor, por petição escrita, da qual consta-
rem à audiência de instrução e julgamento. rão as razões e o pedido do recorrente.
§ 3º As testemunhas arroladas serão intima- § 2º O recorrido será intimado para ofere-
das na forma prevista no art. 67 desta Lei. cer resposta escrita no prazo de dez dias.
Art. 79. No dia e hora designados para a au- § 3º As partes poderão requerer a transcri-
diência de instrução e julgamento, se na fase ção da gravação da fita magnética a que alu-
preliminar não tiver havido possibilidade de de o § 3º do art. 65 desta Lei.
tentativa de conciliação e de oferecimento de
proposta pelo Ministério Público, proceder-se-á § 4º As partes serão intimadas da data da
nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei. sessão de julgamento pela imprensa.

Art. 80. Nenhum ato será adiado, determinando § 5º Se a sentença for confirmada pelos pró-
o Juiz, quando imprescindível, a condução coer- prios fundamentos, a súmula do julgamen-
citiva de quem deva comparecer. to servirá de acórdão.

Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra Art. 83. Caberão embargos de declaração quan-
ao defensor para responder à acusação, após o do, em sentença ou acórdão, houver obscurida-
que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou quei- de, contradição, omissão ou dúvida. (Vide Lei
xa; havendo recebimento, serão ouvidas a víti- nº 13.105, de 2015) (Vigência)
ma e as testemunhas de acusação e defesa, in- § 1º Os embargos de declaração serão opos-
terrogando-se a seguir o acusado, se presente, tos por escrito ou oralmente, no prazo de
passando-se imediatamente aos debates orais e cinco dias, contados da ciência da decisão.
à prolação da sentença.
§ 2º Quando opostos contra sentença, os
§ 1º Todas as provas serão produzidas na embargos de declaração suspenderão o
audiência de instrução e julgamento, po- prazo para o recurso. (Vide Lei nº 13.105,
dendo o Juiz limitar ou excluir as que con- de 2015) (Vigência)
siderar excessivas, impertinentes ou prote-
latórias. § 3º Os erros materiais podem ser corrigi-
dos de ofício.
§ 2º De todo o ocorrido na audiência será
lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas Seção IV
partes, contendo breve resumo dos fatos DA EXECUÇÃO
relevantes ocorridos em audiência e a sen-
tença. Art. 84. Aplicada exclusivamente pena de multa,
seu cumprimento far-se-á mediante pagamento
§ 3º A sentença, dispensado o relatório,
na Secretaria do Juizado.
mencionará os elementos de convicção do
Juiz. Parágrafo único. Efetuado o pagamento, o
Juiz declarará extinta a punibilidade, deter-
Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou
minando que a condenação não fique cons-
queixa e da sentença caberá apelação, que po-
tando dos registros criminais, exceto para
derá ser julgada por turma composta de três Ju-
fins de requisição judicial.

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Direito Processual Penal – Lei Dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9099/95) – Prof. Joerberth Nunes

Art. 85. Não efetuado o pagamento de multa, III – proibição de ausentar-se da comarca
será feita a conversão em pena privativa da li- onde reside, sem autorização do Juiz;
berdade, ou restritiva de direitos, nos termos
previstos em lei. IV – comparecimento pessoal e obrigatório
a juízo, mensalmente, para informar e justi-
Art. 86. A execução das penas privativas de li- ficar suas atividades.
berdade e restritivas de direitos, ou de multa
cumulada com estas, será processada perante o § 2º O Juiz poderá especificar outras con-
órgão competente, nos termos da lei. dições a que fica subordinada a suspensão,
desde que adequadas ao fato e à situação
Seção V pessoal do acusado.
DAS DESPESAS PROCESSUAIS § 3º A suspensão será revogada se, no curso
do prazo, o beneficiário vier a ser processa-
Art. 87. Nos casos de homologação do acordo do por outro crime ou não efetuar, sem mo-
civil e aplicação de pena restritiva de direitos ou tivo justificado, a reparação do dano.
multa (arts. 74 e 76, § 4º), as despesas proces-
suais serão reduzidas, conforme dispuser lei es- § 4º A suspensão poderá ser revogada se
tadual. o acusado vier a ser processado, no curso
do prazo, por contravenção, ou descumprir
Seção VI qualquer outra condição imposta.
DISPOSIÇÕES FINAIS
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz
Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e declarará extinta a punibilidade.
da legislação especial, dependerá de represen- § 6º Não correrá a prescrição durante o pra-
tação a ação penal relativa aos crimes de lesões zo de suspensão do processo.
corporais leves e lesões culposas.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima co- prevista neste artigo, o processo prossegui-
minada for igual ou inferior a um ano, abrangi- rá em seus ulteriores termos.
das ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspen- Art. 90. As disposições desta Lei não se aplicam
são do processo, por dois a quatro anos, desde aos processos penais cuja instrução já estiver
que o acusado não esteja sendo processado ou iniciada. (Vide ADIN nº 1.719-9)
não tenha sido condenado por outro crime, pre-
Art. 90-A. As disposições desta Lei não se apli-
sentes os demais requisitos que autorizariam a
cam no âmbito da Justiça Militar. (Artigo incluí-
suspensão condicional da pena (art. 77 do Códi-
do pela Lei nº 9.839, de 27.9.1999)
go Penal).
Art. 91. Nos casos em que esta Lei passa a exigir
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu
representação para a propositura da ação penal
defensor, na presença do Juiz, este, rece-
pública, o ofendido ou seu representante legal
bendo a denúncia, poderá suspender o pro-
será intimado para oferecê-la no prazo de trinta
cesso, submetendo o acusado a período de
dias, sob pena de decadência.
prova, sob as seguintes condições:
Art. 92. Aplicam-se subsidiariamente as disposi-
I – reparação do dano, salvo impossibilida-
ções dos Códigos Penal e de Processo Penal, no
de de fazê-lo;
que não forem incompatíveis com esta Lei.
II – proibição de frequentar determinados
lugares;

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CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS COMUNS
Art. 93. Lei Estadual disporá sobre o Sistema de
Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua organi-
zação, composição e competência.
Art. 94. Os serviços de cartório poderão ser
prestados, e as audiências realizadas fora da
sede da Comarca, em bairros ou cidades a ela
pertencentes, ocupando instalações de prédios
públicos, de acordo com audiências previamen-
te anunciadas.
Art. 95. Os Estados, Distrito Federal e Territórios
criarão e instalarão os Juizados Especiais no pra-
zo de seis meses, a contar da vigência desta Lei.
Parágrafo único. No prazo de 6 (seis) me-
ses, contado da publicação desta Lei, serão
criados e instalados os Juizados Especiais
Itinerantes, que deverão dirimir, priorita-
riamente, os conflitos existentes nas áreas
rurais ou nos locais de menor concentração
populacional.
Art. 96. Esta Lei entra em vigor no prazo de ses-
senta dias após a sua publicação.
Art. 97. Ficam revogadas a Lei nº 4.611, de 2 de
abril de 1965 e a Lei nº 7.244, de 7 de novembro
de 1984.

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Direito Processual Penal

PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Terri- sal e secreto, com mandato de quatro anos
tórios, e os Estados criarão: e competência para, na forma da lei, cele-
brar casamentos, verificar, de ofício ou em
I – juizados especiais, providos por juízes face de impugnação apresentada, o proces-
togados, ou togados e leigos, competentes so de habilitação e exercer atribuições con-
para a conciliação, o julgamento e a execu- ciliatórias, sem caráter jurisdicional, além
ção de causas cíveis de menor complexida- de outras previstas na legislação.
de e infrações penais de menor potencial
ofensivo, mediante os procedimentos oral § 1º Lei federal disporá sobre a criação de
e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses juizados especiais no âmbito da Justiça Fe-
previstas em lei, a transação e o julgamento deral.
de recursos por turmas de juízes de primei-
ro grau; § 2º As custas e emolumentos serão desti-
nados exclusivamente ao custeio dos servi-
II – justiça de paz, remunerada, composta ços afetos às atividades específicas da Jus-
de cidadãos eleitos pelo voto direto, univer- tiça.

Lei nº 9.099/1995

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por Art. 61. Consideram-se infrações penais de me-
juízes togados ou togados e leigos, tem compe- nor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei,
tência para a conciliação, o julgamento e a exe- as contravenções penais e os crimes a que a lei
cução das infrações penais de menor potencial comine pena máxima não superior a 2 (dois)
ofensivo, respeitadas as regras de conexão e anos, cumulada ou não com multa.
continência.
Art. 62. O processo perante o Juizado Especial
Parágrafo único. Na reunião de processos, orientar-se-á pelos critérios da oralidade, infor-
perante o juízo comum ou o tribunal do júri, malidade, economia processual e celeridade,
decorrentes da aplicação das regras de co- objetivando, sempre que possível, a reparação
nexão e continência, observar-se-ão os ins- dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de
titutos da transação penal e da composição pena não privativa de liberdade.
dos danos civis.

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Seção I Parágrafo único. Dos atos praticados em
DA COMPETÊNCIA E DOS audiência considerar-se-ão desde logo cien-
tes as partes, os interessados e defensores.
ATOS PROCESSUAIS
Art. 68. Do ato de intimação do autor do fato
Art. 63. A competência do Juizado será determi- e do mandado de citação do acusado, constará
nada pelo lugar em que foi praticada a infração a necessidade de seu comparecimento acompa-
penal. nhado de advogado, com a advertência de que,
Art. 64. Os atos processuais serão públicos e po- na sua falta, ser-lhe-á designado defensor públi-
derão realizar-se em horário noturno e em qual- co.
quer dia da semana, conforme dispuserem as Seção II
normas de organização judiciária.
DA FASE PRELIMINAR
Art. 65. Os atos processuais serão válidos sem-
pre que preencherem as finalidades para as Art. 69. A autoridade policial que tomar conhe-
quais foram realizados, atendidos os critérios cimento da ocorrência lavrará termo circuns-
indicados no art. 62 desta Lei. tanciado e o encaminhará imediatamente ao
Juizado, com o autor do fato e a vítima, provi-
§ 1º Não se pronunciará qualquer nulidade denciando-se as requisições dos exames peri-
sem que tenha havido prejuízo. ciais necessários.
§ 2º A prática de atos processuais em outras Parágrafo único. Ao autor do fato que, após
comarcas poderá ser solicitada por qual- a lavratura do termo, for imediatamente en-
quer meio hábil de comunicação. caminhado ao juizado ou assumir o compro-
§ 3º Serão objeto de registro escrito exclusi- misso de a ele comparecer, não se imporá
vamente os atos havidos por essenciais. Os prisão em flagrante, nem se exigirá fiança.
atos realizados em audiência de instrução Em caso de violência doméstica, o juiz po-
e julgamento poderão ser gravados em fita derá determinar, como medida de cautela,
magnética ou equivalente. seu afastamento do lar, domicílio ou local
de convivência com a vítima.
Art. 66. A citação será pessoal e far-se-á no pró-
prio Juizado, sempre que possível, ou por man- Art. 70. Comparecendo o autor do fato e a ví-
dado. tima, e não sendo possível a realização imedia-
ta da audiência preliminar, será designada data
Parágrafo único. Não encontrado o acusado próxima, da qual ambos sairão cientes.
para ser citado, o Juiz encaminhará as peças
existentes ao Juízo comum para adoção do Art. 71. Na falta do comparecimento de qual-
procedimento previsto em lei. quer dos envolvidos, a Secretaria providenciará
sua intimação e, se for o caso, a do responsável
Art. 67. A intimação far-se-á por correspondên- civil, na forma dos arts. 67 e 68 desta Lei.
cia, com aviso de recebimento pessoal ou, tra-
tando-se de pessoa jurídica ou firma individual, Art. 72. Na audiência preliminar, presente o re-
mediante entrega ao encarregado da recepção, presentante do Ministério Público, o autor do
que será obrigatoriamente identificado, ou, sen- fato e a vítima e, se possível, o responsável civil,
do necessário, por oficial de justiça, indepen- acompanhados por seus advogados, o Juiz es-
dentemente de mandado ou carta precatória, clarecerá sobre a possibilidade da composição
ou ainda por qualquer meio idôneo de comuni- dos danos e da aceitação da proposta de apli-
cação. cação imediata de pena não privativa de liber-
dade.

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Direito Processual Penal – Procedimento Comum Sumaríssimo (Lei nº 9.099/1995) – Prof. Joerberth Nunes

Art. 73. A conciliação será conduzida pelo Juiz III – não indicarem os antecedentes, a con-
ou por conciliador sob sua orientação. duta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias,
Parágrafo único. Os conciliadores são auxi- ser necessária e suficiente a adoção da me-
liares da Justiça, recrutados, na forma da lei dida.
local, preferentemente entre bacharéis em
Direito, excluídos os que exerçam funções § 3º Aceita a proposta pelo autor da infra-
na administração da Justiça Criminal. ção e seu defensor, será submetida à apre-
ciação do Juiz.
Art. 74. A composição dos danos civis será redu-
zida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante § 4º Acolhendo a proposta do Ministé-
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser rio Público aceita pelo autor da infração, o
executado no juízo civil competente. Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou
multa, que não importará em reincidência,
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal sendo registrada apenas para impedir nova-
de iniciativa privada ou de ação penal públi- mente o mesmo benefício no prazo de cinco
ca condicionada à representação, o acordo anos.
homologado acarreta a renúncia ao direito
de queixa ou representação. § 5º Da sentença prevista no parágrafo an-
terior caberá a apelação referida no art. 82
Art. 75. Não obtida a composição dos danos desta Lei.
civis, será dada imediatamente ao ofendido a
oportunidade de exercer o direito de represen- § 6º A imposição da sanção de que trata o §
tação verbal, que será reduzida a termo. 4º deste artigo não constará de certidão de
antecedentes criminais, salvo para os fins
Parágrafo único. O não oferecimento da previstos no mesmo dispositivo, e não terá
representação na audiência preliminar não efeitos civis, cabendo aos interessados pro-
implica decadência do direito, que poderá por ação cabível no juízo cível.
ser exercido no prazo previsto em lei.
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se Seção III
de crime de ação penal pública incondicionada, DO PROCEDIMENTO SUMARIÍSSIMO
não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública,
pena restritiva de direitos ou multas, a ser espe- quando não houver aplicação de pena, pela au-
cificada na proposta. sência do autor do fato, ou pela não ocorrência
da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Mi-
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a nistério Público oferecerá ao Juiz, de imediato,
única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a denúncia oral, se não houver necessidade de di-
metade. ligências imprescindíveis.
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar § 1º Para o oferecimento da denúncia, que
comprovado: será elaborada com base no termo de ocor-
rência referido no art. 69 desta Lei, com dis-
I – ter sido o autor da infração condenado, pensa do inquérito policial, prescindir-se-á
pela prática de crime, à pena privativa de li- do exame do corpo de delito quando a ma-
berdade, por sentença definitiva; terialidade do crime estiver aferida por bo-
II – ter sido o agente beneficiado anterior- letim médico ou prova equivalente.
mente, no prazo de cinco anos, pela aplica- § 2º Se a complexidade ou circunstâncias do
ção de pena restritiva ou multa, nos termos caso não permitirem a formulação da de-
deste artigo; núncia, o Ministério Público poderá reque-

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rer ao Juiz o encaminhamento das peças terrogando-se a seguir o acusado, se presente,
existentes, na forma do parágrafo único do passando-se imediatamente aos debates orais e
art. 66 desta Lei. à prolação da sentença.
§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido § 1º Todas as provas serão produzidas na
poderá ser oferecida queixa oral, cabendo audiência de instrução e julgamento, po-
ao Juiz verificar se a complexidade e as cir- dendo o Juiz limitar ou excluir as que con-
cunstâncias do caso determinam a adoção siderar excessivas, impertinentes ou prote-
das providências previstas no parágrafo úni- latórias.
co do art. 66 desta Lei.
§ 2º De todo o ocorrido na audiência será
Art. 78. Oferecida a denúncia ou queixa, será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas
reduzida a termo, entregando-se cópia ao acu- partes, contendo breve resumo dos fatos
sado, que com ela ficará citado e imediatamen- relevantes ocorridos em audiência e a sen-
te cientificado da designação de dia e hora para tença.
a audiência de instrução e julgamento, da qual
também tomarão ciência o Ministério Público, o § 3º A sentença, dispensado o relatório,
ofendido, o responsável civil e seus advogados. mencionará os elementos de convicção do
Juiz.
§ 1º Se o acusado não estiver presente, será
citado na forma dos arts. 66 e 68 desta Lei e Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou
cientificado da data da audiência de instru- queixa e da sentença caberá apelação, que po-
ção e julgamento, devendo a ela trazer suas derá ser julgada por turma composta de três Ju-
testemunhas ou apresentar requerimento ízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,
para intimação, no mínimo cinco dias antes reunidos na sede do Juizado.
de sua realização. § 1º A apelação será interposta no prazo de
§ 2º Não estando presentes o ofendido e o dez dias, contados da ciência da sentença
responsável civil, serão intimados nos ter- pelo Ministério Público, pelo réu e seu de-
mos do art. 67 desta Lei para comparece- fensor, por petição escrita, da qual consta-
rem à audiência de instrução e julgamento. rão as razões e o pedido do recorrente.

§ 3º As testemunhas arroladas serão intima- § 2º O recorrido será intimado para ofere-


das na forma prevista no art. 67 desta Lei. cer resposta escrita no prazo de dez dias.

Art. 79. No dia e hora designados para a au- § 3º As partes poderão requerer a transcri-
diência de instrução e julgamento, se na fase ção da gravação da fita magnética a que alu-
preliminar não tiver havido possibilidade de de o § 3º do art. 65 desta Lei.
tentativa de conciliação e de oferecimento de § 4º As partes serão intimadas da data da
proposta pelo Ministério Público, proceder-se-á sessão de julgamento pela imprensa.
nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei.
§ 5º Se a sentença for confirmada pelos pró-
Art. 80. Nenhum ato será adiado, determinando prios fundamentos, a súmula do julgamen-
o Juiz, quando imprescindível, a condução coer- to servirá de acórdão.
citiva de quem deva comparecer.
Art. 83. Caberão embargos de declaração quan-
Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra do, em sentença ou acórdão, houver obscurida-
ao defensor para responder à acusação, após o de, contradição, omissão ou dúvida.
que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou quei-
xa; havendo recebimento, serão ouvidas a víti- § 1º Os embargos de declaração serão opos-
ma e as testemunhas de acusação e defesa, in- tos por escrito ou oralmente, no prazo de
cinco dias, contados da ciência da decisão.

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§ 2º Quando opostos contra sentença, os são do processo, por dois a quatro anos, desde
embargos de declaração suspenderão o que o acusado não esteja sendo processado ou
prazo para o recurso. não tenha sido condenado por outro crime, pre-
sentes os demais requisitos que autorizariam a
§ 3º Os erros materiais podem ser corrigi- suspensão condicional da pena (art. 77 do Códi-
dos de ofício. go Penal).
Seção IV § 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu
DA EXECUÇÃO defensor, na presença do Juiz, este, rece-
bendo a denúncia, poderá suspender o pro-
Art. 84. Aplicada exclusivamente pena de multa, cesso, submetendo o acusado a período de
seu cumprimento far-se-á mediante pagamento prova, sob as seguintes condições:
na Secretaria do Juizado.
I – reparação do dano, salvo impossibilida-
Parágrafo único. Efetuado o pagamento, o de de fazê-lo;
Juiz declarará extinta a punibilidade, deter-
minando que a condenação não fique cons- II – proibição de freqüentar determinados
tando dos registros criminais, exceto para lugares;
fins de requisição judicial. III – proibição de ausentar-se da comarca
Art. 85. Não efetuado o pagamento de multa, onde reside, sem autorização do Juiz;
será feita a conversão em pena privativa da li- IV – comparecimento pessoal e obrigatório
berdade, ou restritiva de direitos, nos termos a juízo, mensalmente, para informar e justi-
previstos em lei. ficar suas atividades.
Art. 86. A execução das penas privativas de li- § 2º O Juiz poderá especificar outras con-
berdade e restritivas de direitos, ou de multa dições a que fica subordinada a suspensão,
cumulada com estas, será processada perante o desde que adequadas ao fato e à situação
órgão competente, nos termos da lei. pessoal do acusado.
Seção V § 3º A suspensão será revogada se, no curso
DAS DESPESAS PROCESSUAIS do prazo, o beneficiário vier a ser processa-
do por outro crime ou não efetuar, sem mo-
Art. 87. Nos casos de homologação do acordo tivo justificado, a reparação do dano.
civil e aplicação de pena restritiva de direitos ou
multa (arts. 74 e 76, § 4º), as despesas proces- § 4º A suspensão poderá ser revogada se
suais serão reduzidas, conforme dispuser lei es- o acusado vier a ser processado, no curso
tadual. do prazo, por contravenção, ou descumprir
qualquer outra condição imposta.
Seção VI § 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz
DISPOSIÇÕES FINAIS declarará extinta a punibilidade.
Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e § 6º Não correrá a prescrição durante o pra-
da legislação especial, dependerá de represen- zo de suspensão do processo.
tação a ação penal relativa aos crimes de lesões
corporais leves e lesões culposas. § 7º Se o acusado não aceitar a proposta
prevista neste artigo, o processo prossegui-
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima co- rá em seus ulteriores termos.
minada for igual ou inferior a um ano, abrangi-
das ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspen-

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Art. 90. As disposições desta Lei não se aplicam
aos processos penais cuja instrução já estiver
iniciada.
Art. 90-A. As disposições desta Lei não se apli-
cam no âmbito da Justiça Militar.
Art. 91. Nos casos em que esta Lei passa a exigir
representação para a propositura da ação penal
pública, o ofendido ou seu representante legal
será intimado para oferecê-la no prazo de trinta
dias, sob pena de decadência.
Art. 92. Aplicam-se subsidiariamente as disposi-
ções dos Códigos Penal e de Processo Penal, no
que não forem incompatíveis com esta Lei.

CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS COMUNS
Art. 93. Lei Estadual disporá sobre o Sistema de
Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua organi-
zação, composição e competência.
Art. 94. Os serviços de cartório poderão ser
prestados, e as audiências realizadas fora da
sede da Comarca, em bairros ou cidades a ela
pertencentes, ocupando instalações de prédios
públicos, de acordo com audiências previamen-
te anunciadas.
Art. 95. Os Estados, Distrito Federal e Territórios
criarão e instalarão os Juizados Especiais no pra-
zo de seis meses, a contar da vigência desta Lei.
Parágrafo único. No prazo de 6 (seis) me-
ses, contado da publicação desta Lei, serão
criados e instalados os Juizados Especiais
Itinerantes, que deverão dirimir, priorita-
riamente, os conflitos existentes nas áreas
rurais ou nos locais de menor concentração
populacional. (Redação dada pela Lei nº
12.726, de 2012)
Art. 96. Esta Lei entra em vigor no prazo de ses-
senta dias após a sua publicação.

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MATERIAL COMPLEMENTAR

1. Conceito: é um dos tipos de procedimento comum.


2. Linha do processo :
3. Esquema dos procedimentos:
4. Linha do procedimento sumaríssimo :
5. Conceito de infração penal de menor potencial ofensivo: art. 61, lei nº 9099 de 1995
6. Princípios do JECRIM: art. 62, lei nº 9099 de 1995
7. Competência do JECRIM: art. 63, lei nº 9099 de 1995
8. Nulidades no JECRIM: art. 65, lei nº 9099 de 1995
9. Citação no JECRIM: art. 66, lei nº 9099 de 1995
10. Intimação no JECRIM: arts. 68 e 69, lei nº 9099 de 1995
11. Termo Circunstanciado e prisão em flagrante nas infrações de menor potencial ofensivo:
art. 69, lei nº 9099 de 1995
12. Audiência preliminar: arts. 70 a 78, lei nº 9099 de 1995
13. Audiência de Instrução e Julgamento: art. 81, lei nº 9099 de 1995
14. Composição dos danos civis: art. 74, lei nº 9099 de 1995
15. Transação penal: art. 76, lei nº 9099 de 1995
16. Oferecimento da denúncia ou queixa-crime: art. 77 e 78, lei nº 9099 de 1995
17. Citação: art. 78, lei nº 9099 de 1995
18. Recursos: arts. 82 e 83, lei nº 9099 de 1995
19. Suspensão condicional do processo: art. 89, lei nº 9099 de 1995
20. Outras regras: arts. 90 e seguintes, lei nº 9099 de 1995

Linha do Processo
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Direito Processual Penal


Direito Penal

Código Penal Código de Processo Penal

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Espécies de Procedimentos

ORDINÁRIO

COMUM SUMÁRIO

SUMARÍSSIMO
PROCEDIMENTOS

ESPECIAL

Procedimento Sumaríssimo Lei nº 9.095/1995


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Art. 61 Art. 69 Art. 74 Art. 76 Art. 77/78 Art.78 Art. 81 Art. 82

Audiência Preliminar

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