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Estruturas Metálicas

Módulo II

Nós e Chapa de Ligação

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NÓS E CHAPA DE LIGAÇÃO

A natureza das estruturas metálicas, constituídas de elementos compridos e de dimensões


transversais relativamente pequenas, exige cuidados especiais para garantir a estabilidade desses
elementos e do conjunto.
De barras de secções simples ou compostas, são formadas as denominadas traves planas. Estas
traves ligadas entre si pelos contraventamentos ou pelas estruturas transversais constituem o
conjunto da estrutura.
Nenhum elemento da estrutura deve ter possibilidade de deslocar-se livremente fora de seu plano
e dos pontos de fixação. Nenhuma parte plana da estrutura pode mudar livremente sua posição
no conjunto.
As condições acima são geralmente satisfeitas pela colocação de contraventamentos entre partes
da estrutura.
O contraventamento deve garantir:
a- Limitação dos comprimentos de flambagem das barras
b- Estabilidade das traves isoladas e do conjunto
c- Resistência às forças acidentais que agem fora do plano das traves principais

Esquemas de contraventamentos para as treliças planas:

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Formação de Nós – Treliça Rebitada

O eixo da barra de secção simples ou composta é condicionalmente considerado como


coincidente com a linha de rebites ou parafusos e, com a linha interna de rebites ou parafusos, no
caso de haver duas.
As cantoneiras devem ser colocadas de preferência com os ângulos diedros voltados para baixo, a
fim de evitar a acumulação de pó. Entretanto, por motivos estéticos, as cantoneiras do banzo
inferior são colocadas com as abas horizontais na parte inferior.
A ligação das barras é geralmente feita por intermédio de chapas, cuja função é absorver os
esforços das diagonais e montantes e transmitir a resultante para o banzo.
Para facilitar a marcação das chapas e cantoneiras dos banzos, é recomendável colocar um rebite
no centro do nó. Contudo, esta recomendação pode ser dispensada por motivos construtivos.

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As configurações das chapas dos nós são condicionadas às seguintes condições:

a) Capacidade suficiente para absorver o esforço de cada barra ligada.

= + ou

b) Largura da chapa suficiente para resistir à resultante dos esforços .

= ou

= = ou

c) Permitir a colocação dos rebites necessários para a sua fixação ao banzo


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n =

sendo:

R – resultante das forças nas diagonais e montantes concorrentes ao nó ou diferença das


forças nas barras consecutivas do banzo.
n – quantidade de rebites;
- capacidade de um rebite.

d) Ter formas que permitam suas execuções com mínimos cortes e retalhos (Fig. 5-13). Sob
este aspecto as melhores formas são as do retângulo, trapézio e losângulo. A espessura das
chapas deve ser determinada pela condição de igualdade de resistência dos rebites ao
esmagamento e cisalhamento ( 0,6 . d no caso de corte duplo e 0,3 . d no caso de
corte simples). Porém, na treliça, geralmente adota-se a espessura média para a maioria
das chapas.

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As formas de nós utilizadas em treliças de estrutura leve são apresentadas nas figuras
acima, são as mais comuns para tesouras para telhado de duas águas.

Nó Intermediário do banzo. Chapa de nó em forma de losângulo

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Nó intermediário do banzo inferior
Chapa de nó em forma trapezoidal
Obs.: as chapas de ambos os nós têm dimensões adotadas construtivamente e são
suficientes para absorver os respectivos esforços.

Nó de cumeeira de uma tesoura para telhado.

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Este nó é reforçado por duas cobrejuntas verticais e uma cobrejunta de chapa dobrada
colocada sobre os banzos.
A cobrejunta de chapa dobrada garante a estabilidade lateral do nó, mas não participa na
transmissão desse esforço, devido a facilidade de deformação elástica, quando
comprimida.
A verificação da resistência do nó deve ser feita considerando o esforço N do banzo,
aplicado com a excentricidade “e”, na secção composta de chapa e cobrejuntas verticais.

=- - ( )

=- + ( )

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Nó de cumeeira, com cobrejuntas de cantoneiras dobradas

Estrutura de nó defeituosa

A estrutura apresenta uma solução defeituosa. O ângulo interno, na parte inferior da


chapa, favorece a concentração de tensões e a cobrejunta de chapa dobrada com o mesmo
ângulo não participa no trabalho do nó, devido à deformação (que tende a endireitá-la)
sob forças de tração.

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Nó com reforço

A chapa do nó não está sujeita a altas tensões, devido ao reforço pelas cantoneiras
dobradas, na parte inferior. Com estas cantoneiras, os centros de gravidade das secções
aproximam-se do eixo das cantoneiras emendadas.

Cobrejunta de cantoneira dobrada

É apresentada outra solução construtiva e mais favorável sob o aspecto estético. O único
inconveniente se apresenta no dobramento das cantoneiras para fora (com alongamento
nas abas verticais) que é reconhecido como de execução mais difícil do que o dobramento
para dentro.
O centro de gravidade da secção da chapa, reforçada pelas cantoneiras dobradas, fica bem
próximo ao ponto de aplicação da força.

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Nó do banzo superior da treliça trapezoidal, ligando a diagonal de apoio

Para recuperação da secção das cantoneiras do banzo, a chapa de nó é reforçada pelas


cantoneiras dobradas.
A cobrejunta superior constituída de chapa dobrada, não deve ser considerada como participante
na transmissão de esforços, mas somente como elemento de enrijecimento lateral e
possivelmente como chapa para fixação de contraventamento.

Variante de nó anterior de execução mais fácil

Deve ser prestado o especial cuidado para garantir a estabilidade lateral do nó, o que pode ser
conseguido pela chapa dobrada de contraventamento, ligada ás diagonais e banzos.

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Nó de apoio com montante principal

Os topos das cantoneiras do montante são ajustados ás superfícies das abas horizontais das
cantoneiras do banzo inferior.
A placa de apoio tem na sua parte superior uma chapa estreita (~ 60 mm) para melhor se
aproximar ás condição de apoio articulado.
Os parafusos são ancorados pelos ganchos à barra redonda embutida no concreto.
Os preenchimentos das cavidades devem ser executados após a regulagem definitiva de todo o
conjunto da estrutura.

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Nó de apoio de uma trave triangular (sem montante de apoio)

A chapa de nó deve ser suficientemente desenvolvida para trabalhar como viga até a secção onde
as barras dos banzos se apresentam com seus respectivos esforços.
A verificação da resistência da chapa do nó pode ser feita a favor da segurança, sem consideração
em sua secção das cantoneiras dos banzos.

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Nó de apoio sem montante

Nó de apoio de trave com inclinação da barra do banzo da ordem de 45°.


O grande ângulo entre banzos permite dispensar a verificação da resistência da chapa
considerando o momento fletor.
É recomendável ajustar os topos das cantoneiras do montante às superfícies das abas horizontais
do banzo inferior.

Nó de apoio com montante secundario

Construtivamente a altura da chapa é bastante desenvolvida, não apresentando de um modo


geral, perigo devido a solicitação pelo momento fletor.

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É recomendavel ajustar os topos das cantoneiras do montante às superficies das abas horizontais
do banzo inferior.

Nó superior na extremidade da treliça com montante principal de apoio

Os calços indicadas por hachuras na figura são necessárias para compensar o maior afastamento
entre as cantoneiras que constituem o montante imposto no apoio. Esses calços devem ser ligadas
por ponto de solda elétrica à chapa do nó afim de melhorar as condições de trabalho dos rebites
ou dos parafusos.

Nó superior na extremidade da treliça com montante secundário no apoio


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Como as barras concorrentes nesse nó são secundárias, a sua forma é bastante simplificada.
Os calços representadas por hachuras têm a mesma função já indicada no exemplo anterior.

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