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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DO JUIZADO ESPECIAL

DA COMARCA DE __________________ (___).

URGENTE – VERBA ALIMENTAR -


LIMINAR

Refere-se aos autos n. __________________________

___________________, qualificado nos autos em epígrafe, vem,


respeitosamente, por intermédio de seu advogado, perante Vossa Excelência,
requerer o imediato desbloqueio dos valores bloqueados na conta do requerido
por se tratar de verba de natureza alimentar, conforme abaixo exposto.

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No dia 04 de dezembro do corrente ano, o requerente requereu
a este Juízo para que realizasse a penhora online para o bloqueio de valores em
ativos financeiros via Bacen-Jud da requerida, conforme petição de fls. __, e a
expedição de carta precatória para a citação deste requerido.

Ocorre que foi realizada a o bloqueio e transferência da conta


deste requerido, sendo que o mesmo nem foi citado acerca desta ação, restando
ocorrido o bloqueio na conta onde o Postulante recebe seus proventos elencada a
seguir:
Banco: Banco do Brasil
Agência: XXXXXX
Conta Corrente: XXXXXX
Valor Bloqueado: R$ XXXX,xx (XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX).

Respectivo valor constrito é originário da remuneração do salário


do Postulante.
Diante disto, a conta em liça unicamente utilizada para esta
finalidade, pagamentos de despesas para manutenção de seu sustento e de sua
família, como podemos averiguar no extrato anexado. Ademais nem sequer foi
citado acerca desta ação.

Convém ainda informar que foi entabulado acordo entre o


requerente e a requerida, conforme páginas 69-70, e mais uma vez esclarece-se
que o requerido nem sequer foi citado e já teve sua conta bloqueada, de onde
provém sua verba para alimentação e despesas da família.

Dessa forma verificamos a nulidade absoluta de ato judicial


(ordem de constrição de bem impenhorável) pode ser arguido a qualquer tempo,
declarada de ofício, dispensando-se, inclusive, o aviamento de ação de embargos à
execução, além do que o requerido nem foi citado.

Neste aspecto, vejamos as lições da doutrina de José Cairo


Júnior:

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“Por ser instituto de direito público, a impenhorabilidade absoluta do
bem pode ser declarada de ofício e a qualquer tempo, não havendo
falar-se em preclusão. A impenhorabilidade também decorre da
inalienabilidade, pois o titular do direito respectivo não pode dispor do
bem. (CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito Processual do
Trabalho. 3ª Ed. Bahia: Jus Podivm, 2010. Pág. 749).”

Há flagrante ilegalidade no ato em vertente, razão qual oferta-se


a presente postulação. Importante destacar que o requerido não foi citado e que já
foi até entabulado acordo entre as partes.

O postulante utiliza-se da movimentação de sua conta bancária


para fazer pagamentos de suas despesas com sua família, tendo em vista que por
ela também recebe seu salário, não existindo outros meios que possam lançar mão
para prover o sustento de sua família.

Tal condução processual violou direito líquido e certo da


Postulante.

Com efeito, ao artigo 833 IV e X, do Novo Código de Processo


Civil qualifica como impenhoráveis os vencimentos, os subsídios, os soldos, os
salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios
e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e
destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador
autônomo e os honorários de profissional liberal, bem como ressalvado o § 2º, bem
como a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta)
salários-mínimos. A ordem jurídico positiva, neste azo, privilegiou a sobrevivência
pessoal em prejuízo de outros débitos.

O novo Código de Processo Civil assim aduz:


“Art. 833. São impenhoráveis:
(...)
IV – os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as
remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os

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pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por
liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua
família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de
profissional liberal, ressalvado o § 2º;
(...)
X – a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite
de 40 (quarenta) salários mínimos;”(grifo nosso)

A esse respeito, podem ser citados vários precedentes


jurisprudenciais do STJ:
"É possível a penhora 'on line' em conta corrente do devedor,
contanto que ressalvados valores oriundos de depósitos com
manifesto caráter alimentar." (REsp 904.774/DF, 4ª Turma, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, DJe de 16.11.2011)

"São impenhoráveis os valores depositados em conta destinada ao


recebimento de proventos de aposentadoria do devedor." (AgRg no
Ag 1.331.945/MG, 4ª Turma, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, DJe de
25.8.2011)

"Indevida a penhora sobre percentual da remuneração depositado em


conta-corrente, pena de violação do artigo 649, inciso IV, do Código
de Processo Civil." (AgRg no REsp 1.147.528/RO, 1ª Turma, Rel. Min.
Hamilton Carvalhido, DJe de 10.12.2010)

"Indevida penhora de percentual de depósitos em conta-corrente,


onde depositados os proventos da aposentadoria de servidor público
federal. A impenhorabilidade de vencimentos e aposentadorias é uma
das garantias asseguradas pelo art. 649, IV, do CPC." (AgRg no REsp
969.549/DF, 4ª Turma, Rel. Min. Aldir Passarinho Júnior, DJ de
19.11.2007, p. 243)
"É inadmissível a penhora parcial de valores depositados em conta-
corrente destinada ao recebimento de salário ou aposentadoria por
parte do devedor." (AgRg no REsp 1.023.015/DF, 3ª Turma, Rel. Min.
Massami Uyeda, DJe de 5.8.2008)

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Necessário frisar que o requerido nunca teve essa dívida e
apenas emprestou o cheque a outra requerida que já até realizou acordo com o
requerente.

O que parece ter acontecido no presente processo é um


absurdo, sendo certo de que nem sequer citado já teve sua conta bloqueada para
pagamento de suas despesas alimentares e de sua família.

Desta forma requer, liminarmente, apenas a liberação da sua


conta onde recebe seu salário, bem como o valor bloqueado, uma vez que o
requerido não possui outra fonte de renda, nem exerce outras atividades
remuneradas, que possa lhe garantir o sustento, tudo em observância ao princípio
da dignidade da pessoa humana, sendo certo que o requerente já teve sua
pretensão atendida quando do protocolo do acordo de fls. 69-70.

REQUERIMENTOS

Diante do que foi exposto, o Postulante pleiteia que Vossa


Excelência, liminarmente, anule o ato jurídico em espécie, de pronto invalidando o
ato de constrição do numerário constante em sua conta corrente, acima
especificada, liberando imediatamente o respectivo valor bloqueado de R$ xxx,XX
(xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx).
.

Termos em que, respeitosamente, pede deferimento.

XXXXXXXXXXXX (XX), xx DE xxxx DE xxx.

ADVOGADO
OAB/XX XX.XXX