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Capítulo 2

Eventos privados: o que, como e porque


estudar
hiinumucl y>itfury lourinlw
l UVA

idos os sistemas teóricos que se apresentam como propostas de Psicologia


ocupam-se da análise dos fenômenos subjetivos, ou, pelo menos, tentam justificar-se por
não fazê-lo. Há uma exigência neste sentido que não é gratuita. O campo da Psicologia
constitui-se a partir de uma valorização da experiência do indivíduo consigo mesmo, gera­
da em nível das práticas culturais, e responder a essa demanda torna-se indispensável. O
conceito de eventos privados ó o conceito básico com o qual o Behaviorismo Radical tenta
lidar com a problemática da subjetividade, ao mesmo tempo em que sustenta um projeto
de Psicologia como ciência do comportamento.
Para um behaviorista radical, sentimentos, pensamentos, ernoções e cognições
correspondem a fenômenos que podem e devem ser analisados com os conceitos de uma
ciência do comportamento. A tentativa de explicá-los como fenômenos comportamentais,
e não mentais, diferencia a abordagem behaviorista radical de outras versões de
behaviorismo (cf. Skinner, 1974). O Quadro 1, a seguir, descreve a posição de quatro
modalidades de behaviorismo (Watsoniano, Metodológico, Mediacional e Radical) e resu­
me as diferenças no que diz respeito ao tema dos eventos privados.

' Uma vorsào antorior dosto trabalho foi apresentada no VII Encontro da AssociaçAo Brasileira do Psicotorapia
o Medicina Cornportamental e no I Congresso Norte-Nordeste de Psicologia e publicada nos Anais do último.

Sobre comporl.imento v io tfiiií.’io 13


Quadro 1 - Os Behaviorisrnos e o Problema dos Eventos Subjetivos.

Behaviorismo Behaviorismo Behaviorismo Behaviorismo


de Watson Metodológico M ediacional Radical

Comportamento
Objeto de e Cognição/
estudos Comportamento Comportamento Comportamento
Variáveis
Intraorganísmicas

Natureza dos
fenômenos Mental Mental Mental Comportamental
"subjetivos"

Inclusão de
eventos
subjetivos no
Não Não Sim Sim
escopo de uma
ciência do
comportamento

Observa-se no Quadro 1 que diferentes projetos do constituição da Psicologia como


ciência do comportamento postulam a existência de fenômenos cuja natureza se diferen­
cia daquela dos fenômenos comportamentais - são behaviorisrnos que veiculam uma
visão mentalista acerca de eventos subjetivos; isto vale, em alguma medida, para o
behaviorismo do Watson, o behaviorismo metodológico e o behaviorismo mediacional.
Destes, apenas o behaviorismo mediacional estará de fato interessado na subjetividade;
entretanto, o mentafismo veiculado em suas teorias favorecerá mais o desenvolvimento de
psicologias cognitivistas do que o estabelecimento da Psicologia como ciência do com ­
portamento. A originalidade da análise behaviorista radical consiste, portanto, em incluir
os fenômenos subjetivos no campo de uma ciência do comportamento sem transitar para
uma concepção mentalista acerca do comportamento humano. Isso só é possível quando
se passa a interpretar sentimentos e pensamentos como fenômenos propriamente
comportamentais, isto é, corno fenômenos que se caracterizam por uma relação do indi­
víduo com seu ambiente, especialmente seu ambiente social.

1. O Conceito de Comportamento

A definição de comportamento como relaçáo é central para a interpretação behaviorista


radical. Ela indica que referências a eventos isolados, como descrições topográficas de
uma resposta ou descrições físicas de uma condição ambiental, não são descrições
comportamentais plenas. Não há uma descrição comportamental quando se fala de uma
dor em termos de um nervo inflamado, ou de uma contração muscular (cf. Skinner, 1963/
1969; Tourinho, Teixeira e Maciel, 1998). Também não se tem uma descrição comportamental
quando se afirma simplesmente que um indivíduo pensou sobre algo. O nervo inflamado, a
contração muscular e o pensar do indivíduo podem ser considerados numa análise
comportamental, mas enquanto elementos de relações. No caso do comportamento

14 I mmiuh-l /. if liir y io u rm lio


operante, a relação tem pelo menos três termos: um estímulo discriminativo, uma respos­
ta e um estímulo reforçador. Portanto, falar daqueles eventos como constitutivos de um
fenômeno comportarnental operante corresponde a localizá-los numa relação do tipo
S[)--------> R --------> Sn.
A definição de comportamento como relação ainda não ó tudo. Na proposta original
de Skinner, a uma ciência do comportamento cabe o estudo de relações do organismo
como um todo, com eventos que lhe são externos. Quando se afirma, por exemplo, que
"João foi ao Congresso porque pensou que seria importante", tem-se uma relação, mas
uma relação insuficiente como descrição ou explicação do comportamento. O com porta­
mento de João não terá sido explicado enquanto não for analisado o ambiente à sua volta;
enquanto não forem identificados os eventos ambientais aos quais a resposta está relaci­
onada, eventos que a produzem e a mantém. O quadro seguinte resume este ponto de
vista a partir de outros exemplos.

Quadro 2 - Diferentes tipos de descrição do comportamento.

Descrição Referência Explicação

Marina telefona para sua tia. Indicação Topográfica Nenhuma

Versão Internalista de
Marina telefona para sua tia
Indicação de Relação causação do
porque sente muita saudade dela.
comportamento.

Quando nào tem companhia para


Versão Externalista de
brincar, Marina telefona para sua tia Indicação de Relação causação do
e esta a leva para brincar em sua
comportamento.
casa.

Nas três "descrições", tem-se uma referência a algo que Marina fez (ligar para sua
tia). A primeira descrição é meramente uma indicação topográfica do comportamento. Na
segunda, uma relação é indicada, mas trata-se de uma relação de caráter internalista. Na
terceira descrição, a resposta de telefonar aparece relacionada a eventos do ambiente de
Marina. Apenas nesta última, portanto, tem-se uma descrição comportarnental, na medi­
da em que apenas aqui é indicada uma relação do organismo com um conjunto de eventos
que lhe são externos.
Pode-se então dizer que, ao adotar o comportamento como objeto de estudos, a
análise do comportamento trabalha com um recorte que é externalista e relacionai; e, ao
analisar sentimentos e pensamentos, seu desafio será exatamente o de dar conta destes
fenômenos preservando aquele recorte.

2. Estímulos e Comportamentos Privados

Os problemas da subjetividade são abordados na análise do comportamento com o


conceito de “eventos privados". Eventos privados podem ser definidos como estímulos e
respostas que ocorrem sob a pele do indivíduo (cf. Skinner, 1945; 1953/1965; 1963/1969;

Sobrecomportamento ecorȒ(i1o 15
1974). Enquanto estímulos e respostas, os eventos privados devem ser vistos como
constitutivos de relações. Nenhuma condição privada é, em si mesma, um estímulo, as­
sim como nenhuma ação do organismo é suficiente para se falar de comportamento priva­
do. Um evento qualquer, por exemplo, uma contração muscular, não é um estímulo até
que seja parte de uma relação. Assim também, a descrição de uma resposta verbal enco­
berta não será suficiente antes que se indiquem as relações dessa resposta com estím u­
los controladores.
A expressão "sob a pele" pode ser traduzida de diferentes modos. Nos textos de
Skinner e de outros analistas do comportamento, ora a expressão significa interno ora
significa inacessível à observação pública. Quando se fala de privado como interno, a
intenção é enfatizar as circunstâncias nas quais eventos do próprio organismo afetam seu
comportamento subseqüente. Quando se fala do privado como inacessível á observação
pública, pretende-se enfatizar que um aspecto especial daquele tipo de ocorrôncia é a
impossibilidade de ser observado de modo direto por outros indivíduos.
A definição de privado como interno e como inacessível à observação é um tanto
problemática e tem propiciado críticas a respeito (cf. Ribes, 1982; Hayes, 1994). Para
entender o que há de errado com a definição, considere-se primeiro o caso dos estímulos
privados. Pode-se apontar que a categoria "interno" não coincide precisamente com a
categoria "inacessível à observação". Por exemplo, quando um indivíduo descreve um
evento passado, aquele evento é um estímulo que controla parcialmente sua descrição o
não está acessível à observação pública direta. O evento tem uma natureza pública, nao
está no interior de ninguém, e assim mesmo não está acessível, neste momento, à obser­
vação. Um caso oposto é o de um nervo dentário inflamado, que é um evento interno a um
indivíduo, pode ser um estímulo para uma resposta de dizer "Estou com dor", mas, em
muitas circunstâncias, pode estar acessível à observação pública direta (ainda que afete
o público de modo diferente daquele como afeta o próprio sujeito). Resumindo, nem tudo
o que é inacessível a uma observação pública é interno; nem tudo o que é interno é
inacessível à observação pública direta (cf. Tourinho, 1997a; 1997b).
No caso dos com portam entos privados, pode-se apontar que a noção de
inacessibilidade à observação é aceitável, mas a caracterização como interno não faria
sentido. Uma vez que qualquer comportamento é o comportamento de um organismo
corno um todo, não cabe categorizá-lo como interno ou externo ao organismo. Se o con­
ceito de interno não for empregado, se se passar a falar do comportamento privado apenas
como comportamento inacessível à observação, o problema também não terá sido resol­
vido, pois estará incluído na categoria um conjunto de comportamentos que são inacessí­
veis à observação pública direta, mas pouco ou nada têm a ver com a privacidade. Por
exemplo, o comportamento de digitar a senha bancária no interior de um caixa eletrônico
pode ser inacessível à observação pública direta, mas nem por isso tom alguma relação
com o tema dos eventos privados.
Os comportamentos privados são freqüentemente designados de comportamentos
encobertos. A expressão sugere novamente a inacessibilidade à observação pública e,
portanto, não seria suficiente para equacionar a dificuldade citada anteriormente. Uma
alternativa seria apontar que o conceito de comportamento privado diz respeito a compor­
tamentos que afetam o próprio indivíduo e que, por envolverem de modo muito restrito seu
aparelho motor, raramente podem também afetar de modo direto outros organismos (ver, a
propósito, a análise de Hayes, 1994, sobre o modo como Kantor lida com o problema).
Se não há coincidência entre interioridade e inacessibilidade, por que estas duas

16 I m m inicl Z .itfury Tourinho


categorias são sistematicamente associadas na definição e na análise dos eventos priva­
dos? Uma possível resposta é a de que o uso isolado de uma delas não seria suficiente
para delimitar o conjunto de problemas que estão sendo discutidos sob o conceito de
ovcntos privados. Ou seja, falar do privado como inacessível à obsorvaçáo ó insuficiente
porque se está interessado em apenas alguns dos eventos que são inacessíveis â obsor­
vaçáo. E falar cio privado como interno é insuficiente porque não interessa apenas a loca­
lização do evento, mas as circunstâncias nas quais esta localização dá origem a um
conjunto de problemas, na instalação de certas respostas discriminativas.
Duas lições podem ser tiradas das dificuldades encontradas nas definições de
estímulos e comportamentos privados. A primeira é a de que esses conceitos são propos­
tos para a interpretação dos fenômenos usualmente designados como subjetivos; isto é,
o que se pretende com estes conceitos é interpretar problemas como sentimentos e
pensamentos. Se é possível, então, falar de inacessível, de interno e de encoberto para
analisar outros fenômenos, não é lidando com estes outros fenômenos que se estará
dando conta dos problemas originalmente endereçados por aqueles conceitos. A segunda
liçao ó a do que as dificuldades citadas são resultantes de uma insuficiência do aparato
conceituai existente na análise do comportamento para abarcar a diversidade e a com ple­
xidade dos chamados fenômenos subjetivos. O projeto de interpretá-los de uma perspec­
tiva comportamental, antimentalista está ainda a exigir um trabalho conceituai e empírico
extenso, para o qual o esforço de muitos analistas do comportamento será requerido.
Talvez se possa dizer que a elaboração com a qual se conta hoje é suficiente para argu­
mentar que é equivocada ou inconsistente a acusação de que o Behaviorismo Radical
ignora a vida privada dos indivíduos. Com os conceitos hoje disponíveis, pode-se indicar
quais os aspectos fundamentais da interpretação behaviorísta radical e apontar o que eles
representam em termos de uma crítica a crenças antigas sobre a natureza e o alcance da
experiência subjetiva. Essa elaboração não representa ainda uma resposta a todos os
problemas que podem ser levantados neste campo; ela é apenas um primeiro passo na
direção cie uma delimitação do que deve ser observado na mvestigaçao cia privacidade.

3. Eventos privados e eventos fisiológicos

Se os eventos privados são eventos constitutivos de relações cornportamentais,


eles nao se confundem com as condições corporais de um indivíduo. Por exemplo, quan­
do se fala da ansiedade de alguém como evento comportamental, a referência nao é a
uma alteração em sou batimento cardíaco ou em qualquer outra condição corporal, mas a
um processo que envolve uma classe de respostas sob controle discrimmativo de um
conjunto de estímulos.
Para a análise do comportamento, a história ambiental de um organismo, incluída
ai a filogênese e a ontogênese, é responsável por pelo menos dois produtos: suas condi­
ções anátomo-fisiológicas e um repertório comportamental, correspondente a probabilida­
des de respostas. Como os dois produtos são paralelos, não se confundem, nom são
causa um do outro. Um não se explica pela referência ao outro, mas apenas pela referên­
cia â história ambiental. Por exemplo, se um aluno é submetido a contingências aversivas
dispostas polo professor em sala de aula, pode-se supor que, como resultado, haverá uma
alteraçao corporal o uma alteração em sua probabilidade de resposta. O aluno pode até vir
a discriminar a condição corporal e denominá-la de tensão ou medo (adiante, esta possi­

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bilidade será rnelhor explicada). Entretanto, seu comportamento de esquiva nao se expli­
ca pela tensão, mas pela exposição às contingências aversivas. A tensão enquanto con­
dição corporal e a esquiva como comportamento sáo ambas produtos da exposição às
contingências aversivas.
A distinção dos produtos comportamentais diante dos produtos anátom o-lisiolóyi-
cos da história ambiental faz-se necessária quando se discutem os eventos privados
porque é muito comum o leigo identificar sentimentos em geral com condições corporais
especificas, especialmente aquelas que envolvem eventos neurofisiológicos. Um analista
do comportamento reconhece que todo evento comportarnental tem uma base fisiológica,
afinal, ó um organismo que está se comportando, mas exatamente ao reconhecer isso
está apontando tratar-se de eventos distintos (ver, a propósito, a análise de Skinner -
1963/1969; 1971 - para o fenômeno da percepção).
Atualmente, tem sido mais importante atentar para a diferença entre componentes
comportamentais e componentes biológicos dos problemas humanos porque a cultura
o cidental tem a ssistido a iniciativa s que tendem a d issim u la r os co m po n e ntes
comportamentais e sobrevalonzar os componentes biológicos. Isso ocorre, por exemplo,
quando se reduz a análise de comportamentos ditos de "ansiedade" a componentos fisio­
lógicos, e ignoram-se ou dissimulam-se as contingências de reforçamento que produzi­
ram tanto a alteração fisiológica quanto os repertórios de "ansiedade". Manipulando o
componente fisiológico, pode-se até criar restrições ao organismo, mas nao se terá en­
frentado propriamente o problema comportarnental. Portanto, quando se quiser tratar da
ansiedade como um evento privado, de uma perspectiva analitico-comportamental, o objeto
não será o conjunto de alterações fisiológicas do indivíduo, mas a relaçao de certos reper­
tórios com um ambiente social. As alterações fisiológicas poderão até ter alguma relevân­
cia ao analisar-se aquela relação, mas não se confundem com a ansiedade enquanto
fenômeno comportarnental e, como ressaltado anteriormente, não são a causa do com ­
portamento.

4. Eventos privados e linguagem

Quando se assinala que uma condição corporal pode ter relevância na análise de
um fenômeno comportarnental que envolve eventos privados, isto significa que ela pode
participar do controle de uma resposta, isto é, ela pode ser um estímulo privado, como
explicado anteriormente; neste caso, a condição corporal seria um estímulo interno e
inacessível à observação pública direta, que participaria do controle discriminativo do uma
resposta.
Ao tratar desta possibilidade, Skinner destaca a importância da linguagem, Basica­
mente, seu argumento é o de que apenas quando o indivíduo interage com contingências
dispostas pela comunidade verbal pode aprender a responder sob controle de condiçoes
corporais. Apenas quando ele vive numa sociedade na qual ó frequentemente indagado
sobre o que sente é que adquire comportamentos descritivos de sentimentos. Isso eqüiva­
le a üizer que o indivíduo è dependente da sociedade para conhecer a si mesmo. A depen­
dência resulta da impossibilidade de o próprio indivíduo reforçar diferencialmente suas
respostas discriminativas (Skinner, 1945).
Como a comunidade observa apenas eventos públicos ao reforçar diferencialmente
as respostas autodescritivas de um sujeito, não se pode dizer que a resposta ficou sob

18 I mmmid /.i^uiy Unmnlio


controle do uma condição interna precisa. Por exemplo, um indivíduo aprende a descrever-
se como "cansado" a partir de contingências dispostas pela comunidade verbal. Essas
contingências envolvem o reforçamento da resposta verbal "estou cansado" quando a co­
munidade observa alguns com portam entos públicos. A resposta "ostou cansado"
corresponderá a uma condição interna apenas se essa condição estiver consistentemen
te associada àqueles comportamentos públicos que orientaram a açao da comunidade.
Por isso, quando um sujeito diz "ostou cansado", sua condição interna pode ser bastante
diferente da condição interna de um outro sujeito que se diz "cansado". O que importa e
que a condição interna de cada um está de algum modo associada com padroos de
comportamento a partir dos quais todos atribuem cansaço a alguém.
Portanto, quando uma resposta é controlada discnmmattvamento por um estímulo
privado, isso nao significa que se está diante de um comportamento que pode ser explica­
do apenas pela mdicaçao de eventos internos ao indivíduo. Em poucas palavras, nenhuma
condição corporal tem autonomia para controlar discriminativamente uma rosposta (cl.
Tourinho, 1997b).

5. Por que estudar eventos privados?

Embora falas sobre sentimentos e pensamentos nao sejam precisamente descri­


ções de eventos internos ou inacessíveis à observaçao publica, continua valido o interesso
pelo estudo dos eventos privados e polo menos três fortes motivos para isso podem sei
enumerados.
O primeiro motivo é a própria relevância do tema para a definição do campo da
psicologia. Uma análise de fatores históricos pode auxiliar na compreensão das contin­
gências culturais que favorecem discursos e práticas relacionadas a sentimentos e pen­
samentos. A cultura ocidental, em particular, produz indivíduos “introspectivos", ensina-os
a falar de seus sentimentos como causas de seus comportamentos e a comportar-se
discrimmativamente sob controle destas falas. Uma ciência do comportamento pode dis­
cordar da concepção de homem ai veiculada, mas nao podo ignorar que as relações ai
produzidas sao fenômenos comportamentais relevantes.
Uma voz que os repertórios autodescritivos se tornam tao importantes na cultura
ocidental, ha um motivo adicional para o interesse pelo estudo dos eventos privados.
Muitas vezes, as autodescriçoes estao parcialmente sob controle de eventos privados;
quando isso ocorre, uma análise funcional pode indicar os modos particulares com que os
indivíduos interagem com suas alterações corporais e como nesta interação vai se definin­
do sua privacidado. O componente privado torna-se, neste caso, relevante para a com pre­
ensão da autodescrição, do ponto de vista de sua gênese o de suas lunçoes.
Por último, também como funçao das práticas culturais, algumas situações
contemporaneamente privilegiadas de aplicação da análise do comportamento sao situa­
ções nas quais a demanda é por um tipo de intervenção que nao pode prescindir da
análise dos eventos privados. O caso típico é o do atendimento clinico (cf. SanfAnna,
1994), mas essa demanda pode ter um alcance maior, por exemplo envolvendo a interven­
ção no campo educacional.
Considerando que estas sejarn razoes relevantes para o estudo dos eventos priva­
dos, cabe à análise do comportamento encontrar modos de responder as demandas pro­
duzidas pela cultura sem reproduzir o mentalismo que lhe c característico. Mais do que

Soliu1iom|>oil.iimnlo r u>v’mv.io 19
isso, a analise do comportamento pode tentar ao mesmo tempo reconhecer a legitimidade
daquelas demandas e promover práticas culturais que favoreçam com maior eficácia a
solução dos problemas humanos e a sobrevivência da cultura.

6. O estudo de eventos privados

Se os eventos privados sao de fato importantes para uma ciência do com portamen­
to, como torná-los objeto de estudos? Num conjunto de textos que discutem o artigo
publicado por Skinner em 1945 (Skinner, 1945), vários autores (cl. Catania 8. Harnard,
1984) apontaram que o esforço interpretativo de Skinner não havia sido correspondido com
pesquisa empírica que permitisse um avanço no tratamento daqueles fenômenos Ainda
hoje, há pouca literatura sobre eventos privados nos periódicos da análise do com porta­
mento. Portanto, não há modelos "consagrados" de investigação, com os quais uma co­
munidade ampla esteja pesquisando o assunto (cf. Anderson, Hawkms & Scotti, 1997).
Variedade o dispersão caracterizam melhor tudo o que podo ser encontrado em
termos de pesquisa sobre eventos privados. Na impossibilidade de cobrir adequadamente
esse campo, procurar-se-á resumir o que vem fazendo o grupo de pesquisa que tem se
dedicado ao tema, no Curso de Mestrado em Psicologia da Universidade Federal do Pará
Parte-se do princípio de que os métodos da análise do comportamento envolvem,
pelo menos, observação, experimentaçao e mterpretaçao. Portanto, nao ha uma limitaçao
a estudos experimentais. Também considera-se que as fronteiras entre o behaviorismo
radical como filosofia, a análise do comportamento como ciência, e a análise aplicada do
comportamento como tecnologia, podem ser muito imprecisas quando se está lidando
com uma problemática cuja formulaçao é ainda precária. Desse modo, o grupo tem procu­
rado estudar eventos privados integrando trabalhos que serão aqui designados de: (a)
análises teórico-conccituais; (b) modelos interpretativos na terapia comportamental; e (c)
estudos descritivos ou experimentais. Os três tipos de estudo estão representados na
Figura 1, a seguir, de modo a indicar que cada um pode se situar num vérlice específico ou
num ponto intermediário qualquer entre dois ou três vértices.

Figura 1 - Estudos que abordam a temática dos eventos privados.

Análises teórico-conceituais

Modelos mtorpretativos na Estudos descritivos/


terapia comportamental experimentais

As análises teórico-conceituais consistem de estudos que tentam circunscrever o


estagio atual de elaboraçao do tema dos eventos privados na análise do comportamento,
identificando lacunas ou inconsistências desta elaboração, derivando conseqüências para
a interpretação de fenômenos correlatos, e propondo definições conceituais mais preci­
sas ou consistentes. Como exemplo deste tipo de trabalho, tem-se uma análise do pró­
prio conceito de evento privado (Tourinho, 1997a), uma revisão do conceito de ambiente
interno (Tourinho, 1997b) e uma discussão das fronteiras entre fisiologia e análise do
comportamento no tratamento dos eventos privados (Tourinho, Teixeira & Maciel, 1998).
Em alguns casos, as análises teórico-conceituais exigem a interlocução com outros auto­
res ou escolas de pensamento, com o intuito de buscar, nesta interlocução, elementos
para uma reflexão mais aprofundada sobre os supostos analítico-comportamentais.
Mais próximos do vértice dos modelos interpretativos na terapia comportarnental há
estudos que visam demarcar o alcance de sistemas que orientam teoricamente a interven­
ção clínica de terapeutas comportamentais e sua compatibilidade com princípios da aná­
lise do comportamento, particularmente aqueles relacionados à temática dos eventos
privados. Como exemplo, há os trabalhos de Cavalcante (1997; 1998) sobre a interpreta­
ção comportarnental para a depressão e sobre sistemas de classificação e diagnósticos
na atividade clínica e o trabalho de Costa & Tourinho (1998) sobre o conceito de crenças
em diferentes versões de behaviorismo e na terapia cognitivo-comportamental.
Os estudos descritivos ou experimentais constituem uma tentativa de investigação
empírica de problemas que envolvem eventos privados. Como exemplo, há o trabalho de
Santos (1998) sobre comportamentos precorrentes em situações de resolução de proble­
mas. A pesquisa foi originada de uma preocupação com o tema do pensamento enquanto
comportamento encoberto, e investigou o efeito de diferentes arranjos de contingências na
produção dos chamados comportamentos “preliminares". Este tipo de estudo poderia ser
situado entre o vértice das análises teórico-conceituais e o dos estudos descritivos ou
experimentais. Um outro exemplo estaria situado entre os vértices de modelos interpretativos
na terapia comportarnental e estudos descritivos ou experimentais. Trata-se dos trabalhos
de Martins & Tourinho (1998) e Medeiros, Tourinho & Teixeira (1999), que visam descrever
e analisar falas sobre eventos privados de terapeuta e cliente, em situação de atendimento
clínico comportarnental.
Os trabalhos descritos abordam relações que envolvem estímulos ou com porta­
mentos encobertos, ou modelos para a análise destas relações. Em algumas circunstân­
cias, podem estar considerando relações que não envolvem eventos propriamente priva­
dos, mas respostas verbais que são usualmente consideradas descritivas de eventos
desta natureza. Isso ocorre porque nem sempre falas sobre pensamentos ou sentimentos
correspondem a fenômenos que envolvem eventos internos ou inacessíveis. Nesse caso,
continua-se com a problemática dos eventos privados, mas apontando constrangimentos
verbais para a possibilidade de sua caracterização como eventos internos ou inacessíveis.
Nos trabalhos citados, os estudos teóricos ou interpretativos ocupam um lugar
mais central, e de certo modo orientam os contatos com a área aplicada e com a investi­
gação empírica. Esse viés, porém, é decorrente da formação dos pesquisadores envolvi­
dos.
Para ilustrar a diversidade da área, cumpro citar pelo menos dois tipos diferentes de
pesquisa que abarcam a problemática dos eventos privados. O primeiro é na área de
equivalência de estímulos, Há pesquisas que investigam a participação de estímulos
interoceptivos ou proprioceptivos em classes de estímulos equivalentes (também com ­
postas por estímulos exteroceptivos). Trata-se de trabalhos basicamente experimentais,
que podem esclarecer em alguma medida como eventos internos podem vir a controlar

Sol>re comportamento i* cotfniç.lo 21


discriminativamente certas respostas públicas (cf. DeGrandpre, Bickel & Higgins, 1992).
Um outro exemplo, particularmente interessante por trazer inúmeras contribuições
tanto para área aplicada quanto para a área mais propriamente conceituai, é a pesquisa
desenvolvida por Malerbi (Malerbi, 1997; Malerbi e Matos, 1998) com pacientes diabéti­
cos. O trabalho consiste no uso de um procedimento de treino para discriminação de
variações nas taxas de glicemia dos sujeitos. Através da manipulação de contingências,
a experimentadora obtém discriminações razoáveis daquela condição corporal interna.
Seus dados evidenciam tanto a possibilidade daquelas discriminações quanto os limites
dentro dos quais isso é possível.

7. Análise do comportamento e eventos privados

A análise do comportamento pode avançar no estudo de eventos privados a partir


da interlocução com sistemas teóricos diversos. Muitas são as críticas dirigidas à inter­
pretação skinneriana do comportamento humano em geral e dos eventos privados em
particular. Em muitos casos, trata-se de críticas infundadas, originadas de uma com pre­
ensão equivocada da obra de Skinner. A simples desqualificação de toda crítica, porém,
só pode privar do aproveitamento do que algumas delas tiverem de positivo. Mais proveito­
so seria identificar quais interlocutores, dentre os inúmeros críticos, podem potencialmen­
te contribuir para uma elaboração coerente com os princípios behavioristas radicais.
Partindo da noção de comportamento citada no início do texto, considera-se razo­
ável definir como critério para a seleção de interlocutores a adoção de uma concepção
externalista e relacionai acerca do comportamento humano. Os interlocutores privilegia­
dos para o analista do comportamento seriam aqueles que, assumindo o comportamento
como objeto de estudo, enfrentam o tema dos eventos subjetivos sem transitar para qual­
quer tipo de internalismo.
Já foi apontado que o Behaviorismo de Watson, o Behaviorismo M etodológico e o
Behaviorismo Mediacional não cumprem aqueles requisitos. Afinal, o Behaviorismo Radi­
cal se apresenta freqüentemente pelo contraste com aquelas modalidades de behaviorismo,
especialmente no tema da privacidade. Entretanto, aquelas não são as únicas m odalida­
des de behaviorismo às quais o analista do comportamento pode se dirigir. Há outros
behaviorisrnos contemporaneamente vivos, com os quais um diálogo produtivo poderia ser
estabelecido.
O Behaviorismo Molar (ou teleológico) de Howard Rachlin e o interbehaviorismo de
Kantor ilustram essa possibilidade. Não há espaço, aqui, para uma discussão dessas
teorias, mas cabe citar que são modalidades de behaviorismo que dirigem ao behaviorismo
skinneriano críticas muito interessantes, na medida em que preservam o externalismo
anteriormente citado (cf. Baum, 1994, cap.3; Hayes, 1994; Kantor, 1981; Rachlin, 1992;
Rachlin, 1995). Na impossibilidade de discutir as contribuições que podem ser derivadas
deste confronto, cumpre citar apenas uma questão formulada por autores vinculados àquelas
tradições: se o conceito de comportamento envolve a relação do organismo como um todo
com eventos à sua volta, que sentido há em se falar de estímulos e respostas privados
como eventos que dizem respeito a partes do organismo e não ao organismo como um
todo?
Ainda que se discorde de alguns supostos a partir dos quais a questão é formulada,
ela conduz, no mínimo, à elaboração de uma resposta mais consistente para a noção de

22 I rnmnurl Z.iflury Tourinho


ambiente interno e de estímulos privados. Se o conceito de estímulo privado favorece a
compreensão da valorização bisfór/ca de certos componentes biológicos de fenômenos
comportamentais, elo também exige um tratamento sofisticado para que nao represente
apenas uma versão original daquela valorização.

8. Considerações finais

Sintetizando o que foi abordado até aqui, pode-se dizer que um quadro razoável do
tratamento behaviorista radical para o tema dos eventos privados envolve as seguintes
proposições;

1) As emoções enquanto problemas "psicológicos" dizem respeito às relações sociais -


relações do organismo inteiro com o meio social. A inclusão de sentimentos e pensa­
mentos no campo de uma ciência do comportamento nào representa nem a adoção de
um mentalismo, nem um reducionismo dos fenômenos comportamentais a fenômenos
fisiológicos. A unidade de análise continua sendo o comportamento compreendido
como relação do organismo com variáveis que lhe são externas.
2) A referência a estímulos internos cumpre apenas a função de reconhecer que algumas
respostas podem fifcar parcial e circunstancialmente sob controle de uma condiçào
corporal A investigação de como essa possibilidade se efetiva possibilita uma melhor
compreensão da auto-observação, ao mesmo tempo em que explicita por que uma
condição estritam ente pessoal e interna não pode autonom am ente controlar
discriminativarnente uma resposta verbal.
3) A proposta externalista de análise do com portam ento afasta tanto explicações
rnentalistas quanto explicações baseadas num apelo à (neuro)fisiologia do organismo.
O desenvolvimento das neurociências pode contribuir para uma compreensão do fenô­
meno comportarnental, na medida em que esclareça a base biológica das relações
ambiente/comportamento; entretanto, explicações fisiológicas não substituem expli­
cações comportamentais. A Fisiologia é parte do organismo cujo comportamento deve
ser explicado.
4) Outras modalidades do behaviorismo podem contribuir para o desenvolvimento do pro-
|eto externalista do Behaviorismo Radical. Sobretudo no tema dos eventos privados, o
diálogo com outras tradições de pensamento comportarnental pode ser útil, tanto para
a identificação de limitações quanto para sugerir alternativas consistentes de análise.

Os diferentes aspectos da interpretação behaviorista radical aqui examinados não


compõem um quadro completo e suficiente para a análise dos eventos privados. Isso se
deve parcialmente ao fato de que o terna ó realmente difícil e a elaboração behaviorista
radical nào é algo terminado. A interpretação apresentada contém, por outro lado, as
possibilidades de uma crítica consistente ao individualismo psicológico, salientando o
caráter social da gênese, configuração e regulação da experiência privada ou subjetiva
cotidiana. A noção do que a subjetividade diz respeito a algo essencialmente interior o
possoal do indivíduo, conferindo-lhe autonomia diante da realidade, nào encontra nenhum
suporte no Behaviorismo Radical. Ao contrário, uma de suas contribuições para a crítica
da cultura ocidental moderna é precisamente a denúncia do caráter ilusório daquela visão
de homem.

V>1>h* compúit.im rnlu o a»tfnií<io 23


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