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N.Chlm. 238.

2 P221 1982
.Titulo: Plra conhaca, a viva, l. verdades da fe

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PELA PRESENçA
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teoria marxista no pais do socialismo "real". a
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sino C;~If.)'(Juè t:j(:o, inocu la-se
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(\él''Ol il l;J dos :fhocentes o fer , riso O Autor demonstra a dìstancia entre mìto
i1 crltc ci:l ~jissol uç dÒ relatt " futuro" As f6rmu las Que encontra pa ra expli­ >l
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v'j:-, fa > Jd ' luçào IdeolOgica, as verdadelras leis que esta·,
na Propa-ga sÉ' o cetlClsrn o tar a irnpossibi lidade de urna econom ìa que se
'eli gioso, pitahsmo . , O ensaio torna-se leìtura obriga­
so
" Ao que nos cumpre
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~If pl ee rld erern e ai dos res­
e
ompreender o comunismo pratico, seus éxi tos
ença l Un8.

)onsaveis bìspos ou pais.


lue deliberadamente con­ - Ha ns Pfe.1

lentem nesta obra de ini quj" r maçJ o da cultl! ra geral de cada Intelectual

lJdf:! . Mefhor f()ra que se


h ::.. ,;J!asse u rna pedra ao
02 filosofia, d d cì encla das letras ou da

ullo que fo i pensado de modo 16gico eque


Para conhecer

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~dla nte razOes demonstratlvas deveria ser •
Alfredo Lage
~p!es e insofi srnaveL por isso, nào é neces­
t i,Ics6flC3 prev1ò para ler com pro'~eito as con­
e viver

sIa Slfì IpleS Cì1ente a a tenç5 0 e o empen ho do


"A ,e::usa de ser, 1971.
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, -: A cap'a 'deste livro foi desenhada pelo monge beneditino Irmao •
Paulo Lachenmayer, sendo o seguinte o seu simbolismo:
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e V1ver
As tres virtudes teologais - base da vida crista - sao repre­
!
as verdades da Fé
I

sentadas pela cruz (a Fé), a ancora (a Esperança) e o coraçao flame­


jante (a Caridade). No coraçao esta a imagem de Nossa Senhora,
Mae de Cristo e Mae da Igreja. A Igreja é simbolizada pela arca de
Noé. O raio e a chuva significam o diluvio, e também a tempestade
l
l
que desaba sobre os tempos de hoje, enquanto a barca da Igreja vai
singrando as aguas tormentosas, ameaçada de naufragio mas prosse­ i
guindo impavidamente na sua rota até ao fim dos tempos, com a ga­
rantia de que as portas do inferno nao prevalecerao contra eIa
(Mt 16,18). Breve Catecismo Expositivo
A imagem de Maria reproduz a Panaguia Parthf'DOS, um dos
mais antigos e insignes monumentos do culto à augusta Mae de Deus.
Seu origina1 foi dadiva da irnperatriz Pulquéria a urna igreja de Cons­
tantinopla (450-453). Varias reproduç6es se encontram com frequen­ Compilado por '
eia na Russia e na Grécia, inclusive em moeda bizantina.
José Pedro Galvao de Sousa
Prefacio de D. Octavio Nicolas Derisi

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Biblioteca CentraI

Para conhecer e viver as verdades da fé : breve

Ac. 225771 - R. 690179 Ex. 1

Doaçao - Pastorai Universitaria ***

12/09/2002

l. a ediçao, maio 1982

2. a ediçao, outubro 1982

Ao prezado amigo.
Prof. Dr. J osé Pedro Galvao de Sousa,
Copyright © Presença Ediçoes
com muita alegria e esperança, o

IMPRIMATUR

-de seu Iivro

"Para conhecer e viver as verdades da Fé"

An apolis , 31 de maio de 1980.


Festa da Visitaçao de N. Sra.

PRESENçA EDlçOES
-----r--!
7~ ~~CU-<
Rua do Catete, 204 --grupo302 -Telefone225-194i'
22220 Rio de Janei ro - RJ - Brasil
(D. ManoeI Pestana Fdho)
Impresso no Brasil
1 982
~ '''''''''''W:'''~' ~..~

Dedico especialmente aos meus filhos e aos meus afilhados es­


te volume, em que procurei concatenar as verdades sempre ensinadas
pela Igreja, no transmitir aos homens de todos os tempos o deposito
da Revelaçao, que lhe foi confiado pelo seu Divino Fundador e do
qual eIa é guarda e intérprete infallvel. Fugindo a novidades adulte­
radoras da sa doutrina e a certos métodos cujo efeito é diluir a Fé
- consoante o observou a escritora converti da ao Catolicismo Ca­
rol J ackson Robinson, em seu trabalho Dissolving Faith in ActioD - ,
procurei ater-me às f6rmulas de adminlvel precisao teologica dos Ca­
tecismos tradicionais, principalmente o do Concilio Tridentino e o
de Sao Pio X. Reproduzindo-as sistematizadamente ao longo destas
paginas, penso ter cumprido a recomendaçao de Sua Santidade Joao
Paulo II, na Exortaçao Apost6lica Catechesi tradendae, ao insistir
sobre a "necessidade de um ensino cristao organico e sistematico", e
também seguido as diretrizes traçadas no Diret6rio Catequético da
Sagrada Congregaçao . para o Clero.

A quantos, solicitados, examinaram os ongmais, apresentando


observaç6es e sugest6es, aqui deixo os meus agradecimentos, parti..
cularmente ao prezadfssimo mestre e amigo Dom Octavio Nicolas
Derisi, que se dignou de prefaciar o volume.

Filialmente deponho este trabalho aos pés da Imaculada Vir­


gem Maria, Sede da Sabedoria e Mae do Bom Conselho, entregando-o
à sua poderosa intercessao e tendo em vista as palavras do Apostolo
das Gentes: "Eu piante i, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer.
Assim, pois, aquele que pIanta nada é; aquele que rega, nada é; mas
Deus, que da o crescimento" (ICor 3,6-7).
SUMARIO
"A desordem invade hoje a Cristandade e nao ha de cessar se­
nao quando a Dogmatica tiver recuperado o primado natural sobre
a pratica." Il

Étienne Gilson Prefacio de Dom Octavio Nicolas Derisi .................. .


1. o estudo da religiao ..............................• 13

2. Div,isao ............... ......................... . 14

3. Sete verdades fundamentais ........................ . 14

.'~A vida e a pratica religiosas nao se reduzem a uma questao de 4. Existencia e Natureza de Deus ...................... . 15

ciencia, mas ·de fé e de piedade. A liturgia e o catecismo tem por fim 5. Natureza do homem .............................. . 17

assegurar o contato entre o crente e a realidade espiritual que é o oh­ 6. Religiao ......................................... . 18

jeto .de sua religiao." 18

7. Revelaçao ....................................... .
8. O pecado ....................................... . 20

. Domesmo autor (ambos os excertos sao do livro Les tribulations 9. Jesus Cristo ..................................... . 20

de Sophie). lO. A Igreja ......................................... . 21

Il. A nossa vida na Igreja ........................... .. . 23

12. Pentecostes ...................................... . 24

13. Os mistérios principais da nossa Fé e o Sinal-da-Cruz ... . 24

14. NovIssimos do homem ............................ . 26

15. O SImbolo dos Apostolos .......................... . 27

\ 16. tA oraçao ........................................ . 28

17. O "Padre-Nosso" .................................. . 29

18. A Ave-Maria .................................... . 30

19. O Rosario ....................................... . 31

20. A invocaçao dos Anjos e dos Santos ................. . 32

21. A oraçao litUrgica ................................ . 33

22. O ano ec1esiastico ................................ . 34

23. O Decalogo ..................................... . 36

24. Amar a Deus sobre todas as coisas ................. . 37

25. Nao tornar o nome de Deus em vao .................. . 38

26. Guardar domingos e festas ......................... . 39

<I ~!
27. Ifonrar pai e mae ................................ . 40

28. O quinto Mandamento ............................. .


41
"( 41

29. O sexto e o nono Mandamentos ..................... .


30. O sétimo e o décimo Mandamentos .................. . 42

31. O ·oitavo Mandamento ............... ; .............. . 43

. Id
l 32. Os Mandamentos da Igreja ......................... . 44

33. Os deveres de estado e os conselhos evangélicos ....... . 45

34. As virtudes cardeais .............................. .


45
35. A justiça crista .................................. . 46

36. As virtudes teologais .............................. . 47

l
'" ' -- --.---.- .---.-­
37. A lei do amor ................................... .
48
38. A Fé, a Esperança e a Caridade na vida crista ........ .
49
39. iAs espécies de pecado e os vicios capitais ............ .
50
40. 015 pecados contra o Espirito Santo e os pecados que bradam l!
ao Céu ...............'.. . ....................... . 51
41. Remorso, arrependimento e penitencia ............... .
52
42. A humildade ..................................... .
53 PREFACIO
43. Os Sacramentos .................................. .
54
44. O Batismo ....................................... .
55 ,.
I
45. Confirmaçao ou Crisma ............................. .
56 Comprazemo-nos em apresentar este Catecismo, redigido por
46. Eucaristia ........... " ............................ .
57 José Pedro Galvao de Sousa, um dos filosofos do Direito N atural mais
47. O Santo Sacrificio da Missa. . ...................... .
59 ­ destacados no Brasil e no Ocidente. Seus numerosos livros e publi­
48. Penitencia ou Confissao ........................... .
60 caç6es, bem como sua presença atuante em instituiçoes e congressos
49. Unçao dos enfermos .............................. .
62 filosoficos e juridicos do mundo todo, demonstram urna aplicaçao e
50. Ordem .......................................... .
63 urna vida consagrada com inteligencia e fidehdade ao Direito Natu­
51. Matrimonio ...................................... .
63 ral, especialmente no setor politico.
52. Indulgencias e Sacramentais ........................ .
64
53. Vida crista, vida sobrellatural da graça ............... .
66 Este jurista e filosofo nao te:m deixado, como paicrisUio, de
54. Os dons do Espirito Santo ......................... .
67 ~l assumir por si mesmo a responsabilidade de dar urna formaçao reli­
55. As obras de misericordia ........................... .
68 giosa a seus proprios filhos, hrindando-Ihes, dia-a-dia, as liç6es que
56. As Bem-aventuranças evangélicas ................... .
69 :~
agora, aqui reunidas, oferece neste Compendio de Doutrina Catolica.
57. Cidade de Deus e cidade terrena ..................... .
70
58. A graça e a gloria ................................ .
71 O conhecimento das Verdades da Fé sempre foi muito importan­
Apendice (principais oraçoes) ........................... .
73 te para fundamentar, -iluminar e dar o verdadeiro sentido a toda a
( vida crista e também humana do homem.

Porém, a transmissao fiel da m,esma, em 110SS0S dias, adquire


urna significaçao mnito mais relevante, em vista dos numerosos erros,
desvios ou imprecisoes, surgidos a respeito da Doutrina dogmatica e
moral crisHls, pondo em perigo o depositum fidei, de cuja integridade
tem sido sempre zelosa a Igreja, através de seu Magistério. Sem du­
vida, por isso, em resguardo desta integridade doutrinal, Sua San­
tidade Paulo VI compos o Credo do Povo de Ueus, e o Episcopado
Argentino redigiu as Formulaçoes Fundamentais da Fé, para serem
tI... ... incorporadas a todos os Catecismos. Também os Pontlfices Joao Pau­
lo I e Joao Paulo II recordaram sua missao de velar pelas verdades
da Fé, tendo este ultimo, gloriosamente reinante, dirigido ao Episco­
pado, ao Clero e aos Fiéis de toda a Igreja a importantissima Exorta­
çao Catechesi tradendae, em data de 16 de outubro do corrente ano.

Ante os perigos que hoje cercam a verdadeira doutrina, José


Pedro Galvao de Sousa quis assumir por si mesmo a responsabilidade
de transmitir a seus filhos a reta Doutrina de Cristo, com fidelidade
à Revelaçao e ao Magistério da Igreja que a guarda.

11
Realizou esta tarefa com solido conhecimento da Verdade re­
velada e da Teologia, e ao mesmo tempo, numa exposiçao acessivel
aos seus destinatarios.

Trata-se, pois, de um Breve Catecismo, que une a solidez e a


fidelidade à Doutrina Crista com urna formulaçao simples e' clara. 1. O ESTUDO DA RELIGIAO

Este é o valor primordial do Catecismo.


o estudo da religiao é o mais necessario de todos. Os outros sao
Fruto de reflexOes de um pai cristao, ,acrisoladas numa vida ilu­ de proveito para a vida no tempo. E a religiao é necessaria para o
minada pela Fé e incendida pela Caridade, estaformulaçao do Dog­ tempo e a etemidade.
ma e, da Moral cat6licas estao escritas com convicçao e estao aniffia­
das de espfrito e amor e, por isso, chegarn tao facil e suavemente ' Nada pode haver de mais importante do que assegurar a salva­
à alma do leitor. çao da pr6pria alma. O meio de atingir esse objetivo supremo é crer
o que Deus ensinou e fazer o que Deus mandou.
Tal o significado e o v~or deste Catecismo.
Sendo Deus a Suprema Verdade e o Sumo Bem, Ele s6 nos en­
Mons. Dr. Dctavio N. Derisi sina o que é verdadeiro e so nos prescreve o que é bom. Nao se tra­
ta, assim, de qualquer manifestaçao de arbitrio do Criador sobre as
Da Comissao de Teologia e de Educ~çao do Episcopado Argen­ criaturas, mas de uma estupenda -manifestaçao de Amor. , Ensinando
tino e Bispo-Reitor da Universidade Cat6lica Argentina Santa Maria a Verdade e o Bem, Deus ilumina nossos caminhos e previne para
de 10s Buenos Aires. que nos desviemos das sendas do erro.

Buenos Aires, 8 de dezembro, festividade da Imaculada Conceiçao, Ficamos sabend6 o que devemos crer e o que devemos fazer
de 1979. pelo estudo da religiao.

T Nao se deve, pois, pensar que a religiao é urna espécie de com­


partimento estanque na vida. Ou alguma coisa para usar de vez em
I quando - por exemplo, quando se vai à Missa - e depois guardar
na gaveta.

A este respeito é bom lembrar urna parabola do Evangelho: "O


reino dos Céus é semelhante ao fermento que urna mulher torna e
mistura em tres medidas de farinha até que fique fermentada toda a
J
massa" (Mt 13,33).
~,

Assim, a religiao deve orientar toda a nossa vida, todos os nos­


sos atos. A religiao é ·vida. Nao apenas um conjunto de preceitos
l
proibitivos com vistas a nao pecar, mas urna diretriz positiva para o
bem, para a pratica das virtudes, dando sentido à existencia humana,
que semela se torna incompteensfvel.
J
'1 Mais ainda. É a nossa vida em Deus e a vida de Deus em nos,
habitando em nossas almas pela graça santificante (ver nUmero 53).

12
13
dade infinitas de Deus, comunicando ensinamentos à inteligencia li­
2. DIVISAO mitada do homem, para maior beneficio deste e gloria d'Aquele;

o estudo da religiao, compendiado no Catecismo, compreende: 5) o pecado, essa desobediencia que transtornou por completo a
vida humana;
1) o que devemos crer (objeto da virtude da Fé.) 6) Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, o Fi1ho de Deus que
2) o que devemos desejar (objeto da virtude da Esperança); se fez homem para nos redimir e salvar;

3) o que devemos faur, isto é, a pratica do bem como expressao 7) a Igreja, instituiçao divina, fundada por Jesus Cristo com
do amor a Deus, e ao pr6ximo por amor de Deus (objeto da virtude todos os requisitos de urna sociedade perfeitissima e dotada, ainda,
da C'alidade). por Ele, de um magistério infalivel, sob a assistencia eficaz da Di­
vindade.
Temos, respectivamente, correspondendo a essas tres partes:
Ou sejam:
1) o Credo; 1) DEUS
2) HOMEM
2) o "Padre-Nosso" e as demais oraç5es;
3) RELIGIAO
3) os Mandamentos. 4) REVELAçAO
5) PECADO
Finalmente, para adquirirmos e conservarmos a Fé, a Esperan­ 6) JESUS CRISTO
ça e a Caridade, e crescermos nestas virtudes, precisamos da graça 7) IGREJA
de Deus, que nos vem principalmente pela oraçao e pelos Sacramen­
toso A graça acompanha-nos em toda avida crista, a partir do Ba­
tismo, salvo se a perdermos pelo pecado mortaI e nao tratarmos de 4. EXISTÉNCIA E NATUREZA DE DEUS
recupera-la pelo arrependimento e pela Confissao. Alcançando a sal­
vaçao eterna, passamos entao da vida da graça à vida da gloria (ver A existencia de Deus é urna verdade demonstrada pela razao e
numero 58).
confirmada pela Fé. Por isso, houve grandes fil6sofos que, nao ten­
do conhecido a Revelaçao, nem do Antigo, nem do N ovo Testamento,
provaram racionalmente que Deus existe. Foi o caso, na Grécia an­
3. SETE VERDADES FUNDAMENTAJ:S tiga, de Platao e Aristoteles.
(Do livro "O Alfa Maravilhoso") Um pensador frances do século XVIII, apesar de ser anticlerical
e inimigo do Cristianismo, raciocinava assim: se eu vejo um relogio,
Ha sete verdades hist6ricas intimamente relacionadas entre si, devo admitir um relojoeiro que o fez, pois so um ser inteligente po­
cujo conhecimento faz entender o verdadeiro sentido da vida e en­ deria ordenar as peças desse mecanismo para dar sempre a hora cer­
contrar a soluçao dos maiores problemas do homem, a saber: ta; ora, muito mais adminivel do que um relogio é a ordem reinante
no universo, a regularidade dos movimentos do sol, da terra, de to­
1) a existencia de Deus; dos os astros, o que cxige, paturalmente, urna inteligencia ordenadora.
2) a natureza do homem, criatura racional composta de um cor­ E como é essa Inteligencia Ordenadora a que chamamos Deus ?
po vitalizado por uma alma imortal; Se o universo foi criado por Deus, é evidente que o que ha de
3) a religiao, isto é, relaçao de dependencia essencial ligando o bom no universo -provém de Deus, pois "ninguém da o que nao tem."
homem a Deus; S6 que no universo o bem existe de maneira limitada, por ser uma
4) a revelaçao, que é a manifestaçao da sabedoria e da bon­ infima participaçao nas qualidades de seu Criador, ao passo que em

14 1.5
Deus todo o bem se encontra em estado, absoluto, isto. é, de maxima 5. NATUREZA DO HOMEM
perfeiçao (nO' numero 8, ver-se-a que o mal consiste exatamente nes­
sa privaçao dO' Beffi e que D mal existe no mundo exatamente por­ o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus·'neste
que 08 homens, sendD livres, exercem erro.neamente sua liberdade e mundo e assim alcançar a felicidade eterna no outro. Essa plenitude
vO'ltam as costas aD bem e à sua suprema fonte, que é Deus). do homem so se alcança no outro mundo pDrque este, comO' pode­
mos cDnstatar, esta maculado pela imperfeiçao produzida pelo pe­
!Assim, pelo que se ve no mundo e no homem, Deus indubi~ cado (ver nUmero 8) e-"assim nunca podera ser um ambiente perfeito
tavelmente é: para urna vida em eterna pelfeiçao (ver numero 58).
1) um Ser eternO', porque se tivesse começo deveria haver "ou­ Que é D hDmem ?
tro" ser que Q. cri asse e este é que seria Deus;
Uma criatura racionaI composta de corpO' e alma, corpo mate,..
2) um Ser puramente espirituaI, pDrque a matéria é degradavel riaI e alma espirituaI. Sua alma é imortal, e a Fé nos ensina a ressur­
e naD poderia fazer parte de um Ser eternO'; reiça,O' dos cDrpos depois do fim do mundo e do Juizo final (10 6,40
e 44; Mt 25,46).
3) um Ser pessDal, porque so assim pDderia exercer um ato de
criaçaD e imprimir na pessoa humana urna paIida imagem de S~ Por isso mesmo o hDmem nao é simplesmente um' animaI. Os
mesmo; livros escolares fazem distinguir tres reinos na natureza, a saber: o
mineraI, o vegetaI e D animaI. Mas D certo é dizer-se, com grandes
4) um Ser Dnipotente, pDis s'e outrem pudesse mais dO' que Ele, ( biologos de hDje, o que ja escritores classicos ensinavam: ha quatro
este é que seria Deus; reinos na natureza" D mineral, o vegetaI, o animai e D humanD. Isto
porque o hDmem nao é um animaI aperfeiçoado, é muito mais do
5) um ser perfeitissimD, sumamente sa-bio e sumamente bom, que isso: a inteligencia coloca-o num plano superior a todos os ani,;.
porque, casO' contrarlo, nao poderia haver a verdade (para cuja Db­ mais e o aproxima dos anjo.s.
tençao o homem foi criado CDm inteligencia), nem o bem (para cuja
realizaçaD o homem foi dotadD de vontade livre). Os animais viveln presos a seus instintos e agem à semelhariça
de maquinas, de maneira invariavel ciiante dos estlmulos do mundo
TendO' criadD D hDmem e sendo sumamente inteligente e bDm, exterior. Mesmo quando eles daO' a impressaD de terem uma condu­
Deus so pode te-ID feitD CDm urna finalidade, que é a de glorifica-Lo, ta "inteligente", na verdade eIa é puramente instintiva. O joao-de­
ama.ndd-O e servindo-O. Assim D homem realiza-se cDmo criatura e barrO' constr6i sua casa, parecendo nisso operar com "inteligencia";
consegue a s:ua pIena felicidade .pessoaI. mas basta que o teto seja furado para que ele, ao invés de reparar o
Deus é, pois, o Criador dO' universo. E é também o Fim Ultimo estrago, construa urna outra casa inteirinha, geralmente no mesmo
para que fomos criadDs. Principio e Fim de todas as coisas. Ele mes­ lugar (em cima da anteriDr): é que D instinto so o capacita a construir
mD disse nO' Apocalipse (1,8; 21,6; 22,13): "Eu sou o Alfa e D Ome­ urna casa inteira e ele nao tem inteligencia para anaIisar a situaçao
ga" (Alfa e Òmega sao a primeira e a ultima letras do alfabeto gre­ criada CDm o estrago da casa anteriDr e, diante desse fatO', to.mar uma
decisao inteligente. Por outro lado, animais que levam vida gregaria
gD). ,~
comportam-se hDje como sempre o fizeram, sem nenhum progresso:
Deus é um espiritD perfeitissimo, eternO', sumamente bom, infi­ avida das fDrmigas, que Aristoteles observou quatro séculos antes de
nitamente sabio e onipotente. É o Criador dO' Céu e da terra. Cristo, é igual à observada edescrita pelo famoso entomologista Fa­
bre no século passado, e continua a ser a mesma em nDssos dias.
"Eu SDU aquele que sou" disse Deus aparecendo a Moisés (Ex
3,14). Pois Ele existe por si mesmo e é a razao de ser de todos os SO D homem, em todD D reino da natureza, toma decisoes livres,
seres que existem. demDnstra criatividade, escolhe entre D bem e o mal. PortantD, o ho­
mem 'n ao é apenas Umanimal"evDluido":entre o homem e osani­
Deus é D sumo Bem e a plenitude dO' amor. Diz Sao Joao, na mais a diferença nao é so de gran, mas sim de ess'encia; o homem tem
sua primeira Epistola: "Deus é caridade, e quem permanece na ca~ algo que os animais nao tem, isto é, a alma espiritual e livre, que
ridade permanece em Deus, e Deus nele." (4,16). Deus lhe infundiu.

16 17
Ensina o Catecismo: as criaturas mais perfeitas que Deus criou Cumpre distinguir:
foram os anjos e o homem. 1. a Revelaçao primitiva, feita por Deus aos nossos primeiros
pais·, logo ap6s a criaçao;
2. a Revelaçao do Antigo Testamento, feita a Abraao, aos pa­
.6. RELIGIAO triarcas, aos profetas do povo eleito (de modo especial manifestou-se
Deus a Moisés, dando-Ihe as Tabuas da Lei, com os Dez Manda­
A religiao é a relaçao de dependencia do homem para com Deus,
mentos, e Moisés escreveu os primeiros livros do Antigo Testamen­
que todos os povos sempre expressaram através dos atos de adora­
to);
çao e culto. O home m depende essencialmente de DeUSl, que lhe da

a vida e a conserva. Para manifestar essa dependencia, ele pratica


3. a Revelaçao do Novo Testamento, feita pelo pr6prio Filho
atos de religiao. A religiao é uma relaçao necessaria e eterna entre
de Deus, Jesus Cristo, e- contida nos quatro Evangelhos, aos quais
o Criador e a criatura. É a virtude pela qual se tribpta a De-ns, Cria­
se seguem os Atos dos Ap6stolos, as Epistolas e o Apocalipse.
dor e absoluto Senhor, a devida honra e se lhe presta pIena sub­ O conjunto dos livros do Antigo e do Novo Testamento é a
missao. Biblia ou Sagrada Escritura.
Deus é nosso Pai, e por isso devemos portar-nos em relaçao a
Ele como filhos obedientes e amorosos. Nisto consiste a virtude da Além do que esta escrito na Biblia, muitas verdades reveladas
piedade. A verdadeira piedade ou devoçao nao se confunde com a por Deus foram transmitidas oralmente. A Tradiçao é a palavra de
beatice ou carolice. Nao consiste apenas em rezar, mas também em Deus nao escrita, comunicada de viva voz por J esus Cristo e -pelos
cumprir sempre a vontade de Deus, o que significa, em primeiro lu­ Ap6stolos e que se transmite sem alteraçao, de século em século,
gar, evitar todo e qualquer pecado e cumprir todos os deveres. Te­ pelo magistério da Igreja.
nhamos presentes as palavras de Jesus Cristo no Evangellio: "Nem to­
do o que me diz Senhor, Senhor, entrara no reino dos Céus, mas o Sao, pois" fontes da Revelaçao, a Sagrada Escritura e a Tradiçao.
que faz a vontade de meu Pai que esta nos céus" (Mt 7,21). A ora­ A este respeito escreve Sua Santidade Joao Paulo II na Exorta­
çao bem feita, acompanhada de uma vida vivida conforme à vontade çao Apost6lica Catechesi tradlmdae: "Faiar da Tradiçao e da Escri­
de Deus, alcança-nos tu~~ de que precisamos para a salvaçao. "A tura como fonte da catequesc é ja acentuar que esta tem de ser im­
oraçao é para o homem o primeiro dos bens", dizia Dom Guéranger, pregnada e penetrada pelo pensamento, pelo espirito e pelas atitu­
compreendendo-se também nessa expressao a oraçao mental, a re­ des biblicas e evangélicas, mediante um contato assiduo com os pr6­
flexao sobre as verdades eternas, a meditaçao sobre Deus e os mis­ prios textos sagrados; e é também reèordar que a catequese sera tan­
térios da salvaçao, conduzindo-nos à vida contemplativa, em que to mais dca e eficaz quanto mais eia ler os textos com a Igreja e o
reside a atividade superior do homem (ver numero 16). coraçao da Igreja e quanto mais eIa se inspirar na reflexao e na vida
lA religiao abrange todas as verdades e os preceitos que orde­ duas vezes milemiria da mesma Igreja."
nam nossa vida para Deus. Os Iivros sagrados, a cujos autores a paiavra de Deus foi ditada
pelo Espirito Santo, sao os seguintes :
7. REVELAçAO Antigo Testamento - Pentateuco (compreendendo o Genesis, °
~xodo, o Levitico, o dos Numeros e o Deuteronomio), Josué, Jufzes,
o pr6prio Deus nos eosina as verdades necessarias à salvaçao-~ ­ Rute, Samuel (2), Reis -(2), Cronicas (2), Esdras, Neemias, Tobias,
°
e como devemos praticar culto que Lhe é devido. Judite, Ester, J6, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantico dos Canti­
cos, Sabedoria, Eclesiastico, Isaias, Jeremias" Baruc, Ezequiel, Daniel~
Deus manifesta-se ao homem, e revela mistérios que o homem
por si s6 nao poderia alcançar. Deus revela -se-nos a Si mesmo nos os doze Profetas menores e Macabeus (2).
mistérios de sua vida intima. Pela Revelaçao, Deus comunica-se pes­ Novo Testamento - EvangeIhos de Sao Mateus, Sao Marcos,
soalmente aos homens. Ele se da a conhecer a n6s, e nos da a co­ Sao Lucas e Sao Joao; Epistolas de Sao Paulo (14), Sao Tiago, Sao
nhecer suas obras, sua açao salvifica na hist6ria.
19
18
Pedro (2), Sfu> Joao (3) e Sao Judas; e o Apocalipse (o derradeiro
livro qa Sagrada Escritura, concernente aos ultimos tempos e escrito la chamada uniao hipostatica: a natureza divina e a natureza huma­
por Sao Joao Evangelista na ilha de Patmos). na. Ao vir ao mundo e morrer na Cruz, Ele redimiu-nos do pecado.
A Paixao e Morte de Cristo mostram a gravidade do pecado co­
mo ofensa a Deus. E patenteiam o grande amor de Deus aos homens,
8. ' 0 PECADO pois Deus Pai, para nos salvar, nao poupou o seu proprio Filho.
Morrendo na Cruz, Jesus Cristo faz ver qual deve ser a vida do cris­
Os nossos primeiros pais" Adao e Eva, foram criados num es­ t-ao, sofrendo com paciencia as adversidades e renunciando aos pr~-,
tado de perfeiçao e inocencia, graça e felicidade. Submetidos a urna zeres pecaminosos, às vaidades terrenas e às seduç6es do mundo. : Por
prova, desobedecermTI a Deus, cedendo à tentaçao do demonio, que isso Ele disse: "Se alguém quer vir ap6s Mim, negue-se a si mes­
QS enganou, prometendo que, por essa desobediencia, eles, conhe­ mo, tome a sua cruz de cada dia e siga-Me" (Le 9,23).
cendo o bem e o mal, se tornariam semelhantes a Deus. Com isso,
~,
~I
perderam a graça e a integridade da sua natureza. Ao cometerem o Nosso Senhor Jesus Cristo veio desempenhar na terra urna tri..
.' pecado, perderam a graça divina (ver numero 53) . plice missao: a de Mestre, a de Vitima e a de Salvador.
I:
,I Foi o pecado originaI, assim cham~_do porque seus efeitos pas­ Mestre, revelou-nos os mistérios da Fé e ensinou-nos o "manda­
mento novo" da Caridade (J o 13,34) e as Bem-aventuranças' evan,;'
tr saram a todos' os homens, vindo dai os males e desordens da vida
d gélicas (ver nUmeros 37 e 56). '
, I
humana e ainda a triste consequencia de nascermos com urna natu­
re2!;a decaida e inclinada para o mal. S6 Nossa Senhora foi preserva­ Vitima, imolou-se na Cruz para a redençao dos homens.
ti da do pecado,sendo, assim, a Virgem Imaculada, quer dizer, sem
,I a macula do pecado originaI. Salvador, restituiu-nos a vida da graça, tornando-nos filhos ado­
~ I tivos de Deus, unidos a Ele na Igreja (ver numeros lO, Il e 53).
, I
' Alias, o primeiro de todos os pecados, a primeira revolta e ma­
,I
nifestaçao de orgulho, foi a de Lucifer e dos demais an jos rebeldes, Jesus Cristo foi concebido no seio purissimo da Virgem ' Maria
,/
,I
q~e desoQedeceram a Deus na va pretensao de se tomarem indepen­ unicamente pelo poder do Espirito Santo. Maria é Mae de Deus" por­
;/
,I crentes 'd'Ele, tendo sido, por esse motivo, excluidos da presença de que é Mae de Jesus Cristo, que é Deus. Da maternidade divina de
il Deus e condenados ao inferno. Maria decorrem os seus extraordinarios privilégios. EIa é a Imaculada
:t Conceiçao: foi concebida sem a mancha do pecado (ver numero 8)
I)
Todos os pòvos antigos e ainda hoje os selvagens tem a idéia e com plenitude de graça. Deus Ihe assegurou a virgindade perpétua:
" de uma queda primitiva, da qual resultou um transtorno na nature­ Virgem antes do parto, durante o parto e depois do parto. É tam­
zahurnapa e no mundo que nos cerca. bém Mae da Igreja, pois a Igreja é o Corpo Mistico de Cristo (ver
numero lO). Pelo Batismo, tornamo-nos irmaos de Jesuse, conse­
O pecado é, pois, uma desobediencia voluntaria à lei de Deus. qUentemente, filbos de Maria (ver numero 44). Do alto da Cruz,
Cumpre distinguir o pecado originaI do pecado atual, que pode ser J esus Cristo confirmou essa filiaçao, entregando-nos Maria por M'ae
mortaI ou venial (ver numero 39 e 48).
na pessoa de Sao J oao Evangelista.
o Filho de Deus humanado, antes dos tres anos de sua vida
publica, que precederam à Paixao, viveu humilde e ocultamente em
9. JESUS CRISTO Nazaré, na companhia de sua Mae, a Virgem Maria e de Sao José,
esposo desta e seu pai adotivo.
Pela Fé, fazendo-nos aceitar o que Deus revelou de Si mesmo,
sa~l!l()~s_ que ha llm Deus em tres pessoas:Pai,Filho e Espirito San­
to (ver numero 13).
lO. A IGREJA
Jesus Cristo é o Filho de Deus, que se fez homem para nos sal­
var. Assim, na pessoa de Jesus Cristo ha duas naturezas, unidas pe_ J esus Cristo instituiu a Igreja para assegurar, perante os ho..
m,ens, a permanencia de sua obra salvlfica e assim , os encaminhar pa­
20 .\F""";rwyl\~+l:tJ~'1f'1't:rFr~·'ì:r,,:;wT{~!l ~t~r;I;~7a''' ' ~
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~a O Céu. A Igreja é o proprio Cristo cDntinuadD entre os homens. fante (ver nUmero 58). A Igreja militante é assim chamada porque
É D Corpo Mistico de Cristo, urna vez que todos nos, pelo BatismD, sustenta guerra permanente contra seus inimigos de morte: o mundo.
passamos a viver avida sobrenatural, unidos a Cristo como os mem­ a carne e o demonio (ver numero 57).
bros de um corpo esHio unidos à cabeça (ver numero 53).
Na Igreja, o Sacrificio de Cristo no Calvario é perpetuado pela
Missa. Além disso, a Igreja transmite aos homens os ensinamentos de 11. A NOSSA VIDA NA IGREJA
Jesus Cristo, seu Divino FundadDr, assistida pelo Espirito Santo. Gra­
ças a esta assistencia, a Igreja guarda infalivelmente as verdades da A Igreja é nossa Mae e Mestra. Mae que nos gera para avida
Revelaçao, ensinando-as aos fiéis (ver numero 7). sobrenatural da graça, e Mestra infalivel das verdades necessarias à
nossa salvaçao. Este o sentido da infalibilidade de que goza D Papa,
Cristo fundou a Igreja como sociedade reunindo os Ap6stolos como sucessor de Sao Pedro, ao definir questoes de fé e de moral.
e dizendD a Sao PedrD: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Pois se nos fosse ensinado algo errado para crer e algo errado para
~It
~I a minha Igreja e as portas dO' inferno nao prevalecerao contra eIa" fazer, CDmD poderiamos - seguindo esses ensinamentos - chegar a
H
(Mt 16,18). Assim, a Igreja tem resistido a todas as perseguiç5es, des­ Deus, que é a Suprema Verdade è o SUIDO Bem? Dai a garantia dada
l" de os primeiros tempos do Cristianismo, e ha de permanecer até o pDr Jesus a Sao PedrD, aD fundar a Igreja, de que "as portas do
d~ fim dos tempos. Resiste também àqueles que tentam em vao destrui­
' ti
1;\
Inferno nao prevalecerao contra eIa" (Mt 16,18). Isto é: embora ex­
la por dentrO', semeando a heresia e doutrinas, perniciosas. posta, em sua parte humana, a todas as vicissitudes decorrentes da
Itl

..:\ Igreja Catolica é a sociedade de todos os fiéis que prof~s­ fraqueza e dos viciDS inerentes à nossa natureza decaida (ver nume­
sam a verdadeira Fé, observam os mesmos Mandamentos e recebem rO' 8), a Igreja, através do Papa (Pedro e seus sucessores), nunca po­
iii
os mesmos Sacramentos, unidos pela obediencia aos legitimos pas­ dera falhar em questiio de fé e de moral.
l\,
! Il
tores, primacialmente ao Papa. Jesus Cristo, falandO' aos discipulos na ultima Ceia, disse: "Eu
A verdadeira Igreja nao pode ser confundida com tantas socie­
sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele ha de cortar to­
dades ou seitas que se dizem cristas·, pois apresenta notas caracteris­
dos os ramos que nao produzirem frutO' em Mim, e podar os
'"'i, ticas inexistentes nestas. EIa é una, santa, catolica e apostolica. Gra­
que produzirem fruto, para que frutifiquem ainda mais" (Jo 15,1-2).
l,;
Jesus diz que n6s sDmos os ramos da videira; e CDmo os ramos re­
i,.
III
ças à assistencia recebida de Deus, a Igreja, desde o tempO' dos Ap6s­

tol08, mantém a doutrina revelada, a mesma em todos os tempos, fun­ cebem do troncO' a seiva que lhes da avida, assim, na Igreja, rece­
,', damento da santidade que nela flO'resce. Chama~se também Romana, bemos de Jesus a graça, que alimenta em nos avida espiritual. Vem­
porque os quatro caracteres de unidade, santidade, catolicidade e nos a graça principalmente pelas oraç5es e pelos Sacramentos (ver
apostolicidade s6 se encDntram na Igreja que tem por chefe o Bispo numero 16, 38, 43 e 53).
de Roma, suceSSDr de SaD PedrO'. Para que nos salvemos, é indispensavel pertençamos pIenamen­
Distingue-se a Igreja docente da Igreja discente. Os fiéis reuni­ te à Igreja pelO' Batismo, professando a verdadeira Fé, ou, pelO' me­
dos na Igreja formam a Igreja discente. O poder hierarquicD, institui­ nos lhe pertençamos in voto, com desejo implicito ou explicitO' de nela
do por CristO' para governar a Igreja, ensinar a doutrina e admi­ entrar.
nistrar os Sacramentos, é a Igreja docente, formada pelo Papa e pe­ Os principais meios de salvaçao que temos na Igreja sao: a ver­
los Bispos, com o auxilio dus demais sacerdotes. 0's Bispos sao os dadeira Fé, a graça pelos Sacramento s, a remissao dos pecados e a
continuadores dos Apostolos, tendo a plenitude do sacerdocio, e o comunhao dos Santos. A graça divina, a partir da Fé que recebemos
Papa é o sucessor de Sao Pedro, que foi o Chefe do Colégio Apos­ no Batismo, incorpora-nos ao Corpo Mistico de Cristo, que é a Igreja.
tolico.
NaO' basta, para alcançar a salvaçao, pertencer ao corpo da Igre­
Deve-se cDnsiderar ainda a uniao de todos os fiéis nesta vida e ja; é preciso viver em est ado de graça. Os que vivem em pecadD mor­
na outra, expressa pelo dogma da Comunhao dos Santos. A Igreja na tal sao 08 ramO's secos e, se nao recuperarem a graça, serao cortados
terra é a Igreja militante, as almas do purgatorio fDrmam a Igreja e lançados no inferno.
padecente e os que ja alcançaram a gloria pertencem à Igreja triUB­
23
22
Os lmpios, Os hereges e outros separados da verdadeira Igreja 1. Unidade e Trindade de Deus
nao podem salvar-se, a nao ser que estejam de boa fé e obedeçam aos 2. Encarnaçao, Paixao e Morte de Nosso Senhor Jesus Crjsto.
preceitos da lei natural, contidos no Dedllogo (numero 23). Neste
caso estao unidos à alma da Igreja. Ha um s6 Deus em tres pessoas: o Pai, o Filho e o Espfrito
Santo. (Mt 28,19).
O Pai é Deus.
12. PENTECOSTES O Filho é Deus.
A Igreja manifestou-se pela primeira vez aos homens no dia de O Espirito Santo é Deus.
Pentecostes. Nascida do lado de Cristo, transpassado pela lança na Trata-se de um mistério, que esta acima do alcance de nossa ra­
Cruz, eIa durani por todos os séculos, sob a assistencia do Espirito zao, mas que sabemos ser verdadeiro porque Deus, que nao pode
Santo. Antes de subir aos céus, Jesus Cristo prometeu essa assistencia, mentir, assim nos ensinou. Para ter-se urna idéia aproximada do con­
~~
ti que ja havia anunciado aos Ap6stolos ao estabelecer o primado de teudo desse mistério, pode-se recorrer 'à analogia com as tres facul­
l,.
Pedro (ver numero 10). dades espirituais que existem no homem: ele tem inteligencia, vonta~
~

I~ Depois da Ressurreiçao, Jesus Cristo esteve quarenta dias na de e mem6ria; apesar de serem faculdades diferentes, fazem par­
terra, tendo dito aos disdpulos que do Céu enviaria o Esplrito Para­ te de uma mesma pessoa, Em Deus ha tres pessoas distintas, mas
~ todas tem a mesma natureza divina.
I ,~
c1ito. Os Ap6stolos reuniram-se com Nossa Senhora, em nove dias
seguidos de oraçao. Foi o primeiro retiro e a primeira novena na vida O Filho de Deus é o Verbo incriado, gerado pelo Pai desde
:~ da Igreja. Terminados os nove dias, o Espirito Santo desceu sobre eles toda a Eternidade. O Espirito Santo nao é feito, nem criado, nem
"\ no Cenaculo, em forma como que de linguas de fogo. Havia, entao, gerado, mas procede do. Pai e do Filho.
I Iii em Jerusalém, homens de varias naç5es diferentes, e 08 Ap6stolos,
f II,
I ~t, àpesar de rudes e quase sem instruçao, começaram a falar-lhes de O Filho de Deus fez-se homem para nos remir e salvar. E as­
I,I,
I ,~
Deus no pr6prio idioma de cada um, o que causou grande admiraçao. sim o Verbo eterno se encarnou no seio purissimo da Virgem Maria.
J h, Eram partos, medos, elamitas, judeus, arabes, cretenses, etc. Os Ap6s­ Com sua Paixao e Morte na Cruz, satisfez à justiça divina· pelos pe­
~ "I
"ij
tolos haviam recebido uma graça extraordinaria do Espirito S·anto: o cados dos homens. Enquanto D'eus, Jesus Cristo nao podia padecer
I iiI
I ,~
dom das linguas. É o que nos narram os Atos dos Ap6stolos (2, 1 a 13). nem morrer. Ele padeceu e morreu enquanto homem, mas, estando
I ,~ a divindade unida pessoalmente à humanidade, sua Paixao e Morte
, h, O Espirito Santo, que procede do amor do Pai e do Filho, di­ tiveram um merecimento infinito (ver numero 9).
rige a Igreja e opera a nossa ,santificaçao. Ao descer sobre os Ap6s­
tolo.s, encheu-os de caridade, e concedeu-lhes em abundancia os Ao Pai se atribuem as obras de poder e criaçao. Ao Filho, as
seus dons. obras de sabedoria. Ao Espfrito Santo, as obras de amor e a santi­
ficaçao das almas. Isto. porque o Espirito Santo procede do Pai e do
A palavra grega "pentekostes", que quer dizer "quinquagési­
Filho, como fruto de amor, mas as tres pessoas divinas nos santi­
mo"., indica que a vinda do Espirito Santo sobre Maria Santissima ficam igualmente. Ensina Santo Agostìnho que a cada Pessoa se atri­
e os Ap6stolos se deu cinqUenta dias ap6s a Ressurreiçao. bui o que yertence a todas pela operaçao de urna unica e identica
Devemos freqUentemente invocar o Espirito Santo, para que nos substancia.
esclareça e guie nos estudos, nos trabalhos e nas resoluç5es a tornar
A denominaçao das tres pessoas é assim explicada pelo Catecis­
(ver Apendice, numero 3).
mo de Sao Pio X :
Da-se a Deus o nome de Pai: l.°porque é Pai; por natureza, da
13. OS MISTÉRIOS PRINCIPAIS DA NOSSA FÉ E O SINAL. segunda Pessoa da Santissima Trindade, isto é, do Filho por Ele gera­
-DA-CRUZ. do; 2.° porque Deus é Pai de todos os homens, que Ele criou, conser­
va e governa; 3.° porque, finalmente, é Pai, pela graça, de todos os
Os mistérios principais da nossa Fé sao dois: crisHios, os quais por isso se chamam filhos adotivos de Deus.

24 2:5
J esus Cristo chama-se Filho Unico de Deus Pai porque é gerado no EvangelhD. (Le 10,42). O maior de todo~ os neg6cios a tratar é o
pelo Pai e so Ele. é Por natureza seu Filho, sendo nos seus filhos por da salvaçao da propria alma.
criaçao e por adoçao. :É gerado por via de inteligencia, desde toda a Depois da morte de cada um, ha o juizo particular. No fim do
Eternidade, e por este motivo se chama também Verbo eterno do Pai.
mundo, D jUlzo univcrsal.
Designa-se a terceira Pessoa da Santissima Trindade particular­
mente com o nome de Espirito Santo, porque procede do Pai e do
Filho por meio de espiraçao e de amor.
Com o Sinal-da-Cruz, ao nos persignarmos e benzermos, estamos 15. o SIMBOLO DOS APOSTOLOS
indicando os mistérios principais da nossa Fé. Por isso, o Catecismo
ensina que Q Sinal-da-Cruz é o sinal do cristao. Urna vez feito com O resumo das verdades da Fé ensinadas pelos Apostolos esta no
atençao e reverencia, ele tem a virtude de reavivar a Fé, repelir as Credo, D qual é por iSSD chamadD Q SImbolo dos Ap6stolDS.
tentaçoes e alcançar-nos de Deus muitas graças.
O Credo compreende doze artigos, a saber :
Devemos fazer o Sinal-da-Cruz pela manha ao despertar., à noite
ao deitar; antes e depois das refeiçoes; no começo e no fim dos prin­ 1. Creio em um so Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e
cipais trabalhos; aG pedirmos as luzes do Espfrito Santo para os nossos da terra.
estudos; nas tentaçoes e nos perigos.
2. E em Jesus Cristo, um so Seu FilhD, Nosso Senhor.
3. O qual foi cDncebido do Espirito SantD, nasceu da Virgem
14. NOViSSIMOS DO HOMEM Maria.

Os novlssimos do homem sao as Ultimas coisas que nos hao de 4. Padeceu sob o poder de Pancio Pilatos, foi crucificado, mor­
acontecer: to e sepultado.

MDrte 5. Desceu à mansao dos mortos, no terceiro dia ressuscitou.


Juizo 6. Subiu aos céus, esta sentado à direita de Deus Pai tDdo-p04
Inferno deroso.
Parruso 7. Donde ha de vir a julgar os ViVDS e QS mortos.
Estamos neste mundo de passagem. N ada mais certo do que a 8. Creio nD Espirito Santo.
morte, e nada mais incerto do que a hora da morte. PDr isso, devemos
estar sempre preparadDs para quandO' tivermos de ser julgados por Deus 9. A Santa Igreja Catolica, a comunhao dos Santos.
depois da mGrte, pois entao se seguira para todo o sempre a felicidade
eterna nG Céu ou a desgraça eterna no infernG. 10. A remissao dos pecadDs.
O que ha de mais necessario a todos nos é, pois, urna boa morte, 11. A ressurreiçao, da carne.
isto é, morrer na graça de Deus. Para iStD é preciso viver bem: Dbser­
var QS Mandamentos, cumprir o,s deveres do proprio estado e praticar 12. A vida eterna.
em tudo a Caridade. NaG devemos fazer conta do que os homens pen­
sem de nos. Nossa constante preocupaçao deve ser a de estar bem A palavra Credo (ou "Creio") quer dizer: tenho por absoluta­
diante de Deus, isto é, sem pecadG, vivendo na sua graça, no seu amor. mente certo tudo o que esta contido nestes doze artigos; creio-o fir­
Sao Francisco de Assis dizia: "Eu sou D que sou diante de Deus." memente porque Deus, que nao pode enganar-se nem nos enganar,
Unum est necessarium: "urna so coisa é necessaria" diz Jesus a Marta revelou estas verdades à Santu Igreja, que as .transmitiu a nos.

26 27
17. O "PADRE-NOSSO"
16. A ORAçAO
A melhO'r das oraçoes vocais é D "Padre-NDsso" ou "Pai-Nosso"
A oraçaD é a elevaçao da alma a Deus para adO'ni-IO, agrade-l (Pater Noster), que nO's foi ensinado pelO' proprio Jesus Cristo (Mt
cer-Lhe pelDs beneflcios recebidos, expiar os pecados e pedir-Lhe as 6,9-13). Por este motivO' é chamada a oraçao dominical, compondo-se
graças de que necessitamos. de palavras ditadas pO'r Nosso Senhor ("Dominical" vem do latim
A oraçao pO'de seI' mental ou oral. Mental, quando é feita so Dominus, que quer dizer SenhDr.)
com a mente vocal, com as palavras. Estas palavras, porém, devem Nesta O'raçao fazemos sete suplicas, precedidas de um pream­
ser ditas atenta e fervDrDsamente. Do contrario, tornamo-nos mere­ buIo, a saber:
cedO'res d~ censura dirigida por Nosso Senhor aos judeus: "Este povo
me honra com DS labiO's, mas o seu coraçaD esta longe de Mim" (Mc Pai nosso, que estais no céu :
7,6). O que quer direr que nao basta evitar as distraçoes na oraçaD.
É precisO' procurar, em nossa vida, agradar em tudo a Deus, isto é, 1. Santifica do seja o VDSSO' nO'me.
cumprir a vontade divina, proceder CDmo verdadeirD cristao, sem o 2. Venha a nos o VOSSo reinO'.
que de nada valem as oraç5es.
3. Seja feita a vossa vontade assim na terra comO' no céu.
Para rezar bem, exigem-se certas disposiçoes, tais como recolhi­ 4. O paO' nosso de cada dia nDS dai hoje.
mentO', confiança e perseverança. As distraçoes, quando involunta..
rias, nao tiram o mérito da Draçao; quandO' nas as provocamos, sim. 5. PerdDai-nos as nossas ofensas, assim comO' nos perdoamos a
quem nos tem Dfendido.
Tudo D que pedimos a Deus, devemos pedir em nome de J esus
Cristo, nosso MediadDr unicO' diante do Pai celestial. (1Tim 2,5 e 6. Nao nO's deixeis cair em tentaçao.
Heb 8,6; 9,15 12,24). Dai o terminarem as oraçoes oficiais da Igre­ 7. Mas livrai..!nos do mal. Amém.
ja cO'm aquela expressao: "por NOSSD Senhor Jesus CriStD."
. Na ,primeira suplica, peòUnos que Deus f>eja conhecidO', amado,
Cumpre pedir o que for para a gloria de Deus e para a salva­
honrado e servido por tOdO'S.
çao das almas. Bens temporais tambem, desde que nao se oponham à
salvaçaO'. O reinO' de Deus tem uma triplice significaçao: o reino de Deus
em nos, isto é, a vida da graça; o reinO' de Deus na terra, pela Igreja
Se nossas oraçoes nao san sempre ouvidas, é porque muitas ve~ Cat6lica; e D reinO' de Deus nO' céu ou o paraisO'.
zes pedimos o que nao cDnvém à salvaçao eterna, ou nao esta nos
planos insondaveis de Deus, ou ainda por naD rezarmos com as de­ Fazemos a vO'ntade de Deus. cumprindo os Mandamentos, cor­
vidas dispDsiçoes. respondendD às graças e inspiraçoes .recebidas, ouvindo a voz da
Igreja e desempenhando-nos dos nO'ssO's deveres, nas circunstancias
Deus sabe D que nos é necessario e utiI, e sabe melhor do que em que a PrDvidencia nos tenha colocadO'.
nos o que nO's convém. Por issO', nem sempre da D que pedimos. Ape­
sar de saber Ele perfeitamente o que precisamos,' quer que rezemos, Pedimos D pao de cada dia, compreendendo-se por esta expres­
para assim testemunharmos nossa humilde submissao. san o que é necessario para a alma e para o corpo. A vida da alma
mantém-se principalmente pelO' alimentO' da palavra divina e pelo San­
A oraçao nao consiste apenas num petit6rio. Deve conduzir-nos tissimO' Sacramento do Altar, em que recebemos Nosso Senhor Jesus
à uniaD com Deus pela vida contemplativa. Nesta se acha a sua per­ CriSt,D realmente presente sob as espécies eucaristicas (ver numero 46.)
feiçao. Avida. contemplativaQu vida )nterior naoé somente para os Devemos-perdDaraD nosso proximo pelas ofensas que possamos
religiosos nos cO'nventos e mosteiros. É para todos. E é D preludio da ter recebidO', sem o que nao nos é dado esperar de Deus perdao.
vida eterna (ve! nUmero 58).
Finalmente pedimDs a Deus que nao nos deixe cair em tenta­
Diz Santo Agostinho que sabe viver bem aquele que sabe rezar çaO' e nos livre do mal. A tentaçaD é urna incitaçao ao pecado, po­
bem.
29
28
XXIII do Paraiso), diz que pedir graças sem recorrer a Maria equiva­
dendo vir do demonio, das pessoas perversas ou das nossas proprias le a querer voar sem asas.
paixoes. Ter tentaç5es nao é pecado, peca aquele que consente ne­
las ou se expoe a ocasi6es de pecar. Deus permite que sejamos ten­ Ad Jesum per Mariam!
tados para provar a nossa fidelidade, fazer-nos crescer na virtude e É pratica muito recomendavel a recitaçao do Angelus, pela ma­
aumentar os nossos méritos. Ele, contudo, nao permite que ninguém nha, ao meio-dia e às seis horas da tarde, para lembrar a anunciaçao
seja tentado acima de suas proprias forças, e aos que tém boa von­ do anjo Sao Gabriel a Nossa Senhora e aquela saudaçao que' ele di­
°
tade nao rejeita auxilio da graça, com a qual podem vencer as ten­ rigiu à Mae de Deus. Sao tres Ave-Marias precedidas das palavras
taçoes. que nos fazem meditar no mistério da Encarnaçao e seguidas de uma
oraçao final (ver Apendice, nUmero 4).
O pecado é o maior de todos os males nesta vida, e a condena­
çao eterna - castigo do pecado - é um mal irremediéivel. Quanto Até os ultimos séculos da ldade Média rezava-se apenas a pri­
aos sofrimentos e tribulaç6es, Deus ne1es consente para fazermos pe­ meira parte da Ave-Maria (a saudaçao angélica e a de Santa Isabel).
~ nitenda dos pecados cometidos e sobretudo para imitarmos a Jesus No século XII, que foi o século de Sao Bernardo, o grande devoto da
~!I. l Cristo, completando em nos a sua Paixao, como diz Sao Paulo, isto é,
sofrendo com Ele a fim de sermos depois recebidos por Ele na gloria
. Virgem, essa oraçao se foi difundindo ampIamente eutre os fiéis. De­
pois acrescentou-se a parte finaI.
t' : ,

J I
,r · (ver numeros 57 e 58).

;~
l/I 19. O ROSARIO
~

I~ , Uma das melhores formas de honrar a Nossa Senhora é a ora­


-r . I 18. A AVE-MARIA çao do Rosario. Consiste em tres terços, cada um dos quais com cin­
,ti' I
Ii~ 1 l Depois do Pai-Nosso, a grande oraçao é a Ave-Maria, chamada co dezenas de Ave-Marias precedidas de um Pai-Nosso e seguidas
I /~ I ;

l'; I I saudaçao angélica porque começa com as palavras que o Arcanjo Ga­
de um Gloria ao Pai. Começa-se o Rosario com o Credo - que
I I~ ; I
briel dirigiu a Nos~a Senhora. Essas palavras sao as seguintes: "Ave, corresponde à cruz dos terços - e termina-se com a Salve Rainha.
"'. !
cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vos entre as mu­ O Rosario inicialmente foi pregado por Sao Domingos de Gus­
lheres" (Le 1,28). Foram ditas quando aquele anjo vejoanunciar a mao e seus irmaos da Ordem Dominicana, tendo o poder de nos al­
Maria, da parte de Deus, o mistério da Encarnaçao. cançar muitas graças. No século XVI, -quando se deu a ,terrlvel ba­
Seguem-se as palavras de Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, talha naval de Lepanto, decisiva para a Cristandade ameaçada pelos
ditas por inspiraçao do Espirito Santo, quando a Mae de Deus, tendo turcos muçulmanos, que tinham urna armada mais potente e nume­
·i ja no seio seu Divino Fillio,. foi visita-la, tres meses antes que eIa des­
rosa, o Papa Sao Pio V ficou rezando o Rosario no Vaticano, en­
se à luz S.ao Joao Baptista: "Bendita sois entre as mulheres e bendi­ quanto se defrontavam as frotas adversarias. Teve entfio urna visao
do triunfo das armas cristas, enviadas por Felipe II de Espanha,
"

to é o fruto do vosso ventre" (Le 1,42).

comandadas por D. Joao de Austria e contando com a ajuda dos ve­


tAs outras palavras da Ave-Maria foram acrescentadas pela Igre­ nezianos. Era o dia 7 de outubro, data que foi por isso, marcada pa­
l,

ja, e por elas pedimos a proteçao de Nossa Senhora no decurso desta ra celebrar-se a festa do Santo Rosario. Sobre o sepulcro de D. Joao
vida e especialmente na hora da morte. de Austria no Escorial, le-se a frase do Evangelho referente a Sao
Nossa Senhora é nossa Advogada junto a Jesus Cristo e Me­ Joao Baptista, que ali foi gravada: "Houve um homem enviado por
dianeira de todas as graças. É chamada a Onipotencia Suplicante, 'ì,
Deus, cujo nome era Joao" (Jo 1,6). .
porque sendo a Mae de Deus, é impossivel que Deus nao a ouça. Dai Ensina o Carde al ,Motta: "Aquilo que o ano liturgico nos ofe­
o grande valor da devoçao a N ossa Senhora, cu jos devotos eIa pro­ rece no decurso de doze meses, o Rosario apresenta nas quinze dé­
tege qual a mais terna e carinhosa das maes. Sao Luis Maria Grignion cadas desta oraçao abençoada, para realizarmos nos nossos pensa­
de Montfort ensina que, assim como o Filho de Deus veio a nas por mentos e afetos os episodios mais marcantes da Vida, Paixao e Glo­
Maria, é por Maria que iremos a Ele (ver numero 9). ' E Dante, na be­ ria de Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro."
lissima oraçao à Virgem que poe nos labios de Sao Bernardo (canto
31
30

Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos (Is 6,2 e 6; 37,16; Rom


°
Nas dezenas do Rosario lembram-se, para meditaçao de quem
o reza, os mistérios da Redep.çao, divididos em tres partes. primeiro
terço é dedicado aos mistérios gozosos, o segundo aos dolorosos e o
8,38; Col 1,16; 1Tes 4,16).
Deus confia cada um de- nos a Uln Anjo da Guarda, que nosas­
terceiro aos gloriosos, a saber : siste com boas inspiraç5es, nos guia no caminho do bem, oferece
MistérioS gozosos - 1) Anunciaçao do ~njo Sao Gabriel a Nos­ a Deus as nossas oraç5es e nos a1cança as suas graças.
sa Senhora e Encarnaçao de Nosso Senhor Jesus Cristo. 2) Visitaçao Por sua vez, as almas bem-aventuradas, nO' Céu, valem-nos pe­
de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. 3) Nascimento de Jesus rante Deus e san merecedoras de nossa veneraçao.
em Belém. 4) Apresentaçao do Menino Jesus no tempIo e purificaçao
de Nossa 8enhora. 5) Perda e encontro de Jesus no tempIO'. Aos AnjDs e Santos devemos encomendar nDssas intençoes. De
modo especial aD Anjo da Guarda; a Sao José, castissimo espDso de
Mistérios dolorosos - 1) Agonia de Jesus no Horto das Olivei Maria, protetor da Igreja e guarda das fanu1ias cristas; aos Sant05
raso 2) Flagelaçao de Jesus. 3) Coroaçao de espinhos. 4) Jesus su­ Apostolos e aD Santo do nosso nome. Nao esquecer Sao Miguel Ar­
bindo ao Calvario com a Cruz às costas. 5) Crucifixao e morte de canjo, para que nos proteja contra as insidias do demonio, ele que
Jesus. submeteu Lucifer e DS anjos rebeldes quando se levantaram contra
Deus (ver numero 8 e Apen dice , nUmero 5).
Mistérios g1oriosos - 1) Ressurreiçao de Jesus. 2) Sua ascen­
sao aos céus. 3) Vinda do Espirito Santo sobre os ApoStDlos reuni­ Ha diferença muito grande entre as Draç5es apresentadas a Deus
dos com Maria Santissima no Cemiculo. 4) ~ssunçao de Nossa Se­ e as dirigidas aos Anjos e aos SantDs. Deus é o Autor de tDdas as
nhora. 5) Coroaçao de Nossa Senhora nO' Céu sobre todos os coros graças~ da-nos DS bens de que necessitamDs e livra-nos do mal. os

dos Anjos e Santos. Anjos e os Santos intercedem por nos para Dbtermos graças. Sao
nossos advogadDs perante Deus e nDS protegem pela sua intercessaD.
Depois de cada dezena é aconselhavel que se diga - em segui­ A Deus rezamDS para adDra-IO, louva-IO, agradecer-Lhe DS bene­
da ao Gloria ao Pai - esta jaculatoria ensinada em Fatima pela pro­ ficios recebidos, pedir perdao dos pecados e implorar graças. Aos
pria Virgem: "Meu Jesus, perdo ai-nos , livrai-nos do fogo do inferno, Santos rezamos para louvar, agradecer e pedir que nos a1cancem as
levai as almas todas para D Céu e socorrei principalmente as que merces de Deus.
_I
mais precisarem.".
Cumpre aqui lembrar o dogma da Comunhao dos Santos, e tam­
bém essa distinçao entre D culto devido a Deus (Iatria) e o tributadD
aos Santos (dulia). A Deus prestamos adDraçao, a qual somente a
20. A INVOCAçAO DOS ANJOS E DOS SANTOS Deus é devida. ADS SantDs manifestamos nossa veneraçaD, por terem
sido servidores exemplares de Deus, donde o reCDrrermDS também à
Devemos frequentemente recorrer aos Anjos e aos Santos. E sua intercessao. A -l~ossa SenhDra rendemos urna veneraçao especia­
sempre rezar também pelas almas que padecem no purgatorio, cujas Hssima, por ser a Mae de Deus, criatura perfeitissima, concebida sem
penas podemos abreviar ou aliviar com as nossas oraçoes fervorosas pecado, Medianeira de todas as graças e Rainha dos anjos e dDS san­
tDS. Assim, o culto da Virgem Imaculada é denominadD hiperdulia
(ver nUmero 52). (ver numeros 9 e 24).
Os Anjos san puros espiritos que Deus criou para a sua gloria
e o seu serviço. Sao as criaturas que, pela sua perfeiçao, mais se apro­
ximam de Deus. Subsistem sem estar unidos a um corpo, e se os r, 21. A ORAçAO LITORGICA
representamos de forma sensivel ou figurada, é para ajudar a ima- \.
giI:l,;açao~ e porque assim apareceram aos homens, como lemos na Sa­ Além da Draçao particular de cada fiel - a vocal e a mental -,
grada Escrltura~-' - - -_.. ._. . -­
cumpre considenir a oraçao publicà -ou a liturgica, isto é, a oraçao
Sendo numerosissimos, cada um deles constitui uma espécie dis­ oficial da Igreja. A liturgia é o conjuntD dos simbDlos, canticos e
tinta. Formam a hierarquia celeste, composta de nove coros angéli­ atos pelDs quais se faz essa oraçao. f: o culto publico integraI do
cos, a saber: Serafins, Querubins, Tronos, Dominaç5es, Virtudes, Corpo MisticO' de Cristo.

3,2 33
N a liturgia o rito e o texto sao determinados pela autoridade O ponto culminante de tOdD o ano liturgico esta no tridun pas­
competente. Clérigos, religiosos e mesmo leigos, em nome da Igreja, cal da Semana MaiO'r ou Semana Santa, abrangendo a tarde de quinta­
usam as f6rmulas de oraçao pela Igreja. aprovadas para a recitaçao ' feira (instituiçao da Sagrada Eucaristia), a sexta-feira (Paixao e Mor­
do Oficio Divino DU Liturgia das Horas. es sacerdotes rezam o OfI­ te de Cristo), o sabado santo e o Domingo da Ressurreiçao. Quarenta
cio obrigatoriamente, assim CDmD as comunidades religiosas. A Litur­ dias ap6s a Pascoa acompanhamos o Salvador na sua gloriosa Ascen­
gia das Horas deve ser rezada, na medida do possivel, comunitaria­ sao ao Céu, tendo ill1cio, no dia seguinte, a novena de Pentecostes.
mente, em consonancia com a sua estrutura. Assim o fazem os reli­ CO'm tais comemoraç6es a Igreja faz meditar e reviver a Paixao
giosos, quandO' reunidos para orar no corO'. e D Triunfo de Cristo, que morrendo destruiu a nossa morte e cuja
Dom Guéranger, Abade de Solesmes e restaurador da Ordem Ressurreiçao é o penhor de certeza da nassa Fé.
Beneditina na Prança, escreveu: "Confissao, oraçaD, louvor, tais O ciclo santoral insere-se no decurso do ano eclesiastico, acom­
sao os atos principais da religiao, tais sao também as formas principais panhando-o com a lembrança dos Santos, que saO' festejados no dia
da liturgia". da sua morte, quando começaram a viver na bem-aventurança eterna.
O ato mais importante e solene da liturgia é o Santo Sacrificio Trata-se dDS santos canonizados pela Igreja, cuja vida é apresentada
da Missa, centrO' de toda a religiao cat6lica. aos cristaos para lhes servir de exemplo. A festividade de Todos os
Santos (1.0 de novembro) inclui a mem6ria dos que se santificaram
Sao Pio X faz ver que "a participaçaD ativa nos sagrados mis­ e estao no Céu sem ter seu nome inserito entre os que ja receberam
térios e na oraçaD publica da Igreja é para os fiéis a origem primeira a canonizaçao.
l'' ~ e indispensavel donde ha de derivar D verdadeirD espirito cristao".
lti''1 .
Em honra de Nossa SenhO'ra varios dias sao reservados, sendo
II~ :: I de destacar especialmente os consagrados à 1macuI ada Conceiçao
Il, :~ tl (8 de dezembro) e à AssunçaD da Virgem (15 de agostD). O dia 12
!II'\ Il
II~ :; Il de outubrD assinala a festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do
22. O ANO ECLESIASTICO
I~ , i: "i ~
Il;
Brasil.
iiI ': H
Esta vida é urna viagem rumD à Etemidade. Cumpre viver na
~~ ~ , :~ Na semana liturgica, a Igreja celebra em cada domingO' a Res­
,ì' i ~ i i graça de Deus, para assim alcançarmos a gl6ria celestial (ver numero surreiçao do Senhor, cDnforme tradiçao apost6lica que remonta aos
I~ l' Il 58). É o que fazemos, unindo-nos a Jesus Cristo, que disse: "Eu
i~ 1\ \I tempos de Cristo. Os dias ordinarios da semana sao denominados fé­
1/11 Il' sou o Ca.minho, a Verdade e aVida" (JD 14,6). rias, cujDS Dflcios cedem lugar às outras celebraç6es superiores, ex­
l:,. ~..' I

O ano liturgico DU eclesiastico é dividido em dois ciclos: o ci­ ceto no A.dvento, na Quaresma e no Tempo Pascal. Nestas épocas
clo temporal e o ciclo santoral. as férias possuem textO's peculiares e precedencia sobre as outras co­
memoraç6es.
No ciclo temporal comemoram-se D mistério da Encarnaçao e o
da Redençao. Temos, primeiramente, o Natal, para festejar O' nasci­ ComO' fruto de tradiç6es piedDsas, o mes de MaiD ficou sendo
mento de Jesus, preparado pelas quatro semanas do Advento. Ao D Mes de Maria, dedicado especialmente para hom:ar a Mae de Deus.
N ataI segue-se imediatamente a Epifania. Depois da Quarta-feira de Assim também o mes de MarçD é consagrado a Sao José, cuja festa
Cinzas CDmeça a Quaresma, tempo de preparaçao para a PascO'a, com­ ocorre nO' dia 19 desse meSe Finalmente, naD devemos esquecer Junho,
preendendo quarenta dias para lembrar O' jejum de Jesus CristO' no ,-, mes do CDraçao de J es~s. A prDpOsito desta devoçaD, de tao grande
deserto, quarenta dias antes de começar as suas pregaç5es. A Quares­ relevancia na vida crista, cumpre lembrar ainda a pratica da Comu­
ma vai até à Semana Santa, quando se comemora a Paixao e Morte nhaD nas nove primeiras sextas-lfeiras, penhor de perseverança final,
de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Semana Santa termina no Domingo conforme a prDmessa do CO'raçao de J esus a Santa Margarida Maria
de Pascoa, dia em que se celebra a Ressurreiçao do Senhor. O tempo de AlacDque em Paray-Ie-Monial.
pascal prolDnga-se por cinqtienta dias, até ao domingo de Pentecos­
tes~ que record a a descida do Espirifo Santo no cenaculo (ver nu­ Note-se que a oraçao publica é a dos sacerdDtes em nome da
Igreja, mas também se pode eh amar publica a oraçao feita em co­
mero 12).
35
34
mum pelos fiéis nas peregrinaç5es, nas prociss6es ou quando reunidos 6. Nao pecar contra a castidade.
para as novenas, para o terço, etc. . 7. Nao furtar.
O ano liturgico tem por objeto: 8. Nao levantar falso testemunho.
a) celebrar e atualizar à obra salvffica do Redentor;
9. Nao desejar a mulher do proximo.
b) venerar a SantIssima Virgem Maria;
10. Nao cobiçar as coisas alheias.
c) recordar os Martires e demais Santos;
Os tres primeiros Mandamentos dizem respeito precipuamente
d) associar às celebraç6es litlirgicas 08 exercicios de piedade
à honra de Deus; os sete ultimos, ao proveito do pr6ximo. Todos
eles resumem-se no duplo preceito da caridade (amor de Deus e amor
dos fiéis.
do proximo), isto é: amar a Deus sobre todas as eoisas e ao proxi­
mo como a nos mesmos.
A justiça erista consiste em fazer o bem e evitar o mal, confir­
23 . O DECALOGO mando o que ja é um principio da lei natural (ver numero 35)."
Todos os homens, pela luz da razao, sabem que devem fazer o
il.'. bem e evitar o mal, conhecendo aquilo que é bom e aquilo que é
~:
mau. Chama-se a isto a lei natural. A consciencia de cada um apon­ 24. AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS
It '\
,~ , , ta-lhe o bem a fazer e o mal a evitar. A consciencia reflete em nos a
li. 'I I lei de Deus. o primeiro Mandamento da lei de Deus é, em certo sentido,
I~ t ~
iiI fl a Deus, sendo o Autor da natureza, Criador de todo o universo,
resumo do Decalogo e compreende os demais Mandamentos.
I ~ ,I ~ l'
,
é também o Legislador Supremo. Ele rege o movimento dos corpos O amor de Deus é a Caridade, que se completa pelo amor do
:~ l; :~
Il. •I I~ pelas leis flsicas (por exemplo: a lei da gravidade) e o funcionamen­ proximo. Deus é amor, e foi por amor que nos criou. Na 1.a Epis­
to dos organismos vivos pelas leis biologicas (por exemplo: a da cir­ tola de Sao Joao (4,16) esta escrito: "Deus é caridade, e quem per­
.i:iI~.l '!~! :~ iiI culaçao do sangue ou a da respiraçao). Umas e outras sao leis natu.. manece na caridade permanece em Deus e Deus nele" (ver nume­
': Il'
I~ I·\ ,tId rais. Deus impoe também preceitos à atividade livre dos homens, dai ro 4).
,.
: I ~ ~I decorrendo as leis morais. Estas constituem urna lei natural, ou se­
Mas o primeiro Mandamento tem urna significaçao especial, en­
ja, a lei da" natureza racional do homem. quanto prescreve que coloquemos Deus acima de todas as eoisas, re­
Em conseqUencia do pecado, que lhes obnubilou a inteligencia, conhecendo no Ser absoluto, do qual todos os seres contingentes de­
e arrastados por Vicios e paixoes, os homens deixaram de ter o co­ pendem, a superioridade que de fato Ele tem sobre tudo e sobre to­
nhecimento perfeito da lei natural. Esta foi confirmada por Deus, doso Devemos, assim, adorar, amar e servir a Deus.
quando deu a Moisés,. no Monte Sinai, o Decalogo. P'receitòs da lei
O primeiro Mandamento prescreve o culto interno e o culto
natural acham-se c1aramente expressos nos Dez Mandamentos, que externo.
sao os seguintes : ­
O culto interno consiste em adorar a Deus com a inteligencia e
1. Amar a Deus sobre todas as coisas. a vontade. J esus disse: "Deus é e spirito, e em espirito e verdade ha
de ser adorado" (Jo 4,24).
2 . Nao tornar seu Santo Nome em vao.
3. Guardar domingos e festas. O culto externo é o que se presta a Deus por meio de atos exte­
riorese objetos sensiveis. Deve manifestar o culto interno, sem o
4. Honrar pai e mae. qual fica priva do de vida como um corpo sem alma ou urna arvore se­
ca nao vivificada pela seiva.
5. Nao matar.
3i7
36
A blasfemia é. um pecado que consiste em proferir palavras de
o culto de adoraçao a Deus (latria) nao se confunde com o culto desprezo ou maldiçao contra Deus, Nossa Senhora, os anjos ou os
dos santos, sendo que a estes tributamos veneraçao (dulia) e a Nossa / santos, ou ainda contra coisas sagradas.
Senhora, uma v,eneraçao especiaHssima (hiperdulia) por ser a Mae
Jurar é tomar o nome de Deus como testemunho da verdade do
de Deus (ver numero 20). que se diz ou do que se prometeo Nem sempre é proibido jurar. Ha
A idolatria, a superstiçao, o sacrilégio e a heresia sao pecados ocasi5es em que, legitimamente e honrando a Deus, devemos prestar
contra o primeiro Mandamento. A idolatria consiste em prestar a juramento.
uma criatura o culto de adoraçao devido somente a D'eus. Da-se a O segundo Mandamen.to manda-nos honrar o santo nome de
superstiçao quando praticamos uma devoçao contraria à doutrina e Deus e cumprir os juramentos, os votos e as promessas.
ao uso da Igreja, bem como quando atribuimos a uma açao ou a uma :É costume fazer promessas a Deus, a Nossa Senhora ou aos san­
coisa urna virtude sobrenatural que eIa nao temo Sacrilégio é a pro­ tos, para alcançar uma graça. Evidentemente nao se ha de fazer urna
fanaçao de um lugar, de uma pessoa ou de uma coisa consagrada a promessa tola e muito menos pedir algo que seja pecado. Neste ca­
Deus ou destinada ao seu culto. A heresia é um erro da inteligencia, so, é cIaro que a promessa nao tem valor e nao deve ser cumprida.

~"\, "
pelo qual se nega com obstinaçao uma verdade de Fé.
,.,
i. : ,
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O primeiro Mandamento proihe também t r é1:to com o demo­
nio, como se da nas missas negras e em certas praticas do espiritis­ 26. GUARDAR DOMINGOS E FESTAS
l' .
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I~ .
•~ . 1
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mo, e qualquer ato contra a religiao, inclusive filiar-se ou dar apoio
O terceiro Mandamento prescreve a guarda dos domingos e dias
LI: ' à Maçonaria e outras organizaçoes anticat6licas, como é o caso do
Ir 'i santos.
Partido Comunista .
•~ l: ' No Antigo Testamento, o dia de sabado era particularmente so­
\~ !~ I O culto das imagens e a veneraçao das reliquias nao se opoem lene para o povo hebreu e destinado a praticas do culto com que
,~ " ~ ao primeiro Mandamento, antes pelo contrario sao muito recomenda­
:~~
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ii,
l
l~,
,,, ~ i :,
" veis. A honra tributada às imagens de Jesus Cristo, da Santissima
Deus fosse honrado de modo especial. No Novo Testamento, depois da
Ressurreiçao, o sabado foi substituido pelo Domingo, para lembrar
)~\ •I '~
Virgem e dos Santos referem-se ao pr6prio Jesus Cristo, à Santissi­ a ressurreiçao de Jesus Cristo, num Domingo ocorrida.
''l' I!i\ ma Virgem ou aos Santos que elas representam. Neste sentido cum­
i~ ,: ,~
!i~ II i\i; pre salientar a adoraçao da Cruz, simbolo sublime do Cristianismo e
A Igreja estendeu o preceito dominical aos dias santos de guar­
II~
da. Assim, no Brasi!, o Natal (25 de dezembro), a comemoraçao da ma­
" Il
sinal da Redençao (ver numero 13). Quanto às reHquias dos santos,
I~, \l'~
,lì . ~ iii
i I J 11/
devem ser veneradas porque seus corpos foram membros vivos de ternidade de Maria (1.0 de janeiro), a festa da Imaculada Conceiçao
Y Jesus Cristo e templos do Espirito Santo, (lCor 3,16) e hao de res­ (8 de dezembro) e a solenidade de Corpus Cbristi (quinta-feira subse­
surgir gloriosos para a vida eterna. quente ao domingo da Santissima Trindade).
Como cumprimos este preceito?

25. NAO TOMAR O' NOME DE DEUS EM VAO Pela adoraçio e pelo repouso.
Devemos ir à Missa e abster-nos do trabalho manual, e nao ser
o segundo Mandamento proibe :
o estritamente necessario ao nosso sustento e ao serviço de Deus.
1) pronunciar o nome de Deus com irreverencia;
Para melhor guardar este Mandamento, é muito louvavel que,
2) blasfemar contra Deus, contra Nossa Senhora e contra os nos Domingos e demais dias santificados, nos empenhemos em co­
mungar com as devidas disposiçoes, estudar reIigiao e rezar mais do
anjos e os santos; que nos outros dias.
3) fazer juramentos falsos, vlios ou sem necessidade.
Pronunciamos o nome de Deus irreverentemente quando o pro­ Podeinos também procurar recreaçoes, isto é, entretenimentos
ferimos com raiva, por brincadeira ou de qualquer maneira pouco licitos, fugindo sempre dos divertimentos pecaminosos, das reuniOes
respeitosa.
39
38
perigosas e das mas companhias. O terceiro Mandamento inc1ui a lei 28. O QUINTO MANDAMENTO
"do trabalho. Desde sua expulsao do paraiso terrestre, apos o pecado
originaI, os homens deve m trabalhar em esplrito de penitencia e pu­ Nao matar. Eis o enunciado do quinto Mandamento. Proibe ti­
rificaçaD. O trabalhO' vale nao s6 para ganhar dinheiro, mas ainda pe­ rar a vida do pr6ximo, bater nos O'utros e fazer mal ao seu corpo.
lo bem que proporciona à sociedade e pela recompensa eterna que Proibe também palavras injuriosas e qualquer mal que se queira fazer
aos outros. S6 Deus é o Senhor da vida, razaO' pela qual é também
granjda.
um pecado contra o quinto Mandamento o suicidio. Pelo mesmo mo­
tivo nao é permitido o duelo. OutrD gravissimo pecado contra este
preceito é D abortO'.
27. HONRAR PAI E MAE
Note-se, porém, que nos casos de legitima defesa, quando for
" O quarto Mandamento prescreve D respeitD e a obediència aos
necessario e em face de um agressor injustD, é lfcito matar, uma vez
pais, bem cO'mo a prestaçao de auxHio nas necessidades espirituais e
que nao haja outro meio de resguardar a propria vida. Da mesma fO'r­
temporais. ma, numa guerra justa e na execuçao de uma pena de morte ordena­
da pela autoridade, de acordo com a lei e em legitima defesa da so­
Os pais, por sua vez, tem o dever de cuidar dos filhos, educa­ ciedade.
los, dar-lhes bom exemplo, afasta-los das ocasi5es de pecado e das
mas companhias, corrigir-lhes as faltas e os defeitos, enfim ajuda-los O quintO' Mandamento também proibe prejudicar avida espiri­
a seguir na vida o caminho que Deus tenha traçado para eles. tual do pr6ximo pelo escandalo. Escandalo é uma palavra, um ato ou
urna Dmissao que pode induzir alguém a cometer pecado. O escan­
O modelo perfeito da familia crista é a Sagrada Familia, em que dalo, quando produz seu efeito, tira dos outros a vida da graça, que
Jesus, Deus feito homem, viveu submisso a Nossa Senhora e a Sao é infinitamente mais preciosa do que avida corporaI.
José. O quinto Mandamento nos ordena que perdoemos os nossos
inimigos e queiramos bem a todos.
O quarto Mandamento estende-se a todos DS superiores, parti­
cularmente à autoridade legitima que governa a sociedade civiI. Se­
gundo ensinou o Ap6stolo Sao Paulo, naD ha pO'der que nao venha
de Deus (Rom 13,1). Dai a obrigaçao de respeito e obediencia ao
governo e às leis. Note-se bem que esta obediencia nao é devida 29. O SEXTO E O NONO MANDAMENTOS
quando a autoridade nos imp5e alguma coisa que vai contra a lei de O sexto Mandamento - nao pecar contra a castidade - proibe
Deus. Em Deus, fonte de todo o poder, esta a suma autoridade, da toda açao, todo olbar, toda palavra contra a virtude da pureza e
qual as outras todas derivam e dependem. E importa obedecer antes a proibe também a infidelidade conjugaI.
Deus do que aos hDmens (At 5,29),
O nono Mandamento - nao desejar a mulber do proximo ­
A piedade filial é um sentimento que se dirige primeiramente a proibe todo desejo contrario à fidelidade jurada pelos esposos quan­
Deus, Criador de todos os seres e Pai de tOOos nos, e depois àqueles do se casaram. Aqui se inc1uem ainda todo pensamento culposo e
que foram os auxiliares de Deus para nos dar o ser. todo desejo de atos que vao contra o "sexto Mandamento.
A impureza é um" pecado muito grave e um vicio abominavel
O amor à patria é também manifestaçao da virtude da piedade, diante de Deus e dos homens. Reduz o homem à condiçao de irra­
"como "nos ensina Santo Tomas de Aquino, com estas palavras: "De­ cional, fazendo-o levar-se s6 pelos instintos, como os animais. Os­
pois de ser devecÌor a Deus, -o hòmem "o"émaximamenteem--relaçao tentar e propagar -esse vicio,atraves' da pornografia, é borà de cb~
aos seus pais e à sua patria. Por conseguinte, assim como correspon­ raç5es perversos e de consciencias endurecidas no mal.
de à religiao dar culto a Deus, assim também, num grau secundario,
corresponde à piedade render culto aos pais e à patria" (Suma TeO­ Os pensamentos contra a pureza, que muitas vezes nos podem
assaltar:, nao san por si mesmos pecaminosos, mas san tentaç5es e
l6gica, Ira., rrae ., q. 101, art. 1).
41
40
incitaç5es ao pecado. Tornam-se pecaminosos quando lhes damos Quem peca contra o sétimo Mandamento, para obter o per­
dao nao basta confessar-se, deve restituir ao pr6ximo o que lhe ti­
consentimento e neles nos detemos. rou e reparar os prejuizos causados.
A castidade é o esplendor das almas fortes. Os fracos é que se
escravizam às suas paix5es e nao sao capazes de resistir às tenta­ O sétimo Mandamento consagra o direito de propriedade. A
ç5es da carne. Para vencer a estas tentaç5es, devemos procurar a propriedade privada é legitima em face da lei natural e da lei di­
força que nos vem da graça de Deus, pois a nossa natureza esta en­ vina positiva. Por isso, neste Mandamento est a condenado o comu­
fraquecida pelo pecado originaI. Devemos rezar, pedir a proteçao nismo como sistema economico (além de o ser pela sua ideologia
de Nossa Senhora, que é a Mae da pureza, pensar que Deus nos ve, materialista), pois ele transfere a propriedade dos particulares pa­
meditar na morte e nos castigos do pecado, comungar freqUentemen­ ra o Estado. Por esse motivo, os Papas Leao XIII e Pio XI, res­
te com as devidas disposiç5es, pois a Eucaristia é o "pao dos for­ pectivamente nas Enciclicas Remm novamm e Quadragesimo anno,
tes". Cumpre também fugir das ocasi5es de pecado, porquanto quem fizeram ver que um catalico nao pode ser socialista (o que foi rei­
nestas se coloca facilmente peca. Importa evitar com todo o cuidado terado noutros documentos dos mesmos e de outros Pontifices). Na
a ociosidade, as mas companhias, as mas leituras, as imagens inde­ citada Enciclica Leao XIII condena também a "usura voraz" dos
capitalistas sem consciencia. O mau uso da propriedade, fomentado
centes e os lugares e espetaculos perigosos.
pelo capitalismo liberaI, vai contra a lei de Deus e, conforme as pa­
lavras de Leao XIII, levou certos patr5es a imporem "um jugo qua­
Ha tres estados na castida de: se serviI à imensa multidao -dos proletarios".
'~~' 1) a castidade virginal, dos que guardam a virgindade;
tt'il,, Relaci9na-se este Man~amento com o décimo: nao cobiçar as
2) a castidade matrimonial, dos que observam as leis do ma­
coisas alheias. Cada um deve contentar-se com a sua situaçao, seja
'i'l'i·
f~ ~ :
trimonio cristao no que diz respei!9 às relaç5es entre os esposoS;
,.t,i rico, seja pobre, o que nao impede que possa, por meios lfcitos, pro­
'1,' 3) a castidade penitente, dos que, tendo perdido esta virtude,
i~',I' curar alcançar melhoras. Na boa ordem social crista, urna justa re­
ilt '. /t a recuperaram, e pela penitencia reparam os pecados cometidos.
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partiçao dos bens deve ser assegurada, nao com a destruiçao, mas
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com a melhor distribuiçao da propriedade. Nao nos esqueçamos, po­
, ~\, iiij\ rém, de que Jesus Cristo se fez pobre por amor de nas e recompensa
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I~\i ~\ de modo especial os ·que suportam com paciencia a pobreza, como re­
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30. O SÉTIMO E O DÉCIMO MANDAMENTOS
pele os maus ricos de que nos fala na parabola de Lazaro (Le
o sétimo Mandamento - nao furtar - proibe apossar-se in­ 16,19-31.)
iustamente das coisas dos outros ou de qualquer modo prejudicar
o pr6ximo nos seus bens.
Por dois modos podemos apossar-nos injustamente das coisas
alheias : pelo roubo, quando ha violencia; ou pelo furto, ocuItamente 31. O OITAVO MANDAMENTO
e sem violencia. Ambos sao pecados contra a justiça.
Nao levantar falso "testemunho.
Da mesma forma, quando encontramos uma coisa de grande
valor, eque esteja perdida, nao devemos simplesmente ficar com Este Mandamento prolbe depor falsamente enl JUlZO. Refere­
eIa, mas procurar saber quem é o seu dono e entrega-Ia a este. se também à detraçao ou munnuraçao, à caltmia, à adulaçao, ao
jUlzo temerario e a toda espécie de mentira.
O sétimo Mandamento proibe também as fraudes nos neg6cios
e a usura ou juros excessivos. Os patr5es devem pagar justo sa" A mentira torna-se pecado mortaI quando é perniciosa e causa
larios aos empregados, e os comerciantes devem pedir o justo pre­ prejuizos graves a outrem.
ço pelas mercadorias que vendem.
43
42
Nao precisamos sempre dizer tudo o que pensamos, mas nunca e sustentar os ministros do altar, s·endo também um meio de fazer
devemos dizer o contrario do que pensamos. face às despesas do culto.
Quem peca contra o oitavo Mandamento, para obter o perdao,
caso tenha proferido alguma cahlnia, deve, além de confessar-se, des­ 33. OS DEVERES DE ESTADO E OS CONSELHOS
mentir publicamente o que disse. EVANGÉLICOS
O oitavo Mandamento ordena-nos dizer a verdade e interpretar
no bom sentido, quando nao houver razao em contrario, as açoes do Deveres do proprio est ado sao aquelas obrigaç5es particulares
proximo. que cabem a cada pessoa em virtude da sua condiçao de vida, dos
trabalhos que lhe incumbem e da situaçao em que se encontra.
A vontade de Deus manifesta-se claramente na vida de cada
32. OS MANDAMENTOS DA IGREJA om de nos pelos Dez Mandamentos, pelos preceitos da Igreja, pelos
Somos obrigados a observar 0'S Mandamentos da Lei de Deus, deveres, de estado. Estes deveres, alias, resultam dos preceitos con­
tidos no Decalogo. Assim, do quarto Mandamento decorre para os
e basta pecar gravemente contra um so deles para merecermos o in­
fi1hos os deveres de respeito e de obediencia aos pais, e para os pais
ferno. Além disso, a Igreja nos da preceitos com o fim de nos ajudar
a obrigaçao de exercer a devida vigilancia sobre os fi1hos e de edu­
a viver como filhos de Deus e assim alcançar a felicidade eterna.
ca-Ios convenientemente. O's deveres de fidelidade, de sinceridade,
A autoridade com que os impoe, recebeu-a a Igreja do proprio de justiçat de e qtiid ade , derivam do sétimo, do oitavo e do décimo
Jesus Cristo, e por isso quem desobedece à Igreja, desobedece ao Mandamento, que vetam a fraude, a injustiça e a duplicidade.
proprio Deus. Às pessoas consagradas a Deus, que fizeram votos religiosos,
compete, de acordo com o segundo Mandamento, cumpri-Ios obser­
Esses preceitos sao os seguintes : vando os conselhos evangélicos.
1. Ouvir Missa inteira aos Domingos e dias santos de guarda. Esses conselhos sao meios propostos por Jesus Cristo no Evan­
2. Confessar-se ao menos urna vez cada ano. gelho para se alcançar a perfeiçao crista, a saber: pobreza volunta­
ria, castidade perpétua e obediencia completa em tudo o que nao se­
3. Comungar ao menos pela Pascoa da Ressurreiçao. ja pecado.
4. Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Tais conselhos asseguram melhor a salvaçao eterna, por facili­
Igreja. tarem a observancia dos Mandamentos. Ajudam-nos a desapegar o
5. Pagar dizimos segundo o costume. coraçao do amor dos bens tenenos, dos prazeres e das honras, e as­
SiDl nos afastam do pecado.
o quarto preceito da Igreja manda jejuar e abster-se de carne T odo cristao deve procurar a propria perfeiçao no estado em
na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Estendia-se antes que se encontra. "Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito"
o preceito a todas as sextas-feiras do anO'. A Santa Sé autorizou 05 (Mt $,48) sao as palavras de Jesus para tOOos nos (ver numero 42).
catolicos do BrasiI a substituir a abstinencia semanal por outras for­
mas de penitencia (Missa, Via-Sacra, oraçoes diversas, esmolas, etc.).
Quem quiser observar a abstinencia, é muito louvavel que o faça,
podendo entretanto procurar outras mortificaçoes. A obrigaçao do 34. AS VIRTUDES CARDEAIS
jejum começa aos 21 anos e termina aos 60, sendo a abstinencia obri­
As virtudes cardeais sao quatro:
gatoria a partir dos 14.
Prudencia
Os dizimos sao ·ofertas ou contribuiçoes dos fiéis, estabelecidas
para reconhecer o supremo domInio de Deus sobre todas as coisas Justiça

45
44
A. justiça cri sta esta em fazer D bem e evitar o mal. É a justiça
Fortaleza aperfeiçoada pela caridade, indo até ao esquecimentD da propria pes­
Temperança soa pelo bem do proximo. É também o fundamento de toda a ordem
social bem estruturada.
Sao chamadas cardeais porque cDnstituem o eixo ou a base de Jesus Cristo disse: "Se a vossa justiça nao for mais perfeita que
todas as virtudes (da palavra latina cardo, que significa eixo, gonzo, a dDS escribas e fariseus, nao entrareis nO' reino dos céus" (Mt 5,20).
dobradiça). Como urna porta gira em torno das dobradiças, toda a
nassa vida moral fundamenta-se naquelas virtudes. Entre os antigos, antes de Cristo, aplicava-se a lei dO' taliao:
"Dlbo pDr olho, dente por dente". Mas a justiça crista é incompativel
A prudencia dirige os nossOS atos para os fins convenientes; faz­ com esse preceito dracDniano, pois eIa, num aprimoramento vindD da
nDS compreender o bem que devemos praticar e o mal que devemos caridade, mandaperdoar aos nossos inimigos, desde que a caridade se
evitar. estende a todos DS homens, mesmo a quem ~~s faça mal.
A justiça é a virtude pela qual damos a cada um o que lhe é NO' Sermao da Montanha, Jesus proclamou bem-aventurados "os
devido. que tem fome e sede de justiça" (Mt 5,6).
A fortaleza reveste-nos de coragem para enfrentar as dificulda­
des da vidi'e nao temer nenhum perigo, nem mesmo a morte, quandO'
se trata de -nao òfender a Deus. 36. AS VIRTUDES TEOLOGAIS
A temperança leva-nos a usar moderadamente os bens temporais, Tres san as virtudes teologais :
refreando-nos nDS prazeres sensiveis.

Esperança
Caridade
35. A JUSTlçA CRISTA
Chamam-se teolDgais (do gregD Theos ou Deus e logos DU dis­
A justiça pode ser entendida com dupla significaçao. Bm sen­ curso, conhecimento, ciencia) porque tem a Deus por objeto e autor.
tido ampIo, eIa designa a perfeiçao moralo Em sentido restritD, é Tais virtudes san infundidas em nos por Deus.
uma das virtudes cardeais, consistindo em dar a cada um o que lhe
é devldo. Ensina Sao Boaventura: "a justiça, em sentido restrito, é Pela Fé nos cremos em Deus e em tu do o que Ele revelou. Pela
urna virtude carde al., distinta das Dutras; em sentido lato, compreen­ Esperança, esperamos possuir a Deus no Céu. Pela Caridade, amamos
de em geral todas as virtudes" (Comentario às Sentenças, livro III, a Deus e em Deus amamos a nos mesmos e ao proximo.
art. unico). Recebemos essas virtudes, que san dons de Deus, no Batismo.
A justiça enquanto perfeiçao moral foi assim cDnsiderada pelos Urna vez chegados à idade da razao, devemos fazer atos de Fé, de
filosofos gregos - Platao e outros - e acha-se c1aramente expressa Esperança e de Caridade. ­
na Biblia. lA Fé é urna virtude sobrenatural infundida por Deus em nossas
No livro do Genesis esta escrito que Noé era um homem justo, almas, pela qual, apoiados na autoridade do mesmo Deus, cremos em
e por isso fai poupado pDr Deus quando do castigo enviadD à huma­ tudo o que Ele revelou e nos prop6e pela sua Igreja. É urna adesao da
nidade pecadora, com o diluvio. No livro de Jo diz-se: "o justD per­ inteligencia à verdade revelada. Cremos, porque foi Deus que reve­
sistira no seu caminho, e quem tem as maos puras sentir-se-a forta­ lou, e Ele naD pode enganar-se nem nos enganar. Mediante o magis­
lecido" (Jo 17,9). No Evangelho de SaD Mateus ha urna referencia a tério da Santa Igreja, conhecemos as verdades reveladas por Deus,
SaD José, chamado o justo (Mt 1,19). isto é, por intermédio do Papa, sucessor de Sao Pedro, e dos Bispos,
sucessores dos Apostolos, que foram instruidos pelo proprio Jesus
Nesses casos, a justiça é tomada no sentido ampIo para significar Cristo.
o conjunto de _todas as virtudes.
47
46
As verdades reveladas esUio contidas na Sagrada Escritura e na da nossa Esperança enquanto peregrinamos pela terra. A Caridade,
sim, permanecera, tornando-se ainda maior. A felicidade eterna con­
Tradiçao (ver numero 7).
siste precisamente em contemplar e amar a Deus.
A Esperança é urna virtude sobrenatural infundida por Deus em
nos, pela qual desejamos e esperamos a vida eterna na Bem-aventuran­
ça celestial, prometida por Deus aos que obedecem a seus Manda­
mentos, e esper~mos também as graças necessarias para obte-la. 38. A FÉ, A ESPERANçA E A CARIDAD'E NA VIDA CRISTA
A Caridade é urna virtude sobrenatural igualmente infundida Quando urna criança era levada à pia batismal, o sacerdote co­
por Deus, pela qual amamos a Deus acima de todas as criaturas e ao meçava, segundo o antigo rito da administraçao do sacramento, per­
proximo como a nos mesmos por amor de Deus. guntando: "Que pedes à Igreja de Deus?" O padrinho respondia :
"a Fé". O sacerdote continuava: "Que te proporciona a Fé?" E o
padrinho dizia: "lA vida eterna". Modificadas hoje as f6rmulas de
expressao, o ensinamento ai contido vale permanentemente.
37. A LEI DO AMOR Sao Paulo ensina que "sem a Fé é imposslvel agradar a Deus"
(H!eb 11,6).
Jesus Cristo, no Evangelho, preceitua a Caridade como o ma­
ximo Mandamento. O amor de Deus e do proximo é o resumo da Sem a graça é, em absoluto, impossivel a salvaçao eterna, e a
graça santificante esta sempre unida inseparavelmente à Fé, à Espe­
lei de Deus. rança e à Caridade.
Disse J esus aos Apostolos que este é o maior dos Mandamentos :
O Padre Emmanuel, em suas Lettres sur la, Fop, ensina que a Fé
"ama a Deus com todo o teu eoraçao, toda a tua alma, todas as tuas
pode crescer, diminuir ou perder-se. Contribuem singularmente para
forças e toda a tua mente" (Mt 22,34-40 e Mc 12,28-31). Logo a se..
\ guir: "ama a teu proximo como a ti mesmo".
o aumento da Fé a instruçao religiosa e a piedade (oraçao e vida sa­
cramentaD. Exp5e-se a perde-la quem se deixa levar pelas maximas
Disse-lhes também : "Eu vos dou um mandamento novo, que vos do mundo. Se diminui em alguns depois do Batismo, noutros em se­
ameis uns aos outros como Eu vos amei" (Jo 13,34). Mandamento guida à Primeira Comunhao, é por falta de instruçao religiosa e por
novo porque a lei antiga era a lei do temor e nela mandava-se amar nao se acautelarem contra o ateismo pratico do mundo em que vivem
o proximo mas sem chegar à perfeiçao de amar os proprios inimigos. (os jovens, no ambiente das escolas; os adultos, no mundo dos ne~
A lei nova prescreve o perdao dos inimigos, como esta nO Pai-Nosso gocios e com preocupaç5es, nao ordenadas para Deus). Como os
("perdoai-nos as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem Apostolos, devemos pedir: "Senhor, aumentai em nos a Fé" (Le 17,5).
nos tem ofendido") e outrossim que lhes estendamos o nosso amor.
No capitulo 13 da 1.a Epistola aos Corintios escreve o Apostolo
Além disso, Cristo diz.: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos
das Gentes: "Ainda que eu fale as Hnguas dos homens e dos anjos,
amei" (Jo 15,12). A medida que Ele da para o amor ao proximo é,
pois, a do seu proprio amor, perfeito e infinito. Que maior prova de se nao tiver Caridade sou apenas um bronze que soa e p_m cimbalo
que tange. E ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os
amizade do que dar a vida pelo seu proprio amigo? E foi o que fez
mistérios e toda a ciencia, e ainda que possua a plenitude da Fé a pon­
Cristo por nos, morrendo até pelos seus inimigos e pedindo, do alto
da Cruz, ao Pai Celeste-, perdao por aqueles que O haviam crucifica~ to de transportar montal1:-has, se nao tiver Caridade nada sOU. E ainda
que eu distribua aos pobres todos os meus bens e entregue o meu
do. - corpo para ser queimado, se eu nao tiver a Caridade nada disto me
Sao Paulo faz ver que, das tres virtudes teologais, a Caridade é aproveita. A Caridade é p aciente , é benigna; a Caridade nao é in­
a maior e permane ce para sempre (lCor 13,8 a 13), o que nao oeor­ vejosa, nao procede precipitadamente, nao se ensoberbece, nao é am­
re com as demais. Com efeito, no Céu nao havera mais lugar para biciosa, nao procura seus proprios interesses, nao se irrita, nao sus­
a Fé, porque veremos a Deus. Aqui cremos; no Céu veremos. Nem peita mal, nao folga com a injustiça mas se congratula com a verda­
para a Esperança, pois, la, ja estaremos na posse de Deus, objeto de; tudo releva, tudo cre, tudo espera, tudo suporta".

49
48

Finalmente, urna palavra a mais sobre a Esperança. EIa se aper­


feiçoa na confiança em Deus, a cuja Providencia sapientfssima e pa·· Entre os vicios ha aIguns que sao chamados capitais porque de­
temal devemos entregar-nos totalmente, Iembrando-nos de que nada Ies procedem todos os outros.
acontece que nao esteja nos Seus designios imperscrutaveis. Cumpre
ainda ter presente que Deus quer que todos os homens se salvem e Os vfcios capitais san sete, a saber :

que, como ensina o Apostolo Sao Paulo, Ele "em tudo coopera para Soberba ou orgulho

o bem daqueles que O amam" (Rom 8,28). O que nos afasta de Deus
é o abuso da liberdade, levando-nos a cometer deliberadamente o pe­ Avareza

cado e a merecer as penas eternas do inferno. A falta de corresponden­ Luxuria ou impureza

eia às graças atuais concedidas por Deus diminui e pode até extinguir a
Fé, a Esperança e a Caridade, frutos da graça santificante (ver mi­ Ira

mero 53). Gula

A pratica dessas tres virtudes cardeais identifica-nos a Cristo e Inveja

faz-nos viver a sua vida.


Preguiça

Esses vfcios se vencem com as virtudes que lhes sao opostas: a


39. AS ESPÉCIES DE PECADO E OS VtCIOS CAPITAIS soberba vence-se com a humildade; a avareza, com a liberalidade; a
Iuxuria, com a castidade; a ira, com a paciencia; a gula, com a tem­
lA transgressao voluntaria dos Mandamentos é o pecado, que, perança; a inveja, CDm a caridade; a preguiça, com a diligencia e o
como ja foi visto (numero 8>', pode ser mortaI ou venia!. fervor no serviço de Deus.

O pecado mortaI produz a morte da alma, tornando-nos merece­ Como o vfcio é o ~abito do mal, a virtude é o habito do bem.
dores do inferno. Essa morte da alma consiste em perder, o homem,
a graça de Deus, isto é, a vifta sobrenatural. É sempre em matéria
grave, e para haver pecado mortaI é preciso que haja piena adverten.. 40. OS PECADOS CONTRA O ESPfRITO SANTO E OS PECA.
eia da inteligencia e pIeno consentimento da vontade. DOS QUE BRADAM AO CÉU
O pecado venia! é desse modo chamado porque dele se obtém Ha alguns pecados de suma gravidade, que uma alma comete
mais facilmente o perdao de Deus, mas assim mesmo diminui o ardor quando esta voltada contra Deus e tende a ficar empedernida. SaD
da c~dade e tDrna D homem propenso ao pecado mortaI. os pecados contra D EspiritD Santo. E assim saD chamados porque"
cometidos por pura maHeia, vao diretamente contra a bondade per­
Podemos pecar por pensamentos, palavras, obras e omissoes. sonificada pelo Espfrito Santo.
O Batismo apaga o pecado originai e todos os pecados que te­
Ei-Ios:

nha cometido aquele que vai ser batizado (ver numero 44). Depois
do Batismo ha um outro sacramento que se torna para nos tabua de 1) desesperaçao da salvaçao;

salvaçao: é a Penitencia ou ConfissaD. O pecado mortai é perdo ado


na Confissao, ou entao mediante um ato de contriçao sincero unido 2) presunçao de salvar-se sem mereeimento;

ao desejo de confessar-se (ver numero 48). 3) negaçao da verdade conhecida como tal;

O pecado é um at9 passageiro, ao passo que o vfcio é habito ou 4) inveja das merces que Deus faz a outrem;

disposiçao contraido pela repetiçao dos atos maus. Origina-se de um


pecado, que, cometido varias vezes, torna permanente essa disposiçao 5) obstinaçao no pecado;

para o mal. 6) impenitencia finaI.

50
51
42. A HUl\flLDADE
SaD pecadDS que bradam aD Céu e c1amam a Deus vingança c~
seguintes: A humildade é virtude da maior import ancia para a nossa vida.
1) praticar homicfdio voluntario; PDr nao a conhecerem e praticarem dividamente, muitos homens, do­
tadDs de grandes dons recebidos. de Deus, deixam-se levar pelo orgu··
2) cometer ato de sensualidade con.tra a natureza; lho e pela vaidade. O DrgulhD, vicio capitaI, é a raiz de todo D peca..
3) oprimir os pobres, orfaos e viuvas; dD. A humildade é o fundamento de todas as virtudes e a base da
vida espiritual.
4) negar salario aDS que trabalbam.
A humildade é a verdade. N asce dD conhecimento de Deus e dD
lA malleia de tais pecados é manifesta e gravissima, o que pro­ conhecimento proprio, fazendo-nos reconhecer a nos mesmos comD
voca o mesmD Deus a puni-Ios com DS mais rigorosDs castigos. somos diante de Deus, de Quem recebemDs D ser e tudo o que temoli
de bom. Os antigos gregos, nas escolas de filosofia, recebiam aquele
ensinamentD: "Conhece-te a ti mesmo". O conhecimentD proprio~
porém, nao basta, e ele so pode ser perfeito desde que conheçamos a
Deus, a cuja imagem e semelhança fomos criados.
41. REMORSO, ARREPENDIMENTO E PENmNCIA
Sao Roberto Belarmino observa que a humildade é a virtude de
o
remorso é uma dor interna que sentimos pelo mal por nos Cristo. Nos livros dos fil6sofDS antigos nao se acha mençao dela.
mesmos cometido. A consciencia nos acusa e censura. Cristo a ensinou com o exemplo, em toda a sua vida, e com a pala­
vra, como se pode ver em passagens do Evangelho.
O arrepel1dimentD é a dor que sentimos interiDrmente por ter­
mos ofendido a Deus, acompanhada dum firme prDposito de emenda. NaD se deve confundir humildade CDm humilhaçao e rebaixa­
O que nos alcança de Deus o perdao pelos pecados cometidos é mento, embora seja certo que os humildes sofrem pacientemente as
o verdadeirD arrependimento. O remorso nao basta. E a pedra de to­ humilhaçoes. A1ém disso, a humilhaçao, no dizer de Sao Bernardo,
que dD arrependimento esta no propositD firme de nao pecar mais. pode ser caminho parà a humildade.

Judas, depDis de ter vendido a Jesus, sen.tiu remDrso sem toda­ O orgu1hD e a vaidade saD D oposto da humildade e nascem de
um exageradD amor proprio, que a humildade corrige. O orgulbo é
via dar manifestaçao de estar arrependido. DesesperDu-se e foi en-­
forcar-se. 8aD Pedro, depois de ter nega do a Jesus, arrependeu-se um sentimento de superioridade e exaltaçao de si mesmD. A vaidade
com lagrimas amargas, procurando dai em diante ser fie1 e crescer faz alguém deleitar-se demais com DS louvores e elogios que lhe sao
dirigidos. QuandD estes san justos, devemDs agradecer a Deus, de
no amor de Deus. quem recebemos tOdD bem. A soberba ou orgulho é um vicio ca­
Pela penitencia tratamos de reparar os proprios pecados e as­ pitaI, raiz e fonte de todos os pecados e vicios (ver numero 39).
sim desagravar a Justiça Divina. Distingue-se a penitencia-sacramen·­ Diz-nDs J esus, no Evangelho: "aprendei de Mim, que sou man­
to da penitencia-virtude. O Sacramento da Penitencia é chamado tam­ so e humilde de COraçaD" (Mt 11,29). E também: "sede perfeitDs
bém ConfissaD (ver numerD 48). A virtude da penitencia é a dispo­ como vosso Pai celeste é perfeitD" (Mt 5,48); (ver numero 33). Isto
siçao de desagravar a Deus pelas ofensas pr6prias ou dos outros. Dai quer dizer que cada um de nas deve tender à perfeiçaD, o que nao é
também as mortificaçoes e os sacriflcios. Obras de penitencia sao a contra a humildade, pois. assim o fazendo, poe toda a confiança na
oraçao, o jejum e a esmola. graça de Deus, sem a qual é impossivei praticar perfeitamente o bem.
Sao JDaD Baptista, o Precursof, anunciando a vinda de Cristo, Seria falta de humildade, sim, pretender chegar à perfeiçao pelas pro­
fez ver aDS homens que devem fazer penitencia para merecer () Céu prias forças, esquecendo-se de mais esta palavra de J esus: "Sem Mim
nada pDdeis fazer" (10 15,5).
(Mc 1,15).
Deus quer que todos sejam santos, e cada um de nos tudo pode
NDssa Senhora, em Fatima, recomendou a oraçao e a peniten­ quando fortalecido pela graça divina. A aspiraçaD à santidade nao
eia para que o mundo seja livre dD comunismo.
53
52
.. ~

2. Confirmaçao ou Crisma (que nos faz soldados de Cristo).


é, pois, falta de humlldade, até pelo contrario, é prova de humildade,
urna vez que, para sermos santos, temos que nos entregar inteira­ 3. Eucaristia (que nos une a Cristo).
mente a Deus e renunciar às nossas paix6es e comodidades, o que os 4. Penitencia ou Confissao (que nos reconcilia com Cristo).
orgulhosos nao fazem.
5. Unçao dos enfermos (que nos prepara para comparecer di­
No seu livro "O Critério", diz Balmes, tecendo consideraç5es ante de Cristo).
acerca da humildade, que esta virtude nos faz conhecer o limite das
nossas proprias forças, nos revela os proprios defeitos, impede de 6. Ordem (que faz os sacerdotes de Cristo).
exagerarmos nossos merecimentos e de nos exaltarmos acima dos ou­ 7. Matrimonio (que une os esposos com Cristo e sua Igreja).
tros, nao permite desprezarmos a ninguém e nos leva a aproveitar os
bons exemplos. Em todo Sacramento ha matéria, forma e ministro.
Deus resiste aos soberbos e da sua graça aos humildes (Tg 4,6
A matéria sacramentaI é a coisa sensivei que se emprega; por
e lPdr 5,5).
exemplo, a agua natural no Batismo, o oleo e o balsamo na Confir~
maçao. A forma consiste nas palavras pronunciadas. O ministro do
Sacramento é a pessoa que o administra.
43. 08 SACRAMENTOS
D'Ois san os Sacramentos mais necessarios à salvaçao: o Batis­
Conforme vimos até agora, avida crista é a vida da graça. mo e a Penitencia. O Batismo, para todos; e a Penitencia, para os
Recebemos a graça pela primeira vez no Batismo, que nos incorpora que cometeram pecado mortaI depois do Batismo. O maior de todos
ao Corpo Mistico de Cristo. O Batismo é um dos Sacramentos da os Sacramentos é a Eucaristia, pois eontém nao somente a graça, mas
o proprio Autor da graça e de todos os Sacramentos, Nosso Senhor
Igreja. Jesus Cristo.
Lemos no 3.0 Catecismo da Doutrina Crista de Sao Pio X:
"Para nos salvarmos nao basta que Jesus Cristo tenha morrido por Ha Sacramentos que so se recebem urna vez: o Batismo, a Cris­
nos, mas é necessario que sejam aplicados, a cada um de nos, o fr~to ma e a Ordem. E so urna vez se pode reeeher porque eles iinprimem
e os merecimentos da sua Paixao e Morte, aplicaçao que se faz, 50­ carater (Ef 1,13; 4,30; 2Cor 1,21; Jo 6,27).
bretudo, por meio dos Saeramentos, instituidos para este fim pelo O carater impresso na alma por cada um desses Sacramentos
mesmo Jesus Cristo; e como muitos ou nao recebem os Sacramentos é um sinai espirituai que nao se pode apagar mais. O Batismo mar­
ou nao os recebem com as condiç5es devidas, eles tornam inuteis para ca-nos para sempre como membros do Corpo MIstico de Cristo; a
si proprios a morte de Jesus Cristo". Confirmaçao ou Crisma, como seus soldados; a Ordem, como seus
Os Sacramentos sao sinais sensiveis instituidos por Nosso Senhor ministros.
Jesus Cristo para 110S dar a graça (ver numero 53). Produzem sempre
o seu efeito contanto que os recebamos com as devidas disposiç6es.
Dizemos que os Sacramentos san sinais sensiveis e eficazes da 44. O BATISMO
graça porque eles significam, por meio de coisas sensiveis, a graça que
produzem na alma. Assim, no Batismo a agua· derramada na cabeça °
o Batismo é Sacramento pelo qual renascemos para a graça
daquele que é batizado e as palavras di~as por quem o administra, de Deus e nos tornamos cristaos. Apaga o pecado originaI e também
san 08 sinais senslveis. Como a agua lava o corpo, a graça dada pelo o atual se houver (ver numero 8 e 39). Faz-nos filhos de Deus,
Batismo purifica a alma do pecado. membros da Igreja e herdeiros do Paraiso, tornando-nos aptos a
receber os outros Sacramentos.
Ha sete Sacramentos: O ministro do Batismo é o sacerdote, mas em caso de necessi­
1. Batismo (que nos faz cristaos ou membros de Cristo e da dade qualquer pessoa pode batizar (é o que deve ser feito quando
Igreja).
55
54
quem precisa ser batizado esta prestes a morrer e nao é posslvel en­ da nossa Fé (ver numero 13) e que do Sacramento nos aproximemos
contrar logo um padre). com reverencia e devoçao.
Para batizar, derrama-se agua natural sobre a cabeça ou outra O ministro da Confirmaçao é o Bispo, ou um sacerdote com
parte importante do corpo, dizendo ao mesmo tempo: "Eu te ba­ a devida autorizaçao.
tizo em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo". (Mt 28,19).
O crisma(*) é formado por 6leo de oliveira misturado com balsa­
A fim de que o Batismo seja valido, quem batiza deve ter a in­ mo, consagrados pelo Bispo na Quinta-Feira Santa. O 6leo signifì­
tençao. de fazer o que faz a Igreja quando administra esse Sacramento ca a graça difundida na alma por este Sacramento; e o balsamo,
e observar o ritual acima descrito sem modificar as palavras a serem que é perfumado e preserva da corrupçao, indica que o cristao,
ditas. fortificado por essa graça, é capaz de espalhar o aroma das vir­
Quem recebe o Batismo obriga-se a professar a Fé e a cumprir tudes cristas e preservar-se dos vicios.
a Lei de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo renuncia a Satanas, às suas Faz-se a unçao - significada pela palavra "crisma" - sobre a
obras e às suas pompas, isto é, aos pecados e às maximas do mundo, fronte, lugar onde aparecem os sinais do temor e da vergonha, para
que sao contra as maximas do Evangelho (ver numero 56 e 57). dar a entender ao crismando que ele nao deve envergonhar-se do
A quem se batiza é costume dar-se o nome de um santo, que nome da profissao de cristao, nem ter medo dos inimigos da Fé,
mas antes estar pronto a sofrer todas as afrontas e penas para ser fiel
ficara sendo o seu padroeiro celeste.
a Deus.
Pecam gravemente os .pais que deixam morrer os fi1hos sem
Batismo ou tardam o Batismo dos filhos expondo-os ao risco de nao A forma da Confirmaçao usada na Igreja Romana desde o sé­
culo XII era: "Eu te assinalo com o Sinal-da-Cruz, e te confirmo com
se salvarem.
o crisma da salvaçao, em nome do Pai e do Filho e do Espirito
O adulto que recehe o Batismo deve estar instruido nas verda­ Santo." Em janeiro de 1973 foi restabelecida em toda a Igreja a for­
des elementares da Fé e ter a dor pelo menos imperfeita dos pecados ma antiga do rito bizantino, conferindo-se a Crisma com a imposi­
que tenha cometido. Da mesma forma, os padrinhos devem ter essa çao das maos e com as palavras: "Recebe o sinal do dom do Espi­
instruçao e levar urna vida verdadeiramente crista. rito Santo".
A falta do Batismo pode ser suprida pelo martirio (Batismo de Tanto os padrinhos do Batismo como os da Confirmaçao devem
sangue) ou por um ato de amor perfeito de Deus e de contriçao-, com seI pessoascat6licas, instruidas na religiao e de bons costumes, de­
o desejo pelo menos implIcito de batizar-se (Batismo de desejo). vendo 'o padrinho da Crisma ser do mesmo sexo que o crismando.

46. EUCARISTIA
45. CONFIRMAçAO OU CRISMA
A Eucaristia é o Sacramento que contém verdadeira, real e subs­
A Confirmaçao ou Crisma é um Sacramento que nos da o Espl­ tancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo
rito Santo, imprime na alma o carater de soldado de Cristo e nos faz Nosso Senhor, debaixo das espécies ou aparencias de pao e de vinho,
perfeitos cristaos. Os dons do Espirito Santo conduzem-nos à santi­ para nosso alimento espiritual.
dade (ver numero 54).
A presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia ex­
Faz-nos perfeitos cristaos porque nos confirma na Fé e aper­ plica-sepela maravilhosa conversao de toda a substancia do pao no
feiçoa as virtudes e os dons que recebemos no Batismo (dai ocha­ Corpo e de toda a substancia do vinho no Sangue dò mesmo Jesus.
mar-se "Confirmaçao").
Para recebermos dignamente este Sacramento é preciso que nos (*) Emprega-seaqui a expressao no masculino para distinguir entre
achemos em estado de graça, que conheçamos os mistérios principais o oleo ou o crisma e o Sacramento (a C'risma ou Confirmaçao).

56 , 57
É o que se chama a transubstanciaçao. Essa conversao se opera du­
rante a Santa Missa, no momento em que o sacerdote pronuncia as
-r

'I

/·· 1
Quem caiu em pecado mortaI, deve primeiro confessar-se e depois
comungar, do contrario comete gravissimo sacrilégio.
.1
palavras da consagraçao. Quem deu tanto poder a essas palavras foi Antes da Comunhao devemos preparar-nos com atos de Fé, Es­
o proprio Jesus Cristo, ao proferi-Ias na ultima ceia. perança e Caridade, e sentimentos de adoraçao, contriçao, humildade
e desejo de receber a Jesus Cristo. E depois da Comunhao, permanecer
O pao de trigo e o vinho de uva san a matéria do Sacramento.
algum tempo na igreja, na intimidade com Deus e em açao de graças.
E sua forma, as palavras usadas por Cristo e 'proferidas pelo sacer­
dote: "Isto é o meu Corpo. . . . . Este é o calice do meu Sangue ..... " Ha obrigaçao de comungar pelo menos urna vez ao ano, na Pas­
(Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; lA! 22,19-20). coa dà Ressurreiçao, mas é bom comungar todos os meses, melhor ain­
da cada semana e melhor ainda diariamente, contanto que se comungue
Na Eucaristia faz-se presente o mesmo Jesus que nasceu em
com as devidas disposiçoes e ouvido um confessor piedoso e douto.
Belém, morreu na cruz e esta no céu. Segundo as palavri;ls do Tan­
tu.m ergo, a Fé supre a deficiencia dos sentidos, e na Hostia consagra­ A Eucaristia é, pois, sacrificio, presença reaI e comunhao. Deve­
da adoramos a Deus sob as espécies sacramentais. Depois da consa­ mos com freqiiencia adorar o Santissimo Sacramento, visitando-o nas
graçao da H6stia e do vinho, nada fica do pao e do vinho a nao igrejas onde esta exposto publicamente ou no sacnirio em que se ~ar­
ser as espécies ou aparencias, isto é, a quantidade e as qualidades sen­ dam as sagradas espécies. Pratica de piedade das mais recomendaveis é
siveis: a figura, a cor, o sabof., etc. a bençao do Santissimo Sacramento.
Quando se parte a Hostia, partem-se somente as espécies do
pao, e o Corpo de Cristo est a todo inteiro em cada urna das partes em
47. O SANTO SACRIFiCIO DA MISSA
que eIa se divide.
J esus Cristo instituiu este Sacramento por tres razoes principais : A Eucaristia, como acaba de ser visto, nao é somente um Sacra­
mento, é também o Sacrificio permanente da Nova Lei, que Jesus Cris­
1) para ser o Sacrificio permanente da Nova Lei; to deixou à sua Igreja para ser oferecldo a Deus por meio das sacer­
2) para alimento espiritual de nossas almas; dotes.

3) para ser um memorial perpétuo de sua Paixao e Morte, e pe­ A Missa é o Sacrificio incruento do Corpo e do Sangue de J esus
Cristo, oferecido nas altares sob as espécies de paa e de vinho em
nhor preciosissimo do seu amor a nos e da vida eterna.
memoria do Sacrificio da C'ruz. Substancialmente, é o mesmo Sacrif1~
Os principais efeitos que produz em nos a Eucaristia san : cio do Calvario; incruento, porque sem derramamento de sangue.

1) conservar e aumentar a vid a da alma, que é a graça, assim CD-' O Sacrificio da Missa é oferecido a Deus por quatro fins :
mo o alimento material conserva e aumenta a vida do corpo;
1) para render a Deus a homenagem que Lhe é devida, da nossa
2) apagar os pecados veniais e preservar dos mortais; adoraçao (Sacrificio latreutico);
3) unir-nos a Jesus Cristo e fazer-nos viver da sua Vida, dando­ 2) para Lhe agradecer os beneficios recebidos (Sacrificio euca­
nos assim muitas consolaçoes espirituais. ristico);
3) para dar a Deus satisfaçao pelos nossos pecados e para sufra­
Para bem comungar tres requisitos san necessarios:

gar as almas do purgat6rio (Sacrificio propiciat6rio);


1) achar-se em estado de graça (que se perde pelo pecado mortaI);

4) para obter todas as graças de que necessitamos (Sacrificio


2) estar em jejum como prescreve a Igreja (urna hora antes da
impetrat6rio).
Comunhao, podendo beber agua natura});
O proprio Jesus Cristo instituiu o Sacrificio da Missa, quando ins­
3) saber o que se vai receber e apresentar-se à Comunhao com fé
tituiu o Sacramento da Eucaristia, antes da sua Paixao (leor 11,23-26).
e devoçao.
59
58
Oferece-se esse grande SacrifIcio so a Deus. As Missas frequen­ damentos de Deus e da Igreja e contra as obrigaç5es do proprio esta­
temente celebradas em honra de Nossa Senhora e dos Santos desti­ do. Nesse exame deve-se também pensar nas circunstancias que po­
nam-se a louvar a Deus pelos dons que lhes concedeu e a alcançar, dem agravar o pecado, isto é, fazer do pecado venial um pecado
por intercessao deles, mais copiosamente, as graças de que necessi­ mortaI.
tamos.
O arrependimento é o pesar de haver ofendido a Deus, poden­
Toda a Igreja participa dos frutos da Missa, mas particularmente do consistir na contriçao ou na atriçan. A contriçao é o pesar de ter
o sacerdote celebrante, os circunstantes unidos ao sacerdote e aqueles ofendido a Deus por ser Ele infinitamente bom e digno de ser ama­
por quem se aplica a Missa e podem ser tanto vivos como defuntos. do sobre ·todas as coisas. É o arrependimento perfeito. A atriçao 011
Para bem nos unirmos ao Sacrificio do- altar, devemos fazer a dor imperfeita da-se quando nos arrependemos por temor dos cas­
Comunhao sacramentaI ou ao menos a espiritual, ao tempo em que tigos que merecemos e nos esperam nesta ou na outra vida, ou pela
o sacerdote comunga. A Comunhao espiritual é um vivo desejo de propria fealdade do pecado. Em qualquer hipotese, sem firme pro­
unir-se sacramentaImente a Jesus Cristo com oraç6es como as que posito de emenda nao pode haver um verdadeiro arrependimento (ver
se fariam antes e depois da Comunhao sacramentaI. numero 41). O bom proposito deve ser eficaz, para o que é necessa­
rio urna vontade decidida de nao mais pecar, de fugir das ocasi5es de
Nao nos esqueçamos deste belo pensamento do Santo Cura pecado e de destruir os maus habitos.
d'Ars sobre a Missa: "Todas as boas obras reunidas nao equivalem
ao Santo Sacrificio da Missa, porque elas san as obras dos homens e Devemos acusar todos os pecados mortais cometidos, mas é bOffi
a Missa é a obra de Deus. O martlrio nada é em comparaçao: é o também acusar os vcniais. Alias, quem se confessa habitual e fre­
sacrificio que o homem faz de sua vida, a Missa é o sacrificio que qUentemente, sendo boas as confiss5es, muito dificilmente teni a con­
Deus faz pelo homem de seu Corpo e seu Sangue." fessar pecado mortaI.
O Diretorio Geral Catequfstico, publicado em 11 de abril de
1971, pela Congregaçao para o Clero, faz ver que se deve ter eril con­
ta a utilidade da Confissao mesmo nos casos de versar somente sobre
48. PENITENCIA OU CONFISSAO pecados veniais, conservando eIa, nesta hipotese, a sua virtude, pois
confere um aumento de graça e de caridade, acrescenta as boas dis­
A Penitencia, chamada também Confissao, é o Sacramento da posiç6es para receber a Eucaristia e ajuda a levar urna vida crista.
reconciliaçao, pelo qual se obtém o perdan dos pecados cometidos
depois do Batismo. Jesus Cristo instituiu-o no dia da sua Ressurrei­ O pecado mortaI é sempre em matéria grave, com pIena adver­
çao, quando, depois de entrar no Ce nclcul 0, deu solenemente aos tencia do entendimento e perfeito consentimento da vontade (ver nu­
Apostolos o poder de perdoar os pecados (Jo 20,22-23). mero 39). Ha matéria grave quando se trata de alguma coisa nota­
velmente contraria à lei de Deus e da Igreja. ,A pIena advertencia
Requerem-se para a Confissao: cnnsiste em conhecer perfeitamente que se fez algum mal grave. E o
consentimento perfeito da vontade existe quando se faz delibera­
1) exame de consciencia; damente urna coisa reconhecida como pecaminosa.
2) arrependimento; Depois de ter dado a absolviçao, o sacerdote impoe urna oraçao ou
3) proposito; urna boa obra, para significar urna certa reparaçao à Justiça Divina
pelos pecados cometidos e a pIena reintegraçao do penitente na comu­
4) acusaçao ou confissao; ·nhao eclesiaI. É o que se chama satisfaçao ou penitencia. Devemos to ..
5) satisfaçao ou penitelJcia. da .a atençao aos conselhos do confessor, desde que seja este firme na
doutrina, piedoso, douto e prudente.
O exame de consciencia faz-se trazendo diligentemente à me­ As palavras do sacerdote, ao absolver, constituem a forma do
moria, na presença de Deus, os pecados ainda nao confessados, co­ Sacramento da Penitencia. Sua matéria pode ser remota ou proxima.
metidos por pensamentos, palavras, aç5es e omissoes, contra os Man­ Constituem matéria remota os pecados cometidos pelO' penitente de­

60 61
frisar que nao se deve esperar que eles entrem em agonia. N este caso,
pois do Batismo; e proxlma, os atos do proprio penitente, isto é, a nao poderiam mais beneficiar-se do Sacramento no sentido de alcan­
contriçao, a acusaçao e a satisfaçao. çar boas disposiç6es para a morte; além do que, comO' acaba de ser
A contriçao, ou arrependimento perfeito, urna vez que haja a in­ ditO', da Unçao dos enfermos pode resultar a saude do corpo, se isto
tençao de se confessar logo que possivel, ja por si perdoa os pecados. for conveniente à alma.
Estando o enfermo consciente, é administrada depois da Confis­
Note-se que quem esconder algum pecado grave na confissao, fa­ sao e da Comunhao. Se ele nao estiver em condiç6es de confessar e
zendo-o de1iberadamente, nao so nao obtém perdao dos demais peca­ comungar, reeche apenas a Unçao dos enfermos.
dos, mas ainda comete um sacrilégio.
A respeito da chamadaconfissao comunitaria, cumpre ter pre­

sentes as Normas Pastorais sobre a absolviçao sacramentaI administra­


50.0RDEM
da de modo coletivo, emanadas da Sagrada Congregaçao para a Dou­

trina da Fé e datadas de 16 de junho de 1972. Ai se diz que "a con­


Os Sacramentos até aqui mencionados visam primordial e direta­
fissao individuaI e integra, com a absolviçaD, permanece como unico
mente ao bem do indiVIduo, isto é, daquele que os recebe, embora pro­
modo ordinario pelo qual os fiéis se reconciliam com D'eus, a nao ser
duzam concomitantemente um bem social.
que a impossibilidade fisica ou moral escusem desta forma de confis­ Os dois ultimos Sacramentos dizem respeito precipuamente a uma
saD." finalidade social, beneficiando também a pessoa que os recebe. A Or­
A absDlviçao coletiva so é licita quando se verificam simultanea­ dem é um Sacramento instituido para a glorificaçao de Deus pelos
mente tres condiç6es: 1) grande afluencia de penitentes; 2) numero mistérios sagrados e para o bem das almas, às quais o sacerdote deve
insuficiente de sacerdotes confessores presentes; 3) os penitentes deve­ dedicar-se. E D Matrimonio existe com vistas à procriaçao e à educa­
riam, sem sua culpa, permanecer privados por longo tempo da graça çao dos filhos.
sacramentaI ou da Santa Comunhao. A Ordem da o poder de exercer os santos ministérios concemen­
Mesmo tendo recebido a absolviçao coletiva, licitamente adminis­ tes ao culto de Deus e à salvaçao das almas. Imprime na alma de quem
trada, os fiéis tem a obrigaçao de confessar os pecados graves absol­ o recebe o carater de ministro de D'eus. Sua denomÙ1açaD resulta dos
vidos, antes de receber urna segunda absolviçao geral. diferentes graus que correspondem às dignidades conferidas aos mi­
nistros dO' Senhor e formam urna hierarquia ou ordem.
Antes de ser ordenadD sacerdote, quem se prepara para ascen­
49. UNçAO DOS ENFERMOS der a essa dignidade, recebe as ordens menores, e a seguir o Diacona­
to. Depois do Diaconato, vem o Presbiterato. Acima de todos, o Epis­
A Unçao dos enfermos, antes denominada Extrema Unçao, é o copado, que contém a plenitude do sacerd6cio.
Sacramento institllido para allvio espiritual e também corpDral dos en­ A vocaçaD sacerdotal é um chamamento de Deus, urna graça
fermos em perigo de morte (Mc 6,13). especialissima, um santo privilégio para quem a reeebe. Nao pode
haver entre os homens nada mais grandioso do que o poder do sa­
Considerado nos seus efeitos, este Sacramento: cerdote, quando na Missa, pelas palavras da consagraçao, faz Deus
descer do Céu ao altar, como a Virgem Maria, conl Q fiat,fez o Ver­
1) aumenta a graça santificante;
bo Divino baixar ao seio virginal.
2) apaga os pecados veniais e também os mortais se o enfermo,
arrependido, nao puder confessar-se;
3) ajuda a recuperar a sa6de do corpo, se isto for 6til à salvaçao 51. MATRIMÒNIO
da alma. o Sacramento do Matrimonio foi instituido para a constituiçao
Destina-se aos doentes em estado grave, fortalecendo-os na Fé, santa da famHia. Unidos pelos laços sagrados do Matrimonio, os con­
perante a morte, e preparando-os para a Eternidade. Cumpre, porém,
63
62
lilalioteca cel\trat~PUCPR'
e a pena eterna, mas fica na alma do penitente urna dIvida com rela.:.
I
juges tornam-se os auxiliares de Deus na obra da criaçao, assim co­ çao à pena temp or al, que ha de ser paga neste mundo com sofri­
1110 os que recebem o Sacramento da Ordem sao os auxiliares de mentos, misériase finalmente a morte, ou no outro,com expiaç5es
Deus na obra da Redençae, missao esta, alias, que cabe também aos purificadoras no purgatorio.
pais com relaçao aos filhos.
O Matrimonio foi instituido pelo proprio Deus no paraiso ter­
A Igreja tem o poder de perdoar a pena temporal, por meio das
ìndulgencias, aplicando os méritos infinitos de Jesus Cristo e as sa­
I
restre, e no Novo Testamento foi elevade por Jesus Cristo à dignida­ tisfaç5es superabundantes de Jesus Cristo, da Santissima Virgem e
de de Sacramento. Estabelece urna santa e indissoluvel uniao entre dos Santos. Tais méritos e satisfaç5es formam o que se chama o te­
o homem e a mulher e lhes da a graça de se amarem um ao outro pa­ souro da Igreja.
ra sempre, de se ajudarem mutuamente e de educarem crisHimente
A indulgencia é a remissao da pena temporal devida pelos pe­
os fi1hos. cados ja perdoados quanto à culpa. Pode ser plenaria, se liberta to­
Para contrair licitamente o Matrimonio cristao, é necessario es­ talmente da pena devida., ou parcial, se liberta so em parte.
tar livre dos impedimentos matrimoniais (por exemplo, a consan­
Lucra-se a indulgencia plenaria com urna das seguintes obras:
gtiinidade até o terceiro grau) , ser instruido nas verdades principais
Via-Sacra, Terço, adoraçao ao Santissimo Sacramento ao menos per
da religiao e achar-se em est ado de graça. meia hora, leitura da Sagrada Escritura por meia hora. Ha outras
Os ministros deste Sacramento sao os proprios nubentes, que indulgencias plenarias ligadas a lugares, circunstancias, dias deter­
reciprocamente conferem e recebem D Sacramento na presença do pa-' minados.
roco, ou de um sacerdote em seu lugar, que lhes da a bençao,e de
Lucra-se urna indulgencia parcial com varias praticas recomen­
duas testemunhas. dadas pela Igreja, per exemplo: ensinar ou estudar o Catecismo, fa­
O Matrimonio cristao nao pode existir sem o mutuo consenti~ zer meditaçao" fazer o Sinal-da-Cruz, renovar as promessas do Batis­
mento dos que vao recebe-Io, consentimento dado livremente·, sem mo, ajudar a urna pessoa necessitada, visitar o cemitério, além de
nenhuma coaçao. Nel e, o contrato nao se pode separar do Sacra­ oraç5es e jaculatorias diversas.
mento, pois o Matrimonio entre batizados nao é senao o proprio H;a tres condiç5es para lucrar as indulgencias: 1) a confissao
contrato natural elevado por J esus Cristo à categoria de Sacramento. sacramentaI (varios dias antes ou depois); 2) a comunhao eucaristica
Quan.to ao casamento civiI, de acordo com as leis de cada paIs, (é conveniente no mesmo dia da oraçao ou obra prescrita); 3) oraçao
nao passa de urna formalidade prescrita pela lei para os cidadaes, a pelas intenç5es do Sumo PontIfice (bastam um Pai-Nosso e urna Ave­
fim de assegurar os efeitos civis aos casados e aos seus fi1hos (regi­ Maria). Requer-se, além disso, a exclusao de qualquer afeiçao aO' pe~
me de bens, sucessao, etc.). O verdadeiro casamento é o religioso. cado, mesmo venial.
Ja os antigos remanos definiam o casamento "um consorcio por As indulgencias podem beneficiar quem as ganha ou podem ser
toda a vida com a comunicaçao de direitos divinos e humanos", con­
aplicadas em favor das almas do purgatorio. No purgatorio estao. as
forme as palavras do jurisconsulto Modestino. almas que receberam o perdao, mas ainda flao satisfizeram inteira­
"Grande Sacramento", diz Sao Paulo com referencia ao Matri­ mente à Justiça Divina. Essas almas podem ser aliviadas com as in­
monio, na EpIstola aos Efésios (5,32), dando por modelo aos esposos dulgencias e também com oraç5es, esmolas e outras obras, principal­
a uniao de Cristo com a Igreja. mente o Santo SacrifIcio da Missa.
Sacramentais sao coisas ou aç5es de que a Igreja se serve, imi­
tando de algum modo os Sacramentos, para alcançar, por sua impe­
traçao, efeitos sobretudo espirituais. Sao sinais sagrados criados pela
52. INDULG~NCIAS E SACRAMENTAIS Igreja, ao passo que os Sacramentos fora m institufdos por Nosso Se­
nhor JesusCristo.
O perdao dos pecados, recebido com o Sacramento da Peniten­ Ha varias modalidades de Sacramentais: bençaos, prociss5es,
cia ou com um ato de arrependimento perfeito, apaga sempre a culpa
65
64

;.', F:' '.~ ;.,' '... (. }-.:

ladainh.as, exorcismos. Sao sacramentais, por exemplo, a agua ben­ Jesus Cristo, em ordem à vida eterna. Divide-se em graça santificante
ta, o pao bento em certas cerimonias, as cinzas aplicadas aos fiéis na ougraça habitual, e graça atuaI.
Quarta-feira de Cinzas, etc. A oraçao dominical ou Pai-Nosso é um A graça santificante é um dom sobrenatural inerente à alma,
sacramentaI. que nos faz justos~ filhos adotivos de Deus e herdeiros do paralso.
Quanto aos exorcismos, sao formulas e atos que a Igreja em­ Produz na alma urna renovaçao interi or profunda, comunicando-Ihe
prega para expulsar o demonio das pessoas, das coisas ou dos luga­ urna disposiçao divina que a penetra e eleva. É a vida de Deus em
nos. Recebemo-Ia pela primeira vez no Batismo. Perdemo-Ia pelo
reso pecado mortaI. Recuperamo-Ia pelo arrependimento e pela Confis­
sao. E eIa aumenta em nos pela oraçao, na vida eucaristica e quando
praticamos boas aç6es (ver numeros 8, 16, 39, 41, 44, 46 e 48).
53. VIDA CRISTA, VIDA SOBRENATURAL DA GRAçA
A graça atual é urna ajuda sobrenatural dada por Deus para
Se Sao Paulo diz que "sem a Fé é imposslvel agradar a Deus" iluminar a inteligencia, mover e fortalecer a vontade, a fim de que
(Heb 11,6), mais incisivas ainda sao estas palavras de Nosso Senhor pratiquemos o bem e evitemos o mal, com vistas à salvaçao eterna.
aos Apostolos: "Ide pelo mundo todo e pregai o Evangelho a toda
Da uniao do corpo com a alma resulta avida natural e da
a criatura. Quem crer e for batizado sera salvo, quem nao crer seni
uniao da alma com Deus resulta avida sabrenaturaI.
condenado" (Mc 16,15-16).
Sem a Fé na Revelaçao Divina (ver numero 7), nao poderfamos Viver em Deus é viver em Jesus Cristo, viver em Jesus Cristo
conhecer os mistérios da salvaçao, que sao essencialmente sobrena­ é viver na Igreja. Pela graça tornamo-nos participantes da vida di­
vina. (2Pdr 1,4).
turais.
Importa considerar que ha tres ordens de conhecimentos, essen­
cialmente distintas e subordinadas : 54. OS DONS DO ESPIRITO SANTO (Is 11,2-3)
1) a ordero do conhecimento senslvel, que os animais também Esses dons consistem em disposiç6es habituais da alma, infun­
possuero eque nas faz perceber as cores, os sons e as suas harmonias; didas por Deus, mediante as quais eIa deixa facilmente mover-se
2) a ordem racional, das verdades acessiveis à razao, propria pelas inspiraç6es do Espirito Santo.
dos homens, pela qual distinguimos entre o bem e o mal (ver numero
23) e podemos chegar ao conhecimento da existencia de Deus (ver Sao sete:
numero 4); Sabedoria
3) a ordero da vida sobrenatural, inacesslvel aos sentidos e à Entendimento (ou Inteligencia)
razao dentro de suas limitaç6es naturais, dada a conhecer pela Reve­
laçao (ver numero 7) e alcançada pela Fé. Conselho
Fortaleza
Os segredos ou mistérios da vida sobrenatural sao as profunde­
zas de Deus e sua vida intima. Ciencia
Avida crista fundamenta-se na Fé, dom de Deus que recebe­ Piedade
mos no Batismo (ver nUmero 44). Vida comunicada a nos por Jesus Temor de Deus
Cristo. Vida de oraçao, pela qual nos unimos a Deus, como membros
do Corpo Mistico de Cristo, que é a Igreja (ver numero lO). Tais dons nos confirmam na Fé, na Esperança e na Caridade,
A graça é um dom interi or· e sobrenatural, que nos é dado sem e nos tornam solicitos para os atos das virtudes necessarias à per­
merecimento algum de nossa parte, mas pelos méritos infinitos de feiçao da vida crista.

67
66
A Sabedoria é um dom pelo qual, elevando o esplrito acima
3. Vestir os nus.
das coisas terrenas e fnigeis, contemplamos as eternas, isto é, a Ver­
dade, que é Deus, n'Ele pondo a nossa alegria e amando-O como 4. Dar pousada aos peregrinos.
nosso Sumo Bem. 5. Assistir aos enfermos.
O Entendimento ou Inteligencia é um dom pelo qual nos é fa­
cilitado, o quanto posslvel a um homem mortaI, a inteligencia das 6. Visitar os presos.
verdades da Fé e dos divinos mistérios·, os quais nao podemos co­ 7. Enterrar os mortos.
nhecer com as luzes naturais da razao.
O Conselho é um dom pelo qual, nas duvidas e incertezas da Obras de misericordia espirituais :
vida humana, conhecemos o que mais convém à gloria de Deus, à 1. Dar bom conselho.
nossa salvaçao e à do proximo.
2. Ensinar os ignorantes.
A Fortaleza é um dom que nos incute energia e coragem para
observar fielmente a Lei de Deus e da Igreja, vencendo todos 08 3. Corrigir os que erram.
obstaculos, e os assaltos dos nossos inimigos. 4. Consolar os aflitos.
A Ciencia é um dom pelo qual julgamos retamente das coisas 5. Perdoar as injUrias.
criadas e conhecemos o modo de bem usar delas e dirigi-Ias a Deus,
nosso Fim Ultimo. 6. Sofrer com paciencia as fraquezas do proximo.
lA Piedade é um dom pelo qual veneramos e amamos a DellS 7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos.
e aos Santos (ver nUmero 20) e conservamos animo bondoso e be­
névolo para com o proximo por amor de Deus.
O Temor de Deus é um dom que nos faz reverenciar a Deus 56. AS BEM-AVENTURANçAS EVANGÉLICAS
e ter receio de ofender a sua Divina Majestade, eque nos afasta do Sao oito as Bem-aventuranças evangélicas, proclamadas por Je­
mal, incitando-nos ao bem. sus no Sermao da Montanha, a saber (Mt 5,1-10):
Na Epistola aos Galatas (5,22-23) Sao Paulo enumera os fru­
tos do Espirito Santo, a saber: caridade, alegria, paz, paciencia, 1. Bem-aventurados os pobres em esplrito, porque deles é o
afabilidade, bondade, longanimidade, mansidao, fidelidade; modés­ reino dos Céus.
tia, continencia e castidade. 2. Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirao a terra.
3. Bem-aventurados os que choram, porque serao consolados.
55. AS OBRAS DE MISERICO'RDIA 4. Bem-aventurados os que tem sede e fome de justiça, porque
serao fartos.
No dia do J ulzo ser-nos-a pedida conta particular das obras de
5. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarao mi­
misericordia. As obras de misericordia sao sete corporais e sete es­
sericordia.
pirituais, segundo sejam corporais ou espirituais as necessidades que
se socorrem. 6. Bem-aventurados os puros de coraçao, porque verao a Deus.

Obras de misericordia corporais : 7. Bem-aventurados os pacificos, porque serao chamados filhos


de Deus.
L Dar de corner a quem tem fome.
8. Bem-aventurados os que sofrem perseguiçao por amor da
2. Dar de beber a quem tem sede. justiça, porque deles é o reino dos Céus.

68 69
Os diversos premios prometidos por Jesus Cristo nas Bem-aven­ No famoso livro De Civitate Dei, escreve Santo IAgostinho:
turanças significam, sob diversos nomes, a gloria eterna do Céu. O "Dois amores fizeram duas cidades: o amor de si, levado até ao
Céu é a terra dos vivos (telTa viventium), onde se encontra a ver­ desprezo de Deus, fez a cidade terrena; o amor de Deus, levado até
dadeira felicidade para sempre. Mas as Bem-aventuranças evangéli­ ao desprezo de si, fez a cidade de Deus". (Livro XIV, cap. 28).
cas san também meios de nos tornar felizes, nesta vida, tanto quan­
to é possivel, pela paz e pelo contentamento intimo que produzem.
Sao as maximas do Evangelho. Op6em-se às maximas do mundo,
cujos seguidores nao podem ser felizes, por lhes faltar a verdadeira
paz e porque estao em risco de se condenar. Note-se que a felicida­ 58. A GRAçA E A GLORIA
de nesta vida, a paz e a alegria interior, nao excluem o sofrimento,
mesmo porque nao ha vida crista sem a cruz (ver numero 9). Mo­ HO Senhor da a graça e a gloria." (Salmo 83,12)
tivo pelo qual Sao Joao da Cruz exclamava: Cmz, descanso sabroso
* mi vida, vos se'rus la bien;venida. Efeito maravilhoso da graça é fazer-nos participantes da na­
tureza divina. (2Pdr 1,4).

57. CIDADE DE DEUS E CIDADE TERRENA Deus penetra e transforma urna alma em estado de graça co­
mo o fogo penetra e transforma o ferro lançado numa fornalha ar­
Depois de haver anunciado as bem-aventuranças, disse Jesus aos dente, ou como o sol ao projetar o resplendor sobre uma nuvem,
discipulos: "Bem-aventurados sois vos, quando, por minha causa, dourando-a com seus raios luminosos.
vos injuriarem e perseguirem e disserem, falsamente, contra vos, A graça incriada é o proprio Deus em Si mesmo, enquanto pe­
toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, porque sera grande no lo seu amor Ele se da sobrenaturalmente ao homem. A graça cria­
Céu a vossa recompensa. Foi assim que perseguiram os profetas que da é o dom produzido sobrenaturalmente no homem (graça san­
vive ram antes de vos" (Mt 5,11-12). tificante ou habitual e graça atual); é o principio de uma atividade,
O Apostolo Sao Paulo faz ver que "todos aqueles que querem urna vida nova, sobrenatural, infundida em nos à imagem do Cristo­
vivèr piedosamente em Jesus Cristo serao perseguidos" (2Tim 3,12). Homem (ver numeros 9 e 53).

E finalmente, Jesus, falando aos discipulos depois da ultima Para aIcançar essa vida nova, é preciso re jeitar o homem ve­
Ceia, disse-lhes ainda que haveriam de viver na paz pela sua graça, lho do pecado e abraçar a cruz de cada dia. Disse-o Jesus (ver nu­
mas teriam de sofrer no mundo (10 16,33). Nao ha cristianismo sem mero 9), falando aos discipulos, e no Sermao da Montanha fez ver
cruz (ver numeros 9 e 56). que "estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida"
(Mt 7,14). A estrada larga dos prazeres e excessivas comodidades é
Avida crista é incompativel com o espirito do mundo, a respei­ a via da perdiçao.
to do qual disse Sao Joao: "o mundo todo jaz nas maos do maligno".,
isto é, do demonio (lJo 5,19). Antes de entrar na Terra Prometida, os hebreus tiveram que
atravessar o deserto, ai se defrontando durante quarenta anos com
E a alegria crista, recomendada com insistencia por Sao Paulo penosas dificuldades. Deus nao quer no seu Reino senao as almas
(Fil 4,4) nao é a falsa e ruidosa alegria mundana, nem exclui a peni­ provadas no cadinho purificador das tribulaç5es pacientemente so­
tencia, a mortificaçao, a renuncia e o sofrimento paciente e humilde­ fridas.
mente aceito, numa entrega total à vontade de Deus.
A graça habitual ou santificante, pela presença do Espirito
So a vitoria sobre a triplice concupiscencia - "a concupiscencia Santo na alma (lCor 3,16; 6,19), é a vida eterna no seu principio.
da carne, a concupiscencia dos olhos e o orgulho da vida" (lJo 2,16) A felicidade eterna e perfeita dos eleitos" no Céu, é o efeito ime­
- pode fazer-nos verdadeiramente discipulos de Jesus. diato da gloria que Deus lhes comunica. lA graça é a aurora. A gl6­
Dessa forma chegamos a extirpar o nosso egoismo, rejeitando a ria é o pIeno dia. Esta gl6ria procede da posse do soberano Bem,
Satanas., suas pompas e suas obras (ver numero 44). . nosso Fim ultimo.

70 71
Santo Tomas de Aquino começa seu Compendio de Teologia APltNDICE
dizendo que a Fé é uma prelibaçao daquele conhecimento .que na
vida futura nos fara felizes por toda a Eternidade. Essas palavras 1. PROFISSAO DE FÉ (O StMBOLO DOS APOSTOLOS)
sao ditas em comentario ao ensinamento de Sao Paulo: "a Fé é a
substancia daquilo que se esper~, argumento de realidades que nao CREDO in Dewn, Patrem CREIO em Deus, Pai todo·
se veem" (Heb 11,1). No Céu veremos a Deus face-a-face e contem­ oIDDipotentem, Creatorem caeli poderoso, criador do Céu e da
plaremos a Santissima Trindade, que é, nesta vida, objeto da Fé. et terrae. Et in Jesom Cbristum terra. E em Jesus Cristo, seu
Passamos da vida da graça, pela qual ja neste mundo nos unimos a Filium ejus unicum Dominum unico Filho, Nosso Senhor, que
Deus, para a plenitude da uniao com Deus na gloria eterna. nostrum; qui conceptus est de foi concebido pelo poder do Es­
Spirito Sancto; natus ex Maria
°
Donde a liçao do Catecismo : HOMEM FOI CRIADO PARA
CONHECER, AMAR E SERVIR A DEUS NESTE MUNDO, E AS­
Virgine; ' passus sub Pontio Pia
lato, cmcifixus,. mortuus et se­
pirito Santo, nasceu da Virgem
Maria; padeceu sob Poncio Pila­
tos, foi crucificado, morto e se­
SIM ALCANçAR A FELICIDADE PERFEITA E ETERNA COM pultos; descendit ad infe'ros; ter­ pultado; desceu à mansao dos
DEUS NO ~U. tia die resurrexit a mortuis; as­ mortos; ressuscitou ao terceiro
cendit ad caelos, sedet ad dex­ dia; subiu aos céus, esta senta­
teram Dei Patris omnipotentis; do à direita de Deus Pai todo­
inde ventoms est judicare vi­ poderoso, donde ha de vir a
vos et mortuos,. Credo in Spiri· julgar os vivos e os mortos.
tum Sanctum; sanctam Ecclesi. Creio no Espirito Santo; lna
aDI Catholicam; Sanctorum com­ Santa Igreja Catolica; na Co­
munionem; remissionem peccato­ munhao dos Santos; na remis­
rum; ca,rnis resUITectionem vi·
t; sao dos pecados; na ressurreiçao
tam aetemam. AMEN. da carne; na vida eterna.
A~M.

2. ORAçOES PRINCIPAIS
PATER NOSTER, qui es in PAI NOSSO, que estais no
caeli~, sanctificetur oomen hIum. Céu, santificado seja o vosso
Adveniat regnum tuum. Fiat vo­ nome, venha a nos o vosso rei­
luotas tua, sicut in c'aelo et in no, seja feita a vossa vontade,
terra. Panem nostmm quotidia.
Bum da nobis bodie, Et dim.itte
assim na terra como no Céu.
pao nosso de cada dia nos dai
°
nobis debita nostra, sicot et nos hoje, perdoai-nos as nossas
dimittimus debitoribus nostris. ofensas, assim como nos per­
doamos a quem nos tem ofendi­
Et ne nos inducas in tentatio­ do, e nao nos deixeis cair em
nem, . sed libera 80S amalo. tentaçao, mas livrai-nos do mal.
AMEN. AME,M.

AVE MARIA, grana piena, . AVE MARIA, cheia de gra­


Dominus tecum, benedicta tu in ça, o Senhor é convosco, bendi­
muIieribuls, et benedictos fmctus ta sois V os entre as mulheres, e
ventris tui, JeSllS. Sancta Maria, bendito é o fruto do vosso ven­
Mater Dei, ora pro nobis, pec- tre, Jesus. Santa Maria, Mae de

72 73
-'T

catoribus, nunc et in hora mOl·· Deus, rogai por nos, pecadores, V. Ora pro nobis, sancta Dei piedosa, o doce sempre Virgem
tis nostrae. AMEN. agora e na hora da nossa morte. Genitrix R. Ut d~gni efficiamur Maria! R. Rogai por nos, santa
AMEM. promissionibus Chrisn. AMEN. Mae de Deus. R. para que seja­
GLORIA Patri et FHio et GLORIA ao Pai e ao Filho mos dignos das promessas de
e ao Esplrito Santo. Assim co­ Cristo. AMÉM.
Spiritui Sancto. Si'Cut erat in mo era no principio, e agora, ~ V. Angelus Domini nuntiavit
principio, et nunc, et semper, et Mariae.
sempre, e por todos os séculos V. O Anjo do Senhor anunciou
in saecula saeculonlln. AMEN. dos séculos. AMÉ-M. R. Et concepit de Spiritu Sanc.. a Maria.
to. R. E eIa concebeu do Esplrito
Ave Maria, etc. Santo.

3. INVOCAçAO DO ESPIRITO SANTO V. Ecce ancilla Domini. Ave Maria, etc.

V. Eis aqui a escrava do Se­


R. Fiat mibi secundum verbum nhor.
VINDE ESPIRITO SANTO, tnum.

VENI SANCTE SPIRITUS, enchei os coraç5es de vossos R. Faça-se em mim segundo a


Ave Maria, etc.
tua palavra.
reple tuorum corda fidelium, et fiéis e acendei neles O' fogo do
tui amoris in eis ignem accende. vosso divino amor. V. Et Verbum' caro factum est. AVe Maria, etc.
V. Enviai, Senhor, o vosso
R. Et habitavit in nobis.
V. E o Verbo se fez carne. E
V. Emite Spirltum tuum, et habitou entre nos.
Esplrito e tudo seni criado.
Ave Maria, etc.

creabuntur• Ave Maria, etc.


R. E renovareis a face da ,;.~. V. Ora pro nobis, sancta De,i
R. Et rennvabis faciem terrae. terra. V. Rogai por nos, santa Mae
Genitrlx.
Oremos - Deus" que ilus­ de Deus.
Oremus - Deus, qui cord~ trastes os coraç5es dos fiéis R. Ut digni efficiamur promis.. R. Para que sejamos dignos das
fidelium Sancti Spiritus illustra­ com a luz do Espirito Santo, sionibus Cbristi. promessas de Cristo.
tione docuisti: da nobis in eo.. concedei-nas que, pelo mesmo Oremos
dem Spiritu recta sapere, et de Espirito, saibamos tudo o que Oremus Infundi, Senhor, como vos
ejes semper coosolatione gaude.. é reto, e nos alegramos sem­ pedimos, a vossa graça em nos­
re. pre com a sua consolaçao. Gratiam tuam, quaesumus, sas almas, para que nos, que,
R. AMEN. ASSIM SEJA. Domine, mentibus nostris infon­ pela anunciaçao do anjo conhe­
de: ut .qui Angelo nuntiante cemos a Encarnaçao de vosso
Christi Filii fui, Inc'amationem Filho, Jesus Cristo, por sua Pai­
4. A SALVE RAINHA E O ANGELUS
cognovimus, per p'assionem eius xao e Morte de Cruz chegue­
et crucem ad resurrectionis glo­ mos à gloria da ressurreiçao.
SAL VE REGINA, Mater mi.. SALVE RAINHA, Mae de riam perducamur. Per eumdem Pelo mesmo Cristo Nosso Se­
sericordiae: Vita" dulCiedo e't misericordia, vida doçura, es­ Cbristum Dominum nostrum. nhor. Amém.
spes nostra, salve! Ad te eia.. perança nossa, salve! A vos AMEN. Gloria Patri, etc. (ter) Gloria ao Pai, etc. (tres vezes).
mamus, exules filii Hevae. Ad bradamos os degradados filhos
te suspiramus gementes et flen­ de Eva. A vos suspiramos, ge­ No tempo pascal, isto é, desde o sabado de aleluia até ao meio­
tes in MC Iaclimamm vane. Eia mendo e chorando, neste vale dia do sabado antes do' domingo da Santissima Trindade, em lugar
ergo, Advocata nostra, illos tu.. de higrimas. Eia, pois advoga­ do Angelus diz-se o Regina CaeIi:
os misericordes oculos ad BOS da nossa, esses vossos olhos mi­
converte. Et Jesum, benedictum sericordiosos a nos volvei. E R. Regina Ca.eli, Iaetare, alle­ V. Rainha do Céu, alegrai-vos,
fructum ventris tui, nobis post depois deste desterro, nos mos­ luia. aleluia.
hoc exilium ostende. O clemens; trai a Jesus, bendito fruto do R. Quia quem meruiS.fi portare,
o pia; o dulcis Virgo Maria! vosso ventre. O clemente, o alleluia. R . Porque o que merecestes

74
75
Consagraçao a Nossa Senhora (oferecimernto do dia para a oraçao da
trazer em vosso ventre, ale­ maMa) :
lilla.
V. Resnrrexk sicut dixit, alle- V. Ressuscitou como disse, ale- 6 minha Senhora e minha Mae, eu me ofereço todo a V os, e em
I
Ima. luia.
l· prova da minha devoçao para convosco, vos consagro neste dia os
R. Ora pro nobis Deum, aIIe-' R. Rogai por nos a Deus, ale- meus oThos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coraçao e todo o
luia. luia. meu seri e porque assim sou vosso, o incompanivel Mae, guardai-me
V. Gaude et laetare, Virgo Ma- V. Alegrai-vos e exultai, o Vir- e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém.
ria, aIIelw'3. gem Maria, aleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, R. Porque o Senhor ressuscitou
alleluia. verdadeiramente. Aleluia. A Sao José (especiaImente para depois do Rosario):

Oremos é> bem-aventurado Sao José, a Vos recorremos em nossas tribu­


Oremus laç6es e, implorando o socorro de vossa santissima Esposa, pedimos
Deus, qui per resUITcctionem Deus" que vos dignastes ale­ também com confiança o vosso patrodnio. Pelo afeto que vos uniu
Filii tm, Domini nostri Jeso grar o mundo com a ressurrei­ à Imaculada Virgem Maria, Mae de Deus, e pelo paternal amor que
Christi, mundum laetificare dig­ çao de vosso FiTho, nosso Se· tivestes a Jesus Menino, vos rogamos e suplicamos que olheis benig­
natus eS: praesta, quaesumus, ut nhor Jesus Cristo, concedei-nos no para a herança que Jesus Cristo conquistoucom o seu sangue, e
per ejus Geoitricem Virginem que, por sua santa Mae, a Vir­ nos assistais em todas as necessidades com o vosso poder e auxHio.
Mariam, perpetuae capiamus gem Maria, consigamos os ine­ ~;(

faveis gozos da vida eterna. ,f· 6 providenttssimo guarda da Sagrada Familia, guardai os fiThos
gaudia vitae. Per eumdem Chris­
AMÉM. escolbidos de Jesus Cristo. Preservai-nos, o Pai amorosissimo, de to­
tum Dominum Nostrom. do o contagio do erro e corrupçao; sede-nos propicio, 6 poderosissi­
AMEN.
Gloria ao P'ai, etc. (tres ve­ mo libertador nosso, e assisti-nos do alto do Céu nesta Iuta com o
zes). poder das trevas: e assim como outrora livrastes a Jesus Menino do
Gloria Patri, etc. (ter)
perigo da morte,. assim agora defendei a santa Igreja de Deus das in­
sidias dos seus inimigos e de todas as adversidades. Concedei-nos a
todos o vosso perpétuo patrodnio, para que, sustentados por vosso
5. OUTRAS ORAçÒES exemplo e auxllio, possamos viver santamente, morrer piamente e a]­
cançar a bem-aventurança no Céu. Amém.
Para depois da Comunhao:
Alma de Cristo, santificai-me.
A Sao Miguel Arcanjo :
Corpo de Cristo, salvai-me.
ì
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Sao Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate : sede o nosso au­
Agua do lado de Cristo, lavai-me.
xilio contra a malicia e ciladas do demonio. Exerça Deus sobre ele o
Paixao de Cristo, confortai-me.
seu império, instantemente o pedimos; e vos, principe da millcia ce­
leste, pelo divino poder precipitai no inferno a Satanas e aos outros
O bom Jesus, ouvi-me.
esplritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas.
Nas vossas chagas, escondei-me.
Amém. '
Nao permitais que me separe de vos.

Do inimigo maligno, defendei-me.

Na hora da minha morte, chamai-me. I


Ao Anjo da Guarda:
r:
E mandai-me ir para Vos.
Para que vos louve com vossos santos. Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, ja que a ti me
confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina.
Por todos os sécuios dos ' séculos. A.MÉM.

76 77
Bençao da mesa (arites das refeiç6es) : Ato de Caridade :
iAbençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que de vossa bonda­ Eu Vos amo, mea Deus, de todo o meu coraçao e sobre todas
de recebemos. as coisas, porque S01S infinitamente bOffi e amavel, e antes quero per­
R. Amém. der tudo do que Vos ofender. Por amor de Vos, amo ao meu proxi­
mo como a mim mesmo.
Que o Rei da Gloria Eterna nos faça participar da Mesa ce­
lestial.
R. Amém.
J Ato de Contriçao:
Senhor mea Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e
Para a oraçao da noite : Redentor mea, por serdes Vos quem sois, sumamente bom e digno
de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pe­
Eterno Pai, eu vas ofereço por meio de Maria, o Sagrado Co­ sa-me, Senhor, de tado o meu coraçao, de Vos ter ofendido; pesa­
raçao de Jesus, com tOOo D seu amor, seus sofrimentos, seus mereci­ me, também, por ter perdi do o céu e merecido o inferno, e proponho
mentos e perfeiç6es : firmemente, com os auxilios de vossa divina graça, emendar-me e
nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdao de mi­
1.0) para expiar todos os pecados que cometi hoje e durante to­ nhas culpas pela vossa infinita misericordia. Amém.
da a minha vida passada; .
2.°) para purificar o bem que fiz imperfeitamente hoje e durante
toda a minha vida passa da;
3.°) para suprir as boas obras que devia fazer e descurei hoje
e durante toda a minha vida passada.

6. ATOS DE FÉ, ESPERANçA, CARIDADE E CONTRIçAO.

Ato de Fé: j;

Creio firmemente que ha um so Deus em tres pessoas realmente


distintas, Pai, Fi1ho e Espirito Santo; que da o céu aos bons e o in­ li_
ferno aos maus para sempre.
Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na
Cruz para nos salvar, eque ao terceiro dia ressuscitou.
Creio tudo o mais que cre e ensina a Santa Igreja Catolica
Apostolica Romana, porque Deus, verdade infalivel, lho revelou. E
nesta Fé quero viver e morrer.

Ato de Esperança :
Espero, meu Deus, com firme confiança, que, pelos merecimen­
tos de Nossa Senhor Jesus Cristo, me dareis a salvaçao eterna e as
graças necessarias para consegui-la, porque Vos, sumamente bom e
poderoso, o haveis prometido a quem observar fielmente os vossos
Mandamentos, como eu proponho fazer com vosso auxilio.

78 79
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COLEçAO LlNGUAGEr.

I~TRODUçAO AO ESTUOO DA LINGUA POR


4 .' CdlçaC - Serat.m da SII'v3 Neto.
2 DICIONAR !O DE LI NGUISTICA
2 • edlçao - Zelio dos Santos Jota .
3 TE081A DA.. I INGUAGEM E lINGùJSTIC A GE
EUQeni o Coseflu
4 GA',o,MATleA DA LINGUA 110lviENA
Gn\.1ore DCtl~ I:1t'sco
5 ELÈ MENTOS PARA UMA ESTRUTURA DA LI
13 • E"r1içao) - Wa lrnino Macedo
6 MANVAl DE FILOLOG IA PORTUGUESA
(3 I edlçào) - Soraflm da Silva Neto. " r::D !a- se mUlto. IV'ìJ e em
7 LlNGUIS TlCA GE RAL - Teor ia e Descr iç ac
Walmiflo tAdcedo. CÌl.:l . e/Tl dtud!izaçaD -.le en·
8 PRIN CIPIOS DE MORFOLOGI,A. S l! iO ((;li giosc O set. Cate·
Horacio RO!lm d E !=redéts (2.;J ed içao) .
c; :;mc, ~: o 8xemplo V iII"" ci u
9 TRAO lçAo E N OVIDAOE NA C!~NC!A D,è.. lì!
Eugenio Coser i rJ'~ se pc.('18 faze r se /11 al,'­
10 MARCUS ET TUlllA - Manual da Liiìgu a id r a Dou t rina e a Tr ;L~It:;hI
Voc.a b ulario} Roger Ve rd ier - Trad e ùdapt.
11 HISTÒR!A DA L iNGUA POR TU G U ESA od,] ,J esrnn u:a SOII(!-) d\~
(3 . Fl ed içao) - - Seral li11 da Sì/va Neto . Uiìiél r t:' i ! gi~l() reveiad a .11 t;;')'
12 SINCRONIA. DIACRONIA E HiSTOR1A
EUCJenio COSEtflU
t,J (()! r1 C')::, llnfJO ncj(}s t' d<. ~
13 N6vos ESTUDOS DA LI NGU A PORTUGUE S. neces::; ;,:mas 2 0 dj-­
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Hì Cl r'crA~M t. ~Ut, U~.CUAG ftvl .._- Pcesença i :' j ~~: ; c~ ~ r'! L' ~ $ Cci \ l !

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