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 Direito Civil
 LINDB
 Apostila 01
 Dia: 01/05/2018

Resumo feito com base no resumo da Magistratura Federal; atualizado por mim com base
no Manual de Direito Civil do Tartuce e anotações do meu caderno.

SUMÁRIO
1. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO .............................................. 1
1.1. NOÇÕES GERAIS...................................................................................................................... 1
1.2. VALIDADE, VIGÊNCIA, EFICÁCIA E VIGOR DAS NORMAS .................................................................... 3
1.2.1. Regras de vigência ..................................................................................................... 3
1.2.2. Princípio da obrigatoriedade e o erro de direito ........................................................ 5
1.3. APLICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS ............................................................................................ 5
1.3.1. Integração ................................................................................................................. 5
1.3.1.1. Analogia .............................................................................................................................. 6
1.3.1.2. Costume ............................................................................................................................. 6
1.3.1.3. Princípios gerais do direito ................................................................................................. 7
1.3.1.4. Equidade ............................................................................................................................ 7
1.3.2. Interpretação ............................................................................................................. 7
1.3.3. Aplicação temporal das normas jurídicas .................................................................. 8
1.3.4. Lei nova e a segurança jurídica.................................................................................. 9
1.3.5. Extinção da norma ................................................................................................... 10
1.3.6. Aplicação espacial das normas jurídicas – Direito Internacional Privado ............... 10
2. LEI 13.665/18 – SEGURANÇA JURÍDICA NO DIREITO PÚBLICO ......................................... 12
1 2.1.
DECISÃO COM BASE EM VALORES JURÍDICOS ABSTRATOS ............................................................... 12
2.2.
MOTIVAÇÃO DEVERÁ DEMONSTRAR NECESSIDADE E ADEQUAÇÃO ................................................... 13
2.3.
DECISÃO QUE ACARRETE INVALIDAÇÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA
ADMINISTRATIVA ......................................................................................................................................... 14
2.4. INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS SOBRE GESTÃO PÚBLICA ................................................................. 15
2.5. MUDANÇA NA INTERPRETAÇÃO OU ORIENTAÇÃO E MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO .................. 16
2.6. REVISÃO DEVERÁ LEVAR EM CONTA A ORIENTAÇÃO VIGENTE NA ÉPOCA DA PRÁTICA DO DELITO ............ 16
2.7. COMPROMISSO PARA ELIMINAR IRREGULARIDADE, INCERTEZA JURÍDICA OU SITUAÇÃO CONTENCIOSA NA
APLICAÇÃO DO DIREITO PÚBLICO..................................................................................................................... 17
2.8. IMPOSIÇÃO DE COMPENSAÇÃO................................................................................................. 18
2.9. RESPONSABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO ................................................................................... 18
2.10. CONSULTA PÚBLICA........................................................................................................... 21
2.11. INSTRUMENTOS PARA AUMENTAR A SEGURANÇA JURÍDICA ........................................................ 21
3. OBSERVAÇÕES DO MEU CADERNO – COISAS A SEREM FIXADAS: .................................... 22
4. TABELA SÍNTESE .............................................................................................................. 25

1. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro


1.1. Noções Gerais
A LINDB, atual LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (Lei 12376/2010)
é uma regra de superdireito ou sobredireito, lex legum. Ou seja, são normas que definem a
aplicação de outras normas. Ainda, é o Estatuto do Direito Internacional Privado (conjunto de
normas internas de um país, instituídas especialmente para definir se a determinado caso se
aplicará a lei local ou a lei de um Estado estrangeiro).

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As principais funções da Lei são: a) determinar o início da obrigatoriedade das leis (art 1º) ;
b) regular a vigência e eficácia das normas jurídicas (art 1º e 2º); c) impor a eficácia geral e
abstrata da obrigatoriedade, inadmitindo a ignorância da lei vigente (art.3º); d) traçar os
mecanismos de integração da norma legal, para a hipótese de lacuna na norma (art.4º); e)
delimitar os critério de hermenêutica, de interpretação da lei (art.5º); f) regulamentar o direito
intertemporal (art.6º); g) regulamentar o direito internacional privado no Brasil (art. 7º a 17),
abarcando normas relacionadas à pessoa e à família (art.7º e 11), aos bens (art 8º), às obrigações
(artigo 9º), à sucessão (art.10), à competência da autoridade judiciária brasileira (art. 12), à
prova dos fatos ocorridos em pais estrangeiro (art.13), à prova da legislação de outros países
(art. 14), à execução da sentença proferida por juiz estrangeiro (art. 15) à proibição do retorno
(art. 16), aos limites da aplicação da lei e atos jurídica de outro pais no Brasil (art. 17) e,
finalmente, aos atos civis praticados por autoridade consulares brasileiras praticados no
estrangeiro (art. 18 e 19).
No que concerne à LINDB, houve recente alteração legislativa e vem sendo cobrado
frequentemente em provas, conforme abaixo:
Art. 1° Esta Lei dispõe sobre a possibilidade de as autoridades consulares brasileiras
celebrarem a separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros no exterior, nas
hipóteses que especifica.
Art. 2° O art. 18 do Decreto-Lei no 4.657, de 4 de setembro de 1942, passa a vigorar
acrescido dos seguintes §§ 1o e 2o:
“Art. 18. ........................................................................

2 § 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação


consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do
casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva
escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão
alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à
manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.
§ 2° É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará
mediante a subscrição de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas,
caso a outra constitua advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do
advogado conste da escritura pública.” (NR)
Tratando-se de uma lei que dispõe sobre a aplicabilidade de leis, é importante sabermos
as características desta norma, consubstanciada em uma regra. A lei, como fonte normativa
primária do Direito brasileiro, tem as seguintes características básicas:
a) generalidade – a norma jurídica dirige-se a todos os cidadãos, sem qualquer
distinção (eficácia erga omnes);
b) imperatividade – a norma jurídica é um imperativo, impondo deveres e condutas
para os membros da coletividade;
c) permanência – a lei perdura até que seja revogada por outra ou perca a eficácia;
d) competência – a norma, para valer contra todos, deve emanar da autoridade
competente, com respeito ao processo de elaboração;
e) autorizante – o conceito contemporâneo de norma jurídica traz a ideia de um
autorizamento (a norma autoriza ou não autoriza determinada conduta), estando
superada a tese de que não há norma sem sanção (Hans Kelsen).
Superada a análise introdutória da LINDB, passemos às regras.

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1.2. Validade, vigência, eficácia e vigor das normas


1.2.1. Regras de vigência
a) Nos termos do artigo 1º da LINDB, salvo disposição em contrário, a lei começa a
vigorar em todo o País quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. (Não
é promulgada, e sim PUBLICADA). Em regra, o Congresso Nacional coloca o prazo de
vacatio legis nas leis, entretanto, não o fazendo, o prazo será de 45 dias.
b) Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se
inicia três meses depois de oficialmente publicada.
c) Se, antes de a lei entrar em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a
correção, o prazo começa a correr da nova publicação. De outro lado, as correções
de texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
d) Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique
ou revogue.  Princípio da continuidade da lei – art. 2º LINDB.
o Há uma antinomia jurídica aparente, que se resolve pela aplicação dos
metacritérios, ou real (colisão entre duas normas) que é a integração normativa
que irá resolver a contradição entre a norma nova e a velha (utiliza-se o art. 4 e
5 da LINDB). Então, utiliza-se critérios de resolução de conflitos de antinomia.
Se os metacritérios podem solucionar a antinomia, logo a antinomia é
aparente. Se os metacritérios não conseguem solucionar a antinomia, logo a
antinomia é real.
i. Antinomia Jurídica Aparente (resolve pela LINDB)
b. Hierárquico - norma superior revoga inferior.
3 c. Especialidade – norma especial prevalece sobre norma geral – não
revoga a lei geral, só prevalece.
d. Cronológico – norma posterior revoga norma anterior
e) A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com
ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei
anterior.
f) Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora
perdido a vigência. De outra banda, em caso de declaração de inconstitucionalidade,
a lei de ADI deixa expresso o efeito repristinatório, que pode se dar com a decisão
de mérito ou com a concessão de medida cautelar.
A VALIDADE do ato de criação de lei diz respeito a eficiência com que o seu suporte
fático foi preenchido. Se houver preenchimento da hipótese de incidência de maneira deficiente
surgirá defeito que pode autorizar a nulificação do ato: destruição de um ato jurídico em razão
de um seu defeito, ou seja, nulidade de uma lei. (Pontes de Miranda).
A validade, cuja aferição determinará a sua compatibilidade ou não com o sistema
jurídico-normativo, pode ser analisada sob os seguintes aspectos:
a) formal (observância das normas referentes ao processo de criação da lei, exemplo:
artigo 60, §§ 1º e 2º CF); ou
b) material (verificação da matéria passível da codificação está sendo observada,
exemplos: artigos 21 a 24, CF/88, artigos que estabelecem as matérias que podem ser objeto de
regulação e por quem).
Já a VIGÊNCIA é critério puramente temporal da norma. Trata-se do lapso temporal no
qual a norma tem força obrigatória, vinculatividade (Rosenvald). O início da vigência, portanto,
marca o começo de sua exigibilidade. Vai desde o início até a perda de sua validade. Nesse
aspecto, não há que fazer qualquer relação com outra norma.
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* Vacatio legis: período que medeia entre a publicação e o início de vigência da norma.
Trata-se de tempo necessário a que o texto normativo se torne efetivamente conhecido, e
variará de acordo com a repercussão social da matéria. Assim dispõe o art. 8º da Lei
Complementar 95/1998: “A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a
contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula
"entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão”.
* Vacatio legis indireta: “hipótese em que a lei, além do seu normal período de vacatio
legis, em seu próprio corpo, prevê um outro prazo para que determinados dispositivos possam
ter aplicação, a exemplo do que ocorreu com os arts. 30 e 32 da Lei nº.10.826 , de 22/12/2003
(Estatuto do Desarmamento)” (conceito extraído do site do LFG). A jurisprudência do STJ associa
a vacatio legis indireta estipulada no Estatuto do Desarmamento à abolitio criminis temporária
de algumas infrações penais (vide REsp 1.311.408-RN).
Sobre a vigência no território, adotamos o princípio da vigência sincrônica, de modo que
a norma passa a vigorar em todo o país ao mesmo tempo. O princípio da vigência sincrônica
passou a existir com a LINDB, uma vez que o CC de 1916 dispunha sobre o princípio da vigência
progressiva ou sucessiva, adotando prazos diversos para os entes da federação.
Os atos administrativos, como regra, entram em vigor na data de sua publicação
(Decreto 572/1980), não se lhes aplicando a regra prevista a LC 95/1998.
A Emenda à CF, em regra, também tem vigência imediata. A LINDB disciplina o âmbito
de aplicação de normas jurídicas, em todas as suas formas, inclusive as emendas constitucionais,
naquilo em que a CF for omissa e houver compatibilidade. Lembre-se EC entra em vigor na data
4 de sua publicação.
A lei que altera o processo eleitoral, embora tenha vigência imediata, só se aplica a
disputas ocorridas depois de um ano de sua publicação (CF, art. 16). Hipótese de suspensão
de eficácia.
A EFICÁCIA refere-se à possibilidade de produção concreta de efeitos. A eficácia pode
ser classificada pela ineficácia. Por sua vez, pode ser:
a) social (não se confunde com sua efetiva observância,) e
b) técnica (a possibilidade de produção de efeitos em concreto, EXEMPLO: artigo 7º, I,
CF/88, proteção contra a despedida arbitrária que deve ser regulada por Lei Complementar, a
eficácia técnica está comprometida).

(Trechos abaixo extraídos da atualização do TRF5/2013)


* lacuna ontológica – existência de norma sem eficácia social.
Tércio Sampaio afirma que a eficácia possui graus, que podem ser verificados de acordo
com as funções da eficácia no plano da realização normativa. São as funções eficaciais das
normas:
a) Função de bloqueio – normas punitivas e proibitivas.
b) Função de programa – normas que visam à realização de um objetivo do legislador
(artigo 218, CF/88).
c) Função de resguardo – normas que visam a assegurar uma conduta desejada (artigo
5º, XXVII, CF/88).
Classificação de José Afonso da Silva: As normas, em relação à eficácia:

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a) Normas de eficácia plena – função eficacial é IMEDIATAMENTE concretizada


b) Normas de eficácia limitada – a função eficacial depende de uma outra norma (Maria
Helena Diniz fala em norma com eficácia relativa complementável ou dependente de
complementação legislativa).
c) Normas de eficácia contida – a função eficacial poderá ser restringida por outra norma
(artigo 5º, XIII, CF/88) (Maria Helena Diniz fala em norma com eficácia relativa ou restringível).
O VIGOR está relacionado à realização efetiva e concreta da norma, está relacionado
com o conceito da ULTRATIVIDADE, ou seja, uma norma que não está mais vigente, mas
continua a reger todas as relações jurídicas consolidadas em sua vigência. EXEMPLO: alguns
artigos do CC/16.
1.2.2. Princípio da obrigatoriedade e o erro de direito
O art. 3º da LINDB estabelece a impossibilidade do indivíduo se escusar da aplicação da lei
alegando seu desconhecimento. O art. 139, III do CC, como causa de anulabilidade do negócio
jurídico, prevê a possibilidade de alegação de erro de direito. Questiona-se: HAVERIA
INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS DISPOSITIVOS? NÃO.
- REQUISITOS para que o ERRO DE DIREITO justifique a anulabilidade:
i) quando não implicar em recusa à aplicação da lei;
ii) quando for MOTIVO ÚNICO E PRINCIPAL DO NEGÓCIO.
Logo, a imposição de conhecimento da lei não é absoluta, havendo hipóteses em que,
5 expressamente, o direito venha a admitir o erro de direito, como no caso de erro de proibição
no direito penal e o erro substancial no direito civil.
Teorias que justificam a obrigatoriedade das leis:
a) Teoria da ficção legal: é uma obrigatoriedade do ordenamento para a segurança
jurídica.
b) Teoria da presunção absoluta: há uma dedução iuris et de iuris de que todos
conhecem as leis.
c) Teoria da necessidade social: as normas devem ser conhecidas para que melhor
sejam observadas, a gerar o princípio da vigência sincrônica das leis.
a. OBS: Vigência Sincrônica: é o princípio adotado pelo nosso sistema
1.3. Aplicação das normas jurídicas
Na aplicação das normas jurídicas o operador depara-se com as seguintes atividades: a
INTERPRETAÇÃO e a INTEGRAÇÃO.

1.3.1. Integração
Quando inexiste lei a ser aplicada diretamente ao caso, deve o magistrado se valer de outras
fontes do Direito para encontrar a regra que efetivamente deve disciplinar à relação jurídica
sujeita à sua apreciação, ou seja, para aplicar o Direito (grande desafio do operador do direito).
A LINDB permite a integração na hipótese de lacunas (falta de previsão legal sobre uma matéria),
nos termos do artigo 4º (REGRA DE OURO para a integração das leis):
Artigo 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo
com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.

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Essas são as fontes supletivas do direito, juntamente, com a DOUTRINA, a


JURISPRUDÊNCIA e a EQUIDADE, que são também métodos de integração da norma jurídica.
A interpretação pode ocorrer sempre, mesmo que a lei seja clara (isso é um dogma). Já
a integração depende da existência de lacunas, que, por sua vez, podem ser:
a. AUTÊNTICAS ou NORMATIVAS (PRÓPRIAS) – ocorrem quando o legislador não
identificou uma hipótese
b. NÃO-AUTÊNTICAS - AXIOLÓGICAS (IMPRÓPRIAS) – o legislador previu, mas
preferiu não tratar sobre o assunto. EXEMPLO: cabimento de embargos de declaração
contra decisão interlocutória.
Ainda, a jurisprudência e doutrina fala sobre o “SILÊNCIO ELOQUENTE” – o legislador
quis excluir a possibilidade através da omissão; é a possibilidade de se restringir a aplicação da
lei com base na LACUNA NÃO-AUTÊNCIA. Exemplo: competência constitucional da Justiça
Federal não pode ser ampliada pelo legislador, sob a alegação de tratar-se de lacuna. Trata-se
de rol taxativo (numerus clausus).
Aceita-se a integração das lacunas em razão do princípio que determina que o juiz não
pode se eximir de julgar sob tal alegação (“Princípio do non liquet” que, no Direito Romano,
permitia ao pretor eximir-se de julgar alegando que o caso não está suficientemente claro).
1.3.1.1. Analogia
A analogia é um método de integração utilizado quando há uma lacuna normativa, de modo
que o juiz aplica uma lei ou um caso já decidido ao caso concreto em análise. Analogia pode ser
6 dividida em:
a. analogia legal – a relação da semelhança toma por base outra lei;
b. analogia iuris – a relação de semelhança é estabelecida com base em
outro caso concreto

A analogia não se confunde com a interpretação extensiva.


Interpretação extensiva: não há lacuna, mas ampliação do conteúdo aparente de uma
norma, na qual o legislador disse menos do que queria efetivamente dizer. Aqui amplia-se o
alcance da norma, havendo SUBSUNÇÃO. (Ex: poligamia sendo enquadrada no crime de bigamia,
ou seja, o legislador disse menos do que queria e o intérprete amplia a interpretação).
Analogia: há aplicação de norma jurídica existente a caso não previsto, mas
essencialmente semelhante. Rompe-se os limites do que está previsto na norma.
1.3.1.2. Costume
Costumes podem ser conceituados como as práticas e usos reiterados com conteúdo lícito
e relevância jurídica. Há um elemento objetivo, que é a prática reiterada – conhecido como
inverterata consuetudo; e um elemento subjetivo, que é o fato de acreditar tratar-se de um ato
lícito, também chamado de opinio veri.
Há dificuldade de aplicação dos costumes, já que nosso direito não é costumeiro; a fonte
primária, no Brasil, é a lei. Costume pode ser:
a. secundum legem – sua eficácia obrigatória é reconhecida pela lei, como
nos casos dos arts. 1297, § 1º, 596 e 615 do CC. Não há integração, mas
subsunção, pois a lei reconhece sua aplicação.
b. praeter legem – tem caráter supletivo, complementar à lei, ocorrendo
na falta da lei. Aqui há a verdadeira integração.

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c. contra legem – de revogação total. Isso é complicado, já que costume é


fonte secundária do direito e não pode revogar a lei. Mas existem exemplos que
demonstram a aplicação do costume contra lei. Ex.: reconhecimento
jurisprudencial da possibilidade de comprovação de contrato por testemunha
no caso de venda de gado. Trata-se no máximo de perda da eficácia da lei e não
da perda da sua validade (DESUSO)
1.3.1.3. Princípios gerais do direito
No que tange aos princípios gerais de direito, são regras gerais e abstratas, dotadas de
abstrata carga de conteúdo normativo, que possuem função de orientar e integrar o intérprete.
O código civil de 2002 consagra três princípios fundamentais:
a) Eticidade: valorização da ética da boa-fé, principalmente daquela que existe no
plano da conduta de lealdade das partes (boa-fé objetiva).
b) Socialidade: superação do caráter individualista e egoísta. Interpreta-se os
instrumentos civis com base na função social: contrato, empresa, propriedade, et
coetera.
c) Operabilidade: simplicidade e efetividade ou concretude.
1.3.1.4. Equidade
Há que se fazer uma análise acerca da equidade. Deve-se fixar que não se trata de método
de colmatação/integração, mas sim uma técnica de julgamento que poderá ou não ser utilizada
pelo juiz, se autorizado pelo ordenamento jurídico, como é o caso da arbitragem e da jurisdição
voluntária. Há muitas pegadinhas em provas neste sentido.

7 Equidade pode ser com ceituado, segundo Tartuce, como utilização do bom-senso, a justiça
do caso particular, mediante adaptação razoável da lei ao caso concreto. É o julgamento do que
é justo. Só se pode dar quando a lei autoriza, de modo excepcional, uma vez que adotamos um
sistema legalista. Há previsão legal no Código Civil e no NCPC, artigo 140, parágrafo único,
dispondo que o juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
Importante fazer as seguintes distinções:
o Decidir COM equidade: toda decisão que pretende estar de acordo COM o
direito, enquanto ideal de justiça supremo. É decidir de acordo com a justiça do
caso concreto.
o Decidir POR equidade: tem por base a percepção de justiça do julgador, que
não precisa seguir as regras de direito positivo e métodos preestabelecidos.

Em outros ramos do direito, ela é utilizada como FONTE, tal como no direito do trabalho
(art. 8º, CLT), artigo 7º do CDC,

1.3.2. Interpretação
A finalidade interpretativa da norma é: a) revelar o sentido da norma e b) fixar o seu alcance.
São métodos de interpretação (não são excludentes e nem exclusivas entre si) das normas (Caio
Mário fala em interpretação quanto aos elementos das normas jurídicas):
1. Literal ou gramatical – o exame de cada termo isolada e sintaticamente, na
maioria das vezes, não é o melhor método; isoladamente nunca satisfaz.
2. Lógico – utilização de raciocínios lógicos indutivos ou dedutivos.
3. Sistemático – análise a partir do ordenamento jurídico no qual a norma se
insere, a norma não será verificada isoladamente, será relacionada com o ordenamento
jurídico. Possui dupla função: a) AUXILIO À COMPREENSÃO DAS PROPOSIÇÕES
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JURÍDICAS INCOMPLETAS - auxilia a compreensão das normas jurídicas incompletas,


normas que dependem outras normas (declaratórias, restritivas e remissivas); b)
MECANISMO DE CONCILIAÇÃO ENTRE DISPOSITIVOS APARENTEMENTE
CONTRADITÓRIOS - disposições que aparentemente sejam contraditórias devem ser
interpretadas sistematicamente para que seja garantida a coerência do sistema.
4. Histórico – verificação dos antecedentes históricos, verificando as
circunstâncias fáticas e jurídicas, até mesmo o processo legislativo. Caio Mário afirma
que esse método não existe, o que há é o elemento histórico invocado para coadjuvar o
trabalho do intérprete.
5. Finalístico ou teleológico – análise da norma tomando como parâmetro a sua
finalidade declarada, adaptando-a às novas exigências sociais; não se analisam somente
os aspectos históricos, mas também a própria finalidade.
Quanto mais métodos forem aplicados, no exercício da interpretação, melhor resultado será
obtido pelo intérprete.
 Quanto à origem ou quanto ao intérprete:
1. Doutrinária
2. Jurisprudencial – resulta do exercício da função jurisdicional
3. Autêntica ou pública – a lei interpretativa é considerada como a própria lei
interpretada, estando assim, também sujeita a processo interpretativo (CAIO MÁRIO). A
lei interpretativa tem que ter a mesma hierarquia da lei interpetrada.

8  Quanto aos resultados do alcance eficacial:


1. Declarativa
2. Extensiva
3. Restritiva
4. Ab-rogante

Não há hierarquia em relação aos critérios acima, e um não exclui o outro.


A interpretação judicial, sempre com fundamento no dispositivo acima, busca também
atualizar o entendimento da lei, dando-lhe uma interpretação atual que atenda aos reclamos
das necessidades do momento histórico em que está sendo aplicada.
1.3.3. Aplicação temporal das normas jurídicas
A VIGÊNCIA da norma surge após a sua publicação no Diário Oficial, quando, em tese, todos
tomam conhecimento, e tem início em data fixada na própria lei. Por ficção jurídica do artigo 3º,
ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. O artigo 1º da LINDB trata o
início de vigência temporal das leis.
Existem três hipóteses de vacatio legis:
a) ter sido fixado o momento de início de efeitos, para a mesma data da
publicação ou para data posterior (regra geral, segundo a LC 95);
b) dever entrar em vigor 45 dias após publicada, em face de omissão de norma
explícita (LINDB, art. 1º);
c) estar pendente de regulamento, explícita ou implicitamente (normas de
eficácia limitada).
O art. 1º da LINDB não foi revogado pela LC 95/1998, mas deixou de ser aplicado como
regra geral. Incide apenas quando o legislador não fixar prazo de vacatio legis.
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Pergunta: Uma lei em período de vacatio pode ser modificada, ou seja, antes de a lei
entrar em vigor? A lei já existe, e se ela já existe, só pode ser modificada por lei nova. Assim,
durante o período de vacatio, ela somente pode ser modificada em sua estrutura por uma nova
lei. Também as correções feitas à lei já em vigor só podem se dar por nova lei (caso em que a
vacatio somente valeria para a parte alterada).
1.3.4. Lei nova e a segurança jurídica
O princípio básico dessa matéria é o PRINCÍPIO DA NÃO-RETROATIVIDADE DAS LEIS
(Tempus regit actum), ou seja, a ideia de que a lei nova não atinge os fatos anteriores ao início
de sua vigência. Em consequência, os fatos anteriores à vigência da lei nova regulam-se não por
ela, mas pela lei do tempo em que foram praticados.
Porém, podem existir casos que se afastem dessa regra, impondo a retroatividade da lei
nova, alcançando fatos pretéritos ou os seus efeitos. Para disciplinar essas hipóteses, a doutrina
efetuou uma clássica distinção entre retroatividade máxima, média e mínima (MATOS PEIXOTO),
porque a força retroativa da lei não tem sempre a mesma intensidade.
Tipos de retroatividade.
o Máxima: quando a lei nova retroage para atingir os atos ou fatos já
consumados, alcançando, inclusive, os atos acobertados pela coisa julgada.
o Média: sem alcançar atos ou fatos anteriores, a lei nova atinge os efeitos
pendentes dos atos jurídicos verificados antes dela.
▪ A lei que reduz a taxa de juros se aplica às prestações vencidas mas não
adimplidas.
9 o Mínima: se verifica quando a novel lei incide imediatamente sobre os efeitos
futuros dos atos ou fatos pretéritos, não atingindo os atos ou fatos pretéritos,
nem os seus efeitos pendentes.
▪ Lei nova que reduz taxa de juros somente se aplica às obrigações que
irão vencer (vincendas).

Dessa natureza constitucional do princípio da irretroatividade das leis no direito


brasileiro surgem importantes consequências, como a aplicação deste a toda e qualquer lei
infraconstitucional, sem qualquer distinção entre lei de direito público e lei de direito privado
ou entre lei de ordem pública e lei dispositiva.
É princípio assente também, com base na natureza constitucional da irretroatividade,
que a lei nova não alcança os efeitos futuros dos contratos celebrados anteriormente a ela, e
que só atingirá os facta pendentia no que não contrariar DIREITO ADQUIRIDO.
Importante mencionar que, o artigo 2035 do CC dispõe que nenhuma convenção
prevalecerá se contrariar os preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este
Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos. Ou seja, ainda que
celebrados sob égide do antigo Código Civil, deverá assegurar a função social.
Institutos da segurança jurídica:
DIREITO ADQUIRIDO – direito já definitivamente incorporado ao patrimônio do
particular. Posição jurídica já assegurada ao titular em razão do cumprimento dos requisitos
previstos em lei vigente ao tempo da ocorrência dos pressupostos fáticos, que não pode ser
afetada pela superveniência de norma que modifique as exigências para sua aquisição, mesmo
que não exercida no tempo de vigência da norma anterior. Direito adquirido somente tem
conteúdo patrimonial. Não existe direito adquirido de caráter personalíssimo
Ainda, o direito adquirido anteriormente ao surgimento de uma NOVA CONSTITUIÇÃO
não está protegido contra ela, salvo se a própria constituição assim o desejar (ADI 248.RJ). Em
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relação a emendas constitucionais, há posicionamento em ambos os sentidos, tanto na doutrina


quanto na jurisprudência, pela possibilidade e impossibilidade de flexibilização (Marcelo
Novelino, Direito Constitucional, p.93)
O STF afirma que o direito adquirido não poderia ser levado aos extremos, já que se
fosse assim não poderia ter havido a abolição da escravatura, pois os senhores teriam direito
adquirido aos seus escravos.
ATO JURÍDICO PERFEITO: ato já consumado ao tempo da lei anterior; ato que cumpriu
integralmente as fases do seu ciclo de formação ao tempo da norma revogada, que não pode
ser prejudicado pela alteração posterior do parâmetro normativo.
COISA JULGADA: decisão judicial que não caiba mais recuso, de modo que se torna
relativamente imutável (há casos em que é cabível ação rescisória).
1.3.5. Extinção da norma
Questão fundamental sobre a aplicação temporal das leis reside na REVOGAÇÃO,
regulamentado pelo artigo 2º da LINDB:
A revogação pode ser:
1) Expressa – por via direta
2) Tácita – por via oblíqua - o artigo 9º da LC 95/98 não acabou com a hipótese de revogação
tácita, porque mesmo que a nova lei não mencione expressamente a revogação dos dispositivos,
o ordenamento jurídico não comporta a existência de duas leis antagônicas. PAMPLONA: não é
possível esse entendimento, porque significaria a revogação da própria LINDB, e a LC 95/98
10 (mesmo com a redação dada pela LC 107) não revogou a LINDB, até porque também não foi
expressa na revogação, assim, também não é válida nesse aspecto, porque desobedeceu a sua
própria regra.

Art. 9º A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou


disposições legais revogadas.

1) Total = Ab-Rogação
2) Parcial = Derrogação

REPRISTINAÇÃO é a restauração da norma revogada pela revogação da norma


revogadora. Há vedação de sua existência no ordenamento, por força do §2º do artigo 2º, da
LINDB. A lei revogada NÃO se restaura pela revogação da lei revogadora, SALVO se a nova lei
revogadora disser que ocorre (§3º do artigo 2º).
Não se confunde com EFEITO REPRISTINATÓRIO TÁCITO previsto expressamente no
artigo 11,§2º da lei 9868/99, bem como nos julgamentos de mérito de ADI e ADPF, que declaram
inconstitucionalidade de norma, sem modular os efeitos da decisão.
Em síntese: o direito brasileiro não admite, como regra, a repristinação, mas é possível,
em tese, a existência de efeitos repristinatórios, quando expressamente previstos em lei.
Distinção: “O chamado efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade não se
confunde com a repristinção prevista no art. 2º, §3º, da LINDB, sobretudo porque, no primeiro
caso, não há sequer revogação no plano jurídico” (STJ, REsp 491.009/PR).
1.3.6. Aplicação espacial das normas jurídicas – Direito Internacional Privado
Observação: estudaremos este tema a fundo em direito internacional. Aqui serão
abordados breves aspectos sobre a aplicação das normas no espaço.
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É pela LINDB que serão solucionados os conflitos decorrentes da aplicação espacial de


normas, que estão relacionadas à noção de soberania dos Estados. Por isso que a LINDB é
considerada o Estatuto de Direito Internacional Privado brasileiro. O Brasil adota o princípio da
territorialidade moderada, ou seja, é lei brasileira adotada, mas admite-se a aplicação, em certos
casos, de lei estrangeira.
Somente se aplica a lei estrangeira excepcionalmente, nos casos previstos em lei. Para tanto
é preciso que se estabeleça um elo, uma regra de conexão que nos conecte ao direito
estrangeiro, quando isso for permitido. E o direito brasileiro estabeleceu como regra de conexão
principal o ESTATUTO PESSOAL – lei do domicílio do interessado (ESTATUTO PESSOAL é
fenômeno das normas de um Estado acompanharem seu nacional para regular seus interesses
em outro país, o Brasil admite isso em algumas situações).
Assim, a regra é a de que ao direito brasileiro se aplica a lei brasileira. Vejamos agora quais
são as 7 exceções previstas em lei em que se aplica a lei estrangeira, pela regra do estatuto
pessoal:
1) Nome: lei do domicílio
2) Personalidade: lei do domicílio.
3) Capacidade: lei do domicílio
4) Direito de família: lei do domicílio.
5) Bens móveis que a pessoa traz consigo: lei do domicílio.
6) Penhor: lei do domicílio.
7) Capacidade para suceder: lei do domicílio

11 Lex Domicili: lei do domicílio que rege o estatuto e a capacidade da pessoa natural, a
sucessão e o direito de família.
· LINDB arts 7º, 8º § 2º, 10.
Lex Loci Actus: lei do local da realização do ato jurídico para reger sua substância.
· LINDB art 7º § 1º.
Lex Regit Actus: lei do local da realização do ato jurídico para reger suas formalidades.
(quando a obrigação deva ser cumprida no brasil)
· LINDB art 9º § 1º.
Lex Loci Contractus: lei do local onde o contrato foi firmado para reger sua interpretação
e seu cumprimento. (firmado no estrangeiro  local de sua proposição)
· LINDB art 9º § 2º.
Lex Rei Sitae (Lex Situs): a coisa é regida pela lei do local em que está situada.
· LINDB arts 8º e 12 § 1º.
Mobilia Sequntur Personam: o bem móvel é regido pela lei do local em que seu
proprietário está domiciliado.
· LINDB art 8º § 1º.
Lex Loci Celebrationis: o casamento é regido, no que tange às suas formalidades, pela lei
do local da sua celebração.
· LINDB art 7º § 1º.
Lei mais Favorável: critério da lei mais benéfica, quando trata-se de proteção de menores,
trabalhadores, consumidores – lei que considera válido o ato (favor negotii).
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LINDB, art. 10, §1º. – Prevélement.

2. Lei 13.665/18 – Segurança Jurídica no direito público


Pessoal, o Márcio Cavalcante, ilustre, como sempre, fez os comentários sobre os novos
artigos da LINDB. Vou copiar aqui de maneira organizada para nós, ok!? Mas tem no Site do
Dizer o Direito.
A Lei nº 13.655/2018 incluiu na LINDB os arts. 20 a 30 prevendo regras sobre segurança
jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público. Vale ressaltar que o art. 25 foi
vetado. A interpretação dos arts. 20 a 30, portanto, deve ser a de que eles se aplicam para temas
de direito público, mais especificamente para matérias de Direito Administrativo, Financeiro,
Orçamentário e Tributário. Tais regras não se aplicam, portanto, para temas de direito privado.
2.1. Decisão com base em valores jurídicos abstratos
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em
valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Quem decide não pode ser voluntarista, usar meras intuições, improvisar ou se limitar a
invocar fórmulas gerais como 'interesse público', 'princípio da moralidade' e outras. É preciso,
com base em dados trazidos ao processo decisório, analisar problemas, opções e consequências
reais. Afinal, as decisões estatais de qualquer seara produzem efeitos práticos no mundo e não
apenas no plano das ideias.
Esse dispositivo proíbe que se decida com base em valores jurídicos abstratos?

12 NÃO. Continua sendo possível. No entanto, todas as vezes em que se decidir com base em
valores jurídicos abstratos, deverá ser feita uma análise prévia de quais serão as consequências
práticas dessa decisão.
O art. 20 da LINDB introduz a necessidade de o órgão julgador considerar um argumento
metajurídico no momento de decidir, qual seja, as “consequências práticas da decisão”.
Em outras palavras, a análise das consequências práticas da decisão passa a fazer parte das
razões de decidir.
Em suma:
• Não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as
consequências práticas da decisão.
• Isso vale para decisões proferidas nas esferas administrativas (ex: em um PAD),
controladora (ex: julgamento das contas de um administrador público pelo TCE) e judicial (ex:
em uma ação civil pública pedindo melhores condições do sistema carcerário).
Tentativa de mitigar a força normativa dos princípios
A Constituição Federal é repleta de “valores jurídicos abstratos”. São inúmeros exemplos:
“dignidade da pessoa humana” (art. 1º, III), “valores sociais do trabalho e da livre iniciativa” (art.
1º, IV), “moralidade” (art. 37, caput), “bem-estar e a justiça sociais” (art. 193), “meio ambiente
ecologicamente equilibrado” (art. 225).
Esses valores jurídicos abstratos são normalmente classificados como princípios. Isso porque
os princípios são normas que possuem um grau de abstração maior que as regras.
Em um período histórico chamado de “positivismo”, que ficou no passado, os princípios,
pelo fato de terem esse alto grau de abstração, não eram nem considerados como normas
jurídicas.

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Esse período histórico foi superado e, atualmente, vigora o “pós-positivismo”. Uma das
características do pós-positivismo é o reconhecimento da “normatividade primária dos
princípios constitucionais”. Em outras palavras, atualmente, “os princípios são considerados
normas jurídicas, ao lado das regras, e podem ser invocados para controlar a juridicidade da
atuação do Estado.” (OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 2ª
ed., São Paulo: Método, 2014, p. 23).
Com base na força normativa dos princípios constitucionais, o Poder Judiciário, nos últimos
anos, condenou o Poder Público a implementar uma série de medidas destinadas a assegurar
direitos que estavam sendo desrespeitados. Vamos relembrar alguns exemplos:
• Município condenado a fornecer vaga em creche a criança de até 5 anos de idade (STF. RE
956475, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 12/05/2016).
• Administração Pública condenada a manter estoque mínimo de determinado
medicamento utilizado no combate a certa doença grave, de modo a evitar novas interrupções
no tratamento (STF. 1ª Turma. RE 429903/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
25/6/2014).
• Estado condenado a garantir o direito a acessibilidade em prédios públicos (STF. 1ª Turma.
RE 440028/SP, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/10/2013).
• Poder Público condenado a realizar obras emergenciais em estabelecimento prisional (STF.
Plenário. RE 592581/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13/8/2015).

13 Todas essas decisões foram proferidas com fundamento em princípios constitucionais, ou


seja, com base em “valores jurídicos abstratos”. O que o legislador pretendeu, portanto, foi,
indiretamente, tentar tolher o ativismo judicial em matérias envolvendo implementação de
direitos.
É como se o legislador introduzisse uma condicionante para a força normativa dos
princípios: eles somente podem ser utilizados para fundamentar uma decisão se o julgador
considerar “as consequências práticas da decisão”.
Trata-se, portanto, de uma reação retrógrada à força normativa dos princípios
constitucionais.
2.2. Motivação deverá demonstrar necessidade e adequação

Art. 20. (...)


Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida
imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa,
inclusive em face das possíveis alternativas.
Novo requisito da motivação
O administrador, conselheiro ou magistrado quando for...
• impor alguma medida ou
• invalidar ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa
... deverá demonstrar que a decisão tomada é necessária e a mais adequada.
... explicando, inclusive, as razões pelas quais não são cabíveis outras possíveis
alternativas.
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Necessidade e adequação
Esses conceitos de “necessidade” e “adequação” foram emprestados do legislador da
explicação que a doutrina dá a respeito do princípio da proporcionalidade.
O princípio da proporcionalidade divide-se em três subprincípios:
a) subprincípio da ADEQUAÇÃO: no qual deve ser analisado se a medida adotada é idônea
(capaz) para atingir o objetivo almejado;
b) subprincípio da NECESSIDADE: consiste na análise se a medida empregada é ou não
excessiva; e
c) subprincípio da PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO: representa a análise do
custo-benefício da providência pretendida, para se determinar se o que se ganha é mais valioso
do que aquilo que se perde.
2.3. Decisão que acarrete invalidação de ato, contrato, ajuste, processo
ou norma administrativa
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de
modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o
caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime
e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou
14 perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.
O art. 21 “exige o exercício responsável da função judicante do agente estatal. Invalidar
atos, contratos, processos configura atividade altamente relevante, que importa em
consequências imediatas a bens e direitos alheios. Decisões irresponsáveis que desconsiderem
situações juridicamente constituídas e possíveis consequências aos envolvidos são
incompatíveis com o Direito. É justamente por isso que o projeto busca garantir que o julgador
(nas esferas administrativa, controladora e judicial), ao invalidar atos, contratos, processos e
demais instrumentos, indique, de modo expresso, as consequências jurídicas e administrativas
decorrentes de sua decisão.”
Exigências de motivação
Conjugando os arts. 20 e 21 da LINDB, podemos concluir que a decisão que acarrete a
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá...
• demonstrar a necessidade e adequação da invalidação;
• demonstrar as razões pelas quais não são cabíveis outras possíveis alternativas;
• indicar, de modo expresso, suas consequências jurídicas e administrativas.
Vale ressaltar que tais exigências são aplicáveis para as esferas administrativa,
controladora ou judicial.
Sobre o parágrafo único
A invalidação de um ato, contrato, ajuste, processo ou norma pode acarretar graves
prejuízos para a parte envolvida, para a própria Administração e também para
terceiros. Exemplo de aplicação do dispositivo: no caso de invalidação de contrato
administrativo, a autoridade pública julgadora que determinar a invalidação deverá definir se
serão ou não preservados os efeitos do contrato, como, por exemplo, se os terceiros de boa-fé
terão seus direitos garantidos. Deverá, ainda, decidir se é ou não o caso de pagamento de
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indenização ao particular que já executou as prestações, conforme disciplinado pelo art. 59 da


Lei nº 8.666/93.
2.4. Interpretação das normas sobre gestão pública

Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os


obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo,
sem prejuízo dos direitos dos administrados.
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste,
processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que
houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente.
O objetivo do dispositivo foi o de tentar “abrandar” a jurisprudência, que ignora as
dificuldades dos administradores, pugnando que o órgão julgador considere não apenas a
literalidade das regras que o administrador tenha eventualmente violado, mas também as
dificuldades práticas que ele enfrentou e que possam justificar esse descumprimento.
O grupo de juristas que auxiliou na elaboração do anteprojeto assim justificou a nova
previsão legal:
“(...) a norma em questão reconhece que os diversos órgãos de cada ente da Federação
possuem realidades próprias que não podem ser ignoradas. A realidade de gestor da União
evidentemente é distinta da realidade de gestor em um pequeno e remoto município. A gestão
pública envolve especificidades que têm de ser consideradas pelo julgador para a produção de
15 decisões justas, corretas.
As condicionantes envolvem considerar (i) os obstáculos e a realidade fática do gestor, (ii)
as políticas públicas acaso existentes e (iii) o direito dos administrados envolvidos. Seria pouco
razoável admitir que as normas pudessem ser ignoradas ou lidas em descompasso com o
contexto fático em que a gestão pública a ela submetida se insere.”
Critérios para aplicação de sanções
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração
cometida, os danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias
agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente.
Critérios a serem considerados na aplicação das sanções:
a) Natureza e gravidade da infração cometida;
b) Danos causados à Administração Pública;
c) Agravantes;
d) Atenuantes;
e) Antecedentes.

Sanções de mesma natureza deverão ser consideradas


§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais
sanções de mesma natureza e relativas ao mesmo fato.

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2.5. Mudança na interpretação ou orientação e modulação dos efeitos da


decisão

Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer


interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo
dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando
indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo
proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
Se houver uma mudança na forma como tradicionalmente a Administração Pública, os
Tribunais de Contas ou o Poder Judiciário interpretavam determinada norma, deverá ser
previsto um regime de transição.
Este regime de transição representa a concessão de um prazo para que os
administradores públicos e demais pessoas afetadas pela nova orientação possam se adaptar à
nova interpretação. É como se fosse uma modulação dos efeitos.
equisitos para a aplicação do regime de transição:
a) A decisão administrativa, controladora ou judicial deve estabelecer uma interpretação
ou orientação nova;
b) Essa interpretação nova deve recair sobre uma norma de conteúdo indeterminado;
c) Por conta dessa interpretação, será imposto novo dever ou novo condicionamento de
16 direito;
d) O regime de transição mostra-se, no caso concreto, indispensável para que o novo
dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e
eficiente;
e) A imposição desse regime de transição não pode acarretar prejuízo aos interesses
gerais.
Cabe ao órgão julgador a análise dos preenchimentos dos requisitos acima, sendo passível
de recurso caso o interessado entenda que deveria ter direito ao regime de transição.
Dispositivo do CPC
O CPC/2015 possui um dispositivo tratando sobre a possibilidade de modulação dos
efeitos de decisão judicial. Ressalte-se, contudo, que a redação do CPC é bem superior à do art.
23 da LINDB, sendo mais clara e objetiva. Confira:
Art. 927 (...)
§ 3º Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal
e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver
modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica.
2.6. Revisão deverá levar em conta a orientação vigente na época da
prática do delito

Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à


validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se
houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com

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base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente


constituídas.
Algumas vezes demoram anos para que a Administração Pública (controle interno), o
Tribunal de Contas ou o Poder Judiciário examine a validade de um ato ou contrato
administrativo (em sentido amplo) que já tenha se completado. Nesse período, pode acontecer
de o entendimento vigente ter se alterado. Caso isso aconteça, o ato deverá ser analisado
conforme as orientações gerais da época e as situações por elas regidas deverão ser declaradas
válidas, mesmo que apresentem vícios.
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações
contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa
majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo
conhecimento público.
O parágrafo único procura conceituar o que seriam “orientações gerais”. No entanto, a
conceituação é por demais vaga e emprega expressões abstratas e genéricas.
2.7. Compromisso para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou
situação contenciosa na aplicação do direito público

O art. 26 da LINDB prevê a possibilidade de a autoridade administrativa celebrar um


acordo (compromisso) com os particulares com o objetivo de eliminar eventual irregularidade,
incerteza jurídica ou um litígio (situação contenciosa). Ex: determinado particular estava
17 desenvolvendo clandestinamente atividade econômica que exigiria prévia licença. Esta situação
é descoberta e o art. 26 permite que seja realizada uma negociação entre a autoridade
administrativa e este particular a fim de sanar essa irregularidade.
Para que esse compromisso seja realizado, é indispensável a prévia manifestação do
órgão jurídico (ex: AGU, PGE, PGM). Em alguns casos de maior repercussão, é necessária
também a realização de audiência pública.
Confira a redação do caput do art. 26:
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na
aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade
administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de
consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com
os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua
publicação oficial.
Requisitos do termo de compromisso:
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo:
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os
interesses gerais;
II – (VETADO);
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de
direito reconhecidos por orientação geral;
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento
e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento.
§ 2º (VETADO).
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2.8. Imposição de compensação

Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial,


poderá impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos
resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos.
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes
sobre seu cabimento, sua forma e, se for o caso, seu valor.
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso
processual entre os envolvidos.
O dispositivo em questão visa evitar que partes, públicas ou privadas, em processo na
esfera administrativa, controladora ou judicial aufiram benefícios indevidos ou sofram prejuízos
anormais ou injustos resultantes do próprio processo ou da conduta de qualquer dos envolvidos.
O art. 27 tomou o cuidado de exigir que a decisão que impõe compensação seja motivada e
precedida da oitiva das partes. Há, também nesse caso, a possibilidade de celebração de
compromisso processual entre os envolvidos
2.9. Responsabilidade do agente público

Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões
técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.

18 O art. 28 quer dar a segurança necessária para que o agente público possa desempenhar
suas funções. Por isso afirma que ele só responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões
em caso de dolo ou erro grosseiro (o que inclui situações de negligência grave, imprudência
grave ou imperícia grave)
Apesar disso, parece-me que o art. 28 da LINDB vai de encontro ao art. 37, § 6º da CF/88,
senão vejamos.

Se um servidor público, no exercício de suas funções, pratica ato ilícito que causa
prejuízo a alguém, ele poderá ser responsabilizado?
SIM. No entanto, essa responsabilidade é:
• subjetiva (terá que ser provado o dolo ou a culpa do servidor); e
• regressiva (primeiro o Estado terá que ser condenado a indenizar a vítima e, em seguida,
o Poder Público cobra do servidor a quantia paga).

Esse regime de responsabilidade está previsto na parte final do § 6º do art. 37 da


Constituição:
Art. 37 (...)
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Art. 28 abranda o regime constitucional ao exigir erro grosseiro

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O art. 28 da LINDB afirma que o agente público responderá pessoalmente em caso de dolo
ou erro grosseiro. Este dispositivo se afasta da regra constitucional em dois pontos:
1º) Para que o agente público responda, o art. 28 exige que ele tenha agido com dolo ou
erro grosseiro. Ocorre que a CF/88 se contenta com dolo ou culpa.
A doutrina divide a culpa em três subespécies: culpa grave, leve e levíssima.
O erro grosseiro é sinônimo de culpa grave. Assim, é como se o art. 28 dissesse: o agente
público somente responde em caso de dolo ou culpa grave. Há ainda uma outra observação:
alguns autores afirmam que a culpa grave é equiparada ao dolo.

2º) O art. 37, § 6º da CF/88 exige que a responsabilidade civil do agente público ocorra de
forma regressiva. O art. 28, por seu turno, não é explícito nesse sentido, devendo, no entanto,
ser interpretada a responsabilidade como sendo regressiva por força da Constituição e daquilo
que a jurisprudência denomina de teoria da dupla garantia:
A vítima somente poderá ajuizar a ação contra o Estado (Poder Público). Se este for
condenado, poderá acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa. O ofendido
não poderá propor a demanda diretamente contra o agente público. Essa posição foi
denominada de tese da dupla garantia.
STF. 1ª Turma. RE 327904, Rel. Min. Carlos Britto, julgado em 15/08/2006.
STF. 1ª Turma. RE 593525 AgR-segundo, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
19 09/08/2016.

Haverá polêmica quanto à abrangência do conceito de “agente público”. Quando se fala


em “agente público”, estão incluídos os magistrados, por exemplo?
NÃO. Apesar de a expressão “agente público” ser ampla, não me parece que o objetivo
do legislador tenha sido o de alcançar os agentes políticos.
A tradição histórica do Brasil é a de que os magistrados respondem por suas decisões, no
entanto, apenas nos casos de dolo ou fraude e apenas regressivamente, ou seja, depois de o
Estado ter sido condenado. Essa é a redação do art. 143, I, do CPC/2015 e do art. 49, I, da LC
35/79 (Lei Orgânica da Magistratura):
Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;

Art. 49. Responderá por perdas e danos o magistrado, quando:


I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;

Esse mesmo texto era repetido pelo art. 133, I, do CPC/1973 e pelo art. 121, I, do
CPC/1939.
A razão para isso é simples. Uma disposição legal que estipule responsabilidade do juiz
por erro grosseiro (culpa) seria inconstitucional por tolher, de forma desproporcional, a
independência judicial, afrontando a separação dos Poderes (art. 60, § 4º, III, da CF/88).

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A decisão judicial é naturalmente passível de recurso. Aliás, o que não faltam são recursos.
Toda decisão judicial que fosse reformada em instância superior poderia, em tese, ser
considerada como errada. A classificação desse erro como “grosseiro” é exageradamente
subjetiva. Em última análise, todo magistrado que tivesse uma decisão reformada poderia
responder a um processo de indenização no qual seria discutido se o seu erro foi ou não
grosseiro. O resultado seria uma enorme insegurança para o exercício da função típica dos
juízes.
Dessa forma, seja por força da previsão específica, seja por conta do princípio da
separação dos poderes, penso que os magistrados, na sua função típica, continuam regidos pelo
art. 143, I, do CPC e art. 49, I, da LOMAN. Contudo, caso o magistrado esteja agindo na sua
função atípica de administrar, ou seja, enquanto gestor público, aí sim se mostra possível a
aplicação do art. 28 da LINDB. É o caso, por exemplo, do Presidente de um Tribunal que conduz
uma licitação.

Membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública


De igual forma, também penso que os membros do Ministério Público, da Defensoria
Pública e da Advocacia Pública não estão regidos pelo art. 28 da LINDB considerando que, para
as três carreiras existem disposições específicas que não foram revogadas, considerando que a
previsão do art. 28, apesar de ser posterior, é genérica, não revogando lei específica.
O sistema de responsabilidade dos membros do MP, da Advocacia Pública e da Defensoria
está previsto nos seguintes dispositivos do CPC:
20 Art. 181. O membro do Ministério Público será civil e regressivamente responsável
quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável


quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções

Art. 187. O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável


quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

Responsabilidade do parecerista
Ressalte-se que existe um precedente do STF, anterior ao CPC/2015, reconhecendo a
responsabilidade de advogado público pela emissão de parecer de natureza opinativa, desde
que configurada a existência de culpa ou erro grosseiro:
(...) 3. Esta Suprema Corte firmou o entendimento de que “salvo demonstração de culpa
ou erro grosseiro, submetida às instâncias administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias,
não cabe a responsabilização do advogado público pelo conteúdo de seu parecer de natureza
meramente opinativa” (MS 24.631/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ de 1º/2/08). (...)
STF. 1ª Turma. MS 27867 AgR/DF, rel. Min. Dias Toffoli, 18/9/2012 (Info 680).

Segundo a doutrina e o voto do Min. Joaquim Barbosa no MS 24.631/DF (DJ 01/02/2008),


existem três espécies de parecer:

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Facultativo Obrigatório Vinculante


O administrador NÃO É O administrador é O administrador É
obrigado a solicitar o parecer obrigado a solicitar o parecer obrigado a solicitar o parecer
do órgão jurídico. do órgão jurídico. do órgão jurídico.
O administrador pode O administrador pode O administrador NÃO
discordar da conclusão discordar da conclusão pode discordar da conclusão
exposta pelo parecer, desde exposta pelo parecer, desde exposta pelo parecer.
que o faça que o faça
Ou o administrador
fundamentadamente. fundamentadamente com
decide nos termos da
base em um novo parecer.
conclusão do parecer, ou,
então, não decide.
Em regra, o parecerista Em regra, o parecerista Há uma partilha do
não tem responsabilidade não tem responsabilidade poder de decisão entre o
pelo ato administrativo. pelo ato administrativo. administrador e o
parecerista, já que a decisão
do administrador deve ser de
Contudo, o parecerista Contudo, o parecerista acordo com o parecer.
pode ser responsabilizado se pode ser responsabilizado se
ficar configurada a existência ficar configurada a existência
de culpa ou erro grosseiro. de culpa ou erro grosseiro. Logo, o parecerista
responde solidariamente
21 com o administrador pela
prática do ato, não sendo
necessário demonstrar culpa
ou erro grosseiro.

2.10. Consulta Pública

Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade
administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta
pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual
será considerada na decisão.
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais
condições da consulta pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se
houver.
§ 2º (VETADO).
2.11. Instrumentos para aumentar a segurança jurídica

Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na
aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e
respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter
vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.

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 Dia: 01/05/2018

A Lei nº 13.655/2018 entrou em vigor na data de sua publicação (26/04/2018). Isso


significa que os artigos por ela acrescentados já estão produzindo efeitos, com exceção do art.
29 da LINDB, que possui vacatio legisde 180 dias.

3. Observações do meu caderno – coisas a serem fixadas:


● Contratos entre residentes no exterior (entre ausentes), aplica-se a regra no local em que reside
o proponente. Se o contrato for executado no Brasil, aplica-se a lei brasileira.
● A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
● A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao
ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei
brasileira desconheça.
● Segundo o STJ, os fatos da causa devem ser submetidos ao contraditório, não o ordenamento
jurídico, o qual é de conhecimento presumido não só do juiz (iura novit cúria), mas de todos os
sujeitos ao império da lei, conforme presunção jure et de jure prevista no artigo 3º da LINDB.
● A retroatividade mínima encontra previsão no artigo 2035 do CC, de modo que pode ser
aplicado, excepcionalmente, a lei nova aos efeitos futuros de relação jurídica entabulada sob
vigência de lei antiga, já revogada.
● Utiliza interpretação extensiva, e não analogia, o juiz que estende a companheiro (a)
legitimidade para ser curador conferida a cônjuge da pessoa ausente.
● A contagem de prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-
se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia
subsequente à sua consumação integral.

22 Eventual inexatidão formal de norma elaborada mediante processo legislativo regular não
constitui escusa válida para o seu descumprimento.
● EQUIDADE:
o Decidir COM equidade: toda decisão que pretende estar de acordo COM o
direito, enquanto ideal de justiça supremo. É decidir de acordo com a justiça do
caso concreto.
o Decidir POR equidade: tem por base a percepção de justiça do julgador, que
não precisa seguir as regras de direito positivo e métodos preestabelecidos.
● Princípio da conciliação ou das esferas autônomas: a lei posterior geral não revoga lei especial.
Igualmente, a lei especial não revoga a geral.
● A lacuna que autoriza a integração das normas é da LEI e não do direito/ordenamento.
● O CESPE entende que a ordem analogia, costumes e princípios gerais de direito, é preferencial
e taxativa.  Doutrina clássica.
o Doutrina moderna: nem sempre essa ordem será preferencial. Isso porque
muitos princípios gerais do direito foram transportados para a Constituição
Federal, de modo que, por ser norma superior, não podem ser vistos como
último recurso na integração das normas. Ex: princípio da dignidade da pessoa
humana.
● Constitucionalização X Publicização do Direito Civil:
o Constitucionalização: processo de elevação ao plano constitucional dos
princípios fundamentais do direito civil, que passam a condicionar a observância
pelos cidadãos, e a aplicação pelos tribunais, da legislação infraconstitucional.
o Publicização: o processo de crescente intervenção estatal, especialmente no
âmbito legislativo, característica do Estado Social do século XX. Tem-se a
redução do espaço de autonomia privada para a garantia da tutela jurídica dos
mais fracos.
● Metacritérios para resolução de antinomias: hierarquia, especialidade, cronológico.

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o Se os metacritérios podem solucionar a antinomia, logo a antinomia é


aparente. Se os metacritérios não conseguem solucionar a antinomia, logo a
antinomia é real.
● Não há impedimento a edição de leis retroativas. Veda-se apenas a retroatividade que atinja o
direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A retroatividade é possível mediante
dois requisitos, em regra: a) cláusula expressa de retroatividade; b) respeito ao direito
adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada. Exemplos: lei interpretativa, lei penal benéfica
ao réu.
● Não se tratando de contrato de trato sucessivo, descabe a aplicação retroativa da lei nova para
alcançar efeitos presentes de contratos celebrados anteriormente à sua vigência.
o STJ: Embora não seja permitida a aplicação retroativa da lei, há entendimento
predominante de que nos contratos de plano de saúde, se não foi oportunizada
a possibilidade de migração de plano atingido pela lei nova, o contrato passa a
ser regulamentado inteiramente por esta, face a sua renovação anual
automática.
● O Brasil adota a teoria da territorialidade moderada, temperada ou mitigada, segundo a qual,
excepcionalmente, será admitida a aplicação da lei estrangeira em território brasileiro, desde
que tal excepcionalidade não atente contra a soberania nacional. Ex: lei de sucessão de bens de
estrangeiro no Brasil.
● A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que era domiciliado o defunto
ou desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. Aqui, pode ser observado
o princípio da norma mais favorável se tiver herdeiros brasileiros.
● É a lei do domicílio, e não do nascimento, que determina as regras sobre o começo e o fim da
23 personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
● A obrigatoriedade de observação da lei se dá com a publicação, e não com a promulgação,
observado o prazo de vacatio legis.
● Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os
estabelecidos pelo CC para assegurar a função social da propriedade e dos contratos – art. 2035,
CC.
● A interpretação sistemática busca alcançar o sentido da lei em consonância com as demais
normas que inspiram determinado ramo de direito. Assim, faz-se uma comparação entre a lei
atual, em vários de seus dispositivos.
● A interpretação lógica utiliza o raciocínio.
● A regra é que a lei nova não atinja os efeitos pretéritos já produzidos, mas esta lei poderá atingir.
● A LINDB proíbe o “reenvio”. Ou seja, se houver de aplicar a lei estrangeira, deve-se observar a
disposição desta lei, sem considerar qualquer remissão por ela feita a lei de outro país. Logo, é
vedado “reenviar” a regulação para outra lei.
● A aquisição de navios e aeronaves regem-se pela lei do local onde tenha sido efetuado o
registro dos direitos de propriedade sobre a coisa.
● A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente no
exterior é juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a soberania
nacional.
● Enunciado 408 da V Jornada de Direito Civil do CJF: Para efeitos de interpretação da expressão
"domicílio" do art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, deve ser considerada,
nas hipóteses de litígio internacional relativo a criança ou adolescente, a residência habitual
destes, pois se trata de situação fática internacionalmente aceita e conhecida.
● A LINDB disciplina o âmbito de aplicação de normas jurídicas, em todas as suas formas, inclusive
às emendas constitucionais, naquilo em que a CF for omissa e houver compatibilidade. Lembre-
se EC entra em vigor na data de sua publicação.
● Intensidade de sanção das leis:

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o Leis Perfeitas: são as que preveem como sanção à sua violação a nulidade ou
anulabilidade do ato ou do negócio jurídico.
o Leis mais que perfeitas: preveem como repreensão à sua violação, além da
anulação ou anulabilidade, uma sanção ao agente violador.
o Leis menos que perfeitas: são as que estabelecem como sanção à sua violação
uma consequência diversa da nulidade ou anulabilidade.
o Leis imperfeitas: são aquelas cuja violação não acarreta qualquer consequência
jurídica, de modo que o ato não é nulo e que o agente não é punido.
● As normas constitucionais são PERFEITAS, pois não preveem sanção em seu
descumprimento, havendo apenas nulidade do ato inconstitucional.
● As leis de efeitos concretos, pura e simplesmente em razão de sua vigência, já viabilizam o
manejo de mandado de segurança preventivo para tutelar pretensão subjetiva. Nos casos de
violação decorrente de lei de efeito concreto, é desnecessária na ação mandamental a produção
de provas que comprove a situação de risco do impetrante.
o Em se tratando de lei de efeitos concretos, uma vez que basta a vigência da lei
instituidora da base de cálculo do tributo para que haja a incidência da
respectiva exação aos fatos geradores ocorridos, ferindo direito subjetivo, é
despicienda a produção de provas que comprove a situação de risco da
impetrante. Assim, plenamente cabível o mandado de segurança impetrado
com o objetivo de afastar a incidência do tributo em questão.
o Doutrina e jurisprudência entendem que, se a lei gera efeitos concretos, ferindo
direito subjetivo, é o mandado de segurança via adequada para impugná-la.
● O princípio da vigência sincrônica passou a existir com a LINDB, vez que o CC de 1916
24 dispunha sobre o princípio da vigência progressiva ou sucessiva, adotando prazos
diversos para os entes da federação.
● LC 95/98: na contagem do prazo de vacatio legis, inlcui-se o dia da publicação e o do
último dia, devendo a lei entrar em vigor no dia seguinte. Conta-se o prazo dia a dia,
inclusive domingos e feriados, sem qualquer interrupção ou suspensão.
● A imposição de conhecimento da lei não é absoluta, havendo hipóteses em que,
expressamente, o direito venha a admitir o erro de direito, como no caso de erro de
proibição no direito penal e o erro substancial no direito civil.
● Analogia legal: busca-se obter a norma adequada à disciplina do caso, a partir de outro
dispositivo legal.
● Analogia jurídica: infere-se a norma a partir de todo o sistema jurídico, utilizando-se da
doutrina, jurisprudência, princípios específicos do tema e até mesmo os princípios gerais
de direito.
● Situações que é possível a retroatividade da lei: a) lei penal benéfica; b) lei com cláusula
expressa de retroatividade, desde que não viole o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada; c) lei interpretativa, que esclarece o conteúdo de outra lei,
tornando obrigatória uma exegese, que já era plausível antes de sua edição.
● STF: as normas que tratam do regime monetário, inclusive, portanto, as de correção
monetária, têm natureza institucional e estatutária, insuscetíveis de disposição por ato
de vontade, razão pela qual sua incidência é imediata, alcançando situações jurídicas
em curso de formação ou de execução.
● A lei nova atinge os FATOS PENDENTES (pendentes de acontecerem, ou seja, que ainda
não aconteceu). Não confundir com EFEITOS PENDENTES (aqui o fato já aconteceu,
porém, seus efeitos não foram consumados).
● Retroatividade mínima, média e máxima:
o Máxima: quando a lei nova retroage para atingir os atos ou fatos já
consumados, alcançando, inclusive, os atos acobertados pela coisa julgada.

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o Média: sem alcançar atos ou fatos anteriores, a lei nova atinge os efeitos
pendentes dos atos jurídicos verificados antes dela.
▪ A lei que reduz a taxa de juros se aplica às prestações vencidas mas não
adimplidas.
o Mínima: se verifica quando a novel lei incide imediatamente sobre os efeitos
futuros dos atos ou fatos pretéritos, não atingindo os atos ou fatos pretéritos,
nem os seus efeitos pendentes.
▪ Lei nova que reduz taxa de juros somente se aplica às obrigações que
irão vencer (vincendas).

4. Tabela síntese
Quando há, no conflito de normas, necessidade de análise simultânea por 2 critérios diferentes (ex:
norma geral superior x norma especial inferior). Para alguns, nesses casos, deve-se utilizar a Regra de
Antinomia de 2o Grau
Ouro da Interpretação (art. 5 LINDB), conferindo solução de acordo com os fins sociais e a exigência
do bem comum.
Desde a Constituição de 37 adota-se a Teoria Subjetiva dos Direitos Adquiridos em matéria de
direito intertemporal (a Teoria Objetiva versa sobre o objetivo dos dispositivos e a diferenciação
entre os direitos absolutos ou relativos). Devido à Teoria Subjetiva temos a proteção do Direito
Adquirido, do Ato Jurídico Perfeito e da Coisa Julgada.
O direito intertemporal dá tratamento ao tema com a premissa básica de que a Lei nova revoga a
Lei anterior. Com a LC 95/98, que exige a remissão explícita aos dispositivos revogados, surgiu
25 controvérsia sobre a possibilidade de revogação tácita, antes pacífica nos termos da LINDB. Todavia
a corrente amplamente majoritária é no sentido de sua admissibilidade, até mesmo em função da
necessidade de coerência interna do ordenamento. O STF declarou que as determinações da LC
95/98 são meramente indicativas, cujo descumprimento não é suficiente para gerar a invalidação.
Com relação à força retroativa das leis, adotam-se 3 tipos de retroatividade, conforme o caso:
Conflito de Leis no 1) Retroatividade Máxima (ou restitutiva): a lei nova abrange a coisa julgada (sentença
Tempo irrecorrível), o direito adquirido ou os fatos jurídicos já consumados para a eles dar novo tratamento.
2) Retroatividade Média: a lei nova abrange direitos exigíveis embora ainda não realizados que
tenham surgido sob a égide da legislação anterior.
3) Retroatividade Mínima (ou temperada): a lei nova aplica-se aos efeitos que lhe são
posteriores em relação às relações, fatos ou atos estabelecidos segundo a lei anterior
(especialmente nos casos de trato sucessivo).
Em outra classificação temos: 1) Retroatividade = Retroatividade Máxima; 2) Irretroatividade; 3)
Retroatividade Mínima (ou temperada)
Obs.: MP não revoga a lei, ela apenas paralisa a produção de efeitos. O mesmo ocorre com os
Tratados que, por serem diplomas normativas distintos, apesar de apresentar o mesmo status,
apenas são capazes de suspender a eficácia um do outro. Com isso, há possibilidade de retomada da
eficácia nestes casos, através de um efeito repristinatório (apesar de não ocorrer a repristinação).
O CC 16 era dito Napoleônico, com foco no contrato e na propriedade. O CC02 tem a pessoa como seu
centro, dando ênfase aos direitos existenciais (DPH na seara civil) e buscando diminuir a dicotomia
entre público e privado (pois há interesse público nas relações privadas - ex: função social do
contrato, da propriedade, etc). No que diz respeito à técnica de normatização, o CC16 tinha a
Constitucionalização do
pretensão de completude, com o posterior surgimento de microsistemas que viriam para completar
Direito Civil
as regras em observância aos avanços sociais, mas com a mesma pretensão de completude. A
Constitucionalização vem garantir a unidade do sistema (não há múltimplos sistemas). O CC02 se
alinha a essa ideía e abstrai da completude, dando ênfase maior a princípios e cláusulas gerais (de
conteúdo aberto). Um dos pilares: a boa fé objetiva.
Quebra do caráter monolítico (centralidade sistêmica) do Código Civil, com a formação de
Descodificação do
microssistemas jurídicos e a retirada de matérias inteiras da esfera codificada, passando a estar
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disciplinadas em diplomas legais específicos. Tais leis setoriais são denominadas de microssistemas
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jurídicos os quais possuem principiologia própria e vida autonôma em relação ao código. O sistema
de direito privado se apresenta fragmentado e seu único centro é ocupado pela constituição federal,
em torno da qual gravitam o código civil e os microssistemas.
Previsão conceitual na LINDB (art. 6) Ato jurídico perfeito é aquele a que se reputa consumado
Direito Adquirido, Ato
conforme a lei vigente ao tempo em que se efetuou. Direito adquirido é aquele que pode ser
Jurídico Perfeito e
exercido ou que tenha termo pré-fixo ou condição preestabelecida inalterável ao arbítrio de outrem.
Coisa Julgada
Coisa julgada é o provimento judicial insuscetível de recurso.
Diferencia-se o Direito Expectativo da Expectativa de Direito em função do grau de expectação. O
direito expectativo, também denominado de direito eventual pelo art. 130 do CC (este artigo confere
ao titular do direito eventual a permissão para prática de atos destinados a conservá-lo), é o direito
Direito Expectativo cujos elementos essenciais já se fazem presentes, mas ainda se encontra sujeito a termo ou condição
que não está sujeita a arbítrio de outrem (parte final da definição de direito adquirido no art. 6 da
LINDB). Já a Expectativa de Direito é categoria jurídica distinta: mero estado psicológico de quem
aguarda o possível surgimento do direito subjetivo pretendido.
Enquanto as normas substantivas visam regular o comportamento humano (criando direitos e
Normas Substantivas e
obrigações), as regras adjetivas são de caráter instrumental, ou seja, instituem instrumentos para a
Adjetivas
defesa dos direitos criados pelas normas substantivas.
Cogente ou Injuntiva são as normas reconhecidas como de ordem pública, não podendo ser alteradas
Norma Cogente por vontade das partes. Opõe-se às normas supletivas ou permissivas / dispositivas, que tratam de
interesses particulares e podem ser alteradas por vontade das partes.
Norma Supletiva Normas que operam no silêncio das partes. Opõem-se às normas cogentes.
No âmbito legislativo: é suprimir a força obrigatória da lei, fazendo cessar a sua vigência. No âmbito
Revogação dos atos administrativos: é a forma de desfazimento do ato administrativo por motivo de
inoportunidade ou inconveniência.
Período que decorre entre o dia da publicação de uma lei e o dia em que ela entra em vigor.
26 Vacatio Legis
Tem-se entendido como vacatio legis indireta a hipótese em que a lei, além do seu normal período
de vacatio legis, em seu próprio corpo, prevê um outro prazo para que determinados dispositivos
possam ter aplicação (o que pode confundir-se com eficácia).
Planos da norma:
1) Vigência: critério de aplicação temporal da norma (obrigatoriedade da lei no tempo). A Vacatio
Legis incide sobre a vigência e não sobre a validade ou eficácia. Na vacatio, alguns efeitos podem
surgir, como a possibilidade de arguição em ADI.
2) Validade: é aspecto dogmático fundamental, pois significa a sua identificação como compatível
ao sistema jurídico que integra (divide-se em validade formal e material).
3) Eficácia: possibilidade de produção concreta de efeitos pela norma. A publicação é condição de
eficácia da norma. (Ex1.: normas de eficácia LIMITADA não são aplicadas de imediato por
Validade dependerem de regulamentação, Ex2.: leis temporárias continua vigorando, apesar de não produzir
efeitos fora do período nelas determinadas, Ex3: termo, condição ou encargo)
4) Aplicabilidade - A eficácia é ligada à potencialidade, mas a aplicabilidade é ligada à
realizabilidade. Ex.: em casos de retroatividade benigna, devemos verificar caso a caso qual a norma
que é aplicável (para quem não aceita a aplicabilidade, esta questão se resolve pela eficácia ou pela
vigência)
5) Efetividade (Kelsen chamava de eficácia social) - é a qualidade da norma efetivamente cumprida
no meio social (para quem não aceita a efetividade, esta questão se resolve na eficácia, que poderia
ser divida em social e técnica).

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