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MATEMÁTICA PARA

NEGÓCIOS

autor
LUIZ ALBERTO GRAVINA BELMIRO

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2015
Conselho editorial  solange moura; roberto paes; gladis linhares

Autor do original  luiz alberto gravina belmiro

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gladis linhares

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão de conteúdo  luiz alberto gravina belmiro

Imagem de capa  adam radosavljevic | dreamstime.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2015.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

B451m Belmiro, Luis Alberto Gravina


Matemática pra Negócios / Luis Alberto Gravina Belmiro
Rio de Janeiro : SESES, 2015.
208 p

isbn: 978-85-5548-117-8

1. Matemática. 2. Economia. 3. Finanças. I. SESES. II. Estácio.

cdd 658.15

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 7

1. Revisão de Funções e Gráficos 9


Objetivos 10
1.1 Conceito 11
1.2 Domínio 12
1.3  Funções lineares e não lineares 13
1.3.1  Função quadrática e representação gráfica 14
1.3.1.1 Introdução 14
1.3.2  A função de segundo grau: definição e exemplos 16
1.4  Funções crescentes e decrescentes 17
1.5  Pontos de máximo e mínimo 21
1.5.1  Gráfico da função de segundo grau: a parábola 21
1.6  Estudo do sinal de funções elementares e suas aplicações 22
1.6.1 Intercepto 22
1.6.2  Vértice da parábola 23
1.6.3  Exemplos de gráficos 23

2. Limites 27

Objetivos 28
2.1  Introdução ao Limite 29
2.1.1  O conceito intuitivo de limite 29
2.1.2  Funções contínuas 29
2.2  Análise Gráfica de Limite 33
2.2.1  Funções descontínuas 33
2.3  Como Calcular Limites 35
3. Derivada de uma função 37

Objetivos 38
3.1  Introdução à Derivada 39
3.2  O coeficiente angular 40
3.3  Interpretação gráfica da derivada 43
3.3.1  Derivada pela definição 43
3.3.2  Interpretação gráfica da derivada 44

4. Regras de Derivação 55

Objetivos 56
4.1  Regras de Derivação 57
4.2  Derivada de função 57
4.2.1  Derivada da função x n 57

4.2.2  Derivada de k· f(x) 61


4.2.3  Derivada de f(x) = k 65
4.3  Derivada de uma soma (ou subtração) de funções 65
4.4  Derivada do produto de duas funções: a regra do produto 67
4.5  Derivada da divisão de duas funções: a regra do quociente 71
Referências bibliográficas 74
4.6  Aplicação de Derivada para Determinação de Máximos e Mínimos –
Problema de Otimização 75

5. Aplicações Matemáticas em Economia 77

Objetivos 78
5.1  Maximização do lucro de uma empresa 79
5.1.1  Maximização do lucro 79
5.2  Receita, Custo e Lucro Marginais 82
5.3  Ponto de Equilíbrio 85
5.3.1  Equilíbrio de firma (break-even-point) 86
5.3.1.1  Custo total 87
5.3.1.2  Receita total ou faturamento 87
5.3.1.3  Ponto de equlíbrio 88
5.4  Elasticidade – preço da demanda 91

6. Aplicações Matemáticas em Marketing 93

Objetivos 94
6.1  Previsão e mensuração da demanda em marketing 95
6.2  Pesquisa de marketing 98
6.3  Mensuração do valor da marca 101
6.4  Gerenciamento de preços 105
6.5  PROMOÇÃO DE VENDAS/ DESCONTOS 109
6.6  Propaganda/ dispêndio de marketing 112
6.7  Orçamento de marketing 114

7. Aplicações Matemáticas em Produção 121

Objetivos 122
7.1  Medida da produtividade 123
7.2  Projeto e medida do trabalho 127
7.3  Medida da capacidade 130
7.4  Avaliação de alternativas de localização 135

8. Aplicações Matemáticas em Logística 139

Objetivos 140
8.1  Operações de armazenagem 141
8.2  Controle de estoque 146
8.3  Operações de transporte 150
8.4  Operações de movimentação e embalagem 153
8.5  Otimização de sistemas de transporte 154
9. Aplicações Matemáticas em Finanças 157

Objetivos 158
9.1  Risco sistemático e beta de carteira de investimentos 159
9.2  CAPM (modelo de precificação de ativos financeiros) 161
9.3  WACC (Custo de capital médio ponderado) /Obtenção de capital 165
9.4  Modelo de dividendos 170
9.5  Análise de investimentos 175
9.6  Alavancagem financeira 183
9.7  Medidas de liquidez, rentabilidade, estrutura de capital e de giro 187

10. Matemática Aplicada a Negócios 193

Objetivos 194
10.1  Plano de Negócios 195
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),

Nos dias atuais, presenciamos avanços tecnológicos inimagináveis há al-


guns anos. Isso ocorre em todas as áreas e facilita, de forma significativa, a ob-
tenção de informações a respeito dos fenômenos que nos cercam. E, se parar-
mos para prestar atenção, veremos a presença da Matemática em praticamente
todos os acontecimentos relacionados com tais fenômenos. Essa evolução gera
um grande volume de informações e também a necessidade crescente de reso-
lução de diversos tipos de problemas. Isso, certamente, aumenta a importância
do conhecimento matemático. Compreender e aplicar os conceitos, métodos
e algoritmos matemáticos tem fundamental importância aos profissionais de
diversas áreas do conhecimento. E não é somente no campo profissional que a
Matemática é importante. Em nosso dia a dia, cada vez mais, vemos a necessi-
dade da utilização do raciocínio matemático.
Participante, há muito tempo, da evolução humana, a Matemática desen-
volveu-se (e desenvolve-se) a partir da necessidade do homem em resolver seus
problemas. E não é muito diferente nos dias atuais. Nosso aprimoramento pro-
fissional passa pelo conhecimento, superficial ou abrangente, dessa ciência.
Não permita que eventuais dificuldades de compreensão dos conceitos mate-
máticos diminuam sua capacidade de ação profissional. Dedique-se aos estu-
dos e procure sempre construir, gradativamente, o conhecimento e o raciocínio
lógico que lhe ajudarão a compreender melhor os fenômenos que o cercam.
Veremos aqui a aplicação de conceitos matemáticos na resolução de diver-
sos tipos de problemas, desenvolvendo assim o raciocínio lógico e analítico,
habilidade fundamental para a tomada de boas decisões, mesmo em momen-
tos que não envolvam a matemática propriamente dita, pois o raciocínio lógico
auxilia na análise de vários tipos de situações encontradas no cotidiano de uma
organização.
Este livro está dividido em cinco capítulos. Começaremos, no Capítulo 1,
pelo estudo dos conjuntos e suas operações com ênfase na resolução de pro-
blemas envolvendo tais conceitos. No Capítulo 2, estudaremos as equações do
1º grau, razões, proporções e suas aplicações na resolução de problemas en-
volvendo porcentagens. A função linear, seu comportamento e características
serão apresentados no Capítulo 3. Nele também serão apresentadas aplicações

7
importantes desse tipo de função: funções custo, receita e demanda, além do
ponto de equilíbrio. O Capítulo 4 apresenta a função quadrática e sua aplica-
ções, com ênfase no estudo da receita, do lucro e da maximização do lucro. O
estudo da taxa de variação de funções matemáticas é abordado no Capítulo 5,
através da apresentação dos limites e derivadas de funções.
Mesmo considerando que apenas uma pequena parte das aplicações da Ma-
temática será aqui apresentada, estamos certos de que será de grande valia para
sua vida, tanto particular como profissional.

Bons estudos!
1
Revisão de Funções
e Gráficos
OBJETIVOS
•  Compreender o que é uma função matemática;
•  Reconhecer uma função do primeiro grau;
•  Realizar cálculos de valores de função de primeiro grau e determinar sua raiz e intercepto;
•  Esboçar e interpretar gráficos de funções do primeiro grau;
•  Aplicar o conhecimento sobre função do primeiro grau em situações práticas do cotidiano.

10 • capítulo 1
1.1  Conceito
Em nosso cotidiano, mesmo sem perceber, estamos envolvidos por diversos ti-
pos de funções. A relação existente, por exemplo, entre o consumo de água em
nossa casa e o valor que iremos pagar, o tempo para cumprir um trajeto e a ve-
locidade desenvolvida, a quantidade de açúcar para adoçar certa quantidade de
suco, a quantidade de itens comprados e o valor a ser pago, entre tantas outras
situações em que há a relação entre duas (ou mais) grandezas, que chamare-
mos de variáveis.
Para muitos profissionais, determinadas variáveis necessitam ser analisa-
das com certa precisão. Considere, por exemplo, a quantidade de itens produ-
zidos que determina o custo total envolvido nessa produção; a receita total ob-
tida com a venda de uma utilidade que depende da quantidade vendida; o lucro
com a venda de certa utilidade que, entre outras coisas, depende também da
quantidade vendida; o volume de vendas (demanda) tem relação com o preço
praticado; a quantidade ofertada de certo produto, no mercado, relaciona-se
com o preço desse produto.
É lógico que tais relações não são exclusivas. Por exemplo, a quantidade
ofertada de certo produto, no mercado, tem relação com o preço que está sendo
praticado, mas também depende de outras variáveis tais como a taxa de juros
vigente, a quantidade de parcelas praticado nos financiamentos para aquisição
desse produto, os preços dos produtos similares concorrentes, entre tantas ou-
tras. No entanto, conhecer individualmente cada uma das relações entre a vari-
ável de interesse volume de vendas e as variáveis que, de certa forma, provocam
alteração de seus valores é imprescindível para se ter informações importantes
sobre a variável de interesse.

CONEXÃO
Um vídeo interessante sobre aplicações de funções está disponível no endereço:<http://
revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/vide-funcao-afim-resolucao-
problemas-604921.shtml>.
Ele apresenta a experiência de uma professora do ensino fundamental que trabalhou
com seus alunos aplicações de um tipo específico de função: a função afim. Vale a pena con-
ferir, pois nele são apresentados alguns procedimentos que faremos no estudo de funções.

capítulo 1 • 11
Neste capítulo estudaremos um tipo de função que conhecemos por função
do primeiro grau. É uma das formas mais elementares de função que existe,
mas que possui uma infinidade de aplicações.

1.2  Domínio
Uma ideia intuitiva de função que podemos ter é a de uma “máquina” que pro-
duz um valor y quando nela inserimos um valor x. Há uma “transformação” da
variável x para a produção da variável y. E isso acontece através de uma fórmula
matemática que relaciona valores de dois conjuntos.
Considere dois conjuntos A e B. Uma função matemática entre A e B, nes-
sa ordem, é uma relação que associa a cada um dos elementos de A um único
elemento de B. Há uma infinidade de tipos de função. Neste capítulo, estuda-
remos a função de primeiro grau, que é aquela que pode ser escrita na forma:

y = ax + b ou f ( x ) = ax + b

em que a e b são valores reais quaisquer, com a ≠ 0.


A letra a é denominada de coeficiente angular (ou de inclinação) da função.
Como o gráfico da função de primeiro grau é sempre uma reta, então o valor de
a determina se ela será crescente (a > 0) ou decrescente (a < 0). A letra b é o co-
eficiente angular (ou intercepto) da função e determina o ponto no qual a reta
(gráfico da função de primeiro grau) cruza com o eixo vertical (que é também
conhecido por eixo y).
O conjunto de valores x numa função é denominado domínio da função e
denotado por D(f). Já os valores de y que são relacionados aos valores do do-
mínio constituem um conjunto denominado imagem da função, denotado por
Im(f).

O coeficiente da variável x numa função de primeiro grau não pode assumir valor zero
porque, se isso acontecer, a função deixa de ser de primeiro grau para tornar-se uma
função constante (aquela cujo valor não varia mesmo quando alteramos o valor de x).

12 • capítulo 1
É comum utilizarmos as letras x e y para representar as variáveis em uma
função matemática. No entanto, podemos utilizar as letras que quisermos.
Quando, por exemplo, relacionamos o custo de produção de determinada utili-
dade com a sua quantidade produzida, utilizamos as letras C e q para represen-
tar tais variáveis.
Vamos ver, inicialmente, dois exemplos de funções do primeiro grau, cal-
culando alguns de seus valores e construindo seus gráficos. Mais adiante, vere-
mos algumas aplicações.

1.3  Funções lineares e não lineares

EXEMPLO
Considere a função f ( x ) = 2x + 3 .
Vamos determinar alguns de seus valores a partir dos seguintes valores de x: –2, –1, 0,
1, 2 e 3.
•  Se x = –2, então f ( −2 ) = 2 ⋅ ( −2 ) + 3 = −4 + 3 = −1.
•  Se x = –1, então f ( −1) = 2 ⋅ ( −1) + 3 = −2 + 3 = 1.
•  Se x = 0, então f ( 0 ) = 2 ⋅ 0 + 3 = 0 + 3 = 3.
•  Se x = 1, então f (1) = 2 ⋅1+ 3 = 2 + 3 = 5 .
•  Se x = 2, então f ( 2 ) = 2 ⋅ 2 + 3 = 4 + 3 = 7.
•  Se x = 3, então f ( 3) = 2 ⋅ 3 + 3 = 6 + 3 = 9 .

Podemos apresentar os resultados numa tabela:

X F(X)
–2 –1
–1 1
0 3
1 5
2 7
3 9

Tabela 1.3 – Valores da função f(x) = 2x + 3.

capítulo 1 • 13
Note que os valores de x que escolhemos estão variando de uma em uma unidade. Já
os valores calculados de y variam de duas em duas. Isso já era esperado, pois o coeficiente
angular (a) da função dada é igual a 2. Ele determina qual será a variação de y cada vez que x
aumenta uma unidade.
Os valores da tabela representam apenas alguns pontos da função f(x) = 2x + 3 (ou
y = 2x + 3). Existem outros infinitos, mas eles já são suficientes para que possamos verificar
o comportamento do gráfico dessa função. Na verdade, como o gráfico de uma função é uma
reta, apenas dois dos pontos acima seriam suficientes.
É comum indicar os pontos de uma função através de pares ordenados (x, y). No caso
dos valores calculados para a função desse exemplo (tabela 1.3), temos os seguintes pares
ordenados: (–2, –1), (–1,1), (0,3), (1,5), (2,7) e (3,9).

1.3.1  Função quadrática e representação gráfica

1.3.1.1  Introdução
Vamos iniciar nosso estudo sobre função do segundo grau mostrando uma si-
tuação que exemplifica bem o surgimento desse tipo de função, a partir de uma
função de primeiro grau em que a variável independente x é função de outra
variável.

EXEMPLO
O proprietário de um restaurante que comercializa somente pratos executivos, todos com
o mesmo preço, resolveu realizar um estudo sobre a receita diária do estabelecimento e
como o volume de vendas varia em função do preço praticado. Para isso, realizou, durante
longo período, um levantamento comparando a quantidade x de pratos vendidos diariamente
e o preço p cobrado por unidade. Chegou, assim, ao seguinte modelo:
x = 100 – 2p

Notou, então, que, para cada real aumentado no preço da refeição, há uma redução de
2 unidades na quantidade vendida (pois o coeficiente angular da função é –2). Esse modelo
obtido permite também outras conclusões. Veja como ele pode influenciar a receita diária do
restaurante.

14 • capítulo 1
Como vimos em um dos exemplos do capítulo anterior, a função que fornece a receita
total y de uma utilidade em relação à quantidade comercializada x tem a forma:
y = p · 2p

em que p é o preço unitário de venda.


Se o preço p for fixo, a função receita total é considerada de primeiro grau e seu valor
cresce indefinidamente à medida que a quantidade x aumenta. No entanto, no caso desse
restaurante, temos a informação de que a quantidade vendida está diretamente relacionada
com o preço unitário através da relação:
x = 100 – 2p

Da mesma forma que podemos escrever x em função de p, podemos fazer o inverso:


escrever p em função de x. Para isso, basta isolar p na função x = 100 – 2p:

x = 100 − 2p
2p = 100 − x
100 − x
p=
2
p = 50 − 0, 5x

Substituindo a expressão p = 50 – 0,5 x na função receita total, temos:

p
 
y = ( 50 − 0, 5x ) ⋅ x

Aplicando a propriedade distributiva, podemos escrever:


y = 50 x – 0,5 x2

Note que o formato da função obtida difere daquele que vimos quando estudamos as
funções de primeiro grau. Temos, agora, uma função de segundo grau (pois a variável indepen-
dente aparece elevada à potência 2).
Vamos estudar algumas das características dessas funções. Podemos determinar, entre
outras coisas, qual deve ser a quantidade comercializada para que o valor da receita seja
máximo. Você pode pensar assim: quanto maior a quantidade vendida, maior será o valor re-
cebido (receita). Mas não podemos nos esquecer que, agora, para que a quantidade vendida
aumente, o preço deve baixar. E se o preço for muito baixo, mesmo com uma quantidade
grande, a receita pode parar de crescer. É isso que acontece em casos como o deste exem-
plo.

capítulo 1 • 15
Mais adiante, após estudarmos as características de uma função de segundo grau, reto-
maremos este exemplo para determinar “qual é a melhor relação preço versus quantidade para
que a receita seja a maior possível”.

1.3.2  A função de segundo grau: definição e exemplos

Toda função que relaciona elementos de A e B (x ∈ A e y ∈ B), nessa ordem, é


uma função de A em B se puder ser escrita na forma:
y = f(x) = ax2 + bx + c

em que a, b e c são valores reais, com a ≠ 0.

EXEMPLO
São exemplos de funções do segundo grau:

a) f (x) = x2 – 6 x + 5, em que a = 1, b = – 6, c = 5;

b) g (x) = – x2 + 4x – 3, em que a = – 1, b = 4, c = – 3;

c) y = – 5x2 + 2x, em que a = – 5, b = 2, c = 0;

d) h (x) = x2 + 7, em que a = 1, b = 0, c = 7;

e) f (x) = 2 – 5 x + 3x2, em que a = 3, b = – 5, c = 2;

f) y + 2x2 + x = 9, que pode ser escrita na forma y = – 2x2 – x + 9, em que a = – 2,


b = –1, c = 9.

16 • capítulo 1
1.4  Funções crescentes e decrescentes
Associando cada valor de x a seu respectivo valor y (da tabela 1.3 – Valores da
função f(x) = 2x + 3), no gráfico, temos:

10

9 (3, 9)

7 (2, 7)

5 (1, 5)

3 (0, 3)

(–1, 1) 1
0
–3 –2 –1 0 1 2 3 4
–1
(–2 –)1
–2

Figura 1 – Localização dos pontos da tabela 1.3.

Na figura, apenas os pontos que calculamos é que foram inseridos no gráfi-


co. Apenas para facilitar os cálculos e a localização dos pontos, escolhemos va-
lores inteiros para a variável x. Contudo, o domínio de uma função do primeiro
grau compreende todos os números reais. Se escolhermos, por exemplo, mais
valores de x entre 1 e 2, tais como: 1,1; 1,2; 1,3 etc., ou refinando ainda mais:
1,01; 1,02; 1,03 etc, iremos preenchendo o espaço entre os pontos (1,5) e (2,7).

capítulo 1 • 17
O mesmo acontece com relação aos outros pontos e em toda a extensão do do-
mínio da função. Por isso, após localizarmos os pontos calculados, podemos
ligá-los através de segmentos de reta.

10

0
–3 –2 –1 0 1 2 3 4
–1

–2

Figura 2 – Gráfico de função do primeiro grau do exemplo da tabela 1.3.

Note que, no gráfico, a reta é crescente (à medida que x cresce, y também


cresce) e a taxa de crescimento é de 2 unidades em y para cada unidade em x.
Essa taxa de crescimento é determinada pelo coeficiente angular (ou de inclina-
ção) da função. Outro ponto notável é o intercepto (ou coeficiente linear), que
no caso da função abordada é o 3. Ele determina onde o gráfico irá interceptar
o eixo y.

18 • capítulo 1
Embora a representação do gráfico da função f(x) = 2x + 3 da figura 2 limite-
se ao domínio (valor de x) de –2 a 3, poderíamos expandi-la infinitamente tanto
para valores maiores quanto para valores menores que os considerados na ta-
bela 1.3. Representamos a função de forma finita, mas não podemos esquecer
que ela é infinita.
Vejamos, agora, um exemplo em que o coeficiente angular é negativo.

EXEMPLO
Considere, agora, a função f(x) = – 2x + 3.
Vamos determinar, como no exemplo anterior, alguns de seus valores a partir dos seguin-
tes valores de x: –2, –1, 0, 1, 2 e 3.

•  Se x = –2, então f(–2) = – 2 · (–2) + 3 = 4 + 3 = 7.


•  Se x = –1, então f(–1) = – 2 · (– 1) + 3 = 2 + 3 = 5.
•  Se x = 0, então f(0) = – 2 · 0 + 3 = 0 + 3 = 3.
•  Se x = 1, então f(1) = – 2 · 1 + 3 = – 2 + 3 = 1.
•  Se x = 2, então f(2) = – 2 · 2 + 3 = – 4 + 3 – 1.
•  Se x = 3, então f(3) = – 2 · 3 + 3 = – 6 + 3 = – 3.

Resumindo os resultados numa tabela, temos:

X F(X)

–2 7
–1 5
0 3
1 1
2 –1
3 –3

Tabela 1.4 – Valores da função f(x) = –2x + 3.

capítulo 1 • 19
Nesse caso também, os valores de x escolhidos estão aumentando de uma em uma
unidade, mas os valores calculados de y, ao contrário do exemplo anterior, estão diminuindo
de duas em duas. Isso porque o coeficiente angular (a) da função considerada é igual a –2.
O intercepto, por sua vez, é o mesmo.
A partir dos valores calculados, podemos construir o gráfico da função:

0
–3 –2 –1 0 1 2 3 4
–1

–2

–3

–4

Figura 3 – Gráfico de função do primeiro grau do exemplo da tabela 1.4.

Nos dois exemplos dados, é possível perceber que, quando a > 0, a função é crescente
e quando a < 0, a função é decrescente.

20 • capítulo 1
1.5  Pontos de máximo e mínimo
1.5.1  Gráfico da função de segundo grau: a parábola

O gráfico de qualquer função de segundo grau tem o formato de uma parábola,


com concavidade que pode estar voltada para cima ou para baixo, conforme o
sinal do coeficiente da variável x2. Veja:

Vértice

Vértice
Se a > 0, a concavidade é voltada Se a < 0, a concavidade é voltada
para cima. para baixo.

Figura 4 – Concavidade e vértice da parábola.

Portanto, dada a função, já podemos prever sua concavidade. No entanto, é


preciso ter mais informações para poder esboçar seu gráfico.
O vértice da parábola é o seu ponto mais baixo (quando a concavidade é
voltada para cima) ou o ponto mais alto (quando a concavidade é voltada para
baixo). Outra informação importante é a simetria que a parábola possui com
relação ao eixo vertical que passa sobre seu vértice.

Veja a figura.

Vértice

Figura 5 – Simetria da parábola.

capítulo 1 • 21
Se traçarmos uma linha horizontal que cruze a parábola em dois pontos, o
segmento determinado por um desses pontos e a intersecção dessa linha com
o eixo vertical têm a mesma medida que o segmento determinado por essa in-
terseção e o outro ponto de cruzamento da linha horizontal com a parábola.
Para compreender melhor, considere que o eixo vertical da figura 5 é uma
dobra que você pode realizar. As linhas que determinam os dois lados da mes-
ma parábola vão coincidir após a dobra.
Já temos algumas informações interessantes que nos auxiliarão no gráfico
da função de segundo grau. Mas, ainda, há pontos importantes que devem ser
determinados através de cálculos: as raízes, o intercepto e o próprio vértice.
Assim como acontece com a função do primeiro grau, para calcularmos as
raízes da função de segundo grau (se elas existirem), devemos igualar a função
y a zero e resolver a equação resultante. Contudo, essa resolução não é, geral-
mente, tão simples como ocorre com as funções lineares. Só para relembrar,
as raízes (soluções) de uma equação de segundo grau, da forma ax2 + bx + c = 0
podem ser dadas pela fórmula de Bhaskara:

−b ± raiz de b2 − 4ac
x=
2a

em que Δ = b2 – 4ac.

1.6  Estudo do sinal de funções elementares


e suas aplicações

1.6.1  Intercepto

O intercepto de uma função y = f(x) é sempre o valor que y assume quando a


variável x é igual a zero. No caso geral da função de segundo grau, quando x = 0,
temos:
f(0) = a · 02 + b · 0 + c
f(0) = 0 + 0 + c
f(0) = c

Portanto, o intercepto de uma função de segundo grau é sempre (0,c).

22 • capítulo 1
1.6.2  Vértice da parábola

Como já vimos, o vértice está no eixo de simetria da parábola. Então, sua coor-
denada x pode ser obtida calculando-se a média entre as raízes (se elas existi-
rem). Mas há casos em que elas não existem e temos que recorrer a outro tipo
de cálculo. Portanto, para facilitar, podemos utilizar as fórmulas abaixo para
determinar as coordenadas x e y do vértice, que denotaremos, respectivamente,
por xv e yv:

b
xv = −
2a

yv = −
4a

A coordenada yv representa o valor máximo ou mínimo da função, con-


forme a concavidade seja voltada, respectivamente, para baixo ou para cima.
Consequentemente, a coordenada xv é o valor que atribuímos à variável indepen-
dente x para que obtenhamos o valor máximo ou mínimo da função.

CONEXÃO
No endereço:<http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/10956>, você irá en-
contrar um aplicativo que realiza uma simulação interativa com gráficos de funções do pri-
meiro e do segundo grau. Vale a pena conferir, pois através desse aplicativo, você poderá
compreender melhor o papel de cada coeficiente nesses tipos de função.

1.6.3  Exemplos de gráficos

Agora vamos aplicar as fórmulas vistas na construção de alguns exemplos de


gráficos de funções quadráticas.

capítulo 1 • 23
EXERCÍCIO RESOLVIDO
Esboce o gráfico da função y = x2 – 4x – 5 , identificando (e calculando) as raízes (se
existirem), o intercepto e o vértice.

Resolução
Temos a = 1, b = –4 e c = –5. Como a > 0, então concluímos que a parábola tem con-
cavidade voltada para cima.
O intercepto é o ponto (0, c), isto é, (0,–5).
As raízes são calculadas igualando-se y a zero e resolvendo a equação resultante:
y = 0 ⇒ x2 − 4 x − 5 = 0
Temos:

∆ = b2 − 4ac
∆ = ( −4 ) − 4 ⋅1⋅ ( −5)
2

∆ = 16 + 20
∆ = 36

Como o valor do discriminante ∆ é positivo, então concluímos que a função possui duas
raízes reais distintas. Vamos calculá-las utilizando a fórmula de Bhaskara:

−b ± ∆
x=
2a
− ( −4 ) ± 36
x=
2 ⋅1
10
x1 = =5
2
4±6
x=
2
−2
x3 = = −1
2

Portanto, as raízes são 5 e –1.

Quando obtemos as raízes de uma função quadrática, como no exemplo em que elas
são –1 e 5, significa que determinamos os pontos (–1,0) e (5,0), e não o ponto (–1,5).
Não se esqueça de que, para obtê-las, igualamos a função (y) a zero e elas indicam
onde ocorrem as interseções do gráfico com o eixo x. Portanto, de forma geral, consi-
derando que uma função tenha as raízes x1 e x2, os pontos por elas determinados são
(x1,0) e (x2,0).

24 • capítulo 1
As coordenadas do vértice são:

b −4 −4
xv = − =− =− = −( −2) = 2
2a 2 ⋅1 2

∆ 36 36
yv = − =− =− = −9
4a 4 ⋅1 4

Logo, o vértice é o ponto (2,–9).


Com essas informações, podemos construir o gráfico.

8
7
6
5
4
3
2
1 x
0
–3 –2 –1–1 0 1 2 3 4 5 6 7
–2
–3
–4
–5
–6
–7
–8
–9
–10

capítulo 1 • 25
26 • capítulo 1
2
Limites
OBJETIVOS
Um dos objetivos deste capítulo é introduzir o conceito e cálculo do limite de uma função.
Ao ler este capítulo e resolver todos os exercícios, o aluno terá compreendido o conceito de
limite e estará pronto para adentrar a segunda parte deste capítulo, que tratará da função
derivada.
O estudo de limites de funções é importante e sua maior importância está no fato de
conhecê-lo para poder compreender a definição e o cálculo da função derivada.
A função derivada nos informa sobre o comportamento da variação de uma função, isto
é, sobre o impacto que a variável independente (x) tem sobre a função (variável dependente –
y). Como a próxima unidade nos apresentará a derivada como sendo um limite do coeficiente
angular, então devemos, agora, conhecer mais de perto o limite de funções.
Ao final deste capítulo, depois da leitura e da resolução dos exercícios (resolvidos e pro-
postos), o aluno terá aprendido:
•  a noção e o conceito de limite de uma função;
•  a calcular o valor do limite de uma função num ponto qualquer;
•  a diferença conceitual entre o valor da função e o valor do limite num ponto.

28 • capítulo 2
2.1  Introdução ao Limite
2.1.1  O conceito intuitivo de limite

O limite de uma função num determinado valor de x, isto é, o lim x → x f(x) é


0
definido como aquele valor que a função assume nas vizinhanças de x = x0.
Note que o lim x → x f(x) está relacionado aos valores que a função assume
0
nas vizinhanças de x0, mas não necessariamente em x0. A função pode até não
ser definida em x = x0 (x0 fora do domínio da função), mas o limite poderá existir.
Separemos, pois, os dois principais casos de cálculo do limite: o de funções
contínuas e o de descontínuas, conforme segue.

2.1.2  Funções contínuas

O valor do limite de uma função, quando x tende para um valor x0 confunde-se


com o valor da função f(x0)) no ponto x = x0, se a função f(x) for contínua no pon-
to x = x0, isto é, se f(x) for definida neste ponto.
Desta forma, se f(x) é contínua em x = x0, então:
lim x → x f(x0)
0

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Encontrar o limx → 2(3x – 1).
Resolução
Vamos calcular os valores que f(x) = 3x – 1 assume nas vizinhanças de x = 2. As duas
próximas tabelas apresentam resultados suficientes para que possamos verificar o compor-
tamento da função f(x) nas vizinhanças de x = 2.

X Y = 3X – 1 X Y = 3X – 1
–1 –4,00000 5 14,00000
0 –1,00000 4 11,00000
1 2,00000 3 8,00000
1,5 3,50000 2,5 6,50000
1,6 3,80000 2,2 5,60000
1,9 4,70000 2,1 5,30000
1,99 4,97000 2,01 5,03000
1,999 4,99700 2,001 5,00300
1,9999 4,99970 2,0001 5,00030
1,99999 4,99997 2,00001 5,00003

capítulo 2 • 29
Podemos observar que a função assume valores muito próximos de 5,0 nas vizinhan-
ças à esquerda de x = 2.
Tomemos, agora, as vizinhanças à direita de x = 2.
Podemos observar, também, que a função assume valores muito próximos de 5,0 nas
vizinhanças à direita de x = 2.
Podemos dizer, então, que o limite de f(x) quando x tende para 2 é 5, isto é, limx → 2(3x –
1) = 5.
Nesse caso, o valor do limite da função quando x tende para 2 se confunde com o valor
da função. Eles são iguais, pois a função é contínua em x = 2.
Desta forma: limx → 2(3x – 1) = f(2) = 5.

Para que exista o limite de uma função com x tendendo a certo valor x0, é necessário que
esta função esteja tendendo ao mesmo valor conforme x se aproxima de x0, tanto pela
esquerda como pela direita (tanto por valores menores que x0 como por valores maiores
que x0).

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Vamos calcular os limites a seguir, apenas efetuando a substituição do valor mencio-
nado para x. Até o item (q), é possível determinar os valores dos limites dessa forma, pois
todas as funções apresentadas são contínuas para x = x0. No entanto, no item (r) isso não
ocorre. Vejamos:

a) limx → 1 (3x – 4)
limx → 1 (3x – 4) = f(1) = –1

b) limx → –2 (3x – 4)
limx → –2 (3x – 4) = f(–2) = –10

c) limx → 0 (3x – 4)
limx → 0 (3x – 4) = f(0) = – 4

30 • capítulo 2
d) limx → 10 (x)
limx → 10 (x) = f(10) = 10
e) limx → –4 (–x – 4)
limx → –4 (–x – 4) = f(– 4) = 0

f) limx → 2 (5)
limx → 2 (5) = f(2) = 5

g) limx → –3 (10)
limx → –3 (10) = f(–3) = 10

h) lim
x→
1 ( x2 )
2
 1 1
lim 1 ( x2 ) = f  2  = 4
x→
2  

i) limx → 1 (x3 – 1)
limx → 1 (x3 – 1) = f(1) = 0

j) limx → –1 (x3 – 1)
limx → –1 (x3 – 1) = f(–1) = –2

k) limx → 0 (x2 – 3x + 4)
limx → 0 (x2 – 3x + 4) = f(0) = 4

l) limx → –1 (x4 + 1)
limx → –1 (x4 + 1) = f(–1) = 2

m) 1 
lim x →1  + 2 x 
 x 
1 
lim x →1  + 2 x  = f (1) = 3
 x 

capítulo 2 • 31
n)  4 
lim x → 2  3x − +1
 x 


 4 
lim x → 2  3x − +1 = f ( 2 ) = 8
 x 

o) limx → 3 4 x + 13

limx → 3 4 x + 13 = f(3) =5

 
limx → 2  3x − 4x  a
2
p)
 2x − 1 
 

 3x2 − 4x 
limx → 2   18 − x
 2x − 1 
 

limx → 3  x − 4 
2
q)
 
 x −2 

limx → 3  x − 4  = f(3) = 5
2
 
 x −2 

limx → 2  x − 4 
2
r)
 
 x −2 

limx → 2  x − 4  = f(2) = ?
2
 
 x −2 
No item (s), observamos que a função no ponto x = 2 não existe, mas o limite existe?
Quanto vale?
Vimos, até aqui, que, se a função é contínua no ponto em que estamos querendo cal-
cular o limite, então o limite se confunde com o próprio valor da função neste ponto.
Como a função (item s acima) não é contínua no ponto x = 2, então sabemos que não
existe o valor da função nesse ponto, mas o limite existe? Como calculá-lo? Veremos que

32 • capítulo 2
o limite existe, sim, nesse caso (item s acima), apesar de não existir o valor da função no
ponto x = 2. Temos que recorrer ao conceito original do limite de vizinhança. O limite é
definido pela tendência da função em torno do ponto (nas suas vizinhanças), mas não nele
exatamente, isto é, precisamos descobrir o comportamento da função em torno do ponto
x = 2, mas não nele. Continuaremos com esta discussão.

2.2  Análise Gráfica de Limite


2.2.1  Funções descontínuas

Para encontrarmos o limite de funções em pontos de descontinuidades, deve-


mos calcular os valores da função nas vizinhanças do ponto em questão. Mes-
mo que a função não esteja definida no ponto x0 (descontínuo), o limite poderá
existir, pois o conceito de limite está ligado ao comportamento da função nas
proximidades de x0 (ponto de descontinuidade). Retomemos o caso do item (s)
do exemplo anterior.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Encontre o valor-limite:

 x2 − 4 
lim x →2  
 x −2 

Resolução
Vamos calcular os valores que f(x) assume nas vizinhanças de x = 2.

 x2 −4
X y = 
 x−2 
–1 1,00000
0 2,00000
1 3,00000
1,5 3,50000
1,6 3,60000

capítulo 2 • 33
 x2 −4
X y = 
 x−2 
1,9 3,90000
1,99 3,99000
1,999 3,99900
1,9999 3,99990
1,99999 3,99999

Podemos observar que a função assume valores muito próximos de 4,0 nas vizinhan-
ças à esquerda de x = 2.
Tomemos, agora, as vizinhanças à direita:

 x2 −4
X y = 
 x−2 
5 7,00000
4 6,00000
3 5,00000
2,5 4,50000
2,2 4,20000
2,1 4,10000
2,01 4,01000
2,001 4,00100
2,0001 4,00010
2,00001 4,00001

Podemos observar, também, que a função assume valores muito próximos de 4,0 nas
vizinhanças à direita de x = 2.
Podemos dizer, então, que o limite de f(x), quando x tende a 2, é igual a 4, isto é:

 x2 − 4 
lim x →2  
 x −2 

Neste caso, f(2) nem existe, ou seja, a função não está definida em x = 2 (f(x) é des-
contínua em x = 2), mas o limite existe e vale 4.
Vimos que obter o valor do limite num ponto (x), em que a função não é contínua, não é

34 • capítulo 2
uma operação difícil, mas sim trabalhosa. Porém, nos casos em que podemos fatorar a fun-
ção, a obtenção do limite é menos trabalhosa, conforme apresentado a seguir.
Outra forma de se obter o valor do limite da função no ponto x0 (descontínuo) passa
pela utilização do método da fatoração. Com a fatoração, podemos encontrar outra função
(g(x)) que seja contínua em x0 e que tenha exatamente o mesmo comportamento da função
original (f(x)) do nosso problema (que é descontínua no ponto x0). Se esta segunda função
(g(x)) apresentar o mesmo comportamento que a função original (f(x)), então os limites das
duas funções terão o mesmo valor, ainda que f(x) seja descontínua em x = x0, e o limite
será o próprio valor da função g(x) em x0.
O segredo está no fato de que devemos lembrar que o valor do limite depende única e
exclusivamente do comportamento da função nas vizinhanças do ponto x0, e não necessaria-
mente sobre ele. Assim, como as duas funções f(x) e g(x) têm o mesmo comportamento em
todos os pontos, então os limites das duas funções são os mesmos e assumem o valor de
g(x0). Vejamos o exemplo seguinte (ainda o caso do item s do exemplo 1 anterior).

2.3  Como Calcular Limites

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Encontre o valor-limite:

 x2 − 4 
lim x →2  
 x −2 

Resolução
Já sabemos que a função não é definida em x = 2. Vamos, então, fatorá-la.
Fatorando a expressão do denominador (parte superior da fração), obtemos:

 x2 − 4   ( x − 2 ) ( x + 2 ) 
 =  = x+2
 x −2   x −2 

capítulo 2 • 35
Temos, então, duas funções:

(I) A função original de nosso problema que não é definida (descontínua) em x = 2, que é:

 x2 − 4 
f(x) =  x−2 
 

(II) A função obtida pela fatoração de f(x), que é:


g(x) = x – 2
Como os comportamentos destas duas funções são exatamente os mesmos para todo e
qualquer valor de x, exceto em x = 2, em que a função f(x) não é contínua, e lembrando que,
para o cálculo do limite, só precisamos conhecer o comportamento da função nas vizinhan-
ças do ponto em questão (x = 2, no caso), mas não necessariamente nele, então:

 x2 − 4 
limx →2   ≡ limx →2 ( x + 2) = 4
 x −2 

36 • capítulo 2
3
Derivada de uma
função
O estudo de limites de funções é importante e sua maior importância está no fato de conhe-
cê-lo para poder compreender a definição e o cálculo da função derivada.
A função derivada nos informa sobre o comportamento da variação de uma função, isto é,
sobre o impacto que a variável independente (x) tem sobre a função (variável dependente –
y). Esta unidade nos apresentará a derivada como sendo um limite do coeficiente angular.

OBJETIVOS
•  Relembrar o conceito e o cálculo do coeficiente angular como medida de variação no valor
da função (y) e como um impacto;
•  na variação da variável independente (x);
•  No conceito da função derivada como uma taxa “pontual” de variação da função;
•  No cálculo da função derivada num ponto qualquer;
•  No cálculo da função derivada analiticamente por meio de sua definição, utilizando o cál-
culo do limite.

38 • capítulo 3
3.1  Introdução à Derivada
A derivada de uma função é outra função que tem a característica poderosa de
nos mostrar o comportamento da função original. A derivada de uma função
nos mostra a forma de seu crescimento/decrescimento. Ela apresenta a taxa de
variação (crescimento/decrescimento) da função, isto é, o quanto a função (y)
cresceria ou decresceria se incrementássemos “um pouco” a variável indepen-
dente (x). Na natureza, temos alguns exemplos de derivadas.
A velocidade (função velocidade) é a derivada do espaço no estudo da
cinemática, pois é a velocidade que nos “mostra” como os espaços estão
sendo percorridos em relação ao tempo por um veículo. Se este veículo está
imprimindo grande aceleração, então, com o passar do tempo, a função es-
paço vai aumentando e a cada segundo o aumento é maior, isto é, a taxa de
aumento do espaço percorrido por segundo, por exemplo, vai aumentando.
Se, em contrapartida, o espaço percorrido aumenta, mas sempre numa mes-
ma taxa – por exemplo, 5 metros a cada segundo –, é porque a sua velocidade
(taxa de variação) é constante.
O exemplo mais comum na Administração Geral é o do custo marginal. O
custo marginal é a função derivada do custo em relação à quantidade produzi-
da de bens ou serviços. Sabemos que, para produzir certa quantidade Q de pro-
duto final, precisamos gastar cQ com matérias-primas, energia, capital, mão de
obra, transporte etc. Desta forma, para cada nível de produção Q, é conhecida a
quantia monetária para a sua obtenção, isto é, o custo.
O custo marginal, por ser a derivada do custo, apresenta-nos o quanto a em-
presa terá de gastar a mais (aumento no custo) para conseguir produzir “um
pouco” mais de produto final. Assim, o custo marginal mostra a taxa de varia-
ção do custo quando se altera o nível de produção de uma empresa ou de uma
linha de produção.

Vamos começar revendo um conceito que nos será de bastante utilidade: o


coeficiente angular.

capítulo 3 • 39
3.2  O coeficiente angular
O coeficiente angular nos apresenta a variação no valor da função (y) como de-
corrência de uma variação na variável x (independente), isto é, ele nos mostra o
impacto provocado na função (y) pela variação em x.
Se a função é crescente, isto é, se um aumento em x provoca um aumento
no valor da função (y), então o coeficiente angular irá mostrar o quanto (Δy) a
função cresce provocada pelo aumento na variável x (Δx).

A forma utilizada para se determinar uma função derivada, que será abordada neste
capítulo, não é a mais prática nem a mais ágil, mas é necessária para que se compre-
enda o conceito de derivada. Na próxima unidade, veremos formas bem mais práticas
de obter tais funções.

Em contrapartida, se a função é decrescente, isto é, se um aumento em x


provoca uma diminuição no valor da função, então o coeficiente angular irá
mostrar o quanto (Δy) a função diminui de valor como decorrência do aumento
na variável x (Δx).
O coeficiente angular, que denotaremos por m, entre dois pontos, P1(x1, y1) e
P2(x2 , y2), é dado pela expressão abaixo:

∆y y 2 − y 1
m= =
∆x x 2 − x1

Ele é numericamente igual à tangente do ângulo α, formado pelo prolon-


gamento do segmento de reta P1P2 e pelo eixo x (eixo das abscissas ou eixo
horizontal), conforme mostrado na figura 14 a seguir:

40 • capítulo 3
y

P2
y2

∆y

P1
α
y1

∆x
x
x1 x2

Figura. 6 – Esquema para a obtenção do coeficiente angular

Nos exemplos seguintes, veremos como calcular o coeficiente angular entre


dois pontos. Note que uma das funções apresentadas é do primeiro grau e a
outra é do segundo. Procure notar a diferença entre os resultados.

A utilização da letra grega delta maiúscula (D) seguida de uma variável (x, por exemplo)
indica a variação ocorrida nessa variável, isto é, Dx é uma forma de indicar um intervalo
da variável x.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Calcule o coeficiente angular entre os pontos abaixo, todos sobre a função y = 3x + 1:
a) x1 = 0 e x2 = 1

∆y y2 − y1 4 − 1
m= = = =3
∆x x2 − x1 1− 0

b) x1 = 1 e x2 = 2

∆y y2 − y1 7 − 4
m= = = =3
∆x x2 − x1 2 − 1

capítulo 3 • 41
c) x1 = 2 e x2 = 3

∆y y2 − y1 10 − 7
m= = = =3
∆x x2 − x1 3 − 2

d) x1 = 10 e x2 = 11

∆x y2 − y1 34 − 31
m= = = =3
∆y x2 − x1 11− 10

e) x1 = 0 e x2 = 10

∆y y2 − y1 31− 1
m= = = =3
∆x x2 − x1 10 − 0

f) x1 = 1 e x2 = 101

∆y y2 − y1 304 − 4
m= = = =3
∆x x2 − x1 101− 1

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Calcule o coeficiente angular entre os pontos abaixo, todos sobre a função y = x2.
a) x1 = 0 e x2 = 1

∆y y2 − y1 1− 0
m= = = =1
∆x x2 − x1 1− 0

b) x1 = 1 e x2 = 2

∆y y2 − y1 4 − 1
m= = = =3
∆x x2 − x1 2 − 1

c) x1 = 2 e x2 = 3

∆y y2 − y1 9 − 4
m= = = =5
∆x x2 − x1 3 − 2

42 • capítulo 3
d) x1 = 10 e x2 = 11

∆y y2 − y1 121− 100
m= = = = 21
∆x x2 − x1 11− 10

e) x1 = 0 e x2 = 10

∆y y2 − y1 100 − 0
m= = = = 10
∆x x2 − x1 10 − 0

f) x1 = 1 e x2 = 101

∆y y2 − y1 10 ⋅ 201− 1
m= = = = 102
∆x x2 − x1 101− 1

3.3  Interpretação gráfica da derivada


3.3.1  Derivada pela definição

A definição matemática da derivada vem da ideia do coeficiente angular, po-


rém é muito mais refinada, apurada. O coeficiente angular mede ou calcula a
variação que ocorre na função (y) ao provocarmos uma variação na variável in-
dependente (x). Graficamente, o coeficiente angular de uma reta é um número
que representa a inclinação da reta em seu gráfico num determinado ponto,
como vimos nos exemplos anteriores, em que x variava de 0 até 1 ou de 1 até 2
ou, ainda, de 0 a 10.
A derivada, entretanto, mostra-nos a variação da função quando provocada
por uma mudança (aumento/diminuição) muito pequena (infinitesimal) na va-
riável x. Assim, a derivada é capaz de medir “a tendência de variação da função
num Δx muito pequeno, tendendo a zero”. A derivada mostra, por assim dizer,
a variação da função não mais entre dois pontos (coeficiente angular), mas sim
“a tendência de variação da função num ponto” (já que Δx → 0).
A derivada da função no ponto x0 pode ser entendida como sendo a taxa de
variação pontual, no ponto x0.

capítulo 3 • 43
A notação de derivada pode ser encontrada, entre vários autores, como
sendo:
y’; f’(x); dy ; ∆xy
dx
Todas estas notações dizem respeito à mesma função matemática: “a deri-
vada de y em relação a x”.
Voltando à definição de derivada, podemos dizer que ela é a mesma do coe-
ficiente angular entre dois pontos, porém com a única e importante diferença
de que o acréscimo na variável x, a partir de x0, é muito pequeno, tendendo a
zero (Δx → 0), conforme expressão abaixo:

∆y f ( x 0 + ∆x ) − f ( x 0 )
y = lim ∆x →0 = lim ∆x →0
∆x ∆x

3.3.2  Interpretação gráfica da derivada

Já sabemos que a derivada de uma função nos apresenta sua “tendência de


variação em cada ponto” e que, desta forma, há pequena diferença em rela-
ção ao coeficiente angular, no sentido de que este último torna uma variação
finita (grande) em variável independente (x). É por isso que precisamos de 2
pontos para calcular o coeficiente angular, sendo representado graficamente
pelo ângulo α, formado entre o segmento de reta entre os dois pontos P1P2 e
a abscissa, conforme podemos observar pela figura 7, a seguir.
A interpretação gráfica da derivada também se baseia na ideia de um ân-
gulo, o θ da figura 6. No entanto, este ângulo é formado pela tangente à cur-
va que passa pelo ponto x0, não necessitando de outro ponto para defini-la,
como ocorre com o coeficiente angular. Assim, podemos dizer que a derivada
de uma função é dada pela tangente do ângulo θ da tangente à curva em cada
ponto x.
Embora estejamos falando em tangente de ângulo, não precisaremos utili-
zar os conceitos da trigonometria para trabalhar com derivadas.

44 • capítulo 3
f(x)

f(x0 + ∆x) P2

Reta tangente
a f(x) pelo
ponto x0
f(x0) P1 α

θ
(x0) (x0) + ∆x

Figura 7 – Representações gráficas do coeficiente angular e das derivadas (respectivamen-


te as tangentes dos ângulos α e θ)

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Encontre, pela definição, as seguintes derivadas, sendo y = 3x + 1:
a) y’(x0 = 1) ou y(1), que representam a derivada da função no ponto x0 = 1;
b) y’(2);
c) y’(0);
d) y’(x).

Para representarmos a derivada de uma função y em um ponto x0 específico, podemos


escrever y’(x0).

Resolução
a) y (1)
Vamos determinar, inicialmente, as expressões que representam f(x0)
e f(x0 + Dx):

 f ( x0 ) = f (1) = 3 ⋅1+ 1 = 4

 f ( x0 + ∆x ) = f (1+ ∆x ) = 3(1+ ∆x ) + 1 = 3 + 3∆x + 1 = 4 + 3∆x

capítulo 3 • 45
Agora, basta substituir as expressões equivalentes a e no limite, que é a definição da
derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado a seguir:

f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’(1) = lim∆x →0
∆x
f (1+ ∆x ) − f(1)
= lim∆x →0
∆x
4 + 3∆x − 4
= lim∆x →0
∆x
3∆x
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 ( 3)
=3

CONEXÃO
No endereço:<http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/11411>, você encon-
trará um interessante aplicativo (disponível gratuitamente para download), denominado “fun-
ción derivada”, que mostra o conceito de taxa de variação média e sua interpretação geomé-
trica, de taxa de variação instantânea, a função derivada e a derivada de função composta.
Também apresenta exemplos e exercícios que poderão auxiliar sua aprendizagem. O texto é
apresentado em espanhol.

b) y’(2)
Novamente vamos determinar, inicialmente, as expressões que representam f(x0) e
f(x0 + Dx):

 f ( x0 ) = f (2) = 3 ⋅ 2 + 1 = 7

 f ( x0 + ∆x ) = f (2 + ∆x ) = 3(2 + ∆x ) + 1 = 6 + 3∆x + 1 = 7 + 3∆x

Agora, vamos substituir as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite, que é
a definição da derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado a
seguir:

46 • capítulo 3
f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’(2) = lim∆x →0
∆x
f (2 + ∆x ) − f(2)
= lim∆x →0
∆x
7 + 3∆x − 7
= lim∆x →0
∆x

3∆x
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 ( 3)
=3

c) y’(0)
Determinando as expressões que representam f(x0) e f(x0 + Dx), temos:

 f ( x0 ) = f ( 0) = 3 ⋅ 0 + 1 = 1

 f ( x0 + ∆x ) = f ( 0 + ∆x ) = 3( 0 + ∆x ) + 1 = 3∆x + 1 = 1+ 3∆x

Agora, vamos substituir as expressões equivalentes a e no limite, que é a definição da


derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado a seguir:

f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’( 0) = lim∆x →0
∆x
f ( 0 + ∆x ) − f ( 0)
= lim∆x →0
∆x
1+ 3∆x − 1
= lim∆x →0
∆x
3∆x
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 ( 3)
=3

CONEXÃO
No endereço:<http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/4998>, você en-
contrará um interessante aplicativo (disponível gratuitamente para download), denominado
“limits”, que calcula limites de funções.

capítulo 3 • 47
d) y’(x)
Determinando as expressões que representam f(x0) e f(x0 + Dx), temos:

 f ( x0 ) = f ( x ) = 3x + 1

 f ( x0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = 3( x + ∆x ) + 1 = 3x + 3∆x + 1
Agora, vamos substituir as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite, que é
a definição da derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado
a seguir:

f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’( x ) = lim∆x →0
∆x
f ( x + ∆x ) − f ( x )
= lim∆x →0
∆x
3x + 3∆x + 1− ( 3x + 1)
= lim∆x →0
∆x
3x + 3∆x + 1− 3x − 1
= lim∆x →0
∆x
3∆x
= lim∆x →0
∆x
= lim
m∆x→0 ( 3)
=3

EXEMPLO
Encontre, pela definição, as seguintes derivadas, sendo y = x2 – 2x + 1:
a) y’(2);
b) y’(x).

Resolução
a) y’(2)
Da mesma forma que no exemplo anterior, vamos determinar, inicialmente, as expres-
sões que representam f(x0) e f(x0 + Dx):

 f ( x0 ) = f (2) = 22 − 2 ⋅ 2 + 1 = 4 − 4 + 1 = 1

 f ( x0 + ∆x ) = f (2 + ∆x ) = (2 + ∆x ) − 2(2 + ∆x ) + 1
2

 = 4 + 4∆x + ( ∆x )2 − 4 − 2∆x + 1
 = ( ∆x )2 + 2∆x + 1

48 • capítulo 3
Agora, basta substituir as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite, que é a de-
finição da derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado a seguir:
f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’(2) = lim∆x →0
∆x
+ 2∆x + 1− 1
( ∆x )2
= lim∆x →0
∆x
( ∆x )2 + 2∆x
= lim∆x →0
∆x
∆x( ∆x + 2)
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 ( ∆x + 2)
=0+2
=2

b) y’(x)
Nesse caso, para determinar as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx), devemos
substituir x0 por x e proceder ao cálculo do limite que define a derivada.

 f ( x 0 ) = f ( x ) = x2 − 2x + 1

 f ( x0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = ( x + ∆x ) − 2( x + ∆x ) + 1
2


 = x2 + 2x∆x + ( ∆x )2 − 2x − 2∆x + 1

Agora, basta substituir as expressões equivalentes a (x0) e f(x0 + Dx) no limite, que é a
definição da derivada que desejamos calcular, e determinar seu valor, como apresentado a
seguir:

f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’(2) = lim∆x →0
∆x
x2 + 2x∆x + ( ∆x )2 − 2x − 2∆x + 1− ( x2 − 2x + 1)
= lim∆x →0
∆x
x2 + 2x∆x + ( ∆x )2 − 2x − 2∆x + 1− x2 + 2x − 1
= lim∆x →0
∆x
2x∆x + ( ∆x )2 − 2∆x
= lim∆x →0
∆x
∆x(2x + ∆x − 2)
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 (2x + ∆x − 2)
= 2x + 0 − 2
= 2x − 2

capítulo 3 • 49
EXEMPLO
Encontre, pela definição, a derivada de:
a) y = 4x + 3;
b) y = 1 – 5x;

4
c) y= ;
x
d) y = x2

Resolução
Note que não está sendo especificado nenhum valor para x0. Dessa forma, iremos consi-
derar um valor genérico x0 = x. No mais, o procedimento é semelhante ao que já realizamos
nos exemplos anteriores.
a) y = 4x + 3
Temos:
 f ( x 0 ) = f ( x ) = 4x + 3

 f ( x 0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = 4( x + ∆x ) + 3
 = 4 x + 4 ∆x + 3

Substituindo as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite que define a deri-
vada, temos:

f ( x 0 + ∆x ) − f ( x 0 )
y '( x ) = lim ∆x →0
∆x
4 x + 4∆x + 3 − (4 x + 3)
= lim ∆x →0
∆x
4 x + 4∆x + 3 − 4 x − 3
= lim ∆x →0
∆x
4∆x
= lim ∆x →0
∆x
= lim ∆x →0 (4)
=4

50 • capítulo 3
b) y = 1 – 5x;
Temos:

 f ( x0 ) = f ( x ) = 1− 5x

 f ( x0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = 1− 5( x + ∆x )
 = 1− 5x − 5∆x

Substituindo as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite que define a deri-
vada, temos:

f( x0 + ∆x ) − f( x0 )
y ’( x ) = lim∆x →0
∆x
1− 5x − 5∆x − (1− 5x )
= lim∆x →0
∆x
1− 5x − 5∆x − 1+ 5x
= lim∆x →0
∆x
−5∆x
= lim∆x →0
∆x
= lim∆x →0 ( −5)
= −5
c) 4
y= ;
x
Temos:

 4
 f ( x0 ) = f( x ) = x

 f ( x + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = 4
 0
x + ∆x

Substituindo as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) e no limite que define a


derivada, temos:

capítulo 3 • 51
f ( x0 + ∆x ) − f ( x0 )
y ’( x ) = lim∆x →0
∆x
4 4

= lim∆x →0 x + ∆x x
∆x
4x − 4( x + ∆x )
x( x + ∆x )
= lim∆x →0
∆x
4x − 4x − 4∆x
x( x + ∆x )
= lim∆x →0
∆x
−4∆x
x( x + ∆x )
= lim∆x →0
∆x
−4∆x 1
= lim∆x →0 ⋅
x( x + ∆x ) ∆x
−4
= lim∆x →0
x( x + ∆x )
−4
=
x( x + 0)
−4
= 2
x

CONEXÃO
No exemplo anterior, item (c), o mínimo múltiplo comum (mmc) de x e (x + ∆x) é igual a
x(x + ∆x).

d) y = x2
Temos:

 f ( x0 ) = f ( x ) = x2

 f ( x0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = ( x + ∆x ) = x + 2x∆x + ( ∆x )
2 2 2

52 • capítulo 3
Substituindo as expressões equivalentes a e no limite que define a derivada, temos:

f( x + ∆x ) − f( x )
y ’( x ) = lim 0 0
∆x → 0 ∆x
x2 + 2x∆x + ( ∆x )2 − x2
= lim
∆x → 0 ∆x
2x∆x + ( ∆x )2
= lim
∆x → 0 ∆x
∆x(2x + ∆x )
= lim
∆x → 0 ∆x
= lim (2x + ∆x )
∆x → 0
= 2x + 0
= 2x

capítulo 3 • 53
54 • capítulo 3
4
Regras de
Derivação
OBJETIVOS
Depois de ler e resolver os exercícios deste capítulo, o aluno terá aprendido as regras de
diferenciação de funções e saberá rapidamente obter a derivada:
•  de uma função potência f(x) = x n;
•  de uma função multiplicada por uma constante k: k · f(x);
•  de uma função constante f(x) = k;
•  da soma (ou subtração) de duas funções: f(x) ± g(x);
•  do produto de duas funções: f(x) · g(x);

f (x)
•  da divisão de duas funções: .
g(x)

56 • capítulo 4
4.1  Regras de Derivação
Vimos, no capítulo 3, como calcular a derivada originalmente, isto é, pela
sua definição.
Porém, a todo momento precisamos calcular derivadas e levaremos bastan-
te tempo resolvendo-as “pela definição” (usando o cálculo do limite). Este tema
traz, então, uma série de regras de diferenciação (derivação) para que o pro-
cesso de obtenção do cálculo seja bastante prático. O aluno aprenderá, neste
capítulo, as principais regras de diferenciação (ou derivação) de funções. São
regras bastante simples que permitirão ao aluno obter rapidamente a forma
mais simples da derivada de uma função sem ter que recorrer ao cálculo do
limite (derivada pela definição).

4.2  Derivada de função

4.2.1  Derivada da função xn

Seja uma função do tipo y = xn, então a sua derivada é:


y’ = nx(n – 1), ∀ n ∈ R

Demonstração utilizando a definição de limite

As demonstrações destas regras (apresentadas a seguir) podem ser obtidas através


da definição de derivada, utilizando-se o limite. Para efeito de curiosidade, vamos de-
monstrar apenas o primeiro caso (função potência). Não vamos nos prender a demons-
trações, já que não é o objetivo deste curso. O importante aqui é a utilização correta
das regras para encontrarmos as derivadas das funções e as utilizarmos em aplicações
importantes no curso de Administração.

capítulo 4 • 57
Vamos então considerar y = xn. Daí, temos:

 f (x0 ) = f (x) = xn

 f ( x 0 + ∆x ) = f ( x + ∆x ) = ( x + ∆x )
n

 = x n + nx n −1 ∆x + nx n −2 ( ∆x )2 +
+… + nx 2 ∆x n −2 + nx∆x n −1 + ( ∆x )n

Substituindo as expressões equivalentes a f(x0) e f(x0 + Dx) no limite que de-


fine a derivada, temos:

f ( x 0 + ∆x ) − f ( x 0 )
y ( x ) = lim ∆x →0
∆x
x n + nx n −1 ∆x + nx n −2 ( ∆x )2 + … + nx 2 ( ∆x )n −2 + nx( ∆x )n −1 + ( ∆x )n − x n
= lim ∆x →0
∆x
nx n −1 ∆x + nx n −2 ( ∆x )2 + … + nx 2 ( ∆x )n −2 + nx( ∆x )n −1 + ( ∆x )n
= lim ∆x →0
∆x
∆x[nx n −1 + nx n −2 ∆x + … + nx 2 ( ∆x )n −3 + nx( ∆x )n −2 + ( ∆x )n −1 ]
= lim ∆x →0
∆x
= lim ∆x →0 [nx n −1 + nx n −2 ∆x + … + nx 2 ( ∆x )n −3 + nx( ∆x )n −2 + ( ∆x )n −1 ]
= nx n −1 + nx n −2 ⋅ 0 + … + nx 2 ⋅ 0n −3 + nx ⋅ 0n −2 + 0n −1
= nx n −1

EXEMPLO
Se y = x3, então y’ = 3x3–1 ⇒ y’ = 3x2.

Como não está sendo pedida a derivada em determinado ponto, consideremos x0 = x.

58 • capítulo 4
EXEMPLO
Encontre a derivada de cada uma das funções apresentadas a seguir, utilizando a regra
da derivada da função y = xn.
a) y = x2 i) y= x
8
b) y=x
c) y = x10 j) y = x3
d) y = x100
e) y=x k) y = x5
f) 1
y= 3
x l) y=3x
g) 1
y=
x m) y = 7 x4
h)
1
y=
x10
Resolução
a) y = x2
Se y = x2, então y’ = 2x2–1 ⇒ y’ = 2x.
b) y = x8
Se y = x8, então y’ = 8x8–1 ⇒ y’ = 8x7.
c) y = x10
Se y = x10, então y’ = 10x10–1 ⇒ y’ = 10x9.
d) y = x100
Se y = x100, então y’ = 100x100–1 ⇒ y’ = 100x99.
e) y = x
Se y = x, então y’ = 1x1–1 ⇒ y’ = x0 ⇒ y’ = 1.

f) 1
y=
x3

Se y = 1 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x–3 Então:


x3
3
y ’ = −3x −3−1 ⇒ y ’ = −3x −4 ⇒ y ’ = − , x ≠ 0.
x4

capítulo 4 • 59
g) 1
y=
x
Se 1 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x–1. Então:
y=
x
1
y ’ = −1x −1−1 ⇒ y ’ = − x −2 ⇒ y ’ = − , x ≠ 0.
x2

h) 1
y=
x10
Se y = 1 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x–10. Então:
10 x
10
y ’ = −10x −10 −1 ⇒ y ’ = −10x −11 ⇒ y ’ = − , x ≠ 0.
x11

i) y= x
1
Se y = x , podemos escrever, de forma equivalente, y = x 2 . Então:

1 21 −1 1 −1 1 1
y’ = x ⇒ y’ = x 2 ⇒ y’ = − 1 ⇒ y’ = − , x > 0.
2 2 2 x
2x 2

j) y = x3
3
Se y = x3 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x 2 . Então:

3 32 −1 3 1 3 x
y’ = x ⇒ y ’ = x2 ⇒ y ’ = , x ≥ 0.
2 2 2

k) y = x5
5
Se y = x5 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x 2 . Então:

60 • capítulo 4
l) y=3x

1
Se y = 3 x , podemos escrever, de forma equivalente, y = x 3 . Então:

m) y = 7 x4

4
Se y = 7 x4 , podemos escrever, de forma equivalente, y = x 7 . Então:

4 47 −1 4 −3 4 4
y’ = x ⇒ y ’ = x 7 ⇒ y ’ = 3 ⇒ y ’ = 7 , x > 0.
7 7 7 x3
7x 7

4.2.2  Derivada de k· f(x)

Seja uma função do tipo y = k · f(x), em que:

•  k é uma constante (∀ k ∈ R);


•  f(x) é uma função qualquer, cuja derivada é f ’(x).

Então, sua derivada será:


y’ = k · f ’(x)

EXEMPLO
Encontre as derivadas das funções seguintes, utilizando as regras de derivação que você
conhece:
a) y = 3x2 e) y = 100x100

b) x8 f) 5
y= y=
10 x

c) y = 100x3 g) 6
y=−
x3

d) x10 h) y =2 x
y=
10

capítulo 4 • 61
3
i) 25x3 k) 8x2
y= y=
3 2

j) y = 20 3x5 l) y=3

Quando encontramos, numa função, uma constante (k) que esteja multiplicando ou
dividindo outra função, então, se queremos aplicar a derivação, devemos nos preocupar
somente com a parte funcional (parte que apresenta o x), mantendo a constante intac-
ta, ou seja, da forma (multiplicando ou dividindo) como se apresenta na função original,
antes de começar a derivação.

Resolução
a) y = 3x2
Se y = 3x2, então:
y’ (x) = 3 · (2)x(2 – 1) = 6x1 = 6x

x8
b) y=
10
x8 1 8
Se y = , podemos escrever, de forma equivalente, y = x . Então:
10 10

1 1 8 x7
y’ = ⋅ 8 x8 −1 ⇒ y ’ = ⋅ 8 x7 ⇒ y ’ = .
10 10 10
c) y = 100x3
Se y = 100x3, então:
y’ = 100 · (3)x3 – 1 = 300x2

x10
d) y=
10

x10 x10 (10 −1)


Se y = , podemos escrever, de forma equivalente, y = . Então: 10 x10 = x9
10 10

e) y = 100x100
Se y = 100x100, então:
y’= 100 · (100)x100 – 1 = 10.000 · x99

62 • capítulo 4
5
f) y=
x
5 1
Se y = , podemos escrever, de forma equivalente, y = 5 = 5 ⋅ x −1. Então:
x x

6
g) y=−
x3
6
Se y = − , podemos escrever, de forma equivalente,
x3
1
y = −6 = −6 ⋅ x −3 . Então:
x3
18
y ’ = −6 ⋅ ( −3) x−3−1 ⇒ y ’ = 18 x−4 ⇒ y ’ = .
x4

h) y =2 x 1
Se y = 2 x , podemos escrever, de forma equivalente, y = 2x 2 .

1 1 −1 −
1
1 1
y ’ = 2 ⋅ ⋅ x2 ⇒ y ’ = x 2 ⇒ y ’ = 1 ⇒ y ’ = .
2 x
x2

25x3
i) y=
3
3
Se y = 25x , podemos escrever, de forma equivalente,
3
3
25 ⋅ x3 5 ⋅ x 2 5 23 Então:
y= = = ⋅x
3 3 3
1 5
y = 20 ⋅ 3 2 ⋅x 2

1 −1 5 −1
y’ = 20 ⋅ 3 2 ⋅ 5 2
1 3
y ’ = 20 ⋅ 1
⋅x 2
3 2
1
3 2 32
y ’ = 20 ⋅ ⋅x
3
20 12 3 2
y’ = ⋅3 ⋅x
3
20 1
y’ = ⋅ ( 3 ⋅ x3 ) 2
3

capítulo 4 • 63
j) y = 20 3x5
Se y = 20 3x5 , podemos escrever, de forma equivalente, y = 20 · 3½ · x5/2
Então:

1 5
y = 20 ⋅ 3 2 ⋅x 2

1 −1 5 −1
y ’ = 20 ⋅ 3 2 ⋅ 5 2
1 3
y ’ = 20 ⋅ 1 ⋅ x 2
3 2
1
3 2 32
y ’ = 20 ⋅ ⋅x
3
20 12 3 2
y’ = ⋅3 ⋅x
3
20 1
y’ = ⋅ ( 3 ⋅ x3 ) 2
3

3
k) 8x2
y=
2
3 2
Se y = 8x , podemos escrever, de forma equivalente,
2

2
3
8 3 x2 2 3 x2
y= ⇒y= ⇒ y = x 3 . Então:
2 2

2
3
8 3 x2 2 3 x2
y= ⇒y= ⇒ y = x 3 . Então:
2 2
2 1
2 3 −1 2 − 2 2
y· = x ⇒ y· = x 3 ⇒ y· = 1 ⇒ y· = 3 .
3 3 3 x
3x 3

l) y=3
Como y = 3 é uma função constante, podemos escrevê-la na forma y = 3x0. E, aplicando
as mesmas regras que aplicamos nos itens anteriores, temos:
y’ = 3 · 0 · x0–1 = 0
Em situações como essas (de funções constantes), não é necessário que apliquemos
tais regras, pois, na próxima seção, definiremos uma regra para derivadas de funções cons-
tantes. Podemos dizer que a derivada de uma função constante é sempre igual a zero.

64 • capítulo 4
4.2.3  Derivada de f(x) = k

Seja uma função constante, isto é, y = k, em que k é uma constante (k ∈ R).


Então, sua derivada será:
y’ = 0

EXEMPLO
Encontre as derivadas das funções seguintes:
a) y = 3 d) y= 5
b) y = 10 400 e) y = p
c) y = 1 f) y = 53
10

Resolução
Todas as funções apresentadas nos itens de (a) a (f) são funções constantes. Portanto,
para todos esses casos, temos:
y’ = 0

4.3  Derivada de uma soma (ou subtração) de


funções

Seja uma função do tipo y = f(x) ± g(x), em que:


•  f(x) é uma função cuja derivada é f’(x);
•  g(x) é uma função cuja derivada é g’(x).

É bastante intuitivo que a derivada de uma função constante seja nula, principalmente
quando nos lembramos de que a derivada é justamente uma medida de quanto a fun-
ção varia em decorrência de uma mudança na variável independente (x).

Então, sua derivada será:


y’(x) = f ’(x) ± g’(x)

capítulo 4 • 65
EXEMPLO
Derive as funções seguintes, utilizando as regras de derivação:
a) y = 3x2 + 2x – 10
b) y = 3x2 + 4x – 5
c) x8
y= − 3x
10
d) y = 100x3 – 4x2 + 3x – 10

Resolução:
a) y = 3x2 + 2x – 10
Se y = 3x2 + 2x – 10, então:
y · = 3 ⋅ 2x2 −1 + 2x1−1 − 0 ⇒ y · = 6x + 2.

b) y = 3x2 + 4x – 5
Se y = 3x2 + 4x – 5, então:
y · = 3 ⋅ 2x2 −1 + 4x1−1 − 0 ⇒ y · = 6x + 4.

c) x8
y= − 3x
10
8
Se y = x − 3x , então:
10
8x8 −1 4 x7
y· = − 3x1−1 ⇒ y · = − 3.
10 5

d) y = 100x3 – 4x2 + 3x – 10
Se y = 100x3 – 4x2 + 3x – 10, então:

y ’ = 100 ⋅ 3x3−1 − 4 ⋅ 2x2 −1 + 3x1−1 − 0 ⇒ y ’ = 300x2 − 8x + 3.

Para obter a derivada de uma função, que é a soma ou a subtração de várias funções,
é só derivar cada uma delas separadamente e depois somar ou subtrair as derivadas.
É bastante intuitivo que a derivada de uma função constante seja nula, principalmente
quando nos lembramos de que a derivada é justamente uma medida de quanto a fun-
ção varia em decorrência de uma mudança na variável independente (x)

66 • capítulo 4
4.4  Derivada do produto de duas funções: a
regra do produto

Seja uma função do tipo y = f(x) · g(x), em que:

•  f(x) é uma função cuja derivada é f ’(x);


•  g(x) é uma função cuja derivada é g’(x).

Então, sua derivada será:


y’(x) = f ’(x) · g(x) + g’(x) · f(x)

Para obter a derivada de uma função, que é a soma ou a subtração de várias funções,
é só derivar cada uma delas separadamente e depois somar ou subtrair as derivadas.
É bastante intuitivo que a derivada de uma função constante seja nula, principalmente
quando nos lembramos de que a derivada é justamente uma medida de quanto a fun-
ção varia em decorrência de uma mudança na variável independente (x).

EXEMPLO
Utilizando as regras de derivação, obtenha as derivadas de cada uma das funções se-
guintes:
a) y = x3 · (4x + 2)
b) y = (2x3 + 3x + 1) · (x – 3)
c) y = (100x3 – 4x2) · (3x – 20)
5x
d) y= ( 25x 2 − 4x + 2)
2

Resolução
a) y = x3 · (4x + 2)
Podemos observar que a função y é o produto de duas funções, que denotaremos, res-
pectivamente, por f(x) e g(x). Portanto:
y = f(x) · g(x)

capítulo 4 • 67
em que

 f ( x ) = x3 ,

g( x ) = 4x + 2

e suas derivadas são

 f'( x ) = 3x2

g ’( x ) = 4

Para simplificar a notação, vamos denotar as funções f(x), g(x), f´(x) e g´(x) por f, g, f´ e
g´. Além disso, podemos suprimir o uso do sinal da multiplicação “·”, quando esta operação
estiver evidente.

Aplicando a regra do produto, temos:

y ’ = f' g + g ’ f
y ’ = 3x2 (4x + 2) + 4( x3 )

A expressão y ’ = 3x2 (4x + 2) + 4( x3 ) já é a derivada que queríamos determinar. No


entanto, podemos continuar a desenvolvê-la e simplificá-la (sempre que possível). Portanto:

y ’ = 3x2 (4x + 2) + 4( x3 )
y ’ = 12x3 + 6x2 + 4x3
y ’ = 16x3 + 6x2

A regra do produto de duas funções não é tão intuitiva quanto a regra da soma (ou
subtração). Agora, a derivada de uma multiplicação não é simplesmente a multiplicação
das derivadas.

68 • capítulo 4
b) y = (2x3 + 3x + 1) · (x – 3)
Escrevendo a função y como o produto de duas funções, f e g, temos:
y = f · g,
em que

 f = 2x3 + 3x +1
 ,
g = x − 3

e suas derivadas são

 f' = 6x2 + 3

g’ = 1

Aplicando a regra do produto, temos:

y ’ = f' g + g ’ f
y ’ = (6x2 + 3)( x − 3) + 1(2x3 + 3x + 1)
y ’ = 6x3 − 18x2 + 3x − 9 + 2x3 + 3x + 1
y ’ = 8x3 − 18x2 + 6x − 8

c) y = (100x3 – 4x2) · (3x – 20)


Escrevendo a função y como o produto de duas funções, f e g, temos:
y = f · g,
em que

 5x
f =
 2 ,
g = 25x2 − 4x + 2

e suas derivadas são


 5
 f' =
 2 .
g ’ = 50x − 4

Aplicando a regra do produto, temos:

y ’ = f' g + g ’ f
y ’ = ( 300x2 − 8x )( 3x − 20) + 3(100x3 − 4x2 )
y ’ = 900x3 − 600x2 − 24x2 + 160x + 300x3 − 12x2
y ’ = 1200x3 − 636x2 + 160x

capítulo 4 • 69
d) 5x
y= (25x2 − 4x + 2)
2

Da mesma forma que nos casos anteriores, vamos escrever a função y como o produto
de duas funções f e g:
y = f · g,
em que
 5x
f =
 2 ,
g = 25x2 − 4x + 2

e suas derivadas são

 5
 f' =
 2 .
g ’ = 50x − 4

Aplicando a regra do produto, temos:

y ’ = f' g + g ’ f
5 5x
y ’ = (25x2 − 4x + 2) + (50x − 4)
2 2
125x2
y’ = − 10x + 5 + 125x2 − 10x
2
375x2
y’ = − 20x + 5
2

Note que, em cada um dos casos resolvidos anteriormente, poderíamos ter obtido a deri-
vada sem aplicar a regra do produto. Bastaria, para isso, multiplicar as expressões (utilizando
a propriedade distributiva), transformando cada uma das funções em polinômios (sem utiliza-
ção da forma de multiplicação). No entanto, haverá casos em que esse tipo de recurso não
será possível. Por isso, é imprescindível que se saiba aplicar a regra do produto.

CONEXÃO
No endereço:<http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/6091>, você irá en-
contrar um interessante aplicativo que apresenta a aplicação da “regra do produto” (“the pro-
duct rule”) para a obtenção de derivadas de alguns exemplos específicos de funções. Você

70 • capítulo 4
mesmo insere a função produto que deseja derivar (a partir de algumas funções já predefini-
das) e o programa fornece o resultado da derivada, bem como apresenta uma representação
gráfica da função produto e de sua derivada. Para poder utilizá-lo, será necessário o plug in
“Mathematica Player”, que está disponível para download na mesma página.

4.5  Derivada da divisão de duas funções: a


regra do quociente

Seja uma função do tipo em que:

f (x)
y=
g(x)

•  f(x) é uma função cuja derivada é f ’(x),


•  g(x) é uma função cuja derivada é g’(x).

Então, sua derivada será:

f' ( x ) ⋅ g ( x ) − g ( x ) ⋅ f ( x ) .
y =
[g ( x )]2

Utilizando uma notação mais simplificada, podemos escrever:


f'g − g ' f
y' =
g2

EXEMPLO
Aplicando as regras de derivação, determine as derivadas das funções seguintes:
4
a) y = 5x
3x2

b) 5x2 + 8x − 1
y=
2x − 3
c) x4 + 25
y=
x 3 − 4 x2

capítulo 4 • 71
Resolução

a) 5x4
y=
3x2

Note que essa função pode ser simplificada antes de ser derivada. Podemos escrever:

5x2 5 2
=y = ou y x ,
3 3

e, em seguida, derivá-la:

5 10x
y ’ = 2x2 −1 ⇒ y ’ =
3 3

Apenas para ilustrar e mostrar que, pela aplicação da regra do quociente. a derivada
obtida será a mesma, vamos determinar y´ dessa forma.
Vamos, inicialmente, escrever a função y como o quociente de duas funções, f e g:

f
y= ,
g

em que

 f = 5x
4
 ,
g = 3x
2

e suas derivadas são

 f' = 20x3
 .
g ’ = 6x

20 2 10 2
Aplicando a regra do quociente, temos: y ’ = ⋅ x ⇒ y’ = ⋅x
6 3

b) 5x2 + 8x − 1
y=
2x − 3
Escrevendo a função y como o quociente de duas funções f e g, temos:

f
y= ,
g

72 • capítulo 4
em que

 f = 5x2 + 8x − 1
 ,
g = 2x − 3

e suas derivadas são

 f' = 10x + 8
 .
g’ = 2

Aplicando a regra do quociente, temos:

f' g − g ’ f
y’ =
g2
(10x + 8)(2x − 3) − 2(5x2 + 8x − 1)
y’ =
(2x − 3)2
20x2 − 30x + 16x − 24 − 10x2 − 16x + 2
y’ =
(2x − 3)2
10x2 − 30x − 22
y’ =
(2x − 3)2

x4 + 25
c) y=
x 3 − 4 x2

Escrevendo a função y como o quociente de duas funções, f e g, temos:

f
y= ,
g

em que

f = x + 25
4

g = x − 4x
3 2

e suas derivadas são

 f' = 4x
3
 .
g ’ = 3x − 8x
2

capítulo 4 • 73
Aplicando a regra do quociente, temos:

f' g − g ’ f
y’ =
g2
4x3 ( x3 − 4x2 ) − ( 3x2 − 8x )( x4 + 25)
y’ =
( x 3 − 4 x 2 )2
4x6 − 16x5 − 3x6 − 75x2 + 8x5 + 200x
y’ =
( x 3 − 4 x 2 )2
x6 − 8x5 − 75x2 + 200x
y’ =
( x 3 − 4 x 2 )2

CONEXÃO
No endereço: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/6090>, você irá en-
contrar um interessante aplicativo que apresenta a aplicação da “regra do quociente” (“the
quotiente rule”) para a obtenção de derivadas de alguns exemplos específicos de funções.
Você mesmo insere a função quociente que deseja derivar (a partir de algumas funções já
predefinidas) e o programa fornece o resultado da derivada, bem como apresenta uma re-
presentação gráfica da função quociente e de sua derivada. Para poder utilizá-lo, será neces-
sário o plug in “Mathematica Player”, que está disponível para download na mesma página.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHIANG, A. Matemática para economistas. Edusp/McGraw-Hill, 1982.
DANTE, L. R. Matemática: contexto e aplicações. 2. ed. São Paulo: Ática, 2005.
GOLDSTEIN, L. J. Matemática aplicada à economia, administração e ciências contá-
beis. Bookman, 1999.
GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. Vol. 1. Rio de Janeiro: LTC, 1997.
LEITHOLD, L. Matemática aplicada à economia e administração. Harbra, 2001.
SILVA, S. M.; SILVA, E. M.; SILVA, H. M. Matemática: para os cursos de economia, admi-
nistração e ciências contábeis. São Paulo: Atlas, 1997.
TAN, S. T. Matemática aplicada à administração e economia. Pioneira Thomson
Learning, 2001.
WEBER, J. E. Matemática para economia e administração. Harbra, 1988.

74 • capítulo 4
4.6  Aplicação de Derivada para
Determinação de Máximos e Mínimos –
Problema de Otimização
O primeiro passo para resolver este tipo de problema é determinar, de forma
precisa, a função a ser otimizada. Em geral, obtemos uma expressão de duas va-
riáveis, mas, usando as condições adicionais do problema, esta expressão pode
ser reescrita como uma função de uma variável derivável e, assim, poderemos
aplicar os teoremas.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Aplicação de regra de derivação
O custo para produzir certo produto é dado por C(x) = x3/3 − 6 x2 + 30 x + 25.
Determine o lucro máximo se o preço do produto for R$ 10,00.
O lucro é dado por L(x) = R(x) − C(x), em que a receita é R(x) = 10 x; logo;

1
L( x ) = −x 3 + 18x 2 − 60 x − 75
3
Derivando e igualando a zero:
− 3 x2 + 36 x − 60 = 0 =⇒ x = 2 e x = 10.
Derivando novamente:

L `` (x) = 1/3 . [36 – 6x]


Logo: L’’ (2) = 8 e x = 2 é ponto de mínimo; L’’ (10) = −8 e x = 10 é ponto de máximo.
L(10) = R$ 41,66.

100 Note que o ganho da empresa é


devido ao fato de que o custo é
50 C(10) = R$ 58,33 e a receita é
R(10) = R$ 100,00.

2 4 6 8 10 12


Disponível em: <http://www.ime.uerj.br/~calculo/Ecomat/cap7.pdf, pdf>.
Acesso em: 02 mai. 2015. Adaptado.

capítulo 4 • 75
76 • capítulo 4
5
Aplicações
Matemáticas em
Economia
OBJETIVOS
Ao final desse capítulo, o aluno deverá estar apto a:
•  Entender porque as empresas precisam de funções que maximizem seus lucros;
•  Aplicar seus conhecimentos a situações em que a tomada de decisão visa a elevar lucros,
sem descuidar do cumprimento de outras restrições próprias do ambiente de negócios;
•  Calcular o ponto de equilíbrio de uma operação;
•  Compreender a elasticidade - preço da demanda.

78 • capítulo 5
5.1  Maximização do lucro de uma empresa
5.1.1  Maximização do lucro

Quando uma firma está em condição de monopólio, só ela produz e vende o


produto no mercado. Assim, recai sobre ela toda a demanda. O preço não é mais
constante como em concorrência, quando a empresa não tem controle sobre
quanto cobrar pelo produto. Em concorrência, o preço é estabelecido pelo merca-
do. Em monopólio, a empresa tem poder de mercado e, portanto, ela pode decidir
o quanto irá produzir e qual o preço que colocará no produto, conhecendo a função
de demanda que relaciona o preço e a quantidade demandada.
No exemplo a seguir, veremos uma situação em que há esse tipo de rela-
ção entre preço e demanda (ou quantidade demandada) e como essa relação
influencia o comportamento das funções receita total e lucro total.

EXEMPLO
Encontre a quantidade e o preço ótimos, isto é, aqueles valores, respectivamente, que a
empresa deveria produzir e colocar no preço unitário do produto, de forma a maximizar seu
lucro, sabendo-se que a empresa apresenta custo fixo de R$ 1.000,00 e custo unitário de
produção de R$ 4,00. A empresa conhece a função (curva) de demanda de seu produto
(Q = 120 – p ou p = 120 – Q). Encontre também o lucro máximo.
Sugestão: obtenha as funções CT e RT e faça um gráfico.

Resolução
Custo total: CT = CF + CV = 1.000 + 4Q
Receita total: RT = pQ = (120 – Q)Q = 120Q – Q2
Note agora que a função receita total será uma parábola (função do segundo grau).
Lucro da empresa: L = RT – CT = 120Q – Q2 – 1.000 – 4Q, que simplificando resulta em
L = – Q2 + 116Q – 1.000
O valor máximo do lucro (Lucro máximo: Lmáx) ocorre no vértice da parábola:

 −b − ∆   −116 −9.456 
 ; = ;  = ( 58; 2.364 )
 2a 4a   −2 −4 

Produzindo uma quantidade de 58 unidades do produto (conforme podemos observar


pelo gráfico abaixo), a empresa obterá o maior lucro possível, que será de R$ 2.364,00, já

capítulo 5 • 79
que o preço seria, segundo a função da demanda, anterior: p = 120 – Q = 120 – 58 = 62,00
reais. Para compreender melhor, devemos raciocinar que a empresa colocaria o preço em
R$ 62,00 e, assim, as pessoas estariam interessadas em comprar 58 unidades do produto,
gerando, então, um lucro total (máximo) de R$ 2.364,00 para a empresa. Este é o ponto de
operação da empresa monopolista.
O gráfico a seguir representa as funções envolvidas nesse exemplo.

4.000 $

3.000 Lmáx. = 2.364


LT RT
2.000

1.000
CT Q
0
0 20 40 60 80 100 120
–1.000 Qótima = 58

–2.000

EXEMPLO
Dadas as funções receita total RT(Q) = –Q2 + 200Q e custo total CT(Q) = 4.000 + 30Q, para
Q variando de 0 a 120 unidades, de uma determinada utilidade:
a) determine a quantidade para a qual essa utilidade proporciona receita máxima;
b) obtenha a função lucro total para essa utilidade;
c) determine a quantidade para a qual o lucro proporcionado por essa utilidade é má-
ximo;
d) esboce os gráficos das funções custo total, receita total e lucro total dessa utilidade.

Resolução
a) Como a função receita total é uma função do segundo grau, cujo gráfico é uma
parábola com concavidade voltada para baixo, então seu valor máximo (receita má-
xima) ocorre no vértice dessa parábola. Portanto, a quantidade que proporciona
receita máxima é dada pela fórmula:

80 • capítulo 5
−b
Qv =
2a

Note que, na fórmula mostrada, o valor que será obtido é referente à coordenada x do
vértice (xv).
Na função RT(Q) = –Q2 + 200Q, temos a = –1 e b = 200. Portanto, o valor da coorde-
nada Qv é:

−b −200 −200
Qv = = = = 100
2a 2( −1) −2

O resultado nos diz que o valor máximo de receita ocorre quando a quantidade Q vendida
(e produzida) é igual a 100. Caso seja necessário calcular o valor dessa receita máxima, bas-
ta substituir Q por 100 na função RT(Q) = –Q2 + 200Q e calcular o valor de RT.
Pode parecer estranho, mas, de acordo com a função, se a quantidade for maior que 100,
a receita começará a diminuir. Isso pode ocorrer na prática, pois há relação entre quantidade
e preço e, à medida que a quantidade aumenta, o preço pode cair. E lembre-se de que a
receita é obtida pela multiplicação da quantidade pelo preço. Portanto, mesmo a quantidade
aumentando, se o preço cair, o valor de receita poderá diminuir.

b) A função lucro total LT pode ser obtida pela diferença entre as funções receita total
RT e custo total CT. Portanto:
LT(Q) = RT(Q) – CT(Q)
LT(Q) = – Q2 + 200Q – (4.000 + 30 Q)
LT(Q) = – Q2 + 200Q – 4.000 – 30 Q
LT(Q) = – Q2 + 170Q – 4.000

c) Assim como ocorreu com a função receita, quando determinamos a quantidade


para a qual ela era máxima, vamos aqui proceder da mesma forma para determinar
a quantidade que gera lucro máximo, ou seja, que maximiza a função lucro total.

Na função LT(Q) = – Q2 + 170Q – 4.000, que é do segundo grau, temos a = –1, b = 170
e c = –4000. Portanto, a coordenada Qv é dada por:

−b −170 −170
Qv = = = = 85
2a 2( −1) −2

capítulo 5 • 81
d) Os gráficos das funções lucro total, receita total e custo total são apresentados a
seguir. As linhas pontilhadas indicam o comportamento das funções apresentadas,
mas em uma região (domínio) que já não é mais válida para esta aplicação, pois no
enunciado há menção de que as funções receita e custo apresentadas, nesse caso,
são válidas para Q variando de 0 a 120 unidades.

12000

10000

8000 Custo
6000 Receita
Lucro
4000

2000
Quantidade
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240
2000

4000

6000

8000

10000

12000

5.2  Receita, Custo e Lucro Marginais


RMg(x) = R′(x). A receita marginal RMg(x) é a receita aproximada da venda x+1
após ter vendido x unidades. O lucro marginal de um bem é o lucro aproximado
ao vender uma unidade adicional do bem.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Interpretação de dados em uma tabela – aplicação de custo fixo, variável, total, médio e
marginal.

82 • capítulo 5
01. Dada a tabela a seguir de custos de uma operação de produção de um bem, calcule e/
ou descreva:
a) o custo adicional (marginal) para a produção da nona unidade;
b) o lucro obtido para a venda das 9 (nove) unidades, ao preço unitário de R$ 10,00;
c) o lucro obtido com a venda de 10 (dez) unidades, ou seja, uma unidade adicional do bem;
d) em quantas unidades produzidas se dá a maximização de lucro dessa empresa na ope-
ração de produção analisada;
e) o que ocorre com os custos fixos, variáveis e totais médios de produção;
f) o que a empresa deve fazer em relação à tomada de decisão da produção da décima
unidade, caso a sua estratégia seja de aumento de participação de mercado.

CUSTO
CUSTO CUSTO CUSTO FIXO CUSTO CUSTO
PRODUÇÃO CUSTO FIXO VARIÁVEL
VARIÁVEL TOTAL MÉDIO MÉDIO MARGINAL
MÉDIO
0 15,00 0 15,00
1 15,00 7,50 22,50 15,00 7,50 22,50 7,50
2 15,00 12,00 27,00 7,50 6,00 13,50 4,50
3 15,00 15,00 30,00 5,00 5,00 10,00 3,00
4 15,00 16,50 31,50 3,75 4,13 7,88 1,50
5 15,00 18,00 33,00 3,00 3,60 6,60 1,50
6 15,00 24,00 39,00 2,50 4,00 6,50 6,00
7 15,00 30,00 45,00 2,14 4,29 6,43 6,00
8 15,00 37,50 52,50 1,88 4,69 6,56 7,50
9 15,00 46,50 61,50 1,67 5,17 6,83 9,00
10 15,00 57,00 72,00 1,50 5,70 7,20 10,50
11 15,00 69,00 84,00 1,36 6,27 7,64 12,00

Resolução
a) Conceito de custo marginal: observe-se que, quando se adiciona uma unidade ao
volume produzido, pode-se calcular quanto custa produzir esta unidade adicional (Marginal).
Assim, para o nível de produção de 8 (oito) unidades, o custo total foi de R$ 52,50 e, ao
mudar o volume de produção para 9 (nove) unidades, o custo total passa a ser de R$ 61,50.
Desta forma, ao se subtraírem esses dois valores, chega-se à conclusão de que a nona uni-
dade produzida custou R$ 9,00.
O uso do custo marginal é relevante, pois serve para calcular o ponto ótimo de produção.
b) Lucro obtido: supondo que o preço de mercado de venda para o seu produto seja
de R$ 10,00 por unidade e, se esta empresa estiver produzindo 9 (nove) unidades, a sua
receita será de 9 X R$ 10,00 = R$ 90,00
Por outro lado, seu custo total será de R$ 61,50, como informa a tabela do exercício.

capítulo 5 • 83
Por conseguinte, o lucro obtido será igual a receita – custo total = R$ 90,00 – R$ 61,50
= R$ 28,50
c) Se os gestores decidirem aumentar o nível de produção para 10 (dez) unidades, e
não mais 9 (nove) unidades, o custo total observado na tabela passará de R$ 61,50 para R$
72,00. Admitindo-se, naturalmente, que haja comprador para esta unidade adicional, a recei-
ta passará dos R$ 90,00 anteriores para R$ 100,00. Logo, obterá um lucro de R$ 28,00.
d) Conceito de maximização de lucro: percebe-se que, apesar do esforço produti-
vo adicional, o lucro apurado ao final do movimento de incremento da produção foi menor
(R$ 28,00 < R$ 28,50), o que faz pensar que, na estratégia de maximização de lucro, nenhu-
ma unidade adicional será produzida se seu custo marginal for inferior ao preço de mercado
de venda do bem ou serviço.
e) Pode-se observar na tabela que, quanto maiores forem os valores da coluna de
produção, menores serão os custos fixos médios.
Da mesma forma, visualiza-se uma redução inicial nos custos variáveis médios que, em
seguida, inicia uma trajetória de crescimento, mostrando um esgotamento da relação eficien-
te entre os fatores de produção fixos e variáveis.
Também, pode-se observar que o mesmo ocorre com os custos médios (totais médios)
só que em patamares produtivos mais altos.
Outra explicação que se pode dar para o comportamento desta variação nos custos mé-
dios diz respeito ao aumento de procura dos fatores de produção variáveis e que podem vir a
sofrer aumentos de seu preço devido ao aumento de sua demanda.
f) Genericamente, pode-se estabelecer:
Receita marginal > custo marginal
No entanto, percebe-se ainda que o custo médio para produzir 10 (dez) unidades foi de
R$ 7,20, que é inferior ao preço de venda, indicando claramente que ainda estamos na faixa
de lucratividade, mas não na de maximização de lucro.
Entretanto, caso a organização tenha por estratégia o aumento de sua participação no
mercado e não de maximização de lucro, ela deverá aumentar a sua produção.
Assim, fica demonstrada uma visão econômica dos custos, que inclui as variáveis micro-
econômicas e o ambiente externo do mercado.
Disponível em: : <http://estaciodocente.webaula.com.br/salaframe.asp?curso=686&A-
cessoSomenteLeitura=S&topico=766246&vzGestor=S>. Acesso em: 02 mai. 2015.

84 • capítulo 5
5.3  Ponto de Equilíbrio
Para operar na produção de bens ou serviços, toda e qualquer empresa neces-
sita empregar uma série de recursos, conhecidos como fatores de produção.
Os fatores de produção são utilizados com o objetivo de se conseguir produzir
certa quantidade de produtos ou serviços para oferecer à sociedade. Os mais
comuns são mão de obra, matéria-prima, energia (elétrica e/ou outras), trans-
portes, capital investido (financeiro ou imobilizado).
O conhecimento da função custo é muito importante para o administrador
no sentido de que lhe permite saber o quanto está gastando (com os fatores de
produção) para produzir certa quantidade de produtos (ou serviços). A função
custo pode ser dividida ou classificada em custo fixo e custo variável, dependen-
do de como varia, conforme a empresa queira produzir mais produtos. Assim, o
custo fixo, como o próprio nome diz, independe da quantidade produzida, isto é,
é um custo constante ao longo do tempo ao qual a empresa incorre, independen-
temente de quanto está produzindo, pois é decorrente da decisão que a empresa
toma sobre construir suas instalações prediais e adquirir equipamentos, veícu-
los, maquinários etc. Mesmo que a empresa não esteja produzindo nada, ela tem
de arcar com o pagamento ou a imobilização destes ativos (fixos) todos. Os custos
com mão de obra, matéria-prima, energia (por exemplo) são ditos variáveis por-
que dependem da quantidade produzida (de produtos ou serviços) pela empresa.
Conhecer e administrar estas funções custos é muito importante para o ad-
ministrador nos dias de hoje, em que é crescente o nível de concorrência entre
as empresas. O administrador tem de planejar e controlar suas operações da
forma mais enxuta e econômica possível, buscando, assim, a minimização de
seus custos e mantendo, é claro, o nível de qualidade de seu produto ou serviço.
Outra função muito importante na avaliação do desempenho das empresas
é a função receita (ou faturamento), que mostra o volume de recursos financei-
ros obtidos pela empresa com as vendas de seus produtos ou serviços. Por fim,
a função lucro, que a empresa obterá, é a diferença entre a receita e os custos.
O lucro representa a quantidade de recursos financeiros que realmente perten-
cem à empresa, isto é, representa o saldo para a empresa proveniente das ven-
das (receita) depois de pagos os fatores de produção envolvidos (custos).
Assim, ao final da leitura e com a execução dos exercícios deste capítulo, o
aluno terá aprendido:

capítulo 5 • 85
•  a valorizar o estudo de funções matemáticas para o administrador empre-
gá-las como um ferramental de gestão, que o auxilie a medir e a avaliar o desem-
penho da empresa de várias maneiras;
•  a criar aplicações de funções matemáticas aplicadas à administração;
•  a obter (ou calcular) funções custo, como custo fixo e custo variável;
•  a obter a função receita da empresa, proveniente das vendas de produtos
ou serviços;
•  a calcular o lucro da empresa, empregando as funções receita e custo;
•  a obter pontos de equilíbrio (break-even-point) em que a empresa começa
a ter lucro;
•  a obter o ponto de operação de empresas, em que a empresa maximiza
seu lucro.

5.3.1  Equilíbrio de firma (break-even-point)

O ponto de equilíbrio de uma empresa é aquele em que a receita total iguala-se


ao custo total (lucro nulo). A partir deste ponto, isto é, se a empresa produzir e
vender uma quantidade superior à quantidade de equilíbrio (Qe), ela terá lucro.

$
RT
CT
CF

CV
Q
Qe

Figura 8: Representação gráfica das funções custo e receita e da quantidade de equilíbrio de


uma empresa inserida num mercado de concorrência.

A seguir, apresentaremos as funções custo e receita e as variáveis que são


utilizadas nos estudos envolvendo tais funções. Alguns cálculos também serão
abordados com a finalidade de descrever procedimentos para se determinar o
equilíbrio da firma (break-even-point).

86 • capítulo 5
5.3.1.1  Custo total

A função que fornece o custo total referente à produção de uma utilidade é dada
por:
CT = CF + CV = CF + cQ

em que:

•  Q é a quantidade produzida do produto;


•  CT é o custo total de produção;
•  CF é o custo fixo (investimentos em construções, instalações, equipamen-
tos etc.). O custo fixo independe da quantidade (Q) produzida;
•  CV é o custo variável da produção e depende da quantidade (Q) produzida
(gastos com mão de obra, matéria-prima, energia etc.);
•  c é o custo unitário (variável) de produção, isto é, é o custo para se produzir
uma unidade do produto.

5.3.1.2  Receita total ou faturamento

A função que fornece a receita total (ou faturamento) referente à venda de Q


unidades de uma utilidade, vendida a um preço unitário igual a p, é dada por:

RT = pQ

em que:
p é o preço do produto no mercado;
RT é a receita ou faturamento obtido com o total da venda das Q unidades do
produto.

capítulo 5 • 87
5.3.1.3  Ponto de equlíbrio

Para determiná-lo, basta igualar as funções receita e custo total e calcular o


valor de Q na equação resultante para saber qual é a quantidade que deve ser
produzida e vendida para que o produto não dê nem lucro nem prejuízo. Em
seguida, você pode determinar o valor da receita e/ou do custo (pois eles serão
iguais) do ponto de equilíbrio substituindo em qualquer uma das funções (cus-
to ou receita) o valor de Q pela quantidade de equilíbrio obtida.

(Qe) ⇒ RT = CT
pQe = CF + cQe

então:

CF
Qe =
p−c

Quando definimos, na prática, uma função custo total, precisamos determinar para que
quantidades ela é válida, pois sabemos que, à medida que a produção aumenta, o custo
por unidade pode diminuir, em razão da possibilidade da negociação de compra de um
volume maior de matéria-prima, por exemplo.

EXEMPLO
Uma empresa de refrigerantes apresenta custo fixo de $100.000, custo unitário de $ 0,60 e
preço de mercado de $ 2,00. Sendo assim, monte as funções do custo total da receita total
e encontre o ponto de equilíbrio (Qe).

88 • capítulo 5
Resolução
Temos:
CF = 100.000
c = 0,60
p = 2,00
A função custo total é dada por: CT = 100.000 + 0,60Q.
Dado o preço unitário p, podemos definir a função receita total como RT = 2Q.
Para obter o Qe (quantidade do ponto de equilíbrio), podemos resolver a equação:

R T = CT
2Qe = 100.000 + 0, 60Qe
100.000
Qe =
2 − 0, 60
100.000
Qe =
140
,
Qe = 71.428, 57 reais

ou calcular diretamente por meio da fórmula:

CF
Qe =
p−c
100.000
Qe =
2 − 0, 60
100.000
Qe =
140
,
Qe = 71.428, 57 reais

A receita obtida com a venda de determinado produto não é o mesmo que o lucro ob-
tido. Lucro é o valor da receita subtraído o custo desse produto.

A seguir, você tem o gráfico que representa as funções e o ponto de equilíbrio do exem-
plo trabalhado.

capítulo 5 • 89
200.000 $
180.000 RT

160.000
140.000 CT

120.000
CF
100.000
80.000
60.000
40.000 CV
20.000
Q
0
0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.00
Qe

Você dispõe também, logo abaixo, de uma tabela com alguns valores das funções apre-
sentadas nesse exemplo.

Q CF = 100.000 CV = 0,6 * Q CT = CF +CV RT = 2,00 * Q


0 100.000 0 100.000 0
10.000 100.000 6.000 106.000 20.000
20.000 100.000 12.000 112.000 40.000
30.000 100.000 18.000 118.000 60.000
40.000 100.000 24.000 124.000 80.000
50.000 100.000 30.000 130.000 100.000

60.000 100.000 36.000 136.000 120.000

70.000 100.000 42.000 142.000 140.000

80.000 100.000 48.000 148.000 160.000

90.000 100.000 54.000 154.000 180.000

100.000 100.000 60.000 160.000 200.000

O conhecimento do ponto de equilíbrio referente a uma utilidade é muito importante para


que se estabeleça uma meta de produção e venda que proporcione lucro. Produzir e vender a
quantidade de equilíbrio significa não ter prejuízo; no entanto, também significa não ter lucro.
Portanto, essa meta tem que ser superior à quantidade de equilíbrio.

90 • capítulo 5
5.4  Elasticidade – preço da demanda
A curva de demanda nos mostra o estabelecimento do nível de preço (p)
no mercado frente à quantidade (Q) de demanda do produto pela sociedade.
A lei da demanda e da oferta é fundamental em economia e administração.
Aqui, aplicamos o lado da demanda (procura). O nível de preço influencia
negativamente a quantidade procurada de produtos, isto é, há uma tendên-
cia de as pessoas ficarem menos propensas a comprar (ou comprarem me-
nores quantidades) o produto quando seu preço aumenta.

EXEMPLO
Plotar as funções demandas pelos produtos A e B a seguir e observar a relação negativa
entre o nível de preço e a quantidade de demanda de produtos.

pA p
A: Q A = 50 − e B: QB = 80 − S
4 2

em que:
•  pA é o nível de preço do produto A;
•  pB é o nível de preço do produto B;
•  QA é a quantidade de demanda do produto A;
•  QB é a quantidade de demanda do produto B.

Resolução
A tabela seguinte apresenta alguns valores calculados para as duas funções.

DEMANDAS
PA QA PB QB
0 50 0 80
40 40 20 70
80 30 40 60
120 20 60 50
160 10 80 40
200 0 100 30
120 20
140 10
160 0

capítulo 5 • 91
De acordo com os valores apresentados na tabela anterior, podemos esboçar o gráfico
a seguir:

90
Q
80
70 Demanda do produto B
60
50
40 Demanda do produto A
30
20
10
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
p (preço)

CONEXÃO
Nas aplicações que você irá realizar das funções, é importante realizar a representação grá-
fica destas para melhor análise. Portanto, uma sugestão interessante e útil é que você realize
o download e instale em seu computador um aplicativo que, com certeza, será de grande
utilidade. Trata-se do “Plotfunção”, disponível no endereço: <http://objetoseducacionais2.
mec.gov.br/handle/mec/11400>.

92 • capítulo 5
6
Aplicações
Matemáticas em
Marketing
OBJETIVOS
Após a leitura deste capítulo o aluno deverá lograr entender a relação entre a matemática e
o (a):
•  previsão e mensuração de demanda;
•  pesquisa de marketing;
•  mensuração do valor da marca;
•  gerenciamento de preços;
•  promoção de vendas/descontos;
•  propaganda/dispêndio de marketing;
•  orçamento de marketing.

94 • capítul6 1
6.1  Previsão e mensuração da demanda em
marketing

Uso de proporção e percentagem – aplicação de potencial de mercado

Pode–se usar percentagem ou porcentagem para calcular a demanda (potencial de


mercado) de uma utilidade para uma população.

Definições

1. Proporção de uma quantidade ou grandeza em relação a uma outra ava-


liada sobre a centena [símb.: %]; percentual.

2. Fração da centena que equivale a uma determinada fração de outro nú-


mero e é usada no lugar desta; p.ex., 50/100 (ou 50 %) equivale a 600/1200, a
70/140, a 4/8 etc. [Tem a vantagem de permitir a comparação de grandezas di-
ferentes e de tornar mais fácil a manipulação de cifras muito grandes ou muito
pequenas em quadros, gráficos, tabelas etc.].

Os exercícios comentados a seguir servem para esclarecer como mensurar a


demanda em marketing.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. A demanda de carne depende da magnitude com que é consumida e do número de
pessoas que possam consumi–la. Assim, se uma pessoa alimenta–se em média de 0,5 kg de
carne por semana, ela estará comendo 2 kg de carne por mês (de 4 semanas).
Se uma cidade tiver uma população de 900.000 habitantes, consumindo esse produto,
qual a demanda da empresa fornecedora, supondo–se que sua participação de mercado seja
de 13%?

capítulo 6 • 95
01. Gabarito
13% de 900.000 habitantes = 117.000 habitantes
117.000 habitantes X 2 kg de carne/mês = 234.000 kg de carne ou 234 T

02. Na cidade de Ribeirão Preto, a empresa XZT tem demanda de 400.000 unidades do
produto P 1 e seu potencial de mercado é de 14,5%. Considerando estes dados, pode–se
afirmar que seu potencial de vendas de:
02. Gabarito
14,5% de 400.000 unidades = 58.000 unidades

Uso de média móvel


Pode–se usar a média móvel para prever e, posteriormente, verificar a existência de ten-
dência de uma série histórica de demanda em marketing.
Posteriormente, pode–se verificar de forma gráfica, se a previsão não está discordando
muito da realidade (com erro muito significativo).
Média móvel
Definições da Web
Média aritmética de um certo número (n) das observações mais recentes. Na medida em
que se realizam novas observações, abandona–se as observações mais antigas. ...
<http://www.pinho.com.br/dicionario/M.htm>.

03. Utilizar, primeiramente, a média móvel.


Se a demanda de um produto nos últimos 8 meses teve o comportamento em unidades,
como segue, prever a demanda para o 9º mês empregando a média móvel com 4 períodos:

X Y
1 28
2 40
3 25
4 32
5 27
6 41
7 34
8 37

03. Gabarito
Mm4 = 27+41+34+37 = 34,75
4

96 • capítul6 1
Admitindo que a demanda do 9º mês foi de 40 unidades, fazer a previsão da demanda para o 10º mês.
03. Resolução
Mm4 = 41+34+37+40 = 38
4

04. Em sequencia ao exercício 3, identificar de forma gráfica a existência de tendência na


série histórica da demanda
Uso de regressão linear
Calculam–se os coeficientes angular (β) e linear (α), de acordo com as fórmulas a seguir,
para depois calcular a função de 1º grau Y = α + β X
04. Gabarito

MÊS (X) DEMANDA (Y) ∑X ∑X2 XY


1 28 1 1 28
2 40 3 5 80
3 25 6 14 75
4 32 10 30 128
5 27 15 55 135
6 41 21 91 246
7 34 28 140 238
8 37 36 204 296
9 40 45 285 360
10 38 55 385 380
TOTAL 342 1966

Usar as fórmulas

= (10 X 1966 – 55 X 342)/(10 X 385 –55 X 55) = 1,030303

capítulo 6 • 97
= (342 – 1,030303 X 55)/10 = 28,5333335
Y = 28, 5333335 + 1,030303 X

MÊS (X) DEMANDA (Y) PREVISÃO DA DEMANDA (Y)


1 28 29,56
2 40 30,59
3 25 31,62
4 32 32,65
5 27 33,68
6 41 34,71
7 34 35,74
8 37 36,77
9 40 37,56
10 38 38,83

6.2  Pesquisa de marketing


Aplicação de conjuntos e de tamanho de amostra

98 • capítul6 1
Pretende–se saber quantos elementos ou quantas observações da variável
de interesse deve–se tomar da população ou universo amostrado. Este número
chama–se tamanho da amostra.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uma população consome três marcas de refrigerantes: A, B e C.
Feita uma pesquisa de mercado, colheram– se os resultados tabelados abaixo.

MARCA NÚMERO DE CONSUMIDORES DE REFRIGERANTES

A 97

B 172

AeB 15

BeC 30

AeC 25

A, B e C 07

Nenhuma das três marcas 110

Determine o número de pessoas consultadas.


01. Gabarito

capítulo 6  • 99
50 pessoas consomem somente A.
120 pessoas consomem somente B.
90 pessoas consomem somente C.
15 pessoas consomem A e B.
25 pessoas consomem A e C.
30 pessoas consomem B e C.
07 pessoas consomem A, B e C.
110 pessoas não consomem nenhuma das três marcas.
O total de pessoas entrevistadas foi: 50 + 120 + 90 + 15 + 25 + 30 + 07 + 110 = 447. 

02. Aplicação de tamanho de amostra


João conduziu uma pesquisa de mercado com estudantes do colégio onde estuda, que-
rendo entender como avaliam a qualidade do ensino prestado pela escola. Para tal, conse-
guiu entrevistar 120 alunos entre os 212 existentes no colégio. Pergunta–se:
a) O que representam, respectivamente, 212 e 120 alunos no enunciado acima?
b) Considere agora outra hipótese: João ouviu 30 alunos em sua pesquisa. O critério para
escolhê–los foi a facilidade de acesso, por serem colegas de sua turma ou alunos (as)
do seu convívio pessoal. Como é classificada esta amostra?
02. Gabarito
a) 212 universo e 120 amostra
b) Amostra não probabilística por conveniência.

03. Uso de probabilidade


O jornal Diário publicou na edição da segunda–feira pesquisa realizada pelo Instituto
XPTO medindo a intenção de voto para a eleição do segundo turno ao cargo de prefeito do
município. Segundo a pesquisa, a intenção de voto dos dois candidatos é a seguinte: Murilo:
56% das intenções de voto e Brito: 44% das intenções de voto.
A consulta foi feita com 800 eleitores. Considerando um coeficiente de confiança de
95,0% e a margem de erro de 3 pontos percentuais, qual dos resultados abaixo não pode
ser considerado:
a) Murilo: 53%; Brito: 47%
b) Murilo: 59%; Brito: 41%
c) Murilo: 57%; Brito: 43%
d) Murilo: 55%; Brito: 45%
e) Murilo: 51%; Brito: 49%

100 • capítul6 1
03. Gabarito
Para Murilo: 51% está fora da margem de erro de 3% (que vai de 59% = 56% + 3%
até 53% = 56% – 3%)
Para Brito: 49% está fora da margem de erro de 3% (que vai de 47% = 44% + 3% até
41% = 44% – 3%)

6.3  Mensuração do valor da marca


Alguns analistas veem as marcas como prolongadoras dos produtos e das insta-
lações de uma empresa. Acreditam que as marcas representam o principal ati-
vo permanente de uma empresa. Todavia, qualquer marca poderosa representa
um conjunto de consumidores leais.

Avaliação da empresa Petrobras


Com base no modelo de Avaliação Patrimonial Contábil, o qual está basea-
do na diferença entre os ativos e os passivos exigíveis resultando no Patrimônio
Líquido da empresa de acordo com os princípios contábeis tradicionais, a em-
presa Petrobras, tem seus valores de Patrimônio Líquido descritos na tabela 1.

TABELA 1 – VALOR PATRIMONIAL CONTÁBIL DA


PATRIMÔNIO LÍQUIDO (EM MIL R$)
EMPRESA PETROBRAS ANO
1999 17.564.122
2000 24.945.639
2001 28.966.503
2002 34.324.906
2003 49.367.329
2004 62.130.169
2005 78.785.236
2006 97.530.648
2007 113.854.127
2008 138.365.282
2009 159.464.599
2010 (estimativa) 130.430.000

capítulo 6 • 101
Realizando uma regressão linear com esses valores descritos no quadro 2,
pode–se realizar uma estimativa do valor contábil da empresa para o ano de
2010 com base nos valores do Patrimônio Líquido dos 11 anos anteriores. A re-
gressão linear resultou na equação demonstrada na figura 2, sendo que a escala
encontra–se em bilhões de Reais.

Figura 2 – Regressão linear do valor de Patrimônio Líquido da empresa Petrobras. Elaborado


pelos autores

Salienta–se que a regressão linear utilizada no gráfico 1 é um método para


se estimar o valor esperado de uma variável “y”, dados os valores de algumas ou-
tras variáveis “x”. A regressão, em geral, trata da questão de se estimar um valor
condicional esperado. Por meio dessa análise, foi possível incrementar o mo-
delo de avaliação por meio do Patrimônio Líquido, já que inicialmente tinha–se
apenas os dados dos anos de 1999 a 2009. Sendo assim, para o ano de 2010, o
valor esperado de Patrimônio Líquido é de aproximadamente R$ 130 bilhões.

102 • capítul6 1
Com base no modelo 1 – Modelo de Avaliação Patrimonial – a Petrobras pos-
sui um valor de mercado de R$ 130 bilhões. Esse modelo não considera as con-
dições de mercado para a valorização dos ativos e amortização das dívidas, bem
como esse método não leva em consideração as necessidades de investimento
em capital de giro e imobilização para manutenção da capacidade competitiva
para o próximo período.
Utilizando–se da análise por meio dos valores dos dividendos pagos aos
acionistas, o valor de uma empresa pode oscilar com base no fluxo futuro de
dividendos. A tabela 2 expõe os valores pagos anualmente, do ano 2001 ao ano
de 2009, aos acionistas da Petrobras.

TABELA 2 – EVOLUÇÃO DOS VALORES


DE DIVIDENDOS PAGOS AOS ACIO- DIVIDENDOS PAGOS (EM BILHÕES TAXA DE CRESCIMENTO (ANO
NISTAS R$) BASE = 2001)
ANO
2001 3,66 100%
2002 2,81 76,78%
2003 5,65 154,37%
2004 5,04 137,70%
2005 7,02 191,80%
2006 7,9 215,85%
2007 7,58 207,10%
2008 6,21 169,67%
2009 15,44 421,86%
2010 12,1486 (estimativa)

Conforme se observa na tabela 2, o valor apontado no ano de 2010 é uma


estimativa com base numa regressão linear realizada com os dados dos 9 anos
anteriores. Demonstra–se também o crescimento percentual dos anos poste-
riores tomando como base o ano de 2001.
Pode–se perceber que, na maioria dos anos, houve aumento na distribuição
dos dividendos. Duas das exceções são relativas à queda dos dividendos nos
ano de 2007 e 2008, muito provavelmente devido à crise econômica que ocorreu
nos Estados Unidos e que abalou também a economia do Brasil nesse período.
A figura 3 mostra a regressão linear dos dividendos da empresa Petrobras.

capítulo 6 • 103
Figura 3 – Crescimento dos dividendos pagos aos acionistas. Elaborado pelos autores

Destaca–se em relação a figura 3, que o valor dos dividendos não é o valor


da empresa, porém é porém é utilizado como forma de analisar a variação do
retorno da empresa para os acionistas por meio da precificação das ações. De
maneira indireta, este valor interfere no valor de mercado final obtido pelo
modelo 3 – Valor Presente dos Dividendos, apresentado no referencial teórico.
Com base nesse modelo o valor da ação de uma empresa pode ser calculado
com base no fluxo futuro de dividendos.

Iberoamerican Journal of Industrial Engineering, Florianópolis, SC, Brasil,


v. 5, n. 9, p. 275–295, 2013. 290. Acesso em: 19 abr. 2015.

RESUMO
É importante notar que o valor da marca está inserido no valor patrimonial de mercado e
não deve ser adicionado ao mesmo.

Quando se estima a avaliação da empresa (valuation), o valor da marca já está


incluído.

104 • capítul6 1
O valor de mercado estimado da Petrobras de R$ 130 bilhões, em 2010, já embute o
valor citado (da marca) e, também, os riscos estimados.
O valor de uma marca é o valor presente dos fluxos de caixa estimados exclusivamente
por ela, excluídos os riscos envolvidos para os próximos anos.
O valor da estimação é feita por meio de cálculo indireto por consultorias.
Estas desenvolveram diversas metodologias para calcular o valor da marca.
Uma delas é estimar o lucro gerado por uma empresa forte e compará–lo ao de uma
empresa fraca. A diferença será a estimativa do valor da marca.
Outra forma é estimar uma taxa do royalty que a empresa não precisa pagar, por ser ela
mesma a detentora da marca, posto que não precisa licenciá–la.
Há, no entanto, discordâncias das estimações, conforme acima exposto, como por exem-
plo, que o valor da marca seja resultado da estimação dos seus fluxos de caixa. A empresa
pode estar em um momento de criação de base de clientes, assumindo prejuízos devido ao
seu investimento, para então em um segundo momento, explorar financeiramente essa base.

6.4  Gerenciamento de preços


Apesar da influência maior dos fatores relacionados ao preço no marketing mo-
derno, o preço continua sendo um elemento vital do mix de marketing.

Uso de taxa de marcação (markup) aplicada sobre o preço de custo, descontado o


icms e acrescido de frete.

Usar a fórmula

{TM = 100% – [IMPOSTOS + TAXAS + DESPESAS GERAIS DE ADMINISTRA-


ÇÃO + DESPESAS GERAIS DE VENDAS + COMISSÕES + LUCRO DESEJADO]}

capítulo 6 • 105
Preços na indústria, comércio ou serviços são calculados, mas contém di-
versos componentes intangíveis.
Tentará se demonstrar que preço não pode ser estabelecido puramente no
nível operacional (do supervisor de loja no comércio), pois diversas vertentes
estratégicas estão sempre incorporadas na visão do preço ideal.
Estas vertentes são:
a) base de cálculo científica;
b) posicionamento estratégico;
c) cadeia de valor;
d) redirecionador de custo;
e) produtos substitutos;
f) ciclo de vida do produto;
g) matriz de portfólio;
h) elasticidade da demanda.

A base de cálculo científica é assim designada pela empresa quando esta


adotar uma metodologia que resulta em uma taxa de marcação:
{TM = 100% – [IMPOSTOS + TAXAS + DESPESAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO
+ DESPESAS GERAIS DE VENDAS + COMISSÕES + LUCRO DESEJADO]} aplica-
da sobre o preço de custo, descontado o ICMS e acrescido do frete.
Normalmente, por não fazer esses cálculos o comerciante, principalmente
adota um fator (constante) de multiplicação ao preço de custo para atingir o pre-
ço de venda. Esse fator usualmente está compreendido no intervalo entre 2 e 3.
O posicionamento estratégico (Porter, 1980) nos informa que a empresa
pode escolher em ser líder: ou por redução de custos, ou por lançamento de
produtos.
Muitas vezes, uma promoção (desconto) pode estar enterrando a noção es-
tratégica de a empresa escolher ser líder em custos.
Promoções no lançamento do produto estão relacionadas ao retorno sobre
o investimento.
Preços são estabelecidos (cientificamente) um pouco mais elevados na in-
trodução (pelo modelo de ciclo de vida de produto), mas inicialmente são dei-
xados um pouco abaixo da concorrência; este tipo de promoção (desconto) que
diminui preço tem por objetivo a introdução do produto no mercado e o dis-
pêndio com marketing deve ser atribuído em parte ao investimento inicial, por
se tratar de estratégia verificada pelo longo prazo do retorno das ações.

106 • capítul6 1
A cadeia de valor trabalha para a qualidade das relações desde o produtor,
atacadista e distribuidor, comerciante varejista, cliente, mas não se limita a es-
tes, visto que credores, clientes internos (funcionários), acionistas são também
grupos de interesse envolvidos nos relacionamentos da empresa.
Não se atinge o preço adequado sem levar em conta a cadeia de valor (que
agrega valor pela qualidade das relações) em cada transação dentro e fora da
empresa envolvendo determinado produto, porquanto todos os interesses
acima mencionados devem ficar harmonizados. E o preço é a peça-chave para
que a receita viabilize ao menos o ponto de equilíbrio e, finalmente, o lucro da
empresa.
Redirecionadores de custo se deslocam de volume e escala para qualidade
(foco no cliente). Logo, os preços devem ser compatíveis mais com qualidade
percebida pelo cliente do que com escala de produção (foco no produto).
Os produtos substitutos (uma das forças descritas por Porter) tornam difícil
o cálculo da participação de mercado para cada produto.
Assim sendo, os preços devem levar em conta essa dificuldade, visto que um
ou mais concorrentes podem nem mesmo ser do ramo de produtos em que a
empresa opera. Como a participação de mercado é determinante da rentabili-
dade da empresa (Profit Impact of Market Strategy – PIMS), pode–se imaginar
o quanto é importante a determinação de preço que transpõe esta dificuldade.
O ciclo de vida de produto abordado anteriormente com as suas fases (in-
trodução, crescimento, maturidade, declínio e rejuvenescimento) tomadas em
conjunto com a matriz de portfólio delimitam quem são: “ralos” de caixa, ge-
radores de caixa, autossustentados, e tomadores de caixa. Os preços são decor-
rentes da análise de onde se encontram os produtos considerando o ciclo e a
matriz citada.
A elasticidade da demanda derruba qualquer hipótese de que o preço é ope-
racional e não estratégico.
Sem uma profunda análise da elasticidade pode se estar estabelecendo ní-
vel de preço mais alto ou mais baixo sem o devido proveito. O pior que pode
acontecer é utilizar a curva de elasticidade erradamente, isto é, considerar o
preço (porque não é possível prover todas as informações de mercado) mais
elástico, sendo o produto mais inelástico e vice-versa.
Todas as considerações abordadas são insuficientes para determinar qual
preço é mais adequado para os produtos; aqui não foram considerados aspec-
tos como tecnologia, oportunidade, cenários econômicos, forças da sociedade,
dentre uma infinidade de outros critérios.

capítulo 6 • 107
EXERCÍCIO RESOLVIDO
04. Suponhamos que você pague hoje R$ 1,00 (custo) no kg de tecido, o ICMS é de 17%,
PIS e Cofins 4%, comissão do vendedor 1,5%, despesas administrativas 4% e o lucro dese-
jado ante o imposto seja de 15%.

 ESTRUTURA:   
Preço de venda (PV) = 100,00%
ICMS na venda = 17,00%
PIS e Cofins = 4,0%
Comissões = 1,50%
Despesas administrativas = 6,00%
Lucro antes dos impostos = 15,00%
Total (CTV) – Custo total venda = 43,5%

MKD = (PV – CTV)/100


MKD = (100 – 43, 5)/100
MKD = 56,5/100
MKD = 0,565
Ao utilizamos o índice Markup Divisor (MKD) o custo seria de R$ 1,00 /0,565 = R$ 1,77.
Assim, o preço do quilo de tecido garantir o pagamento de todos os custos, impostos e gerar
um lucro de 15%.

Fórmula markup multiplicador:


MKM = 1/MKD MKM = 1/0,565
MKM = 1,7699115 ou 1,77
Se utilizarmos este índice Markup multiplicador (MKM) o custo seria
R$ 1,00 X 1,77 = R$ 1,77 o quilo, ou seja,
chegamos também no mesmo valor usando esta formula. Confirme na tabela abaixo a
estrutura onde foi aplicado o Markup de 1,77 que é suficiente para gerar lucro de 15% sobre
a venda.

108 • capítul6 1
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO:    
Preço de venda (PV)  R$ 1,77 100%
(–) Custos aquisição chapa (R$ 1,00) (56,5%)
(–) Icms (R$ 0,30) (17%)
(–) PIS e cofins (R$ 0,07) (4,0%)
(–) Comissões (R$ 0,03) (1,5%)
(–) Despesa adm (R$ 0,10) (6 %)
= Lucro R$ 0,27 (15 %)

Lucro de 15% sobre o preço de venda de R$ 1,77, igual a R$ 0,27.


Esse valor representa 27% sobre o preço de custo e não 102% sobre a venda.

6.5  PROMOÇÃO DE VENDAS/


DESCONTOS

Promoção de vendas refere–se ao conjunto de ferramentas para aceleração das


vendas de produtos/ serviço e é um dos quatro aspectos do promocional mix.
Reside num conjunto diversificado de incentivo a curto prazo que visa estimu-
lar a compra ou venda de um produto ou serviço:
Com o auxílio de duas reportagens, dos sites http://www.industriahoje.com.
br/ e http://carros.uol.com.br/, pretende–se desenvolver um raciocínio sobre o
que fizeram as indústrias brasileiras para promover produtos e resgatar vendas,
quando houve o realinhamento do Imposto sobre Produtos Industrializados
(que havia sido reduzido).
O cálculo do IPI é demonstrado, inicialmente, pois é de importância funda-
mental na negociação de compra e venda de produtos industrializados.

capítulo 6 • 109
EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso de percentagem

Como calcular o valor do ipi na compra de um produto?


A formula para o cálculo do IPI sobre um produto é bastante simples, mas requer muita
atenção, pois pode variar de produto para produto.
O que é o IPI?
O IPI significa Imposto Sobre Produtos Industrializados.
Exemplo de Alíquotas de IPI
IPI sobre Aço = Geralmente é taxado em 5%
Como fazer o cálculo do IPI?
– Chapa de Aço = R$ 3.000,00 a Telada com ICMS, PIS e COFINS já inclusos, IPI de
5% a Incluir.
Adquirimos 15.500 kg de Chapa de Aço, como o preço está sendo negociado por tela-
da na NF o peso sairá como 15,5 T.
– Calculando: 15,5 x 3.000,00 = R$ 46.500,00
O valor de R$ 46.500,00 corresponde então ao valor total do material (15,5 T ou
15.500 kg) já com ICMS, PIS e Confins inclusos, falta agora calcular o IPI, que para este
produto é de 5%.
– Calculando: Valor do Produto + IPI = Valor Total NF
– Cálculo direto na calculadora: R$ 46.500,00 x 1,05 = R$ 48.825,00 (1,05 é o mesmo
que + 5%)
Note que fizemos o calculo direto multiplicando o valor por 1.05. Se o IPI fosse de 10%,
bastaria multiplicar por 1.10, ou até mesmo de 25% por 1.25 e assim por diante.
Para saber o valor liquido somente do IPI que está embutido no seu produto basta
calcular da seguinte forma na Calculadora.
R$ 48.825,00 x 5 + Tecla % = R$ 2441,25 IPI (Para somar aperte a tecla + na calcu-
ladora)
A redução do IPI nos preços dos automóveis foi fator decisivo para aumentar a venda
dos veículos nos anos de 2012 e 2013, porém geraram prejuízos finais para as contas do
governo.
Por exemplo, o aumento do IPI para veículos fez com que as fábricas retivessem os au-
tomóveis nos pátios, para desovar de uma vez em grandes promoções como, por exemplo,
a Black Friday de novembro de 2014.
Baseado em Post de: Fábio Alves em: 17, ago, 2012. Acesso em: 19 abr. 2015. Disponível em:
<http://www.industriahoje.com.br/como–calcular–o–valor–do–ipi–na–compra–de–um–produto>

110 • capítul6 1
Lojas se preparam para novo ipi e carro 1.0 pode ficar R$ 1.300 mais caro
Por Leonardo Feli. Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)
21/11/201414h53.
[...] “As fábricas tendem até a reter a produção de dezembro, para desovar de uma
vez o que estiver nas concessionárias e faturar as últimas unidades produzidas já com
o imposto novo”, declarou uma vendedora da Fiat. Não à toa, pelo menos três das qua-
tro representantes do quarteto de ferro (Chevrolet, Ford e Volks) anunciam em rádio,
jornais e TV que FARÃO PROMOÇÕES FORTES PARA ESTE FIM DE SEMANA –– o
mote é as ofertas só durarão até domingo. A GM foi além, e já confirmou participação
no Black Friday 2014, marcado para a próxima sexta–feira (28).
Para o especialista em mercado automotivo e blogueiro de UOL Carros, Joel Leite,
as fabricantes devem diluir o reajuste em doses “homeopáticas” no primeiro trimestre
de 2015.
“Fizeram o mesmo no ano passado, quando entrou em vigor a obrigatoriedade de
ABS e airbags, e o IPI também subiu um ponto”, lembrou. De fato, naquela ocasião
os preços subiram apenas 1,4% em janeiro, mas depois tiveram altas respectivas de
2,4% e 1,6% em fevereiro e março, segundo dados da AUTOINFORME. 

Pátio da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP): marcas esperam decisão do governo


para faturar produção do fim do ano

A partir de abril, entretanto, o que se viu foi uma queda gradual nos valores, inter-
rompida só em julho. “O que é preciso ver é se o consumidor está disposto a pagar
por esse aumento. Parte da queda nas vendas este ano está atrelada ao aumento
dos preços nos primeiros meses. Ao perceberem isso, as montadoras começaram a
trabalhar com promoções e bônus, e o cenário passou a ser, quase sistematicamente,
de ligeira queda nos preços reais mês a mês. Pode ocorrer fenômeno parecido em
2015”, previu.
Disponível em:<http://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/21/lojas–se–preparam–
para–novo–ipi–e–carro–10–pode–ficar–r–1300–mais–caro.htm htm>. Acesso em: 19 abr.
2015.

capítulo 6 • 111
Conclusão sobre os textos apresentados anteriormente
O uso artificial de redução do IPI resultou, quando do realinhamento (retorno gradual do
IPI), em uma queda nas vendas, em parte compensada por promoções de vendas.

02. Em uma promoção numa concessionária de veículos, está sendo dado um desconto de
5% para pagamento à vista. Se um carro é anunciado por R$ 34.000,00, então qual será o
preço para pagamento à vista desse bem?
Gabarito
R$ 34.000 X 5% = R$ 1.700
R$ 34.000 – R$ 1.700 = R$ 32.300,00

03. Um bem durável teve seu preço acrescido de 8%. Tempos depois, esse novo preço
sofreu um desconto de 8%. Sendo Pi o preço inicial e Pf o preço final do bem, qual a relação
entre Pf e Pi?
Gabarito
P f = 99,36% de Pi
P f = Pi X 1,08 = 1,08 Pi
Cálculo do desconto:
1,08 Pi X 8% = 0,0864 Pi
Relação dos preços:
1,08 Pi – 0,0864 Pi = 0,9936 Pi ou 99,36% Pi

6.6  Propaganda/ dispêndio de marketing


Mídias digitais
Mídia digital refere–se a conteúdo de áudio, vídeo e foto que foi codificado
(compactado digitalmente). A codificação de conteúdo envolve converter entra-
da de áudio e vídeo em arquivo de mídia digital.

Exemplo de uma campanha de branding


Vamos supor o seguinte investimento em branding:
O colégio MKZ, gostaria de fortalecer a sua marca para um público ado-
lescente, na faixa de 10 a 14 anos e consequentemente conquistar algumas
matrículas.

112 • capítul6 1
A fim de atingir este objetivo, solicita a uma agência uma campanha de
branding. O orçamento para esta campanha é de R$ 10.000,00 para ser investi-
do no site Y com CPM de R$ 10,00 (custo por mil impressões). Com este investi-
mento, pode–se comprar 1.000.000 visualizações.
Ao final da campanha, a agência de Marketing envia o seguinte relatório:
Impressões: 1.000.000 (1.000 visualizações x R$ 10.000/10)
Cliques: 250
CTR (taxa de cliques): 0,025% (cliques/impressões = 250/1.000.000)
calculando o cpc (custo por clique) temos:
CPC: R$ 40,00 (R$ 10.000,00/250 cliques)
Podemos observar também que de todos os cliques, poucos foram converti-
dos em matrículas. Supondo a seguinte conversão, vem:
Conversões: 3 (Qtd de matrículas efetivas no colégio, após clicarem no
banner)
Calculando o percentual de Conversões/Cliques, temos:
Taxa de Conversão: 1,2% (3 Conversões/250 Cliques)
Assim, podemos nos perguntar: Qual o custo por aquisição (CPA), recurso
financeiro que investimos para trazer as 3 matrículas para o colégio?
CPA (Custo/Conversões): R$ 10.000/3 = R$ 3333,33
Ou seja, para cada reserva feita no colégio, precisamos desembolsar R$
3333,33 em marketing.
Supondo que o valor médio da matrícula do colégio é de R$ 800,00, obtemos
o seguinte retorno financeiro:
Receita: R$ 2400,00 (R$ 800,00 x 3 Conversões)
Bom, vamos agora ao cálculo do ROI.

Calculo do retorno investimento


Como calcular o retorno sobre o investimento (ROI) desta campanha? Valeu
a pena investir nesta mídia?
O ROI pode ser calculado da seguinte forma:
ROI = (receita – custo)/custo
Substituindo os valores da campanha, temos:
ROI = (2.400 – 10.000)/10.000
ROI = – 0,76
ROI = – 76%
O que este número quer dizer? Quer dizer que, para cada R$ 1,00 investido

capítulo 6 • 113
perdeu-se ainda R$ 0,76, demostrando que a campanha de marketing foi um
fracasso.

Exemplo de uma campanha de PPC


Para o caso de se investir os mesmos R$ 10.000,00 em outra mídia, por
exemplo, PPC (pay per click), em que se poderia ter um pouco mais de controle
sobre os resultados e o cenário poderia ser mais satisfatório, vejamos:
Impressões: 250.000
Cliques: 10.500
CTR (taxa de cliques): 4,2% (cliques/impressões)
CPC médio: R$ 0,95 (R$ 10.000,00/10.500 cliques)

Conversões: 18
Receita: R$ 14.400 = 18 conversões x R$ 800,00 (preço da reserva de
hospedagem)
Custo: R$ 10.000 (investimento no Google AdWords)
Calculando o retorno sobre o investimento, temos:
ROI = (Receita – Custo)/Custo
ROI = (R$ 14.400 – R$ 10.000 )/R$ 10.000
ROI = 0,44
ROI = 44%
O que quer dizer que para cada R$ 1,00 investido, ganhou-se R$ 1,44.
Pode–se dizer que a campanha foi bem sucedida, contudo deve–se conhe-
cer os custos operacionais e variáveis, para saber se haverá lucro liquido.

6.7  Orçamento de marketing


Tem por objetivo examinar os aspectos fundamentais do processo de estrutura-
ção do orçamento de despesas de marketing, sugerir métodos de planejamen-
to, operacionalização e controle do orçamento, e colocar o orçamento de des-
pesas de marketing em sua perspectiva de importância adequada.

114 • capítul6 1
Aplicações de orçamento de despesas de marketing

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Estamos contratando um grupo musical para uma festa. O grupo tem três opções de
cobrança para o evento.
•  Plano 1: CF = R$ 500 + CV = R$ 2 por pessoa presente.
•  Plano 2: CV = R$ 5 por pessoa.
•  Plano 3: CF = R$ 1.000
a) Calcule o custo total para os três planos, c/ frequência de 100, 500 e 1.000 pessoas.
b) Analise o risco e o retorno para os três planos, sob o ponto de vista do empresário que
contrata o conjunto.
Resolução
a)

PESSOAS PLANO 1 PLANO 2 PLANO 3


100 R$ 500 + R$ 2 X 100 = R$ 700 R$ 5 X 100 = R$ 500 R$ 1.000
500 R$ 500 + R$ 2 X 500 = R$ 1.500 R$ 5 X 500 = R$ 2.500 R$ 1.000
1.000 R$ 500 + R$ 2 X 1.000 = R$ 2.500 R$ 5 X 1.000 = R$ 5.000 R$ 1.000

b) O risco será o do número de pessoas pagantes resultar em custo superior ao da


receita atingida.

02. Um programa de TV apresenta as seguintes premissas:


Horário 22:00 horas.
Duração do Programa: 3 meses.
Verba disponível = R$ 10.000.000, distribuída: 50%, 25% e 25%.
Custos variáveis = R$ 3.000.000, R$ 2.500.000, R$ 2.500.000.
Custo fixo = R$ 500.000 por mês.
Gastos gerais = R$ 120.000, R$ 100.000, R$ 100.000.
a) Previsão de gastos do programa.

GASTOS 1 2 3 TOTAL
CV R$ 3.000.000  R$ 2.500.000   R$ 2.500.000    R$ 8.000.000  
CF R$ 500.000  R$ 500.000  R$ 500.000  R$ 1.500.000 
Gastos Gerais R$ 120.000  R$ 100.000  R$ 100.000  R$ 320.000 
Total R$ 3.620.000  R$ 3.100.000   R$ 3.100.000   R$ 9.820.000 

capítulo 6 • 115
b) Previsão de fluxo de caixa para o programa.

DISCRIMINAÇÃO 1 2 3 TOTAL
Verba R$ 5.000.000   R$ 2.500.000    R$ 2.500.000    R$ 10.000.000 
Gastos R$ 3.620.000  R$ 3.100.000   R$ 3.100.000   R$ 9.820.000 
Saldo do mês R$ 1.380.000  R$ 780.000  R$ 180.000   R$ 180.000   
Saldo acumulado  R$ 1.380.000  R$ 2.160.000  R$ 2.340.000  R$ 2.340.000 

c) Os gastos reais durante o programa:

1o mês R$ 3.454.000 2º mês R$ 2.250.000 3º mês R$ 4.385.000

REAL X ORÇADO 1 2 3 TOTAL

ORÇADO R$ 3.620.000 R$ 3.100.000 R$ 3.100.000  R$ 9.820.000 

REAL R$ 3.454.000  R$ 2.250.000   R$ 4.385.000   R$ 10.089.000


DIFERENÇA R$ 166.000  R$ 850.000  (R$ 1.285.000)  (R$ 269.000) 

Conclusão: Entre o orçado e o realizado houve uma diferença para menos de R$ 269.000.

03. Elabore o orçamento de mídia, utilizando as seguintes premissas:


•  Valor da verba R$ 40.000.000,00 divididos em 12 meses
•  Duração do programa 12 meses
•  Custos fixos serão de R$ 1.000.000 por mês
•  Gastos gerais não devem ultrapassar R$ 1.000.000,00 por mês
•  O programa será exibido de segunda a sexta das 18h00min às 19h00min
•  Encargos trabalhistas: 28% da remuneração

Gastos
– Engenharia básica de externa:
3 operadores de áudio: R$ 3.000,00 cada operador por mês + encargos.
2 câmeras: R$ 2.500,00 cada por mês + encargos.
2 auxiliares de câmera: R$ 2.000,00 cada por mês + encargos.
2 operadores de vídeo: R$ 2.500,00 cada por mês + encargos.
1 geradorista com três auxiliares: R$ R$ 6.000,00 + encargos.

116 • capítul6 1
– Engenharia de estúdio:
4 Câmeras: R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos.
2 Operadores de áudio: R$ 3.000,00 Cada operador por mês + encargos
1 Operador de cabo: R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos.
4 Assistentes de iluminação: R$ 2.000,00 Cada por mês + encargos.
1 Eletricista: R$ 1.000,00 + Encargos.
1 Operador de equipamento de suporte: R$ 2.000,00 Cada por mês + encargos.
1 Operador de sistema: R$ 3.000,00 + Encargos.
1 Supervisor: R$ 5.800,00 + Por mês + encargos.
1 Operador de vídeo – R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos.
1 Operador de vt – R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos.
1 Assistente de estúdio (produção): R$ 3.000,00 Por mês + encargos
1 Diretor de corte (produção): R$ 10.000,00 Por mês + encargos

– Produção direta:
1 Assistente de base (produção): R$ 3.000,00 Por mês + encargos
1 Coordenador: R$ 7.000,00 Por mês + encargos
3 Assistentes de produção: R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos
1 Auxiliar de produção: R$ 2.000,00 Por mês + encargos
1 Gerente de produção: R$ 10.000,00 Por mês + encargos
1 Diretor de produção: R$ 12.000,00 Por mês + encargos

– Produção de arte:
1 Produtor de arte: R$ 5.000,00 Por mês + encargos
3 Assistentes: R$ 2.000,00 Cada por mês + encargos
2 Contrarregra de cena: R$ 2.500,00 Cada por mês + encargos

– Cenografia:
1 Cenógrafo: R$ 5.000,00 Por mês + encargos
2 Assistentes – R$ 2.000,00 Cada por mês + encargos

– Figurino:
1 Figurinista: R$ 2.000,00 + Encargos.
2 Assistentes: R$ 1.000,00 Cada por mês + encargos

capítulo 6 • 117
– Continuidade (produção):
2 Continuístas: R$ 500,00 cada por mês + encargos

– Efeitos especiais (pós/mecânico):


1 Supervisor: R$ 4.800,00
3 Produtores de efeitos gráficos: R$ 3.000,00 Cada por mês + encargos

– Atores: 36 personagens
18 Atrizes: R$ 360.000,00 Por mês
18 Atores: R$ 540.000,00 Por mês
– Encargos trabalhistas 28% ao ano.

– Os cenários econômicos para o período foram:


Inflação zero e aumento dos cf p/segundo semestre de 8%.
Inflação de 3% mês e aumento dos cf p/segundo semestre de 8%.
Inflação de 5% mês e aumento dos cf p/segundo semestre de 8%, com aplicação do
saldo em conta corrente utilizando a taxa selic de 2% mês.
 
Pede–se:
Faça o orçamento utilizando os três cenários, ajustando os gastos gerais durante a exe-
cução do programa. Faça também o acompanhamento dos gastos reais x orçados, concluin-
do no final da produção se o programa terá uma sobra de caixa ou necessidade de aporte de
capital para os três cenários econômicos.

04. Considere os seguintes dados para um programa de 4 meses:


Verba liberada p/mês: 1o R$ 6.000.000, 2O R$ 6.000.000, 3O R$ 3.000.000, 4O R$
3.000.000 Durante os 4 meses de programa.
Engenharia externa: R$ 98.500, R$ 84.000, R$ 85.000, R$ 85.000
Engenharia de estúdio: R$ 95.500, R$ 82.000, R$ 88.000, R$ 88.000.
Produção direta: R$ 64.000, R$ 52.000, R$ 98.000, R$ 98.000.
Produção de arte: R$ 25.000, R$ 18.000, R$ 20.000, R$ 20.000.
Cenografia: R$ 15.500, R$ 12.000, R$ 16.000, R$ 16.000.
Figurino: R$ 8.500, R$ 8.500, R$ 9.500, R$ 9.500.
Atores: R$ 2.843.000, R$ 2.443.500, R$ 3.733.500, R$ 3.733.500.
Outros gastos durante o programa:
Custos fixos: R$ 500.000 Nos três primeiros meses, R$ 200.000 No último mês.

118 • capítul6 1
Gastos gerais extraordinários: R$ 200.000, R$ 600.000, R$ 600.000 E R$ 200.000.
Gastos reais: R$ 4.250.000, R$ 3.900.000, R$ 5.250.000, R$ 4.750.000.

GASTOS VARIÁVEIS 1 2 3 4 TOTAL


ENGENHARIA EXTERNA        
ENGENHARIA DE ESTÚDIO        
PRODUÇÃO DIRETA        
PRODUÇÃO DE ARTE        
CENOGRAFIA        
FIGURINO        
ELENCO DE ATORES        
TOTAL        

Com os dados acima, elabore:


a) Previsão de gastos para os 4 meses de programação.
b) Previsão do fluxo de caixa para os 4 meses de programação.
Indique o valor do saldo de caixa previsto para o fim do programa.

Indique o valor da Margem Bruta prevista para o fim do programa.


c) Faça o quadro comparativo real x orçado e comente o resultado obtido:
a) Previsão de Gastos para os 4 meses de programação.

DISCRIMINAÇÃO 1 2 3 4 TOTAL
CUSTOS VARIÁVEIS          
ENGENHARIA EXTERNA          
ENGENHARIA ESTÚDIO          
PRODUÇÃO DIRETA          
PRODUÇÃO DE ARTE          
CENOGRAFIA          
FIGURINO          
ELENCO DE ATORES          

           
CUSTOS FIXOS          
GASTOS GERAIS          
TOTAL          

capítulo 6 • 119
b) Previsão do Fluxo de caixa para os 4 meses de programação.

DISCRIMINAÇÃO 1 2 3 4 TOTAL
VERBA          
CUSTOS VARIÁVEIS          
MARGEM BRUTA          
CUSTOS FIXOS          
GASTOS GERAIS          
SALDO          
SALDO ACUMULADO          

Indique o valor do saldo de caixa no final do programa:


Indique o valor da Margem disponível para os Custos Fixos e Gastos gerais.

120 • capítul6 1
7
Aplicações
Matemáticas em
Produção
OBJETIVOS
Ao final desse capítulo, o aluno deverá ser capaz de compreender as aplicações matemáticas
em:
•  medida da Produtividade;
•  projeto e Medida do Trabalho;
•  medida da Capacidade;
•  avaliação de alternativas de localização.

122 • capítulo 7
7.1  Medida da produtividade
Basicamente, têm-se dois tipos de medição:
O simples ou direto também conhecido como produtividade de fator único,
que será calculado pela seguinte fórmula:

OUTPUTS
PRODUTIVIDADE =
INPUTS

O mais complexo e amplo também conhecido como produtividade mutifa-


tores ou produtividade de fatores totais.

OUTPUTS
PRODUTIVIDADE =
INPUTS + CAPITAL + ENERGIA + DIVERSOS

Para entender melhor esta diferença, vamos fazer alguns exercícios para
melhor compreensão do que vimos em relação à aplicação desta medição da
produtividade.

EXEMPLO
Uma loja de fast food, dentro de um shopping, possui uma máquina de fazer sorvetes que
produz um total de 1.200 casquinhas de sorvete por dia. Considerando que a loja fique aberta
por 11 horas, diariamente, qual será a produtividade desta máquina por hora?
Basta utilizar a fórmula de produtividade de fator único, ou seja:

OUTPUTS 1.200 casquinhas


=
PRODUTIVIDADE = = 109 casquinhas / hora
INPUTS 11horas

EXEMPLO
Uma refinaria produz em seu processo diário de refino do petróleo vários tipos de derivados
e, dentre eles:
250.900 litros de gasolina aditivada;
12.000 litros de querosene de aviação;

capítulo 7 • 123
120.000 litros de óleo combustível;
1.000 kg de asfalto.

Qual é a sua produtividade por hora em relação ao refino da gasolina?


Basta utilizar a fórmula de produtividade de fator único, ou seja:

OUTPUTS 250.900
=
PRODUTIVIDADE NO REFINO DA GASOLINA = = 10.454 litros/hora
INPUTS 24 horas

OUTPUTS 12.000
=
PRODUTIVIDADE NO REFINO DO QUEROSENE = = 500 litros/hora
INPUTS 24 horas

OUTPUTS 12.000
=
PRODUTIVIDADE NO REFINO DO COMBUST VEL = = 5.000 litros/hora
INPUTS 24 horas

OUTPUTS 1.000
PRODUTIVIDADE NO REFINO DO ASFALTO FABRICADO = == = 417 , kg/hora
INPUTS 24 horas

EXEMPLO
Uma pequena confecção possui quatro funcionárias: Sílvia, com salário de R$ 1.790,00;
Sandra, com salário de R$ 1.250,00; Renata, com salário de R$ 1.140,00 e Rosane, com
salário de R$ 1.030,00. Juntas, produzem 61.600 blusas por mês. A gerente deseja saber
qual a produtividade diária e também a produtividade por cada real pago de salário. Por essa
razão, contatou você como cronoanalista, para desempenhar a atividade de medir tempos de
fabricação e, em consequência, mensurar produtividades.

124 • capítulo 7
Para a primeira pergunta, basta utilizar a fórmula de produtividade de fator único, ou seja:

OUTPUTS 61.600 blusas


=
PRODUTIVIDADE = = 2.053 blusas/dia
INPUTS 30 dias

Para a segunda pergunta, basta utilizar a fórmula de produtividade multifatores, ou seja:

OUTPUTS
PRODUTIVIDADE =
INPUTS + CAPITAL + ENERGIA + DIVERSOS

61.600 blusas
PRODUTIVIDADE =
R$ 1.790,00 + R$ 1.250,00 + R$ 1.140,00 + R$ 1.030,00

PRODUTIVIDADE = 11,82 blusas por real pago de salário.

EXEMPLO
Uma pequena indústria de marcenaria possui três vendedores, Jorge, Silvia e Sérgio. Em ja-
neiro, eles venderam um total de R$250.000,00 e, em fevereiro, um total de R$ 301.000,00,
sendo os produtos comercializados janelas e portas, cujos clientes são lojas de material de
construção. Os resultados das vendas foram os seguintes:

capítulo 7 • 125
JANEIRO FEVEREIRO
VENDEDOR JANELAS PORTAS
TOTAL DAS
JANELAS PORTAS TOTAL DAS
VENDAS VENDAS
R$ R$ R$ R$ R$ R$
JORGE 39.910,00 50.089,20 89.999,20 52.000,00 51.012,00 103.012,00
SÍLVIA 35.000,00 54.910,80 89.910,80 43.090,29 71.988,00 115.078,29
SÉRGIO 30.090,00 40.000,00 70.090,00 34.909,71 48.000,00 82.909,71
TOTAIS 105.000,00 145.000,00 250.000,00 130.000,00 171.000,00 301.000,00

Se a empresa quiser saber a produtividade diária do vendedor Jorge no mês de janeiro,


basta utilizar a fórmula de produtividade de fator único, ou seja:

OUTPUTS R$89.999,20
=
PRODUTIVIDADE = = R$ 2.903,20/dia
INPUTS 31 dias

Se a empresa quiser saber a produtividade diária da vendedora Sílvia no mês de fevereiro


na venda de portas, basta utilizar a fórmula de produtividade de fator único, ou seja:

OUTPUTS R$71.988,00
=
PRODUTIVIDADE = = R$ 2.571,00/dia
INPUTS 31 dias

Se a empresa quiser saber a produtividade diária do vendedor Sérgio na venda de jane-


las, nos meses de janeiro e fevereiro, basta utilizar a fórmula de produtividade de multifatores,
ou seja:

OUTPUTS
PRODUTIVIDADE =
INPUTS + CAPITAL + ENERGIA + DIVERSOS

R$ 30.090,00 + R$ 34.909,71
PRODUTIVIDADE =
31 dias + 28 dias

R$ 64.909,71
=
PRODUTIVIDADE = R$ 1.101,69/dia
59 dias

126 • capítulo 7
Disponível em: <http://estaciodocente.webaula.com.br br>. Acesso em: 20 abr. 2015.

7.2  Projeto e medida do trabalho


Medir o trabalho é determinar quanto tempo uma operação leva para ser
realizada.
Pode-se definir um tempo-padrão, obtido após considerações sobre o ritmo
de trabalho do operador e sobre seu método de trabalho.
O tempo-padrão para se realizar uma tarefa serve para estudos a fim de de-
terminar o custo de um produto e medir os parâmetros que levam trabalha-
dores a receber premiações pelo trabalho realizado. Como é uma medição da
variável tempo (selecionada dentre outras), deve ser repetida periodicamente,
pois as condições dos operadores, das máquinas e dos processos se alteram
com o tempo.
Relaciona-se, na operação, com:
1. estudo de tempos com cronômetros;
2. tempos históricos;
3. dados-padrão predeterminados;
4. amostragem do trabalho.

A interpretação comum do significado das porcentagens de tolerância é que


elas permitem certo percentual do tempo total disponível.
Assim, pode-se calcular o tempo-padrão de uma tarefa pelo uso de
percentagem.

capítulo 7 • 127
EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso de percentagem
Calcular o tempo-padrão de uma tarefa da qual foram medidos 20 ciclos, obtendo-se
1,55 minutos como média. A operadora foi avaliada com tendo uma eficiência de 75%. A
tolerância habitual da empresa para fadiga e tempo pessoal (margem) é de 20% sobre o dia
de trabalho.

Gabarito
Tempo normal:
1,55 minutos X 0,75 (ou 75% de ritmo ou eficiência da operadora) = 1,16 minuto

100 100
Tempo padrão: 116
, minuto × = 1 ,16 minuto × = 145
, minuto
100 − m arg em 100 − 20

02. Qual o número de medidas a serem realizadas para uma operação de produção de pa-
rafusos, sabendo que uma amostra inicial de medidas forneceu a média de 7,35 minutos e
um desvio-padrão de 1,90 minuto. A precisão desejada é de 10% com um grau de confiança
de 95%.
Usar a fórmula a seguir
2
∑ ⋅σ 
n =  α /2 
 E 

Onde
n : número de indivíduos na amostra

∑ α/2 : valor crítico que corresponde ao grau de confiança desejado
σ : desvio-padrão populacional da variável estudada
E : margem de erro ou erro máximo de estimativa. Identifica a diferença máxima
entre a média amostral (x) e a verdadeira média populacional.
n = 1,96 X 1,90 = 3,724 = 5 medições
10% X 7,35 0,735

128 • capítulo 7
03. Um cronoanalista anotou os tempos no formulário a seguir e calculou os respectivos
desvios-padrão para os três elementos constituintes de uma tarefa:

ELEMENTO TEMPO (MINUTOS) DESVIO-PADRÃO (MINUTOS)


A 7,05 1,50
B 3,47 0,84
C 5,85 0,72

a) Qual o elemento que deve ser tomado como base para o cálculo do número de ciclos
a medir?
b) Quantos ciclos deverão ser medidos para uma precisão de 5% com um grau de con-
fiança de 99%?
Gabarito
c) O valor da média que está mais próximo da mediana é o ideal; valores muito altos e
muito baixos são expurgados nessa situação. Portanto, o valor ideal é o da média de
tempo igual a 5,85 minutos e desvio-padrão igual a 0,72 minutos
d) Usar a fórmula seguinte:
2
∑ ⋅σ 
n =  α /2 
 E 
2
 2, 58 ⋅ 0, 72 
n=  = 40
 5% ⋅ 5, 85 

04. Calcular o número dos ciclos necessários para que os tempos medidos atinjam margem
de erro estatística de 10% e confiança estatística de 95%.
ELEMENTO TEMPO (MINUTOS) DESVIO-PADRÃO (MINUTOS)
A 7,05 1,50
B 3,47 0,84

Gabarito
Elemento A = 18 ciclos
Elemento B = 23 ciclos

capítulo 7 • 129
7.3  Medida da capacidade
Capacidade é a quantidade máxima de produtos e serviços que uma em-
presa pode produzir durante um período de trabalho predeterminado, muitas
vezes medido por dia, mês ou ano. É função de duas variáveis: volume ou quan-
tidade e tempo.
Exemplos
•  Uma rede de lojas de revenda de roupas mede a capacidade como vendas
anuais por unidade de negócio.
•  Um cinema mede a capacidade como o número de assentos disponíveis.
•  Um torneiro mecânico mede a capacidade como a utilização por hora/
máquina.
•  Uma manicure mede a capacidade como a quantidade de clientes atendi-
dos por dia.
•  Uma empresa de jardinagem mede a capacidade como o rendimento por
metro quadrado de grama cortado.

Capacidade de projeto = capacidade efetiva + perdas

ÍNDICE DE PRODUÇÃO MÉDIA × PERDAS


TAXA DE UTILIZAÇÃO =
CAPACIDADE MÁXIMA

Slack et al., 1997


Limite de capacidade
Em todas as produções, existem atividades que são realizadas em paralelo
ou em sequência.
Uma determinada atividade será responsável por um limite em relação às
demais.
Esse limite é conhecido como gargalo ou restrição da capacidade da opera-
ção de produção.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Em uma fábrica, a capacidade máxima da uma sopradora para moldar garrafas PET é de
15.000 unidades por dia (10 horas), sendo que, destas, 12.000 garrafas são envasadas com
granel líquido. Qual a taxa de utilização dessa máquina?

130 • capítulo 7
Resolução

Aplicação de percentagem

12.000
UTILIZAÇÃO = × 100 = 80%
15.000

02. Outra fábrica produz tampas que servirão para completar as garrafas citadas anterior-
mente. A capacidade máxima da injetora de tampas é de 120.000 unidades por dia (10
horas), sendo que são envasadas com granel líquido 12.000 garrafas que necessitam ser
tampadas pela rosqueadora.
a) Qual a taxa de utilização dessa máquina?
b) Essa máquina ficará parada quantas horas por dia?

capítulo 7 • 131
Resolução
Aplicação de percentagem
a) 12.000
UTILIZAÇÃO = × 100 = 10%
120.000

b) A injetora ficará parada 9 horas, pois sua produção horária é de 12.000 tampas,
ou seja, 120.000 / 10 horas. Assim, em 1 hora por dia a máquina atende toda a
demanda de tampas.

03. Uma empresa que faz travessia por ferry boat possui uma frota com dois barcos, realizan-
do 15 travessias diárias, cada uma com 90 carros e 650 pessoas.
Sabendo-se que a média de um mês fora da alta estação (fora das férias escolares, por
exemplo) é de 1.400 carros e 11.000 pessoas por dia, qual é a taxa de utilização diária dessa
empresa para transporte naquela época do ano:
a) de carros?
b) de pessoas?

Resolução
a) Capacidade para carros = 2 barcos x 15 travessias diárias x 90 carros/travessia =
= 2.700 Carros
Taxa de utilização para carros = 1.400 X 100 / 2.700 = 51,85%
b) Capacidade para pessoas = 2 barcos x 15 travessias diárias x 650 pessoas =
= 19.500 Pessoas
Taxa de utilização para pessoas = 11.000 X 100 / 19.500 = 56,41%

132 • capítulo 7
04. Para se produzir uma garrafa de óleo lubrificante, temos descritas algumas atividades
principais:
a) produção da garrafa,
b) fabricação da tampa,
c) colagem do rótulo e
d) enchimento da garrafa com o óleo lubrificante.

Considere que para a produção de uma garrafa levem-se 4 minutos; para uma tampa, a
produção é feita em 2 minutos; para a colagem de um rótulo, a tarefa gasta 5 minutos; e, por
último, para o enchimento da garrafa são necessários 30 segundos.
Fica fácil entender que o gargalo é a colagem do rótulo, pois não adianta produzir mais
tampas ou disponibilizar mais garrafas, se serão gastos 5 minutos na colagem.
Se, agora, dobrarmos a capacidade da máquina que cola o rótulo (rotuladora), baixando
o tempo pela metade, qual será novo gargalo dessa linha de produção?
Resolução
Uso de fração e comparação entre quantidades
Se dobrarmos a produção da rotuladora, ela passará a colar o rótulo em:
5 minutos / 2 = 2,5 minutos.
Na comparação com os outros tempos (4 minutos para a fabricação de uma garrafa, 2
minutos para a produção de uma tampa e 0,5 minuto para o enchimento da garrafa), verifi-
ca-se que o novo gargalo é o que tem o maior tempo, ou seja, a fabricação de uma garrafa,
passa a ser o novo gargalo.

05. Uso de operações aritméticas e expressões.


Capacidade de projeto
O sistema é considerado ideal, como se não existissem perdas.
Para a medição desta capacidade não são consideradas atividades tais como setups,
manutenções programadas, transporte entre os setores e limitações relacionadas ao
fluxo produtivo.
Capacidade efetiva
São levadas em consideração as necessidades ou as perdas do sistema.
Nesta análise, consideram-se as necessidades de processo (perdas programadas),
mas sem considerar questões relativas ao fluxo fabril e ao tamanho dos lotes.

capítulo 7 • 133
Uma empresa de calçados funciona 24 horas por dia, todos os dias do mês, incluindo
domingos e feriados. Analisando a operação de costurar cabedal, obtiveram-se os seguintes
tempos:

Mudanças de produtos (setups): 58 horas;


Calcule as capacidades de projeto e efetivação da operação (mensal) sabendo que a
capacidade do projeto do sistema é de 1.500 pares/hora.
Manutenção preventiva regular: 19 horas;
Amostragens de qualidade: 6 horas;
Tempos de troca de turnos: 43 horas;
Paradas para manutenção corretiva: 14 horas;
Investigação de falhas de qualidade: 25 horas;
Falta de estoque de material de cobertura: 12 horas

Resolução

Mudanças de produtos (setups): 58 horas;


Manutenção preventiva regular: 19 horas;
Amostragens de qualidade: 6 horas; Perdas planejadas = 126 horas

Tempos de troca de turnos: 43 horas;

Paradas para manutenção corretiva: 14 horas; Perdas não planejadas = 51 horas


Investigação de falhas de qualidade: 25 horas;
Falta de material de cobertura: 12 horas;

Capacidade projeto =24 x 30 x 1.500 = 1.080 Milhões de pares de calçados por mês.
(100%)

Capacidade efetiva =((24 x 30) – 126) x 1.500 = 891 Mil pares de calçados por mês.
(82,5%)

Taxa de utilização = (((24 x 30) – 126) – 51) x 1.500= 814,5 Mil pares de calçados por
mês (75,4%, Resultado de 814.500 X 100 / 1.080.000)

134 • capítulo 7
7.4  Avaliação de alternativas de localização
Entre os fatores que influem na localização de uma empresa industrial, des-
tacam-se por sua importância os fatores de pessoal, quanto à disponibilidade
de pessoal qualificado e quanto à atitude sindical. De mesma importância, são
a localização dos mercados consumidores, a localização dos principais forne-
cedores e a qualidade da rede de transportes. De grande relevância, também,
são as facilidades oferecidas, como isenção de taxas e impostos e a oferta de
serviços específicos existentes no local, como água tratada, estação coletiva
para tratamento de esgotos industriais, energia elétrica, linhas digitais para te-
lecomunicação, escolas técnicas especializadas, hospitais, entre outros. Outros
fatores importantes são a qualidade de vida, os aspectos culturais da região, o
clima, a proximidade de empresas do mesmo tipo, o terreno, o construção, os
regulamentos ambientais e as atitudes da comunidade.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso de função de primeiro grau
Aplicação de custos
Uma empresa reduziu a provável localização de sua nova fábrica a três localidades:
A, B e C. Com os dados de custos fixos e de custos variáveis, determinar a melhor locali-
zação, considerando que a capacidade da fábrica é de 20.000 unidades por ano.

LOCALIDADE CUSTOS FIXOS POR ANO CUSTO VARIÁVEL UNITÁRIO


A R$ 420.000 R$ 150,00
B R$ 800.000 R$ 100,00
C R$ 1.200.000 R$ 80,00

Qual o custo total para a capacidade estimada de 20.000 unidades por ano?
Localidade A
Custo total = r$ 420.000 + 20.000 Unidades x r$ 150,00 = r$ 3.420.000

Localidade B
Custo total = r$ 800.000 + 20.000 Unidades x r$ 100,00= r$ 2.800.000

Localidade C
Custo total = r$ 1.200.000 + 20.000 Unidades x r$ 80,00= r$ 2.800.000

capítulo 7 • 135
O resultado foi um empate entra as localidades B e C, como as que tiveram menor custo
total.
Há necessidade de ponderar por outros meios.

02. Uso de média ponderada


Uso de operações aritméticas e expressões
Essa empresa vai ponderar os fatores qualitativos das três localidades citadas anterior-
mente como candidatas para sediar sua nova unidade.
A empresa inicialmente definiu os fatores a serem considerados e atribuiu a cada um
deles um peso, sendo que o total dos pesos soma 100.
Posteriormente, pediu a seus principais executivos que atribuíssem a cada uma das loca-
lidades uma nota, entre 0 (pior condição) e 10 (melhor condição), para cada um dos fatores.
Para cada localidade, tomou-se a nota média e a tabela para a decisão final apresentou
os resultados que seguem.

Que localidade deve ser escolhida?

FATORES
PESO FATOR NOTAS MÉDIAS POR FATOR
A B C
DISPONIBILIDADE DE PES-
20 SOAL
8 6 7

10 ASPECTOS SINDICAIS 9 5 8
25 RESTRIÇÕES AMBIENTAIS 6 8 9
10 QUALIDADE DE VIDA 10 6 10
15 SUPRIMENTO DE MATERIAIS 7 9 5
5 ISENÇÃO DE IMPOSTOS 4 7 9
DESENVOLVIMENTO REGIO-
15 NAL
6 8 5

TOTAIS 50 49 58

Cálculo para localidade A


(8 X 20) + (9 X 10) + (6 X 25) + (10 X 10) + (7 X 15) + (4 X 5) + (6 X 15) / (20 +
10 + 25 + 10 + 15 + 5 + 15) = 715/100 = 71,5

Cálculo para localidade B

136 • capítulo 7
(6 X 20) + (5 X 10) + (8 X 25) + (6 X 10) + (9 X 15) + (7 X 5) + (8 X 15) / (20 + 10
+ 25 + 10 + 15 + 5 + 15) = 720/100 = 72

Cálculo para localidade C


(7 X 20) + (8 X 10) + (9 X 25) + (10 X 10) + (5 X 15) + (9 X 5) + (5 X 15) / (20 +
10 + 25 + 10 + 15 + 5 + 15)
= 740/100 = 74

Quanto maior o valor, melhor o local.


Dentro do critério apresentado, a localidade C seria a escolhida pelo critério dos fatores,
após ter empatado com a localidade B no critério de custos.

03. Localização de Lojas


Segundo Woiler & Mathias (1996, p. 125), em artigo publicado na Revista CEPPG –
n. 23 – 2/2010 – ISSN 1517-8471 – P. 161 à 175, “o problema de encontrar a localização
ótima corresponde, em termos de empresa, a achar a localização que dê a maior diferença
entre receitas e custos”. De maneira sintética, as organizações procuram se estabelecer em
locais em que consigam maximizar as receitas e minimizar as despesas, ampliando desta
forma seus resultados finais.
A seleção do local para implantação de uma loja é proporcional à dirnensão da loja (área
ocupada) ( inversamente proporcional à distância que o cliente deve percorrer ate a loja (di-
ficuldade/facilidade de chegada).
Capítulo 2 – Localização – (Martins e Laugeni, 2000)

Usar a fórmula a seguir:

Sj
TijA
Nij = Ci × Pij
n Sj

(T )
A
j= i
ij

Nij = número de clientes da região i dispostos a deslocar-se até local j


Pij = probabilidade de um cliente da região i ir até a região j
Ci = número total de clientes residentes na região i
Sj = área da loja situada em j

capítulo 7 • 137
Tij = tempo que o cliente leva para ir de i até j
A = parâmetro utilizado para refletir o efeito que o tempo de viagem causa nos hábitos
de compra do cliente (normalmente A = 2)
Capítulo 2 – Localização – (Martins e Laugeni, 2000)

Consideremos uma situação em que há uma loja na localização 1 e uma segunda loja na
localização 3. Os clientes ocorrem nas 4 zonas e realizam 3.800 viagens por dia para suas
compras. Com a utilização do modelo mostrado, verificamos que a loja 1, a menor, atende
1.526 clientes (viagens) e a loja 2 atende os demais 2.274 clientes ao dia. O que ocorrerá se
uma loja 3 se instalar na zona 2?
Utilizando novamente o modelo, verificamos que a loja 1 atenderá 1.045 clientes, a loja
2 atenderá 1.606 clientes e a loja 3 atenderá 1.149 clientes por dia. O modelo permite,
portanto, verificar o impacto que um novo negócio acarreta a uma determinada região e
determinar o volume potencial desse novo negócio para que sua viabilidade possa ser con-
venientemente avaliada.

DADOS DAS ALTERNATIVAS


DISTRIBUIÇÃO DAS ALTERNATIVAS
ZONA J CLIENTE I TEMPO DE VIAGEM
ZONA 1 TI1
TI2 TI3 LOJA 1000 FT2
LOJA 1
ZONA 2 1 1.000 5 15 10 1 200
LOJA 3
ZONA 2 2 500 10 10 5 2 400
LOJA 3
ZONA 3 3 1.500 10 10 15 3 400

ZONA 4
LOJA 2
4 800 15 5 10

MATRIZ DE PROBABILIDADES P
LOJA 1 LOJA 2 LOJA 3
ZONA 1 0,580 0,130 0,290
ZONA 2 0,091 0,182 0,727
ZONA 3 0,257 0,515 0,228
ZONA 4 0,0425 0,7665 0,191

138 • capítulo 7
8
Aplicações
Matemáticas em
Logística
OBJETIVOS
O aluno, ao final desse capítulo, estará apto a compreender a aplicação da matemática em:
•  operações de armazenagem
•  controle de estoque
•  operações de transporte
•  operações de movimentação e embalagem
•  otimização de sistemas de transporte

140 • capítulo 8
8.1  Operações de armazenagem

“O processo de armazenagem propriamente dito compreende a adequada transferência dos volumes


da doca ou outro ponto de descarga para o local de empilhamento onde serão armazenados, devida-
mente protegidos de agentes humanos, físicos, químicos ou ambientais capazes de comprometer a
integridade e estrutura da embalagem e seu conteúdo” (RODRIGUES, 2007, p. 24).

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Uso da regra de três simples

01. Em um armazém, 6 caminhões são descarregados por minuto.


Quanto tempo leva para descarregar trinta caminhões?

Resolução
6 caminhões 1 minuto
30 caminhões x minutos

30 × 1
x= = 5 minutos
6

02. Uso de regra de três simples


Em um terminal de carga, existem 2 horas para 8 caminhões descarregarem suas car-
gas. Cada caminhão demora em média 20 minutos para descarregar as suas mercadorias. O
terminal só pode atender 1 caminhão por vez para o descarregamento. O intervalo de chega-
da dos caminhões no terminal é de 15 minutos. Um caminhão só poderá ser descarregardo
se o anterior já estiver com toda sua carga descarregada. Considerando a teoria das filas,
podemos afirmar que o número de caminhões que ficará sem descarregar será de:

Resolução
1 caminhão 20 minutos
x caminhões 120 minutos

120 minutos × 1 caminhão


x= = 6 caminhões
20 minutos

capítulo 8 • 141
Logo, 2 caminhões ficarão sem descarregar.
Obs.: o tempo total não é afetado pela chegada dos caminhões, pois 1 caminhão leva 15
minutos para surgir na plataforma, que é um tempo menor que o tempo de descarga de 20
minutos. Dessa forma, mesmo se outro caminhão chegar, ainda restarão 5 minutos para o
caminhão que o precedeu descarregar sua mercadoria na plataforma.

03. Uso de regra de três simples


Em uma transportadora, 4 caminhões são descarregados por minuto. Quanto tempo leva
para descarregar dez caminhões?

Resolução
caminhões 1 minuto
10 caminhões x minutos

10 caminhões × 1 minuto
x= = 2, 5 minutos
4 caminhões

04. Uso de regra de três simples


Um terminal portuário descarrega 22 contêineres/hora. Calcule o tempo que 80 contêi-
-neres levam para ser descarregados.
Resolução
22 contêineres 1 hora
80 contêineres x horas

80 contêineres × 1 hora
x= = 3,63 horas
22 contêineres

05. Uso de regra de três simples


Em um terminal de carga, existem 4 horas para os caminhões descarregarem suas cargas.
Cada caminhão demora em média 20 minutos para descarregar as suas mercadorias. O
terminal pode atender 2 caminhões por vez para o descarregamento. O intervalo de chegada
dos caminhões no terminal é de 30 minutos. Um caminhão só pode entrar no terminal se

142 • capítulo 8
o anterior já estiver com toda sua carga descarregada. Existem 16 caminhões e o terminal
aceita esperar todos os caminhões descarregarem suas cargas, mas com cobrança de horas
extras e outras despesas necessárias se precisarem estender o horário.
a) Quantos minutos demoraram o descarregamento de todos os caminhões?
b) Haverá necessidade de ultrapassar as 4 horas destinadas para a descarga dos cami-
nhões?

Resolução
a) Para 16 caminhões, teremos 8 operações simultâneas de descarga, já que 2 cami-
nhões são atendidos por vez para o descarregamento.
Logo, entre as 8 operações há 7 intervalos, em que os próximos caminhões deverão
chegar.
Como o tempo médio de descarga é de 20 minutos (para 2 caminhões) e o tempo
de chegada é de 30 minutos, sempre haverá uma espera de 10 minutos de gargalo
entre operações (= 30 minutos – 20 minutos). Assim, haverá 7 esperas (gargalos)
de 10 minutos cada uma.

O tempo de descarga será:


2 caminhões 20 minutos
16 caminhões x minutos

16 caminh es × 20 minutos
x= = 160 minutos
2 caminh es

Os 160 minutos obtidos no cálculo anterior devem, agora, ser somados ao gargalo de 7
esperas de 10 minutos = 7 X 10 minutos = 70 minutos.
Total de tempo = 160 minutos + 70 minutos = 230 minutos

capítulo 8 • 143
b) Como 230 minutos é um tempo menor que 4 horas (ou seja, 240 minutos = 4 horas
X 60 minutos), o terminal não precisará estender seu horário de descarga.

06. Uso da regra de três composta


A regra de três composta é utilizada em problemas com mais de duas grandezas, direta
ou inversamente proporcionais.
Um big-bag e meio tem a sua carga de 1,5 t descarregada em 1 minuto e meio.
Quanto é a carga descarregada de 1 big-bag em 1 minuto?

Resolução
1,5 big-bag 1,5 t
1 big-bag yt

y t = 1 big-bag X 1,5 t = 1 t
1,5 big-bag

1t 1,5 minuto
xt 1 minuto

x t = 1 t X 1 minuto = 1 t / 1,5 = 0,67 t


1,5 minuto

07. Uso da regra de três composta


Em 8 horas, 20 caminhões descarregam 160 m3 de areia. Em 5 horas, quantos cami-
nhões serão necessários para descarregar 125 m3?

144 • capítulo 8
Resolução
Montando a tabela, colocando em cada coluna as grandezas de mesma espécie e, em
cada linha, as grandezas de espécies diferentes que se correspondem:

HORAS CAMINHÕES VOLUME


8 20 160
5 x 125

Identificação dos tipos de relação:


Inicialmente colocamos uma seta para baixo na coluna que contém o x (2ª coluna).

Horas Caminhões Volume


8 20 160
5 x 125

A seguir, devemos comparar cada grandeza com aquela onde está o x.


Observação
Aumentando o número de horas de trabalho, podemos diminuir o número de cami-
nhões. Portanto a relação é inversamente proporcional (seta para cima na 1ª coluna).
Aumentando o volume de areia, devemos aumentar o número de caminhões. Portanto
a relação é diretamente proporcional (seta para baixo na 3ª coluna). Devemos igualar a
razão que contém o termo x com o produto das outras razões de acordo com o sentido
das setas.
Montando a proporção e resolvendo a equação temos:

20 160 5 termos foram invertidos


=
x 125 8 (seta contrária)

20 1
Horas Caminhões Volume 20 160 5 20 4
8 20 160 = = =
x 125 8 25 5
5 x 125 20 1

5 ⋅ 20
x= = 25
4

Logo, serão necessários 25 caminhões.


Disponível em: <http://www.somatematica.com.br/fundam/regra3c.php>. Acesso em:
02 mai. 2015.

capítulo 8 • 145
8.2  Controle de estoque
Lote econômico de compras
É a quantidade ideal a ser adquirida a cada reposição de estoque, em que
o custo total de aquisição, bem como os respectivos custos de estocagem, são
mínimos para o período considerado.

FÓRMULA
LEC

2× D × Cp
Cm × Pu

D = demanda anual
C p = custo da emissão do pedido
C m = custo de manter o estoque
P u = preço unitário.

Número de pedidos por ano associado ao lote econômico de compra


É o número de vezes que se pede uma quantidade igual ao lote econômico
de compra para suprir a empresa com um determinado item

N = D / LEC

Ponto de ressuprimento
O ponto de ressuprimento é o nível mais econômico de reposição de um
item em estoque. É quando ocorre o estoque mínimo do período e temos
que obrigatoriamente fazer um novo pedido, para que não ocorra a falta do
material/produto.

Fórmula
O cálculo do ressuprimento é definido pela função:
PR = (Dméd x LT) + Eseg

146 • capítulo 8
PR = ponto de ressuprimento
D méd. = demanda média diária
LT = lead time ou tempo de ressuprimento em dias
E seg. = estoque do segurança

Emáx

ES

tempo

Custo total de estoque de um item


O custo total de estoque é o custo do pedido acrescido ao custo de manter
em estoque a quantidade pedida. Por essa razão, é importante sempre levar em
conta o lote econômico de compra que minimiza o citado custo total.

Fórmulas

Custo de manter estoque de um lote de compra Q de um item


CME = I x Pu x Q / 2

CME = custo de manter estoque de um lote de compra q de um item;


P u = preço unitário do item;
Q/2 = estoque médio de um lote q comprado de um item.
CP = Cu x D / Q

capítulo 8 • 147
CP = custo do pedido;
C u = custo unitário do pedido;
D = demanda anual do item;
Q = lote de compra

CT = CME + CP

CT = custo total do estoque de um item;


CME = custo de manter estoque de um lote de compra q de um item;
CP = custo do pedido.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões
Calcule o lote econômico de compra (LEC) de um produto XZT, sabendo que 20% é o
custo de oportunidade (para aplicação financeira) do investimento feito em estoque, o preço
unitário do produto é de R$100,00, a demanda anual é de 20.000 unidades e o custo de
fazer um pedido é igual a R$133,33.

Resolução

LEC = 2 × 20.000 × R$133, 33 / 0, 20 × R$100, 00 = 516 unidades

02. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


A agência Y do Banco ∆ pede dinheiro a seu escritório principal para desempenhar suas
transações diárias. Se a estimativa de necessidade anual de dinheiro for de R$ 15.000.000
e cada solicitação custar R$ 3.600 e o custo do dinheiro parado for de 10% ao ano, calcule a
quantidade de dinheiro que a agência deve incluir em cada remessa, supondo que o dinheiro
fosse pedido no sistema do lote econômico de compra (LEC)?

Resolução

LEC = 2 2 × R$ 1.600.000 × R$ 3.600 / 0,1 = R$ 339.411

03. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões.

148 • capítulo 8
O comprador de uma empresa deseja calcular o LEC para um item Y. A demanda anual
é de 1.000.000 unidades, cada uma custando $ 10 . O custo por pedido é de $ 80 e o custo
de manutenção de estoques é de 22% a.a. Calcule o lote econômico de compra.

Resolução

LEC = 2 2 × 1.000.000 × R$ 80,00 / 0, 33 × R$ 510, 00 = 8.528 unidades

04. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


O consumo estimado de um item é de 120.000 toneladas ao ano. A negociação de com-
pras resultou em um preço de R$ 50,70 / t, mantido constante ao longo do ano. É prevista
uma taxa de manutenção de estoques anual de 22% para o período e custo de cada pedido
de R$ 1.500,00. Determine o lote econômico de compra e o número de pedidos ao longo
do ano.
LEC = 2 2 × 120.000 × R$ 1.500 / 0, 22 × R$ 50, 70 = 5.681 toneladas

N = 120.000 t ao ano / 5.681 t por pedido = 21 pedidos / ano

05. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


Calcular o ponto de ressuprimento, sabendo que a demanda média diária do produto
MZT é 80 unidades, o tempo de espera para o atendimento pelo fornecedor é de 20 dias e
o estoque de segurança é de 60 unidades.

Resolução

PR = (80 unidades/dia X 20 dias) + 60 dias = 1.660 dias

06. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


Calcular o custo total do estoque de um item conhecendo a taxa de manutenção de
estoque de 22% ao ano, o custo unitário do pedido de R$ 12,00, o preço unitário do item de
R$ 50,00 e a demanda anual do item de 15.000 unidades, para compras em lotes de 200
unidades, 1.000 unidades e 1.500 unidades.

capítulo 8 • 149
Resolução

Q = 200 UNIDADES Q = 1.000 UNIDADES Q = 1.500 UNIDADES


CME = 0,22 x 50 x 200 / 2 = CME = 0,22 x 50 x 1000/2 CME = 0,22 x 50 x 1.500/2 =
R$ 1.100 /ano =R$ 5.500 / ano R$ 8.250 / ano
CP = 12 x 15.000/200 = CP = 12 x 15.000/1.000 = CP = 12 x 15.000/1.500 = R$120
R$ 900 /ano R$180 /ano /ano
CT = CME + CP = 1.100 + CT = CME + CP = 5.500 CT = CME + CP = 8.250 + 120 =
900 = R$ 2.000 / ano + 180 = R$ 5.680 / ano R$ 8.370 / ano

07. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


A empresa J consome nas suas operações, anualmente, 8.000 litros de um produto, cujo
preço é de R$ 5,00 por litro. A taxa de manutenção de estoques estimada é de 13,5% ao
ano e o custo de fazer um pedido é de $50,00. Determinar o LEC do material comprado e o
número (N) de pedidos ao longo do ano.
Gabarito

LEC = 2 2 × 8.000 × R$ 50,00 / 0,135 × R$ 5, 00 = 1.089 litros

N = 8.000 litros / 1089 litros = 7,34

8.3  Operações de transporte


Galvão (2003): Na área de distribuição de materiais em logística, existe um pro-
blema difícil de resolver, que é o atendimento de todos os pontos de uma área
de distribuição, no menor tempo e na menor distância possíveis.
[...] Seguindo esses conceitos, temos a formulação matemática simplificada
para calcularmos o tempo do ciclo das entregas:
Fórmula

TC =
2Do D2
+ +
Tp { }
Xq
Vo V2 {60}
TC = Tempo do ciclo de entregas
Do = Distância percorrida do depósito até a zona de entrega

150 • capítulo 8
Vo = Velocidade desenvolvida entre o depósito e a zona de entrega
D2 = Distância percorrida dentro da zona de entrega
V2 = Velocidade desenvolvida dentro da zona de entrega
T p = Tempo gasto em cada parada para entrega/coleta
q = Quantidade de entregas a serem executadas.

A escolha do período em que as visitas se repetem vai depender basicamen-


te de dois fatores antagônicos: de um lado, o nível de atendimento ao cliente,
que se sente melhor atendido com entregas mais frequentes; de outro, o custo
do transporte para o distribuidor (Novaes, 1997).

Fórmulas

M T M
NV = × t NV = ⇒ no caso de entregas di rias
NR 7 NR

N
M=
q
NV = número de veículos necessários na frota
M = número de zonas de entregas em que a região deve ser dividida
T = total de dias úteis / semana
t = intervalo de tempo entre visitas sucessivas - no caso de entregas diárias
t=1
NR = número de roteiros que cada veículo executa por dia
q = número de paradas (entregas/coletas) por roteiro
N = número total de paradas (entregas/coletas) executadas por dia.

capítulo 8 • 151
EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões.
Um caminhão faz entregas em uma zona localizada a uma distância de 60 km do centro
de distribuição, utilizando velocidade média de 60 km por hora. Ao chegar à zona de entrega,
ainda percorre 2 km, à velocidade de 20 km por hora, levando 30 minutos em cada ponto
de entrega/coleta. Calcule o tempo do ciclo (TC) de entregas para 10 entregas executadas.
Resolução
TC = 2 X (60 km /60 km por hora) + (2 km/ 20 km por hora) + 0,5 hora X 10 entregas =
= 2 horas + 0,1 horas + 5 horas = 7,1 horas

02. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


Sabendo que o número total de paradas nas entregas efetuadas por caminhões de uma
transportadora é igual a 240, que o número de paradas (entregas/coletas) executadas por
dia é 10 e considerando que o número de roteiros que cada caminhão executa por dia é 8,
no caso de entregas diárias, calcule o número de veículos necessários na frota.

Gabarito
M = 240/10 = 24;
NV = 24/8 = 3 veículos

03. Uso da fórmula – Uso de operações aritméticas e expressões


O número total de paradas nas entregas efetuadas por caminhões de uma transportado-
ra é igual a 420. Sabendo que o número de paradas (entregas/coletas) executadas por dia é
7 e que 10 é o número de roteiros executados por cada caminhão / dia, no caso de entregas
realizadas de segunda-feira a domingo, determine o número de veículos necessários na frota.

Resolução
M = 420/7 = 60;
NV = (60/10) = 6 veículos

152 • capítulo 8
8.4  Operações de movimentação e
embalagem

Em logística, a movimentação das embalagens ocorre entre as etapas do proces-


so, sendo que a transferência de carga do armazém ou depósito para o veículo
de transporte é um problema que deve ser analisado no projeto da embalagem.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
04. Uso de percentagem
A empresa MKZ vende apliques para parede com lâmpada, sendo o seu valor unitário
R$ 80,00. A venda em 2014 foi de 10.000 apliques. Para o ano de 2015, estima-se um
crescimento de 15% das vendas. Atualmente, a empresa utiliza a embalagem A1, que custa
1,50/unidade. Utilizando esta embalagem, a empresa teve uma perda anual de apliques de
4% na armazenagem e 5% no transporte. Tentando diminuir estes elevados índices, a em-
presa estuda a possibilidade de adotar uma nova embalagem, a A2, que custa 2,00/unidade
e geraria uma perda anual de 3% na armazenagem e 4% no transporte.
A outra opção é a embalagem A3, que custa 2,50/unidade e geraria uma perda anual de
2% na armazenagem e 3% no transporte.
Desta maneira, qual embalagem eu devo utilizar em 2015: A1, A2 ou A3?

Resolução
Vendas 2014 = 10.000 apliques
Vendas 2015 = 11.500 apliques

  EMBALAGEM   PERDA ARMAZENAGEM  PERDA TRANSPORTE


TIPO QUANTIDADE CUSTO1 PERC QUANT CUSTO2 PERC QUANT CUSTO3 CTotal
R$
A1 11.500 4% 460 R$ 690,00 5% 575 R$ 862,50 R$ 18.803
17.250
R$
A2 11.500
23.000
3% 345 R$ 690,00 4% 460 R$ 920,00 R$ 24.610

R$
A3 11.500
28.750
2% 230 R$ 575,00 3% 345 R$ 862,50 R$ 30.188

A embalagem tipo A1 é a que, ainda, vai gerar menor custo total, portanto deve ser
mantida.

capítulo 8 • 153
05. Uso de percentagem
A empresa XZT vende garrafas de óleo lubrificante, sendo o seu valor unitário R$ 2,50. A
venda em 2014 foi de 150.000 garrafas de óleo lubrificante. Para o ano de 2015, estima-se
uma redução de 20% das vendas. Atualmente, a empresa utiliza a embalagem B1, que custa
0,20/unidade. Utilizando esta embalagem, a empresa teve uma perda anual de apliques de
4% na armazenagem e 5% no transporte. Tentando diminuir estes elevados índices, a em-
presa estuda a possibilidade de adotar uma nova embalagem, a B2, que custa 0,60/unidade
e geraria uma perda anual de 1% na armazenagem e 2% no transporte.
A outra opção é a embalagem B3, que custa 0,40/unidade e geraria uma perda anual de
2% na armazenagem e 3% no transporte.
Desta maneira, qual embalagem eu devo utilizar em 2015: A1, A2 ou A3?

Gabarito
Vendas 2014 = 150.000 garrafas para óleo lubrificante
Vendas 2015 = 120.000 garrafas para óleo lubrificante

  EMBALAGEM   PERDA ARMAZENAGEM PERDA TRANSPORTE


TIPO QUANT CUSTO1 PERC QUANT CUSTO2 PERC QUANT CUSTO3 CTOTAL
R$ R$ R$ R$
B1 120.000 4% 4.800 5% 6.000
24.000 960,00 1.200,00 26.160
R$ R$ R$ R$
B2 120.000 1% 1.200 2% 2.400
72.000 720,00 1.440,00 74.160
R$ R$ R$ R$
B3 120.000 2% 2.400 3% 3.600
48.000 960,00 1.440,00 50.400

A embalagem tipo A1 é a que, ainda, vai gerar menor custo total, portanto deve ser
mantida.

8.5  Otimização de sistemas de transporte


[...] Em qualquer problema de programação linear, o analista sempre vai dese-
jar maximizar (exemplo, lucro) ou minimizar (exemplo, custo) alguma função
das variáveis de decisão. A função a ser maximizada (ou minimizada) é a função
objetivo, que é uma função linear. [...] A economia obtida e a experiência adqui-
rida pela experimentação justificam a utilização da pesquisa operacional.

154 • capítulo 8
Fórmula
Maximize: S1 x1 + S2 x2 mMaximize o lucro – esta é a “função objetivo”)

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso da fórmula
Uma fábrica de tintas distribui dois tipos de produto: 1 tinta para interiores e 1 tinta para
exteriores. Para isso recorre a duas transportadoras, A e B, das quais possui, respectivamen-
te, 6 e 9 carros à disposição, disponibilidade essa que não pode ser reforçada. Para distribuir
uma tonelada de tinta interior são necessários um carro de A e dois carros de B. No caso
da tinta exterior, para distribuir uma tonelada são necessários um carro de A e dois carros
de B. Um estudo de mercado indica que a procura de tinta interior não excede em mais de
1 tonelada a de tinta exterior. O preço de venda da tinta interior é de R$ 30,00 por kg e o
da tinta exterior de R$45,00 por kg. Podemos dizer que a função objetivo do problema de
pesquisa operacional descrito é:

Resolução
Max Z = 30x1 + 45x2,
Z é o resultado esperado do lucro ou do custo, respectivamente, maximizado ou minimi-
zado; x1é a quantidade a ser transportada da tinta interior; x2 é a quantidade da tinta exterior.
Na equação, ainda segundo a fórmula, entram R$30,00/ kg, que é o preço de venda da tinta
interior, e R$45,00, que é o preço de venda da tinta exterior.

02. Uso da fórmula


Certa empresa distribui produtos com dois tipos de caminhões: P1 e P2.
O lucro unitário da distribuição por P1 é de R$ 1.000 e o lucro unitário por P2 é de
R$ 1.800.
A empresa precisa de 20 litros de óleo combustível para utilizar P1 e de 30 litros de óleo
combustível para utilizar P2. A quantidade disponível para isso é de 1.200 litros.
A demanda esperada para a distribuição é de 40 pallets diários para P1 e 30 pallets
diários para P2. Qual é a função objetivo para que a empresa maximize seu lucro nessas
distribuições?
Resolução
Max Z = 1000x1 + 1800x2
Z é a função objetivo de maximização de lucro; x1 é a quantidade a ser distribuída de

capítulo 8 • 155
produto com lucro unitário de R$1.000 por P1 (um dos dois tipos de caminhão); x2 é a
quantidade a ser distribuída de produto com lucro unitário de R$1.800 por P2 (o outro tipo
de caminhão).

03. Uso da fórmula


Baseado no texto a seguir informe a função objetivo que representa o modelo.
Uma empresa pode distribuir dois produtos (1 e 2). Na distribuição do produto 1, a em-
presa gasta seis horas-homem e vinte litros de combustível. Na distribuição do produto 2, a
empresa gasta uma hora-homem e trinta litros de combustível. A empresa dispõe de doze
horas-homem e noventa litros de combustível para o período de distribuição. Sabe-se que os
lucros líquidos da distribuição dos produtos são $1 e $3 respectivamente.

Resolução
Max. Z = 1 x1 + 3 x2

04. Uso da fórmula


Qual a função objetivo do texto a seguir?
Lucro por quilo do produto 1 = $1,00 x1= peso do produto 1
Lucro por quilo do produto 2 = $1,00 x2=peso do produto 2
Lucro por quilo do produto 3 = $ 2,00 x3 =peso do produto 3

Resolução
Max. Z = x1 + x2 +2 · x3
Acesso ao WEBAULA em 02/05/2015

156 • capítulo 8
9
Aplicações
Matemáticas em
Finanças
OBJETIVOS
O aluno ao final desse capítulo deverá lograr conhecer as aplicações matemáticas em:
•  risco sistemático e beta de carteiras de investimentos;
•  CAPM (modelo de precificação de ativos financeiros);
•  WACC (custo de capital médio ponderado) / obtenção de capital;
•  modelo de dividendos;
•  análise de investimentos;
•  alavancagem financeira;
•  medidas de liquidez, rentabilidade, estrutura de capital e de giro.

158 • capítulo 9
9.1  Risco sistemático e beta de carteira de
investimentos

Tipos de risco
•  Risco total do título = risco não diversificável + risco diversificável
•  Risco diversificável: associado às causas randômicas, é atribuído a even-
tos específicos da empresa como greves, processos, ações regulatórias e perdas
de um importante cliente.
•  Risco não diversificável (ou sistemático): é atribuído a fatores de mercado
que afetam todas as empresas e não pode ser eliminado por meio de diversifi-
cação. Fatores tais como guerras, inflação, incidentes internacionais e eventos
políticos motivam o risco não diversificável. Esse é o único risco relevante.
Risco da carteira Tkp

Risco diversificável

Risco Risco não diversificável


total

1 5 10 15 20 25
N de títulos (ativos) na carteira
o

Coeficiente beta (b):


É utilizado para medir o risco não diversificável.

Retorno de mercado
É o retorno da carteira de mercado de todos os títulos negociados.
Ex.: Índice Bovespa

capítulo 9 • 159
Fórmula

Prêmio pelo risco de uma ação = beta da ação x prêmio pelo risco de mercado

EXERCÍCIO RESOLVIDO
05. Uso de regressão linear
Uso da fórmula
Verificar, no gráfico, os betas das curvas dos ativos R e S e explicar qual dos dois é mais
arriscado.
Ativo S
(2006)
35 (2003)
30 (2005)
Ativo R
25
(2003) βS = 1,30
20
15
10 (2002)
5 βR = inclinação = 0,80

– 20 – 15 – 10 – 5 10 15 20 25 30 35
(1998)
– 10
– 15
– 20
– 25

Beta (β) derivado de dados de retorno

Resolução
O beta mais alto do ativo S (1,30) em relação ao do ativo R (0,80) indica que o seu
retorno é mais sensível à mudança dos retornos de mercado. E, portanto, o ativo S é mais
arriscado que o ativo R.
Prêmio pelo risco de mercado representa a remuneração adicional que os investidores
esperam obter pelo fato de deterem ações ao invés de títulos de renda fixa. Esse risco de
mercado está relacionado ao risco de uma carteira amplamente diversificada de ações onde
não se corre riscos de problemas com uma empresa especifica, mas apenas de todo mercado.

160 • capítulo 9
Beta da ação
•  Expressa o grau de risco de uma ação em relação a um portfólio de merca-
do (carteira de mercado)
•  Se o retorno de uma ação flutua de forma idêntica ao retorno de mercado
→ beta = 1
•  Se uma ação sobe ou desce 1,5% quando o mercado sobe ou desce 1%
→ beta = 1,5
•  Uma ação pode subir ou descer menos que o mercado → beta < 1

06. Uso da fórmula


Calcule os betas das ações, que possuem o seguinte comportamento no mercado e
informe qual das duas é a mais volátil:
13. Cia. XZT → a ação sobe 0,5% quando o mercado sobe e 0,5% quando o mercado
desce.
14. Cia. MKZ → a ação sobe e desce 1,5%, quando o mercado sobe e desce.

Resolução
A ação da Cia. MKZ é a mais volátil das duas, pois possui um beta maior (1,5) quando
comparado a um beta de 0,5 da Cia. XZT.

9.2  CAPM (modelo de precificação de ativos


financeiros)

CAPM (capital asset price model) – modelo de formação de preço de ativo


de capital

Fórmula

E (Ri)= Rf + ßi [E(Rm) – Rf]

E (Ri) = retorno esperado sobre o ativo


Rf = taxa livre de risco

capítulo 9 • 161
ß i = beta do ativo i
E (Rm) = retorno esperado sobre a carteira de mercado. O retorno que os
investidores esperam ganhar sobre um investimento patrimonial, dado o ris-
co a ele inerente, torna-se o custo do patrimônio líquido para os gerentes da
empresa.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
07. Uso da fórmula
Em dezembro de 2002, a Pepsi Cola Co. possuía um beta de 1,06. A taxa das Letras do
Tesouro, à época, era 3,35% a.a. Calcule o custo do patrimônio líquido, sabendo que o retorno
esperado para o mercado americano é de 9,76%?

Resolução
E(R) = Rf + beta do patrimônio líquido (E [Rm] – Rf)
E(R) = 3,35% + 1,06 (9,76% – 3,35%) =
= 10,15%

08. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – porcentagens
Para o caso da Pepsi Cola Co. estudado no exercício 3, calcule o custo do patrimônio
líquido para os diversos anos, sabendo que a estrutura a termo das Letras do Tesouro é:
1º ano = 4,00% - 3º ano = 4,70%
2º ano = 4,40% - 4º ano = 5,00%

Resolução:
•  1º ano = 10,10%
•  2º ano = 10,08%
•  3º ano = 10,06%
•  4º ano = 10,04%

Carteira ótima com ativo livre de risco


•  Ativo livre de risco, por definição, tem um retorno esperado que será sempre igual ao
retorno efetivo, logo, variância zero.
•  A ausência de variância (covariância = 0) implica uma correlação linear

162 • capítulo 9
Linha do mercado
de capitais

Carteira eficiente de mercado

CAPM E SML (linha de mercado de títulos)

Aceitar (TIRprojeto > kprojeto VPL > 0)


Kprojeto = RF +
Taxa exigida de retorno (%)

[bprojeto x (Km – RF)]

Rejeitar (TIRprojeto < kprojeto VPL < 0)

bA bm bB

Risco do Projeto

EXERCÍCIO RESOLVIDO
09. Uso da fórmula
Aplicação de operações aritméticas e expressões – porcentagens

1. Uma ação possui um beta de 1,5 com taxa livre de risco de 8% e prêmio pelo risco
de mercado de 10,5%. Calcular o custo da ação ordinária.

2. Em dezembro de 2005, a MKZ possuía um beta de 1,05. A taxa das Letras Fi-
nanceiras do Tesouro, à época, era 16,0% a.a. Calcule o custo do patrimônio líquido,
sabendo que o retorno esperado para o mercado é de 19,0 %?

capítulo 9 • 163
3. Para o caso estudado no exercício anterior, calcule o patrimônio líquido para os
diversos anos, sabendo que a estrutura a termo das Letras do Tesouro é: ano 1 =
16,25%, ano 2 = 16,5%, ano 3 = 16,75% e ano 4 = 17,0%.

4. O custo de capital próprio de uma empresa é de 11%. As ações da empresa pos-


suem beta de 1,8 e uma taxa de mercado de 8%. Calcular a taxa livre de risco que
contemple o custo de capital próprio da empresa.

5. Calcule a taxa de mercado sabendo que o custo de capital próprio de uma empresa
é de 16,0%, seu beta é de 1,20 e a taxa livre de risco é de 12%.

6. O custo de capital próprio de uma empresa é de 15,5%. Calcular o beta de uma


ação sendo a taxa livre de risco de 4,5% e o prêmio por risco de mercado de 8%.

7. Suponha que o retorno sobre a carteira de ativos de mercado seja de 17%, o co-
eficiente beta seja de 1,2 e a taxa de remuneração dos títulos públicos seja de 16%.
Pede-se: qual o retorno esperado da ação?

8. O rendimento dos títulos públicos é de 20%, uma ação média tem no mercado
uma taxa de 25% e o beta da empresa é de 1,2. Utilizando o modelo CAPM, calcule o
custo da ação.

9. Suponha que o retorno sobre a carteira de ativos de mercado seja de 15%, o co-
eficiente beta seja de 0,0 e a taxa de remuneração do ativo livre de risco seja de 9%.
Pede-se: qual o retorno esperado da ação?

10. Suponha que o retorno sobre a carteira de ativos de mercado seja de 10%, o co-
eficiente beta seja de –0,2 e a taxa de remuneração dos títulos públicos seja de 6%.
Pede-se: qual o retorno esperado da ação?

11. Uma ação possui um beta de 1,2 com taxa livre de risco de 10% e o prêmio pelo
risco de mercado seja de 12,5%. Calcular o custo da ação ordinária.

12. A taxa livre de risco fornecida pelos assessores de investimento da empresa XZT é
de 7%; o beta da empresa é igual a 1,50; o retorno de mercado é igual a 11%. Calcule
o custo da ação ordinária da XZT.

164 • capítulo 9
13. Se o custo de patrimônio líquido de uma empresa é de 13%, seu beta é de 1,50
e a remuneração de títulos públicos é de 7%, qual a taxa de retorno oferecida pelo
mercado?

Gabarito
01. 11,75%
02. 19,15%
03. 19,13%, 19,12%, 19,11% e 19,10%
04. 4,25%
05. 15,33%
06. 3,14
07. 17,2%
08. 26%
09. 9%
10. 5,2%
11. 13%
12. 13%
13. 11%

9.3  WACC (Custo de capital médio


ponderado) /Obtenção de capital

Custo de capital da empresa – WACC (weighted average cost of capital)


Intuitivamente: é a média ponderada dos diversos custos em que a empresa
incorre para se financiar.
Incluindo: custo do endividamento é o custo que o acionista busca pelo seu
capital de risco.
Fórmula

WACC = Ke [E/(E+D)] + Kd [D/(E+D)]

capítulo 9 • 165
WACC = custo de capital médio ponderado
Ke = custo do capital próprio
Kd = custo do endividamento após impostos
E/(E+D) = proporção em valor de mercado do patrimônio líquido em relação
ao valor do mix total
D/(E+D) = proporção em valor de mercado da Dívida em relação ao valor do
mix total
Concluindo Kb é o custo de capital de terceiros e Tc é a alíquota de Imposto
de Renda. Assim, Kd = Kb X (1- Tc)

EXERCÍCIO RESOLVIDO
10. Uso da fórmula
Aplicação de operações aritméticas e expressões – porcentagens
Qual o custo de capital médio ponderado da empresa?
A empresa tem:
•  custo de capital próprio = 10 %
•  custo de capital de terceiros = 20%
•  alíquota do IR = 40 %
•  patrimônio líquido = $ 8.000.000
•  dívida = $ 10.000.000
WACC = 10% X [8.000.000/(8.000.000+10.000.000)] +
+ 12% X {[10.000.000/(8.000.000+10.000.000)] x (1 – 0,40) } = 4,44% + 4,00% =
8,44%

11. Aplicação de operações aritméticas e expressões – Porcentagens


Calcular o custo de capital médio ponderado de uma empresa que tem a seguinte estru-
tura de capital: 50% de capital próprio e 50% em obrigações, sabendo que o custo de capital
próprio é de 15% e o de terceiros (já descontado o IR) é de 18%.
WACC = 0,5 X 15% + 0,5 X 18% = 16,5 %

12. Exercícios (para fixação)

1. Uma empresa capta 10% de seus recursos em ações preferenciais, 40% em ações
ordinárias e 50% em obrigações. O custo de capital próprio é de 13%, das ações

166 • capítulo 9
preferenciais (quase capital de terceiros) é de 8% e de capital de terceiros é de 12%.
Calcule o WACC.

2. Considerando o IR de 20%, calcular o custo de capital médio ponderado com base


no exercício anterior.

3. A. M. Silva possui um custo de capital médio ponderado de 20,5%. A empresa pos-


sui uma estrutura de capital composta de 15% de ações preferenciais, 40% de dívidas
e obrigações e o restante de ações ordinárias. Qual deverá ser o custo das ações ordi-
nárias, se o custo das preferenciais é de 22,5% e das obrigações após o IR é de 16%?

4. De acordo com a tabela abaixo, calcule o custo ponderado de capital considerando


um IR de 35%.

COMPOSIÇÃO CUSTO
AÇÕES PREFERENCIAIS 15% 10%
AÇÕES ORDINÁRIAS 60% 12%
OBRIGAÇÕES 25% 8%

5. O administrador financeiro da empresa de Vidros Transparentes determinou os vá-


rios custos de capital, de acordo com suas fontes e custos relativos, a saber:

FONTES DE CAPITAL CUSTO PARTICIPAÇÃO


EMPRÉSTIMO DE LONGO PRAZO 17% 40%
AÇÕES PREFERENCIAIS 20% 10%
AÇÕES ORDINÁRIAS 22% 50%

Em vista do custo de capital e supondo-se inalterado o nível de risco, a empresa deve


aceitar todos os projetos que obtenham um retorno maior ou igual a qual percentual?

6. Qual o custo de capital médio ponderado da pousada Porto Seguro, considerando


o quadro abaixo?

FONTES CUSTO PROPORÇÃO


DEBÊNTURES 15% 8%
EMPRÉSTIMOS 12% 22%
AÇÕES PREFERENCIAIS 16% 30%
CAPITAL PRÓPRIO 20% 40%

capítulo 9 • 167
7. A Gama Co. possui uma estrutura de capital composta de 30% de ações ordiná-
rias, 10% de ações preferenciais e o restante em obrigações. Dado que o retorno das
ações ordinárias é de 15%, das ações preferenciais é de 9%, qual deverá ser o retorno
das obrigações para que o WACC seja de 16,5%? (Obs.: IR de 20%)

8. A Esperança possui uma estrutura de capital composta de 50% de ações ordiná-


rias, 5% de ações preferenciais e o restante de obrigações emitidas. Considerando
o retorno das ações ordinárias de 15%, das preferenciais de 7%, qual deverá ser o
retorno das obrigações para que o WACC seja de 12,5%?

9. Uma empresa financeira tem os seguintes valores estabelecidos em seu balanço


patrimonial: dívida $ 600.000 e ações $ 100.000. Calcule os pesos da estrutura de
capital dessa empresa.

10. Se o custo da dívida após o imposto de renda é de 10% e o custo da ação ordinária
é de 12%, calcule o custo de capital médio ponderado do exercício anterior.

11. A empresa Puro Ar compilou a informação mostrada na tabela baixo:

FONTES DE CAPITAL VALOR CONTÁBIL $ CUSTO (%)


DÍVIDA DE LONGO PRAZO 4.100.000 6,0%
AÇÕES PREFERENCIAIS 40.000 13,0%
AÇÕES ORDINÁRIAS 1.060.000 17,0%
TOTAL 5.200.000

Calcule o custo de capital médio ponderado da empresa.

12. Com base nas seguintes informações sobre a empresa MKZ, responda qual o cus-
to de capital médio ponderado da empresa:
a) dívidas = valor de face $ 13.000, sendo o custo da dívida de 5%
b) ações ordinárias = $ 36.000, sendo o seu custo de 25%
c) ações preferenciais = $ 21.000, sendo o seu custo de 30%

168 • capítulo 9
13. A empresa Stotani apresenta a seguinte estrutura mostrada na tabela a seguir:

FONTE DE CAPITAL VALOR DE MERCADO $ %


DÍVIDA A LONGO PRAZO 2.840.000 8,0
AÇÃO PREFERENCIAL 200.000 9,5
AÇÕES ORDINÁRIAS 2.000.000 14,0
TOTAL 5.040.000

Calcule o WACC da empresa.

14. A partir das informações da empresa TATI, calcule a sua estrutura de capital:

FONTE DE CAPITAL VALOR DE MERCADO $ CUSTO


EMPRÉSTIMOS A LONGO PRAZO 350.000 20%
AÇÕES PREFERENCIAIS 300.000 30%
AÇÕES ORDINÁRIAS 120.000 25%

15. Calcule o WACC da empresa do exercício anterior.

16. Calcular o valor do WACC da empresa Sixel que compilou a informação mostrada
na tabela abaixo:

FONTE DE CAPITAL VALOR DE MERCADO $ %


DÍVIDA A LONGO PRAZO 3.940.000 6,0
AÇÃO PREFERENCIAL 60.000 13,0
AÇÕES ORDINÁRIAS 3.000.000 17
TOTAL 7.000.000

17. Calcular o valor do WACC da empresa do exercício anterior, considerando a alíquo-


ta de 30% de imposto de renda.

18. A Rigid Tool tem em seus livros os seguintes montantes e custos específicos (de-
pois do imposto de renda) para cada fonte de capital:

FONTES DE CAPITAL VALOR CONTÁBIL $ CUSTO ESPECÍFICO


EMPRÉSTIMOS A LONGO PRAZO 700.000 5,3%
AÇÕES PREFERENCIAIS 50.000 12,0%
AÇÕES ORDINÁRIAS 650.000 16.0%

capítulo 9 • 169
Calcule o custo de capital médio ponderado, usando pesos baseados no valor contábil
e explique como a empresa pode usar esse custo no processo de decisões de investimento.

Gabarito
01. WACC = 10% X 8% + 40% X 13% + 50% X 12% = 12%
02. WACC = 10% X 8% (1-20%) + 40% X 13% + 50% X 12% (1-20%) = 10,64%
03. 20,5%= 5% X 22,5% + 40% X 16% + 45% X K = 1,125 + 6,4 + 45% K
K = 12,475/45% = 27,72%
04. 9,475 %
05. 19,8%
06. 16,64%
07. WACC = 30% X 15% + 10% X 9% X (1-20%) + 60% X 16,5% X (1 -20%) = 13,14%
08. 50% X 15% + 5% X 7% + 45 % X K% = 12,5%
K = 10,33%
09. Capital próprio = 14,28%; dívida = 85,72%
10. WACC = 10,28%
11. WACC = 8,29%
12. WACC = 22,78%
13. WACC = 10,44%
14. 45,45% de empréstimos a longo prazo; 38,96% de ações preferenciais; 15,59% de
ações ordinárias
15. 45,45% X 20% + 38,96% X 30% + 15,59% X 25% = 24,67%
16. 10,77%
17. 9,71%
18. WACC = 10,5%. A empresa deve aceitar qualquer projeto que dê retorno acima de
10,5%.
1.000 Perguntas de Finanças, Cláudio Maciel e Débora Vides, IOB Thompson, 2005

9.4  Modelo de dividendos


Modelo geral
Quando os investidores compram ações, geralmente esperam obter dois
tipos de fluxo de caixa: os dividendos durante o período em que conservam
as ações e o preço esperado ao final deste período. Como este preço esperado
é dado pelos dividendos futuros, o valor de uma ação é o valor presente dos

170 • capítulo 9
dividendos até o infinito.
Fórmula
Valor esperado da ação:
t =∞
DPS

t =1 ( 1 + r )t

Modelo de crescimento zero


Se DPS1 representa o montante de dividendos anuais com crescimento zero,
então a equação poderia se reduzir a:
Fórmula:
t =∞
( )
P0 =DPS1 × ∑ t =1 1 / (1 + r )  = DPS1 × FJVPA r,n = DPS1 / r

t

A equação mostra que, com crescimento zero, o valor da ação poderia igua-
lar-se ao valor presente de uma perpetuidade DPS1 unidades monetárias, des-
contada a taxa r.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
13. Uso da fórmula
Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações
Espera-se que os dividendos da Denham Company permaneçam constantes a $ 3 por
ação indefinidamente. Se o retorno exigido sobre suas ações for de 15%, o valor das ações
será:

Resolução
$ 20 = ($ 3/0, 15)

Modelo de crescimento constante


Suponha que os dividendos crescerão a uma taxa constante, g, menor que o retorno
exigido r; onde DPS0 representa o dividendo mais recente.
Fórmula:

∞ ∞
P0 = DPS0 × (1+ g)  / (1+ r ) + DPS0 × (1+ g)  / (1+ r ) + ........... + DPS0 × (1+ g)  / (1+ r )
1 1 2 2
     

capítulo 9 • 171
Se simplificarmos, a equação poderá ser escrita da forma a seguir, que é o modelo sim-
plificado de Gordon.

Fórmula:

P0 = DPS1/r – g
Sendo DPS1 = DPS0 x (1 + g)

DPS = dividendos esperados daqui a um ano = DPS0 (1 + g)


r = taxa exigida de retorno para investidores em patrimônio líquido
g = taxa de crescimento perpétua dos dividendos

14. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações
A Lomar Company pagou dividendos por ação cujo crescimento determinado pela série
de 2009 a 2014 foi de 7%. A empresa estima que seus dividendos em 2015, DPS1, serão
iguais a $ 1,50. Suponha que o retorno exigido, r, seja de 15 %. O valor da ação será:

Resolução
P0 = $ 1,50 / 0,15 – 0,07 = $ 18,75 por ação

15. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações
A Alfa Ltda. possui uma taxa de capital próprio de 14%. A taxa de crescimento é de 8%
e o valor do último dividendo pago foi de $ 4,50. Calcular o preço atual da ação.

Resolução
DPS0 (1+g) / r – g = P0
$ 4,50 (1+0,08) / 0,14 – 0,08 = $ 81

16. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações e porcentagens
A empresa XZK possui ações ordinárias cotadas em $ 10; ela pagou dividendos de
$ 0,50 por ação e estima crescimento dos dividendos de 3%; então, o custo da ação será:

172 • capítulo 9
Resolução

P0 =
(
0, 5 1+ 0, 03 ) = 10 → r = 0, 0815 ou 8,15%
r − 0, 03

Embora o modelo de crescimento de Gordon seja uma abordagem simples e poderosa


para avaliar o patrimônio líquido, seu uso é limitado a empresas que estejam crescendo a uma
taxa de crescimento estável.
Como se espera que a taxa de crescimento dos dividendos de uma empresa dure para
sempre, também se pode esperar que as outras medições de desempenho da empresa (in-
clusive os lucros) cresçam à mesma taxa.
Qual taxa de crescimento é razoável como uma taxa de crescimento “estável”?
Não há limites inferiores, lógicos ou matemáticos.
Uma taxa de crescimento estável tem que ser constante ao longo do tempo?

Taxa de
crescimento
decrescente Taxa de crescimento
estável

17. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações e porcentagens
Para o caso Pepsi, calcule o valor das ações hoje, supondo que o dividendo por ação para
os próximos 4 anos será:
1º ano = $ 21,00 3º ano = $ 23,00
2º ano = $ 27,00 4º ano = $ 25,00

Resolução
Valor esperado da ação:
[$ 21 / (1+10,15%)1 ] + [ $ 27 / (1+10,15%)2 ] + [ $ 23 / (1+10,15%)3] +
+ [$ 25 / (1+10,15%)4] = = $ 19,06 + $ 22,25 + $ 17,21 + $ 16,98 = $ 75,5

capítulo 9 • 173
Valor da empresa
Fórmula

CF da empresa
Valor da empresa=∑ t
( )
t
1+ WACC

t variando de 1 até ∞
CF da empresat = fluxo de caixa da empresa esperado no período t
WACC = custo de capital médio ponderado

18. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações e porcentagens
A Abaeté tinha em 2007 um patrimônio líquido contábil de R$ 6,4 milhões e o seu valor
de mercado era R$ 30 milhões. O valor contábil das dívidas era R$ 9 milhões, enquanto o seu
valor de mercado era R$ 8,9 milhões. Suponha que o custo de capital do patrimônio líquido
era de 18,83% a.a. e o custo das dívidas antes do pagamento de impostos era de 12,28%
a.a. Calcule o custo de capital ponderado considerando a ponderação pelo valor de mercado
e pelo valor contábil. (a alíquota de imposto de renda é 40%)
Ponderação pelo valor de mercado

CUSTO DE
FONTE DE VALOR DE MER- PESO A VALOR CUSTO DE
CAPITAL APÓS PRODUTO
FINANCIAMENTO CADO EM MIL DE MERCADO CAPITAL
OS IMPOSTOS
12,28%
DÍVIDA 8.900 22,9% 12,28% (1 – 0, 40) = 1,69%
7,37%
PATRIMÔNIO 30.000 77,1% 18,83% 18,83% 14,52%
LÍQUIDO
TOTAL 38.900
CUSTO DE CAPI- 16,21%
TAL PONDERADO

174 • capítulo 9
Ponderação pelo valor contábil

CUSTO DE
FONTE DE VALOR DE MER- PESO A VALOR CUSTO DE
CAPITAL APÓS PRODUTO
FINANCIAMENTO CADO EM MIL DE MERCADO CAPITAL
OS IMPOSTOS
12,28%
DÍVIDA 9.000 58,4% 12,28% (1 – 0, 40) = 4,30%
7,37%
PATRIMÔNIO 6.400 41,6% 18,83% 18,83% 7,83%
LÍQUIDO
TOTAL 15.400
CUSTO DE CAPI- 12,13%
TAL PONDERADO

9.5  Análise de investimentos


Valor presente líquido (VPL)
O valor presente líquido é obtido subtraindo-se o investimento inicial (II)
do valor presente das entradas de caixa (FCt), descontadas a uma taxa igual ao
custo de capital da empresa (K).
Fórmula:

n CFj
VPL = ∑ − CF0
(1+ i)
j
j=1

CF é o fluxo de caixa no tempo j e no tempo 0 e i é igual à taxa de juros


utilizada.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
19. Uso da fórmula
Seja o caso de uma empresa que possui um custo de capital de 10% e deseja aceitar um
de dois projetos, cujos padrões são apresentados (graficamente) como padrão de fluxo de
caixa convencional e padrão de fluxo de caixa não convencional, a seguir:

capítulo 9 • 175
- projeto (A) → anuidade
- projeto (B) → série mista

Componentes do fluxo de caixa

Padrão convencional (anuidade)

Entradas
de caixa $ 14.000 $ 14.000 $ 14.000 $ 14.000 $ 14.000

0 1 2 3 4 5

Saídas $ 42.000

de caixa

Padrão não convencional (série mista)

Entradas de caixa operacionais

$ 28.000 $ 12.000 $ 10.000 $ 10.000 $ 10.000

0 1 2 3 4 5
$ 45.000

Investimento inicial (II)

Qual dos dois projetos (A) ou (B) deve ser aceito pela empresa e por qual razão?

Resolução
Cálculo dos VPLs para as alternativas de investimento:

Projeto A
Entrada de caixa anual $ 14.000
X FJVPA10%,5 3,791
Valor presente das entradas de caixa $ 53.074
- Investimento inicial 42.000
Valor presente líquido (VPL) $ 11.074

176 • capítulo 9
Projeto B

ANO ENTRADA DE CAIXA FJVP10%,5 VALOR PRESENTE


1 $ 28.000 0,909 $ 25.452
2 12.000 0,826 9.912
3 10.000 0,751 7.510
4 10.000 0,683 6.830
5 10.000 0,621 6.210
Valor presente das entradas de caixa $ 55.914
- investimento inicial 45.000
$ 10.914
Valor presente líquido (VPL)

PELA HP 12 C
45.000 CHS g Cfo Concluindo:
28.000 g CFj Se o VPL for maior que zero, aceita-se
12.000 g CFj o projeto; se for menor, rejeita-se o projeto.
10.000 g CFj Se for maior que zero, obterá um retor-
10.000 g CFj no maior que seu custo de capital.
10.000 g CFj
10 i
f NPV
≈ 10.924

Assim, o projeto (A) deve ser aceito, por possuir um VPL maior que o do projeto (B).

Taxa interna de retorno (TIR)


A TIR é definida como a taxa de desconto que iguala o VPL do investimento a zero (já que
o valor presente das entradas de caixa é igual ao investimento inicial).
Fórmula:

n
FC1
$0 = II, tal que:
(1+TIR)
t
t=1
Período de payback
(simplificação para anuidade)
II
FJVPA(TIR, n) =
FC t

capítulo 9 • 177
20. Uso da fórmula
Baseando-se no exercício 1 da empresa que tem o custo de capital de 10%, entrada de
caixa anual de $ 14.000 e investimento inicial de $ 42.000, qual é taxa interna de retorno
do investimento?

Resolução
O passo a passo para encontrar a TIR (método de tentativa e erro) é:

Passo 1: dividindo-se o II de $ 42.000 pelo FCt de $ 14.000, obtém-se um período de


payback de 3 anos.
Passo 2: na tabela de FJVPA (TIR, n) , os fatores mais próximos de 3 para 5 anos são: 3,058
para 19% e 2,991 para 20%.

Portanto, a TIR com a aproximação de 1% (aceitável) está entre 19% e 20%, estando
bastante acima do custo de capital de 10% da empresa.

Pela HP 12 C Concluindo:
42.0000 CHS g CFo Se a TIR for maior do que o custo de
14.0000 g CFj capital. aceita-se o projeto; se for menor,
5 g Nj rejeita-se o projeto.
f IRR

Período de payback
A sua principal deficiência é não se basear em fluxos de caixa descontados para verificar
se eles adicionam valor à empresa.
É, simplesmente, um período de tempo máximo aceitável quando o projeto alcança o seu
“ponto de equilíbrio”.
Falha ao deixar de considerar o valor de dinheiro no tempo.

Fórmula:

Custos do Projeto/Investimento
PB =
Entradas de caixa do per odo

178 • capítulo 9
21. Uso da fórmula
Considerando os projetos X e Y da tabela a seguir, qual deles deve ser aceito pela em-
presa XZT, levando em conta somente o período de payback.
Cálculo dos períodos de payback para dois projetos x e y que são alternativos
PROJETO X PROJETO Y
INVESTIMENTO INICIAL $ 10.000 $ 10.000
ANO ENTRADAS DE CAIXA
1 $ 5.000 $ 3.000
2 5.000 4.000
3 1.000 3.000
4 100 4.000
5 100 3.000

Resolução
O projeto X tem investimento de $ 10.000, sendo que as entradas de caixa dos anos 1 e
2, cada uma de $ 5.000, fazem com que o payback (período em que retorna o investimento)
seja de exatos dois anos.
O projeto Y, com o mesmo investimento de $ 10.000, somente terá o retorno do inves-
timento em três anos (a soma de: $ 3.000 do ano 1, $ 4.000 do ano 2 e $ 3.000 do ano 3).
O projeto X seria preferível ao Y, embora a abordagem ignore as entradas de caixa de,
apenas $ 1.200 de X, nos anos 3, 4 e 5, contra $ 7.000 de Y nos anos 4 e 5.

22. Os presentes exercícios tratam de valor presente líquido, taxa interna de retorno
e período de payback.
1. Utilizando a técnica do VPL, qual dentre os dois projetos A e B, a seguir, é o melhor?
O projeto A retorna uma entrada de caixa anual de $ 14.000 (utilize o fator de anuidade
FJVPA10%,5 = 3,791) e tem investimento inicial de $ 42.000.
O projeto B tem o mesmo investimento inicial do projeto A e retorna a seguinte série
de FCt : $ 26.000, $ 10.000, $ 10.000, $ 10.000 e $ 12.000 (utilize os fatores de valor
presentes FJVP10%,1 = 0,909, FJVP10%,2 = 0,826, FJVP10%,3 = 0,751, FJVP10%,4 = 0,683 e
FJVP10%,5 = 0,621).

2. (Maciel, C. e Vides, D., 1.000 Perguntas – Finanças, Rio de Janeiro, Ed. Rio; IOB Thomp-
son, 2006)
Calcule o VPL para os projetos seguintes de 20 anos e comente a aceitação de cada um,
presumindo que o custo de oportunidade da empresa seja de 14%:

capítulo 9 • 179
2.1. Os fluxos de entrada de caixa são de $ 2.000 por ano e o investimento inicial é de
$ 10.000
(Use a HP12 C e registre os passos para o cálculo.)

2.2. Os fluxos de entrada de caixa são de $ 3.000 por ano e o investimento inicial é de
$ 25.000
(Use a HP12 C e registre os passos para o cálculo.)

3. (Maciel, C. e Vides, D., 1.000 Perguntas – Finanças, Rio de Janeiro, Ed. Rio; IOB Thomp-
son, 2006)
A empresa Mel está considerando uma nova máquina para misturar fragrâncias. A máqui-
na exige um investimento inicial de $ 24.000 e vai gerar fluxos de caixa de $ 5.000 ao ano,
por 8 anos. Calcule o VPL para o custo de capital de 10%.
(Use a HP12 C e registre os passos para o cálculo.)

4. Calcule o VPL do exercício anterior para o custo de capital de 12%.


(Use a HP12 C e registre os passos para o cálculo.)

5. Calcule o VPL do mesmo exercício para o custo de capital de 14%.


(Use a HP12 C e registre os passos para o cálculo.)

6. A empresa XYZ tem um custo de capital de 10% e está avaliando, pelo VPL, se aceita
ou rejeita o projeto A, cujo investimento inicial é de $ 18.000 e os FCt , para os anos 1, 2 , 3,
4 e 5 são, respectivamente, $ 3.000, $ 4.000, $ 6.000, $ 5.000 e $ 1.000. Utilize os mesmos
fatores de valor presente do exercício 1.

7. A mesma empresa resolveu avaliar, usando a técnica de período de payback, o projeto


B, de mesmo investimento inicial ($ 18.000). Sabendo que está prevista uma entrada de cai-
xa anual de $ 6.000 nos próximos cinco anos, a XYZ deve aceitá-lo ou rejeitá-lo? Comente
sua decisão.

8. Comente a decisão a ser tomada pela empresa XYZ, para aceitar um dos dois proje-
tos acima (A e B são mutuamente excludentes, isto é, aceitar um significa rejeitar o outro).
Considere, apenas para essa questão, que as duas técnicas de avaliação empregadas sejam
perfeitamente comparáveis.

180 • capítulo 9
9. Se houver interesse em continuar a avaliar somente o projeto B, utilizando a TIR (taxa
interna de retorno), a empresa XYZ deverá aceitá-lo ou rejeitá-lo?

Sabe-se que:
•  anuidades = $ 6.000
•  vida do projeto = 5 anos
•  custo de capital = 10%
•  fatores de anuidade FJVPA16%,5 = 3,274, FJVPA17%,5 = 3,199, FJVPA18%,5 = 3,127,
FJVPA19%,5 = 3,058, FJVPA20%,5 = 2,991
Comente sua decisão, aceitando a aproximação de 1% na taxa de retorno.

10. (Gitman, J., Princípios de Administração Financeira, São Paulo, Harbra, 2000) – Adap-
tado de:
A Fitch Industries está em um processo de escolha do melhor, dentre dois projetos – M
e N – de investimento mutuamente excludentes. Os fluxos de caixa relevantes para cada
projeto são apresentados a seguir. O custo de capital da empresa é de 14%.

Projeto M Projeto N
Investimento Inicial (II) $ 28.500 $ 30.000
Ano (t) Entradas de caixa (FCt)
1 $ 10.000 $ 11.000
2 $ 10.000 $ 10.000
3 $ 10.000 $ 9.000
4 $ 10.000 $ 8.000

10.1. Calcule o período de payback para cada projeto.


10.2. Calcule o VPL (valor presente líquido) para cada projeto.
10.3. Calcule a TIR (taxa interna de retorno) para cada projeto.
Obs.: utilize no cálculo os fatores de valor presente FJVP14%,1 = 0,877; FJVP14%,2 =
0,769; FJVP14%,3 = 0,675; FJVP14%,4 = 0,592; e os fatores de anuidade FJVPA16%,4 = 2,798;
FJVPA15%,4 = 2,855; FJVPA14%,4 = 2,914; FJVPA13%,4 = 2,974; FJVPA12%,4 = 3,037
11. Faça um resumo das preferências determinadas, de acordo com cada técnica e indique
qual projeto (M ou N) você recomendaria. Explique por quê.
12. (Gitman, J., Princípios de Administração Financeira, São Paulo, Harbra, 2000) – Adap-
tado de:
Calcule o valor presente líquido para os seguintes projetos, que têm vidas de vinte anos.

capítulo 9 • 181
Comente a aceitabilidade de cada um deles.
Suponha que a empresa tenha um custo de oportunidade de 14%.
a) Investimento inicial de $ 10.000; entradas de caixa de $ 2.000 ao ano
b) Investimento inicial de $ 25.000; entradas de caixa de $ 3.000 ao ano
c) Investimento inicial de $ 30.000; entradas de caixa de $ 5.000 ao ano
Obs.: utilize no cálculo o fator de anuidade FJVPA14%,20 = 6,623

13. (Gitman, J., Princípios de Administração Financeira, São Paulo, Harbra, 2000) – Adap-
tado de:
A Neil Corporation tem três projetos em análise. Seus fluxos de caixa são apresentados
no quadro a seguir. A empresa tem um custo de capital de 14%.
Projeto A Projeto B Projeto C
Investimento Inicial $ 40.000 $ 40.000 $ 40.000
Ano (t) Entradas de caixa
1 $ 13.000 $ 7.000 $ 19.000
2 13.000 10.000 16.000
3 13.000
13.000 13.000
4 13.000 16.000 10.000
5 13.000 19.000 7.000

a) Calcule o período de payback para cada projeto. Qual deles é o preferido de acordo
com esse método?
b) Calcule o valor presente líquido para cada projeto. Qual deles é o preferido de acor-
do com esse método?
c) Comente os resultados obtidos em a e b e faça a recomendação do melhor projeto.
Explique a sua escolha.

Obs.: Utilize no cálculo os fatores de valor presente FJVP14%,1 = 0,877; FJVP14%,2 =


0,769; FJVP14%,3 = 0,675; FJVP14%,4 = 0,592; FJVP14%,5 = 0,519; e o fator de anuidade
FJVPA14%,5 = 3.433

Resolução
01. O projeto B é o melhor.
2.1 $ 3.246. O VPL é positivo; portanto, aceita-se o projeto. Os passos para o cálculo
são: 10.000 CHS g CF0; 2.000 g CFj; 20 g Nj; 14 i; f NPV.
2.2 -$ 5.130. O VPL é negativo; portanto, rejeita-se o projeto. Os passos para o cálculo

182 • capítulo 9
são: 25.000 CHS g CF0; 3.000 g CFj; 20 g Nj; 14 i; f NPV.
02. $ 3.947. Os passos para o cálculo são: 24.000 CHS g CF0; 5.000 g CFj; 8 g Nj; 10
i; f NPV.
03. $ 1.920. Os passos para o cálculo são: 24.000 CHS g CF0; 5.000 g CFj; 8 g Nj; 12
i; f NPV.
04. $ 117. Os passos para o cálculo são: 24.000 CHS g CF0; 5.000 g CFj; 8 g Nj; 14
i; f NPV.
05. Rejeitar A.
06. Aceitar A. O período de payback não leva em conta os fluxos de caixa descontados.
07. O VPL é uma técnica mais confiável, pois leva em conta os fluxos de caixa des-
contados.
08. Aceitar B. O projeto dá retorno entre 19% e 20%, que são taxas muito maiores que
o custo de capital da empresa (10%).
09. 1.1. 2,85 anos para o projeto M e 3 anos para o projeto N; 1.2. $ 640 para o pro-
jeto M e -$ 1.852 para o projeto N; 1.3. ≈15% para o projeto M e entre 12% e 13%
para o projeto N.
10. Por qualquer uma das técnicas empregadas, o projeto M é o melhor.
10.1. $ 3.246; b) -$ 5.131; c) $ 3.115
10.2. projeto C; b) projeto C; c) Em ambas as técnicas, o projeto C resultou me-
lhor; esse é um caso em que o apelo intuitivo do período de payback, resultando como
critério simplificado e básico de decisão, traria bons resultados como complemento a
técnicas de decisão mais sofisticadas (por exemplo: o valor presente líquido).

9.6  Alavancagem financeira


(de J. Gitman, Princípios de Administração Financeira, Harbra Edit.)
A alavancagem financeira resulta da presença de encargos financeiros fi-
xos no fluxo de lucros da empresa. Pode-se definir a alavancagem financeira
como a capacidade da empresa para usar encargos financeiros fixos a fim de
maximizar os efeitos de variações no lucro antes dos juros e impostos (LAJIR)
sobre os lucros por ação (LPA) da empresa. Os dois encargos financeiros fixos
que podem ser encontrados na demonstração do resultado são (1) juros sobre
empréstimos e (2) dividendos de ações preferenciais. Esses encargos devem ser

capítulo 9 • 183
pagos independentemente do montante de LAJIR disponível para pagá-los. O
exercício a seguir ilustra como funciona a alavancagem financeira.

Alavancagem financeira
A capacidade da empresa para usar encargos financeiros fixos a fim de maximizar
os efeitos de variações no lucro antes dos juros e impostos (LAJIR) sobre os lucros por
ação (LPA) da empresa.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
23. Aplicação da demonstração de resultado
A Chen Foods, uma pequena empresa de comida chinesa, espera lucros antes dos juros
e impostos de $ 10.000 no ano corrente. Ela tem um título de dívida de $ 20.000 com uma
taxa de juros anuais do cupom de 10% e 600 ações preferenciais em circulação, com $ 4 de
dividendo anual por ação. Possui ainda 1.000 ações ordinárias em circulação. Os juros anuais
sobre a emissão de títulos são de $ 2.000 (0,10X$ 20.000). Os dividendos anuais sobre as
ações preferenciais são de $ 2.400 ($ 4,00/ação X 600 ações). O quadro 1 apresenta os
lucros por ação correspondentes aos níveis de lucros antes dos juros e impostos de $ 6.000,
$ 10.000 a $ 14.000, supondo que a empresa esteja na faixa de 40% de imposto de renda.
Duas situações são ilustradas no quadro.
Caso 1 – Um aumento de 40% no LAJIR (de R$ 10.000 para $ 14.000) resulta num
acréscimo de 100% nos lucros por ação (de R$ 2,40 para $ 4,80).
Caso 2 – Uma queda de 40% no LAJIR (de $ 10.000 para $ 6.000) resulta num decrés-
cimo de 100% nos lucros por ação (de $ 2,40 para $ 0).

Resolução
LPA para vários níveis de LAJIR

Caso 2 Caso 1
– 40% +40%
LAJIR $ 6.000 $ 10.000 $ 14.000
Menos: juros (J) 2.000 2.000 2.000

184 • capítulo 9
Lucro antes do imposto de
renda 4.000 $ 8.000 $ 12.000
Menos: imposto de renda 1.600 3.200 4.800
(T=0,40)

Lucro líquido depois do $ 2.400 $ 4.800 $ 7.200


imposto de renda
Menos: dividendos de ações $ 2.400 $ 2.400 $ 2.400
preferenciais (DP) $ 0

Lucro disponível para acio-


$0 $ 2.400 $ 4.800
nistas (LAC)
$ 2.400
Lucro por ação (LPA) 1.000 = $ $ 4.800
1.000 = $
0 1.000 = $ 4,80
2,40

-100% +100%

Gitman, J – Princípios de Administração Financeira, Harbra, SP, 2007.

O efeito da alavancagem financeira é tal que um aumento do LAJIR da empresa acarreta


um aumento mais do que proporcional nos lucros por ação, enquanto uma queda no LAJIR
da empresa resulta num decréscimo mais do que proporcional no LPA.

Medição do grau de alavancagem financeira


O grau de alavancagem financeira (GAF) é a medida numérica da alavancagem financei-
ra da empresa. A seguinte equação representa uma forma alternativa de medir o GAF.

Fórmula:

Variação percentual no LPA


GAF =
Variação percentual no LAJIR

Sempre que a variação percentual no LPA resultante de uma dada variação no LAJIR for
maior que a variação percentual no LAJIR, verifica-se a existência de alavancagem financei-
ra. Isso significa que, sempre que o GAF for superior a 1, há alavancagem financeira.

capítulo 9 • 185
24. Uso da fórmula
Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações e porcentagens
Aplicando a fórmula aos casos 1 e 2 do quadro LPA para vários níveis de
LAJIR, anterior, calcule o grau de alavancagem financeira de cada caso:

Resolução
+100%
Caso 1: = 2, 5
+40%
−100%
Caso 1: = 2, 5
−40%
Em ambos os casos, o quociente é maior do que 1 e existe alavancagem financeira.
Quanto maior for esse quociente, maior será grau de alavancagem financeira.

Uma fórmula mais direta para calcular o grau de alavancagem financeira a um determina-
do nível de LAJIR é dada na Equação 2, usando a notação do quadro LPA para vários níveis
de LAJIR. Note que na equação abaixo o termo

1
1− T

converte o dividendo da ação preferencial depois do imposto para um montante antes do


imposto, a fim de se tornar compatível com os outros termos da equação.

Fórmula

LAJIR
GAF em um determinado nível de LAJIR =  1 
LAJIR − J − DP × 
 1− T 

25. Uso da fórmula


Aplicação de operações aritméticas e expressões – Frações e porcentagens
Substituindo LAJIR = $ 10.000, J = $ 2.000, na fórmula GAF em um determinado nível
de LAJIR, obtém-se o seguinte resultado:

186 • capítulo 9
= $ 2.400 e a alíquota do imposto de renda (T=0,40) na GAF a $ 10.000 LAJIR

$ 10.000 $ 10.000
= = = 2, 5
 1  $ 4.000
$ 10.000 − $ 2.000 − $ 2.400 × 
 1− 0,40 

Note que a fórmula de GAF em um determinado nível de LAJIR fornece um método


mais direto para calcular o grau de alavancagem financeira que a abordagem apresentada
anteriormente.

9.7  Medidas de liquidez, rentabilidade,


estrutura de capital e de giro

Liquidez
É a capacidade de transformar um bem ou uma obrigação em dinheiro.
Mede a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, de saldar seus compro-
missos de imediato, a curto prazo e a longo prazo.

Fórmulas

ATIVO CIRCULANTE + REALIZ`VEL A LONGO PRAZO


LIQUIDEZ GERAL =
PASSIVO CIRCULANTE + EXIG VEL A LONGO PRAZO

ATIVO CIRCULANTE
LIQUIDEZ CORRENTE =
PASSIVO CIRCULANTE

ATIVO CIRCULANTE − ESTOQUES


LIQUIDEZ SECA =
PASSIVO CIRCULANTE

DISPON VEL
LIQUIDEZ IMEDIATA =
PASSIVO CIRCULANTE

capítulo 9 • 187
26. Uso das fórmulas – aplicação de frações
A partir dos dados da empresa a seguir, calcule os quatro índices de liquidez principais.
BP da empresa MKZ – Exercício findo em 31/12/2020XX

ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE


Disponibilidade 20.000 Fornecedores 80.000
Outras obrigações de curto prazo
Clientes 130.000
70.000
Estoques 90.000
Ativo realizável a longo prazo Passivo exigível a longo prazo
Empréstimos a coligadas 42.000 Financiamentos 85.000
Ativo não circulante Patrimonio líquido
Imobilizado 68.000 Capital e reservas 125.000
Diferido 10.000
Total do ativo 360.000 Total do passivo + pl 360.000

Resolução

$ 240.000 + $ 42.000
LIQUIDEZ GERAL = =12
,
$ 150.000 + $ 85.000

$ 240.000
=
LIQUIDEZ CORRENTE = 16 ,
$ 150.000

$ 240.000 − $ 90.000
LIQUIDEZ SECA = =10
,
$ 150.000

$ 20.000
=
LIQUIDEZ IMEDIATA = 0,13
$ 150.000

27. Abaixo se encontra o Balanço Patrimonial da empresa Abstrata.

ATIVO 2003 2004 PASSIVO 2003 2004


Circulante 549.064 675.453 Circulante 322.061 569.392
Disponível 57.475 60.717 Fornecedores 44.010 64.580
Contas a
95.827 131.533 Contas a pagar 89.672 205.445
receber

188 • capítulo 9
Estoque de Outras obriga-
262.500 483.203 188.379 299.367
mercadorias ções
Outras contas
133.262
a receber

Realizável a Exigível a longo


25.005 28.898 35.581 5.197
longo prazo prazo
Empréstimos à Empréstimos e
25.005 28.898 35.581 5.197
coligadas financiamentos

Patrimônio
Permanente 200.952 384.826 417.379 514.588
Líquido
Investimento 50.585 33.416 Capital social 242.909 323.243
Lucros acumu-
Imobilizado 141.852 319.333 174.470 191.345
lados
Diferido 8.515 32.077
ATIVO TOTAL 775.021 1.089.177 PASSIVO TOTAL 775.021 1.089.177

Com base nos dados acima calcule os índices de liquidez Imediata, Seca, Corrente e
Geral.
1000 Perguntas de Finanças, Cláudio Maciel e Débora Vides, IOB Thompson, 2005
Rentabilidade
Indica qual o retorno que o investimento está propiciando.
Fórmulas

LUCRO L QUIDO ×100


RENTABILIDADE DO ATIVO =
ATIVO TOTAL

LUCRO L QUIDO ×100


RENTABILIDADE DO PATRIM NIO L QUIDO =
PATRIM NIO L QUIDO

LUCRO L QUIDO ×100


MARGEM L QUIDA =
RECEITA L QUIDA

RECEITA LIQU DA
GIRO DO ATIVO =
ATIVO TOTAL

capítulo 9 • 189
28. Uso das fórmulas – aplicação de frações e de porcentagens
Com base nos dados anteriores da empresa MKZ e sabendo que o seu lucro líquido no
exercício de 20XX foi de $ 25.000 e a receita líquida no mesmo exercício foi de
$ 500.000, faça a análise dos quatro principais índices de rentabilidade.

Resolução

$ 25.000 × 100
RENTABILIDADE DO ATIVO = = 6, 9%
$ 360.000

$ 25.000 × 100
RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO = = 20%
$ 125.000

$ 25.000 × 100
MARGEM LÍQUIDA = = 5%
$ 500.000

$ 500.000
GIRO DO ATIVO = = 1, 38
$ 360.000

Estrutura de capital
Procura mostrar a política de decisões financeiras da empresa, em termos de obtenção
e aplicação de recursos.

Fórmulas

CAPITAL DE TERCEIROS ×100


GRAU DE ENDIVIDAMENTO =
CAPITAL PR PRIO

PASSIVO CIRCULANTE ×100


COMPOSI ˆ O DO ENDIVIDAMENTO =
CAPITAL DE TERCEIROS

ATIVO Nˆ O CIRCULANTE ×100


0
IMOBILIZA ˆ O DO PATRIM NIO L QUIDO =
PATRIM NIO L QUIDO

190 • capítulo 9
29. Uso das fórmulas – aplicação de frações e de porcentagens
Com base nos dados anteriores da empresa MKZ, faça a análise dos três índices de
estrutura de capital principais.

Resolução

$ 150.000 + $ 85.000 × 100


GRAU DE ENDIVIDAMENTO = = 188%
$ 125.000

$ 150.000 × 100
COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO = = 63, 8%
$ 150.000 + $ 85.000

$ 78.000 × 100
IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO = = 62,4%
$ 125.000

Giro (ou atividade)


É o número que representa (expresso em prazo, dias ou giro) o quanto uma empresa
demora, em média, para receber suas vendas, pagar seus fornecedores e renovar seus es-
toques.
Fórmulas

CUSTOS DAS VENDAS


GIRO DO ESTOQUE =
ESTOQUE M DIO

RECEITA OPERACIONAL L QUIDA


GIRO DO CONTAS A RECEBER =
CONTAS A RECEBER

COMPRAS L QUIDAS
GIRO DE FORNECEDORES =
CONTAS A PAGAR

capítulo 9 • 191
30. Uso das fórmulas – Aplicação de frações
Calcule o giro do estoque, o giro do contas a receber e o giro de fornecedores da empre-
sa XZT, cujos dados estão a seguir:

CONTAS A RECEBER $ 20.000


ESTOQUE $ 15.000
FORNECEDORES $ 24.000
TOTAL DO ATIVO $ 180.000
VENDA LÍQUIDA A PRAZO $ 200.000
COMPRAS A PRAZO $ 180.000
CUSTO DA MERCADORIA VENDIDA $ 120.000
PATRIMONIO LÍQUIDO $ 75.000

Resolução

$ 120.000
GIRO DO ESTOQUE= =8
$ 15.000

$ 200.000
GIRO DO CONTAS A RECEBER= = 10
$ 20.000

$ 180.000
GIRO DE FORNECEDORES = = 7, 5
$ 24.000

192 • capítulo 9
10
Matemática
Aplicada a Negócios
OBJETIVOS
Nesse capítulo, espera-se que (após a leitura) o aluno seja capaz de entender a aplicação de
matemática no plano de negócios.

194 • capítulo 10
10.1  Plano de Negócios
O plano de negócios é um meio para apresentar uma ideia de negócio, em geral,
visando obter financiamento para um projeto.
Trata-se de um instrumento de uso interno, possibilitando que o empreen-
dedor avalie a viabilidade de um negócio e siga o seu desenvolvimento.
Ele é composto de diversas etapas, na prática, para demonstrar tudo o que é
relevante e, assim sendo, merece ser acompanhado.
Composição societária

EXERCÍCIO RESOLVIDO
01. Uso de porcentagem
Considerando que Alberto e Paulo pretendem formar uma sociedade limitada, cada um
com R$ 100.000,00 de capital subscrito e, posteriormente, integralizado, calcule a participa-
ção em cotas que cada um deve ter?

Gabarito

CAPITAL SUBSCRITO E INTEGRA-


NOME DO SÓCIO/COTISTA CÁLCULO DA PORCENTAGEM
LIZADO

= (100.000,00 /
Alberto R$ 100.000,00
200.000,00) X 100 = 50%
= (100.000,00 /
Paulo R 100.000,00
200.000,00) X 100 = 50%
TOTAL R$ 200.000,00 100%

Dívidas
Uso de tabelas – Aplicação de juros

02. Em 01.01.2011, a empresa XYZ tomou emprestada junto à financiadora Cia. MKZ a
quantia de $ 50.000,00, à taxa de juros de 30% ao ano e com vencimento em 31.12.2011.
Um outro empréstimo foi feito junto ao Banco XZT, no valor de $ 100.000,00, com custo de
15% ao ano. Ambos os empréstimos foram feitos sem prazo de carência. Calcule o saldo
devedor a ser pago a cada financiador pela empresa XYZ e o total em 31.01.20X1.

capítulo 10 • 195
Gabarito

CAPITAL DE GIRO
ENCARGOS
DATA DATA CARÊNCIA SALDO
CREDOR FINANCEI- CAPITAL
CONTRATAÇÃO VENCIMENTO (MÊS) DEVEDOR
ROS
30,0% ao R$ R$ 50.000,00 +
Cia. MKZ  01/01/20X1 31/12/20X1 0
ano 50.000,00 R$ 15.000,00
Banco 15,0% ao R$ R$ 100.000,00
 01/01/20X1 31/12/20X1  0
XZT ano 100.000,00 + R$ 15.000,00
R$ 175.000,00
TOTAL - - - - -

Investimento

03. Uso de tabelas – Aplicação de operações aritméticas e expressões


A empresa XYZ pretende financiar as suas operações a seguir:

Investimento fixo:
Ano atual = R$ 250.000,00; Ano 20X1 = R$ 60.000,00; Ano 20X2 = R$ 30.000,00,
sendo parte com:
1. Compra deterreno:
Ano atual = R$ 100.000,00;
Ano 20x1 = R$ 10.000,00;
Ano 20x2 = R$ 10.000,00,
2) Obras de construção civil:
Ano atual = R$ 100.000,00;
Ano 20x1 = R$ 10.000,00;
Ano 20x2 = R$ 10.000,00,
3) Instalação de máquinas e equipamentos nacionais:
Ano atual = R$ 50.000,00;
Ano 20x1 = R$ 40.000,00;
Ano 20x2 = R$ 10.000,00 ,

Investimento financeiro:
Ano atual = R$ 22.000,00;
Ano 20x1 = R$ 18.000,00;
Ano 20x2 = R$ 5.000,00,

196 • capítulo 10
Necessidade de capital de giro:
Ano atual = R$ 11.000,00;
Ano 20x1 = R$ 7.000,00;
Ano 20x2 = R$ 2.000,00 E

Juros no período pré-operacional:


Ano atual = R$ 2.000,00;
Ano 20x1 = R$ 1.000,00;
Ano 20x2 = R$ 2.000,00.

Para tanto, deve obter financiamentos conforme segue:

Recursos próprios:
Ano atual = R$ 235.000,00;
Ano 20x1 = R$ 45.000,00;
Ano 20x2 = R$ 29.000,00, Sendo parte em:

1. Patrimônio líquido:
Ano atual = R$ 135.000,00;
Ano 20xl = R$ 35.000,00;
Ano 20x2 = R$ 20.000,00 E parte em:

2. Aumento de capital:
Ano atual = R$ 100.000,00;
Ano 20x1 = R$ 10.000,00;
Ano 20x2 = R$ 9.000,00.

Recursos de terceiros:
Ano atual = R$ 50.000,00;
Ano 20x1 = R$ 41.000,00;
Ano 20x2 = R$ 10.000,00, Sendo parte com recursos:

1. Finame:
Ano atual = R$ 45.000,00;
Ano 20x1 = R$ 36.000,00;
Ano 20x2 = R$ 6.000,00 E parte com:

capítulo 10 • 197
2. Outros recursos:
Ano atual = R$ 5.000,00;
Ano 20x1 = R$ 5.000,00;
Ano 20x2 = R$ 4.000,00.

Preencha, a partir dos dados anteriores, a tabela de usos e fontes de recursos, inse-
rindo os totais do projeto.

Resolução
TOTAL DO PRO-
CONTAS ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2
JETO
Usos        

Investimento fixo R$ 250.000,00 R$ 60.000,00 R$ 30.000,00 R$ 340.000,00

Terreno R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 120.000,00

Construção civil R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 R$ 120.000,00


Máquinas e equipamentos
R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 10.000,00 R$ 100.000,00
nacionais
Investimento financeiro R$ 22.000,00 R$ 18.000,00 R$ 5.000,00 R$ 45.000,00
Necessidade de capital de
R$ 11.000,00 R$ 7.000,00 R$ 2.000,00 R$ 20.000,00
giro
Juros no período pré-opera-
R$ 2.000,00 R$ 1.000,00 R$ 2.000,00 R$ 5.000,00
cional
Total R$ 285.000,00 R$ 86.000,00 R$ 39.000,00 R$ 410.000,00
= 250.000 = 30.000
= 60.000 + = 340.000 +
+ 22.000 + + 5.000 +
Cálculos 18.000 + 45.000 + 20.000
11.000 + 2.000 +
7.000 + 1.000 + 5.000
2.000 2.000
Contas Atual Ano 20X1 Ano 20X2 Total do projeto

Fontes        

Recursos próprios R$ 235.000,00 R$ 45.000,00 R$ 29.000,00 R$ 309.000,00

Patrimônio líquido R$ 135.000,00 R$ 35.000,00 R$ 20.000,00 R$ 190.000,00

Aumento de capital R$ 100.000,00 R$ 10.000,00 R$ 9.000,00 R$ 119.000,00

198 • capítulo 10
Recursos de terceiros R$ 50.000,00 R$ 41.000,00 R$ 10.000,00 R$ 101.000,00

Finame R$ 45.000,00 R$ 36.000,00 R$ 6.000,00 R$ 87.000,00

Outros R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 4.000,00 R$ 14.000,00

Total R$ 285.000,00 R$ 86.000,00 R$ 39.000,00 R$ 410.000,00


= 235.000 + = 45.000 + = 29.000 + = 309.000 +
Cálculos
50.000 41.000 10.000 101.000

Vendas dos últimos 03 exercícios (ano civil)

04. Uso de tabela


Insira em uma tabela os dados de vendas (histórico) dos últimos 3 exercícios (ano civil)
para a empresa XYZ, bem como o seu total.
Sabe-se que o faturamento do ano 20X8 foi de R$ 1.000.000,00 e do ano 20X9 foi de
R$ 1.100.000,00.
Ainda, o faturamento do ano 20X0 foi de R$ 1.250.000,00.

Resolução
ANO ANO 20X8 ANO 20X1 ANO 20X2 TOTAL
Faturamento R$ 1.000.000,00  R$ 1.100.000,00  R$ 1.250.000,00   R$ 3.350.000,00

Capacidade de pagamento

05. Uso de tabelas – uso de porcentagem – Aplicação de operações aritméticas e


expressões
Faça os cálculos da receita operacional líquida (rol), da margem de contribuição, do re-
sultado operacional e do ponto de equilíbrio, para os dados da empresa xyz da tabela a seguir.
Sabe-se que o preço unitário (p u) é igual a R$ 1.000,00 No ano atual e varia 6% a cada
ano até 20x4.
E, que o custo variável unitário (cv u) é atualmente de R$ 600,00, mas sofrerá uma va-
riação ano a ano de 10% até 2014.

capítulo 10 • 199
CONTAS ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2 ANO 20X3 ANO 20X4
Receita operacional R$ R$ R$ R$
R$ 1.700.000 
bruta 1.500.000  1.600.000  1.600.000  1.800.000 
Deduções de vendas R$ 75.000  R$ 80.000   R$ 80.000    R$ 85.000    R$ 90.000    

Receita operacional
líquida

Cálculos

Custos variáveis R$ 600.000 R$ 640.000 R$ 640.000 R$ 680.000 R$ 720.000


Custo com matérias
R$ 240.000  R$ 256.000   R$ 256.000   R$ 272.000 R$ 288.000
primas
Mão de obra variável R$ 100.000  R$ 107.000  R$ 107.000  R$ 113.000 R$ 120.000
Encargos sociais /
R$ 60.000   R$ 64.000   R$ 64.000   R$ 68.000 R$ 72.000
trabalhistas
Comissões s/ vendas  R$ 30.000    R$ 32.000    R$ 32.000   R$ 34.000 R$ 36.000

Fretes R$ 30.000  R$ 32.000  R$ 32.000  R$ 34.000 R$ 36.000


Propaganda e publici-
R$ 55.000  R$ 59.000  R$ 59.000  R$ 62.000 R$ 66.000
dade
Despesas tributárias R$ 80.000  R$ 85.000  R$ 85.000  R$ 91.000 R$ 96.000

R$ 6.000
Outros custos variáveis R$ 5.000 R$ 5.000 R$ 5.000 R$ 6.000

Margem de contribui-
ção
Cálculos

Custos fixos R$ 300.000 R$ 300.000 R$ 300.000 R$ 300.000 R$ 300.000

Pró labore dos sócios R$ 120.000  R$ 120.000  R$ 120.000  R$ 120.000  R$ 120.000 

Mão de obra fixa R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000 


Encargos sociais/ traba-
R$ 15.000 R$ 15.000 R$ 15.000 R$ 15.000 R$ 15.000
lhistas
Seguro do ativo fixo R$ 30.000    R$ 30.000    R$ 30.000    R$ 30.000    R$ 30.000   
Manutenção e conser-
R$ 30.000   R$ 30.000   R$ 30.000   R$ 30.000   R$ 30.000  
vação

Aluguéis R$ 50.000  R$ 50.000  R$ 50.000  R$ 50.000  R$ 50.000 

200 • capítulo 10
Serviços de terceiros R$ 25.000   R$ 25.000   R$ 25.000   R$ 25.000   R$ 25.000  

Outros custos fixos R$ 5.000    R$ 5.000    R$ 5.000    R$ 5.000    R$ 5.000   


Depreciação/amorti-
R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000 
zação
Despesas financeiras R$ 65.000 R$ 65.000 R$ 65.000 R$ 65.000 R$ 65.000
Empréstimos de curto
R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000 
prazo
Empréstimos de longo
R$ 30.000  R$ 30.000  R$ 30.000  R$ 30.000  R$ 30.000 
prazo
Empréstimo atual R$ 25.000 R$ 25.000 R$ 25.000 R$ 25.000 R$ 25.000
R$ 0,00 
Receitas financeiras R$ 0,00  R$ 0,00  R$ 0,00  R$ 0,00 

Resultado operacional

Cálculos

Ir / csll R$ 120.000  R$ 135.000  R$ 135.000   R$ 150.000  R$ 165.000  


Resultado operacional
R$ 315.000 R$ 355.000 R$ 355.000 R$ 395.000 R$ 435.000
líquido
Depreciação/amorti-
R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000 
zação
Disponível no período R$ 340.000 R$ 380.000 R$ 380.000 R$ 420.000 R$ 460.000
Amortização de emprés-
R$ 25.000 R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000  R$ 25.000 
timos
Amortização do emprés-
R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000  R$ 10.000 
timo atual
Disponibilidade R$ 305.000 R$ 345.000 R$ 345.000 R$ 385.000 R$ 425.000
Necessidade de capital
R$ 0,00  R$ 0,00  R$ 0,00  R$ 0,00  R$ 0,00 
de giro
Disponibilidade acumu-
R$ 305.000 R$ 650.000 R$ 995.000 R$ 1.380.000 R$ 1.805.000
lada
Ponto de equilíbrio

Cálculos

capítulo 10 • 201
Resolução

CONTAS ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2 ANO 20X3 ANO 20X4
Receita
operacional R$ 1.425.000 R$ 1.520.000 R$ 1.520.000 R$ 1.615.000 R$ 1.710.000
líquida
= 1.500.000 = 1.600.000 = 1.600.000 = 1.700.000 = 1.800.000
Cálculos – (5% X – (5% X – (5% X – (5% X – (5% X
1.500.000) 1.600.000) 1.600.000) 1.700.000) 1.800.000)

CONTAS ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2 ANO 20X3 ANO 20X4
Margem de
R$ 825.000 R$ 880.000 R$ 880.000 R$ 935.000 R$ 990.000
contribuição
 = R$ = R$ = R$ = R$ = R$
Cálculos 1.425.000 – R$ 1.520.000 – 1.520.000 – 1.615.000 – 1.710.000 –
600.000 R$ 640.000 R$ 640.000 R$ 680.000 R$ 720.000

CONTAS ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2 ANO 20X3 ANO 20X4
Resultado ope-
R$ 435.000 R$ 490.000 R$ 490.000 R$ 545.000 R$ 600.000
racional
= R$ = R$ = R$ = R$
= R$ 825.000
880.000 – 880.000 – 935.000 – 990.000 –
– R$ 300.000 –
Cálculos R$ 300.000 R$ 300.000 R$ 300.000 R$ 300.000
R$ 25.000 – R$
– R$ 25.000 – R$ 25.000 – R$ 25.000 – R$ 25.000
65.000
– R$ 65.000 – R$ 65.000 – R$ 65.000 – R$ 65.000

ATUAL ANO 20X1 ANO 20X2 ANO 20X3 ANO 20X4


Ponto de
750 750 754 764 782
equilíbrio
= R$ = R$
= R$ = R$ 300.000/ = R$ 300.000/
300.000/ 300.000/ (R$
300.000/ (R$ 1.124 X (R$ 1.191 X
Cálculos (R$ 1.000 1.060 X 1,06
(R$ 1.000 – 1,06 – R$ 726 X 1,06 – R$ 799 X
X 1,06 – R$ – R$ 660 X
R$ 600) 1,10) 1,10)
600 X 1,10) 1,10)

202 • capítulo 10
capítulo 10 • 203
204 • capítulo 10
capítulo 10 • 205
206 • capítulo 10
capítulo 10 • 207
208 • capítulo 10