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Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, vol. 2.

ISBN 85-7523-053-0 (online)


Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE
Lindolpho Capellari Júnior

Plantas volúveis herbáceas ou lenhosas, ou arbustivas, órgãos subterrâneos de propagação e de reserva


presentes ou não. Folhas com ou sem pseudoestípulas, alternas, simples, pecioladas, inteiras ou raramente
lobadas. Flores solitárias, axilares ou raramente em racemos ou cimeiras, laterais ou terminais, zigomorfas
ou actinomorfas, bissexuadas, epíginas, (raro semi-epíginas ou períginas); cálice sinsépalo, tubular, 1-3-lobado,
ou inteiro, geralmente grande e corolóide; corola trímera e alternissépala, geralmente ausente; androceu de 6
estames livres ou unidos ao gineceu, formando o ginostêmio; gineceu com 4-6 carpelos, ovário ínfero (raro
semi-ínfero), tantos lóculos quanto os carpelos, placentação axial ou parietal, multiovulado. Fruto tipo cápsula
seca (raro carnosa); sementes com endosperma oleaginoso, embrião pequeno, basal ou indiferenciado.
Família constituída por sete gêneros, cerca de 600 espécies em regiões tropicais, subtropicais e temperadas
de todo o mundo. Em São Paulo só ocorre Aristolochia, em todas as formações naturais e em áreas
perturbadas.
Ahumada, L.Z. 1967. Revision de las Aristolochiaceae Argentinas. Opera Lilloana 16: 1-145.
Ahumada, L.Z. 1975. Aristoloquiáceas. In R. Reitz (ed.) Flora Ilustrada Catarinense, parte I, fasc. Aris. Itajaí,
Tipografia e Livraria Blumenauense S.A., 55p., 15 est., 5 mapas.
Barringer, K.A. & González G., F.A. 1997. Aristolochiaceae. In P.E. Berry, B.K. Holst & K. Yatskievych (eds.)
Flora of the Venezuelan Guayana. St. Louis, Missouri Botanical Garden Press, vol. 3, p. 122-129, fig. 90-98.
Hoehne, F.C. 1942. Aristolochiáceas. Flora brasilica. São Paulo, Instituto Botânica, vol. 15(2), fasc. 6, p. 1-141,
tab. 1-123.
Masters, M.T. 1875. Aristolochiaceae. In C.F.P. Martius, A.G. Eichler & I. Urban (eds.) Flora brasiliensis. Lipsiae,
Frid. Fleischer, vol. 4, pars 2, p. 77-114, tab. 17-26.

1. ARISTOLOCHIA L.

Plantas volúveis (lenhosas ou herbáceas) ou arbustivas, eretas ou prostradas, com ou sem órgãos
subterrâneos de propagação e reserva. Folhas com ou sem pseudoestípulas decíduas ou perenes,
amplexicaules; margem inteira ou raramente lobada, glabras ou pilosas, palminérvias. Flores solitárias, axilares,
raramente em racemos paucifloros, com ou sem bráctea; perigônio monoclamídeo, zigomorfo, articulado
sobre o ovário, dividido em três regiões distintas; utrículo ou bojo (onde se aloja o ginostêmio), tubo ou colo e
1-2 lábio(s) ou limbo (região apical que pode ser bilabiada, unilabiada ou peltilabiada, neste caso circundando
toda a fauce); estames 6, concrescidos ao gineceu, formando o ginostêmio ou coluna, campanulado a obcônico,
anteras lineares, rimosas; ovário ínfero, 6-carpelar, multiovulado, placentação axial, 6 lóbulos estigmatíferos.
Fruto cápsula loculicida, rostrada ou não, deiscência septicida incompleta, com ou sem aristas intercarpelares;
sementes planas, obovadas (ou formas similares), às vezes com expansões periféricas, com rafe, anemocóricas.
Gênero com cerca de 500 espécies, em regiões tropicais e subtropicais do mundo, principalmente
americanas. Em São Paulo ocorrem 16 espécies, sendo duas subespontâneas ou cultivadas (A. elegans e
A. gigantea), sendo algumas muito raras ou extintas no Estado.
A. fimbriata Cham., nativa do Sul do Brasil, foi coletada uma única vez (Duarte 5574, RB), como
planta invasora no IAC-Campinas, não entrando no presente levantamento. Popularmente as espécies de
Aristolochia são denominadas papo-de-peru, caçaú (ou cassaú) e (cipó-)mil-homens.
Capellari Jr., L., ined. Espécies de Aristolochia L. (Aristolochiaceae) ocorrentes no Estado de São Paulo. Dissertação
de mestrado. UNICAMP, Campinas, SP, 1991.

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Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

Chave para as espécies de Aristolochia

1. Plantas com pseudoestípulas, decíduas ou não.


2. Perigônio peltilabiado.
3. Base do lábio reduzida, quase inexistente; fruto com arestas crestadas ............ 6. A. triangularis
3. Base do lábio bastante desenvolvida; fruto sem tal característica.
4. Flor com pedúnculo e utrículo mais ou menos horizontais ou ascendentes; folhas heteromorfas
(ovado-atenuadas, triangular-lanceoladas ou hastadas) ........................... 13. A. odoratissima
4. Flor com pedúnculo e utrículo pendentes; folhas cordiformes ou delto-cordadas.
5. Lábio com 6,5-10×5-8,5cm ..............................................................................4. A. elegans
5. Lábio com 19-38×16-26cm............................................................................ 8. A. gigantea
2. Perigônio bilabiado (lábio inferior desenvolvido ou muito reduzido).
6. Lábio superior caudiforme.
7. Lábio inferior desenvolvido, carenado .............................................................. 15. A. pohliana
7. Lábio inferior muito reduzido, quase inexistente.
8. Folhas trilobadas ou tripartidas .................................................................. 10. A. macroura
8. Folhas inteiras triangulares ....................................................................... 14. A. paulistana
6. Lábio superior laminar; não caudiforme.
9. Lábio superior com duas regiões distintas, a inferior estreita e a superior aberta em lâmina de
âmbito orbicular.
10. Região basal do lábio superior elíptico-conchóide, côncava ...................... 3. A. cymbifera
10. Região basal do lábio superior nunca conchóide, carenada.
11. Lâmina do lábio superior reniforme com base obtusamente auriculada ......................
.................................................................................................................. 9. A. labiata
11. Lâmina do lábio superior orbicular, subrotunda ou raramente espatulada, base arredon-
dada .......................................................................................................... 6. A. galeata
9. Lábio superior com apenas uma região de forma oblonga.
12. Flores beges com ranhuras atropurpúreas; utrículo 17-40×16-28mm; lábio superior de
4-6cm .................................................................................................... 5. A. esperanzae
12. Flores alvas ou amarelo-esverdeadas; utrículo 12-25×12-18mm; lábio superior de 1,4-2,5cm
....................................................................................................................... 7. A. gehrtii
1. Plantas sem pseudoestípulas.
13. Flores com lábio subpeltado .................................................................................. 11. A. melastoma
13. Flores verdadeiramente unilabiadas ou bilabiadas, neste caso com lábio inferior muito reduzido.
14. Lábio superior deltóide, caudado, sem barbelas; lábio inferior muito reduzido ............................
............................................................................................................... 2. A. chamissonis
14. Lábio superior ovalado ou espatulado, arredondado, com barbelas; lábio inferior ausente.
15. Ramos glabros ou levemente pubescentes ..................................................... 1. A. arcuata
15. Ramos densamente pilosos ............................................................................. 12. A. odora

1.1. Aristolochia arcuata Mast. in Mart., Fl. bras. 4(2): ou oblongo-sagitada, membranácea, ápice agudo a obtuso,
101, tab. 22, fig. 2. 1875. margem inteira ou sinuada, base torcida; auriculada, face
Prancha 1, fig. I. adaxial glabra, abaxial tomentosa. Flores pequenas, marrom
Nomes populares: jarrinha, jarrinha-preta, jarrinha-do- a verde-musgo, solitárias, sem brácteas; pedúnculo 1,5-5cm,
campo, brita. pubescente; perigônio unilabiado, pubérulo; utrículo
Plantas volúveis ou prostradas, com órgãos subterrâneos obovóide, 15-27×9-15mm; tubo 20-25×3-4mm; lábio
de reserva, ramos glabros ou levemente pubescentes. espatulado, 30-35×8-12mm, manchas retangulares marrons,
Folhas sem pseudoestípula; pecíolo 1-4cm, glabro ou pubé- tricomas eretos, ápice retuso, com ou sem minúsculo
rulo, lâmina 3,5-16×1,5-8,5cm, sagitada, cordato-sagitada múcron, manchas dendróides negras, mancha

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ARISTOLOCHIA

hemi-aneliforme apical, negro-brilhante, barbelas negras, Cápsula 10-14×2-5cm; sementes 4-13×2-10mm.


flexuosas; ginostêmio estipitado, 5-10mm; anteras 3-5mm. Ocorre em Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo até
Cápsula 4-8×1,4cm, pericarpo retorcido; sementes São Paulo. B2, E5, E7, D7, F6: cerrado, preferencialmente
4-5×3-4mm. em margens de rios ou bordas de mata. Coletada com flores
Ocorre nos Estados do Mato Grosso do Sul, Minas no período de julho a janeiro e com frutos em novembro
Gerais e Rio de Janeiro até o Paraná. B6, C5, C7, D5, (demais materiais frutíferos encontravam-se desprovidos das
D6, D7, E6, E7: campos-cerrados, sub-bosques de matas datas de coletas). É utilizada em fitoterapia com os mesmos
fechadas, matas ciliares e áreas reflorestadas, áreas usos de A. gigantea.
perturbadas como beiras de matas e estradas, em meio a Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 90).
pastagens e culturas diversas. Coletada com flores em Material selecionado: Itapeva, XI.1994, V.C. Souza et al. 7450
quase todos os meses do ano (exceto julho), com frutos (ESA). Itapura, IX.1940, Mulford & R. Foster 1105 (SP). Registro,
em janeiro, fevereiro, março, maio, julho, agosto, outubro X.1990, P.L.R. Moraes s.n. (ESA 6119). Santo André, IX.1925,
e novembro. Provavelmente é fitoterápica (devido à A.C. Brade 8487 (RB). Sousas, IX.1990, P.L.R. Moraes s.n. (ESA
15017, MBM, UEC).
semelhança com A. odora), porém é a espécie mais
Espécie não muito freqüente em São Paulo, facilmente
freqüente como planta invasora em áreas cultivadas.
identificável no estágio vegetativo, pelas folhas coriáceas e
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 76 e 77).
pubescência densa. Hoehne (1942) descreveu a variedade
Material selecionado: Amparo, XII.1942, M. Kuhlmann 118
(SP). Araraquara, IX.1981, K. Brown Jr. 13154 (UEC). Batatais, paulistana, que se distinguiria por ter folhas mais ovaladas,
X.1981, K. Brown Jr. 13041 (UEC). Botucatu, III.1978, R.B. mais curtas, com base mais larga, levemente cordada, ápice
Branza 702404 (UEC). Cabreúva, VII.1983, T.M. Cerati 80 mais obtuso; flores em regra solitárias nas axilas, raro aos
(SP). Igaratá, XI.1981, K. Brown Jr. 13160 (UEC). Piracicaba, pares, muito mais pilosas e com lábio de não mais que 5cm
V.1990, L. Capellari Jr. s.n. (ESA 5194). São João da Boa Vista, compr. Esta variedade, entretanto, é mais um sinônimo da
1991, J.P. Aguiar s.n. (ESA 7605). espécie, uma vez que a heterofilia é muito acentuada, além
Muito freqüente em São Paulo. É às vezes confundida da mesma apresentar todo um gradiente de variação
com espécies afins como A. robertii Ahumada da Região morfológica nos demais caracteres considerados relevantes
Sul, A. papillaris Mast. da Região Nordeste, A. barbata por tal autor.
Jacq. e A. amazonica Ule, ambas da região amazônica.
As formas campestris e silvestris propostas por Hoehne 1.3. Aristolochia cymbifera Mart. in Mart. & Zucc., Nov.
(1942) revelaram-se inconsistentes (Capellari Jr., ined.). Gen. sp. pl. 1: 76, tab. 49. 1824.
A cápsula desta espécie distingue-se totalmente das Prancha 1, fig. G.
cápsulas das demais examinadas para o Estado de São Nomes populares: angelicó, papo-de-peru,
Paulo, devido à torção do pericarpo após a deiscência. crista-de-galo, galinho, mil-homens, melombe,
Apesar de ser perene, nos meses de inverno, apresenta-se cassaú, patinho, jarrinha, jarro-do-diabo,
com a parte aérea total ou parcialmente dessecada. mata-porcos, cipó-paratudo, cipó-mata-cobras,
raiz-de-josé-domingues, ambaia-caá, urubú-caá.
1.2. Aristolochia chamissonis (Klotzsch) Duch. in DC., Plantas glabras ou pubescentes. Folhas com pseudoes-
Prodr. 15(1): 462. 1864. típulas 15-38mm, cordiformes, membranáceas; pecíolo
Nomes populares: jarrinha-da-beira-do-rio, 2,5-9cm, glabro, raramente pubérulo; lâmina
cipó-jarrinha, cipó-de-cobra. 5,5-12,5×6,7-14cm, cordiforme (reniforme, orbicular),
Plantas volúveis; ramos setosos. Folhas sem pseudoes- membranácea, ápice agudo ou obtuso, margem inteira,
típula; pecíolo 3-12cm; lâmina 9,3-27×3-17,5cm, oval, base auriculada, glabra ou raramente com face abaxial
delto-ovalada, oval-lanceolada ou lanceolada, coriácea, tomentosa. Flores vistosas, fétidas, solitárias,
ápice agudo, às vezes acuminado ou ligeiramente bracteadas; pedúnculo 10-13,5cm, glabro; perigônio
arredondado, margem inteira, base cuneada, truncada ou bilabiado, reticulado castanho em fundo creme, glabro;
arredondada, raro auriculada, face adaxial glabra, abaxial utrículo 4-10×2,5-5cm; tubo 8-33×9-17mm; lábio
reticulada, pubérula; 3 nervuras principais e 2 laterais. inferior lanceolado, carenado, 30-55×16-26mm, agudo,
Flores amarelas, venulações avermelhadas, solitárias, mucronado; o superior dividido em região basal
conjugadas ou racemos curtos de até 5 flores, bracteoladas; elíptico-conchóide, côncava, 53-105×26-80mm, e apical
pedúnculo 4,5-12cm, setoso; perigônio bilabiado, sendo o orbicular, ondulada, torcida, 0,7-1,05×0,68-1,16cm, base
inferior quase totalmente atrofiado, tricomas longos; arredondada, ápice emarginado; ginostêmio subséssil,
utrículo 30-40×17-25mm; tubo 25-35×8-17mm; lábio inferior 7-11cm; anteras 5-8mm. Cápsula 7-12×1,5-2,5cm; sementes
muito reduzido, 3-6×10-22mm, emarginado; lábio superior ca. 8×7mm.
delto-cuneado, conchóide, 13-45mm, cauda 14-40mm; Ocorre em todos os estados da Região Sudeste. E7,
ginostêmio subséssil ou estipitado, 7-17mm; anteras 4-6mm. E8: em geral esta espécie tem sua área de distribuição a

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Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

leste delimitada por restingas e a oeste e ao norte, A. littoralis Parodi que, em se tratando de mesmas espécies,
restringe-se até o limite de áreas de cerrado, ocorrendo tal nome deveria ser considerado válido por ser anterior a
preferencialmente em matas úmidas. Coletado com flores A. elegans. Ahumada (1975) afirma que a espécie descrita
no período de julho até março e com frutos em fevereiro por Parodi se assemelha mais a A. odoratissima. A. elegans
e março. É utilizada na fitoterapia (mesmas propriedades difere da espécie mencionada por apresentar pedúnculo e
de A. gigantea); as flores também são utilizadas na bojo pendentes, além dos lobos do perigônio largamente
medicina popular. arredondados; as folhas também são diferentes na forma.
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 25 e 26).
Material selecionado: Moji das Cruzes (Sabaúna), I.1924, 1.5. Aristolochia esperanzae Kuntze, Revis. gen. pl. 3(2):
F.C. Hoehne s.n. (SP 9543). Santa Branca, II.1954, O. Scavone 272. 1898.
15268 (SPF). Aristolochia malmeana Hoehne, Arch. Bot. São Pau-
Espécie mais ou menos freqüente em São Paulo. É lo 1: 17, tab. 6. 1925.
muito semelhante à A. galeata e A. labiata, porém difere Aristolochia loefgrenii Hoehne, Arq. Bot. Estado São
das mesmas devido à expansão conchóide na base do lá- Paulo, 1(4): 89. 1942.
bio superior. As variedades citadas por Masters (1875), Nomes populares: papo-de-peru-do-cerrado, buta,
quais sejam var. labiosa Duch., var. genuina Duch. e var. jarrinha, jarrinha-do-cerrado, cachimbo-de-turco.
abbreviata Duch., mostraram-se inconsistentes através da Plantas robustas, órgãos subterrâneos tuberiformes; caule
análise do material coletado (Capellari Jr. ined.). glabro, brotos roxos. Folhas com pseudoestípulas
2,5-4,5×2-4cm, cordiformes, agudas, mucronadas; pecíolo
1.4. Aristolochia elegans Mast., Gardeners Chronicle 2: 1-7cm, flexuoso; lâmina 5-11,5×4,3-14,2cm, orbicular
301. 1885. (reniforme ou cordiforme), membranácea, ápice
Prancha 1, fig. F. obtuso-mucronado, margem inteira, base auriculada. Flores
Nomes populares: jarrinha, jarrinha-pintada, vistosas, fétidas, bracteadas; pedúnculo 0,65-1,05cm;
milhome-de-babado, cipó-mata-cobra, buta, perigônio bilabiado, glabro; utrículo 17-40×16-28mm,
bueubucá. amarelo esverdeado, veias vinosas; tubo 18-32×6-12mm;
Plantas robustas, caules glabros, brotos glaucos. Folhas lábio inferior oval a lanceolado, carenado, 25-40×12-36mm,
com pseudoestípulas 1,3-3,2cm, orbiculares, auriculadas; ápice obtuso, mucronado (5mm), exterior atropurpúreo,
pecíolo 2-6,5cm, glabro, sulcado, flexuoso na base; lâmina interior amarelo; superior oblongo-espatulado, pouco
4-11,5×5,3-14cm, delto-cordada, membranácea, ápice agudo, carenado, 4-6×1-1,6cm, agudo, mucronado (4-10mm),
margem inteira, base auriculada a truncada, glabra, glauca. exterior e interior amarelos, veias vinosas; ginostêmio
Flores vistosas, solitárias, bracteadas, glaucas; pedúnculo subséssil, 7-11mm; anteras ca. 7mm. Cápsula 35-65×25mm,
7,4-11,4cm, glabro, glauco; perigônio peltilabiado, glabro; rostro verrucoso; sementes 7-12×5-7mm.
utrículo 2,7-4×1,3-2cm, verde amarelado; tubo 20-25×4-6mm, Apresenta ampla área de distribuição que inclui
verde-purpúreo; lábio pelto-cordado, 6,5-10×5-8,5cm, ápice Bolívia, Paraguai, Argentina, Mato Grosso do Sul, Goiás,
arredondado (a pouco emarginado), mucronado, Minas Gerais e São Paulo. B2, B6, C5, C6, D3, D5, D7,
externamente alvo-arroxeado e internamente marmoreado E5: cerrado, margens de estradas, matas e rios. Coletada
vermelho-purpúreo, fundo amarelo, máculas concentradas com flores e frutos o ano todo. É utilizada em fitoterapia
na fauce, mancha ocelar purpúrea na região superior desta; (mesmos usos de A. gigantea).
ginostêmio séssil 6-10mm. Cápsula 3,7-7×1,4-2cm, rostro Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 37 e 38).
0,6-1cm, pequeno disco subapical; sementes 4-12×4-5mm. Material selecionado: Araraquara, IX.1981, K. Brown Jr.
Apresenta ampla área de distribuição das Antilhas até 13155 (UEC). Batatais, IX.1981, K. Brown Jr. 13156 (UEC).
Argentina. B3, B6, D5, D6, E7: margens de rios, ou áreas Brotas, XI.1989, Salis 284 (UEC). Moji-Guaçu, IV.1989, B.
abertas e matas de galeria, sendo muito cultivada o que a tem Appezzato s.n. (ESA 5894). Rancharia, II.1996, V.C. Souza et al.
levado a diversas regiões, inclusive a países de clima tempe- 10957 (ESA). São Simão, II.1982, H.F. Leitão Filho et al. 13312
rado. Coletada com flores praticamente o ano todo (exceto (UEC). Suzanápolis, VII.1995, M.R. Pereira-Noronha et al.
agosto) e com frutos em todos os meses. É utilizada como 1581 (ESA). Taquarivaí, 1995, P.H. Miyagi et al. 544 (ESA).
ornamental e fitoterápica (mesmos usos de A. gigantea). É a espécie mais freqüente nos cerrados de São
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 10). Paulo. Quando em floração é facilmente identificável por
Material selecionado: Batatais, IX.1981, K. Brown Jr. 13157 apresentar os lábios superior e inferior semelhantes entre
(UEC). Jaú, s.d., Salles s.n. (RB 7153). São Paulo, IV.1944, A. si, na forma, porém, sendo o primeiro, via de regra, um
Gehrt s.n. (SP 51652). Sud Mennucci, VII.1995, M.R. Pereira- pouco mais comprido; tal característica distingue esta
Noronha et al. 1331 (ESA). Sumaré, X.1987, M.R. Siqueira espécie de A. gibertii Hook. Três variedades, sendo que
19801 (UEC). no Estado de São Paulo ocorre apenas A. esperanzae var.
Hoehne (1942) aponta dúvidas sobre a sinonímia de major (Hassl.) Ahumada, caracterizada por flores

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Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIA

avantajadas e lábios bastante semelhantes entre si, porém, ciliar do município de Ipeúna (SP), onde a lâmina do lábio
o superior mais estreito e ereto, e o inferior mais largo e superior variava de orbicular a oblonga, e neste caso
curvo. aproximando-se de A. esperanzae.

1.6. Aristolochia galeata Mart. in Mart. & Zucc., Nov. Gen. 1.7. Aristolochia gehrtii Hoehne, Arq. Bot. Estado São
sp. pl. 1: 76, tab. 50. 1824. Paulo 1(2): 45, tab. 54. 1939.
Prancha 1, fig. B-D. Nomes populares: mil-homem-branco, milhome-do-
Nomes populares: milhome-escuro, peru-bosta, meúdo.
saco-de-frade, jarrinha, crista-de-galo, galo- Plantas robustas, glabras; brotos arroxeados. Folhas com
do-campo, galinho, buta. pseudoestípulas 20-42×16-33mm, ovaladas ou orbiculares,
Plantas robustas, glabras, órgãos subterrâneos membranáceas; pecíolo 2-8,5(14,5)cm, flexuoso na base;
tuberiformes; brotos roxos. Folhas com pseudoestípulas lâmina 3-15×3,7-16,4cm, cordiforme, membranácea, ápice
20-44mm, cordiformes a orbiculares, membranáceas; pecíolo agudo (raro obtuso), margem inteira, base auriculada, face
2,7-9cm; lâmina 5,2-15,4×6,2-16,7cm, reniforme, membra- adaxial glabra, abaxial tomentosa. Flores reduzidas, alvas
nácea, ápice obtuso (retuso), margem inteira, base ou amarelo-esverdeadas, solitárias, bracteadas; pedúnculo
auriculada, face adaxial pubescente, abaxial glabra. Flores 45-63(-115)mm, glabro; perigônio bilabiado, glabro; utrículo
vistosas, fétidas, solitárias (ou conjugadas), bracteadas; 12-25×12-18mm, branco ou esverdeado; tubo
pedúnculo 9-13,5cm; perigônio bilabiado, exterior venulado 1,0-2,0×5-14mm; lábios semelhantes, inferior triangular ou
purpúreo, a verde musgo; utrículo 35-57×17-35mm; tubo oval-lanceolado, carenado, reto, 15-23×8-18mm, agudo ou
18-32×6-10mm; lábio inferior lanceolado, carenado, obtuso, mucronado; superior ereto, oblongo, ligeiramente
45-116×26-44mm, agudo, mucronado, verde-limão, tricomas carenado, 14-25×8-17mm, base constrita, agudo ou obtuso,
purpúreos; superior com uma região basal bem estreita e mucronado; ginostêmio subséssil, 6-7mm, anteras 4-5mm.
uma apical laminar, pendente, orbicular a subrotunda, Cápsula oblonga, ca. 4×2,5cm; sementes não observadas.
ondulada, 40-115×30-105mm, base arredondada, Ocorre no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais até São
emarginada, branco-amarelada, marmoreado púrpura; Paulo. B3, C4, C5, C7: beiras de regatos, cerrados, cerradões
ginostêmio subséssil, 6-12mm; anteras 6-7mm. Cápsula e mata secundárias. Coletada com flores nos meses de janeiro
55-65×30mm; sementes 10-13×8-9mm. a julho e com frutos em julho. Utilização desconhecida.
Ocorre em Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro até Material selecionado: Macedônia, VII.1978, H.F. Leitão
São Paulo. C4, C6, D6, D7, E4, E5, E6, E7: sub-bosque de Filho et al. 8141 (UEC). Novo Horizonte, VII.1994, R.R.
Rodrigues et al. s.n. (ESA 16036). São José do Rio Preto,
matas ciliares, matas de altitude, cerrados, campos rupestres,
VI.1978, J.R. Coleman 633 (SP). Santa Adélia, III.1938, A.
brejos e áreas em regeneração como bordaduras de Gehrt s.n. (NY, isótipo; SP 39275, holótipo).
estradas, reflorestamentos e pastagens. Coletada com flores Trata-se de uma espécie bastante rara ocorrendo no
o ano todo, à exceção do mês de julho, e com frutos de mesmo habitat que A. esperanzae que é mais vigorosa.
setembro a março. Devido a freqüência e ao vigor, esta Hoehne (1942) afirma que esta espécie se distingue de
espécie é a que mais tem sido utilizada em práticas A. giberti var. immaculata Hassl., pela estrutura do
terapêuticas (mesmos usos de A. gigantea). perigônio, que é menor, completamente branco, com lábios
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 28). do mesmo comprimento, o inferior mais largo e internamente
Material selecionado: Águas de São Pedro, II.1991, revestido de tricomas alvos, longos e um tanto
S. Gandolfi s.n. (ESA 6096). Araçoiaba da Serra, IV.1990, C.A.
encrespados; a coluna apresenta igualmente tricomas
Ribeiro s.n. (ESA 6156). Avanhandava, VII.1994, J.R. Pirani et al.
3182 (SP, SPF). Barueri, IX.1989, J.C.R. Macedo s.n. (ESA 3911).
longos e lobos ligeiramente emarginados na extremidade.
Itapetininga, X.1990, K. Tanabe s.n. (ESA 6399). Moji-Guaçú,
III.1985, T.M. Cerati 147 (SP). Pirassununga, I.1963, O. Handro 1.8. Aristolochia gigantea Mart. in Mart. & Zucc., Nov.
1 (RB). Taquarituba, IX.1994, J.Y. Tamashiro et al. 706 (SP). Gen. sp. pl. 1: 75, tab. 48. 1824.
Muito abundante no Estado de São Paulo ocorrendo Nomes populares: papo-de-perú-de-babado, papo-de-
preferencialmente em áreas perturbadas. Muitas vezes perú-do-grande, jarrinha-monstro, milhome-
confundida com A. labiata e até mesmo com A. cymbifera gigante, mil-homens-do-grande, culhão-de-
sendo que a diferenciação não é muito simples. A. galeata maroto, orelha-de-elefante, angelicó, calunga,
e A. labiata, em termos vegetativos, são idênticas. Os cipó-mata-cobra.
caracteres do perigônio, que auxiliam a separação, foram Plantas robustas, glabras; brotos arroxeados, glaucos.
citados na diagnose de A. labiata. Notou-se um Folhas com pseudoestípulas 10-35×10-30mm, orbiculares,
polimorfismo muito acentuado nos perigônios de A. galeata membranáceas; pecíolo 3-10cm, flexuoso; lâmina
e o mesmo pode ser encontrado até mesmo em flores de um 5,0-14,2×4,5-13cm, cordiforme a deltóide, membranácea,
mesmo ramo como foi constatado num indivíduo de mata ápice agudo, margem inteira, base auriculada, glabra. Flores

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Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

exuberantes, fétidas ou não, solitárias (raro em racemos), ápice obtuso, margem inteira, base auriculada, glabra.
bracteadas; pedúnculo 18,5-29cm; perigônio peltilabiado, Flores grandes, fétidas, solitárias, bracteadas; pedúnculo
glabro, glauco; utrículo 7-8,5×3-5,5cm, verde-amarelado de 12-22cm, glabro; perigônio bilabiado, glabro; utrículo
claro, nervuras verdes; tubo 25-40×5-15mm; lábio peltado, 37-75×19-52mm, amarelo-alvacento, reticulado ou maculado
cordiforme, pouco côncavo, pregueado, 19-38×16-26cm, vermelho-pálido; tubo 15-23×8-13mm lábio inferior
agudo ou arredondado, mucronado ou não, região apical estreitamente lanceolado, carenado, reto ou curvo para
côncava, fundo branco-acinzentado, manchas marmóreas cima, 54-132×14-30mm, mucronado, internamente negro,
vermelhas, claro nas bordas atropurpúreo, circundando tricomas avermelhados ou amarelados; superior pendente,
mancha ocelar central amarelo-queimado; ginostêmio constrito na base, lâmina reniforme (raro subrotunda),
estipitado, 14-17mm; anteras 6-9mm. Cápsula pouco carenada, 5-115×72-187mm, obtusamente auriculada,
11,5-12,5×2,0-2,5cm, rostro 1-2cm, disco apical 5mm diâm.; maculada de vermelho; ginostêmio subséssil, 6-11mm.
sementes 8×7mm. Cápsula 75×25-32mm; sementes não observadas.
Nativa na Bahia e Minas Gerais, sendo subespontânea Ocorre na Região Nordeste nos Estados do Ceará,
e cultivada em diversos estados. C5, D6, E7: ocorre em Pernambuco e Bahia, descendo pelo Espírito Santo até São
áreas úmidas como margens de rios, matas secundárias, Paulo, também em outros países como Peru e Cuba, porém,
pastagens e bordas de estradas. Coletada com flores no sem referências quanto ao fato de serem ou não
período de agosto a junho e com frutos em diversos espontâneas nessas regiões. E7: áreas de matas,
meses, sem constituir um período definido. Cultivada por especialmente ambientes úmidos, como margens de regatos
suas flores e suas propriedades terapêuticas. O sistema e matas costeiras. É cultivada nos Estados Unidos da
subterrâneo, o caule e as sementes são amplamente América e Inglaterra, devido ao exotismo de sua flores e
utilizados na forma de extrato, decocto (em banhos), talvez, às suas propriedades terapêuticas (mesmos usos
infuso, pó, tintura, elixir, vinho e xarope. Internamente, de A. gigantea). Coletada com flores de novembro a maio e
como emenagogo, estimulante, tônico, diurético, com frutos em abril.
febrífugo, sedativo (em histeria e convulsões) e anti-ofídico. Material selecionado: Guarulhos, V.1941, Constantino 73
Externamente, em afecções cutâneas, no prurido do eczema (RB).
seco, banhos contra a orquite, etc. Em altas dosagens pode Espécie muito semelhante à A. galeata e
ser tóxica provocando a “embriaguêz aristolóquica” freqüentemente confundida com esta. A. labiata apresenta
(náuseas, dejeções iterativas, pulso freqüente e farto, sono lábio inferior mais estreito e aguçado, superior mais largo
agitado e perturbações cerebrais). No paisagismo, é que comprido, base do lábio superior, geralmente, cordada.
cultivada em cercas e caramanchões. Hoehne (1942) assinala a existência de duas variedades:
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 4). var. macrophylla Duch. (sinônimo de A. ornithocephala
Material selecionado: Ibiúna, II.1989, M.T.A. Camargo s.n. Hook.) e var. parviflora Duch. No material examinado,
(SPF 65644). Piracicaba, V.l990, L. Capellari Jr. s.n. (ESA 5192). notou-se que existem diferenças significativas entre os
Matão, IV.1994, V.C. Souza et al. 5701 (ESA). São Paulo, III.l970,
tamanhos de perigônios de alguns exemplares, porém, a
L. Rodrigues 11 (SP).
Trata-se de uma espécie facilmente identificável separação destes em duas variedades seria, sem dúvida,
assemelhando-se no aspecto floral à espécie colombiana precipitada uma vez que fatores ambientais podem
A. cordiflora Mutis, que não ocorre no Brasil. Apesar do influenciar no tamanho das flores.
tamanho avantajado de suas flores, muitas vezes,
A. gigantea tem sido identificada como A. elegans, que 1.10. Aristolochia macroura Gomes, Mem. Math. Phis.
apresenta flores de tamanho muito mais reduzido, ainda Acad. Real Sci. Lisboa 3: 77. 1812.
que ambas tenham as estruturas vegetativas muito Prancha 1, fig. J.
semelhantes. As flores apresentam forte odor nauseabundo Nomes populares: cipó-milhomes-rabudo, cipó-de-
ou leve fragrância de erva-cidreira, de acordo com o local. cobra, cipó-milhomens-da-praia, jarrinha-de-
cauda, jarrinha-da-praia, ipé-mi.
1.9. Aristolochia labiata Willd., Mém. Soc. Imp. Naturalistes Plantas robustas, glabras. Folhas com pseudoestípulas
Moscou 2: 101, tab. 6. 1809. 1-3×1,3-3cm, orbiculares (ou ovaladas), perenes ou não,
Nomes populares: buta, angelicó, camará-açú, cipó- membranáceas; pecíolo 2-6cm, flexuoso na base; lâmina
paratudo, crista-de-galo, jarrinha, jericó, raiz-de- 4,3-14,3×5-16,5cm, profundamente trilobada (levemente
são-domingos. trilobada em plantas jovens), membranácea, ápice agudo,
Plantas robustas, glabras; brotos arroxeados. Folhas com obtuso, acuminado ou cuspidado, base auriculada a
pseudoestípulas 16-34×15-31mm, ovaladas a orbiculares, truncada, face adaxial glabra, abaxial tomentosa. Flores
membranáceas; pecíolo 43-105mm, base flexuosa; lâmina avantajadas, fétidas, solitárias (raro conjugadas),
7-14×7,8-15cm, cordiforme (raro reniforme), membranácea, bracteadas; pedúnculo 4,7-9cm, glabro; perigônio bilabiado,

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Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIA

glabro, verde-esbranquiçado, manchas vermelhas; utrículo fitoterapia (mesmos usos de A. gigantea).


20-40×9-26mm, excrescência basal, 6-fida, carnosa; tubo Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 61).
14-45×6-12mm; lábio superior ovalado caudado, Material selecionado: Piracicaba, I.1990, L. Capellari Jr.
22-25×30-38mm, auriculado, expondo face interna purpúrea, s.n. (ESA 5309). São Paulo, II.1983, T.P. Guerra et al. 12 (SP).
cauda retorcida, 250-360×ca. 4mm; inferior curto, 2-15mm Tatuí, I.1918, F.C. Hoehne s.n. (SP 1455).
compr.; ginostêmio estipitado, 7-11mm; anteras 4-8mm. Espécie muito abundante em São Paulo, mas pouco
Cápsula 47-85×13-27mm; sementes ca. 1×1cm. notada e pouco coletada; indivíduos desta espécie têm
hábito prostrado e na presença de suportes, tornam-se
Ocorre desde a Bahia até o Paraná, Paraguai e
volúveis; de todas as espécies aqui estudadas, é a que
Argentina. E7, E9, F7: áreas litorâneas, preferencialmente
mais dificilmente é identificada como Aristolochia, à primeira
em áreas de restingas, em terrenos planos ou levemente
vista. O ginostêmio e o fruto desta espécie são os mais
ondulados, ou ainda, em regiões mais afastadas do litoral,
distintos das demais, quanto à forma.
próximo a rios. Coletada com flores de maio a janeiro e com
frutos de setembro a dezembro. Utilizada em fitoterapia
1.12. Aristolochia odora Steud., Nomencl. bot., ed. 2, 1:
(mesmos usos de A. gigantea).
133. 1840.
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 42).
Material selecionado: Guarujá, X.1981, K. Brown Jr. 13159 Prancha 1, fig. E.
(NY, UEC). Monguaguá, I.1982, K. Brown Jr. 13254 (UEC). Nomes populares: jarrinha-de-barbelas, jarrinha-
Ubatuba (Picinguaba), VIII.1994, M.A. Assis et al. 394 (ESA, cheirosa, calunga.
SP, HRCB). Plantas de porte médio, órgãos subterrâneos tuberosos;
Facilmente reconhecida pela combinação de folhas caule hirsuto. Folhas sem pseudoestípulas; pecíolo 1,4-5cm,
lobadas e ápice superior caudiforme. Ahumada (1967) base flexuosa, hirsuto; lâmina 6-17,5×3,5-11cm, trian-
observou diferenças no tamanho das flores, que estão gular-cordiforme, papirácea, ápice agudo, margem inteira,
ligadas a um âmbito geográfico. Entre as espécies de São base auriculada, face adaxial velutina, abaxial hirsuta. Flores
Paulo, poderia ser confundida com A. paulistana, porém, pequenas, pouco vistosas; pedúnculo 22-45mm, hirsuto;
nesta, as folhas são inteiras, triangulares. perigônio unilabiado, pubérulo; utrículo 6-15×6-9mm,
externamente vermelho-pálido; tubo 7-17×1-3mm; lábio
1.11. Aristolochia melastoma Manso ex Duch. in DC., oblongo-espatulado, às vezes com ligeiro estreitamento
Prodr. 15(1): 460. 1864. basal, plano, base conchóide, 28-40×6-12mm, obtuso (raro
Prancha 1, fig. H-I. retuso), internamente maculado de vermelho-pálido, longas
Nomes populares: jarrinha-da-beira-da-estrada, barbelas atropurpúreas percorridas por uma faixa central
jarrinha-das-barrancas. ferrugínea; ginostêmio séssil a subséssil, 3-6mm; anteras
Plantas volúveis ou prostradas, caules híspidos. Folhas 1-3mm. Cápsula não observada.
sem pseudoestípula; pecíolo 7-24mm, reto ou torcido na Ocorre nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
base, hirsuto; lâmina 5,2-13,5×1-5,4cm, elíptica a lanceolada D9. Coletada com flores em março a julho (exceto abril).
(raro linear ou sagitada), membranácea, ápice agudo a Utilizada em fitoterapia, com as mesmas aplicações de
caudado, margem inteira ou levemente sinuada, base A. gigantea, entretanto, no caso desta espécie utilizam-se
obtuso-auriculada a hastada, pubescente, 3 nervuras todas as partes das plantas.
irradiadas da base. Flores pequenas, inconspícuas, Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 84).
racemos paucifloros (2-7 flores), bracteados; pedúnculo Material selecionado: São José do Barreiro, V.1926, F.C.
Hoehne & A. Gehrt s.n. (SP 17691).
5-10mm, hirsuto; perigônio unilabiado, pubescente,
Material adicional examinado: RIO DE JANEIRO,
amarelo a castanho; utrículo 10-15×6-8mm; tubo curvado Petrópolis, VI.1863, E. Warming s.n. (C 174/89-83); Vassouras,
na base, 14-18×6mm, fauce com mancha amarelo-queimado, VII.1949, M. Kuhlmann s.n. (RB 81381).
margem castanha; lábio subpeltado ovalado ou espatulado, Em São Paulo a última coleta foi realizada em 1931,
arredondado ou truncado, conchóide na base, sendo que pode estar extinta no Estado. Distingue-se de
16-25×13-16mm; ginostêmio subséssil, 4mm; anteras A. arcuata pela pilosidade hirsuta, nos diversos órgãos.
1-2mm. Cápsula 15-28×14-15mm, globosa ou oblonga, lisa;
sementes 3-4×3-4cm. 1.13. Aristolochia odoratissima L., Sp. pl. ed. 2: 1362. 1763.
Ocorre nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro Nomes populares: jarrinha-cheirosa, cipó-de-cobra,
até o Paraná. D6, E6, E7: áreas sombreadas, sub-bosques jarrinha-de-babado.
de matas ciliares, matas de altitude e áreas reflorestadas. Plantas volúveis, robustas; ramos glabros ou com tricomas
Coletada com flores no período de janeiro a março, isolados, mais abundantes em partes jovens e nós. Folhas
posteriormente em maio e outubro; coletado com frutos em com pseudoestípulas 1-3cm, elíptico-cordadas,
novembro, janeiro, março a maio, e em julho. Utilizada em membranáceas, margens ciliadas; pecíolo 2-4cm, glabro ou

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Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

pubescente; lâmina 7-12(-20)×5-10cm, ovado-atenuada, utilizada em fitoterapia (mesmas propriedades de


triangular-lanceolada ou hastiforme (heterofilia freqüente), A. gigantea).
membranácea, ápice acuminado (raro obtuso), margem Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, tab. 46).
inteira, base auriculada com lóbulos oblongos, face adaxial Material selecionado: Cananéia, II. 1995, H.F. Leitão Filho
glabra (ou com tricomas escassos), face abaxial pubescente. et al. 32738 (SPF). Cubatão, IX.1921, F.C. Hoehne 5819 (SP,
Flores vistosas, solitárias, bracteadas; pedúnculo 6-12cm, holótipo). Jacareí, I.1916, P. Dusén 17484 (S). Sete Barras
glabro ou pubescente, horizontal ou obliquo; perigônio (Mamparra), II.1995, P.H. Miyagi et al. 477 (ESA). Sorocaba,
s.d., Mosén 3209 (S).
peltilabiado, róseo-alvacento, glabro ou pubescente;
Esta espécie, quando no estádio vegetativo, pode ser
utrículo 1,5-2×1-1,5cm; tubo 12-15×3-5mm; lábio pelto-
confundida com A. elegans, A. gigantea, principalmente,
cordado, oval, 4-8×2-4cm, ápice, mucronado, base com
com A. triangularis devido à forma deltóide de suas
lóbulos oblongos, 15-25mm, face interna glabra com
folhas, porém, quando em floração é distinta destas devido
manchas purpúreas sobre fundo mais claro, com uma zona
à longa cauda apical do lábio superior. Quanto a este caráter
amarela ao redor da fauce; ginostêmio séssil, 3-4mm.
Cápsula 5-7×1-1,5cm, rostrada (Hoehne 1942); sementes assemelha-se a A. macroura. O ginostêmio desta espécie
não observadas. assemelha-se ao de A. galeata. Trata-se de uma espécie
Ocorre nos Estados do Maranhão, Minas Gerais, Rio que convive com A. macroura nos mesmos habitats
de Janeiro, São Paulo, Paraná e também por toda a região (à exceção do sudoeste brasileiro e países vizinhos),
entre o México e o Paraguai. C1: preferencialmente ao longo facilmente distinta desta pela integridade de suas folhas.
dos rios e riachos. Coletada com flores em novembro;
material frutífero não coletado no Estado. Utilizada como 1.15. Aristolochia pohliana Duch. in DC., Prodr. 15(1): 496.
fitoterápica (mesmos usos de A. gigantea). 1864.
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, tab. 5 a 9). Prancha 1, fig. A.
Material examinado: Presidente Epitácio, XI.1992, I. Nome popular: milhome-do-sertão.
Cordeiro et al. 1174 (SPF). Plantas robustas; caules glabros; brotos arroxeados. Folhas
Com flores muito semelhantes às de A. elegans, com pseudoestípulas 15-35×13-30mm, orbiculares ou
A. odoratissima se distingue por apresentar pedúnculo e cordiformes, membranáceas; pecíolo 3-12,5cm, glabro, base
bojo mais ou menos horizontais ou ascendentes e folhas flexuosa; lâmina 5,5-13×6,5-11,5cm, cordiforme,
heteromorfas. Em A. elegans o pedúnculo e o bojo são membranácea, base auriculada, ápice obtuso, raramente
pendentes e as folhas são cordiformes ou delto-cordadas. agudo, margem inteira, face adaxial glabra, abaxial
tomentosa. Flores pouco vistosas, solitárias, bracteadas;
1.14. Aristolochia paulistana Hoehne, Arch. Bot. São Paulo pedúnculo 8-11,5cm, glabro; perigônio bilabiado, glabro,
1: 13, tab. 7. 1927. alvo-amarelado, veias e máculas vermelho-pálidas; utrículo
Nomes populares: jarrinha-de-rabo, cipó-de-cobra. comprimido no diâmetro mediano, 30-40×15-25mm; tubo
Plantas robustas; caules glabros; brotos roxos. Folhas com 15-20×10-15mm; lábio inferior oval-lanceolado ou
pseudoestípulas 8-27mm, orbiculares, membranáceas; oblongo-lanceolado, 2,4-4×1,5-3cm, atenuado, carenado
pecíolo 23-61mm, base flexuosa, glabro; lâmina mucronado (4mm); superior com base linear de
4-10,3×4,2-10cm, deltóide (ou cordiforme), membranácea 5-60×5-15mm, cauda 30-45,5cm; ginostêmio subséssil,
a coriácea, ápice arredondado, obtuso a acuminado, margem 7-10mm; anteras 6mm. Cápsula 55×28mm, rostro 5mm;
inteira, base auriculada a truncada, face adaxial glabra, sementes 10-12×6-8mm.
abaxial tomentosa. Flores solitárias, bracteadas; pedúnculo Ocorre apenas em Minas Gerais e São Paulo, sendo
0,65-1cm, glabro; perigônio bilabiado, glabro, amarelo ou bastante rara. C6, D6: cerrado, sendo que pode aparecer em
avermelhado, veias e traços irregulares vinosos; utrículo meio a áreas cultivadas. Coletada com flores entre janeiro e
24-42×16-25mm, excrescência basal 6-fida, carnosa; tubo julho; com frutos em julho. Utilização não encontrada.
15-37×7-11mm; lábio superior deltóide caudado, base Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 39).
estreita, 25-60×14-32mm larg., auriculado, carenado, face Material selecionado: Descalvado, II.1955, M.A. Pereira
s.n. (SP 53078). Itirapina, II.1993, F. de Barros 2720 (SP).
interna púrpura; cauda retorcida, 65-21×2-4mm; inferior
Material adicional examinado: MINAS GERAIS, Lagoa
diminuto; ginostêmio estipitado; anteras ca. 5mm. Cápsula Santa, VII.1956, Schreiber s.n. (BH 48559); Lagoa Santa, s.d.,
4-6×2-3cm, rostro até 5mm; sementes 5-6×5-6mm. E. Warming s.n. (C).
Ocorre na faixa litorânea que vai do Espírito Santo ao Trata-se de uma espécie rara em São Paulo. É
Paraná. E6, E7, E8, F6, G6: clareiras e orlas de matas pluviais facilmente identificável pelas flores cujo perigônio é
e áreas de restingas intactas ou perturbadas. Coletada com bilab iad o, sendo o inferior bem d ese nvo lvi do
flores em quase todos os meses, à exceção de maio e outubro; (semelhante ao de A. esperanzae) e o superior
com frutos nos meses de janeiro, abril, maio e junho. É caudiforme (como em A. paulistana e A. macroura).

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Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, vol. 2. ISBN 85-7523-053-0 (online)
Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIA

Quanto ao hábito assemelha-se a A. esperanzae. arroxeados. Folhas com pseudoestípulas 6-30mm,


orbiculares, raramente ovais, decíduas, membranáceas a
1.16. Aristolochia triangularis Cham., Linnaea 7: 209, tab. subcoriáceas; pecíolo 20-55mm, glabro, flexuoso na base;
6, fig. 1. 1832. lâmina 5-16×4-13cm, triangular, raramente cordada ou
Prancha 1, fig. K. sagitada, membranácea a coriácea, ápice agudo ou
Nomes populares: jarrinha, jarrinha-triangular, caudado, margem inteira, base truncada ou auriculada,
jarrinha-concha, milhomens-do-rio-grande, ipé-mi, glabra. Flores inconspícuas, pouco fétidas, solitárias ou
cipó-de-cobra, cipó-jarrinha. em racemos (até 12 flores), raro panículas, bracteoladas;
Plantas robustas; caules glabros; nós pubescentes; brotos pedúnculo 20-55mm; perigônio peltilabiado, glabro,

Prancha 1: A. Aristolochia pohliana, ramo florífero. B-D. Aristolochia galeata, B. ginostêmio; C. semente vista ventral; D.
semente vista dorsal. E. Aristolochia odora, ramo florífero. F. Aristolochia elegans, ramo florífero. G. Aristolochia cymbifera,
ramo florífero. H. Aristolochia melastoma, ramo florífero. I. Aristolochia arcuata, fruto. J. Aristolochia macroura, ramo florífero
(flor em pré-antese). K. Aristolochia triangularis, fruto. (A, Barros 2720; B, Tamashiro 706; C-D, Pirani 3182; E, Hoehne SP
17691; F, Gehrt SP 51652; G, Hoehne SP 9543; H, Capellari Jr. ESA 5309; I, Capellari Jr. ESA 5194; J, Assis 394; K, Leitão Filho
32748).

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Parte integrante da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, vol. 2. ISBN 85-7523-053-0 (online)
Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

branco-acinzentado, nervuras vinosas; utrículo T.M.: 80 (1.1), 147 (1.6); Coledo: 1762 (1.1); Coleman, J.R.:
9-16×7-10mm; tubo 4-20×4mm; lábio peltado, conchóide, 633 (1.7); Coleman, M.A.: 316 (1.7); CGG de São Paulo: 72
6-18×15-23mm, obtuso, mucronado ou não, face interna (1.6), 150 (1.5), 168 (1.2), 195 (1.1); Constantino: 73 (1.9), 74
branco-acinzentada, manchas vinosas, mancha ocelar (1.1); Cordeiro, I.: 1174 (1.13); Correa, A.M.A.: 7353 (1.8),
7376 (1.8); Costa, A.S.: 3 (1.6); Custodio Filho, A.: 323 (1.5);
amarelo-ouro central; ginostêmio subséssil, 3-5mm, anteras
438 (1.5), 457 (1.5); Duarte, K.: 5807 (1.6); Dusén, P.: 13631
1-3mm. Cápsula 16-21×15-18mm, arestas crestadas, rostro (1.14), 15310 (1.14), 17066 (1.14); 17484 (1.14); Edwall, G.:
2mm; sementes 5-7×5-7mm. 1739 (1.6); Eiten, G.: 1537 (1.5), 2233 (1.5); Felippe, G.M.: 7
Com ampla distribuição de Minas Gerais ao Rio Grande (1.9); Fiuza de Melo, M.M.F.: 81 (1.5); Forero, E.: 8359 (1.5);
do Sul, também Paraguai e Argentina. B6, C6, D6, D7, E5, Gandolfi, S.: ESA 6096 (1.6), ESA 33414 (1.16), ESA 33415
E6, F5: preferencialmente no interior e em orlas de matas (1.16); Gehrt, A.: SP 39275 (1.7), SP 51652 (1.4); Gehrt, G.: SP
secundárias, matas pluviais, matas ciliares, capoeiras e 528 (1.8), SP 28365 (1.5), SP 34338; US 1907689 (1.16);
barrancos. Coletada com flores o ano todo, à exceção de Gentry, A.: 4461 (1.16), 5373 (1.4), 59066 (1.16); Gibbs, P.:
junho; a frutificação só não foi constatada em janeiro, junho, 4352 (1.6); Giulietti, A.M.: SPF 46965 (1.5); Gottsberger: 13
(1.5); Grota, A.S.: SPF 15607 (1.6); Guerra, T.P.: 12 (1.11);
outubro e novembro. Utilizada em fitoterapia (mesmos usos
Hagelund, K.: 13679 (1.16); Handro, O.: 1 (1.5), SP 47052 (1.1),
de A. gigantea). SP 47060 (1.6); Handro, W.: 730 (1.5); Heiner: S 89/220
Ilustrações encontram-se em Hoehne (1942, táb. 18, fig. 1). (1.1); Heringer, E.P.: 9533 (1.6); Hilloziú: 332 (1.2), 1601 (1.6),
Material selecionado: Angatuba, IV.1985, N. Taroda & 3923 (1.1); Hoehne, F.C.: 465 (1.2), 1181 (1.6), 1455 (1.11),
L.K. Gouveia 1705 (UEC). Barra do Turvo, II.1995, H.F. 1470 (1.11), 5819 (1.14), 10449 (1.3), 28076 (1.12), SP 266
Leitão Filho et al. 32748 (SP, SPF). Batatais, II.1994, (1.1), SP 1308 (1.1), SP 1455 (1.11), SP 1470 (1.11), SP 1510
W. Marcondes-Ferreira 888 et al. (ESA). Joanópolis, (1.6), SP 9543 (1.3), SP 9544 (1.1), SP 17691 (1.12), SP 17793
VIII.1994, J. Tamashiro 478b et al. (SP). Santa Rita do (1.9), SP 25144 (1.1), SP 35306 (1.16), SP 36850 (1.5), SP 36851
Passa Quatro, I.1982, K. Brown Jr. 13253 (UEC). São (1.1), SP 36852 (1.6), SP 323000 (1.11), SPF 1008 (1.1), US
Pedro, II.1996, S. Gandolfi et al. s.n. (ESA 33414). Tietê, 2580097 (1.5), US 2678681 (1.5); Hoehne, W.: 5546 (1.3), SP
IV.1995, L.C. Bernacci et al. 1596 (ESA, IAC). 54150 (1.1), SPF 10137 (1.6), SPF 10419 (1.8), SPF 12608 (1.7),
Espécie bastante freqüente em São Paulo, SPF 13350 (1.9), SPF 17072 (1.8); Ivanauskas, N.M.: 87 (1.14);
A. triangularis é encontrada nos mesmos habitats de Joly, A.B.: SPF 1707 (1.1); Jung, S.L.: 141 (1.5), 236 (1.11);
A. galeata. Hoehne (1942) afirma que esta espécie deve ser Kirizawa, M.: 634 (1.5); Kretz, W.: BP. 4820 (1.6); Kuhlmann,
classificada entre as peltilabiadas, mas representa uma M.: 118 (1.1), 1806 (1.11), 4095 (1.5), 39570 (1.14), SP 36628
(1.6), SP 38494 (1.4), SP 40089 (1.3); Kühln, E.: RB 81381
transição para as unilabiadas e daí haver sido descrita sob
(1.12), SP 153874 (1.5), SP 154287 (1.6); Labouriau, M.S.: 170
nomes diferentes. O mesmo autor comenta que a coloração (1.5); Leitão Filho, H.F.: 8141 (1.7), 12282 (1.5), 13312 (1.5),
das flores varia bastante de acordo com a localidade em 32738 (1.14) , 32748 (1.16), 32739 (1.14), 32820 (1.14); Lima,
que a planta cresce. O fruto desta espécie se destaca das A.R.: SP 51802 (1.1); Loefgren: 1126 (1.5); Lombardi, J.A.:
demais devido ao tamanho reduzido e, principalmente, às 20821 (1.11); Lousa, J.S.: 1 (1.5); Luca, F.: ESA 3949 (1.6);
arestas crestadas. O ginostêmio é semelhante ao de Luederwaldt, H.: SP 17943 (1.8); Macedo, J.C.R.: ESA 3662
A. arcuata. (1.6), ESA 3752 (1.6), ESA 3911 (1.6), ESA 3912 (1.6), ESA
3948 (1.6), ESA 5198 (1.16), ESA 5199 (1.16); Mantovani, W.:
Lista de exsicatas 256 (1.6), 289 (1.5), 707 (1.5), 786 (1.5), 869 (1.6), 1080 (1.6);
Marcondes-Ferreira, W.: 357 (1.1), 888 (1.16), 1338 (1.5), 8510
Aguiar, J.P.: ESA 7605 (1.1); Amaral Jr., A.: 115 (1.5); (1.1), RB 223512 (1.1); Marinis: 17 (1.11); Marquete: 55 (1.1);
Appezzato, B.: ESA 5894 (1.5); Arruda, V.L.V.: 16911 (1.11); Mattos: 12276 (1.5), 16365 (1.5); Mattos Filho: 529 (1.5);
Assis, M.A.: 325 (1.10), 394 (1.10); Barban, J.R.: 11619 (1.1); Mattos, J.: 14301 (1.6); Mello-Silva, R.: 267 (1.7), 1208 (1.5);
Barreto, K.D.: 2730 (1.5), 2993 (1.6); Barros, F. de: 2720 (1.15); Mendes, J.E.T.: SP 42061 (1.8); Miers: 21727 (1.3); Miyagi,
Bartolomeu, J.G.: 5832 (1.3); Bernacci, L.C.: 1596 (1.16); P.H.: 477 (1.14), 544 (1.5); Moraes, P.L.R.: 6119 (1.2), 15017
Blanchet: 189 (1.9); Brade, A.C.: 8252 (1.10), 8253 (1.14), (1.2); Morais, A.B.: 13161 (1.4); Mosén: 3209 (1.14), 4368
8487 (1.2), SP 6520 (1.6), SP 6521 (1.10); Brantjes, N.B.M.: (1.1); Mulford: 1105 (1.2); Novaes, A.: 935 (1.11), 1020 (1.1),
702801 (1.11), 704501 (1.6); Branza, R.B.: 702404 (1.1); Brown SP 2286 (1.1); Nucci, T.: 15479 (1.5); Pacheco: ESA 2455 (1.8);
Jr., K.: 12517 (1.14), 13041 (1.1), 13154 (1.1), 13155 (1.5), Peixoto, A.L.: 1673 (1.5); Pereira, M.A.: 53078 (1.15); Pereira-
13156 (1.5) , 13157 (1.4), 13158 (1.14), 13159 (1.10), 13160 Noronha, M.R.: 1331 (1.4), 1581 (1.5); Pirani, J.R.: 3182 (1.6);
(1.1), 13252 (1.5), 13253 (1.16), 13254 (1.10); Camargo, M.T.A.: Pires, A.S.: SP 47565 (1.16); Ribeiro, C.A.: ESA 6156 (1.6);
SPF 65644 (1.8); Capellari Jr., L.: 238 (1.6), ESA 3659 (1.8), Rocha, D.S.: 11019 (1.11); Rodrigues, L.: 11 (1.8); Rodrigues,
ESA 3660 (1.6), ESA 3751 (1.6), ESA 3907 (1.1), ESA 3909 R.R.: ESA 3908 (1.5), ESA 4029 (1.5), ESA 5428 (1.5), ESA
(1.16), ESA 4062 (1.6), ESA 5190(1.6), ESA 5191 (1.6), ESA 5566 (1.6), ESA 16036 (1.7); Rolfs: 4364a (1.6); Salis: 284
5192 (1.8), ESA 5193 (1.8), ESA 5194 (1.1), ESA 5196 (1.6), (1.5); Salles: RB 7153 (1.4); Sazima, I.: UEC 278 (1.11), UEC
ESA 5200 (1.6), ESA 5309 (1.11), ESA 5427 (1.1), ESA 5429 281 (1.5); Scavone, O.: 15268 (1.3); Schreiber: BH 48559 (1.15);
(1.6), ESA 5448 (1.6), ESA 5817 (1.6), ESA 6098 (1.6), ESA Sendulsky, I.: 605 (1.8); Shepherd, G.J.: 11255 (1.5); Silva,
6099 (1.8), ESA 6438 (1.6); Catharino, L.E.: 1180 (1.1); Cerati, M.R.: 267 (1.7); Silva, S.M.: 1072 (1.6); Simão-Bianchini, R.:

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Capellari-Júnior, L. 2002. Aristolochiaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S.,
Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 39-50.

ARISTOLOCHIACEAE

SPF 98941 (1.6); Siqueira, M.R.: 19792 (1.11), 19793 (1.11), (1.6); Taroda, N.: 1705 (1.16); Tessmann: 103 (1.11); Usteri,
19794 (1.11), 19795 (1.1), 19796 (1.4), 19797 (1.1), 19798 (1.1), A.: 301b (1.1), SP 9503 (1.3), SP 9506 (1.6), SP 9539 (1.11);
19799 (1.4), 19800 (1.4), 19801 (1.4); Souza, V.C.: 5701 (1.8), Vasconcellos Neto, J.: UEC 271 (1.6); Viegas, A.P.: SP 40145
7450 (1.2), 10716 (1.16), 10957 (1.5); Studart: 345 (1.6); (1.3); Viegas, A.P.: SP 42058 (1.6), SP 43770 (1.5); Warming,
Sugiyama, M.: 81 (1.5); Tabora: ESA 7036 (1.15); Tamashiro, E.: 624 (1.15), C 174/89-83 (1.12), C 174/89-90 (1.15); Weir: 98
J.Y.: 478b (1.16), 706 (1.6), 1006 (1.1); Tanabe, K.: ESA 6399 (1.6); Yano, T.: 13 (1.6), 42 (1.6).

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