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BOLETIM TÉCNICO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DO SOLO

FERTILIZANTES ORGÂNICOS: USOS,


LEGISLAÇÃO E MÉTODOS DE ANÁLISE

Boletim Técnico - n.º 96 - p. 1-90 ano 2014


Lavras/MG
GOVERNO DO BRASIL
2

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 5
2 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DE ADUBOS ORGÂNICOS ........................ 6
3 COMPOSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ADUBOS ORGÂNICOS ............................................. 8
4 A DECOMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS ORGÂNICOS .................................................... 12
5 ADUBOS VERDES ............................................................................................................ 16
6 APLICAÇÃO DE ADUBOS ORGÂNICOS E A PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS ...... 20
7 LEGISLAÇÃO DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS......................................................... 28
7.1 Classificação dos fertilizantes orgânicos de acordo com as matérias-primas utilizadas na sua
produção ............................................................................................................................ 31
7.2 Garantias e especificações dos fertilizantes orgânicos........................................................ 31
8 ANÁLISE DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS E ORGANOMINERAIS ........................... 33
8.1 Análise granulométrica ................................................................................................... 33
8.2 Umidade....................................................................................................................... 35
8.3 Determinação do pH ..................................................................................................... 35
8.4 Nitrogênio total ............................................................................................................. 36
8.5 Fósforo total ................................................................................................................. 39
8.6 Fósforo solúvel em água ................................................................................................ 41
8.7 Fósforo solúvel em citrato neutro de amônio mais fósforo solúvel em água ........................ 42
8.8 Potássio solúvel em água ................................................................................................ 45
8.9 Cálcio e Magnésio ......................................................................................................... 46
8.10 Enxofre....................................................................................................................... 50
8.11 Boro ........................................................................................................................... 54
8.12 Zinco, Cobre, Manganês, Ferro, Molibdênio, Cobalto e Níquel ...................................... 57
8.13 Cloro solúvel em água .................................................................................................. 66
8.14 Silício ......................................................................................................................... 68
8.15 Carbono orgânico ....................................................................................................... 71
8.16 Capacidade de Troca de Cátions (CTC) ....................................................................... 74
8.17 CTC/C ....................................................................................................................... 77
8.18 Relação C/N ............................................................................................................... 77
8.19 Extrato Húmico Total (EHT), ácidos húmicos (AH’s) e ácidos fúlvicos (AF’s) .................. 77
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................. 82
10 REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 83
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FERTILIZANTES ORGÂNICOS: USOS, LEGISLAÇÃO
E MÉTODOS DE ANÁLISE

Julian Junio de Jesus Lacerda1


Douglas Ramos Guelfi Silva2

1 INTRODUÇÃO
A matéria orgânica faz parte de diversos processos químicos, físicos e
biológicos relacionados com a qualidade do solo, está ligada à agregação do solo,
dinâmica da água, ciclagem e retenção de nutrientes, além de ser a fonte básica de
energia para a atividade biológica (ROSCOE; BODDEY; SALTON, 2006). Em
relação à reciclagem de nutrientes, os materiais orgânicos têm sido bastante utilizados
como fonte de nutrientes para cultivos agrícolas em complementação ou substituição
à adubação mineral.
A adição de materiais orgânicos melhora a qualidade do solo (LEITE et al.,
2003), pois aumenta a retenção de água, aumenta a capacidade de troca de cátions
e a disponibilidade de nutrientes para as plantas (SILVA et al., 2007). Além disso,
reduz o consumo de fertilizantes minerais e, consequentemente, o custo de produção
das culturas.
A adubação orgânica consiste, portanto, no aproveitamento de resíduos de
origem animal, vegetal, industrial e agroindustrial como fonte de nutrientes para as
plantas. No entanto, frequentemente esses resíduos têm sido aplicados ao solo de
maneira empírica, sem considerar as necessidades da planta que será adubada, o
tipo de solo que receberá o resíduo ou as variações na composição química dos
resíduos.
Outro ponto importante é que a conversão dos compostos orgânicos em
nutrientes na forma mineral disponível para as plantas depende de uma série de
fatores relacionados ao solo, ao material orgânico e aos microorganismos que
realizam a decomposição. Assim, objetivou-se neste trabalho i) revisar os principais
1
Eng. Agrônomo MSc. Doutorando em Ciência do Solo – Departamento de Ciência do Solo/DCS – Universidade
Federal de Lavras – julianlacerda@gmail.com
2
Professor do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras – Caixa Postal 3037 – CEP 37200-000 –
Lavras – MG – douglasguelfi@dcs.ufla.br
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aspectos relacionados ao papel da matéria orgânica do solo como fonte de nutrientes


para as plantas e as aplicações práticas do seu uso na nutrição das plantas; ii)
sintetizar a legislação brasileira sobre a utilização, produção e comercialização dos
fertilizantes orgânicos; e iii) descrever os métodos oficiais de análise de fertilizantes
orgânicos.

2 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DE ADUBOS


ORGÂNICOS
As vantagens da adubação orgânica são indiscutíveis, pois trazem benefícios
de ordem física, química e biológica para o solo. Na parte física a incorporação
de matéria orgânica melhora a estrutura do solo (VALADÃO et al., 2011),
proporciona maior aeração notadamente nos solos com problemas de
compactação e por isso melhora desenvolvimento das raízes das plantas; aumento
da capacidade de retenção de água, o que permite maior resistência das plantas
aos períodos de veranicos, principalmente em solos arenosos; estabilização da
temperatura do solo com a cobertura morta e restos culturais, o que melhora as
condições para o crescimento e manutenção da microbiota do solo; além disso, a
diminuição da luz pela cobertura do solo inibe o crescimento de ervas daninhas
(PENHA et al., 2012); maior proteção do solo contra o impacto das gotas de
chuva e ação direta dos ventos, o que minimiza o transporte das partículas
provocados pela erosão hídrica e eólica (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2010).
Finalmente, maior estabilidade dos agregados do solo (MATOS et al., 2008) pela
produção de mucilagens pelos fungos e raízes das plantas, incluem-se a produção
de polissacarídeos hidratados contendo cadeias de galactose e ácidos
galacturônicos com blocos de diversos açucares, como glicose, galactose,
arabinose e fucose (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006).
Na parte química, a adição de materiais orgânicos aumenta a capacidade de
troca catiônica (CTC) dos solos, isso é muito importante nos solos brasileiros que
geralmente apresentam CTC potencial baixa. Para se ter referência dessa contribuição,
Bayer e Mielniczuc (2008) afirmaram que a CTC da fração húmica da matéria
orgânica do solo está em torno de 400-800 cmolc kg-1, considerando a matéria
orgânica do solo como um todo. O aumento da CTC dos solos implica em maior
retenção de nutrientes e diminuição de sua lixiviação no solo, principalmente de
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potássio (K) que está após o hidrogênio, alumínio, cálcio, magnésio na sequência
de retenção de cátions no solo- série liotrópica. Aumenta o poder tampão do solo,
o que tem implicações práticas nas doses de corretivos necessários para neutralizar
a acidez do solo. Reduz a atividade de alumínio em solução pela complexação com
ácidos carboxílicos e fenólicos (PAVINATO; ROSOLEM, 2008). Aumenta a
disponibilidade de N, P e S (MORETI et al., 2007) por mineralização. Reduz a
precipitação de micronutrientes catiônicos, Cu, Fe, Zn e Mn como hidróxidos no
solo, pela formação de quelatos com ácidos orgânicos de baixo peso molecular
(oxálico, cítrico, málico, fumárico, butírico, maleico, lático, fórmico) (MELO et
al., 2008), o que resulta na liberação de forma contínua e gradativa dos
micronutrientes e permite maior absorção pelas plantas.
Na parte biológica, a adição de resíduos orgânicos favorece a proliferação e
atividade de microorganismos (bactérias, fungos e actinobactérias), responsáveis
por importantes processos no sistema, como a decomposição e mineralização da
matéria orgânica, amonificação, nitrificação, desnitrificação, produção de hormônios,
aleloquímicos, solubilizantes, quelantes e complexantes, fixação biológica de
nitrogênio atmosférico e micorrização.
Outra vantagem dos adubos orgânicos refere-se ao ponto de vista econômico,
onde as áreas de maior produtividade agrícola são aquelas que realizam o manejo
da matéria orgânica no sentido de aumentar o seu estoque no solo. Além disso, o
uso de materiais orgânicos, como fonte de nutrientes, permite reduzir a quantidade
de adubos minerais a serem adquiridos.
Como desvantagens podem ser citadas a baixa concentração de nutrientes
nos materiais orgânicos e por isso a necessidade de grandes quantidades do material
para fornecer as quantidades requeridas pelas plantas. Aliada a essa desvantagem,
ocorre limitação da produção que se concentra nos grandes centros produtores de
aves, suínos e bovinos em confinamento. Outro fator a se considerar é que o valor
econômico e o volume dos materiais não justificam seu transporte para longas
distâncias do local de produção. Em virtude da maior quantidade do material que
deve ser aplicado, há também maior gasto com mão de obra. E por fim, para que
ocorra a disponibilização dos nutrientes, é necessário um tempo para mineralização
das formas orgânicas, portanto os nutrientes são mais bem aproveitados por culturas
perenes ou nos locais onde são adicionados, há mais tempo, de forma contínua,
como no caso da produção de hortaliças.
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3 COMPOSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ADUBOS ORGÂNICOS


Os estercos de animais, os resíduos de culturas e os adubos verdes constituem
as principais fontes de adubos orgânicos disponíveis, mas a utilização desses
resíduos depende do conhecimento de sua qualidade. Konzen e Alvarenga (2006)
relataram que a produção diária de esterco (fezes + urina) dos bovinos leiteiros é
aproximadamente 10% de seu peso corporal, o que representa, na maioria dos
casos, uma quantidade de 45 a 48 kg/vaca/dia. Os bovinos de corte confinados
produzem em torno de 30 a 35 kg/cabeça/dia. Para suínos, considerando a média
de produção de todas as categorias animais, a produção de dejetos é em torno de
150 a 170 litros/dia/matriz no plantel.
A composição dos resíduos orgânicos de origem animal varia em função da espécie,
idade e manejo, logo o ideal é que seja feita uma análise físico-química e microbiológica
do resíduo antes da utilização. Devem ser analisados pH, os teores de matéria seca,
macro e micronutrientes, sódio e metais pesados, além dos aspectos microbiológicos,
para averiguar a presença de microorganismos, causadores de doenças ao homem e
aos animais. Normalmente, há maior preocupação com as espécies de bactérias dos
gêneros Salmonella, Clostridium, Brucella, Streptococcus, Escherichia, Mycobacterium,
Yersinia, Listeria, Campylobacter, Bacillus, de protozoários do gênero Criptosporidium,
Eimeria e Toxoplasma, de vírus, tais como os causadores da peste suína africana,
doença vesicular dos suínos e a doença de Aujeszky, e, ainda, de vermes das espécies
Ascaris e Toxocara (BURTON; TURNER, 2003).
A análise físico-química e microbiológica é importante, porque pelos resultados
é possível determinar se o resíduo pode ou não ser utilizado como fonte de nutrientes
para as culturas. Se o resíduo pode ser aplicado em culturas alimentícias ou apenas
para gramados e produção de madeira, se os teores de elementos tóxicos
comprometem ou não os mecanismos fisiológicos da planta. Enfim pela análise do
resíduo, definem-se as doses que serão aplicadas e o valor econômico do material.
Em algumas situações, haja vista as dificuldades para a realização da
caracterização do resíduo, em função da pequena quantidade do material, variação
do local de produção, distância ou acessibilidade aos laboratórios, os órgãos
responsáveis pelas recomendações de corretivos e fertilizantes orientam utilizar os
valores médios obtidos pela pesquisa regional como referência da composição
química. No entanto, cabe ressaltar que as extrapolações assumem os riscos dos
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possíveis problemas advindos da utilização dos resíduos orgânicos sem a prévia


caracterização, como a disseminação de patógenos, salinização, toxidez por excesso
de micronutrientes, contaminação de lençol freático e outros.
A comissão de fertilidade do solo do estado de Minas Gerais apresenta os
valores médios de N, P2O5 e K2O na matéria seca de alguns resíduos e o teor de
umidade de cada material (Tabela 1) (RIBEIRO; GUIMARÃES; ALVAREZ
VENEGAS, 1999).

Tabela 1 – Umidade e teores de macronutrientes (N, P2O5 e K2O) em diversos adubos orgânicos.
Umidade N P2O5 K2 O
Adubo orgânico
%
Esterco bovino 65,3 3,1 1,8 2,1
Esterco equino 70,5 1,8 1,0 1,4
Esterco ovino 65,4 2,8 1,7 2,0
Esterco suíno 78,0 3,2 2,4 2,7
Esterco galinha 55,3 4,0 4,7 2,0
Torta de mamona - 5,4 1,9 1,5
Composto de lixo urbano - 3,4 1,2 0,3
Vinhaça de mosto de melaço - 0,8 0,2 6,0
Vinhaça de mosto de misto - 0,5 0,2 3,1
Vinhaça de mosto de caldo - 0,3 0,2 1,5
Chorume - 4,0 4,0 2,5

Konzen e Alvarenga (2006), também, apresentaram a composição química


média de estercos de suínos, bovinos e aves (Tabela 2).

Tabela 2 – Composição média dos estercos de suínos, bovinos e frangos.


N P2O5 K2O
Estercos pH MS (%) -3
kg m ou toneladas
Suínos (líquido integral) 7,2-7,8 1,3-2,5 1,6-2,5 1,2-2,0 1,0-1,4
Suínos (líquido separado) 7,0-7,5 0,1-0,3 0,7-0,9 0,3-0,5 0,6-0,8
Bovinos (chorume) 7,0-7,5 10-15 1,5-2,5 0,6-1,5 1,5-3,0
Bovinos (fezes+urina) 6,8-7,5 12-15 4,5-6,0 2,1-2,6 2,8-4,5
Bovinos (sólido) 7,0-7,5 45-70 15-25 8-12 8-15
Aves (cama frango) 6,0-7,5 65-90 24-40 20-35 18-35
Fonte: Konzen e Alvarenga (2006).
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Para ilustrar as variações na composição química dos estercos em função


das espécies e/ou locais de produção, a Tabela 3 mostra a caracterização química
de estercos bovinos e caprinos realizada no município de Areia-PB (GOMES,
2011). Nota-se que, para esterco bovino, os valores de N, P e K são bem menores
que os valores médios apresentados por Konzen e Alvarenga (2006) e Ribeiro,
Guimarães e Alvarez Venegas (1999), o que conduziria a uma subestimativa da
necessidade de aplicação do esterco, se fossem tomados os valores médios desses
nutrientes para cálculo da dose a ser aplicada. Por outro lado, nota-se, também,
que a quantidade de sódio nesse esterco é bastante expressiva e que aplicação
contínua de grandes quantidades do material poderia sodificar o solo ao longo
do tempo. Ainda mais considerando que nesse caso específico o solo que recebeu
até 60 t ha-1 apresenta teor de argila de 7,5% e de areia 88%.

Tabela 3 – Umidade e teores de macronutrientes (N, P2O5 e K2O) em diversos adubos orgânicos.
Esterco pH MO N P K Ca Mg Na C C/N
%
bovino 9,40 29,7 1,17 0,04 0,7 1,0 0,3 3,6 17,3 14,7
caprino 8,44 23,6 0,93 0,05 1,4 1,7 0,6 0,05 13,7 14,7

Para os resíduos agroindustriais e industriais, a composição varia em função


da qualidade e do grau de processamento. Por exemplo, a composição química
da vinhaça depende de alguns fatores como: qualidade da cana-de-açúcar, etapas
de fermentação, sistema de destilação utilizado, condições industriais e clima
(Tabela 4) (PRADA et al., 1998).
Outros resíduos agroindustriais utilizados como adubos orgânicos ou na
formulação de composto orgânico são os bagaços de cana, bagaços de cana
hidrolisados, resíduos de algodão, casca de café (Tabela 5), bagaços de uva, bagaços
de azeitona, subprodutos da indústria cervejeira, borra de café, resíduos de
matadouros e indústria de carnes e subprodutos da indústria de frutas e legumes.
Os resíduos urbanos, popularmente chamados de lixo e lodo de esgoto,
também, podem ser utilizados, mas exigem monitoramento constante de sua
composição. Estes materiais podem conter elementos tóxicos e maior risco da
presença de contaminantes microbiológicos, fato que permite assegurar que só
sejam utilizados na agricultura compostados, higienizados, resultantes da triagem e
posterior tratamento biológico (GONÇALVES, 2005).
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Tabela 4 – Características do vinhoto resultante de mostos de melaço, de caldo de cana e de mostos


mistos de caldo e melaço.
Parâmetro Melaço Caldo Misto
pH 4,2-5,0 3,7-4,6 4,4-4,6
Temperatura (ºC) 80-100 80-100 80-100
DBO (mg L-1 O2) 25000 6000-16500 19800
DQO (mg L-1 O2) 65000 15000-33000 45000
Sólidos totais (mg L-1) 81500 23700 52700
Sólidos voláteis (mg L-1) 60000 20000 40000
Sólidos fixos (mg L-1) 21500 3700 12700
Nitrogênio (mg L-1 N) 450-1610 150-700 480-710
Fósforo (mg L-1 P2O5) 100-290 10-210 9-200
Potássio (mg L-1 K2O) 3740-7830 1200-2100 3340-4600
Cálcio (mg L-1 CaO) 450-5180 130-1540 1330-4570
Magnésio (mg L-1 MgO) 420-1520 200-490 580-700
Sulfato (mg L-1 SO42-) 6400 600-760 3700-3730
Carbono (mg L-1 C) 11200-22900 5700-13400 8700-12100
Relação C/N 16-16,27 19,7-21,07 16,4-16,43
Matéria Orgânica (mg L-1) 63400 19500 3800
Sub. Redutoras (mg L-1) 9500 7900 8300

Tabela 5 – Composição química do bagaço de cana, resíduo de algodão e casca de café.


Parâmetro Bagaço de cana Bagaço Hidrolisado Resíduo de algodão Casca de café
-3
Densidade (kg m ) 134 220 77 165
pH 3,7 4,1 7,0 5,1
H2O (%) 34,9 63,5 10,8 10,3
MO (%) 98,4 98,4 94,5 95,9
N (%) 0,20 0,28 0,82 1,16
C (%) 47,2 47,2 45,3 46,0
C/N 236 168 55 39
P (%) 0,11 0,06 0,12 0,08
K (%) 0,04 0,06 2,32 1,11
Ca (%) 0,06 0,08 0,37 0,46
Mg (%) 0,02 0,01 0,17 0,12
-3
Zn (mg kg ) 41,0 8,2 13,9 11,3
Mn (mg kg-3) 16,2 11,6 23,2 92,1
Cu (mg kg-3) 0,07 0,05 0,24 0,30
-3
Na (mg kg ) 9,5 9,5 23,9 17,1
Fonte: Adaptado de Fernandes e Soares Júnior (1992).
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A literatura sobre a composição química dos diversos materiais orgânicos


reaproveitados como fonte de nutrientes é bastante extensa, no presente trabalho a
finalidade deste tópico é mostrar a variabilidade na composição e os cuidados que
devem ser tomados antes da aplicação desses materiais no solo.

4 A DECOMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS ORGÂNICOS


A decomposição é a quebra do material orgânico particulado pela ação de
macro e microorganismos e de enzimas específicas que transformam polímeros
em monômeros. A taxa de decomposição dos resíduos determina o tempo de sua
permanência na superfície do solo, quanto mais rápida for a sua decomposição,
maior será a velocidade de liberação dos nutrientes.
A decomposição é regulada pelas condições físicas e químicas do ambiente,
pH, temperatura, salinidade, umidade, aeração e potencial redox; pela degrabilidade
do substrato dada por seus constituintes, celulose, hemicelulose, lignina, amido,
lipídios, glicogênio, quitinas, proteínas e nutrientes minerais; e pela natureza dos
macro e microorganismos decompositores, os últimos podem ser aeróbicos,
anaeróbica, alguns são capazes de degradar substratos mais recalcitrantes, outros
não.
Burns e Martin (1986 citados por MOREIRA; SIQUEIRA, 2006, p. 208),
descreveram as fases do processo de decomposição. Primeiro a fauna do solo
promove a fragmentação do resíduo orgânico, em seguida as substâncias mais
facilmente decompostas são atacadas por fungos e bactérias que produzem biomassa,
liberam NH3, H2S e ácidos orgânicos. Depois os subprodutos orgânicos e os tecidos
microbianos são atacados por uma variedade de microorganismos, que produzem
mais biomassa e promovem as perdas de C-CO 2 e, finalmente, ocorre a
decomposição gradual dos componentes mais resistentes, como a lignina, por
actinobactérias e fungos especialistas.
O balanço líquido entre a mineralização e a imobilização de nutrientes, durante
a oxidação dos materias orgânicos no solo, é controlado pela qualidade do resíduo,
principalmente a proporção ente o carbono e outros nutrientes como N, P e S.
Stenvenson (1986) mostra que resíduos com C/N, C/P e C/S maior que 30, 300 e
400, respectivamente, são resíduos pobres, nos quais a imobilização prevalece
sobre a mineralização. Por outro lado, resíduos com C/N, C/P e C/S menor que 20,
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200 e 200, respectivamente, são resíduos ricos, onde a decomposição aumenta a


disponibilidade de nutrientes, porque a mineralização supera a imobilização. Nos
valores intermediários entre esses limites há um equilíbrio entre a mineralização e a
imobilização (Figura 1).

Figura 1 – Relação C/N nas diferentes fases da decomposição (HOLANDA, 2011).

Souto et al. (2005) estabeleceram a relação C/N de estercos de diferentes


espécies animais e mediu a decompoisição dos materiais ao longo de seis meses no
semi-árido da Paraíba. A relação C/N do esterco asinino foi de 47,2, do esterco
bovino 27,1, do esterco caprino 21,6 e do esterco ovino 24,2. O esterco asinino
apresentou maior resistência à decomposição do que os demais estercos e a maior
taxa de decomposição foi dos estercos bovino e caprino (Figura 2).
Souto et al. (2005), também, estudaram a velocidade de decomposição dos
estercos em diferentes profundidades. A velocidade de decomposição dos estercos
foi mais intensa a 10,0 cm de profundidade, comparada com a das amostras na
superfície, sendo favorecida pela umidade e temperatura do solo (Figura 3).
Para resíduos de origem vegetal, a decomposição depende, ainda, do volume
de produção de biomassa, do manejo da cultura de cobertura, da fertilidade e do
pH do solo, da qualidade e quantidade dos nutrientes orgânicos disponíveis e da
pluviosidade (BOER et al., 2008). A susceptibilidade dos resíduos vegetais à
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decomposição, também, está associada às relações entre constituintes como C/N,


C/P, lignina/N, polifenóis/N e lignina + polifenóis/N (CARVALHO et al., 2008).

Figura 2 – Esterco residual (%) durante o período experimental.

Decomposição dos estercos (%) dispostos na superfície e a 10,0 cm


Figura 3 – Decomposição dos estercos (%) dispostos na superfície e a 10,0 cm de profundidade,
durante o período experimental.

Uma alternativa para a redução da relação C/N dos resíduos e,


consequentemente, da imobilização de N, é a consorciação de gramíneas e
leguminosas, possibilitando a obtenção de uma relação C/N intermediária àquela
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das espécies em culturas solteiras (HEINRICHS et al., 2001). Medrado et al. (2011)
avaliaram a decomposição da matéria seca inicial e a liberação de nitrogênio das
diferentes coberturas de inverno para o subsequente cultivo do milho. O consórcio
aveia preta + azevém + ervilhaca + trevo vesiculoso, sem pastejo e sem adubação
nitrogenada N foi considerado o mais adequado para a utilização na sucessão com
a cultura do milho por apresentar rápida liberação inicial de N.
Rodrigues, Rodrigues e Brito (2007) avaliaram a decomposição e liberação de
nutrientes de resíduos culturais de plantas de cobertura em argissolo vermelho-
amarelo na região noroeste fluminense. O feijão-de-porco e o amendoim forrageiro
apresentaram maiores taxas de decomposição de matéria seca e liberação de N, P,
K, Ca e Mg do que sitrato, cudzu, braquiária adubada e não adubada. Para o feijão-
de-porco a taxa de decomposição foi de 1,3% ao dia, para o amendoim forrageiro
1,1% ao dia e as demais espécies em torno de 0,6% ao dia.
Carvalho et al. (2008) avaliaram a decomposição dos resíduos vegetais e o
rendimento de milho cultivado em sucessão às plantas de cobertura (Crotalária
juncea, Feijão-bravo do ceará, Girassol, Guandu, Milheto, Mucuna Cinza, Nabo
forrageiro e vegetação espontânea), no sistema plantio direto e com incorporação
de resíduos em Planaltina-DF. Os resíduos vegetais de guandu e de mucuna-cinza
apresentaram decomposição mais lenta em relação aos de feijão-bravo-do-ceará,
nabo-forrageiro e girassol. A incorporação ao solo acelerou a decomposição dos
resíduos vegetais e o milho cultivado após o feijão-bravo-do-ceará resultou em
rendimento mais elevado, em virtude da produção mais elevada de fitomassa e
decomposição mais rápida da planta de cobertura.
Em algumas situações é desejável que a decomposição dos resíduos vegetais
seja mais lenta, para que ocorra acúmulo do material orgânico sobre a superfície do
solo, é o caso do sistema de plantio direto, onde se busca a manutenção da cobertura
morta por maior período de tempo.
Kliemann, Braz e Silveira (2006) avaliaram as taxas de decomposição dos
resíduos das gramíneas sorgo, capim mombaça, milheto, braquiária, consórcio
milho e braquiária e das leguminosas estilosantes e guandu, como espécies de
cobertura, em sistema de plantio direto no município de Goiás-GO. As palhadas
mais frágeis em ordem decrescente foram: mombaça > sorgo > milheto > estilosantes
> guandu > braquiária solteira > braquiária consorciada. Aos 150 dias as perdas
relativas de massa das palhadas das gramíneas foram: sorgo (80%) > capim mombaça
16

(64%) > milheto (58%) > braquiária em cultivo solteiro (56%) braquiária em cultivo
consorciado (48%); e das leguminosas foram: estilosantes (72%) > guandu (65%).
Bernardes et al. (2010) compararam a decomposição da biomassa e liberação
de nutrientes dos capins braquiária e mombaça, em condições de cerrado em Santo
Antônio de Goiás-GO. As taxas de decomposição, para as duas gramíneas, foram
inferiores a 50%, aos 75 dias após o corte. Tanto na braquiária quanto no capim
mombaça, o K foi o nutriente que apresentou maior taxa de liberação. Os autores
explicaram que o K é um nutriente absorvido em quantidades relativamente altas
pelas plantas e não é constituinte estrutural de moléculas e tecidos, o que o torna
passível de ser extraído, com relativa facilidade, da cobertura morta, sem haver,
necessariamente, decomposição e mineralização biológicas. Giacomini et al. (2003),
também, observaram que a maior parte do K dos resíduos culturais das plantas de
cobertura (aveia-preta, ervilhaca comum e nabo forrageiro) foi liberada logo após o
manejo das espécies.
Alves et al. (2006) estudaram a dinâmica de decomposição de resíduos vegetais
de diferentes espécies da Caatinga e avaliaram a atividade microbiana na região
semi-árida da Paraíba. A maior produção de CO2 foi observada no período noturno,
para todas as espécies estudadas. Os autores atribuíram o resultado à menor
temperatura noturna que pode ter favorecido a maior atividade microbiana e,
consequentemente, maior respiração.
Enfim, os resultados experimentais confirmam que a decomposição dos
resíduos orgânicos é acelerada pela sua incorparação ao solo, que os resíduos das
espécies, tanto animais como vegetais, diferem em relação à decomposição,
influenciados principalmente por sua composição. E que a atuação dos
microorganismos decompositores está muito relacionada às condições ambientais
que podem favorecer ou reduzir a atividade microbiana e, consequentemente, as
taxas de decomposição dos resíduos.

5 ADUBOS VERDES
A adubação verde pode ser definida como a utilização de espécies vegetais
com a finalidade de reciclar nutrientes do solo e/ou fixar nitrogênio atmosférico
com o cultivo de leguminosas. A adubação verde é uma prática que recupera a
fertilidade do solo, pois recicla e mobiliza nutrientes, aumenta o teor de matéria
17

orgânica, a capacidade de troca de cátions, reduz os teores de alumínio trocável e é


eficaz no controle de erosão (BERTONI; LOMBARDI-NETO, 2010). As plantas
leguminosas são as mais utilizadas como adubos verdes, porque são capazes de
realizar a fixação biológica do nitrogênio atmosférico, em função da simbiose com
bactérias dos gênero Rhizobium, Sinorhizobium, Bradyrhizobium, Azorhizobium,
Mesorhizobium, Methylobacterium e outros (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). Além
disso, em razão de seu sistema radicular profundo, mobilizam nutrientes de diferentes
camadas do solo (AMBROSANO; TRIVELIN; MURAOKA, 1997).
Os efeitos dos adubos verdes sobre a fertidade do solo dependem da espécie
utilizada, do manejo realizado na biomassa, da época de plantio e de corte do
adubo verde, do tempo de permanência dos resíduos no solo, das condições locais
e da interação entre esse fatores (ALCÂNTARA et al., 2000).
Entre as espécies utilizadas como adubos verdes destacam-se a mucuna–
preta (Stizolobium aterrimum), a crotalária juncea (Crotalaria juncea) e o feijão-
de-porco (Canavalia ensiformis), por serem plantas rústicas, apresentarem
eficiente desenvolvimento vegetativo e serem adaptadas a condições de baixa
fertilidade e elevadas temperaturas (PEREIRA; BURLE; RESCK, 1992). Meda
(2003) classificou algumas leguminosas tropicais de uso mais comum na adubação
verde em relação à sua tolerância ao alumínio. Foram definidas como muito
tolerantes: mucunas - preta, anã e cinza, caupi (Vigna unguiculata) e labelabe;
tolerantes: guandu (cvs IAC-Fava Larga e IAPAR 43- Aratã), soja (cv IAC-9 e
IAC-13); moderadamente tolerantes: algumas crotalárias (C. mucronata, C.
spectabilis, C. ochroleuca), feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), e soja cv
Biloxi; e como sensíveis: C. breviflora e C. juncea.
Os adubos verdes adicionam ao solo diversas substâncias orgânicas, como
exudatos de raízes, biomassa radicular e foliar, ácidos orgânicos, aminoácidos e
fitormônios. Quando a adubação verde é feita com leguminosas, pode trazer, ainda,
outras vantagens como: fornecimento de N, controle de ervas daninhas e melhor
aproveitamento de nutrientes, que são mobilizados de horizontes mais profundos
para a superfície.
A forma mais comum de utilização de leguminosas como adubos verdes é
em pré-cultivo, no qual o adubo verde precede a cultura principal, que se beneficia
posteriormente com a mineralização do nitrogênio. Porém, em condições tropicais,
onde as altas temperaturas e a umidade elevada aceleram o processo de
18

mineralização dos resíduos podem ocorrer perdas significativas de nitrogênio


caso a planta sucessora não tenha sua demanda sincronizada com a mineralização
do adubo verde (CALEGARI, 2000). No entanto, existem outras formas de
utilização dos adubos verdes, por exemplo, os adubos verdes podem ser plantados
na primavera/verão (outubro a janeiro), mas desta forma há a desvantagem da
ocupação das áreas agrícolas durante o período mais propício para o cultivo de
plantas de interesse econômico. Os adubos verdes, também, podem ser cultivados
no outono/inverno (fevereiro a abril), as vantagens são a proteção do solo nessa
época em que geralmente os solos não são cultivados e a diminuição da população
de plantas invasoras no terreno. Por outro lado, a produção de fitomassa é reduzida
em virtude das condições climáticas adversas desse período do ano. Outra forma
é o plantio de adubos verdes consorciados com as culturas anuais ou perenes, no
entanto, quando há reduzida disponibilidade de água, pode ocorrrer quedas na
produção, principalmente das culturas anuais (ESPINDOLA; GUERRA;
ALMEIDA, 2005).
Delarmelinda et al. (2010) estudaram o efeito da incorporação de diferentes
adubos verdes Calopogonium mucunoides, Crotalaria juncea, C. spectabilis,
Cajanus cajan, Macrotyloma, Mucuna pruriens, Pueraria phaseoloides nas
características químicas de um Cambissolo háplico eutrófico no município de Ji-
Paraná-RO. A utilização das leguminosas como adubação verde proporcionou
aumento nos teores de matéria orgânica, soma de bases e percentagem de saturação
por bases em relação ao tratamento testemunha. As espécies que mais se destacaram
foram a Pueraria phaseoloides, C. juncea e C. spectabilis. Perin et al. (2004)
avaliaram os efeitos dos cultivos isolado e consorciado dos adubos verdes de
verão crotalária (Crotalaria juncea) e milheto (Pennisetum americanum) na
produção de fitomassa, nos teores e acúmulo de nutrientes. A crotalária, quando
cultivada isolada, acumulou 305 kg ha-1 de nitrogênio, consorciada com o milheto
218 kg ha-1 de N, enquanto o milheto isolado acumulou 96 kg ha-1 em sua fitomassa.
Os autores destacam a melhoria no balanço de N por meio da introdução da
leguminosa como adubação verde particularmente em solos tropicais, por serem
pobres neste nutriente.
Alguns autores não têm verificado respostas das culturas à adubação verde
(CASTRO et al., 2004, 2005; FARIA; SOARES; LEÃO, 2004; PAULO et al.,
2006). Outros autores têm verificado que as diferenças são significativamente
19

diferentes após vários anos de cultivo e ainda outros afirmam que a adubação verde
contribui para aumento da produtividade das culturas (DUARTE JÚNIOR;
COELHO, 2008).
Castro et al. (2004, 2005) concluíram que a produtividade da berinjela, em
sistema plantio direto na palhada de crotalária ou de milheto, não se diferencia
daquela na palhada da vegetação espontânea. Faria, Soares e Leão (2004), também,
não observaram efeito consistente da adubação verde sobre a produtividade e
qualidade de uva, para duas leguminosas em Petrolina-PE. Os autores cultivaram
dois ciclos das leguminosas crotalária (Crotalaria juncea) e feijão de porco (Canavalia
ensiformis), antes da primeira colheita da uva. Os adubos verdes foram submetidos
a dois manejos (subtratamentos): a) ceifados e deixados na superfície do terreno e
b) ceifados e incorporados ao solo.
Paulo et al. (2006) estudaram a produção e o crescimento do cafeeiro Mundo
Novo (Coffea arabica L.) enxertado sobre o Apoatã IAC 2258 (Coffea canephora
Pierre ex Froehner) submetido à adubação verde com as leguminosas: crotalária
espectábilis (Crotalaria spectabilis Roth.), crotalária júncea (Crotalaria juncea
L.), guandu (Cajanus cajan L. Millsp.), mucuna anã (Stizolobium deeringeanum
Bort.) e soja IAC 9 (Glycine max L. Merril) em Adamentina-SP. O uso, durante sete
anos consecutivos dos adubos verdes crotalária espectábilis, crotalária júncea,
mucuna anã ou da soja não diminuiu, nem aumentou significativamente a produção
e o desenvolvimento do cafeeiro. Mas o cultivo do guandu diminuiu a produção do
cafeeiro.
Faria, Costa e Faria (2007) avaliaram o efeito de adubos verdes sobre a
produtividade do melão (Cucumis melo) irrigado em Petrolina-PE. Foram
utilizadados como adubos verdes: milho (Zea mays), mucuna-preta (Mucuna
aterrima), milho + caupi (Vigna unguiculata); e adubos verdes diferentes em cada
ano: dois cultivos sucessivos de crotalária (Crotalaria juncea) no primeiro ano,
milheto (Pennisetum glaucum) + caupi no segundo ano e crotalária + caupi no
terceiro ano. Não houve diferença na produtividade do meloeiro cultivado após o
milho ou após a mucuna-preta isolados no primeiro e no segundo ano. Mas no
terceiro ano o tratamento com adubos verdes diferentes a cada ano apresentou
produtividade significativamente maior que os demais.
Duarte Júnior e Coelho (2008) avaliaram adubos verdes e seus efeitos no
rendimento da cana-de-açúcar em sistema de plantio direto (SPD) em Campos dos
20

Goytacazes-RJ. Segundo os autores, o SPD com utilização dos adubos verdes


(crotalária juncea, mucuna preta e feijão de porco) contribuiu significativamente
para a maior produtividade de cana-de-açúcar, 135863 kg ha-1, sendo 37% superior
ao plantio convencional com a vegetação espontânea.
De modo geral, os trabalhos de pesquisa mostram que os adubos verdes
melhoram as características do solo, por aumentar a CTC, a saturação de bases e a
disponibilidade de nutrientes, principalmente de nitrogênio quando do uso de
leguminosas. No entanto, em termos de resposta à produtividade há variações nos
resultados quanto à real contribuição dos adubos verdes.

6 APLICAÇÃO DE ADUBOS ORGÂNICOS E A


PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS
Para se determinar a quantidade de resíduo necessária para a adubação, é
preciso antes ter realizado a análise do solo e do material orgânico a ser aplicado
como fonte de nutrientes, seja sólido ou líquido. Posteriormente, de acordo com a
necessidade da cultura que deseja adubar, pode-se calcular a quantidade de resíduo
que supre o requerimento nutricional da cultura. Frequentemente é necessário realizar
a suplementação da adubação orgânica com adubos minerais para se obter as
quantidades de nutrientes exigidas pelas culturas. Para definição da dose, o resultado
da análise do fertilizante orgânico deve informar o teor de nutrientes, no caso de
materiais em estado líquido, como a vinhaça, chorume e dejetos ou o teor de
nutrientes e a umidade quando os resíduos forem sólidos.
Outro fator a se considerar é que nos fertilizantes orgânicos os nutrientes
estão na forma orgânica, por exemplo, o nitrogênio está na forma de proteínas,
peptídeos, quitina, ácidos nucleicos, bases nitrogenadas e ureia. O fósforo está na
forma de ésteres fosfatos e fostatos de inositol (fitatos). Logo, para serem absorvidos
pelas plantas precisam ser convertidos em formas inorgânicas, isto é mineralizados.
O índice de conversão é dependente da composição química do resíduo e de
fatores ambientais que interferem na atividade dos microorganismos, geralmente
varia de 30 a 100% (SILVA, 2008). Ribeiro, Guimarães e Alvarez Venegas (1999)
apresentam uma aproximação da taxa de conversão de nutrientes da forma orgânica
para a forma mineral ao longo dos anos que pode ser utilizada como referência
(Tabela 6).
21

Tabela 6 – Índices de conversão da forma orgânica para a forma mineral em função do tempo após
aplicação do resíduo no solo.
Tempo de conversão
Nutriente
1º ano 2º ano 3º ano
%
N 50 20 30
P2O5 60 20 20
K2 O 100 0 0

De posse dessas informações, pelo raciocínio lógico determina-se a quantidade


do fertilizante orgânico a ser aplicada, ou de modo simplicado pelo uso de equações.
Para adubos orgânicos sólidos pode-se utilizar a seguinte equação (FURTINI NETO
et al., 2001, modificada por SILVA, 2008):

X= [A/(B/100 x C/100 x D/100)] x E, em que:

X= Quantidade do fertilizante orgânico sólido aplicado ou a aplicar (kg ha-1; g


planta-1);
A=Quantidade do nutriente exigida pela cultura (kg ha-1);
B= Teor de matéria seca do fertilizante (%)
C= Teor do nutriente na matéria seca (%)
D= Índice de conversão (%)
E= Fator de correção para o tipo de cultura, sendo um para culturas perenes e dois
para culturas anuais.

Exemplo prático:
Em uma fazenda de produção de café, existe uma disponibilidade de 50 toneladas
de esterco de curral para serem aplicadas em uma área de 10 hectares. Esse esterco
contém na matéria seca: 1,5% de N, 1% de P2O5 e 1% de K2O. Os índices de
conversão para N, P2O5 e K2O, no 1º ano são, respectivamente, de 50, 60 e 100%;
no 2º ano são: 30, 20 e 0%, respectivamente, para N, P2O5 e K2O e, no 3º ano,
respectivamente, de 20, 20 e 0%. O teor de água desse esterco é de 20%. Quais as
quantidades de N, P2O5 e K2O adicionadas por hectare, em função do uso das 60
toneladas de esterco na área de 10 hectares, considerando os seguintes prazos
após a adição do resíduo ao solo: 1, 2 e 3 anos?
22

Fórmula: X (kg ha-1)= [A/(B/100 x C/100 x D/100)] x E

Quantidade de nutrientes fornecida no 1º Ano:


N  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,5 50
 .     . 
100 100 100

N= 300 kg/10 ha ou 30 kg ha-1 de N

P2O 5  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 60
 .     . 
100 100 100
P2O5= 240 kg/10 ha ou 24 kg ha-1 de P2O5

K 2O  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 100
 .     . 
100 100 100
K2O= 400 kg/10 ha ou 40 kg ha-1 de K2O

Quantidade de nutrientes fornecida no 2º Ano:

N  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,5 30
 .     . 
100 100 100

N= 180 kg/10 ha ou 18 kg ha-1 de N

P2O 5  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 20
 .     . 
100 100 100
P2O5= 80 kg/10 ha ou 8 kg ha-1 de P2O5
K 2O  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 0
 .     . 
100 100 100
23

K2O= 0 kg/10 ha ou 0 kg ha-1 de K2O

Quantidade de nutrientes fornecida no 3º Ano:

N  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,5 20
 .     . 
100 100 100

N= 120 kg/10 ha ou 12 kg ha-1 de N

P2 O5  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 20
 .     . 
100 100 100

P2O5= 80 kg/10 ha ou 8 kg ha-1 de P2O5

K 2O  kg / 10 ha   
50000 kg ha 1   .1
80 1,0 0
 .     . 
100 100 100

K2O= 0 kg/10 ha ou 0 kg ha-1 de K2O

Considerando-se a exigência nutricional do cafeeiro de 100 kg/ha de N, 200


kg/ha de P2O5 e 100 kg/ha de K2O, quais seriam as quantidades necessárias de
sulfato de amônio (20% N), superfosfato simples (18% P2O5) e cloreto de potássio
(60% K2O) a serem adicionadas ao solo no 1º ano, após aplicação do esterco, no
sentido de atender a demanda em nutrientes do cafeeiro e complementar as
quantidades de N, P2O5 e K2O já fornecidas pelo adubo orgânico.

(A) Quantidade (B) Quantidade


(B-A) Quantidade a ser
Nutriente fornecida pelo exigida pelo
complementada (kg/ha)
esterco (kg/ha) cafeeiro (kg/ha)
N 30 100 70
P2O5 24 200 176
K2 O 40 100 60
24

100 kg sulfato de amônio → 20 kg N
x=? 70 kg N
x= 350 kg/ha de sulfato de amônio

100 kg superfostato simples → 18 kg N
x=? 176 kg N
x= 978 kg/ha de superfostato simples

100 kg cloreto de potássio → 60 kg N
x=? 60 kg N
x= 100 kg/ha de cloreto de potássio

Para adubos orgânicos líquidos, como os dejetos, chorume e vinhaça pode-


se utilizar a equação a seguir (FURTINI NETO et al., 2001):

X= A/(BxC/100) x E, em que:

X= Quantidade do fertilizante orgânico líquido aplicado ou a aplicar (m3 ha-1; L


planta-1);
A=Quantidade do nutriente exigida pela cultura (kg ha-1; g planta-1);
B= Concentração do nutriente no fertilizante ( kg m-3; g L-1)
C= Índice de conversão (%)
E= Fator de correção para o tipo de cultura sendo um para culturas perenes e 0,25
para culturas anuais (considerando ciclo de 3 meses, 3/12=0,25).

Exemplo prático:
Considere que se deseja implantar a cultura do milho em uma área de 10 ha e
há disponibilidade de 2000 m3 de chorume na fazenda. A análise química do chorume
mostrou que o material contém 3 kg/m3 de N, 4 kg/m3 de P2O5 e 2 kg/m3 de K2O.
Os indíces de conversão de N, P2O5 e K2O são, respectivamente, de 50, 60 e 100.
Lembre-se que a cultura do milho absorve nutrientes por um período máximo de 90
dias durante seu ciclo de crescimento. Sendo assim, quantos quilos de N, P2O5 e
K2O serão fornecidos ao milho com a aplicação de todo o chorume disponível nos
10 ha?
25

Fórmula: X= A/(BxC/100) x E

Quantidade de nutrientes fornecida pelo chorume:

N  kg / 10 ha   
2000 m 3   .0, 25
3 x 50
   
100
N= 750 kg/10 ha ou 75 kg ha-1 de N

P2 O5  kg / 10 ha   
2000 m 3   .0, 25
4x60
   
100
P2O5= 1200 kg/10 ha ou 120 kg ha-1 de P2O5

K 2O  kg / 10 ha   
2000 m 3   .0,25
2x100
   
100

K2O= 1000 kg/10 ha ou 100 kg ha-1 de K2O

Malta et al. (2007) usaram o raciocínio descrito acima ao avaliar a


produtividade de lavouras cafeeiras (Coffea arabica L.), em conversão para o
sistema orgânico de produção, no município de Lavras, MG. Não foram
observadas diferenças significativas em relação à produtividade do primeiro ano
de conversão das lavouras cafeeiras submetidas ao sistema de produção orgânico
quando comparadas com a lavoura convencional. Entretanto, em relação à
produtividade do segundo ano de conversão, os autores verificaram diferenças
significativas e, em sua maioria, a produtividade das lavouras orgânicas foi inferior
à da lavoura convencional (Tabela 7).
Flores e Yuyama (2007) avaliaram a produção de palmito em plantas de
pupunheira submetidas a diferentes fontes de adubo (orgânica e mineral) e formas
de adubação em Manaus, Amazônica Central. Os autores testaram os seguintes
tratamentos: 1) testemunha (sem adubo); 2) esterco de galinha poedeira na cova
(25 t ha-1); 3) adubo mineral na cova 225 kg ha-1 de N, 90 kg ha-1 de P2O5, 180 kg ha-1
26

de K2O; 4) esterco de galinha em cobertura um mês depois do plantio (25 t ha-1); 5)


adubo mineral em cobertura um mês após do plantio, 225 kg ha-1 de N, 90 kg ha-1 de
P2O5, 180 kg ha-1 de K2O; 6) esterco de galinha 50% na cova (12,5 t ha-1) + Adubo
mineral 50% (112,5 kg de N, 45 kg de P2O5 e 90 kg ha-1 de K2O) em cobertura um
mês depois do plantio; 7) adubo mineral parcelado em três aplicações com três
meses de intervalo (na cova 75 kg de N, 90 kg de P2O5 e 60 kg ha-1 de K2O + 2
aplicações iguais de 75 kg ha-1 de N e 60 kg ha-1 de K2O). As doses dos tratamentos
foram repetidas no 2º e 3º anos, aplicadas em cobertura. O rendimento do palmito
(palmito, estipe tenro e ponta) não diferiu, significativamente, nos tratamentos que
receberam adubos orgânicos e/ou minerais, mas foi superior ao tratamento
testemunha.

Tabela 7 – Produtividade média de café (sacas 60 kg ha-1 de café beneficiado) em função da aplicação
de diferentes tratamentos orgânicos comparados com a testemunha (Convencional).
Produtividade
Tratamentos
Ano 1 Ano 2
EB + CC 36,12 a 15,71 b
CF + CC 37,47 a 27,86 b
FM + CC 48,28 a 20,69 b
EB 29,89 a 8,11 b
CF 32,81 a 34,82 a
FM 43,04 a 21,97 b
EB + CC + AV 40,43 a 15,46 b
CF + CC + AV 38,58 a 25,29 b
FM + CC + AV 43,49 a 26,69 b
EB+AV 35,23 a 14,59 b
CF + AV 34,94 a 27,72 b
FM + AV 45,51 a 21,89 b
EB + CC + MC + Sd K e Mg 35,56 a 17,03 b
FM + CC + FR 39,67 a 24,37 b
CC 31,33 a 14,38 b
AV 31,14 a 7,23 b
Testemunha 35,24 a 45,86 a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem da testemunha, pelo teste de t, com proteção de
Bonferroni. Tratamentos: EB: Esterco Bovino; CF: Cama de Frango; FM: Farelo de mamona; CC: Casca de
Café; AV: Adubação Verde; MC: Moinha de Carvão; Sd K e Mg: Sulfato duplo de potássio e Magnésio; FR:
Farinha de rocha.
27

Sediyama et al. (2009) avaliaram o efeito da adubação orgânica associada à


adubação mineral na nutrição das plantas e produção de pimentão. O composto
orgânico produzido com palha de café, bagaço de cana-de-açúcar e dejeto líquido
de suínos foi eficiente na nutrição das plantas de pimentão e, consequentemente,
no aumento na produtividade de frutos. A máxima produtividade de frutos comerciais
foi estimada quando se associaram 84,43 t ha-1 de composto orgânico com 1500 kg
ha-1 da fórmula 4-14-8, aplicado nos sulcos de plantio.
Oliveira, Freitas Neto e Santos (2001) avaliaram a produtividade do inhame
Dioscorea cayennensis variedade Da Costa, em função de fonte e doses de matéria
orgânica, de adubação mineral (NPK) e de épocas de colheita em João Pessoa, PB.
O inhame colhido aos nove meses apresentou produtividade, significativamente,
maior quando adubado com esterco de galinha (20,87 t ha-1), quando comparado
com a adubação com esterco bovino (18,85 t ha-1).
Menezes et al. (2012) avaliaram os efeitos do biofertilizante bovino aplicado
ao solo na forma líquida na ausência e presença de cloreto de potássio (KCl),
sobre os teores foliares de macro e micronutrientes do maracujazeiro amarelo. O
biofertilizante bovino foi obtido a partir da fermentação metanogênica de uma
mistura de partes iguais de esterco fresco de bovino e água. Apenas as plantas
com aplicação de KCl estavam adequadamente supridas em K. O biofertilizante
isoladamente não foi suficiente para suprir as exigências nutricionais do
maracujazeiro amarelo.
Fernandes et al. (2009) avaliaram o crescimento vegetativo de plantas de
mamona submetidas à adubação orgânica e mineral, no município de Remígio, PB.
Os autores cultivaram a mamoneira sobre o solo em sua condição natural de
fertilidade,T1- Testemunha; T2-Composto de lixo I (12 kg/cova); T3-Composto
de lixo II (12 kg/cova de composto enriquecido com pó de rocha potássica, fosfática,
pó de telha, e cinza); T4- Adubação mineral (em fundação: 40 g de N; 177,77g de P;
26,66g de K; 22,857g de Zn; 82,05g de Mg; 22,598g de B; 16g de Cu; 14,28g de
Mn, por cova; 45 dias após o plantio, realizou-se uma adubação aplicando 40g de
N/cova); T5- Adubação orgânica com esterco de curral curtido. A mamoneira
respondeu melhor aos adubos orgânicos e dentre estes aos compostos de lixo.
Santos et al. (2009) avaliaram o efeito da fertilização com esterco bovino e
cama de galinha caipira sobre os componentes de produção do milho no município
de Lagoa Seca, PB. A maior produtividade do milho foi obtida com a aplicação de
28

4 t ha-1 de cama de galinha caipira. Silva, Bôas e Silva (2010) avaliaram a produção
de alface em ambiente protegido, utilizando diferentes compostos orgânicos como
fonte de nitrogênio, e seu efeito residual em dois ciclos sucessivos. O composto 1
foi produzido a partir de esterco + resíduos de unha de gato; o composto 2 a partir
de esterco + resíduos de cáscara sagrada; o composto 3 a partir de esterco + ipê
roxo; o composto 4 a partir de esterco + mistura de resíduos de unha de gato,
cáscara sagrada, ipê roxo e boldo, respectivamente. A proporção de cada
componente nas misturas foi calculada para que a relação C/N inicial de cada
composto atingisse 30:1. Os compostos aplicados supriram satisfatoriamente as
necessidades de nitrogênio da cultura no primeiro ciclo, dispensando o uso de
fertilizante mineral. A composição dos materiais aplicados influenciou
significativamente a produção de alface no primeiro ciclo e promoveu efeito residual
no segundo ciclo, porém em menores proporções.
A literatura apresenta resultados diversos em relação à resposta das culturas à
aplicação de fertilizantes orgânicos. Em algumas situações há redução das
produtividades, principalmente quando se faz a conversão do sistema convencional
para o sistema orgânico. Entre os resíduos que têm apresentado melhores respostas,
destacam-se os de origem animal e entre estes a cama de frango. Mas, na maioria
das vezes, a escolha do material a ser utilizado é definida pela sua disponibilidade
nas proximidades dos cultivos agrícolas.

7 LEGISLAÇÃO DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS


Em 1980, a Lei nº 6894 de 16/12 incluiu as substâncias orgânicas fornecedoras
de nutrientes aos vegetais como fertilizantes (BRASIL, 1980). Em 1981, esta lei foi
alterada pela Lei 6934 de 13/07, a qual substituiu a definição de inoculantes, esclareceu
aspectos relacionados ao registro, inspeção e fiscalização e estabeleceu sanções
aplicáveis em caso de infração da Lei (BRASIL, 1981).
Somente em 2004, o Decreto nº 4954 de 14/01 aprovou o regulamento da Lei
nº 6894 de 16/12/80 (BRASIL, 2004a). Neste decreto, os fertilizantes orgânicos
são considerados como produtos de natureza fundamentalmente orgânica, obtidos
por processo físico, químico, físico-químico ou bioquímico, natural ou controlado,
a partir de matérias-primas de origem industrial, urbana ou rural, vegetal ou animal,
enriquecido ou não de nutrientes minerais.
29

O Decreto nº 4954 de 14/01/04 (BRASIL, 2004a) define, ainda, o que é um


fertilizante orgânico simples (produto natural de origem vegetal ou animal, contendo
um ou mais nutrientes de plantas); fertilizante orgânico misto (produto de natureza
orgânica, resultante da mistura de dois ou mais fertilizantes orgânicos simples,
contendo um ou mais nutrientes de plantas); fertilizante orgânico composto (produto
obtido por processo físico, químico, físico-químico ou bioquímico, natural ou
controlado, a partir de matéria-prima de origem industrial, urbana ou rural, animal
ou vegetal, isoladas ou misturadas, podendo ser enriquecido de nutrientes minerais,
princípio ativo ou agente capaz de melhorar suas características físicas, químicas
ou biológicas; e fertilizante organomineral (produto resultante da mistura física ou
combinação de fertilizantes minerais e orgânicos). Além disso, o decreto traz
definições sobre o registro do estabelecimento e do produto, sobre a classificação
dos estabelecimentos e produtos, sobre a assistência técnica, produção, embalagem,
rotulagem, propaganda, comércio, armazenamento, transporte, inspeção, fiscalização,
medidas cautelares, infrações, sanções e processos administrativos.
A qualidade dos fertilizantes orgânicos é tomada em relação aos valores
declarados ou garantidos pelo fabricante para os parâmetros: matéria orgânica,
carbono orgânico, relação carbono/nitrogênio, capacidade de troca catiônica,
capacidade de retenção de água, poder de neutralização, pH, ácidos húmicos,
aminoácidos, umidade, condutividade elétrica e outros componentes garantidos ou
declarados não previstos.
Posteriormente várias instruções normativas (IN) foram publicadas delo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a fim de detalhar as leis e o
decreto anterior. A IN nº10 de 06/05/04 (BRASIL, 2004b) aprovou as disposições
sobre a classificação e os registros de estabelecimentos e produtos, as exigências e
critérios para embalagem, rotulagem, propaganda e para prestação de serviço, bem
como os procedimentos a serem adotados na inspeção e fiscalização da produção,
importação, exportação e comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes e
biofertilizantes, destinados à agricultura.
Em 2005, A IN nº 23 de 31/08 aprovou as definições e normas sobre as
especificações e as garantias, as tolerâncias, o registro, a embalagem e a rotulagem
dos fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos, organominerais e
biofertilizantes destinados à agricultura (BRASIL, 2005), mas foi posteriormente
revogada pela IN nº 25 de 23/07/09 (BRASIL, 2009), que está em vigor até a
presente data (28/02/13).
30

A IN nº 25 de 23/07/09 (BRASIL, 2009) estabelece os produtos ou matérias-


primas utilizadas como fertilizantes orgânicos.
Lodo de esgoto: matéria-prima proveniente do sistema de tratamento de esgotos
sanitários, possibilitando um produto de utilização segura na agricultura.
Vermicomposto: produto resultante da digestão, pelas minhocas, da matéria
orgânica proveniente de estercos, restos vegetais e outros resíduos orgânicos.
Composto de lixo: produto obtido pela separação da parte orgânica dos
resíduos sólidos domiciliares e sua compostagem, resultando em produto de
utilização segura na agricultura.
A utilização do lodo de esgoto, vermicomposto e composto de lixo devem
atender aos parâmetros estabelecidos no Anexo III da IN nº 25 de 23/07/09 e aos
limites máximos estabelecidos para contaminantes;
Fertilizante orgânico e organomineral foliar: produto de natureza
fundamentalmente orgânica que se destina à aplicação na parte aérea das plantas.
Fertilizante orgânico e organomineral para fertirrigação: produto de natureza
fundamentalmente orgânica que se destina à aplicação via sistemas de irrigação.
Fertilizante orgânico e organomineral para hidroponia: produto de natureza
fundamentalmente orgânica, que se destina à aplicação em sistemas de cultivo sem
solo ou hidropônico.
Fertilizante orgânico e organomineral para sementes: produto de natureza
fundamentalmente orgânica que se destina à aplicação via tegumento de sementes.
Fertilizante orgânico e organomineral em solução para pronto uso: produto
de natureza fundamentalmente orgânica, em solução verdadeira já diluída e em
condições de pronto uso por aspersão na parte aérea das plantas ou como solução
nutritiva para hidroponia ou cultivo em vaso.
Fertilizante orgânico e organomineral fluido: produto de natureza
fundamentalmente orgânica cuja natureza física é líquida quer seja solução ou
suspensão.
Fertilizante orgânico e organomineral em solução: produto de natureza
fundamentalmente orgânica fluido, sem partículas sólidas.
Fertilizante orgânico e organomineral em suspensão: produto de natureza
fundamentalmente orgânica, fluido, com partículas sólidas em suspensão, podendo
ser apresentado com fases distintas, no caso de suspensões heterogêneas, ou sem
fases, no estado líquido, no caso de suspensões homogêneas.
31

Fertilizante orgânico e organomineral complexado: produto de natureza


fundamentalmente orgânica que contém em sua composição cálcio, magnésio ou
micronutrientes ligados quimicamente a um ou mais agentes complexantes.
Fertilizante orgânico e organomineral quelatado: produto de natureza
fundamentalmente orgânica que contém em sua composição cálcio, magnésio ou
micronutrientes ligados quimicamente a um ou mais agentes quelantes.
O teor dos elementos químicos, nutriente (s), ou do seu óxido, ou de qualquer
outro componente do produto deverá ser nitidamente impresso no rótulo, ou na
etiqueta de identificação ou em documento relativo ao fertilizante.

7.1 Classificação dos fertilizantes orgânicos de acordo com as matérias-


primas utilizadas na sua produção

Classe “A”: fertilizante orgânico que, em sua produção, utiliza matéria-prima


de origem vegetal, animal ou de processamentos da agroindústria, onde não sejam
utilizados, no processo, metais pesados tóxicos, elementos ou compostos orgânicos
sintéticos, potencialmente tóxicos, resultando em produto de utilização segura na
agricultura.
Classe “B”: fertilizante orgânico que, em sua produção, utiliza matéria-prima
oriunda de processamento da atividade industrial ou da agroindústria, onde metais
pesados tóxicos, elementos ou compostos orgânicos sintéticos potencialmente
tóxicos são utilizados no processo, resultando em produto de utilização segura na
agricultura.
Classe “C”: fertilizante orgânico que, em sua produção, utiliza qualquer
quantidade de matéria-prima oriunda de lixo domiciliar, resultando em produto de
utilização segura na agricultura.
Classe “D”: fertilizante orgânico que, em sua produção, utiliza qualquer
quantidade de matéria-prima oriunda do tratamento de despejos sanitários, resultando
em produto de utilização segura na agricultura.

7.2 Garantias e especificações dos fertilizantes orgânicos

Para a comercialização, os fertilizantes orgânicos sólidos devem estar de acordo


com as especificações da Tabela 8.
32

Tabela 8 – Especificações granulométricas para o produto sólido.


Especificação Granulométrica
Natureza Física
Peneira Passante Retido
Granulado 4 mm (ABNT nº 5) 95% mínimo 5% máximo
1 mm (ABNT nº 18) 5% máximo 95% mínimo
Pó 2,0 mm (ABNT nº 10) 100% 0%
0,84 mm (ABNT nº 20) 70% mínimo 30% máximo
0,3 mm (ABNT nº 50) 50% mínimo 50% máximo
Farelado 3,36 mm (ABNT nº 6) 95% mínimo 5% máximo
0,5 mm (ABNT nº 35) 25% máximo 75% mínimo
Farelado Grosso 4,8mm (ABNT nº 4) 100% 0%
1,0 mm (ABNT nº 18) 20% máximo 80% mínimo

Para os fertilizantes orgânicos que não atendam estas especificações


granulométricas, no rótulo ou etiqueta de identificação deverá constar a expressão:
“PRODUTO SEM ESPECIFICAÇÃO GRANULOMÉTRICA”.
Os fertilizantes orgânicos simples, mistos e compostos para aplicação no solo
deverão apresentar teor de no mínimo 3% de carbono orgânico, macronutrientes
primários, conforme declarado no processo de registro pelo fabricante ou importador.
Em relação aos macronutrientes secundários e micronutrientes, quando garantidos no
produto, deverão ser observadas as garantias mínimas expressas na Tabela 9.
Os fertilizantes organominerais deverão ter as seguintes especificações, garantias
e características:
Para os produtos sólidos para aplicação no solo:
• carbono orgânico : mínimo de 8%
• umidade máxima: 30%
• CTC mínimo: 80 mmolc kg-1
• N, P, K ou misturas (NP, NK, PK ou NPK): 10%
• Ca, Mg e S: 5%
• Micronutrientes: 4%
Para os produtos fluidos para aplicação no solo:
• carbono orgânico : mínimo de 3%
• N, P, K ou misturas (NP, NK, PK ou NPK): 3%
• Ca, Mg e S: 2%
• Micronutrientes: 1%
33

Tabela 9 – Garantias mínimas para os produtos com macronutrientes secundários e/ou micronutrientes
para aplicação no solo e para aplicação via foliar, fertirrigação e hidroponia.
TIPO DO FERTILIZANTE ORGÂNICO
Teor Total Mínimo(%) Teor Solúvel em H2O (%)
NUTRIENTE
Aplicação no solo Via foliar, fertirrigação e hidroponia
Sólido Fluido Sólido Fluido
Cálcio (Ca) 1 0,5 0,5 0,3
Magnésio (Mg) 1 0,5 0,5 0,3
Enxofre (S) 1 0,5 0,5 0,3
Boro (B) 0,03 0,01 0,02 0,01
Cloro (Cl) 0,1 0,1 0,1 0,1
Cobalto (Co) 0,005 0,005 0,005 0,005
Cobre (Cu) 0,05 0,05 0,05 0,05
Ferro (Fe) 0,2 0,1 0,1 0,02
Manganês (Mn) 0,05 0,05 0,1 0,02
Molibdênio (Mo) 0,005 0,005 0,02 0,005
Níquel (Ni) 0,005 0,005 0,005 0,005
Silício (Si) 1,0 0,5 0,5 0,05
Zinco (Zn) 0,1 0,05 0,1 0,05

8 ANÁLISE DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS E


ORGANOMINERAIS
Os métodos abaixo descritos foram regulamentados pela Instrução Normativa
SDA Nº 28, de 27 de julho de 2007 (BRASIL, 2007). O anexo da referida IN inclui
métodos analíticos para fertilizantes minerais, orgânicos, organominerais e corretivos,
no entanto no presente boletim foram selecionados apenas os métodos mais utilizados
nas análises dos fertilizantes orgânicos e organominerais.

8.1 Análise granulométrica

Tem por objetivo verificar a especificação granulométrica de fertilizantes


apresentados na forma de granulados, farelados ou pós.
1. Equipamentos
a) Peneiras com aro de 20 cm de diâmetro, 5 cm de altura e aberturas de malha, de
acordo com a Tabela 10, limpas, secadas e pesadas com aproximação de 0,01g,
com fundo (também pesado) e tampa.
34

b) Agitador mecânico de peneiras.

2. Procedimento:
Homogeneizar toda a amostra sólida e reduzi-la por quarteação (manual ou com
quarteador) a mais ou menos 250g; Retirar cerca de 30 g para a determinação do
pH ; colocar em uma cápsula de porcelana ou bandeja tarada, levar à estufa regulada
para a temperatura de 65°C por 16 horas ou até peso constante, verificado de hora
em hora após o transcurso das 16 horas; Retirar da estufa, esfriar em dessecador;
Homogeneizar e, por quarteação, dividir em duas partes iguais. Reservar uma delas
para a análise granulométrica e moer a outra, passando em peneira com abertura de
malha de 0,5 mm (ABNT n° 35).
Pesar integralmente a fração da amostra reservada para tal, com precisão de 0,01 g
e transferi-la sobre as peneiras, encaixadas uma sobre a outra, em ordem crescente
de abertura de malha, ficando a de malha maior acima, observando as aberturas de
malha, de acordo com cada caso:
Tabela 10 – Especificações da natureza física de fertilizantes orgânicos.
Natureza física do fertilizante Peneiras ABNT (no)
Granulado, mistura de grânulos, mistura granulada 4,0 mm e 1,0 mm 5 e 18
Farelado grosso 4,8 mm e 1,0 mm 4 e 18
Farelado e farelado fino 3,36 mm e 0,5 mm 6 e 35
Microgranulado 2,8 mm e 1,0 mm 7 e 18
Pó 2,0; 0,84 e 0,30 mm 10, 20 e 50

Tampar o conjunto, fixar as peneiras no agitador e agitar durante 5 minutos. Pesar


cada peneira e o fundo e calcular a fração neles retida; em seguida, calcular o
percentual do material passante em cada peneira pelas expressões:

100  R1  
% da amostra passante na1 a  peneira  100   
G

100  R1  R2   
% da amostra passante na 2a  peneira  100   
G

100  R1  R2  R3  
% da amostra passante na 3a  peneira  100   
G
35

G = massa da amostra, em gramas


R1 = massa da fração retida na 1a peneira especificada, em gramas
R2 = massa da fração retida na 2a peneira especificada, em gramas.
R3 = massa da fração retida na 3ª peneira especificada, em gramas.

8.2 Umidade

Colocar mais ou menos 250g da amostra sólida homogeneizada em uma cápsula


de porcelana ou bandeja tarada, pesar e anotar a massa (G1). Levar à estufa regulada
para a temperatura de 65°C, por 16 horas ou até peso constante, verificado de hora
em hora. Após o transcurso das 16 horas, retirar da estufa, esfriar em dessecador,
pesar e anotar a massa (G2).
Calcular o percentual de umidade da amostra a 65ºC utilizando os dados (G1 e
G2) referidos anteriormente no item A, de acordo com a expressão:
100  G1  G2   
U 65ºC  ,  onde :
G1
G1 = massa da amostra “in natura”, em gramas;
G2 = massa da amostra secada a 65ºC, em gramas.

8.3 Determinação do pH

a) Princípio e aplicação
Consiste em suspender a amostra em solução de CaCl2 0,01 mol L-1 e proceder à
medida potenciométrica do pH. Aplica-se a qualquer fertilizante orgânico.
b) Materiais
Equipamento: Potenciômetro com eletrodo combinado, para a medida de pH.
Reagentes e soluções: Cloreto de cálcio hexahidratado, p.a., com 99% de pureza
– CaCl2.6H2O. Solução de cloreto de cálcio, CaCl2, 0,01 mol/L – Pesar 1,1064 g
do sal p.a. e dissolver em água. Transferir para balão de 500 mL e completar o
volume com água destilada.
c) Procedimento
Pesar 10 g da parte da amostra reservada para tal (amostra “in natura”), transferir
para béquer de 100 mL, adicionar 50 mL de solução de CaCl2 0,01mol/L, agitar e
36

aguardar 30 minutos, agitando de 10 em 10 minutos. Medir o pH da suspensão,


expressando o resultado com a indicação “pH em solução 0,01 mol L-1 de CaCl2”.

8.4 Nitrogênio total

As metodologias oficiais são Macrométodo da liga de Raney, Micrométodo


da liga de Raney e Método do ácido salicílico. Abaixo está descrito apenas o
Método do ácido salicílico.

Método do ácido salicílico


a) Princípio e aplicação: Este método fundamenta-se na amonificação de todas
as formas não amoniacais de nitrogênio, seguida da destilação alcalina da amônia,
que é recebida numa quantidade excedente de ácido bórico. O borato de amônio
formado é titulado com ácido sulfúrico padronizado. Aplicável aos fertilizantes,
inclusive com conteúdo de matéria orgânica. Não se aplica a produtos líquidos.
b) Materiais
Equipamento: Conjunto digestor-destilador tipo Kjeldahl.
Reagentes e soluções
• Acido sulfúrico (H2SO4) concentrado, p.a.
• Sulfato de cobre (CuSO4.5H2O), p.a.
• Sulfato de potássio (K2SO4) ou sulfato de sódio (Na2SO4) anidro, p.a.
• Ácido salicílico (C7H6O3), p.a.
• Solução de sulfeto de potássio ou tiossulfato de sódio - Dissolver em água 40g de
K2S ou 80g de Na2S2O3.5H2O e completar a 1 litro com água destilada.
• Solução de hidróxido de sódio a 450 g L-1. Dissolver 450 g de NaOH em água,
esfriar e diluir a 1 litro com água destilada. Conservar em recipiente plástico.
• Zinco em pó (pó fino, impalpável).
• Zinco granulado, 8 mesh, p.a.
• Indicador verde de bromocresol 1 g L-1. Pesar 0,25 g do indicador, triturar em
almofariz com 7-8 mL de NaOH 4 g L-1, transferir para um balão volumétrico de
250 mL e completar o volume com água destilada.
• Indicador vermelho de metila 1 g L-1: Dissolver 0,1g de vermelho de metila em
álcool etílico e transferir para um balão volumétrico de 100 mL. Completar o volume
com álcool etílico.
37

• Indicador alaranjado de metila 1 g L-1: Dissolver 0,1g do indicador em água destilada


e completar o volume a 100 mL.
• Mistura de indicadores: Misturar 1 volume da solução de vermelho de metila 1 g L-1
e 10 volumes da solução de verde de bromocresol 1 g L-1.
• Ácido bórico, H3BO3, 40 g L-1 com indicadores: Pesar 40g de H3BO3 p.a. dissolver
em água destilada morna. Esfriar e transferir para um balão volumétrico de 1.000 mL.
Acrescentar 20 mL da mistura de indicadores e completar o volume com água destilada.
• Solução de ácido sulfúrico aproximadamente 0,25 M – transferir 14 mL de ácido
sulfúrico concentrado p.a. para balão de 1.000 mL e completar o volume com água
destilada.
Padronização da solução H2SO4 0,25 M: Pesar exatamente 3,0000g de carbonato
de sódio, Na2CO3, padrão primário, secado a 280-290 ºC em forno elétrico por 2h
e esfriado em dessecador. Transferir para um balão volumétrico de 200 mL e
completar com água destilada. Homogeneizar e guardar em refrigerador. Tomar 50
mL da solução de carbonato de sódio e transferir para erlenmeyer de 250 mL.
Adicionar 50 mL de água destilada e 3 gotas do indicador alaranjado de metila.
Titular com a solução de H2SO4 a padronizar até começar a variar a cor do indicador
em relação a uma solução de referência (usar uma solução de 80 mL de água fervida
por dois minutos acrescidos de três gotas de alaranjado de metila). Interromper a
titulação e ferver por dois a três minutos, esfriar e prosseguir até variação definitiva
da cor do indicador para tom laranja-avermelhado. Efetuar três repetições e anotar
o volume médio gasto (V). Calcular a molaridade da solução pela expressão:

7,0756
M
V
Onde:
V = média dos volumes, em mL, da solução de H2SO4 gastos na titulação.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar uma quantidade de amostra de 0,2 a 2,0 g, com precisão de 0,1 mg (G), e
transferir para um balão de Kjeldahl de 800 mL. Juntar 40 mL de ácido sulfúrico
concentrado em que foram dissolvidos 2 g de ácido salicílico, agitar para misturar
perfeitamente e deixar, ao menos, 30 minutos em repouso, agitando de vez em quando.
38

b) Acrescentar 5 g de Na2S2O3.5H2O ou 2 g de zinco em pó fino, agitar, esperar 5


minutos e aquecer moderadamente até cessar a espuma.
c) Interromper o aquecimento, juntar 1 g de sulfato de cobre (CuSO4.5H2O) e 15 g
de sulfato de potássio (K2SO4) ou 15 g de sulfato de sódio anidro (Na2S04) em pó,
e levar à ebulição até a solução tornar-se clara, continuando por mais 30 minutos,
no mínimo (2 h para amostras contendo material orgânico).
Determinação
a) Esfriar, juntar 200 mL de água, adicionar 25 mL de solução de tiossulfato ou
sulfeto e misturar.
b) Acrescentar 3-4 grânulos de zinco, inclinar o frasco de Kjeldahl e adicionar 140
mL de solução de NaOH a 450 g L-1.
c) Ligar imediatamente o frasco Kjeldahl ao conjunto de destilação, com a ponta do
condensador já mergulhada em um erlenmeyer de 500 mL contendo 50 mL da
solução de ácido bórico a 40 g L-1 com indicadores.
d) Misturar o conteúdo, imprimindo rotações ao frasco Kjeldahl e aquecer para
destilar, recebendo, no mínimo, 150 mL de destilado na solução de ácido bórico.
e) Retirar o erlenmeyer, lavar a ponta do condensador e titular com ácido
padronizado (V1).
f) Fazer uma prova em branco em idênticas condições (V2).
g) Calcular a porcentagem de nitrogênio, pela expressão:

2,8014  V1  V2  M
%N 
G

V1 = volume (mL) de ácido sulfúrico gasto na titulação da amostra


V2 = volume (mL) de ácido sulfúrico gasto na titulação da prova em branco
M = molaridade exata da solução de ácido sulfúrico
G = massa da amostra, expressa em gramas.
d) Cuidados Especiais
• Proceder às adições de acido sulfúrico cuidadosamente, para evitar reação violenta.
• Vistoriar periodicamente o aparelho destilador visando evitar perdas de amônia e
eventuais vazamentos de soluções reagentes.
• Destilar uma amostra de referência periodicamente.
• Manusear todos os ácidos fortes com auxilio de EPI’s.
39

8.5 Fósforo total

Método gravimétrico do quimociac


a) Princípio e aplicação: Consiste na solubilização do fósforo da amostra por
extração fortemente ácida e posterior precipitação do íon ortofosfato como
fosfomolibdato de quinolina, o qual é filtrado, secado e pesado. *Método preferencial
para a realização de análises periciais.
b) Materiais
Equipamentos
• cadinho de vidro sinterizado de 30-50 mL, com placa porosa de porosidade
média a fina.
• frasco kitassato de 1.000 mL.
• bomba de vácuo.
• mufla
Reagentes
• Ácido nítrico, HNO3, p.a.
• Ácido clorídrico, HCl, p.a.
• Reagente “quimociac”: Dissolver 70g de molibdato de sódio, Na2MoO4.2H2O,
em 150 mL de água destilada. Dissolver 60g de ácido cítrico cristalizado,
C6H8O7.H2O, em uma mistura de 85 mL de ácido nítrico concentrado e 150 mL de
água destilada. Esfriar e adicionar aos poucos, com agitação, a solução de molibdato
à mistura de ácido cítrico e nítrico. Dissolver 5 mL de quinolina sintética, C9H7N,
em uma mistura de 35 mL de ácido nítrico e 100 mL de água destilada. Adicionar
esta solução, aos poucos, à solução de molibdato, ácido cítrico e nítrico;
homogeneizar e deixar em repouso durante 24 horas. Filtrar, juntar 280 mL de
acetona, completar a 1 litro com água destilada e homogeneizar. Guardar esta solução
em frasco de polietileno.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar 1,0 g da amostra, com aproximação de 0,1 mg (G) e transferir para
béquer de 250 mL; adicionar 30 mL de ácido nítrico e 5 mL de ácido clorídrico
concentrados. Ferver até cessar o desprendimento de vapores castanhos (NO 2) e
a solução clarear.
40

b) Adicionar 50 mL de água destilada e ferver por 5 minutos. Esfriar.


c) Transferir para balão volumétrico de 250 mL, completar o volume com água
destilada e homogeneizar.
d) Filtrar por meio de papel de filtro de porosidade média, seco.
e) Desprezar os primeiros 20 a 30 mL e separar um volume de filtrado límpido,
suficiente para a determinação.
Determinação
a) Pipetar uma alíquota (A) do extrato contendo de 10 a 25 mg de P2O5 (250/Gg 
A
625/Gg, sendo G = peso da amostra em gramas e g = garantia %) e transferir para
béquer de 400 mL; ajustar o volume a 100 mL com água destilada e aquecer até o
início de fervura.
b) Adicionar 50 mL de reagente “quimociac” e ferver durante 1 minuto, dentro da
capela.
c) Esfriar a temperatura ambiente, agitando cuidadosamente, 3 a 4 vezes durante o
resfriamento.
d) Filtrar, sob a ação de vácuo, em cadinho de placa porosa, previamente secado a
250ºC e tarado; lavar com 5 porções de 25 mL de água destilada, tendo o cuidado
de adicionar cada porção após a anterior ter passado completamente.
e) Secar durante 30 minutos a 250ºC. Esfriar em dessecador e pesar como
(C9H7N)3H3[PO4.12 MoO3].
f) Calcular o percentual de P2O5 da amostra pela expressão:

801,75 m
%P2O5 
AG

Onde:
m = massa do precipitado, em grama.
G = massa inicial da amostra, em grama.
A = volume da alíquota tomada do extrato, em mL.
41

8.6 Fósforo solúvel em água

Método espectrofotométrico do ácido molibdovanadofosfórico


a) Princípio e aplicação
Fundamenta-se na extração com água do fósforo presente na amostra. Em seguida
procede-se à formação de um complexo colorido entre o fosfato e os reagentes
vanadato e molibdato de amônio, de cor amarela, cuja absorbância é medida a 400
nm. Não se aplica a escórias básicas.
b) Materiais
Equipamento: Espectrofotômetro uv-visível digital.
Reagentes e soluções
• Solução vanadomolíbdica: conforme descrito no método espectrofotométrico do
fósforo total.
• Solução padrão de 500 ppm(m/v) de P2O5: idem.

c) Procedimento
Extração
Proceder como descrito no método anterior, de determinação gravimétrica com o
“quimociac”, para o fósforo total. item-Extração
Determinação
Preparo da curva de calibração
a) Pipetar 2,0 - 2,5 - 3,0 - 3,5 e 4,0 mL da solução estoque de KH2PO4, que
contém 500 mg de P2O5 por litro, para balões volumétricos de 50 mL.
b) Adicionar a todos os balões:
• 20 mL de água destilada;
• 15 mL da solução vanadomolíbdica.
c) Agitar, completar o volume com água destilada e homogeneizar. Estas soluções
contêm, respectivamente, 20, 25, 30, 35 e 40 ppm (m/v) de P 2O5.
d) Deixar em repouso por 10 minutos para completar o desenvolvimento da
cor e determinar a absorbância das soluções a 400 nm, empregando como
branco a solução que contém 20 ppm de P 2 O 5 (zerar o aparelho com essa
solução).
e) A partir dos dados obtidos, calcular a equação de regressão.
42

Determinação na amostra
a) Transferir, para balão volumétrico de 50 mL, uma alíquota do extrato (A) que
contenha de 1,0 a 2,0 mg de P2O5 . Cálculo do volume da alíquota : 25/Gg A 50/
Gg, sendo G = peso em gramas e g = garantia em %.
b) Adicionar a todos os balões: 20 mL de água destilada e 15 mL da solução
vanadomolíbdica.
c) Completar o volume com água destilada e agitar.
d) Aguardar 10 minutos e determinar a absorbância das soluções, no
espectrofotômetro a 400 nm, empregando como prova em branco a solução que
contém 20 ppm de P2O5 (zerar o aparelho com essa solução).
e) Calcular a concentração em ppm de P2O5 na amostra de fertilizante pela curva de
calibração ou da equação de regressão.
f) Calcular a porcentagem de P2O5 solúvel em água na amostra pela expressão:

1,25C
%P2O5  ,  onde :
AG

C = concentração em ppm (m/v) de P2O5 na alíquota analisada.


G = massa inicial da amostra, em grama.
A = volume da alíquota tomada do extrato, em mL.
d) Cuidados especiais
• Medir com precisão o volume das alíquotas.
• Sempre que perceber variação nas leituras dos padrões, refazer a curva de
calibração.

8.7 Fósforo solúvel em citrato neutro de amônio mais fósforo solúvel em


água

Método gravimétrico do quimociac


a) Princípio e aplicação: Fundamenta-se na extração do fósforo com água e
citrato neutro de amônio a 65°C, seguida de precipitação do fósforo extraído
como fosfomolibdato de quinolina, filtração, secagem e pesagem desse
precipitado. *Método preferencial para a realização de análises periciais.
43

b) Materiais
Equipamentos
• cadinho de vidro sinterizado de 30-50 mL, com placa porosa de porosidade
média a fina.
• frasco kitassato de 1.000 mL.
• bomba de vácuo.
• mufla
• estufa com agitador e controle de temperatura.
Reagentes e soluções
• Ácido nítrico, HNO3, (1+1), com água destilada.
• Reagente quimociac: conforme descrito para o método do fósforo total.
• Citrato neutro de amônio – CNA: dissolver 370g de ácido cítrico mono hidratado
cristalizado, C6H8O7.H2O, em 1500 mL de água destilada e adicionar 345 mL de
hidróxido de amônio, NH4OH, p.a., com 28 a 29% de NH3. Esfriar e medir o pH.
Ajustar o pH para 7,0 com hidróxido de amônio 1+9 ou com solução de ácido
cítrico a 100 g L-1. Determinar a densidade, que deve ser de 1,09 à temperatura de
20ºC, adicionando água, ou ácido cítrico, se necessário. Guardar a solução em
frasco hermeticamente fechado. Verificar, semanalmente, o pH acertando quando
necessário.
c) Procedimento
Extração
a) Transferir 1 g, com aproximação de 0,1 mg (G), da amostra para papel de filtro
de porosidade média, adaptado em funil e colocar sobre um balão volumétrico de
500 mL.
b) Lavar com aproximadamente 120 mL de água destilada, em pequenas porções,
tendo o cuidado de promover a suspensão da amostra e de adicionar nova porção
somente após a anterior ter passado completamente.
c) Transferir o papel de filtro com o resíduo para erlenmeyer de 250 mL e lavar
quantitativamente o funil com água destilada, ainda adaptado ao balão volumétrico.
d) Adicionar ao erlenmeyer 100 mL de solução de citrato neutro de amônio
previamente aquecida a 65ºC.
e) Tampar com rolha de borracha, agitar vigorosamente até reduzir o papel de filtro
à polpa. Remover momentaneamente a rolha para diminuir a pressão.
44

f) Colocar o frasco bem fechado no agitador dentro da estufa e agitar durante 1


hora, mantendo a temperatura a 65°C.
g) Após 1 hora, retirar o frasco do agitador, esfriar à temperatura ambiente e transferir
o conteúdo do erlenmeyer para o balão volumétrico de 500 mL que contém o
fósforo solúvel em água. Completar o volume e agitar.
h) Deixar em repouso até obter um sobrenadante límpido (pode-se, também, filtrar
ou centrifugar).
Determinação
a) Pipetar uma alíquota do extrato A que contenha de 10 mg a 25 mg de P2O5
(500/Gg  A  1250/Gg, sendo G = massa em gramas e g = garantia em %),
transferir para béquer de 400 mL e ajustar o volume a 50 mL com água destilada.
b) Acrescentar 10 mL de ácido nítrico (1+1) e ferver suavemente durante 10
minutos.
c) Ajustar a aproximadamente 100 mL com água destilada e aquecer até início de
fervura.
d) Adicionar 50 mL do reagente “quimociac” e ferver durante 1 minuto, dentro de
capela.
e) Esfriar à temperatura ambiente, agitando cuidadosamente 3 - 4 vezes durante o
resfriamento.
f) Filtrar, sob a ação de vácuo, em cadinho de placa porosa, previamente secado
a 250ºC e tarado, lavar com 5 porções de 25 mL de água destilada, tendo o
cuidado de adicionar cada porção após a anterior ter passado completamente.
g) Secar durante 30 minutos a 250ºC. Esfriar em dessecador por 30 minutos e
pesar como fosfomolibdato de quinolina, (C 9H7N)3H3[PO4.12MoO3].
h) Calcular o percentual de P2O5 solúvel em água mais o solúvel em solução
neutra de citrato de amônio, pela expressão:

1603,5 m
%P2O 5  ,  onde :
AG

m = massa em gramas do precipitado.


A = volume (mL) da alíquota do extrato tomada para a determinação
G = massa inicial da amostra, em grama.
45

8.8 Potássio solúvel em água

Método por fotometria de chama


a) Princípio
Consiste na solubilização do potássio em água e medida da sua emissão em
fotômetro de chama devidamente calibrado.
b) Materiais
Equipamentos: Fotômetro de chama.
Reagentes e soluções
• Solução padrão de 1.000 ppm de K2O.
Pesar exatamente 1,5828 g de cloreto de potássio, KCl, p.a., previamente secado
em estufa a 100ºC, durante 2 horas e esfriado em dessecador. Dissolver com água
destilada em balão volumétrico de 1 litro; completar o volume com água e
homogeneizar (solução estoque).
• Solução de 40 ppm de K2O.
Pipetar 20 mL da solução estoque e passar para o balão volumétrico de 500 mL,
completar o volume com água destilada e homogeneizar.
• Solução de 16 ppm de K2O.
Pipetar 100 mL da solução de 40 ppm de K2O e transferir para balão volumétrico
de 250 mL, completar o volume com água e homogeneizar. Esta solução contém 16
ppm de K2O e é usada como padrão.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar “G” gramas da amostra, com aproximação de 0,1 mg, conforme Tabela 11
e transferir para béquer de 100 mL, adicionar 2 g de carvão ativo ao béquer, 50mL
de água e ferver por 10 minutos.

Tabela 11 – Quantidade a pesar conforme a especificação do produto (garantia, em %).


Garantia (% em massa) G (em grama) Volume do balão 1 (mL)
Até 30 % 8/Garantia 100
Acima de 30 até 45% 20/ Garantia 250
Acima de 45% 40/ Garantia 500
46

b) Esfriar e transferir para balão volumétrico (balão 1) e homogeneizar.


c) Filtrar em papel de filtro de porosidade média, se necessário.
Determinação
a) Pipetar 5 mL e transferir para balão volumétrico de 250 mL, completar o volume
com água destilada e homogeneizar.
b) Ajustar o fotômetro de chama em “80” (valor de escala), ou em 16 ppm, com a
solução padrão de 16 ppm de K2O, usando água destilada para zerar o aparelho.
c) Medir o valor da emissão do potássio na solução diluída da amostra, registrando
a leitura (L ou L’).
d) Calcular a % K2O, pela expressão:
% K2O = LVb/1000G, ou
% K2O = L’Vb/200G , onde :
Vb = Volume do balão utilizado na primeira avolumação (balão 1).
L = leitura da solução diluída da amostra em valor de escala.
L’ = leitura da solução diluída da amostra em ppm.
G = massa inicial da amostra, em grama.
Nota 1: Caso a leitura encontrada tenha sido abaixo de 75 (15 ppm) ou acima de 85
(17 ppm), o resultado é considerado aproximado. Deve-se repetir, então, a análise,
recalculando a massa “G” da amostra, usando o percentual aproximado encontrado.
Nota 2: Em caso de instabilidade nas leituras, pode-se recorrer ao uso de soluções
tensoativas, como o monooleato de sorbitan etoxilado (diluir 5+100 com água e
utilizar 10 mL para amostras e padrões).
Nota 3: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o
resultado final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade,
multiplicando-se pelo fator (f).

100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100

8.9 Cálcio e Magnésio

Método espectrométrico por absorção atômica


a) Princípio e aplicação
Consiste na extração do cálcio e magnésio contidos na amostra, por digestão
ácida e a quente, e medição de sua concentração pela técnica de absorção
47

atômica. É o método mais indicado para produtos com baixos teores de cálcio
e magnésio.
b) Materiais
Equipamento: Espectrômetro de absorção atômica, equipado com lâmpada para
cálcio e para magnésio.
Reagentes e soluções:
• Ácido clorídrico concentrado, HCl, p.a.
• Solução de HCl (1+5) com água destilada, aproximadamente 2 mol/L
• Solução de HCl (1+23) com água destilada, aproximadamente 0,5 mol/L
• Solução de lantânio, com 50 g de La/L. Transferir 29,33 g de óxido de lantânio,
La2O3, para um béquer de 400 mL e adicionar vagarosamente 250 mL de HCl (1+1)
para dissolver o óxido.
Transferir para um balão volumétrico de 500 mL e completar o volume com água
destilada.
• Solução padrão de cálcio, contendo 500 ppm(m/v) de Ca.
Transferir 1,2486 g de CaCO3, padrão primário, para bequer de 250 mL, dissolver
com 10-20 mL de solução de HCl (1+5), transferir para balão de 1 litro, lavar o
béquer e completar o volume com água destilada.
Obs.: a solução padrão estoque de cálcio pode ser adquirida pronta ou, ainda,
pode-se utilizar a solução de 1mg de Ca/mL(1000 ppm m/v) do método anterior,
diluindo-a com água destilada na razão 1:1.
• Solução padrão contendo 25 mg de Ca/L.
Transferir 25 mL da solução 500 ppm para um balão de 500 mL e completar o
volume com água destilada.
• Soluções padrões de trabalho contendo 0 - 5 - 10 - 15 e 20 ppm de Ca.
Transferir para balões de 25 mL: 0 - 5 - 10 - 15 e 20 mL da solução 25 ppm Ca.
Adicionar 5 mL de solução de lantânio a todos os balões e completar o volume
com água destilada. Essas soluções devem ser usadas recém-preparadas.
• Solução padrão de magnésio com 1.000 ppm(m/v) de Mg: preparar a partir de
solução padrão de magnésio com 1,0000 g de Mg (ampola ou embalagem similar),
transferida quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 20 mL
de HCl concentrado e completar o volume com água destilada; ou tomar 1,0000 g de
magnésio metálico, dissolver em 20 mL de ácido clorídrico (1+5) e avolumar para
1000 mL com água destilada.Outros padrões primários de Mg podem ser utilizados.
48

• Solução padrão de magnésio a 25 ppm: tomar 5 mL da solução a 1.000 ppm e


diluir com ácido clorídrico (1+23) em balão de 200 mL.
• Soluções padrões de trabalho, de magnésio: transferir 0 – 0,5 – 1,0 – 2,5 mL da
solução de 25 ppm de Mg para um balão de 25 mL. Adicionar 5 mL da solução de
lantânio a todos os balões e completar o volume com água destilada. Estas soluções
contêm 0,0 – 0,5 – 1,0 e 2,5 ppm de Mg e devem ser recém-preparadas.
c) Procedimento
Extração
A extração de Ca e/ou Mg dos produtos orgânicos deve contemplar simultaneamente
a eliminação de seu conteúdo de matéria orgânica. Pode ser efetuada pelos seguintes
procedimentos:
Extração com calcinação prévia da amostra
Pesar 1 g da amostra secada a 65ºC e pulverizada, com aproximação de 0,1 mg
(G), transferir para uma cápsula de porcelana refratária de 30-40 mL, levar à mufla e
calcinar a 500-550ºC por uma hora, proporcionando uma adequada aeração,
principalmente no início. Retirar da mufla, esfriar e transferir as cinzas para béquer
de 100-150 mL. Adicionar 10 mL de HCl concentrado e ferver em chapa aquecedora
até próximo à secura, sem deixar queimar o resíduo. Acrescentar 20 mL de HCl
(1+5, com água), ferver à ebulição e conservar quente por 10 minutos. Esfriar.
Transferir quantitativamente para balão volumétrico de 100 mL e completar o volume
com água destilada. Homogeneizar e filtrar em papel de filtro de porosidade média
ou fina (filtração lenta), se necessário, para a obtenção de um filtrado límpido.
Extração com mistura nítrico perclórica:
Observação. Este procedimento de extração deve ser preferencial para os fertilizantes
líquidos com conteúdo orgânico, para aplicação no solo. Pesar 1 g da amostra
(secada a 65ºC e pulverizada, para os fertilizantes sólidos), com aproximação de
0,1 mg (G), transferir para béquer de 250 mL e adicionar 20 a 30 mL de HNO3.
Ferver em chapa aquecedora até oxidação parcial da matéria orgânica, reduzindo-
se o volume a cerca de 5 mL. Esfriar. Adicionar 5 mL de ácido perclórico, HClO4
concentrado, p.a., ferver novamente até o completo clareamento da solução,
reduzindo-se o volume a cerca de 2 mL. Repetir a operação com HClO 4, se
necessário. Nunca deixar a mistura secar completamente. Adicionar 20 mL de HCl
(1+5), ferver por 5 minutos, esfriar, transferir para balão volumétrico de 100 mL e
49

completar o volume com água destilada. Filtrar em papel de filtro de porosidade


média ou fina (filtração lenta), se necessário, para a obtenção de um filtrado límpido.
Determinação de cálcio
a) Tomar uma alíquota (A) do extrato contendo, no máximo, 0,5 mg de Ca (A  5/
Gg sendo G = massa inicial da amostra, em grama e g = garantia em %) e transferir
para balão volumétrico de 25 mL.
Observação: para garantias acima de 5%, diluir 10 mL do extrato para 100 mL e
recalcular a alíquota (A  50/Gg).
b) Juntar 5 mL da solução de óxido de lantânio e completar o volume com água
destilada.
c) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do cálcio (lâmpada
de Ca, comprimento de onda de 422,7 nm ou linhas secundárias e chama adequada,
conforme manual do equipamento).
d) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água
destilada, verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
e) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada
leitura.
f) Calcular a percentagem de cálcio por meio da concentração encontrada pela
expressão:

0, 25CD 
%Ca   ,  onde :
AG
C = concentração em ppm de cálcio na solução final
D = fator de diluição do extrato (se não diluir D = 1; diluindo 10:100, D =10)
G = massa inicial da amostra, em grama.
A = volume da alíquota tomada para a solução de leitura, em mL.

Determinação de Magnésio
a) Tomar uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 60 microgramas
de Mg (A  0,6/Gg sendo G = gramas da amostra e g = garantia em %). Observação:
Para garantias maiores que 0,6%, diluir 5 mL do extrato para 100 mL e recalcular a
alíquota (A  12/Gg).
b) Adicionar 5 mL da solução de óxido de lantânio e completar o volume com água
destilada.
50

c) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do magnésio


(lâmpada de Mg, comprimento de onda de 285,2 nm ou linhas secundárias, e chama
adequada, conforme manual do equipamento).
d) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água
destilada, verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
e) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada leitura.
f) Calcular a percentagem de magnésio no material analisado, por meio da
concentração encontrada, pela expressão:

0,25CD 
%Mg   ,  onde :
AG
C = leitura em ppm(m/v) de magnésio na solução de leitura.
A = alíquota utilizada na diluição do extrato em mL
G = massa inicial da amostra em grama
D = fator de diluição (se não diluiu D = 1; diluindo 5:100, D = 20)

Nota 1: Alternativamente as leituras previstas para o equipamento de absorção atômica


poderão ser feitas, utilizando-se de um espectrômetro de emissão ótica com plasma,
indutivamente acoplado (ICP/OES), respeitadas as condições de operação do
equipamento e a adequação das concentrações das soluções de leitura (padrões e
amostras) aos limites de detecção e quantificação específicos para cálcio e magnésio.
Nota 2: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o
resultado final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade,
multiplicando-se pelo fator (f).

100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100

8.10 Enxofre

Método gravimétrico do peróxido de hidrogênio


Para fertilizantes que contenham ou possam conter enxofre elementar
a) Princípio e aplicação
Objetivou-se pelo método a determinação de enxofre em fertilizantes que o contenham
em qualquer de suas formas, inclusive elementar. Fundamenta-se na solubilização e
51

oxidação de todo o enxofre presente na amostra pela ação combinada de uma


digestão alcalina e oxidação com peróxido de hidrogênio (água oxigenada),
transformando-o em sulfato e posterior precipitação deste como sulfato de bário.
b) Materiais
Equipamentos: - bomba a vácuo;- cadinhos de porcelana de 25-30 mL; mufla
com aquecimento até 1000 ºC
Reagentes e soluções:
• Solução alcoólica de hidróxido de potássio (KOH) a 100 g/L, em álcool etílico.
• Peróxido de hidrogênio (H2O2), a 30 % (130 volumes).
• Ácido clorídrico (HCl) concentrado, p.a.
• Solução de cloreto de bário (BaCl2) a 100 g/L em água.
• Solução de nitrato de prata (AgNO3) a 10 g/L em água. Guardar em frasco de
vidro âmbar, com tampa esmerilhada.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar uma quantidade de amostra que contenha em torno de 50 mg de S, com
aproximação de 0,1 mg, e transferir para béquer de 400 mL.
b) Adicionar 50 mL da solução alcoólica de KOH, cobrir com vidro de relógio e
ferver lentamente, em capela, por 10 minutos. OBS: Cuidado com fagulhas, fogo.
c) Esfriar e adicionar, em capela, com cuidado e aos poucos, 30 mL da solução de
H2O2; caso forme muita espuma, adicionar pequena quantidade de álcool etílico.
d) Filtrar por papel de filtro de porosidade média, recebendo o filtrado em béquer
de 400 mL; lavar as paredes do béquer e o funil com pequenas porções de água
destilada, até fazer um volume de aproximadamente 200 mL; cobrir com vidro de
relógio e aquecer até próximo da fervura, mantendo esse aquecimento por 1 hora.
Determinação
a) Esfriar, adicionar 10 mL de HCl concentrado e aquecer novamente até a ebulição.
b) Adicionar lentamente 20 mL da solução de BaCl2, cobrir com vidro de relógio e
manter aquecido a 80-90 ºC por 1 hora; retirar do aquecimento e deixar esfriar.
c) Filtrar por papel de filtro de porosidade fina (filtração lenta), usando sucção
suave, se necessário; lavar o béquer e o filtro com 10 porções de 10 mL de água
destilada a 80-90 °C.Testar a presença de cloreto no filtrado, recebendo 2 mL do
mesmo em tubo de ensaio e adicionar gotas da solução de AgNO3: precipitação ou
52

turvação indicam a presença de cloreto. Neste caso, continuar a lavagem até o


filtrado não acusar mais a presença de cloreto.
d) Transferir o papel de filtro contendo o precipitado para um cadinho de porcelana
de tara conhecida e levar à estufa a 105-110 °C por 15 minutos para secar.
e) Transferir o cadinho seco para uma mufla e elevar a temperatura lentamente até
800 °C, mantendo a porta da mufla entreaberta, durante a elevação da temperatura;
fechar a mufla e manter nessa temperatura durante 1 hora.
f) Retirar o cadinho da mufla, colocar em dessecador, esperar esfriar e pesar.
Cálculos
Calcular o teor de enxofre na amostra pela expressão:

13,74m 
%S   ,  onde :
G

m = massa (g) do precipitado (BaSO4)


G = massa (g) da amostra
Nota: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o resultado
final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade, multiplicando-
se pelo fator (f).
100  U 65
f , onde U65 é a umidade a 65ºC.
100
Método gravimétrico simplificado do cloreto de bário
Extração para fertilizantes que não contenham enxofre elementar
a) Princípio e aplicação
Consiste na extração do enxofre presente na composição da amostra na forma de
sulfato, sua precipitação como sulfato de bário e pesagem deste precipitado.
Aplicável somente para fertilizantes com enxofre presente na forma de sulfato.
b) Materiais
Equipamentos: bomba a vácuo; cadinhos de porcelana de 25-30 mL; mufla
Reagentes e soluções:
• Solução de cloreto de bário 100 g/L: pesar 100,0 g de cloreto de bário, transferir
para balão volumétrico de 1000 mL, adicionar 500 mL de água, agitar até dissolução
do sal. Completar o volume com água destilada e homogeneizar. Guardar em frasco
bem tampado.
53

• Solução de nitrato de prata 10 g/L: pesar 1,0 grama de nitrato de prata e transferir
para balão volumétrico de 100 mL, completar com água destilada e homogeneizar.
Guardar em frasco de vidro âmbar com tampa esmerilhada.
• Ácido clorídrico, HCl, p.a.
• Ácido nítrico, HNO3, p.a.

c) Procedimento
Extração
a) Pesar 1 g da amostra (secada a 65ºC e pulverizada, para os fertilizantes sólidos),
com aproximação de 0,1 mg, transferir para béquer de 250 mL e adicionar 20 a 30
mL de HNO3. Ferver em chapa aquecedora até oxidação parcial da matéria orgânica,
reduzindo-se o volume a cerca de 5 mL. Esfriar.
b) Adicionar 5 mL de ácido perclórico, HClO4, concentrado, p.a., ferver novamente
até o completo clareamento da solução, reduzindo-se o volume a cerca de 2 mL.
Repetir a operação com HClO 4, se necessário. Nunca deixar a mistura secar
completamente.
c) Adicionar 20 mL de HCl (1+5, com água), ferver por 5 minutos, esfriar, transferir
para balão volumétrico de 100 mL e completar o volume com água destilada.
d) Filtrar em papel de filtro de porosidade média ou fina (filtração lenta), se necessário.
Determinação
a) Tomar uma alíquota do extrato-amostra, contendo até 150 mg de enxofre provável,
de acordo com a especificação do produto.
b) Adicionar 5-6 gotas de solução de cloreto de bário 100 g/L e, após 1 minuto,
acrescentar, lentamente, mais 10 mL da solução de cloreto de bário.
c) Cobrir com vidro de relógio, manter aquecido em banho-maria ou chapa
aquecedora com aquecimento brando, sem fervura, durante 30 minutos. Remover,
deixar esfriar e aguardar a sedimentação do precipitado. Filtrar em papel de filtração
lenta, porosidade fina (faixa azul ou equivalente).
d) Lavar com 6 porções de aproximadamente 25 mL de água destilada a 80-90ºC e
continuar a lavagem enquanto o teste de cloreto executado no filtrado, com 3 mL
de solução de AgNO3 10 g/L, acusar a presença de cloreto (com o aparecimento de
uma turvação/precipitado branco do AgCl).
e) Colocar o papel com o precipitado num cadinho de porcelana tarado e levar à
mufla à temperatura de 800°C, mantendo a porta entreaberta durante a elevação da
temperatura. Fechar a porta do forno e conservá-lo nessa temperatura durante 1 hora.
54

f) Retirar o cadinho, colocar em dessecador, esperar esfriar e pesar.


g) Calcular a percentagem de enxofre total mediante a expressão:

G1x13,74 
%S   ,  onde :
G2
G1 = massa do precipitado de BaSO4 , em gramas
G2 = massa da amostra contida na alíquota tomada, em grama
Nota: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o resultado
final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade, multiplicando-
se pelo fator (f).
100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100

8.11 Boro

Método espectrofotométrico da azomethina–H


a) Princípio e aplicação
Em solução aquosa a azomethina-H se dissocia no ácido 4-amino-5-hidroxi-2,7-
naftalenodissulfônico e aldeído salicílico. Em presença do ácido bórico, ocorre o
deslocamento do equilíbrio no sentido da recomposição da azomethina-H,
intensificando a cor amarela. Assim, o ácido bórico se comporta como catalizador
da reação e a sua determinação é feita por espectrofotometria no compriento de
onda de 410 nm.
b) Materiais
Equipamento: Espectrofotômetro uv-visível digital
Reagentes e soluções: Solução estoque de boro com 100 mg/L (100 ppm, m/v):
dissolver 0,5716 g de ácido bórico, H3BO3, p.a., secado a 50-60ºC, em água e
diluir a um litro. Homogeneizar bem e armazenar em frasco plástico.
• Solução de trabalho de 5,0 ppm (m/v) de boro: tomar, com pipeta volumétrica, 10
mL da solução estoque de 100 ppm para balão volumétrico de 200 mL e completar
o volume com solução aquosa de HCl 10 mL/L. Homogeneizar bem e transferir
para frasco plástico.
• Solução de azomethina-H: dissolver 0,9 g de azomethina-H, p.a. e 2,0 g de ácido
ascórbico p.a. em 100 mL de água. Descartar após 3 dias. Idealmente, pode-se
55

trabalhar com esta solução preparada no mesmo dia do seu uso. Usar à temperatura
ambiente.
• Solução-tampão complexante: dissolver 140 g de acetato de amônio, p.a., 10 g de
acetato de potássio, p.a., 4 g de ácido nitrilotriacético, sal dissódico, p.a., e 10 g de
EDTA, p.a., em 350 mL de solução aquosa de ácido acético a 100 mL/L. Diluir a 1
litro com água destilada. Ajustar o pH a 5,4, se necessário, usando acetato de amônio
ou acido acético 100 mL/L. Conservar em geladeira. Usar à temperatura ambiente.
c) Procedimento
Extração com calcinação prévia da amostra: aplicável aos fertilizantes orgânicos
sólidos
a) Pesar 1 g da amostra secada a 65ºC e pulverizada, com aproximação de 0,1
mg, transferir para uma cápsula de porcelana refratária de 30-40 mL, levar à mufla
e calcinar a 500-550ºC por uma hora, proporcionando uma adequada aeração,
principalmente no início.
b) Retirar da mufla, esfriar e transferir as cinzas para béquer de 100 mL. Adicionar
20 mL de HCl (1+5, com água), ferver à ebulição e conservar quente por 10
minutos.
c) Transferir quantitativamente para balão volumétrico de 100 mL e completar o
volume com água destilada.
Extração com uso de carvão ativado: aplicável aos fertilizantes orgânicos e
organominerais sólidos e fertilizantes líquidos, para aplicação no solo.
a) Pesar 1g da amostra, com aproximação de 0,1 mg, transferir para béquer de
250 mL, adicionar 50 mL de água destilada, 0,5-1,0g de carvão ativado e 10 mL
de HCl concentrado, p.a.
b) Aquecer até o início da ebulição, esfriar naturalmente, transferir para balão
volumétrico de 100 mL e completar o volume com água destilada. Homogeneizar
e filtrar em papel de filtro de porosidade média ou fina, obtendo um filtrado
límpido.
Determinação
Preparo da curva de calibração
a) Transferir 0 - 1 - 2 - 3 - 4 e 5 mL da solução de 5,0 ppm de boro para balões
volumétricos de 25 mL.
b) Adicionar 5-10 mL de água e, em seguida, 5 mL da solução-tampão.
Homogeneizar e aguardar 5 minutos.
56

c) Acrescentar 2 mL da solução de azometina H, agitar e aguardar 5 minutos.


d) Completar o volume com água destilada e homogeneizar. Aguardar 60 minutos
para fazer as leituras de absorbância a 410 nm. Estas soluções contêm,
respectivamente, 0 (branco) - 0,2 - 0,4 - 0,6 - 0,8 e 1,00 mg B/L.
e) Construir a curva de calibração plotando as leituras de absorbância x
concentração dos padrões, calibrando o espectrofotômetro a 410 nm.
Para as amostras
a) Transferir uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 25
microgramas de boro para balão volumétrico de 25 mL. Fazer diluição intermediária,
se necessário.
b) Adicionar 5 mL de água e, em seguida, 5 mL da solução-tampão. Homogeneizar
e aguardar 5 minutos.
c) Juntar 2 mL da solução de azometina e aguardar 5 minutos.
d) Completar com água destilada e homogeneizar. Proceder à leitura após 60
minutos.
e) Estabelecer a correlação entre absorbância e concentração (ppm) de B na
solução lida, por meio da equação de regressão, ou por informação direta do
equipamento.
f) Calcular a percentagem de boro na amostra conforme a expressão:

2,5C 
%B   ,  onde :
g

C = concentração de boro, em mg/l, na solução de leitura


g = massa da amostra, em mg, contida na alíquota A, tomada para a solução de
leitura, sendo:
g = 10 AG, onde:
A é o volume, em mL, da alíquota tomada para a determinação
G é o peso inicial da amostra, em grama.
Nota: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o resultado
final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade, multiplicando-
se pelo fator (f).
100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100
57

d) Cuidados especiais
• Em produtos, contendo matéria orgânica, é necessário adição de carvão ativado
(±1g), durante a extração, para prevenir a interferência da cor amarela produzida
pelo constituinte orgânico.
• O controle do pH e de interferentes é crítico, sendo promovido pela presença da
solução tampão complexante.
• Soluções de azomethina-H armazenadas, mesmo por pequenos períodos, até 3
dias, podem comprometer os resultados, devendo-se dar preferência para soluções
preparadas no mesmo dia, com reagentes de qualidade comprovada.
• Alternativamente pode-se usar 7,5 mL da solução-tampão complexante (em vez
de 5 mL), se for verificado algum problema na estabilização do pH ou controle de
interferentes.

8.12 Zinco, Cobre, Manganês, Ferro, Molibdênio, Cobalto e Níquel

Método espectrométrico por absorção atômica


a) Princípio: Fundamenta-se na extração, por digestão ácida, do zinco, cobre,
manganês, ferro, molibdênio, cobalto e níquel contidos na amostra e a medida de
sua concentração pela técnica de absorção atômica.
b) Materiais
Equipamento: Espectrômetro de absorção atômica, equipado com lâmpada para
cobalto, cobre, manganês, molibdênio, níquel e zinco.
Reagentes e soluções Zn:
• Solução estoque contendo 1000 ppm (m/v) de Zn: preparar a partir de solução
padrão de zinco com 1,0000 g de Zn (ampola ou embalagem similar), transferida
quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 40 mL de HCl
concentrado e completar o volume com água destilada; ou transferir 0,2500 g de
zinco metálico, p.a., para béquer de 250 mL, adicionar 10 mL de solução aquosa de
HCl (1+1), cobrir com vidro de relógio e aquecer até a completa solubilização. Em
seguida, transferir para balão volumétrico de 250 mL, lavando o béquer com 5
porções de 10 mL de HCl 0,5 M e completar o volume com água destilada.
• Solução contendo 50 ppm (m/v) de Zn: transferir 10 mL da solução com 1000
ppm (m/v) de zinco para balão volumétrico de 200 mL e completar o volume com
solução de HCl 0,5 M. Homogeneizar.
58

• Soluções padrões de zinco: transferir 0,0 – 0,5 – 1,0 – 1,5 e 2,0 mL da solução de
50 ppm de zinco para balões de 50 mL e completar o volume com solução de HCl
0,5 M. Essas soluções contêm, respectivamente, 0,0(branco) – 0,5 – 1,0 – 1,5 e 2,0
ppm de zinco.
Reagentes e soluções Cu:
Cobre metálico puro (eletrolítico)
• Solução estoque contendo 1000 ppm (m/v) de cobre: preparar a partir de solução
padrão de cobre com 1,0000 g de Cu (ampola ou embalagem similar) , transferida
quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 40 mL de HCl
concentrado e completar o volume com água destilada; ou transferir 0,2000 g de
cobre metálico puro para béquer de 250 mL, acrescentar 2-3 gotas de HNO3 e 5 mL
de solução aquosa de HCl (1+1). Cobrir com vidro de relógio e ferver moderadamente
até quase secar. Retomar com 50 ml de HCl 0,5 M, transferir para balão de 1 litro e
completar o volume com a mesma solução ácida.
• Solução a 50 ppm (mg/L) de Cu: tomar 10 mL da solução anterior para balão de
200 mL e completar o volume com ácido clorídrico 0,5 M.
• Soluções padrões de trabalho, de cobre: transferir 0,0 – 2,0 – 5,0 – 10,0 mL da
solução com 50 mg/L de cobre para balões de 50 mL e completar o volume com
solução de HCl 0,5 M. Estas soluções contêm, 0 (branco) – 2 – 5 e 10 ppm de
cobre.
Reagentes e soluções Mn:
• Solução estoque contendo 1000 ppm (m/v) de Manganês: preparar a partir de
solução padrão de manganês com 1,0000 g de Mn (ampola ou embalagem similar),
transferida quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 40
mL de HCl concentrado e completar o volume com água destilada.
• Solução padrão com 50 ppm (m/v) de manganês: transferir10 mL da solução que
contém 1.000 ppm para balão de 200 mL e completar o volume com solução de
HCl 0,5M.
• Soluções padrões de trabalho: transferir 0 – 2 – 4 – 6 mL da solução 50 ppm para
balões de 50 mL. Completar o volume com HCl 0,5 M. Essas soluções contêm 0
(branco) – 2 – 4 e 6 ppm de Mn.
Reagentes e soluções Fe:
• Solução estoque contendo 1.000 ppm (m/v) de ferro: preparar a partir de
solução padrão de ferro com 1,0000 g de Fe (ampola ou embalagem similar),
59

transferida quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar


40 mL de HCl concentrado e completar o volume com água destilada.
Alternativamente, pode-se tomar 0,2000 g de ferro puro para béquer de 250
mL, adicionar 30 mL de HCl (1+1), cobrir com vidro de relógio e ferver até
completa dissolução.Transferir para balão volumétrico de 200 mL e completar
o volume com HCl 0,5 M.
• Solução padrão de 100 ppm (m/v) de ferro: transferir 10 mL da solução anterior
para balão de 100 mL. Completar o volume com HCl 0,5 M.
• Soluções padrões de trabalho: transferir 0 – 2 – 4 e 6 mL da solução de 100 ppm
de ferro para balões volumétricos de 50 mL. Completar o volume com HCl 0,5 M.
Essas soluções contêm 0 (branco)Š 4 Š 8 e 12 mg/L de ferro.
Reagentes e soluções Mo:
• Solução estoque contendo 1000 ppm (m/v) de Mo: preparar a partir de solução
padrão de molibdênio com 1,0000 g de Mo (ampola ou embalagem similar),
transferida quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 40
mL de HCl concentrado e completar o volume com água destilada. Alternativamente,
pode-se tomar 1,5000 g de óxido de molibdênio (MoO3), padrão primário,
previamente secado em dessecador com H2SO4, por, no mínimo, 24 horas;
umedecer com pequena quantidade de água destilada, acrescentar cerca de 5 g de
NOH para dissolver completamente e diluir a 1 litro com água destilada. Armazenar
em frasco escuro. Outro padrão primário que pode ser utilizado é o molibdato de
amônio hexahidratado, (NH4)6Mo7O24.6H2O.
• Solução padrão com 10 ppm (m/v) de Mo: transferir 10 mL da solução de 1.000
ppm para balão volumétrico de 1000 mL, acrescentar 200 mL de água, 40 mL de
HCl concentrado e completar o volume com água destilada. Armazenar em frasco
escuro.
• Solução padrão com 50 ppm (m/v) de Mo: transferir 10 mL da solução de 1.000
ppm para balão volumétrico de 200 mL, acrescentar 50 mL de água, 10 mL de
HCl concentrado e completar o volume com água destilada. Armazenar em frasco
escuro.
• Solução de 8-hidroxiquinolina (oxina), C9H6NOH, 200 g/L: pesar 20 g de oxina,
transferir para béquer de 150 mL, adicionar 50 mL de ácido acético concentrado,
aquecer em banho-maria até dissolver, esfriar, transferir para balão volumétrico de
100 mL e completar o volume com água destilada.
60

• Solução de HCl aproximadamente 1 M, (1+11) com água destilada.


• Metil-isobutil-cetona (MIBK) ou 2-heptanona, p.a.
• Solução aquosa com 10 g/L de alumínio: Dissolver 24,69 g de cloreto de alumínio,
AlCl3, p.a., em água. Completar a 500 mL com água destilada.
Reagentes e soluções Co:
• Solução estoque contendo 1000 ppm (m/v) de cobalto: preparar a partir de
solução padrão de cobalto com 1,0000 g de Co (ampola ou embalagem similar),
transferida quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL. Acrescentar 40
mL de HCl concentrado e completar o volume com água destilada; ou,
alternativamente, dissolver 4,0530g de CoCl2.6H2O em 20 mL de solução aquosa
de HCl (1+1). Transferir para balão volumétrico de 1 litro e completar o volume
com água destilada.
• Solução padrão estoque, contendo 100 ppm de Co: Transferir 10 mL da solução
estoque com 1.000 ppm de Co para balão volumétrico de 100 mL e completar o
volume com água destilada.
• Soluções padrões de trabalho de cobalto contendo 0,0 (branco) - 2,0 - 4,0 - 6,0 -
8,0 e 10ppm (m/v): Transferir 0, 2, 4, 6, 8 e 10 mL da solução estoque com100 ppm
de Co para balões volumétricos de 100 mL e completar o volume com água destilada.
Reagentes e soluções Ni:
• Ácido clorídrico concentrado, HCl, p.a .
• Solução de HCl aproximadamente 2 M em água (1+5) .
• Solução de HCl aproximadamente 0,5 M em água (1+23) .
• Solução padrão de níquel contendo 1,0000 g de Ni, a partir de Ni metálico (99,99%)
ou outro padrão primário – ampola ou embalagem similar.
• Solução padrão de 1.000 ppm (m/v) de Ni: transferir quantitativamente a solução
padrão de níquel (ampola ou embalagem similar) para balão volumétrico de 1000
mL, acrescentar 40 ml de HCl concentrado e completar o volume com água
destilada.
• Solução padrão de 100 ppm (m/v) de Ni: transferir 20 mL da solução de 1.000
ppm para balão de 200 mL e completar o volume com HCl 0,5 M.
• Soluções padrão de 0 (branco) – 2 – 6 e 12 ppm de Ni: transferir 0 – 1 – 3 e 6 mL
da solução padrão com 100 ppm de Ni para balões volumétricos de 50 mL e
completar o volume com ácido clorídrico 0,5 M.
61

c) Procedimento
Extração: Seguir os procedimentos de extração descritos para cálcio e magnésio.
Determinação de Zn
a) Pipetar uma alíquota do extrato (A) que contenha, no máximo, 100 microgramas
de Zn para balão volumétrico de 50 mL (Ad  1/Gg, sendo G = gramas da amostra
e g = garantia em %) e completar o volume com HCl 0,5 mol/L.
Observação. Para garantias acima de 1%, diluir 5 mL do extrato para 100 mL e
recalcular a alíquota (Ad  20/Gg).
b) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do zinco (lâmpada
de Zn, comprimento de onda de 213,9 nm ou linhas secundárias e chama adequada,
conforme manual do equipamento).
c) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água
destilada verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
d) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada
leitura.
e) Calcular a percentagem de zinco no material analisado, a partir da concentração
encontrada, pela expressão:

0,5CD 
%Zn   ,  onde :
AG

C = concentração de zinco em ppm (m/v) na solução de leitura


G = massa inicial da amostra, em grama.
A = alíquota (mL) tomada do extrato.
D = fator de diluição (se não ocorrer, D=1; diluindo 5:100, D= 20).
Determinação Cu:
a) Transferir uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 0,5 miligrama
de cobre para balão de 50 mL (Ad  5/Gg sendo G = gramas da amostra e g =
garantia em %) e completar o volume com HCl 0,5 M.
Observação. Para garantias, acima de 5% de cobre, diluir 10 mL do extrato para
100 mL com água e recalcular a alíquota (Ad  50/Gg).
b) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do cobre (lâmpada
de Cu, comprimento de onda de 324,7 nm ou linhas secundárias e chama adequada,
conforme manual do equipamento).
62

c) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água


destilada verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
d) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada
leitura.
e) Calcular a percentagem de cobre no material analisado, a partir da concentração
encontrada, pela expressão:

0,5CD 
%Cu   ,  onde :
AG

C = concentração de cobre em ppm (m/v) na solução de leitura.


A = alíquota tomada do extrato, em mL.
G = massa inicial da amostra, em grama.
D = fator de diluição, se ocorrer. Se não for necessária, D=1; diluição 10:100,
D=10
Determinação Mn:
a) Transferir uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 300
microgramas de Mn para balão de 50 mL (A 3/Gg sendo G = peso inicial, em
grama, da amostra e g = garantia em %) e completar o volume com ácido clorídrico
0,5 M.
Observação. Para garantias acima de 3% diluir 10 mL do extrato para 100 mL e
recalcular a alíquota (Ad  30/Gg).
b) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do manganês
(lâmpada de Mn, comprimento de onda de 279,5 nm ou linhas secundárias e
chama adequada, conforme manual do equipamento).
c) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água
destilada verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
d) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada
leitura.
e) Calcular a percentagem de manganês no material analisado, por meio da
concentração encontrada, pela expressão:

0,5CD 
%Mn   ,  onde :
AG
63

C = concentração de manganês (ppm) na solução de leitura.


A = alíquota tomada do extrato, em mL.
G = massa inicial da amostra, em grama.
D = fator de diluição, se ocorrer.
Determinação Fe:
a) Transferir uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 600 microgramas
de ferro para balão de 50 mL (Ad  6/Gg, onde G é a massa inicial da amostra, em
grama, e g a especificação para Fe, em porcentagem mássica) e completar o volume
com HCl 0,5 M; Observação: Para garantias acima de 6%, diluir 10 mL do extrato
para 100 mL e recalcular a alíquota (Ad  60/Gg).
b) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do ferro (lâmpada
de Fe, comprimento de onda de 248,3 nm ou linhas secundárias e chama adequada,
conforme manual do equipamento.
c) Calibrar o aparelho com o branco e os padrões. Lavar o queimador com água
destilada verificando a leitura do zero com o branco a cada seis leituras.
d) Proceder à leitura das soluções das amostras, lavando o queimador após cada
leitura.
Calcular a porcentagem de ferro no material analisado, a partir da concentração
encontrada na solução de leitura, pela expressão:

0,5CD 
%Fe   ,  onde :
AG

C = concentração de manganês, em ppm, na solução final de leitura


G = massa inicial da amostra, em grama.
A = alíquota tomada do extrato, em mL.
G = fator de diluição, se ocorrer.
Determinação Mo:
Preparo da curva de calibração:
a) Transferir, da solução de trabalho de 25 ppm (m/v) de Mo, alíquotas de 0 – 0,5 –
1,0 – 2,0 – 3,0 e 4,0 mL para balões volumétricos de 25 mL. Acrescentar,
homogeneizando após cada adição: 1 mL de H2SO4 (1+1), 1 mL de HClO4
concentrado e 0,5 mL da solução de sulfato férrico. Aguardar 5 minutos, 4 mL da
solução de NaSCN, adicionados lentamente e com agitação. Aguardar 5 minutos e
acrescentar 2,5 mL da solução de SnCl2.
64

b) Aguardar 5 minutos, completar o volume e homogeneizar. As soluções padrões


contêm 0 (branco) – 0,5 – 1,0 – 2,0 – 3,0 e 4,0 mg/L de Mo.
c) Fazer as leituras de absorbância a 460 nm.
Determinação
a) Transferir uma alíquota (A) do extrato-amostra que contenha até 100 microgramas
de Mo, de acordo com a especificação do produto, para balão volumétrico de 25
mL. Fazer diluição intermediária, se necessário, considerando-a nos cálculos finais.
A alíquota a ser pipetada não deve exceder 10 mL do extrato.
b) Seguir o procedimento indicado para a curva padrão.
c) Proceder às leituras de absorbância a 460 nm, e calcular a concentração de Mo
na solução de leitura, em ppm (m/v).
d) Calcular o teor de Mo na amostra pela expressão:

2,5C 
%Mo   ,  onde :
g
C = leitura em ppm de molibdênio na solução final.
g = massa da amostra, em miligramas, contida na alíquota tomada para o preparo
da solução de leitura.
Ou, alternativamente, por:
0,25CD 
%Mo   ,  onde :
AG
C = leitura em ppm de molibdênio na solução de leitura.
D = fator de diluição, se ocorrer.
A = alíquota tomada do extrato, em mL.
G = massa inicial da amostra, em grama.
e) Cuidados especiais e observações
Executar criteriosamente o procedimento descrito, cuidando da escrupulosa limpeza
do material, da forma de adição dos reagentes e soluções, homogeneização e tempo
a ser respeitado em cada etapa. Tomar os cuidados necessários para a manipulação
de ácido perclórico.
Determinação Co:
a) Tomar uma alíquota (A) do extrato que contenha até 500 microgramas de
Co, de acordo com a especificação do produto, para balão volumétrico de 50
65

mL e completar com ácido clorídrico 0,5 M. Fazer diluição intermediária, se


necessário.
b) Colocar o aparelho nas condições exigidas para a determinação do cobalto
(lâmpada de cobalto, comprimento de onda de 240,7 nm ou linhas secundárias e
chama adequada, conforme manual do equipamento).
c) Calibrar o aparelho com a prova em branco e os padrões; proceder às leituras
das amostras, lavando o queimador com água destilada a cada amostra.
d) Calcular a porcentagem de cobalto na amostra pela expressão:

5C 
%Co   ,  onde :
g

C = concentração de cobalto (ppm) na solução final de leitura.


g = massa da amostra, em mg, contida na alíquota A, tomada para a solução de
leitura.
Ou, de outra forma, por:

0,5C 
%Co   ,  onde :
AG

C = concentração de cobalto em ppm (m/v) na solução de leitura.


G = massa inicial da amostra, em grama.
A = alíquota tomada do extrato, em mL.
D = fator de diluição, se ocorrer.
Determinação Ni:
a) Tomar uma alíquota (A) do extrato que contenha, no máximo, 600 microgramas
de níquel e transferir para balão volumétrico de 50 mL. Fazer diluição intermediária,
se necessário.
b) Completar o volume com ácido clorídrico 0,5 M e homogeneizar.
c) Colocar o aparelho nas condições adequadas de leitura do Ni: lâmpada, fenda,
comprimento de onda de 232,0 ou 352,4 nm e chama adequada, (conforme manual
do equipamento).
d) Calibrar o aparelho com o branco e padrões.
e) Proceder à leitura das amostras, obtendo diretamente a concentração de Ni ou
por meio da equação de regressão.
66

f) Calcular o teor de Ni na amostra pela equação:

5C 
%Ni   ,  onde :
g

C = concentração de níquel (mg/L) na solução final de leitura


g = massa da amostra, em mg, contida na alíquota A, tomada para a solução de leitura.
Outra fórmula de cálculo:

0,5C 
%Ni   ,  onde :
AG

C = concentração de níquel (mg/L) na solução final de leitura.


A = alíquota tomada do extrato, em mL.
G = massa inicial da amostra, em grama.
Nota 1: Alternativamente as leituras poderão ser feitas, utilizando-se de um
espectrômetro de emissão ótica com plasma indutivamente acoplado (ICP/OES),
respeitadas as condições de operação do equipamento e a adequação das
concentrações das soluções de leitura (padrões e amostras) aos limites de detecção
e quantificação específicos para cada micronutriente metálico.
Nota 2: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o
resultado final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade,
multiplicando-se pelo fator (f).

100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100

8.13 Cloro solúvel em água

a) Princípio
Fundamenta-se na solubilização do cloro contido na amostra com água, a quente,
usando-se carvão ativado para fixar a matéria orgânica da solução. Determinação
por titulação com solução padronizada de nitrato de prata.
b) Equipamentos e reagentes
Descritos em 16.1- Método de Mohr, capítulo I, dos fertilizantes minerais.
Acréscimo: carvão ativo, purificado, p.a.
67

c) Procedimento
1. Transferir 2,5 g da amostra, pesados com aproximação de 0,1 mg, para um
béquer de 250-300 mL, acrescentar 2,0-2,5 g de carvão ativado e 100 mL de água
destilada. Ferver suavemente por 10 minutos. Deixar esfriar.
2. Filtrar com papel de filtro de porosidade média ou fina (se necessário) para balão
volumétrico de 250 mL, lavando o retido com água. Completar o volume e
homogeneizar.
3. Transferir uma alíquota (A) de 25 a 50 mL da solução para um erlenmeyer de 300
mL; ajustar o volume a 100 mL, aproximadamente, com água destilada e adicionar
1 mL da solução de K2CrO4; titular com a solução padronizada de AgNO3 até a
formação e persistência de um precipitado de coloração pardo-avermelhada. Anotar
o volume (V) gasto.
4. Conduzir uma prova em branco
5. Cálculo:

886, 25  Va  Vb  M 
%Cl   ,  onde :
AG

Va = volume (mL) da solução AgNO3 gasto na titulação da amostra.


Vb = volume (mL) da solução AgNO3 gasto na titulação da amostra.
M = concentração molar da solução de AgNO3.
A = alíquota tomada (em mL).
G = massa inicial da amostra, em grama.
Nota: Para os fertilizantes sólidos com especificação de umidade a 65ºC, o resultado
final deverá ser referido à amostra tal qual, incluindo-se a umidade, multiplicando-
se pelo fator (f).

100   U 65  
f  ,  onde U 65  é a umidade a 65 ºC.
100

Portanto, este fator deverá ser aplicado aos resultados numéricos encontrados,
para obtenção do resultado final.
68

8.14 Silício

Método espectrofotométrico do molibdato de amônio


a) Princípio
A determinação de silício em fertilizantes é feita por espectrofotometria, após a
extração com ácido clorídrico e ácido fluorídrico, a frio. Os extratores são ácidos
fortes que promovem a dissolução da amostra, liberando o tetrafluoreto de silício.
Este reage com a água para formar os ácidos silícico e fluorsilícico, que irão interagir
com o molibdato, formando os complexos silico-molíbdicos. O ácido bórico é
utilizado para inativar eventual excesso de ácido fluorídrico.
b) Materiais
Equipamentos: espectrofotômetro uv-visível digital; cadinho de platina ou liga
com 95% de Pt (com 5% de Au ou Rh), capacidade de 30 mL.
Reagentes e soluções:
• Ácido fluorídrico concentrado (HF), p.a .
• Ácido clorídrico concentrado (HCl), p.a .
• Solução saturada de ácido bórico com 70 g/L: solubilizar 70,0 g de ácido bórico
p.a. em 700 mL de água destilada. Transferir a solução para balão de 1000 mL e
completar o volume com água destilada (utilizar o sobrenadante).
• Ácido sulfúrico (1+1): adicionar lenta e cuidadosamente 500 mL de ácido sulfúrico
concentrado em 300 mL de água destilada. Transferir a solução para balão
volumétrico de 1000 mL e completar o volume com água destilada.
• Solução diluída de ácido sulfúrico (solução A): adicionar 15 mL de ácido sulfúrico
(1+1) em 100 mL de água. Transferir a solução para balão volumétrico de 100 mL
e completar o volume com água destilada.
• Solução padrão de 1.000 mg/L de Si: transferir o conteúdo de uma ampola (ou
embalagem similar) com solução padrão de silício, contendo 1,0000 g de Si, para
balão volumétrico de 1000 mL e completar o volume com água destilada.
Armazenar em frasco plástico. Ver, também, o item d-Cuidados especiais e
observações.
• Solução padrão de Si (20 mg/L): transferir 10mL da solução padrão com 1000
mg/L (ppm, mv) de Si para balão volumétrico de 500 mL e completar o volume
com água destilada. Armazenar em frasco plástico.
69

• Molibdato de amônio 50 g /L: dissolver 10,0 g de molibdato de amônio p.a. em


100 mL de água destilada. Transferir a solução para balão volumétrico de 200mL e
completar o volume com água destilada.
• Solução de ácido tartárico 200 g/L: dissolver 40 g de ácido tartárico em 100 mL de
água destilada. Transferir a solução para balão de 200 mL e completar o volume
com água destilada.
• Solução de ácido ascórbico 3 g/L: dissolver 0,3 g de ácido ascórbico p.a. em 50
mL de água destilada. Transferir a solução para balão de 100 mL e completar o
volume com água destilada (este reagente deve ser preparado pouco antes do uso).
c) Procedimento
Extração
a) Pesar 0,1000 g (G) do fertilizante previamente secado e moído e transferir para
béquer plástico de 100 mL; para produtos líquidos pesar próximo de 0,1000 g,
anotando o peso exato.
b) Adicionar 1 mL de HCl concentrado e agitar por alguns segundos. Esse e os
demais procedimentos devem ser efetuados dentro da capela, fazendo uso de luvas
plásticas.
c) Adicionar 4 mL de HF concentrado (com pipeta plástica) e agitar por cerca de 10
minutos com bastão de plástico. Cobrir com tampa plástica ou mesmo vidro de
relógio.
d) Deixar reagir durante a noite (12 horas) dentro da capela. Agitar suavemente o
frasco algumas vezes durante os 15 minutos iniciais.
e) Utilizando uma pipeta volumétrica, adicionar lentamente 50 mL da solução saturada
de ácido bórico. Agitar, cobrir o frasco novamente, e deixar reagir por 15 minutos.
f) Adicionar 45 mL de água destilada, utilizando uma bureta de 50 ou 100 mL, de
modo a obter o extrato-amostra com volume total de 100 mL.
g) Utilizar carvão ativo, purificado, para eliminar matéria orgânica.
Determinação
Preparo da curva de calibração
a) Pipetar 0 – 2 – 5 e 10 mL da solução padrão de 20 mg/L de Si e transferir para
balões volumétricos de 100 mL. Completar o volume dos balões com água destilada.
Esses padrões contêm 0 (branco) – 0,4 – 1,0 e 2,0 mg/L de Si.
b) Retirar uma alíquota de 20 mL de cada padrão e colocar num bequer plástico de
100 mL.
70

c) Acrescentar aos padrões 1 mL da solução diluída de ácido sulfúrico (solução


A). Agitar levemente e adicionar 5 mL da solução de molibdato de amônio 50 g/L.
O ácido mono-silícico (H4SiO4), forma mais simples e solúvel de Si, reage com o
molibdato desenvolvendo a cor amarela.
d) Depois de 10 minutos, acrescentar 5 mL da solução de ácido tartárico. Nesta
etapa o fósforo é complexado e não fica mais na solução. Após 5 minutos adicionar
10 mL da solução de ácido ascórbico. A redução do Si transforma o complexo
amarelo para a cor azul.
e) Aguardar uma hora para que a reação se complete e proceder às leituras a 660
nm.
Determinação
a) Pipetar uma alíquota de 2 mL do sobrenadante do extrato-amostra de 100 mL e
colocar num bequer plástico de 100 mL. Acrescentar 18 mL de água destilada
medidos com uma bureta (total de 20 mL de solução).
b) A partir desta diluição, pipetar uma alíquota de 1 mL do extrato diluído e colocar
em bequer plástico de 100 mL. Acrescentar 19 mL de água destilada, medidos com
bureta (total de 20 mL de solução).
Obs.: Para amostras com teores mais elevados de Si, isto é, acima de 30 %, fazer
nova diluição, tomando-se, com pipeta volumétrica, 1 mL do extrato mais 19 mL de
água destilada, sempre medidos com bureta (fator de diluição D=20). É necessária
uma diluição diferente desta ou se for necessário suprimir alguma diluição referida,
isto deverá ser considerado nos cálculos.
c) Seguir, como no procedimento para as soluções-padrões, acrescentando 1 mL
da solução de ácido sulfúrico diluído. Agitar levemente e depois acrescentar 5 mL
de molibdato de amônio 50 g/L. Desenvolve-se a coloração amarela.
d) Depois de 10 minutos, acrescentar 5 mL da solução de ácido tartárico. Aguardar
5 minutos e adicionar 10 mL da solução de ácido ascórbico.
e) Aguardar uma hora para que a reação se complete e proceder às leituras a 660
nm.
f) Calcular a concentração C em ppm (mg/L) de Si a partir da equação de regressão
– ou por leitura direta do equipamento – e o teor de silício na amostra pela
expressão:

%Si = 2C/G, onde:


71

C = Concentração, em mg/L de Si, na solução de leitura.


G = peso inicial da amostra.
Obs.: multiplicar pelo fator de dilução D se tiver ocorrido diluição adicional.
d) Cuidados especiais e observações:
Observar os cuidados no trabalho com ácidos concentrados, sempre em capela
e, especialmente, no manuseio com HF, quando se devem utilizar luvas e óculos.
É importante mencionar que as análises de silício devem ser conduzidas,
preferencialmente, em recipientes de plástico, pois o vidro é um contaminante de
silício (borosilicato) e, portanto, pode interferir ou alterar a concentração de silício
nas soluções. Entretanto, o contato somente de alguns minutos do vidro com as
soluções de trabalho ou o uso de balões e pipetas de vidro para o preparo de
reagentes e da curva de calibração não é capaz de alterar os resultados.
A solução padrão de silício pode ser obtida, alternativamente, de duas outras
formas: I) Fundir 0,0856 g de SiO2 anidro com 1 g de Na2CO3 anidro em cadinho
de platina. Esfriar, dissolver em água e diluir a 1 litro em balão volumétrico. Transferir
para recipiente plástico. A concentração de silício nesta solução é de 40 mg/L. II)
Solubilizar 1,0120 g de metassilicato de sódio mono hidratado – Na2SiO3.H2O –
em 1 litro, com água destilada: esta solução contem 200 mg/L de Si.

8.15 Carbono orgânico

a) Princípio e aplicação
O método baseia-se na oxidação, por via úmida, do carbono orgânico contido na
amostra com bicromato de potássio em excesso e ácido sulfúrico concentrado,
promovendo-se aquecimento externo. Segue-se a determinação do bicromato
remanescente por titulação com solução de sulfato ferroso amoniacal. Aplica-se
aos fertilizantes orgânicos. Para fertilizantes organominerais há uma etapa de
tratamento preliminar descrita no item apresentado à frente.
b) Reagentes e soluções
• Solução de K2Cr2O7 0,20 M: dissolver em água destilada 118,8624 g do sal p.a.
(99% de pureza), padrão primário, secado a 110-120 °C por 2 horas, e transferir
quantitativamente para balão volumétrico de 2 litros, completando o volume com
água destilada.
72

• Ácido sulfúrico concentrado, H2SO4, p.a., 95-98%.


• Ácido fosfórico (H3PO4), p.a., 85,0% .
• Solução indicadora de difenilamina(C12H11N), p.a. Preparo: Tomar 0,25 g de
difenilamina, acrescentar 20 mL de água e solubilizar adicionando cuidadosamente
50 mL de ácido sulfúrico concentrado. Esfriar e conservar em frasco escuro.
• Solução de sulfato ferroso amoniacal, aproximadamente, 0,5 M: pesar 198,0 g do
sal (NH4)2Fe(SO4)2.6H2O, p.a., transferir para béquer de 1000 mL e acrescentar,
com cuidado, 150 mL de ácido sulfúrico concentrado. Agitar, adicionar 250 mL de
água destilada, agitar novamente e deixar esfriar. Transferir quantitativamente para
balão volumétrico de 1000 mL e completar o volume com água destilada, deixando
esfriar antes de cada adição de água. Guardar em recipiente plástico opaco.
Aferição: a solução de Fe2+ deve ter sua concentração aferida a cada dia de análise.
Para tanto, tomar, em duplicata, uma alíquota de 10mL da solução padrão de
K2Cr2O7 0,20 M para erlenmeyer de 250 mL. Acrescentar água até um volume de
aproximadamente 100 mL e mais 10 mL de H3PO4. Titular com a solução de
sulfato ferroso amoniacal, empregando 0,5 a 1 mL da solução de difenilamina como
indicador, até a viragem para a coloração verde. Sendo V o volume médio, em
mililitros, do titulante gasto, a concentração (C) da solução de Fe2+ em relação à
solução de bicromato será:
C = 2,0/V
Obs.: C terá um valor próximo de 0,0833, visto tratar-se de uma reação de oxi-
redução e não estarmos trabalhando com concentrações em normalidade. Outro
indicador que pode ser utilizado em substituição à solução de difenilamina: Ferroin
ou solução de ferroína: solubilizar 1,485 g de o-fenantrolina, p.a., C12H8N2, mais
0,695 g de sulfato ferroso heptahidratado, p.a., FeSO4.7H2O, em 100 mL de água
destilada. Viragem: verde para violeta escuro.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar uma massa G da amostra, contendo entre 40 e 150 mg de carbono orgânico
provável e transferir para erlenmeyer de 300 mL.
b) Conduzir, em paralelo, duas replicatas de uma prova em branco que devem
passar por todo o procedimento, omitindo-se a presença da amostra.
c) Adicionar, em seguida, 50 mL da solução 0,20 M de K2Cr2O7, medidos com
exatidão (pipeta volumétrica ou bureta) e, usando uma proveta, acrescentar
73

vagarosamente, com cuidado, 50 mL de H 2SO 4 concentrado, movimentando


suavemente o conteúdo do erlenmeyer, que deve ser tampado com vidro de relógio
e deixado em repouso até esfriar.
d) Transferir o erlenmeyer tampado com o vidro de relógio para uma chapa
aquecedora e ferver por 30 minutos, levando a temperatura a cerca de 140ºC (evitar
que ultrapasse 160 ºC).
e) Terminado o tempo de reação, retirar o erlenmeyer da chapa e deixar esfriar,
sempre coberto com o vidro de relógio.
f) Lavar o vidro de relógio com água destilada, utilizando-se de uma pisseta,
recolhendo a água no erlenmeyer e transferir quantitativamente para balão volumétrico
de 250 mL. Completar o volume com água destilada, deixando esfriar antes de cada
adição de água. Homogeneizar, deixar decantar ou filtrar com papel de filtro de
porosidade média, se necessário.
Determinação
a) Transferir uma alíquota de 50 mL do extrato da amostra e das provas em branco
(duas) para erlenmeyer de 250 mL, fazer um volume de aproximadamente 100 mL
com água destilada e acrescentar 10 mL de H3PO4.
b) Titular com a solução de sulfato ferroso amoniacal, empregando 0,5 a 1 mL da
solução de difenilamina como indicador, até a viragem para a coloração verde.
Anotar os volumes gastos, em mL.
c) Calcular o teor de Carbono Orgânico (C.O.) pela expressão:

9C  Va  Vb  M 
%CO  ,  onde :
G

C = concentração da solução de sulfato ferroso amoniacal.


Va = volume, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto na amostra.
Vb = volume médio, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto nas
replicatas da prova em branco.
G = massa inicial da amostra, em grama.
O cálculo de teor de carbono orgânico é efetuado com base na premissa de que
cada mol de K2Cr2O7 consumido reagiu com 1,5 mol de carbono orgânico.
d) Fertilizantes sólidos organominerais, especialmente aqueles com conteúdo de
cloreto de potássio ou outros sais de cloro. Irá requerer a utilização de Centrífuga
74

com velocidade de 4500 rpm ou acima. Para estes fertilizantes deverá ser feito um
tratamento preliminar da amostra para eliminar cloretos e outros possíveis
interferentes solúveis em água: pesar uma massa G da amostra contendo entre 40 e
150 mg de carbono orgânico provável e transferir para erlenmeyer. Acrescentar um
volume de água, em mL, de forma que a relação massa da amostra(g): volume de
água (mL) seja de 1:100. Escolher a capacidade do erlenmeyer de acordo com o
volume de água a ser adicionado. Tampar o erlenmeyer e agitar por 20 minutos em
agitador Wagner a 40-50 rpm. Transferir, com auxílio de uma pisseta com água
destilada, o conteúdo do erlenmeyer para tubo de centrífuga de volume adequado,
ajustar a velocidade da centrífuga para 3500 rpm (ou maior velocidade, se necessário)
e promover a centrifugação por 15 minutos (ou um tempo maior, se necessário).
Concluída a centrifugação, eliminar a fase líquida e, com auxílio de uma pisseta
com água destilada, transferir quantitativamente a fase sólida para erlenmeyer de
300 mL. Prosseguir a análise conforme descrito no item b da extração para os
fertilizantes orgânicos.

8.16 Capacidade de Troca de Cátions (CTC)

a) Princípio e aplicação
A determinação da Capacidade de Troca Catiônica (CTC) em produtos orgânicos
se fundamenta, essencialmente, na ocupação dos sítios de troca do material com
íons hidrogênio, provenientes de ácido clorídrico, lavagem do excesso de ácido,
deslocamento dos íons hidrogênio adsorvidos com solução de acetato de cálcio e
titulação do ácido acético formado. Aplicável aos fertilizantes orgânicos e
organominerais sólidos.
b) Materiais
Equipamentos
• Funil de Büchner com 5 cm de diâmetro.
• Kitassato de 1000 mL.
• Agitador de Wagner.
Reagentes e soluções:
• Carvão ativado, purificado, p.a. .
• Solução de HCl aproximadamente 0,5 M: diluir 42 mL de ácido clorídrico
concentrado, HCl, p.a., em água, transferir para balão volumétrico de 1000 mL e
completar o volume com água destilada.
75

• Solução 0,5 M de acetato de cálcio: pesar 88,10 g do sal monohidratado,


CaC4H6O4.H2O p.a., transferir para béquer de 1000 mL e solubilizar com água até
um volume de aproximadamente 900 mL.
Ajustar o pH da solução a 7,0 pela adição cuidadosa de soluções de HCl ou NaOH
diluídas, transferir para balão volumétrico de 1000 mL e completar o volume com
água destilada.
• Ftalato ácido de potássio, KHC8H4O8, p.a.- Secar a 120 ºC por 2 horas e conservar
em dessecador.
• Solução de fenolftaleína 1,00 g/100 mL em etanol p.a.
• Solução de hidróxido de sódio (NaOH) 0,1 mol/L, padronizada: pesar 4,00 g do
reagente, dissolver em água destilada e transferir para balão volumétrico de 1000
mL. Completar o volume com água destilada.
Padronização
i. Transferir 0,5000 g de ftalato ácido de potássio para erlenmeyer de 250-300 mL,
acrescentar cerca de 50 mL de água destilada e 5 gotas da solução indicadora de
fenolftaleína.
ii. Transferir a solução preparada de NaOH para uma bureta de 50 mL e titular a
solução do erlenmeyer até obter a coloração levemente rosada do indicador.
iii. Anotar o volume gasto.
iv. Repetir mais duas vezes e calcular a média dos volumes.
v. Calcular a molaridade da solução de NaOH pela expressão:
500 
M ,  onde :
204,23V
V = média dos volumes de NaOH gastos na titulação, em mL.
c) Procedimento analítico
Extração
a) Pesar 2,000 g do fertilizante orgânico preparado (secado a 65ºC e pulverizado), e
1,000 g de carvão ativado, transferindo-os para erlenmeyer de 250 mL.
b) Juntar 100 mL de HCl 0,5 M, medidos em proveta, tampar e agitar por 30
minutos no agitador de Wagner a 30-40 rpm.
c) Preparar o conjunto de filtração a vácuo, colocando sobre a placa do funil de
Büchner um disco de papel de filtro de porosidade fina (filtração lenta), de diâmetro
suficiente para cobrir o fundo, com excesso de 2-3 mm.
76

d) Umedecer o papel de filtro, aplicar sucção moderada e transferir o conteúdo do


erlenmeyer, recebendo o filtrado em kitassato de 1000 mL.
e) Lavar o retido com porções de água destilada, procedendo a uma nova lavagem
só após todo líquido da lavagem anterior ter sido drenado.
f) Efetuar um número de lavagens suficiente para se ter um volume de 350 a 400 mL
no kitassato.
g) Terminada a fase das lavagens, trocar o kitassato utilizado até aqui substiuindo-o
por outro de igual capacidade.
Determinação
a) Transferir 100 mL de solução de acetato de cálcio 0,5 M para béquer de 250 mL.
Este volume de solução será distribuído sobre toda superfície do material orgânico,
retido no funil de Büchner, em sucessivas porções de 10 a 15 mL, sob vácuo
reduzido, para permitir uma lenta percolação. Uma nova porção de solução de
acetato de cálcio só deverá ser adicionada após a porção anterior ter sido drenada
para o kitassato.
b) Na sequência, lavar com porções de água destilada até totalizar um volume de
aproximadamente 300 mL no kitassato.
c) Levar o kitassato ao sistema de titulação e titular com a solução 0,1 M de NaOH
padronizada, empregando-se a solução de fenolftaleína como indicador.
d) Conduzir uma prova em branco em duplicata, empregando-se o carvão ativado,
sem a presença da amostra.
e) Calcular o valor da CTC pela expressão:

1000M  Va  Vb   
CTC (mmol / kg)  ,  onde :
G

VA = volume de NaOH 0,1M gasto na titulação da amostra, em mL.


VB = Volume médio de NaOH 0,1 M gasto na titulação das provas em branco, em
mL.
G = massa da amostra, em grama.
M = concentração molar da solução de NaOH padronizada.
77

8.17 CTC/C

É encontrada pela razão numérica entre os valores encontrados para a


capacidade de troca catiônica (CTC), em mmolc/Kg, e o carbono orgânico, em
porcentagem mássica, ambos referidos à amostra em base seca. A relação CTC/C
é um parâmetro do grau de maturação e qualidade dos fertilizantes orgânicos.

8.18 Relação C/N

É calculada pela divisão dos resultados em porcentagem mássica, obtidos


para o carbono orgânico e o nitrogênio, ambos referidos à amostra em base seca.
Aplica-se aos fertilizantes orgânicos mistos, compostos e vermicompostos.

8.19 Extrato Húmico Total (EHT), ácidos Húmicos (AH’s) e Ácidos


Fúlvicos (AF’s)

a) Princípio e aplicação
O termo substâncias húmicas se aplica a um conjunto de substâncias orgânicas
passíveis de serem extraídas por uma solução alcalina diluída. Em função da
solubilidade em meio ácido (pH 1), as substâncias húmicas podem ser separadas em
duas frações, uma solúvel (ácidos fúlvicos) e uma insolúvel (ácidos húmicos), que
precipita e pode ser redissolvida em solução alcalina. A fração de matéria orgânica
insolúvel em meio alcalino é denominada humina. Sendo assim, para esta análise, as
amostras são submetidas a uma extração alcalina para obter o extrato húmico total e,
posteriormente, precipitam-se deste extrato os ácidos húmicos a pH 1, restando em
solução os ácidos fúlvicos (EHT = AH’s + AF’s). Na sequência, tanto para o extrato
húmico total (EHT) como para os ácidos húmicos (AH’s), determina-se o conteúdo
de carbono orgânico, por oxidação química com bicromato.
Aplicável aos fertilizantes orgânicos para aplicação no solo, com conteúdo
especificado em EHT, AH’s e AF’s. Para fertilizantes líquidos alcalinos, faz-se
necessária uma adequação do procedimento, descrita no item 5. Para os fertilizantes
sólidos os resultados são referidos às amostras em base seca.
b) Materiais e equipamentos
• Tubos de centrífuga de 200-250 mL.
• Banho-maria com controle de temperatura.
78

• pH-metro com eletrodo combinado.


• Agitador Wagner.
• Centrífuga com velocidade de 4500 rpm ou acima.
• Estufa de secagem.
Reagentes e soluções
• Solução de K2Cr2O7 0,20 M: dissolver em água destilada 118,8624 g do sal p.a.
(99%de pureza), padrão primário, secado a 110-120 °C por 2 horas e transferir,
quantitativamente, para balão volumétrico de 2 litros, completando o volume com
água destilada.
• Ácido sulfúrico concentrado, H2SO4, p.a ., 95-98%.
• Ácido sulfúrico a 20% em água (v/v).
• Ácido fosfórico (H3PO4), p.a., 85,0%.
• Solução indicadora de difenilamina (C12H11N), p.a .
Preparo: Tomar 0,25 g de difenilamina, acrescentar 20 mL de água e solubilizar
adicionando cuidadosamente 50 mL de ácido sulfúrico concentrado. Esfriar e
conservar em frasco escuro.
• Solução de sulfato ferroso amoniacal (SFA) contendo aproximadamente 0,5 M.
Preparo: pesar 198,0 g do sal (NH4)2Fe (SO4)2.6H2O, p.a., transferir para béquer de
1000 mL e acrescentar 150 mL de ácido sulfúrico concentrado. Agitar, acrescentar
com cuidado 250 mL de água destilada, agitar novamente e deixar esfriar. Transferir
quantitativamente para balão volumétrico de 1000 mL e completar o volume com
água destilada, deixando esfriar antes de cada adição de água. Guardar em recipiente
plástico opaco.
Aferição: a solução de Fe2+ deve ter sua concentração aferida a cada dia de análise.
Para tanto, tomar, em duplicata, uma alíquota de 10 mL da solução padrão de
K2Cr2O7 0,20 M para erlenmeyer de 250 mL. Acrescentar água até um volume de
aproximadamente 100 mL e mais 10 mL de H3PO4. Titular com a solução de
sulfato ferroso amoniacal, empregando 0,5 a 1 mL da solução de difenilamina como
indicador, até a viragem para a coloração verde. Sendo V o volume médio, em
mililitros, do titulante gasto, a concentração (C) da solução de Fe2+ em relação à
solução de bicromato será:

C = 2,0/V
79

Observação. C terá um valor próximo de 0,0833, visto tratar-se de uma reação de


oxi-redução e não estarmos trabalhando com concentrações em normalidade.
• Solução extratora de pirofosfato de sódio 0.1M em NaOH 0,1M: solubilizar 44,5
g de Na4P2O7.10H2O em água, acrescentar 4,00 g de NaOH e completar o volume a
1 litro.
• Hidróxido de sódio 20 g/L – solubilizar 20 g de hidróxido de sódio (NaOH) em
água, transferir para balão volumétrico de 1000 mL e completar o volume com água
destilada.
Outro indicador que pode ser utilizado em substituição à solução de difenilamina:
• Ferroin ou solução de ferroína: solubilizar 1,485 g de o-fenantrolina, p.a., C12H8N2,
mais 0,695 g de sulfato ferroso heptahidratado, p.a., FeSO4.7H2O, em 100 mL de
água destilada. Viragem: verde para violeta escuro.
c) Procedimento
Extração
a) Pesar com precisão de 0,1 mg uma quantidade da amostra previamente secada
e pulverizada contendo até 300 mg de Carbono Orgânico provável. Transferir
para erlenmeyer de 250-300 mL e acrescentar 100 mL da solução extratora
recém preparada;
b) Tampar o erlenmeyer e agitar por 30 minutos em agitador Wagner a 40-50 rpm.
c) Transferir, com auxílio de uma pisseta com água destilada, o conteúdo do
erlenmeyer para tubo de centrífuga de 200-250 mL, ajustar a velocidade da
centrífuga para 4000-4500 rpm e promover a centrifugação por 25 minutos.
d) Transferir a solução sobrenadante para balão volumétrico de 1000 mL. Repetir
a operação de centrifugação por até 5 vezes, adicionando alíquotas de 100 mL
da solução extratora, até que o líquido de extração esteja incolor ou apenas
levemente corado. Reunir todos os extratos no balão volumétrico de 1000 mL,
completar o volume com água destilada e homogeneizar. A esta solução se
denomina “extrato húmico total”.
Obs.: Se após a quinta operação de centrifugação, continuar persistindo a cor
escura, repetir o processo pesando uma quantidade menor de amostra.
Determinação do carbono orgânico no extrato húmico:
a) Tomar 50 mL do extrato, medido com pipeta volumétrica, para um erlenmeyer
de 250-300 mL. Levar a um banho-maria a 85-90ºC e evaporar até secura. Pode-
se, também, fazê-lo em estufa.
80

b) Acrescentar 10 mL de K2Cr2O7 0,20 M e, em seguida, com cuidado, 20 mL


de H2SO4 concentrado, agitando suavemente. Cobrir com vidro de relógio e deixar
em repouso por 30 minutos, para esfriar.
c) Transferir o erlenmeyer tampado com o vidro de relógio para uma chapa
aquecedora e ferver por 30 minutos, levando a temperatura a cerca de 140ºC (evitar
que ultrapasse 160 ºC).
d) Terminado o tempo de reação, retirar o erlenmeyer da chapa e deixar esfriar,
sempre coberto com o vidro de relógio.
e) Lavar o vidro de relógio, utilizando-se de uma pisseta, recolhendo a água no
erlenmeyer.
f) Acrescentar aproximadamente 100 mL de água destilada, 10 mL de H3PO4 e
deixar esfriar. Em seguida, acrescentar 0,5-1 mL da solução indicadora de difenilamina
e titular com a solução de sulfato ferroso amoniacal (SFA).
g) Conduzir, simultaneamente, pelo menos duas provas em branco, omitindo-se a
presença do extrato-amostra.
O teor percentual de carbono orgânico(m/m) será dado por:

36C  Va  Vb   
%C  ,  onde :
G

C = concentração da solução de sulfato ferroso amoniacal.


Va = volume, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto na amostra.
Vb = volume médio, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto nas
replicatas da prova em branco.
G = massa inicial da amostra, em grama.
O cálculo de teor de carbono orgânico é efetuado com base na premissa de que
cada mol de K2Cr2O7 consumido reagiu com 1,5 mol de carbono orgânico.
A porcentagem de EHT será dada por:

%EHT = 1,724 . %C

Precipitação dos ácidos húmicos


a) Tomar 100 mL da solução do extrato húmico total e acrescentar ácido sulfúrico a
20% (v/v), agitando lentamente até pH 1, verificado com o uso do pH-metro.
81

Homogeneizar bem e deixar em repouso durante a noite ou por um período mínimo


de 8 horas, para separação dos ácidos húmicos.
b) Transcorrido este tempo, centrifugar a 4000-4500 rpm por 25 minutos e comprovar
a separação do precipitado de ácidos húmicos. Pode-se trabalhar com maior
velocidade e/ou maior tempo de centrifugação, se necessário. Separar o sobrenadante
(ácidos fúlvicos).
c) Solubilizar o precipitado com volume suficiente de NaOH 0,5 M (fazer adições
de 5 em 5 mL e agitar manualmente), transferir para um balão volumétrico de 100
mL e completar o volume com água destilada. A esta solução se denomina “solução
de ácidos húmicos”.
Determinação do teor de ácidos húmicos (AH’s)
a) Tomar 50 mL da solução de ácidos húmicos para erlenmeyer de 250-300 mL,
evaporar em banho-maria a 85-90ºC (ou estufa) até ficar seca, e determinar o teor
de ácidos húmicos seguindo o procedimento anterior, a partir do item 4.2.b.
b) Cálculos:

36C  Va  Vb   
%C 
G
C = concentração da solução de sulfato ferroso amoniacal.
Va = volume, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto na amostra.
Vb = volume médio, em mL, da solução de sulfato ferroso amoniacal gasto nas
replicatas da prova em branco.
G = massa inicial da amostra, em grama.
O cálculo de teor de carbono orgânico é efetuado com base na premissa de que
cada mol de K2Cr2O7 consumido reagiu com 1,5 mol de carbono orgânico.
A porcentagem de ácidos húmicos será dada por:

% AH’s = 1,724 . %C

Os resultados são expressos em relação às amostras em base seca, para produtos


sólidos com conteúdo de umidade.
Cálculo do teor de ácidos fúlvicos (AF’s)
O teor percentual de ácidos fúlvicos é dado pela diferença entre o teor do extrato
húmico total e o teor de ácidos húmicos.
82

% AF’s = %EHT - % AH’s

Observação. Para produtos líquidos de pH alcalino, com as substâncias húmicas


já solubilizadas, a fase de extração pode ser suprimida e o procedimento
simplificado:
a) Pesar com precisão de 0,1 mg uma quantidade da amostra contendo até 300
mg de Carbono Orgânico provável. Solubilizar com água, acrescentar 50 mL de
NaOH 0,5 M e transferir para balão volumétrico de 500 mL, completando o
volume com água destilada. Filtrar, se necessário, com papel de filtro de porosidade
média.
b) Tomar uma alíquota de 25 mL para a determinação do extrato húmico total.
c) Tomar uma alíquota de 50 mL para a determinação do teor de ácidos húmicos.
d) Cuidados e administração dos resíduos
Trabalhar sempre de forma cuidadosa com as soluções de ácido sulfúrico.
O cromo é um contaminante perigoso da água e do meio ambiente. É necessário,
portanto, recolher todos os resíduos com restos de cromo num recipiente adequado
para sua reciclagem. Não descartar na pia, mesmo fazendo diluição.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Existem várias possibilidades de reaproveitamento dos diferentes resíduos
orgânicos de origem animal, vegetal, industrial e agroindustrial como fonte de
nutrientes para as culturas agrícolas. As aplicações variam desde a complementação,
suplementação até a substituição total da adubação mineral nos manejos mais
conservacionistas. As doses aplicadas também são variáveis em função da
composição dos adubos orgânicos, da necessidade de aplicação que tem relação
com a fertilidade do solo que receberá o resíduo, da exigência da cultura a ser
adubada e da mineralização. As respostas das plantas a estas aplicações também
são muito variáveis, alguns sistemas de produção agrícola mantêm as produtividades,
outros reduzem e ainda outros aumentam em comparação à não utilização dos
resíduos ou em comparação à adubação mineral.
Em sistemas orgânicos há necessidade de maior domínio dos fatores que
influenciam na decomposição dos resíduos orgânicos a fim de orientar o melhor
manejo para cada situção, local, tipo de cultura (anual ou perene) e tipo de solo. Em
alguns sistemas é desejável que a decomposição dos resíduos seja lenta, a fim de
83

acumular palha sobre o solo, sendo este um desafio no sistema de plantio direto,
logo, para esse manejo, devem se buscar espéceis de alta produtividade de biomassa
e que sua composição não favoreça a rápida decomposição.
Por outro lado, quando se pretende fornecer os fertilizantes orgânicos como
fonte de nutrientes, é necessário aplicar os materiais mais ricos em nutrientes e
que liberam os nutrientes em sincronia com o crescimento da cultura. Enfim, a
aplicação desses materiais deve ser realizada de forma técnica e os materiais
devem estar adequados à legislação vigente para que se atinjam as produtividades
esperadas e se diminuam os riscos ambientais do uso empiríco dos fertilizantes
orgânicos.

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