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Gesso

Quando quebramos um membro, a atadura impregnada de gesso precisa ser umedecida para ficar
rígida. O gesso tem várias aplicações não só na odontologia, mas na área de arquitetura, em outras
áreas médicas.

O gesso tem alguns tipos diferentes, algumas formas diferentes de apresentação. Quando foi
iniciado seu uso, o gesso era utilizado para fazer moldagem em odontologia. Era um procedimento
bem complexo, imagina como era feita essa moldagem já que o paciente (?) que vai ser submetido a
isso vai ter o gesso endurecido dentro da boca dele.

Antigamente a odontologia não era nem um pouco reabilitadora, as pessoas iam ao dentista “tirar
dentes”. Quando a gente imagina um paciente desdentado fica um pouco mais fácil de pensar numa
moldagem com gesso. Dentre a classificação de gesso, há o gesso tipo I – Paris, que é o gesso para
moldagem. Vocês vão ficar um pouco confuso se não perceberem essa história por trás. Então
realmente algumas vezes quando era utilizado para fazer uma moldagem, ou você tinha que fraturar
e depois fazer uma colagem dos fragmentos, ou se o rebordo fosse muito expulsivo aí era possível
remover o molde sem nenhuma fratura, mas de qualquer maneira ele se torna bem rígido.

Como você vão ver, os materiais de moldagem têm uma classificação também. Uma principal,
que vocês já podem entender a partir desse momento, é que existem materiais que são rígidos ou
anelásticos e os elásticos.

O gesso odontológico vai ter uma importância no nosso dia a dia. Muitas vezes vocês vão se
deparar num momento em que vão uma moldagem para fazer uma técnica restauradora ou apenas
para que eu posso avaliar, fazer um diagnóstico.

De onde veio o gesso? O gesso veio da natureza, de um mineral chamado gipsita. E a sua
forma como é encontrado naturalmente é cristalina, a gente encontra cristais de gipsita. E é por isso
que vocês quando forem manipular o gesso vão esperar que ele saia de um estágio que ele está em
pó para um estágio que ele possa se tornar rígido. Esse tempo que vai passar vai ser uma reação de
presa denominada Cristalização, porque na verdade são cristais que estão sendo formados.

Aí vocês têm que pensar na composição que a gente está observando. A composição desse
elemento é o Sulfato De Cálcio Diidratado, ele vai ter a importância de vocês entenderem por que a
reação acontece com a água. Para eu conseguir utilizar esse material eu vou ter que fazer um
tratamento para que ele tenha então uma propriedade adequada e que a gente possa manipulá-lo.

Então se eu sei que eu preciso colocar água para eu chegar numa fase cristalina e que a gipsita
é um cristal, como é que eu faço para manipular este material? Se eu pensar que na natureza essa
molécula já se encontra em equilíbrio com o seu meio, com duas moléculas de água, será que eu
consigo colocar mais moléculas de água facilmente? Então se eu não posso colocar o que eu posso
fazer é retirar. Qual a primeira coisa a se pensar para tirar essas moléculas de água daí? Aquecendo.
Uma reação denominada Calcinação. Essas moléculas de água vão ser perdidas e eu vou ter a chance
de trabalhar com o Sulfato de Cálcio Hemiidratado.

Então o gesso é um produto da Calcinação da Gipsita quimicamente correspondente ao


Sulfato de Cálcio Hemiidratado. Vocês também vão ver outras formas de apresentação dessa
molécula nos vivos. Então a Gipsita tem como componente principal o Sulfato de Cálcio Diidratado e
o Gesso Odontológico tem como componente principal o Sulfato de Cálcio Hemiidratado.

Outra maneira de simbolizar essa molécula é colocando duas moléculas de Sulfato de Cálcio e
uma de água, que na verdade é o que acontece, não dá para quebrar meia molécula de água. Cada
molécula de água cuida de duas moléculas de sulfato de cálcio.

A reação que se trata de Calcinação, há a perda de moléculas de água para eu obter o gesso
hemiidratado. Ainda vai passar por alguns processamentos, o gesso hemiidratado, para que ele tenha
outras propriedades que possam ser interessantes para minha aplicação clínica. Então a gipsita tem
algumas formas de eu trabalhar com ela, uma delas é fazendo essa calcinação em forno aberto em
110/120°C aonde vou obter dois tipos de gesso: o Gesso Paris – Tipo I ou Gesso para Moldagem e o
Gesso Comum – Tipo II. Todos eles denominados como beta hemiidratados, isso por conta da posição
da molécula. E ainda temos uma forma de trabalhar com a gipsita sobre pressão e vapor d’água,
pressão e succinato de sódio em caldeira com cloreto de cálcio, nesse momento eu vou obter um
Gesso Pedra alfa hemiidratado, também vai posicionar a molécula de uma maneira diferente do beta
hemiidratado.

Em relação a beta e alfa, na verdade o que vai mudar é o formato da partícula. Então muitas
vezes o detalhamento do meu modelo e a resistência desse material vai depender da partícula.
Aquelas partículas que têm o formato todo irregular vão me dar uma lisura não tão boa quanto uma
que seja toda esferoidal, onde se encaixam mais adequadamente. Além disso, se eu imaginar, por
exemplo, uma bola de futebol e uma cadeira para serem pintadas, a bola será pintada mais rápida. A
mesma coisa vai acontecer quando eu hidratar as partículas, é como se a água estivesse umedecendo
toda a superfície da partícula para que a reação aconteça. A facilidade de umedecer essa partícula é
que vai me dar uma reação melhor, mais sulfato de cálcio diidratado, ou então uma reação que seja
mais eficiente, mais rápida. De qualquer maneira o resultado final deve ser respeitado para que eu
obtenha a melhor resistência e eu vou trabalhar com detalhes sobre o modelo de gesso.

Um modelo de gesso é uma cópia. Essa cópia me permite trabalhar no laboratório sobre o
dente e construir ali algum trabalho. Por isso que existem os modelos de gesso.

Aqui vocês estão vendo as partículas diferenciadas em que eu possuo partículas mais
homogêneas e partículas mais heterogêneas. A partir dessa reação (qual?) eu ainda posso utilizar
trituradores e adicionar modificadores que vão acelerar ou retardar a presa do gesso. Assim também
eu tenho a oportunidade de colocar pigmentos, isso facilita algumas técnicas laboratoriais e também
facilita diferenciar entre os tipos de gesso.

*Classificação - ADA:

Tipo I: Gesso para moldagem (Paris) – não é utilizado mais

Tipo II: Gesso comum

Tipo III: Gesso Pedra

Tipo IV: Gesso Pedra de Alta Resistência

Tipo V: Gesso Pedra de Alta Resistência e Alta Expansão de Presa


O gesso tipo IV e tipo V são conhecidos no mercado como gessos especiais. Tem essa classificação
justamente porque eu não posso utilizar o gesso tipo II para a mesma coisa que eu uso o gesso tipo V.
O gesso tipo V é caro, você utiliza pequenas quantidades em alguns procedimentos clínicos e
laboratoriais. Porque o gesso tipo II normalmente é utilizado para preencher áreas que não vão ser
exatamente trabalhadas. Em alguns momentos ele (gesso tipo II) pode ser utilizado também para
moldar modelos que servem apenas para diagnóstico, a única coisa que nós construímos em modelo
de gesso tipo II, que é o comum, são outras moldeiras, que vão me permitir moldar novamente para
eu obter modelos melhores, mais detalhados e mais resistentes.

O gesso tipo I seria para moldagem.

O gesso tipo II para modelos de estudo ou para preenchimento de muflas, onde a gente
transfere alguns detalhes da boca para a prótese (aqui vocês estão vendo o negativo disso, esse
negativo é feito num modelo com um gesso muito mais resistente, e esse daqui é como se fosse por
trás do dente, uma área vai ser “retida” com resina acrílica, e ela vai ter grande importância porque
vai ser funcional, e a área em volta só serve para posicionar dentro da mufla o próprio molde
funcional, por isso que fala para preenchimento), então dentro da mufla há pelo menos dois tipos de
gesso, um utilizado para detalhamento anatômico e outro para preenchimento.

O tipo III é o gesso pedra, muitas vezes os professores já pedem para vocês vazarem um
modelo de estudo num gesso tipo pedra, porque o gesso comum é tão frágil que no momento em
que começo articular, se eu tenho uma arcada inferior e uma superior em gesso comum e eu começo
a querer ver como é a mordida do paciente, só de encostar um no outro o gesso já começa a
desgastar de tão frágil que ele é, e às vezes quando você manipula já sai um pó no seu dedo, já
começa a desgastar esse gesso tipo I. Então com o gesso pedra não há aquele desgaste só de
encostar um no outro, na área que me interessa. Para modelo final ou modelo funcional ou modelo
de trabalho (tudo é a mesma coisa) para prótese total. Então quando eu faço um moldagem
funcional, você faz uma moldagem preliminar algumas vezes, que vai permitir que eu construa sobre
aquele modelo uma nova moldeira, especial para aquele paciente, só vai servir naquela boca. Então
eu vou permitir um detalhamento melhor ainda, porque a intimidade do meu material de moldagem,
que é o material que copia, vai ser muito maior com o tecido bucal e isso vai permitir uma moldagem
funcional, que é o negativo, e um modelo funcional, que é o positivo. Isso quer dizer que sobre este
modelo eu vou construir a prótese porque eu já tenho os detalhes anatômicos suficientes. Se fizer
com gesso comum você não vai ter os detalhes, por causa das formas das partículas. As partículas do
gesso comum são irregulares, as do gesso pedra são mais regulares e permitem maior detalhamento.

Alguns tipos de trabalho que eu vou construir eu vou precisar de um gesso mais resistente.
Por isso existem gessos tipo IV e tipo V, que são gessos tipo pedra especial. Os gessos tipo IV e tipo V,
possuem um elevado grau de precisão e um refinamento maior ainda das partículas, elas são muito
mais próximas as partículas esferoidais.

Esse é um outro tipo de modelo, que é um modelo parcial. Algumas vezes, quando a gente vai
reabilitar o paciente, a doença cárie já destruiu tanto o elemento que eu preciso tomar uma
providência de desgastar grande parte dela para construir uma prótese parcial fixa, é como se fosse
uma capa que vai se encaixar ali. Isso pode ser feito de vários materiais, metalocerâmicas,
metaloplásticas, cerâmicas puras, resinas puras, mas o modelo precisa de alta precisão, como o do
tipo IV.

Troquéis é como se eu tivesse um modelo de um dente, normalmente a gente aprende a fazer


isso na faculdade, mas quem faz são os protéticos. Por exemplo, para eu construir um troquel eu
preciso ter antes um deste (não entendi o que seria), então “cego” aqui do lado e na hora de vazar eu
já tenho que ter incluído um pino, como se funcionasse como uma gaveta, eu coloco e eu tiro esse
elemento que está preparado. Então isso é um troquel, eu posso colocar e tirar, isso permite que o
protético tenha detalhes na hora de construir a porcelana, por exemplo.

(Quando eu tiro a cópia da boca da pessoa com o material de moldagem, isso quer dizer que eu vou
ter um negativo da boca primeiro. Vamos imaginar que esse aqui é um dente, eu venho com o
material de moldagem, moldo e depois tiro, tenho uma cópia do dente. Sobre esse negativo eu vou
vazar o meu modelo, vazar é construir o modelo, é jogar o gesso líquido aqui dentro antes dele ficar
rígido, antes dele cristalizar, quando eu faço isso (troquelar) antes de jogar o gesso líquido eu vou
colocar sobre o dente preparado um pino, e agora eu jogo o gesso e cristalizou, removo o molde e
obtenho um modelo. Dentro do gesso vai ter um pino (eu não vejo mas está lá), e venho com uma
serra e corto de cada lado e faço um troquel (“gaveta”), eu tenho a possibilidade de colocar e tirar
esse dente, eu vou saber a relação que ele tem com os outros elementos onde eu estiver
trabalhando.)

Quando a diferença entre o gesso tipo IV e tipo V? (32:40)