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ROTEIRO PARA MODELAGEM HIDRÁULICO-HIDROLÓGICA


UTILIZANDO O HEC-HMS E O HEC-RAS

Melissa Graciosa
Maio de 2010

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 4

2. CONCEITOS EM MODELAGEM HIDRÁULICO-HIDROLÓGICA 4

2.1. Modelos hidrológicos 6


2.2. Modelos hidráulicos 7
3. MODELAGEM HIDROLÓGICA EM DRENAGEM URBANA 8

3.1. Chuva de projeto 8


3.2. Modelo SCS para quantificação do escoamento superficial 10
3.3. Configuração da simulação hidrológica 13
4. SIMULAÇÃO HIDROLÓGICA COM O HEC-HMS 15

4.1. Descrição do software 15


4.2. Instalação do HEC-HMS 17
4.3. Preparação dos dados 17
4.4. Estimativa dos parâmetros do modelo hidrológico SCS 19
4.5. Elementos de simulação para construção da topologia da bacia 19
4.6. Estrutura da simulação no HEC 21
4.7. Criando um novo projeto. 21
4.8. Criando cenários de simulação 22
4.9. Montando a topologia da bacia no HEC 23
4.9.1. Inserindo uma imagem de fundo: 23
4.9.2. Inserindo e nomeando os elementos de simulação: 24
4.9.3. Conectando os elementos de simulação 25
4.9.4. Selecionando os modelos 26
4.9.5. Inserindo parâmetros 26
4.10. Inserindo as chuvas de projeto e/ou chuvas observadas 28
4.11. Criando modelos meteorológicos 31
4.12. Inserindo dados para os reservatórios 31
4.13. Criando uma especificação de controle 33
4.14. Criando uma simulação 33
4.14.1. Rodando a simulação 33
4.14.2. Erros de simulação 34
4.14.3. Visualizando resultados 35
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4.14.4. Apresentação dos resultados em relatório 37
5. SIMULAÇÃO HIDRÁULICA COM O HEC-RAS 42

5.1. Descrição do software 42


5.2. Instalação do HEC-RAS 43
5.3. Procedimento de simulação no HEC-RAS 43
5.3.1. Preparação dos dados 43
5.3.2. Montando um novo projeto no HEC-RAS 46
5.3.3. Montando a geometria do sistema de drenagem 48
5.3.4. Inserindo a geometria das seções 50
5.3.5. Configurando diferentes cenários de simulação 52
5.3.6. Selecionando o modelo hidráulico 53
5.3.7. Definindo as vazões de projeto para as simulações 54
5.3.7.1. Inserindo dados de vazão e condições de contorno no modelo de remanso 54
5.3.8. Configurando e executando a simulação 57
5.3.9. Visualizando os resultados da simulação 59
6. REFERÊNCIAS 60

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1. INTRODUÇÃO
A plataforma HEC (Hydrologic Engineering Center), desenvolvida pelo Corpo de
Engenheiros do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Corps of Engineers), é um
conjunto de softwares voltados para o gerenciamento de recursos hídricos. O presente
relatório refere-se às ferramentas da plataforma destinadas à modelagem hidráulico-
hidrológica para o gerenciamento de drenagem urbana, que são o módulo HEC-HMS e o
módulo HEC-RAS. Juntos, estes módulos constituem a ferramenta básica de simulação
hidráulico-hidrológica para fins de drenagem urbana. Este documento tem por objetivo
apresentar o procedimento básico de modelagem e simulação hidráulico-hidrológica
utilizando os softwares HEC-HMS e HEC-RAS.
Além destes módulos, a plataforma HEC disponibiliza também os módulos: SSP
(Statistical Software Package), para a análise estatística de séries de variáveis
hidrológicas; ResSim (Reservoir System Simulation), para a simulação multi-objetivo da
operação de reservatórios em tempo real; EFM (Ecosystem Function Model), para a
modelagem de ecossistemas aquáticos em áreas alagáveis com integração de rio e várzea
e FDA (Flood Damage Reduction Analysis), para a análise de risco e estimativa do prejuízo
decorrente de inundações. Há ainda duas ferramentas de gerenciamento de informação,
que são os módulos DSS (Data Storage System) – para o armazenamento e edição de
dados – e RPT (Regime Prescription Tool) – para a recepção, visualização e transmissão
de informações em tempo real com vistas à integração de resultados à edição de dados de
entrada para os demais módulos da plataforma.

2. CONCEITOS EM MODELAGEM HIDRÁULICO-HIDROLÓGICA


Modelo é uma representação física ou matemática da realidade, que busca reproduzir
o comportamento de um sistema, com o objetivo de prever a resposta do sistema dada
uma entrada e o seu estado inicial. Os modelos permitem analisar cenários e estudar
alternativas para o gerenciamento de processos. Modelos físicos são aqueles que
procuram reproduzir fisicamente o sistema analisado em escala menor – por exemplo,
modelos hidráulicos reduzidos. Os modelos matemáticos, por sua vez, procuram
representar o sistema por meio de equações que reproduzam os seus processos, como,
por exemplo, equações de chuva, equações de infiltração, etc.

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ESTÍMULO RESPOSTA
(ENTRADA)
SISTEMA
(PROCESSOS REAIS) (SAÍDA)

VARIÁVEIS DE
MODELO VARIÁVEIS
(PROCESSOS MATEMÁTICOS
ENTRADA DE SAÍDA
PARÂMETROS
VARIÁVEIS DE ESTADO)

Figura 2-1 – Representação de um sistema real por meio de um modelo

Em drenagem urbana o sistema em estudo é a bacia hidrográfica. Para a modelagem


deste sistema, são utilizados modelos matemáticos hidrológicos e hidráulicos, com o
objetivo de prever vazões e níveis de cheia, dadas uma determinada chuva e as condições
iniciais da bacia hidrográfica.
Os modelos hidrológicos buscam representar os processos na bacia hidrográfica. Em
drenagem urbana, são utilizados, para este fim, os chamados modelos chuva-vazão. Eles
possibilitam estudar o processo de formação do escoamento superficial e das vazões de
cheia nos canais de drenagem para uma dada chuva.
Os modelos hidráulicos representam os processos de formação de cheias nos rios e
canais da macrodrenagem. Eles possibilitam avaliar, para uma dada vazão, como será o
desenvolvimento dos níveis de cheia em diferentes pontos da rede de drenagem e, assim,
identificar possíveis áreas de inundação na bacia hidrográfica.
O processo de aplicação do modelo é chamado simulação. Na simulação, são
fornecidas as variáveis de entrada e os parâmetros para obter as variáveis de saída que se
deseja avaliar. A simulação de modelos matemáticos requer a solução de complexos
sistemas de equações, que demandam a utilização de ferramentas computacionais para o
processamento dos cálculos. Deste modo, são desenvolvidos softwares para a simulação
dos modelos hidrológicos e hidráulicos.
A modelagem e simulação da bacia hidrográfica são imprescindíveis para o
gerenciamento da drenagem urbana, pois permitem avaliar cenários e fazer o
planejamento. As etapas envolvidas são:
1. escolha dos modelos,
2. determinação das variáveis de entrada e estimativa dos parâmetros dos
modelos,
3. escolha das ferramentas de software para a aplicação dos modelos,
4. calibração e validação dos parâmetros dos modelos;
5. simulação e
6. interpretação dos resultados.
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2.1. Modelos hidrológicos

Os modelos chuva-vazão representam o processo pelo qual o volume de chuva


precipitado escoa e atinge os canais da macrodrenagem, em função das características
físicas da bacia e das condições de escoamento e infiltração da água no solo. Fatores
como compacidade e saturação do solo, grau de impermeabilização das superfícies e tipo
de cobertura vegetal interferem diretamente na quantidade de chuva que irá infiltrar, bem
como na parcela que irá chegar aos rios e em quanto tempo. Quanto mais
impermeabilizada for a bacia, com urbanização e coberturas de concreto e asfalto, maior o
volume de chuva que irá escoar pela superfície e menor o tempo de escoamento.
Os modelos hidrológicos são classificados com relação a diferentes aspectos. Em
função da variabilidade espacial dos processos hidrológicos na bacia hidrográfica, os
modelos podem ser concentrados ou distribuídos. Os modelos chuva-vazão são
concentrados, quando as funções que representam os processos são consideradas
espacialmente homogêneas para toda a bacia hidrográfica, tendo como variável
independente apenas o tempo. Por outro lado, os modelos são distribuídos, quando se
considera os processos variáveis no espaço. Quanto maior a área da bacia hidrográfica
maior a necessidade de usar modelos distribuídos para representar os seus processos,
pois a variabilidade espacial hidrológica constitui influência significativa nos mesmos.
O uso de modelos distribuídos requer maior complexidade de informações e deve ser
feito com cautela e especialmente evitado para bacias de menor área, pois a incerteza na
estimativa dos parâmetros e variáveis pode representar maior erro que a precisão dos
resultados fornecidos. Para sistemas de pequenas sub-bacias hidrográficas urbanas, que
têm menor efeito de variabilidade espacial das variáveis e processos envolvidos, são
usados modelos concentrados, que possuem maior simplicidade de parâmetros e fornecem
respostas adequadas para projetos hidráulicos e planejamento de drenagem urbana.
Os modelos hidrológicos podem ainda ser contínuos ou discretos no tempo. Os
primeiros são aqueles cujos processos são contínuos, ao passo que nos sistemas discretos
as mudanças de estado ocorrem em intervalos discretos no tempo. A publicação CPRM
(2007) classifica como discretos os sistemas descritos por variáveis expressas por números
inteiros e contínuos aqueles cujas variáveis são expressas por números reais. Segundo
Tucci (2005) a maioria dos sistemas hidrológicos é contínuo no tempo, porém representado
por um modelo discreto.
O fator probabilístico determina se o modelo é estocástico ou determinístico. Modelos
estocásticos são aqueles que consideram a probabilidade de ocorrência das variáveis em

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sua formulação. Ao contrário, quando se tem leis definidas para o modelo, não levando em
conta a lei das probabilidades, se diz que o modelo é determinístico.
Por fim, os modelos podem ser conceituais, quando os processos físicos são a base
da formulação de suas funções, ou empíricos, quando o ajuste matemático das variáveis
de entrada e de saída calculadas e observadas é a base da formulação das funções do
modelo, que não têm a ver com os processos físicos envolvidos. Os modelos empíricos
são, por esta razão, também chamados de modelos “caixa-preta”.
Encontram-se disponíveis na literatura diversos modelos para a simulação do
processo de transformação chuva-vazão. A escolha do modelo mais adequado a cada caso
depende de fatores como o tamanho da bacia, a variabilidade espacial dos processos
hidrológicos e os dados disponíveis. É muito importante que seja utilizado um modelo cujos
parâmetros de entrada sejam condizentes com as informações disponíveis para a bacia
hidrográfica de estudo.

2.2. Modelos hidráulicos

O planejamento de sistemas de drenagem urbana requer a avaliação da capacidade


de veiculação de vazão dos canais existentes, a identificação de pontos de
estrangulamento do escoamento e a capacidade de amortecimento de cheias nas calhas
dos rios e canais. Normalmente os canais existentes possuem diferentes seções com
diferentes tipos de revestimento ao longo dos trechos, que conduzem a diferentes tipos de
escoamento, gradual ou bruscamente variado. Para a análise hidráulica destes canais são
utilizados modelos hidráulicos, que variam conforme o tipo de escoamento.
Existem basicamente dois tipos de modelos hidráulicos utilizados em drenagem
urbana, que são os modelos de remanso e os hidrodinâmicos. Os modelos de remanso são
baseados nos princípios da conservação de energia (equação de Bernoulli) e conservação
da massa (equação de continuidade). Eles podem ser aplicados quando for admitida a
hipótese de distribuição hidrostática de pressões, não havendo componente de aceleração
do escoamento, de modo que o atrito seja o fator determinante do escoamento. Na prática
esta condição ocorre para o regime de escoamento permanente uniforme, podendo ser
estendida para o regime permanente gradualmente variado, em que a geometria, a
declividade, a lâmina d’água e a velocidade são constantes em cada seção transversal. A
quantificação do atrito no escoamento é feita normalmente por meio das equações de
Chézy e Manning.
Os modelos de remanso possibilitam obter a altura da lâmina d’água, uma vez
conhecidas a vazão de projeto nas seções de interesse, a geometria do canal (transversal

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e longitudinal), a rugosidade do canal e das várzeas (expressa em termos de coeficientes
hidráulicos estimados de acordo com o modelo utilizado) e o nível d’água na seção inicial
(para o escoamento sub-crítico) e final (para o escoamento supercrítico) do trecho
considerado. O estudo do escoamento em canais onde ocorrem variações bruscas das
características hidráulicas, causadas por obstáculos diversos como mudança brusca de
seção transversal, é feito com base nas equações de conservação da quantidade de
movimento e equilíbrio de forças, como é o caso do ressalto hidráulico.
Os modelos hidrodinâmicos são aplicados quando o regime de escoamento é não-
permanente, ou seja, as características do escoamento variam no tempo em cada seção.
Eles possibilitam o estudo da passagem de uma onda de cheia pelo canal. Estes modelos
diferem dos modelos hidrológicos de propagação de cheias em canais por incorporarem ao
balanço de massa a equação de quantidade de movimento.
A formulação dos modelos hidrodinâmicos de propagação do escoamento em canais
baseia-se em duas leis: a lei de conservação de quantidade de movimento (ou segunda lei
de Newton), que estabelece que a variação temporal da quantidade de movimento em um
sistema é igual à resultante das forças aplicadas ao sistema (Baptista, Coelho e Cirilo,
2001), e na lei de conservação de massa, que é a equação de continuidade. Juntas, estas
equações formam um sistema conhecido por Equações de Saint Vennant. As variáveis
dependentes nestas equações são a vazão Q(x,y,z,t) e a altura de escoamento h(x,y,z,t). O
tratamento unidimensional é aplicado em muitos casos a fim de simplificar o
equacionamento, tratando as variáveis dependentes Q(x,t) e h(x,t) em termos dos seus
valores médios na seção transversal. A solução do sistema de equações de Saint Vennant
requer procedimentos numéricos para o tratamento das equações diferenciais, por métodos
de discretização por diferenças finitas, que podem ser implícitos ou explícitos.
A literatura sobre modelos hidráulicos é ampla no Brasil e no mundo, tanto em
publicações recentes (p.ex. Porto, 1995; Baptista, Coelho e Cirilo, 2001; Chanson, 1999;
Canholi, 2005) quanto em publicações mais antigas (p.ex. Chow, 1973; French, 1985;
Azevedo Neto, 1954). As diferentes publicações abordam o tema sob os diferentes
enfoques, que são a descrição dos processos físicos e modelagem numérica, os métodos
de solução das equações e a aplicações práticas na hidráulica de canais.

3. MODELAGEM HIDROLÓGICA EM DRENAGEM URBANA

3.1. Chuva de projeto

Para a simulação hidrológica da formação do escoamento superficial na bacia


hidrográfica é adotada uma precipitação, chamada chuva de projeto, que é a chuva crítica
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de referência para a qual é estudada a formação de cheias na bacia. A chuva de projeto é
estimada com base nas intensidades de precipitação fornecidas pelas chamadas curvas
idf, que são funções que relacionam a intensidade de chuva com a sua duração e
freqüência estatística de ocorrência, ou período de retorno. O período de retorno é o tempo
médio, em anos, em que um evento de precipitação é igualado ou superado. Estas curvas
são estimadas com base em registros históricos de precipitação e, no caso do estado de
São Paulo, foram reunidas em uma publicação chamada equações de chuvas intensas do
estado de São Paulo (DAEE-USP, 1999).

Para a definição da chuva de projeto, deve-se adotar um período de retorno e uma


duração de chuva. Por meio da curva idf, obtém-se a intensidade da chuva, a qual é
desagregada, por meio de métodos hidrológicos adequados, em intervalos de tempo dentro
da duração considerada. Obtém-se, assim, o ietograma de projeto, que é o gráfico dos
totais precipitados em intervalos discretizados em minutos ao longo da duração da chuva.
A equação de chuva adotada foi a relação idf para a cidade de São Paulo, descrita pela
Equação 3-1.

TR
it ,T = 39,3015(t + 20) −0,9228 + 10,1767(t + 20) −0,8764 − 0,4653 − ln ln
TR − 1

Equação 3-1

Em que: i é a intensidade de precipitação, em mm/min, t é a duração da chuva, em


min e TR é o período de retorno da chuva, em anos.

A intensidade de precipitação calculada por meio da Equação 3.1 é convertida em


precipitação total no intervalo considerado, e o ietograma de projeto é obtido pela
desagregação temporal da chuva, por exemplo, pelo método de Huff, segundo distribuição
de intensidade de 1º Quartil. A chuva de projeto com duração de duas horas adotada para
a região metropolitana de São Paulo, com base na Equação 3.1, está apresentada na
Tabela 3-1 para os períodos de retorno de 5, 10, 25, 50 e 100 anos.

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Tabela 3-1 – Chuva de projeto para os períodos de retorno estudados.

P TR10 P TR25 P TR50 P tr100


t(h)
(mm) (mm) (mm) (mm)
0,17 9,54 11,24 12,50 13,75
0,33 19,78 23,30 25,92 28,49
0,50 15,01 17,68 19,66 21,62
0,67 8,38 9,87 10,98 12,07
0,83 5,13 6,04 6,72 7,38
1,00 3,83 4,51 5,01 5,51
1,17 3,32 3,91 4,35 4,78
1,33 2,02 2,38 2,64 2,91
1,50 1,73 2,04 2,27 2,50
1,67 1,73 2,04 2,27 2,50
1,83 1,17 1,38 1,53 1,68
2,00 0,57 0,67 0,75 0,82
total 72,20 85,07 94,61 104,00

Figura 3-1 – Ietogramas de projeto

3.2. Modelo SCS para quantificação do escoamento superficial

Um modelo hidrológico comumente utilizado para pequenas bacias hidrográficas


urbanas é o SCS, desenvolvido nos Estados Unidos na década de 80 (Natural Resources
Conservation Service, 1986), e muito aceito em virtude da sua simplicidade de parâmetros
e facilidade de aplicação. Neste modelo, a retenção de parte da chuva nas depressões do
solo e a infiltração são os principais fatores que determinam a quantidade de chuva que se
converte em escoamento superficial, chamada precipitação efetiva (PE). A estimativa da
precipitação efetiva considera três variáveis: a precipitação no intervalo de tempo, a
umidade anterior do solo e as características hidrológicas do solo.

A precipitação total é medida ou estimada a partir da chuva de projeto. A condição de


umidade anterior é representada por três tipos: I para solo totalmente seco antes do início
da chuva, II para solo medianamente úmido (correspondente à capacidade de campo) e III
para solo saturado. Usualmente é adotada a condição anterior de umidade do tipo II para a
estimativa da precipitação de projeto efetiva.
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As características hidrológicas do solo são expressas por meio da sua classificação
em quatro grupos hidrológicos: A, B, C e D. Os solos do tipo A são aqueles com alta
infiltração, como os solos arenosos. Os de tipo B possuem permeabilidade alta porém
menor que o anterior. Os solos de tipo C geram alto escoamento superficial e têm uma
porcentagem considerável de argila em sua composição. Os solos de tipo D são argilas
expansivas com muito baixa capacidade de infiltração. A condição típica de projeto
considera o solo como de tipo hidrológico B. A publicação “Análise geológica e
caracterização dos solos na bacia do Alto Tietê para a avaliação do coeficiente de
escoamento superficial” (DAEE, 1998) apresenta um estudo mais detalhado para a
classificação dos tipos hidrológicos de solo na região metropolitana de São Paulo.
As propriedades de infiltração da superfície são expressas pelo parâmetro “curve
number” CN, que varia de 0 a 100, sendo tanto maior quanto mais impermeável for a
superfície. Valores de CN são fornecidos em tabelas por tipo de cobertura do solo, para
cada grupo hidrológico e condição anterior de umidade.
A escolha do método SCS para a modelagem hidrológica de pequenas bacias
hidrográficas justifica-se pelos seguintes fatores:
• Simplicidade de parâmetros e de equacionamento;
• Resultados adequados à escala de projeto e planejamento em drenagem urbana;
• Boa consolidação e ampla aceitabilidade em órgãos gestores no Brasil e no mundo;
• Disponibilidade de aplicação na maioria dos softwares hidrológicos;

No cálculo da precipitação efetiva no modelo SCS está implícita uma retenção inicial
de 20% da capacidade de infiltração do solo, segundo a Equação 3-2.
2
5080
P− + 50,8
CN
PE =
20320
P+ − 203,2
CN

Equação 3-2

Em que:
PE = precipitação excedente [mm]
P = precipitação total [mm]
CN= parâmetro curve number

O parâmetro CN varia de 0 a 100, conforme a permeabilidade, cobertura vegetal,


textura da superfície e umidade anterior do solo. Quanto mais impermeável, maior o CN.
Com o total precipitado em cada intervalo, calcula-se a chuva excedente, que se torna
escoamento superficial direto.

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Estão disponíveis na literatura diversas tabelas para a escolha do parâmetro CN. No
Brasil, é muito utilizada a referência TUCCI (1993) “Hidrologia – Ciência e Aplicação”, que
apresenta as Tabelas 2.2 e 2.3 para a estimativa do parâmetro CN considerando a
condição de umidade anterior do solo II para bacias hidrográficas naturais e urbanizadas.

Tabela 3-2 – Valores de CN para a condição anterior de umidade II, para bacias rurais.
Fonte: Tucci, 1993 (adaptado)

Uso do solo Superfície A B C D

com sulcos retilíneos 77 86 91 94


Solo lavrado
em fileiras retas 70 80 87 90
em curvas de nível 67 77 83 87
Plantações regulares terraceado em nível 64 76 84 88
em fileiras retas 64 76 84 88
em curvas de nível 62 74 82 85
Plantações de cereais terraceado em nível 60 71 79 82
em fileiras retas 62 75 83 87
em curvas de nível 60 72 81 84
terraceado em nível 57 70 78 89
Plantações de legumes ou
Pobres 68 79 86 89
cultivados
Normais 49 69 79 94
Boas 39 61 74 80
Pobres, em curvas de nível 47 67 81 88
Pastagens Normais, em curvas de nível 25 59 75 83
Boas, em curvas de nível 6 35 70 79
Normais 30 58 71 78
Esparsas, de baixa transpiração 45 66 77 83
Campos permanentes
Normais 36 60 73 79
Densas, de alta transpiração 25 55 70 77
Chácaras Normais 56 75 86 91
Más 72 82 87 89
Estradas de terra
de superfície dura 74 84 90 92
muito esparsas, baixa transpiração 56 75 86 91
esparsas 46 68 78 84
Florestas
densas, alta transpiração 26 52 62 69
normais 36 60 70 76

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Tabela 3-3 – Valores de CN para a condição anterior de umidade II, para bacias urbanas.
Fonte: Tucci, 1993 (adaptado)

Utilização ou cobertura do solo Superfície A B C D

sem conservação do solo 72 81 88 91


Zonas cultivadas
com conservação do solo 62 71 78 81
Pastagens ou terrenos em más condições 68 79 86 89
Terrenos baldios boas condições 39 61 74 80
Prados boas condições 30 58 71 78
cobertura ruim 45 66 77 83
Bosques ou zonas florestais
cobertura boa 25 55 70 77
Espaços abertos, relvados, parques, campos com relva em mais de 75% da área 39 61 74 80
de golf, cemitérios, boas condições com relva de 50 a 75% da área 49 69 79 84
Zonas comerciais e de escritórios 89 92 94 95
Zonas industriais 81 88 91 93
Zonas resicenciais, lotes < 500 m² 65% área impermeável 77 85 90 92
Zonas resicenciais, lotes < 1000 m² 38% área impermeável 61 75 83 87
Zonas resicenciais, lotes < 1300 m² 30% área impermeável 57 72 81 86
Zonas resicenciais, lotes < 2000 m² 25% área impermeável 54 70 80 85
Zonas resicenciais, lotes < 4000 m² 20% área impermeável 51 68 79 84
Parques de estacionamentos, telhados, viadutos, etc 98 98 98 98
Arruamentos e estradas asfaltadas e com drenagem de águas pluviais 98 98 98 98
Paralelepípedos 76 85 89 91
Terra 72 82 87 89

3.3. Configuração da simulação hidrológica

Para a simulação, a bacia hidrográfica é configurada em elementos característicos


como sub-bacias, trechos de canal, reservatórios e nós. É necessário fornecer ao modelo
os parâmetros físicos de cada sub-bacia, tais como a área de drenagem e o exutório.
Também são necessários os parâmetros do modelo escolhido para a transformação chuva-
vazão que, no caso do modelo SCS, correspondem ao curve number CN e tempo de
concentração tc.

A literatura recomenda que o tempo de concentração de bacias hidrográficas


localizadas em áreas urbanas seja calculado pelo método cinemático, com base no
comprimento do trecho e a velocidade de escoamento (Equação 3-3). A velocidade é
estimada com base na declividade e tipo de revestimento do canal.

L
tc = + td
60 ⋅ v
Equação 3-3
Em que:
tc = tempo de concentração (min)
L = comprimento do trecho (m)
v = velocidade de escoamento (m/s)

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td = tempo difuso (decorrido entre o início da chuva e a entrada do escoamento nos canais da
macrodrenagem, em min)

Para os trechos de canal devem ser fornecidos os parâmetros físicos, como


comprimento do trecho, declividade de fundo e geometria da seção transversal, bem como
os parâmetros do modelo utilizado para a propagação da onda de cheia. Neste estudo, as
vazões obtidas foram propagadas utilizando o modelo de Muskingum, que requer como
parâmetros a constante de tempo de trânsito K (em horas) e o fator de ponderação X
(adimensional) da influência relativa das vazões de entrada e saída do trecho no
armazenamento promovido por este.
Nas simulações hidrológicas, a bacia hidrográfica de estudo é representada conforme
topologia mostrada na Figura 3-2.

Figura 3-2 – Topologia da bacia hidrográfica dos córregos Paraguai-Éguas-Uberaba para simulação
hidrológica

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4. SIMULAÇÃO HIDROLÓGICA COM O HEC-HMS

4.1. Descrição do software

O módulo HMS (Hydrologic Modeling System) simula o processo de transformação


chuva-vazão em sistemas de bacias e sub-bacias hidrográficas. Ele possibilita a estimativa
do escoamento superficial por meio dos modelos tradicionalmente utilizados em hidrologia,
com vistas ao planejamento de drenagem urbana.
O programa disponibiliza, para alguns modelos, a opção de modelagem semi-
distribuída na bacia. Isto é especialmente vantajoso para a simulação de bacias de maior
porte em que o efeito de variabilidade espacial é significativo.
Opções de modelagem no HEC-HMS:
o Precipitação: ietogramas fornecidos pelo usuário.
o Separação do escoamento: modelo de Green and Ampt, modelo SCS (curve
number) concentrado ou semi-distribuído, Smith Parlange (baseado na condutividade
hidráulica do solo), método do déficit constante, método do cálculo da umidade do solo,
método de infiltração inicial e taxa de infiltração constante (Horton).
o Escoamento superficial: modelo do hidrograma unitário de Clark, concentrado
ou semi-distribuído, modelo de onda cinemática, modelo do hidrograma unitário de Snyder,
hidrograma triangular do SCS, concentrado ou semi-distribuído, hidrograma unitário
fornecido pelo usuário;
o Amortecimento em canais: Método de Muskingum, Muskingum-Cunge, onda
cinemática, modelo de Straddle-Stragger.
o Recessão do escoamento: é possível selecionar um modelo para a fase de
recessão do hidrograma, dentre as opções: taxas mensais de recessão, vazões mensais
médias de recessão, método do reservatório linear, método não-linear de Boussinesq
(modelo exponencial), ou o método da constante de recessão.
o Amortecimento em reservatórios: baseado na equação da continuidade para
a relação entre entrada e saída do reservatório, tendo como dados iniciais a relação cota x
volume do reservatório. O cálculo das vazões de saída pode ser feito de duas formas: por
meio de curvas cota x vazão ou por meio de equações das estruturas de saída.
o Derivação de vazões: estão disponíveis como elementos de simulação, assim
como sub-bacias, trechos de canal e reservatórios. A saída de vazão é fornecida
diretamente, por meio de vazão constante, ou por séries de eventos observados.

15
16
o Calibração de parâmetros: o HEC-HMS possui a opção de calibrar os
parâmetros dos modelos selecionados, por meio da comparação e ajuste de valores
simulados e observados. São disponibilizados diversos métodos de calibração e de função
objetivo, que permitem o melhor ajuste de vazões de pico, tempo de pico ou volume
escoado. Esta ferramenta é especialmente importante para a estimativa dos parâmetros
hidrológicos da bacia hidrográfica.
Características do Software HEC-HMS:
o Sistemas operacionais compatíveis: WINDOWS, SOLARIS e LINUX;
o Instalação: gratuita a partir de arquivo executável disponibilizado na página do
U.S. Army Corps of Engineers na internet. Na data de elaboração do presente relatório, o
arquivo de instalação pode ser acessado em: http://www.hec.usace.army.mil/software/hec-
hms/download.html
o Manual de usuário e manual de fundamentos dos modelos: ambos
disponíveis para download gratuito.
o Projetos modelo: disponíveis para download
o Idioma: Inglês;
o Interface gráfica para traçado de bacias e sub-bacias, construção de redes
com trechos de canal, nós e reservatórios, seleção de modelos, inserção de dados,
visualização e edição de resultados;
o Resultados: a exibição dos resultados é feita na interface do software e em
tabelas que podem ser copiadas e coladas em outros aplicativos, como EXCEL.
o Integração com SIG: o módulo HEC-Geo-HMS possibilita a integração do
modelo hidrológico com SIG para o processamento de informações georreferenciadas.

Cabe ressaltar uma importante característica do módulo HEC que é a variedade de


opções disponíveis na interface gráfica. É possível construir e editar todo o projeto por meio
de funções bastante intuitivas na tela de utilização do programa. Na montagem do projeto o
usuário é conduzido na fase de construção das redes hidrológica e hidráulica de modo
bastante intuitivo. A escolha dos modelos a serem utilizados é feita por meio de menus
vinculados a cada elemento da rede, e os parâmetros relativos a cada modelo escolhido
são automaticamente solicitados ao usuário.
A interface de visualização dos resultados possui muitas possibilidades de formato de
apresentação. Tanto as tabelas quanto os gráficos são editáveis para exibir as informações
de interesse. As informações podem ser agrupadas por nós, por trechos, por sub-bacias,
por reservatórios, etc. Nos gráficos, é possível adicionar ou remover informações e ajustar
os modos de exibição. Tudo isto confere ao pacote muita clareza de comunicação.
16
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A ferramenta de calibração de parâmetros é outro fator muito favorável à utilização da
plataforma. Quando se dispõe de dados observados de uma variável hidrológica, em
qualquer elemento da rede, o programa disponibiliza opções de obter o melhor conjunto de
parâmetros para ajustar os dados simulados aos dados observados. Neste procedimento,
podem ser escolhidas as variáveis ou o conjunto de variáveis que se deseja ajustar, por
exemplo, somente o pico, somente o instante do pico, somente o volume escoado ou todas
as variáveis juntas. Também é possível selecionar quais parâmetros deverão ser
manipulados pelo programa para obter o ajuste, p.ex., somente o curve number CN,
somente o tempo de concentração, as perdas iniciais, etc, ou todos os parâmetros
simultaneamente. A escolha da função objetivo e do método de calibração também é feita
pelo usuário, tudo com o intuito de promover o melhor ajuste de interesse para a
simulação.

4.2. Instalação do HEC-HMS

o Instalação: arquivo executável disponibilizado na página do U.S. Army Corps


of Engineers na internet. Na data de elaboração do presente relatório, o arquivo de
instalação pode ser acessado em: http://www.hec.usace.army.mil/software/hec-hms/
o Manual de usuário e manual de fundamentos dos modelos: ambos
disponíveis para download na mesma página.

4.3. Preparação dos dados

Estes passos precedem o início de um novo projeto no HEC e podem ser feitos com o
auxílio do AutoCAD.
i. delimitação da bacia hidrográfica;
ii. definição dos pontos de interesse na bacia hidrográfica. Devem ser
localizados todos os pontos em que se deseja obter vazões de projeto, quais sejam: a foz
dos principais afluentes; os locais de possíveis reservatórios; os pontos onde ocorrem
confluências, alteração de geometria, locais de possíveis obras de intervenção, etc. e, por
fim, a foz da bacia hidrográfica.
iii. divisão da bacia em sub-bacias: esta etapa deve ser feita de acordo com a
localização dos pontos de interesse marcados na etapa anterior. O nível de detalhamento
irá depender da quantidade de pontos de interesse;
iv. posicionamento e numeração dos nós de simulação – Os nós de simulação
têm por objetivo representar os pontos de interesse na bacia hidrográfica e organizar a

17
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topologia para simulação. Deste modo, o posicionamento dos nós deve seguir a seguinte
lógica:
• Um nó para cada ponto de interesse marcado no item ii;
• Um nó de deságue (exutório) para cada sub-bacia delimitada no item iii;
• Um nó a jusante de cada confluência;
• Um nó no início e final de cada trecho de canal;
A numeração dos nós deve seguir uma lógica que possibilite a melhor visualização
dos resultados nos nós separadamente das sub-bacias e em ordem crescente de
numeração no sentido de montante para jusante, de modo que o último nó corresponda à
foz da bacia, conforme descrito mais adiante, no item 4.7.2.
v. posicionamento e numeração dos trechos: são inseridos trechos de canal
sempre que se deseja propagar as vazões entre um nó e outro, o que é feito para os canais
principais;
vi. Obtenção do comprimento dos trechos (diferente do comprimento de
talvegue!!!), que é a distância medida ao longo do eixo do canal entre dois nós de
simulação sub-seqüentes.
vii. obtenção das áreas parciais de cada sub-bacia: pode ser feito fechando um
polígono para cada sub-bacia, no CAD, por meio do comando Boundary (sintaxe do
comando: BO); a seguir, seleciona-se o polígono criado e obtém-se, na janela
propriedades, a área correspondente;
viii. obtenção dos comprimentos de talvegue de cada sub-bacia: traçar, no auto-
cad, uma polilinha com início no extremo mais distante de cada sub-bacia, acompanhando
o talvegue e o curso d’água, até o nó final da sub-bacia, no curso d’água; a seguir,
seleciona-se a polilinha criada e obtém-se, na janela proprieadades, o comprimento de
talvegue correspondente.
ix. definição do parâmetro CN para cada sub-bacia: segundo critérios de projeto
pré-definidos;
x. obtenção dos comprimentos de talvegue de cada sub-bacia: distância entre o
extremo montante da sub-bacia e o nó final da mesma; obtenção das cotas inicial e final de
cada talvegue;
xi. cálculo do tempo de concentração de cada sub-bacia, utilizando o método
cinemático; cálculo do LAG time de cada sub-bacia, que é o tempo decorrido desde o CG
do ietograma até o pico do hidrograma, estimado por LAG = 0,6 tc;

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xii. Definição do método de propagação hidrológica a ser utilizado nos trechos
(normalmente Muskingum) e definição dos parâmetros para o método escolhido (no caso
de Muskingum, os parâmetros são o tempo de trânsito K e o fator de ponderação X).

4.4. Estimativa dos parâmetros do modelo hidrológico SCS

Após a definição da topologia da bacia hidrográfica com o auxílio do AutoCAD


procede-se à construção da planilha auxiliar de simulação, a qual contém os parâmetros
das sub-bacias e dos trechos, como no exemplo abaixo.
Tabela 4-1 – Parâmetros das sub-bacias
velocidade de
Comprimento tc
Área escoamento td
Sub-bacia Curso D'água CN de Talvegue L cinemático
(km²) no talvegue (min)
(m) (min)
(m/s)
1 Paraguai 0.987 86 1,770 2.00 10 24.8
2 Paraguai 0.854 86 1,320 2.00 10 21.0
3 Paraguai 0.672 86 1,430 2.00 10 21.9
4 Paraguai 0.272 86 890 2.00 10 17.4
5 Paraguai 0.241 86 1,040 2.00 10 18.7
6 Éguas 0.605 86 1,100 2.00 10 19.2
7 Éguas 0.566 86 1,205 2.00 10 20.0
8 Uberaba 0.498 86 1,185 2.00 10 19.9
9 Uberaba 0.765 86 1,630 2.00 10 23.6
Área Total 5.460

Tabela 4-2 – Parâmetros dos trechos


L velocidade de K
NÓ NÓ X
TRECHO CURSO D'ÁGUA TRECHO escoamento no Muskingum
INICIAL FINAL Muskingum
(m) trecho (m/s) (h)
1 Paraguai 1 2 610 2.00 0.08 0.1
2 Paraguai 2 3 565 2.00 0.08 0.1
3 Paraguai 3 4 385 2.00 0.05 0.1
4 Paraguai 4 5 390 2.00 0.05 0.1
5 Éguas 6 7 960 2.00 0.13 0.1
6 Uberaba 8 9 560 2.00 0.08 0.1
7 Uberaba 9 10 780 2.00 0.11 0.1

4.5. Elementos de simulação para construção da topologia da bacia

A representação da bacia hidrográfica no HEC-HMS é feita pelos elementos:

o Nós de simulação (Junctions): elementos que têm dupla função:


Serem pontos de controle na bacia, para os quais se deseja obter as
informações de projeto;
Fazer a ligação entre os demais elementos de simulação.

Os nós de simulação são os principais elementos da topologia da bacia hidrográfica.


Eles não possuem propriedades hidrológicas, tal como as sub-bacias e reservatórios, mas
são os pontos de informação das vazões de projeto e representam seções de interesse da

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rede de macro-drenagem. Os nós de simulação têm o papel de apresentação de resultados
de vazões de projeto. Cada elemento (sub-bacia, trecho de canal ou reservatório) deve,
necessariamente, desaguar ou convergir para um nó de simulação.

o Sub-bacias (Sub-basins): elementos que contém as informações de cada


sub-bacia, conforme topologia criada previamente, no CAD:
Área;
Exutório (nó de simulação, trecho de canal ou reservatório);
CN;
LAG time (0,6tc);
Vazão de base (estimativa inicial: 0,2 m³/s/km²);

o Trechos de canal (Reach): são elementos que visam representar os canais


da macrodrenagem, quando se deseja considerar a propagação da onda de cheia no
trecho correspondente. Os trechos de canal interligam dois nós de simulação, devendo,
necessariamente, começar e terminar em um nó.
Comprimento;
Ponto de descarga (nó de simulação ou reservatório);
Fator de ponderação de Muskingum (X);
Constante de tempo de trânsito de Muskingum (K);
Observação importante: não é necessário que haja trechos de canal interligando dois nós;
esta ligação pode ser simples, apenas conectando ambos, o que resultará em propagação
instantânea entre um nó de montante e outro de jusante. Trechos de canal são requeridos
apenas quando é necessário simular a propagação ou o amortecimento em um trecho
situado entre dois nós.

o Reservatórios (Reservoir): elementos de representação das bacias de


retenção, para os quais devem ser fornecidos:
Curva cota x volume
Curva cota x vazão
Curva volume x vazão

o Séries hidrológicas (Time series data)


ietogramas de projeto;
ietogramas observados;
hidrogramas observados;

20
21
o Entrada de vazão (Source): este elemento é representa contribuições
externas à bacia, tais como entrada de vazão proveniente de uma bacia a montante. É
especialmente útil quando se simula a bacia por partes, em projetos diferentes para CADa
parte. Ele possibilita realizar entradas de hidrogramas ou de vazão constante.

4.6. Estrutura da simulação no HEC

A estrutura básica de um projeto no HEC é composta pelos itens descritos a seguir.


Todos estes itens deverão necessariamente ser criados dentro de cada projeto
desenvolvido no HEC-HMS (à exceção das funções hidrológicas que só são inseridas em
caso de simulação com reservatórios).

o Cenário de simulação (Basin Model): corresponde à topologia da bacia;


o Modelo meteorológico (Meteorologic Model): corresponde à distribuição
espacial das chuvas por sub-bacia;
o Especificação de controle, ou configuração de simulação (Control
Specifications): definem o intervalo de tempo a ser simulado;
o Séries hidrológicas (Time-Series Data): consistem das chuvas de projeto,
chuvas observadas, hidrogramas observados, etc.
o Funções hidrológicas (Paired Data): curva-chave, curvas cota-volume-
vazão de reservatórios.

O desenvolvimento do projeto é descrito a seguir.

4.7. Iniciando um novo projeto.

Um novo projeto é iniciado por meio do Menu File New Project.

É aberta uma janela (Figura 4-1) na qual devem ser fornecidos o nome do projeto, o
caminho da pasta onde o mesmo será salvo e o sistema de unidades. Também há um
campo para uma breve descrição do projeto, cujo preenchimento é opcional.

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Figura 4-1 – Janela de inserção de dados para a criação de um novo projeto

MUITO IMPORTANTE: NÃO UTILIZAR ACENTOS, TIL, CEDILHA OU


ESPAÇOS NA NOMENCLATURA DOS ARQUIVOS, PASTAS E SUB-PASTAS
DO HEC! ISTO VALE PARA O NOME DO PROJETO, NOME DAS PASTAS E
SUB-PASTAS ONDE ESTÁ SALVO O PROJETO E TAMBÉM PARA O NOME
DOS ELEMENTOS DE SIMULAÇÃO DENTRO DO PROJETO. DEVE-SE
UTILIZAR APENAS LETRAS, NÚMEROS, HÍFEN (-) E UNDERLINE (_).

4.8. Criando cenários de simulação

A primeira etapa da preparação das simulações é criar os cenários que serão


simulados, os quais são chamados no programa por “Basin Models”. Cada cenário
descreve uma configuração que se deseja simular para a mesma bacia hidrográfica, por
exemplo: situação atual e futura, ou situação natural e com obras. Um basin model é criado
a partir do menu “Components” Basin model manager, que abrirá a tela mostrada na
Figura 4-2.

Figura 4-2 – tela de criação das configurações simuladas

22
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4.9. Montando a topologia da bacia no HEC

A topologia da bacia, que é a interligação entre sub-bacias, nós, trechos de canal e


reservatórios, constitui o “basin model” no HEC. O mesmo projeto pode conter diferentes
topologias, e é comum que seja assim, por exemplo, quando se deseja simular a bacia
para a condição atual e futura de urbanização, com ou sem reservatórios, etc. Cada
topologia que se deseja simular constitui um cenário de simulação, chamado, no HEC, de
“basin model”. Para facilitar o processo, os cenários podem ser copiados e então podem
ser incorporadas alterações a fim de constituir um novo cenário (por exemplo, a inclusão de
um reservatório). No exemplo da Figura 4-3 é mostrada a topologia do cenário chamado
“CONFIG-01” da bacia simulada.

Figura 4-3 – Configuração da simulação no HEC

O passo-a-passo para a montagem da bacia hidrográfica no HEC é descrito a seguir.

4.9.1. Inserindo uma imagem de fundo:

A inserção de uma imagem de fundo é útil especialmente para bacias grandes, a fim
de auxiliar o usuário a localizar visualmente os locais onde serão inseridos os elementos de
simulação, tais como nós e sub-bacias. A imagem de fundo pode ser inserida em formato
dxf, img, shapefile ou outros.

23
24
Cabe ressaltar: o formato dxf normalmente não funciona bem, pois são importados
todos os pontos das polilinhas como quadrados, o que polui a imagem. No exemplo
mostrado na Figura 4-3 a imagem de fundo foi importada em formato shapefile, em
arquivos .shp individuais para a rios e sub-bacias. A inserção de uma imagem de fundo é
feita a partir do menu “View” Background maps Add, como na Figura 4-4.

Figura 4-4 – tela de inserção de uma imagem de fundo

4.9.2. Inserindo e nomeando os elementos de simulação:

A barra de ferramentas localizada logo abaixo da barra de menus é utilizada para


inserir elementos de simulação, como sub-bacias, nós, trechos de canal e reservatórios.
Nesta barra também estão localizados os botões padrão do Windows, para abrir, salvar e
imprimir arquivos, além da ferramenta zoom.
A bacia hidrográfica é representada, basicamente, em termos dos elementos listados
no item 4.4. Estão disponíveis botões específicos para a criação de cada elemento,
conforme descrito a seguir.

Sub-bacia (sub-basin)

Trecho de canal (reach)

Reservatório (reservoir)

Nó de simulação (junctio)

Fonte de vazão (source)

Ao selecionar um dos botões de criação de elementos, o ponteiro do mouse fica


habilitado a inserir o elemento correspondente por meio de um clique simples no local
desejado. Caso seja necessário alterar a localização do elemento posteriormente, deve-se

24
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selecionar o botão e, então, clicar sobre o elemento e arrastá-lo para o novo local
desejado.

Observação importante sobre a nomenclatura dos elementos de simulação

É muito importante que a nomenclatura dos elementos siga uma lógica que possibilite
a correta distinção e separação, nas tabelas de resultados, entre nós, sub-bacias, trechos
de canal e reservatórios.

Esta observação, quando seguida, facilita em muito a visualização dos resultados


após as simulações e possibilita uma melhor organização do projeto. Recomenda-se, como
exemplo, a seguinte nomenclatura:

• Nós de simulação: “N-XX” em que XX corresponde à numeração crescente dos


nós, no sentido de montante para jusante;
• Sub-bacias: “SB-XX”, em que XX corresponde à numeração crescente das sub-
bacias, no sentido de montante para jusante;
• Trechos de canal: “T-XX”, em que XX corresponde à numeração crescente dos
trechos, no sentido de montante para jusante;
• Reservatórios: “R-XX” ou conforme nomenclatura de projeto

Para que os elementos com numeração 1 a 9 sejam listados em seqüência crescente,


deve-se numerá-los com o algarismo zero à frente (ex. “N-01” ao invés de “N-1”).

Seguindo esta lógica de numeração, o nó final corresponderá à foz da bacia, o que é


muito recomendado, por facilitar o entendimento dos resultados.

4.9.3. Conectando os elementos de simulação

Após inserir os elementos, é preciso conectá-los, de modo a formar a rede de


drenagem. As sub-bacias devem ser conectadas a nós de simulação, a trechos de canal ou
a reservatórios. Os trechos de canal devem ser conectados a nós de simulação. Os nós
são conectados entre si ou a trechos de canal. Os reservatórios são conectados a nós de
simulação ou a trechos de canal. A conexão é feita da seguinte forma:
clique com o botão direito do mouse sobre o primeiro elemento que se deseja
conectar;
seleção da opção “connect downstream”;
clique simples sobre o segundo elemento que se deseja conectar.
Para desfazer a conexão:
25
26
clique com o botão direito do mouse sobre o primeiro elemento
seleção da opção “delete connection”.

4.9.4. Selecionando os modelos

O HEC oferece diferentes opções de modelos hidrológicos para a simulação, de


modo que cada modelo deve ser selecionado separadamente.
Os modelos são definidos para cada cenário (basin model). Para tanto, deve-se
primeiramente selecionar o cenário (basin model) e, em seguida, selecionar os modelos
desejados, o que é feito a partir do menu “Parameters”, na barra de menu.
Por exemplo, para selecionar o modelo chuva-vazão SCS e o modelo de propagação
de Muskingum, deve-se proceder da seguinte forma:

“Parameters” sub-basin methods Loss SCS Curve Number


“Parameters” sub-basin methods Transform SCS Unit Hydrograph
“Parameters” sub-basin methods Baseflow Recession
“Parameters” reach methods Routing Muskingum

4.9.5. Inserindo parâmetros

Após a criação dos elementos de simulação e definição dos modelos, devem ser
inseridos os parâmetros correspondentes, de acordo com o tipo de elemento. A edição é
feita selecionando o elemento com um clique simples, o que pode ser feito tanto no mapa
quanto na relação de elementos na lateral esquerda da tela. Quando um elemento é
selecionado, é mostrada uma janela na lateral inferior esquerda da tela, a qual possui
diversas abas para a inserção de dados. O tamanho das janelas é ajustável.
No exemplo mostrado na Figura 4-5, está selecionado o elemento sub-bacia de
nome SB-5, para o qual devem ser preenchidas as informações solicitadas nas abas
“subbasin”, “Loss”, “Transform”, “Baseflow” e “Options”, sendo que algumas informações
são obrigatórias e outras são opcionais.

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Figura 4-5 – inserção de dados dos elementos hidrológicos

Para simulações com grande número de elementos sugere-se utilizar um meio mais
prático de inserção de dados, de forma tabular. Para tanto, deve-se primeiramente
selecionar o cenário simulado (p.ex. CONFIG-01). A Inserção de parâmetros é feita a partir
da barra de menu, selecionando a opção “Parameters” e, em seguida, cada um dos
parâmetros: sub-basin area (como no exemplo mostrado na Figura 4-6), Loss (para
inserção do parâmetro CN), Transform, para inserção do tempo de concentração (expresso
pelo LAG time), Baseflow, para inserção da vazão de base e Routing, para inserção dos
parâmetros de Muskingum. Os elementos podem ser listados em ordem hidrológica ou
alfabética. Ao final da inserção de cada conjunto de parâmetros, seleciona-se apply e
close.

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Figura 4-6 – Inserção de parâmetros de forma tabular

4.10. Inserindo as chuvas de projeto e/ou chuvas observadas

O HEC utiliza a ferramenta “Times Series Data” para a inserção de chuvas de projeto
e chuvas observadas.
A inserção das chuvas é feita sempre por meio de postos pluviométricos (precipitation
gages), ou seja, primeiramente devem ser criados os postos e, depois, inseridas as chuvas
pertencentes a cada posto.
No caso de chuvas de projeto, estas devem ser inseridas todas dentro de um posto
fictício chamado “Chuvas-Projeto” ou “Ietogramas-Projeto”. Deste modo, as chuvas de
projeto TR = 10, TR = 25, TR = 50 e TR = 100 anos devem ser inseridas todas juntas
dentro do mesmo posto.
O que diferencia uma chuva das demais, dentro do mesmo posto, é a data e hora de
ocorrência. Para inserir uma chuva, deve-se fornecer a data e hora de início e término,
intervalo de discretização e precipitação (em mm) em cada intervalo.
O procedimento de inserção de chuvas no HEC consiste de:
Criar o posto pluviométrico (precipitation gage): “Components” “Time series
manager” Precipitation gages New;
É criada a pasta Time-Series Data \ Precipitation Gages \ “nome do posto”, a
qual pode ser observada na lateral esquerda da tela;

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Selecionar o posto recém criado, localizado dentro de Time series
data\Precipitation gages, clicar com o botão direito sobre o nome do posto
create time window. Deverá aparecer a janela mostrada na Figura 4-7:

Figura 4-7 – Janela de inserção de chuva

Preencher os campos na janela de inserção de chuvas: a data de início


(formato ddmmmaaaa, em que o mês é indicado pelas três iniciais de seu
nome, em inglês. p.ex. 01JAN2010), hora de início (hh:mm), data de término e
hora de término. Ao final, clicar “close”. No caso de se tratar de uma chuva de
projeto, ainda assim deverão ser inseridas a data e hora de início e término
que, neste caso, serão fictícias. É conveniente utilizar uma lógica de
nomenclatura relacionada ao período de retorno da chuva correspondente,
p.ex., utilizar o ano 2010 para a chuva TR-10, etc.
A chuva recém criada deverá aparecer na lista de chuvas do posto
pluviométrico no qual foi inserida.
A seguir, deve-se selecionar esta chuva e, na aba “time series gage”, no canto
esquerdo inferior da tela, selecionar no menu “time interval” o intervalo de
discretização do ietograma, p.ex., 10 minutos, 6 minutos, etc.
Por fim, seleciona-se a aba “Table” e insere-se os dados do ietograma,
conforme mostrado na Figura 4-8, que podem ser copiados da Tabela 3-1 e
colados no HEC (atentar ao formato decimal!!).

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Figura 4-8 – relação de estações de precipitação

Repete-se o procedimento para criar as demais chuvas dentro do mesmo


posto (precipitation gage);
No caso de haver chuvas observadas, deve-se criar uma “precipitation gage”
para cada posto pluviométrico existente e, dentro de cada posto, inserir as
chuvas, seguindo a seqüência descrita acima, utilizando as datas e horários
reais de ocorrência das mesmas.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE SOBRE O FORMATO DECIMAL: TODOS OS


VALORES FORNECIDOS AO HEC TÊM QUE TER, NECESSARIAMENTE, O
MESMO FORMATO DECIMAL DEFINIDO PARA O COMPUTADOR EM QUE
ESTÁ INSTALADO, SEJA ELE PONTO OU VÍRGULA.
SE FOREM INSERIDOS VALORES COM FORMATO DECIMAL DIFERENTE
DO DEFINIDO PARA A MÁQUINA, O PROGRAMA IRÁ “TRUNCAR” OS
VALORES PARA O INTEIRO MAIS PRÓXIMO E OCASIONAR ERROS
GROSSEIROS NOS RESULTADOS!!

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31
4.11. Criando modelos meteorológicos

No HEC, o modelo meteorológico (meteorologic model) é um elemento obrigatório em


todas as simulações, que serve para definir a distribuição espacial das chuvas na bacia.
Havendo mais de um posto pluviométrico (precipitation gage), caberá ao modelo
meteorológico definir qual posto que deverá ser aplicado a cada sub-bacia.
No caso de simulação com chuvas de projeto, em que um único posto fictício contém
todas as chuvas de projeto, este deverá ser aplicado a todas as sub-bacias, por meio do
modelo meteorológico (meteorologic model).

O procedimento de criação de modelos meteorológicos consiste em:


“Components” Meteorological Model Manager new
Uma vez criado o modelo, a seleção dos postos por sub-bacia é feita clicando-se no
sinal “+” ao lado do modelo e selecionando, no menu correspondente, uma estação para
cada sub-bacia, como mostrado na Figura 4-9.

Figura 4-9 – criação de um modelo meteorológico

4.12. Inserindo dados para os reservatórios

Para inserir os dados dos reservatórios, deve-se primeiramente selecionar o


reservatório desejado, no mapa ou na relação de elementos na lateral esquerda da tela. No
canto inferior esquerdo surgirá, então, uma janela com duas abas: Reservoir e Options,

31
32
conforme o exemplo mostrado na Figura 4-10. Neste exemplo, está selecionado o
reservatório de nome RTC.
Devem ser fornecidos: o método de simulação, no caso “outflow curve” (ver manual
do HEC para outros métodos); as curvas do reservatório; o estado inicial do reservatório no
início da simulação – recomenda-se que o estado seja dado em termos de volume ou de
nível d’água, ambos iguais a zero, o que representa a condição de reservatório inicialmente
vazio. Na aba Options, deve-se selecionar a opção de curva cota-vazão (Elev.-Discharge)
do reservatório simulado.

Figura 4-10 – inserindo dados dos reservatórios

As curvas dos reservatórios devem ser previamente inseridas do seguinte modo:


“Components” Paired data manager Elevation – Storage funcions new (para
inserir uma curva cota x volume);
“Components” Paired data manager Elevation – Discharge funcions new
(para inserir uma curva cota x vazão);
“Components” Paired data manager Storage – Discharge funcions new (para
inserir uma curva volume x vazão);
As curvas são inseridas de forma tabular, e os dados podem ser copiados a partir do
Excel e colados. É recomendado usar o mesmo nome para as curvas do mesmo
reservatório.
Para vincular a curva com o reservatório correspondente, deve-se selecionar o
respectivo reservatório e, no campo apropriado, selecionar a curva desejada.
32
33
4.13. Criando uma especificação de controle

A finalidade da especificação de controle, ou configuração de simulação (control


specification) é delimitar um intervalo de tempo em que a simulação ocorrerá. Este intervalo
de tempo tem que, necessariamente, incluir a chuva que se deseja simular, e se estender
além do término da chuva pelo tempo necessário para concluir a curva do hidrograma. Este
tempo varia, em média, de 4 a 18 horas, dependendo da complexidade da topologia
simulada.
Por exemplo, se a chuva de projeto é de duas horas, o intervalo de tempo da
simulação deverá incluir o período da chuva, começando simultaneamente a esta, e se
estender por mais algumas horas após o término da chuva, até concluir a recessão do
hidrograma.
Cria-se uma especificação de controle (control spacification) por meio da opção
“Components” Control Specifications Manager new.
Então seleciona-se uma data e hora inicial e final para a simulação.

4.14. Criando uma simulação

Para criar uma nova simulação, procede-se da seguinte forma:


“Compute” Create simulation run
Fornece-se um nome para a simulação, que corresponda ao cenário simulado, por
exemplo, CONFIG01-TR100 e seleciona-se NEXT;
Seleciona-se o cenário a ser simulado (basin model) e NEXT;
Seleciona-se o modelo meteorológico (meteorologic model) e NEXT;
Seleciona-se a opção de configuração (control specification) desejada (que define o
intervalo simulado) e FINISH;

4.14.1. Rodando a simulação

A aba Compute apresenta todas as simulações criadas, como mostrado na Figura


4-11. Para rodar uma simulação, clica-se com o botão direito sobre ela e seleciona-se
COMPUTE.

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34

Figura 4-11 – rodando uma simulação

4.14.2. Erros de simulação

O status da simulação é dado no console localizado abaixo do mapa (o tamanho da


janela é ajustável). Caso ocorram erros durante a simulação, a mesma não será concluída
e será apresento o erro correspondente em vermelho na barra de status. Os erros em geral
vêm bem esclarecidos na barra de status e conduzem à solução do problema. São erros
comuns, que impedem a simulação:
• Inconsistências nas simulações, como valores que não se consegue salvar, ou que
“desaparecem” ao abrir o arquivo novamente, simulações que não rodam, etc. Solução:
verificar se todo o caminho de pastas e sub-pastas, incluindo o nome do projeto e o nome
das simulações dentro do projeto estão escritos SEM acentos, cedilhas, til, espaços.
• Valores que não são salvos corretamente nas tabelas, ao selecionar a opção “apply”
ao final de cada alteração – os valores são truncados para o inteiro mais próximo. Solução:
uso de decimal com ponto no lugar de vírgula ou vice-versa. Deve ser utilizado ponto ou
vírgula decimal, de acordo com o sistema configurado em cada computador.
• A simulação trava, e aparece a mensagem “no hietograph is set for sub-basin xxx”.
Causa: o modelo meteorológico não está definido para todas as sub-bacias. Solução:
definir o modelo meteorológico para todas as sub-bacias (rever o item 4.7.7).

34
35
Há erros que não impedem a simulação e que, no entanto, são graves, porque geram
inconsistência nos resultados e têm de ser corrigidos. Dentre eles, os mais comuns são:

• Elementos desconectados. Quando uma sub-bacia ou trecho de canal estiver


desconectado dos elementos de jusante, este elemento será computado, porém sua vazão
não será transferida a jusante. Solução: Sempre verificar no quadro de resultados “global
summary” se a área de drenagem correspondente ao nó final da bacia é de fato a área total
da bacia – TEM que ser!!! Se não for, clicar na aba components e verificar elemento por
elemento se está conectado a um nó final e este ao elemento de jusante. Todas as sub-
bacias, trechos de canal, reservatórios e nós (exceto o nó final) têm que ser devidamente
conectados ao elemento de jusante clicando com o botão direito connect downstream.
• Hidrograma final nulo. Causa: período de tempo da simulação diferente do período
da chuva. Erros de digitação na data e hora inicial e final da chuva e da simulação podem
resultar em simulações em períodos em que não há chuva; a simulação roda, porém, o
hidrograma é nulo, pois foi simulado sem chuva. Solução: conferir se data e hora estão
consistentes na em “Control specifications” e “time series data”.
• Resultados com erros grosseiros de ordem de grandeza. Possível causa: erros de
unidade. Especialmente no caso dos reservatórios, em que o volume é expresso em 10³ m³
é preciso atentar às unidades para evitar inconsistências nos resultados.

4.14.3. Visualizando resultados

Os resultados podem ser visualizados na aba Results, como mostrado na Figura


4.11. Há várias possibilidades de visualização: tabular e gráfica, geral e por elemento. A
visualização tabular geral de toda a bacia pode ser obtida por meio da opção “Global
sumary”. Para visualizar um elemento especificamente, clica-se sobre ele e seleciona-se a
opção de visualização desejada. Os dados tabulares podem ser copiados e colados em
planilhas Excel. Os hidrogramas podem ser editados para apresentar as informações
desejadas, cor e espessura de linha, unidades, etc.

35
36

Figura 4-12 – Visualização tabular geral dos resultados: vazões máximas e instante do pico em todos os
elementos

Figura 4-13 – Visualização gráfica dos resultados para um elemento (SB-9): ietograma de entrada, chuva
excedente e hidrograma simulado

36
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Figura 4-14 – Visualização tabular dos resultados para um elemento (N-10): valores de vazão em cada instante,
para o passo de simulação pré-definido

4.14.4. Apresentação dos resultados

As vazões de projeto em cada ponto de interesse da rede de drenagem


correspondem às vazões máximas simuladas nos nós, as quais podem ser visualizadas, no
HEC, na aba “resultados”, na tabela “global summary”, conforme mostrado na
Figura 4-12. A tabela “global summary” apresenta a numeração de todos os elementos
de simulação, seguida da área de drenagem correspondente ao elemento e da vazão
máxima simulada para cada elemento.
Os principais elementos de interesse são os nós de simulação. Para que fiquem em
seqüência crescente na tabela, deve-se selecionar a opção “ordem alfabética” no canto
direito da janela “global summary”.
É por este motivo que a nomenclatura dos elementos deve seguir uma lógica que
possibilite a correta separação entre nós, sub-bacias, trechos de canal e reservatórios e a
listagem destes em seqüência crescente de numeração, conforme observado
anteriormente no item 4.7.2.
Recomenda-se copiar os valores de vazão máxima no nó da tabela “global summary”,
para cada simulação, e colar em uma planilha do Excel que resuma os resultados de todas
as simulações, conforme mostrado na Tabela 4-3.

37
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Tabela 4-3 – Tabela de apresentação dos resultados nos nós. Esta tabela constitui um resumo dos
resultados de cada simulação, os quais são fornecidos na tabela “global summary” apresentada na
aba “resultados” no HEC.
RESULTADOS DAS SIMULAÇÕES HIDROLÓGICAS
CONFIGURAÇÃO 1 CONFIGURAÇÃO 2
Área de Drenagem Q10 Q25 Q50 Q100 Q10 Q25 Q50 Q100

(km²) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s)
1 0.99 11.0 14.5 17.1 19.8 11.0 14.5 17.1 19.8
2 1.84 19.7 25.7 30.5 35.3 19.7 25.7 30.5 35.3
3 2.51 26.9 34.8 40.7 46.7 26.9 34.8 40.7 46.7
4 2.79 29.4 38.2 44.9 51.6 29.4 38.2 44.9 51.6
5 3.03 31.1 40.5 47.8 55.0 31.1 40.5 47.8 55.0
6 0.61 7.4 9.5 11.2 12.8 7.4 9.5 11.2 12.8
7 1.17 12.9 16.9 20.0 23.1 12.9 16.9 20.0 23.1
8 4.20 43.6 56.5 66.4 76.4 26.1 39.1 49.6 58.6
9 4.70 46.1 60.1 71.0 81.8 27.1 41.7 51.8 62.6
10 5.46 51.8 67.0 78.6 90.2 29.1 43.4 56.1 66.6

A vantagem de “transportar” os resultados do HEC para o Excel é a possibilidade de


compilar os resultados de todas as simulações em uma única tabela, o que facilita em a
comparação entre os TR’s e entre os cenários simulados. Caso contrário, teriam de ser
apresentados os resultados separadamente para cada simulação, ou seja, a tabela “global
summary” do HEC para cada uma das 8 simulações deste exemplo.
Se o número de nós de simulação for demasiado grande, convém selecionar apenas
os principais nós para apresentação na tabela.
Para facilitar o entendimento dos resultados, sugere-se ainda uma apresentação
visual dos hidrogramas simulados. Para tanto, deve-se selecionar alguns nós de principal
interesse na bacia, como, por exemplo, a foz da bacia e a foz dos principais tributários.
O HEC apresenta hidrogramas em todos os elementos de simulação, mas somente
para a simulação em questão, como mostrado na Figura 4-15.

38
39

Figura 4-15 – Hidrograma fornecido pelo HEC. No exemplo, é apresentado o hidrograma resultante da simulação
CONFIG01-TR010, para o nó N-10.

O gráfico mostrado na Figura 4-15 apresenta o hidrograma resultante no elemento nó


N-10, na configuração de simulação CONFIG01-TR010. Esta forma de apresentação é
eficiente para mostrar os resultados de uma única simulação. Para fins de relatório, no
entanto, muitas vezes é necessário comparar hidrogramas de diferentes cenários e/ou
períodos de retorno em um mesmo gráfico.
Para isto, recorre-se ao transporte dos resultados do HEC para o Excel e gerencia-se
o gráfico no HEC. Os resultados devem ser copiados da tabela “Time Series Table”, no
elemento para o qual se deseja obter o hidrograma, na configuração simulada, na aba
“results”. No exemplo mostrado na Figura 4-16 são apresentados os resultados para o
mesmo nó e configuração que na Figura 4-15, porém, em forma tabular.

39
40

Figura 4-16 – Seleção dos resultados para o hidrograma


A Tabela 4-4 apresenta um exemplo de hidrograma com os resultados simulados,
transportados para o Excel. Os valores da tabela serviram de origem para os hidrogramas
mostrados nos gráficos na Figura 4-17 e Figura 4-18.

Tabela 4-4 – Hidrogramas no nó final, cujos valores foram copiados do HEC, results, elemento nó 10,
time series table.
HIDROGRAMAS SIMULADOS NO NÓ FINAL
CONFIGURAÇÃO 1 CONFIGURAÇÃO 2
Q10 Q25 Q50 Q100 Q10 Q25 Q50 Q100
t(h)
(m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s) (m³/s)
0:00 1.1 1.1 1.1 1.1 0.3 0.3 0.3 0.3
0:10 1.1 1.2 1.3 1.4 0.3 0.3 0.4 0.5
0:20 4.7 6.4 7.9 9.4 2.9 4.0 5.0 6.1
0:30 16.7 22.9 27.8 32.9 9.6 13.0 15.7 18.5
0:40 33.7 45.1 54.0 63.1 15.3 20.2 24.0 27.8
0:50 47.1 61.9 73.3 84.8 17.0 22.3 26.9 32.8
1:00 51.8 67.0 78.6 90.2 17.5 25.7 33.8 44.4
1:10 48.4 61.6 71.6 81.5 20.5 35.0 47.9 60.7
1:20 40.7 51.0 58.8 66.6 25.7 43.4 56.1 66.6
1:30 32.2 40.0 45.8 51.6 29.1 43.2 52.1 60.1
1:40 25.3 31.1 35.5 39.7 28.1 37.5 43.9 49.9
1:50 20.1 24.6 28.0 31.4 24.3 31.0 35.7 40.3
2:00 16.5 20.4 23.4 26.5 20.5 25.5 29.3 33.1
2:10 14.5 18.2 21.1 24.0 18.5 21.8 24.9 28.2
2:20 13.4 17.2 20.1 23.0 17.3 19.9 22.3 25.3
2:30 13.0 16.8 19.7 22.6 16.2 19.0 21.0 23.7
2:40 12.8 16.7 19.6 22.5 15.3 18.4 20.5 23.0
2:50 12.8 16.6 19.6 22.5 14.7 17.9 20.3 22.7
3:00 12.8 16.6 19.5 22.5 14.2 17.6 20.1 22.6
3:10 12.8 16.6 19.5 22.4 13.9 17.3 19.9 22.5
3:20 12.7 16.6 19.5 22.4 13.6 17.1 19.8 22.4
3:30 12.7 16.5 19.4 22.4 13.5 17.0 19.7 22.4
3:40 12.7 16.5 19.4 22.3 13.3 16.8 19.6 22.4
3:50 12.7 16.5 19.4 22.3 13.2 16.7 19.6 22.3
4:00 12.6 16.4 19.3 22.2 13.1 16.7 19.5 22.3

40
41

Figura 4-17 – Hidrogramas simulados no nó final para a configuração 1 e os TR’s 10, 25, 50 e 100
anos.

Figura 4-18 – Hidrogramas simulados no nó final para a configuração 2 e os TR’s 10, 25, 50 e 100
anos.

41
42

5. SIMULAÇÃO HIDRÁULICA COM O HEC-RAS

5.1. Descrição do software

O módulo RAS (River Analysis System) é um software de simulação hidráulica


pertencente à plataforma HEC (Hydrologic Engeneering Center). Ele possibilita a simulação
unidimensional do escoamento em canais abertos, sob o regime permanente e não-
permanente e também na condição de fundo móvel (transporte de sedimentos).
A interface gráfica permite a construção de projetos com um único trecho ou com uma
rede de canais. São utilizadas informações topográficas das seções para descrever a
geometria do canal.
Opções de modelagem no HEC-RAS:
o Tipos de escoamento simulados: permanente uniforme, permanente
gradualmente variado e não-permanente.
o Modelagem do fluxo permanente uniforme e gradualmente variado: equações
básicas do modelo: equação de energia na forma unidimensional e equação da
continuidade; perdas de energia por atrito calculadas por meio do modelo de Manning com
consideração de seções compostas; perdas localizadas calculadas por meio de
coeficientes de contração e expansão das seções; solução numérica das equações de
fluxo por meio do método iterativo standard step; cálculo em regime sub-crítico, crítico e
supercrítico; modelagem do regime não-uniforme bruscamente variado com incorporação
das equações de conservação do momento; cálculo de ressalto, consideração de pontes e
confluências (junções).
o Modelagem do fluxo não-permanente: utilização de um sistema de equações
hidrodinâmicas, composto pela equação da continuidade e equação da conservação dos
momentos; perdas de energia por atrito calculadas por meio das equações de Chézy e
Manning; solução das equações por meio de método numérico de discretização por
diferenças finitas em um esquema implícito. condições de contorno requeridas na seção de
montante: série temporal (hidrogramas); condições de contorno requeridas na seção de
jusante: quatro possibilidades: série temporal de vazão (hidrograma), série temporal de
nível, curva chave ou função de profundidade normal estimada por Manning.
Características do Software HEC-RAS:
o Sistemas operacionais compatíveis: WINDOWS, SOLARIS e LINUX;
o Projetos modelo: disponíveis para download
o Idioma: Inglês;

42
43
o Interface gráfica para traçado de trechos de canal, redes de canais, junções e
seções transversais; seleção de modelos, inserção de dados, visualização e edição de
resultados;
o Resultados: visualização dos resultados em 3D ou gráficos editáveis
conforme as informações desejadas pelo usuário.
o Integração com SIG – o módulo HEC-Geo-RAS possibilita integração com
SIG para a geração de manchas de inundação a partir dos resultados do modelo hidráulico.

5.2. Instalação do HEC-RAS

o Instalação: arquivo executável disponibilizado na página do U.S. Army Corps


of Engineers na internet. Na data de elaboração do presente relatório, o arquivo de
instalação pode ser acessado em: http://www.hec.usace.army.mil/software/hec-ras/
o Manual de usuário e manual de fundamentos dos modelos: ambos
disponíveis para download na mesma página.

5.3. Procedimento de simulação no HEC-RAS

5.3.1. Preparação dos dados

Estes passos precedem o início de um novo projeto no HEC-RAS e correspondem


aos dados de entrada do software. Estes dados devem ser preparados previamente, de
forma tabular, em uma planilha do EXCEL. Os passos descritos a seguir visam resumir as
seguintes informações:

• Geometria das seções do canal;

• Vazões de projeto em cada seção;

• Distância entre seções;

• Declividade e tipo de revestimento;

O passo-a-passo a ser seguido na preparação dos dados para simulação no HEC-


RAS consiste de:

i. Seleção das seções a serem simuladas: o ideal é selecionar tantas seções quantas
forem as alterações de geometria ou revestimento do canal, ou, no mínimo, uma
seção a cada 50 a 100 metros;

43
44
ii. Numeração das seções a serem simuladas. Esta numeração deve ser crescente
de jusante para montante;

No exemplo da bacia hidrográfica dos córregos Paraguai-Éguas-Uberaba, a


numeração de seções foi feita conforme mostrado na Figura 5-1. A correspondência entre
a numeração das seções a serem simuladas no HEC-RAS e os nós de simulação do HEC-
HMS é mostrada na Tabela 5-1.

córrego das Éguas


11 12

córrego Uberaba 10
1 2 3
4

córrego Paraguai
5 6 7 8 9

Figura 5-1 – Seções da bacia dos córregos Paraguai-Éguas-Uberaba simuladas no HEC-RAS

Tabela 5-1 – Correspondência entre as seções de simulação no HEC-RAS e os nós de simulação do


HEC-HMS
CURSO D'ÁGUA SEÇÃO HEC-RAS NÓ HEC-HMS
Corr. Uberaba 3 8
Corr. Uberaba 2 9
Corr. Uberaba 1 10
Corr. Paraguai 9 -
Corr. Paraguai 8 1
Corr. Paraguai 7 2
Corr. Paraguai 6 3
Corr. Paraguai 5 4
Corr. Paraguai 4 5
Corr. das Éguas 12 -
Corr. das Éguas 11 6
Corr. das Éguas 10 7

iii. Definição das seções em coordenadas (x,y). Para esta etapa, é necessário o
cadastro da rede de drenagem dos cursos d’água que serão simulados, com
seções transversais e declividade. Com estas informações, deve-se preparar uma
tabela x,y para cada seção a ser simulada, em que a origem do sistema de
coordenadas seja:
• x0 = eixo da seção, correspondente ao eixo do canal. Os valores de x são
positivos à direita do eixo, no sentido da margem direita, e negativos no sentido
da margem esquerda, vistas de montante para jusante.
• y = cota geográfica, com o mesmo referencial para todas as seções.

A geometria das seções naturais dos córregos Paraguai, Éguas e Uberaba é


mostrada na Tabela 5-2.

44
45
Tabela 5-2 – Geometria das seções atuais dos córregos Paraguai, Éguas e Uberaba
seção 1
x y
-2.40 735.25
-2.30 733.00
0.00 733.00
2.30 733.00
2.40 735.25
seção 2
x y
-3.00 741.10
-2.90 739.10
0.00 739.10
2.90 739.10
3.00 741.10
seção 3
x y
-3.00 746.40
-2.90 744.40
0.00 744.40
2.90 744.40
3.00 746.40
seção 4
x y
-2.25 746.25
-2.20 744.40
0.00 744.40
2.20 744.40
2.25 746.25
seção 5
x y
-2.00 748.05
-1.90 746.00
0.00 746.00
1.90 746.00
2.00 748.05
seção 6
x y
-1.50 750.75
-1.40 748.70
0.00 748.70
1.40 748.70
1.50 750.75
seção 7
x y
-1.25 755.75
-1.20 753.70
0.00 753.70
1.20 753.70
1.25 755.75
seção 8
x y
-1.00 765.25
-0.95 763.20
0.00 763.20
0.90 763.20
1.00 765.25
seção 9
x y
-0.70 777.20
-0.65 775.80
0.00 775.80
0.65 775.80
0.70 777.20
seção 10
x y
-1.00 746.40
-0.95 744.40
0.00 744.40
0.95 744.40
1.00 746.40
seção 11
x y
-0.63 763.15
-0.60 761.90
0.00 761.90
0.60 761.90
0.63 763.15
seção 12
x y
-0.55 778.30
-0.50 777.20
0.00 777.20
0.50 777.20
0.55 778.30

45
46
iv. Definição dos valores de vazão para cada seção. Estes dados devem ser
preparados, em forma tabular, com base nos resultados da simulação hidrológica.
Faz-se uma tabela com duas colunas, em que: a coluna da esquerda apresenta a
numeração das seções e a coluna da direita, os valores máximos de vazão na
seção correspondente. Deve ser feita uma tabela de vazões para cada cenário
simulado (p.ex. bacia natural e com reservatórios), como mostrado na Tabela 5-3.

Tabela 5-3 – Vazões de projeto nas seções simuladas, obtidas previamente por simulação hidrológica
no HEC-HMS
CONFIGURAÇÃO 1 CONFIGURAÇÃO 2
CURSO D'ÁGUA SEÇÃO HEC-RAS NÓ HEC-HMS Q10 Q25 Q50 Q100 Q10 Q25 Q50 Q100
Corr. Uberaba 3 8 43.6 56.5 66.4 76.4 26.1 39.1 49.6 58.6
Corr. Uberaba 2 9 46.1 60.1 71.0 81.8 27.1 41.7 51.8 62.6
Corr. Uberaba 1 10 51.8 67.0 78.6 90.2 29.1 43.4 56.1 66.6
Corr. Paraguai 9 - 11.0 14.5 17.1 19.8 11.0 14.5 17.1 19.8
Corr. Paraguai 8 1 11.0 14.5 17.1 19.8 11.0 14.5 17.1 19.8
Corr. Paraguai 7 2 19.7 25.7 30.5 35.3 19.7 25.7 30.5 35.3
Corr. Paraguai 6 3 26.9 34.8 40.7 46.7 26.9 34.8 40.7 46.7
Corr. Paraguai 5 4 29.4 38.2 44.9 51.6 29.4 38.2 44.9 51.6
Corr. Paraguai 4 5 31.1 40.5 47.8 55.0 31.1 40.5 47.8 55.0
Corr. das Éguas 12 - 7.4 9.5 11.2 12.8 7.4 9.5 11.2 12.8
Corr. das Éguas 11 6 7.4 9.5 11.2 12.8 7.4 9.5 11.2 12.8
Corr. das Éguas 10 7 12.9 16.9 20.0 23.1 12.9 16.9 20.0 23.1

As vazões de projeto nas seções simuladas correspondem às vazões obtidas por


simulação hidrológica. Neste exemplo, os valores mostrados Tabela 5-3 correspondem aos
resultados nos nós fornecidos pela simulação hidrológica e que foram apresentados na
Tabela 4-3.

v. Determinação da distância entre as seções, medida em três pontos: no eixo, na


margem direita (MD) e na margem esquerda (ME);
vi. Estimativa do coeficiente n de Manning para cada seção, sendo três coeficientes
por seção: para a margem direita (MD), margem esquerda (ME) e canal.

De posse destes dados, é dado início à simulação no HEC-RAS.

5.3.2. Iniciando um novo projeto no HEC-RAS

Primeiramente, é preciso configurar o Windows para utilizar decimal com ponto, no


painel de controle, em configurações regionais e de idioma. Embora o HEC-HMS possa ser
rodado em qualquer sistema, o HEC-RAS só admite sistema decimal com ponto.

A seguir, inicia-se o HEC-RAS clicando sobre o ícone do programa na área de


trabalho. A tela inicial deve aparecer conforme mostrado na Figura 5-2.

46
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Figura 5-2 – Tela inicial do HEC-RAS

A modelagem e simulação hidráulica no HEC-RAS compreende as seguintes etapas:

• Montar a geometria do sistema de drenagem;

• Inserir a geometria das seções simuladas;

• Definir o modelo hidráulico: remanso, hidrodinâmico ou de transporte de


sedimentos;

• Definir as vazões de projeto para as seções;

• Definir as condições de contorno da simulação;

• Definir as configurações de simulação (cenários simulados)

O início de um novo projeto é feito por meio da barra de menu file new project,
que resulta na janela mostrada na Figura 5-3. A extensão do arquivo de projeto é .prj.

Figura 5-3 – Janela para iniciar um novo projeto no HEC-RAS

Em “options”, na barra de menu, deve-se setar as configurações de unidades e pasta


do projeto.

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5.3.3. Montando a geometria do sistema de drenagem

Para iniciar a montagem da rede de drenagem, clica-se no botão “Edit/enter geometric

data” na barra de menu .

Na janela Geometric Data, desenha-se a geometria da rede de drenagem. Os rios

devem ser desenhados com o botão “River Reach” , de montante para jusante,
finalizando o desenho com um clique duplo.

Quando o sistema consiste de vários rios, como no exemplo dos córregos Paraguai e
das Éguas, que se unem, formando o córrego Uberaba, procede-se do seguinte modo:

Desenhar, primeiramente, o trecho maior (neste exemplo, Paraguai + Uberaba); a forma


do desenho não importa, consiste apenas na visualização, pois a geometria será
inserida posteriormente; cada clique corresponde a um ponto, o número de pontos não
interfere. Finalizar com clique duplo e fornecer o nome do curso d’água, no caso,
“Paraguai”; fornecer o número do trecho, “1”.

Caso o nome do córrego fique escrito ao contrário, clicar sobre o trecho com o botão
direito do mouse e selecionar a opção “reverse river text”.

Desenhar o trecho menor, finalizando o último ponto deste sobre a linha desenhada
anteriormente; fornecer o nome do curso d’água, no caso, “Éguas” e o número do
trecho, “1”. responder “sim” para unir os trechos (“do you wish to split Paraguai river on
reach 1?”) e “sim” ou “não” para criar um novo curso d’água a partir da junção. No caso
deste exemplo, deve-se selecionar “sim” para a segunda opção, pois os córregos
Paraguai e das Éguas, após a confluência, formam um terceiro córrego, o Uberaba.
Este passo está mostrado na Figura 5-4. Nomear o novo trecho criado a partir da
junção dos dois trechos – neste caso, “Uberaba”. Fornecer um nome para a junção dos
trechos. Neste exemplo, a junção foi chamada “TC”, porque, na confluência dos
córregos Paraguai e Éguas, está localizado o Tribunal de Contas do Município de São
Paulo. Poderia ser dado qualquer outro nome para esta junção.

Ao término do processo, a tela de geometria deverá aparecer como mostrado na Figura


5-5.

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Figura 5-4 – Elaboração da geometria da rede de drenagem

Figura 5-5 – Geometria da rede de drenagem

Salvando a geometria

Neste ponto, é recomendado salvar a geometria. Aqui cabe ressaltar a estrutura da


modelagem no HEC-RAS. Tal como no HEC-HMS, o projeto consiste de módulos. Dentro
do mesmo projeto “Paraguai-Eguas” podem ser salvas diferentes geometrias, de modo a
simular diferentes cenários. Para salvar a geometria, clicar em File save geometric data
as fornecer um nome condizente com o cenário simulado, p.ex. “Atual” ou “Natural”, para
representar a configuração atual da rede de drenagem. Posteriormente, verificando-se que
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a geometria atual não comporta as vazões de projeto, serão planejadas novas seções, cuja
geometria será nomeada “Projeto” ou “Proposta”, e que será salva dentro do mesmo
projeto “Paraguai-Eguas”. Isto ficará mais claro nos passos seguintes.

5.3.4. Inserindo a geometria das seções

Para inserir as seções, deve-se selecionar o botão , de modo a abrir a janela


“cross section data”, para inserção e edição da geomtria das seções, mostrada na Figura
5-6.

Figura 5-6 – Janela “Cross Section Data”, para inserção e edição da geometria das seções

A inserção da geometria das seções segue os seguintes passos:


• Selecionar o rio e o trecho;
• Clicar na barra de menu options add a new cross section, começando a
numerar pela primeira seção de jusante, a qual será nomeada “1”; a seqüência
de seções deve ser numerada de jusante para montante;
• Inserir todas as informações para a primeira seção:
o Os pontos devem ser inseridos em coordenadas x.y (ou station,
elevation), conforme tabela elaborada anteriormente (Tabela 5-2);
o Casas decimais são separadaspor ponto;
o É possível copiar e colar do Excel, desde que seja selecionado, no HEC-
RAS, o número exato de linhas;

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o O nome da seção é, necessariamente, um número, em sentido
crescente de jusante para montante;
o “Downstream Reach Lenghts” são as distâncias entre a seção corrente e
a seção de jusante. Para cada seção, devem ser fornecidas três
distâncias: LOB, medida na margem esquerda; ROB, medida na
margem direita, e Channel, medida no eixo do canal. Esta diferenciação
entre as distâncias medidas nos três pontos de cada seção (ME, MD e
eixo), possibilita representar os meandros do canal. Importante: Estas
distâncias sempre são medidas entre a seção corrente e a de jusante.
No caso da primeira seção, deve ser fornecida uma distância simbólica,
p.ex. 1m.
o “Main channel bank stations” são as posições das margens esquerda
(left bank) e direita (right bank). Estas distâncias são medias a partir do
eixo e devem ser negativas, no caso da ME, e positivas, no caso da MD.
Se for fornecida a coordenada idêntica a um valor constante da tabela,
não será necessário interpolar; caso contrário, o programa fará isso
automaticamente.
o “Contraction” e “Expansion Coefficients” são coeficientes de perda de
carga localizada para contraçõa e expansão; se forem deixados em
branco, serão adotados os valores usuais do programa;
o O coeficiente n de Manning deverá ser fornecido para a planície
esquerda (LOB), planície direita (ROB) e canal principal (Channel).
o Na barra de menu, selecionar a opção exit para sair da janela de edição
de seção transversal e retornar para a janela “geometric data”;
o Salvar.
• Se houver mais seções para serem inseridas no mesmo rio e trecho, selecionar
novamente options add a new cross section e nomear a próxima seção, a
montante da anterior, com numeração sub-seqüente à seção anterior. inserir as
informações da seção conforme passo-a-passo descrito anteriormente;
• Repetir o processo até a última seção do rio;
• refazer o processo para o próximo rio. A numeração de seções continua a
partir de onde parou a numeração no rio anterior.
• Salvar a geometria e fechar a janela “geometric data” que, ao final, deverá
aparecer como mostrado na Figura 5-7.

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Figura 5-7 – janela “geometric data” ao final da inserção de todas as seções.

5.3.5. Configurando diferentes cenários de simulação

Havendo outros cenários a serem simulados, deverá ser criada uma nova geometria
para cada configuração de projeto, seguindo os mesmos passos adotados para a
configuração “NATURAL”. Estes outros cenários poderão chamar-se “ALTERNATIVA 1”,
“ALTERNATIVA 2”, etc.
Usualmente, nos projetos hidráulico-hidrológicos, são testados, no mínimo, três
cenários, sendo um natural e duas alternativas de projeto. Deste modo, é comum que cada
projeto no HEC-RAS possua três arquivos de geometria: Natural, Alternativa 1 e Alternativa
2. Este é o caso do exemplo utilizado neste roteiro, para o córrego Paraguai-Éguas-
Uberaba. Neste exemplo, foram testadas três configurações hidráulico-hidrológicas:

• Natural: bacia hidrográfica natural e seções da macrodrenagem atuais;

• Alternativa 1: bacia hidrográfica com um reservatório e seções da


macrodrenagem de projeto;

• Alternativa 2: bacia hidrográfica com dois reservatórios e seções da


macrodrenagem de projeto

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O arquivo anexo Unifilar_Paraguai-Eguas.dwg, localizado na pasta Exemplo-
HEC\Desenhos, apresenta as alternativas de projeto simuladas. A configuração natural da
bacia é mostrada no arquivo Divisao-Sub-Bacias.dwg, localizado na mesma pasta, que
apresenta toda a topologia da bacia para simulação e o cadastro da rede de drenagem
simulado como “configuração 1 – natural”.

5.3.6. Selecionando o modelo hidráulico

Há três opções de modelagem hidráulica no HEC-RAS, que são acessados a partir da


janela principal do programa (Figura 5-2), por meio dos botões de modelagem, conforme
indicado na Tabela 5-4:

Tabela 5-4 – Opções de modelagem hidráulica disponíveis no HEC-RAS


Modelo de remanso: regime permanente uniforme ou permanente variado;

Modelo hidrodinâmico: regime não-permanente;

Modelo de transporte de sedimentos;

Nesta etapa da modelagem, basta ter em mente o modelo que será utilizado, a fim de
nortear os procedimentos seguintes, que serão adotados de acordo com o tipo de modelo
escolhido.
Neste ponto, cabe ressaltar que é sempre preferível trabalhar com o modelo mais
simples, a menos que haja fatores que justifiquem a escolha por um modelo mais
complexo. Quanto maior a complexidade do modelo, maior a complexidade dos dados de
entrada e condições de contorno necessários para sua simulação.
Deste modo, a primeira hipótese adotada é a de escoamento permanente uniforme ou
permanente variado, que corresponde ao modelo de remanso. Este tipo de modelagem irá
fornecer como resultado níveis máximos de inundação, e requer como dados de entrada as
máximas vazões de projeto simuladas em cada seção. A condição de contorno a ser
fornecida é o nível inicial de jusante (escoamento sub-crítico) ou de montante (escoamento
super-crítico).
Quando as condições de projeto a serem simuladas justificarem a escolha por um
modelo variável no tempo, deverá ser selecionado o modelo hidrodinâmico – por exemplo,
quando há influência de marés a jusante dos trechos de canal simulados.

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5.3.7. Definindo as vazões de projeto para as simulações

Os dados de vazão nas seções, conforme mostrado na Tabela 5-3, devem ser
inseridos conforme o tipo de modelo adotado. Os botões na barra de menu utilizados para
a inserção das vazões, e os respectivos modelos, estão listados na Tabela 5-5:

Tabela 5-5 – Botões de inserção dos dados de vazão, conforme o modelo hidráulico utilizado
para regime permanente uniforme;

para regime permanente variado;

para regime não-permanente;

pra transporte de sedimentos;

Para inserir os dados de vazão, clica-se no botão correspondente e insere-se os


dados conforme descrito a seguir.

5.3.7.1. Inserindo dados de vazão e condições de contorno no modelo de


remanso

Nesta etapa serão inseridas as vazões conforme tabela previamente preparada, com
as vazões de projeto em cada seção (Tabela 5-3). Além disto, serão adicionadas as
condições de contorno, no caso, o nível d’água inicial de jusante.

Do mesmo modo que são configuradas diferentes geometrias deverão ser montados
um arquivo de vazões para cada cenário simulado. No caso do exemplo mostrado neste
roteiro, deverão ser gerados três arquivos de dados de vazão: Natural, Alternativa 1 e
Alternativa 2.

O processo de inserção dos dados de vazão, no caso do modelo de remanso, deverá


seguir os seguintes passos:

• Selecionar o botão na barra de menu da janela principal do HEC-RAS, de


modo a abrir a janela “steady flow data”, mostrada na Figura 5-8;

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Figura 5-8 – Janela “Steady Flow Data”, para inserção dos dados de vazão na modelagem de remanso

• Selecionar o nome do rio na opção “River”;


• Em “Enter/Edit number of profiles”, marcar o número de TR’s simulados para o
mesmo cenário. No caso deste exemplo, foram simulados os TR’s 10 e 25 anos, de modo o
campo deverá ser preenchido com o número 2.
• Clicar em “Add Multiple”, selecionar todas as seções, OK;
• Copiar os dados da coluna “configuração 1”, “Q-10”, da Tabela 5-3 e colar na
coluna PF1; Copiar os dados da coluna “configuração 1”, “Q-25” e colar na coluna PF-2. A
aparência final da janela deverá ser como na Figura 5-9.

Figura 5-9 - Janela “Steady Flow Data”, após inseridos os dados de vazão do modelo de remanso

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O processo de inserção das condições de contorno, no caso do modelo de remanso,
deverá seguir os seguintes passos:
• Na janela “steady flow data”, após inseridos os dados de vazão, clicar no botão
“reach boundary conditions” deverá aparecer a janela mostrada na Figura 5-10.

Figura 5-10 – Janela de inserção das condições de contorno

• Na janela “steady flow boundary conditions”, deverá ser selecionado o tipo de


condição de contorno que será utilizado. Para regime sub-crítico, deve-se fornecer como
condição de contorno o nível d’água na seção de jusante. No exemplo mostrado neste
roteiro, o extremo jusante do sistema está localizado no córrego Uberaba. Deste modo,
deve-se, primeiramente, selecionar a célula downstream (jusante) do córrego Uberaba. Em
seguida, clicar em “Known W.S.” (nível d’água conhecido). Deverá aparecer a janela
mostrada na Figura 5-11.

Figura 5-11 – janela de inserção do nível d’água inicial

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• Como estão sendo simulados dois TR’s, a tabela mostrada na janela da Figura
5-11 mostra dois valores de vazão fornecidos para a seção de jusante. Para cada um
deles, deverá ser fornecido o nível d’água correspondente. Este nível d’água pode ser
obtido por meio da curva-chave da seção ou estimado por meio do NA normal, calculado
pela fórmula de Manning, que foi o caso neste exemplo.

• Ok para fechar a janela de inserção do nível d’água inicial;

• OK para fechar a janela “steady flow boundary conditions” e retornar à janela


“steady flow data” (Figura 5-9);

• File save flow data as, deverá aparecer a janela mostrada na Figura 5-12;

Figura 5-12 – salvando os dados de vazão

• Deverá ser repetido o procedimento para cada cenário, de modo que, ao final,
deverão haver três arquivos de dados de vazão: natural, alternativa 1 e alternativa 2;

• Ok para fechar e retornar à janela principal do HEC-RAS.

5.3.8. Configurando e executando a simulação

A montagem da simulação é feita por meio dos botões mostrados na Tabela 5-4, de
acordo com o modelo que será simulado. O procedimento de simulação consiste nos
seguintes passos:

• Clicar no botão correspondente à simulação desejada na Tabela 5-4;

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• No exemplo mostrado neste roteiro, foi simulado um modelo de remanso

• Deverá ser aberta uma janela conforme mostrado na Figura 5-13;

Figura 5-13 – Janela de simulação no HEC-RAS

• Selecionar o arquivo de geometria e o arquivo de vazão desejados e o tipo de


regime;

• Salvar o cenário de simulação criado: File Save Plan – salvar com um nome
correspondente ao cenário que está sendo simulado, p.ex. natural, alternativa 1 ou
alternativa 2.

• Posteriormente pode-se acessar os cenários simulados por meio de File Open


Plan.

• Não havendo erros, a simulação deverá ser concluída com êxito, e deverá ser
exibida a janela mostrada na Figura 5-14:

Figura 5-14 – janela de status final da simulação quando não há erros de simulação

• Havendo erros de simulação, deverá aparecer uma janela indicando quais foram
e os caminhos para providenciar as devidas correções, como mostrado na Figura 5-15.
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Figura 5-15 – Janela de erro de simulação no HEC-RAS

5.3.9. Visualizando os resultados da simulação

Os resultados das simulações no HEC podem ser visualizados em diferentes


formatos, acessados por meio dos botões disponíveis na barra de menu, os quais são
descritos brevemente na Tabela 5-6.
Tabela 5-6 – Opções de visualização dos resultados no HEC-RAS

visualização de seções transversais (view cross sections)

visualização de perfis (view profiles)

visualização geral de impressão de perfil (view general profile plot)

(view computed rating curves)

visualização de seções múltiplas em 3D (view 3D multiple cross section plot)

vizualização de hidrogramas e gráficos de nível (view stage and flow


hydrographs)

visualização gráfica de propriedades hidráulicas (hydraulic properties table


plots)

visualização detalhada dos resultados em bueiros, pontes, barragens, etc.


(view detailed output at XS, culverts, bridges, weirs, etc)

tabela resumo de resultados (view summary output tables by profile)

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6. REFERÊNCIAS

BAPTISTA, M.B., COELHO, M.M.L.P. & CIRILO, J.A. (2001) – Hidráulica aplicada. Coleção
ABRH de Recursos Hídricos, volume 8. Editora da ABRH – Associação Brasileira de
Recursos Hídricos. Porto Alegre, 620p.

CANHOLI, A.P. (2005) – Drenagem urbana e controle de enchentes. Ed. Oficina de Textos.
São Paulo, 302p.

CAMPANA, N. E TUCCI, C.E.M. (1995) – Estimativa da área impermeável de macrobacias


urbanas. RBE, Ca-derno de Recursos Hídricos V12 n.2 79-94pp.

DEPARTAMENTO DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA – DAEE (1998) – Análise geológica


e caracterização dos solos da bacia do alto Tietê para avaliação do coeficiente de
escoamento superficial. Relatório interno PDAT1-GL-RT-037. São Paulo.

MARTINEZ, F.J. & MAGNI, N.L.G. (1999) – Equações de chuvas intensas do Estado de
São Paulo. Convênio Departamento de Águas e Energia Elétrica e Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo. São Paulo, 125.

NAGHETTINI, M. & PINTO, E.J.A. (2007) – Hidrologia Estatística. Ed. da CPRM – Serviço
Geológico do Brasil. Belo Horizonte, 552p.

NATURAL RESOURCES CONSERVATION SERVICE, CONSERVATION ENGINEERING


DIVISION (1986). Urban Hydrology for Small Watersheds. Technical Release 55.

TUCCI, C.E.M. (1993) – Hidrologia – Ciência e aplicação.ed. da UFRGS. Coleção ABRH de


recursos hídricos. Porto Alegre, 943p.
UNITED STATES ARMY CORPS OF ENGINEERS (2008) – Hydrologic Modelling System –
user’s manual. Institute of Water Resources, Hydrologic Engineering Center. Davis, CA,
278p.
UNITED STATES ARMY CORPS OF ENGINEERS (2002) – Hydrologic Modelling System –
applications guide. Institute of Water Resources, Hydrologic Engineering Center. Davis, CA,
106p.
UNITED STATES ARMY CORPS OF ENGINEERS (2008) – River Analysis System –
user’s manual. Institute of Water Resources, Hydrologic Engineering Center. Davis, CA,
747p.

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