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UFCD OS SERVIÇOS DE ALOJAMENTO

3803 HOTELEIRO COMO ÁREA DE NEGÓCIO


Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

Índice

1 – Aspectos fundamentais do Fenómeno Turístico.....................................................3


1.1 - Antecedentes históricos.............................................................................................3
1.2 - Definição de Turismo.................................................................................................5
1.3 - Desenvolvimento do turismo de massas.....................................................................8
1.4 - Repercussões sobre as actividades económicas directas e indirectas:...........................9
2 –Novas tendências no turismo.................................................................................11
2.1 –Tipos de turismo......................................................................................................11
2.2 – Novos produtos e serviços turísticos.........................................................................19
3 – A organização dos Serviços de Turismo em Portugal...........................................21
3.1 - Nível Local..............................................................................................................21
3.2 - Nível Regional.........................................................................................................21
3.3 - Nível Nacional.........................................................................................................22
4 - Hotelaria.................................................................................................................26
3.1 - Definições, características e classificação..................................................................26
3.2 - Tipos de Empreendimentos Turísticos.......................................................................26
5 - Organização Funcional de um hotel......................................................................33
4.1 - Recepção/ Portaria..................................................................................................33
4.2 - Andares..................................................................................................................34
4.3 - Lavandaria..............................................................................................................34
4.4 - Economato..............................................................................................................34
4.5 - Cozinha / Pastelaria.................................................................................................35
4.6 - Restaurante………………………………………………………………………………………..…..............35
4.7 - Bar e animação……………………………………………………………………………………..…...........35
6. Legislação reguladora da actividade hoteleira.......................................................36

Bibliografia…………………………………………………………………..………………………..38

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1.O Fenómeno Turístico

1.1 - Antecedentes históricos

Na História da Humanidade encontramos uma contínua referência a viagens e viajantes, tendo


estes conceitos diferentes sentidos, em diferentes épocas.

Assim, nos primórdios, a viagem não se desfrutava, mas sofria-se, pois as condições em que se
realizavam eram incómodas, difíceis e inseguras. As viagens não tinham valor por si, mas eram
a forma de chegar a um destino. Estes movimentos só eram possíveis para uma minoria de
pessoas, sendo que a maior parte dos habitantes nascia, crescia, vivia e morria praticamente no
mesmo local.

Eram identificados os seguintes motivos para a realização de viagens:


1. Comércio;
2. Para a procura de bens de primeira necessidade;
3. Melhoria das condições de vida;
4. Desejos políticos de aumento do território;
5. Descanso e saúde, das classes privilegiadas, que frequentavam centros termais.

Na Idade Média, são as cruzadas que dão ânimo à prática de viajar, e ao próprio comércio.
Estas expedições possibilitam grande movimentação de soldados, peregrinos e mercados.
Nesta época, começam-se a realizar viagens de carácter religioso, sendo celebres as
peregrinações a Santiago de Compostela (Espanha), a Cantebury (Inglaterra), à Terra Santa
(Palestina), e a Meca (Arábia).

Na época do Renascimento surge a viagem por motivo de prazer. Começa-se a reconhecer que
a curiosidade por conhecer novos povos e costumes impulsiona a realização de viagens.
É nesta altura que se descobre a América, e novas zonas da Ásia e da África, situações que
estimulam ainda mais a viagens.

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É na já designada por Época Moderna (século XIX) que se estabelecem as bases para o turismo
moderno. Desenvolve-se a “Grand Tour” (designação que, mais tarde, dará origem ao termo
“turismo”), que refere o costume que se implantava de que membros de famílias ricas,
viajavam por quase toda a Europa, por motivos de estudo e de ócio. O circuito, de duração
normal de 3 anos, incluía longas estadas em Paris, Génova, Florença e Roma.

É nesta época que se começam a desenvolver centros turísticos, ligados com práticas curativas
(banhos termais), e nas termas começam-se a organizar actividades de entretenimento para os
pacientes.

Por volta de 1830, surgem na Suíça os primeiros hotéis, que começam a substituir albergues e
estalagens.

Com a transformação económica e social, consequência da Revolução Industrial, verifica-se um


aumento da classe média, ou burguesa.

Verifica-se um importante desenvolvimento ao nível dos transportes, sendo que em 1825,


Stephenson cria o comboio a vapor, que rapidamente se estende por toda a Europa e Estados
Unidos da América.
O comboio oferece grandes vantagens sobre os animais anteriormente utilizados no transporte
de pessoas, sendo que a velocidade, comodidade, capacidade de transporte de pessoas e
mercadorias, providenciou o aumento de viagens por prazer.

Desde o Século XX, na designada Época Contemporânea, que se verifica o desenvolvimento dos
transportes, o direito a férias pagas, e o surgimento de organizações nacionais e internacionais
de promoção turística.

Durante este período, vários são os momentos de calamidade, como as Guerras Mundiais (1914
a 1918 e 1939 a 1945), a Grande Crise de 1929, e a Guerra Civil Espanhola. Contudo, é de
conhecimento geral que os grandes avanços científicos, tecnológicos e sociais se dão após
momentos de crise, e em situações de pós-guerra, e no turismo, este sucesso e progresso foi

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inegável. A população estava a mudar, e necessitava de mudanças; de conhecer novos lugar,


pessoas e mentalidades, sendo as viagens e as deslocações muito procuradas.

1.2 - Definição de Turismo

Como já vimos, pela sua própria evolução histórica, o conceito de turismo está em
permanente reconstrução, pois considera a perspectiva histórico-evolutiva e é um conceito ao
qual se associam muitas significâncias, como por exemplo:
- Movimento de pessoas;
- Sector da economia, indústria;
- Prática social;
- Fenómeno económico e social;

Componentes do conceito de turismo:


– A deslocação
– O local de residência
– O tempo de permanência
– O motivo

Dois tipos de definição de turismo:


 Definição estatística
 Definição conceptual

Definição estatística
Após várias etapas e acordos, em 1991 a OMT – Organização Mundial do Turismo, propõem a
seguinte definição de turismo:

O turismo compreende as actividades de pessoas que viajam e permanecem em locais fora do


seu ambiente habitual, por períodos inferior a um ano, por motivos de lazer, negócios e outros
não relacionados com o exercício de uma actividade remunerada.

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Definição conceptual
Mais abrangente, pressupõe 5 pontos:
• Conjunto de fenómenos e relações.
• Deslocações de pessoas para vários destinos, implicando viagem e
estadia
• Os destinos situam-se fora do local de residência habitual
• O movimento para ao destino tem um carácter temporário e a curto
prazo
• A visita tem propósitos não relacionados com trabalho remunerado.

Conceitos de visitante, turista e excursionista

Visitante - Indivíduo que se desloca a um lugar diferente da sua residência habitual, por um

período de tempo inferior a 365 dias, desde que o motivo principal da viagem não seja o de

exercer uma actividade remunerada no lugar visitado.

Turista - Visitante que permanece, pelo menos, uma noite num alojamento colectivo ou

particular no lugar visitado, por motivos de lazer, férias, saúde, estudos, religião, desportos e

prazer, de negócios, razões familiares, missões ou reuniões.

Excursionista - Visitante que não pernoita num alojamento colectivo ou particular no lugar

visitado (período de tempo inferior a 24horas)

Diferença entre turismo e lazer

LAZER é diferente de TURISMO porque:

Ainda que o lazer seja a principal motivação para o turismo, há actividades de lazer que não
turísticas e actividades turísticas que não são de lazer.

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Por exemplo:
– TURISMO DE NEGÓCIOS – Não relacionado com lazer
– IR AO CINEMA – Não relacionado com turismo

Classificação do turismo segundo diversas variáveis:

a) Segundo a origem dos visitantes

 Turismo doméstico ou interno – turismo praticado por residentes de um determinado


país que viajam unicamente no interior desse país. Esse conceito aplica-se igualmente a
uma região.
 Turismo internacional – turismo praticado por residentes de um determinado por
visitantes residentes no estrangeiro (turismo receptor), e por residentes desse país que
viajam para outros países (turismo emissor).

País País de
de origem Região de trânsito destino

b) Segundo a duração da permanência

Turismo de passagem Turismo de permanência

c) Segundo a organização da viagem

1. turismo individual – pessoas que, segundo os seus gostos individuais ou de


grupo que integram, determinam livremente a viagem;

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2. turismo colectivo, de grupo, organizado – quando um operador turístico ou


agência de viagens oferece a qualquer pessoa, contra um pagamento, a
participação numa viagem para determinado destino segundo um programa
previamente definido, igual para todos os participantes. Package tour.

Quando surgiu, o Turismo começou por ser fundamentalmente individual mas a partir de 1841,
quando Thomas Cook teve a ideia de alugar um comboio para realizar uma viagem entre
Leicester e Loughborough destinada aos participantes num congresso de médicos, iniciou-se o
turismo de grupo.

Mas foi com o desenvolvimento da aviação e aparecimentos dos voos fretados que na década
de 60 que mais se desenvolveu este tipo de turismo.

1.3 - Desenvolvimento do turismo de massas

Quando nos referimos a “turismo de massas” queremos falar sobre a movimentação massiva de
pessoas, isto é, falar de um turismo acessível e possível para toda a sociedade e não só para
classes privilegiadas.

Segundo Licínio Cunha, o turismo de massas é realizado por pessoas de menor rendimento, que
viajam, na maioria, em grupos. Estas pessoas tendem em gastar o mínimo possível, a ter
estadas de curta duração e a ocupar estabelecimentos hoteleiros de menor categoria.

Características do turismo de massas:


- Visitantes que sentem necessidade de mudar de meio;
- Deslocações preferencialmente realizadas por automóvel, autocarro, ou voos charter;
- Na Europa a época de férias predominante é no Verão, nos meses de Jlçho e Agosto;
- Utiliza alojamento de menor categoria (geralmente);
- Orientado para centros turísticos (massivos);
- Condicionado pelos movimentos políticos e sociais.

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Um dos factores que mais contribuiu para o desenvolvimento do turismo de massas foi a
legalização das férias pagas.
O direito a férias pagas, legalmente reconhecido, foi um facto que se deu em diferentes
tempos, em diferentes países. Estes tempos diferentes deram origem, a viagens turísticas
diferentes, entre os diferentes países.

A massificação é uma característica inerente ao turismo, que se tem vindo a acentuar cada vez
mais, sendo a qualidade um forte argumento para a diferenciação e sucesso dos serviços.

1.4 - Repercussões sobre as actividades económicas directas e indirectas:

Sendo o turismo uma actividade extremamente abrangente, estabelece relações com quase
todas as outras actividades económicas. Basta pensarmos que um turista viaja, alimenta-se,
compra recordações, roupa, sapatos, utiliza correios, vai ao cinema, etc.

Assim, sendo, o turismo tem impacto económico positivo em todas as áreas de actividade,
ainda que, em algumas, esse valor seja reconhecido directamente, e noutras não.

Isto é, reconhecemos directamente a importância do turismo para actividades desenvolvidas


essencialmente para fins turísticos - agencias de viagens, hotéis, ou lojas de artesanato e
recordações por exemplo. A estas actividades, directamente vocacionadas para o turismo,
designamos por actividades características.

Contudo, reconhecemos a importância dos ganhos que o turismo proporciona em outras


actividades, que existem essencialmente com o objectivo de servir os residentes, como por
exemplo: serviço dos correios, lojas de roupas, supermercados, etc. Estas actividades, são
designadas por actividades conexas, ou seja, são actividades que existem com o objectivo
de satisfazer as necessidades dos habitantes locais, mas nas quais também se identificam
receitas geradas pelos visitantes.

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Para contabilizarmos a importância económica do turismo, recorremos à análise das receitas


turísticas.

Definição de receitas turísticas


As receitas turísticas são as despesas efectuadas pelos visitantes nas suas viagens.
Incluem o pagamento dos transportes e o pagamento de compra de bens e serviços no local de
visita, ou seja, são as receitas totais de consumo realizadas por um visitante, ou por sua conta
durante a sua estada no local de consumo.

As receitas podem ser conseguidas através de serviços inerentes à viagem, pequenas compras
de bens duráveis destinados a uso pessoas do visitante, bem como a compra de recordações e
ofertas para parentes e amigos.

Tendo em conta a definição de turismo e a de receitas turísticas, facilmente se entende que


esta actividade que se relaciona com todas as outras, contribui fortemente para a economia de
um país ou local, directamente (agências de viagens, hotéis, etc), e indirectamente (através de
gastos realizados em serviços/bens existentes para satisfazer, essencialmente os habitantes -
lojas de roupa, ou supermercados, por exemplo).

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2– Novas tendências no turismo

2.1 – Tipos de turismo

A identificação dos tipos de turismo resulta das motivações e das intenções dos viajantes,
podendo seleccionar-se uma enorme variedade, dada a grande diversidade dos motivos que
levam as pessoas a viajar.

A diversidade de motivações turísticas traduz-se por uma diversidade de tipos de turismo. Como
as regiões e os países de destino apresentam também uma grande diversidade de atractivos, a
identificação dos vários tipos de turismo permite avaliar a adequação da oferta existente ou a
desenvolver às motivações da procura.~

Embora as razões que levam os homens a viajar sejam extremamente variadas e, muitas vezes,
se misturem na mesma pessoa, é possível distinguir certos tipos de turismo e agrupando por
afinidades os motivos de viagens, podem destacar-se os tipos a seguir enumerados que,
porém, não esgotam todos os que se podem identificar nem estabeleçam uma barreira entre
eles.

Turismo
Turismo Étnico
TIPOS DE
de Recreio
TURISMO Turismo
Turismo Religioso
de
Repouso Turismo
Turismo de Saúde
Cultural Turismo
Político
Turismo Turismo
Desportivo de
Negócios

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a) Turismo de recreio

Este tipo de turismo é praticado pelas pessoas que viajam para «mudar de ares», por
curiosidade, ver coisas novas, desfrutar de belas paisagens, das distracções que oferecem as
grandes cidades ou os grandes centros turísticos.

Algumas pessoas encontram prazer em viajar pelo simples prazer de mudar de lugar, outras por
espírito de imitação e de se imporem socialmente.

Este tipo de turismo é particularmente heterogéneo porque a simples noção de prazer muda
conforme os gostos, o carácter, o temperamento ou o meio em que cada um vive.

b) Turismo de repouso

A deslocação dos viajantes incluídos neste grupo é originada pelo facto de pretenderem obter
um relaxamento físico e mental, de obterem um benefício para a saúde ou de recuperarem
fisicamente dos desgastes provocados pelo «stress», ou pêlos desequilíbrios psicofisiológicos
provocados pela agitação da vida moderna, ou pela intensidade do trabalho.

Para eles, o turismo surge como um factor de recuperação física e mental e procuram, por via
de regra, os locais calmos, o contacto com a natureza, as estâncias termais ou os locais onde
tenham acesso à prestação de cuidados físicos como as modernas health farms, ou
beauty/arms.

Constituem um importante segmento de mercado, principalmente originário dos grandes


centros urbanos, que não desdenha a animação, os desportos e a recreação.

c) Turismo cultural

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As viagens das pessoas incluídas neste grupo são provocadas pelo desejo de ver coisas novas,
de aumentar os conhecimentos, de conhecer as particularidades e os hábitos doutras
populações, de conhecer civilizações e culturas diferentes, de participar em manifestações
artísticas ou, ainda, por motivos religiosos.

Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado as


grandes civilização do mundo, os monumentos, os grandes centros de peregrinação ou os
fenómenos naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas.
Incluem-se neste grupo as viagens de estudo, bem como as realizadas para aprender línguas.

d) Turismo desportivo

Hoje as motivações desportivas respeitam a camadas cada vez mais vastas das populações de
todas as idades e de todos os estratos sociais, quer se trate de assumir perante as actividades
desportivas uma atitude passiva, quer activa. No primeiro caso, o objectivo da viagem é o de
assistir às manifestações desportivas como os jogos olímpicos, os campeonatos de futebol, os
jogos de inverno; no segundo, o objectivo centra-se nas práticas de actividades desportivas
como a caça, a pesca, os desportos náuticos, o alpinismo, o ski, o ténis, o golfe, etc.

As modernas tendências da procura, em que a preferência pelas férias activas assume uma
importância cada vez maior, obrigam a que o desenvolvimento de qualquer centro turístico
deva ser equipado com os meios mais apropriados à prática dos desportos tendo em
consideração as possibilidades de cada local.

e) Turismo de negócios

As profissões e os negócios têm como consequência movimentos turísticos importantes e de


grande significado económico, hoje extraordinariamente desenvolvido pelo crescente grau de
internacionalização das economias e das empresas, pelo aumento das reuniões científicas e
pela proliferação de manifestações de divulgação de produtos, como as feiras e as exposições.

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Do mesmo modo, constituem frequentemente ocasiões para viajar as visitas aos grandes
complexos industriais ou técnicos e às explorações agrícolas ou pecuárias bem como a
participação em congressos.

Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus


colaboradores, quer como prémio, quer para participarem em reuniões de contacto com outros
que trabalham em locais ou países diferentes: as chamadas «viagens de incentivo».

Este tipo de turismo assume um elevado significado para os locais ou países visitados na
medida em que, regra geral, as viagens são organizadas fora das épocas de férias e pagas pela
empresa, ou pela instituição a que os viajantes pertencem.

Implica, contudo, a existência de equipamentos e serviços adequados, tais como salas de


reuniões, centros de congressos, espaços para exposições e facilidades de contactos
internacionais.

O Turismo de negócios engloba, assim: Viagens de Negócios Individuais / Congressos e


Convenções / Feiras, Exposições e Salões Especializados / Seminários e Reuniões de Empresa /
Conferências e Colóquios / Incentivos e Workshops.

e) Turismo político

A participação em acontecimentos ou reuniões políticas provocam uma movimentação


significativa de pessoas, quer se trate de ocasiões esporádicas, quer de reuniões ou
acontecimentos regulares.

São exemplos das primeiras as comemorações do duplo centenário da Revolução Francesa, em


Paris, os funerais do Imperador do Japão, ou, mais distante, a coroação da Rainha de
Inglaterra; são exemplos das segundas as reuniões originadas pêlos trabalhos da União
Europeia em Bruxelas, ou pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo.

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São, porém, casos específicos que não traduzem a realidade dos movimentos das pessoas por
razões políticas já que, diariamente, eles se verificam com maior ou menor intensidade, quer
interna, quer internacionalmente.

Tem características e efeitos semelhantes ao turismo de negócios e exige ainda condições


idênticas, necessariamente acrescidas de uma organização mais cuidada por razões
diplomáticas e de segurança.

g) Turismo de Saúde

 Termalismo

O termalismo é praticado desde, pelo menos, os tempos da ocupação romana. As qualidades


terapêuticas das águas foram desde então utilizadas, tendo atingido, a nível europeu o seu
maior desenvolvimento, nos séculos XVIII e XIX.

A permanência, durante um certo período de tempo, nas termas, oferece a imagem


tranquilizadora de cuidados sérios com a saúde, fazendo, actualmente, as termas um esforço
para se adaptarem às novas exigências científicas e tecnológicas da nossa época.

Paralelamente a este esforço de modernização assiste-se ao aparecimento de novos produtos


designados “Fitness” ou “Manter a Forma”, que complementam os tradicionais produtos para
clientes que buscam a cura de um determinado tipo de doença.

Os clientes dos produtos “Fitness” desejam encontrar o equilíbrio mais intensivo, uma vez
que engloba aspectos físicos, psicológicos e sociológicos. Trata-se de um bem estar que se
liga a sentimentos de reequilíbrio e de vitalidade, ou seja, manter a unidade do corpo e do
espírito, para além das adversidades da vida.

Este novo produto resulta de:

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 Um recurso cada vez maior a tratamentos de saúde múltiplos, incluindo a homoterapia e


outros medicamentos naturais;

 A recusa da erosão do corpo. O envelhecimento é retardado o mais possível;

 A duração das férias que tendem a ser mais freqüentes, por menos tempo e a preço pouco
elevado;

 Crescimento da população urbana e a sua vida desgastante.

O conceito “manter em Forma” tem em conta:

 O envelhecimento global da população;

 A sofisticação dos tratamentos derivados das tecnologias mais recentes;

 A tomada de consciência da necessidade de prever os riscos da doença.

 Talassoterapia

Os centros de talassoterapia atraem cada vez mais clientes, quer por motivos de saúde
(curativos ou preventivos), quer para consumo de produtos “manter a forma”.

Neste sector do Turismo de Saúde é uma espécie de porta estandarte. Quais as razões dos
eu sucesso? A água do mar, acima de tudo, mas também a imagem de luxo, a tecnicidade
das instalações, a duração e os conteúdos dos produtos propostos, os cuidados, a
necessidade de recuperar do stress do dia a dia, sem esquecer os meios de comunicação
social que lhe imprime um carácter idílico, acentuando este aspecto do sonho.

A talassoterapia, quer dizer a exploração, com fins terapêuticos das virtudes combinadas da
água do mar, do clima, e da atmosfera marítimas, adaptam-se perfeitamente aos males do
século, e no entanto, esta não é uma actividade recente.

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Ao longo dos tempos as águas do mar foram utilizadas para fins terapêuticos. Em 1899, o
primeiro centro de talassoterapia foi criado em Roscoff. Os tratamentos incluíam, apenas,
fins curativos. Em Portugal conhece-se a existência de barcaças inundáveis, junto às praias
onde se podia usufruir de um banho com fins curativos. Assim acontecia, por exemplo, na
costa de Lisboa. O próprio complexo de Santo António do Estoril, na sua fase inicial encara a
água de uma perspectiva curativa. Como já foi dito, aquele incluía termas e a ideia era de
que as pessoas pudessem tirar partido, igualmente, dos efeitos benéficos para a saúde, da
água e do mar.

O produto talassoterapia evoluiu do produto medicinal para produto “manter a forma”. Esta
mudança deve-se, por um lado, às características da nova procura e, por outro, às incertezas
quanto à manutenção de subsídios da segurança social para este tipo de tratamentos. Não
deixa, contudo, de ser verdade que a melhor maneira de evitar a doença é precisamente
manter a forma, prevenindo assim o seu aparecimento.

h) Turismo Religioso

De forma a simplificar podemos afirmar que existem duas grandes correntes religiosas:
 As religiões para as quais a peregrinação faz parte integrante da prática religiosa (católicos,
muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a católica, criaram organizações para
encorajar e facilitar a sua prática.

 As religiões para as quais a peregrinação não existe mas cujos crentes, praticam pelo
menos uma forma de turismo ligada à religião – os Judeus e os Protestantes visitam locais
que guardam as marcas dos seus correlegionários: lugares de memória que são em geral,
lugares de peregrinação.

O Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem:

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 A abordagem espiritual – o turismo é um meio do indivíduo se aproximar de DEUS. O


participante encara a peregrinação como parte integrante da sua prática religiosa. Aquele
que realiza esta viagem pode, a qualquer instante, tocado pela emoção do lugar ou pelo
espírito que o habita, converter-se a esta fé.

 A abordagem sociológica – o turismo religioso é um meio para o crente conhecer melhor a


história do grupo a que pertence.

 A abordagem cultural – a visita a lugares de culto e a santuários é um modo do


indivíduo, crente ou não, compreender as religiões, que influenciam as nossas sociedades, no
plano histórico, sociológico e simbólico.

O aumento da procura dos locais religiosos está ligado, à motivação cultural e aos projectos de
valorização cultural e turística do património religioso.

Tipologia dos turistas em meio religioso:

 O Peregrino – que se situa completamente fora do turismo, para viver uma experiência
totalmente religiosa, mesmo transcendente;
 O Praticante Tradicionalista – que é, em regra, um visitante que viaja em grupo,
acompanhado pela família, com guia ou assistente espiritual;
 O Praticante Liberal – que tem como objectivo estimular a sua espiritualidade, relembrar os
mistérios da salvação e a procura da santidade;
 O Apreciador de Arte e Cultura – que encara a sua experiência apenas do ponto de vista
das ciências sociais.

i) Turismo étnico e de carácter social

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Incluem-se neste grupo as viagens realizadas para visitar amigos, parentes e organizações,
para participar na vida em comum com as populações locais, as viagens de núpcias ou por
razões de prestígio social.
Uma parte significativa de pessoas que integra este grupo é formada por jovens que pretendem
aumentar os seus conhecimentos ou, temporariamente, se integrarem em organizações ou
manifestações juvenis.

Incluímos neste grupo as viagens realizadas ao país de origem, pêlos nacionais de um país,
seus descendentes e afins residentes no estrangeiro e que, em muitos casos, constitui um
mercado de grande dimensão. Os portugueses e seus descendentes, residentes em França ou
nos Estados Unidos da América, constituem vastos mercados potenciais para Portugal com uma
disponibilidade para serem motivados, incomparavelmente superior à dos nacionais desses
países.

Nas fronteiras portuguesas não se procede à recolha de informações relativas aos movimentos
dos portugueses residentes no estrangeiro, não sendo, por isso, possível avaliar a importância
que assumem para o turismo português. No entanto, em Espanha contam-se, em cada ano, à
volta de 4 milhões de entradas de espanhóis residentes no estrangeiro, ou seja, o quarto maior
fornecedor de visitantes ao país; por sua vez, quase 5 milhões de britânicos deslocam-se
anualmente ao estrangeiro para visitar amigos e parentes.

2.2 – Novos produtos e serviços turísticos

O Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), uma iniciativa do Governo, da


responsabilidade do Ministério da Economia e da Inovação, define as acções para o
crescimento sustentado do Turismo Nacional nos próximos 10 anos, e orienta a actividade
do Turismo de Portugal, ip, a entidade pública central do sector.

Portugal dispõe das "matérias primas" – condições climatéricas, recursos naturais e culturais –
potenciadoras do desenvolvimento e consolidação de 10 produtos turísticos estratégicos:

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 Sol e Mar
 Touring Cultural e Paisagístico
 City Break
 Turismo de Negócios
 Turismo de Natureza,
 Turismo Náutico
 Saúde e Bem-estar
 Golfe
 Resorts Integrados e Turismo Residencial
 Gastronomia e Vinhos.

Os produtos turísticos estratégicos foram seleccionados tendo em conta os recursos e os


factores distintivos de Portugal, mas também o seu potencial de crescimento futuro.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

3- Serviços de Turismo em Portugal

Actualmente, em Portugal o turismo não possui Ministério próprio, estando sendo tutelado pelo
Ministério da Economia e Inovação, que atribui competências máximas ao Secretario Geral do
Turismo.

Sendo o turismo uma actividade transversal, e um fenómeno crescente, em quantidade e em


qualidade, facilmente se compreende a existência de Serviços, Organismos ou Entidades
vocacionados directamente para este sector. Estes serviços são maioritariamente
potencializados pelo Estado, que, ao longo dos anos tem proposto actualizações e
transformações nos diversos organismos, de modo a que estes tenham um papel mais eficaz,
respondendo às exigências do sector.

O artigo 118º do Código Administrativo estabelece uma distinção fundamental na organização


local do turismo: dois sistemas de administração diferentes consoante a sede da zona de
turismo coincida ou não com a sede do concelho. Em ambos os casos a gestão das zonas de
turismo é uma gestão própria, distinta da administração municipal comum, com o seu próprio
plano e orçamento disciplinador das suas receitas e despesas.

3.1 - Nível Local

A nível local podemos identificar secções específicas dentro das Juntas de Freguesia e das
Câmaras Municipais: Comissões Municipais. Podemos ainda reconhecer o trabalho desenvolvido
por Associações, públicas ou privadas, como por exemplo as Associações de Montanhismo, de
Amigos da Serra, etc.

Comissões Municipais - Se a zona de turismo coincide com a sede do concelho, as Câmaras


Municipais administram esses espaços através das Comissões Municipais do Turismo. São
exemplo disso as existentes em:

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o Castelo Branco
o Elvas
o Espinho
o Guimarães
o Lisboa
o Mafra
o Matosinhos
o Odemira
o Oeiras
o Sintra
o Sta Maria da Feira
o Vila do Conde
o Vila Franca de Xira
o Vila Nova de Gaia
o Porto

3.2 - Nível Regional

Para efeitos de organização do planeamento turístico para Portugal continental, são


consideradas cinco áreas regionais de turismo, as quais incluem toda a área abrangida por cada
uma das Nomenclaturas das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos de Nível II (NUTS II),
considerando -se para os efeitos do presente decreto -lei a conformação fixada pelo Decreto
-Lei n.º 46/89, de 15 de Fevereiro, com a redacção do Decreto -Lei n.º 317/99, de 11 de
Agosto.
São elas:
 Norte
 Centro
 Lisboa e Vale do Tejo
 Alentejo
 Algarve
 Açores
 Madeira
Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

No âmbito territorial incluído nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, o membro do


Governo com tutela na área do turismo pode contratualizar o exercício de actividades e a
realização de projectos da administração central com associações de direito privado que
tenham por objecto a actividade turística.

Às entidades regionais de turismo incumbe a valorização turística das respectivas áreas, visando
o aproveitamento sustentado dos recursos turísticos, no quadro das orientações e directrizes da
política de turismo definida pelo Governo e nos planos plurianuais das administrações central e
local.
São atribuições das entidades regionais de turismo:
a) Colaborar com os órgãos centrais e locais com vista à prossecução dos objectivos da
política nacional que for definida para o turismo;
b) Promover a realização de estudos de caracterização das respectivas áreas
geográficas, sob o ponto de vista turístico e proceder à identificação e dinamização dos
recursos turísticos existentes;
c) Monitorizar a oferta turística regional, tendo em conta a afirmação turística dos
destinos regionais;
d) Dinamizar e potencializar os valores turísticos regionais.

3.3 - Nível Nacional

TURISMO DE PORTUGAL, I.P.

O Decreto-Lei nº 141/2007, de 27 de Abril, definiu a missão e atribuições do Turismo de


Portugal, I.P., concretizando o objectivo de criar uma única estrutura pública que promova a
valorização e sustentabilidade da actividade turística nacional, constituindo-se como uma
verdadeira Autoridade Turística Nacional.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

O Turismo de Portugal, I. P., tem por missão o apoio ao investimento no sector do turismo, a
qualificação e desenvolvimento das infra-estruturas turísticas, a coordenação da promoção
interna e externa de Portugal como destino turístico e o desenvolvimento da formação de
recursos humanos do sector, bem como a regulação e fiscalização dos jogos de fortuna e azar.

São atribuições do Turismo de Portugal, I. P.:

a) Apoiar o membro do Governo responsável pelo turismo na definição, enquadramento


normativo e execução da política nacional e comunitária aplicável ao sector;

b) Propor ao Governo as linhas estratégicas aplicáveis ao desenvolvimento do sector turístico e


definir os planos de acção de produtos e destinos que as concretizam;

c) Assegurar a coordenação de estudos e estatísticas, nomeadamente em matéria de definição,


acompanhamento e avaliação das políticas e planos estratégicos e de desenvolvimento do
sector, estando habilitado a funcionar como entidade delegada no quadro do Sistema Estatístico
Nacional e a participar nas actividades de organismos internacionais;

d) Prestar apoio técnico e financeiro às entidades públicas e privadas do sector, assegurar a


gestão dos respectivos sistemas de incentivos, aprovar e acompanhar o investimento público de
interesse turístico;

e) Planear, coordenar e executar a política de promoção do país, e suas marcas, como destino
turístico, bem como assegurar a recolha, tratamento e divulgação de informação turística;

f) Incentivar e desenvolver uma adequada política de qualificação de recursos humanos através


da coordenação, criação e reconhecimento de cursos e acções profissionais;

g) Acompanhar a evolução da oferta turística nacional, designadamente através do registo e


classificação de empreendimentos e actividades turísticas;

h) Promover uma política adequada de ordenamento turístico e de estruturação da oferta, em


colaboração com os organismos competentes, intervindo na elaboração dos instrumentos de
gestão territorial, participando no licenciamento ou autorização de empreendimentos e
actividades, reconhecendo o seu interesse para o turismo, ou propondo ao Governo o
reconhecimento da respectiva utilidade turística;

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

i) Apoiar tecnicamente o membro do Governo responsável pelo turismo em matéria de jogos de


fortuna e azar, bem como contribuir para a elaboração da respectiva regulamentação;

j) Fiscalizar a exploração dos jogos de fortuna e azar e do funcionamento dos casinos e bingos
e colaborar com as autoridades e agentes policiais em matéria de prevenção e punição de
práticas ilícitas relativas a jogos de fortuna e azar.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

4 - A Hotelaria

4.1 - Definições, características e classificação

As definições seguidamente apresentadas são as legalmente apresentadas pelo Governo,


através do Decretos Regulamentares e Decretos-Lei, para as respectivas áreas.

Consideram -se empreendimentos turísticos os estabelecimentos que se destinam a prestar


serviços de alojamento, mediante remuneração, dispondo, para o seu funcionamento, de um
adequado conjunto de estruturas, equipamentos e serviços complementares. Não se
consideram empreendimentos turísticos:
a) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar
alojamento, sejam explorados sem intuito lucrativo ou para fins exclusivamente de
solidariedade social e cuja frequência seja restrita a grupos limitados;
b) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar
alojamento temporário com fins lucrativos, revistam natureza de alojamento local nos
termos do artigo seguinte.

4.2 – Tipos de empreendimentos turísticos

Os empreendimentos turísticos podem ser integrados num dos seguintes tipos:


a) Estabelecimentos hoteleiros;
b) Aldeamentos turísticos;
c) Apartamentos turísticos;
d) Conjuntos turísticos (resorts);
e) Empreendimentos de turismo de habitação;
f) Empreendimentos de turismo no espaço rural;
g) Parques de campismo e de caravanismo;
h) Empreendimentos de turismo da natureza.

a) Estabelecimentos hoteleiros

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

São estabelecimentos hoteleiros os empreendimentos turísticos destinados a proporcionar


alojamento temporário e outros serviços acessórios ou de apoio, com ou sem fornecimento de
refeições, e vocacionados a uma locação diária.

Os estabelecimentos hoteleiros podem ser classificados nos seguintes grupos:


a) Hotéis;
b) Hotéis -apartamentos (aparthotéis), quando a maioria das unidades de alojamento é
constituída por apartamentos;
c) Pousadas, quando explorados directamente pela ENATUR — Empresa Nacional de
Turismo, S. A., ou por terceiros mediante celebração de contratos de franquia ou de
cessão de exploração, e instalados em imóveis classificados como monumentos
nacionais, de interesse público, de interesse regional ou municipal, ou em edifícios que,
pela sua antiguidade, valor arquitectónico e histórico, sejam representativos de uma
determinada época.

Os estabelecimentos hoteleiros devem dispor, no mínimo, de 10 unidades de alojamento. Os


estabelecimentos hoteleiros podem ocupar uma parte independente de um edifício, constituída
por pisos completos e contíguos, ou a totalidade de um ou mais edifícios que constituam um
conjunto harmónico e articulado entre si, inserido num conjunto de espaços contíguos,
apresentando expressão arquitectónica e características funcionais coerentes.

Num mesmo edifício podem ser instalados estabelecimentos hoteleiros de diferentes categorias.

b) Aldeamentos turísticos;

São aldeamentos turísticos os empreendimentos turísticos constituídos por um conjunto de


instalações funcionalmente funcionalmente interdependentes com expressão arquitectónica
coerente, situadas em espaços com continuidade territorial, ainda que atravessados por
estradas e caminhos municipais, linhas ferroviárias secundárias, linhas de água e faixas de
terreno afectas a funções de protecção e conservação de recursos naturais, destinados a
proporcionar alojamento e serviços complementares de apoio a turistas.

Os edifícios que integram os aldeamentos turísticos não podem exceder três pisos, incluindo o
rés -do -chão, sem prejuízo do disposto em instrumentos de gestão territorial aplicáveis ou

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

alvarás de loteamento válidos e eficazes nos termos da lei, quando estes estipularem número
inferior de pisos.

Os aldeamentos turísticos devem dispor, no mínimo, de 10 unidades de alojamento e, para


além dos requisitos gerais de instalação, das infra-estruturas e equipamentos.

c)Apartamentos turísticos

São apartamentos turísticos os empreendimentos turísticos constituídos por um conjunto


coerente de unidades de alojamento, mobiladas e equipadas, que se destinem a proporcionar
alojamento e outros serviços complementares e de apoio a turistas.

Os apartamentos turísticos podem ocupar parte de um edifício, constituída por pisos completos
e contíguos, e ou a totalidade de um ou mais edifícios que constituam um conjunto harmónico
e articulado entre si, inserido num espaço identificável, apresentando expressão arquitectónica
e características funcionais coerentes.

Os apartamentos turísticos devem dispor, no mínimo, de 10 unidades de alojamento.

d) Conjuntos turísticos (resorts)

São conjuntos turísticos (resorts) os empreendimentos turísticos constituídos por núcleos de


instalações funcionalmente interdependentes, situados em espaços com continuidade territorial,
ainda que atravessados por estradas e caminhos municipais, linhas ferroviárias secundárias,
linhas de água e faixas de terreno afectas a funções de protecção e conservação de recursos
naturais, destinados a proporcionar alojamento e serviços complementares de apoio a turistas,
sujeitos a uma administração comum de serviços partilhados e de equipamentos de utilização
comum, que integrem pelo menos dois empreendimentos turísticos, sendo obrigatoriamente um
deles um estabelecimento hoteleiro de cinco ou quatro estrelas, um equipamento de animação
autónomo e um estabelecimento de restauração.

Consideram -se equipamentos de animação autónomos, nomeadamente:


a) Campos de golfe;
b) Marinas, portos e docas de recreio;
c) Instalações de spa, balneoterapia, talassoterapia e outras semelhantes;

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

d) Centros de convenções e de congressos;


e) Hipódromos e centros equestres;
f) Casinos;
g) Autódromos e kartódromos;
h) Parques temáticos;
i) Centros e escolas de mergulho.

O estabelecimento de restauração pode ser parte integrante de um dos empreendimentos


turísticos que integram o conjunto turístico (resort).

Nos conjuntos turísticos (resorts) só podem instalar -se empreendimentos turísticos. Podem ser
instalados num conjunto turístico (resort) empreendimentos turísticos de diferentes categorias.

Requisitos mínimos dos conjuntos turísticos (resorts)

Os conjuntos turísticos (resorts) devem possuir, no mínimo, e para além dos requisitos gerais
de instalação, as seguintes infra-estruturas e equipamentos:
a) Vias de circulação internas que permitam o trânsito de veículos de emergência;
b) Áreas de estacionamento de uso comum;
c) Espaços e áreas verdes exteriores envolventes para uso comum;
d) Portaria;
e) Piscina de utilização comum;
f) Equipamentos de desporto e lazer.

e) Empreendimentos de turismo de habitação

São empreendimentos de turismo de habitação os estabelecimentos de natureza familiar


instalados em imóveis antigos particulares que, pelo seu valor arquitectónico, histórico ou
artístico, sejam representativos de uma determinada época, nomeadamente palácios e solares,
podendo localizar -se em espaços rurais ou urbanos.

Nos empreendimentos de turismo de habitação o número máximo de unidades de alojamento


destinadas a hóspedes é de 15.

f)Empreendimentos de turismo no espaço rural

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

São empreendimentos de turismo no espaço rural os estabelecimentos que se destinam a


prestar, em espaços rurais, serviços de alojamento a turistas, dispondo para o seu
funcionamento de um adequado conjunto de instalações, estruturas, equipamentos e serviços
complementares, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo e diversificado no
espaço rural.

Os empreendimentos de turismo no espaço rural previstos nas alíneas a) a c) do número


seguinte devem integrar -se nos locais onde se situam de modo a preservar, recuperar e
valorizar o património arquitectónico, histórico, natural e paisagístico das respectivas regiões,
através da recuperação de construções existentes, desde que seja assegurado que esta respeita
a traça arquitectónica da construção já existente.

Os empreendimentos de turismo no espaço rural podem ser classificados nos seguintes grupos:
a) Casas de campo;
b) Agro -turismo;
c) Hotéis rurais.

São casas de campo os imóveis situados em aldeias e espaços rurais que se integrem, pela sua
traça, materiais de construção e demais características, na arquitectura típica local. Quando as
casas de campo se situem em aldeias e sejam exploradas de uma forma integrada, por uma
única entidade, são consideradas como turismo de aldeia.

São empreendimentos de agro -turismo os imóveis situados em explorações agrícolas que


permitam aos hóspedes o acompanhamento e conhecimento da actividade agrícola, ou a
participação nos trabalhos aí desenvolvidos, de acordo com as regras estabelecidas pelo seu
responsável.

São hotéis rurais os estabelecimentos hoteleiros situados em espaços rurais que, pela sua traça
arquitectónica e materiais de construção, respeitem as características dominantes da região
onde estão implantados, podendo instalar -se em edifícios novos.

Nos empreendimentos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 3, o número máximo de unidades de


alojamento destinadas a hóspedes é de 15.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

g)Parques de campismo e de caravanismo

São parques de campismo e de caravanismo os empreendimentos instalados em terrenos


devidamente delimitados e dotados de estruturas destinadas a permitir a instalação de tendas,
reboques, caravanas ou autocaravanas e demais material e equipamento necessários à prática
do campismo e do caravanismo.

Os parques de campismo e de caravanismo podem ser públicos ou privativos, consoante se


destinem ao público em geral ou apenas aos associados ou beneficiários das respectivas
entidades proprietárias ou exploradoras.

Nos parques de campismo e de caravanismo podem existir instalações de carácter


complementar destinadas a alojamento desde que não ultrapassem 25 % da área total do
parque destinada aos campistas.

h) Empreendimentos de turismo da natureza.

São empreendimentos de turismo de natureza os estabelecimentos que se destinem a prestar


serviços de alojamento a turistas, em áreas classificadas ou noutras áreas com valores naturais,
dispondo para o seu funcionamento de um adequado conjunto de instalações, estruturas,
equipamentos e serviços complementares relacionados com a animação ambiental, a visitação
de áreas naturais, o desporto de natureza e a interpretação ambiental.

Os empreendimentos de turismo de natureza são reconhecidos como tal, pelo Instituto de


Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P., de acordo com os critérios definidos por
portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do ambiente e do turismo.

Os empreendimentos de turismo de natureza adoptam qualquer das tipologias previstas nas


alíneas a) a g) do n.º 1 do artigo 4.º, devendo obedecer aos requisitos de instalação,
classificação e funcionamento previstos para a tipologia adoptada.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

Alojamento especializado

Na categoria de alojamento especializado englobamos os estabelecimentos destinado a


proporcionar alojamento, com disposição não necessariamente em quartos, mas eventualmente
em unidades habitacionais ou dormitórios colectivos. Por vezes, designamos estas unidades
como explorações para-hoteleiras.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

5 – A Organização Funcional de um hotel

De forma a facilitar e estruturar o trabalho de um hotel, temos que o dividir em funções. Assim,
a estrutura organizacional e funcional da grande maioria dos hotéis compreende as seguintes
áreas: alojamento, alimentação e bebidas, administração e vendas.

5.1 - Recepção/ Portaria

É uma das secções de maior importância para o bom funcionamento do hotel, pois é este
serviço que recebe os clientes e mantém contacto permanente com eles.

Esta secção é responsável pelas seguintes tarefas:


a) Registo de entradas e saídas dos clientes;
b) Receber, guardar e entregar aos clientes correspondência, ou objectos que lhes
sejam destinados;
c) Anotar e informar os utentes, das chamadas telefónicas e mensagens recebidas
durante a sua ausência;
d) Cuidar da recepção e entrega das bagagens;
e) Guardar as chaves das unidades de alojamento;
f) Facultar o livro de reclamações, quando solicitado;
g) Prestar um serviço de guarda de valores.

A recepção é geralmente a primeira área a ser vista e ocupada pelos clientes, sendo o foco
principal, cuja decoração, design e limpeza causará impressão imediata.

Devido a este grande fluxo de pessoas, deverá ser um local funcional e amplo, preparado para
receber as pessoas, armazenar bagagem e funcionar como ponto de encontro para as pessoas.
Teoricamente da recepção deverá ser possível ver a rua, de modo a que quando alguém
chama, por exemplo, um táxi, seja possível avistá-lo.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

5.2 - Serviço de Andares

A Secção de Andares é a responsável pela limpeza e manutenção da higiene do hotel, na sua


totalidade. Estes colaboradores, mediante orientação da Governanta, mantêm as condições de
higiene em secções públicas, de hóspedes, e de serviço.

Quando o serviço de Lavandaria é fornecido internamente pelo hotel, a responsabilidade por


este trabalho é também da secção de Andares.

5.3 – Lavandaria

Esta secção, que pode ou não estar integrada no sistema organizativo do hotel, é responsável
pela lavagem e limpeza das roupas, tanto do hotel, como dos clientes.
Sendo realizado, internamente pelo hotel, é da responsabilidade da secção de Andares.

Devido ao custos associados, muitas unidades hoteleiras não realizam, internamente o serviço
de lavandaria, sendo que esta opção é garantida aos hospedes, em tempos reais muito
positivos, sendo realizado por lavandarias externas que recolhem, tratam e entregam as
roupas, devidamente lavadas e passadas. Nestes casos, no hotel existe apenas uma secção de
rouparia, que armazena e controla os stocks de roupa.

5.4 – Economato

Esta secção é responsável pela administração do material a utilizar pelo pessoal do hotel.

É no economato que se controlam a existências de todo o material: material de oferta a clientes


(lápis, canetas, blocos de notas, etc), e material a usar pelo serviço de andares (champôs,
sabonetes, detergentes, etc…).

O responsável por esta secção, em contacto com o departamento de compras, administra,


controla e gere o material, dando indicações ao departamento de compras das encomendas
necessárias para a realização do trabalho.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

Normalmente, o material necessário a nível administrativo é gerido directamente pela


administração, não passando por esta secção.

5.5 - Cozinha / Pastelaria

A cozinha é o conjunto de equipamentos e instalações, que tem por objectivo a produção de


refeições. Quando nos referimos a uma Pastelaria, queremos referir o mesmo significado, com
o objectivo de produzir pastéis.

Estas unidades de produção devem ser planeadas com toda a atenção, para que se consiga o
maior nível de produção, e são controladas pela secção de Alimentação e Bebidas.

5.6 – Restaurante

Restaurante é um estabelecimento público que serve alimentação, mediante pagamento.


Dentro da organização funcional de um hotel, o restaurante é mais uma das unidades que está
sob direcção do departamento de Alimentação e Bebidas.

5.7 - Bar e animação

O Bar é um local público, onde se vendem bebidas alcoólicas, e, por vezes, aperitivos. As
bebidas são servidas ao longo de um balcão, ou em mesas, onde o barman (homem que
prepara as bebidas) desempenha um papel essencial.

É nesta secção, que com frequência se organizam actividade de animação e entretenimento.


Por exemplo, é no Bar que se apresenta musica ao vivo, ou qualquer espectáculo cujo acesso
seja feito livremente.

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Os serviços de alojamento hoteleiro como área de negócio

6. Legislação reguladora da actividade hoteleira

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

Decreto-Lei n.º 275/93, de 5 de Agosto


Estabelece o regime do direito real de habitação periódica e do direito de habitação turística,
como modificado pelo Decreto-Lei n.º 180/99, de 22 de Maio, e pelo Decreto-Lei n.º 22/2002, de 31 de
Janeiro

Portaria n.º 1219/93, de 19 de Novembro


Regula o regime de preços dos serviços hoteleiros

Portaria n.º 513/94, de 7 de Julho


Estabelece a obrigatoriedade da indicação dos preços dos serviços telefónicos prestados nos
empreendimentos turísticos

Portaria n.º 25/2000, de 26 de Janeiro


Aprova os novos modelos de placas de classificação dos estabelecimentos hoteleiros, os meios
complementares de alojamentos turísticos

Portaria nº 321-B/2007, de 26 de Março


Aprova o modelo da comunicação da abertura ao público de empreendimentos turísticos

Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de Março


Aprova o regime jurídico da instalação, exploração e funcionamento dos empreendimentos
turísticos

Portaria n.º 465/2008, de 23 de Abril


Aprova o sistema de classificação dos estabelecimentos hoteleiros, os aldeamentos e os
apartamentos turísticos

Portaria n.º 517/2008, de 25 de Junho


Estabelece os requisitos mínimos a observar pelos estabelecimentos de alojamento local

Portaria n.º 518/2008, de 25 de Junho


Regulamenta os pedidos de realização de operações urbanísticas relativos a empreendimentos
turísticos

Portaria n.º 358/2009, de 6 de Abril


Estabelece os requisitos dos equipamentos de uso comum dos empreendimentos turísticos

Portaria n.º 937/2008, de 20 de Agosto


Estabelece os requisitos mínimos a observar pelos estabelecimentos de turismo de habitação e de
turismo no espaço rural

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Bibliografia

ATAÌDE, José, “Algumas Notas sobre o Turismo em Portugal ”, Turismo, Anuário.

CASTELLI, G, “Administração Hoteleira”, 3.ª Edição, EDUCS, 1995

CUNHA, Lícinio, “Economia e Política do Turismo ”, McGraw-Hill, 1997.

PAUL Valerie, JONES, Christine: “Manual de Operações de Alojamento na Hotelaria ”, Edições


Cetop, 1990.

Cibergrafia

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Interesses relacionados