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Relatório 11/12/2017

O seguinte caso prático, versa sobre o regime da Compropriedade.

Falamos em Compropriedade, quando está subjacente uma pluralidade de titulares do direito


de propriedade, sobre uma mesma coisa, estando esta tipificada no artigo 1304º do Código Civil.

Estando em questão a propriedade “Chão dos Figos”, pertencente a Leopoldo Castro, Mário
Castro e Ângela Rodrigues, estes não serão tidos como proprietários, mas como
comproprietários.

Os direitos dos comproprietários serão qualitativamente iguais, derivando do principio da


elasticidade, embora possam ser quantitativamente diferentes.

Exemplo clássico, é um comproprietário ter uma parcela maior da propriedade de determinada


coisa, mas o seu direito de propriedade não é mais amplo qualitativamente que os dos
comproprietários, ou seja, não lhe dá mais poderes que o dos restantes.

Esta ideia exclui também do âmbito da compropriedade, os casos em que há concurso de


direitos reais de natureza diferente, como por exemplo o direito de propriedade de um senhorio
vs usufruto do arrendatário, que logicamente não se trata de compropriedade.

A cada proprietário está adstrita uma quota sobre a coisa, o objeto da compropriedade, sendo
que essas podem ser e são frequentemente diferentes, em termos quantitativos. Exemplo,
pensarmos que as quotas de cada proprietário de uma fração de um prédio urbano são
diferentes, em virtude das características de cada uma delas, de ser t2, t3 etc…

Os comproprietários regulam por acordo o uso da coisa comum, quando isto não sucede todos
poderão servir-se dela desde que respeitem 2 limites, citados no 1406º:

 Não empreguem a coisa para fim diferente do que a coisa se destina;


 Não privem os restantes comproprietários do uso a que estes tem direito;

Porquanto, se Leopoldo quer vender a sua quota da compropriedade da “Chão dos Figos”,
poderá fazê-lo, sob os preceitos dispostos no artigo 1408º, mas terá de haver um consentimento
por parte dos outros consortes.

Mesmo assim, presume-se que esta propriedade não tem o mesmo fim que o clube de ténis,
pelo que não o poderá fazer a menos que o uso da coisa tenha sido acordado entre Leopoldo e
os demais comproprietários.

Nos casos relativos a obras ou benfeitorias necessárias, como a reparação dos murros que
circundam a propriedade e que são imperativos para a utilização da coisa, todos os
comproprietários são obrigados a contribuir na proporção das suas quotas para a conservação
da coisa.

Todavia cada comproprietário se poderá eximir do pagamento de tais obras, neste caso Ângela,
o que implicará também a renúncia do direito de compropriedade sobre a “Chão dos Figos”, só
podendo esta ser válida com o consentimento dos restantes consortes, como expõe o artigo
1411º.

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