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HISTORIA ##
S E R A FICA #
|DA ORDEM DOS FRADES |
M E NORES DE S. FRANCISCO
NA PROVINCIA DE PORTVGAL.

PRIMEIRA PARTE,
|QVE CONTEM SEV PRINCIPIO,

# }#
s"@Z_k\, '%rua
NoEL DA ES
POR FREI MANOEL EsPERANCA,
nataral da cidade do Porto, filho da melma Prouincia,
lá Leiturjubilado na fanta Theologia,&#Exami
nador das tres Ordens Militares.
$
# EM LISBOA. com tºdas as licenças necefárias: Na oficina Craesbeeckiana. Anno 1656.
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A O GRANDE
MONARCHA DOS MENORES.
SÃO FRANCISCO SER A FI CO,
E A o PRINCIFE DESTA SVA MoNARCHIA,
. . * * …º DE CAPIs T R A No.
>$ Vós, fantifimos Padres, vaibufcar
\#} efte amorofo parto de meus cança
*\#dos etudos. Não me negara de
AV, Pae, nem ºu poio enigitalo, pois
# em fi reprefenta minhas faltas: mas
- folicita briofo a grande etimação
de apparecer no mundo debaixo do vofo nome.
Eu me{moglorioto Patriarcha, fe o vira defcuida
do pelo amor, que
- "> #">
* *-*
lhetenho, ouuera de procurar
- * ** . • • •

|eta honra: porèm ele, que funda fua jutiça nas


rezões do nafcimento, vos diz confiadamente: In ºf….
te prºjedos funex uter ; que ja nafceo com eftrella de"
virá fervofo filho na adopção,&emparo, ,
""A materia de que fefez efte corpo: o sãgueno
bré, que lhe corre pelas veas: o epirito devida,
que o età animando: não he tudo ifto voffo, de
|pois da graça de Deos? Não fois vôs aquele "Pau-a, c.
que
lo,## plantáteseta agrada Prouincia no con-"
## nº i--->-.-' e…#-_1 = * *** … …e

uento de Bragança,fãntificando tambem com os "",""


|vofosfantos pés, todos impos detas poeiras dolº |
|mundo grande epaço da terrra pela qualife eften-] .
ldéo? Quaes forão ostdous Apollos, queaxierão •••••••••--

|- ----

regar comas aguas da doutrina, & exemplo, fenão


os votos difcipulos são Gualter, & são Zacharias,
os quaes vós de Italia mandates? Os admiraueis
augmentos na virtude, na qualidade, no numero
|(he verdade) de Deos forão: mas eu vos ouuidi
c. Fr. Luc.
zer, “Deus meus,83 omnia, que tambem era voto efe

torn. 1. 2n,
1 + O2. n. 1. Deos,nem vos querieis da terra outra coufa, fenão
Deos. E te a forma he minha,em vofia cafà lha dei,
empenhado da grande mercè do ceo em me fazer
voffo filho,& deflavofa Prouincia.
Não etranharéis o liuro, Bemauenturado Pa
dre, pelas feições do feuroto, debuxado com in
dI. 1. c. 14.
fignias Reaes,brazão da melma Prouincia, fe fanta,
r1.4•
"como fempre lhe chamarão, merecedora també
por efte, & outros títulos da nobreza de Rainha
entreas mais dos Eftados,&reino de Portugal. São
as filas finquo Quinas pelas quaes hevoflo irmão
em armas: quero dizer as Chagas do Redemptor,
abertas em vofacarne purifima com oburilpene
trante de fila Omnipotencia, etampadas no efeu
do detereino por graça particular. Só no Tym
bre conheceréis diferença, que vos ferá agrada
uel: defcifrada a Serpente no fantifimo Nome de
Hefu: maior gloria da vofia Ordem Serafica pelo
º zelo inflammado da fua veneração: a cujos pés as
"" ||Coroas fe humilhão: no qual vós achaftes tanta
e.Pifan.ín
Conformit,
Prolog. 2.
doçura, que depois de otomardes na bocca" fica
ueis por muito tempo lambendo os beiços depu #
rafuauidade. ! ! ! ! "… …i...
i_>. ... | f * * ". .. |-

º Patrocinado emfim detão vigentes rezões,vai


* * *
: : : → → →FI,
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==== • == == - |- -

pedir melhoramento. Ve, que he / meu Benoni, (#*#


quer fervofo Benjamin: demodo, que os traba
ihos,que elemetem cutado, lhe grangeem os fa
uores devofla mão poderofa. De quem fe ha deva |
ler,fenão de hum Pae benigno, que tem o peito
ragado, & o coração aberto pera recolher a to
dos? Sois Columna da Igreja, que por talvos fut
tenta até hoje Deos empè: húa noua Luzdo mun
|do: o Braço fortedo celetial Poder. Se lhe pozer
des os olhos, ferà vitofo, ninguem lhe darà olha
Achareis porcõpanheiro nefte fauor,que vos pe
de "aquelleRaio do ceo que luftrou a Igreja abral###
zando heregias, Inquifidor Apotolico geral no #
diftricto dos fieis: aquelle Sol das fciencias,aquem
as deu a beber por hum hum caliz de prata a Vir
gem Senhora nota: aquele valo riquífimo da di
una eleição,o qualfez mais manifeta a reuerencia
grande do fanto Nome de Iefu: o infigne Protec
tor da Chriftandade,que na virtude dete (obera
no Nome só com tres mil caualeiros da Cruzada,
cujo Prêgador auia fido,desbaratou cento,& vin
te mil Turcos na cidade de Belgrado: aquelle,que
nas obras milagrofasfoi hum prodígio raro: Defen|
forinexpugnauel, & duas vezes Vigairogéral,fem
primeiro, nem fegundo, do Eftado Obferuante na
vofia Religião Nito digo, São João de Capi/trano, que
bem conhecido he por todos eftes finaes. A efte
illutre Santo reconheço por fingular protector, o
affecto me inclina,por quem he,à fua veneracão: o
T[ 3 pezo
==- - -
|
}

pezo dos beneficios metraz muito obrigado. Pe s

dilhe ofeu fauorno principio da obra, fiz delle ex


periencia em grandes difficuldades, prometti con
fagrarlhe efte liuro: feria baixeta minha faltarlhe
com a palaura,motrando ingratidão.
Pelo que a vós ambos o ofereço agora,glorio
fiffimos Padres. A oferta não chega a o defejo:
mas támbem nenhúa pollo fazer, (e nãofor muito
piquena,digna de táta grãdeza. As maiores não fe
h.Quintus igualão com ella," nulla munera Alexandro digna fant : as
Curt in vita

|
Alex. menores,qual heefta,a que vos derdes o preço, pf
Alexandro confiarata, poderáõapparecer fobre o vof
fo altar. A feus pés o aprefento, & fevós o aceitar
des ficará merecedor de o trazerem nas mãos os
votos afeiçoados, pera gloria de Deos, louuor
voflo,& augmento da vofia Religião.

Vºfº filho,entre os Menores minimo.

Fr. Manuelda Efperança.


"A PPRO
----

* # \


-*

| UA. P?ÃOU.A.C.AO ZO ZEC/EZENZO P. FR. 2t_A\OEL ZO


Sepulchro,Leitor lubilado em Theologia,Guardião de São Fran
c/co de Santarém (Orc. |-

Or mandado de Nofo muito Reuerendo Padre Fr. Diogo


D Hyloria Serafica da Ordem dos Frades haenores de São Francifona |
do Saluador Minitro Prouincial &c. Vi efte liurointitulado:

Prouincia de Portugal. Primeiraparte. O qual efcreueo o muito *####


do Padre Metre Fr. Manoel da Eperança. E não fei certo de que
mais me admire,fe do trabalho do Author na infatigauelindagação
em bufcar tantas aguas perdidas, em dar e pirito de vida a tantos fec
cos ofos,em romper tam e pefas treuas, tirando a luz, & retituindo
| verdadeiras cores a tão amortecidos objectos : fe da felicidade da
Obra no acerto da empreza,na fertilidade da erudição,& na fuauida
de do etilo. Tudo he grande, tudo maior que todo o encareçimen
to. Nunqua tanto como neta occafião (prezandome eu fempre dif
fo) me valeo o auer fido difcipulo dete metre para ter aprendido
modetia,& não pafar a elogio de centura. Efta faço pela, que o He
breo Philo fez à primeira parte das Obras do Hexameron diuino, q
|fendo primeiro em ordem o primeiro dia,foi vnico em dignidade; fe
bem principio,& empenho de outras feguintes marauilhofas partes
da me{ma Obra. E afjulgo eta não sòizenta de tudo o que pode en
contrar a etampa, mas digna da maior poffinel breuidade della pera |
não te retardar mais o defejado fruito de tal Eperança. Em S. Fran
cifco de Santarém. 25 de Ianeiro de 1655.
Fr.»anoel do Sepulchro,
JAPP Rov. AC-40 z o PAzzz Fr. Ac_4NO E L 2.4
t/fitação,Leitor de Prima em Theologia, Qualificador
do Santº Oficio, grc.
Or commifão de nofo muito Reuerendo Padre Mette Fr.
Diogo de Saluador Leitor lubilado, Minitro Prouincial da
Prouincia de Portugal da regular Obferuancia de N. Serafico |
Padre S. Francifco. Viete liuro, cujo titulo he, Hītoria Serafica da Or
dem dos frades atenores de S. Francifona Prowincia de Portugal. Primeirapar
te. Author o muito Reuerendo Padre Metre Fr. Manoel da Efpe
rança, Leitor lubilado, & filho da me{ma Prouincia. N㺠contêm
couta algúa, que ofenda á pureza de N. S. Fê, ou bons columes,an
tes muitas merecedoras de toda etimação. O aflumpto he graus,mas
bem fe defempenha o Author motrando com tanta, & tam varia
P4 | eruº
- - - --
erudição como noíla Religião fagrada de feu principio atè os nofos
tempos fempre neta nofa Prouincia de Portugal produzio varões
infignes em fantidade, religião, & letras dando fingulares noticias,
tão verdadeiras como bem fundadas,& examinadas em fuas fontes,
tudo com boa repartição,com etilo fuaue, deleitofo, deuoto,& dou
to, em que refplandecem com o zelo,que o Author fempre teue do
culto da Religião, fuas muitas letras; & affi o julgo dignifimo de fe
imprimir.
1655.
Lisboa em São Francifco da cidade 9 de Feuereiro de

Fr. Yanoel da Ufração


L / CE N (, "A ZO YE/17'O ZEE/EZ E N 2) O P.A. 2) X E
• 2ánfiro Prouincial.
Itas as approuações,dou licença pera que ete liuro fé pofa
\} aprezentar na Mefa do Confelho geral do Santo Oficio,&
com fua licença, & com todas as mais neceffarias fe pofa
imprimir,vita a grande indutria,zelo,& trabalho, que o Autor teue
neta materia. São Francifco de Lisboa 12 de Feuereiro de 1 655.
|- Fr.Ziogo do Saluador ºtinjiro Prouncial.
PZ 13: EIRA (o.xxt ISSA O zºo (ONSELHO GERAL
do Santo Oficio.
O Oficio
Padre Doutor Fr. Gafpar dos Reis, Qualificador do Santo
veja o liuro,de que o fupplicante faz menção,& infor
me com (eu parecer. Lisboa 23 de Feuereiro 655.
Pantaleão Rodrigues Pacheco. Zugo de Soufa. Fr. Pedro de 2tagalhães.
P_AZECER, E INFOR.%_4C,_AO ZO ht&ITO ZEZ/ERENZO
padre xºfre Fr.}%" dos Reis Prouncial da/agrada Ordem de nofº
|- Senhora do Carmo,Z'outor em Theologia,
do fantº Oficio, grc. Qualificador • - -

I ete liuro,de que fala o depacho afima,intitulado Primeira


/ parte da Hioria Serafica de S. Francifona Prouincia de Portugal,
Author o muito Reuerêdo P.Fr. Manoel da Eperança, pef.
foa de grande talento,& letras,& não tem coufa, que feja contra nof.
fa fancta Fè, ou bons cotumes: antes muitos exemplos de virtude,
& fantidade,que podem,& deuem fer de grande motiuo pera as pe{-
foas, que os lerem,os imitarem,&{e melhorarem na vida,& cotumes;
& porque neta Hitoria faz o Autor menção de muitos Varões, &
muitas Seruas de Deos celebradas por virtude, aas quaes fe confor
- • •• • • - - - - - - IT)2

|
{

ma com o decreto de Vrbano VIII. & {ua explicação,de que faz fé


us protetos no principio,& fim, me parece,que fe lhe deue dar a li
cença,que pede pera fua imprefão. Carmo de Lisboa em 24 de
Abril de 1 655. - Zoutor Fr. Gafar dos Reis
• SEGUNZA CO%xt/SS_40.
Padre Doutor Luiz Rodrigues, Qualificador do S.Officio,
veja o liuro, de que fe faz menção, & informe com feu pare
cer. Lisboa 27. de Abril de 1 655..
Pero da Sylua de Faria. Pantaleão Rodrigues Pacheco. Ziegº de Sou/a,
Frei Pedro de 3tagalhães. lº - -

#P_A RECEZ, E 1?N FO2.3/AC_A O ZO 3t. R. P. Xt. L&//2


Rodrigues da fagrada Companhia de lº/a,ZDoutor em Theologia,
Qualificador dº S.Oficio,3-c.
I eta Hitoria Serafica da Ordem dos frades Menores de S.
| Francifco na Prouincia de Portugal. A primeira parte,com
pota pelo muito Reuerendo Padre Metre Fr. Manoel da
Eperança;& afi pela materia della, como pela erudição,com que fe
trata fem coufa,que encontre a Fé, & bons cotumes,entendo fer di
gnifima,que fe etampe. Lisboa em S. Roque 9 de Mayo 1655.
Zºutor Luiz Rodrigues
LICENC, -4 Z) O S ATITO O FFICIO.
• Itas as informações podefe imprimir ete liuro,cujo título
\} he,Hforta Serafica, Autor o P. Fr. Manoel da Eperança, &
depois de imprefo tornara a o Confelho pera fe cóferir có
o original,&fe dar licença para correr,&{em ella não correrà Lisboa
1 1 de Maio de 1 655. •

Pero da Sylua de Faria. Franciº Cardo/ de Torneo, Fr.Pedro de htagalhães,


- - LICENC_4 ZDO ORZDINARIO. -

P Odefe imprimir. Lisboa em 18 de Maio 655.O Zipo. de Targa.


• • • • • •• • *--*

/z/ 12 o , E AP? ROU A C-40 z, o x, R. P. ht, FR,


loão d'Andrada, Prouincial da sagrada Ordem da santifima Trindade,
- .3ífire em Theologia, Zispo eleitº de Tângere (grc.
, , SENHOR . :
I por mandado de V. M. eta primeira parte da Hitoria Se
+

-
- \ } "ráfica da Ordê dos frades Menores de S. FrãCifco na Prouin
cia de Portugal,a qual cõpóz o Metre Fr. Manoel da Eípe
rãça Leitor lubilado na fagrada Theologia, da me{ma Prouincia;& |
julgo cõ grãde fundaméro a obra Por digna de feu Authoráhe o 4 |
------------ — — 14 — "= --

* •••
—---

mais a pode engrãdecer, & q por fua religião, & letras tão couheci
das fe lhe pode accõmodar aquillo de Caffiodoro. Abundº cogno/atur
quisquis famatifie laudatur.Fama tua riquod lequeris,casaitianofira fine dub
tatione quod sentis. E quê ler efia Hitoria cõ a aduettécia,& cófidera
ção, q ella merece, poderá dizer cõ verdade a o Author,o q o Abba
| de Pedro Cluniacêfe diffe a Gilberto mõge auxliãdo a excelêcia de
|feus efcriptos. Tunec mortuus morieris, nec a vita deficiens a bono ºpere cefalus,
'dã ºperibus tui, mortuos ad vitam reuocas. Tantº tºpore pf mortétuam extidetur
lucrã ºperã tuorã. E na verdade, Senhor, as excelêcias,& raras virtudes,
é o Author neta obra nos inculca de Religiofos abalizados em vir
tude,as quaes etauão fepultadas nos fepulchros do efquecimêto, são
tãtas,& tão marauilhofas,q a o mefmo Author,ó as tirou cótãto tra
balho,& etudo a luz,& difpoz cõ etilo excellête, darão húa vida im
mortal na memoria dos vindouros. E mais quãdo acode á obrigação
de Hitoriador cõ tão grãde aduertécia,q né a afeição, né o odio o
moue a lizõgear os presétes,néa fazer pouca cõta dos pafados,6 he o
4Tacito no primeiro liuro de feus Annaes reprehendeo nos hitoria
deres de Tiberio,Caio,Claudio,& Nero, cujas acções Florênbus pf;
ob metäfa/e, pófiquâm verá occiacrã recétibus odus copo/resunt. Porêm o Au
thor deta Hitoria cõ grãde igualdade,& verdade trata de hús,& ou
tros fegõdo as coufas acõtecerão,sé fè lhe alcãçar,no q refere nê ain
da his lógºs de odio,ou aff.ição.Pelo q V. Mag. dene fer feruido de
lhe dar licéça perafe poder imprimir,&mãdar,q inºfensº decurrarpede,
| como S. Hieronymo diz das obras de S. Hilário, por fereta de grã
de edificação pera todos os etados, que de tal hiftoria podem tirar
grãdes documêtos de virtude, & sãáidade. Guarde Deos a Real pef
foa de V. Mag. por largos annos. Nete Conuento da Santifima
Trindade de Lisboa 8 de Iunho de 655. -

• O atº#re Fr. Jºão d'Andrada.


DICENC, A REAL 2.4 %ESA ZDO PAC,O.
Vefe pofia imprimir ete liuro,& depois de imprefo torne
a eta Mefa para fe conferir,& taxar,& femifo não correrá.
Lisboa, 1o de Iunho. 655. + - \,

7). Pedro Prefidente. . (azado. … Pacheco. Carvalhº/2


E Sta conforme com o original. Nefte conuento do Carmo de Lisboa, em }. de Outubro de |
1656. . O Doutor Fre Gapar dos Rey. . … º

• • *

Ito etar conforme com o original pôde correr efe liuro. Lisboa 3 de outubro de 1656.
- Pacheco. Diogº de Sou/a, . lu, Alaarez da Rocha.

Axão efteliuro em oitocentos reis em papel. Lisboa 16 de Oitubro de 1656.


| Ma/fa/Cazado Iacome. Francilco de Carualho. Fernão de Mato de Caruaho/2.
Perº Fernandez Monteirº. Diogº Marchão 7hemudo.
DECLA
-*- - - - - -- - - - - - - - - --* - - -- - - - • • • --+=
—="— ---- →… == "___=-— * * * * * *

| • + ·

DECLARAC,õES IMºstANTEs,
aos que lerem eta obra. *

Cito confiada entra pelo theatro do mundo fla Historia Serafica: mas
sº afua materia alenta a confiança,porque vêm a relatar a origem, @
progrejas d'hia Prouincia im/gne na Ordem de S.Franci eo,cujº ven
B)
tur% nome folicita geralmente deuotifíimos applaufos. Esta he a Pro
uincia chamada de Portugal, ñ começou em 3ragºça a nascer nos bra
os puros do mesmo Santo Serafico: que se criou ao peito dos dous Zis
cipulos santos, os quaes ele lhe mandou: que crescendo em admirauelgrandeza, depois de se
dilatar em Portugal,Croalgarue,maior que ambos os reinos poucou algüas terras de Afri
ca,muitas ilhas do Oceano profundo, a cºfia do Oriente sem parar,nem descançar, senão é
portas da impenetrauel China, nos progrejas de seu efiranho augmento. Alcançou com efia |
sua grandeza aquela benção de Zeo, º Et videas filios filiorum tuorum, de fiar # *
agºra vendº com muita gloria/ua hua larga defendencia de Prouncias, @ (ufadas gra-3."
uÁumas,as quaes della procederão,como direi a seu tempo, •

2. Ze mºdº, que º tendo humpe nº mar, ºutrº na terra fia Prouincia Angelica da-, a O

"gritos que chegaúão aº ceoconuertendo infinidade de almas aº serviçº de Zeo. Planta-|#


da,ê transplantada áquem, @ álem do mar º fla aruore da vida daua frutos de santi- #
dade infigne cada anno, cada mez, cada dia, @ cada hora. Zeu iluir/imos ºartyres, …..
gloriosos Confº/ores,C/arões muiafinalados, muitas háulheres de excelente virtude. (jo.
uºrnou muitos annos por seus filhos os Efiados difereno : log ou nele, @ na Ordem os] |
seus melhores lugares,serundo tambem a Pontifices, @ Reis nas commiÁões mais häradas.
.3ías toda efagrandeza,Gr ºfia gloriagrande, por não ter a vida da imprefão,
efaua amortalhada no maior esquecimento. Querião ºs efirãpeiros certificarte da fama, (27 | |- }
não ouue natural, que lhes de/e rezão della; nem lha derão cabalmente aquelesfamosos fi || |
hos defia propria Prouincia, frei Xarcos de Lisboa, @ frei Lucas Vºadángº, que leuã.
tando duas nºtaueis tatuas,hum nas Chronicas, @ º outrº nos Annaes à no/a Keligião,
nellas mesmas eternizàrão seus nomes. Porque o padrefrei 3 arcos, fêm tratar defunda- F

fães,ºccupou ofeu deuoto ºfitritº em referir sãridades,não só de hãa Prouincia,fenão de to


da a Ordem, @r querendo acodir ao comum cortou de neceÉdade por muitos par
tículares: demais que,ºpoucos annºs adiante do de 15 zo acabou ºfeu trabalho. O padre & Pi .
frei Lucas depois de efiarem Roma,quando quiz pegar da penna não teue que efêreuer defia #
mãe,que º criou em ºfeu nºuiciado, or lhe deu nº fiado a doutrina,álem das bulas -Apo-lº".
foliras,que a ela pertencião, fenão aquelas notícias, que º padre Gonzaga lhe exhibio no feu
hºro,todas curtas,Grytriadas algãas. As outras,em que eupera ele trabalhei,não lhe deu
ão/ºr dadas,por quanto não apparecem em todo ºs sete tomos, que entregºu 4 fiampa. |-

| 4 %"goauame ºfte no/a desemparo: º desjuu, , que alguem nos abrife fiº fºlhe $#*)
que "" }\!

que// defenuoluendo a mortalha do/gredo; que torne/e a dar vida às cou/as desta Pro
uncia, (3# áhumrada memoria de tanta gente lufre, como era º/quecida: mas não fato ao |
campo nem hum Leão animº/0,nem hum Cordeiro/ºfrido, que quizºfe emprender difficul.
dade tão grande. Por outra parte tambem não cuzaúão os Prelados (fe aflotinhão tem
brança) a metter nela os fubditos, ou porque duuidauão das vontades, podendo acharta
lentos, ou porque o bom fucci/o no meio de tantas treuas efiaua defconfiado. E não fºi
que efirito me deu,ainda que fiou certo em não fºr rfpeito algum humano de louvor, ou
interje,fenão so hum zelo puro da honra defia?rauncia, @ da gloria de Zeos, o qual a
engrandeceo; porque quandº os fludos theologicos depois de larga idade, (27 quinze ame de
Lente me concedião ja fertas, eu me fºnt abrazado em hum dº/jo notauel de tomar à mi
» , • *-* •

nha conta femmenfatrabalho. É fingindo a minha inclinação em hum ca/0, que carece
de my/terio, nouas rezões de empenho, no ponto que me confiou como º padre Gorzaga impri
mio a fua obra, @r as do padrefrei Xarcos/irão afegunda tez do prelo no anno, em que |
nºfi, tão mº/mo me accendeo mais o zelo: não, que tenha prefinção deos/eguir apa/ochco,
mas sómente hum pen/amento humilde de ºfereuer o que eles nos deixarão, ou ainda nos/eus
/Deca
tempos não corria. Pelo que,/º me faltou a virtude do preceito brifa n fies encontros, tue

da 1. por mim apromptidão natural, que imitando a terra, comº aduertio o grande f/2o de
na De
dicat.
{Zarros, mais fácilmente produz os efeitos voluntarios, do que a ºbrigação o que lhehe en
commendado. +

g e º. 5 Com efiare/olução, @ lembrado do dito do santo lub, & Trabitur autem fapi
v. 18.
entia de occultis, comecei a cauar até o centrº da me/ma antiguidade de/cobrindo muitas
minºspreafs á ela nos occultaun Keului muitos cartorios aflber todos os defia Prouncia,
Ç; da de Santo_Antonio: grandeparte dos q pertencem ás outras, chamadas da Piedade,
o Algarueg; da Arrabida: alguns dos padres Terceiros,Or defreiras, que não inã
na no/Sa obediencia: das fantas Sès de Coimbra, da Guarda,Cr de Lemego: da Real Colle
grada na vila deQuimarães, @ d'algias Igrejas particulares: dos moiares d'Alcobaça,
@Santa Cruz de Coimbra: da X(fa da confiencia: º do reino, que hea Torre do Timbe;
@ finalmente das Camaras de Lisboa, @r do Porto. Em a reu/la dos nº/os andaua tão
aduertido, que não buffaua/omente os papeis,Grpergaminhos, mas tambem os luros da li
uraria commum, refeitorio, @r coro, onde encontrei com memorias de mão, que fireuião os
frades quando ºfer curi% não era aualado por ofensa da virtude.
º 6 z)e huros impre ºs tocantes áno/a Ordem, às outras Religiões,a diferentes Es
tados,gra duersas materias tenho "fio hãa multidão notauel, cºmo dirão os queforem re.
feridos,sem alegarmos a todos, no discurso da ///toria . Zos outros, que são os ma- }
nuscriptºs, pºfei hña grande copia, @r deles, os principaes, ou mais caseiros são fies.
Tres Catalogos dos bispos de Coimbra,da Guarda,ºr de Cliseu: Chronicas d alguns Reis
de Portugal: duas das ditas Prouincias Piedade, (3) Arrabida: hum Xemorial da do
-Algaruegrº Cartorio de Santº Antonio(aff, chamão etes luros): alguns fritos dos
nofos frades na Inda: Fundação da Prouincia de S.loão Euangelfia nas Ilhas 7erceiras,
| @r 2anarchaser fica porfrei Paulo de S.Pedro. Sº ºfia n/a Prouncia não tinhahoro
f0
fo E |- •

*== • ----—
tolturo,do quatme pº/a valer. Vi tambem 7ratados,(} Relações de pe/joas,(3 cofas por
ticulares: feitas hias por Autores timoraros: outras por autoridade publica; 3; outras r

jujificadas por tefiemunhas de credito, ou pelos inºfinos Prelados: Zemais ditofiz muitas
informações, @ "purei tradições, que erão communicadas de hum; a outros, mas todos fer
uos de Zeos,e gente religio/a, cujº dito valpor muitos tºftemunho; em fêmelhantes mate.
rias. Con/ultei finalmente a ºs defios da Prouincia, Or eruditos do reino com aquela coºfi.
arçº, que podia ter quem daua/uas achegas pera fêrem ºjentadas em lufirofos, mas alheos,
edfictos. Tudº tiofacilitou o meu zelo,procurando, que voa/epelo mundo nas azás de ou
tras pennas º louuor das obras/antas, que hos podi㺠honrar. 3ías ninguem/epet/uada,
que a todas da alcance, por quanto a maior parte dos muitos Sertos de Zeos, @; dos cºfos
merecedores defama,que lográrão df nº/os Padres antigos, emparticular nas tres primei
ras centurias mais valentes em obrar,que eloquentes nofalar, nãofe rºgatou ainda do trfte
fuecimento, ao qualfêm rezão foi condimnada. + • • •

7 Recolhido com º ditº tabedal que não foi depoucos annos, @ começando a númeçar
a Historia enriquetida tum ele, a # obediência, que não era féu piloto, lhe defutou as
aguas a outra parte, câindo eu com *força da corrente em ópegº procellº/ do gournô, do
qualpor outras vezes faira fim defeontos de naufrágio. Porem aquele Senhor, que pe
netra ºs corações,º Scrutans corda,&renes Deus, me pôde ferifiemunhado que lhe h Pfº.
confiou do meu, quando vi pofio º fim a os cançados cuidados de XInfiro da Prouincia. v. 1 o.
Senfuelmente me achei de afogado d'hãa núútm talginº/agr trife, a qual me acompanha
usem rezão de ºfia com foiolencia apartadº do meu centro. E digo fio somente por dif
culpara tardança difa obra, cuja fama (fênifo não halizonja) antes de elanº/cer fer
tou muitos defios de averem fampada. Agora receberá º e/pirito de vida, com o/auor
dos Prelados, a quem o Senhor do ceocommunicou fa graça; Grfº tambem a achar na
afeição do Leitor, d'aqui lheprometto hãa notauel ventura: mas quandº ºfia lhefalté,não
lhe ha de faltar muitºgrande paciencia. ! # * 1 • •

| 8, Zºuhe nome de Hitoria, deixandº º de Annaes, 9 de Chrónica, por ficar


com liberdade de não ir difiedaçando por muitos amºs nºtícias, qué tinuem andarem jun
tas. Ze mºdº, que arei o meu caminho pela frada do tempo, ainda que muitas vezes
ºnde faltarem memorias hide faltaralguns annos; & quando me encontrar com al.
gum Varão migne, pe/oacaº/iderauel, ou fundação de conuentº, figurei fas vere
das, dizendo deles as cou/as, que lhespertencem,ate depois méricólher 4 firada. Z'ºs con.
uentos eomeçarei a falar no tempo dasfundações,quando delas me confiar : das peÉoas,ºn
de auer mais certeza, @rferê, ou noanno, em que alcançárão nome pºr cau/ defeus off
cios,/* nã% ouwer ºutra rezão em contrario: ou no annº, em que º eternizér㺠trasladados
desta vida. É com fionão sºmenteficará inteira 4 relação, mas também o Leitor,
|femfºcãçar em revoluer muitos hurºi,eu capitulos, 4chará n㺠lugar quanto pretende
/aber. ó apelid, Serafica tem ela de Jua cºfa, por ser causa que toca º nºfo |
|Padre Santiôme, º qual pelº me/mo titulo henº mundº conhecido. Nºutro da Or
dem dos frades Menores é inculca a materia mais principal, de que trata, a qual hº
4 f%ê4
e …! Ê 1 — ….…--- …--•••••• _>
------ - - - - - - • --- - - - - - - - - - -- -

a mesma.O dem,C} cuja he a Prouincia,acompanhada porem das Ordens defanta Clara,C}


- "... …} | // }
lerar……… }pendente della no g"ca"…g
• • •

prºgrejas. A-"

9 Não digo so,que corre fia Hifloria pelos termos do reino de Portugal,senão pe
los campos dilatados da Prouincia,que dele tomou o nome porque com efia largueza tenho
aberta a porta pera falar de tudo o que he seu por algum d'aqueles tuulos,que lhe concedem
direito: a saber,do que pº/dio no reino,do que obrou nas conqu/as (?) do que deu a outras
muitas Prouinctas, gy a diferentes terras. Aquelles, que intitu ferafora depois de os ter
| criado,como he/anto Antonio: quantos vierão guernar,ou exercitar ºficios,quaes forão os
Zipos, Jr Commjºarios,não auendo então no rarº outra Prouncia: os que morrerão por
(hrift, em 3íarrocos, @ em Seita, dentro do seu territorio, todos efies lhe pertencem: O{
primeiros,comº filhos por causa da profºro: os segundos,em rezão do domicilio: os terceiros,
por e cafão da morte, pela qual no seu diritto nascerão segunda vez gloriosos pera Zeos.
Por parte da dignidade farão tambem j ("//j /4A fº/7'46"3 0$ prelados trangeiros.Os milagres to
cºntes á nºja Ordem,que succederão no reino quando ela se igualaua com ele,quem auera,
que lhos nºgue? º uito menos os conuentos,que ela edificou @;pq/uía muitos annos,não ºlfã.
te que agora os lagrem outras Prouincias. E pofio quemuitº afo pº/e/emo seu fiado de
Culio ha, @ Cuílodias,elas mesmas com efias prerºgatiuas lhefoi ao organizãao o corpo,que
formado em Preuncia tudo recolheo em/ @tudo me ºferecepera a sua Hyloria, %s se
alguem me notar,que estendo a relação das pe/oas, cujas vidas andão japublicadas, @ im
prias: respondo primeiramente,que eu não fiz%; luros, nem eles mepedem numquam
bargar os meus escritos. E seria dura cousa terem os outros licença pera e praiarem tantº
- - - O • • + • • • • • | | • ••

na vida dº santo Antonio (ponho fia por exemplo): os efirangeiros,ºbrigados de suas raras
|wirtudes: os Portuguezes,pelo credito da patria: os Franciscanos,em rezão de ele ser frade

nº/ºsg que relat㺠eu as ditas de sua mãe,a qualhe ºfia Preuncia,nãopº/a manifflar
, , . * .* .. - \ . --• - … - ••• • •• • • •

|às grãezas de seu filho. Zºrº que diga menos,G & menºs palavras, do que deuia dizer.
1o Zºponho a narração cõ preludios damaneira,que Zaronio, Vuaddingo,(2; outros
sºbre Apparatos grandes leuantarão suas machinas,pera mostrar a grandeza da mate!
ria,que tenho 4 minha conta@r também perafe fazer mais hzo (3 mais corrente o fio dei
fia //fioria,a/entando algias cou/as primeiro,as quaes depois podião embaratilo. E nefe
#ltimo pontº andaua eu tão fºlheito,quepela me/ma rezão deixo de dizer no texto os lugares
dos Autores,que aponto,º muitas vezes nem osféus nomes declaro, remettendemeámar.
#m. Zºe mais afloraramente me detenho em conferir Eras com amnos na data das escritu:
fras, suppondo a conferencia,gres-reuendo o anno.»tas nem ºf hepºfiudir?tmpre a mar
| ração enfia la pelo perigo, que correrá o seu credito,se não prauare #diz onde amerdade não
for muitº manifeta,ou à mentira fuer autorizada. Pelo que jºnfesta * #hcença a Hi.
" 5 . .. * • /*.. • - * * - * * #- .… • • •• V • v, • • •

faria perº (poder armar das regras da Zialética, 3 de/atar, quando não corte,co elas es
nos das dificuldades maiormente nas cou/as grandes, Cºraras,queperfefazem difficul
tosas de crer,arrycando/eus Autores à me{ma opinião,4ue setem dos 'Pintores@y Poetas,
-1* * * * * * . * * • - • • • * ** * * * , \l * *-* - … " " … (-2.
dos quaes pragueja º mundo ,que todos pintão C07770 querem. Nesta conta tinha Seneta a E
|-

_Iphoro,quando com duas palauras achou,que desbaratau, a sua autoridade, as que fºrãº
• •

- -- - * --- •

dizer.-----
---- "-"------ - - - ---------- ---… --- ..
- - - - - • - - |- -

|
"digrdele,que era Histºriador: "Nec magna molitione detrahêda cItãUão iras
Ephoro. Hitoricus et. Porêm se elefahauaem ºfereutra verdade,que he alma dah
fioria,não merecia tal nome,ou quando muito lhe pode tão chamar, Hitoriador sê alma:
11 , Farei muitº por exmir efia obra defemelhante calinia dº prof/ar inteiramente
verdade,cujº zelo,gramar defua honra me fruirà de defaulpa no exce/iuo cuidado de con
uncer muitos erros, é intento de ºfender os autores. Quefe eles examinarão melhor º que
dé depº/egíliures estauão de nãqua os argüiri@ Jº també ºs nºfos antipº/ados não nos
ºfenderão tudo,não me duertira eu com quefimes,nº co afurfos. Por onde em muitaspartes
a relação do antigº) a tecida depedaços de bulas,prouisões,g frituras, as quaes todas,/*
| depois não afinar º archiue, d'agora as ºfereçº nos mº/mos duntos, que cºelas/e ilufirão.
No moderno concorre ºs documentos,que ajuntou meu trabalhº, @; eu declarei «Éma, onde
…Fastfemunhas deyfia são como ºutra joritura,a qualno, merece credito, é pela mais abo
|nar a certeza,com que falo, chego com fa Hyloria, onde/o me importa, até a nº/a idade,
fêm timer algãa nota dos que vium (2 tem vífio cºm feu, olhos o que aqu/e freue,por
que a minha verdade tem muito de confiada, - •" •• • •

12 Não dou rezão do ºfilo,(9r só digº que defeja declararme afetando breuidade,(}
não/ei/e todos quererão adiurnhar, 3as aduirto,que numeio cã diferentes vocabulos as ca
fas de freiras,ê de frades perfer fla a lingoagem fada nos Annaes da nº/a Ordem, @
nas bulas dos Pontífices. Zigo Moteiro defreiras (o qual nome nafia orige grega/gni
fica folidão,eu º lugar folitario),por refeitº da claufura, em que viu?/paradas ao co
mercio humano. Zigo Conuento defrades,em rezão de eles fiarãjuntos dentro das fuas
paredes. Efe ainda na terrar/u/citar o fpirito de Zuarte?Nunes dº Leão,quemães/ºfe
melhante "argúio,Q) cem/urou afrei lo/eph7eixeira,refiondo que ºf como o nome Cidade /cenf.
hias vezes quer dizer º lugar,(} edificios: outras vezes a gente,que neles mora: do mº/mo *jº

modo Conuento não somente fignifica os religiº/os juntos,mas também a cº/a, @ o lugar,
onde eles fe ajuntão.E dife/egundo/ignificado,que he o da controuer/a (alem" dos Coca mXim.
bularios nos quaesfé acha exprejº)/ºu º santo Pontifice Innocencio/V. numa º bula, que cab. Ec no Vo

começa, Pro vetro collegio,dizendo fias palauras,Extra conuentus,feu loca ve clef,


tra. Pelo que em outra º bula, cujº princípio he, Cum tanquam veri; ordenou que as n. Bul. I 2, 3

nº/as igrejas/e chamem Conuentuaes, , .* - - pudBo


13 …A Hfioria vai diurdida empartes confo me a os ºfiados,que a Prouincia teue. O drig. fºl. 0,

primeiro.fende hãa sò Cufodia chamada de Portugal. Ofegundo, fiandoja multiplicada 15.ibid .


em tres,cujºs appelidos erão de Coimbra,de Lisboa, 2 de Euora. O terceirº,depois
defeauerkuantado cõ todas fias (uflodias,gr cão nome primeirº de Portugal em Prouin
cia difinita, Gr/parada das outras. O quartoºltimamente quando de todo logrou a fanta
reformação da regular Ob/eruancia. Ze todos fies fiados, º primeirº fº ha de ver nesta
parte (?) nas/eguintes os outros, pelos quaes sem parar vai discorrendo apenna tão ligeira,
comº póde depois de fiar cançada,pera que em breue tempo tenhão luz da impreºao. Al
cançarâmeu trabalhº grande premia se nº/ Padre Serafico me aceitar fiº piquenº ser
viçº, @ seus filhos,Ordeuntos com ele se melhorarem.
, -- Pretefta
r s .
Paulaç㺠dº Autor "

• •
- - -

Porque o fenhor Papa Víbano VIII. ordenou por hum


decreto a 13.do mez de Março de 1625, º qual depois
confirmou em 5 reuelações,
do mez de Iulho de 1634,
né milagres que algüa,
de pefoa n㺠fel •
|

imprimão
ainda que vidas,
muito celebre por fama de fantidade, ou mar
tyrio,que não for canonizadº,ºu beatificada pela fanta Sé Apotoli
|ca,nem tambem fauores, & beneficios, que Deos por fua intercefão
fizefe aos mortaes,(e primeiro o Ordinario n㺠º tíuer approuado:
> proteto firmemente como filho obediente,&º fervo da fanta Igreja a. RegFr.
Min.c.1a.
| de Roma,que a minha tenç㺠he venerar, & obferuar neftes cícritos
o fobredito decreto,femnifo prejudicar a ºs Seruos dº Senhor, que
tem legitima pote de feremja venerados, os quaes o me{mo Ponti
|fice exceptuou deta lei. Nos cutros guardarei a fua expofição, que
deu a o proprio decreto em 5 do mez de Iunho de 1 631: a faber,6 | '
nem admittantur elºgia San&tivel Beatial/ºlutéQr que cadunt/uperperfonam:| -
bene tamen ea, que cadunt fuper mores, @ ºpinionem cum protºfiatione in prin
-

cípio,quódiis nulla adit auforita: ab Eccleia Romana,/edfides tantúm/ penes |


Caufierem. Pelo que torno de nouº º protetar,que a etes Seruos do |
Altiñmo Senhornem
não pretendo
os quero qualificar por Santos, por Beatos, ºu
attribuirlhes culto: nem intento ir | ||
por Martyres :
difpondojua canonização, ou beatificação: nem quando delles dif
ler poretas,eu f melhantes palauras, queforão gºzar da cópanhia de Zeus,
as e{creue"; com certeza, mas sò mente conforme a o
. * . * * # pieda
de chriftâm, que affi fala na morte d'aquelles.que viuem bem. E fi
nalmente não he aminha tenção introduzir por approuado da fanta
Sè Apotolica o que delles e{creuer: mas deixandoos no me{moek
tado, em que os tenhº achado,o que agora difer fundarfeha tão sò.
mente na humana autoridade,que não pafla dos limites de prouauel,
né chega á verdade da Diuina,º Ecclefiatica, a qual sò com certe
lza infalliuel nos declara a qualidade dos Santos.

* * *

Fr.»anuelda Efrança.
———

}
Pag 1.

PRELVD IOS
FVNDAMENTA ES
D A H I S T O R I A.

P R E L VDI O P R I M E IR O.

Como Deus inuiu a o mundo nºfº Padre São Francifo pera


columna da Igreja,&# alento da virtude.
*$##### HEGA DO ja aquelle ditofo tépo, em que
# Deosauia de cófolar, & emparar a Igreja mili
+
# tãte em fuas tribulações, "pez os olhos no mais
-> • - • • Aº Aº •
a. Ifuia (6.
V. 2,
>}} pobre,humilde,& obediête feruo, que então ti
}
### nha no mundo,pera lhe encommédar eta illu.
º tre empreza, cõfiado em que elle não auia de
faltar na execução de fua fanta vontade. Foi éte feruo entre to
ides efcolhido, o Patriarcha dos pobres, Francifco ferafico, "em b.F.Luc.
baxador de Chrito, & feu Legado de lutere por teftemunho au inMin.annal.
|rentico do Papa Gregorio IX. defpedido, ann.& inuiado do cora 1 228. Se
1 •

dul. in
são do meino Chrito pela porta do feu lado, donde faio aruo elog.
"rando o eftendarte da Cruz,como vião alguns contemplatiuos,
& fantos. E ainda que o inundo, º o qualjº antigamête era indigº #*c. 1.adv.38.
Heb.
||
|no dos patriarchas , & profetas , que o ceo lhe inuiaua, não me
| recia agora hum Varão tão excelente, esforçou Deos o braço de |
fua mifericordia, & atropelando as ingratidões dos hom ens lhes
mandou(por merce,& graça particular)efte (eu embaxador pera
: paz da terra,luz das gentes, confolação dos chriftãos,retaurador
da virtude,firme columna da fee,& emparo da Igreja. Pela qual
rezão dappareceo muitas vezes fobre a fua cabeça hum letreiro, dº Pifan.]
que dizia: Efe he a graça de Zeos. Pera o ceo comito nos declara 1 confor
mit. 1.
como ete infigne Patriarcha naõ foi premio de merecimentos
humanos,fenão graça,& mercé de grande fauor diuino.
2 Có tanta abundancia o encheo de feus fauores o Pae das mi
e S. Bon,
fericordias, que afogados os feníuaes appetites nas aguas de fua de vita S.
diuinagraça,a me{ma carne, que cotuma defcompornos, & em
&\, , • • … • • . - • •
Franc. c.
14.
baçarnos em o feruico de Deos,nelle não sòmente obedecia li
…, • A gelta
–+

2 Preludos a bifloria Serafica —

geira aos feruores da alma, mas tambem queria anticiparfe aos |


faltos aprefados de feu efpiritu ferafico. Tendo fopeados os im
/,drºn fºº etimulos de átátas vezes nos queixamos/como filhos
4."? de Adão,& poto pela mão Omnipotéte emetado ditofo nas mi
###" ferias

humanas, ainda q cõpoto de carne,& {angue, não parecia |
hon é da terra,(enão ferafim do ceo,abrazado no amordiuino,pu
rificado na virtude.Tudo nelle, pera maior otétação da piedade
. Aº lºº Deos, erão milagres, aflombros, &prodigios defua omnipoté
##|cia,como º Alexandre IV, diffe, qualificando com etes infignes
" |titulos feus procedimentos,& acções. Das quaes tambem admira
* c. 6. | do

o feraficoesdoutor
& admiraçõ "S. Boauêtur
do múdo,por a efêreueo,
á muitas 4 pareciãotudes
de fuas grãdesvir epantos,
mais
erão afombros raros pera efpantar,do q exemplos ordinarios,que
fe pudefem imitar. Mas o fello detas nouas marauilhas,& por
tentos foi a imprefsão das chagas do Redemptor em fua carne
fantifima: milagre grande, & fingular das marauilhas de Deos,
Ale rv. por fentença, da fanta See apotolica: prodígio de todos os pro
# digios, na opinião do "Cardeal Bellarmino: particular priui-|
,\_ O DC, 1Íl • • •

dominic. legio dete illutre Patriarcha, do qual nenhum outro na mef.


# p|ma forma gozou, como affirma com muitos "fanto Antonino
* #;"| Arcebipo de Florença,& tocha replandecente da Ordê do glo
&# | riofo S. Domingos. • #

##nfer:3 Dete modo o foi Deos habilitando pera famofas empre-| ". [
#"> zas,& empenhando pera maiores feruiços. E querendo perfuadir].
""" aos homens quanto póde a fraqueza humana confortada do au-| | |
|xilio diuino,lhes propoz ete viuo exemplar, em quem a virtude
| da graça obrou tanto, que a natureza fe epantaua de fi me{ma || ||
Pelo que vendo o Santo,que à fua vita fe auião de animar os co
uardes no feguimento da Cruz,trabalhou por ir diante co a ban }
deira da fagrada penitencia, mortificando cõ tanto rígorfeu cor-| |
po,que elcrupulofo de o ter tratado mal, lhe pedio na hora de
fua morte perdão. º -


4 Quiz tambem o me{mo Deos defcobrir o caminho da |
perfeição euangelica,º qual ja etaua cego,& era pouco trilhado, . . ?
& tomou por intrumento ao dito Patriarcha,cuja vida apotoli
ca refu(citou as virtudes,que etanão efquecidas, como foi repre
…FMare fentado aº fanto Pedro Tecelão da fua ordem Terceira dos fecu-} .
nachron.]lares. "Vio ete feruo de Deos húa Igreja femeada de cinza #| -

*** | los anjos, & que entrando pela fua porta Chrifto deixou manife
fas, & imprefas as pizadas de feus pees atee fubir a o altar. E
Paísou ,
== -++++++++ •= - +
- • • | O ..., .\ ^ {

- - - ----
- - -
- -- -

dº Prouincia de Portugal. == 3
valiºu logo atraz delle a V Irgem Senhora notia , & depois os A
| | Potolos fagrados,feguindo todos cõ algüa proporção os pafos do
| Redemptor. Mas fobreuindo grande numero de fantos, que não
podião alcançaraquelles primeiros, & agigantados pafos, ficou |
tão cegº, & confufo o caminho,que muito malfe enxergaua por …
onde Chrito paísára. Nete ponto entrou hum pobre defcalço,
chagado,& remendado, figura de S.Francilco, cõ grande fequito | }
de frades, o qual fuando,foprando,& abanando cõ o habito,desé- }

terrou as pizadas apotolicas, que fepultaua a cinza,defcebrindo


| | | por myterio o caminho da perfeição euangelica, que o Metre
i|diuino com feus difcipulos nos auião enfinado.
5. De mais dito lhe encõmédou o Redemptor crucificado
pela bocca de húa imagem fua, a reparação da militante Igreja.»
que etaua arrifcada a cair; pera o que lhe entregou os finco ta
lentos de fuas chagas fantifsimas, com o cabedal das quaes fobre | #
pedra fortifima a tinhaja edificado.E tôpendo o Santo por mui |-

tas dificuldades,não sòmente a futentou a feus hôbros comoAt


• |lante do ceo, º conforme vio em húa reuelação o Pontífice Inno zºº
cencio terceiro: mas tambê º ordenou tres efquadrões de gente ? čo.
muito luzida,& alitada nas tresOrdé,4 ele intituío,perareba-|#**
te é fempre a força dos tres exercitos,q pela parte do múdo,dia
|bo,& carne dão a fua bataria. Etada etremecendo por todos os
quatro lados co aperto dos côbates o edificio fanto por occafião
das guerras,em é ardia o múdo:dos peccados, q nelle andauão fol
tos da malicia heretica,q leuãtauapoeiras cõtra os raios do Sol;& •

de quafi húgèral efqueciméto da paxão de Iefu Chrito cõ a qual


tribulação a virtude,& afee ameaçauão ruina. Mas tudo reme
deou ete fantífimo Padre,alferes do mefmo Chritto,alétando os
feus efquadrões briofos, q defendé atee hoje, fem cãçaré, a Igreja.
6 Ete foi aquelle Anjo da paz,4 pacificou o múdo,enchendo
a terra de tantes bês,como grangea a paz ? E ito prognoticaua | Marian.
nacidade de Afshã homemytérioto,que andando como extati "º"
cofempre,& arrebatado de fuperior epirito não dizia palaura al
gún,fenão etas: paz, @r bem; repetindoas contudo muitas vezes a
quantos o encontrauão. E no põro, que o Santo naquela me{ma
cidade começou a denunciar a paz do fagrado Euangelho, núqua
mais appareceo." Eite foio pégador da penitécia, º quem Deos].sn…..
elegeo por precurfor da fua fegunda vinda no vniúerfaljuizo,pe-improlog.
ra q lhe concertafe os caminhos,desfazendo as afperezas,& alti- •

baixºs dos peccados. " Efta foi a luminofa etrella, que ama º
cit.
Bon. .
A 2 | nhe


4 __ Preludos à hifüila Serafã T -

nheceo alegre aos q etauão cegos, & afs ôbrados co a trifteza da |


morte, aos quaes encaminhou de maneira, q illuftrados dos ref.
plandores do Solja podião atinar co as v erdades da fee.Pelo que
em figura de etrella foi leuada fua alma a oceofobre multidão
de aguas, q erão ºs muitas gentes,cõuertidas por ele ao feruiço de
sAnto. Deos. Eita era finalmente a Imagem de Ielu crucificado,que cõ
"º" os finaes das Chagas imprefas em fua carne,cõ os gemidos da al
ma,que penetrauão os ceos, com as lagrimas dos olhos,que lhe
tirarão a vita, renouou efficazm ente na memoria dos homens
fua morte,& paxão. , … " . .

l. PRELVDI o II.
Doferior, com que o Santofrafico pretendiafala fo mido
tudº,º quando inflituiu a fareligião.
#.
# •
I * Om muita jutiça diffe o vigairo de Chrifto-Leão deci
mo,approuando o q ja auião dito *S.Boauêtura, S.Ber
9. TO - • • •

# 3. nardino,& outros autores graues,q efte fanto Patriarcha


*** | fora o Anjo fellado com os finaes de Deos viuo, de quem falou o
relatern.
erm 6. - Dif feu Apocalipfe. Porque fendo ferafico
ipuloº amado CIT) O

####|na vida,etando ornado com os finaes das chagas doRedemptor,


\"#; tendo enfreado ja as tempetades,que batião a Igreja,cõ ardêtif
s# fimozelo foi imprimindo o myteriofo Zu, diuiza de penitétes,
#…" nas innumeraueis almas, que matriculou em oferuiço de Deos.
Ezech. | Forão etas em tam grande multidão,que depois de cõtar muitos
"" || milhares, ou milhoês o mefmo Euangelita, não pode fom mara
todas.E na verdade fó aquelle fapientifimo Senhor que conhece |
|as etrellas por feu nome,& daacõto ás areas mais meudas, pode
ciem.….|1á incluir nas regras da Arifmetica quantas almas efte Santo, ou
*** | Perfi,ou por feus filhos,té mandado ao ceo.Mas "fe Chrifto,cha
|gºdºem º madeiro da cruz,attrahio todo o mundo a fi, á menos
Podia ele fazer retratado pelas chagas em Francifco?
2. A efte fim tamhõrado de fe faluaréas almas,q redemio o mef.
tro Chrifto,encaminhaua o Sãto as acções de fua vida;oferucir da |
oração,origor da penitécia,odefejo doma rytio,o trabalho dasjor |
nadas, o zelo da prégação,o refbeito 4tinha aos prégadores,astres
grdés,q füdou:tudo foi pera qdeos Perdoafe ao múdo,& o múdo
fºcõute{eabeos. Afife entritecia no interior da alma,quãdo
••••• cuida na
*••••••••• ***
•#***** —º

"— da Prouintia de Portugal. } =

cuidaua que algüa (e poderia perder, que derretido em agrimas


diante do pae das mifericordias, não fazia outra couta, fenão ge.
mer&gritar;noites, & dias inteiros. E fe algueno reprendiado
excelsiuo rigor,com que fe mortificaua,repondia defculpandofe,
que era dado por exemplo aos outros, & não adia de faltar a etá
obrigação.*Nos feruores do efpirito, com que andaua pelo mú- , s ss.
do folicitando o martyrio,dizia abertámente,que não o faziatan | ? 3.
to por apurar o amor, com que tratana a Deos, como por obriga |
os homens com leu exemplo a que por efte caminho de fangue |
derramado bufcafem a faluação. * . * . * .….….……
3. No mefmo ponto,que teue dous companheiros no principio
da Ordem,logofe falo com eles aprègar por diferentes lugares, |
fem leuar em paciencia,que etitiefem cciofos. E chegando a fer
oito,partidos de dous em dous,forão feguindo as quatro partes do
mundo à femelhança de cruz,pera darem em todas hum temero
fo pregão dos tormentos eternos, com que Deos catiga os pec
cadores. Não o deixaua quietar efte zelo húa hora na claufura
dos conuentos,ou lugares folitarios. Difcorreo muitas vezes por
Italia,andou França, entrou pelos reinos de Catella,chegou a o
nofo Portugal.pretendèo paflar a Africa,embarcoufe peraSyria,
& fez outras
gião,qua ndo digrefoês (em alhe
ela começaua doer Pelo
nafcer. o defempar
que a feuo da fua reli-|
refpeito lhe •
| |
enbargeu cutras vezes as jornadas, & viagens a Majetade diui.
na,& quando muito confentio, pelo não defconfolar, que fofe
| ao Egipto, onde conuerteo o Soldão, & muitos de feus vafallos * --

à religião
jos chritaams."deComo
paños apresado varão ferião fermofoso,osembaxad
tam apotolic pees defcalços ,& [,...}
or da paz "… •

} do ceo,& dos bens da faluação! ……… … " .. .

| 4 Depois de chagado.&enfermo, qnão podia japór os me{


{mos pees no chão,fazia leuarfe num jumentinho pelos pouos, &
|lugares; & sò deverem ete raro espectaculo, Imagem viua de
} Deos morto,etremecia o mundo, homens,mulheres, & mininos:
i] & quando chegaua a dizer húa palaura pregando a penitencia, |- … -
não era menos,que húa feta aguda, ou hum raio de fogo, que raf | " "
i (gaua almas abrazando coraçoés. Era a fanta oração feuetudo |-

} ordinario, & oliuro principal, o Redemptor crucificado, ou, o .


|tranfumpto dete liuro, copiado co fangue das chagas do me{mo ! "…...
} Chrito no pergaminho fecco de fua carne purilsima. Aqui apré
; dia,quanto trabalho cutou ao Filho Vnigenito de Deos o reme-. .
|dio das almas, & quanto ele tambem auia de trabalhar pela fua * .

A3 falua-º
==
-

6 Preludios à bifloria Serafia


faluação. Donde tirou por cõequencia o admirauel repeito, que
tinha aos Prègadores,& Theológos, por ferem eles os minitros |
euangelicos, que nos communicão o efpirito da vida-:

Leuado dete feruorintituío as tres ordens, à honra da fan


étifima Trindade, cujos profefores occupa{sem as cadeiras das
celetiaes Hierarchias, que etiuefiem ainda por pouoar. E tecê
ldo todas jitas,fez dellashfia rede varredoura, a qualpetafeto.
da a cata de peixes, até aquelles, q ficauão no pego alto do mü
do atados à etado fecular,ou às leis do matrimonio. A primeira |
detas ordens,he a nofa religião dos Menores, chamada por ex
celencia a Keligião Serafica,& fem outro additamento a Ordem de S.
Francfo, na qual profefou,& viueo o me{mo Santo. A fegundá,
a religião das Domnas encerradas,ou freiras pobres, que hojefe
chama a Ordem de Santa Clara,por fer etafanta madre á fua primei
ra planta.A terceira,a Ordem da Penitencia, intituida pera gente fe
cular,que fem mudar o eftado defeja feruir a Deos, guardando a
regra dete fanto intituto. Em que tempo as fundou,iremos ma
nifetando onde ouuer occafião, a qual fe oferece agora pera tra
tar da primeira,objecto principal deta Serafica hitoria. .
6 - Deu principio o Patriarcha fantifiimo à nofa religião dos
Menores na cidade de AÍsis, donde era natural, quando (e quiz
conformar com o que tinha ouuido no fagrado Euangelho,em o
F. F. Marc.
p. 1.1.*.c.
anno de mil,& duzentos,& oito, "fegundo a melhor opinião,go
7. F.Luc.
tom. s. in
uernando neffe tempo a Igreja de Chrifto o Papa Innocencio
apparat.$.
terceiro, & a Monarchia Lufitana elRei Dom Sancho primeiro.
5.n. 16. &
an. I ao8.
No anno feguinte começou a ter corpo,&figura de religião Per
n.13.&an, feita,compota ja de cabeça,& de membros,de prelado,& de fub
1 a 1o.n.18
ditos. No outro mais adiante,de mil,& duzentos,& dez, foi apº
prouada de palaura pelo me{mo Innocencio terceiro, & confir
mada depois por húa Bulla de Honorio,tambem terceiro do no
\
1
me,a vinte,& noue de Nouèmbro de mil,& duzentos,&
tres. "…<… ".…… " . : • •• …
#:
/$. Anto.
p 3.tit. a4
7 Imaginanão algüstá adita primeira approuação,faládo propria
C. 7. méte,não ofora em rigor,fenão fóhúa fimples cõcefsão,ou permifº
F. Hiero.
Rom.en
são do Pontifice, que confentia efte modo de viuer, (em ainda o
la repub.
1.6.c.zo.
| approuar,nem declarar poretado religiofo,& firme. Mas enga
m.F.Luc. narão(e nito, º porque o Santo, & feus difcipulos logo profetá
C1t. 21h110
1 a 1o.n.16
| rão nas mãos do me{mo Papa todos os votosfolemnes,o que não
& an.izus | podia ferifenão em religião perfeita, & approuada, como na ver
n.33.
| dade era,& depois o declarou -no Concilio Lateranente, anno

de
mil.
*= *_*_*-*-
|

| _ da Praidade Portugal 7 - - --

- mil,& duzentos, & quinze, efte proprio Pontifice. A meñma de



ºlaração fez tambem o fobredito "Honoriº no anno de mil, &
• 1 |-

i|dezentos,& vinte numa carta º que mandou em nofo fauor aos


prelados de Françºzºa qual dizetas palautas. Onius/rativeira
*hmus efe nuum quád 0ráin" tahum de prºbatis habemus. Pelo que
confirmando depois ele anofia regrafº Ppoz primeiro,que já ef
*ºu**PPronada,&logº a confirmou pela maneirafeguinte: o. "
dinis vfirirgulamº bone memorie/nnocentio Papa,predecefore in%iro ºp-|
prºbatºmº"fritatewºhéºpºlica confirmamus De modo,que cítaBúl:||
la não fez a approuoção:corroborou a sómente , dando della ef
ta certidão autentica, a qual nam quiz tirar º principio nofo |
Serafico Padre,porque fe fiaua mais da prouidencia do Ceo, que [.
de papeis,nem Pergaminhos da terra, como tambem o motrou
inpjubileu da Porciuncula.
|- • •• •
;, , , •
, , , ...… * , !, • •
| …"
: , +, * * * * * # 1 – 1: 5: º i > >> "... - ;… : ''': ' . . . . . ? " = } "… }

| º PRELVDIO III º , ,
----
| | "> …….… — º * - -- º º * ** *

|2uanto ajulou o Patriarcha fantifimatum ofim, pera que |- . .


| Deus o folhe", afia religião,$dagrande pir- º
|
. * ** ** #
firãº, mutapa..…
- … …" "… , , , … .

"I
-
** * * .

renouar neta ordem dos Menores


Ntentou primeiramète
| | " o etado da primitiua Igreja, co a vida euangelica dos Apo-
, - ,

#
| | "-tolos de Chrito,fundãdo ame{ma Ordem fobre as pedras }
}}quadradas do fácrofanto Eaangelho,do qual ajudandoo tambem | º |, :
o Legislador diuino,copiou,& ajuntou a fanta regra,que nosdeu, "…
} dizendo no feu princípio. A regraigryida dos frades 2 enores he fia:
! | conuem afaber,guardar º/anto Euangelho denº/* Senhor lº/a Chryto,»iun.
} do em obediencia, pºbreza, (3 cºfidade. Mas cometa diftinção, que
! | húas coufas do fobredito Euangelho auemos nòs de guardar co
|mo preceitos,& outras como confelhos, com os quaes fortificou
os tres votos,ordenando húavida tam penitente,&fanta,que fer- |
: Juife de confusão ao mundo, & de motiuo aos frades pera pode
# |rem
em osdizer
ceos,copor
Apotolo
quantoS. nam quenaaterra
Paulo,tem fua conueraç
coufa algüa #
ão età toda • ;

# |ponhão feus cuidados,ou que ela lhes furte ofeu amor. Epecial
# [excelencia da nofia religião, na qual profefíamos a altifima po
i|breza em grao perfeito, & heroico, fem ter proprio particular, |-

- - - - --- - - . - A4 IlêIm _=_

--………… -- *
- - - --* --- - - - - - --->"… *******" "
8 Prelúdios à hifaria Serafica
* *nem commum, retendo ó o vío fimples das coufas precifamête
| , || neceffarias pera futentar a vida." A qual pobreza aficcmo da |
&# fua parte perfeitifsimamente nos defuia dos excefsinos cuidados
*up.regu. •

###] temporaes,em que o amor de Deos, & o do proximofe cofunãq


&t. , • •• • I" - |- - t\ i (º, º * . * ..…____" - - I"…..… -- :

#- afogar, també nos dipoem co a me{ma perfeição peracõeguir


#[efte amor; & pela me{ma rezão importa muito “pera fazer mais
"fº" perfeita na fubtancia a nofa religião; fe as outras nam lhe fizei | ;
ser ferrem ventagem em algum particular,o qual porém nam confeff
* #;"|* S Boauentura, nem º Policio, º Cordéua,/Miranda, º Herrera;
#- *Ximenes, Frei Artur, &cutros muitos. Mas nós que reconhel , !

# cemos bem a excelencia de todas, não queremosaueriguar efte |-

}&º." ponto. …" * # : . • ..……


* . * • •
. --
- -
-
-
|
- -
|-

####, º Proteguindo o intéto principal,de que no nofo efiado reno


**|uou o Patriarcha Serafico a vida fanta dos Apotolos de Chrito: •

#.…|afio diffe grauemente o Papa Nicolao terceiro na famofa De- }


##|cretal: "Exit,jufeminit:8: depois delle;"Leão decimo,cujas pala: #
####|uras porferê menos vulgares eícreueremos,& são etas.Hackfi* -

*#, g"fºnte: Immaculta, m4ua perfaulã/re macula zº?uri, contíplº:


@##|furprefência, vitº Chrift, geºffolorum #"""" , per quam pru,
rum Ecclfe Fundatorum ante ºculos Chrfiane plebis reducirur nºrma. E
: quiz dizer, que eta ordem dos Menores he aquella religião im:
maculada,& fanta, na qual, como em epelho muito limpo, e ef.
tá contemplando a prefença de Chriftonofo Redemptor: etáfe
vendo a forma,em que ele viueo, & vitierão os feus fagrados A
potolos, &tar bem fe propoem diante dos olhos dos chriftãos
a regra,que obteruàrão os primeiros fundadores da Igreja. Don
a gia.c. de veio a dizer o infigne Cardeal º Iacobo de Vitriaco,que nof.
sidº º | (o padre S. Francifco,falando em rigor, nam inúentou regra no
, lua, mas renouou a antiga, que os Apofiolos guardàtão. Num tan,
nouam regulam addidit,quâm veterem renouault. |-

|| 3 Eta vida euangelica, é profefamos á imitaçaõ de Chrifto, ;


# & de feus fantos Apotolos, he a vida mais perfeita,chamada mi.
fa, ou compota da contemplatiua,& da sétiua: a primeira, que •

fe occupa no amor de Deos: afegunda no do proximo;nas quaes *


jambas fe exercita a nofia ordem Serafica. Porque na contem
| platiua etamos ºbrigados pelo decimo capitulo da regra, a orar,
# &meditar com deuação; ao que fe ajunta ofeguimento do côro, :
| onde com os diuinos louuores fè accende mais adenação,do ef. |-

| pirito, imitando nam sômente aos anjos, que fempreeftão lou- :


# uando a córos a Majeftade diuina, mas tambem ao me{mo Re- #
|-
+ |-
*

demp
-
_ -

da Prwinia de Portugal. –-- — 9


demptor, o qual acabando a fua vitima cea, antes de entrar no
horto, º cantou hum hymno gratulatorio com feus fagrados dif. o. Matth,
cipulos. E por parte da actiua etamos penfionados nos exerci. 16. v. 3o.
vbi Text.
tios mais nobres dentro da fua esfera, como he prègar,& confef. Gra c. &
Maldon.
far,&outras occupações femelhantes, que tocão à faluação,& ar. Marci 14,
guem excelencia entre as ordens,que tem aflumpto aétiuo. De v. 26. vbi
Verfio Sy
mais que, eta nofla prègação, conforme a dita regra, he a mais riaca.
perfeita,& euangelica, em quanto conta de exemplo,& doutri. \,

na,obrando nós,& deuendo obrar o mefmo,que enfinamos, pera


virmos a fer grandes no reino dos ceos, como º dife o Redemp. p. Matth.
5. v.49.
tor. E porifo nofo Santisimo Padre declarou quafi por toda a :
regra as condições tocantes ao exemplo da vida, & no capitulo
nono as outras,que pertencem à doutrina, ordenando que vfem
os prêgadores de palauras examinadas,& catas, annunciãdo bre
uemente as virtudes,& os vicios: a pena,& a gloria,pera proueito
das almas. - - - • ---- •

4 Pelo que foi mui grande o engano de quem º diffe, que o


q. Monar
mefmo Santo ordenou, que os feus frades por via só depenitencia, % def ch.Lufit,
prezo das cou/as do mundo comuertºfem ºs fieis. Porque ainda que ele p 4.1.13.
C. 94
nos encarregou, como muito efficazes pera conuerter as almas,as
ditas duas virtudes,não nos excluio,nem podia excluir da prega
ção por palaura, & doutrina, fabendo exprefíamente por muitas
reuelações, que nella queria Deos fe occupafe,afsielle, como
tambem a fua religião. " No qual ponto foi tão grande a fua r.F.Marp.
obediencia, que certificado dito por relação de fanta Clara, & 1.1.2. c. 33
&l, 1.c.4o |
do fanto frei Syluefire, com quem o me{mo Senhor fe auia de
clarado,cruzou os braços, abaixou a cabeça,& diffe logo ao fan |->

to frei Maffeu. Cºamos,rmão,em o nome do Senhor@/gamos a/aa/anta |


vºntade. E entrando em o primeiro lugar pregou com tanto e/piri
to, que arratado o pcuo de fuas afetuoradas palauras fe queria
ir com elle. De modo,que o fim da nofa Ordem º he guardar,& s. Suar. fup
cit. n. 2.
juntamente piègar por palaura, & doutrina a perfeição euangeli
ca;ao qual modo de pregar etamos nòs obrigados em virtude
da regra,que nos deu o me{mo Santo, & da nofía profiÍsão. A[si
o difse o ferafico doutor" são Boauentura, & antes delle os Pon t. De vita
S. Franc. c.
tifices Gregorio nono, & Alexandre quarto: aquelle em "húa 3. & fup.
carta, na qual encommendou aos # das Igrejas, que nos reg.c.9.q.

deixafsem prêgar, & efte º efcreuendo fobre a me{ma materia a u. Bul. 1o.
apud Rod.
os bipos de Portugal, & de Leão. As palauras de Gregorio são x. Arth.de
efas. Adºficium predicaná, adquod funr exprofefone fui Ordins depu S. Franc,
I de Lisb.
tati, |
--

1 O , Prelúdios à hifaria Serafica.


• • T
t dtl, tenigne rectº e prºcureus - vi ex ore p/orum verbi Zet
• • % femen deuot?
--

/afplant. As d'Alexandre,etoutras Zildlifilj fratres Ordini, 2á.


norum à fui Ordints influutione ad hoc/e/pecialiter deueuerunt,yt/alutaribus
monitis,Cr exemplis reddant Zomino pºpulum acceptabilem. E por fere{te
o fim da nofa fagrada Ordem, logo quando a approuou o lobre
dito Innocencio terceiro,intituio em prêgadores apotolicos da
penitencia, a todos os frades della, encarregando tambem efte
proprio oficio a os frades leigos, a os quaes mandou abrir hüas
coroas piquenas na cabeça,pera com eta infignia, que he de ec
clefiaticos, exercitarem melhor a prègação euangelica. Donde
tambem procedeo, que fendo o nofo nome, Frades Atenores, in
uentado pela grande humildade do nofo fanto Fundador, o car:
deal de Vitriaco, que alcançou aquelles primeiros tempos, por
rezão do eftado nos chamou da Ordem dos verdadeiros pobres de lefa }

cru ficado, & por caufa do oficio da Ordem dos Prºgadores, pelas pa
lauras feguintes. Hec f religioverè Pauperum crucifixi, 3 ordo Pred.
catorum,ques Fratres ºtimores appellamus. - --

5 Noutro engano caio o mefmor autor, pera fundar o primei


y.Monarc.
Luft.cit.
ro, dizêdo q o nofo fanto Padre não curou,que ºs feusfradesfoube/em
letras: antes no capitulo decimo da regra mandou aos que não vierem áreligião
letrados,não fudem,nem aprendão nela. Ccmo auia de mandar ifto o
Santo,intituindo húa Ordem,que fofe de prègadores?Não feria
imprudencia fechar as portas totalmente ao etudo das letras,
fendo etas neceffarias pera o nofo miniterio? Foi tanto ao con
trario,que ele mefmo permittio as efcolas no feu tempo,& man
dou etudar fóra da Ordem a fanto Antonio, & outros de feus
difcipulos.E ainda que desfez alguns etudos,onde a vaidade co
mºçaua a reinar, não deixou de conferuar os que erão acade
mias humildes,& efcolas de virtudes,porque mais queria elle,que
x 1. edCor.
trataffem de fer fantos os feus frades, do que de ferem letrados.
8 v. 1. Pelo que conhecendo co * Apotolo são Paulo,o perigo, em que
fevè muitas vezes a deuação do epiritu entre as grandes fuma- }
çºs,que cotumão leuantarfe da fciencia, nos deixou encommen
dado no dito capitulo da regra: Et non curent nºjcientes literas,literas
difere; que não curem de etudar os que não fouberem letras.
º Exígt,
qui femi
Mas ito não he preceito, fenão hum puro confelho, como ja o
nat. de declararão º Nicolao terceiro, & º Clemente quinto; &ete ain
verb, fig da,por opinião de muitos, não foi dado em geral a todos os nof.
nific.
b. Exiuit
de parad.
fos frades fenão fómente aos leigos,os quaes o Santo queria, que
eod.tit. perfeuerafem (empre no feu etado humilde. E dete modo ºn
+=_
tendem
—T-
_"+_+••• •
---------—––– *

___ da Prouintia de Portugal. II


tendem Cordoua Hugo, & os autores daquelas tres expofições}
da me{mategra, chamadas: a primeira, à famílis patribus ordini, edi
ta: afeganda,/ue titulo: a terceira, fêrena confienta.Mas fe tambem
º quizermos etender aos demais religiofos, com eletratou de
mortificar em todos o appetite defordenado do efludo nofo Pa
drº amantifimo aduertindo que não o procurem elles, mas que
(e deixem etar à vontade dos prelados, por não virem a perder
º merecimento da fanta obediencia,& que etando em balança
o etudo das letras,& o exercício das virtudes,a ete fegundo nos
ºuemos de inclinar,como bem fe declarou pelas palauras, que fe
feguem. Sedattendant, quºd/peromnia defderare debenthalere /piritum
Zommi@re. Porêm nunqua nos prohibio os etudos, em que jun
tamente co afciencia fe aprende a virtude.

Do admirautlaugmentº da monarchia Frantifiana pel,


mundo. E declarafº o que he prouncia,
3 tu/tudia,
| I F 6?archaparticular benção de Deos cõcedida ao grande Patti.
dos Menores,que ele fofie o Abrahão da lei noua,
| ditofo pae de muitas gêtes, cujos filhos lutrofos na virtu
de como etrellas do ceo,montão tanto em o numero como areas
[do mar.E afi como forão milagrofos os principios da fua Ordem
ferafica,tambem o parecem feus augmentos. "Não auia mais de e, S Bon.
de vita S.
noue annos, que etaua approuada, & fem bulla, de que contafe Franc.c.4.
a fua approuação,& era ja tão crefcida pelo mundo, que no capi Pifan. corf
form. 24.
tulogêral,chamado º das fieiras, feachàrão prefentes mais de fin Hieron,
|quo mil religiofos,ficando outros muitos nos conuentos pera fer. Plati, c. iz

|uiço das fuas communidades. E neta occafião forão tantos os q


|pedirão o habito, que ferecebérão quinhentos nouiços, pera os
{quaes auia caías deputadas,onde elles fe criafem. _
|| 2 E creuem "commúmente os auétores, que eta fagrada b.Sabellic.
Ennead, 9
|Ordem encheo o mundo de conuentos, & pregadores euangeli l.6.
|cos;&falão com fundamento, porque não ha parte no deícuber
|to da terra, onde não fofem vitos, & ouuidos os frades de são |
Francilco. De marauilha fe acharà hum lugar,fe he capazuento,
r . .
de có
*–1– _== += __*_
- - •

I 2. Preludos à bifloria Serafica.


uento,no qual ella o não tenha. Nos defertos folitarios, & aípe
ros,que a me{ma natureza confignou pera morada das feras, ahi
viuem frades feruindo a Deos em alta contemplação. Em muitos
reinos,& fenhorios, dõde por nofos peccados età hoje deterra
da a religião catholica, nelles tem a Francifcana conuentos, &
prouincias inteiras,ou toleradas pelos me{mos infieis,ou confer
uadas a feu pezar por beneficio de Deos. Podemos dar portete
munhas as populofas cidades de Hierufalem, Contantinopla, &
outras do Otthomano imperio: Albania, Egipto, Argentina, &
muitas terras femelhantes, onde à vita dos inimigos de Chrifto
futentamos os conuentos. Puderão tetemunhar os reinos go
uernados por hereges,fe a fua violencia não lhes tapara a bocca:
mas por todos falará a catholica ilha de Ibernia, que quando ne
tes tempos procurou lançar de fio jugo pezado da fujeição An
|glicana,defembuçou de repente mais de feifcentos Francilcanos,
que encubertos affitião áquella chritandade, que por alto jui
zo de Deos tornou a ficar opprimida,como dantes. Creceo final
mente tanto eta grande monarchia, que a me{ma grandeza lhe
heja muito pezada,obrigandoa a fazer nouas prouincias,& mul
tiplicar prelados. E porque húa cabeça não podia gouernar tão
vato corpo, fe intituirão tres Geraes, a faber de Obferuantes,
Conuentuaes,& Capuchinhos,os quaes todos profefão,&gouer
não a nofa primeira Ordem,partida em tres familias, Smo dire
mos adiante, gouernando tambem a maior parte das freiras de
fanta Clara,Terceiras, Annunciadas,da Conceição immaculada,
& de outros intitutos, com alguns frades Terceiros, dos quaes
outros tem feu prelado geral. A rezão dete continuo,& numero
fo augmento da nofa Ordem ferafica, affi como he da nofa par
lººººte “a facilidade de principiar conuentos fem dote, nem renda,
1.des." fóà conta da diuina prouidencia tambem da parte de Deos he o
''#'...] interefe grande de multiplicar feruos fieis, os quaes com a fua
d. Bul. Etfi | -

### multidão,como difeo Papa º Gregorio IX. Po6m catholicam com/º-


de#" lantur Eccle/lim,confolão,& alegrão a Igreja militante. Por quanto
É… o mefmo foi,diz º Rafael Volaterrano,adiantarfe na multidão de
log. fujeitos a nofía religião,que lograr grandes ventagens na virtude,
& nas letras. —Autus exindepaulatim Orde, ( diz elle) vt cunflis potea
multitudine virorumprafiterit, @/acerdotío,êr dotirina,Orfantitate pre
celentium. : + • • . --
• -

3 He impoffiuel moralmente reduzir a certo numero efte


augmento, femelhante à infinito, affi por rezão das guerras, &
outra

da Prouincia de Portugal |- I 2

outras difficuldades, que impedem o comercio, como por cau


fa dos diferente, Tetrarchas, que tem entre f repartido o go
uerno. E falando da noísa primeira Ordem, a qual eflâ diuidida
nas fobreditas familias, temfe alterado muito todas as fommas,
que fez Pifano nas fuas conformidades, Gonzaga na origem
da religião Serafica, frei Vital de Algezira no feu epilogo, os ef
tatutos reformados em Segouea, & a hitoria do capitulo gé
ral, celebrado em Toledo no anno de 1 633 e{crita por frei Gaf.
par de la fuente: pelo que nôs recorremos á conta, q frei Pedro
de Alua faz no feu admirauel liuro das excelencias de nofo Pa
dre Serafico, chamado Portentº da natureza, @ Prºdigo da graça,
o qual imprimio no anno de mil,& fei(centos,& finquoenta,&
hum. Tinha pois a nofia familia Obferuante, / conforme às frab.I.
fuas contas, cento, & quarenta prouincias, ás quaes acrecenta
mos mais duas: húa, nas Ilhas Terceiras do appellido de são loão
Euangelfia, que lhe efqueceo a elle: outra, no Brazil, chama
da de fanto Antonio, a qual depois fe leuantou. A familia dos
Conuentuaes tem por eta me{ma conta trinta, & finquo
prouincias; & quarenta, & feis a outra dos Capuchinhos. E
fommando todas juntas , vem a fer duzentas, & vinte, &
tres prouincias, que ja hoje ferão mais: alèm dalgüas Vigai
rarias, & Cutodias feparadas, que tambem merecem o mefmo
foro. !! - - - - -

4 E por não ficar fufpenfoquem encontrar etes nomes,de


| claramos o que eles fignificão. Prouncia, he húa congregação
de muitos conuentos, que vnidos entre fi, fegouernão fem de
pendencia doutros, debaixo de hum prelado commum, que
chamão htmfirº prouincial, & elegem em capitulo. Cefodia, he
outra congregação de menos conuentos, os quaes não fepô
demgouernar bem (em algüa dependencia, cujo prelado com
mum, & immediato tambem fe chama Cuñodio. Mas entre
etas cutodias fe confidera diferença, porque húas são fepa
|radas totalmente do corpo das prouincias: outras, incorpora
|das com ellas. As primeiras, ou etão fubordinadas ao Minif
|tro gèral, ou à algúa prouincia, donde lhe vão os Cutodios, os
| quaes nellas celebrão os feus capitulos, elegendo diffinidores, &
prelados dos conuentos,& as gouernão como fe forão Minitros.
|Deta qualidade erão entre nós as tres cutodias da India, Ilhas
|Terceiras, & Brazil, & o foi nalgum tempo a do Porto. As
legundas , são verdadeiramente parte dalgúa prouincia, à
B qual
I4 Preludios a hiftuna Serafica
qual por tua grandeza não pode bem acudir o leu Minitro
prouincial, & portanto feditingue em comarcas, ou ditrittos,
que fenomeão (ufodias, afinando a cada qual hum Cutodio,
que affita á fua conferuação, & gouerno, em aufencia do fobre
dito Minitro, fetº prelado ordinario. Affi foi antigamente a nof
fa Cutodia, chamada de Portugal, & depois as tres Cutodias,
em que ella fe partio, por nome de Cºimbra, de Lisboa, 9 de Euara,
a refpeito da prouincia de Sant-Iago, com a qual etauão incor
poradas; & depois as mefmas tres em ordéánofa de Portugal,4 |
pelo tempo adiante com ellas (e leuantou, & diuidio da dita de
Sant-Iago.Taes forão tambem a repeito da me{ma nofía prouin
cia em quanto os Cõuentuaes agouernauão,a Cutodia do Porto
noutro tempo,& a de Beja,que fuccedeo à de Euora. Mas todas
as fobreditas cufkodias extinguio a Obferuancia. As Vigairarias
são femelhantes, às cutodias feparadas de prouincias.
5 Em numerar os conuentos,& religiofos delles corre mais
dificuldade por rezão de feu augmento continuo, & excefua
g.loco cit.
À. Chrono
multidão. Diffe & $abellico, que auia no feu tempo feffenta mil
log.l.4.fr religiofos, & º Genebrardo, porventura por erro do impref
Culo I 3.
i. Chronic. for, efereueo nonenta mil: o qual numero, tocando sò ás pef
P.4. l. i.
c.8.
foas, attribuio o padre Daça à multidão dos conuentos: mas
nem etes fão tantos, nem as pefoas tão poucas. Porêm nòs,
por falta de relações detes tempos,nem orçamento prouauel po
demos fazer agora.O fobredito frei Vital no feu epilogo,etam
pado ja no anno de 1 626. contou nas duas familias,Cóuentual,
#& Capuchinha, qual enta, & fete mil religiofos, em dous mil,&
oitocentos conuentos,& sò anofia, chamada da Olferuancia, con
forme à conta de frei Galpar dela fuente, tinha no anno de
1633, quatro mil conuentos, pouoados de cento,& nouenta mil
religiofôs. E fendo grande a fomma, que detas duas partidas fe
faz, ainda auemos da acrecentar os que podião crecer nas mui
tas prouincias, que fe fizerão de nouo; & ferá em quantidade
notauel. . - -. . . : |
6 Da Ordem de fanta Clara, fendo muito femelhante feu
augmento,temos a mefr na incerteza. Duzentas, & quarenta #
religiofas achou nella Thomas Bozzio pelos annos de 159o. co.
mo refere o padre Daça ; & deuia metter tambem neta conta
as que etauão fujeitas aos bipos. Nas que gouerna agora a nof
fa religião em todas as cres familias, andou curto o (obredi
to frei Vital, porque fó a nofia da Obferuancia tinha no anno
• • de
*> * *=m*…msm A
da Prºuinela de Portugal I5
de 1633, dous mil moteiros, & nelles nouenta mil religio
fas debaixo da fua obediencia. E não pareça excefo, porque ne
ta nofía prouincia de Portugal viuião 166o, no anno de 165o.
em que nós agouernamos. # 2 …::az: , , , . .

"7 Da Ordem Terceira no etado fecular, em que o fanto


Patriarcha a fundou, mais facilferia contar as etrellas do ceohüa
por húa, que dizer, quantos profesão eta regra; porque rara
mente fe ha d'acharhum lugar, em que não haja Terceiros, &
muitos fe acharàõ, onde os mais dos vizinhos são filhos da mef
ma Ordem." Dos religiofos della na Congregação de Lombardia +

efcreueo no anno de 1619. " frei Antonio de Sillis, que tinhão


cento, & quarenta, & tres conuentos em dezefeis prouincias, as 4In Expo
it. tertia |
quaes porêm ja no tempo do padre "Alua erão vinte. Tem regulto."
de mais tres prouincias em França, húa no nofo Portugal, ou lh.c. 1.
m. Tab,
tra na Andaluzia, com alguns conuentos fem prouincia, que
gouerna a nofa de Sant'Iago, na obediencia do Minitro géral |º }
da Obferuancia. ::: …i…" .………………. . . .. …

|
… ;


; ; , istº, … …3
|- |- •

PRELVDro V.
{ • •

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*

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|
*

Quanto fºdilatuºfia mefina Monarchia no reinº de


Portugal,&#féus efiadas.… …..…,
, I * Aindo em Portugal ete grão piquenino de motarda,
4 pelo que tem de femente euangelica, produzio tão
grande planta quºácobrir a terra, ondenaceo nefte -

canto de Europa, dilatou muito viçofã feus ramos por todas as [


outras partes do mundo, Afia, America, & Africa. E poto que
muitas folhas caírão , & alguns garfos quebràrão, ficou contudo -, --*
* - -• • • •
',

tão fermofa, & tão copada, que nenhüa outra lhe faz fombra.
Té o piqueno ditritto da terra firme nete reino finquo prouin
cias da noffa primeira Ordem, com as quaes não efia menos hon

rado,que com as quinas reaes. . . … " . s . .

2 Aprouincia chamada de Portugal, gouerna trinta conuen


tos de frades,& vinte, & noue de freiras, mettendo quatro neta
| conta,tres de frades,& hum de freiras,fittuados na Ilha da Madei
ra. A da Piedade, tem trinta,& finquo conuentos, & todos eftes de
frades. A do Algarue, trinta, & tres de frades, & dezoito de
freiras. A da Arrabida, dezenoue conuentos de frades , &
B 2. húa
••••º ======= ===-->
" " *-**********-*
16 Preludios a hiftona Serafica
& húa vigarraria no hopital de Lisboa por occafião de curar
os feus enfermos. A defanto Antoniº, vinte conuentos de frades,
& tres Oratorios antigos. Hüa refidencia fundarão os Capu
chinhos de França netes tempos em Lisboa, que não pertence a
algúa das fobreditas prouincias. Alem dellas tem tambem
a ordem Terceira húa com dezafeis caías de frades, húa del
las em Angola, & dous moteiros de freiras. Na obedi
encia dos arcebipos, & bipos feachão oito moteiros da Or
dem de fanta Clara, tres de Terceiras, & hum da Conceição
immaculada,o qual pelo teor da fua regra pertencia ao gouerno |
da nofía religião. • • - ** * * * * * * * ** *

- Por etas côntas,que são certas, tem S.Francifco na terra |


firme de Portugal cento,& finquoenta,& quatro cafãs de frades,
& {effenta, & húa de freiras. E fenós aqui trataramos de often
tar multidões,bem podiamos contar algüas vigairarias de quatro,
fnquo,& feis religiofos applicados aos moteiros de freiras, que
facilmente paffarião por conuentos. Muitos mais ouuerão tam
bem de fer,fe nofos Padres antigos os quiferão aceitar,ou depois |
, não os largárão por não ferem jacõuenientes pera a nofa obter
dancia. Deta prouincia de Portugal podemos dar tetemunho,
que pela me{ma rezão, ou por não prejudicar a outras cafas, que
ja etauão fundadas, diffimulou neta nota idade com fete fun
dações, as quaes fe oferecião em Vianna, Aueiro, Soure, Villar
de paraito húa legoa do Porto, Meijão frio, Mirandella, & Pi
nhel. Dous moteiros de freiras defcalças aceitou, que fe auião
| de fundar em Vifeu, & Couilhaam, os quaes por falta de ca
lor etão ainda por nafcer. A fibfa gloria he, que não def
pimos as outras religiões pera vetirmos a nofa : mas ifso,
1ue ella logra, he batante pera que nete reino em parte fe
4. Cone. verifique o dito do Padre.: frei Luiz de Granada, a faber que
cit. a noísaOrdem tem por ventura tantas caías como as outras todas
Juntas. -
- * .*.*

4. Saindo agora das praias de Portugal pelos feus màres adi


inte,fe emproarmos na Ilha da Madeira, acharemos os tres con.
uentos de frades, & hum de freiras de fanta Clara, que ja etão
nomeados.Voltando dahi pera as Ilhas Terceiras, por outro no
me dos Açºres, veremos húa prouincia, chamada de são Jºãº Euan
gehta, com quatorze conuentos de frades, & feis moteiro, de
freiras, alem doutros da mefma Ordem de S. Clara,& da Cõcei.
*ção immaculada, é pertécé à jurifdição do bipo. O Maranhão tê
CO run (º
*= **
da Prouincia de Portugal. 17
começado a lograr os principios de húa cutodia. No Brazilfe
leuantou húa prouincia com o titulo de Santo Antonio,da qual,sé
do ainda cutodia,algüas caías os Olandezes occupàrão: mas cõ
outras,que fe fizerão de nouo, ficou reparado efte damno. E pois
a nauegação nos derrotou a etas partes, como fuccedeo aos pri
meiros Francifcanos,que de Portugal forão annunciar no Oriête
o fagrado Euangelho,em feu feguimento daremos tambemáve
la,& deixando em Angola hú conuento, q he da Terceira ordé,
dobraremos o Cabo tormétofo,ou de boa e perança. Em Moçã
bique auia húa refidencia da nofía religião. Os mares largos da |
India nos vão defcobrindo alem de muitos lug gares, onde ja eti
uemos de affento,duas prouincias famofas, de São Thome chamada
húa, outra da Xadre de Zeos. E da primeira efcreueo ha poucos c. Relac,
annos “Frei Miguel da Purificação, que tinha onze conuentos, defení.
tres vigairarias, feis collegios de doutrina, & cento, & quarenta trat. I.C. a
n. 8. & tra.
reitorias, poto que nete numero não età muito contante, on * c. 3. n. 5.
& na vida
de os frades fazem oficio de parrochos. A etas duas prouincias
pertencem as cutodias de Cochim,& de Malaca; & # os Olan euang p. 2
trat.3.c.3.
nº jº
dezes a etafegunda lhe cortàrão a cabeça,tomando a fortaleza
do me{mo appelido, não puderão decepalla, porque ainda na
cidade de Macao temos á vita da China hum conuento de fra
des,&hum moteiro de freiras de fanta Clara, o qual he o pri
meiro,&ovnico deta Ordem nas partes orientaes.
5 Tornando a Portugal apanharemos de corrida algüas fo
lhas,que cairão,ou feccarão a eta planta Francifcana. Em Lou
lee tem os padres Eremitas de fanto Agutinho hum conuento,o
qual primeiro foi nofo;&ito me{mo fe diz d'outro feu em Ca
| tellobranco,poto q ateegora não nos conta. Em Montfortinho
das Idanhas temos deixado húa caía, que nunqua mais fe po d.Fr.Ioão |
|
uoou. "Extinguiofe tambem em Tralosmontes húa cutodia de S. Ma
ria na chr.
fundada por alguns companheiros do feruo de Deos frei Ioão da prouin
cia de S.
Pafchoal,fertilifima raiz da prouincia de são Iofeph em Catel Iofeph P.
la: a qual tendo tres, ou quatro cafas, & húa detas em Al 1.1.*.c.34
gozo, villa do bifpado de Miranda, cujos vetigios ainda ago
ra fe vem, no anno de mil,& quinhentos, & feffenta, & tres
fe defempararão todas, porque aquella prouincia, á qual eta
uão vnidas, não podia conferuallas. Alguns moteiros de frei
ras fe (upprimirão pera elas depois fe melhorarem . Em
Tanger, Fez, Seita, C,afim, Marrocos, Arzila, & noutras
partes de Africa vizinhas a ete reino tiuemos conuentos,
B 3 que
• •• •• •• •• –=-=-"

I §— Preludos à hiftuna Serafica |


\

|
-

que erão praças de armas dos foldados euangelicos:#as huns de-1


truio a epada africana, outros deixamos quando osPortuguezes
largatão as fortalezas&de outros nos faímos,porque
-

# .. …"
não feruião
ja ao rigor
:: …
da. nota obferuancia. : i, ".
… * . * . .
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. Das tres familias,em que é 'd repartida ano[a Ordem : } |



e- , , ,º ferafica.
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E qualbe aprincipal? " " …",
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• - * . *.
** • - # • • ••• -- - # errº … -----

Aõera pofinal que em tanta multidão filtafem diui


{ões.&nouidades, porque alem do tempo as ir fazêdo,
també as cabíaua o epirito de maior reformação, pró
curando algús retaurar o qauia caído,ainda q era gafe a tunica
inteirifa da religião ferafica. E afife introduzirão nella tãtas di
uerfidades no nome, nos accidentes do habito, na fujeição dos
relados, & no modo de viuer,4 mais parece logo à primeira vi
italiaggregado de religiões dittintas;á húa sò,como he,na ver
dade& na efência. E eta religião, que ferue de jóia rica à Igre
a. Bul, Cú
ja militante, epofa do Redemptor, quando etámais enfeitada
facer. no |co as galas de muitas religiões, como diffe o Papa º Paulo II.
arch.de S. Tanquim rutilan; inamitiu Spoº/* carbunculus aut candiá margarita:"el
ranc. de
Alãquer. a me{ma diuidida em fi por diferentes familias, com tantava
" |b. Pfalm. riedade de habitos de burel, & de faial: com remendos, & fem
44 V. I.O.
Rodrig. " elles: imita pompofamente a fermofura defa propria Igreja.
qq. reg.
tom. 1. q
2. Foi continuando muitos annos no primitiuo rigor,em que
2*2. }. etaua fundada,com admiração do mundo,atee que os Pontifices
Romanos,que a trazão nos olhos, zelofos de feus augmentos, &
compadecidos de fuas necefidades,em particular nas cafãs gran
des,lhe concedèão priuilegios dipenfando em alguns pontos da
| regra, como era a pobreza em commum, & o vfo do dinheiro.
c {n Man
tom. 1. q
Anticiparão[e muito os padres" Miranda, & "Alaua,em affentar
I 2.2. I • a dita dipenfação no anno de mil, & duzentos,& vinte, & feis,
d En el
dotrin fa quando ainda etauão viuas as lembranças de nofo Padre fan
tisf. pun 6
C 5•
…fimo & o feruor de feus difcípulos, que zelanão a perfeita ob
.Gonzag fèruância. De mais que muito depois º pelos annos de mil, & co
P28.4. zentos,& quarenta,& quatro foi reclamada a difpenfação de In
rocencio IV, a qual porêm confirmou feu fuccefor Alexandr,
rambem o IV. do nome; &eta com outras difer (acões fiz à 3a
- r ": ' )
- ** -- • • - - - • *- - +" + * • • ---- * *
da Prouillia de Portugal. 19
} t㺠arreigadas, que cellas vsão atee heje os padres Conuen
[Ul à CS. # ' \ - º , º , "'"

Cuidão alguns, que lhes veio efte nome dos fobreditos |fFr Luc.
priuilegios dipenfatiuos da regra / porèm a verdade he,que lhes an11. 1 2 5 * ,
Fr. Ioão de
nafceo d'outro indulto honorifico, pelo qual o mefinos Innocen S. Marial.
cio,no anno de mil,& duzentos,& finquoenta,nos concedeo que cit.C. 5 -
g. Bul.1 #
chamandofe as cafas da nofia Ordem (onuentos, fechamafem Con apud Ro
uentuaes as Igrejas. E ete fauor nos fez, pera que tendo elas foro digº

de collegiadas, que vinha a fere mefmo, pudefemos guardar nel


las mefinas o fantifsimo Sacramento do altar,tanger finos,enter
rar defuntos,& víar d'outras liberdides,que os bipos não fofrão.
Donde tambem os frades,que moraujo nos conuentos, fe vierão
a chamar Conuentudes por diferença dos outros, que viuião apar
tados pelos montes, ou congregados alguns poucos em cafºs pi
quenas,& oratorios pobres. E pela mefina rezão de viuerem col
legialmente nos conuentos em claufura, lhes foi dado o outro
nome de Claufiraes, & não por terem clautros de exceffiua gran
deza, º como alguns imaginão. Em Portugal temos exemplo no
moteiro de fanta Cruz de Goimbra,onde auia dous Priores: hú; h.Rodrig.
tom cit.
q 4.3.1.
delles,que era o Z)?\i?rior, fendo prelado principal,não feguia de
ordinario as fuas communidades: outro,que viuendo das portas a
dentro com os conegos, tinha afeu cargo o gouernar a me{ma j, Arch de
cafà, & chamauafe Prior crºfieiro, ou claufiral. "Pelo que fazendo S. Clara de
Coimbra.
certo proteto D.Mór Dias, como veremos no moteiro de fanta
Clara d'quela me{ma cidade,em tempo do D.Prior Martim P
res, o qual eftaua aufente,dizem as certidões,que o fez caram prio.
reclaufirah, filice Petro Godini, diante do prior clautral, chamado
Fedro Gºdinho. E nos concertos, que depois a fua Vigaira fez com
os padres deta caía,conta a efcritura,que fe achárão prefentes Z).
Eleuão Jºnes Prior, ; Pa/choal Effieues Priol clafieiro. De modo que
etes dous appellidos (onuentuaes,& Claufraes,tiuerão entre nós hõ
rada occafião por caufa da dignidade,que gozauão as Igrejas dos
|nofos conuentos grandes, & do muito recolhimento, com que
neles fe viuia. Mas porque netes fe admittirão facilmente as
|ditas difentações, introduzio o cotume nomear com os mef. /F. Hiero.
|mos appelidos aos frades difgenfados;& !ó depois" que os fot㺠Rom. em
entendendo por ironia a refpeito da pouca claufura, & de outras la Repub.
chrift.c.3.
liberdades, começàrio a ferem mal recebidos. •

4 Em quanto pois os pontifices mitigau o com difpenta


ções que alguns frades aceitarão,o rigor da nofía regra,trabalha
B4. Li dO
2O Preludos à hi/toria Serafica.
uao outros pela guardar, & fazer guardar co a maior inteirez |
E affi introduzirão na Ordem muitas reformações, diffe étºs nos
efilos, & nos nomes por rezão dos Fundadores, ou dos lugares,
onde tomarão aflento,ou doutras particulares tenções: pelo que |
(e chamàtão dos (faremºs , Claremos, Collettaneos, Amadeus, Caperulos, da
capuchº, cu dº/antº Euangelhº, algüas das quaes expirar o breuemê
te: outras transformou em fi a reforma da nofía Obferuancia,
fem dellas ficar mais, que o feu nome, & effe efcrito em papel.
Foieta reformação Obferuante a mais ditofa de todas, porque |
Deos a profperou,& futentou com fortifimas columnas, como
|forão S.Bernardino de Sena, S. Ioão de Capitrano, S.Iacome da
Marca, S.Diogo, & outros muitos varões de fingular fantidade.
De maneira,que não tem ela ctado de prelados, & de fubditos,
de guardiaés,prouinciaes, &gèraes: leitores da fanta Theologia,
prègadores,& confeflores de feculares: facerdotes,coritas,& lei
gos; dos quaes todos, algum não efteja afientado pela Igreja no
cathalogo dos fantos.
Deulhe principio hum frade leigo,pera que a obra ficafe
fendo de Deos,de{preziuel na pefoa, mas illutre no fangue, &
famofo na virtude, chamado Frei Paulo de Jºincis, no anno de
1368, em húa ermida pobre, dedicada à S.Bertholomeu, no de
ferto de Bruliano, entre as cidades de Camerino, & Fulgino em }
m.Fr. Luc. Italia. Chamarãofe a principio "frades das
ermidas, porque nellas
an. 1375 º
viuião com etreitifima pobreza: como fizerão corpo,forão cha
mados frades da família; & depois, a refpeito da pureza, com que
guardauão a regra,lhes delão nome defrades da fireita ºbjeruancia,
ou regular ºbjeruancia,pelo qual fomos hoje conhecidos. Começá
rão na obediencia dos Conuentuaes, mas pouco, & pouco fe fo
rão liurando della, atee que no anno de 1 517 os izentou total
mente Leão X, concedendonos, que do corpo da me{ma Obfer;
a Bul. 1, &
uancia elege{semos minitros, gèral, & prouinciaes; aos quaes nó
a. apud me{mo tempo º transferio o fello da Ordem com aquelas pre
Rodrigº eminencias,de que gozauão os ditos Conuentuaes. E demais di
to declarou por fuccefsor verdadeiro,& legitimo de nofso Padre
S. Francifco na fuperioridade,& gouerno da fua religião a o nof.
fo Minitro gèral da Obferuancia, fubordinandolhe tambem o
prelado gêral dos me{mos Conuentuaes pera que o confirmafse
no oficio,poto que ja eta confirmação não fe vfa.
6 Delta familia da Obferuancia era o padre Frei Mattheus
de Bafchio, varão verdadeiramente apotolico, o qual correndo
O 2 [] -
**assassesasass=massassass= +
da Prouincia de Portugal. 2I
o anno de 1 526. "inuentou outra reforma com o capelo Pyra º Gonzag.
pagº 61.
midal,& agudo,que por eta rezão fe chamados Capuchinhos. E foi Daça l. 3.
tanta afua felicidade,que dahia dous annos, não fendo elles ain. c. 39.
Fr. Hiero.
| da mais de quinze, o elegerão feu Gèral por autoridade do Pon a Sorbo in
comp éd.
tifice. Inclinão(e muito etes padres na obferuancia da regra ao priulieg.
rigor das palauras, mas nem por ifo (e defuião das declarações
dos Papas, como difle º Paulo V. pelas quaes nòs tambem os …Bºas.
apud Ro
primitiuos
mos. obteruintei,
#
fem\_ admitir dipenfações nos gouerna
. * *__ / …" - . . . A 5
drig.

7 Etas são astres familias, que compoem o corpo da noffa


religião Francifcana, a faber de Ohieruntei,amentuaes, @ (apuchi
nhos, & cada húa com feu prelado gêral, independente dos ou
tros. A nofia da Obferuancia precede às outras }uas, & fómente |
- -

o feu prelado géral, como fucceffor do Patriarcha ferafico,ainda


que não gouerne as duas, he feu prelado habitual, & abfolutamé
te fe chama 2ánfiro geral de toda a Ordem dos frades.ºcenores de s㺠|
Francife. O Conuentual logo depois da nofá (eparação,feita pe
lo dito Leão X, tinha titulo de %fregeral: o Capuchinho, de
Cigar"geral; &poto queja agora por priuilegio ambos fecha
mão Xinjiros, fempre he com algum additamento, que modifi
que,&limite o tal nome,conuem a faber,dºs conuentuaes,ou dos Ca
|+• puchinhos. Contra o titulo do nodo por parecer muito largo,fe op
puzerão os Conuentuaes há poucos annos, diante do Papa Vr
bano VIII.mas forão vencidos por fentença da Congregação de
Ritibus, á qual o Pontifice remetteo eta demanda,em 22.de |
Março de 1631. O feu decreto foi efte. -

(um procuratºr generalis.fratrum 2ánorum Conuentsalium/antti Fran


cfé /ex. abhinc annis agrè ferret 2ániftrum generalem de Ob/eruantia in
preteritum jam fu/egy in prefêntiarum»ti título,$r/gilº cumin/criptio
-
me Minitri generalis totius Ordinis fratrum Minerum, recur/am
habuit ad Santífimum fapplicans mandari reformari huiu/mod titulum,
tanquim non legitimeditio 2ántrºgeneral de Ob/eruantia competentem. Et
/upplcationeper Santifíimum adhanc/acram Rituum Congregatiºnem remº
/a; eadem Sacra Congregatiº difeufonem huju, négory adreferendum VQue
de anno milimo/excente/mº vigº/mo qunte commy, eminentífimº, gr re
uerend/imo dominº Cardinal, háto,ceram que, firmato dubio de cº/en/ham
barum partium, an Titulus minitri generalis totius Ordinis fra
trum Minorum, quo infignitur Miniter generalis Obferuantiú,
fit reformandus?»traqueparte/epèfºrnº mfato, @ jure defºper infºr
mante,ºr audita, adrelationem eju/dem eminentfm. Cardinahs 3áuticau/*
- - 4Cºyº
- -----
= *********
\

— 22 Prelúdios à bifloria Serafita. __ 1


- acerrime implena congregation" d/cu/a, Sacra Kituam (………………… !
nihil innºundum, Crºáinifrum generalem de 04/ruantº legitime \fºm
fui/e, Cryti { atulº,g/glotum mºrphane Minitri generalisto- |
, , "tius Ordinis fratrum Minorum. Et ita/eruari mandanir de vige/mº }

fecundo 3ártj, milímºfêxtenuíno,trigº/mº primº. (aius Epikopus Por.


• turn/.…
• Cardim.
…? :Pius.
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. -… ! *# . : -
{ º" , "
* * * * "* …
…ºº | 2* * *

…… ……… , & ! PR ELVIDI O 1 VII." ……… |


_" ;_" - º X, …" . . " |
Comº diferem entre fios Olíruantigº dºs varios nomes } |
" de que vãº; é quais dinºs refºrmações , || ||
, , , , ... tem entrado nefte reino?
:: i ! " " …" … …! … , , , ,,,
. .
# …ºcº… ser ;
] ||-

r", Valfeja a perfeição do nofo efiado da regularobter-|


Q# me{mo nome o etá manifetando: que quem
- "> diz, frade Objeruantena Ordem de são Francife, quer dizer, |
|

frade pobre,de(calço,& penitente,humilde;& ajutado em tudo|


co as grandes obrigações de fua regra ferafica. Não tomamos |
|nós por ambição ete titulo, mas humildes o aceitamos, por emi
| penho de nofos procedimentos, da bocca dos Pontifices Ro
manos,& dos fagrados Concilios,dos Principes catholicos, & de |
toda a ă: reconhecendo fempre neta familia fan
ta os grandes feruiços, que faz á Majetade diuina, nos derão to
. Balva-do: tão honrado appelido, Donde veio a dizer o Papa" Eugeniº|
# IV.em dous breaes.humdelespera os fades detereino, que º |
pixel… nofo etado Obferuante,enriquecendo com feus defuelos a cata
???'#al de Deos,era exemplo fingular, & principal pera fefaluarem mui
Eico de tos: Singulare, #precipuum falutisplurimºrum exemplã. * ESixto tam
|#|bem o ÍV.dónome, que por auer profelsado entre os Conven
mººch tuaes, não nos era bem afecto no principio, depois de cairna có
: ta não ceísaua de nos lançarfua benção com entranhauel amor,
i & dizia muitas vezes: Sveira família non e/ºt, eam pf mºituerem, |
| que fenão achára ja fundada de muitos annos quando fubio á ca
! deira de S.Pedro,eta illutre familia, eleme{movendo feuzelo, |
| |&fantidade, a ouuera de fundar. " "… … |

; ; "2 - Mas fendo ella tão reformada,&fanta , ainda afi o efpiri


{ to do ceo, que efpertou antigamente a muitos pera a plantarem }
i , fanoísa religião, não deixou defcançar outros pelo tépo adiante,
— –="r . ":" - - - - • •• •• • •
inci.
• • • •- -

da Prouincia de Portugal. 23
incitandoos a tratar dentro dos limites della de nouas reforma
ções. Não falamos nos Capuchinhos agora,por quanto fe difmé
brárão do corpo deta familia, fenão das outras reformas,que fa
zem corpo com ella. Sairão logo os Recolleios a luz,chamados affi
pela obrigação, que tem de maior recolhimento, os quaesper
manecem na obedienciados Minitros prouinciaes da nofía Ob
feruancia antiga, & começàrão nefte reino em o anno de 1486.
à fombra deta prouincia de Portugal, como diremos a feu tem
p O.3 Apparecerão depois em Hefpanha tres cutodias,& todas

fundadas por Obleruantes da prouincia de Sant-Iago. As duas


primeiras,que fe chamanão da Luz,& dº/anto Euangelho, por outro
nome do Capucho a repeito dos feus capellos agudos, tiuerão por
principaes fundadores no anno de 15oo. aos veneraueis padres
frei Ioão de Guadalupe,& frei Pedro de Melgar,os quaes as plan
itàrão nas duas Etremaduras de Portugal, & Catella. E andados
alguns annos,(e fizerão dellas as duas grandes prouincias, da Pie
dade nete reino,desão Gabriel no de Catella, da qual tambem faio
outra em Andaluzia, chamada de são ZDiego. A terceira Cutodia
fundou no anno de 1517 na ilha de são Simão em Galiza,o fer
uo de Deos frei Ioão Patchoal que do me{mo Apotolo de Chri
to lhe deu ofeu appelido. Efendo depois alentada co epirito}
de vida,que recebeo de são Pedro d'Alcantara, chegou a etado
de prouincia,por nome de são lo/eph em Catella, da qual nafcèrão
affias duas prouincias de são loão 3aprifia, & são Paulº no feudi
tritto catelhano, como tambem a Cutodia de Tralesmentes ne-l'
te reino, a qual porém fe (upprimio, fegundo fica efcrito. E
continuando com o nofo Portugal,pelos annos de 154o entrou |
nelle o grande feruo de Deos frei Martinho de fanta Maria, que
deixando a prouincia de Cartagena em Catella,onde tinha pro
fefado, & fauorecendoo principalmente o Excelentifsimo fe
|nhor D.Ioão de Lancatro, Duque d'Aueiro, fez affento na fua
|ferra d'Arrabida, onde abrio os fundamentos doutra prouincia,
|intituida no anno de 156o. a qual tem o me{mo nome da ferra. |
|Correndo enfim o anno de 1 568.fe leuantou,a q chamão defantº
| Antonio, pelos Recollectos da nofsa de Portugal, varões de gran
de virtude,& muito exercitados no rigor da Obferuancia, , , …
*

4 - Todas etas prouincias da noua reformação, & outras


muitas detaforte, efPalhadas pelo mundo, obedecem ao nofso
Minitro gèral da Obferuancia. Os feus frades pera diftinção
dos
*--*== ********
24 Prelúdios à hi/toria Serafica.
dos Oberuantes antigos,chamão e Kºformados, em Italia: em Frã
ça,Kecollifos: em Catella,Zefcalçºs: em Portugal,Capuchºs. Mas cõ
tudo entre elles, & os antigos Obferuantes não ha diferença na
fubtancia, porque todos profefsão a me{ma regra fem dipenfa
ção algüa: todos a guardão à letra no sétido,que fuas palauras fo
frem; & todos admittem as declarações dos Papas, femfazerem
diftinção, na obferuancia da regra, fenão de mais, ou menos ri
gora qual he porêmaccidental, & não impede, que todos fejão
perfeitos obferuantes. Porque os nofos preceitos não são pontos
mathematicos,fenão preceitos moraes, que dentro dos feus limi
testem algüa extensão. E afi como não he neceffario,pera guar
dar o jejum perfeitamente, jejuar a pam,&agua, poto que feja
mais rigor: o me{mo nos póde acontecer na obfeluancia da re
gra. Damos o exemplo nos dous preceitos, de vetirmos panno
vil, & de andarmos defcalços; os quaes ambos perfeitamente
uardamos vetindo faial,que no preço, & na cor he panno vil,&
vfando de fandalhas abertas, as quaes não pertencem à calçado.
Quem quizer vetir burel, que he mais vil, & trazer os peesle
uantados da terra em tamancos, ou tambem andar fem elles: farà
maior penitencia, mas nem età obrigado a ifo,nem ferà na fub.
tancia mais perfeito obferuante.Não hajanito abutos,que a re
gra não pede maior aperto.
No particular dos nomes,que referimos afsima,o appelli
do de Ze/calços he tamantigo em nós, como he a nofia Ordem; nê
di S.Bona. contra ifo etá o vfo das fobreditas fandalhas, º porque as trouxe
fup.regul.
C» 2.
Chrifto Senhor nofo,os Apotolos fagrados,nofo Padre S Fran
Ximenez. cifco,& feus primeiros companheiros, & mais todos andauão afi
n. 8° 9.83
Cordub. defcalços. Pelo que no liuro dos obitos de Santa Cruz de Co.
q.*}. imbra he chamado,da ordem dos defcalços,de ordinedjeakeatºrum,
|Mirand.c.
$7. o gloriofo são Gualter,fundador do conuento,que temos em Gui
Alaua.pú.
. 14. Cs3.
marães. E por talfe nomeou frei Rodrigo, Guardião de S. Fran
Fr.Huan de cifco de Burgos, na certidão, º que pafou no anno de 131o.
S. Maria
P.".lf.c.4.
acerca do tetamento de D.Diogo de Haro, fenhor de Bifcaia,
e. Arch.da
See de Co
cuja execução e taua á fua conta, dizendo etas palauras. Sepan
imbra. uantos efia carta vierem, como yº fraí Rodrigo de la ordem defan Francifo,
de lºs frailes de/calços @rc. E affi he aggrauo, que fem jutiça fe faz à
antiga Obferuancia,quererem alguns,pera fua ditinção debaixo
da me{ma regra,appropriarem afete nome dezºfalçºs,em quan
to ella vía (ó das fobreditas fandalhas, as quaes tambem trazem
os mefmos,que fe glorião de defcalços. - rº

**=-=- 6 O
da Prouincta de Portugal. … === 25
6 O nome de Capuchos, pela rezão que temos dito dos capel
los agudos, fe introduzio em Portugal; & ainda que algúas pro
uíncias os trazem, ou mais, ou menos compridos, a da Piedade,
que foi a primeira nifo, muitos annosha, que os deixou, víando
sò dos redõdos. Outro nome vai agora praóticãio a fingeleza do
pouo em chamar a alguns padres, da Ordem defanto Antonio, fendo
aíli que o Santo não fez ordem, nem reformação, ou congrega
ção algüa na no Ia Ordem ferafica. E poto que feja titular de
conuentos,ou prouincias, como outros fantos são,nem porifo os |
religio(os dellas fão feus filhos,fenão sò de S. Francifco, como foi
o me{mo fanto Antonio, -

7 Dito ito acerca dos etados danofa religião os que della


entrárão em noffe Portugal, forão primeiramête aquelles padres |
antigos,do primitiuo rigor,4 fe criàrão nas efcolas vniuerfães das
virtudes co a fanta doutrina do Patriarcha ferafico. Etes (e forão
fazendo Cõuentuaes pelo difcurfo do tempo, & depois vierão os
Obferuantes, que tambem os reformátão. A nofía prouincia de
Portugal,& a outra do Algarue são da Obferuancia antiga,&am-}
basté Recollectos. As outras tres,são de Obferuantes modernos,
mais reformados,ou Capuchos,como lhe chama o pouo. Os Ca
puchinhos tem em Lisboa hum holpicio. As reformações anti
gas não entràrão nete reino.
\

PRELv Dro VIII


Comº todas as fibreditas familias compõem
hña s) religião.
I Vendo eta diferença de tantas reformações, & fami
lias,nenhüa dellas cótitue diftinta religião: mas todas
- cõuem,como partesintegrantes,cõ admirauel cõcordia
na cópofição, & extenção d'aquellavnica Ordem de frades Me
nores,que intituio N.P.S. Francifco.Porque todas fe conformão
em imitar a ete grande Patriarcha,que foi feu Legislador todas
profefão a regra,que ele me{mo nos deu: todas caminhão pera
o fim particular da vida mita, que ele nos enfinou; & todas
vsão dos meios, & exercícios determinados por elle, que são os
fubtanciaes, & principaes pera confeguir o dito fim. Nito tu
do em que confite a identidade, & fubtancia da nofía religião,
C COI]-
**a *esse…= * -*************
26 "Primina bifloria Serafica
conforme a doutrina dos - Theologos, conuem todas as lobre
a, D, Th. ditas familias fem quetão, nem controuerfia. O demais, em
2.2.q.188.
Suar. de que diferem, são accidentes fómente, que não mudão a fub
relig.to,4. tancia. -

tract 9. l.1 |
c. I. n. 8. || 2 ... He a primeira diferença a de alguns etatutos, que |
guardandofe em húas > não fepracticão em outras. Mas por
quanto não forão introduzidos na nofa religião, como addita
| mentos da regra, nem dos meios fubtanciaes, com que ella fe
exercita em ordem ao feu fim, ficão fendo accidentes, que não
fazem diftinção effencial. E conta ito pela natureza detes
mefmos etatutos, porque não são irreuogaueis, & contantes:
antes fe pódem mudar,& muitas vezes femudão nos capitulos,os
quaes não tem autoridade pera fazerem mudança no que per
tence à regra, ou aos meios fubtanciaes da nofia religião. De
mais que feaetes ditos meios pertencerão os nofos etatutos, o |
me{mo fora ordenar alguns de nouo, ou reuogar os antigos, que
mudar tambem o fubtancial da Ordem, paflando ella a outra,
que ja não fofe a me{ma: o qual ab{urdo ninguem deue admit
tir. Fazemfe pois os etatutos em ordem a o gouerno politico,
ou à perfeita obferuancia da regra: mas o gouerno,ou feja bom,
ou melhor, fempre he na efsencia o mefmo; & a dita obter
uancia, mais, ou menos rigorofa, inuolue (ómente diftinção ac
cidental,como deixamos efcrito no preludio paísado. O me{mo
dizemos dos diuerfos exercícios, & etilos das familias, que por
b.$uar. c. ferem º miudezas, ou terem a condição dos eftatutos, não paísão
cit.R.9.
de accidentes,nem multiplicão diftintas religiões.
Procede afegunda diferença da muita variedade na def
calcez,& no habito(infignia nobre da republica ferafica) a qual
porêm fe compadece co as permifóes da regra. Porque dizendo
sòmente, que não andemos calçados fem auer necefidade,
ella
* c2P, 8. * @ qui nece/State cºgumtur po/int portare calceamenta: ficou pel
mittindo o modo da defcalcez > de que quize rmos víar » Ou COS
pês nús pela terra, ou com tamancos de pao, ou com fandalhas
de couro; que tudo he andar defcalço. Determinando tam
bem a qualidade do panno, que auemos de vetir, dise fó, que
d Eod.c. feja vil: º veftimentis villbus induantur; & a o nofo juizo remet
teo a eleição do mais vil, ou menos vil: do burel, ou do faial.
De{creuendo finalmente a figura do habito exterior, não fez
mais que afinar húa tunica com capello, cingida com hum
e, Eod.c. cordão : º romam tunicam cum caputio, Or cingulum: & nos ter
In OS
*••••••••***m =T=
#*#*sem +--+

da Prouncia de Portugal. 27 |
mos de palauras tão géraes bem cabe hum cordão de linho,
ou doutra materia grofeira: hum capello redondo, ou agudo: [ -

húa tunica larga, ou etreita: comprida, ou curta: fe não ouuer { A

demazias. E que feja, ou não feja remendado ete habito, tam |


bem he liberdade, que etá em nófia mão,da qual podemos víar
conforme ao epirito, & deuação, que tiuermos, pelo teor detas |
palauras feguintes. / g pº/int ea repetiare ©rc. Pera o manto fºod.c. #
tambem,
não que introduzio
ha medida o vfoja
determinada, do tempo
& certa : masdefempre
N. P. Santifimo,
deue ficar , +

em húa mediania, que nem arrate pelo chão, como capuz


de enlutados, nem fe ponha em altura de murça de coni
gos, pera que não fe venhão a queixar, como ja os de Fran
ça fe queixàrão a o Papa. Pelo que todas etas differenças
são permittidas na regra, & conuindo na figura principal, de
terminada por ella, º fempre motrão ferinfignias de húa me{ma g. Suar.c
religião. - - " … - - àtina,
4 Confite a terceira diferença na multidão dos prelados
gèraes, que são tres nas tres familias, & nenhum fujeito a outro,
mas todos immediatos a o Papa. No qual ponto não podere
mos negar, que mais vnida etaua a nofia religião, quando toda
tinha (ó húa cabeça,&hum prelado geral:porém ainda permane
cem hús vetígios deta grande vnião na pefoa do nofo Minitro
gêral da Obferuancia, que a repeito dos outros he o fuccefor
legitimo de N. P. S. Francifco, a quem por dereito pertencia o
gouerno de toda a fua Ordem, & poto que não o exercitº nas
outras duas familias, ordenando o afi a fanta See apotolica,
nem por ifo perdeo a fua jurifdição, & autoridade radical, por
cujo repeito sò ele fechama General/Simo,& Xánfira geral de toda a
h. Prelu,6.
Ordem dos frades.htenores, como º temos declarado. E dado cafo, •

que não ouuera eta vnião habitual em hum prelado fupremo,


que he conforme ao epirito da "nofia regra ferafica, bataua a caps.
muita conformidade, com que as familias conuem na imitação |
de hum patriarchavnico, na vnidade da regra, na forma do ha
bito,& na fubtancia da ordem, pera dizermos, º como fe ha de 1/Suir cit.
dizer, não sò na fraze do vulgo, mas tambem na dos jurif |####,
tas, & letrados, que não obtante a multidão de géraes, todas e º "5.
formão húa fóreligião. Que dete modo as freiras de fanta Cla
ra,ou etejão fujeitas a os bipos, ou a os nofos prelados, todas
| são de húa Ordem.E tambem do mefmo modo os móges do Pa
triarcha S.Béto,affi em quãrofeus moteiros etiuerão feparados
C 2. 1] à
******--*-****-* * s+=">>>" F • —T-
28 Preludios à hi/toria Serafia
na obediencia dos bipos, como depois de vnidos em muitas cõ
gregações com diferentes Gèraes, fempre forão, & são ainda de
húa religião.
Fizemos ete difcurfo pera ficar entendido, que a nota
fanta Ordem dos Menores, Poto que partida antigamente nal
güas congregações, comº erão a do B. Amadeu, a dos Clare
nos, & outras; & diuidida agora nas fobreditas familias: em to
do o tempo foi, & he a me{ma religião, & hõa fé com vnidade
fubtancial, & moral, compota de todas ellas, como de partes
integrantes, fem algüa formar ordem particular, & diftinta.
Pelo que do me{mo modo com que chamamos Prºuincia à mul
tidão dos frades, & dos conuentos, que etão vnidos com hum
Minitro prouincial; chamamos Úngregação, & Familia a os que
eftão congregados com hum prelado gêral, femferem ordens
ditintas. E detes nomes varão tambem os Papas, a faber
m.Bul. 1. Leão X, na "bulla da vnião, que começa : Ite vos in vineam
apud Ro
drigº meam : o qual difmembrando dos Conuentuaes os frades da
Obferuancia, & vnindolhe a ella os Amadeus, & Clarenos,a ef>
tes declarou pelos nomes das fuas congregações, de cºngregatione
fratris Amadei, @ 4. Clarenis : & aos outros por frades da fami
lia Obferuante, de família de 04/ruantia. E Sixto V. falando dos
Capuchinhos, & doutros reformados entre os Conuentuaes, a
n.Bul.17. todos chamou de congregação: a os primeiros na "bulla, prºea,quam:
o Bul, 3.
p. Apvd a os fegundos na º bulla, apofiolici muneris. O qual titulo de (on
| Hieron. à
Sorbo in gregação deu depois a os me{mos Capuchinhos na fua e bulla, cu
comp. jo principio he:Zeat Francfºi, onde vai manifetando a perfeita
vnião de todas etas congregações, & familias em húa religião, a
qual he aquella mefma, que intituio o Patriarcha ferafico, pe
las palauras feguintes. 2". Francifi conf/oris fidalas ab como
Fundatore infituta , @ ad eumdem Zei finem ordnata , conius que
Seraphice religionis nominº nunchpata, in plures fidalitates, @ membra,
JApótolica permifone diuidiur. E por tanto vindo o dito Leão X.
a falar de todos juntos, que erão os Obferuantes, Conuentuaes,
Clarenos, & Amadeus, a todos chamon da me{ma Ordem, euf |
* Ordinis, & o me{mo difera dos Capuchinhos,feia então os ou
uera. Finalmente affi o motra ete titulo, 3anifier general, totius
Ordinis fratrum ºtinorum, do qual vía o nofo Minitro gèral
da Oberuancia, approuandoo em juizo contraditorio, comoja |
temos efcrito, a fanta See apotolica. De modo que a repeito
das fºbreditas familias, & de quantas reformações fe fize
r e no
••-- ••••-----
------- =>-- - -

da Prouintia de Pºrtugal 29
rem, & são feitas, fe chama 3ánfiro geral de toda a Ordem, & |
não de tºdas as Ordens,por quanto,ainda que diuidida, he húá fé, & |
não muitas. . . . - - - - - - . * * * >,

6 Ito mefmo foi fuppondo, & motrando o padre º Soa. 1. Loccit,


". Cit.C., 1.
res; & poto que diffe em húa parte,que parecião diuerías reli n. 7. - 2 , !
….… .
giões, nòs não tratamos de apparencias, fenão de realidades; & # Trat,8 |
quando º noutro lugar lhe efcapou eta propria palaura, logo a 1. * c.1, n.4
remediou dizendo, que, melhor fe chamarião familias. Pelo
que impropriamente diffe humº Autor dos nofos tempos, que t, F. Gil de
S. Bêto na
findº muitas as Ordens, que guardão a regra do Patriarcha são Zen fatisf. apo
to, não são menos as que guardão a dº ferºfico padre são Francfºo. loget.re
poft. 2.di-| |
Nós não falamos nas fuas benedictinas, porque fempre foi ulf. 13. :
perigo metter fouce em mèfe alhea: mas dizemos, que nas
nofas congregações, & familias, não ha mais que húa religião
Francifcana. : ' .. * . . . T, º - - - -

- - } : -. #…
: … … … or
• PR E L V. DIO : IX. :: - .
|-

- -- - - - - - - : -# - ; ".
Das Ordens, é Infitutos, que florecerão àfimbra da nº[a]
*# : ; ; ; " |
+

, , . " religião dos Menores."…"


º
* * º 1


- -
|-
-

} ' ' . -- …" - - > al +

#1 P# er grande Pae de muitas gentes o Patriarcha


ferafico, não foi nece{sario, que outras Ordens pro
*


*
- - -1

* fe{safiem anofia regra euangelica, porque bataua,


& ºbejana arara immenfidade das tres, que ele intituio, a cu-| ...}
ja fombra, em particular da primeira, & da terceira, nafcèrão | " |
muitas em a Igreja de Deos. Ouue porêm ainda húa, que acre
centando contituições á dita regra, como feus additamentos, &| |
variando o a{sumpte da nefsa Ordem dos Menores, formou di
uerta religião. Eta he a Ordem da A/en/aº,da qual fizerão memo a. Ani 223
ria os padres", frei Lucas, º frei Artur, & º frei Pedro de Alua. n. 14.
b.In addit.
Tratando poís das que fez o me{mo Santo,ou procedèrão dellas, ad Marty-f
apontamos as feguintes. 1 ::: ….ok. •
–4
rol.4.179.
c.Tab, a 2. !
2. A Ordem de fanta Clara foi fundada º pelo me{mo fan d Gózag.
to Padre, quando lhe vetio o habito na cidade de Afis, anno pag.3.
F.Luc.an
de Chrito 1211. Approuou a logo o Papa Innocencio III. no I a 17.
& 1 a 19.
mas a fua approuação mais folemne ficou referuada pera o
anno de 1219. & Pera Honorio HI. Etá hoje repartida em
| douseftados:hum delleshe o de freiras defcalças, que guardão a
fº C 3 pri
*** - - -
3o Preludios a hi/toria Serafica
|primeira regra , & tem feis moteiros nefte reino. Outro he das |
que fechamão Vrbanas, por rezão da regra, que lhes deu o Papa |
Vrbano
ros. IV, as|-quaes encherão o mundo de fantidade,& motei
- - - • • • • • • |- - ".. * "I • |-

e.F.Marc. 3 "A Ordem da Penitencia, ordenou a o º melmo Ianto Patriar


p.1.1.9.c.
1. & 4. "; chapera homens, & mulheres feculares de qualqueretado, & |
Fr.Lucan qualidade,que fejão;& porfer intituida depois das duas , de fra
no 1221.
des Menores,& freiras de fanta Clara, chamoufe Ordem Terceira, |
& os feus profeflores,7erceiros de são Francifo. Teue feu principio |
no anno de 1221. no qual tempo foi confirmada por Honorio |
III. & depois por outros Papas atee Nicolao IV que lhe concer
tou,& autenticou a regra em 16 de Agoto de 1289. conforme
lha tinha dado nofo ferafico Padre. Multiplicoufe em Portugal
- •- • - •

com etranha deuação. " " " :


4 A Congregação das Zomnas de Robando tene por feu fundador
no anno de 1275. a o venerauel padre frei Hugo de Dina, reli
giofo da nofía Ordem ferafica, varão pröfetico, & dotado de ex
celentes virtudes, que ajuntando contituições particulares á re
| { gra da Penitencia, ordenou etefanto intituto, no qual viveo cõ
fama de fantidade fua irmaam Dulcina, ou Dulcellina, na cidade
f P. al., \•
de Marfelha. Fazem memoria della os padres /frei Marcos, &
C. I»

ganazzº. freiº Lucas, ambos filhos deta prouincia de Portugal, & myte
& 1281,
riofos por rezão dos nomes perahitoriarem os fucceflos danofa
religião euangelica: " " * * * * * * ** * *
; A Ordem dos frades Yánimºs reconhece por fundador,& pa
. #F. Marc, triarchaasão Francilco de Paula em Calabria, "a quem feus paes
|
P.3.1.9.
C.6.
derão ete nome agradecidos á intercefsão de nofóPadre ferafi,
Fr. Hiero, co,que fendo elles eteriles, lhes alcançou-ete filho da piedade
Rom.l.6.
C»3º
de # Com etes mefmos empenhos recebeo o habito da nof
fareligião, & pedindo licença no fim donouiciado pera vificar
} (eu fanto corpo na cidade de Affis, quando voltaua da romaria |
quiz fazer húa Igreja no lugar de Paula; onde auia nafcido, no
} qual tempo lhe appareceo o Patriarcha ferafico, acontelhandoo
º que fizefe edificio mais amplo, porque da parte do ceo lhe pro
mettia fea fauor. Pelo que alentandole o Santo,na me{ma Igreja
| intituio a fua Ordem, a qual chamou defrades hammºs, a exem
plo da nota dos Xenores, cortando também o habito pera os feus
religiofos pela forma, & figura do que trazemos nofos mefnos
nouiços.Foi approuada no anno de 1 472 pelo Papa Sixto IV.
frade nofo, pera que em tudo entrafe à nófareligião." Tem a
*—

fua
|
---- -- - - - - • - - -

------ ----…><=== ---•••- - - - - - —


***********-*-- ……….…………… -- * * "……………-- •• <-- • •••••••••••• • ••••• • - *** …>-- ----

da Prouinciadº Portugal — 31
fua frades, & freiras: mas não achou affento ateegora nete rei
[]O, - -- . . . … | , ,

, 6 A Ordem das freiras da Conceição immaculada da Virgem Se .F.Marc. 1


nhora noísa," foi fundada pela ferua de Deos D. Brites da Sylua, p.3.1.8, c
Portugueza illutrifsima, por fer filha de D. Ifabel de Menezes,& }Gonzag.
1. & 1 1.'
de Rui Gomes da Sylua, Alcaide mór de Campomaior;& de Ou pag = i.
guela. Foiirmaam,no fangue, & navirtude, do varão de Deos frei Salazar em
la chron º
Amadeu,fundador de húa reforma,& não ordem, como álgüs ef de la pro
uincia de
creuerão,na noísa religião. Efendo dama do paço da Rainha D. Caftil. 1.8.
Iardim de
|Ifabel,mulher del-Rei Dom Ioão o II. de Catella, por feli Portugal.
|urar de defgotos fe recolheo a o porto da vida religiofa na cida pag.3 * **
de de Toledo. E indo ja caminhando lhe fairão ao encontro os
dous padres são Francifco,&fanto Antonio, que pera a confola
rem lhe falarão em Portuguez, & diferão como auia de fer mãe
de muitas filhas nobres,promettendolhe também, a fua intercef
são. Pelo que infiammado feu epirito fundou eta Ordem à hõ || ||
|ra da mãe de Deos,a qual no anno de 1489. foi approuada pelo |
:Papa Innocencio VIII. & confirmada pelo ceo com etranhas
marauilhas.Começou co a regra da Ordem de Citer,depois to -
• -

|mou a da virgem fanta Clara, & no anno finalmente de 1511. •


…; •

lhe deu outra particular o Papa Iulio II. ordenando que empré • tº "…nº .
* * ** *
mio do zelo, com que fempre defendemos a Conceição imma +

culada da Senhora, etiuefe fujeita à ogouerno dos prelados da


inofía Ordem ferafica. Tem grauífimos moteiros em Catella,
&ja ostem em Portugal, na cidade de Braga, & nas Ilhas Ter
céiras. , Ordem
* *
• …-
*
•• • • … … , "}, " ":" ";
• • - - - - :*, *iº
dasfreiras Annunciadas,por outro nome,dºs dizki.
- -
* * * ** * * * . ** * **



-* – e r, ir ": ….…. ; c.i) …." K51-.- - --- 1- 2 - r_2.232 2 |
** * *

hºplicitos, ou das dezyirtudes da Senhora, foi leuantada em Frán a pe 1.6 onzag.


###########
gem, & femelhante aos martyres no muito que padeceo vinte
# Ioán. Chel.
694. -

nü inchro
anhos em poder de Ludouico, # marido cu", olog Pa
"triarc. Bi
os aggräuos lhe afirão na confetuação da pureza virginal,que turic, pag. •

ofereceo a Deos. E fendbrepudiada por ele quando tomoupol. 1 **


> Fr. Elias ! :
reino , intitu fo eta Ordem dê primeiro intento péráfi.
fe do __…_gº.
|- _n -- … :: {a + 2 N. , "},t:31'#: :-22:12.211.2#" #1.2#:::.*?
de S. The
refin leg.
iras,& pera aquelles frades sòmente, que as pudefemferuir áhõ ecclef tT1
ra;&em nito
|çutando louvoro da
* * *
queAnnunciação
ela lhe tinhadapronóticado
: Virgem Senhoranofia,ex
*
em humºrpº-
</nºrº *> ;"i # - 1 1 - , , "r : "." (º-
• •• • • •- * .: "X ( |-
* * - *- …
** - :* * *
umph.l.z.
* C. 47/ •
c. 17
|- •
-11 **** . .

| recimento na idade de minina. Ajudóufe neta obra tão infigue


• : ". - - • • • … - … • • } * * ** * *** #$* , - - • ! #! | "> C.. > * ** * ** *
-crº ei
• ()* * * * *
dos confelhos,
1
&indutia de frei Gilberto Nicolao, fºu com ef
… 1 # ~3: rr. Aº a 5 = "_": "sii - - - - …" - 1*1^{1 #*: *"
-
• • • .*

fór& frade danoff Ôrdem, o qual lhe cãnoz em dez capitulo=|


*=====
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- -- ---- 94------------- a re----
*=isº mywam –= —=== • - " " ----

2 2 Prelúdios à hiftoria Serafica.


a regra, copiados pelas virtudes da melma Virgem fantifima,que |
- eftão efcritas no Euangelho;&indo a Roma pedir a confirma
ção, Iha cócedeo o Papa Alexandre VI. em 12 de Feuereiro de

. 15o I. Ete me{mo frei Gilberto a gouernou em fua vida, & de


pois foi entregue pela See Apotolica ao cuidado da noísa reli,
"Bººgião. "Paulo V. & " Gregorio XV. lhe chamão da Ordem de sãº
d R • I, • • 1 - # |- • • •

#"|Kaneja. Começou na cidade de Bourges, do Ducado de Berrí,


-

#…] donde feroicommunicando aoutras partes de França,


• . |- -
|# - ! " - - - -

Continuafº com efia mefina notícia. |


8 a Ordem de mulheres cºmunidas, fº não a fundou de nouo |
o nofsofrei loão Tifero, homem em tudo apotolico,
o, Geneb. º foi ao menos retaurada por elle, depºis de etar ex
##tinâa,na cidade de Pariz, pelos annos de 1493 Guardão º re
#" | gra de fanto Agutinho, que ele me{mo lhes deu, & là ficàr㺠|
14.
Fr Vital. I nefsas partes.
de Algez | part " " … • •
- -º
… hri -
-
- -
- -
ão da l , !

# [ 9 A Ordem militar,chamada.»álicia Chrfiaam emprotecç㺠da |


gº * [mmaculada (onceição da Virgem Senhora nefa, teue nafcimento illuf |
FR……. triffimo em dous Principes famofos,º a aber o Duque de Ne
#|uers em França,& de Mantua em Italia, & o Conde de Altan em
} Alemanha. Ó de Mantua, que foi o principal promotor, depois |
de fizer nouiciado no nofso côuento de Ara-coeli em Roma,pro
fefsou nas mãos do Pontifice Vrbano VIII. em 21 de Ianeiro de
|1624. Foi fundada eta Ordem com fubordinação,&dependen |


cia da noisa, por parte da qual affitioname{ma Curia ao fazer |
das fasconfinições o padre frei Ioão de são Bernardino, pro
… º curador géral, que era de toda a noísa religião,& benemerito Paz | • • • • •

"|dre deta fanta prouincia de Portugal.Tem por asumpto,defen


- - * - -- - -n + ''+ - , , r" _> .. … * * * * * * * * * *- . * … " " …" * "… ) , !

| der a Chritandade por mar, & por terra, de Turcos, Mouros, &# •

# , Coísairos.A fua diuiza,hehãa Cruz azul da feição da de Álcan F


tara,ainda que he mais larga,cercada de ráios douro: por otla o
… - | cordão de são Francifco, & timbre húa imagem # toraim
- 1 - - * * * * *>""
+ -- - - - , ! -* * *** " … - - -> " • • • • * ** ' • - -

| 16 Pudera aqui entrar a Ordem das feiras do Hºpital, ou de sãº


* * * *. * . . , ** - - - |- - - - •" - • •

| loão da penitencia, em quanto retaurad a nete reino, na villa de Ef.


1. Arch. tremoz pelos annos de 154o. Porque? em freiras de fanta Cla?
º '' * * * * * * ** * *** * *** * * * *r*. : -3 * * * *, * * * |
#"|'ra,fendo elas as primeiras, que vetirão ofeu habito, & no gre |
º l mio da nofsa Ordem ferafica fe fez a reftauração debaixo da |
-
. --— - - - - - …-, * + • *> -- -
== , | -- ---- - →=
!
-********e =#…

da Prouintia de Portugal. 33 -
obediencia do Minitro prouincial do Algarue, na qual o motei. |
ro ainda perfeuera. Mas o Infante D. Luis foi o autor deta obra,
& nós não tratamos dos moteiros d'outras Ordens,que começa
1ão dete modo por freiras de fanta Clara,como são em Portugal
o de fant-Anna em Viana, da Ordem do Patriarcha são Bento,& |
o da Encarnação de Cõmendadeiras d'Auiz, na cidade de Lil.
boa. Nem tambem reparamos nos moteiros de outras religiões,
que são gouernados pelos prelados da nofia, dos quaes na cidade
de Napoles ha dous da Ordê do grande padre fanto Agufinho,
cujas freiras em tetemunho de fua ebediencia, não trazem cor
•---

rea,(enão o nofo cordão.


11 Os exercicios fantos,& intitutos deuotos,que inuentou,
ou reformou a nota Ordem ferafica,não he poffinel contallos, & {
4
sò diremos alguns. O vfo das confrarias,& difciplinas em forma r.Fr. Hier.
de procisão,dado cafo que "fofie mais antigo na republica chri Roman. l.
taam: nós deemos a tudo vida,etando ja efquecido,& extinéto, cit.C. a 5.
4.Fr. Luc.
A "procisão dos difciplinantes em Italia pera applacarem a in anº. 1 2 2 5 * * .
dignação de Deos, traça foi de fanto Antonio, & de là (e eften n. 19.
Surius c 6
{

deo a outros pouos." As confrarias, que fe occupão em obras de Hift. eccle


fiaft. de
piedade à honra da Virgem Senhora nofia,o efpirito ferafico de Lisb. p. 2.
são Boauentura lhes deu ditofo principio: húa das quaes chama c 35.
t, Fr Luc.
da Confalonia, he muito celebre em Roma. "Das irmandades do an. A 2 74,
Buzz de
fantifimo Sacramento do altar, & da pompa, com que he vene úgas eccl.
rado nas Igrejas,& (e leua a os enfermos,foi inuentor o fanto frei 1.9. c. 5.
Cherubino,& por ifo fua imagem fe pinta com húa Cutodia nas u. r.Marc.
p.3. l. 7. ?
mãos. " A deuação da Coroa da Virgem Senhora noísa, que o C. 2. .. …
X.F.Marc.
ceo autorizou com muitos milagres e{critos hoje nos liuros do P cit.l. 1,
feu Rofario, a hum nouiço da nofia Ordem foi reuelada por eta C, 35.

me{ma Senhora,& fenôs a deixamos efquecer,feria porventura a


repeito de fugir de competencias. . . . . … . ,
12 A Companhia, ou y Irmandade de S. Hieronymo na ci y Fr. Luc.
an, I.447.
dade de Florença, cujo intituto era encaminhar ao feruiço de
Deos os feculares,que andauão efquecidos da faluação, & etra
|gados em vicios, foi fundada pelo venerauel padre frei Nicolao
Vzano, da qual tambem nós logramos o intere{{e maior na con |
aersão do grande feruo de Deos frei Thomas de Florença, varão
z.F. Marc.
infigne no efplendor de virtudes. * O Monte da Piedade pera P. cit.], $.t
remedio de pobres,tyrannizados com víuras, inuentou, & leuan c. 58. -

{ tou na cidade de Perofa,o ferno de Deos frei Barnabe de Iteran


na. A defensão da Conceição immaculada da Senhora Mãe de
- - - -- - Dcos,
*Teºr=#**>•••*****
34 Prelúdios à hittoria Serafica •

a. Vafq. in
Ucos, "empreza foi do Doutor Subtil Scoto, com tanta felicida.
3.P difp. de que he hoje applaudida em o mundo. A veneração finalmê
I I 7. C. 2.
b. Fr. Luc.
te do fantiffino Nome de Iefu, º são Bernardino de Sena a in-}
3n, 1427. cultou na Igreja ácuta de tantas perfeguições, & trabalhos,que
& 1432.
demais de etar prefo,foi arguido de herege, motrandolhe nitº {
a piedade de Deos,quanto elle deuia padecer pelo feu nome. E{ }
tas,& outras femelhantes, que agora não podemos relatar, forão
| fempre as notas occupações.
PR E L VDI O X.

2ue Ordens, 3 Inflitutos fundarão ºs Terceirºs fica


lares; E quando começou a religião da mefina
Terceira regra, }

!
I C Om o leite da doutrina da nofa religião dos Meno
res forão bebendo tambem os Terceiros feculares o
• • • • • + •

epirito ferafico de multiplicarem gente em o feruiço


de Deos, pera o que inuentárão outras Ordens, &Etados, que
| ainda florecem em grande opinião. Foi o mais proprio nelles a
fua religião de Terceiros regulares, a qual formátão por autoridade
apotolica, profeffando os tres votos folemnes debaixo da mef
ma regra, & transformandofe com ifo de feculares em frades.
} á7, tOfn, I, Mas não conta,em que tempo começou; nem o padre º frei An. }
praclud.3. tonio de Sillis, religiofo da me{ma Ordem, o defcobrio com cer
teza,poto que intêtou perfuadirnos,que d'algüas bollas, as quaes |

b.tom.a. ele copiou em" outra parte, fe pôde conjecturar, que fiorecia ja
nos tempos de Innocencio IV. Nicolao IV. Bonifacio ViII. &
Ioão XXI ou XXII. como fe diz vulgarmente, aquelle, que no
anno de 1316, tomou poffe da cadeira de S.Pedro.
e apud Sil. 2 Pera o tempo de Innocencio, alega com húá º bulla de
& apud
Rodrig.
Sixto IV, cujo principio he: Romani Pontificis, pela qual ete Vi
bul.4. gairo de Chrito confirmou,& ampliou a fujeição dos Terceiros,
que o dito Innocencio fizera, à direcção, &gouerno da nofa pri
meira Ordem. Mas he certo, que falauão sòmente dos feculares.
pois difunhão, que da nofia me{ma Ordem fofe o feu Confef.
for,o qual porêm naõ faltára entre eles,nem conuinha fer efira.
nho,fe foraõ religiofos, como entendéraõ bem Eugenio IV. &
- Nico
== Ferg+>
da Prouintia de Portugal. - - — 35
Nicolao V. que a etes o affinárão da fua Religião . E tudo o
mais,que contem a dita bulla,quadraua a os me{mos feculares: a
faber, dizerfe delles, como tambem fe difse na outra "bulla: Sa
Rodrig.
crº/antia Romana, que etauão dedicados,/ub religionis habitu, em ha bul. 31.
bito de religião a oferuiço de Deos; porque o feu vetido era ho
neto, reformado, & diftinto do que trazião todos os outros fe:
culares, com o qual feruião à Majetade diuína na obferuancia
e. Frácifc.
d'húa regra approuada pelos Papas,gozãdo, por opinião de, gra de plarea.
ui[fimos doutores,& declaração do me{mo Sixto, da immunida tract. de
excom, .
de,& foro ecclefiatico: fpelas quaes rezões, affi como os cleri S.Ioan. de
gos, falando largamente,fe chamão religiº/ºs, tambem elles po Capít.
tract de
dião ter ete nome, & o feu etado, chamarfe Religião. Efendo CXCOIT),

F. Bernar
elle deta forte,ordenado com regra,& intitutos, como declarou din. à Bu
* Nicolao IV, difephnis, 3 reguls informatam, com muita proprie fto tratt.
de imitat.
dade diffe aqui o dito Sixto,& diria Innocencio,que os intruiÍsé Chrifti.
Collector
na difciplina regular os nofos religiofos,vifitandoos,& reforman priuileg.
doos fegundo feus intitutos regulares. " verbo, .
Tertiari
3 Pelo que não fe collige da dita bulla de Sixto, queja em Il. 2 5 * *).

tempo de Innocencio auia Terceiros por profilsão folemne reli. fSur, de | infuper.
giofos. E muito menos fe poderà coligir, como quer o me{mo relig tom.
Sillis, da "bula, a4cvberes frutas, do Papa Clemente VII. por 3. tract,7.
l. 6, c. 1. n.
quanto não nomeou a o dito Innocencio, fenão pera derogar o 9. & 1o.
g. & apud
que tiuefe ordenado contra a fus prefente dipofição, como era Rodrig.
2 # dos Terceiros feculares a repeito da noísa Ordem bul. 8.
h. & apud:
ferafica, os quaes elle agora fubmettia á fua religião. Tudo ito eund bul.
fe confirma pelo que difse Leão X. na fua celebre bulla, que co $.

meça: Inter catera, Ito he, que auendo confirmado o Papa Nico
lao IV. a regra Terceira, por meio da qual são Francilco nolso
Padre procurâra a faluação dos fieis, duduw/quidem hulus gratia
Nicºlaus lVOrc. eles mefmos pelo ditcurto do tempo, veràm quiº
tempºris decurfa, vierão a profefsar religião debaixo da mefma re
gra. E como a morte de Innocencio precedeo á eleição de Nico
lao,mais de 33 annos,com cuidencia cóta,que eta Religião não |
alcançou os feus dias.
4 Donde tambem fe manifefta, alèm de outros motiuos,
que ainda não era intituida no tempo do dito Nicolao IV, pois
nunqua fez menção della, nem ordenou regra, que ouuefse de
|guardar,fendo ele o primeiro dos Põtifices, que pera os fecula
res a efcreueo em fuas letras apotolicas, difpõdo, & accomodan
do o que nella fe cõtèm a ofeu mefmo etado. Nem contra ito
EC {I}
- -- -
== ==

36 - Preludos à bifloria Serafica


| tem fundamento algum a conjectura,que tirou º padre Sillis das
i.loco cit. palauras do Collector dos priuilºgios,o qual diz que fóa os reli.
giolos deta regra, & não a os feculares, (e etende açõmunica:
ção dos priuilegios feita por ete Pontifice: donde veio a cuidar,
que no feu põtificado auia os ditos religiofos. Mas ouuera de adº
uertir nas me{mas bullas,que refere, que o priuilegio de izençãº,
& outros deta qualidade começàrão a cõcederfe a os ditos fecu
lares por Honorio III. & que etando cõmunicados depois a os
que fão religiofos,a etes côferuou em fua pose no cõcilio Late
<& apud
Rodrig.
ranenfe Leão X & " a os outros esbulhou, por não ferem onero:
bul. § 1. fos a os pouos,reuogando as fuas immunidades. Nos quaes ter
mos,conforme a oetado prefente, & não do tempo paflado, fa:
laua o Collector,como fe declarou adiante; & affi não diffe,nem
o podia dizer, que a religiofos deta Ordécõcedéra Nicolao IV.
algum dos feus priuilegios.
Pera o tempo de Bonifácio VIII. feremette o mefimo
xx.& apud
eund. ul.
Sillis a "bulla de Sixto IV, ad chrifii Vicarij, na qual ele sòmen
&$º
te determinou,& declarou por folemnes os tres votos dos religio
fos deta Ordem,não obtante o que o dito Bonifacio auia con
tituido. Mas ou ifo foffe prohibir religiões, que (e fizefem de
nouo,ou declarar que ainda não erão folemnes os taes votos,o q
fe collige he,que não auia então os ditos religiofos. Pera o tem
po finalmente do dito Papa Ioão faz recurfo à fua difoofição,que |
começa: Santa Romana. E não podemos negar que querendo elle
manifetar ao mundo, & impedir os couijs de gente perniciofa,
que fem legitimamente, & na verdade profeffareta venerauel
Ordem,co a fua capa fanta abonaua os excefos, ordenou que os
Terceiros não fize6em congregação,nem viuefem em cômum,
pera que à vita delles,fendo cordeiros innocentes,não tomafsem
algum alento os lobos. E deta prohibição deu teftemunho na
bulla, excitar arcanum, o Papa Paulo II, na qual porém não forão
comprehendidos religiofos folemnemente profefos, como nou
n. & apud
eund.bu, tra "bulla,cujo principio he, dudum perfelicis, declarou innocenº

cio VIII. mas os Terceiros feculares, que por fua deuação (e có
| gregauão fazendo vida cõmum; & sò etes fe collige florecerem
naquella occafião,
6 Desfeitas pois as cójecturas de Sillis, pera tempo mais
moderno auemos nós de trazer o principio deta fanta Religiãº
da regra Terceira da penitencia. O Papa Clemente VII. diz ó
mente, que começou antes de Eugenio IV. entrar no fummo
pon
swqswassessmºyºsamessa
********>

da Prouncia de Portugal.
C. 37
-

lumnio pontincado; & na verdade tão pouco era ainda feu alen.
| tonete tempo, que ali elle, como feu fuccefor Nicolao V. lhe
concedétão eleição de prelados fuperiores, cõ outras graças to
cantes ao gouerno, em Hefpanha, Italia, & Flandres. O pa
dre º frei Marcos affenta feu nafcimento pelos annos de 142 1. ... p.…...
mas ja ella florecia no de 14o 1. no bipado de Trajecto,confor-lº??
me a húaº bulla de Bonifacio IX. Pelo que mais fe chegou á p. Fr. Luc.|
an. 14o 1.
rezão os Autor da nota Chuonologia Hitorica legal, apontan 1. Pag 18
dolhe o anno de 1 397. Se bem ja no outro d'antes a 6. do mez
de Ianeiro etauão religiofos delta Ordem no moteiro de fanta
Catharina do Monte de faro em Galliza, quando o "Bifoo de r. Fr. Luc.
| Mondonhedo, Dom Lopo, lhe vnio a igreja de fanta Maria do 2n. 14.o 3.
in rege
Minho, pera que elles pudefem feruir, como deuião, a Deos, {to.
vt religi% thdem commorantes debitum Zeo pºfint impendere famula
tum. E fuppondo a opinião de muitos, que a ferua de Deos for
Angelina deu motiuo a eta reformação, começandoa pelas frei
ras na cidade de Foligno, ou Fulgino, fempre auia de fer depois
do anno de 1362. em que foi eleito o Papa Vrbano V. o qual
|lhe concedeo a licença, como conta de húa bulla de Eugenio
IV. copiada pelo nofío" Annalita. E por aqui damos fim a eta 4.2rege
m. 544o
in
trabalhofa diggresão, a qual fizemos por acclarar a verdade na flo.
origem deta Ordem, deixando o ponto fixo pera quém o alcan
çar; mas aduertindo tambem, que não confite o louuor de húa
|religião em a velhice dos annos, mas no feruor, & pureza, com |
que obferua as fuas obrigações: Guardão os frades, & freiras de- …"
|ta Ordem em Portugal, Catella,& França,a regra,que lhes deu | …
o Papa Leão X, em Italia tem outra. . . .
- Vão correndo, /lf fundações dos Terceiros
, ; ficulares. .. . .
7 "o"." (aridade dep" acei foi intituida no bif
?
t.F. Hiero.
Rom.l.6.
• pado de Chaalon em França por D.Guido fenhor do c. 25° }

Catello de são Iorge, & outro feu companheiro, am


|bos Terceiros feculares, os quaes efcolhèrão por afumpto cura
enfermos, & hopedar peregrinos. E fendo no anno de 1296 |
| approuada pelo Papa Bonifacio VIII, cõ a regra da mefma Ter
|ceira Ordem,tomou depois a de S. Agutinho. Não entrou em
| Portugaleta ordénéera eu o moteiro de Rates perto da Villº
D do
—T- * …==
º8 Pruudios à hi/toria Serafita
do Conde,cou o alguns imaginao, temão dos monges, charnados
da Caridade,que profefauão a regra do Patriarcha são Bento na |
reformação de Cluni, cuja caía principal em Leão de Fran
ça tinha o me{mo appelido, como fe vê pelo liuro dos obi
tos de Santa Cruz de Coimbra, onde etão etas palauras a 17
de julho: (immemoratio monachorum Clumacen/um mºnºfieri) de Cha.
ritate. No qual tambem fe faz memoria a 17 de Abril de
Dom Guilhelme; prior de Rates, & monge da Caridade. E
he certo, (em algúa controuerfia, que mais antigos forão em Ra
tes os monges,do que em França a origem da Ordem, de que tra
tamOS. . . " • • •• • • • •
-
* * * *

8. A Ordem defanta 2rizida, deulhe principio eta gloriof


#**"|Santa,
in o artyr.
infigne em reuelações,profecias,& virtudes, "fendo Ter
die 23. ceira francifcana. E como filha do Patriarcha ferafico, º foi
Marti].
x F. Luc. fepultada em Roma no moteiro de são Lourenço impanisperna,
a n. 1318.
& 1391.
da Ordem de S. Clara,anno de Chrito de 1 373. Tem hum de
feiras na cidade de Lisboa,às quaes affitem os frades da me{ma •

|religião. . º - : -

• 9 . . A Ordem de s㺠Huronymº em Pôrtugal, & Catella, teue


y. sAn por feus Fundadores" a huns difcípulos do grande feruo de Deos |
tonin p.3.Thomas Succo, admirauel em prodigios,todos da Terceira Or
#"…" dem. Sairão de Italia pera efperarem a myteriofa vinda do Ef.
fincan. pirito fanto,que feu metre lhes tinha prognoticado, & toman
##nal do afento em Hepanha, quando mais pendentes etauão detal
# fua efperança,foi feita a mão de Deosfobre eles, o qual os enca
### s. minhou a refufeitar de nouo a Ordem de são Hieronymo, que ja
*# 1..] etaua extincta. Os que ficàrão em Catella,abrirão feus funda
e 7.84º.] mentos no deferto de Lupiana com approuação do Papa Gre
|gorio XI. que lha concedee no anno de 1 373. E o venerauel
padre frei Vafco, que fe tinha patado a Portugal, onde auia
nafcido, tambem a principiou no moteiro, que chamão de
Pennalonga, junto da ferra de Sintra, approuandoo depois no an
º no de 1389. o Pontifice de Roma. Tem eta religião illutrifi
... ma no reino de Portugal oito moteiros com hum collegio de
frades: todos, efcolas perfeitifimas da regular obferuantia, &
amorofos hopicios dos frades de S.Francifco, imitandona #
etes veneraueis padres a ofeu fanto Patriarcha, tocha infigne
|-FMare da Igreja, o qual no ceo *he Protector da nofia Ordem Sera
Elº fica. - * * .* . * …"; " "
… :: : - *: *"
"" | 1o A Ordem dºs Ermitães de são Hierºnymo, foi fundada por D.
*>++ Carlos, |-
---- →R

X • -** - - - - +

da Prounda de Portugal. __39


Carlos Conde de Mõre Granell>& por eu cópanheiro Gualte a. Fr Lur,
2f]. I 4.O Y.
Marfo, ambos da OrdêTerceira, nos mõtes de Fefula, dous mil F. Hieron.
Rom. l.
paísos da cidade de Florença, em húa ermida de noísa Senhora cit.C 18.
do Sepulchro. Guardafe nella agora a regra de S. Agutinho,de Salazar
C1t D. I.
pois de fe deixar a Terceira, co a qual foi confirmada pelo Papa &#.
Gregorio XII. acerca dos annos de 14o 8.
11 O Graufmo mº/teiro de S.Francfca Romana,fundou a mefma
fanta em Roma," fendo profeísa da dita Terceira Ordépera ma b. F. Artur
tronas nobres,q debaixo da regra de S. Bento,na Cõgregação do cit. die 9
Monte Oliueti,fe oferecem a Deos. Neta obra lhe affittio com Martj.

faudaueis confelhos o padre frei Bartholomeu, feu confe{sor,


da nofsa religião;&tendoa Eugenio IV.approuado,ella depois de
viuua,feguindo a me{ma vida, no anno de 144o. foi gozar muito
alegre da outra vida eterna. •

12 A Congregação dos enfermeiros pobres,que fe chamão Obregões,


começou pelo feruo de Deos Bernardino de Obregon,o qual dif
pindo as infignias de caualleiro da Ordê de Sant-Iago,&vetindo
o facco da penitencia,lhe deu primeiro principio em Madrid, no
hofpital, chamado da (orte, cõ licença do Nuncio apotolico, no
anno de 1566 a 2o.do mez de Maio. E depois querendo autori
zar,& cõfirmar o Intituto,elle cõ feus cópanheiros aos 7.de De
zembro de 1589. profesàrão a Ordê Terceira dos feculares no
fobredito ho{pital. Veio tambem a ete reino cõ doze dos cõpa
nheiros, onde todos então prouárão bem a grande opinião, cõ 4
a fua caridade florecia; & algüs ficátão em venerauel memoria e, Chro
nol. mo
nos holpitaes de Lisboa,Villauiçola, & outras terras, que conhe naft, Lulit,
cérão o amor cõ que elles feruião a os enfermos: mas como não 1. ** C. E I,

tiuerão cafa propria, o mefmo tempo os foi lançando de húa par


te pera a outra. Fundou tambem em Lisboa hum recolhimento
pera orfans, que depois de padecer fuas mudanças veio a fazer afº
fento,onde chamão as 3áercès. Efcreueo a fua vida D.Francifco de
Herrera,& outros tambem celebrárão o feu nome.
13 Comete majetofo apparato,nos pareceo que cõuinha
receber em Portugal a nofo padre S. Francifco, o qual de Italia
vém lançar a fua benção no leito fanto, em que auemos de naf
cer. E tambem, pera que quando ouuirmos falar neta fua
numerofa,& illutre defcendencia,compcta de tan
tas cafas, familias,etados, & folares, a o me
nos pofamos conhecelos
pelos nomes.
D 2 L lVRO
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cuidado de Deos, por cujo amor
| andaua por terras alheas arrata
Como veio a Hepanha naf) |do. Efcolheo por companheiros
padre Jão Francifo pera pa á os veneraueis padres, frei Bar
determartyrio, & que ca nardo de Quintaual, feu primo
genito na Ordem,& frei Mafeu,
minho trouxe na vinda |de quem lhe tinha contado, fºr
a Portugal · a vontade de Deos, que fe occu - º "…" . .
** * *** -|paffe elle em a faluação das al
I 213. s? PERTA DO | mas. E pòtos a o caminho, era
#*# dos defejos de tanto o aluoroço do Santo por
#martyrio ete | chegar ao fim de feus defejos, q
# Serafim huma. alentando a fraqueza procedida
no, depediofe de fuas enfermidades, com o fer
de Italia pera prègar a fé de uor do epirito, vinha correndo
Chrito aos mouros de Marro. diante, & faltando de prazer.
cos, ou ao menos de Hepanhº, Atraueffou co eta preça por
deixando tão piquena a fua reli | França,cõuertendo de paffagem |
igião dos Menores , que quando muita gente para Deos, atè en
muito,teria finquo annos de ida trar em Hepanha pelo reino de
de, encommendada porèm a ol - -- - - Nauarra, onde o ceo lhe decla.
__…_____________*___*--******-*
_D 3 • *-*- -
---- roa, --- -

Y "…
42 T7TDTS-7777777;
rou,que não auia de ferviolentº| mouros a victoria das Nauas:
feu martyrio com efpada dety: em Leão, D. Afonfo o IX. & em
rãnos,fenão amorofo pelas mãos Portugal tambem. D. Afonfo o
do Redemptor. Mas temos mui. | II. - = - ,

| to grande fentimento de que, a 3 Entrou o Santo em Bur .Garibai.


uendo tantos Autores, que lhe gos, º onde el-Rei de Catella f}luacq.; 6.
cõtirão por Italia os pafos, não affitio depois da feta da Afcen {
| fizede algum delta fua jornada | ção do Senhor atè 24 de Noué
exprefo itinerario, , bro,em que tornou a Toledo pe
|-|-

2. No anno em que entrou rair continuando a guerra com|


| ||
|
em Hefpanha, etão difcordes os os mouros Andaluzes. Efendo
|principaes Efcriptores da noísa | lhe dada audiencia real, tratou
jaan vai?
n.6. & 59. religião, dizendo o "Annalita, fó; como preladófantifima, do {
!
bº F. Marc,
P.I. l. I •
que foi o de 12 13. o "Chroni: que conuinha à fua religião; &
C-43. íta,o de 1214, & opadre" Gon |de fundar naquele reino cóuen
| c-pag 6o6
|&918. zaga,afinando hum<outro em |tos, com os # fe ampliafe.
diferentes lugares.Confideran Peraito exhibio a fuá regra ap
do porém as grandes voltas, que | *#anºcenciº III. &
deu pelos reinos de Catella, de não por "Honorio tambem III. b.Gonzag.
Pag.917 }
| Portugal, & Galliza: a detença, do nome, o qual ainda nete té
que em muitas partes fez:otem | po não etaua na cadeira de são
po, que lhe gatou hùa doença Pedro. E alcançando bom del
|comprida: a cõjunção finalmen pacho, principiou hum conuen
te, em que chegou a Catalunha, to em etame{ma cidade, que
| voltando ja pera França, pelo he oprimeiro dos que temos em
| mez de Setembro, ou Oitubro| Hepanha.Daquife faio chama
de 1214.tudo ito nos etá per do de outros pouospera o mef.
fuadindo, que no outro anno |mo efeito,aos quaes deu fempre
| dantes feria a fua vinda, paísa |fatisfação com milagrofos fuc
} dos ja alguns mezes, que lhe le cefos atè feir entranhando pelo
uou húa doêça cõ outras occupa mais interior de Catella,que vi
ções antes de vir de Italia. Não zinhaua cos mouros, de cuja im
d.pag.917. etauão vnidos mete tépo os rei piedade efperaua o martyrio. }
e.cit. n.59
Mariana nos de Leão,& de Catella,como Mas Deos, que o preferuauape
de reb.
Hip.l. : 1, cuidârão os padres. Gózaga,&º rainelle oftentar as marauilhas |
|C. 3
ilhefe. n
frei Lucas, / mas diuididos em defua omnipotencia,lhe COTIO11
hift # dous primos, & ambos do me{- |de repente o caminho com húa
p.1].s. C#
vlt. mo nome,reinando em Catella |doença forte, pelo difcurto da
Monarch. D. Afonfo o VIII, chamado o qual allumiandoo tambem o fo
Lufit. p.44 2om. que alcançou contra os berano Senhor, comecou a en
l. 13. c.7. :
tender, |
*>…
=

AMenores na Prouintia de Portugal. 43 - |


téder, que não era eta a fua fan correpondencia das terras, que
ta vontade. E affi (e refolueo em pera gizar jornadas, & caminho
ir vifitar o corpo de Sant'Iago de quem fe defuia delle por re
em Galliza,pera que fe declaraf zões, que lhe occorrem. Demais
|fe Deos com ele por fua inter que o Santo não vinha em direi
cefsão. Muito foi, o que netas tura de Burgos, fenão ja d'outro
jornadas tão compridas padeceo lugar do coração de Catella,
fempre com pouca faude, a pè, onde eteue enfermo; & diz o
roto,&defcalço,pedindo de por padre "Gonzaga, que neta vin 1.Pag 103 |
|ta em porta, como difcipulo d'a- da entrou em Ciudad-Rodrigo,
quelle grande Senhor,que (e fez & principiou conuento. Daqui
{pobre na terra, pera depois nos o mettemos em Portugal facil
enriquecer no ceo. Grandes fo mente pela cidade da Guarda,
*|rão as conuertões,que obrou: eº donde irà a Guimaraês primeiro
tranhas as marauilhas,que fez;& que chegue a Sant-Iago, como |-
#
tanto o intere{{e dos deuotos, dão a entender mofas Chróni-| |
em quem achaua fauor,que pelo cas antigas, o padre "frei Mar-a.cit. c.
menos a dous delles celebráão cos, & o conigeº Gafpar Etiço ?",cap. 19.
F),

exequias os anjos em figura de nas fuas antiguidades. E quando


frades da nofia religião. Mascõ elle deer volta de Compotella,
uem cortar por tudo, por não fuf. tornara a Portugal, cõ forme ditº
pendermos mais o defejo, que fe" Gonzaga, & fundára o con- ###"
|temos de o ver em Portugal. uento, que nos deixou em Bra
4 Confefsão todos, & não gança. Eftafegunda entrada nos
o pódem negar, que no difcurfo obriga a confeflar o me{mo pa
deta fua romaria a Sant-Iago dre frei Marcos com as fobredi
entrou tambem nete reino: fe tas Chronicas, dizendo que de
foi contudo á ida, fe à vinda, ni Nonis foi o Santo a Orgonho;
to não conformão elles. Porque hoje chamado Orgem, os quaes | * *
i.an. 1 214. o padre frei Lucas, que o guar lugares, potos neta direitura a
n.11. & 44 dou pera a vinda,lá o leua de Bur os que veem de Sant-Iago, não
&an 1994.
n.8. gos a Compotella por fóra de os encaminhão pera ir a Guima
Portugal, & por terra de Ator raés, fenão pera Bragança, alèm |
ga, fem achar outro roteiro, fe de ficar mais perto. E dete mo
não as taboas da Geografia, as do , encurtando os rodeios a o |
quaes motrão fer aquelle o ca fanto Patriarcha,que andaua en
minho mais direito. Mas etas fermo, & cançado, dizemos, que
linhas lançadas affi,como ele as entrou em Portugal pela Beira,
lançou,mais feruem pera conhe. dahi foi a Guimaráês, deita villa |
cer a ditancia, vizinhança, & , Compotella, & tornando por
D4 Bra |- ----
*

Luro I. Da hi/toria Serafita dos frades {


b.na dedº
Bragança leuou o caminho di frei º Marcos com º Gregório cat, da 2.:
reito,que vai pera Catalunha. d'Almeida, ou quem foi autor p. na im
pref. anti
- **

do liuro intitulado Reisuraç㺠de gº.


| ... c APITVLo II. Portugal, que em Guimaraõs a c.P.I.C.10.

chou elle a Rainha D. VrrãCa,


Entra o Santo nefertinº, & mulher del-Rei D. Afonfo II, à
qual bufcou de propofito pera
prºfetiza a fia feparação: lhe
gião.encommendar a fua reli
• •• :

ref/cita hãa defunta, &#


… pa[a a vifitar Sant 2 Netas vitas lhe profeti
zou o Santo,ñ te reino de Portugal|
Iago em Gal nãquafºria juntº a os reinºs de Gºffel
liza. le, como o achou c{crito º dito
padre "frei Marcos, questambé d. p. 1.I. 1.
C-45 •
I Vando o Santo fera
o efcreueo. Efe Portugal tiuera
1214. Q
fico, deixando Ciu menos trabalhos dos que teue
..."> dad-Rodrigo, fe met netes tempos, não quuera quem
teo em Portugal, corria ja o an negafe a profecia, nem ela fe
no de 12 14. & he tradição con tiràra do feu liuro na impreísão
tante,que efteue em a cidade da catelhana, que fe fez em Sala e.an. 1 2 14
Guarda. Que caminho, faindo manca. Duuida contudo o "An n. 12. I 3.
14.
daqui,leuafe,não fabemos: po nalita, que o Santo falafe co a
fto que fe não ouuete rezão,pe Rainha, & muito mais, que lhe
la qual fedefuiase, fempre feria difeffe as fobreditas palauras;
o mais breue pera Compotella, tomando por fundamento, que
depofitària nobre do corpo de nem as chronicas do reino fize
Sant-Iago,de quem queria faber rão difo memoria, nem auia tão
a refolução do ceo acerca de feu fegura tradição, que o pudefe
*1.1.c.8. martyrio. "Ioão Mariana diz, in prouar, né o Santo deixára prin
ºultimam penetraut Luftaniam, que cipiado conuento, como ouuera > - - - -T - -
--

penetrou a vitima Lufitania. de fer,fe falara à Rainha. O que


Mas a verdade dito he,4 entrou toca à tradição lhe negamos,
em Portugal, vitima parte de porque cada hora he mais firme.
Hepanha, fem decer a Alan A falta de Efcriptores não def
quer, nem a Lisboa, que lhe fi true a verdade; que muitas cou
cauão muitológe, como alguns | fas deixarão em Portugal de ef
fem fundamento cuidauão. Pô creuer os antigos, as quaes hoje
de fer,que chegafie a Coimbra, defenterrão os prefentes da fe
londe a Corte etaua: porémito pultura do filécio.Quanto mais.
não nos conta, & diz o padre | que não era a vifita d'algum Mo:
= = <= ==
narcha
Menores na Prouincia dePortugal. 45
narcha do mundo, pera ficar ef que età profetizado, de tal Ino
crita em annaes, ou intrumen do, que faltando ella, tambem
tos autenticos, fenão de hum fra elle faltará. Efta não tem depen
de etrangeiro, & pobre, o qual dencia, mas em qualquer cafo,
em comuertação particular diria que haja, fempre ha de fucceder
ifio à Rainha. E quem diffe a ef. o que diffe o Profeta.
te me{mo autor, que elle trazia Vindo agora á profecia
fempre configo tanto fequito de de nofo Padre ferafico,podiafer
frades, que os pudefe largarto condicional, & leuar por condi
das as vezes, que lhe pedião cõ |ção, que fe os peccados delte
uento? • •

reino não merece{sé o cõtrario,


3 Pelo que etamos certos nunqua ele feria vnido a Catel.
no que efcreueo frei Marcos co la; & nete cafo faltando a con
as Chronicas da nofia Ordem | dição, & pedindo os peccados a |
|-
antigas, frei Ioão Baptita Moles |vnião, por maior que ella foffe,
-

no liuro das profecias do Santo, fempre ficaua em pè a verdade


o dito Gregorio d'Almeida, & | do Profeta. Dete modo dife |

outros, que não sòmente cófef Deos a (Ieremias, que talvez lferem.c. "
|{ão dizer elle à Rainha as fobre 18. v. 9 v.bi
prometteria a hum pouo,&ahú Lira, Ra
|ditas palauras, mas tambem fe reino fublimallos com grandes ban. &
rem elas verdadeira profecia. El roíperidades,mas que fe ele o p#
h à Cat.
alfi bem merecem a centura do |offendefem ingratos, reuogaria c. 18.n.3.

nofo me{mo Annalita, & a fua | a promefa. São fuas as palauras,


/inApoc. reprensão / Alcaçar, « Moura, | que fe feguem: Subitº lequer de
f) Of, * •

Proaern.
|&*Vilhegas,os quaes admittin |gente, @ de regnº, vi edificam, Qr
Sº Pufe. 1.
de incant.
de, que o Patriarcha fanto dife |plantam ilud - Si fecerit malum in
C
-*-e. 3.
ira etas palauras, negão nellas a || oculis meis,»t non audiar vocam meam,
n. a 3.
h, no Fl
| verdade do efpirito profetico, & | penitentiam gam/pºr bono, qualº
San ét. &” julgão que as diria de fi,& defua | cutus fum, ytfacerem eis. Do mef.
fefta da cabeça, parecendolhe que Deos mo modo tambem difse da par
Cºnceic.
lhe gouernaua a lingua, & nifo te de Deds o profeta "Ionas,que /. Ion.C., 3º
V.4.
(e enganâra. E por quanto o feu "Niniue féria fubuertida dentro
|fundamento he cuidarem que em quarenta dias: Adhuc quadrá
}tem ja fuccedido o contrario, ginta dies, @Nthiuefukuertetur. E
}dito me{mo queremos defenga fendo, a ónofso parecer,abfolu
|nallos, aduertindo que podia fer tas as palauras, tinhão eta con
a profecia condicional, ou ab{o: Edição que Deos não tinha ainda

luta. Aquella,
condição, (emprepelo
tacitamente inuolue Freuelado ao Profeta,quefº a cida.
me
de não fiz/epenitencia, fe fubuerte
nos, da qual depende º efeito, hia ela." " -

\— ----
-->r=
---- ----••••• •• • ••
}
46 Liuro I. Da hi/toria Serafica dos f7;
}
5 E le foi profecia abiolu ulão, & afinauão, por le moltra
{
} tº como nos parece fer,tambem rem Portuguezes. Com etas cõ
e à verificada, & comprida até dições, ratificadas nas Cortes, á
hoje. Porque o Santo não difse, em Thomar fe fizerão no anno |
que o reino de Portugal nunqua de 1 581. entrárão elles no go
feria fujeito aos Reis de Catel uerno dete reino; & quando ja
• la,na qual fujeição eteuefefsen parecia, que a vnião fe intenta
ta annos: mas difse,que nunqua fº ua, foi retituido totalmente à
ria junto(he o me{mo,que vnido) liberdade antiga no primeiro de
«os reinºs de CÊela. E efta vnião Dezembro de 164o.ficando fal
| não na ouue ategora,por quanto ua, & illefa em qualquer dos do
…º tranf ella" de fi (empre muda a con us fentidos a profecia ferafica.
iato de 6 Mas ou o Santo em Gui
conflit dição, & etado do fujeito vnido,
e recorét
e
*
º atu
transformandoo nas qualidades maraés a difeffe, ou noutro lu
º rn C Gath. do outro a que fevne. Affi o ve gar do reino , não deixa de fer|

! ou e it
V concl.
mos na vnião das igrejas, catel certifimo,que eteue nefsa villa.
* 4 *. los, territorios, & reinos, que no Não foi contudo pera vifitar a
Roman.
conf. 175.
ponto,em que fevnem a outros, são Gualter, feu difcipulo, como n. Hitec-i
|
n 4 . logo perdem os feus foros, & fi difse hum "Autor dos nofsos tê clefiaft.de

A ex cof, Lisb. P.-a.
1
+

+ º so.l. s. cão ujeitos a os alheos; o que pos, porque tinha ficado em Ita C. 17»
n.8.& 9. nós ainda não vimos em Portu lia, & não veio a Portugal, fenão |
- }
gal, porque até quando Catella dahia dous annos, no qual tem
o gouernaua, fempre conferuou po principiou o conuento. Seria
a fua forma,& majetade antiga. lua tenção ver a Rainha, feella
Ainda gozaua de feus priuile na me{ma villa etaua, ou Deos
gios, & leis: ainda futentaua os o leuou pera acreditar feu nome
feus mefmos tribunaes, Capella com o milagre feguinte, que foi .
Real,& oficios do paço,os quaes dos primeiros, em que motrou
sò os Portuguezes fazião, quan feus poderes fobre as forças da
do os Reis catelhanos fe acha morte. Tinhafe elle recolhido,
uão nete reino: ainda os natu como cotumaua (empre, num
raes de Catella erão tidos em hopital na companhia dos po
Portugal por etrangeiros pera bres,& obrigandoo hum deuoto
não lograrem nelle beneficios, a pouzar em fua caía, Deos: lhe
bipados, ou penfões: ainda nofº pagou breuemente pelas mãos
fas conquitas, & armadas fe (e- do me{mo Santo eta fua carida:
e.F.Marc.
parauão das que erão catelha de,porque "falecendo fua filha, & Fr. Luc.
nas;& effes Reis de Catella,nas a qual etaua enferma, foi reti cit.

prouifões tocantes a efte reino, tuída por feus merecimentos à


na nofia língua materna efcri vída. Comito fe imprimio tão
} •••••weew
notauel
• • •• • •
•••• •- -
→ — ••• . * * - * • •• ••• • •• •- -

Menores na Prouintia de Portugal.


notauel deuação, & afeição a ceos abertos, & appareceo hum
feu refpeito nos moradores da Anjo, o qual lhe fignificou co
villa, que ainda permanecem mo Deos era feruido de que tor
grandes veftigios della. Defpe. nafe a Italia,pera tratar do aug.
diofe finalmente entretendo as mento de fua Ordem ferafica. E
inftancias de lhes conceder cõ promettendolhe nito particula
uento, com húa promefa delle res fauores, tiuerão logo princi
pera quando ouuefe occafião;& pio na fundação de hum cõuen
feguindo feu caminho pela cida to naquella me{ma cidade. Os
de de Braga foi fantificando a padres da Ordem do Patriarcha
terra, que pizaua com os pês, & são Bento lhe concedèrão o fit
fazendo bem a todos. Alem de tio: elle os quiz reconhecer cada
Põte de Lima, em pouca ditan anno, tendo refpeito à fua fanta
cia, apparece húa fonte, chama pobreza, por direitos fenhorios
da de são Franc/co, onde dizem, é com hum cetinho de peixes do
de(cançou,& bebeo;& pôde fer, rio,que por allipafaua perto: o
| que por ido ali perto fe fundat ceo lhe reuelou pera as obras
fe o nofo conuento de Val de | hum thefouro efcondido debai
| Pereiras, antigamente de frades, xo da terra; & os fiades,que dei:
& hoje de freiras de fanta Clar xou por moradores Ila #
ra.Entrou em Galliza pela cida quelle tempo chegado em roma
|de de Tui, & chegou a Compo ria a o fanto Apotolo de Chri
|ftella, pera onde o leuaua o pezo to, como então vinhão algüs de
| da deuação. Italia. * . . . .::.:: …"
|-

#
-

2 * Feito ito,fe faio, com


c APITvlo III | || muita preça tão obediente a os
:
* * * |mandados de Deos,como alegre
Como o fanto Patriarcha; de lhe fer.ja manifeto ofetui
|ço, que lhe podia fazer; & tor
vindo da farmaria, fundou nou a entrar em Portugal por
-
conuento em Bragança, cu { || Bragança, caminho de Catalu
ja antiguidade fè toca, nha, onde queria defpeditfe de
|| Helpanha. Era villa Bragança
&# tornou pera • |
" || nete tempo, dadiecefe de Bra
• - - - }
ga: mas infigne por fua antigui
|dade, porque ainda alcançou o
• !. I

TV | Ometranha
dade vifitou ohumil
fanto | nome Zºrga, que por rezão do
quarto Rei de Hefpanha, cha
- " Padre o corpo de Sãt |mado Brigº,competia às cidades.
Iago, em cuja igreja lhe forão os | E fendo engrandecida depois
•••••• +
pelo
- - -- - ---- …………… ***
-

48 "T7 I. Da Ta SZ77 frã , º

pelo Imperador lulio Cearcha doo como a feruo de Deos, não


moufe lulio-3riga, como cidade de fofrião, que fe fofe fem deixar
Julio, protetando nete nome o hum companheiro, o qual o re
empenho de fuas obrigações. prefentafe. E pera facilitarem o
'ain Chro Affi o dizem º Iuliano Arcipre fauor,que pretendião, os princi
.nic.n.lo4.
*-P 1. pag. te de Toledo, o * Cathalago paes lhe oferecêrão logo fittio,
477. dos arcebipos de Braga, & A & grande ajuda pera fe fazer a}
Ibraham Ortelio no Thefouro cata. Não fe pode efcuzar o fan
geografico.E fe outros incluirão to Padre: mas dando fatisfação à |
nos limites mais etreitos da Lu (ua boa vontade,fez a planta do
fitania antiga a cidade dete no conuento pela traça, & medidas
c. refere me: º alguns lhe derão húalar da fua fanta pobreza, & deixou
Strabol.3 |
gueza tão grande, que chegaua hum cõpanheiro dos que tinha
a Entre Douro & Minho, & po achado em Sant-Iago,o qual fof
dia alcançar em Tralos montes fe correndo com etas obras até
|Bragança. Gatoulhe porém o elle encontrar coadjvtores,á lhe
tempo, que he roedor de tudo, a mandafe do caminho. E com
fubtancia,& nome,porque veio ito fedefpidio de Portugal,arrã
|a chamarte Zºrgantia, & em por cando cõ faudades os corações
tuguez Zragança, & os mouros a de feus deuotos, que não podião
aflolàrão de modo, que neceísi. largallo. Àas, ideembora nºfo Pa
|tou d'outro nouo nafcimento. dre amantifimº, pois Zeos he o que
Etáfittuada na prouinciadeTra vos chama. Porêm nós não vos auemos
losmontes, fronteira ao reino de de largar fêm primeiro nos darde, a
Leão, onde domina, & empara vº/a benção: @jeja benção de pae
com hum foberbo catello,obra amor%, 3; efimado de Chrfio, pera
del-Rei D.Ioão I a muitas terras, que crecendº nºs com º oruulho do ceo,
abundantes de quanto he nece[- não lancemos nº/as raízes na terra,
fario pera a vida humana.El-Rei mas /jimºs filhos vº/os nº amor da
D. Afonfo V. lhe retituio o feu, pobreza euangelica,Q} em todas as vir.
|foro de cidade, & fica hoje no tudes. * . *. i
bipado de Miranda. 4 Deta vinda a Bragança
3 Aqui chegou nofo padre do Patriarcha ferafico, & da fun
são Francifco,andados ja alguns dação detecõuento faz memo
mezes do anno de 1214, pera ria o padre Gonzaga, & com d.pag803 |
grande honra noffa, & confola ele º Alonfo Lopez de Haro em e.l.3.c.1.
- - e º** * •

ção de fua alma.Porque admira o feu Nobiliario. E não fabemos pag. só.
, dos os vizinhos deta villa de ve como o padre ffrei Lucas feat an. 1114.
rem nelle hum homem, que pa treueoa negar tudo, fendo filho º "?" |
recia mais que homem,veneran deta nofa prouincia, chamada

; •======
- -- - - - __ de Por

AMenores na Prouncia de Fortugal.
• • 49
de Portugal, que lhe deu o fanto leuãtar cô o nome de Prouincia,
habito,& lhe fez a profisão,que & fer mãe d'outras prouincias.
lhe concedeo etudo de Filofo
fia, & Theologia até o pór na C A PIT V L O IV.
claffe dos prégadores. Mas não
entrou em Bragança; que fe elle Quem concorreo na fundação,
lá chegàra,& vira a tradição an &# reparo defe conuento de
tiga,& cõtantifima de todo effe Bragança: da e/timação,
ditricto,que os paes cômunicão
aos filhos,pôde fer é cófeflafe o gue dele faz a cidade;
á aufente negou, porq as pedras & das mudanças
da rua fe auião de leuantar con
tocantes a feu
tra elle, como diz que receou de
outras terras, em cafo que não g"uermo.
quizeffe etar pelas fuas tradiçõ
|es. Vêm em fim a cõfeffar, ainda I Reuemente puzerão em
que muito tarde, que feria efte bõetado os moradores
conuento fundado depois do tê da terra as obras dete
po de nofo padre S. Francif cõuento no me{mo lugar, onde
co: mas nem Bragança lhe acei agora o vemos: fóra,mas júto da
ta o partido, né nós també que cidade,por fer mais accõmodado
|remos etar por elle; & quanto a o nofo intituto de procurar o |
l maior he em muitas coufas o de remedio das almas fem difpédio
femparo do conuento, mais nos das obrigações do coro.Etá fit
| obriga a rezão, & a jutiça a de tuado a refpeito da cidade pera a
|fender a fua antiguidade. E jun parte do nafcente,em correpõ
|tam éte fublimamos de caminho décia do moteiro das freiras de
| a maior felicidade,& hõra deta S. Clara, q fica da outra banda,
infigne prouincia entre todas as etendendote feguro entre etes
| outras dete reino, & muitas da baluartes, mas inclinádo algum
|chritandade, a qual foi nafcer tanto ao Sul; o corpo da propria
| em feu primeiro principio por cidade.Ete fittio,4hefrefco,ain
|

|rezão detecõuento nas me{mas da á afsõbrado co afoberba do


| mãos de feu cariffimo Padre o catello,nos derão algüs deuotos
| Patriarcha dos pobres,Pelo que da familia nobre dos 3áoraes, cu
| dete anno de 1214 no qual co |jos nomes não efcõde agora in
|meçou eta cafa de Bragãça, lhe gratidão,mas fepultou odefcuido;
iremos nós cõtando füa idade no] dos antigos,6 a o menos é papel,
etado de Cutodia,& de Cuto |quãdo não fora em brõze, os ou
dias,atè que chegue a tépo de fé uerão de efcreuer. Auia nete lu
E går
*>
*"**********************m *>
yo Lurº 1. Da bifuria Serafica dos frades
gar nua ermida de S. Catharina, & le não he majetofa, não con
q nos feruio de igreja,& ficando fentia então outra grandeza ma
depois incorporada na cafa fe ior o nofo humilde eftado. Po
transformou em capella do ca to que nunqua os Reis de Por
pitulo,onde por memoria da fan tugal fe izentàrão de lhe faze
tidade primeira muitos annosti rem mercês, & o primeiro,que |
uerão os feculares confraria em repartio em tetamento efmo.
louuor da Cruz de Chrifto. las pelos conuentos da noffa
2. A eta Virgem fantifima, religião, a faber Dom Afonfo
& illutrifima martyr tê grãdes III. no anno de 127 1. a efte
obrigações no reino de Portu tambem confignou o feu lega
gal a noffa religião, porque ella do. A Rainha fanta Ifabel lhe
nos emparou, recolhêdonos em teue fempre epecial deuação,
fua cafa húa vez,& muitas vezes, por fer elle o primeiro, em que
quando nós ainda eramos etran entrou nete reino,quando vinha
geiros, defconhecidos.& pobres, de Aragão;& ajudada da grande
Aqui em Bragança nos deu afua magnificencia del-Reifeu mari
ermida, &ito com tanto goto, do D.Dinys,deu nouo fer à igre
que nem o titulo quiz referuar ja,reparando juntamente todos
pera fi, confentindo que o con os mais edificios. Afi o tete.
uento fe chame de são Francifco. munhauão no forro da capella
Em Alanquer, pera fundarmos mór, a qual era obra fua, os
o fegundo, nos ofereceo outra retratos delles ambos, antes de
ermida. O terceiro na villa de húa ruina, com que ficáão en
Guimaraés nas raizes de húa terrados. Mas depois a tomou
ferra , chamada de fante Catha à fua conta a Serenifsima cafa
rina, teue o feu nafcimento, dos fenhores Duques de Bra
& quando depois fe trasladou gança, accumulando a ete cada
pera a villa , no dia da me{ dia outros fauores maiores. Ain
ma Santa tomamos poffe do da que eta cidade, affentando
hofpital, que pera iílo nos de o feu dereito na primeira fun
rão. ".
dação, afsi julga por feu todo
Mas tornando à funda o conuento, que tratando hum
|ção deta cafa, não elperou o guardião de encurrar a igreja
brio, & deuação de Bragança, á pera fegurar o frontificio, que
nas obras entrafe braço alheo, tinha arruinado , nunqua, lho
nem ainda da Majetade real, quiz confentir , nem fofrer,
encarregandofe dellas à cuta | que ficafem fôra della os of
das rendas publicas, & efmolas |fos de feus defuntos; & então
particulares, atè ficar acabada; } diferão os cidadaõs com hum
brio
*##aaaaaaaa…--••••
== == - …= = = = = = === == - - -

essassº —

- - - - --

Aleutes na Produtia de Portugal. } 1


brio generofo , que fe a cº/a de gança nos trata, motra bem a
tão Francfºo era grande , ainda el muita etimação, em que tem
} les por fua deuação a d%juuão ma ete conuento. Não sòmente
10)". na cidade, mas em todo o feu
4Ao lado direito da dita ca termo, quando vém hum fra
pella mòr fica outra daCóceição de de são Francifco, de tal mo.
immaculada da Virgem Senho do o fetejão, como fe fora o
ra nofa, obra grande,&infigne mefmo fanto Patriarcha. Auen
do Doutor Pafchoal de Frias,ab do duas parrochias, outra caía
bade deCarrazedo,affi em a ma ide religiofos, & dous moteiros
jetade, como no raro concerto, de freiras na cidade, nete con
cõ q a deixou ornada de muitos fuento prêgamos por fua conta,
quadros,reliquias,&laminas,que os fermões do Aduento,& Qua
ele trouxe de Roma. Aquietà refma; & depois,dia de Pafchoa
húa Cruz feita de ebano, pouco em procifsão folemne nos vêm
maior que hum palmo, na qual dar as boas fetas. No de fanta
fe vê reprefentada toda a vida Luzia, cuja reliquia temos, he
de Chrifto, em figuras de rele tão grande o concurfo da mef
uo, tão fubtijs, & tão miudas, ma cidade, & dos montes, que
que a vita mais aguda não lhes caufa admiração. Com os par
póde dar alcance, & por grande rocos etamos tão germanados,
marauilha fe vèm ver de muito que fem refpeitar izenções, obri
|longe. E tendo feito tambem a gação, ou dereito, hús, & outros
| cafa da liuraria, que proueo do
partimos liberalmente as ofer
neceffario, depois de morto fe tas dos defuntos,que nas fuas,ou ** * 1 *

|e(condeo na capella a os pès do na nofía igreja fe enterrão. E ef


|{eu altar, debaixo de húa pedra, ta conformidade não deixa de
na qual fe lem etas palauras. fomentar o amor,que géralmête"
| Hic iacet mortuus, qui perat /emper nos tê todos os ecclefiafticos, &
viuere: & he o mefmo que di ja chegou a etado,4 por não vir
|zer: Aqui jaz morto quem ºfera a faltar a nofia fuftentação,orde
wuer fempre. Pela volta do arcº nàrão algüs Bifpos de Miranda,
a. C. * >.
| efcréueo etapropria têção,dizê que na fua diecefe não pedifíem
v. 18. } do cofanto Iob, º como verteo frades catelhanos;& noutras oc
| Santes Pagnino : In nidulo meo cafiões os vífitadores dete pro
|moriar, Gr/cut phenix multiplicaba prio bipado,querendo alliuiar a
dies; & vem a fer: Eu morrere nº os frades do trabalho dos cami
meu ninho,gr como femzmultiplicarei nhos,elles me{mos tomauão àfua
} ºs dias. cõta a cobrãça das efmolas, 4 (e
5 … O amor, com que Bra pedião pelos mõtes pera as obras
F 2 (12
→ ====== --------=-=-
- • +

- -- -- -

52 - - - -
I=7T7 TS7 dos f7;
da caia. Mas també tudo era ne
cefario pera elles,ásão vinte,le C A PITV L O V.
uaré mais facilmente,afio rigor
do clima no etio, & no inuerno,
como a grande feparação, em á
De alguns religiofis, cuja ve
etá ocõuento,pela ditancia das nerauelmemoria pertence
| terras, do mais corpo da prouin a flefanto con
cia; & [e fó a rezão de bom go lº/ll().
|uerno, purificada de paxões, os
|lãçar por etas partes, menos te
rão que fentir em fe verem tão I Os conuentos, em que
longe de feus irmãos. o nofo defcuido tem
6 A mefma feparação dete feito maioretrago,ef>
cõuento na ditancia dos outros te he o que ficou mais ofendi.
foi caufa antigaméte pera feren do, porque fendo plantado pelas
cõmêdado a diferêtes cutodias, mãos de nofo Padre ferafico, o
á o forãogouernando,no ditrit qual logo nas raizes lhe infun
to da prouincia de Sãt-Iago, cu. dio com feu exemplo alentos de
jos termos també chegauão a ef. fantidade pera florecer viçofo,
te reino. Pelo q,fendo elle Portu toda efa fermofura da fua fan
guez no nafcimento,& do corpo ta primauera, & ainda dos mais
B. arch.de |
da cutodia antiga, chamada de tempos, età agora efcondida;
S. Frane. Portugal, º no anno de 1272. foi & pera nós falarmos nelle, com |
do Porto.
c. arch de
entregue á de Galiza: º no de tão pouco nos ajudou ofeu archi
S. Franc. 133o. etâua lançado co a na uo, que foi neceffario mendigar
de Lisb.
ção Leoneza,na cutodia de C,a etas noticias por liuros alheos,
d. Pifan.cõ
formitat.it
mora: º no de 1 385. o achamos & cartorios etianhos. A mef
outra vez retituido ao nofo ma queixa auemos ainda nou
Portugal,na cutodia,que fecha tras partes de fazer contra a
mou de Coimbra,& nella permane muita fingeleza dos nofos Pa
ceo atè quando todas as do mef dres antigos, que tratando de
|mo reino (e vnirão em prouincia fer fantos, comefmo efpirito de:
ditincta,que he a noffa, porno fugirem da vangloria, deixarão
me de Portugal. Pafou finalmente de publicar as virtudes de feus
muitos annoscos priuilegios, á proprios irmãos , cuja noticia
tinhão os padres Conuentuaes, hoje nos pudera e pertar, &
& foi dos vltimos, que no anno juntamente honrar. Mas e el
de 1 568.recebérão nefte rei les por humildes fe defculpão,
no a noffa reformação como o pôde fazer qué conhe;
Obferuante.
cédoete damno, nélhe procura
| - - - - - - - Termº
*******>>>*à

44enores na Prouincta de Portugal. $ “)3


remedio,nem aflite a fua reftau rão feus offos por não ficarem
|-

ração? No que toca a eta cafa, fujeitos a algüa indecencia, ou |


parece que de propofito fe con. furto: mas o lugar do depofito
juràrão as degraças contra ella, não nos era manifeto,ainda que |
porque atè o padre frei Lucas, fe dizia fer na parede da igreja, |
hitoriador graui/simo, dizendo entre a porta da fanchriftia, &
no anno de 1394, que o Papa Pulpito. Pelo que encõmenda
Bonifacio IX, fez commifairo mos, ja em ordem a eta rela
apotolico a hum dos feus guar }ção, a o padre frei Luis de fanto
diaésperacõpór certas conten Eteuão, guardião da me{ma ca
das,não declarou a materia, né as fa , que fizefe diligencia por
partes dolitigio. Achamos tãoê defcobrir ete thefouro efcon
por informação,que cõmettêdo idido, a qual ele fez pontual.
BenedictoXII. a reforma dos |mérea 2. de Feuereiro de 1646 |
comigos regulares das igrejas ca em prefença d'algüas pe{soas gra
thedraes de Portugal,&do reino ues,como foi o reuerendo vigai
de Leão a os priores de S. Cruz ro daquella mefma cidade, &
de Coimbra, & de S.Ifidoro da reitor de Crato d'auelaans, por
cidade de Leão, nefteçõuento, nome Francifo Pires de Soufa, &
r ficar nos cófins d'ambos os Duarte Ferreira Sarmêto,verea |
reinos, celebràrão húa junta; & dor no me{mo tempo, dos quaes
grande gloria he feruir elle pera ambos fazemos aqui menção a
ete miniterio. Porêm as mais repeito das certidões, q nos de
circunftancias,como outras mui rão do que paísou nete cafo.
rascoufas, temfe alongado tanto #3 … Rõpendo pois a face exte
| da memoria dos homens, que a rior da parede,appareceo húar
penna mais ligeira não as pôde co de pedra,dêtro do qual forão
- - -

alcançar.… 1 # ! . * . ** * .* . * … |vitos alguns ofsos de corparda;


- 1 ) O maior fentimento,4 nòs como de terra, & humiletreiro,
remos,he nãofe faber o nome, o |cujo fim jafehão lia;&começaua
particular da vida,né pelo menos | a dizer:Jºgutjazzºlfphabhade de
cõ certeza infalliuela fe ltura |{afira roupel, congº da Sède 3raga.
daquelleferuo deDeoscópanhei Picarão logo na parede mais aº
ro de nofo padre S. Francifco, baixo húa argamafia grofa, &
primeiro guardião, & fundador achàrão outros oísos tão aluos,
que parecião de neue, com
do conuento. A fama contante!#hüa caueira da me{ma cor , aº
o apregoa por fanto, & imitaria
nifo ao feu metre ferafico. Diz |companhada de dentes, & hum
tambem,que apertando as guer pedaço de cordão da nofsa Or
rasdos catelhanos feefcondê-] dem. Pelo que julgárão tcdos,
()
E 3 que
••••••••• ••••• …
$ 4. _Lurº I. Ta bifloria Serafica dos frades
que etes e ao os ofios do noflo a o nodo parecer,de fuperior im |
feruo de Deos: os outros, do fo pulfo. -
bredito abbade; a qual opinião 4 Quando a parede fe co
fe confirma com algüas conje meçou a abrir, faio hum cheiro
éturas. A primeira, deduzida da tão fuaue,& tão forte, que fe te
pintura, que na parede de den |ue a milagre,& certifica o fobre
trofe achou, poíto que fe fora dito Vigairo, que entrando pela
algum letreiro, ainda nos dera porta da igreja na me{ma occa
outra certeza maior.Etaua o de fião,lhe pareceº que ardi㺠muitos pi
funto pintado no nofo habito uetes,9rrafºulas. Diz tambem, q
co as mãos leuantadas a o ceo,& tomou pera fi hum nó do cor
logo afima delle dous anjos,que dão,achado entre os ofíos,& que
nos braços lhe recebião a alma. com elle faràrão muitos doentes
Affitião finquo frades,& não fe de maleitas. Deufê Duarte Fer
rião mais naquelle tempo,fazen reira Sarmento, ja referido affi.
do o oficio da encõmendação, ma,na certidão, que pafou, que
ou do enterro: hum delles com etando fua mulher enferma de
Cruz alçada;outro reuetido em húa perigola febre,no põto que
alua,& etola, com hum liuro nas lhe lançàrão hum offinho ao
mãos, que continha etas pala: peícoço, logº melhorou, ce/ando ºs
uras: Zeus Sion recipe animam fiam. crecimentos. Antonio Mendes cõ
As quaes querião dizer: Recebei, fefla publicamente, que tambem |
Zeos de Sion, eita alma. São as ou fua mulher com outro offinho,&
tras conjecturas, a tradição, que hum dente,que trazia a o pefco
auia de etarem neta parte ef ço, foi liure de huns accidentes
condidas etas veneraueis pren importunos, que lhe dauão mui
das: o aluoroço notauel, cõ que ta pena, & recebeo outros fauo.
todos feftejârão eta fua inuen res de Deos. Finalmente as reli,
ção: o afenfo géral,com que pu giofas do moteiro de fanta Cla
blicão fer efte o thefouro encu |ra tem tanta fênetes ofíos, que
berto, que pretendião lograr: o |os bebem desfeitos em pô mas
afecto pio, & deuoto, com que | fuas enfermidades, & publicão
os prefentes trabalhauão porto |grandes coufas. Mas o Senhor
mar algüa parte, & póde fer que | clementifiono, que manífeta as
o leuarão inteiro, felogo não fe |reliquias, & poderes de feus fer
tornára a fechar: a fê, com que |uos,quando lhe parece bem, nos
| agora applicão a os enfermos ef> dará, fe for feruido,outras maio |

tas proprias reliquias: as maraui res noticias. * #; gºl e º


lhas, que contão, obradas por 5 Aqui tambem acabou o |
| meio dellas; & tudo originado, ! feu deterro outroVarão apogo
lico,
*=………………== *>" Tr =
*wrº *== — — --------
:--.-
---- * * ** ==

AMenores na Prouincia de Portugal. 5;


lico,ornado de fingulares virtu- Ecõtrágido do preceito do pre"
des,entre as quaes lutrárão mui lado, qetranhaua etas fuas pre
to a pobreza, & humildade. Foi parações em faude, lhe reuelou
catelhano na patria, frei Hiero que muito cedo feria a fua mor
nymo no nome, & floreceo na: te, como na verdade foi. No
quelle tempo em que a cutodia principio da doença pedio a fan
de C,amora gouernaua o con ta Vnção; & vendo que o medi
uento. Poucos annosha,á abrin colha queria dilatar, diffe com
|do a fua coua no cemeterio cã. grande efpirito: 2em autados ºfta
mum, faio della grande cheiro; mos nòs,fe ºuuermos de efierar defen
& queira Deos, que já hoje não ganos da medicina nas coifas da falua
feja defconhecida, porque o nof fão. Eufê de certo o que me he necef
fo defcuido neta parte, por não faria. E dando outros exemplos
vir a defcair num total efqueci de virtudes chrittaans,& religio
mento, neceffita de muitas de fas,foi defcançar, como piamen-|
precações." . " " . . . te cremos, na companhia dos
6 … Deta cafa finalmente Anjos. s … -- • - --

no anno de 162o. foi gozar del z Dous fujeitos infignes deu


melhor vida o padre F.Francifco. etame{ma cidade à nofia Reli
de fanta Barbora, natural da ci gião, poto que noutras prouin
dade de Coimbra, cujozelo pô |cias, dos quaes aqui nos lembra
de fer que pera ca o deterrafe, mos, por quanto fendo mininos|
porque nunqua os zelofos tiue |nete conuento começàrão a a
rão muito defcanço. Mas elle prender as letras co a virtude.
purificando da efcoria de nofias, He hum delles o padre frei Fi a Daça p.
humanidades fuas virtudes co lippe Dias,º piègador apotolico, 4.1.4c. **
nhecidas na forja do foftimento, & metre dos prègadores do feu
abrio os olhos de modo, manife-l tempo, o qual depois de pregar
tandolho affi a Piedade diuina, quafi finquoenta annoscógran
que das portas da me{ma faude | de fruito das almas, ainda etá
enxergou, que o bufcaua a mor prègando, & pregarà pera fem
|te. Coeta certeza, ou defenga pre em oito tomos, que impri
| no pedio ao guardião, que fize{-| mio, de fermões: Faleceo com
|fe na fua cella vitoria pera jul fama de fantidade no conuento
|gar, fe etaua bem conforme à| famofo de Salamanca,da prouin
|pobreza francifcana, qlhe défe cia de Sant-Iago, onde tambem
| licença pera vfar do me{mo ha profefsou. Outro he o padre frei
|bito, com que andaua vetido, Luis da Cruz, cujas letras,virtu
} & lhe concedefe a fua autori des, & efcritos, alcançàrão em
| dade peracõ{efarfe gèralmente.
de p •
Roma grande nome na etima E

{ -cão
–a– —— ••••••

jó Tar,TT, Ta S #77; |
ção do Papa, & Cardeaes. Pro da Ordê le retirauao do cocurfo I.
fefsou na prouincia de S.Gabriel dos conuentos pera ermidas fo
em Catella, foi Minitro na da litarias, húas das quaes achauão |
Terra do Lauor,reino de Napo feitas,outras fazião de nouo, on
les, & vindo ao capitulo, que ti de feruião aº Deos em maior |
uemos em Toledo no anno de quietação do efpirito. Foi hum |
|
1633.acclamado por Gèral,em detes o padre" Fr. Manoel Cor a. Monar
C,aragoça de Aragão lhe ata uo, que morando neta-cafa de p.ch.Lufin.
s.l., 7.
lhárão os paísos. Dura coula,que Bragança, faio della a edificar C. I 2.

queirão os feculares executar em tempo del-Rei D. Ioão III.


| fua potencia em impedir o go húa ermida de nofa Senhora do |
|uerno das religiões fagradas, cõ Loreto no territorio delta pro
|rão grande damno dellas,&ma pria cidade. Deulheo fittio della |
|iores encargos de confeiencia, o licenciado Manoel Gomes
|alfinelles,como nos ambiciofos, Correa: elle com luas agencias
| que temerariamente follicitão leuantou o edificio,& impetran
feu fauor. Mas quando os ho do confirmação da fanta Sé a
mens lhe impedião a prelazia | potolica, ficou quieto na poffe,
| da terra, daquella me{ma cida |fetuindo a Mãe de Déos,&affei.
de o chamou Deos pera reinarr|çoando com exemplos de virtu
| em o ceo... Fez delle memoria o | de todos aquelles contornos, atè
k……. padre º frei Gapar de la Fuente | ame{ma Senhora lhe appremiar
na hitoria do fobredito capitu na outra vida etafua deuação.< |
lo gèral. * ; , , ; º f: ** ** * "… 2 " Outla. ermida, que he
: -
+
+ * *
-

| a… : : : :
- ; ;} :
. * * ___*__* * * *
| de fanto Antonio, no lugar de
|- … ! - º CAPITVLo VI , i | Coelhofo, reitoria de Parada;
*
! |r •

*_*CC"1". i : ; zo"; "...


+
1: : :


| pouco mais, ou menos de tresle
|Da fundaç㺠de duas goas ditante da
ermi-|gºasditan fobredita cida
{
+-

|-
"# … • • • •
teriofo
* *
principi
entrou efleton- | de, teue myteriofo principio
* • • • •

nete cafo, que fe fegue. Auia nel


|
• uento:hia de fanto An-2 | le hum mancebo, de idade de
1 tonio poroccafão | vinte annos muito amigo dos poi
• • •• • •

º l , - * ,
muito _nota- || bres, bem inclinado,& deuoto,o
* # :; , 1. * >, , ,,
qual algüas vezes iguardaua as
| - ucl. . . . |ouelhas defeu pae;& em quanto
*-* *

• - • . . . #: º " … -- : :
|ellas pafgião no campô,elletam
|| 1 T) Erfeuerando neta pro bem recreaua feu cípirito cobi
#" | "uincia os Conuentuaés | lição d'algum liuro, ou com ou
{| …" antigos,alguns delles cõ tro femelhante exercicio. Eftan |
il licença do Papa,ou dos prelados
#
do afilhã dia do annoder617 |
V 1O
-
|-
- -

Menores na Prouintia de Portugal.


vio de repente junto de fia hum uras: Louuado fºja o fantífimo Sa
fade,vetido no nofo habito, o cramento, Zeme a benção,fenhor re
qual lhe perguntou o que lia; & uerendo. He o modo de falar na
repondêdo o mancebo,que era gête d'aquelles montes pela ter
|
a vida de S. Francifco,lhe tornou |ra de Bragança quando nos bei.
a dizer o mefmo frade : Trabalha jão o habito.
2. Morr muito por fºr deuoto, @ imitar efe | 4 Intruido neta forma, ja
ch.taí.
Santo; @ não te dem muita pena as pelo mez de Dezêbro tornou a
. [p.íliº ouelhas, porque Zeos as guardarà.
C. Il. ver o me{mo frade defcalço,&cõ
Defapareceo no ponto,que difse habito portuguez, afi como nós
ito, & o pator admirado entre andamos, & faudandoo pelo mo
confufões, & ancias, procedidas do de á etaua aduertido,o frade
da vifão,foi á cidade bufcar nel feriu alegreméte, & o cófortou
la algüa pefsoa do&ta, a qual o dizendo: Não te inquietes,filho,por
# , & intruifse no q que eufel,que tufºte 4 cidade, Ç; em
deuia fazer são Francyco tensfalado com hum fra
3 Nete tempo fe achou na de, que fechamafrei Inacio. Zirlhe
cerca dete conuento o padre has agora da minha parte, que em re
frei Inacio d'Afsumpção, etu torno dos confºlhos,que te deu,º acon/e-
dando a o pè de húa aruore hum lho tambem, que guarde efias minhas
fermão,que auia de prêgar,quan, aduertencias. Erão tres,como elle
do da parte de fóra lhe lançàrão nos cótou, & todas encaminha
húa pedra,& vendo ele o fobre das á perfeição do feu eftado. E
dito mancebo afflicto,& derreti continuando co a pratica difse
do em lagrimas, mandoulhe,que | mais ao mancebo: Tufarás no teu
fofe à portaria pera poderem fa lugarhãa ermidaa/antº Antonio, Q}
lar. O pator lhe contou tudo,& dirá a 5/efrade, que pregue nafua
ele a principio não deixou de |fefia, encommendando muito a ºpouo a
recear algum engano, & illusão | deuação defie Santo. E depois de
do demonio, o qual transfigura lhe dizer o que conuinha a o
do em Anjo de luz,muitas vezes| bem de fua alma,& o deixar có
coete rebuço fanto engana os | folado, fe efcondeo dos feus o
ignorantes. Pelo que o foi 2 T lhos.
mando com alguns defenfiuos,& , ; , Tornou o pator a dar
| cautelas contra as atucias do ef.conta do que auia paflado, & có >1 *#

pirito maligno; & cingindolhe |jecturando por alguns efeitos,&


hum cordão da nota Ordem, o circunftancias o dito religiofo,
aduirtio finalmente que fe o fra que etas vilões não erão orde.
de outra vez appareceffe,lhe dif|lºnadas a mao fim, pera maior fe

•• • • •
** - - - - -

fefe logo fem medo etas pala. "gurança deu notícia de tudo ao
- -
-- - - - - --- -------
---- - -- - - - -
Bilpo • • ••• • ••
→m
— ...

58 Lar IDR 757 dos frades


Bipo de Miranda, chamado 2. } o temos etcrito,debaixo de jura
loão da Gama. E parece,4ja Deos mento. Ao pator, que tinha à
lhe tinha tocado o coração co a fua conta a obra da ermida, lhe
brandura de fua beneuolencia, appareceo o frade terceira vez,
porque approuando ele etes confortandoo mais no feruiçe
apparecimentos, ordenou que a deDeos,& fazendolhe promefa,
ermida (e fizeffe, & entre tanto que os lobos farião menos efira
que a imagem do Santo etaria go nas ouelhas d'aquelle feu lu
debaixo de hum Humilhadeiro, gar, do que d'antes tinhão feito.
como dizem os naturaes, o qual E bem podemos cuidar, que fof.
he a o modo de alpendre,leuan feelle o me{mo fanto Antonio,
tado em columnas,& aberto por cuja veneração a Majetade de
todas as quatro partes. Fez e a Deos nos inculcou muitas ve
feta com grande contentamen zes em faucr de feus deuotos,
to do pouo, & o dito frei Inacio Mas com ito nos faímos de Bra
prégou, o qual tambem muitas gança pera feguirmos os pafos,
vezes nos referio efte cafo, como 4 vai dãJo eta prouincia fanta.

DA VINDA DO SANTO
FREI ZACHARIAS, E DO
fanto frei Gualter a Portugal.
CAPITV Lo VII. |le, como tambem pela palaura,
| que tinha dado à villa de Gui
Quando ºs inuiou o Patriar ºnaraés. He certo,que lhos man.
cha ferafico;&# das muitas dou do primeiro capitulo gèral,
que celebrou em Afis, no qual
virtudes,&5 milagres, fez delles húa grande repartição
com que fizerão a pelo mundo, cujo remedio da
jornada. füa parte aprefsua quanto lhe
era pofuel; &ito executou no a an. 1 2 1 6

I
|anno de 1216 em que teue o
M Italia affitia com o
jn. 1.
b. in Mar
(obredito capitulo, conforme á ####
corpo nofo fantifimo |boas contas de "frei Lucas, frei inuar incó
imét. S. .
- Padre, mas o coração |Artur, & º Mariano de Florença e.l. 1. c. 11.
$. 1.
| etaua em Portugal, defejando |com outros muitos autores, con d. p. 1 l. 1.
• "

|inuiarlhe alguns frades, affi pela |tra "frei Marcos, & º Gonzaga, c. 48. \

deuação,& amor,que achou nel \, quaes referuáão tudo pera o * Pag.793 -

3 O IT O
AMenores na Prouincia de Por tugal.
y9
anno feguinte. Nefe tempo in do. Encommendouos tambem o amor
uiou a Portugal os fantos frei da/enhora Pobreza, @ quando vos
Zacharias, & frei Gualter com achardes mais "pertados da fome,4 lar. g. Pf $4.
outros dous companheiros, cu gal então yºfº cuidado a Zeos, º qual V.a.3.

jos nomes não fabemos: mas to vos/afientarà cº as migalhas da fia


dos na criação feus difcipulos,& meza,pois correis por conta dele. Ide,
dos varões mais infignes em vir filhos, cº a benção do Senhor, @r nada
tude, que fe achárão naquella vos embarace,porqueeia hea/aa/an.
congregação. E chamandoos di ta vontade. Em particular aduirtio
ante dos Padres della pera lhes a são Gualter, que fofse fundar
notificar a miísão, em os vendo em Guimaraês o conuento, que
obedientes,&promptos,lhes dif. lhe tinha promettido. E leuan
fe etas palauras, f que cotuma |tandoos da terra, onde etauão
f Fr. Luc. ua dizer nas me{mas occafiões.
lºn.cit. n. 5 protrados a feus pés, cos braços
2 Filhos,eu vos tenho destinados abertos os metteo no coração,&
pera prégarde, no reinº de Portugal. |co as lagrimas nos olhos e aca
Aneis de ir de dous em dous em nome Ibou de defpedir.
do .Altfmo Senhor, º qualvos guar Na me{ma hora fe puze
de, Qr ajude no caminho. E lembrai-| rão a caminho etes veneraueis
uos,que elevos encommenda a faluação padres à fombra daquelle feruo |
de muitagente. Pelo que trabalhai por
| de Deos,frei Bernardo de 111[]-
pregardes penitencia: masfjão vº/as taual, que vinha por prelado dos

palauras acompanhadas de ºbras, por conuentos de Hefpanha:todos a


que neste ca/o o exemplo monta mais, pè,& defcalços, fem alforje,nem
• • • • | |

que a doutrina. Ha defer tão humilde, | viatico, fenão ió a confiança em


@ tão fanta «»º/a …faç㺠, que Deos, & o merecimento da fan
quem vos virgrouur,em vºs mºymos ta obediencia, eferira em dous
glorifique a vº/o Eterno Padre. An dedos de papel,a qual trazião no
nuncia com alegria «paz do ceº, da feio, ou dentro do coração, jun
|qual/ois embaixadores, @ não fan tamente co a regra. Caminha
dalizeis nem ainda a º maiºrpeccador, |uão em filencio profundo, & al
… porque a todos deutmos/uauecorrefion tacôtemplação da primeira luz
dencia, Graqueles, que agora nºspa do dia até ahora de terça, & de

recem/equazes
poder㺠fer fºi,dodifcípulos de Chryia. } | pois tinhão licença pera poder"|
demoniº;amanhaam
conueríar nos myterios do ceo,
Leuai fimprepelos caminhos recºlhidas ou na conuersão das almas, fem:
vfas almas na contemplação de Zeus; |fe ouuir entre elles húa palaura }
qie dete modo viuireis em perpetua ociofa. Se no caminho achauão
claufura dentro da cella do corpo, fê º Cruz,ermida, ou igreja, logo fe
e/pirito não andar vagurando pelo mun-il ajoelhauão, & fazião oração di
zendo

-**

6o Luro I. Da bifloria Serafica dos frades


zendo etas palauras, que Ja ti
& que foliem embutteiros, &
nhão ouuido a feu metre. Ado hereges, como muitos, que na
|ramos vos,Senhor lfº Chrifo,aqui,(2) uelles trites tempos decião de
em todas asigrejas , que e?ão edifica Italia em chufmas. Em alguns
das nº mundo; @r vos damos muitas lugares os recebè1ão tão mal, á
graças, porque pela vºfafanta Cruz nem ás portas, pera pedirem ef
redemifies o mºfino mundo. Entrando mola,os querião confentir, afõ
nalgum lugar, primeiro que tu tando por ladrões a os que erão
do vifitauão a igreja, & depois dipenfeiros fidelifsimos das mi
tratauão do que conuinha. A o fericordias de Deos. Enetes a
pôr do Solfe punhão em oração, pertos não tinhão outro abrigo
& à meia noite,poto que falta{- pelo di'curto da noite nos luga
fe lume pera rezarem matinas, res, & nos montes, fe não era ou
nem por ifo deixauão de efper as portas das Igrejas, ou os alpé
tar, & de cantar louuores fantos dres abertos, ou o pauilhão do
à diuina Majetade. ceo. Porêm comó fe auião de
4 A quantos encontrauão laurar as pedras fundamentaes
nas ruas, ou nas etradas, fauda da nofía religião nete reino, fe
uão co aquelas fuauiffimas pala não foffe com o ferro d'etas, &
uras, que nofo Padre fantifsimo d'outras tribulações? •

lhes auia enfinado : O Senhor vos 5 Muitas vezes caminha


de º/apaz. E logo era tanto o |uão tão quebrantados da fome,
feruor, com que prêgauão, que & mais da fede,que sò o efpirito
todos etremecião. Dete modo lhes alentaua os corpos. Se bem,
vierão fempre caminhando, fem | nalgüas occafiões os recreaua o
perderem occafião de inuiar al: me{mo Senhor do ceo por me
güas almas ao ceo. *Mas como ios particulares,& efcõdidos, de
'arrive.
## parecião homens mortos por re fua grande clemencia." E aísiºr. Luc. C1t. 2:7 n.

.ns. | zão da penitencia, & vinhão a aconteceo paísarem hum dia en | "6",
mortalhados num pedaço de bu "…e
tre altiÍfimas ferras, onde os ra- antig.
rel, ete habito grofleiro, & re- ios do Sol, que etauão ferindo &siºnes, C.
" | mendado, o qual era etranho fogo; co a fraqueza dos corpos
em muitas terras,a huns caufaua por falta de mantimento, os ti.
| horror, a outros admiração. Al nhão desfalecidos, & chegando |
guns fe lhes motrauão deuotos, a húa fonte, o feruo de Deos frei |
| muitos os tinhão por loucos, & | Bernardo de uintaual lhes
outros fugião delles, receando mandou fize{sem todos febre
| que debaixo daquelas pelles de |ella o final da fanta Cruz, & lhe |
ouelha etiueffe embuçada a fe lança sem a benção, cuja virtu
reza d'alguns lobos carniceiros, de fentindo em fi a agua fe mu |
>
dou
*****…------
º Menores na Prouncia de Portugal. O I
dou logo em vinho,Beberão to | ecclefatica da Igreja de LEDO,
dos, & refazendo as forças pro diz, á vierão no anno de 12 12. |
feguirão a jornada até entrarem

1

em || "no qual anno ainda o fanto frei . Fr. Luc.


no ditrióto de Catella,onde fe | Zacharias tomou o habito em lºn.***…
|- I], 33º

deixou ficar o dito padre F.Ber Roma,& o fanto Patriarcha,q o 3


nardo co a fua commifaõ, & os mandou cõ S.Gualter depois de |
fantos F. Zacharias,& F.Gualter vir a ete reino,não tinha entra
decerão a efte reino. •

1 •
dº nelle. O autor da "Chronica , p., 1.
7.5.6. {
CAPITV Lo VIII. dos Padres Eremitas de S.Agof "º.
tinho,& da "Chronologia mona |
Em que tempo chegárão apor fica Lufitana depois de tirar in |
tugaleftes veneraucis Padres: jutaméte à nofia Ordê hü anno |
como forão recebidos, & que da fua antiguidade, efereuco no
de 12 18 a fua entrada em Portu
luiça tiuerão pera funda gal: mas não deuia faber como
7677 (0Ill/6/lt03.
I N muito de fuas tribu
Aõ fe melhoràrão
quatro annos antes a trouxe cófi
go, & a deixou no cõuêto de Bra
gãça N.fantifimo Padre;nétãbé
1216.
lações na primeira lhe cõtaria como antes defe tê
entrada dete reino os ditos fer po,4 apõta,a vierão vifitar,&aug
a. F.Mare.
|P, s.l. 1. c.
uos de Deos, º porque ainda a mêtar etes feus sãtos difcipulos.
|48.&l.6.
e, 27,
finceridade portugueza motra: Os padres Fr.Marcos,& Gözaga
F.Luc. an. ua temerfe delles, ainda lhes ef. referidos no capitpafado, & có
1 2 16,n.8.
tranhauão a lingoagé,& habito, elles ºf Monarchia Lufitana,pa / p al.,
&ania17. ainda erão ofendidos cõ defpre
n. 42, zerão a fua vinda no de 12 17. jºiº.
zos,ainda os não querião # porque cuidáuão que nefe pro
tir em fuas cafas, ainda fugião | prio anno fe celebràra o capitu
delles, ainda as caridades, & ef. logéral, dõde forão inuiados, &
molas lhes faltauão. Pelo q met nito fe enganátão, como ja te-| |
tidos netes apertos tratárão de mos motrado, & motra també
grãgear o emparo da RainhaD. a nofia<Chronologiahitorica le g Pºgro |
Vrraca, cuja grãde piedade lhes gal.O "Annalita finalmête,4 re h.cit.n.22.1.
tinha écarecido nofo feraficoPa prouou o fobredito engano,afé.
dre, & afi ordenàtão o caminho tando o capitulo, & miÍsão de
aCoimbra,onde a Corte etaua. tes veneraueis padres no anno
2 Facil fora afsétar logo o anno, antecedente de 1 2 1 6. ainda
emá elles entràrão neta cidade, afi não tratou do que elles ne
fe os efcriptores nete cafo não te reino começàrão a obrar, fe
falárão tantas linguas, q parece não no anno feguinte de 12 17.
{ê p. * c. 27 outra noua cófdsão." A hitoria } & {e nelle imaginou a fua entra
ln.
F da

–__
62 Lurº I. Da billuna Serafica dos frades
da no meimo reino, nao podera chegarão a alcançar a coroa do
ter deículpa.Porá forão defpedi martyrio erão sòmente pafados
dos do fobredito capitulo,o qual 16.dias de Ianeiro do anno,que
(e celebrou emAffisa3o do mez fefeguio. * -- #

deMaio, & largo tépo ficou pera -3 | Pelo á refoluemos, á etes


cà chegaré no mefmo anno, ca benditos padres,frei Zacharias,
minhando co a preça, q lhes da & frei Gualter,partirão de Italia
ua o feruor da fua obediencia, a no principio de Iunho de 1 2 1 6.
|qual fazia voar aquelles primei &nefe proprio anno chegárão a
ros padres. Afivierão voando os Portugal, auédo ainda tépo pera
finquo Martyres de Marrocos,6 poderé tratar das rezões da fua
faíndo da me{ma cidade de Af vinda. Entràrão pois em Coim
fis,noutro capitulogéral,celebra bra,onde el-Rei D. Afonfo II.os
do tãbé na feta do Péthecote, mandou examinar, fe erão fieis,
lhe foi forçado no caminho fa & religiofos:fe hereges,& inimi
zer algúas detenças,em Aragão gos da fê?E perguntados por feu
coa doéça do fanto F.Vidal, feu etado,& intêto,a tudo deião ba
cõpanheiro:em Coimbra,vifitã tante fatisfação,exhibindo tam
do a Rainha: em Alanquer, cos bê a regra, q profefauão, a obe
apretos da viagé em Lisboa,to diêcia,q lhes dera N.P.S. Frãei!
mando embarcação:em Seuilha, co,& jútamête húa carta do me{
prègando a fé de Chrito, pela mo Santo ferafico,das q ele ne{-}
qual etiuerão todos prezos: em tes cafos cotumaua inuiar pelos
|Marrocos, cõ tres prizões,& ou feus frades aos Senhores das ter
tros muitos fuccefos; & depois ras, na qual,traduzida de latim, # epift. 13.
de todas etas detenças, quando fe continha o feguinte. in opufc.
S Franc.
v4 todos os Potêtados,Guernadores,Confules,luízes,Q, quat/querou
tros Senhores,ñeitas nº/as letras virde, º vº/e/eruºpiquenino,(} humil.
de nº Senhor, frei Francycº de Afis,vos de/ja paz@faluação. Conf.
deral #já /* chega o dia da vº/a morte; (2) */#vos peço cõ toda a reuerécia,
4 nãquavos e/queçais do grãde Senhor do ceo,népor cau/a das vaidades do
mãao vos "parteis defeus preceitos.Porá «ueis de /aber,4 quê dele/eapar
ta,ºu e/quece,tãké/erá e/quecido,gramaldiçoado defua emnipºtencia; Gr
quãaº vier amorte ficarão defraudados ºs mundamºs do que agora poluem
na/ua ºpinião; @r aqueles, que feimaginão mais pºderofos, gr/abios na
fabedoria defe mundo, maiores penas hão depois de padecer no ab/mo
do infernº. Pelo que vos acom/elho, meus fenhores, que deixando efes
cuidados da terra, recebais deuotamente º/antifimo corpo, @ fangue de
// Chrifo, em memoria defua morte, Q, dolora/paxão. E tambem cã
muita infãetº ºs rogº,ãna terras devºfa jurídição t㺠hºra procureis
a e{} e
+ T
{
***

º Menºres na Prouncia de Portugal. O3


a este …Alujámo Senhor, que mandes todos os das à tarde denunciar pºr
hum pregao,ºu por outro/nalpublicº, que lhe de todo opouº muitas graças,
@r continuos louuores. Efe não fizerdes ifio, fai certos, que no dia do juiz?
lhe dareis freita conta 3ías quem guardar ºfia carta, lhe der perfeita
execução, abendiçºado/erºpera/impre do Clementifima Senhor.
4 Grande aballo fez eta carta 5 Auida eta licença, &
na Corte,confiderandofe nellaa defpedidos da Corte, logo allife
fingeleza do epirito ferafico: a apartárão ambos pera as fuas fú
humildade do etilo fem demõ dações. E não achamos rezão à
tração,nê põpa de humana elo hitoria "ecclefiatica da igreja {citn. 3.
:
quencia: o entranhauel afecto, de Lisboa, a qual arrimada por m. Cartor.
cõ que diligenciaua os louuores ventura a "hús efcritos de mão da prouin
cia C.I.,
do Senhor: o zelo incõparauel, da prouincia de fanto Antonio,
?
cõ q queria defenganar a os ho dife fem autoridade d'algum.
mês das vaidades do múdo:o de efcriptor antigo, que o padre
fejo de os reduzir ao feruiço de | são Gualter fora co fanto frei
Deos por meio da deuação;&ío | Zacharias bufcar a Infanta Do
bretudo odefapego etranho,cõ na Sancha na villa de Alanquer |
á tratando fóméte de fe faluaré | Porque, ou foi antes, ou de
as almas,nê dizia húa palaura em |pois de chegarem a Coimbra.
fauor dos portadores,nem ainda | Antes, não podia fer, pois en
encõmédaua a fua religião. Bre trando nete reino pela Beira,
lueméte fe afentou no Cófelho, muito mais perto lhes ficaua a
que eles erão feruos de Deos,& fobredita cidade, onde auião de |
icatholicos,& que béfe podíacõ} procurar as licenças, & onde fe]
fentir em Portugal eta Ordem, promettião o emparo da Rai
pois não trataua de fi, fenão fó nha,que nella achàrão certo. E}
méte de Deos,& da faluação do depois, etando ja defpachado |
proximo. A Rainha D.Vrraca, S. Gualter, não tinha necefida-:
inteirada de fua grande virtude, de de recorrer à Infanta, nê lhe |
| lhes affitia també cõefpecial fa cõuinha fazer tão grande rodeo,
uor,& adoptãdoos por filhos,co, dilatando cõ ele a fundação do}
mo mãe amorofa, q foi sépre da cõuento, que etaua afeu cargo.
nofareligião,gançou del-Rei Z.A. Por onde, d'aquife foi direito a
fonfº, fumaridº (dizem as nefas #Guimaraés, & a Lisboa o finto
chronicas antigas) que em Lisboa, frei Zacharias, poto que ao ca
@y Guimaraes pude/em auer dous lo minho lhe mandou rogar a dita
|- 1 -
. . .
}gares, em os quaes os fraires ,Jeruos 4 | Infanta,que fofe a Alanquer,no | | . * . .

- < * * |
Zeos, fº/em criadºs da dita Rainha, qual tépo,como fe collige do pa
ºficomo de madre. n.cit c.17.
** * # : ; … |dre" F. Marcos,& das chronicas
|-
F 2 anti
••••••

O4 | Luro 1. Da hi/toria Serafica dos frades


antigas, abendo ela luas virtu na preferir, antes de falar nos |
des por fama, não o tinha ainda outros,poz a fua fundação. E tá
vito. porêm em contrario o teor da
primeira licença, que el-Rei
cA PITVLo IX. lhes concedeo, & nòs deixamos
efcrita no capitulo paflado, con,
forme a nofas chronicas anti
Qual fºiº primeirº conventº, gas, S. Antonino,&fGözaga, na
e. p.3.tit
24 C.7.
f. pa3.
que fesfrus de Deus qual não fe acha nomeada eta 794

fundhrão em Por caía.E ainda q o argumento neº


tugal? gatiuo não feja fempre eficaz, a
qui parece ter força, porque de--
| clarando ella as fundações, que
Aõ duuidamos agora então fe concedião,o me{mo foi,
"N de qualprimeiro
feja nete rei
I]O O cõuento
não falar neta, q deixalla exclui |
da.Nem pera ifo faltaria funda
da nofía religião; que efe he o mento, ao menos da parte dos |
de Bragança,fundado por nofio me{mos feruos de Deos; porqja
Padre ferafico,como ja temosef trazião encômendada a caía de
crito. Mas queremos ver,qual foi Guimaraés, como 5 temos aduer g. cap.7.
|
depois o primeiro,a q derão prin tido,& por vêtura não quererião:
cipio etes veneraueis Padres; & ficar entre o trafego, & rebolli
não paísão do numero de qua ços da Corte:4 tambem o padre
tro, os 4 então em eta oppofiº frei Sueiro Gomes, o qual dahi
ção a faber,os côuentos de Alan a hum anno trouxe a Portugal|
quer, Guimarés, Lisboa,& Co. a Ordem dos Prègadores, tendo|
1 obra. Nenhti porém pode fun licerça do mefmo Rei pera le
dar feu dereito em dizer,4 algüs Luantar cõuêto,não ficou em Co
liuros o nomeão antes de nomea imbra,onde ela lhe foi dada,mas |
é os outros, porá muitas vezes pafou a viuer retirado na ferra |h.Monarc.
começa a péna a efcreuer aquil de Móte Iunto: "não,porá a di Lufit.cit.
lo, á lhe occorre, em attentar a ta Corte nefe tépo etiueffein C. 13.

precedêcias;&falãoonetes pro terditta, como teue pera fio pa i.na chro


e, p. 1.1.1. prios cõuétos os padres “F.Mar dre "frei Luis de Soufa, mas por |nic, de S.
c. 48. & 1.
6.c. 27. cos,"Rebolledo,&ºfrei Antonio outros repeitos,á então fe podi Doming.
b. p. 1.1.3. p. l.1. c.
c.48 &49. Brandão, pór diferéte ordem os ão aduertir.Eetas me{masrezõ. 1o.& 1 1.
e.p.41.13. nomeão em differentes lugares. es, fenão forão també outras, vê
c. 3. & 1.
14 C. 23.
2 Inclinado fe motrou o cerião a deuação da Rainha, da
dan. 1 a 17 padre "fiei Lucas a o conuento
Tlº à Av. qual podem os cuidar q motran
de Coimbra,& como quê o que do tito amora nofia religião, & |
—T

+– –a– a eftes
/ 44enores na Prouncia de Portugal. 65
a etes benditos religiofos, teria Marcos a eta opinião. Porque
grandes defejos de q algús ficaf fe el-Rei então os agazalhou junto
fem perto do paço, pera q o feu da me/ma cidade de Coimbra : foi
| exemplo a confortaíle em o fer ho/pedallos com refpeito em
uiço de Deos. Mas os principes quanto fe examinauão as rezões
prudentes não executão fempre da fua vinda . E fe tambem
logo o que querem, ou intentão, lhes deu licença pera morarem
& ella efperaria outra melhor em Coimbra, Guimarafs, Alanquer,
occafião, que não tardou muito @r Lisboa: a dete conuento de
tempo. * - -
Coimbra não entrou na primei
3 Donde formamos outro ra concefsão, nem tambem a d'
nouo argumento, o qual he, que Alanquer, que depois follicitou
auêdo alguns delles de ficar,por a fobredita Infanta.
füa cófolação deta deuotifima 4 Pelo cõuento de Lisboa
Princefa,etes auião de fer os ma età declaradamente o º padre f.cit.pag.
is graues,& mais fantos,quaes e Gõzaga,&nós côfefíamo,4 ele 794.

rão Fr. Zacharias,& Fr. Gualter; foi na tenção, & no teor da licê
& cõta, q ambos eles (e forão: ça o primeiro. Poré a ezecução,
hú,peraGuimaraés: o outro,pera retardoulha a ida do fanto frei
Lisboa,á qual cidade ele não ti: Zacharias à villa de Alanquer,
nha chegado,quando fe defuiou onde, antes de acodir à pretêsão,
do caminho pera a villa d'Alan & defejos deta nobilifima cida
quer. Efe aito nos quizerê re de edificou hum conuento.
plicar, que deixarião algum dos 5 Ficão agora em campo
feus cópanheiros: digãonostam ete me{mo cõuento d'Alãquer
bê, fe a Rainha fe daria coelles cõ o outro davilla de Guimaraós,
por cõtente, & fe então os aueria & cõ tanta igualdade de jutiça,
numa cópanhia tão piquena,co que ferà difficultofo desfazer ef
moeta; porá o me{mo F. Lucas ta contenda.Porque os feus fun
lan. 1216,
n.8,
efcreue em "húa parte, q porto dadores, ambos juntos negociá
dos erão tres:&º noutra,não af rão em Coimbra: ambos ferão }…
"..cit.n.zz
firma cõ certeza ferem mais. E juntamente depachados, & não
poto q foíséquatro, todos erão conta,que tambem não faifem
|P1, cit.c. 7.
necefarios pera iré de dous em ambos juntos, ou que algum no ----

dous pera as fuas fundações,"co caminho fizeffe maior detença:


modifemos,q N.P.S. Francifco | quafi na mefma ditancia a ref.
lhe tinha encõmendado. Pelo q | peito de Coimbra ficão etas du
ficamos liures de cõceder o pri às villas, & ambas recebèrão cõ
meiro cõuento a Coimbra,& fa applaufos a os padres Funda
º. nos
(..t.
C *D.
P cilmente traremos o padre º frei dores . Por onde com muita
F 3 difi
OO Lurº I. Da Tra Seraficados frades
dificuldade le pode confiderar Ienao fomente d'alguns dias, ou
algum grao de precedencia en fomanas. Nem tambem o conhe
tre eftes dous conuentos. Mas a cemos por tão velho, que feja o
fama vniuerfal dete reino, co a mais antigo de Hefpanha, no |
q na Chro qual fe conformânão ? Duarte qual foro o quiz pôr a, Monar C.9. f. P.Y. 19
nica del
Rei D.San
cho I.
Nunes doLeão, Iorge de Cabe chia Lufitana. Suppoto ito,&
r, de patro do,& outros autores graues, dà o obferuando eta ordem, que fe
Il2ts Cº2 e primeiro lugar a Alãquer.& []OS fegue: Alanquer,Guimaraé, Lisboa,
não lho queremos tirar. Não lhe (oimbra: de todos quatro iremos
damosporém humanno de mais dando noticia.
s.pag.795. idade, como o padre "Gonzaga,
&796.

EvNDAC,ão, E S vcCESS OS
do real conuento de São Francilco
de Alanquer.

cAPITV Lo X … renouada dos Alanos, que aqui


fe quizerão fazer fortes, & ref.
Dáfé noticia da Villa, & d taurar húa rota, que lhes tinha
fuccedido nos campos de Meri
fêr chamado a ella da In da, elles me{mos lhe puzerão o
fanta D. Sancha o nome de Alankerk, que vinha a
Janto frei Za fer, templo dos-Alanos,na lingua de
charias, Alemanha; a qual ethimologia,
que Damião de Goes tinha tira
do a luz,approuou Gerardo Mer
1 216. I Quella me{ma "Iera cador,no feu Attlante, por parto
a. Mariana brica,da qual Antoni de grande ingenho, & confor
l.$.c.a. no Pio fez menção me á verdade. Pelo difcurfo do |
Calep, in
diátion. em o feu itinerario, he hoje a tempo fe abemolou a voz, pro
Moral. l.11
C, 17.
villa de Alanquer, como motra nunciando brandamente …Alan
Brand p,3 a ditancia das trinta milhas, em quer, ou como ja diz o vulgo
l 1o. c. 34.
F. Luc.an. que elle a fituou a refpeito de Alenquer. Mas gloriandofe ella
1 a 17, n.23 Lisboa,porque repartidas a qua atê hoje do beneficio, que eles
tro milhas por legoa,não fe aca lhe tinhão feito, tem por armas
bão na villa de Pouos, mas che hum cão grande, que nòs cha.
gão a Alanquer. Sendo depois mamos.Alão, & he figura equi
UlOC2,
— }

→… … -- -
Menores na Prouincia de Portugal. 67."
uoca,que reprefenta Alano. Ou pos,& pomares: a fertilidade em
tro padrão de feu agradecimen todos os fruitos tanta, que sò de
to etá tambem leuantado fóra azeite, nos contou por relação
dos muros da cerca, & junto de imprefa no anno de 162o.aueri
hum potigo, pelo qual entran trinta lagares no feu termo.Per
do os portuguezes desbaratàrão tence de ordinario ás arrhas das
os mouros, que tínhão a poffe Rainhas dete reino,& a primei
della. E ete he a igreja de Sant ra pefoa da Cafa real, que teue|……
Iago Maior,em memoria do foc o feu fenhorio, foi a Infanta D.
|corro, com que o fanto Apoto Sancha,filha del-Rei D.Sancho | | |
lo ajudou no combate a os mef> I& de fua mulher a Rainha D. |
|mos portuguezes, pelejando co | Dulce. • . -

elles vifiuelmente atè lhes dar a || 3 Aquietaua a ferenifima


vitoria. -

|Infanta, quando lhe derão a no


2 Tem feu afento eta vil ua de ferem chegados a Coim.
la na ladeira de hum monte, à -bra os fantos frei Zacharias, &
banda do Oriente, cujas raizes frei Gualter, relatandolhe tam
refreíca, & fertiliza hum rio,que bem coufas etranhas no parti
|batando pera fazella alegre,lhe cular de feu etado, & vida. E
engrandeceo o nome co as gran como era grandemente inclina
des marauilhas,que nelle,&jun-| da à virtude,logo ferueo em de
to delle obrou a Rainha fanta | fejos de os ver, & de ouuir a fua
Ifabel, como diremos afeu tem fanta doutrina.Pelo que lhes in
po. O nofo conuento hoje,età| uiou húa carta, na qual lhes ro
poto fobre húa eminencia pera gaua muito,que a fofem vifitar,
a parte do Sul, fenhoreando o defpedindo com intrucção o
catello, que lhe refponde do| portador deta carta, que quan;}
|Norte;&com etas apparencias, do não fofiem ambos, lhe leuafº
ajudadas da vizinhança do rio, de pelo menos algum delles, Ai
profundidade do valle, corref chou ja ete recado na etrada a
pondencia dos montes,& outras] o fanto Zacharias, que com feu
coufas notaueis, tiuerão alguns | companheiro caminhaua pera
motiuo pera fe perfuadirem,que | a cidade de Lisboa: mas obriga
Alanquer fe afemelhaua muito] dos das inftancias, & refpeitan
co a fanta cidade de Hierufalê, do tão notauel deuação numa
& que o Monte Sion no nofo | pefoa real, deixârão o caminho #

conuento etaua reprefentado. || da fobredita cidade,&fe forão a


São os feus ares por etremo fau | Alanquer. . - |
daueis,& benignos: a vita, ale 4 A Infanta os recebeo co
gre,& dilatada por hortas, cam "mo a anjos do ceo: confiderou a
–1–
F 4 eRa •••• ••••
68 =T77TD7 T75777777;
leftranheza da vida, tentio em
| feu coração os fios agudos das C A PITV L O XI.
| palauras, que penetrauão as al
|mas; & admirada dete nouo ef.
pe&aculo,raro deprezo do mú Onde eficut primeiro o conuem
do, communicando com elles o to defla villa, & da fam
que tambem fentia em fua de
b. Fr.Marcº uota alma, º affi (e lhes foi afei. tidade dos religio
p. 1.1.6 c"
47.
Rebolled.
çoando,que nunqua os quizlar. fos dele.
p. 1.1,3. c. gar, antes lhes perfuadio, que
48. aqui à fua fombra aceitafem hú I Aõera ainda acaba 1 2 1 6.
conuento. Dizem as chronicas
do o anno de 1 2 16.
antigas,que nito a ajudou a Rai qua
ndo o fanto frei
nha D.Vrraca, fua cunhada; & Zacharias alcanç ou da deuotif
feria alcançandolhe del-Rei,feu fima Infanta húa ermida da vir
irmão,a licença,que lhe era ne gem,& martyr fanta Catharina,
cefaria, por não vir a ter outros na qual elle principiou o cõuen
de{gotos com elle, que pertur to.Ficauahum pouco abaixo da |
bafema paz,em que agora eta me{ma villa, junto da corrente
uão.E em quanto etas coufas fe do feu rio,& em batante ditan
| tratàrão,que foi breuifimamen cia pera viver recolhido,fem fal
te, fempre os teue no feu paço, tar a o bem cómum das almas,
logrando a grande felicidade de que trazia nas mininas dos feus
uem trata neta vida cõ os fan
olhos. Aqui ordenou hñas celli
tos. Mas elles, cujo animo hu nhas terreas,& pobres, cõ algüas
-milde fe ofendia da grandeza officinas, que pertencião a oi
| do me{mo paço, poto que reli. corpo do conuento, em particu
giofo, & fanto, lhe pedirão… lar o coro pera louuaré a Deos.
r mercè, que os deixaf = |Não auia neta morada de fan
. . (e etar nalgüa ermida …:: |tos, clautros grandes, nem va
pobre, & afio | randas, nem as muitas cafas per
#" | | alcançá didas, que fevem em outras par
#--- rão.
tes, afi pelo não fofrer a etrei
||teza do fittio , como tambem
porque aquelles béditos padres,
|primitiuos da nofa religião,não
querião maior caía da que bafº
taua pera feagazalhar a fanta Po
breza, que não achaua no mun
do quem a quize{se recolher. E |
def.
Memuns na Prouintia de Portugal. 69
dete modo fundauão os feus pes do mundo, que nito otétão
conuentos pobres, piquenos, & a fua felicidade.
humildes, nos quaes viuião co Neta ermida tão pobre
-

mo anjos, edificando os pouos, feagazalhou o fanto frei Za


confundindo as vaidades do mü charias mais alegre, & mais con
do, & motrando a grande eti tente do que os Reis pódem ef.
mação, que fazião de ferem na {2T IlOS # fumptuofos paços.
terra peregrinos, - - - E como trazião, elle, & feus cõ
2 He verdade,que eta tra panheiros os penfamentos no
ça não podia fer perpetua, por ceo, recolhidos com os corpos
que muitos padroeiros não qui netas cellinhas etreitas,paísea
|zerão regular fuas grandezas pe uão co efpirito em alta medita
|las nofas pouquidades, o cõcur ção pelas moradas dos anjºs.
fo da gente pedia grandes igre Corria por húa parte o rio, & a
jas, & a multidão dos frades, ne etrada por outra: do que elles
cefarios pera feruiço dos pouos, | tomauão occafião pera contem
requeria dilatados edificios. E plarem nas mudanças ordina
ja N.P.S.Francifco, fendo con rias do mundo,& na preça, com
a Pifan. fultado nete ponto por frei Le que todos caminhão pera a mor
cóformit. ão,feu cõpanheiro, º diffe aquel
1 6,
te:…Algüas vezes inflammados
Opufc.S. las palauras tão fantas, & tão no epirito fe faião à etrada, &
Franc.
tom. 3.
prudentes. Tenhão embora os meus vendo paísar alguem lhe pregü.
frades grandes cºfas, pois º tempo ºs tauão: Pera onde caminhais ºpera a
obriga: mas quero eu, que nelas guar Carte do teo, supera as couas de infer ** *

demaregra, fêm ºfenderem com al no? E difcorrendo nete thema,


gumpectado mortaladiuina 34 j%ia com tanto feruor falauão, que
de Ito dizia o feu epirito fera muitos defandauão o caminho
fico: porèm aquelles tempos dou de feus gotos, entregandofe a o
rados, em que os frades não fe feruiço de Deos. Quando fubião
punhão nefas triftes contingen ávilla pera pedirem efmola,def.
cias de quebrantarem a regra, pejauãofe as cafas, & enchiãofe
me fazem hoje (audades. E mui as ruas; que todos querião ver •
••

to melhor nos fora ordenar os etes nouos apatolos de Chrito,


conuentos em húa mediania, na os quaes tinhão entrado em A
qual fevife, como fómente de| lanquer pera faluação de mui
paísagem pouzaua neles gente
pobre, cuja vida não tem afsen 4 . Das portas a dentro do
to (obre a face da terra,que que conuénto tudo era fantidade, &
rer competir na grandeza,&has |igor. Mastinhão porggardião
riquezas da obra com os princi a hum Santo, qual era frei Zº.
charias,

Y
- - - -- • - … ----
----
-**=

7o LTDTS-777777
charias, que tudo facilitaua;&os galar, o fanto guardiao lhe refi
que fendo prelados não promo tio com valor,ficando ela mui
| uem co exemplo a virtude, mui to mais edificada, & elles conti
to apertadas contas pódem te: nuando co a fua apereza. …
mer diante do rigorofo luiz.
Acabados os exercicios da ora
CAPITVLo XII.
ção, & do coro, entrauão nou
|tros de muito maior trabalho,
# cauauão a horta, varrião Hafitdou efletonuento º pri
a cafa, remendauão os habitos, metro religio[, da Ordem de S. 4

|| & fazião quanto era neceffarioDomingºs, que veio a Portu- |

pera deterrar o ocio daquella


cafa de Maria , & de Martha. gal,önellefe apretarãopera
| Dormião na terra dura,& quan irem a Marrocos os primei
do muito fobre hum feixe de
vides, encotando a cabeça nu
ros finquo Martyres
| mapedra,ou num madeiro, fe o da mºfa Re
tinhão; &pera fe abrigarem do | , , ligião.
.
:
frio nos rigores do inderno,fe as … … …; ... "
mantas não abrangião a todos, 1 g | Vm anno auia, queja , .
com os feus mantinhos velhosfe "º nòs aqui etauamos,
cobrião. Eftas faõ as camas fan quando no de 12 17. | .……
|tas, nas quaes (e fonha cõ Deos, appareceo neta villa o venera-1 * *
#Genºº. &
V. I as
com os anjos,como
o Patriarcha "fonhauao uel padre frei Sueiro Gomes,ia
Iacob. Comião
aiado pelo grande Patriarcha S. -

pão,que pedião pelas portas,dan Domingos a plantar nefte rei- ;


|do em retorno delle o amor de no a faa Religião. Tinha licen
Deos, com que ficaua bem pa ga pera ido, que el-Rei lhe con
go, & feete lhes faltaua,tinha o cedera na cidade de Coimbra,
& ouuindo
ceo cuidado de os prouer,como tradas comonaa Corte, & nas
fobredita ef-
Infan- * #,

| ainda diremos. Era o maior tra


balho do fanto frei Zacharias li ta era mãe caritatiua dos pobres,
mitar a caridade da Infanta,por & auia recolhido com amor os * #"

| | |não vir a admittir algüa relaxa nofos frades, º veio tambem º #*


|gão. Dizem della as nofas chro| Alanquer demandar o feuem-º |ming.
*
nicas antigas, que até habitosa paro, do qual feaproueitou pera lºcº.&
|uia em fua cafa, pera nelles fe |fundar na ferra de Monte Iuhto"
|| mudarem os frades,quando che o feu primeiro cõuento,que traf
} gauão molhados. E porque tam: |ladado depois ávilla de Santa
|bem no conuento os queria re rem, creceo admirauelmente na
obter
/*

Memortsha Prouintia de Portugal.
obteruancia,& credito. Por eta da Rainha D.Vrraca,que aflitia |
occafião fe agazalhou ete gra em Coimbra, pera a dita Infan
uifimo padre no conuento dos ta, na qual lhe encommendaua,
ncílos religiofos, que achou na que pois etaua tão vizinha a
me{ma villa , alegrandofe em Lisboa, lhes mandafse apretar
Chrifto huns, & outros, por (e embarcação. Mas primeiro,que
verem aqui juntos depois delar fubi[sem ao paço, vierão ao cõ
gos caminhos com tão bom fuc uento pera dar obediencia a o
cefo das fuas religiões.E tratan. fanto guardião F. Zacharias,&p-
|dofe co aquela caridade, que fe ra fecõíolaré co a vita defeus ca
| deuião, como irmãos verdadei riffimos irmãos dos trabalhos do
ros,ratificarão entre fi a etreita caminho. Foi grande o aluoroço
b. Fr. Luc.
an. 1 a 16. "
amizade, º que no anno d'antes |nete primeiro encõtro,alegran
n. 16. tinhão intituido em Roma os dofe por etremo os moradores,
|dous fantos Patriarchas. Grande & os hopedes. Huns pergunta
|gloria,por certo,pera a villa d'A- uão as rezões deta jornada, ou
lanquer, que foffeella em Por tros pedião nouas de feu Padre
tugal a primeira, que vio etas S. Francifco, outros fe informa
duas Ordens juntas,& que a am uão do etado do conuento, &
bas recolhefe. E nós tambem |da nofsa Religião nete reino,&
nos podemos gloriar de hope todos não acabauão de darem
darmos nete nofo cõuentinho graças a Deos pelo que vião, &
Ollul2O.
eta Religião infigne dos Prê -

adores,fendo ella ainda etran 3 Quando a Infanta foube,


geira, & de lhe irmos facilitando que elles erão chegados, man
diante a morada em Lisboa, Por dou os logo chamar, & vendo
to,Coimbra,Guimaraés, & nou tantos finaes expreflos de fanti
tros pouos, onde primeiro fun dade, acompanhados do defejo
damos. •

de martyrio, notauelmente lhes


2 Dahi a dous ànnos,que ficou afeiçoada; & em quanto
ja fe contauão 1219. nos entrâ os teue em Alanquer fempre fe
rão por cafa outros hopedes de aproueitou da fua conuerfação,
c.F.Marc.
grande confolação, a faber º os melhorando ella, & o conuento
iP 1.1.4 c 4
|Rebolled. •
finquo fantos da nofa Ordem, tambem, com os feus fantos cô--
P. s.l. 3. c.
4 I. que depois padecêrão em Mar felhos na perfeição do epírito.
| Fr. Luc. rocos. Vinhão caminhando de Mas tratando juntamente dos
an. 1 a 19.
+
n. 51. Italia por mandado de nofoPa apretos da viagem, & fabendo
dre ferafico pera prègar a os que o metre do nauio em Lif
| mourosofagrado euangelho, & boa, por não ofender os mou
entrárão neta villa com carta ros, não os queria leuar com o
habito
+ Tºyº -

Liuro I. Da bifloria Sã7 fã"


habito patente, ordenou felhe primeiro conuento, onde fe deu
fizefem vetidos de feculares, efa noua,foi eftaferenifsima Se
com os quaes ele foffe encuber nhora, & efte domicilio ferafico,
d. Hitor,
to. Diz "Rodulfo,que etes vê logrando antes de todos ogo.
feraph.re tidos erão,como de peregrinos, to de feu martyrio. Elão onze
lig.l.n. ou romeiros,& ido pudera fer,fe horas da manhaam, a 16 de Ia,
os Santos forão em algüa roma neiro, de 122o. quando etes
ria: mas pera irem disfarçados, martyres de Chrito, na cidade
muito melhor lhes feruia o veí de Marrocos, acabàrão de ven
tido ordinario dos mercadores
cer a o tyranno, faindo fuas al
portuguezes, que cotumauão mas gloriotas dos corpos depe
cômerciar com os mouros.E pe daçados pera reinarem no ceo, |

… ! # 4
los ver à Infanta denotifima ar E etando em oração ne{se tem
mados ja caualleiros pera a fua po a Infanta, nos mefmos paços
victoriofa batalha, quiz que el d'Alanquer, donde os tinha def:
lles em húa das Íuas camerasto pedido, eles lhe apparecerão
mafem ete disfarce. Dete mo mais refplandecentes que a mef.
do fedefpedirão alegres,afsi del ma luz do Sol,co as infignias do
|la,como tambem do conuento, martyrio nas mãos, que não fe
que breuemente alcançàrão a rião efpadas banhadas em fan:
fatisfação do ceo pelos terem a gue frefco,como º alguns os pin a. Fr. Luc.
judado a confeguir a coroa do tárão, pelo horror, que poderião 2n, I.2.2O.

m 39.
martyrio. caufar: * fenão cruzes cercadas 8.F. Mare.

de refplandores, em cuja virtu p. 1.1.4. c.


17.

C A PITV L O XIII.
de, communicada da morte do Legenda
Martyr.
Redemptor, alcançárão a vito. em S Cruz
ria. Saudarão na cortezmente, & decomb.
Apparecemos fantos Marty difserão. Zeos vos/alue,iluir/ima |
resem Alanguerà Infanta na Princefa. Sabei,/enhora,que as vº/a,
caridades tem chegado ao ceo, @ que
hora do fêz martyrio, & por com elas fº/tes parte pera nos mere
caufa dele lança nºfº Pa cermos ºfia gloria. Agora acabamos de

dre são Francifoa vencer a mº/ma morte, @ mos»iuer


benção ao com eternamente na companhia de Zeos. E
porque vos nos recebelles aqui nefa
l/6/lt0.
Yº/a cº/a, @rdella nos inuifles a fia
batalha/anta, º mº/mo Senhor nos mã
I Primeita pefoa, dos da que vos demos fias nauas. Dadas
aufentes, que foube ellas, defaparecèrão logo,deixan
do feu martyrio, & o doa cófortada de tal modo em
o ter
-
=>-

*** –al

====…

Menores na Prouncia de Portugal.


573 |
o feruiço de Deos, que (e d'an Eulerão fºr frades, comprandº cº a {
tes trataua da fantidade, defe morte trabítoria os bens da vida eter
|tempo por diante fe exercitou na. Não etaua o fanto Padre em
mais nella. … •

Portugal nefe tépo, como infor


2. Por fua via fe foube no me{ màrão mala o padre º Gonzaga,
|mo tépo ete cafo no cõuento,o & muito menos na villa de Gui e pag.295 |
|qual por fermais interefado no maraés, fegundo outros efcreuê,
|bõ fuccefo dos Martyres,á del da qualja fe tinha ausêtado auia
le tinhão faido pera a terra dos mais de finquo annos: º mas an d. Fr, Luc.
4T1, 3 + 2O.
mouros, fez tambem cõ alegria daua por Italia, chegado de pou
maiores demontrações. E N.P. cos dias de prègar ao Saldão do
S. Francifco quando lhe chegou Egipto;&delà não cabêdo détro
a noua, não podendo encobrir em fi de prazer,lãçou a efte cõué
os fentimétos da alma, dizia por to,á os tinha ajudado pera a fua
muitas vezes. Seja Zeos muitº lou viagem, húa benção fuauifima,
uado,4ja tenho/inquo frades, ºs quaes º que he do teor feguinte.……… e opufc.
\ | B, Franc.
| tom, 3,
Domus fancta,aedicula facra: fpeciofa, &jó
| cunda floscella purpurei coloris, actuauitimi | * * "… ..." |
odoris perfanctum martyrium Deo pepelifti.
Hiprimitiaefunt, &gloriofiflores Minorum,
felicesjampofeflores regnicelorum. Nun
quam inte,domus Dei, deficiant perfectifra
tres,qui deuotifimèfânétum obferuenteuan
gelium. … …
E quiz dizer, em portuguez.
Cafà fanta, conuentinho/agrado: finquo flores piqueninas,
mas fermofas,Salegres,de torrafada,öflaufsimo cheirº
defe a Diospel, sãtomartyrio.Elas fias primitias,6 |
flores gloria/asdos Menores,quejapºflèventurºfas º reinº |
dos teos.Nãquaem ti tafa de Deus filipefitofadas,
os quaes deuotifimamente guardim o fanto tuangelo.
Coeta amorofa, & my II conuento, mas tambem a fa
teriofa benção abrangeo o fan-| milia dos frades, que nelle erão;
to Padre não fómente a o cor moradores . E neta exten
po, & officinas materiaes dollfö ha de ferinterpretada afi,
G porque A

essem…"-"
74 Liuru I. Da Tira Serafica dos frades
} porque os tauores te coltumão tos,pelas outras, adicula/acra. E
ampliar, como porque não he affi quando os fradesfe paísàrão
de crer, que fó as pedras, & pa dete primeiro pera o outro cõ
redes quizeffe abendiçoar, ex uento, em que agora etão, cóf
cluindo os filhos obedientes de goleuàrão a parte da fua béção,
tanta felicidade. Quanto mais, porque ainda que fe mudàião de
que affi o declarão as fuas mel fittio, fempre forão cõferuando
mas palauras, porque o nome a fua cõmunidade.Mas tambem
adicula quer dizer edificioipi. ificou afixa às paredes docõuen:
queno, ou ermida, & o ou to, donde então fe fairão, & on-l
tro nome domus, ou ca/a em de ha poucos annos ferenouou
portuguez, he equiuoco, que hum Oratorio em memoria do
hüas vezes fignifica o fobredito que foi nos tépos antepafados.
edificio da cafa, em que mora E dete modo huns,& outros lo
|mos ; outras vezes a familia, a grão a benção de feu fantiífimo
qual ferecolhe nella, ou a mul Padre:porêm cõ obrigação defe
tidão de gente aliada entre fi rem tão obferuantes da nofla re
por rezão do etado,parenteíco, gra euangelica, como elle defe- ! \
ou feruiço. E nefte fentido ef. Jaua. |- -

fc.1.v.a.7. 5 Em virtude detabéção,


creueo/são Lucas Euangelita,
|que o fantifsimo Iofeph, efpofo que participa feuspoderes da pie h. Hitec
| da Virgem Senhora noffa, era dade de Deos, º florefcèião até cle fiaft de
Lisb p. 2.
| de demo Zauid, da cafa, defcendê hoje nete fagrado cõuento reli C. 27,
|cia,& fangue del-Rei Dauid. O giofos de conhecida virtude, os
qual modo de falaretâpoto em quaes inteiramente cõferuão o
etilo,affi no texto fagrado,como efpirito natural da nofía Religi
nos liuros profanos,& ja é Virgi ão. Dõde toma motiuo não sò a
| lio diffe, que a cafa,ou familia,a gête da villa,mas tãbé de muitas
qual fechamana Sergia,de Serge partes do reino,pera cuidar, & di
|to, feu progenitor, tomâra efte zer,4 sépre aquife acha húfrade
appelido:Sergefius que,tenet domus fanto, & acõtece talvez,4 os vi
à quo Sergia nomen. zinhos o apõtão cõ o dedo. Poí
-

4 - Donde ficamos colligin to q,decer a hum fóno fingular,


|do,que eta benção ferafica a tu {erá aggrauo de outros,porque a
do fe etendeo:à cõmunidade,& muitos em plural (e cõmunica
familiados frades,que confortá efta mercè do Senhor, nunquam in
rão os Santos na pretensão do te deficiantperfeiti fratres, & mui
martyrio, em virtude das pala to, faõ de ordinario os que pre
uras, domus fanfia: a o edificio da tendem feruillo na obferuancia
| cafa,onde elles achárão eftes alé da regra. ', 1

C A
44enºres na Prouncia de Portugal. __75
cõpanheiros feus, como certifica
CAPITVL O XIV. o epitafio, ólàfe lhes efcreueo.
Mas achamos em huns efcritos |

Noticiadas memorias, quef de mão,únão fetiráão todos, fi


cando alguns no coração da pa
perdèrão nefia cafa,ê3 d. rede, porqfe temeo ruina auêdo
alguns companheiros do de arrancar cõ maior força efte
fanto frei Zacha riquiffimothefouro. Etes faõa
quelles feruos de Deos, cópanhei
rias filareci ros,& difcipulos de nofo Padre
dos porvir ferafico, herdeiros de feu epiri
tude. # -- to,cujo numero,nomes,& virtu
des,tudo età efquecido.
2 Auia antigamente hum
1 \ ^{Ete ponto começa liuro,no qual andaua efcrito quã |
mos a fentir o dam tos erão, que virtudes,& acções
no,que nos tem fei forão as fuas infignes, & que mi
to a omifaõ dos antigos,em não lagres tinha obrado por elles o
efereuerem,ou não faberé guar grande poder de Deos; & ito
dar as memorias dos fantos reli nos declarou a "Lenda dos fin 5. le&t. 5.
f.
giofos,que nos primeiros princi quo Martyres de Marrºcos, que
pios pouoärão eta morada de, feguarda no moteiro de Santa
Deos.Oue na verdade forão mui. Cruz deCoimbra,pelas palauras |
tos os difcípulos de N.P.S. Fran. feguintes. Quanta nimirum Zeus
cifco,&cõpanheiros do fanto F. |per co/lemfratres thidem miraculafe
Zacharias, q aquife defuelârão cerit; quot que Cºirifanítifimi, focy
a Chron. por feruirem cõtoda a perfeição | Patri, Francife,in eodem/int tumula
* # antig à Majetade diuina: º varões de | ti conuentº,in difuforifratrumprimi
F. Marc. p.

| dé-c.28. tanta virtude, que tinhão nome | tiuorum legenda: gefia eorum, /mul@
de Santos, & como de taes fee afius,qualafuerint,plenièsilidéaperte
leuàrão feus ofos na parede do legentur.Porém ete liuro ja hoje
cruzeiro da igreja, onde feve o não apparece,néfabemos q epi
altar da Cõceição immaculada rito maligno,ou q defatre do té
da Virgem S.N. & deta fua fe po nos afogou a memoria de nof
pultura tiraua o pouo terra, a fos antepafados em tão efqueci
qual era medicina de muitas en méto.Outra perda,&muito grã
fermidades. Na trasladação do de,tiuemos na de hú memorial,6
fanto F. Zacharias,dete proprio fez em todos os cõuêtos daObfer |
lugar pera a capela mór, forão uãçia no feu tépô o venerauel pa
leuados cõ elle os ofos de dous dre F.Ioão da Pouca,fendo della
| G 2 vigal
*=

76 T7TT bifloria S7 dos frades


vigairo prouincial, porque Pera aº [e abrazano/a humana fraqueza |
efta idade mais moderna nos ou co a muita connefação das mulheres;
uera de feruir. E fe nem co ef @r euport/fujº delas. No me{mo
tas faltas ficar muito efcure põto lhe virou també as cotas,
cida a relação dete conuento, ficando ela cõfufa deta fua ad
ifo fe deue a feus grandes replã uertencia, mas muito edificada
dores. da cautela,& virtude.
3 Efcapou detes naufragios, 4 Breuemente o cófummou
mas com o nome perdido,a me a Majetade diuina em húa grãde
moria d'hum defes primeiros | perfeição pera lhe cômunicar,co
padres,difcípulo em tudo de N. mo piamente cremos,a vita d'a-
Padre fantifimo, & cópanheiro quella “luz inaccefuel a os o c. 1. ad Ti
moth.6. v.
do fanto frei Zacharias, affi nos |lhos humanos,fe não forem ele. 16,
trabalhos da vinda a Portugal, aados, co a qual etão fermofos
como nozelo de fundarete cõ os eternos tabernaculos. E pera
uêto em perfeita fantidade. Vi demõtração de fua ditofa forte,
uia nelle, como móge folitario, na me{ma hora de feu tráfito re
abtrahido totalmente de cómu uerberou a dita luz cõ tão grãde
nicar cõ feculares,& muito mais claridade, q affio corpo morte,
cõ mulheres, pera as quaes não como todas asparedes do cõuêto
leuátaua os olhospelo perigo,quê ficàrão replandecêdo á femelhã
a fua cõuerfação. Mas impaciê ça do Sol.Ito virão os presétes,
te húa dama do paço da Infanta, & não fe pode efcõder a S. Anto
chamada ZD.%aria Garcia, ou Con nio,eftãdo ainda no moteiro de
rate,como dizé asChronicas an S. Cruz de Coimbra, ao qual foi
tigas,a qual defejaua acõ{elharfe també manifetado por Deos,co
cõelle pera atinar melhor cõ o mo a fua alma paísãdosò de cor
| caminho do ceo,fazia grãdesin rida pelo purgatorio, fora logo
tancias pelo ver, & elle muito defcançar na companhia dos an
maiores por não vir a encõtrarfe jos. Efe o teftemunho de fanto
cõella;& húdia,á não lhe pode Antão Abbade autorizou no jui
fugir, lhe rogou á lhe mandaffe zo da Igreja a fantidade de são
trazer húas palhas,ou etopas cõ Paulo ermitão,não merece nefte
hña vela acefa,& q depois lhe fa | cafo pouco credito o que deu o
laria.Vindo tudo,chegou o fogo nofo S. Antonio. Defta vltima
às etopas, que logo arderão cõ circuntancia fefegue, q acabou
grande impeto, & ele abrazado o deterro deta vida antes de fer|
no fogo de feu epirito lhe dife acabado o anno de 122o, no |
etas palauras. t/jtes»?s,fenhora, qual o melmo fanto Antonio |
C0%20 0fºgº fê ateou nas fiopas ? pois recebeo º nofo habito. E pera |
-
-+
nós
************ *#*> ----

Menores na Prouncia de Portugal. 77


nóshe grande confolação, en edificou. Tratou tambem, º & a Legend #
tendermos que o primeiro reli logo o poz por obra, de conuer
|
martyr. de
Marroçh.
giofo deta prouincia fanta, que | ter em igreja, pera fer mais ve F.Marc. p.
* 1.4 c. 17
abrio aos demais as portas da |nerada, a me{ma camera dos
morte temporal, por elas patou |leus paços, em que os vioglo
com tanta gloria pera a vida e riofos, ordenando junto della
terna : Etiuerão depofitados |o fegundo conuento, onde ago
feus ofos no me{mo fepulchro |ra etamos. Pelo que he alheo
-

do fanto frei Zacharias, & ago--| da verdade dizer º Pedro de b.dialog.»


rafe trasladârão com ele pera, Mariz, q ja o achárão os fobre
a capella mór, Celebrão fua me |ditos Santos feito quando vie
imoria nofías Chronicas antigas |rão de Italia; por quanto ainda
{ ta. 29 com os padres "frei Marcos,"| naquelle tempo a Infanta refi
# e.an.° 2. E 7 frei Lucas, f Mariano, º Gonza dia netes paços, & nelles os vio
n. 24
. l.1 c. = z ga, º Reboledo, "a Hitoria ec depois com coroas de martyrio.
| $.7.
+ jclefatica da Igreja de Lisboa, Mas tambem não he certo o
####??
6. p. 1-3 & outros graues autores. que “outros efereuèrão: a faber, c. F.Marc.|
1 cit.c4,
C. 49
i.P.* c. 4a.
que ella por fua morte, a qual Rebol p. 1
foi no anno de 1229, mandon i.3.C. § 1.
cAPITvlo XV. fazer eta obra. Que na verda
de não lhe fofreo feu efpirito
Como a Infanta trasladoupe tão dilatados vagares: antes lo
ra feus paços º conuentº, go nos largou a fua cala, & fe
pafou a viuer no fobredito mo.
8 quem depois tum teiro de Cellas, ou nas partes
º correu nas obras : de Coimbra . Ia no anno de
delle. 122.3. affitia na Íua villa de
Monte Mòr o velho,como con
ta da "Monarchia Luftana, & *p 4.1 14
C. 4
I Llumiada a Infanta antes difIo no anno anteceden
Dona Sancha com te nos tinha feito o conuento,&
tantas luzes do ceo, nòs etauamos nelle. Contaif
como lhe refplandecerão quan to não sòmente pelo dito dos
padres º Gonzaga, & ffrei Lu
do vio os finquo Martyres na e-pag.795 |
hora de feu martyrio, defcobrio cas: mas tambem por tetemu- f.nºan4o. e a * *
outro caminho pera feruir bem nho d'htia pedra,que etâna pa:
a Deos, o qual foi profetar re rede da igreja,na qual fele ofe
ligião no feu moteiro de Cel guinte.
las junto a Coimbra, que ella
== TT Ty, hiftoria Serafica dos frades
|-

--;

TÃTnfanta D. Sancha,filha del-Rei D.San->"|


! … - 4 …» * * * *: *"; , r. -->

cho, neta del-Rei D. Afonfo Henriques, … •

primeiro Reide Portugal,fundou eftelºcon * * * * * !C (1 :


| uento noanno de 1222. & : " 1. [.. e tº riº
2 Seis auia, que os religio-] hum caminho, que cingia pelas |
|fos etauão na ermida de fanta |cotas o conuento, & leuando a }
* Catharina, quando agora paísà |cerca pela ladeira afima atèche |
rão pera os paços reduzidos ja a gar a hum fittio,que chamamos
|etado
1 - - - de conuento, que pelo |3azagão, muito apraziuel pela
• • •• • • -

|fitrio,&por rezão da Fundadorá |largueza da vita, & deuñto por |


|era conuento real, poíto que a | caufa d'húa ermida do padre S: * ".
fua
termos capacidade não excedia os | Antonio.Mas ainda detasterras ***
da nofia limitação. E e{-| •

deixamos fôra muita parte, &


tranhandofe com o difcurto do | arrazamos algúas catas vizinhas
"|
tempo,& crecimento da mefma |pera que, retirandonos da villa
|-

lcõmunidade a etreiteza da cas | quanto nos era poísiuel, ficafe,


fa,& da cerca,que era muito pi como ficou, mais deuota,& d’al |
quena,tudo nos remediou a Ma gum modo folitaria a entrada
jetade realco a deuação do po do conuento. Pela qual rezão
uo. Do anno de 1 28o. atè os fim | não confeptimos depois que nº
quo feguintes fe conheceo com te fittio, cuidando a villa que
euidécia quantos fauores na gra era feu,fe fizefem certas catas;
ça dos feculares nos folicita nof no que tambem nos affitio com
fo bom procedimento,porque a amor a Rainha D. Catharina, a
Rainha D. Brittes, mulher del qual a nofo repeito lhe efere
Rei D Afonfo III. mandou cô ueo etas palauras com outras. |
prar húa terra, a qual fe metteo E lhes darei todo ºfauer, @r ajuda,
na cerca, obrigando feu exem que lhes comprir pera viuerem com a
plo a muitos particulares nos quietação,que he nect/aria a taes rel
fazerem femelhantes doações; a |gio/os,Q) como conuem a %a villa,que
os quaes fe ajuntou muitos an /efaça, pelos benficos, que todos deles
nos adiante D. Margarida Hen recebem.
|riques, Camareira mór da Rai. 4 Quafi pelo mefmo tem
nha D.Leonor, mulher del-Rei po, em que a o fictio fe começá |
D. Ioão II. fe a vltima em tem rão a lançar etas crecenças,teue
po, por ventura primeira na de tambem feu principio a refau |
“nação. ração dos edificios, & cficina |
3 Comito fomos tapando da cafa,a que fe deu nouo fer, ou F

2 O
TUF
=-=-=-=-=-=-=-=-
*Mawrºna Pr04htia de Portugal.
| ao menos outra grandeza;& for} : →= =
-

79 |
|de Sylues,etando em Alanquer.
|ma. A igreja tomou afeu cargo |Eficando imperfeita por rezão
|- fobredita Rainha. D. Brites, | de fuas aufencias, & morte, el
|mas ainda no anno de 1 29o.em |Rei D.Dinys,feu filho,lhe poza
que o Arcebipo defBraga Bom | vltima mão,acabando com brio
frei Tello concedeo 4o. dias de #generofo o q fua mãe auia prin ;
indulgenciana quem com fuas cipiado. Afi o dizem tres pe
| efmolas ajudaíe eta obra, etá dras, embutidas na fachada de:
|maella em efiado, que podemui. (te templo pouco aísima da por
|bem dizer; cum de novo inapiat/* ta. Na do meio fe vem as quinas
bricari,que então começauaa fa reaes em tetemunho de fer of
|zerfe. Depois delle concedeo a edificio real. Nas outras collate
me{ma graça pera o me{mo ef fraes,em húa dellas fe contem el !• • •

-feito D.loão Soares Alão, Bipo <tas palauras:º ºfi fº º , , , ,


-> ---- |- -

: : :…, …"? *** # : ; : ;


4 - … Efta Igreja fundou amuinobre Rainha D.


\

| Brites, & acabou a o muivirtuofofeu filho, * ** * * *


••

nobre Reide Portugal compridode virtu


de D.Dinys.…
• • |- : : :
… . : * }
:: :

• •

>";

Na outra etão dous verfos lati ||Chrito nofo Senhor, que em | !

nos,&o primeiro declara como |premio deta obra lhe dé os go:


o dito Rei acabou o me{mortem|itos do paraifó.… " :
|plo. No fegundo pedimos al
HoeperfeinimişincyteRe:Dionyfi
Quo virtus Chrifti tibigaudia det paradifi.
5 Na renouação do clau. | agencias corrèrão por contade
| tro,que he muito majetofo, fe. Antonio Saluago, thefoureiro
occupou a grandeza del-Rei D. da Rainha D. Maria, fua fegun
Manoel, como nos etão dizen da mulher, o qual a elas acre
do as fuas esferas, abertas pelos centou muito do feu cabedal.
cunhaes, no qual tempo fela No reinado del-Rei D. Sebafº
urou tambem o arco da cafa do tião, & cofauor de fua magnifi
capitulo, onde età venerada a cencia fe renouou o forro da
S. arch. de
Imagem da Virgem Senhora N. igreja, que agradecido o publí.
S Anton. que falou ao nouiço. - Efendo |ca, com etas breues palauras,
da Cata
nheira.
as principaes de{pezas foas, as ! regnante Schofiano. E finalmentº
----"
I] e [] i \t] (Y}
G4 –– •

"75
__*___ _=A=

vassessºr*

8o Limr IDZ hiftoria Serafica dos fr…


-
nenhum ouue, que não fizefe no qual fe fez fegundo outra
etimação de feus poderes reaes memoria, que d'antes etaua no
pera tambem os empregar nete coro velho. … … #
infigne conuento.
6 Muito antes que os fra cAPITvlo XVI.
destiuefem eta igreja, etanão
ja preparados pera a fua fagra
} ção com hum breue do Papa Defêreufê efte figundo con
| Alexandre IV. cujo principio | uento;&5 apontão/e as ma
|he: Santorum meritis, pelo qual a rauilhas do teo,que
2o. do mez d'Abril, anno de
Chrifto de 1257, cõcedeo cém lhe grangtão ref
dias de indulgencia a os que a peito.
vifitafem no dia daquella folê
| nidade,& no feu anniueríario,& I Elo que temos efcrito fe
nas fetas de N. P. S. Francifco, poderà entender a cor
fanto Antonio,fanta Clara, & pe repondencia, que faz
las fuas oitauas.Mas não chegou ete conuento à villa. Etá fun
| afagralla o Arcebipo D.F.Tel. dado junto della em lugar fupe
# Caths lo, porque º foi a fua morte no rior na ladeira de hum monte,
{'cg.dos
* . *
Ar anno de 1 292, & ella ainda não que, fendo ingreme,nete fittio
:ceUp. de
;3r3ga P. »
*
etaua acabada, mas começada lhe ofereceohüa planície capaz
c. 39. fómente, em 2o. de Feuereiro de feus edificios. Aqui deta emi
de 13o 5. no qual dia o dito Bif. nencia fenhorea a me{ma villa,
po de Sylues pafou a fua proui recompenfandolhe fua humilde
faõ,que affio manifeta, dizêdo: fujeição com húa majetofa fer
Cum mmenafterio fantti Francife de mofura.Participa nos ares mui
Alanqueria fit inchoatum quºddam ta beneuolencia do ceo, & fem
opus tam ecclefe, quam clawfiri, (rc. cobiçar coufa algüa da terra,põ
De mais que na liuraria da caía em os olhos a o perto em húa ri
età hum liuro compoto por beira frefca,& a o longe vai def
frei Leonardo de Vtino,nas co cobrindo tantas terras áquem, &
tas do qual achamos eta me àlem do Tejo, que a vita can
moria de mão, mais fuccinta do çada coetas grandes ditancias
que nós a defejauamos. Nº anno não lhes póde dar alcance.
do Senhor de 1547. fºi con/gradº 2 Os edificios da cafa ef.
&=) a.Fr. Luc.
efte muiiteiro d'Alanquer/endº guar tão ordenados por tal modo, & n . . . .
dião frei Antºnio Helemão. E defe tão conformes co a traça da boa "º
| tempo pera câ (e reza da fua de religião, que toda ella, & qual
| dicação em dia de são Mathias, quer das fuas partes recende a
fanti
*sassem
Menores na Prouincia de Portugal. 81
fantidade. E affi como a pedra faõ taes,& tão notaueis as mara
de ceuar por virtude occulta, q uilhas do ceo, que confideradas
lhe imprimio o Autor da natu bem de força hão de efpertar os
reza,attrahe a fio afo, també as corações mais efquecidos de fu
pedras, & paredes dete fagrado as mifericordias.
conuento penetrão os corações, | 3 No templo primeiramé
gerando nelles hüa noua deua te (e reprefenta a memoria da
ção,com que as almas fe inflam quelle Oratorio dos paços da In
mão no amor do Redemptor, E fanta D.Sãoha, onde ela vio aos
pôde fer, que eta melma virtu fantos finquo Martyres,vetidos
de felhes pegafe,por difpofição de gloria, na hora de feu martv
diuina , dos muitos feruos de rio;porque nefe me{mo fittio fi
Deos, os quaes viuos aquentà. cou a primeira igreja, & agora
rão as paredes, & mortos femeá |fe etende o cruzeiro da fegun
1ão na terra fantidade com feus da. Na capella môr apparecem
corpos. Os religiofos confefaõ as veneraueis reliquias do fanto
deuotamente, que nete fanto frei Zacharias, & de feus com
domicilio logrão a paz.&alegria panheiros, enthefouradas num
da alma, que não achão noutras |cofre, & numa imagem fua. O
partes, & os feculares,fe não an feu fepulchro antigo età na ca
dão do todo alienados, em fe vê beça dofobredito cruzeiro pera
do detas paredes a dentro pa abãda da epitola, entranhado
rece que fe fentem animados na parede, a qual por ete,& ou
d'outro epirito nouo,oqual lhes tios refpeitos, como ainda vere
melhora, & compoem os penía mos, fe chama parede fanta. No
mentos. Nunqua aquelle Arce me{mo cruzeiro da outra parte
bipo infigne de Lisboa, D. Mi (e motra húa imagem de nofía
guel de Catro entraua em Alã Senhora da piedade, perfeitifi
querque não viefebufcar logo ma em pedra,pela #
clemê
ete deuoto fantuario, onde opo |tilsima Virgem tem feito a feus
derofo Senhor fe motra Pae deuotos particulares fauores.
das mifericordias,& Deos deto Dizem della,que falou# mui
da a confolação. Rezaua á Se tas vezes a hum religiofoO de grã
nhora do capitulo, veneraua as de virtude,feu afeiçoado feruo,
reliquias do fanto frei Zacha etando em oração, que confor
rias, choraua diante do Crucifi tou com palauras faudaueis na
xo, que lhe falou antigamente, perfeuerança da vida religiofa a
& conuerfaua os religiofos com hum nouiço, tentado do demo
tantas demontrações de amor, nio pera fe fair da Ordem;& que
que não fepodia defpedir. Mas alentou outra vez a efte me{mo
* - - Ul() {l 1 -
=–––––
–+ –=L= - - - -

82 L7TDTa S7a ##
nouço, eitando desfallecido à os pafios da paxão de Chritto
fome, com huns bolos, que lhe nofo Senhor.
deu do feu altar. No coro, dedicado aos
4 Aqui perto fe oferece louuores de Deos,forão ouuidos
tambem cutro altar,onde età o os Anjos, não fómente cantar,
Crucifixo, que cotumaua falar mas tãbê tanger os orgãos;& al
| co fanto frei Zacharias. He de guns frades, q ja erão falecidos,
madeira eta fantifsima imagem, aqui declaràrão a os viuos no
como tambem os feus crauos,la tempo da oração o etado, que
| urada muito a o toÍco, & com a tinhão na outra vida. Saindo
cer tão efcura, que parece defu dete coro,&caminhando á mão
| mada:finaes claros de fua gran efquerda pelo clautro pera a
| de velhice. Tem dous palmos parte da capella mór, imos pi
de comprido,& tendo lado aber zando a terra fanta,digna da nof
to,que reprefenta a Chrito mor fa defcalcèz, a qual recolheo no
to,na qual confideração o enta coração muitos varões apotoli.
lhou o efculptor, os mais finaes cos, & grandes feruos de Deos,
são do me{mo Senhor viuo, co depois de acabarem efte deter
molhe a cabeça leuantada,olhos ro da vida, cujo cemeterio por
abertos, os dentes apparecendo, efa me{ma rezão fe vai agora
como de quem etá falando; & ornando com pedras nouas, &
dete modo, ficou depois que capella. Dobrando daqui à ou
| começou a conuerfar com o fo tra quadra do clautro, encõtra
bredito fanto, dandolhe muitos mos logo co a cafa do capitulo,
| confelhos por fua bocca purifi onde feve a facratifima imagé
ma, Influe a fua vita pauôr,de da Virgem Senhora noíla, que
uação, & reuerencia, como nos falou a o nouiço,encotada pela
| açontêCeO quando o quizemos banda de fóra à me{ma parede
ver pera notar o q aqui efcreue do cruzeiro , da qual difemos
mos.Eteue atè o anno de 1414 | chamarfe parede fanta. Mais adiã
dentro da cafa do capitulo,dõde | te entramos em outra cafa, que
étão foi levado ao coro,&depois antes de le fazerem nella algüas
| trazido pera a igreja áintãcia da cellas terreas, fechamaua O jui
villa,que o queria ter perto. Ef zº, porque aqui chamou Deos
tá porém com grande venera |antigamente a feu juizo hú fra
{ção fechado em hum facrario, o de viuo, no qual foi fentenciado
qual de marauilha fe abre,fenão por fua mifericordia a fazer (au
he a 3 de Maio por rezão da fua dauel penitencia. "

|feta, & na quarefma às fetas . 6 Deta cafa fe (obe pera o


feiras à tarde, quando fe correm dormitorio alto, & no topo da
*>
efcada
assº
=

• -- *>""

AAenores na Prouincia de Portugal.


efcada á mão efquerda achamos pera cautela dos outros, fe dei
húa porta,que he do nouiciado, xou enganar hum nouiço prefu
fobre a dita cafa do capitulo, & mido das mentiras do demonio. }
tambem o feu altar artimado ás Fica defronte a cafã do refeito
cotas da me{ma parede fanta.] rio, no qual por muitas vezes os
| Sò eta fala,de quantas a Infanta| frades virão anjos, que os fer
| teue primeiro nos feus paços, uião à meza, trazendo feitas as
conferua a fua forma antiga; & i}{uas reções da defpenfa do Se
*idem an. nella tem ja muitos aduertido, º |nhor. E caminhando pelo (obre
1219 n.5: que cheira fuauemente, & que | dito cláutro pera a porta do cõ
fendo pafado mais de quatro |uento , ahi permanece a memo
centurias de annos, etá ainda ria do anjo, que mandou cha
como nouo ofeu forro,limpo de mar a ella o fanto frei Zacha
teas d’aranha, & de outras im rias , & lhe deu os pães do ceo.
mundícias.Eta he aquella fala, Não damos paffo finalmête por
onde a fobredita fenhora rece todo ete conuento, que não to
beo os finquo Martyres,o fanto pemos cõ finaes, & vetigios de
frei Zacharias, & o padre frei algüa marauilha.
* - - - -
", { #
Sueiro Gomes, vindo todos de
Italia,&donde defpedio os mef
mos Martyres pera a terra dos cAPITVLo XVII.
| mouros. E fora muito mais pro
prio terfe pintado algum detes Dà Deus de comer algüas ve"
cafos agora no feu altar,& não o
apparecimento dos ditos Santos zes por mini/terio dos An
na hora do (eu martyrio, e qual jus a os religio/os
lhe foi feito no Oratorio, que fe deflatafa.
mudou em igreja.
7 No meio do dormitorio
fe encontra húa cella, morada 1 r Iuião nete conuento
trite,& e{cura,como dizem, do aquelles primeiros pa
demonio nouiço. Depois etá a dres tão efquecidos da
enfermaria, que foi tetemunha | terra, que não felembrauão de
verdadeira de muitas mortes di pedir o que era neceffario pera
tofas,& de grandiffimos fauores | futentar a vida, obrigando feus
no tempo dellas, da Piedade di | defcuidos à piedade de Deos, a
uina.E tornando a decer por ou cuja conta etauão, que muitas
tra parte, defcobrimes ja em bai vezes os proueffe claramente
xo a cozinha, onde nos querem por milagre. Não reparamos
dizer que, permittindoo Deos I agora no admirauel, & e{pecial
cuida
L_
*a*…>
–a–
* •••••> •+___=_*__ •

-*-*--*--*;;------ - -

*--*e… =

84 Liuro I. Da bifloria Serafica dos frades


cundado, com que ette Senhor prefentarem a fua neceflidade.
nos etá cada dia futentando, Acabada a oração entrarão no
fendo nòs tantos, & tão pobres, refeitorio, affentarãofe à meza,
que não temos nem hum sò pal & quando ja os dous pães fe par
mo de terra; por quanto ainda tião em fattias pera chegarem a
que pareça milagrofa eta fua | todos,tangeo á porta hum man
concion,
particular prouidencia, como o cebo, que mandandoo chamar
. de S. padre º frei Luiz de Granada |lhe entregou tantos pães, quan
12TC.2. 2.
aduertio, o fer muito ordinaria tos erão os religiofos, & logo no
lhe diminue o efpanto na opi mefmo lugar fe e{condeo da fua |
nião do vulgo, que não cotuma vita. O aperto daquella necef
admirarfe, fenão sò d'aquelles ca fidade,a occafiãe do tempo,abõ
fos, que raramente fuccedem. dade dos pães, que erão muito
Pelo que efe me{mo prudentif. mimofos, o numero delles cor
fimo Senhor referuou algüas o refpondente aos frades, a etra
bras, que vai fazendo fóra do nha fermofura do mancebo,que
curfo geral, quando affi o pedem os trouxe,& (obre tudo o repen
| as occafiões do tempo; pera que te, com que defapareceo, forão
etimandoas os homens,não por finaes manifetos de fer elle al
ferem as maiores, fenão por feré gum dos anjos do ceo,por quem
etranhas, louuem com maior ofoberano Senhor mandou pro
afecto fua immenfa caridade. uer o cõuento. Comèrão todos
Taes faõ as prouisões milagro com tanta confolação, & aluo
fas, com que ele muitas vezes roço das almas, que cõuertendo
nos acode dentio, & fóra dos o refeitorio em coro, louuárão
cõuentos affi por miniterio dos muito a Clemencia diuina,á nú
demonios pera fua confufaõ, co qua defemparou os feus pobres.
modos anjos do ceo,fegundo lo 3 Então fe vio outra gran
goveremos. ,
de marauilha, porque partindo
b. chronic,
antig.
-2 Era"guardião o fanto os pães fe forão multiplicando.
F.Marc. p. frei Zacharias, & fendo muitos de modo, que fe deu hum intei
1.1.6.c. 28,
F.Luc, an. os hopedes além dos feus mo to à Infanta D. Sancha, & mui
* 2 1 2. Il.

4O.
radores, não tinha mais que do tos pedaços a os deuctos da vil
us pães. Chegou a hora do jan la,& do termo. Daqui inferem
tar,& o fanto confiado no gran alguns,que itoacõteceo no pri
de Pae de familias, que não fo meiro cõuentinho de fanta Ca
fre perecerem os feus feruos,foi tharina, etando ainda nos feus
| com eles à igreja pera lhe daré paços a fobredita Senhora. Mas
as graças da pobreza,em que en não he cójectura infalliuel, por
tão fe achauão, & pera lhe re quanto podia etar nos outros
3
pº ços +
m=
"T"=mmm

A1cuores na Prouncia de Portugal.


paços da villa, ou acharfe nel
la na me{ma occafião, ou guar CA PITVLO XVIII.
daremlhe a fua reção os fra
des, que ela depois lhes man.
daria pedir. E quando lá fucce Leuantafe contra efte conuem
defe, á me{ma communidade, to o inferno rectºfº da fia
,
que ainda continúa fe fez o di fantidade,$pera o re
to fauor. Quanto mais, que no
fegundo conuento, onde agora laxar fºfaz hum
etamos, ouue outros femelhan demonio,no
c.Hitec tes, º & entrando muitas vezes
clefiaft de
digº.
Lisb p.2.
no refeitorio os frades pera da
c.17&42. rem graças a o ceo de não te
rem que comer, vinhão logo os I Vdadas do valle de S.
anjos atraz delles co as reções Catharina pera eta
nas mãos, & os feruião à me. terra noua do fegüdo
za. Outras vezes, apertando a conuento aquelas plantas fran
me{ma necefidade, tanto a tem cifcanas,breuemente florecerão,
po acodião as e{molas, que erão | produzindo muitos fruitos de
julgadas por milagrofas. E fe diferétes virtudes. Cõtinuauão
|auemos de dar credito a pef os primeiros exercicios, & acre
foas muito graues, ainda nos cétando outros viuião cõ grande
nofos tempos foi vito crecer| recolhimento,apereza,& filen
o trigo no celleiro, o vinho | cio;& affi como os homés no mú
} na adega, & o azeite nas ta |do fe enuergonhão de não ferem
|lhas, acontecendo outras cou muito ricos,elles fe prezauão de
fas que, com ferem miude feré pobres euangelicos,& de an
dezas, erão particulares … daré defcalços, & remendados.
fauores da piedade -> Mas o inferno, 4 cófideraua no
--... . de Deos. : , ; ; : ;
cõuento húa efcolavniueríal de
* - - - - -- -

virtudes, receofo ja deta nona


fortaleza cõtra ofeu principado,
gritando de pura raiua,tratou de
a detruir cõ mão armada, & cõ
uocou os demonios,que peta fa
zerem mal, todos femotrão ar a Chron.
Q{}L}{X.
}

dilofos, & folicitos. -

#
2. … Começou º eta guerra Martyr. de |
Marroch.
no principio por cõbates fecre le&t. 5. " |
tos,& inuifiueis, que são os mais F Mar. p. 1 ];
; 16. c. 28. } -

H 1 º ri
per
• =
86 LITT Dahlima Serafia dos frades
perigolos,tentando a os nouiços bete elle, como pae verdadeiro
co as lembranças do mundo pe da mentira, diffimular com tanta
| 1a deixarem o habito, & procu propriedade, que as apparencias
rando enfraquecer com deícui nete feu nouiciado erão de grã
dos os profeflos por não fubirem de epirito no feguimento do co
a o mõte da perfeição regular. E ro,oração, exercicios humildes,
aduertindo depois, que por eta caridade cos enfermos,& em to
via lograua mal feus intentos,en das as acções tocãtes a feu eta
trou por outro caminho de ma do Cöfelsauafe falfaméte,repre
ior perturbação,& affentou o ar fentando aquella dor dos pecca
raial tenebrofo á vita dos mel dos, q não cabe na fua obtina
mos frades,a os quaes a cada paf ção: porêm nãqua cõ{entio a di
fo,& por todas as partes do cõuê uina Majetade,á fua bocca mal
to (e atrauefsauão osefpiritos ma dita profanafse o mantimétodos
lignos em figuras horrêdas,& te anjos,bufcando elle embaraços,
merofas, pera 4,defcõpõdo pelo & allegãdo rezões de não cónú
menos eta moráda de Deos, fe gar, co as quaes parecia defcul
pareceffe co a fua,onde tudo he parfe.E depois q (e vio entabola
horror, & cófusão. Mas por meio do na opinião de todos (que fa
dasorações do S.F. Zacharias, me cilmente vêm a cair num enga
recimêtos de N. Padre ferafico. no quê não he maliciofo) logo
& intereeísão dos fántos Marty tratou de feu negocio, dandofe
res de Marrocos, protectores do a conhecer em muitas partes
cõuento,aproue à Majetade di por famofo herbolario,& medi
uina deterrar de fua cafa tão coco as curas,& medicinas, que
infernaes infolencias, enfreando fazia, julgadas por milagrofas.
em parte a os demonios, & re Aquife originaua a perdição do
pondo os frades na fua quieta cõuéto, acodindo infinidade de
ção. gête a pedir medicamêtos,ou pe
Contudo, como os maos lo menos receitas, cômunicar as
empenhados húa vez na perfe doéças, agradecer as faudes,offer
guição dos bons, nunqua deixão tar grofas efmolas; & com ito
eta teima,o inferno, ainda q fo fe alteraua a quietação da cafa,
peado pela virtude diuina, não afrouxando juntamente o rigor
defiftio de fua malignidade.Pelo da pobreza, & filencio. E vendo
b.Chronie.
antig.
4* ordenou a hú demonio,6 fin eta ruina o guardião, que era o
legê d.cit. gindofe mancebo,procurafse fer fanto frei Zacharias, recorreo á
lect. 4.
F. Marc. p. nouiço no conuento, & dete oração,na qualDeos lhe reuelau
1.1.1 o.c.14 modo fagazmente lhe fofse in os embutes do demonio. Pelo
troduzindo a fua relaxação.Sou que o mandou chamar á culpa,

- & def.
# Menores na Prancia de Portugal. 87 |-

& delpindolhe o habito afh o| ços, confortando os no amor da


| enuergonhou, & reprehendeo | vida
mãos.religiofa,os arrãoou de fuas
*> •

de fua temeridade, que nunqua |


mais appareceo. " - " …

4… Outro cafo d'hú nouiço,


enganada, por ete enganador CAPITVLo XIX.

acõteceo pelo tempo adiante na
#«.Chronic. nofía Religião,& poto q os “Au Como falou a hum nouiço hia
antigº
F. Marp * |tóres não lhe afinãe lugar certo, imagem da Virgem Senhora
-

14.c.38. dizendo sò é fuccedeo em Hef.


Fr. Luc.
an. 1.193. panha,nôs achamos húrumor de nº[a,ê3 mudou em proua
|-
n.3,
4 foi nete cõuento,& q por ifo | defia verdade º Mi
eteuena cozinha pintado algüs ninº Jef de hum
annos. E pera q não faltemos na
inteireza da hittoria, aqual here trar para
|-• •

ferir todos os cafos como forão, 0utrº... ...…


ou como fe diz que forão, tam
bem efcreuemos ete, & feruirá I º Omeção ja os fauo
de cautela, cõtra as malicias do res,& grandes miferi
|inimigo cõmum. Era o pobre cordias deta fantiff
|nouiço inclinado à virtude,mas ma Senhora por hum nouiço
não tinha fundamento,em á el innocente,cuja vida inculpauel,
la aflentafe, por fer mui altino, imitando na pureza os efpiritos
}&foberbo, q deprezãdo os bós do ceo, trazia afeiçoados os
|cófelhos do metrefeguia a feus corações do cõuento, que vene
|caprichos, que o forão defuian rauão a liga de tanta virtude, &
} do da vida dos outros religiofos. tãta finceridade. Cõnnetteo hüa
Etanto que o demonio o vio culpa muito leue d'aquellas, que
de{garrado do caminho, falfifi faõetranhadas nos nouiços,mas
cando em filmefmo cõ grande nele ditofa pelo fuccefe, q te
atreuimento a apparécia da Vir ue;por quanto o guardião,mou
gem Senhora nofa,lhe ordenou do, como fe cre, de fuperiorim
o precipicio. Acõ{elhoulhe,que pulfo, lhe mandou em peniten
pera ir ao ceo (e pregaffe numa cia,á fofe a o capitulo,& pedif
cruz,& elle foberbo, & ignorãte fe à Virgem S. N. lhe quizefe
affi o executou. Não fe glorie reuelar qual oração lhe era mais
porém, o tentador infernal de aggradauel, & que não fe faife
fabricar feu engano co efte dif. de feuspès, né come{se, nem be
farce fanto, porque a piedofa befse atè ella lhe fazer eta mer
Senhora a outros muitos noui cé. Duro preceito pera quem
--> H 1. (*\'3
-+

88 |- T77T Da hiftoria SZ77 -_-

.] era humilde: mas Preuaiecendo | d'Alãquer,4ja º temos referido. tºpº.


o feruor de fua obediencia,per E poto q os antigos não lhe das
feuerou de joelhos todo o dia, & | uão lugar certo em Hefpanha,to
grãde parte da nºite, rogãdo cõ dos ja obrigados da tradição, & |
muitas lagrimas à Fõte de pieda fama vniueríal apontão etecõ- -

de lhe defpachaffe eta tua peti uéto, no qual tambétõcordátão


|ção. E compadecida a Senhora | os nofos minitros, &cutodios
de tanta tribulação, & angutias hepanhoes,áfe achàrão prefen|.……
lhe declarou, que o hymno O tes na cógregação geral,celebra
gloriº/a ZDomina (o qual affi come da no anno de 1621. é a cidade
çaua antes de fer reformado por de Segouea,onde affio futenta
occafião do metro)lhe era fobre mos em cõclusões de differentes
todas as orações deta forte ma materias,repartidas pelohymno,
is aceito. E como me hão de crer? No tépo não ha certeza: pelo 4
lhe replicou o nouiço: a o que eícreuêdo a mudança do cõuêto
ella refpondeo. Crertehão por efie o Annalita no anno de 1222;
final, que deu inclinadº a teus rºgºs. logo fez dito memoria. Outros
Eis aqui mudo meu filho, º 2úninº faltão dous annos adiáte. As nof
lefa, de hum braçº pera outro, @r com fas chronicas antigas,6 pelo feté
f) acreditº a minha renelação. Aluo nos parecê as mais certas,entrão
roçado, & alegre o nouiço aui no generalato de frei Aymõ, do
zou o guardião do que auia paf anno de 39.atè 44. & frei Mar
fado, o qual reconhecendo o mi cos finalmente pafla a a de feu
lagrecem toda a cõmunidade ti fuccefor, frei Crefcencio, atè
uetão por certo o oraculo da 48. Nós detas variedades fica
Virgem acerca da oração,& por mos sò colligindo, que he muita!
elle lhe detão muitos louuores. a fua antiguidade. .. .
Mas o nouiço empenhado en 3 Eta facratifima,& mila
tre todos na deuação da Senho grofa Imagem, que chamamos,
ra,depois de gatar em feu ferui «Senhora do capitulo, por etar na ca
ço a vida,lhe deu venturofo fim fa delle, he de madeira,&não de
com opinião de fanto. edra, como vimos,& tocamos.
2 Fazé méção deta grãde ma Eftà afsétada em throno,& tédo
rauilha as nofas primeiras chro d’ãtes o Minino Iefu febre o bra
nicas,o Autor das cóformidades, ço direito, agora o té fuftentado
4. p. 1 l. 1. FºMarcos,º F.Lucas, a Hitoria no efquerdo. Mas na forma,em
c. 36.
b.an. * * * *. ecclefiatica da Igreja de Lif que no princípio o teue, acha
n. 41. -
r. p. 2. c.27
boa,º o Agiologio Lufitano,obra mos tambem nefte reino muitas |
d. Ianeiro grande,&digna de perpetuo lou imagens de vulto, as mais dellas
| 18-lit. c. uor, co a relação das grandezas milagrofas,em particular neftes
cõuen
•••
-•••••••••••- -" +=

Algures na Prºuincia de Portugal… 89


comentos leguintes da nofia Re: indecencias os defeitos milagro * *

ligião, São Francifco da Lisboa, fos, mandou reformar obraço,& | * * * *

Virtudes,S, Onofre,& Thomar, eltofar o regaço, contentandofe


Moteiró, Matozinhos, & Vir dã deixar efcrita nelle cóletras
anna; & nete de Alanquere{tá d'quro a verdade da mudança.
húa antiga de S. Antonio com o Nome{mo tempo (e inclinou a
mefmo Minino na mão direita. Senhora pera a parte direita por
A obra, não he muito delicada, fazer melhor lugar na efquerda
fupprio porêm luas faltas cosref| afeu filho amantifimo, ao qual
plandores da graça a mão do fo apertou tanto configo, ficando
berano Artifice.Pera proua,&lé ambos cõ os olhos hum no ou.
brãça do milagre, quãdo mudou tro, que parece auello ja enta
o Minino,lhe ficou adelgaçado lhado no me{mo tronco daquel
o dito braço direito, como fe o la, parte o primeiro efculptor,
cauacárão, & o regaço de pinta Etá fechada num facrario, cu
jas portas da banda de fóra re
do, em final de que alli etiuera.
Mas parte dito nos efcondeo ja prefentão o milagre em pintura.
neta nofía idade a deuação ina O nouiço faz de joelhos a peti • •

difcreta de quem, julgando por *ção neta forma. *. * * * # : ;

O MateróVirgo pia diciúpplicantiferuulo,


quetibifitvna exomnibus oratio gratifima.
A Senhora lhe concede º de pichº,dizendº etaplau…. … º

* •

Filimihivna exomnibus oratiogratifimaeft -

ille hymnus pulcherrimus, 0gloriº/a Domina.


4. He grande a deuação, é cõ muita folemnidade afua la
tem a eta Senhora,afios religio dainha,& o hymno com algúas
fos,como a villa, feu termo, & orações. A ellefe motrou affei: }
muitas partes do reino. No pri çoado o padre fanto Antonio,
meiro domingo depois da Pafº pelo á não fó na hora da morte,
choa fe celebra a fua feta,&nos mas tãbê no aperto, em 4 opez
fabbados á tarde pelo difcurto o demonio, quando o quiz afo
do anno junta toda a nofia cõ gar, com eta oração apraziuel à
munidade de joelhos diante do Senhora inuocou ofeu fauor.C5
feu altar,& dous nouiços fazêdo tudo não alcãçou etãºo em Por
o cficio de Cantores,lhe cantal tugalete cafo do nouiço, porá
H3 Ja
- - = • • • • •- -- - - "… - -- - - - - - - - ………
| || 9o Liurº I. Da bifloria Serafia dos frades
f Fr.Luc.
20Re = 2 3 *e
ja/ etaua em ltalia no anno de Perafe fair da Ordem, lhe pe
B. B. E º
1221.depois do qual o e{creué dio de joelhos, ºconfira te efema
os fobreditos autores, & fe Pafº trem, que motrafe nelle fua afº
fou alèm do de 39.nem co a vi feição de mãe. A o que lhe ref
da pode chegar a feu tempo. pondeo. Aconfira te efefilium;mo
Entre os grandes deuotos delta tratu q es meu filho. E cõ to
Senhora fantifima merece not (e lhe foi a tentação. No anno
fa memoria o illuftriffimo Arce de 1 643 era Nicolao de Car
bipo de Lisboa D. Miguel de ualho mordomo da fua feta, cu
Catro, o qual por feu repeito, jas veíperas lhe começárão a fer
& pera a vifitar muitas vezes en trites por rezão de húa enfermi
traua em Alanquer, etimando dade, a qual lhe daua garrote,
tanto o que cheiraua a etafan. apertandoo de modo na gargan |
ta Imagem, que em retorno de ta, que não podia refpirar. Mas
hü cabazinho de maçans enans, recorrendo,defconfiado dos me
criadas à fua vita no clautro,o
dicos,á botica da Senhora, que
menos que daua era hum moio he a fua alampada,co (eu azeite
de trigo; & fe alguem lhe que alcançou logo faude, & fetejou
ria ir à mão,repondia que o dei com mais goto o feu dia.
xafem futentar os capelães da
Senhora do capitulo. Co a me{- C A PITV L O XX.
ma deuação lhe inuiou de Ma
drid algüas peças de preço D.
Leonor Pimentel de Toledo, & Davida, & morte do fanto
em quanto pofuio o campo do frei Zacharias, funda
Rouxinol, paul d'Otta,& outras dardº/le con
rendas na villa, fempre lhe tri l/filt().
butou muitas efmolas, que com |
encargo de mifas, & d'outras
fantas pensões fazia a o conuen I Hegou o tempo das
(Os

Dos beneficios concedi


C que
faudades,&lagrimas,
deixou nete cõ
dos a etes me{mos deuotos, mui uento o fanto frei Zacharias co
tos fe cótão de grãde cófolação, a fua de pedida da terra pera o
4 por feré ordinarios,&não fair ceo. Em Roma,donde era natu.
mos dos termos da breuidade,dei ral, o recebeo à nofia Ordem o
xamos de efcreuer. He contudo Patriarcha ferafico,& com tan.
memorauel o q ouuimos a mui to cuidado o intruío na perfei
ta gente de credito, a faber,que ção da vida religiofa, que de
fendo tentado outro nouiço pois por fuas grandes virtudes
elle •
=
A

Menores na Prouincia de Portugal. 91 --- - -

elle era entre muitos ofeu dif> |zer affi nogouerno do conuen
cipulo amado. Quando entrou | to,como de fua pefoa. Ete era |
em Portugal,vinhaja pregador, | o leu tontemptus mund,o feu Def.
& facerdote,& do que temos e{-| prezo do mundo, o feu Etimu
crito lobre a fua jornada fe po lo do amor diuino, o feu Itine
derá entender como merecia bê | rario da alma pera o ceo, a fua
a afeição de feu metre. Abrio Dieta da faluação,a fua Politica |
tão altos os fundamentos da fan de Deos,o feu Gouernador chri |
tidade deta cafa, fendo o feu tão,finalmente toda a fua liura
fundador;&primeiro guardião, ria, onde aprendeo a fer guar
que ainda hoje aquellas raizes dião,& fanto. A ete Senhor e{-|
brotão cheiroías flores de virtu | colheo por feu prelado, cõ tanta |
des. No tempo de feu gouerno obediencia, q nunqua faio fôra |
alcançou grandes fauores do do conuento fem lhe pedir a li-|
ceo, porque recolheo os finquo cença; & quando tornaua, pri
Martyres,que da fua companhia |meiro q tudo lhe vinha tomar |
partirão pera Marrocos foi o pri abenção. Com ele confultaua
meiro prelado, que celebrou feu todas as fuas acções, os acertos |
martyrio : lançoulhe: por eta do oficio,o remedio das almas;
º , "|cauía fua benção ao conuento & afficonueríauão familiarmê
N.P.S. Francifco:vio illuftrada te ambos,como pôdem conuer
fua caía cõ refplandores de glo far os dous maiores amigos,ou
ria, quando a morte leuou della uindo a cada pafo o fanto mui
o primeiro de feus fubditos: an tos oraculos do ceo, que o Se
dou em campo com todo o in nhor por fua bocca lhe deu.
ferno junto, alcançando muitas, 3 Erão fuas prégações cheas
& gloriofas vitorias: os anjos do de efpirito, & abrafadas em ze
... lceo lhe trouxerão de comer a lo, quaes fempre cotumão fer
elle, & a feus frades, a os quaes | as dos minitros euangelicos, q|
tambem feruirão à meza, & fo |não pretendem applaufos de cõ
1ão vitas outras coufas, que fize | ceitos delicados, fenão conuer
rão venturofa, & muito fanta a | sões de peccadores contritos,& !
fua guardiania. … | dete modo foi infinita a gente,
2 Teue efpecial deuação |que conuerria a Deos. Achoufe
á imagem de Chrito crucifica hú dia no auditorio certo homé,
… 16. do,cuja noticia ja º dêmos,dian que andauavacillante acerca da
te da qual etaua de joelhos, sê prefença real de Chrifto nofo
fe poder apartar, dias, & noites Senhor no fantifimo Sacramen
inteiras, contemplando, & etu todo altar, & ferido co as fettas |
dando por ella o que deuia fa de fuas fantas palauras pedio que
=
H4 —
O ÇOn- - ...
- -

92 DEIDTESTE
o confeflatle. mas como oncuo
# - * * *
- -

| memoria aosao,de Ianeiro: cf.


jeiro da cegueira era grande, |te no cathalogo dos Santos,a 22
nunqua o Santo pode acabar cõ |d'Agoto, onde falou tão confus
- * •• • • •• • •

ele, que crefe inteiramente a | fo, que lhe trocou ofeu no:
verdade do myterio. Pelo que |meconhecendo a pedoa. Nós
|inflammado no efpirito lhe dif Por tradição, que º mek |
ife. Irmão; pºis não tres asfalºuras imo Senhor, cujas palauras
#
do Senhor,que eu da/ua parte te digº, muitas vezes o confolásão da
jºvem amanhaam ºuuir a minham/a, Cruz, no dia da fua Inaenção,
; @el efêrºfêruidº de te alumiarcam que he terceiro de Maiº, º
ha/antaprºfença. Entretanto foi chamou pera o ceo, & neleja
|communicar a o feu Crucifixo de tempos antiquiffimos fece
lefte cafo, & toda a noite lhe ef> lebra afeta d'ambos, Contu
teue pedindo com amargura de do não foi no anno de 123o.
lagrimas,que por fua piedade a | que lhe deu a * Chronologia b.lib. z.
brifle os olhºs daquele igno monatica lufitana , porque as|
lirante, & incredulo. No outro | fuas acções ainda vão adiante:
dia difemifa etando ele pre mas feria pelos annos de 1249.
fente,&ºptouue ao Senhor cle. como quer o * Vuaddingho, d', 3R. E 2 R $

imentiffino,que na hotia confa poto que não foi muito aduerº n. 4. & an.
A 249.n.7•
grada vife muito claraméte atê tido em dizer, que floreceo na
o tempo da communhão a fua cutodia de Coimbra; por quan
carne purifima. Comete mila to, nem ella chegaua, a Alan
gre fe conuenceo o incredulo, quer, nem ainda nefe tempo
alegrandofe por etremo o San etaua intituida ; & elle pet
to em o Senhor de lhe tornar a
maneceo na primeira, chamada
ganhar eta ouelha perdida. de Pºrtugal, que tiuemos mete
, 4 Tudo o mais,que foi mui. reino. Tratão defua vida" frei d p. 1.1.6.
• to,nos eftõdeo a incuria de noí | Marcos, º Gonzaga,/Rodul
• • " " " …" "
C. a 8.
*-pag.179.
fos antepafados, como febatá …fo, a 4 Hitoria ecclefati f.lib.I.
ira pera nós nos cõtentarmos dei| ca de Lisboa comº &º P. 2. c. 27
& 42.
#xarem eles efcrito,que
fantamente viuendo
morreo fantifima-||
- dº || … … :: os autores re-aza. à

*
feridos-pet...": |- +

mente. Do tempo de feu glo- [... -

-
-

• •
|-

|
* *
• • •

• •

*-
| "{". * . * … ::., 1.
|-


-

? — . --* * * * -

riofo tranfito não achamos cou •• -

|-
--• • •

|-
• • • "3"
|- •

fa certa. Frei Artur,& frei Filip |



… * # , !
• •• ••
* * *;">

-

ipe Ferrario,repartindo os Santos||


| pelos dias do anno, como me
|lhor lhes etauaraquelle no mar-||
*
tyrologio fácifcano, atentafia
--———— |-
- - - - - - -
: : : : :::, :: : : : : : : :: o
---- * *i - CAPI
• • •• ••••••••• """"">== *---- --- - - -
_Menores na Prouincia de Portugal. ---- 93
Ambrofio de lefu, tratou de o
|transferir pera outro lugar de
|maior veneração. E praticando
o cafo co infigne Arcebipo de
Sepultura, 83 trăsladação do Lisboa,D.Miguel de Catro,el
º mºfu fantº fiei Za
-1. ….! -- *: *"
le lhe applaudio o intento, mas
charias."
- - -

| com claufula, que primeiro lhe


- ". º "… : - |, , : -> …. * * leuafem os fantos ofíos à fobre
……oo …
:|dita cidade pera os ver, & con
I Aõ fofrerão as fuas | folarfe com elles,pois em Alan
| Ngrãdesvirtudes,ain quer não podia affitir à fua traí
«{ da naquelestempos ladação. Pera os gatos maiores
groteiros,que lhe defemfepul fe ofereceo o doutor Lopo de
tura no cemeterio cõmum, mas Bairros, corregedor da me{ma
foi poto em lugar muito honra villa, mandando tambem fazer
do, onde logo os fieis o começá hum cofre forrado de veludo
rão a bufcar, & venerar, pelas carmezim,no qual foi depofita
muitas marauilhas, queDeos por do ete thefouro riquiffimo, & |
|
a Hift. ec
clefiaft.de.
elle obraua, "& ainda vai obrã hum nicho de pedra com gra
lllll Lisb. cit. do, fem nunqua fe efgotar eta des fobredouradas no lado do
{r C.42.
fonte faudauel. Da primeira fe altar mór, da banda do euange
;* º b. F. Marcº,
{cit.c. 18.
pultura º tirauão terra os enfer lho, onde agora fe guarda. Da
mos,elpecialmente de maleitas, nofa parte, preparamos o mais,
| com que curauão as fuas enfer que fe auia mifter; & vindo o |
|midades. E depois de etar ele padre prouincial com algüs dos
|uado na parede do cruzeiro de prelados dos conuentos, & os
|ta fegunda igreja, onde feve o muficos melhores, que tinha o
| altar da Conceição immacula de Lisboa; o me{mo corregedor
| da da Senhora Mãe de Deos,ain ajudou a hopedallos com cari
da nete fepalchro tinha a me{- dade, & grandeza. Acodio tam
|ma virtude. Forão tantas etas |bem tanta gente de muitas par
fuas marauilhas, inculcadas por |tes do reino, que não cabia na
cit.n.7.
{ maior pelo nofo “Annalita,que |villa, efperando todos com al
din Marty como diffe º frei Artur cõ ellas, uoroço notauel por eta folem
rol franc.
die ao Ia & cos raios da fantidade da vida nidade. … ---- . .
nua".
illutrou todo o nofo Portugal, | 3 Deufe a ella principio no
chegando as fuas luzes tambem | fabbado à tarde depois da fe ta
a os e trangeiros. # da Pafchoa, 1 1. dias de Abril,
2. Pelo que,fendo nofo mi anno de Chrifto de 1 61 1., &
nitro prouincial, o padre frei nete tempo etaua ja colocado }
I]O
94 L7TDTS-77777;"
no altar da Senhora do capitu uores o padre frei Andre de j .
lo o cofre das fobreditas reli Guimaraés,guardião de S. FrãCif|
quias, donde (e leuou antes de co de Lisboa,& prêgador dos fa
ve{peras em procisão á igreja, mofos no feu tempo. E dando |
na qual eteue todos os dias, que fim a eta alegre feta, foi entre
a melma celebridade durou, en gue o cofre a ofacrario,em cujas
riquecendo o altar mòr. Pela pedras etá efcrito hum epita
menhaam no domingo foi ora fio,no dia afima dito,que decla
dor das excelencias do Santo, o ra o conteudo nete fagrado de
padre prouincial, & à tarde ole pofito, a faber os ofsos do bem,
uamos tambem em procisão pe. auenturado frei Zacharias, com
la villa,que affi o requereo pera panheiro do padre S. Francifco,
que lhe properafse as cafas, & & de dous feus cópanheiros ne
as ruas fua ditofa prefença. Na ta cafa d'Alanquer. O epitafio
fegunda feira repetio os feus lou lhe ete. - ,

Sepulchrum B. Zachariae, focij B. Patris :


Francilci,& duorum fociorum,ereótum 1 1:
Aprilisanno 1611.
Hía reliquia detas etâna fua no de 1 612 a capitulo geral, & -
1 2 4

imagem, que nos dias mais folê elle fendo aqui guardião, & natu
nesfe põem fobre o altar.Outra ral da me{ma villa, a deixou de
tambem num meio corpo do |pofitada nete fagrado cõuento.
mefmo Santo feguarda na capel
la mòr de S. Catharina, dentro CAPITV Lo XXII.
do feu fantuario.
4 Nas fetas, em que appa Dagloria defrei Pedro daEf
rece no altar a fobredita imagé,
lhe refponde d'outra parte húa trella,purgatorio de dous fra
de noíso Padre fantifíimo, glori. des, & intertefão porquantos
andofe de ter hum filho tão fá
bio,que foube amar a Deos. Tê nelepadecem da Virgem
no peito hum retalho do habito, Senhora ufā.
* * ** .

cõ que etaua vetido,quando re }


cebeo as chagas. O grão Duque I- V - Inha Deos tanto cui-l.
de Florença deu efta fanta reli dado de cõferuar em
quia a o padre F. Antonio d'Af virtude eta caía, que
cenfaõ indo por cutodio no an não sò a alentaua com os exem

plos
AMenores na Prouintia de Portugal. 95
plos dos viuos, mas tambem a dentro de quinze dias viria, en
fométaua cõ os auizos dos mor tretanto (e dipoz com orações,
tos.E affi permittio algüas vezes & vigilias pera ouuir as nouas
por fua mifericordia, que etes do outro mundo: mas quando
viefem denunciar as penas da vio, que fe paflauão os dias,&frei
outra vida,pera que co a noticia Afonfo não vinha, entrou em
dellas fe euitafem as culpas, q grandes receios, fem contudo
jutamente as merecem.E anda. remittir os primeiros exercicios.
uaito facilitado de modo, que Etando hüa noite no coro com
tomátão confiança algüs dos re etas ancias, theatro certo de fe
ligiofos pera pediré afeusamigos melhantes visões, aduertio que
enfermos na occafião da morte entraua frei Afonfo, o qual de
4,fe oSenhor lho cõcedefe tor. pois de fazer reuerencia profun
nafiem a auizallos do que lá lhes da a o fantifimo Sacramento do
fuccedia. Aconteceo, que falecê altar,fe foi direito a elle, defcul
rão dous juntos aos 4 de Abril, pando a tardança co a falta de
& ambos com boa opinião de licença. Quando o vio junto de
fua vida, & virtude. Hum delles fi, preguntoulhe. Que he isto, frei
|facerdote, & mancebo,o qual fe ·Afon/, º comº vos vai na ºutra vida?
| chamauafrei Afon/0, era dotado E elle lhe refpondeo.3em me vai,
| da pureza virginal, penitente,& por quanto tenho certeza de que algum
tão deuoto, que facilmente na diºhei de ver a ZDeos no ceo:mas entre
oração fe derretia em lagrimas: tanto vou pur andº minhas culpas,Gr
mas tudo ito desluftrauão feus debaixº defe habitº fiou ardendo em
arremeços colericos,& algúa al fogº; porquefeminhas virtudes, ajuda
tiueza, com que defetimaua os das da Piedade aluna, me lurèrão do
proximos.Outro era frade leigo, infernº,aJoberba,ç} a tolera me detem
chamado frei Pedro da Estrella, ainda no purgatorio, pofio que as ora
proueto ja na idade, & virtude, fães de minha mãe me alcularão mui.
callejado nos jejuns, difciplinas, ta. Perguntoulhefe lhe forão de
|| & cilicios, & muito exercitado proueito as mifias, que por elle
i no fofrimento dos oficios humil tinha dito; & aito repondeo.
|des. ... : - 1 . 3áuito mais ºuwerão daproutitarme/e
2 Tinha frei Afonfo hum vos as diferes com deuação,G# e/piri
particular amigo, que tambem tº: mas ajudarãome muito ºs mereci
trataua da faluação, o qual defe mentos de minha mãe, mulher fanta,
jofo de faber em que etado pa @r tambem de frei Pedro da Efirel.
raua a fua vida,lhe rogou,que fe la.
tiueffe licença lho vieffe reue Tornoulhe a perguntar.
lar. E promettendolhe ele,que E que he feito de frei Pedrº? A o
Que

96 "Trº T D7 T S7 dos frades


que lhe repondeo. É/eja fã no intancias,que o vietie conteiºr,
ceo, Grefaçamente pa/ou pelº purgº & fazer certo do que depois da
torto, comº ferta quefe dºpede do arcº, morte lhe fuccedefle.E confiado |
quando vierão os anjºs, acompanhados na promefa, que elle então lhe
dos padres são Francyco, fanto Antº fez, (e Deos lho quizeffe confen
inio,groutros/antos da nº/a Religião, tir, efperou por fua vinda alguns
@ º leuarão com/gºpera "gloria. No dias, atè que, etando no me{mo
me/maponto foou do ceo favoz. Ouuy coro em oração húa noite o vio
frades htenores, que fiais neº lugar, entrar pela porta, & combatido |
onde fepurgão peccados: por amor de: de fobre altos lhe diffe. Venhais
fie frade,que agora fabio aºparafº,vos embora, Irmão que nouas me trazeis de
perdoa Zeos a terça parte das penas, como tendes pa/ado?A o que lhe ref
que vº/fasculpas merecião. Pergun pondeo. Oh Irmão, que fireitas sãº
toulhe finalmente fe erão mui as contas, que o Senhor do ceo nos pede!
tos os frades,que etauão no pur Até as miudezas de que não fazemos
gatorio; & elle lhe repondeo. cº/0, são leuadas ajuizº, @ nellefe
}áuitos estão,mas fazem pouca deten examinão muito rigoro/amente. Torº
|fa,porque raros/añºs dias, em que n㺠|noulhe a dizer. Zizeime como zº;
|faião alguns, @r fesprºprios/antºs, vai ? E elle lhe repondeo. Eu f|
|quevos tenho nºmeado, ºs vêm bufêar tou nº purgatorio, onde padeçº grandes
pera os gº/tos eternos. Acabadas ºf penas, por quanto fendo prelado relaxei
tas praóticas defapareceo o frei| &#74 /perfuldades rigor da altífima
{}

| Afonfo, deixando a o amigo li: |pobreza, columinafirme da neºaZel


ure de feus fobre altos, mas mui-l gião, Gr por efia culpa são atormenta
to acautelado nos perigos da vir| dos muitos, a ºs quaes também aborre
|tude. E delle podemos cójectu cemuito são Franc/Can%?adre, Gr
| rar,que com tantas ajudas,como os lança deficam grande/anha. Pereza
| tinha no facrificio das mifas, fempre nºs fiá refrigerando º crualho
| nas orações de fua mãe, & nos |fauarauel da Senhora mãe de Zeos,e/
grandes merecimentos de frei pecial aduºgada dos frades.}{enores,
Pedro da Etrella, breuemente que pela tem duaçãº, @ japorque
-

fairia daquele penofocarcere |ainda ac{#idade|florece na nº/a Ordã.


| pera lograr por toda a eternida Dizendo etas palauras feefcon |
de a companhia dos anjos... | deo de feus olhos, & elle ficaria
4 - Forão aqui outros dous contemplando na prerogatiua
religiofos, muito amigos em Chri|grande detas duas illutrifimas
º #, que procuracão fegurar a fal| virtudes.A pobreza, que o fanto
º cão por meiº de boas obrasil Patriarcha veneraua com tanta
} 3: Eliando huº pera morrer, o
; |- • etimação, º que quando a via c.S. Ban. |

de vita S.
— lhe pedºg.com apertada defetimada no mundo então fe
= Franc c. 7,
\
** ** *…" daua
=
:

{ AMenores na Proancia de Portugal. 97


daua por muito mais ofendido, noísa fragilidade, mas pouco, &
A pureza,que fazendonos feme | pcuco enfraquecendo veio em
|lhantes a os anjos, nos grangea fim a aceitar os priuilegios, de |
|o emparo da Mãe da mifericor que os Clauftraes por fauor dos
* F. Marc. dia, º a qual fenes ve cair pela pontifices gozauão. Poto que
p.116.c. efcada vermelha da jutiça de com algüa repugnancia admit
|-

| 17.
|feu filho,então nos mette no ceo tio o feu modo de viuer , lem
pela efcada branca de fua inter brada por ventura da myterio
cefsão. - -

fa benção de N.P. S. Francifco,


/
Eftes dous cafos andão & dos infignes exemplos, q feus
efcritos pelas chronicas antigas difcipulos aqui nos tinhão deixa
no generalato do ferafico Dou do. E porifo no anno de 13o y.
tor são Boauentura, que correo &póde fer que muitos mais adi
entre os annos de 1 2 56 & 1272, ante, quandoja as diffentações
fazendo menção exprefa de a no artigo da pobreza etauão ge
uerem fuccedido neta cafa d'A- ralmente recebidas, não tinhão
lanquer.O primeiro etá també ainda entrado nella, mas a regra
C.34. •

referido pelos padres º frei Mar feguardaua é feu perfeito rigor,


dan. 12.7o cos, º frei Lucas,& - frei Artur, femauer coufa algúa,de q os fia
I]- 34.

e die 4: A-. poto que por omifsão de frei | des viuefem, fenão sò as efmolas
prilis,
Marcos, a quem os outros fegui | dos fieis. Ito motra, entre ou
rão, todos deixárão de e(creuer tros documétos,a prouisão de in
o fegundo, & exprimir no pri dulgêcias, á a refpeito das obras
meiro o conuento,onde ele acõ concedeo o Biípo de Sylues, co
{CCCO, |-

moja º temos efcrito, dizêdo nel a. Cap. 15.


la cõ intéto de facilitar as fobre
C A PITV L O XXIII. ditas efmolas, 4 cóforme à nofía
regra, & intitutos da Ordê não
podia ter renda, nem cabedal o
Em que tempo, & por quem cõuento pera as obras correrem.
fêreformou efic conuento Quas de regula,G, de Ordine diffifra
na regular olfêr tres habere nópo/unt. Sinal claro de
não etar até então recebida al
l/l/lCl4.
güa diféfação. Mas, como elas
entráão, de tal modo desfizerão
I Stando tão radicada,co o antigo,&fanto edificio da vida
E movimos, neta caía a religiofa,á tomou outra noua ap
primeira perfeição do patécia;& achamos em hús é no b.arch.de
S. Anton
ferafico etado, não foube refi tados de mão, que chegàra a fi. da Catan,
tir a os encontros do tempo a } car em poder de tres Clautraes,
I que
|
98 Liurº I. Da hiftoria Serafica dos77 -

que o tinhão abatido em º cre- he conferuar o que helicito,co


dito: fe bem,por fer a cafa tão mo dimittir aquillo,que não cõ
fanta, qualquer defeito nella fe} uem. Começaua a fua appella
etranharia mais. ção pelas palauras feguintes.

2 Contudo o efpirito do; Frater&alºjcus Rabiche»icarius fra


ceo, que no me{mo cõuento não trum 3ánorum de Ob/eruantia, qui
fe extinguio de todo, fempre ef morantur in monºfierijs de Alanque
teue gemendo com ete pezado rio,(3 de Lerena, grc.
jugo,& dentro de poucos annos 3 No anno afima dito de 1399.
o lançou fóra de fi, fendo elle o el-Rei D. Ioão I. que veneraua
primeiro, que aceitou em Por por fantas as paredes dete cõué
tugal a nofía reforma da Obfer to real, tratou da fua reforma
uancia. Foi eta celebre acção ção por meio d’aquelles béditos
«.arch.da
Infua. º no anno de 1399. do qual pou padres, q nas partes d'entre Dou
cofe apartão os que, fundados ro,& Minho tinhão plantado de
no que ouuirão dizer, lhe afi nouo o etado Obferuante. E
não o outro anno feguinte. No mandando os chamar,vierão el
de 1 4.o 7.a os 12 de Abril, quan les cõ tanto cõtentamento a ref
| darch, de do o "fyndico da cafa vendeo taurar etas quebras da regular e. 1. Efd. 1.
S. Clara de
Coimb.
certo oliual,cujo dereito perten difciplina, como "forão os prin V.js

|
cera primeiro a os Clauftraes, cipes do pouo de Ifrael cõ licéça
então fe acabou de apagar todo de Cyro Rei dos Perías, reparar
o ratro, que elles tinhão deixa em Ierufalem as ruinas do feu
do. Mas ja auia pouco mais dos templo. Erão tres os principaes
fete annos,que os nofos Obfer neta obra: hum natural das Af.
uantes etauão aqui d'affento, turias, chamadofre Ziogo Arias,
vnidos com os frades de Leiria, facerdote,& pregador: dous gal
& das caías dentre Douro, & legos, & frades leigos, a faber,
Minho, na obediencia do vigai frei Pedro de Alemancos,& frei
ro frei Vafco Rabiche, que os Garcia de Montãos;a os quaes fe
gouernaua conforme aos etilos ajuntârão outros alguns compa
da fua reformação. E nefe pro nheiros: todos varões apotoli.
prio anno, em que o fyndico vê cos,& zeladores perfeitos da ob
dera o oliual, appellou etevi feruãoia da regra, cuja noticia da
gairo a os 9. de Agoto da for remos no tépo,em q eles vierão
ça,que lhe fazia aqui o prior de aete reino. Co a vinda, q agora
fanáto Eteuão, em querer a fizerão a Alanquer, faíndo da
quarta parte das efmolas, & le etreiteza dos humildes Orato.
gados, que os fieis deixauão a o rios,onde ainda etauão encãto
conuento. Que tanta virtude ados, ficou mais etimada netas
partes

*–
*=

AMenores na Prouncia de Portugal. 99


Partes a nota Religião. Logo dre frei Diogo Arias, que por
tambem fe reformou a feu exé fua autoridade,& letras ordena
plo o cõuento de Leiria. E elles ua os e tatutos, & regimento da
depois de reformarem a ete fo cafa : guardião, o feruo de Deos
rão fundando as cafas da Cata frei Garcia de Montãos: os de
nheira, Vifeu,& Carnota; dando mais, erão feus coadjutores. E
em fim tantas forças à nofia fa bem feve,como nelles preuale
milia da regular Obferuancia, q cia o zelo da obferuancia, pois
pelo tempo adiante fe extingui nas fuas eleições pera fazerem
rão de todo em Portugal os abu prelado não attentauão,fe era fa
fos dos Clauftraes. cerdote, ou frade leigo: letrado,
ou homé fimples:amigo e{pecial,
CAPITV Lo XXIV. ou etranho: mas sòmétefe tinha
virtude,& partes cõueniétes pe
ragouernar os outros. E affi º a b.Gonzag.
Do rigor, & fantidade, em chamos naquelles tempos, é fo
P22. 2. 24.
| Fr. Lucan,
que efia reformação fê rão dous frades leigos na prouin 140 j.

fundou. cia de Tofcana vigairos prouin


ciaes de grande fatisfação: hum
I Vando os ditos refor dos quaes, chamado frei loão Kic
madores entrárão ne cie, gouernou tambem o motei
|
F
a.Fr.Marc
P.3. 1.1. C» te conuento,ja º elle ro dos Seruitas no mõte Sanario,
24. eftaua defpouoado dos Clauf & reformou os outros dous de
traes, que primeiro fe fairão do Valle vmbroía,& S.Saluiojunto
que os Obferuantes chegafiem. de Floréça,á petição dos feus mõ
E dete modo fem acharem ce ges. Em quãto nas eleições não
pa velha,que ouuefem d'arran ouuer outro repeito, q cheire a
car, sò cõ frades reformados plã carne, & a fangue, poderá per
tarão na me{ma cafa a vinha s㺠manecer o efpirito de Deos, &
ta do Senhor,formando cõmuni não irá defcaindo cõefcandalos,
dade de nouo,femelhante no ri & com perigo das almas a flor •

gor, & na pobreza às 4 etauão da religião.


fundadas nos primeiros Orato 2 Neftes primeiros princi
rios. Pelo q falãdo propriamête, pios da reforma Obteruante, sê
não reformárão fujeitos,6 fe pu do aqui muitas vezes guardião
defem lembrar das cebollas do húfrade leigo, quafitodos osfeus
Egipto, ou liberdades antigas: fubditos tinhão o mefmo eftado
mas sòmête reformarião a cafa, & chegando todos a numero de
& as paredes no q foffe neceffa trinta, ferião os facerdotes quan
rio. Superintendente era o pa do muito tres,ou quatro. Daqui
I 2 tal IT) -
"********mesmamassas………………………………
I OO Lurº I. Da bifuria Serafia do frades
c.arch da tambem . coltumá%"dizer mifia vendefe a fua prata, & fe gattaf
Carnota.
Fr. Marc.
nos oratorios da Catanheira,& fe o preço nas obras dete con
cit. Carnota,onde os frades cõ o mef uêto,&da cafa da Carnota,dõde
Gonzag
pag.796. mo epirito humilde feruião em lhe foi dada outra tão piquena,
grande recolhimento, &depre 4 teria quando muito fete mar.
zo do múdo á diuina Majetade. cos. De noite, & de dia era a
E he certo q os padres Gózaga, fua etancia na igreja, ou no
d an, 12 * *
n. 49.
& *F.Lucas fe equiuocarão am coro, & quando os fracos, ou
bos dizêdo,4 no anno de 14o8. os enfermos (e recolhião às cel
fe extinguio eta grande multi las pera dar algum alliuio a o
dão de frades leigos, porque nef corpo quebrantado,ficauão mui
fe me{mo tempo foi fundado o to contentes fe tinhão húa cor
oratorio da Carnota,aõde dete tiça com hum cabeçal,ou de fe
cõuento forão depois dizer mif no, ou de palha. Todos vetião
fa,não auendo nele mais,4 os di burel, & ete remendado quãdo
tos tres,ou quatro facerdotes, co era neceffario, / do qual foi a farch da
mo efereue frei Marcos,cujo nu vetiaria, que no anno de 1425. Catanh.
mero, confiderada bem a maior lhes deixou em tetaméto aquel
necefidade de acodir a o pro le Domingos Simões, que tinha
ueito das almas, fe foi depois dado o fittio da cafa da Cata
augmentando. nheira. Dete modo erão todas as
Sobre efte fundamêto de alfaias do cõuêto, cortadas húas
humildade profunda fe leuãtou á medida da pobreza do efpirito,
hum edificio grande de excellé. &outras feitas pera deterrar o o
tes virtudes. Não querião dete cio cõ o trabalho dos corpos. E
mundo aquelles béditos padres, como o regalo não tinha aqui
fenão sò paffagem liure pera o lugar,âs vezes fe efquecião de pe
reino dos ceos, & por ifo depre dir o q auião miter, acõtecêdo
zauão quanto auia na terra. De també enjeitaréas e{molas quã
pois de terem ja deterrado o 6 do lhes vinhão à porta.Mas folli
podia ofender a pobreza fran citos sòmente de alentarem as
cifcana, fofrerão por algum tem almas, pera dellas fazeré facrifi
po,ainda que muito mal,pera as cio immaculado a Deos, todo o |
fuas procifsões, húa Cruz gran feu cuidado era impetraré indul
de de prata: mas no ponto que tos da fanta Sé apotolica,em cu |
quebrou,ou a cafo, ou por traça ja virtude tiuefiem abfoluição
d'algum efpirito zelofo,como fe das centuras,& das culpas,ainda
teue por certo , nunqua mais que referuadas.
e.arch.da a concertarão: antes fe affen
Carnota. 4 Affi forão ordenando húa vi |
tou em capitulo, que o {yndico da tão perfeita, 4 parecia ter tor|
nado

–=
----

--
-- ===--- ……………………… T_T …

_41murº na Pruuncia de Portugal. f O I

tornado a o mundo a noffa ida como conta do feu decreto je


de douro,& que os tempos pre guinte. NouttiJ foium in denuentibus
fentes cõpetião cos paflados fo: Alanquerj , Lerene, @ Regio, ac in
bre a maior abteridade da nofia ºrator js/antii Zernardini, In/ulº
Religião.E porá nas outras caías nutríantur. E pela graça de Deos
da primitiua ObferuãCia (e fazia |fempre aqui quue nouiços, que
a me{ma vida, foi tal a opinião, depois forão julgados por filhos
g arch.da % de nôs cõceberão geralmente
de S.Francifco,como foi aquel.
Infua. os naturaes,& etranhos, é q por |le vario infigne, frei loão de A
excellençia chamauão Prouincia taide, cuja memoria noutro lu
fanta a eta de Portugal. Mas en "gar nos e/pera. E ainda que os
tre todos os cõuentos ete nofo |tempos gatão muito,nunquane
de Alanquer alcançou o melhor | ta fanta cafa desfaleceo o ri
nome;& pela me{ma rezão,anê gor, ou pelo menosa efperança |
do de pouoarfe a cafa de Va de maior reformação, como no |
ratojo,pegado a TorresVedras, anno de 1524. alegou a o Pa
á el-Rei D.Afonfo V.tinha mã. pa Clemente VII.frei Francifeo
dado fazer, deta quizelle é fof. de Ribeira nas palauras, que fe
fe toda a fua cõmunidade intei feguem. Cum tamentam conuentus i
ra,que cótou de guardião, & de fanti Francfºi de Alanquer, quâm
fubditos,como diremos a feu tê aha loca diffi Ordinis indifla proun
po. Por ete me{mo repeito os |tia foi, gr refºrmatº indies maio
iprelados zelofos, q não querião ribus al/leritatibus, @r nouis impofiliº
sò encher a prouincia de fra nibus reduci,3; reformar/perentur.
des,né cõ ifo acodir a fuas obri $ Pelo que batante rezão
gações,mas apurar os nouiçospe tiuerão os autores da relação,
ra ferem verdadeiros obferuan que ja" referimos duas vezes, & h.c. td.&

tes, na congregação do anno de tambem o do famofo! Agiolo 19.


i. Feuer. 24
15o3.auendo ja muitas cafas, & gio Lufitano: aquelles, pera di lit.a.

algúas,que por grandes querem zerem deta cafa que he feminario


aísõbrar as outras,sô a finquo,& de fantos viuos: & ete pera lhe
a eta em o primeiro lugar, afi chamar fagrado cemeterio de fan
nárão pera nelas fe criaré os fo tos religio/ºs. São quarenta, & |
breditos nouiços. Forão etas os algüas vezes mais, os que
tres cõuêtos d'Alanquer, Leiria, nella affitem de ordi
& Varatojo, q fe chamaua Real, nario,obrigados a
por cauía do fundador,& també o feruiço de
os oratorios de S. Bernardino d'- Deos.
Atouguia
fenão
,&
da IlhadedaCaminha
foi a Infua Madeira •

----
---- -

1o2 Liuro I. Da bifloria Serafia dos frades_


"luincial da fua melma retorina,
cAPITVLo XXV. [que conferuaffe feus etilos com
| caridade, & zelo, logo fato pela
Como a nº/a -

0hfruan . re-lº
* . tia l: itando
defensão., {folicitan
. llfua defensão do famo
fauo.
res, que abonafiem a caula, fo
conheceo em Portugal por
-
" . , {
bre a qual tambem efereueo em
taleça,&protetor a " 2.do mez de Ianeiro de 1446.8
2 – 1 *# :
|-

efte fanto fon- , -; otroPapa,


- -

& juntamente a o miniº


- - -

C # {

geral, fazendo sò em feu nó


… útnt0. . . …
me eta carta, porque tanto #
*
• •

I#
{
|- |-
2 -5
•••

- meio da fua reforma


elle

" + ,
• ••

por

portaua no juizo dos prelados,


& pontifices a fua autoridadesce
mó a de toda a Obferuancia jú.
: : : *ção na familia Obter ta.E dipondo os memoriaes, & |
uante,logº a poz em estado,que intrucções neceffarias,inuiou a
alcançou grande credito na opi Italia com todos etes recados
nião do reino, & quanto mais o dous frades feus moradores, os
venerauão os homens pelas vé quass breuemente impetrárão
tagens antigas,com que o ceº o de Eugenio IV.indulto pera fa
auia ennobrecido, tanto maior zerem capitulos,& elegerem vi:
etimação começárão a fazer do garros prounciaes. ----

nouo intituto, em que fe tinha 2. Pelo que no me{mobre


transformado. De mais difto,cõ ue,nomeandó as mais caías o foi
tanta propriedade lhe quadrou bredito Pontifice, hüas por feus
a dita reformação, que parecia nomes proprios, & as outras em
ter nacido pera metre das virtu commum, a eta porfer primei
des regulares,as quaes ele faci ra de todas, deu o primeiro lu
litandoas todas com eficazes gar co as palauras feguintes.
exemplos, as emparaua tambem zum preclara diliflorã filiorum fra
co a grandeza de fua autorida trum in Alanquerienfi, Leremen/, @
de. Não achou em Portugal a Setuulen/, nec non in Clifemf, g nã.
lfobredita familia outra columna
nulli, alijs dombus. O me{mo lhe
tão forte, que futentafe a fua deu tambem affi o diffinitorio
conferuação contra os Conuen no affento dos nouiços, como o
tuaes, que pelo menos a querião fobredito vigairo frei Vafco Ra
acanhar; porque todas as mais biche na fua appellação,que "ja
º cap. 13. :
cafas lhe erão inferiores na gran temos referido. E era tão ordi-l&
& 14.
deza, na opinião, no credito. E nario ete modo de falar,que ge
quando o feu remedio (e redu ralmente feguardaua em as bul
lzio a o Ponto de ter vigairo pro las apotolicas, em as prouisões
rráºs,
……………"T
*……………………>……-----
—+=-=-=-
à=== #=
---------
-_-
…Menores na Prouintia de Portugal.
---- ---- IO3
reaes,nas patentes dos prelados, 11 4 Por ifo tambem fe de
nos decretos da prouincia, inf| pofitárão, nella, como em ar
trumentos; & papeis particula }chiuo principal, pelos annos de
- • • • • -

- res, muitos dos quaes fachão | soº muitos papeis, quaes saº |
no feuarchiuo, não sò nos têpos | los que temos dito co as taboas |
antigos,mas tambem nos que fe |# capitulos geraes, & que im
forão chegando a etanofia ida portão, não sò a etaprouincia, | #
de. …irº, ai…] mas a outras dete reino, & a
* 3 º Donde veio, que cele toda a familia ferafica. As pri
brando os prelados prouinciaes meiras chronicas da nofía Or
feus capitulos onde o tempo dem; e critas de mão, que no
lhes dauá melhores commodi anno de 1466.entràrão em Por |
dades, quando porêm auião de tugal, a ela me{ma as deu o
confultar,ou affentar algüa cou venerauel padre frei João da
fa notauel, que pertencia a o Pouoa, o qual pera ella defeja
corpo da prouincia,aqui na ea | ua; como diz húa memoria no
|beça della fazião as fuas juntas. | remate detéliuro, todalas boas |
E por ifo auendo de eleger no cou/as honºfiamente a Gruifº do Se.
#
anno de 1447, o primeiro vi nhor. Afique, dete modo o |
|gairo prouincial na forma do letimauão, & futentarão os |-}•

|dito breue, neta caía fizerão a prelados nofeu foro até que de
|eleição. Aqui tambem no de pois do anno de 1517. etando
1486. fe ordenou a primeira ja feparada dos Clauftraes a Ob
recolleição da prouincia. Aqui feruancia, & reformado por el
| foi eleito no de 1518, o primei la o conuento de são Francif |
meiro minitro Prouincial, que co de Lisboa, aete, que juta
|ella fez cos feus votos, o qual mente o etaua merecendo, foi
|largando o fello, que os vigai transferida a honra de cabeça
ros d'antes tinhão, nefte con-| da prouincia. E sò quando *

|uento o deixou pera que víade depois as outrasfe diuidi- |


| dele, como vía até hoje, por * * rão,afficomo cada húa |
| memoria deta fua primazia. E "… … formou corpo,tam- |
- ainda depois que ito fe alterou, - bem leuantou º
a primeira congregação, que ti-|| fua cabe- |
|uemos com os votos do diffini-lº - "ga, ""
|torio fómente, neta cafa pe
| los refpeitos antigos de maior |-•

preeminencia a vierão cele # ….


| brar. •

777=
=

*r*TF

IO4 TTD775777777;
blica a fama, lhe era mais ordi
nario diante da fantífima ima
CAPITVL O XXVI.
gem de noíla Senhora da Pieda
de, da qual º fizemos memoria, a.cap. 16.
De alguns religiºfis deflata em cujo altar cotumaua dizer
fa dignos de venerauel mifia, gotando tanto do imma
memoria. culado facrificio, que apenas o
podia acabar. -

2. A fanta obediencia era


I Qui fe torna a reno fenhora, abfoluta de toda a fua
uar noíla magoa pela vida,& alfi nem daua pafo, que
noticia de muitos pa ella não regulafe primeiro,nem
drês grauitimos, que hoje etá faltou na maior difficuldade no
perdida. E daquelles, que nos que lhe era mandado, Pelo que
lembrão, os dous cófefores del não recufou fazer muitas,& tra
Rei D.Afonfo V. frei Ioão de S. balho(as jornadas, paflando tam
Mamede, & frei Afonfo Caeiro bem á India, fe por cutodio, &
no tempo do feu reinado hão de fuperior dos frades, como verda
entrar netes eféritos. Outrofe deiro fubdito, que não tinha
oferece agora, o qual ainda que mais vontade do que a de feus
|noutra cafa alcançou pela morte prelados. Efta fua humildade o
a coroa das virtudes, neta a me |fez tão aborrecido da foberba
receo muitos annos pelo difcur do demonio, que veio a padecer
fo da vida. He o padre frei Pe em fuas mãos cruelifimas, mui
| dro da Atouguia, cuja nobreza tos, & latimofos martyrios de
replandecendo muito nelle, as pedradas, pancadas, & arratões,
acções da fua vida na deuação, affi. no coro de S. Francifco de
& penitencia cheirauão a fanti Goa, como no dete conuento.E
dade. Todo o reto da noite de quando lhe perguntauão, quem
matinas atê romper a manhaam o tinha magoado,refpondia com
ardia em fua alma no coro,ou na muito contentamento: -%teus
igreja o incento da oração tão amigos mefizerão efe bem.Por outra
aggradauel a Deos,que em retor via o tentou o me{mo Deos, pe
|no dete cheiro fuauiffimo o re ra fua perfeição, com achaques,
galaua muitas vezes co as doçu & importunas doenças, pelas
|ras do ceo, as quaes o fazião fuf. quaes na maior força das dores
| penderfe,voando cos braços po fe motraua mais alegre,cantan
tos em cruz, & leuantado da do deuotamente o Te Zeum lau
| terra apoz da fonte perenne de damus, fé (e fartar de dar graças
# tantº flanidade. Ito, como pu á Piedade diuina. Era ja grande
a fama
Menores na Prouincia de Portugal. Ioy |
a fama,que tinha em Alanquer, feflauão fer elle o intrumento
& por fugir da vangloria tratou de fuas conualefcencias. Tendo
defe recolher na Cafa noua,cha finalmente junto no anno de
mada por outro nome nº/a Se 1 586.hum thefouro grande de
nhora do emparo,vizinha a Villa fantos merecimentos, paísou cõ
longa, arcebipado de Lisboa. E elle a viuer na cõpanhia dos an
ficando eta caía à prouincia de jos,como piamente cremos. Na |
fanto Antonio, quando ella (e lita dos defuntos do feu tempo
diuidio da nofa de Portugal, tã fe diz,que era tido por Santo.
bem elle ficou lá encorporado, 4 O padre frei loão Frei
& pafados quatro annos, no de re, natural da villa de Caminha,
1572. cheio de merecimentos | não deixou de fer teimofo na
fantos deu fua alma a Deos. |idade de mancebo em querer
Naceo o venerauel pa prouar ventura entre as ondas
dre frei Francifco de Rio-maior. do mar,nas quaes ela corre ma |-|-

num lugar do me{mo nome, no |iores perigos. Tres vezes (e em


termo de Santarem, & dete cõ |barcou pera as partes do Perú,
uento, onde tinha profefado, o |& tres vezes fe perdeo fem fal
!
*|-

inuioua morte pera o ceo. Sen uar fenão a fua pefoa, & efía
do humilde por etremo, ainda |por alguns meios, que parecião
era muito mais contemplatiuo, milagrofos. Pelo que tomou por
de modo, que quafi fempre an to na noffa fanta prouincia; &
daua como extatico em medita mudando o comercio tratou sò
ção altifima, cuja grande vehe de mandar pera o ceo muitos je
mencia o leuantaua no ar á vi juns, orações,& penitencias, nas
ta da Senhora do capitulo, da quaes ganhou cento por hum,
qual era deuoto particular, & Leuou fempre a fua vida muito i
noutras partes do clautro. Mas igual na virtude, & quando os
todos eftes fauores da Piedade achaques da velhice lhe impe •

diuina lhe erão mui neceffarios dião o ifeguimento do coro à


pera reparar os golpes do infer | meia noite, no mefmo tempo
nal inimigo,que o trazia em cõ defcia à capella da Senhora do
tinua batalha. Foi julgado na o. capitulo, diante da qual rezaua
pinião geral pelo frade fanto do muitas das fuas deuações. No
conuento na forma da benção faciificio da mifa fe desfazia
de nofo Padre, & era tanta a de: em lagrimas, fufpirando por ver
uação dos moradores da villa,& ja corrida a cortina, como fe cor
termo, que à força o arrancauão 're no ceo, d'aquelle Reiclemen
da fua quietação pera benzer os |tiffimo, que no altar apparece
enfermos, que agradecidos cõ lembuçado. Ouue fama de fºr
== * ==
muito
} |#
TETZ77T7 hi/toria Serafica 775
muito mimolo, & regalado do dia, que não o deixaíse morrer |
ceo: mas ele acautelado sò pe fem della fe defpedir. Não lho
ra figuardaua os feus (egredos, confentio a morte, que fempre
& quando muito reuelou pera foi efcaça de comprimentos,pe
| gloria de Deos, fendo confefor lo que tomando ele hum Cru
de fanta Clara de Santarem,que cifixo nas mãos lhe fez a me{ma
b. Pf I a.
dando o Viatico a certa religio petição, que fazia o "Palmita. V. S.
fa, a qual faleceo com opinião Illumina ºculos meos, nevnquam ob
de fanta,vira que hum anjo a co dormiam in morte. Allumiai, Se
roaua de flores, & lhe dèra húa nhor, meus olhos pera que não
palma. adormeça na morte. E tornando
5 No ponto que fentio a vi a dizer: º Zominui abytero vocaut e. Ifai.49.
zinhança da morte, não fe jul me: deventre matris mee recordatus
gando por digno de que Deos º nomini, mes; que Deos o tinha
facramentado o foffe bufcar à chamado do ventre de fua mãe,
cella,faío encotado a hum bor & que ja então felembrâra do
dão,& foi commungar na capel feu nome, faio da cadea corpo
la do capitulo. Depois nos dous ral em feguimento deta voz a
dias, que lhe retarão de vida, fua bendita alma no anno de
não fez mais, que repetir a con 1614. quando o coro dos frades
fifsão facramental muitas vezes, cantaua Te Zeum laudamus no dif.
ajuntando a ella deuotos, & a curfo das matinas.No da Cata
morofos coloquios. Quando nheira etaua em oração nefte
lhe dérão a Vnção fe ergueo tão
tempo húa religiofa de grande
grande planto, que rafgaria as
autoridade, a qual difse que vi
nuuens, porque ele chorando Fra entrar pela porta da igreja
húa luz muito fermofa, & que
pedia perdão a todos de culpas,
que não tinha commettido, & chegando a os pês da fobredita
os circuntantes fe desfazião em imagem defaparecera junto del
lagrimas, vendo tanta humilda la. Da parte de Deos fabemos
de fobre tanta innocencia. Auia nòs, que não cotuma fal
fido confeflor das freiras da Ca tar a os defejos pie
tanheira, onde tomou efpecial dofos de feus •

deuação a húa imagem da Vir feruos. . ..


gem Senhora nofía,a qual man ; ; ; , , !

dou renouar, & pór na capella


mór, & vendo{eja desfalecido
$*
das forças, rogou a hum amigo, *#
que lhe fizeffe em feu nome húa
carta, na qual faudofo lhe pe
VIDA –==
* * * * *
i!

Menores na Prouintia de Portugal. lo7

VIDA,padrefrei
• E AÇcôES AntonioDO VENERAVEL
de Chrito.

| CAPITVLo XXVII. | guimento do coro não podia fer


maior,porque em prelado,& em
fubdito: etando são, ou enfer.
Do entranhauelafão,com | mo;poto que ouuefe de prègar
que amaua a Deos.

logo na manhaam feguinte,nem }
de dia, nem de noite faltaua em
; "… I A Quelle Senhor do os diuinos louuores, fe não era
-

|-

" - º ceo,que não depen extrema necefidade. Todos os


de de tempos pera dias rezaua os oficios menores
fazer grandes fantos, dotou tam da Virgem Senhora nofa, do
bem de admiraueis virtudes a o fntifimo nome de Iefu,da Cruz
padre frei Antonio de Chrito de Chrifto, do gloriofo são Io. •

neta noffa idade chea de tantas feph, do Anjo da fua guarda, &
miferias. Naceo em Villar de outras muitas orações, que sò •

Mafadas, perto de Villa-Real, hum epirito deuoto,como o feu,


de paes honrados por natureza, pudera continuar. As manhaans
que não forão dos mais mimo todas inteiras gataua de ordi
fos da fortuna; & nete conuen nario na mifía, coro, & na ora
to veio morrer duas vezes a o ção mental, que tambem lhe le
mundo: a primeira, pela profif uaua tanta parte de todo o ou |-
são da nofia regra: a fegunda,pe tro tempo,
mente a fuacomo
vida. feeta fora fo •

lo fim de feu defterro. Muito tê


efcrito delle num tratado, que 3 Pera contemplar, tinha
atègora não vio a luz da etam ordenadas algüas meditações, &
pa, o padre frei Domingos da exercicios fantos, com os quaes.
Conceição: porêm nós,que ef fe inflammaua fua alma no me{-
creuemos de toda eta prouin mo amor de Deos. Era hum ra
cia, por maior renouaremos fó tificar a profisão cada dia antes
mente fua felice memoria. que difeffe mifa,repetindo mê. - •|-|-

2. Do grande amor, que ti talmente as orações, & ceremo


nha a Deos efte (eu feruo fiel,fo nias, com que ete acto fe cele
rão finaes manifetos a oração bra entre nós. E paflando daqui
quaficõtinua, na qual ocõmuni a confiderar, como os anjos do
caua, & o affecto deuoto, cõ que ceo afitem com reuerencia a o
fempre o pretendia feruir. O fe facrificio admirauel do altar, re
p à Í [ 1 d— -
—º
- -
•_La

To5"LTDTGSZ777777;
partia por elles os oficios, em q na gloria.Em começando a orar,
podião feruir, conuidando jun ou contemplar, de tal modo (e
tamente alguns fantos, de quem entregaua a Deos, que parecia
era mais deuoto, pera etarem ficar com os fentidos fufpenfos,
prefontes a efta folemnidade. A porque não via,nem ouuia a qué
noite, depois de alimpar fua al. eftaua junto delle, no qual tem
ma pela confifsão facramental, | po erão muitas as fuas confola
# humilmente a os pés ções, & ainda que ele as queria
da diuina Majetade fazia nouo encobrir, não podia efconder a
exame das acções d'aquelle dia, | inflammação do roto, tio acefo
& chorando cõ grande dor fuas algüas vezes faindo da oração,
culpas trabalhaua por formar | como fe então faira d'hña forna
verdadeira contrição,& de tudo |lha de fogo. Dizia delle o ve
fe confeflaua a Deos, em cujo nerauel frei Romão, que no co
nome (e abfoluia tambem, con ro de são Francifco de Lisboa o
fiado fempre em fua mifericor vira cercado de luz, fendo ain
dia. Apoz dito, meditando na da mancebo. Defabafaua de
| grande fuauidade do pão diuino, quando em quando com jacula
| como fe o tiuera prefente em torias deuotas as faudades do
fuas proprias mãos, epertaua os ceo, & na vltima idade,em que
defjos de o recolher na alma, efas o punhão em mais aperto,
& fazia quanto lhe era poffiuel cutumaua ir contando as horas
|por cõmungar em efpirito, com de feu defterro, & talvez dizia
etranha deuação. etas palauras. Quando fict iflud,
4 Bufcaua tambem intru quod tam frio ? tune/atiahor,cum ap
mentos, & motiuos, que fempre |parueritgloria tua. Era o mefmo,
lhe renouaflem a memoria do que dizer. Quandoferà fio,meu Se
ceo, com o qual intento trazia nhor, que tanto a minha alma defija?
de ordinario as contas na cinta, Então me/atisfarei,quandº vir aposa
ou no pefcoço; & nas bolas de loria. -

cera, com que curaua as fontes, 5 A efte Senhor facramen


nacidas de feus achaques,forma tado,era notauela deuação, que
ua nellas tres quinas, as quaes lhe tinha, & f efaua expoto,
lhe reprefentafem as tres pef não fe apartaua delle, nem co
foas da fantiffima Trindade. Ale mia,ou bebia,fenão era na quim
grauafe muito quando ouuia cã tafeira da Cea,por rezão da fua
tar, por fer efte e officio dos an folemnidade. Cotumaua reno
|jos, pera o que efpiritualizaua, uallopera ficar no facrario, di
ou glozaua algüas letras,que po zendo que tinha confolação de
defem imitar as que fe cantão |reformar as cadeas amorofis do
feu
|-
- -
----

- - --- -*-*--*

Menores na Pruuncia de Portugal · 1 O9


do feu preto, como elle lhe cha que mudaffe o toucado. Acha
maua. Pera etas, & outras oc uão alguns , que era dificultofº
cafiões femelhantesbufcaua por | em confeflar feculares, & que- |
feus amigos não sòmente corpo rendo difculparfe com huma
|raes, que repartia pelas igrejas migo lhe diffe, que não tinha
mais pobres, mas tambem cera coração pera ouuir tantas offen
fina,& preciofos aromas, que ga fas de Deos. Reprendia do pul
taua no feu culto. E tanto era o pito com tanto feruor os vici
repeito, com que reconhecia a os, que nalgüas partes lhe cha
fua real prefença, que não ou mauão por alcunha º Pregador |
zaua paffar por diante dos que das verdades. Pelo que achando
tinhão de pouco tempo com: a jugar as tabolas dous homens
mungado, venerando os como no adro d'húa igreja da Ilha da
facrarios viuos do foberano Sa Madeira, onde auia de prègar,
Cra IT) e ÍltO. - } * * etranhou aperamente o pou
6 Do mefmo amor lhe pro co refpeito, que fe tem a os lu
cedia tambem aquella impacien gares fagrados, no difcurfo do
cia grande, que lhe roia a alma, fermão. E aduertido depois
de ver ofendida por noflas in que eles o tinhão ameaçado,
gratidões a diuina Majetade; & tornando a prégar noutra igre
ja quem o conhecia, não tinha ja vizinha, diffe do pulpito co |-•

atreuimento pera murmurar, ou a mefma liberdade. Zizei vós a


jurar diante dele, nem ainda di efes ociofos, que fe eu os acho outra
zer húa palaura ociofa. E por Fez jugando, diante deles he defazer
que nas vaidades dos trajes, in o tabuleiro em pedaços. E fe ouuer
troduzidos nefte reino contra a algum Herodes, não faltarà hum
fua modetia portugueza, & an Zapifia, que queira morrer a fuas
tiga, confideraua algüa occafião mãos. Mas elles conhecen
de peccados, talvez arremetia do fua culpa venerárão
colerico contra quem lhe pare com humildade o
cia mais profano, gritando com zelo do prêga
liberdade chriftaam, á não que dor apoto- ,
rião fer fantos, nem honrados os - lico.
que defe modo fetrajauão. Vin
do vello na fua doença vitima
hum mancebo feu deuoto , &
mandando vifitallo húa domna # *##3
muito graue,a ambos gratificou ***
a vifita, aduertindoo a elle,que |
|-

fe prezaffe de modeto;& a ella,


K C A Pl
*> →=
-T- → → -

I IO ITTDT7 Serafica #fraã


agua,& a lenha a feus hombros,
CAPITv Lo XXVIII. & fazia finalmente quanto era
neceffario. ".…

2 Procurou introduzir com


Dacaridade ardente, com feu exéplo hum trato publico de
exercicios fantos, dizendo q fenº
que trataua
ximºs."prº •

tia grauemente andarem os vi


cios defaforados no mundo, & a
virtude enuergonhada pelos cã
I Eta virtude, heroica tos;& afi cõmettédo algüa falta, |
a.aad Co
rint. 11. V. imitou muito a o " poto é foffe (ecreta, ele me{mo
29.
- Apotolo das gentes feaccufaua,& cõdénaua no refei
ete venerauel padre frei Anto torio a penitencias publicas,fegü
nio de Chrito, tomando todas do os etilos da nofa Religião.
as cores, & vetindo as figuras, Pelo 4fe tinha fido apreçado no
que erão conuenientes a o ef. andar, entraua nelle peado: feti
tado dos proximos. Com os tri nha falado alto,leuauahum pao
tes era trite, com os enfermos na bocca:fe auia adormecido fa
enfermo , & muitos trabalhos zendo falta no coro, apparecia
alheos tomaua à fua conta pera com húa pedra nos hombros, &
defcançar os outros. Affitia cos etendido no chão co ela por
nouiços, fendo metre por ofi cabeceira,affi etapa reprefentan
cio, ou companheiro volunta do a culpa em quanto fe dilata
rio,em todos os exercicios de tra ua a reprensão do prelado;&hña
balho, deuação, & humildade, vez, que fe efqueceo de trazer o
pera que à fua vita (e fofem fa capello cozido a o habito, tam
cilitando;& muitas vezes debru bem o leuou em penitencia pen
çado afeus pês,ou em fua cópa. durado ao pefcoço.E cotumaua
nhia na prefença de feu metre fazellas não fémente pelos feus
confefaua feus defeitos, pedin defeitos proprios, mas tambem
do tambem que lhe pizafiem a pelos alheos:de modo,4 fe acha
bocca, ou pelo menos lhe dèf. ua algüa louça quebrada, leua
fem húa dura repren{ão. Se os ua a o pe{coço os pedaços, con
via quebrantados do trabalho, fefando em fi me{mo a culpa
encarregauafe dele, & madru de fe quebrar em plena com
gando alguns dias rogaua a o co munidade diante do guardião.
zinheiro que fefoferecolher,fi- Muitas vezes às fetas feiras do
cãdo elle cõ o pezo da cozinha, anno fazia a penitencia de pão,
a qual varria, & accendia o fo & agua debaixo das mezas,
go, concertaua a panella, trazia acompanhando os nouiços, &
"""Côr
-
=====
***

44enores na Prouncia de Fortugal. III


coritas, atè que o prelado dif fou na Ordem Terceira do Pa
penfaffe.E deta forte fe andaua triarcha ferafico, & faleceo em
arratando efte venerauel Padre poucos annos com grande opi
depois de diffinidor, & tres ve nião de virtude. Noutra villa
zes guardião, com intento de o bufcou húa mulher, que ten
facilitar o vfo das ceremonias tada do demonio (e queria ma
antigas da nota fanta prouin tar por fuas proprias mãos, &
C13, |-

etandoo ouuindo, tanta virtude


3 Não reparaua muito em poz Deos em fuas fantas pala
lhe verem o cilicio, nem ouui. uras, excitandoa tambem no in
rem a difciplina, dizendo que os | terior da alma,que ficou etreme
foldados briofos não fe hão del cida no corpo, & liure da tenta
-

enuergonhar das armas, com ção infernal. |

que entrão na batalha. E póde 4 As miferias alheas lhe raf |


fer, que tambem affectaffe al gauão o coração cõpaffiuo, obri
güa publicidade pera animar cõ gãdoo a excefos muito proprios
feu exemplo os fracos, como fa da caridade perfeita. E affi aos
zia no conuento de Lisboa, cor enfermos de cafa, empre os acõ
rendo de dia pela varanda do! panhaua, & feruia nos oficios
clautro as etações de joelhos. lhumildes: a os de fôra vifitaua
Sendo prelado poz em praótica] cõ amor, & feetes erão pobres,
nos fubditos º jeju das fete qua ou co a fua reção, ou com efmo |-

refmas mais principaes, que je las,que elle me{mo pedia,ajuda


juaua nofo padre são Francifco, ua a fua conuálefcencia. No dif
mas como fempre pretendia a eurfo da doença,que lhe acabou
diantarfe a todos,fe elles comião a vida,as fuas ancias erão faltaré
peixe, não comia mais que pão; a elles os regalos, com que o en |-•
|-

|& quandovio que alguns o imi fermeiro o queria alentar. Che •

tauão, deixou certos dias de co-]gou a tirar dos hõbros o feu mã


|mer até que de fraco não pode to,& dallo a outro religiofo, que
continuar. Cos feculares tinha | vio mais neceffitado. Foi guar
| o mefmo efpirito de chamallos, dião em tres partes,nas quaesto
& trazellos a oferuiço de Deos, das ficou viuo por obras de pie
edificando a os aufentes por car dade feu nomé. Na villa de
tas,por palaura os prefentes. Em Guimarãês futentou a muitos
húa villa dete reino o vifitou | pobres num anno de grande fo
hum homem nobre, cuja vida | me, fendo também o minitro,
era pouco approuada , & tal |que na portalhes repartia por
faio da fua conuerfação, qu: { [da flhamãosdaoMadeira,
fuas comer: no Funchal
ele me{mo
fez mudança notauel: profeº
|K 2 CU VOU!

- - T 12 - * Luro I. Da bifloria Serafica dosfrades


curou hum foldado, que pare adiante, lançárão de hombro a
cia leprofo, cuja faude comprou hombro os bordões, & netean
com húa graue doença: em San dor da caridade chriftaam o le
tarém finalmente vifitaua os en uârão afentado atè o lugar do
|fermos,que tinha o hopital, aos Pombalinho, que feria meia le
quaes fazia as camas,& cõcerta goa, onde o feruo de Deos o paí
ua os leitos.Sendo inimigo de le (ou a húa caualgadura, & leuan
uar pelos caminhos alforge, sò doo ao conuento de S. Onofre,
pera fazer efmolas mettia na mãvizinho da Golegaam,ahi o dei
ga algüa coufa; & nito fe fun xou encommendado a quem era
dou aquella fua acção,tão exem guardião.
* -
plar pera todos, quando acabou
déguardião do nofo conuento C A PITV L O XXIX.
de Guimaraés. Tinha entregue
a cata, & etandoja fóra da por
taria pedio a o prefidente, que Do rigor, & humildade,
ficaua gouernãdo, lhe defehum tom que femurti
pão por amor de Deos pera co
mer,ou pera o dar a pobres. Af
|
fraua.
fi faía ete infigne prelado das •

fuas guardianias, cõ hum pao na 1 - . A Sperrima foi emfi.


mão, huns ourellos por cordão />-\ perlatiuo grao a vi
no feu chapeo,&fem viatico, de da dete varão apof.
==

que pudefle comer..…., ..., tolico frei Antonio de Chrifto,


5. Pelas efiradas ele era º & mais ouuera de fer, fe affilho
|bordão, & alliuio dos pobres, | permittirão feus continuos ia
que fe os via cançados, os leua | chaques. Pafou dezefetean
|113 pela mão, & feião carrega nos fem ter nunqua outra cama,
dos, tomando os feus fardeis, os (e não erão hüas taboas, ou cor
|punha fobre feus hombros. Ca tiça no inuerno, & sò depois|
| minhando húa vez de Santarèm | defentir accidentes na cabeça,
|pera fima encontrou hum moço| lhe deu encoto num cabeçal,
pobre, nas barrocas da Rainha, vfando d'antes em feu lugar de
tão fraco, & tão enfermo, que | húa Cruz. Fazia todas as noites
não podia dar pafo;& no ponto, difciplina muito larga, & ás ve
| que o vio, logo o feu coração | zes com rofetas, que lhe raiga
|lhe começou a feruer, & diffe a | uão a carne, ou cócordas, ou cõ
o companheiro: Irmão,ajudaime a |cadeas de ferro. Ninguem aca
| leuar fiº carga do Senhor. Dito ito| bou com ele a repeito de fuas
] ficando hum atraz, & o outro Jenfermidades, que vetifle mais,
- -- -

que
==#=====

AMenores na Prouincta de Portugal. I I3


que habito, & tunica; & quan Chrifo, hum trago do mefino
do muito dobraua eta no peito fel. Nas outras fuas quarefmas,
pera alliuio das dores. Só no ci nas quaes o conuento come
licio admittio dipenfação, na carne, muitos dias fe não tinha
|fua vltima idade, por ordem do| outra coufa, húa tigella de cal.
cõfefor, & preceito do prelado, do era o feu mantimento. Conº }•
|de modo que {ómente pela Im2--| ete jantar tão limitado , &
nhaam o trazia atè horas de jan apero pafaua todo o dia fem
tar. O ordinario era feito de fios fazer à noite a collação, que
d’arame: mas nas vigilias das fe o cotume tem hoje introdu
|ftas mais principaes cingia hum zido, fenão quando o padre
rofario de cótas,ou húa cinta de efpiritual, por cujos confelhos
ferro, fobre a qual punha colle regulaua fua vida, lhe mettia em
te, & calções de fedas aperas, contiencia fazella, por não ex
apertãdo tambéafias curuas das tinguir as forças. " "" .
pernas,como os braços cõ bracel Mas pera elle chegar
letes de ferro;& então dizia afe a efte eftado de tão rara abti
us amigos,áfe armaua caualleiro nencia , primeiro atropellou
pera conquitar o ceo. húa grande repugnancia do feu
2 As outras armas, cõ que me{mo appetite, a o qual mor
entraua neta cõquita, era hum tificou matigando no principio
jejum quafi perpetuo, enfiando húas patilhas de azeure, & de
nelle fête quarefmas pelo difcur fel, & depois tremoços
- " - nº fec
*> ". . . "
ifo do anno cõ húa multidão grã cos por cortir. E com ito, ti
de de dias particulares.E apuran lrando merecimento da fua dif
do o rigor na quarefma da Igre ficuldade, affi fe facilitou no
ja, no Aduento, em todas as fe rigor da abtinencia, que mais
tas feiras, nas vigilias das fetas barato lhe era jejuar do que
| de Chrifto, da Virgem Senhora comer. Com outro inimigo
nofia, dos Apotolas fagrados, interior , & dometico teue •.

dos Santos da nofía Ordem, & tambem cruelifima batalha, do


d'outros muitos, a que tinha de qual pela graça de Deos fem
uação, em todos etes não co pre fºio vencedor. Era efte o
mia mais que pão, o qual era ou appetite irafciuel, cuja defor
boroa, ou de ralla, ou dos peda dem em nôs, originada de nof
ços mais duros da efmola do al fos primeiros paes, em quanto
forge. Na feta feira da Paxão fe não lhe dermos execução vo |-

abtinha totalmente de comer, luntaria , mais he degraça me


tomãdo algüas vezes em memo recedora de lagrimas, do que •

ria do fel, que dêrão na Cruz a culpa acompanhada de vicio.


K 3 *>
Mas

+
—=-

, 11 4 Livrº I. Da bifloria Serafica dos frades


{ | Mas porque crie icºz anual | beira das naos, pera o notio Có | -

que ia embrauece1fe, fem: uºrto. A fegunda em Coimbra,


pre oferuo de Deos apertando fendo elle Diffinidor da prouin
lhe a redea o trazia enfreado. |cia. Chegou hopede a o noff
E quando o zelo lhe accendia a collegio de S. Boauentura junto
|
| colera, muito maior era logo a, do de S. Cruz,& vendo que nel
}fatisfação,que daua, do que foral le faltaua agua, com húa quart.
o exceto Pelo que parecendo a foi bufcar a o chafariz da Se
lhe hum dia que auia fido alpe *Que mais podia fazer eta fua
ro em reprender os nouiços, cu humildade,que defprezar as me{
ja doutrina corria por conta del mas honras,que tantofe appets
le no conuento de Lisboa, cafti cem? Afio fez em Sintarém,
golfe em ºftará ua vita com onde gemendo,&lamentandofei
bum pao atrauefado, na bocca com o pezo do oficio;pedio por
} todo o tempo, que gatá,ão em algüas vezes abfoluição d'aquel
|rezar o oficio menor da Virgem la guardiania; & magoado de ef
Senhora nofía,& depois os obri talhe fer negada, eleme{mo fe
gou a lhe pizarem com os pès a priuou cortando hia aruore fern
me{ma bocca, que os tinha ma licença dos prelados, no qual ca
goado. … e a fo,confºrme a nofas leis, ha pe
.

: 4 , Era porém tão hamilde } na de prinação. : " " …"


|-

|que a cada pafo e efendia no | {

chão pelas portas da igreja, do | CAPITV Lo xxx .


refeitorio, & coro, pera que os
outros paflafem por fina delle. Defia morte, & translação
Não auia oficio na caía, ainda
} que muito baixo,o qual ele não de fusofºs: tom hum caf).
fizeffe quando era guardião,fer e melhoraul. ,
uindo tambem à meza, lauando
os pêsa os que vinhão de fóra, & | Iº Vebrantado de rigo
ajudando ás mifas com fobre | \_ / res, & achaques o fr
}pellz vetida como qualquer uo de Deos frei An
} dos irmãos. Forão notaueis nefte tonio de Chrifto, chegou a o
|genero aquellas duas acções, em fim da vida com hñu ditofa mor
1 que motrou a o mundo quão te. E muitas fufpeitas ouue de
pouco cafo fazia da fua etima-| que o me{mo Senhor o teria aui
{ ção. A primeira em Lisboa, on zado, affi pela noua alegria, que
Jefendo metre dos nouiços le
• • | todos notauão nelle antes da fua
juou cõ elles ás cotas os cauacos, | doença, como por ter dito a du
| due fe dauão por efrola nari. | as pefoas graues, aueria pouco
mais ….. .
• - -- - -

Menores na Prouintia de Portugal. II y


mais de quinze dias, que muito os religiofos,que fe acharão pre
| cedo auia de falecer. Acabaua | fºntes. Tambem lhes pedio per
nete- *:tempo de jejuar a quaref> dão de todos os feus defeitos,di
r. 1" - 3 L e ".… _i<_..._1_-
mado Epiritb fanto, quando no |zendo com muita refolução, &
coro etando às fuas veíperas o muito chritaam,que da fua par
derrocou humaccidente mortal, te não tinha que perdoar, por
|- primeiro golpe da fua enfermi. } que ninguem o aggrauàra. E fi }
| dade. E conhecendo aviólencia} malmente ténio dado inteira
della, antes detratar de medici. execução aos encargos daquel.
nas fe cófefou coguardião, pera livrim, hº", foi gºzar º pré
que o pator ficaffe bem infor mio de fuas fantas virtudes fab
\, •

mado do eftado da ouelha, dan bado à tarde,em 31.de Maio, no |


dolhe tambem noticia d'alguns | anno de 1636 do nacimento de
- - • ---- ?

| cafos,em que Deos o tinha fºi Chrift , 61. da fua idade, & 39.
recido como a filho mimofo; a de religião.
os quaes fe ajuntou o feguinte 3 Acodio grande numero •

de grande confolação
• * . * pera
- # : ; el
: de gente a ofeu enterramento,
- le. em tetemunho da deuação,que
2. Etaurangºtado cope. lhe tinhão , pedindo muitos as
rigo de não poder cômungar a contas,por onde ele rezaua, ou
| repeito dos feus vomitos: mas outra coufa do feu vfo, & todos
recorrendo à Piedade diuina, q. em geral o applaudião por fan
tantas vezes achára em feu fa to. Com etas acclamações o
uor,no me{mo ponto,em que pe forão acompanhando atè o lu
dio o Viatico do ceo, parou o gar da fepultura no cemeterio
impedimento. Pelo que reueti commum, na qual porêm fem
do doutro efpirito nouo,{entado prefe teue repeito,& aduerten |
no leito cõ hum cirio nas mãos cia de não lançar nella outro
(que não lhe dau, lugar perº ou corpo.E dete modo chegou a o
tras cortezias a fraqueza) efpe prefente anno de 1653.em que
rou a fua vinda; & cheo de aluo |fe trasladarão feus ofos, metti
roço fe abraçou co a Cruz, aju dos em hum caixão, a o lado ef
dou a rezar as orações daquelle querdo do altar, q (e fabricou de
deuoto aéto,& rendendo muitas nouo no cemeterio sãto dete fá
graças a Chrito fácramentado grado cõuêto, como ainda dire
lo recebeo com etranha alegria. mos. Fica o caixão nas entranhas
Depois dito, obrigado de feu da parede, fechado cõ hú1 porta
zelo, fez húa notauel praótica, | de pedra, na qual (ele o leguin. }
exhortando nella a oferuiço de ite epitafio. | •

Deos , & obferuancia da regra


K4 . O Ve
|
1 16 Ir TDT75777; frades
O venerauel padre frei Antonio deChrito,
auendo pafado quarenta annos de rigoro-. ";

fa, & continua penitencia, ornado de mui


tas, & exemplares virtudes,acabou feu cur
fo com grande opinião de fanto em 31. de
Maio de 1636. & foi trasladado a etelu
gar no anno de 1653. . . -

4 Tanta confiança tinhão da nofia prouincia : ele ficou


os fieis no muito,que ele mere dentro no cafco do barco co as
cia a feu juizo com Deos, que o contas numa mão, pelas quaes
inuocauão por interceforem fu ia rezando, & co a outra pegou
as necefidades, & depois apre de húa tr efia, que prendia as
goauão fuccefos, que parecem cauernas, & dete modo,pendu
admiraueis.Mas nete particular rado pela mão,com o corpo met
não tem ainda licença a nota tido todo no mar,& a cabeça fó
penna pera dizer o que ouue, & ra delle, efteue mais de duas ho:
o que fente. Hum (ó cafo efere ras. Ajudoufe das deuações, que
uemos, que por grande,& nota naquelle aperto lhe podião oc
uel não fofre efquecimento. correr,entre as quaes fe lembrou
5 No me{mo anno de fua felice de feu metre frei Antonio de
morte a 19. d'Agoto nauegaua | Chrito, cujo nome andaua mui
de Lisboa pera Santarém o pa celebrado, & diz agora que lhe
dre frei Manoel do Sepulchro, Parece que o vio junto de fi, &
feu difcípulo, que foi no nouicia que tambem o reprendeo de
|do, leitor então de Theologia, não etar animado, & confiado
hoje cutodio da nofia fanta pro na piedade do ceo. O ponto he,
uincia. E chegando à vita de Sa que eteue depois fempre com |
cauém ergueofe hum pè de ven o animo inteiro atè virem bar
to, com que fe virou o barco, cos pera leuarem ete á toa vira
mettendo ambos os bordos na do, como etaua. Gritou de den
agua co a bocca perá baixo, & tro em fentindo as pancadas,mas
deixando sò a quilha defcuber como o não ouuião, metteo a
ta. Afogarão(e finquo, ou feis mão co as contas por baixo de
homens:outros fe faluàraõ nadi hum dos bordos, pelo
& feruer
ta quilha cõ hum frade tambem da agua foi conhecido dos bar
=
queiros •
"

••

Menores na Prouincia de Portugal. 1 7=


queiros. Então lhe lançárão húal clarou, que ainda là ficaua den
corda, pegado da qual faio de||tro do leito do barco hum mam
| mergulho cõ admiração de to-|poteiro de S. Gonçallo d'Ama:
|dosó o fazião ja comido dos pei|rante, & foi tirado tambem com
| xes,ou pelo menos afogado. De-l'o me{mo artificio. . . . .
• - - - -
- - - - - - • • • • • |- • •

• -,…… , !} -- # :; tº cai - * * - - - * * * *;;


+ —

*
|-

VIDA, E VIRTVDEs D o SERvo


de Deos frei Chriftouão da Conceição.

. CAPITVLo xxx . |rio, ou quando menos fazer vi


da eremética. Mas porque a di
Dafia criação, peniten |oligen cia dos paes lhes embargou
defejo,na fua propria cala ?
tia,ê3 grande reco-, rão folitario retiro debaixo d'húa
, , lhimento. • •, | efcada, onde apartados da con

* * *
•• • • • • •
* *

|-

|- ….. ** * # : ; , , , , , , , , ||uerfação dos outros,quanto lhes


+

A cidade de Sylues, era pofuel, facrificauão a Deos - - -- - - - - - - -

menos populofa ho | no altar da oração pelas mãos


| *, *je do que foi anti | da penitencia fuas innocentes al

|gamente, em o reino do Algar | mas. De Sylues pafou a Euor


•• • •

i #
I ue,teue o patrio berço ete ve pera eftudar a Grammatica,
nerauel Padre, onde feus paes| Mufica,&dahi à cidade de Coi
ambos mpito virtuofos, o cria bra,na qual #
rão no fanto amos de Deos : & te atè idade de vinte, & oito an
Aofferecerão,fendo ainda minino, inos, em que Deos o tireu do
a húa imagem milagrº mundo, & deu à nofía Religião.
|fa Senhora da Cõceição, da qual ##21. Ne fim donouiciado afi
|elle depois, aceitandga por mãe, fº achou defpido da fua vontade
| tomou o leu appellido. Cioră propria,que #
|na mininice com húa irmaam imo entre nòs fe vfa, por vezes |-

|quafi da fua idade, que no mef guardião,fe queria proffarpe


|mo anno de feu venturo(o tran: ra frade leigº, fe.pera frade #
| fito faleceo na Eperança deLif coro, empre repondeo:O que ºf
boa com opinião de fanta: & ar fºrtuerencia quizer: & foi necefa;
| déndojana deuação, do epirito rio declarar da fua parte o mefi |
naquelles primeiros annos inté. tre,que pera frade do coro. Pro
tarão fugir pera padecer marty- fefoja, parecia ainda nouiço -

; º ---- - -- - -- - - "Irior- —— *
- - - - - -T-T----== * == …" •
-*

→=

"ITS Tr"TD: WilmaSerafica dos frades


mortificado, trazendo fempre o ura. Vindo tambem do Algarue
capello na cabeça, & cíta incli |aSão Francifco de Lisboa a vifi
nada com modetia, os olhos tallo feu Pae,poto que ele ofe-|
uafi fechados, os braços com tejou em o primeiro encontro
potos,& dete modo andauape com finaes de amor, & reueren
|lo conuento muito junto da pa cia, fempre efteue como mudo
rede,na qual confideraua aChri atè pafar o filencio,que guarda
to, arrimo de nofas almas. Di ua o conuento. Depediofeto
|zia algüas vezes. Agºra tragºmº: talmente de toda a correpõden
| nºs as mº/as cabeças baixas, pºrque cia, & conueríação do mundo,
ainda vir2 tempº,nº qual2cosmºlas fem querer ouuir nouas, nem a
| mande leuantar com aquelas faaui/#. quellas, que pertécião á Ordem.
mas palaurar: º Leute capitaveira, |É como trazia mortificados os
"] queman, aprºpinquatre ptiº "ve olhos, nem fabia quem maraua
fira. Em amanhecendo entrama | no conuento, nem conhecia a
na fancritia pera ajudar às mif quem etana junto delle, & dos
fas, acodindo depois ao feruiço prelados ainda fabia menos.
| da cafa,dos velhos, & dos enfer Quando etaua em cafa, o mais
| mos,& quando nito commettia do tempo gataua,ou na cella,ou
| algum defeito leuilfimo, poíto 4 |no coro, & quando faia fóra,re
| foffe fecreto, ele mefmo fem ef | tirado do cõpanheiro caminha
|perar catigo, ou remifaõ fazia | ua sò configo rezando , ou con
|à penitencia publica: , | templandó. Donde veio que,fen
|| 3 Tomou porèm hum ca do conuentual por etado,entre
|minho difficultofo a quem viue os trafegos,& occupações da faa
--
em companhia de outros, pera communidade fazia vida folita
fubir ao monte fublime da per ria, como fe fora anachorita, no
|feição, a que queria chegar. E |interior da alma. E pela me{ma
foi aquelle, que fechama "cirur |rezão ninguem tambem o buf
maisyu, caminho, & via de filé caua pera o inquietar, leuando
cio profundo pelas montanhas ele fêm alliuio, ainda doshone
da conuerfação humana. Pelo tos,que oferece o mundo, eta
que de tal modo fe retirou em fi fua folidão. º : #, º
me{mo,que raramente falaua, & * 4 ** Mas pera fe conferuar
| no ponto, que tangião afilécio, em tanta paz do epirito, trouxe
emmudecia de todo. Affi o expe fempre em quanto ás forças o a
|
rimétouhtireligiofo familiar, & judarão faminto,defcalço;&mal
amigo,a quê elle, vendoo quafi
vetido o corpo: apertado com
|fempre afeu lado pelo ditcurto #hum cilicio d’arame: ferido dos
de humanno,não difehtia pala gºlpe: das difciplinas, que lhe
chega- -
# Menores na Prounda de Portugal. _ 1 1 9
chegavão às cotas: quebranta prelados. …
do com abtinencias, & muitas 5 - Com eta vida tão dura,
|de pão,& agua. Quando muito & penitente chegou a aquelle
|lhe concedia por cama húa cor etado, do qual dife" S. Hierony|,
|tiça, mas co as horas tão limita mo: Omnes pene virtutes mutantur|epit,
| das de fomno, que por não ador infenibus, gr crº/cente/la/apientia
| mecer deixaua de encotarfe, ef decrºfºunt cetera. A faber,que nos
tando ou de# , ou em pé velhos quebrantados de acha
na oração. E fe a defconfiança ques, enfraquecédo todas as for.
da brandura da cortiça era gran }ças do corpo, com que d'antes
de, lançauafe no chão junto da fazião etremos de penitencia,
porta da cella pera efpertar a ma crefcem mais os feruores do ef
tinas mais de preça. Folgaua de pirito, apurando em oppofição
padecer os rigores doinuerno,& do me{mo impedimento da fra
lafi lhe cutou menos dar o man queza corporal o fanto amor de
to a outro religio(o etrangeiro, Deos, fabedoria perfeita. Elefte
o qual andaua fem elle. Foi ob Senhor,que conhece muito bem
feruantifimo de toda a nofía re o que melhor nos età, talvez
gra, & mais em particular dos nos toma a mão, exercitando co }
feus preceitos, que atirão a mor a fua por trabalhos,& doenças a
tificar o corpo, fendo configo erfeição da virtude, que as nofº
tão duro executor, que nem as # diligencias auião de procurar.
necefidades, que ella não com Affi foi pontualmente nete ve
prehende,queria exceptuar. Aº nerauel Padre,porque tendo cur
maua de coração a pobreza euã fado largo tempo epantofos ri
gelica, por cujo refpeito nunqua gores de penitencia, etes mef.
andaua contente, fe não quando mos ajudados dos achaques, &
trazia habito velho, & dizia que velhice o quebrantarão de mo
a húa mãe tão pobre, como he a do que à força defcançou contra
nofía Ordem,era juto alleuialla o goto, que tinha de padecer.
dos gatos. As alfaias da faa cella Admittio húa cama ordinaria,
| tambem fe recopilauão em húa que entre nós não he mimofa,
Cruz de pao, regitos de alguns & huns peñgos de panno, com
fantos, húa panella vidrada com que cobria os pés, os quaes bre
agua benta, huns liurinhos de ueméte tornaua a defcalçar,dizé
cafos de confciencia, & outros do q fem ete reparo paflauão os
de deuação; & ainda ete vfo tão Padres doermo as fuas neceffi
etreito o afligia de modo, que dades.No demais tocante a o ef.
parecia importuno em pedirpe pirito, fempre forão os feruores,
ra ele tantas vezes licença a os ou incendios laurando.
> -

CA
assº
-

Liuro I. Da hi/toria Serafia # fã —T=


→=

I 2O
da fua, & nella ficaua tão eleua
C A PITV L O XXXII. do,que parecia extatico. Dizem
huns, que o virão arrebatado no
ar: outros, cercado de luz: nôs
Dºferurna oração,&#fêm relatamos feus ditos fem affir
marcoufa certa, nem facilitar as
timentos defua de
uota alma. duuidas, que padece a fé huma
Il3. .. … - - . . . .
2 Era rara a deuação, que
I Squecido do mundo,& motraua a os fantos myfterios
E alleuiado muito nos do ceo,& affi todas as vezes, que
embaraços do corpo e entraua, ou faia do conuento,
te virtuofo padre freiChriftouão fempre tomaua abenção a o Fi
da Conceição,ficou mais habili lho de Deos facramentado, cujas
tado pera fe vnir a Deos co as ofenfas tambem o ferião de ac
prisões do amor. Meditaua, & cidentes mortaes. Pelo que fuc
oraua facilmente,porque trazen cedendo nefte reino certo cafo
do fechadas as portas dos feus lamentauel,foi tal o feu fentimé
fentidos, como ja temos efcrito, to, que andaua como louco no
não entrauão por ellas reboli conuento de Lisboa, onde era
ços etranhos, que diuertiflem a morador. E alèm d'outros excef
alma. Acabando de rezar algüa fos,que fez,entreu no coro quan
hora no coro, nelle ficaua largo do fe cantauão veperas em figu
tempo em a oração mental. O ra tão horrenda,vetido de facco
me{mo fazia atè as noue da noi com corda a opefcoço, que a
te, & depois de matinas atêas todos compungio. A onde quer
tres, ou as quatro da manhaam, que chegaffe, logo buícaua a
poto que algüas vezes fe reco igreja, & fenella auia de cantar,
lhia a cella pera ter mais liberda eftaua em oração de joelhos em
de de orar com os braços em quanto não começanão a mufi
cruz, & gatar aquele tempo ca. Encontrando algüa imagem
noutros fantos exercicios. Reza fanta, ou lhe beijaua os pès, ou a
ua todos os dias o oficio dos de
parede vizinha fe não chegaua a
funtos,o menor de nofa Senho-j jelles.Venerana finalmente com
ra, Pfalmos penitenciaes,& gra |tão intimos afectos as palauras
duaes,& deuações infinitas, pera fagradas,& euangelicas,que pera
as quaes fe feruia de húás contas ouuir fermão auia de etar em pê,
de cordel. Pera o fanto facrificio & fe achaua algúas e{critas em
| da mifa fe preparaua com gran papelinhos , e palhados pelo
de difpofição,ouuindo tres antes chão, affi os andaua apanhando,
& me
===-=-=-=

AMenores na Prouincia de Portugal. l 2 I Z

& melhoraua de littio, como fe hum dia a teus amigos. 0 ponto


forão as reliquias maiores. [he, emproar bempera que chegue a naº
Tudo Deos lhe ia perfua a ºporto, @y não fazer cafº algum das
dindo cos fauores de fua bene termentas. Cantando mais atura.
uolencia, communicados muitas do numas vefperas da Cõceição
vezes ao tempo da oração. Mas ímmaculada da Senhora Mãe de
elle, como prudente, os fechaua Deos, lhe diffe hum circunftãte:
no cofre do feu filécio,&húa vez, Reje fiº alia/obre ºferno. A o que
6 por defcuido, etando importu elle,diffimulando o agudo do re
nado, prometteo a hú amigo cõ moque,refpondeo com hum lou
tarlhe algüas coutas, no mefmo uor da Senhora. Afi he. Pulchra
ponto lhe leuantou a palaura, ef> »t luna, eletia »t/ºl. E quiz dizer:
cufandofe co a falta de memo Fermofa como a Lúa, efcolhida
ria.Contudo pelos finaes,& efeij como o Sol. .* .

|tos,que não podia occultar,fe en | 5 Depois que Deos o teue


tendeo feré varios os fentimen tão alentado, & prõpto afeu fer
tos de fua deuota alma. Porque uiço,começou a retirarfe,fufpen
| algüas vezes gemia, & muitas dendo o influxo das cófolações
cantaua: hüas fe desfazia em ri celetes, pera prouar com maior
fo, outras fe derretia em lagri merecimento a fua fidelidade, &
mas: requebrauafe em amoro cõito o deixou ir, defcaindo na
|fos coloquios com o diuino Ef quelle profüdo pego de trifteza,
pofo, & talvez tocando com os 4° em cafos femelhãres afligio a a, a ad Co
rint. 1. v. 8
dedos a caixa dos oculos, em fi muitos sãtos;& ele embaraçado Matt. 27.
gura de viola,daua muficas a o não fabia tomar pê. Achaua me v.S, 46.
Bernar
fanto Crucifixo do coro dete nos acõíolação antiga: parecia din Sen.
conuento com muita dipofição lhe q Deos o deséparaua: o ceo to.3, tract.
de B.Virg.
da garganta. Acontecia tambem lhe era efcuro,a terra trite, a vir fer.9. a 3.

desfechar fubitamente em rifo tude defabrida;&querêdo feu cõ Cºle

quando etaua rezando o oficio feforcõfolallo, lhe refpõdeo cõ


| diuino,& depois fedefculpaua,á fufpiros nafcidos do coração. Co
não era em fua mão impedillo me quer vº/a reuerencia que eu me não
por mais que febelifcafe,ou pu defenfºle , /e noutro tempo quando ia;
zefe o peníamento na paxão do | dizermifº me parecia que pizgua fio
Redemptor. … res entre caçoulas/uauffmas, @ "gº
4. Não lhe applaudião mui ra de tudo efioupriuadº? Affaltea
to etas myteriofas acções os fo rãono logo terribilifimos efcru
berbos,& ignorantes do mundo: pulos,reprefentandofenelles que -•

porém elle, armado de pacien "do,


por ventura não feria
ou que ferião bautiza
inualidas fuas •

cia,fe os ouuia calaua, & fó dife


I L CO Il
=>

122 | Lurº I. Da Ta Serafica dosfiadas


confifsões pafladas: pelo que ca outrº vocação. A os mininos, é
da hora as repetia de nouo, & ar encõrraua nas ruas, enfinauaos a
|timado a húa cruz de pao, que rezar, & leuantar as mãos a o
tinha na fua cella, por não lhe ºcº. A os outros accnfelhaua o
| faltar a fê,desfaziafe em lagrimas amor do Redem ptor,o qual lhes
| pedindo humilmente ao Senhor reprelentaua numa cruz pique
clementífimo que puzefe nelle |na, que trazia depois de velho |
os olhos de piedade. E approue configo. E poto que não tinha
a fua mifericordia, quando vio| letras, nem as fiores da humana
que era conueniente, desfazer ºloquencia, co as palauras fingel
etes neuoeiros triftes, ferenan las multiplicou fantos fuitos pe
dolhe as tempetades da alma lagraça do Senhor. |-

co a luz de fua primeira bene 2 Succedeolhe em Lisboa


uolencia. acõpanhar hum judeu,4 obtina
do na cegueira diabolica, antes
CAPITVLo XXXIII. queria arder viuo na profifsão de
feus.erros,comoja etana fenten
}
|Defias obras admiraueis, &# ciado, que cõfeffar as nofas ver
dades certas. E vendo ele eta
da fanta ºpinião, com maliciagrande,q não deixaua vê
que acabou a cerfe das rezões,& euidencias de
-•
vida. muitos religiofos letrados, os
quaes tambem affitião, em che
I Obrando pois nouos gando a o lugar do lupplício,po.
to de joelhos a teus pès,& co as
C brios de confiança cõ mãos leuãtadas lhe diffe etas pa
*" Deos efte feu deuoto lauras. Irmão, por amºr de ZDeos vos
|-*

feruo frei Chriftouão da Con Peçº, que não vos queirais perder.
ceição, foi feguindo, tão con Crede na Fé de le/ Christo, porque sò |
tente como d'antes, o caminho ela herverdadeira, @/m ela ninguã
da virtude. E querendo cõmuni
/* Pºde falhar. Deuia Deos fa
cara os outros a boa forte de fer
larlhe tambem na alma, fuore-}
|uir a tão benigno Senhor, não | cêdo efte feruor de epirito,por
sòmête ajudaua a futentar co a que virou em cõtinente o roto,
[uareção os pobres porcõta del & Perguntou a os eutros. Padres,
le, mas també encarecia a todos entendem vº/as reuerencias que you
a obferuancia de fua fagrada lei. /g"mºrrendº na Feded:#Eref|
Pelo que intentou paffaráIndia, Põdendolhe todos, q ló fiella hº
nem defiftio da viagem, fenão
fegurãça,verdade, & faluação,re
depois de entender, que tinha tratou publicamête fua cegueira
*--

Tië2
|
- - ----
">--> 3

_Menºres na Pºuncia de Portugal. 123


maligna,protetando que era, & /fanta cruz (obre as pernas, que
|que morria chriftão. tinha cheas de chagas; & elle de
{... 3. Na me{ma cidade lhe a: joelhos,motrando que as queria
conteceo tambem entrar na erbenzer, á força o abraçou,& lhe
|mida de N.Senhora do Emparo beijou as melmas chagas, das
|a tempo, q achou nella húa mu quaes o capitão depois dizia que:
-

*
|lher afombrada do demonio. A | amanhecèra no dia feguinte são.
pertárão os circuntantes cõ elle, Outra vez encontrou no termo |-
}
ue lhe fizeffe os exorcifmos,ou | da me{ma villa hum laurador
difefe húeuãgelho.E como a cai muito trifte pela perda de humi
ridade não fabe difficultarfe, mo boi, o qual etaua morrendo,
|uido de cópaxão, cíngiolhe a o & defejofo de atar as mãos á
pefcoço o alforge da e{mola,ále? morte co cordão, que leuaua na
luaua no feu hombro: inuocou o cinta, cingio a o animal em o no
|patrocinio da Mãe de mifericor- # me do Senhor... Contão muitos
dia; & mandou da fua parte a o q faràrão de inchaços, & ha pou
eípirito mao, que não afigifica cas pefoas em Alanquer , que
creatura de Deos, o qual con ! não refirão algum füccefo nota
| trangido finalmente dos pode uel. Fique a fé nos fus autores
|res da Senhora deixou a mulher em quanto recorremos a outra
liure do feu catiueiro. Por rezão maior alçada. Delle achamos
dete fuccefo lhe leuárão a o efcrito que, ficando d'húa do
conuento hum homem,enfermo ença inchado, com agua ben
|# do mefmo mal, & por mais que }ta fe curaua, dizendo etas pa
o demonio galanteou a princi |lauras: Aqua benedita / nobis/-
pio,pedindo ridiculos cõcertos, | lus, gr vita : que vem a fer
|não pode refitir á Majetade di em portuguez. A água bentanºs
|uina: mas faio violentado do cor de faude, gravida. Foi em fim
|po, em que fe fazia forte. |tão grande a fua fama, que a
| 4. Era grande o fentiméto, doecendo grauemente em Lil
| cõ que o atormentaua a doença boa ofereniffimo Principe Dom
} dos enfermos, mas tambem era Afonfo, Infante naquelle tem
muita a confiança, com que el po.filho del-Rei D.João o IV &
| les fe valião de fua interceísão, | da Rainha D. Luiza, nofos fe
| pedindo q os benzeffe, pera que nhores, que Deos guarde, ela
| Deos lhes outorgaffe faude. In o mãdou chamar pera á lhe af
do à efmola a o lugar de Pela fitifle na fua enfermidade, da
|ios, húa legoa d'Alanquer, ro qual por mercè do ceo no dia,
| goulhe o capitão Francifco Ta em que º vio, logo teue melho
|uares que lhe fizeffe o final da f1a. * .

L 2 5 DCC
—T-r
I24 Tm|TTD, bifloria Serafica dos frades
5 Depois de rettituido a el moria pela fua obferuancia, &,
ta fanta morada, tendo ja cóple pelo zelo de publicar ao mundo
tos os feus dias, que fazião 75. os feruos de Deos da nofa fanta
annos de idade, & 47.de religi prouincia coas grandezas dete
ão,cumulado de virtudes, & apu facro domicilio.
|rado a repeito dos achaques no
fogo da paciencia, na dominga C A PITV L O XXXIV.
infraoétaua da Conceição im
| maculada da Senhora, da qual Da imuenção admirautlae fia
1 era deuotifimo, 12. do mez de
Dezembro, anno de Chrifto de corpo na primeira fpul
1649, à húa hora da tarde fede tura, & trasladação
|-
fatou das prifoés do corpo pera a outro lugar mais
viuer melhor vida a fua deuota nobre.
alma. Pareceo conueniencia,por
efcufarem tumultos, e{condel
lo debaixo da terra naquella I Eruiofe a Majetade di
propria tarde : mas ainda affi uina de que o padre frei
foi tão grande a multidão de | " Dionyfio de sãoBoauen
ecclefiafticos, & feculares, & en tura tomafe à fua conta no an
tre etes os mais nobres,que com no prefente de 1653, lagear, &
algúa violencia lho arrancamos ornar com húa capella noua o
das mãos, & démos à fepultura, cemeterio fanto dos religiofos
tendolhe elles cortado o habito, deta cafa, & cauando no jazi
& tirado o cordão. Não fe farta go do dito varão de Deos frei
uão de vello:não cefauão de lhe Chriftouão da Conceição, foi
beijarem os pês: pedião as fuas achado neta forma. Etauato
contas,cruzes, medalhas,& regi do o corpo organizado, & arma
ftos, & confufas pela multidão as| do com os ofos vnidos huns a
vozes, o que melhorfe entendia os outros, cada hum em feu lu
erão encarecidos louuores de fu gar, exceptos alguns miudos dos
as obras,& virtudes.O reuerédo dedos,6ja fe tinhão defapegado.
Prior da igreja de S.Pedro, Ma A carne, que nas outras partes
noel Tellez Barreto, lhe mãdou | era comida da terra,etaua incor
finalar com azulejos a coua,&ho | rupta,& vetida de pelle, do pe{-
je,como tambem outros muitos, coço atè a cinta,co as entranhas :
apregoa marauilhas. Efcreueo, inteiras,feccas polêm,&myrrha
mas não imprimio, atequi a fua das,& tão tractâuel ainda, que fe'
vida o padre F.Domingos da Cõ lhe punhão a mão,a me{ma carne
ceição, digno de venerauelme fe recolhia, & depois tornaua a
feu
- -
_-"
- - - - -

, Menores na Prouincia de Portugal. 125


|fuTugar.Quando e abrio a co far cõ algüa declaração,ou em ê- |
ua, em defcobrindo o corpo fa da cõ o que o eferiuão queria ac
io delle muito cheiro, o qual tã cõmodarfe, & batendo cõ o de
bem (e pegou ás pefoas, que do nas cotas do papel faltàrão os
mais o manofearão, como foi o | borrões fóra (em deixarem algü
homem,que o arrancou da coua, final, ou indicio da tinta, mas o |- •

cujas mãos, dizia elle no outro papel muito branco, & fómente }
dia, que ainda lhe cheirauão. E a algúa humidade, como de agua
o padre frei Dionyfio, o qual fe crytallina.Pareceo etecafo ad
encarregou da fua guarda atèfer mirauel nos olhos dos á etauão
colocado onde agora età, lhe prefentes,do qualfe fez outro au
perguntou muita gente fe trazia |to, & ambos juntos (e guardão
configo flores,porque cheirauaa hoje em o archiuo da villa. !
ellas. : : : : " ." 3. Foi depois mettido em
2 Detainuenção, & chei hum caixão, affi inteiro como o
|ro mandou fazer auto em 9. do tinhão achado, & entregue ou:
mez de Maio do anno affima di tra vez a o feio d’aquella ditofa
to peragloria de Deos Luis Pa terra, pera que o guardaíle com
checo, & Mendoça juiz de fóra repeito a os pès da fobredita ca
da mefma villa d'Alanquer em |pella. Mas o Senhor,que o que
prefnça de Andre Barreto Coe| ria honrar, inípirou em feus de
|lho vereador mais velho, do fo |uotos, que o eleuafiem a outro
bredito prior da igreja de S. Pe lugar melhor no coração da paº
idro, D. Antonio de Menezes, rede, não obtantes algúas difi
Sebatião de Macedo Carualho culdades, que nella fe receauão.
& Menezes, Luis Pereira de Sá,} Pera ifo fe etreitou em fegredo
& doutras pefoas graues de am o caixão, por atalhar outro con
bos os dous etados.ecclefiaítico. |curfo de gente, como ouue quan
& fecular, o qual auto e(creueo do o defenterrárão, & quando fe
Hieronymo d'Araujo de Britto, fez em feu corpo o exame : cor
tabelião do judicial,, que em
• • • em tu-||tando
tu hurb pedreiro, o qual an
do interpeza fua fè, Eindo con daua nas obras,com tanta facili
tinuando com ele, ao lançar de |dade, & acerto a madeira, fem
area na # pagina pera vi |ter intrumentos proprios, que
rar a fol ia,depois de etar eferi feteue por epanto. Dete modo
ta,lhe cairão dous borrões de tin o colocárão em pé à mão direi
ta nas palauras finaes de duas re ta do altar, & diante delle húa
* *"
:
gras. Ouue voto,4fetrasladaffe pedra, que nos diz etas pala
tudo,& também,que poderia paí uras. "
-
-
... , , , • | * |- • • •
-
• ** * |
———— — –––––
|
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O DE
…e…
-

·==
••

} Tzõ TZ T DT Serafica dos frades - *=

O Deuotifimo padre frei Chriftouão da


Conceição, celebrepor fama de fantidade,
&milagres, pafou deta vida a 12 de De
} Zembro de 1649. Seu corpo, fendo acha
| do com o peito, & coração incorrupto, &
füauecheiro, foi trasladado a ete lugar no
anno de 1653.
4 A o tempo, que fe abrio Agoto com grandes demõtra
o caixão,lhe arrancárão duas co
ções de deuação, & applaufos,
|tas co a fua carne dellas, pera a remettédo o negocio a ofenhor -

|codir à deuação particular dos Bifpo de Targa D.Francifco de |


fieis, que fufpirauão por algúa Sotto maior, com intento de fer
|prenda fua,inuejando a boa forte mais autorizada a dita informa
d'aquelles que ja tinhão alcan çãº, a qual ele depois fez neta
çado alguns offinhos miudos. E villa d'Alanquer,motrando no
|diuulgando muitos delles gran |tamel goto das grandes coufãs,
des coufas a repeito da fua in
que todas as tetemunhas jura
tercefsão com o Senhor pode uão. Quererá a Majetade diui
roforenououfe juntamente com nº que nos venha approuada das,
admirauel calor a memoria das
mãºs do fobredito Cabido, a o
marauilhas antigas, que fe con qual fe entregou. |-

tauão do tempo da fua vida. Pe 5 . Na face do fobredito al


lo que affio nofo conuento, co tar, cujos lados de húa parte acõ.
mo tambem o Iuiz,& Vereado. panha ete Varão apotolico , &
res fupplicàrão a o reuerendo d'outra o grande feruo de Deos
Cabido,Sede vacãre, de Lisboa, frei Antonio de Chrito, como
que peragloria de Deos (e man. temos declarado,fe efêreuco em
daffe informar por ditos de tef |jaípe branco,guarnecido de ver
|-
temunhas do muito,que fe dizia melho pela traça de frontal,eta
Por fama. Repondeo em 29 d'l notauel memoria.

… Noto fºrafico Padre São Francito fi


|-

|
bendo,como a deuotifima Infanta D.San
cha recebera os finquo gloriofos Martyres
–-
---- -- - - ----
de -
_+"
- - ----- -- -

_Mºurº na Prouintia de Portugal. 127"


deMarrocos neta cafã,&que della fairãope
ra o martyrio, arrebatado em epirito lhe |
lançou füabenção rogando,& profetizan- |
do que nunquanete conuento faltarião re-º |-Y
}
ligiofos obteruantifimos defua regra euan
gelica, dos quaes muitos defcanção nefte
cemeterio, cujos nomes eftão efcritos em o .
- ; |-

liuro da vida. •

-
• , . .

, -
-

","1": :

!
| | , . e . . . .» - l;
CAPITVLo xxxv. a Deos, o qual inclinado a feus |
* #. rogos na morte bem afombra
Da irmaam Francifa de da,que lhe deu, executou as fuas |
mifericordias. ••
- *\
•• •

Meira prºfefa na º 2 Liure ella dete pezado


Terceira Or. encargo,recolhida com humir
dem. . mão facerdote, & entregando a
o mefmo Senhor todos os feus
. * *

penfamentos, foi feguindo a vir


I Ertence a fua vida à vil tude Pelos caminhos immacula

- -
P la d'Aldea-Gallega da dos do ceo. Era hum todos os
Merceana, onde affitio dias de cafa pera a igreja, onde
do berço até a coua: mas a me. gataua em oração as manhaans,
moria a efte fanto conuento de & ouuia quãtas mifas (e dizião |
Alanquer, cujos commifarios a A o fabbado vifitaua as cafas da |
vnirão, & conferuàrão no corpo Virgem Senhora nofa, da qual
da familia ferafica pela profifaõ era efpecialífima deuota. Nun
da regra. Sendo cafada leuou cõ qua largou as fuas cõtas da mão,
muito louuor o jugo do matri ou fiaffe, ou cozeffe, ou etiaefe
monio,grangeãdo paz fêm quei. | com outra occupação;& cõ ete|
xas por meio da paciencia,&pro | exercicio de rezar,tão ordinario
curando com amor, como boa , nella, veio a perder o modo co
companheira, a faluação do ma |tumado de falar. Frequentaua
tido. Quando o vio fujeito ja à |os facramentos da confiÍsão, &
mortal enfermidade,então aper communhão com tanta pureza
tou as diligencias. Acodia à igre 'de fua alma, que pera os confef |
ja,choraua, gemia, importunaua | fores chegarem a abfoluella, cõ
• - … -- L4 traba- "" |
T">

T 128 Laro I. Dahlfona Serafia # fraã;


trabalho achauão materia,recor modo engrandeceo o teu nome
rendo muitas vezes a algüa ve por toda aquella terra,que todos
--

nialidade pafada. Affi o júrou,


á tinhão,& acclamauão por fan
} & afirmou por efcrito D. Ma ta:todos dizião que por feus me
- noel de Noronha, prior da fua recimentos lhes futentaua Deos
igreja,cujo tetemunho pela no a villa: todos procurauão afua
| breza do fangue,grandes letras, interceísão. Os parrocos tinhão
1& prudencia he muito qualifica por grande ventura patorearem
do.E tudo fe pôde crer d'hüa vi. tal ouelha, & o padre Ioão Ma
da inculpauel, na qual não era noel, Cura da me{ma igreja, na
ouuida palaura efcandalofa, ou relação, que fez à nofía infan
queixa. -
cia, fe confefou por indigno de
, 3 Nos braços deta pureza efcreuer tão fanta vida. Logo
fe criou a profunda humildade, quando caio na enfermidade,
que em feus olhos a fazia pare foi tanta a gente em fua cafa, %
cer a criatura mais vil,que tinha não auia romper.Os pobres cho
o mundo todo. Encommenda rauão feu defemparo: os deuotos
uão(e muitos em as fuas orações, pedião a fua benção:huns lhe ro
aos quaes repondia humilmen gauão que no ceo tiuefe lem
|te, que era grande peccadora, & brãça delles: outros fe querião
indígna de pedir algüa coufa a | confolar, affitindo a ofeu dito(o
Deos: mas logo obrigada da ca tranfito ; & poto que a morte
ridade lhes tornaua a dizer, que não veio muito de preça, nem
não fe defcuidaria. Não fabiane porifo esfriou ete feruor. Ete-}
garefmola a pobres,& (e o irmão ue fempre alegre com húa rara |
não tiuera refguardo em fua ca compotura, como fegozâraja |
|- , breuemente ficára poto por |dos gotos celetiaes,& de quan
portas. Affitia às mulheres,que do em quando pedia a os prefen
tinhão parto trabalhofo, & em tes que lembrandolhe o nome
lhes pondo as mãos, Deos lhes de Iefu, a ajudafem tãbé a dizer
ldaua bom fuccefo. Configo exe o Pater nyter,o Credo,&outras mui
cutaua o odio, & tão desfeita an |tas orações.
…- - ) - • -

daua do jejum, & abtinencias, 5 Finalmente depois de fi


que não achando carne, que ga car algum e paço fufpenfa; dife];
tafe, a enfermidade vltima affi duas, outres vezes etapalaura:
|lhe myrrhou apelle fobre os of| Senhora; motrando no acento, & |
|ifos, que hum por hum fe pode no modo, com que a pronúciou,
rião contar. - |que repondia a quem chamaua |
4 Mas o Senhor que coroa
por ella, & todos entéderão que
aos humildes de gloria, detal feria a Virgem Senhora aoña |
• •
-

} -

- - - -
-—— __Nefte
-- -
AMenores na Prouincia de Portugal. I 29
Nefte ponto fe de{pedio do cor
po a fua alma pera a terra dos vi
CAPITVLO XXXVI.
uentes a 27 de Dezembro, fim
De alguns varões illutres ne
do anno de 1636.auendo 63.& fia tafa fpultados, com lãº
tres mezes, que o tinha informa breue noticia dos taualeiros da
de. Voou logo pelos lugares vi AMadreflua, & de Sant
zinhos a fama de fua morte, &
de todos concorrerão tantos ho Iagº da Efpada, }
mens, & mulheres a ver efte co I Randeméte follicitou
fre de virtudes, tocallo cos feus os corações dos fenho
rofarios,tirar delle algüa prenda, res dete reino a boa
que parecia efpanto. Alguns lhe opinião do conuento, encõmen
| cortàrão os cabellos da cabeça. dandofe huns nos tetamentos a
O illuftriffimo Prior D. Manoel os feus religiofos, outros encar.
de Noronha fazia etimação de regandolhes mifas,outros tomã
hum lenço, que tocàra no feu do fepultura entre elles, perato
roto, & depois lhe celebrou as dos lograré diante da Majetade
exequias com hum fermão elo diuina a fua intercefsão. Detes
quente,ornado de feus louuores, vltimos nomearemos algús,cuja
na igreja matriz de N. Senhora lêbrança poderà fer aggradauel.
dos Prazeres, onde età def 2 Do primeiro nos deu a
cançando na fepultura de füa noticia húa pedra, que acha
feus paes. mos arrancada da capella de fan
to Antonio, & pota ja a hum
• ## *
canto noutra parte; porque ate
|às pedras mais infenfiueis queré
alguns inquietar . E nella etaua
#* . o feguinte epitafio. • •

Em efte moiméto jaz Nuno Gonçalues de


Ataíde, caualleiro, & companheiro dos da
Madrefylua, & do confelho do muinobre
Rei D. Ioão, &gouernador da caía do In |-

fante D.Fernando feu filho. E finou em Lif •

boa em dia do Corpo de Deos,derradeiro


dia do mez de Maio da era do nafcimento
de nofo Senhor IefuChrifto demil,c.c.c.c.
&xx.& finquo annos,_
A efte
ISO Lim I Dahlima Serafia 7, fãs
A ette fidalgo, que era bem co tambem ouue efta, chamada da
nhecido, fez mercé o dito Rei Jatadrefylua, que não foi inferior
D. João I. do morgado de Dom no esforço. E pôde fer,que a am
Gnião na villa de Santarèm, que bas pretendefe cõtrapor el-Rei
ja hoje tem entrado por húa fua D.Ioão I. de Catella,com inten
neta n 1 illutrifima familia dos to de reftaurar as degraças da
ViÍcondes de Villanoua de Cer febredita batalha, as duas com
4.Chron.
ueira. O Infante, cuja cafago panhias, º que intituio nas fuas rm.f. del
uernou, com maior autoridade cortes de Segouea: húa de fidal Rei D.Io
-
aõ I p. a.
da que o Mordomo mór cotu gos, que chamou do E/piritº Santº: <C.141»
maternete tempo, foi aquelle, & outra de efcudeiros, com ap-}
que morreo no catiueiro de Fèz, pelido da Zº/a. Dete modo,fem
o qual chamamos º Santº. e{perarem affentamento de cor
Acerca da companhia, tes, fejuntarão alguns portugue
| chamada da Xadre/Slua, da qual zes esforçados, & tomando por
era caualleiro,confultamos a pel diuiza,& nome a 3fadreflua, pe
foas curiofas, de quem fe podia ra ferem conhecidos, grangea
efperar algüa informação, & tão rão tanta honra, que efte Nuno
etranha lhes pareceo a propo Gonçalues de Ataídefe prezana
ta, que atè o nome tiuerão por de fer dos feus companheiros. E
inaudito. Mas não fabião da pe fe o tempo os fora fauorecendo,
dra, em que etaua efcrito, nem delles fe pudera originar húa Or
a. fol. 116, que º Arnoldo Hermannio, no
dem, a qual ainda agora perma
er. Britto
theatro da cõuersão das gentes, neceffe, como he a de Auiz, º q na chron.
entre os canalleiros das Ordens começou do mefmo modo por de Cifter |
1- 5.C.11.
militares, que florecerão, & fio alguns auentureiros.
recem nefte reino, contou os da 4 Tres fepulturas,todas ra
Madrefylua, ou Syluenfes pelas zas co a terra, fevem na capella
palauras feguintes. Syluen/es inLu mòr, húa das quaes cobre os of
/tania. Começàrão em tempo do fos de Nuno Vaz de Catel-brã
me{mo Rei D. Ioão, quando os co,almirante detes reinos,mon
brios portuguezes andauão mais teiro môr del-Rei D. Afonfo V.
alterados por defenderem a pa & alcaide mòr deMoura. Achou
tria; & afi como na famofa ba fe com outros finquo irmãos em
talha d'Aljubarrota ouue húa a tomada de Seita, & foi depois
companhia, por nome dos Namo caualeiro da Ordem de Sant-Ia
zados, cujo alferes, Aluariannes go da E{pada, º q intituio o di
de Sarnache, jaz fepultado no to Rei. Porque ouuindo dizer, […
moteiro das freiras de Corpus que na torre da Menagem de
Chrifti em Villanoua do Porto: Féz pregara hum mouro bú ef
pºda
AMenores na Prouincia de Portugal.
I3 I .
pada, com prognotico de que foi aquelle fullano Chichorro,
quando algum chriftão a tirafe como diz frei Hieronymo Ro
(e acabaria o Africano imperio:
man, o qual não lhe foube o no
elle, que queria conquitallo co me,que tambem mereceo fer ca
| fauor de Sant-Iago maior,& aju ualleiro de Sant-Iago da E{pada,
da de caualleiros briofos,fundou efcolhido por el-Rei. Ete foi,o | .*

eta Ordem debaixo da protec que veio de C,amora a Mirãda, •

|ção, & nome do dito fanto Apo & atrauefiou em hum cauallo o A"
Douro pera auizar a o Principe •

|ftolo,dandolhe por particular di


uiza a me{ma e{pada atrauefada D. Ioão, filho dete me{mo Rei,
|na torre, pendente d'hum collar que não entrafe em Catella,
d'ouro, & por titulo Sant-Iagº da onde húa treição o etaua efpe.
|E/pada. Profefoua o me{mo Rei rando. Ete foi o que nos cercos
com o Principe feu filho, & vin de Alcacer Ceguer rebateo com
|te & fete caualleiros,os mais va eftranha valentia a infolécia dos
lerofos, que então auia em Por mouros, alcançando por etas,&
| tugal,nos quaes entrou efte Nu outras illutres obras,que fua fa
no Vaz de Caftel-brãeo,em me ma eteja eternizada nas "hito . Ressas
moria d'outros tantos annos,que rias do reino Intituio hum mornichºn |
el-Rei tinha de idade, quando gado com duas claufulas, mani- #
tomou Alcacer Ceguer. Mas cõ fetos argumentos da deuação, #"…,
|- •---D. Aguft. |-

elle começou,&acabou eta Or & confiança, que tinha com efte Manoelma |
dem. + -

nofo conuento. A primeira,que "#"


Outra fepultura he de Rui o feu pofuidor todos os annos # |-

Gomes d'Azeuedo, do confelho lhe de certa efmola de trigo, &#####,


del-Rei D.Ioão II. & ofegundo vinho. A fegunda, que extinguinídeº Pº
Alcaide môr, dete nome, da vil dofe a fua fuccefsão, os religio- ###
la de Alanquer.Era filho de Gõ em dele podiabomemiger,
foscabidohum & ,filho
homem,rico @ra- #
n, 14.
çallo Gomes d'Azeuedo, & de
D. Ifabel de Caftel-branco, ir bafado, de boa fama,(} nomeada, que {
maatm de Nuno Vaz de Cate tenha «adminfração dº dito morgada,
branco,que ja fica nomeado; cu O qual nos ha de dar outra efmo
jos fauores, & deuação nos obri la maior. E porque muitas vezes
gão a fazer eta lembrança. |auemos de encõtrar nomeações, fSanch in ?
decal. 1.6 #
6 . Na terceira fepultura def & eleições femelhantes, que nos & 4 1. # -

cançou Vafco Martins de Soufa são encõmendadas,faduertimos Rodrig.


Chich orro, quarto neto por feu
que não fazem prejuizo à pure.
• tom.», q ,
7o.a; a.
pae del-Rei D. Afonfo III. do za da nofia regra ferafica. Poró Cordub.
confelho del-Rei D. Afonfo V. a acção de nomear netes cafos in expoí.
regula: o #
& feu capitão dos Ginetes. Ete não fe funda em dereito,que haja 6.q. 18. }

"-…•••
----+

da.
punft. 2.
• … --•
} •

__ _________


==

I32 "I'm TDA hifona Serafia dos frades


da nofla parte, nem dà occafião
a litígios,nem com ella admini CAPITVL O XXXVII.
tramos pecunia: mas fómente
| he hum puro miniterio,&facto,
| mediante o qual são chamadas Do Imperio na fºfia do Epi
|à fucceísão pelo me{mointitui rito Santo,ê5 outras anti
|dor as pefoas, que nós pera ella guidades, que totão
[]OÍTIC2 II1OS.
(! 0 (0Illlº/lt0.
7 A capella do capitulo
| pertence a os Noronhas, entre
os quaes replandecem por vir I Muitas coufas nota
tude, & prudencia, como etrel ueis,em que teue boa
las fermofas,D.Leão,&feu filho parte a Rainha fanta
-

t). Thomas. Dete nos deu ja Ifabel, fez lugar a velhice deta
húa noticia graue o Licenciado cafa. Hña he a folemnidade do
Iorge Cardofo no primeiro to: Imperio, do qual ella,& feu ma
&º Ianeirº
18 lit.g. modo é Agiologio Lufitano, ef rido,pera celebrar a feta do Ef
plendor das Lufitanas virtudes, pirito Santo,forão os inuentores
& do outro tem promettido fa primeiros. E porque a feu exem
zella quando chegar o feu tem plo o me{mo Imperio fe vía em
po. No terrepleno do coro, on muitas partes,breuemente efcre
1 de muitos fenhores defejàrão fe reuemos as ceremonias delle.
|pultura, veio a alcançalla no an 2 Dia" de Pafchoa pela
a.arch da |
no de 1635. D. Maria de Caí manhaam entra na nofia igreja Gamara da
villa,
tro pera fi, & feu marido defun o que ha de fer Emperador, afi
to, D. Manoel de Menezes, ge tido de dous Reis, & todos acõ
neral das armadas dete reino | panhados da nobreza, & do po
E cauando, pera fe fazer carnei uo,com tres pagens,que lhes tra
ro, forão achados juntos muitos zem tres coroas, húa das quaes
ofos, que deuão fer trazidos da deixou pera ete aéto a me{ma
igreja velha, quando etafe fun Rainha fanta. Efendo primeiro
dou. Etão depofitados agora de oferecidas no altar a o Senhor
tras das cadeiras do me{mo coro dos fenhores, hum religiofo veí
pera a banda do clautro. E, tido em vetes facerdotaes coroa
comito fe acaba a nof com elas a todos tres, que afi
fa commemoração, coroados acompanhão a nofº
que fizemos dos procifão de Chrito refulcita
defuntos. do. No mefmo dia à tarde faie
da igreja do Epirito fanto o dito
Emperador com muitas fetas,
T *
pada,
-- -
,• •

Menores na Prouincia de Portugal. I $3


& trõbetas, grande multidão de 7. ta nas mãos, da qual fica ardê-lo
gente cõ canas verdes nas mãos, húa põra (obre o nofo altar,& o
& dous pagens adiante, hum del mais fe etende pela villa atèche
les com a coroa, o outro com o gar à igreja de nofa Senhora de
eftoque, & tornando a ete nof Trianna. Aqui ordenou a Sãta, q
fo conuento, nelle felhe faz a |toda fe enrolafe pera depois fé
me{ma coroação. O fancritão |gatar nos diuinos oficios,& mif
dâ ramalhetes aos nobres,& el. fas,ficando jacingido todo o cor
les cotumão aqui dançar com po da villacõo fio da fua interce!
duas donzellas de muita honef> são,ajudado por húa parte daEm
tidade,que atitulo de felhes dar peratriz dosanjos,&por outra do
parte do dote pera o feu caíamé Patriarcha dos#### -

to acompanhão o Emperador,& teceo,4abrazãdefe ete pouo em


fechamão fuas damas. Acabada cruelifima
* * *pete,
* * * * * *a
A - - * * me{ma
* * * * * * * cãJea
,; • •

eta feta torna elle à fobredita etédida pelas ruas lhe purificou
igreja, da qual primeiro faio, co o ar corrupto;&delterrou o cóta |
a mefma majetade, onde depois gio. Mashoje,alterada a lua dipo
de oferecer a coroa no altar,pe fição,a cãdea (e reparte pela noí
las mãos d'húfacerdote a recebe fa,&mais igrejas da villa; & a pro
outra vez.Logo feaféta em thro cifsão vai adiãte cõ ela até a cafa
no debaixo de hú docel, & os no do Epirito Sãto, onde logo febé
bres repetindo os feus bailes o ze a carne,&mais o pão,4 no dia
feftejão cortezméte. Erão tantos feguintefe hade gatar novodo. |-

os gatos em etas occafiões,qel. As marauilhas do ceo, q ja nito


Rei D. Manoel os limitou a duas forão vitas, pôde fer q noutra par
frutas,as quaes fe dão a quem fe te as conte eta hitoria. Doutras |
acha prefente. Dete modo con fetas não tratamos, porque não
tinua o Imperio pelos domingos ha nellas correfpondencia com
feguintes antes do dia da feta,& ete nofo conuento, k, arch º #
o vltimo,4por rezão das me{mas 4 Algüas preeminêcias "go côuet.tc ?
fetas entrarem muito pela noite |zou ele antigamente, & outrºs
neceffitana de luzes, ainda hoje | ainda logra,é arguem a muita aº
fe chama o domingº dosfgartos. toridade,çõ áfe fez defde moço
3 Solênizão(e as veperas co a refpeitado.Ouue tempo,em 6 de
procisão, nomeada da candea, da nhúa parrcchia fazia à noite final
| qual tãbé foi autora a me{ma sãta | de Auemarias, fem efperar que
Rainha. Saie do nofo cõuêto cõ começafe o fino de S.Frãeifco.
tºda a põpa,& grandeza do Im A nenhúa damos quarta funeral,
perio,acõpanhando hum homé, & por fentéças etamos defobri
q leua húas madeixas de cerabê gados. Mas deixando
M miudezas,
a pro •

-|-

"*=…msm…mwwwwwwww
*

i
…"

TITTTTTRS7ã EE *-

a procisão geral da feita de Cor


pus Chriftina nota igreja come | cA PITVLo XXXVIII.
ça,& nella vêm acabar.E porque
fe intêtou nouidade, a qual
A -
hoje
5 – r^-- Domonfirações,com que aCafa
terá menos fundamento, o Car
deal D.Henrique, Arcebipo de real, & reino protefiarão.
Lisboa,& Legado à latere, no anº a deuação defe ton
no de 1562. refolueo a cõtrouer uento de Alah
fia sê prejudicar á nofa poÍe, né || |
tambem ao repeito do Clero.E º quer
mandou,4ficando a procisão no
feu foro de fair, & tornar a o cõ I Omo a fua ventura o
uêto, onde fe faz o fermão,húre
ligiofo tire o Sãtifimo Sacramé
C fundação,&
fez cõuento Real por
reforma
to do facrario,& poto na cuto ção,em confequencia difío auião
dia o deixe em o altar. Daqui o tambem de fer grandiofas, &
tomão os clerigos,& leuauão em reaes as luas prerogatiuas. Não
charolla, como agora o leua em he pofuel dar noticia de todas,
fuas mãos o reuerendo Prior da porfer materia larga,mas de húas
igreja de S. Pedro, que he a nof fe colligiràõ as outras. " "
fã parrochia, o qual també o poé 2 El-Rei D. Afonfo III a qué
no mefmo altar,desfeita a procif outros imitárão, no feu tetamé
|são.E logo o dito religiofo,nafor to fe motrou lébrado delle. Sua
ma da prouisão ha de bézer cõ el mulher a Rainha D. Brites, & as
le o pouo,&fechallo no facrario. pefoas Reaes, que ja temos no
Outra procisão te cotu meado,nos edificiosdelle mette
maua fazer dia de Patchoa á tar tão muito do feu grãde cabedal.
de, na qual vinhão a o conuento Quando o Metre d'Auiz, q de
os oficiaes daCamara acõpanhãpois de Rei promoueo a fua refor
do cõ fetas o folar de galinhas,
mação, quiz apartar eta villa da
carneiros, & femelhantes pitan
afeição de Catella, aquife apo
ças,cõ que nos agradecião os fer
zêtou duas,ou tres vezes na cópa
mões da quarefma em todas as nhia dos frades,cujas orações jul
fetas feiras. E ainda que jaito |
gaua por importantes, & aqui
|fe cõmutou noutra efmola,fem tambem fe fizerão os concertos.
pre os tempos antigos, nos quaes A RainhaD.Leonor,mulher del
foi adeuação mais fincera, Rei D.Duarte, fendo fenhora da
merecem fer vene villa, lhe fez e{mola perpetua |
rados. dhüajugada em cada anno, on
de nós a efcolhermos, que faõ
OS
-- - - -
---- —T===T=

AMenores na Prouincia de Portugal. 135


os dereitos reaes das nouidades, Carnota,acabou a romaria. Afi
que pagão os lauradores do ter andauão etes Reis pelas ca

mo;a qual mercè foi depois mui


tas vezes confirmada.El-Rei D.
fas francifcanss , de que erão
particulares deuotos, alleuiando
|
Afonfo V.lhe concedeo liberda titezas,& fentimétos,nas quaes ••

de de pefcar no rio, quando lhe tambem deixauão perpetuada a


forneceffario, peta futento dos fua magníficencia, como foi em
fãos,ou regalo desenfermos.Deu eta de Alanquer,onde a me{ma }
lhe també priuilegio pera cortar Rainha libertou de fintas,& en
quãta lenha ouuer miter,na fua cargos do concelho o oleiro, q
mata de Ota.E dãdo ele a rezão nos der louça,& o guardião pera
detes fauores,declarou q o cõuê ifo nomear.
to era feu. Diuertido o trazião os 4 Da Rainha D. Catharina
cuidados da viagé, q fez a Fran ficou infigne memoria do anno
ça, com intento de melhorar a de 1 569.em q fugindo da pete,
fortuna: mas nem ainda então 4 ardia em Lisboa, fe recolheo
fe efqueceo de deixar defembar neta villa. Tomou cazas vizi
gado hum refiduo, afi pera as nhas a o cõuento pera ficar mais
fuas obras,como da caía das Vir fegura à fombra de S. Francifco,
tudes. - - - |-
dõde com tanto cuidado prouia
1 - 3 . Quándo a terra os feria a nofía cõmunidade, como a fua
• • |- . . A

cõ maiores fentimentos,aqui vi familia. Vinha ouuir na nofia


nhão eles bufcar a cófolação, & | igreja mifía cõ húa mantilha pe
alliuio do ceo. Pelo que magoa los hôbros (tal era aquelle tépo,
dos cõ excefo,muito igual à re alheo de vaidades) & depois má- |
zão, el-ReiD.Ioão II.& aRainha daua chamar os frades pera cõ
fua mulher D. Leonor pela mor uerfar cõ elles, & pera fe infor
te defgraciada do Principe feu mar de fuas necefidades. Nefte

filho, da queda de hú cauallo no tempo fez mercè a o cõuento de


a. Resêde
na chrom, | campo de Santarem: "ella, vifi tres peças dignas de fua grande
do me{mo tãao de caminho nofa Senhora za. A primeira, húa reliquia do
Reic 135
& 17o.
das Virtudes,nete cõuétoeteue fanto Lenho da Cruz, poíta em
mais deuagar confolandofe com | outra de prata guarnecida de ru
Deos,atê q, pera mais feretiraré, ||bijs. A fegunda,hum fio groflo

ia leuou el-Rei pera o outro con |ido cordão de N. P.S. Francifco,


uento,chamado de CZaratºjo. E a numa colúna de chrytal, enca
|
|doecédo elle,quando depois cô toada em prata. A terceira,hüa |-*

prio o voto de vir a pé a S. Anto cruz tambem de prata,que ferue |


nio da Catanheira, em S.Fran nas procisões; & foi muito en •

cifco d'Alanquer, pafando pela "graçada a rezão, porque a deu. •


|-

M 2 Tinha •

*=#=N=>++++++++++++>++>+++ Ewe->* •••••,


\,

T 136
Lurº I. Da hi/toria Serafica dos7.
Tinha o fancriitão bum etor de caridade.Fazemos porem me
| ninho,que enfinou a falar, & di moria de quem quiz perpetuar
zendo ella que o defejaua ver, depois da morte a, que tinha
porque lho gabauão muito, de exercitado na vida. He hum del
• *-

|nouo o enfinou a pedir húa cruz les Martim Lopes Alcoforado,o


pera os frades, & com etas liçõ qual agazalhando fempre em a
es lho leuou á fua cafa. Ele as villa da Arruda cõ grande amor
repetio de maneira, que a Rai os frades d'Alanquer, & da Car
nha feftejando eta graça, deu a nota, deixou por morte a fua ca
cruz,& tomou o etorninho. fa pera hopicio delles. Outro
5 A deuação,4 (e tem a ete foi no lugar dos Cadafaes,ja ne
fanto conuento, em particular na ta noffa idade, o padre Andre
villa, & no feu termo, excede a Fialho, que executou eta mef.
liberdade da mais larga eloquen ma piedade. Cujas almas, por
cia, & com eta confiÍsão, ainda obras tão virtuofas, queira Deos
qtão geral, declaramos o muito ter recolhido nas fuas eternas |
que fe póde prefumir d'htia grã moradas. Amen- -

• } -

RELAC. Ao Do convENTo |-

de São Francifco de Gui-º" • • • •



maraés.

* * - - 1

CAPITVLo xxxx. fanto frei Zacharias começou o


cõuento d'Alãquer, dõde agora
faímos ,deu principio a outro na |
Tucão/e as excelencias d'En
tre Douro,& Minho, on vila de Guimaraés feu cópanhei
ro S.Gualter. Età fittuada eta
de Guimarais re villa quafi no meio da prouincia
colheo a São d'Entre Douro,& Minho, a qual |
|Deos pela bõdade do clima,brã
Gualter dura dos ares,fertilidade da terra |
é criar dobrados fruitos,&por ou |
I NA "\[ O mefmo anno de tros muitostitulosfezPrinceza de
j mil, & duzentos, & prouincias. Qué notar a freícura
dezefeis, em que o
ambiciofa das aruores,qèlaçadas
c :

— _-
an
AMenores na Prouincia de Portugal. 137
entre fi,como arcos triunfaes, cõ zes lançou neles a virtude, q de
o fruito alegrão os lauradores,& | nenhüa outra parte detenofo
coa fombra deleitão os caminhã Portugal tem recolhido o ceo
tes.Quem cõtar no feu ditricto, | tanto numero de fantos, como
o qual quando muito tem doze | defte terrão fertil de toda a fan
legoas de largo,& dezoito de cõ tidade.
prido,pelo menos vinte,&finquo 3 Edícurando naquellas }
mil fontes: quê aduertir nos ou prerogatiuas, á tocão no me{mo
tros dotes, cõ q a enriqueceo o reino,deta terra tão piquena fai
Autor da natureza,alé das minas rão os primeiros, & os melhores
de ouro,& de prata,á os paflados foldados, q nascõquitas lhe fabri
logràrão; terà rezão pera dizer, càrão o fceptro. A cidade do Por
como ja muitos diferão, qnete to,chamada dos antigos Portuca
retrato do paraifo terreno etão le,lhe cõmunicou o nome de Por
os campos Elyfios, celebrados da tugal. A villa de Guimaraés lhe of #
nofía antiguidade. : : fereceo o berço pera nafcer, & |
2 E parece q, repartindo a criar{e o nofo primeitoRei.E fi
terra toda pelos homês o podero nalméte dos feus mótes,&dos fe
fo Senhor quiz deixar pera fief usvalles correo o sãgue illutre,
te pedaço,como herdade do ceo. é també nos outros reinos e tra
Porque a primeira prouincia do nhos hõrou a muitas familias, cu
ntido,depois de Iudea,Galilea.& }- jos folaresãrigos (e cófetuão atè
Samaria,onde mãdou promulgar hoje em algüas torres velhas, &
a.Monarc.
afua lei euágelica, "foieta felicif nobres quintas,6 por etaré offê
#Lufit. P.*. fima comarcaja qual da bocea de didas das injurias do tépo não dei
l. y.c.3. i Sant-Iago Maior, ouuio o fagra xão de fer'muito hõradas memo
Faria no
epithom, do euãgelho,& na cidade de Bra rias do natural replaador. Dete
P.
**C. 21.
g deu afetoäcadeira primacial põto da nobreza temos grãde tef
de Hefpanha,á ele intituío. Pe temunho" numa carta, q el-Rei 4. arch.dal:
Camara do}
ira as fuas igrejas referuou a ma D.Fernãdo efereueo deSãtaré ao
+ Porto.

#ior parte das rendas,& pera o feu | Porto em os 3. dias de Julho, da


feruiço leuãtou tãCosmoteiros, | era de 14o 6 que foi o anno de
4fendo dantes perto de cento & Chrito 1368.na qual diz á lhe
quaréta, ainda hoje he grandea | confirma alguns dos feus priuile -

multidão,na qual entra cóvinte gios, guard㺠comº em ja comarca


&finguo cafas a monarchia fera auia, %ha amaurparte dos fidalgº do
fica. As parrochias baptifma.es | meufenhorio:E vitas as fobreditas
paísão de mil&quatrocentas, a rezões, muita teue quê fez etã.
piedade chritaam parece nos par no fim do KalédarioGregoria
moradores natiua,&ltão altas rai no perpetuo húa aruore, coroada
M 3 pelo
|- 1 }8 Lurº 1. Da hi/toria Serafica dos frades
| pelo modo de rainha,& Illultra
| da do Sol, entre as correntes dos C A PITV L O XXXX.
dous rios, Douro,& Minho,com
eta letra à roda...%édia in ºtreque Onde fundou são Gualter o feu
gaudet virtus. Por quanto ou Íe conuento, & da caridade
ja a virtude natural de produzir,
ou a moral de proceder, na terra com que os religio/os
d'Entre Douro,& Minho ambas feruião nos buf
| tem o principado com particu
lar affittencia do ceo. . pitats.
4. No coração deta prouin
cia, que he a villa de Guimaraés, I As raizes d'húa ferra,
entrou o fanto frei Gualter pera chamada de fanta Catha
roubar os corações dos vizinhos, • rina, á vita de Guima
c.flift.ec
clefiaft de
Etauão ja º detafombrados do raés pela banda do Sulfe leuan
Braga.p.: trabalho, em que os aulão poto ta hum oitero, muito frefco, &
C. 2 I.
as contendas do Arcebifpo de alegre,como são todos os outros
Braga, D.Eteuão Soares da Syl á roda por rezão dos aruoredos,
ua,com os conigos da fua infig | que os vetem. Entre as fontes,
ne Collegiada; & afio clero,co de que fe acha regado, nafce húa
|mo o pouo, todos tiuerão lugar quafi meio quarto de legoa da
pera receberem com mais goto villa, a qual merecendo nome
a efte feruo de Deos. Vião nelle celebre pela bondade, & abun
que defe modo andaua, defcal dancia da agua, hoje fechama
ço, mortificado, & pobre, N.P.S. fonte/anta,ou fonte de São Gualter, a
Francifco quando na fua me{ma repeito das infignes marauilhas,
villa refufcitou a defunta, & affi que Deos tem obrado nella por
em fuas almas, quanto mais em fua intercefsão. Pera eta parte
|fuas caías, o querião recolher. fe retirou o me{mo Santo com |
Mas logo (obre o fittio, onde (e- feu companheiro naqueles pri
ria o conuento,fe moueogrande meiros dias,ordenãdo hüas chou
quetão, porque elles querião lo panas de ramos,como de homés |
grar de perto feus exemplos, & | paflageiros, que caminhauão da |
doutrina, & o Santo defejaua re terra pera o ceo. Comião das ef.
tirarte de concurtos;&em quan molas, com que vinhão vifital
to não fetomaua aflento, foi def. los os deuotos fem elles as procu |
cançar do caminho em hum rarem,& aproueitandofe da fon
lugar folitario, confor- ** : te,della bebião, & nella lauauão i
, , , me a feude- → , , as fuas tunicas em húa pia de pe
: … º fejo. cl; …
dra, a qualfe achou ha poucos
… */ 2 []- "
--FT
Menores na Prouincia de Portugal. I 39 }

annos, & ferue agora na me{ma!! de Miranda, outros, feita por -

fonte de tanque medicinal, on Fernão de Sela aos 16 de Iulho


de muitos enfermos febanhãrão, do anno de 1448. da qual cóta | •!

& alcançàrão faude. .. … como a herdade, chamada de |


2 Nete tempo {aio a refo Zorreirós, que entrou netas par
lução dos moradores da villa, a tilhas, & confinaco a fonte, foi |
qual foi que nem elle ficafetão demarcada pelas palauras feguin | }
longe como queria, nem o obri tes. Parte aº comº vai afehe de or
gafiem a fundar tão perto como redor do caminho taº ribeiro, que fe co
elles defejanão: mas que o con megafºb a dita febe, Gr/eva por hia
uento fe fizeffe mais abaixo pe fundo caminha dº pombal, que chamão
ra a parte da villa, quafi em dif. |desão Francife º velho. Donde fe
tancia igual entre ella, & a fon |ve, fer fundado o cõuento mui
ia na •
te. E pôde fer que Guimaraés fe to abaixo da fonte, cuja agua re
le S.
|

queixe agora muito de º auer colhe em fio (obredito ribei


ing
4-C- quem efereneffe, que pelo tratar ro. Teue affento num campo, o |
à }. com menos mimo do que tratã qual agora confronta por todas
ra depois a outros religiofos, o as quatro partes co a quinta de |
deixou ficar no campo, & a elles Villa-verde, campo, & deueza |
recolheo perto dos muros. Por do Minhoto,campo chamado dº
que a verdade he, que o Santo Cauallinha, & com o caminho pu
procurou a folidão,onde teue ca blico, que vai da fonte do Amor
fa propria; & os outros etiuerão pela porta da quinta do Aluim,
muitos annos,de empretimo nú no qual parece que ficana a en
|hofpital, como hopedes, até fa trada do conuento. Aqui numa
|zerem conuento. Pera o nofo eminencia feve ainda á dor da
nos derão logo hum campo, cu terra hum pedaço de parede, &
jo fittio, depois de fuas mudan noutras partes vizinhas defentra
ças, era pouco conhecido, cuí nha o arado alguns tijelds,& Pe:
dando alguns que fora junto da dras: argumentos claros de anti
fonte, contra as confrontações, go.edificio. Depois que nàs. O
que por maior afinárão o padre deixamos na mudança pera a vil
ºs 196, Gonzaga, º & o conigo? Eta la os feculares,a quem ficou efte
º tºp 19.
Ço. - , . . … keti co.
campo, fizerão hum pombalnel
* , "; •

3 Fazendo nós diligencia,o le, que por rezão do conuento e


licenciado Antonio da Cota de chamaua de são Francº antha. E
Miranda,natural da me{ma villa, | no anno de 1476, pafou coras
&digno deta memoria por fia | outras cafas, juntas, por doação
erudição, nos moltrou húa carta |d'Aluaro Gomes, & defua mu
de partilhas entre Gil Lourenço |lher Ifabel Mendes, à confraria
M 4 GOS ·

T
→ma

I4O Liuro I. Da bifuria Serafia dos fradas


dos lapateitos, em cujo archino hüa fama contufa, que nos agora
fe guarda a efcritura. Nòs dêmos não podemos explicar.
etas noticias, pera que não fe a Só a grande caridade, cõ
cabe totalmente a memoria d'hü que aquelles béditos Padres fer
dos folares, que teue a nofa Re uião a os enfermos da villa,ficou
ligião nete reino. liure detas treuas,porque foi cõ
4 Sinquoenta & finquo an tinuando ainda depois das mu
nos etiuerão da primeira vez, & danças do cõuento,que veremos
depois ainda etiuerão algum té adiante.Todos os hofpitaes eta
po, os nofos religiofos nefte cõ uão à fua cõta, não pera os gouer
uentinho fanto, & noutros tãtos narem,mas pera feruirem nelles
de filencio nos condemna a falta a os pobres do Senhor. Varrião
de informações daquella lua pri as fuas enfermarias, fazião as ca
mauera. Mas parecenos que,affi mas,curauão as fuas chagas,tem
como a villa deu o fittio, també perauão o comer, affitindolhes
promoueo as obras,as quaes não em tudo,o que era necefario,de
erão de cuto pela grande humil limpeza, & de regalo.E comito
dade,& pobreza, com que então facilitauão tambem a cura de fu
fe fazião as moradas francifca as almas, da qual mais folicitos
nas. Conforme á fantidade, que tratauão,confolando, & confor
vimos em Alanquer, auemos tã tando com amorofas palauras no
bem de medir a deta cafa,onde fofrimento das doenças a etes
são Gualter no me{mo tempo me{mos enfermos, & adminitrã
traçou os feus edificios,material, dolhes pelos fantos facramentos
& efpiritual:onde foi o primeiro as medicinas do ceo,fem nunqua |
guardião: onde enfimou as mate defempararé os mortos atè lhes
rias da regular difciplina; & on fer dada fepultura. Vierão contu
de viuo, & morto replandeceo do a fertantos os encargos deta
por milagres. Aqui floreceo tam fua caridade pelo difcurto do tê
bem com fama de fantidade o po,que necefitárão de coadjuto
companheiro, que trouxera de resnella, os quaes forão, como |
Italia: aquife criarão muitos va ainda diremos, os nofos irmãos
rões apotolicos, quaes cotuma Terceiros.E em quanto ogouer
ua no principio fazer a nofia Or no dos hofpitaes não fedipoz,
dem ferafica; & aquife experi noutra forma,nunqua nós
mentárão muitos fauores do ceo - º da nofa parte fal- … …
em remedio de fuas necefida- } > " " …r: tâUnOS....

:4
+ - •

des. Mas o tempo, quefe prezal .. . . . . * . *.


-
-
- -
-
-
* ** ** * *

• 2•
* • • •

-
• • • • •

• • • ••

de gatar a fubtancia, & memo •• • • •


-

-
• - |- - 4.

ria de tudo, não perdoou fenão a || * i , ! * ** *

+
|-
;

44enores na Prouincia de Portugal. {|


-

141
tado,o qual he de paflageiros pe
C A PITV L O XXXXI. la terra pera o reino da gloria.
Foi feita a doação pelo juiz Mem
Martins, & por todo o concelho
Da primeira mudança do a 23 de Nouèbro,anno de Chri
conuento pera humhºf to 1271. etando tambem pre
fentes o alcaide mòr Pero Ro
pitaljunto da drigues, Fernão Gonçalues Ca
}+
villa. dilho, & outros muitos homens |
bons, como então fe chamauão
I Oi entendendo Guima os honrados. E pera que nunqua
F
-
raés quanto melhor lhe fofe reuogada, o tabellião Vi
etaua a vizinhança do cent'Eannes inferio na efcritura
conuento, que a ditancia delle, notabilifimas penas contra qué
|| & afife refolueo em o trazer pe a encontrafe. Na me{ma ma
ra perto dos feus muros, donde nhaam antes da hora de terça de],
os religiofos mais facilmente a rão poffe a o dito guardião: po
codifiem às obrigações da cari rèm elle,que etaua magoado das
dade chriftaam. Ete foi o moti importunas opprefsões, que o
uo da mudança, & não por fer| Deão de Braga,por nome Fernam
doentio o lugar,onde etauamos, d'Eannes, fazia a o conuento, ap
º Gonzag. como "alguns por erradas infor pelou logo ante omnia: pera o
pag.797. SummoPontifice dos grauames,
F.Luc. an. mações efcreuerão ; porque na
12 17, n.2 5
verdade era frefco,& fadio, qua que de nouo lhe intétaffe fazer,
es são todos netas partes. Pelo ou á os feus bemfeitores, ou co
que, etando dete acordo ano adjutores nas obras, & na mu
breza, & o pouo, mandârão cha dança. …" .
mar à Camara o guardião frei 2 Etaua o hoípital junto
Miguel, & ahi lhe fizerão doa da villa,juxta villam, como diz o
ção d'hum hofpital, por outro auto da dita pode,à roda dos mu
nome Albergaria,no qualife reco ros della, circa murum ville con
lhião os pobres, que paflauão de forme à doação, prºpe portam,que
| caminho, & por fer adminitra vocatur de turre veteri, & perto da
| do pelo gouerno da villa fecha fua porta, chamada da torre velha.
| maua o ho/pital do concelho. E pare Etes muros erão aquelles anti
ce que em premio da nofa cari gos, que el-Rei D.Dinys mãdou
dade exercitada cos pobres, & | depois renouar, & D.Ioão I. for
| enfermos dos fobreditos hofpi. tificou com torres nouas, das |
taes, nos concedeo o ceo ete, quaes a que fuccedeo à outra, %
muito proprio do nofo fanto ef. fe chamaua a velha, ainda tem
efte
→=

142 Lurº I Dã hi/toria Serafã Zrfadº"


ete nome;& no alto oftenta húa procifsão, co a me{ma tolemni
| imagem de N.P.S. Francifco,ef. dade, & fetas os trouxerão pera
cudo mais fauorauel pera defen o feu hofpital. A entrada delle,
b.z.Reg.5 faõ da villa,do que erão" as figu & diante de todos lhe derão fe
v.6.
Rabbi Sa ras d’aquelles cegos & mancos, gunda poffe, fem auer quem re
lom. das quaes os lebufeus confiauão | plicafe, da qual fe aproueitárão,
Lyra,& A
bul.q.7. o emparo dos feus muros. Aqui tangendo logo o fino, cantando
| em húa planicie ficaua o holpi mifa,& prêgando. Do que tudo
| tal,pouco afima do fittio, onde fez hum auto o tabellião Vi
| agora etamos. E nete me{mo cent Eannes. Entre infinidade |
|lugar fe vai edificãdo outro mais de gente, que fe achou nefte ac
rico,& {umptuofo, que intituio, to, etauão tambem prefentes,
& fubordinou a o conuento na applaudindoo alegres, muitos
|forma,que adiante diremos,hum clerigos da terra, & com elles
|e[pecial deuoto do dito fantoPa Afont-Eannes, thefoureiro,Ete
triarcha; pera que o mundo aca uão Pires,& Vicent-Eannes,que
|be de entender, como não he efereuia os nofos requerimen
perdido o que fegata com elle, tos, conigos da infigne, & reál
pois em retorno d'hum hofpi Collegiada, dos quaes todos fa
tal, que nos deu a villa de Gui zemos eta menção, porque co
maraés, lhe tornamos a dar ou mo de là fe ergueo a tempeta
tro em tudo mais auentajado. de, que daqui nos lançou fóra,
3 Apertou a villa co guar alleulamos o fentimento faben
dião, que aproueitandofe da fua do que não concorrerão todos
boa vontade trouxefe logo os na noffa tribulação. A villa,
# frades,& que eta tranfmigração que nem com efte beneficio fe
",
fe fizefe tambem dahi a dous daua por fatisfeita, dahi a qua
dias, 25 de Nouembro,no de S. tro dias nos fez outra doação
Catharina, virgem & martyr, das herdades, & fazendas per
merecedora pelo que º temos no tencentes a o me{mo hof |
*Cap.4.
tado de lhe dar eta prouincia o pital, pera que fe def
foro de Padroeira. Chegado po pende{{em nas
is efte dia, a clerizia, & camara, nofias vtili
a nobreza,& o pouo, todos jun , dades.
tos pela voz do poderofo Senhor,
em cuja mão etão nofos cora
ções,fairão em procifsão com al
uoroço da villa pera o conuento
velho,onde os frades etauão, &
mettendo os configo neta fua
4Menoresha Prouintia de Portugal. 143 |

|
, zião intoleraueis aggrauos. Nem
CAPITv Lo xxxxII | ouue outro remedio, fe por ven
- -
,, . " ()
-

tura batou, que expedir duas |


Comº largamoso hºjital, G| bulas o Papa Gregorio IX, a os
6.dias de Agoto de 1238. pe #
nos tornamos a o primeiro |i|las quaes encommendou a o Bif. |
conuento apertadas de e |po, Deão,& Metr-efcola da fan
muitas per/gui- …, … |ta Sè de Ourenfe, que elles nos
\)
•emparafem, & a nofos bemfei.
- -

|
, fºi º 3 *** : -2 | tores. Começa húa das bullas,
,…}} },
fub religionis habituta outra,arbitran-} |
I Stando nós cófolados, ies indgnum. Não dizemos, que |

& quietos hete nouo etes atreuimentos corrião em |

domicilio, & a villa |Guimaraés, nem as bullas o de


" – •

mais contente co a noflavizi clarão: fenão, que o fogo da nof


nhança, leuantou o inimigo có fa tribulação andana mui ateado
mum húa tormenta tão forte, q no ditriéta Bracharenfe, & nós
nos foi neceffario deixallo,&tor muito callejados em padecer, &
nar a pouoar o antigo. Com al fofrer. Poto que o Papa Alexan
güa repugnancia efcreuemos ef dre IV. aos 9. de Dezembro do
te cafo, & as fuas dependencias: anno de 1258. (e queixou tam
mas pertence á verdade da hif bem do clero da me{ma villa,por
toria, & he juto que quem vir que com pretexto da quarta fu.
tantos applaufos comuertidos em neral nos leuauão ametáde dos
aggrauos, conheça a caufa del legados, que os de funtos deixa
les,pera que fobre trabalhos não uão em tetamento, obrigando a
nos impute por culpa as dema os feus executores co a epada da
zias alheas. - - Igreja por céluras, & pelo braço
2. Foi todo o fundamento, fecular com violencias; a o que
aquelle me{mo motiuo , cõ que fefeguia outro aggrauo maior,
ja em outras occafiões nos auião como era priuallos dos facramen
moletado na diecefe de Braga, tos em quanto não lha pagauão,
onde as coufas chegàrão a tal e{- ou não oferecião caução. E affi
tâdo, que não tinhão liberdade, cortado do fentimento remetteo
nem os frades pera pedirem ef. a o Deão de Lamego húa bulla,
mola, nem os deuotos pera aco cujo principio he, 44 nofiram no
direm a fuas necefidades. Huns, ueris, pera que os obriga se a
outrosafrõtados
& ainda aflictos,
ifomodo
erão por: de defitir da opprefsão,que nos da
que juão. • •

lhes furtauão as efmolas,& fefa-' ' 3 Não erão naquele tempo •

—-_-
-

– ***
tão }
••• •
I44 LZIDK Ta Serafia dos frades |

a Efaço tão "grofias, como sao hoje, as rimaz, D.Martinho" Giraldes, b.Hift.ec.
Q.35. cleiafi de
prebendas da real Collegiada, % | que faleceo em Viterbo,o qual Braga.p.1.
excedem a algüas Cathedraes.E ja em ordem a eta noísa mudam c3 I • }

como co a nefa vizinhança ef ça, que elle fauorecia, nos tinha


| pertou mais a deuação dete por dado as pedras d'hum edificio
uo que naturalmente nos era af velho pera fazer o Conuento; &
feiçoado,forãofe perfuadindo al o Deão, que queria impedillo,
guns dos reuerendos conigos, ánão fómente nos tomou as ditas
as nofas efmolas defraudauão | pedras, mas també dos quizlan
feus benefíes, & por ventura,co çar por força do hofpital.
mo pobres, vierão a reparar nas 4 Chouetão no me{mo põ
pouquidades, que liuremente fe to tantos trabalhos (obre nós, &
dadão a são Francifco. Que na lfobre a villa, que não fe pódem
verdade he tanta agora a dife dizer. Atropellou o dereito na
rença no reuerendo cabido, em tural,& fem receber appellação,
particular, & em commum, que nem aggrauo,foi procedendo ex
alem de nos amar, & honrar,paf abrupto fóra dos limites de fua ju
lfa de liberal muitas vezes em rifdição. Fulminou contra os fra
defpenderfuas rendas nas nofas des centuras,fendo que erão izé
necefidades.E as nuuens,que po tos: contrangia os feculares,que
derão efcurecer o paflado, não não nos de sem efmola, nem aju
fazem offenía à claridade prefen da pera as obras: apertaua cos
te, antes lhe dão certa graça co oficiaes, que não trabalhaísem
as fombras de fua efcuridão.Mas nellas, & fe algüa pedra chegaua
tratando do que foi, não do que a leuantarfe, logo era derribada,
he,recorrerão ao Deão da Sè de mouendo ele quantas podião
Braga, o qual temos nomeado, feruir pera noísa expulfaõ. Poz
fem elle nos merecer que lhe fai emfim ete negocio em termos
bamos o nome, pera que com o delefperados, & taes, que compa
poder de fuperior em Sèvagan decidos da noísa períeguição, &
te nos deterrafe da villa. E da fentimento do pouo o mefmo
quife receaua o guardião, quan juiz, & camara, que com tanto
do logo no tempo da doação ap goto tinhão dado o hopital,nos
pelou dos grauames, & molef vierão pedir que o larga(semes
tias, que elle, ou outra qualquer atè paísar a tormenta, eu el-Rei
pefoa, occafone eccle/fe/antie.htaria com o poder do feu braço nos
Vímaramen/s, a refpeito da Igreja conferuar na poíse delle. E os
de fanta Maria de Guimaraés lhe frades, queja etauão cançados
intentaffe fazer. Eteue a nofsa de fofrer tantas moletias, por
de{graça em faltar o Arcebipo grangearem tambem a quieta
Ç3O,
ir
____ *--
**…

44enores na Prouncia de Portugal. —14)


ção da villa, com etas condi tro de Portugal, fe motrou tão |
ções fe fairão pera o feu con ofendido , que nos mandou lo
uentinho. Mas de tudo (e fez go repor donde nos tinhão lan
auto pelo tabelião Vicent-E- çado . Mas não temos efcrituº
annes aos 3. do mez de Maio, ras, das quaes conte quando,
da era 131 o na qual corria o an nem como nós tornamos pera
no 1272. Donde conta, que o nofo hoÍpital: poto que fem
não etiuemos delta vez dous preferia com maior folemnida- }
annos no hofpital, como ef de,do que na primeira vez, triun
*pag. 797. creue º Gonzaga , fenão fó fando dos trabalhos,& contradi
finquo mezes, & noue dias, ções pafladas. E por húa doa
os mais delles calamitofos, & | ção de D. Alda, a qual a os 6
triftes. |-
de Iunho, do anno de 1 274.
/ nos fez efmola d'húas cafas, ad |
ve
CAPITV Lo XXXXIII |confirusionem ºperts,$r monºfierij
|firl,pera as obras do conuento, 4.
andauão entre mãos, parece que |
Tornamos a fazer contento ja os frades nefe tempo etauão
retituidos.
no hº/pital com efecia 2. Mas não faltauão embar
esfaures do Arte |gos, que retardafiem a obra, &
bifo de Braga,&# pera os desfazerem acodião os
da vila deGui guardiães a Lisboa, onde etaua
|el-Rei, que nos tinha recebido.
maračs. " ** * * debaixo do feu emparo. Elàfe |
* * * | achou no anno de 1277, aquel
T Vito mal fe recebe lefrei Domingos Migueis, que
rão etas extorsões fem temer prejudicar a os feus
requerimentos, º affitio nos que a Monarc || ;
no reino, & os me{- Lufit. p. 4
mos ecclefiaticos, com cuja vti fez a ete proprio Rei por par 1 * #c42. | •

lidade feus autores as querião te da fanta Sé apotolica o nof


palliar,etaulo da nofía parte.Foi fo frei Nicolao , inuiado por |
hum delles Martim Eannes, Rei feu Nuncio. Affi fomos naue
tor da igreja de são Cofmo da |gando pouco & pouco contra a
Lobeira, o qual no proprio anno força da agua, ajudados d'algum
nos deu húa almoinha junto da vento, atè que Deos foi feruido |
fonte da Cuba, que agora età de prouer na primazia de Bra
incorporada na cerca dos padres ga outro frade francifcano,
de são Domingos. E el-Rei D. | que fe chamou Zamfiei Telo, o
| Afonfo III, que lograua o fcep qual emendando os excefos do
N TDção | –== }
—=
=Try
- -
---- - "…
- -- - -
146 Lar TDã bifioria Serafica dosfiadas –=

Deão embainhou a fua efpada Fernando, que depois de aflitir |


das centuras, & abrio em nofo a eta pedra no anno, que nòs
fauor os thefouros da Igreja. lhe damos, º era falecido ja no aen sidou
la anti
Erão ja dezefete dias de Março de 1 286. & Dom Ioão Fernan uedad ui.
de

do anno de 1281. & a nota igre des Sottomaior,o qual gouerna


ja etaua por começar, como fe ua no anno, que Etaço apon
ve da prouisão, que nete dia tou. Os embargos, que alegou
pafou, concedendo quarenta o cabido, erão fundados em que
| de indulgencia a os fieis, que a nofía Igreja impedia a fua ter
co as fuas efmolas, ou trabalho uentia d'húa herdade, ou quin
ajudafiem eta obra, ou trouxef ta; & poto que veio refcrip
fem co feu carro a madeira, & a to do Papa Martinho Quanto,
pedra. não fe procedeo contra nós por
3 Veio depois a Guimaraés elle.
em pefoa, & na era de 132o. 6 4. . Ficando correntes as o
foi o anno de Chrifto de 1282. bras co a benção do Arcebifpo
a 22.de Feuereiro lançou a pri primaz, forão infinitas as efmo.
meira pedra com grande celebri las, que pera ellas federão,affi pe
dade nete venerauel templo. la grande deuação do pouo de
Etauão tambem prefentes oEif. Guimaraés, que nete particular
po D. Fernando, & o Metre ef. faz ventagem a cidades populo
chola D.Ioão Fernandes,ambos fas: como tambem por repeito
da antiga Sè de Tui: Dom Do do padre frei Affõío Rodrigues,
mingos Eteues Arcediago de neto del-Rei Dom Sancho I. o
Braga, Dom Pero Nunes Prior qual foi nete tempo alguns an
de são Torcade,o Dom Prior de nos guardião: Huns deixauão
Ròrís, & outros ecclefiaticos, & etender por fuas catas o con
feculares de muita autoridade. uento: outros no me{mo fittio,
Tudo ito relata a efcritura dos & fóra delle offerecíão herda.
embargos,com que veio o reue des: muitos pagauão os jornaes:
rendo Cabido,a qual nós vimos outros trabalhauão em pefloa,
de vagar no feu archiuo; &fe o ou ajuntauão as achegas. De mo
conigo Gafpar Etaço a lera com do, que fobre cafas, & terras,
4 cap. 29.
artenção, não viera a dizer º que que nos deu a piedade chrif
ete acto fe fez no âno de 129 o taam, aflentamos toda a planta
nem déra occafião pera cuidar do conuento, & lançamos hüa
c. p. 2.C. 39 o “ autor da hitoria eccle - cerca muito larga até o rio de
fatica de Braga , que nefte Couros, deixando na outra ban
tempo auia em Tui dous Bif da a quinta, que fechama a Xa. ]
pos: a faber, o fobredito Dom mada, & tambem nos pertencia.
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AAenores na Prancia de *Fortugal. : 147 |


E parece,que com eta extenfaõ, belione Vimaramen/, como diz a ef
ia Deos preparando ja o fittio critura,& renunciando efte a fua
do terceiro conuento, onde a vida em nofo fauor cõ outro Gi
gora etamos, cuja fábrica foi raldo Dias, o reuerendo Cabido |
caufa de ficar liure fóra da nofº a todo mez de Setembro do an |
fã claufura, quanto vai d'hum no de 1285. dimittio o dereito |
edificio a outro, que he muito. fenhorio,& duas vezes pera ma
E demais dito, na cerca, que, ior fegurança nos mandou met-|
nos ficou, feleuantarão as caías, ter depoffe por dous dos feus ca
que da nota parte etão na rua pitulares na pefoa do nofo pro
de Couros, , , , , , , , | |curador, MetreDomingos, Árce |
| 5…, Netas doações da fazenda |diago de Braga º *, ,* … •

* * * * * *
|-

de raiz entrarão muitas pefoas * * * * ** **


* * . . . . . . . . .
de diferentes etados, porque to CAPITV LO XXXXIV. | ...
: : : -", . * * * * * *
dos concorrião na nofia confola e ". … -
-

,
••

e o , …
ção. O D.Abbade do moteiro |
de Põbeiro, côfirmando húá del
Defruido efe figundo conuen
las como dereiro Senhorio:Lou tºfundamºs º terreirº"utra
renç=Eannes d'Vigeles, fidalgo | parte 00hl. grandes ajudas
mui conhecido: D.Maria Rodri do braçº real, &#ca- ,
gues,filha de D. Rui Fafes: duas|| |
freiras de Arouca;& húa grande || … . ridade thrif- |
multidão de gente mais ordina-||
ria,cujosnomes,q nòs ainda acha || | " ., . . .. " l

mos nas efcrituras, de crer he, é || 1 A MAs ete conuento,fun |


Deos os té afétados em o feu li |- }\/| dado no hepital,que | •

uro da vida. Ajudarãonos també """ tãtas tribulações nos


os Bifpos do Porto, D.Vicéte,& |cutou, tantas depezas dos fe
feu fucceffor D. Sancho Pires. culares deuotos, tantas indul |-|-

Mas séfazermosaggrauo atão grã gencias do the{ouro da Igreja: |


des béfeitores,o fauor,qnòs sépre abendiçoado pelo Primaz de |
fobre todos etimamos,foi húdo Helpanha, fauorecido dos Reis, |
reuerendo Cabido, o qual gotã & defejado do pouo de Guima
do ja do cõuento, pretendeo ter raés, quando maior permanen |-

parte nelle, que affi vai Deos mu cia nos etaua promettendo, en {
dando muitas vezes as vontades: tão o vimos todo lançado por |
Pertencialhe o prazo de húa fa terra,humilhando hum defatino | |-

zenda boa,que trazia o dito co alheo etasúptuofa machina. Foi |


nigo, & tabellião Vicent-Ean o cafo, que o Infante D. Afon | |-•|-|-

nes, Vincentio Ioanne canonico,(ºrta fo (chamarfehia hoje Principe)"


** N2 rebel
|-

- - - --> --- *** - - -- - ----•••••• •


# 148 Luro I. Da hi/toria Serafita 7; -
*

rebellando contra feu pae Dom tigos, & as muitas confianças |


Dinys, tambem alterou o reino, dos modernos. Aquelles defaf |
combatendo alguns lugares, que | fombrauão os poñós de edificies
pretendia fazer da lua obedien grandes, á podião ferpadraftos:
cia. Comete intento poz cerco etes nos me{mes lugares osterº
a Guimaraós, que não obtante |não aleuântar. Quaes delespot.
defenderfe com valentia,&brio, são ficar defculpados,julgarà quê |
contudo da parte dos dous con ifto bê cenfidera os nofos réliº
luentos, São Domingos, & São | giofos , que virão efa degraça
Francifco, donde a gente do fo-||fatal,retirarãofe pera o baixo da
bredito Infante,chegada mais a | fua propria cerca , motrando
os muros, reforçaua os comba que antes feirião ehterrar, que
tes,fe vio em grande aperto. Paf ferem de prejuízoávilla. Dizem?
<code.D. (ou ito" no principio do anno | que certo fidalgo da familia dos
Pedro tit.
7.
de 1322. & ja o cerco (e auia | Cunhas lhes ofereceo as fuas cá
b. arch.da leuantado, º quando a 21 de Á fas pera entretanto formarem re|
camara de
Guimar. bril o mefmo Rei Dom Dinys | colhimento, mas não contado
• * * * * |- • }

e(creueo de Leiria húa carta, pe feu nome. A lembrança,que mel |


la qual etranhou a os conce |les etaua vida, das muitas def
lhos de Celorico de Bato, Frei pezas patadas os acanhou de má
tas,Trauaços,& Monte-longo,º neira,que pera abrirem obras foi
necefário animallos o pouo
omiísão, que tiuerão em foccor cõ
rerem a villa. grandiofas promefas. ** ***
2 Mem Rodrigues de Vaf | 3 Refolutos finalmente em
concellos, que gouernaua as ar continuar cõ elas, principiarão
mas, temendo outros encontros, |ete terceiro cõuento no mefmo
arrifcados,como ete,informou a |fitrio, onde agora età; &ás pri
el-Rei do perigo,em q então eti meiras enxadadas, que detão nos
uera pela muita vizinhança dos alicefes, em particular no da il:
fobreditos cõuentos. E logo lhe greja, de tal modo tocou Deos os
foi inuiada ordem pera os lançar corações dos fieis, q atè de mui
por terra, demarcando as ditan-i to longe fazião grofas efmolas
cias,& fittios, em que ambos po em dinheiro, ou fazenda, peia 6
derião edificarfe de nouo. Pelo fede{pendefe na fabrica. Pare.
que a rezão deta ruína, & trite cia, que fonhauão de noite com
#
|-
}
detruição não foi noua fabrica S. Francifco, porque nos vinhão
epºg 797.
dos muros,como efcreue º Gon amanhecer co as efmolas à por:
zaga, mas o perigo da villa nas ta. Os da villa, de que achames

occafiões de guerra. E são dig noticia, fuppomos por ordina.

• nos de notar os receios dos an |rios. Dos de fóra, apontamos
- - - - - - - - • •• • • • •--
- -- - -- - - -
dñr |-
AMenores na Prouncia de -
Portugal. I49 |
Fernand'Afonfo Correa da quin défem a agua de hüa fonte, a
|ta de Farellaês no julgado de qual fe achou na caua, que elle
Faria: Ioão do Outeiro, de Pon mandou fazer entre o cºfiello, @r a
te de Lima; & Gonçalo Gon porta do pofigo, & que a trouxe
çalues Peixoto, conigo de Bra: lemos por onde nos pareceffe.
ga, & abbade de Tolloés, o qual Eta agua ajuntamos à, que vi.
efereueo no tetaméto eta clau nha de fima da rua do Sabugal
fula. E por efio, que de mim ouue. por beneficio dos alcaides do
rão, como por efio, que lhes ora man catello. Efe trouxeramos pelo
do, reguem a Zeos por minha alma co cano da villa , a o menos co as
mºferuos,9r amigºs de Zeos, Qr/en. condições, que ella nos aponta
ta eu, que empregº bem º que lhes | ua, a da fonte da Cantonha, que |
fiz. os reuerendos páires de são |
Ajudarãonos tambem os Hieronymo,do moteiro da Co
dous braços, pontifical,& real: o ta nos tem dado, mais abundan
do Papa Innocencio VI. cõ qua te etiuera o conuento dete ele
rêta dias de indulgêcia pera qué mento frio. Mas nem fua incon
fauoreceffe as obras: o d'el-Rei tancia afega nofas lembran
D.Dinys cõ recõpenfas do dam ças, porque no lauatorio dos ha
no,4 nos auia caufado. Depois, bitos temos refcrito em pedra
el-ReiD.Fernando nos applicou o nome de Pero Vieira da
os refiduos dos tetamentos ne{- Maia, o qual fez os alguida
tavilla, & feu termo. E.D.Ioão res. … |
o I. não sòmente etendeo eta | #;" |
mercè por Entre Douro, & Mi
nho,& bipado de Lamego, mas A PITVLo
# • • - xxxxv. |
tambem recebe o o cõuento de
baixo de feu emparo. Efeito feu Reedificaf
;
em parte a igre
* ** * • % * * * * * * - --

Protector mandou tapar feruen ja com efiranho aluorºço


tías,& caminhos, q ainda nos de º da villa,ê5 mara
uadauão a cerca-pretendeo alar º uilhas do
-

gar alguns refios, defabafando a -} * * *


-

(60,
cafa, dos quaes nos etreitamos
depois defembargou a Igreja nº
anno de 14oo, cujas obras atè º rurº odos efies milagre
então não corrião a refpeito da , . de deuação, que dif |
fegurança da villa pera os tem cx * femos da villa de Gui
pos de guerra; & finalmente araés, ficão mais jutifica
no de 14o6 a 23. d'Agoto e{- dos com o que virão nofos o
creueo de Santarèm, que, nos |lhos quando a igreja agºra fe
••
N 3 repa
Iy o Tºm T D7 hi/toria Serafia
dos frades
a.Fafcicu
lus temp,
reparou. E ainda que os "Sabios Mendoça, taõ grandiolo, como
fol. 1 6. modernos, sò por tardarem no deuoto da nofsa Religião: mas
mundo perderão nelle a venera quando vio tal etrago numa ma
ção de Deozes, que a os primei china taõ grande, perdeo de to
ros tinha dado a cega gentilida do o animo, porque atè o desfa
de: nòs,que aqui notamos obras zer antes de entrar na obra pe
fem nos arétarmos a tempos, no dia muitas depezas. E atreueríe
me{mo etado pomos os prefen a tanto hum frade, fundado so
tes,& os pafados. He efte tem na confiança em Deos, clarohe
plo d'húa naue, & com demazia que por aqui andaua ete Se
largo: mas fabricado neta forma nhor.
pera que ficando defabafado, po 2 Era guardião no anno de
defe recolher parte da gente, 1627, o padre frei Manoel de
por fertanta nos oficios diuinos, Iefu, natural da cidade de Life
que tambem não cabia no alpê boa, & filho dete conuento, o
dre, poto que he muito grande. qual etando pera prégar a feta
Era etranha a fua architectura da Afumpção da Senhora na
por fóra, porque muito mais fu fua Collegiada, no me{mo pon
bia o efpigão do telhado,do que to,que fubia ao pulpito, fere{ol.
as paredes feleuantauão da terra, |ueo em declarar a o pouo a mui
& como ficaua ingreme, em ca ta necefidade de fe fazer eta o
Índo, ou quebrando algum dos bra. E o Senhor, que na bocca
telhões rafos, de que etaua co lhe enfinou as palauras, tocou
berto, com muita difficuldade tambem no coração os ouuintes,
tornauão a reformallo. Pelo que de maneira que acabado o fer.
as injurias do tempo o chegarão #### lhe forão of
a etado, que femimpedir a chu ferecer as pefoas, & agencias.
jua, mais parecia hum cadauer ruí Tres mil cruzados montarão as
nofo, que corpo de edificio viuo efmolas de dinheiro, alèm d'al.
com forma artificial. Mas nun güas achegas: a maior parte da
qua Deos confentio, que nelle villa,& do Cabido: o reto, dos
achafiem morte os deuotos, que abbades, & deuotos de feuter
à fua fombra procurauão o epi mo.Mas tudofo dependeo ago
rito de vida. E afi acõteceo mui toda melma villa, abatendo al
tas vezes caírem de fima telhõ gum tanto o telhado fem deter
es, & taboas inteiras em tempo rar os fobreditos telhões, né def:
de mais concurfo, (em em baixo fazer totalmente a figura.
perigar húa pefsoa. Muito defe 3 , Foi notauelo aballo,que
jou darlhe remedio o Arcebipo etas obras fizerão em toda a for |
de Braga, D. AfonfoFurtado de te de gente, vendo nós a olhos
- _______*_* * * *-*-*- - - - *******______ cla
{
==============---

AMenores na Prouincia de Portugal. IyI -

|
vinPf36. claros o que diz "S. Agutinho: ouuindolhe dizer, que era mui
• • fius fi charitatis.
//aber/emper condeA faber,que
det;cuplenumpe
[]\] []- to,replicou que infalliuelmente
os auia d'ajuntar. Tornando ja
qua á caridade lhe falta que pof pera cafa, cõtou o dinheiro,que
fa dar.Todos dauão efmola,ain trazia,â fombra de hfia aruore,&
daque fofem pobres,& o menos |vendo que faltauão tres patacas |
era dalla: a vontade com que a pera fazer a quantia, infitio em
oferecião, caufaua admiração. ir pedir num catal de pouca of
Chegou à porta do cõuento húa | tentação, que lhe ficaua defron
mulher,que no vetido,& no mo | te. Foi emfim, fem dizer mais
do parecia andar pedindo,& mã que falar nas obras de são Fran
dando chamar a o guardião dei | cifco. O láurador, que não fabia
xou com grande fegredo finquo do cafo, lhe deu as ditas patacas,
mil reis debaixo de húa pedra a | & todos renderão a o Senhor
4. -

té vir quem os cobrafe. Outra muitas graças. __ • •

pobre fe affoldadou com S.Fran 5 Pelo difcurto da obra fé


cifco por humannopera lhe dar virão muitas marauilhas. Hña
quãto ganhaffe em fiar linhas, ti foi que,etribando toda a machi
rãdo sò pera fias defpezas,& fua na do teólo fobre frechaes pof
futétação. E algüas,às quaes por tos em vão a o longo da parede,
ferem pouco honetas, nunqua & andando em fima vinte ho
fe pedio efmola, elas mefmas a mens, que o íaõ desfazendo, a
trazião,chorando, & latimando charão hum tão podre, & tão
fe de que lhes fechafem eta por gatado, que mettido no são ti
ta, pela qual entendião que, me nha pouco mais da grofura d'-
lhorando a vida, fe poderião (al |hüa linha, & comito futenta
Ul2f. ua muitos milhares de quintaes.
· 4 Nete tempo fuccedeo Outra foi que, abrindo humpe
hum cafo myteriofo, que com dreiro aparede pera ragar a ia.
outros deu motiuo pera dizer nella, que allumia o coro, húa
muita gente, que não fó trataua pedra fe arrancou, a qual o pre
Deos de acodir a eta necefida cipitaua.Gritou º me fmo pedrei
de, mas tambem de faborear o ro,& dife: Acodime, S.Fran
goto de quem nella trabalhaua. cyco. E nete ponto a
Saio hum dia da villa pera pedir pedra fe tornou
- 2 CIlC41X2I.
nalgüas cafas do termo o Arci
prete Balthezar de Meira,& per |
guntou a o me{mo guardião, o |
qual o acompanhaua, fe ficariº |
•=–
contente com trinta mil reis; &
***
-
N 4. 1
ÕA
=>

# 152 Luro I. Da biftoria Serafica dos frades


pouo recebeo muitos tauores de
c API TV Lo XXXXVI.| Deos. Hüa he de nofo Padre fe
rafico, feita em madeira, & de
| Daveneração, em que elià e/- grande etatura, mas de modo,
que lhe pôdem vetir habito de
te templo, fatrario de ima panno. E rara he a pefloa,que en
gens,&#corpos milagrº trando na igreja não lho beije,
fºs, & theatrº de - cobrindo com elle a cabeça, &
cingindo o pefcoço co a ponta
| hum taftigo do do cordão. Efte lhe furtauão tan
{{0. , ' -. |tas vezes pera o terem em cafa
como reliquia grande, que foi ne
* - E etranha a desição cefario lançarlhe hum cadeado.
| , H que neta villa fe tem
a N.P.S. Francifco, &
Etá fôra das grades do cruzeiro,
a onde todos lhe chegão, & que
fern nós violentarmos vontades rendo nós darlhe lugar no altar
a. Bul.8. executãdo a bulla" de Sixto IV. | mòr, por fera igreja fua, & fe
apud Ro
drig. o qual mandou por preceito fe chamar do Íeu nome, forão tan
guardaffe ofeu dia,ela o guarda | tas as queixas da gente amotina
|co as tendas, & oficinas fechar da por lhe tirarem daqui afua
|das, como na feta da Pafchoa. confolação, que a deixamos fi
|Pelo que tambem he frequenta |car. Deta imagem fe contão ma
|do quafi fempre ete venerauel ]rauilhofos fuccefos: nos fèferi
|templo de grande concurfo de mos sò ete. Leuantoufe na villa
|gente, a qual nelle, como em lu pelos annos de 16o 3. hum hor.
|gar tão fanto, efpera fer ouuida rendo, & miferauelincendio, o
|facilmente da diuina Majetade. qual tendo abrazado grande par
Nos tempos paflados era cafa de te d'húa rua, ainda ia voando, &
continua romagem, por rezão copuertendo em cieza quanto
do feruo de Deos, frei Rodrigo, achaua diante, com tal braueza,
em quanto aqui teuefepultura, & furia,que Guimaraês começa
& da fua fiel ferua,D.Contança ua a reprefentar em fia detrui-|-
de Noronha,a qual età na capel ção Troiana. A gritos do pouo a
la mór; & ainda o he hoje a ref. leuamos em os braços, & puze
peito de São Gualter, cujas fagra mos à vita das labaredas contra
das reliquias vão continuando ovento, que empuxaua o fogo, o
ategora co as fuas marauilhas. qual mudando o curfofe poz da |
2 Acrecentafe eta grande |parte do Santo, & fez tornar pe.
deuação co a prefença d'algüas |ra traz o me{mo fogo remo |
imagens fantas, pelas quaes ete lendo as cinzas no meioque
dellas fe.

- - - ---- - -
- - -
apagou __-"
|
--V=======

Menores na Prouinia dº Portugal. _153


apagou de repente. Mas pera dauão, que não fofe inimigo da
####| quanto fofle viuo (empre a uia! Mãe de Deos,repondeo que em
|lãças,lhe deixou ofeu
o rotocha: |-

mufcade. :-** * * * { de feguir eta contenda.Mas não


3 Outra imagem antiga do} quizo poderofo Senhor,que tão
padre fanto Antonio era aqui} mâ vida fofe muito prolongada,
muito bufcada a refpeito dos be | porque logo lha encurtou hum
neficios de fua intercefsão. E accidente mortal, & dentro de
porque os feus deuoros fe mafi poucas horas acabou mordendo
trarão faudofos quando nós lha | a me{ma lingua, com que tinha
tirames do altar, fubtituindo ou } blasfemado. Enterroufe em eta
tra noua mais pollida, neta (egú | nota igreja na fepultura de feus
da renouou os feus fadores pafa |paes, & dahi a trinta & tres an
dos a piedade do ceo. E afi he nos abrindo a fui coua, etaua |
infinita a gente, que reconhecem | ainda inteiro; que tinha nojo a
do o Santo por aduogado propi |terra de lhe comer o feu corpo
cio,em particular das nouidades, |blasfemo,& arrogante:poto que
&fruitos, lhe vèm dar as graças | ja lhe auia roído o gorgomillo |
com algúa oblação. Tambem | em detetação da foberba,& (o!-
|lhe mandão cantar o feu repon | tura, com que falou contra os
fo,que começa:S queris miracula: fauores feitos a lugares fantos.
| pelo qual eperão delle os mila Detemodo,encotado à parede,
|gres cotumados, Gregorio XIII | eteue em pè à vita do pouo to
|
priuilegiou o feu altar pera os fra do, como epectaculo da indig
des moradores no conuento. nação de Deos. Depois difío foi
4 Mas aqui neta me{ma of mettido outra vez na fua coua;
ficina das mifericordias deDeos, |& afi como " a terra da ilha de b.decad.
Barros

foi elle feruido de motrar fua }


1. à«

Camarão,no mar roxo, que imi 3.c. 3.


tiça na pefoa de Pedro de Oli tando o me{mo mar não queria
uàm, como fe conta no liaro dos confentir dentro em fi o corpo
| milagres de nofa Senhora da d'hum homem morto,& excom
Oliueira. Tomou teima ete mi mungado da armada de Afonfo
ferauel homem de encontrar, d'Albuquerque,o tornou a rece
quanto lhe fofe pofiuelas izen ber depois de etar abfolto: tam
ções,& liberdades,que por amor bem a deta igreja featreueria a
da fobredita Senhora concedeo gatar a de Pedro de Oliuàm
el-Rei D. Íoão I. à fua Collegia depois de fereuidente a o
da, & endurecido mais co as fan mundo como Deos
tas aduertencias de alguns capi o catigára.
tulares, os quaes lhe encommé
----

"---
VIDA

-*"

154_L>IDaIma Sarafa…fraãº
VIDA, E MILAGRES DE SAO
Gualter, Padroeiro da vila de Guimaraés,
fundador, &primeiro guardião de- º
fte conuento ……… - …

CAPITVLo xxxxvII. a graça do Senhor, lhe commu


| nicou tambem o ferafico eípiri
to. Era facerdote conforme à tra
Defia vida,ê3virtudes. dição vniueríal, & antiga, occu
pações de fua vida, & pintura de
I Sditos cafos, & mu-| tua fanta imagem, & comitofe
danças não alcãçou conuence o engano" de quem o b.arch. do
Orat. da
são Gualter, porque fez frade leigo. Noutro erro Infua.
do primeiro conuentinho, que cairão dous Portuguezes, dizen-,
c.H1 ft. ec
ele traçou,& ajudou a fazer, foi do “hum, que entrou em Guima cle fiaft. de
mudado pera os paços da gloria. raês antes que feu padre S.Fran Lisb P-4.
=
E o pouco, que nôs alcançamos cifco: & º outro,que efte feu fan- }C. 2-7
* #ronº
delle por culpa de nofos ante to Metre o trouxe configo, & o log:fit.1.*.
rnoma.
La
paflados, que podião dizer mui deixou neta villa.Porque a ver die z. Au
to, vai Deos ainda fuprindo coa dade he,como ja º temos motra gu fti.
e.c2P. *-7-
multidão de feus milagres, os do; que depois de recolhido de 8. 9
quaes entrão por eta nofia ida: Portugal a Italia nofo fera
de. Contendem primeiramente fico Padre o mandou a ete
fobre o feu nafcimento Inglater reino. E do grande cabedal de
ra,Italia,& França,pretendendo fantos merecimentos, com que
cada húa pela prefunção do no elle cachegou, dêmos batante |
me,que a todas he commum, fa noticia. Agora fe dirà o que fez
zello feu natural. Mas temos em Guimaraés pelo tempo adi
por verofinil que feria Italiano, 3f1fC.
como feu companheiro o fanto 2. Como o Santo teue cafa
frei Zacharias,na qual nação co muito humilde,& pobre, fegun
meçou a nofía Ordem, & della do o feu defejo, logo tratou de
faio a maior parte dos fujeitos, formar communidade com algüs
que ornarão a fua fanta origem. mancebos nobres, que lhe pedi
Foi difcipulo de nofo Padre fan rão o habito, os quaes elle dou
a 4.Reg. 2
tifimo,que como "Elias a Elizeu trinaua co exemplo de fua vida
co a capa francifcana, mediante purifima,que fempre foi enfiada
por –"
AMenores na Prouincia de Portugal. Iyy
por extremos de virtude. Acha traua maior brandura. Applica
mos efcrito,que em tudo era va ua os medicamentos ordinarios,
rão # E começando mas com elles, & fem elles daua
pela fua humildade,affi feimagi. fiudes milagrofas. Nunqua os
naua inutil, & peccador, que có defemparaua nem viuos , nem
grandes afectos da vontade pre mortos, & depois da morte fe
tendia, que todos o defprezaísé. abraçaua cõ elles pera os amor
Sendo fundador dete conuéto,talhar,& enterrar. E porque ni.
& primeiro guardião, tambem to tambem occupaua os feus
era o primeiro na oração, no co frades,tão affentado ficou nelles
ro,& no feruiço da cafa. Toma ete fanto exercicio, que muitos
ua o alforge, & pedia a efmola annos adiante o forão continuã
pela villa pera defcançar os fub do como ja fica efcrito. Daquife
ditos, & pera lhes regular o que paflaua às cadeas pera vifitar os
bataua nos limites da pobreza. prefos, & depois de os auer con
O feu mantimento mais ordina folado, corria logo as cafas dos
rio era hum sò pedaço de pão julgadores,eferiuães, & aduoga
com húa pouca de agua, & eta dos fem defcançar húa hora atè
tão moderada, que nem a fede os pôr em foltura. . . -

lhe mataua alguns dias.E fecuio 4 No remedio das almas


fo tambem das fontes celetiaes, era tanto o feuzelo, que andaua
onde os bemauenturados fartão pelas ruas enfinando a doutrina;
todos feus defejos, andaua como & {e achaua occafião de prègar, #
extatico, cheo do amor de Deos, nos mefinos lugares foltaualogo
arrebentando em lagrimas com a voz, que fazia etremecer, &
faudades da gloria. difcurfando pelo thema do Bap
3 Ardia nele a caridade tita,º penitentiam agite: fizei pec g Matth,3. V, Aº
dos proximos, em particular dos cadores penitencia: com tanto epi
enfermos,miferaueis,& leprofos, rito falaua, que os outuintes pe
nos quaes via a Chrito reprefen dindo perdão a Deos fe desfa
tado. E tomando o confelho,que zião em lagrimas. Se algum ob
fMatº. dera/ete Senhor a os fagrados { tinado nem com eftes fermões
| V. 1 & 8,
Apotolos,de curarem os fobre publicos, nem com auízos fecre
ditos enfermos, encaminhando | tos emendaua fua vida,diante de
a medicina dos corpos pera a fau todos o reprendia co aquella li
de das almas por meio da fé ca |berdade, que tem os prêgadores
tholica,entregoufe nos hofpitaes | zelofos.Outras vezes entraua por
a o feruiço dos doentes defempa | fuas catas gritando, como trom
rados,& pobres. Com aquelles, beta do ceo, que fizefem pè a-|
que erão mais afquerofos, mo. tras,fenão,que no inferno pararia |
--…"-
leu
-------
Ps:**** lºgº+PR =P…
→>-

156 TITID hi/toria Serafica # frades


feu caminho. E comito fez tal calceatorum. Do anno não tem os
mudança na villa, que etando tanta certeza: mas fabemos que
etragada por occafio de guer não foi o de 1 236, que a Chro
ras, & doutros femelhantes def nologia monaítica afina,porque
concertos, de mata braua em vi ainda então não etaua corrente
cios fe tornou hum jardim delei a fundação de são Francifco do
tofo em virtudes. Donde vierão Porto, na qual ellefe achou. E
a chamarlhe novº apofiolo de Chri. fe chegou co a vida a o de 1258
fio,mandado a Guimaraés, como como diz o Annalita, lugar te
à Niniúe Ionas, pera prêgar pe ue pera fazer muitos feruiços a
nitencia. E tão agradaueis forão Deos.
as fuas raras virtudes, que cati
uando os corações da me{ma vil
la,& termo, plantou nelles húa CAPITVLo XXXXVIII.
deuação notauel em fauor da
nofa Ordem,como em parte de Defias obras milagrºfas.
clarão etes e{critos.
Dete feu retiro numa fai I Ozãdo etauaja da luz
da,que fez, foi affitir nos princi eterna no ceo a alma de
pios da cafa de São Francifco do # são Gualter, & feu cor
Porto, & affentadas as fuas diffi
po ainda refplandecia com mi
culdades,acompanhado de pro lagres cá na terra.Em quanto el
digios fe tornou a Guimaraés,dó la o teue dentro de fuas entra
de em 3o.de Iunho cõ húa mor nhas,co a mefma terra, que feti
te fantifima foi pofuir a cadei raua da coua, farárão muitos en
ra, que Deos lhe preparàra no fermos; & depois que feus offos
º | ceo.Ete dia de feu gloriofo tran forão potes em hum fepulchro,
fito lhe dá o liuro dos obitos de de pedra, bataua tocar nelles
S. Cruz de Coimbra, o qual por com hum ponteiro de ferro, &
fua antiguidade, que alcançou ef logo tocallo em os doentes pera
te tempo, & por fere{crito em || que etes farafem. Muitos annos
Portugal,
4chron. | dito, que amerece nitodosmais
multidão cre-| etillou liquor,
"auto-juiffimo o me{mo fepulchro
o qual fua-| - |
era fauda- |

". [res naturaes, &' etrangeiros, os ||uel medicina.Outras vezes faião


#Gonzag. quaes applicando à morte o dia | delle chamas acefas de fogo,que
###] da fua feta antiga, de ambas fa-||de noite allumiauão a igreja, &
#...]zem memoriano fegundo de A. | conuento. Apagando e tambem |
mary:"|goto. As palauras do dito liuro|| a alampada do fantifimo Sacra
# são etas." Secundo Áalendº July Imento do altar, o nouiço, que a •

obje frater Gualterus exOrdine Zºf tinha a feu cargo, metteo nelle
} =>
*** * }* ----
–-"
|

—----- ———
*-+---- — |- – —N .

" - Mºugla Prouacia de Portugal. " I57 —


a ponta de húa vela, a qual e ac-||Tantos ferrasladarão a outro,to- \,

cendeo de repente.…… -. das feme{capar, fenão húá, e |


| 2 Etes, & outros milagres,6]] partirão em pedaços,çõos quaes |
erão muito cõtinuos,ºbrigarão º || trazidos ao pefcoço melhorá- |i
deuaçãfurto
intétarhü nobreºdas
º####d Gabidea
precio|| Santo hed:#
l danãoquenº ofin fingular adia E# •
:
+

|fas reliquias,quãio os frades pagado das maleiras, como efcféus,


fando de preça pera o feuhofpi-º frei Pedro #### ##### }
talas deixarão nº cônento, Pera|mitão feus poderes ao remedio ficci |
ito fe ajudou do filécio da noite, lidellas. E quando pareciso que fe]"|
entédendo, q guardariafegredo | tinhão egotado por filtà de no] |-

dando mais á eles||tan ta força de,


à alfa capacida ela trebordº
u com |I
güs capitulares, poro negocio
E encõmen fonté ####
fecãçarão,nãqua poderão ºbri || todo Entre Dºuro &# fili |
o milagrofo fepulchro,4 Deos felicou cheo de miligres.Muitos dell
chou co a chaue de fua omnipo:||lesfe prouarão em dous procefos | #
tencia. Pelo á tratarão de o le:|por autoridade públicanos ános |
uar inteirº como efaua; mas né|de 1621&# 625, no qual #3 ;
o braço de muitos homens pera |accedeã5 Outros cafão efeti- ;
## ## ##########| ||
tajuntºsdebois puxando todos|dos quaes Garciétéº-lhezar :
por cordas,foi batante pra lhe de Meira tinha em grande eti }
dar híaballo;&afiferecolherão|ma.E delestetemunhanão tam|
deséganados os conigos. No dial|béas mortalhas, Emuletºspe fnas,
feguinte,4fe diqulgou º cafo, a:|||&braços de madeira; cô outras
codirão o frades mais folicitos |muitas inignias, pentiradas pe; #

do á dantes cuidade(os,&comº|lo corpº da igreja, Nós aquire: | |--

joSanto não queria deixar a fui |lataremos algns PSrá glºria de : |-

|pobreza pelas riquezas da fal|Deos, º qualhe admirauel nos :


Collegiada,nome{mo põtº qlhe feus ºººº!, … .. ….…...… *, |
\

pozerão a mãº,
gre nouo,o por outro
leuantar mila |#4.
ão,& trouxe| na fonte,t himada#o# principio
E tomando # na
rão afeus hõbros. Foi vito ete|qual ele lauaua a fua funica; cõ 1.

milagre, como tambem 9 aduer|ete banha faudauel for㺠sãos :


tio frei Artur no fim do annode|nome tolhidos, & Alejados:
1271, no qual a primeira vez|ous quebradºs dous enfermos *

famos docõuento pera º hºpi ||de chagas ineufanº# hum,que


| tal,que nos concedeo a Villa..., | tinha. ##### do i
depoisdele
##3. As,pedras
(epulchro primeirº|us de inchºs disformes; fetº ] .
que ºs ofos de tumores&lobinho na becº,
- … - — ———O - --- - Il3S
\
|-

== *= ---- - - -
-**-**********--*-----+----><><> - - -
-
-- - ----

1 58 Luro 1. Dã httoria Serafica dosf77 -

nas ventans, & nos lagrimaes dos } Mas tambem os aufen


elhos:hüa mulher co a mão fe tes,que recorrião a elle,lograuão
meada de verrugas; & hum ho boa ventura por fua intercefão.
mem quafi cego. Diante do feu Contamos dous aleijados, tres |
fepulchrotiuerão tambem faude enfermos defconfiados do medi
dous afmaticos: húa furda: qua co, outro julgado por morto, os
tro cegos: hú mancebo,que não quaes todos lhe vierio oferecer|
via de hum olho por rezão d'hü, as muletas,& as mortalhas. Dous |
belida: htia moça derreada, que paralyticos,húdos quaes não da
andaua de gatinhas: húa mulher ua fopro, q podefe apagar húa
tolhida em todo o corpo; & ou candea,ficarão sãos em beijando {
tra d’ambas as mãos aleijada. a fua fanta imagem, que etaua |
Mais hum minino de dous an pintada no alpendre da igreja.
Vieião dous doétes vHitar o feu
nos, que nafcera cos pês pegados
às cotas, & co as mãos retorci fepulchro, & não sò lhes deu o
das, & fechadas, dêtro das quaes Santo faude, mas tambem pera
criaua bichos. Outro de oito an feus filhos,hum afmatico, outro
nos, o qual era paralytico, trou femelhante a leprofo, que lhes fi
xe fua mãe de Braga mettido nu carão em cafa. Cotumauão os I
ma canatra, & fazendo hún no. | romeiros, que o vinhão vifitar,
uena diffe com angutias da al leuarem agua da fonte, & nos
ma. Glorio/o são Qualter, ºu me que bebião della fe vião grandes
da faude a efe filho, ºu lhe dai marauilhas.Huns farauão de ac
lºgº a morte, pois fabeis que por cidentes mortaes, outros de fe
minha pobreza o não pº/ºfº/tentar bres ardentes. Pelo que foi tan:
E ouuindo fuas lagrinas o San to o aluoroço na villa de Epo.
o , o minino faltou fóra da zende,tornãdo com ella em mui
canatra. Outro, que era que tos vafos húas mulheres deta
brado, & feria de tres annos, fua romaria,que as outras lha pe
feu pae o lauou algúns vezes, dião,& bebião cometranha de.
na fonte;& hum dia, que elle uação. E vendo ito hum man
choraua muito, diffe com im cebo chamado -Antonio Rodrigues,
aciencia : Ou morto, ou são te como elle declarou noteítemu
he, de luar daqui. Mas compa nho, diffe zombando de todas.
|decido o trouxe a o fepulchro, Porventura /a agua ha de leuaruosa
| com o que fe foldou a quebra º ceo? Maslogo foi catigado,por
dura Hia mulher finalmente, q que outro,cõquem andaua brin]
| tinha o peito fecco,na fua prefen cando, o lançou no chão, & lhe
ça cobrou leite pera criar hum | quebrou húa perna. Econhecêdo
minino. _i a culpa, valeofe do mefmo Sãto,
por
–+
==

• 44curtº na Prouincta de Portugal. Iy9


{ por cujos merecimêros em pou: Triolo tranfito forão eleuadºs da |
icos dias foi são. "…: carº, atrial |terra, onde jazião, no primeiro
s 6 Quiza villa gratificareí{| conuentinho, pera o fepulchro,
+tas grandes marauilhas, com al-| que manando oleo refplandecia
|güas fetas publicas no anno del| cõluzes, & nele acompanhou a
162o.& ficou com outros empe os frades,como º Iacob a feus fi e, Gen.4;.
inhos nonº:Pºrqu: ue indoaViar # lhes na faida do Egipto, em to
}

na hum religio(o nofo procurar 1 # as mudanças, que elles de


|algüas coulas, 4featriã6 mifter; pois fizérão, & nós temos re
encontrou a galeota do fereniffi feridó. Vofobiedito conuento
imo Duque de Bragança Dom os foi buícar a o hofpital da vil
Theodofio II, que andaua sm la, deixando de iroces conigos,
guarda daquela cota, Chegºu gue o querião leuarpera a fua
|

labordo pera pedir húa efmolº) igreja. Daqui feitornou comº


de poluera,& abrindo o defpen"| iellespeta o me{mo conuento, : • \,

feiro pera lha dar o paiol, que ja }& \delle fez volta ao dito hof |
inefe dia não ouuera de abrir sê fria , donde na fua detruição |
lefta occafião, achou húmurrão veio pera eta cata; na qual a
iacefo entre os barrís,& frafcos,º gora etamos. Nella finalmen |
qual fe fora ardendo tudo aula "Refe guardarão muitos annos mo|
ldabrazar. Entêderão o capitão, me{mo cofre antigo luas fagra- ,
Y

i& foldados que por refpeito do |das reliquias até que (e fez fo
Santo
miferaue preferuar,a &
osl incendio Deos de lemne trasladaçãoáinfancia da |
afilhel •

villa... ….……rio 3 . ", º "… ::::


renderão muitas graças, cfe º sones
irecendo tambem no feu fepul chro oglariofothefouro, &pof. pag. 797*

chº.ºgºleotapin ada em hum | to em húáridor na primeira do | }


#
painelº. #a::, : irº - "…
__> "-". (
" •
O
|- minga de Agoto de 1577, foi, |
-

… oxi dob fºi..…… …, a f >"|


leuado em procifsão pelas ruas |
CAPITVLO XXXXIX...ai| coa maior grandeza,&apparato,
diar então fa-z]
– "...":" … o jºgais" : "; cºi |quei Guimaraós podi
#Defias traslada ções,ven tra zer.Foi nella o DõPrior cótodo
º A -5, f #if:.… º ob º ofeu Cabido,&Elbrizia, que erá
#…] o fenhor D. Fulgencio, filho do
i.

- 2:55, 2, …", º oir º oikº fereniffimo Duque de Bragança,


* NAT Em na coua, né depois D.Jaimes: os religiofos;á (e achar |
2: Aº no feudepulchro tive: | # minitros do goº
| | , a tão muito dekansº, os] erno: a nobreza;&o pouo : fa
ofios de são Gualter#Porque pat| zendo todos hum graue acompa |
fados poucos annes do {englo # o Sãto, como, eu !
|-

* •

+
- •
• • • • •
O 2 Pa
----
=*++

# I 6O Lam I. Da bifloria Serafica dos frades


}
Padroeiro merecia. Recolhida[ ma capella , leuantada em co • •

| | procisão IlC conuento,do qua |lumnas,que tambem a villa edi-li


4
|
1 auia faído, forão depofitadas |ficou. O frontificio della faz
|-
veneraueis reliquias noutro fe |grande otentação do letreiro,4:
| pulchro de pedra, douradº, Ilu \fefegue. C{1 2 *- ………….! 2
- * * *
* t rio" ? " ". [ 35, 12 t :, ; º : 2, dº |-
!


Diuo Gualtero D. F. D. Vimaran Patrono
- !" - º ** *..! !! * #•••• ' '+ 2 * * ***** Arº ( , "| f || || ||
inflauratifetivoto iii anno que M.D. • • • •
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** ! LXXVII. P. V.F. C. …… . . ! … …!
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… f. f. 2.21 (, ; , 2
, , . [ ; ,r …} • • |- |-

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-,1) #!
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|
E quer dizer em portuguez. Nº "vez de renovar º fila fia. Ofe |
| annº de 1577 mundou fazer "po": pulchroetà poto no altar, & |
de Guimarães efia capela, g/puk | declara com ete verfolatino,co |
chro a São Gualter, difcipal, de são 'mo ele nos efconde os ofos do |
Francifo, @r Pad… dº mºnº venerauel Gualter. " ":" | - |- |- • - - - -

º quartº
vila pºr votº, que lhefez *** >2 . ", * * * # 1" 1 ; [f() (), (1 R.". …"
1} * -- … [ 7 , (:: , -., . [" , : : : : : #2: #;">
. * . * ………… º.……… … - 5 * * * * * * * * *
Gualt ritegithoc Venerabilis ofía fepulchrum
e |
:: ..." º : "…::: …? 22 º C… …" , , , ) "… i. :. I.11 v. ii, ol
Alguns cótudo feguardão num |peanha apparece húa pedra |
cofrinho, vetido de veludo do feu primeiro fepulchro en
carmezim, & chapeado de pra tre alguns varões de ferro, por |
ta; & a cabeça, num meio cor | memoria das marauilhas pafa
po, figura do me{mo Santo, a das. } --> … " ed...::.: {… :* --

qual fe deixa ver porhüarede de 3 … Reconhecendoas todas |


prata, conuidando a quem a ve | o pouo de Guimaraés, & que
com húa fragrancia notauel. A| rendo emparar(e debaixo da fua |
hum lado no fobredito altaref> interceísão, não (ómente o to
tà a fua imagem com etas duas |mou por Padroeiro da villa, mas |
infignias. Na mão direita, a | tambem por quatro vezesfez vo
figura do fepulchrogloriofo por to de celebrar fua feta. Affi o |
milagres: na efquerda, hum confefano (obredito letreiro, &
liuro-aberto,
-- - encotado a o pei poto q não declare as rezões de
** • • •

to, o qual motra a cordial af ifte empenho, fempre acia de fer


| feição, com que ele guardou |hia cófiança grande em os feus
|fempre o fagrado euangelho, merecimentos nalgüas neceffi.
pelas palauras feguintes. Euan. dades, as quaes tocafemato.
gelium in carde me feruaui. Na! dos Pelo que de tempos muitol
! # - {
|- ===----
anti
AMenores na Prouncia de Portugal. I 6I
antigos começou a fazer a dita TIÃTem deitas, que já elião em co
F.Marc.|feta º no fegundo dia de Ago- |fume, algúas acrecentão os de
* *{{to, & não tinha outro algum ||uotos gratificando beneficios cõ
onz.cit. mais alegre em o difcurfo do || elas, quaes forão húas famofas {
anno . Era de guarda, acom-| | no anno de 163o, que fez pe
panhado de fetas, & d'húa fei-||la faude d'hum filho Gonçallo
ragéral, que deu nome a hum Teixeira Coelho,& durarão fin
campo, chamado ainda hoje º quo dias. -

campo da feira, vizinho da mef. i 4 Finalmente os nobres da


ma vila. Auia nele tambem iterra,qne o querião feruir leuan
na nofia igreja o jubileu da Por-}|tarão em feu nome confraria,
ciuncula, & pera confolação | approuada, & confirmada pelo
da muita gente, que concor-i Papa Gregorio XIII. com hum
ria na ve{pera, primeiro dia do grande thefouro de indulgen.
mez, concedeo Bonifácio VIII. ||cias pera os mefinos confrades,
em Perofa a dez de Dezembro || & pera os outros fieis, que
de 1 298. por hum breue, que || no dia de fua feta vífitafem
começa: Splendor paterne gloria, la fobredita capella. Outras mui
indulgencia de dous annos, & ||tas lhes concedeo Gregorio XV.
de duas quarentenas. Na elei-||pera o tempo da vida, & da
ção dete dia não achamos fun-||morte, & mais em particular in
| damento, fe não he, que nelle | de festiuitatis eiu/dem fantii Qual
fe trasladârão a primeira vez || teri, no dia da feta do mefmo
da coua pera o fepulchro fuas Santo, pela bulla, que começa:
fagradas reliquias; ou que a ref: || (em/iderantes, & foi paflada em
peito do concurfo, que ha no || Roma a finquo do mez d'Abril,
nofo conuento por rezão da Por | de 162 I. Tambem outorgou
ciuncula,quizetão fazer com el- por fette annos indulgencia Ple-e. #
le maior a folemnidade. Agora || naria pera todos os tres dias #**
depois da translação, que fe fez |da me{ma folemnidade, nos Kº';
na primeira dominga do dito || quaes fe expoem em publico o lº"
mez de Agoto, nefe dia fece-|fantifimo Sacramento do altar, é "j".
lebra etafeta. E tendo della || a qual graça fe foi depois refor-Augui !
noticia, & dos milagres do San-||mando. Tratão delle não fó- ! #
…º arch, alto
da , no anno de 1621. a Majeta-||mente os autores que deixamos º
• Portug,dec. |fi

c.ma" de real º ordenou por carta fua, || allegados, & o dito "frei Mar-|####
| a qual foi na villa bem recebi-||cos em outras partes: mastam-|#*#
| a, que a procifsão fe faça co a Ibé/Mariano,º Ferrario,"Etaço, hião. Po}
me{ma celebridade, & fetas, º Antonio de Soufa de Macedo, " " |
com que a de (orpus Christi...", "Manoel de Faria, & a "hitoria |m.p.».c.
• • -õy- eccle. " #

*Tºrrr…TYYYY" =T= Pºrºwserem "Trºw…F#F"…"- -


I Ó2 Luro I. Da bifloria Serafica àsfrades
eccleliattica de Braga, entre os eícrito. Foi o côteudo n lla,que
quaes tem bom lugar aquelle em todos os fermoés das igrejas
doutor infigne, & natural deta da villa, & das outras perto del
villa, Agutinho Barbofa,queim la, que então (e declarâ1ão, in
primindo em Roma algúas das cluíndo neta conta a de fanta
Marinha da Cota, moteiro na
fuas obras, nellas fez etampar a
imagem dete gloriolo Santo, & quelle tempo de conigos regu:
tambem communicou a Ferra lares, ouueffe (empre entre am
bos os conuentos alternatiua
rio o que elle efcreueo.
igual,& que quando nalgum del
CAPITV L O L. les ouuefe fermão em certas fe- |
tas do anno, não otiuele o ou
[[O,
Concordatas amigautis, que fi 2 Tão luftrofa ficou eta
zemos com os padres de concordata, que dahi a muitos
annos a imitou o reuerendo Ca
são Domingºs, &
reuerendo Ca bido: mas depois d'alguns dego
tos, que magoarão a hum, & ou
bido. tro conuento. E na verdade an
dauão então os corações mui a
lI Epois que os nofosfia uefos, & as vontades alheas da
D des affitirão no holpi
tal fazendo o leu con
boa correfpondencia; porque ti
nhão as coufas chegado a tal ex
uento, tiuerão muita mais occa tremo, que nenhum religiofo
:
fião,de communicar á gente de dominico, ou francifcano entra
Guimaraés por meio da prega ua na fua Collegiada pera fubir
ção o epirito de vida,que febe a o pulpito, nem acõpanhar pro
be nas fontes do Saluador. E co
cifoés. No nofo particular tiue.
mo prégauão por doutrina, & mos mais que fentir, por quanto
exemplo, quafitodos os feguião. efcreuendolhe el-Rei D. Ioão I.
Por outra parte os padres de são que a troco de lhe dar outra fa
Domingos tambem erão ouui zenda, deixaffe etender por húa |
dos com muita fatisfação. E que vinha o adro, & refio do cóuen
rendo huns,& outros irmammê to, ele fe efcufou com taes re-}
te trabalhar na fanta vinha do zões, que o piedofo Rei lhas re
Senhor fem aquelas emulaçoés, prouou noutra carta,feita em Vi
& difcordias, que lhe feccão as feu a os 16 de Feuereiro. Não
raizes, inquietando o mundo, tinha era a copia, que nôs vimos
fizerão húa concordata, que no no archiuo do reuerendo Cabi
anno de 1297, fe confirmou por do: damos porêm húa claufula
pera
AMcurtº na Prouluia de Portugal. 163
pera que fe fique vendo quanto, Çr guardião de são Francfco, @ me
conuem a amizade na gente ec #re Afon/% da Ordem dos 2áenores;
clefiatica, diffimulando, & ata @rfrei João de Zºraga doutor,9% prior
lhando no principio arrufos, & do mº/teiro de são
Zemingos de Quina
faltas leues, que viráõ depois a rães,Grfrei Francfo,bacharelda Or
fer efcandalofos aggrauos. Ito dem dos Pregadores. O que affen
he o que el Rei e{creueo. E do tarão foi, que os dous cõuentos,
que dizedes da vinha, que quanto os tml guardando a fua alternatiua, da
gos/om mais alongados huns dos outros, rião os prègadores, affi à Colle
que tanto estão mais/eguros; a efio vos giada, como às outras igrejas, &
refiondemos, que tal imizade nom he, que em premio dito não paga
nem deuefer antre osfaires,C# os cre fem quarta funeral. Diferão ma
ligos: mais todos deuem fer em huma |is,que quando hüa igreja, ou cõ
mor, (Cy em hia concordia, C# fizer uento feftejafe algum orago dos
muito, que deem boo exempre de/ aos feus, nenhúa outra tiuefie na
leigos, @ àqueles,de que tem encarre quelle dia fermão. E dete modo
gº de cura das/uas almas. É muito de acordarão outras coufas, tocan
um de fazer, que antre eles nom aja tes às procifsões, & pregações.
|odio,nemºfcandalo nenhum,gr que hã; Chamauão então Orago à feta de
fportem os encarregos dos outros, cá qualquer fanto, que tinha igreja
mais honrada ferà efa egreja, quando propria, ou capella, ou altar, on
efesfraires do mfieiro de São Fran de no feu dia era mais folemni
cifco, @r de são Zºomingos a veherem zado, acodindo maior concurfo,
fertar 65 às prégações, come às pro de gente a orar, & p&ir II) CICCS
tifões, cà/e/eguir antre vos, @ eles | a Deos por fua interceísão. Da
coifa, per que eles hi nom venhão. E mos os nomes dos nofos por
bem poderia fer, que etas pala não fe perder em Guimaraés a
uras tão nobres,& tão chritaans memoria de todos,como ja a de
imprimifem nos corações o de uação de muitos fe acabou. Erão
fejo da concordia, que depois fei etes, são Ioão Baptita, & são
executou com grande goto de Ioão Euangelita,fanto Andre,&
todos. são Thome, são Martinho, são
No primeiro de Abril Marçal,fanta Inez, & fanta Iria,
de 1428.fe fez a compofição en com todos os fantos da nofia Re
tre as partes feguintes nomean |ligião. Mas delles,o do Baptita {
doas pelo mefino etilo da eferi tinha primeiro lugar, celebran
tura. Z)om mestre Afon/ prior da doo a villa com prociÍsão, & com
{
igreja de fanta 2taria de Guimarães, outras fetas publicas, das quaes
grºbantre,9 cabidº difamifina,com hojefónas vetperas [e achão al
*
os honrados religiofôs frei Luiz leitor,
-
guns veftigios. |
O4 4 Oi
-**

#|
164 Liuro I. Da hi/toria Serafica dos frades | }
|

4 Oitenta, & hum annos pode dizer, que heºfanta,& fau-a...Machº


11.v.46.
etiuemos neta paz, & amigauel dauel a nofia occupação de ro
concordia, que mais tempo fe ar a Deos com efta conformi
ouuera de lograrfe a humana mi dade pelas almas dos defuntos.
feria não fora tão incontante, é
ajudada tambem do inimigo das CAPITVLO LI.
almas faz cair algüas vezes a qué
mais feguro,& firme fe imagina.
Pareceo a o nofo guardião, que Vida, & fpultura do finto
o Cabido não guardaua as con frei Rodrigo.
dições affentadas, & daqui na{-
cerão grandes paxões, as quaes ja I Om muita rezão fe
o tempo fepultou, obrigandonos (
queixou o doctiffimo
agora, pela mudança que vemos, "Eftaço do grande ef a cap 4*,

a feftejar com applaufos agran quecimento, a que chegou de


de felicidade, da qual os prefen pois da morte efte infigne Va
tes gozão no amor, & irmanda rão, fendo em vida tão conheci
de,que no anno de 1608. affen do no mundo,que de longe o cõ
tou o reuerendo Cabido com o fultauão nos cafos de confcien
padre frei Antonio de Soufanof cia os Principes,encommendan
foMinitro prouincial.E porque, dofe em fuas fantas orações. E
pera maior confirmação, & em tambem não foi muito venturo
penho, pafarão de parte a parte fo em ter por primeiro relator b. confor
cartas,na Tua, que he bem enca de fuas obras a "Pifano, autor mit, 8 .&
recida, efcreueo etas palauras. das conformidades, que com fuc A 1- )

| Efempre os reuerendas padres do dito cinéto,&limitado etilo,feguido


conuentº acharão em nós amor de ver depois dos outros, não fez mais
dadeiros irmãos, por quantº ºs ama que affentar húas maximas, das
| mos muito. Em rezão deta boa ir quaes porêm fe collige húa fan
mandade não fómente nos eti tidade grande. Foi emfim admi
ma,&fauorece na vida, mas tam rauel no rigor, obferuantifimo
bem nos acompanha na morte o da pobreza euangelica, valente
reuerendo Cabido. Hú dos feus deprezador das vaidades do mü
capitulares encõmenda o defun do, efclarecido por milagres, il
to: dous delles cõ outros tantos lutre em profecias. E comitofi |
dominicos, & francifcanos ole camos dizendo tudo. •

uão nos hombros à fepultura; & 2 Leuantoufe no feu tem


todos juntos the fazem fuas exe Po o perniciofo (cifama da Igreja,
quias.Nós temos com elles a me{ que tambem diuidio a os Princi
ma correfpondencia; & bem fe pes chriftãos, entre Vrbano VI. __=-

& Cle

|
== — - _i • • • • -— r""-----

_44eurºs na Prouincia de Portugal. 165 | }


|& Clemente VII. aquelle.verda- Catella, pertinaz na afeição de
|deiro, & legitimo Pontifice:ete ||Clemente, depois de desbarata- |-

| Anti-papa,&intrufo. E queredo|do nos cãpos d'Aljubarrota, mor i

acertar no feguimento d'húdel-||reo em Álcalá de Henares da


lesa Rainha de Catella D.Ioan-||queda de hum cauallo: comprin
na viuua del-Rei D.Henrique º do Deos inteiramente as profe- |
lí: de mãe del-Rei D.Ioão o I. 4||cias de fanto: i … * * * •

nefe tempo reinaua; mandou || "3" Elle tambem a pouco té


. | perguntar a efte Seruo de Deos, ||po andado,defpindo o mortal pe
Hallumiado de ceo,a qual dos dilizo,foi defcançarpera fempre na
|tos Pontifices ella, & feu filho|companhia dos Anjos. Se lhe afi
f.2n, I … darião obediencia, Errou º Bzo ||finarmos mez, ou dia certo, co
#"|uio em chamar Catharina á Rai|mof fiei Artur & outros fazem,}. :
2.1. Inhº, &/gundº dº nºme a ófilho:|feria adiaínhar, porque nem do (####
#" mas não tomou etereiros de "|anno conta Masefienão podia
.." frei Marcos, como lhe impoem|fer o que º Gonzaga aponta an-krºssr,
: #
- feiº Lucas& outros, que fe en-||tes de 1384, no qual hecerto,4
|ganão com elle, porquanto não |faleceo a febredita Rainha,em
[declarou nome algum da Rai-||27 de Maio, cuja morte denun-| |
Jnha,nem deu numero de primei-||ciou a os feus embaxadóres. Pe
|ro,ou fegundo a o # mef ||lo que, ou ainda nete anno, eu
fageiros vierão a Guimaraes, & |nos primeiros feguintes deu fua
|antes de proporem fua caula ao atmá a Deos, viuendo ainda am:
|fanto frei Rodrigoja ele efaua |bos os ditos Pontífices, confor: -

|bem informado por reuelação di me a relação do "Pifano, Pontf-8…….}


|uina, & lhes repondeo tres cou:|tum, quinnéfºne,dos quaes Vrba "E".
|fas.A primeira,que a Rainha fal|no,que primeiro vio acabados os
|lecéra depois da fua partida. A |feus dias,no anne de 1389. che
fegunda, que feu filho feguiria ||goua o termo delles.""..", ?
as partes ao Antipapa Clemete, || 4 No lugar de fua tepultu- (:
mas que não ficaria em catigo, Irã nos lançou e pefas trèuas o |
A terceira, que tambem o Rei, fobredito Pifano, a quem feguio
de França, principal defenfor|| Mariano"Florentino,& Gonza #
| daquellefeifina, era morto,&ca-||ga, fe bem efquecido do queja|{P-scº
iftigado por Deos com grande fe- áuia" dito nete mefmo conuen. | .
ueridade. Cometa repota tor-|to de Guimaraes. E creue pois, º "|
nàtão pera Catella, onde acha || que efte feruo de Deos fecha-|"
irão fepultada em Toledo a Rai-|maua frei Rodrigº Rubiciº, mas que +

inha , & juntamente as nouas da || etaua fepultado num conuento,


morte do Rei de França. O del que elle edificára,na cufodia de | }{
, ! *-* === ==== - •• Coim-____ J - º
*
T__………--••••••

166 Lurº I Daltona Serafia dos frade;


| Coimbra, comº feiete frei Lu 1 tura, que true ne{te terceiro con.
gas,nº monte de Vakde-Aro, ou luento de Guimarães cuja fibrica
• • • - {

*Val-d'Aregº,fgando ele em | corria no feu tempo,cujogouer


ºutra Pastº lhe chama, o qual no pertencia à:{obredita culto
agºra és diz vulgarmente Vak | dia. No que tambem nos afite •

4…fragº e nos confins dos dous | ofeu me{mo appelido de Rºk-|


| Bifpados de Cidadº.Rodrigo, &# cie, Kalkh em portuguez, que ef
SeóCoria, Equinocoufe porém; taua em vlonetaprouineia, co
com outrº Varão infignº, que movimos em º frei Valço Rabi f.fup.c.*;
florecep.nçfe tempº, chamadº# che, que poucos annos adiant |
feiÁadigº……iníA hºra,㺠cõ |gonernou as caías da Obferuan
- - - -- - - -
|-

fundindo as diferenças de am: C13 * * * . *.* ,: ~},: -_ / ( , " - º

• bos fez deles hum^{uisitº,{en} 5a ; e Suppotoito, dizemos |


*Jdº dopi,cºmappelidos digeríºs | | com frei Marcos, que nete con
#…|9 de Lara muitos annos eféns!|uento de Guimaraõs lhe foi da
depofitado em Val-d'Arrºgºnº da a primeira fepultura,&depois |
convento de no# Senhºra dos | fetransferirão feus ofios, pera a
Anjos&#inda depois de trasla real Collegiada denoíla Senho
darem feu corpo aºsãº. Francifeº ra da Oliueira, como º eferene 7.798.cit pag.
de Campº, feach㺠pelº fi Gonzaga,Etaço, a hitoria se r.P.
|-
2. C, 27

naes.dº?afia Primeirº, ºpulfº; elefiatica de Braga, o Agielo-,., dei, litb, nCMTO


taparem de nofº Rºbiciº, né gio Lufitano,os quaes tem da fua
nºde ditº cºnpenço,nem nº ou: parte a tradição vniueifal, & çõ
treteu vizinha, por nome Sani tante, afi dos religiofos, como
a...]| Spiritus,hºmemoria ºu ratro de | do reuerendo Cabido, & da vik |
…. que neles chiueñº (Pultado. la, que nete cafolhe argumento
Nymifºfodia era fedefcança fortifimo.Tºdos dizem que em
uanacaºdia de Goimbra, a fegredo,& a furtofe fez a trasla
qual nunqua faio dos limites de: dação, & declarando Efaço cos
te reino ou em cafajque recebeí [eus equazes o modo, diz que
- -
+

16&leaanais depeno, porque quando os conigos intentarão le


as duas de Val-d'Arrego;ja no.|liar o corpo de são Gualter,ven:
….". . ########### do que ele não f deixauamo
| | pos da nota Religi㺠trazem a ||uer metterão todo o reto em le|
####"|{ua origem, como efereue"Gon Juarem as reliquias dete feruo do
#-lzaga,
*go | Zaga, &"frei
%"frei Ioão Baptita M95
Ioão Baptita Mosl|Senhor,
|| Senhor, oo qual
qual não
não quiz
quiz refitir
refif
** *|les no memorial da Prouincia de ja tanto exceto de denação. Mas |
são Gabriel,onde etão incorpo icontraito età a diferença de |
• radas.Pelo que nos fica º campº tempo,& do lugar, porque o ca
{ # fepul-1 fo de são Gualter foi no anno de
* - , irº, 3 I 27 I.
AMcMurts na Prouincia de Pol tugal. 1 67 - -

-
127 1. em o primeiro conuento, Ê achou dentro nele mais que |
ando # fe tinhão fai terra, & hum ofio. Na fancritia
do delle pera o feu ho{pital, & o (e guarda em facrario com gran
• * •- - … t.

fanto frei Rodrigo, alem de vi. de etimação húa cabeça, tida


uer ainda no de 1381. mete ter de todos por füa, que vulgarmen |
ceiro conuento, que nunquade te fe chama categº/ima, ou cabeça
femparamos, teue a fua fepultu 4/antº frei Kºdrigº, pela qua
ra. Por onde o que nos parece Deos obrando marauilho fau fas
l vai
| •

|
he,& affi o achamos por noticia, des,em epecial nos que fe achão |
que liberalmente dè mosa os re mordidoos de cães danados. Coê
uerendos conigos fuas fagradas tumã tocar co ella o mantim
|reliquias. Defejauão ter configo to do gado enfermo,que facilmé
algüa prenda fanta da noíla Re te conuale(ce. ** … . **
, !

ligião: não os deixaua a magoa +

de perderem o corpo de S.Gaal


ter : nós tambem pretendiamos
CAPITVLo LII.

a fua benéuolencia, & corria o


anno de 14o8, no qual fizemos
Perfºgue o inferno cruelmente a
com eles aquella compofição, bum vigairº do turo pela
* cap. { O• que ja" deixamos efcrita: o San guerra, que de noite -
to finalmente não etaua eleua
do do feu humilde jazigo pera a
lhe fazianas ma- "…
igreja grande, º cuja fabrica auia " … … timas.…… • • • -"

"cap.44, <! -

: ' #-
pouco tempo fetinha defembar " " 1. |- #

gado;& concorrendo todas etas || 1 (TV Ontinuauão os padres;


rezões juntas,largamos por noí | \ , d'aquelles tempos an
|fogoto ete thefouro riquiffimo |s. -- tigos, & ainda conti- -

pera comprarmos co elle a ami |nuão os prefentes com grande


zade dos conigos. . . … feruor o coro,imitando os ferar |
| 6 |
abrazados, º que com doce affaia 6. .h
Foi depofitado na dita | finsodi o
| Collegiada, em hum fepulchro mel a alternauã as vozes em v. 3,
| piqueno, mettido dentro de ar louuor da Majetade de asDeos.
|co,na parede da naue, que fe cha : Não feri ão as fuas afinad por
entos
acc iofos, uão
cur mas foa
|ma de lju, da parte do euange
|lho. E como ficaua baixo,teuelu pelo tom da deuação do epiri
gar a piedade do pouo pera o ir to,que efpertaua nas almas as far
depejando das veneraueis refi udades da gloria. Em particula
quias: de modo, que abrindofe à meia noite, quando fe dizem
por ordem do Arcebipo primaz matinas, affitião todos (empre,

D.frei Agutinho de Catro,não noto que fofe inuerno, conui


dados
•+
"-*-
-

-*

16STLEIDTSã7ã
dados da lembrança dos mytte fora hum trouão, ali os intimi
rios,que nella acontecerão: a fa dou, que diffe huma o outro.
ber, o nafcimento de Chrito na Eiles/rades louuão agºra e Zeus, 3 |
| lapinha de Beleem, a lua prizão | nós queremos ºfendella: nuhqui ele tal
no horto, a matança dos primo permitta. Edito itofe forão. . .
genitos Egipcios pelo anjo do Se | "3 Eta bataria grande, que
nhor, ficando viuos os filhos de damos a o inferno louuando a ef
Ifrael,em final de que,morrendo 'tas horas no coro o poderofo Sel
em nòs os vícios; hão de viuer 'nhor, quando porventura o of|
as virtudes. Dete modo,acompa # fende mais o mundo, confeflou
nhando o oficio diuino, antes & magoado hum demonio no col;
depois, com oração em filencio, ilegio do Populo, em Braga, da
fuftentauão os exercitos do ceo | Ordem defanto Agutinho, Co

contra o Principe das treuas, & meçarão º dous religiofos delle a c.arch do
encantauão co afua, armonia a praóticar nalguns lugares da fá###
de S. Fru
ferpente infernal, que perdendo || grada Efcritura (conueríação ef. étuofo.
o pafo a o fom detepfalteiro, | colatica;& bea) & diuertidos
– ** * * * * * * * *– \"" - º

4.1. Reg. como fe fora o de º Dauid;defaí das horas com o feruor da difpu
16. v. 23. fombrou muitas almas da ce ta chegàrão à meia noite. Nefte
gueira do peccado pera pode tempo tangeo o fino do nofo
rem atinar com o caminho
- - |-

* * * ** *
do eonuento de S. Fruétuofo, da prol
CCO. uincia da Piedade, & elles fere
2 Alguns cafos nos vierão colherão: mas entrando hum na .*.*.*.

{
à noticia,que por fecretos os en cella,fentio (obre fia mão peza
cobrimósagora: mas bem pode da do demonio, que lhe deuhfia
moscofitar, que paflando alguns pancada nas cotas, & diffe etas
\omens pelas pºrtas das nefas palauras: …)tais guerra, me fizer
igrejas do Porto, Lisboa, & San aqueles º as fasmativas, do que
tátèm a o tempo, que no corofe vós coas vejas dúputas. O outro
cantauão as matinas,co as vozes acodio ao eltrondo, X& ainda o
+
dos religiofos os deteue a Pieda achou e{morecido... Bhum dek
de diuina pera não executarem les publicou efte faccefo do pul }
feus deprauados intentos. Succe pito prégando nº fabredito cõ
deo tambem em Goa húa noite uento em dia do abf9fanto Pa:
|e[perarem dous homens outro triarcha, no anno de 1632, em
pêra lhe darem a mortejunto do| prefença do illutrifimo primaz
nofo conuento , & ouuindo a Dom Rodrigo da Cunha, a quem
voz do hebdomadario, que no depois declarou como auia pou
principio das matinas, entoaua, cos annos que tinha aconteci |-

} Zomine labia mea aperies, como fe" 5, 3 : :


***
--

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4 Mas -+++=
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Menores na Prouincia de Portugal. 1 69


4 Mas o leão infernal, que me mas nefe põto fe leuantou
d'antes andaua muito raiuofo: contra ele a quadrilha do infer
pela guerra, á lhe fazia do coro. no,que toda junta o feria cruel
co as armas da oração, & deua mente. Gritou pelo nome de Ie
ção o exercito fagrado dete no fu, & com elle na bocca foi fu
fo conuento de Guimaraés, no gindo até o canto da fegúdava
feu vigairo, ou capitão quiz to randa, à qual chegou moído, & / __ --

mar cruel vingãça. Foi o cafo tão quebrantado de modo, é não fe


atróz, que fó pelo nome do ofi podia ter. Os religiofos,ó ainda |
cio, fem declararem o proprio,o | eftauão no dormitorio, acodin
derão a conhecer os antigos,dil do a os gritos, o leuantarão nos
zendo tambem q era hom é judi braços, & magoados do cafo o lã
| ficado na vida,incançauel na fre çarão em o leito. Porêm ele ale
quencia do coro, &muito zelofo |gre de padecer em odio da vir
do oficio diuino. Bramindo pois | tude às mãos do maior tyranno,
o demonio,co me{mo atreuimé-| em poucos dias deu fua alma a
to, cõ que efpancou algüas vezes | Deos,laureada a nofo modo de
a N.P.S.Francifco,& queria afo |falar com coroa de gloriofo mar
gar o padre S. Antonio, lhe poz tyrio. * * * *

tambem fuas mãos violentas, &| 5. Aconteceo efte cafo ppe


facrilegas. Bateo húa noite na jlos annos de 145o, em cuja de
porta da fua cella,& e{pertãdoo |tetação fe pafou a afitencia
diffe é fofe pera o coro, porque do coro pera a capella mór,&ahi | •

! não auia nelle qué rezaffe as ma |permaneceo muito tempo. No


tinas.Foi o vigairo correndo, & canto da fobredita varanda, por
achou tudo efcuro, fem diuifar não pintarem tão horrendo ef>
netas treuas mais á huns vultos pe&taculo, que caufaria pauor,
confufos, & mal diftinótos, dos foi pintada a Virgem Senhora
quaes cuidou á ferião os religio noffa com Chrito Iefu nos bra
fos potos cõ deuação de joelhos ços ao pè da fua cruz, & N.P.S.
como coflumão etar em quãto Francifco, em cujas chagas fan
não fe começão as horas.Mãdou tifimas muitos enfermos da vil
accender o candieiro, & pôr li* la, que por feus merecimentos |

uros na etante; & ninguem lhe e{perão conualefcencia, man


refpondeo. Tornou a dizer que | dão tocar a agua, que
acodifem á fua obrigação,&to fe lhes dà al
beber."
-? •

dos ficarão tão quietos como d'-


antes. Quiz finalmête pegar nú -

d'aquelles, q etanão em o lugar (*)


} dos irmãos, pera q trouxefe lu
*
P
F-- •
CA +
|
17 o Liars I. Da bifloria Serafica dos frades
lograo de fciencia, mas por re
CAP ITV L O LIII. zão do oficio,que tinha de enfi
nar, & dete nome vfouFernand
Afonfo Correa, quando no feu
Das nufãs occupações nas e/> tetamento de 14o 5. a 9.do mez
cºlas,no tempo da pe/ie, & de Maio elegeo executor da ca
nos augmentos do pella,qtinha intituido.Nomeou
reino. em primeiro lugar a mefire Afon
fºfare do ditº mofleiro, & depois
de fua morte a qualquer, é nelle
I
Aõ nos impedia as o f/* doutor.
N guimêto
bras de piedade o fe
do coro, mas
2 Neta efcola ouuio as pri
meiras letras aquelle frei Afon
affi como os Anjos à vita do pa fo de Guimaraés,o qual fendo ja
} tº Gen. 28, triarcha Iacob º fubião, & de doutor,cu lente no conuento de
{ V• 12 •
cião pela efcada do ceo,dete mo Coimbra affitio na acclamação
do nem faltauamos nos louuo felice del-Rei D. Ioão I. appro
res da Majetade diuina, nem os uando com fua autoridade efte
proximos nos achauão nunqua grauiÍfimo aéto. O Rei,que lhe
menos nas fuas necefidades. Da ficou obrigado, efcreueo a o feu
affitécia pelos hopitaes da villa almoxarife do Porto em 12. d'-
A
temos dito:do cuidado,cõ q nel Abril, anno de 1 385. dizendo
la tomamos coadjutores, adiáte etas Palauras. 2.andamos, que
fe dirâas outras occupações erão lhe dedes , @r paguedes em cada
varias, & muitas. Mais de duas hum anno dezoito aldas de panno
centurias de annos tiuemos efco perá feu aveffir, qual for pertencen.
las publicas,nas quaes felia Grã te pera o feu fiado. Era Alda hü,
matica, & cafos de confciencia medida, que corria no feu tem
|fem ordenado,etipendio, ou pre po, cujo nome, pouco ha, nos
mio, fenão sò o proueito dos dif repetio *hum poeta catelhano, b. D.Luy:
de Gong.
cipulos. Erão aulas nefe tempo romanceando difcreto a beatifi ol. 118.
nete terceiro conuento húas ca cação da madre S.Terefa, funda
fas com porta pera o adro, em q dora dos Carmelitas defcalços.E
hoje feve a enfermaria,& dellas fe o nofo francifcano não teue
falaua a e(critura do anno de outras mercès,bê podemos dizer
1553. pela qual hum guardião, dele, é hum pobre com pouco
(endo aindaClautral, emprazou {e cõtenta,& que o amor da pa
a Gõçalo Freire hia leira de chão, tria nunqua foi interefeiro. Pe.
que estaua ólongº do efiado. O me lo 4 tambem morando nete cõ
e.Lopesna
tre era chamado Zoutor, não pe uento F. loão da Ponte, º muitas
".
chron.p !
c. 15.& 16
veZeS -

–==
-

—º

Meure, na Picancia de Portugal... :


___ |- -171
vezes faio delle pera difpor a de fortuna no anno de 1 5o 5.
tomada de Ponte de Lima, on vierão a Guimaraés, onde elle,
de auia nafcido, que contumaz que era Minitro prouincial, fa
fuftentaua contra o dito Rei D. zia então capitulo, pera que os
Ioão o partido de Catella. Foi recolhefe debaixo do feu em
tratar com feus parentes o modo | paro. Recebeu os com caridade
cõ 4 a villa fe entraria : falou co de pãe, & fogo lhes affinou tres
Rei, o qual etaua no Porto; & consentos dos Clauftraes deta
pelas fuas me{mas traças y como inofa prouincia de Portugal, em
vafíallo fiel,lhe entregou ete Po que elles principiarão a fua : os
uo com muita facilidade. quaes forão S.Francilco de Cha
3 He nete particular me #ues,o Bom Jefu de Barcellos, &
morauela acção do padreF.João #Santa Sitta de Thomar. Depois
de Chaues, que defejofo de ver lhes acrecentou ja no anno de
triunfantes as bandeiras portu: |1518, no qual gouernaua sòmê
guezas nos muros de Azamor, te a ós ditos Clauftraes;o Cõuen |
|-

auendo fido Minitro prouincial to de Nofa Senhora dos Anjºs


deixou a confolação d'affitir ne em Zurara, junto de Vila do|
te conuento por acompanhar Conde;& de todos etés quatro, |-

ofereniffimo Duque de Braganº fó-Santa Sitta tornou pera nofia


ça D. Jaimes, a quema conqui |companhia. ** * *
fta etaua encomendada. Even ! #4 Quanto eta importe à
dOzor de
º reb. Em do "lá como o braço inuióto de villa de Guimaraés,conheceo el
manuel.
} 19. Portugal,fem dar golpe, tenho la mui bem nas occafioés de pe-|
|reaua cidades, ainda perfuadia fte, quando irado o ceoco a e{-|
brio(o que paflafem a Marro pada na mão feria grandes,& pi
cos. Tornoufe a Guimaraés,on quenos,matando huns, intimidã
de tinha deixado o coração, & do os outros, de tal modo, 4 os |
aqui foi eleito em Dom Prior. pães coreceio do contagio desé
do moteiro da Cota, fendo de parauão os filhos, & os filhos fu
conigos regrantes, & depois Bifº gião dos mefmos paes. Mas nef |
po de Vifeu, como auemos de fascalamidades os frades dete |
efereuer no feu tempo. Mas tem conuento pera todos erão filhos,
agora lugar, por fer caufa, que &pera todos erão paesicurando |
pertence a efte fanto conuento, com medicinas os corpos, cos |
a muita beneuolencia, de que facramentos as almas. Das occa-|
v(ou cos primeiros fundadores fiões antigºs fabemos ito por •

e chron. da Prouincia da Piedade. Auião maior:da vltima(& queira Deos,


|m. s.&me
imor. da fido º lançados dete_reino, & | que o feja) do anno de 1599 •

Prouinc.
da Pied. tornando pera elle melhorados | achamos noticias mais claras.
|
" *-
P 2 Abra
…TF *+++++++ —r
172 Lurº 1. Da hi/toria Serafia dos frades
Abrazauale a villa, & ardia o algã em tão fanto exercicio aca
conuento, no qual erão ja falle bou a fua vida, grande premio té
cidos finquo frades, & os outros hoje recebido do Senhor.
cõfeflores,que ficauão,erão pou
cos a repeito de tanta necefida
| de. O que vendo frei Ioão de S. CAPITVLo LIV.
Iofeph , & todos os facerdotes
mancebos,nos quaes feruia o fan
|Ajudifº 05. fala dos Ter
gue da caridade chriftaam,pedi