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MISTÉRIOS DA ALEGRIA (OU GOZOSOS)

“A alegria da vinda de Jesus, o Messias esperado por todos os povos em


todos os tempos”.

1º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a Anunciação do anjo


Gabriel à Virgem Maria e a Encarnação do Verbo.

Neste mistério Maria recebe o anúncio do anjo Gabriel: “O Espírito Santo


descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc
1,35). Essa passagem evoca o livro do Êxodo: “Moisés subiu ao monte, a nuvem
cobriu o monte e a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, nela ficou o
monte envolvido durante sete dias” (Ex 24,15-16). Do mesmo modo
a “nuvem”, a “sombra” e a “glória do Senhor” cobriram Maria, encheram seu seio
virginal e ela tornou-se Templo do Senhor, o primeiro Sacrário do
mundo.Nesse “Templo”, nesse “Sacrário” Maria com sua carne revestiu o corpo do
seu filho Jesus (a luz do mundo), e o Senhor revestiu Maria com sua Luz e sua
Glória. Assim, o Senhor reuniu em Maria, como num sol, tudo o que todos os
santos juntos têm de luz e de esplendor, conforme descreve o
Apocalipse: “Apareceu no céu uma Mulher revestida de sol, a lua debaixo dos pés e
na cabeça uma coroa de doze estrelas. E a Mulher estava grávida e deu à luz um
filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro” (Ap
12,1.5);

2º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a visita de Maria


Santíssima à sua prima Isabel.
Apesar de trazer o Filho de Deus no próprio ventre, Maria não se instala
comodamente nessa sublime honra, mas com o coração motivado pelo Espírito de
Deus, pensa em sua prima Isabel que já tinha idade avançada e estava
necessitando de sua ajuda. Tais circunstâncias especiais fizeram com que Maria
deixasse a cidade de Nazaré e viajasse cerca de 112 Km em direção à pequena
cidade da Judéia de nome “Ain Karim”, situada 6 Km a oeste de Jerusalém.
Imaginemos o esforço e o cansaço, frente às necessidades materiais de
alimentação e de pousada, a que Maria se submeteu durante quatro a cinco dias da
longa jornada pelos caminhos estreitos e íngremes daquela região árida, seca e
montanhosa. Seguia apressadamente em direção à casa de Isabel, não para ser
servida, mas para servir nas atividades domésticas, acompanhar a gestação de sua
prima e, sobretudo, para evangelizá-la e levar-lhe a Boa Nova. Após exaustiva
viagem, “Maria entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando ouviu a
saudação de Maria, a criança estremeceu no seu ventre e Isabel ficou repleta do
Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me
visite?” (Lc 1,39-45);

3º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre o nascimento do


Menino Jesus em uma gruta, em Belém.

Com a finalidade de coletar impostos, um decreto do imperador romano,


determinando a realização de um censo em todo o império romano, fez com que
José e Maria deixassem a cidade de Nazaré e viajassem cerca de 112 Km até a
pequena cidade judaica de Belém, situada nas proximidades de Jerusalém. Embora
o bebê no ventre de Maria pudesse nascer a qualquer momento, eles tiveram que
viajar cerca de quatro a cinco dias e, dessa maneira, Jesus nasceu exatamente nos
arredores da cidade profetizada para o seu nascimento (cf. Mq 5,2).
Reflitamos também sobre o acontecimento mais importante da história
humana: “O Verbo de Deus todo-poderoso, criador de todas as coisas, Senhor do
universo, merecedor de toda honra e glória (cf. Jo 1,1-18), nasce escondido numa
manjedoura e assume de modo completo nossa condição humana limitada, para
trazer-nos salvação. Por isso toda a Igreja se alegra e exulta, porque o Natal é a
realização profunda da misericórdia de Deus. É comovente recordarmos que Deus
quis se fazer homem, igual a nós em tudo, menos no pecado” (cf. Hb 4,15);

4º MISTÉRIO DA ALEGRIA: A apresentação do Menino Jesus no


Templo de Jerusalém.

“Simeão, movido pelo Espírito Santo, profetiza sobre o futuro do Menino e de


Sua Mãe. Jesus, que veio para a salvação de todos os homens, não obstante, será
sinal de contradição” (Lc 2,34).
“Ele é alvo de contradição porque, enquanto muitos o reconheceram, outros o
perseguiram e tentaram eliminá-lo.Por ocasião da visita dos Reis Magos, sabendo
que Jesus era o rei de Israel, Herodes decide matá-lO e empreende uma
perseguição contra Ele; manda matar todos os meninos de Belém e de todo o
território vizinho, de dois anos para baixo. Maria e José fogem para o distante e
desconhecido Egito, terra da qual nem sequer conheciam a língua, levando consigo
o menino. Uma viagem longa, difícil, sofrida. Maria a empreende por amor e pela
segurança de seu Filho. Jesus também é contradição para o materialismo, ao
anunciar a realidade de um Reino que transcende o mundo em que vivemos. É
contradição para o individualismo, quando nos apresenta uma fé a ser vivida em
comunidade, dentro de uma relação fraterna: “Vós todos sois irmãos” (Mt 23,8;
2,13-23). Também é contradição, pois foi flagelado, cravado numa cruz e tornou-se
sinal de paz entre o céu e a terra. Aceitando o próprio sacrifício, santificou a dor e a
morte. Deu-lhe sentido, para que pudéssemos nos identificar com Ele nessa hora,
transformando a morte em trampolim para a vida nova, eternamente feliz”;

5º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a perda e o reencontro


do Menino Jesus, no Templo de Jerusalém, entre os doutores da Lei

O Evangelho nos apresenta a Sagrada Família no momento em que Jesus


completou doze anos. Maria e José, pais de Jesus, vão ao Templo em Jerusalém
todos os anos para a festa da Páscoa, e em tudo eles eram obedientes à Lei
Mosaica e à Aliança com Deus.
Naquela época era habitual várias famílias reunirem-se em caravanas para
fazer a romaria anual a Jerusalém. Costumavam formar dois grupos para
caminhadas com duração de quatro a cinco dias: um de homens e outro de
mulheres e as crianças podiam ir com qualquer dos dois grupos, razão pela qual
passou inadvertida a ausência do Menino na jornada de regresso, na ocasião em
que as famílias se reagruparam para acampar no final do dia. Maria e José não o
encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. O Evangelho nos diz que “três
dias depois, encontraram o menino no Templo sentado no meio dos doutores da
Lei, escutando e fazendo perguntas” (Lc 2,46). Essa era a maneira usual de ensinar
da época, por isso se deduz que Jesus está no Templo ensinando os doutores;

ORAÇÃO DE INTENÇÕES
Ó Deus, Pai de misericórdia e de infinita bondade, que nos destes a Sagrada
Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para
que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa
casa.
Nós vos suplicamos, ó Pai, bênçãos para que haja paz, harmonia e boas
relações entre todos os povos, raças e nações. Que seus governantes, iluminados
pela força do Espírito de Deus e conscientes do dever que lhes foi conferido,
busquem a dignidade, a liberdade, o respeito à vida, promovam políticas voltadas
para o bem comum e criem condições para que se evitem guerras e todas as
formas de violência, em todo mundo. Nós vos suplicamos ó Pai, por Cristo Jesus,
Vosso Filho, que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo. Amém!

MISTÉRIOS DOLOROSOS
1º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a agonia de Jesus no
horto das oliveiras.

Antes de dirigir-se ao horto das oliveiras onde teve início aquela noite de
agonia em que sofre terrivelmente por nossos pecados, Jesus nos inspirou
grande confiança e esperança quando, ao despedir-se desta vida, proferiu o
“sermão de adeus” ou “oração sacerdotal”: “Pai, chegou a hora. Glorifica o
teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, e, porque lhe deste poder
sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. Ora,
a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro,
e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a
obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória
que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse...” (Jo 17,1-5). “Não te rogo
pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu
é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles... “Pai santo, eu não te
rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua
palavra... Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver,
para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me
amaste antes da fundação do universo” (Jo 17,9- 10.20.24);

2º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a sangrenta flagelação


de Jesus atado à coluna.

Os açoites ou flagelação, eram aplicáveis apenas aos escravos e rebeldes a


Roma; o flagelo usado era feito de tiras de couro, com pedaços de ferro e de osso
fixados nas pontas e, a cada golpe, provocava feridas profundas e abundante
sangramento. Imaginemos a cena cruel: Jesus despojado das vestes até a cintura,
inclinado sobre a coluna, com as mãos atadas às argolas. O profeta Isaias
descreve com muita precisão (cerca de 760 anos a.C.) o Servo do Senhor no
momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo
agradável a Deus. Como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo,
em silêncio, Jesus se deixa conduzir ao matadouro (cf. Is 53,1-12). E é de sua
morte, aceita livremente, que provém a justificação para todas as pessoas. O
dramático encontro com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade,
naquele momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide sua
morte e o condena a flagelação;

3º MISTÉRIO DOLOROSO: A coroação de espinhos de Jesus.


“Enquanto Jesus era submetido a escárnios pelos soldados no pretório,
Pilatos tentava conciliar o interesse de não comprometer sua posição política com
seu dever de salvar um inocente. Nessas circunstâncias, Jesus em atitude de paz,
doçura e dignidade, mas extremamente maltratado, exausto, o corpo dilacerado
pelos açoites, o rosto cheio de hematomas e escarros, a cabeça perfurada por
espinhos da coroa, uma vara como cetro nas mãos e um velho manto de púrpura
sobre os ombros, foi trazido à presença de Pilatos. Este, diante da multidão, diz:
“Ecce homo!”, querendo dizer, “Eis o Homem!”, ou seja: vede em que estado de
impotência está reduzido o homem que acusais de sublevar o povo contra a
dominação romana!52. Esta imagem em que Jesus é lançado no maior desprezo
ficou como símbolo vivo da dor humana, sob a invocação de “Ecce homo”. O Papa
João Paulo II ao citar essa invocação diz: nesse desprezo, revela-se não somente o
amor de Deus, mas o próprio sentido do homem; “Ecce homo” (em latim, eis o
Homem), expressa o verdadeiro sentido do ser humano, ou seja, quem quiser
conhecer o homem deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz e o seu
cumprimento em Cristo, Deus que se rebaixa por amor “até a morte, e morte de
cruz”;

4º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre Jesus carregando a


cruz a caminho do Calvário.

Levaram Jesus para o Calvário, uma colina fora dos primitivos muros de
Jerusalém, a fim de que o sangue de um condenado não manchasse o território da
Cidade Santa. Nesse percurso, Jesus exausto, profundamente abalado pela perda
de sangue ocorrida na flagelação, respiração ofegante, rosto desfigurado e
banhado de sangue e suor cai três vezes sob o peso da cruz, segundo a tradição
da Via-Sacra, por isso obrigaram Simão Cireneu a levar a cruz atrás dele.
“Seguindo Cristo no caminho para o Calvário, o homem aprende o sentido da dor
salvífica... Como contemplar a Cristo carregado com a cruz ou crucificado, sem
sentir a necessidade de se fazer “cireneu” em cada irmão abatido pela dor ou
esmagado pelo desespero?”

5º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a crucificação e morte


de Jesus.

Juntamente com as marteladas que cravam Jesus, ressoam as palavras


proféticas do Salmo: “transpassaram as Minhas mãos e os Meus pés, contaram
todos os Meus ossos. E eles mesmos olham para Mim e contemplam, repartem
entre si as minhas roupas e sobre minha túnica tiram a sorte” (Sl 22 (21),17-19; cf.
Lc 23,34).Jesus nos instantes finais de sua vida, ensangüentado e chagado dos
pés à cabeça, no ápice da sua dor, quando poderia, por sua natureza humana, ser
levado a se revoltar contra a injustiça de sua condenação e do terrível suplício,
dirige a seu Pai uma afetuosa oração: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que
fazem” (Lc 23,34). Com estas palavras Jesus pede perdão não só para aqueles que
o crucificaram, mas também para aqueles que com os seus pecados foram causa
da sua crucificação, isto é, para todos os pecadores; Jesus veio a este mundo
assumir de modo completo nossos pecados para nos trazer a salvação. Esta é a
prova suprema do amor, da misericórdia e da justiça perfeita de Deus (cf. Lc 23,34);

ORAÇÃO DE INTENÇÕES
Que a vossa poderosa mão ó Cristo Jesus, derrame infinitas graças sobre as
pessoas cujos nomes vêm ao nosso coração, bem como sobre aquelas que estão
desviadas da vossa Igreja; que elas sejam tocadas com a luz e a força do Espírito
Santo e recebam a graça da conversão com adesão aos valores do Evangelho e ao
serviço do vosso Reino. Sabemos, ó Pai de infinita bondade, que cada irmão
excluído e marginalizado em nossa sociedade é parte do mesmo Corpo de Cristo
ao qual pertencemos. Abençoai todos esses irmãos que sofrem: os pobres e
famintos que residem em favelas, os moradores de rua, os encarcerados, os
portadores de necessidades especiais, aqueles que padecem por velhice,
desemprego, injustiça e conflitos familiares, para que encontrem alívio e conforto no
amor misericordioso de Deus. Nós vos suplicamos ó Pai, por Jesus Cristo, vosso
Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém!

MISTÉRIOS GLORIOSOS

1º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a ressurreição de Jesus


e sua aparição aos discípulos.

Cristo ressuscitou com seu próprio corpo, mas Ele não voltou a uma vida
terrestre, pois o Pai o glorificou. Da mesma forma que nele, todos ressuscitarão
com o próprio corpo que têm agora, porém esse corpo será “transfigurado em corpo
de glória”, em “corpo espiritual” (cf. 1Cor 15,44).
Jesus nos inspirou grande confiança e esperança quando nos disse: “Eu sou
a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que venha a morrer,
viverá” (Jo 11,25; 6,35-40; 47-54). Esta verdade é a fonte de nossa esperança e de
nossa alegria. Que paz ela traz ao nosso coração, enquanto caminhamos
diariamente para a nossa própria ressurreição.
“Não é o encontro com Jesus vivo e ressuscitado que converte e fascina
tantos homens e mulheres, que desde o início do cristianismo continuam a deixar
tudo para o seguir e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho? “Se Cristo não
ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1Cor15,14). Assim, devemos
constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a
sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado nos é dada
a certeza da nossa ressurreição”;

2º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a Ascensão de Jesus ao


céu.

Com a ascensão culmina a exaltação de Cristo, que já se realiza na


Ressurreição, e que constitui, juntamente com a Paixão e a Morte, o mistério
pascal. Mesmo desaparecendo aos olhos dos Apóstolos, Jesus continua presente
na sua Igreja, pelo dom do Espírito Santo e no sacramento da Eucaristia. Com
a ascensão, Jesus Cristo leva toda a riqueza de sua convivência conosco para
junto do Pai, na glorificação de Sua natureza humana, pela qual nossa natureza é
glorificada. Naquela hora Cristo deve ter experimentado uma profunda alegria
suscitada pelo sentimento da missão cumprida, cuja essência é revelar-nos o Pai e
nos fazer amá-lo.
O Senhor Jesus subiu aos céus, para estar sentado à direita do Pai, (cf. Rm
8,34; Hb 10,12; Sl 110 (109),1) porque o Seu corpo, que pela Ressurreição estava
dotado da glória imortal, não era adequado à morada nesta vida terrena, mas para
tomar posse do trono altíssimo da Sua Glória. A Ascensão representa o
reconhecimento do triunfo e exaltação de Cristo por parte do mundo celestial: É
justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a
adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-
aventurados da Glória;

3º MISTÉRIO GLORIOSO: A descida do Espírito Santo sobre Nossa


Senhora e os discípulos.

Cinqüenta dias depois da Páscoa, cumpre-se a promessa de Jesus: “Quando


chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo
lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que
encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo
que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do
Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os
inspirava” (At 2,1-4).
Este acontecimento maravilhoso e extraordinário inunda a vida dos discípulos
de Jesus com uma luz jamais experimentada. A vinda do Espírito Santo provocou
em todos os presentes uma compreensão mais profunda das maravilhas de Deus.
“O Espírito Santo é a alma da Igreja. A ela Ele foi dado como garantia de seu
caminho, de modo que o mal nunca prevaleça contra a Igreja, e os discípulos,
unidos aos seus pastores, conheçam com segurança os caminhos do Senhor e
tenham força para colocá-los em prática. O Espírito Santo é Deus com o Pai e o
Filho. Ele é o amor que existe entre o Pai e o Filho. Ele procede do Pai e do Filho”;

4º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a triunfante Assunção


de Nossa Senhora ao céu.

João Paulo II, em Catequese sobre Nossa Senhora, diz que São Paulo, na 1ª
Carta aos Coríntios, faz uma espécie de comentário aprofundado do mistério da
Assunção: “Mas a verdade é que Cristo foi ressuscitado, e isso é a garantia de que
os que estão mortos também serão ressuscitados. Porque, assim como por meio de
um homem (Adão) veio a morte, assim também por meio de um homem (Cristo)
veio a ressurreição. Assim como, por estarem unidos com Adão, todos morrem,
assim também, por estarem unidos com Cristo, todos ressuscitarão. Porém cada
um será ressuscitado na sua vez: Cristo, o primeiro de todos; depois os que são de
Cristo, quando ele vier” (1Cor 15,20-23; cf. 1Cor 15,53-55).
“Maria é a primeira dentre „os que são de Cristo‟. No mistério da Assunção,
Maria é a primeira a receber a glória; a Assunção representa quase o coroamento
do mistério pascal (paixão, morte e ressurreição de Jesus). Cristo ressuscitou
vencendo a morte, conseqüência original, e abraça com a sua vitória todos aqueles
que aceitam com fé a Sua ressurreição. Antes de tudo, abraça Sua Mãe, libertada
da herança do pecado original mediante a morte redentora do Filho na cruz. Hoje,
Cristo abraça Maria, Imaculada desde a sua concepção, acolhendo-a, no céu, no
corpo glorificado quase que a aproximar-lhe o dia do seu regresso glorioso à terra,
o dia da ressurreição universal, esperada pela humanidade”;

5º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a coroação gloriosa de


Nossa Senhora como Rainha do céu e do universo.

“Então abriu-se o Templo de Deus no céu, a Arca da Aliança apareceu no


Seu Templo... Depois, apareceu um grande sinal no céu: uma mulher vestida de
sol, tendo a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a
cabeça” (Ap 11,19 e 12,1).
“Essa visão do Apocalipse contempla Maria não só como Rainha de toda a
criação, mas como Mãe da Igreja. E como Mãe da Igreja, Maria elevada e coroada
no céu, não deixa de ser envolvida na história da Igreja, que é a história da luta
entre o bem e o mal. São João, o autor do Apocalipse, escreve: “Apareceu então
outro sinal no céu: um grande dragão vermelho” (Ap 12,3). Este dragão (satanás) é
conhecido pela Sagrada Escritura como inimigo da Mulher, desde os primeiros
capítulos do livro do Gênesis (cf. Gn 3,14-15). No Apocalipse, o mesmo dragão
coloca-se diante da Mulher que está para dar à luz, preparando-se para lhe devorar
o filho apenas ele nascesse (cf. Ap 12,4). O pensamento dirige-se de modo
espontâneo para a noite de Belém e para a ameaça que a ordem perversa de
Herodes representava para a vida de Jesus recém-nascido, a qual mandava “matar
todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, da idade de dois anos
para baixo” (Mt 2,16);

ORAÇÃO DE INTENÇÕES
Ó Senhor, nosso Deus Altíssimo, o Pentecostes mostra a primeira
comunidade de cristãos reunida com a Mãe de Jesus e fortalecida pela poderosa
efusão do Espírito Santo, pronta para a missão evangelizadora.
Pela intercessão da Virgem Maria, a Mãe de Deus e Mãe do meu Salvador,
renovai nos dias atuais o vigor de Pentecostes: Vinde ó Espírito Santo! Tocai
nossos corações, inundai nossas almas e fortalecei-nos com Vossa presença;
iluminai nossas mentes para que possamos vivenciar nas nossas relações
cotidianas o que escutamos e pedimos em oração; libertai-nos de toda fraqueza,
das enfermidades físicas e espirituais (vícios, concupiscência, mágoa, depressão);
lavai-nos com a água da cura e do amor, convertei-nos e restaurai nossas almas.
Nós vos suplicamos ó Pai Santo, por Jesus Cristo, vosso Filho amado, que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo. Amém!

MISTÉRIOS DA LUZ (OU LUMINOSOS)

1º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre o Batismo de Jesus no rio


Jordão.

“Em Cristo não havia pecado, mas Deus colocou sobre Ele a culpa dos
nossos pecados para que nós, por seu intermédio, fôssemos feitos justiça de Deus”
(2Cor 5,21).Assim, enquanto Cristo desce à água do rio como inocente, o céu se
abre e a voz do Pai proclama-o Filho muito amado (cf. Mt 3,17), ao mesmo tempo
em que o Espírito vem sobre Ele para investi-lo de poder na missão que o espera.
Deste modo, no batismo de Cristo manifestou-se o mistério da Santíssima
Trindade, e os fiéis, ao receberem o Batismo, ficam consagrados pela invocação e
virtude da Trindade Beatíssima. Igualmente o abrir-se dos céus significa que a força
deste sacramento, a sua eficácia, vem de cima, de Deus, e que por ele fica
expedida para os batizados a via do Céu, fechada até então pelo pecado original
(cf. Lc 3,21).
“A efusão do Espírito no batismo introduz o crente como ramo na videira que
é Cristo (cf. Jo 15,5), o que constitui membro de seu corpo místico (cf. 1Cor 12,12;
Rm 12,5). Se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus pela
inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-
se com uma vida medíocre, pautada por uma religiosidade superficial”;

2º MISTÉRIO DA LUZ: A auto-revelação de Jesus nas Bodas de


Caná.

O primeiro milagre em Caná da Galiléia constitui um passo decisivo na


formação da fé dos discípulos. Maria foi chamada por Jesus como “Mulher” neste
primeiro milagre e outra vez no Calvário. Entre esses dois acontecimentos da vida
de Jesus, Caná e o Calvário, há várias analogias. Situam-se um no começo e o
outro no fim da vida pública, como para indicar que toda a obra de Jesus está
acompanhada pela presença de Maria Santíssima. O seu título de Mãe adquire
ressonância especialíssima: Maria atua como verdadeira Mãe de Jesus nesses dois
momentos em que o Senhor manifesta a Sua divindade. Ao mesmo tempo, ambos
os episódios assinalam o especial interesse e desvelo de Maria Santíssima pelos
homens: Em Caná da Galiléia ela intercede quando“ainda não chegou a hora”; no
Calvário Maria oferece ao Pai a morte redentora de seu Filho e aceita a missão que
Jesus lhe confere de ser Mãe de todos os crentes, representados por João, o
discípulo amado (cf. Jo 2,3).
A palavra “Mulher” é uma clara referência ao triunfo da mulher e da sua
linhagem sobre a serpente (cf. Gn 3,15). Efetivamente, na morte de Cristo temos o
triunfo sobre a serpente, pois Jesus ao morrer redime-nos da escravidão do
demônio;

3º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre o anúncio do Reino de Deus


e o convite de Jesus à conversão.

O início da pregação do Evangelho foi marcado por um apelo de


Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho”(Mc 1,15), daí a necessidade da
conversão. Assim, Jesus iniciou sua pregação anunciando o advento do Reino de
Deus convidando à conversão e perdoando os pecados de quem se dirige a Ele
com humilde confiança. É o início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá
exercendo até o fim do mundo, especialmente através do Sacramento da
Reconciliação confiado a sua Igreja (cf. Jo 20,22-23). A conversão é um processo
permanente de transformação da própria conduta e tem como meta a santificação.
A conversão não é feita apenas de boas intenções, mas, sobretudo com atitudes
concretas que alterem a forma de viver. Peçamos, portanto, ao Espírito de Deus o
dom da conversão para que, pelo processo de santificação, possamos produzir
bons frutos em nossa família, no trabalho, na igreja e na sociedade;

4º MISTÉRIO DA LUZ: A transfiguração de Jesus.

A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus
vivo, o “Mestre começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse
a Jerusalém e sofresse... que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (Mt
16,21); Pedro rechaça este anúncio, os demais também não compreenderam. É
neste contexto que se situa o mistério da Transfiguração: o rosto e as vestes de
Jesus tornam-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias apareceram, “falavam de sua
partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9,31).Uma nuvem luminosa os
cobre e uma voz do céu diz: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o” (Lc 9,35).
“Por um instante, Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a
confissão de Pedro. Mostra também que, para entrar em sua glória (cf. Lc 24,26),
deve passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus
sobre a montanha (cf. Ex 24,15-16; 1Rs 19,8-9); a Lei e os profetas tinham
anunciado os sofrimentos do Messias. A Paixão de Jesus é sem dúvida a vontade
do Pai: o Filho age como servo de Deus. A nuvem evidencia a presença do Espírito
Santo. Assim, na Transfiguração a Trindade inteira manifesta-se: o Pai, na voz; o
Filho, na pessoa de Jesus; o Espírito Santo, na nuvem luminosa”;

5º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre a Eucaristia.

Na véspera de sua paixão e morte Jesus reúne seus discípulos no cenáculo


e, enquanto estavam comendo, tomou o pão e pronunciou a bênção, partiu-o, deu-o
aos discípulos e disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Em seguida, pegou um
cálice, deu graças e passou-o a eles, dizendo: “Bebei dele todos, pois este é o meu
sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos
pecados” (Mt 26,26-28).
Jesus, nessa ocasião da última ceia, lavou os pés dos discípulos e,
despedindo-se dos seus, disse-lhes: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos
uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos
outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos
outros” (Jo 13,34-35).
“Para deixar-lhes uma garantia deste amor, para nunca afastar-se dos seus e
para fazê-los participantes de sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memória de
sua morte e de sua ressurreição, e ordenou a seus discípulos que a celebrassem
até a sua volta, “constituindo-os então sacerdotes do Novo Testamento” (cf. Lc
22,7-20; 1Cor 11,23-26; At 2,42-46; 20,7). “O Sacramento da Ordem aí está, para
perenizar, tornar sempre presente esse Mistério Pascal, pelopoder que faz os
ministros agirem na pessoa do Cristo, representando-o através de suas palavras,
do seu amor, dos seus gestos salvíficos”;

ORAÇÃO DE INTENÇÕES
Ó Senhor, nosso Deus e Pai Santíssimo, renovai em vossos filhos adotivos a
graça batismal para que amadureçam na fé, sejam santificados como membros de
Cristo, templos do Espírito e co-herdeiros do Reino de Deus.
Derramai infinitas graças sobre aqueles que vós amais e que ainda não vos
amam. Tocai-nos com Vosso Espírito, iluminai nossas mentes para que possamos
compreender Vossa Palavra; livrai-nos de todo o mal, das tentações, dos maus
pensamentos e restaurai nossa parte afetiva; concedei-nos o dom de perdoar
aqueles que magoaram e feriram nosso coração, retirai todas as marcas negativas
e, sobretudo, o ressentimento, a tristeza e a depressão.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém!