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RESUMO DE DIREITO CIVIL

LINDB(Lei de Introdução ao Direito Brasileiro): Norma sobre direito; Supradireito; Lex Legum;

INTERPRETAÇÃO DA NORMA JURIDICA: toda norma jurídica precisa ser interpretada para
determinar o seu sentido. Não existe mais aplicação dos antigos princípios latinos (in claris cessat
interpretation; in claris non fit interpretation), mesmo que os artigos sejam simples, demandam
interpretação.

Não existe um meio mais correto de interpretação. No passo acreditava-se na interpretação


literal/gramatical. Atualmente, o juiz deve optar pelo melhor meio de interpretação, qualquer deles.

Interpretação histórica: leva em consideração, Processo legislativo e Fatos sociais do passado.

Interpretação sociológica (teleológica): e aquela que busca o sentido e o alcance da norma nos
fins sociais a que se dirige.

=> Sentido das Normas: Significado do vocábulo;


=> Alcance das Normas: Âmbito de aplicação das normas jurídicas,

APLICAÇÃO DA NORMA JURIDICA:

Subsunção: é o enquadramento do fato concreto ao conceito abstrato contido na norma.


Positivismo Jurídico: Subsunção clássica – fato  norma - positivismo jurídico, considera o direito
sinônimo de lei, tem prevalência pela interpretação gramatical literal. Hans Kelsen, teoria pura do direito,
acreditava-se que o direito estava dentro da lei, protegia-se o direito cercando a lei, não deixa o direito ser
contaminado por outros valores, como: sociologia, psicologia, filosofia etc. o Nazismo foi um fruto do
Positivismo jurídico.

Pós-positivismo jurídico: Miguel Reale passa considerar o direito como a soma de três fatores - fato 
norma valor – o direito é deduzido destes três elementos, fazendo uso dos valores de outras ciências, o
direito está na mão de todos operadores, essa é a subsunção moderna.

LACUNA (SÃO MEIO DE INTEGRAÇÃO DO DIREITO):

É a ausência de norma jurídica que regule determinado fato concreto;

(Lacuna propriamente dita / lacuna por omissão – Art. 4º LINDB): resolve a lacuna pelo uso da Analogia,
Costumes e Princípios Gerais de Direito. Doutrina tradicional determina uma ordem a ser seguida, para os
tradicionalistas há uma ordem, para os novos doutrinadores não há uma ordem, logo a ordem: 1º analogia; 2º
os costumes; 3º Princípios Gerais do Direito.

Analogia: consiste na aplicação de uma norma distinta para hipótese semelhante, tem por fundamento
principio da igualdade de tratamento: (onde existe a mesma razão, deve existir o mesmo direito);

Costumes: consiste na pratica publica geral e reiterada de determinado ato com a crença de sua
obrigatoriedade jurídica;
Elementos do costume: o elemento objeto é a conduta; o elemento subjetivo é o psicológico que é a
convicção de sua obrigatoriedade;

Espécies:
Praeter Legen: que está alem da letra da lei; regula uma situação que não está na letra da lei, ex.: “cheque
pré-datado”; deposito antecipado de cheque pré-datado caracteriza abuso de direito e dano moral “in re ipsa –
sumula 370 STJ - pela força dos próprios fatos, é suficiente a prova dos fatos”, o juiz deduz pelos fatos que
está presente os danos morais.
Secundum Legen: é o costume que está de acordo com a lei, é aquele que a lei determine que seja
observado o costume, art. 113 CCB/2002;
Contra Legen:é o contrario à lei, não é aceito para concursos; somente a lei pode revogar a própria lei, o
desuso e o costume contra legen não revoga lei.

Principio Gerais de Direito: são regras universalmente aceitas, mas não necessariamente positivadas. Ex.:
“Não causar dano a outrem – neminem leadere; viver honestamente – vivere honest; dar a cada um o que é
seu; aquele pelo qual a boa-fé sempre se presume”;

***Antinomia de 1º grau é aquela solucionada com a aplicação de um único critério:


=>Especialidade: Lei Especial prevalece sobre Lei Geral, ex.: CDC prevalece sobre disposição conflitante do
CCB; não quer dizer que o CDC revoga o CCB tacitamente.
=> Cronológico: Lei posterior prevalece sobre Lei Anterior;
=>Hierárquico: Lei superior prevalece sobre Lei inferior;

****Antinomia de 2º segundo grau é aquela em que há um conflito entre os critérios: solução é utilizar
metas critérios, critérios sobre critérios.
=> Especialidade x Hierárquico: Prevalece o critério hierárquico;
=> Cronológico x Hierárquico: Prevalece o critério hierárquico;
=>Especialidade x Cronológico: Prevalece o critério da especialidade;

(Lacuna de colisão / conflito / antinomia): é o conflito entre duas normas dois princípios ou entre uma
norma e um principio aplicáveis ao mesmo caso concreto.

VIGENCIA DA LEI NO TEMPO (Art. 1º LINDB):


PROMULGAÇÃO: é ato do chefe do Poder Executivo que autentica a lei e determinar sua observância;

PUBLICAÇÃO: publicação no diário oficial; data da publicação é sempre aquela escrita em vermelho lá
embaixo no texto da lei;

INICIO DA VIGENCIA DA LEI: (verificar a vigência das emendas constitucionais)


a) Pelo legislador: o legislado vai determina a data de entrada da vigência da lei ex.: Novo CPC,
CCB/2002 entrou em vigor 11 de janeiro de 2003;
b) Vigência imediata: o legislado pode determinar a vigência imediata da lei, sem vacacion legis, Lei
Complementar 95/98 diz que essa espécie deve ser adotada em caráter excepcional.
c) Omissão legislativa: aplica-se o art. 1º caput e §1º da LINDB, 45 dias após oficialmente publicada;
nos estado estrangeiro que a admitam será 3 meses após oficialmente publicada;

Principio do prazo único ou simultâneo (Principio da vigência sincrônica):a lei entra em vigor ao mesmo
tempo em todo o território nacional. Na antiga lei de 16, vigiava-se o principio do prazo progressivo, hoje não
existe mais.

Contagem do prazo de vacation leges (Lc. 95/98, art. 8º):a contagem do prazo inicia-se no dia de
publicação e a lei entrará em vigor no dia subseqüente ao ultimo dia do prazo da “vacation legis”, não
importando se é dia útil ou não.

Atenção: Estes prazos da LINDB não são aplicáveis aos atos administrativos normativos. Ex.:
Decretos, Resoluções, portarias, provimentos, circulares etc. No silencio da autoridade a vigência é
imediata.

REVOGAÇÃO DA LEI: é o ato de retirar a vigência de uma norma valida, em razão do principio da
supremacia da lei, somente lei revoga lei. Revogação expressa / tácita, expressa quando a lei nova faz
menção expressamente sobre a revogação de lei anterior; tácita é quando há incompatibilidade entre as leis.
Ab-rogação: é a revogação total da norma, CCB/2002 Ab-rogou o CCB/16; Derrogação: é revogação parcial
da norma, CCB/2002 derrogou o C.Com.1850.

REPRESTINAÇÃO: é a recuperação da vigência de uma lei anteriormente revogada, mediante a revogação


da lei revogadora. Em regra não ocorre a represtinação, mas não é proibida. Só ocorrerá represtinação por
determinação expressa do legislador.

Ex.: Lei A ----- revog. pela --------- Lei B --------revog. Pela -------- Lei C ------que represtinou a lei A;

Nos efeitos da represtição, a lei revogada represtinada por uma nova lei voltaria a ter efeitos para o passado,
extunc, ou teria efeitos para o futuro, exnunc, após a represtinação?

Importante: a lei que represtinar outra lei só pode vigorar para o futuro, efeito EXNUNC, não retroage.

Controle concentrado de constitucionalidade represtinação (STF): Lei somente pode ser revogada por
outra lei valida, se o STF determinou que a lei revogadora é inconstitucional, ou seja, inválida, ela não tem
força para revogar lei anterior, principio da supremacia da lei, logo a decisão da corte suprema operará efeitos
represtinatorios.

Importante: os efeitos operados pela decisão do STF, via de regra é EXTUNC, retroagirá.
Excepcionalmente, modulação dos efeitos pelo STF, por conveniência política, pode-se operar efeitos
EXNUNC, não retroagira.

Ex.: Lei A ----- revog. pela --------- Lei B ---------- STF:----- Supremo determina a inconstitucionalidade da
Lei “B”, que operará efeitos represtinarios na lei A e por fim podendo gerar efeitos retroativos
EXTUNC, retroagir; ou vigorar para o futuro EXNUNC, não retroagir.

CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO 2002


1) Pessoa Natural / Física:

PERSONALIDADE JURIDICA

Personalidade Jurídica (Subjetividade): é a aptidão genérica para ser titular de direitos e deveres, as
coisas não tem personalidade jurídica, os animais são considerados coisas ou bens semoventes, são apenas
objetos de direito.
Inicio da personalidade: adotado no Brasil teoria natalista, tem início a partir do nascimento com vida, art. 2º
CCB/2002.
Antes do nascimento, ficam os direitos patrimoniais do nascituro resguardados até o nascimento com vida,
após esse fato jurídico os direitos possíveis são todos entregues a pessoa. Os direitos ficam condicionados
até que o nascituro nasça.

INCIO DA PERSONALIDADE JURIDICA:


Teoria natalista: não consegue garantir os direitos da personalidade, pois não faz sentido resguardar direito
a vida do nascituro após nascer, não faz sentido garantir ao nascituro a gestação saudável após ele nascer,
não é possível garantir direito à alimentação somente após nascer. É preciso que os direitos do nascituro
tenham efetividade antes mesmo do seu nascimento.

Teoria Natalista
(Resguarda os direitos do nascituro) ----- (nasceu com vida confere os direitos patrimoniais e da personalidade)
Conc.-------------------------------------Nasc. Com vida|^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^->

Teoria da personalidade condicional: defende que a personalidade inicia-se com a concepção, contudo
é deferido ao nascituro apenas uma personalidade condicional. A personalidade está condicionada a evento
futuro e incerto, que é o nascimento com vida. Mesma coisa da teoria natalista.
Teoria da personalidade condicional
(Resguarda os direitos do nascituro) ----- (nasceu com vida confere os direitos patrimoniais e da personalidade)
Conc.-------------------------------------Nasc. Com vida|^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^->
Teoria concepcionista: visão radical: defende que a personalidade ocorre a partir da concepção, o
nascituro tem todos os direitos patrimoniais e da personalidade.

Teoria concepcionalista
(Confere todos os direitos ao nascituro de uma só vez)
Conc.^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^- ^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-> confere tudo desde a concepção.

Visão moderada (Maria Helena Diniz): diz que há dois tipos de personalidade jurídica:
I) formal: confere aos nascituros os direitos da personalidade desde a concepção; resguarda os direitos
patrimoniais para ser entregue após nascimento com vida.
II) material: confere os direitos patrimoniais após nascimento com vida.

Teoria moderna de Maria Helena Diniz


(Formal: Direitos da personalidade - concepção) -------------(Material: Confere os direitos patrimoniais reguardados)
Conc.+++++++++++++++++++++++++++++++Nasc. com vida ^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^-^- ||>

O nascituro fará jus à herança se nascer com vida, pois se nascer morto (natimorto) a herança
retorna ao monte mor e a doação ao doador.

Cuidado só aplique estas teorias se a banca aprofundar a discussão destas teorias, se não entrar
em detalhes é para assinalar a teoria positivada no CCB/2002 teoria natalista. Jurisprudência está
adotando a teoria concepcionista.

Concepção: posição que tem prevalecido, inclusive na jurisprudência, é o momento da nidação. Nidação é
a fixação do embrião formado no útero, é o momento em que as células começam a se multiplicar, leva em
torno de 4 a 14 dias após a formação do embrião. Por isso, a pílula do dia seguinte após a relação, não é
considerado uma droga abortiva, pois o que se faz antes da nidação não é abortivo, o que se faz após a
nidação já é considerado aborto, crime.

Decisão do STF: Autorizou pesquisas em torno de células tronco embrionárias; Autorizou, também, o aborto
do feto anencéfalo ou anencefálico, necessita de atestado por 2 médicos, para dificultar fraude nos atestas
para aborto.

CAPACIDADE CIVIL:
é medida de extensão da personalidade jurídica,

CAPACIDADE DE DIREITO / GOZO: é a aptidão para ser titular de direitos e deveres, toda pessoa tem
capacidade de direito. A Personalidade Jurídica é como se fosse algo em abstrato, a Capacidade de Direito
ou de Gozo é a aptidão em concreto é como se fosse o Exercício Mínimo da Personalidade Jurídica. Ex.: as
pessoas podem se valer dessa personalidade jurídica para em concreto “Capacidade de Direito ou Gozo”
adquirir direitos ou deveres.
Enquanto a Personalidade Jurídica é a aptidão genérica para adquirir direitos, a Capacidade de Direito é a
aptidão em concreto deste direito adquirido pela personalidade.
Não tem requisitos; não existe incapacidade de direito, não existe incapacidade relativa ou absoluta
de direito.

CAPACIDADE DE FATO / EXERCÍCIO / AÇÃO: é a aptidão para exercer pessoalmente os atos da vida civil.
É o exercício máximo da Personalidade Jurídica. Nem toda pessoa tem exercício de direito.
=> Requisito para capacidade de fato / Exercício: é o discernimento, que se dá com a maioridade de 18
anos, presunção legal relativa de que todos tem capacidade.

=> Incapacidade de Fato Absoluta: hipótese mais grave (Ausência de discernimento), a vontade do incapaz
é ignorada devendo ele ser representado, sob pena de o ato ser nulo de pleno direito.
=> Incapacidade de Fato relativa de exercício do direito: hipótese menos grave (Discernimento reduzido),
a vontade do relativamente incapaz é respeitada, porem é insuficiente, devendo ser assistido, sob pena de o
ato ser anulado.

INTERDIÇÃO: é procedimento judicial que tem o objetivo de verificar a incapacidade absoluta ou relativa de
uma pessoa, declará-la e nomear um curador para representar ou assistir o incapaz. Serve para ampliar a
proteção aos direitos do incapaz.
=> Serve para Incapacidade Absoluta ou Relativa;

=> Curador é aquele que representa (se absolutamente incapaz) ou assiste (se relativamente incapaz);

=> Serve para maiores e para menores de idade sob duas hipóteses: I) menor emancipado que perdeu a
capacidade posteriormente. Ex.: menor de 16 foi emancipado para casamento, após 6 meses sofreu acidente
de transito e perdeu totalmente o discernimento, nesse caso o menor é interditado; II) o menor de 16 pode
casar, ser testemunha, pode ser mandatário e fazer testamento e se o maior entender que ele tem
capacidade para exercer direitos que lhe outorgar, embora seja incapaz relativamente, o ato será plenamente
válido, mesmo que o menor de 16 não possa agir em nome próprio; agir em nome do mandante é possível,
mas em nome próprio não. Por este motivo é preferível interdita o menor de16 anos completos, que não
tenha o menor discernimento dos atos da vida civil, para preservar-lhes os direitos.
Idade avançada não é causa de interdição, tomar cuidado nos concursos.

=> Natureza Jurídica da Sentença:


1ª corrente (majoritária entre os civilistas) defende que a natureza jurídica da sentença é declaratória, a
ideia é de que não constituímos uma pessoa incapaz a pessoa já é incapaz e o juiz apenas declara a
incapacidade.
2ª corrente (majoritária entre os processualistas) defende que a natureza jurídica da sentença é
constitutiva, a ideia é o regime da curatela, então ela declara a incapacidade e constitui o regime da
curatela.

=> Eficácia da Sentença de interdição:


1ª corrente: (Minoritária) defende que a sentença de interdição tem eficácia EXTUNC, ela retroage no
tempo, volta ao momento da origem da incapacidade. Se o cidadão nasceu incapaz, de acordo com esta ideia
essa sentença produz efeitos para o futuro e para o passado.
2ª corrente: (Doutrina Majoritária) defende que a sentença tem efeito EXNUNC, não retroage no tempo, vai
produzir efeitos a partir do momento em que a sentença for prolatada. Mas não significa que não se possa
desfazer os atos pretéritos. A sentença não gera efeitos retroativos, mas é perfeitamente possível entrar com
uma ação requerendo a anulação do negocio realizado pelo incapaz.

Atenção: o ato pretérito celebrado pelo incapaz ainda não interditado pode ser invalidado mediante ação
própria. Incapacidade era natural. Requisitos: I) provar o prejuízo do incapaz; II) provar que à época do ato a
incapaz era evidente, manifesta; III) Má-Fé do outro contratante.

Incapaz sem interdição:


=> é protegido, mas tem mais dificuldade em exercer essa proteção. Ex.: Ação para anular o negocio jurídico
celebrado pelo incapaz necessita de demonstrar a incapacidade a época da realização dos fatos, negocio
jurídico;

Incapaz Interditado:
=> é protegido e tem mais facilidade para exercer a proteção. Ex.: Ação para anular o negocio celebrado pelo
incapaz, só que não necessita provar a incapacidade, pois ela já é declarada pela interdição, proteção maior,
o único requisito a ser provado é a ausência de representação ou assistência.

STJ: reconhece que em regra a sentença em processo de interdição tem eficácia EXNUNC, não retroage,
mas o juiz pode determinar a eficácia EXTUNC.
EMANCIPAÇÃO: é a antecipação da capacidade civil a um menor de idade, só vale para menores de idade.
É umas das formas de Cessação da Incapacidade. É uma concessão dos pais, direito potestativos dos pais,
significa que se os pais não quiserem conceder, eles não podem ser constrangidos.

Cessação da Incapacidade por Motivo: maioridade completa, aos 18 anos cessou os motivos para
incapacidade; Pessoa com doença mental grave, sem discernimento, após se curar cessa os motivos da
incapacidade; - se a pessoa estava interditada e houve a cura da doença, cessou os motivos para
incapacidade, promove-se a desinterdição, cessa a curatela. Maior de 18 anos, no primeiro segundo do dia
do aniversário, a maioridade é considerada no primeiro segundo do dia do aniversário.

Espécies de Emancipação:

A)Emancipação Voluntária (Art. 5, I do CCB /2002): é aquela em que os pais manifestam sua vontade e
emancipam o filho que tenham pelo menos 16 a 17 anos. Ambos os país podem emancipar, poder familiar.
Sempre através de escritura pública, levada ao registro. Como regra os efeitos da emancipação
restringem-se ao Direito Civil, logo Menor antecipado não pode entrar em Motel, não pode consumir bebida
alcoólica, não pode dirigir etc.
Exceção: menor que foi emancipado perde o direito a pensão previdenciária por morte dos pais.

=> Se houver divergência entre os pais, pode ser suprimida pelo Juiz;

=> Se houver recusa entre os pais o Juiz não pode suprir, porque a concessão de emancipação é um direito
potestativo, não pode ser constrangido a exercer este direito. Diferente da emancipação para casamento em
que a recursa dos pais pode ser suprimida, pois é direito do menor casar.

B) Emancipação Judicial (Art. 5, I do CCB/2002): é aquela feita pelo juiz a favor do menor de idade tutelado
que tenha 16 ou 17 anos. O tutor não pode requerer a emancipação, pois o interesse é do tutelado e não do
tutor. O juiz profere sentença que será levada ao registro público. São duas situações para emancipação
judicial: Menor Tutelado ou Pupilo; Divergência entre os pais.

=> Se houver divergência entre os pais, haverá emancipação judicial, é aquela em que o Juiz suprime a
vontade dos pais;

C) Emancipação Legal (Art. 5, II a V ): é aquela que ocorre de forma automática quando presente uma das
hipóteses previstas em lei. Ela é SEMPRE AUTOMÁTICA, não depende de escritura, não depende sentença,
não depende de registro, ela se opera de pleno direito. Basta se enquadrar nas hipóteses do art. 5º, II a V que
automaticamente estará emancipado.
É exatamente por este motivo, por ser automática, juiz pode suprir a recusa dos pais em conceder a
emancipação para o casamento, pois é um direito do menor, decorre da própria lei.
=> Art. 5, II – pelo casamento;
=> Art. 5, III – pelo exercício de emprego público;
=> Art. 5, IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
=> Art. 5, V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.

Obs: “Pelas regras dos incisos II, III, IV – PODEM SER EMANCIPADOS COM QUALQUER IDADE, Ex.:
casamento com 12, 14, 15, 16, 17 anos etc., o juiz pode dar uma sentença confirmando o casamento.”.

Responsabilidade de Menor Emancipado:


=> STJ: diz que se a emancipação for voluntaria, os pais continuam responsáveis pelos atos do menor, o
Tribunal entendeu que é presumível a MÁ-FÉ daqueles que emancipam os filhos voluntariamente.
Já na emancipação Judicial e Legal os pais não são responsáveis, logo para contornar essa situação os pais,
corriqueiramente, forjarem uma situação de divergência e pedem ao juiz a emancipação judicial para não se
responsabilizarem pelos danos dos filhos. No caso da emancipação voluntaria a responsabilidade é
solidária entre os país e filhos.
***O menor não emancipado ou qualquer outro incapaz passou a ter responsabilidade civil, em regra quem
responde são os pais e a responsabilidade é primária art. 928 do CCB/2002. O Incapaz também responde
só que a responsabilidade é subsidiária e excepcional, não segue o principio da reparação integra do
dano.

DIREITOS DA PERSONALIDADE: são os direitos subjetivos que toda pessoa tem para proteger a sua
própria integridade, se o direito tutela a integridade humana é direito da personalidade.
Integridade Física: direito a vida, gestação saudável, direito ao corpo etc.
Integridade Moral: direito a imagem, direito a honra, direito ao nome etc.
Integridade Intelectual: produção artística, científica, literária etc.

Quem tem direitos da personalidade:


=> Pessoa Natural;
=> Pessoa Jurídica (orientação do STJ – pode sofrer dano moral por ofensa a hora objetiva) sumula 227;

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE:


A) Direitos Inatos: se perguntarem responder que sim, se houver polêmica: I) Primeira corrente a dos
positivistas defendem que os direitos da personalidade não são inatos, não nascem com a pessoa, mas é
atribuída pela lei, depende de previsão legal. II) Segunda corrente a dos jusnaturalistas defende que os
direitos da personalidade são direitos naturais, não depende de previsão legal.

B) Direitos Absolutos: gera uma oponibilidade “erga omnes”, é o direito excludendi alios, gera dever geral
de abstenção, são direitos oponíveis a todos as pessoas da coletividade.
O dever geral de abstenção dos direitos reais volta-se a todos da coletividade; o dever geral de abstenção
dos direitos da personalidade volta-se a todos da coletividade, mas como é mais protegido que os direitos
reais, a sua abstenção também se volta ao próprio titular do direito, ele não pode dispor do próprio direito a
vida, liberdade, imagem, honra. Já os direitos reais são disponíveis. Decorrem as proibições:
Eutanásia:
Eutanásia / Eutanásia ativa no Brasil é proibido;
Eutanásia passiva / ortotanásia (benemortasia); é permitida: consistem em deixar agir o processo natural
da morte, acompanhando o paciente para que não sinta dor; ex.: paciente com câncer terminal.
Distanásia / Obstinação terapêutica: consiste em prolongar o processo da morte causando dor e sofrimento
ao paciente sem chance de sobreviver. É proibido no Brasil.

Transfusão de Sangue: o medico deve fazer a transfusão de sangue. Orientação do STJ, o médico ao
permitir a transfusão de sangue em paciente com risco de morte, salvando a vida, exerce a regular atribuição
da profissão que é uma excludente de responsabilidade civil, não gera indenização. Ex.: testemunha de
Jeová que se recusa receber sangue para salvar própria vida.

Sangue contaminado: segundo STJ quando alguém receber sangue contaminado não tem direito a
indenização, porque o procedimento é de risco.
Critica: O tribunal inverteu a ordem da responsabilidade, quem sofre o dano é quem é responsável pela
prestação do serviço deficitário.

C) Direitos Imprescritíveis: o direito em si é imprescritível, não há prescrição quanto ao direito à vida,


liberdade, imagem, honra etc.

=> Tutela protetiva do direito da personalidade se confunde com o próprio direito da personalidade. Ex.:
recolhimento de biografia não autorizada, não prescreve, consiste na defesa do próprio direito.
O direito a proteção tem natureza extrapatrimonial, por esse motivo não sofre prescrição.

=> Tutela reparatória do direito da personalidade é a pretensão de ir a juízo pedir indenização por dano
moral; STJ entende que a pretensão por indenização por dano moral é prescritível, CCB/2002 prazo de três
anos, pelo CDC cinco anos.
O direito a reparação tem natureza patrimonial, nada mais é do que o direito de pedir dinheiro ao Juiz.

*** Em caso de ofensa em vida esse direito é transmissível, por se tratar de um credito que incorporou o
patrimônio do morto e que passa aos herdeiros.
*** Em caso da ofensa consistir na própria morte ou se realizada após a morte, nesse caso aplica-se o
CCB/2002 art. 12 parágrafo único, Dano Moral Reflexo ou em ricochete: nessa hipótese, embora o dano
seja direcionado ao morto ele reflete aos parentes do falecido, nesse caso os vivos não sofrem dano moral,
mas recebem indenização simplesmente pelo sofrimento da consequência do dano moral do morto, não há
ordem de vocação hereditária.
Segundo o STJ a legitimidade é autônoma e concorrente, todos podem pedir a indenização, porque não se
trata de vocação hereditária, mas pelo dano moral sofrido pela ocorrência morte do parente.

D) Disponibilidade Relativa: é possível a disposição do direito da personalidade na autonomia privada,


desde que limitado na legislação. Ex.: tatuagem é permitida, porque é considerado um bom costume, exceto
aqueles que tragam risco a vida.
Doação do próprio corpo (doação de órgãos): em vida pode ser para efeito de transplantes, nenhuma
doação pode ser remunerada, tudo que envolve direitos da personalidade é vedado a remuneração. É
possível barriga de aluguel, mas é vedada a remuneração. É possível indicar o beneficiário na doação de
órgãos.
Doação após a morte: pode ser feita para fins de pesquisa e pode indicar o beneficiário; para fins de
transplante não pode indicar o beneficiário para evitar o autossacrifício; teoria adotada foi a afirmative
consent “consentimento afirmativo para doação de órgãos”, quem dá o consentimento são os familiares.

MORTE: põem fim à personalidade jurídica; os direitos patrimoniais serão objetos de sucessão, com relação
aos direitos da personalidade serão extintos, eles não são transmissíveis.

=> Morte Civil: é a extinção da personalidade jurídica de uma pessoa viva, significa transformar uma pessoa
em coisa. Não existe no ordenamento brasileiro. Existe o resquício de morte civil, está na exclusão por
indignidade. Ex.: Suzane Richstofen foi afastada da sucessão por assassinar os próprios pais, porque ela foi
desconsiderada morta para efeitos sucessão, é como não se existisse para essa herança;

=> Morte Real: é aquela comprovada pela prova direta da morte, exame do cadáver. Comprovada pelo
atestado medico de óbito, em regra apenas 1 médico assina. Para fins de transplante deve ser 2 médicos que
não façam parte da equipe de remoção, para não haver conflito de interesses. Para fins de cremação o
atestado médico deve ser assinado por 2 médicos ou por 1 médico legista; em caso de morte violenta tem de
passar por autorização do Juiz.

MORTE PRESUMIDA
É aquele que toda vez que tiver que provar a morte de forma indireta, é aquela provada através das
circunstancias, o cadáver não foi encontrado.

I) Morte Presumida sem Decretação de Ausência (art. 7º do CCB/2002): quando há uma enorme
probabilidade da morte, tem quase certeza absoluta da morte, só não há o cadáver.
Situações de Morte:
=> iminente risco de vida, situação de catástrofe; ex.: Titanic, World Trad Center, Voo da TAM; Guerra
(aguarda 2 anos após o fim da guerra para decretar a ausência);

II) Morte Presumida com Decretação de Ausência (art. 7º): quando não há enorme probabilidade de morte,
é necessário um procedimento de decretação da ausência, aplica-se a pessoa que desapareceu de seu
domicilio sem deixar ou enviar noticias.
=> Ex.: irmã do Vitor Belfor que saiu e não votou mais.

Procedimento de Ausência:
1 – Curadoria dos bens do ausente: curadoria rei; nomeado um administrador que deve realizar uma
arrecadação dos bens do ausente; duração de 1 ou 3 anos;

2 – Sucessão Provisória: é aberto o testamente e realizado o inventario dos bens se houver, com a
transmissão da POSSE dos bens aos herdeiros que em regra devem prestar caução daquilo que estão
recebendo, cessa a atividade do administrador; dura 10 anos;
3 – Sucessão Definitiva: na abertura desta faze o juiz sentencia declarando a morte presumida; são
levantadas as cauções, garantias pessoa ou reais; os herdeiros recebem a propriedade resolúvel dos bens
que acompanha a herança; dura mais 10 anos, se o ausente ou algum herdeiro seu regressar nesse período
terá direito aos bens no estado em que se encontrarem, o sub-rogado (substituído) em seu lugar ou produto
obtido com a venda deste. Somente após esse prazo a sucessão é considerada inabalável.

Dica: “desaparecido tem 80 anos ou mais, a lei permite que o procedimento seja abreviado, se estiver ao
menos 5 anos desaparecido. Ex.: desapareceu aos 75 anos e está a 5 anos desaparecido, logo considera-se
grande risco de morte da pessoa, já pode ir para sucessão definitiva”.

Dica: no caso Eliza Samudio não foi feito qualquer procedimento de morte presumida, o próprio Juiz criminal
reconheceu o óbito e mandou registrar, decisão irretocável.

PESSOA JURÍDICA:

Conceito: é todo ente formado pela coletividade de pessoas ou de bens que adquire personalidade jurídica
própria por força de determinação legal. (Conceito tradicional). Há exceção, pessoa jurídica formada por
uma única pessoa natural (E.I.R.E.L.I).

Personalidade Jurídica: corrente majoritária PJ tem personalidade jurídica própria, aptidão para ser titular de
direitos e deveres de natureza patrimonial distinto dos patrimônios dos seus administradores.
Inicio: PJ direito público: em regra inicia a partir da vigência da lei que a instituiu; PJ direito privado: a partir
do registro (inscrição do ato) e tem natureza jurídica constitutiva.
O registro da PJ não convalida atos pretéritos praticados em seu nome, efeitos “EX NUNC” – (art. 45
CCB/2002).

Responsabilidade Patrimonial da Pessoa Jurídica:


=> a regra é o principio da separação patrimonial: é a regra pela qual quem responde pelas obrigações da
PJ é o patrimônio da própria PJ. Ex.: Pessoa Jurídica “A”, que é formado pelos sócios “X, Y e Z”, contrata
com B, se a pessoa Jurídica não cumpre as obrigações do contrato quem responde é a PJ “A” em regra. O
principio da separação faz é separar os patrimônios da própria pessoa jurídica e os dos sócios.
A exceção é a desconsideração da personalidade jurídica.

Desconsideração da Personalidade Jurídica: é a simples medida processual em que o Juiz determina a


inclusão dos sócios ou administradores da PJ no polo passivo da demanda para que respondam com o seu
patrimônio particular pelas dividas da PJ.

=> STJ a desconsideração da personalidade jurídica deve ser decretado só na faze de execução,
cumprimento de sentença, não pode na faze de conhecimento.

=> A desconsideração não extingue, anula, não liquida ou dissolve a Pessoa Jurídica.

=> Teoria Maior adotada pelo CCB/2002: é aquele que alem da insuficiência patrimonial da PJ vai exigir um
motivo para que seja decretada a desconsideração.

Motivo por abuso da personalidade:


I) Desvio de finalidade: Posto de Combustíveis utilizado para vender gasolina adulterada, lavagem de
dinheiro etc.
II) Confusão patrimonial: confusão entre os patrimônios dos sócios e os da PJ.
III) Outros Motivos (Jurisprudência): Fraude – STJ não está no Código Civil;

=> Teoria Menor: dispensa motivo para decretação da desconsideração da personalidade jurídica, basta a
insuficiência patrimonial. Se a pessoa jurídica não tiver dinheiro para pagar, os sócios cumpriram a obrigação.
Relação de Consumo, CDC adota as duas teorias (art. 28 “caput”) e Justiça do Trabalho. Os sócios são
considerados “fiadores” da Pessoa Jurídica.

Desconsideração Inversa da Pessoa Jurídica: é a hipótese de chamar a Pessoa Jurídica para responder
pelas dividas dos sócios ou administradores. Está sendo admitida em todas as áreas.
Nesse caso o sócio esconde todos os bens dentro da Pessoa Jurídica e nesse caso chama-se ela para
responder pelas dividas do sócio ou administrador.

TEORIA DO NEGÓCIO JURÍDICO:


=> ATO JURÍDICO LATO SENSU: é toda manifestação de vontade que está de acordo com o ordenamento
jurídico e produz efeitos jurídicos. (Elemento Volitivo: manifestação de vontade + Licitude: está de acordo
com o Ordenamento Jurídico).

=> ATO JURÍDICO STRITCTO SENSU: é toda manifestação de vontade que produz efeitos impostos por lei.
(Conteúdo + Consequências são impostas pela lei). A vontade é determinante apenas para escolher entre
praticar ou não o ato.
Ex.: Reconhecimento voluntário de filhos, ou perfilhação, a escolha entre reconhecer voluntariamente ou não
reconhecer voluntariamente é possível, mas uma vez reconhecido não há possibilidade de escolher quais as
consequências, pois estas decorrem da lei. Não é possível reconhecer o filho, mas não querer as
consequências alimentícias, ou consequências patrimoniais, consequências hereditárias etc.
Quando não podemos escolher os efeitos é ato stricto sensu
.

NEGOCIO JURÍDICO:
É a manifestação de vontade que produz efeitos desejados pelas partes e permitidos por lei. (Conteúdo +
Consequências são determinadas pela vontade das partes “autonomia privada”). A Lei serve apenas
para impor limites ao exercício da vontade.
Quando podemos escolher os efeitos é negocio jurídico. Testamento é negocio jurídico pois cabe a pessoa
escolher como vai ser a destinação dos bens.

=> Pontos de Miranda dividiu o Negocio Jurídico em três planos: (Plano da Existência; Plano de Validade
e Plano de Eficácia).

=> O negocio jurídico deve obedecer a um critério lógico, como se fosse uma escada, em que
satisfeito os requisitos do plano anterior passa-se para o plano seguinte, assim sucessivamente até a
eficácia do negocio.

ELEMENTOS ESSENCIAIS DO NEGOCIO JURIDICO (EXISTENCIA E VALIDADE):

[Plano de Existência] => [Plano de Validade] = Consequência;

PLANO DE EXISTÊNCIA: no plano de existência mencionam-se apenas substantivos.


=> Necessita de PARTES;
=> Necessita de OBJETO;
=> Necessita de FORMA;
=> Necessita da VONTADE;

Negocio jurídico que não preenche os requisitos de existência é inexistente;

PLANO DE VALIDADE: no plano de validade menciona-se apenas adjetivos, qualifica-se o plano de


existência.

=> PARTE precisa ser CAPAZES OU LEGITIMAS; os incapazes absolutamente devem ser representados e
os relativamente incapazes devem ser assistidos nos atos da vida civil. Legitimidade é uma capacidade
especial que é exigida para pratica de determinados atos, que pode ser:
Legitimidade Positiva: pode praticar o ato preenchido um requisito, Ex.: a vênia conjugal para vender
determinado imóvel;
Legitimidade negativa: é a hipótese que é proibida a pratica do ato. Ex.: Juiz e Leiloeiro que deseja
arrematar bens no leilão.
O negocio pode ser Nulo ou Anulável, depende do negocio jurídico praticado.

=> OBJETO precisa ser LICITO, POSSIVEL, DETERMINADO OU DETERMINAVEL:


Licito: é aquele que está previsto no ordenamento jurídico (está na Lei, moral, ordem pública, costumes
etc.);
Possível: possibilidade física é aquela possível no plano dos fatos;
Determinado: é aquele que está individualizado.
Determinável: é aquele que será individualizado.

Obs: “todo problema envolvendo o objeto conduz a NULIDADE DO NEGOCIO JURÍDICO”. Ex.: objeto
ilícito – nulo; objeto impossível – nulo; objeto indeterminado ou indeterminável – nulo.

=> FORMA precisa ser PRESCRITA OU NÃO DEFESA EM LEI. Em regra a forma é livre – art.107 do
CCB/2002.

Obs: “todo problema envolvendo a forma prescrita em lei conduz a NULIDADE DO NEGOCIO
JURÍDICO”.

=> VONTADE precisa ser LIVRE: é aquela manifestada sem todos os vícios do negocio jurídico (vícios
do negocio: erro / dolo / perigo / coação / Estado de Perigo / Fraude contra Credores).

Obs: “todo problema envolvendo a vontade conduz a ANULABILIDE DO NEGOCIO JURÍDICO, é


anulável”.

****SIMULAÇÃO DO NEGOCIO JURIDICO: não é vicio do negocio jurídico, o legislador deslocou para o
capitulo da invalidade do Código e conferiu um tratamento diferenciado, o NEGOCIO JURÍDICO É
NULO.

ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGOCIO JURÍDICO (EFICACIA):

PLANO DE EFICÁCIA: em regra o negocio que existe e é válido produz efeitos imediatamente. Quando as
partes não desejam a eficácia imediata podem inserir um elemento acidental, que é uma clausula de
(condição, termo ou modo/encargo).

I) CONDIÇÃO: é a clausula que subordina a eficácia do negocio a um evento FUTURO E INCERTO.


Sempre DERIVA DA VONTADE DAS PARTES - condição própria, somente a falsa condição deriva da lei,
porque a lei prevê apenas requisito legal (ou condição imprópria, condição legal).

=> Condição Suspensiva: é aquela que quando verificada da inicio aos efeitos do negocio jurídico;
1º Contrato (Existência e Validade) 2º Condição Suspensiva (Evento Futuro e Incerto)
|=========================================|^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^>

O negocio jurídico é existente e valido na formação, mas ainda não produz efeitos, pois depende de um
evento futuro e incerto para surtir efeitos. Se o evento ocorrer o negocio jurídico inicia os efeitos da sua
formação.

Ex.: Pai promete ao filho dar um carro do ano se o filho entrar na faculdade pública de medicina dentro de 3
anos. Enquanto estiver estudando para conseguir o negócio é existente, valido, mas não é eficaz, porque
necessita do filho entrar na faculdade pública de medicina.

Ex.: Negocio Jurídico a contento, compra e venda de vinho, no momento em que há o pedido do vinho o
contrato é existente e valido, mas só produzirá os efeitos, ou seja, só haverá a compra do vinho se o
comprador aprovar, ficar contente, evento futuro e incerto.

1º Negocio Jurídico (Existente e Valido) 2º Condição (O Evento Futuro e Incerto Ocorreu)


|=====================================|^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^>
(Período Suspensivo do Negocio Jurídico) (Período em que o Negocio Jurídico inicia os efeitos).

Obs: é denominado suspensivo, porque os efeitos do negocio jurídico ficam suspenso até o
implemento da condição, evento futuro e incerto.

IMPORTANTE: se não houver o implemento da condição suspensiva deve ser afirmado que O
NEGOCIO JURIDICO EXISTIU FOI VÁLIDO, MAS NUNCA PRODUZIU EFEITOS (O não implemento da
condição não afeta a Existência e Validade do negocio jurídico).

=> Condição Resolutiva: é aquela que quando verificada por fim aos efeitos do negocio jurídico;

1º Contrato (Existência, Validade e Eficácia) 2º Condição Resolutiva (Evento Futuro e Incerto )


|^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^|==========================================>

O negocio jurídico é existente, válido e eficaz, mas a condição resolutiva quando verificada põe fim aos
efeitos do negocio jurídico.

Ex.: filho pede o carro emprestado, o pai permite, mas impõe uma condição: entregar o veículo no trabalho se
começar a chover, pois não vai sair na chuva. Enquanto o pai estiver no trabalho e não chover o contrato é
existente, valido e eficaz, mas se antes do pai sair do trabalho começar a chover, o contrato perde a eficácia
e o filho deve devolver o veículo.

Excepcionalmente a condição pode afetar a validade do negocio jurídico. Ex.: “doação sob a condição
de matar alguém, o negocio será nulo”. A condição ilícita suspensiva invalida o negocio / nulo. A
condição ilícita resolutiva é considerado não escrito / inexistente.

II) TERMO: é a clausula que subordina a eficácia do negocio a um evento FUTURO E CERTO. O tempo pode
estar previsto tanto na lei (termo legal) como no contrato (termo convencional). Assim como a condição
pode ser:
=> Suspensivo (inicial ou “dies a quo”): aquele que quando verificado da inicio aos efeitos do negocio
jurídico;
=> Resolutivo (Final ou “dies ad quem”): aquele que quando verificado põe fim ao negocio jurídico.

1º N.J. (Existente e Valido) 2º (Evento Futuro e Certo Ocorreu) (Negocio Jurídico resolveu )
|===========================|^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^|========================>
(Termo Suspensivo dos efeitos) (O Negocio Jurídico Gera Efeitos) (Termo Resolutivo dos efeitos)
Ex.: Contrato de aluguel de casa na praia, o evento é futuro e certo, por depende da vontade das parte,
enquanto não chegarem a casa na data programada o negocio fica suspenso, assim que chegar termina a
suspensão e o contrato passa a vigorar, os efeitos iniciam, terminou o prazo de duração da alocação da casa,
o contrato se resolve, termina os efeitos por causa de um evento futuro e certo que põem fim ao contrato.
No início do negocio o termo é suspensivo, no fim o termo é resolutivo.

Diferença entre a Condição Suspensiva x Termo Suspensivo:

A Condição Suspensiva suspende o exercício e a aquisição do direito, não gera direito adquirido, mas
mera expectativa de direito;

O Termo Suspensivo suspende apenas o exercício, não suspende a aquisição, gera direito adquirido.

III) MODO/ENCARGO: consiste na prática de uma liberalidade subordinada a um ônus. Doação Modal ou
Onerosa. Ex.: Doação de um terreno com encargo de construir uma escola no terreno.

=> O descumprimento do encargo gera duas hipóteses:


Revogação da liberalidade ou doação (cabe em qualquer hipótese) ou exigir o cumprimento do
encargo (é preciso verificar a quem o encargo foi instituido).

Pode exigir o cumprimento do encargo quando a liberalidade for instituída: (a favor de terceiro, do
doador ou da coletividade). Ex.: doação para a igreja construir uma casa de repouso, é possível exigir o
cumprimento do encargo, pois a doação para terceiro foi para cumprir um encargo de outra pessoa.

Não pode exigir cumprimento do encargo na liberalidade a favor do donatário. Ex.: doação para terceiro
construir uma casa própria, o donatário não construiu a casa, nesse caso não há como exigir o cumprimento
da obrigação.

VÍCIOS OU DEFEITOS DO NEGOCIO JURÍDICO:

São problemas quanto à formação ou na manifestação da vontade livre.

=> Quando o problema esta na formação da vontade – o vicio é da vontade ou do consentimento.

I) ERRO (IGNORÂNCIA): é a falsa percepção da realidade; ignorância é o completo desconhecimento da


realidade, nada mais é um erro acentuado. O tratamento é idêntico entre o erro e a ignorância.

Consequências:
- Anulabilidade – o negócio jurídico é anulável
- Ação Anulatória - traz sempre direito potestativo para pedir anulação ao judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial - Prazo de 4 anos a contar da celebração do negocio jurídico; obs.: (quando conta-
se prazo a partir de um fato, “Negocio Jurídico”, temos o termo inicial do prazo objetivo, conta-se a partir de
um evento; termo subjetivo é hipótese que se conta a partir da ciência / do conhecimento do fato jurídico).

- Classificação do Erro (erro substancial, erro acidental e erro escusável):

erro substancial: é aquele que incide sobre um aspecto determinante do Negocio Jurídico (ex.: material que
fabrica o relógio ou a joia), nesse caso o negocio jurídico é anulável

erro acidental: é aquele que incide sobre um aspecto não determinante do Negocio Jurídico (ex.: compra de
um relógio acreditando que a embalagem era de madeira, mas na verdade era de plástico, não há
importância o embrulho do objeto, não tem relevância), nesse caso o negocio jurídico não é anulável.

Obs.: erro escusável: era um requisito no código de 1916, além de ser substancia tinha que ser escusável,
seria o seguinte, o juiz verificava a pessoa que alegava em juízo o erro e imaginar o homem médio no lugar
daquela pessoa e questionar, o homem médio erraria também naquela situação? Se a resposta fosse
afirmativa o negocio jurídico é anulável; se a resposta for negativa o negocio jurídico não é anulável. Consistia
na analise do comportamento do prejudicado. CÓDIGO CIVIL DE 2002 NÃO EXIGE A ESCUSABILIDADE,
DEIXOU DE SER REQUISITO.

Cognoscibilidade (Recognoscibilidade): consiste no fato de o outro contratante perceber que a outra parte
estava incidindo em erro e não se manifestou. Quem vendeu não se manifestou para corrigir o erro, quando a
outra parte esta incidindo em erro.

II) DOLO: é o induzimento malicioso a erro. Principal diferença entre dolo e erro. Quem erra, erra sozinho; no
dolo a pessoa é induzida a errar.

Consequências:
- Anulabilidade - Negocio jurídico é anulável;
- Ação Anulatória - Direito potestativo de pedir anulação ao Poder Judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial - Prazo de 4 anos a contar da celebração do negocio jurídico;

- Classificação do Dolo (dolo positivo, dolo negativo e dolo bilateral):

dolo positivo: é aquele que consiste em uma ação (conduta comissiva); individuo afirma uma característica
que não existe no objeto; Ex.: vendedor afirma que o anel é de ouro e diamante, sendo que na verdade é
falso. São anuláveis;

dolo negativo: é aquele que consiste em uma omissão (conduta é omissiva); individuo deve omitir
informação de que tinha conhecimento; Ex.: vendedor sabe que o anel é falso, mas não conta para o
comprador. São anuláveis;

dolo bilateral ou recíproco: é aquele que ambas as partes estão agindo dolosamente; ambas as partes
tentaram se enganar. Ex.: vendedor vendendo anel de diamantes falso o comprador trocando com o mesmo
vendedor um relógio falso no anel. Não é anulável e não pode pedir indenização por perdas e danos.

- Classificação Quanto ao conteúdo (dolo essencial ou dolo):


dolo essencial (dolus causam): recai sobre aspecto determinante, ex.: material que fabrica o relógio ou o
anel. Se a pessoa soubesse a verdade o Negocio Jurídico não seria realizado. O negocio jurídico é
anulável.

dolo acidental: recai sobre aspecto não determinante; o negocio jurídico seria celebrado mesmo que
soubesse a verdade. Ex.: comprar um relógio em que o vendedor afirma que vem em uma caixa de madeira,
mas veio em uma de plástico. O negocio não é anulável, mas pode pleitear indenização se provar
prejuízo.

III) COAÇÃO: é a pressão ou ameaça exercida sobre uma pessoa para que realize um negocio jurídico. Ex.:
individuo ameaça de fazer um mal ao cidadão caso não realize o negocio jurídico.

Requisitos da Coação:
- A ameaça deve ser séria (real);
- A ameaça deve ser grave - aquela que causa fundado temor de dano;
- O dano pode ser voltado a própria pessoa, familiar ou aos bens;

Consequências da Coação:
- Anulabilidade - Negocio jurídico é anulável;
- Ação Anulatória - Direito potestativo de pedir anulação ao Poder Judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial - Prazo de 4 anos (o termo inicial da decadência é O DIA EM QUE CESSAR A
COAÇÃO – Art. 178 do CCB/2002).
Obs: NÃO CARACTERIZA COAÇÃO:
=> Ameaça de Exercício Regular do Direito; (Ameaça de Ato Ilícito / Abuso de direito gera coação. Ex.:
individuo exige do devedor o pagamento o credito, sob ameaça de colocar um cartaz dizendo ser caloteiro).

=> Temor Reverencial, relação entre pais e filhos, conselho de pai para filho; empregador e empregado;

IV) ESTADO DE PERIGO: consiste na celebração de um negocio jurídico com onerosidade excessiva, pois a
pessoa, um parente próximo ou um amigo íntimo se encontrava em uma situação de perigo de morte ou
grave dano moral conhecida do outro contratante.

Elementos:
=> Elementos Objetivos: Onerosidade Excessiva é aquela em que a pessoa assume uma prestação
manifestamente desproporcional.

Ex.: vender um carro que vale 50 mil por 25 mil; vender uma casa de 300 mil por 100 mil, porque o individuo
vendeu o bem desproporcionalmente, porque estava precisando pagar a cirurgia do filho no hospital.

No Código Civil não há uma porcentagem dizendo se é excessiva ou não, quem determina é juiz.

É sempre verificada no momento da celebração do negocio, as situações futuras não influem no negocio
jurídico se ao tempo foi regularmente valido a manifestação de vontade.

=> Elemento Subjetivo: porque a pessoa agiu, porque a própria pessoa, um parente ou familiar, amigo
íntimo se encontrava numa situação de perigo de morte ou grave dano moral.

Ex.: individuo sabe que o outro está com filho hospitalizado e preste a morrer se não fazer a cirurgia, ele
imbuído desse ardil vai até o cidadão em situação de risco e oferece valor 3 vezes menor no imóvel dele para
salvar a vida do filho, sem opção o sujeito aceita e vende o imóvel, logo a indagação do elemento subjetivo é
porque houve o contrato, porque o filho estava em perigo.

No código civil de 1916 não existia esta figura e se houvesse situação de perigo o juiz não reconhecia e
consequentemente não desfazia o negocio jurídico, principio da autonomia da vontade, “pacta sunt servanda”,
bases do liberalismo devia prevalecer, alias as bases dos Estados Liberais é a prevalência dos safados, dos
ratos da sociedade.

Dolo de Aproveitamento: deve ser provado que a outra parte sabia da situação de perigo, agiu com
intenção de se aproveitar, porque sabia da situação de perigo da outra parte.

Consequência:
- Anulabilidade - Negocio jurídico é anulável;
- Ação Anulatória - Direito potestativo de pedir anulação ao Poder Judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial - prazo de 4 anos a contar da celebração do negocio jurídico.

V) LESÃO: consiste na celebração de um negocio jurídico com onerosidade excessiva, pois o contratante se
encontrava em uma situação de premente necessidade ou inexperiência.

Elementos:
=> Elementos Objetivos: onerosidade excessiva (Igual ao Estado de Perigo);

=> Elementos Subjetivos: porque a pessoa agiu desta forma, porque a pessoa se encontrava na situação
de premente necessidade de contratar, exemplos comuns são a dificuldade financeira do contratante.

Ex.: individuo contraiu divida que não consegue pagar, nesse caso vende o carro por um valor estritamente
abaixo do mercado pra quitar a divida.
Ex.: individuo que possui ponto comercia e paga pela concessão 5 mil por mês e passa para 50 mil, embora
não passasse necessidade por pagar uma quantia de 5 mil, passa para uma bastante onerosa, estaria em
uma situação de necessidade e assina o contrato, porque poderia perder o negocio, ponto comercial.

Inexperiência: pode ser (Negocial, Jurídica, Técnica, Econômica).

ATENÇÃO: diversamente do que ocorre no Estado de Perigo na lesão não precisa ser provado o dolo
de aproveitamento.

Consequências:
- Anulabilidade - Negocio jurídico é anulável;
- Ação Anulatória - Direito potestativo de pedir anulação ao Poder Judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial – prazo de 4 anos a partir da celebração do negócio jurídico.

VI) FRAUDE CONTRA CREDORES: consiste na atuação maliciosa do devedor insolvente ou na iminência de
assim se tornar que se desfaz de seu patrimônio procurando não responder pelas obrigações anteriormente
assumidas.

Credor ==========> 100 mil =======> Devedor aliena casa para o ==> Adquirente
Ação Pauliana para anular o negócio jurídico

Consequência:
- Anulabilidade - Negocio jurídico é anulável;
- Ação Pauliana / Revocatória - Direito potestativo de pedir anulação ao Poder Judiciário;
- Direito Potestativo;
- Prazo Decadencial – prazo de 4 anos a partir da Celebração do Negócio Jurídico.

Requisitos:
=> Evento danoso “eventus damni”: deve ser provado que o negocio tachado de fraudulento prejudicou o
credor.

=> Anterioridade do Crédito: deve ser provado que no momento da alienação do bem já existia uma
obrigação a ser cumprida, vencida ou não. A obrigação nasce no momento da violação do direito.

Ex.: credito contraído em 2009, único bem para saldar a divida uma casa que é vendida em 2010, vencimento
da divida em 2011, ação de cobrança do debito 2012, reconhecimento judicial 2015, execução, patrimônio
zero, fraude contra credores.

Ex.: individuo que se acidenta e o outro cidadão tem o seu veiculo todo danificado em 2009, único bem do
individuo para ressarcir um terreno de 500 metros que é vendido em 2010, ação de ressarcimento em 2011,
reconhecimento judicial em 2016, execução, patrimônio zero, fraude contra credores.

=> Conluio fraudulento ou ciência da fraude (concilium fraudis ou scientia fraudis): deve ser provado
que o adquirente ágil em conluio com o devedor ou tinha ciência da situação de insolvência. Má-fé do
alienante.

Arts. 158/159 CCB/200, quando a aquisição do bem é onerosa deve ser provado o conluio. Na dúvida
se presume a boa-fé, o adquirente de boa-fé nunca perde o bem.

Quando a aquisição do bem é gratuita, é mais fácil a ação pauliana, porque o requisito da prova de
boa-fé é dispensado, gera presunção absoluta de má-fé do adquirente, “iure et iure” (doação).

VII) SIMULAÇÃO: é o desacordo intencional – proposital entre a vontade interna (intenção) e a vontade
externa (manifestação), manifestação de vontade não desejada em seu conteúdo e consequências.
A Simulação: é conhecida do outro contratante e tem por objetivo prejudicar terceiro ou fraudar a lei
imperativa, é um conluio entre as partes, para lesar outras pessoas.

A Reserva Mental: a parte não tem ciência da intenção da outra. Ex.: eu falo o que eu quero, mas na
verdade eu não quero.

Por esta razão a simulação invalida o negocio jurídico e a reserva mental não.

Art. 110 do CCB/2002 regulamentou a reserva mental, mas ressalvou quando a parte contrária tem
conhecimento, pois neste caso não subsiste mais reserva mental, mas simulação, por isso o negocio
jurídico é invalido.

A reserva mental só invalida o negocio se for conhecida do outro contratante, nesta hipótese ela
passa ser uma simulação.

Consequências:
- Nulidade; gera nulidade do negocio jurídico;
- Ação Declaratória de Nulidade; não se anula o que já nasceu nulo, por isso a ação é declarar o que já
está nulo;
- Prazo é imprescritível; art. 169 do CCB/2002; O prazo de pretensão é imprescritível.

Classificação:

=> Simulação Absoluta: é aquela que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes não
desejam realizar qualquer negocio; É aquela em que tudo é mentira, tudo foi simulado. Tudo vai ser nulo.
Ex.: Casal que está se separando, o marido finge uma divida com o amigo dele para prejudicar a
esposa.

=> Simulação Relativa: é aquela que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes desejam
realizar negocio diverso; nem tudo é mentira. Nem tudo é nulo. Art. 167 CCB/2002 segunda parte
(PRINCIPIO DA CONSEVAÇÃO DO CONTRATO OU NEGOCIO JURIDICO).

Ex.: Vendedor que vende imóvel na escritura pública para comprador a valor muito a baixo do valor
que realmente foi convencionado, para não pagar encargos. Será nulo apenas o valor declarado no
negocio, a União, Municipio vai pedir nulidade apenas o valor do negocio.

Quando o problema esta na manifestação da vontade – o vício e social; nesse caso a pessoa sabe muito
bem o que está fazendo e se utiliza deste ardil para praticar algo errado. Pelo Código Civil único vicio social
existente é Fraude contra Credores;

Obs: para o legislador simulação não é mais um vicio do negocio jurídico, para doutrina continua
sendo vicio social do negocio jurídico.

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES:


Conceito: é a relação jurídica pessoal e transitória que confere ao credor o direito de exigir do devedor o
cumprimento de determinada prestação.
Essa relação jurídica e transitória é justamente para separa os direitos reias, que é a relação entre pessoa e
coisa, ao contrario dos direitos pessoais, tendente à perpetuidade, já os direitos patrimoniais, tendente a
transitoriedade.

ESTRUTURA DA OBRIGAÇÃO:

Elementos Subjetivos: são sujeito ativo (credor) e sujeito passivo (devedor). Qualquer pessoa física ou
jurídica pode ser credor ou devedor, até mesmo nascituro e entes despersonalizados (Sociedade de Fato,
Sociedade Irregular, Condomínio Edilício).
Elemento Objetivo: são as prestações de dar, fazer e não fazer. Deve ter conteúdo econômico envolvendo
os elementos objetivos.

Elemento Imaterial (virtual ou espiritual): são os vínculos existentes entre credor e devedor. Teoria
Dualista (binária): Segundo Alois Brinz a Obrigação Civil é a soma de dois vínculos (Debito e
Responsabilidade Civil);

=> DEBITO: é o dever jurídico de cumprir espontaneamente uma prestação. É a primeira parte da
obrigação, o que força cumprir espontaneamente a obrigação. Nunca prescreve é para sempre.

=> RESPONSABILIDADE CIVIL: é a consequência jurídica e patrimonial do descumprimento do débito. É a


segunda parte da obrigação. É a possibilidade de ir a Juízo para cumprir a responsabilidade que não
adimplida espontaneamente. Cumprimento forçado da obrigação (dar, fazer ou não fazer) ou indenização
ou reparação de danos. Pretensão.

IMPORTANTE: A pretensão é o poder de exigir de outrem coercitivamente em juízo o cumprimento de


um dever jurídico originário (dar, fazer ou não fazer); ou secundário (indenizar). Prescrição põe fim a
pretensão; decadência põem fim ao direito.

IMPORTANTE: A prescrição fulmina a responsabilidade civil, nunca o débito. Quando a prescrição


fulmina a responsabilidade civil acaba atingindo a estrutura da obrigação que passa de obrigação civil
a ser obrigação natural.

IMPORTANTE: Não se pode cobrar de volta divida prescrita paga espontaneamente sob alegação de
prescrição, pois existia debito, embora a pretensão já estivesse prescrita, ocorre o fenômeno da
“solution redentio”.

Obs: A prescrição está vinculada umbilicalmente a estrutura de uma obrigação civil, onde tem
obrigação civil só pode ter prazo de prescrição, pois gera para parte um direito a obrigação e para
outra parte um dever de cumpri a obrigação, por isso que é prazo de prescrição, nenhuma parte pode
estar vinculada a outra eternamente por uma obrigação civil.
ONDE NÃO TEM OBRIGAÇÃO CIVIL SÓ PODE TER PRAZO DE DECADENCIA, TEM A VER COM
DIREITO POTESTATIVO, (Direito Potestativo não gera dever de cumprimento de obrigação para outra
parte) É DIREITO UNILATERAL, ex.: desconstituição de procuração judicial.

CLASSIFICAÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE ACORDO COM A SUA NATUREZA:

=> Obrigação Civil: é aquela que pode ser cobrada em juízo, (gera débito e responsabilidade civil).
Ex.: Pagar divida não prescrita.

=> Obrigação Natural: é aquela que não pode ser cobrada em juiz, (gera débito, mas não gera
responsabilidade civil).
Ex.: Divida prescrita, divida de jogo, multo a menor.

=> Obrigação Moral: é aquela fruto de nossa consciência, (não gera debito, nem responsabilidade
civil).
Ex.: Ser educado, dar bom dia, dar boa noite, ajudar pessoa necessita na rua..

Obs.: Não é possível cobrar novamente, aquilo que foi dado espontaneamente na obrigação moral,
pois equivale a liberalidade (doação). Só é possível revogar a liberalidade, mediante previsão legal: (I)
somente em caso de ingratidão; (II) descumprimento do encargo.

CLASSIFICA DA OBRIGAÇÃO QUANTO A PRESTAÇÃO (DAR, FAZER E NÃO FAZER):

=> OBRIGAÇÃO DE DAR: é aquela que consiste na entrega de um objeto.


Ex.: uma compra e venda, contrato de doação, permuta, são negócios que tem obrigação de dar.
A obrigação de dar não transfere propriedade, pois não é próprio do direito obrigacional, mas do
direito real. O contrato de compra e venda não transfere a propriedade, o contrato de doação não
transfere a propriedade, o contrato de permuta não transfere a propriedade. O Brasil para
transferência de propriedade adotou a Doutrina do Titulo + Modo.

O Titulo seria o contrato, que por si só não tem o condão de transferir a propriedade, (ele apenas gera
direito obrigacional).

Modo se o bem for imóvel é preciso levar o contrato ao registro, o registro do contrato no cartório de
imóveis é que transfere a propriedade imóvel; se o bem for móvel é preciso haver a tradição, a entrega
do bem ao comprador, enquanto não houve ainda não existiu a transferência da propriedade. (O modo
que gera o direito real).

OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA: é aquela em que o objeto está completamente individualizado, não
gera dúvida quanto ao objeto. O que caracteriza tecnicamente a obrigação de dar coisa certa é que não há
ato de escolha futuro, já está escolhido.

Ex.: Compra e venda de gado, dentro os vários do rebanho, mesmo gênero, mesma espécie, já está
escolhido individualmente cada qual será objeto das vendas, já se pode constatar todas as características
individuais de cada animal que compõe a compra e venda.

Ex.: Compra e venda de um carro na concessionária, o comprador já sabe exatamente qual o veículo que vai
comprar, sabe a cor, o modelo, o ano, o valor, quem foi o ultimo dono etc. É como se estivesse apontando o
dedo para o veículo que deseja, “quero este veículo.”.

Regras:
A) Princípio da Acessoriedade (força gravitacional): O acessório segue a sorte do principal. Quando da
compra de objeto presume-se que o acessório segue o principal no preço da compra.
Exceção: são as pertenças são bens acessórios, mas em regra não seguem a sorte do principal.

Ex.: Contrato de compra e venda de uma casa, os imóveis, os objetos pessoais, quadros, produtos de
limpeza etc. não são acessórios do imóvel.

B) Coisa Adversa: o credor não pode ser forçado a receber coisa diversa ainda que muita mais valiosa. Se o
credor quiser pode aceitar a coisa adversa, só não pode ser obrigado a aceitar, nessa situação ocorre a
dação em pagamento.

OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA: é aquela em que o objeto é determinável. Ele ainda será objeto de
uma escolha futura.

Requisitos para indeterminação:


- Gênero: arroz (Não pode faltar)
- Quantidade: 20 quilos; (Não pode faltar)

Pode faltar a indicação da qualidade, mas não pode faltar a indicação de gênero e quantidade. Se não houver
estes dois requisitos a obrigação é nula.

Regras:
A) Escolha / Concentração futura: no silencio do contrato, em regra, cabe ao devedor a escolha.
Principio do meio termo / Quantidade média: o devedor está proibido de entregar a pior qualidade, mas
não está obrigado a entregar a melhor qualidade, vai entregar a qualidade média.

A partir do momento que a escolha é comunicada a outra parte, a obrigação que era de dar coisa incerta
se transforma em obrigação de dar coisa certa.

OBRIGAÇÃO DE FAZER: qualquer atividade física ou intelectual que não seja a entrega do objeto. É
conceito por exclusão.
Tanto a obrigação de dar e de fazer são obrigações positivas, pois consistem em uma ação (conduta
comissiva).

Espécies:
A) Obrigação de Fazer Fungível: é aquela substituível; o que importa é o resultado e não a pessoa que irá
desenvolver a atividade. Significa dizer que terceiro pode cumprir a obrigação. A atividade é simples. Ex.:
pintar o muro, a casa etc. Em regra o contrato de empreitada é fungível.

B) Obrigação de Fazer Infungível: é aquela insubstituível, conhecida como obrigação personalíssima “intuin
Personae”. É aquela contratada em atenção a determinadas características / qualidade / atributos do devedor.
A atividade não é simples. (Ex.: Artista famoso para pintar quadro.) O credor não pode ser forçado a aceitar o
cumprimento da prestação por terceiro. Se o credor aceitar depois não poderá cobrar indenização ou
abatimento proporcional, nesse caso a obrigação infungível torna-se fungível por vontade do credor

OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER: é a única espécie de obrigação negativa (omissão). É aquela que consistem
em um dever de abstenção. (Ex.: clausula de exclusividade nos contratos; trespasse, a pessoa que compra
estabelecimento não pode fazer concorrência com o vendedor). Não causar dano a outrem “neminem
laedere”, se houver descumprimento surge o dever de reparar o dano.

RESPONSABILIDADE CIVIL:
CONCEITO: é a consequência jurídica e patrimonial do descumprimento de uma obrigação prevista na lei
ou no contrato.

CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ORIGEM:


=> Obrigação prevista em lei, Quando a obrigação estava prevista em lei surge responsabilidade civil
extracontratual ou aquiliana (art. 927 e ss.), “Lex Aquilia de damino”;

=> Obrigação prevista em contrato, surge no CCB/2002, art. 389 e ss. como: “inadimplemento
obrigacional”, se a obrigação civil estava prevista no contrato surge responsabilidade civil contratual.

CLASSIFICAÇÃO QUANTO AOS ELEMENTOS:

- Responsabilidade Civil Subjetiva: é aquela que exige a presença de quatro elementos para que exista o
dever de indenizar: Os três primeiros elementos são objetivos, a culpa é elemento subjetivo. (Fato + Dano +
Nexo causal + Culpa).

=> CULPA GENERICA (Culpa lato sensu): é aquela que engloba o dolo e a culpa.

Teoria da Culpa Simples (regra do CCB/2002): é aquela em que o autor da ação tem de provar a culpa do
réu.
Teoria da Culpa Presumida: é aquela em que a culpa do réu é presumida, presunção “júris tantum”, admite
prova em contrário. Promove quanto a culpa apenas a inversão do ônus da prova. Era exceção no Código
Civil de 1916, agora essas hipóteses no atual Código Civil de 2002 foram transformadas em
responsabilidade objetiva, é uma evolução da teoria da culpa simples.

O grau de culpa influencia na aplicação do quantum do valor a ser indenizado na responsabilidade subjetiva.

- Responsabilidade Civil Objetiva: é aquela que exige apenas três elementos para que exista o dever de
indenizar. (Fato + Dano + Nexo Causal).

=> Não se deve afirmar que na responsabilidade objetiva a culpa do réu é presumida. Na verdade na
responsabilidade objetiva a culpa do réu não é analisada / discutida para fins de determinação do dever de
indenizar.

=> Entretanto, a culpa do réu pode ser analisada para fins de determinação do quantum indenizatório.
=> O grau de culpa influencia o valor da indenização, serve para responsabilidade objetiva e subjetiva. Se o
juiz verificar que a culpa foi gravíssima ele pode aumentar significativamente o valor “punitive damage”. Se a
culpa for leve o juiz pode reduzir o valor da indenização, art. 944, §Único do CCB/2002.

=> No CCB/2002, regra: a responsabilidade subjetiva (teoria da culpa simples). Exceção: é a


responsabilidade objetiva (teoria do risco criado / benefício).

Teoria do risco criado: não importa se a atividade é econômica ou não, mesmo nas atividades sociais existe
a responsabilidade civil.

Teoria do risco benefício ou risco proveito: exige que a atividade seja econômica.

O artigo 186 determina a responsabilidade subjetiva como regra é aquela que estabelece o elemento
subjetivo, é o mais amplo, mais vago, é aquele que se aplica em ultimo caso.

O art. 927, § Único, e a exceção a regra, não estabelece o elemento subjetivo da responsabilidade, não
precisa provar a culpa, nos casos especificados em lei, na redação do dispositivo o legislador não mencionou
o elemento culpa, vira responsabilidade objetiva.
Art. 187 – Abuso de direito
Art. 734 - Transporte de pessoas
Art. 750 - Transporte de pessoa e coisa;
Art. 931 – Responsabilidade pelo fato do produto;
Art. 932 – Responsabilidade civil por atos de outrem; Cai bastante em concurso;
Art. 936 – Fato do animal;
Art. 937/938 – Fato da Coisa; (Art. 937 - prédio está em ruína, cai azulejo e atinge cidadão na calçada do
prédio, o dono quem responde; Art. 938 – objeto lançado do prédio, quem responde é o ocupante do prédio,
locatário, quem lançou, diferente do art. 937, mas são fatos da coisa);
Art. 927 – Atividade de risco.

CONTRATOS:
CONCEITO: é todo negocio jurídico bilateral ou plurilateral que visa a criação, modificação, extinção ou
conservação de direitos e deveres. É sempre espécie de negocio jurídico, assim como testamento, que
não se confunde com contrato.

Característica de todos os contratos é o exercício da autonomia privada, é o campo propicio para esse
exercício. É a possibilidade de determinar tanto o conteúdo, quanto as consequências do negocio jurídico.

Liberdade tanto para contratos típicos determinados pelo Código Civil, como também para criar
contratos atípicos, que não estão previstos no Código Civil, embora existam é raro contratos
totalmente atípicos (devem ser respeitadas as regras gerais do CCB/2002).
Ex.: vedação ao pacta corvina, art. 426 do CCB/2002, o contrato não pode ter por objeto herança de pessoa
viva. O negocio jurídico é nulo, toda vez que o Código proíbe e não estabelece uma sansão a pena é
nulidade, nulidade virtual, por interpretação do art. 166 do CCB/2002.

PRINCIPIOS CONTRATUAIS:
=> Principio da Função Social dos Contratos (art. 421 do CCB/2002): clausula geral, é um principio que
impõe um limite ao interesse particular quando presentes interesses metaindividuais (direitos difusos e
coletivos) ou individuais relativos a dignidade da pessoa humana. O código de 1916 era voltada para o eu; o
código de 2002 voltou-se para o social.

Eficácia interna, aquela que o interesse da coletividade atua no conteúdo do contrato, limita o conteúdo do
contrato, todo dispositivo do código civil que veda onerosidade excessiva é função social na eficácia interna.

Eficácia externa, é a possibilidade de o conteúdo de um contrato gerar efeitos para terceiros que dele não
participam. Ex.: vedação ao aliciamento, art. 608 do CCB/2002. Dever de abstenção de terceiros aliciar
contratante, Tutela externa do crédito.
Ex.: Jogador de futebol que é aliciado por outros clubes por valor mais alto que o pago por atual clube, deve
respeitar o contrato, dever de abstenção de terceiros.

=> Principio da Boa Fé Objetiva (art. 422 do CCB/2002): é o principio que impõe um dever de bom
comportamento aos contratantes durante toda a relação jurídica.

É externa, não está internalizado no pensamento do individuo, já foi externalizado;

É observado em todas as fazes do contrato, antes da formação do contrato as partes devem agir de boa-fé
(fase negocial); durante a execução e também após a extinção do contrato, responsabilidade pós pactum
finitum (ex.: contrato de trabalho extinto e pedido de referencia do trabalhador, o prestador de informações
não pode mentir, dever de bom comportamento, principio da boa-fé objetiva).

Não tem nada a ver com boa-fe subjetiva, é puro dever de bom comportamento (dever de retidão, dever de
ética, dever reciprocidade, dever de confidencialidade, informação, seguranaça etc.)

=> Principio da Boa Fé Subjetiva: é um simples estado psicológico de firme crença ou de ignorância. Não é
principio contratual.

É interna, significa que é boa intenção, está no pensamento, no interior do individuo;

Ex.: posse de boa-fé, é aquele que tem a firma crença de ser o verdadeiro possuidor da coisa, é aquele que
ignora o defeito, um vicio, obstáculo ao direito de posse dele, não tem nada a ver com conduta, boa ação, tem
a ver com o que o individuo pensa, acredita, internaliza, por isso boa-fé subjetiva não é principio contratual é
simples estado de crença, fato social (pagamento ao credor putativo, achava que era o verdadeiro credor).

FORMAÇÃO DOS CONTRATOS:

=> 1ª Fase de Negociação Preliminar: fase de tratativas ou puntuação, nesta fase nenhuma das partes
assume o compromisso de contratar, é um flerte contratual. Excepcionalmente pode haver responsabilidade,
se houver violação da lei ou principio da boa-fé objetiva.

=> 2ª Fase de Proposta e Aceitação: quando o contrato é entre presentes, aquele sem intervalo na
comunicação, ele considera-se formado no exato instante em que a proposta é aceita pelo oblato(= o
aceitante).

Contrato entre ausente, aquele que tem intervalo na comunicação, ele se considera formado por meio de
carta, e-mail, fax etc. Art. 434 do CCB/2002, em regra adotou a teoria da agnição na subteoria da
expedição, excepcionalmente, os incisos do art. 434, adotam a exceção, que é a teoria da agnição na
subteoria da recepção.

Ex.: no contrato por carta, a proposta é enviada e o aceite é respondido pelo aceitante, no momento da
expedição da carta considera-se formalizado o contrato, em regra, exceção é a formalização no momento da
recepção da carta.

Ex.: contrato realizado por e-mail, quando o aceitante da proposta responde o e-mail e no momento em que
ele clica em enviar o e-mail, expedição, considera-se formalizado o contrato.

=> 3ª Fase de Contrato Preliminar: é o contrato em que as partes assumem o compromisso de celebrar o
contrato definitivo. Sempre obrigação de fazer. Deve conter todos os requisitos do contrato definitivo, exceto
quanto a forma (art. 462 do CCB/2002).
Ex.: Compromisso ou Promessa de compra e venda de imóvel.

=> 4ª Fase de Contrato Definitivo: observar as regras gerais e especiais do tipo contratual.

VICIOS REDIBITÓRIOS: é o vicio ou defeito oculto da coisa que a torna imprópria ao uso a que se destina ou
lhe reduz excessivamente o valor, de modo que o negocio não seria celebrado se o adquirente soubesse da
existência do defeito. O defeito está no objeto.
O adquirente tem apenas duas opções, ações edilícias: a) pedir abatimento proporcional no preço (ação
quanti minoris, ação estimatória); b) desfazimento do negocio (ação redibitória), pode pedir reparação de
danos, desde que prove a má-fé do alienante.

EVICÇÃO: é a perda de um bem por força de decisão judicial fundado em motivo jurídico anterior que o
confere a outrem. O defeito não está no objeto, está no direito existente sobre o objeto (comprei de
quem não era dono).
Evictor: Dono do bem; Evicto: Adquirente do bem;

Ex.: alienação “a non domino”, o verdadeiro dono viajou e deixou os bens par ao amigo tomar conta, este
vende os objetos para outras pessoas, o verdadeiro bem entra com ação para reaver os bens do adquirente,
nesse caso o adquirente sofreu a evicção dos bens adquiridos, assim terá direito de regresso contra quem os
vendeu.

Em regra, o evicto tem direito a cobrar do alienante o valor que pagou pela coisa e toda e qualquer prejuízo
que prove ter sofrido (art. 450 do CCB/2002).

Essa responsabilidade pode ser aumentada, diminuída ou excluída, ler (art. 449 CCB/2002).

DIREITO DAS COISAS:


POSSE: é o exercício aparente de um ou de alguns dos atributos da propriedade. É tudo aquilo percebemos
e confundimos com a propriedade. Ela existe no mundo da aparência.

(Ex.: alguém dirigindo um carro, não sabemos se é proprietário, se é emprestado o bem, se é roubado,
aparentemente, olhando de longe, acreditamos que o posseiro é proprietário).

PROPRIEDADE: é aquele que dispõe de vários atributos como: usar, fruir, reivindicar e dispor. Ela existe no
mundo da realidade. Para isso é necessário constatar no registro.

Atualmente o entendimento majoritário é que posse e propriedade coexistem em planos / mundos distintos.
Uma não está acima da outra.

É vedado a “a exception proprietatis”, é proibido na ação possessória introduzir o juízo petitório, em ação
possessória não é possível discutir propriedade.

TEORIA EXPLICATIVAS DA POSSE:

=> Teoria Subjetiva da Posse: é aquela que defende que a posse é “corpus + animuns domini”. Corpus: é a
visibilidade dos atributos da propriedade; animus domini: é a intenção de ser dono. Não basta agir como
dono, você tem de ter a intenção de ser dono. Teoria de Savigny “S de subjetiva”

=> Teoria Objetiva da Posse: é aquela que defende que posse = corpus. Basta a pessoa agir como se fosse
dono, art. 1196 CCB/2002, é a regra. Teoria de Ihering – adotada no Brasil.

POSSE DIRETA E INDIRETA:

=> Posse Direta (Imediata): é aquela exercida por quem está utilizando o bem; Ex.: no contrato de locação,
quem usa o bem é o locatário; no contrato de comodato, quem usa o bem é o comodatário.

=> Posse Indireta (mediata): é aquela exercida por quem cedeu o uso do bem a outrem; Ex.: no contrato de
locação, é o locador, no comodato, é o comodante.