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20/08/2017

DA PESSOA JURÍDICA
DIREITO CIVIL I
Prof. Dr. Carlos Eduardo Silva e Souza

Introdução.
Conceito de PJ.
Regras Gerais.

Noções Gerais

Pessoa jurídica

• Também denominada como como pessoas


coletivas, morais, fictícias ou abstratas;
• “Trata-se de grupo humano, criado na forma da
lei e dotado de personalidade jurídica própria,
para a realização dos fins comuns” (P. Stolze e
R. Pamplona Filho);
• Adquire personalidade civil por ficção legal
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Teoria da realidade técnica


(CC/2002)

Teoria da Teoria da
Teoria da
Realidade realidade
ficção
Orgânica técnica

As pessoas jurídicas As pessoas jurídicas Também conhecida


seriam criadas por têm identidade como teoria da
ficção legal organizacional realidade das
(Savigny) própria, o que deve instituições jurídicas
ser preservado (Hauriou)
(Gierke e Zitelman)
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Teoria da realidade técnica


(CC/2002)
PJ tem Direitos da personalidade (CC, art. 52);

vários Direito das coisas


direitos
Direito obrigacionais gerais

Direitos industriais quanto às marcas e nomes

Direito sucessórios
(ex.: pode adquirir por sucessão testamentária)

A PJ pode ser sujeito de direitos e deveres na ordem civil (CC, art. 1º)
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Logo, tem existência distinta de seus membros

Existência distinta entre PJ e seus


sócios pode ser relativizada

Desvio de finalidade
Desconsideração da
personalidade jurídica
(CC, art. 52)
Abuso de
personalidade jurídica

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Existência da PJ

Começa a partir da
Algumas dependem de
inscrição do seu ato
autorização do Poder
constitutivo respectivo
Executivo, como as
registro
sociedades seguradoras
(CC, art. 45)

Prazo de 3 anos para


anulação da
Alterações precisam
constituição, contados
constar do registro
do registro
(CC, art. 45, par. ún.)

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Mais uma prova da adoção da teoria da realidade técnica, uma vez que a
PJ, para existir, depende do ato de constituição dos seus membros

Requisitos de validade da
constituição da PJ
(plano da validade – CC, art. 46)
O nome e a O modo por que se
A denominação, os fins,
individualização dos administra e
a sede, o tempo de
fundadores ou representa, ativa e
duração e o fundo
instituidores, e dos passivamente, judicial e
social, quando houver;
diretores; extrajudicialmente;

As condições de
Se o ato constitutivo é Se os membros
extinção da pessoa
reformável no tocante à respondem, ou não,
jurídica e o destino do
administração, e de que subsidiariamente, pelas
seu patrimônio, nesse
modo; obrigações sociais;
caso.

Representação
ativa ou passiva da PJ

Realizada por uma pessoa Geralmente indicada nos Na omissão, será um de


natural estatutos seus diretores

Se houve administração
Atos praticados por tais coletiva, a administração
Não afasta a teoria da
pessoas vinculam a PJ se dá por maioria de
aparência
(CC, art. 47) votos, salvo disposição
em sentido contrário

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Representação
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ativa ou passiva da PJ
Prazo decadencial de 3 anos para
anular qualquer decisão da
coletividade, particularmente nos Na verdade, o ato simulado é ato
casos de violação da lei, do estatuto, nulo. Nesse ponto, ele deve ser
ou havendo atos praticados em erro, compreendido com imprescritível
dolo, simulação e fraude
(CC, art. 48)

Faltando administrador, o juiz


Nulidade não convalesce pelo nomeará um provisório, a pedido de
decurso de tempo qualquer interessado, a exemplo dos
credores (CC, art. 49)

Principais classificações da PJ

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Quanto à nacionalidade

Pessoa jurídica nacional


• Organizada conforme a lei brasileira e que tem no
Brasil sua sede principal e os seus órgãos de
administração

Pessoa jurídica estrangeira


• Formada em outro país, dependente de autorização
do Poder Executivo para funcionamento
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Quanto à estrutura interna

Corporação
• Conjunto de pessoas que atua com fins e objetivos próprios.
• É o caso das sociedades, associações, partidos políticos e as
entidades religiosas

Fundação
• Conjunto de bens arrecadados com a finalidade e interesse
social

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Quanto às funções e capacidade

Pessoa jurídica de direito público


• Conjunto de pessoas ou bens que visa a atender interesses públicos, sejam internos
ou externos.
• São internas: União, Estados, DF, Municípios, as autarquias e demais entidades
criadas pela lei.
• São externas: os Estados estrangeiros e todas as pessoas as PJ de direito público
• Empresas públicas e sociedades de economia mista  que sejam de direito público,
mas com estrutura do direito privado  reguladas pelo CC (En. 141, III JDC);
• Associações públicas (Lei 11.107/2005  art. 41, IV)  espécies de autarquias 
são consórcios públicos que firmam acordos para execução de um objeto de
finalidade pública
Pessoa jurídica de direito privado
• Instituída pela vontade de particulares, visando atender seus interesses (CC, art. 42)
• Dividem-se em: fundações, associações, sociedades (simples e empresárias),
partidos políticos, entidades religiosas e empresas individuais de sociedade limitada

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Pessoas jurídicas de direito


privado. CC, art. 44.

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Fundações particulares

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Conceito e Constituição da
Fundação

Constituída por negócio jurídico


entre vivos, o instituidor é obrigado a
Bens arrecadados ou personificados, transferir-lhe a propriedade, ou outro
em atenção a um determinado fim, direito real, sobre os bens dotados, e,
que, por ficção legal, lhe dá unidade se não o fizer, serão registrados, em
parcial nome dela, por mandado judicial –
postulado pelo MP
(CC, art. 64)

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Criação da Fundação
(CC, art. 62)

Por escritura pública ou testamento.


Devem conter os seguintes elementos:

Elaboração de
estatutos com
base em seus
Afetação de bens Especificação de Previsão do modo
objetivos e
livres fins de administrá-la
submetidos à
apreciação do MP,
que os fiscalizará
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Não sendo arrecadados bens


suficientes quando da constituição
(CC, art. 63)

Devem ser Que desempenhe


incorporados por atividade
outra fundação semelhante

Salvo ressalva
realizada pelo
instituidor 19

Fins da Fundação
(CC, art. 62, parágrafo único)

cultura, defesa e conservação do


assistência social; educação;
patrimônio histórico e artístico;

defesa, preservação e
segurança alimentar e conservação do meio ambiente
saúde;
nutricional; e promoção do
desenvolvimento sustentável;

pesquisa científica,
desenvolvimento de tecnologias
alternativas, modernização de promoção da ética, da
sistemas de gestão, produção e cidadania, da democracia e dos atividades religiosas;
divulgação de informações e direitos humanos;
conhecimentos técnicos e
científicos;

Não podem ter finalidade (direta ou indireta) econômica (En. 9, I JDC)


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Muitas vezes foram utilizadas para fins ilícitos ou enriquecimento ilícito

A Fundação e o MP

Necessidade de
MP exerce o papel de
prestação de contas
fiscal da lei por meio da
pelos administradores
curadoria das
ao MP, dado o seu
fundações
interesse social

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A Fundação e o MP

Exceção 1
Via de regra, MPE Fundações no DF ou Território 
MPF (En.10, I JDC)

Exceção 2
Fundações que funcionam em várias
Unidades da Federação ao mesmo
tempo ou estendem a sua atividade
por mais de um Estado ou Território
 atuação conjunta dos MP (E/F)
de todos os Estados envolvidos 22
(CC, art. 66, § 2º - En. 147, III JDC)

Alteração estatutária da fundação


(CC, art. 67)

Alteração estatutária Alteração não pode


exige 2/3 das pessoas contrariar ou Imprescindível
responsáveis pela desvirtuar a sua aprovação pelo MP
sua gerência finalidade

Passado esse prazo Juiz, na decisão, deve


Prazo decadencial de
ou negado pelo MP, sempre se guiar
45 dias para
pode-se requerer pelos fins nobres da
aprovação pelo MP
supressão judicial fundação

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Alteração estatutária da fundação


(CC, art. 67)

Não havendo decisão Prazo de 10 dias para


unânime, maioria deve impugnação pela
requerer ao MP que dê minoria, sob pena de
ciência à minoria, visando decadência
impugnações (CC, art. 68)

Não cabe decisão ao MP,


devendo as questões,
inclusive nulidades,
serem dirimidas pelo
Poder Judiciário

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Dissolução administrativa

Quando a finalidade se
Ou quando não atender as
torna ilícita, impossível,
finalidades sociais
imoral

Destinação de bens para


outras fundações com
Pode se efetivar pelos atividade semelhante, salvo
integrantes ou pelo MP previsão em sentido
contrária
(CC, art. 69)
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Associações

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Noções gerais

Podem desenvolver
União de pessoas que se
atividade econômica, desde
organização para fins não
que não haja finalidade
econômicos
lucrativa
(CC, art. 53)
(En.534, VI JDC)

Portanto, CC, art. 53 é infeliz


ao utilizar a expressão “fins
Exs.: IBDFAM, AASP, Clubes
não econômicos”, quando
esportivos
deveria utilizar “fins não
lucrativos”

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Noções gerais

Não há, entre os associados,


Por serem uma reunião de direitos e obrigações
pessoas (e não de bens) são recíprocos, uma vez que não
uma corporação há intuito de lucro
(CC, art. 53, par. ún.)

Entretanto, podem existir


direitos e deveres recíprocos Associação tem realidade
entre associação e distinta de seus membros
associados, como o dever de (Teoria da realidade orgânica)
pagar contribuição mensal

28

Distinção

Associação Sociedade
Há fim lucrativo ou econômico, que
Não há fim lucrativo
deve ser repartido entre os sócios

29

Distinção

Associação Fundação
Conjunto de pessoas Conjunto de bens

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Desburocratização das associações

Alterou o CC,
Lei
arts. 54, 57,
11.127/2005
59, 60

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Requisitos para elaboração dos


estatutos da associação, sob pena
de nulidade (CC, art. 54)

os requisitos para a
a denominação, os fins admissão, demissão e os direitos e deveres as fontes de recursos
e a sede da associação; exclusão dos dos associados; para sua manutenção;
associados;

as condições para a a forma de gestão


o modo de constituição
alteração das administrativa e de
e de funcionamento dos
disposições estatutárias aprovação das
órgãos deliberativos;
e para a dissolução. respectivas contas.

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Direito dos associados


(CC, art. 55)

Há, entretanto, possibilidade de


Via de regra, devem ser iguais
se criar categorias especiais

Nesse caso, admite-se peso


diferenciado de votos, desde
que isso não acarrete supressão
do CC, art. 59, que trata das
competências da assembleia
geral 33
(En.577, VII JDC)

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Qualidade de associado
(CC, art. 56)

Se o associado for titular de quota


Qualidade de associado é
ou fração ideal do patrimônio da
intransmissível, já que sua
associação, a transferência desta
admissão é ato personalíssimo,
não implica na transferência da
salvo disposição em sentido
qualidade de associado, salvo
contrário
disposição em sentido inverso
(CC, art. 56)
(CC, art. 56, par. ún.)

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Exclusão do associado

Assegurado direito de
Possível no caso de justa defesa e de recurso, nos
causa (cláusula geral) termos do estatuto
(CC, art. 57)

Caso UBC x Vilarinho


(eficácia horizontal dos
direitos fundamentais nas
relações entre particulares
– STF, RE 432.106) 35

Imposição compulsória de
mensalidades (em associação de
moradores de condomínio)
Não podendo ser
Não pode ser imposta
compreendido como
àqueles que não
aceitação tácita aquele
aderiram
goza dos serviços da
(STF, RE 432.106)
associação.

Liberdade associativa x Eficácia horizontal dos


enriquecimento sem direitos fundamentais
causa nas relações entre
(STJ, Resp 1.280.871) particulares

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Inclusão de companheiro

Inclusão de companheiro Afastou-se a


homoafetivo e de sua interpretação literal do
filha no Club Athletico estatuto “união estável
Paulistano entre pessoas de sexo
(Inf. 625, STF) distinto”

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Impedimento do exercício de
direito ou função pelo associado
(CC, art. 58)
Nenhum associado
A não ser nos casos e
pode ser impedido de
formas previstos em lei
exercer direito ou
ou no estatuto
função

Valorização da
Isso representa
dignidade da pessoa
valorização do princípio
humana e da legalidade
da eticidade e da boa-fé
(CF, art. 5º, II)

38

Competência privativa da
Assembleia Geral
(CC, art. 59)

Destituir os administradores

Alterar estatutos

Quórum estabelecido no estatuto 39

Critérios para eleição dos administradores

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Convocação dos órgãos


deliberativos (CC, art. 60)

Garantindo a 1/5 doas


Far-se-á na forma do
associados o direito de
estatuto
promove-la

Órgãos deliberativos =
Conselho de
Administração, Conselho
Fiscal, Conselho
Deliberativo, entre outros

40

Dissolução da Associação
(CC, art. 61)

Remanescente do seu patrimônio


Sendo omisso o Estatuto, por
líquido, depois de deduzidas, se
deliberação dos associados, o
for o caso, as quotas ou frações
remanescente será destinado à
ideais transferidas a terceiros
instituição municipal, estadual ou
será destinada à entidade de fins
federal de fins idênticos ou
não econômicos designada no
semelhantes
estatuto
Decisão 1º cabe aos associados.
Somente depois passa para as
Instituições aí descritas (En. 407, V JDC)
41

Partilha entre associados  Nulidade absoluta (TJ/RS, Ap. Civ. 70024200750)

Sociedades

42

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Noções gerais

Aplicação das regras


básicas constitutivas da
Conjunto de pessoas Associação, exceto às
com finalidade lucrativa limitadas
(En.280, IV JDC*)

En. 280, IV JDC:


“Por força do art. 44, § 2º, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas
pelo Livro II da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes
termos: a) em havendo previsão contratual, é possível aos sócios deliberar a
exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo ao contrato
disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por
aplicação analógica do art. 1.085; b) as deliberações sociais poderão ser
convocadas por iniciativa de sócios que representem 1/5 (um quinto) do capital
social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, 43
pelo contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada.”

Classificação das sociedades

Empresárias Simples
Atividade empresária
Atividade não empresária
(antiga atividade mercantil)
(antigas sociedades civis)
(CC, art. 982)

Ex.: empresa Ex.: escritório de advocacia

44

Sociedades simples ou empresárias


podem ser:

Em nome coletivo

Comandita simples

Em conta de participação

Por quotas de responsabilidade limitadas

45
Sociedades anônimas só podem ser empresariais

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Empresa pública e sociedade


economia mista

Personalidade de
Capital público
Direito Privado

Regidas pelas normas


Mas com cautelas de
empresariais e
direito público
trabalhistas
(ex.: licitações)
(CF, art. 173, § 1º)

46

Aplicação subsidiária das regras


básicas das associações para
sociedades (En. 280, CFJ/STJ)
Havendo previsão contratual, é
possível deliberar a exclusão de sócio
por justa causa, pela via extrajudicial,
Não se aplica às sociedades limitadas cabendo ao contrato disciplinar o
procedimento de exclusão,
assegurado o direito de defesa, por
aplicação analógica do art. 1.085

As deliberações sociais poderão ser


A mesma regra aplica-se na hipótese
convocadas pela iniciativa dos sócios
de criação, pelo contrato, de outros
que representem 1/5 do capital social,
órgãos de deliberação colegiada
na omissão do contrato

47

Organizações religiosas e dos


partidos políticos.
Corporações sui generis.
CC, art. 44, IV e V (por redação da Lei 10.825/2003)
 antes eram tratados como associações
 caiu por terra, portanto, En. 143, III JDC

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Organizações religiosas

Livres a criação, a
organização, a Aplicação subsidiária
estruturação interna e das regras das
funcionamento das associações
organizações religiosas

Poder Público não pode


Corporações sui generis impedir o seu
(já que não são mais funcionamento, bem
associações) como o seu registro
(CF, art. 5º, XVII)

49

Partidos políticos

Organização e
Aplicação subsidiária
funcionamento
das regras das
conforme lei específica
associações
(Lei 9.096/95)

Corporações sui
generis (já que não são
mais associações)

50

Empresas individuais de
sociedade limitada (EIRELI)

51

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EIRELI
(CC, art. 980-A)

Única pessoa titular da


Instituída pela Lei
totalidade do capital
12.441/2011 (entrou em
social, devidamente
vigor 8.1.2012)
integralizado

Nome empresarial deve


Não inferior a 100 vezes ser formado pela
o salário mínimo inclusão da expressão
vigente no País EIRELI, após a firma ou
denominação social

52

EIRELI
(CC, art. 980-A)

Pode resultar da
concentração das quotas de
Pessoa natural titular pode
outra modalidade
figurar apenas em uma
societária,
única EIRELI
independentemente da
razão

53

EIRELI
(CC, art. 980-A)

Pode ser constituída para a


prestação de serviços de qualquer
natureza da cessão dos direitos
patrimoniais de autor ou de
imagem, nome, marca ou voz de
que seja o titular da PJ, vinculados
à atividade profissional
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EIRELI
(CC, art. 980-A)

Não é sociedade, mas Não veda a


novo ente jurídico desconsideração da
personificado personalidade jurídica
(En. 468, V JDC) (En. 470, V JDC)

55

Regras de direito
intertemporal quanto às PJs

56

Adequação ao CC/2002
(CC, art. 2.031)

Associações,
sociedades e fundações
Igual prazo concedido
constituídas antes do
aos empresários
CC/2002 tinham 2 anos
de para se adaptar

O prazo venceria no dia


11.01.2005

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Adequação ao CC/2002
(CC, art. 2.031)

Prazo novamente
No entanto, o prazo foi
renovado (agora até
alterado pela Lei
11.01.2006) pela MP
10.825/2003
234/2005

Prazo não aplicável às


organizações religiosas,
Prazo até 11.01.2007
partidos políticos, e
(Lei 11.127/2005)
entidades desportivas
(MP 79/2002)

58

Fundações instituídas segundo a


legislação anterior
(CC, art. 2.032)
Subordinam-se ao
Inclusive as de fins
CC/2002, inclusive
diversos previstos no
quanto ao seu
CC, art. 62, par. ún.
funcionamento

Fins da fundação devem


ser necessariamente
religiosos, morais,
culturais ou assistenciais 59

Modificações de atos constitutivos


das PJs, transformações,
incorporações, cisões ou fusões

Deve-se
CC, art. 2.033 aplicar o
CC/2002

60

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Dissolução e liquidação das PJs


(CC, art. 2.034)

Quando iniciadas
Aplica-se as leis
antes da vigência
anteriores
do CC/2002

61

Domicílio das PJs

62

Domicílio da PJ

União deve promover as ações na


capital do Estado ou Território em
que tiver domicílio a outra parte
Sede jurídica demandada, à escolha do autor, no
(CC, art. 75) DF, na capital do Estado em que
ocorreu o ato que deu origem à
demanda ou em que se situe o bem
envolvido na lide

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Domicílio da PJ

Os domicílios dos Os Municípios tem


Estados e lugar onde
Territórios são as funciona a sua
capitais do Estado administração

64

Domicílio da PJ
Havendo pluralidade de
PJ de Direito Privado tem
domicílios de PJs, isto é,
domicílio no lugar onde
estabelecimentos diversos,
funcionam as suas respectivas
cada um deles será considerado
diretorias e administrações ou
domicílio para os atos nele
onde elegerem domicílio especial
praticados
nos estatutos
(CC, art. 75, § 1º)

Se a administração ou diretoria
tiver sede no estrangeiro, haver-
se-á por domicílio uma das suas
agências, o lugar do
estabelecimento, sito no Brasil,
a que ela corresponder 65
(CC, art. 75, § 2º)

Extinção da PJ e
destinação de bens

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Extinção das corporações

Dissolução deliberada de
seus membros, por
unanimidade e mediante Em decorrência de ato
Quando determinado por lei
distrato, ressalvados os governamental
direitos de terceiros e da
minoria

Por dissolução parcial,


No caso de termo extintivo
havendo falta de pluralidade Dissolução judicial
ou decurso de prazo
de sócios

67

Extinção da PJ
(CC, art. 51)

Se houver bens e
Não se opera de modo
dívidas, continuará em
instantâneo
fase de liquidação

Encerrada liquidação,
promove-se o
cancelamento da
inscrição da pessoa
jurídica

68

Extinção de associação
(CC, art. 61)
Caso não haja previsão, os bens irão
Bens são destinados para entidades
para estabelecimento municipal,
sem fins lucrativos, conforme
estadual ou federal de fins
previsão nos estatutos
semelhantes

Associados, por deliberação, antes


da destinação do remanescente,
Não havendo outra associação
podem receber, em restituição,
semelhante, bens devem ser
atualizado o respectivo valor, as
destinados à Fazenda do Estado, do
contribuições que tiverem prestado
DF ou da União
ao patrimônio da associação
(CC, art. 61, § 1º) 69

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Extinção da fundação

Já estudada
CC, art. 69
anteriormente

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Desconsideração da
personalidade jurídica

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PJ e sócios/administradores

Autonomia da PJ em relação aos Responsabilidade dos sócios é


seus sócios e administradores sempre subsidiária

 É o caso da teria da
Apenas no caso de abuso de desconsideração da
personalidade jurídica é que os personalidade jurídica (teoria do
sócios podem ser levantamento do véu ou teoria
responsabilizados diretamente da penetração na pessoa física –
disregard of the legal entity) 72

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Cabimento da desconsideração da
personalidade jurídica
Personalidade jurídica
Para praticar fraudes e
for utilizada para fugir para lesar terceiros
abusos
de suas finalidades

Deve o julgador decidir Teoria ter origem na Outro caso


como se houvesse sido Inglaterra (caso de emblemático é o State
praticado pela pessoa litígio entre os irmãos vs. Standard Oil Co.
natural Salomon, em 1897) (EUA – 1892)

Somente nas hipóteses legais (En. 7, I JDC)


Interpretação deve ser restritiva (En. 146, III JDC)
Insolvência da empresa não é imprescindível (En. 281, CJF/STJ)
Encerramento irregular das atividades da PJ enseja a desconsideração (En. 282, CJJ/STJ)
No âmbito fiscal, presume-se a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal 73
(Súm. 435, STJ)

Desconsideração da personalidade
jurídica no CC

Responsabilidade Bens da empresa também En. 283, CJF/STJ


Véu de escudo é retirado
do sócio é podem responder pelas
para atingir quem está
integral, além de dívidas do sócio Inf. 440, STJ
atrás dele (o sócio ou o
suas quotas (desconsideração inversa ou
sociais administrador) CPC, art. 133, § 2º
invertida)
(STJ, Inf. 463)

Desvio de finalidade ou Não é mais adequado o


confusão patrimonial uso da expressão teoria,
(CC, art. 50) porque foi prevista no CC

74
En. 51, CJF/STJ  manutenção
de parâmetros anteriores

Desconsideração da personalidade
jurídica no CDC e na Lei 9.605/98

Previsão também no CDC, art. 28 (abuso de


direito, excesso de poder, infração de lei, fato
ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou
Previsão também na Lei de Crimes
contrato social, falência, estado de
Ambientais (art. 5º)  sempre que for
insolvência, encerramento ou inatividade da
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
PJ causada por má administração , quando
causados à qualidade do meio ambiente
for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados aos consumidores
(CDC, art. 28)

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Teorias da desconsideração da
personalidade jurídica

Teoria Maior Teoria Menor


Juiz é autorizado a ignorar a autonomia
Simples prejuízo ao credor já possibilita a
patrimonial das PJs, como forma de coibir
autonomia processual
fraudes e abusos práticos através dela

Adotada pelo CC/2002 Adotada pelo CDC


(STJ, Resp 279.273)
Parâmetros devem
ser do CC, art. 187 e pela Lei 9.605/98
Precisa de prova de dolo ou
culpa do sócio? Para o STJ sim,
Para Tartuce não (CC, art. 187) 76

Diferenciação

Desconsideração Despersonificação

Desconsidera-se a regra de que a


PJ tem existência distinta de seus A pessoa jurídica é dissolvida
membros

CC, art. 50 CC, art. 51

Mantem-se a empresa e os sócios Exclui-se a empresa e inclui-se os 77


no polo passivo da ação sócios no polo passivo da ação

Deferimento da desconsideração
no processo de execução

Discutível pela Na prática, sempre


inexistência, de foi comum a sua
forma plena, do prática
contraditório (TJSP, AI 7228878-7)

CPC/2015 (art. 134)


acaba com qualquer
dúvida, por admiti-
lo em qualquer fase

78

26
20/08/2017

Teoria da sucessão de empresas ou


desconsideração econômica

Responsabilidade de uma Empresa sucedida e


empresa por outra sucessora

Bano Santos e Bank of Europe


TA/SP, Proc. 1256457-3 (TJ/SP – Proc.
9134530.70.2009.8.26.0000)

79

Desconsideração da personalidade
civil na Justiça do Trabalho

Reautuação do
Regulamentada
processo, de
pelo Prov. 79,
forma a constar
CGJ/TST
nome dos sócios

Comunicação
imediata ao Determinação da
responsável pelas citação dos sócios
certidões na JT
80

Desconsideração da personalidade
jurídica na Lei Anticorrupção
(Lei 12.846/2013)

Desconsideração Abuso de direito


administrativa (art. 14)

Para facilitar, encobrir


ou dissimular a prática Assegurado
de atos ilícitos previstos contraditório e ampla
na Lei ou para provocar defesa
confusão patrimonial

81
STF reconhece a importância do instituto (Inf. 732, STF)

27
20/08/2017

Desconsideração da personalidade
jurídica das PJs de direito privados sem
fins lucrativos ou de fins não econômicos

Estão abrangidas TJ/SP, AI 0041716-


(En. 284, IV JDC) 56.2013.8.26.0000

82

Desconsideração jurídica invocada


pela PJ em seu favor

Possível En. 285, CJF/STJ

Pode fazer uso do


instituto contra uma
empresa devedora, se
presentes os requisitos
do art. 50, CC

83

PJ tem legitimidade para questionar


desconsideração?

Sim, como forma de


defender a sua
STJ, Resp 1.421.464
regular administração
e autonomia

84

28
20/08/2017

Regramento no CPC/2015
(arts. 133/137)

Instaurado a pedido da
Incidente parte ou do MP, quando
couber sua intervenção

Nos casos de ordem pública,


é possível sua decretação ex
Vedação de decisão-
officio, p. ex., CDC, danos
surpresa (CPC, art. 10)
ambientais, corrupção
(Tartuce)
85

Regramento no CPC/2015
(arts. 133/137)

Dispensada instauração
Cabível em todas as Comunicação imediata
se for requerida na
fases do processo ao distribuidor
petição inicial
(art. 134) (art. 134, § 1º)
(art. 134, § 2º)

Suspensão do processo,
salvo na hipótese de Interpretação extensiva
Apenas os sócios
pedido na exordial, para também incluir
(art. 134, § 4º)
como citação do sócio administradores
(art. 134, § 3º)

Sócios e administradores devem ser tratados como 86


partes e não como terceiros (CPC, art. 790)

Regramento no CPC/2015
(arts. 133/137)
Requerimento deve Citação dos sócios para
demonstrar preenchimento manifestação e requerer
dos requisitos legais da provas cabíveis no prazo de
desconsideração 15 dias
(CPC, art. 134, § 4º) (CPC, art. 135)

Alienação ou oneração será


Resolução por decisão
ineficaz, no caso de
interlocutória e não por
acatada a desconsideração
sentença
da personalidade jurídica
(CPC, art. 136)
(CPC, art. 137) 87

29
20/08/2017

Aplicação da desconsideração da
personalidade jurídica nos Juizados
Especiais

CPC, art.
Possibilidade
1.062

88

Bens do sócio não respondem pela


dívida da PJ, salvo previsão legal
Sócio nesse caso deve
Sócio tem direito de
nomear os bens da PJ
requerer que sejam
situados na mesma comarca
excutidos primeiramente
e que estejam livres e
bens da PJ
desembaraçados
(CPC, art. 793, § 1º)
(CPC, art. 795, § 2º)

Observância do incidente da
Sócio que pagar a dívida desconsideração
pode excutir a dívida nos (CPC, art. 795, § 4º)
mesmos autos
(CPC, art. 795, § 3º) responsabilidade é integral e 89
solidária

Embargos de terceiro
(CPC, art. 674, § 2º, III)

Oponível por aquele que


sofrer ameaça ou
constrição sobre bens que Não deve ser parte, mas
possua ou sobre os quais sim terceiro
tenha direito incompatível
com o ato constritivo

90

30
20/08/2017

Entes ou grupos
despersonalizados

91

Conceito de entes ou grupos


despersonalizados

que não possuem


Meros conjuntos
personalidade
de pessoas e de
própria ou
bens
distinta,

não constituindo
PJ

92

Modalidades

Família

• Origem no casamento, união estável, entidades monoparental ou em outra


origem (CF, art. 226 – rol é exemplificativo)

Espólio

• CC, art. 1.784

Herança jacente e vacante

• Sem sucessores (CC, art. 1.819/1.823)

93

31
20/08/2017

Modalidades

Massa falida

• Conjunto de bens formados com a decretação de falência de uma PJ

Sociedade de fato

• Empresas sem constituição (estatuto ou contrato social), bem como união


de pessoas impedidas de se casar, nos casos de concubinato (CC, art. 1.727)

Sociedade irregular (ou sociedade em comum)

• Empresas que possuem contrato ou estatuto social que não foi registrado,
caso por exemplo de uma sociedade anônima não registrada na Junta
Comercial (CC, art. 986)

94

Modalidades

Condomínio

• Conjunto de bens em copropriedade


• Para muitos, é PJ, o que justifica ter CNPJ – En.
90 e 246, III JDC – além do que o rol do art. 44,
CC é exemplificativo não taxativo
• Não se enquadra nem como corporação, nem
como fundação, daí não poder ser PJ
95

32