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INTA- INSTITUTO SUPERIOR DE TEOLOGIA APLICADA

PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU EM GESTÃO, COORDENAÇÃO,


PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO ESCOLAR

FRANCISCO ALEX DE OLIVEIRA FARIAS

GESTÃO ESCOLAR: DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA


ESCOLA FRANCISCO SOARES DE OLIVEIRA

SOBRAL – CE
2013
FRANCISCO ALEX DE OLIVEIRA FARIAS

GESTÃO ESCOLAR:DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA


ESCOLA FRANCISCO SOARES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada como


requisito parcial ao Instituto Superior
de Teologia Aplicada - INTA para
obtenção do título de especialista em
Gestão,Coordenação, Planejamento
e Avaliação Escolar sob orientação
da Prof. Me.Marisa Pascarelli Agrello.

SOBRAL-CE
2013
Monografia apresentada como requisito necessário para obtenção do grau de
especialista em Gestão,Coordenação,Planejamento e Avaliação Escolar .Qualquer
citação atenderá as normas da ética científica.

Francisco Alex de Oliveira Farias

Monografia Aprovada em ______/______/______

Comissão Examinadora

___________________________________________________________________

Orientador Prof. Me. Marisa Pascarelli Agrello

1° Examinador Prof. Me Hamilton Vale Leitão

2° Examinador Prof. Mestranda Eliza Angélica Rodrigues Ponte

Coordenador do curso Prof. Me Marisa Pascarelli Agrello


Dedico a meu pai por tudo que
ele sempre representou na
minha vida.
Agradeço

Agradecimento especial à minha mãe, meus irmãos,


minha namorada e aos meus amigos, meus alunos,
que sempre me apoiaram e a minha professora
orientadora, Marisa Pascarelli, por sua importante
participação, incentivo e apoio, sem o qual esse
trabalho não seria possível.
“Tudo aquilo que o homem
ignora, não existe pra ele. Por
isso o universo de cada um, se
resume no tamanho de seu
saber.” (Albert Einstein).
RESUMO

No cotidiano escolar são diversos os fatores que interferem de forma positiva ou


negativa para o bom funcionamento institucional e por conseqüência na
aprendizagem dos alunos e entre os responsáveis por esse desempenho se destaca
o gestor escolar. Dentro das atribuições dele está o acompanhamento do trabalho
docente funcionando como um elo de ligação entre os envolvidos nos processos de
aprendizagem, o relacionamento entre o grupo gestor e o corpo docente é uma
questão crucial para a qualidade da educação que será ofertada e para que o
sucesso seja alcançado. Esses profissionais devem estar sempre atentos ao cenário
no qual estão inseridos e a formação deve fazer parte de sua vida, para que possam
ter sempre uma visão completa do real, estando preparado para mediar e solucionar
possíveis conflitos que venham a existir dentro de seu ambiente de trabalho. Uma
escola só terá êxito na implantação e execução de seu projeto político pedagógico
se seu núcleo gestor trabalhar de forma articulada com professores, alunos, família
e sociedade de forma geral, pois um trabalho com qualidade só é possível se todos
estiverem envolvidos e empenhados na busca pelo que é essencial ou seja a
aprendizagem dos alunos. Assim nesse trabalho no primeiro capitulo procuro
estabelecer e relacionar algumas características da gestão escolar, no segundo
capítulo é trabalhado a gestão que é idealizada pela maioria dos estudiosos da área,
que é a gestão democrática e participativa e o trabalho é concluído relacionando a
gestão vivenciada na Escola de Ensino médio Francisco Soares de Oliveira com
seus desafios e perspectivas. Essa abordagem é feita em consonância com a
pesquisa bibliográfica de alguns autores como Heloisa Luck, Rios, Paulo Freire, Ana
Luíza Machado, Gadotti, Paro, entre outros .

Palavras chave: Democracia, Educação, Participação


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO-------------------------------------------------------------------------8

1. DESAFIOS E TENDÊNCIAS DA GESTÃO EDUCACIOAL NA


ATUALIDADE-------------------------------------------------------------------------9

1.1 Conceituando Gestão escolar------------------------------------------------9

1.2 Características da Gestão Educacional----------------------------------11

1.3 Tipos de Gestão Escolar------------------------------------------------------12

1.4 Diferenças entre Gestão Educacional e Administração Escolar---13

1.5 Gestão Educacional um Caminho a Percorrer--------------------------14

2. GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA-------------------------------------16

2.1 Contextualizando a Gestão Democrática na Escola de Ensino


Médio-----------------------------------------------------------------------------------17

2.2 A Importância da Participação da família no Processo de Gestão


Escolar----------------------------------------------------------------------------------19

2.3 A Gestão Compartilhada : Mito ou Realidade---------------------------21

2.4 O envolvimento dos Professores e Alunos : Sentimento de


pertencimento-------------------------------------------------------------------------23

3. PERSPECTIVAS VIVENCIADAS NA GESTÃO ESCOLAR: UM


CASO PARTICULAR----------------------------------------------------------------27

CONSIDERAÇÕES FINAIS-------------------------------------------------------33

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS -------------------------------------------34

ANEXOS-------------------------------------------------------------------------------36
8

INTRODUÇÃO

Esse trabalho analisa algumas questões pertinentes à Gestão Escolar e a


importância do trabalho realizado pelo Gestor Escolar, que está intimamente ligado
com os resultados e objetivos a serem alcançados em uma unidade escolar, dentro
de um cenário que passa por uma transformação intensa e que a escola precisa
está atenta para alcançar essas mudanças, assim a função do gestor escolar vai
muito além de cumprir Leis e regulamentos e fazê-los ser cumprido por sua equipe,
o sucesso dos alunos é o ponto principal, assim com objetivo de elucidar algumas
questões sobre esses desafios no primeiro capitulo o tema gestão escolar é
abordado tomando como referência o pensamento de três autores: Luck, Rios, e
Paulo freire. .
No segundo capítulo é abordada questão da gestão democrática, sua
contextualização no Ensino Médio, como ela pode contribuir para que a escola seja
verdadeiramente democrática, aberta a participação de professores, pais de alunos,
estudantes e todos os envolvidos nesse processo de ensino aprendizagem, a partir
de uma visão que para cumprir seu papel o gestor deve ser capaz de resolver e
mediar possíveis conflitos , articular uma ponte entre o ideal e o real, conciliar o
pedagógico e o administrativo, envolvendo todos para juntos atingirem o sucesso de
acordo com o que diz a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da nossa
educação e condizente com o pensamento de alguns autores como Lima, Paro,
Paulo Freire entre outros.
Na finalização desse trabalho é relatado o estudo de um caso particular, que
é o da escola Estadual de Ensino Médio Francisco Soares de Oliveira, relatando a
experiência da atual gestão, na construção de um Projeto Político Pedagógico justo
e democrático, da formação do seu conselho e Grêmio Escolar e de suas
expectativas para os desafios futuros. Busca-se, então conhecer como o gestor
atualmente precisa está, compreender os processos educacionais profundamente,
articular políticas de formação de sua equipe docente, ter uma visão estratégica e
possuir habilidades que permita a construção de um projeto político pedagógico
motivador capaz de mobilizar toda sua equipe e envolver cada um dentro de uma
gestão democrática para que cada aluno, cada professor, cada funcionário possa
sentir-se responsável pelo desempenho e melhorias na escola.
9

1. DESAFIOS E TENDÊNCIAS DA GESTÃO EDUCACIOAL


NA ATUALIDADE

O atual modelo de gestão escolar sofreu ao longo do tempo modificações


para atender a novos desafios, novas perspectivas e tendências a escola mantém e
transforma ao mesmo tempo, influência e é influenciada pela sociedade. Neste
sentido, destaca-se a importância da formação daqueles que administram as
escolas, seus conhecimentos pedagógicos. Para compreendermos o processo
educacional precisamos passar por uma profunda reflexão filosófica sobre a
educação, revelando o domínio ético, político e a compreensão da autonomia
fundada no respeito à diversidade, à riqueza das culturas e à procura da superação
das marcantes desigualdades locais e regionais na partição e no envolvimento de
todos.

1.1 Conceituando Gestão Educacional

Dentre as diversas concepções pedagógicas a respeito da gestão escolar


Luck destaca :

Um diretor de escola é um gestor da dinâmica social, um mobilizador e


orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe unidade
e consistência na construção do ambiente educacional e promoção segura
da formação de seus alunos, suas ações tenha em mente o conjunto todo
da escola e seu papel educacional. Não apenas imediato, mas de
repercussão no futuro, em acordo com visão estratégica e com amplas
políticas educacionais. (LUCK, 2000, p.16).

Atualmente são demandadas mudanças urgentes na escola, a fim de que


garanta formação competente de seus alunos, de modo que sejam capazes de
enfrentar criativamente, com empreendedorismo e espírito crítico, os problemas
cada vez mais complexos da sociedade. Em uma sociedade, que embora muitas
vezes não tenha bem claro de que tipo de educação seus jovens precisam, já não
está mais indiferente ao que ocorre nos estabelecimentos de ensino. Não apenas
exige que a escola seja competente e demonstre ao público essa competência, com
bons resultados de aprendizagem pelos seus alunos e bom uso de seus recursos,
como também começa a se dispor a contribuir para a realização desse processo,
assim como a decidir sobre os mesmos.
10

Segundo Rios a situação da gestão escolar encontra-se inserida em uma


realidade a qual é necessária sua compreensão assim:

Atualmente, para dar conta de um novo modelo organizacional na escola é


preciso passar por várias mudanças como, por exemplo, de paradigma. É
preciso, ainda assimilar novas formas de se relacionar com o conhecimento,
a pesquisa, a organização e a função da comunidade no envolvimento da
educação. Para atuar em um novo modelo de escola é necessário também
compreender sua função, conforme Rios (1993, p. 38).

Sabe-se que são vários os fatores que podem interferir nos processos de
decisões, e hoje, com tantos avanços, tantas mudanças e desafios, a escola pode
ser considerada um dos espaços privilegiados para que essa transformação, essa
construção de saberes, de respeito às diferenças, de consciência e de trabalho
coletivo seja realizada.

A gestão escolar e, consequentemente, a atuação e formação de seu gestor


enfrentam grandes desafios e mudanças. Uma nova educação está sendo
construída no interior das escolas, estão sendo produzidos novos conhecimentos
sobre o aprender, a sala de aula, assim como, também, há avanços teóricos e
práticos na área da administração educacional, compreendendo a política, o
planejamento, a gestão e a avaliação da educação.

Em busca de uma escola mais democrática e participativa Paulo freire


defendia:

A solidariedade social e política de que precisamos para construir a


sociedade menos feia e menos arestosa, em que podemos ser mais nós
mesmos, tem a formação democrática uma prática de real importância. A
aprendizagem da assunção do sujeito é incompatível com o treinamento
pragmático ou com o elitismo autoritário dos que se pensam donos da
verdade e do saber articulado.. (FREIRE, 1996 p.24)

A participação e atuação dentro das escolas segundo Freire (1996) deixa de


ser apenas a voluntariosa e torna-se para nós uma obrigação tendo em vista que é
nosso dever zelar por um país mais justo e democrático. Assim há um grande
desafio tanto para a sociedade como para quem administra o espaço escolar, na
transformação dessa realidade que é o de assumir esse grande trabalho onde todos
possam participar.
11

1.2 Características da Gestão Educacional

A organização do trabalho pedagógico no interior escolar, onde o gestor


escolar tem a função de conciliar políticas públicas com o projeto político escolar
mais adequado a ser trabalhado, não é tarefa fácil, a ação do diretor será exitosa ou
não, por conseguinte a limitação da sua concepção sobre a educação e essas
competências são desenvolvidas de acordo com o tipo de liderança exercida. Na
escola, o diretor é o profissional a quem compete à liderança e organização do
trabalho dos envolvidos no processo de aprendizagem de modo a orientá-los para o
desenvolvimento de um ambiente, com condições de responder as expectativas da
sociedade atual e vencer o grande desafio que é o de construir uma formação sólida
para os alunos capacitando-os para enfrentar novas realidades e estarem prontos
para acompanhar novas mudanças.

Assim para ser um bom gestor escolar é necessário um conjunto de


competências e conhecimento da realidade na qual a escola está inserida: quais as
prioridades, quais os pontos a serem melhorados, qual o sentido da educação seus
princípios, diretrizes, como se dá a organização da educação com seus vários níveis
e modalidades, qual o papel da escola e de seus atores, quais os alunos que a
escola deve atender, em que condições aprendem melhor, como organizar a escola
para que ela possa cumprir seu papel efetivamente, portanto o gestor para ser
eficiente precisa está antenado com sua realidade e ao mesmo tempo está se
atualizando através de formação está atento para o impacto e as contribuições que
as novas tecnologias possam trazer e buscar meios para que possa colocá-las a
serviço da melhoria e do desenvolvimento educacional.

A gestão escolar está ligada, ainda, ao trabalho da direção escolar, da


supervisão ou coordenação pedagógica, da orientação educacional e da secretaria
da escola, considerados participantes da equipe gestora da escola. Segundo o
princípio da gestão democrática, a realização do processo de gestão inclui também
a participação ativa de todos os professores e da comunidade escolar como um
todo, de modo a contribuírem para a efetivação da gestão democrática que garante
qualidade para todos os alunos.
12

1.3 Tipos de Gestão Educacional

Dentro dos vários tipos de gestão educacional desenvolvidos em âmbito


nacional, se destaca e faz parte de movimentos e lutas sócias de educadores,
principalmente a partir dos anos 1980, resultando inclusive na aprovação do
princípio da gestão democrática na constituição federal de 1988, no artigo 6 a gestão
participativa e democrática.

A gestão democrática da educação, apesar de citado já na constituição de


1988, vem encontrando alguns entraves e passou a ser regulamentado pela Lei de
diretrizes e Bases da Educação em 1996 que em três de seus artigos menciona a
gestão democrática:

Artigo 3º – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:


(...)
VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da
legislação dos sistemas de ensino;
Artigo 14° – Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas
peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto
pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares
ou equivalentes;
Artigo 5° – Os sistemas de ensino assegurarão às Unidades Escolares
públicas de educação básica que os integram, progressivos graus de
autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas
as normas gerais de direito financeiro público.
(LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO, 1996)

Assim tivemos após os anos 80 avanços frutos de lutas de movimentos


sociais que buscavam uma maior participação nos rumos e gerenciamento da
educação brasileira mas que ainda não atendiam por completo a tais reivindicações
e ainda são grandes os caminhos a serem seguidos para chegarmos a uma
verdadeira gestão democrática.
Outra forma de Gestão educacional presente em nossas escolas é a gerencial
onde o foco principal é mais o administrativo, depreende-se que no modelo gerencial
cada vez mais afeito no espaço das escolas públicas converte o cidadão na
condição de cliente e também de prestador de serviços

“uma das dimensões do estilo gerencial de gestão, tem tido, como contraponto o
aumento dos controles centralizados” (AZEVEDO, 2002, p. 60)
13

A participação instrumental se dá com a aceitação de um objetivo prévio com


contornos próximos de democracia de representação como fim de captar recursos e
referendar ações de controle. Neste processo, para além da técnica, objetiva-se a
sujeição, o consenso, a reprodução. A gestão, assumindo o discurso de funcionários
parceiros, comunidade parceira, dilui e fragiliza as possibilidades de emancipação e
superação da estrutura posta. Nesse tipo de administração a participação é
diminuída.
Outra forma de administração escolar é chamada de gestão participativa
implantada a partir dos anos 1990, é uma prática política contraditória em relação a
uma participação democrática, pois é marcada pela responsabilização da
comunidade que na maioria das vezes não tem o poder decisório nas questões
essenciais para o bom funcionamento da escola, assim a Embora a gestão
compartilhada assuma um caráter democrático, na realidade, esvazia a possibilidade
de participação política no interior da escola e consolida a participação para a auto-
sustentação. Neste sentido, a gestão compartilhada impulsiona a comunidade
escolar a estabelecer uma relação de parceria com o Estado na medida em que
transfere para a comunidade a responsabilidade de manutenção financeira da
escola estabelece a dualidade, uma vez que são desiguais as condições de
manutenção da escola pela comunidade escolar

1.4 Diferenças entre Gestão Educacional e Administração Escolar

Podemos pensar sobre a administração escolar e destacar os elementos que


caracterizam os modelos participativos ou diretivos de gestão, dentre os modelos
existentes. Como sabemos no modelo diretivo imperam a subordinação, a hierarquia
e a autoridade no comportamento das pessoas e já no modelo participativo em que
esta escola se encontra, encontramos pessoas com poder de autogestão, disciplina
e autonomia.

Contudo, podemos observar que o autoritarismo é inerente ao modelo


diretivo. Entretanto, é muito comum encontrar organizações com esse modelo,
principalmente quando as ênfases na hierarquia e na autoridade não têm finalidade
lógica e servem apenas para a valorização dos superiores. Para tanto, podemos
14

observar que neste estabelecimento de ensino, no qual se direciona a minha


pesquisa, o modelo de gestão se baseia plenamente no modelo participativo.

Até bem pouco tempo, o modelo de direção da escola, era o de diretor


submisso aos órgãos centrais, e seu papel se restringia a de guardião e
administrador de determinações estabelecidas pelas instâncias superiores.

A intensificação sobre a autonomia da escola se deu a partir da década de


oitenta, quando o Brasil, também, vivenciava um desejo de redemocratização na
política brasileira. O debate sobre a autonomia da escola toma corpo e possibilita
modificação na terminologia e avaliação da atuação administrativa, que passa a ser
denominada como gestão e, mais particularmente, gestão democrática. Os
conselhos estaduais de educação (C.E.E) foi de extrema importância, pois se tornou
um órgão normativo e que regulamentou todas esta conquistas de gestão
democrática.

No modelo de Gestão Educacional deve existir uma filosofia ou doutrina que


valorize a participação das pessoas, ou seja, de toda a comunidade escolar no
processo de tomar decisões. Dessa maneira, a participação aproveita o potencial
das pessoas e contribui para aumentar a qualidade das decisões no âmbito deste
estabelecimento escolar de ensino regular.

1.5 Gestão Educacional: Um caminho a percorrer

Apesar dos avanços vivenciados na educação brasileira nos últimos anos,


ainda temos um imenso caminho a percorrer, desafios que se mostram como
barreiras a serem derrubadas e o papel do gestor escolar está ligado de forma
crucial ao desenvolvimento e melhoria na qualidade na educação, o trabalho bem
executado por um bom gestor faz toda a diferença. Entre o gestor e sua equipe não
pode haver vazios ou entraves deve sim ocorrer diálogo, mediação, articulação para
assim chegar aos objetivos e metas estabelecidas.

Podemos elencar como grandes desafios da gestão escolar três importantes


elementos: a melhoria contínua dos processos de ensino e aprendizagem
(atividades-fim); a eficiência na condução das questões administrativas e
burocráticas (atividade-meio) e a participação efetiva da comunidade escolar (gestão
democrática). Os desafios da gestão escolar devem ser entendidos não como
15

obstáculos intransponíveis, mas como oportunidades: de superação, de crescimento


e de inovação, para antecipar a construção do futuro. Nesta perspectiva, o desafio
estimula a criatividade e mobiliza recursos para a criação de uma nova realidade,
neste caso, a de uma nova escola imersa numa sociedade em transformação.

Para uma gestão eficaz alguns fatores são essenciais o diretor deve ser
democrático, ter flexibilidade e ao mesmo tempo firmeza, ser cuidadoso com a
gerência dos bens materiais e humanos na escola e ao mesmo tempo comprometido
com as questões pedagógicas, está apto a liderar de forma justa e democrática
sempre em busca do que é fundamental dentro do ambiente escolar que é a
contribuição para a aprendizagem e formação dos alunos.

O bom gestor sabe que a participação dos professores, funcionários da


escola, alunos e comunidade escolar interfere de forma fundamental no
desempenho escolar e rendimento, por isso ele deve ser capaz de criar um elo entre
todos esses atores e a escola que eles desejam para que esses, também sintam se
responsáveis pela execução do projeto político pedagógico da escola e assim
sempre darão o melhor de si para que se consigam os objetivos.

É nesse cenário de desafios que é o “chão da escola” que o gestor escolar


está inserido sendo o ator principal na condução o processo educativo, não
confundido a liderança com centralização de poder, muito pelo contrário ele deverá
ser um líder capaz de reconhecer os diversos potenciais que cada membro da
comunidade escolar tem a oferecer, trazer a família para a escola desenvolver nos
alunos e professores o sentimento de pertencimento pois só assim esse caminho
será exitoso.
16

2. GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA

A Educação se depara atualmente com duas situações antagônicas e


amplamente discutidas: permanecer na mesmice ou adotar as práticas de uma
gestão democrática. Nesse contexto a escola que deseja alcançar sucesso, deve
acompanhar as mudanças da sociedade assumindo sua função social, deve estar
alinhada dentro do contexto de uma Gestão aberta, que conte com a participação de
toda a comunidade escolar, uma vez que as responsabilidades perante a educação
deve ser direito e também dever de todos. Para que se exerça uma Gestão Escolar
Democrática o gestor tem que se preocupar com a elaboração do Projeto Político
Pedagógico participativo, a formação de um Conselho Escolar e também do espaço
para a formação de um Grêmio Estudantil, fazendo articulações entre os diversos
setores da escola, compartilhando decisões e descentralizando o poder,
transformando o trabalho de sua unidade escolar para que ela possa trabalhar com
segurança, confiança e autonomia.
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2.1 Contextualizando a Gestão Democrática no Ensino Médio

O processo de gestão democrática traz possibilidades para que todos os


responsáveis pela educação, gestores, professores e sociedade de forma geral
sejam capazes de promover uma educação que ajude nossos jovens, com ações
que os tornem sujeitos capazes de construir sua cidadania e autonomia, e a escola
deve estar pronta para atender a todo esse público contribuindo na formação de
cidadãos críticos e comprometidos com um Brasil mais justo e democrático, pessoas
capazes de exercer verdadeiramente sua cidadania.Essa nova concepção de gestão
exige do profissional instituído na função (gestor escolar) uma qualificação
sustentada nos fundamentos da liderança voltada para o sucesso do processo de
desenvolvimento humano e a formação da cidadania, por meio da organização,
mobilização e articulação de todas as condições humanas e materiais disponíveis.

(...) se situa um dos desafios dos educadores: a democracia assim como a


cidadania se fundamenta na autonomia. Uma educação emancipadora é
condição essencial para a gestão democrática. Escolas e cidadãos privados
da autonomia não terão condições exercer uma gestão democrática, de
educar para a cidadania. (BORDIGON, 2005,p.12)

No tocante a educação de Ensino Médio, onde lidamos com jovens imersos em


um mundo de dúvidas, angustias e sonhos onde precisão ser ouvidos e acolhidos
sua opinião e reivindicações respeitadas, para que tenham um bom desempenho, ao
chegar na escola eles precisam de um espaço agradável, bem equipado, aulas mais
interessantes, onde de fato ele possa aprender e crescer e nesse contexto existe
uma possibilidade bem maior de se exercer o processo de Gestão Democrática,
uma vez que o gestor deve em seus projetos desenvolver uma cultura participativa,
embasado suas ações na participação de professores, alunos, comunidade escolar
e levando em consideração o tempo e espaço onde a escola está inserida, a
sociedade a qual queremos para assim aumentar a qualidade no processo ensino-
aprendizagem.

Encontra-se aí um grande desafio para o gestor, pois e nesse contexto que seu
trabalho e sua capacidade de liderança será colocada em prática para que a escola
consiga atender a alguns padrões e possa garantir a seus alunos o acesso e
permanência na escola, e é dentro desse cenário que a gestão democrática ganha
mais destaque. Como afirma Dourado:“na escola todos têm contribuições e saberes
18

para compartilhar e que todos os processos realizados nos espaços da escola


são vivências formativas e cidadãs”. (DOURADO 2003, p. 62),

Partindo desse principio, o gestor tem a responsabilidade de procurar através


de suas ações, projetos e esta inserindo toda a comunidade escolar nas atividades
desenvolvidas pela mesma, realizando assim um trabalho em equipe, o que torna as
atividades mais prazerosas e com a participação de todos os resultados conforme é
mostrado em diversas experiências tende a ser mais exitosos, pois cada ser humano
é especial dentro de uma singularidade única, que se bem trabalhada muito tem a
contribuir.

Medidas como auxiliar e apoiar na formação do Grêmio Estudantil abre as


portas para aumentar a participação dos educando no processo de gestão
democrática, uma vez que os membros serão escolhidos por meio de eleição,
desenvolvendo assim uma cultura participativa auxiliando na construção da
cidadania dentro do próprio espaço da escola, e devido aos componentes do Grêmio
estudantil ser escolhidos por seus pares, tem se um sentimento de participação e
democracia atendidos.

Projetos que funcionam são aqueles que correspondem a um projeto


de vida profissional dos que são envolvido sem suas ações e que, por
isso mesmo, já no seu processo de elaboração, canalizam energia
e estabelecem orientação de propósitos para a promoção de uma
melhoria vislumbrada. Há de se ressaltar, ainda, que problemas e
soluções envolvem pessoas, passam pelas pessoas e são delas
decorrentes.(LUCK, 1998, p. 58)

Pode se perceber que o aluno de ensino médio são em sua grande maioria
jovens, que necessitam de apoio e acolhimento, pois é nessa fase que aparece em
suas vidas um maior número de desafios, surgem também os primeiros romances, é
uma época em que ele é pressionado pela família a crescer tornar se adulto com
diversas responsabilidades como passar no vestibular, tem na própria escola uma
série de propostas que trabalham nessa perspectiva como simulados, provas
externas e uma serie de cobranças, sendo assim o gestor escolar deve trabalhar
com seus alunos voltado para o principio da construção de seu conhecimento e
autonomia dentro do espaço escolar e sempre cuidando para que ele se sinta bem.

Nesse contexto, a gestão escolar, que outrora atendia as exigências da escola


autoritária, passa a atender os preceitos da escola democrática, preconizando a
19

participação como busca pela qualidade da educação, tornando-se foco de atenção


da comunidade educacional, enquanto enfoque novo, desafiador, superando as
limitações administrativas arraigadas nas instituições de ensino. Santos fala sobre a
autonomia e sua importância para as instituições de ensino,

A autonomia pode ser entendida como a capacidade das pessoas de


decidir sobre seu próprio destino, ou seja, autogovernar-se. “Numa
instituição a autonomia significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e
suas formas de organização, manter-se relativamente independente do
poder central, administrar livremente os recursos financeiros” (LIBÂNEO,
2001, p. 115). Na escola isso vai significar a possibilidade de traçar seu
próprio caminho, envolvendo professores, alunos, funcionários, pais e
comunidade, unidos no sentimento de coresponsabilidade pelo êxito da
instituição. (SANTOS, 2006, p. 11)

Portanto a escola deve ter como objetivo maior a formação dos seus alunos em
cidadãos capazes de exercer suas funções com atitudes éticas , para que ela possa
alcançar esse objetivo ela deve estar de portas abertas para receber e criar ações
que contribuam para a formação da cidadania, deve promover em seus alunos e
comunidade escolar o poder critico, deve deixar que seus membros tenham
autonomia no pensar e no agir.

2.2 A Importância da Participação da Família no Processo de Gestão Escolar

A escola e a família, assim como outras instituições, vêm passando por


profundas transformações ao longo da história. Estas mudanças acabam por
interferir na estrutura e na dinâmica escolar de forma que a família, em vista das
circunstâncias, entre elas o fato de as mães e/ou responsáveis terem de trabalhar
para ajudar no sustento da casa, tem transferido para a escola algumas tarefas
educativas que deveriam ser suas.

No interior de nossa própria cultura, sem sair de nossa própria cidade nem
de nosso próprio bairro, um belo dia observamos nosso ambiente e nos
damos conta de que tudo mudou tanto que mal somos capazes de saber
como as coisas funcionam. Sentimo-nos, então, desorientados como se
tivéssemos viajado para uma sociedade estranha e distante, mas sem
esperança de voltar a recuperar aquele ambiente conhecido no qual
sabíamos nos arranjar sem problemas. (ESTEVES, 2004, p. 24)

Percebe-se desta forma que a interação família/escola é necessária, para que


ambas conheçam suas realidades e suas limitações, e busquem caminhos que
permitam e facilitem o entrosamento entre si, para o sucesso educacional do filho.
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Nesse sentido, faz-se necessário retomar algumas questões no que se refere à


escola e à família tais como: suas estruturas e suas formas de relacionamentos,
visto que, a relação entre ambas tem sido destacada como de extrema importância
no processo educativo das crianças.

É preciso, portanto, que a família, seja ela que composição tiver, cumpra os
seus deveres e que a Escola faça valer sua proposta pedagógica como meta, para
que ambos possam atingir seus objetivos na formação dessas crianças e jovens
adolescentes.

De acordo com Içami Tiba (2002, p.181), “para a escola, os alunos são apenas
transeuntes psicopedagógicos. Passam por um período pedagógico e, com certeza,
um dia vão embora. Mas, família não se escolhe e não há como mudar de sangue.
As escolas mudam, mas os pais são eternos”.

Assim a educação é um projeto, é algo que tem um caminho, que não pode ser
simplesmente de qualquer forma. “Deve ser muito elaborada, pois é o futuro do filho
e da família que estão em jogo...” Por isso, a ação de educar e ensinar devem ser
compartilhados entre as duas instituições: família e escola. Ambas devem preparar
nossos jovens para o exercício pleno da cidadania com dignidade e respeito, para
serem pessoas que alcancem sua autonomia, de forma completa, visto que de
acordo com o artigo 205 da Constituição Federal,

[...] a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1998)

Atualmente são grandes as dificuldades encontradas dentro das escolas


assuntos como falta de limites, desrespeito na sala de aula e desmotivação de
alunos e professores são relatados diariamente dentro das escolas. Esse tipo de
problema esta se tornando rotina em todo o nosso sistema de ensino, e em especial
no ensino médio, onde os alunos não se sentem a vontade dentro daquela realidade.
Encontramos dentro das instituições de ensino muitos professores desmotivados,
cansados e que já não encontram mais estratégias para melhorarem suas práticas
pedagógicas. Dentro das escolas professores debatem formas superar todas essas
dificuldades e conflitos, pois percebem que se nada for feito em breve não se
21

conseguirá mais ensinar e educar. Quanto às famílias, em uma grande maioria


predomina o sentimento de não saber o que fazer diante dos questionamentos da
escola, nem saber como ajudar as crianças, chegando ser comum alguns pais
reclamarem e dizer frases como “já não sei mais o que posso fazer para ajudar meu
filho”, O que acaba por tornar um desafio ainda maior para a escola, que além de
exercer sua função ainda precisa fazer o que antes era dever da família.

As reflexões avançam, hoje, para a identificação de características que


influenciam as diferentes práticas de cidadania pelo mundo afora. A
estratégia para a construção de uma sociedade democrática não é única.
Nesse aspecto, vale ressaltar que, atualmente, o papel da educação na
preparação para a cidadania passa por uma profunda revisão.
(BERTRAND,1999, p. 29)

Aproximar os pais do trabalho pedagógico não é tarefa fácil e exige muito


esforço por parte do gestor, para realizar essa ação ele precisa também conhecer a
realidade do aluno e da família fora do espaço escolar, para que assim ele possa
articular encontros, promover momentos e partilhas, onde ele irá apresentar para os
pais as intenções da escola e a evolução da aprendizagem para que juntos eles
possam construir estratégias para melhorá-la, não adianta chamar os pais para a
escola só com o intuito de falar mal dos filhos, isso só irá criar um “muro” e afastá-los
ainda mais do espaço escolar, é necessário um esforço em conjunto e se o gestor
conseguir trazer a família para que assuma com a escola essa responsabilidade,
seu trabalho terá mais chance de ser cumprido com êxito.

As escolas deveriam investir no fortalecimento das associações de pais e


mestres, no conselho escolar, dentre outros espaços de participação, de
modo a propiciar à articulação da família a comunidade, estabelecendo
relações mais próximas. (DESSEN, 2007,p.28)

Portanto, a parceria da família com a escola é fundamental para o sucesso da


educação de todo indivíduo, pais e educadores necessitam ser grandes e fiéis
companheiros, andando de mãos dadas nessa nobre caminhada, para que
contribuam na formação educacional de nossos jovens.

2.3 A Gestão Compartilhada: Mito ou Realidade

Em consonância com os princípios humanistas que regem a Carta Magna


brasileira, a Escola democrática foi instituída como ícone do processo educacional,
transformadora da sociedade, promoveradora de cidadania, aptidões e
22

competências, garantidora da qualidade de ensino que provesse ao indivíduo plena


capacitação para vida pessoal, social e profissional. Falar de Gestão Democrática
hoje vem se tornando um assunto amplamente debatido entre os educadores, mas
nem sempre debater quer dizer que esta sendo posto em prática, dessa forma
podemos questionar os seguintes pontos: Existe realmente a gestão compartilhada
nas escolas ou ela é ainda só um mito? Como o educador e o educando podem
contribuir para que ela aconteça realmente?

Abordar a questão do clima escolar mostrando que não pode haver na


escola um clima de hostilidade, de individualismo, de irresponsabilidade
e de não envolvimento, pois esses comprometem o andamento do
planejamento participativo e que ao invés da construção desse
clima deva existir sim, um ambiente de acolhida, aceitação mútua e
interesse um pelo outro”. (DALMÁS, 1994, p. 47)

Dessa forma, pode-se perceber que uma escola só será realmente


democrática quando seu espaço e seu gestor estão abertos a receber novas idéias,
críticas e sugestões que haja diálogo e compartilhamento de responsabilidades.
Ainda hoje, encontramos um número pequeno de escolas que atendam a todos
esses critérios, e uma grande parte ainda funciona centrada na figura do diretor
como autoridade máxima, cabendo a ele sozinho a tomada de decisões na escola.
Dentro dessa realidade encontramos alguns educadores sem autonomia para por
em prática idéias que viriam a auxiliar na transformação do espaço escolar e tornar a
sala de aula bem mais atrativa, pois afinal é lá que se modifica a realidade do aluno
e esse tipo de gestor que centraliza o poder acabar contribuindo com a manutenção
do sistema educacional atual com altos índices de evasão, repetência e desistência.

Podemos perceber que uma escola que age dentro desse pensamento
centralizador é uma escola sem sucesso, pois é fundamental que exista dentro da
comunidade escolar a idéia de gestão democrática, e essencial que as escolas
possam alinhar os ritmos e fazer com que estudar se torne algo prazeroso para o
aluno, que ele possa construir com autonomia seu conhecimento, e que o professor
possa elaborar aulas que atendam as necessidades do educandos.

Um sistema hierárquico que pretensamente coloca todo o poder nas


mãos do diretor. Não é possível falar das estratégias para
transformar o sistema de autoridade no interior da escola, em
direção a uma efetiva participação de seus diversos setores, sem
levar em conta a dupla contradição que vive o diretor de escola
hoje. Esse diretor, por um lado, é considerada autoridade máxima
no interior da escola, e isso pretensamente, lhe daria um grande
23

poder e autonomia; mas, por outro lado, ela acaba se constituindo,


de fato, em virtude de sua condição de responsável último pelo
cumprimento da lei e da ordem na escola, em mero, preposto do Estado .
(PARO, 1997, p. 11)

Mesmo com um longo caminho a percorrer, podemos perceber que o sistema


de gestão educacional está mudando e hoje é grande o número de experiências que
mostram que os melhores resultados são alcançados quando se trabalha em um
ambiente acolhedor, que todos se identificam e se sentem responsáveis pelo
resultado alcançado, vivendo assim uma verdadeira gestão democrática, nessas
instituições êxitos e méritos são compartilhados pois foram alcançados depois que a
figura do diretor passou a ser vista como uma ajuda, como alguém que junto com a
sua equipe constrói e há concepção de que se não fosse a participação de todos, a
escola não seria a mesma. Portanto essa escola deve se mostrar aberta, flexível,
democrática, participativa, um espaço ao propósito da socialização e interagir com a
comunidade escolar: professores se comprometem com os resultados dos alunos;
pais e mães são presentes; e alunos são valorizados e estimulados a aprender. É
nessa idéia que Luck, desenvolve seu pensamento dizendo que:
Em organizações democraticamente administradas inclusive escolas –
os funcionários são envolvidos no estabelecimento de objetivos, na
solução de problemas, na tomada de decisões, no estabelecimento e
manutenção de padrões de desempenho e na garantia de que
sua organização está atendendo adequadamente às necessidades do
cliente. Ao se referir as escolas e sistemas de ensino, o conceito
de gestão participativa envolve, além de professores e outros
funcionários, os pais, os alunos e qualquer outro, representante
da comunidade que esteja interessado na escola e na melhoria do
processo pedagógico. ( LUCK,1998, p. 15)

Podemos perceber que a experiência de uma Gestão compartilhada com


professores, alunos, pais, funcionários deve ser real, pois ela aproxima se do ideal, e
pode ser implantada dentro das escolas, respeitando sempre as regras e os
princípios democráticos para que se possa construir juntos uma educação justa, de
qualidade e que atenda a sua função.

2.4 O Envolvimento dos Professores e Alunos: sentimento de pertencimento

Um professor motivado e que se sinta responsável pelo desenvolvimento de


sua instituição sempre dará o melhor de si, assim quando se trata do envolvimento
de professores e alunos deve existir um mútuo respeito e o desenvolvimento de uma
24

cultura de valorização e o professor logo em seu primeiro encontro com os alunos


deve agir cordialmente, procurando desenvolver atividades que consiga atingir toda
a sala que envolva todos os estudantes cada um com sua singularidade. Uma vez
que, a relação do professor versus alunos é fundamental para que se consiga
realizar os objetivos planejados, pois é a partir da forma de agir do mestre que o
aprendiz se sentirá mais a vontade e terá um melhor rendimento.

Falar de afetividade e sentimento de pertencimento em tempos atuais,


marcados pelo aceleramento da especialização dos meios tecnológicos, da correria
vivenciada, talvez indique certa utopia ou romantismo. Visto que a realidade a qual a
maioria dos docentes estão envolvidos vem reduzindo essa possibilidade devido ao
excesso de trabalho, número de aulas diárias, provas para corrigir diários a
preencher, no entanto, é imprescindível discutir essa questão e buscar contornar
todos esses entraves e o professor deve ser capaz de lidar com essas diferenças e
a complexidade do nosso tempo, respeitando sempre o espaço de cada educando e
procurando acolhe-lo em todos os aspectos, sendo eles emocionais ou afetivos,
pois assim ele irá corresponder e atender com mais empenho as atividades
propostas.

O educador para pôr em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição


de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe
tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do
conhecimento mais importante: o da vida. (GADOTTI, 1992, p. 2)

o professor tem que desenvolver com esse aluno um trabalho de conquista,


tem que desenvolver sua capacidade de ouvir e falar, refletir e discutir, conhecer o
nível de compreensão dos alunos e criar uma ponte entre o seu conhecimento e o
deles. Indica também, que o professor, educador, deve buscar educar para as
mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global,
trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente
de seus deveres e de suas responsabilidades sociais e somente um professor que
sinta-se parte da escola é capaz de cumprir com perfeição essa difícil tarefa.

A importância de dominar os conteúdos da matéria, organizar bem o trabalho e


a forma de lidar com a indisciplina, é uma das características fundamentais que o
professor deve possuir é primordial que exista um bom planejamento encarando
25

todas as competências e interdisciplinaridades que possam ser realizadas dentro do


conteúdo planejado.

Como o ensino não pode e não deve ser algo estático e unidirecional, devemos
lembrar de que a sala de aula não é apenas um lugar para transmitir conteúdos
teóricos; é, também, local de aprendizado de valores e comportamentos, de
aquisição de uma mentalidade científica lógica e participativa, que poderá possibilitar
ao indivíduo, bem orientado, interpretar e transformar a sociedade e a natureza em
benefício do bem-estar coletivo e pessoal.

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente,


sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida
e das gentes, o professor mal-amado,sempre com raiva do mundo e das
pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos
sem deixar sua marca.” (FREIRE, 1996,p.73)

Professores, comprometidos com a produção do conhecimento em sala de


aula, que desenvolvem com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e
respeito mútuo pelo saber, são fundamentais. Professores que não medem esforços
para levar os seus alunos à ação, à reflexão crítica, à curiosidade, ao
questionamento e à descoberta são essenciais. E tornam–se verdadeiros
educadores, respeitar o aluno o seu desenvolvimento e conhecimento que este
adquiriu através de suas experiências de vida (conhecimentos já assimilados), idade
e desenvolvimento mental, são imprescindíveis.

Desta maneira, o aprender se torna mais interessante quando o aluno se


sente parte do processo de ensino-aprendizagem. O prazer pelo aprender não é
uma atitude que surge espontaneamente nos alunos,e não é uma tarefa que eles
cumprem com satisfação, sendo em alguns deles encarada como obrigação ou são
forçados pelos pais. Para que se possa desenvolver um trabalho em equipe o
professor deve procurar despertar no aluno a curiosidade, acompanhar suas ações
nos processos de realização das atividades. Se o sujeito perceber que está inserido
no sistema este irá sentir-se mais capacitado e produtivo, mais bem sucedido, no
entanto isso só é possível se o sentimento de pertencimento for efetivado.

O bom professor é o que consegue enquanto fala, trazer o aluno até a


intimidade do seu pensamento.Sua aula é assim um desafio e não uma
cantiga de ninar.Seus alunos cansam, não dormem.Cansam porque
acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas
pausas, suas duvidas, suas incertezas. (FREIRE 1996, p.96 )
26

A interação professor-aluno, saudável, complementar, dialógica, só é possível


se o professor investe na aprendizagem significativa do estudante, se busca por
todos os meios conquistar o estudante para o desafiante processo de se abrir para o
novo, de ressignificar as marcas da omissão, da passividade e da memorização, de
construir conhecimentos e atitudes de forma ativa e autônoma.

Tanto o educador quanto o educando são seres humanos acima de tudo,


dotados de emoções, sentimentos e subjetividade, portanto deve se construir um
espaço onde se possa encontrar respeito mútuo, solidariedade e igualdade, pois
quando cada componente se identifica com o ambiente e com os indivíduos há o
sentimento de pertencimento e reciprocidade. E se isso não acontece o aluno não se
ver como parte importante e fundamental no processo de ensino-aprendizagem.
27

3. PERSPECTIVAS VIVENCIADAS NA GESTÃO ESCOLAR:


UM ESTUDO DE CASO

A Escola Estadual de Ensino Médio Francisco Soares de Oliveira localizada


no município de Pires ferreira, Ceará, fundada no ano de 1987, conta atualmente
com 409 (quatrocentos e nove) alunos, dividido nas três séries do Ensino Médio
funcionando em turno diurno e noturno, tem em sua equipe 20 (vinte) professores o
Núcleo Gestor da Escola é composto por 04(quatro) membros um diretor: o Sr.
Francisco de Assis Oliveira Damasceno, e dois Coordenadores Pedagógicos: Sr.
Alex Rodrigues de Oliveira e Sra. Solange Pereira de Araújo, e tem como Secretária
Escolar a Sra. Silvana Ferreira de Araújo Ramos. Recentemente a escola passou
por um processo democrático onde foi escolhido depois de cumprido todos os
quesitos e critérios pré-estabelecidos na Constituição Federal e na LDB com provas
e títulos, e atendendo ao que reza a lei sobre a gestão democrática foi realizada
eleição direta, na qual pais(responsáveis), alunos, professores e funcionários
elegeram o novo diretor, que é o presente autor desse trabalho.

O trabalho de coordenação é realizado por dois coordenadores que dividem e


dão apoio pedagógico nas diferentes áreas de estudo buscando obter um melhor
acompanhamento e consequentemente um maior rendimento na aprendizagem dos
alunos, dessa forma é possível visitar as salas de aulas, durante aulas fazer um
acompanhamento de como o tempo pedagógico está sendo aproveitado e assim é
observado o desempenhos do professores e alunos para a partir daí ser feitas as
devidas intervenções.

Podemos encontrar dentro do contexto dessa escola, um número


diversificado de alunos, cada um com seus modos, peculiaridades, angústias sonhos
e objetivos o que faz com que o gestor escolar tenha o grande desafio de trabalhar
para realizar, atender e corresponder a cada estudante de forma especial e como
merecem,e ainda sem perder de foco o Projeto Político Pedagógico, pois é um dos
pilares para a construção de uma boa gestão com a participação de todos.

Pois como afirma Malavasi, em entrevista concedida à revista Nova Escola é


através do Projeto Político Pedagógico que a gestão democrática é exercida:
28

"Por meio dele, o gestor reconhece e concretiza a participação de todos na


definição de metas e na implementação de ações. Além disso, a equipe assume a
responsabilidade de cumprir os combinados e estar aberta a cobranças".

O tema gestão escolar democrática é muito discutido atualmente dentro


da escola, pois é consenso entre os educadores que buscam soluções para uma
transformação no sistema atual de ensino, que essas mudanças se
direcionem a descentralização do poder, a necessidade de um trabalho
realizado com ampla participação de todos os segmentos da escola e
da comunidade, envolvendo a sociedade como um todo e nessa perspectiva
que é trabalhado a gestão educacional nessa escola. Portanto esse processo de
participação é de grande relevância e importância, para o início de uma
transformação e é necessário que ele ocorra por etapas para que
proporcione um ambiente de trabalho favorável a inovações a novas pedagogias
pois junto com a sociedade a escola caminha, assim somente pessoas preparadas e
motivadas, estão capacitadas à possibilitar um crescimento e progresso nos
processos educacionais contribuindo de forma decisiva para a melhoria na qualidade
da educação.

A escola hoje é responsável não só pela transmissão do conhecimento, mas,


exige-se dela uma nova concepção e novos métodos e maneiras para trabalhar, é
necessário uma constante renovação na sua postura, pois a cada dia percebemos
que a escola tradicional não é capaz de atrair e atender nossos jovens que cada vez
mais vivem conectados a redes sociais, inseridos em meio a aparelhos tecnológicos
a visão de mundo mudou as competências exigidas também mudaram e é
necessário um conhecimento de nível elevado para preparar o aluno para
que ele seja autônomo, criativo, pensante, exercendo verdadeiramente sua
cidadania de forma crítica e participativa, para que se comprometam efetivamente,
para obter resultados com eficácia, favoráveis ao desenvolvimento da sociedade e é
com esse compromisso que a atual gestão da escola Francisco Soares de Oliveira,
a qual o cargo de diretor é exercido pela mesma pessoa no período de oito anos
busca trabalhar, sendo marca da atual direção a participação, a divisão de
responsabilidades e o envolvimento de toda a equipe embasado em princípios
democráticos.
29

Atualmente, as escolas necessitam de gestores capazes de trabalhar e


facilitar a resolução de problemas em grupo, que exerça uma liderança não com
autoritarismo, mas construída por sua competência e capacidade, sendo o gestor
capaz de identificar as necessidades de seu grupo conhecendo os pontos positivos
e negativos, promovendo a formação de sua equipe para que possam adquirir as
habilidades necessárias para que haja um desenvolvimento e crescimento nos
educando. Deve ouvir e mediar situações, saber o que cada ser humano pode
oferecer de melhor e buscar sempre uma liderança justa e solidária junto a seu
grupo. De acordo com o Diretor da escola Francisco Soares de Oliveira o Sr
Francisco de Assis Damasceno hoje se exige muito mais da escola, que tem que
responder e por isso também exigir e cobrar muito mais dos seus alunos, dentro
dessa concepção construir um processo de Gestão que envolva toda a comunidade
torna se fundamental e possível de se realizar, uma vez que a comunidade escolar
entenda que sua participação é capaz de trazer grandes avanços e agregar valores
para a busca de uma sociedade mais justa

Uma escola construída a partir da ação coletiva, e que consiga formar


cidadãos autônomos e responsáveis, terá alcançado suas expectativas e resultados
e é através de um Processo de Gestão Democrática que esse objetivo fica mais
próximo de ser atingido, sendo uma das ferramentas a ser utilizada para esse fim o
Projeto Político Pedagógico que é um dos elementos básicos da gestão democrática
e deve ser construído com a participação de toda a comunidade escolar, pois ele
define a identidade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. É
perceptível que a comunidade escolar aqui citada tem objetivos à alcançar, no intuito
de melhorar e avançar no processo de ensino, metas a cumprir e sonhos a realizar.
Envolver a sociedade nesse trabalho é compartilhar a responsabilidade de definir os
rumos da escola é um desafio e tanto, que passa por vários processos de aceitação
e rejeição da comunidade. Porém, com a construção de um PPP bem estruturado, a
escola ganha identidade, e a equipe se sente mais segura e motivada para tomar
decisões que elevem o rendimento educacional.

Dessa forma, o PPP tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em


dois níveis: a organização da escola como um todo e com a organização da sala de
aula, incluindo sua relação com o contexto social que a envolve.
30

As novas formas têm que ser pensadas em um contexto de luta, de


correlações de força – às vezes favoráveis, às vezes desfavoráveis. Terão
que nascer no próprio "chão da escola", com apoio dos professores e
pesquisadores. Não poderão ser inventadas por alguém, longe da escola e
da luta da escola. (FREITAS, 1991, p. 23).

Assim segundo o atual gestor da escola aqui citada, o Projeto Político


Pedagógico, elaborado para os anos de 2012-2013, apesar de seguir algumas
normas e conceitos, foi construído buscando instaurar uma forma de organização do
trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações
competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando
impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da
escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as
diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. Esse projeto tem forte
embasamento nas correntes epistemológicas de Piaget, e na interação do indivíduo
com o meio de Vygotsky, trata-se da visão de que o aluno precisa saber onde está e
a partir daí, seguir, em Emília Ferreiro quando destaca que o desenvolvimento do
educando se dá quando ele desafia o que sabe para aprender o que não sabe, e
ainda lembrando Paulo Freire que afirma que o aluno é o agente transformador do
próprio conhecimento. E entre os objetivos e princípios da escola, consta no Projeto
Político Pedagógico – PPP da Escola Francisco Soares de Oliveira pode-se citar:

1. O PPP da Escola Francisco Soares de Oliveira busca uma conjuntura no


sentido de garantir o “acesso aos conhecimentos produzidos pela
humanidade”, bem como as manifestações culturais e inovações cientificas
e tecnológicas;
2. Formar adolescentes e jovens desenvolvendo sua afetividade,
autonomia, valores e princípios morais;
3. Focar o trabalho pedagógico tendo como centro o desenvolvimento do
hábito leitor, como proposta de crescimento pessoal e intelectual;
4. Garantir o acesso e permanência do aluno na Escola com rendimento
adequado de todos os alunos em todas as disciplinas;
5. Envolver os seguimentos da Escola nas tomadas de decisões;
6. Respeitar todos os princípios constitucionais associados a idéia de
autonomia, possibilitando à Escola se orientar a partir de suas próprias
regras e necessidades;
7. Valorizar o magistério construindo como foco de discussão a Formação
continua de Professores e boas condições de trabalho.
(PPP, E.E.M. FRANCISCO SOARES DE OLIVEIRA, 2013, p. 5)
31

Outro ponto de fundamental importância é a organização e formação do


Conselho Escolar, pois estimular a participação da comunidade escolar é uma tarefa
essencial para uma verdadeira Gestão Democrática e é através da participação
nesse processo que o gestor ajuda na construção da cidadania. O Conselho Escolar
é um órgão colegiado e, na EEM Francisco Soares de Oliveira é composto por
representantes da comunidade Escolar e Equipe Escolar, sendo formado por:
representantes dos pais, representantes dos alunos, representantes das entidades
sociais, representantes dos professores, representantes dos funcionários, que tem
como atribuições discutir questões pedagógicas, administrativas e financeiras no
âmbito escolar. Indagado a respeito do conselho escolar, o atual gestor dessa
instituição afirma que, a implantação do Conselho Escolar em todas as escolas e
extremamente necessário, uma vez que se trabalha em cima de um Projeto de
exercer uma Gestão Democrática o Conselho Escolar muito tem a contribuir para
que esse processo aconteça dentro da escola, pois todos os membros tem que
saber e tem ampla liberdade de divulgar para a comunidade escolar todos os gastos
da escola, e também contribuir no processo de ensino-aprendizagem, fazendo com
que haja uma maior interação entre escola e comunidade escolar, pois ao
escolherem um aluno como seu representante quando sentem necessidade eles
podem recorrer a esse aluno fazendo suas reivindicações em relação as mudanças
na escola.

Com base na boa articulação entre os membros do Conselho Escolar é


possível contribuir na construção de uma identidade para a escola, fazer com que
ela funcione de forma a atender as expectativas dos alunos, professores e demais
membros da comunidade escolar, principalmente se mostra como um órgão de
natureza democrática. Assim na EEM Francisco Soares de Oliveira, recentemente
ouve nova eleição e reformulação do Conselho da Escola, tendo em vista a saída de
alguns membros, como representantes de alunos que concluíram o 3º ano do Ensino
Médio, ou professores, que eram de contrato temporário e que por ter saído da
escola não puderam mais fazer parte do conselho, havendo a necessidade que
fosse substituída. Foi um processo democrático que contou com a participação de
toda a comunidade escolar para que pudesse ser feita a seleção de quem seriam
seus novos representantes, nesse mesmo momento ficou mais uma vez reforçado
32

que as reuniões do conselho aconteceriam bimestralmente, o que mostra o


compromisso com a escola e a preocupação com os resultados dos alunos.

O Conselho Escolar, além de fiscalizar como os recursos estão sendo


aplicados e se as finanças estão em ordem, também deve se preocupar em zelar
pelas atividades educativas, procurar buscar soluções para as possíveis indisciplinas
dos alunos, portanto, quando se tem um conselho atuante e consciente de suas
ações pode ajudar a melhorar e avançar na qualidade da educação, a escola poderá
ainda crescer nos princípios da gestão democrática.

Outro ponto a ser levado em conta na construção de uma gestão democrática


e presente nessa escola é a participação dos alunos através da constituição do
Grêmio Estudantil, pois ele vai atender exatamente aos estudantes que sem dúvida
são os principais atores e o fim para o qual a educação deve está voltada,
recentemente houve eleição para a formação de um novo grêmio estudantil, com
uma nova concepção que deve ser atuante e representar aos alunos, contribuindo
na construção de uma escola cada vez mais democrática que seja capaz de atender
aos novos desafios a ela propostos.
33

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escola ao longo dos anos está sofrendo uma série de transformações, e


para acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade, ela precisa está preparada
a atender as demandas de jovens que estão inseridos em um mundo interligado
pelas redes sociais através da internet, a mudanças na estrutura familiar e conseguir
ser atrativa em meio a uma infinidade de barreiras físicas e filosóficas, a escola não
pode ficar estática deve então mudar de paradigma ou então será uma instituição
onde sua função não será atendida e é nesse contexto de desafios que a figura do
gestor escolar é apresentada, sendo ele a pessoa responsável por liderar de forma
justa e democrática toda uma comunidade escolar, e dar retorno a uma sociedade
que a cada dia cobra por melhor desempenho e nem sempre fornece os meios
adequados para atingir essa difícil missão.

A situação encontrada em muitas escolas é que grande parte dos gestores


encontram dificuldades de como lidar com o fracasso escolar, repetência, abandono
evasão, falta de aprendizagem, estruturas físicas de escolas que não atendem
adequadamente aos estudantes e até falta de profissionais capacitados nas diversas
áreas necessárias para um processo de ensino aprendizagem necessário, assim
não é tarefa fácil ser gestor, precisa-se que esse profissional tenha uma visão
holística e um conhecimento pedagógico que o possibilite intervir de forma a
transformar situações adversas em chance de mudança e superação

O desafio de uma gestão participativa e democrática é grande temos um


imenso caminho a percorrer e somente através de um comprometimento de todos,
os resultados serão alcançados. O gestor escolar precisa entender que só há bons
resultados quando há uma gestão participativa onde ele se coloca como servidor a
frente desse desafio, sendo capaz de mobilizar, e criar um elo de ligação entre todas
as partes responsáveis pelo processo de ensino aprendizagem que o seu sucesso
vem exatamente com o sucesso de sua equipe.
34

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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nº9394/96. Brasília: MEC,1996.

_______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de


outubro de 1998.

ARAÚJO, Maria Cristina Munhoz. Gestão Escolar. Curitiba: IESDE, 2009.

ARAÚJO, Sergio Onofre Seixas de. Gestão Democrática? Os desafios de uma


Gestão participativa na educação pública em uma sociedade clientelista e
oligárquica. Maceió, Edufal , 2007.

DIAS, Hugo Bastos Pereira Damião. Liderança, confiança e desempenho


organizacional percebido, Coimbra, 2010. Dissertação de Mestrado. Universidade
de Coimbra.

Escola Francisco Soares de Oliveira, Projeto Político Pedagógico da ( 2012 -2013,


p.5)

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários a Prática


Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREITAS, Kátia Siqueira de. Uma Inter-relação: políticas públicas, gestão


democratico-participativa na escola pública e formação da equipe escolar. Em
Aberto, Brasília, v. 17, n. 72, 2000.

GADOTTI, M. Convite a Leitura de Paulo Freire. São Paulo: Scipione,1999.

LÜCK, Heloisa. Perspectivas da gestão escolar e implicações quanto à formação de


seus gestores. Em Aberto, Brasília, v. 17, n. 72, 2000.

MACHADO, Ana Luiza. Papel dos Gestores Educacionais num Contexto de


Descentralização para a Escola. 2000. Disponível em:
<http://www.schwartzman.org.br/simon/delphi/pdf/amachado.pdf>. Acesso em: 22 de
jun. 2013.

PARO, Vitor H. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.


35

RUA, Maria das Graças. Desafios da Administração Pública Brasileira. Revista


do Serviço Público. Ano 48, n° 3, CAED,set/2007.

Revista Nova Escola - Gestão Escolar - Edição 025 - Abril/Maio 2013.

SAVIANI, D.Saberes implicados na formação do educador. In: Formação do


Educador: dever do Estado, tarefa da Universidade. BICUDO, M. A. V.; SILVA
JUNIOR, C. A da. (Orgs.), Vl. 1. São Paulo: Editora da Universidade Estadual
Paulista, 1996.
36

ANEXO

Entrevista realizada com o diretor da escola Francisco Soares de Oliveira

Nome: Francisco de Assis Oliveira Damasceno

Idade: 47 anos

Formação: Licenciatura Plena em Geografia- Uva

1- Há quantos anos você esta na gestão desta Escola?


Há 08 anos, este é meu ultimo ano como Diretor desta escola.

2- Você se considera um gestor Democrático?

Hoje se exige muito mais da escola, que tem que responder e por isso também
exigir e cobrar muito mais dos seus alunos, dentro dessa concepção construir um
processo de Gestão que envolva toda a comunidade torna se fundamental e
possível de se realizar, uma vez que a comunidade escolar entenda que sua
participação é capaz de trazer grandes avanços e agregar valores para a busca de
uma sociedade mais justa. Portanto procuro realizar sempre um trabalho que esteja
levando em consideração a opinião de todos que compõem a família Francisco
Soares de Oliveira.

3- A escola possui Conselho Escolar? Como é o funcionamento deste?


A implantação do Conselho Escolar em todas as escolas e extremamente
necessário, uma vez que se trabalha em cima de um Projeto de exercer uma Gestão
Democrática o Conselho Escolar muito tem a contribuir para que esse processo
aconteça dentro da escola, pois todos os membros tem que saber e tem ampla
liberdade de divulgar para a comunidade escolar todos os gastos da escola, e
também contribuir no processo de ensino-aprendizagem, fazendo com que haja uma
maior interação entre escola e comunidade escolar, pois ao escolherem um aluno
como seu representante quando sentem necessidade eles podem recorrer a esse
aluno fazendo suas reivindicações em relação as mudanças na escola.

4- Defina em poucas palavras os principais desafios como gestor da escola


Francisco Soares de Oliveira
A escola Francisco Soares de Oliveira é uma escola boa, cheia de desafios, mas
procuro sempre realizar um bom trabalho, e conto muito com a colaboração dos dois
coordenadores que me ajudam na organização da escola.