Você está na página 1de 16

Ana Rodrigues Oliveira

Francisco Cantanhede
Isabel Catarino

4.3
Marília Gago
Paula Torrão

As crises do século XIV

«Livrai-nos, Senhor,
da peste, da fome
e da guerra»
Prece comum no século XIV.

O Triunfo da Morte, de Pieter Brueghel, Flandres, 1562.


4.3 As crises do século XIV www.
historia8.te.pt

1 A propagação da Peste Negra no século XIV.


ÁSIA

Novgorod
N Mar do
Norte Moscovo
Polozk
Dublin
Bremen Danzig
Bristol
OCEANO Magdeburgo
Londres
ATLÂNTICO Colónia Praga
Áreas de propagação da Peste Negra Frankfurt
Paris
Viena
1346/7 EUROPA
La Rochelle
1348 Toulouse Génova Veneza
Mar Negro
1349 Narbonne Florença
Barcelona Marselha
1350 Roma Constantinopla
Lisboa
Valência Nápoles
Baixa incidência da Peste
Almeria
Messina
0 km 500
ÁFRICA
Mar Mediterrâneo

2 O VIH no Mundo. Esta doença foi considerada «a peste do século XX».

EUROPA ORIENTAL E ÁSIA

EUROPA OCIDENTAL E CENTRAL 1,4 milhões


AMÉRICA DO NORTE
900 000 Será que
1,4 milhões 140 000
30 000
as épocas
92 000
51 000
7 000
ÁSIA ORIENTAL de sofrimento
830 000
34 milhões
21 000
NORTE E ÁFRICA E MÉDIO ORIENTE
também ajudam
de seropositivos CARAÍBAS
300 000 37 000 23 000 89 000 as pessoas
230 mil
ÁSIA DO SUL 59 000 a evoluir?
12 000 ÁFRICA SUBSARIANA
4 milhões
VIH no mundo 9 000
2012
OCEANO 23,5 OCEANO 280 000
ATLÂNTICO milhões ÍNDICO
2,5 milhões de novas AMÉRICA LATINA 250 000
OCEÂNIA
Adaptado de ONU, 2013
infeções por VIH 1,4 milhões 53 000
1,8 milhões
1,7 milhões de mortes 2900
OCEANO 100 000 1,2 milhões
30 milhões de mortes PACÍFICO 1300
relacionadas com o vírus 67 000

0 km 2000
Seropositivos Novas infeções por VIH Mortes provocadas pelo VIH

1300 Séc. XIV 1400 Séc. XV


anos

1348 1369 1411


Peste Negra entra Início das Tratado de paz entre
em Portugal Guerras Portugal e Castela
Fernandinas 1385
1383 Cortes de Coimbra: Mestre
Tratado de Salvaterra de Magos. de Avis, rei de Portugal.
Início da crise política Batalha de Aljubarrota

2
Passado

3 Doentes com Peste Negra. As pestes eram doenças contagiosas 4 Morte de Judeus (gravura do séc. XVI). Os cristãos
e quase sempre mortais. Uma das mais conhecidas foi a acreditavam que as pestes eram castigo divino, sendo
Peste Negra, que atingiu a Europa em meados do século XIV, os judeus frequentemente responsabilizados pelas
provocando a morte a mais de um terço da população. epidemias, o que levava a que fossem perseguidos.

Presente

O VIH é uma doença contagiosa e, até recentemente, era mortal.


1. Identifica a calamidade que afetou a Europa Novos medicamentos permitem que o VIH se esteja
no século XIV. (doc. 1) a transformar numa doença crónica, ou seja, uma doença que
2. Identifica o continente mais atingido pelo VIH. não põe em risco a vida do doente num curto espaço de tempo.
(doc. 2) A prevenção desta doença implica conhecer as suas principais
vias de contágio: relações sexuais desprotegidas e a partilha de
3. Refere, depois de comparares os documentos seringas pelos contaminados. Como grande parte das populações
desta página sobre a Peste Negra e sobre o VIH, de África, América do Sul e Ásia não tem meios financeiros para
uma mudança e uma continuidade.
adquirir os novos medicamentos e nem sempre está informada
4. Na tua opinião, a Peste Negra também se poderia sobre como evitar o contágio, o número de mortos nesses
ter tornado uma doença crónica? Justifica. continentes continua muito elevado.

3
PROFESSOR
1. A Peste Negra. não existiam os conhecimentos científicos e tecno-
2. África. lógicos que permitissem descobrir medicamentos
3. Mudança: o VIH, hoje, tornou-se uma doença que curassem a Peste ou a tornassem uma doença
crónica. Continuidade: as vítimas continuam a ser crónica.
marginalizadas.
4. O aluno deverá reconhecer que, na Idade Média,
N

Novgorod
Os séculos XII e XIII corresponde- Mar do
ram a um período de alguma paz Norte Moscovo
Polozk ÁSIA
e desenvolvimento económico na Dublin
Europa. Graças aos progressos téc- Bristol
Bremen Danzig
nicos na agricultura e nos trans- Londres
Magdeburgo
portes, a produção aumentou. Com OCEANO
Colónia Praga
ATLÂNTICO
mais alimentos, havia menos fome e, Paris Frankfurt
consequentemente, menos mortes Viena
La Rochelle EUROPA
e mais nascimentos, provocando
um aumento da população. A vida Toulouse Génova Veneza
Mar Negro
nas cidades reanimou-se, intensi- Narbonne Florença
Barcelona Marselha
ficando-se a atividade artesanal e Roma Constantinopla
comercial. Lisboa Nápoles
Valência

Crise económica Almeria


Messina
e conflitos sociais:
fome, peste e guerra ÁFRICA Mar Mediterrâneo
0 km 500

O que terá provocado a crise


do séc. XIV na Europa? 1 Propagação da Peste 1346/7 1348 1349 1350 Baixa
incidência
Negra na Europa Revoltas sociais Guerras da Peste
Quais terão sido as principais (1346-1350).
consequências dessa crise?

3 O preço dos cereais


Milhões de habitantes
80 Neste ano de 1437, tornaram-se os cereais tão caros por todas as
partes do reino de França e outros lugares e países da Cristandade
60
que aquilo que alguma vez tinha custado quatro soldos, vendia-
40 -se por quarenta, ou mais. Por ocasião da qual carestia houve uma
tão grande fome universal que grande multidão de gentes pobres
20 morreu.
0 Le Chronique d’Enguerran de Monstrelet, 1400-1444 (adaptado).
Anos 1340 1430 - 1470 1500

2 Evolução da população europeia


(1340-1500).
5 A peste
Os vivos quase não conseguiam enterrar os mortos, ou evitavam-
-nos com horror. Um terror tão grande tinha-se apoderado de quase
todo o mundo, de tal maneira que no momento que aparecia em alguém
uma úlcera ou um inchaço, geralmente em baixo da virilha ou da axila, a
vítima ficava privada de toda a assistência, e mesmo abandonada pelos
seus parentes. O pai deixava o filho no seu leito, e o filho fazia o mesmo
com o pai. Aqueles que estavam sãos fugiam, apavorados com medo.
Stephanus Baluzius, in M. Guadalupe Pedrero-Sánchez, História da Idade
Média (adaptado).

1 DOC. 1 Identifica as calamidades do século XIV.


2 DOC. 2 Refere a evolução da população.
4 A batalha de Crécy, durante a Guerra 3 DOC. 3 Refere o que provocava as mortes.
dos Cem Anos (1337-1453). Esta guerra
4 DOC. 5 Explica porque tinham as pessoas tanto medo.
foi travada entre a França e a Inglaterra,
e respetivos aliados. Foi o principal 5 DOCS. 1 a 5
Relaciona a informação dos documentos 1, 3, 4 e 5
conflito europeu do século XIV. com a do documento 2.

4
PROFESSOR
1. A peste e as guerras. 4. Porque temiam ser contagiados pela Peste, Conceito: A desvalorização da moeda acontecia
2. A população foi diminuindo até meados do século doença mortal. em períodos de guerra e de crise, pois as despesas
XIV, altura em que começou a aumentar. 5. A Peste, as guerras, as revoltas sociais e as fomes com as guerras contribuíam para a falta de moeda e
3. O alto preço dos cereais impedia que os mais contribuíram para o elevado número de mortos em tempos de crise económica também havia falta
pobres tivessem acesso ao pão, provocando muitas (doc. 2). de moeda, levando à sua desvalorização.
mortes.
4.3
Crise económica e conflitos sociais
Como já estudaste, os séculos XII e XIII foram, na Europa, tempos de
relativa paz social, de desenvolvimento económico e de aumento demo-
gráfico. Tudo isto foi, no entanto, interrompido no início do século XIV.
Séc. Séc. Séc. Séc. Séc.
XII XIII XIV XV XVI
A fome
Os alimentos não eram suficientes para alimentar uma população cada
vez mais numerosa. Os invernos foram muito chuvosos e com arrefecimento À descoberta de palavras
acentuado, o que fez apodrecer as sementes e perder as colheitas, e os
adubos - estrume de animal - eram insuficientes, levando ao esgotamento Desvalorização da moeda
dos solos. Tudo isto contribuiu para que a produção agrícola fosse cada vez Perda de valor da moeda. No século
menor. A produção de trigo e de centeio – base da alimentação – foi a mais XIV, a falta de metais preciosos – ouro
afetada, provocando vários períodos de fome e muitas mortes (doc. 3). e prata – provocada pelos gastos com
as guerras levou alguns reis a mandar
A peste recolher todas as moedas em circula-
ção, ordenando depois que fosse re-
A população subnutrida (mal alimentada) estava mais sujeita a con- tirada uma parte do metal precioso
trair doenças. A falta de higiene contribuía igualmente para o apareci- NPNQNbZNQRYN`N»ZQR`RSNgR_RZ
mento de doenças: raramente se tomava banho, as pessoas coabitavam novas moedas Assim, as moedas pas-
com animais infestados de pulgas, os dejetos acumulavam-se nas ruas `N_NZNaR_ZR[\`ZRaNYY\T\»PN_NZ
com um valor real inferior.
e o vestuário, quase todo de lã, raramente era mudado. Em 1348, surgiu
uma das maiores epidemias de todos os tempos: a Peste Negra (docs. 1 e
A desvalorização da moeda
5). Trazida do Oriente em navios de comerciantes italianos, rapidamente
acontecia em períodos de
se espalhou por quase toda a Europa Ocidental, provocando a morte de guerra e de crise ou de paz
mais de um terço da população (doc. 2). As cidades e os mosteiros, locais e de desenvolvimento das
de maior concentração de população, foram os mais afetados. atividades económicas?
Justifica.
A guerra
À fome e à peste juntou-se a guerra, com destaque para a chamada
Guerra dos Cem Anos, entre 1337 e 1453 (doc. 4) e para as guerras entre Por-
tugal e Castela (1369-1382).
Os efeitos devastadores das guerras faziam-se sentir sobre as popula-
ções, através do roubo dos celeiros e do gado, do espezinhamento das cul-
turas por milhares de homens e de cavalos, das violações e dos assassínios.
As cidades eram cercadas, provocando o sofrimento dos seus habitantes,
que morriam de fome de sede e de doenças. Quando os invasores conse-
guiam ultrapassar as muralhas, verificavam-se pilhagens e mortes
As fomes, a peste e as guerras provocaram uma grande quebra demo-
gráfica, pois verificou-se um elevado número de mortes e uma acentuada
diminuição dos nascimentos. As despesas com as guerras contribuíram
para a escassez de ouro e de prata, obrigando a sucessivas desvalorizações
da moeda
moeda.

PARA A PRÓXIMA AULA


Certamente já ouviste falar de
crise económica. Na tua opinião,
Continuo o fio da História... sempre que há crise económica
há, ou não, desemprego? Abrem
No que respeita à crise do século XIV na Europa: ou fecham mais fábricas? As
pessoas compram mais ou me-
a) identifica as suas causas; nos produtos?
b) refere a principal consequência demográfica.
5

MC
1.1 1.6
1.2 1.7
1.3 2.1
1.4 2.2
1.5
N

Mar do
Norte
Lubeque

No século XIV, o esgotamento dos


Londres Bruges
solos e as alterações climáticas OCEANO
Colónia
ATLÂNTICO
levaram a que os alimentos não Ruão Gand
fossem suficientes para alimen- Paris
Estrasburgo
tar uma população que estava a
aumentar, provocando a fome. À Génova
Veneza
fome juntou-se a peste e as guer- Florença
ras, o que conduziu a uma grande
quebra demográfica. As despe- Lisboa Barcelona Roma

sas com as guerras provocaram a


falta de metais preciosos, levando Mar Mediterrâneo
alguns reis a desvalorizar a moeda. 0 km 500

Revoltas nos campos 1 Europa (séc. XIV). Nas Revoltas urbanas 2 Revolta urbana
e nas cidades cidades, os revoltosos (iluminura
Zonas devastadas
e o medo da morte foram, essencialmente, pela guerra do séc. XIV).
artesãos assalariados
Revoltas
Quais terão sido as que pretendiam melhorar camponesas
consequências económicas as suas condições de vida.
da fome, da peste
e das guerras?
3 O tabelamento dos salários
O que terá conduzido
aos conflitos sociais D. Pedro, a vós homens bons e concelho de Santarém saúde. Sabede
nos campos e nas cidades? que, quando eu aí cheguei, me foi dito que essa vila era muito minguada
das cousas e que toda esta míngua [falta] era porque as herdades e vinhas
Será que o medo pode levar
não eram aproveitadas como cumpria. Tenho por bem que a todos os tra-
as pessoas a alterar os seus
balhadores seja posta taxação [tabelamento] quanto hajam de levar por
comportamentos?
dia. E que esses trabalhadores não podem exigir mais aos senhores que
aquilo que eles devem dar.
Carta régia de D. Pedro I, 1361 (adaptado).

1 DOC. 1 Identifica o que está


representado no mapa. 4 Revoltas camponesas 5 Flagelantes (iluminura
2 DOC. 3 Na tua opinião, por que flamenga de 1349). O medo
Logo foram a um castelo (…), da morte e dos consequentes
razão o rei teve de tabelar os
prenderam o cavaleiro e o ataram castigos divinos levava muitas
salários dos camponeses?
a uma estaca; muitos violaram a pessoas a alterar os seus
3 DOCS. 1 e 2 Indica quem se ZbYUR_RN»YUN1R]\V`ZNaN_NZN comportamentos, como
revoltou. ZbYUR_N»YUNRa\Q\`\`»YU\`R\ ajudar os mais necessitados,
4 DOCS. 3 e 4 Na tua opinião, marido; depois de torturá-lo, quei- fazer doações à Igreja
a informação dos dois maram-no e destruíram o castelo. e praticar atos de sacrifício,
documentos está ou não Jean Froissart, Crónicas, como a flagelação, tendo
relacionada? Justifica. c. 1369-1400 (adaptado). em vista a salvação da alma.
5 DOC. 5 Explica se o medo, no
século XIV, levou ou não as
pessoas a alterarem os seus
comportamentos.

6
PROFESSOR
1. As zonas devastadas pelas guerras e as revoltas então que o rei decidiu tabelar os salários. 5. Sim, pois o medo da morte e o receio dos castigos
urbanas e de camponeses. 3. Os camponeses e os artesãos. divinos levaram muitas pessoas a ajudar os mais po-
2. O elevado número de mortes provocou a falta 4. O aluno deverá reconhecer que o tabelamento bres, a fazer doações à Igreja e a praticar sacrifícios
de trabalhadores nos campos, logo os que ficaram dos salários contribuiu para o descontentamento como a flagelação.
exigiram melhores salários, o que contribuiu para dos camponeses, logo foi uma das razões que
reduzir os rendimentos dos donos das terras. Foi levaram às revoltas nos campos.
4.3
Revoltas nos campos e nas cidades
A fome, a peste e as guerras provocaram o despovoamento dos À descoberta de palavras
campos e a falta de mão de obra. Esta situação originou não só o aumento
dos salários dos camponeses, como também a redução da produção agrí- Crise económica
cola, fazendo, assim, aumentar os preços dos produtos. Face à diminui- Ocorre quando as atividades econó-
ção dos rendimentos, os senhores aumentaram os impostos aos seus micas – agricultura, comércio e ar-
camponeses e conseguiram que os reis publicassem leis que proibiam o tesanato ou indústria – estão em de-
abandono dos campos e os obrigavam a trabalhar com salários tabelados cadência, ou seja, quando se produz
menos, logo também se compra e
(doc. 3). Estas medidas provocaram o descontentamento e a revolta dos vende menos.
camponeses que chegaram a assaltar e a incendiar os castelos dos nobres
(doc. 4). Os senhores uniram os seus exércitos, tendo matado milhares de
camponeses e queimado aldeias inteiras Crise económica e social
Nas cidades, ao contrário do que se passou nos campos, a falta de Invernos Fomes e Guerras
mão de obra não se fez sentir de forma tão acentuada, pois muitos muito doenças
chuvosos:
camponeses abandonavam os campos indo ocupar os lugares dos que más
morriam. Contudo, também lá surgiram graves conflitos sociais. Foram, colheitas
sobretudo, os artesãos assalariados, descontentes com as difíceis con- agrícolas
dições de trabalho, que se revoltaram (docs. 1 e 2). Em França, aliaram-se
aos camponeses contra os altos impostos que pagavam, em consequên-
Quebra demográfica
cia dos gastos provocados com a Guerra dos Cem Anos. Nestas revol-
tas urbanas destacaram-se os roubos, os massacres e os incêndios. Em
Falta de mão de obra
alguns casos, os revoltosos conseguiram melhorar as suas condições de
trabalho.
As fomes, a peste, as guerras e as revoltas rurais e urbanas provoca- Aumento Quebra da Inflação
dos salários produção (subida
ram, não só, uma quebra demográfica, mas também uma crise económica
económica, dos preços)
já que muitos campos foram abandonados, verificando-se uma acentuada
diminuição da produção, o que também afetou o comércio. Diminuição do rendimento
dos senhores

Medo da morte Aumento dos impostos

Em épocas de fomes, pestes e guerras, em que a morte estava sempre


Conflitos sociais
próxima, as populações, profundamente religiosas, preocupavam-se, sobre-
tudo, com a salvação das almas: faziam-se doações à Igreja, ajudavam-se
os mais necessitados, evitavam-se guerras entre cristãos e combatiam-se Revoltas Revoltas
rurais urbanas
os não cristãos. Os flagelantes (doc. 5), através do seu sofrimento, rogavam
a Deus o perdão dos pecados, de forma a evitarem os mais duros castigos
neste e no outro mundo. A exemplo de Jesus Cristo, que sofreu na cruz para
salvar a humanidade, os flagelantes procuravam não só a sua salvação mas
PARA A PRÓXIMA AULA
também a de todos os outros homens. Nas suas orações, as pessoas desta
Relaciona cada um dos exemplos
época imploravam: «Livrai-nos, Senhor, da peste, da fome e da guerra.» com crise económica, crise políti-
ca e crise social:
a) O presidente da República de-
mitiu o Governo;
b) O aumento dos impostos le-
vou ao encerramento de mui-
Continuo o fio da História... tas empresas;

1. No que respeita à crise do século XIV na Europa, refere uma c) O desemprego está a aumen-
consequência: a) social; b) económica. tar, havendo famílias inteiras
sem trabalho e sem recebe-
2. Indica as razões das revoltas. a) nos campos; b) nas cidades. rem qualquer subsídio.
3. Escreve um texto explicando o esquema. 7

MC
1.1 1.6
1.2 1.7
1.3 2.1
1.4 2.2
1.5
1 Fomes, pestes e guerras em Portugal
A diminuição da produção agrícola
conduziu à redução dos rendimen- 1348 A Peste Negra entra 1372 A nova rainha já tinha sido
tos dos senhores. Estes consegui- em Portugal. casada, tendo o casamento
ram que alguns reis tabelassem os anterior sido anulado. O povo
1349 D. Afonso IV publica leis
salários e obrigassem os campo- não aceitou o casamento,
sobre o trabalho, destinadas
neses a trabalhar nas terras. Sur- tendo provocado alguns
a melhorar a agricultura.
giram, então, revoltas rurais. Nas tumultos.
1355-56 Fome e peste.
cidades foram, essencialmente, 1372-73 Segunda Guerra Fernandina.
os artesãos assalariados que se 1361-65 Peste.
1374-75 Epidemias e maus anos
revoltaram. As fomes, as pestes, 1367 Morre D. Pedro I. agrícolas. Aumento dos
as guerras e as revoltas urbanas D. Fernando é aclamado rei. preços.
e rurais provocaram, não só, uma
1369-71 Primeira Guerra Fernandina 1375 D. Fernando I publica a Lei
grande quebra demográfica mas das Sesmarias, com vista a
(primeira guerra entre
também uma crise económica. Portugal e Castela, no resolver os problemas
reinado de D. Fernando). agrícolas.
Desvalorização da moeda.
A crise do século XIV 1381-82 Terceira Guerra Fernandina.
Aumento dos preços.
em Portugal: crise económica, 1383 Tratado de Salvaterra
social e política. 1372 Casamento de D. Fernando I
de Magos, que pôs fim
com D. Leonor Teles.
às guerras com Castela.
Que medidas terão tomado
os reis portugueses
para tentar resolver
a crise na agricultura? 2 A crise na agricultura
Como terão terminado Fui informado que, em muitos concelhos, há homens e mu-
as guerras entre Portugal lheres que agora já não querem trabalhar no que antes faziam
e Castela? [agricultura] e que há muitos outros que agora só trabalham
se lhes pagarem quanto pedem. Mando-vos, por isso, que obri-
gueis todos os que costumavam trabalhar nos campos a voltarem
aos seus serviços e que tabeleis os salários. Se acharem alguns homens e
mulheres que podem e não querem trabalhar e andam pedindo esmolas,
obrigai-os a trabalhar. E se não quiserem açoitem-nos e obriguem-nos a
sair do concelho.
Circular de D. Afonso IV aos concelhos, 1349 (adaptado)

D. Constança D. Pedro I D. Inês de Castro D. Teresa Lourenço

Descendência legítima Descendência ilegítima

Descendência
ilegítima 3
D. Leonor Teles D. Fernando I D. João D. Dinis D. João I
(Mestre de Avis) Esquema genealógico
de D. Pedro I.
A morte de D. Fernando I provocou
D. Beatriz D. João de um grave problema de sucessão
Castela
ao trono de Portugal.

1 DOC. 1 3 DOC. 3
a) Identifica os problemas que afetavam Portugal. a) Identifica o legitimo herdeiro do trono, após a morte
b) Refere as medidas tomadas com vista a resolver de D. Fernando I.
a crise agrícola. b) Na tua opinião, se D. Beatriz fosse aclamada rainha, a
c) Indica como terminaram as guerras entre Portugal independência de Portugal poderia estar em perigo?
e Castela. Justifica.
2 DOC. 2 Identifica:
a) as razões que levaram o rei a tomar medidas;
b) as medidas tomadas pelo rei.

8
PROFESSOR
1. a) Fome, peste e guerra. b) D. Afonso IV publicou tivessem trabalhado nas terras eram obrigados a Castela, este poderia ter a tentação de se imiscuir
as Leis do Trabalho e D. Fernando I publicou a Lei voltar ao seu trabalho e os salários foram tabelados. nos assuntos de Portugal, favorecendo os interes-
das Sesmarias. c) Com a assinatura do tratado de Os pedintes eram também obrigados a trabalhar ses de Castela, até porque D. Beatriz ainda não tinha
Salvaterra de Magos. nas terras. filhos (doc. 3) que pudessem herdar o trono.
2. a) Alguns deixaram de trabalhar nos campos e 3. a) D. Beatriz. b) O aluno deverá reconhecer que
outros exigiam salários mais altos. b) Todos os que sim, pois estando D. Beatriz casada com o rei de
4.3
A crise do século XIV em Portugal
Crise económica e social
Na segunda metade do século XIV em Portugal, tal como nos outros
países da Europa, sucederam-se períodos de fomes, epidemias e guer-
Séc. Séc. Séc. Séc. Séc.
ras, provocando uma grave crise que abrangeu o final do reinado de XII XIII XIV XV XVI
D. Afonso IV (1325-1357) e se prolongou pelos reinados de D. Pedro I (1357-
1367) e de D. Fernando I (1367-1383). Terminou, assim, a relativa paz social
e o desenvolvimento económico que tinham caracterizado as épocas de
D. Afonso III e de D. Dinis.
Para tentar solucionar os problemas da agricultura, como a escassez e
o elevado preço da mão de obra, a diminuição da produção e a subida dos
preços (doc. 2), os reis portugueses, à semelhança de outros reis euro-
peus, tomaram várias medidas:
t D. Afonso IV publicou leis sobre o trabalho, como o tabelamento dos
salários;
t D. Fernando I publicou a Lei das Sesmarias, pela qual, entre outras
medidas, obrigava todos os proprietários rurais a manter as suas
terras cultivadas e os camponeses a trabalhar nos campos.
Apesar destas medidas, a situação agravou-se no reinado de
D. Fernando I, devido às guerras em que este monarca se envolveu. Entre
1369 e 1382, D. Fernando I, que se considerava com direito ao trono cas-
telhano por laços familiares, travou três guerras com Castela, o que pro-
vocou em Portugal, entre outros males, uma grave crise financeira (falta
de dinheiro) que levou à desvalorização da moeda e à subida de preços,
especialmente do trigo e do centeio, base da alimentação do povo. Esta
situação deu origem a revoltas populares.

Crise política
Após a derrota nas guerras com Castela, D. Fernando I assinou, em
1383, o Tratado de Salvaterra de Magos (doc. 1), que, embora tivesse posto
fim aos conflitos, deu origem a outros problemas.
Nesse tratado estipulava-se o casamento de D. Beatriz, única filha de
D. Fernando I e de D. Leonor Teles, com D. João I de Castela, que entretanto
ficara viúvo (Doc. 3). No caso de D. Fernando I vir a falecer sem herdeiro
masculino, D. Beatriz e o seu marido seriam proclamados reis de Portu-
gal, sendo a sucessão da Coroa portuguesa para o filho primogénito que
D. Beatriz viesse a ter. Até que este atingisse a idade de 14 anos, ficaria
D. Leonor Teles como regente de Portugal.
A independência do reino parecia, assim, salvaguardada: o filho de
D. Beatriz seria rei de Portugal, enquanto o filho mais velho de D. João I de
Castela (fruto do seu primeiro casamento) herdaria o trono castelhano.
No entanto, caso D. Beatriz morresse sem descendência, o rei de Castela
poderia tornar-se rei de Portugal.

Continuo o fio da História... PARA A PRÓXIMA AULA

Escreve um texto em que utilizes a seguinte informação: Dá exemplos de revoluções de


que tenhas ouvido falar. Na tua
D. Afonso IV t Leis do Trabalho; Guerras com Castela t assinatura do opinião, o que é uma revolução?
Tratado de Salvaterra de Magos; D. Fernando I t Lei das Sesmarias.
9

MC
3.1
3.2
N

Braga
No século XIV, Portugal também Guimarães
foi afetado pelas fomes, pestes e Porto
Pinhel
guerra. D. Afonso IV e D. Fernando I OCEANO Trancoso Almeida
Candidatos ao trono ATLÂNTICO
tomaram medidas para combater Ciudad
a crise agrícola. Contudo, as guer- Guarda Rodrigo
Coimbra
ras entre Portugal e Castela con- Mestre de Avis D. Beatriz
tribuíram para agravar a crise eco- Leiria
Tomar
nómica. Estas guerras terminaram Apoiantes Aljubarrota
com a assinatura do Tratado de Bombarral Atoleiro
Salvaterra de Magos, no qual cons- Santarém Valverde
Elvas
tava o casamento entre D. Beatriz e LISBOA
Povo, parte Parte do Almada Olivença
o rei de Castela, o que poderia pôr Évora
da burgue- clero e da
em perigo a independência de Por- sia, do clero nobreza
tugal. e da nobreza

A revolução Razões do apoio


0 km 50
de 1383-1385
Principais batalhas
Não queriam ser Receavam perder Percurso da invasão castelhana
governados por privilégios. Não de 1384 - cerco de Lisboa
O que terá levado à Revolução D. Leonor Teles. aceitavam o Percurso da invasão castelhana
de 1383-1385? Temiam a Mestre de Avis por do Minho, 1384
perda da ser filho ilegítimo
Quais terão sido os principais independência de D. Pedro I. Percurso da invasão castelhana
de 1385
acontecimentos da Revolução?
E as suas consequências?
1 Os Portugueses divididos. 2 As invasões castelhanas
(1384-1385). O cerco de Lisboa
foi levantado quando a peste
atacou o exército castelhano.
Em Aljubarrota, os Portugueses
derrotaram os Castelhanos.

4 Mudanças na sociedade
2[^bN[a\ b[` P\[`R_cNcNZ N` N[aVTN` »QNYTbVN`
\ba_\` »YU\` QR U\ZR[` QR ONVeN P\[QVyw\ HU\ZR[` Q\
povo], foram feitos cavaleiros [por D. João I] por terem
prestado bons serviços e trabalhos. Elevaram-se tanto que
os seus descendentes se chamam «dons» e são tidos em
3 As Cortes de Coimbra de grande conta.
1385, em que o Mestre de Avis
Fernão Lopes, Crónica de D. João I, c. 1450 (adaptado).
foi aclamado rei de Portugal,
com o título de D. João I
(imagem do séc. XX).

1 DOC. 1 Identifica: 2 DOCS. 2 e 3Refere: 3 DOC. 4


a) os candidatos ao trono; a) como terminou o cerco; a) Indica quem concedeu os títulos
b) os apoiantes de cada um deles; b) quem foi eleito rei de Portugal; de cavaleiro;
c) as razões desse apoio. c) como terminaram as invasões b) Identifica os «bons serviços e
castelhanas. trabalhos» prestados por essas
pessoas.

10
PROFESSOR
1. a) O Mestre de Avis e D. Beatriz. b) O povo, parte do D. Beatriz receavam perder privilégios e não nos, na batalha de Aljubarrota.
clero e parte da nobreza apoiava o Mestre de Avis; aceitavam o Mestre de Avis por ser filho ilegítimo 3. a) O rei D. João I. b) O apoio dado ao Mestre de Avis
parte do clero e da nobreza apoiava D. Beatriz. c) Os de D. Pedro I. para que se tornasse rei de Portugal.
apoiantes do Mestre de Avis temiam que Portugal 2. a) O exército castelhano levantou o cerco quando
perdesse a sua independência e não queriam ser foi atacado pela peste. b) O Mestre de Avis, com o
governados por D. Leonor Teles; os apoiantes de título de D. João I. c) Com a derrota dos Castelha-
4.3
A revolução de 1383
e a formação da identidade nacional
À descoberta de palavras
Os Portugueses divididos
Revolução
Em 1383, com a morte de D. Fernando I, foi aclamada D. Beatriz como
rainha de Portugal, tendo D. Leonor Teles assumido a regência do reino, o Mudanças relativamente rápidas que
provocam profundas alterações polí-
que lhe assegurava um longo período de governo, visto que D. Beatriz ainda
ticas, económicas e sociais.
não tinha filhos. Registaram-se, então, tumultos em muitas cidades e vilas,
pois a maioria do povo odiava a regente e temia a entrega do reino a Castela.
Dá um exemplo de mudança
Preparou-se uma conspiração, com o fim de afastar a regente e matar política e outro de mudança
o seu conselheiro, o conde castelhano João Fernandes Andeiro, acusado social que ocorreram em
de influenciar D. Leonor na governação de Portugal. Para executar o plano Portugal durante a Revolução
foi escolhido D. João, Mestre da Ordem Militar de Avis, que, por ser cunhado de 1383-1385.
da rainha, tinha acesso fácil ao Paço Real. D. Leonor Teles viu-se obrigada
a fugir para Santarém, de onde pediu ajuda ao seu genro, o rei de Castela.
Entretanto, nas ruas de Lisboa, o povo aclamava o Mestre de Avis como
«Regedor e Defensor do Reino».
Rapidamente a rebelião alastrou a todo o reino. A população dividiu-se
(doc. 1) e, em várias localidades que tinham aderido à causa de D. Beatriz, o
povo tomou castelos e fortalezas.

A afirmação da independência nacional


Em 1384, para defender o direito ao trono de sua mulher, o rei de Castela
invadiu Portugal e cercou a cidade de Lisboa (doc. 2). Contudo, os habitantes
da cidade resistiram e o cerco foi levantado quando a peste atacou as tropas
castelhanas, obrigando o rei de Castela a retirar-se. Entretanto, neste
mesmo ano, o exército português comandado por Nuno Álvares Pereira já
derrotara os castelhanos, na Batalha dos Atoleiros (doc. 2).
Em 1385, as Cortes de Coimbra (doc. 3) elegeram como rei de Portugal o
Mestre de Avis, D. João I, pelo muito que lutara pela causa da independên-
cia. Na defesa do Mestre de Avis destacou-se o burguês João das Regras,
homem de leis. O rei de Castela invadiu, de novo, Portugal com um exército,
que incluía membros da alta nobreza portuguesa, fiéis a D. Beatriz,
D. João I defrontou os Castelhanos na Batalha de Aljubarrota, na qual os
Portugueses, ajudados pelos Ingleses, saíram vitoriosos (doc. 2). Esta vitó-
ria afastou o perigo da perda da independência de Portugal, mas só em 1411
a paz com Castela foi assinada. Esta guerra contribuiu para agravar a crise
económica em Portugal.
D. João I recompensou alguns elementos da baixa nobreza e da burguesia,
que sempre o tinham apoiado, dando-lhes terras, privilégios, cargos e títu-
los, antes pertencentes à alta nobreza que apoiara D. Beatriz. Surgiu, assim,
uma «nova nobreza», destacando-se os nobres mercadores (nobres que
também faziam comércio), que contribuiu para dar início a uma nova época
na História de Portugal.

Continuo o fio da História...


Elabora um quadro sobre a Revolução de 1383-1385.
Deves contemplar as suas causas, os principais acontecimentos
e as suas consequências.
11

Conceito: Mudança política: o candidato ilegítimo


tornou-se rei, derrotando a candidata legítima. MC
Mudança social: alguns membros da burguesia
ascenderam à nobreza. 3.3
3.4
4.3 As crises
do século XIV

Retomo o fio da História


t Os séculos XII e XIII corresponderam a um período de alguma paz e desenvol-
vimento económico na Europa. Graças aos progressos técnicos na agricultura
e nos transportes, a produção aumentou. Com mais alimentos, havia menos
fome e, consequentemente, menos mortes e mais nascimentos, provocando
um aumento da população. A vida nas cidades reanimou-se, intensificando-se
a atividade artesanal e comercial.
t No século XIV, o esgotamento dos solos e as alterações climáticas levaram a
que os alimentos não fossem suficientes para alimentar uma população que
estava a aumentar, provocando a fome. À fome juntou-se a peste e as guerras,
o que conduziu a uma grande quebra demográfica. As despesas com as guer-
ras provocaram a falta de metais preciosos, levando alguns reis a desvalorizar
a moeda.
t A diminuição da produção agrícola conduziu à redução dos rendimentos dos
senhores. Estes conseguiram que alguns reis tabelassem os salários e obri-
gassem os camponeses a trabalhar nas terras. Surgiram, então, revoltas
rurais. Nas cidades foram, essencialmente, os artesãos assalariados que se
revoltaram. As fomes, as pestes, as guerras e as revoltas urbanas e rurais
provocaram, não só, uma grande quebra demográfica mas também uma crise
económica.

t No século XIV, Portugal também foi afetado pelas fomes, pestes e guerra.
D. Afonso IV e D. Fernando I tomaram medidas para combater a crise agrícola.
Contudo, as guerras entre Portugal e Castela contribuíram para agravar a crise
económica. Estas guerras terminaram com a assinatura do Tratado de Salva-
terra de Magos, no qual constava o casamento entre D. Beatriz e o rei de Cas-
tela, o que poderia pôr em perigo a independência de Portugal.
t Quando D. Fernando I morreu, D. Leonor Teles assumiu a regência do reino,
tendo mandado aclamar D. Beatriz rainha de Portugal. Surgiram, então,
revoltas populares. Foi o início da Revolução de 1383-1385. O Mestre de Avis
matou o conde Andeiro, e o rei de Castela invadiu Portugal e cercou Lisboa. O
cerco só foi levantado quando a peste atacou os Castelhanos. Reuniram-se,
então, Cortes em Coimbra e o Mestre de Avis foi eleito rei de Portugal, como
João I. O exército castelhano voltou a invadir Portugal. Na batalha de Aljubar-
rota (1385), os Castelhanos foram derrotados. Portugal continuou indepen-
dente, teve início uma nova dinastia e com ela surgiu uma «nova nobreza».

12
PROFESSOR
1. A fome, as pestes e a guerra. D. Fernando I as Leis das Sesmarias. independência. Em Lisboa, o povo revoltou-se contra
2. Diminuição da produção e falta de mão de obra nos 5. Quando D. Fernando I morreu, a sua única filha, a aclamação de D. Beatriz. Foi o início da Revolução.
campos. D. Beatriz, estava casada com o rei de Castela, tendo 6. Morte de D. Fernando I; aclamação de D. Beatriz
3. O aumento dos impostos e a exigência de melhores D. Leonor Teles assumido a regência do reino. O como rainha de Portugal; revolta popular; morte do
salários. povo e parte do clero e da nobreza não gostavam de conde Andeiro; cerco de Lisboa; Cortes de Coimbra;
4. D. Afonso IV publicou as Leis do Trabalho e D. Leonor Teles e temiam que Portugal perdesse a batalha de Aljubarrota.
Século XIV na Europa

Fome Pestes Guerra


1. Indica o que terá
provocado a crise
2VFCSBEFNPHS GJDB %FTWBMPSJ[B¦¢P do século XIV
da moeda na Europa.
2. Refere as
%JNJOVJ¦¢PEB 'BMUBEFN¢PEFPCSB consequências da
QSPEV¦¢PBHS¬DPMB OPTDBNQPT quebra demográfica
na agricultura.
%JNJOVJ¦¢PEPTSFOEJNFOUPT
EPTTFOIPSFT 3. Explica o que levou
os camponeses a
revoltarem-se.
"VNFOUPEPTJNQPTUPT $BNQPOFTFTFYJHFN
QBHPTQFMPTDBNQPOFTFT NFMIPSFTTBM SJPT

Revoltas

Rurais 6SCBOBT QPSWF[FT BSUFT¢PT


BMJBNTFBPTDBNQPOFTFT

$SJTFFDPO²NJDBFTPDJBM

Século XIV em Portugal

Reinados de D. Afonso IV (1325 - Þ1FTUF/FHSB


1357) e de D. Pedro I (1357-1367) Þ'PNF
Þ-FJTEPUSBCBMIP %"GPOTP*7 4. Indica que medidas
tomaram os reis
portugueses para
Reinado de D. Fernando I Þ$BTBNFOUPDPN%-FPOPS5FMFT resolverem a crise
(1367-1383) Þ'PNF Revoltas
Þ-FJEBT4FTNBSJBT na agricultura.
populares
Þ(VFSSBTDPN$BTUFMB 5. Explica o que levou
Þ5SBUBEPEF4BMWBUFSSBEF.BHPT
à Revolução
de 1383-1385.
Morte de D. Fernando I (1383) Þ "TVB¹OJDBGJMIB %#FBUSJ[ FTUBWBDBTBEBDPN
o rei de Castela 6. Indica quais foram
Þ %-FPOPS5FMFTBTTVNJVBSFH©ODJB os principais
acontecimentos
da Revolução.
Revolução de 1383-85 Þ 1SJODJQBJTDBOEJEBUPTBPUSPOP%#FBUSJ[F%+P¢P 
 .FTUSFEF"WJT 7. Enumera as
Þ .FTUSFEF"WJTNBUPVP$POEF"OEFJSP consequências
Þ $FSDPEF-JTCPB da Revolução
Þ $PSUFTEF$PJNCSB%+P¢P* .FTUSFEF"WJT 
 BDMBNBEPSFJEF1PSUVHBM de 1383-1385.
Þ #BUBMIBEF"MKVCBSSPUBEFSSPUBEF$BTUFMB

Þ 1PSUVHBMDPOUJOVPVJOEFQFOEFOUF
Þ "MHVOTNFNCSPTEBCVSHVFTJBBTDFOEFSBN
 ŸOPCSF[B
Þ .FNCSPTEBCBJYBOPCSF[BBTDFOEFSBNŸBMUB
 OPCSF[B
Þ *O¬DJPEFVNBOPWBEJOBTUJB

13

7. Portugal continuou independente; alguns mem-


bros da burguesia ascenderam à nobreza; membros
da baixa nobreza ascenderam à alta nobreza; início de
uma nova dinastia.
4.3 As crises
do século XIV Agora...

1. Observa o documento 1
e o esquema.

1
3
2

Invernos Fomes e Guerras


muito doenças
chuvosos: B C
más
colheitas
1 agrícolas
A
1.1 Relaciona a informação identificada com os
números no documento 1 com a informação
Quebra demográfica
do esquema que está identificada com letras.
Por exemplo, A-3.
Falta de mão de obra
1.2 Identifica:
a) a causa das fomes;
b) a causa da falta de mão de obra; Aumento Quebra da Inflação
c) as consequências da falta de mão de obra. dos salários produção (subida
dos preços)

Diminuição do rendimento
dos senhores
2. Identifica:
a) o século em que ocorreram as fomes, a peste Aumento dos impostos
e as guerras;
b) o continente onde aconteceram. Conflitos sociais

Revoltas Revoltas
rurais urbanas
D

Crise económica e social

14
PROFESSOR
1. 1.1 A-3; B-2; C-4; D-1. 1.2. a) Invernos muito chuvo- 4. 4.1 Sim, pois a sociedade do século XI era formada sociais em Portugal: elementos da baixa nobreza
sos provocaram más colheitas agrícolas. A falta de pelo clero, nobreza e povo, sendo uma sociedade ascenderam à alta nobreza e alguns burgueses
alimentos provocou a fome. b) Quebra demográfica. estratificada e hierarquizada. O nascimento definia ascenderam à nobreza.
c) Aumento de salários e quebra de produção. o grupo social e o estrato a que se pertencia, 5. Sim, pois ao vivenciarmos situações de
2. a) Século XIV. b) Europa. raramente se verificando mobilidade social. sofrimento, passamos a compreender melhor
3. 3.1 A-4; B-3; C-2; D-1; E-5. 3.2 D1; B3; C2; A4; E5. A Revolução de 1383-1385 provocou alterações todos os que sofrem.
3. Lê a informação seguinte.
3.1 Relaciona a informação das duas colunas, fazendo
a correspondência entre as letras e os números.

A. Cortes de Coimbra 1. Foi combinado o casamento de D. Beatriz com D. João I, rei de Castela. O filho
mais velho de D. Beatriz e do rei de Castela seria rei de Portugal, após a morte
de D. Fernando I.

B. Conspiração 2. Os habitantes de Lisboa resistiram até a peste atacar o exército castelhano,


obrigando D. João I de Castela a retirar-se.

C. Cerco de Lisboa 3. D. João, Mestre de Avis, foi ao paço da rainha, matou o conde Andeiro, conselheiro
de D. Leonor Teles, tendo esta fugido para Santarém. Nas ruas de Lisboa, o povo
aclamava o Mestre de Avis, como «Regedor e Defensor do Reino».

D. Tratado de Salvaterra 4. Graças à ação do Dr. João das Regras, o Mestre de Avis é confirmado como rei
de Magos de Portugal.

E. Batalha de Aljubarrota 5. O exército português, com a ajuda dos Ingleses, derrotou o numeroso exército
castelhano, que incluía alguns Portugueses, membros da nobreza, que sempre
tinham apoiado D. Beatriz.

3.2 Agora, ordena cronologicamente esses


acontecimentos, numerando-os de 1 a 5.

4. Observa o documento 2 e lê o documento 3.

Batalha de Aljubarrota
3 A sociedade medieval
A alta nobreza, apoiante de D. Beatriz,
perde terras, títulos e cargos Aos membros do clero, Deus manda ensinar a manter
a verdadeira fé e devem rezar pelas misérias do povo. Os
D. João I compensa os que o ajudaram nobres são os guerreiros, os protetores das igrejas. Defen-
dem todos os homens, grandes e pequenos. O outro grupo é
Elementos da Alguns burgueses o dos não-livres. São eles que fornecem a todos alimentos e
baixa nobreza recebem terras, vestuário.
recebem terras, títulos e cargos
títulos e cargos A casa de Deus está pois dividida em três: uns rezam,
outros combatem e outros trabalham. Todos vivem, no en-
tanto, em conjunto e não se podem, por isso, separar.
Uma nova nobreza
Adalbéron, bispo francês do século XI, Cântico ao Rei Roberto,
c. 1030 (adaptado).
2 Mudanças sociais.

4.1 Explica se houve, ou não, mudança na sociedade


portuguesa do século XIV, comparativamente
à sociedade do século XI. Justifica.

5. Explica agora se o sofrimento também poderá contribuir


para nos tornarmos mais humanos.
15
Esta
Est
s ab
st brochura
roc
ro
roc
o hur
hura ffaz
a par
az pa
parte
a tee do
arte do Man
M
Ma
Manualuaaall O Fio
ual Fiio
o da
da His
H
Histór
História
istór
tóriaa
8..o ano,
do 8
do ano,
an o, não
ã po
ão p
podendo
oden
den
de
enddo ser
do seer vve
vendida
end
ndi
d daa sep
se
separadamente.
para
r da
ra dament
dam en
n ee..

978-111-11-3469-3

9 781111 134693
www.leya.com www.texto.pt