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Edição do Professor D2 As Crises do Século XIV Páginas da História História | 8.º
Edição do Professor
D2 As Crises
do Século XIV
Páginas da História
História | 8.º Ano de Escolaridade
Aníbal Barreira | Mendes Moreira
Com colaboração de Eva Baptista

No contexto de implementação das Metas Curriculares, esta pu- blicação visa cumprir o subdomínio “As Crises do Século XIV” que, embora previsto no 7º. ano, poderá, neste período de transição, não ter sido lecionado. No ano letivo 2014/15, fará por isso parte do Manual Páginas da História, 8 º. ano.

não ter sido lecionado. No ano letivo 2014/15, fará por isso parte do Manual Páginas da
Capítulo D2
Capítulo
D2

AS CRISES DO SÉCULO XIV

Vítimas da Peste Negra

(1347-1350).

D2 AS CRISES DO SÉCULO XIV Vítimas da Peste Negra (1347-1350). A Europa em dificuldades na
D2 AS CRISES DO SÉCULO XIV Vítimas da Peste Negra (1347-1350). A Europa em dificuldades na

A Europa em dificuldades na 2ª metade do século XIV.

Batalha de Aljubarrota (1385). Roteiro das Aprendizagens • • • • Fichas de Trabalho .nº

Batalha de

Aljubarrota (1385).

Batalha de Aljubarrota (1385). Roteiro das Aprendizagens • • • • Fichas de Trabalho .nº 1
Batalha de Aljubarrota (1385). Roteiro das Aprendizagens • • • • Fichas de Trabalho .nº 1
Roteiro das Aprendizagens
Roteiro
das Aprendizagens

Fichas de Trabalho .nº 1 (pág. 18)

e nº 2 (pág. 19)

Aconteceu

Quem foi

À Conversa com… D. João I,

“O da Boa Memória”. (pág. 22)

A Peste Negra. (pág. 20)

Nuno Álvares Pereira? (pág. 21)

D2
D2

SUGESTÕES

METODOLÓGICAS

• Diálogo com

os alunos sobre “Peste Negra” (conceito

adquirido

no 5º ano de escolaridade) a fim de despoletar as

suas ideias tácitas

e assim motivá-los para o estudo do tema.

• Redação de um texto (cerca de 5 linhas) com base nas legendas internas do documento nº 4 “Enterramento das vítimas da Peste Negra”.

• Trabalho para casa: realização da ficha “Aconteceu…

A Peste Negra”

(pág. 20).

METAS

CURRICULARES

• Descritores de

desempenho

n o . s 1.1. a 1.7.

1. A crise do século XIV na Europa – causas e consequências demográficas e económicas

Com a aprendizagem deste assunto, vais ser capaz de:

• Identificar as causas da crise do século XIV. • Explicar as suas consequências demográficas e económicas. • Indicar as medidas tomadas pelos senhores e pelo poder régio para fazer face à crise.

senhores e pelo poder régio para fazer face à crise. DOC. 1 Sabias que … o
DOC. 1 Sabias que … o medo da morte era tão gran- de no século
DOC. 1
Sabias que
… o medo da morte era tão gran-
de no século XIV que toda a gente
clamava
“Da fome,
da peste
e da
guerra, livrai-nos Senhor”?
Era
o pedido
que
todos,
ricos
e
pobres, faziam a
Deus, apavora-
dos com as desgraças da época.

As causas da crise do século XIV

Entre os séculos XI e XIII, a economia europeia conheceu, como sabes, uma fase de expansão. Contudo, no século XIV, a Europa foi afetada por uma grave crise económica e social, em resultado de:

guerras – no século XIV, houve muitos conflitos entre as nações europeias. Entre todos, destacou-se a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), travada entre a França e a Inglaterra, que provocou numerosas vítimas e destruições (doc. 2);

fomes – ao longo do século XIV, as populações europeias foram afetadas por muitos períodos de fome. Na verdade, a paragem dos arroteamentos, as destruições causadas pelas guerras e as más condições climatéricas provocaram grandes quebras nas produções agrícolas, originando falta de alimentos;

epidemias – os períodos de fome foram agravados pela propa- gação de doenças. A falta de alimentos, as deficientes condições higiénicas e as destruições causadas pelas guerras favoreceram a expansão das doenças epidémicas. Entre todas, destacou-se a Peste Negra, proveniente do Oriente que, de 1347 a 1350, atin- giu quase toda a Europa. Calcula-se que tenha morrido cerca de

1/3 da população europeia. Os centros urbanos foram muito afetados e, em algumas aldeias, a população desapareceu total-

mente (docs. 3 e 4).

As consequências demográficas e económicas

As guerras, as fomes e as epidemias provocaram um clima de

insegurança e de medo (doc. 1). A população da Europa, em geral,

diminuiu de forma drástica. Muita gente abandonou os campos e estabeleceu-se nas cidades, em busca de melhores condições de vida. Nos campos, por falta de mão de obra, muitas terras ficaram ao abandono, o que levou à quebra da produção agrícola e à subida dos salários dos trabalhadores. Os senhores (proprietários de terras),

para compensar a perda de rendimentos, exigiram maiores rendas aos camponeses. Perante as dificuldades do mundo rural, vários

monarcas europeus publicaram leis para obrigar os camponeses a trabalhar as terras, fixando-lhes também os salários. Nas cidades, o comércio foi, também, muito afetado. Por isso, os grandes mercadores e os mestres de ofícios, para fazerem face à dimi-

nuição dos seus negócios, fixaram os salários dos trabalhadores.

Em resultado destas imposições, surgiram por toda a Europa levantamentos nos campos e nas cidades. Vamos ver.

4 |

levantamentos nos campos e nas cidades. Vamos ver. 4 | Em resumo • No século XIV,

Em resumo

• No século XIV, a Europa viveu uma grave crise provocada por maus anos agrícolas (fomes), epidemias e guerras.

• Um pouco por todo o Ocidente,

a população diminuiu,

a produção baixou e os preços subiram.

• Para solucionar os problemas da quebra de rendimentos, os senhores exigiram maiores rendas aos camponeses. Também nas cidades,

os assalariados foram sujeitos

a exigências da burguesia.

DOC. 2 | A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) – Provocada, em grande parte, por

DOC. 2 | A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) – Provocada, em grande parte, por um velho conflito entre os reis ingleses e franceses por causa de certos territórios em França, esta guerra prolongou-se por mais de um século ainda que tivesse muitos períodos de tréguas.

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

Doc. 3 | A Peste Negra No ano do Senhor de 1347, na véspera do
Doc. 3 | A Peste Negra
No ano do Senhor de 1347, na véspera
do mês de janeiro, três galeras carrega-
das de especiarias chegaram ao porto de
Génova, vindas à pressa do Oriente.
Como estavam contaminados sem
remédio, estes navios foram retirados do
porto com ajuda de flechas inflamadas e
outros engenhos. Empurrados de porto
em porto, um dos três navios chegou a
Marselha, onde morreram quatro quin-
tos da população.
Não servia de nada fugir porque,
procurando-se um ar que se julgava
sadio, morria-se mais depressa.
Carta de Luís de Boeringen
(cónego de Bruges), 1348
Carta de Luís de Boeringen (cónego de Bruges), 1348 Em alguns locais, os sacerdotes fugiram, abandonando
Carta de Luís de Boeringen (cónego de Bruges), 1348 Em alguns locais, os sacerdotes fugiram, abandonando
Carta de Luís de Boeringen (cónego de Bruges), 1348 Em alguns locais, os sacerdotes fugiram, abandonando

Em alguns locais, os sacerdotes fugiram, abandonando os fiéis que, ao morrer, ficavam sem a extrema-unção.

os fiéis que, ao morrer, ficavam sem a extrema-unção. A mortandade nas cidades era tão grande

A mortandade nas cidades era tão grande que os habituais locais de enterramento não chegavam para enterrar toda a gente.

de enterramento não chegavam para enterrar toda a gente. Em algumas cidades, os cadáveres eram lançados

Em algumas cidades, os cadáveres eram lançados em valas comuns.

cidades, os cadáveres eram lançados em valas comuns. O enterro das vítimas da peste era um

O enterro das vítimas da peste era um suplício para os acompanhantes devido aos cheiros insuportáveis dos corpos.

devido aos cheiros insuportáveis dos corpos. DOC. 4 | Enterramento de vítimas da Peste Negra na

DOC. 4 | Enterramento de vítimas da Peste Negra na cidade de Tounai (Bélgica), em 1349 – Esta grande epidemia, transmitida ao ser humano pelas picadas das pulgas dos ratos infetados, atingiu cerca de 2/3 da população europeia, da qual 1/3 faleceu (cerca de 25 milhões de pessoas).

AGORA, RESOLVE

1. Enumera fatores da crise do século XIV (docs. 1 e 2).

2. Refere os efeitos da Peste Negra na demografia europeia (docs. 3 e 4).

3. Que consequências económicas resultaram da crise do século XIV?

FICHA DE TRABALHO Nº 1 (pág. 18)

FICHA DE TRABALHO Nº 1 (pág. 18)

| 5

1. As guerras

(destaque para

a Guerra dos Cem

Anos), as fomes

e as pestes

(sobretudo

a

Peste Negra).

2. Peste Negra

A

provocou elevada mortalidade na Europa, calculada em cerca de 1/3

da população. Esta epidemia afetou

a população rural

mas, sobretudo,

a dos centros

urbanos, o que se refletiu na redução de mão de obra.

3. Nos campos,

diminuição da

produção agrícola, subida de preços

e das rendas. Nas cidades, fixação

dos salários dos

trabalhadores

pelos grandes mercadores e mestres de ofícios.

D2
D2

2. A crise do século XIV – os conflitos sociais e os movimentos milenaristas

Com a aprendizagem deste assunto, vais ser capaz de:

• Relacionar as revoltas rurais com as medidas senhoriais e régias.

• Caracterizar os movimentos populares rurais e os conflitos sociais urbanos.

• Explicar o aparecimento de movimentos milenaristas.

SUGESTÕES

METODOLÓGICAS

• Registo no

quadro, ao longo da aula, das

palavras-chave

para posterior redação de um texto (4 a 5 linhas).

As revoltas nos campos e nas cidades

As graves alterações na economia europeia provocaram, como sabes, mal-estar nas populações e geraram descontentamento:

• nos campos, os rurais viram a sua situação agravada, em virtude de os senhores exigirem maiores rendas e tributos; • nas cidades, os assalariados enfrentaram o congelamento dos salários e as más condições de trabalho, impostas pelos grandes mercadores e pelos mestres das oficinas em defesa dos seus inte- resses. Assim, a crise económica provocou conflitos entre camponeses e senhores feudais e entre assalariados e mercadores e mestres das ofici- nas. Então, ocorreram por toda a Europa revoltas populares que, por vezes, assumiram grande violência. Entre as revoltas rurais (docs. 2 e 4), destacaram-se as “jacqueries” em França (1358), isto é, motins de camponeses que foram provoca- dos pela queda dos preços dos cereais e aumento dos impostos lança- dos pelos nobres. Quanto às revoltas urbanas (docs. 2 e 3), salientaram-se os confli- tos dos “Ciompi”, em Florença (entre 1343 e 1378), em que os traba-

lhadores da indústria têxtil se revoltaram contra a exploração salarial e disputaram violentamente o governo da cidade à alta burguesia. Estas revoltas populares, em particular as rurais, terminaram com ações de forte repressão por parte dos senhores (docs. 4 e 5).

• Realização

ao longo da aula, de um esquema

a fim de os alunos

sistematizarem

os conteúdos mais significativos.

• Formulação de

uma/duas

questões (trabalho de pares) nos

últimos 7 minutos da aula. Em seguida, outro grupo de alunos responde às perguntas dos colegas.

METAS

CURRICULARES

• Descritores de

A crise moral

Perante um mundo de violência e de insegurança, as popula- ções viveram tempos de grande perturbação e angústia (doc. 1). Na

verdade, como se pode ver nas manifestações artísticas da época, a representação das danças macabras (doc. 1) e as figuras de Cristo e da Virgem, em sofrimento, conheceram então uma grande divulgação. Os fiéis, perturbados, procuraram formas de religião popular. Uns, como a seita dos flagelantes*, incitaram à penitência para expiar os seus pecados, outros desenvolveram heresias, isto é, doutri- nas não aceites pela Igreja e outros ainda defenderam ideias de fim do mundo próximo e da realização do Juízo Final (movimentos milenaristas). Mas houve, ainda, grupos que, perante um futuro

imprevisível, adotaram uma atitude de indiferença e procuraram

desempenho viver da melhor forma o seu dia a dia.

n o . s 2.1. a 2.3.

6 |

forma o seu dia a dia. n o . s 2.1. a 2.3. 6 | DOC.
DOC. 1 Sabias que
DOC. 1
Sabias que

tantas calami-

… nesta época de

dades e de grande insegurança, a arte representava danças maca- bras, em sinal de medo do futuro (doc. 1)?

Face aos vários perigos

que viviam, muitos até

do Filho de

Deus para realizar o Juízo Final.

esperavam

dades em

e dificul-

a vinda

* Flagelantes – os que se castigavam a si próprios, com vista à purificação dos pecados.

a si próprios, com vista à purificação dos pecados. Em resumo • Os problemas económicos provocaram

Em resumo

• Os problemas económicos provocaram grande agitação social nos campos e nas cidades da Europa.

• As revoltas rurais e urbanas opuseram, respetivamente, senhores feudais a camponeses e a burguesia das cidades aos seus assalariados.

• Os motins populares, por vezes de grande violência, foram reprimidos duramente pelos senhores rurais e pela burguesia urbana.

• Nesta época, a ideia da morte atormentava as populações.

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

Oslo Estocolmo Principais centros de revoltas urbanas 1250-1300 1300-1350 Gotemburgo 1350-1400 1400-1450
Oslo
Estocolmo
Principais centros
de revoltas urbanas
1250-1300
1300-1350
Gotemburgo
1350-1400
1400-1450
Copenhaga
Glasgow
Saques das judiarias
na Península Ibérica
Mar do Norte
Belfast
Principais zonas de
revoltas camponesas
Hamburgo
Dublin
Manchester
1300-1350
1350-1400
Berlim
Varsóvia
Amesterdão
Essen
Londres
1400-1450
Antuérpia
Frankfurt
0 500 km
Praga
Paris
Cracóvia
Brest
Estrasburgo
Viena
Zurique
Munique
Budapeste
Zagrebe
Milão
Lião
Belgrado
Veneza
Bucareste
Génova
Mar Negro
Bilbau
Sofia
Roma
Porto
Tirana
o
e
Nápoles
n
Valência
Madrid
â
Lisboa
rr
te
Palermo
di
e
M
Sevilha
r
a
M
o
c
i
t
n
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l
t
A
o
n
a
e
c
O

DOC. 2 | Revoltas na Europa do século XIV.

Doc. 3 | Revoltas urbanas Na cidade de Ruão (em 1382), duzentos homens de ofícios
Doc. 3 | Revoltas urbanas
Na cidade de Ruão (em 1382),
duzentos homens de ofícios foram à
loja de um negociante de tecidos, a
quem chamavam o Gordo e fize-
ram-no seu chefe. (…) Levaram-no
ao Mercado Velho e fizeram-no dar
ordens para que não houvesse mais
impostos. (…) A multidão pôs-se a
matar os oficiais do rei por causa
dos impostos. Depois, dirigiu-se
com fúria à abadia e (…) em segui-
da ao castelo, pensando em o atacar.
Michel Mollat, Génese Medieval
da França Moderna
atacar. Michel Mollat, Génese Medieval da França Moderna DOC. 4 | Violência nos campos da Europa
atacar. Michel Mollat, Génese Medieval da França Moderna DOC. 4 | Violência nos campos da Europa
atacar. Michel Mollat, Génese Medieval da França Moderna DOC. 4 | Violência nos campos da Europa

DOC. 4 | Violência nos campos da Europa – Grupos de camponeses, revoltados com o agravamento de rendas e taxas, desencadearam assaltos e incêndios a castelos, mosteiros e chacinaram nobres e clérigos.

a castelos, mosteiros e chacinaram nobres e clérigos. DOC. 5 | Repressão das revoltas – Os

DOC. 5 | Repressão das revoltas – Os levantamentos populares foram duramente reprimidos pelos senhores medievais.

AGORA, RESOLVE

1. Que áreas da Europa foram mais afetadas por revoltas rurais e urbanas (doc. 2)?

1. Que áreas da Europa foram mais afetadas por revoltas rurais e urbanas (doc. 2) ?
 

2. A que se devem as revoltas nos campos da Europa do século XIV?

FICHA DE TRABALHO Nº 1 (pág. 18)

3. Mostra como a crise do século XIV afetou moralmente a sociedade (doc. 1).

| 7

1. No século XIV,

ocorreram

conflitos sociais um pouco por toda a Europa, em particular na Inglaterra e França (revoltas rurais) e nas repúblicas italianas (revoltas urbanas).

2. Devido à quebra de rendimentos, os senhores agravaram as rendas e tributos sobre os camponeses. Então, estes

revoltaram-se

(assaltos,

incêndios,

assassinatos),

o que levou a uma

forte repressão

pelos senhores

medievais.

3. O clima

de violência

e de insegurança

provocou

perturbação

e angústia, que se

refletiu na arte – representação de danças macabras

e de figuras de

Cristo e da Virgem em sofrimento; por outro lado, surgiram seitas

religiosas e

movimentos

milenaristas que

pregavam ideias de fim do mundo próximo e da realização do Juízo Final.

D2
D2

3. As especificidades da crise do século XIV em Portugal

Com a aprendizagem deste assunto, vais ser capaz de:

• Caracterizar os problemas ocorridos em Portugal, em particular no reinado de D. Fernando.

Os reflexos da situação europeia em Portugal

Portugal, à semelhança de outros reinos da Europa, foi aba- lado pela crise do século XIV. No reinado de D. Afonso IV (1325-1357), ocorreram maus anos agrícolas, de que resultaram períodos de fome e epidemias, entre as quais se destacou a Peste Negra, em 1348. Esta epidemia provocou, em poucos meses, gran- de mortandade nas cidades (Lisboa, Coimbra, Santarém), nos mosteiros (Lorvão) e nas vilas (o caso de Almodôvar, no Alentejo). Com a diminuição da população portuguesa, muitas terras fica- ram por cultivar, o que fez diminuir a produção agrícola e, por conseguinte, as receitas dos senhores; por outro lado, muitos dos camponeses abandonaram os campos e rumaram às cidades. Ora, para tentar resolver os problemas do mundo rural (abandono das terras e quebra da produção), D. Afonso IV publicou, em 1349, as “Leis do Trabalho”, obrigando os campo- neses a trabalhar nas terras e fixando os salários (doc. 1). Mas estas iniciativas não tiveram sucesso.

O agravamento da crise no reinado de D. Fernando

No reinado de D. Fernando (1367-1383), a situação do reino

agravou-se (doc. 2). Na verdade, a contínua falta de mão de obra nos campos (doc. 3) e o crescente aumento dos preços levaram D. Fernando a publicar a Lei das Sesmarias (1375), que determi-

nava (doc. 4):

SUGESTÕES

METODOLÓGICAS

• Levantamento

das ideias tácitas dos alunos sobre os conceitos “Lei das Sesmarias”

e “Guerras

Fernandinas”

(programa do 5.º ano de escolaridade). Registo no quadro das informações mais relevantes para apoio à aula.

• a obrigação de os proprietários rurais cultivarem as suas ter- ras, sob pena de as perderem;

• a fixação dos salários e das rendas, de modo a evitar abusos;

• a proibição da mendicidade, para fazer regressar mão de obra à agricultura.

Redação Entretanto, o reino confrontava-se com outro grave problema:

as Guerras Fernandinas, travadas por D. Fernando com Castela, entre 1369 e 1382, por se julgar com direito ao trono castelhano.

Derrotado sucessivamente nas três guerras, Portugal saiu forte- mente abalado desse conflito (doc. 5). Com efeito, agravou-se a crise financeira, devido aos elevados gastos militares, a que se seguiu a desvalorização da moeda e a subida dos preços. Por isso, os confli- tos sociais aumentaram e ocorreram motins populares (doc. 6).

Mas, a crise portuguesa do século XIV piorou, ainda mais, em 1383-1385. O que aconteceu? Vamos ver.

de duas/três frases essenciais do assunto abordado na aula (registo

e leitura das

mesmas

nos últimos 7 minutos da aula).

METAS

CURRICULARES

• Descritor de

desempenho

n o . 3.1.

8 |

DOC. 1 Sabias que
DOC. 1
Sabias que
de desempenho n o . 3.1. 8 | DOC. 1 Sabias que … em Portugal, em
… em Portugal, em meados do século XIV, no reinado de D. Afonso IV, decretou-se,
… em Portugal,
em meados do
século XIV,
no reinado de
D. Afonso
IV, decretou-se, pela
primeira vez, obrigatório o traba-
lho na agricultura?
Aos
que
não obedecessem,
o rei
ameaçava
com “penas
de prisão,
multa, desterro ou açoites”.
com “penas de prisão, multa, desterro ou açoites”. Em resumo • A crise do século XIV

Em resumo

A

crise do século XIV

manifestou-se, também, em Portugal.

Para resolver os problemas da crise de cereais e da subida dos preços e dos salários, os reis tomaram medidas, como a Lei das Sesmarias de D. Fernando.

Apesar destas medidas,

a situação agravou-se com as guerras travadas por D. Fernando com Castela

(1369-1382).

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

Escassez Levantamentos populares contra o casamento do rei com D. Leonor Terceira guerra de cereais
Escassez
Levantamentos populares
contra o casamento
do rei com D. Leonor
Terceira guerra
de cereais
fernandina
Segunda guerra
Lei das Sesmarias
Morte de
Primeira
fernandina
D. Fernando
guerra fernandina
Secas
Epidemias e secas
contra Castela
1369
1371
1372 1373
1374
1375 1376
1381
1382
1383
1367
Reinado
de D. Fernando
1383

DOC. 2 | Principais acontecimentos no reinado de D. Fernando.

2 | Principais acontecimentos no reinado de D. Fernando. DOC. 3 | Dificuldades nos campos –

DOC. 3 | Dificuldades nos campos – Com a falta de mão de obra,

a produção agrícola diminuiu.

a falta de mão de obra, a produção agrícola diminuiu. DOC. 6 | Assaltos e saques

DOC. 6 | Assaltos e saques – Os motins populares levaram a assaltos

a castelos, casas senhoriais e mosteiros, sobretudo, no sul do país, como em Beja, Estremoz, Évora e Portalegre.

Doc. 4 | Lei das Sesmarias (1375) El-Rei nosso senhor (D. Fernando) considerando que por
Doc. 4 | Lei das Sesmarias (1375)
El-Rei nosso senhor (D. Fernando)
considerando que por todas as partes
de seu reino há grande falta de trigo e
cevada, e outros mantimentos (…)
mandou que todos os que tivessem her-
dades suas fossem constrangidos para
as lavrar e semear. E quando os donos
das herdades as não aproveitassem,
nem dessem a aproveitar, a justiça as
entregasse a quem as lavrasse.
E todos os que eram ou costumavam
ser lavradores, que usassem de um ofí-
cio que não fosse tão proveitoso ao bem
comum como era o ofício de lavrador,
que fossem constrangidos a lavrar (…).
Fernão Lopes,
Crónica de D. Fernando (adaptado)
(…). Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando (adaptado) Doc. 5 | Males provocados pelas Guerras Fernandinas
(…). Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando (adaptado) Doc. 5 | Males provocados pelas Guerras Fernandinas
Doc. 5 | Males provocados pelas Guerras Fernandinas Dois grandes males recebeu o reino com
Doc. 5 | Males provocados pelas
Guerras Fernandinas
Dois grandes males recebeu o reino
com esta guerra que el-rei D. Fernando
começou com el-rei D. Henrique (de
Castela). O primeiro foi o grande gasto
de ouro e prata para pagar coisas neces-
sárias à guerra. Por causa disto as coisas
subiram a tão altos preços que el-rei foi
depois obrigado a tabelá-los.
Fernão Lopes,
Crónica de D. Fernando (adaptado)
Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando (adaptado) AGORA, RESOLVE 1. Que problemas enfrentou Portugal no
Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando (adaptado) AGORA, RESOLVE 1. Que problemas enfrentou Portugal no

AGORA, RESOLVE

1. Que problemas enfrentou Portugal no século XIV (docs. 2, 3 e 6)?

2. Refere medidas tomadas por D. Afonso IV e D. Fernando para combater a crise da agricultura (doc. 4).

3. O que foram as Guerras Fernandinas

(doc. 5)?

4) . 3. O que foram as Guerras Fernandinas (doc. 5) ? FICHA DE TRABALHO >

FICHA DE TRABALHO > Nº 2 (pág. 19)

| 9

1.

Portugal,

à

semelhança da

Europa, foi afetado por fomes, guerras

e

epidemias,

com destaque para a Peste Negra.

2.

D.

Afonso IV

publicou as “Leis do Trabalho”,

obrigando

os camponeses

a

trabalhar nas

terras e fixando os salários.

D.

Fernando

publicou a “Lei das Sesmarias”, que obrigou os proprietários

cultivar as terras, sob pena de as perderem, fixou salários

a

e

rendas

e

proibiu a

mendicidade

para fazer regressar a mão de obra à agricultura.

3.

Guerras travadas por D. Fernando

com Castela entre 1369 e 1382, por se julgar com direito ao trono castelhano. As derrotas sofridas por

Portugal

provocaram

uma grave crise

financeira,

conflitos sociais e

motins populares.

D2 D2
D2
D2

A Revolução de 1383-1385

Com a aprendizagem deste assunto, vais ser capaz de:

• Identificar o problema da sucessão ao trono.

• Descrever os momentos decisivos da afirmação da independência do reino.

• Relacionar a chegada ao poder da dinastia de Avis com as altera- ções na sociedade portuguesa.

SUGESTÕES

METODOLÓGICAS

• Registo

no quadro, ao

longo da aula, das palavras- chave para

posterior

redação de um texto (4 a 5 linhas).

• Exploração

pedagógico-

-didática da

rubrica “Grande

Plano Sobre

A Batalha de

 

Aljubarrota,

1385” (Manual).

Trabalho para casa: realização da ficha “Quem foi… D. Nuno Álvares Pereira” (pág. 21).

Exploração

pedagógico-

-didática da

secção

“À Conversa

com

D. João I,

O da Boa

Memória”

(pág. 22).

METAS

CURRICULARES

• Descritores de

desempenho

n o . s 3.2. a 3.4.

O Contrato de Salvaterra de Magos e o problema da sucessão (crise dinástica)

As Guerras Fernandinas terminaram com a assinatura do Contrato de Salvaterra de Magos (abril de 1383), acordo de casa-

mento celebrado entre D. Beatriz (filha única de D. Fernando) e o rei

D. João de Castela. Segundo este contrato, D. Leonor Teles (viúva de D.

Fernando) governaria o país como regente, até que D. Beatriz (a herdeira legítima) tivesse um filho que, ao atingir 14 anos, se torna- ria rei de Portugal. No caso de não haver descendência, o rei D. João de Castela (marido de D. Beatriz) teria direito à Coroa de Portugal. Pouco depois, morreu D. Fernando e levantou-se o problema da sucessão. A população portuguesa estava dividida. A grande nobreza e o alto clero, fiéis ao juramento de fidelidade a D. Beatriz, eram favoráveis a Castela; em contrapartida, o povo miúdo, a bur-

guesia e os estratos secundários da nobreza e do clero apoiavam

D. João, mestre da Ordem de Avis e filho bastardo de D. Pedro I.

1383-1385, a afirmação da independência nacional

Em dezembro de 1383, o povo revoltou-se em Lisboa e aclamou D. João “Regedor e Defensor do Reino”. Em inícios de 1384, as tro- pas castelhanas invadiram o Alentejo e foram derrotadas em

Atoleiros (docs. 3 e 4). De seguida, o rei de Castela, em defesa dos seus

direitos, invadiu Portugal e cercou Lisboa (doc. 5). Mas a peste alastrou às suas tropas e teve de se retirar para Castela.

Nos inícios de 1385, o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra (docs. 1 e 2). De novo, o rei de Castela invadiu o nosso país, sendo derrotado nas batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde (docs. 3 e 6). Desta forma, Portugal conseguiu

garantir a independência. Mas a paz só veio a ser assinada em 1411. No decorrer da revolução de 1383-1385, distinguiram-se

D. João, Mestre de Avis, Álvaro Pais (destacado burguês de Lisboa e

apoiante de D. João), João das Regras (legista e defensor do Mestre de

Avis nas Cortes de Coimbra), D. Nuno Álvares Pereira (comandante do exército português) e, naturalmente, as massas populares. A revolução de 1383-1385 abriu caminho a uma nova dinastia – a de Avis e a uma nova sociedade – os membros da nobreza que se

tinham posto ao lado de D. João (ex-Mestre de Avis) receberam títu- los, cargos e terras; certos estratos da burguesia que apoiaram a causa foram promovidos, recebendo cargos políticos e administrativos.

10 |

recebendo cargos políticos e administrativos. 10 | DOC. 1 Sabias que … a aclamação do Mestre
DOC. 1 Sabias que
DOC. 1
Sabias que
… a aclamação do Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra (1385) teve a oposição
… a
aclamação do Mestre de Avis
nas Cortes de Coimbra (1385) teve
a oposição de muitos nobres?
Mas a pressão dos
representantes
dos concelhos e
os argumentos
do jurista
João
das Regras leva-
ram à eleição de D. João como rei
de Portugal.
ZON @ WEB Queres saber mais sobre D. João I? Consulta o sítio http://www.paginasdahistoria7.asa.pt
ZON @ WEB
Queres saber mais
sobre D. João I?
Consulta o sítio
http://www.paginasdahistoria7.asa.pt
I? Consulta o sítio http://www.paginasdahistoria7.asa.pt Em resumo • Na 2ª metade do século XIV, Portugal

Em resumo

• Na 2ª metade do século XIV, Portugal envolveu-se em guerras com Castela – as Guerras Fernandinas.

• Mal sucedido, D. Fernando acordou com o rei de Castela o Tratado de Salvaterra de Magos (1383), que pôs em perigo

a independência de Portugal.

• Em 1385, após as Cortes de Coimbra terem aclamado D. João, Mestre de Avis, como rei de Portugal, travou uma

batalha decisiva para o reino –

a

Batalha de Aljubarrota.

• revolução de 1383-1385 deu

A

início a uma nova dinastia (Avis)

e a uma nova sociedade.

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

Doc. 2 | Aclamação do Mestre de Avis como rei de Portugal Juntos em Coimbra,
Doc. 2 | Aclamação do Mestre de Avis como rei de Portugal
Juntos em Coimbra, os prelados e os fidalgos que
entendiam defender Portugal e alguns procuradores
de certas vilas e cidades do Reino começaram a falar
de quem devia governar.
Nisto, chegou-se o dia em que haviam de abrir as
Cortes.
– Ora, senhores, – disse aquele doutor (João das
Regras) –, este Reino está de todo vago e posto à nossa
disposição para elegermos quem o defenda e governe.
De forma que, pelas coisas que até agora vimos, este
D. João, Mestre de Avis, que tanto trabalhou e trabalha
para honra deste Reino, é apto e idóneo e merece esta
honra e estado de rei.
E por acordo unânime de todos, os grandes e
comum povo responderam que promovesse o Mestre
(de Avis) à alta dignidade e estado de Rei.
Fernão Lopes, Crónica de D. João I
e estado de Rei. Fernão Lopes, Crónica de D. João I 1. Este acordo de casamento
e estado de Rei. Fernão Lopes, Crónica de D. João I 1. Este acordo de casamento
1.
1.

Este acordo de casamento estabeleceu que, após o falecimento

do rei D. Fernando,

D. Leonor Teles

ficaria como

regente até que

D. Beatriz, a

herdeira legítima, tivesse um filho que, ao atingir 14 anos, se tornaria rei de Portugal. No caso de não

haver

descendência,

o rei D. João

de Castela (marido de D. Beatriz) teria direito à Coroa de Portugal.

Santiago de Compostela Tui Valença Porto TRANCOSO Zamora (1385) Salamanca Celorico Cidade Rodrigo Coimbra
Santiago de
Compostela
Tui
Valença
Porto
TRANCOSO
Zamora
(1385)
Salamanca
Celorico
Cidade
Rodrigo
Coimbra
Guarda
DOC. 4 | Batalha de Atoleiros (1384).
Leiria
DOC. 5 | Cerco de Lisboa (1384).
Tomar
No lugar de Atoleiros, perto da vila
ALJUBARROTA
Enquanto o exército de Castela
se dirigia para Lisboa a fim de
cercar a cidade, uma armada
castelhana entrou no rio Tejo
para bloquear a capital
portuguesa.
(1385)
de Fronteira, o jovem fidalgo Nuno
Santarém
Alegrete
Álvares Pereira, à frente de um
Lisboa
ATOLEIROS
exército de cerca de mil homens,
(1384)
VALVERDE
Badajoz
(1385)
derrotou as tropas castelhanas que
Évora
se dirigiam para Lisboa.
Primeira invasão (1384)
Sevilha
Segunda invasão (1385)
Fuga do rei de Castela para Sevilha (1385)
Batalha
0 50 km
DOC. 3 | A guerra com Castela (1384-1385).
AGORA, RESOLVE
1. O que estabeleceu o Contrato de Salvaterra de Magos?
DOC. 6 | Estandarte de D. João I
na batalha de Aljubarrota.
2. Por que razão não foi respeitado o Contrato de
Salvaterra de Magos (doc. 2)?
3. Mostra a importância da batalha de Aljubarrota (doc. 6).
No dia 14 agosto de 1385, deu-se a decisiva
batalha entre Portugal e Castela – a batalha
de Aljubarrota (ver Grande Plano Sobre…
nas páginas 12 e 13).
FICHA DE TRABALHO Nº 2 (pág. 19)
C
O
R
O
A
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P
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D
NO
EI
R

2. Porque, após

a morte de

D. Fernando, parte

da população

do país (estratos

secundários

da nobreza e

do clero, povo miúdo e burguesia) não concordou com

o estabelecido

no Contrato

de Salvaterra

de Magos e apoiou

D. João, mestre da

Ordem de Avis, ao trono de Portugal.

3. A vitória alcançada

em Aljubarrota

pelo exército

português,

(comandado por D. João I

e D. Nuno Álvares

Pereira e apoiado por arqueiros ingleses) sobre as tropas castelhanas,

(chefiadas por

D. João I de

Castela) foi uma

decisiva prova

de afirmação

de Portugal

como nação

independente.

| 11

D2 Grande Plano sobre
D2
Grande
Plano
sobre

Após a aclamação de D. João, Mestre de Avis, como rei de Portugal nas Cortes de Coimbra (abril de 1385), o rei de Castela reuniu um grande exército e in- vadiu de novo Portugal. Ao seu encontro partiu uma força militar de cerca de 10 mil homens, comandada por D. João I e Nuno Álvares Pereira. A maior parte dos combatentes era for- mada por gente do povo armada com ferros pontiagudos (os chu- ços), apoiada por cavaleiros, bes- teiros e um destacamento de al- gumas centenas de arqueiros in- gleses.

A Batalha de

Aljubarrota (1385)
Aljubarrota (1385)

Aljubarrota (1385)

Aljubarrota (1385)
Aljubarrota (1385)

Batalha de

Aljubarrota.

A Batalha de Aljubarrota (1385) Batalha de Aljubarrota. Ao final da tarde do dia 14 de
A Batalha de Aljubarrota (1385) Batalha de Aljubarrota. Ao final da tarde do dia 14 de

Ao final da tarde do dia 14 de agosto de 1385, deu-se a grande batalha. No terreno, frente a frente, estavam quase 30 mil combatentes de Castela e pouco mais de 10 mil apoiantes de D. João I, rei de Portugal.

Arqueiro

inglês.

de Castela e pouco mais de 10 mil apoiantes de D. João I, rei de Portugal.

12 |

Besteiro português.
Besteiro
português.

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV A retaguarda, comandada por D. João I, era formada

A retaguarda, comandada por D. João I, era formada por peões e besteiros; logo atrás, situava-se o material de guerra de apoio ao exército português (a carriagem).

A vanguarda, chefiada por Nuno Álvares Pereira, posicionou-se numa colina. Era um local rodeado de pequenas ribeiras e com um único acesso, protegido por trincheiras e armadilhas.

um único acesso, protegido por trincheiras e armadilhas. Disposição das tropas portuguesas e castelhanas no
um único acesso, protegido por trincheiras e armadilhas. Disposição das tropas portuguesas e castelhanas no
Disposição das tropas portuguesas e castelhanas no terreno. As armadilhas no terreno (fossos , “covas
Disposição das tropas
portuguesas e
castelhanas no terreno.
As armadilhas no terreno
(fossos , “covas de lobo”)
cobriam uma área do terreno,
que foi decisiva para a vitória
portuguesa. Ocupavam
um corredor de 80 metros
de comprimento e 40 filas
paralelas.
Tropas
castelhanas
Quando a batalha começou, a cavalaria
castelhana atacou com grande ímpeto.
Os que conseguiram romper as linhas da frente
foram cercados em tenaz. Então, cavalos
e cavaleiros foram atingidos por sucessivas
vagas de setas e dardos lançados pelos
arqueiros ingleses e besteiros portugueses.
As vítimas foram em grande número.
Ao fim de uma hora, as tropas castelhanas
puseram-se em fuga.
Tropas
portuguesas
tropas castelhanas puseram-se em fuga. Tropas portuguesas As investidas das tropas castelhanas e o fecho, em

As investidas das tropas castelhanas e o fecho, em tenaz, das alas portuguesas

| 13

D2
D2

Em Poucas Palavras

Quadro-síntese

1. A CRISE DO SÉCULO XIV NA EUROPA – • As causas da crise –
1.
A
CRISE DO SÉCULO
XIV
NA EUROPA –
• As causas da crise – guerras (destaque para a Guerra dos Cem Anos), fomes
(causadas por destruições das guerras e mudanças climáticas) e epidemias
(realce para a Peste Negra).
CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS
DEMOGRÁFICAS
• Os problemas económicos e sociais da crise – sérias dificuldades económicas
(decadência da agricultura e do comércio) e sociais (diminuição da população,
E ECONÓMICAS
revoltas nos campos e nas cidades).
• Levantamentos rurais – devido às exigências de maiores rendas e tributos
(as “jacqueries” em França, entre outros).
2.
A CRISE DO SÉCULO
XIV
– OS CONFLITOS
SOCIAIS E OS
• Conflitos urbanos – em resultado do congelamento dos salários e das más
condições de trabalho (movimentos dos “Ciompi” em Florença, entre outros).
MOVIMENTOS
MILENARISTAS
• Crise moral – reações da população perante um mundo de incerteza e insegurança
(danças macabras, culto de Cristo e da Virgem); movimentos milenaristas (ideias
de fim do mundo próximo e do Juízo Final).
• Reflexos da situação europeia em Portugal – várias calamidades (fomes, epidemias,
conflitos militares) que provocaram diminuição da população, abandono de terras
e conflitos sociais nos campos e nas cidades.
• A Revolução de 1383-1385:
- as origens da crise nacional: o desastre militar das Guerras Fernandinas e a assinatura
do Contrato de Salvaterra de Magos (o trono de Portugal à mercê do rei de Castela);
3.
AS ESPECIFICIDADES DA
CRISE DO SÉCULO XIV
EM PORTUGAL
- os momentos decisivos da afirmação da independência do reino: a aclamação
de D. João, Mestre de Avis, como “Regedor e Defensor do Reino”; as Cortes de
Coimbra e o reconhecimento do Mestre de Avis como Rei de Portugal (D. João I);
os confrontos militares, com destaque para a vitória decisiva na batalha
de Aljubarrota (1385).
- o estabelecimento de uma nova dinastia e de uma nova sociedade: a dinastia
de Avis; a criação de uma nova nobreza e a afirmação de certos estratos
da burguesia (os apoiantes da causa do Mestre de Avis).

14 |

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV

D2 – AS CRISES DO SÉCULO XIV Esquema-resumo CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV Na Europa

Esquema-resumo

CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV

CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV

CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
XIV Esquema-resumo CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV Na Europa Em Portugal a fome, a peste

Na Europa

Em Portugal

a fome, a peste e a guerra provocaram destruição insegurança e doenças e medo
a fome,
a peste e a guerra provocaram
destruição
insegurança
e doenças
e medo

diminuição

da população

Consequências económicas, sociais e morais

da população Consequências económicas, sociais e morais Revoltas sociais nos campos e nas cidades profunda crise

da população Consequências económicas, sociais e morais Revoltas sociais nos campos e nas cidades profunda crise

Revoltas sociais nos campos e nas cidades

sociais e morais Revoltas sociais nos campos e nas cidades profunda crise moral (ideia da morte

profunda crise moral (ideia da morte e do Juízo Final)

à crise económica e social vivida na Europa

Juízo Final) à crise económica e social vivida na Europa juntou-se uma crise política O problema

juntou-se uma crise política

e social vivida na Europa juntou-se uma crise política O problema da sucessão ao trono em

O problema da sucessão ao trono em 1383

O problema da sucessão ao trono em 1383
O problema da sucessão ao trono em 1383
O problema da sucessão ao trono em 1383
uma crise política O problema da sucessão ao trono em 1383 de um lado, D. Beatriz

de um lado, D. Beatriz (e Castela)

do outro lado, D. João, Mestre de Avis

Beatriz (e Castela) do outro lado, D. João, Mestre de Avis provocou graves conflitos sociais e

provocou graves conflitos sociais e político-militares em 1384 e 1385

conflitos sociais e político-militares em 1384 e 1385 (1385) D. João I, rei de Portugal (início
conflitos sociais e político-militares em 1384 e 1385 (1385) D. João I, rei de Portugal (início

(1385)

sociais e político-militares em 1384 e 1385 (1385) D. João I, rei de Portugal (início de

D. João I, rei de Portugal (início de uma nova dinastia – a de Avis)

D2A1
D2A1

Prova o Que Sabes

(realiza as atividades no teu caderno diário)

A. Situar no tempo. 1. Ordena cronologicamente, do mais antigo para o mais recente, os
A. Situar no tempo.
1. Ordena cronologicamente, do mais antigo para o mais recente, os acontecimentos A a D.
A. Morte de D. Fernando.
C. Subida ao trono de D. João I.
B. Peste Negra.
D. Batalha de Aljubarrota.
B.
Analisar diferentes tipos de documentos.
A
B
Vítimas da Peste Negra.
C
Milhões de habitantes
80
70
60
50
40
1000
1100
1200
1300
1400
1500
Anos
Guerra dos Cem Anos.
Evolução da população da Europa
(1000-1500).
2.
Refere, a partir dos docs. A e B, as calamidades que atingiram a Europa no século XIV.
3.
Comenta a afirmação: “A Peste Negra teve forte impacto na Europa”.
4.
Explica, com base no doc. C, as revoltas sociais do século XIV.
C.
Utilizar conhecimentos em novas situações.
5.
Assinala com um X a opção correta para cada uma das afirmações.
5.1. No século XIV, vários reis europeus tomaram medidas para resolver a crise. Em Portugal,
a) D. Dinis enviou aos concelhos as “Leis do Trabalho”.
b) Fernando publicou a “Lei das Sesmarias”.
5.2. Em Portugal, tal como na restante Europa, houve períodos de grande tensão social.
a) Nos campos, os senhores da terra revoltaram-se devido à quebra dos seus rendimentos.
b) Em Lisboa e noutras cidades, o povo revoltou-se contra os apoiantes de D. Beatriz.

16 |

1. B-A-C-D.

2. Guerras, fomes

e epidemias.

3. A Peste Negra

provocou grande

mortandade

nos campos

e nas cidades,

ocasionando falta de mão de obra,

o que se refletiu

na produção

e nos preços.

4.

Devido à crise demográfica do

século XIV, muitos campos ficaram ao abandono

e a atividade

económica

regrediu. Assim,

os senhores,

para compensar

a perda

de rendimento,

exigiram mais

rendas aos

camponeses;

de igual modo, os mercadores

e os mestres

de ofícios, para enfrentar a queda do comércio, fixaram os

salários. Por isso, nos campos

e nas cidades,

os camponeses

e os artesãos

revoltaram-se

contra as medidas impostas.

5.1. b).

5.2. b).

D. Interpretar documentos/fontes históricas. Valença Caminha Bragança D. Pedro I Braga D. Constança D. Inês
D. Interpretar documentos/fontes históricas. Valença Caminha Bragança D. Pedro I Braga D. Constança D. Inês
D.
Interpretar documentos/fontes históricas.
Valença
Caminha
Bragança
D. Pedro I
Braga
D. Constança
D. Inês de Castro
D. Teresa Lourenço
Porto
Castelo
D. Leonor
Infante
Infante
D. João,
Mestre de Avis
Viseu
Rodrigo
D. Fernando
Teles
D. João
D. Dinis
Guarda
Coimbra
D. Beatriz
D. João,
rei de Castela
Casamento
Pretendente ao trono
Leiria
Os candidatos à sucessão a D. Fernando.
Abrantes
O Cerco de Lisboa (1384)
Évora
Lisboa
Estando a cidade assim cercada (…), não havia trigo
para vender, e se o havia era muito pouco e tão caro que
as pobres gentes não podiam chegar a ele. (…) Muitos
comiam ervas (…) e outros, devido à falta de carne,
comiam as carnes das bestas (…).
Ao fim de algum tempo, cercados e cercadores
sofriam grandes males – os da cidade esperavam que el-
-rei de Castela levantasse o cerco por causa da peste (…)
e os castelhanos esperavam que os de dentro, forçados
pela fome, lhes entregassem a cidade.
Setúbal
Moura
0 50 km
Silves
Faro
Fernão Lopes, Crónica de D. João I (adaptado)
Localidades que tomaram partido por D. Beatriz (por Castela)
Localidades que tomaram partido pelo Mestre de Avis
Principais centros de rebelião popular
Levantamentos populares em 1383.
6.
Identifica a relação de parentesco entre o Mestre de Avis e D. Beatriz.
7.
Explica o problema da sucessão a D. Fernando, em finais de 1383.
8.
Descreve a evolução dos acontecimentos até ao cerco de Lisboa, em 1384.
Nuno Álvares
E.
Relacionar documentos diversos.
Pereira,
B
Condestável
do Reino.
9.
Redige um texto (c. 8 linhas), a partir das figuras A e B,
sobre o título “1385, um ano muito difícil para Portugal”.
A
João das Regras nas Cortes de Coimbra de 1385.
Oc
ea
no
A tl
â
n
ti
c
o

| 17

6. Tio e sobrinha.

7. Com a morte

de D. Fernando,

levantou-se

o problema

da sucessão.

De acordo com

o Contrato

de Salvaterra de Magos, D. Leonor Teles governaria o país como regente até que D. Beatriz tivesse um filho que, ao atingir 14 anos, se tornaria rei de Portugal. Mas certos estratos da população não

concordaram

e nomearam

D. João, Mestre

de Avis, “regedor

e defensor do

Reino”, e que veio

a ser aclamado

rei nas Cortes de Coimbra, em 1385.

8. Em dezembro de de 1383, o povo revoltou-se em

Lisboa e aclamou

o Mestre de Avis

como “regedor

e defensor

do reino”.

Em reação,

as tropas

castelhanas

invadiram

o Alentejo, sendo

derrotados

em Atoleiros; de seguida, o rei de Castela invadiu Portugal e cercou Lisboa.

9. Resposta livre.

(itens principais

de resposta:

aclamação do Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra; batalhas de Trancoso,

Aljubarrota

e Valverde, com

destaque para

a batalha

de Aljubarrota

na afirmação

da independência

nacional).

1
1

Ficha de trabalho

As crises do século XIV

A Peste em Itália No ano de Nosso Senhor de 1348, ocorreu em Florença, a
A Peste em Itália
No ano de Nosso Senhor de 1348, ocorreu
em Florença, a mais bela cidade de toda a Itália,
uma peste terrível, vinda alguns anos antes do
Levante e sempre a provocar grandes danos por
onde passava. Poucos escaparam, e quase todos
morriam no terceiro dia após o aparecimento
dos sintomas. O que deu a essa peste maior viru-
lência foi o facto de passar do doente para o são,
aumentando diariamente.
Boccacio, Decameron, 1348-1353

Revolta social.

(consulta as páginas 4 a 9 do manual)

Revolta social. (consulta as páginas 4 a 9 do manual) Epidemias Guerras e inundações Falta de
Epidemias Guerras e inundações Falta de cereais Levantamentos Revoltas populares populares Peste Negra Revoltas
Epidemias
Guerras e inundações
Falta de cereais
Levantamentos
Revoltas populares
populares
Peste Negra
Revoltas
Surto de peste
Fome
em Portugal
populares
1372
1348 1356
1361
1365
1371
1373
1383
1384
1394
Crise económica
e social em Portugal
"Leis do Trabalho", de D. Afonso IV
"Lei das Sesmarias", de D. Fernando
1349
1375

Crise económica e social em Portugal.

1. Indica, a partir dos documentos, os fatores da crise do século XIV.

2. Refere as manifestações dessa crise em:

2.1 população

2.2 produção

2.3 agitação

3. Como se refletiu a crise do século XIV em Portugal?

4. Que medidas tomaram os reis portugueses para solucionar os problemas económicos e sociais da época?

18 |

2
2

Ficha de trabalho

A Revolução de 1383-1385

D. D. Pedro Pedro I I (1357-1367) (1357-1367) D. D. Constança Constança D. D. Fernando
D.
D.
Pedro Pedro I I
(1357-1367) (1357-1367)
D.
D.
Constança Constança
D.
D.
Fernando
Fernando
(1367-1383)
(1367-1383)
D.
D.
Leonor Leonor Teles Teles
D.
D.
Beatriz Beatriz
(casada (casada com com o o rei rei de de
Castela, Castela, D. D. João João I) I)

D. D.

Teresa

Teresa

Lourenço Lourenço

D. D.

D. D. João, João, Mestre Mestre de de Avis Avis
D.
D.
João, João,
Mestre Mestre de de Avis Avis

Inês Inês

de Castro

de Castro

de Castro

Infante Infante Infante Infante Infante D. D. João João D. D. D. Dinis Dinis Dinis
Infante Infante
Infante
Infante
Infante
D.
D.
João João
D. D.
D.
Dinis
Dinis
Dinis

Linha Linha de de sucessão sucessão legítima legítima

Linha Linha de de sucessão sucessão ilegítima ilegítima

Pretendentes Pretendentes ao ao trono trono

Candidatos à sucessão de D. Fernando.

(consulta as páginas 10 a 13 do manual)

de D. Fernando. (consulta as páginas 10 a 13 do manual) Batalha de Aljubarrota (agosto de

Batalha de Aljubarrota (agosto de 1385).

Cortes de Coimbra (abril de 1385) Falou então nas Cortes o Dr. João das Regras,
Cortes de Coimbra (abril de 1385)
Falou então nas Cortes o Dr. João das Regras, homem muito letrado em leis: (…) Senhores fidalgos e ilus-
tres pessoas, bem sabeis como nestas Cortes foram por mim expostas algumas razões a mostrar que estes rei-
nos estão de todo vagos e ninguém há que possa herdá-los por linhagem, nem a quem pertençam de direito
(…) Mas como sempre estes reinos foram defendidos e mantidos por rei (…) convem-nos eleger rei que faça
tudo o que cumpre para não cairmos na sujeição de nossos inimigos (…) E pois é de considerar a pessoa
que deve ser eleita (…) vejamos que condições se requerem nela (…) deve ser de boa linhagem e de grande
coragem para defender a terra; depois ter amor aos súbditos, e com isto perfeição e devoção. Ora que todas
estas condições se acham no Mestre (…) que tanto trabalhou e trabalha por honra e defesa destes reinos (…
) e merece esta honra e estado de rei.
Fernão Lopes, Crónica de D. João I (adaptado)

1. Refere, a partir do esquema genealógico, os graus de parentesco entre:

1.1 D. Fernando e D.

1.2 D. Pedro e o Mestre de

1.3 D. Beatriz e o Mestre de

2. Explica o problema dinástico, em 1383, levantado pela morte de D. Fernando.

3. Como foi resolvido o problema de sucessão nas Cortes de Coimbra (abril de 1385)?

4. Comenta a informação: “A batalha de Aljubarrota foi decisiva para a afirmação do reino de Portugal”.

| 19

Aconteceu

Aconteceu

A Peste Negra

Esta epidemia foi trazida da Crimeia (Mar Negro) por barcos italianos que aí negociavam. Entre 1347 e 1350, percorreu toda a Europa, sendo poucas as regiões que escaparam. A doença era transmitida por pulgas infetadas que provocavam nas pessoas picadas, inchaços ou bubões negros (daí o nome de Peste Negra) acompanhados de vómitos e febres. A difusão da epidemia foi favorecida pelas precárias condições higiénicas e sanitárias e pela subalimen- tação das populações.

Lê o texto e, em seguida, res- ponde às questões abaixo.

DONDE VEIO? PARA ONDE SE EXPANDIU? QUE CONSEQUÊNCIAS TEVE? A Peste Negra provocou na Europa
DONDE VEIO?
PARA ONDE SE EXPANDIU?
QUE CONSEQUÊNCIAS TEVE?
A
Peste Negra provocou na Europa elevada mortandade, variável de região
para região. As cidades e os mosteiros foram muito afetados. Também desa-
pareceram milhares de aldeias. Calcula-se ter morrido um terço da popula-
ção, ou seja, cerca de 30 milhões de pessoas. Para não provocar pânico, em
muitas regiões, os sinos deixaram de tocar a finados.
A
epidemia provocou reações emocionais incontroláveis entre as popula-
QUE MEDIDAS FORAM
TOMADAS PARA
A COMBATER?
ções. Em muitas regiões, perseguiram-se os judeus acusados de serem os cau-
sadores da doença. Na Alemanha e na Flandres, organizaram-se procissões
onde os participantes se autoflagelavam, com chicotes, para espiar os pecados.
Para combater a epidemia, foram tomadas várias medidas como o encerra-
mento dos portos, o isolamento dos viajantes, a queima de grandes quantida-
des de plantas aromáticas para desinfetar o ar.

20 |

Quem foi?

D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa

D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431

D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento
D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento
D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento
D. Nuno Álvares Pereira, 1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento
1415: Participação na conquista de Ceuta.

1415: Participação na conquista de Ceuta.

1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento XVI. 1423: Ingresso na
1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento XVI. 1423: Ingresso na
1360-1431 1415: Participação na conquista de Ceuta. 2009: Canonização pelo Papa Bento XVI. 1423: Ingresso na

2009: Canonização pelo Papa Bento XVI.

1423: Ingresso na Ordem dos Carmelitas, tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

1423: Ingresso na Ordem dos Carmelitas, tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

1431: Morre no dia 1 de abril, com fama de santo.
1431:
Morre no dia 1 de
abril, com fama de
santo.

1360: Nascimento de Nuno Álvares Pereira.

1373: Entrada na corte de D. Fernando, como escudeiro de Leonor Teles.

1373: Entrada na corte de D. Fernando, como escudeiro de Leonor Teles.

na corte de D. Fernando, como escudeiro de Leonor Teles. 1384: Batalha de Atoleiros (nomeado “Condestável

1384: Batalha de Atoleiros (nomeado “Condestável de Portugal”).

1385: Batalha de Aljubarrota (vitória militar sobre Castela).

Batalha de Aljubarrota (vitória militar sobre Castela). Nuno Álvares Pereira no fim da sua carreira militar

Nuno Álvares Pereira no fim da sua carreira militar (1423).

Graças ao apoio militar que deu ao mestre de Avis, conse- guiu ser nomeado fronteiro
Graças ao apoio militar que deu ao mestre de Avis, conse-
guiu ser nomeado fronteiro do Alentejo e em 1384, aos 24
anos, condestável do reino, à época, a suprema chefia do exér-
cito régio. Recebeu importantes mercês e grandes doações: foi
feito conde de Ourém, de Barcelos, de Arraiolos e de Neiva.
Aos títulos juntava-se o respetivo património, originando a
maior concentração de riqueza fundiária reunida então no
reino, fora da Casa Real. O seu impressionante e crescente
poderio, a par dos interesses de grande senhor, com vassalos e
exército próprios, fizeram de Nuno Álvares Pereira um poten-
cial adversário do rei.
Bernardo Vasconcelos e Sousa, História de Portugal,
Rui Ramos (dir.) (adaptado)
A batalha de Atoleiros traduziu-se numa notável vitória
dos portugueses, graças à tática da cavalaria apeada, posta em
prática por Nuno Álvares Pereira, reforçada por besteiros e
disposta em vanguarda, retaguarda e alas.
A batalha de Aljubarrota foi ganha graças à estratégia e à
tática impostas pelo Condestável e ao seu excelente comando.
A escolha do terreno e as armadilhas que o reforçaram fizeram
por certo equilibrar o número de combatentes em presença.
Manuela Mendonça (coord.), História dos reis de Portugal. Da fundação à
perda da independência, vol. I (adaptado)

D. Nuno Álvares Pereira foi

À Conversa

com

D. João I, “O da Boa Memória”

(1357-1433)

Filho ilegítimo de D. Pedro I, tornou-se Mestre de Avis aos 6 anos. Em 1383, à morte de D. Fernando, seu meio-irmão, D. João encabeçou a revolta popular em Lisboa, recebendo o título de “defensor e regedor do reino”. Em 1385, nas Cortes de Coimbra, foi aclamado rei de Portugal, e, na batalha de Aljubarrota, alcançou uma vitó- ria decisiva sobre as tropas de Castela. Em 1415, comandou a expedição a Ceuta, dando início à expansão ultramarina portuguesa.

Entrevistador – Hoje, connosco, Sua Alteza

D. João I, “O da Boa Memória”.

D. João I – Como disse?!

Entrev. – Então, não sabe que o seu cognome é “O da Boa Memória”?! Foi muito bem posto, pois o seu reinado deixou muito boas recorda- ções. Para além de tudo, salvou a independên- cia de Portugal após a morte de

D. João I – Ah! Compreendo, agora. Estou total- mente de acordo, pois nessa altura o reino cor- reu grande perigo.

Entrev. – Como é que tudo começou?

D. João I – Olhe, a rainha-viúva D. Leonor tinha grande simpatia por Castela e a sua filha, estava prometida em

casamento ao rei de

Entrev. – Sim, e ainda havia um tal Conde de

D. João I – Era um forte partidário de Castela e, ainda por cima, diz-se que era amante de

D. Leonor.

Entrev. – Enfim, só problemas!

D. João I – Bem, quanto ao Conde de Andeiro, o problema resolveu-se num instante. Um dia, acompanhado por gente boa de Lisboa, subi aos Paços da Rainha e, rapidamente, demos cabo dele.

subi aos Paços da Rainha e, rapidamente, demos cabo dele. Entrev. – Então, isso foi uma

Entrev. – Então, isso foi uma conspiração! E depois?

D. João I – Depois, tudo se complica. A rainha- -viúva foi para Santarém e chamou o rei de Castela para vir a Portugal tomar posse do trono.

Entrev. – Um problema grave.

D. João I – Sim, tivemos logo de nos preparar para a invasão castelhana. Os burgueses de Lisboa deram dinheiro para as despesas da

, um dos pou-

cos nobres que me apoiavam, como coman-

guerra e nomeei

dante-geral das tropas.

Entrev. – E, quando se deram os combates? O que aconteceu a Lisboa?

D. João I – Bem, D. Nuno levou um pequeno exército para Atoleiros, perto da vila de Fronteira, no Alentejo. Aí tudo correu bem. O pior foi em Lisboa, onde durante sete meses sofremos um grande Conseguimos resistir aos ataques castelhanos, mas foi a peste que nos salvou. Eles, assusta- dos, levantaram o cerco à cidade.

Entrev. – Então, os castelhanos não mais volta- ram.

22 |

D. João I – Voltaram, pois. Quando eu fui acla-

, em abril de

1385, o rei de Castela lançou um grande ata- que a Portugal. Eles eram mais de 30 mil sol-

dados e, até, vinham apoiados por tropas francesas.

Entrev. – E nós, como nos defendemos?

mado rei nas Cortes de

D. João I – Tudo se decidiu em

, ali

bem perto da Batalha. D. Nuno Álvares Pereira organizou um grande plano para enfrentar o inimigo. Em primeiro lugar, minou o terreno

”, uns buracos no

chão com paus afiados voltados para cima. Depois, preparou as nossas tropas para ataca- rem “em tenaz” os cavaleiros castelhanos; por fim, colocou os arqueiros ingleses, sabiamente, no terreno.

com as chamadas “

Entrev. – Então, tiveram a ajuda da Inglaterra!…

D. João I – Sim, se a França apoiava Castela, nós pedimos que a Inglaterra nos apoiasse.

Entrev. – Bem feito. Quem ganhou, afinal, a batalha de Aljubarrota?

D. João I – Quem havia de ser? Claro que fomos

nós. Mas, como eu estava um pouco receoso, prometi a Nossa Senhora em plena batalha, construir ali um grande mosteiro, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.

Entrev. – Hoje chamado Mosteiro da

Enfim, as lutas

terminaram para Sua Alteza!

D. João I – Não, ainda houve alguns combates com Castela. Mas, depois, voltei-me para o Norte de África para combater os muçulma- nos e tomar-lhes algumas cidades.

Entrev. – Bem, essa já é outra história.

D. João I – É verdade. São histórias de grandes aventuras em terras e no mar, de valentes cavaleiros e audazes marinheiros que levaram o bom nome de Portugal a correr todo o mundo.

TAREFA

Preenche os espaços em branco no texto.

a correr todo o mundo. TAREFA Preenche os espaços em branco no texto. Estátua equestre de
a correr todo o mundo. TAREFA Preenche os espaços em branco no texto. Estátua equestre de
a correr todo o mundo. TAREFA Preenche os espaços em branco no texto. Estátua equestre de

Estátua equestre de D. João I, em Lisboa.

Título D2 – As Crises do Século XIV Páginas da História 3.º Ciclo do Ensino Básico 8.º Ano de Escolaridade

Autores

Aníbal Barreira

Mendes Moreira

Com a colaboração de Eva Baptista

Imagens

© Shutterstock

Ilustração

Nuno Duarte

I+G

Execução Gráfica

CEM

Depósito Legal N.º 369 688/14

ISBN

9788888901367

Ano / Edição 2014 / 1. a Edição / 1. a Tir. / 5800 Ex.

2014 / 1. a Edição / 1. a Tir. / 5800 Ex. Esta publicação é parte
2014 / 1. a Edição / 1. a Tir. / 5800 Ex. Esta publicação é parte
2014 / 1. a Edição / 1. a Tir. / 5800 Ex. Esta publicação é parte

Esta publicação é parte integrante do Manual Páginas da História, 8.º ano e não poderá ser vendida separadamente.

© 2014, ASA, uma editora do Grupo Leya E-mail: apoio@asa.pt Internet: www.asa.pt Linha do Professor
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