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1. A restituição por não verificação do efeito pretendido.

No enriquecimento por intervenção, não previsto expressamente mas recondutível à cláusula geral do
n.º 1 do art.º 473.º, ter-se-ia o desviar de vantagens destinadas ao empobrecido, a favor do interventor.
Tais vantagens podem ter sido criadas pelo próprio interventor, mas em área destinada ao empobrecido,
não tendo de haver uma deslocação patrimonial concreta, cabendo recorrer à ideia de conteúdo da
destinação.
O enriquecimento resultante de despesas efectuadas por outrem abrange o incremento de valor de
coisas alheias, através de benfeitorias ou esquemas semelhantes e a vantagem resultante para o
beneficiário do pagamento de dívidas alheias.
O enriquecimento por deslocação do património ocorre quando a vantagem vá parar ao património de
terceiro, designadamente por ela lhe ter sido gratuitamente atribuída pelo primeiro enriquecedor.

Enriquecimento directo e indirecto; voluntário e forçado; autónomo e integrado

No enriquecimento directo, ficam frente a frente o enriquecido e o empobrecido: por prestação do


segundo a primeiro, ou por intervenção do primeiro no espaço do segundo. Fala-se em enriquecimento
indirecto sempre que intervenha uma terceira pessoa:
a. Seja como destinatária final do enriquecimento (A presta a B que entrega a C);
b. Seja como beneficiária de uma prestação do empobrecido, mas na base de uma relação deste
com outrem (D obriga-se perante E a prestar a F, fazendo-o, mas sem causa);
c. Seja como interventor (G constrói no prédio de H com materiais de I);
d. Seja em múltiplas composições.
O enriquecimento com pluralidade de intervenientes pertence, nas palavras de Canaris, ao campo dos
problemas mais discutidos e mais difíceis do Direito privado.

O enriquecimento voluntário tem, na sua base, uma actuação ou uma aquiescência do enriquecido;
contrapõe-se-lhe o enriquecimento forçado, em que isso não sucede: aí a transferência patrimonial é
feita para o beneficiário ou pelo próprio empobrecido, ou pelo terceiro ou, no limite, por factos
naturais.

O enriquecimento isolado apela directamente aos artigos 473.º e seguintes do Código Civil, enquanto
que o segundo se insere noutros institutos.