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TRATADO DE NÃO-PROLIFERAÇÃO

50 ANOS

UMA HISTÓRIA,
DOIS MATIZES CONTRADITÓRIOS
DESCONSTRUINDO UM MITO
• É fisicamente IMPOSSÍVEL uma usina nuclear dar origem a uma explosão
nuclear similar a de uma arma nuclear
• Chernobyl e Fukushima: deflagrações químicas
DESCONSTRUINDO UM MITO
• Os maiores e imediatos efeitos da explosão das armas nucleares são
“convencionais”, ou seja, não estão associados à radiação nuclear
ARMAS ESTRATÉGICAS, TÁTICAS OU DE TEATRO
• estratégicas são utilizadas para fins estratégicos - Ameaçar infra-
estrutura industrial de um oponente, com objetivo de destruir sua estrutura
de comando e infraestrutura política, econômica e social
• são projetadas para atingir alvos cuja destruição anule a capacidade do
oponente conduzir a guerra

• táticas são para uso no campo de batalha - são projetadas para ameaçar
alvos estritamente de valor militar imediato.

• de teatro são intermediárias - destinadas a ameaçar alvos militares


localizados na retaguarda do campo de batalha, mas que não produzem
efeitos significativos sobre a infraestrutura do inimigo.

• Qual o alvo e a que distância ele está


PAÍSES QUE POSSUEM OU JÁ POSSUÍRAM
ARMAS DA OTAN EM
MEMBROS DO TNP
“NÃO NUCLEARES”

Os EUA estariam violando o TNP ao manter e modernizar


armas nucleares táticas em cinco membros da OTAN:

Alemanha, Bélgica, Itália, Turquia e Holanda.


TRATADO DE NÃO PROLIFERAÇÃO NUCLEAR (1968)
• Não proliferação “horizontal”: Salvaguardas internacionais IAEA
• Não proliferação “vertical”: Tratados bilaterais de desarmamento
• Ambiguidades, deficiências e assimetrias
• ambíguo na medida em que promove o "desarmamento dos desarmados" e
pouco ou nada estabelece para o efetivo "desarmamento dos armados".
• deficiente na medida que não impediu que alguns países além daqueles cinco
que detinham armas nucleares em 1968 (EUA, Rússia, França Grã-Bretanha e
China) as obtivessem (Índia, Paquistão, Israel, Coréia do Norte e África do Sul,
este último tendo abdicado de sua posse quando do fim do regime do
"apartheid").
• assimétrico, na medida em que divide os países em duas classes distintas:
aqueles que tem o "direito" de possuírem armas nucleares e aqueles que não tem
esse "direito" ("haves and not haves")
REGIME DE SALVAGUARDAS INTERNACIONAIS
• Salvaguardas abrangentes
• INFCIRC/153 + INFCIRC/540 (Protocolo Adicional)
• INFCIRC/435 (Brasil. Argentina, ABACC, IAEA)
• Nenhum aderente ao TNP “proliferou”
• Índia, Paquistão e Israel nunca aderiram
• África do Sul “proliferou” antes de aderir
• Coréia do Norte se retirou para “proliferar”
• Agreed Framework between the United States of America and the
Democratic People's Republic of Korea, 1994
• Irã: Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA)
• P5+1: China, França, Russia, Reino Unido, EUA + Alemanha e UE
• aplicação do Regime e restrições quantitativas (centrífugas e urânio)
TRATADOS DE DESARMAMENTO

• EUA x URSS (Rússia)


• SALT, SORT, START, INF, ABM, ...
• http://www.nti.org/treaties-and-regimes/treaties/
• Reduções quantitativas
• Sem restrições qualitativas
• Modernização de arsenais em curso
MUTUAL ASSURED DESTRUCTION (MAD)

• é uma doutrina de estratégia militar onde o uso maciço


de armas nucleares por um dos lados iria efetivamente
resultar na destruição de ambos, atacante e defensor
• É baseada na teoria da intimidação, através da qual o
desenvolvimento de armas cada vez mais poderosas é
essencial para impedir que o inimigo use as mesmas armas.
• A estratégia é efetivamente uma forma do Equilíbrio de
Nash, onde ambos os lados estão tentando evitar a pior das
consequências — a aniquilação nuclear.
MUTUAL ASSURED DESTRUCTION (MAD)
• A doutrina assume que cada lado tem armamento suficiente para
destruir o outro lado e que retaliaria com uma força igual ou maior
no caso de ataque.
• O resultado esperado é uma escalada imediata resultando na total destruição de
ambos os combatentes.
• Assume-se que as consequências de uma guerra nuclear de larga escala traria a
devastação do planeta, embora esta não seja uma premissa crítica dessa doutrina.

• A doutrina ainda assume que nenhum dos lados se atreveria a


lançar o primeiro ataque porque o outro lado lançaria mão de
defesa preventiva com suas forças, resultando na destruição de
ambas as partes.
• O custo desta doutrina é uma paz estável, mas bastante tensa.
TRATADOS DE DESARMAMENTO
MODERNIZAÇÃO DOS ARSENAIS EM CURSO
PRECISÃO E VELOCIDADE
DOS MÍSSEIS
• Fazer um míssil duas vezes mais
preciso tem o mesmo efeito que fazer
uma ogiva oito vezes mais potente
• Se esse míssil for hipersônico, o
oponente também não teria tempo
de responder
• Mísseis hipersônicos de grande precisão
aumenta a probabilidade de sucesso de
uma potência nuclear destruir totalmente
o arsenal de outra sem que essa tenha
como responder a tal ataque de surpresa
• Isso comprometeria a estratégia MAD e a doutrina de não primeiro uso,
amplificando a ameaça de uma guerra nuclear
quatro tipos de armas
nucleares táticas
lançadas por
aeronave
Four Big Need To Know:
Takeaways From US Nuclear
Posture Review

revised strategies, new weapons and


threats, and a worrying potential for
more "usable" nukes.

New, low-yield nuclear weapons


Tailored deterrence
Modernizing the Triad
Russia's Status-6 is a threat
“Additionally, in the near-term, the
United States will modify a small
number of existing SLBM warheads to
provide a low-yield option, and in the
longer term, pursue a modern nuclear-
armed sea-launched cruise missile
(SLCM).
Unlike DCA, a low-yield SLBM
warhead and SLCM will not require or
rely on host nation support to provide
deterrent effect. They will provide
additional diversity in platforms, range,
and survivability, and a valuable hedge
against future nuclear ‘break out’
scenarios”. (NPR 2018, Executive Summary, pg 8)
Problema de discriminação:
mistura de cabeças de combate
nuclear e convencional no mesmo
míssil e sistema de armas
Alguns Tridents com uma única ogiva
de baixo yield e outros com oito ogivas
MIRV: como o adversário saberá o que
estaria a caminho?
Se o adversário detecta, mesmo que
seja um único lançamento de míssil,
não tem escolha senão reagir como se
o adversário tivesse decidido escalar
para o nível nuclear estratégico.
Problema de discriminação:
mistura de armas nucleares
estratégicas e táticas no mesmo míssil
e sistema de armas existentes na
mesma plataforma

SLCM preenche um gap estratégico:


as armas nucleares de baixo yield atualmente
operacionais são lançadas por aeronaves que
necessitam de bases aéreas em países aliados
e são mais vulneráveis.
Opção menos arriscada:
mísseis de cruzeiro têm diferentes perfis de
voo e apenas carregam uma única ogiva
nuclear.
Putin threatens US arms race with new missiles declaration
President says Russia has new line of nuclear-capable weapons that
can breach US defences (The Guardian, 01/03/2018)

A nuclear-powered cruise missile with unlimited range


Nuclear-armed Hypersonic boost glide vehicles
A more capable heavy ICBM
A nuclear-armed underwater drone
Hypersonic cruise missiles and lasers
ARMAS NUCLEARES TÁTICAS
(PAQUISTÃO)

• Usadas no campo de batalha para compensar a superioridade


convencional da Índia
• Afinal, a OTAN até hoje possui armas nucleares táticas na Europa
e Turquia por essa motivação (também o caso de Israel)
• Armas táticas tem que ser mantidas em estado de prontidão para
emprego em curto prazo.
• na linha de frente, os comandantes no campo de batalha teriam
que ter autoridade para empregá-las - perigo de uso indevido
• Armas táticas seriam mais suscetíveis a roubos por qualquer um
dos inúmeros grupos terroristas
MIRVS ASIÁTICOS

http://www.jornal.ceiri.com.br/ninguem-esta-falando-da-mais-perigosa-ameaca-nuclear-de-hoje-
desenvolvimento-de-misseis-mirv-pela-china-e-india/
MODERNIZAÇÃO
MILITAR DA CHINA
China's Jin-class submarine
O TRATADO DE PROIBIÇÃO
DAS ARMAS NUCLEARES
HTTP://WWW.DEFESANET.COM.BR/NUCLEAR/NOT
ICIA/26354/LEONAM----ONU-APROVA-TRATADO-
DE-PROIBICAO-DE-ARMAS-NUCLEARES/

• Com o TPAN, as armas nucleares passam a ser "criminalizadas" de forma


equivalente às armas químicas e biológicas, abolidas por tratados específicos, dos
quais os países que atualmente possuem armas nucleares são signatários.
• Mas não podemos ser ingênuos: os instrumentos de pressão que dispõe os países
signatários do TPAN sobre os estados dotados de armas nucleares é limitado
• em especial quando se considera que esses países são aqueles de maior
poder político, militar e econômico do mundo, e que ainda controlam o
Conselho de Segurança da ONU.
O TRATADO DE PROIBIÇÃO
DAS ARMAS NUCLEARES
HTTP://WWW.DEFESANET.COM.BR/NUCLEAR/NOT
ICIA/26354/LEONAM----ONU-APROVA-TRATADO-
DE-PROIBICAO-DE-ARMAS-NUCLEARES/

• O TPAN sem dúvida é um significativo avanço


• Mas não oferece nenhum mecanismo concebível para garantir que uma
guerra iminente ou em curso permanecesse não nuclear.
• Na verdade, imediatamente após o início das hostilidades, se não mesmo no
período de preparação para a guerra em si, todas as potências nucleares
anteriores fariam uma rápida corrida armamentista para reconstruir suas
forças nucleares no mais curto espaço de tempo.
• Não haveria destruição mutuamente assegurada MAD em tal ambiente,
prevalecendo a síndrome “use them or lose them”
TRATADO DE NÃO-PROLIFERAÇÃO:
50 ANOS

Nenhum estado membro proliferou


Não previne as maiores ameaças nucleares atuais