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injustamente se locupletou”, entendendo Menezes Cordeiro que o requisito da possibilidade da

reconstituição in natura deve ser objecto de uma interpretação sistemática, complementando-se, à luz
do n.º 1 do art.º 566.º e por maioria de razão: a reconstituição opera em valor sempre que a restituição
em espécie seja demasiado onerosa para o devedor.
“Aquilo com que o enriquecido injustamente se locupletou” pode ser superior ou inferior ao dano do
empobrecido. Se for superior e a restituição for total, o empobrecido passa a enriquecido sem causa; se
for inferior e a restituição se quedar pelo dano, o enriquecido mantém um certo enriquecimento, mas
não à custa alheia, já que ninguém fica com danos; se for inferior e se quedar pelo enriquecimento, o
empobrecido vai manter um certo dano, mas não por alguém se ter enriquecido à sua custa.
O art.º 479.º do Código Civil diz o seguinte:
1. A obrigação de restituir fundada no enriquecimento sem causa compreende tudo quanto se tenha obtido
à custa do empobrecido ou, se a restituição em espécie não for possível, o valor correspondente.
2. A obrigação de restituir não pode exceder a medida do locupletamento à data da verificação de algum
dos factos referidos nas duas alíneas do artigo seguinte.
As alíneas do art.º 480.º referem, respectivamente:
a. Ter o enriquecido sido citado judicialmente para a restituição;
b. Ter ele conhecimento da falta de causa do seu enriquecimento ou da falta do efeito que se
pretendia obter com a prestação.
Em suma, tem-se, para a obrigação de restituir o enriquecimento, um duplo limite:
i. Deve ser restituído todo o enriquecimento – 1.º limite;
ii. Mas desde que obtido à custa do empobrecido, i.e., nos limites do dano deste – 2.º limite.
A Doutrina discute o que se deve considerar como enriquecimento e dano:
1. Deve ser considerado o enriquecimento em concreto e o dano em concreto – devendo ser
restituída a efectiva projecção patrimonial do enriquecimento (1.º limite), no necessário para
preencher o dano (2.º limite) – defendida por Galvão Telles;
2. Deve ser considerado o enriquecimento em concreto e o dano em concreto, sendo que, no
entanto, este último deve ser tido como o círculo das vantagens que, sendo atribuídas, pela lei,
ao empobrecido, foram desviadas pelo enriquecido – defendida por Antunes Varela, Leite de
Campos, Almeida Costa e Rui de Alarcão;