Você está na página 1de 22

1. A experiência religiosa

como comunicação e comunhão

I

I

ffi

ffit

llustraÇão 1: Homem do povo tuaregue em oraÇão (Bobby Model, National Geographic)

1.1. Crer - o que descobrimos

nas palavras

A «religião»» nas suas etimologias

Apesar de hoje usarmos com muita frequência o termo «religião»

para descrever contextos e experiências humanas muito diversas, não devemos perder de vista que esta palavra, em concreto, tem uma ori-

gem latina, mais tarde cristianizada. De facto, em muitas outras línguas

e culturas, não encontramos um equivalente para este termo latino,

religio - sobretudo em períodos

histÓricos

mals recuados. O histo-

riadãr Michel Meslinl narra um episódio sucedido na Nigeria, ainda

durante o período colonial, que nos pode ajudar a compreender esta

dif iculdade.

1 Michel Meslin nasceu a 29 de

setembro de 1926, em Paris, e

aífaleceu

a 1 2 de abril de 201 0.

Doutor em Letras, historiador

das religiÕes e especialista

em antropologia religiosa, Íoi

professor na Universidade de Paris-Sorbonne, da qual che-

gou a ser Presidente (1989-

-1993). Foi Diretor do lnstituto

de História da mesma univer-

sidade (1975-82), e Íundou e dirigiu o IRER (,nstitu;

de recherche pour I'etude des relígions). Foi profes'

sor convidado em universidades em Montreal, Fri'

burgo, Lausana, Chicago, Madrid e lvléxico. Escrevet

doze livros e mais de trezentos artigos em revista§

especializadas. Entre os vários estudos de referên' cia que publicou, destaca-se a obra onde se propÕ€

deÍinir as características próprias de uma disciplint

especializada na análise da religião na diversidade das culturas: Pour une science des religíons (1973).

I

I

I

EducaÇão Moral e Religiosa Católica

I

I

l6

I

L olxol

I

I

I

 

lod

ogtseco

op

uln

oluouteosuocol

 

eu

'eugBrN

e

'ogóerlsruru-rpe

oltnul

'epeztleluoptco

equt]

olstnold

sgl]

:seuoBolec

'op1s,JC

'ouounónyy

lopSod

olsr

ues

 

ered 'onb lesuod

o

o^od

op

'soBel

so

sopSod

ogs

so

suêulor.,l

sep snu

soqul

ulo^t^ enb

sou

solleueld

op

'ouou

rod

ogu

as

tuoleBlnl

sto^gleduloc

e

eLUnl,luou

selsop

sQJ+

'ser;oBelec

ogu

ogôellstutLUpe V 'uelopuodsor

 

Ietuoloc

'nopnul

'ogluo

o

ocuole

o sêgóeuruouop op

nrpod

onb

uêssolllocso

elole

olluê

'op1su3

ouownónry

a

'olstutuv

opuocoquoosag

olso

'ourJol o^ou

LUereqe3e

lod

ogu

lopuodsol

êp

'onou

Áol]]ooC

'toput.tJed

e.lnlle eu

rosso+ord

 

eu

opeprsro^run

op

roJ'uepeql

opellnsuoc

o

nol.llosuoce

onb

es

:osselunBled

ouoLunÓnyt1'oB1s,J3

no

oqruq

ronb)

'rozrp

ês

so o seuJlou se ên8os

sounlsoc

op

 

'(onod nes

opuopuoo-tdLuoC

eloEe

e

'elunBrod

uJerapuodsor

'oluouuenrsseul

opuellsor-tr

uJtsse

onb

e

ens

ogrBtlol

ogu

os

eredos

ep

ens

opeprluopr eudgrd

'ectu]g

 

utlsêr\ loqotn

-

V

otcuçuadxa

out^tp op ouDanLl

:srlodg:1êd

'ZZ'gB6L'sezol

 

z

ocrey\

orlrrf

o.rocjc

-seu

leul+

 

nêo

uto

ourd.ty

a

os-noêrlsê

epulv

ou

op

olnc9s

xlx

o

ou

orcJUr

olncqs op

'xx

solnur

-orno

eu

erseco^pe

uJe

08

'e

'3

oe

sned

enb ueneqce

sun8le

sonod

ogu

ureuo]

ogr8r;er

;od

ogu

-erluocuo

Jêpuolop

'snuuêLLrV

orpJ3

oc

olrxQ uro3

snr3sou

opesnce

ap

-uled

-elsa c 'e LL e 6L

,1e u-le.t

no

lod

sosotBtlet soluouleuoduuoc

srengtedu-toc

enb soe

'LUercoquoc

o9u

uJolelluocua

souule]

e sê]uole^tnbe

nO '«OçrEr;er»

oLUSAUJ

eloq

nor8

eu

'ercgre

ersy eu

a

uo

u-tn

osotBt;et oluêLuecl+lcedse ot-tglnqeco^

sun3ly

r-ro1

'sou

enb

 

'sopou

opuo

nopnlso

-olu

LUec4tluopt

segótperl

sesot8tler

seplnltlsuoc

rod

eurn

epuer8

-rs.ronrp

euos

o

'e3u9lal

aluernc

e

opep

ol]uop

op

opn]

uln êp

ole

 

ls

-

o I ollloc

op osec

ou.tslnpu[-.1

L.uerellnsor

-êrqos

ernpelrp

res9c êp

ês-eclpop

Q opnlo.,qos

ecu9lar

ê

-ol!,t Q

 

êp

sop ogóeclltsselc

serepod

'-

'sêropezruo;oc

'et;os

stode6

ep

êUou

êp

'resgC

ês-e3oloc

p

ê]uêrj

oN

o'ê]uêptco

oLule]

or?rpt ourlel

es-sgdwt

e

urnqueu

orlno

eu-rnE;e

 

op

oprlred

ouecrlqnder

e

ê^lonuosap

eun

êpeprnrle

ectllod

ouioc

Jope^rosuoc

'le.raqrl

êJlul

se

sens

zê^

ntnltlsqns o

Llloc

eutsoul e

'etcugBue.tqe

se4

ossr

ogu

;enb

razrp

serqo

:stedtcuud

sDuputlttoC

'(V)

soctd11t1

'@l\

aO

enb

o

oulrol

equê]

un

r

gs

y 'oprlues

Llll

ogxted

sellnLU

seled

serBolouurle

'sercug]suncrc

g

eLrn

soLuos

a8el

ag'ouotSo

sucut,totd

aO

eO'alnlcauêS

êO'DrltctwD

ud'snquonsuoc

otLluv

oO'sllclJlo

'snqtuu

'

sep

eln]lnc ep secleul

'leluêplco

sopeluê]

e

lesued

anb

o

lcoL.luoc

oluot.r

ep

et8o;ou.lrlo

ep

un

-gcon

 

e

laqsly\

 

o;nq

enloser

o

eL!êlqold

ep

ogsuoelduuoc

ep

epepr;eêr

enb

o

-gco^

 

salros

necseu

ou

elp

'etoLuou olnq

sef!

se

setBolou.rrle

ulg]

o

nos

nerB

ep

opueng 'ezo].rocur

L

op

ap

orqLuêlas

1ns ou'uaBy

ep

ruê 0t6L

eóuerl

-uaorl

 

soulelloc;ed

se

seslentp

ep selsodo;d

ep ogóezselcerec

erBo;oLlrle

ês-norc

urê

ecr]9llrê]ey\

eu

ep

'ot?tpL

leLedep

uJoc sou-oll

sel^ senp

ê]uêureldu-re

sepeluouroc

oe

 

elocsl

'le^eN

urê

w= Lv6L

oEuo;

ep

'euglsrq

 

eptnBes

nossarBut

Pu

elogsl

;eur-ro11

'-rouadng

opuêlqo

o

i

l rrr" ":l

ep

:

., "

eps.rrl

essou

Ierê

wiloe]

'êluor.ulerolll)

ecrace»

nês

oln]!]

êp

qq6t

nossed

ujo

euosolrl

oue ou

eN

selad

epec9p

êp

09

sapeprsra^run

i

(e

*r:""^*"r::racjc

olad

oln]]]

êO

not

ojnloi\

eprcequoc

êp

pueJjal-]uoruêlc

ê

-uê3urA

i

eze:nleu

sop

'(((sosnêp

elo;dxe

e

êp êpeplllqtssod

o

ro] otxral

ureBuo

:

o'sêu

'ouuoq

oled

nouo]

olsêN

opnlsa

e

erpêl9c

êp

'oruJurop

loqsry\

segón;oirer sep

eu9]srH

êp

ercugrc

eu

-.,os

sarrês

as-nossarê]ur

secrjlluorc

rosselold J

i

i

ou

ete?eloqJo^

o31e

ep

'olou

nÍ'teq;ocel

lol

eun

e^ou

telu

e

êlsoN '(ts

'osec

'entlads;ed

reul+e

etrcs eLa7eyol

reuro]

eun

'LUrssy'eLllocso

; :

,

ep

apeplsrê^lun

op

proluels

êpsêp

,86L

rol

olrola

e i

epnlrle

no

olueueuoduoc

 

osotBllel

et-es-.tê^olcsop

-eprlenb se;ed

ered

e

eruepecy

esocuerl

u

086t e 696t êc 066L

i

sêp

'opeplnc op

op

o;ndllcsa

no

ep

'eut;dtcstp

e6

oproce

r.Iloc

elsê

; i

I

noctlqnd

euun

augs

êp

sopnlso

ap

'sêullêH

uJê

oourc

:saLunlo^

:696t

Al

V'

O

y-ll

'otcu?a]rclu\

o

L6l'

L

:

t

nquls

lll:aL6L

A

V'

ê

soresuê

qos

o

olnlJl

o4

'oeóDcrunwoC V 'l

V

:iL6t'opónpDL

oss

eB

uL

p

o

'êlsêojoN

e'e;8o;otutle

otrPJluoc jod - (ato?

ep

ercugBrlSau

osst

o

olosglu

(oBtfieu)

laqcly\

'«etcueBllBeu»

elsoN

elros

o

ougrluoc

ep

ssoJlos

nour+e

enb

e

ogrBrlar

-!l-eL)

«oprBrler»

9

o

ogóece

o

opu oturo]

eu8rsap

-o.rd

086t

 

u]l

'[661

o nocrlqnd

or^ll

O

u@ilat

'opfi)lsut

elueuetld

uln

oduec

opetedas

ep

ercuguedxe

'euelunq

seLu

e

-odsrp

as antt

nouto]

eurn

so ered etcugre]êr

sopnlsê

o.rqos

 

r

lotlelut ogórs

enb

eultue

souec

'solueureuodluoc

seuêc

seuroJ

op

e

oçóecnpo

o

e

ulaÊeótlseur

'le.rn]lnc

o 'tesued

o op

lttuudxe

Lunu

optluos

steu

e 'olrJlsor

op opnlrle

-sor

 

l

olled

onb

sopeululê}êp

soluêLulcêluoce

srenlll

sreuorcrperl

'LUêBrxê

 
 

,

snlurnO

snurrldag

-erllnUoI

snu

ro]t

un

rolne

sop ourlel

solncgs

lll-ll

C'p

op'

oduel

ep

ocren

orlgrnv

opun8eg

e

-er1

roj'ogórp

opeuc

ura

'o8eueC

a

gral

optntrr

aluourepelxrxorde

êrluo

qqL

o

OZZ

o3o19e1

a

'ocrlgurerE

ro1

un

sop

-reurr.rd

so.l

sêrolucso

'so9]suc

-ro]

ês-opueu

o^rsrsêp

eu

-rlsuoc

ogórn]

êp

elnllnc eun

glsuo

ep

oqssaldxe

'eurlel

serqo sens sV

as-uralredel

 

solad

 

'ocr1g3o1ode soreugB

ocru.rglod

e

'o^rlnrlsur

 

L

y

ogtBtlag

oruoc

opor\|

op

rellqeH

ê

reluro,rsue{

o

opuny!

b) A segunda via etimológica é, com frequência, mais citada - talvez porque em certa medida corresponde mais à experiência histórica da

cristianização. Tanto o teólogo africano Tertulianoa (155-220) como o professor de retórica Lactâncios (260-325) protagonizaram essa escolha. Para estes, religio teria origem em religare (ligar, vincular).

Lactâncio declara que o termo religlo descreve esse vínculo de pie- dade que une Deus à humanidade, ao qual o crente responde como

-l

I

I

5 Lucius Caelius (ou Caecilius) Firmianus Lactantius

fazparle do conjunto dos primeiros escritores cris- tãos. Já como professor de retórica, converteu-se ao cristianismo, e teve um papel muito importante na apresentaÇão do cristianismo, como nova reli- gião, aos intelectuais da cultura latina. Quando tinha uma idade avanÇada, o lmperador Constan- tino fê-lo perceptor do seu filho.

I

quem obedece a um pai. Como o cristianismo aprofundou, nesta cul-

tura latina, a ideia de um Deus que não se confunde com a natureza

e a sociedade, permitindo diferenciar os poderes - o político e o reli-

gioso - e os saberes, esta etimologia favoreceu a ideia de que a reli-

gião é essa experiência simbólica onde se (re)liga o «céu» e a «terra)),

a humanidade e Deus, o mundo, o criador e os crentes entre si, cons-

tituindo uma comunidade. A ideia bíblica de alianÇa, num contexto

cultural novo, é aproximada de uma experiência muito central na his-

tória da romanização - fazer pontes, ligar territórios divididos para

que a comunicaÇão seja possível. Não é estranho assim, que o termo pontifex (aquele que faz pontes) venha a descrever aqueles que exer- cem autoridade na lgreja. Ainda hoje é corrente chamar-se ao Papa, na lgreja católica, o Sumo Pontífice.

llustraÇão 2: Ponte de Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda, Alter do Chão, Portalegre, em Portugal.

Este trabalho sobre a arqueologia das palavras é o rasto de uma per- manente procura de interpretação do que se vive, individual e coletiva- mente, sob a designação de religião. lndependentemente da maior ou menor verosimilhança das explicações etimológicas, estamos perante a consciência de que a religião se descobre na cultura num conjunto

de atitudes, gestos, comportamentos, discursos, mas também numa determinada forma de se estabelecer relaçÕes. A religião não é um acontecimento «alienrgena» face às dinâmicas que constituem as

sociedades. Ela descobre-se nos modos de habitar o mundo, de agir

sobre ele e de buscar o que pode estar para além desse mundo.

Devemos ter em conta, ainda, a importância de um vocabulário que, não sendo um exclusivo do campo religioso, tem aí uma inequÊ voca centralidade: o vocabulário do «crer» (o crer, o acreditar, o cré- dito, a crenÇa, as crenÇas, etc.). lmporta aqui ter presente os resulta-

dos da investigação levada a cabo por Émile Benveniste6 e por George

Dumézill sobre o vocabulário indo-europeu e sobre as raízes latinas

do vocabulário do «crer». São estudos desenvolvidos nos anos 60 do século XX, que permitiram aproximar as palavras formadas a partir da raiz éraddha, no sânscrito, e os termos latinos credere (crer) e fides (fé). Benveniste e Dumézil, nas suas obras - respetivamente O voco- bulório das instituições indo-europeios (1969), e /delos romonos (1969)

- mostraram como este vocabulário do «crer», na literatura védicaB, designa atos de confiança em outros seres, na realidade de certo

acontecimento, a existência de determinado ser, naquilo que alguém diz, ou mesmo aquela confiança do ato de dar (confiar) algo a alguém.

Benveniste vê este perfil semântico numa das etimologias indo-eu-

ropeias possíveis para o termo latino credo: kred-dhe, que se pode- riatraduzir por "colocar o seu coração em algo" (o "coraÇão" no indo-

-europeu e o próprio órgão, mas também o lugar de alguns afetos).

6 Émile Benveniste,

linguista

naturali-

zado francês, nas-

ceu em Alep, na

Síria, no dia 2'7 de

maio de 1902 e fale-

ceu em Versalhes,

em França,

no dia 3

de outubro de 1976.

Os seus estudos, com um elevado grau de especializaÇão, tornaram- -se uma referência no domínio da linguística geral e do estudo comparado das línguas indo-europeias.

Entre a sua vasta obra, pode selecionar-se o con- junto dos dois volumes dedicados a Problemas de

linguística geral (1 966-1 974).

? Filólogo e antropólogo

francês, nasceu no dia 4 de

marÇo de 1898, em Paris,

cidade onde veio a falecer,

no dia 11 de outubro de 1986.

A sua tese de doutoramento

apresentada em 1924 (O fes-

tim da imortalidade: estudo

de

mitologia comparada

indo-europeia) tornava

evidente o seu interesse e a

sua competência no domínio

da antropologia comparada dos mitos. Nesta área do conhecimento, Dumezil alcanÇaria, na década de trinta e quarenta, um impacto assinalável notá- vel. Entre as suas mais influentes descobertas con-

tam-se as suas conclusões relativas ao carác-

ter tripartido dos sistemas sociais da maioria das

sociedades

indo-europeias primitivas (uma f un-

Ção do sagrado e da soberania; a funÇão do guer- reiro; a funÇão de produção e reprodução). Ensinou

no Colégio de FranÇa, durante vinte anos (1948-

1968), na cátedra de CivilizaÇões lndo-europeias. Em 1978, foi eleito para a Academia Francesa.

I

I

I

Educação Moral e Religiosa Catolica

I

I

lg

I

I

uoc 1êjo opunr\ opon ouoc o reuJrolsuetj ê lellqeH Ep ogr8lleg y 'so^od sop leln]lnc euguJoru
uoc
1êjo
opunr\
opon ouoc
o
reuJrolsuetj
ê
lellqeH
Ep
ogr8lleg y
'so^od sop
leln]lnc
euguJoru
eu
sotS]lso^
onb
secr]9rd
ep
ollncllc
o
LUeluoL!lle
onb
LUelexrop
'e^lp9p
sogÓ
-elol
rxê
soluouleuoduloc
sosnop
soudgJd
so
ê^lo^Uo 'sopeporcos
soluêrolrp
seu
'sosolBllol
'LUêElxê secol]
so
o^olcsap
onb op
ollnul
anb
g
ênblod
ror,llollr
ropuoordlroc
'LUlsse
'sou-lopod
sesso
onb
eóuetluoc
op
etcuQuodxo
e
uJoc
ogÓelor
relncrued
eLun
sosolBllo.l
soluêLueuoduJoc
'sopepêlcos
I
e^lpgp
o
setopt
seu
onb
oso]gdtq
e
LuernSosrod
sep
oqÓlnlllsuoc
eu
lerluêc
Q^
ep
elcugpodxe else
enb
o
ercugptno
segrBrpeg
sep
etSolodolluv
e
elrg]slH
LUo
u:eresnd
V
'eóue;;uoc
eP
'ol!PPrc
oP
ole^rê]ul
oss:
'odutel
o
g
êp
'oluêlollp
oletLl
uJn
llsrxo
Luepod
solse8
sosso
enbtod
LUoc
LUqqLUe] seLU
gH '(uJop-etluoc)
g
e
gp es
anb
enbtod 'ole^lolur
un
«laqocol»
oqocol
sotseB
so
os
o
op
'o1etp
sellnu
'exe;duoc
ul3
-otJt
op 'Luêpuodse;loc
ogu
(LUop)
«rep»
op
solse8
soe
'slelsos
seQÓenlts
'soêug]lnLUrs
sreut
ogóe1el
eLUn
tes
epod ecot]
ua
oluêLUellessêcêu
Lreuolcesuel]
V
soduue]
'solelqo
seuede
Luê^lo^uo
o?u
secol]
se
serylole^
ês
sopl1lo^uo
suop
so
nês oe
oluenb
Luêu
'seluelenrnbo
ros
Lllopod
se;e enb
-teteptsuoc
eltu-lled
sou
'oluolê]lp orlno
enb
ec;lgquls
opeplcedec
essou
e
I
rod
olelqo
uJn
ocor]
opuenb oluêpt^o
I
ossl 'Jole^ Jlnq
'soloqd
u.rnuBeyl
'uêsltpuog
seuol'sectld;ts
ê
solo^
ecoll
uêpuoce
oqof
as anb
selerr
sV'elssfU
eu
'elslleg
-rrle
op epeprcedec ep
ogóezrlrqou.r
e eBtxe
e
enb
urequeduroce
S
3
op
elsêl
e uoc
ê]uêptcutoc
'eurnlou
opepl^llsêl
:,
ogÓerlsnll
'uuaEeztpuerde
ap
sopetBelrnrld sereEnl
sop
uln
'elcuQlr
-edxe
elseu
'operluocuo
glê]
eueLUnLl
ecll9qulls
opeplc
-edec
ep olueLut^lo^uosop
o enb
ep eselgdtq
e
ulelecoloc
'eóuelluoc
secr8glodotlue
soluêloc
seuoC
e
eted
selcuQ]
-eduroc
sens
se opueztltqoLu
'ogóe;el
ue
soueunq
sales
'LUeltssacou
so
ecoloc olede
ess3
sollno
enb
o
u.renssod
enb
e
ep
enb
ulelqoc
'u.rg1
soJlno so enb
oE;e
LUeltssêcou
-sep
sodnr8
o
sonp1^lput
so
'tlloltlslsqns
eled
'sopepelcos
sep
ogón;1suoc
op leolcnu
ouJStt.ueutp
o
L.uelo+
ecoJl
ap
sagáe;e.r
se enb
'XlX
olncgs op
.tt1;ed
e
ule;elueuue;dut
y
es
enb
seeóe8rlsenut
se
êpsop
'nollsouJ
etBolodolluy
eóuet,tuoc
ep
g
olel]
un
ouBrp
g
enb
alenbe
oluêLuestcold
«1et1»
-
êp
oluoLurcolêqelso ep elcuguedxe
e.u
aBtxe
es
enb
eóuel1
-uoc
p opuelede
'ougtctpnl
optluos uln op
eóueseld
e1Lo1
o
sreLu
eLun
ulê]
eullel
ecllugLl.lês
v
soul^lp solês
sou
'solor-ld
urnu8e4
'qqa6
xêlV'erpul
'elên
-elrnll
saros
êlluê
ecoJ]
op
solelluoc
'opoLu
nos e
'ogs
eqqúny
eqey\
elsêj
eu'epuê
op
lenltr
urnu
roqlnn
:e
ogÓerlsnll
'orcrgr
o olelluoc
op sole
soJlno
op
soullxg-ld
og]se
'steol
o]lnc
ap
sole
sO
oÇs
sêsnêp
so enb
opuodnsserd
'sepuorolo
woze+
enb
selopetcoBeu
ouoc
os-L.ueluos
-aide
'sesnêp
so
olueled
'soueu:nq
solos so 'eueulol
etB
-ololrl!
eu
oLuoc
seuetput
selnqg,t
seu
olue]
'enb
nollsou.l
es
enb
êpepleêl
e
ered
no
'ertdsut
ulgnBle
IrzgLUnC 'eredse
enb
eóuet,tuoc
e
eted
uleluode
soluJo]
so
:solellulls
sopec
-rlruBrs
rerluocuo
sourepod
enb
(1et1)
silap4
ê
snp.,J
so^l]
-elpe
sou
no
saprJ
oLrou
ou
g
'oullel
olrglnqecoA
oN
'(g+)
'epnle
lopacuoc
ep
zedec
e
osolepod
lod
oprl
o81e
no
'eueuJnq
no eut^tp eossed
eLun
o
êcêlêqelsê
e
enb
e;enbe
êrluê
eloltp
'leossed
opóe;el
euun
egdns
otr
-glnqecon
else
enb
êp
etopt
eu
se]-têqocsêp
selso
llLunsal
êp
etuJouoco
eulnu
sosnop
so
o
erncord lrzgLUnC 'e^!pgp
'seÓ
soueurnLl
sêlos so
LUoAIoAUê
ogóonap
êp
sole
se1s1
-uoop
sep ernc
e
no
selnl
seu
ellg]l^
e
oluoc
'solo^e+
slels
'c e 0091 a 0002 êrlua -
os-]exr]
e
g
-edse
snos soe opocuoc enb ;opeop
o
enb
snep
opeóouroc
grêl
srqr,t
ernleraltl
else
enb
ura
opolred
op ec]ase
osuêsuoc
urêI'clê
'ogóetdxa
e
ogóerBesuoc
'oluoueluecuo
op
'elnl
euJn
op
os-tnc
ou
snêp
LUn
e
suoLuotl
sop
ogÓonap
uJn lrcrlrp
oprs
selnurg]
'sopelrp
'saeóero
'sorqrgro]d
'soutq
tnlcul
o9Óêloc
essf
:sosnop
snas so
elueted
seossed
sep
ogóonep
ep
solseB
'eredorna-oput
renbqenb
ap
etnlerê]tl
eEllue
enBu.;q
steur
e
g
enb
zen
sou
aluêso;d elueute;nct1;ed
glsê
oclxql
else
'ogt8t;e.t
eLrn
'lêAglou
ougralrl
otugululed
un
I
epê^e^relv o o
epa^.,nlal
'snoC
uro
solt.,cso
'soperBes
so;nt1
ep
olueled
o
o
o
:oltlcsu-es
orlgdouoLU
'u-.lsse
'opuos
ogN
nos
o
'epa^elueS
'epenBr6
1et1
orlenb
ap olun[uoc
u]n
ap ês-e]e.t1
snpulll
seol]gso;t1
a
sesotBtla.l
op
eudgrd
eóuetluoc
op
opnltle
e;enbe
oLuoc
seul
'opoJc
saeórper]
sep
eluelroduut
steLx
eJnlelê]ll
e
uênlllsuoc
sopa
sO
8
L.un
e
ogsope
oLUoc
ogu
'«eÓualc»
e
ollodsêl
zlp
oL.lllol
o

Texto 2

I

Peço-te, ó Deus, invoco-te durante a noite. Nós todos, homens, somos protegidos por ti, todos os dias. És tu quem caminha no meio da relva alta. E eu caminho contigo. Quando durmo na minha cabana, é contigo que durmo. É a ti que eu peÇo alimento e és tu quem o concede aos homens.

É a ti

que eu imploro a água parc a minha sede.

És tu que proteges as nossas almas. Não há ninguém acima de ti, ó Deus. Tu tornaste-te o antepassado de Nyikango.

Tu eras, ó Nyikango, o que vive com Deus.

Tu tornaste-te o antepassado dos homens, e do teu filho Dok.

Quando acontece uma fome Não és tu que atrazes? E esta vaca que está aí, não é para ser imolada

e o seu sangue chegar junto a ti?

Oferendo para se conseguir umo curo, Oração do Sudão na versão portuguesa de Armando Silva Carvalho (A Oroçõo dos Homens: uma antologio das trodiÇões espirituois. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006, 21\.

ÊducaÇão Moral e Religiosa Católica

110

J

'z'L

'lezl;oquls

le3lunuoc

a

JlllusueJl

*.

":çj*!l:l.l:::,:,",

o?Óerlsnll

:9

sen]g]s:

leon

eu

ap eqll

'eocsqd

sêtrtef

:.:

1

'crqdelSoeg IeuotleN'lelg

'.

oruo;1

snclloquÁs

erSolodo:1ueoeled y

opuer8 eutn opacuoo

-uole

o9Ó

oe

ep opnlso

opep!^lle

ecllgquls

eu

epr^

op

'octoclo oLUoq

so]

êp

ued

'ogóeBtlsenut

eun

sep

sredrcuud

o

oluol.lJtnlonuosêp

ep

-uolloc

-rcedec

opep

op

ogóez;loquls

g

o

t

..

steu

eluepodu-tt

oóer]

ep

ogóe1e;

aJ]uo

o

owoH

'stlqD[.]

o

ouoH

snlcêra

o

o

oaoH

soLUeliel]

'sueldos

eLun

essoN

zo^

epec

etn

op

'oqóeztutu-toL.l

-uocuo

sleLU

epeculA

ogÓeLurue

op

'snctloquB ouoLl

ogÓer]snll

snlcala

ou

souaqo3sap

'ueBerS:9

nêsnl4

9Z'elsquopul

enb

êp

olquo^ou

o7o6Ç

sop

ou.toc

eóueraH

êp

llssg1'tIOZ

op

ouroH

ofoq

elad

'uertBueg

ro1

tnssod

srassg]

gle souelrnq

op

opunyl

ue'ttBueg

opeu8tsep

lein]lnC

'o3slNn

,L

y

ogrBrleg

ouoc

opol

op

relqeH

ê

-reurolsue:1

o

opunu\

No quadro desta hipótese, essa trajetória poderia ser descrita a par- tir dos indícios de atividade simbólica. Esses indícios apontam para

a evidência de que na ação está presente um determinado sentido, que determina, organiza e interpreta a realidade material envolvente.

il

E

-r-g

A manipulação do fogo, a simetria nos utensílios, os materiais usados, as cores escolhidas, denunciariam, assim, a elaboração de sentidos que não podem ser explicados apenas pela utilização e funcionalidade.

Com o Homo sapiens descobrem-se vestígios mais evidentes desta

atividade simbólica, como enterros, estatuetas ou pinturas rupestres (cf. llustrações 7, 8 e 9).

Nesta linha de leitura, l\uiircea Eliadee, no seu Trotodo de Historio das

Religiões (1954), defendeu que a primeira experiência simbólica de

transcendência se relacionaria com a observação e contemplação

da abóbada celeste. Lido como teto da terra, horizonte inacessível,

poderá ter sido um lugar privilegiado dessa experiência misteriosa do

inabarcável.

Características do simbolismo

Gilbert Durant10, discípulo do filósofo Gaston Bachelardll, com a sua obra Estruturas antropológicas do ímogínório (1960), foi o protagonista

de um enorme esforço de compreensão do símbolo na história e no psiquismo humano, a partir do paleolítico e do neolítico. A sua pro-

llustraÇão 7: Utensílios da ldade da Pedra.

posta resume as dimensÕes desta atividade simbólica em três eixos.

a) uma dimensão a que G. Durant chama mecânica, que se des- cobre nos esquemas de representações figurativas: gestos, mímicas

e danças.

b) Num segundo plano, este autor considera a dimensão genética. Diz respeito, no plano biológico, às faculdades e aquisiçÕes que, indo

além do regime do instinto, distinguem o Homo sopiens de outras

espécies animais.

c) G. Durant qualifica de dinâmica a terceira dimensão, uma vez que

ela tem uma relação particular com capacidade de ilustrar e narrar.

Nesta direção, para este antropólogo do imaginário, o mito, figurado

ou narrado, é o melhor exemplo do resultado da dinâmica simbólica

do neolítico.

Esta via de análise reflete-se nas conceÇôes que veem a cultura como sistema de símbolos. Sistema que permite às pessoas e gru- pos, em determinado contexto, reconhecer-se como .pertencendo a um mesmo espaÇo social, viver uma história comum, comunicar e

llustraÇão 8: Testemunho arqueológico da atividade

neardentalense de sepultamento, em La Chapelle-

-aux-Saints, France.

organizar a transmissão cultural entre geraÇÕes. Mas, também, saber

onde estão, de onde vêm, o que podem esperar, Neste sentido, torna-

-se patente a etimologia do verbo «simbolizar», a

ação de unir o que

foi separado; abrir para significados novos o que se recebe, utiliza

ou descobre (cf. Texto 3).

Educação Moral e Religicsa Católica

I

j

I

*fl

l'*

=J

-

r*

lepnlsê

a oll,l3su9s

:j,'":l,""''#,=n'nn"3?,^"'"

'ouêu

nocseu

ou

B!p

ap tL

oóI

ap

narrou

L

'206

LUê

'ê]sêrecng

urê

'986[

-lqc

'o3

as-norcuectl

uro

-olrl

'et1os

nrnEessold

sopnlsê

eu

apeptslo^tun

êp

glnc;e3

ered

erjosolll

leluauo

ê^ê]qo

o

nês

oluêurerolnop

euin Lroc'eÊ61

ure'eBor arqos êso]

-o1drp

errarec eurn'ogluê'na^lo^uasac'alsêlecn8

'ect]9L,tl

1oc

..

ou

optpe

serp

e.red

a

e

rod

eoqsrl

url

êpeptsra^tu1

'lernllnc

lo]'9161

opuessed

ered

sue6

rod

-uo1

reqleqeJ]

êp

'auuoq.ros

ou.roc

-se1o.rd

ros

ap

ogtBtlag

'epereduto3

olxaluoc

uro

anb

-rlqnd

noc

rê^rp

..

ses

setqo

ês-nolelsur'stodêp

soptun

ep

'ectlgu.lv

Lue

enEu.;1

'esocuel]

sou

êzêr1

soue

êluêu-je^tltutlop

sopelsf

apuo

ês

'nozrlernleu

.ir8r.rrp.ered

o

olueueuedep

ap

ogt8tlag

e

.,eursuê

euglsrH

sep

segtBtleg

eu

gpeprsrê^tup

lel

or.rguorcrp

êp

euolsrH

ap

g'oEecrq3

sep

'segrBtleg

aluernp'nolcuênllul'nouop

so'sepe3Çp

-uêtunuotu

onb

-rooc

sopnlsê

ep

'ogtEtle.t

'puelno lrêQllc or

êp

oreu

ap

LZ6L

nêcseu

e

a

no.uou-r

L

e

*,,üÍ,ffi. L

ffiS;+*""'

ffil{,J"

asrlguectsd

op

'."t

I

ep srerp.ror.rl

eruoBou.rsoc

ap

salcopeduS

(oBo;

se6

selcuÇnllul

ry'enBy'erre11

e

uJÇqLr.re]

nêqacor

sop

soqleqPr]

op

oÔlns

3un1'9'C

961-9181)

(t

o

ep

ens

el.roo]

op

ê]uêtcsuoJul

ontlaloc

êp e^rêsar)

suaBeurr

stetplotut.td

no

'(sodrtgnbre

C

sgdord puernC

un

olun[uoc

ap

soQóectlde

salsêp

solêpoLU

-rlecrldxe

son

sgc

oe

odu.Lec

ep

'ect]glsê

notcunuord

eurn

atlgs

'eoq

seplunor stodap

unu

ur:

'LB6L

ê]so

rolne

-uer]

ap

sercuQroluoc

)

'olrl

u.ra

-srl

êunlo^

opqLUS

a

rci'(otBololttll

ua'opercelSe

ruoc'6861

o

-erolnoc

oluotl.l

sr-/ouoH

'DsnDC

elad oplnqtrle

apeprs-rêArun

e^oN

op

seun8ly'eoqsrl

:se^lleluos

V

opóour?ouLr

:apDpatcos

êstlpuDltu

o ê

serqo sep

sreur

-erder

Dalgquts

ot7olorcos

:$L6L\

otlw

ê

sop

-apunlud

sDZ

:(086t)

a ougutBouLl

DiSoSopad

:(9661)

sy

-nrtsa

sunl

soctSgloduluD

ouput?Dtut op

'GB6L)

rr

uolse9

ou

ep

LZ

'prelaqce8

nê3seu

ep

êp oqun[

'7BBL

uo

'êqnv-rns-re8

e'auBed

nêrrour

e

gt

-ueqc

êp

-nlno

orq

êp

.ropes

'2961

oluênlJUr

-uad 'sued

uro

L!a

eoq

eued

op

olnc9s

'xx

tod

resued

e

ês-nossêralur

eze.rnleu

-g;d

etrd

op

oluaurcaquoc

-!]uoic

relnc

assarelut

elad

ourêpoul ocu

o ê

nas

olcedtur

'ocUgsollJ oluauresuad

se]se

seual

nolunI

urn

V

-rUed

op ogsuaaldu.toc

leded

ep

-eu.r

opóeutB

ou

oluêtl]lcêquoc

noóêuroC

rod

res

-selord

los

op

eclsll

ê

ectulJnO

apeptc ens eu

rossolo.ld

ap

'leleu

eu

!o,t'O16L ê Ot6[ ar]ua

eUosolrl

seu

-run

apepls.]a^

leu

eu

.lole^

êp

'uo[t6

êluaurouê]sod

se

sens

'sejqo

:(6261)

O

orê^

e

-rsuo

êuuoqlos

o^llnpul

ollul

O:os-erJêr

onou

-ldsa

êpepr^rlelêr ep

olrr

ocUJluar3

V

etcuglrêdxê

:(rt6L)

V

êsrlguecrsd

op

oóedsa

eu

ecrsJ1

o3o] op

:(/t6t)

eeuglodtualuoc

oursrleuolce.r O :(1t6t)

oLr"lsll

leuotce]

[)

'(tg6

opectlde

:(6161)

O

-euoleur

I olxal

LL erf

op

ep olsoBe

se

se-to;,t

Luetpo;dxa

enbrunyl'996L

eu

uo!71'eLlueurolv

sou

senb;ed

e

LlJe^euoce

seluêprl

'se;euel sep

e

ertetltld

ogs

senp

seJoq

ep

O 'ople]

o;rêlrec

e

orlr

ep

op

zer]

ep eueo

'eu1gd

elueLueBollos

g['opuenp»

'eliec

êp olnqtJ]

eled

ts

o

sreLU

sopol 'orqe

so^op

relso

'serlno

'sgu

uln elled

etc1lou

op

enl

e

uln

:otlg]sttu

elso sêlol

'ulelo^olcso

tua

ele

ou

sou-noLllO

opuenb enbtunyl

zell al

eLun

elp

ollJSoLU

uJn

o

ap aluoJo+tc

snog

nrBlxe

gl

o

'eJtelesstnle

un

'eptlled

nêqlocsê

'JouJe

'operederd

ossou

optlenb

steLu

'sgu

'ted

'optlon6

'sgu

sno6

o ogu

ogu

nol]

op

seur

seuu

o

noxtop

noxlog

o

oJluo

tede6

nlued

'no8eqc

ou

oóedse

a;ep

eled

'.le;1uo

'aluouuenrlru4op

ossou

'oóedse

Luoc

e;ed

o

lepod

lelse

sou

oluosold

Vnl

o

uoc

epepnes

ltun

e

oBrluoc

o

Áng

e

ouroc

gLulr

eu

o

o

'equeluolv

stnopols

ouloc

eu

JeLUopleM

V '«ectBlgg

ero ouoLu

op elulo]

eted ogqunuoc

'erl.!ueJ

esredsrp

ua

ollenb

opepluêJas

oN

sep

'sasled

ogt,lltqJnl

:epun;o.td

e;ed sotttollotlt

'seuruBgl

eneuroJ

e.ted'relrcsnssoJ

-ttpuedxe

góectunuuoc essou

'o

oN

elp

'elutnBes

tqecled

enb

ou

enb edo;enuo

enercunue

e

euoul

o;leBtc

el^eLl

ep

ujn

leuls

elol

o

LUn

ap

:epl^

Lun

ocol

neu

oprsoloreLUe