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Fases da alfabetização da criança

Soescola 14 De Março De 2017 Nenhum Comentário

No processo de aquisição da leitura e escrita, a criança passa por quatro fases ou níveis:

Fases da alfabetização da criança


Fase Pré-Silábica
A fase pré-silábica é dividida em três níveis ou momentos:

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Pictórica
A criança registra garatujas, desenhos sem figuração e, mais tarde, desenhos com figuração.
Normalmente, a criança que vive em um ambiente urbano, com estimulação linguística e
disponibilidade de material gráfico (papel e lápis) começa a rabiscar e experimentar símbolos
muito cedo (por volta dos dois anos). Muitas vezes, ela já usa a linearidade, mostrando uma
consciência sobre as características da escrita.

Grafismo Primitivo
A criança registra símbolos e pseudoletras, misturadas com letras e números. Já demonstra
linearidade e utiliza o que conhece do meio ambiente para escrever (bolinhas, riscos, pedaços
de letras). Nesse momento, há um questionamento sobre os sinais escritos. Ela pergunta
muito ao adulto sobre a representação que vê em sua comunidade.
Pré-Silábica Propriamente Dita
Nessa fase, a criança começa a distinguir letras de números, desenhos ou símbolos e
reconhece o papel das letras na escrita. Percebe que as letras servem para escrever, mas
não sabe como isso ocorre.
Fase Silábica
Quando a criança chega ao nível silábico, sente-se confiante porque descobre que pode
escrever com lógica. Ela conta os “pedaços sonoros”, isto é, as sílabas, e coloca um símbolo
(letras) para cada pedaço (sílaba). Essa noção de que cada silaba corresponde a uma letra
pode acontecer com ou sem valor sonoro convencional.
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Fase Silábica Alfabética


Nesse nível, a criança está a um passo da escrita alfabética. Ao professor cabe o trabalho de
refletir com ela sobre o sistema linguístico a partir da observação da escrita alfabética e da
reconstrução do código.
É o momento em que o valor sonoro torna-se imperioso e a criança começa a acrescentar
letras principalmente na primeira sílaba.

Fase Alfabética
Quando a criança reconstrói o sistema linguístico e compreende a sua organização, ela
transpõe a porta do mundo e das coisas escritas, conseguindo ler e expressar graficamente
o que pensa ou fala.
Nesse momento, a criança escreve foneticamente (faz a relação entre som e letra), mas não
ortograficamente. O desafio agora é caminhar em direção à convencionalidade, em direção à
correção ortográfica e gramatical.
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O texto abaixo está fundamentado no livro:
A Psicogênese da Língua Escrita,
de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky.

ANÁLISE DA PSICOGÊNESE DA LINGUA


ESCRITA- EMÍLIA FERREIRO E ANA
TABEROSKY
Emília Ferreiro se tornou uma espécie de referência para o ensino brasileiro, e seu
nome passou a ser ligado ao construtivismo, campo de estudo inaugurado pelas descobertas
a que chegou o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) na investigação dos processos de
aquisição e elaboração de conhecimento pela criança – ou seja, de que modo ela aprende.
As pesquisas de Emília Ferreiro, que estudou e trabalhou com Piaget, concentram o foco nos
mecanismos cognitivos relacionados á leitura e á escrita.
De acordo com as teorias de Emília Ferreiro, a leitura e escrita estabelece uma relação
entre a evolução da escrita e a proposta, onde o carácter de suas investigações é psicológico
e não pedagógico. O seu enfoque é a explicação de como se aprende a ler e escrever, e não
é a criação de um método de alfabetização, tarefa especifica do educador. No seu ponto de
vista a criança, quando chega a escola, já possui um notável conhecimento de sua língua
materna. Vive no mundo de escrita e pensa sobre o processo da escrita. O Processo de
aquisição da linguagem escrita precede e excede os limites escolares. Portanto a evolução
das concepções dos alunos sobre a escrita trata – se da construção e não da qualidade do
grafismo, nesta fase as ideias são representadas por desenhos. Os estudos psicogenéticos
da aquisição da leitura e escrita realizada por Emília Ferreiro desafiam ainda repensar os
princípios pedagógicos e a rever as concepções de conhecimentos ensinos e aprendizagem.
Tendo assim uma proposta de inovação na alfabetização. Esses estudos podem ajudar a
compreender melhor os níveis do conhecimento da escrita e leitura do sujeito não
escolarizado, ou não alfabetizados e ampliar os recursos metodológicos que os ajudem a
avançar no processo de construção do sistema escrito, superando os conflitos cognitivos
próprios das hipóteses criadas em cada um desses níveis. O conhecimento que o sujeito tem
da leitura e da escrita não equivale ao conhecimento convencional, pois possuem hipóteses
originais não ensinadas pelos adultos ou professores. O sujeito procura ativamente
compreender a natureza da escrita á sua volta e também aprende através de suas ações
afetivas e mentais sobre o sujeito escrita, ou seja, o aluno evolui construindo e reformando
suas hipóteses.
A autora afirma que a aprendizagem não é um processo meramente perceptivo, mas
construtivo, e aprender não é apenas adquirir hábitos, é transformar o que vai conhecer. E
que o aluno tem a sua maneira própria de aprender, como também constrói o seu próprio
conhecimento. E é na escola que frequenta normalmente que as crianças passam pelos
estágios propostos por Emília Ferreiro, é nesse período que a criança começa estabelecer
vinculações entre a pronuncia e a escrita, o que representa um passo extremamente
significativo no processo de alfabetização. Porém, essa vinculação é de imediato adequado.
Ela passa por etapas que constituem os níveis silábicos e alfabéticos, até alcançar o
ortográfico, isto é, quando a criança compreende que as diferenças das representações
escritas se relacionam com as diferenças na parte sonora das palavras que permanecem, a
questão de descobrir que espécies de recorte da palavra pronunciada são o que
correspondem aos elementos da palavra escrita. A escrita na representação baseia-se em
uma construção mental que cria suas próprias regras, escrever não é transformar o que se
ouve em gráficos, assim como ler não equivale a produzir com a boca o que o olho reconhece
visualmente, segundo Emília Ferreiro; o sistema de escrita tem uma estrutura lógica, no caso
do sistema alfabético a criança deve compreender entre outras coisas. A escrita (grafema) e
o som pronunciado (fonema) que não a nenhuma relação entre a forma da palavra escrita e
as características físicas do elemento da realidade nomeada por ela, que palavras com o
mesmo significado não são escritas da mesma forma, que elementos essenciais da oralidade,
como a entonação, não são registrados na escrita. Esse conjunto de relação não é
simplesmente aprendido pela criança, mas construindo é reinventando por ela.
Nas relações que mantém com a escrita no ambiente que vive, a criança elabora e
testa hipótese a cerca da lógica do seu funcionamento. Ela assimila a escrita interpretando-a
de acordo com os conhecimentos e modos de pensar que já desenvolveu e organizou no
decorrer de sua experiência de vida, produzindo, escritas e leituras não compatíveis com a
escrita convencional.
A criança não faz uma diferenciação entre o sistema de representação do desenho
(pictográfico) e o sistema de representação escrita (alfabética) supondo que embora as formas
insignificantes sejam diferentes, o significado de ambos é o mesmo, a primeira indicação
explicita da distinção entre imagem e texto, consiste em eliminar os artigos, quando se faz
referência á imagem (desenho).

Exemplificando: o elefante deve escrever com mais letras do que um mosquito, é uma
concepção realística da palavra, ou seja, a de que coisas grandes tem nomes grandes e
coisas pequenas tem nomes pequenos, também o seu pensamento pode evoluir quando suas
escritas não são decodificadas como o esperado por pessoas que sabem ler. No qual o
sistema da escrita é uma construção social e histórica. Por isso o sistema de codificação esta
ultrapassada já que existem sons, por exemplo, que jamais serão escritas; assim como há
letras que jamais serão pronunciadas.
Para as autoras, todas as crianças independentes de sua nacionalidade, passam em
seu processo de construção da escrita pelas mesmas etapas que o homem passou quando
“descobriu” a escrita. De uma forma geral, refazem a mesma trajetória que a humanidade
percorreu no surgimento da escrita, ou seja, passam pela fase correspondente á escrita
pictográfica (forma mais antiga, usada pelo homem para representar só os objetos que podiam
ser desenhado ), á escrita Ideográfica ( consistia no uso de um sinal ou marca para representar
uma palavra ou conceito ) e escrita Logográfica ( constituída de desenhos, referente ao nome
e dos objetos- som- e não ao objeto em si).
Segundo FERREIRO (2001a), a psicogênese realiza um processo de recontar a
escrita, pois propõe que seja desconsiderada a concepção prévia que o adulto tem sobre a
escrita, uma vez que as hipóteses parecem ser óbvias e naturais para o um adulto alfabetizado
por método apresentado das partes para o todo, assim não são para as crianças. Portanto,
essa é a única forma para o adulto e mais especialmente, o professor possa compreender
como ocorre o processo de construção da escrita pela criança e, consequentemente, mude
de as posturas tradicionais de ensino, gerando práticas de alfabetização democrática. É de
suma importância a mudança nessa concepção sobre a escrita para que se entenda que a
alfabetização acontece em um trabalho conceitual.
A escrita foi transformada pela escola de objeto social em objeto escolar, pois se
considera proprietária desse objeto de grande importância social. Com isso, a escrita foi
reduzida a um instrumento para evoluir na escola, para passar de ano. Essa posição precisa
ser repensada, pois a escrita só é importante na escola por ser fora dela. Sendo que no
passado os educadores achavam que só aprendia a ler memorizando letras, sons e palavras
tornando a aprendizagem da escrita como algo perceptivelmente mecânico. A escrita era
percebida como transcrição gráfica da linguagem oral (codificação), e enquanto que a leitura,
como associação de respostas sonoras a estímulos gráficos, transformação da escrita em
som (decodificação).
O grande problema da teoria empirista foi esse, pois consideravam que os alunos
chegam á escola todos iguais e ignorantes, no que se refere á escrita, e que bastaria ensinar
as letras que correspondem aos seguimentos sonoros para que eles compreendessem o
modo de funcionamento do sistema alfabético, ou seja, a escola não permitia ao aluno
conviver com a linguagem escrita, não era realizada leitura de textos diversos gêneros e nem
criava situações para que o aluno pudesse refletir sobre como funcionava a escrita alfabética.
Não havia uma reflexão sobre as palavras. Com isso o aluno poderia compreender que as
letras registram os sons falados, razão pela qual, para aprender, bastaria repetir em doses
homeopáticas as tarefas não reflexivas impostas pelo “método”. Sendo assim, chegamos a
conclusão que nosso sistema alfabético não tem relação perfeita entre a letra e o som.
Ferreiro e Teberosky (1999) destacaram-se dentre todas as hipóteses de construção
externadas pelas crianças, quatro hipóteses fundamentais para compreensão de como as
crianças adquirem a linguagem de níveis de concepção da escrita. São elas:

Níveis pré-silábico (Não há correspondência som-grafia). A distinção básica entre


desenhar (modo de representação ligado ás características físicas e as formas dos objetos) e
escrever vai sendo construída pela criança, tanto nas situações da escrita quando nas
situações de leitura. Ela traça linhas onduladas ou em ziguezague. Essas marcas não têm
relação com o registro sonoro da palavra e não se diferencia entre si somente a própria criança
consegue interpretá-las e o faz de modo instável.
Nível silábico- É a descoberta da relação som-grafia. Não é mais apenas a letra
inicial que tem valor sonoro, mas a palavra toda. A escrita representa aos sons da fala. É está
ligada a linguagem enquanto pauta sonora, com propriedades específicas, diferentes do
objetivo referido. A quantidade de letras necessárias dentro de uma palavra é levada em
consideração. A hipótese básica do nível silábico é a correspondência de cada sílaba oral
com um sinal gráfico.
Nível silábico-alfabético – A partir do momento em que as crianças a prestar atenção
às propriedades sonoras das palavras um novo tipo de hipótese começa a ser construído.
Elas passam a estabelecer correspondência entre partes da palavra falada e partes da palavra
escrita. De acordo com ela, cada marca ou letra corresponde ao registro de uma silaba oral.
A criança escreve fazendo corresponder a quantidade de sinais gráficos e de silabas da
palavra falada.

Nível alfabético – Este nível marca a final da evolução. A criança já franqueou a


barreira do código: compreendeu que cada um dos caracteres da escrita corresponde a
valores sonoros menores do que a silaba e realiza sistematicamente uma análise sonora dos
fonemas nas palavras que vai escrever. Isto não quer dizer que todas as dificuldades tenham
sido superadas, a partir deste momento, a criança se defrontará com as dificuldades próprias
da ortografia, mas terá, mas não terá mais problemas de escrita, no sentido restrito.
A psicogênese da língua escrita possibilita não só um novo pensar sobre o ato de
alfabetizar, como também sobre o processo de construção do conhecimento do individuo,
enquanto ser pensante e critico dotadas de capacidades inatas e adquiridas. Portanto, para
aprender a escrever o aluno deverá ter muitas oportunidades em fazê-lo, mesmo não sabendo
grafar corretamente as palavras, E quanto mais fácil será para assimilar o funcionamento da
escrita.
É necessário dar á criança oportunidade de escrever, principalmente quando ela ainda
não sabe, pois permitirá que conforme hipóteses sobre a escrita, que pense como ela se
organiza e para que serve.

Fonte: Ensinando Com Carinho


Excelente blog da professora Valéria