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Reparação e Reforço de Estruturas em Casos Específicos

Technical Report · January 2002


DOI: 10.13140/RG.2.1.3322.4166

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1 author:

Jorge de Brito
University of Lisbon
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APONTAMENTOS DA CADEIRA DE INSPECÇÃO E
REABILITAÇÃO DE CONSTRUÇÕES

MESTRADO EM CIÊNCIAS DA CONSTRUÇÃO

FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DA UNIVERSIDADE


DE COIMBRA

REPARAÇÃO E REFORÇO DE ESTRUTURAS EM CASOS ESPECÍFICOS

Jorge de Brito

Janeiro de 2002
Prefácio

Estes apontamentos pretendem ser um apoio aos


alunos do Curso de Mestrado em Ciências da
Construção da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra, no
domínio do reforço das construções que possuam
estrutura de betão armado e pré-esforçado, onde
tenham sido detectadas anomalias estruturais ou
funcionais e que correspondam a casos
específicos em termos da localização, da causa
das anomalias ou da localização das anomalias.
O texto foi dividido fundamentalmente em cinco
partes, sendo a primeira dedicada aos ambientes
marinhos, a segunda aos danos provocados por
incêndios, a terceira aos provocados por sismos, a
quarta aos problemas em fundações e a quinta às
abertura em muros e lajes existentes.
Os apontamentos basearam-se fundamentalmente
num texto do mesmo autor, “Reabilitação de
Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado.
Volume 4” [16], Relatório DEC. AI 14/88, do
Centro de Mecânica e Engenharia Estruturais
(CMEST - IST).
ÍNDICE

1. Introdução 1
2. Ambientes marinhos 2
2.1. Descrição dos danos 2
2.2. Técnicas de execução 4
3. Danos provocados por incêndios 8
3.1. Avaliação e classificação dos danos 8
3.2. Técnicas de reabilitação 9
3.2.1. Pilares 10
3.2.2. Vigas 12
3.2.3. Placas e lajes 12
3.3. Estruturas pré-esforçadas 14
4. Danos provocados por sismos 15
4.1. Conceitos gerais 15
4.2. Técnicas de reabilitação 15
5. Problemas em fundações 20
5.1. Descrição dos danos e suas causas 20
5.2. Técnicas de reabilitação 22
5.2.1. Escoramentos 23
5.2.2. Reforço de sapatas 25
5.2.3. Precauções nos trabalhos de reabilitação de fundações 31
5.2.4. Melhoramento do solo de fundações 32
5.2.5. Protecções adicionais de estruturas enterradas 33
5.2.6. Protecção contra as vibrações 34
6. Aberturas em muros e lajes existentes 36
6.1. Paredes 36
6.2. Lajes 41
7. Conclusões 43
8. Referências 45
Mestrado em Ciências da Construção Disciplina de Inspecção e Reabilitação de Construções
Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

REPARAÇÃO E REFORÇO DE ESTRUTURAS EM CASOS


ESPECÍFICOS

1. INTRODUÇÃO

No âmbito do presente curso de mestrado, dedicaram-se diversos documentos à


reabilitação das construções, com forte ênfase nos aspectos estruturais do betão, como
material estrutural preponderante em Portugal. Assim, referiu-se a problemática da
metodologia de intervenção, os materiais e técnicas usados na reparação e ainda as técnicas de
reforço, desde as mais correntes às mais raras, desde as tradicionais às mais recentes, desde as
com grande impacto visual e arquitectónica às que praticamente passam despercebidas.

No presente documento, vão ser tratadas as técnicas de reparação e reforço de estruturas


de betão num contexto de casos específicos, mas que ocorrem com uma certa frequência e
merecem, por isso, um tratamento individualizado. Assim referir-se-ão as estruturas
deterioradas em ambientes marinhos (ambiente agressivo típico), as danificadas por incêndios
e por sismos (situações pós-calamidades naturais), as que têm problemas em fundações e as
situações em que é necessário efectuar aberturas em muros e lajes existentes (elementos
especiais que, pelas suas características particulares, têm de ser tratados separadamente). Para
cada caso específico, referir-se-ão os danos associados e descrever-se-á o processo
construtivo, individualizando-o em termos dos elementos intervencionados sempre que tal
fizer sentido. Não serão, no entanto, aqui referidos novos tipos de reparação ou reforço,
considerando-se que a classificação dos mesmos foi feita nos documentos referidos acima,
elaborados no âmbito do presente curso.

Por estas razões, este documento será essencialmente descritivo, dando-se muito pouca
ênfase a técnicas numéricas de cálculo.

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Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

2. AMBIENTES MARINHOS

2.1. Descrição dos danos

De uma forma sucinta, vai-se passar em revista os danos mais comuns em estruturas de
betão armado colocadas em ambientes marinhos, ou seja, numa orla junto ao mar ou ao
estuário de um rio importante de cerca de 5 km para o interior [1].

A patologia mais importante é a corrosão das armaduras. O primeiro sintoma que


aparece nos elementos estruturais em que se tenha iniciado a corrosão é o aparecimento de
uma fendilhação coincidente com a posição dos varões longitudinais. Estas fendas, capilares
no princípio, são provocadas pelas tensões originadas pelo óxido expansivo formado em torno
dos varões e vão-se abrindo progressivamente ao mesmo tempo que começam a aparecer
outras coincidindo com a posição dos estribos e cintas [2] (Fig. 1).

Fig. 1 [2] - Fendilhação devida à corrosão das armaduras longitudinais combinada com a
devida à corrosão das cintas

O processo continua até se iniciar o desprendimento dos cantos dos elementos


estruturais ainda que por vezes exista delaminação do recobrimento em toda a face mais
exposta do elemento [2] (Fig. 2).

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Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

Fig. 2 [2] - Desprendimento dos cantos e do recobrimento devido à corrosão das armaduras

Como consequência da perda de secção das armaduras, a sua capacidade resistente vai
diminuindo, ao mesmo tempo que desaparece a sua aderência ao betão devido à camada de
óxido pulverulento que se forma entre os dois materiais. Com as armaduras expostas ao ar
livre, a taxa de corrosão aumenta e o volume aparente do óxido, que inicialmente era de 3 a 4
vezes o do aço consumido, pode chegar a ser 10 vezes superior [2].

Devido à sua menor secção, os estribos e as cintas acabam por ser totalmente
consumidos (Fig. 3) com o que os varões longitudinais deixam de ficar confinados lateralmente
e podem ter problemas de varejamento. A sua contribuição para a capacidade resistente da
peça anula-se e as solicitações actuam apenas no núcleo de betão que, por sua vez, também
perdeu resistência numa zona contaminada pelos cloretos mais ou menos profunda conforme
o tipo de cimento utilizado [2].

O colapso da peça é então eminente.

Em [1] [3], quando se referiu uma classificação pseudo-quantitativa das estruturas de


betão armado para diversos tipos de patologia, descreveu-se os diversos níveis de corrosão
que podem actuar numa peça de betão armado e que é extensível aos ambientes marinhos.

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Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

Fig. 3 [2] - Nível elevado de degradação devida à corrosão com perda total de secção das cintas

2.2. Técnicas de execução

São os seguintes os passos a realizar para a reparação de elementos sujeitos à corrosão


em meios marinhos [2] (Fig. 4):

 eliminação do betão deteriorado;


 fecho das fendas no betão são por injecção com um ligante à base de epoxi;
 restauração da capacidade resistente inicial das armaduras;
 colocação de um novo betão;
 aplicação de um tratamento superficial de protecção adicional se tal for considerado
necessário.

A eliminação do betão deteriorado pode fazer-se por escarificação, a martelo e escopo


ou por outro meio manual, mecânico ou pneumático. A operação deve-se estender até à parte
posterior dos varões a fim de deixar livres uns 2.5 cm em redor dos mesmos para se poder
realizar com facilidade a limpeza dos varões. Em peças de pequena secção, esta operação
pode debilitá-los de tal forma e tornar-se tão cara que é melhor e mais prático eliminá-los e
substitui-los por novas [2].

Após a eliminação do betão deteriorado, há que observar atentamente as superfícies

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Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

exteriores do núcleo de betão para detectar possíveis fissuras. Se estas existirem, devem ser
injectadas com uma resina epoxi de baixa viscosidade [2].

Fig. 4 [2] - Reparação de elementos sujeitos à corrosão em meios marinhos

Para reparar as armaduras, corta-se os troços de varão excessivamente debilitados que


são depois substituídos por novos troços soldados aos sãos existentes. Se não se utilizar
soldadura de topo, o comprimento de sobreposição deve ser de 10 diâmetros e, se a ligação for
feita por empalme, o comprimento de amarração deve ser pelo menos de 40 diâmetros [2]. Por
vezes, colocam-se novos varões em substituição dos eliminados ligando-os directamente ao
betão por meio de ancoragens ligadas ao mesmo por resinas epoxi ou outro sistema de ligação
adequado.

Uma vez reparada a armadura principal e colocados os estribos ou cintas necessários,


deve-se realizar uma limpeza com jacto de areia que elimine os restos de óxido e as partículas
soltas de betão. Se o jacto de areia poder danificar elementos adjacentes, pode-se considerar

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Reparação e reforço de estruturas em casos específicos por Jorge de Brito

outras formas de limpeza do tipo mecânico. Logo após a limpeza das armaduras, deve-se
aplicar uma camada de resina epoxi tanto nelas como no betão. As suas funções são melhorar
a aderência do novo betão e criar uma barreira impermeável que proteja o exterior das
armaduras [2]. Com essa camada ainda fresca, faz-se a betonagem do novo betão de
recobrimento. Se, por qualquer circunstância, a betonagem se vai demorar, não se deve aplicar
a resina no betão mas apenas nas armaduras tendo a precaução de espalhar sobre esta camada
areia fina para aumentar a aderência entre esta superfície tratada e seca e o betão que sobre ela
se colocará. Este procedimento deve-se ao facto de o aço recém limpo de óxido e, em
particular, se se tiver utilizado um jacto de areia, ser muito propenso a oxidar-se com grande
rapidez. Com a capa de resina, cria-se uma protecção eficaz [2].

Em vez de betão normal, pode-se utilizar no novo recobrimento uma argamassa de


cimento portland ou uma argamassa epoxídica. O processo de colocação do betão pode ser por
gunitagem ou convencional.

A gunitagem tem a vantagem de permitir obter um recobrimento de pequena porosidade,


baixas relações água / cimento, bastante aderente ao betão pré-existente e de rendimento de
colocação muito elevado. No entanto, obriga à utilização de pessoal muito especializado e
competente no manejo da mangueira de projecção para evitar a formação de bolsas de vazios
ou de areia sob as armaduras que possam ser motivo de posteriores ânodos corrosivos [2]. Os
sistemas por via seca são os mais populares pois permitem trabalhar com relações
água/cimento mais baixas que os sistemas por via húmida [2]. O cimento deve ser portland se
o elemento não estiver submerso na água do mar e pozolânico no caso contrário [2]. É
conveniente a utilização de acelerantes de dosagem adequada à temperatura ambiente e às
condições em obra mas nunca, e em qualquer circunstância, se deve utilizar acelerantes que
tenham na sua composição cloreto de cálcio [2].

A utilização de látex melhora a resistência à tracção, compressão, corte e abrasão do


betão projectado, ao mesmo tempo que aumenta a aderência ao betão pré-existente e a
impermeabilidade do recobrimento. Por todas estas razões, dá origem a um material de
excelente durabilidade em relação aos ciclos gelo-degelo e ao possível ataque do ambiente
marinho [2]. Pode ser conveniente utilizar uma rede de galinheiro ou uma malha

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electrossoldada para melhorar a aderência do betão projectado [2]. Devido à distância que
deve haver entre a boca da mangueira e a superfície de projecção, é necessário utilizar
plataformas de trabalho amplas.

A colocação de betão pelo sistema tradicional justifica-se ou pela pouca importância da


reparação que não compensa a gunitagem ou quando há escassez de espaço o que inviabiliza
esta última solução. Consegue-se por esta via superfícies exteriores mais bem acabadas que
por gunitagem. Por outro lado, consegue-se uma boa regularidade na qualidade do betão posto
em obra e, com recurso a aditivos superplastificantes, pode conseguir-se facilmente betões
com relações água / cimento baixas [2]. Se as superfícies a reparar são pequenas, pode
utilizar-se argamassas de cimento com ou sem incorporação de látexes acrílicos. Em qualquer
caso, é necessário utilizar uma resina epoxi de união entre os dois betões ou uma leitada de
cimento, látex e areia ou ainda, se se trata apenas de reparações muito pouco importantes,
basta saturar a superfície de betão existente [2]. Se se utilizar argamassa de cimento na
reparação, a sua espessura não deve ultrapassar os 3 cm devendo a primeira camada que está
em contacto com as armaduras ser de uma argamassa de dosagem 1:2 em volume misturada
com látex diluído com água podendo as camadas seguintes ter dosagens mais pobres em
cimento. Se se utilizar uma argamassa epoxídica, esta deve ter um coeficiente de dilatação
térmica e um módulo de elasticidade o mais parecidos possível com os do betão pré-existente.
Em geral, estas argamassas têm uma formulação epoxi/inertes entre 1:6 e 1:8. Por isso, são
argamassas secas que devem ser amassadas energicamente para conseguir uma boa
uniformidade e nas quais a areia a utilizar deve ser siliciosa e seca [2].

Uma estrutura está bem protegida contra a corrosão se nela se tiver empregue inertes e
cimentos adequados, uma boa granulometria sem excesso de finos, uma relação água /
cimento baixa da ordem dos 0.45, um recobrimento adequado com um mínimo de 4 cm e um
máximo de 5 cm e uma boa cura [2]. No entanto, pode julgar-se conveniente a utilização de
protecções adicionais como asfalto de coque, pinturas epoxídicas ou mesmo protecções
catódicas das armaduras. A protecção mais corrente é asfáltica ou de resina epoxi de baixo
módulo de elasticidade para penetrar nos poros e selá-los mais convenientemente. Nas zonas
da maré, pode-se projectar uma argamassa de cimento, areia e látex dissolvido em água ao
qual se adiciona junto à saída da mangueira fibras de vidro cortadas resistentes aos álcalis do

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cimento [2].

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3. DANOS PROVOCADOS POR INCÊNDIOS

3.1. Avaliação e classificação dos danos

A primeira atitude face a uma estrutura sinistrada pelo fogo consiste na análise e na
avaliação dos danos e da capacidade resistente residual dos elementos estruturais de betão
armado. Resumidamente, pode-se dizer que este passo engloba as seguintes acções [4]: visita
de inspecção à construção por uma equipa técnica com experiência no tipo de construção em
causa; análise do projecto ou de outra documentação acompanhada de comparação com a obra
existente; estimativa das solicitações que actuam a estrutura e esforços por elas provocados;
diagnóstico; análise retrospectiva; avaliação da capacidade estrutural (prognóstico). Nesta
fase, é ainda indispensável o recurso a ensaios de materiais e da estrutura tanto in-situ como
no laboratório.

Identificados os problemas, é necessário seleccionar as medidas a tomar para


recuperação das estruturas. A reparação e reforço de estruturas de betão armado danificadas
pelo fogo têm muitos pontos em comum com a reparação e reforço das mesmas estruturas
devidos a outras causas.

A avaliação dos danos, tarefa fundamental para a tomada de decisões, torna-se


particularmente difícil neste tipo de situações pelas seguintes razões [2]: a grande variação da
intensidade do fogo em cada piso; a variação da ventilação do ar nas diferentes zonas do
edifício; a ausência total de uma compartimentação anti-fogo eficaz.

A avaliação da capacidade resistente residual dos materiais não é uma tarefa fácil não
podendo ser apenas função de uma análise visual. Por exemplo, ensaios de provetes retirados
de estruturas danificadas pelo fogo, demonstraram que, mesmo em zonas expostas pelo
descasque do recobrimento e onde os varões tinham encurvado, não se havia registado perdas
assinaláveis de resistência e ductilidade do aço das armaduras [2].

Na avaliação de estruturas danificadas pelo fogo, os parâmetros mais importantes a


definir são [5] o grau de descasque do betão, a tonalidade da sua superfície exterior, a

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intensidade e distribuição da fendilhação, a presença de varões encurvados, a proporção de


armadura provavelmente exposta directamente às chamas durante o incêndio e o valor das
flechas.

Em [1] [3], quando se referiu uma classificação pseudo-quantitativa das estruturas de


betão armado para diversos tipos de patologia, descreveu-se os diversos níveis de danos
associados a uma peça de betão armado após um incêndio.

3.2. Técnicas de reabilitação

Considera-se que o betão danificado e portanto a eliminar corresponde ao que tiver


estado submetido a temperaturas superiores a 300 ºC a que corresponde uma coloração rosada
[6]. Se a estrutura tiver estado submetida à acção de gases contendo ácido clorídrico,
procedentes por exemplo de canalizações em PVC, haverá que determinar a profundidade de
penetração dos iões cloro para perceber se há ou não risco de corrosão das armaduras [2]. Em
[17], foram referidas de forma extensa as técnicas de reparação de peças contaminadas por
cloretos.

As técnicas de reabilitação em estruturas de betão armado danificadas por incêndios são


principalmente função do tipo e intensidade dos danos e do tipo do elemento. Nos casos em
que as lajes ou vigas de betão armado sofreram grandes perdas de resistência, será necessário
reconstruí-las. Alguns elementos podem reparar-se por gunitagem das superfícies danificadas
reforçadas com uma malha metálica colocada previamente. Noutros casos, será necessário
recorrer à utilização do pré-esforço ou à colagem de placas metálicas com resinas epoxi para
reforçar vigas. Em lajes, utiliza-se por vezes vigas de reforço ou constrói-se lajes intermédias.
Os pilares podem ser simplesmente reparados ou ser reforçados por introdução de cintas
helicoidais, perfis metálicos de canto ou por encamisamento. Se as armaduras ficarem
afectadas, haverá que colocar novas armaduras que se amarrarão ou soldarão às pré-existentes
antes de se proceder à gunitagem [2].

De uma forma muito resumida e qualitativa, são as seguintes as principais medidas a


tomar na reparação de peças de betão armado danificadas pelo fogo em função do tipo de

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elemento estrutural e do nível de danos [2]:

 Placas e lajes
• estragos grandes ou moderados - eliminação dos elementos e sua reconstrução; as lajes
apenas moderadamente danificadas são demolidas por, neste tipo de elemento, o custo
da reparação ser, em geral, superior ao custo da reconstrução;
• estragos ligeiros - reparação com betão projectado (gunitagem) e reforço de armaduras;
 Vigas
• estragos grandes - demolição e reconstrução;
• estragos moderados - corte de troços de betão seleccionados incluídos na zona de
compressão adjacente aos pilares; colocação de armaduras longitudinais, estribos
malha electrossoldada e recobrimento de todo o conjunto por gunitagem;
• estragos ligeiros - eliminação das zonas danificadas e reparação por gunitagem;
 Pilares
• estragos grandes ou moderados - reforço com uma camada de betão colocada em todo
o perímetro do pilar e confinada por cofragem exterior após se ter previamente
eliminado todo o betão danificado;
• estragos ligeiros - eliminação das zonas danificadas e reparação por gunitagem.

3.2.1. Pilares

De acordo com Cánovàs [2], o dimensionamento de pilares danificados pelo fogo e


reforçados por encamisamento deveria ser feito de acordo com as seguintes regras semi-
empíricas:

ca = 1.30 cd

cn ≥ ca = 1.30 cd

cr = 0.50 ca = 0.65 cd

em que:
cd - resistência do betão pré-existente aos 28 dias;

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ca - resistência do mesmo betão antes da ocorrência do incêndio;

cr - resistência ainda do mesmo betão depois de retirada toda a camada de tonalidade

rosa;
cn - resistência do betão novo utilizado na reparação.

Quanto às barras encurvadas, o mesmo autor [2] indica como referência geral que não é
necessário tomar precauções quando o deslocamento lateral do varão for inferior a metade do
seu diâmetro. Quando o deslocamento for superior, o varão deve ser cortado, endireitado e
soldado. Normalmente, torna-se mais prático colocar armadura suplementar. Deve-se reforçar
a ligação do betão novo ao pré-existente através de uma malha electrossoldada de reforço.
Esta malha deverá ser ligada às armaduras pré-existentes e impedirá também a retracção do
novo betão. Demonstrou-se em ensaios recentes [2] que a presença da malha permitiu quase
duplicar a resistência ao fogo do pilar ao impedir que o recobrimento salte e exponha as
armaduras longitudinais. Outra forma de unir os dois betões é por meio de uma camada de
resina epoxi aplicada no betão pré-existente após tratamento da superfície [2].

O reforço de pilares deve ser feito após uma descarga e escoramento eficaz de modo a
que o reforço venha a suportar não só as sobrecargas mas também parte do peso próprio. Deve
também ser efectuado o mais rapidamente possível pois acontece por vezes que o escoramento
é de aluguer caro, complexo e, inclusivamente, de mais lenta execução que o próprio reforço.
É fundamental uma vigilância total e constante durante os trabalhos de recuperação [2].

Em casos de emergência, recorre-se à seguinte técnica [2]. A primeira acção a tomar no


caso de um pilar ter colapsado e perdido a sua capacidade de absorção de cargas (com o que
estas tiveram de se redistribuir pelo resto da estrutura), é estudar a nova distribuição de
esforços e ver como ela afecta os outros elementos a fim de estabelecer uma ordem de
prioridade nos reforços. Uma vez realizado esse estudo, passa-se ao escoramento dos
elementos sobrecarregados e à sua reparação e/ou reforço pelas técnicas habituais. Segue-se a
injecção das fendas no pilar colapsado de forma a dar-lhe monolitismo e procede-se ao seu
reforço através de sistemas que permitam aumentar a sua capacidade resistente. As injecções
devem ser feitas com resinas de rápido endurecimento.

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3.2.2. Vigas

Uma primeira consequência do incêndio sobre o betão das vigas é a calcinação do


mesmo seguida da possível esfoliação ou desprendimento do recobrimento. A calcinação é
caracterizada por uma perda de água no betão e uma diminuição apreciável na sua resistência.
Antes de se proceder aos trabalhos de reparação, haverá que eliminar essas camadas
calcinadas e inclusivamente aplicar-lhes um jacto de areia para obter uma superfície sã sobre a
qual se possa aplicar o novo betão. Se as armaduras tiverem perdido a sua aderência ao betão,
impõe-se uma limpeza a fundo das superfícies de betão e de aço e mesmo o corte e colocação
de novas armaduras de reforço se as existentes estiverem muito deformadas [2] (Fig. 5).

Fig. 5 [7] - Exemplos de reforço de vigas danificadas pelo fogo

Por vezes, as deformações lentas de peças danificadas pelo incêndio fazem com que se
dê uma redistribuição de esforços e se possa atingir a rotura em determinadas peças dias após
a extinção do fogo [2]. Por isso, é conveniente, antes de proceder ao reforço, observar e
controlar as possíveis deformações dos elementos.

3.2.3. Placas e lajes

As placas e lajes são os elementos estruturais que mais danos sofrem durante um
incêndio devido à menor espessura dos recobrimentos das armaduras e à sua maior superfície
de exposição ao fogo. Os problemas agravam-se quando se utilizam aços deformados a frio
por diminuir drasticamente a sua tensão de cedência com as temperaturas elevadas [2].

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Se a deformação de uma determinada laje é excessivamente grande, a sua reparação


exigiria um espessamento muito grande que seria caro e diminuiria o pé direito livre entre
pisos de forma muito apreciável. Então o mais conveniente será proceder à sua demolição e
reconstrução [2]. Quando a laje apresenta fendilhação provocada pelo calor, esta deve ser
injectada com uma resina epoxi a fim de restabelecer o monolitismo e eliminar as eventuais
rótulas plásticas que se tenham formado. Em qualquer caso, impõe-se a eliminação do betão
solto ou calcinado, uma limpeza a jacto de areia e uma gunitagem [2].

A armadura de reforço será preferencialmente constituída por malha electrossoldada


eventualmente ancorada ao betão pré-existente por troços de armadura que se introduzem em
furos realizados no betão preenchidos com resina epoxi ou argamassa de cimento expansivo
[2] (Fig. 6).

Fig. 6 [2] - Reforço de uma laje danificada pelo fogo com malha electrossoldada

A utilização de betões projectados aos quais se adiciona fibras de aço permite em muitos
casos eliminar as malhas electrossoldadas e aumentar a rapidez de aplicação [2].

Nos trabalhos de reparação e reforço, procura-se em geral fazer cumprir os estados


limite últimos mas não há uma preocupação tão grande com os estados limite de utilização.
Se, por exemplo, nos trabalhos de recuperação de lajes, não forem tomadas medidas
adequadas de descarga, as flechas exageradas ocasionadas pelo incêndio permanecerão na
totalidade após a recuperação podendo mesmo vir a aumentar ao longo do tempo. O material
do reforço ou de aumento da secção resistente permanecerá livre de tensões se não forem
tomadas essas medidas suplementares e só suportará diferenças de carga que actuem após a

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recuperação. Logo, a rigidez acrescida do reforço só vai funcionar para as acções variáveis
que correspondem à menor fracção da carga total [6].

3.3. Estruturas pré-esforçadas

Em estruturas pré-esforçadas, há que considerar duas situações distintas [5]. Nos


incêndios de grande intensidade e curta duração, originam-se grandes gradientes térmicos no
betão que podem levar o aço de pré-esforço a entrar em cedência sem que o aumento de
temperatura a que foi sujeito seja suficiente para produzir degradação permanente das suas
propriedades mecânicas. Quando a temperatura torna a descer, permanecem grandes
deformações no elemento, embora o aço esteja de novo na zona elástica. Se, pelo contrário, se
trata de um incêndio de pequena intensidade e longa duração, dar-se-á uma relaxação do aço
com consequente perda de pré-esforço. A degradação do aço será permanente. A recuperação
destes estará posta fora de questão.

A recuperação de elementos pré-esforçados deverá limitar-se à recuperação do betão e


só se o aço não tiver chegado a ser termicamente afectado [5]. As técnicas de recuperação são
semelhantes às descritas para o betão armado.

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4. DANOS PROVOCADOS POR SISMOS

4.1. Critérios gerais

Um edifício só poderá ser considerado seguro em relação à acção sísmica se uma das
seguintes condições for cumprida [8]:

 ter suficiente resistência à acção do sismo;


 ter suficiente capacidade de deformação;
 ter capacidade de deformação adequada correspondente à resistência à acção do sismo
para além de um determinado limite.

Para tal, as estruturas situadas em zonas sísmicas deveriam ter [2]:

 um sistema resistente a acções horizontais capaz de resistir às acções sísmicas estimadas


para a sua localização geográfica e as suas características dinâmicas;
 diafragmas capazes de distribuir as forças sísmicas ao sistema resistente a acções
horizontais;
 paredes de alvenaria suficientemente confinadas para que não colapsem se forem sujeitas
a movimentos bruscos;
 outras possíveis fontes de problemas (como peças não estruturais mal escoradas)
eliminados.

4.2. Técnicas de reabilitação

As técnicas de reabilitação em estruturas de betão armado danificadas por sismos são


principalmente função do tipo e intensidade dos danos e do tipo do elemento. Em estragos de
pequena monta, podem ser suficientes medidas essencialmente cosméticas do tipo da injecção
de fendas. Em estragos maiores, pode encarar-se soluções do tipo encamisamento por betão
projectado ou colocado da forma tradicional ou reforços por introdução de perfis metálicos.
Nos casos mais graves, a única solução será em geral a substituição dos elementos danificados
por outros mais resistentes mantendo ou não as dimensões iniciais. Uma solução mais radical

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passa pela introdução de novos elementos verticais de solidarização da estrutura a acções


horizontais. Cada uma destas técnicas foi analisada noutros documentos dentro e fora do
âmbito deste curso [17] [18] [19].

Sobre os vários métodos de reforço neste tipo de situações já quase tudo foi dito.
Convirá, no entanto, acrescentar que, no caso de reforço por encamisamento, o melhor
comportamento sob acções sísmicas se obtém quando o encamisamento é feito nas quatro
faces em pilares e nas duas em paredes resistentes pré-existentes [10].

Quanto ao reforço por adição de novos elementos resistentes, pode ser realizado de
várias formas [8] (Fig. 7):

 introdução de paredes de betão armado colocado in-situ por métodos tradicionais


confinadas no interior da estrutura existente e preenchendo a totalidade do pano entre
lajes e pilares;
 introdução de paredes de betão armado colocado in-situ ou pré-fabricadas mas
preenchendo apenas parte do espaço livre entre pilares;
 introdução de perfis metálicos eventualmente recobertos com betão;
 introdução de contraventamentos em betão armado colocados exteriormente à estrutura
existente.

Em todas as soluções o principal problema é a ligação entre os novos elementos e a


estrutura pré-existente [13].

Outro problema fundamental é a distribuição dos novos elementos na estrutura. Esta


deve ser tão regular quanto possível tanto em planta como em altura [8]. O objectivo é fazer
diminuir a distância entre o centro de massa e o de rigidez em todos os pisos, para reduzir os
problemas relacionados com a torção. Para tal, os novos elementos devem ser colocados
preferencialmente de uma forma simétrica em relação ao centro de massa. Para além disso, as
aberturas nas paredes resistentes devem ser reduzidas ao mínimo e dispostas de forma a
maximizar a rigidez das paredes [11].

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Fig. 7 [8] - Reforço de estruturas ao sismo por adição de novos elementos estruturais
resistentes

Em edifícios rectangulares em planta em que uma das dimensões é bastante maior que a
outra, as paredes resistentes colocadas nos cantos e orientadas da direcção longitudinal
limitam a deformação devida às mudanças de temperatura e podem provocar forças internas
consideráveis em toda a estrutura. Deve-se orientá-las preferencialmente na direcção

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transversal [11].

No exemplo a seguir apresentado (Fig. 8), existe uma grande excentricidade da força
sísmica resultante na direcção longitudinal ao mesmo tempo que as duas paredes transversais
têm uma distância entre si excessivamente pequena diminuindo assim o efeito de binário
resistente.

Fig. 8 [11] - Disposição errada das novas paredes resistentes

Irregularidades verticais, causadas pelo não preenchimento dos panos entre pilares em
todos os níveis, podem originar comportamento sísmico deficiente da estrutura e transladar os
danos e eventuais roturas para as zonas não reforçadas [11] (Fig. 9).

Fig. 9 [11] - Exemplos de distribuições erradas de rigidez em altura

A interrupção de paredes resistentes a níveis diferentes provoca torção e distribuição


irregular das forças internas [11] (Fig. 10).

Para evitar níveis de esforços transversos e momentos flectores inadmissíveis nos

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pilares das estruturas formadas por mais de um corpo não separados fisicamente por juntas de
dilatação, é recomendável ligar os vários corpos do edifício com paredes resistentes
estendidas aos vários corpos [11] (Fig. 11).

Fig. 10 [11] - Interrupção de paredes resistentes a níveis diferentes

Fig. 11 [11] - Ligação dos vários corpos com uma parede resistente

As fundações dos novos elementos devem ser concebidas criteriosamente para evitar
assentamentos diferenciais após o reforço [8].

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5. PROBLEMAS EM FUNDAÇÕES

5.1. Descrição dos danos e suas causas

De uma forma sucinta, vai-se passar em revista os danos mais comuns em fundações de
estruturas de betão armado.

Um dos problemas mais comuns é uma excessiva tensão de contacto sapata - solo quer
devido à subestimação das cargas quer devido à sobrevalorização da tensão de segurança do
terreno. Por outro lado, as próprias cargas podem ter aumentado por alteração no tipo de
utilização da estrutura e consequentemente nas suas sobrecargas de serviço. Pode ainda
acontecer que se tenha aumentado o número de pisos da estrutura [2].

Os terrenos formados por areias soltas sofrem modificações importantes na sua


capacidade resistente e na sua estabilidade de acordo com o grau de humidade que possuam.
As argilas podem sofrer alterações muito perigosas devido ao facto de formarem um terreno
forte e estável quando secas mas, após a saturação em água, ficarem plásticas, perderem
estabilidade e darem lugar a que se produzam movimentos importantes nos solos não só
verticais mas também horizontais (por deslizamento) [2]. A água pode proceder do exterior
(chuvas e inundações) ou do subsolo devido a variações no nível freático, a variações devidas
às marés nas estruturas próximas do mar, a águas que se escoem entre camadas impermeáveis
de terreno em taludes, a roturas de canalizações, etc. [2]. Alguns destes problemas podem-se
resolver de uma forma preventiva dispondo de uma rede de drenagem bem projectada ou até
mesmo de poços de recolha e bombagem de águas. O escoamento de águas sob as sapatas é
extremamente perigoso e de evitar a todo o custo por poder originar lavagem dos finos e
mudanças na compacidade do solo [2].

Outra razão principal de problemas em fundações é os movimentos de terra cujas


origens mais comuns são as seguintes [2]:

 abatimento de minas ou galerias existentes - em geral, consequência de um excesso de


sobrecargas sobre o terreno, vibrações importantes ou pela acção combinada das águas

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com outras causas;


 movimentos sísmicos;
 vibrações - tráfego pesado nas proximidades do edifício, máquinas colocadas na própria
estrutura ou perto dela e mal equilibradas dinamicamente, demolições nas proximidades,
explosões de gás, cravação de estacas em terrenos próximos, obras contíguas, etc.;
 retracções e intumescimentos de argilas - em geral, a capacidade resistente das argilas
diminui e o seu volume aumenta com a humidade do terreno;
 raízes de árvores - o grau de estragos depende muito do tipo de árvore: é máximo para
álamos, choupos, acácias e olmos e mínimo para abetos e cedros; é recomendável não
colocar árvores a uma distância do edifício menor que a sua altura adulta ou a uma vez e
meia essa altura quando se plantam em fileira paralela ao edifício [2];
 alterações do tipo químico - os sulfatos de sódio, magnésio e cálcio podem atacar o
aluminato tricálcico dos cimentos portland dando lugar a compostos expansivos que
destroem o betão e que se traduzem em movimentos e na ruína dos cimentos com as
consequentes repercussões nas estruturas; os efeitos detrimentais destas acções dependem
fundamentalmente da qualidade do betão utilizado, da sua compacidade, da taxa de
sulfatos do solo e da presença de água no terreno [2];
 sobreposição de tensões - num edifício normal, a parte central do terreno situado sob a
estrutura estará em geral submetida a tensões de contacto superiores às zonas periféricas e
é possível que se produzam assentamentos nos elementos centrais [2] (Fig. 12).

Fig. 12 [2] - Perigo de assentamentos maiores nas zonas centrais devido à sobreposição de
tensões

Quando se executam dois edifícios com um determinado espaçamento entre eles, existe
o perigo de ambos rodarem para dentro devido à sobreposição de tensões no terreno entre eles
[2] (Fig. 13).

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Fig. 13 [2] - Rotação de dois edifícios devido à sobreposição de tensões no intervalo entre eles

Quando se constrói um edifício na extremidade de uma fiada de edifícios, pode dar-se a


rotação do mais novo para o exterior devido a o terreno estar já compactado do lado dos
edifícios existentes e não o estar do lado oposto [2] (Fig. 14).

Fig. 14 [2] - Perigo de rotação do novo edifício devido à falta de compactação do terreno à sua
direita

Se o terreno não é uniforme, o problema dos assentamentos agrava-se. Entre outras, as


seguintes irregularidades podem criar problemas: existência de bolsas de areia em terrenos
areno-argilosos, bolsas de argilas brandas, presença de rochas em terrenos argilosos, etc. [2].
No entanto, as estruturas podem absorver sem perigo certos assentamentos diferenciais. A
experiência indica que assim será se a diferença de assentamentos entre dois pontos (por
exemplo, sapatas de pilares) for menor que 1/500 da distância entre eles. se essa relação for de
1/300, podem produzir-se danos e, se for de 1/50, pode provocar a encurvadura de pilares de
betão armado. Para danos estruturais, pode aceitar-se o limite de 1/500 e de 1/300 para
defeitos arquitectónicos. Estes limites são um pouco empíricos já que, em teoria, deveriam
depender da rigidez da estrutura [12].

5.2. Técnicas de reabilitação

As reparações a efectuar devem, em primeiro lugar, procurar eliminar as causas que

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originaram o movimento das fundações. Por outro lado, é aconselhável efectuar as reparações
definitivas apenas quando os terrenos tiverem estabilizado.

Os trabalhos de reparação em fundações são complexos e o seu grau de dificuldade


dependerá do nível dos danos verificados, das causas e da maior ou menor necessidade de
repor a situação inicial. No caso de ser possível eliminar a causa dos problemas e de a
deformação não ser muito acentuada, será em princípio suficiente proceder ao fecho das
fendas dos elementos não estruturais e à reposição da resistência inicial dos elementos
estruturais. Para deformações ou deslocamentos muito acentuados, sobretudo quando
abranjam uma grande parte do edifício, deverá proceder-se à reposição da estrutura na posição
inicial. No caso de pequenas áreas fortemente afectadas, será de considerar a demolição e a
reconstrução de novo [12].

Para situações em que as causas não sejam removíveis, terá de se proceder a trabalhos
de recalce de fundações, alteração do tipo de fundação, reforço do terreno ou alívio das cargas
[12].

Qualquer tomada de decisão em relação às medidas de reparação e/ou reforço a adoptar


em fundações deve ser precedida de uma campanha de ensaios e sondagens adequada à
importância e dificuldade do problema.

5.2.1. Escoramentos

A primeira medida a tomar em toda a acção de reabilitação de fundações, é realizar a


descarga da parte da estrutura que afecta a sapata a reforçar a fim de que não se produzam
sobretensões perigosas no terreno e de que, no caso de se ter de trabalhar sob a sapata
existente, se possa realizar os trabalhos sem perigo. No entanto, em muitos casos, o
coeficiente de segurança para o terreno é suficientemente elevado para permitir sobrecarregá-
lo sem perigo de assentamentos ou de rotura por corte do mesmo [2]. Noutros casos, podem
existir na proximidade da sapata a reforçar outras que estejam a trabalhar com tensões muito
baixas e para as quais se possa "canalizar" as cargas da sapata a reforçar. Por vezes, modifica-
se toda a distribuição de sobrecargas existentes na estrutura de forma a concentrá-las sobre as

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sapatas mais sobredimensionadas e a que não actuem sobre as que se vão reforçar.

O escoramento e descarga das sapatas, quando necessário, pode ser conseguido por meio
de perfis metálicos colocados obliqua (Fig. 15), vertical (Fig. 16) ou horizontalmente [2] (Fig.
17).

Fig. 15 [2] - Escoramento de sapata por escoras metálicas oblíquas

Fig. 16 [2] - Escoramento de sapata por escoras metálicas verticais

Fig. 17 [2] - Escoramento de sapata por perfis metálicos

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Deve ser feita uma nova análise de esforços da estrutura tomando em conta a existência
das escoras por estas poderem introduzir momentos de sinal contrário ao esperado nas secções
de apoio. O apoio das escoras no solo deve também ser dimensionado adequadamente.

5.2.2. Reforço de sapatas

São muitas as técnicas de reforço de fundações. Uma das mais correntes e eficazes é a
execução sob a sapata existente de uma nova sapata de betão armado (Fig. 18) que tenha
dimensões em planta suficientes para suportar a nova carga com o que o terreno continuará a
trabalhar a tensões inferiores à sua tensão de segurança.

Fig. 18 [7] - Recalce de uma sapata pré-existente em que se realça o problema da retracção do
novo betão

A betonagem sob a sapata pré-existente é difícil se não se utilizar um betão de


consistência fluida devido às dificuldades de penetração do mesmo sob aquela. Por outro lado,
se o betão for excessivamente fluido, tem o inconveniente da sua grande retracção que pode
originar uma zona de contacto inexistente ou deficiente entre os dois betões com o que se
poderá vir a ter assentamentos posteriores da estrutura [2] (Fig. 18).

Outro problema é a necessidade de descarregar a totalidade da carga residual na sapata


sobre os escoramentos quando se escava toda a superfície inferior da mesma. Para além do
dimensionamento desses escoramentos, há que verificar se a alteração do diagrama de
momentos na estrutura existente (Fig. 19) provocada por aqueles irá ou não criar problemas

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aos elementos estruturais existentes.

Fig. 19 [2] - Alteração dos diagramas de momentos devidos ao recalce da sapata de um pilar

Quando não há a possibilidade de descarregar a sapata deficiente, pode-se reforçá-la à


mesma desde que se garanta durante todo o processo a transmissão das cargas ao solo (Fig. 20).

Fig. 20 [13] - Fases de execução do recalce de uma sapata sem necessidade de a descarregar

A melhor solução para recalce de sapatas é realizar a escavação do terreno até obter o
novo caboco e depois cortar com um martelo pneumático parte da zona inferior da sapata
existente até conseguir um tronco de pirâmide invertida com faces inclinadas a 30º (Fig. 21).

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Desta forma, a betonagem da nova sapata realiza-se com mais facilidade e consegue-se assim
um bom contacto entre os dois betões [2].

Fig. 21 [2] - Execução correcta do recalce da sapata para minorar o efeito da retracção

No caso de muros de suporte, faz-se o recalce em troços de cerca de 1.20 m que são
marcados na sapata. Seguidamente, escava-se poços de 1.20 m de largura separados de 2.40 m
que passam debaixo da sapata existente e vão até à profundidade pretendida. Feito isto,
betonam-se os poços abertos. Quando o betão atingiu a resistência necessária, realiza-se a
mesma operação nas outras zonas separadas entre si de 2.40 m e assim sucessivamente até
recalçar toda a sapata (Fig. 22). O sistema é muito prático, rápido e não levanta quaisquer
problemas [2].

Fig. 22 [2] - Execução do recalce de uma sapata corrida

Quando não há possibilidade de descalçar completamente a sapata, pode-se abrir uma


vala a toda a volta da sapata existente introduzindo-se um pouco sob ela. Essa vala é depois
preenchida com betão novo. Com esta técnica, consegue-se aumentar as dimensões laterais da

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sapata existente, absorvendo-se os importantes esforços de corte que aparecem entre os dois
betões por meio de um coto de betão que se introduz por baixo da sapata existente (Fig. 23) e
por meio de uma resina epoxi que se aplica em toda a superfície lateral da sapata [2] (Fig. 24).
É fundamental conseguir-se uma boa limpeza do terreno contra o qual se vai betonar,
descarnar e limpar de terra as superfícies de betão da peça existente para conseguir uma boa
união dos dois betões por meio da resina epoxi. As armaduras de reforço também contribuem
para essa mesma aderência [2]. Na Fig. 25, representa-se uma técnica alternativa sem qualquer
recalce da sapata existente.

Fig. 23 [2] - Reforço de uma sapata por aumento da sua área de contacto com o solo mas
praticamente sem recalce

Fig. 24 [2] - Aplicação de resina epoxi em toda a superfície exterior da sapata pré-existente
após picagem desta

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Fig. 25 [10] - Reforço de uma sapata por aumento da sua área de contacto com o solo mas
sem recalce

Ao calcular a área necessária para a nova sapata, deve tomar-se em conta que as cargas
verticais actuantes sobre a sapata quando se executa o reforço só induzem tensões na sapata
existente. Só as cargas posteriores se dividem igualmente por toda a sapata reforçada. Daí que
as tensões sob a sapata existente continuem sendo as mais condicionantes e que seja
fundamental descarregar ao máximo a sapata existente antes da execução do reforço.

Está cada vez mais vulgarizada a utilização de micro-estacas neste tipo de trabalhos. As
micro-estacas cravam-se na direcção vertical ou inclinada para conseguir o efeito desejado e a

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máxima eficácia ligando-se depois as suas cabeças através de um embasamento que passa
debaixo da sapata existente e recebe a carga desta. Um sistema possível é unir as cabeças das
estacas através de cabos de pré-esforço enquanto que a componente dada pelos cabos é
absorvida por bielas postas em tracção por roscas ou mangas metálicas roscadas que
transmitem parte ou a totalidade da carga do pilar às cabeças das micro-estacas [2].

As operações a executar consistem na cravação das micro-estacas e na colocação das


bielas de apoio juntamente com os cabos de pré-esforço ainda pouco traccionados. Seguida-
mente, efectua-se a escavação progressiva sob a sapata e a colocação em carga simultânea e
por escalões dos cabos compensando o empuxe das bielas sem que as estacas se separem.
Quando se conseguir o efeito desejado, procede-se à betonagem do conjunto [2] (Fig. 26).

Fig. 26 [2] - Transmissão das cargas do pilar às estacas por intermédio de escoras metálicas e
pré-esforço

Quando não se consegue resolver o problema com um recalce da sapata, pode-se


executar furos cilíndricos nesta por onde se introduzem e cravam micro-estacas até atingir
terrenos mais resistentes. Posteriormente, faz-se a ligação das cabeças das estacas à sapata
através de acoplamentos cónicos ou denteados ou com outro sistema qualquer que garanta
uma união eficaz e impeça o deslizamento entre a sapata e as estacas [2].

Em vez de micro-estacas, pode-se utilizar um sistema de estacas metálicas formando um


círculo entre elas e a sapata existente que é depois preenchido com areia ou gravilha e
injectado com calda de cimento [14] (Fig. 27).

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Fig. 27 [14] - Reforço de uma fundação de uma ponte com introdução de estacas metálicas

Muitas vezes, ao se fazer um recalce, dão-se pequenos assentamentos em consequência


da deformação que o terreno sofre ao entrar em carga. Pode-se evitar este inconveniente se,
previamente à betonagem do recalce, se realizar uma pré-carga do terreno sobre o qual vai
ficar assente a nova sapata [2].

5.2.3. Precauções nos trabalhos de reabilitação de fundações

Na construção de novas estruturas junto a edifícios existentes, é frequente que, se o


nível da escavação é inferior ao das fundações existentes, se produzam assentamentos,
deformações laterais, rotações e mesmo rotura da estrutura [2].

A medida mais eficaz para evitar estes problemas é, sempre que possível, o escoramento
dos edifícios de um lado e do outro da escavação através de perfis metálicos ou treliças
convenientemente dimensionadas (Fig. 28).

Em alternativa, pode-se executar micro-estacas sob as sapatas do edifício existente que


ficam junto à escavação [2]. Em qualquer das soluções, é sempre recomendável diminuir as

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cargas sobre as sapatas do edifício existente mais próximas da escavação.

Fig. 28 [2] - Apoio lateral dos edifícios através de escoramento metálico

Uma outra solução ainda que mais complicada é efectuar um recalce das sapatas
existentes até as levar a um nível igual ou inferior ao das fundações do novo edifício ou ao da
rua a construir. Mais simples mas eventualmente mais cara é a construção de um muro de
suporte de terras ou uma cortina de estacas-prancha que se ancora perfeitamente no terreno
sob o edifício existente por meio de ancoragens pré-esforçados [2] (Fig. 29).

Fig. 29 [2] - Muro de suporte com ancoragens pré-esforçadas

5.2.4. Melhoramento do solo de fundações

Ainda que não esteja perfeitamente integrado no assunto deste trabalho, vai-se aqui
referir resumidamente as técnicas de melhoramento do solo de fundações.

A mais conhecida e popular é a sua rigidificação ou consolidação conseguida por meio


de injecções. Estas têm de se realizar até uma profundidade tal que o reforço do terreno se

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estenda a toda a zona afectada pelo bolbo de pressões originado pela carga que actua sobre a
sapata. Após a injecção, devem ser extraídos tarugos para verificar a sua eficácia. O sistema é
cómodo e rápido mas é em geral menos económico que o recalce devido ao custo dos
materiais e à necessidade de realizar muitos furos de injecção [2]. A injecção pode também
servir o objectivo de tornar estanques terrenos porosos e permeáveis tais como rochas
fissuradas, areias e cascalhos e zonas aluvionares. Permite ainda aumentar a compacidade do
terreno sem alterar o seu volume já que apenas se limita a preencher os vazios existentes no
terreno através de um produto resistente [2].

As leitadas mais utilizadas neste tipo de injecções são de cimento portland e


eventualmente areia fina, de cimento e argila coloidal, de silicato de sódio e um reactivo (por
exemplo, uma solução alcalina de cloreto de cálcio) para formar gel injectado separadamente
constituído por resinas orgânicas do tipo da acrilamida, ureia-formol, etc.. O consumo de

cimento em terrenos arenosos pode oscilar entre 200 e 300 kg/m3 de terreno a tratar [2].

As lanças de injecção são de aço e têm em geral 35 mm de diâmetro. Os furos realizam-


se com uma separação que oscila entre os 50 e os 80 cm e podem alcançar profundidades até
25 m [2]. Às vezes, por facilidade de aplicação, executa-se furos na própria sapata para
passagem das lanças de injecção e se possa ter acesso à zona situada imediatamente abaixo da
sapata [2] (Fig. 30).

Em pilares de pontes, pode-se substituir o material levado pelas águas por betão ou por
um enchimento de rochas de dimensões criteriosamente escolhidas [3].

5.2.5. Protecções adicionais das estruturas enterradas

Os solos são ambientes muito agressivos em relação ao betão armado. Neles se pode
encontrar sais de magnésio e cálcio sob a forma de sulfatos e cloretos e ainda sais de amónia
[2]. A agressividades destes produtos será tanto maior quanto mais dissolvidos eles estiverem
em águas que estejam em movimento diminuindo bastante o seu efeito se as águas estiverem
em repouso ou estagnadas. Por esta mesma razão, estão mais ameaçadas de ataque químico as
partes da infraestrutura que estão em contacto com o nível freático e nas quais existe em

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alternância água e ar [2]. Daí que seja frequentemente considerada a hipótese de conferir
protecções adicionais adequadas às fundações.

Fig. 30 [2] - Rigidificação do terreno sob a sapata existente através da sua injecção

As mais frequentes são as impermeabilizações superficiais com fluoretos de sílica e


silicatos de tal forma que o ácido de sílica do produto impermeabilizante se combina com
parte da cal livre do betão dando fluoreto de cálcio ou silicato de cálcio insolúvel para além de
contribuir, através da formação de gel, para o fecho dos poros do betão. Utiliza-se também o
betume e alcatrão na formação de películas impermeabilizantes [2].

As superfícies de betão a tratar devem estar limpas de terras e secas, em particular se se


usa um tratamento a quente [2]. Existem outros métodos tais como a utilização de rebocos
hidrófugos, revestimentos impermeáveis de várias camadas à base de feltros impregnados,
chapas de alumínio, materiais termoplásticos, resinas sintéticas, etc. [2]. No entanto, a melhor
protecção que se pode dar às fundações é impedir o acesso das águas agressivas a elas sempre
que seja possível, para tal executando drenos profundos em todo o perímetro do edifício [2].

5.2.6. Protecção contra as vibrações

As vibrações que se podem fazer sentir nas fundações das estruturas, para além de
poderem provocar movimentos de terras, podem ainda originar fenómenos de fadiga nos
materiais [2]. Para diminuir os efeitos das vibrações, pode-se optar por vários métodos como,

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por exemplo, a adopção de pavimentos flexíveis e a criação de barreiras em torno da estrutura.


As vibrações provocadas pelo tráfego nas estruturas podem ser praticamente eliminadas se o
piso da estrada e dos passeios públicos próximos dos edifícios for flexível, realizado à base de
betume asfáltico ou betão, sem juntas nem ondulações ou ressaltos. Em alternativa, pode-se
criar barreiras separadas do edifício e que absorvam as vibrações do tráfego [2] (Fig. 31). O
inconveniente do sistema é ser caro.

Fig. 31 [2] - Protecção de um edifício contra as vibrações devidas ao tráfego

Uma solução mais económica ainda que não tão eficaz pode consistir em rodear o topo e
as faces laterais das fundações com camadas espessas amortecedoras das vibrações [2]. Estas
camadas podem ser de cortiça ou de materiais plásticos expandidos. A vantagem destes
últimos é a de não apodrecerem na presença de humidade.

Para máquinas de impacto, as fundações devem ter grande massa mas ser de suspensão
flexível permitindo assim transformar uma onda de choque de grande intensidade noutra de
intensidade mais baixa e de maior duração e, portanto, menos perigosa. Em máquinas
rotativas, a primeira preocupação deve consistir em conseguir o seu equilíbrio dinâmico e
projectar fundações livres de ressonância para que a frequência própria da fundação com a
máquina instalada fique bastante afastada por excesso ou por defeito da frequência excitadora
[2]. É muito importante conseguir a total separação do bloco de fundação da máquina em
relação ao terreno e fundações da estrutura. Daí que seja normal as máquinas estarem
colocadas sobre grandes blocos de betão que descarregam por sua vez em molas ou
amortecedores de borracha ou cortiça [2]. Estes elementos amortecedores devem ser
facilmente acessíveis para se proceder à sua limpeza, inspecção e eventual substituição.

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6. ABERTURAS EM MUROS E LAJES EXISTENTES

6.1. Paredes

É frequente a necessidade de executar aberturas em muros de suporte ou paredes


resistentes existentes. A operação é delicada e cheia de dificuldades e riscos se não se tomar
as precauções devidas.

A primeira operação a efectuar é a descarga da parte do muro que se vai suprimir das
cargas que as vigas e lajes lhe transmitem através da colocação dos escoramentos necessários
(Fig. 32).

Fig. 32 [2] - Descarga da laje e outros elementos horizontais

É em geral necessário proceder ao recalce das fundações do muro na zona que fica
intacta devido ao incremento de cargas nessa zona, cargas essas que anteriormente eram
absorvidas pelas fundações do troço de muro a eliminar. Logo, o terreno vai ficar submetido a
uma tensão muito superior à inicial sendo o incremento tanto maior quanto o for o vão da
abertura pretendida. O recalce executa-se abrindo uma vala de cada lado da antiga sapata a
uma profundidade superior à desta. As duas valas comunicam-se por baixo da sapata existente
a fim de se poder colocar uma malha de varões ou perfis laminados que armem a nova
fundação. Seguidamente, procede-se à betonagem das zonas abertas no terreno procurando
que as armaduras adicionais fiquem completamente embebidas no novo betão [2] (Fig. 33).

A operação seguinte é comprovar se os muros existentes têm capacidade resistente


suficiente para suportar as cargas transmitidas nos apoios dos novos lintéis a executar. Se

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assim não acontece, será necessário colocar pilares capazes de resistir a essas cargas e
transmiti-las às fundações. Para isso, executa-se no muro existente aberturas de largura
suficiente para os pilares e com o eixo coincidente com o destes. Para que os novos pilares
fiquem perfeitamente travados e ligados monoliticamente ao muro existente, realiza-se uns
encaixes nestes constituídos por zonas reentrantes e salientes na zona do muro que se irá
manter e que serão preenchidas por parte do betão dos novos pilares dando lugar a uma
ligação muito perfeita destes com o muro [2] (Fig. 34).

Fig. 33 [2] - Recalce da sapata do muro de suporte existente junto aos limites da futura
abertura por incremento das tensões de contacto nessas zonas

Fig. 34 [2] - Denteado da parede existente para solidarização dos novos pilares a esta

Coloca-se depois a armadura necessária nos pilares e betona-se estes. Os pilares vão
ficar a delimitar o vão da abertura a realizar-se. Após a realização destas operações prévias de
reforço e quando os novos materiais tenham adquirido resistência suficiente, procede-se à
abertura de roços para o alojamento do lintel no topo do muro. O comprimento destes roços
será igual ao vão da abertura mais as correspondentes entregas do lintel e uns 5 a 10 cm de
cada lado para se poder trabalhar sem empecilhos na colocação do lintel [2]. É preciso um
cuidado especial com as faces superiores dos roços procurando que sejam totalmente
horizontais e planos, a fim de que tenham um bom contacto com a parte superior do lintel. O

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lintel é em geral formado por perfis metálicos em I ou U ainda que não haja inconveniente em
executá-los em betão armado colocado in-situ ou com recurso a pré-fabricação.

Quando os lintéis são formados por perfis metálicos, a colocação dos mesmos faz-se
abrindo um primeiro roço correspondente à metade mais carregada do muro que, nos
edifícios, corresponde ao paramento interior (Fig. 35).

Fig. 35 [2] - Abertura do roço para colocação do primeiro perfil metálico

Este roço terá a altura do perfil que irá receber e uma largura igual a metade da
espessura do muro. Uma vez aberto o roço, coloca-se no seu interior um dos perfis metálicos,
ligando-o bem com argamassa de cimento de alta resistência, em particular nas zonas dos
apoios, procurando que assente perfeitamente na parte inferior do roço (Fig. 36). O objectivo é
que, quando se realize a abertura do roço correspondente à outra metade do muro, o perfil não
fique sujeito à flexão suportando assim a totalidade da carga que na altura actuasse sobre ele
[2].

Fig. 36 [2] - Colocação do primeiro perfil metálico

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Realizado o roço correspondente à outra metade do muro, ou seja, o paramento exterior


no caso de edifícios, coloca-se o outro perfil geminado com o posicionado anteriormente. O
seu posicionamento deve também obedecer às regras acima referidas ligando-se os dois perfis
através de parafusos ou rebites para o que se executa previamente os furos necessários nas
suas almas [2] (Fig. 37).

Fig. 37 [2] - Demolição do muro para criar a abertura já com o par de perfis metálicos na sua
posição definitiva

A parte superior do muro no qual se pretende fazer a abertura deve transmitir as suas
cargas ao lintel colocado o que se consegue metendo cunhas de aço no espaço compreendido
entre a face superior do lintel e a inferior do topo da abertura. O espaço restante compreendido
entre as duas faces pode ser preenchido por uma argamassa expansiva ou por meio de betão,
se o espaço for muito grande [2].

Finda a operação anterior e quando se estime que a argamassa ou betão utilizados


atingiram suficiente resistência, procede-se ao derrubamento ou demolição da secção do muro
a eliminar, que já é desnecessária do ponto de vista resistente que se deixará livre para a
abertura que se pretende. A demolição pode ser feita por martelo pneumático, corte com lança
de oxigénio (Figs. 38 e 39) ou corte com disco de diamante [2].

O martelo pneumático tem como desvantagens o facto de ser lento e introduzir efeitos
dinâmicos apreciáveis que podem produzir, em alguns casos, estragos na estrutura [2]. O corte
com lança de oxigénio é rápido mas caro ainda que o custo com mão-de-obra seja menor. Tem

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como vantagens os factos de se obter superfícies limpas e planas se o operário tiver


experiência e for hábil e de o equipamento ser muito ligeiro e a execução isenta de ruídos e
vibrações. Devido à alta temperatura a que se submete o betão (da ordem dos 4000 ºC), este
fica danificado numa espessura de uns 5 cm a partir do bordo cortado o que obriga a eliminar
o betão dessas zonas, em particular no roço para introdução do lintel. É imprescindível que o
local em que se trabalha com este sistema esteja bem ventilado devido à quantidade de gases
que se produzem durante as operações de corte [2] [15]. O corte com disco de diamante é caro
devido ao custo elevado dos discos e à escassez de equipas especializadas. Obtêm-se, no
entanto, superfícies muito regulares. Os cortes podem ser praticados independentemente da
existência de armaduras sendo a execução isenta de vibrações, poeiras e ruídos incómodos [2]
[15].

Fig. 38 [2] - Demolição do muro existente através da técnica da lança de oxigénio

Uma vez efectuadas todas as operações atrás descritas, elimina-se todo o sistema de
escoramento utilizado.

O principal problema deste tipo de reforço é o controle de flechas nos lintéis [2]. Estas
devem ser calculadas tomando em conta a intensidade e forma de actuação das cargas antes e
depois da execução da abertura.

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Fig. 39 [2] - Demolição do muro existente através da técnica da lança de oxigénio

6.2. Lajes

É também muito frequente a execução de aberturas em lajes existentes por razões


arquitectónicas ou para a passagem de tubagem não prevista no projecto inicial.

Quando as aberturas são de pequenas dimensões em relação ao painel em que são


realizadas, a única disposição construtiva é concentrar nos bordos livres armadura que tenha a
mesma capacidade resistente da totalidade da armadura interrompida pela execução da
abertura. A técnica de execução não apresenta nenhum aspecto novo integrando-se no reforço
por encamisamento referido em [18].

Se a abertura é de maiores dimensões, é possível que a melhor solução consista em


colocar um suporte em betão armado em cada esquina da abertura fazendo funcionar a
abertura como bordo extremo da laje [2]. Em alternativa, pode-se colocar perfis metálicos sob
os bordos livres ancorados ao betão da laje. Esses perfis são por sua vez soldados a outros
perfis metálicos verticais ligados a fundações de dimensões adequadas para resistir à carga
que vão receber [2].

Antes de se proceder à abertura da laje, é necessário escorá-la convenientemente. Segue-

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se a demolição da laje procurando não danificar as armaduras na zona a demolir. A abertura a


executar deve prever, para além das suas dimensões finais, as das bandas reforçadas. Coloca-
se depois a cofragem dos futuros bordos livres e introduz-se a armadura dos mesmos
calculada da forma atrás indicada ou por métodos alternativos (elementos finitos, método das
bandas, divisão em painéis regulares, etc.). Aos varões pré-existentes, agora livres de betão,
solda-se os recém-colocados dos bordos livres e aplica-se uma camada de resina epoxi nos
bordos de betão da laje. Faz-se então a betonagem dos bordos livres que ficarão ligados à laje
quer pela armadura pré-existente desta quer pela resina epoxi. Assim que o betão tenha
adquirido a resistência necessária, procede-se ao corte das barras pré-existentes na abertura e à
desmontagem do escoramento [2].

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7. CONCLUSÕES

O tipo de reparação ou reforço a implementar numa determinada estrutura na qual se


detectou uma insuficiência estrutural relativa às cargas presentes ou às futuras tende a repetir-
se em determinados casos específicos. De entre estes, existem alguns que ocorrem com
bastante frequência, pelo que interessava analisá-los à parte, tentando identificar para cada um
as medidas mais adequadas

Assim, procurou-se neste documento referir de uma forma expedita as particularidades,


sobretudo ao nível dos danos ou anomalias, associadas a esses mesmos casos específicos,
passando-se de seguida à descrição das soluções mais indicadas / frequentes.

Como conclusões gerais, podem-se referir as seguintes:

 nos ambientes marinhos, os principais problemas estão associados à corrosão das


armaduras inicializada pela difusão dos cloretos para o interior do betão; a sua resolução
passa geralmente pela substituição do betão contaminado e das armaduras com perda de
secção significativa;
 nos edifícios sujeitos à acção de um incêndio, apesar do bom comportamento do betão
armado quando comparado, por exemplo, com as estruturas metálicas, as temperaturas
muito elevadas durante um período prolongado de tempo dão origem a uma perda de
resistência do betão superficial e, eventualmente, das armaduras; a resolução deste
problema é semelhante à do caso anterior, passando pela remoção e substituição dos
materiais deteriorados;
 após a ocorrência de um sismo intenso, é natural que mesmo as estruturas bem
concebidas sofram estragos não desprezáveis, muito frequentemente localizados nas
zonas mais esforçadas como é o caso dos nós pilar-viga e a base das paredes; a reparação
e/ou reforço está muito dependente do grau de estragos e de incapacidade detectada na
resistência anti-sísmica do edifício, podendo ser desde quase cosmética a generalizada em
toda a estrutura, sendo também viáveis as hipóteses da introdução de novos elementos de
grande resistência ou a demolição pura e simples;
 também os problemas relacionados com as fundações podem originar diversos tipos de

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estragos, nalguns casos associados com a actuação do sismo; desde o melhoramento do


solo ao reforço dos elementos de fundações, as hipóteses de intervenção dependem
bastante da causa específica das anomalias;
 as aberturas em muros e lajes existentes, não sendo naturalmente uma forma de reparação
ou reforço, suscitam intervenções desse mesmo tipo nos elementos circundantes.

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8. REFERÊNCIAS

[1] CEB Bulletin n.º 166, “Guide to Durable Structures”, Comité Européen du Béton,
General Task Group n.º 20, Copenhagen, 1985
[2] M. Fernández Cánovàs, “Patología y Terapéutica del Hormigón Armado”, 2ª Edição,
Editorial Dossat, Madrid
[3] Jorge de Brito, “Patologia das Estruturas de Betão - Degradação, Avaliação e Previsão
da Vida Útil”, Tese de Mestrado em Engenharia de Estruturas, Lisboa, 1987
[4] M. G. Cachadinha e V. Cóias e Silva, “Reforço e Reparação de Elementos de Betão
Armado - Concepção e Execução”, Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas, n.º
17, Lisboa, 1983
[5] I. Cabrita Neves, “Avaliação e Reparação de Prejuízos Causados por Incêndios”, Curso
sobre Patologia, Reabilitação e Manutenção de Estruturas e Edifícios, Lisboa, 1986
[6] W. Klingsch e U. Bretschneider, “Apreciação e Reparação de Danos de Incêndio”, DBZ
Forchung + Praxis, 12/80, 1980
[7] J. K. Green e W. B. Long, “Gunite Repairs to Fire Damaged Concrete Structures”,
Concrete, London, 1971
[8] M. Hirosawa, “Japanese Report on General Situation of Research on Method to
Strengthen Existing Reinforced Concrete Buildings in Japan”, Intergovernmental
Conference on the Assessment and Mitigation of Earthquake Risk, Paris, 1967
[9] CEB Bulletin n.º 162, “Assessment of Concrete Structures and Design Procedures for
Upgrading (Redesign)”, Comité Européen du Béton, General Task Group n.º 12, Prague,
1983
[10] N. Ignatiev, “Strengthening of Prefabricated Reinforced Concrete Structures and
Strengthening with Precast Elements”
[11] N. Ignatiev, “Strengthening of Building Reinforced Concrete Structures through
Addition of New Bearing Components”
[12] J. Vasconcelos de Paiva et al., “Documento Introdutório do Tema - Patologia da
Construção”, 1º Encontro sobre Conservação e Reabilitação de Edifícios de Habitação,
Lisboa, 1985
[13] J. Appleton, “Patologia de Construções Novas: O Caso do Bairro da Liberdade
(Setúbal)”, 1º Encontro sobre Conservação e Reabilitação de Edifícios de Habitação,

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Lisboa, 1985
[14] M. G. Cachadinha, “Reforço e Reparação de Pontes”, Relatório Interno, Gapres, Lisboa,
1983
[15] V. Cóias e Silva, “Reparação e Reforço de Estruturas de Edifícios”, 1º Simpósio
Nacional de Materiais e Tecnologias na Construção (SIMATEC), Lisboa, 1985
[16] Jorge de Brito, “Reabilitação de Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado - Volume
4”, Relatório DEC. AI 14/88, CMEST, IST, Lisboa, 1988
[17] Jorge de Brito, “Reabilitação de Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado - Volume
3”, Relatório DEC. AI 13/88, CMEST, IST, Lisboa, 1988
[18] Jorge de Brito, “Reabilitação de Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado - Volume
2”, Relatório DEC. AI 12/88, CMEST, IST, Lisboa, 1988
[19] Jorge de Brito, “Reabilitação de Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado - Volume
1”, Relatório DEC. AI 12/88, CMEST, IST, Lisboa, 1988

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