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Sumário

SOBRE O ZELO................................................................................................................................................ 3
REDIMIR O TEMPO ........................................................................................................................................ 9
SOBRE A RELIGIÃO NA FAMILIA ............................................................................................................ 14
SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS.......................................................................................................... 20
SOBRE A OBEDIÊNCIA AOS PAIS ............................................................................................................. 28
SOBRE A OBEDIÊNCIA A PASTORES ...................................................................................................... 33
SOBRE VISITAR O ENFERMO .................................................................................................................... 39
SOBRE AGRADAR A TODOS OS HOMENS .............................................................................................. 51
O DEVER DA COMUNHÃO CONSTANTE ................................................................................................ 56
SOBRE OS TEMPOS PASSADOS ................................................................................................................ 62
O QUE É O HOMEM? (1A. PARTE) .............................................................................................................. 68
SOBRE ATENDER AO SERVIÇO RELIGIOSO .......................................................................................... 73
SOBRE A CONSCIÊNCIA ............................................................................................................................. 79
SOBRE A FÉ 2ª PARTE ................................................................................................................................ 84
AS VINHAS DE DEUS................................................................................................................................... 89
SOBRE AS RIQUEZAS .................................................................................................................................. 95
O QUE É O HOMEM? 2A. PARTE .............................................................................................................. 100
SOBRE AS DESCOBERTAS DA FÉ ........................................................................................................... 104
SOBRE A ONIPRESENÇA DE DEUS ........................................................................................................ 108
O HOMEM RICO E LÁZARO ..................................................................................................................... 112
A DIFERENÇA ENTRE CAMINHAR PELA VISTA E CAMINHAR PELA FÉ ...................................... 119
A UNIDADE DO SER DIVINO ................................................................................................................... 123
O OFÍCIO MINISTERIAL ............................................................................................................................ 128
CAUSAS DA INEFICIÊNCIA DO CRISTIANISMO. ................................................................................ 134
SE OS TEUS OLHOS FOREM BONS ......................................................................................................... 143
SOBRE A INSENSATEZ DO MUNDO ....................................................................................................... 147
SOBRE A VESTE NUPCIAL ....................................................................................................................... 151
A VIDA DO HOMEM É UM SONHO ......................................................................................................... 154
SOBRE A FÉ ................................................................................................................................................. 159
A APARÊNCIA ENGANOSA DO CORAÇÃO HUMANO ....................................................................... 165
OS TESOUROS DIVINOS EM VASOS DE BARRO ................................................................................. 170
VIVENDO SEM DEUS ................................................................................................................................. 173
O PERIGO DO AUMENTO DE RIQUEZAS .............................................................................................. 176
A INQUIETAÇÃO E DESCANSO DOS HOMENS DE BEM .................................................................... 181
GRAÇA LIVRE ............................................................................................................................................. 186
A CAUSA E CURA DOS TERREMOTOS .................................................................................................. 195
PECADOS E MISÉRIAS NACIONAIS ....................................................................................................... 203
A MAIS RECENTE OBRA DE DEUS NA AMÉRICA DO NORTE ......................................................... 209
COLOCANDO OS ALICERCES DE NEW CHAPEL................................................................................. 215
MORTE DO REV. SR. JOHN FLETCHER, ................................................................................................ 221
EM DEFESA DO VERDADEIRO CRISTIANISMO .................................................................................. 233
SOBRE MURMURAR PELOS MORTOS ................................................................................................... 240
SOBRE CORROMPER A PALAVRA DE DEUS ....................................................................................... 243
SOBRE A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS ............................................................................................. 246
SOBRE AFLIGIR O ESPÍRITO SANTO ..................................................................................................... 253
SOBRE O AMOR .......................................................................................................................................... 257
SOBRE AS DIVERSÕES PÚBLICAS ......................................................................................................... 261
SOBRE O ESPÍRITO SANTO ...................................................................................................................... 266
Sobre o Zelo

'É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco'. (Gálatas 4:18)

1. Existem poucos assuntos, em toda a extensão da religião, que são de tão grande importância do
que este. Porque, sem o zelo, é impossível, tanto obtermos algum progresso considerável na religião, quanto
executarmos algum serviço considerável em nosso próximo; quer com respeito às coisas espirituais; quer nas
coisas temporais. E, ainda assim, nada tem causado mais desserviço à religião, ou mais dano para a
humanidade, do que um tipo de zelo que tem, por diversas eras, prevalecido, tanto nas nações pagãs,
maometanas, quanto cristãs. De tal maneira, que se pode verdadeiramente dizer que o orgulho, a cobiça, a
ambição, a vingança, têm, em todas as partes do mundo, matado seus alguns milhares; mas o zelo, seus
muitos milhares.

Exemplos terríveis disto ocorreram nos tempos antigos; na maioria das nações pagãs civilizadas. A
ele, principalmente, foram devidas as perseguições desumanas aos protestantes, através da Igreja de Roma.
Foi o zelo que acendeu os fogos em nossa nação, durante o reinado sangrento da Rainha Mary. Foi o zelo
que, logo depois, fez de tantas províncias da França, um campo de sangue. Foi o zelo que assassinou tantos
milhares de protestantes submissos, no massacre a nunca ser esquecido de Paris. Foi o zelo que ocasionou o
ainda mais horrendo massacre na Irlanda – igual ao que, tanto com respeito ao número de assassinatos, e às
circunstâncias chocantes, na qual muitos desses assassinatos foram perpetrados, eu sinceramente acredito,
nunca ocorrera antes desde o início do mundo. Quanto às outras partes da Europa, um escritor alemão
eminente esforçou-se para buscar tanto os registros nos vários locais, quanto as mais autênticas histórias,
com o objetivo de obter algum conhecimento competente do sangue que tem se espalhado, desde a Reforma,
e calculou que, parcialmente, devido à perseguição privada; parcialmente, devido às guerras religiosas, no
decurso de quarenta anos, contando desde o ano de 1520, acima de quarenta milhões de pessoas foram
destruídas!

2. Mas não é possível distinguir o zelo correto do errado? Sem dúvida que é. Mas torna-se difícil; tal
a falsidade do coração humano; tão habilmente exercendo suas paixões do seu modo. E existem
excessivamente poucos tratados sobre o assunto, pelo menos na Língua Inglesa. A este respeito, eu tenho
visto e ouvido alguns poucos sermões; e estes foram escritos há mais de cem anos atrás, pelo Dr. Sprat,
Bispo de Rochester; de modo que agora é excessivamente raro.

3. Eu alegremente apostaria minha moeda, com a assistência de Deus, para esclarecer esta importante
questão, com o objetivo de capacitar homens de compreensão, que estão desejosos de agradar a Deus, a
distinguirem o zelo cristão verdadeiro, de suas várias falsificações. E isto é mais necessário, neste momento,
do que foi durante muitos anos. Sessenta anos atrás, raramente pareceu existir uma tal coisa como zelo
religioso, restante na nação. As pessoas, em geral, eram surpreendentemente indiferentes e despreocupadas
com respeito a esta insignificância religiosa. Mas, desde então, é fácil observar que tem existido uma
alteração muito considerável. Muitos milhares, quase em toda parte da nação, têm sentido um desejo real de
salvar suas almas. E eu estou persuadido de que existe, no momento, mais zelo religioso na Inglaterra, do
que existiu há século.

4. Mas este zelo tem sido de uma forma correta ou errada? Provavelmente, tanto de um modo, quanto
de outro. Vamos ver se nós podemos separá-los; de modo que possamos evitar o último, e sermos fiéis ao
primeiro. Com este objetivo, eu gostaria de inquirir:

I. Qual a natureza do verdadeiro zelo cristão?

II. Quais são as propriedades dele?

III. Esboçar alguns exemplos práticos.

I
Em Primeiro Lugar, qual é a natureza do zelo em geral, e do verdadeiro zelo cristão, em particular?

1. A palavra original, em sua significação primitiva, quer dizer quentura; tal como a quentura da água
fervente. Quando ela é figurativamente aplicada à mente, ela significa alguma emoção ou afeição calorosa.
Alguma coisa que é tomada por inveja. Assim nós entendemos em (Atos 5:17), onde lemos: 'E, levantando-
se o sumo sacerdote, e todos os que estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus), encheram-se de
inveja', -- embora possa ser também afirmado que eles foram preenchidos com zelo. Algumas vezes, ela é
tomada por ira e indignação; algumas vezes, por desejo veemente. E quando algumas de nossas paixões são
fortemente voltadas para a religião, quer por causa de alguma coisa boa, ou contra alguma coisa que nós
concebemos ser má, isto nós denominamos de zelo religioso.

2. Mas nem tudo que é chamado de zelo religioso, é merecedor deste nome. Não se trata
propriamente de zelo religioso ou cristão, se não estiver unido à caridade (amor). Um escritor primoroso
(Bispo Sprat) levou o assunto ainda mais adiante: 'Tem sido afirmado', diz aquele grande homem, 'que
nenhum zelo é correto, que não seja amoroso, mas a maioria das vezes, é assim. Caridade, ou amor, não é
apenas o único ingrediente, mas o principal ingrediente nesta composição'. Nós podemos ir ainda mais
longe? Nós não podemos dizer que o zelo verdadeiro não é, na maioria das vezes, caridade, mas totalmente
assim? Quer dizer, se levarmos a caridade, naquilo que Paulo significou como sendo amor; o amor de Deus
e nosso próximo. Porque é uma verdade certa (embora pouco entendida no mundo) que o zelo cristão é todo
amor. E nada mais. O amor de Deus e homem preenchendo toda a natureza.

3. Ainda assim, esta apelação não é feita para todo grau daquele amor. Pode existir algum amor, um
pequeno grau dele, onde não existe zelo. Mas é, propriamente, amor em um nível mais elevado. É o amor
fervoroso. O verdadeiro zelo cristão não é outro do que a chama do amor. Esta é a natureza, a essência
interior dela.

II
1. Disto, segue-se que as propriedades do amor são as propriedades do zelo também. Agora, uma das
principais propriedades do amor é a humildade: 'Amor não se ensoberbece'. Assim sendo, está é uma
propriedade do zelo verdadeiro: a humildade é inseparável dele. Como é o grau de zelo, tal é o grau de
humildade: eles podem se erguer e cair juntos. O mesmo amor que preenche um homem com zelo por Deus,
o torna pequeno, pobre e vil aos seus próprios olhos.

2. Uma outra das propriedades do amor é a mansidão: conseqüentemente, é uma das propriedades do
zelo. Ela nos ensina a sermos mansos, assim como modestos; para sermos igualmente superiores à ira ou
orgulho. Assim como a cera se derrete ao fogo; assim, diante desta chama sagrada, todas as paixões
turbulentas se derretem, e deixam a alma serena.

3. Ainda uma outra propriedade do amor, e, conseqüentemente, do zelo, é a paciência inabalável:


porque 'o amor suporta todas as coisas'. Ela arma a alma com inteira resignação, para com todos os
dispositivos da Providência Divina, e nos ensina a dizer em toda ocorrência: 'É o Senhor; que ele faça o que
lhe pareça bom'. Ela nos capacita, em qualquer que seja o estado, a estarmos satisfeitos; a não nos
queixarmos de coisa alguma, 'mas em todas as coisas, darmos graças'.

4. Existe uma quarta propriedade do zelo cristão, que merece ser mais particularmente considerada.
Isto nós aprendemos das mesmas palavras do Apóstolo: 'é bom sermos zelosamente afetados sempre'.
(Gálatas 4:18) 'mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco'.(não ter toques
passageiros de zelo, mas uma disposição firme e enraizada), 'nas boas coisas: no que é bom': porque o
objeto apropriado do zelo é bom, no geral; ou seja, tudo que é bom; realmente tal, aos olhos de Deus.

5. Mas o que é bom aos olhos de Deus? O que é aquela religião, da qual Deus sempre se agrada?
Como as partes desta ergue-se uma encima da outra? E qual o valor comparativo delas?
Este é um ponto excessivamente pouco considerado, e, portanto, pouco entendido. Da divindade
concreta, muitos têm algum conhecimento sobre. Mas poucos sabem alguma coisa da divindade
comparativa. Eu nunca vi, a não ser um tratado sobre este assunto; um esboço, o qual pode ser de uso
anexar.

Em um crente cristão, o amor se situa sobre o trono que é erguido no mais profundo da alma; ou seja,
o amor de Deus e homem, que preenche todo o coração, e reina sem um rival. Em um círculo, perto do trono
estão todos os temperamentos santos; -- longanimidade, gentileza, mansidão, fidelidade, temperança; e se
algum outro for incluído nele, 'a mente que estava em Jesus'. No exterior do círculo, estão todas as obras de
misericórdia, se para as almas, ou para os corpos dos homens. Através dessas, nós exercitamos todos os
temperamentos santos – através dessas, nós os aperfeiçoamos continuamente, de modo que todos esses são
meios reais da graça, embora isto não seja comumente aludido a respeito. Próximo a estas, estão aquelas que
são usualmente denominadas obra de devoção – lendo e ouvindo a palavra; através de oração pública,
familiar, privada; recebendo a Ceia do Senhor; jejuando ou abstendo-se.

Por fim, para que seus seguidores possam mais efetivamente estimular, um ao outro, ao amor,
temperamentos santos, e boas obras, nosso abençoado Senhor os tem unido em um só corpo, a igreja,
dispersa por toda a terra – um pequeno emblema da qual, da igreja universal, nós temos em toda
congregação cristã particular.

6. Esta é aquela religião que nosso Senhor tem estabelecido sobre a terra, desde a descida do Espírito
Santo, no dia de Pentecostes. Este é o sistema completo, associado do Cristianismo: e, assim, as diversas
partes dele erguem-se uma sobre a outra, do ponto mais baixo, onde nos encontramos, para o mais alto – o
amor entronado no coração. E disto, é fácil compreender o valor comparativo de cada ramo da religião.
Disto, apenas, nós aprendemos a quinta propriedade do zelo verdadeiro. Que como sempre é exercitada no
que é bom; sendo sempre proporcionada para aquele bem, para o grau de bondade que está no seu objetivo.

7. Por exemplo: Todo cristão deve, sem dúvida, ser zeloso pela igreja; tendo uma forte afeição para
com ela, e sinceramente desejando sua prosperidade e crescimento. Ele deve ser assim zeloso, também para
a igreja universal, orando por ela continuamente; e, especialmente, também, por aquela igreja particular da
sociedade cristã, onde ele próprio é um membro. Para isto, ele deve lutar com Deus na oração; entretanto,
usando todos os meios em seu poder para ampliar seus limites, e para fortalecer seus irmãos, para que eles
possam adornar a doutrina de Deus, nosso Salvador.

8. Mas ele deveria ser mais zeloso pelas ordenanças de Cristo do que pela própria igreja; pelas
orações em público e privado; pela Ceia do Senhor; por ler, ouvir e meditar em Sua palavra; e pelo muito
negligenciado dever de jejuar. Esses ele deve sinceramente recomendar; primeiro, pelo seu exemplo; e
então, através de conselho, argumento, persuasão, exortação, tanto quanto a ocasião ofereça.

9. Assim, ele deveria mostrar seu zelo pelas obras de devoção; mas muito mais pelas obras de
misericórdia; vendo que 'Deus quer misericórdia, e não sacrifício'; ou seja, preferivelmente, do que
sacrifício. Quando quer, portanto, que alguém interfira com o outro; as obras de misericórdia devem ser
preferidas. Mesmo o ler, ouvir, e orar devem ser omitidos, ou serem adiados, 'diante do poderoso chamado
da caridade'; quando nós somos chamados para aliviar a aflição de nosso próximo, quer no corpo, ou na
alma.

10. Já que somos assim tão zelosos para com todas as boas obras, nós devemos ser ainda mais
zelosos pelos bons temperamentos; para plantarmos e promovermos, em nossas próprias almas, e em todos
com quem tivemos intercurso, a mansidão de mente, misericórdia, gentileza, longanimidade, satisfação,
resignação, junto à vontade de Deus, e morte para o mundo e as coisas do mundo, como único meio de
estarmos verdadeiramente vivos para Deus. Porque dessas provas e frutos da fé viva, nós não podemos ser
também zelosos. Nós devemos 'falar deles, quando estivermos em nossas casas'; 'quando caminharmos pela
rua'; 'quando nos deitarmos; e 'quando nos levantarmos'. Nós devemos fazer deles motivo contínuo de
oração; como sendo muito mais excelente do que qualquer obra exterior que seja: vendo que as outras se
extinguirão quando o corpo tombar; mas essas continuarão conosco para a eternidade.

11. Mas nosso zelo preferido poderia ser reservado para o próprio amor – a finalidade do
mandamento, o cumprimento da lei. A igreja, as ordenanças, as obras exteriores de qualquer tipo; sim, todos
os outros temperamentos santos, são inferiores a isto, e se erguem em valores, apenas quando chegam mais e
mais perto dele. Aqui, então, está o grande objetivo do zelo cristão. Que todo crente verdadeiro em Cristo
consagre-se, com todo espírito de fervor, a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus, para que seu coração possa
ser mais e mais ampliado no amor para com Deus e toda a humanidade. Que ele faça apenas isto: que ele
'estimule-se para este prêmio de nosso do alto chamado por Deus, em Jesus Cristo'.

III

Resta apenas esboçar algumas inferências práticas das observações precedentes.

1. Em primeiro Lugar, se o zelo, o verdadeiro zelo cristão, for nada mais do que a chama do amor;
então, o ódio, em todos os tipos e grau, toda sorte de amargura em direção a esses que se opõem a nós, está
tão longe de merecer o nome de zelo, que chega a estar diretamente em oposição a ele. Se o zelo for apenas
amor fervoroso, então ele se situa a uma distância extrema do preconceito; ciúme, conjecturas diabólicas;
vendo que 'o amor não deseja o mal'. Então, a idolatria de qualquer tipo, e acima de tudo, o espírito de
perseguição, são totalmente inconsistentes com ele. Portanto, que nenhum desses temperamentos profanos
proteja-se debaixo deste nome sagrado. Uma vez que todos esses são obras do diabo, que eles apareçam em
suas próprias formas, e não mais debaixo daquele disfarce ilusório enganando os filhos desavisados de Deus.

2. Em Segundo Lugar, se a humildade for uma propriedade do zelo, então, o orgulho é inconsistente
com ele. É verdade, que algum grau de orgulho pode permanecer antes que o amor de Deus se espalhe, para
fora do coração; já que este é um dos últimos males que será arrancado, quando Deus fizer todas as coisas
novas; mas ele não pode reinar, nem reter qualquer poder considerável, onde o amor fervoroso é encontrado.
Sim, fôssemos dar caminho a ele, ainda que pouco, ele iria sufocar aquele fervor santo e, se nós não
voltássemos imediatamente para Cristo, ele iria extinguir completamente o Espírito.

3. Em Terceiro Lugar, se a mansidão for uma propriedade inseparável do zelo, o que poderemos
dizer daqueles que chamam seu trado, por este nome? Com que objetivo eles fazem isto? Para que eles
confundam a verdade totalmente; para que, em um sentido mais completo, eles coloquem trevas no lugar de
luz, -- e luz, no lugar de trevas. Nos não podemos ser tão vigilantes contra esta ilusão, porque ela se espalha
sobre todo o mundo cristão. Quase em todos os lugares, zelo e ira passam por termos equivalentes; e bem
poucas pessoas estão convencidas de que existe alguma diferença entre eles. Quão comumente nós ouvimos
dizer: 'Veja quão zeloso o homem é!'. Não. Ele não pode ser zeloso; isto é impossível, porque ele age com
paixão; e a paixão é tão inconsistente com o zelo, quanto a luz com a escuridão, ou o céu com o inferno!

Seria bom que todo este ponto fosse totalmente entendido. Vamos considerá-lo um pouco mais além.
Nós freqüentemente observamos alguém que leva o caráter de um homem religioso, veementemente irado
com seu próximo. Talvez, ele chame seu irmão de Raca [termo injurioso siríaco, empregado na linguagem
bíblica; pessoa mentecapta, sandia, sem juízo], ou Tu, tolo. Ele traz uma acusação infamante contra ele.
Você moderadamente o adverte de sua veemência. Ele responde: 'É meu zelo!'. Não: é o seu pecado; e, a
menos que você se arrependa dele, ele irá mergulhar você ainda mais fundo do que a sepultura. Existe bem
mais desse zelo, no abismo sem fim. É para lá que todo o zelo deste tipo vai; e é para lá que ele irá, e você
com ele, a menos que você seja salvo dele, antes que siga adiante!

4. Em quarto Lugar: Se a paciência, contentamento, e resignação são as propriedades do zelo,


então, o murmúrio, mau humor, descontentamento, impaciência, são completamente inconsistentes com ele.
E ainda assim, quão ignorante é a humanidade disto! Quão freqüentemente, nós vemos os homens
lamentando da incredulidade, ou dizendo a você, que eles estão sem paciência para com tais ou tais coisas, e
denominando tudo isto de zelo! Ó, não economize esforços, para abrir-lhes os olhos! Se for possível, mostre
a eles do que se trata o zelo; e os convença de que todo murmurar, ou queixar-se do pecado, é uma forma de
pecado, e não tem semelhança, ou ligação com o verdadeiro zelo do Evangelho.

5. Em Quinto Lugar, se o objeto do zelo for aquele que é bom, então, o fervor para alguma coisa má
não é zelo cristão. Eu cito como exemplo a idolatria, a adoração de anjos, santos, imagem, a cruz. Ainda
que, conseqüentemente, um homem esteja tão sinceramente ligado a algum tipo de adoração idolátrica, que
ele poderia até 'entregar seu corpo para ser queimado', preferivelmente, a se refrear dela, você poderá
chamar a isto de fanatismo ou supertição, se lhe agradar, mas não o chame de zelo; que é completamente
uma outra coisa.

Das mesmas premissas, segue-se que o fervor por coisas indiferentes não é zelo cristão. Mas quão
excessivamente comum é este engano também! De fato, alguém poderia pensar que os homens de
entendimento não seriam capazes de tais fraquezas. Mas, ai de mim! A história de todas as épocas prova o
contrário. Quais foram os homens de mais entendimento, do que o Bispo Ridley, e o Bispo Hooper? E quão
fervorosamente, esses e outros grandes homens desta época disputaram a respeito dos paramentos
sacerdotais! Quão impetuosa, foi a contenda, por quase cem anos, pró e contra usarem uma sobrepeliz!
[Vestidura eclesiástica, branca, de tecido fino, caindo do ombro até a cintura, pouco mais ou menos, com
mangas soltas ou muito largas, ou ainda sem elas, que os eclesiásticos envergam por cima da batina, e que
também é usada pelos leigos que desempenham funções dentro da igreja]. Oh! Envergonhe-se, homem! Eu
poderia, tão logo, ter disputado a respeito de uma palha ou um grão de cevada. E isto, realmente, deve ser
chamado de zelo! E por que não foi, antes, chamado de sabedoria ou santidade?

6. Segue-se, também, das mesmas premissas, que o fervor por opiniões não é zelo cristão. Mas quão
poucos estão sensíveis disto! E quão inumeráveis são os danos que mesmo essas formas de zelo falso têm
ocasionado no mundo cristão! Quantas vidas têm sido destruídas, por esses que foram zelosos pelas opiniões
católicas! Quantos dos mais excelentes da terra têm sido mortos pelos zelotes; pelas opiniões insensíveis de
transubstanciação! [Transformação da substância do pão e do vinho, durante a consagração da missa, na
substância do corpo e sangue de Jesus Cristo] Mas será que toda pessoa imparcial não vê que este zelo é
'mundano, carnal, demoníaco'; e que ele se situa no extremo oposto daquele zelo que é aqui recomendado
pelo Apóstolo?

Que excesso de amor é este, então, que nosso grande poeta expressa em seu 'Poema sobre o Dia
Final', onde ele fala do encontro no céu:

Esses que pelas feridas mútuas expiraram, queimados, pelo zelo de suas distintas persuasões!

Zelo, realmente! Que tipo de zelo foi este, que os conduziu a cortarem, um a garganta do outro?
Estes que foram queimados com este espírito, e morreram nisto, irão, sem dúvida ter sua porção, não no céu
(apenas o amor está lá), mas no fogo que nunca será extinto'.

7. Finalmente, se o zelo verdadeiro for sempre proporcionado pelo grau de santidade que está em
seu objetivo, então, ele se ergueria mais e mais alto, de acordo com a escala mencionada acima; de acordo
com o valor comparativo das diversas partes de religião. Por exemplo, todo aquele que verdadeiramente
temesse a Deus seria zeloso pela igreja; tanto pela católica, quanto pela igreja universal, e por toda parte dela
onde eles são membros. Este não é o objetivo dos homens, mas de Deus. Ele viu que "não seria bom aos
homens estarem sós"; mesmo neste sentido, mas que todo o corpo de seus filhos poderia estar 'unido, e
fortalecido, através daquilo que toda união supre'. E ao mesmo tempo, eles seriam mais zelosos pelas
ordenanças de Deus; pela oração pública e privada; por ouvir, e ler a palavra de Deus; pelo jejum e Ceia do
Senhor. Mas eles poderiam ser mais zelosos pelas obras de misericórdia, do que mesmo pelas obras de
devoção. Ainda assim, deveriam ser mais zelosos ainda, com respeito aos temperamentos santos, humildade,
mansidão, resignação: e ainda mais zelosos, pelo que é a somatória e a perfeição da religião: o amor a Deus
e ao homem.
8. Resta apenas fazer uma aplicação pessoal e honesta, dessas coisas, às nossas próprias almas. Nós
todos sabemos a verdade geral, de que 'é bom sermos sempre zelosamente afetados nas boas coisas'. Mas
agora, que cada um de nós, o aplique à sua própria alma em particular.

9. Esses, de fato, que ainda estão mortos nas transgressões e pecados, têm nenhuma parte, nem
porção neste assunto; nem esses que vivem em algum pecado declarado, tais como bebedeira, quebra do
Sabbath, ou juramento profano. Esses nada têm a ver com o zelo; eles não têm negócio algum, afinal; até
mesmo, para colocarem a palavra em suas bocas. É insensatez e impertinência extrema, alguém falar de zelo
por Deus, enquanto está praticando as obras do diabo. Mas, se vocês têm renunciado ao diabo e todas as suas
obras; e têm colocado em seus corações: 'Eu irei adorar o Senhor meu Deus, e a Ele apenas irei servir';
então, cuidem de serem, nem frios, nem esquentados; assim sendo, sejam zelosos por Deus. Vocês podem
começar pelos passos menores. Sejam zelosos pela Igreja, mais especialmente, por aquele ramo particular,
em que sua sorte está lançada. Planejem o bem-estar desta, e, cuidadosamente, observem todas as suas
regras; por causa da consciência. Mas, neste meio tempo, cuidem de não negligenciarem alguma das
ordenanças de Deus; uma vez que, por causa delas, em uma grande medida, a própria igreja foi constituída:
de modo que seria altamente absurdo falar de zelo pela igreja, se vocês não foram mais zelosos por elas.
Mas vocês são mais zelosos pelas obras de misericórdia, do que mesmo pelas obras de devoção? Vocês
seguem o exemplo de nosso Senhor, e preferem a misericórdia, mesmo antes do sacrifício? Vocês usam de
toda diligência, para alimentar o faminto, vestir o nu, visitar aqueles que estão doentes e na prisão? E, acima
de tudo, vocês usam de todos os meios em seu poder para salvar as almas da morte? Se, quando vocês têm
tempo, 'fazem o bem a todos os homens', ainda que 'especialmente àqueles que são da casa da fé'; seu zelo
pela igreja é agradável para Deus: mas se não, se vocês não forem 'cuidadosos para manterem as boas
obras', o que vocês farão com a igreja? Se vocês não têm 'compaixão para com seu próximo', nem seu
Senhor terá compaixão por vocês. 'Não tragam mais vãs oferendas'. Todos os seus serviços são 'uma
abominação para o Senhor'.

10. Vocês foram melhores instruídos, a não separarem o que Deus tem juntado? A não separarem as
obras de devoção das obras de misericórdia? Vocês são uniformemente zelosos de ambas? Se assim for,
vocês caminham agradavelmente para Deus; ou seja, se vocês continuamente têm em mente que Deus
'sonda o coração e reina nele'; que 'Ele é um Espírito; e aqueles que o adoram, devem adorá-lo, em espírito
e verdade'; que, conseqüentemente, nenhuma obra exterior é aceitável para Ele, a menos que brote dos
temperamentos santos, sem o que, nenhum homem poderá ter um lugar no reino de Cristo e Deus.

11. Mas de todos os temperamentos santos, e acima de todos os outros, vejam que vocês sejam mais
zelosos pelo amor. Considerem todas as coisas menores, em comparação a isto – o amor a Deus e à toda
humanidade. É mais certo que, se vocês deram todos os seus bens para alimentarem o pobre; sim, se seus
corpos forem queimados, e não tiveram amor humilde, gentil e paciente, de nada aproveitarão. Que isto
esteja profundamente gravado em seus corações: 'Tudo isto é nada, sem amor!'.

12. Então, considerem toda a religião junta, exatamente como Deus tem revelado em Sua palavra; e
sejam uniformemente zelos por cada parte dela, de acordo com seu grau de excelência. Alicerçando todo
nosso zelo nesta única fundação: 'Jesus Cristo e Nele crucificado'; abraçando, o mais rápido possível, este
único princípio: 'A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e deu a si mesmo
por mim'; tornando seu zelo proporcional ao valor de seu objetivo. Sejam calmamente zelos, portanto,
primeiro pela Igreja; 'todo o estado da igreja de Cristo militante aqui na terra': e, em particular, por aquele
ramo, com o qual vocês estão mais imediatamente ligados. Sejam mais zelosos por todas essas ordenanças
que nosso abençoado Senhor tem designado; para continuarem nelas, até o fim do mundo. Sejam mais zelos
pelas obras de misericórdia; esses 'sacrifícios dos quais Deus se agrada'; essas marcas, por meio das quais o
Pastor de Israel conhecerá suas ovelhas no dia final. Sejam ainda mais zelosos pelos temperamentos santos,
pela longanimidade, gentileza, mansidão, humildade, resignação; mas sejam mais zelosos do que tudo, pelo
amor, a rainha de todas as graças, a mais alta perfeição na terra e céu, a própria imagem do Deus invisível,
tanto nos homens abaixo, quanto nos anjos acima. Porque 'Deus é amor; e aquele que habita no amor,
habita em Deus, e Deus nele'.
[Editado anonimamente para o Memorial University of Newfoundland com correções de George
Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

REDIMIR O TEMPO

[20 de Janeiro 1782]

―Redimindo o tempo‖. (Efésios 5:16)

1. ―Veja que você caminhe discretamente‖, diz o Apóstolo, no verso precedente, ―não como os tolos,
mas como homens sábios, redimindo o tempo‖; dizendo todo o tempo, que você pode, para os melhores
propósitos, resgatar todos os momentos fugazes das mãos do pecado e satanás; das mãos da indolência,
comodidade, prazer, ocupações mundanas; o mais diligentemente, porque o presente ―são dias maus‖; dias
da mais grosseira ignorância, imoralidade, e profanidade‖.

2. ―Este parece ser o significado geral das palavras. Mas eu proponho, no momento, considerar
apenas uma maneira específica de redimir o tempo‖; ou seja, o sono.

3. Este parece ter sido muito pouco considerado, até mesmo por homens devotos. Muitos deles,
eminentemente conscientes em outros aspectos, mas não tanto neste. Eles parecem pensar que se trata de
uma coisa indiferente, se dormem mais ou menos; e nunca viram isto, sob o ponto de vista verdadeiro: como
um importante ramo da temperança cristã.

Para que possamos ter uma mais justa concepção disto, eu me esforçarei para mostrar:

I. O que é ―redimir do tempo‖, do sono.


II. O mal de não redimi-lo.
III. A maneira mais efetiva de fazer isto.

1. Em Primeiro Lugar: O que é ―redimir o tempo‖, do sono? Em geral, é ter aquela medida de
sono, todas as noites, que a natureza requeira, e não mais; aquela medida que é a mais condutiva para a
saúde e vigor tanto do corpo, quanto da mente.

2. Mas é objetado: ―Uma medida não será adequada a todos os homens; -- alguns requerem
consideravelmente mais do que outros. Nem a mesma medida será suficiente, até mesmo, para as mesmas
pessoas, em um determinado momento, e no outro. Quando alguém está doente, ou, se não verdadeiramente
assim, ainda enfraquecido pela enfermidade, certamente necessita mais deste reconstituinte natural do que
aquele em perfeita saúde. E assim será, quando suas forças e disposição estiverem exauridas por um
trabalho difícil ou de longa duração‖.

3. Tudo isto é inquestionavelmente verdadeiro, e confirmado por milhares de experimentos. Quem


quer que, portanto, decidiu fixar uma medida de sono a todas as pessoas não entendeu a natureza do corpo
humano, assim amplamente diferente, em diferentes pessoas; nem aquele que imaginou que a mesma
medida seria adequada à mesma pessoa todos os momentos. Alguém poderia se admirar, portanto, que um
homem tão grandioso como o Bispo Taylor tivesse formado esta estranha idéia; muito mais, que a medida
que ele tem atribuído para o padrão geral pudesse ser apenas três, em vinte e quatro horas. Que o bom e
sensato homem, sr. Baxter, não esteve muito perto da verdade, ao supor que quatro horas, em vinte e quatro,
serão suficientes para qualquer homem. Eu conheci um outro homem muito ajuizado, absolutamente
persuadido que nenhum vivente precisava dormir mais do que cinco horas em vinte e quatro. Porém, quando
fez o experimento em si mesmo, ele rapidamente abandonou a opinião. E eu estou completamente
convencido, pela observação continuada, por mais de cinqüenta anos, que o que quer que possa ser feito por
pessoas extraordinárias, ou em alguns casos extraordinários (em que as pessoas têm subsistido, com muito
pouco sono por algumas semanas, ou mesmo, meses), que um corpo humano dificilmente pode manter-se
com saúde e vigor, sem, pelo menos, seis horas de sono em vinte e quatro horas. Certamente, eu nunca
deparei com tal exemplo: eu nunca encontrei um homem ou mulher que retivesse saúde vigorosa por um
ano, com menos quantidade de sono do que esta.

4. E eu tenho há muito observado, que as mulheres, em geral, necessitam um pouco mais de sono do
que os homens; talvez, porque elas são, em geral, de uma constituição mais fraca, assim como mais
lacrimosa. Se, portanto, alguém se aventurasse a estabelecer um padrão (embora suscetível a muitas
exceções e ocasionais alterações), eu estou inclinado a pensar que isto chegaria perto da marca: Os homens
saudáveis, em geral, precisam de um pouco mais do que seis horas de sono; as mulheres saudáveis, um
pouco mais do que sete, em vinte e quatro horas. Eu mesmo necessito de seis horas e meia, e não posso
subsistir bem, com menos.

5. Se alguém deseja saber exatamente qual a quantidade de sono que sua própria constituição requer,
ele pode muito facilmente fazer o experimento que eu fiz por volta de sessenta anos atrás: eu, então, acordei
todas as noites, por volta das doze, ou uma, e fiquei acordado por algum tempo. Eu prontamente concluí,
que foi devido à minha permanência mais tempo na cama, do que a natureza requeria. Para ficar satisfeito,
eu coloquei um alarme que me acordasse na manhã seguinte às sete horas; (quase uma hora mais cedo do
que eu me levantei no dia anterior), ainda assim, eu fiquei acordado à noite. Na segunda manhã, eu me
levantei às seis horas; mas, não obstante, permaneci acordado a segunda noite. Na terceira manhã, eu me
levantei às cinco horas, mas, apesar disto, eu permaneci acordado a terceira noite. Na quarta manhã, eu
levantei às quatro horas; (como, pela graça de Deus, eu tenho feito desde então), e não fiquei acordado mais.
E eu agora não fico acordado (tomando um ano todo), um quarto de hora consecutivo em um mês. Pelo
mesmo experimento, levantar-se, cada vez mais cedo toda manhã, pode alguém se certificar quanto sono ele
realmente necessita.

II

1. ―Mas, por que alguém se preocuparia tanto? Que necessidade existe em ser tão escrupuloso? Por
que nós nos tornaríamos tão minuciosos? Que dano existe em fazer como nosso próximo faz? – supondo-se
ficar na cama, das dez até seis ou sete no verão; e oito ou nove no inverno?‖.

2. Se você considerar esta questão fielmente, você precisará de um bom grau de candura e
imparcialidade; já que eu estou preste a dizer alguma coisa provavelmente completamente nova; diferente de
qualquer coisa que você ouviu em sua vida; diferente da opinião, pelo menos, do exemplo, de seus pais, e
seus parentes próximos; mais do que isto, talvez, da maioria das pessoas religiosas que alguma vez você
esteve familiarizado. Eleve, portanto, seu coração ao Espírito da Verdade, e implore a ele para brilhar sobre
você, para que, sem referir-se a algum homem em especial, você possa ver e seguir a verdade como ela está
em Jesus.

3. Você realmente deseja saber qual dano existe, em não redimir todo o tempo que você puder do
sono? Suponha gastar nele uma hora mais por dia, do que a natureza requeira. Primeiro, ele prejudica seus
recursos; ele joga fora seis horas por semana, que poderiam ser usadas para alguma causa temporal. Se você
pode realizar algum trabalho, você poderia ganhar alguma coisa naquele tempo, fosse ele sempre tão
pequeno. E você não tem necessidade de jogar, nem mesmo isto, fora. Se você mesmo não precisa dele, dê a
quem precisa; se você conhece alguns deles que não estão muito distantes. Se você não está no comércio,
ainda assim, você pode empregar o tempo para que ele lhe traga dinheiro, ou o suficiente para si mesmo ou a
outros.

4. Em Segundo Lugar, o não redimir todo o tempo que você puder do sono; o gastar mais tempo
nele do que sua constituição necessariamente requeira, prejudica sua saúde. Nada pode ser mais certo do que
isto, embora não seja comumente observado, porque o mal rouba você, vagarosa e insensivelmente. Desta
maneira gradual e quase imperceptível, ele estabelece o alicerce de muitas enfermidades. Ele é a causa
principal de todas as doenças nervosas, em especial. Muitas perguntas têm sido feitas, do porque as
desordens nervosas são tão mais comuns em nosso meio dos que entre nossos ancestrais. Outras causas
podem freqüentemente ocorrer, mas a principal é que nós ficamos muito mais tempo na cama. Em vez de
nos levantarmos às quatro, a maioria de nós que não está obrigada a trabalhar pelo pão nosso, fica até as
sete, oito, ou nove horas. Não precisamos inquirir mais além. Isto suficientemente pode ser levado em conta
do grande crescimento dessas enfermidades dolorosas.

5. Podemos observar, que a maioria destes se levanta, não meramente depois de dormir muito, mas,
pelo que imaginamos ser, até mesmo, completamente inofensivo, depois de permanecer por muito tempo na
cama. Por embeber-se (como isto é enfaticamente chamado), por tanto tempo, em meio a lençóis quentes, o
corpo fica, por assim dizer, super aquecido, e se torna frágil, e flácido. Os nervos, portanto, ficam
completamente frouxos, e toda a série de sintomas melancólicos – debilidade, tremores, e disposições fracas
(assim chamadas) - surge, até que a própria vida se torne um fardo.

6. Um efeito comum do dormir demais, ou do ficar muito tempo na cama, é a fraqueza dos olhos,
particularmente aquela fraqueza que é do tipo nervoso. Quando eu era jovem, minhas vistas eram
notavelmente fracas. Por que, então, ela é mais forte agora que foi há quarenta anos? Eu atribuo isto,
principalmente, à bênção de Deus, que nos prepara para o que quer que ele nos chame. Mas,
indubitavelmente, aos meios exteriores que ele se agradou de abençoar foi o levantar-se cedo de manhã.

7. Uma objeção ainda maior ao não se levantar cedo; ao não redimir todo o tempo que pudermos do
sono, é que isto fere a alma assim como o corpo; e é um pecado contra Deus. E, na verdade, necessariamente
deveria ser assim, em ambos os relatos precedentes. Porque não podemos desperdiçar, ou (o que vem a ser a
mesma coisa) não podemos aperfeiçoar, alguma parte de nossos bens mundanos, nem podemos prejudicar
nossa própria saúde, sem pecar contra Ele.

8. Mas esta atual intemperança também fere a alma de uma maneira mais direta. Ela semeia as
sementes da insensatez e desejos danosos; ela perigosamente inflama nossos apetites naturais; que uma
pessoa, se esticando e bocejando sobre uma cama está exatamente preparada para gratificar. Ela origina e
continuamente aumenta a indolência, tão freqüentemente objetada à nação inglesa. Ela abre caminho, e
prepara a alma, para todos os outros tipos de intemperança. Ela alimenta uma fraqueza e frouxidão universal
de espírito; nos tornando temerosos de toda pequena inconveniência, relutantes em negar a nós mesmos
qualquer prazer, ou de tomarmos e suportarmos alguma cruz. E como, então, podemos ser capazes (sem o
que deveremos cair no inferno) de ―tomarmos o reino dos céus, pela força?‖ * (Mateus 11-12). Ele
totalmente nos desqualifica para ―suportar a privação, como bons soldados de Jesus Cristo‖; e,
conseqüentemente, para ―lutar a boa luta da fé, e segurarmos firmes a vida eterna‖.

* [O reino dos céus permite violência]. Os publicanos e ateus, aos quais os escribas e fariseus
pensam que não têm direito ao reino do Messias, preenchidos com zelo santo e sinceridade, apoderam-se
imediatamente da misericórdia do Evangelho, oferecida, e, assim, tomam o reino, como que pela força,
daqueles doutores cultos que reivindicavam para si mesmos os principais lugares nele. O próprio Cristo
disse, em Lucas 7:28-30 ―Pois eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que
João; mas aquele que é o menor no reino de Deus é maior do que ele. E todo o povo que o ouviu, e até os
publicanos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João. Mas os fariseus e os doutores da
lei rejeitaram o conselho de Deus quando a si mesmos, não sendo batizados por ele‖. Aquele que tomará;
que terá a posse do reino da retidão, paz, e alegria espiritual, deverá ser sincero: todo o inferno se oporá a
ele, em cada passo que ele der; e se um homem não estiver absolutamente determinado a desistir de seus
pecados e más companhias, e ter sua alma salva, sob todos os riscos, e a qualquer custo, ele certamente
perecerá eternamente. Isto requer uma sinceridade violenta – (Notas de Adam Clarke)
9. De que maneira admirável o grande homem, sr. [William] Law trata este importante assunto! [A
saber, Redimir o tempo do Sono]. Parte de suas palavras, eu não posso deixar de anexar aqui, para uso dos
leitores mais conscientes.

―Eu tenho por garantido, que todo cristão saudável deve levantar-se cedo de manhã. Porque é muito
mais razoável supor que uma pessoa levanta cedo porque é um cristão, do que porque é um trabalhador, um
comerciante ou um servo‖.

―Nós compreendemos a abominação que é um homem estar na cama, quando deveria estar no
trabalho. Nós não podemos fazer uma idéia boa daquele que é como tal um escravo da sonolência, de
maneira a negligenciar seu trabalho por causa dela‖.

―Que isto, portanto, nos ensine a compreender quão odioso devemos parecer a Deus, se estamos na
cama, presos ao sono, quando poderíamos louvar a Deus; e, como tal, escravos da sonolência de maneira a
negligenciar nossas devoções, por causa dela‖.

―O sono é tal estado tedioso e estúpido de existência, que, até mesmo em meio aos meros animais,
nós desdenhamos aqueles que são mais inativos. Aquele, portanto, que escolhe ampliar a negligente
indolência do sono, preferivelmente a levantar-se cedo em suas devoções, escolhe o mais estúpido refrigério
do corpo, perante os mais nobres desfrutes da alma. Ele escolhe aquele estado que é uma reprovação para
meros animais, àquele exercício que é a glória de anjos‖.

10. ―Além disto, aquele que não pode negar a si mesmo este prazer letárgico, não está mais
preparado para a oração, quando ele se levanta, do que está para jejuar, ou algum outro ato de abnegação.
Ele pode, de fato, mais facilmente ler a forma da oração, do que ele pode executar essas obrigações; mas
ele não está mais disposto para o espírito de oração, do que ele está disposto para jejuar. Porque ceder
assim ao sono dá uma fraqueza a todos os nossos temperamentos, e nos torna incapazes de saborear
alguma coisa mais, a não ser o que está ajustado a este estado ocioso da mente, que o sono proporciona.
De maneira que uma pessoa que é escrava desta preguiça está no mesmo temperamento quando de pé.
Todas as coisas que são ociosas ou sensuais a agradam. E todas as coisas que requeiram preocupação ou
abnegação, são odiosas a ela, pela mesma razão que odeia levantar-se‖.

11. ―É impossível para um epicurista ser verdadeiramente devoto. Ele deve renunciar à sua
sensualidade, antes que possa saborear a felicidade da devoção. Agora, aquele que faz do sono uma
indulgência ociosa, faz muito para corromper sua alma, para torná-la escrava dos apetites corporais, assim
como os epicuristas fazem. Isto não perturba sua vida, como os atos notórios de intemperança fazem; mas,
assim como qualquer curso moderado de indulgência, ele silenciosamente, e por graus menores, corrói o
espírito da religião, e sucumbe a alma na estupidez e sensualidade‖.

―A abnegação de todos os tipos é a própria vida da alma e devoção; mas aquele que não tem muito
dela, de maneira a ser capaz de levantar-se cedo em suas orações, não pode pensar que toma sua cruz, e
segue a Cristo‖.

―Que conquista ele teve sobre si mesmo? Que mão direita ele cortou? Para quais privações ele se
preparou? Que sacrifício, ele está pronto a oferecer a Deus, que não seja cruel a si mesmo, como se
levantar para orar, a tal hora, como a parte trabalhadora do mundo se levanta satisfeita para seu
trabalho?‖.

12. ―Algumas pessoas não terão escrúpulos em dizer que elas se entregam ao sono, porque não tem
o que fazer; e que, se elas tivessem algum trabalho para despertá-la, elas não perderiam tanto o tempo
delas, dormindo. Porém, é preciso que se diga que elas se enganam quanto ao assunto; que elas têm um
grande acordo de trabalho a fazer; elas têm um coração endurecido para mudar; elas têm todo o espírito
da religião para conseguir. Porque, certamente, aquele que pensa que tem coisa alguma a fazer, porque
nada, a não ser suas orações necessitam dele, pode justamente saber que têm todo o espírito da religião
para buscar‖.

―Você não deve, portanto, considerar quão pequena falta é levantar-se tarde; mas quão grande
miséria isto é para o desejo do espírito de religião, e viver em tal comodidade e inatividade de maneira a
torná-lo incapaz dos deveres fundamentais do Cristianismo‖.

―Se eu fosse desejar que você não considerasse a gratificação de seu paladar, eu não insistiria no
pecado de perder seu dinheiro, embora ele seja um grande pecado, mas pediria que você renunciasse a tal
modo de vida, porque ele o mantém em tal estado de sensualidade, de forma a conferir-lhe a incapacidade
de apreciar as doutrinas mais essenciais da religião‖.

―Pela mesma razão, eu não insistirei tanto no pecado de perder seu tempo dormindo, embora este
também seja um grande pecado; mas gostaria que você renunciasse a esta indulgência, porque ela oferece
uma comodidade e inatividade à sua alma, e é tão contrária àquele espírito vivo, zeloso, vigilante,
abnegado, que não foi apenas o espírito de Cristo e seus Apóstolos, e o espírito de todos os santos e
mártires que existiram em meio a eles, mas deve ser o espírito de todos aqueles que não gostariam de
sucumbir na corrupção comum do mundo‖.

13. ―Aqui, portanto, nós devemos fixar nossa acusação contra esta prática. Nós devemos nos
envergonhar dela, não por ter este ou aquele mal específico, mas como um hábito geral que se estende
através de todo nosso espírito, e apóia um estado de mente que é totalmente errado‖.

―Ela é contrária à devoção; não como um deslize acidental, ou os equívocos na vida são contrários
a ela; mas da mesma forma que o estado doentio do corpo é contrário à saúde‖.

―Por outro lado, se você se levantasse cedo toda a manhã, como um exemplo de abnegação; como
um método de renunciar à indulgência; como um meio de redimir seu tempo e ajustar seu espírito para a
oração, você logo acharia a vantagem. Este método, embora pareça uma pequena circunstância, seria um
meio de grande devoção. Ele manteria em sua mente que a facilidade e inatividade é a destruição da
religião. Ele o ensinaria a exercitar o poder sobre si mesmo, e renunciar aos outros prazeres e
temperamentos que guerreiam contra a alma. E o que é plantado e regado, certamente terá um crescimento
de Deus‖.

III

1. Resta apenas inquirir, Em Terceiro Lugar, como podemos redimir o tempo; como podemos
prosseguir neste importante questão. De que maneira, nós devemos, mais efetivamente, praticar este
importante ramo de temperança?

Eu aconselho a todos que estão completamente convencidos da importância inexprimível disto, que
não permitam que esta convicção morra, mas comecem a agir prontamente de acordo com ela. Apenas não
dependa de suas próprias forças; se você fizer isto, você se frustrará extremamente. Esteja profundamente
consciente de que você não é capaz de fazer coisa alguma boa por você mesmo, de maneira que, aqui, em
específico, todas as suas forças, todas as suas resoluções valerão de coisa alguma. Quem quer que confie em
si mesmo será confundido. Eu nunca encontrei exceção. Eu nunca soube de alguém que confiasse em suas
próprias forças, que mantivesse esta resolução por um ano.

2. Eu aconselho a você, (2) que clame ao Forte por força. Clame a Ele que tem todo o poder no céu e
terra, e creia que Ele responderá a oração que não sai de lábios dissimulados. Como você não pode ter tão
pouca confiança em si mesmo, então, você não pode ter tanta Nele. Então, levante-se na fé; e certamente a
força dele será feita perfeita em sua fraqueza.
3. Eu aconselho você, (3) que acrescente prudência à sua fé. Use dos meios mais racionais para
alcançar seu propósito. Particularmente comece com o objetivo certo, do contrário, você perderá seu
trabalho. Se você deseja levantar cedo, durma cedo; mantenha este ponto em todos os eventos. A despeito
das mais queridas e agradáveis companhias; a despeito de suas solicitações mais sinceras; a despeito das
súplicas, zombarias, ou reprovações, rigorosamente mantenha sua hora. Levante-se precisamente à sua hora,
e retire-se, sem cerimônia. Mantenha sua hora, não obstante, o trabalho mais urgente. Deixe todas as coisas,
até de manhã. Mas é sempre tão grande cruz, sempre tão grande abnegação, manter sua hora, ou tudo estará
acabado.

4. Eu aconselho a você, (4) que seja firme. Mantenha sua hora de levantar-se, sem interrupção. Não
se levante duas manhãs, e fique na cama na terceira; mas o que você fizer uma vez faça-o sempre. ―Mas
minha cabeça dói‖. Não se preocupe com isto. ―Mas eu estou sonolento, de maneira incomum; meus olhos
estão completamente pesados‖. Então, você não deve discutir; do contrário, é causa perdida; mas levante-se
imediatamente. E se sua sonolência não for embora, deite-se, durante uma hora ou duas depois. Mas não
permita que coisa alguma quebre esta regra, levante-se e se vista na sua hora.

5. Talvez você irá dizer: ―O conselho é bom; mas ele veio muito tarde! Eu causei uma violação já.
Eu me levantei cedo constantemente, e por uma ocasião, nada me impediu. Mas eu abri caminho, aos
poucos, e agora descontinuei isto por um tempo considerável‖. Então, em nome de Deus, comece
novamente! Comece amanhã; ou antes, hoje à noite, indo mais cedo para a cama, a despeito das outras
companhias ou ocupação. Comece com mais autoconfiança do que antes, mas com mais confiança em Deus.
Apenas siga essas poucas regras, e, minha alma pela sua, Deus lhe dará a vitória. Em pouco tempo, a
dificuldade terminará, mas o benefício durará para sempre.

6. Se você diz: ―Mas eu não posso agir agora como antes; porque eu não sou o que eu era: Eu tenho
muitas enfermidades, minha disposição está fraca, minhas mãos tremem; eu estou todo relaxado‖. – Eu
respondo: Todos esses são sintomas nervosos; e eles todos surgem parcialmente do seu dormir
exageradamente: Nem é provável que eles alguma vez serão removidos, exceto se você remover a causa.
Portanto, nesta mesma consideração (não apenas para punir-se por sua tolice e deslealdade, mas), com o
objetivo de recuperar sua saúde e força, retome seu levantar cedo. Você não tem outros meios possíveis de
recuperação, em algum grau tolerável, de sua saúde, tanto do corpo quanto da mente. Absolutamente, não se
mate. Não caminhe em um atalho que o conduz para os portões da morte! Como eu disse antes, eu digo
novamente: Em nome de Deus, hoje mesmo, levante-se renovado. A verdade, é que será muito mais difícil
do que foi no início. Mas suporte a dificuldade que você trouxe sobre si mesmo, e ela não durará muito
tempo. O Sol da Retidão brilhará logo novamente, e irá curar tanto sua alma quanto seu corpo.

7. Mas não imagine que este simples ponto, o de levantar-se cedo, será suficiente para fazer de você
um cristão. Não: Embora este simples ponto, o não se levantar cedo, pode mantê-lo um pagão, vazio de todo
o espírito cristão; embora isto somente (especialmente, se você alguma vez o conquistou) vá mantê-lo frio,
formal, insensível, morto, e tornar impossível a você dar um passo adiante na santidade vital, ainda assim,
isto apenas irá um pouco adiante para tornar você um cristão verdadeiro. É apenas um passo de muitos; mas
é um só. E tendo feito isto, siga adiante. Vá em frente, para a abnegação universal, a temperança em todas as
coisas, à firme resolução de tomar cada cruz, para o qual você é chamado, diariamente. Siga em frente, em
uma busca completa de toda a mente que estava em Cristo, da santidade interior, e, então, exterior; assim
desperte segundo a imagem dele, e esteja satisfeito.

[Editado por George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

SOBRE A RELIGIÃO NA FAMILIA


'Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem
serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém
eu e a minha casa serviremos ao Senhor'.
(Josué 24:15)

Amorreu: [Povo guerreiro que surgiu na Babilônia no século III a.C. e do qual talvez se tenha
originado a dinastia dos Hamurabis. Povo e Estado da Síria média que em tempos pré-israelitas dominava
cidades-estados e pequenos reinos na Palestina. De um modo impreciso, todos os cananeus pré-israelitas].

1. Nos versos precedentes, nós lemos que Josué, agora velho, 'reuniu as tribos de Israel até Siquém,
e chamou os anciãos de Israel, os seus cabeças, os seus juízes e ofíciais, e eles se apresentaram diante do
Senhor' (Josué 24:1). E Josué relatou-lhes detalhadamente as grandes coisas que Deus tinha feito para seus
antepassados; (Josué 24:2-13), concluindo com aquela forte exortação: 'Agora, portanto, tema ao Senhor, e
O sirva na sinceridade e verdade, e jogue fora os deuses que seus antepassados serviram do outro lado da
correnteza, (Jordão) e no Egito'. (Josué 24:14). Pode alguma coisa ser mais espantosa do que isto? Que, até
mesmo no Egito; sim, e no deserto, onde eles eram diariamente alimentados, e ambos, dia e noite, guiados
pelo milagre, os israelitas, em geral, poderiam adorar ídolos, numa clara oposição ao Senhor seu Deus! Ele
prossegue: 'Se parece pecaminoso a vocês servirem o Senhor, escolham hoje a quem irão servir; se os
deuses de seus antepassados, do outro lado da correnteza, ou os deuses dos Amorreus, em cujas terras
vocês habitam: Mas, minha casa e eu iremos servir ao Senhor'.

2. Uma resolução deste notável santo de cabeça grisalha, que teve uma larga experiência, desde sua
juventude, da bondade do Mestre, a quem ele devotou a si mesmo, e os proveitos de seu ofício. Quanto é
desejado que todos que têm testado que o Senhor é gracioso; todos aos quais ele resgatou das terras do
Egito, da escravidão do pecado, -- aqueles, especialmente, que estão unidos na camaradagem cristã --
fossem adotar esta sábia resolução! Então, o trabalho do Senhor prosperaria em nossa terra; então, sua
palavra seria divulgada e glorificada. Então, as multidões de pecadores, em todos os lugares, estenderiam
suas mãos em direção a Deus, até que 'a glória do Senhor cobrisse a terra, assim como as águas cobrem o
mar'.

3. Do contrário, qual será a conseqüência, se eles não adotarem esta resolução? – se a religião na
família for negligenciada? – se algum cuidado não for tomado na geração que surge? O presente
reavivamento da religião, em um curto tempo, não morreria? Não seria como o historiador do estado romano
fala em sua meninice, -- 'um evento que tem seu começo e fim, sem o espaço de uma geração?'. Não seria
uma confirmação daquela melancólica observação de Lutero de que 'um reavivamento da religião nunca
dura mais do que uma geração?'. Por uma geração (como ele se explica), ele quer dizer trinta anos. Mas,
abençoado seja Deus, esta observação não se refere ao presente exemplo; vendo que este avivamento, do
momento em que surgiu no ano de 1729, tem durado por mais de cinqüenta anos.

4. Você não tem visto algumas das conseqüências infelizes dos bons homens que não adotaram esta
resolução? Não existe uma geração surgida, até mesmo neste período; sim, e de pais devotos, que não
conhece ao Senhor? Que não tem Seu amor em seu coração, nem temor diante de seus olhos? Quantos deles
'menosprezam seus pais, e escarnecem dos conselhos de suas mães!'. Quantos são completamente estranhos
à religião real, à vida e poder dela! E não poucos têm se livrado de toda religião, e abandonado a si mesmos
a toda sorte de maldades! Agora, embora isto possa ser, algumas vezes, o caso, até mesmo os filhos
educados de uma maneira devota, ainda assim, este caso é muito raro: eu tenho encontrado alguns, mas não
muitos exemplos dele. A maldade dos filhos é geralmente devida à falta ou negligência de seus pais. Porque
é uma regra geral, embora que não universal; embora admita algumas exceções, 'treinar a criança no
caminho que ela deverá seguir, para que ela nunca mais se desvie dele'.

5. Mas qual é o teor desta resolução: 'Minha casa e eu serviremos ao Senhor?'. Com o objetivo de
entender e praticar isto, vamos...
I. Inquirir o que significa 'servir ao Senhor'.
II. Quem está incluído na expressão, 'minha casa'.
III. E o que nós podemos fazer para que nós e nossa casa sirvamos ao Senhor.

1. Em Primeiro Lugar, vamos inquirir o que é 'servir ao Senhor', não como um judeu, mas como
um cristão; não apenas como um ofício exterior, (embora alguns dos judeus, indubitavelmente, fossem mais
além do que isto), mas interiormente, com o ofício do coração, 'adorando a Ele em espírito e verdade'. A
primeira coisa sugerida neste ofício é a fé; crer no nome do Filho de Deus. Nós não podemos desempenhar
um ofício aceitável a Deus, até que acreditemos em Jesus Cristo, a quem Ele enviou. Aqui, a adoração
bíblica de Deus começa. Tão logo qualquer um tenha o testemunho em si mesmo; tão logo ele possa dizer, 'a
vida que agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e deu a Si mesmo por mim', ele é capaz
de verdadeiramente 'servir ao Senhor'.

2. Tão logo ele crê, ele ama Deus, que é um outro requisito contido no 'servir ao Senhor'. 'Nós O
amamos, porque Ele primeiro nos amou'; no qual a fé é a evidência. O amor de um Deus redentor é
'espalhado em nossos corações, pelo Espírito Santo que é dado a nós'. De fato, este amor pode admitir
milhares de graus: Mas, ainda assim, cada um, por quanto tempo ele crê, pode verdadeiramente declarar
diante de Deus, 'Senhor, tu sabes que eu amo a ti'. Tu sabes que 'meu desejo é junto a ti, e na lembrança de
teu nome'.

3. E se um homem verdadeiramente ama a Deus, ele não pode deixar de amar seu próximo também.
Gratidão para com nosso Criador, certamente irá produzir benevolência para com nosso próximo. Se nós O
amamos, nós não podemos deixar de amar um ao outro, como Cristo nos amou. Nós sentimos nossas almas
dilatadas, no amor, em direção a todo filho do homem. E em direção a todos os filhos de Deus, nós
oferecemos 'toda sorte de delicadeza, gentileza, longanimidade; perdoando uns aos outros', se temos uma
queixa contra alguém, 'assim como Deus, por causa de Cristo, nos perdoou'.

4. Uma coisa mais está implícita no 'servir ao Senhor', ou seja, obedecer a Ele; firmemente caminhar
em todos os Seus caminhos, fazer Suas vontades de todo coração. Como aqueles 'seus servos', acima, que
'fizeram Seu gosto, que mantiveram Seus mandamentos, cuidadosamente evitando o que Ele tivesse
proibido, e zelosamente fazendo o que o agradava; planejando sempre ter a consciência livre de ofensa em
direção a Deus e em direção ao homem'.

II

Todo cristão verdadeiro irá dizer, 'Eu e minha casa serviremos ao Senhor. Mas quem está incluído na
expressão, 'minha casa?'. Este é o próximo ponto a ser considerado.

1. A pessoa em sua casa que clama sua primeira e mais próxima atenção, é, sem dúvida, sua esposa;
vendo que você deve amá-la, mesmo como Cristo amou a Igreja, quando Ele colocou sua vida por ela, para
que Ele pudesse 'purificá-la, não tendo mácula, ou vinco, ou alguma dessas coisas'. A mesma finalidade
deve cada marido seguir, em todos os seus intercursos com sua esposa; e usar de todos os meios possíveis
para que ela possa ser liberta da toda mácula, e possa caminhar irrepreensível no amor.

2. Próximo a sua esposa, estão seus filhos, espíritos imortais que Deus tem, por algum tempo,
confiado aos seus cuidados, para que você possa treiná-los em toda santidade, e prepará-los para o desfrute
de Deus na eternidade. Esta é uma verdade gloriosa e importante; vendo que uma alma é mais valiosa do que
o mundo todo. Cada filho, portanto, você deve vigiar com o mais extremo cuidado, para que, quando você
for chamado para dar um relato ao Pai dos Espíritos, você possa prestar suas contas com alegria e não, com
aflição.
3. Você deve observar seus servos [empregados], de qualquer tipo, como filhos secundários: Esses,
igualmente, Deus tem colocado, sob sua responsabilidade, como alguém a quem você deverá prestar contas.
Porque cada um, sob seu teto, que tenha uma alma para ser salva, está debaixo de seu cuidado; não apenas
servos encomendados, que estão legalmente comprometidos a permanecerem com você por um termo de
anos; não apenas servos alugados, se voluntariamente estão contratados, por um longo ou curto período;
mas, também, aqueles que servem a você, um dia da semana: porque esses também são, em alguma medida,
entregues em suas mãos. E não é desejo de nosso Mestre que está nos céus, que alguns desses possam sair
de suas mãos, antes que eles tenham recebido alguma coisa mais valiosa do que ouro ou prata de você. Sim,
você é responsável, em algum grau, até mesmo pelo 'estranho que está em seus portões'. Quando você é
particularmente requerido que ele não execute 'algum tipo de trabalho', no dia do Senhor, enquanto estiver
dentro de seus portões; assim, pela paridade de raciocínio, você é requerido a fazer tudo que está em seu
poder, para prevenir seu pecado contra Deus, em qualquer outra instância.

III

Em Terceiro Lugar, vamos inquirir, o que podemos fazer para que todos esses possam 'servir ao
Senhor'.

1. Em Primeiro Lugar, nós não podemos nos esforçar, para refreá-los de todo o pecado exterior; de
toda blasfêmia profana; de tomarem o nome de Deus em vão; de fazerem algum trabalho desnecessário; ou
de irem se divertir no dia do Senhor? Este trabalho de amor, você deve, até mesmo, aos seus visitantes;
quanto mais à sua esposa, filhos, e servos. Os primeiros, sob os quais você tem uma menor influência, você
pode refrear, usando de argumento ou persuasão moderada. Se você achar que, depois de repetidas
tentativas, eles não irão concordar, tanto com um, quanto com o outro argumento, é seu dever supremo
colocar a cerimônia à parte, e demiti-los de sua própria casa. Os servos, também, se por um dia, ou por um
longo período, se você não puder civilizá-los, quer, através de raciocínio acrescentado ao seu exemplo, ou
através de reprovações gentis ou severas, mesmo repetidas freqüentemente, você deve, de qualquer maneira,
despedi-los de sua família, mesmo que isto possa sempre ser tão inconveniente.

2. Mas você não pode despedir sua esposa, a menos que seja por causa de fornicação, que seja por
adultério. O que pode, então, ser feito, se ela está habituada a algum outro pecado declarado? Eu não
consigo encontrar na Bíblia que um marido tem autoridade para bater em sua esposa por conta disto, mesmo
supondo que ela bata nele primeiro, a menos que sua esposa esteja em perigo eminente. Eu nunca soube de
algum exemplo de esposa corrigida por meio disto. Eu tenho ouvido, de fato, alguns tais exemplos; mas
como eu nunca os vi, eu não acredito neles.Parece a mim que tudo que pode ser feito neste caso deve ser
feito, parcialmente, através de exemplo; parcialmente, através de argumento de persuasão, cada um aplicado
de tal maneira, como é prescrito pela prudência cristã. Se o mal puder sempre ser dominado, ele deverá ser
dominado pelo bem. Ele não pode ser dominado pelo mal: Nós não podemos atingir o diabo com suas
próprias armas. Portanto, se este mal não puder ser dominado, através do bem, nós somos chamados a
suportá-lo. Nós somos, então, chamado a dizer: "Esta é a cruz que Deus escolheu para mim. Ele certamente
a permite, para finalidades sábias;'que Ele faça, o que lhe parecer bom'. Quando Ele achar que será o
melhor, Ele irá remover este cálice de mim". Neste meio tempo, continue em oração sincera, sabendo que
com Deus, nenhuma palavra é impossível; e que ele irá, no devido tempo, tirar a tentação, assim como fazer
dela uma bênção para sua alma.

3. Seus filhos, enquanto jovens. Você pode refrear o mal, não apenas através de conselho, persuasão,
ou reprovação, mas também, através de correção; não apenas lembrando que estes meios deve ser usado por
ultimo, -- não antes que todos os outros sejam tentados, e seja constatado que são ineficientes. E, mesmo,
então, você deverá tomar o extremo cuidado de evitar a mesma aparência de paixão. O que quer que seja
feito, deverá ser feito com moderação; mais do que isto, com delicadeza, também. Do contrário, seu próprio
espírito irá sofrer perda, e o filho irá colher uma vantagem pequena.

4. Mas alguns irão lhe dizer, 'Tudo isto é trabalho jogado fora: Uma criança não precisa ser
corrigida, afinal. Instrução, persuasão, e conselho serão o suficiente para qualquer criança, sem corretivo:
especialmente, se reprovação gentil for acrescentada, conforme a ocasião possa requerer'. Eu respondo:
podem existir alguns exemplos específicos, nos quais este método pode ser bem sucedido. Mas você não
deve, de qualquer forma, colocar isto como uma regra universal; a menos que você se julgue mais sábio do
que Salomão; ou, para falar, mais propriamente, mais sábio do que Deus. Já que o próprio Deus, que melhor
conhece suas próprias criaturas, nos tem dito expressamente: 'Ele que poupar a vara, odeia seu filho: Mas
ele que ama seu filho, o disciplina, cedo'. (Prov. 12:24). E nisto está alicerçado aquele mandamento claro,
dirigido a todos que temem a Deus: 'Disciplina teu filho, enquanto existe esperança, e não permite que tua
alma seja indulgente com seu choro'. (Provérbios 19:18).

5. Em Segundo Lugar, nós não podemos nos esforçar, para instruí-los? Cuidar para que cada pessoa
que esteja sob nosso teto tenha todo tal conhecimento, necessário para a salvação? Ver que sejam ensinadas
todas essas coisas que pertencem à paz eterna de nossa esposa, servos, e filhos? Com esse objetivo, você
deve proporcionar que não apenas sua esposa, mas seus servos também possam desfrutar de todos os meios
públicos de instrução. Sobre o dia da Ceia do Senhor, em particular, você deve, então, providenciar o que
seja necessário para que seja feito em casa, para que eles possam ter uma oportunidade de atender todas as
ordenanças de Deus. Sim, e você poderia cuidar que eles tivessem algum tempo, todos os dias para lerem,
meditarem, e orarem; você poderia inquirir, se eles empregam verdadeiramente aquele tempo em exercícios,
para o qual ele é permitido. E que nenhum dia possa passar, sem a oração familiar, seriamente e solenemente
executada.

6. Particularmente, você se esforçaria para instruir seus filhos, cedo, claramente, freqüentemente, e
pacientemente. Instruí-los cedo, desde a primeira hora, quando você percebe que a razão começa a despertar.
A verdade, então, pode começar a brilhar sobre a mente muito mais cedo do que nós estamos aptos a supor.
E quem quer que observe as primeiras aberturas do entendimento, pode, pouco a pouco, suprir matéria
adequada para este trabalho, e dirigir os olhos de seus filhos, em direção às boas coisas, assim como em
direção as coisas ruins e levianas. Quando a criança começa a falar, esteja seguro de que o raciocínio
começa a trabalhar. Eu não sei o motivo, porque um pai não começa a falar das melhores coisas; das coisas
de Deus. E desde aquele momento, não aproveita a oportunidade de instilar todas as verdades, tanto quanto
eles sejam capazes de receber.

7. Mas falar para elas cedo não terá proveito, a menos que você igualmente fale claramente. Use tais
palavras que às crianças pequenas possam entender, justamente aquelas que elas próprias usam.
Cuidadosamente, observe as poucas idéias que elas já têm, e se esforçam para enxertar o que você diz a elas.
Para dar um pequeno exemplo: Mande a criança olhar; e pergunte. 'O que você vê lá?'. 'O sol'. 'Veja, quão
brilhante ele é! Sinta quão quente ele brilha sobre sua mão! Veja, como ele torna a grama verde! Mas
Deus, embora você não possa ver, está acima do céu, e é uma porção mais brilhante que o sol! É Ele; é
Deus que faz com que a grama e as flores cresçam; que torna as árvores verdes, e faz com que os frutos
brotem nelas! Pense no que Ele pode fazer! Ele pode fazer o que quer que agrade a Ele. Pode tocar em mim
ou em você e nos levar até Ele, de repente! Mas ele ama você; ele ama lhe fazer o bem. Ele ama fazer você
feliz. Como, então, você não poderia amá-Lo? Ele irá ensinar você como Ele quer que você O ame'.

8. Enquanto você fala sobre isto, ou de alguma tal maneira, você deve continuamente elevar seu
coração a Deus, implorando a Ele que abra os olhos do entendimento deles, e derrame sobre eles a Sua luz.
Ele, e tão somente, Ele pode fazê-los divergir das bestas que perecem. Ele somente pode aplicar suas
palavras em seus corações; sem que todo o seu trabalho seja em vão. Mas, quando quer que o Espírito Santo
ensine, não existe demora em aprender.

9. Mas, se você pudesse ver os frutos de seu trabalho, você os ensinaria não apenas cedo, e de
maneira clara, mas freqüentemente também. Seria de pouco ou nenhum trabalho fazer isto apenas uma ou
duas vezes na semana. Quão freqüentemente você alimenta o corpo deles? Não menos do que três vezes ao
dia! E será que a alma vale menos do que o corpo? Você não irá, então, alimentar este assim
freqüentemente? Se você se certificar que isto é uma tarefa cansativa, existe certamente alguma coisa errada
em sua própria mente. Você não os ama o suficiente; ou você não ama Aquele que é o seu Pai e o Pai deles!
Humilhe-se diante Dele! Implore que Ele dê a você mais amor; e o amor irá tornar o trabalho leve.
10. Mas não será de proveito algum ensiná-los, quer cedo, claramente ou freqüentemente, a menos
que você persevere nisto. Nunca abandone, nunca interrompa seu trabalho de amor, até que você veja os
frutos dele. Mas, para conseguir isto, você terá a absoluta necessidade de estar dotado com o poder do alto;
sem o que, eu estou persuadido a dizer que ninguém alguma vez teve, ou terá, paciência suficiente para a
tarefa. Do contrário, a inconcebível lentidão de algumas crianças e a inconstância ou teimosia de outros, os
induziriam a desistir da tarefa cansativa, e permitir que eles sigam suas próprias imaginações.

11. Mas supondo que, depois de ter feito isto; depois de ter ensinado seus filhos, desde sua primeira
infância, da maneira mais clara que você pôde, não perdendo oportunidade, e perseverando nisto, você não
ver presentemente os frutos de seu trabalho, você não deve concluir que não haverá algum. Possivelmente o
'pão', que você 'lançou nas águas', vá ser 'encontrado muitos dias depois'. A semente que tem permanecido,
há algum tempo, no chão pode, por fim, brotar em uma colheita farta. Especialmente, se você não refrear a
oração diante de Deus, se você continuar presente nisto com toda súplica. Enquanto isto, qualquer que seja o
efeito disto sobre os outros, sua recompensa está com o Altíssimo.

12. Muitos pais, por outro lado, presentemente vêem os frutos da semente que eles lançaram, e
sentem-se confortáveis em observar que seus filhos crescem na graça, na mesma proporção que eles crescem
biologicamente. Ainda assim, eles não fizeram tudo. Eles têm nas mãos ainda uma outra tarefa, algumas
vezes, não de pequena dificuldade. Seus filhos estão agora crescidos o suficiente para irem para a escola.
Mas para qual escola é aconselhável mandá-los?
13. Que você se lembre, que eu não falo para o mundo selvagem, leviano, imprudente, mas para
aqueles que temem a Deus. Eu pergunto, então, para qual finalidade você enviaria seus filhos para a escola?
'Para que eles possam se adequar a viver neste mundo'. A que mundo você se refere, -- a este ou ao
próximo? Talvez, você pensou neste mundo apenas; e se esqueceu que existe um mundo para vir; sim, e um
que irá durar para sempre! Peço-lhe que leve isto em consideração, e os envie para tais mestres, como que a
manter isto sempre diante dos olhos deles. Por outro lado, enviá-los à escola (permita-me falar claramente) é
um pouco melhor do que enviá-los ao diabo. De qualquer maneira, então, envie seus garotos, se você tem
alguma preocupação com suas almas, não para alguma escola pública grande (porque elas são berçários de
todo tipo de maldade), mas para uma escola privada, mantida por alguns homens devotos, que se esforçam
para instruírem, na religião e no aprendizado, um número pequeno de crianças.

14. 'Mas o que eu devo fazer com minhas filhas?'. De maneira alguma as envie para um internato.
Nesses seminários também as crianças ensinam umas as outras o orgulho, vaidade, afetação, intriga,
artimanhas, em resumo, tudo que uma mulher cristã não deve aprender. Supondo-se que uma garota tivesse
boa índole, ainda assim, o que ela faria em uma multidão de crianças; nenhuma que tenha algum
pensamento de salvar sua alma em tal companhia? Especialmente, quando a conversa delas aponta para
outro caminho, e se desvia para as coisas que alguém desejaria que elas nunca pensassem a respeito. E,
ainda assim, eu nunca conheci uma mulher piedosa e consciente que tenha sido educada em um grande
internato, que nunca afirmou que alguém também poderia enviar uma jovem donzela para ser educada em
Drury-Lane, Londres [escola católica].

15. 'Mas onde, então, enviar minhas meninas?'. Se você não pode educá-las, por você mesmo (como
minha mãe fez, e quem educou sete filhas, até a maturidade), enviem-nas para alguma professora que
verdadeiramente teme a Deus; alguém, cuja vida é um modelo para suas alunas, e alguém que, embora tenha
tantas alunas, possa vigiar cada uma delas, como alguém que deverá prestar contas a Deus. Quarenta anos
atrás, eu não conheci tal professora em Londres; mas você pode agora encontrar várias delas; você pode
encontrar tal professora, e tal escola, em Highgate, em Deptford, perto de Bristol, em Chester, ou perto de
Leeds.

16. Nós podemos supor que nossos filhos têm estado tempo suficiente na escola, e você pense em
alguma ocupação para eles. Antes que você determine alguma coisa sobre este assunto, veja que seus olhos
sejam puros. Eles são? Você almeja apenas agradar a Deus nisto? É melhor levar isto em consideração! Mas,
certamente, se você vive ou teme a Deus, esta será sua primeira preocupação, --'Em que tipo de ocupação,
seu filho irá mais igualmente amar e servir a Deus?Em qual empreendimento ele terá uma maior vantagem
para juntar tesouros na terra?'. Eu fico chocado, acima de qualquer medida, ao observar quão pouco disto é
atendido, até mesmo, pelos pais devotos! Até mesmo esses consideram apenas como ele pode ganhar mais
dinheiro; e não como ele pode conseguir mais santidade!

Até mesmo estes consideram apenas como ele pode conseguir mais dinheiro; não como ele pode
conseguir mais felicidade! Até mesmo esses, junto ao seu motivo glorioso, o enviam para um mestre pagão,
e para uma família, onde não existe a forma, e muito menos, o poder da religião! Apoiado neste motivo, eles
o colocam em um trabalho que não deixará para ele a probabilidade, se uma possibilidade, de servir a Deus.
Ó pais selvagens! Crueldade diabólica e desnatural. – se você cresse que existe um outro mundo!

'Mas o que eu devo fazer?'. Coloque Deus diante de seus olhos, e faça todas as coisas com o objetivo
de agradá-Lo. Então, você irá encontrar um mestre, de qualquer profissão, que ama, ou, pelo menos tema a
Deus; e você encontrará uma família na qual existe uma forma de religião, se não o poder também. Seu filho
pode, não obstante, servir ao diabo, se ele quiser; mas é provável que ele não irá. E não se importe, se ele
conseguir pouco dinheiro, contanto que ele consiga mais santidade. Será suficiente, embora ele tenha menos
dos bens materiais, se ele assegurar a posse dos céus.

17. Existe uma circunstância mais nisto da qual você terá grande necessidade da sabedoria do alto.
Seus filhos ou suas folhas estão agora na idade de se casarem, e desejam seu aconselhamento com relação a
isto. Agora você sabe que o mundo chama de um bom casamento, -- um, por meio do qual, o dinheiro é
ganho. Sem dúvida, seria assim, se fosse verdade que o dinheiro sempre traz felicidade: Mas eu duvido que
seja; dinheiro raramente traz felicidade, neste mundo ou no mundo vindouro. Então, não permita que algum
homem engane você com palavras vãs; riquezas e felicidade raramente habitam juntas. Portanto, se você for
sábio, você não irá buscar riquezas para seus filhos, por meio do casamento deles. Veja que seus olhos sejam
puros nisto também: Almeje simplesmente a glória de Deus, e a felicidade verdadeira de seus filhos, no
tempo e na eternidade. É uma coisa melancólica ver como os pais cristãos se regozijam em vender seus
filhos ou suas filhas para um pagão endinheirado! E você seriamente chama isto de bom casamento? Tu,
tolo, pela paridade de raciocínio, tu podes chamar de inferno uma boa moradia, e de diabo um bom mestre.
Ó, aprende uma lição melhor de teu melhor Mestre! 'Busca, primeiro, o reino de Deus, e a Sua retidão', se
para ti mesmo, ou teus filhos; ' e todas as outras coisas te serão acrescentadas'.

18. É indubitavelmente verdadeiro que, se você estiver fortemente determinado a andar neste
caminho; esforce-se por todos os meios possíveis, para que você e os de sua casa possam assim servir a
Deus; para que cada membro de sua família possa adorá-Lo, não apenas na forma, mas no espírito e na
verdade; você terá necessidade de usar de toda a graça, toda a coragem, toda a sabedoria que Deus tem dado
a você, porque você irá encontrar tais obstáculos no caminho, que só o imenso poder de Deus poderá
capacitar você a abrir caminho, por entre eles. Você terá todos os santos do mundo para lhe atacarem,
aqueles que irão pensar que você leva as coisas, muito além. Você terá todos os poderes das trevas contra
você, empregando força e fraude; e, acima de tudo, o engano de seu próprio coração; que, se você ouvir
atentamente, irá supri-lo com muitas razões, porque você deveria estar um pouco mais em conformidade
com o mundo. Mas já que você começou, siga em frente, no nome do Senhor, e no poder de Sua força!
Desafie o mundo sorridente e o carrancudo, com o príncipe que nele existe. Siga a razão e os oráculos de
Deus; não os modismos e os costumes de homens. 'Mantenha-se puro'. O que quer que os outros façam, que
você e aqueles de suas casa 'adornem a doutrine de Deus, nosso Salvador'. Que você, seu cônjuge, seus
filhos, e seus servos estejam todos do lado do Senhor; docemente em uma só parelha, caminhando em todos
os Seus mandamentos e ordenanças, até que cada um de vocês, 'possa receber sua recompensa, de acordo
com suas obras!'.

[Editado por Chris Thompson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Educação dos Filhos


'Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele'.
(Provérbios 22:6)

1. Nós não devemos imaginar que essas palavras devam ser entendidas, em um sentido absoluto,
como se nenhuma criança que tivesse sido instruída no caminho em que ela deveria ir, jamais tenha se
afastado dele. Os fatos, de modo algum, irão concordar com isto: Ao contrário, tem sido uma observação
comum, que 'alguns dos melhores pais têm os piores filhos'. É verdade, este poderia ser o caso, porque,
algumas vezes, homens bons, nem sempre têm um bom entendimento, e, sem isto, dificilmente se deve
esperar que eles vão saber como instruir seus filhos. Além disto, estes que são, em outros aspectos, homens
bons, têm freqüentemente muito mais comodidade de temperamento; de modo que eles não vão restringir
seus filhos do mal, além do que o velho Eli fez, quando ele disse gentilmente: 'Não, meus filhos, o relato que
ouvi de vocês não é bom'.

(I Samuel 2:22-23) 'Era, porém, Eli já muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o
Israel, e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da
congregação. E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Pois ouço de todo este povo os vossos malefícios.
Não, filhos meus, porque não é boa esta fama que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor'. Esta, então,
não é uma contradição à afirmação; porque seus filhos não foram 'instruídos no caminho onde deveriam ir'.
Mas deve-se reconhecer que alguns têm sido instruídos com todo cuidado e diligência possível; e, ainda
assim, antes que se tornem idosos; sim, no vigor da idade, eles se separam extremamente dele.

2. As palavras, então, devem ser entendidas com alguma limitação, e, então, elas conterão uma
verdade inquestionável. Trata-se de uma promessa geral, embora que não universal; e muitos têm
encontrado um feliz cumprimento dela. Como este é o método mais provável, que alguns pais podem adotar,
para tornar seus filhos devotos, então, ele geralmente, embora que não sempre, atende com o sucesso
desejado. O Deus de seus antepassados está com seus filhos; Ele abençoa a diligência deles, e eles têm
satisfação em deixar sua religião, tanto quanto seus bens mundanos, para aqueles que descendem deles.

3. Mas qual é 'o caminho em que uma criança deve seguir?'; e como nós devemos 'instruí-la' nele: O
alicerce disto é admiravelmente bem colocado pelo Sr. Law, em seu 'Um Chamado Sério para uma Vida
Devota'. Partes de suas palavras é: -

"Tivéssemos continuado perfeitos, como Deus criou o primeiro homem, talvez, a perfeição de nossa
natureza tivesse sido uma auto-instrutora suficiente para cada um. Mas assim como as enfermidades e
doenças têm criado a necessidade de medicamentos e médicos, então, as desordens de nossa natureza
racionais têm introduzido a necessidade de educadores e tutores".

"E como a única finalidade de um médico é restaurar a natureza ao seu estado próprio; então, a única
finalidade da educação é restaurar nossa natureza racional ao seu estado apropriado. Educação, portanto,
deve considerada como razão usada como segunda-mão, para, tanto quanto ela puder, suprir a perda da
perfeição original. E, como a Medicina pode justamente ser chamada de a arte de restaurar a saúde; então, a
educação pode ser considerada, sob outro aspecto, como a arte de recuperar, para o homem, a sua perfeição
racional".

"Este foi o objetivo diligenciado, pelos jovens que atenderam junto a Pitágoras, Sócrates e Platão. As
lições e instruções diárias deles eram tantas preleções sobre a natureza do homem; sua finalidade verdadeira,
e o correto uso de suas faculdades; sobre a imortalidade das almas; sua relação com Deus; a concordância da
virtude com a natureza divina; sobre a necessidade da temperança, justiça, misericórdia, e verdade; e a
insensatez de favorecer nossas paixões".

"Agora, como o Cristianismo tem criado, por assim dizer, o novo mundo moral e religioso, e
estabelecido tudo que é razoável, sábio, santo e desejável em seu ponto de vista verdadeiro; então, alguém
poderia esperar que a educação dos filhos pudesse ser tão melhorada pelo Cristianismo, como as doutrinas
da religião são".

"Como ele introduziu um novo estado de coisas, e nos informou tão completamente da natureza do
homem, e a finalidade de sua criação; como ele tem fixado todas as nossas bondades e maldades, nos
ensinado os significados de purificar nossas almas, de agradar a Deus, sermos felizes eternamente; alguém
poderia naturalmente supor que cada região cristã afluiu com escolas, não apenas para ensinar poucas
questões e respostas de um catecismo, mas para formar, instruir e treinar as crianças, em tal curso da vida
como as doutrinas mais sublimes do Cristianismo requerem".

"E a educação sob a orientação de Pitágoras ou Sócrates teve nenhuma outra finalidade, a não ser
ensinar as crianças a pensarem e agirem como Pitágoras e Sócrates faziam".

"E não é razoável supor que uma educação cristã possa ter nenhuma outra finalidade, a não ser
ensinar a elas como pensarem, julgarem, e agirem de acordo com as regras mais rigorosas do
Cristianismo?".

"De qualquer forma, alguém poderia supor que, em todas as escolas cristãs, o ensiná-las a começar
suas vidas no espírito do Cristianismo, -- em tal abstinência, humildade, sobriedade e devoção, como o
Cristianismo requer, -- não deveria ser apenas mais; mas cem vezes mais, considerado, mais ainda, que todas
as outras coisas".

"Porque aqueles que nos educam imitam nossos anjos guardiões; sugerem nada para nossas mentes, a
não ser o que é sábio e santo; nos ajudam a descobrir todo julgamento falso de nossas mentes, e a conquistar
toda paixão errada em nossos corações".

"E é tão razoável esperar e requerer todo este benefício de uma educação cristã, como requerer que o
médico possa fortalecer tudo o que é certo em nossa natureza, e remover todas as nossas doenças".

4. Que seja cuidadosamente lembrado, todo este tempo, que Deus, e não o homem, é o médico das
almas; que é Ele, e ninguém mais, que dá o medicamento para curar nossa doença natural; que toda 'a ajuda
que é feita sobre a terra, é Ele quem faz'; que nenhum dos filhos dos homens é capaz de 'trazer uma coisa
limpa do que é sujo'; e, em uma palavra, que 'é Deus quem opera em nós, o desejar e o fazer o que lhe
agrada'. Mas é geralmente seu prazer trabalhar pelas suas criaturas; ajudar o homem através do homem. Ele
honra os homens para serem, em um sentido, 'trabalhadores junto com Ele'. Por esses meios, a recompensa
é nossa, enquanto a glória resulta para Ele.

5. Isto sendo estabelecido como premissa, com o objetivo de ver distintamente qual é este caminho,
em que nós devemos instruir uma criança, vamos considerar: Quais são as doenças de sua natureza? Quais
sãos essas doenças espirituais que cada um que é nascido de uma mulher traz consigo para o mundo?

A primeira, não se trata do Ateísmo? Afinal, isto tem sido tão plausivelmente escrito, concernente 'a
idéia inata de Deus'; afinal, isto tem sido dito de sua existência comum a todos os homens, em todas as
épocas e nações; não parece que o homem tem naturalmente alguma idéia a mais de Deus, do que alguma
das bestas do campo; afinal, ele não tem conhecimento de Deus; nem temor de Deus; nem Deus está em
todos os seus pensamentos. Qualquer que possa ser a mudança a ser forjada, mais tarde, (se pela graça de
Deus, ou pela sua própria reflexão, ou pela educação); pela sua natureza, ele é um mero Ateísta.

6. De fato, pode ser dito que todo homem, pela sua natureza, é, por assim dizer, seu próprio deus. Ele
adora a si mesmo. Ele é, em sua própria concepção, absoluto Senhor de si mesmo. O herói de Dryden [O
grande poeta inglês, John Dryden, nasceu em 09 de Agosto de 1631] fala apenas de acordo com a natureza,
quando ele diz: 'Eu mesmo sou o rei de mim'. Ele busca a si mesmo em todas as coisas. Ele agrada a si
mesmo. E, por que não? Quem é o Senhor sobre ele? A sua vontade própria é sua única lei; ele faz isto ou
aquilo, porque é do seu bom prazer. No mesmo espírito, como o 'filho da manhã' diz do velho tempo, 'Eu
irei ocupar os lados do Norte', diz ele, 'Eu farei desta ou daquela maneira'. E nós não encontramos homens
conscientes, de todos os lados, que são do mesmo espírito? Que, se perguntados, 'Por que vocês fizeram
isto?', irão rapidamente responder, 'Porque eu estava decidido a fazê-lo'.

7. Uma outra doença, que toda alma humana traz consigo para o mundo, é o orgulho; uma propensão
contínua para pensar em si mesmo mais altamente do que deveria. Cada homem pode discernir, mais ou
menos dessa doença em cada um – a não ser em si mesmo. E, realmente, se ele pudesse discerni-la em si
mesmo, ela não iria subsistir muito tempo, porque ele iria, então, em conseqüência, pensar de si mesmo,
justamente como deveria pensar.

8. A próxima doença natural a cada alma humana, nascida com cada homem, é o amor ao mundo.
Cada homem é, pela natureza, um amante da criatura, em vez do Criador; um 'amante do prazer', de todo
tipo, 'mais do que um amante de Deus'. Ele é um escravo dos desejos tolos e danosos, de um tipo ou de
outro, tanto para o 'desejo da carne, o desenho dos olhos, quanto do orgulho da vida'. 'O desejo da carne' é
uma propensão a buscar felicidade no que gratifica um ou mais dos sentidos exteriores. 'O desejo dos olhos',
é a propensão a buscar a felicidade no que gratifica o sentido interno da imaginação, quer pelas coisas
grandiosas, ou novas, ou belas. 'O desejo da vida' parece significar uma propensão a buscar felicidade no
que gratifica o senso de honra. A este assunto, usualmente se refere, 'o amor ao dinheiro', uma das paixões
mais básicas que pode ter lugar no coração humano. Mas pode-se duvidar, se esta não é uma intemperança
adquirida, em vez de uma doença natural.

9. Quer isto seja uma doença natural ou não, o certo é que a ira é. O filósofo antigo a defina como
'um sentido da injúria recebida, com um desejo de vingança'. Agora, existiu alguém nascido de uma mulher
que não se afligiu debaixo disto? Na verdade, como outras doenças da mente, ela é muito mais violenta em
uns, do que em outros. Porém é um furor breve, como fala o poeta; é uma loucura real, embora que breve,
onde quer que esteja.

10. Um desvio da verdade é igualmente natural a todos os filhos dos homens. Alguém disse em sua
precipitação, 'Todos os homens são mentirosos'; mas nós podemos dizer, numa reflexão moderada: Todos os
homens naturais irão, numa tentação pessoal, mudar, ou dissimular a verdade. Se eles não transgredirem a
veracidade; se eles não disserem o que é falso; ainda assim, eles freqüentemente irão transgredir a
simplicidade. Eles usam de artimanhas; eles expõem cores falsas; eles praticam tanto a simulação, quanto a
dissimulação. De modo que você não pode dizer verdadeiramente de alguma pessoa viva, até que a graça
tenha alterado a natureza, "Observe um israelita, em quem, de fato, não existe fraude!". (João 1:47) 'Jesus
viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo'.

11. Cada um é igualmente propenso, pela natureza, a falar ou agir contrário à justiça. Esta é uma das
doenças que nós trazemos conosco para o mundo. Todas as criaturas são naturalmente parciais a si mesma,
e, quando a oportunidade oferece, têm mais consideração ao seu interesse ou prazer próprios do que a justiça
estrita permite. Nem algum homem é, pela natureza, misericordioso, como nosso Pai celeste é
misericordioso; mas todos, mais ou menos transgridem aquela regra gloriosa da misericórdia, assim como
justiça: 'O que quer que queira que os homens façam a você, faça o mesmo a eles'.

12. Agora, se essas são as doenças gerais da natureza humana, não é a grande finalidade da educação
curá-las? E não cabe a todos esses a quem Deus tem confiado a educação dos filhos, tomar todo cuidado
possível, primeiro, para não aumentar, não alimentar alguma dessas doenças, (como a generalidade dos pais
constantemente fazem), e, depois, usar todos os meios possíveis para curá-las?

13. Para ser mais específico. O que os pais podem fazer, e as mães mais especialmente, para cujos
cuidados nossas crianças estão necessariamente comprometidas em suas tenras idades, com respeito ao
Ateísmo que é natural a todos os filhos dos homens? Como isto é alimentado, pela generalidade dos pais;
mesmo aqueles que amam, ou, pelo menos, temem a Deus; quando eles passam horas, talvez dias, com seus
filhos, e dificilmente mencionam o nome Dele! Neste meio tempo, eles falam de milhares de outras coisas
no mundo que estão em volta deles. E as coisas do mundo atual, que circundam essas crianças, não irão,
então, naturalmente tomar seus pensamentos, e colocar Deus a uma distância maior deles (se isto for
possível) do que Ele estava antes? Os pais não alimentam o Ateísmo de seus filhos, mais além, atribuindo as
obras da criação à natureza? Não é a maneira comum de falar a respeito da natureza deixar Deus
completamente fora da questão? Eles não alimentam essa doença, quando quer que eles falem, nos ouvidos
de seus filhos, de alguma coisa acontecendo deste ou daquele modo? Das coisas vindas por acaso? Pela boa
ou má sorte? Como também, quando eles se referem a este ou aquele evento, pela sabedoria ou poder dos
homens; ou, realmente, a alguma outra segunda causa, como se esses governassem o mundo? Sim, eles, sem
perceberem, não a alimentam, enquanto eles falam de sua própria sabedoria, ou bondade, ou poder para
fazer isto ou aquilo, sem expressamente mencionar que todos esses são o dom de Deus? Tudo isto, tende a
confirmar o Ateísmo de seus filhos, e manter Deus fora de seus pensamentos.

14. Mas nós estamos, de modo algum, limpos do sangue deles, se nós apenas formos assim tão longe,
se nós meramente não alimentamos a sua doença. O que pode ser feito para curá-la? Da primeira alvorada da
razão, inculcar, continuamente, que Deus está nisto e em toda parte. Deus fez você e a mim, e a Terra, e o
sol, e a lua, e todas as coisas. E todas as coisas são Dele; céu e terra, e tudo que nela existe. Deus ordena
todas as coisas. Ele faz o sol brilhar, e o vento soprar, e as árvores produzirem frutos. Nada vem por acaso;
esta é uma palavra tola; não existe tal coisa como acaso. Já que Deus criou o mundo, então, Ele governa o
mundo e todas as coisas que estão nele. Nem um pardal cai no chão, se não for pela vontade de Deus. E
como Ele governa todas as coisas, então, ele governa todos os homens, bons e maus, pequenos e grandes.
Ele dá a eles todo o poder e sabedoria que eles têm. E Ele governa tudo. Ele nos dá toda a bondade que
temos; todo bom pensamento e palavra, e obra são Dele. Sem Ele, nós não podemos pensar coisa alguma
certa, ou fazer coisa alguma correta. Assim é que nós inculcamos neles que Deus é tudo em tudo.

15. Assim, nós podemos neutralizar, e, pela graça de Deus nos assistindo, gradualmente curar o
Ateísmo natural de nossas crianças. Mas o que podemos fazer para curar a vontade própria dela? Ela está
igualmente enraizada em sua natureza, e é, de fato, a idolatria original, que não está confinada a uma época
ou região, mas é comum a todas as nações debaixo do céu. E quão poucos são os pais, que não são culpados
neste assunto, mesmo em meio aos cristãos que verdadeiramente temem a Deus! Quem não alimenta, e
aumenta continuamente essa intemperança em seus filhos? Permitir-lhes a vontade própria faz isto mais
efetivamente. Permitir a eles seguirem seu próprio caminho é o método certo de aumentar a vontade própria
sete vezes mais. Mas quem tem a resolução de fazer o contrário? Um pai em cem! Quem pode ser tão
singular, tão cruel, para não condescender, mais ou menos, a seu filho? 'E por que você não poderia? Que
dano pode haver nisto, que todos fazem?'. O dano é que isto fortalece a vontade deles, cada vez mais, até
que ela não se submeta nem a Deus, nem ao homem. Condescender aos filhos é, tanto quanto em nós se
coloca, fazer a doença deles, incurável. Os pais sábios, por outro lado, devem começar a coibir a vontade
deles, no primeiro momento em que ela aparece. Em toda a sabedoria da educação cristã, não existe coisa
alguma mais importante do que isto. A vontade dos pais está, para o filho pequeno, no lugar da vontade de
Deus. Portanto, cuidadosamente os ensine a se submeterem a isto, enquanto são crianças, para que eles
possam estar prontos a submeterem-na à vontade de Deus, quando forem homens. Mas, com o objetivo de
conduzir este ponto, você irá precisar de firmeza e resolução incríveis; porque, depois de você ter começado,
uma vez, você não deverá mais desistir. Você deverá manter-se firme ainda no mesmo curso; você nunca
deverá intermitir sua atenção por uma hora, do contrário você perderá seu trabalho.

16. Se você não está disposto a perder todo o trabalho que tem tido, para coibir a vontade de seu
filho, e trazê-la, em sujeição, à sua, para que ela possa estar, mais tarde, sujeita à vontade de Deus, existe um
conselho que, embora pouco conhecido, deve ser particularmente observado. Pode parecer uma
circunstância pequena; mas tem uma conseqüência maior do que alguém pode facilmente imaginar. É este:
Nunca, de maneira alguma, dê para a criança alguma coisa, pela qual ela chorou. Porque é uma observação
verdadeira (e você poderá fazer o experimento, tão freqüentemente quanto lhe agradar) que, se você der a
uma criança o que ela pede a você chorando; ela certamente irá chorar novamente.

'Mas, se eu não dou a ela, quando ela chora, ela irá gritar o dia todo'.
Se ela fizer isto, será por sua culpa; uma vez que está em seu poder efetivamente impedi-la: Porque
nenhuma mãe precisa suportar um filho gritando alto, depois que ele tem um ano de idade.

'Porque é impossível impedi-la'.

Assim, muitos supõem, mas trata-se de um completo equívoco. Eu sou testemunha, exatamente do
contrário; e assim muitos outros são. Minha mãe teve dez filhos, cada um tinha vitalidade o suficiente; ainda
assim, nenhuma delas era ouvida gritar alto depois que tivesse um ano de idade. A senhora de Sheffield
(diversas dessas crianças, eu suponho, ainda estão vivas) me afirmou que ela teve o mesmo sucesso com
respeito aos seus oito filhos. Quando alguns estavam contestando a possibilidade disto, o Sr. Parson
Greenwood (bem conhecido no norte da Inglaterra) replicou:

'Isto não pode ser impossível: Eu tive prova disto em minha família. Mais do que isto. Eu tenho seis
filhos de minha primeira mulher; e ela não aceitou que algum deles chorasse alto, depois que eles tivessem
dez meses de idade. E ainda assim, nenhum vigor deles foi tão coibido, de maneira a incapacitá-los para
algum, dos ofícios da vida'.

Isto, portanto, pode ser feito por alguma mulher de bom-senso, que pode, por meio disto, evitar a si
mesma uma abundância de problema, e prevenir aquele barulho desagradável; os berros das crianças jovens,
que podem ser ouvidos debaixo do telhado dela. Mas eu admito que ninguém, a não ser uma mulher de juízo
será capaz de efetuar isto; sim, e uma mulher de tal paciência e resolução, que somente a graça de Deus pode
dar. De qualquer modo, isto é sem dúvida, o caminho mais excelente: e ela que é capaz de recebê-lo, que o
receba!

17. É difícil dizer se a vontade própria ou orgulho seja a mais fatal intemperança. Foi principalmente
o orgulho que atirou para baixo, tantas estrelas do céu, e tornou anjos em demônios. Mas o que os pais
podem fazer, com o objetivo de parar isto, antes que ele possa ser radicalmente curado?

Primeiro: Cuide de não acrescentar combustível à chama; de alimentar a doença que você deve curar.
Quase todos os pais são culpados de fazerem isto, por elogiarem seus filhos na frente deles. Se você está
consciente da tolice e crueldade disto, veja que você inviolavelmente abstenha-se de fazê-lo. E, a despeito
do temor ou complacência, dê um passo adiante. Não apenas não encoraje, mas não aceite que outros façam
o que você mesmo não se atreve a fazer. Quão poucos pais estão suficientemente atentos a isto, -- ou, pelo
menos, suficientemente resolutos a praticar isto, -- parar cada um, na primeira palavra, dos que forem elogiá-
los na frente deles! Mesmo estes que, de modo algum, estariam solícitos ao elogio próprio; todavia, não
hesitariam de estarem solícitos ao elogio de seus filhos; sim, e isto na frente deles! Oh! Reflitam! Isto não é
espalhar armadilha para os pés deles? Este não é um incentivo grave ao orgulho, mesmo se eles forem
elogiados pelo que é verdadeiramente louvável? Não é duplamente danoso, se eles são elogiados por coisas
não verdadeiramente elogiáveis; -- coisas de uma natureza indiferente, como razão, boa conduta, beleza,
elegância de vestuário? Isto esta sujeito, a não apenas ferir os corações deles, mas seu entendimento
também. Isto tem uma tendência manifesta e direta a infundir orgulho e insensatez juntos; a perverter ambos
seu gosto e julgamento; ensinando-os a valorizarem o que é esterco e refugo aos olhos de Deus.

18. Se, ao contrário, você deseja, sem perda de tempo, golpear na raiz do orgulho deles, ensinar seus
filhos, tão logo quanto possível, que eles são espíritos caídos; que eles caíram daquela gloriosa imagem de
Deus, na qual eles foram primeiro criados; que eles não são agora, como eles foram uma vez, imagens
incorruptíveis do Deus da glória; carregando a semelhança explícita da sabedoria, da bondade, do santo Pai
dos espíritos; mas mais ignorantes, mais tolos, e mais pecaminosos, do que eles podem possivelmente
conceber. Mostrar a eles que no orgulho, paixão, e vingança, eles são agora como o diabo. E que, nos
desejos tolos e apetites rastejantes, eles são como as bestas do campo. Zele diligentemente neste respeito,
para que, sempre que a ocasião oferecer, você possa 'identificar o orgulho, em seus primeiros movimentos', e
impedir a mesma primeira aparição dele.
Se você me perguntar: 'Mas como eu posso encorajá-los, quando eles fazem o certo, se eu nunca os
aprovo?'.

Eu respondo, que eu nunca afirmei isto. Eu nunca disse tal coisa como: 'Você não deve nunca elogiá-
los!'. Eu conheço muitos escritores que afirmam isto, e escritores de devoção eminente. Eles dizem que
elogiar o homem é roubar a Deus, e, por conseguinte condenam isto completamente. Mas o que dizem as
Escrituras? Eu li que o próprio nosso Senhor freqüentemente elogiava seus discípulos; e o grande Apóstolo
não hesita em elogiar os Corintos, Filipenses, e concorda com outros a quem ele escreve. Ele não pode,
portanto, condenar isto completamente. Mas eu digo, use isto muito moderadamente. E, quando o fizer,
faça-o, com a mais extrema precaução, dirigindo-os, ao mesmo tempo, a verificarem que tudo que eles têm é
dom gratuito de Deus, e com a mais profunda humilhação própria diga: 'Não a nós! Não a nós! Mas a teu
nome seja dado o louvor!'.

19. Próximo à vontade própria e ao orgulho, a doença mais fatal com o que somos nascidos, está o
'amor ao mundo'. Mas quão cuidadosamente a generalidade dos pais cuida disto, em suas diversas
ramificações! Eles alimentam 'o desejo da carne', ou seja, a tendência a buscarem a felicidade, em
agradarem aos sentidos exteriores, arquitentando ampliarem o prazer do paladar de seus filhos ao extremo;
não apenas dando a eles, antes que eles desmamem, outras coisas além do leite, o alimento natural dos
filhos, mas dando a eles, ambos, antes e depois, toda sorte de carnes ou bebidas que eles terão. Sim, eles os
seduzem, muitos antes que a natureza requeira isto, a tomarem vinho ou bebidas fortes; e os fornecem com
frutas cristalizadas, bolo de gengibre, uva-passa, e qualquer fruta a que eles estejam inclinados. Eles
alimentam 'o desejo dos olhos', a propensão a buscarem a felicidade no prazer da imaginação, dando a eles
lindos brinquedos reluzentes, fivelas ou botões brilhantes, roupas finas, sapatos vermelhos, chapéus com
laços, ornamentos supérfluos, como fitas, colares, franzidos; sim, e propondo estes como recompensa por
fazerem a obrigação que lhes cabe, o que imprimi um grande valor sobre estas coisas. Com igual cuidado e
atenção eles estimulam neles, a Terceira ramificação do amor ao mundo, 'o orgulho da vida'; a propensão a
buscarem a felicidade na 'honra que vem dos homens'. Nem o amor ao dinheiro é esquecido; eles ouvem
muita exortação sobre aproveitarem a melhor chance; muitas leituras concordam exatamente com aquele
antigo ateu: 'Ganhe dinheiro, honestamente se você puder; mas, se não puder, ganhe dinheiro!'. E eles são
cuidadosamente ensinados a buscarem as riquezas e honras como a recompensa para todos os trabalhos
deles.

20. Em oposição direta a tudo isto, pais sábios e verdadeiramente amorosos tomam cuidado extremo,
para não nutrirem, em seus filhos, o desejo da carne; a propensão natural deles de buscarem felicidade, no
gratificarem os sentidos exteriores. Com esta visão, a mãe não irá permitir que eles provem alimento algum,
a não ser leite, até que eles sejam desmamados; o que milhares de experimentos mostram, é feito, mais
seguramente e facilmente, no final do sétimo mês. E, então, acostumá-los a um alimento mais simples,
principalmente de vegetais. Ela pode habituá-los a provar apenas uma espécie de alimento, além do pão, no
jantar, e, constantemente para o café da manhã, e jantar, com o leite, tanto frio ou aquecido, mas não fervido.
Ela pode acostumá-los, a que se sentem à mesa consigo, às refeições; e a não pedirem por nada, a não ser o
que lhes é dado. Ela não precisa fazer com que eles conheçam o gosto do chá, até que eles tenham, pelo
menos, nove ou dez anos de idade; ou fazerem uso de alguma outra bebida às refeições, a não ser água ou
ninharia [small beer]. E eles nunca desejarão provar carne ou bebida, entre as refeições, se não forem
acostumados a isto. Se frutas, confeitos, ou alguma coisa do tipo forem dados a eles, que eles não toquem
neles, a não ser às refeições. Nunca proponha alguma dessas coisas como uma recompensa; mas os ensinem
a ver mais alto do que isto.

Mas uma dificuldade irá surgir nisto; e vai precisar de muito mais resolução para vencer. Seus
criados, que não irão entender seu plano, irão continuamente dar pequenas coisas para seus filhos, e, por
meio disto, irão desfazer de todo seu trabalho. Isto você deve evitar, se possível, advertindo-os, quando eles
primeiro vieram para sua casa, repetindo o aviso de tempos em tempos. Se eles, não obstante, fizerem isto,
você deve mandá-los embora. Melhor perder um bom criado do que estragar uma boa criança.
Possivelmente, você pode ter outra dificuldade para enfrentar, e uma de natureza mais penosa. Sua
mãe, ou a mãe de seu marido pode morar com você; e você fará bem em mostrar a ela todo respeito possível.
Mas não a deixa ter, de maneira alguma, a mínima participação no manejo de seus filhos. Ela poderia
desfazer tudo o que você teria feito; ela iria fazer a vontade deles em todas as coisas. Ela poderia permitir a
eles a destruição de suas almas, se não, de seus corpos também. Em oitenta anos, eu nunca encontrei uma
mulher que soubesse manejar com um neto. Minha própria mãe, que governou seus filhos tão bem, nunca
pode governar uma neta. Em todos os outros pontos, obedeça a sua mãe. Desista da sua vontade pela dela.
Mas, com respeito ao manejo de seus filhos, firmemente mantenha as rédeas em suas próprias mãos.

21. Pais sábios e amorosos serão igualmente cautelosos em não alimentarem 'o desejo dos olhos' em
seus filhos. Eles não darão a eles brinquedos bonitos e resplandecentes, fivelas e botões brilhantes, roupas
finas e alegres; nem ornamentos desnecessários de qualquer tipo; nada que possa atrair os olhos. Nem eles
irão permitir que alguma outra pessoa dê a eles o que eles mesmos não darão. Alguma coisa do tipo que é
oferecida pode ser tanto civilmente recusada, quanto recebida e guardada. Se eles ficam insatisfeitos com
isto, você não pode fazer nada. Complacência, sim, e interesse temporal, necessitam ser colocados de lado,
quando o interesse eterno de seus filhos está em jogo.

Suas dores serão bem retribuídas, se você puder inspirá-los, logo cedo, com um desprezo a todos os
ornamentos; e, por outro lado, com um amor e estima a uma simplicidade e modéstia de vestuário:
Ensinando a eles a associarem as idéias de simplicidade e modéstia; e aquelas de uma mulher refinada e
relaxada. Igualmente, instile neles, tão logo quanto possível, um temor e desdém à pompa e grandeza; uma
aversão e horror ao amor ao dinheiro; e uma profunda convicção de que as riquezas não podem trazer
felicidade. Desacostumá-los, portanto, de todas esses objetivos falsos; habituá-los a fazerem de Deus seu
objetivo em todas as coisas; e acostumá-los, em tudo que eles façam, a objetivar conhecer, amar e servir a
Deus.

22. Novamente: A generalidade dos pais alimenta a ira em seus filhos; sim, a pior parte dela; ou seja,
a vingança. A mãe tola diz: 'O que feriu meu filho? Vingue-se, por mim'. Que trabalho horrível é este! Um
antigo assassino irá ensinar-lhes, rápido o suficiente, esta lição? Que os pais cristãos não poupem dores em
ensiná-los justamente o contrário. Lembrar a eles das palavras de nosso abençoado Senhor: (Mateus 5:38-
40) 'Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal';
não retornando o mal pelo mal. Preferivelmente a isto, 'se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe
também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa'. Lembre-se
das palavras do grande Apóstolo: (Romanos 12:19) 'Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar
à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor'.

23. A generalidade dos pais alimenta e aumenta a falsidade de seus filhos. Quão freqüentemente eles
podem ouvir aquela palavra absurda: 'Não, não foi você; não foi meu filho que fez isto; diga, foi o gato'. Que
tolice espantosa é esta! Você não sente remorso, enquanto está colocando uma mentira na boca de seu filho,
antes que ele possa falar claramente? E por acaso você pensa que isto terá boa proficiência, quando chegar a
maioridade [direito inglês aos 14 anos]? Outros os ensinam a tanto dissimularem quanto mentirem, através
de sua severidade desarrazoada; e, ainda outros, por admirarem e aplaudirem suas mentiras engenhosas e
embuste astuto. Que os pais sábios, ao contrário, os ensinem a 'descartarem toda mentira', nas pequenas e
nas grandes coisas; na galhofa e na sinceridade, falando a mesma verdade de seus corações. Que ensinem a
eles que o autor de toda falsidade é o diabo, que 'é um mentiroso e o pai da mentira'. Ensinem a abominar e
a desdenhar, não apenas toda mentira, mas todas as expressões ambíguas, toda a astúcia e dissimulação. Que
usem de todos os meios para fazê-los amar a verdade, -- veracidade, sinceridade, e simplicidade, e a
franqueza do espírito e comportamento.

24. A maioria dos pais aumenta, em seus filhos, a tendência natural à injustiça, por serem coniventes,
nas transgressões um ao outro; se não rindo, ou mesmo aplaudindo sua engenhosa sagacidade para enganar
um ao outro. Tomem cuidado, com todas as coisas deste tipo; e, em suas infâncias, semeiem as sementes da
justiça em seus corações, e os eduquem na prática mais exata dela. Se possível, os ensinem a amar a justiça,
e isto nas coisas menores, assim como, nas coisas maiores. Imprimam, em suas mentes, um velho provérbio:
'Aquele que é capaz de roubar um lápis, será capaz de roubar uma libra'. Habituem seus filhos a
devolverem tudo que eles devem, mesmo que um centavo.

25. Muitos pais são coniventes igualmente na maldade de seus filhos, e, por meio disto, a fortalecem.
Porém, os pais verdadeiramente afetuosos não irão ter indulgência com eles, de qualquer tipo, ou grau de
crueldade. Eles não irão aceitar que eles aflijam seus irmãos ou irmãs, quer por palavras ou ações. Eles não
irão permitir que eles firam ou causem dores à coisa alguma que tem vida. Eles não irão permitir que eles
roubem ninhos de pássaros; muito menos matem alguma coisa sem necessidade, -- nem mesmo cobras que
são tão inocentes quanto minhocas, ou sapos, o que tem sido provado, sempre e sempre, não obstante a
feiúra e a má fama deles, serem tão inofensivos quanto insetos. Que eles ampliem, na sua medida, a qualquer
animal que seja, a regra de fazer a eles o que eles gostariam que lhes fosse feito. Vocês que são pais
verdadeiramente amorosos, de manhã, de tarde, e em todo o dia, pressionem todos os seus filhos 'a
caminharem no amor, como Cristo também os amou, e deu a Si mesmo por nós'; a ter em mente um ponto,
'Deus é amor; e aquele que habita no amor, habita em Deus, e Deus nele'.

[Editado por Keith Millar, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Obediência aos Pais

"Filhos, obedeçam a seus pais, em todas as coisas". (Colossenses 3:20)

1. Tem sido um assunto de controvérsia, por muitos anos, se existem alguns princípios inatos na
mente do homem. Mas, admite-se, de qualquer forma, que se existirem alguns princípios práticos
naturalmente inativos na alma, o de que "devemos honrar nossos pais", reivindicará esta característica
praticamente à frente de qualquer outro. É enumerado, em meio àqueles princípios universais, pela maioria
dos autores antigos, e é indubitavelmente encontrado, até mesmo, em meio aos selvagens, na maioria das
nações bárbaras. Podemos traçá-lo, através de toda a extensão da Europa e Ásia; através dos desertos da
África, e as florestas da América. E é, nada mais nada menos, observável, na maioria das nações civilizadas.
Assim, foi primeiro, nas partes orientais do mundo, que foram, por muitas eras, o trono do império, do saber
e polidez, assim como da religião. Assim, foi, mais tarde em todos os estados gregos, e através de todo o
Império Romano. Neste aspecto, é claro, que aqueles que "não têm a lei" escrita, "são a lei em si mesmos",
mostrando que "a obra", a essência, "da lei" deve estar "escrita em seus corações".

2. E onde quer que Deus tenha revelado sua vontade ao homem, esta lei tem sido uma parte daquela
revelação. Aqui tem sido declarado mais uma vez, consideravelmente ampliado, e reforçado da maneira
mais forte. Na revelação judaica, os notórios transgressores dela eram puníveis com a morte. E esta era uma
das leis que nosso abençoado Senhor não veio destruir, mas cumprir. Assim sendo, ele severamente
reprovou os escribas e fariseus por torná-la nula, através de suas tradições, claramente mostrando que a
obrigação dela estendeu-se por todas as épocas. É a essência disto que Paulo entrega aos Efésio: (Efésios
6:1) "Filhos, obedeçam seus pais no Senhor"; e novamente naquelas palavras em Colossenses: "Filhos,
obedeçam seus pais em todas as coisas" (Colossenses 3:20).

3. É observável, que o Apóstolo reforça esta obrigação, através de triplo encorajamento: (1) Aos
Efésios ele acrescenta: "porque isto é correto": É um exemplo de justiça, assim como misericórdia. Não é
mais do que a obrigação deles: é o que devemos a eles, pela própria existência que recebemos deles. (2)
"Isto é aceitável ao Senhor"; é peculiarmente agradável ao grande Pai dos homens e anjos, que possamos
prestar honra e obediência aos pais de nossa carne. (3) é "o primeiro mandamento com promessa"; o
primeiro para cuja execução, a promessa especial está incorporada: "para que possa ser bom para ti, e para
que seus dias possam ser longos na terra que o Senhor teu Deus te deu". Esta promessa tem sido geralmente
entendida para incluir saúde e bênçãos temporais, assim como vida longa. E nós temos visto inumeráveis
provas que ela pertence aos cristãos, assim como à dispensação judaica: Muitas instâncias notáveis de seu
cumprimento ocorrem até mesmo hoje em dia.

Mas qual é o significado dessas palavras: "Filhos, obedeçam a seus pais em todas as coisas". Eu me
esforçarei, através da assistência de Deus:

I. Explicá-la;

II. Então, aplicá-la.


I

1. Em Primeiro Lugar, eu me esforçarei para explicar essas palavras; e mais propriamente, porque
tão poucas pessoas parecem entendê-las. Olhem ao redor do mundo, não do mundo ateu, mas do mundo
cristão; mais do que isto, da parte Reformada dele; observem em meio aqueles que têm as Escrituras em
suas próprias línguas, e quem existe nele que parece mesmo ter ouvido isto? Aqui e lá uma criança obedece
aos pais por temor, ou talvez, pela afeição natural. Mas quantas crianças vocês podem encontrar que
obedecem a seus pais e mães do senso da obrigação para com Deus? E quantos pais vocês podem encontrar
que devidamente incutem esta obrigação sobre seus filhos? Eu duvido, mas uma vasta maioria, tanto de pais
quanto de filhos é totalmente ignorante de toda esta obrigação. Por causa desses, eu a tornarei tão clara
quanto eu puder: Mas, ainda assim, estou totalmente consciente de que aqueles que não estão desejosos de
serem convencidos, não entenderão mais do que eu digo, do que se eu falasse Grego ou Hebraico.

2. Vocês facilmente observação que, por pais, o Apóstolo quer dizer ambos os pais e mães, quando
ele nos apresenta ao Quinto Mandamento, que designa tanto um quanto o outro. E, como quer que as leis
humanas possam variar nisto, a lei de Deus não faz diferença; mas nos coloca sob a mesma obrigação de
obedecer a ambos.

3. Mas, antes que possamos considerar, como devemos obedecer aos nossos pais, pode ser inquirido,
por quanto tempo devemos obedecer a eles. Os filhos devem obedecer, até que eles corram sozinhos, até que
eles vão para a escola, até que possam ler e escrever, até que eles estejam tão altos quanto seus pais, ou,
cheguem à idade da prudência? Mais do que isto, se eles obedecem apenas [porque eles não podem deixar
disto, apenas] porque eles temem apanhar, ou porque, do contrário, eles não podem conseguir alimento e
vestimenta, qual o proveito de tal obediência? Aqueles somente que obedecem a seus pais, quando eles
podem viver sem eles, e quando eles nem esperam, nem temem alguma coisa deles, devem ser exaltados por
Deus.

4. "Mas um homem idoso, ou uma mulher casada está sob alguma obrigação adicional de obedecer
a seus pais?". Com respeito ao casamento, embora seja verdade que um homem deva deixar pai e mãe, e se
unir a sua esposa; e, pela paridade de razão, ela deva deixar pai e mãe, e se unir ao seu marido (em
conseqüência do que podem existir alguns casos específicos, em que a obrigação conjugal deve tomar o
lugar da filial), ainda assim, eu não posso aprender, quer das Escrituras ou razão, que o casamento tanto
cancela, quanto diminui a obrigação geral do dever filial. Muito menos, parece que ela é cancelada, ou
mesmo, diminuída, pelo fato de termos vivido vinte e um anos. Eu nunca entendi desta forma, em meu
próprio caso. Quando eu tinha mais de trinta anos, eu me vi, mantendo a mesma relação para com meu pai,
que eu tinha, quando com dez anos de idade. E quando eu estava entre quarenta e cinqüenta, eu me
considerei completamente obrigado a obedecer a minha mãe, em toda a lei lícita, como eu fazia quando eu
era dependente.

5. Mas o que está inserido em: "Filhos, obedeçam a seus pais, em todas as coisas?". Certamente o
primeiro ponto de obediência é fazerem nada que seus pais ou suas mães proíbem, quer seja grande ou
pequeno. Nada é mais claro do que a proibição de um pai que refreia toda criança conscienciosa; ou seja,
exceto se a coisa, proibida é claramente apreciada por Deus. Nem, na verdade, isto é tudo; o assunto pode
ser levado um pouco mais adiante ainda: Um pai amoroso pode desaprovar totalmente o que ele claramente
não cuida de proibir. Qual é a obrigação de um filho neste caso? Até onde esta desaprovação deve ser
considerada? Se ela for equivalente à proibição ou não, uma pessoa que tivesse uma consciência nula de
ofensa indubitavelmente manter-se-ia no lado seguro, esquivando-se do que pode, talvez, ser mal.
Certamente o caminho mais excelente, e fazer nada que vocês saibam que seus pais desaprovam. Agir ao
contrário parece implicar um grau de desobediência, que alguém de uma consciência amorosa gostaria de
evitar.

6. A segunda coisa inserida nesta direção é: Façam tudo que seus pais ou mães declaram, seja grande
ou pequeno, cuidando que não seja contrário a algum mandamento de Deus. Aqui Deus deu um poder aos
pais, que até mesmo os príncipes soberanos não têm. O rei da Inglaterra, por exemplo, é um príncipe
soberano, ainda assim, ele não tem poder para ordenar-me a menor coisa, exceto o que a lei do país requeira
que eu assim faça; já que ele não tem poder, a não ser para executar a lei. A vontade do rei não é lei para o
súdito. Mas a vontade dos pais é lei para o filho, que é constrangido pela consciência a se submeter a ela, a
não ser que seja contrária à lei de Deus.

7. É com admirável sabedoria que o Pai dos espíritos deu esta direção, para que a força dos pais
supra a falta de força, e o entendimento dos pais, a falta de entendimento, em seus filhos, até que eles
tenham força e entendimento próprios; assim a vontade dos pais pode [deve] conduzir aquela de seus filhos,
até que eles tenham sabedoria e experiência para se conduzirem por si mesmos. Esta, portanto, é a
primeiríssima coisa que os filhos têm de aprender, -- que eles devem obedecer a seus pais, submeterem-se à
vontade deles, em todas as coisas. E a isto, eles podem ser habituados, muito antes que eles entendam a
razão dela, e, na verdade, muito antes, que eles sejam capazes de entender alguma coisa dos princípios da
religião. Portanto, Paulo direciona todos os pais a trazerem seus filhos "na disciplina e doutrina do Senhor".
Porque a vontade deles pode ser corrigida pela própria disciplina, até mesmo, na tenra infância deles; visto
que deve ser um tempo considerável depois, antes que eles sejam capazes de instrução. Este, portanto, é o
primeiro ponto de todos: Dobrem a vontade deles, desde o primeiro alvorecer da razão; e, por habituá-los a
submeterem a vontade deles, os preparem para submeterem-se à vontade do Pai que está nos céus.

8. Mas quão poucas crianças, nós encontramos, mesmo de seis ou oito anos, que entendem alguma
coisa disto! De fato, como elas entenderiam, isto, se elas não têm quem as ensine? Seus pais não são
completos ignorantes deste assunto, assim como eles? Quem vocês encontram, mesmo em meio às pessoas
religiosas, que têm a menor concepção disto? Vocês não vêem a prova disto com seus próprios olhos? Vocês
não estiveram presentes, quando um pai ou mãe disse: "Meu filho, faça isto ou aquilo?". A criança, sem
qualquer cerimônia, responde imperiosamente: "Eu não farei". E os pais tranqüilamente passam por isto,
sem qualquer reparo adicional. E ele ou ela não vê que, por esta indulgência cruel, eles treinam seus filhos,
através da clara rebelião contra seus pais, a se rebelarem contra Deus? Conseqüentemente, eles os treinam
para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos! Será que eles consideraram devidamente que eles
não poderiam comer, beber, dormir, até que tivessem ensinado a eles uma lição melhor, e os feito totalmente
temerosos de alguma vez dar aquela diabólica resposta novamente?

9. Deixem-me raciocinar, um pouco mais, sobre este caso, com seus pais que temem a Deus. Se
vocês temem a Deus, como se atrevem a permitir quer uma criança acima de um ano diga: "Eu farei", o que
vocês proíbem, ou, "Eu não farei", o que vocês ordenam, e siga impune? Porque vocês não o param,
imediatamente, para que ele nunca possa se atrever a falar desta forma novamente? Vocês não têm
compaixão por seu filho? Nenhuma consideração por sua salvação ou destruição? Vocês permitiriam que ele
amaldiçoasse ou blasfemasse em sua presença, e não tomariam conhecimento disto? Porque a desobediência
é um caminho tão certo para a condenação, quanto amaldiçoar e blasfemar. Pare-o; pare-o imediatamente,
em nome de Deus. "Não poupem a vara e destruam a criança". Se vocês não têm o coração de um tigre, não
entregue seu filho à sua própria vontade, ou seja, ao diabo. Embora seja dor para você, ainda assim, arranque
sua prole dos dentes do leão. Faça com que seus filhos se submetam, para que eles não possam perecer.
Dêem um basta na vontade deles, para que vocês possam salvar as almas deles.

10. Eu não posso dizer como reforçar este ponto suficientemente. Para fixá-lo em suas mentes mais
fortemente, permitam-me acrescentar parte de uma carta sobre o assunto, impressa alguns anos atrás: --
―Para formar as mentes das crianças, a primeira coisa a ser feita é vencer a sua vontade. Informar
o entendimento delas, é um trabalho que requer tempo, deve prosseguir, por graus mais vagarosos; mas o
sujeitar a vontade é uma coisa que deve ser feita imediatamente, e quanto antes, melhor. Porque,
negligenciando a correção oportuna, elas irão adquirir uma teimosia, que dificilmente será alguma vez
vencida; e nunca, sem usar daquela severidade, que poderia ser tão dolorosa para nós, quanto para elas.
Portanto, eu chamo de cruéis os pais que passam por delicados e indulgentes; que permitem que suas
crianças contraiam hábitos, que eles sabem devem ser quebrados posteriormente".

―Eu insisto em vencer as vontades das crianças, logo, porque esse é o único alicerce para a
educação religiosa. Quando isto é completamente feito, então, elas são capazes de serem governadas pela
razão e devoção aos seus pais, até que seu próprio entendimento traga maturidade‖.

―Eu não posso ainda deixar esse assunto de lado. Como a vontade-própria é a raiz de todo pecado e
miséria, então, quem quer que aprecie isto nas crianças, assegura a posterior mesquinharia e
irreligiosidade; e quem quer que supervisione e mortifique isso, promove a futura felicidade e devoção
delas. Isso fica ainda mais evidente, se, além disso, considerarmos que religião não é nada mais do que
fazer a vontade de Deus e não a nossa própria; que a vontade-própria, sendo um dos grandes impedimentos
para a nossa felicidade temporal e eterna, nenhuma indulgência dela pode ser trivial; nenhuma negação,
improdutiva. Céu ou inferno depende disso apenas‖.

―Assim, os pais, que estudam subjugar isto em seus filhos, trabalham junto com Deus, na salvação
de uma alma. Os pais, que favorecem isso, fazem o trabalho do diabo; tornam a religião impraticável; a
salvação inacessível; e fazem tudo que lhes cabe para condenar seu filho, alma e corpo, para sempre‖.

"Isto, portanto, eu não posso deixar de sinceramente repetir, -- anulem as vontades delas, logo;
comecem esta grande obra, antes que elas comecem a correr sozinhas;, antes que possam falar claramente,
ou talvez, falar, afinal. Quaisquer dores que isto custe, vença a teimosia delas; anulem a vontade, se vocês
não gostariam de condenar o filho. Eu imploro a vocês que não negligenciem isto, não demorem! Portanto:
(1) Que a criança, de um ano de idade, seja ensinada a temer a vara e a chorar suavemente. Com o objetivo
disto, (2) que ela tenha nada pelo que chorar, absolutamente nada, grande ou pequena; ou vocês desfazem
seu próprio trabalho. (3) Em todos os eventos, desde aquela idade, faça-a fazer como foi ordenado, se vocês
a corrigem dez vezes, apresse-se em efetuar isto. Que ninguém persuada vocês que é crueldade fazer isto; é
crueldade não fazer. Anule a vontade dela agora, e sua alma viverá, e ela provavelmente abençoará vocês
por toda a eternidade!".

[Esta carta foi recebida da mãe do sr. Wesley, dona Suzanna]

11. Do contrário, quão terríveis são as conseqüências daquela maldição delicada, que permite aos
filhos suas próprias vontades; e não dobra seus pescoços desde a sua infância! É principalmente devido a
isto, que tantos pais religiosos trazem seus filhos que não têm religião, afinal, crianças que, quando crescem,
não têm respeito por eles, talvez, os desprezem, e estão prontos a arrancar-lhes os olhos! Porque isto, se não
for porque suas vontades não foram quebradas à princípio? – porque eles não foram habituados, desde à sua
tenra infância, a obedecer aos seus pais, em todas as coisas, e a submeterem às vontades deles, assim como à
vontade de Deus? – porque eles não foram ensinados desde o primeiro alvorecer da razão, que a vontade de
seus pais era, para eles, a vontade de Deus; que resistirem a ela era uma rebelião contra Deus, e uma
admissão a toda a iniqüidade?

II

1. Isto pode ser suficiente para a explicação do texto? Eu prossigo para a aplicação dele. E, permita-
me, primeiro, aplicar a vocês que são pais, e, como tais, constrangidos a ensinarem seus filhos. Vocês
mesmos conhecem essas coisas? Estão totalmente convencidos dessas importantes verdades? Vocês as
colocaram no coração? E as colocaram em prática, com respeito aos seus próprios filhos? Vocês os
habituaram à disciplina, antes que eles fossem capazes de instrução? Vocês quebraram a vontade deles,
desde a mais tenra infância deles; e ainda continuam a fazer desta forma; em oposição, tanto à natureza,
quanto ao costume? Vocês explicaram a eles, tão logo o entendimento deles começou a abrir, as razões de
assim procederem? Vocês apontaram a vontade de Deus, como a única lei de toda a criatura inteligente, e
mostraram a eles que é a vontade de Deus que eles obedecessem a vocês, em todas as coisas? Vocês
inculcaram isto, repetidas vezes, até que eles compreenderam isto perfeitamente? Ó, nunca se esgotem deste
trabalho de amor! E seu trabalho não será sem em vão.

2. E, pelo menos, não os ensine a desobedecerem, recompensando-os pela desobediência. Lembrem-


se que vocês fazem isto todas as vezes que dão a lês alguma coisa, porque eles choram por ela. E nisto eles
são hábeis alunos: Se vocês os recompensa por chorarem, eles certamente chorarão novamente. De maneira
que não haverá fim. Exceto se você fizer disto uma regra sagrada, dar a eles nada pelo que eles chorarem. E
a maneira mais curta de fazer isto é nunca permitir que eles chorem aos gritos. Treine-os na obediência,
neste mesmo instante, e vocês facilmente os trarão para obedecerem em outras. Porque vocês então não
começariam hoje? Certamente vocês vêem qual é o caminho mais excelente; o melhor para seu filho, e o
melhor para as suas próprias almas. Porque, então, vocês desobedecem? Porque vocês são uns covardes;
porque vocês necessitam de resolução. E, sem dúvida isto requer [não pequena resolução para começar e
insistir nisto. Isto certamente requer] nenhuma perseverança pequena, mais do que a natureza sempre deu.
Mas a graça de Deus é suficiente para vocês; vocês podem fazer todas as coisas, através de Cristo que os
fortalece. Esta graça é suficiente para dar a vocês diligência, assim como resolução; do contrário, a
indolência será sempre um obstáculo tão grande quanto a covardia. Porque, sem muitas dores, vocês não
podem conquistar. Nada pode ser feito, com uma mão descuidada; trabalhe; se fatiguem, coloquem linha
sobre linha, até que a perseverança tenha sua obra perfeita.

3. Mas existe um outro obstáculo que é tão amplo quanto difícil de ser subjugado, assim como a
indolência ou a covardia. Ele é chamado de apego, e é usualmente confundido com amor: Mas quão
amplamente diferente dele! É uma coisa detestável; e uma coisa do tipo mais pernicioso, tendendo a destruir
o corpo e alma no inferno! Ó, não dê chance a ele por mais tempo; não, nem por um momento. Lute contra
ele, com todas as suas forças! Pelo amor de Deus; pelo amor de seus filhos; pelo amor de sua própria alma!

4. Eu tenho uma palavra mais para dizer aos pais; às mães em especial. Se, a despeito de tudo que o
Apóstolo pode dizer, vocês encorajam seus filhos, pelo seu exemplo de "adornarem-se, com ouro, pérolas,
ou vestuário custoso", vocês e eles devem cair no abismo, juntos. Mas se eles fazem isto, embora vocês
mostrem a eles um exemplo melhor, ainda é culpa de vocês, assim como deles; porque, se vocês não
colocaram algum ornamento em suas crianças pequenas, que vocês não usariam em si mesmas (o que seria
uma distração extrema, e muito mais indesculpável do que colocá-lo em seus próprios braços ou cabeça),
ainda assim, vocês não os habituaram a obedecerem vocês, desde a infância deles, e os ensinaram a
obrigação disto, desde os dois anos de idade. Do contrário, eles não teriam se atrevido a fazer coisa alguma,
grande ou pequena, que fosse contrária à vontade de vocês. Quando quer, portanto, que eu veja uma filha
vestida com ostentação, de uma mãe vestida de maneira discreta, eu vejo, imediatamente, que a mãe é falha
no conhecimento, tanto quanto na religião. Ou ela é ignorante de sua obrigação, ou da obrigação de sua
filha, ou ela não tem praticado o que conhece.

5. Eu não posso descartas o assunto ainda. Eu sofro continuamente, ao ver pais religiosos permitirem
que seus filhos incorram na mesma extravagância de vestuário, como se eles não tivessem religião afinal.
Em nome de Deus, por que vocês permitem variar o comprimento do cabelo, por exemplo? "Por que? Eles
farão isto?". Eles farão! De quem é a culpa? Por que vocês não quebraram a vontade deles, desde a sua
infância? Pelo menos, façam isto agora; melhor tarde, do que nunca. Isto deveria ter sido feito, antes que
eles tivessem dois anos de idade. Poderá ser feito aos oito ou nove anos, embora com muito mais
dificuldade. No entanto, façam isto agora; e aceitem esta dificuldade, como a justa recompensa pela
negligência anterior de vocês. Agora, pelo menos, conduzam seu objetivo, por mais que ele custe. Não
sejam dissimulados; não digam como o tolo Eli: "Não, meus filhos, não é um bom relato que eu ouço de
vocês", em vez de restringi-los com uma mão forte; mas falem (embora tão calmamente quanto possível,
ainda assim) firme e categoricamente: "Eu terei isto"; e farei como você diz. Instile diligentemente neles o
amor ao vestuário simples, e o ódio à ostentação. Mostrem a eles a razão de sua própria simplicidade no
vestirem-se e mostrem que é igualmente razoável a eles. Desafie a indolência, covardia, afeição tola, e, em
todos os eventos, mantenha seu objetivo; se vocês amam as almas deles, tornem seus filhos exatamente tão
simples, quanto vocês mesmos, e os mantenham nisto. E eu recomendarei vocês, avós, perante Deus, de não
obstruírem suas filhas nisto. Não se atrevam a dar alguma coisa à criança, que a mãe nega. Nunca tomem
parte das crianças, contra seus pais; nunca a envergonhem diante deles. Se vocês não fortalecem a
autoridade dela, como deveria fazer, pelo menos não a enfraqueça; mas, se vocês têm tanto a consciência ou
a piedade restantes, ajudem-na na obra da verdadeira delicadeza.

6. Agora, me permitam me referir a vocês, filhos; principalmente vocês que são filhos de pais
religiosos. Na verdade, se vocês não têm temor a Deus, diante de seus olhos, eu não me ocuparei de vocês
no momento; mas se vocês têm, se vocês realmente temem a Deus, e têm um desejo de agradar a ele, vocês
desejam entender todos os seus mandamentos, o quinto em específico. Vocês alguma vez já o entenderam?
Vocês agora entendem qual a obrigação para com seus pais e mães? Vocês sabem, pelo menos, consideram
a extensão daquela obediência a seus pais que Deus requer? "Filhos, obedeçam a seus pais, em todas as
coisas". Nenhuma exceção, a não ser das coisas ilícitas. Vocês têm praticado seu dever nesta extensão?
Vocês fizeram tanto quanto pretenderam?

7. Lidem fielmente com suas próprias almas. Suas consciências estão agora esclarecidas quanto a
este assunto? Vocês não fazem coisa alguma que sabem ser contrária à vontade quer do seu pai ou sua mãe?
Vocês nunca fazem coisa alguma (embora sempre tão inclinados a isto), que ele ou ela proíbe? Vocês se
abstêm de tudo que eles não gostam, até onde vocês podem em sã consciência? Por outro lado, vocês são
cuidadosos para fazerem o que quer que seus pais ordenem? Vocês estudam e planejam como agradá-los,
tornar suas vidas tão cômodas e prazerosas quanto puderem? Quem quer que vocês sejam que acrescentam
isto ao cuidado geral de agradar a Deus em todas as coisas, abençoado serão no Senhor! "Teus dias serão
longos na terra que o Senhor, teu Deus, deu a ti".

8. Mas quanto a vocês que estão pouco preocupados com respeito a este assunto; que não consideram
uma questão de consciência, obedecerem a seus pais, em todas as coisas, mas, algumas vezes, obedecerem a
eles, como acontece, e algumas vezes, não; que freqüentemente fazem aquilo que eles proíbem ou
desaprovam, e negligenciam o que eles ordenam a vocês fazerem; suponham que vocês acordem do sono, e
que comecem a se sentir pecadores, e clamem a Deus por misericórdia, é de se surpreender que vocês não
encontrem resposta, enquanto vocês estão sob a culpa do pecado impenitente? Como vocês podem esperar
misericórdia de Deus, antes que vocês obedeçam a seus pais? Mas suponham que vocês, por um milagre
incomum da misericórdia, testaram do amor redentor de Deus, pode-se esperar, embora vocês tenham fome
e sede em busca da retidão, em busca do amor perfeito de Deus, que vocês alguma vez poderiam obtê-lo;
alguma vez, estariam satisfeitos com isto, enquanto vocês vivem em pecado exterior, na obstinada
transgressão de uma lei conhecida de Deus, na desobediência de seus pais? Não é melhor se surpreenderem
que ele não retirasse o Espírito Santo dele de vocês? Que ele ainda continue a lutar com vocês, embora
vocês continuamente aflijam seu Espírito? Ó, não o aflijam mais! Pela graça de Deus, obedeçam a eles em
todas as coisas, a partir de agora! Tão logo vocês cheguem em casa, tão logo coloquem seus pés dentro da
porta, que vocês comecem um curso inteiramente novo! Olhem para seus pais, com novos olhos; como
representando seu Pai que está nos céus: Esforcem-se, estudem, regozijem-se para agradar, ajudar, obedecer
a eles, em todas as coisas: Não se comportem meramente como seus filhos, mas como seus servos, por amor
a Cristo, Ó, como vocês poderão amar uns aos outros! De uma maneira desconhecida anteriormente. Deus
abençoará vocês neles, e eles em vocês: Tudo ao redor sente que Deus está com vocês de verdade. Muitos
deverão constatar isto e louvar a Deus; e os frutos permanecerão, quando ambos, vocês e eles, estiverem
hospedados no seio de Abraão.

[Editado por George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Obediência a Pastores


"Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de
dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil". (Hebreus
13:17)

1. Excessivamente poucos, não apenas em meio aos cristãos nominais, mas em meio aos verdadeiros
homens religiosos, têm alguma clara concepção desta importante doutrina, que é agora entregue pelos
Apóstolos. Muito raramente pensam sobre ela, e dificilmente sabem que existe alguma tal direção na Bíblia.
E a maior parte daqueles que sabem que ela está lá, e imaginam que a seguem, não a entendem, mas se
inclinam, quer para a direita, quer para a esquerda; de um extremo ao outro. É bem sabido que um exagerado
número de Romanistas, em geral, apóia esta direção. Muitos deles acreditam que uma fé irrestrita é devida
às doutrinas entregues por aqueles que governam sobre elas, e que a obediência irrestrita deve ser prestada a
qualquer que seja o comando que eles dêem. E não muito menos têm insistido, através de diversos homens
eminentes da Igreja da Inglaterra: Embora seja verdade que a generalidade dos Protestantes está apta a correr
para o outro extremo, permitindo nenhuma autoridade aos seus Pastores, afinal, mas fazendo deles, tanto as
criaturas e os servos de suas congregações. E muitos existem de nossa própria Igreja que concordam com
eles nisto, supondo que os Pastores sejam completamente dependentes junto às pessoas, que em seu
julgamento, têm o direito de dirigir, assim como escolher seus Ministros.

2. Mas não é possível encontrar um meio termo entre esses dois extremos? Existe alguma
necessidade de corrermos tanto de um lado, quanto para o outro? Se nós colocamos leis humanas fora da
questão, e simplesmente atendemos os oráculos de Deus, nós podemos certamente descobrir um caminho do
meio nesta importante questão. Com este objetivo, vamos cuidadosamente examinar as palavras do Apóstolo
acima citadas. Vamos considerar:

I. Quem são as pessoas mencionadas no texto; aqueles que "governam sobre" nós?
II. Qual é o significado desta direção? Em que sentido eles devem "obedecer e submeter-se".
Eu devo, então, me esforçar para fazer uma aplicação adequada do todo.

1. Em Primeiro Lugar, vamos considerar quem são as pessoas mencionadas no texto: "Eles que têm
o governo sobre vocês?". – Eu não imagino que as palavras do Apóstolo sejam propriamente traduzidas,
porque esta tradução torna a sentença pouco melhor do que uma tautologia [vício de linguagem que consiste
na repetição de idéias]. Se eles "governam sobre vocês", vocês são certamente governados por eles; de modo
que de acordo com esta tradução, vocês são apenas ordenados a fazerem o que já fazem. – A obedecerem
aqueles aos quais já obedecem. Mas existe um outro significado da palavra grega que parece
abundantemente mais adequado: Ele quer dizer conduzir, assim como governar. E, assim, ele parece, deve
ser tomado desta forma. A direção, então, quando aplicada a nossos guias espirituais, é clara e pertinente.

2. Esta interpretação parece ser confirmada pelo verso sétimo, que fixa o significado disto:
"Lembrem-se daqueles que têm o governo sobre vocês, que têm falado junto a vocês a Palavra de Deus". O
Apóstolo aqui mostra, através da última cláusula da sentença, a quem ele se refere na primeira: Aqueles que
"estavam sobre eles" eram as mesmas pessoas "que falaram junto a eles a Palavra de Deus"; ou seja, eles
eram seus pastores, aqueles que guiaram e alimentaram esta parte do rebanho de Cristo.

3. Mas, através de quem esses guias devem ser apontados? E o que supostamente eles devem fazer,
com o objetivo de terem o direito à obediência que aqui está prescrita?

Volumes e mais volumes têm sido escritos sobre esta questão complicada: Através de quem esses
guias de almas devem ser indicados? Eu não pretendo aqui entrar, afinal, numa disputa, concernente ao
governo da igreja; nem debater, se é vantajoso ou prejudicial ao interesse da religião verdadeira que a igreja
e o estado possam se misturar, como eles têm sido, desde o tempo de Constantino, em todas as partes do
Império Romano, onde o Cristianismo tem sido recebido. Colocando à parte todos esses pontos (que podem
encontrar ocupação suficiente para homens que abundam no ócio), através "daqueles que os guiam", eu
quero dizer aqueles que o fazem, se não, através de sua escolha, pelo menos, através de seu consentimento;
aqueles que vocês prontamente aceitam como seus guias no caminho para o céu.

4. Mas o que eles são supostos fazer, com o objetivo de induzi-los à obediência aqui prescrita?

Eles devem seguir atrás do rebanho (como é a maneira dos pastores ocidentais hoje), e guiá-los em
todos os caminhos da verdade e santidade; eles devem "nutri-los com as Palavras da vida eterna"; alimentá-
los com "o puro leite da palavra". Aplicando-a continuamente, "para doutrinar"; ensinando a eles todos as
doutrinas essenciais contidas nela; "para reprovar", advertindo-os, se eles mudarem o lado do caminho, da
mão direita para a esquerda; "para corrigir", mostrando a eles como emendarem o que está impróprio, e os
guiando de volta para o caminho da paz; -- e, 'para instruir na retidão", treinando-os na santidade interior e
exterior, "até que eles venham a ser homem perfeito, para a medida da estatura da plenitude de Cristo".

5. Eles supostamente devem "cuidar de suas almas, como aqueles dos quais deverão prestar contas".
"Como aqueles dos quais deverão prestar contas!". Quão inexprimivelmente solenes e terríveis são estas
palavras! Possa Deus escrevê-las no coração daqueles guias de almas!

"Eles vigiam", acordados, enquanto outros dormem, o rebanho de Cristo; as almas daqueles que Ele
comprou com um preço; que Ele adquiriu com seu próprio sangue. Eles os têm, em seus corações, ambos,
dia e noite; cuidando de nem dormirem, nem se alimentaram, em comparação a eles. Mesmo enquanto eles
dormem, seus corações estão acordados, cheios de preocupação por seus amados filhos. "Eles vigiam", com
profunda sinceridade; com seriedade ininterrupta, com cuidado incansável; paciência, e diligência, como se
estivessem prestes a dar um relato de toda alma pessoal a Ele que está à porta – ao Juiz do vivo e do morto.

II

1. Em Segundo Lugar, nós vamos considerar quem são aqueles aos quais o Apóstolo direciona
obedecer àqueles que os governam. E, com o objetivo de determinar isto com certeza e clareza, nós não
deveremos apelar para instruções humanas, mas, simplesmente (como ao responder a questão precedente),
apelar para aquela decisão a qual encontramos nos oráculos de Deus. Na verdade, nós dificilmente temos
oportunidade de seguir um passo além do próprio texto. Apenas pode ser apropriado, primeiro, remover do
caminho algumas opiniões populares que têm quase em todos os lugares, sido tomadas por certas, mas
podem, de modo algum, serem provadas.

2. Usualmente se supõe, Primeiro, que o Apóstolo está aqui dirigindo os paroquianos a obedecerem e
se submeterem ao Ministro de sua paróquia. Mas pode alguém trazer a menor sombra de prova disto das
Escrituras Santas? Onde está escrito que nós temos o dever sagrado de obedecer a algum Ministro, porque
nós vivemos naquela que é chamada sua paróquia. "Sim", vocês dizem, "nós temos o dever sagrado de
obedecer a todas as ordenanças do homem, por causa do Senhor". Verdade, em todas as coisas indiferente;
mas isto não é assim; está excessivamente longe disto. Está longe de ser uma coisa indiferente para mim,
que sou o guia de minha alma. Eu não me atrevo a tomar um lobo por meu pastor; alguém que não tem mais
do que as vestes de uma ovelha; que é um praguejador comum; um bêbado declarado, um notório homem
que não respeita o dia do Senhor. E tal (quanto mais é a vergonha, mais a pena!) são meus Ministros
paroquianos, hoje.

3. "Mas vocês não são propriamente membros daquela congregação ao qual seus pais
pertenceram?". Eu não entendo que eu seja; eu não conheço Escrituras que me obriguem a isto. Eu devo
toda a deferência à autoridade de meus pais; e de boa vontade os obedeço em todas as coisas lícitas. Mas não
é lícito chamá-los de Rabinos; ou seja, acreditar ou obedecê-los irrestritamente. Todos devem dar um relato
de si mesmo a Deus. Portanto, todo homem deve julgar, por si mesmo, especialmente em um ponto de tão
profunda importância como este – a escolha de um guia para sua alma.
4. Mas nós podemos trazer este assunto para um debate resumido, recorrendo às mesmas palavras do
texto. Eles que têm voluntariamente se ligado a tais pastores, como resposta à descrição dada nele, como eu
faço, de fato, "vigiem suas almas, como se delas tivessem que prestar contas"; tal como "nutri-los com as
palavras da vida eterna"; tal como alimentá-los com 'o puro leite da palavra", e constantemente aplicá-la,
"para doutrinar, repreender, para corrigir, e para instruir na retidão"; -- a todos que encontraram e
escolheram guias deste caráter, deste espírito e comportamento, é indubitavelmente requerido pelo Apóstolo
'obedecerem e submeterem-se" a eles.

III

1. Mas qual é o significado desta direção? Permanece para ser considerado. Em que sentido, e quão
longe o Apóstolo os direciona a "obedecerem e se submeterem" aos seus guias espirituais?

Se nós atentarmos para o significado apropriado das duas palavras aqui usadas pelo Apóstolo, nós
podemos observar que o primeiro deles peithesthe, (de peithO persuadir) refere-se ao entendimento; o
último, hypeikete à vontade, e comportamento exterior. Para começar com o primeiro. Que influência deve
nossos guias espirituais ter sobre nosso entendimento! Nós não nos atrevemos a chamar nossos pais
espirituais de Rabino, mais do que de "pais de nossa carne". Nós não nos atrevemos a permitir a fé irrestrita
aos primeiros, mais do que ao segundo. Neste sentido, "um é nosso Mestre", (ou, antes, Professor) "que está
no céu". Mas, qualquer que seja a submissão, até mesmo de nosso entendimento, em resumo é isto, nós
podemos, mais do que isto, nós devemos concordar com eles.

2. Para explicar isto um pouco mais além, Tiago usa a palavra que está proximamente associada a
estas: "A sabedoria que é do alto é, eupeithEs, fácil de ser convencida, ou ser persuadida". Agora, se nós
devemos ter e mostrar esta sabedoria em direção a todos os homens, nós devemos ter isto, em um grau mais
eminente, e mostrar isto em toda a ocasião, em direção àqueles que "vigiam nossas almas". Com respeito a
esses, acima de todos os outros homens, nós devemos ser "fáceis de sermos solicitados"; facilmente
convencidos de alguma verdade, e facilmente persuadidos a alguma coisa que não é pecadora.

3. Uma palavra de proximamente a mesma importância que esta, é freqüentemente usada por Paulo;
ou seja, epieikEs. Em nossa tradução é mais de uma vez conferido gentileza. Mas, talvez, isto seja mais
propriamente afirmado (se a palavra pode ser permitida), aquiescência; pronto para aquiescer; a desistir de
nossa própria vontade, em tudo que não é um ponto de obrigação. Este temperamento afável, todo cristão
desfruta, e mostra em seu intercurso com todos os homens. Mas ele mostra isto de uma maneira peculiar, em
direção àqueles que vigiam suas almas. Ele não está desejoso apenas de receber alguma instrução deles, de
serem convencidos de alguma coisa que ele não sabia antes; exporem-se aos conselhos deles, e estando
felizes de receberem admoestação, ou reprovação; mas estão prontos a desistirem de sua própria vontade,
quando quer que eles possam fazer isto com a consciência limpa. O que quer que eles desejem que ele faça,
ele fará; se não for proibido na Palavra de Deus. O que quer que eles desejem que eles se refreiem, ele o fará
assim; se isto não estiver prescrito na Palavra de Deus. Isto está inserido naquelas palavras do Apóstolo:
"Submetam-se a eles"; sujeitem-se a eles, desistam de sua vontade própria. Isto é adequado, correto, e seu
dever sagrado, se eles, de fato, vigiam suas almas, como se delas tivessem que dar algum relato. Se vocês
fizerem assim, "obedecerem e submeterem-se" a eles, eles darão um relato de vocês "com alegria, e não com
gemidos", como eles devem, do contrário fazer; porque, embora eles sejam limpos de seu sangue, ainda
assim, "Isto seria sem proveito para vocês"; sim, um prelúdio da condenação eterna.

4. Quão aceitável para Deus foi um exemplo de obediência de certa forma similar a este! Você tem
um relato amplo e pessoal dele, nos trinta e cinco capítulos de Jeremias. "A palavra do Senhor veio a
Jeremias, dizendo: Vá à casa dos Recabitas, e dê a eles vinho para beber. Então, eu peguei toda a casa dos
Recabitas; todos os chefes de suas famílias; 'e coloquei diante deles, potes cheio de vinho, e disse-lhes:
bebam vinho. Mas eles disseram: Nós não beberemos vinho: porque Jonadabe', um grande homem no reino
de Jehu, 'o filho de Recabe', dos quais somos denominados, sendo o patriarca de nossa família, 'ordenou-
nos: vocês não devem beber, nem você, nem seus filhos para sempre. E nós temos obedecido a ordem de
Jonadabe, nosso pai, e em tudo que ele nos incumbiu.". Nós não sabemos algum motivo específico, porque
Jonadabe deu esta incumbência à sua posteridade. Mas como não foi pecaminoso, eles deram este exemplo
forte de gratidão ao seu grande benfeitor. E quão prazeroso foi ao Pai de seus espíritos que nós
aprendêssemos das palavras que se seguem: 'E Jeremias disse aos Recabitas: Porque vocês obedeceram à
voz de Jonadabe, seu pai, portanto, assim diz o Senhor dos exércitos, Jonadabe não necessitará de um
homem para estar diante de da face do Senhor para sempre'. [Jeremias 35].

5. Agora é certo que cristãos devem gratidão e obediência tão completa àqueles que vigiam suas
almas, quanto sempre a casa dos Recabitas deveu a Jonadabe, o filho de Recabe. E nós não podemos
duvidar, que Ele tanto se agradou com a nossa obediência a estes, quanto se agradou com a obediência de
Janadabe. Se ele estava, então, tão satisfeito com a gratidão e obediência deste povo a seus benfeitores
temporais, nós não temos todas as razões para acreditar que é satisfatório, assim como prazeroso com a
gratidão e obediência dos cristãos àqueles que derivam bênçãos muito maiores para aqueles que, alguma
vez, Jonadabe transmitiu à sua posteridade?

6. Pode ser de uso novamente considerar, em quais instâncias está o dever dos cristãos de obedecer e
submeterem-se àqueles que vigiam sobre suas almas? Agora as coisas que eles prescrevem devem ser tanto
prescritas por Deus, ou proibidas por eles, ou indiferentes. Nas coisas prescritas por Deus, nós não
propriamente obedecemos a eles, mas a nosso Pai comum. No entanto, se nós devemos obedecer a eles,
afinal, deve ser nas coisas indiferentes. A soma disto é, que é dever de todo cristão obedecer a seu Pastor
espiritual, tanto fazendo ou deixando sem fazer, alguma coisa de uma natureza indiferente; alguma coisa que
não é um caminho determinado na palavra de Deus.

7. Mas quão pouco isto é entendido no mundo Protestante! Pelo menos, na Inglaterra e Irlanda!
Quem existe, em meio àqueles que são supostos bons cristãos; que fantasiam que há tal obrigação como
esta? E, ainda assim, não existe um mandamento mais expresso que no Velho ou no Novo Testamento.
Nenhuma palavra pode ser mais clara e simples; não existe mandamento mais direto e positivo. Portanto,
certamente ninguém que recebeu às Escrituras, como a palavra de Deus, pode viver na quebra habitual disto
e pleitear inocência. Tal instância da obstinada, ou, pelo menos, negligente desobediência, deve afligir o
Espírito Santo de Deus. Isto não pode, a não ser impedir a graça de Deus de ter seu efeito completo sobre o
coração. Não é improvável que esta mesma desobediência possa ser uma causa da morte de muitas almas;
uma razão delas não receberem aquelas bênçãos que buscam com algum grau de sinceridade.

8. Resta apenas fazer uma breve aplicação ao que tem agora sido entregue.

Vocês que leu isto, vocês o aplicam a si mesmos? Vocês examinam-se, por meio disto? Vocês interrompem
seu próprio crescimento na graça, se não pela desobediência obstinada a este comando; ainda assim, através
de uma desatenção a ele, não o considerando, como a importância dele merece? Se for assim, você defrauda
a si mesmo das muitas bênçãos que você deveria desfrutar. Ou, você é de uma mente melhor; de um espírito
mais excelente? É sua resolução fixa, e seu esforço constante "obedecer àqueles que têm o governo sobre
vocês no Senhor"; submeterem-se tão alegremente aos seus pais espirituais, quanto aos seus pais naturais?
Vocês perguntam: "em que eu deveria submeter-me a eles?". A resposta já foi dada: Não nas coisas
prescritas por Deus; não nas coisas proibidas por Ele; mas nas coisas indiferentes: Em tudo que não está
determinado, de uma maneira ou de outra, através dos oráculos de Deus. É verdade, que isto não pode feito,
em algumas instâncias, sem um grau considerável de abnegação, quando eles aconselham vocês a refrearem
alguma coisa que é agradável à carne e sangue. E não pode ser obedecido em outras instâncias, sem pegar a
sua cruz; sem sofrer alguma dor ou inconveniências que não estejam de acordo com a carne e sangue.
Porque aquela declaração solene de nosso Senhor tem lugar aqui, assim como em milhares de outras
ocasiões: "Exceto se um homem negar a si mesmo, e tomar sua cruz diariamente, ele não poderá ser meu
discípulo". Mas isto não irá amedrontar vocês, se vocês resolverem não ser apenas quase, mas
completamente, cristãos; se vocês determinarem lutar a boa luta da fé, e agarrar-se à vida eterna.

9. Eu agora me refiro de uma maneira mais específica a vocês que desejam que eu vigie sobre suas
almas. Vocês têm, como uma questão de consciência, obedecer-me, por causa de meu Mestre? Submeterem-
se a mim, nas coisas indiferentes. Coisas não determinadas na Palavra de Deus; em todas as coisas que não
estão prescritas, nem ainda proibidas nas Escrituras? – fáceis de serem convencidos de alguma verdade,
mesmo que contrária aos seus preconceitos anteriores? – E fáceis de serem persuadidos a fazerem ou
absterem-se, de alguma coisa indiferente ao meu desejo? Vocês não podem deixar de ver que tudo isto está
claramente contido nas próprias palavras do texto. E vocês não podem deixar de reconhecer que assim
fazerem, é altamente razoável, se emprego todo meu tempo, todo meu corpo, e todas as minhas forças, de
corpo e alma, não em buscar minha própria honra, ou prazer; mas em promover a salvação atual e eterna de
vocês; se eu, de fato, 'vigio sobre suas almas como alguém que deve dar um relato delas'.

10. Vocês, então, aceitam o meu conselho (eu pergunto na presença de Deus e de todo o mundo) com
respeito ao vestuário? Eu divulguei este conselho há mais de trinta anos atrás; eu o tenho repetido milhares
de vezes, desde então. Eu tenho aconselhado a vocês para não estarem tão em conformidade com o mundo
nisto; a colocarem de lado todos os ornamentos desnecessários, para evitarem todas as despesas inúteis; para
serem padrões de modéstia a todos que estão em volta de vocês. Vocês acataram este conselho? Vocês
todos, homens e mulheres; jovens e idosos; ricos e pobres, colocaram de lado todos os ornamentos
desnecessários que eu pessoalmente contesto? Vocês são exemplarmente simples em seus vestuários; tão
simples quando os Quacres (assim chamados) ou os Morávios?

Se não, se vocês estão ainda se vestindo como a generalidade das pessoas de seu próprio nível e
fortuna, vocês declaram, por meio disto, a todo o mundo, que vocês não irão obedecer aqueles que estão
sobre vocês no Senhor. Vocês declaram, em provocação declarada a Deus e homem, que vocês não se
submeterão a eles. Muitos de vocês carregarão seus pecados sobre suas testas, abertamente e na face do sol.
Vocês endureceram seus corações, contra a instrução, e contra a convicção. Vocês endureçam uns aos
outros; especialmente aqueles de vocês que foram, uma vez, convencidos, e têm agora reprimido suas
convicções. Vocês encorajam uns aos outros a fecharem seus ouvidos contra a verdade, e fecharem seus
olhos contra a luz, a fim de que, por acaso, vocês não possam ver que estão lutando contra Deus e contra
suas próprias almas. Se eu fosse agora chamado para dar um relato de vocês, seria "com gemidos, e não com
alegria". E é certo que isto não seria "proveitoso a vocês": A perda cairia sobre as suas próprias cabeças.

11. Eu falo tudo isto na suposição (embora seja uma suposição que não deva ser feita), de que a
Bíblia foi silenciosa sobre este assunto; de que as Escrituras dissessem coisa alguma, concernente ao
vestuário, e o deixou à própria descrição de cada um. Mas, se todos os outros textos foram silenciosos, isto é
suficiente: "Submetam-se a eles que estão sobre vocês no Senhor". Eu deixo isto à suas consciências, às
vistas de Deus. Fosse isto apenas em obediência a esta direção, você não pode estar limpo diante de Deus, a
menos que você coloque de lado todos os ornamentos desnecessários, em expressar a rebeldia daquele
déspota de tolos, moda; a menos que você busque apenas adorná-lo com as boas obras, como homens e
mulheres professando santidade.

12. Talvez, você dirá: "Isto é apenas uma pequena coisa: é uma mera ninharia". Eu respondo: Se
for, você é o mais indesculpável diante de Deus e homem. O que! Você irá desobedecer a um mandamento
claro de Deus, porque é uma mera ninharia? Deus proíbe! É uma ninharia pecar contra Deus – desprezar sua
autoridade. Isto é uma pequena coisa? Mais ainda, lembre-se, não pode existir pecado pequeno, até que você
encontre um Deus pequeno! Neste meio tempo, esteja seguro de uma coisa: Quanto mais conscientemente
você obedecer a seus guias espirituais, mais poderosamente Deus aplicará a palavra que eles falam em seu
nome a seu coração! Quanto mais plenamente, Ele abastecerá o que é falado, com o orvalho de suas
bênçãos; e quanto mais provas vocês tiveram, não será apenas eles que falarão, mas o Espírito de seu Pai
que fala por eles.

[Editado por Carey McGoldrick, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
Sobre Visitar o Enfermo

"Eu estava enfermo, e você me visitou" (Mateus 25:36)

1. Geralmente se supõe, que os meios da graça e as ordenanças de Deus são termos equivalentes. Nós
comumente queremos dizer por esta expressão, aqueles que são usualmente denominados, obras da devoção;
ou seja, ouvir e ler as Escritoras, receber a Ceia do Senhor; oração pública e pessoal, e o jejum. É certo, que
esses são os canais comuns, que transmitem a graça de Deus, às almas dos homens. Porém, eles são os
únicos meios da graça? Não existem outros meios, através dos quais, Deus se agradou, freqüentemente; sim,
comumente, de transmitir sua graça àqueles que tanto amam quanto temem a ele? Certamente, existem obras
de misericórdia, assim como obras de devoção, que são meios reais da graça. Eles são mais especialmente
assim, para aqueles que os executam com um olho puro. E esses que os negligenciam, não recebem a graça
que, do contrário, receberiam. Conseqüentemente, muitos que foram uma vez fortes na fé, não estão agora
vulneráveis e fracos de espírito? No entanto, ainda assim, eles não estão conscientes de onde aquela fraqueza
vem, já que eles negligenciam nenhuma das ordenanças de Deus. Mas eles saberiam de onde ela vem,
tivessem considerado seriamente o que Paulo diz de todos os crentes verdadeiros: "Nós somos sua feitura,
recriada em Jesus Cristo junto às boas obras, que Deus preparou para que pudéssemos caminhar nela".
(Efésios 2:10).

2. O caminhar nisto é essencialmente necessário, como a continuidade daquela fé, por meio da qual,
nós já estamos na graça salvadora, então, para a obtenção da salvação eterna. Disto, nós não podemos
duvidar, se seriamente considerarmos que essas são as mesmas palavras do próprio grande Juiz: "Venham,
vocês, filhos abençoados de meu Pai, herdeiros do reino, preparado para vocês, desde a fundação do
mundo. Porque eu estava faminto, e vocês me deram alimento: Sedento, e vocês me deram de beber: Eu fui
um estranho, e vocês me acolheram: Nu, e vocês me cobriram: Eu estava doente, e me visitaram. Eu estava
na prisão, e vieram me ver". (Mateus 25:34 em diante) "Verdadeiramente, eu lhes digo, na medida em que
tiverem feito isto ao menor desses meus irmãos, terão feito isto a mim". Se isto não convencer vocês de que
a continuidade nas obras de misericórdia é necessária para a salvação, considerem o que o Juiz de todos diz
àqueles, do lado esquerdo: "Partam, vocês, amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para o diabo e
seus anjos: Porque eu estava faminto, e vocês não me deram alimento: Sedento, e vocês não me deram de
beber: Eu fui um estranho , e vocês não me acolheram: Nu, e vocês não me vestiram. Doente e na prisão, e
vocês não me visitaram. Na medida em que não fizeram isto a um dos menores destes, também não o
fizeram a mim". Vejam, fosse apenas por isto, e eles deveriam "partir" de Deus, "para a punição eterna".

3. Não é estranho, que esta importante verdade fosse tão pouca entendida, ou, pelo menos, tão pouco
influente na prática daqueles que temem a Deus? Suponham que esta representação seja verdadeira;
suponham que o Juiz de toda a terra fale corretamente: aqueles, e aqueles apenas, que alimentam o faminto,
dão de beber ao sedento, vestem o nu, socorrem o estranho, visitam aqueles que estão na prisão, de acordo
com o poder e oportunidade deles, deverão "herdar o reino eterno". E aqueles que não o fizerem, deverão
"partir para o fogo eterno, preparado para o demônio e seus anjos".

4. Eu proponho, no momento, limitar meu discurso a um artigo desses – visitar o enfermo: Uma
obrigação clara, que todos aqueles que têm saúde, podem praticar, em um grau maior ou menor; e que, não
obstante, é quase universalmente negligenciado, até mesmo, por aqueles que professam amar a Deus. E no
tocante a isto, eu inquiriria:

I. O que está implícito, no visitar o enfermo?


II. Como isto pode ser executado?
III. E, por quem?

I
O primeiro ponto a ser considerado é: Qual a natureza desta obrigação? O que está implícito em
"visitar o doente?".

1. Por doente, eu não quero dizer apenas aqueles que se mantêm na cama, ou que estão doentes, no
sentido mais restrito. Antes, eu incluiria todos que estão em um estado de aflição, quer da mente ou corpo; e
isto, quer sejam bons ou maus; quer temam a Deus ou não.

2. "Mas existe necessidade de visitá-los em pessoa? Nós não podemos trazer-lhes alívio à distância?
Não responde ao mesmo propósito, se nós enviamos ajuda, como se a levássemos, nós mesmos?". Muitos
estão tão circunstanciados, que eles não podem atender o doente em pessoa; e onde este é o caso real, é
indubitavelmente suficiente para eles enviarem ajuda, sendo este o único expediente que eles podem usar.
Mas isto não é propriamente visitar o doente; é uma outra coisa. A palavra a que nós atribuímos visita, em
sua aceitação literal, significa olhar com atenção. E isto, vocês bem sabem, não pode ser feito, exceto se
vocês estiverem presentes com eles. Enviar-lhes assistência é, portanto, uma coisa inteiramente diferente do
que visitá-los. A primeira, então, deve ser feita, mas a segunda não pode ficar sem ser feita.

"Mas eu enviei um medico para aqueles que estão doentes; e ele pode fazer mais por eles do que eu
posso". Ele pode, em um aspecto; ele pode fazer mais, com respeito à saúde corpórea deles. Mas ele não
pode fazer a eles mais, com respeito às suas almas, que são infinitamente de maior importância. E se ele
pudesse, isto não desculparia vocês: O fato de ele ir, não cumpriria sua obrigação. Nem isto faria o mesmo
bem a vocês, exceto se vocês os vissem com seus próprios olhos. Se vocês não fizerem, vocês perdem os
meios da graça; perdem um excelente meio de aumentar sua gratidão a Deus, que os salva desta dor e
enfermidade, e mantém sua saúde e força; assim como, o crescimento de sua simpatia para com o aflito, sua
benevolência e todas as afeições sociais.

3. Uma grande razão, porque os ricos, em geral, têm tão pouca simpatia pelo pobre, é, porque eles tão
raramente os visitam. Por esta razão, é que, de acordo com a observação comum, uma parte do mundo não
sabe o que outros sofrem. Muitos deles não sabem, porque eles não se preocupam em conhecer; eles se
mantêm fora do caminho; e, então, usam suas ignorâncias voluntárias, como uma desculpa para seus
corações duros. "Na verdade, senhor", diz uma pessoa de grande riqueza, "Eu sou um homem muito
compassivo. Mas, para dizer-lhe a verdade, eu não conheço pessoa alguma no mundo que esteja em
necessidade". Como isto aconteceu? Por que ele tomou o bom cuidado de se manter fora do caminho deles;
e se ele se depara com algum deles, sem se querer, "ele passa pelo outro lado".

4. Quão contrário a isto, é ambos o espírito e o comportamento, até mesmo, das pessoas do mais alto
nível, na nação vizinha! Em Paris, as senhoras do primeiro nível, sim, as princesas de sangue, da Família
Real, constantemente visitam o doente, especialmente, os pacientes no Grande Hospital. E elas não apenas
tomam cuidado para aliviar as necessidades deles (se eles precisam de alguma coisa mais do que lhes é
providenciado), mas atendem o doente em seu leito, cuidam de suas feridas, e executam os serviços mais
inferiores por eles. Aqui está um modelo para o inglês; pobre ou rico, desprezível ou honrado! Por muitos
anos, nós temos copiado abundantemente as loucuras do francês; que, pelo menos uma vez, copiemos sua
sabedoria e virtude, merecedora da imitação de todo o mundo cristão. Que as fidalgas, ou mesmo as
condessas na Inglaterra, não se envergonhem de imitar aquelas princesas de sangue! Aqui está um costume
que traz honra à natureza humana. Ele começa na França; mas Deus proíbe que possa terminar lá!

5. E se sua delicadeza não permitir que vocês imitem aquelas honradas senhoras, por se humilharem,
da maneira como elas fazem, ao executar os serviços mais degradantes para o doente, vocês podem, no
entanto, sem se humilharem a este ponto, supri-los com o que eles necessitam. Podem administrar ajuda de
um tipo mais excelente, suprindo suas necessidades espirituais; os instruindo (se eles necessitam de tal
instrução), nos princípios da religião, esforçando-se para mostrarem o estado perigoso em que eles se
encontram, sob a ira e maldição de Deus, por causa do pecado, e lhes indicando ao "Cordeiro de Deus, que
tira os pecados do mundo". Além desta instrução geral, vocês teriam abundante oportunidade de
confortarem aqueles que estão em dores do corpo, aflição de mente; encontrariam oportunidade para
fortalecerem o fraco de espírito, avivarem aqueles que estão desfalecidos e fracos; e edificarem aqueles que
creram, a "seguirem em frente para a perfeição". Mas essas coisas vocês devem fazer, pessoalmente, uma
vez que, como vocês sabem, elas não podem ser feitas por procuração. Ou suponham que vocês pudessem
dar o mesmo alivio ao doente, através de outro, vocês não poderiam colher o mesmo proveito para si
mesmos; vocês não poderiam ganhar aquele crescimento na humildade, na perseverança, na ternura de
espírito, na simpatia com o aflito, que ganhariam, se vocês os assistissem em pessoa. Nem vocês receberiam
a mesma recompensa na ressurreição do justo, quando "cada homem deverá receber sua própria
recompensa, de acordo com seu próprio trabalho".

II

1. O segundo ponto a ser considerado é: Como devemos visitá-los? De que maneira, nós podemos
trabalhar, para que o amor seja mais efetivamente executado? Como podemos fazer isto, principalmente para
a glória de Deus, e o benefício de nosso próximo? Mas, antes que vocês comecem este trabalho, vocês
precisam estar completamente convencidos de que vocês são, de modo nenhum, suficientes para ele; vocês
nem têm graça suficiente, nem entendimento suficiente, para executá-lo da maneira mais excelente. E isto
convencerá vocês da necessidade de apelarem ao Forte, por força, e de partirem em busca do Pai das Luzes,
o Doador de todo bom dom, por sabedoria; sempre lembrando, "que existe um Espírito no homem que dá
sabedoria; e a inspiração do Espírito Santo, que dá entendimento". Quando quer, portanto, que vocês
estejam prestes a executarem o trabalho, busquem a ajuda Dele, através da oração sincera. Clamem por ele,
para todo o espírito de humildade, a fim de que, se o orgulho roubar seus corações, se vocês afirmarem
alguma coisa de si mesmos, enquanto vocês se esforçam para salvar outros, vocês não destruam suas
próprias almas. Antes e durante o trabalho, do começo ao fim, que seus corações esperem nele por um
continuo suprimento da humildade e gentileza, da paciência e longanimidade, para que vocês possam nunca
ficar irados, ou desencorajados, diante de qualquer tratamento que seja, rude ou suave, delicado ou
indelicado, com o qual possam se encontrar. Não fiquem estremecidos com a profunda ignorância de alguns,
a imbecilidade, a estupidez espantosa de outros; maravilhem-se não da rabugice ou obstinação deles, diante
da falta de crescimento deles, depois de todas as dores que vocês tiveram; sim, diante do fato de alguns deles
voltarem atrás na perdição, e se tornarem piores do que eram antes. O relatório de vocês ainda está com o
Senhor, e sua recompensa com o Altíssimo.

2. Quanto ao método especial de tratar o doente, você não precisa ater-se a algum, mas pode
continuamente variar sua maneira de proceder, conforme as várias circunstâncias requeiram. Mas não
poderia ser inoportuno, usualmente, começarem inquirindo dentro da condição exterior dele. Vocês podem
perguntar, se eles têm o necessário para a vida; se eles têm alimento e vestimenta suficientes; se estiver frio,
se eles têm combustível; se eles têm atendimento necessário; se eles têm recomendação própria, com
respeito à enfermidade corpórea; especialmente se for de um tipo perigoso. Em diversos desses aspectos,
vocês podem ser capazes de dar-lhes alguma assistência, vocês mesmos; e vocês sensibilizarem aqueles que
são mais capazes que vocês, para suprirem a falta de serviço. Vocês poderiam propriamente dizer, em seu
próprio caso: "Eu me sinto envergonhado de pedir"; mas nunca se envergonhe de pedir pelo pobre; sim,
neste caso, seja um mendigo inoportuno; não aceite facilmente uma negativa. Use de todo o discurso, todo o
entendimento, toda a influência que tiverem; ao mesmo tempo, confiando Nele que tem os corações de todos
os homens em suas mãos.

3. Vocês, então, facilmente discernirão, se existe alguma tarefa boa, que vocês possam fazer por eles,
sem suas próprias mãos. Na verdade, a maioria das coisas que é necessária que seja feita, aqueles ao redor
deles podem fazer melhor do que vocês. Mas, em alguns de vocês, pode existir mais habilidade, ou mais
experiência, do que eles; e se vocês tiveram, não permitam que a delicadeza ou prestígio se coloque em seu
caminho. Lembrem-se da palavra dele: "na medida em que vocês fizeram isto junto ao menor deles, vocês
fizeram a mim"; e não pensem que alguma coisa seja tão insignificante, para se fazer por ele. Regozijem-se
em serem humilhados, por amor a Ele!

4. Esses pequenos trabalhos de amor pavimentarão o caminho de vocês, para as coisas de maior
importância. Depois de mostrarem que vocês têm respeito pelos corpos deles, vocês podem prosseguir e
inquirir, concernente à alma deles. E aqui vocês têm um campo largo diante de vocês; vocês têm espaço para
exercitarem todos os talentos que Deus deu a vocês. Vocês podem começar, perguntando: "Você alguma vez
considerou que Deus governasse o mundo; -- que sua providência está sobre todos, e sobre você, em
especial? – Alguma coisa, então, sobrevém a você, sem o conhecimento dele, -- ou sem que ele objetive isto
para seu bem? Ele sabe tudo que você sofre; ele conhece todas as suas dores; ele vê todas as suas
necessidades. Ele não apenas vê sua aflição, em geral, mas cada circunstância dela, em particular. Ele não
está olhando do céu, e dispondo todas essas coisas para seu proveito?". Vocês podem, então, inquirir, se ele
está familiarizado com os princípios gerais da religião. E mais tarde, amorosamente e gentilmente
examinarem, se a vida dele tem sido concordante com isto: se ele conhece alguma coisa do poder; da
adoração a Deus, "em espírito e em verdade". Se ele não conhece, esforcem-se para explicar a ele, "que sem
santidade, nenhum homem verá ao Senhor"; e "exceto, se um homem nascer novamente, ele não poderá ver
o reino de Deus". Quando ele começa a entender a natureza e santidade, e a necessidade do novo
nascimento, então, vocês podem pressioná-lo a "arrepender-se em direção a Deus, e fé, em nosso Senhor,
Jesus Cristo".

5. Quando vocês encontrarem alguns deles que começam a temer a Deus, será apropriado dar a eles,
um após o outro, alguns tratados simples, como as "Instruções para os cristãos". "Desperta, tu que dormes";
e a "Natureza e Objetivo do Cristianismo". Na próxima visita, você pode inquirir o que eles têm lido – o que
eles se lembram; -- e o que eles entenderam. E, então, será tempo de reforçar o que eles entenderam, e, se
possível, imprimir isto em seus corações. Esteja certo de concluir cada encontro, com uma oração. Se você
não pode, ainda assim, ore sem uma forma, você pode usar algumas dessas compostas pelo sr. Spinckes, ou
alguma outra de um escritor devoto. Mas, tão logo você puder romper com esta relutância, melhor. Peça a
Deus, e ele abrirá sua boca.

6. Junto às mais importantes lições, que vocês se esforçarem para ensinar a todos os pobres, aos quais
vocês visitam, seria um ato de caridade, ensinarem duas coisas mais, às quais eles geralmente estão pouco
familiarizados a respeito, -- diligência e limpeza. Um homem piedoso já dizia: "A limpeza é próxima à
santidade". De fato, a necessidade dela é um escândalo a toda a religião; fazendo com que se fale mal do
caminho da verdade. E sem diligência, nós não estamos nem adequados para este mundo, nem para o mundo
vindouro. Com respeito a ambos: "O que quer que tua mão encontre para fazer, faça-o com tuas forças".

III

1. O terceiro ponto a ser considerado é: Através de quem, esta obrigação deve ser executada? A
resposta está pronta. Por todos que desejam a "herança do reino" de seu Pai, "preparada desde a fundação
do mundo". Porque assim diz o Senhor: "Venham, vocês, abençoados; -- herdeiros do reino; -- Porque eu
estava enfermo, e vocês me visitaram". E para esses, à esquerda: "Afastem-se, vocês, amaldiçoados; --
porque eu estava enfermo, e vocês não me visitaram". Isto não implica claramente, que, assim como todos
que fazem isto são "abençoados", e deverão "herdar o reino"; então, todos que não o fazem, são
"amaldiçoados", e deverão "partir para o fogo eterno?".

2. Todos, portanto, que desejam escapar do fogo eterno, e herdar o reino eterno, estão igualmente
preocupados, de acordo com seu poder, a praticar este importante dever. Ele é, de forma idêntica, obrigação
do jovem e idoso, rico e pobre, homens e mulheres, de acordo com sua habilidade. Ninguém é tão jovem, se
eles desejam salvar suas próprias almas, de maneira a estarem isentos de assistir ao seu próximo. Ninguém é
tão pobre (exceto aqueles que necessitam do básico para a vida), a não ser aqueles que são chamados para
fazerem coisa nenhuma, mais ou menos, a qualquer tempo que possam gastar, para o alívio e conforto
daqueles seus companheiros aflitos.

3. Mas, aqueles "que são ricos neste mundo", e que têm mais do que as conveniências da vida, são
mais especialmente chamados, por Deus, para esta obra abençoada, e indicados, através de sua graciosa
Providência. Como vocês não estão sob a necessidade trabalharem para seu sustento, vocês têm seu tempo à
sua disposição! Vocês podem, portanto, repartir alguma parte dele, todos os dias, para este trabalho de amor.
Se for praticável, é muito melhor terem uma hora fixa (porque qualquer tempo, nós dizemos, não é tempo),
para não empregarem aquele tempo em alguma outra ocupação, sem necessidade urgente. Vocês igualmente
têm uma vantagem especial sobre muitos, pela sua condição na vida. Estando numa posição melhor, vocês
têm mais influência neste assunto. Os que estão numa posição inferior, evidentemente, olham para vocês
com uma espécie de reverência. E a condescendência que vocês mostram ao visitá-los, dá-lhes um pré-
conceito a favor de vocês, o que os inclina a ouvi-los com atenção, e de bom-grado receberem o que vocês
dizem. Melhorem esse pré-conceito ao máximo, para o benefício da alma deles, assim como de seus corpos.
Enquanto vocês forem, como olhos para o cego, pés para o coxo, marido para a viúva, e um pai para o órfão,
vejam que vocês ainda mantenham uma finalidade maior em vista, a de salvarem as almas da morte, e que
seu trabalho é fazerem com que tudo que digam e façam sirva para este grande propósito.

4. "Mas, até mesmo os pobres não têm alguma parte ou porção nesta questão? Eles estão, de
qualquer forma, preocupados em visitar o enfermo? O que podem dar aos outros, aqueles que dificilmente
têm as conveniências, ou talvez, as coisas necessárias da vida para si mesmos?". Se eles não têm, ainda
assim, eles não precisam ser totalmente excluídos da benção que atende a prática deste dever. Até mesmo
estes podem se lembrar daquela excelente regra: "Que nossas comodidades diminuam as necessidades de
nosso próximo. E nossas necessidades, diminuam as extremas misérias dele". E poucos são tão pobres, de
maneira a não serem capazes de, algumas vezes, dar "duas moedas"; mas, se eles não são, se eles não têm
dinheiro para dar, será que eles não podem dar o que é de maior valor? Sim, de maior valor do que milhares
de ouro e prata. Se vocês falarem "em nome de Jesus Cristo de Nazaré", as palavras que vocês não podem
ser cura para a alma, e tutano para os ossos? Vocês podem dar nada a eles? Mais do que isto, ao
administrarem a graça de Deus a eles, vocês dão mais do que todo este mundo é merecedor. Sigam em
frente. Sigam em frente, vocês, pobres discipulos de um Mestre pobre! Façam o que ele fez nos dias de sua
carne! Quando quer que tenham oportunidade, comecem a fazer o bem, e a curar todos que estão oprimidos
pelo diabo; encorajando-os a se livrarem de suas algemas, e fugirem imediatamente para Ele.

Quem liberta os prisioneiros, e quebra


O cativeiro de ferro de seus pescoços.

Acima de tudo, ofereçam-lhes suas orações. Orem com eles; orem por eles; e quem sabe, vocês
podem salvar suas almas?

5. Vocês que são idosos, cujos pés estão prontos para tropeçar nas montanhas escuras, vocês não
podem fazer um pouco mais, antes que não sejam mais vistos? Ó, lembrem-se:

Do pouco tempo a viver, se você é idoso,


Faça o melhor,
E gerencie sabiamente seu último investimento!

Como você já viveu muitos anos, pode-se esperar que você alcançou tal conhecimento que pode ser
de utilidade para outros. Você certamente tem mais conhecimento dos homens, que é comumente aprendido
pela experiência. Com que força restante, você emprega os poucos momentos que você tem a gastar, em
ministrar àqueles que são mais fracos do que você mesmo. Seus cabelos cinzas não falharão em dar sua
autoridade, e acrescentar peso ao que você fala. Você pode freqüentemente estimular, para aumentar a
atenção deles.:

Acreditem-me, jovens, porque eu estou aflito,


E vergo ao peso de mais de sessenta anos.

Você freqüentemente tem sido um sofredor, talvez, você esteja tão tranqüilo. Quando mais, dê a eles,
toda a assistência que puder, tanto com respeito às suas almas e corpos, antes que eles e você vão para um
lugar, onde não mais retornarão.
6. Por outro lado, vocês que são jovens têm diversas vantagens que são quase peculiares a vocês
mesmos. Vocês geralmente têm uma fluidez de espírito, e uma disposição de temperamento, que, pela graça
de Deus, tornam vocês dispostos a empreenderem, e capazes de executarem muitas boas obras, às quais
outros estariam desencorajados. E vocês têm saúde e força, com as quais vocês estão eminentemente
qualificados para assistir o enfermo, e aqueles que não têm força. Vocês são capazes de tomar e levar suas
cruzes, que se pode esperar se coloque no caminho. Empreguem, então, todo o vigor do corpo e mente em
ministrarem para seus irmãos afligidos. E glória a Deus, que vocês tenham a eles para devotarem tão
honroso serviço; como aqueles divinos "servos do Senhor, que fazem o que agrada a ele", por ministrarem
continuamente aos herdeiros da salvação.

7. Mas as mulheres, assim como os homens, não podem levar uma parte deste honroso serviço? Sem
dúvida, que elas podem; mais do que isto, elas devem; isto é adequado e correto e a obrigação sagrada delas.
Nisto, não existe diferença; "não existe, nem homem, nem mulher, em Jesus Cristo". Na verdade, já passou
muito tempo, para uma máxima, com muitos, de que "as mulheres eram apenas para serem vistas, e não
ouvidas". E, assim sendo, muitas delas, são trazidas de tal maneira, como se elas fossem apenas pretendidas
para as diversões agradáveis! Mas isto faz honra ao sexo? Ou é uma delicadeza verdadeira para com elas?
Não. Trata-se da mais profunda indelicada; é crueldade horrível; é mera barbárie turca. E eu não sei como,
alguma mulher, de razão e espírito, pode se submeter a isto. Que todas vocês tenham, em seu poder,
asseverar o direito que o Deus da natureza lhes deu. Vocês, como eles, foram feitas na imagem de Deus;
vocês são igualmente candidatas à imortalidade; vocês também são chamadas de Deus, quando tiverem
tempo, para "fazerem o bem junto a todos os homens". "Não" sejam "desobedientes para com o chamado
divino". Quando quer que tenham oportunidade, façam todo o bem que puderem, especialmente para seu
próximo, pobre e doente. E cada uma de vocês, igualmente, "deverá receber sua própria recompensa, de
acordo com seu próprio trabalho".

8. Sabe-se bem que, na Igreja primitiva, existiram mulheres particularmente designadas para esta
obra. Na verdade, existiu uma ou mais, em toda a congregação cristã, debaixo do céu. Elas eram, então,
denominadas Diaconisas, ou seja, servas; servas da Igreja, e de seu grande Mestre. Tal foi Febe,
(mencionado por Paulo, em Romanos 16:1) "uma Diaconisa da Igreja de Cencréia". É verdade, que a
maioria dessas eram mulheres idosas, e bem experientes na obra de Deus. Mas as jovens foram totalmente
excluídas daquele serviço? Não: Nem era preciso que fossem, contanto que soubessem em quem elas
acreditavam; e mostrarem que elas eram santas de coração, sendo santas em todo o seu modo de vida. Tal
Diaconisa, se alguma respondeu a esse modelo, foi a sra. Law Miranda. Alguém objetaria sua visita e alivio
ao doente e pobre, porque ela era uma mulher; mais do que isto, porque era uma jovem também? Algum de
vocês deseja trilhar seus passos? Vocês têm uma aparência agradável, um discurso agradável? Tanto melhor,
se vocês forem totalmente devotados a Deus. Ele usará esses, se seus olhos forem puros, para fazer com que
suas palavras penetrem no mais profundo. E enquanto vocês ministram para outros, quantas bênçãos podem
resultar em seu próprio peito! Por meio disto, sua leviandade pode ser destruída; sua afeição por ninharias,
curada; seus temperamentos errôneos, corrigidos; seus maus hábitos, enfraquecidos, até que eles sejam
arrancados pela raiz; e você será preparado para adornar a doutrina de Deus, nosso Salvador, em todo
cenário futuro da vida. Apenas sejam sempre cautelosos, se você visita ou conversa com aqueles de outro
sexo, a fm de que suas afeições não se misturem, por um lado, e assim, você encontre uma maldição, em vez
de uma bênção.

9. Vendo-se, então, que esta é uma obrigação, para a qual somos chamados; rico e pobre, jovem e
idoso, homem e mulher, (seria bom que os pais treinassem seus filhos nisto, assim como em dizer suas
orações e ir à igreja), que nos baste o tempo passado, onde quase todos nós negligenciarmos isto, como que
através de um consentimento geral. Que necessidade tem cada um de nós de dizer: "Senhor, perdoe meus
pecados de omissão". Bem, em nome de Deus, que nós, agora, a partir deste dia, comecemos isto, com um
consentimento geral.E eu ora, que nunca saia de sua mente que esta é uma obrigação, que você não pode
executar, por procuração; exceto em um único caso, -- exceto se você está incapacitado, por sua própria dor
e fraqueza. Neste único caso, é suficiente enviar um alívio que você, do contrário, daria. Comecem, meus
queridos irmãos; comecem agora; ou a impressão que vocês agora sentem, irá desaparecer; e, possivelmente,
não poderá mais retornar! Qual será a conseqüência, então? Em vez de ouvir aquela palavra: "Venham,
vocês, abençoados! – Porque eu estive enfermo, e vocês me visitaram"; você deve ouvir aquela terrível
sentença: "Afastem-se de mim, amaldiçoados! – Porque eu estava enfermo, e vocês não me visitaram".
[Editado por Chris Dinter, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

A Recompensa do Justo

(Pregado diante da Sociedade Humanitária)

'Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, abençoados de meu Pai, possuí por herança o reino

que vos está preparado desde a fundação do mundo'.

(Mateus 25:34)

1. A razão exclusivamente irá convencer qualquer inquiridor justo, de que Deus 'é quem recompensa
aquele que diligentemente o busca'. Esta sozinha o ensina a dizer: 'Sem dúvida existe uma recompensa para
o justo'; 'existe um Deus que julga a terra'. Mas quão pouca informação nós recebemos da razão não
assistida, no tocante às especificidades contidas nesta verdade geral! Como os olhos não vêm, ou os ouvidos
não ouvem, assim, não pode entrar naturalmente, em nossos corações, conceber as circunstâncias daquele
dia terrível em que Deus irá julgar o mundo.

Nenhuma informação deste tipo pode ser dada, a não ser do próprio grande Juiz. E que exemplo
impressionante de condescendência, é o Criador, o Governador, o Senhor, o Juiz de todos, nos fornecer um
relato, tão claro e específico, daquela solene transação! Se o ateu instruído reconhece a sublimidade daquele
relato que Moisés deu da criação, o que ele teria dito, se ele tivesse ouvido este do Filho do Homem vindo
de sua glória? Aqui, na verdade, não está a pompa forçada das palavras, nenhum ornamento de linguagem.
Isto não teria adequado tanto o Orador, quanto a ocasião. Mas que dignidade inexprimível de pensamento!
Observá-lo, 'vindo, por entre as nuvens do céu, e todos os anjos com Ele!'. Observá-lo, 'sentado no trono de
sua glória, e todas as nações reunidas diante Dele!'. E Ele as separando; colocando os bons, do seu lado
direito, e os maus, do seu lado esquerdo! 'Então, o Rei irá dizer' – com que admirável propriedade, a
expressão é diversificada! 'O Filho do Homem' veio para julgar os filhos dos homens. 'O Rei' distribui
recompensa e punição aos seus súditos obedientes e rebeldes: -- "Então, o Rei deverá dizer aos que estão à
sua direita, 'Venham, abençoados de meu Pai, herdeiros do reino que lhes foi preparado, desde a fundação
do mundo'".

2. 'Preparado para você desde a criação do mundo': -- Mas isto concorda com a suposição comum
de que Deus criou o homem meramente para suprir os tronos vagos dos anjos rebeldes? Antes, não parece
implicar que Ele teria criado o homem, embora os anjos nunca tivessem caído? Visto que Ele preparou o
reino para seus filhos humanos, quando Ele planejou a criação da Terra.

3. 'Herdeiros do reino'; -- como sendo 'herdeiros de Deus, e co-herdeiros' com seu amado Filho.
Este é um direito de vocês; uma vez que eu adquiri a redenção eterna para todos aqueles que me obedecem:
E vocês me obedeceram nos dias de sua carne. Vocês 'creram no Pai, e também em mim'. Vocês amaram o
Senhor seu Deus; e este amor constrangeu vocês a amarem toda a humanidade. Vocês continuaram na fé que
é operada pelo amor. Vocês mostraram sua fé, através de suas obras. 'Quando eu estava faminto, vocês me
deram de comer: Quando sedento, deram-me de beber: Quando estranho, acolheram-me: Nu, me vestiram:
Doente e na prisão, vieram até mim'.

4. Mas, em que sentido, devemos entender as palavras que se seguem: 'Senhor, quando nós o vimos
faminto, e lhe demos carne? Ou sedento, e lhes demos água? Elas não podem ser entendidas literalmente;
elas não podem ser respondidas nestas mesmas palavras; porque não é possível que eles possam ser
ignorantes do que Deus tem realmente operado através deles. Não é, então, evidente que essas palavras
sejam tomadas em um sentido figurativo? E elas podem implicar algo mais do que tudo que eles tenham
feito irá parecer como nada a eles; irá, por assim dizer, desaparecer, diante do que Deus, seu Salvador, tem
feito e sofrido por eles?

5. Mas "o Rei deverá responder a eles, 'Verdadeiramente eu lhes digo que, porquanto vocês fizeram
isto ao menor desses meus irmãos, vocês o fizeram a mim'". Que declaração é esta! Merecedora de ter estado
na lembrança eterna. Possa o dedo do Deus vivo escrever isto em todos os nossos corações! Eu aproveito a
oportunidade para:

I. Em Primeiro Lugar, fazer algumas poucas reflexões a respeito das boas obras em geral:

II. Em Segundo Lugar, considerar aquela instituição, detalhadamente, para o fomento do que nós
estamos agora colocando.

III. Em Terceiro Lugar, fazer uma aplicação resumida.

1. Em Primeiro Lugar, eu faria algumas reflexões sobre as boas obras em geral.

Eu não sou insensível ao fato de que muitas pessoas, até mesmo as sérias, são zelosas de tudo que é
falado sobre este assunto: Mais do que isto, quando quer que a necessidade das boas obras seja fortemente
admitida como verdadeira, que aquele que fala desta maneira, é alguém que se afastou do catolicismo. Mas,
nós podemos, por temor a isto ou a alguma outra reprovação, refrearmo-nos de falar 'a verdade, como ela
está em Jesus?'. Nós podemos, em qualquer consideração, 'evitar declarar toda a deliberação de Deus?'.
Mais ainda, se um falso profeta pode afirmar esta palavra solene, quanto mais podem os Ministros de Cristo,
'Nós não podemos ir além da palavra do Senhor, falar nem mais, nem menos!'.

2. Não é para se lamentar que qualquer um que tema a Deus possa desejar que façamos o contrário?
E que, por falarem de outra maneira, eles dão oportunidade para que se fale mal da verdade? Eu quero dizer,
particularmente, o caminho da salvação pela fé; que, neste mesmo respeito, é menosprezado; mais do que
isto, ele foi abominado, por muitos homens sensíveis. Faz agora mais de quarenta anos que o fundamento
desta doutrina bíblica, 'Pela graça, vocês são salvos, através da fé', começou a ser abertamente declarado
por alguns poucos clérigos da Igreja da Inglaterra. E não muito depois, alguns que ouviram, mas não
entenderam, tentaram pregar a mesma doutrina, mas miseravelmente a mutilaram; torceram as Escrituras, e
'tornaram a lei sem efeito, através da fé'.

3. Alguns desses, com o objetivo de exaltar o valor da fé, têm pleiteado contra as boas obras. Eles
falam delas, não apenas, como não necessárias para a salvação, mas como grandemente obstrutivas dela.
Eles a representam, como abundantemente mais perigosa do que as obras diabólicas, aos que buscam salvar
suas almas. Alguém clama, 'Mais pessoas vão para o inferno, por orarem do que por roubarem'. Um outro
grita, 'Fora, com suas obras! Não se interesse por elas, ou você não poderá vir até Cristo!'. E isto é
declamação não bíblica, irracional, bárbara é chamada de pregar o Evangelho!

4. Mas 'o Juiz de toda a terra não deverá' falar, assim como 'fazer o que é certo?'. E ele não 'será
justificado em suas palavras, e limpo, quando for julgado?'. (Romanos 3:4) 'De maneira nenhuma; sempre
seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas
palavras, E venças quando fores julgado'. Seguramente será. E de acordo com Sua autoridade, nós devemos
continuar a declarar que, quando quer que você faça o bem a alguém, por amor a Ele; quando você alimenta
o faminto, dá de beber ao sedento; quando você assiste o estranho, ou veste o nu; quando você visita os que
estão doentes ou na prisão; esses não são pecados magníficos, como alguém maravilhosamente os chama,
mas 'sacrifícios com os quais Deus se agrada'.
5. Nem nosso Senhor pretendeu que confinássemos nossa beneficência aos grupos de homens. Ele,
sem dúvida, designou que nós pudéssemos ser igualmente abundantes nas obras de misericórdia espiritual.
Ele morreu 'para purificar, junto a si mesmo, um povo peculiar; zeloso de' todas 'as boas obras'; zeloso,
acima de tudo, para 'salvar almas da morte', e por meio disto, 'ocultar uma multidão de pecados'. E isto é
inquestionavelmente incluído na exortação de Paulo: 'Quando tivermos tempo, vamos fazer o bem a todos os
homens'; o bem de todas as maneiras possíveis, assim como, em todo grau possível. Mas, por que nosso
abençoado Senhor menciona obras da misericórdia espiritual? Ele não deveria fazer isto com alguma
justeza. Não foi por ele dizer, 'Eu estava no erro, e você me convenceu; eu estava no pecado, e você me
trouxe de volta para Deus'. E não precisou; porque em mencionar algumas, ele incluiu todas as obras de
misericórdia.

6. Mas, eu posso acrescentar alguma coisa a mais? (Aquele que tem ouvidos, que entenda): As boas
obras estão tão longe de serem obstáculos para nossa salvação; elas estão tão longe de serem insignificantes;
de não dizerem respeito ao Cristianismo; que, supondo-se que elas brotem do princípio correto, elas são a
perfeição da religião. Elas são a parte mais alta daquela construção espiritual da qual Jesus Cristo é o
alicerce. A esses, que atenciosamente consideram o 13o. Capítulo da Primeira Epístola aos Coríntios, ficará
inegavelmente claro que aquilo que Paulo descreve como a mais sublime de todas as graças, é propriamente
e diretamente o amor ao nosso próximo. [I Cor. 13]. E a ele, que atenciosamente considera todo o teor,
ambos do Velho, e do Novo Testamento, ficará igualmente claro que as obras, brotando deste amor, são a
parte mais sublime da religião, desta forma, revelada. Destes, o próprio nosso Senhor diz: 'Por meio disto,
meu Pai é glorificado; para que você produza muitos frutos'. Muitos frutos! Esta mesma expressão não
implica na excelência do que é então denominada? Não é a própria árvore, por causa dos frutos? Por
carregar os frutos, e através disto somente, ela alcança a mais alta perfeição de que é capaz, e responde à
finalidade pela qual foi plantada. Quem; o que é ele, então, que é chamado de um cristão, e pode falar
levianamente das boas obras?

II

1. Dessas reflexões gerais, eu prossigo para considerar aquela instituição, em particular, para a
promoção do qual nós estamos agora reunidos. E ao fazer isto, eu devo, Primeiro, observar o surgimento
desta instituição; Segundo, o sucesso; e Terceiro, a excelência dela: Depois do que, você irá me permitir
fazer uma pequena aplicação.

(I) No primeiro tópico, o surgimento desta instituição, eu vou ser muito breve, uma vez que grande
parte de vocês já sabe disto.

1. Alguém poderia se admirar (como um escritor engenhoso observa) que tal instituição como esta,
de importância tão profunda para a humanidade, apareça tão tarde no mundo. Nós tivemos alguma coisa
escrita sobre o assunto, antes do tratado publicado em Roma, no ano de 1637? E a proposta, então, não
esteve inativa por muitos anos? Não existiram mais do que uma ou duas tentativas, e essas não efetivamente
adotadas, até o ano de 1700? De que maneira ela foi reavivada e posta em execução, nós iremos agora
inquirir.

2. Eu não posso dar a você uma visão mais clara disto, do que apresentando a você um extrato
resumido da Introdução para o 'Plano e Informações da Sociedade', publicada dois anos antes: --

"Muitas e indubitáveis são as instâncias da possibilidade de restaurar, para a vida, pessoas,


aparentemente afetadas com a morte repentina, quer por apoplexia, ataques convulsivos, vapores nocivos,
estrangulamento ou afogamento. Casos desta natureza têm ocorrido em diversas regiões. Mas eles foram
considerados, e negligenciados, como fenômenos extraordinários, do quais nenhuma conseqüência salutar
pode ser esboçada".

3. "Por fim, alguns cavalheiros benevolentes, na Holanda, conjeturaram que alguns, pelo menos,
teriam sido salvos, se os meios apropriados tivessem sido usados em tempo; e criaram uma Sociedade, com
o objetivo de fazerem um teste. As tentativas tiveram sucesso, além das expectativas deles. Muitos foram
restaurados, os quais, de outra forma, teriam perecido. E eles foram, por fim, capacitados a estender seu
plano pelas Sete Províncias".

"O sucesso deles instigou outras regiões a seguir o exemplo. No ano de 1768, os Magistrados da
Saúde em Milão e Veneza emitiram ordens para o tratamento de pessoas afogadas. A cidade de Hamburgo
indicou uma ordenança similar a ser lida em todas as igrejas. No ano de 1769, a Imperatriz da Alemanha
publicou um édito, estendendo suas direções e encorajamentos a todo caso que fornecesse uma possibilidade
de assistência. No ano de 1771, os Magistrados de Paris fundaram uma instituição em favor do afogado".

4. "No ano de 1773, Dr. Cogan traduziu as 'Memórias da Sociedade em Amsterdã', com o objetivo de
informar nosso compatriota da viabilidade de se recuperar pessoas aparentemente afogadas; e o Sr. Hawes,
unido a ele, esses cavalheiros propuseram um plano para uma instituição similar nesses reinos. Eles foram
logo capacitados a formar uma Sociedade para este excelente propósito. O plano é este: --".

"I. A Sociedade irá publicar, da maneira mais extensiva possível, os métodos apropriados para o
tratamento de pessoas em tais circunstâncias".

"II. Eles irão distribuir um prêmio de dois guineis [Antiga moeda de ouro inglesa, de cálculo
equivalente a 21 xelins], entre as primeiras pessoas que tentarem recuperar alguém tirado das águas, como
morto. E esta recompensa será dada, mesmo se a tentativa não obtiver sucesso, estipulado que ela tenha sido
tentada por duas horas, de acordo com o método estabelecido pela Sociedade".

"III. Eles irão distribuir um prêmio de quatro guineis, onde a pessoa é restaurada para a vida".

"IV. Eles irão dar um guinéu a alguém que permita o corpo em sua casa, sem demora, e forneça as
acomodações necessárias".

"V. Um número de cavalheiros médicos, vivendo perto dos lugares onde esses desastres comumente
acontecem, darão assistência gratuita".

(II) Tal foi o surgimento desta admirável instituição. Com que sucesso ela tem sido atendida, é um
ponto que eu proponho, a seguir, muito brevemente, considerar.

Admite-se que ela não deve ser apenas muito maior do que aqueles que a menosprezaram tinham
imaginado, mas, maior ainda, do que muitas das expectativas otimistas dos cavalheiros que imediatamente
se engajaram nela.

Em pouco espaço de tempo, desde seu primeiro estabelecimento, em Maio de 1774, até o fim de
Dezembro, oito pessoas, aparentemente mortas, foram restauradas para a vida.

No ano de 1775, quarenta e sete foram restauradas para a vida: Trinta e duas delas, pelo
encorajamento e assistência direta dos cavalheiros desta Sociedade; e o restante, através dos cavalheiros
médicos e outros, em conseqüência de seus métodos de tratamento serem largamente conhecidos.

No ano de 1776, quarenta e uma pessoas foram restauradas para a vida, através da assistência desta
Sociedade. E onze casos desses que tinham sido restaurados, em outra parte, foram comunicados a eles.

Assim, o número de vidas preservadas e restauradas, em dois anos e meio, desde a primeira
instituição, somou cento e sete! Acrescente a esses, aqueles que têm sido, desde então, restaurados; e
teremos das duzentas e oitenta e quatro pessoas que estavam mortas, pelo que tudo indica, não menos do que
cento e cinqüenta e sete foram restauradas para a vida. Tal é o sucesso que tem atendido a eles, em tão
pouco espaço de tempo! Tal a bênção que a graciosa providência de Deus tem dado a esse empreendimento
novo!
(III) Resta apenas mostrar a excelência dela. E isto pode aparecer de uma simples consideração: Esta
instituição une, em uma, todas as várias ações de misericórdia. As diversas obras de caridade, mencionadas
acima, estão todas contidas nela. Ela inclui todos os benefícios corpóreos e espirituais; todas as instâncias
de bondade que podem ser mostradas, tanto aos corpos quanto às almas dos homens. Para mostrá-la, além de
toda contradição, não há necessidade de eloqüência elaborada; nenhuma retórica rebuscada, mas
simplesmente e cruamente relatar a coisa como ela é.

2. Não apenas a tentativa, mas a execução da coisa em si (assim tem bondade de Deus prosperado os
trabalhos desses amantes da humanidade!) não é menos, em um sentido qualificado, do que restaurar a vida
do morto. É para se admirar, então, que a generalidade dos homens possa, a princípio, ridicularizar tal
empreendimento? Que eles possam imaginar que as pessoas que pretendem tal coisa, estejam
completamente fora de si? Na verdade, um dos antigos disse: 'Por que parece uma coisa incrível a você que
Deus possa ressuscitar o morto?'. Ele, que concedeu a vida a princípio, não pode desta forma concedê-la
novamente? Mas pode-se bem pensar que seja uma coisa incrível que um homem possa restaurá-lo; porque
nenhum poder humano pode criar vida. E que poder humano pode restaurá-la? Assim sendo, quando nosso
Senhor (a quem os judeus, naquele tempo, supuseram ser um mero homem) veio à casa de Jairo, com o
objetivo de trazer a filha dele da morte, na primeira insinuação de seu desejo, 'eles riram Dele, com
desprezo'. 'A jovem', disse Ele, 'não está morta, mas dorme'. 'É preferível chamar isto de sono do que morte;
uma vez que sua vida não está no fim; mas eu irei rapidamente acordá-la deste sono'.

3. Contudo, é certo que ela estava realmente morta, e, desta forma, acima de todo poder, a não ser
aquele do Altíssimo. Mas, observe que poder Deus tem agora dado ao homem! A Seu nome seja toda glória!
Veja com que sabedoria Ele tem dotado esses filhos da misericórdia! Ensinando-os a interromper a ruptura
da alma, aprisionando o espírito recém saído da argila sem vida, e levantando vôo para a eternidade! Quem
tem visto tal coisa? Quem ouviu tais coisas? Quem leu sobre isto nos anais da Antigüidade? Filhos de
homens, ' esses ossos secos podem viver?'. Este coração parado pode bater novamente? Este sangue
coagulado pode fluir novamente? Essas veias ressequidas e endurecidas podem dar passagem a ele? Essa
carne gelada pode reassumir seu calor nato, ou esses olhos verem o sol novamente? Certamente, essas são
coisas (não poderia alguém, por pouco, dizer, tais milagres?), nem nós, na geração atual; nem nossos
antepassados conheceram!

4. Eu suplico que vocês considerem como muitos milagres de misericórdia (por assim dizer) estão
contidos em um. Aquele pobre homem que foi considerado recentemente como morto, através da prudência,
e cuidados desses mensageiros de Deus, respira novamente o ar vital; abre seus olhos e se põe de pé. Ele foi
restaurado para sua alegre família; para sua esposa; para os seus (recentemente) filhos desamparados. Para
que possa novamente, através de seu trabalho honesto, supri-los de todas as necessidades da vida. Veja
agora, o que vocês fizeram – vocês, ministros da misericórdia! Observem o fruto do seu trabalho de amor!
Vocês foram marido para a viúva; pai para o órfão. E, por meio disto, alimentaram o faminto, deram de
beber ao sedento, e vestiram o nu: Porque famintos, sedentos, nus, esses pequeninos teriam sido, caso vocês
não tivessem restaurado a vida daquele que iria impedir isto.Vocês fizeram mais do que aliviar; vocês
preveniram aquela enfermidade que poderia naturalmente surgir da falta de suficiente alimento ou vestuário.
Vocês impediram esses órfãos de vagarem, para cima e para baixo, sem terem um lugar onde deitar suas
cabeças. Mais do que isto, e muito possivelmente, vocês preveniram alguns deles de morarem em uma
lúgubre e desconfortável prisão.

5. Tão grande; tão compreensiva, é a misericórdia que vocês têm mostrado aos corpos de seus
companheiros! Mas por que as almas deles deveriam ser omitidas do relato? Quão grandes são os benefícios
que eles têm outorgado também a essas! O marido tem agora uma nova oportunidade de assistir sua esposa
nas coisas de maior necessidade. Ele pode novamente fortalecer as mãos dela em Deus, e ajudá-la a
participar da corrida que se coloca a sua frente. Ele pode novamente juntar-se a ela na instrução de seus
filhos, e treiná-los no caminho em que eles deverão seguir; os quais poderão viver para serem um conforto
para seus pais idosos, e membros úteis da comunidade.
6. Mais ainda, pode ser que vocês arrebataram o pobre homem, não apenas das mandíbulas da morte,
mas de mergulhar ainda mais nas profundezas, nas mandíbulas da destruição eterna. Não se pode duvidar
que alguns desses, cujas vidas vocês restauraram, embora eles estivessem sem Deus no mundo, se
lembrarão, e não apenas com seus lábios, mas com suas vidas, de mostrar adiante sua gratidão. É muito
provável que alguns desses (como um, em dez hansenianos) 'retornarão e agradecerão a Deus'; um
agradecimento real e eterno, devotando-se aos seus serviços honrosos.

7. É notável que diversos desses, que vocês trouxeram de volta da margem da sepultura, estiveram
intoxicados, ao mesmo tempo, em que caíram na água. E neste mesmo instante (o que é freqüentemente o
caso), eles perderam totalmente os sentidos. Aqui, portanto, não há lugar, e nem possibilidade, para o
arrependimento. Eles não tiveram tempo; eles não tiveram consciência, para assim clamarem: 'Senhor, tenha
misericórdia!'. De maneira que eles afundaram, através das águas poderosas para o abismo da destruição! E
esses instrumentos da misericórdia divina os arrancaram, de uma só vez, das águas e do fogo; pelo mesmo
ato, livrando-os da morte temporal e eterna.

8. Mais ainda, uma pobre pecadora (que isto nunca seja esquecido!) estava justamente descendo do
navio, quando (tome em conta da justiça e misericórdia de Deus) seu pé escorregou e ela caiu dentro do rio.
Instantaneamente, ela perdeu os sentidos, de modo que não pôde clamar por Deus. Ainda assim, Ele não se
esqueceu dela. Ele enviou aqueles que a livraram da morte; pelo menos, da morte do corpo. E quem sabe,
ela possa colocar isto no coração, e se arrepender do erro de seus caminhos? Quem sabe, ela possa ser salva
da segunda morte, e, com seus livramentos, 'herdar o reino?'.

9. Um ponto mais merece ser particularmente observado. Muitos desses que foram restaurados para a
vida (não menos do que onze, entre quatorze que foram salvos em poucos meses), estavam entre aqueles que
são uma vergonha para nossa nação -- suicidas obstinados.

Fata obstant! Impedir o destino! Mas em favor de muitos, nós vemos que Deus tem governado o
destino. Eles são trazidos de volta do rio inavegável. Eles vêem os céus superiores. Eles vêem a luz do sol.
Que eles vejam a luz de Teu semblante! Que eles então vivam seus poucos dias restantes na terra, e que eles
possam viver Contigo para sempre!
III

1. Que eu possa fazer agora uma pequena aplicação. Mas a quem eu direcionaria isto? Existe alguém
aqui que esteja descontentemente predisposto contra esta Revelação, que respira nada mais do que
benevolência; que contém as mais ricas disposições do amor de Deus para com o homem; que sempre foi
feita, desde a criação do mundo? Ainda assim, até mesmo a vocês, eu iria endereçar algumas poucas
palavras; porque, se vocês não são cristãos, vocês são homens. Vocês também são suscetíveis de impressões
bondosas: Vocês têm sentimentos de humanidade: Os seus corações não têm também se animado diante
deste nobre sentimento; digno do coração e lábios dos mais sublimes cristãos, --

"Homo sum: Humani nihil a me alienum puto!". [Esta citação de Terence é assim traduzida por
Colman: -- "Eu sou um homem; e todas as calamidades que tocam a humanidade me são familiares". – Edit]

Vocês também nunca se simpatizaram com o aflito? Quantas vezes vocês têm se preocupado com a
miséria humana? Quando vocês observaram uma cena de profunda aflição, suas almas não se enterneceram?
E, de vez em quando, um sinal vocês conseguem, e as lágrimas começam a fluir. É fácil para qualquer um
conceber uma cena de uma aflição mais profunda do que esta?

Suponham que vocês estejam presentes, exatamente, quando o mensageiro entrar; e a mensagem seja
entregue, 'Sinto muito em dizer-lhe, mas seu esposo está morto! Ele estava saindo da embarcação, e seu pé
escorregou. É fato que, depois de um tempo, seu corpo foi encontrado, mas sem quaisquer sinais de vida'.
Em que condição estão, agora, mãe e filhos? Talvez, por algum tempo, em silêncio absurdo, e dominado
pela dor; encarando uns aos outros; então, irrompendo em lamentações estrondosas e amargas! Agora é o
momento de ajudá-los, assistindo aqueles que fazem disto sua ocupação. Que nada impeça vocês de
aperfeiçoarem a gloriosa oportunidade! Restituam o marido à sua esposa inconsolável; o pai aos seus filhos
chorosos! De fato, vocês não podem fazer isto pessoalmente; vocês não podem estar no local. Mas vocês
podem fazer isto de muitas maneiras efetivas, auxiliando aqueles que estão. Vocês podem agora, através de
sua contribuição generosa, enviar ajuda, que não pode ser dada pessoalmente. Oh! Não fechem seus
corações em direção a eles! Abram seus corações e mãos! Se vocês têm muito, dêem generosamente; se não,
dêem um pouco, com boa-vontade.

2. A vocês, que acreditam na Revelação Cristã, eu posso falar de uma maneira ainda mais incisiva.
Vocês crêem que seu abençoado Mestre 'deixou a vocês o exemplo de que vocês deveriam trilhar seus
passos'. Agora, vocês sabem que toda a vida Dele foi um trabalho de amor. Vocês sabem 'como ele
empreendeu fazer o bem', e isto sem intermissão; declarando a todos, 'O que meu Pai fez, assim faço eu!'.
Não é esta, então, a linguagem de seus corações?

Oportunidades de fazer isto nunca faltará; porque 'sempre haverá pobres, com vocês'. Mas que
oportunidade peculiar, a solenidade deste dia lhes fornece, de 'trilharem os passos de Jesus', de uma maneira
que vocês nunca conceberam antes? Ele não disse ao pobre pai aflito (sem dúvida para a surpresa de
muitos), 'Não chore?'. E Ele não os surpreendeu, ainda mais, quando enxugou suas lágrimas, restaurando a
vida de seu filho morto, e 'entregando-o à sua mãe?'. Ele (não obstante todos que 'riram Dele e o
menosprezaram) não restaurou a vida da filha de Jairo? Quantas coisas de tipo parecido, 'se podemos
comparar a vida humana com a divina', foram feitas, e continuam a ser feitas diariamente, através desses
amantes da humanidade! Que cada um, então, esteja desejoso de compartilhar desta obra gloriosa! Que cada
um (em um sentido mais forte do que o Sr. Herbert quis dizer), dê as mãos a Jesus, para fazer um pobre
homem viver! Através de sua assistência generosa, seja parceiro do trabalho deles, e cúmplice de sua
alegria.

3. A vocês, eu devo acrescentar uma palavra mais. Lembrem-se (o que foi falado a princípio) da
solene declaração Daquele, a quem vocês pertencem, e a quem vocês servem, vindo das nuvens do céu!
Enquanto vocês estão promovendo esta caridade abrangente, que contém alimentar o faminto, vestir o nu,
abrigar o estranho, na verdade, todas as boas obras em uma; que essas palavras estimulantes sejam escritas
em seus corações, e soem em seus ouvidos: 'Porquanto vocês façam ao menor destes, vocês estarão fazendo
a Mim!'.

Editado por Kristi A. Newlander, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre Agradar a Todos os Homens

'Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo, visando o que é bom para edificação'. (Romanos 15:2)

1. Sem dúvida o dever aqui afirmado beneficia toda a humanidade; pelo menos, todos aqueles aos
quais foram confiados os oráculos de Deus. Uma vez que ele está aqui prescrito, sem exceção, a todos
aqueles que são chamados pelo nome de Cristo. E a pessoa a quem todos devem agradar é a seu próximo,
ou seja, todo filho do homem. Apenas devemos nos lembrar que aqui o mesmo Apóstolo fala de uma
ocasião similar. 'Se for possível, tanto quanto caiba a você, viva pacificamente com todos os homens'. De
igual maneira, temos que agradar todos os homens, se for possível, tanto quanto nos cabe fazê-lo. Mas,
estritamente falando, não é possível; isto é o que nenhum homem, alguma vez, fez; nem nunca irá fazer. Mas
suponha que nós usemos da mais extrema diligência, seja o evento como for, nós cumprimos nosso dever.

2. Nós podemos observar, mais além, de que maneira admirável o Apóstolo limita esta direção; do
contrário, fosse ela afirmada, sem qualquer limitação, poderia produzir as conseqüências mais danosas. Nós
somos direcionados a agradá-los para o bem deles; não, meramente, com o objetivo de seu prazer, ou do
nosso próprio prazer; muito menos, agradá-los em seu sofrimento; o que é tão freqüentemente feito; na
verdade, continuamente feito por aqueles que não amam seu próximo como a si mesmos. Nem é apenas pelo
seu bem temporal, o que nós almejamos, ao agradar nosso próximo; mas pelo que é de uma conseqüência
infinitamente maior: faremos isto, para a edificação deles; de tal maneira, que possa conduzir ao seu bem
espiritual e eterno. Nós devemos, então, agradá-los, para que o prazer não possa perecer no uso, mas resulte
na sua vantagem duradoura; e os torne mais sábios, e melhores; mais santos e felizes, no tempo e na
eternidade.

3. Muitos são os tratados e discursos que têm sido publicados sobre este importante assunto. Mas
todos que eu tenho, tanto visto quanto ouvido, são meramente defectivos. Dificilmente, um deles propôs
uma finalidade correta: Todos têm algum objetivo mais inferior de agradar os homens, do que salvar suas
almas, -- de edificá-los no amor e santidade. Como conseqüência, eles não propuseram igualmente os meios
corretos para a realização desta finalidade. Um tratado notável deste tipo, intitulado, "O Cortesão", foi
publicado na Espanha, por volta de duzentos anos atrás, e traduzido em várias línguas. Mas ele nada tem a
ver com a edificação, e está completamente fora do ponto. Um outro tratado, intitulado "O Cortesão
Refinado [Completo]", foi publicado em nosso próprio país, pelo Rei Charles II, e, pelo que parece, por um
atendente de sua corte. Neste existem diversos conselhos muito conscientes, com respeito ao nosso
comportamento exterior; e muitas poucas impropriedades na palavra ou ação foram observadas, por meio
das quais os homens desagradam outros, sem a intenção disto; mas este autor, igualmente, não tem visão,
afinal, para o bem espiritual ou eterno de seu próximo. Há uns setenta ou oitenta anos, um outro livro foi
impresso em Londres, intitulado, "A Arte de Agradar". Mas, como ele foi escrito de uma maneira débil, e
continha apenas observações comuns e banais, ele igualmente não serviria aos homens de entendimento, e,
ainda menos, aos homens de devoção.

4. Mas, pode-se perguntar: Este assunto não tem sido, desde então, tratado por um escritor de um
caráter muito diferente? Ele não foi esvaziado por alguém que era, ele próprio, um mestre consumado da
arte de agradar? E quem, escrevendo a alguém que ele amou ternamente; para um filho favorito, dá a ele
todos os conselhos que seu grande entendimento, cultivado, por vários aprendizados, e a experiência de
muitos anos, e muita conversa com toda sorte de homens, poderia sugerir? Eu quero dizer, o recente Lorde
Chesterfield [1694-1773 - Philip Dormer Stanhope, quarto conde de Chesterfield – 'Seja sábio como as
outras pessoas, mas não conte isto a elas'. 'Escolha seus prazeres por si mesmo, e não deixe que eles lhe
sejam impostos'. 'Nunca pareça mais culto do que as pessoas que estão com você. Use o seu aprendizado,
como um relógio de bolso, e o mantenha escondido. Não o coloque para fora para ver as horas, mas diga as
horas, quando lhe for perguntado'. 'Desconfie de todos aqueles que o amam extremamente, por uma leve
familiaridade, e sem qualquer razão visível'. 'A paciência é a mais necessária das qualidades; muitos
homens preferem que você ouça suas histórias, a confirmar seus pedidos'. - tradutora]: o bem amado geral
de toda a Irlanda, assim como da nação inglesa.

5. Os meios de agradar, que este sábio e indulgente pai continuamente e sinceramente recomendou
ao seu querido filho [ilegítimo – pesquisa tradutora], e no qual ele, sem dúvida, formou os temperamentos e
condutas exteriores dele, até que a morte precocemente encerrou sua melodiosa língua, -- foi (1) fazer amor,
do sentido mais grotesco, com todas as mulheres casadas, com quem ele convenientemente pudesse.
(Quanto às mulheres solteiras, ele aconselhava que ele se refreasse, por medo de conseqüências
desagradáveis). (2) dissimulação constante e cuidadosa; sempre usando uma máscara; confiando em homem
algum na face da terra, para que ele não pudesse saber seus pensamentos verdadeiros, mas perpetuamente
parecendo pretender aquilo que ele não quis dizer, e parecendo ser aquilo que ele não era. (3) Boa disposição
para mentir a toda sorte de pessoas; falando o que fosse o mais distante de seu coração; e, em particular,
adulando os homens, mulheres, e crianças, como o caminho infalível de agradá-los.

Não precisa de artimanha para mostrar que este não é o caminho para agradar nosso próximo para
seu bem, ou para edificação. Eu vou me esforçar para mostrar que existe um caminho melhor de fazê-lo; e
de fato, um caminho diametralmente contrário a este. Ele consiste:

I. Em remover os obstáculos do caminho;


II. Usar os meios que diretamente tendem a esta finalidade.
I

1. Eu aconselho todos que desejam 'agradar ao seu próximo, para o bem da sua edificação': (1)
Remover todos os obstáculos do caminho; ou, em outras palavras. Evitar tudo que tenda a não satisfazer os
homens sábios e bons; homens de profundo entendimento e devoção verdadeira. Agora, 'a crueldade,
malícia, inveja, ódio e vingança' são coisas que desagradam a todos os homens; a todos que estão dotados
com entendimento e devoção genuína. Existe igualmente um outro temperamento relacionado a estes,
apenas de uma espécie menor, e que é usualmente encontrado na vida comum, por meio do qual, os homens
em geral não estão satisfeitos. Nós comumente o chamamos de malvados. Com todo o cuidado possível,
evite todos esses; mais do que isto, o que quer que carregue qualquer semelhança com eles, -- como mau
humor, austeridade, rabugice, por um lado; impertinência e enfado, por outro, -- se alguma vez você teve
esperança de 'agradar seu próximo para o bem da sua edificação'.

2. Próximo à crueldade, malícia, e temperamentos similares, com as palavras e ações que


naturalmente brotam disto, nada é mais desgostoso, não apenas às pessoas de senso e religião, mas, até
mesmo, à generalidade dos homens, do que o orgulho; insolência de espírito, e seus frutos genuínos, o
comportamento pretensioso, arrogante, dominador. Até mesmo o aprendizado comum, junto com talentos
brilhantes não irão corrigir isto; mas um homem de dote eminente, se ele for eminentemente arrogante, será
menosprezado por muitos, e antipatizado por todos. Sobre isto, o famoso Mestre do Trinity College, em
Cambridge, foi um exemplo notável. Quão poucas pessoas de seu tempo tinham um entendimento mais
forte, um aprendizado mais profundo, do que o Dr. Bentley! E, ainda assim, quão poucos foram tão pouco
amados! Exceto um que foi, se, afinal, pouco inferior a ele no senso ou aprendizagem, e igualmente distante
da humildade, -- o autor do "Legado Divino de Moisés". Quem quer, portanto, que deseje o prazer de seu
próximo, para seu bem, deve tomar cuidado de não se partir sobre esta rocha. Do contrário, o mesmo
orgulho que o impele a buscar a estima de seu próximo, irá infalivelmente impedi-lo de conseguir isto.

3. Quase tão desagradável à toda generalidade dos homens, como a própria arrogância, é o
temperamento e comportamento passional. Os homens de uma disposição terna são temerosos, até mesmo,
de conversar com pessoas deste espírito. E outros não gostam muito de sua familiaridade com eles; uma vez
que, freqüentemente (talvez, quando eles esperam nada menos) entram em choque nos encontram, o que eles
suportam para o momento, ainda assim, eles não desejosamente se reúnem com eles novamente. Por este
motivo, os homens passionais têm raramente muitos amigos; pelo menos não por um longo período de
tempo. Grande número de pessoas, de fato, pode atendê-los por uma época, especialmente, quando isto pode
promover seus interesses. Mas eles, usualmente se aborrecem, um após o, e caem, como as folhas no outono.
Se, portanto, você deseja, de maneira duradoura, agradar seu próximo para o bem dele, por todos os meios
possíveis, evite a paixão violenta.

4. Sim, se você deseja agradar, até mesmo com respeito a isto, aceite o conselho do Apóstolo
'Coloque fora toda mentira'. É uma observação de um autor engenhoso que, de todos os vícios, a mentira
ainda não encontrou um apologista, alguém que pudesse abertamente advogar a seu favor, quaisquer que
fossem seus sentimentos pessoais. Mas deve ser lembrado que o Sr. Addison foi para um mundo melhor,
antes que as cartas do Lorde Chesterfield fossem publicadas. Talvez, sua apologia para ela fosse a melhor
que alguma vez foi, ou poderá ser feita para uma causa tão má. Mas, afinal de contas, o trabalho que ele
concedeu nisto, teve apenas 'aparência de qualidade, não conteúdo'. Ele não tinha solidez; não era em nada
melhor do que um espectro brilhante. E como a mentira nunca será recomendável, nem inocente, então, nem
poderá ser agradável; pelo menos, quando ela é destituída de seu disfarce, e aparece em sua própria forma.
Conseqüentemente, deve ser cuidadosamente evitada, por todos aqueles que desejam agradar seu próximo,
para o bem de sua edificação.

5. 'Mas a lisonja', um homem dirá, 'não é uma espécie de mentira? E isto não tem sido permitido em
todas as épocas, como meios seguros de se agradar? Esta observação não pode ser confirmada por
numerosos experimentos: -- A lisonja cria amigos, condutas claras inimigos?— O recente escritor
[proeminente], em seu 'Diário Sentimental', não relatou algumas instâncias surpreendentes disto?'. Eu
respondo que é verdade: A lisonja é agradável por um tempo, e não apenas para as mentes fracas, já que o
desejo do louvor, quer merecido ou imerecido, está plantado em cada filho do homem. Mas ela é agradável
apenas por um tempo. Tão logo a máscara cai; tão logo, pareça que o orador quer dizer coisa alguma, através
de suas leves palavras, nós não ficamos mais satisfeitos. Todas as experiências próprias dos homens os
ensinam isto. E todos nós sabemos que, se um homem continua a lisonjear, depois que sua falta de
sinceridade é descoberta, ela se torna repulsiva e desagradável. Portanto, mesmo esta espécie de mentira
moderna, deve ser evitada, por todos que estão desejosos de agradarem a seu próximo, para sua vantagem
duradoura.

6. Mais do que isto, quem quer que deseje fazer isto deve lembrar que não apenas a mentira, em
todas as suas espécies, mas também a dissimulação (que não é o mesmo que lisonja, embora proximamente
relacionada a ela) é desagradável aos homens de entendimento, mesmo que eles não tenham religião.
Terence [190-158 a.C] representa mesmo um antigo ateu, quando ela lhe foi imputada, e responde com
indignação: 'A dissimulação não é parte do meu caráter'. Fraude, sutileza, astúcia, toda a arte do ludibriar, o
que quer que os termos expressem, não é considerada uma obra aperfeiçoada, pelos homens sábios, mas é,
na verdade, uma abominação para eles. E mesmo esses que a praticam mais, e que são os grandes artífices
da fraude não se agradam dela em outros homens, nem gostam muito de conversar com esses que a praticam
neles mesmos. Sim, os maiores enganadores estão grandemente insatisfeitos com estes que aplicam suas
próprias artes sobre eles.

II

Agora, se a crueldade, malícia, inveja, ódio, vingança, ruindade; se o orgulho e a arrogância; se a ira
irracional; se a mentira e a dissimulação, juntos com a fraude, sutileza, e astúcia, desagradam a todos os
homens, especialmente, aos homens sábios e bons, nós podemos facilmente concluir disto, qual o caminho
certo para agradar a eles para a bem de sua edificação. Apenas devemos nos lembrar de que existem esses,
em todo o tempo, e lugar, a quem nós não devemos esperar agradar. Nós não devemos, portanto, ficar
surpresos, quando não conseguir agradar de maneira alguma. É agora, como foi no passado, quando o
próprio nosso Senhor queixou-se: 'Para que fim eu devo comparar os homens desta geração? Eles são como
crianças, reunidas no mercado, e dizendo umas às outras: nós tocamos flauta para você, mas você não
dançou: Nós temos pranteado junto a vocês, mas você não chorou'. Mas, deixando esses percussores
consigo mesmos, nós podemos razoavelmente esperar agradar outros, através de uma observação cuidadosa
e firme de algumas poucas direções seguintes:

1. Em Primeiro Lugar, não deixe que o amor o visite, como um convidado transeunte, mas seja a
disposição de temperamento constante de sua alma. Veja que seu coração seja preenchido todo tempo, e em
todas as ocasiões com a benevolência verdadeira e não mascarada; não àqueles apenas que o amam, mas
com respeito a toda alma do homem. Que ela seja plantada em seu coração; que ela cintile em seus olhos;
que ela brilhe em todas as suas ações. Quando quer que seus lábios se abram, que isto seja com amor; que na
sua língua haja a lei da delicadeza. Sua palavra, então, irá gotejar como a chuva, e como o orvalho sobre a
erva tenra. Não seja contraído ou limitado em sua afeição, mas abrace cada filho do homem. Todo aquele
que é nascido de uma mulher reivindica sua boa-vontade. Você deve isto, não para alguns, mas para todos. E
que todos os homens saibam que você deseja tanto a felicidade temporal quanto eterna deles, tão
sinceramente quanto você deseja a sua própria.

2. Em Segundo Lugar, se você for agradar seu próximo para o bem dele, planeje ser manso de
coração. Seja pequeno e vil aos seus próprios olhos; na honra, preferindo outros, antes de si mesmo. Esteja
profundamente consciente de sua própria fraqueza, tolices e imperfeições; assim como do pecado
remanescente em seu coração e aderindo-se a todas as suas palavras e ações. E permita que este espírito
apareça em tudo que você falar ou fizer: 'Seja revestido com a humildade'. Rejeite com horror aquela
maxima favorita do antigo pagão, nascida do abismo sem fim, 'Quanto mais você valorizar a si mesmo, mais
os outros irão valorizar você'. Não é assim. Pelo contrário, tanto Deus quanto o homem 'resistem ao
orgulho': E, como 'Deus dá graça ao humilde', então a humildade, e não o orgulho, nos recomenda ao
estimarmos e favorecermos os homens, especialmente aqueles que temem a Deus.
3. Em Terceiro Lugar, se você deseja agradar seu próximo para o bem da edificação, você deverá
orar para que você possa ser manso, assim como humilde de coração. Trabalhe para ser de um
temperamento calmo e desapaixonado; gentil, em direção a todos os homens; e que a gentileza de sua
disposição apareça em todo o teor de sua conversa. Que suas palavras e todas as suas ações sejam reguladas
por meio disto. Como uma adição à sua gentileza, seja misericordioso; 'Seja cortês'; seja compassivo;
ternamente compassivo com todos que estão em aflição; com todos que estão, sob a angústia da mente,
corpo ou estado. Que os vários aspectos da angústia humana promovam sua mais delicada simpatia!

Enxugue as lágrimas dos que choram. Se você não pode fazer mais nada, pelo menos misture suas
lágrimas com as deles; e lhes ofereça palavras curadoras, tais que possam tranqüilizar suas mentes, e
diminuir suas tristezas. Mas se você pode, se você é capaz de dar a eles assistência verdadeira, não espere.
Que você seja os olhos para o cego; os pés para o coxo; o marido para a viúva; o pai para o órfão. Isto irá
grandemente conciliar a afeição e dar um prazer proveitoso, não apenas aos que são objetos de sua
compaixão, mas aos outros, igualmente, que 'vêem suas boas obras, e glorificam seu Pai, que está nos céus'.

4. E, enquanto você é piedoso com o aflito, veja que você seja cortês, em direção a todos os homens.
Não importa, neste aspecto, se eles são altos ou baixos, ricos ou pobres, superiores ou inferiores a você. Não,
nem mesmo, se bons ou maus; quer temam a Deus ou não. Na verdade, o modo de mostrar sua cortesia pode
variar, como cristão a prudência irá dirigi-lo; mas a coisa, em si mesma, é devida a todos; os inferiores e os
piores clamam por nossa cortesia. [Mas o que é cortesia?] Ela pode ser interior ou exterior; quer um
temperamento, ou um modo de comportamento. Tal modo de comportamento, que brota naturalmente da
cortesia do coração. Isto é o mesmo que as boas maneiras, ou a polidez? (o que parece ser apenas um grau
de boas maneiras): Não, a boa maneira é principalmente o fruto da educação; mas a educação não pode
oferecer a cortesia do coração. A conhecida definição de polidez do Sr. Addison, parece preferivelmente ser
uma definição dela: 'O constante desejo de agradar a todos os homens, aparecendo através de toda a
conversão'. Agora, isto pode subsistir, mesmo em um alto grau, onde não existe nenhuma vantagem de
educação. Eu tenho visto como cortesia verdadeira, tanto no abrigo irlandês, quanto possa ser encontrada em
St. James ou no Louvre.

5. Podemos nos esforçar, e irmos um pouco mais fundo, e pesquisarmos nos alicerces deste assunto?
Qual é a fonte daquele desejo de agradar, que nós denominamos cortesia? Vamos examinar atenciosamente
nossos corações, e logo acharemos a resposta. O mesmo Apóstolo que nos ensina a sermos corteses, nos
ensina a honrar todos os homens; e seu Mestre nos ensina a amar todos os homens. Juntando esses, qual será
o efeito? O pobre miserável clama por minha esmola: Eu olho para ele e o vejo coberto com sujeira e trapos.
Mas, através desses, eu vejo um espírito imortal, feito para conhecer, amar, e habitar com Deus na
eternidade. Eu honro a ele, por causa do Criador. Repare! Eu vejo, através desses trapos, que ele está
pintado de púrpura, com o sangue de Cristo. Eu o amo, por causa do seu Redentor. A cortesia, portanto, que
eu sinto e mostro, em direção a ele, é uma mistura de honra e amor que eu carrego do fruto de Deus; da
compra, através do sangue de seu Filho, e do candidato à imortalidade. Esta cortesia nos conduz a termos
consciência e nos conduzirmos, em direção a todos os homens; e agradá-los para sua edificação.

6. Uma vez mais: Aproveite todas as oportunidades apropriadas de declarar aos outros a afeição que
você realmente sente por eles. Isto pode ser feito, com tal atmosfera; de tal maneira, não sujeita à imputação
da lisonja: A experiência mostra que os homens honestos ficam agradados disto, cheios, como os patifes
ficam com a lisonja. Esses que são persuadidos de que suas expressões de boa vontade em direção a eles são
a linguagem de seus corações ficarão tão satisfeitos com elas, como a mais alta apologia que você possa
passar para eles. Você pode julgá-los, por você mesmo, através do que você sente em seu próprio peito.
Você gosta de ser prestigiado; mas não é preferível ser amado?

7. Permita-me acrescentar um conselho mais: Se você gostaria de agradar todos os homens, para o
bem deles, em todos os eventos, falem a todos os homens a verdade de seu coração. Quando você falar, abra
a janela de seu peito: deixe que as palavras sejam um retrato de seu coração. Em toda a companhia, em todas
as ocasiões, seja um homem de veracidade. Mais do que isto, não fique satisfeito em revelar a veracidade;
mas 'mantenha toda sua conversação no mundo, na simplicidade e sinceridade santa', como 'um israelita,
de fato, no qual não existe fraude'.

8. Para resumir tudo isto em uma palavra, se você quer agradar a todos os homens, agrade a Deus!
Deixe que a verdade e amor possuam toda a sua alma. Deixe que eles sejam a fonte de todas as suas
afeições, paixões, temperamentos; como regras de todos os seus pensamentos. Que eles inspirem todos os
seus discursos; continuamente temperando com sal, e sendo adequados para 'ministrarem graça aos seus
ouvintes'. Que todas as suas ações sejam forjadas no amor. Nunca 'permita que a misericórdia ou a verdade
o abandonem: Dependure-nas ao redor do seu pescoço', Permita que elas sejam abertas e evidentes a todos;
e 'as escreva nas tábuas do seu coração'. 'De modo que você irá encontrar favor e bom entendimento ás
vista de Deus e do homem'.

[Editado por Edward Purkey (Pastor, Audubon Park United Methodist Church, Spokane, WA), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O DEVER DA COMUNHÃO CONSTANTE

O discurso seguinte foi escrito, por volta de cinqüenta e cinco anos atrás, para o uso de meus alunos em
Oxford. Eu acrescentei muito pouco, mas abreviei muito; já que eu usava mais palavras do que uso agora.
Mas, eu agradeço a Deus, que eu ainda não tenha visto motivo para alterar meus sentimentos em algum
ponto que nele está entregue.

1788 J.Wesley

―Façam isto em memória de mim‖. (Lucas 22:19)

Não é de se surpreender que homens que não temam a Deus nunca pensem em fazer isto. Mas é
estranho que isto possa ser negligenciado por aqueles que temem a Deus, e desejam salvar suas almas; E
ainda assim, nada é mais comum. Uma razão, porque muitos negligenciam, é que eles estão muito temerosos
de ―comerem e beberem desmerecidamente‖, de tal maneira, que nunca pensaram, quão maior é o perigo,
quando eles não comem e bebem, afinal. Para que eu possa fazer o que posso para trazer esses bem-
intencionados homens a uma maneira mais justa de pensar, eu devo:

I. Mostrar que é o dever de todo cristão receber a Ceia do Senhor, tão freqüentemente quanto ele
puder;

II. Responder a algumas objeções.

Eu vou mostrar que é o dever de todo cristão receber a Ceia do Senhor, tão freqüentemente quanto
ele puder.

1. A primeira razão, porque é dever de todo cristão assim fazer, é porque se trata de um claro
mandamento de Cristo. Que este é seu mandamento, aparece das palavras do texto: ―Façam isto, em
memória de mim‖. Pelo que, como os Apóstolos foram obrigados a abençoar, partir e dar o pão a todos que
se reuniam com eles nas coisas santas; então, todos os cristãos foram obrigados a receber aqueles sinais do
corpo e sangue de Cristo. Aqui, portanto, o pão e vinho são ordenados que sejam recebidos em lembrança da
sua morte, até o fim do mundo. Observem também, que este mandamento foi dado por nosso Senhor,
quando ele estava colocando sua vida por nossas causas. Estas são, portanto, por assim dizer, suas últimas
palavras a todos os seus seguidores.
2. A segunda razão, porque todo cristão deveria fazer isto, tão freqüentemente quanto ele puder,
deve-se aos benefícios que são grandes a todos que fazem isto, na obediência a ele; ou seja, o perdão de
nossos pecados passados, e o presente fortalecimento e renovação de nossas almas. Neste mundo, nós nunca
estamos livres das tentações. Qualquer que seja o caminho que estejamos, qualquer que seja nossa condição,
se estamos doentes ou bem de saúde, em preocupação, ou tranqüilos, os inimigos de nossas almas estão
vigiando, para nos conduzirem ao pecado. E tão freqüentemente, eles prevalecem sobre nós. Agora, quando
nós estamos convencidos de ter pecado contra Deus, que caminho mais certo para procurarmos o perdão
dele, do que aquele de ―anunciar a morte do Senhor‖; e implorar a ele, em nome dos sofrimentos de seu
Filho, para apagar todos os nossos pecados?

3. A graça de Deus dada nela nos confirma no perdão de nossos pecados, por nos capacitar a
abandoná-los. Já que nossos corpos são fortalecidos, através do pão e vinho, assim são nossas almas, através
desses símbolos do corpo e sangue de Cristo. Este é o alimento de nossas almas: isto nos dá força, para
executarmos nossa obrigação, e nos conduz para a perfeição. Se, portanto, temos algum respeito pelo
mandamento claro de Cristo; se nós desejamos o perdão de nossos pecados; se nós desejamos força para
acreditar, amar e obedecer a Deus, então, não devemos negligenciar a oportunidade de recebermos a Ceia do
Senhor; então, nunca deveremos voltar nossas costas ao banquete que nosso Senhor tem preparado para nós.
Não devemos negligenciar a oportunidade que a boa providência de Deus nos proporciona, para este
propósito. Esta é a regra verdadeira: Recebermos tão freqüentemente, quanto Deus nos dá oportunidade.
Quem quer, portanto, que não receba, mas sai da mesa, quando todas as coisas estão preparadas, tanto não
entende sua obrigação, quanto não se preocupa com o último mandamento de seu Senhor, o perdão de seus
pecados, o fortalecimento de sua alma, e a renovação nela, com a esperança da glória.

4. Que cada um, portanto, que tem tanto algum desejo de agradar a Deus, quanto algum amor a sua
própria alma, obedeça a Deus, e tome em consideração o bem de sua própria alma, comungando todo tempo
que puder; como os primeiros cristãos, com os quais o sacrifício cristão era uma parte constante da
cerimônia diária do Senhor. E por diversos séculos, eles receberam isto quase todos os dias: Quatro vezes
por semana, sempre, além de todo dia santo. Assim sendo, aqueles que se reuniam nas orações do fiel, nunca
falharam em participarem do sacramento abençoado. Que opinião eles tinham de alguém que virava as
costas a ela, nós podemos aprender daquele cânone antigo: ―Se algum crente se juntar em orações do fiel, e
ir embora, sem receber a Ceia do Senhor, que ele seja excomungado, uma vez que traz confusão para
dentro da Igreja de Deus‖.

5. Com o objetivo de entender a natureza da Ceia do Senhor seria proveitoso, cuidadosamente ler
sobre aquelas passagens no Evangelho, e na primeira Epístola aos Coríntios [I Cor. 11], que fala da
instituição dela. De onde aprendemos que o objetivo deste sacramento é a lembrança contínua da morte de
Cristo, comendo o pão e bebendo o vinho, que são os símbolos exteriores da graça interior, o corpo e sangue
de Cristo.

6. É altamente expediente para aqueles que se propõem a recebê-la, quando quer que o tempo
permita, prepararem-se para esta ordenança solene, através de auto-exame e oração. Mas isto não é
absolutamente necessário. E, quando não temos tempo para isto, vejamos que tenhamos a preparação
habitual, absolutamente necessária, e que nunca deverá ser dispensada, por qualquer razão ou ocasião que
seja. Isto é, Em Primeiro Lugar, um propósito completo do coração, manter todos os mandamentos de Deus;
e, Em Segundo Lugar, um desejo sincero de receber todas as suas promessas.

II
Em Segundo Lugar, eu vou responder às objeções comuns contra receber constantemente a Ceia do
Senhor.

1. Eu digo receber constantemente; porque, quanto à frase de comunhão freqüente, é absurda ao


último grau. Se ela significa alguma coisa menos do que constante, ela significa mais do que pode ser
provado ser a obrigação de qualquer homem. Porque, se nós não somos obrigados a comungar
constantemente, por qual argumento pode ser provado que nós somos obrigados a comungar
freqüentemente? Sim, mais do que uma vez por ano, ou uma vez em sete anos, ou uma vez, antes que
morramos? Todo argumento trazido para isto, ou prova que nós devemos fazer isto constantemente, ou
prova nada afinal. Portanto, que esta maneira vaga, sem sentido, de falar, seja colocada de lado, por todos os
homens de entendimento.

2. Com o objetivo de provar que é nossa obrigação comungar constantemente, nós podemos observar
que a comunhão santa deve ser considerada tanto (1) como um mandamento de Deus, quanto (2) como
misericórdia para com o homem.

(1) Como um mandamento de Deus, nosso Mediador e Governador, de quem recebemos nossa vida e
todas as coisas, de cuja vontade depende se devamos ser perfeitamente felizes ou perfeitamente miseráveis,
deste momento, até a eternidade, nos declara que todos que obedecerem aos seus mandamentos serão
eternamente felizes; todos que não obedecerem, serão eternamente miseráveis. Agora, um desses
mandamentos é: ―Façam isto em memória de mim‖. Eu pergunto, então, porquê vocês não fazem isto,
quando vocês podem fazê-lo? Quando vocês têm a oportunidade diante de vocês, por que vocês não
obedecem ao mandamento de Deus?

3. Talvez, você irá dizer: ―Deus não me ordenou a fazer isto tão freqüentemente quanto eu puder‖.
Ou seja, as palavras, ―tão freqüentemente quanto eu puder‖, não foram acrescentadas neste lugar específico.
O que, então? Nós não devemos obedecer a todo mandamento de Deus, tão freqüentemente quanto
pudermos? Todas as promessas de Deus não são feitas para esses, e aqueles apenas, que ―prestam toda
diligência‖; ou seja, para aqueles que fazem tudo que eles podem para obedecer aos seus mandamentos?
Nosso poder é a única regra de nossa obrigação. O que quer que possamos fazer, que façamos. Com respeito
a este ou qualquer outro mandamento, aquele que, quando ele puder obedecer, não o fizer, não terá lugar no
reino dos céus.

4. E esta grande verdade, de que nós somos obrigados a manter todo mandamento, tanto quanto
pudermos, está claramente provada do absurdo da opinião contrária; porque fôssemos admitir que não
somos obrigados a obedecer a todo mandamento de Deus, tão freqüentemente, quanto pudermos, não temos
argumento restante para provar que algum homem está constrangido a obedecer a qualquer mandamento, a
qualquer tempo, que quiser. Por exemplo: Eu poderia perguntar a um homem, porquê ele não obedece algum
dos mais claros mandamentos de Deus? Porquê, por exemplo, ele não ajuda seus pais, ele responderia: ―Eu
não farei isto agora, mas farei em outro momento‖. Quando aquele momento chega, ao lembrá-lo do
mandamento de Deus novamente; ele irá dizer: ―Eu obedecerei, em um momento ou outro‖. Nem é
possível, sempre provar que ele deverá fazer isto agora, exceto, provando que ele deverá fazer isto, tão
freqüentemente quanto ele puder; e, portanto, ele deverá fazer isto agora, porque ele pode fazer, se quiser.

5. Considerar a Ceia do Senhor, (2), como uma misericórdia de Deus ao homem. Uma vez que Deus,
cuja misericórdia é sobre todas as suas obras, e, especificamente sobre os filhos dos homens, sabia que
haveria um caminho para o homem ser feliz como ele mesmo; ou seja, ser como ele na santidade; uma vez
que ele sabia que não teríamos coisa alguma, em direção a isto, de nós mesmos, ele nos deu certos meios de
obter sua ajuda. Um desses é a Ceia do Senhor, que, de sua infinita misericórdia, ele deu para este mesmo
propósito: que, através desse meio nós podemos ser assistido a obter aquelas bênçãos que ele preparou para
nós; que podemos obter santidade na terra, e glória eterna no céu.

Eu pergunto, então, por que vocês não aceitam de sua misericórdia, tão freqüentemente quanto
puderem? Deus agora oferece a vocês sua bênção: -- porquê vocês a recusam? Vocês têm agora uma
oportunidade de receberem sua misericórdia; -- porquê vocês não a recebem? Vocês estão fracos: -- porquê
vocês não agarram cada oportunidade de aumentarem a força de vocês? Em uma palavra: Considerando este
como um mandamento de Deus, aquele que não comunga tão freqüentemente quanto pode, não tem
devoção; considerando isto como uma misericórdia, aquele que não comunga, tão freqüentemente quanto
pode, não tem sabedoria.
6. Essas duas considerações irão produzir uma resposta completa a todas as objeções comuns que
têm sido feitas contra a comunhão constante; de fato, a todas que alguma vez foram ou puderem ser feitas.
Na verdade, nada pode ser objetado contra ela, a não ser na suposição de que, neste momento específico,
tanto a comunhão não seja misericórdia, ou eu não sou ordenado a recebê-la. Não. Nós poderíamos admitir
que não seja misericórdia, isto é, não suficiente; mas a outra razão ainda se manteria: quer ela faça algum
bem ou não, você tem de obedecer ao mandamento de Deus.

7. De qualquer modo, vamos ver as desculpas específicas que os homens comumente dão para não
obedecerem a isto. A mais comum é: ―Eu não mereço; e ‗aquele que come e bebe, sem merecer, come e
bebe condenação para si mesmo‘. Portanto, eu não me atrevo a comungar, a fim de que eu não coma e beba
a minha própria condenação‖.

O caso é este: Deus oferece a vocês uma das maiores misericórdias deste lado do céu, e ordena a
vocês que aceitem. Por que vocês não aceitam esta misericórdia, em obediência ao comando dele? Vocês
dizem: ―Eu não sou merecedor de recebê-la‖. E daí? Vocês não são merecedores de receber qualquer que
seja a misericórdia de Deus. Mas esta é uma razão para recusarem todas as misericórdias? Deus oferece a
vocês perdão para todos os seus pecados. Vocês não são merecedores disto, é certo, e ele sabe disto; mas,
desde que ele se agrade de oferecer isto, não obstante, vocês não o aceitarão? Ele oferece livramento de suas
almas da morte: Vocês não merecem viver; mas vocês irão, portanto, recusarem a vida? Ele oferece dotar
suas almas com novas forças; porque vocês não são merecedores disto, vocês negarão tomar posse delas? O
que pode Deus fazer mais por nós, se nós recusamos sua misericórdia porque não somos merecedores dela?

8. Mas suponham que isto não fosse misericórdia para nós (supor o que, de fato, o que é desmentir a
Deus, que não é bom para o homem, o que ele propositadamente ordenou para seu bem); ainda assim, eu
pergunto: por que vocês não obedecem ao mandamento de Deus? Ele diz: ―Façam isto‖. Por que não?
Vocês respondem: ―Eu não sou merecedor de fazer isto‖. O que? Não são merecedores de obedecer a
Deus? Não são merecedores de fazer o que Deus ordena que vocês façam? Não são merecedores de
obedecer ao mandamento de Deus? O que vocês querem dizer com isto? Que aqueles que não são
merecedores de obedecer a Deus, não deveriam obedecer a ele? Quem lhes disse isto? Mesmo que ele seja
―um anjo do céu, que ele seja amaldiçoado‖. Se vocês pensam que o próprio Deus fala a vocês desta
forma, através de Paulo, vamos ouvir suas palavras. Elas são estas: ―aquele que come e bebe sem merecer,
come e bebe condenação para si mesmo‖.

Porque, esta é uma coisa completamente outra. Aqui não existe a palavra dita de não ser merecedor
de comer e beber. De fato, ele fala de comer e beber desmerecidamente; mas isto é uma coisa
completamente diferente: de maneira, que ele mesmo nos diz, neste mesmo capítulo que, por comer e beber
desmerecidamente significa, tomar o sacramento de uma maneira tão rude e desordenadamente, como se um
estivesse ―faminto e o outro bêbado‖. Mas o que é isto para vocês? Existe algum perigo de vocês fazerem
desta forma; -- de comerem e beberem assim, sem merecer? De qualquer modo, desmerecedores que vocês
sejam de comungar, não existe temor de sua comunhão assim. Portanto, qualquer que seja a punição, por
fazer isto desmerecidamente, não diz respeito à vocês. Vocês não têm motivo, do texto, para desobedecerem
a Deus, do que se não houvesse tal texto na Bíblia. Se vocês falam de ―comerem e beberem
desmerecidamente‖, no sentido que Paulo usa as palavras, vocês podem, da mesma forma, dizer: ―Eu não
me atrevo a comungar, por temor que a Igreja possa cair‖, uma vez que, ―por temor, eu poderia comer e
beber desmerecidamente‖.

9. Se, então, vocês temem trazer condenação sobre si mesmos, por isto, vocês temem onde o pecado
não existe. Temam isto, não por comerem e beberem, sem serem merecedores; porque isto, no sentido de
Paulo, vocês não podem fazer. Mas eu direi a vocês, pelo que vocês deverão temer condenação: -- por não
comerem e beberem, afinal; por não obedecerem ao seu Mestre e Redentor; por desobedecerem ao seu claro
mandamento; por assim desprezarem tanto sua misericórdia, quanto sua autoridade. Temam vocês isto;
porque ouçam o que o Apóstolo dele diz: ―Quem quer que mantenha toda a lei, e, ainda assim, ofende em
um ponto, é culpado de toda ela‖. (Tiago 2:10).
10. Nós constamos, então, quão fraca é a objeção: ―Eu não me atrevo a receber, [a Ceia do Senhor]
porque eu não sou merecedor‖. Nem isto é algo estranho, embora o motivo, porque vocês não se
consideram merecedores, seja o de que vocês têm ultimamente caído em pecado. É verdade, nossa Igreja
proíbe aqueles ―que cometeram algum crime grave‖ de receber, sem arrependimento. Mas tudo que se
segue disto, é que nós devemos nos arrepender, antes de virmos; não que devamos negligenciar a vir, afinal.

Afirmar, portanto, que ―um homem pode voltar suas costas sobre o altar, porque ele tem caído
ultimamente no pecado, que ele pode impor esta penitência sobre si mesmo‖, é falar, sem qualquer garantia
das Escrituras. Porque, onde a Bíblia ensina expiar, por quebrar algum mandamento de Deus, quebrando
outro? Que conselho é este: -- ―Cometa um novo ato de desobediência, e Deus mais facilmente perdoará o
passado?‖.

11. Outros existem que, para desculparem a desobediência deles, reivindicam que eles não são
merecedores, em outro sentido, o de que eles ―não podem corresponder à altura dela; que eles não podem
pretender levar uma vida tão santa, como comungarem constantemente os obrigaria a levar‖. Para colocar
isto em palavras claras, eu pergunto: Por que vocês não aceitam a misericórdia que Deus os ordena a
aceitarem? Vocês respondem: ―Porque eu não posso corresponder à altura da profissão que eu devo fazer,
quando eu recebê-la‖. Então, fica claro que vocês nunca poderão recebê-la, afinal. Porque não é mais lícito
prometer, uma vez, o que vocês sabem que não poderão executar, do que prometer milhares de vezes. Vocês
sabem, também, que se trata de uma e da mesma promessa, quer vocês a façam todo o ano, ou todo o dia.
Vocês prometem fazer tanto quanto, se vocês prometessem sempre tão freqüentemente, ou sempre tão
raramente.

Se, portanto, vocês não podem corresponder à altura da profissão daqueles que comungam, uma vez
por semana, nem poderão corresponder à altura dos que comungam, uma vez por ano. Mas vocês não
podem, de fato? Então, seria melhor para vocês, que vocês nunca tivessem nascido. Porque tudo que vocês
professam na mesa do Senhor, vocês devem tanto professar quanto manter, ou vocês não poderão ser salvos.
Porque vocês professam nada lá, a não ser isto: -- que vocês diligentemente manterão os mandamentos dele.
E vocês não podem corresponder à altura desta profissão? Então, vocês não poderiam ter nascido.

12. Pensem, então, no que vocês dizem, antes de afirmarem que não podem corresponder à altura do
que é requerido dos comunicantes constantes. Isto não é mais do que é requerido de qualquer comunicante;
sim, de todos que têm uma alma a ser salva. De tal maneira, que dizer que vocês não podem corresponder à
altura disto, nem é melhor, nem pior do que renunciar ao Cristianismo. É, em efeito, renunciarem ao seu
batismo, no qual vocês solenemente prometeram manter todos os mandamentos dele. Vocês agora fogem
daquela profissão. Vocês propositadamente quebram seus mandamentos, e, para desculparem-se, dizem que
vocês não podem mantê-los: Então, vocês não podem esperar receber as promessas que são feitas apenas
para aqueles que os mantêm.

13. O que tem sido disto deste pretexto contra a constante comunhão, é aplicável àqueles que dizem a
mesma coisa em outras palavras: ―Nós não nos atrevemos a ela, porque ela requer uma obediência tão
perfeita, mais tarde, que não podemos prometer executar‖. Não; ela requer, nem obediência mais, nem
menos, do que a que vocês prometeram em seu batismo. Vocês, então, empreenderam manter os
mandamentos de Deus, através de sua ajuda: e prometem nada mais, quando comungam.

14. Uma Segunda objeção que é freqüentemente feita contra a comunhão constante, é o ter tanta
ocupação, de maneira a não permitir tempo para tal preparação, como é necessária a ela. Eu respondo: Toda
a preparação que é absolutamente necessária está contida nestas palavras: ―Arrependam-se verdadeiramente
de seus pecados passados; tenham fé em Cristo, nosso Senhor‖; (e observem, esta palavra não está aqui
tomada em seu sentido mais sublime) ―emendem suas vidas, e sejam misericordiosos com todos os homens;
assim, vocês tomarão parte desses mistérios santos‖. Todos que estão assim preparados, podem aproximar-
se, sem temor, e receber o sacramento para o conforto deles. Agora, que ocupação pode impedir vocês de
estarem assim preparados? – De arrependerem-se de seus pecados passados; de crerem que Cristo morreu
para salvar pecadores; de emendarem suas vidas; e serem misericordiosos para com todos os homens?
Nenhuma ocupação pode impedi-los disto, exceto, se for tal de maneira a impedi-los de estarem em um
estado de salvação. Se vocês decidirem e objetivarem seguir Cristo, vocês estão adequados para
aproximarem-se da mesa do Senhor. Se vocês não objetivam isto, vocês estão apenas adequados para a mesa
e companhia de demônios.

15. Nenhuma ocupação, portanto, pode impedir homem algum de ter esta preparação, que sozinha é
necessária, a menos que seja tal, de maneira a tanto desprepará-lo para o céu, quanto a colocá-lo fora de um
estado de salvação. De fato, todo homem prudente examinará a si mesmo, quando tiver tempo, antes de
receber a Ceia do Senhor, se ele se arrepende verdadeiramente de seus pecados anteriores; se ele crê nas
promessas de Deus; se ele objetiva verdadeiramente caminhar em Seus caminhos, e ter misericórdia para
com todos os homens Nisto, e na oração privada, ele, sem dúvida, gastará todo o tempo que ele
convenientemente puder. Mas o que é isto, para vocês que não têm tempo? Que desculpa é esta, para não
obedecer a Deus? Ele ordena a vocês para virem, e prepararem-se, através da oração, se vocês tiverem
tempo; se não, de qualquer modo, venham. Não façam da reverência ao mandamento de Deus, um pretexto
para quebrá-lo. Não se rebelem contra ele, por temor de ofendê-lo. O que quer que vocês façam, ou deixem
de fazer além, estejam certos de fazerem o que Deus ordena a vocês. Examinar a si mesmo, e usar da oração
pessoal, especialmente antes da Ceia do Senhor, é bom: Mas, observem! ―Obedecer é melhor do que‖ ,
auto-examinar-se; ‖e ouvir atentamente‖, do que a oração de um anjo.

16. A Terceira objeção, contra a comunhão constante, é que ela diminui nossa reverência pelo
sacramento. Suponham que diminua. E daí? Vocês concluirão disto que vocês não devem recebê-la
constantemente? Isto não se segue. Deus ordena a vocês: ―Façam isto‖. Vocês podem fazer isto agora, mas
não farão, e desculpam-se: ―Se eu fizer freqüentemente, isto diminuirá a reverência, com a qual faço
agora‖. Suponham que diminua; Deus alguma vez disse a vocês que, quando o obedecer ao seu
mandamento diminuir sua reverência a ele, então, você pode desobedecê-lo? Se ele o fez, vocês estão sem
culpa; se não, o que vocês dizem nada tem a ver com o propósito. A lei é clara. Ou mostra que o legislador
faz esta exceção, ou vocês são culpados perante ele.

17. A reverência pelo sacramento pode ser de duas espécies: Tanto tal como é devida puramente à
novidade da coisa, tal como os homens naturalmente têm por alguma coisa que eles não estão acostumados;
quanto tal como é devida à nossa fé, ou ao amor e temor a Deus. Agora, a primeira dessas não é
propriamente reverência religiosa, mas puramente natural. E esta espécie de reverência pela Ceia do Senhor,
o receber constantemente dela deve diminuir. Mas ela não diminuirá a reverência religiosa verdadeira, mas,
antes a confirmará e a aumentará.

18. Uma Quarta objeção é, ―eu comunguei constantemente, tanto tempo, mas não encontrei o
benefício que eu esperava‖. Isto tem sido o motivo para muitas pessoas bem intencionadas, e, portanto,
merece ser especificamente considerado. E considere isto: Em Primeiro Lugar, o que quer que Deus nos
ordene fazer, nós deveremos fazer, porque ele ordena, quer sintamos algum benefício, por meio disto, ou
não. Agora, Deus ordena: ―Faça isto em memória de mim‖. Isto, portanto, nós deveremos fazer, porque ele
ordena, quer encontremos algum beneficio presente por meio disto, ou não. Mas, indubitavelmente, nós
encontraremos, mais cedo ou mais tarde, embora, talvez, inconscientemente. Nós podemos ser
inconscientemente fortalecidos, feitos mais adequados, para o serviço de Deus, e mais constantes nele. Pelo
menos, nós manteremos de cair de volta, e preservados de muitos pecados e tentações: E certamente, isto
seria suficiente para que recebêssemos este alimento, tão freqüentemente quanto pudermos; embora não
presentemente sintamos os efeitos felizes dele, como alguns têm feito, e nós mesmos possamos, quando
Deus achar melhor.

19. Mas suponham que um homem tem freqüentemente participado do sacramento, e ainda assim,
não recebeu benefício: Não foi sua própria falta? Ou ele não estava corretamente preparado, disposto a
obedecer todos os mandamentos e receber todas as promessas de Deus, ou ele não recebeu isto corretamente,
confiando em Deus. Apenas vejam que vocês estejam devidamente preparados para ele, e quanto mais vocês
vêm à mesa do Senhor, maior o benefício que encontrarão lá.
20. Uma Quinta objeção que alguns fizeram contra a comunhão constante é que ―a Igreja a desfruta
apenas três vezes ao ano‖. As palavras da Igreja são: ―Observem que cada paroquiano deverá comungar,
pelo menos, três vezes no ano‖. Para isto, eu respondo: Em Primeiro Lugar, qual o problema se a Igreja
não desfrutou dela, afinal? Não é suficiente que Deus a desfrute? Nós obedecemos a Igreja, apenas por causa
de Deus. E não devemos obedecer ao próprio Deus? Se, então, vocês recebem três vezes por ano, porque a
Igreja ordena isto, recebam todas as vezes que vocês puderem, porque Deus ordena. Ou o seu fazerem uma
coisa estará tão longe de desculpá-los de não fazerem a outra, que sua própria prática provará sua tolice e
pecado, e deixará vocês sem desculpas.

Mas, Em Segundo Lugar, nós não podemos concluir dessas palavras, que a Igreja desculpa aquele
que recebe apenas três vezes por ano. O claro sentido delas é que aquele que não a recebe três vezes pelo
menos, deverá ser expulso da Igreja: Mas eles, de modo algum, desculpam aquele que não comunga mais
freqüentemente. Isto nunca foi o julgamento de nossa Igreja: Pelo contrário, ela toma todo cuidado possível
para que o sacramento seja devidamente administrado, quando quer que a Oração Comum seja lida, todo
domingo e feriado no ano.

A Igreja dá uma direção específica, com respeito àqueles que estão nas Ordens Santas: ―Em todas as
Catedrais e Colégios, onde existem muitos Sacerdotes e Diáconos, eles deverão receber a comunhão com o
Sacerdote, todo domingo, pelo menos‖.

21. Foi mostrado, Em Primeiro Lugar, que se nós consideramos a Ceia do Senhor, como um
mandamento de Cristo, homem algum, que não a receba (nem uma vez por mês, pelo menos) tão
freqüentemente quando ele puder, pode ter alguma aspiração à devoção cristã. Em Segundo Lugar, que se
nós consideramos a instituição dela, como uma misericórdia a nós mesmos, homem algum que não a receba,
tão freqüentemente quanto ele puder, tem alguma aspiração à prudência cristã. Em Terceiro Lugar, que
nenhuma das objeções usualmente feitas, pode ser alguma desculpa para o homem que, em toda a
oportunidade, não obedece a este mandamento e aceita esta misericórdia.

22. Foi mostrado, especificamente, Em Primeiro Lugar, que não ser merecedor não é desculpa;
porque, embora em um sentido sejamos todos indignos, ainda assim, nenhum de nós precisa ficar temeroso
de não ser merecedor, no sentido em que Paulo fala, de ―comer e beber desmerecidamente‖. Em Segundo
Lugar, que o não ter tempo para a preparação não pode ser desculpa; uma vez que a única preparação que é
absolutamente necessária, é aquela que nenhuma ocupação pode impedir, nem, de fato, alguma coisa sobre a
terra, exceto até onde ela impeça o nosso estar em um estado de salvação. Em Terceiro Lugar, que o
diminuir nossa reverência não é desculpa; uma vez que ele que nos deu o comando, ―faça isto‖, em
nenhuma parte acrescenta, ―exceto, se diminuir a reverência de vocês‖. Em Quarto Lugar, que nosso não
proveito disto, não é desculpa; uma vez que é nossa própria falta, em negligenciar aquela preparação
necessária que está em nosso próprio poder. Por fim, que o julgamento de nossa própria Igreja é
completamente a favor da comunhão constante. Se aqueles que têm até aqui negligenciado a ela, em
qualquer um desses pretextos, colocarem essas coisas no coração, eles virão, pela graça de Deus, para uma
mente melhor, e nunca renunciarão às suas próprias misericórdias.

[Editado por Jason Coyle, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

tradução: izilda bella

Sobre os Tempos Passados


'Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria
esta pergunta'. (Eclesiastes 7:10)

1. Não é fácil discernir alguma conexão, entre este texto e o contexto entre essas palavras, tanto
aquelas que se vêm antes quanto aquelas que se seguem depois. Parece ser uma sentença destacada,
independente, como muitas nos Provérbios de Salomão: E, como elas, ela contém uma verdade importante,
que merece uma consideração séria. Este não é o propósito da questão? Não é sábio inquirir, no caso de uma
suposição, a menos que a própria suposição não seja apenas verdadeira, mas claramente provada que o é.
Portanto, não é sábio inquirir, no caso desta suposição, que 'os dias passados foram melhores do que estes',
porque, simples como ela seja, ainda assim, não foi provada, nem de fato algum dia poderá ser.

2. Talvez, existam poucas suposições que tenham passado mais corretamente no mundo do que esta,
-- que os dias passados foram melhores do que estes; e isto, em diversos aspectos. Supõe-se geralmente que
nós vivemos agora nos refugos do tempo, quando o mundo está, por assim dizer, envelhecido; e,
conseqüentemente, que todas as coisas dele estão em um estado de declínio. Supõe-se, em particular, que os
homens foram, algumas épocas atrás, de uma estatura bem maior do que agora; que eles igualmente tinham
maiores habilidades, e desfrutavam de um entendimento mais profundo e forte; em conseqüência do que,
seus escritos, de todos os tipos são mais preferíveis a estes dos tempos recentes. Acima de tudo, supõe-se
que as gerações passadas superaram a presente, na virtude; que a humanidade, em todas as épocas, e em
todas as nações tem se degenerado, mais e mais; de modo que, por fim, ela regrediu da idade do ouro, para a
idade do ferro, e agora a justiça desapareceu da face da terra.

3. Antes que consideremos a verdade dessas suposições, vamos inquirir dentro do surgimento delas.
E, como para a suposição geral, de que o mundo esteve, uma vez, em um estado muito mais excelente do
que ele está, nós não podemos acreditar facilmente que isto surja (como todos os relatos fabulosos dos
tempos dourados) de algumas tradições confusas, concernentes aos nossos primeiros antepassados, em seu
estado paradisíaco? Para isto, o homem recorre aos fragmentos dos escritos antigos, que os homens de
aprendizado tem juntado. Portanto, nós podemos admitir que existe alguma verdade na suposição; vendo que
é certo que os dias que Adão e Eva passaram no paraíso eram muito melhores do que algum em que seus
descendentes passaram; ou mesmo irão passar, até que Cristo retorne para reinar sobre a terra.

4. Mas de onde esta suposição pôde se levantar, de que os homens eram antigamente de uma estatura
maior do que eles são agora? Esta tem sido geralmente uma opinião predominante, quase em todas as nações
em todas as épocas. Por esta razão, a bem conhecida linha de Virgílio dois mil anos atrás: --

Qualia nunc hominum producit corpora tellus.

[Assim, traduzida por Pitt]: --

["Dificilmente doze homens fortes de massa ponderosa puderam surgir, tais como as desgraças desses
dias sombrios e degenerados" – Edit.]

Conseqüentemente, perto de mil anos antes dele, Homero nos fala de um de seus heróis atirando uma
pedra que dificilmente dez homens poderiam levantar, -- tal como os homens são agora. Nós admitimos, de
fato, que houve gigantes em todas as épocas, em várias partes do mundo. Quer os antediluvianos
mencionados em Gênesis foram tais ou não, (o que muitos têm questionado), nós não podemos duvidar a
não ser que Ogue, o Rei de Basã [(Deuteronômio 3:11) 'Porque só Ogue, o rei de Basã, restou dos
gigantes; eis que o seu leito, um leito de ferro, não está porventura em Rabá dos filhos de Amom? De nove
côvados, o seu comprimento, e de quatro côvados, a sua largura, pelo côvado comum'.] foi tal, assim como
Golias de Gate [(I Samuel 17:4) 'Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era
Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo']. Tais também eram muitos dos filhos (ou
descendentes) de Anaque. Mas não parece que naquele tempo ou nação, os homens em geral eram maiores
do que eles são agora.
Nós estamos muito certos que eles não eram, por muitos séculos passados, através dos túmulos e
caixões que têm sido descobertos, os quais são exatamente do mesmo tamanho que aqueles que estão agora
em uso. E nas catacumbas de Roma, os nichos para os corpos que foram cortados na rocha, cento e dezesseis
anos atrás, nenhum deles são seis pés de altura, e alguns um pouco abaixo. Acima de tudo, as Pirâmides do
Egito (aquela do rei Queóps, em particular) tem, além de qualquer dúvida razoável, permanecido, pelo
menos três mil anos. Ainda assim, nenhuma das múmias (corpos embalsamados), trazidas de lá, estão acima
de cinco pés e dez polegadas de tamanho.

5. Mas como, então, esta suposição veio predominar tanto tempo, e tão geralmente no mundo? Eu
não sei, mas pode ser por este motivo: Grande e pequeno são termos relativos; e todos os homens julgam
grandeza e pequeneza, comparando coisas consigo mesmos. Por conseguinte, não é estranho, se nós
pensarmos que os homens são maiores agora, do que eles foram quando eles eram crianças. Eu me lembro
de uma instância notável disto em meu próprio caso: Depois de tê-la deixado, sete anos, eu tive um grande
desejo de ver a escola onde eu fui matriculado. Quando eu estava lá, eu me admirei que os garotos fossem
tão menores do que eles costumavam ser quando eu estava na escola. 'Muitos dos meus colegas de escola,
dez anos atrás, eram maiores do que eu; e poucos deles que estão na escola agora alcançam meus ombros'.
Muito verdadeiro: Mas qual foi a razão para isto? De fato, uma razão muito simples: Não foi porque eles
eram menores, mas porque eu era maior do que eu fora, dez anos antes. Eu verdadeiramente acredito que
esta é a causa, porque os homens em geral supõem que a raça humana decresceu na estatura. Eles se
lembram do tempo quando a maioria deles, ao redor deles eram ambos mais altos e maiores do que eles
próprios. Sim, e todos os homens têm feito o mesmo nas suas sucessivas gerações. É de se surpreender,
então, que todos possam incorrer no mesmo equívoco, quando tem sido transmitido, por descuido, de pai
para filho, e, provavelmente irá ser assim até o fim dos tempos.

6. Mas existe igualmente uma suposição geral de que o entendimento do homem e todas as suas
habilidades mentais eram maiores, nos dias passados, do que elas são agora; e que os antigos habitantes da
terra tinham talentos maiores, do que os atuais. Homens de eminente aprendizado têm pensado desta forma,
e têm defendido isto com a mais extrema veemência. É afirmado que muitos dos antigos escritores, ambos
filósofos, poetas e historiadores não irão facilmente ser sobrepujados, se igualados, por esses dos tempos
recentes. Nós podemos exemplificar em Homero e Virgílio, como poetas; Thucydides e Livy, como
historiadores. Mas, neste meio tempo, é para ser notado, concernente a maioria desses escritores que, cada
um deles passou toda sua vida compondo e polindo um só livro. Que surpresa então, se eles foram
maravilhosamente terminados, quando tanto trabalho foi colocado neles! Eu duvido que algum homem na
Europa, ou no mundo dedicou-se tanto em terminar algum tratado: Do contrário, teria sido possivelmente
igualado, se não sobrepujado, qualquer um que existiu antes.

7. Mas nós podemos facilmente reunir, dos mais autênticos registros, que a generalidade dos homens
não era um jota, mais sábia, nos tempos antigos, do que ela é no momento atual. Uma das nações mais
antiga, concernentes aos quais nós temos algum relato certo é a egípcia. E que concepção nós podemos ter
do entendimento e aprendizado deles, quando nós refletimos sobre os objetos de sua adoração? Não se
tratavam apenas dos mais vis dos animais, como cães e gatos, mas dos alhos-porró e cebolas que cresciam
em suas próprias hortas. De fato, eu conheci um grande homem (cuja maneira, era tratar com o insulto mais
imundo todos que ousavam diferir dele: eu não quero dizer o Dr. Johnson – ele foi um mero bajulador,
comparado com o Sr. Hutchinson) que vilmente insultou todos aqueles que eram tão destituídos de bom-
senso, como acreditar que qualquer uma dessas coisas concerne a eles. Ele autoritariamente afirma, (mas
sem condescender nos fornecer alguma prova) que os habitantes antigos do Egito tinham um profundo
significado secreto em tudo isto. Que acredite nele, quem quiser. Eu não posso acreditar numa simples
afirmação de um homem. Eu penso que eles tinham nenhum significado mais profundo em adorar gatos, do
que nossos escolares têm em bater neles. E eu apreendo que os egípcios comuns eram justamente tão sábios,
três mil anos atrás, como os lavradores comuns na Inglaterra e Gales são hoje. Eu suponho que o
entendimento natural deles, assim como suas estaturas, eram no mesmo nível que os nossos, e o
aprendizado, o conhecimento adquirido deles, era muitos graus inferiores do que destas pessoas do mesmo
nível, tanto na França, Holanda quanto Alemanha.
8. De qualquer modo, as pessoas dos tempos antigos nos excederam muito em virtude? Este é um
ponto da maior importância; -- o restante é ninharia em comparação a ele. Agora, não é universalmente
admitido que todas as épocas ficaram cada vez piores? Isto não foi observado pelos antigos poetas pagãos,
quase dois mil anos atrás? Ou seja, em verso claro:

'A época de nossos pais era mais violenta – do que de nossos avós; nossa época é mais violenta do

que de nossos pais; nós somos piores do que nossos pais foram, e nossos filhos serão piores do que nós'.

9. É certo que este tem sido o clamor comum de geração em geração. E, se não é verdade, de onde
ele teria surgido? Como nós podemos prestar contas dele? Talvez, um outro comentário do mesmo poeta
possa nos ajudar a responder. Ele não pode ser extraído do caráter geral que ele dá aos homens idosos?

[A seguir a tradução de Boscawen da citação de Horácio (em latim): - "Fastidioso, mal humorado,
propenso ao elogio. O que se passou, quando nos seus dias juvenis. E com língua censuradora severa,
corrige as loucuras dos jovens!" –Edit].

Não é uma prática comum dos homens idosos elogiarem o passado e condenarem o tempo presente?
E isto pode provavelmente operar muito além do que alguém poderia a princípio imaginar. Quando esses
que têm mais experiência do que nós, e, por conseguinte, nós estamos aptos a pensar que têm mais
sabedoria, estão quase continuamente harpando sobre isto - a decadência do mundo; estes que estão
acostumando de suas infâncias a ouvirem o quanto melhor o mundo era antigamente do que é agora, (e
assim ele realmente pareceu a eles, quando eles eram jovens, e quando vieram no mundo; quando a
disposição da juventude deu um ar prazeroso a tudo que estava em volta deles), a idéia de um mundo, sendo
cada vez pior, naturalmente cresceria com eles. E assim ele será, até que nós, da nossa vez, fiquemos mal-
humorados, inquietos, descontentes e cheios de queixas melancólicas, 'Como mundo ficou pior! Quão
melhor ele era quando nós éramos jovens, nos dias dourados que nós podemos lembrar!'.

10. Mas, vamos nos esforçar, sem preconceito ou predisposição, para darmos uma olhada em toda a
questão. E, numa consideração ponderada e imparcial, parecerá que os dias passados não eram melhores do
que estes; sim, ao contrário, que estes são, em muitos aspectos, além de comparação, melhores do que eles.
Claramente irá aparecer que, como a estatura dos homens foi proximamente a mesma desde o começo do
mundo, então o entendimento dos homens, em circunstâncias similares, tem sido o mesmo, desde que Deus
trouxe a inundação sobre a terra, até a presente hora. Nós não temos razão para acreditar que as nações não
civilizadas da África, América ou Ilhas do Sul, tiveram, alguma vez, um entendimento melhor; ou elas
estiveram num estado menos bárbaro do que estão agora. Nem, por outro lado, nós temos alguma prova
suficiente de que os entendimentos naturais dos homens eram mais fortes ou mais refinados, nas regiões
mais civilizadas - Babilônia, Pérsia, Grécia, ou Itália - do que essas dos alemães, franceses ou ingleses,
agora vivos. Mais do que isto, nós não temos razão para acreditar que, através de melhores instrumentos, nós
temos alcançado aquele conhecimento da natureza, que poucos, se algum, dos antigos alguma vez
obtiveram? De modo que, neste respeito, a vantagem (e não uma pequena) está claramente de nosso lado: E
nós devemos reconhecer, com profunda gratidão ao Doador de todo o bom dom, que os tempos passados
não sejam para serem comparados a esses em que nós vivemos.

11. Mas a principal pergunta ainda permanece: 'Os dias passados' não eram 'melhores do que estes',
com respeito à virtude: Ou, para falar mais propriamente, religião? Isto merece uma consideração completa.

Por religião, eu quero dizer o amor de Deus e homem preenchendo o coração e governando a vida. O
efeito certo disto é a prática uniforme da justiça, misericórdia e verdade. Esta é a mesma essência dele; a
altura e profundidade da religião, destacada desta ou daquela opinião, e de todos os modelos particulares de
adoração. E eu iria calmamente inquirir: 'Quais dos tempos passados foram melhores do que estes, com
respeito a isto? Com respeito à religião experimentada e praticada pelo Arcebispo Fenelon, na France;
Bispo Ken, na Inglaterra; e Bispo Bedell, na Irlanda?'

12. Nós não precisamos estender nossa pergunta para além do período, quando a vida e imortalidade
foram trazidas à luz pelo Evangelho. Admite-se que os dias imediatamente seguintes ao derramar do Espírito
Santo, no dia de Pentecostes foram melhores, até mesmo, neste aspecto; até mesmo com respeito à religião,
do que qualquer um que tenha sucedido a eles.

Mas, colocando aparte esta breve época dos dias dourados, eu devo repetir a questão: 'Quais dos dias
passados foram melhores do que o presente, em cada parte conhecida do mundo habitado?'.

13. A primeira metade deste século foi melhor, tanto nessas ilhas, quanto em alguma parte do
continente? Eu não conheço razão, afinal, para afirmar isto. Eu acredito que toda parte da Europa estava tão
sem religião, no reinado da Rainha Anne, quanto está até hoje. É verdade que a luxúria aumenta, em um
grau alto, em toda Europa: E, assim, o escândalo da Inglaterra, profanidade, em todo o reino. Mas também é
verdade que a mais infernal de todas as maldades, a crueldade, decresce rapidamente. E tais instâncias dela
que, nos tempos passados, continuamente ocorreram, são agora muito raramente ouvidas a respeito. Até
mesmo, na guerra, esta barbaridade selvagem que foi em todo lugar praticada, tem sido descontinuada
durante muitos anos.

14. O século passado era mais religioso do que este? Na primeira parte dele, havia muito da forma de
religião; e, indubitavelmente, alguns experimentaram o poder disto. Mas quão logo, o fino ouro tornou-se
opaco! Quão logo, ele foi tão misturado com os objetivos mundanos, e com um total desrespeito ambos à
verdade, justiça e misericórdia, quando trouxe aquele escândalo sobre todas as religiões, o que é dificilmente
removido até este dia. Havia mais religião verdadeira, no século precedente, na época da Reforma? Havia,
sem dúvida, em muitas regiões, uma considerável reforma das opiniões religiosas; sim, e modelos de
adoração, que foram mudados para melhor, na Alemanha e diversos outros lugares. Mas é bem conhecido
que o próprio Lutero queixou-se, com sua respiração moribunda: 'As pessoas que são chamadas pelo meu
nome (embora eu desejasse que elas fossem chamadas pelo nome de Cristo) estão reformadas, quanto às
opiniões e moldes de adoração delas; mas o seu temperamento e vida são os mesmos que eles eram antes'.
Mesmo então, a justiça e misericórdia foram tão vergonhosamente pisadas, que um escritor eminente
calculou o número daqueles que eram trucidados, durante estas disputas religiosas, como tendo sido não
menos do que quarenta milhões, num compasso de quarenta anos!

[Uma curiosidade sobre um comentário feito pelo Sr. Wesley, em seu Diário, a respeito de um livro
de Martinho Lutero, em meados de 1741, ainda no início de seu ministério de cinqüenta anos]:

"Eu parti de Londres, e li, durante o percurso, o celebrado livre de Martinho Lutero 'Comentário
sobre a Epistola aos Gálatas'. Eu me senti totalmente envergonhado! Como eu pude gostar desse livro, só
porque ele tinha sido recomendado por outros; ou, melhor, porque eu tinha lido, ocasionalmente, algumas
das excelentes frases, citadas dele! Mas o que eu devo dizer, agora, que eu julguei por mim mesmo? Agora
que eu vejo com meus próprios olhos? Porque: (1) O autor não entende nada; (2) Não clareia qualquer
considerável dificuldade; (3) É totalmente superficial, em suas observações, nas muitas passagens; (4) Em
quase tudo, é lodoso e confuso; (5) Mas, principalmente, porque é impregnado com misticismo, ao longo de
toda obra; (6) E, conseqüentemente, freqüentemente, e perigosamente, errado".

[Outro momento curioso, acontece em 1749, quando o Sr. Wesley comenta uma tradução que havia
feito sobre a vida Lutero]:

"Eu terminei a tradução de 'A Vida de Martinho Lutero'. Sem dúvida, ele era um homem altamente
favorecido por Deus e um abençoado instrumento em sua mão. Mas oh! Que pena, que ele não tivesse um
amigo fiel! Ninguém que pudesse, com todo risco, o repreender, clara e nitidamente, por seu áspero e
intratável espírito, e o ácido fervor pelas opiniões, tão grandemente obstrutiva ao trabalho de Deus!".
[acréscimo tradutora]
15. Nós podemos voltar atrás, em milhares de anos, sem encontrarmos tempo algum melhor.
Nenhum historiador nos deu a menor notificação de algo assim, até que chegamos na época de Constantino
o Grande. Deste período, diversos escritores nos têm dado os mais magníficos relatos. Sim, um eminente
autor, não menos que o Dr. Newton, o recente Bispo de Bristol, tem se esforçado para mostrar que a
conversão de Constantino ao Cristianismo, e os emolumentos que ele concedeu sobre a Igreja com uma mão
magnânima, fora o evento que é significado na Revelação como 'a nova Jerusalém vindo dos céus!'.

16. Mas eu não posso, de maneira alguma, concordar com a opinião do Bispo neste assunto. Muito
longe disto, há tempos, eu fui convencido, do teor total da história antiga, que este mesmo evento --
Constantino chamando a si mesmo de Cristão, e derramando aquela inundação de prosperidade e honra
[poder] na Igreja de Cristo, no clero, em particular, produziu mais mal à Igreja, que todas as dez
perseguições, colocadas juntas. Desde que aquele poder, riqueza e honra de todos os tipos foram empilhados
sobre os cristãos, todos os tipos de maldades vieram, igualmente, como uma inundação sobre o clero e o
leigo. Desde que a Igreja e Estado, os reinos de Cristo e do mundo, foram tão estranhamente e
artificialmente misturados; Cristianismo e Ateísmo foram tão completamente incorporados, um com o outro,
que eles dificilmente serão alguma vez separados, até que Cristo venha reinar sobre a terra. De modo que,
em vez de imaginar que a glória da nova Jerusalém cobriu a terra, naquele período, nós temos uma prova
terrível que ela tem, então, e desde sempre, coberto com a fumaça do abismo sem fim.

17. 'De qualquer forma, os dias antecedentes a este -- aqueles do terceiro século, -- não foram
melhores, além de toda comparação, do que algum que se seguiu a eles?'. Isto tem sido universalmente
acreditado. Poucos duvidam; mas, na época antes de Constantino, a igreja cristã esteve em seu auge,
adorando a Deus na beleza e santidade. Mas será que foi assim, realmente? O que diz Cipriano, que viveu no
meio daquele século; uma testemunha acima de toda exceção, e um dos que selaram a verdade com seu
sangue? Que relato ele dá do que ele viu, com seus próprios olhos, e ouviu com os próprios ouvidos? Tal
relato que alguém quase poderia imaginar que ele estaria retratando a vida, não da igreja antiga de
Cartagena, mas da moderna igreja de Roma. De acordo com seu relato, tais abominações, mesmo então,
prevaleceram sobre todos os comandos de homens, de maneira que não foi estranho Deus ter despejado sua
fúria sobre eles no sangue, através das perseguições graves que se seguiram.

18. Sim, e antes disto, mesmo no primeiro século; mesmo na época apostólica, que relato João deu
das diversas igrejas que ele mesmo fundou na Ásia? Quão pequenas foram aquelas congregações, melhores
do que muitas na Europa até este dia? Mais ainda, quarenta ou cinqüenta anos antes disto, nos trinta anos da
descida do Espírito Santo, não havia tais abominações na igreja de Corinto, que 'nem mesmo eram reputadas
em meio aos pagãos?'. Quão logo, 'o mistério da iniqüidade' começou a operar na igreja cristã! Tão pouca
razão nós temos para apelar para 'os primeiros dias', acreditando que eles foram 'melhores do que este!'.

19. Afirmar isto, portanto, tão comumente como é feito, não é apenas contrário à verdade, mas é um
exemplo de ingratidão negra a Deus, e uma afronta grave ao seu abençoado Espírito. Porque quem quer que
faça uma inquisição justa e clara irá facilmente perceber que a religião verdadeira não tem, de maneira
alguma, decrescido, mas grandemente aumentado, no século presente. Para exemplificar em uma
ramificação imprescindível da religião, o amor ao nosso próximo. A perseguição não está quase varrida da
face da terra? Em que época, os cristãos das várias denominações mostraram tanta clemência em direção uns
aos outros? Quando antes, tal indulgência dos governadores, em direção aos seus respectivos súditos, foi
mostrada? Não apenas na Grã Bretanha e Irlanda, mas na França e Alemanha; sim, em todas as partes da
Europa? Nada como isto tem sido visto, desde os tempos de Constantino; não, nem desde os tempos dos
Apóstolos.

20. Se for dito: 'Porque este é o fruto da infidelidade geral; do Deismo que tem se espalhado por
toda a Europa'; eu respondo que qualquer que seja a causa, nós temos razão grandemente para nos
regozijarmos em efeito: E, se o Todo-Sábio Deus tem trazido tão grande e universal bem, dessa maldade
terrível, tanto mais devemos magnificar seu poder, sabedoria e bondade, surpreendentes nisto. Realmente,
até onde nós podemos julgar, este foi o caminho mais direto, por meio do qual os cristãos nominais puderam
ser preparados, primeiro, para tolerar, e, mais tarde, para receber o Cristianismo verdadeiro. Enquanto os
próprios governantes estiveram alheios a isto, nada, a não ser isto pôde induzi-los a permiti-lo. Ó, a
profundidade da sabedoria e conhecimento de Deus; causando uma total desatenção a toda religião, a fim
de pavimentar o caminho para o avivamento da única religião que é merecedora de Deus! Eu não estou
seguro, se este é o caso ou não na França e Alemanha; mas é além de toda contradição, na América do
Norte: A total indiferença do governo de lá, se existe alguma religião, ou nenhuma, deixou espaço para a
propagação da religião verdadeira e bíblica, sem o menor obstáculo ou impedimento.

21. Mas acima de tudo isto, enquanto a luxúria e profanidade têm aumentado de um lado, de outro a
benevolência e compaixão, em direção a todas as formas de aflição humana, tem aumentado, de uma
maneira não conhecida antes, desde os primeiros épocas do mundo. Como prova disto, nós vemos mais
hospitais, enfermarias, e outros lugares públicos de caridade, sendo erguidos, pelo menos dentro e perto de
Londres, neste século, do que em quinhentos anos atrás. E supõe-se que isto tenha sido devido, em parte, à
vaidade, desejo de elogio; ainda assim, nós temos motivos para dar graças a Deus, que tanto bem tem
espalhado, mesmo destes motivos imperfeitos.

22. Eu não posso abster-me de mencionar uma instância mais da bondade de Deus para conosco, na
presente época. Ele tem levantado seu estandarte em nossas ilhas, tanto contra a luxúria, profanidade, e
maldades de todos os tipos. Perto de cinqüenta anos atrás, Ele fez com que uma semente de grão de
mostarda, por assim dizer, fosse semeada perto de Londres; e ela agora cresceu e produziu grandes
ramificações, estendendo-se de mar a mar. Duas ou três pessoas pobres se encontraram, com o objetivo de
ajudarem umas as outras a serem verdadeiras cristãs. Elas aumentaram às centenas, aos milhares, às
miríades, até atingirem um ponto, a religião verdadeira; o amor de Deus e homem comandando todos os
seus temperamentos, e palavras e ações. Eu ousarei dizer agora que, tal evento como este, considerado em
todas as suas circunstâncias, não foi visto sobre a terra antes, desde o tempo que João partiu para o seio de
Abraão.

23. Nós podemos agora dizer: 'Os dias passados foram melhores do que estes?'. Deus proíbe que
possamos ser tão insensatos e tão mal agradecidos! Mais do que isto; preferivelmente, vamos louvar a Ele
todos os dias; porque Ele tem tratado generosamente conosco. Nenhum 'tempo passado', desde que os
Apóstolos deixaram a terra, tem sido melhor do que o presente. Nenhum tem sido comparável a este, em
diversos aspectos. Nós não nascemos antes do tempo devido, mas no dia de seu poder, -- um dia de salvação
gloriosa, em que Ele está renovando rapidamente toda a raça humana na retidão e santidade verdadeira.
Quão radiante, o Sol da Retidão tem ainda brilhado nas várias partes da terra! E quanta chuva graciosa Ele já
derramou sobre sua herança! Quantas almas preciosas Ele já reuniu em seu silo, como pilhas de molhos de
milho maduro! Que nós possamos estar sempre prontos a segui-las; clamando em nossos corações: 'Venha,
Senhor Jesus! Venha rapidamente!'.

[27 de Junho, 1787]

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O QUE É O HOMEM? (1a. Parte)

'Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste. Que é o homem
mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?' (Salmos 8:3-4)

Quão freqüentemente tem sido observado que o Livro de Salmos é um rico tesouro de devoção; que a
sabedoria de Deus supriu as necessidades dos seus filhos em todas as gerações! Em todas as épocas, os
Salmos têm sido de uso singular para aqueles que amaram e temeram a Deus; não apenas para os devotos
israelitas, mas para os filhos de Deus em todas as nações. E este livro é de uso soberano para a igreja de
Deus; não apenas enquanto no seu início (tão maravilhosamente descrito por Paulo, na primeira parte do
quarto capítulo aos Gálatas), mas também, desde que, na plenitude do tempo, 'vida e imortalidade foram
trazidas à luz pelo Evangelho'. Os cristãos, em todas as épocas e nações têm abastecido a si mesmos deste
tesouro divino que tem ricamente suprido as necessidades; não apenas dos 'bebês em Cristo', daqueles que
recentemente foram colocados nos caminhos de Deus; mas aqueles que também fizeram grandes progressos
nele; sim, de tal que prontamente avançaram em direção 'à medida da estatura da plenitude de Cristo'.

O assunto deste salmo é maravilhosamente proposto no início dele: 'Oh! Senhor, nosso Governador,
quão excelente é Teu nome na terra; quem tem estabelecido Tua glória acima dos céus!'. Ele celebra a
gloriosa sabedoria e amor de Deus, como o Criador e Governador de todas as coisas. Não é uma conjectura
improvável David ter escrito este salmo em uma noite iluminada de estrelas, enquanto ele observava a lua
também 'caminhando em seu esplendor', enquanto ele observava: 'Este formoso, semicircular, o amplo céu
azulado; terrivelmente largo, e Maravilhosamente claro; com incontáveis estrelas, e incomensurável luz', --
ele irrompeu, com a plenitude de seu coração, para uma exultação natural: 'Quando eu considero Teus céus,
o trabalho de Teus dedos, a lua e as estrelas que tu tens ordenado; eu me pergunto, o que é o homem?'.
Como é possível que o Criador de tudo isto; dos inumeráveis exércitos do céu e terra, poderia ter alguma
consideração, para com esta partícula da criação, cujo tempo 'passa como uma sombra?'.

Teu esqueleto não passa de pó; tua estatura não é outra, que apenas um palmo. Tua existência um
momento, homem tolo!

'O que é o homem?'. Eu considerarei isto:

I. Em Primeiro Lugar, com respeito à sua magnitude;


II. Em Segundo Lugar, com respeito à sua duração.

1. Em Primeiro Lugar, consideraremos o que é o homem, com respeito à sua magnitude. E, neste
respeito, quem é qualquer outro indivíduo, comparado com todos os habitantes da Grã Bretanha. Ele não se
diminui em coisa alguma na comparação. Quão incompreensivelmente pequeno é alguém comparado com
oito ou dez milhões de pessoas! Ele não está tão perdido, quanto uma gota no imenso alto-mar?

2. Mas o que são os habitantes da Grã Bretanha, comparados com todos os habitantes da terra?
Supõe-se freqüentemente que estes somam por volta de quatrocentos milhões. Mas este cálculo será justo
por aqueles que mantêm que a China sozinha contém cinqüenta e oito milhões? Se isto for verdade, que este
império contém pouco menos do que sessenta milhões, nós podemos facilmente supor que os habitantes de
todo este globo terrestre somam quatro bilhões de pessoas, preferivelmente a quatrocentos milhões. E o que
é algum simples indivíduo, em comparação com este número?

3. Mas o que é a magnitude da própria Terra, comparada com todo o sistema solar? Incluindo, além
daquele vasto corpo celeste, o sol, tão imensamente maior do que a Terra, e toda série de planetas primários
e secundários; diversos dos quais (eu quero dizer dos planetas secundários, supondo que satélites ou luas de
Júpiter e Saturno) são abundantemente maiores do que toda a Terra?

4. E, ainda assim, o que é toda quantidade de matéria contida no sol, e todas aqueles planetas
primários e secundários; com todos os espaços compreendidos no sistema solar, em comparação com aquele
que está permeado por aqueles corpos maravilhosos, os cometas? Quem, a não se o próprio Criador pode
'dizer o número desses, e chamá-los por seus nomes?'. Ainda assim, o que é até mesmo a órbita de um
cometa, para o espaço que o contém, para o espaço que é ocupado pelas estrelas fixas, e que estão à uma
distância imensa da Terra, de modo que apareçam, quando são vistas através dos telescópios mais largos,
exatamente como se estivessem a olho nu?

5. Quer os limites da criação vão ou não, além da região das estrelas fixas, quem poderá dizer?
Apenas as estrelas da manhã, as quais cantaram, juntas, quando as fundações da criação foram colocadas.
Mas que é contingente que os limites dela foram fixados, nós temos razão para duvidar. Nós não podemos
duvidar, mas, quando o Filho de Deus terminou toda o trabalho que ele criou e fez, Ele disse: 'Estes sejam
teus limites; esta seja tua exata circunferência, ó mundo!'.

Mas o que é isto?

6. Nós podemos dar um passo, e apenas um passo, mais além ainda: Qual é o espaço de toda criação;
qual é todo o espaço finito; ou seja, que pode ser concebido, em comparação com o infinito? O que é ele, a
não ser um ponto, uma nulidade, comparada com aquele que é preenchido por Ele que é Tudo em tudo?
Pense sobre isto, e, então, pergunte: 'O que é o homem?'.

7. O que é o homem, para que o grande Deus, que preencheu céus e terra, 'o altíssimo e grandioso
Deus, que habita a eternidade', pudesse descer tão incompreensivelmente baixo, de modo à 'ser cuidadoso
com ele?'.

Não haveria razão para nos sugerir que tão diminuta criatura fosse contemplada por Ele, na
imensidão de suas obras? Especialmente quando consideramos:

II

Em Segundo Lugar, o que é homem, com respeito a sua duração?

1. Os dias do homem, desde a última redução da vida humana, que parece ter tomado lugar no tempo
de Moisés, (e não improvavelmente foi revelado para o homem de Deus, na época que Ele fez esta
declaração) 'são setenta anos'. Este é o padrão geral que Deus agora tem determinado. 'E se os homens
forem assim tão fortes', talvez, um em cem, 'chegue aos oitenta anos; ainda, então, a força deles é labuta e
tristeza: Tão logo elas passam, nós já teremos ido!'.

2. Agora, que pobre parcela de duração é esta, comparada á vide de Matusalém! 'E Matusalém viveu
novecentos e sessenta e nove anos'. Mas o que são esses novecentos e sessenta e nove anos, para a duração
de um anjo, que existia, 'ou desde sempre, quando as montanhas surgiram'; ou quando as fundações da terra
foram colocadas? E qual era a duração que passou, desde a criação dos anjos; aquela que passou, antes que
eles fossem criados, para a eternidade ainda não criada? -- para aquela metade de eternidade (se alguém
pode falar desta forma) que, então, decorreu? E o que significa setenta anos, comparados com isto?

3. De fato, que proporção pode possivelmente existir entre alguma duração finita e infinita? Que
proporção existe entre um e dez mil anos; ou dez mil anos; dez mil séculos, e a eternidade? Eu não sei se
esta inexprimível desproporção, entre alguma parte do tempo concebível e a eternidade pode ser ilustrada,
de uma maneira mais surpreendente, do que ela é na bem conhecida passagem de São Cipriano: 'Supondo-se
que exista uma bola de areia, tão larga quanto o globo terrestre; e supondo-se que um grão desta fosse
aniquilado em mil anos; ainda assim todo aquele espaço de tempo, em que esta bola pudesse ser
aniquilada, na proporção de um grão, em mil anos, significaria menos; sim, inexplicavelmente, e
infinitamente menos, em proporção à eternidade, do que um simples grão de areia significaria para toda a
imensidão'. O que, então, são setenta anos da vida humana, em comparação com a eternidade? Em quais
termos pode a proporção entre esses ser expressa? Em nada; sim, infinitamente menos que nada!

4. Se, então, acrescentarmos a essa pequeneza do homem a inexprimível brevidade de sua duração,
será de se admirar que um homem de reflexão possa, algumas vezes, sentir uma espécie de medo, de que o
grande, eterno e infinito Governador do universo possa descuidar-se de tão diminuta criatura quanto o
homem? – uma criatura, de todas as formas, insignificante, quando comparado tanto com a imensidade
quanto com a eternidade? Ambas essas reflexões não reluzem, através do salmista real, ou residem em sua
mente? Assim, em contemplação ao primeiro, ele irrompe em fortes palavras do texto: 'Quando eu
considero os céus, a obra de Teus dedos, a luz, as estrelas que Tu tens ordenado, o que é o homem, para
que tu possas ser cuidadoso; ou o filho do homem, para que Tu possas estimá-lo?'. Ele é, de fato, (para usar
as palavras de Agostinho), 'uma porção de Tua criação'; mas 'que porção espantosamente pequena!'.

Quão absolutamente abaixo Tu observas! Parece haver na contemplação do último, que ele clama, no
(Salmos 144:3), 'Senhor, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes?'. 'O
homem é como coisa alguma'. Por que? Porque 'seus dias são como a sombra que passa'. Nesta, (embora
que em poucos lugares) a nova tradução dos Salmos – que está de acordo com nossas Bíblias – é, talvez,
mais apropriada do que a antiga, -- a qual temos no Livro Comum de Oração. Ela diz assim: 'Senhor, o que é
o homem, para que Tu tomes conhecimento dele; ou o filho do homem, para que Tu faças conta dele?'. De
acordo com a tradução anterior, Davi parece estar surpreso que Deus eterno, considerando a pequenez do
homem, pudesse ter tanto respeito para com ele, e pudesse, assim, estimá-lo muito: Mas no último, ele
parece se admirar, vendo que a vida do homem 'passa como sombra', que Deus possa tomar algum
conhecimento dele, afinal, ou ter alguma consideração para com ele.

5. E é natural para nós fazermos a mesma reflexão, e sentirmos o mesmo medo. Mas como podemos
impedir esta reflexão inquietante, e curar efetivamente este medo? Em Primeiro Lugar, considerando que
Davi não parece ter tomado levado em consideração, afinal, que o corpo não é o homem; que o homem não
é apenas a casa de barro, mas um espírito imortal; um espírito feito à imagem de Deus; uma imagem
incorruptível do Deus da glória; um espírito que é infinitamente mais valoroso do que toda a Terra; de muito
mais valor que o sol, lua, e estrelas, colocados juntos; sim, que toda a criação material. Considerando que o
espírito do homem não é apenas de uma ordem superior, de uma natureza mais excelente, do que qualquer
parte do mundo visível, mas também, mais durável; não sujeito à dissolução ou declínio. Nós sabemos que
todas as coisas 'que são vistas são temporais'; -- de uma natureza mutável e transitória; -- mas 'as coisas que
não são vistas' (tais como a alma do homem em específico) 'são eternas'. 'Elas podem perecer'; mas a alma
permanece. 'Todas as coisas podem apodrecer como uma vestimenta'; mas, quando os céus e terra passarem,
a alma não se passará.

6. Em Segundo Lugar, aquela declaração que o Pai dos espíritos fez a nós, através do profeta Ozéas:
'Eu sou Deus, e não homem: Portanto minhas compaixões não se extinguem'. Como se Ele tivesse dito: "Se
eu fosse apenas um homem, ou um anjo, ou algum ser finito, meu conhecimento poderia admitir limites, e
minha misericórdia seria limitada. Mas 'meus pensamentos não são como os seus pensamentos', e minha
misericórdia não é como sua misericórdia. 'Assim como os céus estão acima da terra, também os meus
pensamentos são superiores aos seus', e, 'minha misericórdia', minha compaixão, meus meios para mostrar
isto, 'mais sublimes que seus meios'".

7. Para que nenhuma sombra de medo pudesse permanecer; nenhuma possibilidade de dúvida; e para
mostrar de que maneira o Deus maior e eterno sustenta o homem tão inferior e de vida curta, mas
especialmente à sua parte imortal; Deus deu seu Filho, 'seu único Filho, com a finalidade de que, quem quer
que Nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna'. Veja como Deus amou o mundo! O Filho de Deus,
que era 'Deus de Deus; Luz da Luz; o próprio Deus do próprio Deus', na glória, igual com o Pai, na
majestade co-eterna, 'vazio de Si mesmo, tomou sobre si a forma de um servo, e, sendo feito homem, foi
obediente à morte, até mesmo, a morte na cruz'. E tudo isto, Ele não sofreu por si mesmo, mas 'por nós,
homens, e por nossa salvação'. 'Ele carregou' todos 'os nossos pecados em seu próprio corpo no madeiro',
para que 'pelas suas chicotadas' pudéssemos ser 'curados'. Depois desta demonstração de seu amor, será que
é possível que duvidemos ainda da ternura de Deus para com o homem; mesmo que ele esteja 'morto nas
transgressões e pecados?'. Mesmo quando Ele nos mostra em nossos pecados, e nosso sangue, Ele nos diz:
'Vivam!'. Que não temamos mais! Que não duvidemos mais! 'Ele que não poupou seu próprio Filho, mas o
entregou por nós todos, não nos dará gratuitamente todas as coisas?'.

8. 'Mais do que isto', diz o filósofo, 'se Deus amou assim o mundo, Ele não amou outros milhares de
mundos, assim como Ele amou a este? Hoje se admite que existem milhares, se não milhões de mundos,
além deste em que vivemos. E pode algum homem razoável acreditar que o Criador de todos esses, muitos
do quais são provavelmente tão largos; sim, muito mais largos do que o nosso, iria mostrar tal
consideração, surpreendentemente maior para um do que para todo o restante?'. Eu respondo: Supondo que
existam milhões de mundos; sim, Deus pode ver, na profundidade de sua infinita sabedoria, razões para que
não pareça a nós, porque ele considerou bom mostrar esta misericórdia a nós, em preferência a milhares ou
milhões de outros mundos.

9. Eu falo disto, até mesmo, sobre a suposição comum da pluralidade dos mundos, -- uma noção
favorita a todos aqueles que negam o Apocalipse cristão; e, por esta razão, porque fornece a eles um
fundamento para tão plausível objeção a ela. Mas, quanto mais eu considero esta suposição, mais eu duvido
dela: de maneira que, se fosse admitido por todos os filósofos da Europa, ainda assim, eu não poderia
admitir isto, sem uma prova maior do que qualquer uma que eu já encontrei.

10. "Mais ainda; este argumento do experimentado Huygens não é suficiente para colocá-lo, além
de toda dúvida? — 'Quando vemos', diz aquele hábil astrônomo, 'a luz através de um bom telescópio, nós
claramente descobrimos rios e montanhas em seu globo manchado. Agora, onde os rios estão,
indubitavelmente existem plantas e vegetais de vários tipos: E onde há vegetais, existem, sem dúvida,
animais; sim, animais racionais, assim como na Terra. Concluindo-se, então, que a lua tenha seus
habitantes, nós podemos facilmente supor que, assim, são todos os planetas secundários; e, em particular,
todos os satélites ou luas de Júpiter e Saturno. E se os planetas secundários são habitados, por que não os
primários? Por que devemos duvidar que o próprio Júpiter e Saturno, assim como Marte, Vênus e
Mercúrio?'".

11. Mas você sabia que o próprio Sr. Huygens, antes de morrer, duvidou de todas essas hipóteses?
Porque, depois de uma observação mais profunda, ele encontrou razão para crer que a lua não tem
atmosfera. Ele observou que, em um eclipse total do sol, na remoção da sombra de alguma parte da Terra, o
sol imediatamente brilha sobre ela; enquanto que, se a lua tivesse atmosfera, apareceria fosca e obscura.
Assim sendo, conclui-se que a lua não tem atmosfera. Conseqüentemente, ela não tem nuvens, chuva,
nascentes, rios, e, portanto, nenhuma planta ou animais. Não existe prova ou probabilidade de que a lua seja
habitada; nem temos alguma prova de que outros planetas sejam. Portanto, o alicerce sendo removido, toda a
construção desaba.

12. Mas, você irá dizer: 'Supondo-se que este argumento falhe, nós podemos inferir a mesma
conclusão, sobre a pluralidade de mundos, da sabedoria, poder, e bondade, ilimitados do Criador. Teria
sido tão plenamente fácil para Ele criar milhares ou milhões de mundos, assim como um só. Pode, então,
alguém duvidar que Ele manifestaria todo Seu poder e sabedoria em criar apenas um? Que proporção existe
entre esta partícula da criação, e o Grande Deus que preenche céus e Terra, enquanto 'sabemos que o poder
de sua mão Onipotente poderia formar outros mundos da mesma areia?'.

13. Para esta prova atordoante; esta obra-prima de argumento dos infiéis doutos, eu respondo: vocês
esperam encontrar alguma proporção entre o finito e o infinito? Supondo-se que Deus tenha criado muito
mais mundos do que existe de areia no universo; que proporção teria todos esses, juntos, em comparação
com o Criador infinito? Em comparação com Ele, eles seriam, não apenas mil vezes, mas infinitamente
menos do que uma ninharia, se comparados ao universo. Terminem, então, com esta conversa pueril a
respeito da proporção das criaturas, quanto ao seu Criador, e deixe para o Todo-sábio Deus criar o que, e
quando lhe agradar. Porque, quem, além dele mesmo, 'conhece a mente do Senhor? Ou quem tem sido Seu
conselheiro?'.

14. É suficiente para nós sabermos esta verdade clara e confortável, -- que o Todo-poderoso Criador
tem mostrado que cuida dessa pobre criatura de um dia; que Ele não mostrou, nem mesmo aos habitantes
dos céus, aqueles que 'não mantiveram seu primeiro estado'. Ele deu seu Filho a nós; seu único Filho, tanto
para viver, quanto para morrer por nós! Ó, que vivamos Nele, para que possamos morrer Nele, e viver com
Ele para sempre!

[Editado por Cary McGoldrick, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
Sobre Atender ao Serviço Religioso

―Era, pois, muito grande o pecado destes jovens perante o Senhor, porquanto os homens vieram a
desprezar a oferta do Senhor‖. (I Samuel 2:17)

1. A corrupção, não apenas do mundo pagão, mas igualmente daqueles que eram chamados cristãos,
tem sido motivo de tristeza e lamentação para os homens devotos, quase que deste o tempo dos Apóstolos. E
conseqüentemente, já no século dois, centena de anos depois da remoção de João da terra, homens que
estavam temerosos de serem parceiros dos pecados de outros, pensaram que seria sua obrigação separarem-
se deles. Assim sendo, em todas as épocas, muitos têm se retirado do mundo, a fim de que eles não possam
ser maculados com as contaminações dele. No século três, muitos levaram isto tão longe, de maneira a
seguirem para os desertos e se tornarem ermitões. Mas, na era seguinte, isto tomou um outro rumo. Em vez
de se tornarem ermitões, eles se tornaram monges. Os mosteiros agora começaram a ser construídos, em
toda cidade cristã; e comunidades religiosas foram estabelecidas, tanto de homens quanto de mulheres, que
ficavam inteiramente isolados do restante da humanidade; tendo nenhum intercurso com seus parentes mais
próximos, nem com pessoa alguma, a não ser com os que estavam confinados, geralmente, para a vida toda,
dentro dos mesmos muros.

2. Este espírito de literalmente renunciar ao mundo, retirando-se para mosteiros, não prevaleceu
geralmente depois da Reforma. Mais do que isto, nas regiões Protestantes, as casas deste tipo foram
totalmente suprimidas. Mas ainda muitas pessoas sérias (principalmente estimuladas a isto, através daqueles
que são comumente denominados ―escritores místicos‖) estavam ansiosas por se isolarem do mundo, e
prosseguirem em solidão; supondo que isto fosse o melhor, se não, o único caminho de escaparem da
contaminação que existe no mundo.

3. Uma coisa que poderosamente os inclinou a separarem-se das diversas igrejas, ou sociedades
religiosas, às quais eles pertenciam, até mesmo, desde a infância deles, foi a convicção de que nenhum bem
seria esperado da ministração dos homens iníquos. ―Como‖, dizem eles, ―podemos imaginar que um Deus
santo abençoará o ministério de homens iníquos? Podemos imaginar que aqueles, que são estranhos à
graça de Deus, revelarão aquela graça a outros? Deve-se supor que Deus alguma vez operou ou operará,
através dos filhos do diabo? E se isto não puder ser suposto, nós não deveríamos ‗sair do meio eles e
ficarmos separados?‖. (II Cor. 6:14).

4. Por mais de vinte anos, isto nunca entrou no pensamento daqueles que foram chamados
Metodistas. Mas, porque mais e mais daqueles que se tornaram Dissidentes se juntaram a eles, mais e mais
eles introduziram preconceito contra a igreja. No decorrer do tempo, várias circunstâncias concorreram para
aumentar e confirmar isto. Muitos se esqueceram de que todos nós fomos, em nossa primeira instância,
membros da Igreja Estabelecida. Sim, foi uma de nossas regras originais que todo membro de nossa
sociedade atenderia a igreja e ao sacramento, exceto aquele que tinha sido educado em meio aos cristãos de
alguma outra denominação.

5. Com o objetivo, portanto, de impedir outros de ficarem confusos e perplexos, como muitos já
estão, é necessário, no mais alto grau, considerar este assunto totalmente; e calmamente inquirir, se Deus
alguma vez abençoou o ministério dos homens iníquos, e se ele assim o faz neste momento. Aqui está um
motivo claro do fato: Se Deus nunca abençoou isto, nós devemos nos separar da Igreja, pelo menos, onde
temos razão para acreditar que o ministro é um homem iníquo. Se ele alguma vez abençoou, e faz assim,
ainda, nós devemos continuar nela.

6. Dezenove anos atrás, nós consideramos esta questão em nossa Conferência pública em Leeds. – Se
os Metodistas deviam se separar da Igreja; e depois de uma longa e sincera indagação, foi determinado,
nemine contradicente, que não havia expediente para se separarem. As razões foram colocadas amplamente,
e eles se mantiveram igualmente bem naquele dia.
7. Com o objetivo de colocar este assunto, além de toda discussão possível, eu escolhi falar dessas
palavras que deram uma oportunidade justa de observar quais têm sido os procedimentos de Deus em sua
igreja, desde o período inicial: Porque geralmente se admite que Eli viveu, pelo menos, mil anos antes que
nosso Senhor viesse ao mundo. Nos versos precedentes do texto nós lemos, (I Samuel 2:12 em diante)
―Agora os filhos dele foram filhos de Belial; eles não conheceram o Senhor‖. Eles foram pecaminosos a um
grau incomum. Sua violência profana, com respeito aos sacrifícios, é relatada com todas as suas
circunstâncias ofensivas, nos versos seguintes. Mas (o que foi a maior abominação ainda) ―eles se deitaram
com mulheres que se reuniam à porta do tabernáculo da congregação‖. (I Samuel 2:22). Sobre ambos
esses relatos, ―o pecado dos jovens foi muito grande: e homens abominaram a oferta do Senhor‖.

8. Posso fazer uma pequena digressão, com o objetivo de corrigir a tradução incorreta no vigésimo-
quinto versículo? Em nossa tradução transcorre assim: ―Eles não escutaram a voz de seu pai, porque o
Senhor os queria destruir‖. Antes não deveria ser afirmado: ―Conseqüentemente, o Senhor estava prestes a
destruí-lo?‖ [I Samuel 2:25]. Como se ele tivesse dito: ―O Senhor não permitiria que sua horrível e
obstinada maldade escapasse sem punição; mas por causa daquela maldade, ele os destruiu em um só dia,
pelas mãos dos Filisteus‖. Eles não pecaram (como poderia se imaginar da tradução comum), porque Deus
determinou destruí-los, mas Deus, conseqüentemente, determinou destruí-los, porque eles haviam assim
pecado.

9. Mas, para retornar: O pecado deles foi o mais indesculpável, porque eles não seriam ignorantes
daquelas terríveis conseqüências dele, que, por causa da enorme maldade deles, ―homens abominaram a
oferta do Senhor‖. Muitas das pessoas estavam tão profundamente ofendidas, que se eles não se abstivessem
totalmente da adoração pública, eles a atenderiam com dor; abominando os sacerdotes, enquanto eles
honravam o sacrifício.

10. E nós temos alguma prova de que os sacerdotes que os sucederam eram mais santos do que eles,
do que Rofini e Finéias; não apenas, até que Deus permitiu que dez das tribos fossem separadas dos seus
irmãos, e de adorar àquele a quem ele designou; mas, até que Judá, assim como Israel, por causa da maldade
dos sacerdotes e também do povo, foram levadas cativas?

11. Que tipo de homens havia, por volta do tempo do cativeiro babilônico, nós aprendemos de várias
passagens na profecia de Jeremias: Da qual manifestadamente aparece que pessoas e sacerdotes
chafurdavam-se em todos os tipos de maus hábitos. E quão pouco eles se emendaram, depois que foram
trazidos de volta para a própria terra, nós podemos reunir daquelas terríveis palavras na profecia de
Malaquias: ―E agora, Ó,vocês, sacerdotes, este mandamento é para vocês. Se vocês não o ouvirem, e se
vocês não o colocarem em seus corações, e não derem glória ao meu Nome, diz o Senhor dos Exércitos, eu
enviarei uma praga sobre vocês, e amaldiçoarei suas bênçãos: Sim, eu já os praguejei, porque vocês não
iriam colocar nos corações. Observem, eu amaldiçoarei sua semente, e espalharei esterco em suas faces,
até mesmo de seus sacrifícios solenes; e alguém os levará embora com ele‖. (Malaquias 2:1-3).

12. Tais eram os sacerdotes de Deus, em suas diversas gerações, até que ele trouxe o Grande
Sacerdote para o mundo! E de que tipo de homens eram eles, durante o tempo que ele ministrou sobre a
terra? Um relato amplo e pessoal do caráter deles nós temos no vigésimo-terceiro capítulo de Mateus:
(Mateus 23), e um caráter pior seria difícil encontrar em todos os oráculos de Deus. Mas não poderia ser
dito: ―Nosso Senhor não dirigiu seu discurso diretamente aos sacerdotes, mas aos escribas e fariseus?‖.
Ele o fez; mas isto é a mesma coisa. Porque os escribas eram o que denominamos agora de teólogos, -- os
professores públicos das pessoas. E muitos, se não, a maioria dos sacerdotes, especialmente das espécies
mais rigorosa deles, eram fariseus; de maneira que, ao dar o caráter de escribas e fariseus, ele dá o dos
sacerdotes também.

13. Logo depois de derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes, no princípio da igreja cristã,
houve, de fato, uma mudança gloriosa. ―Grande graça estava, então, sobre todos eles‖. Ministros, assim
como o povo. ―A multidão deles que cria era de um só coração e uma só alma‖. Mas, quão curto período de
tempo, isto continuou! Quão logo, o fino ouro tornou-se turvo! Muito tempo antes que a era apostólica se
expirasse, o próprio Paulo tinha motivo para queixar-se que alguns de seus colaboradores haviam desistido
dele, tendo ―amado o mundo presente‖. E não muito tempo depois, João reprovou diversos anjos, ou seja,
ministros das igrejas na Ásia, até mesmo, naquele primeiro período, suas ―obras não eram encontradas
perfeitas, diante de Deus‖.

14. Desta forma, ―o mistério da iniqüidade‖ começou a ―operar‖, nos ministros, assim como no
povo, mesmo antes do fim da era apostólica. Mas quão mais poderosamente ele operou, tão logo esses
construtores, os Apóstolos, saíram do caminho! Ambos os ministros e povo foram, então, mais e mais
removidos da esperança do Evangelho. De tal maneira, que, quando Cipriano, por volta de cento e cinqüenta
anos depois da morte de João, descreveu o espírito e comportamento de ambos, da laicidade e do clero, que
estavam em volta dele, alguém estaria pronto para supor que ele nos dera uma descrição do atual clero e
laicidade da Europa. Mas a corrupção, que se arrastara a conta-gotas, durante o século dois e três, no início
do século quatro, quando Constantino, chamou a si mesmo de cristão, afluiu sobre a igreja com abundância.
E quem quer que leia a história da igreja, desde o tempo de Constantino até a Reforma, facilmente observará
que todas as abominações do mundo pagão, e, nas eras seguintes, dos Maometanos, abundaram em todas as
partes dela. E em cada nação e cidade, o clero foi nem um pouquinho mais inocente do que a laicidade.

15. ―Mas não existiu uma mudança muito considerável no corpo clerical, assim como da laicidade,
no tempo da gloriosa Reforma do Catolicismo?‖. Sem dúvida, que existiu, e eles não foram apenas
reformados nas muitas opiniões errôneas, e nas inúmeras superstições e modos de adoração idólatras, até
então, prevalecendo sobre a Igreja Ocidental, mas foram também excessivamente reformados, com respeito
ás suas vidas e temperamentos. Ainda assim, não obstante isto, todas as obras do diabo, toda a descrença e
falta de retidão, pecado de todo o tipo, continuaram a prevalecer sobre o clero e laicidade, em todas as partes
da cristandade. Até mesmo, aqueles clérigos que mais calorosamente contenderam com respeito às
formalidades da religião, estavam muito pouco preocupados com a vida e poder dela; pela devoção, justiça,
misericórdia, e verdade.

16. De qualquer forma, deve-se admitir que, desde a Reforma, e particularmente, no presente século,
o comportamento do clero, em geral, está grandemente mudado para melhor. E pudéssemos admitir que, em
muitas partes da Igreja Católica, eles são praticamente o mesmo que foram antes, igualmente deveríamos
admitir que a maioria do clero protestante está muito diferente do que ele foi. Eles não têm apenas mais
aprendizado do tipo mais valioso, mas abundantemente mais religião: De tal maneira, que se admite que o
clero Inglês e Irlandês não são inferiores a qualquer um na Europa, quanto à devoção, assim como, quanto
ao conhecimento.

17. E admitindo-se tudo isto, o que falta a eles ainda? Pode alguma coisa ser colocada como
responsabilidade deles? Eu espero considerar este ponto, calmamente e francamente, no temor e na presença
de Deus. Eu estou aquém, de pretender agravar os defeitos de meus irmãos, ou pintá-los em cores mais
fortes. Muito aquém de tratar os outros, como eu tenho sido tratado; pagar o mal com o mal; afronta com
afronta. Mas, para falar a verdade nua (não com ira ou desprezo, como muitos têm feito), eu reconheço que
muitos, se não a maioria daqueles que foram designados para ministros nas coisas santas, com os quais
tenho a sorte de conversar, em quase todas as partes da Inglaterra ou Irlanda, nestes quarenta ou cinqüenta
anos, não têm sido eminentes, quer pelo conhecimento ou devoção. Tem-se amplamente afirmado, que a
maioria dessas pessoas, agora ligadas a mim, que crêem que é sua obrigação chamar os pecadores ao
arrependimento, consideradas, prontamente, como negociantes inferiores, -- alfaiates, sapateiros, e coisa
parecida, -- é um grupo de homens pobres, estúpidos, iletrados, que dificilmente sabem diferenciar sua
direita de sua esquerda: Ainda assim, eu não posso deixar de dizer que eu poderia, quanto antes, cortar
minha mão direita, do que admitir que algum deles falasse uma palavra em alguma de nossas capelas, se eu
não tivesse prova razoável de que ele teria mais conhecimento nas Santas Escrituras, mais conhecimento de
si mesmo, mais conhecimento de Deus, e das coisas de Deus, do que nove em dez clérigos com os quais eu
conversei, quer na Universidade ou alhures.

18. Enquanto isto, eu alegremente admito que esta acusação não diz respeito a todo o corpo clerical.
Sem dúvida, existem muitos clérigos nestes reinos, que não estão apenas livres do pecado exterior, mas são
homens de eminente aprendizado; e, que estão, infinitamente mais, profundamente familiarizados com Deus.
Mas, eu ainda sou constrangido a confessar, que uma parte muito maior desses ministros com o quais
conversei, durante mais de meio século, não tem sido de homens santos, de homens devotados a Deus,
profundamente familiarizados com Deus ou si mesmos. Não se poderia dizer que eles fixaram suas
―afeições nas coisas do alto, e não nas coisas da terra‖; ou que o desejo deles, e o emprego de suas vidas,
foi o de salvar suas próprias almas e daqueles que os ouviram.

19. Eu tomei este panorama desagradável de uma cena melancólica, -- do caráter daqueles que têm
sido apontados por deus para serem pastores de almas, por tantas épocas, -- com o objetivo de determinar
esta questão: ―Os filhos de Deus devem abster-se das suas ordenanças, porque aqueles que as administram
são homens descrentes?‖, a questão com a qual muitas pessoas sérias têm estado excessivamente perplexas.
―Nós não devemos‖, dizem eles, ―nos refrear das ministrações de homens descrentes? Porque é possível
que nós possamos receber algum bem das mãos daqueles que não conhecem a Deus? Nós podemos supor
que a graça de deus foi alguma vez transmitida a homens, pelos servos do diabo?‖;

O que dizem as Escrituras? Vamos nos manter próximos a isto, e nós não seremos enganados. Nós
temos visto que tipo de homens foi a maioria daqueles que ministraram nas coisas santas por muitas épocas.
Dois mil ou três mil anos atrás, nós lemos: ―Os filhos de Eli eram filhos de Belial; eles não conheciam o
Senhor‖. Mas esta foi razão suficiente para os Israelitas se absterem das administrações deles? É verdade
que eles ―abominaram as ofertas do Senhor‖, de acordo com seu próprio relato; e, ainda assim, eles
constantemente as atendiam. E vocês supõem que Samuel, santo como ele era, alguma vez os aconselhou a
fazer o contrário? Não eram os sacerdotes, e professores públicos, igualmente estranhos a Deus, deste esse
tempo até aquele do cativeiro babilônico? Sem dúvida, que eram. Mas Isaias, ou algum dos Profetas, os
exortou, por causa disto, a desistir das ordenanças de Deus? Eles não foram igualmente descrentes, do tempo
do cativeiro, até a vinda de Cristo? Quão claramente isto aparece, não houvesse outra prova das profecias de
Jeremias e Malaquias! Ainda assim, tanto Malaquias, quanto Jeremias, ou qualquer outro dos profetas,
exortaram as pessoas a se separarem daqueles homens descrentes?

20. Mas, para trazer o assunto para mais perto de nós mesmos: Nunca alguns sacerdotes, ou
professores públicos, foram mais corruptos, mais totalmente estranhos a Deus, do que aqueles nos dias de
nosso abençoado Senhor. Eles não eram meros muros caiados? Eles não eram os melhores daqueles
sepulcros pintados; cheios de orgulho, luxúria, cobiça, inveja, de toda incredulidade e falta de retidão? Este
não é o próprio relato que nosso Senhor, que sabia o que estava no homem, deu deles? Mas ele, por
conseguinte, refreou-se daquele serviço público, que foi executado por esses mesmos homens, ou direcionou
seus Apóstolos a assim fazerem? Não; foi exatamente o contrário: Em conseqüência do que, como ele
mesmo atendeu constantemente, então, igualmente seus discípulos.

21. Existe uma outra circunstância na conduta de nosso Senhor, que é merecedora de nossa peculiar
consideração. Ele chama, até ele, os doze, e os envia adiante, dois a dois, para pregar o Evangelho (Marcos
6:7). E como eles não foram ao combate às suas próprias custas, os próprios ―demônios estavam sujeitos a
eles‖. Agora, um desses foi Judas Iscariotes. E será que nosso Senhor sabia que ―ele tinha um demônio?‖.
João expressamente nos diz que ele sabia. Ainda assim, ele estava reunido com outro dos Apóstolos, e
reunidos com eles todos na mesma comunhão: Nem temos algum motivo para duvidar, a não ser que Deus
abençoou o trabalho de todos os seus doze embaixadores. Mas, porquê nosso Senhor o enviou em meio a
eles? Sem dúvida, para nossa instrução: Como uma prova permanente, inquestionável, de que ele ―envia,
através de quem ele irá enviar‖; que ele pode enviar e envia salvação aos homens, até mesmo, através de
quem eles mesmos não aceitarão.

22. Nosso Senhor nos dá instrução adicional, sobre este assunto: em Mateus 23:1-3, nós temos
aquelas muito notáveis palavras: ―Então, Jesus falou à multidão, e para seus discípulos dizendo: os escribas
e fariseus sentaram-se no trono de Moisés: Todas as coisas, portanto, o que eles ordenarem para vocês
observarem, observem e façam; mas não de acordo com as obras deles: Porque eles dizem, e não fazem‖.
Desses mesmos homens ele dá o mais negro caráter nos versículos seguintes. Ainda assim, ele está tão longe
de proibir, quer a multidão, ou seus próprios discípulos, de atenderem as ministrações deles, que ele
expressamente lhes ordena a assim fazerem, mesmo, naquelas palavras: ―Todas as coisas, o que quer que
eles ordenem vocês observarem, observem e façam‖. Essas palavras implicam uma ordem para ouvi-los.
Porque, como eles poderiam ―observar e fazer o que eles lhes ordenaram, se eles não os ouviram: Eu peço
que considerem isto, vocês que dizem dos sucessores desses homens iníquos: ‗Eles dizem, e não fazem;
portanto, nós não devemos ouvi-los‘‖. Vejam, seu Mestre não traça tal inferência; mais do que isto, ele
direciona o contrário. Ó, não sejam mais sábios do que seu Mestre! Sigam seu conselho e não racionalizem
contra ele!

23. Mas como nós reconciliamos isto com a direção dada por Paulo aos Corintos? ―Se alguém que é
chamado de irmão for um fornicador, ou avarento, ou um idólatra, ou um maldizente, com tal, não coma‖.
(I Cor. 5:11). Como isto é reconciliável com aquela direção na sua Segunda Epístola (II Cor. 6:17) ―Saiam
do meio deles, e separem-se, diz o Senhor, e não toque em coisa impura?‖. Eu respondo: A primeira
passagem não tem relação, afinal com a presente questão. Ela não diz respeito aos ministros, bons ou maus.
O significado claro dela é: não tenha intimidade com qualquer um que seja chamado de cristão, e viva em
pecado declarado – uma exortação grave que deveria ser atendida, por todos os filhos de Deus. Assim como
pouco da outra passagem se refere aos ministros ou professores de qualquer tipo. Nesta, o Apóstolo está
exortando os filhos de Deus a interromper todo o intercurso com os filhos do diabo. As palavras literalmente
são: ―Saiam do meio deles, e fiquem separados, e não toquem em coisa impura‖; sugerindo que eles não
poderiam continuar unidos a eles, sem serem, mais ou menos, parceiros de seus pecados. Nós podemos,
portanto, afirmar corajosamente que nem Paulo, nem qualquer outro dos escritores inspirados, alguma vez
aconselhou os homens santos a se separaram da Igreja em que eles estavam, porque os ministros não eram
santos.

24. Não obstante, é verdade que muitos cristãos devotos, como foi observado antes, se separaram da
Igreja; alguns, até mesmo, no século dois, e muitos mais, no século três. Alguns desses retiraram-se para o
deserto, e viveram completamente sós; outros construíram casas para si mesmos, mais tarde, denominadas
conventos, e somente isolaram-se do resto do mundo. Mas qual foi o fruto desta separação? O mesmo que
seria facilmente previsto. Ele aumentou e confirmou, em um grau espantoso, a total corrupção da igreja. O
sal que foi assim empilhado, em um canto, tinha efetivamente perdido seu sabor. A luz que foi colocada sob
o candeeiro não brilhou por muito tempo perante os homens. Em conseqüência disto, descrentes e iníquos
reinaram sem controle. O mundo, entregue nas mãos do diabo, forjou todas suas obras com avidez; e total
escuridão, com todas as formas de maldade, cobriu toda a terra.

25. ―Mas, se toda esta maldade não foi razão suficiente para separar-se de uma igreja corrupta, por
que Calvino e Lutero, com seus seguidores, se separaram da Igreja de Roma?‖. Eu respondo: Eles não
propriamente se separaram dela; mas foram violentamente postos para fora. Não lhes foi permitido
continuarem nela, sobre quaisquer outros termos do que subscrever a todos os erros daquela igreja, e
concordarem com todas as suas superstições e idolatrias. Portanto, esta separação estava à porta deles.
Conosco não foi um assunto de escolha; mas de necessidade: E se tal necessidade estivesse agora colocada
sobre nós, nós deveríamos nos separar de qualquer igreja sob o céu.

26. Não existiram as mesmas razões, porque vários grupos de homens se separassem mais tarde da
Igreja da Inglaterra. Nenhum termo pecaminoso da comunhão era imposto sobre eles; nem são até hoje. A
maioria deles separou-se, tanto, por causa de algumas opiniões, ou alguns modos de adoração que eles não
aprovaram. Poucos deles atribuíram a profanidade, quer do clero ou laicidade, como a causa da separação
deles. E se algum o fez, não parece que eles próprios eram um jota melhor do que aqueles dos quais se
separaram.

27. Mas a grande razão que muitos dão para separarem-se da Igreja, ou seja, que os ministros são
homens iníquos, é fundamentada nesta afirmação: Que a ministração de homens pecaminosos não pode
fazer bem algum; que nós podemos chamar os sacramentos de meios da graça; mas homens que não
recebem a graça não podem transmitir aquela graça a outros. De maneira que nunca poderemos receber
bênção de Deus, através dos servos do diabo.
Este argumento é extremamente plausível, e é de fato o mais forte que pode ser afirmado. Ainda
assim, antes de vocês admiti-lo como conclusivo, vocês deveriam considerar algumas poucas coisas.

28. Em Primeiro Lugar, considere: os sacramentos judaicos não transmitiram graça salvadora aos
ouvintes, porque eles foram administrados por homens ímpios? Se for assim, nenhum israelita estaria salvo,
desde o tempo de Eli, até a vinda de Cristo. Porque os sacerdotes deles não eram nem um pouquinho melhor
do que os nossos, se eles não eram muito piores. Mas quem se atreverá a afirmar isto? O que é nada menos,
em efeito, do que afirmar que todos os filhos de Israel foram para o inferno, por cento e onze ou cento e
doze anos, consecutivamente!

29. As ordenanças de Deus, administradas no tempo de nosso abençoado Senhor, não transmitiram
graça àqueles que as atenderam? Certamente, então, o Espírito Santo não teria ordenado Zacarias e Elizabeth
para caminhar nestas ordenanças! Se as ministrações dos homens ímpios não faziam bem, nosso Senhor teria
ordenado aos seus seguidores (longe de proibi-los) para atenderem àquelas dos escribas e fariseus? Observe,
novamente, as palavras notáveis: (Mateus 23:1 em diante)‖Então, falou Jesus à multidão, e aos seus
discípulos, dizendo: os escribas e fariseus sentaram-se no trono de Moisés‖, -- são seus professores
designados; ―todos, portanto, o que quer que eles convidem vocês a observarem, que observem e façam‖.
Agora, o que eram esses escribas e fariseus? Eles não eram os homens mais vis? Ainda assim, a esses
mesmos homens vis, ele ordenou que eles escutassem. Este mandamento está claramente inserido naquelas
palavras: ―O que quer que eles ordenem vocês observarem, que observem e façam‖. Porque, a menos que
eles ouvissem o que eles disseram, eles não poderiam atender.

30. Considere, um pouco mais além, as terríveis conseqüências de afirmar que ministros
pecaminosos não são bons; que as ordenanças administradas por eles não transmitem graça salvadora para
aqueles que as atendem. Se for assim, então, quase todos os cristãos, desde os tempos dos Apóstolos, até
aqueles da Reforma pereceram! Porque que tipo de homens existiu em quase todo o clero durante todos
esses séculos? Consulte a história da igreja, em todas as épocas, e você encontrará mais e mais provas da
corrupção deles. É verdade, eles não foram tão abertamente abandonados, desde então; mas aquele período
feliz tem sofrido uma considerável mudança para melhor no clero, assim como na laicidade. Mas ainda
existem motivos para temor, de que mesmo esses que agora ministram nas coisas santas; que são
exteriormente devotados a Deus para este propósito (sim, nas regiões protestantes, assim como católicas)
são, não obstante, devotados ao mundo, às riquezas, à honra, ao prazer (excetuando alguns poucos
comparativamente), muito mais do que são a Deus: De maneira que, na verdade, eles estão distantes da
santidade cristã, como a terra está do céu. Se, então, nenhuma graça é transmitida, através do ministério dos
homens pecaminosos, em que circunstância está o mundo cristão! Como Deus se esqueceu de ser gracioso!
Como ele se esqueceu de sua própria herança! Ó, não pense assim! Antes, diga com nossa própria igreja
(embora em oposição direta à igreja de Roma, que mantém: ―se o sacerdote não ministra com uma intenção
pura‖, o que nenhum homem poderá fazer, ―então, o sacramento não é sacramento, afinal‖), a indignidade
do ministro não impede a eficácia da ordenança de Deus. A razão é clara: porque a eficácia é derivada, não
daquele que administra, mas Daquele que a ordena. Ele não permite, nem permitirá que sua graça seja
interceptada, embora o próprio mensageiro não vá recebê-la.

31. Uma outra conseqüência se seguiria da suposição de que nenhuma graça é transmitida pelos
ministros pecaminosos; ou seja, que uma pessoa conscienciosa não poderia ser membro de alguma igreja
nacional no mundo. Porque onde quer que ele esteja, existem grandes probabilidades, se um ministro santo
estiver situado lá; e se não estiver, é mero trabalho perdido adorar naquela congregação. Mas, abençoado
seja Deus, este não é o caso; nós sabemos, através de nossa própria experiência feliz, e através da
experiência de milhares, que a palavra do Senhor não está confinada, embora proferida por um ministro
iníquo; e os sacramentos não são estéreis, quer aquele que administra seja santo ou não.

32. Considere uma conseqüência mais desta suposição, pudesse ela ser sempre amplamente recebida.
Fossem todos os homens separados daquelas igrejas, onde o ministro foi um homem descrente (como eles
deverão ser, se a graça de Deus nunca atendeu, ou poderia atender seu ministério), que confusão, quais
tumultos, quais comoções, isto ocasionaria em toda cristandade! Quais maquinações diabólicas,
ressentimentos, ciúmes, inveja, deveriam surgir em todo lugar! Qual censura, mexerico, discussão,
contenda! Nem pararia por aqui; mas das palavras pecaminosas das partes conflitantes, logo se seguiriam os
atos pecaminosos; e rios de sangue, logo se espalhariam, para o completo escândalo dos maometanos e
pagãos.

33. Não vamos, então, nos preocupar e nos confundir, e ao nosso próximo, com disputas sem
proveito, mas todos concordar em expandir, com todo nosso poder, o quieto e pacífico Evangelho de Cristo.
Vamos fazer o melhor de qualquer que seja a ministração que a Providência de Deus nos designou.
Aproximadamente cinqüenta anos atrás, um grande e bom homem, Dr. Potter, então, arcebispo de
Canterbury, deu-me um conselho, pelo qual eu tenho, desde então, oportunidade de dar graças a Deus: ―Se
você deseja ser extensivamente útil, não perca seu tempo e força em contender, a favor ou contra tais coisas
que são de uma natureza discutível; mas em testificar contra notórios e declarados maus hábitos, e em
promover a santidade verdadeira, essencial‖. Vamos nos manter nisto: Deixando milhares de pontos
discutíveis, para aqueles que não têm melhor ocupação, do que lançar a bola da controvérsia, para cá e para
lá; vamos encerrar nosso ponto. Vamos fazer um testemunho fiel, em nossas diversas situações, contra toda
descrença e falta de retidão, e com todas as nossas forças, recomendar aquela santidade interior e exterior,
―sem a qual, nenhum homem verá ao Senhor!‖.

[Editado por Joshua Williams, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

tradução: Izilda Bella

Sobre a Consciência

"Porque a nossa glória é esta, o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e seriedade de
Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo, e, mais especialmente,
para convosco".(II Cor. 1:12)

1. Quão poucas palavras há no mundo mais comum do que essa, a Consciência! Ela está quase na
boca de todo mundo. E alguém, disso, poderia estar apto a concluir que, nenhuma palavra pode ser
encontrada, que seja mais geralmente entendida. Mas pode ser duvidoso, se esse é o caso ou não; embora
estudos incontáveis tenham sido escritos sobre ela. Porque é certo que uma grande parte desses escritores
têm mais confundido a causa do que a esclarecido; que eles têm, usualmente, "obscurecido as deliberações
por exprimirem palavras sem conhecimento".

2. O melhor tratado sobre o assunto, que eu me lembro de ter visto foi traduzido do Francês do
Monsieur Placette, que descreve, de uma maneira clara e racional, a natureza e ofícios da consciência. Mas,
embora ela tenha sido publicada perto de cem anos atrás, ela está em poucas mãos; e, de certo, uma grande
parte desses que o têm lido, queixam-se, por fim, dele. Um oitavo volume de diversas centenas de páginas,
sobre tal assunto simples, foi, igualmente, para provar uma experiência da paciência para muitas pessoas de
entendimento. Parece, entretanto, que há ainda a necessidade de um discurso sobre o tema, breve, assim
como, claro. Esse, através da assistência de Deus, eu irei me esforçar para suprir, mostrando, Primeiro, a
natureza da consciência, e, Então, as diversas formas dela; ao que eu devo concluir com algumas poucas
direções importantes.

I. A natureza da consciência.

(1) Essa um homem muito piedoso do século passado (em seu sermão sobre a consciência universal)
descreveu da seguinte maneira: — "Essa palavra, que literalmente significa, saber com o outro, e,
excelentemente, demonstrada, na proposta bíblica, em (Jó 16:19) 'Eis que também, agora, aqui está a minha
testemunha, no céu; e o meu fiador, nas alturas'. E também do Apóstolo, em: (Romanos 9:1) 'Em Cristo
digo a verdade, (não minto), dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo'. Consciência é
colocada no meio, debaixo de Deus, e acima do homem. É uma espécie de raciocínio silencioso da mente,
por meio da qual, aquelas coisas, as quais são julgadas corretas, são aprovadas com prazer; mas aquelas, que
são consideradas do mal, são desaprovadas com inquietude". Ela é o tribunal, no peito do homem, para
acusar pecadores, e desculpar aqueles que fazem o bem.

(2) Para vê-la, de um novo ângulo: Consciência, tanto quanto a palavra em Latim, do qual ela se
origina, e da palavra Grega, "suneidhsevs", necessariamente, implica o conhecimento de duas ou mais coisas
juntas: Supõe-se o conhecimento de nossas palavras e ações, e ao mesmo tempo, a bondade e maldade delas;
se não, será, mais apropriadamente, a faculdade, por meio da qual, nós conhecemos, de imediato, nossas
ações e as qualidades delas.

(3) Consciência, então, é aquela faculdade, pela qual nós somos - de imediato - conscientes de nossos
próprios pensamentos, palavras e ações; e, do mérito e demérito deles; de serem bons ou maus; e,
conseqüentemente, merecendo louvor ou censura. E alguns prazeres, geralmente, atendem a primeira
sentença; algumas inquietudes, a última: Mas essas variam, excessivamente, de acordo com a educação e
centena de outras circunstâncias.

(4) Pode ser negado que alguma coisa dela é encontrada em todo homem nascido no mundo? E que
ela surge, tão logo, haja entendimento; tão logo, a razão comece a manifestar-se? E que todos passam, então,
a conhecer a diferença que há entre o bem e o mal; quão imperfeitas, então, as várias circunstâncias desse
senso de bem e mal podem ser? E que todo o homem, por exemplo, sabe, a menos que esteja cego pelos
preconceitos da educação (como os habitantes do Cabo da Boa Esperança), que é bom honrar seus pais? E
que todos os homens, sejam eles mal-educados ou bárbaros, permitem que seja certo fazer, aos outros, como
nós os teríamos fazendo a nós? E que todos que sabem isso, condenam, em suas próprias mentes, quando
eles fazem alguma coisa contrária a esse princípio? Como, por outro lado, quando eles agem, de acordo com
isso, eles têm a aprovação de suas próprias consciências?

(5) Essa faculdade parece ser a que é, usualmente, destinada por aqueles que falam da consciência
natural: uma expressão, freqüentemente, encontrada, em alguns dos nossos melhores autores, mas, ainda,
não estritamente justa. Porque, embora, em um senso, ela possa ser denominada natural, porque ela é
encontrada em todos os homens; ainda, propriamente, falando, ela não é natural, mas um dom supernatural
de Deus, acima de todos os dons naturais dos homens. Não; não é da natureza, mas o filho de Deus que é "a
luz verdadeira, a qual ilumina todo o homem que está no mundo". De forma que, nós podemos dizer para
toda a criatura humana que "Ele", não a natureza, "tem mostrado a ti, ó homem, o que é bom". E é o Espírito
dele que dá a ti, um testemunho interior; que causa a ti sentir-te desconfortável, quando tu caminhas, em
alguma instância contrária à luz que ele tem dado a ti.

(6) Pode ser dada uma força peculiar para aquela bonita passagem, para considerar por quem, e sobre
qual ocasião as palavras foram expressas. As pessoas de quem se fala são o rei de Moab, Balaque, e Balaão,
então, sob as impressões divinas (dando a impressão de "não longe do reino de Deus", embora, ele, depois
disso, tenha se revoltado, tão perfidamente): Provavelmente, Balaque, também, naquele tempo,
experimentou alguma coisa da mesma influência. Isso ocasionou dele consultar-se com, ou pedindo
conselhos de Balaão — ao que Balaão deu uma resposta completa, à questão proposta por ele. (Miquéias
6:5) "Povo meu", diz o profeta, em nome de Deus, "lembra-te da consulta de Balaque, o rei de Moab, para
que conheças as justiças do Senhor". (parece, na plenitude de seu coração) "e o que Balaão, o filho de Beor
respondeu a ele, por meio do qual", disse ele, "com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei ante o
Deus Altíssimo? Devo vir diante dele com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de
carneiros? De dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? O fruto do
meu ventre, pelo pecada da minha alma?" (Isso, os reis de Moab tinham feito, até aquele momento, nas
ocasiões de profunda aflição; um relato notável do que é registrado no terceiro capítulo, do segundo livro de
Reis). Para isso, Balaão faz com que o nobre replique, (sendo, sem dúvida, então, ensinado de Deus), "Ele te
mostrou, ó homem, o que é bom; e o que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a
beneficência, e que andes, humildemente, com o teu Deus?".
(7) Para se ter uma visão mais distinta da consciência, ela parece ter o triplo ofício: Primeiro: Ela é
testemunha — testificando o que nós temos feito, em pensamento, ou palavra ou ação. Segundo: Ela é o juiz
— sentenciando no que nós temos feito, que seja bom ou mal. Terceiro: Executa a sentença — De certa
forma, ocasionando um grau de complacência nele que faz o bem, e um grau de inquietude nele que faz o
mal.

(8) O professor Hutcheson, recente de Glasgow, coloca a consciência em uma luz diferente. Em seu
"Ensaio sobre as Paixões", ele observa que nós temos diversos sentidos, ou caminhos naturais de prazer e
dor, além de cinco sentidos externos. Um desses, ele denomina de sentido publico; por meio do qual, nós
somos, naturalmente, afligidos pela miséria do próximo, e agradados da sua libertação dela. E todo o
homem, diz ele, tem um sentido moral; por meio do que, ele aprova a benevolência e desaprova a crueldade.
Sim, ele fica desconfortável, quando ele mesmo pratica uma ação cruel, e feliz, quando faz alguma coisa
generosa a alguém.

(9) Tudo isso é, em algum senso, indubitavelmente, verdadeiro. Mas não é verdade que, tanto o
sentido público, como o moral - (ambos, incluídos, no termo consciência) - sejam, agora, naturais do
homem. Qualquer que possa ter sido o caso, a princípio, enquanto o homem estava, em seu estado de
inocência, tanto um quanto o outro era um membro daquele dom natural de Deus, que nós, usualmente,
chamamos, graça precedente. Mas o Professor, afinal, não concorda com isso. Ele coloca Deus,
completamente, fora da questão. Deus não tem coisa alguma a fazer com o método dele de virtude, do
começo ao fim. De modo que, para dizer a verdade, seu método de virtude é ateísmo, por completo. Isso é
que é requinte, realmente! Muitos têm excluído Deus do mundo: Ele o exclui até mesmo da religião!

(10) Mas nós não nos equivocamos com ele? Nós tomamos esse significado como certo? Que possa
estar bastante claro, que nenhum homem pode enganar-se com ele, que propõe essa questão: "O que, se um
homem, em praticando a virtude, que é a ação generosa de socorrer o próximo, tem um olho para Deus,
como quem ordena e o recompensa por ela? Então", ele diz, "tão longe quanto ele tem um olho para Deus, a
virtude da ação é perdida. Quaisquer que sejam as ações, que nasçam de um olho para a recompensa do
galardão, não têm virtude, nem santidade moral nelas". Ai de mim! Esse homem foi chamado de cristão?
Quão, injustamente, ele caluniou essa afirmativa! Mesmo o Dr. Taylor, embora ele não aceite que Cristo seja
Deus, ainda assim, não teve escrúpulos de denominá-lo, "uma pessoa de virtude consumada". Mas o
Professor não pode permitir a ele, qualquer virtude, afinal!

(11) Mas para retornar. O que é a consciência, em um sentido cristão? Ela é aquela faculdade da
alma, que, pela assistência da graça de Deus, vê tudo a mesma coisa: (a) Nosso temperamento e vida — a
natureza real e qualidade de pensamentos, palavras e ações; (b) As regras, por meio das quais, somos
direcionados; e, (c) a concordância e discordância, com isso. Para expressar isso, um pouco mais
amplamente: A consciência implica, Primeiro: na faculdade do homem conhecer a si mesmo; de discernir,
em geral e, em particular, seu próprio temperamento, pensamentos, palavras e ações. Mas, isso não é
possível a ele fazer, sem a assistência do Espírito Santo de Deus. Por outro lado, amor-próprio, e, de fato,
todas as demais paixões irregulares, mascarariam e, completamente, o ocultariam de si mesmo. Isto implica,
Segundo: em um conhecimento da regra, pela qual, ele será direcionado, em cada particular; o que é não
outra coisa, do que a palavra de Deus escrita. A consciência implica, Em Terceiro Lugar: no conhecimento
de que todos os seus pensamentos, palavras e ações estão, em semelhança para com essa regra. Em todos os
ofícios da consciência, a "unção do Espírito Santo" é, indispensavelmente, necessária. Sem isso, nem nós
podemos, claramente, discernir nossas vidas ou temperamentos; nem podemos julgar da regra, por meio da
qual nós devemos caminhar, ou da conformidade ou desconformidade dela.

(12) Esse é, propriamente, o relato da boa consciência; que pode ser, em outros termos, expressa
assim: a consciência divina de caminhar em todas as coisas, de acordo com a palavra escrita de Deus.
Parece, de fato, que pode haver nenhuma consciência que não tenha a consideração para com Deus. Você
pode dizer, "Sim, certamente, pode haver a consciência de ter feito certo ou errado, sem qualquer referência
a Ele". Eu respondo que isso não tem fundamento: Eu duvido, se as mesmas palavras - certo e errado -, de
acordo com o sistema cristão, não implicam, na mesma idéia delas, de consentimento ou discordância, para
com a vontade e palavra de Deus. Se for assim, não há tal coisa como consciência, em um cristão, se nós
deixarmos Deus fora da questão.

(13) Com o objetivo da mesma existência da boa consciência, como para a continuidade dela, a
continuada influência do Espírito de Deus é, absolutamente, necessária. Concordantemente, o Apóstolo João
declara para os crentes de todos os tempos: "Você tem a unção do Espírito Santo, e conhece todas as coisas".
Todas as coisas que são necessárias para você ter a "consciência isenta de ofender, no que concerne a Deus,
e no que concerne ao homem". Então, ele acrescenta: "Você não precisa que alguém o ensine", a não ser,
"que o ungido o ensine". Que o ungido, claramente, ensine-nos essas três coisas: Primeiro: o verdadeiro
significado da palavra de Deus; Segundo: nossas ações, para lembrar; e, Terceiro: a concordância com
todos os mandamentos de Deus.

(14) Continuando, nós podemos considerar agora:

II. As diversas formas de consciência.

A consciência boa já foi falada. Essa Paulo expressa de várias maneiras. Em um lugar, ele
simplesmente a denomina, "a boa consciência concernente a Deus"; em outro, "a consciência isenta de
ofender, no que diz respeito a Deus, e no que diz respeito ao homem". Mas ele fala ainda mais amplamente,
no texto: "Nosso regozijo é esse, o testemunho de nossa consciência, que na simplicidade", com o olho
único, "e sinceridade divina, nós tivemos nossa conversa no mundo". Enquanto isso, ele observa que isso
foi feito "não pela sabedoria da carne" — comumente, chamada prudência — (essa nunca pode, nem nunca
poderá produzir tal efeito), "mas pela graça de Deus"; que sozinha é suficiente para operar isso em qualquer
filho do homem.

(15) Proximamente, aliada a essa (se não for no mesmo lugar, em outra visão, ou um ramo particular
dela) está a consciências terna. Alguém da consciência terna é exato, na observação de qualquer desvio da
palavra de Deus, se em pensamento, palavra ou ação; e, imediatamente, sente remorso e se condena por isso.
E o constante clamor de sua alma é:

Ó, que minha terna alma possa voar.


Á primeira aproximação da aversão do mal.
Rapidamente, como a menina dos olhos.
O toque mais leve do pecado sinta!

(16) Mas, algumas vezes, essa qualidade excelente, brandura da consciência, é levada ao extremo.
Nós encontramos alguns que temem, onde não existe temor; que está continuamente condenando a si
mesmos, sem causa; imaginando algumas coisas serem pecaminosas, as quais as Escrituras, em nenhum
lugar, condena; e supondo outras coisas serem dever deles, as quais a Escritura, em nenhum lugar ordena.
Essa é, propriamente, denominada a consciência escrupulosa, e é um mal severo. Ela é, altamente, oportuna
para produzir para ele, o menos possível; mais apropriadamente, é uma questão de oração sincera, que você
possa ser liberto desse mal severo, e possa reaver a mente sã; para a qual nada poderia contribuir mais, do
que uma conversa com um amigo piedoso e sensato.

(17) Mas o extremo, o qual é oposto a isso, é ainda mais perigoso. A consciência endurecida é,
milhares de vezes, pior do que a escrupulosa: que pode violar o mandamento claro de Deus, sem qualquer
condenação própria; fazendo o que ele tem expressamente proibido, ou negligenciando o que ele tem
expressamente ordenado; e, ainda, sem qualquer remorso; sim, talvez, gloriando-se, nesse mesmo coração
duro! Muitos exemplos dessa estupidez deplorável nós encontramos, até o momento; mesmo, entre as
pessoas que, supõem elas próprias terem não uma pequena parte da religião. A pessoa está fazendo alguma
coisa que as Escrituras claramente proíbem. Você pergunta: "Como você se atreve a fazer isso?", e lhe é
respondido, com a indiferença perfeita: "Ó, meu coração não me condena!". Eu replico: "Então, tanto pior.
Eu iria a Deus que fez! Você poderia, então, estar em um estado mais seguro do que você está agora. É uma
coisa terrível ser condenado pela palavra de Deus, e, ainda assim, não ser condenado por seu próprio
coração!". Se nós podemos quebrar o menor dos mandamentos conhecidos de Deus, sem alguma
condenação própria, fica claro que o deus deste mundo tem endurecido nossos corações. Se nós não nos
recuperarmos logo disso, nós podemos ser completamente "destituídos de sentimentos", e nossas
consciências (como Paulo fala) serão marcadas, como com um ferro quente.

(18) Eu tenho agora, apenas uma coisa para acrescentar às poucas direções importantes. O primeiro
grande ponto é esse: Suponha que nós tenhamos uma consciência terna, como devemos preservá-la? Eu
acredito que haja apenas um caminho possível de fazer isso, que é, obedecer a ela. Todo ato de
desobediência tende a cegar e a amortecê-la; colocando-a fora de nossos olhos, para que não possa ser vista
a boa e aceitável vontade de Deus; e para que o coração amortecido, não possa sentir autocondenação,
quando agimos em oposição a ela. E, ao contrário, cada ato de obediência traz à consciência uma visão
nítida e forte, e um rápido sentimento do que ofende a gloriosa majestade de Deus. No entanto, se você
deseja ter a sua consciência rápida para discernir, e fiel para acusar ou desculpar você; se você pudesse
preservá-la, sempre sensível e terna, esteja certo de obedecê-la, em todos os seus eventos; continuamente,
ouvindo suas admoestações, e rapidamente as seguindo. O que quer que ela direcione a você fazer, de
acordo com a palavra de Deus, faça; por mais doloroso que seja para a carne e sangue. O que quer que ela
proíba, se a proibição está alicerçada na palavra de Deus, busque não fazer isso; por mais que possa
satisfazer a carne e sangue. Uma ou a outra pode, freqüentemente, ser o caso. O que Deus proíbe pode ser
agradável para nossa natureza maldosa: Lá, você será chamado a negar a si mesmo, ou a negar ao seu
Mestre. O que alegra a Ele pode ser doloroso para a natureza: Lá, pegue a sua cruz. Então, verdadeira será a
palavra de Nosso Senhor: "Exceto se um homem negar a si mesmo, e pegar a sua cruz diária, ele não poderá
ser meu discípulo".

(19) Eu não posso concluir esse discurso melhor, do que com um extrato do sermão do Dr. Annesley
sobre a "Consciência Universal". (Dr. Annesley era pai de minha mãe) e foi reitor da paróquia de
Cripplegate:

"Seja persuadido a praticar as seguintes direções, e sua consciência irá continuar correta":
(1) "Tenha cautela com todo pecado; não considere algum pecado pequeno; e obedeça todo o
mandamento, com toda a sua força. Esteja atento contra os primeiros levantes do pecado, e tome cuidado
com as fronteiras do pecado".
(2) "Considere a si mesmo, como vivendo debaixo do olho de Deus: Viva, como se na presença do
Deus zeloso. Lembre-se de que todas as coisas estão nuas e abertas diante dele! Você não pode enganá-lo;
porque ele tem a sabedoria infinita: Você não pode fugir para longe dele; porque ele está em todo lugar:
Você não pode suborná-lo, porque ele é a própria retidão! Fale, como sabendo que Deus ouve você:
Caminhe, como sabendo que Deus pode ser encontrado por você de todos os lados. O Senhor está com você,
enquanto você estiver com ele: ou seja, você poderá desfrutar de sua presença benévola, enquanto você viver
em sua presença maravilhosa".
(3) "Seja sério e freqüente, no exame de seu coração e vida. Existem alguns deveres, como aquelas
partes do corpo, e necessidades que podem ser supridas, por outras partes: mas a necessidade disso, nada
poderá suprir. Todas as noites, reveja o seu comportamento, durante o dia; o que você tem feito, ou pensado,
que possa ter sido inconveniente para o seu caráter; se seu coração tem sido iminente para a religião, e
indiferente para o mundo. Tenha um cuidado especial para as duas porções do tempo: ou seja, manhã e
noite; de manhã, para planejar o que você tem de fazer, e, à noite ,para examinar se você fez o que deveria".
(4) "Deixe cada ação ter referência para sua vida toda, e, não, para uma parte apenas. Deixe todas as
suas finalidades subordinadas serem adequadas à grande finalidade de sua vida. 'Exercite-se na santidade'.
Seja tão diligente, na religião, quanto você poderia ser com seus filhos que vão à escola para aprender.
Deixe que toda a sua vida seja uma preparação para o céu, como a preparação dos lutadores para o
combate".
(5) "Não se arrisque no pecado, porque Cristo tem comprado um perdão; este é o mais horrível abuso
de Cristo. Por esse mesmo motivo não ouve sacrifício debaixo da lei para algum pecado obstinado; para que
as pessoas não pudessem pensar que elas sabem o preço do pecado, como aqueles que negociam
indulgências papistas".
(6) "Seja nada a seus próprios olhos: Mesmo porque, nós devemos estar orgulhosos do que? Nossa
própria concepção era pecadora, nosso nascimento doloroso, nossa vida penosa, nossa morte nós não
sabemos o que! Mas tudo isso é nada para o estado de nossa alma. Se nós sabemos isso, que desculpa temos
para sermos orgulhosos?".
(7) "Tome em consideração deveres, não resultados. Nós temos nada para fazer, a não ser nos
dedicarmos aos nossos deveres. Todas as especulações, que não tendem para a santidade, estão entre as suas
superfluidades; mas prediga o que pode sobrevir a você, em fazendo o seu dever, puder ser contado entre os
seus pecados; e arriscar-se no pecado para evitar o perigo, é afundar o navio, por medo dos piratas! Ó quão
calmas e santas seriam nossas vidas, tivéssemos nós aprendido aquela lição simples: — sermos cuidadosos
com nada, a não ser com nossos deveres, e deixarmos todas as conseqüências para Deus! Que loucura para o
tolo pó prescrever a sabedoria infinita! Deixarmos nosso trabalho vão, e interferirmos com o trabalho de
Deus! Ele tem manejado os interesses do mundo, e da pessoa individual nele, sem dar motivos de queixa a
ninguém, por mais de cinco mil anos. E Ele necessita de nossa deliberação agora? Não. É nosso dever
planejar as nossas próprias obrigações".
(8) "Qualquer conselho que você possa dar a outro, tome para si mesmo: Os piores dos homens estão
aptos, o suficiente, para deitarem responsabilidades no outro, as quais, se eles aplicassem em si mesmos,
fariam deles, cristãos extraordinários".
(9) "Não faça coisa alguma, da qual você não possa orar por uma benção. Cada ação de um cristão
que seja boa é santificada pela palavra e oração. Ele não se tornará um cristão fazendo alguma coisa tão
desprezível, que ele não possa orar por ela. E, se você conceder uma exclamação séria sobre cada ação
ocorrente, tal oração arrancará todas as coisas pecaminosas, e encorajará todas as coisas lícitas".
(10) "Pense, fale, e faça o que você está certo de que o próprio Cristo faria, no seu lugar, se ele
estivesse na terra. Tornar-se um cristão, é melhor ser um exemplo para tudo, para aquele que foi, e é, e
sempre será, nosso padrão absoluto. Ó cristãos, assim como Cristo, orem, e redimam o tempo por causa da
oração! Como Cristo pregou, fora de cuja boca emanou, nenhuma outra, a não ser palavras graciosas?
Quanto tempo Cristo gastou em discursos impertinentes? Como Cristo subiu e desceu, fazendo o bem aos
homens, e o que era, ao mesmo tempo, agradável a Deus? Amado, eu recomendo a você essas quatro
lembranças":
(a) "Tome em consideração seu dever":
(b) "O que é o dever de outro, no seu caso, é seu próprio dever":
(c) "Não interfira em coisa alguma, se você não puder dizer, 'a benção do Senhor está sobre mim!'":
(d) "Acima de tudo, antes esquecer de seu nome de batismo, do que esquecer de olhar para Cristo!".
"Qualquer que seja o tratamento que você encontre com o mundo, lembre-se Dele e siga os passos
'daquele que não pecou, em que nenhuma malícia foi achada em sua boca; quem, quando ultrajado, não
ultrajou novamente; mas entregou a si mesmo a Ele, que julga corretamente'".

*.*

Editado por Jennifer Luhn, com correções de Ryan Danker e George Lyons, para o Wesley Center for
Applied Theology at Northwest Nazarene University.
© Copyright 1999 by the Wesley Center for Applied Theology.

O texto pode ser usado, livremente, para propósitos pessoais ou escolares, ou colocados em Web sites.
Qualquer uso para propósito comercial é estritamente proibido, sem permissão expressa do Wesley Center,
em Northwest Nazarene University, Nampa, ID 83686. Contato: webadmin@wesley.nnc.edu

SOBRE A FÉ 2ª Parte

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que
ele existe, e que é galardoador dos que o buscam". (Hebreus 11:6)
1. Mas o que é fé? É a "evidência e convicção" divina "das coisas não vistas"; das coisas que não são
vistas agora, quer sejam visíveis ou invisíveis, na natureza delas. Particularmente, é uma evidência e
convicção divina de Deus, e das coisas de Deus. Esta é a definição mais compreensível da fé que sempre foi
dada e pode ser dada; de maneira a incluir todas as espécies de fé, da mais baixa a mais alta. E ainda assim,
eu não me lembro de algum escritor eminente que tenha dado um relato completo e claro de diversas
espécies dela, entre todos os tratados prolixos e tediosos, que têm sido publicados sobre o assunto.

2. Alguma coisa, de fato, de uma espécie similar, tem sido escrita por aquele grande e bom homem,
Sr. Fletcher, em seu "Tratado sobre as Várias Dispensações da Graça de Deus". Neste ele observa que
existem quatro dispensações que são distinguidas umas das outras, por um grau de conhecimento que Deus
concede àqueles que estão sob cada uma. Um pequeno grau de conhecimento é dado àqueles que estão sob a
dispensação pagã. Esses geralmente acreditaram "que existiu um Deus, e que ele foi um recompensador
deles que diligentemente o buscaram". Mas um grau bem mais considerável de conhecimento foi outorgado
para a nação judaica; visto que para eles "foram confiados" os grandes meios de conhecimento, "os oráculos
de Deus". Conseqüentemente, muitos desses tinham idéias claras e sublimes da natureza e atributos de Deus;
da obrigação deles para com Deus e homem; sim, e para a grande promessa feita a nossos primeiros
antepassados e transmitida por eles para sua posteridade, de que "a Semente da mulher pisaria a cabeça da
serpente".

3. Mas acima de ambas, a dispensação pagã e judaica, estava a de João Batista. A ele um
conhecimento ainda mais claro foi dado; e ele mesmo "uma luz incandescente e brilhante". A ele foi
permitido "observar o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". Assim sendo, o próprio nosso
Senhor afirma que "de todos os que nasceram das mulheres" não havia, até aquele tempo, surgido "um
maior do que João Batista". Mas, não obstante ele nos informa, "aquele que é o menor no reino de Deus", a
dispensação cristã, "é maior do que ele". Mas, aquele que está sob a dispensação cristã, o Sr. Fletcher quer
dizer aquele que recebeu o Espírito de adoção; que tem o Espírito de Deus testemunhando "com seu espírito,
que ele é um filho de Deus".

Com o objetivo de explicar isto ainda mais além, eu me esforçarei, com a ajuda de Deus.

I. Indicar as diversas espécies de fé:


II. Esboçar algumas inferências práticas.

Em Primeiro Lugar, eu me esforçarei para indicar algumas espécies de fé. Seria fácil, quer reduzir
essas a um número melhor, ou dividi-las em uma maior. Mas não parece que isto responderia a algum
propósito valoroso.

1. A menor espécie de fé, se ela pode ser alguma fé, afinal, é aquela de um Materialista – um homem
que, como o falecido Lorde Kames, acredita que não existe coisa alguma, a não ser matéria no universo. Eu
digo, se for alguma fé afinal; porque, falando propriamente, não é. Não é "uma evidência ou convicção de
Deus"; porque eles não acreditam que existe alguma; nem é "uma convicção das coisas não vistas", porque
eles negam a existência de tal. Ou, se, por causa da decência, eles admitem que existe um Deus, ainda assim,
eles supõem que Ele seja material. Porque uma de suas máxima é Jupiter est quodcunque vides [Lucan]. "O
que quer que você veja é Deus". O que quer que você veja! Um deus visível, tangível! Divindade excelente!
Completo absurdo!

2. A segunda espécie de fé, se você admitir que um materialista tenha alguma, é a fé de um Deísta.
Eu quero dizer, alguém que crê que existe um Deus, distinto da matéria; mas não acredita na Bíblia. Desses
podemos observar dois tipos: Um tipo são as meras bestas em corpo humano, completamente sob o poder
das paixões inferiores, e tendo "um apetite evidente para misturar-se com a lama". Outro tipo de Deístas, na
maioria dos aspectos, diz respeito às criaturas racionais, embora infelizmente preconceituosos contra o
Cristianismo: A maioria desses crê na existência e nos atributos de Deus; eles crêem que Deus criou e
governa o mundo; e que a alma não morre com o corpo, mas permanecerá para sempre em um estado de
felicidade ou miséria.

3. A próxima espécie de fé, é a fé dos Ateus, com os quais eu junto à dos Maometanos. Eu não posso
deixar de preferir esta, antes da fé dos Deistas; porque, embora ela compreenda proximamente os mesmos
objetos, ainda assim, eles são, antes, para serem lamentados do que envergonhados, pela estreiteza de sua fé.
E o fato de não acreditarem em toda a verdade, não é devido à falta de sinceridade, mas meramente pela
falta de conhecimento [luz]. Quando alguém perguntou a Chicali, um velho Chefe índio: "Por que vocês,
homens vermelhos, não sabem tanto quanto nós homens brancos?". Ele rapidamente respondeu: "Porque
você tem a grande Palavra e nós, não".

4. Não se pode duvidar, mas este apelo beneficiará milhões de ateus modernos. Visto que para eles
pouco é dado, deles pouco será requerido. Quanto aos ateus antigos, milhões deles, igualmente, eram
selvagens. Não mais, portanto, dever-se-ia esperar deles, do que viverem à altura da luz que eles tinham.
Mas, muitos deles, especialmente nas nações civilizadas, nós temos grande motivo para ter esperanças de
que, embora eles vivessem em meio aos ateus, ainda assim, eles fossem de um espírito completamente
outro; sendo ensinados por Deus, através da voz interior, em todas as essências da religião verdadeira.
Assim eram aqueles Maometanos, e árabes que, um século ou dois atrás, escreveram a Vida de Hai Ebn
Yokdan. A história parece inventada; mas ela contém todos os princípios da religião pura e imaculada.

5. Mas, em geral, nós podemos certamente situar a fé de um Judeu acima daquela de um ateu ou
Maometano. Através da fé judaica, eu quero dizer, a fé daqueles que viveram entre a lei dada e a vinda de
Cristo. Esses, ou seja, aqueles que eram sérios e sinceros entre eles, acreditaram em tudo que estava escrito
no Velho Testamento. Em específico, eles acreditaram que, na plenitude do tempo, o Messias apareceria:
"para terminar a transgressão, dar um fim ao pecado, e trazer a retidão eterna".

6. Não é tão fácil passar algum julgamento concernente à fé de nossos modernos judeus. É claro que
"o véu está ainda sobre seus corações", quando Moisés e os Profetas são lidos. O deus deste mundo ainda
endurece seus corações e ainda cega seus olhos, "a fim de que a qualquer tempo a luz do Evangelho
glorioso" não venha sobre eles. De modo que nós podemos dizer destas pessoas, como o Espírito Santo disse
aos seus antepassados: "O coração deste povo está misturado com o vulgar, e seus ouvidos entorpecidos
para ouvir, e seus olhos eles os mantêm fechados; a fim de que não possam ver com seus olhos, e ouvir com
seus ouvidos, e entender com seus corações, e sejam convertidos, e eu possa curá-los". (Atos 28:17). Ainda
assim, não é nossa tarefa passar uma sentença sobre eles, mas deixá-los ao seu próprio Mestre.

7. Eu não preciso habitar na fé de João Batista, algo mais do que na dispensação, a que ele estava
submetido; porque esses, assim como o Sr. Fletcher bem os descreve, eram peculiares a si mesmos.
Colocando-o de lado, a fé dos Católicos Romanos, em geral, parece estar acima daquela dos judeus do
passado. Se a maioria desses são voluntários na fé, acreditando mais do que Deus tem revelado, não se pode
negar que eles acreditaram em tudo que Deus revelou como necessário para a salvação. Nisto nos
regozijamos em favor deles. Nós estamos satisfeitos que nenhum daqueles Artigos que eles acrescentaram
no Concílio de Trent, "para a fé uma vez entregue aos santos, tão materialmente contradizem quaisquer dos
Artigos cristãos, quanto atribuem a eles nenhum efeito".

8. A fé dos Protestantes, em geral, abraça apenas essas verdades necessárias para a salvação, tão
claramente reveladas nos oráculos de Deus. O que quer que seja plenamente declarado no Velho e Novo
Testamento é o objeto da fé deles. Eles acreditam, nem mais nem menos, do que está manifestadamente
contido, e seja provado, através das Escrituras Santas. A palavra de Deus é a "lanterna para seus pés, e uma
luz em todos os seus caminhos". Eles não se atrevem, sob qualquer pretexto, a desviarem-se dela para a
direita ou para a esquerda. A palavra escrita é toda e a única regra da fé deles, assim como a prática. Eles
acreditam no que quer que Deus tenha declarado, e professam fazer o que quer que ele ordenou. Esta é a
própria fé dos Protestantes: Através desta, eles irão continuar, e nenhuma outra.
9. Até aqui, a fé tem sido considerada, principalmente, como uma evidência e convicção de tais e tais
verdades. E este é o sentido em que é tomada até hoje, em toda parte do mundo cristão. Mas, neste meio
tempo, que seja cuidadosamente observado (porque a eternidade depende disto) que nem a fé de um
Católico Romano, nem aquela de um Protestante, se ela não contém mais do que isto; não mais do que
abraçar tais e tais verdades, terá proveito diante de Deus, do que a fé de um Maometano ou um Pagão; ainda
de um Deista ou Materialista. Porque pode esta "fé salvá-lo?". Ela pode salvar algum homem quer do
pecado ou do inferno? Não mais do que poderia salvar Judas Iscariotes: Não mais do que poderia salvar o
diabo e seus anjos; todos que estão convencidos que cada título das Sagradas Escrituras é verdade.

10. Mas qual é a fé que é propriamente salvadora; que traz a salvação eterna para todos aqueles que a
mantêm até o fim? É tal divina convicção de Deus e das coisas de Deus; até mesmo neste estado infantil,
que capacita todo aquele que a possui a "temer a Deus e operar a retidão". E quem quer que, em toda nação,
assim acredite, o Apóstolo declara que ele é "aceito por Ele". Ele verdadeiramente está, naquele mesmo
momento, em um estado de aceitação. Mas apenas como servo de Deus, não propriamente como um filho.
Entretanto que seja bem observado que "a ira de Deus" não mais "permanece sobre ele".

11. De fato, proximamente cinqüenta anos atrás, quando os Pregadores, comumente chamados
Metodistas, começaram a pregar aquela grande doutrina bíblica, salvação pela fé, eles não estavam
suficientemente informados da diferença entre um servo e um filho de Deus. Eles não claramente
entenderam, que, até mesmo alguém "que teme a Deus, e opera a retidão, é aceito por Ele". Em
conseqüência disto, eles estavam aptos tornar tristes os corações daqueles aos quais Deus não criou tristes.
Porque eles freqüentemente perguntaram àqueles que temiam a Deus: "Você sabe que seus pecados estão
perdoados?". E aos que eles responderam: "Não", eles imediatamente replicaram: "Então, você é um filho
do diabo". Não; isto não procede. Poderia ter sido dito (e é tudo que pode ser dito com propriedade): "Até
aqui, você é apenas um servo, e não é um filho de Deus. Você já tem grande motivo para louvar a Deus,
porque ele o chamou para seu serviço honrado. Não tema. Continue clamando a Ele, e você verá coisas
maiores do que essas".

12. E, de fato, a menos que os servos de Deus hesitem, através disto, eles irão receber a adoção de
filhos. Eles receberão a fé dos filhos de Deus, revelando seu único Filho em seus corações. Assim, a fé de
um filho é, propriamente e diretamente, a convicção divina, por meio da qual todo filho de Deus é capaz de
testificar: "A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e deu a si mesmo por
mim". E, quem quer que tenha isto, o Espírito de Deus testemunha com seu espírito, que ele é um filho de
Deus. Assim, o Apóstolo escreve aos Gálatas: "Vocês são filhos de Deus pela fé. E porque são filhos, Deus
enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, clamando: Aba, Pai"; ou seja, dando a você uma
confiança pueril nele, junto com um tipo de afeição, em direção a ele. Isto, então, é o que propriamente
constitui (se Paulo foi ensinado por Deus, e escreveu, como movido pelo Espírito Santo) a diferença entre
um servo de Deus e um filho de Deus. "Ele que crê", como um filho de Deus, "tem o testemunho em si
mesmo". Isto o servo não tem. Ainda assim, que nenhum homem o desencoraje; antes, amavelmente o exorte
para esperar por isto, todo o momento.

13. É fácil observar que todos os tipos de fé que podemos conceber são redutíveis a uma, ou outra
das precedentes. Mas vamos desejar os melhores dons, e seguir o caminho mais excelente. Não existe razão,
por que você ficaria satisfeito com a fé de um Materialista, um Ateu, ou um Deista; nem, na verdade, com
aquela de um servo. Eu não sei que Deus requer isto de suas mãos. Na verdade, se eu tivesse recebido isto,
você deveria não lançar fora; você não deveria, de maneira alguma, subestimar isto, mas ser
verdadeiramente agradecido por ela.
Ainda assim, neste meio tempo, cuide em como você descansa aqui: Siga em frente, até que você
receba o Espírito de adoção: Não descanse, até que o Espírito testemunhe claramente com seu espírito, que
você é um filho de Deus.

II
Eu prossigo, Em Segundo Lugar, para traçar algumas poucas inferências das observações
precedentes.

1. Em Primeiro Lugar, eu inferiria, se existe um Deus, em que estado terrível está um Materialista
que nega não apenas que o "Senhor o comprou", mas também que o Senhor o fez. "Sem fé, é impossível
agradar a Deus". Mas é impossível que ele tenha fé, afinal; -- alguma convicção de algum mundo invisível;
porque ele acredita que não existe tal coisa; -- alguma convicção da existência de um Deus; porque um Deus
material não é um Deus, afinal. Porque você não pode possivelmente supor que o sol ou céus sejam Deus,
mais do que supor um Deus de madeira ou pedra. E, mais além, quem quer que acredite que todas as coisas
sejam mera matéria, deve, é claro, acreditar que todas as coisas são governadas, através da necessidade
horrenda – necessidade que é tão inexorável quanto os ventos; tão implacável quanto as rochas; tão
impiedosa quanto as ondas que se arremessam sobre eles, ou os pobres marinheiros náufragos! Quem, então,
auxiliará a ti, tu pobre pecador desolado, quando tu mais precisares de ajuda? Os ventos e mares, as rochas e
tempestades! Tais são os melhores ajudadores que os Materialistas podem esperam!

2. Quase igualmente desolado, é o caso do pobre Deísta; quão iletrado, sim, quão moral, quem quer
que ele seja. Porque você, igualmente, embora não possa atentar-se para isto, está realmente "sem Deus no
mundo". Veja sua religião; a "Religião da natureza, delineada", através do engenhoso Sr. Wollaston; quem,
eu me lembro de ter visto, quanto estive na escola, atendendo ao serviço público, na capela de Chaterhouse.
Ele encontrou sua religião junto a Deus? Nada menos. Ele a encontrou junto à verdade, à verdade abstrata.
Mas ele por aquela expressão queria significar Deus? Não; ele O colocou fora da questão, e construiu um
castelo bonito no ar, sem ser devedor, quer a Ele ou à sua Palavra. Veja seu orador de língua suave de
Glasgow, um dos escritores mais agradáveis da época! Ele tem algo mais a fazer com Deus, sobre seu
sistema, do que o Sr. Wollaston: Ele deduz sua "Idéia da Virtude" Dele, como o Pai das Luzes, a Fonte de
todo o bem? Exatamente o contrário. Ele não apenas planeja toda sua teoria, sem tomar o menor
conhecimento de Deus, mas em direção ao encerramento dela propõe aquela questão, "O ter um olho para
Deus, em uma ação, intensifica a virtude dela?". Ele responde: "Não; está longe disto, que, se em fazer uma
ação virtuosa, ou seja, uma ação benevolente, um homem mistura um desejo de agradar a Deus, quanto
mais existe deste desejo, menos virtude existe naquela ação". Nunca antes eu me encontrei quer com um
judeu, turco, ou ateu que tão claramente renunciou a Deus, como este professor cristão!

3. Mas com ateus, maometanos, e judeus nós temos, no momento, nada a fazer; apenas podemos
desejar que suas vidas, não envergonhem muitos de nós que somos chamados cristãos. Nós não temos muito
mais a fazer com os membros da Igreja de Roma. Mas não podemos duvidar que muitos deles, como o
excelente Arcebispo de Cambray, ainda retêm (não obstante muitos erros) que a fé é operada pelo amor. E
quantos dos Protestantes desfrutam disto, quer membros da Igreja da Inglaterra, ou de outras congregações?
Nós temos motivo para acreditar que um número considerável, ambos de um e de outro (e, abençoado seja
Deus, um número crescente), em toda a parte da terra.

4. Algo mais, eu exorto vocês que temem a Deus e operam retidão, vocês que são servos de Deus,
Em Primeiro Lugar, a fugirem de todo pecado, como da face da serpente; sendo rápidos, como a menina
do olho, e sentirem o mais leve toque do pecado; e operarem a retidão, com o extremo do poder que agora
têm para abundarem nas obras ambas da devoção e misericórdia. E, Em Segundo Lugar, continuamente
clamarem a Deus, para que Ele revele seu Filho em seus corações, para que vocês não sejam mais servos,
mas filhos; tendo seu amor espalhado em seus corações, e caminhando na "liberdade gloriosa dos filhos de
Deus".
5. Por fim, eu exorto vocês que já sentiram o Espírito de Deus testemunhando com seus espíritos que
vocês são filhos de Deus, a seguirem o conselho do Apóstolo: Caminhem em todas as boas obras, através
das quais vocês são criados em Jesus Cristo. E, então, "deixando os princípios da doutrina de Cristo, e não
colocando novamente o alicerce do arrependimento proveniente das obras mortas e da fé em direção a
Deus" (Hebreus 6:1), seguindo para a perfeição. Sim, e quanto vocês obtiverem a medida do amor perfeito,
quando Deus tiver circuncidado seus corações, e os capacitado a amá-Lo, com todo seu coração e com toda
sua alma, não pensem em descansar nisto. Isto é impossível. Vocês não podem ficar de pé ainda; vocês
devem tanto levantar quanto cair; levantar mais alto ou cair mais baixo. Portanto, a voz de Deus, para os
filhos de Israel, os filhos de Deus, é, "Sigam adiante!". "Esqueçam-se das coisas que ficaram para trás, e
avancem, junto àqueles que estão na frente, pressionem para a marca, para o prêmio de seu alto chamado
de Deus em Jesus Cristo!".

[Editado por Dave Rotz, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons para the Wesley Center for Applied Theology.]

AS VINHAS DE DEUS

'Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E por que, esperando eu que desse
uvas, veio a produzir uvas bravas?' (Isaías 5:4)

O vinhedo do Senhor, considerando a palavra em seu sentido mais amplo, pode incluir toda a
Palavra. Todos os habitantes da terra podem, de alguma forma, serem chamados de 'vinhas do Senhor'; 'que
fez todas as nações de homens, para habitar em toda a face da terra; para que eles pudessem buscar ao
Senhor, se, por acaso, eles puderem sentir, segundo Ele, e encontrá-lo'. Mas, em um sentido mais restrito, o
vinhedo do Senhor pode significar o mundo cristão; ou seja, todos que usam o nome de Cristo, e professam
obedecer à sua Palavra. Em um sentido ainda mais restrito, pode ser entendido como o que é denominada a
parte Reformada da Igreja Cristã. Em um sentido mais restrito do que os anteriores, alguém pode, por esta
frase, 'a vinha do Senhor', quer dizer, o corpo de pessoas comumente chamadas de Metodistas. Eu entendo
isto agora, significando, por meio disto, aquela sociedade apenas que começou em Oxford no ano de 1729, e
permanece unida até este dia. Compreendendo a palavra neste sentido, eu repito a pergunta que Deus propôs
ao profeta: 'Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E por que, esperando eu que
desse uvas, veio a produzir uvas bravas?'

O que mais Deus teria feito neste vinhedo (supondo-se que Ele tenha designado estender grandes
ramos dele e espalhá-lo por toda a terra) e que Ele não tenha feito,

I. Com respeito à doutrina?

II. Com respeito à ajuda spiritual?

III. Com respeito á disciplina?

IV. E com respeito à proteção exterior?

Essas coisas, consideradas, eu, então, inquiriria, brevemente: E por que, esperando eu que desse
uvas, veio a produzir uvas bravas?'

1. Em Primeiro Lugar: O que tem sido feito neste vinhedo, que Deus não fez nele? O que mais tem
sido feito, com respeito à doutrina? Desde o início; deste o tempo em que quatro homens, cada um deles era
-- 'um homem de um livro'. Deus os ensinou a fazer de 'Sua Palavra uma lanterna para seus pés, e uma luz
em todas as suas pegadas'. Eles tinham uma, apenas uma regra de julgamento, com respeito a todos os seus
temperamentos, palavras e ações; ou seja, os oráculos de Deus. Cada um deles determinou ser "cristão-
bíblico". Eles continuamente eram reprovados por isto; alguns os denominavam, em menosprezo, "idólatras-
bíblicos"; outros, de "traças-bíblicas"; alimentando-se, eles diziam, da Bíblia, como as traças, das roupas. E,
de fato, até este dia, é esforço contínuo deles, pensarem e falarem, como os oráculos de Deus.

2. É verdade, que um ilustre homem, Dr. Trapp, logo depois de eles se porem a caminho, fez um
relato diferente deles: "Quando eu vi", disse o Doutor, "esses dois livros, 'O Tratado da Perfeição Cristã', e
'Um Chamado Sério para uma Vida Santa', eu pensei: esses livros certamente causarão dano. E assim se
provou; porque presentemente, logo depois, surgiram os Metodistas. Então ele (Sr. Law) era a origem
deles". Embora isto não fosse inteiramente verdade, ainda assim, existiu alguma verdade no que foi dito.
Todos os Metodistas, cuidadosamente, leram esses livros, e foram grandemente beneficiados por eles. Ainda
assim, eles, de modo algum, surgiram deles, mas das Escrituras Sagradas; sendo 'nascidos de novo', como
Pedro fala, 'através da Palavra de Deus, que vive e habita para sempre'.

3. Um outro homem letrado, o recente Bispo Warburton, claramente afirmou que 'eles eram a prole
do Sr. Law e conde Zinzendorf [líder Morávio], juntos'. Mas isto foi um erro ainda maior. Porque eles se
encontraram, diversos anos antes, que tivessem a menor aceitação do conde Zinzendorf, ou mesmo
soubessem que existia tal pessoa no mundo. E quando eles o conheceram, embora o estimassem muito,
ainda assim, não se atreveriam a seguir um passo além do que lhes garantia as Escrituras.

4. O livro, mais próximo às Escrituras Santas, que foi de maior utilidade para eles, ao situarem seu
julgamento naquele grande ponto da justificação pela fé, foi o das Homilias. Eles nunca estiveram
convencidos de que nós somos justificados pela fé, somente, até que eles cuidadosamente consultaram-nas, e
as compararam com os escritos sagrados, particularmente, a Epístola de Paulo aos Romanos. Nenhum
Ministro da Igreja pode, com alguma decência, se opor a essas; vendo que em sua ordenação, ele as
subscreve, ao subscrever o trigésimo-sexto Artigo da Igreja.

5. Tem sido freqüentemente observado que muito poucos eram claros em seus julgamentos, tanto
com respeito à justificação, quanto à santificação. Muitos que falaram e escreveram, admiravelmente bem,
concernente à justificação, não tiveram uma concepção clara; mais do que isto, eles eram totalmente
ignorantes da doutrina da santificação. Quem escreveu mais habilmente do que Martinho Lutero, sobre a
justificação pela fé, somente? E quem era mais ignorante da doutrina da santificação, ou mais confuso em
suas concepções sobre ela? Estar totalmente convencido disto, de sua total ignorância, com respeito à
santificação, não é necessário coisa alguma mais do que ler, sem preconceito, seu célebre comentário sobre a
Epístola aos Gálatas. Por outro lado, como muitos escritores da Igreja Romana (como Francis Sales e Juan
de Castaniza, em particular) escreveram fortemente e biblicamente sobre a santificação, e, não obstante,
estavam inteiramente familiarizados com a natureza da santificação! Tanto, que todo o corpo de seus
Clérigos no Conselho de Trent, em seu Catecismo de Paróquias (Catecismo que cada sacerdote paroquiano
deve ensinar a seu povo), confundiram totalmente santificação e justificação. Mas agradou a Deus, dar aos
Metodistas, um conhecimento claro e completo de cada uma delas, e uma ampla diferença entre ambas.

6. Eles sabem, de fato, que, ao mesmo tempo em que um homem é justificado, a santificação
propriamente começa. Porque, quando ele é justificado, ele é 'nascido de novo'; 'nascido do alto'; 'nascido
do Espírito'; que, embora (como alguns supõem) não seja todo o processo da santificação, é, sem dúvida, o
portão dela. Disto, igualmente, Deus tem dado a eles um panorama completo. Eles sabem que o novo
nascimento implica tanto uma grande mudança na alma daquele que é 'nascido do Espírito', quanto foi
forjado em seu corpo, quando ele nascera de uma mulher: Não apenas uma mudança exterior, como da
bebedeira à sobriedade; do roubo, ou furto para a honestidade (este é o conceito pobre, estéril, e miserável
daqueles que nada conhecem da religião verdadeira); mas uma mudança interior, do temperamento iníquo
para todo temperamento santo, -- do orgulho para a humildade; da impetuosidade para a mansidão; da
impertinência e descontentamento para a paciência e resignação; em uma palavra: da mente mundana,
sensual, e diabólica, para a mente que estava em Jesus Cristo.
7. É verdade, que um recente e muito eminente autor, em seu estranho, 'Tratado sobre a
Regeneração', prossegue inteiramente sobre a suposição de que se trata de todo um processo gradual de
santificação. Não; trata-se apenas do limiar da santificação, a primeira entrada para ela. E, como, no
nascimento natural, o homem nasce imediatamente, e, então, cresce mais e mais forte, por degraus; assim,
no nascimento espiritual, um homem nasce imediatamente, e, então, gradualmente cresce na estatura e força
espiritual. O novo nascimento, portanto, é o primeiro ponto da santificação, que pode aumentar mais e mais
até o dia perfeito.

8. Trata-se, então, de uma grande bênção, dada a este povo, que, assim como eles não podem pensar
ou falar em justificação, como substituindo a santificação; também eles não podem pensar ou falar em
santificação como substituindo a justificação. Eles cuidam de manter cada uma em seu devido lugar, dando
igual importância a uma e a outra. Eles sabem que Deus reuniu estas, e não é para Deus colocá-las,
separadas: Portanto, eles mantêm, com igual zelo e diligência, a doutrina da justificação livre, completa,
presente, de um lado, e uma inteira santificação, ambos do coração e vida, de outro; sendo tão tenazes da
santidade interior, como qualquer místico; e, da exterior, como qualquer fariseu.

9. Quem, então, é um cristão, de acordo com a luz que Deus tem concedido a este povo? Ele que,
estando 'justificado pela fé, tem paz com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo'; e, ao mesmo tempo, é
'nascido de novo'; 'nascido do alto'; 'nascido do Espírito'; interiormente mudado da imagem do diabo, para
aquela 'imagem de Deus, em que ele foi criado': Ele que encontra o amor de Deus transbordando em seu
coração, através do Espírito Santo que é dado a ele; e a quem este amor docemente constrange a amar seu
próximo; cada homem, como a si mesmo: Ele que aprendeu de seu Senhor a ser manso e humilde de
coração; e em toda circunstância estar satisfeito: Ele, em quem está toda aquela mente, todos aqueles
temperamentos, que estavam também em Jesus Cristo: Ele que se abstém de todo aparência do mal, em suas
ações, e que não ofende com sua língua: Ele que caminha em todos os mandamentos de Deus, e em todas as
Suas ordenanças, irrepreensível: ele que, em todos os seus intercursos com homens, faz aos outros, o que
gostaria que fosse feito a si mesmo; e em toda sua vida e discurso; quer ele coma ou beba; ou o que quer que
faça, faz tudo para a glória de Deus.

Agora, o que Deus teria feito mais por este Seu vinhedo, que ele não fez nele, com respeito à
doutrina? Nós vamos inquirir:

II

Em Segundo Lugar: O que poderia ter sido feito, que não foi feito, com respeito às ajudas
espirituais?

1. Vamos considerar este assunto, desde o início. Dois jovens clérigos, de modo algum muito
notáveis, de meia idade, tendo uma tolerável medida de saúde, embora preferivelmente fracos do que fortes,
começaram, por volta de cinqüenta anos atrás, a chamar os pecadores ao arrependimento. Isto eles fizeram,
por algum tempo, em muitas das igrejas, dentro e nos arredores de Londres. Mas duas dificuldades surgiram:
Primeiro: As igrejas eram tão lotadas que muitos dos paroquianos não puderam entrar. Segundo: Eles
pregaram novas doutrinas, -- a de que somos salvos pela fé, e a de que 'sem santidade, nenhum homem
poderá ver o Senhor'. Devido a uma ou outra dessas razões, eles não mais foram permitidos pregar nas
igrejas. Então, eles pregaram em Moorfields, Kennington-Common, e em muitos outros lugares públicos. Os
frutos da pregação deles rapidamente apareceram. Muitos pecadores mudaram, tanto no coração, quanto na
vida. Mas pareceu que isto não poderia continuar por mais tempo; porque cada um viu claramente que esses
pregadores rapidamente se desgastavam; e nenhum clérigo se atreveu a assisti-los. Deus deu um sinal
abençoado à palavra deles. Muitos pecadores foram totalmente convencidos do pecado, e muitos
verdadeiramente se converteram a Deus. Seus assistentes aumentaram, em número e no sucesso de seus
trabalhos. Alguns deles eram letrados; alguns, incultos. A maioria deles era jovem; poucos, de meia idade:
Alguns eram fracos; alguns, ao contrário, de entendimento consideravelmente forte. Mas agradou a Deus
receber a eles todos; de modo que mais e mais tições foram arrancados do fogo.
2. Pode-se observar que esses clérigos, todo este tempo, não tinham um plano, afinal. Eles apenas
foram, para lá e para cá, onde tivessem uma perspectiva de salvar almas da morte. Mas, quando mais e mais
perguntaram, 'O que devo fazer para ser salvo?', foi pedido que eles se reunissem. Doze pessoas vieram na
primeira quinta-feira à noite; quarenta na próxima; logo depois, uma centena. E eles continuaram a crescer,
até que há vinte três ou vinte quatro anos, a Sociedade de Londres somou por volta de 2.800 membros.

3. 'Mas como esta multidão poderia ser mantida junta? E como saber, se eles caminhavam
merecedores de seu chamado?'. Eles foram providencialmente conduzidos, enquanto eles pensavam em
outra coisa, ou seja, pagando o débito público, a dividir todas as pessoas em pequenas companhias, ou
classes, de acordo com seus lugares de moradia, e apontar uma pessoa em cada classe, para supervisionar
todo o restante semanalmente. Através deste recurso, rapidamente era descoberto, se algum deles vivia em
algum pecado conhecido. Se eles viviam, eles eram primeiro, admoestados; e, quando julgados incorrigíveis,
exclusos da sociedade.

4. Esta divisão, e exclusão, daqueles que caminhavam desordenadamente, sem qualquer consideração
a pessoas, foram ajudas, que poucas outras comunidades tiveram. A estas, assim que as sociedades
aumentavam, era logo acrescida uma outra. A cada quinze dias, os encarregados encontravam os pregadores,
em algum lugar central, para dar um relato do estado espiritual e temporal das diversas sociedades. O uso
desses encontros quinzenais logo foi considerado muito útil; por isto, foram gradualmente estendidos a todas
as sociedades no reino.

5. Com o objetivo de fortalecer a união entre os pregadores, assim como aquela das pessoas, eles
decidiram se encontrar todos em Londres, e, algum tempo depois, apenas um seleto número deles. Mais
tarde, para maior conveniência, eles se encontraram, além de Londres, em Bristol e Leeds, alternadamente.
Eles passaram alguns dias juntos nesta Conferência geral, considerando o que mais poderia conduzir ao bem
comum. O resultado foi imediatamente significativo para todos os irmãos. E eles logo concluíram que
poderia ser aplicado a cada parte dela, em alguma medida, o que Paulo observa para a igreja como um todo:
'O corpo todo estando adequadamente estruturado, e compactado, para que cada junta seja suprida,
fortalece o corpo para a edificação de si mesmo no amor' (Efésios 4:6).

6. Para que isto fosse feito mais efetivamente, eles tiveram uma outra ajuda excelente, na constante
mudança de pregadores; sendo regra deles que nenhum pregador pudesse permanecer no mesmo circuito
mais do que dois anos consecutivos, e poucos deles, mais do que um ano. Alguns, de fato, imaginaram que
isto seria um obstáculo para a obra de Deus: Mas a longa experiência, em todas as partes do reino, prova o
contrário. Tem sido sempre mostrado que as pessoas têm menos proveito, através de uma pessoa, do que,
através de uma variedade de pregadores; enquanto eles usam os dons, conferidos a cada um, e temperados
pela sabedoria de Deus.

7. Junto com essas ajudas que são peculiares à própria sociedade deles, eles têm todos aquelas em
comum, através de outros membros da Igreja da Inglaterra. Na verdade, eles têm sido pressionados, há muito
tempo, a se separarem dela; e sofrem tentações de todos os tipos. Mas eles não podem, não se atreverão, não
irão se separar, enquanto eles permanecerem nela com a consciência limpa. É verdade, que se alguns termos
pecaminosos da comunhão forem impostos a eles, então, eles estariam constrangidos a se separarem; mas
como este não é o caso, no momento, nós nos regozijamos de continuarmos nela.

8. O que mais, então, Deus tem feito a este seu vinhedo, que Ele não fez nele, com respeito às ajudas
espirituais? Ele dificilmente tem lidado tanto, com qualquer outro povo no mundo cristão. Se for dito: 'Ele
poderia ter feito deles um povo separado, como os irmãos Morávios'; eu respondo que isto teria sido uma
contradição direta de todo Seu desígnio ao levantá-los; ou seja, espalhar a religião bíblica por toda a terra,
entre os povos de cada denominação, deixando cada um com suas próprias opiniões, e para seguir seu modo
próprio de adoração. Isto só poderia ser feito efetivamente, deixando essas coisas como elas estavam, e se
esforçando para deixar a nação toda com aquela 'fé que é operada pelo amor'.
III

1. Tais são as ajudas espirituais que Deus tem conferido sobre este seu vinhedo, sem economizar a
mão. Disciplina seria inserida entre esses; mas nós podemos também falar dela em um assunto separado. É
certo que, neste aspecto, os Metodistas são um povo altamente favorecido. Nada pode ser mais simples;
nada mais racional, do que a disciplina Metodista: Ela está inteiramente alicerçada no bom-senso,
particularmente ao aplicar as regras gerais das Escrituras. Qualquer pessoa determinada a salvar sua alma
pode se juntar (está é a única condição requerida) a eles. Mas este desejo deve estar evidenciado por três
marcas: Evitando todo pecado conhecido; fazendo o bem, segundo seu poder; e, atendendo todas as
ordenanças de Deus. Ele é, então, colocado em tal classe, conveniente para ele, onde passa por volta de uma
hora na semana. E, nos próximos quinze dias, se nada for objetado nele, ele será admitido na sociedade:
Nesta, ele, pode continuar por quanto tempo ele continue a encontrar seus irmãos, e caminhar de acordo com
sua profissão.

2. O serviço público é às cinco horas da manhã, e seis ou sete da noite, para que o trabalho temporal
não seja prejudicado. Apenas no domingo, ele começa, entre nove e dez horas, e conclui com a Ceia do
Senhor. No domingo à noite, a sociedade se encontra, mas todo cuidado é tomado para terminar cedo, para
que todos os chefes de família possam ter tempo para instruírem seus diversos familiares. A cada quinze
dias, o pregador principal, em cada circuito, examina cada membro da sociedade. Assim, se o
comportamento de alguém é condenável, o que é freqüentemente esperado em um corpo de pessoas tão
numeroso, é facilmente descoberto, e tanto a ofensa, quanto o ofensor são removidos em tempo.

3. Quando quer que seja necessário excluir algum membro tumultuoso da sociedade, isto é feito da
maneira mais tranqüila e inofensiva; apenas, através da não renovação de sua carteira na visita quinzenal.
Mas em alguns casos, onde a ofensa é grande, e existe perigo de escândalo público, julga-se necessário
declarar, quando todos os membros estiverem presentes: 'A. B. não mais pertence à nossa sociedade'. Agora,
o que pode ser mais racional ou mais bíblico do que esta simples disciplina; atendida desde o início até o
fim, com nenhuma perturbação, despesa, ou demora?

IV

1. Mas será que todas essas coisas podem ser feitas, sem uma inundação de oposição? O príncipe
deste mundo não está morto, não está dormindo; ele não lutaria, para que este reino não fosse entregue? Se a
palavra do Apóstolo for verdadeira, em todas as épocas e nações, 'Todos aqueles que viverem de maneira
santa em Jesus Cristo, deverão sofrer perseguição'; se isto for verdade, com respeito a cada indivíduo
cristão, quanto mais com respeito aos corpos de homens, visivelmente unidos com o objetivo declarado de
destruir o reino dele! Ele falharia em se levantar contra o pobre, indefeso, sem qualquer socorro visível, sem
dinheiro, sem poder, sem amigos, e o que se opusesse à perseguição?

2. Na verdade, o deus deste mundo não estava adormecido. Nem foi indolente. Ele lutou, e com todo
seu poder, para que seu reino não fosse abandonado. Ele 'trouxe todas as suas hostes para a guerra'.
Primeiro, ele levantou as bestas entre as pessoas. Eles rugiram como leões; eles rodearam o pequeno e o
indefeso, de todos os lados. E a tempestade se ergueu mais e mais alto, até que o livramento veio de um
modo que ninguém esperava. Deus levantou o coração de nosso recente e gracioso soberano para dar tais
ordens aos seus magistrados que, colocadas em execução, efetivamente suprimiram a loucura das pessoas.
Por volta da mesma época, um grande homem solicitou pessoalmente à Sua Majestade, pedindo que ele se
agradasse de 'de adotar uma maneira de parar com esses pregadores vadios'. Sua Majestade, olhando
firmemente para ele, respondeu sem cerimônia, como cabe a um rei: 'Eu lhe digo que, enquanto eu me
sentar neste trono, nenhum homem será perseguido por causa da consciência'.

3. Mas, em oposição a isto, diversos, que mantiveram a autoridade de Sua Majestade, têm perseguido
a eles, de tempos em tempos; e isto, sob as cores da lei; aproveitando-se do que é chamado de Ato de
Conventículo [contra as chamadas reuniões secretas]: Um, em particular, em Kent, a quem, alguns anos
antes, coube multar um dos pregadores e diversos de seus ouvintes. Mas eles pensaram que era o dever deles
apelarem para a Corte de Reis de Sua Majestade. A causa foi dada para o queixoso; aquele a quem nunca
tinha sido permitido adorar a Deus conforme sua própria consciência.

4. Eu creio que esta é uma coisa completamente sem precedente. Eu não encontro outro exemplo
dela, em qualquer época da igreja, desde o dia de Pentecostes, até o momento. Cada opinião, certa e errada,
tem sido tolerada, quase em todas as épocas e nações. Cada modo de adoração tem sido tolerado, por mais
supersticioso ou absurdo. Mas eu não saberia dizer, se, alguma vez, aquela religião verdadeira, vital, e
bíblica foi tolerada antes. Por isto, o povo chamado tem abundante razão para louvar a Deus. Em favor
deles, Ele tem forjado uma nova coisa na terra: Ele tem tranqüilizado o inimigo e o vingador. Isto, então,
eles devem imputar a Ele, o autor da sua paz exterior e interior.

1. O que mais, na verdade, Deus teria feito por este seu vinhedo, que ele não fez ainda? Isto, tendo
sido largamente mostrado, nós podemos agora prosseguir para aquela forte e terna censura: 'Depois de tudo
que tenho feito, eu não poderia ter encontrado uvas mais excelentes? Por que, então, as uvas bravas? Eu
não poderia esperar por um crescimento geral da fé e amor, da retidão e santidade verdadeira; sim, e dos
frutos do Espírito, -- amor, alegria, paz, longanimidade, humildade, mansidão, fidelidade, bondade,
temperança?'. Não seria razoável esperar que esses frutos tivessem se espalhado por toda a igreja?
Realmente, quando eu vi o que Deus tem feito em meio ao seu povo, nestes quarenta ou cinqüenta anos;
quando eu os vi aquecidos em seu primeiro amor, magnificando ao Senhor, e regozijando-se em Deus seu
Salvador; eu poderia esperar nada menos do que todos eles vivendo como anjos aqui embaixo; que eles
caminhassem continuamente buscando a Ele que é invisível; tendo constante comunhão com o Pai e Filho;
vivendo na eternidade, e caminhando na eternidade. Eu procurei ver uma geração mudada, um sacerdócio
real, uma nação santa, um povo peculiar', em todo teor de suas conversas; 'anunciando o louvor a Ele, que
os tinha chamado para Sua maravilhosa luz'.

2. Mas, em vez disto, ele produziu uvas bravas; -- fruto de uma natureza completamente diferente. O
vinhedo produziu pecado, de dez mil formas, fazendo com que muitos dos simples se desviassem do
caminho. Ele produziu entusiasmo, inspiração imaginária, atribuindo, ao todo sábio Deus, todos os sonhos
selvagens, absurdos, inconsistentes de uma imaginação exaltada. Ele produziu orgulho, roubando do
Doador, todo bom dom de honra, devida ao seu nome. Ele produziu preconceito, suspeitas diabólicas,
manias de censura, julgamento, e condenação um ao outro; -- todos totalmente destruidores daquele amor
fraternal que é o próprio emblema da profissão cristã; sem o qual, quem quer que viva é considerado morto,
diante de Deus. Ele produziu ira, ódio, malícia, vingança, e todo trabalho e obra pecaminosa; -- todos os
frutos horrendos, não do Espírito Santo, mas do abismo sem fim!

3. Ele produziu igualmente, em muitos, particularmente naqueles que aumentaram seus bens, aquele
grande veneno das almas, o amor ao mundo; e isto em todas as suas ramificações: 'O desejo da carne'; ou
seja, o buscar felicidade nos prazeres do sentido; -- 'o desejo dos olhos'; ou seja, buscar felicidade no
vestuário, ou algum dos prazeres da imaginação; -- e, 'o prazer da vida', ou seja, buscar felicidade no
reconhecimento de homens, ou naqueles que ministram todos esses, juntando tesouros na terra. Ele produziu
auto-indulgência de todos os tipos, melindres, afeminação, delicadeza, mas não delicadeza do tipo certo,
aquela que se derrete diante da aflição humana. Ele trouxe tais aflições abjetas e humilhantes; tal profunda
disposição mundana, como aquela dos pobres ateus, que resultou na lamentação de seu próprio poeta sobre
eles: 'Ó, almas arqueadas para a terra, e vazias de Deus!'.

4. Ó, vocês que são ricos em posses, uma vez mais, ouçam a palavra do Senhor! Vocês que são ricos
neste mundo; que têm comida para comer, vestuário para colocar, e alguma coisa além, vocês estão
conscientes da maldição sobre os amantes do mundo? Vocês estão conscientes do perigo que correm? Vocês
sentem, 'quão dificilmente aqueles que têm riquezas entrarão no reino dos céus?'. Vocês continuarão
imunes em meio ao fogo? Vocês estão ilesos do amor do mundo? Vocês estão limpos do desejo da carne, do
desejo dos olhos, e do orgulho da vida? Vocês 'colocam uma faca em suas gargantas', quando vocês se
sentam para comer, a fim de que sua mesa não seja uma armadilha para você? O seu estômago não é o seu
deus? O comer e beber, ou algum outro prazer do sentido, não é o prazer maior que vocês desfrutam? Vocês
não buscam felicidade no vestuário, mobília, quadros, jardins, ou alguma coisa mais do que agradar aos
olhos? Vocês não se tornaram estúpidos e delicados; incapazes de suportarem o frio, calor, o vento ou a
chuva, o que faziam quando eram pobres? Vocês não aumentaram seus bens, juntando tesouros na terra; em
vez de retribuírem a Deus, no pobre, não muito, mas tudo que vocês puderem poupar? Certamente, 'é mais
fácil a um camelo entrar no buraco de uma agulha do que o rico entrar no reino dos céus!'.

5. Mas, por que vocês irão ainda produzir uvas bravas? Que desculpa vocês poderão dar? Deus tem
faltado, naquilo que cabe a Ele? Vocês não têm sido avisados, repetidas vezes? Vocês não têm se alimentado
com 'o leite sincero da palavra?'. Toda a Palavra de Deus não tem sido entregue a vocês, e sem qualquer
mistura de engano? As doutrinas fundamentais não foram entregues a vocês, ambas da justificação livre,
completa e momentânea, assim como a da santificação, tanto gradual, quanto instantânea? Cada ramificação,
tanto da santidade interior quanto exterior não foi claramente esclarecida, e honestamente aplicada; e isto
pelos pregadores de todos os tipos, jovens e idosos; cultos e incultos? Não seria bom, se alguns de vocês não
desprezassem as ajudas que Deus lhes preparou? Talvez, vocês possam ouvir ninguém, a não ser os clérigos;
ou, pelo menos, ninguém, a não ser os homens cultos. Vocês, então, não deixarão Deus escolher os próprios
mensageiros Dele? De enviar, através daqueles que Ele irá enviar? Seria bom, se esta sabedoria má não
fosse a causa de vocês terem produzido uvas bravas!

6. Mas não foi uma outra causa delas, vocês desprezarem aquela excelente ajuda, a união com a
sociedade cristã? Vocês não leram, 'Como alguém pode se aquecer sozinho?', e, 'A aflição está junto àquele
que está sozinho, quando ele cai?'. Mas vocês têm suficientes companheiros. Talvez, mais do que suficiente;
mais do que necessários para sua alma. Mas vocês têm suficiente daqueles que são sedentos de Deus, e que
trabalham para fazer com que vocês também sejam? Vocês têm companheiros suficientes para vigiarem as
suas almas, como aqueles que devem dar um relato; e que livremente e fielmente advertem vocês, se vocês
dão um passo em falo, ou estão em perigo de assim procederem? Eu temo que vocês tenham poucos desses
companheiros, ou antes, vocês teriam produzido bons frutos!

7. Se vocês são membros da sociedade, vocês fazem uso completo de seus privilégios? Vocês nunca
deixaram de encontrar sua classe; e isto, não como mera formalidade, mas esperando que, quando vocês se
encontrassem, em seu nome, seu Senhor estivesse no meio de vocês? Vocês estão verdadeiramente
agradecidos pela maravilhosa liberdade de consciência que é conferida a vocês e seus irmãos; tal que nunca
foi desfrutada antes por pessoas nas suas circunstâncias? Vocês estão agradecidos ao Doador de cada bom
dom, pela expansão geral da religião verdadeira? Certamente, vocês nunca louvarão a Deus o suficiente, por
todas essas bênçãos, tão plenamente derramadas sobre vocês, até que vocês O louvem com anjos e arcanjos,
e todas as companhias dos céus!

[Editado por Tim Whetstone, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre as Riquezas

"E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no
reino de Deus". (Mateus 19:24)

1. Nos versos precedentes, nós temos um relato de um homem que veio correndo até nosso Senhor, e
ajoelhando-se, não na hipocrisia, mas na profunda sinceridade da alma, disse-lhe: "Bom Mestre, que boa
coisa devo fazer, para que eu possa ter a vida eterna?". "Todos os mandamentos", ele disse, "eu tenho
mantido, desde a minha juventude: No que eu ainda estou em falta?". Provavelmente, ele os tinha mantido
no sentido literal; ainda assim, ele ainda amava o mundo. E Ele, que conhecia o que havia no homem, sabia
que, neste caso especifico, (porque isto é, de modo algum, uma regra geral), ele não poderia ser curado
daquela enfermidade desesperadora, a não ser por um remédio desesperador. Portanto, ele respondeu: "Vá e
vende tudo que tens, e dá ao pobre, e vem e me sigas". Mas, quando ele ouviu isto, ele foi embora pesaroso,
porque ele tinha grandes posses. Assim, todas as florescências murcharam! Porque ele não ajuntaria tesouro
no céu a tão alto preço! Jesus, observando isto, "olhou ao redor, e disse aos seus discípulos" (Marcos 10:23
em diante): "Quão dificilmente aqueles que têm riquezas entrarão no reino de Deus! É mais fácil um
camelo atravessar o buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus! E eles ficaram
admirados, sem medida, e disseram, entre si: Quem, então, pode ser salvo?". – se for tão difícil para os ricos
serem salvos, quem tem tantas, e tão grandes vantagens; quem está livre das preocupações deste mundo, e
das milhares de dificuldades, às quais o pobre estão continuamente expostos?

2. De fato, se supôs que ele parcialmente desdisse o que ele havia dito, com respeito á dificuldade
dos ricos de serem salvos, pelo que é acrescentado no décimo capítulo de Marcos. Porque, sem seguida, ele
disse: (verso 23) "Quão dificilmente aqueles que possuem riquezas entrarão no reino de Deus!", quando "os
discípulos ficaram atônitos com suas palavras, Jesus respondeu novamente", e lhes disse: "Quão difícil, é
para aqueles que confiam nas riquezas, entrarem no reino de Deus!". (Verso 24). Mas, observe: (1) Nosso
Senhor não pretendeu com isto, desdizer o que ele havia dito antes. Muito longe disto, ele imediatamente o
confirma, através daquela declaração terrível: "É mais fácil para um camelo entrar no buraco de uma
agulha, do que para um rico entrar no reino de Deus". (2) Ambas as sentenças afirmam a mesma coisa:
Que é mais fácil para um camelo entrar no buraco de uma agulha, do que para aqueles que possuem
riquezas, não confiar nelas.

3. Percebendo o espanto deles a este discurso severo: "Jesus, olhando para eles" (indubitavelmente,
com um ar de inexprimível ternura, para impedir que eles pensassem na causa do rico como desespero),
"disse-lhes: Com os homens é impossível, mas não com Deus: Porque com Deus, todas as coisas são
possíveis".

4. Eu compreendo, que um homem rico aqui signifique não apenas um homem que tem imensos
tesouros, alguém que ajuntou ouro como pó, e prata como a areia do mar; mas qualquer um que possua mais
do que o necessário e as conveniências da vida. Alguém que tem alimento e vestimenta suficiente para si
mesmo e sua família, e alguma coisa mais, é rico. Que por reino de Deus, ou do céu (termos exatamente
equivalentes), se queira dizer, não o reino da glória (embora que se seguirá, sem dúvida), mas o reino do
céu, ou seja, a religião verdadeira sobre a terra. O significado, então, da afirmação de nosso Senhor é este: --
que é absolutamente impossível, exceto por aquele poder ao qual todas as coisas são possíveis, que um
homem rico possa ser um cristão; possa ter a mente que havia em Cristo, e caminhar como Cristo caminhou:

I. Tais são os obstáculos à santidade;


II. Assim como as tentações para o pecado, que o envolve.

Tais são os obstáculos à santidade que o circundam. Enumerar todos esses, requereria um grande
volume: Eu apenas tocarei em alguns poucos deles.

1. A raiz de toda religião é a fé, sem a qual, é impossível agradar a Deus. Agora, se você toma isto,
em sua aceitação geral, como a "evidência das coisas não vistas"; do mundo invisível e eterno; de Deus e de
todas as coisas de Deus, que tendência natural as riquezas têm, para obscurecer esta evidência, para impedir
sua atenção a Deus e às coisas de Deus, e às coisas invisíveis e eternas! E, se você toma em outro sentido,
por uma confiança; que tendência as riquezas têm para destruir isto; para fazer com que você confie nelas,
tanto para a felicidade quanto para a proteção, e não "no Deus vivo!". Ou, se você toma a fé, no sentido
cristão apropriado, como uma confiança divina no perdão de Deus; que obstáculo mortal, quase insuperável
a esta fé são as riquezas! O que! Pode um homem abastado, e conseqüentemente ilustre, vir até Deus, sem
ter nada a pagar? Ele pode depositar toda sua grandeza, e vir como um pecador, um mero pecador, o mais vil
dos pecadores, no mesmo nível dos que alimentam os cães de suas ovelhas; que aqueles "mendigos que se
deitam em seu portão, cheio de feridas?". Impossível; a menos pelo mesmo poder que fez os céus e terra.
Ainda assim, sem fazer isto, ele não pode, de modo algum, "entrar no reino de Deus".
2. Que obstáculo são as riquezas, mesmo para o primeiro fruto da fé; ou seja, o amor a Deus! "Se
algum homem ama o mundo", diz o Apóstolo: "o amor ao Pai não está nele". Mas como é possível ao
homem, não amar o mundo, que está cercado com todos os seus encantos? Como pode ser que ele, então,
ouve ainda a voz leve que diz: "Meu filho, dê-me seu coração?". Que poder, a não ser do Altíssimo, pode
fazer do homem rico uma resposta àquela oração: --

Mantenha-me morto para tudo abaixo,


Apenas Cristo, decidido conhecer;
Firme, desimpedido, e livre.
Buscando toda minha felicidade em Ti!

3. As riquezas são igualmente um obstáculo ao amar o nosso próximo, como a nós mesmos; ou seja,
ao amar a toda a humanidade, como Cristo nos amou. Um homem rico pode, na verdade, amar aqueles que
são de sua própria condição social, ou de sua própria opinião. Ele pode amar a eles que amam a Ele: "Mas,
até mesmo os pagãos", batizados ou não, "não fazem o mesmo?". Porém, ele não pode ter uma boa-vontade
pura e desinteressada com relação a todos os filhos do homem. Esta pode apenas brotar do amor a Deus, que
suas grandes posses expulsou de sua alma.

4. Do amor a Deus, e de nenhuma outra fonte, a humildade verdadeira, igualmente, flui. Portanto, até
onde impedem o amor a Deus, as riquezas devem impedir a humildade também. Elas impedem isto também
no rico, tirando-lhes a liberdade das relações sociais, por meio das quais, eles se tornariam conscientes de
seus defeitos, e viriam para o conhecimento verdadeiro de si mesmos. Mas quão raramente, eles encontram
um amigo fiel; alguém que possa lidar francamente com eles! E sem isto, igualmente envelhecemos em
nossas faltas; sim, e morremos, "com todas as nossas imperfeições sobre nossas cabeças".

5. Nem pode a mansidão subsistir, sem a humildade; porque "do orgulho", naturalmente "vem a
contenda". Assim sendo, nosso Senhor nos direciona a aprender Dele, ao mesmo tempo, a "sermos humildes
e mansos de coração". As riquezas, portanto, são um grande obstáculo à mansidão, assim como à
humildade. Ao impedir a humildade de mente; que aumenta na mesma proporção em que nós sucumbimos
em nossa própria estima; e que, ao contrário, necessariamente decresce, quanto mais valorizamos a nós
mesmos.

6. Existe um outro temperamento cristão que está proximamente aliado à mansidão e humildade; mas
que dificilmente tem um nome. Paulo o denomina epieikeia. Talvez, até que encontremos um nome melhor,
poderemos chamá-lo de submissão; uma prontidão para se colocar à disposição de outros, a desistir de nossa
própria vontade. Esta parece ser a qualidade que Tiago afirma, para "a sabedoria que vem do alto", quando
ele a denomina. – ao que nós atribuímos, fácil de ser solicitado; fácil de ser convencido do que é verdadeiro;
fácil de ser persuadido. Mas quão raramente, este temperamento amistoso é encontrado em um homem rico!
Eu não sei se eu encontrei tal prodígio, dez vezes, em mais de setenta anos!

7. E que coisa incomum é esta de encontrar paciência naqueles que têm grandes fortunas! Exceto,
quando existe um contrapeso de longa e severa aflição, com a qual Deus freqüentemente se agrada de visitar
aqueles que ele ama, como um antídoto às suas riquezas. Isto não é incomum. Ele freqüentemente envia dor,
e enfermidade, e grandes cruzes, a eles que têm grandes posses. Por esses meios, "a paciência tem sua obra
perfeita", até que eles sejam "perfeitos e completos, faltando coisa alguma".

II

Tais são alguns dos obstáculos à santidade, que circundam o rico. Por outro lado, podemos agora
observar, qual a tentação dos ricos, em todos os temperamentos iníquos.

1. Primeiro, quão grandiosa é a tentação ao ateísmo que naturalmente flui das riquezas; até mesmo,
de um completo esquecimento de Deus, como se não existisse tal Ser no universo. Isto é, no momento,
usualmente denominado de dissipação, -- um bonito nome, afixado pela grande vulgar ao completo
desrespeito por Deus, e, de fato, para com todo o mundo invisível. E como o homem rico está cercado, de
toda a forma de tentação para a ininterrupta dissipação! Sim, como a artimanha da dissipação é considerada
em meio aos rico e grande. Como o Prior finamente diz: --

As cartas estão dadas, e os dados lançados,


Felizes efeitos da imaginação humana
Para que a alma possa esquecer de si mesma.

Mais propriamente, dizer que os mortais podem se esquecer de seu Deus; que eles podem mantê-lo
inteiramente fora de seus pensamentos, aquele que, embora no círculo dos céus, ainda assim, está "em volta
de sua cama, e em seu passo, e espia todos os seus caminhos". Chame a isto imaginação, se lhes agradar.
Mas isto é sabedoria? Ó, não! Está longe, muito longe disto. Tu, tolo! Tu imaginas que, porque não vês a
Deus, que Deus não vê a ti? Ri; joga; canta; dança: Mas "por causa de todas essas coisas, Deus te levará a
julgamento!".

2. Do ateísmo, existe uma fácil transição para a idolatria; da adoração a nenhum Deus, à adoração de
falsos deuses. E, na verdade, aquele que não ama a Deus (que é sua apropriada, e sua única adoração
apropriada), certamente amará algumas das obras de suas mãos; amará a criatura, se não amar ao Criador.
Mas a quantas espécies de idolatria cada rico está exposto! A quais continuas e quase insuperáveis tentações,
ele está submetido, "para amar o mundo!", e isto em todos os seus ramos, -- "o desejo da carne, o desejo
dos olhos, e o orgulho da vida". Quão inumeráveis tentações, ele encontrará para gratificar "o desejo da
carne!". Entenda isto corretamente. Isto não se refere a um apenas, mas a todos os sentidos exteriores. É a
mesma idolatria buscar nossa felicidade em gratificar algum ou todos esses. Mas existe um risco que eles
busquem isto no gratificar seu paladar; em uma sensualidade moderada; em uma espécie regular de
epicurismo; e não na glutonaria ou embriaguez: Isto está muito distante deles! Eles não prejudicam o corpo;
apenas mantêm a alma morta: -- morta para Deus e para toda a religião verdadeira.

3. O rico se vê igualmente cercado com as tentações do "desejo dos olhos"; ou seja, o buscar a
felicidade em gratificar a imaginação; os prazeres que principalmente os olhos ministram. Os objetos que
dão prazer à imaginação são os grandes, ou bonitos, ou novos. Na verdade, os homens ricos não têm gosto
para objetos grandes; mas têm para coisas novas e bonitas, especialmente, as novas; o desejo da novidade é
tão natural aos homens quanto o desejo do alimento e bebida. Agora, quão numerosas são as tentações deste
tipo de idolatria, que naturalmente brotam das riquezas! Quão fortemente e continuamente eles são
solicitados a buscarem felicidade (se não nas grandes, ainda assim) nas casas bonitas, em mobiliário
elegante, em pinturas curiosas, em jardins aprazíveis! Talvez, na mais insignificante de todas as ninharias, --
no vestuário vistoso e caro! Sim, em todas as coisas novas, pequenas ou grandes, cuja moda, a patroa dos
tolos recomenda; como seus vários gostos orientam, na poesia, história, música, filosofia, ou artes e ciências
curiosas! Agora, embora seja certo que todos esses têm seu uso, e, portanto, podem ser inocentemente
procurados, ainda assim, o buscar felicidade em alguns deles, em vez de Deus, é manifesta idolatria; e, assim
sendo, fosse isto apenas por este motivo, que as riquezas o suprem com os meios de favorecerem a todos
esses desejos, bem se poderia perguntas: "Não é a vida de um homem rico, acima de todas as outras, a
tentação sobre a terra?".

4. Que tentação, igualmente, o rico sofre, para buscar a felicidade no "orgulho da vida!". Eu não
entendo que o Apóstolo queira dizer com isto, pompa, ou condição, ou equipagem; tanto quanto "a honra
que vem de homens", se merecida ou não. Um rico está certo de se encontrar com isto: é uma armadilha que
ele não pode escapar. Toda a cidade de Londres usa as palavras, rico e bom, como termos equivalentes.
"Sim", eles dizem, "ele é um bom homem; ele é merecedor de cem mil libras". E, na verdade, em todo lugar,
"se tu fizeres bem a ti mesmo"; se teus bens aumentarem, "os homens falarão bem de ti". Todo o mundo está
de acordo:

Mil libras suprem


A necessidade de vinte mil talentos.
E quem pode suportar o aplauso geral, sem assoberbar-se; -- sem ficar inconscientemente induzido a
valorizar-se, "mais do que deveria?".

5. Como é possível, que um homem rico possa escapar do orgulho, fosse apenas por isto: -- que sua
situação necessariamente ocasiona que o louvor flua sobre ele de cada canto? Porque o louvor é geralmente
veneno para a alma; e quanto mais prazeroso, mais fatal; especialmente, quando imerecido. Assim sendo,
nosso poeta bem diria:

Parente do diabo, veneno dos feitos honestos,


Lisonja perniciosa! Tuas sementes destrutivas,
Em uma hora imprópria, e através de uma mão fatal,
Tristemente difundida sobre a pureza da terra,
Com o brotar do orgulho, que em meio ao milho aparece,
E reprime a esperança e promessa do ano!

E não apenas o louvor, se merecido ou imerecido, mas tudo a respeito dele tende a inspirar e
aumentar o orgulho. Sua nobre casa, seu mobiliário elegante, suas pinturas bem escolhidas, seus finos
cavalos, sua equipagem, seu próprio vestuário, sim, até mesmo, "o emplastrado enfeitado, em sua cauda", --
todos esses serão motivo de recomendação para uns ou outros de seus convidados, e assim têm uma
tendência quase irresistível de fazê-lo considerar-se um homem melhor do que aqueles que não têm essas
vantagens.

6. Com que naturalidade, igualmente, os ricos alimentam e aumentam a obstinação, que nasce em
cada filho do homem! E não somente seus criados e dependentes imediatos são governados implicitamente
por sua vontade, achando um porquê nisto; mas também a maioria de seus vizinhos e familiares busca
obrigar-se a ele em todas as coisas: Assim, sua vontade, sendo continuamente tolerada, naturalmente será
continuamente fortalecida; até que ele, por fim, dificilmente será capaz de se submeter, quer à vontade de
Deus, ou de homens.

7. Tal disposição, os ricos têm de produzir e alimentar cada temperamento que é contrário ao amor
de Deus. E eles têm igual inclinação, para alimentar toda paixão e temperamento que é contrário ao amor de
nosso próximo. Desprezo, por exemplo, especialmente aos inferiores, do qual nada é mais contrário ao
amor: -- Ressentimento, por alguma ofensa verdadeira ou suposta; talvez, até mesmo, vingança, embora
Deus reivindique isto como sua própria prerrogativa peculiar: -- Pelo menos, ira, porque ela surge
imediatamente na mente de um homem rico. "O que! Usar-me desta forma! Não. Mas ele logo saberá
melhor: eu sou capaz agora de fazer eu mesmo justiça!".

8. Proximamente relacionados à ira, se não, antes, uma espécie dela, estão o mau humor e a
impertinência. Mas os ricos são mais assaltados por esses do que o pobre? Toda a experiência mostra que
sim. De um notável exemplo, eu fui uma testemunha, há muitos anos: -- Um cavalheiro de grande fortuna,
enquanto estávamos seriamente conversando, ordenou uma serva para atirar alguns carvões no fogo. Uma
lufada de fumaça saiu: Ele atirou-se de volta em sua cadeira e gritou: "Ó, senhor Wesley, essas são as
cruzes, com as quais me encontro todos os dias!". Eu não pude ajudar perguntando: "Suplico-lhe, senhor
John, essas são as mais pesadas cruzes com que você se encontra?". Certamente essas cruzes não o teriam
preocupado tanto, se ele tivesse cinqüenta, em vez de cinco mil libras por ano!

9. Mas não seria estranho, se os homens ricos, em geral, fossem destituídos de todas as boas
disposições, e presas fáceis de todos os demônios; uma vez que tão poucos deles, prestam algum respeito
àquela solene declaração de nosso Senhor, sem observar que não podemos ser seus discípulos: "E Jesus
disse a todos eles" – a toda a multidão, não apenas aos seus Apóstolos, -- "se algum homem vier após mim",
-- for um cristão verdadeiro, -- "que ele negue a si mesmo, e tome sua cruz diária, e me siga". (Lucas 9:23).
Ó, quão difíceis palavras são essas, para aqueles que estão "na comodidade em meio às suas posses!". Ainda
assim, as Escrituras não podem ser violadas. Assim sendo, exceto se um homem "negar a si mesmo"; negar
todo prazer que não o prepara para ter prazer em Deus, "e tomar sua cruz diariamente"; -- obedecer cada
mandamento de Deus, mesmo que doloroso para a carne e sangue, -- ele não poderá ser um discípulo de
Cristo; ele não poderá "entrar no reino de Deus".

10. Ao tocar neste importante ponto, de negarmos a nós mesmos, e tomarmos nossa cruz diária,
vamos apelar a respeito dos fatos; vamos apelar à consciência de todo homem, às vistas de Deus. Quantos
homens ricos existem entre os Metodistas (observe, não existia um, quando eles se reuniram pela primeira
vez), que verdadeiramente "negam a si mesmos e tomam suas cruzes diariamente?". Quem resolutamente se
abstém de cada prazer, quer do sentido ou imaginação, a não ser que eles saibam por experiência que isto os
prepara para ter prazer em Deus? Quem não declina da cruz, do trabalho, ou da dor, que se coloquem no
caminho de seu dever? Quais de vocês que são agora ricos negam a si mesmos, exatamente como fizeram,
quando eram pobres? Que tão prontamente suportam o trabalho ou a dor agora, como fizeram, quando não
valiam cinco libras? Vamos aos pormenores. Vocês jejuam agora tão freqüentemente quanto faziam antes?
Vocês se levantam tão cedo de manhã? Vocês suportam o frio ou o calor; vento ou chuva, tão alegremente
quanto sempre? Vejam uma razão entre muitas, porque tão poucos aumentam em bens, sem decrescerem na
graça! Porque eles não negam mais a si mesmos, e tomam sua cruz diária. Ai de mim! Eles não mais
suportam privação, como bons soldados de Jesus Cristo!

11. "Comecem agora, homens ricos! Lamentem e gritem pelas misérias que estão vindo sobre
vocês", que devem vir, em poucos dias, a não ser, se impedidas por uma mudança completa e profunda. "A
úlcera de seu ouro e prata" será "testemunha contra vocês", e "comerá sua carne, como fogo!". Ó, quão
lastimável é sua condição! E quem é capaz de ajudar a você? Vocês precisam de intercurso claro, mais do
que alguns dos homens no mundo, e vocês encontram com menos. Porque, quão poucos se atrevem a falar
tão claramente a vocês, quanto eles fariam com algum de seus servos! Nenhum homem, que tanto espere
ganhar alguma coisa de seu favor, ou que tema perder alguma coisa, por seu desagrado. Ó, que Deus me dê
palavras aceitáveis, e faça com que elas mergulhem profundo em seus corações! Muitos de vocês me
conhecem, há muito tempo, quase desde a sua infância. Mas agora o tempo de nossa partida está à mão:
Meus pés estão exatamente tropeçando nas montanhas escuras. Eu deixaria uma palavra com vocês, antes
que eu me vá daqui; e vocês podem se lembrar dela, quando eu não mais for visto.

12. Ó, que seu coração seja todo com Deus! Busque sua felicidade nele, e nele somente. Cuide para
que você não se apegue ao pó! "Esta terra não é seu lugar". Veja que você use este mundo, de maneira a
não abusar dele; use o mundo, e desfrute de Deus. Permaneça como que desprendido de todas as coisas aqui
embaixo, como se você fosse um pobre mendigo. Seja um bom mordomo dos dons múltiplos de Deus; para
que, quando você for chamado a prestar contar de sua mordomia, ele possa dizer: "Muito bem, bom e fiel
servo, entre na alegria de teu Senhor!".

[Editado por James Todd Crafts, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O QUE É O HOMEM? 2a. Parte

'Que é o homem mortal para que te lembres dele?


E o filho do homem, para que o visites?' (Salmos 8:4)

1. Mais do que isto, o que sou eu? Com a ajuda de Deus, eu irei considerar a mim mesmo. Aqui está
uma máquina curiosa, 'terrivelmente e maravilhosamente feita'. É uma pequena porção de terra; das
partículas da qual aderem, e não sei como, estendidas em incontáveis fibras, milhares de vezes mais finas do
que os fios de cabelo. Essas cruzam umas às outras, em todas as direções, e são espantosamente forjadas em
membranas; que, por sua vez, são forjadas em artérias, veias, nervos, e glândulas; as quais contêm vários
fluídos, circulando, constantemente, através de toda máquina.

2. Para a finalidade desta circulação, uma quantidade considerável de ar é necessária. E isto


continuamente, através de um mecanismo adequado para este mesmo propósito. Mas como uma partícula de
fogo etéreo é ligada a toda partícula de ar (e uma partícula de água também), assim, tanto o ar, quanto água e
fogo são recebidos, juntos, nos pulmões, onde o fogo é separado do ar e água, que são continuamente
expelidos; enquanto o fogo, extraído de ambos, é recebido em seu interior e misturado com o sangue. Assim,
o corpo humano é composto de todos os quatro elementos, devidamente proporcionados, e misturados; o
último do qual constitui a chama vital, de onde flui o calor humano.

3. Deixe-me considerar isto um pouco mais além... Não é a função primária dos pulmões administrar
o fogo para o corpo, o qual é continuamente extraído do ar, através daquela curiosa lareira? Por inspiração,
toma-se o ar, água e fogo, juntos. Em suas numerosas células (comumente chamadas de vasos aéreos)
separa-se o fogo do ar e água. Este, então, mistura-se com o sangue; uma vez que todo vaso aéreo tem um
vaso sanguíneo unidos a ele: E, tão logo o fogo é extraído, o ar e água são expelidos pela expiração.

4. Sem esta fonte de vida; este fogo vital, não poderia haver circulação do sangue;
conseqüentemente, nenhum movimento de quaisquer dos fluídos, -- dos fluídos nervosos, em específico, (se
não for, mais precisamente, como é altamente provável, que seja deste mesmo fogo que estamos falando a
respeito). Portanto, não haveria qualquer sensação, nem qualquer movimento muscular. Eu digo que não
haveria circulação, porque a causa usualmente afirmada para isto, ou seja, a força do coração, é
completamente inadequada para o efeito suposto. Ninguém supõe que a força do coração, em um homem
forte, seja equivalente ao peso de três mil libras. Considerando que ele requer a força igual ao peso de cem
mil livras, para propelir o sangue do coração, através de todas as artérias. Isto pode apenas ser levado a
efeito, através do fogo etéreo contido no próprio sangue, assistido pela força elástica das artérias, em que ele
circula.

5. Mas, além desta estranha composição dos quatro elementos, -- terra, água, ar e fogo, -- eu encontro
alguma coisa em mim de uma natureza completamente diferente; nada semelhante a algum desses. Eu
encontrei alguma coisa em mim que pensa; que nem a terra, água, ar e fogo; nem alguma mistura deles, pode
possivelmente fazer: Tendo percebido objetos, através de alguns desses sentidos, ela forma idéias interiores
deles. Ela julga, concernente a eles; ela vê, se eles concordam ou discordam uns com os outros. Ela raciocina
concernente a eles: ou seja, infere uma proposição de outra. Ela reflete sobre suas próprias operações; ela é
investida de imaginação e memória; e alguma de suas operações, julgamento, em específico, pode ser
subdividido em outras.

6. Mas, por quais meios eu poderei aprender em que parte de meu corpo este princípio pensante está
situado? Alguns homens eminentes afirmaram que ele é 'tudo em tudo, e está em todas as partes'. Mas, eu
não consegui saber nada disto: Estas parecem ser palavras que não têm um significado determinado. Vamos,
então, apelar, da melhor maneira que pudermos, para nossa própria experiência. Desta eu aprendi que este
princípio pensante não está situado em minhas mãos, pés, pernas ou braços. Não está situado no tronco de
meu corpo. Qualquer um pode se assegurar disto, através de uma pequena reflexão. Eu não posso conceber
que ele esteja situado em meus ossos, ou em alguma parte de minha carne. Assim sendo, tanto quanto eu
posso julgar, parece que ele está situado em alguma parte de minha cabeça; mas se na glândula pineal, ou
em qualquer outra parte do cérebro, eu não sou capaz de determinar.

7. Mas, mais além: Este princípio interior, onde quer que este situado, ele é capaz, não apenas de
pensar, mas igualmente de mar, odiar, sentir alegria, tristeza, desejo, medo, esperança, e ai por diante, e toda
uma série de outras emoções interiores, que são comumente chamadas de paixões ou afeições. Elas são
denominadas, por um entendimento geral, de vontade: e são misturas e diversificadas em milhares de
maneiras; parecendo ser a única fonte de ação naquele princípio interior que eu chamo de alma.

8. Mas o que é minha alma? Esta é uma questão importante e não é fácil de ser respondida.

Ouve tu submisso, mas de um nascimento humilde,


A algumas partículas separadas da mais fina terra?
Um efeito claro de que a natureza tem de procriar,
quando o movimento ordena, e quando os átomos se encontram?
Eu não posso de maneira alguma acreditar nisto. Minha razão recua diante disto. Eu não posso ficar
satisfeito com o pensamento de que a alma é tanto terra, água, ou fogo; ou uma composição de todos eles
juntos, fosse apenas por esta razão simples: -- Todos esses, quer separados, ou compostos, de alguma
maneira possível, são puramente passivos ainda. Nenhum deles tem o menor poder de automovimento;
nenhum deles pode mover-se por si mesmo. 'Mas', diz alguém, 'aquela embarcação não se move?'. Sim;
mas não por si mesma; ela é movida pela água na qual ela flutua. 'Mas, então, a água se move'. Verdade;
mas a água é movida pelo vento, a corrente de ar. 'Mas o ar se move'. Ele é movido pelo fogo etéreo, que
está unido a cada partícula dele; e este mesmo fogo é movido, através do Espírito Todo Poderoso, a fonte de
todo movimento no universo. Assim sendo, minha alma tem Dele, um princípio de movimento interior, por
meio do qual, ela governa com prazer todas as partes do corpo.

9. Ela governa cada movimento do corpo, apenas com esta exceção, e que é um maravilhoso
exemplo da sábia e graciosa providência do grande Criador: Existem alguns movimentos do corpo que são
absolutamente necessários para a continuidade da vida; tais como dilatação e contração dos pulmões; a
sístole e diástole do coração; a pulsação das artérias; e a circulação do sangue. Esses não são governados,
por mim, como me aprouver: eles não esperam a direção de minha vontade. E é bom que não façam isto. É
altamente apropriado que todos os movimentos vitais possam ser involuntários; seguindo em frente, quer
aludamos a eles ou não. Fosse de outra forma, inconveniências graves poderiam se seguir. Um homem
poderia colocar um fim em sua própria vida, quando for que lhe agradasse, interrompendo o movimento de
seu coração, ou de seus pulmões; ou ele poderia perder sua vida, por mera desatenção, -- por não se lembrar,
e não estar atento à circulação do sangue. Mas, com exceção desses movimentos vitais, eu dirijo o
movimento de todo meu corpo. Embora eu não compreenda como eu faça isto, tanto quanto eu não posso
compreender como 'TRÊS que testemunham nos céus são UM'.

10. Mas o que eu sou? Indiscutivelmente, eu sou alguma coisa distinta de meu corpo. Parece evidente
que meu corpo não está necessariamente incluído nela. Porque quando meu corpo morre, eu não devo
morrer: eu devo existir tão real quanto anteriormente. E eu não posso deixar de acreditar que este
automovimento, princípio pensante - com todas as suas paixões e afeições, irá continuar a existir, embora o
corpo esteja emoldurado dentro do pó. Na verdade, no momento, este corpo está tão intimamente ligado com
a alma, que eu pareço consistir de ambos. Em meu presente estado de existência, eu indubitavelmente
consisto de alma e corpo. E assim, eu devo novamente, depois da ressurreição, para toda a eternidade.

11. Eu estou consciente de uma mais propriedade, comumente chamada de liberdade. Ela é muito
freqüentemente confundida com a vontade; mas é de uma natureza muito diferente. Nem se trata de uma
propriedade da vontade, mas uma propriedade distinta da alma; capaz de ser manifestada com respeito a
todas as faculdades da alma, assim como todos os movimentos do corpo. É um poder de autodeterminação,
que, embora ele não se estenda a todos os nossos pensamentos e imaginações, ainda assim, se estende às
nossas palavras e ações em geral, e não com muitas exceções. Eu estou completamente certo disto, de que eu
sou livre, com respeito a esses, para falar ou não falar; para agir ou não agir; fazer isto ou ao contrário,
quanto estou de minha própria existência. Eu não tenho apenas o que é denominado de 'liberdade de
contradição', -- o poder de fazer ou não fazer, mas o que é denominado de 'poder da contrariedade', -- um
poder de agir de uma maneira, ou de maneira contrária. Negar isto seria negar a experiência constante de
toda espécie humana. Cada um sente que ele tem um poder inerente de mover esta ou aquela parte de seu
corpo; de mover isto ou não; de mover deste modo ou ao contrário, como lhe aprouver.

Eu posso, quando eu escolho (e assim pode cada um que é nascido da mulher) abrir ou fechar meus
olhos, falar; ou ficar em silêncio; levantar-me ou me sentar; esticar minha mão, ou recolhê-la; e usar de
algum de meus membros, como me agradar, assim como todo meu corpo. E embora eu não tenha poder
absoluto sobre minha própria mente, por causa da corrupção de minha natureza; ainda assim, através da
graça de Deus me assistindo, eu tenho o poder de escolher e fazer o bem, tanto quanto o mal. Eu sou livre
para escolher a quem servir; e se eu escolho a melhor parte, para continuar nela, até mesmo na morte.

Mas diga-me, trêmula criatura, o que é morte?


O sangue apenas que pára; e a respiração interrompida?
O mais extremo limite de um estreito palmo?
E até mesmo do movimento, que com a vida se inicia?

12. A morte é propriamente a separação da alma do corpo. Disto nós estamos certos. Mas nós não
estamos certos (pelo menos em muitos casos) do momento em que esta separação é feita. É quando a
respiração cessa? De acordo com uma máxima bem conhecida, 'quando não existe respiração, não existe
vida'. Mas nós não podemos absolutamente afirmar tal coisa: porque muitos exemplos têm sido trazidos,
daqueles cuja respiração esteve totalmente perdida, e, ainda assim, suas vidas foram recuperadas. É quando
o coração não mais bate, ou quando a circulação do sangue cessa? Não exatamente. Porque o coração pode
bater novamente; e a circulação do sangue, depois de estar completamente interrompida, começar de novo.
Então, a alma é separada do corpo, quando todo o corpo está rijo e frio, como um pedaço de gelo? Mas
recentemente existem muitos exemplos de pessoas que estavam assim geladas e rijas, e não tinham sintomas
de vida remanescente, que, não obstante, com uma aplicação apropriada, recobraram a vida e a saúde.
Portanto, nós não podemos mais dizer que a morte é a separação da alma do corpo; mas em muitos casos,
apenas Deus pode dizer o momento daquela separação.

13. Mas o que nós estamos preocupados em saber, e profundamente preocupados em considerar é a
finalidade da vida. Mas para que finalidade a vida é concedida a meus filhos? Por que fomos enviados para
este mundo? Para uma única finalidade, e nenhuma outra: para que nos preparemos para a eternidade. Para
isto tão somente, nós vivemos. Para isto, e nenhum outro propósito, nossa vida nos foi dada ou tem
continuidade. Agradou ao Todo sábio Deus, na época em que Ele viu que era bom, levantar-se na
grandiosidade de sua força, e criar os céus e terra, e todas as coisas que neles existem. Tendo preparado
todas as coisas para ele, Ele 'criou o homem à sua própria imagem, segundo sua própria semelhança'. E
qual foi a finalidade de sua criação? Apenas uma, e nenhuma outra, -- para que ele soubesse e amasse, e se
regozijasse, e servisse ao seu grande Criador para toda eternidade.

14. Mas 'o homem, estando em honra, não continuou', mas tornou-se inferior, até mesmo, às bestas
que perecem. Ele decididamente e abertamente rebelou-se contra Deus, e atirou fora sua submissão à
Majestade dos céus. Por este meio, ele instantaneamente perdeu tanto o favor de Deus, quanto a imagem de
Deus em que ele foi criado. Quando ele foi, então, incapaz de obter felicidade através da antiga aliança,
Deus estabeleceu uma nova aliança com o homem; os termos da qual não foi 'faça isto e viva', mas, 'creia e
você será salvo'. Mas, ainda assim, a finalidade do homem é uma só e a mesma; apenas ela se situa em um
outro fundamento. Porque o teor claro dela é: 'Creia no Senhor Jesus Cristo, aquele a quem Deus enviou
para ser a reparação para seus pecados, e você será salvo'; primeiro, da culpa do pecado, tendo a redenção,
através do seu sangue; então, do poder do pecado, que não mais domina sobre você; e então, da raiz do
pecado, para a imagem total de Deus. E sendo restaurado, ambos para o favor e imagem de Deus, você
deverá conhecer, amar e servir a Ele para toda a eternidade. De modo que a finalidade de sua vida; a vida de
todo aquele nascido no mundo é conhecer, amar, e servir ao seu grande Criador.

15. Observe que, como assim é a finalidade, então esta é toda e a única finalidade para a qual todo
homem sobre a face da terra, ou cada um de nós, foi trazido para o mundo, e dotado de uma alma vivente.
Lembre-se! Nós não nascemos para coisa alguma mais. Nós não vivemos para coisa alguma mais. Sua vida
e a minha continuam na terra, para nenhum outro propósito que este, para que possamos conhecer, amar e
servir a Deus na terra, e nos regozijarmos nele para toda a eternidade. Considere! Nós não fomos criados
para satisfazermos os nossos sentidos, para gratificarmos a nossa imaginação, para ganharmos dinheiro, ou
louvarmos a homens; para buscarmos felicidade em algum bem criado, em alguma coisa debaixo do sol.
Tudo isto é 'caminhar em sombra vã'; é conduzir uma vida impaciente e miserável, com o objetivo de uma
eternidade miserável. Ao contrário, fomos criados para isto, para nenhum outro propósito; para buscarmos e
encontramos felicidade em Deus na terra; para afirmarmos a glória de Deus no céu. Portanto, que nossos
corações digam continuamente: 'Está é a única coisa a ser feita', -- ter uma coisa em mente, nos lembramos
do porquê nós nascemos, e do porquê continuamos a viver, -- 'para atingirmos a marca'. Eu objetivo uma
única finalidade para minha existência, Deus; 'Deus em Cristo reconciliando o mundo para si mesmo'. Ele
deverá ser meu Deus para sempre e sempre, e meu guia, até mesmo na morte!
Bradford, 02 de Maio de 1788.

John Wesley tinha 85 anos; três anos antes de falecer

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre as descobertas da fé

'Agora a fé é a evidência das coisas não vistas' (Hebreus 11:1)

1. Por muitos anos, tem sido permitido, por homens de sensibilidade, que 'não existe coisa alguma no
entendimento que não seja primeiramente percebida por alguns dos sentidos'. Todo conhecimento que nós
naturalmente temos é originalmente derivado de nossos sentidos. E, portanto, aqueles que se privam de
algum deles não podem ter o menor conhecimento ou idéia de seus dos objetos; já que eles nunca
enxergaram, não têm o menor conhecimento ou concepção da luz ou cores. De fato, nos últimos anos,
alguns têm se esforçado para provar que nós temos idéias inatas; não derivadas de alguns dos sentidos, mas
contemporâneas do entendimento. Esta questão tem sido agora totalmente discutida por homens dos mais
eminentes raciocínios e aprendizado. E concorda-se, através de todas as pessoas imparciais, que, embora
algumas coisas sejam tão claras e óbvias, de modo que nós dificilmente podemos evitar conhecê-las, tão
logo usamos de nosso entendimento, ainda assim, o conhecimento mesmo dessas não é inato, mas derivado
de alguns de nossos sentidos.

2. Mas existe uma grande diferença entre nossos sentidos, considerados como vias de acesso de
nosso conhecimento. Alguns deles têm uma esfera muito estreita de ação; alguns uma esfera mais extensa.
Pelo tato, nós discernimos apenas aqueles objetos que tocam algumas partes de nosso corpo; e,
conseqüentemente esse sentido se estende apenas a um número pequeno de objetos. Nossos sentidos de
gosto e cheiro (o que alguns consideram formas de tato) estendem-se a um número ainda menor. Mas, por
outro lado, nosso nobre sentido do ouvir tem uma esfera excessivamente larga de ação; especialmente, no
caso de sons fortes, como um trovão, o rugido do mar, ou o disparo de um canhão; o último dos quais tem
sido freqüentemente ouvido a uma distância de aproximadamente centenas de milhas. Mesmo assim, o
espaço, ao qual o próprio ouvir se estende é pequeno, se comparado àquele através do qual as vistas se
estendem. A visão toma, em uma só vista, não apenas os mais ilimitados panoramas na terra, mas também a
lua, e os outros planetas, o sol, sim, as estrelas fixas; mesmo que a uma distância incomensurável; que
aparecem não maiores, através de nossos mais finos telescópios, do que o fazem a olho nu.

3. Mas, ainda assim, nenhum de nossos sentidos; não, nem mesmo a própria visão, pode alcançar,
além dos limites do mundo visível. Eles nos suprem com tal conhecimento do mundo material, como a
responderem todos os propósitos da vida. Mas como esse foi o objetivo para o qual eles nos foram dados;
para mais além disto, eles não podem ir. Eles nos abastecem com nenhuma informação, afinal, concernente
ao mundo invisível.

4. Mas o sábio e gracioso Governador dos mundos, visível e invisível, tem preparado um reparo para
esse defeito. Ele tem apontado a fé para suprir o defeito do sentido; para nos levar para o alto, onde os
sentidos nos colocam para baixo; e nos ajudar, com respeito ao grande abismo. Sua tarefa começa, onde
aquela dos sentidos termina. Os sentidos são uma evidência das coisas que são vistas; do visível, do mundo
material, e das diversas partes dele. A fé, por outro lado, é a 'evidência das coisas que não são vistas'; do
mundo invisível; daquelas coisas invisíveis que são reveladas nos oráculos de Deus. Mas, de fato, eles nada
revelarão; eles serão meras letras mortas, se não vierem 'misturados com a fé, naqueles que os ouvem'.
5. Em particular, a fé é uma evidência, para mim, da existência daquela coisa invisível, que é a minha
própria alma. Sem isto, eu estaria completamente incerto, com respeito a ela. Mas, através da fé, eu sei que
ela é um espírito imortal, feito na imagem de Deus; na sua imagem natural e moral; 'uma imagem
incorruptível do Deus da glória'. Pela mesma evidência, eu sei que eu ainda não alcancei a gloriosa imagem
de Deus; sim, que tanto eu, quanto toda a humanidade, estamos 'mortos nas transgressões e pecados': Tão
completamente mortos, que, 'em mim, não habita coisa alguma boa'; que eu estou inclinado a todo mal, e
totalmente incapaz de vivificar minha própria alma.

6. Por meio da fé, eu sei que além das almas dos homens, existem outras classes de espíritos; sim, eu
acredito que milhões de criaturas caminham na terra, invisíveis, quer estejamos acordados ou dormindo.
Esses eu denomino de anjos, e acredito que parte deles é santa e feliz; e outra parte é pecaminosa e
miserável. Eu creio que os primeiros desses, os anjos bons, são continuamente enviados por Deus 'para
ministrarem aos seus herdeiros da salvação'; que serão 'como anjos', mais tarde, embora eles sejam agora
um pouco inferiores a eles. Eu acredito que os anjos do mal, chamados nas Escrituras, demônios, unidos
debaixo de um só comando, (denominado nas Escrituras, Satanás; enfaticamente o inimigo; o adversário de
Deus e homem) tanto percorrem as regiões superiores; de onde são chamados 'príncipes do poder do ar'; ou
como ele, caminham pela terra, como 'leões que rugem, buscando aqueles a quem eles possam devorar'.

7. Mas eu sei, pela fé, que acima de todos esses, está o Senhor Jeová; Ele que é, foi, e será; aquele
que é Deus, para todo o sempre; e de um mundo sem fim; Ele que preencheu os céus e terra; Ele que é
infinito no poder, na sabedoria, na justiça, na misericórdia e santidade; Ele que criou todas as coisas, visíveis
e invisíveis, através do sopro de sua boca, e ainda sustem a todos; preserva suas existências. 'pela palavra de
seu poder'; e que governa todas as coisas que estão acima nos céus, e abaixo na terra, e debaixo da terra.
Pela fé eu sei que 'existem três que testemunham nos céus: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo'; e que
'esses Três são Um'; que a Palavra, Deus o Filho, 'foi feito carne', viveu e morreu para nossa salvação;
ressuscitou, ascendeu aos céus e está sentado à direita do Pai. Pela fé eu sei que o Espírito Santo é o doador
de toda vida espiritual; da retidão, paz, e alegria no Espírito de Deus; da santidade e felicidade, pela
restauração daquela imagem de Deus, por meio da qual fomos criados. De todas essas coisas, a fé é a
evidência, a única evidência, para os filhos dos homens.

8. E, assim como as informações que recebemos de nossos sentidos não se estendem ao mundo
invisível; também não se estendem (ao que está aproximadamente relatado aqui) - ao mundo eterno. Apesar
de todas as instruções que tanto a visão, ou quaisquer dos sentidos possam dispor, os sentidos não nos
permitem descobrir 'os segredos do abismo infinito'. Este, o mundo eterno, principia-se na morte; a morte de
cada pessoa individualmente. No momento em que cessa no homem o fôlego da vida, ele passa a ser um
habitante da eternidade. Exatamente, quando o tempo se desfaz, 'como um sonho, quando alguém acorda'. E
aqui, novamente, a fé supre o lugar dos sentidos, e nos dá uma visão das coisas que estão por vir: De
imediato, ela coloca de lado o véu que havia entre a existência mortal e imortal. A fé revela a nós as almas
dos justos, imediatamente recebidas pelos anjos santos, e levadas para aqueles espíritos que ministram, no
seio de Abraão; nas delícias do paraíso; nos jardins de Deus, onde a luz de seu semblante brilha
perpetuamente. Onde ele conversa, não apenas com os antepassados, amigos e soldados seguidores, mas
com os santos de todas as nações, e todas as épocas; com os mortos gloriosos de nossos dias passados; com
o nobre exército de mártires – Os Apóstolos, os Profetas, os Patriarcas, Abraão, Isaac e Jacó: Sim, acima de
tudo isto, ele estará com Cristo, de uma maneira que ele não pôde estar, enquanto permaneceu no corpo.

9. Ela revela, igualmente, as almas dos homens descrentes; presas, no momento em que elas deixam
os lábios trêmulos, pelos ministros da vingança; os anjos demoníacos; e arrastadas para seus lugares
próprios. É verdade, que este não é o mais baixo inferno: elas não serão atormentadas lá, 'depois do tempo';
depois do fim do mundo, quando todos irão receber a sua justa recompensa. Até lá, elas provavelmente serão
empregadas, por seus mestres perversos, para fazer crescer seu reino infernal, causando todo dano que estão
em seu poder, nos pobres e fracos filhos dos homens. Mas, onde quer que elas busquem descanso, ainda não
encontrarão. Elas carregam consigo seu próprio inferno; na inquietação que nunca cessa; na consciência da
culpa; e na ira de Deus, que continuamente esvazia seus espíritos; nos temperamentos diabólicos e infernais,
que são a miséria essencial; e dos quais elas não podem se livrar; não, nem por uma hora; não mais do que
elas podem livrar de suas próprias existências, -- aquele 'olhar de terror, por causa da indignação feroz que
irá devorar os adversários de Deus'.

10. Além disso, a fé desvenda uma outra cena, no mundo eterno; ou seja, a vinda de nosso Senhor,
nas nuvens dos céus, para 'julgar ambos os vivos e os mortos'. Ela nos capacita a ver 'o grande trono,
descendo dos céus, e Ele que está sentado nele; de cuja face os céus e terra fogem, sem encontrarem lugar'.
Nós vemos 'os mortos, pequenos e grandes, de pé, diante de Deus'. Nós vemos 'os livros abertos, e os
mortos sendo julgados, de acordo com as coisas que estão escritas neles'. Nós vemos a terra e o mar
desistindo de seus mortos; e o inferno (ou seja, o mundo invisível), desistindo dos mortos que lá estavam, e
todos sendo julgados de acordo com suas obras.

11. Através da fé, nos são mostradas as conseqüências imediatas do julgamento geral. Nós vemos a
execução daquela sentença alegre, pronunciada sobre aqueles que estão à direita:'Venham, abençoados de
meu Pai, herdeiros do reino preparado para vocês, desde a criação do mundo!'. Depois do que, os anjos
santos tocam suas harpas e cantam: 'Ergam-se, Ó portões, e mantenham erguidas suas portas eternas, para
que os herdeiros da glória possam entrar!'. E, então, eles deverão beber dos rios de prazer que estão à
direita de Deus, para sempre. Nós vemos, igualmente, a execução daquela terrível sentença, pronunciada
sobre aqueles que estão à esquerda: 'Retirem-se, vocês amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para os
demônios e seus anjos'. E, então, os ministros da vingança divina os mergulham dentro 'do lago de fogo
ardente, com enxofre; onde eles não terão descanso, dia ou noite, mas a fumaça de seus tormentos
ascenderão para sempre e sempre'.

12. Mas, além do mundo invisível e eterno que não é visto, e que é revelado apenas pela fé, existe
todo um sistema de coisas que não são vistas, e que não podem ser discernidas, através de nossos sentidos
externos. Eu estou falando do mundo espiritual; compreendendo, por meio disto, o reino de Deus na alma do
homem: 'Os olhos não vêem; os ouvidos não ouvem; nem o coração do homem poderá conceber, a menos
que' as coisas do reino interior sejam reveladas, através do Espírito de Deus. O Espírito Santo nos prepara
para seu reino interior, removendo o véu de nosso coração, e nos capacitando a conhecermos a nós mesmos,
assim como somos conhecidos por ele; através do 'nosso convencimento do pecado', e da nossa natureza,
temperamento, palavras e ações pecaminosos; todos parceiros da corrupção do coração, de onde fluem. Ele,
então, nos convence do deserto de nossos pecados; de modo que nossa boca é fechada; e somos
constrangidos a nos declararmos culpados, diante de Deus. Ao mesmo tempo, em que 'recebemos o espírito
de escravidão, através do medo'; do temor da ira de Deus; do temor da punição que merecemos; e, acima de
tudo, do temor da morte, a fim de que não sejamos conduzidos à morte eterna. As almas que estão sendo
assim convencidas sentem que elas são levadas rapidamente para a prisão, de onde não poderão seguir
adiante. De imediato, se sentem completamente pecadoras; completamente culpadas; e completamente
desamparadas. Mas toda essa convicção implica em uma espécie de fé, sendo 'a evidência das coisas que
não são vistas'; e nem, de fato, seriam possíveis de serem vistas, ou conhecidas, sem que Deus as
revelassem a nós.

13. Mas, que seja ainda cuidadosamente observado (já que esse não é um ponto de menor
importância) que essa fé é apenas a fé de um servo, e não a fé de um filho. Porque este é um ponto que
muitos não entendem claramente; e eu vou me esforçar para torná-lo um pouco mais claro. A fé de um servo
implica em uma evidência do mundo eterno e invisível; sim, uma evidência do mundo espiritual, tanto
quanto ele pode existir, pela experiência da vida. Quem quer que tenha alcançado isto, a fé de um servo,
'teme a Deus e foge do diabo'; ou, como foi expresso por Pedro, 'teme a Deus e opera retidão'. Em
conseqüência disto, ele é, em algum grau, como o Apóstolo observa, 'aceito com Ele'. Em outra parte, está
descrito nestas palavras: 'Ele que teme a Deus, e mantém seus mandamentos'. Mesmo aquele que chegou tão
longe na religião; que obedece a Deus, por medo, não deverá, de maneira alguma, ser desprezado; vendo que
'temer ao Senhor é o começo da sabedoria'. Não obstante, ele deve ser exortado a não parar por ai; não
descansar, até que obtenha a adoção de filho; até que obedeça a Deus por amor, o que é o privilégio de
todos os filhos de Deus.
14. Exortá-lo, através de todos os meios possíveis, a seguir em frente, até que caminhe 'de uma fé a
outra'; da fé de um servo, para a fé de um filho; do espírito de escravidão, pelo medo, para o espírito de
amor pueril: Ele terá, então, 'Cristo revelado em seu coração', capacitando-o a testificar que 'a vida que eu
agora vivo na carne, é a vida pela fé no Filho de Deus, que me amou e se deu por mim', -- a fala correta de
um filho de Deus. Ele irá, então, 'nascer de Deus'; interiormente mudado pelo poder de Deus, de uma mente
mundana, sensual, demoníaca, para 'a mente que estava em Jesus Cristo'. Ele irá experimentar o que Paulo
quer dizer por aquelas palavras notáveis aos Gálatas: 'Vocês são os filhos de Deus, pela fé, e porque são
seus filhos, Deus enviará o Espírito de seu Filho aos seus corações, clamando, Abba, Pai'. 'Ele que crê',
como a um filho (como João observa) 'tem o testemunho em si mesmo'. 'O próprio Espírito testemunha com
seu espírito que ele é um filho de Deus'. O amor de Deus transborda em seu coração, pelo Espírito Santo
que é dado a ele'.

15. Mas muitas dúvidas e medos podem ainda permanecer; mesmo nos filhos de Deus, enquanto eles
estão fracos na fé; enquanto eles são o que Paulo denomina de 'bebês em Cristo'. Mas, quando a sua fé é
fortalecida; quando eles recebem a moradia do testemunho do Espírito, as dúvidas e medos desaparecem.
Eles, então, desfrutam da 'completa segurança da fé'; que exclui todas as dúvidas e medo 'que os estavam
atormentando'. Para esses que ele chama de jovens, João diz, 'Eu tenho escrito a vocês, jovens, porque são
fortes, e a palavra de Deus habita em vocês, e vocês têm dominado sobre o fraco'. Esses, o Apóstolo
observa, em outro verso, 'têm a palavra de Deus habitando neles'. O que provavelmente significa 'a palavra
redentora'; a palavra que fala que todos os seus pecados foram perdoados. Em conseqüência disto, eles têm
consciência do favor divino, sem qualquer intermissão.

16. A esses mais especialmente nós podemos aplicar a exortação do Apóstolo Paulo: 'deixando os
primeiros princípios da doutrina de Cristo', ou seja, arrependimento e fé, 'sigamos até a perfeição'. Mas, em
que sentido nós devemos 'deixar esses princípios?'. Não, de maneira absoluta, já que devemos reter tanto um
quanto o outro; o conhecimento de nós mesmos e o conhecimento de Deus, até o fim de nossas vidas: Mas
apenas comparativamente; não fixando, como fizemos a princípio, toda nossa atenção sobre eles; pensando e
falando perpetuamente de nada mais, a não ser do arrependimento, assim como da fé. Mas o que é a
'perfeição', de que se fala aqui? Não é apenas a libertação das dúvidas e medos, mas do pecado; de todo
pecado interior, tanto quanto pecado exterior; dos desejos e temperamentos pecaminosos, assim como das
palavras e obras pecaminosas. Sim, e não se trata de uma benção negativa, uma libertação de todas as
disposições diabólicas implícitas naquela expressão, 'eu circuncidarei o teu coração'; mas de uma benção
positiva igualmente; mesmo a de colocar todas as boas disposições no lugar; claramente implícita naquela
outra expressão, 'Para amar ao Senhor seu Deus, com todo seu coração, e toda a sua alma'.

17. Estes são os que o Apóstolo João dá o título nobre de Pais, que 'têm conhecido a Ele, que existe
desde o princípio'; o eterno Deus da Trindade. Um desses expressa-se assim: 'Eu testemunho comigo a
verdade experimental e a plenitude da presença da sempre abençoada Trindade'. E esses que são pais em
Cristo, geralmente - embora que eu acredite que nem sempre - desfrutam da 'completa segurança da
esperança'; tendo não mais dúvida reinando com ele na glória, do que se eles já o tivessem visto vir, por
entre as nuvens dos céus. Mas isto não impede o contínuo crescimento deles, no conhecimento e amor de
Deus. Enquanto eles 'se regozijam mais e mais; oram sem cessar; e em tudo dão graças', eles oram em
particular, para que eles nunca cessem de vigiar, de negarem a si mesmos, de tomarem suas cruzes
diariamente, para lutarem a boa luta da fé; e contra o mundo, o diabo, e suas próprias enfermidades
múltiplas; até que eles sejam capazes de 'compreender, com todos os santos, qual o comprimento, largura,
altura e profundidade; e para que conheçam aquele amor de Cristo que passa conhecimento'; sim, 'para
que sejam cheios, com toda a plenitude de Deus'.

Yarm, 11 de Junho de 1788.

[Editado por George Lyons, para a Wesley Center for Applied Theology.]
SOBRE A ONIPRESENÇA DE DEUS

―Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor. Porventura não encho
eu o céu e a terra? diz o Senhor‖. (Jeremias 23:24)

1. Quão fortemente e belamente essas palavras expressam a Onipresença de Deus! E pode existir em
todo o alcance da natureza um assunto mais sublime? Pode existir algo mais merecedor de consideração de
toda criatura racional? Existe alguma coisa mais necessária a ser considerada, e a ser entendida, até onde
nossas pobres faculdades permitirão? Quantos excelentes propósitos ela pode responder! Que profunda
instrução ela pode transmitir a todos os filhos dos homens! E mais diretamente aos filhos de Deus.

2. Como é, então, que tão pouco tem sido escrito sobre tão sublime e proveitoso tema? É verdade que
alguns de nossos mais eminentes escritores têm ocasionalmente tocado nele, e possuem diversas reflexões
convincentes e bonitas que foram naturalmente sugeridas por ele. Mas qual deles publicou um tratado
regular, ou mesmo um sermão, sobre o assunto? Talvez, muitos estivessem conscientes de suas inabilidades
para fazer justiça à tão vasto assunto. É possível, possam existir algumas tais mentiras ocultas nos
volumosos escritos do século passado. Mas, se elas estão ocultas, até mesmo, em suas próprias regiões, se
elas já estão enterradas no esquecimento, dá no mesmo, qualquer que seja o uso delas, como se elas nunca
tivessem sido escritas.

3. O que parece faltar ainda, para o uso geral, é um discurso claro sobre a onipresença ou ubiqüidade
de Deus.

I. Em Primeiro Lugar, de alguma maneira explicar e provar aquela gloriosa verdade: ―Deus
esta neste, e em toda a parte‖.
II. E, então, aplicando-a as consciências de todos os homens racionais.
III. Algumas inferências práticas.

1. Assim sendo, eu me esforçarei, pela assistência de seu Espírito, primeiro explicar um pouco a
onipresença de Deus; mostrar como devemos entender esta gloriosa verdade: ―Deus está nesta, e em toda
parte‖. O salmista, você pode lembrar, fala enfaticamente e belamente sobre ela, no centésimo trigésimo
nono Salmos; observando na mais exata ordem: Primeiro, “Deus está neste lugar‖; e, então, ―Deus está
em todo lugar‖. Ele observa, Primeiro, ―Tu estáa ao redor de minha cama, e em volta do meu andar, e
espias todos os meus caminhos‖ (Salmos 139:3). ―Tu tens me moldado, por todos os lados, e colocado sua
mão sobre mim‖. (Salmos 139:5). Embora a maneira disto, ele não poderia explicar; como foi, ele não
poderia dizer. ―Tal conhecimento‖, diz ele, ―é tão maravilhoso para mim: Eu não posso atingi-lo‖.
(Salmos 139:6). Ele, a seguir, observa, da maneira mais vibrante, e efetiva, que Deus está em todo lugar.
―Para onde, eu irei do teu Espírito, para onde fugirei da tua presença? Seu eu subir aos céus, tu estás lá; se
eu descer ao inferno, tu lá estás também‖ (Salmos 139:7-8). Se eu ascendesse, falando à maneira de
homens, para a parte mais alta do universo, ou descesse para o ponto mais inferior, tu igualmente estás
presente em ambos, em um e em outro. ―Seu eu tomasse as asas da manhã, e permanecesse nas partes mais
extremas do mar; até mesmo lá, tua mão me conduziria‖, -- teu poder e tua presença estariam perante mim,
-- ―e tua mão direita me seguraria‖, vendo que tu estás igualmente, no comprimento e largura, e na altura e
profundidade do universo. Na verdade, tua presença e conhecimento não apenas alcançam os limites mais
extremos da criação; mas ...

Tua visão onipresente,


Mesmo até os reinos intransitáveis se estende
Da noite não criada.
Em uma palavra, não existe um ponto do espaço, quer dentro ou fora dos limites da criação, onde
Deus não está.

2. Na verdade, este assunto é também amplo para ser compreendido pelos limites estreitos do
entendimento humano. Nós podemos apenas dizer: O grande Deus, o eterno, o Espírito Altíssimo, é
ilimitado em sua presença, quanto em sua duração e poder. Em condescendência, na verdade, a nosso fraco
entendimento, diz-se que ele habita no céu; mas, estritamente falando, o céu dos céus não pode contê-lo;
mas ele está em todas as partes do seu domínio. O Deus universal habita no espaço universal; de maneira
que podemos dizer:

Salve, Pai! Cuja criação chama


A incontáveis mundos atende!
Jeová, compreendendo tudo,
A quem ninguém pode compreender!

3. Se nos atrevermos a tentar uma ilustração disto, um pouco mais adiante, o que é o espaço ocupado
por um grão de areia, comparado àquele, ocupado pelos céus estrelados? É como uma cifra; é nada; ele
desaparece na comparação. O que é ele, então, para toda a expansão do espaço, ao qual o todo da criação é
infinitamente menos do que um grão de areia? E, ainda assim, este espaço, para o qual o todo da criação não
mantém proporção, afinal, é infinitamente menor, em comparação ao grande Deus, do que um grão de areia;
sim, uma milionésima parte dele, comparado à totalidade daquele espaço.

II

1. Este parece ser o significado claro daquelas solenes palavras que Deus fala de si mesmo: ―Eu não
preencho céus e terra?‖. E estas provam suficientemente sua onipresença; a qual pode ainda ser provada
desta consideração: Deus age, em todos os lugares, e, portanto, está em todos os lugares; porque se trata de
uma impossibilidade total que algum ser criado, ou não criado, possa desenvolver-se, onde a sua presença
não está. Deus age no céu, na terra, e debaixo da terra, através de todo o alcance da sua criação; sustentando
todas as coisas, sem o que, tudo, mergulharia, em um só instante, em seu primitivo nada; governando tudo,
todo o momento, dirigindo tudo, e, ainda assim, sem destruir a liberdade de suas criaturas racionais. Os
próprios ateus reconhecem que o grande Deus governa as partes conspícuas e maiores do universo; que ele
regula os movimentos dos corpos celestes, do sol, lua, e estrelas; que ele é

Totam Mens agitans molem,


et magno se corpore miscens:

A alma do todo,
Que preenche, penetra e impulsiona o todo.

Porém, eles não tinham o entendimento de que Deus dá atenção à menor das coisas, assim como à
maior; o entendimento do fato dele presidir sobre tudo que Ele criou, e governar átomos, assim como
mundos. Isto nós não poderíamos saber, a menos que agradasse a Deus revelar isto de si mesmo. Não tivesse
Ele mesmo nos informado assim, nós não teríamos nos atrevido a pensar que ―nenhum pardal cai ao chão,
sem a vontade de nosso Pai que está no céu‖, e muito menos afirmar que, ―até mesmo os fios de cabelos de
nossa cabeça são todos numerados!‖.

2. Esta confortável verdade de que ―Deus preenche céus e terra‖, nós aprendemos também do
Salmo acima citado: ―Se eu subir ao céu, tu estás lá; se eu descer ao inferno, tu também estás. Se eu tomar
as asas da manhã, e permanecer nas partes mais extremas do mar; até mesmo lá, tua mão me guiará‖. O
significado claro é: se eu me deslocar para alguma distância que seja, tu estás lá; tu ainda me cercas, e
colocas tua mão sobre mim. Permite-me voar para alguma distância concebível ou inconcebível; acima,
abaixo, ou de qualquer lado: não faz diferença; tu ainda estás igualmente lá: Em ti, eu ainda ―vivo, e me
movo e tenho minha existência‖.

3. E onde nenhuma criatura está, ainda assim, Deus está lá. A presença ou ausência de alguma ou de
todas as criaturas não faz diferença com respeito a ele. Ele está igualmente em tudo, ou na ausência tudo.
Muitas têm sido as disputas em meio aos filósofos, se existe tal coisa como espaço vazio no universo; e hoje
geralmente se supõe que todo o espaço esteja cheio. Talvez, não possa ser provado que todo o espaço esteja
preenchido com matéria. Mas o próprio ateu testemunhará conosco: Jovis omnia plena: ―Todas as coisas
estão cheia de Deus‖. Sim, e o espaço existe além dos limites da criação (porque a criação deve ter limites,
uma vez que nada é ilimitado, nada pode ser, a não ser o grande Criador), até mesmo este espaço não pode
excluir aquele que preenche o céu e terra.

4. Exatamente equivalente a isto é a expressão do Apóstolo em (Efesios 1:23, não, como alguns
estranhamente têm suposto, concernente à Igreja, mas concernente ao Chefe dela): ―A plenitude Dele que
preenche tudo em todos‖; ta panta en pasin, literalmente traduzida: ―todas as coisas em todas as coisas‖, --
a mais forte expressão da universalidade que pode possivelmente ser concebida. Ela necessariamente inclui
a última e a maior das coisas que existe. De maneira que se alguma expressão pudesse ser mais forte, ela
seria mais forte do que, até mesmo, esta: -- o ―preencher céus e terra‖.

5. Na verdade, esta mesma expressão: ―Eu não preencho céus e terra?‖ (a questão sendo igual a
mais forte afirmação), implica a mais clara declaração de que Deus está presente, em todos os lugares, e
preenche todos os espaços; porque é bem sabido que a frase hebraica, ―céus e terras‖, inclui todo o
universo, toda a extensão do espaço, criado ou não criado, e tudo que nele há.

6. Mais do que isto, nós não podemos acreditar na onipotência de Deus, a menos que acreditemos em
sua onipresença; porque, uma vez que, como foi observado antes, nada pode agir onde não existe, -- se
houver algum espaço, onde Deus não esteja presente, ele não seria capaz de fazer alguma coisa lá.
Conseqüentemente, negar a onipresença de Deus implica, igualmente, o negar de sua onipotência.
Estabelecer limites para um é, indubitavelmente, estabelecer limites para o outro também.

7. De fato, onde quer que suponhamos que ele não esteja, lá supomos que todos os seus atributos
sejam em vão. Ele não pode exercitar lá, quer sua justiça ou misericórdia; quer seu poder ou sabedoria. Em
um espaço extramundano (por assim dizer), onde supomos que Deus não esteja presente, nós devemos, é
claro, supor que ele não tenha duração; mas como se supõe que isto esteja além dos limites da criação, então,
está além dos limites do poder do Criador. Tal é o absurdo blasfemo que está implícito nesta suposição.

8. Mas tudo que é, ou pode ser dito da onipresença de Deus, o mundo faz uma grande objeção. Eles
não podem vê-lo. E isto está realmente na raiz de toda as outras objeções dele. Isto nosso abençoado Senhor
observou há muito tempo: ―De quem o mundo não pode receber, porque eles não o vêem‖. Mas não é fácil
responder. ―Você pode ver o vento?‖. Não pode. Mas você pode, no entanto, negar sua existência, ou sua
presença? Você diz: ―Não, porque eu não posso conceber isto pelos meus outros sentidos‖. Mas, através de
qual dos seus sentidos, você percebe sua alma? Certamente, você não nega a existência ou a presença dela!
E ainda assim, ela não é o objeto de sua visão, ou de algum de seus outros sentidos. É suficiente, então,
considerar que Deus é um Espírito, como é nossa alma também. Conseqüentemente, ―nenhum homem o viu,
ou poderá ver‖, com os olhos da carne e sangue.

III

1. Mas, admitindo que Deus está aqui, assim como em toda parte, que ele está ―em volta de nossa
cama, e em nossos passos‖; que ele ―nos cerca por trás e pela frente, e coloca sua mão sobre nós‖; que
conclusão, nós poderemos traçar disto? Que uso, nós poderemos fazer desta terrível consideração? Não é
adequado e correto nos humilharmos diante dos olhos de sua Majestade? Nós não deveríamos trabalhar
continuamente para reconhecermos sua presença ―com reverência e temor divino?‖. E não, na verdade, com
o temor dos demônios, que acreditam e tremem, mas com o temor de anjos, como alguma coisa similar
àquele que é sentido pelos habitantes do céu, quando...

Escuridão, com excessiva luz, suas bordas mostram


Ainda assim, ofuscam os céus, para que o mais brilhante Serafim
Não se aproxime, mas com ambas as asas velem os olhos deles.

2. Em Segundo Lugar. Se vocês acreditam, que Deus está ao redor da suas camas, e em seus passos e
inspeciona todos os seus caminhos, então, cuidem de não fazer a menor coisa, não falar a menor palavra, não
favorecer o menor pensamento que vocês tenham razão para pensar que ofenderia a ele. Suponham que um
mensageiro de Deus, um anjo, esteja agora do seu lado direito, e fixando os olhos dele em vocês, vocês não
cuidariam de abster-se de toda palavra e ação que vocês soubessem ofenderiam a ele? Sim, suponham que
um de seus mortais colaboradores; suponham apenas que um homem santo permaneceu ao lado de vocês,
vocês não seriam extremamente cautelosos em como se conduzirem a eles, ambos em palavra e ação?
Quanto mais cuidadosos vocês deveriam ser, quando vocês soubessem que não apenas um homem santo,
não somente o anjo de Deus, mas o próprio Deus, o Espírito Santo, ―que habita a eternidade‖, está
inspecionando os corações de vocês, suas línguas, suas mãos, todo o momento; e que ele mesmo certamente
trará vocês a julgamento, por tudo que vocês pensam, falam e agem, sob o sol!

3. Especificamente: Se não existe uma palavra em nossa língua; nem uma sílaba que vocês falem;
mas ele ―a conhece completamente‖; quão cuidadosos vocês seriam ao ―colocarem um vigia em suas bocas
e ao manterem a porta dos seus lábios fechada!‖. Quão prudente conviria a vocês, em todo o seu modo de
vida; estando avisados por seu Juiz, que ―pelas suas palavras, vocês podem ser condenados!‖. Quão
prudentes, a fim de que ―alguma comunicação corrupta‖, alguma comunicação não generosa; sim, ou
discurso sem proveito, possam ―derivar-se da boca de vocês‖, em vez ―daquilo que é bom para o uso da
edificação, e adequado para ministrar graça aos ouvintes!‖.

4. Sim, se Deus vê nossos corações, assim como nossas mãos, e em todos os lugares; se ele entende
nossos pensamentos, muito antes que eles se revistam de palavras, quão sinceramente deveremos urgir
aquela petição: ―Sonda-me, ó Senhor, e me prova; testa minhas afeições e meu coração: observa bem, se
existe alguma maldade em mim, e me conduze no caminho eterno!‖. Sim, quão necessário é operar junto a
ele, o ―manter nossos corações com toda diligência‖, até que ele ―subjugue as imaginações‖, as
conjecturas diabólicas, ―e tudo que exalta a si mesmo contra o conhecimento de Deus, e traga cativo todo
pensamento para a obediência a Cristo!‖.

5. Por outro lado, se vocês já estão inscritos, sob os cuidados do grande Capitão de sua salvação, e,
uma vez que vocês estão continuamente, sob os olhos de seu Capitão, quão zelosos e ativos vocês deverão
ser, para ―lutarem a boa luta da fé, e se agarrarem firmes à vida eterna‖; ―suportarem as provações, como
bons soldados de Cristo‖; usarem de toda a diligência, ―lutarem a boa guerra‖, e fazerem o que quer que
seja aceitável aos olhos dele! Quão cuidadosos, vocês deverão ser para terem todos os seus caminhos
aprovados aos olhos dele, que tudo vêem; para que ele possa dizer aos seus corações, o que ele proclamará
em voz alta, na grande assembléia de homens e anjos: ―Bravo, bons e fiéis servos!‖

6. Com o objetivo de alcançarem estas gloriosas finalidades, não poupem esforços para conservarem
sempre um sentido profundo, contínuo, vivido, e alegre da graciosa presença de Deus. Nunca se esqueçam
de sua palavra abrangente para o grande pai do fiel: ―Eu sou o Altíssimo‖ (melhor, o Todo-suficiente)
―Deus; caminhem perante mim, e sejam perfeitos!‖. Alegremente, esperem que Ele, diante de quem você
permanece, os guiará sempre, através dos olhos dele, os apoiará, através de sua mão guardiã, os livrará de
todo o mal, e ―quando vocês tiverem suportado, por um tempo, ele os fará perfeitos, os firmará, fortalecerá
e os assentará‖; e, então, ―os preservará imaculados, até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo‖.

Portsmouth, 12 de Agosto, 1788

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
izilda bella

O Homem Rico e Lázaro

"Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os
mortos". (Lucas 16:31)

1. Quão estranho paradoxo é este! Quão contrário à compreensão comum dos homens! Que está
assim confirmado na descrença, de maneira a não pensar: "Se alguém vier até mim, dos mortos, eu
efetivamente estarei persuadido a me arrepender?". Mas esta passagem nos permite uma declaração mais
estranha: (Lucas 16:13) "Nós não podemos servir a Deus e a mammon [riquezas]". Um servo verdadeiro de
mammon não dirá: "Não! Por que não? Por que não podemos servir a ambos?". Assim sendo, os fariseus,
que supunham servirem a Deus, e cordialmente serviam a mammon, zombavam dele: exemyktErizon. Uma
palavra expressiva do mais profundo desprezo. Mas ele diz: (Lucas 16:15) "Vós sois os que vos justificais a
vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é
elevado, perante Deus é abominação". Uma prova terrível de que nosso Senhor acrescentou na parte
restante deste capítulo.

2. Mas o relato subseqüente é meramente uma parábola, ou uma história real? Acreditou-se, por
muitos, e foi completamente defendido, tratar-se de uma mera parábola, por uma ou duas circunstâncias
nela, que não são fáceis de serem consideradas. Em especial, é difícil conceber, como uma pessoa no inferno
dialogaria com alguém no paraíso. Mas, admitindo que não possamos levar isto em consideração, trata-se de
uma afirmação preponderante de nosso Senhor: "Havia", diz nosso Senhor, "um certo homem rico". Não
havia? Tal homem nunca existiu? "E havia um certo mendigo, chamado Lázaro". — Havia ou não havia?
Não é suficientemente audacioso, negar positivamente, o que nosso abençoado Senhor positivamente
afirma? Portanto, nós não podemos razoavelmente duvidar, mas toda a narração, com todas as suas
circunstâncias, são exatamente verdadeiras. E Theophylact (um dos comentadores antigos das Escrituras)
observa do texto, que, "de acordo com a tradição dos judeus, Lázaro viveu em Jerusalém".

Assim, eu proponho, com a ajuda de Deus:

I. Explicar esta história;


II. Aplicá-la;
III. Provar a verdade daquela importante sentença, com o que está concluído, ou seja: "Se eles não
ouviram Moisés e os Profetas, nem serão persuadidos, embora alguém ressuscite de entre os mortos".

1. Primeiro, eu me esforçarei, com a assistência de Deus, para explicar esta história: "Havia um certo
homem rico"; e, sem dúvida, conforme este mesmo relato, altamente estimado entre os homens, -- "que
estava vestido em púrpura, e fino linho"; e, conseqüentemente, estimado mais altamente, ambos por parecer
ajustado à sua fortuna, e como um estimulador do comércio; -- "e que passava bem suntuosamente todos os
dias". Aqui estava uma outra razão para que fosse altamente estimado, -- por sua hospitalidade, e
generosidade, -- tanto através daqueles que freqüentemente se sentavam à sua mesa, quanto pelos
comerciantes que a abasteciam.

2. "E houve um certo mendigo"; alguém na linha mais inferior da infâmia humana; "chamado
Lázaro", de acordo com a denominação Grega; em Hebreu, Eleazer. Do seu nome, nós podemos concluir,
que este, de maneira alguma, era de família; embora este ramo dela estivesse, no momento, tão reduzido. É
provável que ele fosse bem conhecido na cidade; e não foi escândalo para ele ter um nome. – "Que estava
deitado em seu portão"; embora nenhum espetáculo agradável; de maneira que alguém se surpreendesse que
lhe permitissem deitar lá; -- "cheio de feridas"; de úlceras corrosivas; -- "e desejando ser alimentado com as
migalhas que caiam da mesa dos ricos". Assim, a complicada aflição da pobreza, dor, e necessidade de pão,
caíram sobre ele imediatamente! Mas não parece que alguma criatura prestou a menor atenção ao
desprezível miserável! Apenas "os cães vieram e lamberam suas feridas". Todo o conforto que este mundo
lhe fornecia!

3. Mas veja a mudança! "O mendigo morreu": Aqui terminou a pobreza e a dor: -- "E ele foi levado
pelos anjos"; os mais nobres servos do que qualquer um que atendeu ao homem rico: -- "ao seio de
Abraão": -- Assim, os judeus comumente denominaram o que nosso abençoado Senhor chama de paraíso; o
lugar "onde o mal cessa de causar perturbação, e onde o fraco encontra descanso"; o receptáculo das almas
santas, da morte para a ressurreição. Geralmente se supõe, na verdade, que as almas dos homens bons, tão
logo deixam o corpo, vão diretamente para o céu; mas esta opinião não tem o menor fundamento nos
oráculos de Deus: Ao contrário, nosso Senhor diz a Maria, depois da ressurreição: "Não me toque; porque
eu não ascendi ainda ao meu Pai", no céu. Mas ele esteve no paraíso, de acordo com sua promessa ao ladrão
penitente: "Este dia, tu estarás comigo no paraíso", Conseqüentemente, fica claro, que o paraíso não é o
céu. Trata-se, na verdade (se nós podemos admitir a expressão), da antecâmara do céu, onde as almas dos
justos permanecem, até que, depois do julgamento geral, eles sejam recebidos na glória.

4. Mas veja que a cena muda novamente! "O rico também morreu". O que? O rico também deve
morrer? Deve cair, "como qualquer outro do povo?". Não existe ajuda? Um rico, em Londres, alguns anos
trás, quando o médico lhe disse que ele deveria morrer, rangeu os dentes, cerrou o punho, e clamou
veementemente: "Deus, Deus, eu não quero morrer!" Mas ele morreu, com as mesmas palavras em sua
boca. – "E foi enterrado"; sem dúvida, com pompa suficiente, adequada à sua condição social; embora
acreditemos que não houve, em todo o mundo, tal exemplo extraordinário de tolice humana, do que a
insensível, e cruel zombaria de uma pobre carcaça pútrida, o que nós denominamos jaz em câmara ardente!

5. "E no inferno, ele levantou seus olhos" -- Ó, que mudança! Como o poderoso caiu! Mas a palavra
que está aqui atribuída a inferno, nem sempre significa o lugar do condenado. Ela é literalmente, o mundo
invisível; e da mesma extensão considerável, incluindo o receptáculo dos espíritos separados, se bons ou
maus. Mas aqui evidentemente significa aquela região dos hades, onde as almas dos maus residem, como
aparece das palavras seguintes: "Estando em tormento", -- "com o objetivo", dizem alguns, "de expiar pelos
pecados cometidos, enquanto no corpo, assim como purificar a alma de todos os seus pecados inerentes".
Exatamente como o eminente poeta ateu, perto de dois mil anos atrás:

Necesse est
Multa diu concreta modis inolescere miris,
Ergo exercentur poenis --
-- Aliae panduntur inanes
Suspensae ad ventos: Aliis sub gurgite vasto
Infectum eluitur scelus, aut exuritur igni.

[Esta citação de Virgílio (Aeneid vi.737-742) é assim traduzida por Pitt]:

Mesmo quando aqueles corpos estão resignados à morte;


Algumas antigas máculas inerentes são deixadas para trás;
Uma tintura suja das máculas corporais;
Profunda, na essência da alma, permanece.
Assim, seu esplendor é diminuído, e incrustado,
Com aquelas imperfeições obscuras que ela conheceu antes.
Por causa disto, as almas pagam várias penitências,
Para purgarem a corrupção dos crimes anteriores.
Algumas, nas brisas impetuosas são refinadas,
E pairam no alto para alvejarem ao vento:
Algumas limpam suas manchas abaixo das correntezas efusivas,
E algumas se erguem gloriosas das chamas penetrantes.

Veja a semelhança próxima, entre o purgatório antigo e moderno! Apenas no antigo, o purgatório
ateu, ambos fogo, água, e ar, foram empregados nos pecados expiatórios, e em purificar a alma; enquanto
que no purgatório místico, o fogo apenas se supôs suficiente quer para purgar, quanto para expiar. Vã
esperança! Nenhum sofrimento, mas aquele de Cristo, tem algum poder para expiar pecado; e nenhum fogo,
mas aquele do amor, pode purificar a alma, quer no tempo, ou na eternidade.

6. "Ele viu Abrão à distância" – Distante, de fato! Tão distante quanto do inferno ao paraíso! Talvez,
"dez vezes o comprimento deste terreno". Mas como seria? Eu não posso dizer: Mas é, de qualquer forma,
incrível. Porque, quem sabe "quão distante é o alcance visual de um anjo", ou um espírito destituído da
carne e sangue? – "E Lázaro em seu seio". Sabe-se bem que nas festas antigas, em meio aos judeus, assim
como romanos, os convidados não se sentavam à mesa, como é agora costuma fazer; mas deitava-se em
poltronas, cada uma tendo um travesseiro do seu lado direito, no qual ele apoiava seu cotovelo; e aquele que
se sentava próximo a ele, do lado direito, dizia-se que deitava em seu peito. Foi neste sentido que o Apóstolo
João deitou no peito de seu Mestre. Assim sendo, esta expressão de Lázaro, deitando no peito de Abrão,
implica que ele estava nos lugares mais altos de honra e felicidade.

7. "E ele clamou e disse: Pai Abraão, tenha misericórdia de mim". –Tu, tolo! O que pode Abraão
fazer? O que pode alguma criatura, sim, toda a criação fazer, para quebrar as barras do abismo sem fim?
Quem quer que queira escapar do lugar de tormenta, que ele clame a Deus, o Pai da misericórdia! Não, o
tempo é passado! Justiça agora toma lugar, e regozija-se sobre a misericórdia! – "E envia Lázaro, para que
ele possa molhar a ponta de seus dedos na água, e refrescar minha língua, porque eu estou atormentado
nesta chama!". Que pedido excessivamente modesto é este! Ele não diz: "Para que ele possa me tirar desta
chama". Ele não pediu: "Que ele possa trazer-me um copo de água, ou tanto quanto coubesse na palma de
sua mão"; mas meramente, "que ele pudesse molhar", fosse isto apenas, "a ponta dos dedos na água, e
refrescar minha língua". Não! Não pode ser! Nenhuma misericórdia pode entrar dentro das sombras do
inferno!

8. "Mas Abraão disse: Filho, lembra-te que tu, durante tua vida, recebeste tuas boas coisas, e
igualmente Lázaro as coisas más; mas agora ele está confortado, e tu estás atormentado". Talvez, essas
palavras possam nos suprir com uma resposta para uma importante questão: Como aconteceu deste homem
rico estar no inferno? Não parece que ele fosse um homem mau, no sentido comum da palavra; que ele fosse
um bêbado, um blasfemador, alguém que não respeita o Sabbath, ou que viveu em pecado conhecido. É
provável que ele fosse um fariseu; e como tal, fosse, em todas as partes exteriores da religião, irrepreensível.
Como, então, ele veio para "o lugar de tormento?". Se existiu nenhuma outra razão para ser atribuída, existe
uma suficiente, implícita nestas palavras ("aquele que tem ouvidos, para ouvir, que ouça!"). "Tu, durante tua
vida, recebestes as tuas boas coisas"; -- as coisas que tu escolheste para tua felicidade. Tu fixaste tua
afeição nas coisas abaixo: E tu tiveste tua recompensa: Tu recebeste a porção que tu escolheste, e tu jogaste
fora a porção acima. "E igualmente Lázaro, as coisas ruins". Não suas coisas más; porque ele não as
escolheu. Mas elas foram escolhidas para ele, pela sábia providência de Deus. E "agora ele está confortado,
enquanto tu estás atormentado".

9. "Mas, além de tudo isto, existe um grande abismo fixado": -- Um grande precipício, uma vasta
lacuna. Alguém pode nos dizer o que é isto? Qual é a natureza, quais são os limites dele? Não, nenhum dos
filhos dos homens, ninguém, a não ser os habitantes do mundo invisível. – "Assim, aqueles que quisessem
passar daqui para vocês não poderiam; nem poderiam passar para nós, aqueles que viriam daí". Sem
dúvida, um espírito desencarnado poderia passar através de qualquer espaço que fosse. Mas a vontade de
Deus, determinando que ninguém possa seguir através daquele abismo, é um limite que nenhuma criatura
pode transpor.

10. Então, ele disse: "Eu oro a ti, portanto, pai, para que tu possas enviá-lo à casa de meu pai,
porque eu tenho cinco irmãos, para que ele possa testemunhar junto a eles, a fim de que eles também não
venham para este lugar de tormenta". (Lucas 16:27-28). Dois motivos inteiramente diferentes têm sido
afirmados para este extraordinário pedido. Alguns o atribuem totalmente ao amor-próprio, a um temor das
reprovações amargas que ele poderia facilmente supor, seus irmãos derramariam sobre ele, se, em
conseqüência do seu exemplo, e, talvez, conselho, eles viessem para o mesmo local de tormenta. Outros têm
imputado isto a um motivo mais nobre. Eles supõem, como a miséria do mau não será completa até o dia do
julgamento, então, nem sua maldade. Conseqüentemente, eles acreditam que, até aquele tempo, eles podem
reter algumas centelhas da afeição natural, e não é improvável imaginar que isto possa ter ocasionado seu
desejo de prevenir que eles compartilhem de seu próprio tormento.

11. "Abraão disse a ele: Eles têm Moisés e os Profetas, que ouçam a eles".(Lucas 16:29). "E ele
respondeu: Mais do que isto, pai Abraão; se alguém for até eles dos mortos, eles se arrependerão". Quem
seria da mesma opinião? Alguém não poderia razoavelmente supor que uma mensagem solenemente
entregue por alguém que veio dos mortos deve ter uma força irresistível? Quem não pensaria: "Eu mesmo
não poderia possivelmente resistir a tal pregador do arrependimento?".

II

Este, eu compreendo, é o significado das palavras. Eu me esforçarei agora, com a ajuda de Deus,
para aplicá-las. E eu imploro a vocês, irmãos, enquanto eu estiver fazendo isto, "para permitirem a palavra
de exortação". Quanto mais intimamente essas coisas são aplicadas à suas almas, mais vocês podem tirar
proveito disto.

1. "Havia um certo homem rico". – E não é mais pecaminoso ser rico do que ser pobre. Mas é
perigoso além de expressão. Portanto, eu lembro a todos vocês que são deste número, que têm as
conveniências, e alguma coisa mais, que vocês caminham em solo escorregadio. Vocês continuamente
andam sobre armadilhas e mortes. Vocês estão, a todo o momento, à beira do inferno! "É mais fácil para um
camelo passar pelo buraco de uma agulha do que você entrar no reino dos céus". – "Quem estiver vestido
em púrpura, e fino linho". E alguns podem ter um pretexto para isto. Nosso Senhor menciona aqueles que
"habitam nas casas reais", como usando vestimenta suntuosa, ou seja, esplêndida, e não tem vergonha disto.
Mas certamente esta não é uma justificativa para alguém que não habita nos palácios. Que eles todos,
portanto, cuidem de como eles seguem o exemplo daquele que está "ergue seus olhos no inferno!". Vamos
seguir o conselho do Apóstolo, sendo "adornado com as boas obras, e com o ornamento de um espírito
humilde e tranqüilo".

2. "Ele temeu suntuosamente todos os dias". – Reconcilie isto com a religião quem puder. Eu não sei
como plausivelmente os profetas das coisas fáceis podem falar em favor da hospitalidade; de tornar nossos
amigos bem-vindos: de manter uma mesa vistosa, fazer as honras da religião, promover comércio e coisas
semelhantes. Mas Deus não é simulado: Ele não será dissuadido com tais pretensões como estas. Quem quer
que tu sejas que compartilhas do pecado deste rico homem, fosse ele não outro do que "alimentar-se
suntuosamente todos os dias", tu certamente serás um participante na punição dele, exceto se tu te
arrependeres, como se tu já estivesses clamando por uma gota de água para refrescar tua língua!

3. "E existiu um certo mendigo chamado Lázaro, que estava deitado em seu portão, cheio de feridas,
e desejando ser alimentado com as migalhas de pão que caia ao chão da mesa dos homens ricos". (Lucas
16:20-21). Mas parece que ambos os ricos e seus convidados eram muito religiosos para socorrerem
mendigos comuns! – um pecado do qual o piedoso sr. H. tão sinceramente adverte seus leitores, e uma
admoestação do mesmo tipo que eu li no portão da boa cidade de Winchester! Eu desejo que os cavalheiros
que o colocaram lá vissem as pequenas circunstâncias que ocorreram alguns anos, desde então. Em Epworth,
em Lincolnshire, a cidade onde eu nasci, uma pedinte veio para uma casa, na praça do mercado, e pediu um
pedaço de pão, dizendo que ela estava muito faminta. O mestre convidou-a a ir embora, como uma
desocupada. Ela chamou um segundo, e implorou por um pouco de cerveja, dizendo que estava muito
sedenta. Teve a mesma resposta. Na terceira porta, ele pediu um pouco de água; dizendo que ela estava
muito fraca. Mas este homem também era muito escrupuloso para encorajar pedintes comuns. Os meninos
vendo a criatura esfarrapada, de porta a porta, começaram a apedrejá-la com bolas de neve. Ela olhou para o
alto, caiu ao chão, e morreu! Você desejaria ser o homem que recusaria um pedaço de pão, ou um copo de
água, àquela pobre miserável? – "Além disso, os cães vieram e lamberam suas feridas". Sendo mais
compassivos que o mestre deles. – "E aconteceu que o pedinte morreu, e foi levado pelos anjos ao seio de
Abraão". Ouçam isto, todos vocês que são pobres neste mundo. Vocês que, muitas vezes, não têm alimento,
ou vestimenta; vocês que não têm um lugar onde deitarem sua cabeça, exceto um frio sótão, ou um sujo e
úmido celeiro! Vocês estão agora reduzidos a "solicitar a mão fria da caridade". Ainda assim, ergam seus
fardos; eles não serão sempre assim. Eu amo vocês; eu tenho misericórdia de vocês; eu admiro vocês,
quando "na paciência, você possuem suas almas". Ainda assim, eu não posso ajudar você. Mas existe
Alguém que pode, -- o Pai do órfão, e o Marido da viúva. "O pobre clamou junto ao Senhor, e ele o ouviu, e
o livrou de todas as suas preocupações". Ainda assim, pouco depois, se você verdadeiramente voltar para
ele, seus anjos poderão levá-lo ao seio de Abraão. Lá "não haverá mais fome e sede", você não mais sentirá
tristeza ou dor; mas "o Cordeiro enxugará todas as suas lágrimas, e o conduzirá para além das fontes de
águas vivas".

4. Mas veja, a cena está mudada! "O rico também morreu". O que? A despeito de sua riqueza?
Provavelmente mais cedo do que ele desejava. Porque, quão justa é esta palavra: "Ó, morte, quão amarga és
tu para um homem que descansa em meio às suas posses". De qualquer modo, se este pudesse ser um
conforto, "ele foi enterrado". Mas quão pouco significaria, se ele estava, sob um monumento soberbo ou em
meio ...

Às sepulturas, limitadas com dobras de vimeiro.


Aquele inominável erguimento, do solo reduzido a pó!

E o que se seguiu? "No inferno, ele ergueu seus olhos". É certo que isto, você não precisa fazer. Deus
não requer isto de você: "Ele não deseja que alguém possa perecer". Você não pode, exceto por suas própria
escolha obstinada, -- penetrar naquelas regiões de aflição, que Deus não preparou para você, mas para "o
demônio e seus anjos".

5. Veja a mudança de cena novamente! "Ele vê Abraão ao longe, e Lázaro em seu seio". E ele o
conheceu, embora, talvez, ele tenha apenas olhado de relance para ele, enquanto ele "estava nos portões".
Algum de vocês está em dúvida, se nós poderemos reconhecer uns aos outros, no outro mundo? Aqui, suas
dúvidas podem receber uma solução completa. Se uma alma no inferno reconheceu Lázaro no paraíso, por
mais distante que ele estivesse, certamente aqueles que estão juntos no paraíso reconhecerão perfeitamente
uns aos outros.

6. "E ele clamou e disse: Pai Abrão, tenha misericórdia de mim!" — Eu não me lembro, em toda a
Bíblia, de alguma oração feita a um santo, a não ser esta. E, se observarmos quem a fez, -- um homem no
inferno, -- e com que sucesso, nós dificilmente desejaríamos seguir o precedente. Ó, que clamemos pela
misericórdia de Deus, e não do homem! E é nossa sabedoria clamar agora, enquanto estamos na terra da
misericórdia; do contrário será muito tarde! – "Eu estou atormentado nesta chama!". Atormentado, observe,
mas não purificado. Esperança vã, que a chama possa purificar o espírito! Assim como você esperaria que a
água limpasse a alma, como o fogo. Deus proíbe que você ou eu façamos a tentativa!

7. E "Abrão disse: Filho, lembra-te": -- Assinale, como Abrão aborda um espírito condenado: E será
que nós devemos proceder com menos ternura para com algum dos filhos de Deus, "porque eles não têm a
mesma opinião que nós?" -- "Tu, em tua vida recebestes tuas boas coisas". Ó, toma cuidado, para que este
não seja teu caso! As coisas do mundo são "tuas boas coisas:" – os principais objetos de teu desejo e busca?
Elas não são tua principal alegria? Se for assim, tu estás no mesmo estado perigoso; na mesma condição que
Dives [palavra em Latim para o homem rico] estava sobre a terra! Então, não sonhes que tudo está bem,
porque tu és "altamente estimado dentre os homens"; porque tu não causas dano, ou fazes o bem, ou atendes
todas as ordenanças de Deus. O que é tudo isto, se tua alma está presa ao pó; se teu coração está no mundo;
se tu amas a criatura mais do que o Criador?
8. Quão impressionantes, são as próximas palavras! "Além de tudo isto, entre vocês e nós, existe um
grande abismo; de maneira que aqueles que quisessem passar daqui para vocês não poderiam; nem
poderiam passar para nós, aqueles que viriam daí". Este é o texto que ocasionou o epitáfio de um honorável
infiel e jogador: --

Aqui jaz um jogador de dado; há muito em dúvida,


Se a morte mataria sua alma, ou não:
Aqui termina sua dúvida, por fim,
Convencido; -- mas, ah! O dado está lançado!

Mas, abençoado seja Deus, que seu dado não esteja lançado ainda. Você não passou pelo grande
abismo, mas tem ainda em seu poder, escolher se você será atendido pelos anjos ou amigos, quando sua
alma deixar esta mansão terrena. Agora estique sua mão para a vida eterna ou a morte eterna! E Deus diz:
"Seja junto a ti, até mesmo como tu desejas!".

9. Sendo recusado neste, ele faz um outro pedido: "Eu suplico a ti que o envie à casa de meu pai,
porque eu tenho cinco irmãos; para que ele possa testemunhar para eles". Não é impossível, que outros
espíritos infelizes possam desejar bem às relações que eles têm atrás de si. Mas este é o tempo aceitável para
eles, assim como por nós. Que nós, então, recorramos a nós mesmos, e peçamos aos nossos amigos vivos
que nos dêem toda a ajuda que eles puderem, sem esperarmos pela assistência dos habitantes de outro
mundo. Que nós sinceramente os exortemos a usar as ajudas que eles têm; para "ouvirem Moisés e os
Profetas". Nós, de fato, estamos aptos a pensar, como aquele espírito infeliz: "Se alguém, de entre os
mortos, foi até eles, eles irão se arrepender". "Mas Abraão disse: Se eles não ouvirem Moisés e os Profetas,
nem mesmos serão persuadidos, se alguém ressuscitar dos mortos".

III

1. Em Terceiro Lugar, eu vou provar a verdade desta sentença importante; o que eu farei, Primeiro,
brevemente, e, então, mais amplamente.

Primeiro, para expressar o assunto brevemente: É certo que nenhum espírito humano, enquanto está
no corpo, pode persuadir outro a se arrepender; pode operar nele uma mudança completa, tanto do coração
quanto de vida; uma mudança da maldade universal, para a santidade universal. E suponha que este espírito,
separado do corpo, não mais seja capaz de fazer isto do que era antes: Nenhum poder menor do que aquele
que o criou, no princípio, pode criar alguma alma nova. Nenhum anjo, muito menos, algum espírito humano,
se no corpo ou fora dele, pode trazer uma alma "da escuridão para a luz, e do poder de satanás para Deus".
Isto muito possivelmente o levaria a morte, ou à crença de alguma verdade especulativa; mas não poderia
intimidá-lo para uma vida espiritual. Deus apenas pode ressuscitar aqueles que estão "mortos nas
transgressões e pecados".

2. Com o objetivo de provar mais amplamente que, se os homens "não ouvem Moisés e os Profetas,
nem eles serão" efetivamente "persuadidos" a arrependerem-se, "mesmo que alguém ressuscite dos mortos".
Eu proporei um caso deste tipo, com todas as vantagens que podem ser concebidas. Suponha, então, alguém
que não "ouve Moisés e os Profetas"; que não crê que as Escrituras sejam de Deus, dormindo
profundamente em sua cama, e subitamente acordado, enquanto o relógio estava exatamente marcando uma
hora. Ele ficou surpreso de observar o quarto tão iluminado, como se fosse meio-dia. Ele olhou e viu alguém
a quem ele conhecia perfeitamente, ao lado de sua cama. Embora um pouco surpreso, a princípio, ele
rapidamente recompôs-se, e teve coragem para perguntar: "Você não é meu amigo que morreu tal tempo?".
Ele responde: "Eu sou. Eu venho de Deus, com uma mensagem para você. Você freqüentemente desejou ver
alguém ressuscitar dos mortos; e disse, então, que você se arrependeria. Você tem seu desejo; e eu sou
ordenado a informar-lhe que você está buscando morte no erro de sua vida. Se você morrer, no estado em
que se encontra agora, você morrerá eternamente. Eu advirto você, em nome Dele, que as Escrituras são a
palavra verdadeira de Deus; que do momento em que você morre, você será notavelmente feliz, ou
inexplicavelmente miserável; que você não pode ser feliz daqui por diante, a menos que você seja santo
aqui; o que não pode ser, exceto se você nascer novamente. Receba este chamado de Deus. A eternidade
está à mão. Arrependa-se e creia no Evangelho!". Tendo falado estas palavras, ele desapareceu; e a sala
estava escura como antes.

3. Alguém pode facilmente acreditar que seria impossível para ele não ser convencido pelo presente.
Ele não dormiria mais aquela noite; e tão logo quanto possível, diria à sua família o que ele tinha visto e
ouvido. Não contente com isto, ele ficaria impaciente de dizer isto aos seus primeiros companheiros. E,
provavelmente, observando a sinceridade com que ele falou, eles, então, não o contestariam. Eles diriam uns
aos outros: "Dê a ele tempo para acalmar-se; então, ele será um homem racional novamente".

4. Agora, constantemente se observa que as impressões feitas sobre a memória, gradualmente,


diminuem; que elas vão ficando mais e mais fracas no decorrer do tempo, e os traços dela mais e mais
indistintos. Assim, deve ser neste caso; o que suas companhias observando, não falhariam em aproveitar a
oportunidade. Eles falariam para este efeito: "Foi um estranho relato que você nos deu, algum tempo, desde
então; além do mais, porque nós sabemos que você é um homem sensato, não inclinado ao fanatismo. Mas,
talvez, você não tenha considerado completamente, quão difícil é, em alguns casos, distinguir nossos sonhos
de nossos pensamentos, quando acordados. Alguém já é capaz de se certificar do critério infalível entre
eles? Então, não será possível que você estivesse acordado, quando esta impressão viva foi criada em sua
mente?". Quando ele foi levado a refletir, possivelmente seria um sonho; eles logo o induziriam,
provavelmente, que foi assim; e não muito tempo depois, a acreditar que isto certamente fora um sonho.
Então, pouco ajudaria que alguém viesse dos mortos!

5. Poder-se-ia esperar o contrário. Porque, qual foi o efeito forjado sobre ele? (1) Ele estava
excessivamente apavorado: (2) Este medo abriu caminho para uma convicção mais profunda da verdade,
então, declarada: Mas (3) seu coração não estava mudado. Ninguém, a não ser o Altíssimo poderia realizar
isto. Portanto, (4) a inclinação de sua alma foi ainda seguir o caminho errado; ele ainda amava o mundo, e,
conseqüentemente, desejava que as Escrituras não estivessem certas. Quão facilmente, então, já que o medo
diminuiu, ele acreditaria no que ele desejasse! A conclusão, então, é clara e inegável. Se os homens "não
ouvem Moisés e os Profetas, eles não serão persuadidos" a arrependerem-se e crerem no Evangelho,
"embora alguém ressuscite dos mortos".

6. Nós podemos acrescentar uma consideração mais, que traga o assunto para uma conclusão
completa. Antes, ou por volta do mesmo tempo que Lázaro foi levado ao seio de Abraão, um outro Lázaro,
irmão de Marta e Maria, verdadeiramente ressuscitou de entre os mortos. Mas mesmo aqueles que creram
estavam de fato persuadidos a arrependerem-se? Muito longe disto, já que "eles aceitaram o conselho de
matar Lázaro", assim como seu Mestre! Fora, então, com a imaginação irreal, de que aqueles que "não
ouviram Moisés e os Profetas, seriam persuadidos, embora um ressuscitasse dos mortos!".

7. Disto tudo, podemos traçar esta conclusão geral. Esta permanente revelação é o melhor meio da
convicção racional; muito mais preferível a quaisquer daqueles meios extraordinários, que alguns imaginam
fariam mais efeito. Portanto, é nossa sabedoria beneficiarmo-nos disto; fazer uso completo dela; de maneira
que possa ser uma lanterna para nossos pés, e uma luz em todos os nossos passos. Vamos cuidar que todo
nosso coração e vida estejam confortáveis nisto; que isto seja a constante regra de todos os nossos
temperamentos, todas as nossas palavras, e todas as nossas ações. Assim poderemos preservar em todas as
coisas o testemunho de uma boa consciência em direção a Deus, e, quando nosso curso estiver terminado,
nós também seremos "levados pelos anjos ao seio de Abraão".

Birmingham, 25 de Março de 1788

[Editado por Andrew Zirschky, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
A Diferença entre Caminhar pela Vista e Caminhar pela Fé

'Porque andamos por fé, e não por vista'.


(II Corintios 5:7)

1. Quão resumida é essa descrição dos cristãos reais! E, ainda assim, quão excessivamente completa!
Ela compreende; ela totaliza, toda a experiência daqueles que são verdadeiramente tais, desde os tempos que
nasceram de Deus, e foram removidos para o seio de Abrão. Porque, quem nós somos, que aqui estamos
sendo tratados? Todos os que são crentes cristãos verdadeiros. Eu digo cristãos, não judeus, crentes. Todos
os que não são apenas servos, mas filhos de Deus. Todos os que têm 'o Espírito de adoção, clamando em
seus corações, Aba, Pai'. Todos que têm 'o Espírito de Deus, testemunhando com seus espíritos, que eles
são filhos de Deus'.

2. Todos estes; e estes apenas, podem, dizer, 'Nós caminhamos pela fé, e não pela vista'. Mas, antes
que possamos possivelmente 'caminhar pela fé', nós devemos viver pela fé, e não pela vista. E todos os
cristãos reais, nosso Senhor diz, 'porque eu vivo, você vive também': Você vive uma vida que o mundo, se
culto, ou não, 'não conhece a respeito'. 'Você que', como o mundo, 'estava morto nas transgressões e
pecados, Ele tem vivificado', e vivo; deu a você novos sentidos, -- sentidos espirituais, -- 'sentidos
exercitados, para discernirem o bem e o mal espirituais'.

3. Com o objetivo de entender totalmente essa verdade importante - pode ser apropriado considerar
toda a matéria. Todos os filhos dos homens, que não são nascidos de Deus, 'caminham pela vista', tendo
nenhum princípio mais alto. Pela vista, ou seja, pelos sentidos; uma parte tomada pelo todo; o sentido da
visão, pelos demais sentidos; o melhor, porque ele é mais nobre e mais extensivo do que qualquer outro, ou
todo os restantes. Existem poucos objetos que nós podemos discernir pelos três sentidos inferiores do
paladar, olfato e tato; e nenhum desses pode ter alguma percepção dos seus objetos, a menos que sejam
trazidos para um contato direto com eles. O ouvir, é verdade, tem uma esfera de ação maior, e nos fornece
algum conhecimento das coisas que estão distantes. Mas quão pequena distância é aquela, supondo-se que
ela seja cinqüenta, ou cem milhas, comparada àquela, entre a terra e o sol! E o que é, até mesmo esta, em
comparação à distância do sol e da lua, e das estrelas fixas! Ainda assim, a vista continuamente toma
conhecimento do objeto, até mesmo a esta distância.

4. Pela vista, nós tomamos conhecimento do mundo visível, desde a superfície da terra, às regiões
das estrelas fixas. Mas, o que é o mundo visível para nós, a não ser 'uma partícula da criação', comparado a
todo o universo? Ao mundo invisível? – aquela parte da criação que nós não podemos ver, afinal, por causa
da sua distância; no lugar da qual, através da imperfeição de nossos sentidos, nós somos presenteados com
um vazio ilimitado.

5. Mas, além desses objetos inumeráveis que nós não podemos ver, em razão da distância deles, nós
não temos suficiente fundamento para acreditar que existam inumeráveis outros de uma natureza tão
delicada, para serem discernidos, através de alguns de nossos sentidos? Todos os homens de razão imparcial
não permitem a mesma coisa (o pequeno número de materialistas, ou ateístas, eu não posso denominar
homens de razão), que existe um mundo invisível, naturalmente tal, tanto quanto um mundo visível? Mas
qual dos nossos sentidos é sutil o suficiente para ter o menor conhecimento disto? Nós não podemos
perceber alguma parte deste, através de nossa vista, mais do que através de nosso tato. Devemos concordar
com o poeta da Antiguidade que: milhões de criaturas espirituais caminham na terra, sem serem vistas, quer
quando estamos acordados, quer quando estamos dormindo. Devemos concordar que o grande Espírito, o
Pai de todos, preencheu ambos o céu e terra; ainda assim, o mais apurado de nossos sentidos é extremamente
incapaz de perceber tanto ao Ele quanto a eles.

6. Todos os nossos sentidos externos estão evidentemente adaptados a esse mundo externo, visível.
Eles são designados para nos servir apenas enquanto permanecemos por aqui, -- enquanto habitamos nessas
casas de argila. Eles têm nada a ver com o mundo invisível; eles não estão adaptados a ele. E eles não
podem ter mais noção do mundo eterno, do que do mundo invisível; embora estejamos tão completamente
seguros da existência deste, como de alguma coisa no mundo presente. Nós não podemos pensar que a morte
coloca um ponto final em nossa existência. O corpo realmente retorna ao pó; mas a alma, sendo de uma
natureza mais nobre não é afetada por isso. Há, portanto, um mundo eterno, como quer que seja. Mas como
devemos obter o conhecimento disto? O que irá nos ensinar a colocar de lado, o véu 'que se dependura em
meio à existência mortal e imortal?'. Todos sabemos 'do panorama vasto e ilimitado, se estende, diante de
nós'; mas não estamos constrangidos a mencionar, 'ainda que as nuvens e a escuridão, pairem sobre ele'.

7. O mais excelente de nossos sentidos, é inegavelmente claro, pode nos dar nenhuma assistência
nisso. E o que pode nossa razão grosseira fazer? Agora é universalmente permitido que 'nada existe em
nosso entendimento, que não tenha sido, primeiro, percebido por alguns dos sentidos'. Conseqüentemente, a
razão, tendo aqui nada sobre o que trabalhar, não nos permite ajuda alguma, afinal. De modo que, a despeito
de toda informação que podemos obter, se do sentido ou razão, ambas do mundo invisível e eterno são
desconhecidas a todos que 'caminham pela vista'.

8. Mas não existe ajuda? Eles devem continuar, em total escuridão, concernente ao mundo invisível e
eterno? Nós não podemos afirmar isto: Mesmo os pagãos não permanecem, em total escuridão, com respeito
a eles, afinal. Em todas as épocas e nações, alguns poucos raios de luz têm brilhado levemente, através da
sombra. Alguma luz eles derivaram das várias fontes, no tocante ao mundo invisível. 'Os céus declararam a
glória de Deus', embora não para a vista exterior deles: 'O firmamento mostrou', para os olhos de seu
entendimento, a existência do seu Mestre. Da criação, eles inferiram a existência de um Criador, poderoso e
sábio; justo e misericordioso. E, disso, eles concluíram que devia haver um mundo eterno, um estado futuro,
a começar depois do presente; no qual a justiça de Deus, punindo os homens maus, e sua misericórdia
recompensando os justos, seria aberta e inegavelmente disposta, à vista de todas as criaturas inteligentes.

9. Nós podemos supor razoavelmente que alguns indícios de conhecimento, tanto com respeito ao
mundo invisível quanto eterno, foram entregues a Noé e seus filhos, ambos aos seus descendentes imediatos
e remotos. E, não obstante, esses estivessem obscurecidos ou disfarçados, através da adição de inúmeras
fábulas, ainda assim, alguma coisa da verdade esteve misturada com eles, e esses raios de luz impediram a
escuridão completa. Acrescente a isto, que Deus nunca, em época ou nação alguma, 'deixou a si mesmo',
completamente 'sem um testemunho', nos corações dos homens; mas, enquanto Ele 'deu a ele chuva e épocas
férteis', concedeu algum conhecimento imperfeito do Doador. 'Ele é a Luz verdadeira que' ainda, em algum
grau, 'instruiu todo homem que veio ao mundo'

10. Mas, todas essas luzes, juntas, não servirão para produzir, mais além, do que um fraco
crepúsculo. Elas não deram, nem mesmo ao mais ilustrado deles, demonstração alguma; convicção alguma
concludente, tanto do mundo invisível quanto do mundo eterno. Nosso poeta filósofo justamente denomina
Sócrates 'o mais sábio de todos os homens morais'; ou seja, de todos que não foram favorecidos com a
Revelação Divina. Ainda assim, que evidência ele teve do outro mundo, quando ele se dirigiu àqueles que o
tinham condenado à morte? – 'E agora, Ó vocês, juízes, vocês irão viver, e eu irei morrer! Qual desses é
melhor, Deus sabe; mas eu suponho que nenhum homem morre'. Ai de mim! Que confissão é esta! Esta era
toda a evidência que o pobre moribundo Sócrates tinha, tanto do mundo invisível quanto do eterno? Pois,
ainda assim, era preferível à luz do grande e bom Imperador Adrian. Lembrem-se, vocês, modernos pagãos,
e copiem depois seu discurso patético à sua alma moribunda. Porque temendo que eu pudesse confundi-los
com o Latim, eu lhes ofereço uma bonita tradução de um prior. –

Pobre, pequena e bela, coisa adejante,


não devemos viver mais tempo juntos?
E tu não podas tuas asas trêmulas,
para voares, tu não sabes para onde?
Teu caráter agradável, teus temperamentos tolos,
estão todos descuidados, todos esquecidos!
E a pesarosa, vacilante, melancolia,
tu esperas e temes, tu não sabes o quê!
11. Tu não sabes o quê!'. Verdade, não existia conhecimento do que deveria ser esperado ou temido
depois da morte, até que o 'Sol da Retidão', se ergueu para dissipar todas as conjecturas vãs deles, e 'trouxe
vida e imortalidade', ou seja, vida imortal, 'para brilhar, através do Evangelho'. Então, (e não até então,
exceto em algumas instâncias raras) Deus revelou, o mundo invisível, sem máscara. Assim, ele revelou a si
mesmo para os filhos dos homens. 'O Pai revelou o Filho', em seus corações; e o Filho revelou o Pai.
Aquele dos tempos antigos 'ordenou que a luz brilhasse, na escuridão de seus corações e os iluminasse com
o conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'.

12. É onde o sentido não pode ser de uso mais além, que a fé vem em nosso socorro; é o grande
desiderato; ela faz o que nenhum dos sentidos pode; não; não com todas as ajudas que a inteligência
inventou. Todos os nossos instrumentos, por mais aperfeiçoados pela habilidade e trabalho de tantas épocas
sucessivas, não nos tornam capazes de fazer a menor descoberta dessas regiões desconhecidas. Eles
meramente servem as ocasiões para as quais foram formados no atual mundo visível.

13. Quão diferente é o caso; quão vasta a primazia, daqueles que 'caminham pela fé'. Deus, tendo
'aberto os olhos do entendimento deles', derrama sua luz divina em suas almas; por meio da qual, eles são
capacitados a 'ver a Ele que é invisível', a ver Deus e as coisas de Deus. O que seus 'olhos não vêem, nem
seus ouvidos ouvem, nem tem entrado em seus corações conceber', Deus, de tempos em tempos, revela a
eles, atrações da 'unção do Espírito Santo, que os ensina todas as coisas'. Tendo 'entrado, no mais santos,
através do sangue de Jesus', através daquele 'caminho novo e vivo', e estando reunidos juntos 'à assembléia
e a igreja geral do Primogênito, e junto a Deus, o Juiz de todos, e Jesus, o Mediador da Nova Aliança', --
cada um desses pode dizer, 'Eu não vivo, mas Cristo vive em mim'; (Gal.2:20) Eu agora vivo aquela vida
que 'está oculta com Cristo em Deus'; 'e, quando Cristo, que é minha vida, surgir, então, eu igualmente
aparecerei com Ele na glória'.

14. Eles que vivem pela fé, caminham pela fé. Mas o que está inserido nisto? Eles regulam todos os
seus julgamentos, com respeito ao bem e mal, não com referência às coisas visíveis e temporais, mas às
coisas invisíveis e eternas. Eles consideram as coisas visíveis de valor pequeno, porque transitórias, como
um sonho; mas, ao contrário, eles consideram as coisas invisíveis de muito valor, porque elas nunca
passarão. O que quer que seja invisível é eterno; as coisas que não são vistas, não perecem. Assim o
Apóstolo diz: (II Corintios 4:18) 'Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem;
porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas'. Portanto, eles que 'caminham pela
fé', não desejam 'as coisas que são vistas'; nem são eles os objetos de sua busca. Eles 'colocam suas afeições
nas coisas do alto, e não nas coisas da terra'. Eles buscam apenas as coisas que estão 'onde Jesus se situa, à
direita de Deus'. Porque eles sabem que 'as coisas que são vistas são temporais', passam como sombra, por
conseguinte, eles 'não olham para elas'; eles não as desejam; eles as consideram como nada; mas 'eles
buscam as coisas que não são vistas, que são eternas', que nunca passam. Através dessas, eles formam o
julgamento de todas as coisas. Eles as julgam serem boas ou más, se promovem ou impedem seu bem-estar,
não no tempo, mas na eternidade. Eles pesam o que quer que ocorra nessa balança: 'Que influência isto terá
em meu estado eterno?'. Eles regulam todos os seus temperamentos e paixões; todos os seus desejos,
alegrias, e temores, através desse modelo. Eles regulam todos os seus pensamentos e objetivos; todas as suas
palavras e ações, de modo a prepará-los para aquele mundo invisível e eterno para o qual eles estão
brevemente indo. Eles não habitam, a não ser, provisoriamente aqui; não olham com respeito à terra, como o
lar deles, mas apenas... 'Viajam, através do solo de Emanuel, para mundos mais justos no céu'.

15. Irmãos, vocês fazem parte do número daqueles que estão aqui agora, diante de Deus? Vocês
vêem a Ele que é invisível? Vocês têm fé, a fé viva, a fé de um filho? Vocês podem dizer, 'A vida que eu
vivo agora, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e deu a si mesmo por mim?'. Vocês caminham
pela fé? Observem a questão: Eu não pergunto, se vocês, amaldiçoam, fazem juramento, profanam o Dia do
Senhor, ou vivem algum pecado exterior. Eu não pergunto, se vocês fazem o bem, mais ou menos; ou
atendem todas as ordenanças de Deus. Mas, suponham que vocês sejam culpados, em todos esses aspectos,
eu pergunto, em nome de Deus, por qual padrão vocês julgam os valores das coisas? Pelo mundo visível, ou
pelo mundo invisível?
Trazendo a questão para um julgamento, em uma simples instância. Qual desses, vocês julgarão
melhor, -- que um filho seu seja um devoto sapateiro, ou um lorde profano? O que parece a vocês mais
desejável, -- que uma filha sua seja uma filha de Deus, e caminhe descalça, ou uma filha do diabo, e ande de
carruagem de seis cavalos? Quando a questão é concernente ao casamento de uma filha sua, se vocês
consideram seu corpo, mais do que a sua alma, então, tomem conhecimento de si mesmos: Vocês estão no
caminho do inferno, e não do céu; porque vocês caminham pela vista, e não pela fé. Eu não pergunto, se
vocês vivem algum pecado exterior ou negligência; mas, se vocês buscam, no teor geral de suas vidas, 'as
coisas que estão no alto', ou as coisas que estão abaixo: Vocês 'colocam suas afeições nas coisas acima', ou
nas 'coisas da terra?'. Se nas coisas da terra, vocês certamente estão no caminho da destruição, como um
ladrão ou um alcoólatra comum. Meus queridos amigos, que cada homem e mulher, entre vocês, confabule
honestamente consigo mesmo. Pergunte a seu próprio coração, 'O que eu estou buscando, dia após dia? O
que eu estou desejando: Eu estou indo ao encalço? céu ou terra?das coisas que são vistas, ou das coisas
que não são vistas?'. Qual é seu objetivo, Deus ou o mundo? Assim como o Senhor vive, eu lhes digo que,
se o mundo for o objetivo de vocês, toda a religião de vocês ainda será sem valor algum.

16. Vejam, então, meus queridos irmãos, que deste momento em diante, pelo menos, vocês escolham
a melhor parte. Deixem que o julgamento de vocês, a respeito de tudo que lhes diz respeito, ser de acordo
com o real valor das coisas, com uma referência ao mundo invisível e eterno. Vejam que vocês julguem tudo
ajustado para ser buscado ou evitado; de acordo com a influência que ele terá no seu estado eterno. Vejam
que suas afeições, seus desejos, sua alegria, sua esperança, estejam estabelecidas não sobre objetos
passageiros; não sobre coisas que fogem como uma sombra; que passam como um sonho; mas sobre aquelas
que permanecerão as mesmas, quando céu e terra 'passarem, e não possa mais ser achado lugar para eles'.
Vejam que tudo o que pensarem, falarem, ou fizerem, o olho da alma de vocês seja puro, fixado 'Nele que é
invisível', e 'nas glórias que serão reveladas'. Então, 'o corpo de vocês será cheio de luz': Toda a sua alma
desfrutará da luz do semblante de Deus; e você verá continuamente a luz do glorioso amor de Deus, 'na face
de Jesus Cristo'.

17. Vejam, especificamente, que todo os seus 'desejos sejam junto a Ele, e junto à lembrança de Seu
nome'. Evitem 'os desejos tolos e prejudiciais'; tais que surgem de alguma coisa visível e temporal. Todos
esses João nos adverte, sob o termo geral de 'amor ao mundo'. (I João 2:15) Não tanto aos filhos dos
homens do mundo, mas aos filhos de Deus, que Ele dá esta direção importante: 'Não ameis o mundo, nem o
que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele'. Não dêem lugar para 'o desejo da
carne', -- para a gratificação dos sentidos exteriores, se de paladar, ou algum outro. Não dêem lugar 'ao
desejo dos olhos', -- ao sentido interno, ou imaginação, -- gratificando-a, se através das coisas grandes,
bonitas ou incomuns. Não dêem lugar ao 'orgulho da vida', -- ao desejo da prosperidade, da pompa, ou da
honra que vem dos homens. João confirma esse conselho, através de uma consideração, comparada àquela
observação que Paulo fez aos Coríntios: (I João 2:16-17) 'Porque tudo o que há no mundo, a
concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo'.
Todos os objetos, ocupações, cuidados mundanos; o que quer que agora atraia nosso cuidado ou nossa
atenção – 'passarão', -- e no mesmo ato de passar, não retornarão mais. Portanto, não deseje nada dessas
coisas que são fugazes, mas aquela glória que 'permanecerá para sempre'.

18. Observem bem: Esta religião; esta, apenas, é a verdadeira religião; não esta, ou aquela opinião, ou
sistemas de opiniões; sejam eles sempre tão verdadeiros, sempre tão bíblicos. É verdade que isto é
comumente chamado de fé. Mas esses que supõem que a religião significa entregar-se à uma forte ilusão,
para crer numa mentira; e se eles supõem que ela seja um passaporte para o céu, eles estão no caminho
direto para o inferno. Prestem bem atenção: Religião não é inocência; o que um observador cuidadoso da
humanidade propriamente denomina de inocência diabólica; uma vez que ela leva milhares para o abismo
sem fim. Ela não é moralidade; excelente como isto seja, quando construída em um alicerce correto: fé
amorosa; a não ser, quando, pelo contrário, ela não é de valor algum às vistas de Deus. Ela não é
formalidade, -- a mais exata observação de todas as ordenanças de Deus. Isto, também, exceto que seja
construída no alicerce correto, não agrada mais a Deus do que 'cortar fora o pescoço de um cão'. Não:
Religião não menos do que viver na eternidade, e caminhar na eternidade; e, por meio disto, caminhar no
amor de Deus e homem, na humildade, submissão, e resignação. Esta, e tão somente esta, é aquela 'vida que
está oculta com Cristo em Deus'. Tão somente aquele que a experimenta 'habita em Deus, e Deus nele'.
Apenas esta assenta a coroa sobre a cabeça de Cristo, e faz 'a vontade Dele na terra, como ela é feita no
céu'.

19. Facilmente será observado que esta é a mesma coisa que os homens do mundo chamam de
entusiasmo, -- uma palavra justamente adequada para o propósito deles, porque nenhum homem pode dizer
tanto o significado, quanto a derivação dela. Se ela tem algum sentido determinado, ele significa uma
espécie de loucura religiosa. Por esta razão, quando vocês contam suas experiências, eles imediatamente
gritam: 'Excesso de religião os tem tornado loucos!'. E todos que experimentam, tanto o mundo invisível,
quanto o mundo eterno, eles supõem ser apenas o sonho acordado de uma imaginação exaltada. Não é
diferente, quando homens nascidos cegos tomam sobre si, o discernir, concernente luz e cores. Eles irão
rapidamente declarar como insanos os que afirmam a existência dessas coisas, a respeito das quais eles não
têm idéia.

20. De tudo que tem sido dito, pode ser visto, com a maior clareza, qual a natureza daquela coisa
moderna chamada devassidão. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça! Trata-se da mesma quinta-essência
do ateísmo; é artificial, acrescido da descrença natural. É a habilidade de esquecer Deus, de se estar
completamente 'sem Deus no mundo'; a habilidade de excluí-Lo, se não, do mundo que Ele criou, ainda
assim, das mentes de suas criaturas inteligentes. Trata-se da total desatenção premeditada para com todo o
mundo invisível e eterno; mais especialmente à morte, ao portão da eternidade, e às conseqüências
importantes da morte , -- céu e inferno!

21. Esta é a real natureza da devassidão. E esta é uma coisa tão inofensiva, quanto é usualmente
pensado? Pois digo que este é um dos instrumentos mais escolhidos, para destruir os espíritos imortais, que
alguma vez foi forjado nos laboratórios do inferno. Tem sido os meios, para lançar miríades de almas, que
teriam desfrutado da glória de Deus, no fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Ele destrói toda
religião de um só golpe, e eleva o homem ao nível das bestas que perecem. Todos vocês que temem a Deus,
fujam da devassidão! Temam e abominem o simples mencionar dela! Trabalhem para terem Deus em todos
os seus pensamentos, para terem a eternidade sempre em seus olhos! 'Busquem', continuamente, 'não as
coisas que são vistas, mas as coisas que não são vistas'. Permitam que seus corações estejam fixos lá, onde
'Cristo se senta, à direita de Deus!', para que, quando Ele os chamarem, 'uma permissão possa ser
ministrada a vocês, abundantemente, junto ao Seu reino eterno!'.

Londres, 30 de Dezembro de 1788 [O Sr. Wesley tinha, então, 88 anos. Três anos depois, em 1791, no mês
de Março, ele faleceu].

[Editado por Tracey Bryan, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções através
de George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

A UNIDADE DO SER DIVINO

―Existe um só Deus‖ (Marcos 12:32)

1. E como existe um só Deus, então, existe uma só religião e uma só felicidade para todos os
homens. Deus nunca pretendeu que existisse algum mais; e nem é possível que houvesse. Na verdade, em
outro sentido, como o Apóstolo observa: ―existem muitos deuses, e muitos senhores‖. Todas as nações
pagãs tiveram seus deuses; e muitos, grande quantidade deles. E geralmente, quanto mais educados eles
eram, mais deuses, eles amontoavam para si mesmos. Mas para nós, a todos que são favorecidos com a
revelação cristã. ―existe um só Deus‖, que declara de si mesmo: ―existe algum Deus, além de mim? Não
existe nenhum; eu não conheço um‖.
2. Mas quem pode explorar este Deus à perfeição? Nenhuma das criaturas que ele criou. Apenas
alguns de seus atributos, ele se agradou de revelar a nós em sua palavra. Conseqüentemente, nós
aprendemos que Deus é um Ser eterno. ―Sua existência é eterna‖, e continuará eternamente. Como ele
sempre existiu, então, ele sempre existirá; como não houve princípio em sua existência, então, não haverá
fim. Universalmente admite-se que esteja contido em seu próprio nome, Jeová, que o Apóstolo João,
portanto traduz: ―Ele que foi, e que é, e que será‖. Talvez, fosse apropriado dizer: ―Ele é da eternidade
para a eternidade‖.

3. Proximamente associada à eternidade de Deus, está sua onipresença. Como ele existe por toda a
duração infinita, então, ele não pode deixar de existir, através do espaço infinito, de acordo com sua própria
indagação, equivalente à mais forte afirmação, -- ―Eu não preencho céus e terra? Diz o Senhor‖; (céu e
terra no idioma Hebraico, implicando todo o universo) o que, portanto, de acordo com sua própria
declaração, é preenchido com sua presença.

4. Este Ser único, eterno, onipresente, é igualmente todo-perfeito. Ele tem, de eternidade a
eternidade, todas as perfeições, e infinitamente mais do que alguma vez entrou, ou poderá entrar no coração
do homem conceber; sim, infinitamente mais do que os anjos no céu podem conceber. Essas perfeições, nós
usualmente denominamos de os atributos de Deus.

5. E ele é onipotente, assim como onipresente; não podem existir limites para seu poder, mais do que
para sua presença. Ele ―tem o braço poderoso; forte é sua mão, e forte é seu pulso direito‖. Ele faz o que
quer que lhe agrade, nos céus, terra, mar, e em todos os lugares secretos. Com homens, nós sabemos que
muitas coisas são impossíveis, mas não são, com Deus: Com ele, ―todas as coisas são possíveis‖. Quando
quer que ele deseje fazer esta presente nele.

6. A onisciência de Deus é uma conseqüência clara e necessária de sua onipresença. Se ele está em
toda parte do universo, ele não pode deixar de conhecer o que quer que exista, ou seja feito lá; de acordo
com as palavras de Tiago: ―Conhecidas por Deus, são todas as suas obras‖, e as palavras da própria
criatura: ―desde o princípio‖ do mundo; ou antes, como a frase literalmente implica, ―da eternidade‖. Seus
olhos não estão apenas ―sobre toda a terra, observando o mau e o bom‖; mas igualmente sobre toda a
criação; sim, e os caminhos da noite não criada. Existe alguma diferença entre seu conhecimento e sua
sabedoria? Se existir, seu conhecimento não é o termo mais geral (pelo menos, de acordo com nossas fracas
concepções) e sua sabedoria um ramo específico dele; ou seja, sabendo a finalidade de tudo que existe, e os
meios de ajustar isto àquela finalidade?

7. Santidade é outro dos atributos do Altíssimo, todo-poderoso Deus. Ele está infinitamente distante
de todo toque do diabo. Ele ―é luz; e nele não existem trevas, afinal‖. Ele é um Deus de justiça e verdade
sem mácula; mas acima de tudo, está sua misericórdia. Isto nós podemos facilmente aprender daquela bela
passagem no trigésimo terceiro e trigésimo quarto capítulos de Êxodo: ―E Moisés disse, eu imploro a ti, que
me mostre tua glória. E o Senhor desceu nas nuvens e proclamou o nome do Senhor. -- O senhor, o Senhor
Deus, misericordioso e gracioso, longânime, e abundante em bondade e verdade, mantendo misericórdia
para milhares, e esquecendo a iniqüidade e transgressão e pecado‖.

8. Este Deus é um Espírito; não tendo tal corpo, tais partes, ou paixões, como os homens têm. Foi a
opinião tanto dos antigos judeus, quanto dos antigos cristãos, que Ele apenas é um Espírito puro, totalmente
separado de toda a matéria, considerando que eles supunham que todos os outros espíritos, até mesmo os
mais sublimes anjos, até mesmo querubins e serafins, habitavam nos veículos materiais, embora de uma
substância excessivamente leve e sutil. Naquele ponto de duração, que a sabedoria infinita de Deus viu ser
mais apropriado, por razões que se ocultam nos abismos de seu próprio entendimento, não ser sondado por
qualquer mente finita, Deus ―trouxe à existência todo que existe;‖ criou os céus e terra, junto com tudo que
eles continham. ―Todas as coisas foram criadas por ele, e sem ele, nada do que foi criado, teria sido‖. Ele
criou o homem, em específico, segundo a sua própria imagem, para ser ―um retrato de sua própria
eternidade‖. Quando ele ergueu o homem do pó da terra, ele soprou nele um espírito imortal.
Conseqüentemente, ele é peculiarmente chamado, ―O Pai de nossos espíritos‖; sim, ―O Pai dos espíritos de
toda a carne‖.

9. Ele ―criou todas as coisas‖, como o sábio observa, ―para si mesmo‖; ―para sua glória, elas
foram criadas‖. Não, ―como se ele necessitasse de alguma coisa‖, vendo que ―ele dá a todos vida, e fôlego,
e todas as coisas‖. Ele criou todas as coisas para serem felizes. Ele criou o homem para ser feliz, em Si
mesmo. Ele é o próprio centro dos espíritos; para o qual, todo espírito criado foi feito. Então verdadeiro é
aquele bem conhecido dizer dos antepassados: Fecisti nos ad te: et irrequietum est cor nostrum, donec
requiescat in te: "Tu nos fizeste para ti mesmo; e nosso coração não descansa, até que ele descanse em ti‖.

10. Esta observação nos dá uma clara resposta àquela questão na Reunião de Catecismo: ―Para que
finalidade, Deus criou o homem?‖. A resposta é: ―Para glorificar e desfrutar dele para sempre‖. Isto é
indubitavelmente verdadeiro; mas está inteiramente claro, especialmente para homens de capacidades
comuns? A generalidade das pessoas comuns entende esta expressão: ―Para glorificar a Deus?‖. Não; não
mais do que eles entendem o Grego. E está completamente acima da capacidade das crianças; para as quais
podemos dificilmente falar claro o suficiente. Agora, este não é o mesmo princípio que deveria ser inculcado
em cada criatura humana, -- ―Você é feito para ser feliz em Deus‖, tão logo quanto a razão comece a
manifestar-se? Cada pai, tão longo a criança comece a falar; ou correr sozinha, dizer alguma coisa deste
tipo: ―Veja! O que é que brilha sobre a sua cabeça? Isto, nós chamamos de sol. Veja, quão brilhante ele é!
Sinta quanto ele o aquece! Ele faz a grama brotar, e todas as coisas crescerem. Mas Deus criou o sol. O sol
não poderia brilhar, O sol não brilharia, não aqueceria, nem faria bem algum, sem ele‖. Desta maneira
clara e familiar, um pai sábio, poderia, muitas vezes no dia, falar alguma coisa de Deus; particularmente
insistindo: ‖Ele criou você; e ele criou você para ser feliz nele; e nada mais pode fazê-lo feliz‖. Não
podemos impor isto bem cedo. Se você disser: ―Não; mas eles não podem entendê-lo, enquanto tão jovens‖.
Eu respondo; não; nem quando eles têm cinqüenta anos, exceto se Deus abrir o entendimento deles. E ele
não pode fazer isto em qualquer idade?

11. Na verdade, isto deveria ser imposto sobre cada criatura humana, jovem ou idoso, mais
sinceramente e diligentemente, porque tão excessivamente poucos, até mesmos destes que são chamados
cristãos, parecem conhecer alguma coisa a respeito disto. Muitos, na verdade, pensam em ser felizes com
Deus no céu, mas serem felizes com Deus na terra, nunca entrou em seus pensamentos. Nada mais, nada
menos, porque, desde que eles vêm ao mundo, eles são cercados por ídolos. Tais, por sua vez, são todas ―as
coisas que são vistas‖, (considerando que Deus não é visto) e que todas prometem uma felicidade independe
de Deus. De fato, é verdade que...

Puros de coração e vontade,


Fomos criados por Deus;
Mas transformamos o bem em mal.
E sobre as criaturas desviadas;
Multiplicamos nossos pensamentos errantes,
Que, a princípio, fora fixado em Deus apenas;
Em dez mil objetos, buscou
A bem-aventurança que perdemos em um.

12. Esses ídolos, esses rivais de Deus, são inumeráveis; mas eles podem ser proximamente reduzidos
a três partes: (1) Objetos de sentido; tal como gratificar um ou mais de nossos sentidos exteriores. Esses
estimulam o primeiro tipo de ―amor ao mundo‖, que João denomina, ―o desejo da carne‖. (2) Objetos da
imaginação; coisas que gratificam nossa fantasia, através de sua grandeza, beleza, novidade. Todos esses nos
fazem promessas justas de felicidade, e por meio deles, impedem que a busquemos em Deus. Isto o
Apóstolo denomina, ―o desejo dos olhos‖, por meio do qual, principalmente, a imaginação é gratificada. (3)
Eles são o que João chama, ―o orgulho da vida‖. Ele parece significar honra, riqueza, e o que quer que
diretamente tenda a produzir orgulho.
13. Mas suponham que nos precavêssemos contra todos esses, não existem outros ídolos que não
tenhamos necessidade de estarmos apreensivos a respeito; e ídolos, portanto, mais perigosos, porque não
suspeitamos de perigo neles? Porque, devemos ter algum medo de nossos amigos e parentes; dos carinhos
mútuos de maridos e esposas; ou de pais e filhos? Não devemos ter uma afeição muito terna com relação a
eles? Nós não devemos amá-los a não ser menos do que a Deus? Sim, e não existe uma afeição devida
àqueles a quem Deus tornou proveitosos para nossas almas? Nós não somos ordenados a ―estimá-los
grandemente, por amor a eles?‖ tudo isto é inquestionavelmente verdadeiro; e esta mesma coisa cria a
dificuldade. Quem é suficiente para isto? – ir o suficiente nisto, e não mais além? – amá-los o suficiente, e
não muito? Podemos amar a esposa, filho, amigo, bem o suficiente, sem amar a criatura mais do que o
Criador? Quem é capaz de seguir a advertência que Paulo dá aos cristãos em Tessalônica? (I Tess. 4: 4-5)
―Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, Não na paixão da concupiscência,
como os gentios que não conhecem a Deus‖.

14. Eu espero que essa significativa passagem (tão estranhamente mascarada em nossa tradução) seja
devidamente considerada: ―Que cada um de vocês saibam como possuir sua eleita‖, sua esposa, ―na
santificação e honra‖; de maneira, a nem desonrar a Deus, nem a si mesmo; nem obstruir, mas promover a
santidade. Paulo prossegue: mE en pathei epithymias, que nós reproduzimos: ―não na luxúria da
concupiscência‖. (O que é isto? Ela dá ao leitor inglês, nenhuma concepção, afinal`. Pathos significa
qualquer afeição violenta ou impetuosa. Epithymia é desejo. Através das suas palavras, o Apóstolo
indubitavelmente quer dizer, afeições veementes e impetuosas) – ―já que os gentios não conhecem a Deus‖,
então, podem naturalmente buscar felicidade na criatura.

15. Se, pela graça de Deus, temos evitado ou abandonado todos esses ídolos, existe um ainda mais
perigoso do que todo o restante; ou seja, a religião. Pode facilmente ser compreendido, que eu quero dizer a
falsa religião; ou seja, qualquer religião que não implique em dar o coração a Deus. Tal é, em primeiro
lugar, a religião de opiniões; ou aquela que é chamada ortodoxia. Nesta armadilha, caem milhares daqueles
que professam defender ―a salvação pela fé‖; na verdade, todos aqueles que, pela fé, querem dizer apenas
um sistema de opiniões Arminianas ou Calvinistas. Tais como é, em segundo lugar, a religião das formas; da
mera adoração exterior, como quer que seja constantemente executada; sim, embora atendamos o serviço da
igreja, todos os dias, e a Ceia do Senhor, todo o domingo. Tal é, em terceiro lugar, a religião das obras; do
buscar o favor de Deus, fazendo bem aos homens. Tal é, por fim, a religião do ateísmo; ou seja, toda religião
em que Deus não é colocado como alicerce. Em uma palavra, a religião em que ―Deus em Cristo,
reconciliando o mundo junto a si mesmo‖, não é o Alfa e ômega, o começo e o fim, o primeiro e o último
ponto.

16. A verdadeira religião significa temperamentos corretos em direção a Deus e ao homem. Ela é, em
duas palavras, gratidão e benevolência; gratidão ao nosso Criador e supremo Benfeitor, e benevolência aos
nossos companheiros. Em outras palavras, é o amar a Deus, com todo nosso coração, e ao próximo, como a
nós mesmos.

17. É em conseqüência de sabermos que Deus nos ama, que amamos a ele, e amamos ao nosso
próximo, como a nós mesmos. Gratidão, em direção a nosso Criador não pode deixar de produzir
benevolência para com nossos companheiros. O amor de Cristo nos constrange, não apenas a sermos
inofensivos, a não fazermos mal ao nosso próximo, mas a sermos úteis, ―zelosos das boas obras‖; ―sempre
que pudermos, fazermos o bem a todos os homens‖; e padrões de toda a verdadeira moralidade genuína; de
justiça, misericórdia, e verdade. Está é a religião, e esta é a felicidade; a felicidade para a qual formos feitos.
Isto começa, quando começamos a conhecer a Deus, pelo ensinamento de seu próprio Espírito. Tão logo o
Pai dos espíritos revela seu Filho, em nossos corações, o Filho revela seu Pai, o amor de Deus é espalhado
por todo nossos corações; então, e não até então, somos felizes. Somos felizes, primeiro, na conscientização
de seu favor, que, na verdade, é melhor do que a própria vida; em seguida, na constante comunhão com o
Pai, e com seu Filho, Jesus Cristo; então, em todos os temperamentos divinos, que ele forjou em nós, pelo
seu Espírito; novamente, no testemunho de seu Espírito, para que todas as nossas obras agradem a ele; e, por
fim, no testemunho de nosso próprio espírito, para que ―na simplicidade, e sinceridade santa, tenhamos
nossa vida no mundo‖. Segurando firme nesta liberdade do pecado e tristeza, em que Cristo nos fez livres,
os cristãos verdadeiros ―regozijam-se sempre mais; oram sem cessar, e em tudo dão graças‖. E a felicidade
deles ainda aumenta, quando eles ―crescem na medida da estatura da plenitude de Cristo‖.

18. Mas quão pouca esta religião é praticada, ou mesmo ensinada a respeito, no mundo cristão. Por
outro lado, que razão temos para seguirmos a lamentação de um santo moribundo (sr. Haliburton da Igreja
de St. Andrew, na Escócia); ―Ó, senhores, eu temo que uma espécie de religião racional está mais ou menos
prevalecendo em nosso meio; uma religião que tem nada de Cristo, pertencendo a ela; não; que não tem
apenas nada de Cristo, mas nada de Deus, nela!‖. E, de fato, quão geralmente isto prevalece, não apenas
em meio aos professos infiéis, mas também entre aqueles que chamam a si mesmos, cristãos; que professam
acreditar que a Bíblia é a palavra de Deus! Assim, nosso próprio compatriota, sr. Wollaston, naquela
elaborada obra: ―A Religião da Natureza Delineada‖, nos presenteia com um sistema completo de religião,
sem alguma coisa de Deus, relativo a ela; sem observar, em algum grau, tanto a revelação judaica, quanto
cristã. Assim o sr. Burlomachi de Gênova, em seu curioso, ―Tratado sobre a Lei da Natureza‖, não faz uso
da Bíblia, algo mais do se ela nunca a tivesse visto. E assim, o falecido professor Hutcheson, de Glasgow
(um escritor mais estranho do que qualquer um dos outros) está tão longe de estabelecer virtude, tanto no
temor quanto no amor de Deus, que ele completamente tira Deus fora da questão, não tendo escrúpulos em
declarar, em termos expressos, que uma consideração a Deus é inconsistente com a virtude; de tal maneira
que, se ao fazer uma ação beneficente, você espera Deus recompensá-la, a virtude da ação está perdida: Não
se trata, então, de ação virtuosa, mas, egoísta.

19. Talvez, na verdade, não existam muitos que levem o assunto à tão grande extensão. Mas quão
grande é o número daqueles que, admitindo que a religião consiste em dois ramos , -- nosso dever para com
Deus, e nosso dever para com nosso próximo, -- esquece inteiramente a primeira parte, e toma a segunda,
pelo todo, -- pelo completo dever do homem! Assim, quase todos os homens cultos, ambos na Inglaterra,
França, Alemanha; sim, e todas as regiões civilizadas da Europa, exaltam a humanidade aos céus, como a
própria essência da religião. A isto o grande triunvirato, Rousseau, Voltaire, e David Hume, têm contribuído
com seus trabalhos, não economizando esforços para estabelecer a religião que se situaria em suas próprias
fundações, independente de qualquer revelação que seja; sim, nem mesmo supondo a existência de um
Deus. Assim, deixando a Ele, se ele tem alguma existência, para si mesmo, eles se certificaram da religião,
assim como da felicidade que não tem relação com Deus, afinal, nem qualquer dependência dele.

20. Não é de se admirar que esta religião fosse se tornar moderna, e espalhar-se mais e mais
amplamente no mundo. Mas chame isto de humanidade, virtude, moralidade, ou o que lhe agradar, ela não é
nem melhor, nem pior do que o ateísmo. Os homens, por meio dela, obstinadamente e propositadamente
separam o que Deus juntou, -- as obrigações da primeira e da segunda mesa. Ela está separando o amor a
nosso próximo, do amor a Deus. É um caminho plausível de colocar Deus fora do mundo que ele criou. Eles
podem trabalhar, sem ele; e assim tanto desistir dele inteiramente, não o considerando, afinal, quanto supor
que, desde que ele nos deu início às coisas, e colocou um parafuso neste carrossel, ele não tem se
preocupado com essas ninharias, mas deixou que cada coisa tomasse seu próprio curso.

21. Ao contrário, nós temos a mais completa evidência de que o eterno, onipresente, todo-poderoso,
todo sábio, Espírito, uma vez que ele criou todas as coisas, então, ele continuamente dirige o que quer que
ele criou. Ele governa tudo, não apenas nos limites da criação, mas através da mais extrema extensão de
espaço; não apenas, dentro de um curto período de tempo, que é medido pela terra e sol, mas de eternidade a
eternidade. Nós sabemos que, assim como toda natureza depende dele, então toda a religião, e toda a
felicidade; e sabemos que quem quer que nos ensine a buscar a felicidade, sem ele, são monstros, e as pestes
da sociedade.

22. Mas, depois de todas as tentativas dos homens cultos e incultos, chegaremos à conclusão de que,
como existe apenas um Deus, então, existe uma só felicidade, e uma só religião. E ambas se centram em
Deus. Tanto através das Escrituras, quanto experiência, nos certificamos que um homem pecaminoso, e,
portanto, um homem infeliz, buscando descanso e não encontrando, mais cedo ou mais tarde, é convencido
de que o pecado é o alicerce desta miséria; e clama das profundezas a Ele que é capaz de salvar: ―Deus, seja
misericordioso comigo, um pecador!‖. Não muito tempo antes que ele encontra ―redenção no sangue de
Jesus, até mesmo, o perdão dos pecados‖. Então, ―o Pai revela seu Filho‖, em seu coração; e ele ―chama
Jesus, Senhor, através do Espírito Santo‖. E, então, o amor de Deus é ―espalhado em seu coração, pelo
Espírito Santo que é dado a ele‖. Deste princípio, brota a benevolência real, desinteressada a toda a
humanidade; tornando-o humilde, manso, gentil para com todos os homens, fácil de ser solicitado, -- de ser
convencido do que é certo, e persuadido ao que é bom; inviolavelmente paciente, com uma aquiescência
grata, em cada passo de sua adorável providência. Esta é a religião, toda a mente que estava também em
Jesus Cristo. E algum homem tem a insolência ou estupidez de negar que isto é felicidade; sim, que ela
permite mais da felicidade abaixo, do que os vitoriosos em um triunfo conhecem?

23. Não pode haver dúvida de que deste amor a Deus e ao homem, um modo de vida adequado se
seguirá. Sua ―comunicação‖, ou seja, discurso ―será sempre na graça, temperado com sal, e adequado para
ministrar graça aos ouvintes‖. Ele ―abrirá‖ sempre ―sua boca, com sabedoria, e haverá em sua língua, a
lei da delicadeza‖. Conseqüentemente, suas palavras afetuosas ―destilarão, como o orvalho, e como a
chuva, sobre a erva tenra‖. E os homens saberão, que não é apenas ele quem fala, mas o Espírito do Pai,
que fala nele. Suas ações brotarão da mesma fonte de suas palavras; até mesmo, da abundância de um
coração amoroso. E, enquanto todos esses almejam a glória de Deus, e tendem a este único ponto, o que
quer que façam, podem verdadeiramente dizer: --

Finalidade de todas as minhas ações, tu és,


Em todas as coisas eu vejo a ti:
Aceita meu trabalho consagrado agora,
Eu o faço, como se fosse a ti!

24. Aquele, a quem este caráter pertence; e ele apenas, é um cristão. A ele, o único Espírito eterno,
onipresente, todo-perfeito, é o ―Alfa e Ômega, o primeiro e o último‖; não seu Criador apenas; mas seu
Sustentador, seu Preservador, seu Governador; sim, seu Pai, seu Salvador, Sanfificador, e Confortador. Este
Deus é seu Deus, e seu Tudo, no tempo e na eternidade. É a benevolência brotando desta raiz que é a
religião pura, imaculada. Mas, se ela for construída sobre qualquer outro alicerce, de nenhum proveito aos
olhos de Deus, então, ela trará nenhuma felicidade real, sólida, permanente para o homem, mas o deixará
ainda como uma criatura pobre, estéril, indigente, e insatisfeita.

25. Que todos, portanto, que desejam agradar a Deus, digne-se a ser ensinado por Deus, e cuide de
caminhar naquele passo que o próprio Deus designou. Tome cuidado de tomar metade desta religião pelo
todo; mas tome ambas as partes dela, juntas. E veja que você comece onde o próprio Deus começa: ―Não
tenhas outros deuses perante mim‖. Este não é o primeiro, o próprio nosso Senhor sendo Juiz, assim como o
maior, mandamento? Em Primeiro Lugar, portanto, veja que vocês amem a Deus; em seguida, seu próximo.
– cada filho do homem. Desta fonte, que todo temperamento, toda afeição, toda paixão procedeu. Assim,
que ―esteja em vocês‖ aquela ―mente que havia também em Cristo Jesus‖. Que todos os pensamentos,
palavras, e ações brotem disto! Assim, vocês ―herdarão o reino, preparado para vocês, desde o começo do
mundo‖.

Pregado em DUBLIN, 9 de Abril 1789.

[Editado por Carla Joy, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Ofício Ministerial

'E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão'. (Hebreus 5:4)

[Com respeito a este Sermão, a seguinte informação foi dada pelo Sr. Moore, em seu "Life of Mr.
Wesley," vol. ii., p. 339] --
"Eu estava com o Sr. Wesley, em Londres, quando ele publicou este Sermão. Ele havia me
encorajado a ser um homem de um livro; e ele tinha repetidamente me convidado a falar abertamente de
qualquer objeção que eu tivesse, por alguma coisa que ele publicou".

"Eu pensei que algumas coisas neste discurso não fossem encontradas na Bíblia; e eu resolvi dizer a
ele na primeira oportunidade. Ela logo surgiu. Eu respectivamente observei que eu concordei com ele que
nosso Senhor havia enviado sempre para a humanidade, através das pessoas a quem ele enviava, instrução,
reprovação, e correção na retidão; e que havia uma distinção real entre o ofício profético e o sacerdotal, no
Velho Testamento, e o ofício profético e pastoral no Novo; (onde nenhum sacerdócio é mencionado, a não
ser aquele de nosso Senhor); mas eu não pensei que o que ele teria dito, concernente os Evangelistas e
Pastores, ou Bispos, fosse concordante com o que nós lemos lá; a saber; que o último tinha o direito de
administrar os sacramentos, que o primeiro não possuía. Eu observei":

"'Senhor, você sabe que os Evangelistas Timóteo e Tito foram ordenados pelo Apóstolo, para
conferir sacramento aos Bispos de todas as partes; e, certamente, eles não puderam conceder a eles uma
autoridade que eles mesmos não possuíam'".

"Ele olhou sinceramente para mim, por algum tempo, mas não com descontentamento. Ele não fez
qualquer réplica, e logo introduziu um outro assunto. Eu não disse mais nada. O homem de um livro não iria
disputar com ele. Eu creio que ele viu que, seu amor para com a Igreja, do qual ele nunca se desviou
desnecessariamente, tinha, nesta instância, o conduzido um pouco mais longe". – [Editor]

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1. Existem excessivamente poucos textos das Santas Escrituras que têm sido mais freqüentemente
estimulados do que este contra os pregadores leigos que não são nem Sacerdotes, nem Diáconos, e ainda
assim, tomaram para si pregarem. Muitos têm perguntado, "Como alguém se atreve 'tomar para si esta
honra, a menos que ele seja chamado de Deus, como foi Arão?'". Alguns anos atrás, um clérigo, piedoso e
sensato, publicou um sermão nestas palavras, em que ele se esforça para mostrar que não é suficiente ser
interiormente chamado por Deus para pregar, como muitos se imaginam ser, a menos que eles sejam
exteriormente chamados pelos homens enviados por Deus para este propósito, como Arão foi chamado por
Deus, através de Moisés.

2. Mas existe uma falha grave neste argumento, tão freqüentemente quanto ele tem sido apresentado.
'Chamado por Deus, como foi Arão!'. Mas Arão não pregou, afinal: Ele não foi chamado para isto, tanto por
Deus, quanto pelo homem. Arão foi chamado para ministrar nas coisas santas; -- para oferecer orações e
sacrifícios; para executar o ofício de um Sacerdote. Mas ele nunca foi chamado para ser um Pregador.

3. Nos tempos antigos, o ofício de um Sacerdote e aquele de um Pregador eram conhecidos por
serem inteiramente distintos. E, sendo assim, todos serão convencidos a traçarem o assunto imparcialmente
desde o começo. De Adão a Noé, todos admitiram que o primogênito, em cada família, fosse, é claro, o
sacerdote naquela família, em virtude de sua primogenitura. Mas isto não dava a ele o direito de ser um
Pregador, ou (em uma linguagem bíblica), um Profeta. Este ofício não pouco freqüentemente pertenceu ao
mais jovem ramo da família. Porque neste respeito, Deus sempre afirmou seu direito de enviar, através
daquele a que Ele enviava.

4. Do tempo de Noé, para aquele de Moisés, a mesma observação pode ser feita. O mais velho da
família era o Sacerdote, mas algum outro poderia ser o Profeta. Este, o ofício de Sacerdote, nós nos
certificamos Esaú herdou, em virtude de seu direito de primogenitura, até que ele profanamente o vendeu a
Jacó por um prato de guisado de lentilhas. E isto foi o que ele nunca pôde recuperar, 'embora ele o buscasse
cuidadosamente com lágrimas'. (Gênesis 25:30) 'E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse
guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom. Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua
primogenitura'.
5. De fato, no tempo de Moisés uma mudança considerável foi feita com respeito ao sacerdócio.
Deus, então, indicou que, em vez do primogênito, em cada casa, toda uma tribo pudesse ser dedicada a ele; e
que todos que, mais tarde, ministraram junto a ele, como sacerdotes, pudessem ser daquela tribo. (Números
3:6) 'Faze chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam'. (Números
3:12-13) 'E eu, eis que tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo o primogênito,
que abre a madre, entre os filhos de Israel; e os levitas serão meus. Porque todo o primogênito é meu;
desde o dia em que tenho ferido a todo o primogênito na terra do Egito, santifiquei para mim todo o
primogênito em Israel, desde o homem até ao animal: serão meus; eu sou o Senhor'. Assim, Arão foi da
tribo de Levi. E assim, igualmente foi Moisés. Mas ele não foi um Sacerdote, embora ele fosse o maior
Profeta que viveu antes que Deus trouxesse seu Unigênito para o mundo. Neste meio tempo, não muito dos
levitas foram Profetas. E, se algum foi, fora uma mera coisa acidental. Eles não eram tais como sendo
daquela tribo. Muitos, se não a maioria dos Profetas (como nós somos informados através dos antigos
escritores judeus), foram da tribo de Simeão. E alguns eram da tribo de Benjamim ou Judá, e provavelmente
de outras tribos também.

6. Mas nós temos razão para acreditar que houve, em todas as épocas, duas espécies de Profetas. O
extraordinário, como Natanael, Isaias, Jeremias, e muitos outros, em quem o Espírito Santo veio de uma
maneira extraordinária. Tal foi Amós, em particular, que disse de si mesmo: "Eu não fui Profeta, nem filho
de Profeta. Mas fui um pastor: E o Senhor disse junto a mim, 'Vá, profetize junto ao meu povo Israel'".

Os ordinários eram aqueles que eram educados nas 'escolas de Profetas', um dos que estava em
Rama, sobre o que Samuel presidiu. (I Samuel 19:18) 'Assim Davi fugiu e escapou, e foi a Samuel, em
Ramá, e lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera; e foram, ele e Samuel, e ficaram em Naiote'. Esses eram
treinados para instruírem o povo, e eram os pregadores costumeiros em suas sinagogas. No Novo
Testamento, eles são usualmente denominados escribas, ou 'os intérpretes da lei'. Mas poucos, se alguns
deles, eram Sacerdotes. Estes eram, por todo o tempo, uma ordem diferente.

7. Muitos homens cultos têm mostrado amplamente que o próprio nosso Senhor, e todos seus
Apóstolos construíram a Igreja Cristã, tão proximamente quanto possível aos planos judaicos. Assim, o
grande Sacerdote de nossa profissão enviou apóstolos e evangelistas para proclamarem as boas novas para
todo o mundo; e, então, Pastores, Pregadores, e Professores, para construírem na fé as congregações que
poderiam ser fundadas. Mas eu não acho que mesmo o ofício de um Evangelista fosse o mesmo que de um
Pastor, freqüentemente chamado de Bispo. Ele presidia sobre o rebanho, e administrava os sacramentos: O
primeiro o assistia, e pregava a Palavra, tanto em uma ou mais congregações. Eu não posso provar, de
alguma parte do Novo Testamento, ou de algum autor dos três primeiros séculos, que o ofício de um
evangelista deu a algum homem o direito de agir como um Pastor ou Bispo. Eu acredito que esses ofícios
eram considerados tão completamente distintos um do outro, até os tempos de Constantino.

8. Na verdade, naquela má hora, quando Constantino, o Grande, chamou a si mesmo de Cristão, e


despejou honrarias e prosperidade sobre os cristãos, o caso foi amplamente alterado. Logo se tornou comum
para algum homem tomar a responsabilidade toda de uma congregação, com o objetivo de apoderar-se de
todo o pagamento. Assim sendo, a mesma pessoa atuava como Sacerdote e Profeta; como Pastor e
Evangelista. E isto gradualmente espalhou-se, mais e mais, através de toda a Igreja Cristã. Ainda assim,
mesmo naquela época, embora a mesma pessoa usualmente cumprisse ambos esses ofícios, mesmo então, o
ofício de um Evangelista ou Professor não significava aquela de um Pastor, a quem peculiarmente pertencia
a administração dos sacramentos; nem em meio aos Presbiterianos, nem na Igreja da Inglaterra, nem mesmo
em meio aos Católicos Romanos. Sabe-se que em todas as Igrejas Presbiterianas, as da Escócia, em
particular, licencia homens para pregar antes que eles sejam ordenados, por todo aquele reino. E nunca se
entendeu que esta nomeação para pregar deu a eles algum direito de administrar os sacramentos. Igualmente,
em nossa própria Igreja, pessoas podem ser autorizadas a pregarem, sim, podem ser os Doutores da
Divindade, (como foi o Dr. Alwood em Oxford, quando eu residi lá), que não foi ordenado, afinal, e,
conseqüentemente, não teve direito de administrar a Ceia do Senhor. Sim, mesmo na própria Igreja de
Roma, se um irmão leigo acredita que é chamado a ir para uma missão, como é chamado, ele é enviado,
embora não seja sacerdote, nem diácono, para executar aquele ofício, e não o outro.

9. Mas pode-se pensar que o caso agora, diante de nós, é diferente de todos esses? Indubitavelmente,
em muitos aspectos ele é. Tal fenômeno tem agora aparecido, como não apareceu no mundo cristão, antes;
pelo menos, não por muitas épocas. Dois jovens semearam a Palavra de Deus, não apenas nas igrejas, mas
igualmente, literalmente 'pelo lado da rodovia'; e, de fato, em todos os lugares onde eles viram uma porta
aberta, onde os pecadores tinham ouvidos para ouvirem. Eles foram membros da Igreja da Inglaterra, e não
tinham o objetivo de se separarem dela. E eles aconselharam todos os que eram dela a permanecerem,
embora eles se juntassem à Sociedade Metodista, porque isto não significava deixarem sua antiga
congregação, mas apenas deixarem seus pecados. O clérigo iria para a igreja ainda. O Presbiteriano,
Anabatistas [Membros de uma religião protestante dissidente que, na época da Reforma (séc. XVI), impunha
a repetição do batismo a quem o recebera antes do uso da razão. Sustentavam que a Igreja era composta só
dos santos (realmente convertidos) e insistiam na completa separação entre a Igreja e o Estado], Quacres
[Membros de religião protestante, fundada no século XVII por Jorge Fox (1624-1691). Professada,
sobretudo, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Os quacres crêem na direção do Espírito Santo, não admitem
sacramentos, não prestam juramentos, nem mesmo perante a Justiça, não pegam em armas, nem admitem
hierarquia eclesiástica], ainda reteriam suas próprias opiniões, e atenderiam às suas próprias congregações.
Terem um desejo real de fugirem da irá a vir foi a única condição requerida deles. Quem quer, portanto, 'que
temesse a Deus e operasse retidão' estava qualificado para esta sociedade.

10. Não muito tempo depois, um jovem, Thomas Maxfield, ofereceu-se para servir, como um filho
no Evangelho. E, então, outro, Thomas Richards, e um pouco depois, um terceiro, Thomas Westell. Que se
observe em que condições nós recebemos estes, a saber, como Profetas, não como Sacerdotes. Nós os
recebemos totalmente e tão somente para pregar; não para administrar os sacramentos. E esses que
imaginam que esses ofícios estão inseparavelmente reunidos, são totalmente ignorantes da constituição de
toda a Igreja Judaica, assim como Cristã. Nem as Igrejas Católicas, nem as Inglesas, nem as Presbiterianas,
alguma vez os consideraram assim. Do contrário, jamais poderíamos ter aceitado o serviço tanto do Sr.
Maxfield, Richards, ou Westell.

11. Em 1744, todos os pregadores Metodistas tiveram sua primeira Conferência. Mas nenhum deles
sonhou que o ser chamado para pregar dera a ele algum direito de administrar os sacramentos. E quando esta
questão foi proposta, 'sob que luz podemos considerar a nós mesmos?', foi respondido, 'Como mensageiros
extraordinários, erguidos para estimular os ordinários, ao zelo'. Com este objetivo, uma das nossas
primeiras regras dada a cada Pregador foi, 'você deve fazer aquela parte da obra que nós designamos'. Mas
que obra era esta? Nós, alguma vez, designamos você a administrar os sacramentos; a exercitar o oficio
sacerdotal? Tal objetivo nunca entrou em nossa mente; ele esteve muito longe de nossos pensamentos: E, se
algum Pregador deu tal passo, nós devemos olhar para isto, como uma quebra palpável desta regra;
conseqüentemente, como uma abjuração de nossa conexão.

12. Porque, supondo (o que eu nego extremamente) que o receber você, como um Pregador, ao
mesmo tempo, deu autoridade para administrar os sacramentos; ainda assim, ele não deu a você nenhuma
outra autoridade do que fazer isto, ou alguma coisa mais, onde eu designei. Mas eu designei você a fazer
isto? Em lugar nenhum, afinal. Portanto, por esta mesma regra, você está excluído de fazer isto. E, ao fazer
isto, você renuncia ao primeiro princípio do Metodismo que foi, totalmente e tão somente, pregar o
Evangelho.

13. Muitos anos depois que nossa sociedade foi firmada, é que alguma tentativa deste tipo foi feita.
Eu apreendo que a primeira foi em Norwich. Um de nossos Pregadores lá cedeu a importunidade de algumas
poucas pessoas, e batizou seus filhos. Mas, tão logo isto ficou conhecido, ele foi informado que não deveria
ser, a menos que ele designasse deixar nossa conexão. Ele prometeu não fazer mais isto; e eu suponho que
manteve sua promessa.
14. Agora, por quanto tempo os Metodistas mantiveram este plano, eles não puderam se separar da
Igreja [Estabelecida]. E isto é nossa glória peculiar. Isto é novo sobre a terra. Revolva todas as histórias da
Igreja, desde os primeiros tempos, quando quer que tenha existido uma grande obra de Deus, em alguma
cidade ou nação particular, os objetivos daquela obra foi dizer ao seu próximo: 'Acudam a vocês mesmos,
porque nós somos mais santos que vocês!'. Tão logo eles se separavam, ou eles se retiravam para o deserto,
ou construíam casas religiosas; ou, pelo menos, facções formadas, nas quais ninguém era admitido, a não ser
quando aprovado no julgamento e prática deles. Mas, com os Metodistas, é completamente o contrário: Eles
não são uma seita ou facção; eles não se separaram de sua comunidade religiosa, na qual eles pertenceram a
princípio. Eles ainda eram membros da Igreja, -- tal eles desejaram viver e morrer. E eu creio que uma razão
porque Deus tem se agradado de manter minha vida tão longa, é confirmá-los no presente propósito deles,
de não se separarem da Igreja.

15. Mas, não obstante isto, muitos entusiastas dizem: 'Não, mas você se separou da Igreja'. Outros
são igualmente acalorados, porque eles dizem: 'Eu não. Eu irei declarar a coisa cruamente como ela é'.

Eu abraço todas as doutrinas da Igreja da Inglaterra. Eu amo a sua liturgia. Eu aprovo seu plano de
disciplina, e apenas desejo que ele seja posto em execução. Eu sabidamente não mudo qualquer regra da
Igreja, a menos nestas poucas instâncias, onde eu julgo; e, até onde eu julgo, existe uma absoluta
necessidade.

Por exemplo:

(1.) Como poucos clérigos abriram suas igrejas para mim, eu estou sob a necessidade de pregar fora.

(2.) Como eu não conheço algumas formas que irão se adequar a todas as ocasiões, eu estou
freqüentemente debaixo da necessidade de pregar de improviso.

(3.) Com o objetivo de edificar o rebanho de Cristo, na fé e amor, eu coloco sob a necessidade de
uni-los, e dividi-los em pequenos grupos, para que eles estimulem um ao outro, para o amor e boas obras.

(4.) Para que meus colaboradores e eu pudéssemos mais efetivamente assistirmos um ao outro, para
salvar nossas próprias almas, e esses que nos ouvem, eu julguei necessário me encontrar com os Pregadores,
ou, pelo menos, com a maior parte deles, uma vez por ano.

(5.) Nestas Conferências, nós fixamos os locais de todos os Pregadores para o ano seguinte.

Mas tudo isto não está separado da Igreja. Muito longe disto, quando quer que eu tenha
oportunidade, eu atendo o serviço da Igreja, eu mesmo, e aconselho todas as nossas sociedades a assim
fazerem.

16. Todavia, como a generalidade, mesmo das pessoas religiosas, não entende meus métodos de
ação; aqueles que, por um lado, me ouvem professar que eu não irei me separar da Igreja, e, por outro, que
eu me diferencio dela nessas instâncias, naturalmente, irão pensar que eu sou inconsistente comigo mesmo.
Eles não podem deixar de pensar assim, a menos que eles observem meus dois princípios: Um, que eu não
me atrevo a me separar da Igreja, o que eu acredito poderia ser um pecado fazê-lo; o outro, eu acredito, que
seria um pecado não mudá-la nestes pontos acima mencionados. Eu digo que coloquem esses dois princípios
juntos: Primeiro, eu não irei me separar da Igreja; ainda assim, em Segundo Lugar, nos casos de
necessidade, eu irei modificá-la (ambos, eu tenho constantemente e abertamente declarado por mais de
cinqüenta anos), e a inconsistência desaparecerá. Eu tenho sido verdadeiro à minha profissão desde 1730, até
hoje.

17. 'Mas não é contrário à sua profissão permitir serviço em Dublin no horário da Igreja? Porque
qual necessidade existe para isto? Ou que boa finalidade ela irá responder?'. Eu acredito que ela responde
diversas finalidades boas, que não poderiam ser respondidas de alguma outra maneira:
A Primeira (estranho como pode soar) é impedir a separação da Igreja. Muitos de nossa sociedade
estavam totalmente separados da Igreja; eles nunca a atenderam, afinal. Mas, agora, eles atendem
devidamente a Igreja, todo primeiro domingo no mês.

'Mas não seria melhor que eles a atendessem toda semana?'. Sim; mas quem pode persuadi-los a
isto? Eu não posso. Há vinte ou trinta anos, eu tenho me esforçado, mas em vão.

A Segunda é desacostumá-los de atender os encontros Dissidentes, que muitos deles atenderam


constantemente, mas que agora abandonaram totalmente. A Terceira é ouvir constantemente aquela
doutrina profunda que é capaz de salvar suas almas.

18. Eu espero que todos vocês que são vulgarmente denominados Metodistas possam considerar
seriamente o que tem sido dito. E, particularmente, vocês a quem Ele tem autorizado chamar os pecadores
ao arrependimento. Isto não significa, de modo algum, que vocês estão autorizados a batizarem, ou a
administrarem a Ceia do Senhor. Vocês nunca sonharam com isto, por dez ou vinte anos, depois que vocês
começaram a pregar. Vocês 'não buscarão', como Korah, Dathan, e Abiram, 'o sacerdócio também'. Vocês
sabem 'que nenhum homem deve tomar esta honra para si mesmo, a não ser aquele que é chamado de Deus,
como foi Arão'. Oh! Mantenham-se dentro de seus próprios limites; estejam satisfeitos em pregarem o
Evangelho; em 'fazerem o trabalho de Evangelistas'; em proclamarem a todo o mundo a bondade de Deus
nosso Salvador; em declararem a todos que 'o reino do céu está à mão: Arrependam-se e creiam no
Evangelho!'. Eu sinceramente aconselho vocês a que permaneçam no seu lugar; mantenham-se em seu
próprio local. Vocês foram, cinqüenta anos atrás, aqueles que eram, então, Pregadores Metodistas;
mensageiros extraordinários de Deus, não seguindo a própria vontade de vocês, mas tirando fora, não para
suplantar, mas para 'estimularem' os mensageiros ordinários 'ao zelo'. Em nome de Deus, parem nisto!
Através de sua pregação e exemplo, os estimulem ao amor e às boas obras. Vocês são um fenômeno novo na
terra, -- um corpo de pessoas que, não sendo seita ou facção, é amigo de todas as facções, e se esforça para
incentivar todos, na religião do coração, no conhecimento e amor de Deus e homem. Vocês mesmos foram,
primeiro, chamados na Igreja Anglicana; e, embora vocês tenham e terão milhares de tentações para deixá-
la, e trabalhem por conta própria, não se preocupem com elas. Sejam ainda homens da Igreja da Inglaterra;
não joguem foram a glória peculiar que Deus tem colocado junto a vocês, ou frustrem o desígnio da
Providência, a mesma finalidade para a qual Deus os tem levantado.

19. Eu acrescentaria algumas palavras a essas pessoas sérias que não estão ligadas aos Metodistas;
muitas das quais são de nossa Igreja, a Igreja Anglicana. E por que vocês ficariam insatisfeitos conosco?
Nós não causamos mal a vocês; nós não objetivamos ou desejamos afligir vocês em coisa alguma; nós
abraçamos suas doutrinas; nós observamos suas regras, mais do que a maioria das pessoas no reino. Alguns
de vocês são clérigos. E por que vocês, de todos os homens, estariam insatisfeitos conosco? Nós nem
atacamos seu caráter, nem seus proventos; nós honramos vocês 'pelo amor de Deus!'. Se nós vemos algumas
coisas que nós não aprovamos; nós não as publicamos; nós preferivelmente colocamos um manto sobre elas,
e escondemos o que não podemos recomendar. Quando vocês nos tratam indelicadamente e injustamente,
nós suportamos. 'Sendo ultrajados, nós abençoamos'; nos não retornamos o mal com o mal. Oh! Não
permitam que sua mão esteja sobre nós!

20. Vocês que são ricos neste mundo, não nos considerem inimigos, porque nós dizemos a verdade a
vocês, e, ela pode ser, de uma maneira mais completa e mais forte do que outras irão, ou se atreverão a ser.
Vocês têm, portanto, necessidade de nós; inefável necessidade. Vocês não podem comprar tais amigos, a
preço algum. Todo o seu ouro e prata não podem comprar tais. Façam uso de nós, enquanto vocês podem.
Se for possível, nunca estejam sem esses que irão falar a verdade de seus corações. Do contrário, vocês
envelhecerão nos seus pecados; vocês podem dizer para suas almas, 'Paz, Paz!', enquanto não existe paz!
Vocês podem dormir, e sonhar que vocês estão no paraíso, enquanto vocês acordam no fogo eterno.

21. Mas quer vocês ouçam, ou quer vocês reprimam, nós, pela graça de Deus, seguiremos nosso
caminho; sendo nós mesmos ainda membros da Igreja da Inglaterra, como nós fomos desde o início, mas
recebendo todos que amam a Deus em cada Igreja como nosso irmão, e irmã, e mãe. E com o objetivo da
união deles conosco, nós requeremos nenhuma unidade de opiniões, ou nos moldes de adoração, mas
meramente que eles 'temam a Deus e operem retidão', como foi observado. Agora isto é extremamente uma
coisa nova, não ouvida em qualquer outra comunidade cristã. Em que Igreja ou congregação além, através
do mundo cristão, os membros podem ser admitidos nestes termos, sem quaisquer outras condições? Quem
puder, que nós aponte uma. Eu não conheço uma, seja na Europa, Ásia, África ou América! Está é a glória
dos Metodistas e deles somente! Eles mesmos não são seita ou facção particular, mas recebem todos dessas
facções que 'se esforçam para serem justos, e amarem a misericórdia e caminharem humildemente com seu
Deus'.

Cork, 4 de Maio de 1789 [Sr. Wesley tinha 86 anos – Dois anos depois, em Março de 1791, ele
faleceu]

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Causas da Ineficiência do Cristianismo.

Dublin, 02 de Julho de 1789.

"Acaso não há bálsamo em Gileard, não há médicos? Por que, então, a saúde da filha de meu povo não
foi curada?".
(Jer. 8:22)

1. Essa questão, como aqui proposta pelo Profeta, relaciona-se apenas a um povo particular – os
filhos de Israel. Mas eu poderia aqui considerar isso, em um sentido geral, com relação a toda a humanidade.
Eu poderia seriamente inquirir, Por que o Cristianismo tem feito tão pouco bem, no mundo? Ele não é o
bálsamo, os meios exteriores, que os grandes médicos têm dado aos homens, para restaurar a saúde
espiritual deles? Por que, então, ela não é restaurada? Você diz, Por causa da corrupção profunda e
universal da natureza humana. A maioria verdade, mas aqui a mesma dificuldade. Não foi pretendido, por
nosso Onisciente e Poderoso Criador ser o remédio para a corrupção? O remédio universal, para o mal
universal? Mas ela não respondeu a essa intenção nunca, e não responde a ela, até hoje. O mal ainda
permanece, em toda a sua força. Maldade de todo o tipo; vícios, interiores e exteriores, em todas as suas
formas, ainda se espalham na face da terra.

2. Ó, Senhor Deus, "justo és tu! Deixe-nos, ainda, pleitear contigo". Como é isso? Tens tu esquecido-
te do mundo que tu fizeste, e que tu tens criado apenas para tua própria glória? Podes tu desprezar o
trabalho de tuas próprias mãos; a aquisição pelo sangue de teu Filho? Tu tens dado remédio para curar nossa
doença, ainda assim, nossa doença não é curada. Ainda a escuridão cobre a terra, e escuridão densa as
pessoas; sim, escuridão tal como os demônios sentem, e que escapam das profundezas do inferno.

3. Que mistério é esse, para que o Cristianismo possa ter feito tão pouco bem no mundo? Pode algum
relato disso ser dado? Podem algumas razões ser afirmadas para isso? Não parece que uma razão para que
ele tenha feito tão pouco bem é essa, — porque ele é tão pouco conhecido? Certamente ele poder ter feito
nenhum bem, onde ele não é conhecido. Mas ele não é conhecido, até esse dia, pela maior parte dos
habitantes da terra? No último século, nosso compatriota engenhoso e laborioso, Brerewood, viajou por
grande parte do mundo conhecido, com o propósito de inquirir, tão longe quanto possível, em que
proporção, os cristãos suportam os ateus e Maometanos. E, de acordo com seu cálculo, (provavelmente, o
mais acurado que tenha sido feto), eu suponho que a humanidade possa ser dividida em trinta partes.
Dezenove partes dessas são ainda ateus fechados, tendo não mais conhecimento do Cristianismo, do que as
bestas que perecem. E nós podemos acrescentar, a essas, as numerosas nações, as quais têm sido
descobertas, no presente século. Acrescentar, a essas, tais como as que professam a religião Maometana, e
que rejeitam, extremamente, o Cristianismo. De modo que, cinco partes, da humanidade, fora das seis, são
totalmente ignorantes do Cristianismo. É, entretanto, nenhuma surpresa que cinco, em seis, da humanidade;
talvez, nove, em dez, têm nenhuma vantagem dele.

4. Mas por que tão pouca vantagem é derivada do mundo cristão? Não é algum cristão melhor do que
os outros homens? Não é melhor do que os ateus e os Maometanos? Para dizer a verdade, ele é igual, se não;
pior; pior do que tanto os Maometanos quanto os ateus. Em muitos casos, é, abundantemente, pior; mas,
então, estes não são, propriamente, cristãos. A generalidade desses, embora use o nome cristão, não sabe o
que é o Cristianismo. Ela não mais entende dele, do que o faz do grego ou hebreu; dessa forma, não pode ser
melhor por isso. O que os cristãos (assim chamados) - da igreja oriental - dispersos, através dos domínios
turcos, conhecem do genuíno Cristianismo: Esses da Morea, do Cáucaso, Mongrelia, Geórgia? Não são
essas pessoas as próprias escórias da humanidade? E nós não temos razão para pensar que esses da igreja do
sul; esses habitantes da Abissínia têm alguma concepção a mais do que eles, da "adoração de Deus, em
espírito e verdade?" Vamos olhar aqui perto de casa. Veja as igrejas do oroente; aquelas que estão sob o
patriarca de Moscou. Quão, excessivamente, pouco eles conhecem do Cristianismo externo ou interno.
Quantos milhares, sim, miríades desses pobres selvagens sabem nada do Cristianismo, a não ser o nome!
Quão pouco mais eles sabem do que os ateus Tártaros, de um lado, ou os ateus Chineses do outro!

5. Mas não é o Cristianismo, pelo menos, bem conhecido, por todos os habitantes do mundo
ocidental? A grande parte do qual é, eminentemente, denominada Cristandade, ou a terra dos cristãos? Parte
desses são ainda membros da igreja de Roma; parte é denominada Protestante. Como para os primeiros,
Portugueses, Espanhóis, Italianos, Franceses, Germanos, o que grande massa deles conhecem das Escrituras
Cristãs? Tendo tido oportunidade freqüente de conversar com muitos desses, em casa ou no exterior, eu
tenho a audácia de afirmar que eles são, em geral, totalmente, ignorantes, tanto como para a teoria e prática
do Cristianismo, de modo que eles perecem, aos milhares, por "falta de conhecimento" – pela necessidade de
conhecerem os primeiros princípios do Cristianismo.

6. "Mas, certamente, esse não é o caso dos Protestantes na França, Suíça, Alemanha, e Holanda,
muito menos, na Dinamarca e Suécia". Realmente, eu espero que, nem todos juntos. Eu estou persuadido
que existem, entre eles, muitos que conhecem o Cristianismo; mas temo que não devemos pensar que um,
em dez; se um, em cinqüenta, é desse número; certamente, não, se nós podemos formar um julgamento
sobre eles, por aqueles que nós encontramos na Grã Bretanha e Irlanda. Vamos ver de que maneira situa-se
em nossa própria porta. As pessoas na Inglaterra, em geral, (não da classe mais alta ou mais baixa, porque
esses usualmente conhecem nada do assunto, mas as pessoas de classe média), entendem o Cristianismo?
Eles imaginam o que é isso? Eles podem dar um relato inteligente, tanto da parte especulativa, como prática
dele? O que eles sabem dos primeiros princípios dele? — Dos atributos naturais e morais de Deus; da sua
providência particular; da redenção do homem; dos ofícios divinos de Cristo; das operações do Espírito
Santo; da justificação; Do novo nascimento; da santificação interior e exterior? Experimente falar alguma,
dessas coisas, às primeiras dez pessoas que estiverem em sua companhia; e você não irá encontrar nove
delas totalmente ignorante de toda a questão? E não é a maioria dos habitantes da Alta Escócia,
inteiramente, tão ignorante, quanto essas; sim, e as pessoas comuns da Irlanda? (eu digo, os Protestantes, dos
quais, tão somente, estamos agora falando). Faça uma inquisição justa; não apenas, nas choupanas do
interior, mas, nas cidades de Cork, Waterford, Limerick; sim, e mesmo em Dublin. Quão poucos conhecem
o que o Cristianismo significa! Quão pequeno número você irá encontrar, que tem qualquer concepção da
analogia da fé! Das algemas das verdades Bíblicas, e a relação delas, umas com as outras, -- ou seja, a
corrupção natural do homem; justificação pela fé; o novo nascimento; santidade interior e exterior. Isso deve
ser conhecido por todos os juízes competentes, que conversem livremente com seu próximo, nesses reinos; e
que uma vasta maioria deles sabe não mais dessas coisas do que eles conhecem de Hebraico ou Árabe. E que
bem pode o Cristianismo fazer a esses, que são totalmente ignorantes dele?

7. Embora, em algumas partes, tanto na Inglaterra como na Irlanda, o Cristianismo Bíblico seja bem
conhecido; especialmente, em Londres, Bristol, Dublin, e quase todas as mais populosas cidades e regiões
de ambos os reinos. Nesses, cada ramo do Cristianismo é declarado, abertamente e largamente; e milhares
em milhares, continuamente, ouvem e recebem, "a verdade que está em Jesus". Por que, então, mesmo
nessas partes, o Cristianismo tem tido tão pouco efeito? Por que a generalidade das pessoas, em todas essas
partes, ainda é atéia? Não melhor do que os ateus da África, ou América, tanto no seu temperamento quanto
na sua vida? Agora, como é isso calculado? Eu concedo, assim: Há uma palavra comum, entre os cristãos,
na igreja primitiva: "A alma e o corpo fazem um homem; o espírito e a disciplina fazem um cristão";
implicando que ninguém pode ser um cristão real, sem a ajuda da disciplina cristã. Mas, se for assim, é para
se surpreender que nós encontramos tão poucos cristãos; onde existe disciplina cristã? Agora, qualquer que
seja a doutrina pregada, onde não há disciplina, não poderá haver efeito completo, nos ouvintes.

8. Para trazer a matéria mais para perto, ainda. Não é o Cristianismo Bíblico pregado e geralmente
conhecido entre as pessoas comumente chamadas Metodistas? Pessoas imparciais permitem que seja. E elas
não têm a disciplina cristã também, em todos os ramos essenciais dele, regularmente e constantemente,
exercitada? Deixe aqueles que pensam que alguma parte essencial dela é insuficiente, chamarem a atenção,
para ela; e ela não deverá ser insuficiente, por muito tempo. Por que, então, não são cristãos, os que têm
tanto a doutrina como a disciplina cristã? Por que não é a saúde espiritual das pessoas chamadas Metodistas,
recuperada? Por que não está toda essa mente em nós, a qual também está em Jesus Cristo? Por que nós não
temos aprendido dele, nossa primeira lição, para sermos mansos e humilde de coração? Para dizer com ele,
em todas as circunstâncias da vida: Não como eu desejo, mas como tu desejas? Eu não vim para fazer a
minha vontade, mas para fazer a vontade Dele que me enviou. Por que nós não estamos crucificados para o
mundo, e o mundo crucificado para nós; mortos, para o desejo da carne, o desejo dos olhos, e o orgulho da
vida? Por que todos não vivemos a vida que está oculta com Cristo em Deus? Por que nós que temos todas
as ajudas possíveis, não caminhamos como Cristo tem caminhado? Ele não nos deixou um exemplo de que
nós devemos seguir as suas pisaduras? Mas nós não guardamos tanto seu exemplo, quanto a sua prescrição?
Para exemplificar apenas um ponto: Quem considera essas palavras solenes: "Não deite você mesmo
tesouros na terra?" Das três regras as quais estão colocadas no título, do sermão sobre "O Espírito de Cobiça
da Iniqüidade", você pode encontrar muitos que observam a primeira regra, ou seja, "Ganhe tudo o que
puder". Você pode encontrar poucos que observam a segunda: "Economize tudo o que puder": Mas, quantos,
você tem encontrado que observa a terceira regra: "Dê tudo o que você puder?" Você tem alguma razão para
acreditar que quinhentos desses podem ser encontrados, entre cinqüenta mil Metodistas? E nada, ainda,
pode ser mais claro, do que todos aqueles que observam as duas primeiras regras, sem observar a terceira,
serão duas vezes mais filhos do inferno do que eles haviam sido antes.

9. Ó, que Deus possa me capacitar, uma vez mais, antes que eu me vá, daqui, e não seja mais visto,
para erguer minha voz, como um trompete, para aqueles que ganham e economizam tudo que podem, mas
não dão tudo que podem! Vocês são os homens, alguns dos principais homens que continuamente afligem o
Espírito Santo, e em grande medida, interrompem sua influência graciosa de descer em nossas
assembléias.Muitos de nossos irmãos, amados de Deus, não têm comida para comer; eles não têm
vestimenta para colocar; eles não têm um lugar onde deitar a cabeça. E por que eles estão assim
desamparados?Porque você, impiedosamente, injustamente, e cruelmente, detém deles o que o seu Senhor
hospeda em suas mãos, de propósito, para que você supra as necessidades deles.Veja os membros pobres de
Cristo beliscando com fome, resfriando-se com frio, seminus! Enquanto isso, você tem muito dos bens
materiais, -- para comer, beber e vestir. Em nome de Deus, o que você está fazendo? Você nem teme a Deus,
nem cuida do homem? Porque você não divide o seu pão com o faminto, e cobre o nu? Você tem gasto, em
seu próprio vestuário caro, o que teria respondido ambas essas intenções? Deus mandou você fazer dessa
maneira? Ele aprova você, por fazer assim? Ele confiou a você os dele (não os seus) bens, para essa
finalidade? E ele diz agora, "Servo de Deus, bem feito!". Você bem sabe que não! Essa ineficiente despesa
não tem aprovação, tanto de Deus, quanto da sua própria consciência! Mas você diz que não pode dar-se ao
luxo disso! Oh! Envergonhe-se de ter tão miserável contra-senso em sua boca! Nunca mais espalhe tal
hipocrisia estúpida; tal absurdidade palpável! Pode algum mordomo dar-se ao luxo de ser um patife
completo, para gastar os bens de seu Senhor? Pode algum servo dar-se ao luxo de gastar todo o dinheiro de
seu Senhor; algum, de outro modo, do que seu Senhor designou para ele? Quem quer que assim proceda,
deve ser excluído de uma sociedade cristã.

10. Mas é possível suprir todos os pobres, em nossa Sociedade, com as coisas necessárias à vida? Foi
possível, uma vez, fazer isso, em uma Sociedade maior do que essa. Na primeira igreja de Jerusalém, não
havia alguém, entre eles, que passava necessidade; mas a distribuição era feita para cada um, de acordo com
o que precisava. E nós temos provas completas de que é possível se fazer dessa forma. É assim, entre o povo
chamado Quakers. Sim! Entre os Morávios, assim chamados. E por que não poderia ser conosco? Porque
eles são dez vezes mais ricos do que nós? Talvez, cinqüenta vezes! E ainda assim, nós somos capazes, o
suficiente, se nós temos, igualmente, boa-vontade para fazer isso! Um cavalheiro (um Metodista) disse-me
alguns anos atrás: "Eu devo deixar quarenta mil livras entre meus filhos". Agora, suponha que ele deixasse
para eles vinte mil, e desse os outros vinte mil, para Deus e para o pobre, poderia Deus dizer a ele: "Tu,
tolo?". E isso colocaria toda a Sociedade acima das necessidades.

11. Mas eu não irei falar, em dar para Deus, ou deixar metade de sua fortuna. Você pensaria que é
um preço muito alto para o céu. Eu virei para condições menores. Não existem alguns poucos, entre vocês,
que podem dar cem libras; talvez, alguns que podem dar mil; e, ainda, deixar para seus filhos, tanto quanto
os auxiliaria trabalhar para a própria salvação deles? Com duas mil libras, e não, muito menos, podemos
suprir as necessidades presentes de todos os nossos pobres, e colocá-los, em um caminho, para que possam
suprir as próprias carências para o tempo vindouro. Agora, suponha que isso possa ser assim; nós somos
transparentes, diante de Deus, enquanto isso não é feito? Não é a negligência disso uma das causas porque
muitos ainda estão doentes e fracos, entre vocês; de alma e corpo? Que eles ainda afligem o Espírito Santo,
por preferirem as modas do mundo, aos mandamentos de Deus? E eu, muitas vezes, duvido, se não é uma
espécie de inclinação. Eu duvido, se não é um grande pecado, mantê-los em nossa Sociedade. Não pode ferir
a alma deles, por encorajá-los a perseverar, em um caminho, contrário à Bíblia? E não pode, em alguma
medida, interceptar as influências salutares do Espírito abençoado, em toda a comunidade?

12. Eu estou angustiado por não saber o que fazer. Eu vejo o que eu poderia ter feito uma vez. Eu
devia ter dito, em caráter autoritário, e expressamente: "Aqui eu estou. Eu e minha Bíblia. Eu não irei, eu
não ousarei, mudar desse livro, coisa grande ou pequena. Eu não tenho poder para dispensar um jota ou
um til do que esteja contido aqui. Eu estou determinado a ser um Cristão Bíblico; não quase, mas,
totalmente. Quem irá me encontrar, nesse terreno, junte-se a mim nisso, ou não se junte, afinal!". Com
respeito ao vestir, em particular, eu poderia ter sido tão firme (e eu agora vejo que eu poderia ter sido, bem
melhor), quanto qualquer uma das pessoas chamadas Quakers, ou Irmãos Morávios: -- Eu deveria ter dito:
"Essa é a nossa maneira de nos vestir, que nós sabemos é bíblica e racional. Se você se juntar a nós, você
terá que se vestir como nós; mas você não precisa juntar-se a nós, a menos que isso o agrade". Mas, ai de
mim! O tempo passou, e o que eu poderia fazer agora, eu não posso dizer!

13. Mas, retornando à questão principal. Por que o Cristianismo tem feito tão pouco bem, mesmo
entre nós? Entre os Metodistas? Entre eles que ouvem e recebem a completa doutrina cristã, e que têm a
disciplina cristã acrescida para isso, nas partes mais essenciais dela? Principalmente, porque nós temos
esquecido, ou, pelo menos, não devidamente, atendido àquelas palavras solenes de Nosso Senhor: "Se algum
homem buscar a mim, que negue a si mesmo, tome sua cruz diariamente, e siga-me". Esse foi o comentário
de um homem santo, diversos anos atrás: "Nunca houve diante das pessoas, na igreja cristã, quem tivesse
tanto do poder de Deus, entre eles, com tão pouca abnegação!". De fato, o trabalho de Deus segue em frente,
e de uma maneira surpreendente, não obstante esse defeito fundamental, mas ele não poderá seguir, da
mesma forma, como ele, de outro modo poderia; nem pode a palavra de Deus ter um efeito completo, a
menos que os ouvintes "negam a si mesmos, e carreguem a sua cruz diariamente".

14. Seria fácil mostrar, como, em muitos aspectos, os Metodistas, em geral, estão, deploravelmente,
necessitados da prática da abnegação cristã; da qual, de fato, eles têm sido, continuamente, amedrontados,
pelos tolos gritos dos Antinomianos. (doutrina de que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho,
os cristãos são libertados, não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer
cultura). Para citar apenas um exemplo: Enquanto nós estávamos em Oxford, a regra de todo Metodista era
(a menos, no caso de doença), jejuar toda quarta e sexta-feira, no ano, imitando a igreja primitiva, pela qual
eles tinham o maior respeito. Agora, essa prática da igreja primitiva é universalmente aceita. "Quem não
sabe", diz Epiphanius, um escritor antigo, "que os jejuns, no quarto e sexto dia da semana" (quarta e sexta-
feira) "são observados pelos cristãos, através do mundo todo?". Por isso, eles também eram observados,
pelos Metodistas, por diversos anos; por todos eles, sem exceção; mas, depois disso, alguns em Londres,
levaram isso ao excesso, e jejuaram tanto, que prejudicaram a própria saúde. Não muito tempo antes, de
outros terem feito disso um pretexto para não jejuarem, afinal. E eu temo que existem hoje, milhares de
Metodistas, assim chamados, na Inglaterra e Irlanda, que, seguindo o mesmo mau exemplo, têm deixado,
inteiramente, de jejuar; quem, longe de jejuar, três vezes na semana (como todos os mais severos fariseus
fazem), jejuam não mais do que duas vezes, no mês. Sim. E não há alguns, entre vocês, que não jejuam um
dia sequer, do começo ao fim do ano? Mas qual desculpa pode existir para isso? Eu não digo para aqueles
que se autodenominam membros da igreja da Inglaterra; mas para alguns que professam acreditar que a
Escritura seja a Palavra de Deus. Mesmo porque, de acordo com isso, o homem que nunca jejua, não está
mais no caminho dos céus, do que aquele que nunca ora.

15. Mas pode qualquer um negar que os membros da Igreja da Escócia jejuam, constantemente,
particularmente, nas suas ocasiões sacramentais? Em algumas paróquias, eles repetem, apenas uma vez ao
ano; mas em outras, supõe-se, nas grandes cidades, elas ocorrem duas, ou mesmo três vezes ao ano. Agora, é
bem sabido que existe sempre um dia de jejum, na semana, precedendo a administração da Ceia do Senhor.
Mas, ocasionalmente, verificando um livro de relatos, em uma de suas Assembléias Comunais, eu observei
tantos se sentando para os jantares dos Ministros, no dia de jejum, e estou informado que há o mesmo artigo
nelas todas. E existe alguma dúvida, a não ser que as pessoas jejuem justamente como seus Ministros
fazem? Mas que farsa é esta! Que paródia desprezível encima de uma evidente obrigação cristã! Ó, que a
Assembléia Geral teria a consideração de honrar a sua nação! Permita que eles rolem para fora dela, essa
repreensão vergonhosa, impondo o dever, ou removendo aquele artigo de seus livros. Não permita que ele
apareça lá, nunca mais. Deixe desaparecer, para sempre.

16. Mas por que essa abnegação, em geral, é tão pouco praticada, no momento, entre os Metodistas?
Por que é tão pouco dela encontrada, mesmo nas Sociedades mais antigas e maiores? Quanto mais eu
observo e considero coisas, mais, claramente, aparece qual é a causa disso, em Londres, em Bristol, em
Birmingham, em Manchester, em Leeds, em Dublin, em Cork. Os Metodistas ficaram mais e mais
comodistas, porque eles ficaram ricos. Embora muitos deles ainda estejam em miséria deplorável ("não diga
isso, em Gath; não publique isso, nas ruas de Asquelom!"), ainda assim, muitos outros, num espaço de vinte,
trinta, quarenta anos, estão vinte trinta, sim, cem vezes mais ricos do que eles eram, quando eles primeiro
entraram na Sociedade. E é uma observação, a qual admite poucas exceções, que nove, em dez desses,
decresceram na graça, na mesma proporção que eles aumentaram em prosperidade. De fato, de acordo com a
tendência natural dos ricos, nós não podíamos esperar que fosse de outro modo.

17. Mas que coisa tão espantosa é essa! Como podemos entender isso? Não parece (e ainda assim,
isso não pode ser) que o Cristianismo, Cristianismo, verdadeiramente, Bíblico, tem uma tendência, um
processo de tempo para debilitar-se e destruir a si mesmo? Porque, onde quer que se espalhe o Cristianismo
verdadeiro, isso causa diligência e frugalidade, que, num curso natural das coisas, devem gerar ricos! E,
ricos, naturalmente, geram orgulho, amor do mundo, e todo o temperamento que é destrutivo do
Cristianismo. Agora, se não existe um meio de coibir isso, o Cristianismo é inconsistente consigo mesmo, e,
em conseqüência, não pode permanecer, não pode continuar, muito tempo, entre quaisquer pessoas, desde
que, onde quer que ele prevaleça, ele mina sua própria fundação.

18. Mas existe um meio de prevenir isso – Para que o Cristianismo continue entre as pessoas?
Permitindo que a diligência e a frugalidade produzam pessoas ricas? Existem meios de impedir os ricos de
destruírem a religião desses que a têm? Eu vejo apenas uma maneira possível, desmascarar quem puder.
Você ganha tudo que pode, e economiza tudo que você pode: então, você deve, pela natureza das coisas,
tornar-se rico. E, se você tem algum desejo de escapar da condenação do inferno, dê tudo que puder; caso
contrário, eu não tenho mais esperança na sua salvação, do que aquela de Judas Iscariote.

19. Eu clamo a Deus para registrar em minha alma que eu aconselhei, não mais, do que eu pratiquei.
Abençoado seja Deus, porque eu ganho, economizo, e dou tudo que posso. E assim, eu confio em Deus, eu
faça, enquanto a respiração de Deus estiver em minhas narinas. Para o que então? Eu conto todas as coisas,
mas perco, para a excelência do conhecimento de Jesus, meu Senhor! Eu desisto de toda justificativa,
comparada com isso -- Senhor, eu estou condenado! Mas tu tens morrido!
Editado por George Lyons, com correções pelo Ryan Danker, para o Wesley Center for
Applied Theology of Northwest Nazarene University (Nampa, ID). O texto pode ser usado livremente
para propósitos pessoais ou escolares, ou modelo, ou outros web sites. Qualquer uso do material, para
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Conhecendo a Cristo, Segundo a Carne

PLYMOUTH-DOCK, 15 de Agosto de 1789.

'Por isso, daqui por diante, a ninguém, nós conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido
Cristo, segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo'.
(II Corintios 5:16)

1. Há muito tempo tenho desejado ver alguma coisa claramente e inteligentemente escrita sobre essas
palavras. Este não é, sem dúvida, um ponto de pequena importância: ele entra profundo na natureza da
religião; e, ainda assim, que tratado nós temos, na língua Inglesa, que seja escrito sobre ele? Possivelmente,
pode existir algum; mas nenhum deles chegou ao meu conhecimento; não, nem mesmo um simples sermão.

2. Isto é aqui introduzido pelo Apóstolo, de uma maneira muito solene. Essas palavras, literalmente
traduzidas seguem assim: 'Ele morreu por todos, para que os que vivem'; todos que vivem sobre a terra, 'não
possam, doravante, do momento em que O conheceram, viverem para si mesmos'; buscarem a sua própria
honra, ou proveito, ou prazer, 'mas junto a ele', na retidão e santidade verdadeira. (II Coríntios 5:15). 'De
modo que, desde este tempo', nós que o conhecemos pela fé, 'conheçamos ninguém', mesmo o restante dos
Apóstolos, ou você, ou alguma outra pessoa, 'segundo a carne'. Esta expressão incomum, na qual toda a
doutrina depende, parece significar que nós não consideramos homem algum, de acordo com seu estado
anterior, -- sua região, riquezas, poder ou sabedoria. Nós consideramos todos os homens apenas em seu
estado espiritual, e como eles permanecem relacionados para um mundo melhor. Sim, se nós tivéssemos
conhecido, até mesmo Cristo, segundo a carne (o que indubitavelmente eles fizeram, observando e amando a
Ele como a um homem, com uma afeição natural), ainda assim, agora, nós não o conheceríamos mais desta
forma. Nós não o conheceríamos mais, como a um homem, pela sua face, forma, voz, ou maneira de falar.
Nós não mais pensaríamos Nele como a um homem, ou o amaríamos sob esta característica.

3. O significado, então, desta expressão fortemente figurativa parece ser nenhuma outra do que esta:
Do momento em que somos criados novamente em Cristo Jesus, nós não pensamos, ou falamos, ou agimos,
com respeito a nosso abençoado Senhor, como um mero homem. Nós não usamos agora qualquer expressão,
com relação a Cristo, que não possa ser aplicada a ele, não apenas como a um homem, mas como Ele sendo
'Deus sobre todos, e abençoado para sempre'.

4. Talvez, com o objetivo de colocar isto, sob uma luz mais clara, e, ao mesmo tempo, preservarmo-
nos contra erros perigosos, seria bom exemplificar alguns desses, que, de uma maneira mais clara e palpável,
'conheceram a Cristo, segundo a carne'. Nós podemos situar, entre os primeiros desses, os Socinianos
[Socianismo  doutrina de Socini, também chamado Socino, que rejeitava a Trindade e especialmente a
divindade de Jesus]; aqueles que claramente 'negavam o Senhor que os comprou'; e que, não apenas não
admitem que Ele seja o supremo Deus, mas negam que Ele seja algum tipo de Deus, afinal. Eu penso que o
mais eminente desses que apareceram na Inglaterra, pelo menos, no atual século, foi um homem de grande
aprendizado e habilidades incomuns, Dr. John Taylor, durante muitos anos pastor em Norwich; mais tarde,
presidente da Academia de Warrigton. Ainda assim, não se pode negar que ele trata nosso Senhor com
grande civilidade; ele se dirige a Ele com palavras muito bondosas; ele o denomina de 'um personagem
notável'; sim, 'um homem de virtude consumada'.

5. Ao lado desses estão os Arianos [Membros da seita de Ario, que, no dogma da Santíssima
Trindade, não admitia a consubstancialidade do Pai com o Filho]. Mas eu não pensaria em colocar esses, no
mesmo nível que os Socinianos. Existe uma diferença considerável entre eles. Porque, enquanto que os
primeiros negam que Cristo seja algum Deus, afinal, os últimos, não; eles apenas negam que ele seja o
grande Deus. Eles de bom grado admitem, mais do que isto, afirmam que Ele é um Deus menor. Mas isto é
atendido com uma inconveniência peculiar. Isto destrói totalmente a unidade da Divindade. Porque, se existe
um Grande Deus e um Deus Menor; devem existir dois Deuses. Mas, colocando isto à parte, e mantendo o
ponto diante de nós: todos que falam de Cristo, como sendo inferior ao Pai, e consideram que Ele seja
sempre tão pequeno, indubitavelmente, 'o conhecem, segundo a carne'; não como 'o brilho da glória do Pai,
a imagem expressa de sua pessoa; como mantendo', suportando, 'todas as coisas', tanto nos céus, quanto na
terra, 'pela palavra de Seu poder', -- a mesma palavra poderosa, por meio da qual, no princípio, ele os
chamou à existência.

6. Existem alguns desses que ousam reivindicar que o grande e bondoso Dr. Watts tem a mesma
opinião deles; e com o objetivo de provar que ele pensa assim, eles têm citado aquele belo solilóquio, que
está publicado em suas obras póstumas. Ainda assim, homens imparciais não irão permitir que eles
reivindiquem, sem uma prova mais forte do que a que já tem aparecido. Mas, se ele está isento desta
responsabilidade, ele não está igualmente isento de 'conhecer a Cristo, segundo a carne', em outro sentido.
Eu não estava ciente disto, mas li todas suas obras, com quase igual admiração, quando uma pessoa de
grande devoção, assim como julgamento foi casualmente lembrada de que alguns hinos publicados em seu
Horae Lyricae, dedicado ao Amor Divino, eram (como ele salientou) 'muito amorosos, e ajustados para
serem endereçados, por um amante, para seu companheiro moral, do que por um pecador para o Altíssimo
Deus'. Eu não divido, que existem alguns outros escritores que, embora creiam na Divindade de Cristo,
ainda assim, falam da mesma maneira descuidada.

7. Nós podemos afirmar que os hinos publicados, por um grande homem (cuja memória eu amo e
estimo) estão livres desta falta? Eles não estão repletos de expressões que fortemente saboreiam do
'conhecer a Cristo, segundo a carne?'. Sim, e de uma maneira mais ostensiva do que alguma coisa que,
alguma vez, foi publicada anteriormente, na língua Inglesa? Que pena, que essas expressões grosseiras
possam aparecer em muitos hinos verdadeiramente espirituais! Quão freqüentemente, no meio de versos
excelentes, existem linhas inseridas que degradam aquelas que as precederam, e as seguem! Por que todas as
composições, naquele livro, não são apenas tão poéticos, mas igualmente tão racionais e tão espirituais,
como muitos deles reconhecidamente o são?

8. Foi há cinqüenta ou sessenta anos atrás que, pela graciosa providência de Deus, meu irmão e eu,
em nossa viagem para a América nos tornamos familiarizados com os (assim chamados) irmãos Morávios
[Que pertence à seita dos morávios, denominação protestante, surgida no século XVIII, pela renovação do
antigo movimento dos Irmãos Boêmios, que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à fraternidade dos
homens. Mais comumente conhecida como Irmãos Morávios]. Nós rapidamente nos certificamos de que
espírito eles eram, estando vinte e seis deles, na mesma embarcação conosco. Nós não apenas contraímos
muita estima, mas uma forte afeição por eles. Todos os dias, nós conversávamos com eles, e os
consultávamos em todas as ocasiões. Eu traduzi muitos de seus hinos para o uso de nossas próprias
congregações. De fato, como eu não me atrevi a implicitamente seguir quaisquer homens, eu não peguei
todos que se colocaram diante de mim, mas selecionei aqueles que eu julguei serem mais bíblicos, e mais
adequados para uma experiência saudável. Ainda assim, eu não estou certo de que eu tenha tomado
suficiente cuidado, para aparar cada palavra ou expressão imprópria; -- cada uma que pudesse parecer no
limite da familiaridade, que não é tão bem adequada à boca de um verme da terra, quando se endereçando ao
Deus do céu. Eu tenho, na verdade, me esforçado, particularmente, em todos os hinos que são endereçados
ao nosso abençoado Senhor, para evitar toda expressão carinhosa, e falar como que para o mais Altíssimo
Deus, a Ele que está 'na glória, igual com o Pai, na majestade co-eterna'.
9. Provavelmente, alguns irão pensar que eu tenho sido muito escrupuloso, com respeito a alguma
palavra em particular, que eu mesmo nunca usei, quer em verso ou prosa, em oração ou pregação, embora
ela seja freqüentemente usada pelos clérigos modernos, tanto de Roma quanto das Igrejas Reformadas.
Trata-se da palavra querido. Muitos desses, freqüentemente dizem, ambos em pregação, em oração, e dando
graças. 'Querido Senhor', ou 'Querido Salvador', e meu irmão usou a mesma expressão, em muitos dos seus
hinos, por quanto tempo ele viveu. Mas não se trata de usar de muito familiaridade com o grande Senhor do
céu e terra? Existe alguma escritura, alguma passagem no Velho ou Novo Testamento, que justifique esta
maneira de falar? Alguns dos escritores inspirados fizeram uso dela, até menos, nas Escrituras poéticas?
Talvez, alguns possam responder: "Sim, o Apóstolo Paulo a usa. Ele diz, 'Filho querido de Deus'". Eu
replico: Em Primeiro Lugar, isto não alcança o caso, porque a palavra a que nós atribuímos querido, não
estava endereçada a Cristo, afinal, mas apenas falava dele. Portanto, não é exemplo, ou justificação, para nós
a endereçarmos a Ele. Em Segundo Lugar¸ não se trata da mesma palavra. Traduzida literalmente, a
sentença se expressa, não como seu Filho querido, mas o Filho de seu amor, ou seu Filho amado. Portanto,
eu ainda duvido, se algum dos escritores inspirados, alguma vez, endereça a palavra, tanto ao Pai, quanto ao
Filho. Disto, eu não posso deixar de aconselhar a todos os amantes da Bíblia, se eles usam a expressão,
afinal, a usá-lo muito esparsamente, vendo que as Escrituras não oferece comando, nem precedente para ela.
E, certamente, se algum homem falar', tanto em pregação, quanto em oração, ele 'deverá falar, como os
oráculos de Deus'.

10. Nós não usamos freqüentemente esta expressão não bíblica, nos referindo ao nosso abençoado
Senhor nas conversas também? E nós não estamos, então, especialmente aptos para falar Dele, como um
mero homem? Particularmente, quando nós estamos descrevendo seus sofrimentos, quão facilmente
incorremos nisto! Fazemos bem em sermos cuidadosos neste assunto. Aqui não existe espaço para tolerar
uma imaginação entusiasta. Eu tenho, algumas vezes, quase hesitado cantar (até mesmo, o excelente hino de
meu irmão) 'Aquela querida face desfigurada', ou aquela ardente expressão, 'Derrame teu sangue quente
sobre meu coração', a fim de que isto não pareça insinuar que me esqueço de que falo do 'Homem que é meu
Próximo, diz o Senhor dos Exércitos'.

Embora Ele também 'se humilhasse, tomando sobre si a forma de um servo, para ser encontrado, de
certo modo, como um homem'; sim, embora Ele fosse 'obediente junto à morte, até mesmo à morte na cruz';
ainda assim, que seja sempre lembrado que Ele 'não considerou roubo ser igual com Deus'. E que nossos
corações ainda clamem, 'Tu és excessivamente glorioso; tu estás coberto com majestade e honra'.

11.Talvez, alguns possam ficar temerosos, com receio de que refreando essas expressões calorosas,
ou mesmo, gentilmente as reprimindo, isto possa reprimir o fervor de nossa devoção. É bem provável que
ele possa, ou, até mesmo, impeça alguns tipos de fervor, que têm passado por devoção. Possivelmente, ele
pode impedir gritos altos, horríveis, desnaturais, a repetição das mesmas palavras vinte ou trinta vezes, pular
dois ou três pés de altura, e jogar para todos os lados braços e pernas, tanto de homens quanto de mulheres,
de uma maneira chocante, não apenas para a religião, mas para a decência comum. Mas ele nunca irá
reprimir, muito menos, impedir a verdadeira devoção bíblica. Ao contrário, isto irá avivar a oração que é
propriamente endereçada a Ele que, embora fosse homem, ainda era o mesmo Deus; que, embora tivesse
nascido de uma mulher, para redimir o homem, ainda era o 'Deus da eternidade e mundo sem fim'.

12. E que não se pense que conhecer Cristo, segundo a carne; considerá-lo como um mero homem, e,
em conseqüência, usar tal linguagem em público, assim como em particular, como sendo adequada àquelas
concepções Dele, é uma coisa de uma natureza puramente indiferente, ou, de certa forma, de um momento
não importante. Ao contrário, o usar desta familiaridade imprópria com Deus, nosso Criador, nosso
Redentor, nosso Governador, é naturalmente produtivo, de todos os frutos pecaminosos. E isto, não apenas
naqueles que falam, mas também naqueles que os ouvem. Isto tem uma tendência direta de diminuir aquela
reverência terna devida ao Senhor o Governador deles. Isto sensivelmente sufoca aquele silencioso respeito,
que não se atreve a se mover, e todo o céu silencioso do amor.
É impossível que nós possamos nos acostumar a esta odiosa e indecente familiaridade com nosso
Criador, enquanto preservamos em nossas mentes, um sentido vivo do que está retratado naquelas solenes
linhas: --

Trevas, com excessivo brilho, suas bordas aparecem;


Ainda que no céu deslumbrante, aquele Serafim, mais luzente,
não se aproxime, a não ser com ambas as asas encobrindo seus olhos.

13. Agora, cada cristão racional não tem o desejo sincero de experimentar constantemente de tal
amor de seu Redentor (vendo que ele é Deus assim como homem), já que está misturado com o temor
angélico? Não é com esta mesma disposição que o bom Dr. Watts tão bem expressa nestas linhas:

Tuas misericórdias nunca serão removidas,


Dos homens de coração sincero;
Tu salvas as almas daqueles, cujo amor humilde
Está misturado com o temor santo?

14. Não que eu recomende uma oração fria, morta, e formal, sem o que, ambos o amor e desejo; a
esperança e o temor são excluídos. Assim parece ter sido 'o calmo e imperturbável método de oração', tão
fortemente recomendado pelo recente bispo Hoadly, que ocasionou, durante alguns anos, tão violenta
discussão no mundo religioso. Não é provável que o bem intencionado bispo tenha se encontrado com
alguns dos Místicos [(Misticismo) Crença religiosa ou filosófica dos místicos, que admitem comunicações
ocultas entre os homens e a divindade] e Quietistas [ (Quietismo) Sistema místico de alguns teólogos,
condenado pela Igreja Católica, que defende a inutilidade do esforço humano para a salvação e para a
santificação; segundo essa doutrina, a pessoa deve conservar-se em estado de absoluta passividade
contemplativa, indiferente a tudo] (tais como Madame Guion, ou o Arcebispo [Fenelon] de Cambray) e que
tendo nenhuma experiência dessas coisas, remendou uma teoria própria, tão proximamente semelhante às
dele, tanto quanto pôde? Mas é certo que nada está além da apatia do que a devoção real e bíblica. Ela
estimula, exercita, e dá uma completa extensão a todas as nossas mais nobres paixões; e exclui nenhuma, a
não ser aquelas que são selvagens, irracionais, e abaixo da dignidade humana.

15. Mas, como, então, nós podemos considerar, que tantos homens santos, de afeições
verdadeiramente elevadas, não excetuando o devoto Kempis, têm, tão freqüentemente, usado esta maneira
de falar; esses tipos mimosos de expressão; uma vez que nós não duvidamos, de que eles eram homens
verdadeiramente devotos? Até aceitamos que eles fossem; mas não admitimos que seus julgamentos fossem
iguais à devoção deles. E, conseqüentemente, as afeições deles realmente excediam os limites da razão, e os
conduziam a uma maneira de falar, não autorizada pelos oráculos de Deus. Certamente, aqueles eram os
verdadeiros modelos, ambos de nossas afeições e nossa linguagem. Mas algum dos homens santos do
passado falaram assim, quer no Velho ou no Novo Testamento? Daniel, 'o homem grandemente abençoado',
alguma vez se expressou dessa forma com Deus? Ou 'o discípulo a quem Jesus amava', e que, sem dúvida,
amou seu Mestre com a mais forte afeição, nos deixou um exemplo de endereçar-se a Ele assim, mesmo
quando ele estava no crepúsculo da glória? Mesmo, então, suas palavras derradeiras não são encontradas, a
não ser no solene 'Vem, Senhor Jesus!'.

16. A somatória de tudo é que nós devemos 'honrar o Filho, assim como honramos o Pai'. Nós
devemos adorá-lo, assim como prestamos adoração ao pai. Nós devemos amá-lo de todo nosso coração e
alma; e consagrar tudo que temos e somos; tudo que pensamos, falamos e fazemos ao Trino Deus, Pai, Filho
e Espírito Santo, do mundo sem fim!

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
Se Os Teus Olhos Forem Bons

"A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se,
porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas,
quão grandes serão tais trevas!".
(Mateus 6:22-23)

1. 'Simplicidade e pureza', diz um homem devoto, 'são as duas asas que erguem a alma aos céus:
Simplicidade, que está na intenção; e pureza, que está na afeição'. O primeiro deste, um grande e bom
homem, bispo Taylor, recomenda com muita sinceridade, no começo de seu excelente livro, 'As Regras da
Vida e Morte em Santidade'. Ele insiste nisto, e estabelece que este é o primeiro ponto da religião
verdadeira, nos alertando que, sem isto, todos os nossos esforços serão em vão e ineficazes. A mesma
verdade que o forte e elegante escritor, Sr. Law, sinceramente defendeu em seu 'Um Sério Chamado para
uma Vida Devota; – um tratado que dificilmente será sobrepujado, se, alguma vez, for igualado, na Língua
Inglesa, tanto pela beleza da expressão, quanto pela justeza e profundidade de pensamento. E quem pode
censurar alguns dos seguidores de Cristo, por colocarem tão grande ênfase neste ponto, que considera a
maneira em que nosso Mestre o recomenda, nas palavras acima citadas?

2. Vamos considerar atenciosamente toda esta passagem, como ela foi literalmente traduzida. 'Os
olhos são a candeia do corpo': O que o olho é para o corpo, a intenção é para a alma. Nós podemos observar
com que exata propriedade nosso Senhor coloca a simplicidade de intenção, entre os desejos e preocupações
mundanas; qualquer uma delas tendem diretamente a destruí-la. 'Se teus olhos forem bons', simplesmente
fixados em Deus, 'todo teu corpo', ou seja, toda tua alma, 'será cheia de luz', -- será preenchida com
santidade e felicidade. 'Mas, se teu olho for mau', não puro, almejando algum outro objeto; buscando alguma
coisa debaixo do sol, -- 'todo seu corpo deverá ser cheio de trevas. E se a luz que está em ti, for trevas, quão
grande serão tais trevas!'. Quão remoto, não apenas de todo conhecimento real, mas de toda santidade e
felicidade verdadeiras!

3. Considerando tudo isto, nós podemos bem clamar: 'Quão grande coisa é ser um cristão; ser um
cristão verdadeiro, interior, bíblico, obediente no coração e na vida à vontade de Deus! Mas quem é
suficiente para essas coisas?'. Ninguém, a menos que ele seja nascido de Deus! Eu não me admiro que
algum dos mais sensíveis Deístas [os que crêem em Deus, mas rejeitam a Revelação] possa dizer: 'Eu penso
que a Bíblia é o livro mais primoroso que eu, alguma vez, li, em minha vida; ainda assim, eu faço uma
objeção insuperável a ela: Ela é muito boa. Ela estabelece tal plano de vida, tal propósito de doutrina e
prática, que está muito além dos homens fracos e tolos almejarem, tanto quanto tentarem tomar como
modelo'.

Tudo isto é a mais pura verdade, acima de qualquer outra que não seja as hipóteses bíblicas. Mas
admitindo-se isto: que todas as dificuldades desaparecem no ar. Porque se 'todas as coisas são possíveis com
Deus, então, todas as coisas são possíveis àquele que crê'.

4. Mas vamos considerar:

I. Em Primeiro Lugar, a primeira parte da declaração de nosso Senhor: -- 'Se teu olho for bom, todo
seu corpo será cheio de luz'.

II. Em Segundo Lugar, a última parte: -- 'Se teu olho for mau, todo teu corpo será cheio de trevas'.

III. Em Terceiro Lugar, a terrível condição daqueles cujos olhos não são bons: -- 'Se a luz que há
em ti for trevas, quão grande serão tais trevas!'.

I
1. Em Primeiro Lugar, 'se teu olho for bom, todo teu corpo será cheio de luz'. Se teu olho for bom;
se Deus está em todos os teus pensamentos; se tu estás constantemente almejando a Ele que é invisível; se
for tua intenção, em todas as coisas, pequenas e grandes, em toda a tua conversa, agradar a Deus, fazer, não
apenas a tua vontade, mas a vontade Dele que enviou a ti para o mundo; se tu podes dizer, não para alguma
criatura, mas a Ele que fez a ti para Si mesmo, 'eu vejo a ti, Senhor e finalidade de todos os meus desejos'; -
- então, a promessa certamente tomará lugar: 'Todo teu corpo deverá ser cheio de luz'; toda tua alma deverá
estar preenchida com a luz dos céus, -- com a glória do Senhor descansando sobre ti. Em todas as tuas ações
e conversas, tu terás não apenas o testemunho de uma boa consciência em direção a Deus, mas igualmente
de seu Espírito, testemunhando com teu espírito que todos os teus caminhos são aceitáveis para ele.

2. Quando toda tua alma estiver cheia desta luz, tu serás capaz (de acordo com a direção de Paulo aos
Tessalonicenses) de 'regozijar-se sempre mais; orar sem cessar, e em todas as coisas dar graças' [I
Tessalonicense 5:16-18]. Porque quem poderá estar constantemente consciente da presença amorosa de
Deus, sem 'regozijar-se cada vez mais?'. Quem poderá ter o olho amoroso de sua alma, perpetuamente
fixado em Deus, a não ser 'orando sem cessar?'. Porque 'seu coração está com Deus, sem uma voz, e seu
silencia fala a Ele'. Quem poderá estar consciente de que esse Pai amoroso está agradado com tudo que ele
faz e sofre, a não ser aquele que estiver constrangido a 'em todas as coisas dar graças', sabendo que todas as
coisas 'cooperam juntas para o bem?'.

3. Assim, 'todo seu corpo será cheio de luz'. A luz do conhecimento é, sem dúvida, uma coisa aqui
pretendida; erguendo-se 'da unção do Espírito Santo que habita nele, e o ensina todas as coisas', -- todas as
coisas que agora são necessárias para ele conhecer, com o objetivo de agradar a Deus. Por meio disto, ele
terá um conhecimento claro da vontade divina em todas as circunstâncias da vida. Não sem os meios, mas
no uso de todos esses meios que Deus o tem provido. E, caminhando nesta luz, ele não poderá deixar de
'crescer na graça, e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo'. Ele continuamente irá prosseguir em
toda santidade, e em toda imagem de Deus.

II

1. Em Segundo Lugar, nosso Senhor observa que, 'se teu olho for mau, todo seu corpo deverá estar
cheio de trevas'. Se ele for mau, ou seja, não puro (porque o olho que não é puro é mau), 'todo o teu corpo
deverá estar cheio de trevas'. É certo que não existe meio termo, entre o olho mau e o olho bom; porque,
quando quer que não almejemos a Deus, estaremos procurando felicidade em algumas criaturas: e isto,
qualquer que seja aquela criatura, é não menos do que idolatria. É tudo uma coisa só, quer almejemos os
prazeres dos sentidos; os prazeres da imaginação; o louvor de homens, ou riquezas; tudo que João resume
sob aquela expressão geral: 'o amor do mundo'. O olho é mau, se nós almejamos qualquer um desses, ou, na
verdade, alguma coisa debaixo do sol. Assim sendo, quando você busca a algum desses, de fato; a alguma
coisa abaixo de Deus, toda sua alma, e todo o curso de sua vida estarão em completa escuridão. Ignorância
de si mesmos; a ignorância de seu interesse real, e a ignorância de sua relação com Deus irão cercar você
com nuvens impenetráveis; com escuridão que pode ser sentida. E, por quanto tempo o olho de sua alma
descansa sobre todos ou alguns desses, esses irão continuar a cercar sua alma, e a cobri-la com trevas.

2. Com quantos muitos exemplos desta verdade melancólica, -- de que aqueles cujos olhos não são
bons são totalmente ignorantes da natureza da religião verdadeira, -- nós estamos cercados! Quantas, até
mesmo, da boa espécie de pessoas, daquelas cujas vidas são inocentes, são tão ignorantes de si mesmas, de
Deus, e da adoração Dele, em espírito e verdade, quanto os Maometanos ou ateus! E, ainda assim, elas não
são, de maneira alguma, imperfeitas no entendimento natural. E alguns delas têm melhorado suas
habilidades naturais, através de uma educação liberal, por meio da qual elas armazenaram um estoque
considerável de aprendizado profundo e diversificado. Contudo, quão totalmente ignorantes elas são de
Deus e das coisas de Deus! Quão estranhas, quanto ao mundo invisível e o eterno! Oh! Por que elas
continuam nesta ignorância deplorável? Simplesmente por causa disto: -- seus olhos não são bons. Elas não
almejam a Deus; Ele não está em todos os seus pensamentos. Elas não desejam ou pensam a respeito dos
céus; portanto, elas mergulham profundo, como no inferno.
3. Por esta razão, elas estão tão longe da santidade verdadeira, quanto elas estão do conhecimento
precioso. E, porque seus olhos não são bons, eles são tão estranhos à religião vital. Mesmo que elas sejam
aperfeiçoadas em outros aspectos; que elas sejam sempre tão cultas; sempre tão bem versadas em todo ramo
da literatura refinada; sim, sempre tão cortês; tão humana; ainda assim, se seus olhos não estiverem
simplesmente fixados em Deus, eles não podem saber coisa alguma da religião bíblica. Elas nunca souberam
o que a santidade cristã significa; qual é a entrada para ela, o novo nascimento, com todas as circunstâncias
que o atendem: Elas não conhecem coisa alguma mais do que as bestas dos campos conhecem. Elas se
arrependeram e creram no Evangelho? Quanto menos elas estão 'renovadas no espírito de suas mentes', na
imagem daquele que as criou. Como elas não têm a menor experiência disto, então, elas não têm a menor
concepção disto. Fosse você mencionar tal coisa, você poderia esperar ouvir, que 'excesso de religião o tem
deixado louco'. Tão destituídas elas estão, quaisquer que sejam as realizações perfeitas que elas tenham
além, da única religião que tem proveito com Deus.

4. E até que seus olhos sejam bons, eles estarão muito aquém da felicidade, assim como da santidade.
Eles podem, de agora em diante ter sonhos agradáveis sobre a riqueza, honra, prazeres, ou o que for. Esta
coisa de curta duração que o mundo pode dar; no entanto, nenhuma delas poderá satisfazer o apetite de uma
alma imortal. Mais ainda, todos elas juntas não podem dar descanso, que é o menor ingrediente da
felicidade, para um espírito eterno, o qual Deus criou para o seu próprio desfrute. A alma faminta, assim
como a abelha ocupada, vagueia de flor em flor, mas sai dela, com uma esperança perdida, e uma
expectativa ilusória. Cada criatura clama (algumas fazendo alarde, e outras, secretamente) 'a felicidade não
está em mim'. O mais impetuoso e o mais contido proclamam a um ouvido atento: 'O Criador não
implantou em mim a capacidade de fazer alguém feliz: Portanto, com todas as tuas habilidades e esforços,
tu não extrairás isto de mim'. E, de fato, quanto mais algum dos filhos dos homens se esforça para extraí-la
de algum objeto mundano, maiores serão as suas mortificações, -- e mais garantido será seu
desapontamento.

5. 'Mas, embora o rebanho comum da humanidade não possa encontrar felicidade; embora ela não
possa ser encontrada nos prazeres vazios do mundo; ela não possa ser encontrada no aprendizado, até
mesmo por ele que tem um olhar bom; certamente, o contentamento do espírito deve fluir da ciência, porque
esta é um atributo divino para se conhecer'.

De modo algum. Ao contrário, tem sido observado em todas as épocas, que os homens que
possuíram os mais elevados níveis de conhecimentos foram os mais insatisfeitos de todos os homens. Isto
fez com que uma pessoa de cultura eminente declarasse: 'Um tolo pode encontrar uma forma de paraíso
sobre a terra', (embora isto seja um grande equívoco), 'mas um homem sábio encontrará nenhum'. Estes são
os mais descontentes, os mais impacientes dos homens. Na verdade, aprender, naturalmente causa isto:
Conhecer', como o Apóstolo observa, 'ufana'. Mas, onde o orgulho está, a felicidade não se encontra; eles
são totalmente inconsistentes, um com o outro. Quanto mais alicerce existe para a reflexão melancólica,
onde quer que a religião não esteja, importa à razão ser sábia? Para ver este panorama pesaroso com olhos
penetrantes? Para saber com mais distinção queixar-se, e ter um senso superior do sentimento de dor?

III

1. Em Terceiro Lugar, resta considerar a questão importante de nosso Senhor: 'Se a luz que está em
ti for trevas, ó quão grande serão estas trevas!'. O significado claro é, se aquele princípio que deve fornecer
luz a toda tua alma, como o olho faz com o corpo, para direcionar teu entendimento, paixões, afeições,
temperamentos, -- todos os teus pensamentos, palavras, e ações; se este mesmo princípio for trevas, --
colocado de maneira errado, trevas no lugar de luz; quão grande deverão ser aquelas trevas! Quão terríveis
seus efeitos!

2. Com o objetivo de ver isto de um ponto de vista melhor, vamos considerar algumas poucas
instâncias específicas. Comecemos com uma de pequena importância. Aqui está um pai escolhendo uma
ocupação para seu filho. Se o olho dele não for bom; se ele não almejar simplesmente a glória de Deus na
salvação de sua alma; se não for sua única consideração, que o chamado é igualmente para assegurar-lhe o
mais alto lugar nos céus; não a maior partilha dos tesouros terrenos, ou o mais alto cargo honorífico na
Igreja; -- a luz que está nele será manifestamente trevas. E quão grandes serão aquelas trevas! O engano em
que ele está, não é algo pequeno, mas inexprimivelmente grande. O que! Você não prefere que ele seja um
operário na terra, e um glorioso santo nos céus, em vez de se tornar um lorde na terra, e um espírito
condenado no inferno? Se não, quão grandes; indescritivelmente grandes serão as trevas que cobrirão sua
alma! Que tolo, que pateta, que louco, quão estúpido é, além de toda expressão, aquele que julga que um
palácio na terra é preferível a um trono no céu!
Quão inexprimivelmente está seu entendimento enegrecido, quem, para obter para seu filho a honra
que vem dos homens, acarreta sobre ele a vergonha eterna na companhia do demônio e seus anjos!

3. Eu não posso descartar este assunto ainda, visto que ele é da mais extrema importância. Quão
grande é a escuridão daquele execrável patife (eu não posso dar a ele melhor título, seja ele rico ou pobre),
que irá vender sua própria filha para o diabo; que irá permutar sua própria felicidade eterna, por alguma
quantidade de ouro e prata! Que monstro será considerado o homem que devorar a carne de sua própria
descendência! E não será tão grande monstro aquele que, através de seu próprio ato e obra, deixar que sua
filha seja devorada por aquele leão ameaçador? Porque certamente fará isto (já que está em seu poder)
aquele que casar sua filha com um homem profano. 'Mas ele é rico; mas ele tem dez mil libras!'. O que? E
se fosse cem mil? Tanto pior; menor probabilidade ela terá de escapar da condenação do inferno. Com que
cara, você irá olhar para ela, quando ela lhe disser nos reinos abaixo: 'Tu me lançaste para dentro deste
lugar de tormento. Tiveste tu me dado um bom homem, embora pobre, eu poderia agora estar nos seios de
Abrão. Mas, ó! De que me adiantou a riqueza? Ela mergulhou a mim e a ti no inferno!'.

4. Alguns de vocês que são chamados Metodistas são assim misericordiosos para com seus filhos?
Buscam casá-los bem (como a frase jargão é), ou seja, os vende para algum comprador que tem muito
dinheiro, mas pouca, ou nenhuma religião? A luz que está em vocês será, então, também trevas? Será que
vocês estão se preocupando mais com Deus do que com o espírito de cobiça? Vocês também estão sem
entendimento? Será que vocês não têm mais proveito naquilo que têm ouvido? Homem, mulher, pensem no
que vocês são! Vocês se atrevem a vender seus filhos para o diabo? Vocês, sem dúvida, fazem isto (tanto
quanto lhes cabe), quando vocês casam um filho ou uma filha, com um filho do diabo; embora ele seja
alguém que se espoje em ouro e prata! Oh! Tomem cuidado, enquanto é tempo! Previnam-se da tentação
dourada! Morte e inferno estão escondidos embaixo. Prefiram a graça, em vez de ouro e pedras preciosas;
glória nos céus, em vez de riquezas na terra! Se não fizerem isto, vocês são piores do que os próprios
nascidos em Canaã. Eles apenas fizeram seus filhos passarem 'através do fogo', por Moloch [ídolo fenício].
Vocês estão fazendo seus filhos passarem pelo fogo que nunca irá se extinguir, e permanecerem nele para
sempre! Oh! Quão grandes são as trevas que vocês causam, depois de terem feito isto, 'limparem suas bocas,
e dizerem que fizeram nada de mal!'.

5. Vamos considerar um outro caso, não muito distante deste. Suponham um jovem, tendo terminado
seus estudos na Universidade, e que esteja desejoso de ministrar nas coisas santas, e, assim sendo, entrar
para a ordenação. Qual a intenção dele nisto? Qual a finalidade que ele propõe a si mesmo? Se seus olhos
forem bons, seu único desejo será salvar sua própria alma, e daqueles que o ouvem; trazer tantos pecadores
quanto ele possivelmente puder da escuridão para a maravilhosa luz. Se, por outro lado, seus olhos não
forem bons; se ele almejar o conforto, honra, dinheiro ou prestígio na igreja; o mundo poderá considerá-lo
um homem sábio, mas Deus dirá a ele: 'Tu, tolo!'. E, enquanto a luz que está nele for assim trevas, 'quão
grandes serão aquelas trevas!'. Que insensatez é comparável com sua insensatez! – alguém particularmente
dedicado ao Deus dos céus, 'pretender coisas terrenas!'. Um Clérigo do mundo é um tolo, acima de todos os
tolos; um louco, acima de todos os loucos! Tais patifes vilões e abjetos como estes são os 'alicerces'
verdadeiros 'do desrespeito ao Clero'. Clérigos indolentes; Clérigos que buscam prazer; amantes do
dinheiro; Clérigos que amam o reconhecimento de outros Clérigos; que buscam cargos honoríficos, -- esses
são os miseráveis que farão com que a ordem seja condenada. Estas são as pestes do mundo cristão; o
grande estorvo da humanidade; o fedor nas narinas de Deus! Tais como esses foram os que fizeram
Crisóstomo dizer: 'O inferno está pavimentado com as almas dos sacerdotes cristãos!'.
6. Tomemos um outro caso. Suponhamos uma jovem, de uma fortuna independente, sendo
endereçada, ao mesmo tempo, a um homem de riqueza, sem religião, e um homem de religião, sem riqueza;
em outras palavras, para um rico, filho do diabo, e um pobre, filho de Deus. O que poderemos dizer, se, em
iguais circunstâncias, ela preferir o homem rico, ao bom homem? Fica claro que seus olhos não são bons;
portanto, seu tolo coração é trevas; e quão grandes são aquelas trevas, que a faz julgar que o ouro e a prata
são uma recomendação maior do que a santidade! Que faz com que um filho do diabo com dinheiro, parece
mais agradável a ela do que um filho de Deus, sem ele! Quais palavras podem suficientemente expressar a
tolice indesculpável de tal escolha? Que alvo de risos (a menos que ela se arrependa severamente) ela será
para todos os diabos no inferno, quando seu endinheirado companheiro a arrastar para seu próprio lugar de
tormento!

7. Existe algum de vocês que estão no momento diante de Deus, que estejam preocupados com
alguns desses assuntos? Permitam-me colocar com 'grande clareza de discurso', e consagrar as suas
consciências 'às vistas de Deus'. Vocês, a quem Deus tem confiado seus filhos ou filhas, ao escolherem os
parceiros para eles, têm feito isto com bons olhos? Quais as qualificações que vocês buscam em seus genros
e noras? – religião ou riquezas? Qual é a primeira consideração de vocês? Vocês não pensam como os
antigos pagãos, 'busquem dinheiro primeiro: e, então, que a virtude seja buscada.

Pensem a respeito: o que vocês preferem? Um pagão rico, ou um cristão devoto? – um filho do
diabo, com uma propriedade, ou um filho de Deus, sem alguma? – um lorde, ou um cavalheiro, com o diabo
em seu coração (ele não esconde isto, seu discurso o trai); ou um comerciante, que, vocês têm motivo para
acreditar que Cristo habita em seu coração? Ó quão grandes são aquelas trevas que os fazem preferir um
filho do diabo a um filho de Deus! O que faz com que vocês prefiram a pobre escória da riqueza mundana,
que desaparece como uma sombra, às riquezas da glória eterna?

8. Eu chamo a atenção, especialmente, de vocês que são chamados de Metodistas. Às vistas do


grande Deus, por mais de cinqüenta anos, eu tenho ministrado a vocês; eu tenho sido seu servo por causa de
Jesus. Durante este tempo, eu tenho dado a vocês muitas advertências solenes, sobre esse assunto. Eu agora
dou a vocês uma mais, talvez, a última. Vocês ousam, ao escolher seu chamado ou situação, olhar as coisas
da terra, em vez das coisas do alto? Ao escolherem sua profissão, ou companheira (o) para a vida de seus
filhos, vocês olham para a terra, ou para o paraíso? Vocês podem deliberadamente preferir, tanto para vocês
mesmos, quanto para suas descendências, um filho do diabo com dinheiro a um filho de Deus sem ele? "Ó,
almas, curvadas para a terra, e estranhas para o céu!". Arrependam-se. Arrependam-se de suas mentes
terrenas vis! Renunciem ao título de cristãos, ou prefiram, no que se refere a vocês mesmos, ou aos seus
filhos, a graça ao dinheiro; o céu à terra! Para o tempo que virá, pelo menos, que 'seus olhos sejam puros'
que 'todo seu corpo possa ser cheio de luz!".

[Editado por Amber Knettle, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Insensatez do Mundo

Pregado em Balham, 19 de Fevereiro de 1790.

'Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
(Lucas 12:20)

Mas um desses tolos é comumente mais sábio aos seus próprios olhos 'do que sete homens de razão'.
Se fosse possível para um cristão; para alguém que tem a mente que estava em Cristo, menosprezar alguém,
ele cordialmente menosprezaria aqueles que supõem que 'são homens em quem a sabedoria se encerra
neles'. Você pode ver um desses, descritos para a vida, nos versos que precedem o texto. 'A herdade de um
homem rico', diz o Senhor, 'tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo:
Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e
edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma:
Alma, tu tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga' (Lucas 12:16-19).

Assim sendo, eu proponho, com a ajuda de Deus:

I. Discutir e explicar a abrangência dessas poucas palavras; e


II. Aplicá-las à sua consciência.

1. Para discuti-las e explicá-las: -- Um pouco antes, nosso Senhor deu um aviso solene àquele que
falava a Ale sobre dividir sua herança. 'Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer
homem', ou seja, a felicidade dela, 'não consiste na abundância do que possui'. Para provar e ilustrar essa
verdade importante, nosso Senhor relata esta notável história. Não é improvável, que foi algo que ocorrera
recentemente, e que estava fresca na memória daqueles que estavam presentes. 'A herdade de um homem
rico tinha produzido com abundância'. Os ricos e os patriarcas dependiam principalmente dos frutos da
terra. 'E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos'. A
mesma linguagem da necessidade e angústia! A voz de alguém que está aflito, e gemendo debaixo de seu
fardo.

O que tu deves fazer? Por que? Não estão à tua porta aqueles a quem Deus tem determinado receber
o que tu podes poupar? O que tu deves fazer? Por que? Distribui. Dá ao pobre. Alimenta o faminto. Veste o
nu. Sê tu um pai para o órfão, e um marido para a viúva. Livremente tu tens recebido; livremente dá. Oh!
Não! Ele é mais sábio do que isto; ele sabe fazer melhor do que isto!

2. "E ele diz: 'Isto eu irei fazer'", -- sem pedir a permissão de Deus, ou pensar Nele, algo mais do que
se não existisse Deus no céu ou na terra; -- 'Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali
recolherei todas as minhas novidades e os meus bens'. Meus bens! Eles são tão teus, quanto as nuvens que
voam sobre a tua cabeça! Tanto quanto os ventos que sopram em volta de ti; que, sem dúvida, tu seguras
firme em teus punhos! 'E direi a minha alma: Alma, tu tens em depósito muitos bens!'. Por acaso o milho, o
vinho, e o óleo são bens para o espírito imortal? 'Descansa por muitos anos!'. Quem disse isto a ti? Não
acredites nele! Ele é um mentiroso, desde o princípio. Ele não poderia prolongar tua vida, se pudesse; mas
arrastaria a ti, imediatamente para sua própria e triste morada. 'Alma, descansa, come, bebe e folga'. Quão
repleto de insensatez e loucura está cada parte deste maravilhoso solilóquio! 'Coma e beba?'. Teu espírito,
então, irá comer e beber? Sim, mas não o alimento terreno. Tu irás logo comer da chama lívida, e beber do
lago de fogo ardente com enxofre. Mas, tu irás, então, folgar com isto? Absolutamente. Não haverá alegria
nessas sombras horríveis; essas cavernas irão ressoar com nenhuma música, 'mas com choro, lamento e
ranger de dentes!'.

3. Mas, enquanto ele estava aplaudindo a sua própria sabedoria, 'Deus disse a ele: Tu tolo! Esta
noite, tua alma será requerida de ti. E, então, o que será feito de todas essas coisas que tu tens preparado?'.

4. Vamos considerar suas palavras um pouco mais atentamente. Ele perguntou a si mesmo: 'O
que devo fazer?'. E a resposta já não estava pronta? Faze o bem. Faze todo o bem que tu puderes. Permite
que tua abundância supra as necessidades de teu próximo; e tu não terás mais necessidade do que fazer. Tu
não podes encontrar alguém que precise do necessário para a vida; que não esteja encolhido de frio e fome;
ninguém que não precise de uma vestimenta, ou de um lugar onde deitar sua cabeça; ninguém que não esteja
devastado por uma grave enfermidade; ninguém que esteja abatido na prisão? Se tu considerares
devidamente as palavras de nosso Senhor, 'Os pobres havereis de ter sempre convosco'; será que tu ainda
perguntarás, 'O que devo fazer?'.

5. Quão diferente foi o propósito deste pobre louco! 'Eu derrubarei meus celeiros, e construirei
outros maiores, e lá recolherei todos os meus bens'. Você pode, desta forma, enterrá-los, ou atirá-los ao mar.
Isto irá, também responder à finalidade para a qual Deus os confiou a ti.
6. Mas vamos examinar um pouco mais além a parte restante de sua resolução: "Eu direi a minha
alma: 'Alma, tu tens muitos bens guardados, por muitos anos; descansa, coma, beba, e folga'". Por acaso
estes são os bens de um espírito eterno? Tanto quanto teu corpo pode alimentar-se da brisa passageira, tua
alma pode alimentar-se dos frutos terrestres! Conselho excelente, então, para tal espírito: coma e beba! Para
um espírito feito igual aos dos anjos; feito da imagem incorruptível do Deus da glória; para alimentar-s não
das coisas corruptíveis, mas do fruto da árvore da vida, que cresce no paraíso de Deus.

7. Não é de se admirar, então, que Deus pudesse dizer a ele: 'Tu, tolo!'. Por esta razão terrível, não
houvesse outra: 'Esta noite tua alma será requerida de ti!'.

E o tu não nasceste para morrer e enterrar este corpo? E teu espírito trêmulo não deve voar para
terras desconhecidas? A terra das sombras mais profundas; não penetradas, pelo pensamento humano; as
regiões desérticas dos mortos, onde todas as coisas são esquecidas?

'E para quem, então, deverá ser todas as coisas que tu tens armazenado?'.

II

1. A segunda coisa que eu propus foi aplicar essas considerações; que, é certo, são algumas das mais
importantes que podem entrar no coração do homem. Em um sentido, de fato, elas já foram aplicadas;
porque o que foi dito tem todas as aplicações. Mas eu gostaria que cada um que lesse ou ouvisse essas
palavras, aplicassem-nas diretamente à sua alma.

2. Não concerne a cada um que ouve, -- 'O solo de um certo homem rico produziu abundantemente',
-- inquirir: 'Este foi alguma vez o caso comigo? Eu tenho agora, ou alguma vez tive, mais bens terrenos do
que eu desejei? E quais foram meus pensamentos nesta ocasião?Eu disse ao meu coração, O que deverei
fazer? Eu me afligi pela minha abundância? Eu pensei que eu juntei bens por muitos anos?'. Muitos anos!
Ai de mim! O que é tua vida, mesmo que a prolongues ao extremo? Ela não é um vapor que apenas aparece
e desaparece? Não digas, então, eu irei derrubar meus celeiros; mas digas a Deus, no secreto de teu coração:
'Senhor, salva-me, ou perecerei!'. Vê, minhas riquezas crescem; permite-me não colocar meu coração sobre
elas! Tu vês que eu me situo em chão escorregadio; cuida de mim!

Segura-me, Salvador, ou cairei!


Estende tua graciosa mão!
Apenas por ajuda, a Ti eu chamo.
Apenas pela fé, em ti me coloco.

Vê, Senhor, quão grandemente meus bens crescem! Nada menos do que teu poder soberano pode
impedir de eu colocar meu coração sobre eles, e ser esmagado mais abaixo do que a sepultura!

3. Eu pergunto a Ti, ó Senhor: 'O que devo fazer?'. Primeiro de tudo, que te esforces para estares
profundamente consciência do perigo que corres; e faze disto, motivo de oração sincera e constante, para
que nunca percas a consciência dele. Ores para que tu possas te sentir sempre à beira de um precipício.
Entretanto, que a linguagem de teu coração seja: "Tendo mais meios, eu irei fazer mais ainda o bem, pela
graça de Deus; do que alguma vez já fiz. Todos os bens adicionais que Deus tem se agradado de colocar em
minhas mãos, eu estou resolvido a dispor, com toda diligência, em obras adicionais de misericórdia. E, por
meio disto, eu 'edificarei para mim, um alicerce seguro, para que eu possa alcançar a vida eterna'".

4. Tu não mais falarás de teus bens; ou de teus frutos, sabendo que eles não são teus, mas de Deus. A
terra é do Senhor, e a plenitude dela: Ele é o Proprietário do céu e terra. Ele não pode precipitar-se de sua
glória; Ele deve ser o Senhor, o possuidor, de tudo que existe. Ele apenas deixou parte dos bens Dele, em
tuas mãos; para tais usos, como Ele tem especificado. Por quanto tempo, Ele se agradará de deixá-los
contigo, tu ainda não sabes; talvez, apenas até amanhã, ou até à noite. Portanto, não fale, nem pense, a
respeito de seus muitos anos. Tu não sabes que tu és uma criatura de um dia, que é esmagada antes da traça;
que o ar que está em tuas narinas pode ser tirado, sem aviso; que ele pode ser recuperado por Ele que o deu;
quando tu menos esperares? Como tu sabes, a não ser que no momento seguinte em que te deitares em tua
cama, tu poderás ouvir: 'Esta noite tua alma deverá ser requerida de ti?'.

5. Não é a tua alma instável como uma nuvem; flutuando como uma bolha sobra a água? Ela foge
como se fosse uma sombra, e nunca mais volta. 'Muitos anos!'. Quem está certo de um dia? E isto não é uma
instância, tanto da sabedoria, quanto da bondade de Deus, que ele tenha teu fôlego em Suas própria mãos, e
o dispense de um momento para outro; para que tu possas te lembrar sempre de 'viveres cada dia, como se
fosse o último?'. E depois de alguns dias, de tu teres vivido, sob o sol, quão breve Ele irá dizer: um
amontoado de pó é tudo que restará de ti; isto é tudo que tu és; e tudo que teu orgulho pode se tornar!

6. Considere, novamente, a extraordinária tolice em se dizer: 'Alma, tu tens muitos bens'. Os produtos
da terra são, então, alimento para o espírito nascido no céu? Existe alguma composição na terra e água; sim,
embora ar e fogo sejam acrescidos a elas, que possa alimentar essas existências de uma ordem superior? Que
similitude existe entre esses espíritos eternos, e esses nascidos do barro da terra? Examine o restante deste
sábio solilóquio, e veja como aplicá-lo para si mesmo. 'Alma, descansa!'. Ó esperança vã! Pode um espírito
brotar facilmente do solo? Suponha que o solo fosse sempre tão aperfeiçoado; ele poderia produzir tal
colheita? 'Come, bebe e folga!'. O que? Tua alma pode comer e beber? Sim. Maná tal como os anjos comem.
Deleite puro para os espíritos proverem. Mas esses não crescem em solo terreno; eles são encontrados no
Paraíso de Deus.

7. Mas suponha que a voz que comanda a vida e a morte diga: 'Esta noite, tua alma será requerida
de ti; então, para quem são todas essas coisas que tu tens armazenado?'. Meu Deus! Elas não são tuas!
Você não tem mais parte alguma, ou porção, em quaisquer das coisas que estão debaixo do sol. Tu tens,
então, não mais fração em alguma dessas coisas da terra, do que se a terra e as obras sobre ela fossem
destruídas. Nu, tu vieste de tua mãe, e nu, retornarás. Tu tens amontoado muitas coisas; mas para que
finalidade. Para deixá-las todas atrás de ti! Pobre sombra! Tu estás agora despida de tudo: não restou, nem
mesmo a esperança.

8. Observe o que nosso Senhor deixou sobre toda a ocorrência: 'Assim é todo aquele que juntou
tesouros para si mesmo, e não é rico em direção a Deus', -- tal tolo, tal louco notório, como está além do
poder da linguagem expressar! Embora ele possa ser sábio aos seus próprios olhos, e, talvez, aos olhos de
seu próximo, ele é, na realidade, o maior tolo que existe debaixo do céu; que ajunta coisas das quais ele logo
irá se separar para sempre: E quem quer que esteja buscando felicidade nas coisas que perecem, está
juntando tesouros para si mesmo. Isto é absolutamente inconsistente com ser 'rico' (ou melhor, crescer) 'em
direção a Deus', em obediência àquela ordem Bíblica: -- 'Meu filho, dá-me teu coração". Ele que é um filho
de Deus pode verdadeiramente dizer:

Todas as minhas riquezas estão acima;


Todos os meus tesouros são teu amor:

Ele pode testemunhar: 'Todos os meus desejos são para ti, e na lembrança do teu nome!'.

9. Que cada um que leu essas palavras, busque em seu coração minuciosamente: Onde tu tens deitado
teus tesouros, até então? Onde tu os estás deitando agora? Tu estás trabalhando para seres rico em direção a
Deus, ou para juntares tesouros na terra? O que toma a maior parte de teus pensamentos? Tu és cuidadoso
com as coisas exteriores; diligente em fazeres o bem, e exato em tuas obrigações exteriores. – cuidado com a
cobiça; com o apropriado, e ilustre amor ao dinheiro; e com o desejo de juntares tesouros na terra. Junta
tesouros no céu! Alguns dias mais, e tu irás pisar na terra da escuridão; onde os frutos terrestres não terão
proveito algum; onde tu não serás capaz de comer e beber; ou gratificar quaisquer dos sentidos. Que
benefício tu terás, então, recebido de tudo que tu juntaste no mundo? Que satisfação, tu terás em tudo que
preservaste, -- tudo que deixaste para trás? Deixado para trás de ti! O que? Tu não podes levar coisa alguma
contigo para as habitações eternas? Então, antes que tu vás, junta tesouros, os quais não desaparecem.

[Editado por Anita Maendl, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Veste Nupcial

"E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial?". (Mateus 22:12)

1. Nos versos precedentes do texto nós lemos: "Depois dessas coisas, Jesus falou-lhes novamente
por parábolas, e disse: Um certo rei fez uma ceia para seu filho. E quando o rei entrou para ver os
convidados, ele viu alguém que não estava em veste nupcial. E ele lhe disse: Amigo, como tu vens para cá e
não tem uma veste nupcial? E ele ficou sem fala. Então, disse o rei aos servos: Amarre-o, pés e mãos, e o
jogue dentro da distante escuridão, lá haverá choro e ranger de dentes".

2. Sobre esta parábola um de nossos mais célebres expositores comenta da seguinte maneira: -- "O
objetivo desta parábola é mostrar aquela graciosa provisão feita por Deus aos homens na pregação, e
através da pregação do Evangelho. Para convidá-los a isto, Deus envia seus servos, Profetas e Apóstolos" –
E nestas palavras: "Por que tu entraste não tem veste nupcial?", ele prossegue assim: "A punição de que não
deveria desencorajar-nos, ou nos fazer voltar atrás nas ordenanças santas". Certamente, não deveria, mas
nada deste tipo pode ser inferido desta parábola, que não tem referência para as ordenanças, não mais do que
o batismo e casamento. E, provavelmente, nos nunca deveremos imaginar isto, mas que a palavra ceia
ocorrida nela.

3. No entanto, a maioria dos que comentam tem caído no mesmo erro que o Sr. Burkitt. E assim têm
milhares de seus leitores. Ainda assim, um erro certamente isto é; e tal erro, como a não ter qualquer sombra
de fundamento no texto. É verdade, de fato, que ninguém deveria se aproximar da mesa do Senhor, sem uma
preparação habitual, pelo menos, se não verdadeira; ou seja, um firme propósito de manter todos os
mandamentos de Deus, e um desejo sincero de receber todas as suas promessas. Mas esta obrigação não
pode ser inferida deste texto, embora possa, de muitas outras passagens das Escrituras. Mas não existe
necessidade de textos múltiplos; um é tão bom quanto mil. Não há necessidade de induzir homem algum de
uma consciência terna, a comungar em todas as oportunidades, mais do que aquele simples mandamento de
nosso Senhor: "Faça isto, em lembrança de mim".

4. Mas, qualquer preparação que seja necessária com o objetivo de sermos feitos parceiros
merecedores da Ceia do Senhor, não tem relação, afinal, com a "veste nupcial", mencionada nesta parábola.
Ela não pode: Porque aquela comemoração de sua morte não foi, então, ordenada. Ela se refere totalmente
aos procedimentos de nosso Senhor, quando ele vem nas nuvens do céu para julgar o vivo e o morto; e para
as qualificações que serão, então, necessárias para herdar "o reino preparado para eles, desde a fundação do
mundo".

5. Muitos homens excelentes, que estão totalmente informados disto – que estão convencidos de que
as vestes núpcias aqui mencionadas não devem ser entendidas como alguma qualificação para a Ceia do
Senhor, mas da qualificação para a glória, -- interprete isto, como a retidão de Cristo; "que", dizem eles, "é a
única qualificação para o céu; esta sendo a única retidão, na qual qualquer homem pode permanecer no
dia do Senhor. Porque quem", eles falam, "irá, então, atrever-se a aparecer, diante do grande Deus, salvo
na retidão de seu bem amado Filho? Nós não devemos, então, pelo menos, se não antes, estarmos na
necessidade de termos uma melhor retidão do que a nossa própria? E que outra pode esta ser do que a
retidão de Deus, nosso Salvador?". O devoto e engenhoso Sr. Hervey, falecido, transvasa largamente sobre
isto, especificamente no seu elaborado: "Diálogos entre Theron e Aspásio".

6. Um outro escritor distinto, agora, eu confio com Deus, fala fortemente para o mesmo efeito no
prefácio de seu comentário sobre a Epístola de Paulo aos Romanos: "Nós certamente", diz ele, "precisamos
de uma retidão melhor do que a nossa própria, onde ficarmos, na corte de Deus, no dia do julgamento". Eu
não entendo a expressão. Ela é bíblica? Nós lemos na Bíblia, quer no Velho Testamento ou no Novo? Eu
duvido. Esta não é uma frase bíblica, é inadequada, e tem nenhum significado determinado. Se você quer
dizer, através daquela questão bizarra, inelegante: "Em cuja retidão você deverá estar no ultimo dia?" --
através do que, ou através do mérito de quem você espera entrar na glória de Deus? Eu respondo, sem a
menor hesitação: pela causa de Cristo, o Justo. É através dos méritos Dele somente que todos os crentes
serão salvos; ou seja, justificados – salvos da culpa – santificados – salvos da natureza, do pecado; e
glorificado – recebido no céu.

7. Pode ser proveitoso passarmos algumas palavras mais sobre este importante ponto. É possível
delinear uma expressão mais ininteligível do que esta – "Sob que retidão, nós deveremos permanecer diante
de Deus no último dia?". Por que você não fala claramente, e diz: "Através de quem você busca ser salvo?".
Qualquer camponês poderia, então, responder rapidamente: "Através de Jesus Cristo". Mas todas essas
frases obscuras, ambíguas, tendem apenas a complicar a causa, e abrir um caminho para os ouvintes
descuidados a escorregar para o Antinomianismo.

8. Existe alguma expressão similar a isto na "veste nupcial", para ser encontrada nas Santas
Escrituras? Em Apocalipse, nós encontramos menção feita do "linho, branco e limpo, que é a retidão dos
santos". E isto, também, muitos veementemente argumentam, meios da retidão de Cristo. Mas como, então,
podemos reconciliar isto, com aquela passagem no sétimo capítulo: "Eles têm lavado suas vestes e as
tornado brancas no sangue do Cordeiro?". Eles dirão: "A retidão de Cristo foi lavada e feita branca no
sangue de Cristo?". Fora com esse tal jargão Antinominiano! E o claro significado não é este: -- Foi do
sangue redentor que a própria retidão dos santos derivou seu valor e aceitabilidade com Deus?

9. No décimo-nono capítulo de Apocalipse, no nono verso, existe uma expressão que vem para bem
perto disto: -- "A Ceia de casamento do Cordeiro". [Apocalipse 19]. Existe uma semelhança entre esta e a
ceia de casamento mencionada na parábola. Ainda assim, elas não são completamente a mesma coisa: existe
uma diferença clara entre elas. A ceia mencionada na parábola pertence à Igreja Militante; que é mencionada
em Apocalipse como a Igreja Triunfante: Uma, para o reino de Deus na terra; a outra, para o reino de Deus
no céu. Assim sendo, na primeira, podem ser encontrados aqueles que não têm "vestes núpcias". Mas haverá
ninguém assim para ser encontrado na última: Não; não "em grande quantidade que nenhum homem possa
numerar, de toda afinidade e língua, e pessoas, e nação". Eles serão "reis e sacerdotes junto a Deus, e
deverão reinar com Ele para sempre e sempre".

10. Esta expressão, "a retidão dos santos" indica o que é a "veste nupcial", na parábola? É a
"santidade, sem o que nenhum homem verá ao Senhor". A retidão de Cristo é, sem dúvida, necessária, para
qualquer alma que entre na glória: Mas assim é a santidade pessoal também, para cada filho do homem. Mas
é altamente indispensável ser observado que elas são necessárias em diferentes aspectos. A primeira é
necessária, para nos autorizar para o céu; a última para nos qualificar para ele. Sem a retidão de Cristo, nós
não podemos ter pretensão à glória; sem a santidade, não teremos aptidão para isto. Através da primeira, nós
nos tornamos membros de Cristo, filhos de Deus, e herdeiros do reino do céu. Pelo último, "somos feitos
adequados para sermos parceiros na herança dos santos na luz".

11. Do momento em que o Filho de Deus entregou esta verdade valiosa para os filhos dos homens –
de que todos que não tiverem a "veste nupcial" seriam "lançados na escuridão, onde estão o choro e o
ranger de dentes", -- o inimigo das almas tem trabalhado para obscurecê-la. Para que eles ainda possam
buscar a morte no erro de suas vidas; e muitos caminhos ele tem tentado, para dissimular a santidade, sem o
que nós não poderemos ser salvos. Quantas coisas têm sido impingidas, até mesmo, junto ao mundo cristão,
no lugar disto! Alguns desses são totalmente contrários a ela, e destruidores dela. Alguns, de maneira
alguma, estiverem ligados a ela, ou se relacionaram com ela; mas com ninharias inúteis e insignificantes.
Outros seriam considerados como fazendo parte dela, mas, de modo algum, do todo. Pode ser útil enumerar
algumas delas, a fim de que não sejamos ignorantes aos conselhos de satanás.

12. Da primeira espécie das coisas prescritas como santidade cristã, embora que plenamente contrária
a ela, é a idolatria. Como isto tem, em várias formas, sido ensinada, e o é até este dia, como essencial à
santidade! Quão diligentemente isto circula em uma grande parte da igreja cristã! Alguns de seus ídolos são
a prata e o ouro, ou a madeira e a pedra, "esculpida pela arte e astúcia do homem", alguns, homens de
paixões iguais a si mesmos, especialmente os Apóstolos de nosso Senhor e a Virgem Maria. A esses, eles
acrescentaram inúmeros santos de sua própria criação, com uma não pequena companhia de anjos.

13. Uma outra coisa tão diretamente contrária a todo o teor da religião verdadeira é aquilo
diligentemente ensinado em muitas partes da Igreja cristã; eu quero dizer, o espírito de perseguição;
perseguindo seus irmãos, até mesmo até a morte; de modo que a terra tem sido freqüentemente coberta com
o sangue, através daqueles que são chamados cristãos, com o objetivo de "tornar seu chamado e eleição
certos". É verdade que muitos, até mesmo na Igreja de Roma, que foram ensinados nesta horrível doutrina,
agora parecem estar envergonhados dela. Mas têm os líderes daquela comunidade, tão abertamente e
explicitamente renunciaram àquela doutrina capital dos diabos, quanto eles a admitiram no Concílio de
Constance, e a praticaram por muitas era? Até que eles tenham feito isto, eles serão responsabilizados com o
sangue de Jerome de Prague, basicamente assassinado, e de muitos milhares ambos à vista de Deus e
homem.

14. Que não seja dito: "Isto não diz respeito a nós Protestantes: Nós pensamos e deixamos pensar.
Nós abominamos o espírito de perseguição; e mantemos, como verdade indiscutível, que toda criatura
racional tem o direito de adorar a Deus, quando ele é persuadido em sua própria mente". Mas nós somos
verdadeiros com nossos próprios princípios? Por enquanto, que nós não usemos fogo e feixes de varas. Que
não persigamos o sangue daqueles que não concordam com nossas opiniões. Abençoado seja Deus, as leis
de nossa região não permitem isto; mas tal coisa como a perseguição doméstica não é encontrada na
Inglaterra? O dizer, o fazer alguma coisa indelicada a outro por seguir sua própria consciência é uma espécie
de perseguição. Agora, nós estamos todos limpos disto? Não existe um marido que, neste sentido, persegue
sua esposa? Que usa de indelicadeza, em palavras ou ação, por adorar a Deus, segundo sua [da esposa]
própria consciência? Os pais não perseguem assim seus filhos? Nenhum amo ou senhora, aos seus criados?
Se eles fazem isto, e pensam que fazem serviço a Deus nisto, eles não devem atirar a primeira pedra nos
Católicos Romanos.

15. Quando as coisas de uma natureza diferente são representadas como necessárias à salvação é uma
tolice do mesmo tipo, embora não da mesma magnitude. De fato, não é um pecado pequeno representar
ninharias como necessárias para a salvação, tal como sair em peregrinação, ou alguma coisa que não
expressivamente ordenada, nas Santas Escrituras. Em meio a esses nós podemos indubitavelmente
classificar a ortodoxia, ou opiniões corretas. Nós sabemos, de fato, que opiniões errôneas na religião
naturalmente conduzem à temperamentos errados; ou práticas erradas; e que, conseqüentemente, é nosso
dever sagrado orar para que possamos ter um julgamento correto em todas as coisas. Mas ainda um homem
pode julgar tão corretamente quanto o diabo, e ainda assim, ser tão mau quanto ele.

16. Alguma coisa mais desculpável são aqueles que imaginam que a santidade consiste nas coisas
que são apenas uma parte dela; (ou seja, quando elas estão ligadas com o restante; do contrário, elas não são
parte dela, afinal) supondo-se que não causem dano. E quão excessivamente comum é isto! Considerando
que fosse um homem tão inofensivo quanto um poste, ele estaria tão longe da santidade, quanto o céu da
terra. Supondo-se que um homem, portanto, seja exatamente honesto, para pagar a cada um o que lhe é
devido; não ludibriar homem algum; fazer mal a nenhum homem, ser justo em todos os seus procedimentos.
Supondo-se que uma mulher seja uniformemente modesta e virtuosa, em todas as suas palavras e ações;
supondo-se que um e outro seja firme praticamente da moralidade, ou seja, da justiça, misericórdia, e
verdade; ainda tudo isto, embora seja tão bom, por quanto tempo exista, não passa de parte da santidade
cristã. Ainda assim, suponha uma pessoa deste caráter amigável faça tanto bem, onde quer que ele vá;
alimente o faminto, vista o nu, socorra o estranho, o doente, o prisioneiro; sim, e salve muitas almas da
morte: é possível que ele possa ainda ele não alcançar aquela santidade, sem a qual ele não poderá ver ao
Senhor.

17. O que, então, é aquela santidade que é a verdade "veste nupcial"; a única qualificação para a
glória? "Em Cristo Jesus", (ou sejam, de acordo com a instrução cristã, qualquer que seja o caso do mundo
pagão) "nem a circuncisão valerá alguma coisa, nem a incircuncisão; mas a nova criação – o renovar da
alma 'na imagem de Deus, em que ela foi criada". Em "Cristo Jesus nem a circuncisão vale coisa alguma,
nem a incircuncisão, mas a fé que é operada pelo amor". [Gálatas 5:6]. Através do poder de Deus,
primeiro, ela opera o amor a Deus e a toda humanidade; e, através deste amor, todo temperamento santo e
divino, -- em especial, humildade, mansidão, gentileza, temperança, e longanimidade. "Nem é a
circuncisão", -- o cumprimento de toda moralidade pagã, -- mas "o manter os mandamentos de Deus;
especificamente esses: -- 'Deverás amar ao Senhor teu Deus com todo teu coração, e a teu próximo como a
ti mesmo". Em uma palavra, santidade é ter "a mente que havia em Cristo", e "caminhar como Cristo
caminhou".

18. Tal tem sido meu julgamento, por esses sessenta anos, sem qualquer alteração material. Apenas
por volta de cinco anos atrás, eu tive uma visão mais clara do que antes, da justificação pela fé: e nisto,
desde àquela hora, eu nunca alterei a largura de um fio de cabelo. Não obstante, um homem engenhoso tem
publicamente me acusado de milhares de alterações. Eu oro a Deus, não colocar isto sob a responsabilidade
dele! Eu estou agora nas bordas da sepultura; mas, pela graça de Deus, eu ainda testemunho a mesma
confissão. De fato, alguns têm suposto que, quando eu comecei a declarar: "Pela graça, vocês são salvos,
através da fé", eu retraí o que eu tinha antes mantido: "Sem a santidade, nenhum homem verá ao Senhor".
Mas é um engano completo: Essas escrituras bem consistem uma com a outra; o significado da primeira
sendo plenamente isto: - Pela fé, somos salvos do pecado, e feitos santos. A imaginação de que a fé sobrepõe
a santidade é a essência do Antinomianismo.

19. A soma de tudo é esta: O Deus do amor está desejoso de salvar todas as almas que Ele criou. Isto
ele tem proclamado a eles nas Suas palavras, junto com os termos da salvação, revelado pelo Filho de seu
amor, que deu sua própria vida para que eles que crêem Nele tenham a vida eterna. E para estes, Ele tem
preparado um reino, desde a fundação do mundo. Mas Ele não os forçará a aceitar isto; Ele os deixa nas
mãos de seu próprio conselho. Ele diz: "Observem, eu coloco diante de vocês, a vida e a morte; a bênção e
a maldição: Escolham vida, para que vocês possam viver". Escolham santidade, pela minha graça; que é o
caminho, o único caminho para a vida eterna. Ele gritou alto, "Sejam santos, e sem felizes; felizes neste
mundo, e felizes no mundo vindouro". "Santidade transforma-se na casa dele para sempre!". Esta é a veste
nupcial de todos que são chamados para "o casamento do Cordeiro". Assim vestidos, eles não serão
encontrados nus: "Eles têm lavado suas vestes, e as branqueado no sangue do Cordeiro". Mas quanto a
todos aqueles que aparecem no último dia, sem a veste nupcial, o Juiz irá dizer: "Lance-os na mais distante
escuridão; lá haverá choro e ranger de dentes".

MADELEY, 12 de Março de 1790 [exatamente um ano antes de sua morte]

[Editado por James H. Walker II, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A vida do homem é um Sonho


Agosto de 1789

"Como faz com um sonho o que acordo, assim, ó Senhor, quando tu acordares, desprezarás a aparência
deles".(Salmos 73:20)

1. Qualquer um que considere os versos antecedentes irá, facilmente, observar que o salmista está
falando diretamente ao mal que prospera da maldade deles. É muito comum para esses, esquecerem,
completamente, que eles são criaturas de um dia; para viver como se eles nunca fossem morrer; como se as
condições presentes deles fosse durar para sempre; ou, pelo menos, como se eles estivessem,
incontestavelmente, certos de que eles "teriam muitos bens armazenados para muitos anos": De maneira que
eles poderiam, seguramente, dizer: "alma, toma teu bem-estar; coma, e beba, e se case". Mas quão miserável
equívoco é esse! Quão freqüentemente Deus diz tal coisa para alguém: "Tu, tolo! Essa noite, eles irão
requerer a tua alma!" Bem, então, pode ser dito para eles: "Ó, quão de repente eles se consomem!" —
perecem, e vêm, para o fim temível. Sim, "como um sonho, em que alguém acorda; assim, tu fazes a
imagem deles desaparecer da cidade".

2. Mas eu iria, no momento, levar esse pensamento para mais longe; eu poderia considerar isso, em
um sentido geral, e mostrar quão próximas semelhanças há entre a vida humana e o sonho. O poeta antigo
carrega a comparação mais longe ainda, quando ele chama a vida de "o sonho de uma sombra". E assim
Cowley, quando ele clama, "Ó vida, tu és o irmão mais novo do nada!" Da mesma forma, então, nós
confundimos um com o outro! Mas, deixando esses e outros vôos poéticos de lado, eu iria seriamente
inquirir, onde essa semelhança se estende; onde a analogia entre um e outro, propriamente, consiste.

3. Com esse objetivo, eu iria inquirir, Primeiro: O que é um sonho? Você irá perguntar? "Quem é
que não sabe isso?". Não seria melhor, você perguntar: Quem sabe? Existe alguma coisa mais misteriosa na
natureza? Quem há que não tem experimentado isso; que não tem sonhado milhares de vezes? Ainda que ele
não seja mais capaz de explicar a natureza dele, do que ele seja para alcançar os céus. Quem pode dar algum
relato claro e satisfatório do pai dos sonhos, o sono? É verdade, muitos médicos têm atentado para isso, mas
eles têm atentado em vão. Eles têm falado eruditamente, sobre ele, mas têm deixado o assunto, pelo menos,
tão encoberto, quanto ele estava antes. Eles nos têm disto sobre algumas propriedades e efeitos, mas nenhum
pode nos dizer qual a essência dele.

4. De qualquer maneira, nós sabemos a origem dos sonhos, e isto com alguns graus de certeza. Não
pode existir dúvida, mas alguns deles se erguem da constituição presente do corpo; enquanto outros são,
provavelmente, ocasionados pelas paixões da mente. Novamente: Nós somos, claramente, informados, nas
Escrituras, que alguns são causados pela operação dos bons anjos; como outros, indubitavelmente, são
devido ao poder e malícia de anjos do mal (se nós podemos ousar supor que haja algum como agora; ou,
pelo menos, que eles não têm coisa alguma a fazer no mundo). Da mesma fonte de informações divinas de
conhecimento, nós aprendemos que, em algumas ocasiões extraordinárias, o grande Pai dos espíritos tem
manifestado a si mesmo para os espíritos humanos, "em sonhos e visões da noite". Mas qual desses, afinal,
ergue-se da influência natural, e qual da influência sobrenatural, nós somos, muitas vezes, incapazes de
determinar.

5. E como nós podemos, certamente, distinguir entre nossos sonhos e nossos pensamentos
acordados? Que critério há, pelo qual, nós podemos, seguramente, saber, se nós estamos acordados ou
dormindo? É verdade, tão logo, despertamos do sono, nós sabemos que nós estivemos em um sonho, e agora
estamos acordados. Mas como nós podemos saber que um sonho é tal, enquanto nós continuamos nele? O
que é o sonho? Para dar um relato grosseiro e superficial, não filosófico dele: É uma série de pessoas e
coisas apresentadas à nossa mente, durante o sono, e que não tem existência, mas apenas em nossa própria
imaginação. Um sonho, entretanto, é uma espécie de digressão da vida real. Parece ser uma forma de eco do
que temos dito ou feito, quando estávamos acordados. Nós podemos dizer que o sonho é um fragmento da
vida, desconectado de suas extremidades; e não conectado com a parte que vem antes, ou com a parte que se
segue depois? E há algum caminho melhor para distinguir nossos sonhos de nossos pensamentos acordados,
do que por essa mesma circunstância? É uma espécie de parênteses, inseridos na vida; como aquele em um
discurso, em que se segue bem, com, ou sem ele. Por esse intermédio, nós, infalivelmente, conhecemos um
sonho; — por estar desconectado de suas extremidades; por não ter uma conexão apropriada com as coisas
reais, tanto das que precedem, como das que se seguem à vida.

6. Não é necessário provar que há uma semelhança próxima entre esses sonhos passageiros e os
sonhos da vida. Seria mais útil ilustrar essa verdade importante; colocá-la em uma luz, tão mais
esclarecedora, quanto for possível. Vamos, então, seriamente, considerar em algumas particularidades
óbvias, o caso de alguém que está acordado fora da vida, e abrindo seus olhos na eternidade.

7. Vamos, então, propor uma situação: Supor que nós temos, diante de nós, alguém que tenha
justamente passado para o mundo dos espíritos. Não poderia você dirigir-se a alguma alma recém-nascida,
de alguma maneira, tal como esta? Você tem sido um habitante da terra por quarenta, talvez, cinqüenta ou
sessenta anos. Mas, agora, Deus ergueu sua voz? "Acorda, tu que dormes!". Você acorda; levanta-se; você
não tem mais o que fazer com essas pobres sombras passageiras. "Levanta, e tira, de ti mesmo, o pó!" Veja,
tudo aqui é real! Tudo é permanente; tudo é eterno! Muito mais estável do que as fundações da terra; sim, do
que os pilares desse mais baixo céu. Agora que seus olhos estão abertos, veja quão, inexprimivelmente,
diferentes são todas as coisas que estão agora ao seu redor! Qual a diferença que você percebe em si
mesmo? Onde está seu corpo — sua casa de barro? Onde estão os seus membros, suas mãos, pés, sua
cabeça? Lá, eles se deitam, frios e insensíveis! Nenhuma raiva, daqui por diante, ou vergonha devem
enrubescer o barro inocente; está extinta toda a chama animal, as paixões desapareceram. Que mudança
aconteceu no espírito imortal! Você vê tudo à sua volta; mas como? Não, com os olhos da carne e sangue!
Você ouve; mas não, por um fluxo de ar ondeante, golpeando em uma membrana estendida. Você sente; mas
de uma maneira maravilhosa! Você não tem nervos para conduzir o fogo etéreo para os sentidos comuns; ou
melhor, você não é agora todo olho, e todo ouvido, e todo sentimento, e toda percepção? Quão diferentes
são, agora que você está, totalmente acordado, os objetos ao seu redor! Onde estão as casas, e jardins, e
campos e cidades, as quais você recentemente viu? Onde estão os rios, os mares e as colinas eternas?
Estavam elas, então, apenas, em um sonho, que o poeta descreve: "A Terra tem essa variedade dos céus, de
prazer situado, em colinas e vales?" Não, eu duvido que tudo isso tenha desaparecido como fumaça, no
momento em que você despertou fora do seu corpo.

8. Quão estranho deve ser, não apenas a maneira da existência aparecer, e o lugar onde você está (se
é que ele pode ser chamado de lugar; embora quem pode definir ou descrever o mundo espiritual?), mas os
habitantes daquela região desconhecida! Se eles fazem parte do número dos espíritos que são infelizes,
"porque não mantiveram sua primeira classe", ou daqueles santos, que ainda "ministram a seus herdeiros da
salvação". Quão estranhas são as ocupações daqueles espíritos com os quais você está cercado! Quão
amargo é o gosto daqueles que ainda sonham encima da terra! "Eu não tenho gosto", diz um desses, (de uma
sagacidade muito aplaudida, e que, recentemente deixou seu corpo) "para sentar-me numa nuvem, o dia
todo, e cantar louvores para Deus". Nós podemos, facilmente, acreditar nele; e não há perigo, da sua
existência ser colocada para esta preocupação. Não obstante, isso não é problema para aqueles que não
cessam, dia e noite, e, continuamente, cantam: "Santo, santo, Senhor Deus do Sabbath!".

9. Suponha que esse seja o caso com qualquer um de vocês que esteja agora diante de Deus. E pode
ser amanhã; talvez, essa noite; talvez, hoje mesmo, sua "alma possa ser requerida de você"; o sonho da vida
possa terminar, e você possa acordar na ampla eternidade! Veja, lá se estende a pobre carcaça inanimada,
brevemente, semeada na corrupção e desonra! Mas, onde está o espírito imortal, incorruptível? Lá, ele se
situa, desnudo, diante dos olhos de Deus! Nesse meio tempo, no que se tornaram todas as ocupações, com as
quais você tem estado, zelosamente, comprometido? Que proveito tem você de todo esse trabalho e
cuidado? O seu dinheiro o seguiu? Não! Você teve de deixá-lo para trás; — para você, é a mesma coisa,
como se ele tivesse desaparecido no ar. Os seus trajes alegres e ricos seguiram você? Seu corpo está coberto
com pó e podridão! Sua alma, de fato, é coberta com a imortalidade! Mas, ó, que imortalidade? É a
imortalidade da alegria e da glória; ou da vergonha e do eterno desprezo? Onde estão a honra e a pompa, do
rico e do poderoso; o aplauso que cercou você? Tudo se foi; tudo desapareceu; "como uma sombra que se
dissipou". "O jogo terminou", diz Monsieur Moultray, quando ele viu o projétil perfurar as têmporas de seu
mestre morto. [Charles XII, Rei da Suécia, no cerco de Frederickshall]. E que preocupação teve o cortesão
com isso? Não mais do que teria na conclusão de uma farsa ou dança. Mas, enquanto o bufão dormiu e
descansou, o mesmo não aconteceu com o monarca. Embora ele não estivesse impressionado com coisa
alguma na terra, ele deveria estar, nos mesmos portões do inferno. Valores vãos! No momento da morte, ele
agarrou o cabo de sua espada! Mas, onde ele estava, no momento seguinte, quando a espada caiu de sua
mão, e a alma saiu de seu corpo? Assim, terminou o esplêndido sonho da realeza, — da glória de destruir
cidades, e de conquistar reinos!
10. "Como o poderoso está tombado, e as armas de guerra pereceram!" Quais as armas que são assim
terríveis, entre nós, para os habitantes da eternidade? Como o sábio, o douto, o poeta e o julgador estão
caídos, e a glória deles desaparecida! Como é com a beleza que acaba, assim, também, é com o ídolo recente
que a multidão contempla! Em tão completo sentido, sãos as "filhas da música trazidas abaixo", e todos os
instrumentos esquecidos disso! Você está agora convencido de que (de acordo com o provérbio Hebraico),
"um cão vivo é melhor do que um leão morto?" Para que aqueles que vivem saibam; sim, devam saber, a
menos que eles, obstinadamente, rejeitem que "eles devam morrer; mas os mortos não sabem coisa alguma"
que poderá aliviar a dor, ou diminuir a miséria deles. Também "que a esperança, o medo e o desejo deles",
tudo pereceu; todos eles sumiram; "eles não têm porção alguma, nas coisas que eles tinham feito, debaixo do
sol!".

11. Onde, de fato, está a esperança daqueles que, recentemente, estavam deitando profundas
conspirações, e dizendo: "Hoje, ou amanhã, nós iremos para tal cidade, e continuaremos por lá um ano, e
traficaremos, e obteremos ganho?" Quão totalmente eles se esqueceram daquela sábia advertência: "Você
não sabe coisa alguma do que será no amanhã! Porque, o que é a sua vida? Ela é um vapor que surgiu, por
um tempo, e agora desapareceu!" Onde estão todas as suas ocupações? Onde estão os seus cuidados,
preocupações e compromissos mundanos? Todos esses sumiram, como fumaça; e sua alma permaneceu. E
como isso pode ser qualificado para o proveito desse novo mundo? Ele tem prazer por causa dos objetos e
das apreciações do mundo invisível? As suas afeições estão desatadas das coisas abaixo, e fixadas nas coisas
do alto, — fixadas no lugar, onde Jesus se senta à direita de Deus? Então, quão feliz você é; e, quando Ele
que o ama aparecer, "você irá também aparecer com Ele na glória!".

12. Mas como você tem prazer na companhia que o cerca? Suas companhias antigas se foram; grande
parte delas, provavelmente, separadas de você, para nunca retornarem. As suas companhias presentes são os
anjos da luz? Espíritos ministeriais, que, não deixam de sussurrar: "Nós somos enviados para conduzir-te por
sobre os abismos no seio de Abraão". E quem esses são? Algumas das almas dos retos, que tu,
anteriormente, socorreste com "o espírito de cobiça da iniqüidade"; e que agora estão encarregadas pelo
Senhor comum de receber-te, dando as boas-vindas "na sua habitação eterna". De maneira que os anjos da
escuridão, rapidamente, discirnam que eles não têm parte em você. E, assim, têm que pairar, a alguma
distância, ou desaparecer, em desespero. Esses felizes espíritos são os mesmos que se familiarizaram
consigo; os mesmos que viajaram com você abaixo, e que suportaram uma parte das suas tentações; e que,
junto com você, lutaram a boa luta da fé e se agarraram à vida eterna? Já que vocês choraram juntos, podem,
então, regozijarem-se, juntos. Talvez, com o propósito de aumentar a sua gratidão por estar "livre da terrível
morte". Eles podem dar a você uma visão do império abaixo; daquelas regiões de tristeza, e sombras
dolorosas, onde a paz e o descanso não podem habitar. Veja, por outro lado, as mansões, as quais, foram
"preparadas para você, desde a criação do mundo!".

Ó, que diferença, entre o sonho que é passado, e a cena real, que é agora presente consigo!
Observe! Veja! Não há necessidade do sol, neste dia, que nunca é seguido pela noite; onde as belezas de
Jesus exibem a luz pura e permanente! Olhe para baixo! Que prisão existe lá! "Retorcendo-se no fogo alto,
baixo e circundante!" E que habitantes! Que formas repugnantes e temerosas, emblemas da ira contra Deus
e homem, da inveja, da fúria, do desespero, fixados neles, — restando a eles ranger os dentes para Aquele,
que eles desprezaram, durante tanto tempo! Conforta a eles ver, enquanto isso, através do abismo imenso,
os retos, no seio de Abraão? Que lugar é aquele! "Qual a casa de Deus, eterna nos céus!" A Terra é apenas
escabelo aos pés Dele. Sim! O firmamento espaçoso ao alto, e todo o céu azul e etéreo. Quando, então, nós
podemos dizer para seus habitantes: "Proclamem as glórias de nosso Senhor, dispersas, através de todas as
ruas divinas; de cujos tesouros ilimitados, pode dispor de tão rico pavimento para os seus pés". E ainda,
quão inconsiderável é a glória daquela casa, comparada com aquela de seu grande Habitante! Devido a
quem, todos os primogênitos filhos da luz, anjos, arcanjos e todas as companhias dos céus, cheias de luz,
tanto quanto cheias de amor, não ousam se aproximar, mas, com ambas as asas, velam os próprios olhos!

13. Quão maravilhoso, então, agora que o sonho da vida está terminado; agora que vocês estão
completamente acordados, façam todas essas cenas aparecerem! Até mesmo tal visão que nunca entrou, ou
pôde entrar em seus corações para ser concebida! Como são todos aqueles que "acordaram depois da
imagem dele, agora satisfeito com ela!" Eles têm agora uma porção, real, sólida, incorruptível, "que
desvaneceram. Entretanto, quão completamente desprezíveis são aqueles que (para acenar para todas as
outras considerações) têm escolhido, para suas porções, aquelas sombras transitórias, que agora estão
desaparecidas, e os têm deixado no abismo da miséria real, que deverá permanecer, por toda a eternidade!".

14. Agora, considerando que todo filho do homem que ainda esteja sobre a terra, deva, cedo ou
tarde, acordar desse sonho, e entrar na vida real; quão, infinitamente, concerne, a cada um de nós,
atendermos a isso, diante da nossa grande mudança que chega! Da mesma importância, é estar,
continuamente, sensível da condição em que você se situa! Quão recomendável é, por todos os meios
possíveis, relacionar as idéias de tempo e eternidade! De modo a associá-las, para que o pensamento de uma,
nunca recorra a sua mente, sem o pensamento de outra! É nossa mais alta sabedoria associar as idéias do
mundo visível e invisível; de maneira a relacionar a existência temporal e espiritual, mortal e imortal.
Realmente, em nossos sonhos comuns nós, usualmente, não sabemos que estamos dormindo, enquanto no
meio deles. Nem temos conhecimento dele, enquanto no meio desse sonho a que chamamos vida. Mas você
pode estar consciente dele agora. Deus concede que você possa, antes que você acorde em uma mortalha de
fogo!

15. Esse alicerce admirável, por associar, assim, as idéias de tempo e eternidade, do mundo visível e
invisível, está colocado, na mesma natureza da religião! Porque, o que é religião? —Eu quero dizer, a
religião bíblica? Porque todas as outras são os mais inúteis de todos os sonhos! Qual é a mesma raiz dessa
religião? É Emanuel, Deus conosco! Deus no homem! Céu associado com a terra! A inexprimível união do
mortal com o imortal. Porque "verdadeiramente, nosso companheiro" (possam todos os cristãos dizer) "é
com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo. Deus tem dado a nós vida eterna; e essa vida está em seu Filho".
O que se segue? "Ele, que tem o Filho, tem vida: E ele que não tem o Filho de Deus, não tem vida".

16. Mas como devemos reter um senso constante disso? Eu tenho, freqüentemente, pensado, nas
horas em que estou caminhando, "Agora, quando eu dormir, e ver tais e tais coisas, eu irei me lembrar que
isso foi apenas um sonho". Ainda que eu não possa, enquanto o sonho durar; e, provavelmente, ninguém
possa. Mas, é outra coisa, com o sonho da vida; que nós lembramos de ser tal, mesmo enquanto ele dura. E
se nós nos esquecemos (como nós, de fato, estamos aptos a fazer), um amigo pode nos lembrar disso. É
muito estar desejoso de que tal amigo esteja sempre por perto; alguém que, possa, freqüentemente, soprar
em nossas orelhas: "Acorda, tu que dormes, e levanta-te de entre os mortos!" Logo você irá acordar para a
vida real. Você irá se colocar, um espírito desnudo, diante da face do grande Deus! Veja que você agora
apreendeu, depressa, que a "vida eterna", a qual ele tem dado a você, está em seu Filho!

17. Quão, admiravelmente, essa vida de Deus diversifica dentro do todo da religião, — eu quero
dizer, da religião bíblica! Tão logo Deus revela seu Filho, no coração do pecador, ele está capacitado para
dizer, "A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé, no Filho de Deus, que me amou e deu a si mesmo por
mim!" Ele, então, "regozija-se na esperança da glória de Deus", sempre, com alegria inexprimível. E, em
conseqüência, dessa fé e esperança, o amor de Deus está derramado em todo seu coração; que, enche a alma,
com amor por toda a humanidade, "é o executor da lei".

18. E quão, maravilhosamente, a fé, a esperança e o amor, conectam Deus com o homem, e tempo
com eternidade! Em consideração disso, nós podemos, corajosamente, dizer:

Desapareça, então, mundo de sombras;


Desapareçam as coisas passadas;
Senhor, apareça! Apareça para nos alegrar,
Com a alvorada do dia infindável!
Ó, conclua essa história mortal,
Jogue esse universo à distância!
Venha, Rei eterno da glória,
Agora desça, e tome a tua igreja!
Editado por Jennifer Luhn, com correções por Ryan Danker e George Lyons, para o Wesley Center for
Applied Theology at Northwest Nazarene University.
© Copyright 1999 by the Wesley Center for Applied Theology.

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Sobre a Fé

 Provavelmente, seu último sermão, escrito em Londres, em 17 de Janeiro de 1791. John Wesley
morreu em 02 de Março de 1791.

'Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem'. (Hebreus
11:1)

1. Muitas vezes, eu tenho pensado; muitas vezes, eu tenho falado; muitas vezes, eu tenho escrito
essas palavras; e, ainda assim, parece existir uma profundidade nelas que eu, de maneira alguma, me sinto
capaz de penetrar. Fé é, em um sentido da palavra, a divina convicção de Deus e das coisas de Deus; em
outro, (proximamente relacionado a isto, embora que não com o mesmo sentido), é a divina convicção do
mundo invisível e eterno. Neste sentido eu poderia agora considerar:

2. Eu sou um espírito imortal, de maneira singular, conectado à pequena porção da terra; mas isto é
apenas por enquanto: Em breve, eu terei de deixar essa habitação de barro, e me transferir para um outro
estado:

'Que o vivente não conhece. E o morto não consegue, ou não pode dizer!'

Que tipo de existência, então, eu terei, quando meu espírito for lançado para fora do corpo? Como
poderei sentir a mim mesmo? Perceber minha própria existência? Como eu poderei discernir as coisas que
estão à minha volta; tanto os objetos materiais, quanto espirituais? Quando os meus olhos não mais
transmitirem os raios de luz, como o espírito desnudo poderá ver? Quando os órgãos da audição se
desfizerem no pó; de que maneira eu poderei ouvir? Quando meu cérebro não mais for de algum uso; que
meios eu terei para pensar? Quando todo meu corpo dividir-se em terra insensível; que meios eu terei para
alcançar conhecimento?

3. Quão estranhos; quão incompreensíveis são os meios, pelos quais, eu então, conseguirei
conhecimento, mesmo do mundo material! Será que as coisas parecerão ser como são agora? Do mesmo
tamanho, forma e cor? Ou elas estarão alteradas em alguns, ou todos os aspectos? Como o sol, luz e estrelas
aparecerão? Os céus terrestres? Os céus planetários? A região das estrelas fixas? Como os espaços celestes,
que nós podemos conceber, estão a milhões de milhas além? Disto tudo afinal, nós não sabemos nada. E de
fato, nem precisamos saber alguma coisa.

4. O que, então, nós sabemos desses inumeráveis objetos, que propriamente pertencem ao mundo
invisível; que 'o olho mortal não vê; o ouvido não ouve; nem nosso coração pode conceber?'. Que cenário
irá, então, ser aberto, quando a região dos mortos for desnudada! Nossos tradutores Ingleses pareceram estar
muito perdidos para encontrar uma palavra adequada a isto. Realmente, duzentos anos atrás, a região dos
mortos era toleravelmente expressa pela palavra (hell) 'inferno', que, então, significava o mesmo que a
palavra (hades), ou seja, o mundo invisível.
Concordantemente, pela expressão 'Cristo descendo ao inferno', eles quiseram dizer, 'seu corpo
permanecendo na sepultura, e sua alma permanecendo na região dos mortos', (que é o receptáculo dos
espíritos separados), da morte para a ressurreição. Aqui, nós não podemos duvidar que os espíritos dos retos
estão inexprimivelmente felizes. Eles estão, como Paulo expressa , 'com o Senhor', favorecidos com tão
íntima comunhão com Ele, o que 'vai muito além' do que o chefe dos Apóstolos experimentou enquanto no
mundo.

Por outro lado, nós aprendemos do próprio nosso Senhor, nos relatos de Dives e Lázaro, que o
homem rico, no momento em que deixa o mundo, entra em um estado de tormento. E que 'existe um grande
abismo fixado' na região dos mortos, entre o lugar dos santos e aqueles dos espíritos impuros; impossível de
um ou outro atravessar. De fato, um cavalheiro, de grande aprendizado, o Honorável Sr. [Alexander]
Campbell, em seu relato sobre o Estado Intermediário, publicado poucos anos atrás, parece supor que as
almas pecaminosas podem se aperfeiçoar na região dos mortos, e, então, serem transferidas para um solar
mais feliz. Ele tem grandes esperanças de que 'os homens ricos', mencionados por nosso Senhor, em
particular, poderiam ser purificados, através daquele fogo penal, até que, no decurso de um tempo, ele
estaria qualificado para uma melhor moradia. Mas quem pode conciliar isto à afirmativa de Abraão de que
ninguém poderá atravessar o grande abismo?';

5. Por conseguinte, eu não posso deixar de pensar que todos aqueles que estão com os homens ricos,
nas divisões infelizes do mundo invisível, irão permanecer lá, uivando, blasfemando, praguejando contra
Deus, e olhando em frente, até que sejam 'lançados no fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos'.
Por outro lado, nós podemos razoavelmente duvidar que aqueles que estão agora no paraíso, no seio de
Abraão, -- todas aquelas almas santas que estão separadas do corpo, do começo do mundo, até nossos dias, -
- estão continuamente maturando para os céus; tornando-se perpetuamente mais santas e felizes, até que elas
sejam recebidas 'no reino preparado para elas, desde a fundação do mundo?'.

6. Mas quem poderá nos informar, em que parte do universo a região dos mortos é situada, -- essas
habitações de ambos os espíritos felizes, e infelizes, até que eles sejam religados aos seus corpos? Não é do
agrado de Deus revelar alguma coisa concernente a elas, nas Escrituras Santas; e, conseqüentemente, não é
possível a nós formamos um julgamento, ou mesmo conjectura a respeito. Nem somos nós informados,
como uma ou outra é aproveitada, durante o tempo da moradia deles por lá.

Ainda assim, nós não podemos supor provavelmente que o Governador do mundo pode, algumas
vezes, permitir que as almas pecaminosas 'realizem suas missões deprimentes nas profundezas'; ou, talvez,
em conjunção com os anjos diabólicos, para infligir vingança nos homens pecaminosos? Ou muitos deles
são calados, nas algemas da escuridão, para o grande julgamento do grande dia? Nesse meio tempo, nós não
podemos supor provavelmente que os espíritos dos justos, mesmo instalados no paraíso, podem, ainda
assim, em conexão com os anjos santos, ministrar aos herdeiros da salvação, algumas vezes?

'Eles não podem, algumas vezes, nas missões de amor, revisitarem seus irmãos abaixo?'

É um pensamento agradável que alguns desses espíritos humanos, nos atendendo com, ou no lugar
de anjos, estejam entre aqueles que foram queridos a nós enquanto estavam no corpo.

Mas, que isto seja como deve ser: [Conforme as Escrituras]. É certo que os espíritos humanos
prontamente crescem no conhecimento, na santidade e felicidade, conversando com todas as almas sábias
que viveram em todas as épocas e nações, desde o começo do mundo; com anjos e arcanjos, para os quais,
os filhos dos homens não são mais do que crianças; e, acima de tudo, com o Filho do Deus eterno, 'em quem
estão escondidos os tesouros da sabedoria e conhecimento'. Então, que seja especialmente considerado que,
o que quer que eles aprendam, eles irão reter para sempre. Já que eles nada esquecerão. Esquecer é apenas
um incidente dos espíritos que estão revestidos da carne e sangue.
7. Mas como os espíritos despojados da carne e sangue percebem esse universo material? Quem
poderá dizer, se alguns desses objetos que nos circundam parecerá o mesmo como eles são agora? E se nós
já conhecemos, tão pouco desses, como poderemos saber concernente aos objetos de uma natureza
completamente diferente? Concernente ao mundo espiritual? Parece que não será possível a nós discerni-los,
afinal, até que estejamos munidos com os sentidos de uma natureza diferente, e que não estão ainda
disponíveis em nossas almas. Esses poderão nos capacitar a penetrarmos, na mais íntima substância das
coisas, onde nós agora discernimos apenas a superfície; e discernirmos coisas inumeráveis, da mesma
existência, das quais não temos a menor percepção no momento.

Quão surpreendentes cenas irão se descortinar, então, aos nossos sentidos recém inaugurados!
Provavelmente, os campos de éter; não apenas dez vezes, mas dez mil vezes maiores do que 'a extensão
deste campo terreno'. E com que variedade de acessórios animados e inanimados! Quantas formas de
existências, não descobertas pelos órgãos da carne e sangue! Talvez, tronos, domínios, principados, virtudes,
poderes! – se daqueles que retêm suas primeiras habitações e forças primitivas, ou daqueles que, rebelando-
se contra seu Criador, foram lançados fora do paraíso! E nós, então, não devemos, tão distante quanto o
campo visual do anjo Ken, vistoriar os limites da criação e ver todos os lugares onde o Altíssimo --

Parou suas rápidas rodas, e disse: -


"Esta seja exatamente tua circunferência, Ó, mundo?".

Sim; e nós não seremos capazes de nos mover tão rapidamente como o pensamento, através dos
reinos amplos da noite não criada? Acima de tudo, no momento em que caminhamos na eternidade, nós não
poderemos sentir a nós mesmos, sendo tragados por Ele, que está neste, e em todos os lugares. – que
preenche os céus e terra? É apenas o véu da carne e sangue que agora nós impede de percebermos que o
grande Criador não pode deixar de preencher toda a imensidão do espaço. Ele está, a todo o momento, sobre
nós, embaixo de nós, e em todos os lados. De fato, nessa habitação escura, nesta terra de sombras, nesta
região de pecado e morte, a espessa nuvem que está interposta o esconde de nossas vistas. Mas o véu irá
desaparecer, e Ele surgirá em toda sua majestade descortinada; 'Deus acima de todos; abençoado para
sempre!'.

8. Quão diversamente estão os filhos dos homens empregados nesse mundo! Seguindo 'os passos que
eles trilharam seis mil anos antes!'. Mas quem poderá saber como nós seremos empregados, após entrarmos
neste mundo visível? Um pouco dele, nós podemos conceber, e isto, sem qualquer dúvida; contanto que
mantenhamos o que o próprio Deus tem revelado no seu mundo, e o que Ele tem operado nos corações de
seus filhos.

Primeiro, nós vamos considerar qual deve ser a ocupação dos espíritos pecaminosos - da morte para a
ressurreição. Nós não podemos duvidar que, no momento em que eles deixam o corpo, eles se cercam dos
espíritos de sua própria espécie; provavelmente, humanos, ou diabólicos. Que poder Deus pode permitir a
estes exercitarem sobre eles, nós não sabemos claramente. Mas não é improvável que Ele possa permitir a
Satanás empregá-los, como ele faz com seus próprios anjos, para punir com a morte, ou maldades de todos
os tipos, os homens que não conhecem a Deus: Para esta finalidade, eles podem erguer tempestades, pelo
mar e terra; lançar meteoros, através do espaço; ocasionar terremotos; e, de inúmeras maneiras, afligir
aqueles a quem eles não se importam em destruir. Onde eles não são permitidos tirar a vida, eles podem
afligir com diversas doenças; e muitas dessas que nós julgamos serem naturais, são indubitavelmente
diabólicas.

Eu acredito que este é, freqüentemente, o caso dos lunáticos. Observa-se que muitos desses,
mencionados nas Escrituras, e que são chamados de lunáticos, por um dos Evangelistas, são denominados
demoníacos por outro. Um dos mais eminentes médicos que eu conheço, particularmente, nos casos de
insanidade, o recente Diácono Dr. [Thomas], é da opinião clara que este era o caso com muitos, se não, com
a maioria dos lunáticos. E não existe uma objeção válida para isto, a de que essas enfermidades são
freqüentemente curadas por meios naturais; já que um dano causado por um espírito demoníaco deve ser
curado, como qualquer outro, a mesmo que àquele espírito seja permitido repetir o dano.
9. Será que alguns desses espíritos diabólicos podem ser igualmente empregados, em conjunção com
os anjos demoníacos, para tentarem os homens perversos a praticarem o pecado, criando as oportunidades
para eles? Sim; e tentando os homens bons a pecarem, mesmo depois de terem escapado da corrupção que
há no mundo? Neste contexto, sem dúvida, eles empregam todas as suas forças; e se gloriam grandemente se
obtêm sucesso. Uma passagem de um autor antigo pode ilustrar grandemente isto: (Embora eu compreenda
que ele não tenha pretendido que tomemos isto literalmente):

"Satanás convocou seus aliados, e examinou qual dano cada um deles tinha feito. Um deles disse,
'Eu coloquei fogo na casa e destruí todos os moradores'. Um outro disse, 'Eu fiz cair uma tempestade no
mar, afundei um navio, e todos a bordo pereceram nas águas'. Satanás respondeu: 'Talvez, estes que foram
queimados ou afogados se salvaram'. Um terceiro disse, 'Eu tenho, há quarenta anos, tentado um homem
santo a cometer adultério; e eu o tenho deixado adormecido em seu pecado'. Ouvindo isto, Satanás pediu
que lhe fossem feitas as honras, e todo o inferno ressoou com seu louvor". Ouçam isto, todos os que
imaginam que não poderão cair na graça!

10. Nós não devemos, então, estar perpetuamente vigilantes contra esses sutis inimigos? Mesmo
não os vendo...

Eles mantêm uma constante vigilância. Eles nos olham noite e dia. E nunca descansam; nunca
dormem; a fim de que não percam sua presa.

Nisto, eles se juntam com 'os soberanos da escuridão'; da escuridão intelectual, 'deste mundo', -- a
ignorância, maldade, e miséria difusa através dela, -- para impedir todo bem e promover todo o mal! Para
esta finalidade, eles estão continuamente 'trabalhando com energia nos filhos da desobediência'. Sim.
Algumas vezes, eles trabalham, através daqueles prodígios mentirosos que quase ludibriam, até mesmo os
filhos de Deus.

11. Mas, nesse meio tempo, como nós podemos conceber que sejam empregados os habitantes do
outro lado da região dos mortos – as almas dos retos? Tem sido positivamente afirmado por alguns homens
filosóficos que os espíritos não têm lugar. Mas eles não observam que, se fosse assim, eles seriam
onipresentes, -- um atributo que não pode ser permitido a qualquer um, a não ser ao Espírito do Altíssimo.
Os antepassados judeus costumavam chamar a morada desses espíritos abençoados de Paraíso, -- o mesmo
nome que nosso Senhor deu a ele, dizendo ao ladrão penitente, 'Este dia, tu estarás comigo no paraíso'.

Ainda assim, quem poderá dizer, em que parte do universo isto é situado, se não for do agrado de
Deus revelar alguma coisa concernente a ele? Mas nós não temos razão para pensar que eles estão
confinados a este lugar; ou, quem sabe, a qualquer outro. Não seria melhor dizer que 'os servos dele', assim
como os anjos santos, 'fazem o que é para o seu prazer'; se entre os habitantes da terra, ou em alguma outra
parte de seus domínios? Como facilmente podemos acreditar que eles são mais rápidos do que a luz; tão
rápidos, quanto o pensamento; eles são bem capazes de atravessar todo o universo, em um piscar de olhos;
tanto para executar um comando divino, quanto para contemplar as obras de Deus.

Que panorama está aqui aberto diante deles! E quão imensamente eles podem crescer no
conhecimento, enquanto eles avaliam suas obras de criação ou providência, ou sua múltipla sabedoria na
Igreja! Que profundidade de sabedoria, poder e santidade eles descobrem em seus métodos, ao 'trazer
muitos filhos para a glória!'. Especialmente, enquanto eles conversam com algumas dessas pessoas; com os
ilustres mortos dos tempos antigos! Com Adão, o primeiro dos homens; com Noé, que viu ambos o mundo
primitivo, e o em ruínas; com Abraão, o amigo de Deus; com Moisés, que foi favorecido por falar com
Deus, como fora, 'face a face'; com Jó, aperfeiçoado pelo sofrimento; com Samuel, Davi, Salomão, Isaías,
Daniel e todos os Profetas; com os Apóstolos; o nobre exército de mártires; e todos os que viveram e
morreram, até o presente dia; com nossos irmãos presbíteros; os anjos santos; querubins; serafins; e todas as
companhias dos céus; acima de todos os nomes das próprias criaturas, com Jesus, o Mediador da nova
aliança!
Nesse meio tempo, quanto eles irão avançar na santidade; na total imagem de Deus, por meio da qual
eles foram criados; no amor de Deus e homem; gratidão para seu Criador; e benevolência, para com todas as
criaturas! Ainda assim, esta benevolência geral não irá, afinal, (o que alguns sinceramente mantêm)
interferir com aquela afeição peculiar que o próprio Deus implantou para nossas relações, amigos e
benfeitores. Ó, não! Você que esteve ao lado da cama, quando aquele santo moribundo clamava, 'Eu tenho
pai e mãe nos céus' - (no paraíso, o receptáculo dos espíritos felizes). 'Eu tenho dez irmãos e irmãs ao todo,
nos céus; e agora eu estou indo para eles; eu que sou o décimo-primeiro! Abençoado seja Deus, porque eu
nasci!'; e você teria respondido: 'Como você está indo para eles? Eles serão para você, como qualquer
outra pessoa; já que você não mais os conhecerá'. Não saberá quem são! Mais ainda, isto tudo não está
apenas no seu pensamento?

De fato, os céticos podem perguntar: 'Como os espíritos, desprovidos da carne e sangue, podem
reconhecer um ao outro?'. Eu não saberia responder claramente, ainda assim, eu estou certo de que eles o
fazem. Isto está tão plenamente provado por uma passagem das Escrituras, como poderia ter sido por
milhares. Abraão e Lázaro não reconheceram um ao outro, no paraíso; mesmo bem distantes? Mesmo tendo
sido fixados, em lados diferentes do 'grande abismo?'. Nós podemos, então, duvidar que as almas que estão
juntas no paraíso podem conhecer umas às outras? As Escrituras, portanto, decidem claramente a questão. E
assim a mesma razão das coisas; já que nós sabemos que todo temperamento santo que nós carregamos
conosco para o paraíso irá permanecer em nós para sempre. Tal gratidão para com nossos benfeitores irá,
por conseguinte, permanecer para sempre. E isto implica que o conhecimento de nossos benfeitores irá
permanecer, sem o que ela [gratidão] não poderia existir.

12. E quanto isto irá acrescentar para a felicidade daqueles espíritos que já estão desprovidos do
corpo, e aos quais é permitido ministrar para aqueles que eles deixaram para trás! Nós temos uma prova
irrefutável disto, no vigésimo-segundo capítulo do Apocalipse. Quando o Apóstolo se prostra para adorar o
espírito glorioso que ele parecer ter tomado por Cristo, ele diz a ele claramente: (Apocalipse 22:8-9) 'E eu,
João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo, que
mas mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal, porque eu sou conservo teu, e de teus irmãos,
os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus!'. Não Deus; nem um anjo; nem um
espírito humano. E de quantas maneiras podem eles 'ministrarem aos herdeiros da salvação!'. Algumas
vezes, agindo contra os espíritos pecaminosos, aos quais não podemos resistir, porque não podemos vê-los;
algumas vezes, impedindo que sejamos machucados por homens, ou bestas, ou criaturas inanimadas. Quão
freqüentemente pode agradar a Deus responder à oração do bom Bispo Ken! –

'Ó que teus anjos possam, enquanto durmo,


em volta de minha cama, manter vigilância,
e o amor angelical deles destilar,
e interromper todas as conseqüências do mal!
Que as alegrias celestiais deles, eles exercitem;
e de pensamento para pensamento, comigo conversem.
Ó, em meu lugar, durante toda noite,
que cantem, para meu Deus,
uma canção de gratidão!'.

Será que o Pai de todos os espíritos não pode repartir esse ofício, conjuntamente com os anjos e os
espíritos humanos que buscam a perfeição?

13. Pode ser de fato objetado que Deus precise de alguns agentes subordinados – quer sejam espíritos
angelicais ou humanos -, para guardarem seus filhos, enquanto acordados ou dormindo; vendo que 'Uma vez
que Aquele que guarda Israel nem descansa; nem dorme'. E, certamente, Ele é capaz de preservá-los,
através de seu próprio poder imediato; sim, e Ele é capaz, por meio desse poder, sem quaisquer
instrumentos, afinal, suprir as necessidades de todas as suas criaturas, tanto nos céus, quanto na terra. Mas é,
e sempre foi seu prazer, não operar, através de seu poder imediato apenas, mas, principalmente, por meios
subordinados, desde o começo do mundo. E quão maravilhosamente é sua sabedoria disposta para ajustar
todos esses, uns aos outros! De modo que podemos bem clamar: 'Ó Senhor, quão múltiplas são tuas obras!
Através da tua sabedoria, tu as tem feito todas'.

14. Isto nós sabemos, concernente a toda a estrutura e organização do mundo visível. Mas quão
excessivamente pouco, nós conhecemos, com respeito ao mundo invisível! E teríamos conhecido bem
menos dele, não tivesse o Autor de ambos o mundo, se agradado de nos dar mais do que a luz natural; nos
dar 'sua palavra para ser uma lanterna, sob nossos pés, e uma luz em todos os nossos passos'. E os homens
santos do passado, sendo assistidos pelo seu Espírito, têm descoberto muitas particularidades as quais, do
contrário, nós não teríamos concepção alguma!

15. E sem a revelação, quão pouco certamente, das coisas invisíveis, o mais sábio dos homens
obteria! Os pequenos raios de luz que eles tiveram foram meramente conjetural. Quando muito, eles foram
apenas um crepúsculo lânguido e opaco, entregue por uma tradição duvidosa; e tão obscurecido pelos mitos
pagãos, que fora apenas um grau melhor do que a completa escuridão.

16. Quão incerta, a melhor dessas conjeturas era, nós podemos facilmente coletar de seus próprios
relatos. O mais completo de todos esses, é aquele do grande poeta romano. Onde observamos, quão
cuidadosamente, ele começa, com aquele prefácio apologético: -- 'Eu sou permitido dizer o que eu tenho
ouvido?'. E, na conclusão, a fim de que ninguém pudesse imaginar que ele acreditou, em algumas dessas
considerações, envia ao relator delas, fora da região dos mortos, através de um portão de marfim, por meio
do qual, ele tinha justamente nos informado que apenas sonhos e sombras passam, -- uma mesma intimação
clara, para que todos aqueles que se foram antes, sejam olhados como um sonho!

17. Quão pouca cautela eles têm tido por todas essas conjeturas, com respeito ao mundo invisível,
aparece claramente das palavras de seu irmão poeta; que afirma, sem qualquer escrúpulo:-'Que existem
espíritos, ou reinos abaixo, nem mesmo um homem [um garoto] deles agora acredita'.

Tão pouco, até mesmo, a mais aperfeiçoada razão pode descobrir, concernente ao mundo invisível e
eterno! A razão principal, é porque temos orado ao Pai das Luzes, e Ele nos tem aberto os olhos de nosso
discernimento, para que possamos discernir essas coisas, que não poderiam ser vistas pelos olhos da
carne e sangue; para que Ele que, dos tempos antigos brilhou fora da escuridão, brilhasse em nossos
corações, e nos iluminasse com a luz da glória de deus, na face de Jesus Cristo, 'o autor e aperfeiçoador
de nossa fé'; 'por quem Ele fez os mundos'; por quem ele agora mantém o que quer que tenha feito; para
que, 'até que a natureza possa o julgamento dela trazer, o Messias, Rei, reine'.

Nestas coisas, eu tenho crido, em cima do testemunho de Deus, o Criador de todas elas, visíveis e
invisíveis; e, através deste testemunho, nós já sabemos as coisas que agora existem, embora não sejam
vistas; assim como, aquelas que existem, em suas épocas, até que esse mundo visível passe, e o Filho do
Homem possa vir para sua glória.

18. Sobre tudo, quantos agradecimentos nós devemos render a Deus, que tem concedido essa
'evidência das coisas não vistas', para os pobres habitantes da terra, que, do contrário, deveriam ter
permanecido, na mais completa escuridão, concernente a elas. Que dom inestimável é até mesmo essa luz
imperfeita, para os ignorantes filhos dos homens! Que alivio, ela é aos defeitos de nossos sentidos; e,
conseqüentemente, de nosso entendimento; que pode nos dar nenhuma informação de coisa alguma, a não
ser do que é, a princípio, apresentado pelos sentidos! Mas, por isto, um novo kit de sentidos (por assim
dizer) está aberto para nossas almas; e, através desses meios,

As coisas desconhecidas para os sentidos débeis,


Não vistas, através das idéias vagas da razão,
Com uma forte, e imponente evidência,
Suas origens celestiais dispõem.
A fé fornece suas luzes realizadoras:
As nuvens se dispersam; as sombras fogem;
O invisível surge aos olhos,
E Deus é visto pelo olho mortal!

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[Editado por George Lyons - Wesley Center for Applied Theology.]


Este documento é da Christian Classics Ethereal Library server.

A Aparência Enganosa do Coração Humano

'Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?' (Jeremias 17:9)

I. 'O coração do homem é desesperadamente mau'. Em considerando isto, nós não temos
necessidade de nos referirmos a algum pecado em particular;

II. Nós podemos, em Segundo Lugar, considerar isto – a aparência enganosa do coração humano;
'ele é enganoso, acima de todas as coisas';

III. 'Aquele que confia em seu próprio coração é um tolo', porque quem que fosse sábio iria confiar
em alguém que ele sabe ser 'desesperadamente mau?'.

1. A maioria dos mais eminentes dos antigos pagãos nos deixou muitos testemunhos disto. Foi,
decerto, a opinião comum deles, a de que houve um tempo, em que os homens, em geral, eram virtuosos e
felizes; o que eles denominaram de 'idade do ouro'. E o relato disto foi espalhado através de quase todas as
nações. Mas igualmente se acreditou que essa época feliz tinha se expirado, muitos anos atrás: e que os
homens estão agora, no meio da 'idade do ferro'. Do início desta, diz o poeta -

Imediatamente, entraram à força,


Em abundância, toda a maldade e pecado:
Vergonha, verdade, fidelidade, desapareceram rapidamente;
E a abominável sede do ouro suportou domínio, sem resistência.

2. Mas quantos mais sabem que os antigos pagãos são a presente geração de cristãos! Quantos
panegíricos nós agora lemos e ouvimos sobre a Dignidade da Natureza Humana. Um eminente pregador, em
um dos seus sermões, pregado e publicado, alguns poucos anos atrás, não teve escrúpulos de afirmar,
Primeiro, que os homens em geral (se não todos os indivíduos) são muito sábios; Em Segundo Lugar, que os
homens, em geral, são muito virtuosos; e, em Terceiro, que eles são muito felizes. E eu não conheço, ainda,
alguém que tenha sido tão ousado, para contestar a afirmação.

3. Proximamente relatado a eles foram os sentimentos de um cavalheiro engenhoso que, sendo


perguntado, 'Meu senhor, o que você pensa da Bíblia?', respondeu, 'Eu penso que é o livro mais excelente
que eu li na minha vida. Apenas aquela parte que indica uma forma mediadora, eu não entendo; já que eu
não aceito que exista alguma necessidade de um Mediador entre Deus e o homem. De fato', continuou ele,
'se eu fosse um pecador, então, eu necessitaria de um Mediador; mas eu não imagino que eu seja. É verdade
que eu freqüentemente ajo de maneira errada, por falta de mais entendimento: E eu freqüentemente sinto
temperamentos errados; particularmente, ira; mas eu não posso permitir que isto seja um pecado; porque
ela depende do movimento do meu sangue e força vital, que eu não posso ajudar. Entretanto, ela não pode
ser um pecado; ou, se for, a culpa deve cair, não em mim, mas naquele que me fez'. Os próprios sentimentos
do devoto Lorde Kames, e do modesto Sr. Hume!
4. Algum tempo atrás, uma senhora caridosa descobriu que havia nenhum pecador no mundo, a não
ser o diabo. 'Porque', ela disse, 'ele força os homens a agirem como eles agem; portanto, eles não são os
responsáveis: A culpa é de satanás'. Mas, algumas mais dessas senhoras cultas descobriram que 'não existe
pecador no mundo, a não ser Deus! Porque Ele força os homens a pensarem, falarem, e agirem como eles
fazem; portanto, a culpa é de Deus apenas'. Satanás, fora! Pode-se duvidar, se mesmo ele, alguma vez,
afirmou uma blasfêmia tão imbecil, quanto esta!

5. Mas, o que quer que os infiéis não batizados ou batizados possam dizer, com respeito à inocência
da humanidade, Ele que fez o homem, e que melhor conhece o que Ele fez, dá uma consideração muito
diferente dele. Ele nos informa que 'o coração do homem', de toda humanidade, de todo o homem nascido
no mundo, 'é desesperadamente mau'; e que é 'enganoso acima de todas as coisas'. De modo que podemos
bem perguntar, 'Como nós podemos saber isto?'.

1. Para começar com isto: 'O coração do homem é desesperadamente mau'. Em considerando isto,
nós não precisamos nos referir a algum pecado, em particular; (esses não são mais do que folhas, ou, quando
muito, os frutos, que brotam daquela árvore má); mas, antes, à raiz geral de tudo. Veja como isto foi
primeiro plantado no próprio céu, por Lúcifer, o filho da manhã'; -- até, então, sem dúvida, 'um dos
principais, se não, o principal arcanjo': 'Tu dizes, Eu ficarei no lado norte'. Veja a vontade própria, a
Primogênita de Satanás! 'Eu serei como o Altíssimo!'. Veja o orgulho, o irmão gêmeo da vontade própria.
Aqui estava a origem verdadeira do mal. Daqui veio a inundação inesgotável de maldades sobre a terra.
Quando Satanás, uma vez, infiltrou sua própria obstinação e orgulho nos pais da humanidade, junto com
uma nova espécie de pecado, -- amor ao mundo; o amar a criatura, acima do Criador, -- toda forma de
maldade logo entrou de roldão; toda descrença e iniqüidade; disparando em crimes de toda sorte; logo
cobriram toda a face da terra, com toda maneira de abominações. Seria uma tarefa infinita enumerar todas as
monstruosidades que se irromperam. Agora, todos os reservatórios do grande abismo foram abertos, e a terra
logo se tornou um campo de sangue: Vingança, crueldade, ambição, com todas as sortes de injustiça; todas
as espécies de ofensas, públicas ou privadas, propagaram-se, por toda a terra. Injustiça, em suas mil formas;
ódio; inveja; malícia; sede de sangue, com todo o tipo de falsidade, cavalgaram triunfantes; até que o
Criador, olhando dos céus para a terra, não mais poderia suplicar, por uma raça incorrigível, mas a varreria
da face da terra. Mas quão poucos das gerações seguintes foram melhorados, através desse julgamento
severo! Eles que viveram, depois do dilúvio, não pareceram ter sido uma partícula melhor do que aqueles
que viveram antes deles; provavelmente, antes que Noé fosse removido da terra, toda iniqüidade prevaleceu
como antes.

2. Mas não existe um Deus no mundo? Sem dúvida, que existe: E é 'Ele que nos fez; não nós
mesmos'. Ele nos fez gratuitamente, de sua própria misericórdia; já que não merecíamos coisa alguma dele,
antes que tivéssemos existido. Foi de sua misericórdia que Ele nos fez, afinal; que Ele nos fez criaturas
conscientes, racionais, e, acima de tudo, suscetíveis de Deus. E é isto, e tão somente isto, que estabelece a
diferença essencial entre os homens e os animais. Mas, se Ele nos fez, e nos deu tudo o que temos; se nós
devemos tudo que somos e temos a Ele; então, certamente, Ele tem direto sobre tudo que somos e temos, --
ao nosso amor e obediência. Em todas as épocas e nações, os muitos que acreditaram em si mesmos, têm
reconhecido serem suas criaturas. Mas, alguns poucos anos atrás, eu soube que um homem confessou
francamente: 'Eu nunca pude entender que, porque Deus nos criou, isto deu a Ele alguma propriedade de
governo sobre nós; ou que, por que Ele nos criou, isto nos colocou, debaixo da obrigação de submetermos a
Ele a nossa obediência'. Eu penso que o Dr. Hutcheson foi o primeiro homem que nunca teve qualquer
dúvida disto; que nunca duvidou, muito menos negou, que a criatura fosse obrigada a obedecer a seu
Criador. Se Satanás, alguma vez, cogitou esse pensamento (não que ele provavelmente tenha feito), não
seria de se admirar que ele pudesse rebelar-se contra Deus, e fazer surgir uma guerra no céu. E
conseqüentemente, os inimigos poderiam se erguer contra Deus, no coração dos homens também;
juntamente com todas as ramificações da descrença, que aflui disto até hoje. Por esta razão, surgiria
naturalmente a negligência de toda obrigação que devemos a Ele como nosso Criador, e todas as paixões e
esperanças, que são diretamente opostas a toda tal obrigação.
3. Do diabo, o espírito da independência, da vontade própria, e orgulho, produtivos de toda descrença
e iniqüidade, rapidamente se infiltraram nos corações de nossos primeiros pais no paraíso. Depois de eles
terem comido da árvore do conhecimento, a maldade e miséria de todo tipo invadiram, como uma maré
cheia, sobre a terra, alienando-nos de Deus, dando passagem para tudo o mais. Ateísmo (agora
modernamente chamado de dissipação) e idolatria; amor ao mundo; buscando felicidade nesta ou naquela
criatura, cobriram a terra toda.

4. Seria um trabalho infinito enumerar todas as espécies de maldades, se no pensamento, palavra ou


ação, que agora cobrem a terra, em cada nação, cidade e família. Todas centram nisto, -- ateísmo, ou
idolatria; orgulho, tanto pensando sobre si mesmos mais do que deveriam pensar; ou se gloriando por
alguma coisa que tenham recebido, mesmo embora não a tenham recebido; independência e vontade própria,
-- fazendo a sua própria, não a vontade Dele que os fez. Acrescente a isto, buscar felicidade fora de Deus,
gratificando o desejo da carne, o desejo dos olhos, e o orgulho da vida. A verdade melancólica disto, é que,
(exceto, quando o Espírito de Deus faz a diferença) toda humanidade agora, assim como quatrocentos anos
atrás, 'corrompeu seus caminhos, diante do Senhor; e toda imaginação do coração do homem é má,
unicamente má, e isto continuamente'. Como quer que os homens possam diferir, em seus caminhos
externos, (nos quais, indubitavelmente, existem milhares de diferenças), ainda assim, em sua raiz interna, no
que se refere aos inimigos contra Deus - ateísmo, orgulho, vontade própria e idolatria, 'o coração do
homem', de todo homem natural, é, na verdade, 'desesperadamente mau'.

5. Mas se este for o caso, como é que todos não estão conscientes disto? Por que, quem poderia
'saber das coisas de um homem, como o espírito de um homem que está nele?'. Como é, então, que tão
poucos conhecem a si mesmos? Por esta razão simples: porque o coração não é apenas 'desesperadamente
mau', mas 'enganoso acima de todas as coisas'. Tão enganoso, que nós podemos bem perguntar, Quem pode
conhecê-lo?'. Quem, de fato, a não ser Deus que o fez? Pela Sua assistência, nós podemos, em Segundo
Lugar, considerar isto, -- a aparência enganosa do coração humano.

II

1. 'É enganoso, acima de todas as coisas'; ou seja, no mais alto grau, acima de tudo que podemos
conceber. Tão enganoso, que a generalidade de homens estão continuamente enganando, tanto a si mesmos,
quanto os outros. Quão estranhamente eles enganam a si mesmo, não conhecendo seus próprios
temperamentos, assim como, caracteres; imaginando-se abundantemente melhores e mais sábios do que são!
O poeta antigo supõe que não exista exceção à esta regra, -- que nenhum homem está disposto a conhecer
seu próprio coração'. Nenhum, a não ser aqueles que foram ensinados por Deus!

2. E se os homens enganam, assim, a si mesmos, não é de se admirar que eles enganem outros
também, e que nós raramente encontremos 'um israelita, de fato, em quem não existe culpa?'. Ao
inspecionar meus livros, alguns anos atrás, eu encontrei o seguinte memorando: 'Eu tenho hoje trinta anos
de idade; até este dia, eu não me lembro de ter encontrado alguma pessoa desta idade, exceto na casa de
meu pai, que não tenha usado de fraude, mais ou menos'.

3. Esta é uma das formas da maldade muito perigosa que se adere à natureza de cada homem, seguida
dessas raízes férteis, -- vontade própria, orgulho, e independência de Deus. Disto, brota toda espécie de
vícios e perversidades; disto, todo pecado contra Deus, nosso próximo e nós mesmos. Contra Deus, --
negligência e desprezo para com Ele, ao Seu nome, Seu dia, Sua palavra, Suas ordenanças; ateísmo de um
lado, e idolatria do outro; em particular, o amor ao mundo, o desejo da carne, o desejo dos olhos, o orgulho
da vida, o amor ao dinheiro, o amor ao poder, o amor ao ócio, o amor 'à honra que vem dos homens', o amar
a criatura, mais que o Criador, o amar o prazer, mais do que amar a Deus: -- Contra nosso próximo, --
ingratidão, vingança, ódio, inveja, malícia, falta de caridade.

4. Conseqüentemente, existe no coração de cada filho do homem, uma reserva inesgotável de


descrença e iniqüidade, tão profunda e fortemente enraizada na alma, que nada menos do que a graça do
Todo-poderoso pode curar. Disto, naturalmente, surge uma colheita farta de todas as palavras e obras
pecaminosas; e para completar o todo, aquele complexo de todas as maldades, -- aquele monstro sórdido, a
guerra, que nós encontramos, penetrando profundamente nas mais nobres obras da criação; que usa em vão a
gloriosa imagem de seu Criador, desprivilegiados de ti!

Na seqüência desses monstros caídos, estão assassinato, adultério, roubo, violência, e crueldade de
todo tipo. E todas essas abominações não são apenas encontradas nas regiões maometanas, ou pagãs, onde a
prática horrenda deles pode parecer um resultado natural dos igualmente horrendos princípios; mas, em
todas essas que são chamadas de regiões cristãs; sim, na maioria dos estados e reinos conhecidos e
civilizados. E permita que não seja dito, 'Este é apenas o caso das regiões católicas romanas'. Não! Nós que
somos chamados Reformados estamos absolutamente nada atrás deles, em todas as maneiras de maldade. De
fato, nenhum crime prevaleceu, alguma vez, entre os turcos ou tártaros, que nós aqui não pudéssemos traçar
um paralelo, em cada parte da Cristandade. Mais ainda, nenhum pecado, alguma vez, apareceu na Roma
pagã, ou católica, que não fosse encontrado hoje, na Alemanha, França, Holanda, Inglaterra, e todas as
outras regiões protestantes, assim como papistas. De modo que poderia ser dito agora, com muita verdade, e
poucas exceções, de cada corte na Europa, assim como foi antigamente, na corte de Saul que: 'Não existe
alguém que compreenda, e busque, segundo Deus'.

5. Mas não existe exceção, quanto à maldade do coração humano? Existe, nestes que são nascidos de
Deus. (I João 3:9) 'Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece
nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus'. Deus tem 'purificado seu coração, pela fé', de modo que
sua maldade é afastada dele. 'As velhas coisas se passaram, e todas as coisas' nele 'se tornaram novas'. De
maneira que seu coração não mais é desesperadamente mau, mas 'renovado na retidão e verdadeira
santidade'. Apenas que seja lembrado que o coração, mesmo de um crente, não é totalmente purificado,
quando ele é justificado. Pecado é, então, subjugado, mas sua raiz não é arrancada; ele e dominado, mas não
destruído. A experiência mostra a ele, primeiro, que as raízes do pecado, obstinação, orgulho, e idolatria,
permanecem ainda no seu coração. Mas, por quanto tempo ele continua a vigiar e orar, nenhuma deles
poderá prevalecer contra ele. A experiência o ensina, em segundo lugar, que o pecado (geralmente orgulho e
vontade própria) aderem-se às suas melhores ações: assim, mesmo com respeito a esses, ele encontra
absoluta necessidade pelo sangue da reconciliação.

6. Mas quão engenhosamente este dissimula a si mesmo, não apenas de outros, mas até mesmo de
nós mesmos! Quem poderá descobrir isto, em todos os disfarces que ele assume, ou reconhecê-lo, através de
todos os seus labirintos latentes? E, se é tão difícil conhecer o coração de um bom homem, quem poderá
conhecer o coração de um homem perverso, que é muito mais enganoso? Nenhum homem pecaminoso, por
mais consciente, por mais experiente, por mais sábio em sua geração. E, ainda assim, esses são os que se
vangloriam de 'conhecerem o mundo', e imaginam que eles vejam através de todos os homens. Alguém pode
evidentemente dizer que eles 'mesmo assim, sabem nada do que deveriam saber'. Nem mesmo aquele
político, no recente reinado, conhecia o seu próprio coração, ou de outros homens, cujas palavras favoritas
foram: 'Não me fale de sua virtude, ou religião: Eu lhe digo que todo homem tem seu preço'. Sim, Sir
Robert; todo homem como você; todo aquele que vende a si mesmo ao diabo!

7. Aquele pobre honorável, comparado a quem, o Sr. Robert foi um santo, conhecia o coração do
homem, -- ele que tão honestamente avisou seu próprio filho, para 'nunca falar a verdade; mas para mentir
ou dissimular, tão freqüentemente, quanto ele fala, e usar de máscara continuamente?'; que sinceramente
aconselhou a ele 'não debochar de mulheres solteiras', (porque algumas inconveniências poderiam se
seguir), 'mas sempre de mulheres casadas?'. Alguém poderia imaginar que esse animal rastejante tivesse
alguma vez uma esposa ou uma sua filha casada? O extraordinário Lorde Chesterfield! Algum homem
mereceu, tanto assim, embora ele fosse um fidalgo do reino, morrer ao lado de Newgate? Ou algum livro
mereceu ser assim queimado pelo carrasco público, como suas Cartas? O Sr. David Hume, o mais baixo, se
possível, do que qualquer um dos precedentes, conhecia o coração do homem? Não mais do que um verme
ou um besouro. Depois de 'brincar, tão indolentemente, com os dados da morte', você o considera agora um
assunto engraçado? O que você pensa agora de Caronte [barqueiro da mitologia]? Ele atravessou você por
sobre o Estige [rio ou lago do inferno da mitologia grega]? Finalmente, Ele o ensina a conhecer um pouco de
seu próprio coração! Por fim, você sabe que é uma coisa temerosa cair nas mãos do Deus vivo!

8. Um dos mais competentes campeões da infidelidade (talvez, o mais elegante, e o mais decente
escritor que uma vez produziu um sistema de religião, sem de maneira alguma, ser obrigado recorrer à
Bíblia para isto) desabafou, de todo o seu coração: 'Quem não desejaria que houvesse uma prova completa
da revelação cristã, desde que ela é indubitavelmente o sistema mais benevolente que um dia apareceu no
mundo!'. Ele não poderia acrescentar uma razão de alguma espécie -- Porque sem isto, esse homem deve ser
um mistério completo para si mesmo? Até mesmo com a ajuda da Revelação, ele conhece excessivamente
pouco; mas sem ela, ele saberia abundantemente menos, e nada com alguma certeza. Sem a luz, que nos é
dada, através dos oráculos de Deus, como podemos reconciliar sua grandeza com sua vileza? Enquanto nós
reconhecemos com Sir John Davies –

Eu sei que minha alma tem poder para saber todas as coisas, ainda assim, ela é cega e ignorante de
tudo: Eu sei que sou um dos pequenos reis da natureza; ainda assim, a menor e mais vil de todas as coisas
como servo.

9. Quem, por conseguinte, conhece os corações de todos os homens? Certamente, ninguém, a não ser
Ele que os fez. Quem conhece seu próprio coração? Quem poderá dizer a profundidade de suas inimizades
contra Deus? Quem conhece quão profundamente é mergulhar na natureza de Satanás?

III

1. Das considerações precedentes, podemos entender, Primeiro, que 'Ele que confia em seu próprio
coração é um tolo?'. Porque, quem, que seja sábio, confiaria em alguém que soubesse ser 'desesperadamente
mau?' -- especialmente, alguém que ele soubesse, por milhares de experimentos, ser 'enganoso, acima de
todas as coisas?'. O que podemos esperar, se nós ainda confiamos em um mentiroso e enganador conhecido,
a não ser, para ser enganado e trapaceado no final?

2. Em Segundo Lugar, nós podemos inferir, disto, a verdade daquela outra reflexão de Salomão: 'Vê
tu um homem que seja sábio aos seus próprios olhos? Existe mais esperança em um tolo do que nele'.
Porque, a que distância da sabedoria deve estar aquele homem, daquele que nunca suspeitou da falta dela? E
seu pensamento, sobre si mesmo, não irá impedi-lo de receber instrução de outros? Ele não estará apto a
estar descontente na admoestação, e construir reprovação da censura? Ele não irá, portanto, estar menos
pronto a receber instrução do que, até mesmo, aquele que tem um pequeno entendimento natural?
Certamente, nenhum tolo é tão incapaz de correção, quanto alguém que se imagina sábio. Ele que supõe que
não precisa de medico, dificilmente terá proveito em seu conselho.

3. Conseqüentemente, nós não podemos aprender, em Terceiro Lugar, a sabedoria daquela


precaução, 'Que ele que pensa que assim se mantém, dê atenção, a fim de que não caia?'. Ou, para
reproduzir o texto mais corretamente, 'Que ele que seguramente se mantém tome cuidado, a fim de que não
caia?'. Por mais firmemente que ele possa se manter, de qualquer modo, ele ainda é um coração enganoso.
Em quantas instâncias ele tem sido enganado, ainda! Suponha que ele não seja enganoso agora, isto quer
dizer que ele nunca será? Ele não está sobre chão escorregadio? E ele não está cercado de armadilhas?
Dentro das quais pode cair e não mais se erguer?

4. Não é sabedoria para ele que agora se mantém, continuamente clamar a Deus, 'Examine-me, Ó
Senhor, e me prove; teste meus afetos e meu coração! Veja bem, se existe algum caminho de maldade em
mim, e me conduza ao caminho da vida eterna? Tu somente, Ó Deus 'conheces os corações dos filhos dos
homens': Ó, mostra-me de qual espírito sou feito, e não me deixe enganar minha própria alma! Não permita
que eu 'pense sobre mim mesmo, mais altamente do que eu deveria pensar'. Mas me permita sempre 'pensar
sobriamente, de acordo com o que tu tens me dado na medida da fé!'.
Halifax, 21 de Abril, 1790

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Os Tesouros Divinos em Vasos de Barro

'Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós'.
(II Corintios 4:7)

1. Por quanto tempo, o homem foi um mero enigma a si mesmo? Por quantas eras, os mais sábios dos
homens foram extremamente incapazes de revelarem os mistérios; de reconciliarem as estranhas
inconsistências, neles, -- a espantosa mistura de bem e mal; de grandeza e pequeneza; de nobreza e baixeza?
Quanto mais profundamente eles consideraram estas coisas, mais elas ficaram emaranhadas. Quanto mais
dores eles tiveram, com o objetivo de aclarar o assunto, mais eles foram confundidos, em vão, com
conjeturas duvidosas.

2. Mas o que toda a sabedoria do homem foi incapaz de fazer, foi feito, no seu devido tempo, pela
sabedoria de Deus. Quando agradou a Deus dar um relato da origem das coisas, e do homem em particular,
toda a escuridão desapareceu, e a luz clara brilhou. 'Deus disse, Façamos o homem a nossa imagem'. E foi
feito. À imagem de Deus, o homem foi feito. Por isso, nós fomos habilitados a dar um relato claro e
satisfatório da grandeza, excelência, e dignidade do homem. Mas 'o homem, estando em honra', não
continuou nela, e rebelou-se contra a soberania do Senhor. Por meio disto, ele perdeu totalmente, não apenas
o favor, mas igualmente a imagem de Deus. E 'em Adão todos morreram'. Porque, caído, 'Adão originou o
filho de sua própria semelhança'. E, desde então, somos ensinados a dar um relato claro, inteligível da
pequenez e vileza do homem. Ele mergulhou, abaixo, até mesmo, das bestas que perecem. A natureza
humana agora não é apenas sensual, mas diabólica. Existe em cada homem nascido no mundo (o que não
existe em alguma parte da criação bruta; nenhuma besta que tenha caído tão baixo), uma 'mente carnal, que
é inimiga'; inimiga direta, 'contra Deus'.

3. Considerando, portanto, essas coisas, em um só ponto de vista, -- a criação e a queda do homem, --


todas as inconsistências de sua natureza são facilmente e totalmente entendidos. A grandeza e pequeneza; a
dignidade e vileza; a felicidade e miséria, de seu estado presente, não serão mais um mistério, mas
conseqüências claras de seu estado original e sua rebelião contra Deus. Esta é a chave que abre todo o
mistério, que remove toda a dificuldade, mostrando como Deus fez o homem, no princípio, e o que o homem
fez dele mesmo. É verdade, que ele pode recuperar uma medida da ‗imagem de Deus, por meio da qual, ele
foi criado‘: Mas, ainda assim, o que quer que nós recuperemos, nós ‗teremos este tesouro em vasos de
barro‘.

Com o objetivo de termos uma clara concepção disto, nós podemos inquirir:

I. Em Primeiro Lugar, qual é ‗o tesouro‘, que agora temos.

II. Em Segundo Lugar, considerarmos como ‗nós temos este tesouro em vasos de barro‘.

1. Em Primeiro Lugar, vamos inquirir: Qual é este tesouro que os crentes cristãos têm? -- Eu digo, os
crentes; porque é destes que o Apóstolo diretamente está aqui falando. Parte disto, eles têm, em comum com
outros homens, no que resta da imagem de Deus.
Será que nós podemos incluir aqui um princípio imaterial, uma natureza espiritual, dotada de
entendimento, e afeições, e um grau de liberdade; de automovimento; sim, e poder autônomo? (Do contrário
seríamos meras máquinas, mercadorias e pedras)?

Será que podemos incluir, tudo que vulgarmente é chamado de consciência natural; implicando
algum discernimento da diferença, entre moral boa e má, com o beneplácito de uma, e a desaprovação da
outra, através de um controlador interior, desculpando ou acusando?

Certamente, se isto é natural ou acrescido, pela graça de Deus, é encontrado, pelo menos, em algum
grau pequeno, em todos os filhos do homem. Alguma coisa disto é encontrada, em todo coração humano,
um parecer, concernente a bem e mal; não apenas, em todos os cristãos, mas em todos os maometanos, todos
os pagãos; sim, e nos mais vis dos selvagens.

2. Será que nós podemos acreditar que todos os cristãos, embora nominalmente tais, têm, algumas
vezes, pelo menos, algum desejo de agradar a Deus, assim como, alguma luz, concernente ao que realmente
agrada a Ele, e algumas convicções, quando eles estão conscientes de tê-lo desagradado? -- Tais tesouros
todos os filhos dos homens têm, mais ou menos, mesmo quando eles ainda não conhecem a Deus.

3. Mas não são destes, dos quais o Apóstolo está aqui falando; nem este é o tesouro, objeto de seu
discurso. As pessoas, concernentes as quais ele está aqui falando, são aquelas que são nascidas de Deus;
aquelas que, ‗sendo justificadas pela fé‘, têm agora redenção no sangue de Jesus; até mesmo, o perdão dos
pecados; aquelas que desfrutam daquela paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento; cujas almas
magnificam o Senhor, e se regozijam nele, com alegria inexprimível; e que sentem o ‗amor de Deus
espalhado por todo seus corações, através do Espírito Santo, que foi dado a eles‘. Este, então, é o tesouro
que eles têm recebido; -- a fé da intervenção de Deus; a paz que os coloca acima do medo da morte, e os
capacita em todas as coisas a estarem satisfeitos; uma esperança completa da imortalidade, por meio da qual
eles já ‗testaram dos poderes do mundo a vir‘; o amor de Deus espalhado em seus corações com amor a todo
filho do homem, e uma renovação na imagem total de Deus, em toda retidão e santidade verdadeira. Este é
propriamente e diretamente o tesouro concernente a que o Apóstolo está aqui falando.

II

1. Mas isto, inestimável como ele é, nós temos guardado em vasos de barro‘. A palavra é
espantosamente apropriada, denotando tanto a fragilidade dos vasos, quanto a insignificância do material de
que eles são feitos. Ela diretamente significa o que denominamos produtos de cerâmica; porcelana chinesa, e
assim por diante. Quão fracas; quão facilmente são quebradas em pedaços! Exatamente assim, é o caso com
os cristãos santos. Nós temos o tesouro divino, em corpos terrenos, mortais, corruptíveis. ‗Tu és pó‘, disse o
justo Juiz, às suas criaturas rebeladas; até, então, incorruptíveis e imortais, ‗e ao pó retornarás‘. Quão
elegantemente (mas com que mistura de luz e trevas), o poeta pagão toca sobre essa mudança! "Depois do
homem ter furtado o fogo etéreo dos céus", (que símbolo do conhecimento proibido!), -- aquele exército
desconhecido de destruição - febres, doenças, dores de toda espécie, fixou seu acampamento, junto a terra, o
que, até então, eles nem poderia ter entrado, mais do que poderiam ter ascendido aos céus; e tudo visou
introduzir e pavimentar o caminho para o último inimigo, a morte.

Desde o momento, em que aquela sentença terrível foi pronunciada, o corpo recebeu a sentença da
morte em si mesmo; se não, do exato momento em que nossos primeiros antepassados completaram sua
rebelião, comendo do fruto proibido. Nós podemos provavelmente conjeturar que havia alguma qualidade
naturalmente nisto, e que lançou as sementes da morte no corpo humano, até então, incorruptível e imortal?
Seja como for, o certo é que, desde este tempo, 'o corpo corruptível pressionou a alma para baixo'. E não é
de se admirar, vendo que a alma, durante sua união vital com o corpo, não pode manifestar alguma das suas
operações, qualquer outra, do que em união com o corpo; com seus órgãos corpóreos. Mas, todos estes estão
mais aviltados e depravados, através da queda do homem, do que podemos possivelmente conceber; e o
cérebro, do qual a alma mais diretamente depende, não menos do que o restante do corpo.
Conseqüentemente, se estes instrumentos, por meio dos quais a alma opera estão desordenados, a própria
alma deve ficar oculta em suas operações.

Mesmo um músico, sempre tão habilidoso, irá compor uma música pobre, se seus instrumentos
estiverem fora do tom. De um cérebro desgovernado (tal como é, mais ou menos, aquele de todo filho do
homem), necessariamente surgirá compreensões confusas, mostrando a si mesmas em milhares de
instâncias; julgamento falso, o resultado natural delas, e inferências errôneas; e, destas, inumeráveis
equívocos se seguirão, a despeito de toda a precaução que possamos ter. Mas erros no julgamento irão
freqüentemente dar oportunidade a erros na prática; eles irão naturalmente fazer com que nosso falar seja
errado, em algumas instâncias, e o agir esteja errado em outras; mais ainda, eles podem, não apenas gerar
palavras ou ações erradas, mas temperamentos errados, também. Se eu julgar que um homem é melhor do
que ele realmente é; em conseqüência, eu realmente o amarei mais do que ele merece. Se eu julgo que um
outro seja pior do que ele realmente é; eu devo, em conseqüência, amá-lo menos do que ele merece. Agora,
ambos são temperamentos errôneos. Ainda assim, possivelmente, pode não estar em meu poder evitar tanto
um quanto o outro.

2. Tais são as inevitáveis conseqüências de 'ter esses tesouros em vasos de barro'. Não apenas a
morte, e suas precursoras. – doença, fraqueza, e dor, e milhares de enfermidades, -- mas, igualmente, erro,
em milhares de formas, irão sempre estar prontos a nos atacar. Tal é a condição atual da humanidade! Tal é
o estado do mais sábio dos homens! Senhor, 'o que é o homem, para que tu ainda estejas atento a ele; ou o
filho do homem, para que tu tenhas consideração a ele?'

3. Alguma coisa desta grande verdade, a de que 'o corpo corruptível pressiona a alma para baixo', --
é fortemente expressada nestas linhas celebres do poeta antigo. Falando da alma dos homens ele diz:

Estas sementes do fogo celestial,


Com força inata, elevar-se-ão à sua fonte,
Não fossem seus membros terrenos obstruírem seu vôo,
E reprimirem seu planar sobre os prados de luz.

4. Mas, supondo que agradou ao Todo-sábio Criador, por causa dos pecados do homem, permitir que
suas almas, em geral, sejam afligidas, desta maneira miserável, através de seu corpo corruptível; por que ele
permite que o excelente tesouro que ele confiou aos seus filhos, ainda esteja habitando nestes pobres vasos
de barro? Esta pergunta não iria naturalmente ocorrer em alguma mente refletora? Talvez pudesse; e, por
conseguinte, o Apóstolo imediatamente nos supre com uma resposta completa: Deus tem feito isto, para que
'a excelência do poder possa ser de Deus e não nosso'; para que fique, indiscutivelmente claro, a quem este
poder excelente pertence; para que nenhuma carne tenha glória aos seus olhos; mas para que todo aquele que
receba este tesouro possa continuamente clamar: 'Não junto a nós, mas junto a Ti, Ó Senhor, seja o louvor,
por Teu nome e pela Tua verdade'.

5. Indubitavelmente, este foi o principal desígnio de Deus neste plano maravilhoso: humilhar o
homem, e tornar e mantê-lo pequeno, pobre, comum, e vil, aos seus próprios olhos. E o que q