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SEMINÁRIO TEOLÓGICO HARLAND GRAHAM

CURSO PLENO EM TEOLOGIA – TURMA DO SÁBADO


PROFESSORA JUCICLEIDE

Anthony Williams Silva da Cruz

EXEGESE DE I JOÃO 1:5-7

Natal
2018
Anthony Williams Silva da Cruz

EXEGESE DE I JOÃO 1:5-7

Exegese apresentada como avaliação


para aprovação na disciplina de Exegese
do Novo Testamento, no Curso Pleno em
Teologia, no Seminário Teológico Harland
Graham.

Professora Jucicleide

Natal,
2018
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4
TEXTO BÍBLICO ......................................................................................................... 4
1 ESTUDO CONTEXTUAL ......................................................................................... 4
1.1 Contexto Histórico....................................................................................... 4
1.2 Contexto Literário........................................................................................ 5
1.2.1 Contexto do Livro Todo ................................................................. 5
1.2.2 Contexto Remoto .......................................................................... 5
1.2.3 Contexto Próximo .......................................................................... 6
1.2.4 Estrutura do Contexto Próximo ..................................................... 6
1.3 Contexto Canônico ..................................................................................... 7
1.3.1 Antigo Testamento ........................................................................ 7
1.3.2 Novo Testamento .......................................................................... 7
2 ESTUDO TEXTUAL ................................................................................................. 8
2.1 Texto Grego ................................................................................................ 8
2.2 Tradução Literal .......................................................................................... 8
2.3 Tradução Dinâmica ..................................................................................... 9
2.4 Esboço Mecânico........................................................................................ 9
2.5 Defesa da Perícope e Divisões ................................................................. 10
2.6 Comentário ............................................................................................... 10
2.7 Mensagem para a Época da Escrita ......................................................... 12
3 ESTUDO TEOLÓGICO .......................................................................................... 14
3.1 Mensagem para Hoje................................................................................ 14
3.2 Teologia do Texto ..................................................................................... 15
3.2.1 Implicações para a Teologia Bíblica ............................................ 15
3.2.2 Implicações para a Teologia Sistemática .................................... 16
3.2.3 Implicações para a Teologia Prática ........................................... 16
3.3 Sermão ..................................................................................................... 17
CONCLUSÃO............................................................................................................ 21
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 22
INTRODUÇÃO
Esse trabalho visa expor exegeticamente a perícope de I João 1:5-7, de
maneira que possamos entender a importância desse texto em seu contexto e sua
relação com os demais textos bíblicos. No decorrer desse trabalho, será possível
entender como esse texto fora empregado em sua época, qual o seu significado para
os dias de hoje, e o que o apóstolo queria deixar como verdade fundamental para
nossas vidas.
O trabalho também exporá pontos teológicos, como: teologia bíblica, teologia
prática e teologia sistemática. Além disso, será possível entender como esse livro se
relaciona dentro do contexto canônico.

TEXTO BÍBLICO
I João 1:5-7
1Jo 1:5 E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz,
e nele não há trevas nenhumas.
1Jo 1:6 Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas,
mentimos, e não praticamos a verdade;
1Jo 1:7 mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os
outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.

1 ESTUDO CONTEXTUAL

1.1 Contexto Histórico


O autor não saúda uma Igreja ou grupo específico porque ele queria que
atingisse o máximo possível de igrejas. Claramente é visto que a carta é direcionada
aos cristãos (1 Jo 2:12-14; 3:1; 5:13) e aplica-se a qualquer igreja, porém, estima-se
que ela foi endereçada para Éfeso. A ocasião indica que alguns membros estavam
abandonando a fé e saindo da Igreja. A sua esperança nesta carta é que ela trará aos
leitores à comunhão que ele está experimentando e que a alegria deles seja completa.
No período em que João escreveu, surgiu uma seita que ficou conhecida como
gnosticismo (Gr. gnosis = conhecimento). Esses gnósticos se denominavam cristãos,
mas buscavam um conhecimento adicional, maior do o que foi ensinado pelos
apóstolos. Eles afirmavam que alguém para ser plenamente realizado precisava ser
iniciado nas mais profundas “verdades”. Eles criam que a matéria era má, portanto,
Jesus não poderia ser Deus; essa maneira de pensar fez com que eles distinguissem
Jesus e Cristo. Para eles, o “Cristo” era a emanação divina que desceu sobre Jesus
na ocasião de seu batismo e posteriormente o deixou antes de sua morte,
possivelmente, no Jardim do Getsemani. Eles diziam ainda, que Jesus certamente
morreu, mas Cristão não morreu. Para eles o Cristo era tão santo que não poderia ter
contato permanente com carne humana. Resumindo, negaram a encarnação, que
Jesus é o Cristo, e que Jesus Cristo é Deus e homem. João ao perceber que essas
pessoas não eram cristãos autênticos, alertou seus leitores de maneira afirmativa, que
os gnósticos não tinham as marcas de autênticos filhos de Deus. João usa a palavra
conhecer por várias vezes. Os gnósticos de sua época intitulavam saber a verdade,
mas nesta epístola, João estabelece os fatos verdadeiros da fé cristã, que pode ser
conhecido com certeza. João estava combatendo os sistemas gnósticos divididos
basicamente em dois grupos básicos: docético e o cerintiano.

1.2 Contexto Literário

1.2.1 Contexto do Livro Todo


Para estruturar o livro como um todo, iniciarei partindo da ideia da “comunhão
cristã”, de modo que seja possível acompanhar de maneira mais próxima o conteúdo
da epístola fazendo isso se tornar um esboço. A introdução faz uma reiteração da
doutrina do Logos, que está presente no quarto evangelho, como base da comunhão
cristã (1:1-4). João apresenta as condições para a manutenção dessa comunhão (1:5-
10). Posteriormente, o autor aborda a conduta correta na comunhão cristã (1:1-29),
que se reveste de certas características (3:1-24). João mostra que é preciso ser
cauteloso a respeito daqueles com os quais necessita manter essa comunhão (4:1-
21). O grande motivo ou razão da comunhão cristã é a nossa fé em Deus, por meio
do seu Filho Jesus Cristo (5:1-21). A perícope escolhida aborda um ponto chave no
conteúdo geral da Epístola, que é a comunhão vivida na prática através de uma vida
alinhada com Deus (1:5-7).

1.2.2 Contexto Remoto


O conteúdo remoto compreende de 1:5 a 2:29 e aborda uma Vida na Cristã na
Luz. A perícope escolhida (1:5-7) se relaciona diretamente com o conteúdo remoto, o
mite da perícope escolhida diz que Deus é luz (santo, imaculado), e para entender
como viver uma vida na luz precisamos entender essa característica de Deus; ao
entendermos que Deus é luz (vv 5-7), podemos chegar a compreensão de quatro
características encontradas em um cristão que vive na luz: ele renuncia o pecado (1:8-
2:2); ele é obediente (2:3-11); ele rejeita as coisas do mundo (2:12-17); e ele mantém
a fé (2:18-29). A perícope mostra as características encontradas no Pai e no Filho e
que são premissa para a vida de alguém que se denomina cristão autentico.

1.2.3 Contexto Próximo


Os versículos 5 a 7 além de tratarem da santidade de Deus, mostram que existe
uma grande diferença entre aquele que vive na luz (na presença de Deus) e aquele
que vive nas trevas (mas diz estar com Deus). O conteúdo próximo abrange os
versículos 5 a 10, e tem como ponto central as condições da comunhão. O verso 8
entra complementando a questão da verdadeira vida em comunhão (na luz), que é a
necessidade de reconhecermos nossos pecados, o verso 9 complementa mostrando
a necessidade de confessar esses pecados reconhecidos. O verso 10 complementa
mostrando que aqueles que ignoram seus pecados, são mentirosos, e
consequentemente não tem comunhão com Deus (a palavra não está nele). O
versículo 10 se enquadra paralelamente com o versículo 6, mostrando uma dupla
exortação a prática da comunhão verdadeira, que vem através de atos (v. 6) e
confissão (v. 8-10) verdadeiras, e como resultado de uma vida autentica, o sangue de
Jesus purifica os pecados (v. 7).

1.2.4 Estrutura do Contexto Próximo


1.3 Contexto Canônico

1.3.1 Antigo Testamento


Sobre a santidade, ou seja, andar na luz, no Antigo Testamento Deus disse o
seguinte: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Levítico 19:2;
cf. 20:7,26).
O Antigo Testamento afirmava que Deus é plenamente justo (p. ex. Sl 92:15).
A santificação abordada no texto é premissa para salvação, pois não há
salvação sem santificação. “O Senhor é a minha luz e a minha salvação (Salmos 27:1).
“Nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas... (Malaquias 4:2).
O Antigo Testamento condenava misturar luz e trevas, certo e errado (Is 5:20;
cf. 2:5).
As purificações ensinadas no Antigo Testamento, prefiguram a purificação
efetuada pelo sangue de Cristo (ver Levítico 13 a 15). O sangue sacrificial separava
aquilo que era sagrado para Deus, purificando do pecado ao realizar a expiação (Lv
16:30).
A expiação pelos pecados ordenada por Deus em Levítico é vista no verso 7, e
está em conformidade com a passagem de Levítico 17:11 que diz: “Porque a vida da
carne está no sangue, e eu o tenho dado a vós sobre o altar, para fazer expiação por
vós, porque é o sangue que faz expiação pela vida”.

1.3.2 Novo Testamento


No tocante a menção de que “Deus é luz” e “nele não há trevas” (1.5), vemos
algumas passagens que se conectam com as verdades dos escritos de João. Paulo
disse aos seus irmãos crentes que uma vez eles foram trevas, mas agora estão na
luz do Senhor (Efésios 5:8). Deus – diz – nos libertou do poder das trevas e nos
conduziu ao Reino do seu amado Filho (Colossenses 1:13). Os cristãos não podem
estar em trevas pois são filhos do dia (1 Tess. 5:4). Quem segue a Cristo não anda
nas trevas, como os outros, mas sim terão a luz da vida (João 8:12). Deus chamou os
cristãos das trevas à sua luz (1 Pedro 2:9). No Novo Testamento as trevas sempre
carregam o significado de uma vida sem Cristo, a vida separada de Deus.
No seu Evangelho, João escreve dizendo que a luz brilha nas trevas e as trevas
não prevalecem contra ela (João 1:5). No Evangelho de João também mostra que as
trevas mostram a ignorância da vida além de Jesus. O homem que anda nas trevas
não sabe para onde vai (João 12:35). Jesus é a luz, e veio para que o homem não
ande nas trevas (João 12:46).
As trevas mostram a imoralidade da vida sem Cristo. Paulo exorta seus leitores
para que abandonem as obras das trevas (Romanos 13:12). Paulo também fala das
obras infrutíferas das trevas (Efésios 5:11). Outro texto de Paulo, fala sobre a luta do
Cristão contra as trevas deste mundo (Efésios 6:12). Os pecadores e aqueles que se
rebelam, terão reservadas para eles as trevas (2 Pedro 2:9; Judas 13).
As palavras que o Novo Testamento usa junto com verdade são muito
significativas. Fala de deter a verdade (Romanos 1:18); obedecer a verdade
(Romanos 2:8; Gálatas 3:1); andar segundo a verdade (Gálatas 2: 14; 3 João 4); de
resistir à verdade (2 Timóteo 3:8); de extraviar-se da verdade (Tiago 5:19).
Os perdidos estão em trevas, sem qualquer luz (Mateus 4:16). O Cordeiro é a
luz da Jerusalém celestial (Apocalipse 21:23).
No verso 6 a palavra “mentimos” relaciona-se com o salmo 14 e com Romanos
3, pois, dizer que não pecamos, nos torna mentirosos, pois todos pecaram.
... “temos comunhão” ... o andar espiritual deve ser inspirado pela comunhão
com o Espírito Santo, no nível da alma, pois andamos no Espírito e em Cristo (Ver 1
Coríntios 1:4).

2 ESTUDO TEXTUAL

2.1 Texto Grego


O texto escolhido pertence a família 32, grego “textus receptus” editado por
Eberhard Nestle 1904 (bibliehub.com).
ΙΩΑΝΝΟΥ Α΄ 1:5-1:7
Καὶ ἔστιν αὕτη ἡ ἀγγελία ἣν ἀκηκόαμεν ἀπ’ αὐτοῦ καὶ ἀναγγέλλομεν ὑμῖν, ὅτι ὁ Θεὸς
φῶς ἐστιν καὶ σκοτία ἐν αὐτῷ οὐκ ἔστιν οὐδεμία. Ἐὰν εἴπωμεν ὅτι κοινωνίαν
ἔχομεν μετ’ αὐτοῦ καὶ ἐν τῷ σκότει περιπατῶμεν, ψευδόμεθα καὶ οὐ ποιοῦμεν
τὴν ἀλήθειαν· ἐὰν δὲ ἐν τῷ φωτὶ περιπατῶμεν ὡς αὐτός ἐστιν ἐν τῷ φωτί,
κοινωνίαν ἔχομεν μετ’ ἀλλήλων καὶ τὸ αἷμα Ἰησοῦ τοῦ Υἱοῦ αὐτοῦ καθαρίζει
ἡμᾶς ἀπὸ πάσης ἁμαρτίας.

2.2 Tradução Literal


1 Jo 1:5 E esta mensagem que temos ouvido de Ele, e anunciamos para vocês que o
Deus luz é, e trevas em Ele, não está nenhuma.
1 Jo 1:6 Se nós dizemos que comunhão nós temos com ele, e ainda na escuridão
andamos, mentimos, e não praticamos a verdade.
1 Jo 1:7 Se, no entanto, na luz nós andamos, como ele está na luz, comunhão nós
temos com um ao outro, e o sangue Jesus, o filho dele, limpa nós de todos falha.

2.3 Tradução Dinâmica


1 João 1:5 Esta é a mensagem que ouvimos dEle, e anunciamos para vocês, que
Deus é luz, e nele, não existe nenhuma escuridão.
1 João 1:6 Se dizemos que temos comunhão com Ele, e caminhamos na escuridão,
nós estamos mentindo, e não estamos praticando a verdade.
1 João 1:7 Se, portanto, caminharmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão
uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de toda ação
pecaminosa.

2.4 Esboço Mecânico


I João 1:5
Καὶ ἔστιν αὕτη ἡ ἀγγελία
ἣν ἀκηκόαμεν ἀπ αὐτοῦ,
καὶ ἀναγγέλλομεν ὑμῖν,
ὅτι ὁ Θεὸς φῶς ἐστιν
καὶ σκοτία ἐν αὐτῷ, οὐκ ἔστιν οὐδεμία
I João 1:6
Ἐὰν εἴπωμεν
ὅτι κοινωνίαν ἔχομεν μετ’ αὐτοῦ,
καὶ ἐν τῷ σκότει περιπατῶμεν,
ψευδόμεθα,
καὶ οὐ ποιοῦμεν τὴν ἀλήθειαν
I João 1:7
ἐὰν δὲ ἐν τῷ φωτὶ περιπατῶμεν,
ὡς αὐτός ἐστιν ἐν τῷ φωτί,
κοινωνίαν ἔχομεν μετ ἀλλήλων,
καὶ τὸ αἷμα Ἰησοῦ,
τοῦ Υἱοῦ αὐτοῦ,
καθαρίζει ἡμᾶς ἀπὸ πάσης ἁμαρτίας.

2.5 Defesa da perícope e divisões


A perícope foi escolhida visando mostrar como podemos ter comunhão com
Deus, através do que João queria ensinar para os leitores de sua época, tendo em
vista a iminente ameaça dos ensinos heréticos do gnosticismo. O verso 5 inicia
dizendo que Deus é luz, e devido ele ser luz (santo, puro), quem deseja ter comunhão
com Ele não pode andar nas trevas (vv 5,6), caso contrário, somos mentirosos (v. 6).
O versículo 7 faz um desfecho mostrando o resultado de andarmos na luz, que é ter
comunhão com Deus e com os irmãos, além sermos purificados dos nossos pecados.
Nos dias atuais, há vários ensinos semelhantes aos ensinos dos gnósticos
ameaçando a igreja, por isso, escolhi esse texto como base para estudo e sermão.

2.6 Comentário
Versículo 5
João inicialmente proclamou a mensagem de que Jesus Cristo, o “verbo da
vida”, se manifestou, e que os leitores da epístola podem ter comunhão com o Pai e
com o Filho, Jesus Cristo. João traz uma explicação sobre o conteúdo dessa
mensagem dizendo que comunhão inclui a luz e a verdade.
(I) “Esta é a mensagem”. João escreve as palavras no grego numa sequencia
que permite enfatizar o que ele quer afirmar, e a ênfase é do verbo “é”, que permite
transmitir o sentido de existe: “existe esta mensagem”. Uma mensagem atemporal, e
que não está sujeita a receber alterações, pois não vem de João ou de que outro
apóstolo.
(II) “Que dele temos ouvido”. João neste trecho deixa evidente que a
mensagem é de Deus, transmitida por Jesus Cristo. A palavra grega angelia traz a
ideia de mensagem, anúncio, proclamação num sentido celestial, ou seja, uma
mensagem vinda do alto. Os apóstolos escutaram as palavras proclamadas pelos
lábios de Jesus.
(III) “E declaramos a vocês”. João declara o que Jesus os ensinou em seu
ministério terreno numa frase resumida: “Deus é luz”; e nele não há nenhuma
escuridão”. João não se expressa como se falasse uma simples informação, mas sim,
uma ordem, ou seja, Deus falou e o homem deve ser obediente e ouvir.
(IV) “Deus é luz”. João declara uma descrição da natureza de Deus em três
palavras. Deus não é uma luz em meio a muitas outras, nem porta a luz, mas, Ele é a
própria luz. Deus criou a luz (Gn 1.3), mas Ele não é uma luz criada. A luz de Deus
pode ser vista através de Jesus; Jesus disse em João 8:12 “Eu sou a luz do mundo”.
Ao olharmos para Jesus vemos a luz eterna de Deus, e quem viu Jesus, viu o Pai (Jo
14:9).
(V) “Nele não existe nenhuma escuridão”. João faz um contraste dualístico,
típico de seus escritos, onde, a luz tem conotação positiva e a treva é negativa. Deus
e as trevas são opostos, e isso significa dizer que quem quer ter comunhão com Deus
não pode estar nas trevas. O cristão deve estar na luz, glória, verdade, santidade e
pureza de Deus.
Versículo 6 e 7
Os cinco versículos posteriores deste capítulo são frases condicionais que
mostram probabilidade ou até mesmo possibilidade. O primeiro, o terceiro e o quinto
versículos são negativos, e o segundo e o quarto são positivos.
(I) Negativo. João usa novamente a palavra comunhão, na qual ele usou
anteriormente quase no fim da introdução (v. 3). Essa comunhão é com o Pai e com
o Filho, Jesus Cristo. Essa comunhão significa compartilhar de maneira intima a luz
da presença de Deus. Nada pode ficar escondido no esplendor da revelação divina.
Em Deus não existe trevas, e não precisamos esconder nada.
Quando o pecador se nega a viver sua vida em harmonia com a vontade de
Deus, ele não poderá mais dizer que tem comunhão com Deus. Essa era a questão
com os Gnósticos, eles diziam ter “comunhão com Deus”, mas continuavam a andar
nas trevas, ou seja, numa vida pautada em satisfazer-se intensamente nos prazeres
pecaminosos. Separavam o falar do fazer. Diziam viver para Deus, mas seus atos
mostravam a incompatibilidade de sua confissão. Viviam uma vida mentirosa. Outra
questão é que o fato de os gnósticos crerem que a parte imaterial é mais importante
que a material, fazia com que eles não se importassem com a santidade do corpo,
com isso, andavam nas trevas do pecado e do prazer deliberado, pois criam que
podiam fazer o que queriam com o corpo que a salvação não seria afetada.
João não apenas se dirige a eles, mas age de maneira inclusiva, dizendo “nós”.
Dizemos que somos povo de Deus, mas continuamos na prática do pecado,
“mentimos e não vivemos de acordo com a verdade”.
O pecado aliena o ser humano de Deus e de seu próximo. Ele perturba a vida
e gera confusão. Ao invés de paz, há discórdia; no lugar de comunhão, há inimizade.
Quando temos comunhão com Deus, passamos a experimentar a sua graça afastando
as trevas e nos inundando com a sua luz. Viver em comunhão com Deus é viver uma
vida de santidade em sua presença. A santidade exige-nos verdade em palavras e
atos.
(II) Positivo. Andar na luz é um ato contínuo. Glorificamos a Deus através do
seu brilho refletido em nós. Andar na luz é ter um relacionamento íntegro com o nosso
próximo. A medida que desejamos buscar a profundidade da luz da presença de Deus,
devemos igualmente desejar ter comunhão com a igreja terrena.
O versículo 7 mostra que, se andamos na luz e temos comunhão com Deus e
com nossos irmãos, perceberemos os nossos pecados desaparecendo. João diz: “E
o Sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”.
Aqui vemos importância de não sermos indiferentes ao pecado. Somos
purificados pelo Filho de Deus, quando, depois de termos caído no pecado, vamos
em sua direção para buscar remissão. Aqui, João chama a atenção para a vida terrena
de Jesus Cristo, que derramou seu sangue pela remissão de pecados. Os gnósticos
ignoravam a expiação de Jesus, por isso, não poderiam dizer que estavam andando
com Deus. O pecado pertence ao mundo de trevas e não pode fazer parte da esfera
da santidade. Deus entregou seu filho para morrer na terra pelos pecadores, e, por
meio dessa morte, Deus removeu o pecado e a culpa de todo o que crê nessa obra,
de modo que este, possa ter comunhão com Ele.

2.7 Mensagem para a Época da Escrita


A comunhão se dá no perdão e na santidade (1:5-7).
João discorre sobre o tema comunhão, exibindo quais são suas condições. Em
meio a isso, João desenvolve uma polêmica, pois ele enxerga que os gnósticos que
eram corruptos haviam negado o senhorio de Cristo, e sua missão remidora, e com
isso, não poderiam ter comunhão autentica com Deus. Eles degradaram a Cristo e à
sua missão. Deus é luz e não poderia aceitar pessoas imorais. Então, Deus que é luz,
e que ilumina os homens por meio do seu Filho, Jesus Cristo, jamais iluminaria
aqueles que rejeitam a mediação de Cristo.
Deus, sendo luz, é totalmente santo, e com isso, exige santidade dos homens.
João usa uma metáfora para dizer isso: “andar na luz”. Esse andar na luz resulta em
comunhão uns com os outros, com Deus Pai e Deus Filho. Somos purificados por
meio do Sangue do Filho para disfrutarmos dessa comunhão, porém, os gnósticos
negavam isso. O pecador não perdoado não pode disfrutar dessa comunhão.
A validade da expiação de Cristo foi negada pelos gnósticos. Eles até pesavam
que Jesus recebeu autoridade na ocasião do seu Batismo, quando, supostamente
uma emanação celestial desceu sobre Ele. Porém, não viam poder na expiação na
morte de Cristo. Os gnósticos se achavam impecáveis, ao afirmarem que o espírito
humano não era atingido pelos pecados praticados com o corpo, pois, o corpo é a
sede do pecado, devendo ser destruído. Para eles, apenas o espírito participaria da
santidade da divindade.
João deixa claro para seus destinatários que a “mensagem” veio de Deus, por
isso, ele “anunciou”. Uma mensagem apostólica vinda de Deus por meio de seu Filho
Jesus, para testemunhas oculares. Isso autentica a autoridade da mensagem para os
que leriam a mensagem de João. Os gnósticos não tiveram o mesmo contato com
Cristo, por isso, eram falsos intérpretes da vida e do propósito de Jesus Cristo. A
mensagem dos gnósticos não tinha imperativo moral, por isso, abusavam do corpo
mediante ascetismo.
“... é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma...” esse trecho escrito
por João traz um forte apelo de santidade aos seus leitores, tendo em vista que Deus
é luz, é totalmente santo e puro, e que exige o mesmo de seus filhos autênticos. Quem
anda na luz, anda em santificação. Deus é luz e seu filho é o resplendor do Pai perante
a criação. Os gnósticos eram também incoerentes, pois, diziam que Deus era luz,
mas, ensinavam que os Filhos de Deus poderiam envolver-se em toda forma de atos
licenciosos.
O trecho “... e não há nele treva nenhuma...” mostra que nenhuma daquelas
posturas amorais (tenebrosas) dos gnósticos poderiam vir de Deus. João trabalha com
esse conceito dualista (luz e trevas), e que era muito comum no meio dos pensadores
gnósticos, para confrontá-los em suas ideias.
Os cristãos daquela época deveriam andar em Cristo, através da mensagem
que foi anunciada pelos apóstolos, para que eles pudessem andar na luz, em
santidade, e assim, teriam comunhão com Deus e com o próximo.
No verso 6, vemos que aquele que pratica a verdade anda na luz, mas, aquele
que faz o oposto é mentiroso. Andar sem Cristo era andar “nas trevas”, e no fim,
seriam conduzidos ao paganismo e suas práticas pecaminosas. A metáfora “andar”
traz para os leitores o entendimento de santidade na conduta constante. Estamos na
luz quando praticamos a verdade, caso contrário “mentimos”.
“Andar na luz como Deus está na luz” vai além de imitar a Deus; é uma
identidade no elemento essencial de nosso andar diário como o elemento do ser
essencial de Deus. Os gnósticos criam que o homem deveria familiarizar-se com todas
as formas de mau, como também de bem, de modo a obter conhecimento, e isso fazia
com que eles andassem nas trevas; esse modo de pensar pervertia o verdadeiro
conhecimento. Os gnósticos afirmavam conhecer a Deus, e terem comunhão com
Deus, mas, João deixa claro que a conduta deles os tornou mentirosos.
No verso 7, João mostra novamente a condição de vivermos uma comunhão
autêntica com Deus e com o próximo: “...se andarmos na luz...”. Andar na luz é andar
em santificação, e Cristo nosso modelo “na luz está”. A comunhão uns com os outros
vem através da presença de Deus em nossas vidas através da obra de Cristo que nos
redimiu.
A lascívia praticada pelos mestres gnósticos e por aqueles que os seguiam,
impedia o compartilhamento da comunhão “uns com os outros”.
A expiação mencionada no verso 7 é pintada como uma purificação, isso
porque o pecado polui e torna impuro. O pecado afeta a parte material e imaterial.
“...todo o pecado...” nos mostra que a obra de Cristo em nós é completa, sem defeitos
e debilidades. Cristo não é mero fantasma, sua humanidade era real, e de outra forma
não poderia haver expiação. A missão de expiação de Cristo foi feita como homem,
ele mesmo foi a oferta pelo pecado, mas também, é aquele que agora nos dá a vitória
sobre o pecado. O docetismo dos gnósticos era contrário a expiação. Portanto, se
Cristo não tivesse sido homem, seu sangue não poderia purificar os homens de todo
o pecado.
Os cristãos deveriam permanecer em Cristo para terem comunhão com Deus
afim de garantirem a salvação.

3 ESTUDO TEOLÓGICO

3.1 Mensagem para hoje


A mensagem de João é enfática ao dizer que Deus é luz. O fato de Deus ser
luz para nossas vidas nos permite que realizemos nossas atividades sem tropeçar. A
luz para o Cristão representa tudo que é bom, puro, verdadeiro, santo e confiável. Não
pode haver nenhuma treva em Deus porque ele é luz. Treva está ligado a mancha do
pecado, e Deus é imaculado de qualquer mal ou pecado. Com isso entendemos que
somente Deus pode nos guiar para fora das trevas do pecado por meio do seu Filho
que é a luz do mundo (v. 5).
Quando dizemos que andamos com Deus, mas estamos nas trevas, não temos
comunhão com Deus. Quem anda no pecado e afirma que tem comunhão com Deus
é considerado mentiroso. Cristo revelará e julgará esse engano. Nos dias de hoje,
significa dizer que ninguém pode afirmar ser um cristão e ainda viver na iniquidade e
na imoralidade (v. 6).
Outro ponto importante, é sobre a vida de Jesus Cristo. O Filho de Deus anda
na Luz, e Ele é luz. Quem quiser seguir Jesus deve andar na luz como Ele está na
luz. Devem ser iluminados pela verdade do caráter de Deus. Andar na luz é esforçar-
se continuamente para obter as qualidades de Cristo. A comunhão uns com os outros
vem como resultado da comunhão de cada cristão com Deus. A verdadeira
espiritualidade se manifesta na comunhão da comunidade. O resultado de andar na
luz (em comunhão com Deus) deve ser o relacionamento alegre com os demais
irmãos cristãos (v. 7).
O andar na luz resulta em que “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica
de todo pecado”. A morte de Cristo nos salva, e não a obtenção de conhecimento dos
falsos mestres. O verbo purificar também se traduz como “limpar”. Deus apaga os
nossos pecados. No Antigo Testamento os pecados eram transferidos simbolicamente
para um animal, que era sacrificado, e com isso, morria no lugar dos pecadores, a fim
que eles continuassem vivendo na graça de Deus. Hoje a verdadeira purificação veio
por meio de Jesus, “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
Os verdadeiros cristãos, andam na luz, mas perceberão algumas vezes que
têm pecados; entretanto, Deus já lhes proveu o meio para lidarem com seus pecados,
que é por meio do sangue do seu Filho Jesus. Esse sangue nos permite continuar
andando na luz – mesmo quando pecamos, pois por meio da confissão recebemos o
perdão de Deus, para que a comunhão com Ele e com os nossos irmãos continue
constante.

3.2 Teologia do Texto

3.2.1 Implicações para a Teologia Bíblica


Em primeiro lugar, a Teologia Joanina é cristológica. João estava combatendo
o erro da Cristologia dos gnósticos, pois, eles negavam a encarnação de Cristo. João
explica que o sangue de Jesus Cristo (homem) purifica o pecador do seu pecado (v.
7; cf. Jo 1:29). Um fantasma não pode derramar sangue, portanto, a teoria gnóstica
de afirmar que o Cristo é uma emanação do alto que veio sobre Jesus é falsa.
É possível observar no verso 6 um teste de comunhão com Jesus. Aqueles que
dizem ter comunhão com Jesus não podem andar nas trevas, pois, Ele é luz (cf. 1:5).
Outro teste de comunhão com Jesus, é a comunhão com o próximo. Isso é
visível no verso 7, que diz “temos comunhão uns com os outros”. O Cristão dá indícios
de que está em comunhão com Jesus quando ele tem comunhão com seus irmãos.
João enfatiza também a autoridade e a veracidade das tradições primitivas no
verso 5 quando diz “Esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos...”.
O presbítero acredita que aqueles que se separaram da sua comunidade
falharam ao não considerar o pecado seriamente. Eles parecem contentes em falar
de sua comunhão com Deus ao mesmo tempo em que, da perspectiva do presbítero,
eles andam “nas trevas” (1.6).
O conceito de expiação está contido no versículo 7, onde o sangue de Jesus
aparece como propiciação pelos pecados.

3.2.2 Implicações para a Teologia Sistemática


João aborda um ponto muito importante da teologia sistemática, ele trata sobre
a Doutrina do Pecado. Nos versos 6 e 7, vemos que a impecabilidade pregada pelos
gnósticos cai por terra, tendo em vista que é possível viver nas trevas, ou seja, na
prática do pecado. Todos pecaram, e segundo João, quem peca e diz que não peca
é mentiroso (v. 6).
Vemos também a Providência de Deus ao entregar seu Filho Unigênito para
remir os pecados que o cristão comete (v. 7).
A epístola trata também a cognoscibilidade de Deus, ao dizer de maneira
especial que “Deus é luz” (v. 5). Deus fez uma autorevelação de si mesmo, como luz
do mundo.
No tocante a doutrina da aplicação da redenção, vemos a importância de o
crente permanecer na luz para ter comunhão com Deus (1:6,7).

3.2.3 Implicações para a Teologia Prática


João traz encorajamento para seus discípulos, ele exorta-os a andarem na luz,
tendo em vista que Deus está na luz, ou seja, convoca-os praticarem um cristianismo
autêntico e sadio. Diferentemente dos mestres gnósticos que praticavam
abominações com o próprio corpo, devido crerem que viver na luz era viver no mundo
das ideias e na prática de todas as coisas que tragam experiencia, sejam elas boas
ou más – e isso é na verdade viver em trevas.
João traz uma atenção especial para a Educação Cristã, que é a importância
do ensino correto para que seja possível desfazer os falsos ensinos. João diz “esta é
a mensagem que dEle ouvimos, e vos anunciamos...”. A mensagem de João trazia o
ensino correto a respeito do andar com Deus, pois, a mensagem que ele transmitiu a
seus discípulos veio do próprio Deus, diferentemente do ensino dos gnósticos que
veio da sabedoria humana, contaminada pelo pecado. É possível ver aprender que a
referência do conteúdo de um ensino é muito importante, pois, traz consigo a
autoridade daquele que o transmitiu.

3.3 Sermão
Título: Os Benefícios de Andar na Luz
Texto: I João 1:5-7 (ALM21).
E a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos é esta: Deus é luz, e nele
não há treva alguma. Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos nas
trevas, mentimos e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, assim como
ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho,
nos purifica de todo pecado.
Tema: Aqueles que decidem andar na luz são agraciados com a comunhão com Deus,
com os irmãos e herdam o direito do perdão de pecados.

INTRODUÇÃO
A. No período em que foi escrita a epístola de I João, a igreja vinha passando por
vários problemas. Além da perseguição aos Cristãos e a sua fé, havia irmãos que
estavam cometendo apostasia e se corrompendo com práticas pagãs (Ap 2:14,15, 20),
e outros haviam misturado a fé cristã com a idolatria através do culto ao imperador
(2:13); mas, a situação que ganhou maior destaque nesse contexto, foi a doutrina
propagada pelo gnosticismo.
B. O gnosticismo que era difundido nessa época, dizia que a matéria é má, e portanto
seria destruída no final da vida e que o mais importante era a questão espiritual, e
como consequência disso, cada um poderia fazer o que quisesse com seu corpo, pois,
em virtude da matéria ser má (corpo), então, não haveria problema algum em se utilizar
o corpo para praticar abominações de todos os tipos, onde destaca-se a questão
sexual, pois para eles, o espírito seria salvo na ocasião da morte de um indivíduo.
C. Ainda sobre o gnosticismo, outro ponto dessa doutrina, era que segundo eles, quem
quisesse evoluir espiritualmente deveria ter o máximo de experiencias possíveis,
sejam elas boas ou más, pois o mais importante era a experiência vivida e o
conhecimento, independente de questões de santidade, moralidade ou sujeição a
Deus. Também era propagado que o homem evoluía à medida que ele meditava, e
que alcançar a Deus era transcender no mundo das ideias. No período do Iluminismo,
os Teólogos Iluministas diziam que Deus estava no “Mundo Noumenal” (uma
dimensão inalcançável, mas, Deus poderia ser percebido por meio das ideias).
D. O grande problema do gnosticismo era que as pessoas estavam andando nas
trevas, mas achavam que estavam andando com Deus. Elas pecavam por usarem seu
corpo para cometer imoralidades, achando que isso não causava nenhum mal, tendo
em ensinarem que o corpo para na servia. A indiferença a presença de Deus também
era uma forte marca do gnosticismo, bem como, o isolamento que era ocasionado pela
falta de comunhão gerada por essa doutrina. Ela fazia as pessoas se isolarem umas
das outras. Essa doutrina também ignorava a encarnação e a obra de Cristo, o que é
crucial para a salvação de qualquer pessoa que se denomina Cristão.
E. Do mesmo modo que os contemporâneos de João, nos dias de hoje também temos
que lidar com problemas semelhantes. O relativismo tem assolado as mentes dos
Cristãos. As pessoas denominam-se cristãos, mas continuam nas praticas tenebrosas
do velho homem (imoralidade, mentira, insubmissão). O egoísmo permeia a sociedade
contemporânea, onde o que vale é o cada um por si. As pessoas se comportam como
que estivessem enviando Jesus para a Cruz novamente. Eles tratam a Bíblia como um
livro velho e de conteúdo duvidoso.
E. Diante desse desafio, o Apostolo João escreveu essa epístola aos seus irmãos
contemporâneos, mostrando para eles que a mensagem que ele havia transmitido não
vinha da sabedoria humana, mas vinha do próprio Senhor Jesus. As verdades nela
contida servem para nós nos dias de hoje como se estivéssemos naquela época. João
exorta os irmãos a continuarem andando na luz (v. 7), ele deixa evidente alguns
benefícios para aqueles que andam na luz.
O Cristão segundo João, tem ao menos três benefícios ao andar na luz.
Vejamos quais são esses benefícios.
Em primeiro lugar,
1. O CRISTÃO QUE ANDA NA LUZ TEM COMUNHÃO COM DEUS
Andar na luz é andar em santidade, quando entendemos que Deus é luz (1:5)
e que ele abomina o pecado, passamos a ter a consciência de que os nossos atos
refletem na nossa comunhão com Ele. Em Tiago 4:8 diz “Achegai-vos a Deus, e ele se
achegará a vós. Pecadores, limpai as mãos, e vós, que sois vacilantes, purificai vosso
coração”.
1.1 Essa comunhão veio por meio do Filho
Jesus veio para reconciliar os homens com Deus através da sua obra vicária
(2Co 5:18), ele se fez carne e habitou entre nós para ser o nosso único e definitivo
mediador (2Tm 2:5).
1.2 Essa comunhão não compactua com as trevas
Em Cristo não há treva alguma (1:5), pois ele é a luz do mundo, e quem o segue
não pode jamais andar nas trevas (Jo 8:12). O fato de andarmos na luz com Jesus,
nos faz enxergar o estrago que o pecado ocasiona, e com isso, temos a oportunidade
de vermos as pedras de tropeço que nos fazem transgredir.
Em segundo lugar,
2. O CRISTÃO QUE ANDA NA LUZ TEM COMUNHÃO COM OS IRMÃOS
O amor de Deus derramado em nossos corações é certamente o combustível
que nos impulsiona a termos comunhão uns com os outros. Quando andamos na luz,
entendemos que precisamos amar o nosso irmão, pois Deus nos amou primeiro (Jo
15:12).
2.1 Essa comunhão é movida pelo Espírito Santo
A palavra comunhão no grego é koinonia e tem conotação de relacionamento,
ou seja, um relacionamento movido pelo Espírito de Deus atuando entre os irmãos. Na
igreja primitiva essa comunhão era muito comum, após o Espirito Santo descer sobre
a igreja em Pentecostes vemos a bíblia dizer em Atos 2:42 o seguinte: “E eles
perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
2.2 Essa comunhão gera reciprocidade
O texto diz “uns com os outros” (v. 7). Isso significa dizer que ao plantarmos
coisas boas na vida dos nossos irmãos, recebemos a mesma bondade. Quanto a isso
Paulo diz que no tempo certo colheremos o bem se não desanimarmos (Gl 6:9). Como
foi mencionado anteriormente, essa comunhão uns com os outros foi notória na Igreja
Primitiva.
Em terceiro lugar,
3. O CRISTÃO QUE ANDA NA LUZ TEM A GARANTIA DO PERDÃO DE PECADOS
Andar na luz, é andar na verdade, caso contrário nos tornamos mentirosos
(1:6). Cristo disse que Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14:6). Praticar a verdade
é andar em obediência a Palavra de Deus e em conformidade com a vontade de Jesus.
Quando andamos na luz, aprendemos o que é pecado, e no momento que
transgredimos, temos a oportunidade de confessar nossos pecados.
Aqueles que conhecem a verdade e que acabam pecado, ao confessarem seus
pecados, lhes é garantido o perdão de pecados por meio do sangue de Jesus que foi
derramado na Cruz. Ele (Jesus) é fiel para nos purificar de toda a injustiça (1:9).

ILUSTRAÇÃO
O porta Joias que brilhava
Um homem queria presentear sua esposa com um porta-joias.
Ele entrou em uma loja e falou que queria o mais bonito porta-joias para
presentear sua mulher. E o comerciante lhe apresentou um porta-joias belíssimo e
disse: “O que é mais extraordinário neste porta-joias é que na hora em que você apaga
a luz ele fica resplandecendo no escuro”. Empolgado, o homem comprou o porta-joias
todo satisfeito, e quando ele deu o porta-joias a sua esposa, disse:
– Benzinho, você não queira nem saber. Este porta-joias, quando a gente
apaga a luz do quarto ele resplandece.
– Que maravilha! Disse sua esposa entusiasmada.
À noite quando eles apagaram a luz, ficaram esperando o porta-joias
resplandecer. Porém, ele não brilhou. O homem ascendeu à luz e falou: – Tem alguma
coisa errada! E olhou pra lá, e olhou pra cá. Sua esposa percebendo seu
desapontamento, disse:
– Não se preocupe com isso. Amanhã nós resolvemos isso. Vamos dormir.
De manhã cedo ele levantou e foi trabalhar. E sua esposa foi examinar o porta-
joias, e logo descobriu o segredo. Assim que o homem, chegou em casa, disse a sua
mulher:
– Me dê o porta-joias que eu vou à loja reclamar com o vendedor.
– Não precisa porque eu já descobri o segredo. Hoje à noite eu te mostro.
Mais tarde eles apagaram a luz do quarto, e para satisfação e alegria do casal
o porta-joias resplandecia na escuridão, muito bonito. Então o marido encantado
perguntou a mulher:
– Como que você conseguiu?
– É porque você não leu as instruções. Você deveria ter deixado o porta-joias
exposto à luz do sol, pois, ele tem um mecanismo que acumula a luz solar e depois
essa luz acumulada reflete no porta-joias.
Explicação:
Somos o porta-joias. Porém, não temos brilho próprio.
Podemos conter coisas valiosas, muitas qualidades, muita cultura, muito
estudo, muita capacidade. Podemos reunir todas as condições para brilhar, mas não
conseguiremos.
É porque precisamos de algo. Precisamos da luz verdadeira que ilumina todo
homem.
Precisamos da luz do mundo que é: “JESUS CRISTO“.
E para brilhar no meio das trevas, no meio da escuridão neste mundo
tenebroso. Precisamos ficar expostos à luz verdadeira que é Jesus Cristo, porque Ele
disse: “Eu Sou a luz do mundo”. E mais ha frente Ele declara: “Vós sois a luz do
mundo”, mas entendamos isto, a nossa luz somente resplandecerá se ficarmos
expostos à verdadeira luz que é o Senhor Jesus. João diz: “Nele não há treva”.
E o próprio Deus já explicava isso ao povo de Israel, quando Ele declarou a
benção sobre o povo:
“O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e
tenha misericórdia te ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”.
Este é o segredo. Você quer resplandecer nas trevas? Quer fazer a sua luz
brilhar na escuridão? Quer ser luz para este mundo?
Então você precisa colocar a sua vida para ser iluminada pela verdadeira luz
deste mundo, que é JESUS CRISTO.

APLICAÇÃO PRÁTICA
1. Não teremos comunhão com Deus, se continuarmos a praticar o pecado e ignorar
a vontade de Deus, pois Ele é luz.
2. A comunhão com meu próximo surge naturalmente quando eu tenho comunhão
verdadeira com Deus.
3. Deus garante o perdão de pecado para os arrependidos que andam na sua
presença.

CONCLUSÃO
A mensagem do Apóstolo João não é uma mera doutrina humana, mas, uma
mensagem (gr. angelomen) revelada pela vontade de Deus e que transmite uma
verdade “sine qua non”, ou seja, Deus é luz (santo, imaculado), e não compactua com
as trevas. Essa verdade bate de frente com a heresia gnóstica que ameaçava a igreja
na região de Éfeso e que ainda ameaça a igreja contemporânea, através do
relativismo da verdade e da santidade.
O Apóstolo João é enfático quando diz que Deus é luz (1:5), e que o fato de
Deus ser luz, requer de todo aquele que se intitula cristão, o dever de andar como
Cristo andou, ou seja, na luz (1:7). Isso significa dizer que ninguém pode andar na
presença de Deus sem viver uma vida de santidade interior e exterior, ou seja, em
palavras e obras. Aquele que se denomina cristão não pode ter uma vida em
comunhão com as trevas, pois, dessa forma, estaria sendo mentiroso em seus atos
(1:6). Uma vida na luz (em Deus) gera comunhão com os irmãos da Igreja, e o fato de
estarmos em comunhão com Deus, garante-nos o direito de gozar por meio da graça
o perdão de nossos pecados, através do Sangue de Jesus Cristo (1:7b).
Concluo ainda que, a propiciação pelos pecados por meio do sangue de Jesus,
é a garantia de que Jesus Cristo era homem, e que por meio de sua vida e obra,
podemos ter uma comunhão verdadeira com Deus.

REFERÊNCIAS
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Juerp, 1983.
[2] Simon J. Kistemaker. Comentário do Novo Testamento: Tiago e Epístolas de João.
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[3] Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD,
2010.
[4] Champlin, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado: Versículo por
Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.
[5] Barclay, William. Comentário Barclay Novo Testamento. Glasgow: 1986.
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[7] Richards, Lawrence O. Comentário Histórico Cultural do Novo Testamento. Rio de
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[10] Grudem, Wayne. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo, Vida Nova,
1999.
[11] Kaiser, Walter C. O plano da promessa de Deus: Teologia Bíblica do Antigo e
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[12] Thielman, Frank. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações,
2007.
[13] Harrison, Everett F. Comentário Bíblico Moody: Mateus a Apocalipse. São Paulo:
Batista Regular do Brasil, 2017.
[14] Macdonald, William. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. São Paulo:
Mundo Cristão, 2011.
[15] Bíblia Sagrada - João Ferreira de Almeida: Século 21. São Paulo: Vida Nova,
2013.
[16] Bible Hub – www.biblehub.com. <Acesso em 1 dez 2018 a 11 de jan 2019>.
[17] Bíblia de Estudo Palavras Chave: Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.