Você está na página 1de 234

Governo do Estado de Minas Gerais

SECRETARIA DE ESTADO DE
DEFESA SOCIAL - SEDS

AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIO

ÍNDICE
- LÍNGUA PORTUGUESA
Interpretação de texto. ................................................................................................................................ 1
Ortografia, acentuação e pontuação. ..........................................................................................................13
Processo de formação de palavras. ...........................................................................................................24
Emprego das classes de palavras. .............................................................................................................25
Sintaxe de concordância e de regência. .....................................................................................................45
Uso e colocação do pronome. ....................................................................................................................28
Uso dos tempos e modos verbais. ..............................................................................................................32
Estrutura do período e da oração. ..............................................................................................................51
Redação (domínio da expressão escrita) – .................................................................................................53
Variação linguística: modalidades do uso da língua e adequação linguística. .............................................54
Tópicos de língua portuguesa padrão:
Adequação conceitual. ...............................................................................................................................55
Pertinência, relevância e articulação dos argumentos. ...............................................................................69
Seleção vocabular. ....................................................................................................................................60

- RACIOCÍNIO LÓGICO
Raciocínio lógico: resolução de problemas envolvendo frações, conjuntos, porcentagens, sequências (com
números, com figuras, de palavras). Raciocínio lógico-matemático: proposições, conectivos, equivalência e
implicação lógica, argumentos válidos. ‘ ........................................................................................... pp 1 a 74

- CONHECIMENTOS GERAIS
Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, e alterações posteriores: Título
II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais; Capítulo I: Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos; Capí-
tulo II: Dos Direitos Sociais; Capítulo III: Da Nacionalidade; Título III: Da Organização do Estado; Capítulo I:
Da Organização Político-Administrativa; Capítulo VII: Da Administração Pública; Seção I: Disposições Ge-
rais; Seção II: Dos Servidores Públicos; Título VIII: Da Ordem Social; Capítulo I: Disposição Geral; ........... 1
Declaração Universal dos Direitos Humanos; .............................................................................................16
Lei Estadual nº 869, de 05 de julho de 1.952 e suas alterações posteriores - Estatuto dos Funcionários Pú-
blicos Civis do Estado de Minas Gerais; .....................................................................................................20
Lei Federal n.º 7.210, de 11 de Julho de 1984 (Institui a Lei de Execução Penal) e alterações posteriores . 36
Lei Federal n.º 9.455 de 07 de abril de 1.997 (Lei da Tortura) e alterações posteriores; ..............................50
Lei Estadual n.º 11.404, de 25 de Janeiro de 1994 (Contém Normas de Execução Penal); ........................51
Lei Estadual nº 14.695, de 30 de julho de 2.003, que instituiu a carreira de Agente de Segurança Penitenciá-
rio; .............................................................................................................................................................62
Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/40 e suas alterações posteriores). Parte Especial - Título XI -
Dos Crimes Contra a Administração Pública, Capítulo I. Dos crimes praticados por funcionário público contra
administração em geral; .............................................................................................................................65
Regulamento Disciplinar Prisional da Secretaria de Estado de Defesa Social do Estado de Minas Gerais
(REDIPRI). .................................................................................................................................................68

Agente De Segurança Penitenciário


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

A PRESENTE APOSTILA NÃO ESTÁ VINCULADA A EMPRESA ORGANIZADORA DO CONCURSO


PÚBLICO A QUE SE DESTINA, ASSIM COMO SUA AQUISIÇÃO NÃO GARANTE A INSCRIÇÃO DO
CANDIDATO OU MESMO O SEU INGRESSO NA CARREIRA PÚBLICA.

O CONTEÚDO DESTA APOSTILA ALMEJA ENGLOBAR AS EXIGENCIAS DO EDITAL, PORÉM, ISSO


NÃO IMPEDE QUE SE UTILIZE O MANUSEIO DE LIVROS, SITES, JORNAIS, REVISTAS, ENTRE OUTROS
MEIOS QUE AMPLIEM OS CONHECIMENTOS DO CANDIDATO, PARA SUA MELHOR PREPARAÇÃO.

ATUALIZAÇÕES LEGISLATIVAS, QUE NÃO TENHAM SIDO COLOCADAS À DISPOSIÇÃO ATÉ A


DATA DA ELABORAÇÃO DA APOSTILA, PODERÃO SER ENCONTRADAS GRATUITAMENTE NO SITE DA
APOSTILAS OPÇÃO, OU NOS SITES GOVERNAMENTAIS.

INFORMAMOS QUE NÃO SÃO DE NOSSA RESPONSABILIDADE AS ALTERAÇÕES E RETIFICAÇÕES


NOS EDITAIS DOS CONCURSOS, ASSIM COMO A DISTRIBUIÇÃO GRATUITA DO MATERIAL RETIFICADO,
NA VERSÃO IMPRESSA, TENDO EM VISTA QUE NOSSAS APOSTILAS SÃO ELABORADAS DE ACORDO
COM O EDITAL INICIAL. QUANDO ISSO OCORRER, INSERIMOS EM NOSSO SITE,
www.apostilasopcao.com.br, NO LINK “ERRATAS”, A MATÉRIA ALTERADA, E DISPONIBILIZAMOS
GRATUITAMENTE O CONTEÚDO ALTERADO NA VERSÃO VIRTUAL PARA NOSSOS CLIENTES.

CASO HAJA ALGUMA DÚVIDA QUANTO AO CONTEÚDO DESTA APOSTILA, O ADQUIRENTE


DESTA DEVE ACESSAR O SITE www.apostilasopcao.com.br, E ENVIAR SUA DÚVIDA, A QUAL SERÁ
RESPONDIDA O MAIS BREVE POSSÍVEL, ASSIM COMO PARA CONSULTAR ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS
E POSSÍVEIS ERRATAS.

TAMBÉM FICAM À DISPOSIÇÃO DO ADQUIRENTE DESTA APOSTILA O TELEFONE (11) 2856-6066,


DENTRO DO HORÁRIO COMERCIAL, PARA EVENTUAIS CONSULTAS.

EVENTUAIS RECLAMAÇÕES DEVERÃO SER ENCAMINHADAS POR ESCRITO, RESPEITANDO OS


PRAZOS ESTITUÍDOS NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTA APOSTILA, DE ACORDO COM O


ARTIGO 184 DO CÓDIGO PENAL.

APOSTILAS OPÇÃO

A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça
a memória visual, favorecendo o entendimento.

Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva,


há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.
Interpretação de texto.
Ortografia, acentuação e pontuação. No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto
Processo de formação de palavras. com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da
Emprego das classes de palavras. época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen-
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui
Sintaxe de concordância e de regência.
não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica
Uso e colocação do pronome. da fonte e na identificação do autor.
Uso dos tempos e modos verbais.
Estrutura do período e da oração. A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de
Redação (domínio da expressão escrita) – resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce-
Variação linguística: modalidades do uso da língua e to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa-
adequação linguística. da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais
Tópicos de língua portuguesa padrão. adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por
Adequação conceitual. isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não
ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
Pertinência, relevância e articulação dos argumentos.
alternativa mais completa.
Seleção vocabular.
Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali- para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de será mais consciente e segura.
necessitar de um bom léxico internalizado.
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
confronto entre todas as partes que compõem o texto. 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por até o fim, ininterruptamente;
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica- 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor umas três vezes ou mais;
diante de uma temática qualquer. 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
Denotação e Conotação 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres- 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con- ensão;
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi- 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação. respondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, 10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada perguntou e o que se pediu;
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
exata ou a mais completa;
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações lógica objetiva;
diferenciadas em seus leitores. 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra resposta;
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim definindo o tema e a mensagem;
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
esclareçam o sentido. 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
simos na interpretação do texto.
Como Ler e Entender Bem um Texto Ex.: Ele morreu de fome.
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira do fato (= morte de "ele").
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra-

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Ex.: Ele morreu faminto. to que aconteceu depois.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
quando morreu.; O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei- material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
as estão coordenadas entre si; natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da
de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu
Cunegundes espírito.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS • Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis-


TEXTO NARRATIVO semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em
• As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for- que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o
ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri-
dos fatos. zado por :
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às
Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon-
heroína, personagem principal da história. tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa.
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra-
O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota- tiva que é feito em 1a pessoa.
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal - visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,
contracena em primeiro plano. aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per-
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar- dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra- • Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de a-
ção. presentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do qual
a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é feita
O narrador que está a contar a história também é uma personagem, em 1a pessoa ou 3a pessoa.
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história. Formas de apresentação da fala das personagens
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso- três maneiras de comunicar as falas das personagens.
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e • Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen- vés do diálogo.
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações Exemplo:
perante os acontecimentos. “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
• Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po-
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
desenlace ou desfecho. travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
os verbos de locução podem ser omitidos.
Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, • Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. E-
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou xemplo:
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
resses entre as personagens. dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten- nos sombrios por vir”.
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. • Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- Exemplo:
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
cionados ao principal. hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter (José Lins do Rego)
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve-
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são TEXTO DESCRITIVO
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
narrativo. terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa- unificada.

Língua Portuguesa 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari- desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
pouco. respeito de algo.

Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc- O TEXTO ARGUMENTATIVO 1
nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
Baseado em Adilson Citelli
• Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje- rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os
tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên- discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar
cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de
que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti- referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do
vo, fenomênico, ela é exata e dimensional. tipo de texto solicitado.
• Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos, Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen- que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de
to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so- um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua
cial e econômico . análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do
• Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursi-
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, va é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir,
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas
partes mais típicas desse todo. análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é
• Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e decisivo
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento
típicos. do ponto de vista de algo/alguém.
• Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio. desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
• Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu- intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de
predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma se-
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- quência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objeti-
TEXTO DISSERTATIVO vos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da for-
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- mação textual.
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever
com clareza, coerência e objetividade. Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a
linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e outro
do o contexto. que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos
com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em : argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunica-
• Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda- ção ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persua-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- são).
jetiva da definição do ponto de vista do autor.
• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo- Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan- unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de- alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
sencadeia a conclusão. dão tornem esta produção altamente evocativa.
• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a um
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
e opinião. possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes dife-
a obra ou ação que realmente se praticou. rentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so- na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
uma relação interdiscursiva e intertextual. sobre o que presenciou na Ruanda é um chamado à consciência públi-
ca.’’
As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa- • Exemplificação: O processo narrativo ou descritivo da exempli-
zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito ficação pode conferir à argumentação leveza a cumplicidade. Porém,
utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é deve-se tomar cuidado para que esse recurso seja breve e não interfira
que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da no processo persuasivo.
oposição, tudo isto em forma de piada. ‘ Noite de quarta-feira nos Jardins, bairro paulistano de classe média.
Restaurante da moda, frequentado por jovens bem-nascidos, sofre o se-
Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir gundo ‘arrastão’ do mês. Clientes e funcionários são assaltados e amea-
através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito, çados de morte. O cotidiano violento de São Paulo se faz presente.’’
mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e • Roteiro: A antecipação do que se pretende dizer pode funcionar
concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível, como encaminhamento de leitura da tese.
capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
‘ Busca-se com essa exposição analisar o descaso da sociedade em
Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP, relação às coletas seletivas de lixo e a incompetência das prefeituras.’’
Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição. • Enumeração: Contribui para que o redator analise os dados e
exponha seus pontos de vista com mais exatidão.
O TEXTO ARGUMENTATIVO 2
‘ Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Pau-
Um texto argumentativo tem como objetivo convencer alguém das lo aponta que as maiores vítimas do abuso sexual são as crianças meno-
nossas ideias. Deve ser claro e ter riqueza lexical, podendo tratar qualquer res de 12 anos. Elas representam 43% dos 1.926 casos de violência se-
tema ou assunto. xual atendidos pelo Programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Bying-
É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixe a ideia no ar, ton.’’
depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve, • Causa e consequência: Garantem a coesão e a concatenação
com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos claros. Deve das ideias ao longo do parágrafo, além de conferir caráter lógico ao pro-
também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da cesso argumentativo.
leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo
que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a ideia chave da ‘ No final de março, o Estado divulgou índices vergonhosos do Idesp
opinião. – indicador desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação para ava-
liar a qualidade do ensino (…). O péssimo resultado é apenas conse-
Geralmente apresenta uma estrutura organizada em três partes: quência de como está baixa a qualidade do ensino público. As causas
a introdução, na qual é apresentada a ideia principal ou tese; são várias, mas certamente entre elas está a falta de respeito do Estado
o desenvolvimento, que fundamenta ou desenvolve a ideia principal; e que, próximo do fim do 1º bimestre, ainda não enviou apostilas para al-
a conclusão. Os argumentos utilizados para fundamentar a tese podem ser gumas escolas estaduais de Rio Preto.
de diferentes tipos: exemplos, comparação, dados históricos, dados
estatístico, pesquisas, causas socioeconômicas ou culturais, depoimentos - • Sintese: Reforça a tese defendida, uma vez que fecha o texto
enfim tudo o que possa demonstrar o ponto de vista defendido pelo autor com a retomada de tudo o que foi exposto ao longo da argumentação.
tem consistência. A conclusão pode apresentar uma possível Recurso seguro e convincente para arrematar o processo discursivo.
solução/proposta ou uma síntese. Deve utilizar título que chame a atenção
do leitor e utilizar variedade padrão de língua. ‘ Quanto a Lei Geral da Copa, aprovou-se um texto que não é o ideal,
mas sustenta os requisitos da Fifa para o evento.
A linguagem normalmente é impessoal e objetiva.
O aspecto mais polêmico era a venda de bebidas alcoólicas nos es-
O roteiro da persuasão para o texto argumentativo: tádios. A lei eliminou o veto federal, mas não exclui que os organizadores
Na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do texto argumen- precisem negociar a permissão em alguns Estados, como São Paulo.’’
tativo espera-se que o redator o leitor de seu ponto de vista. Alguns recur- • Proposta: Revela autonomia critica do produtor do texto e ga-
sos podem contribuir para que a defesa da tese seja concluída com suces- rante mais credibilidade ao processo argumentativo.
so. Abaixo veremos algumas formas de introduzir um parágrafo argumenta-
tivo: ‘ Recolher de forma digna e justa os usuários de crack que buscam
ajuda, oferecer tratamento humano é dever do Estado. Não faz sentido
• Declaração inicial: É uma forma de apresentar com assertivi- isolar para fora dos olhos da sociedade uma chaga que pertence a to-
dade e segurança a tese. dos.’’ Mundograduado.org
‘ A aprovação das Cotas para negros vem reparar uma divida moral e Modelo de Dissertação-Argumentativa
um dano social. Oferecer oportunidade igual de ingresso no Ensino Superi-
or ao negro por meio de políticas afirmativas é uma forma de admitir a Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução
diferença social marcante na sociedade e de igualar o acesso ao mercado Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi-
de trabalho.’ ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre-
• Interrogação: Cria-se com a interrogação uma relação próxima vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan-
com o leitor que, curioso, busca no texto resposta as perguntas feitas na do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.
introdução. O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a
‘ Por que nos orgulhamos da nossa falta de consciência coletiva? Por se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao
que ainda insistimos em agir como ‘espertos’ individualistas?’ progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsá-
veis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, pro-
• Citação ou alusão: Esse recurso garante à defesa da tese cará- blemas ambientais que afetam a população.
ter de autoridade e confere credibilidade ao discurso argumentativo, pois Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
se apoia nas palavras e pensamentos de outrem que goza de prestigio. contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar
‘ As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de
chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente
as costas e irem embora’. O comentário do fotógrafo Sebastião Salgado nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma,

Língua Portuguesa 4 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti- o idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-
ca. linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que
poderia ser chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua
O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os condição em relação a esta distinção é irrelevante (sendo, portanto, um
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló- sinônimo para linguagem num sentido mais geral);
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não • socioletos, isto é, variações faladas por comunidades
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se socialmente definidas
transformar na salvação do mundo.
• linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci- comunicação pública e da educação
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada • idioletos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul. • registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou a
gramática de certas atividades ou profissões
Nesse modelo, didaticamente, podemos perceber a estrutura textual
dissertativa assim organizada: • etnoletos, para um grupo étnico
1º parágrafo: Introdução com apresentação da tese a ser defendi- • ecoletes, um idioleto adotado por uma casa
da;
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem ser distinguidos
“Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi- não apenas por seu vocabulário, mas também por diferenças na gramática,
ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre- na fonologia e na versificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais
vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan- nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. Um outro
do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.” exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes socioletos variam em
seu grau de adaptação à fonologia básica da linguagem.
2º parágrafo: Há o desenvolvimento da tese com fundamentos ar-
gumentativos; Certos registros profissionais, como o chamado legalês, mostram uma
variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo, jornalistas ou
“O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço
advogados ingleses frequentemente usam modos gramaticais, como o
a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas
modo subjuntivo, que não são mais usados com frequência por outros
ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), respon-
falantes. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de
sáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte,
termos (veja jargão).
problemas ambientais que afetam a população.
É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
como incluídos no conceito de variação ou de estilo. Coloquialismos e
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar
expressões idiomáticas geralmente são limitadas como variações do léxico,
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de
e de, portanto, estilo.
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, Espécies de variação
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti-
ca.” Variação histórica

3º parágrafo: A conclusão é desenvolvida com uma proposta de Acontece ao longo de um determinado período de tempo, pode ser
intervenção relacionada à tese. identificada ao se comparar dois estados de uma língua Portuguêsa. O
processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por um
“O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló- socioeconomicamente mais expressivos. A forma antiga permanece ainda
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais entre as gerações mais velhas, período em que as duas variantes
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não convivem; porém com o tempo a nova variante torna-se normal na fala, e
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se finalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. As mudanças
transformar na salvação do mundo. podem ser de grafia ou de significado.
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci- Variação geográfica
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada Trata das diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a sintática entre regiões. Dentro de uma comunidade mais ampla, formam-se
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.” Profª Francinete comunidades linguísticas menores em torno de centros polarizadores ,
política e economia, que acabam por definir os padrões linguísticos
Variação (linguística) utilizados na região de sua influência e as diferenças linguísticas entre as
regiões são graduais, nem sempre coincidindo.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Variação social
A variação de uma língua é o modo pelo qual ela se diferencia,
sistemática e coerentemente, de acordo com o contexto histórico, Agrupa alguns fatores de diversidade:o nível sócio-econômico,
geográfico e sócio-cultural no qual os falantes dessa língua se manifestam determinado pelo meio social onde vive um indivíduo; o grau de educação;
verbalmente. a idade e o gênero. A variação social não compromete a compreensão
entre indivíduos, como poderia acontecer na variação regional; o uso de
Conceito certas variantes pode indicar qual o nível sócio-econômico de uma pessoa,
e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de atingir o padrão de maior prestígio.
linguagem. Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto,
aparentemente um processo de criação de palavras para termos Variação estilística
específicos, são exemplos dessas variações:
Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de
• dialetos (variação diatópica), isto é, variações faladas por comunicação: se está em um ambiente familiar, profissional, o grau de
comunidades geograficamente definidas. intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Sem levar
em conta as graduações intermediárias, é possível identificar dois limites

Língua Portuguesa 5 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
extremos de estilo: o informal, quando há um mínimo de reflexão do qual este deve ser
indivíduo sobre as normas linguísticas, utilizado nas conversações (A)) equacionado como uma forma de equilíbrio entre as atividades
imediatas do cotidiano; e o formal, em que o grau de reflexão é máximo, humanas e o respeito ao mundo natural.
utilizado em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é mais (B) identificado como aprimoramento tecnológico que resulte em ativida-
elaborado e complexo. Não se deve confundir o estilo formal e informal com de economicamente viável.
língua escrita e falada, pois os dois estilos ocorrem em ambas as formas de (C) caracterizado como uma atividade que redunde em maiores lucros
comunicação. para todos os indivíduos de uma comunidade.
(D) definido como um atributo da natureza que induz os homens a apro-
As diferentes modalidades de variação linguística não existem veitarem apenas o que é oferecido em sua forma natural.
isoladamente, havendo um inter-relacionamento entre elas: uma variante (E) aceito como um processo civilizatório que implique melhor distribui-
geográfica pode ser vista como uma variante social, considerando-se a ção de renda entre todos os agentes dos setores produtivos.
migração entre regiões do país. Observa-se que o meio rural, por ser
menos influenciado pelas mudanças da sociedade, preserva variantes 2. Considere as seguintes afirmações:
antigas. O conhecimento do padrão de prestígio pode ser fator de I. A banalização do uso da palavra progresso é uma consequência do
mobilidade social para um indivíduo pertencente a uma classe menos fato de que a Ecologia deixou de ser um assunto acadêmico.
favorecida. II. A expressão desenvolvimento sustentável pressupõe que haja
Bibliografia formas de desenvolvimento nocivas e predatórias.
III. Entende o autor do texto que a magia da palavra progresso advém
CAMACHO, R. (1988). A variação linguística. In: Subsídios à proposta do uso consciente e responsável que a maioria das pessoas vem fa-
curricular de Língua Portuguesa para o 1º e 2º graus. Secretaria da zendo dela.
Educação do Estado de São Paulo, p. 29-41. Em relação ao texto está correto APENAS que se afirma em
(A) I.
(B)) II.
EXERCÍCIOS – INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS (C) III.
(D) I e II.
Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que se- (E) II e III.
gue.
3. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente uma frase do
No coração do progresso texto em:
Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que (A) Mas quero chegar logo ao ponto = devo me antecipar a qualquer
classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à invenção conclusão.
do aeroplano ou à descoberta do DNA como à promoção do papai no novo (B) continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica =
emprego. “Estou fazendo progressos”, diz a titia, quando enfim acerta a seguimos chamando de mágico tudo o que julgamos sem preconcei-
mão numa velha receita. Mas quero chegar logo ao ponto, e convidar o to.
leitor a refletir sobre o sentido dessa palavra, que sempre pareceu abrir (C) para cercear as iniciativas predatórias = para ir ao encontro das
todas as portas para uma vida melhor. ações voluntariosas.
Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema, (D) ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade da vida =
via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendi- práticas alheias ao que diz respeito às condições de vida.
mento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o progresso. Uma (E)) há de adequar-se a um planejamento = deve ir ao encontro do que
represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um está planificado.
progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscrimina-
damente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco: 4. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento
desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e pelo qual se garanta que a qualidade da vida seja preservada.
tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preserva- Os tempos e os modos verbais da frase acima continuarão correta-
ção ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino mente articulados caso se substituam as formas sublinhadas, na or-
planeta. dem em que surgem, por
Para isso, foi preciso determinar muito bem o sentido de progresso. (A) houve - garantiria - é
Do ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo que (B) haveria - garantiu - teria sido
concorre para equilibrar a ação transformadora do homem sobre a natureza (C) haveria - garantisse - fosse
e a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas sustentável: o (D) haverá - garantisse - e
adjetivo exprime uma condição, para cercear as iniciativas predatórias. (E) havia - garantiu - é
Cada novidade tecnológica há de ser investigada quanto a seus efeitos
sobre o homem e o meio em que vive. Cada intervenção na natureza há de 5. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na
adequar-se a um planejamento que considere a qualidade e a extensão dos frase:
efeitos. (A)) Já faz muitos séculos que se vêm atribuindo à palavra progresso
Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e algumas conotações mágicas.
política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com o (B) Deve-se ao fato de usamos muitas palavras sem conhecer seu
mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não é pouco, mas ainda não sentido real muitos equívocos ideológicos.
é suficiente. Aos cientistas, aos administradores, aos empresários, aos (C) Muitas coisas a que associamos o sentido de progresso não chega a
industriais e a todos nós – cidadãos comuns – cabe a tarefa cotidiana de representarem, de fato, qualquer avanço significativo.
zelarmos por nossas ações que inflectem sobre qualquer aspecto da quali- (D) Se muitas novidades tecnológicas houvesse de ser investigadas a
dade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e banhei- fundo, veríamos que são irrelevantes para a melhoria da vida.
ro, em nosso quintal e jardim – e se estende à preocupação com a rua, com (E) Começam pelas preocupações com nossa casa, com nossa rua, com
o bairro, com a cidade. nossa cidade a tarefa de zelarmos por uma boa qualidade da vida.
“Meu coração não é maior do que o mundo”, dizia o poeta. Mas um
mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é, 6. Está correto o emprego de ambas as expressões sublinhadas na
certamente, melhor do que este em que estamos vivendo. frase:
Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido (A) De tudo aquilo que classificamos como progresso costumamos
preciso – talvez oculto - da palavra mágica empregada. (Alaor Adauto de atribuir o sentido de um tipo de ganho ao qual não queremos abrir
Mello) mão.
(B) É preferível deixar intacta a mata selvagem do que destruí-la em
1. Centraliza-se, no texto, uma concepção de progresso, segundo a nome de um benefício em que quase ninguém desfrutará.

Língua Portuguesa 6 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(C) A titia, cuja a mão enfim acertou numa velha receita, não hesitou em manifestação, assegurado pela Carta de 1988. Como não há fórmula
ver como progresso a operação à qual foi bem sucedida. perfeita de arbitrar esse choque entre garantias democráticas fundamen-
(D) A precisão da qual se pretende identificar o sentido de uma palavra tais, cabe lançar mão de medidas pontuais – e sobretudo de bom senso.
depende muito do valor de contexto a que lhe atribuímos. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima em R$ 3 milhões
(E)) As inovações tecnológicas de cujo benefício todos se aproveitam o custo para a população dos protestos ocorridos nos últimos três anos na
representam, efetivamente, o avanço a que se costuma chamar pro- capital paulista. O cálculo leva em conta o combustível consumido e as
gresso. horas perdidas de trabalho durante os engarrafamentos causados por
protestos. Os carros enfileirados por conta de manifestações nesses três
7. Considere as seguintes afirmações, relativas a aspectos da constru- anos praticamente cobririam os 231 km que separam São Paulo de São
ção ou da expressividade do texto: Carlos.
I. No contexto do segundo parágrafo, a forma plural não mudaram A Justiça é o meio mais promissor, em longo prazo, para desestimular
tanto atende à concordância com academias. os protestos abusivos que param o trânsito nos horários mais inconvenien-
II. No contexto do terceiro parágrafo, a expressão há de adequar-se tes e acarretam variados transtornos a milhões de pessoas. É adequada a
exprime um dever imperioso, uma necessidade premente. atitude da CET de enviar sistematicamente ao Ministério Público relatórios
III. A expressão Em suma, tal como empregada no quarto parágrafo, com os prejuízos causados em cada manifestação feita fora de horários e
anuncia a abertura de uma linha de argumentação ainda inexplorada locais sugeridos pela agência ou sem comunicação prévia.
no texto. Com base num documento da CET, por exemplo, a Procuradoria acio-
Está correto APENAS o que se afirma em nou um líder de sindicato, o qual foi condenado em primeira instância a
(A) I. pagar R$ 3,3 milhões aos cofres públicos, a título de reparação. O direito à
(B)) II. livre manifestação está previsto na Constituição. No entanto, tal direito não
(C) III. anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados
(D) I e II. pelos protestos.
(E) II e III. O poder público deveria definir, de preferência em negociação com as
categorias que costumam realizar protestos na capital, horários e locais
8. A palavra progresso frequenta todas as bocas, todas pronunciam a vedados às passeatas. Práticas corriqueiras, como a paralisia de avenidas
palavra progresso, todas atribuem a essa palavra sentidos mágicos essenciais para o tráfego na capital nos horários de maior fluxo, deveriam
que elevam essa palavra ao patamar dos nomes miraculosos. ser abolidas.
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se os (Folha de S.Paulo, 29.09.07. Adaptado)
elementos sublinhados, na ordem dada, por:
(A)) a pronunciam - lhe atribuem - a elevam 11. De acordo com o texto, é correto afirmar que
(B) a pronunciam - atribuem-na - elevam-na (A) a Companhia de Engenharia de Tráfego não sabe mensurar o custo
(C) lhe pronunciam - lhe atribuem - elevam-lhe dos protestos ocorridos nos últimos anos.
(D) a ela pronunciam - a ela atribuem - lhe elevam (B) os prejuízos da ordem de R$ 3 milhões em razão dos engarrafamen-
(E) pronunciam-na - atribuem-na - a elevam tos já foram pagos pelos manifestantes.
(C) os protestos de rua fazem parte de uma sociedade democrática e
9. Está clara e correta a redação da seguinte frase: são permitidos pela Carta de 1988.
(A) Caso não se determine bem o sentido da palavra progresso, pois que (D) após a multa, os líderes de sindicato resolveram organizar protestos
é usada indiscriminadamente, ainda assim se faria necessário que de rua em horários e locais predeterminados.
reflitamos sobre seu verdadeiro sentido. (E) o Ministério Público envia com frequência estudos sobre os custos
(B) Ao dizer o poeta que seu coração não é maior do que o mundo, das manifestações feitas de forma abusiva.
devemos nos inspirar para que se estabeleça entre este e o nosso
coração os compromissos que se reflitam numa vida melhor. 12. No primeiro parágrafo, afirma-se que não há fórmula perfeita para
(C) Nada é desprezível no espaço do mundo, que não mereça nossa solucionar o conflito entre manifestantes e os prejuízos causados ao
atenção quanto ao fato de que sejamos responsáveis por sua melho- restante da população. A saída estaria principalmente na
ria, seja o nosso quintal, nossa rua, enfim, onde se esteja. (A) sensatez.
(D)) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige, para fazer (B) Carta de 1998.
jus a esse adjetivo, cuidados especiais com o meio ambiente, para (C) Justiça.
que não venham a ser nocivos seus efeitos imediatos ou futuros. (D) Companhia de Engenharia de Tráfego.
(E) Tem muita ciência que, se saísse das limitações acadêmicas, acaba- (E) na adoção de medidas amplas e profundas.
riam por se revelarem mais úteis e mais populares, em vista da Eco-
logia, cujas consequências se sente mesmo no âmbito da vida práti- 13. De acordo com o segundo parágrafo do texto, os protestos que
ca. param as ruas de São Paulo representam um custo para a população
da cidade. O cálculo desses custos é feito a partir
10. Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período: (A) das multas aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego
(A) Toda vez que é pronunciada, a palavra progresso, parece abrir a (CET).
porta para um mundo, mágico de prosperidade garantida. (B) dos gastos de combustível e das horas de trabalho desperdiçadas
(B)) Por mínimas que pareçam, há providências inadiáveis, ações apa- em engarrafamentos.
rentemente irrisórias, cuja execução cotidiana é, no entanto, impor- (C) da distância a ser percorrida entre as cidades de São Paulo e São
tantíssima. Carlos.
(C) O prestígio da palavra progresso, deve-se em grande parte ao modo (D) da quantidade de carros existentes entre a capital de São Paulo e
irrefletido, com que usamos e abusamos, dessa palavrinha mágica. São Carlos.
(D) Ainda que traga muitos benefícios, a construção de enormes repre- (E) do número de usuários de automóveis particulares da cidade de São
sas, costuma trazer também uma série de consequências ambientais Paulo.
que, nem sempre, foram avaliadas.
(E) Não há dúvida, de que o autor do texto aderiu a teses ambientalistas 14. A quantidade de carros parados nos engarrafamentos, em razão das
segundo as quais, o conceito de progresso está sujeito a uma per- manifestações na cidade de São Paulo nos últimos três anos, é equi-
manente avaliação. parada, no texto,
(A) a R$ 3,3 milhões.
Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 24. (B) ao total de usuários da cidade de São Carlos.
(C) ao total de usuários da cidade de São Paulo.
De um lado estão os prejuízos e a restrição de direitos causados pelos (D) ao total de combustível economizado.
protestos que param as ruas de São Paulo. De outro está o direito à livre (E) a uma distância de 231 km.

Língua Portuguesa 7 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
15. No terceiro parágrafo, a respeito do poder da Justiça em coibir os (A) tempo.
protestos abusivos, o texto assume um posicionamento de (B) posse.
(A) indiferença, porque diz que a decisão não cabe à Justiça. (C) causa.
(B) entusiasmo, porque acredita que o órgão já tem poder para impedir (D) origem.
protestos abusivos. (E) finalidade.
(C) decepção, porque não vê nenhum exemplo concreto do órgão para
impedir protestos em horários de pico. 23. Na frase – O poder público deveria definir horários e locais –, substi-
(D) confiança, porque acredita que, no futuro, será uma forma bem- tuindo-se o verbo definir por obedecer, obtém-se, segundo as regras
sucedida de desestimular protestos abusivos. de regência verbal, a seguinte frase:
(E) satisfação, porque cita casos em que a Justiça já teve êxito em (A) O poder público deveria obedecer para horários e locais.
impedir protestos em horários inconvenientes e em avenidas movi- (B) O poder público deveria obedecer a horários e locais.
mentadas. (C) O poder público deveria obedecer horários e locais.
(D) O poder público deveria obedecer com horários e locais.
16. De acordo com o texto, a atitude da Companhia de Engenharia de (E) O poder público deveria obedecer os horários e locais.
Tráfego de enviar periodicamente relatórios sobre os prejuízos cau-
sados em cada manifestação é 24. Transpondo para a voz passiva a frase – A Procuradoria acionou um
(A) pertinente. líder de sindicato – obtém-se:
(B) indiferente. (A) Um líder de sindicato foi acionado pela Procuradoria.
(C) irrelevante. (B) Acionaram um líder de sindicato pela Procuradoria.
(D) onerosa. (C) Acionaram-se um líder de sindicato pela Procuradoria.
(E) inofensiva. (D) Um líder de sindicato será acionado pela Procuradoria.
(E) A Procuradoria foi acionada por um líder de sindicato.
17. No quarto parágrafo, o fato de a Procuradoria condenar um líder
sindical Leia o texto para responder às questões de números 25 a 34.
(A) é ilegal e fere os preceitos da Carta de 1998.
(B) deve ser comemorada, ainda que viole a Constituição. DIPLOMA E MONOPÓLIO
(C) é legal, porque o direito à livre manifestação não isenta o manifestan- Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e medi-
te da responsabilidade pelos danos causados. cina no Brasil. É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvidos os
(D) é nula, porque, segundo o direito à livre manifestação, o acusado enguiços entre diplomas e carreiras. Falta-nos descobrir que a concorrência
poderá entrar com recurso. (sob um bom marco regulatório) promove o interesse da sociedade e que o
(E) é inédita, porque, pela primeira vez, apesar dos direitos assegurados, monopólio só é bom para quem o detém. Não fora essa ignorância, como
um manifestante será punido. explicar a avalanche de leis que protegem monopólios espúrios para o
exercício profissional?
18. Dentre as soluções apontadas, no último parágrafo, para resolver o
conflito, destaca-se Desde a criação dos primeiros cursos de direito, os graduados apenas
(A) multa a líderes sindicais. ocasionalmente exercem a profissão. Em sua maioria, sempre ocuparam
(B) fiscalização mais rígida por parte da Companhia de Engenharia de postos de destaque na política e no mundo dos negócios. Nos dias de hoje,
Tráfego. nem 20% advogam.
(C) o fim dos protestos em qualquer via pública.
(D) fixar horários e locais proibidos para os protestos de rua. Mas continua havendo boas razões para estudar direito, pois esse é
(E) negociar com diferentes categorias para que não façam mais mani- um curso no qual se exercita lógica rigorosa, se lê e se escreve bastante.
festações. Torna os graduados mais cultos e socialmente mais produtivos do que se
não houvessem feito o curso. Se aprendem pouco, paciência, a culpa é
19. No trecho – É adequada a atitude da CET de enviar relatórios –, mais da fragilidade do ensino básico do que das faculdades. Diante dessa
substituindo-se o termo atitude por comportamentos, obtém-se, de polivalência do curso de direito, os exames da OAB são uma solução
acordo com as regras gramaticais, a seguinte frase: brilhante. Aqueles que defenderão clientes nos tribunais devem demonstrar
(A) É adequada comportamentos da CET de enviar relatórios. nessa prova um mínimo de conhecimento. Mas, como os cursos são tam-
(B) É adequado comportamentos da CET de enviar relatórios. bém úteis para quem não fez o exame da Ordem ou não foi bem sucedido
(C) São adequado os comportamentos da CET de enviar relatórios. na prova, abrir ou fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC,
(D) São adequadas os comportamentos da CET de enviar relatórios. não da OAB. A interferência das corporações não passa de uma prática
(E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios. monopolista e ilegal em outros ramos da economia. Questionamos também
se uma corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a
20. No trecho – No entanto, tal direito não anula a responsabilização civil dificuldade das provas, pois essa é também uma forma de limitar a concor-
e criminal em caso de danos provocados pelos protestos –, a locução rência – mas trata-se aí de uma questão secundária. (...)
conjuntiva no entanto indica uma relação de (Veja, 07.03.2007. Adaptado)
(A) causa e efeito.
(B) oposição. 25. Assinale a alternativa que reescreve, com correção gramatical, as
(C) comparação. frases: Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direi-
(D) condição. to e medicina no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não foram
(E) explicação. resolvidos os enguiços entre diplomas e carreiras.
(A) Faz quase dois séculos que se fundou escolas de direito e medicina
21. “Não há fórmula perfeita de arbitrar esse choque.” Nessa frase, a no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os en-
palavra arbitrar é um sinônimo de guiços entre diplomas e carreiras.
(A) julgar. (B) Faz quase dois séculos que se fundava escolas de direito e medicina
(B) almejar. no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os
(C) condenar. enguiços entre diplomas e carreiras.
(D) corroborar. (C) Faz quase dois séculos que se fundaria escolas de direito e medicina
(E) descriminar. no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os en-
guiços entre diplomas e carreiras.
22. No trecho – A Justiça é o meio mais promissor para desestimular os (D) Faz quase dois séculos que se fundara escolas de direito e medicina
protestos abusivos – a preposição para estabelece entre os termos no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolvera os en-
uma relação de guiços entre diplomas e carreiras.

Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(E) Faz quase dois séculos que se fundaram escolas de direito e medici- ções deviam fiscalizá-la.
na no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram
os enguiços entre diplomas e carreiras. 31. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque exercem,
respectivamente, a mesma função sintática das expressões assinala-
26. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de das em: Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão.
acordo com a norma culta, as frases: O monopólio só é bom para (A) Se aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino básico.
aqueles que ____________. / Nos dias de hoje, nem 20% advogam, (B) A interferência das corporações não passa de uma prática monopolista.
e apenas 1% ____________. / Em sua maioria, os advogados sem- (C) Abrir e fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC.
pre ____________. (D) O estudante de direito exercita preferencialmente uma lógica rigorosa.
(A) o retêem / obtem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na (E) Boas razões existirão sempre para o advogado buscar conhecimento.
política e no mundo dos negócios
(B) o retém / obtém sucesso / se apropriaram aos postos de destaque na 32. Assinale a alternativa que reescreve a frase de acordo com a norma
política e no mundo dos negócios culta.
(C) o retém / obtêem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na (A) Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão. / Os
política e no mundo dos negócios graduados apenas ocasionalmente se dedicam a profissão.
(D) o retêm / obtém sucesso / sempre se apropriaram de postos de (B) Os advogados devem demonstrar nessa prova um mínimo de conhe-
destaque na política e no mundo dos negócios cimento. / Os advogados devem primar nessa prova por um mínimo
(E) o retem / obtêem sucesso / se apropriaram de postos de destaque na de conhecimento.
política e no mundo dos negócios (C) Ele não fez o exame da OAB. / Ele não procedeu o exame da OAB.
(D) As corporações deviam promover o interesse da sociedade. / As
27. Assinale a alternativa em que se repete o tipo de oração introduzida corporações deviam almejar do interesse da sociedade.
pela conjunção se, empregado na frase – Questionamos também se (E) Essa é uma forma de limitar a concorrência. / Essa é uma forma de
uma corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a restringir à concorrência.
dificuldade das provas, ...
(A) A sociedade não chega a saber se os advogados são muito corpora- 33. Assinale a alternativa em que o período formado com as frases I, II e
tivos. III estabelece as relações de condição entre I e II e de adição entre I
(B) Se os advogados aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do e III.
ensino básico. I. O advogado é aprovado na OAB.
(C) O advogado afirma que se trata de uma questão secundária. II. O advogado raciocina com lógica.
(D) É um curso no qual se exercita lógica rigorosa. III. O advogado defende o cliente no tribunal.
(E) No curso de direito, lê-se bastante. (A) Se o advogado raciocinar com lógica, ele será aprovado na OAB e
defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
28. Assinale a alternativa em que se admite a concordância verbal tanto (B) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso, mas terá
no singular como no plural como em: A maioria dos advogados ocu- de raciocinar com lógica e ser aprovado na OAB.
pam postos de destaque na política e no mundo dos negócios. (C) Como raciocinou com lógica, o advogado será aprovado na OAB e
(A) Como o direito, a medicina é uma carreira estritamente profissional. defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
(B) Os Estados Unidos e a Alemanha não oferecem cursos de adminis- (D) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso porque
tração em nível de bacharelado. raciocinou com lógica e foi aprovado na OAB.
(C) Metade dos cursos superiores carecem de boa qualificação. (E) Uma vez que o advogado raciocinou com lógica e foi aprovado na
(D) As melhores universidades do país abastecem o mercado de traba- OAB, ele poderá defender o cliente no tribunal com sucesso.
lho com bons profissionais.
(E) A abertura de novos cursos tem de ser controlada por órgãos oficiais. 34. Na frase – Se aprendem pouco, paciência, a culpa é mais da fragili-
dade do ensino básico do que das faculdades. – a palavra paciência
29. Assinale a alternativa que apresenta correta correlação de tempo vem entre vírgulas para, no contexto,
verbal entre as orações. (A) garantir a atenção do leitor.
(A) Se os advogados demonstrarem um mínimo de conhecimento, (B) separar o sujeito do predicado.
poderiam defender bem seus clientes. (C) intercalar uma reflexão do autor.
(B) Embora tivessem cursado uma faculdade, não se desenvolveram (D) corrigir uma afirmação indevida.
intelectualmente. (E) retificar a ordem dos termos.
(C) É possível que os novos cursos passam a ter fiscalização mais
severa. Atenção: As questões de números 35 a 42 referem-se ao texto abaixo.
(D) Se não fosse tanto desconhecimento, o desempenho poderá ser
melhor. SOBRE ÉTICA
(E) Seria desejável que os enguiços entre diplomas e carreiras se resol- A palavra Ética é empregada nos meios acadêmicos em três acepções.
vem brevemente. Numa, faz-se referência a teorias que têm como objeto de estudo o com-
portamento moral, ou seja, como entende Adolfo Sanchez Vasquez, “a
30. A substituição das expressões em destaque por um pronome pessoal teoria que pretende explicar a natureza, fundamentos e condições da moral,
está correta, nas duas frases, de acordo com a norma culta, em: relacionando-a com necessidades sociais humanas.” Teríamos, assim,
(A) I. A concorrência promove o interesse da sociedade. / A concorrência nessa acepção, o entendimento de que o fenômeno moral pode ser estu-
promove-o. II. Aqueles que defenderão clientes. / Aqueles que lhes dado racional e cientificamente por uma disciplina que se propõe a descre-
defenderão. ver as normas morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciências, ser
(B) I. O governo fundou escolas de direito e de medicina. / O governo capaz de explicar valorações comportamentais.
fundou elas. II. Os graduados apenas ocasionalmente exercem a
profissão. / Os graduados apenas ocasionalmente exercem-la. Um segundo emprego dessa palavra é considerá-la uma categoria filo-
(C) I. Torna os graduados mais cultos. / Torna-os mais cultos. II. É sófica e mesmo parte da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo espe-
preciso mencionar os cursos de administração. / É preciso mencio- culativo e reflexivo sobre a complexa fenomenologia da moral na convivên-
nar-lhes. cia humana. A Ética, como parte da Filosofia, teria por objeto refletir sobre
(D) I. Os advogados devem demonstrar muitos conhecimentos. Os os fundamentos da moral na busca de explicação dos fatos morais.
advogados devem demonstrá-los. II. As associações mostram à so-
ciedade o seu papel. / As associações mostram-lhe o seu papel. Numa terceira acepção, a Ética já não é entendida como objeto descri-
(E) I. As leis protegem os monopólios espúrios. / As leis protegem-os. II. tível de uma Ciência, tampouco como fenômeno especulativo. Trata-se
As corporações deviam fiscalizar a prática profissional. / As corpora- agora da conduta esperada pela aplicação de regras morais no comporta-

Língua Portuguesa 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
mento social, o que se pode resumir como qualificação do comportamento em seu campo, se empenham o jurista e o filósofo.
do homem como ser em situação. É esse caráter normativo de Ética que a (C) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil distinguir Ética ou Moral,
colocará em íntima conexão com o Direito. Nesta visão, os valores morais haja vista que tanto uma quanto outra pretendem ajuizar à situação
dariam o balizamento do agir e a Ética seria assim a moral em realização, do homem.
pelo reconhecimento do outro como ser de direito, especialmente de digni- (D) Ainda que se torne por consenso um valor do comportamento huma-
dade. Como se vê, a compreensão do fenômeno Ética não mais surgiria no, a Ética varia conforme a perspectiva de atribuição do mesmo.
metodologicamente dos resultados de uma descrição ou reflexão, mas sim, (E) Os saberes humanos aplicados, do conhecimento da Ética, costu-
objetivamente, de um agir, de um comportamento consequencial, capaz de mam apresentar divergências de enfoques, em que pese a metodo-
tornar possível e correta a convivência. (Adaptado do site Doutrina Jus logia usada.
Navigandi)
42. Transpondo-se para a voz passiva a frase Nesta visão, os valores
35. As diferentes acepções de Ética devem-se, conforme se depreende morais dariam o balizamento do agir, a forma verbal resultante deve-
da leitura do texto, rá ser:
(A) aos usos informais que o senso comum faz desse termo. (A) seria dado.
(B) às considerações sobre a etimologia dessa palavra. (B) teriam dado.
(C) aos métodos com que as ciências sociais a analisam. (C) seriam dados.
(D) às íntimas conexões que ela mantém com o Direito. (D) teriam sido dados.
(E) às perspectivas em que é considerada pelos acadêmicos. (E) fora dado.

36. A concepção de ética atribuída a Adolfo Sanchez Vasquez é retoma- Atenção: As questões de números 43 a 48 referem-se ao texto abaixo.
da na seguinte expressão do texto:
(A) núcleo especulativo e reflexivo. O HOMEM MORAL E O MORALIZADOR
(B) objeto descritível de uma Ciência. Depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, esta-
(C) explicação dos fatos morais. mos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se
(D) parte da Filosofia. não opostas. O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respei-
(E) comportamento consequencial. tá-los; o moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele
não consegue respeitar.
37. No texto, a terceira acepção da palavra ética deve ser entendida A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes.
como aquela em que se considera, sobretudo, Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respei-
(A) o valor desejável da ação humana. tar o padrão moral que ele impõe, ele não precisaria punir suas imperfei-
(B) o fundamento filosófico da moral. ções nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem
(C) o rigor do método de análise. moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a
(D) a lucidez de quem investiga o fato moral. adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um
(E) o rigoroso legado da jurisprudência. padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de
um moralizador. Em geral, as sociedades em que as normas morais ga-
38. Dá-se uma íntima conexão entre a Ética e o Direito quando ambos nham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regra-
revelam, em relação aos valores morais da conduta, uma preocupa- das por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos
ção homens exemplares,mas por moralizadores que tentam remir suas próprias
(A) filosófica. falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os
(B) descritiva. outros. A pior barbárie do mundo é isto: um mundo em que todos pagam
(C) prescritiva. pelos pecados de hipócritas que não se aguentam. (Contardo Calligaris,
(D) contestatária. Folha de S. Paulo, 20/03/2008)
(E) tradicionalista.
43. Atente para as afirmações abaixo.
39. Considerando-se o contexto do último parágrafo, o elemento subli- I. Diferentemente do homem moral, o homem moralizador não se
nhado pode ser corretamente substituído pelo que está entre parên- preocupa com os padrões morais de conduta.
teses, sem prejuízo para o sentido, no seguinte caso: II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido padrão de conduta, o ho-
(A) (...) a colocará em íntima conexão com o Direito. (inclusão) mem moral acaba por impô-lo à conduta alheia.
(B) (...) os valores morais dariam o balizamento do agir (...) (arremate) III. O moralizador, hipocritamente, age como se de fato respeitasse os
(C) (...) qualificação do comportamento do homem como ser em situa- padrões de conduta que ele cobra dos outros.
ção. (provisório) Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(D) (...) nem tampouco como fenômeno especulativo. (nem, ainda) (A) I.
(E) (...) de um agir, de um comportamento consequencial... (concessi- (B) II.
vo) (C) III.
(D) I e II.
40. As normas de concordância estão plenamente observadas na frase: (E) II e III.
(A) Costumam-se especular, nos meios acadêmicos, em torno de três
acepções de Ética. 44. No contexto do primeiro parágrafo, a afirmação de que já decorreu
(B) As referências que se faz à natureza da ética consideram-na, com um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas indica um fator
muita frequência, associada aos valores morais. determinante para que
(C) Não coubessem aos juristas aproximar-se da ética, as leis deixariam (A) concluamos que o homem moderno já não dispõe de rigorosos
de ter a dignidade humana como balizamento. padrões morais para avaliar sua conduta.
(D) Não derivam das teorias, mas das práticas humanas, o efetivo valor (B) consideremos cada vez mais difícil a discriminação entre o homem
de que se impregna a conduta dos indivíduos. moral e o homem moralizador.
(E) Convém aos filósofos e juristas, quaisquer que sejam as circunstân- (C) reconheçamos como bastante remota a possibilidade de se caracte-
cias, atentar para a observância dos valores éticos. rizar um homem moralizador.
(D) identifiquemos divergências profundas entre o comportamento de um
41. Está clara, correta e coerente a redação do seguinte comentário homem moral e o de um moralizador.
sobre o texto: (E) divisemos as contradições internas que costumam ocorrer nas atitu-
(A) Dentre as três acepções de Ética que se menciona no texto, uma des tomadas pelo homem moral.
apenas diz respeito à uma área em que conflui com o Direito.
(B) O balizamento da conduta humana é uma atividade em que, cada um 45. O autor do texto refere-se aos Estados confessionais para exemplifi-

Língua Portuguesa 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
car uma sociedade na qual (B) revela uma perspectiva crítica diante da atitude de certos feirantes.
(A) normas morais não têm qualquer peso na conduta dos cidadãos. (C) demonstra não reconhecer qualquer proveito nesse tipo de coleta.
(B) hipócritas exercem rigoroso controle sobre a conduta de todos. (D) assume-se como um cronista a quem não cabe emitir julgamentos.
(C) a fé religiosa é decisiva para o respeito aos valores de uma moral (E) insinua sua indignação contra o lucro excessivo dos feirantes.
comum.
(D) a situação de barbárie impede a formulação de qualquer regra moral. 50. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um
(E) eventuais falhas de conduta são atribuídas à fraqueza das leis. segmento do texto em:
46. Na frase A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes, (A) serviu de chamariz respondeu ao chamado.
o sentido da expressão sublinhada está corretamente traduzido em: (B) alguma suspeita sardinha possivelmente uma sardinha.
(A) significativos desdobramentos dela. (C) teimoso aproveitamento = persistente utilização.
(B) determinados antecedentes dela. (D) o princípio mesmo do comércio = preâmbulo da operação comercial.
(C) reconhecidos fatores que a causam. (E) Agem para salvaguardar = relutam em admitir.
(D) consequentes aspectos que a relativizam.
(E) valores comuns que ela propicia. 51. Atente para as afirmações abaixo.
I. Os riscos do consumo de uma sardinha suspeita ou da ponta de um
47. Está correta a articulação entre os tempos e os modos verbais na cação que foi desprezada justificam o emprego de se aventuram, no
frase: primeiro parágrafo.
(A) Se o moralizador vier a respeitar o padrão moral que ele impusera, já II. O emprego de alegam, no segundo parágrafo, deixa entrever que o
não podia ser considerado um hipócrita. autor não compactua com a justificativa dos feirantes.
(B) Os moralizadores sempre haveriam de desrespeitar os valores III. No último parágrafo, o autor faz ver que o fim da feira traz a supera-
morais que eles imporão aos outros. ção de tudo o que determina a existência de diversas espécies de
(C) A pior barbárie terá sido aquela em que o rigor dos hipócritas servis- seres humanos.
se de controle dos demais cidadãos. Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(D) Desde que haja a imposição forçada de um padrão moral, caracteri- (A) I.
zava-se um ato típico do moralizador. (B) II.
(E) Não é justo que os hipócritas sempre venham a impor padrões (C) III.
morais que eles próprios não respeitam. (D) I e II.
(E) II e III.
48. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na
frase: 52. Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre um recurso de cons-
(A) O moralizador está carregado de imperfeições de que ele não cos- trução do texto: no contexto do
tuma acusar em si mesmo. (A) primeiro parágrafo, a forma ou mesmo nada faz subentender a
(B) Um homem moral empenha-se numa conduta cujo o padrão moral expressão verbal querem pagar.
ele não costuma impingir na dos outros. (B) primeiro parágrafo, a expressão fregueses compradores faz suben-
(C) Os pecados aos quais insiste reincidir o moralizador são os mesmos tender a existência de “fregueses” que não compram nada.
em que ele acusa seus semelhantes. (C) segundo parágrafo, a expressão de qualquer modo está empregada
(D) Respeitar um padrão moral das ações é uma qualidade da qual não com o sentido de de toda maneira.
abrem mão os homens a quem não se pode acusar de hipócritas. (D) segundo parágrafo, a expressão para salvaguardar está empregada
(E) Quando um moralizador julga os outros segundo um padrão moral de com o sentido de a fim de resguardar.
cujo ele próprio não respeita, demonstra toda a hipocrisia em que é (E) terceiro parágrafo, a expressão não fosse tem sentido equivalente ao
capaz. de mesmo não sendo.

Atenção: As questões de números 49 a 54 referem-se ao texto abaixo. 53. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para
preencher de modo correto a lacuna da frase:
FIM DE FEIRA (A) Frutas e verduras, mesmo quando desprezadas, não ...... (deixar) de
Quando os feirantes já se dispõem a desarmar as barracas, começam as recolher quem não pode pagar pelas boas e bonitas.
a chegar os que querem pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou (B) ......-se (dever) aos ruidosos funcionários da limpeza pública a provi-
mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Chegam com suas sacolas cheias dência que fará esquecer que ali funcionou uma feira.
de esperança. Alguns não perdem tempo e passam a recolher o que está (C) Não ...... (aludir) aos feirantes mais generosos, que oferecem as
pelo chão: um mamãozinho amolecido, umas folhas de couve amarelas, a sobras de seus produtos, a observação do autor sobre o egoísmo
metade de um abacaxi, que serviu de chamariz para os fregueses compra- humano.
dores. Há uns que se aventuram até mesmo nas cercanias da barraca de (D) A pouca gente ...... (deixar) de sensibilizar os penosos detalhes da
pescados, onde pode haver alguma suspeita sardinha oculta entre jornais, coleta, a que o narrador deu ênfase em seu texto.
ou uma ponta de cação obviamente desprezada. (E) Não ...... (caber) aos leitores, por força do texto, criticar o lucro
Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pessoas: oferecem-lhes o razoável de alguns feirantes, mas sim, a inaceitável impiedade de ou-
que, de qualquer modo, eles iriam jogar fora. tros.
Mas outros parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refu-
gos, e chegam a recolhê-los para não os verem coletados. Agem para 54. A supressão da vírgula altera o sentido da seguinte frase:
salvaguardar não o lucro possível, mas o princípio mesmo do comércio. (A) Fica-se indignado com os feirantes, que não compreendem a carên-
Parecem temer que a fome seja debelada sem que alguém pague por isso. cia dos mais pobres.
E não admitem ser acusados de egoístas: somos comerciantes, não assis- (B) No texto, ocorre uma descrição o mais fiel possível da tradicional
tentes sociais, alegam. coleta de um fim de feira.
(C) A todo momento, dá-se o triste espetáculo de pobreza centralizado
Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão da limpeza e os fun- nessa narrativa.
cionários da prefeitura varrem e lavam tudo, entre risos e gritos. O trânsito é (D) Certamente, o leitor não deixará de observar a preocupação do autor
liberado, os carros atravancam a rua e, não fosse o persistente cheiro de em distinguir os diferentes caracteres humanos.
peixe, a ninguém ocorreria que ali houve uma feira, frequentada por tão (E) Em qualquer lugar onde ocorra uma feira, ocorrerá também a humil-
diversas espécies de seres humanos. (Joel Rubinato, inédito) de coleta de que trata a crônica.

49. Nas frases parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos RESPOSTAS


refugos e não admitem ser acusados de egoístas, o narrador do texto 01. A 11. C 21. A 31. E 41. B 51. D
(A) mostra-se imparcial diante de atitudes opostas dos feirantes. 02. B 12. A 22. E 32. B 42. A 52. E

Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
03. E 13. B 23. B 33. A 43. C 53. D - decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói
04. C 14. E 24. A 34. C 44. D 54. A - crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo
05. A 15. D 25. E 35. E 45. B
06. E 16. A 26. D 36. B 46. A TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
07. B 17. C 27. A 37. A 47. E Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam
08. A 18. D 28. C 38. C 48. D
09. D 19. E 29. B 39. D 49. B HIATO
10. B 20. B 30. D 40. E 50. C Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em du-
as diferentes emissões de voz.
FONÉTICA E FONOLOGIA Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-í-
zo
Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo- SÍLABA
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos. numa só emissão de voz.
Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe entre Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em:
si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA. • Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol.
• Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo.
Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e • Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta.
seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais • Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-ta-
fonemas. li-da-de.
No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 fo-
nemas. TONICIDADE
Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se
É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica.
sinal gráfico que representa o som. Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá,
pá.
Vejamos alguns exemplos:
Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i em:
Corre – letras: 5: fonemas: 4 • Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
Hora – letras: 4: fonemas: 3 mi-nó.
Aquela – letras: 6: fonemas: 5 • Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-
Guerra – letras: 6: fonemas: 4 ter, a-má-vel, qua-dro.
Fixo – letras: 4: fonemas: 5 • Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-do,
Hoje – 4 letras e 3 fonemas cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.
Canto – 5 letras e 4 fonemas
Tempo – 5 letras e 4 fonemas ENCONTROS CONSONANTAIS
Campo – 5 letras e 4 fonemas É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
Chuva – 5 letras e 4 fonemas Ex.: atleta, brado, creme, digno etc.
LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um DÍGRAFOS
determinado som. São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia com-
posta para um som simples.
CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Há os seguintes dígrafos:
VOGAIS 1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh.
Exs.: chave, malha, ninho.
a, e, i, o, u 2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
ss.
SEMIVOGAIS Exs. : carro, pássaro.
Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa 3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs.
mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra, te- Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir.
sou-ro, Pa-ra-guai. 4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer-
rando a sílaba em uma palavra.
CONSOANTES Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to.

b, c, d, f, g, h, j, l, m, n, p, q, r, s, t, v, x, z NOTAÇÕES LÉXICAS
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes
ENCONTROS VOCÁLICOS dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.
A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
encontro vocálico. São os seguintes:
Ex.: cooperativa 1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas;
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, ânco-
Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato ra;
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade;
DITONGO 4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã;
É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa. 5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude;
Dividem-se em: 6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho;
- orais: pai, fui o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno.
- nasais: mãe, bem, pão

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ORTOGRAFIA OFICIAL a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre-
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal-
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, cachim-
As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas bo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, mochi-
que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de la, piche, pichar, tchau.
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua. b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia se
Eis algumas observações úteis: distingue pelo contraste entre o x e o ch.
Exemplos:
DISTINÇÃO ENTRE J E G • brocha (pequeno prego)
1. Escrevem-se com J: • broxa (pincel para caiação de paredes)
a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajeste, • chá (planta para preparo de bebida)
canjerê, pajé, etc. • xá (título do antigo soberano do Irã)
b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije- • chalé (casa campestre de estilo suíço)
cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc. • xale (cobertura para os ombros)
c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei, • chácara (propriedade rural)
despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis. • xácara (narrativa popular em versos)
d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc. • cheque (ordem de pagamento)
e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais • xeque (jogada do xadrez)
mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija. • cocho (vasilha para alimentar animais)
• coxo (capenga, imperfeito)
2. Escrevem-se com G:
a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem, DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C
ferrugem, etc. Observe o quadro das correlações:
b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO: Correlações Exemplos
estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc. t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial
c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir. ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter
- detenção; reter - retenção
rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submer-
DISTINÇÃO ENTRE S E Z rt - rs são;
1. Escrevem-se com S: pel - puls inverter - inversão; divertir - diversão
a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc. corr - curs impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão
b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios sent - sens correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão
ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu- ced - cess sentir - senso, sensível, consenso
ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - inter-
guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
gred - gress cessão.
burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc. exceder - excessivo (exceto exceção)
c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc. prim - press agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão -
d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for tir - ssão progresso - progressivo
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exege- imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repres-
se análise, trombose, etc. são.
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa, admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão.
causa. (re)percutir - (re)percussão
f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical termina
em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso), etc. PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES
g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão; preten-
der: pretensão; repreender: repreensão, etc. ONDE-AONDE
Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento. Equi-
2. Escrevem-se em Z. vale sempre a PARA ONDE.
a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o AONDE você vai?
mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização, AONDE nos leva com tal rapidez?
organizado; realizar: realização, realizado, etc.
b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de “movimento” empre-
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc. ga-se ONDE
c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro, ONDE estão os livros?
chapeuzinho, cãozito, etc. Não sei ONDE te encontrar.

DISTINÇÃO ENTRE X E CH: MAU - MAL


1. Escrevem-se com X MAU é adjetivo (seu antônimo é bom).
a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote, Escolheu um MAU momento.
feixe, etc. Era um MAU aluno.
c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica, etc.
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de MAL pode ser:
árvore que produz o látex). a) advérbio de modo (antônimo de bem).
e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar, en- Ele se comportou MAL.
chapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são grafa- Seu argumento está MAL estruturado
das com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou seja, b) conjunção temporal (equivale a assim que).
pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchente, en- MAL chegou, saiu
cher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: en + c) substantivo:
radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; enchapelar: O MAL não tem remédio,
en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço). Ela foi atacada por um MAL incurável.

2. Escrevem-se com CH: CESÃO/SESSÃO/SECÇÃO/SEÇÃO


CESSÃO significa o ato de ceder.
Língua Portuguesa 13 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Ele fez a CESSÃO dos seus direitos autorais. Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.
A CESSÃO do terreno para a construção do estádio agradou a todos os
torcedores. Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos,
SESSÃO é o intervalo de tempo que dura uma reunião: nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval,
Assistimos a uma SESSÃO de cinema. ingleses, ave-maria, um havana, etc.
Reuniram-se em SESSÃO extraordinária. 2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando
empregados em sentido geral:
SECÇÃO (ou SEÇÃO) significa parte de um todo, subdivisão: São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
Lemos a noticia na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de esportes. 3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
Compramos os presentes na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de brinquedos. Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta:
HÁ / A "Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis)
Na indicação de tempo, emprega-se: "Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
HÁ para indicar tempo passado (equivale a faz): mirra." (Manuel Bandeira)
HÁ dois meses que ele não aparece.
Ele chegou da Europa HÁ um ano. USO DO HÍFEN
A para indicar tempo futuro:
Daqui A dois meses ele aparecerá. Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo.
Ela voltará daqui A um ano. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos,
para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das
FORMAS VARIANTES regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim
Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos.
aluguel ou aluguer hem? ou hein? As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras for-
alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia madas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos,
amídala ou amígdala infarto ou enfarte como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra,
assobiar ou assoviar laje ou lajem eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro,
assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre,
azaléa ou azaleia nenê ou nenen sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.
bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
bílis ou bile quatorze ou catorze 1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por
cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar h.
carroçaria ou carroceria taramela ou tramela Exemplos:
chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear anti-higiênico
debulhar ou desbulhar ou relampar anti-histórico
fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem co-herdeiro
macro-história
mini-hotel
EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS proto-história
sobre-humano
Escrevem-se com letra inicial maiúscula: super-homem
1) a primeira palavra de período ou citação. ultra-humano
Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua." Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).
No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
letra maiúscula. 2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da
2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes vogal com que se inicia o segundo elemento.
sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil, Exemplos:
Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via- aeroespacial
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc. agroindustrial
O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno. anteontem
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas antiaéreo
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência antieducativo
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc. autoaprendizagem
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República, autoescola
etc. autoestrada
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação, autoinstrução
Estado, Pátria, União, República, etc. coautor
6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, coedição
órgãos públicos, etc.: extraescolar
Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco infraestrutura
do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc. plurianual
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e semiaberto
científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os semianalfabeto
Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da semiesférico
Manhã, Manchete, etc. semiopaco
8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento,
Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc. mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar,
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
Oriente, o falar do Norte.
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. 3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:

Língua Portuguesa 14 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
anteprojeto niciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
antipedagógico
autopeça 7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o se-
autoproteção gundo elemento começar por vogal. Exemplos:
coprodução hiperacidez
geopolítica hiperativo
microcomputador interescolar
pseudoprofessor interestadual
semicírculo interestelar
semideus interestudantil
seminovo superamigo
ultramoderno superaquecimento
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice- supereconômico
rei, vice-almirante etc. superexigente
superinteressante
4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo superotimismo
elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exem-
plos: 8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se
antirrábico sempre o hífen. Exemplos:
antirracismo além-mar
antirreligioso além-túmulo
antirrugas aquém-mar
antissocial ex-aluno
biorritmo ex-diretor
contrarregra ex-hospedeiro
contrassenso ex-prefeito
cosseno ex-presidente
infrassom pós-graduação
microssistema pré-história
minissaia pré-vestibular
multissecular pró-europeu
neorrealismo recém-casado
neossimbolista recém-nascido
semirreta sem-terra
ultrarresistente.
ultrassom 9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu,
guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
5. Quando o prefi xo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo e-
lemento começar pela mesma vogal. 10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasio-
Exemplos: nalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas enca-
anti-ibérico deamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
anti-imperialista
anti-infl acionário 11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a no-
anti-infl amatório ção de composição. Exemplos:
auto-observação girassol
contra-almirante madressilva
contra-atacar mandachuva
contra-ataque paraquedas
micro-ondas paraquedista
micro-ônibus pontapé
semi-internato
semi-interno 12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra
ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na
6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segun- linha seguinte. Exemplos:
do elemento começar pela mesma consoante. Na cidade, conta-se que ele foi viajar.
Exemplos: O diretor recebeu os ex-alunos.
hiper-requintado
inter-racial ACENTUAÇÃO GRÁFICA
inter-regional
sub-bibliotecário
super-racista ORTOGRAFIA OFICIAL
super-reacionário Por Paula Perin dos Santos
super-resistente
super-romântico O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas da
Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário
Atenção: internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâmetros:
• Nos demais casos não se usa o hífen. 2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação completa
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, super- dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigência obrigató-
proteção. ria em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo Acordo
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra inici- Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países que
ada por r: sub-região, sub-raça etc. falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que teve
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra i- sua implementação.

Língua Portuguesa 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que 2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e que
• L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos
subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática. • N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio de • R – câncer, caráter, néctar, repórter.
Leis ou Acordos. • X – tórax, látex, ônix, fênix.
• PS – fórceps, Quéops, bíceps.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de- • Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui • ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra, o • I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou, na • ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra.
• UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
• US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira
descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em diante
a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil. Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescen-
tes (semivogal+vogal):
Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.
Alfabeto
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo 3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhuma Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisân-
novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e temo, público, pároco, proparoxítona.
palavras importadas do idioma inglês, como:
km – quilômetro, QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS
kg – quilograma
Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros. 4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
Trema
Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita muito • Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bündchen não vai
deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste caso, IMPORTANTE
o “ü” lê-se “i”) Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”,
se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA
Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos
de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente.
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou
Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a
não de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas de “LO(s)” ou
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
“LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas em ditongos
abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
5. Trema
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai
Ex. permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira,
como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”)
Chá Mês nós
6. Acento Diferencial
Gás Sapé cipó
Dará Café avós O acento diferencial permanece nas palavras:
Pará Vocês compôs pôde (passado), pode (presente)
vatapá pontapés só pôr (verbo), por (preposição)
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do
Aliás português robô verbo está no singular ou plural:
dá-lo vê-lo avó
recuperá-los Conhecê-los pô-los SINGULAR PLURAL
guardá-la Fé compô-los Ele tem Eles têm
réis (moeda) Véu dói Ele vem Eles vêm
méis céu mói
pastéis Chapéus anzóis Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como:
ninguém parabéns Jerusalém conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.

DIVISÃO SILÁBICA
Resumindo:

Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU, GU.
seja um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí- 1- chave: cha-ve
lo” são acentuadas porque as semivogais “i” e “u” estão tônicas nestas aquele: a-que-le
palavras. palha: pa-lha
manhã: ma-nhã
guizo: gui-zo
Língua Portuguesa 16 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam
a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R PONTO DE INTERROGAÇÃO
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço É usado para indicar pergunta direta.
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar Onde está seu irmão?
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma
globo: glo-bo fraco: fra-co Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do A mim ?! Que ideia!
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so
prato: pra-to
PONTO DE EXCLAMAÇÃO
Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
3- correr: cor-rer desçam: des-çam Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to Ó jovens! Lutemos!
fascinar: fas-ci-nar
VÍRGULA
Não se separam as letras que representam um ditongo. A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro sa na fala. Emprega-se a vírgula:
cárie: cá-rie • Nas datas e nos endereços:
São Paulo, 17 de setembro de 1989.
Separam-se as letras que representam um hiato. Largo do Paissandu, 128.
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el • No vocativo e no aposto:
rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o Meninos, prestem atenção!
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
Não se separam as letras que representam um tritongo. • Nos termos independentes entre si:
6- Paraguai: Pa-ra-guai O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
saguão: sa-guão • Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
caso é usado o duplo emprego da vírgula:
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
que a antecede. droeira.
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias • Após alguns adjuntos adverbiais:
técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter No dia seguinte, viajamos para o litoral.
absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz • Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego
da vírgula:
Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à sílaba Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
que a segue • Após a primeira parte de um provérbio.
8- pneumático: pneu-má-ti-co O que os olhos não vêem, o coração não sente.
gnomo: gno-mo • Em alguns casos de termos oclusos:
psicologia: psi-co-lo-gia Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.

No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,


RETICÊNCIAS
mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
sílabas separadas.
Não me disseste que era teu pai que ...
9- sublingual: sub-lin-gual
• Para realçar uma palavra ou expressão.
sublinhar: sub-li-nhar
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...
sublocar: sub-lo-car
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...
Preste atenção nas seguintes palavras:
trei-no so-cie-da-de
gai-o-la ba-lei-a PONTO E VÍRGULA
des-mai-a-do im-bui-a • Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
ra-diou-vin-te ca-o-lho alguma simetria entre si.
te-a-tro co-e-lho "Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe-
du-e-lo ví-a-mos cido, guardando consigo a ponta farpada. "
a-mné-sia gno-mo • Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
co-lhei-ta quei-jo interior.
pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
dig-no e-nig-ma calmo, resolveu o problema sozinho.
e-clip-se Is-ra-el
mag-nó-lia DOIS PONTOS
• Enunciar a fala dos personagens:
SINAIS DE PONTUAÇÃO Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
• Para indicar uma citação alheia:
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
pausas da linguagem oral. que".
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
PONTO or:
O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla- Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos • Enumeração após os apostos:
comuns ele é chamado de simples. Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).

Língua Portuguesa 17 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
TRAVESSÃO CRASE
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar Crase é a fusão da preposição A com outro A.
palavras ou frases Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
– "Quais são os símbolos da pátria?
– Que pátria? EMPREGO DA CRASE
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos). • em locuções adverbiais:
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra à vezes, às pressas, à toa...
vez. • em locuções prepositivas:
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma em frente à, à procura de...
coisa". (M. Palmério). • em locuções conjuntivas:
• Usa-se para separar orações do tipo: à medida que, à proporção que...
– Avante!- Gritou o general. • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. as
Fui ontem àquele restaurante.
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
uma cadeia de frase: Refiro-me àquilo e não a isto.
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói.
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre. A CRASE É FACULTATIVA
• diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
ASPAS • diante de substantivos próprios femininos:
São usadas para: Dei o livro à(a) Sônia.
• Indicar citações textuais de outra autoria.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: • Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo
Há quem goste de “jazz-band”. A:
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. Viajaremos à Colômbia.
• Para enfatizar palavras ou expressões: (Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite. • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc. Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro. neza, etc.
• Em casos de ironia: Viajaremos a Curitiba.
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente. (Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão. • Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
modifique.
Ela se referiu à saudosa Lisboa.
PARÊNTESES Vou à Curitiba dos meus sonhos.
Empregamos os parênteses: • Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida:
• Nas indicações bibliográficas. Às 8 e 15 o despertador soou.
"Sede assim qualquer coisa. • Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo-
serena, isenta, fiel". da” ou "maneira":
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas"). Aos domingos, trajava-se à inglesa.
• Nas indicações cênicas dos textos teatrais: Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo.
"Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos • Antes da palavra casa, se estiver determinada:
fora das órbitas. Amália se volta)". Referia-se à Casa Gebara.
(G. Figueiredo) • Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar.
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória: Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa).
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de • Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo.
fome." Voltou à terra onde nascera.
(C. Lispector) Chegamos à terra dos nossos ancestrais.
• Para isolar orações intercaladas: Mas:
"Estou certo que eu (se lhe ponho Os marinheiros vieram a terra.
Minha mão na testa alçada) O comandante desceu a terra.
Sou eu para ela." • Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o
(M. Bandeira) artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
Vou até a (á ) chácara.
COLCHETES [ ] Cheguei até a(à) muralha
Os colchetes são muito empregados na linguagem científica. • A QUE - À QUE
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino
ocorrerá crase:
ASTERISCO Houve um palpite anterior ao que você deu.
O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para Houve uma sugestão anterior à que você deu.
alguma nota (observação). Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não
ocorrerá crase.
BARRA Não gostei do filme a que você se referia.
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas Não gostei da peça a que você se referia.
abreviaturas. O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do
de:
Meu palpite é igual ao de todos
Minha opinião é igual à de todos.

Língua Portuguesa 18 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
NÃO OCORRE CRASE possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica,
ou seja, os homônimos:
• antes de nomes masculinos:
Andei a pé. As homônimas podem ser:
Andamos a cavalo.
• antes de verbos:  Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
Ela começa a chorar. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente
Cheguei a escrever um poema. indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa
• em expressões formadas por palavras repetidas: singular presente indicativo do verbo consertar);
Estamos cara a cara.  Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona: Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza. (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
Escrevi a Vossa Excelência.
Dirigiu-se gentilmente à senhora.  Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos:
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo
Não falo a pessoas estranhas. (verbo) - cedo (advérbio);
Jamais vamos a festas.
 Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais
palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na
SINÔNIMOS, ANTÔNIMOS E PARÔNIMOS. SENTIDO PRÓPRIO pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -
E FIGURADO DAS PALAVRAS. cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura
(atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar
(diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas
de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido
Semântica (desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir
(soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar,
assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição /
onicolor - unicolor.
 Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de
apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na
empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
 Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e
origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) -
São (santo)
Conotação e Denotação:
 Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do
original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.
Semântica (do grego σηµαντικός, sēmantiká, plural neutro
de sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide  Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original.
sobre a relação entre significantes, tais Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.
como palavras, frases, sinais e símbolos, e o que eles representam, a Sinônimo
sua denotação.
A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico
para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e cachorro.
incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se evitem
e semiótica. repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que se tornem
enfadonhos.
A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça Eufemismo
sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto,
é expresso(por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem
de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica conhecida como eufemismo).
formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica Exemplos:
cognitiva, fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes. • gordo - obeso
Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em • morrer - falecer
consideração:
Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos
Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos.
que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Sinônimos Perfeitos
Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado, Se o significado é idêntico.
remoto. Exemplos:
Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais • avaro – avarento,
que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos: • léxico – vocabulário,
Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim. • falecer – morrer,
• escarradeira – cuspideira,

Língua Portuguesa 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• língua – idioma Homófonas heterográficas
• catorze - quatorze Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), mas
heterográficas (diferentes na escrita).
Sinônimos Imperfeitos Exemplos
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos. cozer / coser;
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso cozido / cosido;
censo / senso
Antônimo consertar / concertar
Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário conselho / concelho
(também oposto ou inverso) à outra. paço / passo
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso noz / nós
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou que hera / era
chame atenção do leitor ou do ouvinte. ouve / houve
voz / vós
Palavra Antônimo
cem / sem
aberto fechado acento / assento
alto baixo Homófonas homográficas
bem mal Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e
homográficas (iguais na escrita).
bom mau Exemplos
bonito feio Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso,
demais de menos janta é inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que
deriva do substantivo jantar, e está classificado como
doce salgado
neologismo.
forte fraco Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi bonito
gordo magro (substantivo).
salgado insosso
Parônimo
amor ódio Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma
seco molhado semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas
grosso fino palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados
diferentes.
duro mole O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a
doce amargo pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas
grande pequeno são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida.
Exemplos
soberba humildade
Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
louvar censurar acender. verbo - ascender. subir
bendizer maldizer acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se
ativo inativo cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa
comprimento. extensão - cumprimento. saudação
simpático antipático coro (cantores) - couro (pele de animal)
progredir regredir deferimento. concessão - diferimento. adiamento
rápido lento delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender
descrição. representação - discrição. reserva
sair entrar
descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
sozinho acompanhado despensa. compartimento - dispensa. desobriga
concórdia discórdia destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato)
pesado leve emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência
quente frio emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar
presente ausente enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar
escuro claro enformar. meter em fôrma - informar. avisar
entender. compreender - intender. exercer vigilância
inveja admiração
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para
Homógrafo morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro
Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes na peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo
pronúncia. recrear. divertir - recriar. criar de novo
Exemplos se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo
• rego (subst.) e rego (verbo); vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa
• colher (verbo) e colher (subst.); venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho
• jogo (subst.) e jogo (verbo); vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular
• Sede: lugar e Sede: avidez;
DENOTAÇAO E CONOTAÇAO
• Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.
Homófono
A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a
Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original.
tipos de palavras homófonas, que são:
• Homófonas heterográficas A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se
• Homófonas homográficas no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
interpretações.

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
sempre ser usadas com critério, evitando-se aquelas que podem ser substi-
Observe os exemplos tuídas por vocábulos já de uso consolidado sem prejuízo do sentido que se
Denotação lhes quer dar.
As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro.
De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto purismo, a
Conotação linguagem das comunicações oficiais fique imune às criações vocabulares
As estrelas do cinema. ou a empréstimos de outras línguas. A rapidez do desenvolvimento tecno-
O jardim vestiu-se de flores lógico, por exemplo, impõe a criação de inúmeros novos conceitos e ter-
O fogo da paixão mos, ditando de certa forma a velocidade com que a língua deve incorporá-
los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente, buscar o
SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO equivalente português quando houver, ou conformar a palavra estrangeira
ao espírito da língua portuguesa.
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
figurado: O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou empregados em
Construí um muro de pedra - sentido próprio contextos em que não cabem, é em geral causado ou pelo desconhecimen-
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado. to da riqueza vocabular de nossa língua, ou pela incorporação acrítica do
A água pingava lentamente – sentido próprio. estrangeirismo.

SEMÂNTICA Homônimos e Parônimos


(do grego semantiké, i. é, téchne semantiké ‘arte da significação’) Muitas vezes temos dúvidas no uso de vocábulos distintos provocadas
pela semelhança ou mesmo pela igualdade de pronúncia ou de grafia entre
A semântica estudo o sentido das palavras, expressões, frases e uni- eles. É o caso dos fenômenos designados como homonímia e paronímia.
dades maiores da comunicação verbal, os significados que lhe são atribuí-
dos. Ao considerarmos o significado de determinada palavra, levamos em A homonímia é a designação geral para os casos em que palavras de
conta sua história, sua estrutura (radical, prefixos, sufixos que participam da sentidos diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a
sua forma) e, por fim, do contexto em que se apresenta. mesma pronúncia (os homônimos homófonos).

Quando analisamos o sentido das palavras na redação oficial, ressal- Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos exem-
tam como fundamentais a história da palavra e, obviamente, os contextos plos: quarto (aposento) e quarto (ordinal), manga (fruta) e manga (de cami-
em que elas ocorrem. sa), em que temos pronúncia idêntica; e apelo (pedido) e apelo (com e
aberto, 1a pess. do sing do pres. do ind. do verbo apelar), consolo (alívio) e
A história da palavra, em sentido amplo, vem a ser a respectiva origem consolo (com o aberto, 1a pess. do sing. do pres. do ind. do verbo conso-
e as alterações sofridas no correr do tempo, ou seja, a maneira como lar), com pronúncia diferente.
evoluiu desde um sentido original para um sentido mais abrangente ou mais
específico. Em sentido restrito, diz respeito à tradição no uso de determina- Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto em
do vocábulo ou expressão. que são empregados. Não há dúvida, por exemplo, quanto ao emprego da
palavra são nos três sentidos: a) verbo ser, 3a pess. do pl. do pres., b)
São esses dois aspectos que devem ser considerados na escolha des- saudável e c) santo.
te ou daquele vocábulo.
Palavras de grafia diferente e de pronúncia igual (homófonos) geram
Sendo a clareza um dos requisitos fundamentais de todo texto oficial, dúvidas ortográficas. Caso, por exemplo, de acento/assento, coser/cozer,
deve-se atentar para a tradição no emprego de determinada expressão com dos prefixos ante-/anti-, etc. Aqui o contexto não é suficiente para resolver o
determinado sentido. O emprego de expressões ditas "de uso consagrado" problema, pois sabemos o sentido, a dúvida é de letra(s). sempre que
confere uniformidade e transparência ao sentido do texto. Mas isto não quer houver incerteza, consulte a lista adiante, algum dicionário ou manual de
dizer que os textos oficiais devam limitar-se à repetição de chavões e ortografia.
clichês.
Já o termo paronímia designa o fenômeno que ocorre com palavras
Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utiliza- semelhantes (mas não idênticas) quanto à grafia ou à pronúncia. É fonte de
das. Certifique-se de que não há repetições desnecessárias ou redundân- muitas dúvidas, como entre descrição (‘ato de descrever’) e discrição
cias. Procure sinônimos ou termos mais precisos para as palavras repeti- (‘qualidade do que é discreto’), retificar (‘corrigir’) e ratificar (confirmar).
das; mas se sua substituição for comprometer o sentido do texto, tornando-
o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto como está. Como não interessa aqui aprofundar a discussão teórica da matéria,
restringimo-nos a uma lista de palavras que costumam suscitar dúvidas de
É importante lembrar que o idioma está em constante mutação. A pró- grafia ou sentido. Procuramos incluir palavras que com mais frequência
pria evolução dos costumes, das ideias, das ciências, da política, enfim da provocam dúvidas na elaboração de textos oficiais, com o cuidado de
vida social em geral, impõe a criação de novas palavras e formas de dizer. agregá-las em pares ou pequenos grupos formais.
Na definição de Serafim da Silva Neto, a língua: • Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada: O júri absolveu o
"(...) é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não é, réu.
assim, independente da vontade do homem, porque o homem não é uma • Absorver: embeber em si, esgotar: O solo absorveu lentamente a
folha seca ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade desconhecida água da chuva.
e cega. Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória, de acordo com • Acender: atear (fogo), inflamar.
leis determinadas, porque as línguas seguem o destino dos que as falam, • Ascender: subir, elevar-se.
são o que delas fazem as sociedades que as empregam." • Acento: sinal gráfico; inflexão vocal: Vocábulo sem acento.
• Assento: banco, cadeira: Tomar assento num cargo.
Assim, continuamente, novas palavras são criadas (os neologismos) • Acerca de: sobre, a respeito de: No discurso, o Presidente falou
como produto da dinâmica social, e incorporados ao idioma inúmeros acerca de seus planos.
vocábulos de origem estrangeira (os estrangeirismos), que vêm para desig- • A cerca de: a uma distância aproximada de: O anexo fica a cerca
nar ou exprimir realidades não contempladas no repertório anterior da de trinta metros do prédio principal. Estamos a cerca de um mês
língua portuguesa. ou (ano) das eleições.
• Há cerca de: faz aproximadamente (tanto tempo): Há cerca de um
A redação oficial não pode alhear-se dessas transformações, nem in- ano, tratamos de caso idêntico; existem aproximadamente: Há cer-
corporá-las acriticamente. Quanto às novidades vocabulares, elas devem ca de mil títulos no catálogo.
Língua Portuguesa 21 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Acidente: acontecimento casual; desastre: A derrota foi um aci- invocou a ajuda de Deus.
dente na sua vida profissional. O súbito temporal provocou terrível • Caçar: perseguir, procurar, apanhar (geralmente animais).
acidente no parque. • Cassar: tornar nulo ou sem efeito, suspender, invalidar.
• Incidente: episódio; que incide, que ocorre: O incidente da demis- • Carear: atrair, ganhar, granjear.
são já foi superado. • Cariar: criar cárie.
• Adotar: escolher, preferir; assumir; pôr em prática. • Carrear: conduzir em carro, carregar.
• Dotar: dar em doação, beneficiar. • Casual: fortuito, aleatório, ocasional.
• Afim: que apresenta afinidade, semelhança, relação (de parentes- • Causal: causativo, relativo a causa.
co): Se o assunto era afim, por que não foi tratado no mesmo pa- • Cavaleiro: que anda a cavalo, cavalariano.
rágrafo? • Cavalheiro: indivíduo distinto, gentil, nobre.
• A fim de: para, com a finalidade de, com o fito de: O projeto foi en- • Censo: alistamento, recenseamento, contagem.
caminhado com quinze dias de antecedência a fim de permitir a • Senso: entendimento, juízo, tino.
necessária reflexão sobre sua pertinência. • Cerrar: fechar, encerrar, unir, juntar.
• Alto: de grande extensão vertical; elevado, grande. • Serrar: cortar com serra, separar, dividir.
• Auto: ato público, registro escrito de um ato, peça processual. • Cessão: ato de ceder: A cessão do local pelo município tornou
• Aleatório: casual, fortuito, acidental. possível a realização da obra.
• Alheatório: que alheia, alienante, que desvia ou perturba. • Seção: setor, subdivisão de um todo, repartição, divisão: Em qual
• Amoral: desprovido de moral, sem senso de moral. seção do ministério ele trabalha?
• Imoral: contrário à moral, aos bons costumes, devasso, indecente. • Sessão: espaço de tempo que dura uma reunião, um congresso;
• Ante (preposição): diante de, perante: Ante tal situação, não teve reunião; espaço de tempo durante o qual se realiza uma tarefa: A
alternativa. próxima sessão legislativa será iniciada em 1o de agosto.
• Ante- (prefixo): expressa anterioridade: antepor, antever, antepro- • Chá: planta, infusão.
jeto ante-diluviano. • Xá: antigo soberano persa.
• Anti- (prefixo): expressa contrariedade; contra: anticientífico, anti- • Cheque: ordem de pagamento à vista.
biótico, anti-higiênico, anti-Marx. • Xeque: dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo (pôr em xe-
• Ao encontro de: para junto de; favorável a: Foi ao encontro dos que).
colegas. O projeto salarial veio ao encontro dos anseios dos traba- • Círio: vela de cera.
lhadores. • Sírio: da Síria.
• De encontro a: contra; em prejuízo de: O carro foi de encontro a • Cível: relativo à jurisdição dos tribunais civis.
um muro. O governo não apoiou a medida, pois vinha de encontro • Civil: relativo ao cidadão; cortês, polido (daí civilidade); não militar
aos interesses dos menores. nem, eclesiástico.
• Ao invés de: ao contrário de: Ao invés de demitir dez funcionários, • Colidir: trombar, chocar; contrariar: A nova proposta colide fron-
a empresa contratou mais vinte. (Inaceitável o cruzamento *ao em talmente com o entendimento havido.
vez de.)
• Coligir: colecionar, reunir, juntar: As leis foram coligidas pelo Mi-
• Em vez de: em lugar de: Em vez de demitir dez funcionário, a em- nistério da Justiça.
presa demitiu vinte.
• Comprimento: medida, tamanho, extensão, altura.
• A par: informado, ao corrente, ciente: O Ministro está a par (var.:
• Cumprimento: ato de cumprir, execução completa; saudação.
ao par) do assunto; ao lado, junto; além de.
• Concelho: circunscrição administrativa ou município (em Portu-
• Ao par: de acordo com a convenção legal: Fez a troca de mil dóla-
gal).
res ao par.
• Conselho: aviso, parecer, órgão colegiado.
• Aparte: interrupção, comentário à margem: O deputado concedeu
• Concerto: acerto, combinação, composição, harmonização (cp.
ao colega um aparte em seu pronunciamento.
concertar): O concerto das nações... O concerto de Guarnieri...
• À parte: em separado, isoladamente, de lado: O anexo ao projeto
• Conserto: reparo, remendo, restauração (cp. consertar): Certos
foi encaminhado por expediente à parte.
problemas crônicos aparentemente não têm conserto.
• Apreçar: avaliar, pôr preço: O perito apreçou irrisoriamente o imó-
• Conje(c)tura: suspeita, hipótese, opinião.
vel.
• Conjuntura: acontecimento, situação, ocasião, circunstância.
• Apressar: dar pressa a, acelerar: Se o andamento das obras não
for apressado, não será cumprido o cronograma. • Contravenção: transgressão ou infração a normas estabelecidas.
• Área: superfície delimitada, região. • Contraversão: versão contrária, inversão.
• Ária: canto, melodia. • Coser: costurar, ligar, unir.
• Aresto: acórdão, caso jurídico julgado: Neste caso, o aresto é irre- • Cozer: cozinhar, preparar.
corrível. • Costear: navegar junto à costa, contornar. A fragata costeou inú-
• Arresto: apreensão judicial, embargo: Os bens do traficante preso meras praias do litoral baiano antes de partir para alto-mar.
foram todos arrestados. • Custear: pagar o custo de, prover, subsidiar. Qual a empresa dis-
• Arrochar: apertar com arrocho, apertar muito. posta a custear tal projeto?
• Arroxar: ou arroxear, roxear: tornar roxo. • Custar: valer, necessitar, ser penoso. Quanto custa o projeto?
Custa-me crer que funcionará.
• Ás: exímio em sua atividade; carta do baralho.
• Deferir: consentir, atender, despachar favoravelmente, conceder.
• Az (p. us.): esquadrão, ala do exército.
• Diferir: ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar.
• Atuar: agir, pôr em ação; pressionar.
• Degradar: deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar.
• Autuar: lavrar um auto; processar.
• Degredar: impor pena de degredo, desterrar, banir.
• Auferir: obter, receber: Auferir lucros, vantagens.
• Delatar (delação): denunciar, revelar crime ou delito, acusar: Os
• Aferir: avaliar, cotejar, medir, conferir: Aferir valores, resultados.
traficantes foram delatados por membro de quadrilha rival.
• Augurar: prognosticar, prever, auspiciar: O Presidente augurou
• Dilatar (dilação): alargar, estender; adiar, diferir: A dilação do pra-
sucesso ao seu par americano.
zo de entrega das declarações depende de decisão do Diretor da
• Agourar: pressagiar, predizer (geralmente no mau sentido): Os
Receita Federal.
técnicos agouram desastre na colheita.
• Derrogar: revogar parcialmente (uma lei), anular.
• Avocar: atribuir-se, chamar: Avocou a si competências de outrem.
• Derrocar: destruir, arrasar, desmoronar.
• Evocar: lembrar, invocar: Evocou no discurso o começo de sua
• Descrição: ato de descrever, representação, definição.
carreira.
• Discrição: discernimento, reserva, prudência, recato.
• Invocar: pedir (a ajuda de); chamar; proferir: Ao final do discurso,

Língua Portuguesa 22 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Descriminar: absolver de crime, tirar a culpa de. • Incerto: não certo, indeterminado, duvidoso, variável.
• Discriminar: diferençar, separar, discernir. • Inserto: introduzido, incluído, inserido.
• Despensa: local em que se guardam mantimentos, depósito de • Incipiente: iniciante, principiante.
provisões. • Insipiente: ignorante, insensato.
• Dispensa: licença ou permissão para deixar de fazer algo a que se • Incontinente: imoderado, que não se contém, descontrolado.
estava obrigado; demissão. • Incontinenti: imediatamente, sem demora, logo, sem interrupção.
• Despercebido: que não se notou, para o que não se atentou: A- • Induzir: causar, sugerir, aconselhar, levar a: O réu declarou que
pesar de sua importância, o projeto passou despercebido. havia sido induzido a cometer o delito.
• Desapercebido: desprevenido, desacautelado: Embarcou para a • Aduzir: expor, apresentar: A defesa, então, aduziu novas provas.
missão na Amazônia totalmente desapercebido dos desafios que • Inflação: ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de moeda,
lhe aguardavam. aumento persistente de preços.
• Dessecar: secar bem, enxugar, tornar seco. • Infração: ato ou efeito de infringir ou violar uma norma.
• Dissecar: analisar minuciosamente, dividir anatomicamente. • Infligir: cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão, derrota): O ju-
• Destratar: insultar, maltratar com palavras. iz infligiu pesada pena ao réu.
• Distratar: desfazer um trato, anular. • Infringir: transgredir, violar, desrespeitar (lei, regulamento, etc.)
• Distensão: ato ou efeito de distender, torção violenta dos ligamen- (cp. infração): A condenação decorreu de ter ele infringido um sem
tos de uma articulação. número de artigos do Código Penal.
• Distinção: elegância, nobreza, boa educação: Todos devem por- • Inquerir: apertar (a carga de animais), encilhar.
tar-se com distinção. • Inquirir: procurar informações sobre, indagar, investigar, interro-
• Dissensão: desavença, diferença de opiniões ou interesses: A gar.
dissensão sobre a matéria impossibilitou o acordo. • Intercessão: ato de interceder.
• Elidir: suprimir, eliminar. • Interse(c)ção: ação de se(c)cionar, cortar; ponto em que se en-
• Ilidir: contestar, refutar, desmentir. contram duas linhas ou superfícies.
• Emenda: correção de falta ou defeito, regeneração, remendo: ao • Inter- (prefixo): entre; preposição latina usada em locuções: inter
torná-lo mais claro e objetivo, a emenda melhorou o projeto. alia (entre outros), inter pares (entre iguais).
• Ementa: apontamento, súmula de decisão judicial ou do objeto de • Intra- (prefixo): interior, dentro de.
uma lei. Procuro uma lei cuja ementa é "dispõe sobre a proprieda- • Judicial: que tem origem no Poder Judiciário ou que perante ele
de industrial". se realiza.
• Emergir: vir à tona, manifestar-se. • Judiciário: relativo ao direito processual ou à organização da Jus-
• Imergir: mergulhar, afundar submergir), entrar. tiça.
• Emigrar: deixar o país para residir em outro. • Liberação: ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação.
• Imigrar: entrar em país estrangeiro para nele viver. • Libertação: ato de libertar ou libertar-se.
• Eminente (eminência): alto, elevado, sublime. • Lista: relação, catálogo; var. pop. de listra.
• Iminente (iminência): que está prestes a acontecer, pendente, • Listra: risca de cor diferente num tecido (var. pop. de lista).
próximo. • Locador: que dá de aluguel, senhorio, arrendador.
• Emitir (emissão): produzir, expedir, publicar. • Locatário: alugador, inquilino: O locador reajustou o aluguel sem a
• Imitir (imissão): fazer entrar, introduzir, investir. concordância do locatário.
• Empoçar: reter em poço ou poça, formar poça. • Lustre: brilho, glória, fama; abajur.
• Empossar: dar posse a, tomar posse, apoderar-se. • Lustro: quinquênio; polimento.
• Encrostar: criar crosta. • Magistrado: juiz, desembargador, ministro.
• Incrustar: cobrir de crosta, adornar, revestir, prender-se, arraigar- • Magistral: relativo a mestre (latim: magister); perfeito, completo;
se. exemplar.
• Entender: compreender, perceber, deduzir. • Mandado: garantia constitucional para proteger direito individual
• Intender: (p. us): exercer vigilância, superintender. líquido e certo; ato de mandar; ordem escrita expedida por autori-
• Enumerar: numerar, enunciar, narrar, arrolar. dade judicial ou administrativa: um mandado de segurança, man-
• Inúmero: inumerável, sem conta, sem número. dado de prisão.
• Espectador: aquele que assiste qualquer ato ou espetáculo, tes- • Mandato: autorização que alguém confere a outrem para praticar
temunha. atos em seu nome; procuração; delegação: o mandato de um de-
• Expectador: que tem expectativa, que espera. putado, senador, do Presidente.
• Esperto: inteligente, vivo, ativo. • Mandante: que manda; aquele que outorga um mandato.
• Experto: perito, especialista. • Mandatário: aquele que recebe um mandato, executor de manda-
• Espiar: espreitar, observar secretamente, olhar. to, representante, procurador.
• Expiar: cumprir pena, pagar, purgar. • Mandatório: obrigatório.
• Estada: ato de estar, permanência: Nossa estada em São Paulo • Obcecação: ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira.
foi muito agradável. • Obsessão: impertinência, perseguição, ideia fixa.
• Estadia: prazo para carga e descarga de navio ancorado em porto: • Ordinal: numeral que indica ordem ou série (primeiro, segundo,
O "Rio de Janeiro" foi autorizado a uma estadia de três dias. milésimo, etc.).
• Estância: lugar onde se está, morada, recinto. • Ordinário: comum, frequente, trivial, vulgar.
• Instância: solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição, juízo. • Original: com caráter próprio; inicial, primordial.
• Estrato: cada camada das rochas estratificadas. • Originário: que provém de, oriundo; inicial, primitivo.
• Extrato: coisa que se extraiu de outra; pagamento, resumo, cópia; • Paço: palácio real ou imperial; a corte.
perfume. • Passo: ato de avançar ou recuar um pé para andar; caminho, eta-
• Flagrante: ardente, acalorado; diz-se do ato que a pessoa é sur- pa.
preendida a praticar (flagrante delito). • Pleito: questão em juízo, demanda, litígio, discussão: O pleito por
• Fragrante: que tem fragrância ou perfume; cheiroso. mais escolas na região foi muito bem formulado.
• Florescente: que floresce, próspero, viçoso. • Preito: sujeição, respeito, homenagem: Os alunos renderam preito
• Fluorescente: que tem a propriedade da fluorescência. ao antigo reitor.
• Folhar: produzir folhas, ornar com folhagem, revestir lâminas. • Preceder: ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se.
• Folhear: percorrer as folhas de um livro, compulsar, consultar. • Proceder: originar-se, derivar, provir; levar a efeito, executar.

Língua Portuguesa 23 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Pós- (prefixo): posterior a, que sucede, atrás de, após: pós- • Tráfego: trânsito de veículos, percurso, transporte.
moderno, pós-operatório. • Tráfico: negócio ilícito, comércio, negociação.
• Pré- (prefixo): anterior a, que precede, à frente de, antes de: pré- • Trás: atrás, detrás, em seguida, após (cf. em locuções: de trás, por
modernista, pré-primário. trás).
• Pró (advérbio): em favor de, em defesa de. A maioria manifestou- • Traz: 3a pessoa do singular do presente do indicativo do verbo tra-
se contra, mas dei meu parecer pró. zer.
• Preeminente: que ocupa lugar elevado, nobre, distinto. • Vestiário: guarda-roupa; local em que se trocam roupas.
• Proeminente: alto, saliente, que se alteia acima do que o circunda. • Vestuário: as roupas que se vestem, traje.
• Preposição: ato de prepor, preferência; palavra invariável que liga • Vultoso: de grande vulto, volumoso.
constituintes da frase. • Vultuoso (p. us.): atacado de vultuosidade (congestão da face).
• Proposição: ato de propor, proposta; máxima, sentença; afirmati-
va, asserção. ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS.
• Presar: capturar, agarrar, apresar.
• Prezar: respeitar, estimar muito, acatar. As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários
• Prescrever: fixar limites, ordenar de modo explícito, determinar; fi- elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
car sem efeito, anular-se: O prazo para entrada do processo pres- palavras.
creveu há dois meses.
• Proscrever: abolir, extinguir, proibir, terminar; desterrar. O uso de Exs.:
várias substâncias psicotrópicas foi proscrito por recente portaria cinzeiro = cinza + eiro
do Ministro. endoidecer = en + doido + ecer
• Prever: ver antecipadamente, profetizar; calcular: A assessoria predizer = pre + dizer
previu acertadamente o desfecho do caso.
• Prover: providenciar, dotar, abastecer, nomear para cargo: O che- Os principais elementos móficos são :
fe do departamento de pessoal proveu os cargos vacantes.
• Provir: originar-se, proceder; resultar: A dúvida provém (Os erros RADICAL
provêm) da falta de leitura. É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
• Prolatar: proferir sentença, promulgar. Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
• Protelar: adiar, prorrogar. enterrar = en + terra + ar
• Ratificar: validar, confirmar, comprovar. pronome = pro + nome
• Retificar: corrigir, emendar, alterar: A diretoria ratificou a decisão
após o texto ter sido retificado em suas passagens ambíguas. PREFIXO
• Recrear: proporcionar recreio, divertir, alegrar. É o elemento mórfico que vem antes do radical.
• Recriar: criar de novo. Exs.: anti - herói in - feliz
• Reincidir: tornar a incidir, recair, repetir.
• Rescindir: dissolver, invalidar, romper, desfazer: Como ele reinci- SUFIXO
diu no erro, o contrato de trabalho foi rescindido. É o elemento mórfico que vem depois do radical.
• Remição: ato de remir, resgate, quitação. Exs.: med - onho cear – ense
• Remissão: ato de remitir, intermissão, intervalo; perdão, expiação.
• Repressão: ato de reprimir, contenção, impedimento, proibição.
• Repreensão: ato de repreender, enérgica admoestação, censura,
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
advertência.
• Ruço: grisalho, desbotado. As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a
• Russo: referente à Rússia, nascido naquele país; língua falada na língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Por isso alguns vocá-
Rússia. bulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neologis-
• Sanção: confirmação, aprovação; pena imposta pela lei ou por mos) e outros mudam de significado com o passar do tempo.
contrato para punir sua infração.
• Sansão: nome de personagem bíblico; certo tipo de guindaste. Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das pala-
• Sedento: que tem sede; sequioso (var. p. us.: sedente). vras encontramos a seguinte divisão:
• Cedente: que cede, que dá. • palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor)
• Sobrescritar: endereçar, destinar, dirigir.
• Subscritar: assinar, subscrever. • palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha)
• Sortir: variar, combinar, misturar.
• Surtir: causar, originar, produzir (efeito). • palavras simples - só possuem um radical (couve, flor)
• Subentender: perceber o que não estava claramente exposto; su- • palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor,
por. aguardente)
• Subintender: exercer função de subintendente, dirigir.
• Subtender: estender por baixo. Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conheci-
• Sustar: interromper, suspender; parar, interromper-se (sustar-se). mento dos seguintes processos de formação:
• Suster: sustentar, manter; fazer parar, deter. Composição - processo em que ocorre a junção de dois ou mais radi-
• Tacha: pequeno prego; mancha, defeito, pecha. cais. São dois tipos de composição.
• Taxa: espécie de tributo, tarifa.
• Tachar: censurar, qualificar, acoimar: tachar alguém (tachá-lo) de • justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol,
subversivo. sexta-feira);
• Taxar: fixar a taxa de; regular, regrar: taxar mercadorias.
• aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de e-
• Tapar: fechar, cobrir, abafar. lementos (pernalta, de perna + alta).
• Tampar: pôr tampa em.
• Tenção: intenção, plano (deriv.: tencionar); assunto, tema. Derivação - processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o a-
• Tensão: estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar); diferencial elé- créscimo de afixos. São cinco tipos de derivação.
trico.
• prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil);
Língua Portuguesa 24 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente); alto - altura
belo - beleza
• parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo
e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse processo é responsável FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva; a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
• regressiva: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma-se portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
substantivos abstratos por derivação regressiva de formas verbais (ajuda / b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
de ajudar); florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
• imprópria: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva tempo, sol.
("o jantar" - de verbo para substantivo, "é um judas" - de substantivo próprio d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
a comum). colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros
processos para formação de palavras, como: COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
• Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas de seres da mesma espécie.
por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo,
grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide, alco- Veja alguns coletivos que merecem destaque:
ômetro, árabe e grego / caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e latino alavão - de ovelhas leiteiras
/ sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego); alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
• Onomatopeia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zun- antologia - de trechos literários escolhidos
zum, miau); armada - de navios de guerra
armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
• Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua
arquipélago - de ilhas
compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.)
assembleia - de parlamentares, de membros de associações
• Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma se- atilho - de espigas de milho
quência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL). A partir de atlas - de cartas geográficas, de mapas
siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista) banca - de examinadores
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
• Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas pala- bando - de aves, de pessoal em geral
vras, ou para palavras que adquirem um novo significado. pciconcursos cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas
cáfila - de camelos
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO, cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PRE- cancioneiro - de poemas, de canções
POSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICAÇÃO E SENTIDO QUE caravana - de viajantes
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES ENTRE AS ORAÇÕES). cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
colmeia - de abelhas
SUBSTANTIVOS concílio - de bispos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no- congregação - de professores, de religiosos
me aos seres em geral. congresso - de parlamentares, de cientistas
conselho - de ministros
São, portanto, substantivos. consistório - de cardeais sob a presidência do papa
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra, constelação - de estrelas
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado. corja - de vadios
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba- elenco - de artistas
lho, corrida, tristeza beleza altura. enxame - de abelhas
enxoval - de roupas
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS esquadra - de navios de guerra
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie: esquadrilha - de aviões
rio, cidade, pais, menino, aluno falange - de soldados, de anjos
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento. farândola - de maltrapilhos
Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To- fato - de cabras
cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair. fauna - de animais de uma região
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro- feixe - de lenha, de raios luminosos
priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi- flora - de vegetais de uma região
que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con- frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta, girândola - de fogos de artifício
fada, bruxa, saci. horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só junta - de bois, médicos, de examinadores
existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo, júri - de jurados
pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão, legião - de anjos, de soldados, de demônios
portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres: malta - de desordeiros
trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza. manada - de bois, de elefantes
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje- matilha - de cães de caça
tivos ninhada - de pintos
trabalhar - trabalho nuvem - de gafanhotos, de fumaça
correr - corrida panapaná - de borboletas

Língua Portuguesa 25 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
pelotão - de soldados o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
penca - de bananas, de chaves o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
pinacoteca - de pinturas o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
plantel - de animais de raça, de atletas
quadrilha - de ladrões, de bandidos Plural dos Nomes Simples
ramalhete - de flores 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
réstia - de alhos, de cebolas casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
récua - de animais de carga 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
romanceiro - de poesias populares a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
resma - de papel corações; grandalhão, grandalhões.
revoada - de pássaros b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
súcia - de pessoas desonestas guardiães.
vara - de porcos c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
vocabulário - de palavras cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
grau. ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,


Gênero armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini- 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
fens (ou hífenes).
Podemos classificar os substantivos em: Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
para o masculino, outra para o feminino: mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
aluno/aluna homem/mulher Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
menino /menina carneiro/ovelha 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas fósseis; réptil, répteis.
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
padrinho/madrinha bode/cabra ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
cavaleiro/amazona pai/mãe 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
em: São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. os ônix.
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve- 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê- tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-
mea mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi-
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que tos.
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a Substantivos só usados no plural
estudante, este dentista.
afazeres anais
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
arredores belas-artes
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
cãs condolências
tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
confins exéquias
juge, a pessoa, a criatura.
férias fezes
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
núpcias óculos
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
olheiras pêsames
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)
AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:

Plural dos Nomes Compostos


São masculinos São femininos
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata 1. Somente o último elemento varia:
o teorema o ágape a análise a usucapião a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
o trema o caudal a cal a bacanal boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
o edema o champanha a cataplasma a líbido
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
o lança-perfume o formicida a comichão a hélice mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
o fibroma o guaraná a aguardente c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo
o estratagema o plasma
o proclama o clã
ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda-
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem-
pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
Mudança de Gênero com mudança de sentido
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
Veja alguns exemplos:
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite;
o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal) pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem-
o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora) rabo, burros-sem-rabo;

Língua Portuguesa 26 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade • Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos- mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada; ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
banana-maçã, bananas-maçã. • Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos- minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc. zinho, pequenito.

3. Ambos os elementos são flexionados: Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas- diferentes para designar o sexo:
compromissos. bode - cabra genro - nora
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- burro - besta padre - madre
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida, carneiro - ovelha padrasto - madrasta
caras-pálidas. cão - cadela padrinho - madrinha
cavalheiro - dama pai - mãe
São invariáveis: compadre - comadre veado - cerva
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi- frade - freira zangão - abelha
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo; frei – soror etc.
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem- ADJETIVOS
desocupa-o-copo;
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
perde-ganha, os perde-ganha. FLEXÃO DOS ADJETIVOS
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- Gênero
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
Adjetivos Compostos b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona. tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
americanos; cívico-militar, cívico-militares.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos melhante a dos substantivos.
amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur- Número
dos-mudos > surdas-mudas. a) Adjetivo simples
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho. Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
substantivos simples:
Graus do substantivo pessoa honesta pessoas honestas
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais regra fácil regras fáceis
podem ser: sintéticos ou analíticos. homem feliz homens felizes
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in-
variáveis:
Analítico blusa vinho blusas vinho
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama- camisa rosa camisas rosa
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande. b) Adjetivos compostos
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
Sintético mento varia, tanto em gênero quanto em número:
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. acordos sócio-político-econômico
acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica
Principais sufixos aumentativos causas sócio-político-econômicas
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, acordo luso-franco-brasileiro
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, acordo luso-franco-brasileiros
lente côncavo-convexa
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu- lentes côncavo-convexas
ça. camisa verde-clara
camisas verde-claras
Principais Sufixos Diminutivos sapato marrom-escuro
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO, sapatos marrom-escuros
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho, Observações:
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável:
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim, camisa verde-abacate camisas verde-abacate
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo, sapato marrom-café sapatos marrom-café
homúncula, apícula, velhusco. blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis:
blusa azul-marinho blusas azul-marinho
Observações: camisa azul-celeste camisas azul-celeste
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui- 3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc. variam:
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc. menino surdo-mudo meninos surdos-mudos
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe- menina surda-muda meninas surdas-mudas
tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
Língua Portuguesa 27 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
Graus do Adjetivo pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
pressas em dois graus: próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
- o comparativo público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
- o superlativo sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
Comparativo terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual, voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
- Comparativo de igualdade: Adjetivos Gentílicos e Pátrios
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. Argélia – argelino Bagdá - bagdali
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
- Comparativo de superioridade: Bóston - bostoniano Braga - bracarense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro. Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico. Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
- Comparativo de inferioridade: bucarestense Campos - campista
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Cairo - cairota Caracas - caraquenho
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi- Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo: Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
- Superlativo absoluto bricense Cuiabá - cuiabano
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser: Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
Esta cidade é poluidíssima. Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
Esta cidade é muito poluída. Egito - egípcio capixaba
- Superlativo relativo Equador - equatoriano Évora - eborense
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
outros seres: Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Este rio é o mais poluído de todos. Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Este rio é o menos poluído de todos. Gabão - gabonês Galiza - galego
Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico: Goiânia - goianense Granada - granadino
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade - Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc. Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti- Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc. Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara- João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais: La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO Macapá - macapaense Macau - macaense
ABSOLUTO Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
RELATIVO Madri - madrileno Manaus - manauense
bom melhor ótimo Marajó - marajoara Minho - minhoto
melhor Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
mau pior péssimo Montevidéu - montevideano Natal - natalense
pior Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
grande maior máximo Pequim - pequinês Pisa - pisano
maior Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
pequeno menor mínimo Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
menor Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
acre - acérrimo ágil - agílimo Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo Locuções Adjetivas
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo ser substituídas por um adjetivo correspondente.
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo PRONOMES
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre-
livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.
magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome
manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo substantivo.

Língua Portuguesa 28 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Ele chegou. (ele) Considera-se errado seu emprego como complemento:
• Convidei-o. (o) Convidaram ELE para a festa (errado)
Receberam NÓS com atenção (errado)
Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex- EU cheguei atrasado (certo)
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. ELE compareceu à festa (certo)
• Esta casa é antiga. (esta) 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
• Meu livro é antigo. (meu) pronomes retos:
Convidei ELE (errado)
Classificação dos Pronomes Chamaram NÓS (errado)
Há, em Português, seis espécies de pronomes: Convidei-o. (certo)
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas Chamaram-NOS. (certo)
de tratamento: 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; reto seu emprego como complemento:
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Informaram a ELE os reais motivos.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Emprestaram a NÓS os livros.
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou- Eles gostam muito de NÓS.
trem, nada, cada, algo. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- errado seu emprego como complemento:
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
curso: preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
1ª pessoa: quem fala, o emissor. MIM e TI:
Eu sai (eu) Ninguém irá sem EU. (errado)
Nós saímos (nós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-me (me) Ninguém irá sem MIM. (certo)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
Convidei-o (o) gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
Convidei-os (os) sujeito.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
Os pronomes pessoais são os seguintes: somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em
que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO Querida, gosto muito de SI. (errado)
singular 1ª eu me, mim, comigo Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
2ª tu te, ti, contigo Querida, gosto muito de você. (certo)
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe Preciso muito falar com você. (certo)
plural 1ª nós nós, conosco
2ª vós vós, convosco Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
PRONOMES DE TRATAMENTO Cada um faça por si mesmo a redação
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- O professor trouxe as provas consigo
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
PRONOME ABREV. EMPREGO Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V .Ema cardeais 7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com-
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa
binações possíveis são as seguintes:
Magnificência V. Mag a reitores de universidades
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral me+o=mo me + os = mos
Vossa Santidade V.S. papas te+o=to te + os = tos
Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados lhe+o=lho lhe + os = lhos
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo- lhes + o = lho lhes + os = lhos
cês.
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos
EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS a, as.
me+a=ma me + as = mas
1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
te+a=ta te + as = tas
ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.

Língua Portuguesa 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
- Você pagou o livro ao livreiro? 3. No interior do verbo - mesóclise
- Sim, paguei-LHO. Observar-te-ei sempre.

Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que Ênclise
representa o livreiro) com O (que representa o livro). Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como direto ou indireto.
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas O pai esperava-o na estação agitada.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos Expliquei-lhe o motivo das férias.
indiretos:
O menino convidou-a. (V.T.D ) Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
O filho obedece-lhe. (V.T. l ) ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) Voltei-me em seguida para o céu límpido.
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de Como eu achasse muito breve, explicou-se.
verbos transitivos diretos: 3. Com o imperativo afirmativo:
Eu lhe vi ontem. (errado) Companheiros, escutai-me.
Nunca o obedeci. (errado) 4. Com o infinitivo impessoal:
Eu o vi ontem. (certo) A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
Nunca lhe obedeci. (certo) destino na mesa.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, 6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in- A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
finitivo: franco.
Deixei-o sair.
Vi-o chegar. Próclise
Sofia deixou-se estar à janela. Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol- interrogativos e conjunções.
vendo as orações reduzidas de infinitivo: As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse. Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos: Quem lhe ensinou esses modos?
A mim, ninguém me engana. Quem os ouvia, não os amou.
A ti tocou-te a máquina mercante. Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas- 2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
mo vicioso e sim ênfase. Papai do céu o abençoe.
A terra lhes seja leve.
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo, 3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
exercendo função sintática de adjunto adnominal: Em se animando, começa a contagiar-nos.
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro. Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos. 4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
pausa entre eles.
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo- Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
déstia:
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes. Mesóclise
Vós sois minha salvação, meu Deus! Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando precedidos de palavras que reclamem a próclise.
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
falamos dessa pessoa: Dir-se-ia vir do oco da terra.
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
Vossa Excelência já aprovou os projetos? Mas:
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração. Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Jamais se diria vir do oco da terra.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE, Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª Lembrarei-me (!?)
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como Diria-se (!?)
pronomes de terceira pessoa:
Você trouxe seus documentos?
Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas. O Pronome Átono nas Locuções Verbais
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
COLOCAÇÃO DE PRONOMES enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Podemos contar-lhe o ocorrido.
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
Podemos-lhe contar o ocorrido.
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
Não lhes podemos contar o ocorrido.
1. Antes do verbo - próclise
O menino foi-se descontraindo.
Eu te observo há dias.
O menino foi descontraindo-se.
2. Depois do verbo - ênclise
O menino não se foi descontraindo.
Observo-te há dias.

Língua Portuguesa 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des- longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o
cartes ." livro está longe de ambas as pessoas.
Tenho-me levantado cedo.
Não me tenho levantado cedo. Os pronomes demonstrativos são estes:
ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o
ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da
MESMO (e variações), próprio (e variações)
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua-
SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
gem escrita.
Emprego dos Demonstrativos
PRONOMES POSSESSIVOS 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu- a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
indo-lhes a posse de alguma coisa. fala).
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o Isto que carregamos pesa 5 kg.
livro pertence a 1ª pessoa (eu) b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
Este coração não pode me trair.
Eis as formas dos pronomes possessivos: Esta alma não traz pecados.
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS. Tudo se fez por este país..
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS. c) Para indicar o momento em que falamos:
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS. Neste instante estou tranquilo.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Deste minuto em diante vou modificar-me.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS. momento em que falamos:
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de Um dia destes estive em Porto Alegre.
você). e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
qual se inclui o momento em que falamos:
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui- Nesta semana não choveu.
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s). Neste mês a inflação foi maior.
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele. Este ano será bom para nós.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles. Este século terminará breve.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio. f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Este assunto já foi discutido ontem.
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro- Tudo isto que estou dizendo já é velho.
nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância. g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as Só posso lhe dizer isto: nada somos.
suas mãos). Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
Não me respeitava a adolescência. 2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face. a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos. quem se fala):
Esse documento que tens na mão é teu?
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir: Isso que carregas pesa 5 kg.
1. Cálculo aproximado, estimativa: b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos Esse teu coração me traiu.
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história Essa alma traz inúmeros pecados.
O nosso homem não se deu por vencido. Quantos vivem nesse pais?
Chama-se Falcão o meu homem c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese-
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum jamos distância:
Eu cá tenho minhas dúvidas O povo já não confia nesses políticos.
Cornélio teve suas horas amargas Não quero mais pensar nisso.
4. Afetividade, cortesia d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
Como vai, meu menino? Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo O que você quer dizer com isso?
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren- falamos:
tes de família. Um dia desses estive em Porto Alegre.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Comi naquele restaurante dia desses.
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida- f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
de. Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan-
não sabia o que dizer. te.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
PRONOMES DEMONSTRATIVOS a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á
3ª.
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
Aquele documento que lá está é teu?
coisa designada em relação à pessoa gramatical.
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.

Língua Portuguesa 31 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Naquele instante estava preocupado. quantos
Daquele instante em diante modifiquei-me.
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele Observações:
século, para exprimir que o tempo já decorreu. 1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou O médico de quem falo é meu conterrâneo.
variações) para a primeira: 2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso sempre um substantivo sem artigo.
e aquela tranquila. Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE, 3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural: de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose? Tenho tudo quanto quero.
Com um frio destes não se pode sair de casa. Leve tantos quantos precisar.
Nunca vi uma coisa daquelas. Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter 4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
reforçativo: EM QUE.
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos. A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
ISSO ou AQUELE (e variações). PRONOMES INDEFINIDOS
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. modo vago, impreciso, indeterminado.
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames. 1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
homens superiores. Exemplos:
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Algo o incomoda?
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Não faças a outrem o que não queres que te façam.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. Quem avisa amigo é.
Tal era a situação do país. Encontrei quem me pode ajudar.
Não disse tal. Ele gosta de quem o elogia.
Tal não pôde comparecer. 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
CERTAS.
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Cada povo tem seus costumes.
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha Certas pessoas exercem várias profissões.
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
ou OUTRO TAL: PRONOMES INTERROGATIVOS
Suas manias eram tais quais as minhas. Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de
A mãe era tal quais as filhas. modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
Os filhos são tais qual o pai. Exemplos:
Tal pai, tal filho. Que há?
É pronome substantivo em frases como: Que dia é hoje?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Reagir contra quê?
Não creio em tal (= tal coisa) Por que motivo não veio?
Quem foi?
PRONOMES RELATIVOS Qual será?
Quantos vêm?
Veja este exemplo:
Quantas irmãs tens?
Armando comprou a casa QUE lhe convinha.

A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo VERBO


casa é um pronome relativo.

PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re- CONCEITO


feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. as no tempo.
No exemplo dado, o antecedente é casa. Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re-
Outros exemplos de pronomes relativos: ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos. gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
O lugar onde paramos era deserto. Assim fiz. Morreram.”
Traga tudo quanto lhe pertence. (Clarice Lispector)
Leve tantos ingressos quantos quiser.
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso? Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
a) Estado:
Eis o quadro dos pronomes relativos: Não sou alegre nem sou triste.
Sou poeta.
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS b) Mudança de estado:
Meu avô foi buscar ouro.
Masculino Feminino Mas o ouro virou terra.
o qual a qual quem c) Fenômeno:
os quais as quais Chove. O céu dorme.
cujo cujos cuja cujas que
quanto quanta quantas onde
Língua Portuguesa 32 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de a) agente do fato expresso.
estado e fenômeno, situando-se no tempo. O carroceiro disse um palavrão.
(sujeito agente)
FLEXÕES O verbo está na voz ativa.
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle- b) paciente do fato expresso:
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica: (sujeito paciente)
• a ação de cantar. O verbo está na voz passiva.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). c) agente e paciente do fato expresso:
• o número gramatical (plural). O carroceiro machucou-se.
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). (sujeito agente e paciente)
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no O verbo está na voz reflexiva.
passado (indicativo). 6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
Falo - Estudam.
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: fora do radical.
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). Falamos - Estudarei.
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural). 7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço. cantei - cantarei – cantava - cantasse.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme- b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
cemos. nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces. como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis. nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
adormece. tado - morto - enxugado - enxuto.
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju-
adormecem. gação.
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante verbo ser: sou - fui
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português. verbo ir: vou - ia
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
A cachorra Baleia corria na frente. QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato. 1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
Talvez a cachorra Baleia corra na frente . explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um O Nino apareceu na porta.
pedido 2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
Corra na frente, Baleia. to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo, a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são: etc.
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala: Garoava na madrugada roxa.
Fecho os olhos, agito a cabeça. b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele Houve um espetáculo ontem.
em que se fala: Há alunos na sala.
Fechei os olhos, agitei a cabeça. Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala: claros.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça. c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o Fazia dois anos que eu estava casado.
presente. Faz muito frio nesta região?

Veja o esquema dos tempos simples em português:


Presente (falo) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Imperfeito (falava) 3ª pessoa do singular - quando significa:
Mais- que-perfeito (falara) 1) EXISTIR
Futuro do presente (falarei) Há pessoas que nos querem bem.
do pretérito (falaria) Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Presente (fale) Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse) Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
Futuro (falar) 2) ACONTECER, SUCEDER
Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que Não haja desavenças entre vós.
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
dos tempos simples. 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Infinitivo impessoal (falar) Há meses que não o vejo.
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.) Haverá nove dias que ele nos visitou.
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
Particípio (falado) O fato aconteceu há cerca de oito meses.
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no

Língua Portuguesa 33 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
pretérito imperfeito, e não no presente: - fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada. maior realce à narrativa.
Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos. Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo. É o chamado presente histórico ou narrativo.
Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava. - fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos:
4) REALIZAR-SE Amanhã vou à escola.
Houve festas e jogos. Qualquer dia eu te telefono.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos. b) Pretérito Imperfeito
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba. Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e - um fato passado contínuo, habitual, permanente:
seguido de infinitivo): Ele andava à toa.
Em pontos de ciência não há transigir. Nós vendíamos sempre fiado.
Não há contê-lo, então, no ímpeto. - um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Não havia descrer na sinceridade de ambos. por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas. Era uma vez...
E não houve convencê-lo do contrário. - um fato presente em relação a outro fato passado.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se. Eu lia quando ele chegou.
c) Pretérito Perfeito
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo): ocorrido, concluído.
De há muito que esta árvore não dá frutos. Estudei a noite inteira.
De há muito não o vejo. Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
momento presente.
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com Tenho estudado todas as noites.
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª d) Pretérito mais-que-perfeito
pessoa do singular: Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
Vai haver eleições em outubro. relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Começou a haver reclamações. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Não pode haver umas sem as outras. e) Futuro do Presente
Parecia haver mais curiosos do que interessados. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. futuro em relação ao momento em que se fala.
Irei à escola.
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser f) Futuro do Pretérito
construída de três modos: Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
Hajam vista os livros desse autor. - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Haja vista os livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
Haja vista aos livros desse autor. - um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
- Seria realmente agradável ter de sair?
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
vezes, ironia.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
- Daria para fazer silêncio?!
sentido da frase.
Exemplo:
Modo Subjuntivo
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
a) Presente
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
Talvez eles estudem... não sei.
passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
- um desejo, uma vontade:
vando o mesmo tempo.
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
b) Pretérito Imperfeito
Outros exemplos:
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
Os calores intensos provocam as chuvas.
hipótese, uma condição.
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Eu o acompanharei.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Ele será acompanhado por mim.
e) Pretérito Perfeito
Todos te louvariam.
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Serias louvado por todos.
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
Prejudicaram-me.
características do modo subjuntivo).
Fui prejudicado.
Que tenha estudado bastante é o que espero.
Condenar-te-iam.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
Serias condenado.
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo:
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
a) Presente
lamente.
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
e) Futuro
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu-
Eles estudam silenciosamente.
ído em relação a outro fato futuro.
Eles estão estudando silenciosamente.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
- uma ação habitual.
Corra todas as manhãs.
- uma verdade universal (ou tida como tal):
O homem é mortal.
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa.

Língua Portuguesa 34 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
VERBOS AUXILIARES tivesse, tivesses, tivesses, tivéssemos, tivésseis, tivessem ( + sido, estado,
INDICATIVO tido, havido)
FUTURO SIMPLES
SER ESTAR TER HAVER
se eu for se eu estiver se eu tiver se eu houver
PRESENTE
se tu fores se tu estiveres se tu tiveres se tu houveres
sou estou tenho hei
se ele for se ele estiver se ele tiver se ele houver
és estás tens hás
se nós formos se nós estiver- se nós tivermos se nós houver-
é está tem há
mos mos
somos estamos temos havemos
se vós fordes se vós estiver- se vós tiverdes se vós houver-
sois estais tendes haveis
des des
são estão têm hão
se eles forem se eles estive- se eles tiverem se eles houve-
PRETÉRITO PERFEITO
rem rem
era estava tinha havia
FUTURO COMPOSTO
eras estavas tinhas havias
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+sido, estado, tido, havido)
era estava tinha havia
AFIRMATIVO IMPERATIVO
éramos estávamos tínhamos havíamos
sê tu está tu tem tu há tu
éreis estáveis tínheis havíes
seja você esteja você tenha você haja você
eram estavam tinham haviam
sejamos nós estejamos nós tenhamos nós hajamos nós
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
sede vós estai vós tende vós havei vós
fui estive tive houve
sejam vocês estejam vocês tenham vocês hajam vocês
foste estiveste tiveste houveste
NEGATIVO
foi esteve teve houve
não sejas tu não estejas tu não tenhas tu não hajas tu
fomos estivemos tivemos houvemos
não seja você não esteja você não tenha você não haja você
fostes estivestes tivestes houvestes
não sejamos nós não estejamos não tenhamos não hajamos
foram estiveram tiveram houveram nós nós nós
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO não sejais vós não estejais vós não tenhais vós não hajais vós
tenho sido tenho estado tenho tido tenho havido não sejam vocês não estejam não tenham não hajam vocês
tens sido tens estado tens tido tens havido vocês vocês
tem sido tem estado tem tido tem havido IMPESSOAL INFINITIVO
temos sido temos estado temos tido temos havido ser estar ter haver
tendes sido tendes estado tendes tido tendes havido IMPESSOAL COMPOSTO
têm sido têm estado têm tido têm havido Ter sido ter estado ter tido ter havido
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES PESSOAL
fora estivera tivera houvera ser estar ter haver
foras estiveras tiveras houveras seres estares teres haveres
fora estivera tivera houvera ser estar ter haver
fôramos estivéramos tivéramos houvéramos sermos estarmos termos havermos
fôreis estivéreis tivéreis houvéreis serdes estardes terdes haverdes
foram estiveram tiveram houveram serem estarem terem haverem
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO SIMPLES GERÚNDIO
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+sido, estado, tido , havido) sendo estando tendo havendo
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES COMPOSTO
serei estarei terei haverei tendo sido tendo estado tendo tido tendo havido
serás estarás terás haverá PARTICÍPIO
será estará terá haverá sido estado tido havido
seremos estaremos teremos haveremos
sereis estareis tereis havereis
CONJUGAÇÕES VERBAIS
serão estarão terão haverão
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão, (+sido, estado, tido, havido) INDICATIVO
FUTURO DO PRESENTE
PRETÉRITO canto vendo parto
SIMPLES cantas vendes partes
seria estaria teria haveria canta vende parte
serias estarias terias haverias cantamos vendemos partimos
seria estaria teria haveria cantais vendeis partis
seríamos estaríamos teríamos haveríamos cantam vendem partem
serieis estaríeis teríeis haveríeis PRETÉRITO IMPERFEITO
seriam estariam teriam haveriam cantava vendia partia
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO cantavas vendias partias
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ sido, estado, tido, havido) cantava vendia partia
PRESENTE SUBJUNTIVO cantávamos vendíamos partíamos
seja esteja tenha haja cantáveis vendíeis partíeis
sejas estejas tenhas hajas cantavam vendiam partiam
seja esteja tenha haja PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
sejamos estejamos tenhamos hajamos cantei vendi parti
sejais estejais tenhais hajais cantaste vendeste partiste
sejam estejam tenham hajam cantou vendeu partiu
PRETÉRITO IMPERFEITO SIMPLES cantamos vendemos partimos
fosse estivesse tivesse houvesse cantastes vendestes partistes
fosses estivesses tivesses houvesses cantaram venderam partiram
fosse estivesse tivesse houvesse PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
fôssemos estivéssemos tivéssemos houvéssemos tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (+ cantado, vendido, partido)
fôsseis estivésseis tivésseis houvésseis PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
fossem estivessem tivessem houvessem cantara vendera partira
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO cantaras venderas partiras
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ sido, estado, tido, havido) cantara vendera partira
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO

Língua Portuguesa 35 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
cantáramos vendêramos partíramos cantarmos vendermos partirmos
cantáreis vendêreis partíreis cantardes venderdes partirdes
cantaram venderam partiram cantarem venderem partirem
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO IMPESSOAL
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+ cantando, vendido, partido) ter (ou haver), cantado, vendido, partido
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver. INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO PESSOAL
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES ter, teres, ter, termos, terdes, terem (+ cantado, vendido, partido)
cantarei venderei partirei GERÚNDIO SIMPLES - PRESENTE
cantarás venderás partirás cantando vendendo partindo
cantará venderá partirá GERÚNDIO COMPOSTO - PRETÉRITO
cantaremos venderemos partiremos tendo (ou havendo), cantado, vendido, partido
cantareis vendereis partireis PARTICÍPIO
cantarão venderão partirão cantado vendido partido
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (+ cantado, vendido, partido)
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver. Formação dos tempos compostos
FUTURO DO PRETÉRITO SIMPLES
cantaria venderia partiria Com os verbos ter ou haver
cantarias venderias partirias Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
cantaria venderia partiria Entre os tempos compostos da voz ativa merecem realce particular aque-
cantaríamos venderíamos partiríamos les que são constituídos de formas do verbo ter (ou, mais raramente, haver)
cantaríeis venderíeis partiríeis com o particípio do verbo que se quer conjugar, porque é costume incluí-los
cantariam venderiam partiriam nos próprios paradigmas de conjugação:
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ cantado, vendido, partido)
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO MODO INDICATIVO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam, (+ cantado, vendido, partido)
1) PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO. Formado do PRESENTE DO
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
INDICATIVO do verbo ter com o PARTICÍPIO do verbo principal:
PRESENTE SUBJUNTIVO
cante venda parta tenho cantado tenho vendido tenho partido
cantes vendas partas tens cantado tens vendido tens partido
cante venda parta tem cantado tem vendido tem partido
cantemos vendamos partamos temos cantado temos vendido temos partido
canteis vendais partais tendes cantado tendes vendido tendes partido
cantem vendam partam têm cantado têm vendido têm partido
PRETÉRITO IMPERFEITO
cantasse vendesse partisse 2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO. Formado do IMPER-
cantasses vendesses partisses FEITO DO INDICATIVO do verbo ter. (ou haver) com o PARTICÍPIO do
verbo principal:
cantasse vendesse partisse
cantássemos vendêssemos partíssemos tinha cantado tinha vendido tinha partido
cantásseis vendêsseis partísseis tinhas cantado tinhas vendido tinhas .partido
cantassem vendessem partissem tinha cantado tinha vendido tinha partido
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO tínhamos cantado tínhamos vendido tínhamos partido
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ cantado, vendido, parti- tínheis cantado tínheis vendido tínheis partido
do) tinham cantado tinham vendido tinham partido
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO SIMPLES 3) FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
cantar vender partir PRESENTE SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do
cantares venderes partires verbo principal:
cantar vender partir
terei cantado terei vendido terei partido
cantarmos vendermos partimos terás cantado terás vendido terás, partido
cantardes venderdes partirdes terá cantado terá vendido terá partido
cantarem venderem partirem teremos cantado teremos vendido teremos partido
FUTURO COMPOSTO tereis cantado tereis vendido tereis , partido
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+ cantado, vendido, partido) terão cantado terão vendido terão partido
AFIRMATIVO IMPERATIVO
canta vende parte 4) FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
cante venda parta PRETÉRITO SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do
cantemos vendamos partamos verbo principal:
cantai vendei parti
teria cantado teria vendido teria partido
cantem vendam partam
terias cantado terias vendido terias partido
NEGATIVO
teria cantado teria vendido teria partido
não cantes não vendas não partas teríamos cantado teríamos vendido teríamos partido
não cante não venda não parta teríeis cantado teríeis vendido teríeis partido
não cantemos não vendamos não partamos teriam cantado teriam vendido teriam partido
não canteis não vendais não partais
não cantem não vendam não partam MODO SUBJUNTIVO

1) PRETÉRITO PERFEITO. Formado do PRESENTE DO SUBJUNTIVO


INFINITIVO IMPESSOAL SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:

tenha cantado tenha vendido tenha


PRESENTE tenhas cantado tenhas vendido tenhas partido
cantar vender partir tenha cantado tenha vendido tenha partido
INFINITIVO PESSOAL SIMPLES - PRESENTE FLEXIONADO tenhamos cantado tenhamos vendido tenhamos partido
cantar vender partir tenhais cantado tenhais vendido tenhais partido
cantares venderes partires tenham cantado vendido tenham partido
cantar vender partir

Língua Portuguesa 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Formado do IMPERFEITO DO MOSCAR
SUBJUNTIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam
principal: Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
quem
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U
tivesses cantado tivesses vendido tivesses partido
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido RESFOLEGAR
tivéssemos cantado tivéssemos vendido tivéssemos partido Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
tivésseis cantado tivésseis vendido tivésseis partido resfolgam
tivessem cantado tivessem vendido tivessem partido Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis,
resfolguem
3) FUTURO COMPOSTO. Formado do FUTURO SIMPLES DO SUBJUN- Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece
TIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
NOMEAR
tiver cantado tiver vendido tiver partido Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam
tiveres cantado tiveres vendido tiveres partido Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis,
tiver cantado tiver vendido tiver partido nomeavam
tivermos cantado tivermos vendido tivermos partido Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea-
tiverdes cantado tiverdes vendido tiverdes partido ram
tiverem cantado tiverem vendido tiverem partido Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem
FORMAS NOMINAIS Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear
1) INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO (PRETÉRITO IMPESSOAL).
COPIAR
Formado do INFINITIVO IMPESSOAL do verbo ter (ou haver) com o
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam
PARTICÍPIO do verbo principal:
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram
ter cantado ter vendido ter partido Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá-
reis, copiaram
2) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO (OU PRETÉRITO PESSOAL). Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem
Formado do INFINITIVO PESSOAL do verbo ter (ou haver) com o Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem
PARTICÍPIO do verbo principal:
ODIAR
ter cantado ter vendido ter partido Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam
teres cantado teres vendido teres partido Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam
ter cantado ter vendido ter partido Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram
termos cantado termos vendido termos partido Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis,
terdes cantado terdes vendido terdes partido odiaram
terem cantado terem vendido terem partido Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar
3) GERÚNDIO COMPOSTO (PRETÉRITO). Formado do GERÚNDIO do
verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal: CABER
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
tendo cantado tendo vendido tendo partido Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
Lindley Cintra, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, 29ª impressão. coubéreis, couberam
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis,
coubessem
VERBOS IRREGULARES Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
DAR
imperativo negativo
Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
CRER
Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
Conjugam-se como crer, ler e descrer
MOBILIAR
DIZER
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis,
disseram
AGUAR
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
dissesse
MAGOAR
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam
Particípio dito
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa-
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer
ram
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
FAZER
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram
APIEDAR-SE
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais-
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
vos, apiadam-se
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei-
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam
vos, apiedem-se
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis,

Língua Portuguesa 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
fizessem Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem reouverem
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen-
ta a letra v
PERDER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem SABER
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
PODER soubéreis, souberam
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam soubessem
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis, Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem
puderam
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam VALER
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis, Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
pudessem Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham
Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Gerúndio podendo TRAZER
Particípio podido Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
imperativo negativo Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
PROVER trouxéreis, trouxeram
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê- Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam
reis, proveram Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis,
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão trouxessem
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove- Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe-
riam rem
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam Gerúndio trazendo
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis, Particípio trazido
provessem
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem VER
Gerúndio provendo Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem
Particípio provido Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram
QUERER Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês
Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam
Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem
Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé- Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
reis, quiseram Particípio visto
Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis, ABOLIR
quisessem Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem
Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram
REQUERER Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. requerem aboliram
Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste, Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão
requereram Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam
Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos, Presente do subjuntivo não há
requerereis, requereram Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis, abolissem
requererão Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere- Imperativo afirmativo abole, aboli
ríeis, requereriam Imperativo negativo não há
Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, Infinitivo impessoal abolir
requeiram Gerúndio abolindo
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, Particípio abolido
requerêsseis, requeressem, O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I.
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
requerem AGREDIR
Gerúndio requerendo Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Particípio requerido Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam
O verbo REQUERER não se conjuga como querer. Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I.
REAVER
Presente do indicativo reavemos, reaveis COBRIR
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve- Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
ram Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
reouveram Particípio coberto
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reou- Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
vésseis, reouvessem

Língua Portuguesa 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
FALIR Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Presente do indicativo falimos, falis Gerúndio rindo
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam Particípio rido
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram Conjuga-se como rir: sorrir
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão VIR
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm
Presente do subjuntivo não há Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Imperativo afirmativo fali (vós) Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Imperativo negativo não há Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Gerúndio falindo Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham
Particípio falido Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
FERIR Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Gerúndio vindo
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Particípio vindo
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados. Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir

MENTIR SUMIR
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir. Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir

FUGIR ADVÉRBIO
Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-
vérbio, exprimindo uma circunstância.
IR
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam Os advérbios dividem-se em:
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram 1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan-
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão te, através, defronte, aonde, etc.
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam 2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre,
Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve,
Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc.
Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem 4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema-
Gerúndio indo siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem,
Particípio ido mal, quase, apenas, etc.
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc.
OUVIR 6) NEGAÇÃO: não.
Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem 7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto,
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
provavelmente, etc.
Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Particípio ouvido
Há Muitas Locuções Adverbiais
PEDIR 1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra-
Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc.
Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram 2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite,
Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom
POLIR grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge-
Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis-
Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam 4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
REMIR 5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem 6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
etc.
RIR 7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam Advérbios Interrogativos
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão Palavras Denotativas
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te-
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem 1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.

Língua Portuguesa 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc. LXX 70 setenta septuagési- setenta avos
3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc. mo
4) DE DESIGNAÇÃO - eis. LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc. XC 90 noventa nonagésimo noventa
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc. avos
Você lá sabe o que está dizendo, homem... C 100 cem centésimo centésimo
Mas que olhos lindos! CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
Veja só que maravilha! CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen-
NUMERAL tos tésimo tésimo
D 500 quinhen- quingenté- quingenté-
tos simo simo
Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési-
O numeral classifica-se em: mo mo
- cardinal - quando indica quantidade. DCC 700 setecen- septingenté- septingenté-
- ordinal - quando indica ordem. tos simo simo
- multiplicativo - quando indica multiplicação. DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté-
- fracionário - quando indica fracionamento. simo simo
CM 900 novecen- nongentési- nongentési-
Exemplos: tos mo mo
Silvia comprou dois livros. M 1000 mil milésimo milésimo
Antônio marcou o primeiro gol.
Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço. Emprego do Numeral
O galinheiro ocupava um quarto da quintal. Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro)
Luis X (décimo) ano I (primeiro)
Pio lX (nono) século lV (quarto)
QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS
De 11 em diante, empregam-se os cardinais:
Algarismos Numerais Leão Xlll (treze) ano Xl (onze)
Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
nos cos tivos Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte)
I 1 um primeiro simples -
II 2 dois segundo duplo meio Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
dobro XX Salão do Automóvel (vigésimo)
III 3 três terceiro tríplice terço VI Festival da Canção (sexto)
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto lV Bienal do Livro (quarta)
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto XVI capítulo da telenovela (décimo sexto)
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo emprego do ordinal.
Hoje é primeiro de setembro
IX 9 nove nono nônuplo nono
Não é aconselhável iniciar período com algarismos
X 10 dez décimo décuplo décimo
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
XI 11 onze décimo onze avos
primeiro A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi-
XII 12 doze décimo doze avos nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois
segundo (= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
XIII 13 treze décimo treze avos caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um,
terceiro página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a
XIV 14 quatorze décimo quatorze folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o
quarto avos numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
XV 15 quinze décimo quinze avos
quinto
XVI 16 dezesseis décimo dezesseis ARTIGO
sexto avos
XVII 17 dezessete décimo dezessete Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-
sétimo avos los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
oitavo Dividem-se em
XIX 19 dezenove décimo nono dezenove • definidos: O, A, OS, AS
avos • indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
XX 20 vinte vigésimo vinte avos Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
XL 40 quarenta quadragé- quarenta Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
simo avos geral.
L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
simo avos terminado).
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
avos

Língua Portuguesa 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
CONJUNÇÃO Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele.
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais.
Coniunções Coordenativas
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico.
1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
Hoje não atendo, em todo caso, entre.
2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou,
senão, no entanto, etc.
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc.
3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos.
etc.
Ou você estuda ou arruma um emprego.
4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo.
consequência.
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando.
5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
"Já chora, já se ri, já se enfurece."
pois, etc.
(Luís de Camões)
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con-
Conjunções Subordinativas
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso.
1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
As árvores balançam, logo está ventando.
2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável.
3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te.
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por-
5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo).
etc.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem
6) INTEGRANTES: que, se, etc.
causar incêndios.
7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas.
8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
forma que, de modo que, etc.
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa-
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
tivo:
etc.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam.
10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde."
(Jorge Amado)
VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
Conjunções subordinativas
Examinemos estes exemplos: As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à
1º) Tristeza e alegria não moram juntas. outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que
2º) Os livros ensinam e divertem. traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou
3º) Saímos de casa quando amanhecia. hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo).
Abrangem as seguintes classes:
No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é 1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
uma conjunção. que, uma vez que, desde que.
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa:
No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando efeito).
orações: são também conjunções. Como estivesse de luto, não nos recebeu.
Desde que é impossível, não insistirei.
Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da 2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão
mesma oração. ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto)
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que
No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa (= como).
da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
conjunção E é coordenativa. O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à (Paulo Mendes Campos)
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção "Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
QUANDO é subordinativa. (Antônio Olavo Pereira)
"E pia tal a qual a caça procurada."
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas. (Amadeu de Queirós)
"Por que ficou me olhando assim feito boba?"
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (Carlos Drummond de Andrade)
As conjunções coordenativas podem ser: Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
também, mas ainda, senão também, como também, bem como. Os governantes realizam menos do que prometem.
O agricultor colheu o trigo e o vendeu. 3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
Não aprovo nem permitirei essas coisas. quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
Os livros não só instruem mas também divertem. menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam (= embora não).
as flores. Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com- A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao Beba, nem que seja um pouco.
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape- Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
sar disso, em todo caso. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. afirmações.

Língua Portuguesa 41 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite. Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que Não vão a uma festa que não voltem cansados.
(= se não), a não ser que, a menos que, dado que. Onde estavas, que não te vi?
Ficaremos sentidos, se você não vier. 5) Comparativa (= do que, como):
Comprarei o quadro, desde que não seja caro. A luz é mais veloz que o som.
Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo. Ficou vermelho que nem brasa.
"Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos 6) Concessiva (= embora, ainda que):
que os mosquitos se opusessem." Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
(Ferreira de Castro) Beba, um pouco que seja.
5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não 7) Temporal (= depois que, logo que):
são como (ou conforme) dizem. Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
"Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar." 8) Final (= pare que):
(Machado de Assis) Vendo-me à janela, fez sinal que descesse.
6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto, 9) Causal (= porque, visto que):
tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de "Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
forma que, de maneira que, sem que, que (não). Coaraci)
Minha mão tremia tanto que mal podia escrever. A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase:
Falou com uma calma que todos ficaram atônitos. 1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe-
Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí. disse. (sem que = embora não)
Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam. 2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar. (sem que = se não,caso não)
7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que). 3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados.
Afastou-se depressa para que não o víssemos. (sem que = que não)
Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse. 4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não)
Fiz-lhe sinal que se calasse.
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto. PREPOSIÇÃO
À medida que se vive, mais se aprende.
À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo. Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados. mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
segundo, um subordinado ou consequente.
Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida Exemplos:
que e na medida em que. A forma correta é à medida que: Chegaram a Porto Alegre.
"À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem." Discorda de você.
(Maria José de Queirós) Fui até a esquina.
Casa de Paulo.
9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, Preposições Essenciais e Acidentais
etc. As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA,
Venha quando você quiser. DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
Não fale enquanto come. ATRÁS.
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras. Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia. tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora,
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval- conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
cânti) segundo, senão, tirante, visto, etc.
10) Integrantes: que, se.
Sabemos que a vida é breve. INTERJEIÇÃO
Veja se falta alguma coisa.
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
Observação: ser:
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o - alegria: ahl oh! oba! eh!
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB, - animação: coragem! avante! eia!
porém, não consigna esta espécie de conjunção. - admiração: puxa! ih! oh! nossa!
- aplauso: bravo! viva! bis!
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que, - desejo: tomara! oxalá!
por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc. - dor: aí! ui!
- silêncio: psiu! silêncio!
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por- - suspensão: alto! basta!
tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
to. Assim, a conjunção que pode ser: LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
1) Aditiva (= e): valor de uma interjeição.
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai. Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
A nós que não a eles, compete fazê-lo. Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
2) Explicativa (= pois, porque):
Apressemo-nos, que chove.
3) Integrante: SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
Diga-lhe que não irei.
4) Consecutiva: FRASE

Língua Portuguesa 42 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo. predicativo do sujeito.
O tempo está nublado. Os rapazes voltaram vitoriosos.
Socorro! • Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal,
Que calor! ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico.
ORAÇÃO • Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal. ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto
A fanfarra desfilou na avenida. direto ou indireto.
As festas juninas estão chegando. Elegemos o nosso candidato vereador.

PERÍODO TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO


Chama-se termos integrantes da oração os que completam a
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à
O período pode ser:
compreensão do enunciado.
• simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Fui à livraria ontem.
• composto - quando constituído por mais de uma oração. 1. OBJETO DIRETO
Fui à livraria ontem e comprei um livro. Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE.
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
São dois os termos essenciais da oração: 2. OBJETO INDIRETO
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
SUJEITO transitivo indireto.
As crianças precisam de CARINHO.
Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.

Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes) 3. COMPLEMENTO NOMINAL


Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de
O sujeito pode ser : um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado por
- simples: quando tem um só núcleo um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio.
As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas; Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
núcleo: rosas) O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo)
- composto: quando tem mais de um núcleo Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE
O burro e o cavalo saíram em disparada. (advérbio).
(suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
- oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal 4. AGENTE DA PASSIVA
Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu) Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na
- indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal voz passiva.
Come-se bem naquele restaurante. A mãe é amada PELO FILHO.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO.
Choveu ontem. Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO.
Há plantas venenosas.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
PREDICADO TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito. função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo
O predicado classifica-se em: alguma circunstância.
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo
do sujeito. São termos acessórios da oração:
Nosso colega está doente. 1. ADJUNTO ADNOMINAL
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER, Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os
PERMANECER, etc. substantivos. Pode ser expresso:
Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a • pelos adjetivos: água fresca,
comunicar estado ou qualidade do sujeito. • pelos artigos: o mundo, as ruas
Nosso colega está doente. • pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas
A moça permaneceu sentada. • pelos numerais : três garotos; sexto ano
2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou • pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos
transitivo.
O avião sobrevoou a praia.
2. ADJUNTO ADVERBIAL
Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento.
Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
O sabiá voou alto.
lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento.
Cheguei cedo.
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio
José reside em São Paulo.
de proposição.
Minha equipe venceu a partida.
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com 3. APOSTO
auxílio de preposição. Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
Ele precisa de um esparadrapo. desenvolve ou resume outro termo da oração.
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao Dr. João, cirurgião-dentista,
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
complemento com auxilio de preposição. O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
Damos uma simples colaboração a vocês. 4. VOCATIVO
3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais interpelar alguém ou alguma coisa.

Língua Portuguesa 43 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Tem compaixão de nós, ó Cristo. 5. EXPLICATIVAS:
Professor, o sinal tocou. Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que
Rapazes, a prova é na próxima semana. a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.)
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR.
PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS.

No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta. ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE
Fui ao cinema. É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
O pássaro voou. O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.

PERÍODO COMPOSTO A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos:


No período composto há mais de uma oração. CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
(Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.) ORAÇÃO PRINCIPAL
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida
Período composto por coordenação por um conectivo.
Apresenta orações independentes. ELES DISSERAM que voltarão logo.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.) ELE AFIRMOU que não virá.
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma)
Período composto por subordinação
Apresenta orações dependentes. ORAÇÃO SUBORDINADA
(É bom) (que você estude.) Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal
Período composto por coordenação e subordinação nem sempre é a primeira do período.
Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este Quando ele voltar, eu saio de férias.
período é também conhecido como misto. Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
(Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.) Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR

ORAÇÃO COORDENADA ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA


Oração coordenada é aquela que é independente. Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
de um substantivo.
As orações coordenadas podem ser: Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
- Sindética: substantivas classificam-se em:
Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
coordenativa. 1) SUBJETIVA (sujeito)
Viajo amanhã, mas volto logo. Convém que você estude mais.
- Assindética: Importa que saibas isso bem. .
Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária.
ponto e vírgula.
Chegou, olhou, partiu. 2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)
A oração coordenada sindética pode ser: Desejo QUE VENHAM TODOS.
Pergunto QUEM ESTÁ AI.
1. ADITIVA:
Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas, 3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
também: Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO. Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM. Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.
4) COMPLETIVA NOMINAL
2. ADVERSATIVA: Complemento nominal.
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste Ser grato A QUEM TE ENSINA.
(mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc). Sou favorável A QUE O PRENDAM.
A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO. 5) PREDICATIVA (predicativo)
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO. Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
3. ALTERNATIVAS: Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra
(ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc). 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
Mudou o natal OU MUDEI EU? Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel, Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!”
(C. Meireles) 7) AGENTE DA PASSIVA
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
4. CONCLUSIVAS: A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
etc).
Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
um adjetivo.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.

Língua Portuguesa 44 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas: • FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM,
conseguirás.
1) EXPLICATIVAS: • É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente, ATENTOS.
atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma • AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO,
informação. entristeceu-se.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará. • É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES
Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria. MAIS.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure-
2) RESTRITIVAS: me.
Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
indispensáveis ao sentido da frase: CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
Pedra QUE ROLA não cria limo.
As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui. Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante
se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
Principais Casos de Concordância Nominal
um advérbio.
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
gênero e número com o substantivo.
As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.
1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
normalmente para o plural.
O tambor soa PORQUE É OCO.
Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma
para o masculino plural.
comparação.
Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
O som é menos veloz QUE A LUZ.
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
próximo:
Trouxe livros e revista especializada.
3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
mo.
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.
6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
sujeito.
4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:
Meus amigos estão atrapalhados.
SE O CONHECESSES, não o condenarias.
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?
tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
com outro:
vão para o singular ou para o plural.
Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:
Já estudei o primeiro e segundo livros.
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
que se referem.
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Ela mesma veio até aqui.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
Eles chegaram sós.
Eles próprios escreveram.
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade:
12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
Muito obrigado. (masculino singular)
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo.
Muito obrigada. (feminino singular).
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na
invariável quando é advérbio.
oração principal:
Quero meio quilo de café.
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam.
Minha mãe está meio exausta.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.
É meio-dia e meia. (hora)
14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan-
10) MODAIS: exprimem modo, maneira:
tivo a que se referem.
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE.
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.
A expressão em anexo é invariável.
Trouxe em anexo estas fotos.
ORAÇÕES REDUZIDAS
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu-
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais:
em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
gerúndio, infinitivo e particípio.
Vocês falaram alto demais.
O combustível custava barato.
Exemplos:
Você leu confuso.
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO.
Ela jura falso.
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ.
Língua Portuguesa 45 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos, 14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
sofrem variação normalmente. terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
Esses pneus custam caro. este sua impessoalidade.
Conversei bastante com eles. Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
Conversei com bastantes pessoas. Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.
Estas crianças moram longe.
Conheci longes terras. CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
CONCORDÂNCIA VERBAL 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
CASOS GERAIS RECER concordam com o predicativo.
Tudo são esperanças.
Aquilo parecem ilusões.
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Aquilo é ilusão.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. 2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con-
O pessoal ainda não chegou. corda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
A turma não gostou disso. Que são florestas equatoriais?
Um bando de pássaros pousou na árvore. Quem eram aqueles homens?
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural. 3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
Os Estados Unidos são um grande país. a expressão numérica.
Os Lusíadas imortalizaram Camões. São oito horas.
Os Alpes vivem cobertos de neve. Hoje são 19 de setembro.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular. De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico. 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica. fica no singular.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome Três batalhões é muito pouco.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen- Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
temente.
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram). Maria era as flores da casa.
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o O homem é cinzas.
sujeito paciente.
Vende-se um apartamento. 6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
Vendem-se alguns apartamentos. concorda com o predicativo.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o Dançar e cantar é a sua atividade.
verbo para a 3ª pessoa do singular. Estudar e trabalhar são as minhas atividades.
Precisa-se de funcionários.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no 7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
singular e o verbo no singular ou no plural. concorda com o pronome.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem) A ciência, mestres, sois vós.
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural. Em minha turma, o líder sou eu.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular. 8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
Mais de um jurado fez justiça à minha música. apenas um deles deve ser flexionado.
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
no singular.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
sujeito. Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
Deu uma hora. calmente do outro.
Deram três horas.
Bateram cinco horas. A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
Naquele relógio já soaram duas horas. adjetivos).
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito. Exemplos:
Ela é que faz as bolas.
Eu é que escrevo os programas. - acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
um pronome relativo. PARA = passagem
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
Fui eu que fiz a lição
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí- A regência verbal trata dos complementos do verbo.
veis.
• que: Fui eu que fiz a lição. ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
• quem: Fui eu quem fez a lição. 1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
• o que: Fui eu o que fez a lição. • pretender (transitivo indireto)

Língua Portuguesa 46 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
No sítio, aspiro o ar puro da montanha. • pedir - Pedi um favor ao colega.
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
2. OBEDECER - transitivo indireto 16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
Devemos obedecer aos sinais de trânsito. O amor implica renúncia.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto • no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição
Já paguei um jantar a você. COM:
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto. O professor implicava com os alunos
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas. • no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi-
5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto ção EM:
Prefiro Comunicação à Matemática. Implicou-se na briga e saiu ferido

6. INFORMAR - transitivo direto e indireto. 17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A:
Informei-lhe o problema. Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
7. ASSISTIR - morar, residir: Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.
Assisto em Porto Alegre.
• amparar, socorrer, objeto direto 18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
O médico assistiu o doente. como sujeito:
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
Assistimos a um belo espetáculo. pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di-
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto ficuldade, será objeto indireto.
Assiste-lhe o direito. Custou-me confiar nele novamente.
Custar-te-á aceitá-la como nora.
8. ATENDER - dar atenção
Atendi ao pedido do aluno. CONFRONTO E RECONHECIMENTO DE FRASES
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
CORRETAS E INCORRETAS
Atenderam o freguês com simpatia.

9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto O reconhecimento de frases corretas e incorretas abrange praticamente
A moça queria um vestido novo. toda a gramática.
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto Os principais tópicos que podem aparecer numa frase correta ou incorreta
O professor queria muito a seus alunos. são:
- ortografia
10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto - acentuação gráfica
Todos visamos a um futuro melhor. - concordância
• APONTAR, MIRAR - objeto direto - regência
O artilheiro visou a meta quando fez o gol. - plural e singular de substantivos e adjetivos
• pör o sinal de visto - objeto direto - verbos
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia. - etc.

11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto Daremos a seguir alguns exemplos:
Devemos obedecer aos superiores.
Desobedeceram às leis do trânsito. Encontre o termo em destaque que está erradamente empregado:
A) Senão chover, irei às compras.
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE B) Olharam-se de alto a baixo.
• exigem na sua regência a preposição EM C) Saiu a fim de divertir-se
O armazém está situado na Farrapos. D) Não suportava o dia-a-dia no convento.
Ele estabeleceu-se na Avenida São João. E) Quando está cansado, briga à toa.
Alternativa A
13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Essas tuas justificativas não procedem. Ache a palavra com erro de grafia:
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se A) cabeleireiro ; manteigueira
com a preposição DE. B) caranguejo ; beneficência
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani C) prazeirosamente ; adivinhar
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. D) perturbar ; concupiscência
O secretário procedeu à leitura da carta. E) berinjela ; meritíssimo
Alternativa C
14. ESQUECER E LEMBRAR
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto: Identifique o termo que está inadequadamente empregado:
Esqueci o nome desta aluna. A) O juiz infligiu-lhe dura punição.
Lembrei o recado, assim que o vi. B) Assustou-se ao receber o mandato de prisão.
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto: C) Rui Barbosa foi escritor preeminente de nossas letras.
Esqueceram-se da reunião de hoje. D) Com ela, pude fruir os melhores momentos de minha vida.
Lembrei-me da sua fisionomia. E) A polícia pegou o ladrão em flagrante.
Alternativa B
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. O acento grave, indicador de crase, está empregado CORRETAMENTE
• pagar - Pago o 13° aos professores. em:
• dar - Daremos esmolas ao pobre. A) Encaminhamos os pareceres à Vossa Senhoria e não tivemos respos-
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega. ta.
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. B) A nossa reação foi deixá-los admirar à belíssima paisagem.
• agradecer - Agradeço as graças a Deus. C) Rapidamente, encaminhamos o produto à firma especializada.

Língua Portuguesa 47 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
D) Todos estávamos dispostos à aceitar o seu convite. mero]. O menor descuido porá tudo a perder [anteposição dos superlativos
Alternativa C relativos: o melhor, o pior, o maior, o menor]). A anteposição do adjetivo,
em alguns casos, empresta-lhe sentido figurado: meu rico filho, um grande
Assinale a alternativa cuja concordância nominal não está de acordo com o homem, um pobre rapaz).
padrão culto:
A) Anexa à carta vão os documentos. Colocação dos pronomes átonos. O pronome átono pode vir antes do
B) Anexos à carta vão os documentos. verbo (próclise, pronome proclítico: Não o vejo), depois do verbo (ênclise,
C) Anexo à carta vai o documento. pronome enclítico: Vejo-o) ou no meio do verbo, o que só ocorre com
D) Em anexo, vão os documentos. formas do futuro do presente (Vê-lo-ei) ou do futuro do pretérito (Vê-lo-ia).
Alternativa A Verifica-se próclise, normalmente nos seguintes casos: (1) depois de
palavras negativas (Ninguém me preveniu), de pronomes interrogativos
Identifique a única frase onde o verbo está conjugado corretamente: (Quem me chamou?), de pronomes relativos (O livro que me deram...), de
A) Os professores revêm as provas. advérbios interrogativos (Quando me procurarás); (2) em orações optativas
B) Quando puder, vem à minha casa. (Deus lhe pague!); (3) com verbos no subjuntivo (Espero que te comportes);
C) Não digas nada e voltes para sua sala. (4) com gerúndio regido de em (Em se aproximando...); (5) com infinitivo
D) Se pretendeis destruir a cidade, atacais à noite. regido da preposição a, sendo o pronome uma das formas lo, la, los, las
E) Ela se precaveu do perigo. (Fiquei a observá-la); (6) com verbo antecedido de advérbio, sem pausa
Alternativa E (Logo nos entendemos), do numeral ambos (Ambos o acompanharam) ou
de pronomes indefinidos (Todos a estimam).
Encontre a alternativa onde não há erro no emprego do pronome:
A) A criança é tal quais os pais. Ocorre a ênclise, normalmente, nos seguintes casos: (1) quando o ver-
B) Esta tarefa é para mim fazer até domingo. bo inicia a oração (Contaram-me que...), (2) depois de pausa (Sim, conta-
C) O diretor conversou com nós. ram-me que...), (3) com locuções verbais cujo verbo principal esteja no
D) Vou consigo ao teatro hoje à noite. infinitivo (Não quis incomodar-se).
E) Nada de sério houve entre você e eu. Estando o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, a me-
Alternativa A sóclise é de regra, no início da frase (Chama-lo-ei. Chama-lo-ia). Se o
verbo estiver antecedido de palavra com força atrativa sobre o pronome,
Que frase apresenta uso inadequado do pronome demonstrativo? haverá próclise (Não o chamarei. Não o chamaria). Nesses casos, a língua
A) Esta aliança não sai do meu dedo. moderna rejeita a ênclise e evita a mesóclise, por ser muito formal.
B) Foi preso em 1964 e só saiu neste ano.
C) Casaram-se Tânia e José; essa contente, este apreensivo. Pronomes com o verbo no particípio. Com o particípio desacompanha-
D) Romário foi o maior artilheiro daquele jogo. do de auxiliar não se verificará nem próclise nem ênclise: usa-se a forma
E) Vencer depende destes fatores: rapidez e segurança. oblíqua do pronome, com preposição. (O emprego oferecido a mim...).
Alternativa C Havendo verbo auxiliar, o pronome virá proclítico ou enclítico a este. (Por
que o têm perseguido? A criança tinha-se aproximado.)

COLOCAÇÃO PRONOMINAL Pronomes átonos com o verbo no gerúndio. O pronome átono costuma
vir enclítico ao gerúndio (João, afastando-se um pouco, observou...). Nas
Palavras fora do lugar podem prejudicar e até impedir a compreensão locuções verbais, virá enclítico ao auxiliar (João foi-se afastando), salvo
de uma ideia. Cada palavra deve ser posta na posição funcionalmente quando este estiver antecedido de expressão que, de regra, exerça força
correta em relação às outras, assim como convém dispor com clareza as atrativa sobre o pronome (palavras negativas, pronomes relativos, conjun-
orações no período e os períodos no discurso. ções etc.) Exemplo: À medida que se foram afastando.
Sintaxe de colocação é o capítulo da gramática em que se cuida da or- Colocação dos possessivos. Os pronomes adjetivos possessivos pre-
dem ou disposição das palavras na construção das frases. Os termos da cedem os substantivos por eles determinados (Chegou a minha vez), salvo
oração, em português, geralmente são colocados na ordem direta (sujeito + quando vêm sem artigo definido (Guardei boas lembranças suas); quando
verbo + objeto direto + objeto indireto, ou sujeito + verbo + predicativo). As há ênfase (Não, amigos meus!); quando determinam substantivo já deter-
inversões dessa ordem ou são de natureza estilística (realce do termo cuja minado por artigo indefinido (Receba um abraço meu), por um numeral
posição natural se altera: Corajoso é ele! Medonho foi o espetáculo), ou de (Recebeu três cartas minhas), por um demonstrativo (Receba esta lem-
pura natureza gramatical, sem intenção especial de realce, obedecendo-se, brança minha) ou por um indefinido (Aceite alguns conselhos meus).
apenas a hábitos da língua que se fizeram tradicionais.
Colocação dos demonstrativos. Os demonstrativos, quando pronomes
Sujeito posposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes casos: adjetivos, precedem normalmente o substantivo (Compreendo esses pro-
(1) nas orações intercaladas (Sim, disse ele, voltarei); (2) nas interrogativas, blemas). A posposição do demonstrativo é obrigatória em algumas formas
não sendo o sujeito pronome interrogativo (Que espera você?); (3) nas em que se procura especificar melhor o que se disse anteriormente: "Ouvi
reduzidas de infinitivo, de gerúndio ou de particípio (Por ser ele quem é... tuas razões, razões essas que não chegaram a convencer-me."
Sendo ele quem é... Resolvido o caso...); (4) nas imperativas (Faze tu o
Colocação dos advérbios. Os advérbios que modificam um adjetivo, um
que for possível); (5) nas optativas (Suceda a paz à guerra! Guie-o a mão
particípio isolado ou outro advérbio vêm, em regra, antepostos a essas
da Providência!); (6) nas que têm o verbo na passiva pronominal (Elimina-
palavras (mais azedo, mal conservado; muito perto). Quando modificam o
ram-se de vez as esperanças); (7) nas que começam por adjunto adverbial
verbo, os advérbios de modo costumam vir pospostos a este (Cantou
(No profundo do céu luzia uma estrela), predicativo (Esta é a vontade de
admiravelmente. Discursou bem. Falou claro.). Anteposto ao verbo, o
Deus) ou objeto (Aos conselhos sucederam as ameaças); (8) nas construí-
adjunto adverbial fica naturalmente em realce: "Lá longe a gaivota voava
das com verbos intransitivos (Desponta o dia). Colocam-se normalmente
rente ao mar."
depois do verbo da oração principal as orações subordinadas substantivas:
é claro que ele se arrependeu. Figuras de sintaxe. No tocante à colocação dos termos na frase, salien-
tem-se as seguintes figuras de sintaxe: (1) hipérbato -- intercalação de um
Predicativo anteposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes ca-
termo entre dois outros que se relacionam: "O das águas gigante caudalo-
sos: (1) nas orações interrogativas (Que espécie de homem é ele?); (2) nas
so" (= O gigante caudaloso das águas); (2) anástrofe -- inversão da ordem
exclamativas (Que bonito é esse lugar!).
normal de termos sintaticamente relacionados: "Do mar lançou-se na gela-
Colocação do adjetivo como adjunto adnominal. A posposição do ad- da areia" (= Lançou-se na gelada areia do mar); (3) prolepse -- transposi-
junto adnominal ao substantivo é a sequência que predomina no enunciado ção, para a oração principal, de termo da oração subordinada: "A nossa
lógico (livro bom, problema fácil), mas não é rara a inversão dessa ordem: Corte, não digo que possa competir com Paris ou Londres..." (= Não digo
(Uma simples advertência [anteposição do adjetivo simples, no sentido de que a nossa Corte possa competir com Paris ou Londres...); (4) sínquise --

Língua Portuguesa 48 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
alteração excessiva da ordem natural das palavras, que dificulta a compre- Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
ensão do sentido: "No tempo que do reino a rédea leve, João, filho de
Pedro, moderava" (= No tempo [em] que João, filho de Pedro, moderava a - Entregar-lhe (correta)
rédea leve do reino). ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. - Não posso recebê-lo. (correta)
Outros casos:
Colocação Pronominal (próclise, mesóclise, ênclise) - Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se.
Por Cristiana Gomes
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes.
É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, - Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo.
lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa,
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (próclise), ocorrerá a próclise:
no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.
Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronúncia. - Saiu do escritório, não nos revelando os motivos.
PRÓCLISE COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Usamos a próclise nos seguintes casos: Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, gerúndio
ou particípio.
(1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada,
ninguém, nem, de modo algum. AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se
houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar.
- Nada me perturba.
- Ninguém se mexeu. - Havia-lhe contado a verdade.
- De modo algum me afastarei daqui. - Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade.
- Ela nem se importou com meus problemas.
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o
(2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
embora, logo, que.
Infinitivo
- Quando se trata de comida, ele é um “expert”. - Quero-lhe dizer o que aconteceu.
- É necessário que a deixe na escola. - Quero dizer-lhe o que aconteceu.
- Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos sinceros.
Gerúndio
(3) Advérbios - Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Ia dizendo-lhe o que aconteceu.
- Aqui se tem paz.
- Sempre me dediquei aos estudos. Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo auxiliar
- Talvez o veja na escola. ou depois do verbo principal.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de Infinitivo
atrair o pronome. - Não lhe quero dizer o que aconteceu.
- Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
- Aqui, trabalha-se.
(4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos. Gerúndio
- Alguém me ligou? (indefinido) - Não lhe ia dizendo a verdade.
- A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo) - Não ia dizendo-lhe a verdade.
- Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)
(5) Em frases interrogativas.
- Quanto me cobrará pela tradução?
(6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
Figuras de Linguagem
- Deus o abençoe!
Figuras sonoras
- Macacos me mordam!
- Deus te abençoe, meu filho! Aliteração
(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
- Em se plantando tudo dá. repetição de sons consonantais (consoantes).
- Em se tratando de beleza, ele é campeão. Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características
(8) Com formas verbais proparoxítonas marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia.
- Nós o censurávamos.
Ex: "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes
MESÓCLISE veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs,
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer – ama- vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)
rei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não aconteceu – Assonância
amaria, amarias, …)
repetição dos mesmos sons vocálicos.
- Convidar-me-ão para a festa.
- Convidar-me-iam para a festa. Ex: (A, O) - "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do
litoral." (Caetano Veloso)
Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória. (E, O) - "O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser me
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa. deu." (Fernando Pessoa)

ÊNCLISE Paranomásia

Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada. o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).

- Tornarei-me……. (errada) Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre
- Tinha entregado-nos……….(errada) Antonio Vieira)

Língua Portuguesa 49 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Onomatopeia Ex: O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. "E sob as
ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o
criação de uma palavra para imitar um som sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de Andrade)
Ex: A língua do nhem "Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois Anacoluto
dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa / A
boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-nhem-nhem-nhem..." termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente, inicia-
(Cecília Meireles) se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.

Linguagem figurada Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns
anos sem importância (sujeito sem predicado) / Quem ama o feio, bonito
Elipse lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração)
omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos mais Anáfora
comuns:
repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.
a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois,
compraríeis a casa? Ex: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta
b) substantivo - a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no ligar / Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque)
de o estádio Maracanã Obs.: repetição em final de versos ou frases é epístrofe; repetição no início
c) preposição - estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no lugar e no fim será símploce. Classificações propostas por Rocha Lima.
de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
d) conjunção - espero você me entenda, no lugar de: espero que você me Silepse
entenda.
é a concordância com a ideia, e não com a palavra escrita. Existem três
e) verbo - queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o filho
tipos:
que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos - E o rapaz: - Não
sei de nada !, em vez de E o rapaz disse: a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída (= a cidade de São
Paulo). V. Sª é lisonjeiro
Zeugma
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra de Canudos (= o livro
omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes. Se for verbo, pode de Euclides da Cunha). O casal não veio, estavam ocupados.
necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pess - os brasileiros, mas
nas or. comparativas. Ex: Alguns estudam, outros não, por: alguns estu- quem fala ou escreve também participa do processo verbal)
dam, outros não estudam. / "O meu pai era paulista / Meu avô, pernambu-
Antecipação
cano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buarque) -
omissão de era antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático. Pode gerar
anacoluto.
Hipérbato
Ex.: Joana creio que veio aqui hoje.
alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das ora- O tempo parece que vai piorar
ções no período. São determinadas por ênfase e podem até gerar anacolu- Obs.: Celso Cunha denomina-a prolepse.
tos.
Figuras de palavras ou tropos
Ex: Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
(Para Bechara alterações semânticas)
Obs1.: Bechara denomina esta figura antecipação.
Metáfora
Obs2.: Se a inversão for violenta, comprometendo o sentido drasticamente,
Rocha Lima e Celso Cunha denominam-na sínquise emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. É um tipo de
Obs3.: RL considera anástrofe um tipo de hipérbato comparação implícita, sem termo comparativo.
Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. Encontrei a chave do problema. /
Anástrofe
"Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta." (Luís Gonzaga Junior)
anteposição, em expressões nominais, do termo regido de preposição ao Obs1.: Rocha Lima define como modalidades de metáfora: personificação
termo regente. (animismo), hipérbole, símbolo e sinestesia. ? Personificação - atribuição de
ações, qualidades e sentimentos humanos a seres inanimados. (A lua sorri
Ex: "Da morte o manto lutuoso vos cobre a todos.", por: O manto lutuoso da aos enamorados) ? Símbolo - nome de um ser ou coisa concreta assumin-
morte vos cobre a todos. do valor convencional, abstrato. (balança = justiça, D. Quixote = idealismo,
Obs.: para Rocha Lima é um tipo de hipérbato cão = fidelidade, além do simbolismo universal das cores)
Obs2.: esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas
Pleonasmo
Catacrese
repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a ideia.
uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na
Ex: Vi com meus próprios olhos. "E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao ausência de termo específico.
seu pesar ou seu contentamento." (Vinicius de Moraes), Ao pobre não lhe
devo (OI pleonástico) Ex.: Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha) / "Distrai-se um deles a
enterrar o dedo no tornozelo inchado." - O verbo enterrar era usado primiti-
Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro - decorre da ignorância, perdendo o vamente para significar apenas colocar na terra.
caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)
Obs1.: Modernamente, casos como pé de meia e boca de forno são consi-
Assíndeto derados metáforas viciadas. Perderam valor estilístico e se formaram
ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao texto. graças à semelhança de forma existente entre seres.
Ocorre muito nas or. coordenadas. Obs2.: Para Rocha Lima, é um tipo de metáfora

Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios." Metonímia

Polissíndeto substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associa-
ção de significado.
repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.
Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) / Ir ao barbeiro (o possuidor
pelo possuído, ou vice-versa - barbearia) / Bebi dois copos de leite (conti-

Língua Portuguesa 50 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
nente pelo conteúdo - leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pala classe - Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..." (João
culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos) / O brasileiro Bosco / Aldir Blanc)
é malandro (sing. pelo plural - brasileiros) / Brilham os cristais (matéria pela
obra - copos). Obs.: Para Rocha Lima, é uma modalidade de metáfora.

Antonomásia, perífrase
substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma expres- Frase, Oração e Período
são que facilmente o identifique. Fusão entre nome e seu aposto. A estrutura do período.
Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o leão,
• Objetivos:
Escritor Maldito = Lima Barreto
Obs.: Rocha Lima considera como uma variação da metonímia
o Diferenciar frase, oração e período.

Sinestesia
o Reconhecer a importância dos processos de coordenação e de su-
bordinação no processamento textual.
interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão,
audição, gustação e tato).
o Praticar a estruturação do período, observando-se a relação lógico-
semântica estabelecida entre os diferentes segmentos que o compõem.
Ex.: "Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava ...
/ Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / • Relação com a aula anterior: os segmentos que compõem o perío-
Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / do estabelecem entre si relações lógico-semânticas, cujo reconhecimento e
Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava." cuja compreensão contribuem para a construção do sentido global do texto.
(Cruz e Souza)
• Relação com a aula seguinte: A formação e a articulação dos perí-
Obs.: Para Rocha Lima, representa uma modalidade de metáfora odos são responsáveis pela constituição do parágrafo.
Anadiplose FRASE: qualquer enunciado com sentido completo.
é a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no • “Oscar 2004! Marta leva melhor maquiagem!” (José Simão. Folha de São Pau-
começo de outro membro de frase. lo – 03/03/04)

Ex: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente o “Oscar 2004!”: frase nominal.
condena os motivos dados."
o “Marta leva melhor maquiagem!”: frase verbal.
Figuras de pensamento
ORAÇÃO: frase ou parte de uma frase que se estrutura em torno de
Antítese um verbo ou de uma locução verbal. Geralmente, é composta de dois
elementos básicos: o sujeito e o predicado.
aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.
Ex: "Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios" • “PT cobra mudanças na economia.” (Folha de São Paulo – 06/03/04)
(Vinicius de Moraes)
Obs.: Paradoxo - ideias contraditórias num só pensamento, proposição de • “Marte teve água e foi habitável, diz Nasa.” (Folha de São Paulo –
Rocha Lima ("dor que desatina sem doer" Camões) 03/03/04)
Eufemismo
PERÍODO: é a frase que se estrutura em torno de uma ou mais ora-
consiste em "suavizar" alguma ideia desagradável
ções. Pode ser simples ou composto.
Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exa-
mes. (foi reprovado) • “Cresce a demanda por seguros que cobrem processos contra
Obs.: Rocha Lima propõe uma variação chamada litote - afirma-se algo executivos.” (Exame – 17/03/04)
pela negação do contrário. (Ele não vê, em lugar de Ele é cego; Não sou
moço, em vez de Sou velho). Para Bechara, alteração semântica. • “Avião de Lula consome 75% dos investimentos da União. No
ano da “virada”, governo gasta R$ 46,9 milhões com parcela de Air-
Hipérbole bus” (Folha de São Paulo – 14/03/04)
exagero de uma ideia com finalidade expressiva
Ex: Estou morrendo de sede (com muita sede), Ela é louca pelos filhos • A oração precisa de verbo ou de locução verbal, mas, mesmo
(gosta muito dos filhos) assim, nem sempre tem sentido completo. Por isso, nem toda oração é uma
Obs.: Para Rocha Lima, é uma das modalidades de metáfora. frase.

Ironia • A frase não precisa ter verbo, mas precisa ter sentido completo.
Por isso, nem toda frase é uma oração.
utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor
irônico. • Há frases com duas ou mais orações, visto que, separadas, não
possuem sentido completo.
Obs.: Rocha Lima designa como antífrase
Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta. • Um período é composto de uma ou mais orações.

Gradação • Período simples é aquele que contém apenas uma oração, isto
é, contém apenas um núcleo verbal.
apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descenden-
te (anticlímax) • Período composto é aquele que contém mais de uma oração, is-
to é, contém mais de um núcleo verbal
Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não
veja, que eu não conheça perfeitamente." • O número de núcleos verbais é igual ao número de orações.
Prosopopeia, personificação, animismo Um período pode ser composto por coordenação e/ou por subor-
dinação.
é a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e
inanimados. • O período composto por coordenação contém orações indepen-
dentes, que podem, com frequência, ser separadas em períodos simples.

Língua Portuguesa 51 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• O período composto por subordinação contém orações interde- o Os gerentes devem delegar poderes e estabelecer relações demo-
pendentes, que dificilmente podem ser separadas em períodos simples. cráticas.
PERÍODO COMPOSTO o Os gerentes não só devem delegar poder como também estabele-
cer relações democráticas.
• O processo de coordenação se dá por paralelismo ou relativa in-
dependência entre as orações. Relativa porque, se há a independência </b.aditivas:<>
sintática, muitas vezes não há independência semântica. Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos
• O processo de subordinação caracteriza-se por não haver para- • Adversativas: oposição, adversidade, contraste. Principais conjun-
lelismo entre as orações, mas desigualdade de funções e variedades ções: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto.
sintáticas.
o É importante delegar responsabilidades aos colaboradores, mas é
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO preciso conhecer a capacidade deles.
• “Atleta obtém prata inédita no salto, ganha por 0,025 ponto no o É importante delegar responsabilidades aos colaboradores, contu-
solo e coroa melhor participação do Brasil na Copa.” (Folha de São Paulo – 15/03/04) do é preciso conhecer a capacidade deles.
• Atleta obtém prata inédita no salto, Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos

• (Atleta) ganha por 0,025 ponto no solo • Explicativas: exprimem motivo, razão, explicação. Principais
conjunções: que, pois (antes do verbo), porque.
• e (atleta) coroa melhor participação do Brasil na Copa.
o A empresa teve bons resultados porque (pois) possui um time com
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO talentos diferenciados.
• “Em depoimento, empresário do jogo afirma que ex-assessor de o Organize um time com talentos diferenciados, que (pois) isso ga-
Dirceu usou telefone do Palácio para convocar reunião com GTech.” (Folha de rantirá o sucesso da empresa.
São Paulo – 15/03/04)
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos
• Em depoimento, empresário do jogo afirma
• Conclusivas: exprimem conclusão, hipótese, dedução. Principais
• que ex-assessor de Dirceu usou telefone do Palácio conjunções: portanto, logo, por isso, pois (após o verbo), dessa forma.

• para convocar reunião com GTech. o Procurou estimular a criatividade em seu trabalho, logo (por isso)
alcançará boa produtividade.
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E POR SUBORDI-
NAÇÃO o Procurou estimular a criatividade em seu trabalho, alcançará, pois,
boa produtividade.
• “Lula afirma que vai mexer e fazer ajustes no governo.” (Folha de
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos
São Paulo – 15/03/04)

• Lula afirma • Alternativas: exprimem alternância, escolha, exclusão. Principais


conjunções: ou ... ou; ora ... Ora, quer ... quer, seja ... seja.
• que (Lula) vai mexer (no governo) o Os profissionais devem estimular a própria criatividade ora convi-
• e (Lula) (vai) fazer ajustes no governo. vendo com pessoas criativas, ora lendo bons livros.

O EMPREGO DAS CONJUNÇÕES o Seja no momento de lazer, seja na execução de uma tarefa, os pro-
fissionais devem procurar desenvolver o seu potencial criativo.
• A conjunção é uma classe de palavras invariável, cuja função é
interligar elementos de uma frase, estabelecendo entre eles relações de • Elementos coesivos usados para unir sintagmas nominais, o-
sentido. rações e enunciados.

• As conjunções podem interligar desde palavras até períodos.


o Introduzem novas informações / argumentos, que possibilitam a
progressão textual.
• Quando interligam duas ou mais orações, classificam-se em o Expressam as seguintes ideias: adição, adversidade, explicação,
conjunções coordenativas (ex: e, mas, porém, logo) e conjunções subordi- conclusão e alternância.
nativas (ex: já que, embora, desde que, conforme, à medida que, a fim de
que).
Conjunção Coordenativa Conjunções Subordinativas
• Elo coesivo por meio do qual se estabelece a organização da in- Circunstância Conjunções
formação e a estrutura da argumentação. Que, do que (depois de mais, menos, maior, me-
Comparação
• mecanismo usado para assinalar as relações de sentido entre dois nor, melhor, pior), tanto quanto, como.
segmentos coordenados, que podem ser: Se, caso, contanto que, desde que, a menos
Condição
que, anão ser que.
o sintagmas: segmentos ligados pela conjunção e;
Conformidade Conforme, segundo, como.
o orações: segmentos ligados pelas conjunções mas, pois e ou;
Quando, antes que, depois que, logo que, assim
o enunciados: segmentos ligados pela conjunção portanto. Tempo
que, desde que.
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos Proporção À medida que, à proporção que.
• <b.aditivas:< b="">sentido de adição, soma ou sequência de ações. Causa Porque, como, já que, uma vez que, visto que.
Principais conjunções: e, nem, não só ... mas também, não só ... como Que (tal...que, tanto...que, tão...que,), de forma
também. Consequência
que, de maneira que.

Língua Portuguesa 52 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Fim Para que, a fim de que. tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou
adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especializa-
Embora, ainda que, mesmo que, por mais que, do. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a extensão
Concessão
por menos que, se bem que.. do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a condução
do tema principal a assuntos correlatos.
Organização das ideia s. O texto artístico é em geral construído a partir
Exemplos: de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
A torcida frequenta mais os estádios habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada
transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando
PROPORÇÃO: à palavras e construções de sentido ambíguo.
FINALIDADE: para
proporção que o seu
ver o seu time vencer no Para escrever bem, é preciso ter ideia s e saber concatená-las. Entre-
time está subindo na
clássico. vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema abordado
tabela do campeonato.
são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do
assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a
A torcida expande suas tensões experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimento
suficiente para a formação de ideia s e valores a respeito do mundo circun-
CONDIÇÃO: se o TEMPO: quando o
dante.
time está perdendo. time está perdendo.
É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis-
perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse
A audiência do jogo é garantida problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre-
CONCES- ver sobre o tema, tomando nota livremente das ideia s que ele suscita. O
CONFORMIDA- passo seguinte consiste em organizar essas ideia s e encadeá-las segundo
SÃO: embora a trans-
DE: como atestam as a relação que se estabelece entre elas.
missão não seja de
pesquisas do Ibope.
boa qualidade. Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni-
mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há
sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo
• Elementos coesivos usados para unir orações e enunciados. com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o
indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni-
• Introduzem novas informações / argumentos, que possibilitam a car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou
progressão textual. objeto lhe sugere.
• Expressam as seguintes ideias: causa, consequência, finalidade, Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos e
concessão, comparação, condição, conformidade, tempo, proporção, etc. neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à ideia
Considerações finais original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infantil").
• A compreensão e o estudo dos processos de construção de pe-
O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, para
ríodos contribuem para que se construam textos claros, coesos, coerentes
evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes.
e fluentes. Profª. Solange Aparecida Lara
A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramaticais,
Redação linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma frase
gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada com
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente objetivo de transmitir as opiniões e ideia s de seu autor.
com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos
complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de ideia Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser
s e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória. classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e
nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não-
Redação é o ato de exprimir ideia s, por escrito, de forma clara e orga- literárias, como as dissertações e redações técnicas.
nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramática
do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de redação Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,
deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se pretende lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das
dar à composição, organização das ideia s sobre o tema, escolha do voca- características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos humanos
bulário adequado e concatenação das ideia s segundo as regras linguísti- -- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio deles que
cas e gramaticais. o ser humano toma contato com o ambiente.
Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de
grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen- perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais
temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de ex- rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra
pressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o que suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou
não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um sonoridade, e as transmite para o leitor.
exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se
Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narra-
refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o
ção. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão
cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo,
dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns
todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo que
eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de
quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de fatos
vista, pode recair sobre o protagonista da história, um observador neutro,
empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de maneira
alguém que participou do acontecimento de forma secundária ou ainda um
própria e individual determina o grau de criatividade do escritor.
espectador onisciente, que supostamente esteve presente em todos os
Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em lugares, conhece todos os personagens, suas ideia s e sentimentos.
mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível
A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando
cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo
é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste,

Língua Portuguesa 53 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três 1) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas diferen-
formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a tes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educa-
fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o ção formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada
personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de que na língua escrita;
elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo "dis-
se", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se 2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes
misturam os dois tipos anteriores. de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais,
informais ou de outro tipo;
O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem
chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos 3) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais
fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos. É de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática, meta-
comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho. lúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e outros.
São as gírias e jargões.
Dissertação. A exposição de ideia s a respeito de um tema, com base
em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da
do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo.
essa razão, a coerência entre as ideia s e a clareza na forma de expressão
são elementos fundamentais.
Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pran-
A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdu- ta/planta; broco/bloco.
ção, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento,
em que se expõem os argumentos e ideia s sobre o assunto, fundamentan- Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
do-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer demons- Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: ar-
trar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a finalidade ve/árvore; figo/fígado.
de reforçar a ideia inicial.
Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: ar-
Texto jornalístico e publicitário. O texto jornalístico apresenta a peculia- ve/árvore; figo/fígado. Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
ridade de poder transitar por todos os tipos de linguagem, da mais formal,
empregada, por exemplo, nos periódicos especializados sobre ciência e Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
política, até aquela extremamente coloquial, utilizada em publicações
Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do ver-
voltadas para o público juvenil. Apesar dessa aparente liberdade de estilo, o
bo: “Chegou” duas moças.
redator deve obedecer ao propósito específico da publicação para a qual
escreve e seguir regras que costumam ser bastante rígidas e definidas, Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de su-
tanto quanto à extensão do texto como em relação à escolha do assunto, jeito): Nós pegamos “ele” na hora.
ao tratamento que lhe é dado e ao vocabulário empregado.
Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (ta-
O texto publicitário é produzido em condições análogas a essas e ainda mém/também).
mais estritas, pois sua intenção, mais do que informar, é convencer o
público a consumir determinado produto ou apoiar determinada ideia . Para Desnasalização das vogais postônicas: home/homem.
isso, a resposta desse mesmo público é periodicamente analisada, com o Desnasalização das vogais postônicas: home/homem. Redução do “e”
intuito de avaliar a eficácia do texto. ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
Redação técnica. Há diversos tipos de redação não-literária, como os Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; a-
textos de manuais, relatórios administrativos, de experiências, artigos mô/amor.
científicos, teses, monografias, cartas comerciais e muitos outros exemplos
de redação técnica e científica. Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles
ama.
Embora se deva reger pelos mesmos princípios de objetividade, coe-
rência e clareza que pautam qualquer outro tipo de composição, a redação Variações regionais: os sotaques
técnica apresenta estrutura e estilo próprios, com forte predominância da Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para
linguagem denotativa. Essa distinção é basicamente produzida pelo objeti- a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Muita gente não gosta de falar tal
vo que a redação técnica persegue: o de esclarecer e não o de impressio- palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o demô-
nar. nio apareça. Alguns desses nomes aparecem em o "Grande Sertão: Vere-
As dissertações científicas, elaboradas segundo métodos rigorosos e das", Guimarães Rosa, que traz uma linguagem muito característica do
fundamentadas geralmente em extensa bibliografia, obedecem a padrões sertãocentro-oeste do Brasil:
de estruturação do texto criados e divulgados pela Associação Brasileira de Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo, Cujo, Tinhoso,
Normas Técnicas (ABNT). A apresentação dos trabalhos científicos deve Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo, O
incluir, nessa ordem: capa; folha de rosto; agradecimentos, se houver; pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azarape,
sumário; sinopse ou resumo; listas (de ilustrações, tabelas, gráficos etc.); o O Coisa-ruim, O Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O Duba-dubá, O Rapaz, O
texto do trabalho propriamente dito, dividido em introdução, método, resul- Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-ri, O sem gracejos, Pai do
tados, discussão e conclusão; apêndices e anexos; bibliografia; e índice. Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O Solto-Ele, O Ele, Carfano, Rabudo.
A preparação dos originais também obedece a algumas normas defini- Drummond de Andrade, grande escritor brasileiro, que elabora seu tex-
das pela ABNT e pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação to a partir de uma variação linguística relacionada ao vocabulário usado em
(IBBD) para garantia de uniformidade. Essas normas dizem respeito às uma determinada época no Brasil.
dimensões do papel, ao tamanho das margens, ao número de linhas por
página e de caracteres ou espaços por linha, à entrelinha e à numeração Antigamente
das páginas, entre outras características. ©Encyclopaedia Britannica do
"Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas
Brasil Publicações Ltda.
mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras,
Variações linguísticas: O modo de falar do brasileiro em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio."
Toda língua possui variações linguísticas. Elas podem ser entendidas
por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (varia- Como escreveríamos o texto acima em um português de hoje, do sécu-
ção regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas a partir lo 21? Toda língua muda com o tempo. Basta lembrarmos que do latim, já
de três diferentes fenômenos.

Língua Portuguesa 54 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
transformado, veio o português, que, por sua vez, hoje é muito diferente
daquele que era usado na época medieval. a) língua padrão – é a variedade de maior prestígio social.
Ex.: “nós somos”; “a gente vai”; “para eu fazer”.
Língua e status b) língua não padrão – é o conjunto de todas as variedades linguísticas
Nem todas as variações linguísticas têm o mesmo prestígio social no diferentes da língua padrão.
Brasil. Basta lembrar de algumas variações usadas por pessoas de deter- Ex.: “nós é”; “a gente vamos”; “para mim fazer”.
minadas classes sociais ou regiões, para perceber que há preconceito em
relação a elas. Variação e adequação linguística
Reflexão – Quando saímos para determinada ocasião. Seja para u-
Veja este texto de Patativa do Assaré, um grande poeta popular nor- ma cerimônia de casamento, seja para assistir uma partida de futebol no
destino, que fala do assunto: estádio. Devemos usar o mesmo tipo de roupa? Não, pois existe uma roupa
adequada a cada situação.
O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa, Devemos adequar a nossa língua de acordo com a situação de uso, portan-
Trabáio na roça, de inverno e de estio. to:
A minha chupana é tapada de barro, 1) Se estivermos num estádio, assistindo a um jogo de futebol, é aceitável
Só fumo cigarro de paia de mío. usarmos uma língua informal (não padrão)? Justifique sua resposta com
suas palavras.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô 2) No entanto, se estivermos numa entrevista em busca de um emprego, é
Que veve vagando, com sua viola, recomendável usar a língua formal (padrão)? Justifique.
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei, Exercício:
Apenas eu sei o meu nome assiná. Reconheça o uso adequado da língua (língua formal ou informal) para
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre, elaborar os pequenos textos solicitados abaixo:
E o fio do pobre não pode estudá. a) um telegrama para o diretor do colégio solicitando o certificado de con-
clusão do ensino fundamental:
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão, b) uma mensagem de orkut para um amigo:
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão. c) um bilhete na porta da geladeira lembrando o horário do médico:
(...)
d) um bilhete no final da prova para o professor, solicitando-lhe dedicação
Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção especial na hora da correção.
transmitida por essa poesia? Patativa do Assaré era analfabeto (sua filha é Profº Diogo de oLiveira Paula
quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o oceano e se
tornou conhecida mesmo na Europa. A linguagem é o meio de adequação do indivíduo a sociedade. Lin-
guagem como meio tradicional de comunicação é o instrumento de trans-
Leia agora, um poema de um intelectual e poeta brasileiro, Oswald de missão de ideias, bem como da ocultação dessas, da alienação e da se-
Andrade, que, já em 1922, enfatizou a busca por uma "língua brasileira". gregação. A linguagem é o item que se une ao convívio social como cons-
trutor das práticas sociais condicionadas e da identidade psicológica do
Vício na fala homem. Um indivíduo que fica isolado da sociedade e aprende a linguagem
Para dizerem milho dizem mio tardiamente, tem uma percepção mais aguçada da realidade, suas ideias
Para melhor dizem mió não se limitam a símbolos ou abstrações, como palavras ou ideias que
Para pior pió distorcem os conceitos. Suas "portas da percepção" estarão abertas, pois
Para telha dizem teia seu conhecimento de mundo está livre de "pré-conceitos", ou seja, ideias
Para telhado dizem teiado perpetuadas pela sociedade, ditas como verdadeiras, mas que se analisa-
E vão fazendo telhados. das sem "pré-ideias" são apenas práticas sociais condicionadas que não se
utilizam de lógica, a imposição de regras(normas) para a regulação da
Uma certa tradição cultural nega a existência de determinadas variedades práxis.
linguísticas dentro do país, o que acaba por rejeitar algumas manifestações
linguísticas por considerá-las deficiências do usuário. Nesse sentido, vários
mitos são construídos, a partir do preconceito linguístico.
Alfredina Nery
Variação e adequação linguística
Qual é?

“Essa onda que tu tem...


Qual é?
Esse marra que tu tem...
Qual é?
Qual é, neguim?” (Marcelo D2)

1. Identifique expressões populares e gírias na letra da música de Marcelo


D2.

2. Essas expressões e gírias são comuns na de que grupo social?

# Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta,


em razão das condições sociais, culturais e regionais nas quais é utilizada.

Língua Portuguesa 55 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
esforço permanente dos usuários da língua para cooperar com os interlocutores,
ANALISANDO ALGUMAS RELAÇÕES ENTRE PRODUÇÃO E AVALIAÇÃO buscando dar conta dos objetivos estabelecidos na interação verbal. Os itens que
DE TEXTOS POR PROFESSORES DAS SÉRIES INICIAIS obtiveram maiores médias foram: adequação ao tema, relação título-texto, continu-
Telma Ferraz Leal (UFPE) idade e progressão, fatores básicos da adequação pragmática de um texto.

Gilda Lisbôa Guimarães Os autores apontaram que "os seis itens cujas médias foram mais baixas remetem
a pontos em que o modo de formular o texto escrito é diferente da formulação do
Que relações existem entre a capacidade de produzir textos e a de avaliar texto oral" (101). Entre os alunos da 5a série, as médias mais baixas na dimensão
textos? conceitual foram as relativas à consistência argumentativa e à articulação entre as
O objetivo deste estudo foi refletir sobre as relações entre a produção de textos por subpartes do texto.
professores das séries iniciais e os critérios que eles utilizam para avaliação dos O baixo desempenho em articulação pode ser entendido pelo fato de que, nas
textos dos alunos. Adotamos como pressuposto básico a ideia de que é indispen- situações mais formais de escrita, as relações entre as ideias precisam ser explici-
sável, ao professor, reconhecer e valorizar nos textos das crianças não apenas os tadas na forma de conjunções ou outras expressões articuladoras (como "a partir
aspectos relativos à correção ortográfica e gramatical, mas também, e principal- daí", "resumindo", "para concluir", "em suma" etc.). O uso dos elementos que
mente, os aspectos relativos ao uso dos recursos linguísticos e à organização estabelecem a coesão entre as partes do texto parece ser um complicador para os
estrutural do texto. No entanto, hipotetizamos que a capacidade de reconhecimen- que não têm familiaridade com os recursos mais utilizados nos gêneros textuais
to desses aspectos não é espontaneamente desenvolvida e que não é suficiente escritos. Nas situações de uso da modalidade oral coloquial, muitos outros auxilia-
teorizar sobre tais critérios para que os professores passem a adotá-los. Na reali- res podem ser utilizados, tais como os gestos, a entonação. Por outro lado, a
dade, nossa hipótese é que quando tais conhecimentos textuais são incorporados, presença do interlocutor nas situações mais informais faz com que os nexos não
os usuários tendem a escrever textos mais eficientemente e a reconhecer em compreendidos durante a interlocução possam ser retomados e explicados pelo
outros textos o uso de tais elementos. falante.
Assim, consideramos fundamental investigar os processos de produção de textos A falta de familiaridade com os gêneros textuais escritos dificulta o processo de
de professores, buscando verificar as relações entre as capacidades de usar produção de textos porque os usuários da língua têm consciência de que existem
recursos linguísticos e estruturar os textos e as formas como tais profissionais diferenças entre os diversos gêneros e tentam se adequar a elas. As regularidades
avaliam os textos das crianças. dos usos dos recursos linguísticos nos diferentes gêneros textuais vêm sendo
Dificuldades de adultos escolarizados em tarefas de produção de textos têm sido tratada por vários autores, como Bakhtin (1979) e Canvat (1996) que concebem
apontadas em inúmeras pesquisas. No número 23 do "Cadernos de Pesquisa" que os gêneros são “formas relativamente estáveis tomadas pelos enunciados em
(organizado por Rodrigues, 1977), vários autores relataram estudos apontando situações habituais, entidades culturais intermediárias que permitem estabilizar os
dificuldades de jovens e adultos em produção de textos. elementos formais e rituais das práticas de linguagem.” (Schnewly, 1999, p.7).
Dessa forma, eles funcionam como “um modelo comum, como uma representação
Um dos estudos publicados na obra acima foi produzido por Lemos (1977). A integrante que determina um horizonte de expectativa para os membros de uma
autora investigou se as dificuldades seriam decorrentes de uma transposição da comunidade confrontados às mesmas práticas de linguagem.” (Schnewly, 1999,
linguagem oral à linguagem escrita ou se seriam decorrência do tipo de instrução p.7). Assim, as expectativas quanto ao uso de determinados recursos formais para
dada pela escola para produção de redação. Ela buscou investigar os tipos de concretizar os enunciados verbalmente tendem a ser atendidas pelos escritores
conectivos e sentenças usados nas relações entre sentenças do mesmo período, mais experientes.
períodos no mesmo parágrafo e relações entre parágrafos. Ela observou que
houve nessas redações uma preferência por sentenças subordinadas com alta Quanto à consistência argumentativa, os autores concluem que "é mais difícil de
frequência de desvios (discordância ou incompatibilidade entre a relação semântica construir no texto escrito do que no oral porque, na escrita, não se tem o interlocu-
afirmada pelo conectivo, ou inferido da presença de certos constituintes da senten- tor presente, não se podem ver suas reações, não se sabe quando e como mudar
ça, período e parágrafo, e o conteúdo das sentenças, períodos ou parágrafos o rumo da conversa para alcançar o efeito de sentido desejado." (Evangelista e
postos em relação). A conclusão apresentada a partir dos resultados foi a de que o outros, 101). Tal hipótese é também defendida por Golder e Coirier (1994, 1996)
principal fator de inadequação foi a utilização de estratégias de preenchimento de que defendem a ideia de que produzir textos argumentativos escritos é mais difícil
um arcabouço ou esquema formal previamente dado ou inferido. Tal conclusão por questões relacionadas a três fatores básicos: a negociação com interlocutores
decorre de que, embora haja uma preferência por orações subordinadas e, dentro ausentes; as próprias dificuldades oriundas da produção de qualquer texto escrito
das subordinadas, de subordinação gerundiva, pouco usadas oralmente, tal utiliza- (planejamento, topicalização, coesão); e as dificuldades de coordenação das
ção foi, muitas vezes, inadequada, o que parece indicar que os sujeitos sabiam que operações complexas do ato de argumentar com as demandas exigidas para
esse tipo de oração é pertinente num texto escrito, mas não sabiam exatamente elaboração de textos escritos.
como utilizá-lo, talvez por falta de um domínio da modalidade escrita. Segundo a Quanto aos aspectos formais, as menores médias foram para a coesão, a morfos-
autora, o uso da subordinação não parece resultar de uma necessidade de organi- sintaxe e a pontuação/paragrafação. Tais resultados mostram que há uma dificul-
zação do conteúdo, mas se constituiu num artifício meramente formal. Ao que dade em concretizar linguisticamente as intenções, ou seja, em utilizar os recursos
parece, a explicitação de regras de redação ou das características próprias a tal linguísticos para alcançar os efeitos pretendidos.
tipo de registro não é suficiente para que os alunos tornem-se usuários competen-
tes da linguagem escrita. Quanto ao uso dos conectivos coesivos, vários autores, como Piéraut - Le Bonniec
e Valette (1991) e Kail e Weissenborn (1991), vêm apontando que, mesmo para
Evangelista, Carvalho, Leal, Val, Starling e Marinho (1998) também detectaram adolescentes mais velhos (17 anos), existem dificuldades na utilização de conecti-
dificuldades em jovens escritores. As análises de 95014 redações (10718 do 2o vos nos textos.
grau, 84296 do 1o grau), em uma Avaliação da Rede Pública Estadual, em Minas
Gerais (1994), mostrou que, em uma escala de 0 a 10, a nota mais frequente foi 5, Entre as redações do 2o grau, também observou-se que havia dificuldades no
atribuída a 20,93% das redações de 5a série. aspecto relativo à articulação entre ideias. Quanto à adequação formal, foram
repetidos os desempenhos dos alunos de 5a série. Apenas no critério ortografia, os
Os critérios de avaliação adotados pelos autores foram organizados em dois alunos ultrapassaram a média 2 (numa escala de 0 a 4). As médias relativas a
blocos: adequação conceitual e adequação formal. A adequação conceitual foi coesão, morfossintaxe e paragrafação / pontuação situam-se abaixo dessa faixa.
pensada pelos autores a partir dos critérios que definem em que medida o texto
atende à situação de interação proposta. Assim, foi dividida em 3 itens: adequação Os resultados acima apresentados evidenciam que, embora os alunos tenham
ao tema, unidade temática (continuidade, progressão temática e articulação entre clareza da situação proposta (adequação ao tema, ao comando), sentem dificulda-
ideias) e consistência argumentativa (suficiência e pertinência argumentativa). A des em utilizar os recursos linguísticos para estabelecer a articulação entre as
adequação formal refere-se aos recursos linguísticos utilizados pelos produtores de ideias propostas. O ensino da língua portuguesa, que tradicionalmente apegava-se
textos para explicitar as ideias. Foram considerados na avaliação os seguintes à ênfase na teorização gramatical e na normatividade (correção linguística) pode
aspectos: coesão, morfossintaxe, paragrafação / pontuação e ortografia. ter levado tais alunos a não desenvolverem tal capacidade. Na realidade, quando
discute-se os objetivos do ensino da língua materna, os eixos "leitura" e "produção
Os resultados apontaram que os alunos tendem a construir uma representação de textos" tendem a ser desvinculados do eixo "análise linguística". E, com grande
adequada da situação proposta e, portanto, atendem aos comandos estabelecidos. frequência, o eixo "análise linguística" tende a ser encarado apenas como o ensino
A intuição textual e comunicativa dos estudantes mostra, mais uma vez, que há um

Língua Portuguesa 56 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
da norma culta e não como o desenvolvimento da capacidade de usar recursos Na tarefa de avaliação dos textos das crianças, os examinadores apresentaram 8
linguísticos para produção de efeitos de sentido. Atualmente, os discursos pedagó- histórias e informaram que os mesmos foram produzidos por crianças de 2a série
gicos pregam a ideia de que deve-se ensinar uma "gramática contextualizada". Na de escolas públicas. Foi solicitado que os avaliassem, atribuindo uma nota. Os
realidade, muito pouco tem sido dito sobre como deve se dar essa contextualiza- textos utilizados variaram segundo três critérios básicos: estrutura de texto, corre-
ção nas séries iniciais e, então, situações como "identificar classes gramaticais em ção ortográfico-gramatical e estética (apresentação). Assim, cada texto é bom em
textos" são, ainda, muito frequentes. Estudos sobre situações didáticas de ensino algum (uns) desses critérios e fraco em outro (s).
de análise linguística nas séries iniciais são, até o momento, escassos.
Algumas propostas não investigadas detidamente defendem que o trabalho de
análise linguística que privilegia o desenvolvimento de atividade epilinguística e Como eram os textos produzidos pelos professores?
metalinguística pode auxiliar em tal aquisição. A atividade epilinguística implica a Conhecer as capacidades textuais dos professores que vão atuar como orientado-
suspensão do conteúdo para refletir sobre a formulação linguística que ocorre res na aprendizagem de elaboração de textos escritos parece-nos indispensável
durante a coordenação da tarefa de grafar, formular e planejar, e a atividade para que possamos entender melhor os limites e atuar através de um acompa-
metalinguística implica a reflexão consciente sobre a própria formulação linguística nhamento mais sistemático no processo de formação continuada desses profis-
(explicitação dos motivos da escolha por determinados recursos e sobre a possibi- sionais. Traçar o perfil dos professores quanto às capacidades que eles demons-
lidade de substituição), que é indispensável na etapa de revisão. Em relação a tal tram no trato com a escrita pode ajudar nas discussões sobre os motivos pelos
questão, Bronckart (1996) salienta que a atividade de geração de um texto pode quais o ensino da Língua Portuguesa caminha em sentidos às vezes contrários, ou
ser decomposta em ações que não são necessariamente orientadas pelos motivos distantes, do que vislumbram os estudos contemporâneos sobre tal tema.
originais que impulsionaram sua realização, mas sim, por objetivos intermediários
necessários à execução da atividade como um todo. É nessa perspectiva que Para dar conta dos objetivos acima traçados, buscamos estabelecer alguns crité-
defendemos que a escolha dos recursos formais, embora relacionada às intenções rios básicos que pudessem evidenciar quais aspectos da escrita os professores
que o interlocutor tem para com o texto, nem sempre coloca-se como uma meta dominam mais e quais aspectos demonstram algum tipo de dificuldade. As análi-
conscientemente adotada por escritores não experientes. ses dessa parte foram realizadas tomando como marco as sugestões propostas
por Therezo (1997) e Evangelista e outros (1998). Descreveremos, abaixo, os
Assim, muitos autores, como Rego (1988), Góes e Smolka (1992), Weisz (1992) e critérios utilizados para análise dos textos dos professores para, posteriormente,
Kato (1995) advertem que a criança precisa desenvolver habilidades metacogniti- apresentarmos os desempenhos em cada um dos critérios estabelecidos. Com
vas de planejamento, monitoração da atividade, revisão, avaliação do texto produ- base nas propostas de Evangelista e outros (1998), os critérios foram organizados
zido. Durante toda a tarefa, a monitoração da ação possibilita retomadas e refac- em dois grandes blocos: aspectos conceituais e aspectos formais.
ções.
 Aspectos conceituais
A criança, quando participante de uma prática pedagógica que reconhece a neces-
sidade de desenvolver tais estratégias, começa a superar problemas de produção A adequação conceitual foi pensada pelos autores a partir dos critérios que defi-
a partir do esforço de fazer distinção entre gerar o texto e pensar sobre ele, como nem em que medida o texto atende à situação de interação proposta. Assim, foi
bem salientou Góes e Smolka (1992) e Cafiero (1996), entre outros. A distinção dividida em 3 itens: adequação ao tema, unidade temática e consistência argumen-
entre planejamento e geração e entre conteúdo e forma é essencial para que haja tativa.
desenvolvimento das capacidades básicas de formação do produtor de textos. A Adequação ao tema: avaliação da relação do texto com a proposta. Tratando-se de
antecipação do provável ou pretendido leitor para o texto é essencial para que se uma proposta de produção de um texto temático, avaliamos se a configuração
perceba e se valorize todos os aspectos levantados até o momento. É por isso que geral do texto atendia ao que estava sendo solicitado (discutir a questão da alfabe-
a prática pedagógica precisa inserir o trabalho de produção textual em situações tização) e se havia alguma opinião claramente defendida (ponto de vista sobre o
que tenham sentido para a criança, que motivem a aprendizagem dos aspectos assunto).
formais e discursivos indispensáveis a tomadas de decisão conscientes.
Unidade temática: avaliação da capacidade de garantir a unidade textual. Alguns
NO ENTANTO, TAIS PROCEDIMENTOS SÓ SERÃO ADOTADOS PELO PRO- teóricos consideram tal critérios como sendo uma medida de coerência textual.
FESSOR QUE, DE FATO, PERCEBA TODAS ESSAS DIMENSÕES TEXTUAIS. Assumimos, no entanto, assim como Evangelista e outros (1998), que a coerência
A HIPÓTESE LEVANTADA ANTERIORMENTE É QUE TAIS TOMADAS DE não é exclusiva do texto, mas é construída na interação entre interlocutores. Dessa
CONSCIÊNCIA OCORREM EM ATIVIDADES DE GERAÇÃO E REVISÃO forma, consideramos que podemos avaliar apenas algumas pistas usadas pelo
TEXTUAL. É NECESSÁRIO, POIS, QUE OS PROFESSORES SEJAM, DE autor para atuar como colaborador para que o leitor possa recuperar o sentido
FATO, PRODUTORES DE TEXTOS. NESSA PERSPECTIVA, COSTALONGA pretendido. Assim, três critérios lidam com fatores que acreditamos integrarem as
(1995) APRESENTA A HIPÓTESE DE QUE “SE SE PRETENDE MELHORAR A tendências mais gerais de composição textual: articulação entre ideias, continuida-
PRODUÇÃO ESCRITA DAS CRIANÇAS, É PRECISO MELHORAR A ESCRITA de e progressão temática. “Continuidade diz respeito à possibilidade de se reco-
DO PROFESSOR.” (P. 25). nhecer na redação um eixo, um fio condutor, uma ideia nuclear que se mantém e
COMO FOI A METODOLOGIA DE PESQUISA? organiza todo o discurso.” (Evangelista e outros, 1998, p.80). A progressão, segun-
do os autores citados, “complementa e contrabalança a continuidade..., pois faz
Foram contactados para colaborar com esta pesquisa 160 professores de duas parte das expectativas dos falantes, em nossa cultura, que os textos mantenham
capitais nordestinas (Recife e Teresina), lotados em escolas públicas (80) e particu- um eixo temático, que não percam o fio da meada; mas faz parte dessas expectati-
lares (80), ministrando aulas nas séries iniciais (alfabetização-40; 1a série-40; 2a vas também que os textos se desenvolvam, acrescentando informações sobre o
série-40; 3a série-40). tema central, ou desdobrando-o em subtemas afins.” (Evangelista e outros, 1998,
Em relação à idade, houve uma variação entre 18 e 54 anos, com média em torno 81). Quanto à articulação, trata da inter-relação dos elementos textuais entre si e
de 31,18 (DP=7,69). O tempo de serviço também foi variável, pois 36,9% dos com o todo, “do nexo que estabelece o encadeamento entre as partes, através das
professores tinham menos de 5 anos de serviço, 36,3% tinham entre 6 e 11 anos, relações lógico-semânticas de causa e consequência, de condição, de finalidade,
e 26,9% tinham mais que 11 anos de serviço. Quanto ao grau de escolaridade, de temporalidade, de contiguidade, de inclusão ou exclusão, de compatibilidade e
56,3% dos professores tinham apenas nível médio. Em Teresina, 65% dos profes- não-contradição, etc.” (Evangelista, 1998, p. 81). Consideramos, em tal análise,
sores tinham apenas nível médio, enquanto que, em Recife, 47,5% apresentavam que a “articulação pode não estar explícita, pode ser confiada à capacidade do
tal grau de escolaridade. Por outro lado, em Teresina, apenas 12,5% tinham nível interlocutor de ativar conhecimentos partilhados e inferir as necessárias conexões,
superior e em Recife, 40% tinham concluído algum curso superior. mas precisa, de alguma forma, estar sinalizada ou ser dedutível pelo ouvinte/leitor”.
(81)
Cada professor realizou duas tarefas: produção de texto e avaliação de textos. A
tarefa de produção constou da elaboração escrita de um texto, cujo tema foi apre- Consistência Argumentativa: avaliação do teor de informatividade do texto. Refere-
sentado inicialmente (“A importância da Alfabetização no dia-a-dia do brasileiro”). se a três aspectos básicos: pertinência, suficiência e relevância argumentativa. A
Foi dito aos professores que eles apresentassem suas ideias de forma clara para pertinência diz respeito à adequação dos argumentos apresentados para o tema
que se pudesse investigar as concepções dos professores acerca dos efeitos da em questão e aos pontos de vista defendidos. A suficiência busca apreender se os
aquisição da escrita na sociedade brasileira. argumentos apresentados são suficientes para convencer o leitor. A relevância
argumentativa corresponde à força que os argumentos têm para os efeitos preten-
didos, relaciona-se à capacidade do autor de dar consistência argumentativa ao

Língua Portuguesa 57 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
texto, desenvolvendo as informações apresentadas de tal forma que sejam explici- noções confusas também foram encontradas. Tais resultados são similares aos
tadas as relações entre elas e com as conclusões propostas. dados evidenciados por Evangelista e outros (1998) com alunos de 5a série e nível
médio, que também demonstraram baixo desempenho em consistência argumen-
 Aspectos formais tativa.
A adequação formal refere-se aos recursos linguísticos utilizados pelos produtores A análise geral dos textos mostrou que muitas produções ficaram fragmentadas.
de textos para explicitar as ideias. A estruturação sintática do texto, a segmentação Os problemas de coesão eram frequentes. Nesse critério, buscamos classificar
das ideias e as pistas linguísticas fornecidas pelo escritor fazem parte das decisões como “bons” os textos que apresentavam pistas gramaticais que ligavam segmen-
tomadas para que os efeitos de sentido pretendidos sejam alcançados, ou seja, tos do texto (orações, períodos, parágrafos), mesmo que fossem utilizados poucos
diante das múltiplas possibilidades de expressão das ideias oferecidas pelo siste- recursos que se repetissem no texto (e, daí, porque, mas...) e repetição de palavras
ma gramatical da língua, o escritor busca aquelas que melhor se aplicam à situa- para manutenção da continuidade. Consideramos que, muitas vezes, a repetição
ção de interação. Assim, nessa concepção, os aspectos formais são muito mais do de algumas palavras dá força ao texto. Os textos “muito bons” eram aqueles que
que adequação às normas estabelecidas, pois mantém relação de interdependên- utilizavam as pistas mais apropriadas ao tipo de discurso que estavam utilizando
cia com a estruturação semântica e pragmática do texto; afeta e é afetada por (modalidade escrita, texto dissertativo), ou seja, aqueles textos que não utilizavam
elas. Consideramos, para análise dos textos dos professores, quatro critérios para apenas os recursos comuns à linguagem oral coloquial. Além do uso de conectivos
avaliar o uso dos recursos linguísticos no texto: coesão, morfossintaxe, paragrafa- como “portanto”, “porém”, “no entanto”, foram observados também outros aspectos
ção / pontuação e ortografia. da coesão, como as substituições lexicais, o uso de modalizadores e as flexões
Coesão: avaliação do uso de sinalizadores gramaticais utilizados para garantir a dos verbos (escolha dos tempos e modos verbais). Algumas vezes, observamos
articulação entre as partes do texto (oração, períodos, parágrafos). Refere-se textos que apresentavam “boa coesão” quando analisávamos as sequências
basicamente à análise do uso de algumas pistas gramaticais que evidenciam, na linearmente, mas, quando avaliávamos as ideias na totalidade, percebíamos que
superfície do texto, as relação entre os segmentos textuais, tais como: pronomes e havia certa desarticulação (na constituição do todo). Era comum encontrarmos
advérbios, conjunções e expressões articuladoras, modalizadores, tempos e textos que continham em cada parágrafo um subtema relativo ao tema (alfabetiza-
modos verbais, processos de coesão lexical, como o emprego de vocabulário do ção), sem, no entanto, apresentar elos de ligação entre eles. Dessa forma, um dos
mesmo campo semântico e a substituição por sinônimos, antônimos ou por termos problemas observados foi que muitos textos eram fragmentados.
que estabelecem com o substituído uma relação do tipo todo-parte, classe- Em relação à progressão temática, observávamos que, tanto os problemas relati-
indivíduo. vos à seleção das ideias, quanto os problemas relativos à coesão prejudicavam a
Morfossintaxe: avaliação dos aspectos mais normativos da língua. Refere-se à progressão textual. Alguns textos apresentavam uma informação e circulavam em
estruturação sintática dos períodos, à concordância, à regência e à colocação. torno dela, sem adicionar novas ideias, mas o mais frequente era a falta de pro-
gressão. Algumas pessoas restringiam-se a dar uma resposta e não desenvolviam
Paragrafação e pontuação: avaliação dos sinalizadores usados para segmentar o o tema.
texto em partes, atendendo às funções básicas da pontuação: organização sintáti-
ca, suplementação semântica e função prosódica. Em relação à morfossintaxe e à pontuação, os problemas mais frequentes eram
quanto à construção dos períodos dentro do texto. Encontramos muitos textos com
Ortografia e acentuação: avaliação do atendimento às normas básicas de grafia períodos incompletos ou fusão de mais de um período, sem sinalização para o
das palavras. leitor. Foram encontrados também períodos confusos, com problemas de concor-
Os textos produzidos pelos professores foram avaliados segundo os critérios dância que prejudicavam o resgate de sentido. O uso das vírgulas também mos-
indicados acima. Em cada critério, os textos receberam uma pontuação que trou-se problemático.
poderia ir de 0 a 4 (0 = muito fraco; 1 = fraco; 2 = regular; 3 = bom; 4 = muito bom). As dificuldades discutidas na análise dos vários critérios são refletidas na constitui-
A média por nível de escolaridade em cada um dos critérios está indicado na ção das notas finais atribuídas a cada texto. Os cálculos dessas notas foram
Tabela 1 (anexo 1). realizados a partir do somatório das notas dadas a cada critério. Após o somatório,
A análise das médias gerais obtidas em cada critério mostra-nos que os professo- os resultados foram divididos por quatro, pois em cada um dos dez critérios, o texto
res não tiveram dificuldades em adequar o texto à situação proposta (“adequação poderia ser avaliado de 0 a 4. A distribuição das notas finais está demonstrada na
ao tema”), pois a média situou-se em 3,23 (DP=0,99), ou seja, os textos concentra- Tabela 3 (anexo 3).
ram-se em “bom” ou “muito bom” (78,9%). Também não parece ter havido dificul- Dos 136 textos produzidos, apenas 7,3% receberam uma avaliação final “muito
dades em relação à “ortografia” (média=3,51; DP=0,80). Nesse critério, 92,7% dos boa” (com nota superior a 8) e 13,9% como “boa” (nota entre 7,1 e 8). Como pode
textos foram classificados como “bom” ou "muito bom”. ser observado, a maior concentração de notas ficou no nível “fraco” (notas inferio-
Nos itens “continuidade e progressão temática” (média=2,36; DP=1,21), “coesão” res a 5). Outro dado importante, que pode ser observado nas tabelas 1 e 3, é que
(média=2,12, DP=1,09), “morfossintaxe” (média=2,70, DP=1,01) e “paragrafação / sempre há diferenças entre as avaliações dos textos produzidos por professores
pontuação” (média=2,64, DP=0,98), os textos concentraram-se mais nas categori- que têm apenas o nível médio (magistério) e acima de nível médio (superior
as “regular” e “bom” (ver Tabela 2, anexo 2). Em relação à “continuidade e progres- incompleto ou completo). Análises de variância realizados, comparando tais
são”, à “morfossintaxe” e à “paragrafação / pontuação”, metade dos textos (aproxi- desempenhos, confirmam as impressões (Tabela 4, Anexo 4). Os resultados das
mado) foram classificados como “bons” ou “muito bons” (52,5%, 56,2% e 53,3%, análises apontam que, com exceção de “suficiência dos argumentos” e “ortografia”,
respectivamente). Em relação à “coesão”, apenas 38,7% dos textos foram classifi- houve diferenças estatisticamente significativas entre os professores que ingressa-
cados nos últimos níveis. ram no grau superior e aqueles que só concluíram o nível médio. Tal tendência se
confirma quando analisamos os resultados finais (Tabela 5, anexo 5).
Nos demais critérios, as dificuldades foram muito salientes. A seleção e a organiza-
ção das informações a serem veiculadas no texto mostrou-se bastante comprome- Os professores, em geral, tiveram média 5,5 (em uma escala de 0 a 10), o que
tida. Em geral, os professores não se preocupavam em desenvolver as ideias configura que o grupo apresenta, de fato, dificuldades em produzir tal tipo de texto.
expostas. Muitas opiniões expressas eram lançadas no texto sem argumentação. Quando comparamos os dois grupos, observamos que a média dos professores
Houve também muitos problemas relativos à fragmentação do texto. A presença que têm apenas o nível médio foi mais baixa (média=4,79) que a média daqueles
de ideias desarticuladas (texto com várias informações não conectadas) foi mar- que ingressaram no grau superior (média=6,17).
cante. Observa-se, na Tabela 1, que as médias nos itens “suficiência dos argumen- Uma principal conclusão em relação a tais análises é que é preciso investir na
tos” (média=0,89, DP=0,80), “pertinência dos argumentos” (média=1,52, DP=1,15), formação dos professores, buscando atender à meta de totalizar os quadros de
“relevância argumentativa” (média=1,16, DP=1,24) e “articulação das informações” professores com grau superior e realizando projetos que auxiliem os professores,
(média=1,58, DP=1,19) foram muito baixas. Em todos esses critérios, a percenta- de uma forma geral, a se desenvolverem como produtores de textos. Mais adiante,
gem de textos categorizados como “bons” ou “muito bons” foi inferior a 30% . aprofundaremos tal discussão, quando formos analisar as relações entre tais
Em suma, os professores demonstraram maior grau de dificuldade em selecionar capacidades e o estabelecimento de critérios para avaliação dos textos dos alunos.
os conteúdos dentro da temática proposta. A falta de preocupação em dar consis-
tência às ideias propostas é uma das evidências encontradas. Muitos textos
apresentavam um ponto de vista sem justificação (argumentos) que desse força ao Como os professores avaliam os textos das crianças?
texto. Em alguns textos, os argumentos apresentados eram vagos. Algumas

Língua Portuguesa 58 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Como foi dito anteriormente, os professores atribuíram notas a oito textos (Tabela apresentação do desejo de comer mel e do problema de se atender a esse desejo
6, anexo 6) que variavam quanto a aspectos estruturais, ortográfico-gramaticais e (as abelhas); tentativa de resolução do conflito, através da ação do personagem
organizacionais. (subir na árvore); resultado da ação (as abelhas picando o personagem); situação
de maior tensão na história (o personagem tentando se livrar das abelhas); desfe-
Em estrutura, foram considerados bons os textos que estavam completos (introdu- cho (o personagem pula no lago para se livrar das abelhas e depois vai para casa,
ção de personagens e cenário, trama ou conflito, desfecho), apresentando, pois, onde fica em segurança); e, por fim, a “lição”. (Fernando nunca mais foi pegar mel
bom nível de informatividade, boa continuidade e progressão temática, boa articu- na colmeia).
lação entre as partes. Convém destacar que dentre os “bons” podemos destacar
os textos “A menina queria ser bailarina”, “O dia azarento” e “Destino” como mais Além de conseguir apresentar uma boa sequencialidade no texto, compondo-o
bem estruturados, pois o texto “A floresta”, apesar de ter bom nível de informativi- com todos os momentos importantes para a constituição de uma história, a criança
dade, as cenas não são bem construídas, fazendo com que o leitor não se envolva utilizou recursos linguísticos apropriados para garantir a coesão do texto e a ex-
com a história. Nesse texto, não há elementos de recheio, os desequilíbrios são pressividade do mesmo, como a repetição, que dá a ideia de continuidade da ação
resolvidos imediatamente. (“subiu, subiu, subiu”; “picarão, picarão, picarão”; “gritou, gritou”), a pronominaliza-
ção, que evita a repetição do nome do personagem (ele), o uso de expressões
Os textos fracos foram aqueles que estavam incompletos e não apresentaram boa convencionais (“Era uma vez”; “Um dia”), o uso de períodos compostos por coor-
progressão. O texto “A grande árvore”, dentre os fracos, é o único em que a criança denação e subordinação característicos desse tipo de texto, verbos flexionados em
supera a criação de frases justapostas e tenta, de fato, construir uma história. No vários tempos verbais.
entanto, apresenta muita dificuldade em aspectos relativos à continuidade / pro-
gressão temática e articulação. Os outros textos fracos foram "O gato", "O jardinei- O texto “O dia azarento” parece conduzir melhor o leitor, oferecendo pistas para o
ro" e "Passarinho de Maria". resgate do sentido. Um exemplo disso pode ser observado na forma como apare-
cem as referências ao personagem principal (Fernando durante boa parte do texto
Quanto à apresentação, foram considerados aspectos estéticos das letras dos e Fernandinho após ele ter sido picado pelas abelhas).
alunos e a estética espacial do texto.
Tais conclusões remetem à necessidade de aprofundarmos tais questões junto
Quanto ao aspecto ortográfico-gramatical, foram considerados bons os textos que aos professores, para que estes não fiquem restritos aos aspectos superficiais dos
tiveram menos erros ortográfico-gramaticais por linha produzida e fracos os que temas abordados e possam refletir mais sistematicamente acerca do que vem a
tiveram mais erros dessa natureza. Vale salientar, no entanto, que, os textos que ser realmente um texto e até a explorarem melhor as características dos textos
apresentavam poucas violações ("Passarinho de Maria" e "A grande Árvore") não com os quais se deparam. É importante, ainda, redimensionar o ensino de gramá-
eram os textos mais ricos quanto ao uso dos recursos linguísticos para marcar o tica, de modo a propiciar ao aluno o uso de recursos que tornam o texto mais
movimento das cenas ou quanto à coesão. Os textos bons em estrutura, principal- interessante e coerente. Nesse sentido, não se usa o texto como pretexto para o
mente os três citados acima ("A menina queria ser bailarina", "O dia azarento" e ensino de gramática, nem se restringe ao ensino de teorizações desvinculadas do
"Destino"), são os mais coesos e mais ricos quanto ao uso das pistas linguísticas texto. Nesse caso, pode-se investir nas aquisições de ferramentas poderosas à
para marcar o movimento dos personagens. Era essa diferença que queríamos constituição da textualidade. Tal questão já foi discutida anteriormente, através das
investigar se os professores seriam capazes de perceber. reflexões realizadas a partir do estudo realizado por Evangelista e outros (1998).
As médias das notas atribuídas pelos professores estão apresentadas na Tabela 6
(Anexo 6). Como pode ser observado, podemos detectar três blocos de textos
quanto à proximidade das notas. As histórias "A menina queria ser bailarina" e "A Enfim, que relações existem entre as capacidades de produzir e avaliar
floresta" (boas em aspectos estruturais e ortográfico - gramaticais) obtiveram as textos?
notas mais altas (7,2 e 8,5). As histórias "O gato" e "O jardineiro" (fracas em aspec-
tos estruturais e ortográfico - gramaticais) receberam as notas mais baixas (5,0 e Os resultados discutidos até este momento mostraram que os professores avalia-
5,1) e as outras histórias ("O dia azarento" e "Destino": boas em aspectos estrutu- ram os textos das crianças considerando, principalmente, o atendimento às normas
rais, mas com grande quantidade de violações ortográfico - gramaticais; e "Passa- gramaticais (pontuando os textos a partir da quantidade de violações) e à estrutura
rinho de Maria" e "A grande árvore": fracas em aspectos estruturais e com poucas geral dos textos. Como já salientamos anteriormente, as histórias que eram boas
violações ortográfico - gramaticais) receberam notas intermediárias (6,1; 6,6; 5,8 e quanto à estrutura textual e continham poucas violações eram as que tinham
6,4). maiores notas e as que eram fracas nesses dois aspectos recebiam notas mais
baixas. No entanto, aqueles textos que eram bons em estrutura textual e tinham
Para verificar estatisticamente se houve efeito dos critérios utilizados sobre as bons recursos linguísticos recebiam notas mais baixas quando apresentavam
notas atribuídas pelos professores, foram realizadas Análises de Variância (Tabela violações gramaticais. Tais notas eram equivalentes àqueles textos com estrutura
7). Os resultados apontaram efeitos significativos tanto dos aspectos estruturais fraca, mas com poucas violações, mesmo que fosse fraca quanto a outros aspec-
[F(145,1)=358,46; p<.000], quanto ortográfico - gramaticais [F(145,1}=278,85; tos linguísticos, tais como coesão. Tais elementos linguísticos parecem não ser
p<.000] e organizacionais [F(145,1)=87,92; p<.000]. Dessa forma, foram encontra- facilmente visualizados pelos professores. Neste tópico, buscaremos verificar se há
das evidências de que os professores consideraram os três aspectos em suas alguma relação entre as notas atribuídas às histórias das crianças e os desempe-
avaliações dos textos. nhos dos professores quando produziram seus próprios textos, considerando os
vários critérios analisados. A tabela 8 (Anexo 9) mostra as significâncias da “Corre-
Como foi dito acima, quando os textos eram bons em apenas um desses aspectos, lação de Pearson” entre tais critérios e as médias em cada um dos textos infantis.
eles atribuíam notas similares. Os dados indicam, portanto, que parece estar
havendo uma simples compensação entre aspectos estruturais e ortográfico - As análises de correlação mostraram relações entre os desempenhos dos profes-
gramaticais, pois foram dadas notas similares quando um dos dois aspectos estava sores em suficiência dos argumentos e as notas atribuídas aos textos "O gato",
bom e o outro fraco. Por outro lado, os aspectos ortográfico - gramaticais parecem "Passarinho de Maria" e "Destino". Na realidade, tais correlações foram inversas,
estar sendo avaliados apenas pela quantidade de violações e não pela riqueza de ou seja, quanto melhor o desempenho dos professores em suficiência dos argu-
recursos linguísticos utilizados para manutenção temática e expressividade do mentos, mais baixas as notas a tais textos. Em relação às histórias “O gato” e
texto, pois algumas crianças que produziram textos bons em estrutura, apesar de “Passarinho de Maria”, podemos entender tal inversão, pois esses textos são muito
cometerem muitas violações ortográfico - gramaticais, apresentaram recursos pobres quanto às ideias veiculadas. Em relação à “Destino”, no entanto, não é
linguísticos ricos que conferiam, aos textos, coesão e coerência (principalmente "O possível tal explicação, pois esse texto é muito rico quanto ao teor de informativida-
dia azarento"). Por outro lado, os textos fracos em estrutura apresentaram menor de. Necessário se faz realizar novas análises sobre esse texto, o que será condu-
quantidade de violações ortográfico - gramaticais mas foram construídos com zido posteriormente.
poucos recursos coesivos e orações predominantemente simples (principalmente
"Passarinho de Maria"). A correlação entre os desempenhos em utilização de recursos coesivos (coesão)
mostrou uma correlação inversa entre tais resultados e as notas atribuídas ao texto
O texto “O dia azarento” (anexo 8) recebeu dos professores nota média de 6,6. “O gato”. É bom lembrar que tal texto, de uma forma geral, foi mais fácil de ser
Esse texto é bom nos aspectos estruturais, mas apresenta maior quantidade de avaliado pelos professores, porque é um texto muito fraco tanto em aspectos
violações ortográfico-gramaticais que os outros textos. Porém, pode-se verificar estruturais quanto gramaticais, e as notas foram baixas. Mas mesmo assim, a
houve apresentação do personagem (Fernando); contextualização da situação, correlação com o desempenho em coesão foi observado. Percebe-se, pois, que
com descrição da árvore e exposição do desejo do personagem diante da árvore;

Língua Portuguesa 59 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
quanto maior domínio quanto ao uso dos recursos coesivos, mais os professores (re)conheça este fato, isto não fará com que sua mensagem seja menos
conseguiam perceber tais deficiências. eficiente, pois os sentidos das palavras que emprega não se acham disso-
ciados do próprio pensamento. Marx esclarece muito bem esta relação
Os dois textos que apresentaram maior correlação com os desempenhos dos entre fala e pensamento/consciência:
professores foram “A menina queria ser bailarina” e “O dia azarento”, que eram os
textos mais ricos quanto ao uso dos recursos linguísticos. Tal resultado é bastante A fala é velha como a consciência, a fala é uma consciência prática,
interessante, pois conduz a reflexões sobre as reais possibilidades de apreensão real, que existe tanto para os outros como para mim mesmo. E a fala, como
das falhas dos textos das crianças. Quanto mais os professores são eficientes na a consciência, nasce apenas da necessidade, da imperiosidade de contato
produção de seus próprios textos, mais eles conseguem perceber os elementos com outras pessoas. (Marx apud Schaff, 1968, p. 317.)
importantes da textualidade. O texto “O dia azarento”, no cômputo geral, não
recebeu notas altas, apesar de ser um texto muito rico quanto ao uso dos recursos A necessidade inegável de que o homem sente em se comunicar com
linguísticos. O fato dele apresentar violações ortográficas e gramaticais fez com o outro resulta em escolhas: a quem falar, o que falar, como falar. O discur-
que ele recebesse notas próximas a textos muito fracos como “A grande árvore” e so produzido a partir dessas escolhas será somente seu, visto que refletirá
“Passarinho de Maria”. Dessa forma, parece que, para que os professores consi- seus fracassos e conquistas, sua história, seu “eu”.
gam olhar para o texto não apenas como lugar de utilização de normas gramati- Fazendo parte de uma sociedade, na qual estará em contato constante
cais, mas também como mediação da interação, em que os recursos linguísticos com outros, o indivíduo necessitará não apenas da linguagem oral para se
são utilizados para que consigamos maior efeito de sentido, eles precisam ser, eles comunicar. Dentre outras linguagens, a escrita será mais um instrumento à
mesmos, produtores de textos. disposição dele para demonstrar sua competência linguística.
Em suma, as hipóteses iniciais acerca da existência de relações entre a capacida- Acontece que esta competência é constantemente colocada à prova,
de de produção textual e a capacidade de reconhecimento dos recursos linguísti- como se o usuário da língua nunca tivesse tido contato com ela. Referimo-
cos em textos de outros autores parece se consolidar. Como foi discutido no início nos especificamente ao ensino da língua. Ao tentar transportar os conheci-
do trabalho, a tomada de consciência da interrelação entre aspectos pragmáticos e mentos linguísticos que já possui e que emprega eficientemente, da lingua-
formais para melhor efeito textual ocorre em atividades de geração e revisão gem oral para a linguagem escrita, revela-se muitas vezes um fracassado.
textual. Assim, os professores que desenvolveram essa capacidade parecem ser É difícil entender por que precisamos expressarmo-nos diferentemente na
mais sensíveis ao reconhecimentos de tais recursos como indispensáveis à avalia- escrita. Por que existem tantas regras que já não traduzem a realidade do
ção textual. usuário da língua? Por que a cada esquina de uma página há tantas exce-
Uma principal conclusão em relação a tais análises é que é preciso investir na ções, contradições?
formação dos professores, buscando atender à meta de totalizar os quadros de Há extrema urgência em se rever o ensino da língua nas escolas, prin-
professores com grau superior e realizando projetos que auxiliem os professores, cipalmente de ensino fundamental, para que estas questões possam ser
de uma forma geral, a se desenvolverem como produtores de textos. É importante, esclarecidas. E, antes de tudo, a reformulação precisa estar presente
ainda, redimensionar o ensino de gramática, de modo a propiciar ao aluno o uso de também nos cursos de formação de professores, para que esta nova visão
recursos que tornam o texto mais interessante e coerente. Nesse sentido, não se ganhe o devido espaço.
usa o texto como pretexto para o ensino de gramática, nem se restringe ao ensino
de teorizações desvinculadas do texto. Nesse caso, pode-se investir nas aquisi- De outro modo, não vemos como o falante deixará de sentir-se perple-
ções de ferramentas poderosas à constituição da textualidade. xo diante de um “Dê-me um cigarro” no lugar de um “Me dá um cigarro”.

Concluímos, portanto, apontando que os resultados desse estudo devem ser O estudo da seleção vocabular e da sintaxe na produção dos sentidos
pensados como um passo para entendermos melhor as dificuldades dos professo- durante a textualização justifica-se tendo em vista que
res e podermos atuar de forma mais consistente no seu processo de formação. · é através da seleção vocabular que o emissor revela a sua intenciona-
Sugerimos, como primeira proposta, a realização de estudos sobre o processo de lidade ao produzir determinado texto;
formação continuada desses professores, a fim de analisarmos o processo de
construção de conhecimentos sobre esse tema específico e as relações entre o · o contexto situacional do ato comunicativo determinará, em parte, a
processo de constituição dos professores como produtores de textos e como escolha vocabular do sujeito escritor;
orientadores para os textos dos alunos.
· a organização das palavras selecionadas levará à interpretação dese-
CONVERSAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA jada pelo emissor;
A SELEÇÃO VOCABULAR E A SINTAXE
· se faz necessário evitar as interferências negativas no processo de
NA PRODUÇÃO TEXTUAL
produção textual escrita, uma vez que, por serem negativas, prejudicam o
Julia Pereira Marques da Silva bom entendimento da mensagem.
Apresentação Estudo da Seleção Vocabular
Pelo estudo da seleção vocabular e da sintaxe, objetivamos descrever Chega mais perto e contempla as palavras.
as mudanças que podem ocorrer na produção textual escrita, a partir do
Cada uma
vocabulário e do uso deste pelo emissor, nos processos de comunicação
dos quais faz parte. tem mil faces secretas sob a face neutra
Ao produzir seu texto, seja ele falado ou escrito, o emissor estará, e te pergunta, sem interesse pela resposta,
mesmo sem ter consciência disto, envolvendo, além da seleção vocabular e
da sintaxe, outros campos de pesquisa nesta produção. Referimo-nos à pobre ou terrível, que lhe deres:
semântica e à estilística. Trouxeste a chave?
Dessa forma, tentaremos desvendar a rede de relações que existe Carlos Drummond de Andrade
desde o momento em que o emissor pretende construir sua mensagem,
passando pela influência que a oralidade pode exercer sobre ela e pela sua Todo usuário da língua possui a chave que lhe dá acesso ao mundo
escritura propriamente dita, até sua consequente interpretação por determi- das palavras. A capacidade da linguagem humana é essa chave. Quando
nado interlocutor. criança, o falante, de modo bastante natural, principia a utilizar o valioso
instrumento da linguagem. Enquanto tímido aprendiz de palavras, reproduz
Para o falante, a sua língua materna é um instrumento de suma impor- muito e cria pouco. Porém, seguindo um caminho irretornável, não mais
tância tanto para a sua prática comunicativa quanto para sua afirmação necessita de que lhe digam o que falar, como falar. Já se sente perfeita-
enquanto sujeito que exerce determinado papel na sociedade. mente capaz de seguir sozinho. Sente-se seguro do conhecimento que
O que existe por trás do ato comunicativo, da fala em si, não está ex- possui, do acervo vocabular de que dispõe. O uso que fazemos desse
plícito para o emissor. Porém, mesmo que o falante desconheça ou acervo vocabular é determinado pelas situações que vivenciamos.

Língua Portuguesa 60 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Dessa forma, em um dado contexto, a seleção vocabular da qual lança- - Sois cristão?
remos mão para produzir um texto deverá estar de acordo com o sentido
que queremos dar à nossa mensagem. Então, não nos causa espanto que - Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
o nosso aluno/usuário da língua queira manter-se fiel ao seu texto, reprodu- Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
zindo na escrita aquilo que pensou e disse. Mesmo que esse texto passe a
ser “condenado” por não se ajustar aos padrões impostos pelas gramáticas Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
normativas. Parece-lhe que, ao mexerem no seu texto, estão retirando o O negro zonzo saído da fornalha
seu direito de ser autêntico.
Tomou a palavra e respondeu
O pessoal fizeram muita bagunça na sala, professora!
- Sim pela graça de Deus
A gente gostamos de aula vaga.
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
É perfeitamente compreensível que tais construções sejam usadas pe-
lo falante/escritor, uma vez que ele não quer deixar dúvidas de que está E fizeram o Carnaval.
referindo-se a um grupo de várias pessoas. No seu entender, o verbo no
(Andrade apud Cereja & Magalhães, 1995, p. 312.)
singular soa de forma estranha, não condiz com a verdade que ele quer
expressar. Para o falante/usuário da língua o que conta é a praticidade. Se na lin-
guagem oral, ele dispõe de tanta liberdade para comunicar-se, por que não
Sobre o papel do sentido nas relações entre as palavras, afirma Gui-
fazer uso dessa liberdade também na escrita? Não queremos dizer com
raud (1972, p. 26-27):
isso que devemos abolir, no ensino da língua, as regras que estruturam
O sentido, tal como nos é comunicado no discurso, depende das rela- nosso sistema linguístico, mas que precisamos adaptá-las à realidade do
ções da palavra com as outras palavras do contexto, e tais relações são falante. Por que não acompanhar na escrita a dinamicidade da língua?
determinadas pela estrutura do sistema linguístico.
Concluindo, o ensino da língua pode contribuir para que o nosso aluno
À estrutura do sistema linguístico chamamos gramática internalizada (falante competente da língua materna) aproprie-se de conhecimentos que
por cada indivíduo, o mesmo que conhecimento implícito da língua, confor- permitam que ele não apenas chegue perto e contemple as palavras, mas
me Perini (2000, p. 12.). Por saber empregá-la, o falante faz as relações que faça bom uso da chave que possui para que não dê respostas pobres
que deseja com as palavras escolhidas de seu léxico, de forma que molda ou terríveis às perguntas que lhe forem feitas.
seu texto para este atenda às suas intenções. A disposição em que coloca
as palavras valoriza o significado delas. Wittgenstein (apud Rector, 1980, p.
53.) corrobora esta ideia ao “constatar que as palavras só significam na Sintaxe de Concordância
medida em que estão num contexto interativo, isto é, como se seu valor
variasse em função de sua disposição face às demais”. A oralidade influencia constantemente a produção de um texto escrito.
Muitas vezes, esta influência é considerada negativa, pois resulta nos
A interação da palavra com o contexto revela-se no discurso, pois é ne- chamados “erros de concordância”. As gramáticas normativas costumam
le “que se manifestam estas relações da linguagem, visto que o discurso é listar regras muitas vezes inflexíveis para determinar o que é certo e o que
o lugar de encontro do significante e do significado e o lugar das distorções é errado. Porém, estudiosos mais modernos têm percebido e registrado
da comunicação que ocorrem devido à liberdade da comunicação.” (Rector, casos passíveis de discussão.
1980, p. 130.)
Perini (2000, p. 19.) cita o caso da expressão “os relógio”, comprova-
O falante não deseja perder a liberdade de comunicar-se, de colocar no damente utilizada por falantes “cultos e incultos”. Não estamos diante de
ato de comunicação do qual faz parte sua marca pessoal. Atentemos aqui um mero caso de erro de concordância e sim de uma tendência linguística
para a questão do estilo próprio. Uma entonação diferente, uma determina- da oralidade que vem sendo empregada também na escrita. Tendência
da flexão de grau, uma intencional ausência de flexão de número são esta que não pode ser ignorada pelos profissionais que lidam com o ensino
exemplos de marcas pessoais que ocorrem na fala e que naturalmente se da língua.
concretizam na escrita.
Para Lapa (1991, p. 157.) o erro de concordância não existe, pois a
AMIGO 1: - Comprei um estojo ‘manero’. Custou só dois ‘real’! construção de um texto reflete o estilo de cada um. Vejamos sua colocação
sobre o assunto:
AMIGO 2: - Também, você é filhote de loja de um e noventa e nove!
...esses desvios aparentes de concordância se explicam sobretudo por
Há tendência, por parte do falante de língua portuguesa, a reduzir di-
três motivos: um que consiste em concordar com as palavras não segundo
tongos em simples vogais, conforme atesta Coutinho em sua “Gramática
a letra mas segundo a ideia; outro, segundo o qual a concordância varia
Histórica (COUTINHO, p. 108.). Assim, para o usuário da língua, é perfei-
conforme a posição dos termos do discurso; e um terceiro, que traduz o
tamente correto falar “manero” em vez de “maneiro”. Tal tendência acaba
propósito de fazer a concordância com o termo que mais interessa acentuar
por ser explicitada na escrita por influência da oralidade. Se ninguém prati-
ou valorizar.
camente fala “manteiga”, consequentemente estaremos diante da palavra
“mantega” nas redações de nossos alunos. É preciso que analisemos bem os casos dos chamados “erros de con-
cordância” que surgem nos textos produzidos por nossos alunos. Muitas
Quanto à questão da ausência de flexão de número da palavra “real”,
vezes, a produção do aluno revela textos coerentes e coesos, dentro de
temos aqui duas colocações. Por um lado, poderíamos considerar a ex-
seus propósitos, “diferentes” do que esperamos e desejamos encontrar.
pressão “dois real” apenas um caso de erro de concordância; por outro
lado, estaríamos diante de uma seleção vocabular empregada para expres- Observemos um trecho de uma redação de um aluno da 7ª. Série do
sar, por exemplo, esperteza de quem compra um bom produto por um ensino fundamental:
pequeno preço.
Gosto de sair curto muitos bailes fanks todos os finais de semana vou
Em nossa literatura, há muitos exemplos em que a seleção vocabular ao baile. (sic)
aliada à linguagem oral, só para determo-nos em assuntos objetos de
nosso estudo, produzem obras originalíssimas. Citemos, para ilustrar, Mário Ignorando em nosso comentário as questões da pontuação e da grafia
de Andrade com “Macunaíma” (texto em prosa) e Oswald de Andrade com equivocada da palavra “funk”, vamos ao caso de concordância que aí se
o texto em verso que vai transcrito a seguir: apresenta: “curto muitos bailes fanks”. Nós, professores da língua, espera-
ríamos encontrar a seguinte construção: “curto muito bailes funks”, na qual
brasil a palavra muito estaria funcionando como advérbio e não como pronome
indefinido, tal como se encontra na redação do aluno. Para que se conside-
O Zé Pereira chegou de caravela
re errada a construção do aluno, é preciso analisar seu texto com cuidado,
E preguntou pro guarani da mata virgem tentando perceber sua intenção, seu propósito.

Língua Portuguesa 61 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Acreditamos que a falta de organização do pensamento influencia a trabalho, como Mário Perini (Sofrendo a Gramática), Celso Pedro Luft
produção do discurso do nosso aluno, seja tal produção oral ou escrita. A (Língua e Liberdade) e Evanildo Bechara (Ensino da Gramática. Opressão?
forma como o ensino da língua ainda é tratado não tem oportunizado o Liberdade?). Porém, décadas de um ensino equivocado exigirão a adoção
exercício da organização do pensamento, uma vez que os conteúdos de um novo modo de ensinar a gramática, a partir de uma visão de lingua-
gramaticais são priorizados em detrimento de outros (produção oral e gem que liberte, que permita a construção de um discurso de sujeito, e não
escrita, por exemplo), tornando a aula de português um “amontoado de de quem se sujeita.
coisas sem sentido”.
Voltando a mais um caso de sintaxe de regência. Se um dos significa-
Não temos dado ao nosso aluno espaço suficiente para que ele exerça dos da palavra “com” é a ideia de companhia, como considerar errada a
seu direito de fala. Normalmente, ele está na sala apenas para ouvir, para construção “Namoro com Carlos”? Para o falante/usuário da língua, a frase
copiar, para reproduzir o que se espera dele. Ao ser solicitado a falar, está corretíssima. Para tentarmos convencer este falante de que a sua
muitas vezes, sua fala é truncada, inicia um assunto e não é capaz de construção é incorreta, só temos o argumento de que o verbo namorar é
concluí-lo. Questão de timidez? Em alguns casos, sim. Essa fala fragmen- transitivo direto (não admitindo preposição), pois quem namora, namora
tada, não desenvolvida, concretiza-se na escrita de forma bem clara: au- alguém. Porém não é argumento forte o suficiente para deslegitimar a sua
sência de coesão e de coerência, fuga ao tema proposto, repetições exces- intenção de transmitir a ideia de um estar com o outro, de namorar como
sivas, para citar apenas os problemas mais encontrados. outro.
Prycila eu quero que você fiquei torcendo porque agora porque no dia Finalizando, a estrutura linguística que cada usuário da língua internali-
16 de outubro vou fazer prova com padre para crisma porque no final do za, dá-lhe subsídios para que ele elabore construções que, na escrita, são
vou se alistar. (sic) (Trecho de um texto produzido por aluno de 6ª. Série do consideradas como erros de concordância, de regência, entre tantos outros
ensino fundamental.) “erros”. Cabe ampliar, na sistematização das regras que estruturam a
língua, o registro das possibilidades de construções de que o usuário da
Atentemos para a mistura de assuntos que o aluno realiza, utilizando língua dispõe. Até porque as invariações dentro das variações é que dão
basicamente um conectivo (porque). Que relação existe entre os dois fatos, vida à língua.
o de ser crismado e o de se alistar no final do ano (palavra omitida, prova-
velmente sem que o aluno tenha tido esta intenção)? Acreditamos que aqui
não estejamos diante de um caso de desconhecimento do significado do
conectivo apenas. E sim de incapacidade de relacionar ideias, de fazer Sintaxe de Colocação
conexão de sentidos. No início de nosso trabalho, comentamos a respeito de o falante sentir-
Por tudo o que foi exposto até aqui, cremos que o exercício da leitura e se perplexo diante da construção “Dê-me um cigarro”, verso conhecidíssi-
da escrita, como forma de desenvolver a competência linguística, seria uma mo do poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade, muito usado para
das estratégias numa tentativa de minimizar muitos dos problemas citados. exemplificar casos de colocação pronominal. É claro que o usuário da
língua estranha uma construção como essa, quando, no seu falar revela-se
a tendência de fazer uso da próclise. O nosso aluno jamais empregaria a
frase “Empreste-me uma caneta” ao dirigir-se ao colega a seu lado. Até
Sintaxe de Regência mesmo nós, professores e conhecedores da língua, no dia a dia, emprega-
Na maioria das gramáticas normativas, o conceito de regência aborda a mos a próclise com abundância em nossa fala. Ainda mais que a questão
relação de dependência entre termos da oração. Fazer com que o nosso da colocação dos pronomes na frase está mais a serviço da estilística que
aluno, que traz influências (negativas e positivas) da oralidade, perceba e da sintaxe. Observemos:
compreenda essa ideia de dependência é, por vezes, tarefa bastante árdua. A. Se atrasou hoje, professora.
Pesquisando em algumas gramáticas disponíveis aos nossos estudan- B. Atrasou-se hoje, professora.
tes, observamos que alguns casos são tratados de forma diversa. Vejamos
um caso: no “Curso Prático de Gramática”, de Ernani Terra (1996, p. 299.), De acordo com as regras que norteiam o emprego da próclise, a frase
há a seguinte afirmação referente à regência do verbo chegar: A estaria fora dos padrões, porém, numa linguagem informal, falada ou
escrita, seria perfeitamente justificável, na medida em que representaria um
“O verbo chegar exige a preposição a e não a preposição em.” estilo despojado e simples do locutor/escritor. Já a frase B exemplifica o
Já a “Gramática”, de Faraco e Moura (1999, p. 514.), apresenta a se- correto emprego do pronome, mas na prática de nossos alunos é pouco
guinte colocação em relação ao mesmo verbo chegar: utilizada.
“É intransitivo no sentido de atingir data ou local. (...) Já é bastante co- O emprego da mesóclise é ainda mais complicado. Em primeiro lugar,
mum o uso da preposição em nesta acepção.” há a preferência de o usuário da língua portuguesa no Brasil utilizar para o
tempo futuro do presente do indicativo, por exemplo, a locução verbal: “Vou
Essas abordagens conflitantes apresentadas pelas gramáticas citadas fazer prova amanhã” no lugar de “Farei prova amanhã”; em segundo lugar,
acabam por confundir o nosso aluno e, até mesmo, por dificultar o entendi- o emprego da mesóclise soa como pedantismo, próprio da linguagem
mento deste assunto. Que frase é mais comum nas redações de nossos rebuscada, empolada: “Far-te-ei uma proposta amanhã”. O uso da mesócli-
alunos? “Cheguei em casa muito tarde” ou Cheguei a minha casa muito se está reduzido à produção escrita de usuários com bom domínio da
tarde”? Com certeza, a primeira. Portanto, não é mais cabível afirmar que o estrutura da língua.
verbo chegar não exige a preposição em. Uma ou outra preposição é
perfeitamente admissível. Façamos mais um comentário:
Reconhece-se que a língua falada no Brasil não é a mesma represen- “Está um calor! A janela está fechada, professora. Quer que abra ela?”
tada na escrita. É também dessa questão que temos tratado até então. O É um tipo de construção amplamente empregada pelo falante. Deve-
falante, com o propósito de passar adiante seu pensamento, suas ideias, mos considerá-la totalmente errada? E o que podemos dizer de constru-
seleciona as palavras que melhor representam sua intenção e arruma-as de ções do tipo “Professora, eu se machuquei!”? Não seria mais relevante
maneira que estas atendam aos seus desejos. Altera, propositalmente ou preocuparmo-nos com frases desse tipo? E não é só uma questão de
não, a sintaxe de concordância ou de regência, construindo seu próprio concordância ou de colocação. É uma questão de identidade. O falante não
estilo. Sua mensagem poderá ou não ser compreendida da forma como se reconhece no próprio discurso. Não é capaz de reconhecer-se no me,
gostaria de que fosse. As chances de que o entendimento ocorra tal como pois é a partir do se que vê o mundo: “Entre, sente-se, cale-se, saia e vire-
planejou são grandes. se; a minha parte eu já fiz.”
O estudo do emprego diversificado que se faz da língua falada (situa-
ções informais) e da língua escrita (situações formais) está cada vez mais
ocupando espaço nos meios acadêmicos que tratam do ensino da língua.
Algumas obras vêm acrescentar novas ideias que auxiliam o presente

Língua Portuguesa 62 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
COESÃO E COERÊNCIA Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incorre-
Diogo Maria De Matos Polónio ções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incorre-
ções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na
Introdução maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível;
Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre não quer dizer nada).
Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor- Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refazer;
reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de recupe-
ração.
Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre a
incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais de Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o professor
Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre deter- desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido a
minados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais válido e, fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.
simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem necessaria-
mente presente a aplicação destes conhecimentos na situação real da sala Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princípios
de aula. de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela dicoto-
mia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com a
Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de aplica- dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural.
ção na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística no
campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas no Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação
referido seminário. entre coerência textual e coesão textual.

Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui a- Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos processos
presentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica existente
vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística e entre sequências textuais:
que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas reflexões Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro.
no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já terá cum-
prido honestamente o seu papel. Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências
Coesão e Coerência Textual textuais:
Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geralmen- Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe.
te através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto
em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de palavras não Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões de
constitui forçosamente uma frase. sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só
Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, torna- propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se
se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é transforme num texto: a conetividade2.
preciso que essa sequência seja construÍda tendo em conta o sistema da
língua. Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabelecer
uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase, tam- difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que
bém um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um texto. orientam a formação do discurso.

Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto materia- Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro-coerência
lizado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e são as mesmas que orientam a macro-coerência textual. Efetivamente,
pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras
através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor, de coerência que foram usadas para a construção do texto original.
numa determinada situação, a um determinado alocutário1.
Assim, para Charolles, micro-estrutura textual diz respeito às relações
Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os có- de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência textual,
digos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do locutor enquanto que macro-estrutura textual diz respeito às relações de coerência
sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo são ingre- existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
dientes indispensáveis ao objeto texto. • Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório
mais cedo para apanhar o comboio das quatro horas.
Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas • Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com ami-
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de gos.Vai trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia
regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência de teatro.
essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.
Como micro-estruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, enquan-
Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas to que o conjunto das duas sequências forma uma macro-estrutura.
regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
certos julgamentos de coerência textual. Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna-se
Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de
nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as recorrência restrita.
intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura da
frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas convencio- Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos:
nais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção, - pronominalizações,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre- - expressões definidas5,
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa- - substituições lexicais,
das. - retomas de inferências.

Língua Portuguesa 63 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha. S-
uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto, reto- chumacher festejou euforicamente junto da sua equipa.
mando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
sequência anterior: Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos linguís-
ticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim, Schuma-
a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a re- cher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto alemão.
petição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.
No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um deter-
O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o minante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência restrita.
pronome. Atentemos no seguinte exemplo:
Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estrangu-
lada no seu quarto. Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera"
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona.
No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou ain- A presença do determinante definido não é suficiente para considerar
da: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me. que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida
Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora, pa- peça.
ra nos precavermos de enunciados como este:
Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o António. Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico-
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos parti-
Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identificar cipantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma fron-
ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpretação: teira entre a semântica e a pragmática.
ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o António, mas
que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do receptor. Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetuar
por
Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enunciado: - Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com ele. parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo nun-
ca mais aprende a cair!
As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos dos - Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
alunos. parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio. cheira-me a mentira!
Um homem estava também a banhar-se. - Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
Como ele sabia nadar, ensinou-o. lação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagosta,
adoro!
Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se- - Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto: lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
ele sabia nadar(quem?), um felino?
ele ensinou-o (quem?; a quem?)
d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres- conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava
sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um com os processos de recorrência anteriormente tratados.
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência
textual. Vejamos:
Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim. P - A Maria comeu a bolacha?
Os gatos vão sempre conosco. R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
R2 - Não, ela comeu um morango.
Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os problemas R3 - Não, ela despenteou-se.
aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho daquele
que o precede. As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do
Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito ele- que a sequência P+R3.
gante.
No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos contex- pronome na 3ª pessoa.
tuais.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante. Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi-
ciente para garantir coerência a uma sequência textual.
Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi-
ainda: póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 e
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante. R2 retomarem inferências presentes em P:
- aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria,
c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos - a Maria comeu qualquer coisa.
contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este
processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do ele- Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P.
mento linguístico.
Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições
senhora. Este assassinato é odioso. garante uma fortificação da coerência textual.

Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto (con-
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu tinuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos são
representante mais específico. levados a veicular certas informações pressupostas pelos professores.

Língua Portuguesa 64 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira.
Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das con-
fazer? tradições inferenciais e pressuposicionais6.

A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real- Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po-
mente fazer qualquer coisa. demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresenta-
do ou dedutível.
Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en- Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso.
quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresentado
uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada. As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se-
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase.
No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro-
mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos. fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais,
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o
Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exercí- pretérito para suprimir as contradições.
cios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um mundo
ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um aluno As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe-
recriar o quotidiano de um multi-milionário,senhor de um grande império renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um conte-
industrial, que vive numa luxuosa vila. údo pressuposto que se encontra contradito.
Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe per-
2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se feitamente fiel.
necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma infor-
mação semântica constantemente renovada. Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio,
enquanto a primeira pressupõe o inverso.
Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre-
constante da própria matéria. sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no
entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contradi-
Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferreiro ção, assume-a, anula-a e toma partido dela.
estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vestimenta Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a parti-
preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna. Todos da para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença.
os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna. A
bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda em 4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne-
baixo e batia com o martelo na bigorna. cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre-
sentem diretamente relacionados.
Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto não
será incoerente, será até coerente demais. Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
como coerente7, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam
No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um tex- congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto.
to coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre continui-
dade temática e progressão semântica. Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes
1 - A Silvia foi estudar.
Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois prin- 2 - A Silvia vai fazer um exame.
cípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da informação 3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1.
não se pode processar de qualquer maneira.
A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo mais
Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências a- congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.
companhar a ordenação temporal dos fatos descritos.
Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei). Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na maior
parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam semanti-
O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das su- camente.
as sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os estados de Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A Sil-
coisas descritos. via vai fazer um exame portanto foi estudar.
Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho- A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores constitui
veu). um bom teste para descobrir uma incongruência.
Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos
Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta- de Fórmula 1.
dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências
textuais. O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes-
Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores e sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos,
canteiros com flores. garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar
incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a
Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o particu- dinamização de estratégias de correção.
lar.
3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente, tor- Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
na-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum ele- trais termo-nucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado
mento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressuposto técnico sobre centrais termo-nucleares.
por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência.
No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoerentes.
Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência, admi-

Língua Portuguesa 65 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
tindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela maneira. dade.

Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen- Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do
samento que conduza a uma estrutura coerente. décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a
frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalida-
Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa- de do fato narrado.
mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal (com-
parável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que, seja qual 2. Coesão:
for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência própria, A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe-
uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente por si rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa
mesmo. ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga-
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da rela-
É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir os ção com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as palavras
textos dos nossos alunos. se comunicam, como dependem uma das outras.

Anotações: SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO


1- M. H. Mira Mateus, Gramática da Língua Portuguesa, Ed. Cami- Das Agências
nho, 19923, p.134;
2- M. H. Mira Mateus, op. cit., pp.134-148; Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulantes
3- "Méta-regles de cohérence", segundo Charolles, Introduction aux e uma mulher que viu o avião cair morreram
problèmes de la cohérence des textes, in Langue Française, 1978;
4- "Méta-regle de répétition", segundo Charolles (op. cit.); Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e
5- "Les déficitivisations et les référentiations déictiques contextuelles", dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda
segundo Charolles (op. cit.); de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da
6- Charolles aponta igualmente as contradições enunciativas. No en- cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro
tanto, vamos debruçar-nos apenas sobre as contradições inferen- sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de
ciais e pressuposicionais, uma vez que foi sobre este tipo de con- São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu
tradições que efetuamos exercícios em situação de prática peda- mais três residências.
gógica.
7- Charolles refere inclusivamente a existência de uma "relation de Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos,
congruence" entre o que é enunciado na sequência textual e o que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia reporta-
mundo a que essa sequência faz referência; gem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o co-piloto
8- Para um esclarecimento sobre este princípio, ver O. Ducrot, Dire et (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name Júnior (4),
ne pas dire, Paris, Herman, 1972 e também D. Gordon e G. Lakoff, Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha Ribeiro
Postulates de conservation, Langages nº 30, Paris, Didier- Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela (6),
Larousse, 1973. João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos.

1. Coerência: Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores
Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, con- compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era
vencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significado um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1).
produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Commander
é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples 691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do filho (7)
sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao reagir a um
com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos assalto e ser baleado na noite de sexta-feira.
um texto em que há coerência.
O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aeropor-
A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmen- to de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Maringá às
tos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento 21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua Andaquara,
textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressu- uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Senhora do Sabará,
posto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que todos uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de São Paulo. Ainda
eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) não tinha caixa
concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um preta e a torre de controle também não tem informações. O laudo técnico
anterior, perde-se a coerência textual. demora no mínimo 60 dias para ser concluído.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con- Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de ca-
texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa ir em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas casas
ser conhecido pelo receptor. (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimen-
tos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorezzi, de 62
Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi- anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no Pronto
tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto Socorro de Santa Cecília.
que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da
incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido no
com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessário à
em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!). clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser reavivada
a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez no primeiro
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, talvez a clareza
poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto da matéria fosse comprometida.
seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.
E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns
No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a reali- mecanismos:
dade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apre- a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
sentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormali- texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principalmente

Língua Portuguesa 66 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia propriamen- demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício, para
te dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão do texto conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos).
jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitura por
parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser considerada a Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação expres-
mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos vestibu- sa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já utilizados.
lares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que um núme- Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito da Avenida
ro elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão. Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos impostos. A
b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a repe- paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que deriva de parali-
tição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico. sar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o trânsito da
Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três residências (o
vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última nome impacto retoma e resume o acidente de avião noticiado na matéria-
linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir somente exemplo)
o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de celebrida-
des (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um ele-
a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público. Exemplos: mento (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio de
Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti); Farage (para o uma classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de cente-
candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage Khouri); etc. Nomes nas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O protesto foi
femininos costumam ser retomados pelo primeiro nome, a não ser nos a maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - da paralisa-
casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da matéria, mais relevan- ção -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram encontrados
tes e as identifiquem com mais propriedade. ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram a reação dos
c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzido animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis classificações
pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no avião que se podem atribuir a eles).
(1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candidato a
prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspadini (4), de Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as
64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38. Perceba de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não aderi-
que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as palavras ram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de advérbios
piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de avião, obvia- que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, como
mente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que se tratasse elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá, etc.
de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo ocorre outro
exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas (9) atingidas Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no
pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimentos graves. texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que se
(10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10) em negrito, antes refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro Andrade
de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado: Três pessoas. Na (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores de cabe-
verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas sofreram) Apenas ças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos sócios do
escoriações e queimaduras. Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A palavra região
d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica uma região
elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é a do país), que só é citada na linha seguinte.
substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou grupo
de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras). Confira os Conexão:
principais elementos de substituição: Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na
coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, que
Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir ou são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expressões. A
acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou toda a escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido
ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-exemplo, são do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos, agrupados
nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de Name Júnior pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia (Comunicação
(4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha em Prosa Moderna).
Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela
(6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome possessivo seus Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes
retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o pronome pessoal ela, de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente, princi-
contraído com a preposição de na forma dela, retoma Gabriela Gimenes palmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori (itálico).
Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último parágrafo, o pronome pessoal
elas retoma as três pessoas que estavam nas casas atingidas pelo avião: Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterio-
Elas (10) não sofreram ferimentos graves. ridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princí-
pio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, poste-
Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo riormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente, hoje,
que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por vezes,
pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simulta-
de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado. neamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quan-
do, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que,
Exemplos: todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.
a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre-
sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certifi- Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma
cado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardoso; forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo); analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de
b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil. acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex-Ministro tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.
dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; poder-se-iam,
por exemplo, usar as formas jogador do século, número um do Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.
mundo, etc.
Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem

Língua Portuguesa 67 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
como, com, ou (quando não for excludente). que antes o tempo já estava chuvoso.

Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é Na frase “Pedro deixou de fumar” diz-se explicitamente que, no mo-
provável, não é certo, se é que. mento da fala, Pedro não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a
informação implícita de que Pedro fumava antes.
Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza. A informação explícita pode ser questionada pelo ouvinte, que pode ou
não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm que ser verdadei-
Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito, ros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir deles que
subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente. se constróem as informações explícitas. Se o pressuposto é falso, a infor-
mação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se Pedro não
Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para e- fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de fumar.
xemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou
seja, aliás. Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados
Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propó- com vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comuni-
sito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para. cado. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante trans-
forma o ou vinte em cúmplice, urna vez que essa ideia não é posta em
Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de, discussão e todos os argumentos subsequentes só contribuem para confir-
dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa, má -la.
isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.
Por isso pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao siste-
Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclu- ma de pensamento montado pelo falante.
são, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo. A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas “verda-
des” incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso
Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguin- político.
te, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com
efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez Tomemos como exemplo a seguinte frase:
que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte Ë preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de um
que, de tal forma que, haja vista. ataque soviético.

Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste O conteúdo explícito afirma:
com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto, — a necessidade da construção de mísseis,
embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se — com a finalidade de defesa contra o ataque soviético.
bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.
O pressuposto, isto é, o dado que não se põe em discussão é: os sovi-
Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora. éticos pretendem atacar o Ocidente.
Níveis De Significado Dos Textos:
Significado Implícito E Explícito Os argumentos contra o que foi informado explicitamente nessa frase
Observe a seguinte frase: podem ser:
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas. — os mísseis não são eficientes para conter o ataque soviético;
— uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os
Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita: soviéticos;
a) que ele frequentou um curso superior; — a negociação com os soviéticos é o único meio de dissuadi-los de
b) que ele aprendeu algumas coisas. um ataque ao Ocidente.

Ao ligar essas duas informações com um “mas” comunica também de Como se pode notar, os argumentos são contrários ao que está dito
modo implícito sua critica ao sistema de ensino superior, pois a frase passa explicitamente, mas todos eles confirmam o pressuposto, isto é, todos os
a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende nada. argumentos aceitam que os soviéticos pretendem atacar o Ocidente.

Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação A aceitação do pressuposto é o que permite levar à frente o debate. Se
de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das o ouvinte disser que os soviéticos não têm intenção nenhuma de atacar o
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam suben- Ocidente, estará negando o pressuposto lançado pelo falante e então a
tendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve possibilidade de diálogo fica comprometida irreparavelmente. Qualquer
captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos. argumento entre os citados não teria nenhuma razão de ser. Isso quer dizer
que, com pressupostos distintos, não é possível o diálogo ou não tem ele
Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso con- sentido algum. Pode-se contornar esse problema tornando os pressupostos
trário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou afirmações explícitas, que então podem ser discutidas.
— o que é pior — pode concordar com coisas que rejeitaria se as perce-
besse. Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários indica-
dores linguísticos, como, por exemplo:
Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos. a) certos advérbios
Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós.
Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de maneira Pressuposto: Os resultados já deviam ter chegado.
explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou ou
expressões contidas na frase. Os resultados vão chegar mais tarde.

Assim, quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de b) certos verbos


maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao O caso do contrabando tornou-se público.
mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita de Pressuposto: O caso não era público antes.

Língua Portuguesa 68 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

c) as orações adjetivas PROVA SIMULADA I


Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses, não
pensam no povo. 01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras.
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer.
Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individuais. (B) O chefe deferia da opinião dos subordinados.
Mas a mesma frase poderia ser redigida assim: (C) O processo foi julgado em segunda estância.
Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não (D) O problema passou despercebido na votação.
pensam no povo. (E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio.
No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a prefeito 02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é:
têm interesses individuais. (A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz.
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido.
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As (C) A colega não se contera diante da situação.
explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os (D) Se ele ver você na rua, não ficará contente.
elementos de um dado conjunto; as restritivas, que o que elas dizem con- (E) Quando você vir estudar, traga seus livros.
cerne a parte dos elementos de um dado conjunto.
03. O particípio verbal está corretamente empregado em:
d) os adjetivos (A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos.
Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil. (B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas.
(C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime.
Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil. (D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos.
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda.
Os subentendidos
Os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma a- 04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em
firmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão pergunta: Você tem conformidade com a norma culta.
fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe acendes- Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do
se o cigarro. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se: Acenda-me interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
o cigarro por favor. santes, como resistência e flexibilidade.
(A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: o pres- componentes para a indústria.
suposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o ouvinte, (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
não é para ser contestado; o subentendido é de responsabilidade do ouvin- componentes para a indústria.
te, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido literal das (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de com-
palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte ponentes para a indústria.
depreendeu. (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
componentes para a indústria.
O subentendido, muitas vezes, serve para o falante proteger-se diante (E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer componentes para a indústria.
com ela.
05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema
Para entender esse processo de descomprometimento que ocorre com para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que
a manipulação dos subentendidos, imaginemos a seguinte situação: um ele está empregado conforme o padrão culto.
funcionário público do partido de oposição lamenta, diante dos colegas (A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem.
reunidos em assembleia, que um colega de seção, do partido do governo, (B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje.
além de ter sido agraciado com uma promoção, conseguiu um empréstimo (C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha.
muito favorável do banco estadual, ao passo que ele, com mais tempo de (D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro.
serviço, continuava no mesmo posto e não conseguia o empréstimo solici- (E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
tado muito antes que o referido colega.
06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está
Mais tarde, tendo sido acusado de estar denunciando favoritismo do correta em:
governo para com os seus adeptos, o funcionário reclamante defende-se (A) As características do solo são as mais variadas possível.
prontamente, alegando não ter falado em favoritismo e que isso era dedu- (B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente.
ção de quem ouvira o seu discurso. (C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada.
(D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações.
Na verdade, ele não falou em favoritismo mas deu a entender, deixou (E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo.
subentendido para não se comprometer com o que disse. Fez a denúncia
sem denunciar explicitamente. A frase sugere, mas não diz. 07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de
flexão de grau.
A distinção entre pressupostos e subentendidos em certos casos é (A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo.
bastante sutil. Não vamos aqui ocupar-nos dessas sutilezas, mas explorar (B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran-
esses conceitos como instrumentos úteis para uma compreensão mais te as férias.
eficiente do texto. (C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos.
(D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim.
Adequação Conceitual - é adaptar ao conceito de algo; (E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
Pertinência - que concerne;que é relativo a algo;pertencente a algo;
Relvância - que tem importância;que é necessário; Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala-
Articulado,ou Articulação - pronuncia clara sobre o que argumenta (fa- vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas.
la,escreve);
Seleção Vocabular - separar palavras que sejam relevan- 08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento
tes,importantes...etc. estatal ciência e tecnologia.
Ariana (A) à ... sobre o ... do ... para

Língua Portuguesa 69 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(B) a ... ao ... do ... para respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é:
(C) à ... do ... sobre o ... a (A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção.
(D) à ... ao ... sobre o ... à (B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
(E) a ... do ... sobre o ... à (C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção.
(D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção.
09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a (E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo.
franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois
eles devem estar aptos comercializar seus produtos. 16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação
(A) ao ... a ... à do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração
(B) àquele ... à ... à de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Digníssimo
(C) àquele...à ... a Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima
(D) ao ... à ... à urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex-
(E) àquele ... a ... a celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve-
rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das
10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se
norma culta. programar e participar do referido evento.
(A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso Atenciosamente,
trarão grandes benefícios às pesquisas. ZZZ
(B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando Assistente de Gabinete.
com o meio ambiente. De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas
(C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol- são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por
vendo projetos na área médica. (A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos
(D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre- (B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos
sentadas pelos economistas. (C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos
(E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no (D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos
litoral ou aproveitam férias ali. (E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos

11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: 17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às respeitam as regras de pontuação.
chuvas. (A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou,
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla- que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.
mações. (B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
cultura. (C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da Policial, confessou sua participação no referido furto.
culpa. (D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria. funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões
12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó- negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele- 18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen-
aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido- te, apenas a:
res. (A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral.
(Texto adaptado) (B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir (C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi- (D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo.
dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente: (E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames.
(A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) delas ... a elas ... lhes ... deles Leia o período para responder às questões de números 19 e 20.
(C) seus ... nas ... los ... deles
(D) delas ... a elas ... lhes ... seu O livro de registro do processo que você procurava era o que estava
(E) seus ... lhes ... eles ... neles sobre o balcão.

13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo 19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem
com o padrão culto. a
(A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações. (A) processo e livro.
(B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente. (B) livro do processo.
(C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido. (C) processos e processo.
(D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada. (D) livro de registro.
(E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris. (E) registro e processo.

14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto 20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
direto e indireto em: acima:
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião. I. há, no período, duas orações;
(B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo. II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal;
(C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa. III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais;
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada. IV. de registro é um adjunto adnominal de livro.
(E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder. Está correto o contido apenas em
(A) II e IV.
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo. (B) III e IV.
Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos (C) I, II e III.

Língua Portuguesa 70 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(D) I, II e IV. (E) apesar do preço muito elevado.
(E) I, III e IV.
27. É importante que todos participem da reunião.
21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do O segmento que todos participem da reunião, em relação a
acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho: É importante, é uma oração subordinada
I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas; (A) adjetiva com valor restritivo.
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura (B) substantiva com a função de sujeito.
pelo Juiz; (C) substantiva com a função de objeto direto.
III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen- (D) adverbial com valor condicional.
te ao da palavra mas; (E) substantiva com a função de predicativo.
IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór-
dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar. 28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe-
Está correto o contido apenas em lecida pelo termo como é de
(A) II e IV. (A) comparatividade.
(B) III e IV. (B) adição.
(C) I, II e III. (C) conformidade.
(D) I, III e IV. (D) explicação.
(E) II, III e IV. (E) consequência.

22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais. 29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de
Ao transformar os dois períodos simples num único período compos- franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão
to, a alternativa correta é: contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di-
(A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis. versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos
(B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis. possíveis franqueados.
(C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais. A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e
(D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais. relaciona corretamente as ideias do texto, é:
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis. (A) digo ... portanto ... mas
(B) como ... pois ... mas
23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci- (C) ou seja ... embora ... pois
dos galhos da velha árvore. (D) ou seja ... mas ... portanto
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre (E) isto é ... mas ... como
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar.
(A) Quem podou? e Quando podou? 30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos
(B) Qual jardineiro? e Galhos de quê? investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
(C) Que jardineiro? e Podou o quê? A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí-
(D) Que vizinho? e Que galhos? rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
(E) Quando podou? e Podou o quê? da, sem alterar o sentido da frase, é:
(A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ...
24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia. (B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili- (C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento (D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua- (E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ...
ção em:
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas. A MISÉRIA É DE TODOS NÓS
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas. Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia. que remonta aos primórdios da colonização? No decorrer das últimas
(D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas. décadas, enquanto a miséria se mantinha mais ou menos do mesmo tama-
(E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas. nho, todos os indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há mais crianças
em idade escolar frequentando aulas atualmente do que em qualquer outro
25. Felizmente, ninguém se machucou. período da nossa história. As taxas de analfabetismo e mortalidade infantil
Lentamente, o navio foi se afastando da costa. também são as menores desde que se passou a registrá-las nacionalmen-
Considere: te. O Brasil figura entre as dez nações de economia mais forte do mundo.
I. felizmente completa o sentido do verbo machucar; No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos. Vem firmando
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de uma inconteste liderança política regional na América Latina, ao mesmo
modo; tempo que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por ter se tornado um forte
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do oponente das injustas políticas de comércio dos países ricos.
fato;
IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar; Apesar de todos esses avanços, a miséria resiste.
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos. Embora em algumas de suas ocorrências, especialmente na zona rural,
Está correto o contido apenas em esteja confinada a bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais bem
(A) I, II e III. posicionados na escala social, a miséria é onipresente. Nas grandes cida-
(B) I, II e IV. des, com aterrorizante frequência, ela atravessa o fosso social profundo e
(C) I, III e IV. se manifesta de forma violenta. A mais assustadora dessas manifestações
(D) II, III e IV. é a criminalidade, que, se não tem na pobreza sua única causa, certamente
(E) III, IV e V. em razão dela se tornou mais disseminada e cruel. Explicar a resistência da
pobreza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada sim-
26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro..., ples.
indicando concessão, é: Veja, ed. 1735
(A) para poder trabalhar fora.
(B) como havia programado. 31. O título dado ao texto se justifica porque:
(C) assim que recebeu o prêmio. A) a miséria abrange grande parte de nossa população;
(D) porque conseguiu um desconto. B) a miséria é culpa da classe dominante;

Língua Portuguesa 71 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
C) todos os governantes colaboraram para a miséria comum;
D) a miséria deveria ser preocupação de todos nós; 39. ''...enquanto a miséria se mantinha...''; colocando-se o verbo desse
E) um mal tão intenso atinge indistintamente a todos. segmento do texto no futuro do subjuntivo, a forma correta seria:
A) mantiver; B) manter; C)manterá; D)manteria;
32. A primeira pergunta - ''Como entender a resistência da miséria no E) mantenha.
Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da coloniza-
ção?'': 40. A forma de infinitivo que aparece substantivada nos segmentos
A) tem sua resposta dada no último parágrafo; abaixo é:
B) representa o tema central de todo o texto; A) ''Como entender a resistência da miséria...'';
C) é só uma motivação para a leitura do texto; B) ''No decorrer das últimas décadas...'';
D) é uma pergunta retórica, à qual não cabe resposta; C) ''...desde que se passou a registrá-las...'';
E) é uma das perguntas do texto que ficam sem resposta. D) ''...começa a exercitar seus músculos.'';
E) ''...por ter se tornado um forte oponente...''.
33. Após a leitura do texto, só NÃO se pode dizer da miséria no Brasil
que ela: PROTESTO TÍMIDO
A) é culpa dos governos recentes, apesar de seu trabalho produtivo em Ainda há pouco eu vinha para casa a pé, feliz da minha vida e faltavam
outras áreas; dez minutos para a meia-noite. Perto da Praça General Osório, olhei para o
B) tem manifestações violentas, como a criminalidade nas grandes lado e vi, junto à parede, antes da esquina, algo que me pareceu uma
cidades; trouxa de roupa, um saco de lixo. Alguns passos mais e pude ver que era
C) atinge milhões de habitantes, embora alguns deles não apareçam um menino.
para a classe dominante;
D) é de difícil compreensão, já que sua presença não se coaduna com a Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de lado, bra-
de outros indicadores sociais; ços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a cabeça. Tinha os
E) tem razões históricas e se mantém em níveis estáveis nas últimas gambitos também encolhidos e enfiados dentro da camisa de meia esbura-
décadas. cada, para se defender contra o frio da noite. Estava dormindo, como podia
estar morto. Outros, como eu, iam passando, sem tomar conhecimento de
34. O melhor resumo das sete primeiras linhas do texto é: sua existência. Não era um ser humano, era um bicho, um saco de lixo
A) Entender a miséria no Brasil é impossível, já que todos os outros mesmo, um traste inútil, abandonado sobre a calçada. Um menor abando-
indicadores sociais melhoraram; nado.
B) Desde os primórdios da colonização a miséria existe no Brasil e se
mantém onipresente; Quem nunca viu um menor abandonado? A cinco passos, na casa de
C) A miséria no Brasil tem fundo histórico e foi alimentada por governos sucos de frutas, vários casais de jovens tomavam sucos de frutas, alguns
incompetentes; mastigavam sanduíches. Além, na esquina da praça, o carro da radiopatru-
D) Embora os indicadores sociais mostrem progresso em muitas áreas, lha estacionado, dois boinas-pretas conversando do lado de fora. Ninguém
a miséria ainda atinge uma pequena parte de nosso povo; tomava conhecimento da existência do menino.
E) Todos os indicadores sociais melhoraram exceto o indicador da
miséria que leva à criminalidade. Segundo as estatísticas, como ele existem nada menos que 25 milhões
no Brasil, que se pode fazer? Qual seria a reação do menino se eu o acor-
35. As marcas de progresso em nosso país são dadas com apoio na dasse para lhe dar todo o dinheiro que trazia no bolso? Resolveria o seu
quantidade, exceto: problema? O problema do menor abandonado? A injustiça social?
A) frequência escolar; (....)
B) liderança diplomática;
C) mortalidade infantil; Vinte e cinco milhões de menores - um dado abstrato, que a imagina-
D) analfabetismo; ção não alcança. Um menino sem pai nem mãe, sem o que comer nem
E) desempenho econômico. onde dormir - isto é um menor abandonado. Para entender, só mesmo
imaginando meu filho largado no mundo aos seis, oito ou dez anos de
36. ''No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos.''; com idade, sem ter para onde ir nem para quem apelar. Imagino que ele venha a
essa frase, o jornalista quer dizer que o Brasil: ser um desses que se esgueiram como ratos em torno aos botequins e
A) já está suficientemente forte para começar a exercer sua liderança lanchonetes e nos importunam cutucando-nos de leve - gesto que nos
na América Latina; desperta mal contida irritação - para nos pedir um trocado. Não temos
B) já mostra que é mais forte que seus países vizinhos; disposição sequer para olhá-lo e simplesmente o atendemos (ou não) para
C) está iniciando seu trabalho diplomático a fim de marcar presença no nos livrarmos depressa de sua incômoda presença. Com o sentimento que
cenário exterior; sufocamos no coração, escreveríamos toda a obra de Dickens. Mas esta-
D) pretende mostrar ao mundo e aos países vizinhos que já é suficien- mos em pleno século XX, vivendo a era do progresso para o Brasil, con-
temente forte para tornar-se líder; quistando um futuro melhor para os nossos filhos. Até lá, que o menor
E) ainda é inexperiente no trato com a política exterior. abandonado não chateie, isto é problema para o juizado de menores.
Mesmo porque são todos delinquentes, pivetes na escola do crime, cedo
37. Segundo o texto, ''A miséria é onipresente'' embora: terminarão na cadeia ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte.
A) apareça algumas vezes nas grandes cidades;
B) se manifeste de formas distintas; Pode ser. Mas a verdade é que hoje eu vi meu filho dormindo na rua,
C) esteja escondida dos olhos de alguns; exposto ao frio da noite, e além de nada ter feito por ele, ainda o confundi
D) seja combatida pelas autoridades; com um monte de lixo.
E) se torne mais disseminada e cruel. Fernando Sabino
38. ''...não é uma empreitada simples'' equivale a dizer que é uma em- 41 Uma crônica, como a que você acaba de ler, tem como melhor
preitada complexa; o item em que essa equivalência é feita de forma definição:
INCORRETA é: A) registro de fatos históricos em ordem cronológica;
A) não é uma preocupação geral = é uma preocupação superficial; B) pequeno texto descritivo geralmente baseado em fatos do cotidiano;
B) não é uma pessoa apática = é uma pessoa dinâmica; C) seção ou coluna de jornal sobre tema especializado;
C) não é uma questão vital = é uma questão desimportante; D) texto narrativo de pequena extensão, de conteúdo e estrutura bas-
D) não é um problema universal = é um problema particular; tante variados;
E) não é uma cópia ampliada = é uma cópia reduzida. E) pequeno conto com comentários, sobre temas atuais.

Língua Portuguesa 72 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
dormindo ou morto;
42 O texto começa com os tempos verbais no pretérito imperfeito - E) o cronista não sabia sobre a real situação do menino.
vinha, faltavam - e, depois, ocorre a mudança para o pretérito perfei-
to - olhei, vi etc.; essa mudança marca a passagem: 49 Alguns textos, como este, trazem referências de outros momentos
A) do passado para o presente; históricos de nosso país; o segmento do texto em que isso ocorre é:
B) da descrição para a narração; A) ''Perto da Praça General Osório, olhei para o lado e vi...'';
C) do impessoal para o pessoal; B) ''...ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte'';
D) do geral para o específico; C) ''...escreveríamos toda a obra de Dickens'';
E) do positivo para o negativo. D) ''...isto é problema para o juizado de menores'';
E) ''Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais''.
43 ''...olhei para o lado e vi, junto à parede, antes da esquina, ALGO que
me pareceu uma trouxa de roupa...''; o uso do termo destacado se 50 ''... era um bicho...''; a figura de linguagem presente neste segmento
deve a que: do texto é uma:
A) o autor pretende comparar o menino a uma coisa; A) metonímia;
B) o cronista antecipa a visão do menor abandonado como um traste B) comparação ou símile;
inútil; C) metáfora;
C) a situação do fato não permite a perfeita identificação do menino; D) prosopopeia;
D) esse pronome indefinido tem valor pejorativo; E) personificação.
E) o emprego desse pronome ocorre em relação a coisas ou a pesso-
as. RESPOSTAS – PROVA I
01. D 11. B 21. B 31. D 41. D
44 ''Ainda há pouco eu vinha para casa a pé,...''; veja as quatro frases a 02. A 12. A 22. A 32. B 42. B
seguir: 03. C 13. C 23. C 33. A 43. C
I- Daqui há pouco vou sair. 04. E 14. E 24. E 34. A 44. E
I- Está no Rio há duas semanas. 05. A 15. C 25. D 35. B 45. A
III - Não almoço há cerca de três dias. 06. B 16. A 26. E 36. C 46. A
IV - Estamos há cerca de três dias de nosso destino. 07. D 17. B 27. B 37. C 47. D
As frases que apresentam corretamente o emprego do verbo haver 08. E 18. E 28. C 38. A 48. C
são: 09. C 19. D 29. D 39. A 49. B
A) I - II 10. D 20. A 30. B 40. B 50. C
B) I - III
C) II - IV PROVA SIMULADA II
D) I - IV
E) II - III 01. Ache o verbo que está erradamente conjugado no presente do subjunti-
vo:
45 O comentário correto sobre os elementos do primeiro parágrafo do a ( ) requera ; requeras ; requera ; requeiramos ; requeirais ; requeram
texto é: b ( ) saúde ; saúdes ; saúde ; saudemos ; saudeis ; saúdem
A) o cronista situa no tempo e no espaço os acontecimentos abordados c ( ) dê ; dês ; dê ; demos ; deis ; dêem
na crônica; d ( ) pule ; pules ; pule ; pulamos ; pulais ; pulem
B) o cronista sofre uma limitação psicológica ao ver o menino e ( ) frija ; frijas ; frija ; frijamos ; frijais ; frijam
C) a semelhança entre o menino abandonado e uma trouxa de roupa é
a sujeira; 02. Assinale a alternativa falsa:
D) a localização do fato perto da meia-noite não tem importância para o a ( ) o presente do subjuntivo, o imperativo afirmativo e o imperativo negati-
texto; vo são tempos derivados do presente do indicativo;
E) os fatos abordados nesse parágrafo já justificam o título da crônica. b ( ) os verbos progredir e regredir são conjugados pelo modelo agredir;
c ( ) o verbo prover segue ver em todos os tempos;
d ( ) a 3.ª pessoa do singular do verbo aguar, no presente do subjuntivo é :
46 Boinas-pretas é um substantivo composto que faz o plural da mesma águe ou ague;
forma que: e ( ) os verbos prever e rever seguem o modelo ver.
A) salvo-conduto;
B) abaixo