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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

INFLUÊNCIA DO USO E COBERTURA DA TERRA NA QUALIDADE DA ÁGUA DA


MICROBACIA DO CÓRREGO MANOEL JOÃO, MUNÍCIPIO DE PORTO
NACIONAL/TO

Palmas
2018
MIKAELLEM PAZ MARINHO

INFLUÊNCIA DO USO E COBERTURA DA TERRA NA QUALIDADE DA ÁGUA DA


MICROBACIA DO CÓRREGO MANOEL JOÃO, MUNÍCIPIO DE PORTO
NACIONAL/TO
Projeto de pesquisa elaborado segundo
atividade proposta pela Tutora Dra. Adriana
Crispim para o Programa de Educação Tutorial
– PET/Conexão de Saberes de Imperatriz.

Palmas
2018
1 IDENTIFICAÇÃO:

Autor: Mikaellem Paz Marinho1.

Orientadora: Prof. Dr. Ricardo Ribeiro Dias2

1.1 Curso: Engenharia Ambiental

1.2 Instituição: Universidade Federal do Tocantins

1.3 Centro:

1.4 Período:

1
Aluno do curso de Direito da UFMA.
2
Doutora em Filologia pela USP; Professora Adjunta do curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão
2 TEMA

Qualidade Ambiental

2.1 Delimitação Do Tema

Avaliação da influência do uso e cobertura da terra na qualidade da água na microbacia


do Córrego Manoel João, município de Porto Nacional/TO.

3 JUSTIFICATIVA

A Execução Penal é parte do Direito Processual Penal e se dedica ao cumprimento da


sentença penal condenatória, além de dispor sobre as regras de prisão e de como devem ser os
estabelecimentos de cumprimento de pena. Nesse sentido, é basilar seu estudo e compreensão
pelos estudantes de Direito, que podem vir a trabalhar diretamente nessa área. Aos estudantes
de Pedagogia, mesmo que os esforços do Estado em suprir a demanda educacional no sistema
prisional tenham sido despertados recentemente, há sempre a possibilidade de atuarem nesse
campo da Educação Social.
Norberto Avena3 enfatiza que:

(...) a lei estabelece como fim da execução penal não apenas a solução de
questões relacionadas ao cárcere (o que justificaria a denominação Direito
Penitenciário), mas também o estabelecimento de medidas que visem à
reabilitação do condenado. Daí o surgimento da expressão Direito de
Execução Penal para denominar a disciplina que rege o processo de
cumprimento da sentença penal e seus objetivos.

Essa perspectiva da Execução Penal como responsável pela ressocialização do


executando é antiga, tendo sido abordada por grandes nomes do Direito Penal e Processual
Penal como Beccaria4, Carnelutti5 e hodiernamente Greco6. Nessas discussões, sempre se
ressalta o potencial da educação como ressocializadora para o recluso, proporcionando a ele
uma melhor readaptação social de forma a prepará-lo para voltar a viver em liberdade sem que

3
AVENA, Norberto Cláudio Pâncaro. Execução Penal: Esquematizado. São Paulo: Método, 2015.
4
BECCARIA, C. (1764). Dos Delitos e das Penas. Edição Eletrônica: Ridendo Castigat Mores. Acesso em 24 de
12 de 2016, disponível em http://www.jahr.org/
5
CARNELUTTI, F. (1995). As Misérias do Processo Penal. São Paulo: Conan.
6
GRECO, R. (2009). Direito Penal do Equilíbrio: Uma visão minimalista do Direito Penal. Niterói: Impetus.
cometa outros crimes, tendo em vista seu desenvolvimento cidadão e profissional. Não se
olvida, também, que a educação dos reclusos é de suma importância para a manutenção da
disciplina dentro das prisões7 (MARCÃO, 2015, p. 54-55).
Nesse sentido, procurar compreender como pensam os estudantes de Pedagogia e
Direito torna-se basilar pois são eles que coordenarão e executarão futuramente os projetos de
readaptação dos sentenciados. Havendo manifestações negativas acerca do objeto estudado, se
pode elaborar ações afirmativas e até mesmo uma proposta de intervenção para que sejam
incluídas disciplinas tanto de execução penal tendo um viés mais humanizado (para o curso de
Direito), quanto uma de educação social (para os esudantes de Pedagogia).

4 PROBLEMA

Em dezembro de 2014 a população carcerária brasileira chegou a 622 mil detentos8.


De acordo com o Grupo de Estudos Carcerários Aplicados da Universidade de São Paulo
(GECAP-USP)9, os custos ponderáveis da prisionalização10 de um detento giram em torno de
R$ 1.500,00 por preso. A abertura de uma vaga no sistema prisional brasileiro custa e média
R$ 38.112,3111. Por estes dados, percebe-se que o grande problema da execução penal é o
custeio. Ademais, auferir os gastos com a ressocialização é tarefa árdua ao passo que nem todos
os estabelecimentos têm programas voltados para tal atividade nem previsão orçamentária para
gastos com a educação.
Urge-se a isso o descaso estatal para com a execução penal. Nesse sentido, há poucas
vagas para o total de encarcerados e só recentemente é que novas unidades prisionais vêm sendo
construídas. Além disso, tem-se a violência dentro da prisão, fator este que agrava a falta de
interesse de profissionais para trabalhar diretamente com a ressocialização dessa população.
Nesse sentido, considerando-se os dados apresentados e a percepção empírica sobre o
tema, este trabalho busca auferir a percepção dos estudantes de Direito de Pedagogia sobre o

7
MARCÃO, R. (2015). Curso de Execução Penal (13ª ed.). São Paulo: Saraiva. P. 54-55.
8
BRASIL. (01 de 01 de 2017). Ministério da Justiça e Cidadania. Fonte: Brasil:
http://www.justica.gov.br/noticias/populacao-carceraria-brasileira-chega-a-mais-de-622-mil-detentos
9
Universidade de São Paulo. (2012). GECAP - USP. Fonte: Grupo de Estudos Carcerários Aplicados da
Universidade de São Paulo: http://www.gecap.direitorp.usp.br/index.php/noticias/44-custos-da-prisionalizacao-
7-informacoes-basicas-sobre-encarceramento
10
Idem: Tais custos são chamados de “custos ponderáveis da prisionalização”, porque diretamente aferíveis com
base em gastos com alimentação, água, energia, saúde, pessoal, etc.
11
Ibidem: Valor auferido para o Estado de São Paulo válido para o ano de 2007. Nesse sentido, o valor atual está
muito acima deste, levando em conta a inflação e o aumento de salário dos servidores.
direito à educação dos apenados, seu interesse na área e sua cultura legal 12, no que tange
dispositivos específicos da LEP. Nesse levantamento, a força motriz é o questionamento: Os
estudantes de Direito e Pedagogia têm conhecimento sobre o direito à educação contido dentro
da Execução Penal?
O estudo então buscará compreender:
 O que é a Cultura Legal e como ela se manifesta.
 Os estudantes entendem o direito à educação como preceito universal?
 Eles trabalhariam com a execução penal?
 Ele compreende determinados direitos que são cabidos à parte da população
carcerária?
 Ele sabe o que é educação social?
 Viu algo relacionado ao tema dentro das cadeiras da IES?
 Há uma cultura legal dentre as populações analisadas?

5.HIPÓTESE

Tomando por base um estudo idêntico apresentado no VIII Fórum Internacional de


Pedagogia13, supõe-se que haja uma alta percepção dos dispositivos da Lei de Execução Penal,
mesmo que indiretamente assim como preceitua a teoria da cultura legal. Nesse sentido,
acredita-se que a grande maioria reconhecerá o direito à educação dos encarcerados.
Em se tratando de uma parte mais específica, pouco mais da metade deve aceitar que
haja remissão14 em caso de o detento estudar. Assim também no que tange à saída temporária
e outros direitos e regalias que possam ser auferidas pelo questionário.
Em se tratando das populações, os estudantes de pedagogia podem ter um menor
entendimento dos dispostos legais, apenas por não ser o foco do seu curso o estudo do
ordenamento jurídico e sim da prática e teoria educacional. Por outro lado, espera-se um
entendimento mais consolidado dos estudantes de Direito.

12
O tema é mais bem discutido abaixo. FRIEDMAN, L. (1988). Legal Culture and the Welfare State. Em G.
TEUBNER, Dilemmas of Law in the Welfare State (pp. 13-27). Berlin: Walter de Gruyter & Co.
13
BARBOSA, C., & FILHO, E. (2016). CULTURA LEGAL DOS FUTUROS PROFISSIONAIS DE
EDUCAÇÃO E DIREITO SOBRE A ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL AOS APENADOS. Anais do VIII
Fórum Internacional de Pedagogia.
14
No caso específico do Processo Penal, significa o desconto de parte da pena em virtudes de algumas atividades
que podem ser executadas pelos detentos. É o caso da educação.
Dessa forma, o fulcro hipotético desse trabalho é que haja uma cultura legal em
consolidação por parte dos alunos.

6 OBJETIVOS

6.1 Objetivo Geral

Auferir se há ou não uma cultura legal entre a população estudada direcionada à área
da educação social dentro da Execução Penal.

6.2 Objetivos específicos

 Demonstrar o que é a cultura legal e sua importância na Ciência Jurídica.


 Quantificar, por meio de questionário guia, a cultura legal dos Estudantes de Direito e
Pedagogia.
 Identificar variações em relação ao entendimento legal sobre a Educação dos
Apenados.
 Confrontar dados com pesquisas anteriores sobre a cultura legal.
 Verificar as diferenças de entendimento entre as populações.

7 REFERENCIAL TEÓRICO

A execução penal é regida pela Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 que prevê alguns
direitos aos apenados e disciplina o cumprimento da sentença penal condenatória. Nesse
sentido, Guilherme de Souza Nucci15 aponta que o caráter preventivo da pena tem um aspecto
especial positivo “que consiste na proposta de ressocialização do condenado, para que volte ao
convívio social, quando finalizada a pena ou quando, por benefícios, a liberdade seja
antecipada”. A ressocialização objetiva influir na reabilitação do condenado, deixando-o apto
ao retorno social, educacional e profissionalmente integrado. Para tanto, há de se contar com a
educação e com os profissionais envolvidos nesse tipo de trabalho.

15
NUCCI, G. d. (2016). Manual de Direito Penal. Rio de Janeiro: Forense. P. 368.
No que tange a educação, preleciona Gilmar Mendes16 que “Dentre os direitos sociais,
o direito à educação tem assumido importância predominante para a concretização dos valores
tutelados pela Constituição e, principalmente, para a construção de patamar mínimo de
dignidade para os cidadãos”, expressando, assim, a necessidade da educação para a construção
de uma sociedade livre, justa e igualitária, dentro dos preceitos constitucionais e, como valor
universal, que de fato é devida a todos. Dessa forma, aquele que sofre as sanções penais também
é detentor de tal direito, positivado no art. 17 da Lei de Execução Penal17.

A cultura legal

Estudos que buscam auferir o conhecimento de uma população sobre legislação


embasam-se na teoria da Cultura Legal, estudada principalmente por Lawrence M. Friedman18,
para quem:

(...) the concept of legal culture is crucial to an understanding of legal development.


By legal culture, we mean the ideas, attitudes, values, and beliefs that people hold
about the legal system. Not that any particular country has a single, unified legal
culture. Usually there are many creatures in a country, because the societies are
complex, and are made up of all sorts of groups, classes and strata. One should also
distinguish between internal legal (the legal culture of lawyers and judges) and
external (the legal culture of the population at large). We can, if we wish, also speak
about the legal culture of taxi drivers, or rich people, or businessmen, or black people.
Probably, no two men or women have exactly the same attitudes toward law, but here
are no doubt tendencies that correlate systematically with age, sex, income,
nationality, race and so on. At least this is plausible. It is also possible that the legal
culture of Germany as a whole is different from the legal culture of Holland, in ways
that can be intelligibly described; and even more so compared to Honduras or Chad.

Um ano após ter agraciado a comunidade acadêmica com esse conceito, Friedman
reforça retifica seu posicionamento sobre o tema, mas não de forma substancial, apenas
introduzindo uma visão mais direcionada sobre como aplicar essa teoria em estudos na ciência
jurídica e distinguindo a cultura legal da cultura popular19:

By legal culture I mean nothing more than the “ideas, attitudes, values, and opinions
about law held by people in a society.” Everyone n a society has ideas and attitudes,
and about a range of subjects – education, crime, the economic system, gender
relations, religion. Legal culture refers to those ideas and attitudes which are

16
MENDES, G. F., & BRANCO, P. G. (2014). Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva. P. 675.
17
MARCÃO, R. (2012). Execução Penal (Vol. 9). São Paulo: Saraiva. P. 35
18
FRIEDMAN, L. (1988). Legal Culture and the Welfare State. Em G. TEUBNER, Dilemmas of Law in the
Welfare State (pp. 13-27). Berlin: Walter de Gruyter & Co. P. 17.
19
FRIEDMAN , Lawrence M. “Law, Lawyers, and Popular Culture.” The Yale Law Journal, Jun de 1989. Pag
1579
specifically legal in content – ideas about courts, justice, the police, the Supreme
Court, lawyers, and so on. (Obviously, one aspect of legal culture is what problems
and institutions are defined as legal in the first place.) The term popular culture, on
the other hand, refers first, and more generally, to the norms and values held by
ordinary people, or at any rate, by non-intellectuals, as opposed to high culture, the
culture of intellectuals and the intelligentsia, or what Roberto Gordon called
“mandarin culture.” Second, and more narrowly, it refers to “culture” in the sense of
books, songs, movies, plays, television, shows, and the like; but specifically to those
works of imagination whose intended audience is the public as a whole, rather than
intelligentsia: Elves rather than Marilyn Horne.

Em Nelken20, é possível ver uma correlação de conceitos com Friedman.

Legal culture, in its most general sense, is one way of describing relatively stable
patterns of legally oriented social behaviour and attitudes. The identifying elements
of legal culture range from facts about institutions such as the number and role of
lawyers or the ways judges are appointed and controlled, to various forms of
behaviour such as litigation or prison rats, and, at the other extreme, more nebulous
aspects of ideas, values, aspirations and mentalities. Like culture itself, legal culture
is about who we are not just what we do.

A cultura legal e a cultura legal popular são importantes para construções de teorias
sociais do direito que, segundo Friedman, tem a premissa de negar em todo ou em grande parte
qualquer noção de autonomia do Direito. Essas teorias tentam explicar o fenômeno legal
pesquisando por causas e fatores causais “fora” do sistema legal. Por sua vez, essas teorias
tratam o direito como uma variável dependente e atribuem um papel de liderança na moldagem
do direito aos sistemas e subsistemas que a sociedade define como “não legais”, ou seja,
econômicos, sociais, culturais ou políticos. Nesse sentido,

A social theory of law, in contrast, is “social” to the extent that it denies or downgrades
the autonomy of law, and insists instead that an analysis of social forces best explains
why the legal system is as it is, what shapes and molds it, what makes it ebb and flow,
contract and expand; what detecmines its general struc-ture, and the products it grinds
out day by day.

É necessário entender que o direito não é autopoiético, tão pouco totalmente


independente de forças externas. Na visão dos operadores do direito, a autonomia é mais
evidente ao passo que para os outros cientistas sociais, o direito é mais dependente. Esse
comportamento é refletido até mesmo na interação dos profissionais das diversas áreas quando
entram em conflito com profissionais do direito. A cultura legal é crucial para o entendimento
de qualquer sistema legal. Nesse sentido, WALT21,

20
NELKEN, David. “Using the Concept of Legal Culture.” Australian Journal of Legal Philosophy, 2014.
21
WALT, Lirieka Meintjes van der. “Comparative method: Comparing legal systems and/or legal cultures?”
Speculum Juris, 2006. Pag 58.
There is a growing belief among socio-legal scholars in the recognition and
identification of legal cultures for purposes of the comparative methodology. It is
hypothesised that what people think about the law and the values embedded therein
will influence their attitude to law, their willingness to comply with law, “and that
lawyers studying the law of other jurisdictions cannot understand the law without
understanding the legal culture of that particular jurisdiction”.51 Gibson and
Caldeira52 also maintain that one cannot understand the role of law in a society
without understanding something of its legal culture.

O direito é sensível às mudanças sociais, assim como a cultura legal o é. Ambos são
variáveis que intervém entre si. As forças sociais são capazes de fazer o direito, mas não o
fazem diretamente. A cultura legal medeia esse processo. Não sendo estática, é possível afirmar
que ela se correlaciona com outras variáveis sociais para além do direito.22
O conceito de “cultura legal” é abrangente e se refere à compreensão difundida entre
os diversos grupos na sociedade sobre o que é o direito, o Estado e sobre o funcionamento das
instituições legais. Não se trata de um conhecimento técnico ou especializado das leis. Para se
inteirar da “cultura legal” de um país, mais que conhecer os textos legais, seus códigos penal,
cível ou constitucional é fundamental saber como inferir da aprovação ou desaprovação dos
comportamentos habituais das pessoas, nativos e imigrantes, o que é “legal” e o que é “ilegal”23.
É possível, com base na mesma teoria, fazer a análise desse conhecimento em diversas
populações que podem ser escolhidas por critérios que as una ou que as separe. Nesse sentido,
deve-se buscar compreender duas populações distintas: A de estudantes de pedagogia e a de
estudantes de direito. Nesse sentido, Silbey24

To the extent that patterns of attitudes and behaviors are discernible within a
population and vary from one group or state to another, it was possible, Friedman said,
to speak of the legal culture(s) of groups, organization, or states. As the “ideas, values,
expectations, and attitudes toward law and legal institutions, which some public or
some part of the public holds,” legal culture was meant to name a range of phenomena
that would be, in principle, measurable. Although Friedman never elaborately
theorized the concept of legal culture even as he reformulated it several times in
different texts, he remained convinced that the concept was useful as a way of “lining
up a range of phenomena into one very general category”.

22
GINSBURG, Tom. “Lawrence Friedman's Comparative Law.” University of Chicago Public Law & Legal
Theory Working Paper, 2010.
23
MELLO, M. (Dezembro de 2012). Imigração, Fluência e "Cultura Legal": Uma Perspectiva
Etnofenomenológica. Revista Sociologia Jurídica.
24
SILBEY, Susan S. “Legal Culture and Cultures of Legality.” Em Handbook of Cultural Sociology, edição:
John R HALL, Laura GRINDSTAFF, & Ming-Cheng LO, pag 472. Abingdon: Routledge Handbooks Online,
2010.
Cabe ressaltar que o conceito de cultura legal não implica dizer que há uma hegemonia
social a respeito do leque de atitudes e valores que as pessoas, tanto como indivíduos, tanto
como coletivo, possuem. Muito possivelmente nenhum deles tem pensamentos totalmente igual
acerca do direito. Contudo, é possível traçar tendências das quais se podem extrair um padrão
de comportamento, atitudes e opiniões25. Tais padrões estão, em grande parte das vezes
atrelados a variáveis que torna possível separar a sociedade em grupos, cada um digno de um
estudo diferente. Essas variáveis são: demográfica, educacional, racial, sexual, de gênero,
etária... Dentre tantas outras. Para o este estudo, utiliza-se populações separadas quanto à
educação.
Mensurar a cultura legal é algo difícil. Nem mesmo as pesquisas com questionário são
capazes de fazer tal papel por conta da dificuldade de inscrever todos os aspectos relevantes a
ser estudados no questionário. Os valores obtidos podem ser pouco lapidados e necessitam de
densa teoria para explica-los, justamente pela imprecisão e alta mutabilidade dos dados.
Justifica-se essa pesquisa porque se objetiva verificar determinado momento histórico de uma
sociedade26.
Há três modos de se debruçar sobre a Cultura Legal, cada um com suas desvantagens
inerentes: usando categorias gerais como Religião, linguagem ou panorama étnico. A vantagem
é que esse método é direto e claro, mas tende a ser bruto e impreciso; utilizando questionários
(sourvey), para quantificar atitudes e crenças, sua desvantagem é o tempo gasto e a dificuldade
no tratamento dos dados. Também é alvo de crítica por não ser capaz de englobar aspectos
importantes da cultura legal, como o comportamento, visto que este para ser entendido necessita
de uma observação direta do indivíduo em determinadas situações; abordagem etnográfica. O
pesquisador deve imergir na população que busca compreender e tentar perceber seus detalhes
em particular, símbolos, rituais, práticas, dentre outros. O problema é a dificuldade de se
reproduzir as técnicas utilizadas por outros pesquisadores, mesmo que o etinógrafo possua
longa jornada acadêmica27.
Todas as formas de mensurar a cultura são problemáticas e exigem parcimônia,
generalizações, detalhes e descrições precisas. Para tanto, deve-se tomar cuidado ao pesquisar
determinado tema. De todo modo, a pesquisa em cultura legal não deve ser evitada apenas por
ser difícil de mensurar suas variáveis pois seus dados são reais e importantes.

25
FRIEDMAN , Lawrence M. “Law, Lawyers, and Popular Culture.” The Yale Law Journal, Jun de 1989. Pag
1579
26
“Legal Culture and Judicial Reform.” Artigo Científico. The World Bank, [ca. 2005].
27
Idem
“Legal culture” as an analytic category has numerous problems. The concept is
difficult to define without slipping into vagueness and tautology. All attempts to
measure culture are problematic, and involve trading off parsimony and
generalizability with detail and descriptive accuracy. Sorting out the direction of
causality between “culture” and various other aspects of social, political, and
economic life is extremely difficult, even if culture is defined precisely. And the
problem of cultural change, and our relative lack of systematic knowledge as to why
and how such change takes place, further complicates the picture. All these
considerations should make us cautious about turning too quickly to “culture” as an
explanation for the complex problems legal reformers face. 28

Estudar direito na sociedade, em sua forma viva, é dispendioso. Mas alguns artifícios
podem ser usados, ao menos para desbravar algumas questões mais holísticas e menos
profundas29. Como as opiniões a respeito do direito, uma das formas de se ver a cultura legal
na sociedade.

8 METODOLOGIA

Já disse Agostinho Ramalhes Marques Neto30, em seu livro “A CIENCIA DO


DIREITO: Conceito, Objeto, Método” que

Não existe um método perfeitamente adequado à investigação jurídica. Sendo o método


uma função do enfoque teórico-problemático e da natureza do objeto de conhecimento,
sua escolha é essencialmente variável, ficando a critério do investigador decidir sobre
o emprego do instrumental metodológico que lhe pareça mais adequado. Os resultados
obtidos é que indicarão, retrospectivamente, a validade ou não da metodologia utilizada.

Ao passo que para Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos31 "A
especificação da metodologia da pesquisa é a que abrange maior número de itens, pois
responde, a um só tempo, às questões como?, com quê?, onde?, quanto? Corresponde aos
seguintes componente". Nesse contexto, seguir-se-á o método das ciências sociais aplicadas e
uma abordagem metodológica própria das ciências jurídicas conforme aponta Agostinho
Ramalhes Marques Neto.

8.1 Tipos de estudo e Abordagem de pesquisa

28
Idem
29
GINSBURG, Tom. “Lawrence Friedman's Comparative Law.” University of Chicago Public Law & Legal
Theory Working Paper, 2010.
30
NETO, A. (2001). A CIÊNCIA DO DIREITO: Conceito, Objetivo, Método. Rio de Janeiro/São Paulo:
Renovar. P. 87.
31
LAKATOS, E. (2003). Fundamentos da Metodologia Científica. São Paulo: Atlas. P. 311.
A pesquisa da realidade do profissional da educação no que tange ao seu conhecimento
sobre o dispositivo legal base da sua atuação laboral requer um estudo bibliográfico, descritivo
e de campo com abordagens quantitativas, que segundo o método Survey, permite descrever a
distribuição de algum fenômeno na população ou entre os subgrupos da mesma ou, ainda, faz
uma comparação entre essas distribuições, por meio de uma amostra que o represente
estatisticamente. Nesse tipo de pesquisa a hipótese não é causal, mas tem o propósito de
verificar se a percepção dos fatos está ou não de acordo com a realidade.
Assim, o presente estudo tem por finalidade verificar a cultura legal dos estudantes de
direito e pedagogia da cidade de imperatriz utilizando questionário guia para quantificar
atitudes e crenças, sua desvantagem é o tempo gasto e a dificuldade no tratamento dos dados.
Também é alvo de crítica por não ser capaz de englobar aspectos importantes da cultura legal.
O presente estudo, contudo, não tem tal viés. O fulcro aqui é o registro de determinado
pensamento em determinado período de tempo e em determinado lugar. Nesse sentido32:

Another approach is to use survey data on attitudes and. While a valuable source of
information, these survey-based studies are time consuming and hard to carry out, and
their results are often quite difficult to interpret. And, though more refined than the first
approach, they are also subject to the criticism that they miss important nuances of legal
culture, making inferences from aggregate opinion data without regard to other factors.

Nesta pesquisa será utilizado o método estatístico, "pois permitem obter, de conjuntos
complexos, representações simples e constatar se essas verificações simplificadas têm relações
entre si. Assim, o método estatístico significa redução de fenômenos sociológicos, políticos,
econômicos etc. a termos quantitativos e a manipulação estatística, que permite comprovar as
relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou
significado", também contemplará a revisão de literatura sobre o assunto pertinente, o
levantamento, coleta e análise dos dados.
Além disso, será utilizado o método histórico, tanto na abordagem da teoria central
desse trabalho, quanto no registro a que se propõe a parte estatística. Esse tipo de abordagem
histórica é importante para a compreensão do Direito, uma vez que deixa registrado como se
pensava em determinada época. Para Atias33:

32
“Legal Culture and Judicial Reform.” Artigo Científico. The World Bank, [ca. 2005].
33
ATIAS, Christian. “AMERICAN LEGAL CULTURE AND TRADITIONAL SCHOLARLY ORDER.”
Edição: Alain A Levasseur. Louisiana Law Review 46 (Jul 1986). Pag 1135
The historical approach is also important in the science of law. Many authors like to
recount events, to describe the distinct periods of doctrine, much like an historian of the
arts emphasizes differences in styles. This kind of history thus focuses on the work of a
few men; it places emphasis on events that marked their lives, their intellectual
education, their careers, their convictions, and the originality of their positions.
Although this historical analysis is very useful, it has the drawback of presenting the
evolution of legal science as a succession of waves, each one covering and erasing the
previous one. What emerges from this analysis is only a snapshot, an account of
moments, episodes, or even flashes. This same analysis fails to reveal the underlying
causes, the global meaning, or the mode of reception of these moments and episodes by
the jurists. Under these waves, however, there exists the sea which is the true strength.
What need be analyzed is the discrete, unconscious and diffused survival of the ideas
thrown but a moment to the surface and then absorbed in the sea of prejudices, pre-
concepts, paradigms used in all legal reasoning.

Repisa-se que recortes na história não possuem uma visão holística. Torna-se
impossível saber como pensa a sociedade como um todo devido vultoso investimento que
necessitaria de ser despendido sem a garantia de resultados satisfatórios na pesquisa. Contudo,
certas populações são passíveis de análises diacrônicas, como é o específico caso dos estudantes
de Direito e Pedagogia, visto que não são um número tão grande, se comparados com toda a
sociedade.

8.2 Local e contexto de estudo

Os dados serão auferidos junto às Universidade Federal do Maranhão, Centro de


Ciências Sociais, Saúde e Tecnologia, cursos de Direito e Pedagogia, regularmente, na
modalidade presencial. O local em que será realizada a pesquisa é a cidade de Imperatriz,
situado na Mesorregião Oeste Maranhense e distante 639 km de São Luís, capital do Estado do
Maranhão. De acordo com o IBGE (2010), o município apresenta uma população de 247.505
habitantes e uma área territorial 1.368,987 km2.

8.3 Técnica de coleta de dados

A presente pesquisa utilizar-se-á de questionários que é um instrumento de coleta de


dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito
e sem a presença do entrevistador, com perguntas objetivas e subjetivas que serão aplicados em
nas instituições já mencionadas, todos versando sobre a execução penal e o direito do apenado
à educação.

8.4 Aspectos éticos


Este aspecto é importante e deve ser realizado de acordo com Ibiapina (2012, p. 55).

“Informar-se-á a todos os participantes da pesquisa que haverá garantia do


anonimato dos informantes, suas falas serão codificadas no processo de
análise. Também será entregue um termo de consentimento livre e esclarecido
sobre as etapas e objetivos da pesquisa, e isso será obtido por escrito, antes
de cada procedimento de coleta de dados.”

8.5 Apresentação e interpretação do material coletado

Os dados obtidos através destes questionamentos serão apresentados na forma de


gráficos, tabelas e/ou quadros, e serão interpretados no conjunto com os demais materiais
obtidos. Os resultados, após a tabulação, serão confrontados com pesquisas já existentes sobre
a temática e com teorias de doutrinadores das áreas afim (cultura legal, educação social e
execução penal).

9 CRONOGRAMA

Mês
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Atividade
Revisão Bibliográfica X X
Coleta de Dados X X X X
Tabulação X X X
Apresentação para a orientadora X X X
Correções e demais diligências X X X
Finalização X X X X
Redação e Correção Finais X X X X X X X

11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACAR, Ali. “The Concept of Legal Culture With Particular Attention to the Turkish Case.”
Ankara Law Review, 2006: 143-153.

ATIAS, Christian. “AMERICAN LEGAL CULTURE AND TRADITIONAL SCHOLARLY


ORDER.” Edição: Alain A Levasseur. Louisiana Law Review 46 (Jul 1986): 1117 -
1136.

AVENA, Norberto Cláudio Pâncaro. Execução Penal: Esquematizado. São Paulo: Método,
2015.
BARBOSA, Conceição Aparecida, e Edmílson Alves Martins FILHO. “CULTURA LEGAL
DOS FUTUROS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO E DIREITO SOBRE A
ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL AOS APENADOS.” Anais do VIII Fórum
Internacional de Pedagogia, 2016.

BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas. Edição Eletrônica: Ridendo Castigat Mores,
1764.

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