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23/01/2019

Como modular | Teoria Musical

23/01/2019 Como modular | Teoria Musical
Como modular Já aprendemos no tópico “Transposição e Modulação
Como modular
Já aprendemos no tópico “Transposição
e
Modulação
(http://www.descomplicandoamusica.com/transposicao-modulacao/)” o básico sobre modulação.
Agora que já formamos uma base teórica mais sólida, chegou a hora de aprofundar esse assunto e
mostrar como modular, ou seja, quais recursos e análises podemos explorar nesse tema.
Podemos começar respondendo algumas perguntas:
Para onde podemos modular?
Podemos modular para qualquer tom, independente de onde estamos, não há nenhuma restrição
quanto a isso. Porém, o mais comum é modular para os tons vizinhos
(http://www.descomplicandoamusica.com/tons-vizinhos/), pois nosso ouvido vai se adaptar
melhor a esse tipo de transição, já que existe afinidade entre essas tonalidades. Na música popular
em geral, utiliza-se muito também a modulação para 1 tom acima (subir a música um tom) ou meio
tom acima.
Que recursos podemos utilizar para modular?
O mais comum é utilizar as cadências (http://www.descomplicandoamusica.com/cadencia/).
Podemos fazer progressões II – V – I, ou qualquer outra, para preparar melhor nosso ouvido à
mudança de tonalidade. As cadências servem como “suavizadoras” das transições, elas preparam o
caminho.
Para o improvisador (http://www.descomplicandoamusica.com/improvisacao-musical/), elas
servem também de sinalizador para que o músico logo perceba para onde a música vai. No artigo
“cadência” mostramos um exemplo de utilização das cadências para se fazer uma modulação.
Veremos aqui mais exemplos dentro de músicas conhecidas.
Porém, antes disso, vale a pena ressaltar que as cadências não são a única forma de se suavizar uma
transição de tonalidade. Podemos também fazer a chamada “modulação diatônica”.
O que é modulação diatônica?
É quando mudamos a função harmônica (http://www.descomplicandoamusica.com/harmonia-
funcional/) de um acorde na música; ou seja, aproveitamos o fato de que um mesmo acorde existe
em tonalidades diferentes e fazemos uma transição entre essas tonalidades por meio desse acorde.
Observe esse exemplo: digamos que a tonalidade de uma música esteja em Dó maior até que, em
determinado momento, aparece o acorde Sol maior, seguido de Ré maior e Si menor.
Podemos ver claramente que a tonalidade mudou para Ré maior, mas o interessante é que o acorde
de Sol pertence tanto ao campo harmônico de Dó maior como ao campo de Ré maior. Na
tonalidade de D
ó, Sol é quinto grau (função dominante), enquanto que na tonalidade de Ré, Sol é
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quarto grau (função subdominante).

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Moral da história: para fazer essa modulação de Dó maior para Ré maior, nós mudamos a função de Sol: ele deixou de ser quinto grau e passou a ser utilizado como quarto grau. Essa é uma maneira interessante de modular, pois nós confundimos o ouvinte fazendo um mesmo acorde atuar com outra função.

Muitas vezes, essa técnica bem empregada faz a modulação ficar quase imperceptível; a tonalidade muda e o ouvinte desavisado nem percebe!

Bom, a definição que mostramos até agora não é a única possível para modulação diatônica. Por exemplo, numa música em Dó maior, depois de Sol poderia vir o acorde Dó menor, e nesse caso estaríamos modulando para o tom paralelo (http://www.descomplicandoamusica.com/tons-

a música para outra tonalidade.

Portanto, uma definição mais abrangente para modulação diatônica seria utilizar um acorde presente no campo harmônico original para levar a música até outro campo harmônico. Muitos autores também chamam esse tipo de modulação de “modulação por acorde comum/ pivô”.

Se fossemos pensar em cada possibilidade de modulação, ficaríamos uma eternidade aqui falando sobre como é possível mudar a função harmônica de um acorde (poderíamos transformar um V7 em dominante secundário (http://www.descomplicandoamusica.com/dominantes-secundarios/); este, por sua vez, poderia virar um subV7 (http://www.descomplicandoamusica.com/o-acorde- subv7/), etc. etc.). Não vale a pena ficar discorrendo sobre esses inúmeros casos, pois seria entediante. Basta que o conceito tenha sido entendido, pois os exemplos e ideias aparecerão quando fizermos análises em músicas.

Além dessa modulação, ainda existe a chamada “modulação cromática”.

O que é modulação cromática?

É

(http://www.descomplicandoamusica.com/escala-cromatica/) em uma (ou mais) notas de um acorde do campo harmônico original para poder utilizá-lo dentro de outro campo harmônico, alterando assim a tonalidade da música. Essa frase ficou longa, mas um exemplo pode facilitar:

Digamos que novamente a tonalidade de uma música seja Dó maior. Considere a seguinte sequência: C – Am – A – D. A tonalidade aqui mudou para Ré maior, sendo que a tática foi pegar o acorde Am e alterar cromaticamente a sua terça, transformando-o em um acorde maior. Esse Lá (que antes era menor e pertencia ao campo de Dó maior) virou um acorde maior, servindo de quinto grau para Ré (Lá maior pertence ao campo de Ré maior), concluindo a modulação.

A

A

Muito bem, agora que já conhecemos os recursos, vamos mostrar um exemplo de música que contém várias modulações, para você observar como os compositores trabalham isso na prática.

música abaixo possui 3 tonalidades: Ré maior, Sol maior e Fá# maior:

Madalena (Ivan Lins)

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Na primeira modulação, a tonalidade está em Ré maior, até que o acorde A7(9), que “deveria”

resolver em D7M (resolução esperada), acaba servindo como dominante do dominante (V7/V7), pois o acorde de Ré aparece com a sétima e resolve em G7M, caracterizando a primeira modulação.

Essa modulação pode ser classificada como modulação por dominante secundário para o IV grau, que é um tom vizinho direto (http://www.descomplicandoamusica.com/tons-vizinhos/). A partir desse momento, a tonalidade da música passa a ser Sol maior.

A

segunda modulação ocorre quando o acorde que era para ser Sol maior aparece como Sol

sustenido menor (G#m7(11)). Nesse exato instante, fica difícil de descobrir para onde a harmonia está indo, mas os próximos acordes vão dar a pista. Logo depois desse Sol# menor, vem o acorde G7(#11), que é um dominante alterado (http://www.descomplicandoamusica.com/escala-menor-

melodica/), e então aparece o acorde F#7M. Portanto, concluímos que aquele Sol sustenido menor atuou como segundo cadencial de Fá sustenido maior e G7 atuou como subV7 (http://www.descomplicandoamusica.com/o-acorde-subv7/), substituindo o quinto grau V7 de Fá#, que seria C#7. A partir desse ponto, a tonalidade passa a ser Fá# maior. Repare que essa modulação foi para um semitom abaixo da tonalidade anterior, que era Sol maior.

A

música ainda volta para a tonalidade inicial de Ré maior, por meio de mais uma modulação.

Nesse caso, a modulação ocorre por meio de um dominante do dominante (V7/V7), pois E7 atua como dominante de Lá, que por sua vez, atua como dominante V7 de Ré. Vale a pena destacar que, antes dessa modulação, aparece um acorde de empréstimo modal

(http://www.descomplicandoamusica.com/acorde-de-emprestimo-modal/) do tom homônimo (A7M, pertencente ao campo harmônico de F#m, que é o paralelo/homônimo de F# maior).

Existem outras características nessa música que poderiam ser analisadas à parte, como cadências imperfeitas, acordes invertidos, entre outras coisas. Mas como nosso foco aqui nesse tópico foi o assunto “modulação”, não quisemos dispersar a análise.

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