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21/01/2019 Áreas de Ressacas de Macapá e Santana - O FIM DE UM ECOSSISTEMA - Portal Luis Nassif

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Áreas de Ressacas de Macapá e Santana - O FIM DE UM


ECOSSISTEMA
Postado por Mario Oliveira em 12 janeiro 2013 às 21:47
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Ressaca é uma expressão regional empregada para designar um ecossistema típico da zona costeira do Amapá. São áreas encaixadas em
terrenos Quaternários que se comportam como reservatórios naturais de água, caracterizando-se como um ecossistema complexo e distinto,
sofrendo os efeitos da ação das marés, por meio de uma intricada rede de canais e igarapés e do ciclo sazonal das chuvas. De forma mais
sintética podemos dizer que as ressacas são bacias de acumulação de água, influenciadas pelo regime de marés, dos rios e das chuvas. Servem
de lar para as diversas formas de vida (plantas e animais), de grande importância para a cidade de Macapá visto que o sitio urbano de Macapá
encontrasse permeado por varias áreas de ressaca, entre as quais podemos citar: Lagoa dos índios, ressacas do Beirol, do Muca, Buritizal,
Universidade, Ressaca do Novo Horizonte entre outras.

Com relação a sua importância para o equilíbrio ambiental podemos citar que ecologicamente as ressacas são de utilidade primordial em
relação:

a) Ao clima da cidade de Macapá: A ressaca é excelente regulador térmico, por ser fonte de umidade e servirem de corredores de vento, já que
estes ventos se deslocam para os centros de concentração populacional e de fluxo de automotores, dissolvendo o calor e desconcentrando os
agentes poluentes, o que proporciona uma temperatura mais amena na área urbana de Macapá, assim, portanto funcionando as ressacas como
fonte de equilíbrio climático.

b) Reprodutor biológico: São criadouros naturais para muitas espécies de peixes, crustáceos que migram para as ressacas e lá se reproduzem e
na seqüencia retornam ao rio, pelos canais naturais que interligam os rios às ressacas.

c) Circulação e equilíbrio das águas: As áreas de ressacas se interligam umas com as outras e com os canais de drenagem, onde há a circulação
e o equilíbrio das águas, permitindo a determinação da pressão dos leitos fluviais primários, orientando escoamento e trânsito das águas
interiores e superficiais com o rio Amazonas, convergindo com as águas do Oceano Atlântico.

d) Centro natural paisagístico: A harmonia gerada pela rica biodiversidade presente nas ressacas e pelos seus aspectos físicos (solo e água, por
exemplo), cria um ambiente saudável que contribui para o bem-estar das pessoas e demais seres vivos. Para a cidade, o cenário natural
proporcionado pelas ressacas, valoriza as áreas urbanas situadas próximas a elas. As ressacas possuem um grande potencial econômico que
pode ser explorado pelo turismo.

Á
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21/01/2019 Áreas de Ressacas de Macapá e Santana - O FIM DE UM ECOSSISTEMA - Portal Luis Nassif
Hoje, estas áreas estão sendo antropizadas (Área antropizada - área cujas características originais (solo, vegetação, relevo e regime hídrico)
foram alteradas por conseqüência de atividade humana.

Existem tanto a nível Federal quanto a Estadual, leis que tratam da preservação de ambientes naturais com importantes funções ecológicas,
dentre os quais se incluem as áreas de ressacas.

Em 1999 houve a promulgação da Lei Estadual nº 0455, que trata especificamente dos ambientes Ressacas, impondo uma série de ações
proibitivas ao processo de uso e ocupação, conforme pode ser conferido nos incisos do Art. 02. Portanto a partir de 22 de julho de 1999
constituiu-se crime ambiental toda ação que possa induzir a degradação das áreas de Ressacas, estando o infrator sujeito às punições previstas
em lei.

Em 27 de maio de 2004, houve uma reformulação na Lei nº0455, pois a lei deixava de fora as áreas de várzeas, que possuem funções
ecológicas não menos importantes que as ressacas, com a mudança a Lei nº 0455 foi revogada e passou a vigorar com outro numero (Lei nº
0835), protegendo não só as áreas de ressaca mais todas as áreas úmidas (várzea e ressaca)

Lei Nº. 0835 de 27 de Maio de 2004.


Dispõe sobre a ocupação urbana e periurbana, reordenamento territorial, uso econômico e gestão ambiental das áreas de ressaca e várzea
localizadas no Estado do Amapá e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAPÁ:

Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Amapá aprovou e eu, nos termos do art. 107 da Constituição Estadual, sanciono a
seguinte Lei:

Art.1º- O Governo do Estado, com a colaboração das Prefeituras Municipais, num prazo de até 03 (três) anos, realizará o
Zoneamento Ecológico Econômico Urbano – ZEE, em escala de detalhe adequada, das áreas de ressaca e várzea localizadas nas zonas
urbanas e periurbanas, visando à promoção social, o ordenamento econômico e à proteção do meio ambiente.

Parágrafo único– Fica definida, para efeitos da presente Lei, o seguinte:.

I– VETADO;

II–Várzea: terrenos baixos e levemente planos que se encontram junto as margens dos rios, inundáveis diariamente sob influência das
marés, com vegetação predominantemente arbórea

Art.2º-Ficam proibidas novas ocupações e uso de áreas de ressaca urbana e periurbana, exceto para execução de obras de infra-
estrutura.

Parágrafo único: VETADO.

Art.3º-As atividades econômicas já existentes em áreas de ressaca e várzea, poluidoras ou potencialmente poluidoras, conforme estabelecida
na legislação vigente, terão prazo de até 01 (um) ano, após a aprovação do Zoneamento Ecológico Econômico Urbano - ZEEU, para a
regularização de suas atividades perante os órgãos competentes, ficando obrigadas a apresentar plano especial de recuperação das áreas por
elas degradadas.

Parágrafo único: As atividades econômicas em curso, instaladas em áreas de ressaca e várzea, de forte impacto social e ambiental, deverão
apresentar, junto aos órgãos ambientais competentes, um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental – TACA, enquanto se aguarda as
orientações do Zoneamento Ecológico Econômico Urbano – ZEEU.

Art. 4º - Após a conclusão do Estudo do Zoneamento Ecológico Econômico Urbano – ZEEU e constatando-se que a ocupação
urbana de uma área é irreversível do ponto de vista ambiental, fica essa área priorizada no ordenamento urbano e paisagístico, para
melhoria da qualidade de vida dos habitantes da mesma.

Parágrafo único: O Poder Público adotará na urbanização de áreas de ressaca e várzea fortemente ocupadas, intervenções estruturais que
garantam a drenagem, a permeabilidade de solo e a harmonia paisagística com o meio natural circundante.

Art. 5°-VETADO.

Art.6°-As áreas de ressaca e várzea preservadas terão como fins de uso prioritários a criação de Unidades de Conservação à nível
municipal e estadual.

Art.7°-VETADO.

Art.8º-As atividades lesivas ou em desacordo com o disposto na presente Lei sujeitará os infratores às sanções previstas na legislação
ambiental vigente.

Art.9°-VETADO.

Art.10°-Esta Lei será regulamentada pelo Poder Executivo, no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias após a realização do
Zoneamento Ecológico Econômico Urbano - ZEEU.

Art.11°- Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art.12°-Revoga-se a Lei n° 0835, de 22 de junho de 1999.

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Macapá, 27 de maio de 2004.

A lei existe mais, infelizmente, não é respeitada. Não é respeitada porque as "invasões" continuam acontecendo nestas áreas de ressacas. Hoje
estas áreas, correm o risco de desaparecerem

Motivados por fins "eleitoreiros", políticos se aproveitam da "miséria" deste povo que mora em áreas de ressacas para "compra de voto", haja
visto, que quase 20% da população hoje, de Macapá e 75% do segundo maior Município, Santana, moram em áreas de ressacas.

Existe, também, o abandono de uma APA "Área de Proteção Ambiental", localizada entre no divisor do município de Santana e Macapá, que
se encontra em total abandono e que corre o risco de desaparecer. Chama-se "APA da Fazendinha".

No município de Santana o problema ainda é maior. Todas as áreas de ressacas foram ocupadas por moradores. A partir dos anos 80 aconteceu
um elevado êxodo de pessoas de outros estados, principalmente do Estado do Pará de Maranhão, motivados pela política do Senador José
Sarney "Zona Franca de Macapá" e também, pela exploração mineral no nosso Estado. Em 1991, é concretizada a criação da Área de Livre
Comércio e Macapá e Santana pelo (Decreto Federal 8387, de 30 de dezembro de 1991).

Hoje a população é muito maior, e o Estado não se preparou para este crescimento e o caos é muito grande. Poucas áreas que ainda restam
correm o risco de desaparecerem. É lamentável!

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