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QUESTÕES

01 - (FGV - OAB - Exame de Ordem Unificado - XIX - Primeira Fase) Amadeu, aposentado, aderiu ao plano
de saúde coletivo ofertado pelo sindicato ao qual esteve vinculado por força de sua atividade labora-
tiva por mais de 30 anos. Ao completar 60 anos, o valor da mensalidade sofreu aumento significativo
(cerca de 400%), o que foi questionado por Amadeu, a quem os funcionários do sindicato explicaram
que o aumento decorreu da mudança de faixa etária do aposentado. A respeito do tema, assinale a
afirmativa correta.

A) O aumento do preço é abusivo e a norma consumerista deve ser aplicada ao caso, mesmo em se tratando de
plano de saúde coletivo e, principalmente, que envolva interessado com amparo legal no Estatuto do Idoso.
B) O aumento do preço é legítimo, tendo em vista que o idoso faz maior uso dos serviços cobertos e o equilíbrio
contratual exige que não haja onerosidade excessiva para qualquer das partes, não se aplicando o CDC à hipóte-
se, por se tratar de contrato de plano de saúde coletivo envolvendo pessoas idosas.
C) O aumento do valor da mensalidade é legítimo, uma vez que a majoração de preço é natural e periodicamente
aplicada aos contratos de trato continuado, motivo pelo qual o CDC autoriza que o critério faixa etária sirva como
parâmetro para os reajustes econômicos.
D) O aumento do preço é abusivo, mas o microssistema consumerista não deve ser utilizado na hipótese, sob
pena de incorrer em colisão de normas, uma vez que o Estatuto do Idoso estabelece a disciplina aplicável às rela-
ções jurídicas que envolvam pessoa idosa.

02 - (FGV - OAB - Exame de Ordem Unificado - XIX - Primeira Fase) Antônio desenvolve há mais de 40
anos atividade de comércio no ramo de hortifrúti. Seus clientes chegam cedo para adquirir verduras
frescas entregues pelos produtores rurais da região. Antônio também vende no varejo, com pesagem
na hora, grãos e cereais adquiridos em sacas de 30 quilos, de uma marca muito conhecida e respei-
tada no mercado. Determinado dia, a cliente Maria desconfiou da pesagem e fez a conferência na sua
balança caseira, que apontou suposta divergência de peso. Procedeu com a imediata denúncia junto
ao Órgão Oficial de Fiscalização, que confirmou que o instrumento de medição do comerciante esta-
va com problemas de calibragem e que não estava aferido segundo padrões oficiais, gerando prejuí-
zo aos consumidores. A cliente denunciante buscou ser ressarcida pelo vício de quantidade dos pro-
dutos. Com base na hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta.

A) Trata-se de responsabilidade civil solidária, podendo Maria acionar tanto o comerciante quanto os produtores.
B) Trata-se de responsabilidade civil subsidiária, pois o comerciante só responde se os demais fornecedores não
forem identificados.
C) Trata-se de responsabilidade civil exclusiva do comerciante, na qualidade de fornecedor imediato.
D) Trata-se de responsabilidade civil objetiva, motivo pelo qual inexistem excludentes de responsabilidade.

03 - (FGV - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII - Primeira Fase) Dulce, cinquenta e oito anos de idade,
fumante há três décadas, foi diagnosticada como portadora de enfisema pulmonar. Trata-se de uma doen-
ça pulmonar obstrutiva crônica caracterizada pela dilatação excessiva dos alvéolos pulmonares, que cau-
sa a perda da capacidade respiratória e uma consequente oxigenação insuficiente. Em razão do avançado
estágio da doença, foi prescrito como essencial o tratamento de suplementação de oxigênio. Para tanto,
Joana, filha de Dulce, adquiriu para sua mãe um aparelho respiratório na loja Saúde e Bem-Estar. Porém,
com uma semana de uso, o produto parou de funcionar. Joana procurou imediatamente a loja para substi-
tuição do aparelho, oportunidade na qual foi informada pela gerente que deveria aguardar o prazo legal de
trinta dias para conserto do produto pelo fabricante. Com base no caso narrado, em relação ao Código
de Proteção e Defesa do Consumidor, assinale a afirmativa correta.

A) Está correta a orientação da vendedora. Joana deverá aguardar o prazo legal de trinta dias para conserto e,
caso não seja sanado o vício, exigir a substituição do produto, a devolução do dinheiro corrigido monetariamente
ou o abatimento proporcional do preço.
B) Joana não é consumidora destinatária final do produto, logo tem apenas direito ao conserto do produto durável
no prazo de noventa dias, mas não à devolução da quantia paga.
C) Joana não precisa aguardar o prazo legal de trinta dias para conserto, pois tem direito de exigir a substituição
imediata do produto, em razão de sua essencialidade.

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D) Na impossibilidade de substituição do produto por outro da mesma espécie, Joana poderá optar por um modelo
diverso, sem direito à restituição de eventual diferença de preço, e, se este for de valor maior, não será devida por
Joana qualquer complementação.

04 - (FGV - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII - Primeira Fase) Hugo colidiu com seu veículo e ne-
cessitou de reparos na lataria e na pintura. Para tanto, procurou, por indicação de um amigo, os serviços
da Oficina Mecânica M, oportunidade na qual lhe foi ofertado orçamento escrito, válido por 15 (quinzE)
dias, com o valor da mão de obra e dos materiais a serem utilizados na realização do conserto do automó-
vel. Hugo, na certeza da boa indicação, contratou pela primeira vez com a Oficina.Considerando as re-
gras do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, assinale a afirmativa correta.

A) Segundo a lei do consumidor, o orçamento tem prazo de validade obrigatório de 10 (dez) dias, contados do seu
recebimento pelo consumidor Hugo. Logo, no caso, somente durante esse período a Oficina Mecânica M estará
vinculada ao valor orçado.
B) Uma vez aprovado o orçamento pelo consumidor, os contraentes estarão vinculados, sendo correto afirmar que
Hugo não responderá por quaisquer ônus ou acréscimos no valor dos materiais orçados; contudo, ele poderá vir a
responder pela necessidade de contratação de terceiros não previstos no orçamento prévio.
C) Se o serviço de pintura contratado por Hugo apresentar vícios de qualidade, é correto afirmar que ele terá trí-
plice opção, à sua escolha, de exigir da oficina mecânica: a reexecução do serviço sem custo adicional; a devolu-
ção de eventual quantia já paga, corrigida monetariamente, ou o abatimento do preço de forma proporcional.
D) A lei consumerista considera prática abusiva a execução de serviços sem a prévia elaboração de orçamento, o
que pode ser feito por qualquer meio, oral ou escrito, exigindo-se, para sua validade, o consentimento expresso ou
tácito do consumidor.

05 - (FGV - TJ-PI - Analista Judiciário - Oficial de Justiça e Avaliador) Valéria recebeu em seu domicílio
uma correspondência do Banco AZ S.A. com um cartão de crédito. O produto não foi solicitado e
Valéria não é cliente da instituição. Ela inutilizou o cartão e o descartou. No mês seguinte, recebeu
uma fatura cobrando pela anuidade do referido produto. Trata-se, no caso, de:

A) erro essencial que torna anulável o negócio jurídico em questão;


B) relação de consumo, em que Valéria é consumidora por equiparação;
C) venda casada, por subordinar a aquisição do cartão ao pagamento de anuidade;
D) vício por lesão, por impor a Valéria uma contratação desproporcional;
E) vício por estado de perigo, em razão do evidente dolo de aproveitamento.

06. (FGV - TJ-RO - Oficial de Justiça) João adquiriu um produto que apresentava vício aparente, diri-
gindo-se, após determinado período, ao fornecedor para efetuar a sua reclamação. No entanto, não
conseguiu que sua reclamação sequer fosse registrada, sob a alegação de caducidade de seu direito.
Com base no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, a alegação de caducidade feita pelo for-
necedor de serviços se justifica porque o produto adquirido por João era:

A) não durável, e a reclamação se deu 15 (quinzE) dias após o fornecimento;


B) durável, e a reclamação se deu 120 (cento e vintE) dias após o fornecimento;
C) durável, e a reclamação se deu 60 (sessentA) dias após o fornecimento;
D) não durável, e a reclamação se deu 7 (setE) dias após o fornecimento;
E) durável, e a reclamação se deu 30 (trintA) dias após o fornecimento.

07. (FGV - DPE-MT - Advogado) Em relação à cobertura de tratamento experimental por operadora de
plano de saúde, assinale a afirmativa correta.

A) É abusiva a cláusula de contrato de plano de saúde que vede a cobertura de tratamento experimental em qual-
quer caso.
B) A operadora de plano de saúde será compelida a custear o tratamento experimental apenas quando houver
cláusula expressa no contrato.
C) A obrigação da operadora de plano de saúde de custear o tratamento experimental está expressamente previs-
ta no CDC.
D) O consumidor poderá optar pelo tratamento experimental às expensas da operadora de plano de saúde, ainda
que o tratamento convencional se mostre eficaz.

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E) A operadora de plano de saúde deve custear tratamento experimental se houver indicação médica.

08. (FGV- DPE-MT - Advogado) A respeito da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço, assi-
nale a afirmativa INCORRETA.

A) Se o vício do produto não for sanado no prazo máximo de 30 dias, e na impossibilidade de se atender pedido
do consumidor de substituição por outro da mesma espécie, o Código de Defesa do Consumidor autoriza a substi-
tuição por outro de espécie superior, mas veda a complementação de eventual diferença de preço.
B) No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor imediato,
exceto quando identificado claramente seu produtor.
C) O CDC autoriza que a reexecução de serviços prestados pelo fornecedor seja por ele confiada a terceiros.
D) A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o exime
de responsabilidade.
E) No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de qualquer produto, considerar-se-á implíci-
ta a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição originais adequados e novos, ou que man-
tenham as especificações técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização em contrário do con-
sumidor.

09. (FGV - DPE-MT - Advogado) A respeito das cláusulas abusivas, assinale V para a afirmativa verda-
deira e F para a falsa.

( ) A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência,
apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualq uer das partes.
( ) No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento
ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informar -lhe prévia e adequadamente sobre a
soma total a pagar, com e sem financiamento.
( ) As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo poderão ser superiores a
dois por cento do valor da prestação.

As afirmativas são, respectivamente,

A) F, F e V.
B) V, V e F.
C) V, F e F
D) F, V e V.
E) F, V e F.

10. (FGV- TJ-PI - Analista Judiciário -Escrivão Judicial) Helena dirige-se ao Centro Hospitalar K LTDA
para realizar uma consulta emergencial. Após ser atendida por um médico plantonista do hospital,
ela retorna à casa com as devidas recomendações médicas e prescrições de medicamentos. Seu es-
tado de saúde se agrava e ocorre o óbito. O laudo cadavérico atesta erro médico quanto ao tratamen-
to aplicado a Helena. Sobre o ocorrido:

A) verifica-se uma relação de consumo, e o Centro Hospitalar, como fornecedor, responderá subjetivamente pelo
vício do serviço prestado;
B) não se verifica uma relação de consumo, e o Centro Hospitalar não responderá pelo erro do seu preposto mé-
dico;
C) verifica-se uma relação de consumo, e o médico responderá objetivamente como fornecedor do serviço viciado;
D) verifica-se uma relação de consumo, e o Centro Hospitalar responderá objetivamente pelo fato do serviço;
E) não se verifica uma relação de consumo, mas o Centro Hospitalar responderá subjetivamente pelo dano cau-
sado por seu preposto médico.

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GABARITO

01 A – COMENTÁRIOS:

A questão tem por gabarito a assertiva de letra A. Assim, aplica-se aos art. 15, § 3º, do Estatuto do Idoso (Lei n.
10.741/03) c/c art. 51, IV e § 1º, II e III, do CDC.

02 C – COMENTÁRIOS:

A questão tem como gabarito a alternativa de letra C e tem por base legal os arts. 18, § 5º c/c 19, § 2º, do CDC.

03 C – COMENTÁRIOS:

A questão tem por gabarito a letra C e tem por base legal o art. 18, § 3°, do CDC: “ O consumidor poderá fazer
uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das
partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de
produto essencial.”

04 C – COMENTÁRIOS:

A questão tem por assertiva correta a letra C, e tem por base legal o art. 20, do CDC: “O fornecedor de serviços
responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como
por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, po-
dendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e
quando cabível; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço.

§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do
fornecedor.
§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam,
bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.”

05 B – COMENTÁRIOS:

De acordo com o art. 39 do CDC: "É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusi-
vas: (...) III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer
serviço; (...) Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor, na
hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras grátis, inexistindo obrigação de pagamento." Além disso,
segundo o art. 29 do CDC: "Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as
pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas." E por fim, a Súmula 532. STJ, com o seguin-
te teor: “Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do con-
sumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.” Correta a assertiva
de letra B.

06 B – COMENTÁRIOS:

A questão tem por gabarito a letra B e sua base legal encontra-se no art. 26, incisos e § 1º do CDC: “O direito de
reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de
serviço e de produtos não duráveis; II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos durá-
veis. § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da exe-
cução dos serviços.”

07 E – COMENTÁRIOS:

Correta a assertiva de letra E. De acordo com o entendimento do STJ: “A seguradora ou operadora de plano de
saúde deve custear tratamento experimental existente no País, em instituição de reputação científica reconhecida,
de doença listada na CID-OMS, desde que haja indicação médica para tanto, e os médicos que acompanhem o
quadro clínico do paciente atestem a ineficácia ou a insuficiência dos tratamentos indicados convencionalmente

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para a cura ou controle eficaz da doença. STJ. 4ª Turma. REsp 1.279.241-SP,Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
16/9/2014 (Inf. 551)”.

08 A – COMENTÁRIOS:

Correta a alternativa de letra A e tem por base o art. Art. 18, §§ 1° e 4º, do CDC. “§ 1º Não sendo o vício sanado
no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do
produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço.

§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a substitui-
ção do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementa-
ção ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste arti-
go.”

09 B – COMENTÁRIOS:

Correta a alternativa de letra B e fundamenta-se nos arts. 51, § 2º e 52, V, do CDC:

“Art. 51, § 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausên-
cia, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.”

“Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento
ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre: V - soma
total a pagar, com e sem financiamento.”

10 D – COMENTÁRIOS:

Observe o seguinte julgado do STJ:

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. ERRO MÉDICO. PAR-
TO. USO DE FÓRCEPS. CESARIANA. INDICAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA. LESÃO NO MEMBRO SUPERIOR
ESQUERDO. MÉDICO CONTRATADO. CULPA CONFIGURADA. HOSPITAL. RESPONSABILIDADE SUBJETI-
VA. AÇÃO DE REGRESSO. PROCEDÊNCIA. DANOS MORAIS. VALOR. RAZOABILIDADE.1. A jurisprudência
desta Corte encontra-se consolidada no sentido de que a responsabilidade dos hospitais, no que tange à atuação
dos médicos contratados que neles trabalham, é subjetiva, dependendo da demonstração da culpa do preposto.2.
A responsabilidade objetiva para o prestador do serviço prevista no artigo 14 do Código de Defesa do Consumi-
dor, no caso o hospital, limita-se aos serviços relacionados ao estabelecimento empresarial, tais como a estadia
do paciente (internação e alimentação), as instalações, os equipamentos e os serviços auxiliares (enfermagem,
exames, radiologiA). Precedentes.3. No caso em apreço, ambas as instâncias de cognição plena, com base na
prova dos autos, concluíram que houve falha médica seja porque o peso do feto (4.100 gramas) indicava a neces-
sidade de realização de parto por cesariana, seja porque a utilização da técnica de fórceps não se encontra justifi-
cada em prontuário médico.4. A comprovação da culpa do médico atrai a responsabilidade do hospital embasada
no artigo 932, inciso III, do Código Civil ("São também responsáveis pela reparação civil: (...) III - o empregador ou
comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão
dele;"), mas permite ação de regresso contra o causador do dano. (REsp 1526467/RJ, Rel. Ministro RICARDO
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/10/2015, DJe 23/10/2015).

Dele se depreende que o hospital, mesmo que se trate de uma relação consumerista, apenas responderá objeti-
vamente quanto "aos serviços relacionados ao estabelecimento empresarial, tais como a estadia do paciente (in-
ternação e alimentação), as instalações, os equipamentos e os serviços auxiliares (enfermagem, exames, radiolo-
giA)". Tratando-se de hipótese de erro exclusivo do médico, que atue sob qualquer condição, a responsabilidade
permanece subjetiva. Atente que não necessariamente quando presente uma relação de consumo o hospital res-
ponderá objetivamente por culpa exclusiva do preposto. Correta, portanto a assertiva de letra D.

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