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EXCELENTÍSSIMO SENHOR PROCURADOR-GERAL DA

REPÚBLICA, DR. ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS

GUSTAVO FRUET, brasileiro, Deputado Federal pelo PSDB-


PR, Líder da Minoria na Câmara dos Deputados, com endereço funcional na
Câmara dos Deputados, Anexo IV, Gabinete 821 (61-32155821), Brasília-DF,
vem, respeitosamente, com fundamento na alínea “a” do inciso XXXIV do art. 5º e
no art. 37, caput, da Constituição Federal, encaminhar INFORMAÇÕES, em
virtude de fatos denunciados pela imprensa, e pedir a adoção das providências
cabíveis a respeito de graves fatos ocorridos na Casa Civil da Presidência da
República, divulgados pela imprensa nacional, que indicam possível
ocorrência de tráfico de influência e outras irregularidades previstas na Lei
8.112 de 11 de dezembro de 1990.

A revista Veja, em sua edição 2186 de 09/10/2010 publicou: :

“As agulhadas da Casa Civil


Geraldo Alckmin era pré-candidato à Presidência da República em 2006 e
tinha acabado de deixar o cargo de governador de São Paulo quando
explodiu o escândalo das agulhas. A imprensa revelou que o acupunturista
Jou Fel Jia espetava agulhas em Alckmin sem cobrar nada, mas o
tratamento não era propriamente gratuito. Thomaz Rodrigues, filho de
Alckmin, e Suelyen Jou, filha de Jia, eram sócios em uma loja de produtos
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naturais, e uma revista editada pelo chinês, a Ch’an Tao, recebera 60 000
reais de publicidade da companhia estatal de energia. Alckmin foi o assunto
de capa da revista. Um episódio igualmente constrangedor se desenrola
agora em torno da candidata petista Dilma Rousseff.
Dilma se submete a sessões regulares de acupuntura uma ou duas vezes
por semana. A ex-ministra não paga pelo serviço. A generosidade do
provedor de saúde da candidata petista, porém, não significa que o
tratamento seja gratuito.
Quando Dilma ainda estava no governo, seu acupunturista, o chinês
naturalizado brasileiro Gu Zhou-Ji, foi nomeado para o cargo de assessor
técnico da Casa Civil, com salário de 4 000 reais. No Planalto, Gu goza de
privilégios incomuns. Tem horário flexível e só atende funcionários com
consulta marca da. A prioridade, especialmente agora, na campanha, é o
atendimento à petista e ex-chefe Dilma Rousseff. Na tarde da última quarta-
feira, enquanto a candidata participava de uma carreata na Baixada
Fluminense do Rio, em Brasília o acupunturista ficou de prontidão.
Aguardava telefonema de Anderson Dorneles, uma espécie de faz-tudo da
candidata Dilma, para combinar mais uma sessão de agulhadas tão logo ela
retomasse da viagem. “Eu espero o pessoal dela ligar e, quando chamam,
nós vamos, eu e meu pai”, diz ele. “Agora, durante a campanha, está um
pouco corrido e depende de sobrar um tempinho na agenda dela”, completa,
em português ainda vacilante e carregado de sotaque. Enquanto o telefone
celular não toca com o chamado da candidata, o terapeuta chinês dá
consultas particulares ao preço de 130 reais por sessão. Ele atende em
domicílio. O horário de trabalho no Planalto não é empecilho.
Gu Zhou-Ji, ou Titi, como é conhecido, foi apresentado a Dilma pelo pai, Gu
Hanghu, acupunturista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois
atendem juntos a candidata. Sobre a gratuidade do serviço, é o pai quem
diz: “Não cobramos porque a ministra é nossa amiga e porque, ajudando a
saúde, dela, estamos ajudando o Brasil”. À pergunta sobre o emprego do
filho no Planalto, o acupunturista-pai diz: “Por favor, não diga que ele
trabalha lá”. Gu, o filho, foi nomeado em outubro do ano passado, quando
Dilma ainda era ministra. A portaria foi assinada por seu braço direito, a
então secretária executiva Erenice Guerra, que se demitiu do cargo e caiu
em desgraça depois da revelação de malfeitorias na Casa Civil.”

O jornal Folha de São Paulo, em sua edição de 11/10/2010


publicou:

“Acupunturista de Dilma ocupa cargo na Casa Civil


Contratado como "assessor técnico" no ano passado, Gu Zhou-Ji ganha R$
4.000 para atender aos servidores
Assessoria diz que ele pode ter acompanhado sessões feitas pelo pai; Zhou-
Ji nega receber do governo para atendê-la
MATHEUS LEITÃO
MÁRCIO FALCÃO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
A Casa Civil, sob o comando da candidata do PT à Presidência, Dilma
Rousseff, contratou o filho do acupunturista dela e do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Gu Zhou-Ji, que ajuda o pai no atendimento à candidata, ganha R$ 4.000
por mês para atender servidores da pasta.
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A princípio, Zhou-Ji foi nomeado como "assessor técnico" em outubro de
2009. Em abril de 2010, parou de exercer função burocrática e passou a
aplicar suas técnicas terapêuticas, como ele mesmo explicou à Folha
, nos "funcionários e seus dependentes". Dilma deixou o governo no final de
março.
Mas o serviço de Zhou-Ji não se restringe à Casa Civil. Como assistente do
pai, o acupunturista Gu Hanghu, ele ajuda no atendimento à candidata
Dilma.
Segundo Zhou-Ji, ela recebe atendimento duas vezes por semana na casa
dela ou no consultório do pai, em sessões particulares, para combater "o
estresse" e para "recuperação do corpo" após o tratamento do câncer
linfático que teve no ano passado.
É mais para a manutenção mesmo", disse ele. A assessoria de Dilma
informou que Zhou-Ji pode ter acompanhado sessões terapêuticas do pai
com a candidata.
Zhou-Ji nega que receba da Casa Civil para atender a petista. Segundo ele,
as consultas da petista ocorrem nos finais de semana ou fora do horário de
expediente. De acordo com a revista "Veja", ele tem privilégios na Casa
Civil, com "horário flexível" de trabalho. Ele nega.
Especialista na medicina tradicional chinesa, Zhou-Ji é formado pela
universidade de Xangai, e também faz massagem terapêutica.
Perguntado sobre o que faz na Casa Civil, diz: "Essa parte você tem de
perguntar no Planalto. Eles já tem uma resposta direitinha. Primeiro, fui
contratado como assistente técnico. Mas como apresentei diploma em
acupuntura, passei a atender."
A então ministra Erenice Guerra, que deixou o governo após acusações de
tráfico de influência, utilizava os serviços de acupuntura, segundo Zhou-Ji:
"Ela estava com problema de coluna e não frequentava só a minha sala,
tinha outros atendimentos médicos", disse. Erenice assinou a nomeação do
acupunturista.
Zhou-Ji disse não ver conflito de interesses no fato de o pai atender o
presidente Lula e ele trabalhar no Planalto. "Uma coisa é fazer tráfico de
influência e ganhar R$ 100 mil por mês. Eu ganho R$ 4.000, sou bom no
que faço, mal consigo pagar o colégio de dois dos meus três filhos".
Ao lado do pai, ele já viajou como "convidado especial" do governo à China,
em maio de 2004, na comitiva de Lula. Ele já recebeu R$ 4.000 em diárias
de viagens.
Segundo Zhou-Ji, cerca de 100 servidores já são pacientes registrados em
seu consultório no Planalto.”

O jornal Folha de São Paulo, em sua edição de 15/10/2010


publicou editorial:

“Acupuntura
Em que pese o esfumaçamento das fronteiras entre as esferas pública e
privada, que tem sido uma das marcas negativas do atual governo, é com
uma nota de surpresa que se recebe a revelação de que o Executivo federal
contratou o filho do acupunturista do presidente Lula para prestar serviços
na Casa Civil.
Comparado a casos como o mensalão ou o tráfico de influência naquele
mesmo ministério, trata-se de episódio menor -mas ainda assim simbólico.
Mais uma vez o PT, no exercício do poder, turva os limites entre o pessoal e
o impessoal ao premiar apaniguados com cargos estatais.
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Gu Zhou-Ji, que também ajuda o pai no acompanhamento terapêutico da
candidata Dilma Rousseff, recebe R$ 4.000 mensais para atender servidores
da pasta. Nomeado em outubro de 2009 como "assessor técnico", o servidor
tem aplicado seus conhecimentos curativos em funcionários da Casa Civil e
"dependentes", segundo seu próprio relato.
É notável a sem-cerimônia com que a contratação foi realizada, como se
ninguém lembrasse que não cabe ao contribuinte pagar a conta de sessões
de acupuntura de uma parcela do funcionalismo. Ainda mais quando o
próprio terapeuta, e seu pai, prestam serviços ao presidente da República e
à candidata que, quando ministra, autorizou a sua contratação.
A vida pública torna-se uma extensão da vida doméstica. Por essa lógica
seria aceitável que a lista de "assessores técnicos" se ampliasse para
contemplar outras categorias de profissionais -quem sabe professores de
ginástica ou orientadores de estilo.
Consta que Lula e Dilma pagam do próprio bolso as suas sessões de
acupuntura -apenas, satisfeitos com o resultado, resolveram propiciar aos
demais membros do ministério os benefícios para a saúde que têm auferido.
É uma nobre preocupação, mas o certo seria que, como qualquer cidadão,
os funcionários da Casa Civil e seus dependentes arcassem com as
despesas da acupuntura -o que dispensaria a aquisição de funcionário
público federal especializado nessa técnica milenar.”

A gravidade do conteúdo destas resportagens deve ser


devidamente investigada, principalmente considerando que o servidor Gu Zhou-Ji,
foi nomeado em cargo comissionado na Administração Pública, para cumprir
carga horária de 40 horas semanais, conforme ato de nomeação e informações
constantes do Portal da Transparência da Presidência da República, no site
www.transparencia.gov.br. No entanto, segundo a reportagem da Revista Veja,
acima mencionada, Gu Zhou-Ji afirmou que ele fica à disposição da candidata
Dilma Rousseff, ao asseverar: “Eu espero o pessoal dela ligar e, quando
chamam, nós vamos, eu e meu pai”. Afirma também que: “Agora, durante a
campanha, está um pouco corrido e depende de sobrar um tempinho na
agenda dela”, diante disto não restam dúvidas de que o servidor fica inteirmante à
disposição da candidata, dependendo, inclusive, da agenda dela.

Isto indica que a ex-ministra Dilma Rousseff, mesmo


totalmente desligada da Administração Pública, continuaria se utilizando da
máquina estatal para proveito pessoal, beneficiando-se de serviços prestados por

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servidores que deveriam estar em horário de trabalho, para atender necessidades
pessoais.

Ante o exposto, requer o representante:

a) a instauração do competente procedimento investigatório;

b) a adoção de todas as demais providências que Vossa


Excelência considerar necessárias à defesa da ordem jurídica vigente, mormente
com relação ao uso da máquina estatal para proveito pessoal, e defesa do erário
público.

Termos em que pede deferimento.


Brasília, de outubro de 2010.
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Deputado GUSTAVO FRUET